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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO CURSO REALIDADE BRASILEIRA

FORMAÇÃO POLÍTICA DO MOVIMENTO HIP HOP DE PERNAMBUCO: JUSTIFICATIVAS, EXPERIÊNCIAS E REFLEXÕES

PEDRO HENRIQUE DE MEDEIROS BALENSIFER

RECIFE, JULHO 2005

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO CURSO REALIDADE BRASILEIRA

FORMAÇÃO POLÍTICA DO MOVIMENTO HIP HOP DE PERNAMBUCO: JUSTIFICATIVAS, EXPERIÊNCIAS E REFLEXÕES

Trabalho conclusão

apresentado do Curso

à

banca

examinadora como pré-requisito para a Realidade Brasileira - PE

Orientador: Amarino Oliveira de Queiroz

PEDRO HENRIQUE DE MEDEIROS BALENSIFER

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RECIFE, ABRIL 2004 DEDICATÓRIA

Ao guerreiro povo das periferias brasileiras que suporta de forma impressionante as agressões cotidianas do sistema capitalista. A todos aqueles que acreditam e lutam incansavelmente todos os dias pela emancipação política dos oprimidos.
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os poderosos são demais derramam pela boca seus venenos mortais poluindo a mente dos que são de paz a gente segura. na pobreza do Haiti. atura essas criaturas como pode mais um dia explode e a idéia sai” GOG 4 . em um café matinal entre políticos malditos.PENSAMENTO “A lição meu irmão esta aí. cínicos Assassinos sociais. mas de nada adiantava isso. parasitas. no genocídio em Ruanda. do outro lado do mundo o seu futuro era decidido. ao seu filho subnutrido. que aos dezoito não pesava mais que vinte e poucos quilos. O clamor materno rogando logo o céu ou o inferno. É triste mas eu vi. nos ataques a bomba.

Obrigado por tudo!  Ao Seu Afonso e a Dona Marta. Onde quer que vocês estejam. Pacheco.  Ao Movimento Hip Hop e à Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco. aprendizagem. Jesus Cristo.  A Tiger. formação política e acima de tudo: crença na construção de um mundo justo.AGRADECIMENTOS  A Deus grande e único todo poderoso. torturados. entidade esta que representei neste curso e da qual sou dirigente. me guiam e me guardam todos os dias aonde quer que eu esteja. justiça e dignidade. admiração e respeito e que mais uma vez contribuíram com mais uma etapa na minha formação política e ideológica pessoal.  Aos companheiros e companheiras. nós dá a força necessária para prosseguirmos na marcha. o exemplo de luta deixado por vocês. me protegem. sejam aluno(a)s. perseguidos. Nino Brown e Morgação. ao meu irmão Tiago e minha irmã Cris por terem me criado até há pouco tempo atrás. especialmente da juventude das favelas de todo o Brasil. presos. Sérgio (Sociólogo da Favela). desaparecidos e mortos simplesmente por lutarem por democracia. 5 . através da organização do Curso Realidade Brasileira. exilados. solidário e com dignidade para todos e todas.  A todos os militantes do Movimento Hip Hop que acreditam em um Hip Hop revolucionário que liberte as mentes reprimidas dos pobres.  Ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e à Comissão Pastoral da Terra (CPT) pelos quais há vários anos tenho profundo carinho. Nino. Maria Santíssima e todos espíritos amigos e de bom coração que me amparam. crescimento pessoal. organizadore(a)s e professore(a)s do Curso Realidade Brasileira-PE por todos os momentos de convivência.  A todos e todas aquele(a)s que foram caluniados.

RESULTADOS E DISCUSSÃO .....2 Essência política e social do Movimento Hip Hop ......................................................................... 12 4................... OBJETIVOS .SUMÁRIO Página 1................. 7 2........................................................................ INTRODUÇÃO ......................................................5 As Gestões do Prefeito João Paulo (2001-2005) ..................................................................................................................................................................................................................6 A Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco .......... JUSTIFICATIVA .. 22 5............................................................... 30 6 ............................. METODOLOGIA ................ CONCLUSÃO..................................4 Seminário de Formação Política do Movimento Hip Hop em Pernambuco................................................... 26 6................................................. 14 5............................................. 20 5.......................... 29 7...................................................................................3 UNIDRAD-PE ............... 11 3.................. 14 5.............................. 16 5.......................................................................1 Mercantilização do Hip Hop e aspectos de resistência ............................................................................ 17 5................. 13 5................... BIBLIOGRAFIA .......................................

Para ressaltar ainda mais a contribuição dos latino-americanos no surgimento do Hip Hop. A parte poético-musical do Movimento Hip Hop é conhecida como Rap (do inglês Rhythm And Poetry – ritmo e poesia). popular. recebeu contribuições de afroamericanos e imigrantes latinos que residiam em bairros pobres de Nova Iorque como Brooklin. O Toast era tocado em festas abertas nas ruas com a utilização de uma aparelhagem móvel de som de grande porte conhecida por “sound systems”. Seu nascimento oficial. o DJ Kool Herc. dança. é nascido e criado no Bronx.boy pioneiro e um dos mais conhecidos da dança de rua mundial. artes plásticas e discotecagem. Muitas vezes nos deparamos com mais de uma versão histórica do surgimento do Rap. b. em 12 de novembro de 1974. apresentada como um canto falado. É importante deixar claro que a história do surgimento dos elementos artísticos do Hip Hop não se apresenta em uma única versão. pequena ilha situada na porção sudeste do Caribe. existente na Jamaica desde os anos 50. cujo nome é uma homenagem a um guerreiro zulu africano do século XIX de mesmo nome. Do ponto de vista artístico. o DJ Afrika Bambaataa. rimava letras improvisadas que falavam sobre os problemas sociais. com versos na maioria das vezes rimados. que emigrou para o Estados Unidos em 1968 em decorrência das dificuldades econômicas e sociais por qual passavam muitos jamaicanos na ilha. INTRODUÇÃO O Movimento Hip Hop é um movimento artístico-cultural. Bronx. jamaicano. Por último. urbano. o DJ Grandmaster Flash. Os cantores de rap são conhecidos por rappers ou MC’s (mestres de cerimônia). O segundo.1. Harlem e Queens. O primeiro deles. conhecido por Crazy Legs. em cima de uma base instrumental gravada. Estas festas eram um hábito na ilha. as quais tentarei identificar a seguir. que passou a residir na cidade de Nova Iorque em meados da década de 70. O Toast pode ser definido como um estilo musical onde um MC. O Toast era cantado principalmente pelos mesmos DJ’s que comandavam os sound systems. social e humanitário. que é natural de Barbados. 7 . o Movimento Hip Hop é representado por quatro elementos definidos especificamente como um tipo próprio de música e poesia. São considerados como precursores e idealizadores do Movimento Hip Hop com sua cultura artística três DJ’S. do Break e do Graffiti. Trata-se de música e poesia. é notável nesta evolução a presença de um porto-riquenho. desenvolvida em cima de uma base instrumental eletrônica em forma de questionamento ao sistema vigente. político. políticos e as condições precárias de sobrevivência da população jamaicana. ex-integrante da Rock Steady Crew. A versão predominante quanto ao nascimento do rap diz que o mesmo teve como forte influência um estilo musical chamado Toast. geralmente abordando temas sociais.

na tentativa de um maior aprofundamento da verdadeira origem do rap atual. o canto falado dos griots provavelmente se fundiu. Porém não é só no rap que se observa a influência genitora dos griots. Muitos destes griots vieram na condição de escravos durante o processo de colonização do continente americano. Harlem e Queens. mas muitos jovens trocaram a cotidiano 8 . que freqüentemente se organizavam em gangues. No Nordeste brasileiro. é conhecido por breaker ou b. a figura dos violeiros e emboladores trazem da mesma forma a lembrança do canto falado e dos versos rimados dos griots africanos. 2002). As chamadas rodas de break. especialmente na Jamaica. Esta alternativa visava diminuir a violência entre as gangues. alguns autores defendem que o toast teve origem no canto falado e nas narrativas orais dos griots africanos. que a partir daí resolveriam suas diferenças através de uma nova dança chamada Break. como os estilos footwork e powermove. No início dos anos 70. versos rimados. advinhações. Afrika Bambaataa propôs uma alternativa. através das conhecidas “Batalhas de Break”. calçadões e parques. requerendo um considerável preparo físico. exemplificam bem esta questão. por exemplo. em bairros nova-iorquinos como Brooklin. Porém. A memória cultural de muitas comunidades africanas era preservada através dos griots. esta é chamada de dança de rua e também muito conhecida como Break Dance. convém ressaltar que suas influências diretas não são provenientes apenas dos griots africanos.girls (abreviatura de break girls). os índices de violência urbana e criminalidade eram altos. introduzida na península ibérica durante os oito séculos de permanência moura e trazida com a colonização portuguesa. cânticos. É caracterizada por movimentos corporais de difícil execução ora no solo. A versão histórica principal do surgimento do Break foi como alternativa de combate à violência urbana. Analisando a situação de vida dessa juventude pobre. recitação de provérbios. Os griots são antigos contadores de histórias que se expressavam através de contos. que iriam disputar quem era a melhor na dança. Os instrumentos como: a viola nordestina que tem como matriz o alaúde e o pandeiro originado do adufe. no caso dos cantadores nordestinos. instrumento de percussão árabe. relatos históricos. encontro dos dançarinos. entre outras maneiras. Bronx.Porém. narrativas ritmadas. mas também da poesia oral árabe. Eram uma espécie de “multiartistas” e bibliotecas populares ambulantes. Portanto. uma vez que a cultura letrada era pouco difundida. são realizadas quase sempre em espaços públicos como praças. Bambaataa não acabou com a violência entre as gangues. ora na expressão mímica.boy (abreviatura de break boy) para homens. com elementos sonoros eletrônicos rítmicos que se constituíram em bases eletrônicas onde se cantava o toast nos sound systems (Queiroz. Quem dança break. principalmente entre os jovens. No que se refere à dança do Movimento Hip Hop. As gangues que aceitaram a proposta foram mantidas em sua formação e organizadas em grupos de break. As mulheres dançarinas de break são chamadas de b.

representadas pelo Graffiti. época de grande efervescência musical através da Black Music de James Brown. No que diz respeito às origens do Graffiti é importante dizer que.criminal pela performance da dança de rua. imitavam as hélices dos helicópteros do exército americano em ação. Outros passos utilizados como protesto. mas robôs que obedecem aos comandos do governo americano. nesta versão. uma essência claramente política. político e cultural. pelas chamadas comunidades primitivas. nos bairros pobres de Nova Iorque. um momento importante que posteriormente influenciou esteticamente muitos graffiteiros de origem hispânica foi à pintura muralista mexicana do início do século XX. São freqüentemente observadas nos muros das grandes cidades. O Hip Hop tem ainda as artes plásticas na sua composição. e isto é um ato político. Porém. conhecidos hoje como moinho de vento e giro de cabeça. também nesta versão. Depois disso. o Break surgiu como instrumento de resgate social de jovens. que no início fazia grafites nas ruas de Nova Iorque. 2002). a matriz inicial do Graffiti. em várias partes da América Latina e nos Estados Unidos. que eram feitas há cerca de 10 mil anos em cavernas. que por sua vez recebeu influências estéticas de representações ancestrais da pintura maia e asteca (Queiroz. 2002). é conhecido(a) por grafiteiro(a). Aquele(a) que faz graffiti. por meio de movimentos “quebrados”. filho de imigrantes latinos. dentro da história da humanidade. de aspectos urbanos. isto é. Jean Michel Basquiat (1960-1988). quando a dança era praticada em forma de protesto a uma guerra imperialista. com grande variação de cores e formas feitas com sprays e tinta látex. Estes movimentos traziam consigo a essência de protesto contra a Guerra do Vietnã. geralmente transmitindo mensagem de cunho social. denunciavam os soldados mutilados da guerra e a robotização da sociedade. O Graffiti com a estética atual. vale registrar a obra do grafiteiro afro-americano. Da mesma forma percebe-se. escrever. transmitir mensagens e etc. a visão de que as pessoas não são pessoas. Os novos passos. Neste último. Vale salientar que. provavelmente surgiu no início da década de 70. jovens afroamericanos e hispânicos começaram a desenvolver novos movimentos de dança em cima dos já conhecidos passos do funk e do soul. existem registros que no início da década de 70. que são pinturas muito originais. o homem sempre utilizou as paredes para pintar. realizada em nome do imperialismo estadunidense. realizadas em forma de desenhos e letras características. está baseada nas pinturas rupestres. e posteriormente se tornou conhecido internacionalmente com 9 . A sua evolução passou pelas técnicas de pintura de paredes e tetos no Império Romano e na Civilização Egípcia e pela pintura mural das Civilizações Maia e Asteca no período pré-colombiano (antes da chegada de Cristóvão Colombo às Américas). Portanto. muito provavelmente. para a qual eram recrutados muitos destes jovens negros e hispânicos componentes das camadas sociais inferiores da sociedade americana (Queiroz. A arte muralista abordava temas inerentes à Revolução Mexicana e à luta do campesinato mexicano pela reforma agrária.

O trabalho com um número maior de cores. festas de Hip Hop e é quem comanda o som nos bailes e rodas de break. e realizar performances nos toca-discos (picapes). tendo seus trabalhos alcançado altos elogios pela crítica especializada (Queiroz. além de mixagens de músicas. nasceu pela criação de afroamericanos e latinos e que os seus elementos artísticos surgiram ou receberam grandes contribuições de países da América Latina e que nos Estados Unidos. Bolívia. e geralmente transmissão de alguma mensagem artística e/ou político-social caracterizam e diferenciam o graffiti da pichação. tendo seu nascimento oficial. embora não levassem ainda estes nomes oficialmente. Realiza. Portanto. conhecida também como tag. apenas se constituiu como Movimento unificado e organizado. 2002). dentro do Graffiti atual também foi muito forte. Durante o processo de migração nas décadas e 60 e 70. surgiram na Jamaica e tocavam os sound systems. que já era feita com uso de spray pelas gangues ou galeras. nos sound systems. 10 . A influência latina. ora pela emoção e adrenalina de executar algo proibido ou ilegal. bem como a do MC (especializado na rima). Colômbia e Costa Rica são reduto de grandes grafiteiros de renome mundial. os toasters disseminaram as técnicas de discotecagem e performances de rima em outras regiões. acabamento estético e visual muito mais detalhado. através do atrito do disco de vinil com a agulha. A figura do DJ (especializado na parte musical) com este nome. como foi explicado acima. ora para demarcação de território e demonstração de presença da gangue. que quase sempre somente os pichadores são capazes de interpretar. Os primeiros DJ’s. formas de letras. veio a aparecer somente dentro do Hip Hop. Países como Porto Rico. no surgimento do Rap. os toasters acumulavam uma dupla função de DJ e MC. ato conhecido como scratch. A pichação é algo como uma simples assinatura na parede. conhecidos anteriormente como toasters. é o DJ (Disque Jóquei). personagem responsável pela execução da parte instrumental da música nos grupos de rap. O elemento fundamental de um grupo de rap ou roda de break. Porém. devemos esclarecer que o Movimento Hip Hop. ainda. Tudo indica que o Graffiti atual seja uma evolução da pichação de rua. desenhos. inclusive nos Estados Unidos.suas exposições em museus e galerias.

materializada hoje pelo seu 5º elemento. bem como disponibilizar este estudo ao Movimento Hip Hop possibilitando a reflexão do seu papel político de intervenção das periferias dos centros urbanos e na sociedade em geral. Porém.2. 11 . constituem-se como objetivos específicos afirmar a importância da face política e social do Hip Hop. OBJETIVOS Este trabalho tem por objetivo principal justificar a necessidade de formação política do Movimento Hip Hop de Pernambuco e refletir quatro das principais experiências de formação vividas na Região Metropolitana do Recife durante a década de 90 até os dias atuais.

Contudo.3. produzindo monografias. dissertações e teses sobre o assunto. produzidos pelos seus próprios militantes. É fato o crescente interesse de pesquisadores acadêmicos das ciências humanas em estudar o Movimento Hip Hop. disponibilizando através das suas lideranças informações que possibilitem o crescimento intelectual dos seus membros. o Movimento Hip Hop se depara com uma grande lacuna literária de documentos que favoreçam a sua formação política e principalmente. Porém. mesmo com a produção científica da academia. é fato da mesma forma que estas pesquisas depois de concluídas. 12 . JUSTIFICATIVA Todo movimento social que deseja alcançar seus essenciais objetivos precisa trabalhar formação de base com seus militantes. não chegam ao Movimento Hip Hop.

quando necessário. Rappers e Dançarinos de Pernambuco (UNIDRAD-PE). METODOLOGIA Para o cumprimento do objetivo do presente trabalho serão resgatadas com militantes da velha escola do Hip Hop Pernambucano as experiências políticas vivenciadas com o Movimento Hip Hop. Ainda.4. 13 . durante a década de 90. principalmente através da União dos DJ’s. serão realizadas pesquisas de informações com as principais lideranças que participaram ativamente de cada momento de formação política relatados nesse trabalho de forma a elaborar um documento que se aproxime e que reflita ao máximo as experiências de formação.

pelo seu forte conteúdo artístico. Este tipo de rap e hip hop está totalmente descontextualizado com suas origens e propostas. e a criação da Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco em 2004. entre outros. 2 Pac. proprietários de gravadoras. O surgimento deste tipo de rap nos remete ao gangsta rap. fabricado como um produto de consumo de massa simplesmente para fins de entretenimento e que produz lucros exorbitantes aos artistas.Dre. quais são os aspectos de resistência a esta tendência. Grandes empresários. a relação Movimento Social x Estado. Trata-se de um rap comercial. Toda essa dimensão adquirida pelo Hip Hop ao longo do seu desenvolvimento. temos que discutir o processo de mercantilização sofrido pelo Hip Hop. Dentro da visão comercial de 14 . cuja linguagem se baseia na apologia da violência e do machismo. representado por artistas e grupos como NWA. Nothorious B.. No que se refere às experiências de formação política do Movimento Hip Hop de Pernambuco (MH2-PE). Dr. enquanto movimento juvenil organizado transformador de realidades. e que se tornou em uma forte indústria nos EUA. RESULTADOS E DISCUSSÃO Quando se fala em formação política do Movimento Hip Hop hoje. bem como a essência política e social que o Hip Hop carrega consigo. empresários e gravadoras. passou a ser alvo de um crescente processo de mercantilização. Dançarinos de Pernambuco (UNIDRAD-PE) na década de 90. o MH2-PE passou por várias experiências de formação e tentativas de organização.I. 5. Com isso o Movimento Hip Hop. aos poucos foi despertando a atenção do marketing capitalista e do mercado fonográfico tradicional mercantil. durante toda a sua existência. Dentre as várias experiências vividas. enxergam os elementos artísticos do Hip Hop como um grande mercado promissor. este trabalho se deterá a registrar e analisar quatro momentos. A vertente predominante do rap americano exemplifica bem esta questão.G.1 Mercantilização do Hip Hop e aspectos de resistência Após seu nascimento o Hip Hop se espalhou por vários países transformando-se num movimento universal. o I Seminário de Formação Política do Movimento Hip Hop de Pernambuco em 2002.5. São eles: a criação da União dos DJ’s. que no meu entendimento foram até hoje os principais momentos de formação política ocorridos com o Movimento Hip Hop Pernambucano. no que se refere à convivência do Hip Hop local com a Gestão Municipal do Prefeito João Paulo. Rappers. produtores musicais.

de resistência e reivindicação em um Hip Hop impregnado por valores capitalistas como o individualismo. colocando em debate os verdadeiros propósitos do Movimento. A cultura do “lowrider” das bicicletas com formas diferenciadas e dos carros que “dançam rap” foi introduzida pelos “chicanos” e apropriada pelo Hip Hop comercial estadunidense. inclusive no Brasil. algo que somente será conquistado com a transformação da ordem vigente. Um Hip Hop mercantilizado seria um Hip Hop cooptado pelo capitalismo e fatalmente deixaria de ser um movimento de representação e luta do povo da periferia.Hip Hop não cabem as faces política e social que o Hip Hop carrega consigo desde o seu nascimento. sendo eles: promoção da cidadania na juventude pobre. de acordo com a Zulu Nation. união. luta pela justiça social e por dias melhores para o povo da periferia. Por isso. O fato é que o Hip Hop comercial vem ganhando espaço não somente nos Estados Unidos. O nascimento do chamado 5º elemento vem para disputar ideologicamente o Hip Hop com a tendência capitalista e equivocada que vem assumindo. principalmente em regiões próximas da fronteira com o México. A realização de ações de divulgação do Hip Hop. denominada espanglish. criado por ela. denominado como conhecimento e sabedoria. trabalhos sociais nas favelas. criação de posses. Vale ainda ressaltar a existência do chamado “rap chicano” ou “rap pachuco”. diversão. como forma de reação à simplificação da mídia acerca do Hip Hop. o machismo e o consumismo será sem dúvida a morte do verdadeiro Hip Hop. Para 15 . mas fora dele. entidades representativas e demais formas de organização. porém este não tinha especificação própria ou a denominação de elemento. passeatas e atos públicos e até o estudo pessoal sobre o Hip Hop. entre outros equívocos. seminários. que é feito por jovens estadunidenses de origem hispânica em sua maioria mexicana. existem grupos nos EUA que se apresentam com postura de resistência a este estilo de rap comercial. suas origens e temas afins. amor ao próximo. Utilizando uma linguagem mesclada de espanhol com inglês. não dando visibilidade aos outros elementos da Cultura. estes grupos abordam temas como o orgulho da descendência latino-indígena e protestam contra o tratamento discriminatório e opressivo histórico dado pela elite estadunidense aos povos imigrantes. Grupos como o Delinquent Habits representam este tipo de rap politizado e de resistência. oficinas pedagógicas com os elementos artísticos. participação e construção de protestos. que inclusive erroneamente colocava e ainda coloca o Hip Hop como sinônimo do rap. são exemplos de ações do 5º elemento do Movimento Hip Hop. debates com a comunidade. A transformação do Hip Hop militante. encontros de formação política dos militantes. O Movimento Hip Hop sempre praticou o 5º elemento. o 5º elemento surge. nos anos 80. mantendo-se fiéis aos princípios do Hip Hop como o rapper PARIS e o grupo Public Enemy. Portanto.

16 . por exemplo. Raros são os espaços culturais. As drogas e as armas são muito fáceis de encontrar. as quais muitos destes jovens se apegam em alternativa aos maus valores vividos na vida criminal. racismo e violência urbana dos quais eram vítimas os habitantes dos guetos estadunidenses e que ainda são todos os povos oprimidos do mundo. Esta essência de resgate social é fundamentalmente política. vem contribuindo com o aumento da auto-estima da juventude pobre das periferias e funcionando como um importante instrumento de resgate social de jovens envolvidos com drogas e crimes. que nasceu nestas condições. esportivos e de lazer. empresários e policiais de alto escalão que comandam o tráfico de drogas e armas. pois se utilizam estes jovens nessas condições de vida como soldados de linha de frente de um crime organizado fora das favelas e que se articulam em âmbito internacional por pessoas e grupos poderosos. pois são os que literalmente morrem em conseqüência deste sistema desumano. Diante deste cenário. Sobra para o povo da periferia serem classificados pela grande mídia como os grandes responsáveis e protagonistas da violência urbana.divulgar e esclarecer ao mundo os propósitos do verdadeiro Hip Hop e como ele se constitui artisticamente. os quais muitas vezes são formados por políticos. teatros e cinemas. o Hip Hop. posto de saúde sem medicamentos e médicos e uma polícia despreparada e corrupta que é formada a enxergar que pobres e bandidos são uma coisa só. a igualdade e a não violência que são referências positivas. combatendo a ociosidade tão freqüente no cotidiano dos moradores das periferias dos centros urbanos. intelectual e humano das crianças e jovens são mínimas. a justiça social. O movimento Hip Hop cultua valores como a paz. Por outro lado. As periferias são como grandes campos de concentração onde as oportunidades de atividades que proporcionem o desenvolvimento físico. observam-se escolas públicas desestruturadas. 5. o qual na realidade é a grande vítima. Outros fatos que comprovam a essência política do Movimento Hip Hop serão explicados agora. bibliotecas. Não se encontra nas periferias e favelas.2 Essência política e social do Movimento Hip Hop O Movimento Hip Hop é representado e desenvolvido por uma parcela da juventude pobre habitante das periferias dos grandes centros urbanos brasileiros e do mundo. Quando Afrika Bambaataa se auto-batizou com um nome de um guerreiro africano zulu do século XIX. foi criado pela Zulu Nation o 5º elemento do Hip Hop. O Hip Hop é um movimento educativo que desenvolve uma formação de cidadania e que serve como um grande orientador para a vida da juventude pobre favelada. ele quis disseminar a idéia de que todos nós do Hip Hop devemos ter postura de guerreiros zulus e que o Movimento Hip Hop é um Movimento de resistência a valores e condições sociais vigentes na época de seu surgimento como a situação de desigualdade.

sabedoria e tolerância. deve fazer com que seus militantes contribuam efetivamente com processos transformativos da realidade vigente. marrom. Foi a primeira tentativa de um trabalho verdadeiramente coletivo do Movimento Hip Hop de Pernambuco. a não ser violência. 5. guerras. analfabetismo e tantas outras mazelas sociais que precisam ser derrotadas em sua origem. levou este nome devido aos Zulus terem se constituído como uma das etnias africanas que mais resistiram às políticas de opressão de países colonizadores europeus dentro da África. que o Movimento traz consigo desde o seu nascimento e com base na conjuntura atual do Hip Hop. através da mercantilização dos elementos artísticos do Hip Hop. com verdade. numa etapa posterior. Outro objetivo da formação política. A realização de um processo de formação política profunda deve ter inicialmente o objetivo de construir a capacidade de todos do Hip Hop entenderem a conjuntura atual do movimento e das crescentes contradições que o mesmo está mergulhado levando-se em consideração seus princípios e objetivos originais. corrupção. Diante dessa essência política de resgate social. ele criou a Universal Zulu Nation. Zulu Nation. amarela. Acredito que a maior 17 . num saber abrangente”. provocado principalmente pela indústria fonográfica tradicional. desemprego. a criação do Hip Hop recebeu influências de grandes líderes e movimentos políticos afro-americanos.3 UNIDRAD-PE A União dos DJ’S. Ao invés de criar uma banda chamada Zulu. Afrika Bambaata disse um dia “peguei elementos de grandes líderes e professores nossos dos anos 60 e disse: quando crescer. Martin Luther King e os Panteras Negras. vermelha e branca. criando consciência de classe no povo da periferia e fazendo-o entender que o sistema capitalista não tem nada a oferecer aos pobres.A organização mundial do Hip Hop. Os grandes líderes e professores dos anos 60 a que se refere Bambaataa são os conhecidos Malcom X. se apresenta diante dos verdadeiros militantes do Hip Hop uma grande necessidade de formação política dos indivíduos que compõe o Movimento Hip Hop hoje. criada por Bambaataa em 12 de novembro de 1973. vou criar uma banda chamada Zulu e ela vai incorporar idéias de exaltação às raças negra. que vem sofrendo um processo de descaracterização. e luta por uma sociedade justa e igualitária. com ideais inspirados nestes grandes líderes e movimentos afroamericanos. fome. Rappers e Dançarinos de Pernambuco (UNIDRAD-PE) pode ser considerada a primeira experiência de formação política no MH2 no Estado. Além das questões nominais de Afrika Bambaataa e Zulu Nation. Trata-se da primeira iniciativa para uma tentativa de organização do Hip Hop local e estabelecimento de um trabalho realizado coletivamente por uma entidade própria de Hip Hop.

boy. e Fortunato. nordestino e até nacional como Mira Negra. eram integrantes das atividades da UNIDRAD-PE. As reuniões desta organização aconteciam na sede do GRAC (Grupo Recreativo de Arte e Cultura) no bairro do Pina. encontra-se em processo de retomada dos trabalhos e reconstrução da entidade. atrelados a campanhas beneficentes de arrecadação de roupas e alimentos. Fatores como a falta de experiência e informação dos membros da entidade. etc. Sistema X. Muitos dos grupos. nomes de grupos. como o Pina. a entidade começou a enfrentar problemas que atingiam a unidade política do trabalho coletivo pretendido. Esta entidade foi fundada no dia 03 de fevereiro de 1993. Seus idealizadores foram os militantes Pacheco. Ainda era preocupação das lideranças da entidade os trabalhos chamados de “autoconhecimento” que visavam proporcionar um maior grau de conscientização e politização dos integrantes do Hip Hop através de estudos. entre outros. Rappers. davam determinado apoio infra-estrutural às atividades da UNIDRAD-PE. contribuíram em muito para o término das atividades da UNIDRAD-PE por volta de 1995. entidade que. Atualmente a UNIDRAD-PE. Resposta Racional. a centralização das atividades em poucas pessoas. juntamente com o Projeto Arte Viva de Dona Lourdes Rossiter. Zumbi e o Quilombo dos Palmares. por membros da velha escola do Hip Hop Pernambucano. a ausência de um trabalho mais efetivo de formação de quadros e lideranças e a falta de maturidade política dentro de um processo de construção democrático e coletivo. Faces do Subúrbio. cuja distribuição era realizada em comunidades de baixa renda do Recife. algo que talvez possa ser atribuído a este novo momento que o Hip Hop pernambucano está vivendo. União dos DJ’S. b. 18 . Os objetivos da entidade na época eram promover a organização e expansão artística do Movimento através de eventos de Hip Hop. seminários e reuniões em que se debatiam a história do Movimento Hip Hop e do Movimento Negro afro-americano e nacional. baseando-se em referências do ativismo político negro como Malcolm X. Porém. Recife-PE.importância do trabalho da UNIDRAD-PE na década de 90 foi à percepção da necessidade de organização. o Partido dos Panteras Negras (Black Panthers). apesar de toda a importância do trabalho que vinha sendo realizado e até dos resultados promissores atingidos. A UNIDRAD-PE realizava ainda um trabalho de assessoria artística aos grupos que faziam parte da entidade. Dançarinos e Graffiteiros de Pernambuco. bem como a condução e realização das ações. que hoje são considerados grandes nomes do rap pernambucano. Periferia Norte. indicação para apresentações em eventos e festivais e etc. Martin Luther King. através da criação de logomarcas. que é a consolidação de trabalhos coletivos e de organizações políticas institucionais legalizadas. Vírus. também dançarino de break. que agora se chama UNIDRADG-PE. hoje integrante da Recife City Break. no bairro de Boa Viagem.

Uma atitude já adotada foi à divisão de tarefas por meio de coordenações por áreas de trabalho. com grande número de grupos de rap. possibilitando assim a captação de recursos para execução de projetos da entidade. Outro ponto interessante da nova UNIDRADG-PE é o direcionamento de ações de fortalecimento do Hip Hop em municípios em que o mesmo existe. pretende. Para o financiamento destes trabalhos as lideranças da entidade pretendem transformá-la em uma Organização Não Governamental (ONG) legalmente registrada. Fortunato e Pêu. graffiteiros e DJ’S. talvez. porém sem o merecido reconhecimento por parte do Hip Hop da capital. que é composta por alguns dos antigos militantes como Pacheco. comunicação e etc. A presença do trabalho de organização da UNIDRADG-PE em Prazeres vem preencher uma lacuna inadmissível. capacitar e formar o Movimento Hip Hop de Prazeres. com base no aprendizado dos erros anteriores. os trabalhos sociais nas periferias e as atividades mais efetivas de formação política. que é uma área onde o Hip Hop alcança tamanha expressividade artística e que até há pouco tempo não possuía uma entidade que se propusesse a organizar. como finanças. A escolha deste local como centro de trabalho foi um ponto extremamente acertado. dividindo responsabilidades e evitando a centralização dos trabalhos em poucas pessoas. Um aspecto interessante desta nova direção é a valorização do Movimento Hip Hop de Jaboatão dos Guararapes. break. sendo o distrito de Prazeres escolhido como área de aglutinação em torno das reuniões e atividades da UNIDRADG-PE. As cidades de Pau D’Alho. Moreno e Sirinhaém. uma vez que é em Prazeres que se concentra. Para isso. centralizando atividades neste local. vêm sendo trabalhadas através de ações da nova UNIDRADG-PE na promoção de eventos e agitação cultural nestes lugares. 19 .A nova gestão da UNIDRADG-PE. capacitação e auto-conhecimento são metas estabelecidas. A entidade vem ainda investindo em trabalhos de formação de arte-educadores que deverão ministrar oficinas com os elementos artísticos do Hip Hop nas comunidades. construir uma entidade com bases mais sólidas. o maior foco de Hip Hop no Estado de Pernambuco. A UNIDRADG-PE assume a defesa da existência do 5º elemento do Hip Hop. por exemplo. bem como se diz praticante deste através de atividades como as descritas acima.

20 . Contudo. Sudeste e Sul do país. trocar idéias e refletir sobre os problemas enfrentados pelo Hip Hop. Coletivo Êxito D’Rua. decidimos criar uma oportunidade para o Hip Hop local. decidiram unir forças para tentar superar o refluxo político que o MH2-PE atravessava. Como acreditamos que a arte própria do Hip Hop carrega consigo uma grande função social e política. Optamos pelo início de um novo trabalho. dos quais Sérgio Ricardo era membro ativo e eu. rapper e editor do Hip Hop Fanzine-PE. sem ter a plena ciência do que acontecia realmente. Percebemos que esta situação permanecia pela inexistência de um espaço permanente de debate e reflexão. Problemas que são criados por este mesmo sistema e que ele mesmo é incapaz de resolvê-los. Esta opção foi traduzida no Projeto do I Seminário de Formação Política do Movimento Hip Hop em Pernambuco. gravando CDs e realizando incursões por outros Estados do Nordeste. que viveram ótimas fases de projeção artística entre 1997 e 2002. Problemas que o sistema vigente faz questão de não debater com a sociedade. no ano de 2002. iniciar esta discussão. único informativo e veículo de comunicação do Hip Hop local na época. dois militantes do Movimento Estudantil da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e do Movimento Hip Hop local. com a classe trabalhadora e com os pobres. pela primeira vez na história do Movimento em Pernambuco discutir problemas que afetam diretamente suas vidas. este por sinal há vários anos afastado do Hip Hop. Apenas artisticamente o Movimento estava em evidência. A permanência da ausência deste espaço certamente faria o Hip Hop continuar existindo apenas artisticamente. Estas duas lideranças entendiam que era inaceitável o Movimento Hip Hop continuar sua trajetória histórica sem sequer sentar para conversar. O resultado do Projeto foi que durante os dias 14 e 15 de setembro de 2002. 120 jovens ligados direta ou indiretamente ao MH2-PE puderam. Recife-PE. o MH2-PE parece ter entrado em uma fase de refluxo do ponto de vista político e organizacional. debater.4 O I Seminário de Formação Política do Movimento Hip Hop em Pernambuco Desde o final das atividades da UNIDRAD-PE. inclusive realizando shows nos maiores festivais de música de Pernambuco. principalmente o rap local representado pelas bandas Sistema X e Faces do Subúrbio. muitos jovens presentes naquele seminário estavam discutindo política. no bairro da Várzea. Nosso papel. enquanto militantes de um movimento social e cientes desta conjuntura foi de iniciar este debate. evento este organizado e realizado pelo Diretório Acadêmico de Ciências Sociais da UFRPE.5. Optamos por investir na formação política dos integrantes do Movimento. pela periferia e pelo povo brasileiro. e jamais foi neutra. eu sendo um deles e o outro Sérgio Ricardo Cavalcante Matos. na Escola de Arte João Pernambuco. Enfim.

reunido em sua plenária final. Tivemos a certeza então que era apenas uma questão de criação de uma oportunidade para quebrar a inércia política pela qual passava o Movimento Hip Hop em Pernambuco. bem como novos encontros. com intensa participação dos jovens na discussão. Cidadania e Trabalhos Sociais. desde o seu nascimento. Núcleo Feminino Expressão Negra e Associação Pernambucana de Defesa do Meio Ambiente (ASPAN). televisão local independente. teve dois encaminhamentos principais. Temos a leitura que o I Seminário de Formação Política do Movimento Hip Hop de Pernambuco foi o início de uma nova etapa para o Hip Hop local. além de criar um espaço permanente de discussão e debate. Noções de Conservação Ambiental nos Centros Urbanos e Questões de Gênero na Cultura Hip Hop. A segunda proposta aprovada foi à fundação de uma entidade que congregasse os diversos grupos do Hip Hop local e demais colaboradores no intuito de organizar e realizar ações para o MH2-PE. com jovens das periferias e favelas de Recife e Região Metropolitana. Desde a realização deste Seminário vários companheiros começaram a compreender que a política faz parte do Movimento Hip Hop. pois temos a ciência de que o processo de formação política se consolida em longo prazo e por isso temos muito que trabalhar. eventos artísticos. O primeiro foi iniciar a luta pela criação da uma “Casa do Hip Hop do Recife” nos moldes da experiência da Casa do Hip Hop de Diadema-SP. O Seminário. Movimentos Sociais versus Capitalismo. utilizou-se a metodologia de grupos de trabalhos que discutiram Violência Urbana e o Papel do Hip Hop na Luta Contra o Racismo. de formação e de organização que dura até hoje e que se prolongará por muito tempo ainda. sempre fez. intervindo e refletindo os temas propostos. Estes mesmos companheiros. que muitas vezes não faziam questão de participar de debates e discussões políticas relacionadas ao Hip Hop. Além das mesas-redondas. produziu um vídeo documentário curta-metragem sobre o Seminário. debates. Esta entidade é hoje a recém fundada Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco. mudaram de postura e hoje se apresentam nestes espaços participando e questionando. A TV Viva. local onde seriam realizadas oficinas pedagógicas com os elementos artísticos do Hip Hop. 21 . O Seminário teve ainda a colaboração direta de outras entidades na realização e facilitação das discussões como a Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP). Mas é exatamente esse o papel dos militantes e dos movimentos sociais. Tanto as mesasredondas quanto os grupos de trabalho mostraram resultados excelentes. entre outras atividades. aliás. o que nos rendeu um excelente registro deste importante fato histórico para o Movimento Hip Hop local. que será mais bem discutida ainda neste trabalho.O Seminário contou com 4 (quatro) mesas-redondas que debateram os seguintes temas: O Movimento Alternativo Hip Hop: Arte. O Seminário foi o início de um período de um trabalho educativo. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Com a eleição de João Paulo. Eventos como o Esporte do Mangue. até por que nunca nenhuma gestão havia se aproximado tanto do Hip Hop quanto à do Prefeito João Paulo. sendo a maior delas a criação da Casa do Hip Hop do Recife. houve. O Movimento então aproveitou a conjuntura e colocou para a Prefeitura algumas reivindicações. durante a permanência de Tiger e Sérgio na DGE. break. quinzenal. como Nino Brown e Nelson Triunfo para participarem oficialmente dos eventos. através das Secretarias de Cultura e Educação e da Diretoria Geral de Esportes. Com isso. rapper do Faces do Subúrbio e Sérgio Ricardo. de certa forma.5. Como esta reivindicação não pode ser atendida de imediato e em decorrência de um bom momento de relação entre o Movimento a Gestão. que desenhava um início de realização de uma política pública voltada ao Hip Hop da Cidade. inclusive remunerando simbolicamente os grupos que faziam cada Pólo. a criação do Pólo Hip Hop. O Pólo teve grande aceitação pelo Movimento e virou bandeira de luta nos anos seguintes. que disputava reeleição. 22 . estes trabalhos foram muito mais feitos no início do período da contratação. em setembro de 2003. Desde já é importante informar que nenhum dos dois são filiados ao Partido dos Trabalhadores e a contratação ocorreu pelo interesse da Prefeitura em realizar trabalhos com o Movimento Hip Hop. e na época membro do Coletivo Êxito D’Rua. duas das maiores lideranças do Hip Hop local. a vontade política de realizá-lo em 2004 e 2005. o então candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) João Paulo venceu surpreendentemente o conservador e prefeito do Recife pelo Partido da Frente Liberal (PFL) Roberto Magalhães. batalha de break do Esporte do Mangue. da Diretoria Geral de Esportes (DGE). culminando na contratação pela DGE de Eraldo Sobral. que durou aproximadamente 1 ano. inclusive trazendo todos os anos membros da velha escola do Hip Hop nacional. como forma de acalmar os ânimos do Hip Hop. uma vez que a Prefeitura perdeu. como rodas de break com adequada infra-estrutra. Porém. O Projeto previa a realização de apresentação de grupos de rap. O Pólo Hip Hop foi um projeto proposto pela Prefeitura do Recife. sociólogo. no 2º turno. e outros projetos. desde o primeiro ano de Gestão colocaram em sua programação atividades relacionadas ao Hip Hop. as relações foram se estreitando entre Gestão e Movimento. O Movimento certamente achou interessante.5 A relação do Movimento Hip Hop com as Gestões do Prefeito João Paulo (2001-2005) A eleição municipal de 2000 para a Prefeitura do Recife se caracterizou por uma forte disputa onde. voltando ao assunto principal. oficinas com os elementos artísticos do Hip Hop e debates com temas de interesse do Hip Hop. conhecido como Tiger. Porém. vários trabalhos foram realizados com o Hip Hop. o Movimento Hip Hop no Recife encontrou uma gestão mais aberta ao diálogo e mais disposta a trabalhar em parceria do que outras gestões passadas da Prefeitura do Recife.

Porém. que não se tratava de uma relação de parceria. o Movimento Hip Hop local poderia ter perdido dois grandes militantes para a Gestão Municipal e com isso também perderíamos o poder intelectual e reivindicativo destas duas lideranças. Entendo que inicialmente a estratégia da DGE era cooptar Tiger e Sérgio para em seguida ficar mais fácil cooptar o Movimento Hip Hop. os dois eram cargos de confiança. o que resultou na demissão dos mesmos de seus cargos. Com o acontecimento deste fato. carregavam uma visão romântica sobre a questão. Para a DGE. a tentativa de filiação de Tiger e Sérgio ao PT enquanto estavam na DGE. principal público-alvo de trabalho da Diretoria Geral de Esportes. mas passariam a assumir o 23 . as ações que eram planejadas pela Diretoria. mas de cumprimento de tarefas. em benefício do Hip Hop. no intuito de legitimar as ações da Diretoria Geral de Esportes voltadas para o Hip Hop. isto é. muito bem cientes do verdadeiro papel de um militante de um movimento social. isto é. a relação entre os dois e a Diretoria atingiu um grau de desgaste elevado. Porém Tiger e Sérgio. Com isso. A partir daí o Movimento começou a perceber. A visão de que os companheiros eram representantes do Movimento dentro da Prefeitura para realizar ações em forma de parceria. Qualquer movimento social que pretenda contribuir com a transformação da sociedade. a relação que andava bem começou a sofrer desgastes gradativos por motivos como. que caso se deixassem aparelhar pela Gestão certamente não mais estariam do lado do Hip Hop. algo que os dois não aceitaram. além da quase imposição para que os mesmos realizassem acriticamente campanha nas ruas para a reeleição do Prefeito João Paulo em 2004. juntamente com os companheiros. O princípio da autonomia política deve ser um dos eixos principais do qualquer Movimento e seus militantes devem reconhecer a importância disto.Com o passar do tempo. iniciaram um processo de resistência política não permitindo qualquer tentativa de cooptação. Este episódio trouxe para o Movimento uma grande experiência política prática no que se refere à relação de movimento social e Estado. aparelhamento e/ou controle político do Movimento Hip Hop no Recife. simplesmente porque eram contratados da Diretoria Geral de Esportes da Prefeitura. O Hip Hop. jamais poderá estar subordinado ao Estado. uma relação de mútua cooperação. o que subtende que eles deveriam executar as tarefas planejadas pela direção da Diretoria Geral de Esportes da Prefeitura do Recife. os projetos oriundos da Diretoria deveriam ser executados por Tiger e Sérgio com o Movimento Hip Hop. Cabia a Tiger e Sérgio a mobilização dos adeptos do Hip Hop local para a participação nas atividades promovidas pela Prefeitura. Começou-se também a perceber que o entendimento de relação de trabalho entre Tiger e Sérgio e a DGE não era único. e inclusive Tiger e Sérgio. a exemplo da Casa do Hip Hop do Recife. Isto começou a ser percebido por Tiger e Sérgio quando a maioria dos projetos propostos por eles não era assumidos como prioridade pela DGE. da Prefeitura e das comunidades. principalmente por que o Hip Hop mobiliza e aglutina a juventude.

prejudicaria muito o processo de conquista da unidade. os companheiros Tiger e Sérgio comprovaram que realmente são dois guerreiros Zulus. O segundo. é certo que este Movimento com suas bandeiras de luta e objetivos sofrerão um enfraquecimento. Os exemplos dos Movimentos Estudantil e Sindical hoje no Brasil ilustram perfeitamente esta afirmativa. portanto deixaram de ser movimento para se tornarem governo. em decorrência dos seus empregos. O primeiro não é mais capaz de organizar e politizar os estudantes para as lutas em defesa da educação pública e gratuita. através do seguinte entendimento. por exemplo. Felizmente. os partidos políticos. Voltando à análise da relação Movimento Hip Hop e DGE. principalmente do Movimento Sindical atual. é que grandes lideranças assumiram cargos na Gestão Federal. esta experiência gerou um fato interessante. isto provocou o aumento do grau de organização do Hip Hop. Outro problema ainda. seja ele da esfera municipal. uma vez que a unidade política de todo Movimento Hip Hop no Brasil ainda está para ser conquistada e certamente a presença de partidos políticos dentro do Hip Hop. e estariam contrariando o seguinte fato: as grandes avaliações políticas.discurso de defesa incondicional da Gestão de João Paulo. Estávamos vivendo um processo de disputa e tínhamos que nos unir e nos organizar 24 . caracterizando aparelhamento. Estes muitas vezes não respeitam a autonomia política dos movimentos sociais e efetivam um processo de cooptação e aparelhamento que acaba por engessar e desmobilizar o respectivo Movimento. estadual ou federal. Os motivos para este período de refluxo nestes dois Movimentos se devem em parte ao tal aparelhamento por parte de alguns partidos políticos brasileiros. da mesma forma também se mostra incapaz de organizar e mobilizar os trabalhadores. Conforme o Movimento foi percebendo a tentativa de cooptação pela DGE. o Movimento Hip Hop deve tomar muito cuidado ao se relacionar com os partidos políticos também. demonstrando maturidade política neste processo e percebendo seus verdadeiros papéis dentro de um Movimento Social como o Hip Hop. uma vez que estes compõem o conselho artístico da Zulu Nation no Brasil. materializado principalmente no fortalecimento da Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco. O que ocorre com isso é que a unidade política do Movimento é substituída por disputas internas por espaço político. No momento que uma liderança de um Movimento se entrega ao Estado. mesmo isso tudo resultando em suas respectivas demissões. para organizar o povo e reivindicar mudanças estruturais na sociedade. historicamente sempre foram construídas pelos movimentos sociais e é exatamente para isso que eles nascem e existem. principalmente os situados na esquerda. bem como as grandes reivindicações realizadas aos governos. Portanto. enquanto que no primeiro plano situa-se a disputa pelo controle político das entidades estudantis e sindicais. Então as bandeiras de luta passam para um segundo plano. Esta reflexão também vale para outras instituições sociais como.

a discussão da Associação com a Prefeitura. ora alguns técnicos e administradores não acreditam na capacidade de transformação de vidas e na seriedade que tem o Movimento Hip Hop. com sete edições do Pólo Hip Hop durante os meses de setembro a dezembro. principalmente com o Núcleo de Cultura Afro-Brasileira. no que se refere a ações voltadas ao Hip Hop na Cidade. não estamos pensando corporativamente em beneficiar os membros do movimento. se compararmos com as gestões passadas da Prefeitura do Recife. A proposta da Casa do Hip Hop do Recife tem como um dos seus centrais objetivos o resgate social 25 . A Gestão de João Paulo é de esquerda. Porém. isto é. Assim. Não podemos dizer o mesmo das gestões passadas da Prefeitura que sempre foram conservadoras. Esta diferença fundamental nos permite afirmar que a Gestão de João Paulo. O rompimento das relações políticas. até o momento está sendo feita unicamente com a Secretaria de Cultura. com a DGE fez com que a Associação buscasse entendimento com outros setores da Prefeitura. é popular e foi eleita por duas vezes consecutivas com amplo apoio dos movimentos sociais e populares da Cidade do Recife. cooptados pela Diretoria. É fato que nenhuma gestão anterior teve tanta aproximação e diálogo com o Movimento Hip Hop como a Gestão atual. Quando reivindicamos políticas públicas específicas para o Hip Hop. em parceria com a Secretaria de Cultura iniciamos uma relação bilateral que foi materializada em 2004. Ficamos desapontados quando percebemos que isto não está sendo reconhecido por muitos administradores desta Gestão. A impressão que nos deixa é que ora falta vontade política de concretizar nossas reivindicações ou no mínimo discuti-las. Sobre a Gestão de João Paulo na Prefeitura do Recife. no que se refere à relação da Prefeitura com o Hip Hop.para ficarmos mais fortes a fim de não permitir que ficássemos politicamente subordinados e dependentes da DGE. porém não institucionais. uma relação mais próxima com os movimentos sociais e culturais da Cidade. deveria ter construído nestes quatro anos de mandato. mas conscientes do papel e da eficácia que o Hip Hop possui em resgatar vidas que se encontram em situação de risco social nas centenas de favelas espalhadas pelo Recife. O que nós do Movimento Hip Hop vivemos é uma luta difícil e permanente para conseguirmos realizar projetos conjuntos. algo que a Prefeitura deixou a desejar na nossa compreensão e na compreensão de outros movimentos culturais com quem dialogamos e nos relacionamos. O Hip Hop com os seus elementos artísticos se constitui em uma verdadeira política pública de combate à violência urbana. existe uma diferença essencial entre a Gestão de João Paulo e as gestões municipais anteriores. talvez até porque não se interessam sequer em conhecer o movimento cultural-juvenil mais expressivo das periferias e favelas dos centros urbanos do mundo inteiro. a Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco tem a seguinte compreensão: Reconhecemos que está caracterizado um avanço. reacionárias e com políticas anti-populares. por se tratar de uma gestão diferenciada. Portanto.

Acreditamos no potencial do Hip Hop em aglutinar e organizar politicamente a juventude pobre das periferias. Trata-se de uma questão de prioridade. defendemos que o Hip Hop é um movimento e não simplesmente uma cultura. A Associação é o sindicato do Hip Hop em nível local. como já foi dito.de uma juventude historicamente esquecida pelo poder público e que por esse motivo cada vez mais ingressa nas fileiras da criminalidade. o avanço na relação Prefeitura e Movimento Hip Hop construído por esta Gestão. Jaboatão dos Guararapes e outros municípios da Região Metropolitana. pertencemos todos ao mesmo Movimento e. Olinda. porém entendemos que a Gestão pode fazer mais do que fez até o presente momento. a Associação. seus dirigentes e sócios apresentam uma visão de Hip Hop comum como está definida nos pontos abaixo: 1. adeptos do Hip Hop de Recife. Infelizmente esta proposta encontra-se engavetada na Diretoria Geral de Esportes sem o menor sinal de retomada de discussão. Por isso. mas também político e social. reconhecemos. uma vez que têm em seu quadro de sócios. caso contrário estas ações não acontecem com deveriam. apesar das concepções diferentes de Hip Hop existentes dentro da Associação. no sentido mais amplo. reconhecimento e vontade política. Portanto. precisamos trabalhar juntos. Fruto de um dos encaminhamentos aprovados na plenária final do I Seminário de Formação Política do Movimento Hip Hop de Pernambuco. 5. Assumimos a defesa do 5º elemento do Hip Hop como sendo a responsabilidade social e o compromisso político do Hip Hop com o povo da periferia.6 A Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco A criação da Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco foi uma das mais importantes conquistas políticas da história do Movimento Hip Hop no Estado. Uma função de resgate. entendendo que por mais que existam divergências políticas e ideológicas. 26 . se apresenta como a conquista da unidade política do Movimento na Região Metropolitana do Recife. Pessoas com idéias e concepções diferentes de Hip Hop reunidos em uma mesma entidade. 2. Acreditamos que a arte do Hip Hop não é neutra. Porém. quando se trata de realizar ações em benefício do Movimento Hip Hop e da periferia. longe de ser mais uma posse de Hip Hop. politização e transformação de vidas. 3. Paulista. O 5º elemento para nós caracteriza que o Hip Hop não é apenas um Movimento Cultural. e que apresenta uma função social e política muito importante dentro da periferia.

5. por último. Porém. o Prefeito do Recife receber oficialmente uma comissão do Movimento Hip Hop para escutar reivindicações. onde discutíamos nossa legal constituição em decorrência da necessidade do Movimento construir basicamente três coisas: unidade política (i).4. fruto de reivindicação realizada em reunião oficial da Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco com o Prefeito João Paulo. 6. um grupo que se propusesse trabalhar a organização e formação política do Movimento Hip Hop na Região Metropolitana do Recife (ii) e. participar oficialmente do Grito do Excluídos no dia 7 de setembro de 2004. Neste evento pudemos realizar oficinas com os elementos artísticos do Hip Hop e shows de rap na programação oficial do evento. A Associação teve suas atividades iniciais no dia 18 de março de 2004 através de reuniões semanais. celebrando um intercâmbio cultural interessante com um dos maiores e mais respeitados Movimentos Sociais do mundo. mesmo em um curto espaço de tempo. O primeiro ano de Associação foi caracterizado principalmente por um momento de estruturação interna onde. • A participação na II Semana Nacional de Cultura e Reforma Agrária do MST. 27 . uma representação legal constituída juridicamente no intuito de trabalhar projetos e ações. uma das mais importantes manifestações pacíficas da esquerda brasileira que ocorre há mais de dez anos em contraponto ao desfile militar. em benefício do Hip Hop e da periferia (iii). com o estabelecimento de uma discussão permanente. Acreditamos. democrática e participativa com o Movimento Hip Hop. realizada no mês de novembro de 2004. isto é. pela primeira vez. pudemos celebrar algumas conquistas pontuais como: • A volta do Pólo Hip Hop da Prefeitura do Recife no ano de 2004. Acreditamos em um Hip Hop militante engajado nas lutas pela transformação da sociedade Brasileira. conseguimos construir um estatuto social e eleger uma diretoria por dois anos. algo nunca ocorrido na história do Movimento em Pernambuco. em parceria com o poder público e outras entidades. artisticamente falando. em um Hip Hop regionalizado e brasileiro com identidade própria. • A mobilização dos militantes do Movimento Hip Hop para. no Campus da Universidade Federal de Pernambuco. Acreditamos na criação de um mercado auto-sustentável e independente do Hip Hop.

A realização da Roda de Break todos os domingos no Parque 13 de Maio. A Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco é uma entidade que o Movimento sempre necessitou e que apenas recentemente foi constituída e que está sendo utilizada como instrumento de politização e organização do Movimento Hip Hop da Região Metropolitana do Recife. onde relatamos a experiência do Pólo Hip Hop. onde na ocasião o Movimento Hip Hop de Pernambuco. 28 . em decorrência da movimentação e do trabalho de organização em prol da cultura afro-brasileira realizados com o Hip Hop local no ano de 2004. A volta deste mesmo Pólo Hip Hop em sua 3º edição no ano de 2005. • Participação oficial na programação do V Fórum Social Mundial em janeiro de 2005. através da Associação. a convite à própria organização do evento. política pública pioneira no Brasil desenvolvida por uma gestão municipal em parceria com o Movimento Hip Hop. na condição de palestrantes da mesa-redonda intitulada ‘Políticas Públicas para o Hip Hop’. espaço histórico e tradicional ocupado pelo Movimento Hip Hop de Pernambuco desde meados da década de 80. • • • A aprovação do Pólo Hip Hop como terceira prioridade da Plenária de Negros e Negras do Orçamento Participativo da Prefeitura do Recife para o ano de 2005 e 2006.• Recebimento de uma premiação simbólica dada pela Prefeitura do Recife. conseguiu aprovar em plenária a realização do Encontro Nordestino de Hip Hop para o ano de 2005 em Recife-PE. • Organização da discussão com o Movimento Hip Hop do Nordeste durante o I Fórum Social Nordestino em novembro de 2004.

CONCLUSÃO Diante do exposto poderíamos concluir que: Para enfrentarmos o processo de mercantilização que vem sofrendo o Hip Hop. passo importantíssimo para o amadurecimento político do Hip Hop local. A criação da Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco consolidou a discussão política no Movimento e já vem apresentando resultados positivos e conquistas. A Gestão de João Paulo e o seu relacionamento com o Hip Hop resultaram em um avanço na discussão em termos de políticas públicas específicas para o Hip Hop.6. O I Seminário de Formação Política do Movimento Hip Hop em Pernambuco foi o início de uma nova fase onde o Movimento assumiu a discussão política como rotina de atividades. 29 . especialmente seus elementos artísticos. A experiência ainda proporcionou um amadurecimento e uma maior organização do Movimento Hip Hop. A criação da UNIDRAD-PE em 1993 foi à primeira tentativa de organização do Movimento Hip Hop em Pernambuco no intuito de torná-lo mais forte e com propostas de intervenção artística e política na sociedade. sendo uma entidade de extrema importância para amadurecimento e crescimento político do Hip Hop. que traz consigo desde o seu nascimento uma essência claramente social e política. porém muitas lacunas devem ser preenchidas e muitos componentes da gestão ainda precisam entender a importância do Hip Hop dentro de uma sociedade tão desigual como a do Brasil . é necessário um permanente processo de formação política dos militantes para que todos entendam que esta tendência de Hip Hop como produto é contrária aos princípios originais do Hip Hop.

Ano 2. Nº 15. Departamento de Letras e Artes da Universidade Estadual de Feira de Santana. c) Revistas Revista Caros Amigos Especial. REFERÊNCIAS a) Bibliografia BARRETO. Ritmo e Poesia no Nordeste Brasileiro: Confluências da Embolada e do Rap. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de PósGraduação em Sociologia. 2004.O Grande salto do Movimento que fala pela maioria urbana. Hip Hop Hoje . Trabalho de Conclusão de curso apresentado ao curso de Geografia. Hip Hop na Região Metropolitana do Recife: Identificação. Bahia. QUEIROZ. www. b) Jornais Jornal Estação Hip Hop. Departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense. Uma Geografia do Hip Hop. Sílvia Gonçalves Paes. Glauco Bruce. Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco.com.com 30 . 2002. Amarino Oliveira de.7. 2003. d) Sítios da Internet Artigos do DJ TR (Acorda Hip Hop) www. RODRIGUES.riofesta.br/agencia/noticias Site oficial da Universal Zulu Nation. Nº 24. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Literatura e Diversidade Cultural.zulunation. junho de 2005. Expressão Cultural e Visibilidade.