Título: O regente educador como motivador de Coros amadores
1. INTRODUÇÃO
Cantar em conjunto é uma atividade presente em diversos contextos, como coros em
empresas, igrejas, escolas, ongs, entre outros. A atividade coral proporciona espaço para o
aprendizado musical, para o convívio, para o lazer e para fins profissionais. O canto coral é
uma prática coletiva que poderá se realizar com diferentes faixas etárias. É importante
perceber que somente o ato de cantar em conjunto já apresenta benefícios para todos(as)
envolvidos(as) no processo. Nas palavras de Amato (2007), o canto coral é uma relevante
manifestação educacional musical e uma significativa ferramenta de integração social.
Ainda citando a autora Fucci Amato (2007), a mesma explica que para atingir os
benefícios desejados da prática coral, a atividade precisa ser orientada e bem conduzida.
Nesse ponto conseguimos enxergar a primeira parte deste trabalho, ou seja, como um regente
poderá realizar uma atividade educacional musical tão bem quanto um professor sem perder
sua qualidade como musicista? Ou melhor dizendo, quais saberes necessários à prática
docente que o regente poderá incluir no seu ensaio?
É importante salientar que a figura do regente tem sido vinculada a várias finalidades
que podem ser musicais e até extra musicais, que vão de um solfejo até motivador ou
psicólogo do grupo. Além dessas funções, o regente também pode ter a finalidade de
educador musical, entretanto a regência também é uma área da música, assim como a
educação musical. Por isso, o presente projeto pretende discutir e analisar a figura do regente
como educador musical, em outras palavras, até onde o regente é regente e até onde é
educador musical.
Depois de pensar na figura do regente, precisamos pensar na figura do professor, a
fim de compará-las e buscar as ligações entre as mesmas. Antes de pensar no docente
propriamente dito, precisamos buscar conceituar a educação. O ato de ensinar existe mesmo
antes das escolas ou de qualquer forma sistematizada de ensino, pois o ato de ensinar pode
acontecer em casa, na rua, ou em qualquer espaço e ser mediado por quaisquer sujeitos
envolvidos nesse processo, como diria o cancioneiro popular “cantar e cantar e cantar, a
beleza de ser um eterno aprendiz.”
Para fazer a ligação entre as duas figuras, voltamos nossos olhos para Paulo Freire,
educador e filósofo brasileiro, considerado como um dos pensadores mais notáveis na
história da pedagogia brasileira, escreve em seu livro “Pedagogia da autonomia: Saberes
necessários à prática educativa” princípios basilares para a prática docente. Neste projeto, o
intuito não é de exaurir a pedagogia freireana e nem o seu livro, mas de conectar estes
princípios à música e ao regente como educador musical.
De acordo com Gomes, Geraldo e Coelho (2021), Freire traz uma nova concepção de
educação e do processo de ensino aprendizagem, exigindo do docente uma nova postura, na
verdade, exige do docente uma maior interação com os problemas da sociedade. Em outras
palavras, os autores buscam explicitar que a educação deve ser uma resposta aos problemas
sociais e não somente “eruditismo” de poucos.
Ainda de acordo com os mesmos autores, Freire busca entender o próprio homem,
antes de refletir sobre a educação. Ao contrário da educação bancária, na qual o homem é
objeto da educação, em Freire, o homem deverá ser sujeito da educação, ser ativo e não
passivo, ou seja, não se tornar apenas recipiente de conteúdo, mas produtor de conteúdos
também. (GOMES; GERALDO; COELHO. 2021)
Além de fazer comparações teóricas a respeito da figura do regente e do docente.
Também é necessário realizar observações desta temática durante os momentos de ensaio e
realizar entrevistas com os envolvidos na prática coral, buscando perceber se possuem a
noção do momento educacional praticado.
Para explicar sobre o momento do ensaio, acrescentaremos a autora Clemente (2014)
que explica que no ensaio o ambiente deve ser prazeroso, estimulando e fortalecendo o
processo permanente de musicalização, não apenas no sentido de lazer, mas de estar
desenvolvendo um trabalho musical e de estar crescendo musicalmente com esta atividade.
Dessa forma os ensaios devem estar sempre relacionados com os objetivos e adaptados a cada
coral.
A autora Clemente (2014) também afirma que é função do regente ajudar os coralistas
a se desenvolverem musicalmente, sendo o condutor do processo educacional. Também é
função do regente recuperar a capacidade dos coralistas de fazer música, mesmo que não
saibam cantar, dessa forma deve-se saber como entusiasmar e despertar o interesse do grupo.
O regente ainda deve ter cuidado para não transformar o coralista em repetidor, pois isso não
garante a aprendizagem, por outro lado, deve propor a reflexão e compreensão do que estão
fazendo.
Neste ponto chegamos ao motivo deste projeto, ou seja, buscamos responder a
pergunta de como o regente, consciente de seu papel como educador musical, conseguirá
motivar um coro de amadores. A partir da comparação das duas figuras, a de regente e
educador, podemos pensar em outras possibilidades extra musicais. Em outras palavras,
podemos pensar a motivação, o desenvolvimento e o aprendizado do grupo partindo do ponto
inicial de que o regente, não é apenas uma figura musical, mas que age, reflete e avalia, ou
seja, que também educa.
Desde os 8 anos de idade estudando música, faz com que muitos conteúdos
relacionados a música sejam de fácil e rápida compreensão, ou seja, podemos dizer que o
autor desse pré-projeto teve uma base sólida quando o assunto é educação musical, visto que
o mesmo frequentou conservatórios, estudou, tocou e para ser mais preciso, contou com a
ajuda da mãe musicista que se dedicou a ensinar seu filho.
Ao se tornar mais velho, concluir o curso de graduação em música com ênfase em
regência, assumir coros amadores e iniciar uma orquestra na organização da sociedade civil
(OSC) em que trabalha, percebeu que muitos de seus coristas, infelizmente, não tiveram a
mesma oportunidade de se aprofundar e ter conhecimento sobre educação musical e seus
benefícios. Por isso, durante os ensaios realizados, procurou-se ensinar sobre leitura de
partitura, técnica vocal, extensão, dinâmicas, cortes, regência, harmonia e outros assuntos que
envolvem a música e sua prática.
Além dos cursos voltados para área de música, também conseguiu realizar outras
atividades extra musicais como licenciatura em Ciências Sociais pela UPE e uma
especialização na área de psicopedagogia pela Estácio. Nestas atividades, o autor focou em
suas pesquisas de curso, sobre a figura do docente, a música e como ensinar para várias faixas
etárias. Formas de ensino, metodologias ativas, desenvolvimento do aprendente, sempre
foram temáticas que permearam a vida acadêmica e a vida secular do autor deste pré-projeto.
Sendo assim, o autor do presente trabalho, se questiona e reflete sobre a importância
do regente se tornar um docente, não somente durante o ensaio, mas que consegue planejar as
atividades, aplicar e também avaliar todo processo, visando o crescimento do grupo
trabalhado, mas sempre entendendo que será uma “via de mão-dupla”, ou seja, da mesma
forma que o regente ensina, também aprende e da mesma forma que o coralista aprende,
também ensina.
Além de refletir sobre o porquê de se tornar um regente docente, também buscamos o
como se tornar, ou seja, não somente o motivo de se realizar uma atividade coral pensando a
educação, mas como um regente poderá se tornar docente durante a realização dos ensaios.
É importante ressaltar que o autor deste pré-projeto já está à frente de coros amadores
e infantil, assim, percebe como se torna difícil falar sobre alguns temas relacionados à
educação musical para coralistas que, apesar de serem musicais, nunca receberam aula formal
de teoria musical. Portanto, realizar este pré-projeto é para o autor, a busca da melhoria de
sua própria prática.
Visando discutir a figura do educador, damos um passo atrás e voltamos para Paulo
Freire (2002). Como dito, não temos o objetivo de exaurir a pedagogia freireana, mas de
trazer para nosso debate um livro do autor cujo tema é saberes necessários à prática docente.
Assim, conseguimos conversar sobre o olhar de um educador e pensar a nossa práxis
educacional de maneira mais abrangente.
No livro visitado, podemos encontrar princípios basilares para a práxis docente, além
dos capítulos abordados neste pré-projeto, o autor também demonstra subcapítulos sobre
autoridade, sobre respeito aos discentes, ao entendimento de quem é o docente e quem são os
discentes. Por isso, se faz necessária a leitura de um autor que nos leve à reflexão e nos
possibilite fincar bases sólidas, a fim de que toda reflexão leve diretamente para prática.
Entrando melhor neste tema, conseguimos ancorar nossas pesquisas nos autores
Arlindo Leandro Gomes, Júnia Maria Geraldo e Edgar Pereira (2021) no seu artigo sobre a
utilização de referenciais freireanos no canto coral. Neste artigo, podemos perceber a
utilização da teoria do educador Paulo Freire sendo conectado a área musical e ainda mais
especificamente à prática do canto coral.
Os autores concluem que para além de apenas benefícios musicais, o canto coral,
alinhado com os referenciais freirianos, poderiam abordar questões sociais, problemas dentro
das comunidades, desigualdades, inclusão social, inter relações sociais pessoais e com o
coletivo, além de outras questões. Assim, os autores concluem que
Com este artigo, nota-se que a influência pedagógica de Paulo
Freire é contemporânea e aplicável na educação musical,
contribuindo para a libertação dos sujeitos e grupos menos
privilegiados. A construção ativa do conhecimento envolve não
apenas o educador, mas os estudantes, suas famílias, escolas e
demais atores envolvidos no contexto educacional e sociedade.
Apesar de desafiador, é de suma importância garantir o acesso
à educação musical como um direito para todos. (GOMES;
GERALDO; COELHO. 2021. p 365)
Para discussão da figura do regente temos Rita de Cássia Fucci Amato (2009) que
trata sobre a questão do regente além das questões musicais. A autora trata de questões como
o regente motivador, o regente que tem uma prática intencional, que lidera e desenvolve
qualquer grupo que esteja à frente.
Ainda de acordo com a autora, a motivação é um processo contínuo no qual fatores
externos contribuem a partir dos fatores internos. Em outras palavras, é uma soma do desejo
pessoal com a realização externa destes desejos. É um indivíduo encontrando satisfação no
ato de cantar em grupo e sendo motivado a isso. (Amato, 2009)
Ainda citando a autora Amato, mas agora em conjunto com outro autor, eles
concluem que a motivação no canto coral configura-se como um processo que somente
atingirá seu limite a partir da figura do regente, que na utilização de habilidades e ferramentas
de gestão de pessoas. (AMATO; NETO; 2009)
É necessário também para a autora Andrade (2014) que aponta em seus estudos para
utilização da voz como possibilidade para educação musical. É necessário levar em
consideração a cultura e os significados musicais de determinado contexto. Assim, fazer
música não é apenas impor uma música para os coralistas e sim propor novas reflexões e
incentivar o desenvolvimento musical.
Ainda segundo a autora Andrade (2017) que o canto coral não necessita se prender a
formas engessadas. a autora conclui que
“Propostas como esta evidenciam a concepção de que o canto
coral pode transcender a execução e reprodução de
procedimentos músico-pedagógicos, instigando o
regente/professor a vislumbrar possibilidades de inserção mais
ativa do aluno, do desenvolvimento de um “repertório aberto”,
experimentações estruturais e conhecimentos musicais oriundos
do contexto dos participantes.” (ANDRADE, 2017. p. 9)
Também conseguimos encontrar pesquisas de mestrado e uma das dissertações
encontradas é a da autora Daniela Barzoti Kohlrausch (2015) que tem por título: “Prática
coral e motivação: O ambiente coral na percepção do corista. Essa pesquisa é de muita
importância, pois nos ajuda a entender o papel da motivação no grupo coral.
Outra dissertação encontrada é a de Rogéria Tatiane Soares Franchini (2014) que tem
por título: “O regente como educador musical: Saberes para a prática do canto coral com
adolescentes".
Em um universo de temas a serem estudados, é muito difícil conseguir definir um tema e
ainda mais delimitar a temática. Mas, como dito anteriormente, este é um tema que se
relaciona com toda a trajetória do autor deste pré-projeto. A regência, o docente e novas
formas de aprendizado. Para melhor entendimento do objeto de estudo, iremos dividir o tema
em três tripés que serão a base deste pré-projeto e de toda pesquisa.
Em primeiro lugar, traremos para construção de nossas bases filosóficas, a discussão
sobre a figura do regente educador, ou seja, da figura do regente que vai além das atividades
musicais e resolve questionar seu lugar e sua função, saindo assim de sua “zona de conforto”,
refletindo sobre sua prática e o mais importante, redefinindo sua prática.
Em segundo lugar, buscaremos analisar os benefícios da prática coral. Para esta
pesquisa, se faz necessário, delimitarmos ainda mais nosso objeto, visto que a prática coral
pode ser realizada em diversas faixas etárias e em diversos contextos. Portanto, o
denominador encontrado para realização da pesquisa é a de Coros amadores, visto que estes,
muitas vezes, carecem da figura de um regente educador que proporcione um ambiente além
de musical, mas também educacional.
Por ter escolhido os Coros amadores, precisaremos tratar sobre assuntos ligados a
estes grupos, como por exemplo, a motivação e o desenvolvimento do grupo. Em outras
palavras, queremos criar estratégias para manter a motivação e aumentar o desenvolvimento
do grupo.
Assim, conseguimos reunir o tripé desse projeto da seguinte maneira:
a) A figura do regente educador;
b) Os benefícios em se participar de Coros amadores;
c) Estratégias para motivação e desenvolvimento do grupo.
Precisamente, o problema central se dá na seguinte pergunta: Como o regente
educador pode motivar e desenvolver grupos de Coros amadores? A partir desta questão, todo
projeto se desenrola e parte em busca das considerações finais e não de tirar conclusões.
3. JUSTIFICATIVA
De acordo com David Junker (2013) se faz necessário construir bases filosóficas para
que o profissional construa a partir disso suas práticas cotidianas e por isso é sempre
necessário a discussão, revisão e reflexão de qualquer temática. Nesse caso, a necessidade se
faz a partir da discussão da figura do regente e de quais são os saberes necessários para que o
regente atue como educador musical.
A partir de então, é necessário que o regente educador se proponha a refletir sobre
suas bases filosóficas, a fim de que consiga propor um trabalho de desenvolvimento das
pessoas envolvidas em seu trabalho. Para a construção da base filosófica, traremos para
discussão Paulo Freire, como já dito, notável educador brasileiro que pensou na educação e
nos deixou um trabalho teórico que vale a pena visitar sempre que o assunto seja educação.
Sendo assim, estes são os três princípios extraídos do livro, “Pedagogia da autonomia:
Saberes necessários à prática educativa”, são: 1º) Não há docência sem discência; 2º) Ensinar
não é transferir conhecimento e 3º) ensinar é uma especificidade humana. Nestes três
capítulos, existem subcapítulos que nos levam a entender melhor a posição defendida por
Freire (2002), ou seja, um educador que entende seu papel, sua função e mais importante que
também entende o papel do discente e percebe que a melhor forma de educação é a que gera a
autonomia dos discentes.
Infelizmente, não temos muitos trabalhos que tentem conectar a pedagogia freireana
com a área de regência. Nesse intuito, busco o diálogo com esses dois pontos: Saberes
necessários para a prática docente e o regente como educador musical. Em seu livro,
Pedagogia da autonomia, Freire (2002) traz três bases para a prática docente, que serão
abordadas na sequência.
O primeiro ponto abordado no livro, Freire busca mostrar que não existe docência
sem discência, apesar de parecer óbvio, o autor busca demonstrar que precisamos pautar
nossas atividades assim para que o estudante não pareça apenas um recipiente, o qual o
professor deposita o conhecimento. Em outras palavras, o que Freire explica nessa parte é que
a docência não é uma via de mão única, mas sempre uma troca de saberes entre professor e
estudante. Da mesma forma, poderemos entender que o regente não será somente um
depositante de conteúdo e o coralista um “rádio” que apenas repete o ensinado, mas que
existe um duplo caminho entre ensinar e ser ensinado.
Outro ponto é que ensinar não é transferir conhecimento, é criar possibilidades para
sua própria construção. Os conteúdos ensinados não são estáticos e monótonos, pelo
contrário devem ser motivadores da criticidade, e crítica aqui não tem a ver com críticas
construtivas ou destrutivas, mas tem a ver com aguçar a curiosidade do discente e despertá-lo
para o aprendizado, ou melhor dizendo, para a construção de conhecimento. Na música, não
devemos apenas ensinar a música e somente a música, mas devemos instigar os coralistas a se
desenvolverem na área musical, nos conhecimentos teóricos, a entender uma partitura e assim
poder construir um ambiente de aprendizado musical e prazeroso.
Por último, ensinar é uma especificidade humana. Nesse último ponto, o autor traz
concepções mais filosóficas a respeito do que é ser um humano consciente da sua função e
que usa outros elementos durante a pŕatica do cotidiano, por exemplo, a autoridade, e não a
autoridade que grita, mas que é segura de si e por isso não precisa de discursos que afirmam
sua existência. Assim, o regente, seguro de si, sabe que sua autoridade não está no cargo em
si, mas na sua posição em ser o motivador, o auxiliador do grupo e mais ainda, o docente do
grupo.
Assim, buscamos construir bases filosóficas para a prática do regente educador,
baseada no livro supracitado de Freire, assim depois de lermos essas reflexões trazidas por
Freire, deveriam nos causar inquietação e busca por melhorias na área da educação, seja qual
for a disciplina pretendida. Não podemos duvidar de que no ambiente de ensaios, o docente
se transforma em regente e o discente em coralista. Por isso é necessário que façamos essa
análise educacional durante os ensaios.
Além de pensar a construção de bases filosóficas para a prática do regente, também
não podemos esquecer dos benefícios que a prática coral traz para todos que desejam
participar desta atividade. Tal prática envolve melhorias na saúde, na comunicação, no bem
estar, mas acreditamos que Amato, consegue resumir o que este pré-projeto propõe, ao
explicar assim
O canto coral configura-se como uma prática musical exercida e
difundida nas mais diferentes etnias e culturas. Por apresentar-se
como um grupo de aprendizagem musical, desenvolvimento vocal,
integração e inclusão social, o coro é um espaço constituído por
diferentes relações interpessoais e de ensino aprendizagem, exigindo
do regente uma série de habilidades e competências referentes não
somente ao preparo técnico musical, mas também à gestão e
condução de um conjunto de pessoas que buscam motivação,
aprendizagem e convivência em um grupo social. (AMATO, 2007,
p.1)
Assim, a partir não somente destes benefícios, mas de todos os outros, mesmo não
citados aqui, a prática coral deverá ser incentivada em todas as faixas etárias e em qualquer
contexto, inclusive de coros amadores. A dificuldade encontrada é a de que muitos coros
amadores são formados por pequenos grupos de empresas, em igrejas e muitas vezes, o grupo
precisa ser constantemente motivado a continuar participando e se desenvolvendo.
De acordo com Amato e Neto (2009), a motivação é um estado psicológico no qual o
indivíduo tem disposição para realizar uma ação, seja no trabalho, seja em qualquer esfera da
sua vida. Os autores também apontam que a motivação não é algo que vem de dentro do
indivíduo, mas sim um processo exterior e contínuo que atua sobre o mesmo indivíduo.
Ainda de acordo com Amato e Neto (2009), os mesmos comparam duas figuras, a do
regente tirano e a de regente inovador. O regente inovador busca uma liderança
bidimensional, ou seja, focada nos coralistas e nos concertos e atividades, não somente em si
mesmo.
Outro ponto que devemos colocar também é que o regente deve pensar no
desenvolvimento do seu grupo. Carminatti e Krug concluem
“Com isso, os autores colocam não ser relevante se o coro intenta ser
profissional ou amador. A importância residiria no fato de ele cumprir
uma função educacional e social integradora. Para eles, na atividade
de canto coral, não importa se o indivíduo é igual ou diferente,
econômica, social e intelectualmente ao outro corista, pois, naquele
momento, todos se encontrariam numa mesma condição de
aprendizes.” (Carminatti; Krug. 2010, p.86)
Para que possamos resumir toda justificativa deste projeto, é necessário que revisemos
o que foi dito para melhor entendimento. O presente projeto busca partir de bases filosóficas
sobre a figura do regente educador, para então se aprofundar e buscar possibilidades de
motivação e desenvolvimento de coros amadores.
Por isso, o presente projeto se faz necessário, pois busca práticas ancoradas em
conceitos técnicos. Em outras palavras, busca novas práticas corais, objetivando motivação e
desenvolvimento dos grupos amadores em diversos contextos e lugares.
6. OBJETIVOS
Objetivo geral - Descobrir práticas de motivação e desenvolvimento em grupos de Coros
amadores.
Objetivos específicos:
a) Discutir a figura do regente como educador musical;
b) Compreender os saberes necessários à prática do regente como educador musical em
Coros amadores;
C) Analisar práticas de motivação e desenvolvimento em grupos de Coros amadores.
5. METODOLOGIA
Em primeiro lugar é importante explicar que o presente projeto tem um cunho
qualitativo, em outras palavras, utiliza métodos que objetivam a descoberta, a identificação e
a descrição detalhada e aprofundada. De acordo com Zanella (2013, p.99) “a pesquisa
qualitativa preocupa-se em conhecer a realidade segundo a perspectiva dos sujeitos
participantes da pesquisa, sem medir ou utilizar elementos estatísticos para análise de dados”.
Então, trazer a abordagem qualitativa para este pré projeto, é antes de tudo, tarefa
necessária, visto que, Coros amadores podem ser encontrados em diversos contextos e por
isso, seria muito difícil quantificar atividades que buscassem a universalidade dos dados e por
isso a escolha da abordagem foi qualitativa, para que pudéssemos discutir a realidade local de
coros amadores.
Num primeiro momento da pesquisa, foram realizadas algumas leituras que no
desenvolvimento do projeto acabaram por ser utilizadas como pesquisa bibliográfica. Esse
tipo de método se utiliza da contribuição de diversos autores a respeito de um determinado
tema, ou seja, analisa alguns materiais já descritos e analisados como, relatórios, artigos entre
outros que servirão de base teórica para todo o processo de construção do trabalho. (GIL,
2008)
Acreditamos que esta parte do pré-projeto já se iniciou, pois para realizar a inscrição
já foram feitas algumas leituras, pesquisas de artigos científicos, revistas, anais, congressos,
entre outros. Entretanto, é importante lembrar que nunca devemos parar de nos inteirar a
respeito dos assuntos abordados, para que não sejamos tentados a ficar inertes aos problemas
sociais que sempre estão apresentando novas características.
Outra ferramenta a ser utilizada neste pré-projeto, é o estudo de caso, pois analisa as
ações e o contexto que o sujeito da pesquisa está inserido. Goldenber (2003) afirma
O estudo de caso não é uma técnica específica, mas análise holística,
a mais completa possível, que considera a unidade social estudada
como um todo, seja um indivíduo, uma família, uma instituição ou
uma comunidade, com o objetivo de compreendê-los em seus
próprios termos. (GOLDENBER, 2003, p. 33)
Assim, buscamos encontrar grupos de Coros amadores para realizar pesquisas, propor
reflexões e buscar práticas que sejam úteis para motivação e desenvolvimento do grupo.
Outro método escolhido para a realização desse projeto é a entrevista semi estruturada,
pois percebemos que cada regente possui algo a compartilhar que vem de sua própria
experiência. Laville e Dionne (1999) explicitam que esse tipo de entrevista é realizada com
uma série de perguntas abertas feitas verbalmente em uma ordem pré determinada, mas que
ao longo do diálogo, o entrevistador pode acrescentar algo e também o entrevistado fica livre
para falar.
Para realizar esta parte do projeto, será necessário realizar busca de regentes
educadores que façam este tipo de trabalho para uma entrevista semi estruturada, a fim de que
busquemos referências para propor novas práticas dentro dos Coros amadores. Por outro lado,
sempre é necessário buscar o outro “lado da moeda”, ou seja, os coralistas. Sendo assim,
também se faz necessário realizar entrevistas com os sujeitos participantes ativos deste
processo de cantar e musicalizar-se.
Para finalizar a parte metodológica deste trabalho, é pretendido a realização de
algumas observações de ensaios, visando a pŕatica de um regente que se percebe também
como educador musical. A observação que se busca nesse projeto é a participante, a qual
consiste na participação real na vida do grupo estudado, facilitando assim o acesso a dados
sobre situações do cotidiano do grupo. (GIL, 2008)
Antes de irmos para o cronograma, precisaremos pegar emprestado alguns métodos
antropológicos para melhor explicar esta parte do pré projeto. Para o antropólogo Roberto
Cardoso de Oliveira (2000), a observação participante realiza não somente um conjunto de
processos de construção de hipóteses, mas um conjunto de significações que escapam a esses
métodos. É imprescindível também refletir sobre as três etapas da pesquisa e produção do
conhecimento, o olhar, o ouvir e o escrever, ou seja, se distanciar do objeto de estudo,
tornando-o científico.
Ainda pegando conceitos da área antropológica. Outra estratégia utilizada neste
trabalho é a observação flutuante. Essa técnica de pesquisa foi pensada por Colette Pétonnet
(2008), antropóloga francesa que converteu o cotidiano em um vasto território para
observações sócio antropológicas. A respeito desse modo de pesquisa ela explica que a
observação flutuante consiste em permanecer vago e disponível em toda a circunstância, em
não mobilizar a atenção sobre um objeto preciso, mas em deixá-la “flutuar” de modo que as
informações o penetrem sem filtro, sem a priori, até o momento em que pontos de referência,
de convergências, apareçam e nós chegamos, então, a descobrir as regras subjacentes
(MELO, 2015).
Em outras palavras, no momento de observação dos ensaios, nas entrevistas, a atenção
do pesquisador, não estará voltada apenas para a regência, educação musical ou indivíduos
envolvidos, mas deixaremos a observação “flutuar” para poder entender melhor todas as
questões musicais e extramusicais.
6. CRONOGRAMA
O cronograma a seguir, será descrito, pensando na duração de dois anos. Sendo assim,
a pesquisa será realizada durante a realização do curso de Mestrado.
1º Ano
- Realização das aulas do mestrado;
- Pesquisas bibliográficas a respeito do tema deste pré-projeto;
- Escolha dos Coros amadores para realização das observações e entrevistas;
- Escrita parcial da pesquisa bibliográfica;
- Escrita da primeira parte da dissertação final.
2º Ano
- Realização das entrevistas;
- Realização das observações;
- Escrita do relatório das observações e das entrevistas;
- Escrita da dissertação final do Mestrado.
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OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. O trabalho do antropólogo. 2. ed. Brasília: Unesp, 2000.
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