06/09/2024
sexta-feira, 6 de setembro de 2024 10:35
2024.09.06
- RSL_Bez...
Resumo
O estudo teve como objetivo identificar lacunas e eixos teóricos da produção científica internacional sobre o comportamento empreendedor (CE) dos proprietários de negócios e as estratégias adotadas em
diferentes contextos, além de fornecer insights para pesquisas futuras. A metodologia utilizada foi uma revisão sistemática da literatura (RSL) de 56 artigos, coletados em junho de 2021 nas bases de dados
Scopus e Web of Science, com apoio da ferramenta StArt, e análise de conteúdo com o auxílio do software Atlas.ti. Os principais resultados indicam que o CE e a estratégia possuem definições fragmentadas,
embora exista uma relação positiva entre eles. O CE influencia a tomada de decisão e contribui para melhorar o desempenho organizacional, com o sucesso de um empreendimento estando associado à
capacidade e velocidade de resposta às mudanças de contexto. As contribuições teóricas e metodológicas incluem o avanço das pesquisas em empreendedorismo e estratégia, identificando categorias de CE e
estratégias adotadas, além de recomendações para uma agenda de pesquisa futura. O estudo também oferece contribuições práticas para gestores e empreendedores, auxiliando na identificação de questões
comportamentais e escolhas estratégicas, inclusive no desenvolvimento sustentável das organizações.
Introdução
A introdução destaca o crescente interesse acadêmico nas teorias de conduta gerencial e nas decisões estratégicas dos gestores, com foco na forma como os empreendedores desenvolvem cognições, metas e
comportamentos para identificar e explorar oportunidades. Apesar da vasta pesquisa sobre o comportamento empreendedor (CE), suas definições ainda são fragmentadas. A relação entre o CE e a estratégia
tem sido investigada de forma independente, mas o estudo propõe integrá-los, abordando a seguinte questão de pesquisa: Como a produção científica internacional relaciona o Comportamento
Empreendedor (CE) e as principais estratégias adotadas em diferentes contextos?
Objetivo
O objetivo é identificar lacunas e eixos teóricos da produção científica internacional sobre o CE e as estratégias adotadas por empreendedores, além de fornecer uma base para pesquisas futuras.
Referencial Teórico
Comportamento Empreendedor (CE)
A literatura sobre comportamento empreendedor busca entender como o indivíduo empreendedor age em relação à criação e desenvolvimento de novos empreendimentos. O CE é caracterizado por ações
concretas, como busca por oportunidades, disposição para correr riscos e capacidade de inovação. O estudo classifica o CE em três categorias principais:
1. Atributos Pessoais: Incluem características como conhecimento, habilidades, talentos, traços e cognições que influenciam as ações do empreendedor.
2. Motivação e Emoção: Fatores como a necessidade de realização, autoeficácia e independência são identificados como motores para a ação empreendedora.
3. Causas Proximais: Resultados do empreendimento, como crescimento, sobrevivência e lançamento de produtos, que influenciam as decisões dos empreendedores.
A revisão menciona autores como McClelland (1961, 1987) e Bird et al. (2012), que estudam as características inatas e aprendidas dos empreendedores, além de fatores situacionais que moldam o
comportamento.
Estratégia
A estratégia, amplamente discutida em diferentes literaturas, é definida de várias formas, sendo dividida em quatro categorias principais:
1. Planejamento Estratégico: A formalização de planos e objetivos para alcançar metas organizacionais (Hambrick, 1981; Mintzberg, 1994).
2. Pensamento Estratégico: Processo dinâmico e intuitivo que envolve a criatividade e a inovação em todos os níveis organizacionais (Goldman, 2012; Sloan, 2013).
3. Gestão Estratégica: Envolve a tomada de decisões e práticas para desenvolver e sustentar vantagem competitiva em ambientes disruptivos (Hitt et al., 2001, 2019; Porter, 1997).
4. Liderança Estratégica: Estabelecimento de um ambiente inovador que promove as capacidades humanas, sociais e estruturais (Goffee & Jones, 2000; Hitt & Duane, 2002).
Relação entre CE e Estratégia
Estudos anteriores focaram na gestão estratégica dos empreendedores, mas sem explorar detalhadamente a interação entre o CE e a formulação de estratégias. A revisão destaca a importância de considerar
abordagens estratégicas emergentes e deliberadas, especialmente em contextos incertos. O CE influencia diretamente as decisões estratégicas, e essa relação é crucial para o desempenho organizacional e a
inovação.
Método
Revisão Sistemática da Literatura (RSL)
O estudo utilizou a metodologia de RSL para compilar e analisar estudos relevantes sobre CE e estratégia. O protocolo de pesquisa seguiu as recomendações de Kitchenham e Charters (2007) e Kraus et al.
(2020), visando minimizar o viés do pesquisador e garantir a replicabilidade do método.
Estratégia de Pesquisa e Seleção de Artigos
Foram utilizados os bancos de dados Scopus e Web of Science, considerados fontes importantes para a área de ciências sociais aplicadas e empreendedorismo. A busca não foi limitada a um período
específico, resultando em 272 estudos iniciais, que foram reduzidos a 182 após a aplicação de filtros.
Processo de Seleção
Após uma análise preliminar dos títulos e resumos, 88 artigos foram selecionados para uma análise aprofundada. Ao final, 56 artigos atenderam aos critérios de inclusão, sendo classificados e codificados com
o apoio do software Atlas.ti.
Resultados Estruturais e Discussão
Análise Metodológica dos Estudos
Os estudos revisados foram categorizados em teóricos, teórico-empíricos e empíricos. A maior parte dos estudos foi empírica (75%), com metodologias qualitativas predominando, especialmente entrevistas e
estudos de caso. As abordagens quantitativas usaram questionários e técnicas estatísticas, como modelagem de equações estruturais e análise de regressão.
Teorias Predominantes
A Teoria do Comportamento Planejado (Ajzen, 1991) foi a mais citada, sendo aplicada em seis estudos. Outras teorias incluem:
• Teorias de Gestão do Conhecimento (Kolb, 1984) – Aplicada em estudos sobre gestão do conhecimento e competitividade.
• Teoria da Motivação e Necessidade de Realização (McClelland, 1961, 1965) – Explora a motivação dos empreendedores para o sucesso.
• Teorias de Empreendedorismo Feminino – Abordam questões de gênero e as diferenças culturais entre homens e mulheres no empreendedorismo.
Conceitualização do CE
Com base na análise dos estudos, o CE foi conceituado como um conjunto de ações concretas para identificar e explorar oportunidades, assumir riscos e inovar. Os empreendedores são motivados por fatores
como independência e autoeficácia, e suas ações afetam diretamente o desempenho organizacional.
Discussão dos Resultados
Relação entre CE e Estratégia
O estudo identificou que o CE influencia diretamente a formulação e execução de estratégias. Os empreendedores que demonstram alta autoeficácia e motivação para o sucesso tendem a adotar estratégias
mais inovadoras e adaptativas. Além disso, a estratégia emergente é destacada como uma resposta às incertezas do ambiente empresarial.
Perfil das Publicações
A maioria dos artigos analisados foi publicada entre 2016 e 2020, com um aumento significativo no número de publicações a partir de 2016. As palavras-chave mais citadas foram "empreendedorismo",
"estratégia", "inovação" e "sustentabilidade", refletindo as principais preocupações dos estudos.
Categorização de Comportamentos e Estratégias
Os comportamentos empreendedores foram categorizados em:
1. Motivações e Emoções: Inclui a necessidade de realização e tomada de riscos.
2. Atributos Pessoais: Envolve traços como proatividade e criatividade.
3. Causas Proximais: Resultados como crescimento e sobrevivência.
As estratégias adotadas foram classificadas em:
• Planejamento Estratégico: Focado na formalização de planos e procedimentos.
• Pensamento Estratégico: Caracterizado pela inovação e criatividade.
• Gestão Estratégica: Voltada para a tomada de decisões e desenvolvimento de vantagem competitiva.
• Liderança Estratégica: Criação de ambientes inovadores que promovem o crescimento organizacional.
Conclusão
O estudo conclui que o comportamento empreendedor está intimamente ligado à formulação de estratégias e pode ser considerado um forte preditor de desempenho organizacional. A pesquisa destaca a
fragmentação nas definições de CE e estratégia, sugerindo a necessidade de mais estudos integrativos. Recomenda-se que futuras pesquisas explorem a relação entre CE e estratégia em diferentes contextos
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fragmentação nas definições de CE e estratégia, sugerindo a necessidade de mais estudos integrativos. Recomenda-se que futuras pesquisas explorem a relação entre CE e estratégia em diferentes contextos
culturais e organizacionais, além de estudar os impactos da digitalização e sustentabilidade no comportamento empreendedor.
2024.09.06
- Tranfield...
Resumo
O artigo discute a necessidade de revisões sistemáticas para o desenvolvimento de um conhecimento em gestão que seja baseado em evidências e, ao mesmo tempo, sensível ao contexto de aplicação. A
revisão narrativa tradicional é criticada por sua falta de rigor e por ser muitas vezes tendenciosa, tornando-se inadequada para orientar práticas de gestão ou políticas públicas de maneira confiável. O
trabalho analisa a metodologia de revisão sistemática usada nas ciências médicas e explora como ela pode ser adaptada para a pesquisa em gestão. O objetivo é proporcionar uma abordagem mais rigorosa e
transparente, melhorando a base de conhecimento e a prática gerencial. São discutidos os desafios e as adaptações necessárias para transferir o modelo de revisão sistemática do campo médico para o de
gestão.
Introdução: A Necessidade de uma Abordagem Baseada em Evidências
A revisão de literatura é essencial para qualquer pesquisa, servindo para mapear o território intelectual existente e ajudar a formular questões de pesquisa que ampliem o conhecimento. Contudo, as
revisões tradicionais em gestão têm sido frequentemente criticadas por falta de rigor e por vieses introduzidos pelos próprios revisores. Isso é problemático não apenas para o avanço acadêmico, mas
também para a formulação de políticas e práticas gerenciais baseadas em evidências confiáveis. O artigo sugere que o uso de revisões sistemáticas, já comuns nas ciências médicas, pode trazer maior
legitimidade e utilidade às pesquisas em gestão.
Relevância do Contexto Pós-Segunda Guerra Mundial
Após a Segunda Guerra Mundial, houve um aumento no interesse acadêmico e prático no campo da gestão, com a produção de conhecimento crescendo rapidamente. Esse crescimento, no entanto, levou à
fragmentação do conhecimento, tornando difícil para gestores e formuladores de políticas acessarem e aplicarem as melhores evidências disponíveis.
A Origem da Abordagem Baseada em Evidências
O Movimento Baseado em Evidências nas Ciências Médicas
Desde os anos 1980, o governo britânico tem enfatizado a necessidade de basear políticas públicas e práticas profissionais em evidências rigorosas. Nas ciências médicas, essa abordagem ganhou força,
especialmente após críticas sobre a falta de rigor nas revisões secundárias e nos estudos clínicos, que frequentemente conduziam a tratamentos inadequados ou ineficazes. A partir disso, foram
desenvolvidos métodos mais rigorosos para a revisão de pesquisas, com a criação de organizações como a Cochrane Collaboration e o National Health Service Centre for Reviews and Dissemination, que
promovem revisões sistemáticas para guiar a prática médica.
A Revisão Sistemática como Ferramenta-Chave no Desenvolvimento de Evidências
A revisão sistemática difere das revisões narrativas tradicionais ao adotar um processo replicável, científico e transparente. Esse método busca minimizar o viés por meio de uma pesquisa exaustiva da
literatura, tanto publicada quanto não publicada, e fornecendo uma trilha de auditoria para todas as decisões tomadas durante a revisão. O processo inclui a coleta de dados e sua síntese por meio de meta-
análises, sempre que possível.
Aplicação da Revisão Sistemática em Outras Disciplinas
A abordagem baseada em evidências, embora tenha surgido nas ciências médicas, tem sido aplicada em áreas como educação, justiça criminal e políticas sociais. A colaboração entre acadêmicos e
profissionais é essencial para a implementação bem-sucedida dessa abordagem, o que também é relevante no campo da gestão.
A Natureza da Pesquisa em Gestão
A pesquisa em gestão é frequentemente descrita como fragmentada e divergente, com baixo consenso sobre questões de pesquisa e métodos. Isso contrasta com a pesquisa médica, que possui maior
consenso epistemológico e ontológico, o que facilita a aplicação de revisões sistemáticas. Essa falta de consenso torna o uso de metanálises (um componente chave das revisões sistemáticas em medicina)
mais desafiador na pesquisa em gestão, devido à heterogeneidade dos estudos e à variedade de abordagens metodológicas.
Comparação entre os Campos Médico e de Gestão
A comparação entre as ciências médicas e a pesquisa em gestão revela diferenças substanciais. No campo médico, as perguntas de pesquisa são mais convergentes, os métodos são experimentais e o
objetivo é avaliar a eficácia de intervenções específicas. Já no campo da gestão, as questões de pesquisa são mais divergentes, as intervenções são difíceis de medir experimentalmente, e as abordagens
metodológicas variam amplamente, muitas vezes incluindo estudos qualitativos.
Desafios da Revisão Sistemática em Gestão
Os autores destacam os desafios de transferir o modelo de revisão sistemática das ciências médicas para a gestão, onde os estudos frequentemente não abordam questões idênticas, nem usam os mesmos
métodos para medir fenômenos. Além disso, a pesquisa em gestão tende a ser mais focada em compreender processos organizacionais, ao invés de avaliar intervenções específicas.
Etapas para Conduzir uma Revisão Sistemática
Fase 1: Planejamento da Revisão
O planejamento da revisão envolve a formação de um painel de revisão com especialistas no campo e a realização de estudos exploratórios para delimitar o tópico de interesse. Essa fase é crítica para definir
a pergunta de pesquisa e estabelecer critérios para a inclusão e exclusão de estudos. No campo da gestão, é comum que a revisão siga um processo de descoberta, no qual as perguntas podem evoluir ao
longo do tempo.
Fase 2: Condução da Revisão
Essa fase envolve a busca exaustiva da literatura, que deve ser replicável e abrangente, incluindo tanto estudos publicados quanto não publicados. A seleção de estudos é feita com base em critérios de
qualidade previamente estabelecidos, que ajudam a garantir que a revisão seja baseada nas melhores evidências disponíveis.
Fase 3: Síntese e Relato dos Dados
A síntese dos dados pode ser realizada por meio de metanálises (quando os dados são homogêneos) ou por métodos interpretativos, como meta-sínteses ou sínteses realistas, que são mais adequadas para
estudos qualitativos e para a pesquisa em gestão. O objetivo é identificar padrões e desenvolver teorias que possam ser aplicadas na prática gerencial.
Conclusão
O artigo conclui que a aplicação de revisões sistemáticas na gestão tem o potencial de melhorar tanto a qualidade das revisões acadêmicas quanto a base de conhecimento utilizada por gestores e
formuladores de políticas. No entanto, é necessário adaptar a metodologia para levar em conta as características únicas da pesquisa em gestão, incluindo sua natureza fragmentada e a diversidade de
métodos utilizados. As revisões sistemáticas podem ajudar a preencher a lacuna entre teoria e prática, proporcionando uma base mais sólida para decisões gerenciais informadas por evidências.
Os dois artigos fornecem contribuições importantes e complementares sobre metodologias de revisão de literatura, abordando especificamente o comportamento empreendedor e estratégia
(Bezerra et al.) e a revisão sistemática como base para conhecimento gerencial (Tranfield, Denyer e Smart). Em uma análise crítica comparativa, surgem temas-chave que evidenciam tanto
sinergias quanto desafios metodológicos.
Aprofundamento da Revisão Sistemática
O artigo de Tranfield et al. coloca a revisão sistemática como um processo essencial para a construção de conhecimento baseado em evidências no campo da gestão. Argumenta que, assim como
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O artigo de Tranfield et al. coloca a revisão sistemática como um processo essencial para a construção de conhecimento baseado em evidências no campo da gestão. Argumenta que, assim como
nas ciências médicas, a gestão também pode se beneficiar de uma abordagem rigorosa, transparente e replicável na síntese de dados. A principal contribuição deste artigo é demonstrar como a
revisão sistemática pode minimizar vieses e fornecer uma base mais confiável para práticas gerenciais. Já o artigo de Bezerra et al., embora utilize a revisão sistemática como método, foca mais
na aplicação prática ao explorar a relação entre comportamento empreendedor (CE) e estratégia. Enquanto Tranfield et al. defendem a criação de um conhecimento mais robusto por meio da
revisão sistemática, Bezerra et al. a utilizam para mapear a literatura existente e identificar lacunas em um campo específico.
A principal crítica que se pode levantar é a diferença de profundidade na aplicação da metodologia. O estudo de Bezerra et al. segue o processo de revisão sistemática, mas, como é típico na
pesquisa aplicada, há uma ênfase maior no conteúdo revisado (ou seja, a relação CE-estratégia) do que no rigor metodológico da revisão em si. Embora seja compreensível dado o foco temático, a
abordagem de Tranfield et al. sugere que revisões de literatura em gestão, como a de Bezerra et al., poderiam se beneficiar de uma aplicação mais rigorosa dos princípios de transparência e
replicabilidade descritos para maximizar a validade dos resultados.
Fragmentação e Divergência de Conhecimento
Ambos os artigos mencionam a fragmentação do conhecimento em suas respectivas áreas. Tranfield et al. destacam a natureza "divergente" da pesquisa em gestão, o que dificulta a criação de
revisões sistemáticas rigorosas, dado que os estudos frequentemente não abordam as mesmas questões nem usam as mesmas metodologias. Bezerra et al. também reconhecem a fragmentação
nas definições de comportamento empreendedor e estratégia, que são muitas vezes tratadas de forma isolada e variam conforme o contexto.
Essa fragmentação é um ponto de convergência crítico. Os autores de ambos os artigos enfatizam que a falta de consenso e a diversidade de abordagens teóricas e metodológicas tornam a
síntese de conhecimento desafiadora. Tranfield et al. defendem que, para superar essa barreira, é necessário um esforço colaborativo entre acadêmicos e profissionais para consolidar as
evidências, o que também seria valioso no campo do empreendedorismo. Uma aplicação mais sistemática e formal das revisões na área de CE e estratégia, como sugerido por Tranfield, poderia
ajudar a mitigar a dispersão de definições e promover uma visão mais coesa do campo.
Uso Prático e Sensibilidade Contextual
Tranfield et al. argumentam que as revisões sistemáticas devem ser sensíveis ao contexto para serem relevantes para os praticantes. Eles alertam que, em gestão, o uso de revisões para
influenciar a prática exige uma conexão mais direta com os desafios do mundo real. O artigo de Bezerra et al., por outro lado, oferece uma aplicação prática clara: o impacto do CE nas decisões
estratégicas e no desempenho organizacional. Nesse sentido, Bezerra et al. fornecem insights que são diretamente aplicáveis a gestores e empreendedores, ajudando-os a entender como o
comportamento empreendedor pode influenciar suas estratégias em diferentes contextos.
Entretanto, ao aplicar o rigor proposto por Tranfield et al., o estudo de Bezerra et al. poderia fortalecer suas implicações práticas por meio de uma integração mais robusta de múltiplas evidências
e maior detalhamento de como a revisão sistemática foi conduzida. Isso garantiria que as conclusões sejam baseadas nas melhores práticas de síntese de evidências, aumentando a confiança dos
gestores nas recomendações apresentadas.
Integração Teórica e Desafios de Generalização
Outro ponto relevante levantado por Tranfield et al. é a necessidade de teorias mais integrativas em revisões sistemáticas, especialmente em campos como gestão, onde o consenso
epistemológico é baixo. Bezerra et al. identificam uma lacuna semelhante no campo do empreendedorismo, ao apontar que não há um modelo teórico unificado para explicar a relação entre
comportamento empreendedor e estratégia.
Tranfield et al. sugerem que abordagens como a meta-síntese e a síntese realista podem ser mais adequadas para lidar com a heterogeneidade dos estudos em gestão. Bezerra et al., por sua vez,
poderiam se beneficiar dessas abordagens ao tentar integrar diferentes vertentes teóricas sobre CE e estratégia, oferecendo uma explicação mais coesa e abrangente. Isso ajudaria a superar um
dos desafios apontados no estudo de Bezerra: a dificuldade de generalizar os resultados de estudos que frequentemente abordam diferentes aspectos do CE.
Conclusão
Os dois artigos dialogam de maneira complementar ao abordar a importância de revisões sistemáticas e o impacto de comportamentos gerenciais em estratégias organizacionais. Tranfield et al.
fornecem um quadro metodológico mais rigoroso e teórico para a condução de revisões sistemáticas na gestão, enquanto Bezerra et al. aplicam esse método em um campo específico,
fornecendo insights práticos para a interseção entre comportamento empreendedor e estratégia. Ambos os estudos se beneficiariam de uma integração mais estreita: Bezerra et al. poderiam
aprimorar o rigor metodológico seguindo os princípios de Tranfield et al., enquanto este último artigo poderia ganhar exemplos práticos e contextuais se considerasse estudos como o de Bezerra
et al. como uma aplicação real e relevante do método.
Dessa forma, a principal lição que emerge dessa comparação crítica é que a gestão, como campo acadêmico e prático, precisa não apenas de métodos mais rigorosos de síntese de evidências, mas
também de aplicações que demonstrem claramente o impacto dessas evidências na tomada de decisões estratégicas e organizacionais.
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