FACULDADE METROPOLITANA DO MARAJÓ - FAMMA
Credenciada pela Portaria MEC nº 1.348 – DOU 02/12/2016
CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO
Turma C – Noite
LEUDIANE CARDOSO DOS SANTOS
O LIBERALISMO E O MARXISMO
Breves
2024
LEUDIANE CARDOSO DOS SANTOS
O LIBERALISMO E O MARXISMO
Trabalho apresentado à Faculdade
Metropolitana do Marajó como requisito para
obtenção de notas referente a segunda
avaliação da disciplina de Economia, do curso
de direito.
Instrutor: Prof. Me. Antônio Colares
Breves
2024
O LIBERALISMO E O MARXISMO
INTRODUÇÃO
O liberalismo e o marxismo representam as duas tendências mais importantes
e influentes no pensamento político e económico dos séculos passados. Cada um
oferece uma perspectiva única sobre a estrutura da sociedade, a distribuição de
recursos e o papel do Estado. Com raízes no Iluminismo, o liberalismo valoriza a
liberdade individual, a economia de mercado e o governo limitado. Por outro lado, o
marxismo, desenvolvido por Karl Marx e Friedrich Engels, oferece uma análise
aprofundada do capitalismo e defende a revolução proletária como o caminho para
uma sociedade sem classes. A profundidade e complexidade destes conceitos
fazem da sua investigação um ponto focal para a compreensão das suas
implicações políticas e económicas.
O individualismo foi uma reação ao feudalismo e à monarquia absoluta e
promoveu a ideia de que a liberdade individual e os direitos humanos eram
essenciais para o florescimento da humanidade. Filósofos como John Locke, Adam
Smith e John Stuart Mill foram os pioneiros na ideia de que a sociedade deveria ser
organizada em torno de mercados livres e direitos individuais. Enquanto Locke
argumentava que o governo deveria proteger os direitos à vida, à liberdade e à
propriedade, Smith via o mercado livre como a melhor forma de criar riqueza e
prosperidade.
O marxismo, por outro lado, surgiu no contexto da revolução e forneceu uma
crítica do capitalismo e das suas consequências. Karl Marx e Friedrich Engels viram
que o capitalismo criava uma desigualdade extrema entre a burguesia, que possuía
os meios de produção, e o proletariado, que vendia o seu poder. Segundo Marx, a
história humana é caracterizada pela luta de classes e o capitalismo será
inevitavelmente o próximo passo que levará à revolução proletária.
Apesar das suas diferenças, o liberalismo e o marxismo tiveram um impacto
profundo e duradouro na história política e económica mundial. A liberalização
promoveu o desenvolvimento dos direitos humanos e da liberdade económica,
contribuindo para o estabelecimento da democracia liberal e o desenvolvimento da
economia de mercado. O marxismo também inspirou revoluções e movimentos de
libertação em muitos países, levando à criação de países socialistas que
procuravam implementar a visão de uma sociedade sem classes.
DESENVOLVIMENTO
Origens e Fundamentos do Liberalismo
O Liberalismo surgiu como uma resposta intelectual e política às estruturas
autoritárias e feudais da Europa nos séculos XVII e XVIII. Suas raízes estão
profundamente entrelaçadas com o Iluminismo, um movimento que valorizava a
razão, a ciência e a liberdade individual como pilares do progresso humano. Os
pensadores iluministas criticavam a concentração de poder nas mãos das
monarquias absolutistas e a influência opressiva da Igreja, defendendo a
necessidade de reformar a sociedade com base em princípios racionais e universais.
Entre os primeiros teóricos liberais destacam-se John Locke, Adam Smith e John
Stuart Mill, cujas obras estabeleceram os alicerces do Liberalismo moderno. Nisto,
entende-se que:
O liberalismo é uma ideologia que se caracteriza pela valorização dos
indivíduos e de suas liberdades, entendendo que cada pessoa deve poder
ter a sua própria concepção de bem, e por meio dela agir. Isso é a definição
ampla, abrangente da ideologia liberal, no momento em que ela ainda tinha
um caráter mais uniforme — não há, exatamente, uma doutrina única liberal,
mas, autores e correntes que defendem as ideias básicas do liberalismo.
(FILHO, 2023, p. 46).
John Locke, frequentemente considerado o "pai do Liberalismo", introduziu a
ideia dos direitos naturais – vida, liberdade e propriedade – que, segundo ele, eram
inalienáveis e deveriam ser protegidos por qualquer governo legítimo. Em seu
"Segundo Tratado sobre o Governo Civil" (1689), Locke argumentava que o poder
político deveria derivar do consentimento dos governados e que os governantes
tinham a obrigação de proteger esses direitos. Caso contrário, os cidadãos teriam o
direito de resistir e reformar ou substituir o governo. Essa visão contrastava
fortemente com a doutrina do direito divino dos reis, promovendo a noção de
soberania popular.
Adam Smith, em sua obra seminal "A Riqueza das Nações" (1776),
aprofundou os fundamentos econômicos do Liberalismo. Smith defendia que a
economia de mercado, regida pela "mão invisível" da oferta e demanda, era o
sistema mais eficiente para a distribuição de recursos. Ele acreditava que a busca
individual pelo lucro, dentro de um mercado competitivo, conduziria ao bem-estar
geral da sociedade. Smith também criticou o mercantilismo, argumentando que a
intervenção do Estado na economia deveria ser mínima e que o livre comércio seria
benéfico para todas as nações envolvidas. Seu trabalho estabeleceu os princípios
da economia de mercado que continuam a influenciar políticas econômicas até hoje.
John Stuart Mill, no século XIX, expandiu as ideias liberais para abarcar não
apenas a liberdade econômica, mas também a liberdade de expressão, de
pensamento e de associação. Em "Sobre a Liberdade" (1859), Mill defendeu que a
única justificativa para a intervenção do Estado ou da sociedade sobre o indivíduo
seria prevenir danos a terceiros. Ele enfatizava a importância da diversidade de
opiniões e da livre discussão como meios para alcançar a verdade e o progresso
social. Mill também abordou questões de justiça social, argumentando que a
sociedade deveria criar condições para que todos os indivíduos tivessem
oportunidades iguais de desenvolver suas potencialidades. Vale compreender que:
Começando com o liberalismo, esta ideologia, e forma de distribuir direitos,
a partir de Rawls, com uma Teoria da Justiça em 1971 (2008), transformou-
se em duas concepções de justiça, nitidamente, embora existam outras
variações, com a defendida, por exemplo, por Kymlicka (1996), do
liberalismo multicultural. (FILHO, 2023, p. 50).
Os fundamentos do Liberalismo se baseiam em vários princípios centrais: a
liberdade individual, a propriedade privada, a economia de mercado e o governo
limitado. A liberdade individual é considerada um direito fundamental, e o papel do
Estado é proteger essa liberdade, garantindo que os cidadãos possam viver e
prosperar sem interferências indevidas. A propriedade privada é vista como
essencial para a liberdade econômica, incentivando a inovação e o investimento. A
economia de mercado é valorizada por sua eficiência na alocação de recursos e na
promoção do crescimento econômico. O governo limitado implica que a intervenção
estatal deve ser restrita às funções necessárias para manter a ordem e proteger os
direitos dos indivíduos. Neste sentido, compreende-se que:
Portanto, nenhum dos assim chamados direitos humanos transcende o
homem egoísta, o homem como membro da sociedade burguesa, a saber,
como indivíduo recolhido ao seu interesse privado e ao seu capricho privado
e separado da sociedade. (MARX, 2010, p. 50).
O impacto do Liberalismo pode ser observado na formação das democracias
liberais modernas, na promoção dos direitos humanos e na disseminação da
economia de mercado global. As ideias liberais influenciaram a Declaração de
Independência dos Estados Unidos, a Revolução Francesa e inúmeras reformas
políticas e econômicas ao redor do mundo. No entanto, o Liberalismo também
enfrenta críticas por, em alguns casos, não abordar adequadamente as questões de
desigualdade social e econômica, e por promover uma visão excessivamente
individualista que pode resultar em alienação e fragmentação social. Essas críticas
continuam a moldar o debate sobre a aplicação e os limites do Liberalismo na
sociedade contemporânea.
Os princípios fundamentais do Liberalismo incluem a liberdade individual, a
propriedade privada, a economia de mercado e o governo limitado, nisto, ressalta-se
“[...] o liberalismo, basicamente no que diz respeito aos modelos de distribuição de
direitos — teorias ou concepções de direito, repetimos —, divide-se em liberalismo
igualitário e libertarianismo.” (FILHO, 2023, p. 50). A liberdade individual é vista
como um direito inerente e inalienável, e o papel do governo é proteger essa
liberdade sem interferir excessivamente na vida dos cidadãos. A propriedade privada
é considerada essencial para a liberdade econômica, incentivando a inovação e o
progresso.
A economia de mercado, defendida pelos liberais, é baseada na livre
concorrência e na oferta e demanda, o que, segundo eles, leva à eficiência e ao
crescimento econômico. O governo limitado implica que o Estado deve intervir o
mínimo possível nos assuntos econômicos e sociais, apenas para manter a ordem e
garantir os direitos dos indivíduos.
O impacto do Liberalismo pode ser observado na expansão do capitalismo, na
promoção dos direitos humanos e na disseminação da democracia liberal. No
entanto, o Liberalismo também enfrenta críticas por, às vezes, falhar em abordar
questões de desigualdade social e econômica, e por promover uma visão
excessivamente individualista da sociedade.
Por outro lado, o Marxismo surgiu no século XIX, como uma resposta crítica
ao capitalismo industrial, com Karl Marx e Friedrich Engels como seus principais
teóricos. Em suas obras, especialmente "O Manifesto Comunista" e "O Capital",
Marx analisou as contradições do capitalismo, argumentando que ele é
intrinsecamente explorador e insustentável a longo prazo. Assim, compreende-se
que:
[...] o marxismo deu origem a basicamente a três modelos, que ainda são
modelos contemporâneos: as ditaduras socialistas, que deturpam e
eliminam as democracias liberais — o que aconteceu na Venezuela agora,
no caso presente, depois de um período de populismo —; o populismo de
esquerda, que é a forma preferencial, hoje em dia, de aquisição do poder
pela esquerda dentro das democracias liberais – como dissemos mais
acima, o populismo de esquerda é uma construção teórica de Ernesto
Laclau, e popularizada no mundo por Chantal Mouffe. (FILHO, 2023, p. 51).
Marx desenvolveu a teoria da luta de classes, que postula que a história da
sociedade é a história de lutas entre classes opressoras e oprimidas. No capitalismo,
a burguesia (classe dominante) explora o proletariado (classe trabalhadora),
apropriando-se do valor excedente gerado pelo trabalho dos operários. Marx previu
que essa exploração levaria a uma revolução proletária, resultando na derrubada do
capitalismo e na construção de uma sociedade sem classes, onde os meios de
produção seriam de propriedade comum.
Os princípios do Marxismo incluem a luta de classes, o materialismo histórico,
a economia política crítica e o internacionalismo proletário. A luta de classes é o
motor da mudança histórica, com o proletariado se organizando para derrubar a
burguesia e estabelecer uma ditadura do proletariado, que seria uma etapa de
transição para o comunismo. Para Oliveira (2020, p. 3):
[...] a crítica de Marx ao Estado adquire tons mais enfáticos, pois percebe
que as instâncias administrativas do poder estatal estão em consonância
com uma perspectiva de adequação da ordem e que as políticas e
legislações trabalhistas da época apenas evocavam o direito da burguesia
continuar explorando os trabalhadores e manter inviolável o direito da
propriedade privada. Para Marx e Engels (1998) a presença do Estado
revela a sua natureza, pois seus pressupostos tendem a garantir interesses
daqueles que possuem a propriedade privada dos meios de produção,
sendo um agente de regulação a favor dos interesses particulares dos
proprietários.
O materialismo histórico é a metodologia marxista que analisa a sociedade a
partir das suas bases econômicas e das relações de produção. A economia política
crítica desmascara as injustiças e contradições do capitalismo, propondo a
socialização dos meios de produção como solução.
O internacionalismo proletário enfatiza a solidariedade entre trabalhadores de
todos os países, visto que o capitalismo é um sistema global. O impacto do
Marxismo é vasto, influenciando revoluções e movimentos sociais ao redor do
mundo, como a Revolução Russa de 1917 e a Revolução Chinesa de 1949. No
entanto, a implementação prática do Marxismo tem sido objeto de críticas, devido
aos abusos de poder, repressões políticas e falhas econômicas em regimes
autodenominados marxistas. Em Filho (2023, p. 51 e 52) se compreende que:
O marxismo, na sua forma tradicional, a propósito, não tem mais essa
importância que a gente vê na América Latina, no continente europeu, onde
ele foi gerado. Na Europa, o marxismo tradicional é periférico — na
perspectiva eleitoral. Os partidos comunistas, como em Portugal, na
Espanha, na França, têm um sucesso eleitoral diminuto. O populismo de
esquerda, todavia, ainda tem alguma ressonância na Europa, embora seja
na América Latina que ele venha tendo maior sucesso, como aconteceu
com Rafael Correa, no Equador; com Chávez, na Venezuela; com Evo
Morales, na Bolívia, com Fernandez, na Argentina, e com Lula, no Brasil.
Assim, uma boa parte da América Latina foi ou é dominada por populistas
de esquerda, havendo ditaduras, em verdade, só na Venezuela, agora de
Maduro, na Nicarágua, de Ortega, e, ainda, em Cuba, que foi dos Castro e
agora é de Diaz-Canel.
O Liberalismo e o Marxismo são frequentemente criticados por suas
limitações e falhas. O Liberalismo é criticado por negligenciar as desigualdades
estruturais e por promover um individualismo que pode resultar em alienação social.
Marxistas apontam que o Liberalismo sustenta um sistema econômico que perpetua
a exploração e a opressão.
Marx (2009) aborda duas críticas fundamentais de Karl Marx ao liberalismo e
ao Estado burguês. Primeiramente, Marx critica a concepção de liberdade
promovida pelo liberalismo burguês, que ele vê como uma forma de atomização dos
indivíduos. Para Marx, essa forma de liberdade isola os indivíduos, limitando-os a
seus próprios interesses privados e egoístas, em contraste com a fraternidade e
solidariedade que seriam necessárias para uma verdadeira emancipação social
Em relação à segurança, Marx (2009) argumenta que o Estado burguês
funciona principalmente como um aparato repressivo para proteger os interesses da
classe dominante, ou seja, a burguesia. Ele vê o Estado como uma ferramenta para
garantir a propriedade privada, utilizando forças legais e policiais para manter a
ordem que favorece a classe capitalista.
Por outro lado, o Marxismo enfrenta críticas por sua visão utópica de uma
sociedade sem classes, que muitas vezes resultou em regimes autoritários e
repressivos. A centralização do poder no Estado, durante a fase de transição ao
comunismo, levou a violações dos direitos humanos e a ineficiências econômicas.
Comparando os dois, o Liberalismo valoriza a liberdade individual e a
economia de mercado, enquanto o Marxismo se concentra na igualdade social e na
justiça econômica. O Liberalismo promove reformas gradativas dentro do sistema
existente, enquanto o Marxismo busca uma transformação radical e revolucionária.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Liberalismo e o Marxismo são duas ideologias que moldaram
profundamente o pensamento político e econômico dos últimos séculos, oferecendo
perspectivas contrastantes sobre a organização da sociedade, a economia e o papel
do Estado. O Liberalismo, nascido do Iluminismo e dos pensamentos de filósofos
como John Locke, Adam Smith e John Stuart Mill, enfatiza a liberdade individual, os
direitos humanos, a economia de mercado e um governo limitado. Essa ideologia
tem sido fundamental na formação das democracias liberais e na promoção de
direitos individuais, apesar de enfrentar críticas por não lidar adequadamente com as
desigualdades sociais e econômicas.
Por outro lado, o Marxismo, formulado por Karl Marx e Friedrich Engels,
apresenta uma crítica incisiva ao capitalismo e suas desigualdades inerentes,
propondo a luta de classes e a revolução proletária como caminho para uma
sociedade sem classes. O materialismo histórico de Marx, conforme observado,
introduziu uma compreensão científica das mudanças sociais e políticas, destacando
a relação entre a base econômica e a superestrutura política. A influência do
Marxismo pode ser vista em revoluções e movimentos sociais que buscaram
implementar suas ideias, apesar dos desafios práticos e das críticas ao autoritarismo
e à ineficácia econômica dos regimes autodenominados marxistas.
O Liberalismo contribuiu para o desenvolvimento das liberdades individuais e
dos mercados livres, mas enfrenta a necessidade de abordar as questões de
desigualdade e alienação social. O Marxismo, enquanto promove a justiça
econômica e a igualdade social, deve reconciliar-se com seu histórico de regimes
autoritários e suas dificuldades em criar economias sustentáveis.
A compreensão das complexidades do Liberalismo e do Marxismo é essencial
para o debate contemporâneo sobre a construção de sociedades mais justas e
equitativas. Integrar os melhores aspectos de ambas as ideologias, adaptando-os às
realidades e desafios do século XXI, pode oferecer caminhos promissores para
enfrentar problemas globais como desigualdade, injustiça social e a necessidade de
um desenvolvimento econômico sustentável. Assim, ao refletir sobre as teorias e
práticas de Liberalismo e Marxismo, podemos buscar uma síntese que promova
tanto a liberdade individual quanto a justiça social, contribuindo para um futuro mais
equilibrado e inclusivo.
REFERÊNCIAS
FILHO, José Claudio Monteiro de Brito. LIBERALISMO, MARXISMO E
CONSERVADORISMO: a influência das ideologias, nas democracias liberais,
na distribuição dos direitos. CONPEDI LAW REVIEW | XII ENCONTRO
INTERNACIONAL DO CONPEDI BUENOS AIRES – ARGENTINA, v. 9, n. 1. JUL-
DEZ, 2023. Disponível em:
[Link] Acesso em 14
jun. 2024.
MARX, Karl. Sobre a questão judaica. Tradução de Nélio Scheneider. São Paulo:
Boitempo, 2010.
__________. As lutas de classes na França. São Paulo: Boitempo, 2009.
OLIVEIRA, Ednéia Alves de. Estado e direito no capitalismo: um debate entre o
liberalismo e marxismo. Espaço temático: direitos humanos, democracia e
neoconservadorismo. Rev. katálysis 23 (02). 2020. Disponível em:
[Link] Acesso em 14 jun. 2024.