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Licenciatura em Educação Física e Desporto Ramo: Científico MONOGRAFIA ORIENTADOR: PROF. DR. MARIA JOÃO ALMEIDA
Licenciatura em Educação Física e Desporto Ramo: Científico MONOGRAFIA ORIENTADOR: PROF. DR. MARIA JOÃO ALMEIDA

Licenciatura em Educação Física e Desporto

Ramo: Científico

MONOGRAFIA

Educação Física e Desporto Ramo: Científico MONOGRAFIA ORIENTADOR: PROF. DR. MARIA JOÃO ALMEIDA DISCENTE: CLÁUDIO
Educação Física e Desporto Ramo: Científico MONOGRAFIA ORIENTADOR: PROF. DR. MARIA JOÃO ALMEIDA DISCENTE: CLÁUDIO
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Educação Física e Desporto Ramo: Científico MONOGRAFIA ORIENTADOR: PROF. DR. MARIA JOÃO ALMEIDA DISCENTE: CLÁUDIO

ORIENTADOR: PROF. DR. MARIA JOÃO ALMEIDA

DISCENTE: CLÁUDIO LUIS DE FREITAS AFONSO

Outubro, 2005

Científico MONOGRAFIA ORIENTADOR: PROF. DR. MARIA JOÃO ALMEIDA DISCENTE: CLÁUDIO LUIS DE FREITAS AFONSO Outubro, 2005

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Agradecimentos

Este trabalho, apesar do seu carácter individual, solicitou a colaboração de diversas pessoas e instituições, sem os quais, o mesmo não podia ser exequível. A todos, expresso a minha gratidão:

● A minha orientadora Maria João Almeida, pela sua disponibilidade, orientação, apoio e amizade.

● Às juntas de Freguesias de São Jorge e Arco de São Jorge e aos respectivos presidentes, professor João Gabriel e a professora Dalila.

● Aos meus colegas, Décio Fernandes, Paulo David, Sandra Anastácio, Lúcio

Fernandes, Élsio Camacho e Célia Jesus, pela sua amizade, pelo excelente apoio,

dedicação e colaboração na recolha dos dados.

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Índice geral

Capítulo I

 

APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA

 

Introdução

9

Definição do problema

11

Âmbito do estudo

13

Pressupostos

14

Limitações

15

Pertinência do estudo

16

Definições operacionais

17

Capítulo II

 

REVISÃO DE LITERATURA

 

Introdução

20

1 - Envelhecimento

21

2 Género e Saúde

23

3 Envelhecimento Demográfico

25

4 Actividade Física

26

4.1- Conceito de Actividade Física

26

4.2- Benefícios da Actividade Física na Saúde dos Idosos

27

4.3- Consequências da Inactividade Física nos Idosos

29

4.4- Motivação para a Prática de actividades Físicas nos Idosos

31

4.5- Exercícios Físicos e Força Muscular nos Idosos

32

4.6- Exercícios Físicos e Obesidade nos Idosos

34

4.7- Exercícios Físicos e Diabetes nos Idosos

35

4.8- Exercícios Físicos e Hipertensão nos Idosos

36

4.9- Exercícios Físicos e Osteoporose nos Idosos

38

5- Tabaco

39

6- Álcool

41

Capítulo III

 

METODOLOGIA

 

Introdução

44

Selecção e caracterização da amostra

44

Instrumentos e métodos de avaliação

45

Organização dos procedimentos

47

Recolha dos dados

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Análise Estatística

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Capítulo IV

 

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

 

1- Introdução

51

2- Apresentação e Analise dos Resultados

51

2.1- Características Gerais da amostra

51

2.2- Actividade Física

55

2.3- Physical Activity Scale for the Elderly (PASE)

62

2.4- Associação entre Actividade Física e Saúde

64

2.5- Associação entre Actividade Física e Qualidade de Vida

65

2.6- Associação entre Actividade Física e Sentimentos Negativos

66

2.7- Associação entre Actividade Física e Quedas

68

2.8- Associação entre Actividade Física e Doenças

70

2.9 Outros Comportamentos (Tabaco/ Álcool)

72

3- Discussão dos Resultados

75

Capítulo V

 

CONCLUSÕES

78

RECOMENDAÇÕES

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BIBLIOGRAFIA

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Índice das Figuras

Figura 1. Diferenças entre sexos em relação às variáveis, actividades sedentárias, andar a pé e actividades leves, derivadas do questionário de actividade física (PASE).

56

Figura 2. Diferenças entre sexos em relação às variáveis, actividades moderadas, intensas e actividades de resistência e de força, derivadas do questionário de actividade física (PASE).

56

Figura 3. Diferenças entre sexos e escalão etário em relação às variáveis, actividades sedentárias, andar a pé e actividades leves, derivadas do questionário de actividade física (PASE).

57

Figura 4. Diferenças entre sexos e escalão etário em relação às variáveis, actividades moderadas intensas e actividades de resistência e de força, derivadas do questionário de actividade física (PASE).

58

Figura 5. Diferenças entre sexos em relação às variáveis, actividades domésticas leves, pesadas, reparações em casa, cortar erva, lenha, jardinagem e cuidar de alguém derivadas do questionário de actividade física (PASE).

59

Figura 6. Diferenças entre sexos e escalão etário em relação às variáveis, actividades domésticas leves, pesadas, reparações em casa, cortar erva, lenha, jardinagem e cuidar de alguém derivadas do questionário de actividade física.

60

Figura 7. Diferenças entre sexos em relação às variáveis, actividades relacionadas com trabalho e horas de trabalho derivadas do questionário de actividade física (PASE).

61

Figura 8. Diferenças entre sexos e escalão etário em relação às variáveis, actividades relacionadas com trabalho e horas de trabalho derivadas do questionário de actividade física (PASE).

62

Figura 9. Diferenças entre sexos em relação às variáveis que descrevem a saúde

65

Figura 10. Diferenças entre sexos em relação às variáveis que descrevem a qualidade de vida

66

Figura 11. Diferenças entre sexos em relação às variáveis que descrevem sentimentos negativos

67

Figura 12. Diferenças entre sexos em relação às variáveis que descrevem o número de quedas

69

Figura 13. Diferenças entre sexos e escalão etário em relação às variáveis que

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descrevem o número de doenças.

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Índice dos quadros

 

Quadro 1. Características Gerais da Amostra, segundo as Habilitações Literárias, Profissão, Estado Civil e Agregado Familiar.

52

Quadro 2. Características físicas da amostra por sexo

53

Quadro 3. Frequência de homens e mulheres por categoria do IMC

53

Quadro 4. Ocorrência de doenças em homens e mulheres

54

Quadro 5. Registo do número total de horas semanais, nas actividades sedentárias, andar a pé e nas actividades leves, moderadas intensas e de resistência e força.

55

Quadro 6. Frequência de actividades domésticas, leves, pesadas, reparações em casa, cortar erva, jardinagem e actividades domésticas cuidar de alguém, entre homens e mulheres.

59

Quadro 7. Registo do número total de horas nas actividades relacionadas com trabalho

60

Quadro 8. Frequência de homens e mulheres no trabalho

61

Quadro 9. Scores do PASE, em homens e mulheres

63

Quadro

10. Associação entre actividade física e saúde em homens e

64

mulheres

Quadro 11. Correlação entre a actividade física (PASE) e saúde

64

Quadro 12. Associação entre actividade física e qualidade de vida em homens e mulheres

65

Quadro 13. Correlação entre a actividade física (PASE) e qualidade de vida.

66

Quadro 14. Associação entre actividade física e sentimentos negativos em homens e mulheres

67

Quadro 15. Correlação entre a actividade física (PASE) e sentimentos negativos.

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Quadro 16. Associação entre actividade física e quedas em homens e mulheres

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Quadro 17. Correlação entre a actividade física (PASE) e quedas.

68

Quadro 18. Associação entre actividade física e doenças em homens e mulheres

70

Quadro 19. Correlação entre a actividade física (PASE) e doenças.

71

Quadro 20. Frequência de indivíduos que já fumaram e que nunca fumaram em ambos os sexos

73

Quadro 21. Frequência de indivíduos que fumam em ambos os sexos

73

Quadro 22. Frequência de consumo de álcool em ambos os sexos.

73

Quadro 23. Tipo de bebidas Alcoólicas Consumidas em ambos os sexos

74

Quadro 24. Quantidades Ingeridas em ambos os sexos

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Capitulo I

APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA

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Introdução

Actualmente, os responsáveis pelos diversos países e regiões, têm feito transparecer o quanto pode influenciar, ou por outra, o quanto importante é a adopção de estilos de vida activos na qualidade de vida das pessoas. Como é de conhecimento geral, o envelhecimento é um dos fenómenos que mais se evidencia nas sociedades actuais. Na realidade, a conjugação do decréscimo progressivo das taxas de natalidade com o aumento gradual da esperança média de vida tem-se traduzido no envelhecimento populacional, o qual tem crescido de forma acentuada (Carvalho, 1999). Os progressos médicos e a melhoria das condições de vida são tais, desde a Segunda Guerra Mundial, que o número de pessoas com mais de 65 anos aumenta de ano para ano (Fontaine, 2000). As previsões demográficas, a nível mundial, apontam para uma percentagem de 25 a 30% das pessoas com mais de 65 anos no ano de 2030, contra a actual percentagem de 14% (Duarte, 1999). Segundo dados da Direcção Regional de Estatística (DRE), no concelho de Santana, esta subida do número de idosos também é uma realidade. Através dos censos de 2001, podemos verificar que num período de 10 anos, de 1991 a 2001, houve um aumento de 20,9% no número de idosos do concelho. Com o aparecimento de novas tecnologias que nos convidam ao sedentarismo e além do facto de, com o decorrer da idade, a diminuição da actividade física ser uma realidade, é fundamental desenvolver mecanismos que façam com que os próprios indivíduos sintam a necessidade de realizar actividade física. É fundamental, dado que, segundo muitos investigadores, mais do que a doença crônica, é o desuso das funções fisiológicas que pode provocar mais problemas a nível da saúde. Assim sendo, com o aumento do número de idosos e com a diminuição da actividade física dos mesmos, ocorre um aumento das doenças associadas ao envelhecimento, destacando-se as doenças crônico-degenerativas. Existem diversificadas evidências empíricas relativamente à importância da actividade física para a promoção da saúde e prevenção da doença. Stephens & Craig (1990, in Duarte, 1999), mostraram que os idosos que desenvolviam um estilo de vida activo, necessitaram de menores cuidados médicos. A prática regular de actividade física, neste grupo etário da população, tem efeitos positivos nos aspectos físicos, psicológicos e sociais (Duarte, 1999).

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Sendo o sedentarismo um dos principais responsáveis pela perda de autonomia funcional no idoso e aumento da propensão para a doença, não lhe permitindo executar as tarefas da vida quotidiana, as suas consequências trarão profundas repercussões na saúde e na qualidade de vida. Desta forma, e verificando a ausência de estudos que avaliem os níveis de actividade física e outros comportamentos associados da população idosa do concelho de Santana, mais concretamente nas freguesias de São Jorge e Arco de São Jorge, decidimos fazer um estudo neste sentido, podendo assim contribuir, com este trabalho, para a prevenção da taxa do sedentarismo, pois a utilização do exercício físico e a compreensão dos seus benefícios irão constituir-se como factores facilitadores da promoção e educação para a saúde.

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Definição do Problema

A qualidade de vida do idoso é fundamentalmente julgada pelo seu grau de funcionalidade, saúde, e pela capacidade de permanecer independente dos outros para a realização das tarefas do dia a dia (Spirduso, 1995). Como se sabe, a actividade física é o principal responsável pela melhoria do bem-estar e da qualidade de vida do sujeito idoso acarretando benefícios a nível físico e fisiológico, social e psicológico (Carvalho,

1999).

A realidade é que o número de idosos que são independentes, é muito menor do

que a percentagem de idosos dependentes (Spirduso, 1995). Neste sentido, a actividade física minimiza a perda de capacidade funcional, quer física quer mental, pode contribuir para prevenir um dos maiores problemas do envelhecimento, que sendo consubstanciado na perda de autonomia e independência, representa uma das principais causas de degradação da qualidade de vida do idoso (Costa & Agreda, 1999).

A actividade física sistemática, a longo da vida, quando acompanhada de hábitos

de saúde razoáveis, aumenta a esperança de vida, ou seja, as pessoas fisicamente activas vivem mais que os sedentários (Spirduso, 1995). Neste contexto a Organização Mundial de Saúde lançou, em 1995, um novo programa de saúde para a terceira idade, no qual, entre várias medidas, destaca a importância da actividade física como forma de prevenir a doença e manter o bem estar da população em idades avançadas. Definindo-se saúde como bem-estar físico, mental e social das populações, e sabendo-se que a actividade física promove benefícios a estes níveis, talvez nenhuma outra medida preventiva possa concorrer de modo tão global como esta para atingir o objectivo daquela definição (Costa & Agreda, 1999). Assim sendo, o presente estudo pretende averiguar os níveis de actividade física dos idosos (65 e mais anos) e outros comportamentos associados nas freguesias de São Jorge e Arco de São Jorge, com o intuito de aumentar as informações sobre esta amostra que tem naturalmente características únicas. Poderá servir também para ajudar os profissionais de actividade física e saúde, que posteriormente trabalharão a nível da prescrição da actividade física para os idosos em questão. E se pensarmos que a maioria dos idosos do século XXI já nasceu, seria então importante actuar no sentido de promover atitudes favoráveis e criar hábitos de

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actividade física nas crianças e jovens de hoje para que assim, os idosos de amanhã beneficiem de maior independência, de melhor saúde e bem estar (Duarte, 1999).

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Âmbito de Estudo

No 4º ano do Curso de Educação Física e Desporto Ramo Cientifico da Universidade da Madeira, é-nos exigido, no âmbito da cadeira monografia, um trabalho de investigação científica. Este trabalho de investigação realizou-se nas freguesias de São Jorge e Arco de São Jorge, situadas na cidade de Santana. O presente estudo tem uma amostra aleatória de 125 idosos residentes na freguesia de São Jorge e 30 idosos residentes na freguesia do Arco de São Jorge, de ambos os sexos, de todos aqueles que se disponibilizaram participar, uma vez que esta participação é voluntária. Esta amostra tem um número significativo de idosos residentes naquelas freguesias, para que numa fase posterior possibilite generalizar a todos os idosos residentes nas freguesias em questão. Todas as informações da amostra em questão foram obtidas através do questionário de Physical activity scale for the Elderly (PASE) desenvolvido por Washburn et al. (1993), para determinar os níveis de actividade física dos idosos, e de um questionário elaborado por mim com a ajuda fundamental da minha orientadora, com o intuito de averiguar outros comportamentos da população idosa daquelas freguesias, tais como tabagismo, alcoolismo, habilitações literárias, doenças frequentes na população em questão etc Os questionários foram aplicados durante os meses de Agosto, Setembro e Outubro, nas respectivas freguesias. Como colaboradores, contei com a ajuda imprescindível do Décio, que para a realização da sua monografia utilizou a mesma amostra, em situações pontuais, pude contar com a ajuda do Paulo David, Sandra, Célia, Èlsio, todos eles alunos de Educação física e Desporto da Universidade da Madeira, com excepção da Sandra que já se licenciou no Ramo Ensino. Todos os questionários foram aplicados pelas pessoas atrás referidas, de modo a evitar imperceptibilidades por parte dos idosos, contribuindo para uma maior fiabilidade nas respostas.

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Pressupostos

A actividade física regular tem efeitos positivos nos sistemas, músculo- esquelético, cardiovascular, respiratório e endócrino. Além disso, o efeito do exercício nestes sistemas está associado com uma quantidade de benefícios na saúde, incluindo o decréscimo do risco de morte prematura e do reduzido risco da doença das artérias coronárias, hipertensão, cancro do cólon, e diabetes mellitus. Em acréscimo, a participação regular na actividade física também pode reduzir a depressão e ansiedade, melhora o bem-estar e aumenta a habilidade para executar as tarefas diárias ao longo do período de vida (U.S. Surgeon General, 1996 in ACE, 1998). No entanto, e apesar de todos os benefícios que a actividade física tem na saúde do idoso, a verdade é que as pessoas tendem a ter um comportamento sedentário na terceira idade, que por sua vez, afecta a qualidade de vida das pessoas aumentando a propensão para a doença (Duarte, 1999). Um dos pressupostos refere-se ao facto de presumirmos que os idosos activos apresentam um menor número de doenças, sendo portanto mais saudáveis. Este mesmo pressuposto, apoia-se na referência de Costa & Agreda (1999), que referem que à medida que a idade aumenta tornam-se mais frequentes as doenças crónicas e agudas, sendo que, a actividade física tem um efeito positivo sobre estas. Partindo deste pressuposto, pretendemos averiguar se existem diferenças significativas entre os idosos activos e inactivos e, caso hajam diferenças, quais são os factores que contribuem para esta diferenciação.

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Limitações

Este trabalho de investigação apresentou algumas limitações durante a sua realização, que poderão ter influenciado, de uma forma ou de outra, a validade dos resultados. Uma das maiores limitações do nosso estudo, prende-se com o facto de não ter tido a possibilidade de aceder as codificações do questionário de PASE, não tendo tido possibilidade de aceder a esses códigos, segui a lógica da literatura referente a este instrumento de avaliação. Este factor pode alterar os valores de actividade física, fazendo com que estes valores não sejam tão precisos. Uma outra limitação consistiu no facto de muitos idosos terem dificuldades de se recordar com precisão acontecimentos passados, de modo a poderem responder a algumas questões que evoquem a memória de longo prazo. Em relação à amostra, esta deveria ser representativa do Concelho de Santana, para que fosse possível generalizar ao resto população idosa, mas devido ao pouco tempo que dispusemos (de acordo com a disponibilidade dos idosos) para a aplicação dos questionários, tal não foi possível.

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Pertinência do Estudo

A realização deste estudo prendeu-se essencialmente à motivação pessoal de querer conhecer quais os níveis de actividade física dos idosos e outros comportamentos nas freguesias de São Jorge e Arco de São Jorge do concelho de Santana. Tal facto pode revelar-se fundamental, já que, a actividade física pode nos prevenir de uma série de doenças e reduzir a perda de autonomia, aumentando a qualidade de vida. Assim sendo, sabendo que a actividade física tem sido um dos meios promotores da saúde, achámos bem realizar este tipo de estudo. A escolha desta faixa etária prende-se do facto de sabermos que os idosos manifestam um interesse diminuto pela actividade física, podendo este facto, comprometer a sua autonomia e independência e consequentemente a sua qualidade de vida. Pelo que sei, as monografias efectuadas na universidade da Madeira, que consistiam na avaliação da actividade física da população idosa da R.A.M, Região autónoma da madeira, basearam-se em amostras convenientes.

O meu particular interesse associa-se ao facto de pretender conhecer a realidade da

região, em especial, nas freguesias de São Jorge e Arco de São Jorge do concelho de Santana.

A amostra será relativamente grande, de modo a poder ser representativa daquelas duas

freguesias, para depois poder generalizar.

As conclusões deste estudo poderão contribuir para que os profissionais da área de saúde e prescrição do exercício que por ventura venham a trabalhar com esta população alvo, tenham assim um conhecimento mais aprofundado dos níveis de actividade física

da mesma.

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Definições Operacionais

Actividade Física é o movimento corporal produzido pela contracção do músculo-esquelético que eleva substancialmente o dispêndio de energia (ASCM, 2000).

Atrofia diminuição no tamanho da célula, tecido, órgão ou parte (ACE, 1998)

Cardiopatia qualquer doença ou transtorno do coração (Duncan et al., 1995)

Composição Corporal refere-se ao percentual relativo de peso corporal representado por gordura e tecido isento de gordura (ASCM, 2000).

Exercício Físico é uma subclasse da actividade física que é definido como o movimento corporal planeado, estruturado e repetitivo executado com a finalidade de aprimorar ou de manter um ou mais componentes da aptidão física (ASCM, 2000).

Força Muscular refere-se à força máxima (enunciada acertadamente em newtons, embora o quilograma também seja comummente usado) que pode ser gerada por um músculo especifico ou grupo muscular (ACSM, 2000).

Hipertensão Pressão arterial elevada, transitória ou persistente, habitualmente referindo-se à leituras de pressão sanguíneas em que, quer a pressão sistólica quer a diastólica, estão significativamente aumentadas em relação à média para a população (Duncan et al., 1995)

Morbilidade traduz-se na proporção entre o número de indivíduos doentes e o número de indivíduos sãos, num determinado lugar ou área geográfica e num determinado tempo específico (Duncan et al., 1995)

Mortalidade é a taxa de mortes numa população que ocorre dentro de um determinado prazo (Duncan et al., 1995)

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Osteoporose - Caracteriza-se por uma redução gradual da massa do osso, que conduz a dor, especialmente nas costas e no peso que aguenta os ossos (ACE, 1998).

Saúde É um estado de equilíbrio e completo bem estar físico, mental e social e não consiste unicamente na ausência de doença (OMS)

Senescência processo de envelhecimento normal (Leme, 1997)

Senilidade processo de envelhecimento associado a doenças (Leme,1997)

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Capitulo II

REVISÃO DE LITERATURA

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Introdução

Neste capítulo serão abordados assuntos que enquadrarão o tema em análise, fruto de uma pesquisa realizada a vários documentos relacionados com o tema em questão. Começarei por referir alguns aspectos relacionados com o envelhecimento, na proporção de mulheres idosas em relação ao número de homens idosos, bem como na demografia do envelhecimento. Mais à frente, encontramos a actividade física, assim como o enquadramento do seu conceito, os benefícios e consequências sobre a saúde dos idosos, o interesse para a prática por parte dos idosos, e os benefícios dos exercícios físicos na força muscular, obesidade, diabetes, hipertensão, e osteoporose, sendo que estes são dos problemas mais frequentes nos idosos. Por último serão apresentados assuntos relacionados com o tabaco e o álcool, mais precisamente das consequências destes dois factores na saúde. Pretende-se que este capítulo proporcione uma ideia mais esclarecedora da temática em estudo.

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1 Envelhecimento

Não podemos acrescentar anos a vida, mas podemos acrescentar vida aos anos (Niehans, s/d).

Quanto à velhice, todos a desejam, mas, alcançada a acusam. (Marco Túlio Cícero, De Seneclute: 2,4, in Garcez, 1997)

Envelhecer é o preço que pagamos por viver mais tempo (Costa et al., 1999)

O envelhecimento é um fenómeno universal inevitável que afecta todos nós, e que nos interessa um pouco mais, a cada dia que passa nas nossas vidas. Como tal, qualquer profissional interessado nesta área tem de estar actualizado com as peculiaridades anatómicas e funcionais do envelhecimento, sabendo discernir com máxima precisão os efeitos naturais deste processo (senescência) das alterações produzidas pelas inúmeras afecções que podem acometer o idoso (senilidade) (Filho & Netto, 2000). Normalmente associamos o envelhecimento a um estado, ao qual qualificamos como “terceira idade” ou “quarta idade”. O envelhecimento não é um estado, mas sim um processo de degradação progressiva e diferencial (Fontaine, 2000), onde há modificações tanto morfológicas como funcionais, bioquímicas e psicológicas que determinam progressiva perda da capacidade de adaptação do individuo ao meio ambiente, provocando uma maior vulnerabilidade e incidência de processos patológicos que terminam por leva-lo a morte (Filho & Netto, 2000). Há, para todas as espécies, uma duração máxima de vida própria de cada uma delas. Qualquer que seja esse limite ele é sempre precedido de um período de envelhecimento, de evolução desigual e de duração variável com a espécie (Costa et al.,

1999).

Costa et al., (1999) definem o envelhecimento como um processo de diminuição orgânica e funcional, não decorrente de acidente ou de doença e que acontece inevitavelmente com o passar do tempo. Manifestando que o envelhecimento não é em si uma doença, embora possa ser agravado ou acelerado pela doença. A senescência por

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se caracterizar pela redução da reserva fisiológica dos órgãos e sistemas, pode levar a uma quantidade de afecções (Berger & Mailloux-Poirier, 1995). No entanto, embora estejamos todos a envelhecer, ninguém envelhece da mesma maneira ou ao mesmo ritmo, ou seja, uns envelhecem mais rápido que outros, independentemente de factores patológicos. Chama-se a isso “envelhecimento diferencial” (Berger & Mailloux-Poirier, 1995). Apesar da explicação para estas variações ainda não ser totalmente conhecida, pensa-se que para além da influência genética, factores associados ao estilo de vida, como a alimentação, a exposição a tóxicos e a actividade física, entre outros tenham um papel importante neste processo (Costa et al., 1999). O ser humano não envelhece de uma só vez, mas antes de uma maneira gradual, onde nem todos os órgãos e funções psicológicas envelhecem ao mesmo ritmo, e a velhice parece instalar-se sem que se de por isso (Berger & Mailloux-Poirier, 1995). Fontaine (2000), considera que o envelhecimento é um fenómeno que pode ser apreendido a diversos níveis. Antes de mais biológico, que esta ligado ao envelhecimento orgânico, visto que as modificações somáticas do envelhecimento são geralmente bem evidentes e facilmente observáveis, modificações essas que se relacionam com o nosso aspecto, com a forma de nos deslocarmos, entre outros; social, refere-se ao papel, aos estatutos e aos hábitos da pessoa, relativamente aos outros membros da sociedade. Esta idade é fortemente determinada pela cultura e pela história de um país, esta no fundo ligada com a mudança de estatuto provocada pela passagem à reforma; e finalmente psicológica, com as modificações das nossas actividades intelectuais e das nossas motivações. Ela inclui capacidades mnésicas (a memoria), as capacidades intelectuais (a inteligência) e as motivações para o empreendimento. Uma boa manutenção destas actividades permite uma melhor auto-estima e a conservação de um elevado nível de controlo e de autonomia. De acordo com a perspectiva evolucionista, Lithgow & Kirkwood (1996, in Botelho, 2000) após as fases de desenvolvimento, maturação e reprodução, e a medida que aumenta a longevidade dos indivíduos, os mecanismos de manutenção metabólica estão sujeitos a entrar em falência. Como consequência dá-se a deterioração da estrutura e da função de vários órgãos e tecidos, uma diminuição do organismo responder ao stress imposto pelo meio ambiente (Andres, 1969 in Botelho, 2000) e surge a vulnerabilidade para o aparecimento de doenças que geralmente estão relacionadas com o avanço da idade (Rowe, 1985 in Botelho, 2000).

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Os efeitos nocivos que contribuem para o envelhecimento ocorrem em muitos tipos de células e são originados por diversos factores, pelo que, podemos considerar que o envelhecimento depende de uma multiplicidade de factores (Holliday, 1995 in Botelho, 2000). Em muita da bibliografia pesquisada, abordavam muito dois tipos de envelhecimento, o envelhecimento primário que esta relacionado com o processo de senescência normal, que se evidencia pela diminuição da capacidade de adaptação do organismo face às alterações do meio ambiente, enquanto que o envelhecimento secundário se refere ao aparecimento, com a idade, de lesões patológicas muitas vezes múltiplas, mas que se mantêm potencialmente reversíveis (Berger & Mailloux-Poirier,

1995).

Em suma, sendo o processo de envelhecimento um processo continuo e irreversível conducente de alterações estruturais e funcionais no corpo e na mente que diminuem a capacidade física, mental e social, aceitar o envelhecimento, assumi-lo nas suas grandezas e misérias, viver com ele, é provavelmente a maior tarefa que o homem enfrenta. Visto que este processo não pode ser evitado, pode no entanto, ser minimizado e retardado (Costa et al., 1999). Num plano mais geral, o desafio fundamental reside em permitir às pessoas não só que morram o mais idosas possível, mas também que vivam uma velhice bem sucedida (Fontaine, 2000), minimizando as alterações fisiológicas próprias do envelhecimento através da prática de exercício físico (Seals et al.,1984 in Botelho, 2000) ou de uma alimentação equilibrada (Reaven e Reaven, 1985 in Botelho, 2000). Observa-se, portanto, que o envelhecimento é um fenómeno extremamente complexo, que pode ser influenciado por diversos factores, muitos dos quais ainda permanecem obscuros (Filho & Netto, 2000).

2 - Género e Saúde

Em média, as mulheres vivem mais do que os homens, cerca de 5 a 10 anos mais que os homens (Leme, 1997). Em 1960 residiam em Portugal apenas 66 homens idosos por cada 100 mulheres idosas; em 1998 eram aproximadamente 69. Nas idades acima dos 74 anos a relação de masculinidade é ainda mais reduzida passando do valor de 56 em 1960 para 59 em 1998 (INE, 1998).

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Também na Madeira se verifica este fenómeno, segundo os censos 2001, dos 33.578 habitantes com 65 ou mais anos, 62,5% são do sexo feminino e 37,5 do sexo masculino, em Santana dos 1780 habitantes 60,3% são do sexo feminino e 39,7% são do sexo masculino. Estes dados só vêm a comprovar o que foi dito inicialmente, ou seja, que as mulheres vivem em média mais que os homens. Na Alemanha, a diferença é de 6,5 anos, na Grã-Bretanha, a diferença é de 5,7 anos, na Holanda 6,6 anos na Suécia 6 anos, na França 8,2 anos, sendo a esperança de vida dos homens de 74 anos e das mulheres 82 anos. Este fenómeno observa-se tanto nos países ricos, como nos países pobres (Fontaine, 2000). Paradoxalmente, em relação as mulheres, os homens avaliam a sua saúde de forma mais positiva, referem menos sintomas de doença, consultam menos vezes o médico e sofrem menos afecções agudas não letais (Reddy et al., 1992 in Bennett & Murphy, 1999). A maioria das explicações para as diferenças observadas concentraram-se, em primeiro lugar, nos factores biológicos. O estrogénio protege provavelmente as mulheres da doença coronária, porque reduz a coagulabilidade e os níveis sanguíneos de colesterol, enquanto que a testosterona pode aumentar a agregação das plaquetas (McGill Stern, 1979 in Bennett & Murphy, 1999).As hormonas sexuais femininas protegem as mulheres das alterações vasculares, fazendo com que as mulheres sejam protegidas das alterações de obstrução dos vasos, durante o seu período de vida fértil, enquanto que os homens não. Daí que, até aos 50 anos, as mulheres tenham menos problemas de infarto do miocárdio, derrames cerebrais etc. Verifica-se também, um aumento neste tipo de problemas a partir dessa idade, e aos 70 anos a taxa de incidência dessas doenças é igual para homens e mulheres (Leme, 1997). No entanto, as diferenças no género podem não implicar necessariamente diferenças genéticas. Exemplo disso é o trabalho realizado por Lundberg et al. (1981, in Bennett & Murphy, 1999), em que demonstrou que as mulheres com ocupações tradicionalmente masculinas exibem o mesmo nível de hormonas de stress que os homens colocados em postos semelhantes. Estas conclusões sugerem que pelo menos algumas das diferenças mencionadas podem ser reguladas por processos sociais e culturais e não por processos particularmente biológicos. Em segundo lugar, podemos considerar que as mulheres sempre tiveram uma participação menos activa na sociedade e no mercado de trabalho, o que fez com que estivessem menos sujeitas ao stress quotidiano, aos acidentes de trabalho e mesmo a

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algumas ocorrências do dia a dia, como acidentes de transito, brigas, assaltos etc (Leme, 1997). Seja por que motivo for, os homens comportam-se de maneira diferente das mulheres. Em relação as mulheres, os homens tem maior probabilidade de ter excesso de peso, fumam uma maior quantidade de cigarros com elevado teor de nicotina e alcatrão, têm hábitos alimentares menos saudáveis e bebem mais do que elas (Reddy et al., 1992 in Bennett & Murphy, 1999). No geral, estes dados sugerem, embora algumas das diferenças no estado de saúde entre homens e mulheres estão associadas a factores biológicos, outras são mediadas comportamental ou socialmente. Consequentemente, o estado de saúde quer dos homens quer das mulheres pode ser melhorado alterando as condições sociais que promovem comportamentos nocivos para a saúde (Bennett & Murphy, 1999).

3 Envelhecimento Demográfico

Existem duas grandes perspectivas sobre as quais o envelhecimento pode ser analisado, individualmente, em que o envelhecimento esta associado a maior longevidade dos indivíduos, ou seja, o aumento da esperança media de vida e envelhecimento demográfico, que por sua vez, define-se pelo aumento da proporção das pessoas idosas na população total (INE, 2001). Neste sentido, verifica-se que a população mundial está a envelhecer. Este fenómeno reflecte-se não só na esperança média de vida, mas também na proporção de sujeitos idosos. No início deste século não passava de 5% a população com idade superior a 60 anos, hoje, um quinto da população mundial e 20% da população dos países industrializados ultrapassam claramente esse valor (Mota & Carvalho, 1999). Até ao século XVIII, a esperança de vida não ultrapassava os 30 anos. Em 1956 ela era de 66 anos nos países desenvolvidos, e de 41 anos nos países em vias de desenvolvimento. Actualmente, ela é da ordem dos 74 anos nos países industrializados e de cerca de 50 anos (com enormes disparidades) nos países em vias de desenvolvimento (Fontaine, 2000). Tendo por base os dados provisórios dos censos 2001 que me foram fornecidos pela doutora Fátima Lemos da Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM), a

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população com 65 anos ou mais, residente na Região Autónoma da Madeira é de 33.578 habitantes, sendo que 20.986 são do sexo feminino e 12. 592 são do sexo masculino. A nível do concelho de Santana, 1780 correspondiam à população com 65 ou mais anos. Destes 1780 idosos residentes no conselho de Santana, 1074 são do sexo feminino e 706 do sexo masculino. A partir do entendimento do processo de envelhecimento podemos desenvolver estratégias que atenuem os efeitos da senescência de modo a garantir, a vivência do final do ciclo de vida de uma forma autónoma e qualitativamente positiva (Mota & Carvalho, 1999). Nesta perspectiva, melhorar a qualidade de vida durante a velhice é um dos principais desafios da sociedade actual e, particularmente, para o século XXI. Cientes que os idosos vivem hoje mais tempo, mas que é decisivo que o vivam em qualidade, integrados na sociedade e na família. Vários são os factores que tem sido identificados como atenuantes do envelhecimento prematuro, tais como os bons hábitos alimentares, a redução do consumo de álcool e tabaco e uma pratica regular de actividade física. O exercício tem merecido particular ênfase, de entre estes factores, sabendo que muitos dos efeitos deletérios associados ao envelhecimento podem ser atribuídos em grande escala ao sedentarismo (Mota & Carvalho, 1999).

4 Actividade Física

4.1 Conceito de Actividade Física

Segundo Caspersen et al. (1985, in Freitas et al., 2002), a actividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulte em dispêndio energético. Ellis e Scholtz (1978, in Freitas et al., 2002), Weiss e Bredemeier (1990, in Freitas et al., 2002), e Baranowski et al., 2002), interpretam a actividade física como sendo um comportamento intencional aberto ou como todo o movimento volitivo do corpo no espaço.

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Por sua vez, o exercício físico é qualquer actividade física planeada organizada, repetitiva e intencional para manter ou melhorar uma ou mais componentes da aptidão física (apontamentos de saúde). Para Flávio Medeiros Pereira (1994, in Junior, 1999), “toda a actividade humana é actividade física, e tem movimento”. Assim, a “enorme gama de movimentos humanos são actividades físicas, mas somente sob certas circunstâncias e sob certos objectivos, em especial objectivos prático-pedagógicos, é que estas actividades e suas variações são exercícios físicos”.

4.2 Benefícios da Actividade Física na Saúde dos Idosos

O desporto só favorece os que o praticam (Bize & Vallier, 1985).

Partindo de um ponto de vista filosófico, o movimento pode ser considerado como o aspecto mais fundamental do reino animal no mundo biológico. Por conseguinte, vida é movimento. O movimento para além de ser crucial para garantir as necessidades básicas, tais como alimentar-se, vestir-se e proteger-se, ele é também determinante no preenchimento das necessidades psicossociais mais elevadas que envolvem a qualidade de vida. A manutenção da independência no pensamento e na mobilidade é um desejo universal, que, infelizmente, não é alcançado por todos os indivíduos (Kauffman, 1999). Segundo Spirduso (1995), um dos maiores pavores dos idosos é o de se tornar dependente devido a debilidades físicas. De acordo com Cunningham et al. (1993, in Mota, 1999), o nível de independência ou de qualidade de vida dos idosos está dependente da sua capacidade de realizar a suas tarefas quotidianas. Ao fazer exercícios, podemos aumentar a qualidade de vida, diminuir o risco de quedas e manter ou melhorar a função em diversas actividades. Os exercícios são benéficos para todos os sistemas e funções corporais, desde que os fenómenos do desgaste sejam diminuídos antes que provoquem lesões irreparáveis ao organismo. Leme (1997), salienta que os exercícios para os idosos são benéficos porque melhoram a capacidade física, o controle do peso, da pressão, o controle mais fácil dos diabetes, a prevenção da osteoporose para além da sensação de bem estar, como aliás já foi referido. Para Blair et al. (1986, in Bennett & Murphy, 1999), o exercício protege quer da doença

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coronária quer de alguns cancros. Sephard (1997), considera que a actividade física moderada, praticada regularmente, tem um valor significativo na prevenção primária e secundária num grande número de condições cardiovasculares, das quais se inclui, a quebra, hipertensão, doença vascular periférica, doença renal e diabetes. Por sua vez, Spirduso (1995), considera que um programa de exercícios para os idosos, melhora a capacidade aeróbia, a força muscular, resistência muscular, flexibilidade, velocidade de resposta, e a coordenação. De acordo com US Surgeon General (1996, in Chodzko- Zaijko, 1999), a actividade física parece reduzir a depressão e ansiedade, aumenta o humor, e aumenta a capacidade para realizar as tarefas diárias ao longo do período de vida. Para Marques (1999), as actividades desportivas como meio de prevenção do envelhecimento prematuro, serão tanto mais efectivas quanto maior for o número de sistemas orgânicos e estruturas motoras solicitadas. Apesar de um nível mais elevado de aptidão física estar associado a uma menor taxa de mortalidade, muitos entusiastas do exercício não exaltam os benefícios dos exercícios no sentido de prolongar a vida, mas sim, na experimentação de uma melhor qualidade de vida através da manutenção de uma saúde vigorosa e da competência física, permitindo que o idoso continue a ter uma vida independente (Kauffman, 1999). É inegável que a prática do desporto, de forma continua e controlada, oferece a terceira idade a possibilidade de gozar melhor saúde, de tal forma que, quando um desportista sexagenário está doente, a gravidade é menor do que qualquer outro da sua idade que não pratique desporto. O número de enfartes dos desportistas é semelhante aos que não praticam desporto, mas com a particularidade dos desportistas curarem-se melhor e mais depressa. É de salientar também que não há idade limite para a actividade física, desde que não exija um esforço demasiado (Bize & Vallier, 1985). As actividades físicas são possíveis nos idosos, se forem progressivas, adaptadas ao seu estado, controladas medicamente, isentas de qualquer espírito de competição, respeitando sempre as condições físicas destes. No entanto, é necessário um certo desgaste de energia, para que o exercício seja benéfico (Réville, 1977). Para que o exercício nos proteja de alguns cancros, são necessários períodos curtos de exercício intenso (Simons- Morton et al., 1988 in Bennett & Murphy, 1999) ou de períodos mais longos mais frequentes e menos intensos (Blair et al., 1986 in Bennett & Murphy, 1999), se estes limites forem ultrapassados não se obtêm qualquer ganho adicional, pode, no entanto aumentar a probabilidade de lesão (Powel & Paffenberger, 1985 in Carvalho, 1999).

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Contudo, para os benefícios serem mantidos o exercício deve ser contínuo (Bennett & Ebrahim, 1995), e orientado segundo determinados princípios (Carvalho, 1999). Segundo Réville (1977), se os benefícios da actividade física são importantes pela sua acção preventiva directa sobre as causas predisponentes às doenças e factores de risco, melhorando o seu bem estar e atrasando o envelhecimento das funções, sê-lo- ão talvez ainda mais pelo desenvolvimento desta atitude mental e psicológica em relação à saúde, diminuindo a morbilidade e o consumo de medicamentos. Em termos fisiológicos, os indivíduos idosos que se exercitam regularmente, podem apresentar uma melhor condição física do que os jovens adultos que são sedentários (Cavanaugh, 1993). De acordo com Berger (1989, in Mota, 1999), um programa de exercícios deve estar dirigido para a melhoria da capacidade física do indivíduo reduzindo os efeitos nocivos resultantes do processo de envelhecimento, e para a maximização dos contactos sociais de modo a reduzir os problemas psicológicos, característicos deste grupo populacional, como a ansiedade e a depressão. As actividades físicas desenvolvem as aptidões físicas (resistência à fadiga, luta contra a obesidade, melhoria do equilíbrio e do movimento), as aptidões psíquicas (controlo emocional) e as aptidões sociais (sentido de responsabilidade, solidariedade numa equipa) (Réville, 1997). Na literatura ACSM (1998, in Carvalho, 1999), está bem patente que a participação regular num programa de actividade física é um excelente meio para reduzir de forma significativa o declínio funcional associado ao envelhecimento. Em suma, podemos afirmar que a actividade física pode e deve ser praticada pelos idosos, tendo como finalidade a melhoria da sua saúde física e mental, e fundamentalmente, a manutenção da funcionalidade indispensável para a sua autonomia nas tarefas diárias. Neste sentido, o exercício físico deve ser entendido como uma actividade que faz parte da vida diária do idoso, que deve ser adequada, motivante e fonte de prazer quotidiana (Carvalho, 1999).

4.3 Consequências da Inactividade Física nos Idosos

Você não pára de fazer exercícios porque fica velho, mas fica velho pára de fazer exercícios (Moore, s/d in Afonso & Dias, 1999).

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Como já vimos, o envelhecimento é um processo inevitável, inerente a todas as idades e a todos os indivíduos, visto isto, o importante é atenuar muitos dos seus efeitos adversos. Um dos factores que mais contribui para este processo e que pode mesmo levar à doença crónica, é o sedentarismo (Afonso & Dias, 1999). Para vários autores, o exercício físico é, um meio importante de promoção de saúde, reduzindo a propensão para comportamentos inactivos, considerados nefastos à qualidade de vida. Por sua vez, o sedentarismo induz uma maior taxa de redução das capacidades funcionais e a precipitação da morbilidade, este processo pode ser alterado, através do envolvimento do idoso em programas formais ou informais de exercício (Batista & Sardinha, 1999). Apesar das críticas feitas ao trabalho realizado por Morris et al. há 40 anos, hoje sabe-se, que aqueles indivíduos que trabalham de forma sedentária têm maior probabilidade de desenvolver a aterosclerose dos que aqueles submetidos a tarefas que exijam exercício regular (Filho & Netto, 2000). O estilo de vida sedentário esta associado a um maior incidência de doença coronária (Bouchard & Shephard & Stephens, 1993). Os idosos sedentários tem menos força do que os que são fisicamente activos (Viljanen, Viitasalo & Kujala, 1991 in Spirduso, 1995). Paffenbarger e col. (1986, in Bennett & Murphy, 1999), afirma que os indivíduos sedentários vivem menos tempo do que os indivíduos que se mantêm fisicamente activos ao longo da sua vida adulta. As consequências de inactividade podem conduzir a morte prematura (Cavanaugh, 1993). Para além disto, o sedentarismo, tem um enorme contributo para a perda da qualidade de vida das pessoas, não sendo necessário ser-se idoso para sentir os efeitos deletérios do sedentarismo, pessoas sedentárias atingem o pico das suas capacidades fisiológicas por volta dos 30 anos (Duarte, 2000). No homem sedentário encontramos diversas combinações e em diversos graus:

excesso de peso e obesidade, dores lombares, inabilidade para fazer face a situações de urgência física, propensão para a doença coronária, muitas vezes enfarte do miocárdio e outras afecções cardiovasculares que podem evoluir insidiosamente e, finalmente, tendência para as doenças psicossociais (Berger & Mailloux-Poirier, 1995). Os idosos que praticam actividade física são fisiologicamente superiores a muitos jovens que são sedentários (Cavanaugh, 1993). Blair e os seus colegas (1989, in Cavanaugh, 1993), documentaram que homens e mulheres fisicamente activos vivem

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mais. E estimaram que, se toda a gente se torna-se fisicamente activa, a taxa de mortalidade podia ser reduzida para 15% nas mulheres e 9% nos homens.

4.4 A Motivação para a prática de Actividade Física no Idoso

Apesar dos efeitos positivos provenientes da prática regular de actividade física nos aspectos físicos, psicológicos e sociais, neste grupo etário da população, a motivação para manter um comportamento sedentário é mais forte na terceira idade. Os conselhos médicos e de outros profissionais da saúde frequentemente dissuadem, em vez de incentivarem, o envolvimento na actividade física (Duarte, 1999). Verifica-se uma progressiva redução da actividade física com o avanço da idade, nomeadamente a partir da adolescência. Os idosos revelam um interesse diminuto pela pratica de actividade física, em ambos os sexos, tal como Ferreira & Duarte (1996, in Duarte, 1999), constataram num estudo realizado em Centros de Dia da Região do Grande Porto, que a forma como os idosos ocupam o seu tempo livre é, predominantemente, de natureza sedentária (Duarte, 1999). Como já foi referido, participação na actividade física diminui com a idade (King et al., 1992 in Chodzko-Zajko, 1999), apesar dos benefícios da actividade física nos idosos (Bausell, 1986 in Chodzko-Zajko, 1999). Quando comparados com os jovens, os idosos exercitam-se com menor frequência e escolhem actividades com menor exigência energética (Stephens & Casperson, 1994 in Chodzko-Zajko, 1999). Segundo Bennett & Murphy (1999), as taxas de participação variam de acordo com a idade, sexo e factores socioeconómicos. Os que tem menor probabilidade de praticar exercício tendem a pertencer aos grupos socioeconómicos mais baixos, a ser indivíduos mais velhos e a ser aqueles cuja a saúde corre provavelmente risco em consequência do peso excessivo e de hábitos tabágicos (Dishman, 1982 in Bennett & Murphy, 1999). Os obstáculos à prática de exercício incluem não ter tempo suficiente, falta de apoio dos familiares ou amigos e a incapacidade percebida resultante do envelhecimento (Dishman, 1982; Sallis e Hovell, 1990 in Bennett & Murphy, 1999). Segundo U.S. DHHS (1988, in Cavanaugh, 1993), uma das razões para os idosos não praticarem actividade física, é o facto de pensarem que não precisam. As mulheres tornam-se menos activas que os homens mais cedo, e as pessoas com menor escolaridade tornam-se inactivas mais cedo do que as pessoas com maiores níveis de

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escolaridade (Ostrow, 1980 in Cavanaugh, 1993). Emery & Gatz (1990, in Cavanaugh, 1993) reportaram problemas em conseguir que os idosos obedecessem a rotinas de exercício. As barreiras sociais e os receios em relação aos riscos dos exercícios (por exemplo, as quedas) evitam que muitas mulheres idosas participem em programas de exercícios (O,Brien & Vertinsky, 1991 in Cavanaugh, 1993). Em forma de conclusão e de acordo com Spirduso (1995), desenvolve-se um ciclo vicioso. A medida que as pessoas envelhecem, elas tornam-se menos activas. Quanto menos activas são, menor é a sua habilidade física e resistência. Quanto menos habilidade física tem, menos interessados estão para se tornar fisicamente activos. Quanto menos activos são, mais capacidade física perdem. Quanto menos se movem, menos se conseguem mover. Começam a sentir-se velhos e a agir como tal, o qual não inclui tornar-se fisicamente activo.

4.5 - Exercícios físicos e Força Muscular no Idoso

Níveis moderados de força são necessários para um grande número de actividades da vida diária, tais como carregar mantimentos e sacos dos centros comerciais, subir escadas, e se levantar das cadeiras ou para sair dos automóveis. Nos idosos a força muscular permite ao idoso participar em actividades sociais, como dançar e viajar nas ferias, jardinagem (Spirduso, 1995) A força muscular e a resistência são importantes recursos para todos os indivíduos, mas tornam-se mais importantes a medida que um indivíduo envelhece. Uma perda substancial de força nas pernas e nas costas nos idosos prejudica não só a locomoção como também está associado com o aumento do risco de cair (Tinetti & Speechley, 1989 in Spirduso, 1995; Tobis & Friis & Reinsch, 1989 in Spirduso, 1995). Os efeitos da actividade física regular no sistema muscular do idoso são impressionantes, e os resultados de um programa de treino de força bem planeado com bases científicas pode ser espectacular (Spirduso, 1995). O exercício resistido pode aumentar substancialmente a força em adultos de qualquer idade (Frontera et al., 1988 in Spirduso, 1995). O treino resistido deve ser recomendado para indivíduos idosos de modo a atenuar as perdas de força e massa muscular decorrentes do envelhecimento (Bouchard & Shephard & Stephens, 1993). Segundo os mesmos, o aumento da

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actividade física melhora a força, poder e resistência, a intensidade e diversidade das actividades diárias que podem ser executadas sem fadiga ou possibilidade de se aleijar.

O aumento da capacidade para estas actividades diárias aumenta a qualidade de vida.

Músculos que nunca são usados deterioram-se com o passar do tempo. Os indivíduos que são fisicamente activos conseguem manter uma boa quantidade de força a medida que vão envelhecendo. O sistema muscular responde profundamente ao treino de força. Os efeitos do treino são altamente específicos, não apenas no tipo de treino, aeróbio ou anaeróbio, mas também no músculo que está a ser usado e na forma como é usado. Melhorias na quantidade de força que pode ser produzida são relativamente rápidas, podendo ocorrer dentro de dois meses. Dentro deste curto período de tempo, ocorrem visíveis mudanças na forma e volume dos músculos corporais. Por estas razões, os programas de treino de força fornece um sentimento psicológico de realização em muitos idosos que participam neles (Spirduso, 1995). De acordo com Sardinha & Batista (1999), a manutenção ou o aumento da força muscular permitem ao idoso manter o padrão da marcha e o equilíbrio, prevenindo da frequência e gravidade das quedas. No idoso verifica-se uma atrofia mais evidente nas fibras rápidas glicolíticas (tipo II) com evidentes consequências do ponto de vista funcional (Klitgaard et al., 1990 in Soares & Carvalho, 1999). O idoso com este tipo de atrofia, verá a sua capacidade

funcional seriamente comprometida, para tarefas de elevada velocidade, força e precisão.

A capacidade de rectificação do movimento fica, por exemplo, seriamente diminuída e,

desta forma, a probabilidade de queda aumentada substancialmente (Soares & Carvalho,

1999).

Segundo Klitgaard et al. (1990, in Soares & Carvalho, 1999), a atrofia muscular não é uniforme em todos os músculos, ou seja, os músculos dos membros inferiores atrofiam-se de forma mais exacerbada que os músculos dos membros superiores. Paralelamente à atrofia, verifica-se também a uma diminuição do número de fibras musculares. A hipoplasia muscular é mais evidente a partir da sexta década, atingindo valores críticos aos 80 anos. O treino de força assume um papel decisivo na atenuação destas alterações morfológicas e funcionais (Carraro & Franceschi, 1997 in Soares & Carvalho, 1999). Soares & Carvalho (1999), alertam para os cuidados que devemos ter, nos efeitos do treino no tecido muscular envelhecido, consciencializando-se que, apesar do tecido muscular, morfológica e funcionalmente, poder ser reforçado, outros sistemas

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orgânicos poderão ser agredidos muito para alem da sua capacidade de adaptação. Assim, o que poderia inicialmente ser considerado um adequado estímulo funcional, passa a ser um meio de agressão amplificador da senescência celular.

4.6 - Exercícios físicos e Obesidade nos Idosos

A obesidade é mais fácil de prevenir do que tratar, vários são os estudos longitudinais e transversais que sugerem a actividade física como prevenção primária (Shephard, 1997). Uma pessoa gorda não consegue mover-se depressa, e é assim mais vulnerável a acidentes. A acumulação de gordura a volta do tórax e debaixo do diafragma interfere com a respiração, conduzindo a uma distribuição não uniforme da ventilação, com a tendência para a retenção do dióxido de carbono, sonolência, e aumento da predisposição para a doença respiratória. Para os indivíduos que tem de 40 a 69 anos, a obesidade esta associada com o aumento da mortalidade e com uma grande gama de desordens incluindo diabetes mellitus, doenças digestivas, doença hiper tensiva, doenças vasculares do cérebro, doenças cardiovasculares no geral, e certos cancros (Shephard, 1997). Comparações entre grupos de idosos sedentários e activos (DiPietro, 1995 in Shephard, 1997; Kohrt et al., 1992 in Shephard, 1997) e estudos de atletas exemplares em todas as idades (Kavanagh et al., 1988 in Shephard, 1997) sugeriram que a actividade de resistência vigorosa pode limitar a acumulação progressiva de gordura corporal geralmente observada com o envelhecimento. O exercício físico permite baixar a percentagem de gordura corporal (Berger & Mailloux-Poirier, 1995). O exercício físico reduz a gordura corporal e preserva a massa isenta de gordura (Bouchard & Shephard & Stephens, 1993). O valor preventivo do exercício regular é maior em indivíduos que tem uma actividade física vigorosa do que naqueles que tem intensidades baixas de actividade física (Shephard, 1997). Alguns humanos parecem carregar “genes frugais” que conservam a gordura corporal, predispondo assim, para a obesidade (Bouchard, 1994 in Shephard, 1997; Lindpaintner, 1995 in Shephard, 1997).

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Um problema maior na interpretação das pesquisas longitudinais é que o desenvolvimento da obesidade reforça a adopção de um comportamento sedentário (Williamson et al., 1993 in Shephard, 1997). Um programa de exercício bem desenhado permite um estratégia de controlo da obesidade mais douradora que a dieta só por si (Kayman & Bruvold & Stern, 1990 in Shephard, 1997). De acordo com Bouchard & Shephard & Stephens (1993), os homens geralmente apresentam uma maior redução da gordura corporal que as mulheres, com o treino de resistência. Melhorias metabólicas estão associadas com a redução do tecido adiposo, incluindo mudanças no metabolismo lipídico que podem reduzir o risco de desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares. As reduções no tecido adiposo são consequência da redução do tamanho da célula adiposa, e não na redução do número de células adiposas, já que estas tendem a manter-se.

4.7 - Exercícios físicos e Diabetes nos Idosos

Existem dois tipos de diabetes: Tipo I, ou insulino-dependentes, e tipo II, ou não insulino-dependentes. Os diabetes tipo I é a condição mais séria e requer injecções de insulina diárias para controlar os níveis de glucose sanguínea. Exercício, combinado com uma dieta apropriada para clientes tipo II, e insulina e uma dieta apropriada para clientes tipo I, podem ajudar a manter os níveis de glucose sanguínea sob controlo American Council on Exercise (ACE, 1998). Os diabetes tipo II são os mais frequentes na população idosa (Filho & Netto, 2000). Os diabetes Tipo I são causados pela destruição auto-imune das células beta produtoras de insulina das ilhotas do pâncreas, de modo, que estes pacientes apresentam necessidade absoluta de terapia com insulina. Os diabetes Tipo II são responsáveis por 90% dos casos. A sua incidência aumenta a cada década de vida. A obesidade é um factor de risco importante, de acordo com Spirduso (1995), a sua incidência está intimamente relacionada com a obesidade. Existe também uma forte componente hereditária neste tipo de diabetes (Bouchard & Shephard & Stephens, 1993). Este tipo de diabetes é considerado como uma desordem metabólica estando ligada a estilos de vida modernos, envolvendo o stress, ingestão excessiva de gordura e actividade física inadequada. A nível metabólico este tipo de pacientes costuma apresentar defeitos

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duplos de secreção lenta de insulina após as refeições e resistência periférica de insulina de captação celular e utilização de insulina reduzidas (Probst & Kelley, 1999 in Kauffman, 1999). O exercício tem um importante papel na prevenção e controlo neste tipo de diabetes (Kart, Metress & Metress, 1992 in Spirduso, 1995).

A dieta e o exercício físico são as duas melhores formas de tratamento dos

diabetes mellitus. Ao contrário dos indivíduos sem diabetes, que conseguem manter os níveis de glicemia estáveis durante a prática de exercícios, nos indivíduos com diabetes,

a actividade física pode ter um aumento acentuado na glicemia. Os exercícios

aumentam o uso de glicose pelos músculos e melhoram a sensibilidade muscular à

insulina. Deste modo, um programa regular de exercícios pode reduzir as necessidades

de insulina ou de medicação oral. Por outro lado, a pratica de exercícios pode aumentar

o risco de hipo glicemia, isto porque, o exercício induz um aumento na sensibilidade à insulina (Bouchard & Shephard & Stephens, 1993). Exercícios contínuos podem

diminuir os níveis de glicemia, independentemente do nível de condicionamento físico.

O controle da glicose nem sempre melhora com a prática de exercícios, de modo que o

seu efeito deve ser avaliado individualmente (Probst & Kelley, 1999 in Kauffman, 1999). Actividade física intensiva é mais prejudicial ao controlo diabético que a actividade física moderada na mesma duração (Bouchard & Shephard & Stephens,

1993).

A prevalência de diabetes tipo II é maior em indivíduos sedentários, independentemente da idade e do índice de massa corporal (Bouchard & Shephard & Stephens, 1993).

É comummente aceite que o exercício crónico tem um papel importante na

prevenção dos diabetes e que deve ser integrado nas prescrições médicas para controlar

o diabetes. Em casos moderados de diabetes Tipo II, tudo o que é necessário para o

controlo da doença é, a perda de peso para níveis normais e aumento da actividade física (Berger & Berchtold, 1982 in Spirduso, 1995).

4.8 - Exercício físico e Hipertensão nos Idosos

A hipertensão é um problema cardiovascular para 50% dos Americanos com

mais de 65 anos (Abrams, Beers & Berkow, 1995 in ACE, 1998).

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A elevação da pressão sistólica e/ou diastólica constitui, juntamente com a idade,

um dos principais factores de risco de morbilidade e mortalidade cardiovascular e cérebro - vascular em pessoas da terceira idade. É de salientar também que a incidência da hipertensão cresce extraordinariamente com a idade, atingindo 50% dos indivíduos com mais de 65 anos (Filho & Netto, 2000).

A hipertensão está fortemente relacionada com a doença das artérias coronárias,

quebra, paragem cardíaca congestiva e doença vascular periférica (Luckenotte, 1996 in ACE, 1998). De acordo com o quinto relatório do comité nacional da junta em descoberta, avaliação e tratamento de pressão alta (1993, in ACE, 1998), a hipertensão é definida como uma pressão sanguínea sistólica superior à 140 mmHg e pressão diastólica superior à 90mmHg. Um tipo de hipertensão mais comum entre os idosos é a hipertensão sistólica isolada, que está definido como uma pressão sistólica maior que 160mmHg e pressão diastólica menor que 90 mmHg. Vários são os estudos transversais que demonstram que a hipertensão arterial é mais frequente em idosos sedentários, de acordo com Reavan et al. (s/d, in Costa & Agreda, 1999), as mulheres de 50 a 89 anos, que tinham maiores níveis de actividade física, a pressão arterial sistólica era cerca de 20mmHg menor do que nas sedentárias. Outros autores, comparando idosos treinados com sedentários, não só confirmaram que os primeiros apresentavam valores de tensão arterial mais baixos em repouso, como demonstraram que para o mesmo nível de esforço o aumento desta também era menor nos treinados. Num trabalho prospectivo, onde foram avaliados os efeitos do exercício físico moderado e intenso em idosos hipertensos de ambos os sexos, foi demonstrado que os dois tipos de exercício diminuem de modo semelhante a tensão arterial diastólica (12 e 11mmHg, respectivamente), mas o moderado é mais eficaz para baixar a sistólica (20 e 8mmHg, respectivamente), sugerindo assim que, tal como noutros aspectos, o exercício físico moderado é o mais aconselhado para os idosos (Costa et al., 1999).

Shukla & Brooks (1996), afirmam, que de facto, o exercício físico está associado com uma menor pressão sanguínea, independentemente de qualquer efeito no peso. Segundo Spirduso (1995), os homens hiper tensivos que se exercitam tem metade da taxa de mortalidade comparativamente aos que não se exercitam. Spirduso (1995), afirma também que o exercício moderado a intenso pode aumentar a função cardiovascular, ossos, a função metabólica e endócrina, equilibra a composição corporal e nutricional, e alivia a tensão e a ansiedade. Os idosos hiper

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tensivos tem respostas ao exercício menos eficientes que os jovens hiper tensivos. Nos jovens hiper tensivos observamos uma produção cardíaca de repouso alta, considerando que, nos idosos a produção cardíaca é muito baixa e que a resistência periférica total é muito alta (Montain et al., 1988 in Spirduso, 1995). A resposta cardiovascular ao exercício nos idosos hiper tensivos é diferente da dos idosos com uma pressão sanguínea normal. Os idosos hiper tensivos têm uma produção cardíaca baixa, uma pressão sistólica, diastólica e sanguínea elevada, e uma resistência periférica total superior durante o exercício (Spirduso, 1995).

4.9 - Exercício físico e Osteoporose nos Idosos

A osteoporose é uma doença metabólica do osso que afecta de 5 a 10 milhões de idosos (Warden-Tamparo & Lewis, 1989 in ACE, 1998). Sendo uma das doenças mais comuns que ocorrem com o envelhecimento (Kauffman, 1999). A osteoporose, com as consequentes fracturas ósseas, representa um grave problema no idoso, cujas repercussões afectam não só a qualidade de vida como a própria longevidade (Costa et al., 1999). Caracteriza-se por uma redução gradual da massa do osso, que conduz a dor, especialmente nas costas e no peso que aguenta os ossos (ACE, 1998). Algumas vezes, os ossos afectados estão tão finos que ao bater levemente o pulso contra uma superfície dura ou sentar-se depressa pode causar fractura (Kane, Ouslander & Abrass, 1994 in ACE, 1998). E a sua incidência aumenta a medida que vamos envelhecendo (Kauffman,

1999).

Embora a osteoporose dependa de vários factores, ingestão de álcool, cafeína, tabaco e inactividade física (Kauffman, 1999), e a sua prevenção deva ser iniciada na idade jovem, a actividade física na fase tardia da vida continua a ser um dos elementos chave, quer na prevenção primária quer na secundária. Para além da correlação encontrada entre o nível de actividade física e a densidade óssea nas avaliações transversais, os estudos prospectivos mostram que os idosos sedentários, quando sujeitos a programas de exercício apropriado, mantêm ou aumentam a massa óssea, é de salientar também que o máximo de benefícios só será retirado se considerarmos também para além da actividade física os outros factores intervenientes no processo, tais como,

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estado hormonal e o fornecimento de cálcio e vitamina D, entre outros (Costa et al., 1999). A prática de exercícios físicos também pode reduzir o risco de quedas e resulta na redução de fracturas (Kauffman, 1999). A osteoporose e as respectivas fracturas são a maior causa de morbilidade nos idosos (Shephard, 1997). Em média, as pessoas activas de todas as idades tem uma maior densidade mineral óssea do que aqueles que são sedentários (Bouchard & Shephard & Stephens, 1993).

5 - Tabaco

As consequências nefastas do tabaco para a saúde são amplamente reconhecidas. Se todo o mundo que fuma parasse hoje, isso faria mais para melhorar saúde que qualquer outro único passo. Só nos estados unidos 320,000 mortes por ano estão relacionadas com o tabaco e mais 10 milhões pessoas tem doenças crónicas relacionadas com o tabaco (U.S. DHHS, 1988 in Cavanaugh, 1993). A American Câncer Society estima que 75% dos cancros devem-se ao tabaco ou a hábitos dietéticos pobres. Os fumadores reduzem a sua esperança de vida cinco anos em média (McQueen, 1987 in Bennett & Murphy, 1999). O tabaco é considerado responsável por 25% de todas as mortes por doença coronária, 80% dos casos de doença obstrutiva crónica das vias aéreas e 90% das mortes devidas a cancro do pulmão, sendo ainda factor contribuinte no desenvolvimento dos cancros da laringe, cavidade oral, esófago, pâncreas e bexiga (Smith e Jacobson, 1988 in Bennett & Murphy, 1999). Para Filho & Netto (2000), o hábito de fumar cigarros representa um factor risco não só de doenças cardiovasculares, como também de doenças pulmonares e alguns tipos de cancro. Dentro dos constituintes do fumo, os mais nefastos são a nicotina e o monóxido de carbono, sendo que a primeira pode elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial, e aumentar o consumo de O2 pelo miocárdio. Os serviços de saúde publica dos Estados Unidos notaram que os fumadores tinham 10 vezes mais incidência do cancro do pulmão, 3 a 10 vezes mais incidência do cancro da boca e da língua, 3 a 18 vezes mais incidência do cancro da laringe, e 7 a 10 vezes mais incidência do cancro da laringe quando comparados com os não fumadores. O tabaco tem um importante papel em metade de todas as mortes devido a cancro, e é

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directamente responsável por 75% de todos os cancros no pulmão; 9 entre cada 10 pessoas que tenham desenvolvido o cancro no pulmão morrem dentro de 5 anos.

O monóxido de carbono e a nicotina inalados pelo fumo do cigarro promove o

desenvolvimento da aterosclerose e angina (Wanz & Gay, 1981 in Cavanaugh, 1993). Homens e Mulheres fumadores tem duas vezes mais probabilidade de morrer devido a doenças cardiovasculares do que os não fumadores (LaCroix et al., 1991, in Cavanaugh, 1993). Bennett & Murphy (1999), referem que o aumento da percentagem de mulheres com cancro no pulmão que tem vindo a verificar-se nas duas ultimas décadas é consequência do rápido aumento do numero de mulheres fumadoras que ocorreu durante e após a Segunda Guerra Mundial. Embora os idosos fumem menos que os mais jovens ou adultos de meia-idade, as doenças crónicas causadas pelo tabaco são frequentemente piores na velhice, isto porque, normalmente leva anos para que os efeitos devastadores fiquem notáveis (Cavanaugh, 1993). As taxas de fumadores variam não só com a idade mas também com o género e etnicidade. Os homens adultos tendem a fumar mais que as mulheres adultas (Cavanaugh, 1993). Encontram-se também diferenças no consumo de tabaco de acordo com a situação socioeconómica: os economicamente favorecidos fumam menos do que os que pertencem aos escalões sociais mais baixos. Todavia, os indivíduos dos grupos socioeconómicos mais elevados que fumam parecem ser mais vulneráveis aos

efeitos adversos do tabaco sobre a saúde do que os mais desfavorecidos economicamente (Hein et al., 1992 in Bennett & Murphy, 1999).

O tabaco não se limita a afectar os fumadores; cerca de 25% dos cancros do

pulmão que ocorrem em não fumadores podem ser atribuídos ao consumo passivo de tabaco (Wald et al.,1986 in Bennett & Murphy, 1999). Cônjuges de fumadores aparentam ser especialmente vulneráveis aos perigos do consumo passivo de tabaco, as mulheres de maridos fumadores tem o triplo da probabilidade de terem ataques de coração e outras formas de doenças cardiovasculares: eles, fumadores, nem só podem morrer de doenças relacionadas com o tabaco como também podem matar o seu cônjuge não fumador (Nachtigall and Nachtigall, 1990 in Cavanaugh, 1993). O tabagismo continua a ser um factor de risco importante, mesmo nos idosos, e está associado a um aumento de 50% na taxa de mortalidade resultante de coronariopatia (Dalgleish & Reynolds, 1999 in Kauffman, 1999). Qualquer pessoa que deixe de fumar volta para o risco normal de doença, até mesmo aqueles que nunca tenham deixado de fumar até a velhice, o risco de morte

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devido a doença cardiovascular volta para o normal dentro de poucos anos (LaCroix et al., 1991 in Cavanaugh, 1993). Após um ano de interrupção do hábito de fumar, a incidência de coronariopatias em ex-fumadores é muito próxima dos que nunca fumaram, embora esse efeito seja menos aparente em pessoas com mais de 65 anos. Nos jovens o risco de coronariopatia aumenta com o número de cigarros fumados, sendo este facto mais importante que a própria duração do hábito, nos indivíduos com mais de 65 anos essa associação não é tão evidente, no entanto, alguns estudos epidemiológicos demonstram que a mortalidade devido a doença coronária em idosos fumadores é duas a três vezes maior do que nos não fumadores (Filho & Netto, 2000). O objectivo é claro: Se tu não fumas, não comeces. Se fumas, nunca é tarde demais para deixar.

6 - Álcool

O excesso no consumo de álcool pode ter um impacto negativo sobre a saúde quer a curto quer a longo prazo. A maioria dos Americanos bebem álcool e 10% abusam (National Institute of Alcoholism and Álcool Abuse [NIAAA], 1983 in Cavanaugh, 1993). No Reino Unido, pensa-se que até 40 000 pessoas morrem prematuramente como consequência da ingestão excessiva de álcool (Royal College of General Practitioners, 1986 in Bennnett & Murphy, 1999). Embora a cirrose hepática seja a doença mais frequentemente associada aos danos causados pelo álcool, a maior parte das mortes resultam de cancro (Anderson et al., 1993 in Bennett & Murphy, 1999); 3% de todos os cancros são atribuíveis ao excesso de álcool. Com uma expressão ainda mais dramática, o cancro do esófago aumenta 44 vezes quando o consumo excessivo de álcool se combina com o do tabaco (Smith e Jacobson., 1988 in Bennett & Murphy, 1999). Segundo Cavanaugh (1993), beber mais do que 5 a 6 bebidas por dia provoca uma acumulação de gordura no fígado, que, com o passar do tempo vai restringir o fluxo sanguíneo, matar as células do fígado, e causa uma forma de hepatite. O consumo excessivo continuado provoca a cirrose, sendo esta a principal cause de morte nos alcoólicos. GreenWood, Love, & Pratt (1983, in Cavanaugh, 1993) afirmam que o consumo excessivo de álcool reduz a fertilidade e pode provocar pausas nos períodos menstruais.

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O funcionamento cognitivo dos idosos decresce mais após uma simples bebida, do que os jovens (Jones & Jones, 1980 in Cavanaugh, 1993). Outra diferença importante entre os jovens e idosos bebedores esta relacionado com o nível de álcool no sangue. Se forem dados aos dois grupos as mesmas doses de álcool, os idosos vão ter maior concentração de álcool no sangue, ou seja, um idoso não precisa de beber tanto como um jovem para ficar intoxicado (Scott & Mitchell, 1988 in Cavanaugh, 1993). As consequências negativas do excesso de ingestão de álcool não são apenas médicas, mas envolvem também consequências sociais e psicológicas (Bennett & Murphy, 1999). Associados em maior ou menor grau ao abuso do álcool encontram-se 20% dos internamentos psiquiátricos, 30% dos divórcios e 40% dos incidentes de violência doméstica (Royal College of Psychiatrists, 1986 in Bennett & Murphy, 1999). O consumo de álcool tende a diminuir com a idade, o consumo é maior entre os 30 e 44 anos, decrescendo continuamente depois disso (U.S. DHHS, 1988 in Cavanaugh, 1993). Dois terços dos idosos alcoólicos começaram excessivamente a beber desde muito cedo e persistiram, apenas um terço começou a abusar do álcool na velhice (Scott & Mitchel, 1988 in Cavanaugh, 1993). É de salientar também, que o álcool ingerido além de uma certa quantidade, pode conduzir, especialmente nos idosos, a elevação da pressão arterial, com eventuais consequências deste efeito (Filho & Netto, 2000). Cavanaugh (1993), refere que os alcoólicos demonstram uma dependência física pelo álcool, e quando não bebem ficam com síndromes de abstinência. A dependência ocorre quando a droga se torna tão incorporada no funcionamento das células do corpo que se torna necessária para o seu funcionamento normal. Considerando que álcool é um depressivo, síndromes de abstinência incluem inquietude, irritabilidade, e tremores. A doença provocada pelo alcoolismo resulta quando uma pessoa se torna tão dependente da droga que esta interfere com as relações pessoais, saúde, ocupação, e com o funcionamento social. Os homens têm maior probabilidade de serem diagnosticados alcoólicos do que as mulheres. Os profissionais que estão a estabelecer uma relação entre o álcool e a idade aperceberam-se que o alcoolismo é um problema sério em todas as idades.

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Capitulo III

METODOLOGIA

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Introdução

Neste capítulo, será efectuada, de forma detalhada, a descrição dos procedimentos metodológicos levados em conta neste estudo, nomeadamente a concepção experimental do estudo, a selecção e caracterização da amostra, os instrumentos e métodos de avaliação utilizados, assim como a organização dos procedimentos para a realização do estudo, os métodos de avaliação adoptados, a recolha e a análise estatística dos dados.

Selecção e Caracterização da Amostra

Para a obtenção da amostra deste estudo dirigimo-nos primeiramente a Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM), com o propósito de sabermos qual era o número de indivíduos com 65 ou mais anos da Região Autónoma da Madeira, de ambos os sexos, em especial do concelho de Santana mais particularmente nas freguesias de São Jorge e Arco de São Jorge, onde o nosso estudo iria incidir. Após a obtenção desses dados, e visto que correspondiam aos censos 2001, decidimos ir as casas do povo das respectivas freguesias com o intuído de termos acesso aos dados mais actuais possíveis das amostras em questão. Uma vez facultados esses dados, procedemos a um sistema de selecção aleatória que fosse representativa destas duas freguesias, através do programa de estatística, para que nos permitisse depois generalizar a amostra. Depois de consultados esses registos, apurámos que existiam, no total, 119 idosos na freguesia do Arco de São Jorge e 499 na freguesia de São Jorge. Como queríamos uma amostra representativa das duas freguesias ficamos com apenas 30 das 119 pessoas com 65 ou mais anos na freguesia do Arco de São Jorge e com 125 das 499 pessoas com 65 ou mais anos da freguesia de São Jorge. Esta amostra aleatória representa 25% da amostra total, percentagem esta, que nos permite depois uma generalização da amostra. O facto de termos tido acesso aos dados biográficos de cada indivíduo, possibilitou o conhecimento dos seus nomes, contactos e moradas, facilitando deste modo a convocatória dos mesmos.

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Identificadas as pessoas que pretendíamos avaliar, procedemos a uma solicitação formal a cada uma das pessoas que estavam na lista, no acto de entrega do convite, foi dado a conhecer a todos os idosos o objectivo da realização do nosso estudo, e que o mesmo só se poderia concretizar se as pessoas se disponibilizassem a realizá-lo, como é óbvio. Neste processo também tivemos a colaboração do centro de dia local, que não conseguindo contactar todos, contactou um número considerável, isto relativamente a freguesia de São Jorge, já no Arco de São Jorge, este processo foi-nos facilitado pelo centro de dia local que se encarregou de convocar todos os idosos que pretendíamos avaliar.

Quando um dos titulares da lista, não realizava o teste, por qualquer motivo, passávamos para o respectivo suplente, e assim sucessivamente. A média é de 72,6 no Arco de São Jorge e de 73,26 em São Jorge. A aplicação dos questionários teve lugar nos centros de convívio do Arco de São Jorge, São Jorge e na junta de freguesia de São Jorge.

Instrumentos e Métodos de Avaliação

Como já foi referenciado anteriormente, a avaliação dos níveis de actividade física dos idosos e outros comportamentos associados, foi feita através do questionário de Physical Activity Scale For The Elderly (PASE, 1991), do Official Journal of the American College of Sports Medicine que foi validado em 1993 por Washburn, Smith, Jette, Janney. O questionário não estima o gasto energético, como a maioria dos questionários faz, mas produz um score segundo os quais os indivíduos podem ser comparados. Este questionário foi desenhado para os idosos Americanos, que têm um estilo de vida ligeiramente diferente comparativamente aos Portugueses. As perguntas referem-se sempre aos últimos 7 dias, pelo facto dos idosos terem mais facilidade em recordar actividades mais recentes. O score total do PASE pode ser calculado pela multiplicação de quantidade de tempo dispendido em cada actividade (h/semana) pelos pesos de cada item e somando em cima todas as actividades. Foi também desenvolvido um questionário que aborda assuntos como o tabaco, álcool, doenças entre outros.

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Achamos que estes questionários são os mais apropriados, devido as características desta população, permitindo assim a avaliação de uma forma pertinente e precisa dos níveis de actividade física e outros comportamentos associados nas freguesias de São Jorge e Arco de São Jorge, que influenciam grandemente a capacidade dos idosos se manterem independentes, autónomos, isto para conseguirem realizar as actividades da vida diária, como subir escadas, tomar banho, pegar em determinados objectos, etc., que por sua vez, determinam a qualidade de vida dos indivíduos em questão.

1.

Avaliação Antropométrica

1.1.

Altura

Para a medição da altura foi utilizado uma fita métrica ROYAL FIBER GLASS TAPE, com uma escala até 20 m e uma graduação de 1mm. Os indivíduos foram medidos segundo as orientações da posição antropométrica standard, sendo então respeitadas as seguintes condições:

- Posição vertical

- Descalço, pés unidos pelos calcanhares, pontas dos pés afastadas, cerca de 60º

- Braços pendentes ao longo do tronco (posição natural)

- Dedos entreabertos com as palmas das mãos encostadas às coxas

- Cabeça orientada sobre um plano horizontal ou de Frankfurt

- Olhar dirigido em frente

1.2. Peso

Relativamente ao peso, os indivíduos foram pesados descalços e com o mínimo de

roupa. Foi utilizado uma balança KRUPS, portátil, com uma capacidade de 150Kg e uma graduação de 1g. Os indivíduos foram medidos segundo as seguintes orientações:

- Descalço

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- Colocar-se no centro da plataforma da balança

- Peso bem distribuído sobre os dois pés

- Olhar em frente

2. Índice de Massa Corporal (IMC)

O IMC foi um método utilizado para conhecer a relação existente entre a estatura e

o peso de cada indivíduo. Segundo Botelho (2000), representa uma abordagem unicompartimental do indivíduo, que estabelece uma relação entre o seu peso e a sua altura. Utilizamos a equação desenvolvida por Quetelet (Quetelet, 1869), em que o IMC, expresso em

quilogramas por metro ao quadrado, resulta da divisão do valor do peso, em quilogramas, pelo valor do quadrado da altura em metros. IMC= peso (Kg) / Altura (m 2 ). De acordo com o ACSM (2000), os problemas de saúde relacionados à obesidade aumentam com um IMC superior a 25 para a maioria das pessoas, para os peritos sobre

a identificação, avaliação e o tratamento do excesso de peso e da obesidade em adultos, referem que um IMC de 25,0 a 29,9 Kg/m 2 está relacionado com excesso de peso e um IMC acima ou igual a 30,0 Kg/m 2 está relacionado com obesidade. No entanto, revelam também que por causa do erro padrão relativamente grande da estimativa do percentual de gordura a partir do IMC (+ ou 5% de gordura), este não deveria ser usado para determinar a adiposidade corporal do indivíduo.

Organização dos Procedimentos

No âmbito deste estudo, inicialmente foi referido aos colegas que colaboraram neste estudo e aos indivíduos avaliados, que este trabalho consistia na realização de uma investigação de carácter científico para a cadeira Monografia do 4º Ano da Licenciatura de Educação Física e Desporto, ramo cientifico. A todos os indivíduos avaliados, foi-lhes explicado quais os objectivos do estudo e no que consistia o mesmo.

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Os questionários foram aplicados, primeiramente no Arco de São Jorge, nos dias 19,

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de Agosto e 5 Setembro, desde as 14:00h até as 18:00h. Relativamente a freguesia de São Jorge, os questionários foram aplicados nos dias,

27

Agosto das 9:00h até as 18:00h, e 1 de Setembro das 9:00h as 13:00h, na Ribeira

Funda, nos dias 9, 11, 13 de Setembro das 14:00h as 18:00h, na junta de freguesia de São Jorge, nos dias 30 Setembro, 3, 5, 7, 10 Outubro, das 14:00h as 17:00h, no centro de dia local, a juntar a estes dias contabilizamos também aqueles que nos tivemos de deslocar a casa das pessoas para efectuar os questionários, nos dias 7 e 12 de Setembro das 9:00h as 13:00h e no dia 26 Setembro das 9:00h as 13:00H e das 14:00h as 18:00h. Na aplicação dos questionários contei com a colaboração dos funcionários dos centros de dia das respectivas freguesias, e com os meus colegas de Educação Física e Desporto, Décio, Paulo David, Célia, Sandra Anastácio, Élsio e o Lúcio Fernandes. Contei também, com a ajuda dos presidentes das referidas freguesias, o professor João Gabriel e a professora Dalila que nos facultaram a lista com os dados de todos os idosos residentes naquelas freguesias. De forma a garantir a presença dos indivíduos nos dias de avaliação, oferecemos pequenos lanches e disponibilizamos transporte, para aqueles que tinham mais dificuldades em se deslocar. Durante todo o processo de avaliação, salvaguardamos que não ocorreram quaisquer

incidentes ou problemas merecedores de um registo.

Recolha dos Dados

Para que o questionário não suscitasse quaisquer dúvidas, nos é que preenchíamos os questionários utilizando sempre uma linguagem acessível aquele grupo etário, garantindo assim, maior fiabilidade nos resultados. No cabeçalho dos questionários havia uma parte que se destinava à identificação dos idosos, incluindo desta forma itens como o nome, a idade, data de nascimento, género, e estado civil.

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Além desta pequena identificação dos idosos, ainda é possível registar questões relacionadas com os níveis de actividade física e com comportamentos associados, além de observações que porventura fossem necessárias anotar. Todos os dados que estavam nos questionários foram recolhidos e introduzidos num ficheiro da MICROSOFT EXCEL 2003, onde procedemos ao agrupamento dos dados por nomes, idades, sexos e freguesias, para melhor realizar o tratamento estatístico dos dados. Após os dados estarem todos devidamente organizados e agrupados, tratámos da elaboração do tratamento estatístico dos mesmos.

Análise Estatística

As análises estatísticas foram feitas através do programa estatístico SPSS (versão 13.0 para o Windows). De forma a poder relacionar valores foi feita uma análise descritiva de todas as variáveis, sendo calculado a média, o desvio padrão, o intervalo de confiança. Para averiguar se existia diferenças significativas entre grupos, utilizavamos o teste Oneway ANOVA.

Para averiguar associação entre correlações variáveis bivariadas de Pierson e o coeficiente de correlação de Spearman, depende se as variáveis em questão tinham uma distribuição normal.

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Capitulo IV

APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

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1 Introdução

Este estudo teve como objectivo principal averiguar os níveis de actividade física e outros comportamentos associados nas freguesias de São Jorge e Arco de São Jorge, averiguando se existem diferenças significativas entre ambos os sexos e se estes níveis diminuem com o avanço da idade. Tais objectivos foram alcançados, através da aplicação do questionário de Physical activity scale for the Elderly (PASE) desenvolvido por Washburn et al. (1993), para determinar os níveis de actividade física dos idosos, e de um questionário elaborado por mim com a ajuda fundamental da minha orientadora, com o intuito de averiguar outros comportamentos da população idosa daquelas freguesias, tais como tabagismo, alcoolismo, habilitações literárias, doenças frequentes na população em questão etc Estes testes foram aplicados num universo de 155 indivíduos, dos quais 46 eram do sexo masculino e 109 do sexo feminino, residentes nas freguesias acima mencionadas do concelho de Santana. Os resultados serão apresentados começando por fazer uma caracterização da amostra, depois surgem os resultados dos questionários da actividade física e a seguir é feita uma associação entre actividade física e saúde, qualidade de vida, sentimentos negativos quedas e doenças. Depois seguem-se os resultados de outros comportamentos, nomeadamente tabaco e álcool.

2 - Apresentação e Análise dos Resultados

2.1. Características gerais da Amostra

As características gerais da amostra estão representadas no quadro 1. A amostra foi constituída por 155 indivíduos, dos quais 46 eram homens e 109 mulheres com 65 ou mais anos de idade. A categoria dos reformados representou 87,1% da amostra, seguida das domésticas 6,5%. A taxa de analfabetismo representou 77,4% da amostra e o ensino básico (1ºciclo) 21,4%, dos restantes, uma grande parte não chegou a completar o 1º ciclo do ensino básico. Relativamente ao estado civil, 61,9% eram

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casados, 32,3% viúvos e solteiros 5,8%. Quanto ao agregado familiar 51,6% dos indivíduos possui dois agregados familiares e 24,5% vive só.

Quadro 1. Características Gerais da Amostra, segundo as Habilitações Literárias, Profissão, Estado Civil e Agregado Familiar.

Habilitações Literárias

Masculino (Fr)

Feminino (Fr)

Total Fr (%)

Analfabeto Ensino Básico (1º Ciclo) Ensino Básico (2º Ciclo) Ensino Secundário

40

80

120 (77,4%)

6

27

33 (21,4%)

0

1

1 (0,6%)

0

1

1 (0,6%)

Profissão

Masculino (Fr)

Feminino (Fr)

Total Fr (%)

Reformado

40

95

135 (87,1%)

Agricultor

5

1

6 (3,9%)

Cantoneiro

1

0

1( 0,6%)

Doméstica

0

10

10 (6,5%)

Inválido

0

3

3 (1,9%)

Estado Civil

Masculino (Fr)

Feminino (Fr)

Total Fr (%)

Casado

39

57

96 (61,9%)

Solteiro

1

8

9 (5,8%)

Viúvo

6

44

50 (32,3%)

Agregado Familiar

Masculino (Fr)

Feminino (Fr)

Total Fr (%)

1

5

33

38 (24,5%) 80 (51,6%) 21 (13,6 %) 11 (7,1%) 4 (2,6%) 1 (0,6%)

2

26

54

3

9

12

4

3

8

5

2

2

6

1

0

MM

OO

NN

OO

GG

RR

AA

FF

II

AA

No quadro 2 podemos ver as características físicas dos homens e das mulheres. A amostra continha homens e mulheres da mesma idade. No entanto, foram encontradas diferenças significativas no que se refere ao peso (p<.05), altura (p<.001) tendo os homens apresentado valores superiores. Por outro, as mulheres apresentaram índices de massa corporal (IMC) significativamente mais elevados do que os homens (p<.05). Os homens eram mais pesados (72,1 ± 12,3 Kg) do que as mulheres (67,9 ± 8,6Kg), sendo, como já foi referido, esta diferença significativa (p< .05).

Quadro 2. Características físicas da amostra por sexo

 

Masculino

Feminino

P

N

X

SD

N

X

SD

Idade (anos)

46

73,0

4,9

109

73,4

5,3

0.678

Peso (Kg)

46

72,1

12,3

109

67,9

8,6

0.017

Altura (m)

46

1,62

0,1

109

1,54

0,1

0.000

IMC (kg/m 2 )

46

27,4

3,7

109

28,6

3,2

0.037

Homens e mulheres foram classificados em categorias de IMC, de acordo com os valores do American College of Sports Medicine (ASCM, 2000). Relativamente ao IMC, este foi classificado em termos de categorias de peso baixo, normal, excesso de peso e obesidade, os resultados apresentados mostraram um factor preocupante (ver quadro 3), com 88,4% da amostra classificada apresentando níveis de excesso de peso ou de obesidade.

Quadro 3. Frequência de homens e mulheres por categoria do IMC

I.M.C

Masculino (Fr)

Feminino (Fr)

Total Fr (%)

Baixo Peso (18,5) Peso Normal (18,5 - 24,9) Excesso de Peso (25,0 - 29.9) Obesidade (> 30)

0

0

0

10

8

18 (11,6%)

30

70

100 (64,5%)

6

31

37 (23,9%)

MM

OO

NN

OO

GG

RR

AA

FF

II

AA

No quadro 4 estão apresentadas a ocorrência de doenças em homens e mulheres. Quanto à ocorrência de doenças auto-relatadas, as mulheres reportaram uma maior ocorrência de doenças, entre as quais, a hipertensão (49 casos), problemas perceptivos (visuais/ auditivos) (46 casos) e osteoporose (28 casos) foram as mais referenciadas. Nos homens as doenças mais referenciadas formam a hipertensão e problemas perceptivos (visuais/ auditivos), ambos com 14 casos, seguido da osteoporose com 9 casos. No total, as doenças mais referenciadas por ambos os sexos foram a hipertensão com 22,5% da percentagem total, e problemas perceptivos (visuais/ auditivos) com 21,5% da percentagem total. Quadro 4. Ocorrência de doenças em homens e mulheres

 

Masculino

Feminino

Total

Fr

Doenças

(Fr)

(Fr)

(%)

Ataque Cardíaco Diabetes Hipertensão Doença Vascular periférica

 

1

6

7 (2,6 %)

2

15

17(6,1%)

14

49

63 (22,5%)

1

8

9 (3,3%)

Doença das Vias Respiratórias

1

10

11 (3,9%)

Neuropatias

(problemas

com

as

sensações) Epilepsia / ataques apoplécticos Outras condições neurólogicas Outras condições artríticas Problemas no ouvido interno (infecções) Osteoporose Depressão Angina (dor no tórax) Doença de Parkinson Doença respiratória Problemas perceptivos (visuais/auditivos) Artrite Reumática Outras desordens de movimento Dependência química -álcool e/ou drogas Total

1

5

6 (2,2%)

0

2

2 (0,7%)

0

3

3 (1%)

0

3

3 (1%)

1

10

11 (3,9%)

9

28

37 (13,2%)

1

10

11 (3,9%)

0

2

2 (0,7%)

0

3

3 (1%)

1

5

6 (2,2%)

14

46

60 (21,5%)

2

7

9 (3,3%)

2

10

12 (4,4%)

1

6

7 (2,6%)

51

228

279 (100%)

MM

OO

NN

OO

GG

RR

AA

FF

II

AA

2.2 Actividade Física

A tabela abaixo afigurada apresenta os dados do questionário PASE sem os scores, mais a frente vamos apresentar outra tabela com os scores. Ainda nestas tabelas, apenas estão apresentadas os totais das horas semanais nas actividades de tempo livre e trabalho, e a frequência nas actividades domésticas em homens e mulheres.

Como se pode verificar no quadro 5, não existem diferenças significativas (p> .05) entre homens e mulheres nas actividades sedentárias, leves, moderadas e nas actividades de resistência e de força. Relativamente ao andar a pé e as actividades intensas, as diferenças entre homens e mulheres foram significativas (p< .05).

Quadro 5. Registo do número total de horas semanais, nas actividades sedentárias, andar a pé e nas actividades leves, moderadas intensas e de resistência e força.

ACTIVIDADE DE TEMPO LIVRE Masculino

Feminino

Total

 

(N=46)

(N=109)

(N=155)

P

X

SD

X

SD

X

SD

Actividades Sedentárias Andar a Pé Actividades Leves Actividades Moderadas Actividades Intensas Actividades de Resistência e de Força

8,3

7,3

10,6

7,5

9,9

7,5

0,085

11,9

9,4

7,5

6,6

8,8

7,8

0,001

2,3

2,8

1,2

4,0

1,5

3,7

0,104

0,01

0,1

0,5

2,5

0,4

2,1

0,179

0,02

0,1

0,3

0,7

0,2

0,6

0,021

0

0

0,1

0,5

0,1

0,4

0,326

Mean

MM

OO

NN

OO

GG

RR

AA

FF

II

AA

Figura 1. Diferenças entre sexos em relação às variáveis, actividades sedentárias, andar a pé e actividades leves, derivadas do questionário de actividade física (PASE).

Actividades Sedentárias 12 Andar a pé Actividades leves 10 8 6 4 2 0 Masculino
Actividades Sedentárias
12
Andar a pé
Actividades leves
10
8
6
4
2
0
Masculino
Feminino
Mean

Sexo

Figura 2. Diferenças entre sexos em relação às variáveis, actividades moderadas, intensas e actividades de resistência e de força, derivadas do questionário de actividade física (PASE).

0,6

0,5

0,4

0,3

0,2

0,1

0,0

Masculino Feminino
Masculino
Feminino

Sexo

Actividades Moderadas(PASE). 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 Masculino Feminino Sexo Actividades Intensas Actividades de Resistência

Actividades Intensas0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 Masculino Feminino Sexo Actividades Moderadas Actividades de Resistência e

Actividades de 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 Masculino Feminino Sexo Actividades Moderadas Actividades Intensas Resistência e de

Resistência e de Força

MM

OO

NN

OO

GG

RR

AA

FF

II

AA

As figuras 1 e 2 ilustram as diferenças encontradas no nível de actividades de tempo livre entre homens e mulheres. Segundo as mesmas, verificamos que as mulheres participam mais nas actividades sedentárias, moderadas, intensas e nas actividades de resistência e de força. Enquanto que os homens andam mais e tem maiores participações em actividades leves

Figura 3. Diferenças entre sexos e escalão etário em relação às variáveis, actividades sedentárias, andar a pé e actividades leves, derivadas do questionário de actividade física (PASE).

25 20 15 10 5 0 25 Sexo 20 Feminino Masculino 15 10 5 0
25
20
15
10
5
0
25
Sexo
20
Feminino
Masculino
15
10
5
0
65-69
70-74
75-79
80-84
85-90
Mean
Mean

Escalão Etário

Actividades SedentáriasMasculino 15 10 5 0 65-69 70-74 75-79 80-84 85-90 Mean Mean Escalão Etário Andar a

Andar a pé15 10 5 0 65-69 70-74 75-79 80-84 85-90 Mean Mean Escalão Etário Actividades Sedentárias Actividades

Actividades leves15 10 5 0 65-69 70-74 75-79 80-84 85-90 Mean Mean Escalão Etário Actividades Sedentárias Andar

Sexo

Masculino

Mean

MM

OO

NN

OO

GG

RR

AA

FF

II

AA

Figura 4. Diferenças entre sexos e escalão etário em relação às variáveis, actividades moderadas intensas e actividades de resistência e de força, derivadas do questionário de actividade física (PASE).

1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 Feminino Mean
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
Feminino
Mean

1,0

0,8

0,6

0,4

0,2

0,0

0,6 0,4 0,2 0,0 Feminino Mean 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 65-69 70-74 75-79 80-84
0,6 0,4 0,2 0,0 Feminino Mean 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 65-69 70-74 75-79 80-84
0,6 0,4 0,2 0,0 Feminino Mean 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 65-69 70-74 75-79 80-84
0,6 0,4 0,2 0,0 Feminino Mean 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 65-69 70-74 75-79 80-84
0,6 0,4 0,2 0,0 Feminino Mean 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 65-69 70-74 75-79 80-84

65-69

70-74

75-79

80-84

85-90

Escalão Etário

Actividades Moderadas0,4 0,2 0,0 65-69 70-74 75-79 80-84 85-90 Escalão Etário Actividades Intensas Actividades de Resistência e

Actividades Intensas75-79 80-84 85-90 Escalão Etário Actividades Moderadas Actividades de Resistência e de Força Nas figuras acima

Actividades de Escalão Etário Actividades Moderadas Actividades Intensas Resistência e de Força Nas figuras acima representadas 3 e

Resistência e de Força

Nas figuras acima representadas 3 e 4, verificamos que as actividades sedentárias são maiores nos escalões etários mais velhos em ambos os sexos. Nos escalões etários mais velhos os idosos andam menos e tem menor participação em actividades leves. Os homens não participam em actividades de resistência e de força em nenhum escalão etário. E só no escalão etário dos 75 79 anos é que os homens participam em actividades moderadas e intensas.

No quadro 6 podemos verificar uma maior participação das mulheres nas actividades domésticas, comparativamente aos homens. No total das actividades domésticas, 25,2% participam em actividades domésticas leves, 23,0% jardinagem e 22,8% cortar erva, lenha.

Quadro 6. Frequência de actividades domésticas, leves, pesadas, reparações em casa, cortar erva, jardinagem e actividades domésticas cuidar de alguém, entre homens e mulheres.

MM

OO

NN

OO

GG

RR

AA

FF

II

AA

ACTIVIDADES DOMÉSTICAS Masculino

Feminino

Total

(Fr)

(Fr)

Fr(%)

A.D Leve

6

99

105 (25,2%)

A.D Pesada

24

48

72 (17,3%)

A.D

16

2

18 (4,3%)

(reparações

 

em casa)

A.D

(cortar

21

74

95 (22,8%)

erva,

lenha

)

A.D

7

89

96 (23,0%)

(jardinagem)

 

A.D (cuidar

8

23

31 (7,4%)

de alguém).

 

Total

82

335

417 (100%)

Figura 5. Diferenças entre sexos em relação às variáveis, actividades domésticas leves, pesadas, reparações em casa, cortar erva, lenha, jardinagem e cuidar de alguém derivadas do questionário de actividade física (PASE).

2 1,5 1 0,5 0 Masculino Feminino Mean
2
1,5
1
0,5
0
Masculino
Feminino
Mean

Sexo

Actividade Doméstica (PASE). 2 1,5 1 0,5 0 Masculino Feminino Mean Sexo Leve Actividade Doméstica Pesada A.D (reparações

Leve

Actividade Doméstica 0 Masculino Feminino Mean Sexo Actividade Doméstica Leve Pesada A.D (reparações em casa) etc A.D (Cortar

Pesada

A.D (reparações em Sexo Actividade Doméstica Leve Actividade Doméstica Pesada casa) etc A.D (Cortar erva, lenha ) A.D (Jardinagem)

casa)

etcLeve Actividade Doméstica Pesada A.D (reparações em casa) A.D (Cortar erva, lenha ) A.D (Jardinagem) A.D

A.D (Cortar erva, lenha

)

A.D (Jardinagem)Leve Actividade Doméstica Pesada A.D (reparações em casa) etc A.D (Cortar erva, lenha ) A.D (cuidar

A.D (cuidar de alguém)Doméstica Leve Actividade Doméstica Pesada A.D (reparações em casa) etc A.D (Cortar erva, lenha ) A.D

Feminino

Mean

Sexo

Masculino

Mean

MM

OO

NN

OO

GG

RR

AA

FF

II

AA

Figura 6. Diferenças entre sexos e escalão etário em relação às variáveis, actividades domésticas leves, pesadas, reparações em casa, cortar erva, lenha, jardinagem e cuidar de alguém derivadas do questionário de actividade física (PASE).

2

1,5

0,5

do questionário de actividade física (PASE). 2 1,5 0,5 1 0 2 1,5 1 0 0,5
do questionário de actividade física (PASE). 2 1,5 0,5 1 0 2 1,5 1 0 0,5
do questionário de actividade física (PASE). 2 1,5 0,5 1 0 2 1,5 1 0 0,5
do questionário de actividade física (PASE). 2 1,5 0,5 1 0 2 1,5 1 0 0,5

1

0

questionário de actividade física (PASE). 2 1,5 0,5 1 0 2 1,5 1 0 0,5 65-69
questionário de actividade física (PASE). 2 1,5 0,5 1 0 2 1,5 1 0 0,5 65-69
questionário de actividade física (PASE). 2 1,5 0,5 1 0 2 1,5 1 0 0,5 65-69
questionário de actividade física (PASE). 2 1,5 0,5 1 0 2 1,5 1 0 0,5 65-69
questionário de actividade física (PASE). 2 1,5 0,5 1 0 2 1,5 1 0 0,5 65-69
questionário de actividade física (PASE). 2 1,5 0,5 1 0 2 1,5 1 0 0,5 65-69
questionário de actividade física (PASE). 2 1,5 0,5 1 0 2 1,5 1 0 0,5 65-69
questionário de actividade física (PASE). 2 1,5 0,5 1 0 2 1,5 1 0 0,5 65-69

2

1,5

1 0
1
0