Figuras de Linguagem em Exercícios de Literatura
Figuras de Linguagem em Exercícios de Literatura
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
Inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
Têm direito a converter-se em manhãs de
domingo.
/.../
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
Sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
/.../
Contribui para o efeito de humor do cartum o
recurso à seguinte figura de linguagem:
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida: a) sinestesia.
Amar sem amor. b) personificação.
c) pleonasmo.
(MELLO, Thiago de. Os estatutos do homem. São d) eufemismo.
Paulo: Vergara & Riba, 2001.) e) paradoxo.
Exercício 3
(G1 - ifsul 2020) Leia a charge abaixo, do
(G1 - epcar (Cpcar) 2021) A seguir são cartunista Junião, para responder à questão:
apresentadas referências a figuras de linguagem
que podem ser encontradas em determinadas
partes do texto. Assinale a alternativa em que a
figura proposta NÃO se faz presente no trecho
citado.
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Quando você me clica,
quando você me conecta, me liga,
quando entra nos meus programas, nas minhas
janelas,
quando você me acende, me printa, me
encompassa,
me sublinha, me funde e me tria:
meus pensamentos esvoaçam,
meus títulos se põem maiúsculos,
e meu coração troveja!
Exercício 5
d) a imagem presente na charge é uma
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
personificação do racismo, pois atribui vida a uma
Leia o soneto “VII”, de Cláudio Manuel da Costa,
ideia, que não existe autonomamente,
para responder à(s) questão(ões) a seguir.
dependendo de pessoas que sintam e pratiquem
o racismo para que ela possa existir.
Onde estou? Este sítio desconheço:
Exercício 4 Quem fez tão diferente aquele prado?
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Tudo outra natureza tem tomado,
Quando E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.
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absurda que a sociedade me impõe: velarei de
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço noite, dormirei de dia.
De estar a ela um dia reclinado; Contrariamente a vários ministérios, Soares
Ali em vale um monte está mudado: cumpria este programa com um escrúpulo digno
Quanto pode dos anos o progresso! de uma grande consciência. A aurora para ele era
o crepúsculo, o crepúsculo era a aurora. Dormia
Árvores aqui vi tão florescentes, 12 horas consecutivas durante o dia, quer dizer
Que faziam perpétua a primavera: das seis da manhã às seis da tarde. Almoçava às
Nem troncos vejo agora decadentes. sete e jantava às duas da madrugada. Não ceava.
A sua ceia limitava-se a uma xícara de chocolate
Eu me engano: a região esta não era; que o criado lhe dava às cinco horas da manhã
Mas que venho a estranhar, se estão presentes quando ele entrava para casa. Soares engolia o
Meus males, com que tudo degenera! chocolate, fumava dois charutos, fazia alguns
trocadilhos com o criado, lia uma página de
(Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.) algum romance, e deitava-se.
Não lia jornais. Achava que um jornal era a cousa
mais inútil deste mundo, depois da Câmara dos
Deputados, das obras dos poetas e das missas.
(Unesp 2020) O eu lírico recorre ao recurso Não quer isto dizer que Soares fosse ateu em
expressivo conhecido como hipérbole no verso: religião, política e poesia. Não. Soares era
a) “Quem fez tão diferente aquele prado?” (1ª apenas indiferente. Olhava para todas as grandes
estrofe) cousas com a mesma cara com que via uma
b) “E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.” (1ª mulher feia. Podia vir a ser um grande perverso;
estrofe) até então era apenas uma grande inutilidade.
c) “Quanto pode dos anos o progresso!” (2ª
estrofe) (Contos fluminenses, 2006.)
d) “Que faziam perpétua a primavera:” (3ª
estrofe)
e) “Árvores aqui vi tão florescentes,” (3ª estrofe) (Famerp 2020) Assinale a alternativa que
apresenta um trecho do texto e uma figura de
linguagem que nele ocorre.
Exercício 6
a) “O calor do sol está dizendo aos homens que
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
vão descansar e dormir” (1º parágrafo) –
Leia o início do conto “Luís Soares”, de Machado
personificação.
de Assis, para responder à(s) questão(ões).
b) “a frescura relativa da noite é a verdadeira
estação em que se deve viver” (1º parágrafo) –
Trocar o dia pela noite, dizia Luís Soares, é
eufemismo.
restaurar o império da natureza corrigindo a obra
c) “Trocar o dia pela noite, dizia Luís Soares, é
da sociedade. O calor do sol está dizendo aos
restaurar o império da natureza corrigindo a obra
homens que vão descansar e dormir, ao passo
da sociedade” (1º parágrafo) – gradação.
que a frescura relativa da noite é a verdadeira
d) “Olhava para todas as grandes cousas com a
estação em que se deve viver. Livre em todas as
mesma cara com que via uma mulher feia” (3º
minhas ações, não quero sujeitar-me à lei
parágrafo) – pleonasmo.
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e) “Podia vir a ser um grande perverso; até então sustentação do prédio, feitas de madeira
era apenas uma grande inutilidade” (3º absolutamente vulgar. E por isso foram
parágrafo) – paradoxo. detectados.
O homem ficou furioso. Nem nos cupins se pode
Exercício 7
confiar, foi a sua desconsolada conclusão. É
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
verdade que alguns insetos foram encontrados
Leia a crônica “Inconfiáveis cupins”, de Moacyr
próximos a telas de Van Gogh. Mas isso não lhe
Scliar, para responder à(s) questão(ões) a seguir.
serviu de consolo. Suspeitava que os sádicos
cupins estivessem querendo apenas debochar
Havia um homem que odiava Van Gogh. Pintor
dele. Cupins e Van Gogh, era tudo a mesma
desconhecido, pobre, atribuía todas suas
coisa.
frustrações ao artista holandês. Enquanto
existirem no mundo aqueles horríveis girassóis,
(O imaginário cotidiano, 2002.)
aquelas estrelas tumultuadas, aqueles ciprestes
deformados, dizia, não poderei jamais dar vazão
ao meu instinto criador.
Decidiu mover uma guerra implacável, sem
(Unifesp 2020) Em “Mediante cruzamentos
quartel, às telas de Van Gogh, onde quer que
sucessivos, obteve um tipo de cupim que só
estivessem. Começaria pelas mais próximas, as
queria comer Van Gogh” (5º parágrafo), o cronista
do Museu de Arte Moderna de São Paulo.
recorre à figura de linguagem denominada:
Seu plano era de uma simplicidade diabólica.
Não faria como outros destruidores de telas que a) metonímia.
entram num museu armados de facas e atiram- b) hipérbole.
se às obras, tentando destruí-las; tais insanos c) eufemismo.
não apenas não conseguem seu intento, como d) personificação.
acabam na cadeia. Não, usaria um método e) pleonasmo.
científico, recorrendo a aliados absolutamente Exercício 8
insuspeitados: os cupins. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Deu-lhe muito trabalho, aquilo. Em primeiro Considere os versos do poema “As trevas”, que
lugar, era necessário treinar os cupins para que integra a obra Espumas flutuantes, de Castro
atacassem as telas de Van Gogh. Para isso, Alves, para responder à(s) questão(ões) a seguir.
recorreu a uma técnica pavloviana. Reproduções
das telas do artista, em tamanho natural, eram “Tive um sonho em tudo não foi sonho!...
recobertas com uma solução açucarada. Dessa
forma, os insetos aprenderam a diferenciar tais O sol brilhante se apagava: e os astros,
obras de outras. Do eterno espaço na penumbra escura,
Mediante cruzamentos sucessivos, obteve um Sem raios, e sem trilhos, vagueavam.
tipo de cupim que só queria comer Van Gogh. A terra fria balouçava cega
Para ele era repulsivo, mas para os insetos era E tétrica no espaço ermo de lua.
agradável, e isso era o que importava. A manhã ia... vinha ... e regressava...
Conseguiu introduzir os cupins no museu e ficou Mas não trazia o dia! Os homens pasmos
à espera do que aconteceria. Sua decepção, Esqueciam no horror dessas ruínas
contudo, foi enorme. Em vez de atacar as obras Suas paixões: E as almas conglobadas
de arte, os cupins preferiram as vigas de Gelavam-se num grito de egoísmo
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Que demandava ‘luz’. Junto às fogueiras Ele me árvore.
Abrigavam-se... e os tronos e os palácios, De tarde um velho tocará sua flauta para inverter
Os palácios dos reis, o albergue e a choça os ocasos.
Ardiam por fanais. Tinham nas chamas
As cidades morrido. Em torno às brasas Disponível em:
Dos seus lares os homens se grupavam, ˂https://leiturinha.com.br/blog/poemas-de-
P’ra à vez extrema se fitarem juntos. manoel-de-barros/ ˃
Feliz de quem vivia junto às lavas Acesso em: 25 ago. 2019
Dos vulcões sob a tocha alcantilada!”
(Ufms 2020) As figuras de linguagem estão (G1 - ifsul 2020) A figura de linguagem
presentes em textos poéticos e produzem presente em “Aqui, se o horizonte enrubesce um
expressividade no discurso, criando efeitos de pouco, os besouros pensam que estão no
sentido variados. Assinale a alternativa que incêndio” é
nomeia a figura em destaque nos seguintes a) catacrese
versos: “E as almas conglobadas/Gelavam-se b) eufemismo
num grito de egoísmo”. c) prosopopeia
a) Aliteração. d) anáfora
b) Comparação.
Exercício 10
c) Metonímia.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
d) Catacrese.
e) Sinestesia.
Exercício 9
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto abaixo para responder à(s)
questão(ões) a seguir.
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( ) O termo “Coroa” é utilizado como uma subjacentes ao funcionamento e expressão dos
personificação, que atribui características genes com as instruções e os comandos de um
humanas a objetos inanimados. programa.
d) uma analogia, pois contrasta os mecanismos
A sequência CORRETA é moleculares dos genes nos cromossomos e das
a) F V F F V. doenças causadas por eles com as linhas de
b) V V V V F. comando de um programa de computador.
c) F F V V V. Exercício 12
d) F F V V F. (Espcex (Aman) 2019) Assinale a alternativa em
e) V V F F F. que a palavra “boca” apresenta sentido
Exercício 11 denotativo.
(Unicamp 2019) "A noção de programa genético a) Em boca fechada não entra mosquito.
(...) desempenhou um papel importante no b) Não contem nada a ninguém! Boca de siri!
lançamento do Projeto Genoma Humano, c) Vestirei minha calça boca de sino.
fazendo com que se acreditasse que a decifração d) Na boca da noite tudo acontece.
de um genoma, à maneira de um livro com e) É proibido fazer boca de urna.
instruções de um longo programa, permitiria
Exercício 13
decifrar ou compreender toda a natureza humana
(Famema 2019) Leia o poema “Namorados” de
ou, no mínimo, o essencial dos mecanismos de
Manuel Bandeira (1886-1968).
ocorrência das doenças. Em suma, a
fisiopatologia poderia ser reduzida à genética, já
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
que toda doença seria reduzida a um ou diversos
– Antônia, ainda não me acostumei com o seu
erros de programação, isto é, à alteração de um
corpo, com
ou diversos genes".
[a sua cara.
A moça se lembrava:
A expressão programa genético, mencionada no
– A gente fica olhando...
trecho anterior, é
a) uma alegoria, pois sintetiza os mecanismos A meninice brincou de novo nos olhos dela.
moleculares subjacentes ao funcionamento dos
genes e dos cromossomos no contexto ficcional O rapaz prosseguiu com muita doçura:
de um programa de computador.
b) uma analogia, pois diferencia os mecanismos – Antônia, você parece uma lagarta listada.
moleculares subjacentes ao código genético e ao
funcionamento dos cromossomos dos códigos de A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
um programa de computador.
c) uma metáfora, pois iguala toda a informação O rapaz concluiu:
genética e os mecanismos moleculares – Antônia, você é engraçada! Você parece louca.
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(Estrela da vida inteira, 2009.)
A principal figura de linguagem utilizada na
construção do poema de João Cabral de Melo
Verifica-se a ocorrência de personificação no Neto reproduzido, em parte, no texto é
seguinte verso: a) eufemismo, uma vez que os objetos
a) “– Antônia, você parece uma lagarta listada.” devorados pelo amor são representações da
b) “A moça arregalou os olhos, fez exclamações.” realidade.
b) hipérbole, já que o amor devora, de forma
c) “A meninice brincou de novo nos olhos dela.” exagerada, vários objetos que fazem parte do
d) “– Antônia, você é engraçada! Você parece cotidiano do eu lírico.
louca.” c) prosopopeia, pois ao amor são atribuídas
e) “A moça olhou de lado e esperou.” ações humanas.
d) sinestesia, como se pode perceber pela
Exercício 14
repetição do verbo “comer” associado ao
(G1 - ifpe 2019) Leia o texto para responder à
substantivo abstrato “amor”.
questão.
e) metonímia, a qual é marcada pela relação
entre “nome, identidade e retrato” (primeiro
O AMOR COMEU MEU NOME
verso), pois há uma gradação entre esses
O amor comeu meu nome, minha identidade,
termos.
meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha Exercício 15
genealogia, meu endereço. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
O amor comeu meus cartões de visita. Leia o trecho do livro A dança do universo, do
O amor veio e comeu todos os papéis onde eu físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder
escrevera meu nome. à(s) questão(ões) a seguir.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços,
minhas camisas.
O amor comeu metros e metros de gravatas. Algumas pessoas tornam-se heróis contra sua
O amor comeu a medida de meus ternos, o própria vontade. Mesmo que elas tenham ideias
número de meus sapatos, o tamanho de meus realmente (ou potencialmente) revolucionárias,
chapéus. [...] muitas vezes não as reconhecem como tais, ou
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu não acreditam no seu próprio potencial. Divididas
uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, entre enfrentar sua insegurança expondo suas
canivete. [...] ideias à opinião dos outros, ou manter-se na
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu defensiva, elas preferem a segunda opção. O
dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. mundo está cheio de poemas e teorias
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu escondidos no porão.
medo da morte. Copérnico é, talvez, o mais famoso desses
relutantes heróis da história da ciência. Ele foi o
MELO NETO, J. C. Disponível em: homem que colocou o Sol de volta no centro do
<https://www.culturagenial.com/maiores- Universo, ao mesmo tempo fazendo de tudo para
poemas-de-amor-literatura-brasileira/>. Acesso que suas ideias não fossem difundidas,
em: 04 out. 2018. possivelmente com medo de críticas ou
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perseguição religiosa. Foi quem colocou o Sol de possam justificar a atitude de Copérnico são, até
volta no centro do Universo, motivado por razões hoje, um ponto de discussão entre os
erradas. Insatisfeito com a falha do modelo de especialistas.
Ptolomeu, que aplicava o dogma platônico do
movimento circular uniforme aos corpos (A dança do universo, 2006. Adaptado.)
celestes, Copérnico propôs que o equante fosse
abandonado e que o Sol passasse a ocupar o
centro do cosmo. Ao tentar fazer com que o
Universo se adaptasse às ideias platônicas, ele (Unesp 2019) Em “Copérnico era, sem dúvida,
retornou aos pitagóricos, ressuscitando a um revolucionário conservador” (3º parágrafo), a
doutrina do fogo central, que levou ao modelo expressão sublinhada constitui um exemplo de
heliocêntrico de Aristarco dezoito séculos antes. a) eufemismo.
Seu pensamento reflete o desejo de reformular b) pleonasmo.
as ideias cosmológicas de seu tempo apenas c) hipérbole.
para voltar ainda mais no passado; Copérnico era, d) metonímia.
sem dúvida, um revolucionário conservador. Ele e) paradoxo.
jamais poderia ter imaginado que, ao olhar para o
passado, estaria criando uma nova visão cósmica, Exercício 16
que abriria novas portas para o futuro. Tivesse TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
vivido o suficiente para ver os frutos de suas Mulher proletária
ideias, Copérnico decerto teria odiado a Jorge de Lima
revolução que involuntariamente causou.
Entre 1510 e 1514, compôs um pequeno
trabalho resumindo suas ideias, intitulado Mulher proletária — única fábrica
Commentariolus (Pequeno comentário). Embora que o operário tem, (fabrica filhos)
na época fosse relativamente fácil publicar um tu
manuscrito, Copérnico decidiu não publicar seu na tua superprodução de máquina humana
texto, enviando apenas algumas cópias para uma forneces anjos para o Senhor Jesus,
1forneces braços para o senhor burguês.
audiência seleta. Ele acreditava piamente no
ideal pitagórico de discrição; apenas aqueles que Mulher proletária,
eram iniciados nas complicações da matemática o operário, teu proprietário
aplicada à astronomia tinham permissão para há de ver, há de ver:
compartilhar sua sabedoria. Certamente essa a tua produção,
posição elitista era muito peculiar, vinda de a tua superprodução,
alguém que fora educado durante anos dentro da ao contrário das máquinas burguesas,
tradição humanista italiana. Será que Copérnico salvar o teu proprietário.
estava tentando sentir o clima intelectual da
época, para ter uma ideia do quão “perigosas” LIMA Jorge de. Obra Completa (org. Afrânio
eram suas ideias? Será que ele não acreditava Coutinho). Rio de Janeiro: Aguilar, 1958.
muito nas suas próprias ideias e, portanto, queria
evitar qualquer tipo de crítica? Ou será que ele
estava tão imerso nos ideais pitagóricos que (Uece 2019) Analisando o verso do poema
realmente não tinha o menor interesse em “forneces braços para o senhor burguês” (ref. 1),
tornar populares suas ideias? As razões que a figura de linguagem que aí se destaca é
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a) catacrese, uma vez que, como não há um as palavras ditas libertam.
termo específico para o poeta expressar, de E não há quem ponha
forma adequada, a ideia de “fornecer filhos”, ele um ponto final na história
se utiliza da expressão “fornecer braços”, lógica
semelhante ao que se costuma usar em termos Infinitas são as personagens…
como “braços da cadeira”. Vovó Kalinda, Tia Mambene,
b) metonímia, tendo em vista que o termo Primo Sendó, Ya Tapuli,
“braços” mantém com o termo “filhos” uma Menina Meká, Menino Kambi,
relação de contiguidade da parte pelo todo para Neide do Brás, Cíntia da Lapa,
o poeta destacar que o que mulher proletária Piter do Estácio, Cris de Acari,
fabrica é só uma parte do seu rebento, os Mabel do Pelô, Sil de Manaíra
“braços”, utilizados para proveito da atividade E também de Santana e de Belô
capitalista, e não “filhos”, na sua completude e mais e mais, outras e outros…
como seres humanos, para estabelecer com
estes uma relação afetiva. Nos olhos do jovem
c) hipérbole, já que o verso quer enfatizar a ideia também o brilho de muitas histórias.
de exagero de alguém fornecer inúmeros braços E não há quem ponha
para o trabalho da indústria mercantil. um ponto final no rap
d) prosopopeia, pois o poeta está personificando
a máquina como se fosse uma mulher produtora É preciso eternizar as palavras
de filhos. da liberdade ainda e agora…
Exercício 17
Texto de Conceição Evaristo publicado no livro
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Poemas da recordação e outros movimentos
Do Velho ao Jovem
(Belo Horizonte: Nandyala, 2008).
Na face do velho
as rugas são letras,
palavras escritas na carne,
(G1 - cp2 2019) Em “as rugas são letras” (linha
abecedário do viver.
2), foi empregada como recurso estilístico a
figura de linguagem
Na face do jovem
o frescor da pele a) antítese.
e o brilho dos olhos b) hipérbole.
são dúvidas. c) metáfora.
d) metonímia.
Nas mãos entrelaçadas Exercício 18
de ambos, TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
o velho tempo Coleção
funde-se ao novo,
e as falas silenciadas Colecionamos objetos
explodem. mas não o espaço
entre os objetos
O que os livros escondem,
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fotos pedrinhas redondas para atiradeira, porque é
mas não o tempo urgente subir no morro; os sanhaços estão
entre as fotos bicando os cajus maduros. É janeiro, grande mês
de janeiro!
selos Podemos cortar folhas de pita, ir para o
mas não outro lado do morro e descer escorregando no
viagens capim até a beira do açude. Com dois paus de
pita, faremos uma balsa, e, como o carnaval é só
lepidópteros no mês que vem, vamos apanhar tabatinga para
mas não fazer formas de máscaras. Ou então vamos jogar
seu voo bola-preta: do outro lado do jardim tem um pé
de saboneteira.
garrafas Se quiser, vamos. Converta-se, bela
mas não mulher estranha, numa simples menina de
a memória da sede pernas magras e vamos passear nessa infância
de uma terra longe. É verdade que jamais comeu
discos angu de fundo de panela?
mas nunca Bem pouca coisa eu sei: mas tudo que sei
o pequeno intervalo de silêncio lhe ensino. Estaremos debaixo da goiabeira; eu
entre duas canções cortarei uma forquilha com o canivete. Mas não
consigo imaginá-la assim; talvez se na praia
MARQUES, Ana Martins. O livro das ainda houver pitangueiras... Havia pitangueiras
semelhanças. São Paulo: Companhia das Letras, na praia? Tenho uma ideia vaga de pitangueiras
2015. junto à praia. Iremos catar conchas cor-de-rosa e
búzios crespos, ou armar o alçapão junto do brejo
para pegar papa-capim. Quer? Agora devem ser
(G1 - cp2 2019) Quanto aos termos três horas da tarde, as galinhas lá fora estão
relacionados no poema, pode-se identificar uma cacarejando de sono, você gosta de fruta-pão
antítese entre assada com manteiga? Eu lhe vou aipim ainda
a) “fotos” e “tempo”. quente com melado. Talvez você fosse como
b) “selos” e “viagens”. aquela menina rica, de fora, que achou horrível
c) “silêncio” e “canções”. nosso pobre doce de abóbora e coco.
d) “lepidópteros” e “voo”. Mas eu a levarei para a beira do ribeirão,
na sombra fria do bambual; ali pescarei piaus. Há
Exercício 19 rolinhas. Ou então ir descendo o rio numa canoa
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: bem devagar e de repente dar um galope na
Passeio à Infância correnteza, passando rente às pedras, como se a
canoa fosse um cavalo solto. Ou nadar mar afora
Primeiro vamos lá embaixo no córrego; até não poder mais e depois virar e ficar olhando
pegaremos dois pequenos carás dourados. E as nuvens brancas. Bem pouca coisa eu sei; os
como faz calor, veja, os lagostins saem da toca. outros meninos riram de mim porque cortei uma
Quer ir de batelão, na ilha, comer ingás? Ou iba de assa-peixe. Lembro-me que vi o ladrão
vamos ficar bestando nessa areia onde o sol morrer afogado com os soldados de canoa dando
dourado atravessa a água rasa? Não catemos
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tiros, e havia uma mulher do outro lado do rio cobra, e eu quisera tanto dormir. Tanto dormir!
gritando. Preciso de um sossego de beira de rio, com
Mas como eu poderia, mulher estranha, remanso, com cigarras. Mas você é como se
convertê-la em menina para subir comigo pela houvesse demasiadas cigarras cantando numa
capoeira? Uma vez vi uma urutu junto de um pobre tarde de homem.
tronco queimado; e me lembro de muitas
meninas. Tinha uma que para mim uma adoração. Julho, 1945
Ah, paixão da infância, paixão que não amarga.
Assim eu queria gostar de você, mulher estranha Crônica extraída do livro 200 crônicas
que ora venho conhecer, homem maduro. escolhidas, de Rubem Braga
Homem maduro, ido e vivido; mas quando a
olhei, você estava distraída, meus olhos eram
outra vez daquele menino feio do segundo ano
primário que quase não tinha coragem de olhar a (Efomm 2019) A opção em que o fragmento
menina um pouco mais alta da ponta direita do apresenta sentido figurado é:
banco. a) Primeiro vamos lá embaixo no córrego;
Adoração de infância. Ao menos você pegaremos dois pequenos carás dourados.
conhece um passarinho chamado saíra? É um b) Quer ir de batelão, na ilha, comer ingás?
passarinho miúdo: imagine uma saíra grande que c) Eu lhe dou aipim ainda quente com melado.
de súbito aparecesse a um menino que só d) Lembro-me que vi o ladrão morrer afogado
tivesse visto coleiros e curiós, ou pobres com os soldados de canoa dando tiros (...).
cambaxirras. Imagine um arco-íris visto na mais e) Ah, paixão de infância, paixão que não amarga.
remota infância, sobre os morros e o rio. O
menino da roça que pela primeira vez vê as algas
do mar se balançando sob a onda clara, junto da Exercício 20
pedra. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Ardente da mais pura paixão de beleza é a
adoração da infância. Na minha adolescência você
seria uma tortura. Quero levá-la para a meninice.
Bem pouca coisa eu sei; uma vez na fazenda rira:
ele não sabe nem passar um barbicacho! Mas o
que sei lhe ensino; são pequenas coisas do mato
e da água, são humildes coisas, e você é tão bela
e estranha! Inutilmente tento convertê-la em
menina de pernas magras, o joelho ralado, um
pouco de lama seca do brejo no meio dos dedos
dos pés.
Linda como a areia que a onda ondeou.
Saíra grande! Na adolescência e torturaria; mas
sou um homem maduro. Ainda assim às vezes é (G1 - ifsul 2019) A figura de linguagem que
como um bando de sanhaços bicando os cajus de fundamenta o humor do texto é
meu cajueiro, um cardume de peixes dourados
a) ironia.
avançando, saltando ao sol, na piracema; um
b) hipérbole.
bambual com sombra fria, onde ouvi um silvo de
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c) eufemismo. e) realiza a transição do lirismo social para o
d) prosopopeia. lirismo metafísico, caracterizado pela adesão ao
conforto espiritual e ao escapismo imaginativo.
Exercício 21
(Fuvest 2021) Remissão Exercício 22
(Espcex (Aman) 2019) Leia o trecho abaixo,
Tua memória, pasto de poesia, retirado de I-Juca Pirama, obra de Gonçalves
tua poesia, pasto dos vulgares, Dias.
vão se engastando numa coisa fria
a que tu chamas: vida, e seus pesares. Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Mas, pesares de quê? perguntaria, Por fado inconstante,
se esse travo de angústia nos cantares, Guerreiros, nasci:
se o que dorme no base da elegia Sou bravo, sou forte,
vai correndo e secando pelos ares, sou filho do norte,
Meu canto de morte,
e nada resta, mesmo, do que escreves Guerreiros, ouvi.
e te forçou ao exílio das palavras,
senão contentamento de escrever, Trata-se de um:
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II. Textos pertencentes ao gênero lírico Nela até agora não pudemos saber que
privilegiam a expressão subjetiva de estados haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal
interiores. ou ferro; nem o vimos. Porém a terra em si é de
III. O gênero épico compreende textos sobre muito bons ares, assim frios e temperados como
acontecimentos grandiosos protagonizados por os de Entre-Douro e Minho, porque neste tempo
heróis. de agora os achávamos como os de lá.
IV. Em literatura, o romance e a novela são As águas são muitas e infindas. E em tal
formas narrativas pertencentes ao gênero maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la,
dramático. tudo dará nela, por causa das águas que tem.
Estão corretas apenas as afirmativas CASTRO, Sílvio (org.). A Carta de Pero Vaz de
Caminha. Porto Alegre: L&PM, 2003, p. 115-6.
a) I e II.
b) I e IV.
c) II e III. Esse fragmento apresenta-se como um texto
d) III e IV.
a) descritivo, uma vez que Caminha ocupa-se em
Exercício 25
dar um retrato objetivo da terra descoberta,
(Ufsm 2014) A Carta de Pero Vaz de Caminha é
abordando suas características físicas e
o primeiro relato sobre a terra que viria a ser
potencialidades de exploração.
chamada de Brasil. Ali, percebe-se não apenas a
b) narrativo, pois a “Carta” é, basicamente, uma
curiosidade do europeu pelo nativo, mas
narração da viagem de Pedro Álvares Cabral e
também seu pasmo diante da exuberância da
sua frota até o Brasil, relatando, numa sucessão
natureza da nova terra, que, hoje em dia, já se
de eventos, tudo o que ocorreu desde a chegada
encontra degradada em muitos dos locais
dos portugueses até sua partida.
avistados por Caminha.
c) argumentativo, pois Caminha está preocupado
em apresentar elementos que justifiquem a
Tendo isso em vista, leia o fragmento a seguir.
exploração da terra descoberta, os quais se
pautam pela confiabilidade e abrangência de
Esta terra, Senhor, parece-me que, da
suas observações.
ponta que mais contra o sul vimos, até outra
d) lírico, uma vez que a apresentação hiperbólica
ponta que contra o norte vem, de que nós deste
da terra por Caminha mostra a subjetividade de
ponto temos vista, será tamanha que haverá nela
seu relato, carregado de emotividade, o que
bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem,
confere à “Carta” seu caráter especificamente
ao longo do mar, em algumas partes, grandes
literário.
barreiras, algumas vermelhas, outras brancas; e
e) narrativo-argumentativo, pois a apresentação
a terra por cima é toda chã e muito cheia de
sequencial dos elementos físicos da terra
grandes arvoredos. De ponta a ponta é tudo
descoberta serve para dar suporte à ideia
praia redonda, muito chã e muito formosa.
defendida por Caminha de exploração do novo
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar,
território.
muito grande, porque a estender d’olhos não
podíamos ver senão terra com arvoredos, que Exercício 26
nos parecia muito longa. (Fgvrj 2013) TEXTO PARA A PRÓXIMA
QUESTÃO:
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Quando Bauer, o de pés ligeiros, se apoderou da E se ela só decora o seu papel
cobiçada esfera, logo o suspeitoso Naranjo lhe E se eu pudesse entrar na sua vida
partiu ao encalço, mas já Brandãozinho,
semelhante à chama, lhe cortou a avançada. A Olha
tarde de olhos radiosos se fez mais clara para Será que e de louca
contemplar aquele combate, enquanto os Será que e de éter
agudos gritos e imprecações em redor animavam Será que e loucura
os contendores. A uma investida de Cárdenas, o Será que e cenário
de fera catadura, o couro inquieto quase se foi A casa da atriz
depositar no arco de Castilho, que com torva face Se ela mora num arranha-céu
o repeliu. Eis que Djalma, de aladas plantas, E se as paredes são feitas de giz
rompe entre os adversários atônitos, e conduz E se ela chora num quarto de hotel
sua presa até o solerte Julinho, que a transfere E se eu pudesse entrar na sua vida
ao valoroso Didi, e este por sua vez a comunica
ao belicoso Pinga. (...) Sim, me leva para sempre, Beatriz
Assim gostaria eu de ouvir a descrição do jogo Me ensina a não andar com os pés no chão
entre brasileiros e mexicanos, e a de todos os Para sempre e sempre por um triz
jogos: à maneira de Homero. Mas o estilo atual é Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
outro, e o sentimento dramático se orna de Diz se e perigoso a gente ser feliz
termos técnicos.
Esse texto e um exemplo do gênero lírico,
Carlos Drummond de Andrade, Quando é dia de porque
futebol. Rio: Record, 2002.
Ao narrar o jogo entre brasileiros e mexicanos a) explora as manifestações psíquicas que
“à maneira de Homero”, o autor adota o estilo confundem realidade e sonho.
b) aborda a temática amorosa, ainda que sob uma
a) épico. perspectiva contemporânea.
b) lírico. c) revela a expressão dos estados emotivos do
c) satírico. eu-lírico ante a inalcançável dama.
d) técnico. d) exalta a personagem de outro texto lírico, a
e) teatral. Beatriz da Divina Comédia de Dante Alighieri.
Exercício 27 Exercício 28
(G1 - cftmg 2011) Beatriz (Cesgranrio 2011) Associe os gêneros literários
Chico Buarque às suas respectivas características.
1 – Gênero lírico ( ) Exteriorização dos
Olha valores e sentimentos coletivos
Será que ela e moça 2 – Gênero épico ( ) Representação de
Será que ela e triste fatos com presença física de atores
Será que e o contrario 3 – Gênero dramático ( ) Manifestação de
Será que e pintura sentimentos pessoais predominando, assim, a
O rosto da atriz função emotiva
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que e outro pais A sequência correta, de cima para baixo, é
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a) 3 – 2 – 1 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
b) 2 – 3 – 1 Pedro Américo, pintor brasileiro nascido na
c) 2 – 1 – 3 Paraíba, foi um grande cultivador da arte
d) 1 – 3 – 2 acadêmica. Viveu sob a proteção de D. Pedro II,
e) 1 – 2 – 3 que lhe financiou cursos na Europa. O Imperador
Brasileiro foi um verdadeiro Mecenas (indivíduo
Exercício 29
rico que protege artistas, homens de letras ou
(FUVEST 2017)
de ciências, proporcionando-lhes recursos
financeiros para que possam dedicar-se, sem
preocupações outras, às artes e às ciências). Foi
por encomenda de D. Pedro II que ele pintou, em
1888, o quadro que homenageia D. Pedro I, pelo
ato de proclamar a independência política do
Brasil. A pintura recebeu o nome de
Independência ou Morte, sendo mais conhecida,
no entanto, como O Grito do Ipiranga. É um
quadro que todo estudante brasileiro reconhece.
O GRITO
Esta imagem integra o manuscrito de uma das
mais notáveis obras da cultura medieval. A Um tranquilo riacho suburbano,
alternativa que melhor caracteriza o documento Uma choupana embaixo de um coqueiro,
é: Uma junta de bois e um carreteiro:
a) Fábula que enuncia o ideal eclesiástico, Eis o pano de fundo e, contra o pano,
mescla a aventura cavalheiresca, o amor
romântico e as aspirações religiosas que Figurantes – cavalos e cavaleiros,
simbolizaram o espírito das cruzadas. Ressaltando o motivo soberano,
b) Poema inacabado que narra a viagem de A quem foi reservado o meio plano
formação de um cavaleiro e a busca do cálice Onde avulta solene e sobranceiro.
sagrado; sua composição mistura elementos
pagãos e cristãos. Complete-se a figura mentalmente
c) Cordel muito popular, elaborado com base nos Com o grito famoso, postergando
épicos celtas e lendas bretãs, divulgado para a Qualquer simbologia irreverente.
conversão de fiéis durante a expansão do
Cristianismo pelo Oriente. Nem se indague do artista, casto obreiro,
d) Peça teatral que serviu para fortalecer o Fiel ao mecenato e ao seu comando,
espírito nacionalista da Inglaterra, unindo a figura Quem o povo, se os bois, se o carreteiro.
de um governante invencível a um símbolo
cristão. PAES, José Paulo. Poesia Completa. São Paulo:
e) Romance que condensa vários textos, Companhia das Letras, 2008. P. 105.
empregado pela Igreja para encorajar a (UECE 2017) Os poemas podem variar no
aristocracia a assumir uma função idealizada na número de sílabas métricas. Os versos que têm
luta contra os inimigos de Deus. de 1 a 12 sílabas recebem nomes diferentes. A
partir de 13 sílabas, deixam de receber nomes
Exercício 30
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específicos. Em relação ao poema O Grito é A humana espécie, Deus piedoso trata,
correto afirmar que E faz que quando a graça em si despreza,
a) foi feito com versos de 5 sílabas métricas Lhe pregue co’esta flor a natureza.
chamados pentassílabos ou redondilhas
menores.
b) apresenta versos de 7 sílabas métricas, a A partir desse fragmento, assinale verdadeira (V)
medida ou o metro das quadras e da poesia ou falsa (F) em cada afirmativa a seguir.
popular de maneira geral como ocorre em
cantigas de roda e desafios. ( ) As duas estrofes podem ser classificadas
c) tem versos de 8 sílabas métricas, como oitavas compostas apenas de versos
denominados octossílabos, usados nas baladas decassílabos.
(composições poéticas populares antigas, ( ) A estrofe XXXIX é basicamente descritiva,
acompanhadas ou não de música). em que detalhes da anatomia da flor são
d) foi estruturado em versos de 10 sílabas aproximados da tradicional imagem de Jesus
métricas, decassílabos, que são versos longos, Cristo na cruz.
de difícil feitura, adequados aos poemas heroicos ( ) A estrofe XL apresenta uma interpretação
e épicos. da personagem, que considera a presença da flor
uma manifestação misteriosa da graça de Deus
Exercício 31 entre os índios, os quais, por meio da visão da
(UFSM 2014) Em Caramuru, poema épico de planta, convertem-se.
Santa Rita Durão, o herói, Diogo Álvares Correia, ( ) Na análise conjunta das duas estrofes,
em determinado momento narrado no Canto VII, percebe-se a presença de duas características
chega com Paraguaçu, sua amada, à França, onde, marcantes da primeira literatura feita no Brasil: a
instado pelo rei, relata as belezas da terra descrição da natureza local e a preocupação com
brasileira. Entre as flores, uma é destacada: a conversão do nativo à fé do colonizador.
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Vem, Pastora, por piedade b) 1, 2, 3, 3.
A saudade consolar. c) 2, 1, 3, 1.
d) 3, 2, 3, 1.
Não recreiam sempre os montes
Exercício 33
Co'as delícias de Amaltéia;
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Vem, ó Glaura, a ruiva areia,
De súbito, os alto-falantes da Rádio Anunciadora
Rio e fontes animar."
Serrana, presos aos postes telefônicos ao longo
(Silva Alvarenga)
da Rua do Comércio, começaram a funcionar, e o
ar se encheu de sons que pareciam sair da boca
( ) "A cada canto um grande conselheiro,
de enormes robôs. O vento varria as vozes
Que nos quer governar cabana, e vinha,
metálicas que apregoavam a excelência de
Não sabem governar sua cozinha,
dentifrícios, inseticidas, sabonetes, e pediam ao
E podem governar o mundo inteiro.
público que só comprasse na "tradicional Loja
Caramês, onde um cruzeiro vale três". Quando as
Em cada porta um frequentado olheiro,
vozes se calaram, romperam dos alto-falantes os
Que a vida do vizinho, e da vizinha
acordes lânguidos dum velho tango argentino, e
Pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
o choro das cordeonas abafou a lamúria do vento.
Para levar à Praça, e ao Terreiro."
Naquele minuto, o Veiguinha saiu da Casa Sol,
(Gregório de Matos)
caminhou até a beira da calçada, trazendo
debaixo do braço um quadro que durante sete
( ) "Nesta triste masmorra,
anos tivera pendurado na parede do escritório e,
de um semivivo corpo sepultura,
olhando para um mulato que passava, exclamou:
inda, Marília, adoro
- Este é o dia mais feliz da minha vida!
a tua formosura. 1Dito isto, agarrou o quadro com ambas as mãos
e bateu com ele violentamente contra a quina da
Amor na minha ideia te retrata;
calçada, partindo a moldura e o vidro. Depois,
busca, extremoso, que eu assim resista
numa fúria que o deixava apoplético, arrancou
à dor imensa, que me cerca e mata."
dentre os destroços do quadro o retrato do ex-
(Tomás Antônio Gonzaga)
Presidente e rasgou-o em muitos pedaços,
lançando-os ao vento num gesto dramático:
( ) "Este lugar delicioso e triste,
- Este é o fim de todos os tiranos!
Cansada de viver, tinha escolhido,
O mulato parou, olhou para o proprietário da
Para morrer, a mísera Lindoia.
Casa Sol e disse:
Lá reclinada, como que dormia,
- Deixe estar, um dia esse retrato volta pra
Na branda relva, e nas mimosas flores;
Tinha a face na mão, e a mão no tronco parede. 2Os milicos derrubaram o Velho, mas ele
De um fúnebre cipreste, que espalhava caiu de pé nos braços do povo!
Melancólica sombra. Mais de perto - 3"Viva o nosso Presidente! Viva o Estado
Descobrem que se enrola em seu corpo Novo!"
Verde serpente..." Do outro lado da rua, à frente da Casa Sol, lia-se
(Basílio da Gama) no muro caiado, em largas letras de piche:
"Queremos Getúlio". Logo abaixo, em
A sequência CORRETA encontrada é: garranchos brancos: 4"Viva Prestes! Morra o
fascismo!" E, entre a foice e o martelo, um
a) 1, 2, 1, 3.
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moleque gravara no reboco, à ponta de prego, C'uma aura popular, que honra se chama!
um nome feio. Que castigo tamanho e que justiça
5Gardel silenciara: agora os violinos cantavam Fazes no peito vão que muito te ama!
em melosa surdina, e a voz do sueste parecia Que mortes, que perigos, que tormentas,
também fazer parte da orquestra, bem como o Que crueldades neles experimentas!
rufar do motor do Rosa-dos-Ventos.
Érico Veríssimo. O tempo e o vento. Dura inquietação d'alma e da vida
(UFF 2006) O fragmento de Érico Veríssimo é Fonte de desamparos e adultérios,
parte de uma obra classificada como pertencente Sagaz consumidora conhecida
ao gênero épico ou narrativo. De fazendas, de reinos e de impérios!
Assinale a opção que se afasta desta Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
classificação. Sendo digna de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
a) Configura-se um personagem - O Veiguinha -
Nomes com quem se o povo néscio engana."
que desenvolve ações: sai da Casa Sol, conversa
(UFSCAR 2003) Entre os versos "Chamam-te
com outro personagem, quebra um quadro.
ilustre, chamam-te subida, / Sendo digna de
b) Registra-se a exposição de sentimentos de
infames vitupérios", a relação que se estabelece
personagens que não fazem parte de uma
é de:
história.
c) Compõe-se um espaço - a Rua do Comércio e a) oposição.
seus arredores. b) explicação.
d) Define-se um tempo - o fim do período c) causa.
ditatorial de Getúlio Vargas. d) modo.
e) Tem-se acesso a todos os elementos - e) conclusão.
personagens, espaço, tempo, ações - através de
Exercício 35
um narrador.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Exercício 34 Hão de chorar por ela os cinamomos,
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Murchando as flores ao tombar do dia.
As questões adiante baseiam-se no poema épico Dos laranjais hão de cair os pomos,
Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, do qual se Lembrando-se daquela que os colhia.
reproduzem, a seguir, três estrofes.
As estrelas dirão: - "Ai! nada somos,
Mas um velho, de aspeito venerando, [= aspecto) Pois ela se morreu, silente e fria..."
Que ficava nas praias, entre a gente, E pondo os olhos nela como pomos,
Postos em nós os olhos, meneando Hão de chorar a irmã que lhes sorria.
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando, A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que nós no mar ouvimos claramente, Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
C'um saber só de experiências feito, Entre lírios e pétalas de rosa.
Tais palavras tirou do experto peito:
Os meus sonhos de amor serão defuntos...
"Ó glória de mandar, ó vã cobiça E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
Desta vaidade a quem chamamos Fama! Pensando em mim: - "Por que não vieram
Ó fraudulento gosto, que se atiça juntos?"
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(Alphonsus de Guimaraens) expedições portuguesas.
(FAAP 1996) O tratamento do assunto poético c) No poema de Camões todas as estrofes
lhe pareceu mais: apresentam oito versos em decassílabos
a) histórico heroicos; no poema de Pessoa não há a mesma
b) alegórico regularidade.
c) bíblico d) Uma das estrofes d'OS LUSÍADAS revela a
d) épico fala do Velho do Restelo criticando os
e) aristocrático sentimentos de glória e cobiça na empresa
portuguesa.
Exercício 36 e) Os dois poemas não podem ser relacionados
(UNESP 1989) Leia as estrofes seguintes e porque, além de um ser épico e o outro lírico, um
assinale a alternativa INCORRETA: pertence ao Renascimento e o outro ao
Modernismo.
"Mas um velho, de aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente, Exercício 37
Postos em nós os olhos, meneando (UNICAMP 2019) “Picado pelo ciúme, abriu o
Três vezes a cabeça, descontente, ourives seu peito à órfã, ofereceu-lhe a mão, e
A voz pesada um pouco alevantando, uma pulseira de brilhantes nela, com a condição
Que nós no mar ouvimos claramente, de me esquecer.
Com saber só de experiências feito, Leontina disse que sim, cuidando que mentia;
Tais palavras tirou do esperto peito: mas passados oito dias admirou-se de ter dito a
"Ó glória de mandar, ó vã cobiça verdade. Nunca mais soube de mim, nem eu
Desta vaidade, a quem chamamos Fama! dela; até que, um ano depois, a criada, que a
Ó fraudulento gosto, que se atiça servia, me contou que a menina casara com o
Com a aura popular, que honra se chama! padrinho e que as enteadas, coagidas pelo pai, se
Que castigo tamanho e que justiça tinham ido para o recolhimento do Grilo com
Fazes no peito vão que muito te ama! uma pequena mesada e a esperança de ficarem
Que mortes, que perigos, que tormentas, pobres. Não sei mais nada a respeito da primeira
Que crueldades neles exprimentas!" das sete mulheres que amei, em Lisboa.”
(Camões)
(Camilo Castelo Branco, Coração, cabeça e
"Ó mar salgado, quanto do teu sal estômago, p. 4. Disponível em
São lágrimas de Portugal! www.dominiopublico.gov.br. Acessado em
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, 20/05/2018.)
Quantos filhos em vão resaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!" O excerto anterior apresenta uma síntese acerca
(Fernando Pessoa) do primeiro dos setes amores da personagem
Silvestre da Silva. Considere essa experiência
a) Através do tema tratado nas estrofes citadas, amorosa no contexto da primeira parte da
podemos dizer que as mesmas pertencem a dois narrativa e assinale a alternativa correta.
grandes poemas épicos da Literatura
Portuguesa: OS LUSÍADAS e MENSAGEM. a) A mulher é idealizada em cada caso relatado,
b) Nessas estrofes, os dois poemas relacionam- não havendo espaço para uma ótica realista.
se ao mencionarem aspectos negativos das
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b) A experiência amorosa recebe tratamento c) a contestação - a vontade - pelos ideais
solene e sublime por parte das personagens. políticos - a forma do soneto
c) A personagem masculina se caracteriza pelo d) um desejo de liberdade - o descompromisso -
interesse sexual; a feminina, pela devoção ao pelo acaso - a repetição de versos e as rimas
marido. externas
d) O protagonista da narrativa se frustra em sua e) a contestação - a firme convicção - pelo acaso
crença amorosa a cada vez que se apaixona. - os paralelismos de sons
Exercício 38 Exercício 39
(Ufrgs 2006) Leia o excerto a seguir, da canção (Unicamp 2021) Leia o poema e responda à
"Vou Deixar", de Samuel Rosa e Chico Amaral, questão que se segue.
interpretada pela banda Skank.
A fermosura desta fresca serra
"Vou deixar a vida me levar e a sombra dos verdes castanheiros,
Pra onde ela quiser o manso caminhar destes ribeiros,
Estou no meu lugar donde toda a tristeza se desterra;
Você já sabe onde é
o rouco som do mar, a estranha terra,
Não conte o tempo por nós dois o esconder do Sol pelos outeiros,
Pois qualquer hora posso estar de volta o recolher dos gados derradeiros,
Depois que a noite terminar das nuvens pelo ar a branda guerra;
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Exercício 40 De estar a ela um dia reclinado;
(Epcar (Afa) 2020) Poesia Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!
Gastei a manhã inteira pensando um verso
que a pena não quer escrever. Árvores aqui vi tão florescentes,
No entanto ele está cá dentro Que faziam perpétua a primavera:
inquieto, vivo. Nem troncos vejo agora decadentes.
Ele está cá dentro
e não quer sair. Eu me engano: a região esta não era;
Mas a poesia deste momento Mas que venho a estranhar, se estão presentes
inunda minha vida inteira. Meus males, com que tudo degenera!
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma (Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)
poesia. 8. ed. Rio de Janeiro: Record, 2007, p.
45.) (Unesp 2020) No soneto, o eu lírico expressa
um sentimento de inadequação que, a seu turno,
se faz presente na seguinte citação:
Assinale a alternativa INCORRETA referente ao a) “A independência, não obstante a forma em
texto “Poesia”. que se desenrolou, constituiu a primeira grande
a) “No entanto”, no terceiro verso, e “Mas”, no revolução social que se operou no Brasil.”
penúltimo verso, têm sentido adversativo; (Florestan Fernandes. A revolução burguesa no
reforçam a luta do poeta com as palavras. Brasil.)
b) No segundo verso, “que a pena não quer b) “Todo povo tem na sua evolução, vista à
escrever”, a forma verbal apropriada, para o distância, um certo ‘sentido’. Este se percebe não
racionalismo que o poema defende, seria “quis nos pormenores de sua história, mas no conjunto
escrever”. dos fatos e acontecimentos essenciais que a
c) O poema fala da própria busca da poesia. constituem num largo período de tempo.” (Caio
Trata-se de um texto metalinguístico. Prado Júnior. Formação do Brasil
d) Em “inunda minha vida inteira” há um exagero contemporâneo.)
verbal, que recebe o nome de hipérbole; o c) “A ocupação econômica das terras americanas
exagero nasce do contentamento do eu-lírico. constitui um episódio da expansão comercial da
Europa. A descoberta das terras americanas é,
Exercício 41
basicamente, um episódio dessa obra ingente.
De início pareceu ser episódio secundário. E na
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
verdade o foi para os portugueses durante todo
Leia o soneto “VII”, de Cláudio Manuel da Costa,
um meio século.” (Celso Furtado. Formação
para responder à(s) questão(ões) a seguir.
econômica do Brasil.)
d) “Trazendo de países distantes nossas formas
Onde estou? Este sítio desconheço:
de convívio, nossas instituições, nossas ideias, e
Quem fez tão diferente aquele prado?
timbrando em manter tudo isso em ambiente
Tudo outra natureza tem tomado,
muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda
E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.
hoje uns desterrados em nossa terra.” (Sérgio
Buarque de Holanda. Raízes do Brasil.)
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
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e) “A formação patriarcal do Brasil explica-se, e) ressalta os significados das palavras tal como
tanto nas suas virtudes como nos seus defeitos, se verificam no seu uso mais corrente.
menos em termos de ‘raça’ e de ‘religião’ do que
Exercício 43
em termos econômicos, de experiência de
cultura e de organização da família, que foi aqui a
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
unidade colonizadora.” (Gilberto Freyre. Casa-
grande e senzala.)
(Fuvest 2020) É correto afirmar que o poema (G1 - cmrj 2020) Empregando os mesmos
a) aborda o tema da memória, considerada uma versos na primeira e na última estrofe, o eu lírico
faculdade que torna o ser humano menos justifica o título do poema e reforça a concepção
amargo e sombrio. de
b) enfoca a hesitação do eu lírico diante das
palavras, o que vem expresso pela repetição da a) apego às experiências de felicidade.
palavra “talvez”. b) infinitude da memória de quem lembra.
c) apresenta natureza romântica, sendo as c) prevalência do passado sobre o presente.
palavras “amora” e “amargo” metáforas do d) frustração ante aquilo que não se pode mudar.
sentimento amoroso.
d) possui reiterações sonoras que resultam em e) continuidade das referências construídas pelo
uma tensão inusitada entre os termos “amor” e tempo.
“amar”.
Exercício 44
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Quantas vezes a memória Alguns, né, a minoria.
Para fingir que inda é gente, (...)
Nos conta uma grande história A mãe desmaiou no enterro
Em que ninguém está presente. Você não desmaiaria?
Que força você teria pra enterrar o seu garoto?
(PESSOA, Fernando. Quadras ao Gosto Popular. Que forças ainda temos
Lisboa: Ática. 1973. p. 57.) Pra nos amar uns aos outros?
E nos armar de indignação por justiça e educação
(...)
(G1 - cmrj 2020) No terceiro verso do poema, o Pra que essas crianças não tenham morrido em
eu lírico emprega o termo nos, que gera, no vão
poema, o sentido de Sofia, Maria Eduarda, Caíque, Fernanda
a) conclusão. Arthur, Paulo Henrique, Renan
b) idealização. Eduardo, Vanessa, Vitor
c) explicitação. Esses foram ano passado
d) generalização. Quem será que vai ser amanhã?
e) problematização.
(https://genius.com/13846436. Acesso em 24
Exercício 45 de fevereiro 2018)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Gabriel, o Pensador
(Epcar (Afa) 2019) De acordo com a leitura do
Que tiro foi esse? texto, as alternativas complementam
Não, não vou cair no chão, pelo menos agora corretamente o termo abaixo, EXCETO
Eu também sou brincalhão, mas brincadeira tem
hora O eu lírico
Lá fora, no meu Rio, cada vez mais gente chora
a) afirma que já não temos mais forças para lutar
E cada vez mais gente boa tem vontade de ir
pelo fim da violência.
embora
b) vê a possibilidade de ele mesmo vir a ser uma
O Rio que a gente adora comemora o carnaval
vítima de disparo de arma de fogo.
E a violência apavora, ou você acha normal?
c) sabe que ainda mais mortes ocorrerão até que
A boca que explode, o silêncio do medo
sejamos capazes de controlar a violência urbana.
O suspiro da morte banal
O lamento de um povo que implora
d) aponta a educação e a justiça como possíveis
Por uma vitória do bem sobre o mal
soluções para o conflito abordado na canção.
Atenção: confusão, invasão
Tiroteio fechando a avenida outra vez Exercício 46
Muita bala voando e acertando Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor
Até mesmo as crianças; às vezes, bebês português Fernando Pessoa, para responder à
Criança, meu irmão, não é estatística, é gente questão a seguir.
(...)
E os valores são invertidos Sou um evadido.
Se o desonesto é malandro Logo que nasci
O menor também quer ser bandido Fecharam-me em mim,
https://aprovatotal.com.br/medio/literatura/exercicios/introducao-a-literatura/ex.1-figuras-de-linguagem?dificuldade=random&tentativa=ultima&resposta… 23/118
Ah, mas eu fugi. Tirar falsídia ao moço do seu trato,
Furtar a carne à ama, que promete;
Se a gente se cansa A putinha aldeã achada em feira,
Do mesmo lugar, Eterno murmurar de alheias famas,
Do mesmo ser Soneto infame, sátira elegante;
Por que não se cansar? Cartinhas de trocado para a freira,
Comer boi, ser Quixote com as damas,
Minha alma procura-me Pouco estudo: isto é ser estudante.
Mas eu 1ando a monte,
Oxalá que ela WISNIK, J. M. (Org.). Poemas escolhidos de
Nunca me encontre. Gregório de Matos. São Paulo: Companhia das
Letras, 2010. p. 173.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo (Uel 2019) Acerca do poema, assinale a
Mas vivo a valer. alternativa correta.
a) Os versos são decassílabos nas duas primeiras
(Obra poética, 1997.) estrofes; nas duas últimas, são livres, para
ilustrar a inconstância no Barroco.
b) O esquema rímico ABBA é utilizado nas duas
1“andar a monte”: andar fugido das autoridades. primeiras estrofes; os tercetos são desprovidos
de rimas.
c) A modalidade satírica a que pertence o soneto
é acompanhada de métrica irregular em sintonia
(Unifesp 2019) O eu lírico inclui o leitor em sua com os desregramentos focalizados.
argumentação d) O sujeito lírico adere à expressão de
a) na terceira estrofe, apenas. sentimentos conflituosos manifestos pela figura
b) na primeira estrofe, apenas. do estudante.
c) na quarta estrofe, apenas. e) O destaque atribuído às mulheres representa
d) na segunda estrofe, apenas. o papel significativo das questões amorosas no
e) na segunda e na terceira estrofes. cotidiano retratado do estudante.
Exercício 47 Exercício 48
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: (G1 - ifpe 2018) Leia o texto abaixo para
Leia o poema a seguir e responda: responder à questão.
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sobre a paisagem. Tempo de absoluta depuração.
Mas tu eras a flor das flores, Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Imagem! Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
Vinde ver asas e ramos, E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
na luz sonora! E o coração está seco.
Ninguém sabe para onde vamos
agora. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
Os jardins têm vida e morte, mas na sombra teus olhos resplandecem
noite e dia... enormes.
Quem conhecesse a sua sorte, És todo certeza, já não sabes sofrer.
morria. E nada esperas de teus amigos.
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De painéis a carvão adorno a rua; “aniquilação”). Na Turquia, ainda é tabu usar
Como as aves do céu e as flores puras “genocídio” para a matança armênia iniciada em
Abro meu peito ao sol e durmo à lua. 1915. No Brasil, dá-se algo semelhante na luta
(...) pelo reconhecimento do que foi e é praticado
contra comunidades indígenas.
Ora, se por aí alguma bela De qualquer forma, são batalhas pequenas
Bem doirada e amante da preguiça dentro de uma guerra longa e difícil, de
Quiser a 2nívea mão unir à minha, transmissão da memória para que o horror não
Há de achar-me na Sé, domingo, à Missa. se repita. Palavras são a primeira arma das
Álvares de Azevedo vítimas de tentativas de extermínio, às vezes a
Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, única, e é preciso chegar a um modo eficiente –
2000. que não se resuma a slogans com vocabulário
chancelado – para que elas não traiam a natureza
1ditoso − feliz do que se viveu.
2nívea − branca Ou seja, é preciso saber narrar. Discursos
facilmente se banalizam, tornam-se solenes,
(Uerj 2016) Sou pobre, sou mendigo e sou sentimentais em excesso, causando o efeito
ditoso! (v. 4) contrário do que pretendem. 1Chegar à
O verso acima reúne dois traços que podem ser sensibilidade do público, causando empatia,
considerados inconciliáveis. desconforto e revolta ativa, o que é objetivo de
qualquer militância antiviolência, demanda não
Explicite esses traços e nomeie duas figuras de apenas reproduzir a verdade dos fatos. 2A
linguagem que reforçam o significado do verso. mensagem não é nada sem um receptor
disposto a entendê-la, por mais pungentes* que
Exercício 55
sejam as vítimas.
NOMES DO HORROR
Como isso não é comum, o que ocorreu em 1994
Uma reportagem de Philip Gourevitch na revista
continua sendo apenas um item numa lista
New Yorker mostra como, vinte anos depois da
atemporal e universal de genocídios,
guerra de Ruanda, ocorrida em 1994, quando
holocaustos, limpezas, extermínios,
hutus assassinaram 800 mil tutsis em cem dias,
calamidades, aniquilações, massacres e
ainda é difícil chegar a um consenso sobre como
gutsembatsembas.
chamar o que aconteceu.
Michel Laub
O país discute se a melhor palavra para tanto
Adaptado de Folha de São Paulo, 09/05/2014.
está na língua local, na língua dos colonizadores,
*pungentes: comoventes
se basta precisão verbal (“gutsemba”,
“massacrar”) ou se é preciso a redundância de
(Uerj 2016) Na conclusão apresentada no
um neologismo (“gutsembatsemba”, “massacrar
último parágrafo, há uma enumeração de
radicalmente”) para descrever os atos de uma
palavras.
tragédia absoluta.
Debates semelhantes acompanham qualquer
Considerando a leitura global do texto, explique
trauma coletivo. Há grupos judaicos que rejeitam
de que maneira a enumeração contribui para a
a expressão consagrada “holocausto”, com seu
construção da conclusão. Indique, ainda, o risco
caráter sacrificial, de expiação de pecados, em
sugerido pelo autor nesse último parágrafo.
nome da menos ambígua “shoah” (“calamidade”,
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Exercício 56 uma oportunidade de ressignificar o passado
Pietro Brun, meu tetravô paterno, embarcou em para ganhar um futuro. 7Pela memória nos
um navio no final do século 19, como tantos colocamos não só em movimento, mas nos
italianos pobres, em busca de uma utopia que tornamos o próprio movimento. Gesto humano,
atendia pelo nome de América. Pietro queria para sempre incompleto.
terra, sim. Mas o que o movia era um território 8Ao fugir para o Brasil, metade dos Brun ganhou
de outra ordem. Ele queria salvar seu nome, uma perna a mais. O “n” virou “m”. Mas essa
encarnado na figura de meu bisavô, Antônio. perna a mais era um membro fantasma, um
Pietro fora obrigado a servir o exército como ganho que revelava uma perda.
soldado por anos demais (...). 1Havia chegado a (...)
hora de Antônio se alistar, e o pai decidiu que 9Quando Pietro Brun atravessou o mar deixando
não perderia seu filho. Fugiu com ele e com a mortos e vivos na margem que se distanciou, ele
filha Luigia para o sul do Brasil. 2Como não poderia ser o mesmo ao alcançar o outro
desertava, meu bisavô Antônio foi levado em um lado. 10Ele tinha de ser outro, assim como nós,
bote até o navio que já se afastava do porto de que resultamos dessa aventura desesperada. Era
Gênova. Embarcou como clandestino. imperativo que ele fosse Pietro Brum – e depois
Ao desembarcar no Brasil, em 10 de fevereiro até Pedro Brum.
de 1883, Pietro declarou o nome completo. O ELIANE BRUM
funcionário do Império, como aconteceu tantas e Meus desacontecimentos: a história da minha
tantas vezes, registrou-o conforme ouviu. vida com as palavras. São Paulo: LeYa, 2014.
Tornando-o, no mundo novo, Brum – com “m”.
Meu pai, Argemiro, filho de José, neto de (Uerj 2017) Releia o trecho abaixo para
Antônio e bisneto de Pietro, tomou para si a responder à questão.
missão de resgatar essa história e documentá-la.
3No início dos anos 1990 cogitamos reivindicar a Ao fugir para o Brasil, metade dos Brun ganhou
cidadania italiana. Possuímos todos os uma perna a mais. O “n” virou “m”. Mas essa
documentos, organizados numa pasta. 4Mas perna a mais era um membro fantasma, um
entre nós existe essa diferença na letra. 5Antes ganho que revelava uma perda. (ref. 8)
de ingressar com a documentação, seria preciso
corrigir o erro do burocrata do governo imperial A autora associa a troca de letras no registro do
que substituiu um “n” por um “m”. 6Um segundo sobrenome de seu tetravô à expressão um
ele deve ter demorado para nos transformar, e membro fantasma.
com certeza morreu sem saber. E, se soubesse,
não teria se importado, porque era apenas o Essa associação constrói um exemplo da figura
nome de mais um imigrante a bater nas costas de linguagem denominada:
do Brasil despertencido de tudo. a) antítese
Cabia a mim levar essa empreitada adiante. b) metáfora
Há uma autonomia na forma como damos carne c) hipérbole
ao nosso nome com a vida que construímos – e d) eufemismo
não com a que herdamos. (...) Eu escolho a
memória. A desmemória assombra porque não a Exercício 57
nomeamos, respira em nossos porões como (Unicamp 2020) A partir da segunda metade da
monstros sem palavras. A memória, não. É uma década de 1960, a produção de um gênero
escolha do que esquecer e do que lembrar – e cinematográfico extravagante ganha força no
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Brasil: a pornochanchada. Num primeiro Exercício 58
momento esta se mostrou como uma comédia TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
leve, apesar de algumas cenas de nudez parcial, A FELICIDADE INTERNA BRUTA DO BUTÃO
mas logo evoluiu para o que já era praticado pelo Annie Kelly do "OBSERVER"
resto do mundo: a exploração do erotismo e da
sensualidade no Cinema para atender a um Há uma série de sinais manuscritos no
crescente mercado de consumo. acostamento da sinuosa estrada montanhosa
que liga o aeroporto à capital do Butão, Timfu.
(Adaptado de Ildembergue Leite de Souza e Não são avisos de reduzir a velocidade ou
André Luiz Maranhão de Souza Leão, A verificar os espelhos, e sim mantras de afirmação
transposição de mitos na intertextualidade entre da vida. “A vida é uma jornada! Complete-a!”, diz
Cinema e Publicidade. Intercom, Revista um deles, enquanto outro sugere ao motorista
Brasileira de Ciências da Comunicação, São que “permita que a natureza seja o seu guia”. Um
Paulo, v. 37, n. 2, p. 242-262, dez. 2014.) terceiro, à beira de uma curva perigosa, diz
simplesmente: “Lamenta-se o inconveniente”.
É uma recepção adequadamente
Sobre a vida cultural no Brasil das décadas de animadora para quem visita este reino 1remoto,
1960 e 1970, é correto afirmar que: um lugar de antigos monastérios, bandeiras de
a) O período ficou marcado pelo esvaziamento da oração ao vento e deslumbrante beleza natural.
cena cultural, com baixo dinamismo nos campos Há menos de 40 anos, o Butão abriu suas
da produção teatral, musical e cinematográfica. fronteiras pela primeira vez. Desde então,
Apenas os gêneros ligados ao erotismo se ganhou o status quase 2mítico de um Xangri-Lá
expandiram, por não serem considerados da vida real, em grande parte graças à sua
transgressores. determinada e 3metódica busca pelo mais
b) A pornochanchada foi financiada pelo capital 4fugidio dos conceitos: a felicidade nacional.
estrangeiro no Brasil durante o regime militar, Desde 1971, o país rejeitou o PIB
pois a indústria cinematográfica, em razão dos (Produto Interno Bruto) como sendo a única
seus altos custos, passou a ser fomentada forma de mensurar o progresso. Em seu lugar,
sobretudo por empresas norte-americanas. tem defendido uma nova abordagem para o
c) O gênero pornochanchada pode ser desenvolvimento, que mede a prosperidade por
considerado um movimento de contracultura por meio de princípios formais da felicidade interna
seu caráter de contestação política, através da bruta (FIB) e da saúde espiritual, física, social e
linguagem chula, e por suas estreitas conexões ambiental dos seus cidadãos e do ambiente
com produtores culturais ligados à Tropicália natural.
d) A explosão dos filmes do ciclo da Há três décadas essa crença de que o
pornochanchada e seu sucesso de público bem-estar deve se sobrepor ao crescimento
ocorreram em um contexto marcado, de um lado, material permanece como uma peculiaridade em
pela revolução sexual, e, de outro, pela censura nível global. Agora, num mundo acossado pelo
ao conteúdo veiculado no cinema e na TV. colapso dos sistemas financeiros, por uma
d) A explosão dos filmes do ciclo da flagrante iniquidade e por uma destruição
pornochanchada e seu sucesso de público ambiental em grande escala, a abordagem deste
ocorreram em um contexto marcado, de um lado, pequeno Estado budista está atraindo muito
pela revolução sexual, e, de outro, pela censura interesse.
ao conteúdo veiculado no cinema e na TV.
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Enquanto as potências mundiais têm cultural, a conservação do meio ambiente e a
participado de conferências da ONU sobre a promoção da boa governança.
mudança climática, começava a ganhar força o
duro alerta butanês de que o resto do mundo http://www1.folha.uol.com.br/ilustríssima/1198944-
está numa rota suicida do ponto de vista a-feIicidade-interna-bruta-do-butão.shtml.
ambiental e econômico. No ano passado, a ONU Tradução de Rodrigo Leite (adaptado).
adotou o apelo do Butão por uma abordagem
holística para o desenvolvimento, o que teve o (Unisc 2017) Com base na contextualização a
aval de 68 países. Uma comissão da ONU analisa seguir, indique a(s) assertiva(s) correta(s).
atualmente maneiras de replicar o modelo
butanês da FIB em escala global. Xangri-Lá, da criação literária de 1925 do inglês
Enquanto representantes de vários países James Hilton, Lost Horizon (Horizonte Perdido),
lutavam para encontrar um consenso a respeito é descrito como um lugar paradisíaco situado nas
das emissões globais de gases do efeito estufa, montanhas do Himalaia, sede de panoramas
o Butão estava sendo citado como um exemplo maravilhosos e onde o tempo parece deter-se
de nação em desenvolvimento que colocou a em ambiente de felicidade e saúde, com a
conservação ambiental e a sustentabilidade no convivência harmoniosa entre pessoas das mais
centro da sua pauta política. Nos últimos anos, o diversas procedências.
Butão dobrou sua expectativa de vida, matriculou
quase 100% das suas crianças em escolas I. A comparação do Butão com Xangri-Lá, aludida
primárias e reformulou sua infraestrutura. no texto, comprova que o conceito de felicidade
“É fácil garimpar a terra, pescar nos mares é concreto e não subjetivo e abstrato.
e ficar rico”, diz o ministro butanês da Educação, II. Os princípios do Butão são estabelecidos
Thakur Singh Powdyel, um dos mais eloquentes como política por meio do índice nacional de
porta-vozes da FIB. “Mas acreditamos que não se felicidade bruta, que leva em conta o
pode ter uma nação próspera em longo prazo se desenvolvimento social equitativo, a preservação
ela não conservar o seu ambiente natural nem cultural, a conservação do meio ambiente e a
cuidar do bem-estar da sua gente, o que está promoção da boa governança. São esses
sendo provado pelo que está acontecendo no elementos que estimulam a comparação com
mundo exterior.” Xangri-Lá de Hilton.
Powdyel acredita que o mundo se III. Para que os sentidos do texto possam
equivoca quanto à busca do Butão. “As pessoas produzir os efeitos desejados é preciso que o
sempre perguntam como seria possível ter uma leitor tenha condições de interagir com um
nação de gente feliz. Mas isso é não entender a conhecimento prévio que é elemento chave para
questão”, diz ele. “A FIB é uma aspiração, um a compreensão do significado de “Xangri-Lá da
conjunto de princípios orientadores por meio dos vida real”. O texto, ao construir-se dessa forma,
quais estamos navegando rumo a uma sociedade aposta na intertextualidade como um fator de
sustentável e equitativa. Acreditamos que o coerência para seu dizer e, por óbvio, para a
mundo precisa fazer o mesmo antes que seja produção de sentido.
tarde demais.”
Os princípios do Butão são estabelecidos Assinale a alternativa correta.
como política por meio do índice nacional de a) Somente a afirmativa I está correta.
felicidade bruta, que leva em conta o b) Somente a afirmativa II está correta.
desenvolvimento social equitativo, a preservação c) Somente as afirmativas I e II estão corretas.
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d) Somente as afirmativas II e III estão corretas. capítulo, nem no outro, nem talvez em todo o
e) Todas as afirmativas estão corretas. resto do livro. Poderia eu tirar ao leitor o gosto
de notar por si mesmo a frieza, a perspicácia e o
Exercício 59
ânimo dessas poucas linhas traçadas à pressa; e
(G1 - cftmg 2015) O recurso linguístico-textual
por trás delas a tempestade de outro cérebro, a
utilizado pelo autor no trecho em destaque NÃO
raiva dissimulada, o desespero que se
foi corretamente identificado em:
constrange e medita, porque tem de resolver-se
a) “Com o rabo do olho mirava a caixa, avaliava a na lama, ou no sangue, ou nas lágrimas?
distância; não era muito, uns vinte metros”.
(METÁFORA) ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de
b) “O tipo, naturalmente, era de índia, mas de Brás Cubas.
índia extraordinariamente bonita — índia de José
de Alencar”. (INTERTEXTUALIDADE)
c) “Max tentou gracejar; afinal, não era uma (Fuvest 2015) Atente para o excerto,
separação definitiva, não estava indo para outro considerando-o no contexto da obra a que
planeta. Breve, quem sabe, viria vê-las.” pertence. Nele, figura, primeiramente, o bilhete
(IRONIA) enviado a Brás Cubas por Virgília, na ocasião em
d) “Hans Schmidt não era um tipo refinado. que se torna patente que o marido da dama
Atarracado como um urso, era veemente demais suspeita de suas relações adúlteras. Segue-se
no exaltar a qualidade de sua mercadoria”. ao bilhete um comentário do narrador (cap.
(COMPARAÇÃO) CVIII). Feito isso, considere a afirmação que
Exercício 60 segue:
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
TEXTO PARA A(S) PRÍXIMA(S) No excerto, o narrador frisa aspectos cuja
QUESTÃO(ÕES) presença se costuma reconhecer no próprio
romance machadiano da fase madura, entre eles,
Capítulo CVII
Bilhete I. o realce da argúcia, da capacidade de exame
acurado das situações e da firmeza de propósito,
“Não houve nada, mas ele suspeita alguma ainda quando impliquem malignidade;
cousa; está muito sério e não fala; agora saiu. II. a relevância da observação das relações
Sorriu uma vez somente, para Nhonhô, depois de interpessoais e dos funcionamentos mentais
o fitar muito tempo, carrancudo. Não me tratou correspondentes;
mal nem bem. Não sei o que vai acontecer; Deus III. a operação consciente dos elementos
queira que isto passe. Muita cautela, por ora, envolvidos no processo de composição literária:
muita cautela.” narração, personagens, motivação, trama,
intertextualidade, recepção etc.
Capítulo CVIII
Que se não entende Está correto o que se indica em
a) I, somente.
Eis aí o drama, eis aí a ponta da orelha trágica de b) II, somente.
Shakespeare. Esse retalhinho de papel, c) I e II, somente.
garatujado em partes, machucado das mãos, era d) II e III, somente.
um documento de análise, que eu não farei neste e) I, II e III.
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Exercício 61 chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha
Ontem a Serra Leoa, na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro
A guerra, a caça ao leão, lado, e ele obedecia, – algumas vezes gemendo –
O sono dormido à toa mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando
Sob as tendas d’amplidão! muito, um – “ai, nhonhô!” – ao que eu retorquia:
Hoje... o porão negro, fundo, “Cala a boca, besta!” – Esconder os chapéus das
Infecto, apertado, imundo, visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves,
Tendo a peste por jaguar... puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões
E o sono sempre cortado nos braços das matronas, e outras muitas
Pelo arranco de um finado, façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio
E o baque de um corpo ao mar... indócil, mas devo crer que eram também
expressões de um espírito robusto, porque meu
Ontem plena liberdade, pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes
A vontade por poder... me repreendia, à vista de gente, fazia-o por
Hoje... cúm’lo de maldade, simples formalidade: em particular dava-me
Nem são livres p’ra morrer... beijos.
Prende-os a mesma corrente Não se conclua daqui que eu levasse todo
– Férrea, lúgubre serpente – o resto da minha vida a quebrar a cabeça dos
Nas roscas da escravidão. outros nem a esconder-lhes os chapéus; mas
E assim roubados à morte, opiniático, egoísta e algo contemptor dos
Dança a lúgubre coorte homens, isso fui; se não passei o tempo a
Ao som do açoite... Irrisão!... esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes
puxei pelo rabicho das cabeleiras.
(Castro Alves. Fragmento de O navio negreiro –
tragédia no mar.) (Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás
Cubas.)
(Unifesp 2011) (...) Um poeta dizia que o Compare o trecho de Memórias Póstumas de
menino é o pai do homem. Se isto é verdade, Brás Cubas, de Machado de Assis, com o
vejamos alguns lineamentos do menino. fragmento do poema O navio negreiro – tragédia
Desde os cinco anos merecera eu a no mar, de Castro Alves. Indique a alternativa
alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente que apresenta aspectos observáveis nos dois
não era outra coisa; fui dos mais malignos do textos.
meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e a) Tema da escravidão, contenção expressional,
voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a exploração do ritmo da frase, visão crítica da
cabeça de uma escrava, porque me negara uma realidade.
colher do doce de coco que estava fazendo, e, b) Ironia, exploração do ritmo da frase,
não contente com o malefício, deitei um punhado intertextualidade explícita, denúncia de
de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, problemas sociais.
fui dizer à minha mãe que a escrava é que c) Tema da escravidão, visão crítica da realidade,
estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas exploração do ritmo da frase, representação do
seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o homem como objeto do homem.
meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no
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d) Estilo apurado, visão crítica da realidade, Poema do milho (fragmento)
representação do homem como objeto do
homem, intertextualidade explícita. Milho...
e) Tema da escravidão, tom arrebatado, visão Plantado nos quintais.
crítica da realidade, estilo apurado. Talhões fechados pelas roças.
Entremeado nas lavouras.
Exercício 62
Baliza marcante nas divisas.
(Fuvest 2010) Mais do que a mais garrida a
Milho verde. Milho seco.
minha pátria tem
Bem granado, cor de ouro.
Uma quentura, um querer bem, um bem
Alvo. Às vezes vareia,
Um “libertas quae sera tamen”*
- espiga roxa, vermelha, salpintada.
Que um dia traduzi num exame escrito:
(...)
“Liberta que serás também”
Milho empaiolado...
E repito!
Abastança tranquila
do rato,
Vinícius de Moraes, “Pátria minha”, Antologia
do caruncho,
poética.
do cupim.
*A frase em latim traduz-se, comumente, por
Palha de milho para o colchão.
“liberdade ainda que tardia”.
Jogada pelos pastos.
Mascada pelo gado.
Considere as seguintes afirmações:
Trançada em fundos de cadeiras.
Queimada nas coivaras.
I. O diálogo com outros textos
Leve mortalha de cigarros.
(intertextualidade) é procedimento central na
Balaio de milho trocado com o vizinho
composição da estrofe.
No tempo da planta.
II. O espírito de contradição manifesto nos
"- Não se planta, nos sítios, semente da mesma
versos indica que o amor da pátria que eles
terra".
expressam não é oficial nem conformista.
III. O apego do eu lírico à tradição da poesia
CORALINA, Cora. Poemas dos becos de Goiás e
clássica patenteia-se na escolha de um verso
estórias mais. 9ª. ed. Mariana/SP:
latino como núcleo da estrofe.
Global Editora, 1985.
CORALINA, Cora. Poemas dos becos de Goiás e Nós iremos pescar na quente sesta
estórias mais. 9ª. ed. Mariana/SP: Com canas, e com cestos os peixinhos:
Global Editora, 1985. Nós iremos caçar nas manhãs frias
Com a vara envisgada os passarinhos.
Para nos divertir faremos quanto
Considere as afirmativas a seguir: Reputa o varão sábio, honesto e santo.
https://aprovatotal.com.br/medio/literatura/exercicios/introducao-a-literatura/ex.1-figuras-de-linguagem?dificuldade=random&tentativa=ultima&resposta… 37/118
Durante a Ditadura Militar, a censura política tanto a impressa como a digital. 3A questão não
funcionou como uma mordaça à liberdade de se reduz a deixar de escrever no papel para fazê-
expressão no Brasil. Em função disso, artistas de lo no computador. 4Quando se usam papel ou
diversas tendências usaram a sua criatividade na computador, são mantidos, em parte, os
produção de obras de forte apelo político, mas conteúdos a ensinar, mas se impõem novos e
que, ao mesmo tempo, preservavam a beleza isso nos faz reformular o ensino. [...]
estética. Um exemplo é a canção "Cálice",
composta por Chico Buarque e Gilberto Gil, em In: Revista Nova Escola, São Paulo: Abril, Ano
1973. Sobre a expressividade poética e política XXVIII, n° 260, março de 2013, p. 71.
dessa canção, é INCORRETO afirmar:
a) Ela explora o duplo sentido que se pode
verificar na leitura do vocábulo "cálice", em razão (Uepb 2014) A expressão “nada desaparece ,
da identidade fônica entre esta palavra e a forma tudo se organiza” (ref. 1) pode ser considerada:
verbal do verbo "calar", na terceira pessoa do
imperativo. I. Intertextualidade de base estilística, pois
b) Percebe-se a manifestação de uma apresenta certos procedimentos similares
intertextualidade entre os três primeiros versos conhecidos em outra situação discursiva.
e o contexto bíblico da crucificação de Cristo. II. Comparação, por existir alguma semelhança
c) "Bebida amarga", no contexto da canção, entre dois enunciados produzidos em situações
metaforiza o contexto sócio-histórico em que ela distintas.
foi composta. III. Construção discursiva que remete a um
d) A canção é um exemplo da bossa nova, um enunciado produzido em outro contexto
gênero musical que tentou extirpar qualquer enunciativo.
influência norte-americana na música popular
brasileira. Analise as proposições e marque a alternativa
que apresenta, apenas, a(s)correta(s).
Exercício 67
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: a) II e III
Reescrever, editar e remixar na era digital: b) l e III
novos conteúdos? c) I e II
d) I
Os historiadores da escrita defendem que ela e) II
passou por três grandes fases: manuscrita, livro Exercício 68
impresso e eletrônica, cada uma definida por TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
diferentes materiais e instrumentos, também Articulista da Forbes ironiza o status que o
advertem que cada uma sobrevive brasileiro dá para o automóvel
ilimitadamente nas seguintes, se adequando a
diferentes áreas de uso. Ao mesmo tempo que Até a americana revista Forbes anda rindo da
nascem novas práticas, 1nada desaparece, tudo obsessão do brasileiro em encarar o automóvel
se reorganiza. como símbolo de status. No último sábado, o
2Portanto, se apresentar as culturas escritas às blog do colaborador Kenneth Rapoza,
crianças e aos jovens é fundamental, nos especialista nos chamados Bric´s (Brasil, Rússia,
encontramos diante de um desafio: a cultura Índia e China), trouxe um artigo intitulado “O
escrita é diversa. Ela existe de um modo manual, Jeep Grand Cherokee de ridículos 80 mil dólares
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do Brasil”. A tese do artigo: os brasileiros
confundem qualidade com preço alto e se (Upe 2013) Também sobre as estratégias
dispõem a pagar 189 mil reais (89.500 dólares) utilizadas na construção e organização do texto,
por um carro desses que, nos Estados Unidos, é analise as proposições a seguir.
só mais um carro comum. Por esse preço, ironiza
Rapoza, “seria possível comprar três Grand I. A intertextualidade explícita é recurso
Cherokees se esses brasileiros vivessem em fundamental na construção do texto, o qual cita,
Miami junto de seus amigos.” do início ao fim, um artigo publicado na revista
O articulista lembra que a Chrysler lançará o Forbes.
Dodge Durango SUV, que nos Estados Unidos II. O uso de aspas é recorrente no texto, a fim de
custa 54 mil reais, no Salão do Automóvel de ironizar o ponto de vista defendido no artigo da
São Paulo por 190 mil reais. “Um professor de revista Forbes.
escola primária do Bronx pode comprar um III. A tese defendida no artigo da revista Forbes é
Durango. Ok, não um zero quilômetro, mas um sustentada no texto pela apresentação de vários
de dois ou três anos, absolutamente bem argumentos, dos quais muitos são diferentes
conservado”, exemplifica, para mostrar que o dos que se encontravam no artigo.
carro supostamente não vale o quanto custa no IV. O fato de o automóvel ser símbolo de status
País. no Brasil é evocado, logo no início do texto,
O autor salienta que o alto custo ocorre por como conhecimento prévio e aparentemente
conta da taxação de 50% em produtos consensual.
importados e da ingenuidade do consumidor que V. Por constituir um resumo de um texto prévio,
acredita que um Cherokee tem o mesmo valor não se pode dizer qual o posicionamento do
que um BMW X5 só porque tem o mesmo preço. texto em relação ao tema que aborda.
“Desculpem, ‘Brazukas’, mas não há nenhum
status em um Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Estão CORRETAS, apenas,
Grand ou Dodge Durango. Não sejam enganados a) I e II.
pelo preço de etiqueta. Vocês definitivamente b) I e IV.
estão sendo roubados.” c) II e V.
E conclui o artigo: “Pensando dessa maneira, d) III e IV.
imagine que um amigo americano contasse que e) I, III e V.
acabou de comprar um par de Havaianas de 150
dólares. Você diria que ele pagou demais. É claro Exercício 69
que esses chinelos são sexy e chic, mas não (Ufrn 2012) Observe a capa de um livro
valem 150 dólares. Quando o assunto é carro e reproduzida abaixo:
seu status no Brasil, as camadas mais altas
estão servindo Pitu e 51 em suas caipirinhas e
pensando que é bebida de alta qualidade.”
Disponível em:
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/articulista-
da-forbes-ironiza-o-status-que-o-brasileiro-da-
para-oautomovel.
(Adaptado)
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Na transmissão das partidas, 30fala-se e grita-se
demais. Não há um único instante de silêncio,
nenhuma pausa. O barulho é cada dia maior no
futebol, nas ruas, nos bares, nos restaurantes e
em quase todos os ambientes. O silêncio
incomoda as pessoas.
É óbvio 15que informações e estatísticas são
importantíssimas. Mas exageram. 2Fala-se
26muito, mesmo com a bola rolando.
Impressiona-me 18como 10se formam conceitos,
dão opiniões, baseados em estatísticas 13que
têm pouca ou nenhuma importância.
Na partida entre Escócia e Brasil, um repórter da
TV Globo deu a 6“grande notícia”, 21que Neymar
foi o primeiro jogador brasileiro a marcar dois
O título desse livro ilustra um caso de gols contra a Escócia em uma mesma partida.
intertextualidade estabelecida por meio de 22Parece haver uma disputa para saber 19quem
a) um plágio explícito. dá mais informações e estatísticas, e outra, entre
b) uma transcrição literal. os narradores, 3para saber quem grita gol mais
23alto e 24prolongado. 11Se dizem 16que a
c) uma paráfrase direta.
d) um procedimento paródico. imagem vale mais que mil palavras, por que se
fala e se grita tanto?
Exercício 70 21Outra discussão 27chata, durante e após as
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Texto I partidas, é 8se um jogador teve a intenção de
O silêncio incomoda colocar a mão na bola e de fazer pênalti, e se
outro teve a intenção de atingir o adversário.
1Como trabalho em casa, assisto a um grande Com raríssimas exceções, 4ninguém é louco para
número de jogos e programas esportivos, alguns fazer pênalti nem tão canalha para querer
porque gosto e outros para me manter quebrar o outro jogador.
7O que ocorre, com frequência, é 5o jogador, no
atualizado, vejo ainda muitos noticiários gerais,
filmes, programas culturais (são pouquíssimos) e impulso, sem pensar, soltar o braço na cara do
também, por curiosidade, muitas coisas ruins. outro. O impulso está à frente da consciência.
Estou viciado em televisão. Não sou também tão ingênuo para achar 17que
Não suporto mais ver 25tantas tragédias, crimes, todas as faltas violentas são involuntárias.
violências, falcatruas e tantas politicagens para a Não dá para o árbitro saber 12se a falta foi
realização da Copa de 2014. intencional ou não. Ele precisa julgar o fato, e
Estou sem paciência 20para assistir a tantas não a intenção. Eles precisam ter também bom
partidas tumultuadas no Brasil, consequência do senso, o que é raro no ser humano, para saber a
estilo de jogar, da tolerância com a violência e do gravidade das faltas. 29Muitas parecem 28iguais,
ambiente bélico em 14que 9se transformou o mas não são. Ter critério não é unificar as
futebol, dentro e fora do campo. diferenças.
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(Tostão, Folha de S.Paulo, caderno D, “esporte”, — Com a ferradura, não!
p. 11, 10/04/2011.) 8A fonte da felicidade pública se transforma no
12para-raios do rancor público:
Texto II — Múmia!
O ídolo Às vezes, o ídolo não cai inteiro. 5E, às vezes,
2quando 9se quebra, a multidão 21o devora aos
Em um belo dia, a deusa dos ventos beija o pé do
pedaços.
homem, o maltratado, desprezado pé, e, desse
beijo, nasce o ídolo do futebol. 7Nasce em berço (Eduardo Galeano. Futebol, ao sol e à sombra.)
de palha e barraco de lata e vem ao mundo
abraçado a uma bola. Texto III
1Desde que aprende a andar, sabe jogar. Quando Sermão da Planície
criança, alegra os descampados e os baldios, joga (para não ser escutado)
e joga e joga nos ermos dos subúrbios até que a
noite cai e ninguém mais consegue ver a bola, e, Bem-aventurados os que não entendem nem
quando jovem, voa e faz voar nos estádios. Suas aspiram a entender de futebol, pois deles é o
artes de malabarista convocam multidões, reino da tranquilidade.
domingo após domingo, de vitória em vitória, de Bem-aventurados os que, por entenderem de
ovação em ovação. futebol, não se expõem ao risco de assistir às
4A bola 13o procura, 14o reconhece, precisa dele. partidas, pois não voltam com decepção ou
No peito de 18seu pé, ela descansa e se embala. enfarte.
6Ele 19lhe dá brilho e 20a faz falar, e neste (...)
diálogo entre os dois, milhões de mudos Bem-aventurados os que não escalam, pois não
conversam. 11Os Zé Ninguém, os condenados a terão suas mães agravadas, seu sexo contestado
serem para sempre ninguém, podem sentir-se e 3sua integridade física ameaçada, ao saírem do
alguém por um momento, por obra e graça estádio.
4Bem-aventurados
desses passes devolvidos num toque, 16essas os que não são escalados,
fintas que desenham os zês na grama, 17esses pois escapam das vaias, projéteis, contusões,
golaços de calcanhar ou de bicicleta: quando ele fraturas, e mesmo da 5glória precária de um dia.
2Bem-aventurados os que não são cronistas
joga o time tem doze jogadores.
— Doze? Tem quinze! Vinte! esportivos, pois não carecem de explicar o
10A bola ri, radiante, no ar. Ele a amortece, a inexplicável e racionalizar a loucura.
adormece, diz galanteios, dança com ela, e vendo (...)
essas coisas nunca vistas, seus adoradores Bem-aventurados os surdos, pois não os atinge
sentem piedade por seus netos ainda não o estrondar das bombas da vitória, que fabricam
nascidos, que não estão vendo 15o que acontece. os surdos, nem o 1matraquear dos locutores,
22Mas o ídolo é ídolo apenas por um momento, carentes de exorcismo.
humana eternidade, coisa de nada; e quando (...)
chega a hora do azar para o pé de ouro, a estrela Bem-aventurados os que, depois de escutar
conclui sua viagem do resplendor à escuridão. esse sermão, aplicarem todo o ardor infantil no
3Esse corpo está com mais remendos que roupa peito maduro para desejar a vitória do
de palhaço, o acrobata virou paralítico, o artista é selecionado brasileiro nesta e em todas as
uma besta: futuras Copas do Mundo, como faz o velho
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sermoneiro desencantado, mas torcedor assim d) O subtítulo do texto III – “Para não ser
mesmo, pois para o diabo vá a razão quando o escutado” – assim como o título do texto I – O
futebol invade o coração. silêncio incomoda – revelam uma mesma
intenção dos autores: alertar os leitores sobre os
(Carlos Drummond de Andrade. Jornal do Brasil, exageros dos torcedores nas partidas de futebol.
18/06/1974.)
Exercício 71
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
(Epcar (Afa) 2012) Sobre a possibilidade de se
TEXTO
estabelecerem relações entre textos –
intertextualidades – considere a seguinte
Modinha do exílio
afirmação:
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c) “Minha terra tem macieiras da Califórnia / onde interação com outros sistemas, textos e
cantam gaturamos de Veneza. / Os poetas da linguagens. Nesse contato, a escrita se
minha terra / são pretos que vivem em torres de caracteriza como uma fronteira não apenas por
ametista,” (Murilo Mendes) sua dinâmica no espaço cultural, mas também
d) “Ouro terra amor e rosas / Eu quero tudo de lá pela própria pluralidade de significados que ela
/ Não permita Deus que eu morra / Sem que abriga.
volte para lá” (Oswald de Andrade) 4Certamente, a maior tecnologia que o homem
e) “Em cismar, sozinho, à noite, / Mais prazer eu cria a partir de sua própria fala é a escrita. Mas
encontro lá; / Minha terra tem palmeiras, / Onde esta é uma questão polêmica. Para o filosofo
canta o Sabiá.” (Gonçalves Dias) inglês John Wilkins, a escrita pode ser posterior
à fala com
Exercício 72
relação ao tempo, mas não com relação à sua
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
1Num natureza. Isso porque a escrita é um registro
primeiro momento é possível definir a
visual que provoca a leitura. Ora, o homem
escrita como manifestação gráfica de linguagem,
aprendeu a ler bem antes de aprender a escrever
particularmente da língua natural, que ocupa
e até mesmo a falar. Basta lembrar que as
uma posição central dentre os sistemas na
primeiras formas visuais que os homens “leram”
cultura. Graças à escrita é que se consagrou, no
foram os rastros dos animais. O homem
ocidente, a cultura letrada e o homem leitor. Ela
aprendeu a ler as constelações, os veios das
não apenas permite aos homens se
pedras e das madeiras. Há uma lenda antiga que
comunicarem uns com os outros, ou pelo menos
conta que os gregos costumavam rabiscar avisos
possuir essa possibilidade de comunicação, mas
nas pedras após o plantio, pedindo aos ratos do
também registra dados, pensamentos e ideias,
campo que não se aproximassem do terreno.
dando forma a tudo o que era efêmero e 5Contar a história da escrita é como contar a
intangível antes de ser fixado no papel. [...]
2A história das pessoas e de suas famílias: todas
escrita também é, como todos os outros
começam do mesmo jeito. E como começa a
textos da cultura, dotada de organização
história da escrita? Começa com as inscrições em
enquanto sistema e enquanto processo gerativo
cavernas de povos muito antigos. Começa com
de linguagens. A multiplicidade de linguagens
os sumérios, os fenícios, os egípcios. Começa
dentro do sistema é sua fonte de riqueza e
com as lendas, os pictogramas, os ideogramas.
renovação, fazendo com que textos escritos em
Começa com a transformação do som em
uma mesma língua possam ser tão diversos e
palavra. Ou seja, a história da escrita é uma
diferentes quanto uma pauta jornalística é de um
narrativa cheia de enigmas e de transformações.
poema. [...]
3Mas
Confunde-se, muitas vezes, com episódios e
é importante compreender que não
fenômenos mágicos, sobretudo quando se pensa
escrevemos apenas com palavras. Escrevemos
que o grande personagem dessa história é a
com gestos, com cores e com sons. Assim, a
palavra. Como a palavra, antes de ser escrita,
escrita, como texto da cultura, compreende não
existiu enquanto som, na fala, a transformação
apenas a manifestação gráfica da língua natural,
do som em palavra faz parte da história da
mas [também] os sentidos e as linguagens
escrita, que só se inicia de fato quando os sons
desenvolvidos por diferentes códigos. Como
da fala são expressos graficamente. [...]
texto da cultura, a escrita é uma região de 6Conhecer a história da escrita é andar por
contato entre esses diferentes códigos, ao
caminhos que se bifurcam, onde se cruzam e se
mesmo tempo em que está em constante
misturam muitas línguas e muitas linguagens.
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O poema a seguir foi adaptado do livro: Sonetos
(Semiosphera. USP. São Paulo. Disponível em de Camões: Corpus dos Sonetos Camonianos*.
<http.www.usp.br/semiosphera/escrita_como_texto_da
cultura.html> (*Edição e notas de Cleonice S. M. Berardinelli.
Acesso em 2 set. 2010. Adaptado) Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui
Barbosa,1980.)
Exercício 73
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
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O grafite estabelece intertextualidade com o algo do gênero. Tememos o peso da herança de
soneto I, que trata da mudança como fonte de 2pais, avós e tios que tiveram tribulações
desassossego para o poeta quinhentista. amorosas, fizeram trapalhadas financeiras, foram
Reelaborada na contemporaneidade, a mudança fracos ou covardes. Longe de nós a Babel dos
retratada no grafite pode ser associada ao rompimentos, dos mal-entendidos. Livrai-nos
seguinte tema, presente nos sonetos de dos familiares perdidos, tampouco servem os
Camões: que se encontraram em soluções pouco
a) imprecisão do conhecimento convencionais.
b) necessidade da experiência A inquietação sobrevive até que – na literatura
c) ambiguidade do amor ou nos consultórios – esses causos familiares
d) desconcerto do mundo comecem a ser contados com curiosidade ou
graça. Costumo brincar com meus pacientes que
Exercício 74 “cada um tem sua própria Macondo”. Refiro-me
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: aos personagens fantásticos, moradores da
Cada um com sua Macondo cidade com esse nome, da obra Cem anos de
Diana Corso solidão. García Márquez lançou mão do realismo
mágico para criar sua versão adulta e igualmente
Entender melhor nossa família, a casa de onde encantadora dos parentes-problema. É uma
viemos, é também mergulhar um pouco mais galeria de gerações de doidos alegóricos, quase
dentro de nós todos da família dos Buendía.
Em Macondo, as estranhezas não configuram
O avô plantava vegetais monstruosos, a avó era uma repetição em série: cada personagem lida
alienígena, o pai um cientista maluco, a mãe uma com os desafios da vida ao seu modo, e eles são
feiticeira, o tio era um pirata. Essa família bizarra muito inventivos. Sei que, com indesejável
foi inventada por uma das autoras prediletas da frequência, há pais e parentes abusadores,
infância das minhas filhas: a inglesa Babette insensíveis, violentos, não é a esses que me
Cole. A coleção de vários volumes tem por refiro.
títulos Minha Mãe É um Problema, Meu Avô É Temos grandes dívidas com as pesquisas
um Problema, e assim por diante. genéticas: nosso DNA ainda há de revelar
As meninas sabiam dar uma aura fantasiosa às segredos sobre a linhagem de cada um. Um dia
famílias, digamos, peculiares, como a nossa e saberemos mais sobre isso e qual o verdadeiro
provavelmente a sua. Benditos recursos valor dessas heranças. Por hora, de nada serve
poéticos da infância. Crianças costumam achar tirar conclusões apressadas sobre sinas
graça das bizarrices dos seus adultos, é mais ou familiares, fardos hereditários. Prefiro, para olhar
menos como dar gargalhada quando alguém
nossas Macondos, a 3benesse da graça literária.
solta um pum. Depois viramos sérios, trágicos,
Mais importante do que as heranças é o que
considerando ingênua a condescendência infantil
conseguimos fazer da nossa vida a partir delas.
com gente tão estranha e condenável.
Vocacionados para a vitimização, tornamo-nos
Publicado em Vida Simples, Edição 198, agosto
convictos de isso ter nos prejudicado.
de 2018, p. 52.
1A maior parte das pessoas considera sua família
anormal, fora do padrão. Idealizamos e invejamos
as “famílias margarina”. Família boa, feliz, seria a
que não rende casos para contar, Tolstoi disse
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(G1 - ifsul 2019) Analise as seguintes Prancha, parafina, olará
afirmativas sobre o texto. Dorme gente fina
Acorda pinel
I. A autora faz uso da intertextualidade, para Zanza na sarjeta
estabelecer relações entre os personagens e os Fatura uma besteira
parentes-problema. E tem as pernas tortas
II. O texto trata das relações familiares com o E se chama Mané
viés do conflito, atribuindo à genética algo que Arromba uma porta
denomina como fardo hereditário, trazendo na Faz ligação direta
sua conclusão um espectro pessimista. Engata uma primeira
III. A sociedade em geral, na vida adulta, toma E até
para si o papel de vítima da estrutura familiar, Dobra a Carioca, olerê
visão distinta daquela que fora construída na Desce a Frei Caneca, olará
infância. Se manda pra Tijuca
Na contramão
Estão corretas as afirmativas Dança 3pára-lama
a) I e II, apenas. Já era 4pára-choque
b) I e III, apenas. Agora ele se chama
c) II e III, apenas. Emersão
d) I, II e III. Sobe no passeio, olerê
Pega no Recreio, olará
Exercício 75
Não se liga em freio
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Nem direção
Texto para a(s) questão(ões) a seguir:
No sinal fechado
PIVETE – Chico Buarque
Ele transa chiclete
E se chama pivete
No sinal fechado
E pinta na janela
Ele vende chiclete
Capricha na flanela
Capricha na flanela
Descola uma bereta
E se chama Pelé
Batalha na sarjeta
1Pinta na janela
E tem as pernas tortas.
2Batalha algum trocado
Aponta um canivete
E até DE QUEM SÃO OS MENINOS DE RUA?
Dobra a Carioca, olerê
Desce a Frei Caneca, olará Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no
Se manda pra Tijuca meu braço, falou qualquer coisa que não entendi.
Sobe o Borel Fui logo dizendo que não tinha, certa de que ele
Meio se maloca estava pedindo dinheiro. Não estava. Queria
Agita numa boca saber a hora.
Descola uma mutuca Talvez não fosse um Menino De Família, mas
E um papel também não era um Menino De Rua. É assim que
Sonha aquela mina, olerê a gente divide. Menino De Família é aquele bem-
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vestido com tênis da moda e camiseta de marca, d) I, II, III e IV
que usa relógio e a mãe dá outro se o dele for
Exercício 76
roubado por um Menino De Rua. Menino De Rua
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
é aquele que quando a gente passa perto segura
Leia o poema para responder à(s) questão(ões).
a bolsa com força porque pensa que ele é pivete,
trombadinha, ladrão. (...) 5Na verdade não
A Ingaia Ciência
existem meninos De rua. Existem meninos NA
rua. E toda vez que um menino está NA rua é
A madureza, essa terrível prenda
porque alguém o botou lá. Os meninos não vão
que alguém nos dá, raptando-nos, com ela,
sozinhos aos lugares. Assim como são postos no
todo sabor gratuito de oferenda
mundo, durante muitos anos também são postos
sob a glacialidade de uma estela,
onde quer que estejam. Resta ver quem os põe
na rua. E por quê.
a madureza vê, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
(COLASSANTI, Marina. In: Eu sei, mas não devia.
o círculo vazio, onde se estenda,
Rio de Janeiro: Rocco, 1999.)
e que o mundo converte numa cela.
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médico, quando li num livro de Psicologia que só estudante pobre, Raskólnikov, que mata uma
se deve considerar roubo o que a criança faz com velha usurária que vive dos juros do dinheiro que
proveito e dolo. O furto inútil é fisiológico e empresta. Raskólnikov é consumido pelo
psicologicamente normal. Graças a Deus! Fiquei remorso e entrega-se à polícia. Ao dialogar com
absolvido do meu ato gratuito... a obra de Dostoiévisk, o narrador põe-se no
lugar de Raskólnikov. Percebe-se uma dose de
(Pedro Nava. Baú de ossos. Memórias 1. p. 308 a fina ironia justificável no contexto.
310.) ( ) Não se podem apontar diferenças entre os
crimes do narrador e o do estudante russo.
( ) Há, no terceiro caso de intertextualidade,
(Uece 2016) Pelo menos em cinco passagens um diálogo com o discurso mítico. As Fúrias,
do texto, o narrador emprega o recurso da entidades da mitologia grega, eram
intertextualidade. Como se sabe, esse recurso encarregadas de atormentar os criminosos. Ao
ocorre quando um texto remete a outro texto considerar-se sob a tutela das Fúrias, o narrador
que faz parte da memória social de uma expressa o tormento em que estava mergulhado
coletividade. por causa dos furtos.
Pode-se dizer que acontece um verdadeiro
diálogo entre textos. Vamos ater-nos a três Está correta, de cima para baixo, a sequência
ocorrências das cinco ou seis encontrados no seguinte:
texto: a) V, F, F, V.
b) F, F, V, F.
I. “A lâmpada, enorme, esfregada, não fez c) F, V, F, V.
aparecer nenhum gênio” (ref. 9). d) V, V, F, V.
II. “Raskólnikov. O mais estranho é que houve
crime, e não castigo” (ref. 11). Exercício 79
III. “Eu fiquei por conta das Fúrias de um TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
remorso, que me perseguiu toda a infância, veio Leia os textos e responda à(s) questão(ões) a
comigo [...]” (ref. 12). seguir.
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por gente mais leve e solta. O apego aos outros Somos tão cegos
está obsoleto. Nada nem ninguém é Não vejo você
insubstituível. Aceite a decepção que outros lhe Somos tão surdos
causaram para que você também seja aceito. Nós não escutamos você
Sim, porque todos, inclusive nós, já Somos tão burros
decepcionamos alguém. Não penso em você
Antes de reagir por impulso, pare, respire fundo. Nós somos puros
E, só então, aja, com equilíbrio. Ame Demais pra entender
profundamente, __________ risadas gostosas, Talvez nem tudo
abrace, proteja pessoas queridas, faça amigos.
Pule de felicidade e não tenha medo de quebrar Seja assim importante
a cara – se isso acontecer, encare com leveza. Se E na loucura eu vou
perder alguém nesta vida, sofra comedidamente Fico surpreso ao ver
– e vá em frente, pois tudo passa. Que tudo é mutante
Mas, sobretudo, não seja alguém que Este lugar onde estou
simplesmente passa pela vida. Viva Do que chamamos nossas prioridades
intensamente. Abrace o mundo com a devida Escolho o que posso levar
paixão que ele merece. Se perder, faça-o com Às vezes tento enxergar mais distante
classe, se vencer, que delícia! O mundo pertence Luto pra não me cegar
a quem se atreve a ser feliz. Aproveite cada
instante dessa grande aventura. Somos tão cegos
Agora mesmo, neste __________, sente-se Não vejo você
confortavelmente na poltrona, com a coluna Somos tão surdos
ereta e de olhos fechados. Faça vários ciclos de Nós não escutamos você
respiração profunda e sinta o ar entrando e Somos tão burros
saindo. Quando sentir seu corpo relaxado e sua Não penso em você
mente mais calma, pense em sua nova vida, mais Nós somos puros
leve. Desta maneira você viverá mais facilmente. Demais pra entender
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Exercício 80 Exercício 81
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
TEXTO PARA A(S) PRÓXIMA(S) Retrato do artista quando coisa
QUESTÃO(ÕES)
A maior riqueza
Como sabemos, o efeito de um livro sobre nós, do homem
mesmo no que se refere à simples informação, é a sua incompletude.
depende de muita coisa além do valor que ele Nesse ponto
possa ter. Depende do momento da vida em que sou abastado.
o lemos, do grau do nosso conhecimento, da Palavras que me aceitam
finalidade que temos pela frente. Para quem como sou
pouco leu e pouco sabe, um compêndio de — eu não aceito.
ginásio pode ser a fonte reveladora. Para quem 1Não aguento ser apenas
sabe muito, um livro importante não passa de 2um sujeito que abre
chuva no molhado. Além disso, há as afinidades 3portas, que puxa
profundas, que nos fazem afinar com certo autor 4válvulas, que olha o
(e portanto aproveitá-lo ao máximo) e não com 5relógio, que compra pão
outro, independente da valia de ambos. 6às 6 da tarde, que vai
7lá fora, que aponta lápis,
CANDIDO, Antonio. “Dez livros para entender o
8que vê a uva etc. etc.
Brasil”. Teoria e debate . Ed. 45, 01/07/2000.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
(Fuvest 2015) Constitui recurso estilístico do renovar o homem
texto usando borboletas.
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Eu me flagrei pensando em você eu puder” têm similitudes explícitas e traduzem
em tudo que eu queria te dizer as mesmas intenções.
em uma noite especialmente boa d) A intertextualidade, quando bem empregada
não há nada mais que a gente possa fazer em um texto literário, tende a torná-lo mais rico
Eu vou fazer tudo o que eu puder e mais fluído, possibilitando melhoria no
Eu vou roubar essa mulher pra mim processo de leitura. Esse recurso também pode
posso te ligar a qualquer hora ser usado em outras linguagens artísticas como
mas eu nem sei seu nome! o cinema.
Se não eu, quem vai fazer você feliz? e) A intertextualidade e a figuração da linguagem
Se não eu, quem vai fazer você feliz?... Guerra! são recursos linguísticos bastante utilizados em
textos científicos. Tais textos se caracterizam
Disponível em: pelo aprofundamento das temáticas neles
http://www.vagalume.com.br/zeca- exploradas e pela capacidade que possuem de
baleiro/proibida-pra-mim.html#ixzz39Nbxl53B apresentar argumentos coerentes e
consistentes.
Exercício 82
(Upe 2015) A intertextualidade e a
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
interdiscursividade estão presentes em textos
Louvor da manhã
literários ou não literários. Pode-se dizer que
tanto a intertextualidade quanto a
A primavera, o verão, o outono e o inverno eram
interdiscursividade são elementos que, se bem
nomes que se misturavam com outros reinos. A
utilizados, tendem ao enriquecimento do
gente só conhecia a estação das águas e a
discurso e ou do gênero textual. Nesse sentido,
estação da seca. Era lugar onde o ano estava
considerando o que se afirma, assinale a
dividido em sol e chuva, entremeado com o
alternativa CORRETA.
casamento da viúva – sol e chuva ao mesmo
a) A intertextualidade é um recurso encontrado tempo – enfeitado de arco-íris.
em textos não literários. É comum, em No tempo das águas, eram as enchentes com o
requerimentos e registros civis, o uso de gado subindo para o cume da serra, correndo da
discurso intertextual, visto que, dessa maneira, morte. Eram os raios, chicote de São Pedro, que
os gêneros textuais em destaque ficam riscavam os céus – escuras nuvens –
sobremaneira legitimados e passam a ocupar acompanhados de trovões que amedrontavam
espaço de maior relevância no trato social. até os animais de terreiro. Eram os pedacinhos
b) No filme Narradores de Javé (Brasil/França, de sabão, do perfumado, colocados na beira do
2003), o protagonista (vivido pelo ator José telhado com um pedido: “Santa Clara, mande o
Dumont) comumente utiliza recursos sol para enxugar nosso lençol.” E as chuvas
intertextuais em suas falas. Isso porque a prometiam farturas.
narrativa do filme é uma adaptação bem feita Com a estação da seca vinham os banhos nos
para o cinema de uma grande obra literária rios depois de engolir piabas vivas, para
homônima, conhecida pelo uso da aprender a nadar, pescadas em peneiras. Tempo
intertextualidade. de fogueiras para os santos de junho – Santo
c) Nos dois textos Retratos do artista quando Antônio, São João, São Pedro. Depois, os ventos
coisa e Proibida pra mim, há intertextualidade. de agosto, despaginando as nuvens, contavam
Uma leitura mais acurada poderá dizer que os longas histórias de monstros vestidos de
versos “Eu penso” e “Eu vou fazer de tudo o que
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algodão, entre pipas. Tempo ainda de passeios
mato adentro com o coração rezando; “São O poema então começa pelos últimos
Bento, água benta, Jesus Cristo do altar: Arreda crepúsculos do misticismo brilhando sobre a vida
cobra, arreda bicho, Deixa o filho de Deus como a tarde sobre a terra. A poesia puríssima
passar.” banha com seu reflexo ideal a beleza sensível e
E na boca da noite a roda rodava no quintal, cheia nua.
de cantiga: “Se esta rua fosse minha, roda pião, Depois a doença da vida [...] descarna e injeta de
capelinha de melão, eu mandava ladrilhar, fel cada vez mais o coração. Nos mesmos lábios
bambeia pião que o pai Francisco entrou na roda, onde suspirava a monodia amorosa, vem a sátira
roda pião, e eu sou pobre, pobre, pobre, na que morde.
palma da minha mão, roda pião.”
A infância brincava de boca do forno, chicotinho- Nessa passagem, o poeta romântico está
queimado, passar anel, ou corria da cabra cega. considerando
Nossos pais, nessa hora preguiçosa, liam o a) o caráter idealista de sua arte, que se
destino do tempo escrito no movimento das manifesta de modo constante e irredutível.
estrelas, na cor das nuvens, no tamanho da lua, b) a perda da aura romântica, que lhe sucede
na direção dos ventos. quando se aproxima do parnasianismo.
O mundo não estava dividido em dois, um para c) a violência com que a negatividade anula sua
as pessoas grandes, outro para os miúdos. As possibilidade de ter um ideal místico.
emoções eram de todos. d) a dupla condição de poesia onde se alternam o
lirismo puro e a ironia que fere.
QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Indez. São e) a oscilação de uma lírica onde a sublimidade
Paulo: Global, 2004. p. 07-08 do amor dialoga com a da religião.
Exercício 84
(G1 - cftmg 2014) O emprego da (Pucrs Medicina 2022) O poema a seguir é de
intertextualidade pode ser verificado na seguinte autoria de Cecília Meireles (1901-1964).
passagem:
Os três bois
a) “Tempo de fogueiras para os santos de junho –
Santo Antônio, São João, São Pedro.”
Num domingo de sol, mataram os três bois,
b) “A primavera, o verão, o outono e o inverno
e assaram-nos às postas, fincados em espetos.
eram nomes que se misturavam com outros
A fumaça toldava o campo e o céu de crepes
reinos.”
pretos.
c) “A infância brincava de boca do forno,
chicotinho-queimado, passar anel, ou corria da
Eles eram três bois de linhagem hindu,
cabra cega.”
imensos de silêncio e de chifres serenos,
d) “Se esta rua fosse minha, roda pião, capelinha
com o céu às costas, perdidos nos enredos
de melão, eu mandava ladrilhar, bambeia pião
terrenos.
que o pai Francisco entrou na roda...”
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Exercício 85
Num domingo de sol, mataram os três bois, (Pucrs Medicina 2022) Luís Vaz de Camões
porque era preciso comer, porque era preciso (1524-1580) foi um poeta do Classicismo
haver festa, português, autor da epopeia Os Lusíadas (1572).
porque era preciso ter carne, porque a O poema a seguir faz parte de sua produção
humanidade é esta... lírica.
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( ) A voz poética representa a luta das a) Invocação do ser amado, que desaparece no
mulheres para se afirmarem como escritoras, em último terceto, onde o padrão das rimas do
um campo literário predominantemente soneto é abandonado enquanto o fumo foge no
masculino. ar.
( ) O eu lírico se reconhece como mulher do b) Reflexão sobre velhice abandonada que, no
povo e poeta, vivendo com a mesma intensidade entanto, pode ser acariciada e acolhida pelas
o cotidiano e a criação. mãos gentis do interlocutor outonal e
apaixonado.
A sequência correta de preenchimento dos c) Invocação do ser amado, que abre os olhos da
parênteses, de cima para baixo, é poeta e permite que os sonhos não se percam
a) F – V – V – F. como fumo nas noites invernosas.
b) F – F – F – V. d) Reflexão sobre Outonos tristes e crisântemos,
c) V – F – V – V. com imagens românticas e crepusculares que
d) V – F – V – F. não aparecem em outros poemas da autora.
e) V – V – F – V. e) Invocação do ser amado, que se revela, entre
outros recursos, no uso da segunda pessoa
Exercício 89 gramatical e no vocativo do terceto final.
(Ufrgs 2022) Leia o soneto abaixo, de Florbela
Espanca. Exercício 90
(Espcex (Aman) 2022) Leia o poema de Charles
Fumo* Baudelaire a seguir.
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poema. Seja negar minha identidade,
a) A expressão de campos sensoriais por meio Trocá-la por mil, açambarcando
da sinestesia. Todas as marcas registradas,
b) O conflito constante entre matéria e espírito. Todos os logotipos do mercado.
c) A transcendência espiritual por meio da morte. Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
d) A expressão verbal carregada de aliterações. Tão diverso dos outros, tão mim mesmo,
e) A angústia e a sublimação sexual que visa ao Ser pensante sentinte e solidário
sagrado. (...)
Agora sou anúncio
Exercício 91 Ora vulgar ora bizarro.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Em língua nacional ou em qualquer língua
Eu, Etiqueta (Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
Carlos Drummond de Andrade De minha anulação.
Não sou – vê lá – anúncio contratado.
Em minha calça está grudado um nome Eu é que mimosamente pago
Que não é meu de batismo ou de cartório, Para anunciar, para vender
Um nome...estranho. Em bares festas praias pérgulas piscinas,
Meu blusão traz lembrete de bebida E bem à vista exibo esta etiqueta
Que jamais pus na boca, nessa vida, Global no corpo que desiste
Em minha camiseta, a marca de cigarro De ser veste e sandália de uma essência
Que não fumo, até hoje não fumei. Tão viva, independente,
Minhas meias falam de produtos (...)
Que nunca experimentei Sou gravado de forma universal,
Mas são comunicados a meus pés. Saio da estamparia, não de casa,
Meu tênis é proclama colorido Da vitrine me tiram, recolocam,
(...) Objeto pulsante mas objeto
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, Que se oferece como signo dos outros
Minha gravata e cinto e escova e pente, Objetos estáticos, tarifados.
Meu copo, minha xícara, Por me ostentar assim, tão orgulhoso
Minha toalha de banho e sabonete, De ser não eu, mas artigo industrial,
Meu isso, meu aquilo Peço que meu nome retifiquem.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos, Já não me convém o título de homem.
São mensagens, Meu nome novo é Coisa.
Letras falantes, Eu sou a Coisa, coisamente.
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências, (Disponível em:
Costume, hábito, premência, http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.h
Indispensabilidade, aula=52346. Acesso em 17/03/2021.)
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada. (G1 - epcar (Cpcar) 2022) Considere que o
Estou, estou na moda. poema possa ser dividido em quatro partes,
É duro andar na moda, ainda que a moda
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sendo o limite entre elas as reticências entre Meu copo, minha xícara,
parênteses (...). Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo
Analise essas partes e indique a qual delas se Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
refere cada uma das afirmações abaixo. São mensagens,
Letras falantes,
( ) O próprio eu lírico, após a anulação de sua Gritos visuais,
personalidade, transforma-se também em Ordens de uso, abuso, reincidências,
agente da máquina capitalista. Costume, hábito, premência,
( ) Ocorre a separação entre a identidade do eu Indispensabilidade,
lírico e a forma como ele se apresenta no mundo, E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
entre sua aparência e seu ser individual. Escravo da matéria anunciada.
( ) A coisificação do ser humano alcança seu Estou, estou na moda.
grau máximo com a perda do controle de suas É duro andar na moda, ainda que a moda
ações, de sua privacidade e, por fim, de seu valor Seja negar minha identidade,
humano. Trocá-la por mil, açambarcando
( ) Trata da sobreposição do ter ao ser, do Todas as marcas registradas,
sufocamento do eu pela ânsia de posse a que o Todos os logotipos do mercado.
homem é induzido pela sociedade consumista. Com que inocência demito-me de ser
a) 1 – 2 – 4 – 3 Eu que antes era e me sabia
b) 3 – 1 – 4 – 2 Tão diverso dos outros, tão mim mesmo,
c) 2 – 1 – 3 – 4 Ser pensante sentinte e solidário
d) 1 – 2 – 3 – 4 (...)
Agora sou anúncio
Exercício 92 Ora vulgar ora bizarro.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Em língua nacional ou em qualquer língua
Eu, Etiqueta (Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
Carlos Drummond de Andrade De minha anulação.
Não sou – vê lá – anúncio contratado.
Em minha calça está grudado um nome Eu é que mimosamente pago
Que não é meu de batismo ou de cartório, Para anunciar, para vender
Um nome...estranho. Em bares festas praias pérgulas piscinas,
Meu blusão traz lembrete de bebida E bem à vista exibo esta etiqueta
Que jamais pus na boca, nessa vida, Global no corpo que desiste
Em minha camiseta, a marca de cigarro De ser veste e sandália de uma essência
Que não fumo, até hoje não fumei. Tão viva, independente,
Minhas meias falam de produtos (...)
Que nunca experimentei Sou gravado de forma universal,
Mas são comunicados a meus pés. Saio da estamparia, não de casa,
Meu tênis é proclama colorido Da vitrine me tiram, recolocam,
(...) Objeto pulsante mas objeto
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, Que se oferece como signo dos outros
Minha gravata e cinto e escova e pente, Objetos estáticos, tarifados.
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Por me ostentar assim, tão orgulhoso e mais: porque assim estancada, muda,
De ser não eu, mas artigo industrial, e muda porque com nenhuma comunica,
Peço que meu nome retifiquem. porque cortou-se a sintaxe desse rio,
Já não me convém o título de homem. o fio de água por que ele discorria.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente. João Cabral de Melo Neto. A educação pela
pedra.
(Disponível em:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?
aula=52346. Acesso em 17/03/2021.) (Fuvest-Ete 2022) A partir da leitura do poema,
é correto afirmar:
(G1 - epcar (Cpcar) 2022) Atente para os versos a) O sentido de uma palavra é construído em
abaixo retirados do texto e para as afirmações a situação discursiva, no ato comunicativo, e
eles relacionadas. Assinale a alternativa que traz resulta da interação entre emissor e receptor.
uma informação INCORRETA. b) Para a comunicação, o emissor faz escolhas
a) Em “Eu sou a Coisa, coisamente.” (verso 64), o lexicais que estão ao alcance do receptor da
neologismo reforça a eficiência da transformação mensagem.
do ser humano em objeto. c) O sentido de um texto só está ao alcance do
b) Em “Minha gravata e cinto e escova e pente,” receptor se as palavras utilizadas estiverem em
(verso 14), o emprego do polissíndeto reforça o situação dicionária.
desejo de acúmulo de bens imposto pela d) As palavras isoladas não têm significado e não
sociedade de consumo. podem ser compreendidas pelo receptor de uma
c) Em “Que não fumo, até hoje não fumei.” (verso mensagem.
7), a expressão “até hoje” estabelece um limite e) Na produção de um enunciado, o emissor
temporal no presente, deixando entrever uma precisa fazer uso do dicionário para dar maior
possibilidade de mudança para o futuro. sentido ao seu discurso.
d) Versos como “Em minha calça está grudado
Exercício 94
um nome” (verso 1) e “Meu lenço, meu relógio,
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
meu chaveiro,” (verso 13) mostram que o
Fernando Pessoa (1888-1935) foi um dos mais
número de sílabas poéticas não tem relevância
importantes poetas da literatura portuguesa.
no poema.
Criou uma obra de natureza filosófica sobre a
Exercício 93 consciência e as suas mais profundas
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: inquietações existenciais. Expressou uma
Rios sem discurso personalidade estética multifacetada por meio
dos heterônimos, os quais consistiam em várias
Quando um rio corta, corta-se de vez identidades que detinham biografia e
o discurso-rio de água que ele fazia; características psicológicas distintas: Alberto
cortado, a água se quebra em pedaços, Caeiro, Ricardo Reis, Bernardo Soares e Álvaro
em poços de água, em água paralitica. de Campos, um engenheiro naval, a quem se
Em situação de poço, a água equivale deve a “Ode triunfal”. Esse heterônimo apresenta
a uma palavra em situação dicionária: uma personalidade estética marcada pelas
isolada, estanque no poço dela mesma, concepções futuristas e pela intenção de
e porque assim estanque, estancada; assimilar ao eu lírico a realidade exterior,
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considerada em suas manifestações mais Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro
prosaicas, ao mesmo tempo em que aquele se do Ésquilo do século cem,
projeta no mundo. 7Andam por estas correias de transmissão e por
estes êmbolos e por estes volantes,
ODE TRIUNFAL Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo,
ferreando,
1À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo
da fábrica numa só carícia à alma.
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, 2fera para a beleza Ah, poder exprimir-me todo como um motor se
disto, exprime!
8Ser completo como uma máquina!
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos
antigos. Poder ir na vida triunfante como um automóvel
último-modelo!
3Ó rodas,ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! Poder ao menos penetrar-me fisicamente de
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! tudo isto,
Em fúria 4fora e dentro de mim, Rasgar-me todo, abrir-me completamente,
Por todos os meus nervos dissecados fora, tornar-me passento
9A todos os perfumes de óleos e calores e
Por todas as papilas fora de tudo com que eu
sinto! carvões
5Tenho 10Desta flora estupenda, negra, artificial e
os lábios secos, ó grandes ruídos
modernos, insaciável!
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um Fraternidade com todas as dinâmicas!
excesso Promíscua fúria de ser parte-agente
De expressão de todas as minhas sensações, Do rodar férreo e cosmopolita
Com um excesso contemporâneo de vós, ó Dos comboios estrênuos,
máquinas! Da faina transportadora-de-cargas dos navios,
Do giro lúbrico e lento dos guindastes,
Em febre e olhando os motores como a uma Do tumulto disciplinado das fábricas,
Natureza tropical – E do quase-silêncio 11ciciante e monótono das
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e correias de transmissão!
força –
Canto, e canto o presente, e também o passado 12Horas europeias, produtoras, entaladas
e o futuro, Entre maquinismos e afazeres úteis!
Porque o presente é todo o passado e todo o Grandes cidades paradas nos cafés,
futuro Nos cafés – oásis de inutilidades ruidosas
6E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das Onde se cristalizam e se precipitam
luzes eléctricas 13Os rumores e os gestos do 14Útil
Só porque houve outrora e foram humanos E as rodas, e as rodas-dentadas e as chumaceiras
Virgílio e Platão, do 15Progressivo!
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez 16Nova Minerva sem-alma dos cais e das gares!
cinquenta, Novos entusiasmos de estatura do Momento!
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PESSOA, Fernando. Poesias de Álvaro de Como que anseios invisíveis, mudos,
Campos. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993), p. 144 Da brancura das sedas e veludos,
(texto adaptado). Das virgindades, dos pudores vivos.
Mais claro e fino do que as finas pratas Era um som feito luz, eram volatas
O som da tua voz deliciava... Em lânguida espiral que iluminava,
Na dolência velada das sonatas Brancas sonoridades de cascatas...
Como um perfume a tudo perfumava. Tanta harmonia melancolizava.
Era um som feito luz, eram volatas Filtros sutis de melodias, de ondas
Em lânguida espiral que iluminava, De cantos voluptuosos como rondas
Brancas sonoridades de cascatas... De silfos leves, sensuais, lascivos...
Tanta harmonia melancolizava.
Como que anseios invisíveis, mudos,
Filtros sutis de melodias, de ondas Da brancura das sedas e veludos,
De cantos voluptuosos como rondas Das virgindades, dos pudores vivos.
De silfos leves, sensuais, lascivos...
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(Obra completa: poesia, 2008.) Leia os dois textos a seguir:
https://aprovatotal.com.br/medio/literatura/exercicios/introducao-a-literatura/ex.1-figuras-de-linguagem?dificuldade=random&tentativa=ultima&resposta… 68/118
Seringueiro, eu não sei nada! na serrania mineira,
E no entanto estou rodeado no mangue, no seringal,
Dum despotismo de livros, nos mais diversos brasis,
Estes mumbavas* que vivem. e para além dos brasis,
'Chupitando vagarentos nas regiões inventadas,
O meu dinheiro o meu sangue países a que aspiramos,
E não dão gosto de amor... fantásticos,
Me sinto bem solitário
No mutirão de sabença mas certos, inelutáveis,
Da minha casa, amolado terra de João invencível,
Por tantos livros geniais, a rosa do povo aberta…
"sagrados", como se diz...
E não sinto os meus patrícios! [...]
E não sinto os meus gaúchos!
Seringueiro dorme... ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do
E não sinto os seringueiros povo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p.
Que amo de amor infeliz... 154-5.
[...]
Sobre a relação entre os dois textos poéticos e o
modo pelo qual eles exemplificam a relação que
*mumbavas: parasitas se estabeleceu entre a poética de Drummond e a
poética de Mário de Andrade, assinale a
ANDRADE, Mário de. O clã do jabuti. São Paulo: alternativa INCORRETA.
Poeteiro Editor Digital, 2016, p. 36-8. a) Mário pertenceu à primeira geração
modernista que, a partir da Semana de 1922, foi
responsável pela transformação formal que se
MÁRIO DE ANDRADE DESCE AOS INFERNOS deu na poesia brasileira. Nesse aspecto, sua
geração serviu de guia para a segunda geração, a
[...] de Drummond; como pode se observar,
comparando-se as soluções formais dos poemas
III em análise, em que predominam versos brancos
e livres, estrofes irregulares e linguagem que
O meu amigo era tão une coloquialidade à riqueza figurativa.
de tal modo extraordinário, b) Em Acalanto do seringueiro, observa-se o
cabia numa só carta, dilema de Mário de Andrade que, sendo parte de
esperava-me na esquina, uma pequena elite intelectual, almejava
e já um poste depois conhecer e assim poder falar ao homem do povo
brasileiro. Em seu poema elegíaco, Drummond
ia descendo o Amazonas, exalta a busca de Mário pelos “diversos brasis” e
tinha coletes de música, aponta como essa busca o inspirou, ao associá-la
entre cantares de amigo à imagem de “rosa do povo”, metáfora em que
pairava na renda fina Drummond expõe seu próprio anseio por
dos Sete Saltos, construir uma poesia que falasse ao povo.
https://aprovatotal.com.br/medio/literatura/exercicios/introducao-a-literatura/ex.1-figuras-de-linguagem?dificuldade=random&tentativa=ultima&resposta… 69/118
c) Ambos os poemas expressam a inquietação
dos seus autores quanto à constituição de uma As asas que Deus lhe deu
poesia perpassada por uma brasilidade, que Ruflaram de par em par...
fosse além do clichê nacionalista de um Brasil Sua alma subiu ao céu,
paradisíaco e do academicismo literário, que Seu corpo desceu ao mar...
ignorava a cultura popular. Esse
(re)descobrimento do Brasil pela literatura foi (GUIMARAENS, Alphonsus de. Obra completa.
um dos maiores legados do movimento Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1960. p. 231-232.)
modernista, no qual Mário e Drummond se
destacaram como autores fundamentais.
d) A imagem do seringueiro, em Acalanto do Sobre o texto, escrito pelo poeta Alphonsus de
seringueiro, é apropriada por Drummond ao Guimarães, NÃO se pode-se afirmar:
mencionar o termo “seringal”, em seu poema- a) O poema é composto pela repetição de pares
homenagem. Ao se criar um vínculo entre os que exprimem contrastes: alto/baixo, céu/mar,
poemas, Drummond revela como a coragem do subir/descer, perto/longe.
amigo, ao abordar os aspectos dolorosos da b) Pode-se associar imagens e situações no
sociedade brasileira (por isso Mário “desce aos poema (tais como as evocadas pelas palavras
infernos”), o inspirou a também abraçar uma “Sonho”, “Céu”, “Desvario”, “Anjo” e “Lua”) a
poesia engajada, levando-o a se posicionar características da Poesia Simbolista.
combativamente diante da nossa realidade c) Ismália é descrita como uma personagem
social. racionalista e materialista, assumindo, portanto,
Exercício 105 traços típicos do Cientificismo do século XIX.
(Ufjf-pism 2 2021) Ismália d) A exploração da dimensão sonora das palavras
é nitidamente perceptível em todas as
Quando Ismália enlouqueceu, passagens do poema.
Pôs-se na torre a sonhar... e) A relação entre corpo e alma é tematizada e
Viu uma lua no céu, problematizada pelo poema.
Viu outra lua no mar. Exercício 106
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
No sonho em que se perdeu, “A saúde brasileira está doente”
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu, O médico sanitarista Oswaldo Cruz
Queria descer ao mar... revolucionou a saúde no Brasil. Foram suas
pesquisas para o desenvolvimento de vacinas e
E, no desvario seu, seus estudos em contenção de epidemias que
Na torre pôs-se a cantar... alçaram o setor a novos patamares de qualidade
Estava perto do céu, no início do século XX. À frente do Instituto
Estava longe do mar... Soroterápico Federal – atual Instituto Oswaldo
Cruz (FIOCRUZ) –, o médico percorreu o País
E como um anjo pendeu para erradicar pestes e doenças infecciosas.
As asas para voar... Apesar de todos os esforços, infelizmente, nos
Queria a lua do céu, últimos anos, o País tem enveredado pelo
Queria a lua do mar... perigoso caminho do retrocesso e começa a
https://aprovatotal.com.br/medio/literatura/exercicios/introducao-a-literatura/ex.1-figuras-de-linguagem?dificuldade=random&tentativa=ultima&resposta… 70/118
enfrentar epidemias e surtos de doenças que já Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
tinham sido controladas, como o sarampo e a A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
poliomielite. Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
Disponível em: – Diga trinta e três.
https://webcache.googleusercontent.com/search? – Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
q=cache:v3CS2acpBccJ;https://secad.artmed.com.br/blog/medicina/dia-
– Respire.
nacional-dasaude-5-temas-que-voce-precisa- ………………………………………………………………….
saber-sobre-a-saude-no-brasil/+&cd=9&hl=pt- – O senhor tem uma escavação no pulmão
BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em: 13 out. 2020. esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
(Parcial e adaptado.) – Então, doutor, não é possível tentar o
pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango
Nesse sentido, a(s) questão(ões) abordarão o argentino.
eixo temático “A saúde brasileira está doente”.
Disponível em:
https://www.culturagenial.com/poema-
(Ucs 2021) A tuberculose é um grave problema pneumotorax-manuel-bandeira. Acesso em: 20
de saúde pública e milhares de pessoas ainda jun. 2020.
adoecem e morrem devido às suas complicações.
É importante ressaltar que o Brasil é um dos
países com maior número de casos no mundo e, A partir de seus conhecimentos sobre Literatura,
desde 2003, a doença é considerada como e da leitura do texto apresentado, assinale a
prioritária na agenda política do Ministério da alternativa correta.
Saúde. Embora o tratamento seja gratuito e a) Manuel Bandeira destaca-se pela capacidade
assegurado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de captar situações comuns do dia a dia – como a
ainda existem barreiras e nem todos têm acesso. própria doença – e recriá-las, lírica e
Infelizmente, observam-se milhares de novos poeticamente, por meio de uma linguagem
casos e óbitos, por ano, no Brasil. simples.
b) Manuel Bandeira, modernista inovador,
Disponível em: destaca-se pelo preciosismo vocabular, pela
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/brasil_livre_tuberculose_plano_nacional.pdf.
incorporação do espírito da “arte pela arte”,
Acesso em: 12 fev. 2020. (Parcial e adaptado.) ausência de sentimentalismo e preocupação com
a técnica, como se verifica no poema
“Pneumotórax”.
O escritor Manuel Bandeira descobriu-se c) Manuel Bandeira, poeta da 1ª geração
tuberculoso aos 18 anos, razão pela qual teve de modernista, não escrevia sobre angústias e
abandonar os estudos de Engenharia e internar- conflitos de natureza universal, como, por
se para tratamento. Durante esse período, exemplo, o medo da morte.
Bandeira iniciou sua atividade literária, d) Manuel Bandeira, no poema “Pneumotórax”,
produzindo alguns poemas sobre essa temática, relaciona concretamente alguns sintomas de sua
como o que segue. doença, negando o lirismo presente no cotidiano.
Pneumotórax
https://aprovatotal.com.br/medio/literatura/exercicios/introducao-a-literatura/ex.1-figuras-de-linguagem?dificuldade=random&tentativa=ultima&resposta… 71/118
e) Manuel Bandeira viveu doente e à espera da a) A palavra “pão” é, sem dúvida, mais relevante
morte, por isso nunca explorou temáticas para a compreensão do poema que a palavra
relacionadas a angústias e dramas universais, “liberdade”.
como, por exemplo, a paixão pela vida ou o amor. b) A palavra “liberdade” se destaca no poema e é
essencial para sua compreensão.
c) Os versos “como um tempo de alegria/ por
Exercício 107
trás do terror me acena” indicam que o poema
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
incorpora as circunstâncias de seu tempo, mas
Dois e dois: quatro
constrói uma imagem de esperança em um
futuro distinto da realidade presente.
Como dois e dois são quatro
d) Seria possível relacionar a expressão
sei que a vida vale a pena
“liberdade pequena” com o contexto da ditadura
embora o pão seja caro
civil-militar iniciada em 1964.
e a liberdade pequena
e) A relação entre o substantivo “liberdade” e o
adjetivo “pequena” aparece duas vezes no
Como teus olhos são claros
poema, o que destaca a importância de ambas
e a tua pele, morena
para a compreensão do texto.
- sei que dois e dois são quatro Como teus olhos são claros
sei que a vida vale a pena e a tua pele, morena
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como um tempo de alegria
(GULLAR, Ferreira. Toda Poesia. Rio de Janeiro: por trás do terror me acena
José Olympio, 2010, p.171).
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena
(Ufjf-pism 1 2021) O poema “Dois e dois: - sei que dois e dois são quatro
quatro”, de Ferreira Gullar, é marcado pela sei que a vida vale a pena
repetição da palavra “Como” (conjunção que,
nesse caso, indica uma comparação baseada na mesmo que o pão seja caro
lógica da semelhança). Por outro lado, nele e a liberdade, pequena.
também aparecem as expressões “embora” e
“mesmo que”. Tais expressões podem significar: (GULLAR, Ferreira. Toda Poesia. Rio de Janeiro:
a) Oposições que excluem os possíveis sentidos José Olympio, 2010, p.171).
contidos na afirmação: “a vida vale a pena”.
b) Ressalvas que remetem a uma realidade
econômica e política desfavorável à vida, mas Texto 2
que não impedem os sentidos contidos na
afirmação: “a vida vale a pena”. Pessoal Intransferível
c) Explicações espirituais da vida humana.
d) Palavras supérfluas que não se conectam ao Escute, meu chapa: um poeta não se faz com
todo do poema e, portanto, não alteram os versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem
possíveis sentidos contidos na afirmação: “a vida medo, é inventar o perigo e estar sempre
vale a pena”. recriando dificuldades pelo menos maiores, é
e) Conclusões totalmente pessimistas em destruir a linguagem e explodir com ela. (...)
relação à vida.
Poetar é simples, como dois e dois são quatro
Exercício 109 sei que a vida vale a pena etc. Difícil é não correr
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: com os versos debaixo do braço. Difícil é não
Texto 1 cortar o cabelo quando a barra pesa. Difícil (...) é
não trair sua poesia, que, pensando bem, não é
Dois e dois: quatro nada, se você está sempre pronto a temer tudo;
menos o ridículo de declamar versinhos
Como dois e dois são quatro sorridentes. (...)
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro E fique sabendo: quem não se arrisca não pode
e a liberdade pequena berrar. Citação: leve um homem e um boi ao
matadouro. O que berrar mais na hora do perigo
Como teus olhos são claros é o homem, nem que seja o boi. Adeusão.
e a tua pele, morena
(NETO, Torquato. Os últimos dias de paupéria.
como é azul o oceano São Paulo: Max Limonad, 1982, p. 63.)
e a lagoa, serena
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(Ufjf-pism 1 2021) Nos fragmentos acima, mesmo que o pão seja caro
extraídos do texto “Pessoal Intransferível”, e a liberdade, pequena.
escrito pelo poeta e compositor Torquato Neto
em diálogo explícito com um trecho do poema (GULLAR, Ferreira. Toda Poesia. Rio de Janeiro:
“Dois e Dois: Quatro” (“Poetar é simples, como José Olympio, 2010, p.171).
dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena
etc.”), afirma-se que alguém se “faz poeta”, não
porque escreve versos, mas porque assume Texto 2
determinada atitude diante da vida e da
linguagem. O sentido de tal atitude pode ser Pessoal Intransferível
encontrado em qual dos substantivos listados
abaixo? Escute, meu chapa: um poeta não se faz com
a) Prudência. versos. É o risco, é estar sempre a perigo sem
b) Risco. medo, é inventar o perigo e estar sempre
c) Conformismo. recriando dificuldades pelo menos maiores, é
d) Covardia. destruir a linguagem e explodir com ela. (...)
e) Empatia.
Poetar é simples, como dois e dois são quatro
Exercício 110 sei que a vida vale a pena etc. Difícil é não correr
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: com os versos debaixo do braço. Difícil é não
Texto 1 cortar o cabelo quando a barra pesa. Difícil (...) é
não trair sua poesia, que, pensando bem, não é
Dois e dois: quatro nada, se você está sempre pronto a temer tudo;
menos o ridículo de declamar versinhos
Como dois e dois são quatro sorridentes. (...)
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro E fique sabendo: quem não se arrisca não pode
e a liberdade pequena berrar. Citação: leve um homem e um boi ao
matadouro. O que berrar mais na hora do perigo
Como teus olhos são claros é o homem, nem que seja o boi. Adeusão.
e a tua pele, morena
(NETO, Torquato. Os últimos dias de paupéria.
como é azul o oceano São Paulo: Max Limonad, 1982, p. 63.)
e a lagoa, serena
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(Ufjf-pism 2 2021) Sobre o poema “Momento
num Café”, de Manuel Bandeira, NÃO se pode As asas que Deus lhe deu
afirmar que: Ruflaram de par em par...
a) Incorpora elementos da vida cotidiana ao Sua alma subiu ao céu,
universo poético. Seu corpo desceu ao mar...
b) Devido a uma visão idealizada da vida e da
morte, o poema pode ser considerado (GUIMARAENS, Alphonsus de. Obra completa.
tipicamente romântico. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1960. p. 231-232.)
c) A reflexão do personagem que aparece na
segunda estrofe do poema inverte a relação
convencional entre corpo e alma construída pelo Texto 2
senso comum da cultura ocidental.
d) O poema apresenta aspectos do Modernismo Ismália (trecho)
Literário Brasileiro, como a liberdade formal e
tema prosaico. Com a fé de quem olha do banco a cena
e) A partir da descrição de uma situação Do gol que nós mais precisava na trave
corriqueira, o poema narra o acontecimento de A felicidade do branco é plena
um pensamento singular sobre a vida e a morte. A pé, trilha em brasa e barranco, que pena
Se até pra sonhar tem entrave
A felicidade do branco é plena
Exercício 113 A felicidade do preto é quase
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Texto 1 Olhei no espelho, Ícaro me encarou
Ismália "Cuidado, não voa tão perto do sol
Eles num 'guenta te ver livre, imagina te ver rei"
Quando Ismália enlouqueceu, O abutre quer te ver de algema pra dizer
Pôs-se na torre a sonhar... "Ó, num falei?"
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar. No fim das conta é tudo
Ismália, Ismália
No sonho em que se perdeu, Ismália, Ismália
Banhou-se toda em luar... Ismália, Ismália
Queria subir ao céu, Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Queria descer ao mar... Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
E, no desvario seu, Ismália, Ismália
Na torre pôs-se a cantar... Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Estava perto do céu,
Estava longe do mar... Ela quis ser chamada de morena
Que isso camufla o abismo entre si e a
E como um anjo pendeu humanidade plena
As asas para voar... A raiva insufla, pensa nesse esquema
Queria a lua do céu, A ideia imunda, tudo inunda
Queria a lua do mar... A dor profunda é que todo mundo é meio tema
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Paísinho de bosta, a mídia gosta Três no banco traseiro
Deixou a falha e quer migalha de quem corre Da cor dos quatro Racionais
com fratura exposta Cinco vida interrompida
Apunhalado pelas costa Moleques de ouro e bronze
Esquartejado pelo imposto imposta Tiros e tiros e tiros
E como analgésico nós posta que O menino levou 111 (Ismália)
Um dia vai 'tá nos conforme Quem disparou usava farda (Ismália)
Que um diploma é uma alforria Quem te acusou nem lá num 'tava
Minha cor não né uniforme É a desunião dos preto junto à visão sagaz
Hashtags #PretoNoTopo, bravo! De quem tem tudo, menos cor, onde a cor
80 tiros te lembram que existe pele alva e pele importa demais
alvo [...]
Quem disparou usava farda (mais uma vez) (Emicida, Nave e Renan Samam. Álbum
Quem te acusou nem lá num tava (banda de AmerELO. Sony Music; Laboratório Fantasma,
espírito de porco) 2019.)
Porque um corpo preto morto é tipo os hit das
parada
Todo mundo vê, mas essa porra não diz nada
31. (Ufjf-pism 2 2021) A letra da canção
Olhei no espelho, Ícaro me encarou “Ismália”, composta por Emicida, Nave e Renan
"Cuidado, não voa tão perto do sol Samam (Texto 2), realiza uma intersecção entre
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei" a oralidade da cultura urbana, cotidiana e
O abutre quer te ver drogado pra dizer periférica de São Paulo, a tradição de uma certa
"Ó, num falei?" cultura literária (evidenciada pelo diálogo
explícito que a letra estabelece com o poema
No fim das conta é tudo “Ismália”, de Alphonsus de Guimarães) e a
Ismália, Ismália mitologia grega arcaica, evocada pela canção
[...] através do personagem Ícaro (aquele que,
realizando o seu desejo de voar perto do sol,
Primeiro 'cê sequestra eles, rouba eles, mente teve suas asas derretidas).
sobre eles
Nega o deus deles, ofende, separa eles Tendo em vista a afirmação acima, é correto
Se algum sonho ousa correr, 'cê para ele afirmar:
E manda eles debater com a bala que vara eles, a) Em diálogo com a mitologia grega (mais
mano especificamente com o mito de Ícaro), a letra da
Infelizmente onde se sente o sol mais quente canção tenta construir a personagem Ismália
O lacre ainda 'tá presente só no caixão dos como um ser completamente elevado e
adolescente celestial.
Quis ser estrela e virou medalha num boçal b) A letra da canção submete a oralidade urbana
Que coincidentemente tem a cor que matou seu cotidiana (comumente presente em composições
ancestral inseridas na tradição do Rap) à superioridade
Um primeiro salário linguística de uma cultura letrada.
Duas fardas policiais
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c) A letra da canção tenta corrigir os “erros de vida, e o da mesma capacidade universal de se
português” da linguagem coloquial com uma corresponder e se completar, que sobrevive à
linguagem extraída da “norma culta” da língua consciência. O enigma tende a paralisar o mundo.
portuguesa. Talvez que a enorme Coisa sofra na
d) A desigualdade racial é um tema secundário intimidade de suas fibras, mas não se compadece
no todo da letra da canção Ismália. nem de si nem daqueles que reduz à congelada
e) A letra (fundindo referências culturais expectação.
distintas) atualiza a personagem “letrada” Ai! de que serve a inteligência –
Ismalia, deslocando-a para o chão (“Quis tocar o lastimam-se as pedras. Nós éramos
céu, mas terminou no chão”) da realidade dura e inteligentes; contudo, pensar a ameaça não é
concreta das periferias de diversos centros removê-la; é criá-la.
urbanos brasileiros. Ai! de que serve a sensibilidade – choram
as pedras. Nós éramos sensíveis, e o dom da
Exercício 114
misericórdia se volta contra nós, quando
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
contávamos aplicá-lo a espécies menos
Leia o poema em prosa “O enigma”, de Carlos
favorecidas.
Drummond de Andrade.
Anoitece, e o luar, modulado de dolentes
canções que preexistem aos instrumentos de
As pedras caminhavam pela estrada. Eis
música, espalha no côncavo, já pleno de serras
que uma forma obscura lhes barra o caminho.
abruptas e de ignoradas jazidas, melancólica
Elas se interrogam, e à sua experiência mais
moleza.
particular. Conheciam outras formas
Mas a Coisa interceptante não se resolve.
deambulantes1, e o perigo de cada objeto em
Barra o caminho e medita, obscura.
circulação na terra. Aquele, todavia, em nada se
assemelha às imagens trituradas pela
(Poesia 1930-62, 2012.)
experiência, prisioneiras do hábito ou domadas
pelo instinto imemorial das pedras. As pedras
detêm-se. No esforço de compreender, chegam 1deambular: andar à toa; vaguear, passear.
a imobilizar-se de todo. E na contenção desse
instante, fixam-se as pedras – para sempre – no
(Fcmscsp 2021) No poema em prosa, o eu lírico
chão, compondo montanhas colossais, ou
simples e estupefatos e pobres seixos a) concebe uma narrativa sobre a origem da
desgarrados. imobilidade das pedras.
Mas a coisa sombria – desmesurada, por b) revela o modo como as pedras
sua vez – aí está, à maneira dos enigmas que transformaram-se em enigmas.
zombam da tentativa de interpretação. É mal de c) sugere que as pedras foram os primeiros
enigmas não se decifrarem a si próprios. seres em circulação no mundo.
Carecem de argúcia alheia que os liberte de sua d) mostra que a história dos enigmas se
confusão amaldiçoada. E repelem-na ao mesmo confunde com a própria história das pedras.
tempo, tal é a condição dos enigmas. Esse travou e) suspeita que as pedras possam provocar o
o avanço das pedras, rebanho desprevenido, e colapso do mundo.
amanhã fixará por igual as árvores, enquanto não Exercício 115
chega o dia dos ventos, e o dos pássaros, e o do TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
ar pululante de insetos e vibrações, e o de toda Leia o poema e observe a imagem.
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Exercício 116
Pica-Flor Leia o poema e observe a imagem.
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Leia o poema a seguir.
a) a um desejo de morte.
Eu não tinha estas mãos sem força,
b) a um sentimento de remorso.
Tão paradas e frias e mortas;
c) a uma sensação de plenitude.
Eu não tinha este coração
d) a uma vontade de voltar ao passado.
Que nem se mostra.
e) aos prazeres da vida adulta.
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Quem sabe um seremos Da terceira vez não vi mais nada
Quem sabe um viveremos Os céus se misturaram com a terra
Quem sabe um morreremos! E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a
face das águas.
Quem é que
Quem é macho BANDEIRA, Manuel. Antologia poética.
Quem é fêmea 12.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
Quem é humano, apenas! p.79.
Sabe amar
Sabe de mim e de si No poema, o eu lírico descreve diferentes visões
Sabe de nós que teve de Teresa em épocas distintas. O
Sabe ser um! poema é composto por três estrofes. É visível
que cada estrofe
Um dia a) mostra diferentes impressões do eu lírico em
Um mês relação a Teresa numa gradação ascendente de
Um ano sentimentos.
Um(a) vida b) evidencia a grande dificuldade do eu lírico em
retratar seus sentimentos e impressões sobre
QUINTANA, Mário – Antologia Poética, Teresa.
5ª edição. Rio de Janeiro. Ed. Alfaguara. c) reflete o amadurecimento do eu lírico e o seu
desprendimento sentimental do objeto afetivo.
d) gera uma mudança no perfil de Teresa, indo da
Na última estrofe do poema, o autor utilizou, sacralização à dessacralização da mulher.
como recurso de expressividade, a(o) e) constrói uma imagem de Teresa marcada pela
a) metáfora, pela comparação subjetiva. circularidade de sentimentos do eu lírico.
b) assíndeto, pelo não uso de conetivos.
Exercício 122
c) apóstrofe, pela interpelação ao tempo.
(Simulado 2020) O capoeira
d) gradação, pela ideia crescente do tempo.
e) hipérbole, pelo exagero no aspecto temporal.
– Qué apanhá sordado?
Exercício 121 – O quê?
(Simulado 2020) Teresa – Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada.
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas ANDRADE, Oswald de. Poesias reunidas. 5.
Achei também que a cara parecia uma perna. Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,1978.
p.94.
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que
o resto do corpo À primeira vista, a linguagem modernista causa
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos grande estranhamento, mesmo para o leitor
esperando que o resto do corpo nascesse) atual. Uma das razões desse estranhamento
resulta do uso da técnica de simultaneidade de
https://aprovatotal.com.br/medio/literatura/exercicios/introducao-a-literatura/ex.1-figuras-de-linguagem?dificuldade=random&tentativa=ultima&resposta… 81/118
imagens. Essa técnica, presente no poema e a gente não consegue usá-los sem pedir
anterior, socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!... Mas além de não terem
a) rompe com a representação figurativa da descoberto como curar uma simples gripe, os
realidade contemporânea, porém conserva uma elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma
postura metalinguística. conclusão de como assinalar no mostrador que
b) gera uma ruptura com a forma da poesia letra deve indicar a portaria. Será necessária uma
tradicional, porém mantém o rigor gramatical na medida provisória do presidente para uniformizar
estrutura. tal diversidade analfabética.
c) dá a impressão de fragmentação da realidade, Outro dia, li que houve uma reunião em Baku, lá
como se uma câmera estivesse captando flashes. no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis
para decifrarem nosso presente e nosso futuro.
d) está originalmente fundamentada no fluxo de Pois Jean Baudrillard andou dizendo, com aquela
consciência e no processo de escrita automática. facilidade que os franceses têm para fazer frases
que parecem filosóficas, que o que caracteriza
e) associa elementos do Cubismo a uma ruptura essa época que está vindo por aí é que o homem,
estrutural própria do movimento dadaísta. leia-se corretamente homens e mulheres, ou
seja, o ser humano, foi descartado pela máquina.
Exercício 123 (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para uma
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: firma qualquer e uma voz eletrônica fica
TEXTO I mandando a gente discar isto e aquilo e volta
tudo a zero e não obtemos a informação
Cadê o papel-carbono? necessária.)
5Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios.
Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive O primeiro era de um vate mesmo – Vinícius de
saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive Moraes, que naquele poema “Dia da Criação”,
saudade da velha máquina de escrever. E tive fazendo considerações irônicas sobre o dia de
saudade de quando, no dizer de Rubem Braga, a “sábado” e os desígnios divinos, diz: “Na verdade,
geladeira era branca e o telefone era preto. o homem não era necessário”. É isto, já não
Os mais jovens não sabem nem o que é papel somos necessários.
carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive E a outra frase metida nessa encrenca é aquela
saudade deles, ou melhor, de um tempo em que da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o
eu não dependia eletronicamente de outros para homem e não o homem para o sábado”. Isso foi
fazer as mínimas tarefas. Uma torneira, por antigamente. Pois achávamos que a máquina
exemplo, era algo simples. Eu sabia abrir uma havia sido feita para o homem, mas Baudrillard,
torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar um as companhias aéreas e as telefônicas mais os
banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para servidores de informática nos convenceram de
tomar um elevador tenho que inserir um cartão que “o homem é que foi feito para a máquina”. Ao
eletrônico para ele se mover. Claro que tem o telefone só se fala com máquinas, e algumas
Google, essa enciclopédia no computador que empresas – esses servidores de informática –
facilita as pesquisas (para quem não precisa ir nem seus telefones disponibilizam. Estou, por
fundo nos assuntos), mas muita coisa me intriga: exemplo, há quatro meses tentando falar com
por que cada aparelho de televisão de cada casa, alguém no “hotmail” e lá não tem viv’alma, só
de cada hotel tem um controle remoto diferente fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
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Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer A máquina o fará por nós.
uma pergunta indiscreta. Quanto tempo Por que subir a escada de Jacó?
diariamente você está gastando com e-mails? A máquina o fará por nós.
Quanto tempo para apagar o lixo e responder Ó máquina, orai por nós.
bobagens? Faça a conta, some.
Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone (RICARDO, Cassiano. Jeremias sem-chorar. Rio
perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque de Janeiro: José Olympio, 1964.)
não conheceu a internet, que, tanto quanto o
celular, usada desregradamente é a grande
sorvedora de tempo da pós-modernidade. TEXTO III
Por estas e por outras é que estou pensando
seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao Quando
pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o
papel carbono. Quando você me clica,
– Cadê meu papel carbono? quando você me conecta, me liga,
quando entra nos meus programas, nas minhas
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de janelas,
delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009 quando você me acende, me printa, me
encompassa,
me sublinha, me funde e me tria:
TEXTO II meus pensamentos esvoaçam,
meus títulos se põem maiúsculos,
Ladainha II e meu coração troveja!
Por que o coração? 41. (G1 - epcar (Cpcar) 2020) Sobre os textos I,
O de metal não tornará o homem II e III são feitas as seguintes afirmações:
mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-corporal? I. No texto II, valendo-se da personificação, o
poeta humaniza a máquina; ela pratica várias
Por que levantar o braço ações do homem. A máquina pode fazer tudo,
para colher o fruto? até o poema.
A máquina o fará por nós. II. No texto III, há uma resistência do autor. As
Por que labutar no campo, na cidade? máquinas se impõem, ditam as ações, as
A máquina o fará por nós. palavras, mas o poeta consegue romper esses
Por que pensar, imaginar? limites.
A máquina o fará por nós. III. No texto I, o autor, diante da “encrenca”
Por que fazer um poema? tecnológica, de algum modo, sente saudade do
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“papel carbono” e do “mimeógrafo”. mas problemas não se resolvem,
IV. No texto I, o autor se mostra pouco problemas têm família grande,
entusiasmado com as máquinas: elas criam e aos domingos
problemas, porque não conseguem fazer as saem todos a passear
coisas mais banais. o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Estão corretas as alternativas
a) I e III apenas.
b) II e IV apenas. RIBEIRO NETO, A. (Org.) Poesia Marginal –
c) II, III e IV apenas. Antologia Poética: Geração Mimeógrafo – Anos
d) I, II, III e IV. 1970. Universidade Federal da Paraíba, PB,
2018. Disponível em:
Exercício 124 <http://www.cchla.ufpb.br/dlcv/contents/documentos/
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: de-textos/amadorrnetoorgantpoesia-
O texto está inserido no movimento literário marginal.pdf>. Acesso em: 26 out. 2019.
Poesia Marginal. Leminski, como outros poetas,
substituíram os meios tradicionais de circulação
por meios alternativos, ficando à margem do (G1 - ifpe 2020) As palavras destacadas nas
mercado editorial, o que os deixou conhecidos expressões “silêncio perpétuo” (2ª estrofe) e
como “poetas marginais”. Eles abordam, “extinto por lei” (3ª estrofe), transcritas do
comumente, temas cotidianos com sarcasmo, poema (texto), significam, dentro do contexto em
humor e ironia, e utilizam uma linguagem que foram usadas, respectivamente,
coloquial e espontânea.
a) provisório e inflamado.
b) grandioso e acabado.
BEM NO FUNDO
c) efêmero e ativado.
Paulo Leminski
d) eterno e dissolvido.
e) interrompido e eliminado.
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo, Exercício 125
a gente gostaria TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
de ver nossos problemas Com licença poética
resolvidos por decreto
Quando nasci um anjo esbelto,
a partir desta data, desses que tocam trombeta, anunciou:
aquela mágoa sem remédio vai carregar bandeira.
é considerada nula Cargo muito pesado pra mulher,
e sobre ela esta espécie ainda envergonhada.
– silêncio perpétuo Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
extinto por lei todo o remorso, Não tão feia que não possa casar,
maldito seja quem olhar pra trás, acho o Rio de Janeiro uma beleza e
lá pra trás não há nada, ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
e nada mais Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
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— dor não é amargura. de ilusionismo... – mais nada.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria, Mas a vida, a vida, a vida,
sua raiz vai ao meu avô. a vida só é possível
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem. reinventada.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Vem a lua, vem, retira
PRADO, Adélia Prado. Com Licença Poética. In: as algemas dos meus braços.
PRADO, Adélia. Adélia Prado: Poesia reunida. 6.
ed. São Paulo: Siciliano, 1996. p. 11. Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
(Uece 2020) O texto marca-se como gênero Tudo mentira! Mentira
poema com versos livres (sem a necessidade de da lua, na noite escura.
rimas ou de restrições métricas). Para a
composição desse texto, a autora selecionou Não te encontro, não te alcanço...
predominantemente a tipologia textual Só – no tempo equilibrada,
a) narrativa, porque apresentou ações que desprendo-me do balanço
sinalizam mudanças de estado, geralmente no que além do tempo me leva.
passado ou que partem do passado, com Só – na treva,
circunstâncias de tempo e de lugar. fico: recebida e dada.
b) argumentativa, porque trouxe enunciado de
atribuição de qualidade, dados e demais Porque a vida, a vida, a vida,
informações que intentam convencimento ou a vida só é possível
mudança de opinião acerca de uma temática. reinventada.
c) expositiva, porque houve uma decomposição
dos elementos elencados, no texto, a fim de MEIRELES, Cecília. Reinvenção. In. MEIRELES,
estabelecer uma relação parte-todo. Cecília. Vaga música. São Paulo: Global Editora,
d) descritiva, porque contemplou uma estrutura 1942.
simples com verbo estático no presente ou
imperfeito, atuando como um complemento e/ou
uma indicação circunstancial de lugar. (Uece 2020) Sobre o poema “Reinvenção”, de
Cecília Meireles, é correto afirmar que
Exercício 126
a) é constituído por trinta e dois versos com
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
rimas alternadas em três estrofes e com rimas
Reinvenção
livres no refrão.
b) a animosidade do dia a dia faz com que o ser
A vida só é possível
humano precise “reinventar” a vida.
reinventada.
c) a utilização da metonímia, na segunda estrofe,
mostra que para a autora a beleza da vida é
Anda o sol pelas campinas
simples.
e passeia a mão dourada
d) o uso do “mas”, na terceira estrofe, revela uma
pelas águas, pelas folhas...
desesperança da autora frente à vida.
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas Exercício 127
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TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: a) do sexo masculino, com idade avançada, que
O Poeta da Roça moram em metrópoles.
b) não escolarizados de dialeto usado por
Sou fio das mata, cantô da mão grosa moradores de regiões interioranas do país.
Trabaio na roça, de inverno e de estio c) estrangeiros que não dominam certas
A minha chupana é tapada de barro expressões da língua portuguesa.
Só fumo cigarro de paia de mio d) escolarizados do sexo masculino que moram
no interior do nosso país.
Sou poeta das brenha, não faço o papé
Exercício 128
De argum menestrê, ou errante cantô
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Que veve vagando, com sua viola
Pronominais
Cantando, pachola, à percura de amô
Dê-me um cigarro
Não tenho sabença, pois nunca estudei
Diz a gramática
Apenas eu seio o meu nome assiná
Do professor e do aluno
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre
E do mulato sabido
E o fio do pobre não pode estudá
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Meu verso rastero, singelo e sem graça
Dizem todos os dias
Não entra na praça, no rico salão
Deixa disso camarada
Meu verso só entra no campo da roça e dos eito
Me dá um cigarro.
E às vezes, recordando feliz mocidade
Canto uma sodade que mora em meu peito.
ANDRADE, Oswald. Obras completas. Rio de
[...]
Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.
Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
(Uece 2020) A característica da temática e do
E tomba de fome, sem casa e sem pão.
estilo próprios da escrita literária de Oswald de
Andrade que NÃO está presente no poema
E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
“Pronominais” é
Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade, a) o uso do verso livre, a fim de traduzir a
Cantando as verdade das coisa do Norte. liberdade plena da forma.
b) a ruptura com os padrões da língua literária
Adaptada de ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que culta e a busca de uma língua brasileira.
eu canto cá: Filosofia de um trovador nordestino. c) a proposta de reduzir a distância entre a
2. Ed. Petrópolis: Vozes, 1978. linguagem falada e a escrita.
d) a obediência à métrica rígida empregada nas
formas clássicas da poesia.
(Uece 2020) As palavras “papé” (linha 5), Exercício 129
“percura” (linha 8) e “sodade” (linha 17) extraídas (G1 - cmrj 2019) TEXTO I
do poema revelam uma variedade linguística do
português brasileiro específica de um grupo Casamento
social identificada em falantes
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Há mulheres que dizem: sagrada em que ficamos pendentes, suspensos
Meu marido, se quiser pescar, pesque, sobre o abismo. Falar é outra coisa, vos digo.
mas que limpe os peixes. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto, divinizei. Como perfume em que perdesse minha
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar. própria aparência. Me solvia na fala,
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha, insubstanciada.
de vez em quando os cotovelos se esbarram, Lembro desse encontro, dessa primogênita
ele fala coisas como ‘este foi difícil’ primeira vez. Como se aquele momento fosse,
‘prateou no ar dando rabanadas’ afinal, toda minha vida. Aconteceu aqui, neste
e faz o gesto com a mão. mesmo pátio em que agora o espero. Era uma
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a
atravessa a cozinha como um rio profundo. casa. O ar por ali parava. A brisa sem voar, quase
Por fim, os peixes na travessa, nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em
vamos dormir. minha frente todo chegado como se a sua única
Coisas prateadas espocam: viagem tivesse sido para a minha vida.
somos noivo e noiva. No entanto, algo nele aparentava distância. [...]
Nesse mesmo pátio em que se estreava meu
(PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz, Rio de coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele
Janeiro: Record, 2006. p. 25.) anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele
desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher
havendo. Só isso: a murchidão do que, antes,
TEXTO II florescia. [...] O único intruso era o tempo, que
nossa rotina deixara crescer e pesar.
A despedideira [...] Deixem-me agora evocar, aos goles de
lembrança. Enquanto espero que ele volte, de
Há mulheres que querem que o seu homem seja novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez,
o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres que me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos
falam na voz do seu homem. O meu que seja poucos. Me debruço na varanda e a altura me
calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que
que ele seja a minha voz quando Deus me pedir descobri? Que minha alma é feita de água. Não
contas. [...] posso me debruçar tanto. Senão me entorno e
Há muito tempo, me casei, também eu. ainda morro vazia, sem gota.
Dispensei uma vida com esse alguém. Até que Porque eu não sou por mim. Existo refletida,
ele foi. Quando me deixou, já não me deixou a ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é por
mim. Que eu já era outra, habilitada a ser luz de outro. A luz desse amante, luz dançando
ninguém. Às vezes, contudo, ainda me adoece na água. Mesmo que surja assim, agora, 30
uma saudade desse homem. Lembro o tempo distante e fria. Cinza de um cigarro nunca
em que me encantei, tudo era um princípio. Eu fumado.
era nova, dezanovinha. Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de
1Quando ele me dirigiu palavra, nesse novo, se despeça de mim. E passados os anos,
primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda
nunca eu tinha falado com ninguém. O que havia choro como se fosse a primeira despedida.
feito era comerciar palavra, em negoceio de Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo
sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte
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inteiramente meu. Um adeus à medida de meu vive comendo o meu fubá.
amor.
[...] Toda a vida acreditei: amor é os dois se Ficou moderno o Brasil
duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ficou moderno o milagre:
ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o a água já não vira vinho,
múltiplo de nada, Ninguém no plural. vira direto vinagre.
Ninguéns.
II
(COUTO, Mia. O fio das missangas. São Paulo: Minha terra tem Palmares
Companhia das Letras, 2009. p.51-54.) memória cala-te já.
Peço licença poética
Belém capital Pará.
Tanto no poema de Adélia Prado quanto no
conto de Mia Couto, a expressão “primeira vez” Bem, meus prezados senhores
remete a momentos felizes: dado o avançado da hora
errata e efeitos do vinho
“O silêncio de quando nos vimos a primeira vez / o poeta sai de fininho.
atravessa a cozinha como um rio profundo”
(Texto II, v. 11 e 12) (será mesmo com 2 esses que se escreve
paçarinho?)
“Quando ele me dirigiu palavra, nesse
primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, CACASO, Antônio Carlos de Brito. Grupo
nunca eu tinha falado com ninguém. [...] Dessa escolar (1974). Disponível em: <
vez, com esse homem, na palavra eu me https://wp.ufpel.edu.br/aulusmm/2016/03/20/cacaso-
divinizei. [...] Lembro desse encontro, dessa antonio-carlos-de-brito/>. Acesso em: 06 maio
primogênita primeira vez”. (Texto III, ref. 1) 2019.
O silêncio (Texto I) e a palavra (Texto II), tão Antônio Carlos de Brito ou, simplesmente,
marcantes no primeiro encontro de cada casal, Cacaso, foi um poeta integrante da chamada
remetem, respectivamente à ideia de Geração Mimeógrafo, grupo que produzia à
a) insolência e opressão. margem do sistema editorial brasileiro,
b) inquietude e comoção. divulgando seus poemas de formas alternativas.
c) intimidade e nostalgia. Esse grupo publicou assiduamente na década de
d) indiferença e alienação. 1970 e, em muitos de seus poemas, posicionou-
e) intolerância e abnegação. se contrário à censura imposta pelo governo
militar. Levando em consideração essas
Exercício 130 informações, leia atentamente o poema “Jogos
(G1 - ifpe 2019) JOGOS FLORAIS Florais” e avalie o que se afirma abaixo.
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de luzes que não cegam
Eis o meu pobre elefante e brilham através
pronto para sair dos troncos mais espessos.
à procura de amigos Esse passo que vai
num mundo enfastiado sem esmagar as plantas
que já não crê em bichos no campo de batalha,
e duvida das coisas. à procura de sítios,
Ei-lo, massa imponente segredos, episódios
e frágil, que se abana não contados em livro,
e move lentamente de que apenas o vento,
a pele costurada as folhas, a formiga
onde há flores de pano reconhecem o talhe,
e nuvens, alusões mas que os homens ignoram,
a um mundo mais poético pois só ousam mostrar-se
onde o amor reagrupa sob a paz das cortinas
as formas naturais. à pálpebra cerrada.
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Alegrai, como dois netinhos, o viver (Obras poéticas, 1968.)
Da minha alma, velha avó entrevadinha.
(Obras poéticas, 1968.) (Unesp 2016) A musicalidade, as reiterações, as
aliterações e a profusão de imagens e metáforas
(Unesp 2016) Indique o verso cuja imagem são algumas características formais do poema,
significa “trazer sofrimentos, padecimentos”. que apontam para sua filiação ao movimento
a) “O vosso gesto é como um balouçar de palma,” a) romântico.
b) modernista.
b) “Divinas mãos que me heis coroado de c) parnasiano.
espinhos,” d) simbolista.
c) “Duas velas à flor duma baía escura.” e) neoclássico.
d) “Mãos de pérola, mãos cor de velho marfim,”
Exercício 136
e) “Sois dois lenços, ao longe, acenando por
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES:
mim,”
A(s) questão(ões) a seguir toma(m) por base
Exercício 135 uma passagem de uma palestra de Amadeu
Leia o poema do português Eugênio de Castro Amaral (1875-1929) proferida em São Paulo,
(1869-1944) para responder às questões a em 1914, e uma charge de Dum.
seguir.
MÃOS Árvores e poetas
Mãos de veludo, mãos de mártir e de santa,
o vosso gesto é como um balouçar de palma; Para o botânico, a árvore é um vegetal de grande
o vosso gesto chora, o vosso gesto geme, o altura, composto de raiz, tronco e fronde,
vosso gesto canta! subdividindo-se cada uma dessas partes numa
Mãos de veludo, mãos de mártir e de santa, certa quantidade de elementos: – reduz-se tudo
rolas à volta da negra torre da minh’alma. a um esquema. O botânico estuda-lhe o
Pálidas mãos, que sois como dois lírios doentes, nascimento, o crescimento, a reprodução, a
Caridosas Irmãs do hospício da minh’alma, nutrição, a morte; descreve-a; classifica-a. Não
O vosso gesto é como um balouçar de palma, lhe liga, porém, maior importância do que aquela
Pálidas mãos, que sois como dois lírios que empresta ao mais microscópico dos fungos
doentes... ou ao mais desinteressante dos cogumelos. O
Mãos afiladas, mãos de insigne formosura, carvalho, com toda a sua corpulência e toda a sua
Mãos de pérola, mãos cor de velho marfim, beleza, vale tanto como a relva que lhe cresce à
Sois dois lenços, ao longe, acenando por mim, sombra ou a trepadeira desprezível e teimosa
Duas velas à flor duma baía escura. que lhe enrosca os sarmentos1 colubrinos2
Mimo de carne, mãos magrinhas e graciosas, pelas rugosidades do caule. Por via de regra vale
Dos meus sonhos de amor, quentes e brandos até menos, porque as grandes espécies já
ninhos, dificilmente deparam qualquer novidade. Para o
Divinas mãos que me heis coroado de espinhos, jurista, a árvore é um bem de raiz, um objeto de
Mas que depois me haveis coroado de rosas! compra e venda e de outras relações de direito,
Afilhadas do luar, mãos de rainha, assim como a paisagem que a enquadra – são
Mãos que sois um perpétuo amanhecer, propriedades particulares, ou terras devolutas. E
Alegrai, como dois netinhos, o viver há muita gente a quem a vista de uma grande
Da minha alma, velha avó entrevadinha.
https://aprovatotal.com.br/medio/literatura/exercicios/introducao-a-literatura/ex.1-figuras-de-linguagem?dificuldade=random&tentativa=ultima&resposta… 92/118
árvore sugere apenas este grito de alma: – uma passagem de uma palestra de Amadeu
“Quanta lenha!...” Amaral (1875-1929) proferida em São Paulo,
O poeta é mais completo. Ele vê a árvore sob os em 1914, e uma charge de Dum.
aspectos da beleza e sob o ângulo Árvores e poetas
antropomórfico3: encara-a de pontos de vista Para o botânico, a árvore é um vegetal de grande
comuns à humanidade de todos os tempos. Vê-a altura, composto de raiz, tronco e fronde,
na sua graça, na sua força, na sua formosura, no subdividindo-se cada uma dessas partes numa
seu colorido; sente tudo quanto ela lembra, tudo certa quantidade de elementos: – reduz-se tudo
quanto ela sugere, tudo quanto ela evoca, desde a um esquema. O botânico estuda-lhe o
as impressões mais espontâneas até as mais nascimento, o crescimento, a reprodução, a
remotas, mais vagas e mais indefiníveis. Dá-nos, nutrição, a morte; descreve-a; classifica-a. Não
assim, uma noção “humana”, direta e viva da lhe liga, porém, maior importância do que aquela
árvore, – pelo menos tão verdadeira quanto que empresta ao mais microscópico dos fungos
qualquer outra. ou ao mais desinteressante dos cogumelos. O
carvalho, com toda a sua corpulência e toda a sua
(Letras floridas, 1976.) beleza, vale tanto como a relva que lhe cresce à
sombra ou a trepadeira desprezível e teimosa
que lhe enrosca os sarmentos1 colubrinos2
1sarmento: ramo delgado, flexível. pelas rugosidades do caule. Por via de regra vale
2colubrino: com forma de cobra, sinuoso. até menos, porque as grandes espécies já
3antropomórfico: descrito ou concebido sob dificilmente deparam qualquer novidade. Para o
forma humana ou com atributos humanos. jurista, a árvore é um bem de raiz, um objeto de
compra e venda e de outras relações de direito,
assim como a paisagem que a enquadra – são
propriedades particulares, ou terras devolutas. E
há muita gente a quem a vista de uma grande
árvore sugere apenas este grito de alma: –
“Quanta lenha!...”
O poeta é mais completo. Ele vê a árvore sob os
aspectos da beleza e sob o ângulo
antropomórfico3: encara-a de pontos de vista
comuns à humanidade de todos os tempos. Vê-a
na sua graça, na sua força, na sua formosura, no
seu colorido; sente tudo quanto ela lembra, tudo
quanto ela sugere, tudo quanto ela evoca, desde
as impressões mais espontâneas até as mais
remotas, mais vagas e mais indefiníveis. Dá-nos,
(Unesp 2016) De acordo com a concepção de assim, uma noção “humana”, direta e viva da
Amadeu Amaral, qual seria a diferença árvore, – pelo menos tão verdadeira quanto
fundamental entre o ponto de vista do botânico e qualquer outra.
o do poeta? Justifique sua resposta. (Letras floridas, 1976.)
Exercício 137 1sarmento: ramo delgado, flexível.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES: 2colubrino: com forma de cobra, sinuoso.
A(s) questão(ões) a seguir toma(m) por base
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3antropomórfico: descrito ou concebido sob 3 próvido: providente, que se previne,
forma humana ou com atributos humanos. previdente, precavido.
Exercício 139
Leia o trecho inicial de um poema de Álvaro de
Campos, heterônimo do escritor Fernando
Pessoa (1888-1935), para responder à(s)
(Unesp 2016) “Ele vê a árvore sob os aspectos questão(ões) a seguir.
da beleza e sob o ângulo antropomórfico” Esta velha angústia,
A quem o autor do texto atribui tal perspectiva? Esta angústia que trago há séculos em mim,
Identifique os dois pontos de vista inerentes a Transbordou da vasilha,
esta perspectiva, explicando-os. Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Exercício 138
Em grandes emoções súbitas sem sentido
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
nenhum.
A(s) quest(ões) a seguir toma(m) por base o
Transbordou.
“Soneto LXVII” (“Considera a vantagem que os
Mal sei como conduzir-me na vida
brutos fazem aos homens em obedecer a Deus”),
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
de Dom Francisco Manuel de Melo (1608-
Se ao menos endoidecesse deveras!
1666).
Mas não: é este estar entre,
Quando vejo, Senhor, que às alimárias1
Este quase,
Da terra, da água, do ar, – peixe, ave, bruto –,
Este poder ser que...,
Não lhe esquece jamais o alto estatuto
Isto.
Das leis que lhes pusestes ordinárias;
Um internado num manicômio é, ao menos,
E logo vejo quantas artes2 várias
alguém,
O homem racional, próvido3 e astuto,
Eu sou um internado num manicômio sem
Põe em obrar, ingrato e resoluto,
manicômio.
Obras que a vossas leis são tão contrárias:
Estou doido a frio,
Ou me esquece quem sois ou quem eu era;
Estou lúcido e louco,
Pois do que me mandais tanto me esqueço,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Como se a vós e a mi não conhecera.
Estou dormindo desperto com sonhos que são
Com razão logo por favor vos peço
loucura
Que, pois homem tal sou, me façais fera,
Porque não são sonhos.
A ver se assi melhor vos obedeço.
Estou assim...
(A tuba de Calíope, 1988.)
Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
1alimária: animal irracional.
Que é do teu menino? Está maluco.
2arte: astúcia, ardil.
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Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto Se ao menos endoidecesse deveras!
provinciano? Mas não: é este estar entre,
Está maluco. Este quase,
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu Este poder ser que...,
sou. Isto.
(Obra poética, 1965.) Um internado num manicômio é, ao menos,
alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem
(Unesp 2016) A hipérbole é uma figura de manicômio.
palavra que consiste no exagero verbal (para Estou doido a frio,
efeito expressivo): “já disse mil vezes”, “correram Estou lúcido e louco,
mares de sangue”. Estou alheio a tudo e igual a todos:
(Celso Pedro Luft. Abc da língua culta, 2010. Estou dormindo desperto com sonhos que são
Adaptado.) loucura
Porque não são sonhos.
Verifica-se a ocorrência de hipérbole no seguinte Estou assim...
verso: Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
a) “Eu sou um internado num manicômio sem Que é do teu menino? Está maluco.
manicômio.” (3ª estrofe) Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto
b) “Mal sei como conduzir-me na vida” (2ª provinciano?
estrofe) Está maluco.
c) “Em grandes emoções súbitas sem sentido Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu
nenhum.” (1ª estrofe) sou.
d) “Se ao menos endoidecesse deveras!” (2ª (Obra poética, 1965.)
estrofe)
e) “Esta angústia que trago há séculos em mim,” (Unesp 2016) “Pobre velha casa da minha
(1ª estrofe) infância perdida! / Quem te diria que eu me
desacolhesse tanto! / Que é do teu menino? Está
Exercício 140 maluco. / Que é de quem dormia sossegado sob
Leia o trecho inicial de um poema de Álvaro de o teu teto provinciano? / Está maluco. / Quem de
Campos, heterônimo do escritor Fernando quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.” (4ª
Pessoa (1888-1935), para responder à(s) estrofe)
questão(ões) a seguir. O tom predominante nesta estrofe é de
Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
a) indiferença.
Transbordou da vasilha,
b) ingenuidade.
Em lágrimas, em grandes imaginações,
c) incerteza.
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
d) acolhimento.
Em grandes emoções súbitas sem sentido
e) desamparo.
nenhum.
Transbordou. Exercício 141
Mal sei como conduzir-me na vida (Unesp 2017) Leia o poema “Sonetilho do falso
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma! Fernando Pessoa”, de Carlos Drummond de
https://aprovatotal.com.br/medio/literatura/exercicios/introducao-a-literatura/ex.1-figuras-de-linguagem?dificuldade=random&tentativa=ultima&resposta… 95/118
Andrade (1902-1987), que integra o livro Claro constitui um marco histórico da civilização.
enigma, publicado em 1951. Pela primeira vez, cerca de 50 mil anos depois
Onde nasci, morri. de o Homo sapiens deixar uma mão com tinta
Onde morri, existo. estampada em uma pedra, a humanidade era
E das peles que visto capaz de descrever matematicamente a maior
muitas há que não vi. estrutura conhecida: o Universo. A façanha
Sem mim como sem ti intelectual levava as digitais de Albert Einstein
posso durar. Desisto (1879-1955).
de tudo quanto é misto Ao terminar aquele artigo de 1917, o físico de
e que odiei ou senti. origem alemã escreveu a um colega dizendo que
Nem 1Fausto nem 2Mefisto, o que produzira o habilitaria a ser “internado em
à deusa que se ri um hospício”. Mais tarde, referiu-se ao arcabouço
deste nosso 3oaristo, teórico que havia construído como um “castelo
eis-me a dizer: assisto alto no ar”.
além, nenhum, aqui, O Universo que saltou dos cálculos de Einstein
mas não sou eu, nem isto. tinha três características básicas: era finito, sem
Claro enigma, 2012. fronteiras e estático – o derradeiro traço
alimentaria debates e traria arrependimento a
1Fausto: personagem alemão que fez um pacto Einstein nas décadas seguintes.
com o diabo. Em “Considerações Cosmológicas na Teoria da
2Mefisto: personagem alemão considerado a Relatividade Geral”, publicado em fevereiro de
personificação do diabo. 1917 nos Anais da Academia Real Prussiana de
3oaristo: conversa carinhosa e familiar. Ciências, o cientista construiu (de modo muito
Carlos Drummond de Andrade intitulou seu visual) seu castelo usando as ferramentas que
poema de “Sonetilho do falso Fernando Pessoa”. ele havia forjado pouco antes: a teoria da
Por que razão o poeta refere-se a seu poema relatividade geral, finalizada em 1915, esquema
como “sonetilho”? teórico já classificado como a maior contribuição
Transcreva um verso em que a referência aos intelectual de uma só pessoa à cultura humana.
heterônimos do escritor português Fernando Esse bloco matemático impenetrável (mesmo
Pessoa se mostra evidente. para físicos) nada mais é do que uma teoria que
Justifique sua resposta. explica os fenômenos gravitacionais. Por
exemplo, por que a Terra gira em torno do Sol ou
Exercício 142
por que um buraco negro devora avidamente luz
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:
e matéria.
Leia o trecho extraído do artigo “Cosmologia,
Com a introdução da relatividade geral, a teoria
100”, de Antonio Augusto Passos Videira e
da gravitação do físico britânico Isaac Newton
Cássio Leite Vieira, para responder à(s)
(1642-1727) passou a ser um caso específico da
questão(ões) a seguir.
primeira, para situações em que massas são bem
“Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu
menores do que as das estrelas e em que a
mesmo percorri, árdua e sinuosa.” A frase – que
velocidade dos corpos é muito inferior à da luz
tem algo da essência do hoje clássico A estrada
no vácuo (300 mil km/s).
não percorrida (1916), do poeta norte-americano
Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e
Robert Frost (1874-1963) – está em um artigo
de 1917), impressiona o fato de Einstein ter
científico publicado há cem anos, cujo teor
achado tempo para escrever uma pequena joia,
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“Teoria da Relatividade Especial e Geral”, na qual mobilização resultante desse debate
populariza suas duas teorias, incluindo a de desencadeou a criação do Centro Popular de
1905 (especial), na qual mostrara que, em certas Cultura (CPC).
condições, o espaço pode encurtar, e o tempo,
dilatar. CORO DOS DESGRAÇADOS: Trabalhamos noite
Tamanho esforço intelectual e total entrega ao e dia, dia e noite sem parar! Então de nada
raciocínio cobraram seu pedágio: Einstein precisamos, se só precisamos trabalhar! Há mil
adoeceu, com problemas no fígado, icterícia e anos sem parar! Fizemos as correntes que nos
úlcera. Seguiu debilitado até o final daquela botaram nos pés, fizemos a Bastilha onde fomos
década. morar, fizemos os canhões que vão nos apontar.
Se deslocados de sua época, Einstein e sua Há mil anos sem parar! Não mandamos, não
cosmologia podem ser facilmente vistos como fugimos, não cheiramos, não matamos, não
um ponto fora da reta. Porém, a historiadora da fingimos, não coçamos, não corremos, não
ciência britânica Patricia Fara lembra que aqueles deitamos, não sentamos: trabalhamos. Há mil
eram tempos de “cosmologias”, de visões anos sem parar! Ninguém sabe nosso nome, não
globais sobre temas científicos. Ela cita, por conhecemos a espuma do mar, somos tristes e
exemplo, a teoria da deriva dos continentes, do cansados. Há mil anos sem parar! Eu nunca ri –
geólogo alemão Alfred Wegener (1880-1930), eu nunca ri – sempre trabalhei. Eu faço charutos
marcada por uma visão cosmológica da Terra. e fumo bitucas, eu faço tecidos e ando pelado, eu
Fara dá a entender que várias áreas da ciência, faço vestido pra mulher, e nunca vi mulher
naquele início de século, passaram a olhar seus desvestida. Há mil anos sem parar! Maria
objetos de pesquisa por meio de um prisma mais esqueceu de mim e foi morar com seu Joaquim.
amplo, buscando dados e hipóteses em outros Há mil anos sem parar!
campos do conhecimento.
Folha de S. Paulo, 01.01.2017. Adaptado. (Apito longo. Um cartaz aparece:
“Dois minutos de descanso e lamba as unhas.”
(Unesp 2017) Em “A façanha intelectual levava Todos vão tentar sentar.
as digitais de Albert Einstein (1879-1955).” (2º Menos o Desgraçado 4 que fica de pé furioso.)
parágrafo), o termo destacado pode ser
substituído de modo mais adequado, tendo em DESGRAÇADO 1: Ajuda-me aqui, Dois. Eu
vista o contexto, por: quero me dá uma sentadinha.
a) proeza.
b) ousadia. (Desgraçado 2 ri de tudo.)
c) concretude.
d) debilidade. DESGRAÇADO 3: Senta. (Desgraçado 1 vai pôr
e) petulância. a cabeça no chão.) De assim, não. Acho que não é
com a cabeça não.
Exercício 143 DESGRAÇADO 1: Eu esqueci.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: DESGRAÇADO 3: A bunda, põe ela no chão. A
Leia o trecho da peça A mais-valia vai acabar, seu perna é que eu não sei.
Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha. A DESGRAÇADO 2: A perna tira.
peça foi encenada em 1960 na arena da
Faculdade de Arquitetura da Universidade do (Desgraçado 3 e Desgraçado 2 desistem de
Brasil e promoveu um amplo debate. A descobrir. Se atiram no chão.)
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Faculdade de Arquitetura da Universidade do
DESGRAÇADO 1: A perna dobra! (Senta. Brasil e promoveu um amplo debate. A
Satisfeito.) mobilização resultante desse debate
DESGRAÇADO 2: Quero ver levantar. desencadeou a criação do Centro Popular de
Cultura (CPC).
(Todos olham para Desgraçado 4, fazem sinais
para que ele se sente.) CORO DOS DESGRAÇADOS: Trabalhamos noite
e dia, dia e noite sem parar! Então de nada
DESGRAÇADO 4: Não! Chega pra mim! Eu só precisamos, se só precisamos trabalhar! Há mil
trabalho, trabalho, trabalho… (Perde o fôlego.) anos sem parar! Fizemos as correntes que nos
DESGRAÇADO 3: Eu te ajudo: trabalho, botaram nos pés, fizemos a Bastilha onde fomos
trabalho, trabalho... morar, fizemos os canhões que vão nos apontar.
DESGRAÇADO 4: E tenho dois minutos de Há mil anos sem parar! Não mandamos, não
descanso? Nunca vi o sol, não tomei leite fugimos, não cheiramos, não matamos, não
condensado, não canto na rua, esqueci do sentar, fingimos, não coçamos, não corremos, não
quando chega a hora de descansar, fico pensando deitamos, não sentamos: trabalhamos. Há mil
na hora de trabalhar! Chega! anos sem parar! Ninguém sabe nosso nome, não
conhecemos a espuma do mar, somos tristes e
SLIDE: Quem canta seus males espanta. cansados. Há mil anos sem parar! Eu nunca ri –
eu nunca ri – sempre trabalhei. Eu faço charutos
DESGRAÇADO 1: (cantando) A paga vem depois e fumo bitucas, eu faço tecidos e ando pelado, eu
que a gente morre! Você vira um anjo todo faço vestido pra mulher, e nunca vi mulher
branco, rindo sempre da brancura, bebe leite em desvestida. Há mil anos sem parar! Maria
teta de nuvem, não tem mais fome, não tem esqueceu de mim e foi morar com seu Joaquim.
saudade, pinta o céu de cor de felicidade! Há mil anos sem parar!
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(Desgraçado 3 e Desgraçado 2 desistem de
descobrir. Se atiram no chão.)
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c) “A liberdade para forjar sua própria natureza é portugueses e de perecerem os pobres. Em uma
um dom que implica riscos.” (2º parágrafo) capitania destas confessei uma pobre mulher,
d) “Ao lado do racionalismo triunfante, sempre das que vieram das Ilhas, a qual me disse com
houve um grito de alerta quanto às trevas que muitas lágrimas que, dos nove filhos que tivera,
rondavam as sociedades modernas.” (2º lhe morreram em três meses cinco filhos, de
parágrafo) pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela
e) “Tudo se passa como se a partir de agora não morte de tantos filhos, respondeu-me: “Padre,
pudéssemos mais esquecer da besta, que Pico não são esses os por que eu choro, senão pelos
della Mirandola via como uma das possibilidades quatro que tenho vivos sem ter com que os
de nossa natureza.” (3º parágrafo) sustentar, e peço a Deus todos os dias que me
os leve também.”
Exercício 148
São lastimosas as misérias que passa esta pobre
Para responder à(s) questão(ões) a seguir, leia o
gente das Ilhas, porque, como não têm com que
trecho de uma carta enviada por Antônio Vieira
agradecer, se algum índio se reparte não lhe
ao rei D. João IV em 4 de abril de 1654.
chega a eles, senão aos poderosos; e é este um
No fim da carta de que 1V. M. me fez mercê me
desamparo a que V. M. por piedade deverá
manda V. M. diga meu parecer sobre a
mandar acudir.
conveniência de haver neste estado ou dois
Tornando aos índios do Pará, dos quais, como
capitães-mores ou um só governador.
dizia, se serve quem ali governa como se foram
Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e
seus escravos, e os traz quase todos ocupados
hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi
em seus interesses, principalmente no dos
toscamente o que me parece.
tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a
Digo que menos mal será um ladrão que dois; e
V. M. os grandes pecados que por ocasião deste
que mais dificultoso serão de achar dois homens
serviço se cometem.
de bem que um. Sendo propostos a Catão dois
(Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras,
cidadãos romanos para o provimento de duas
2017. Adaptado.)
praças, respondeu que ambos lhe
1V. M.: Vossa Majestade.
descontentavam: um porque nada tinha, outro
porque nada lhe bastava. Tais são os dois
(Unesp 2020) Considerando o contexto, as
capitães-mores em que se repartiu este
lacunas numeradas no terceiro parágrafo do
governo: Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio
texto devem ser preenchidas, respectivamente,
do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é
por
maior tentação, se a _____1_____, se a
_____2_____. Tudo quanto há na capitania do a) humildade e vaidade.
Pará, tirando as terras, não vale 10 mil cruzados, b) necessidade e cobiça.
como é notório, e desta terra há-de tirar Inácio c) miséria e inveja.
do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, d) preguiça e ganância.
segundo se lhe vão logrando bem as indústrias. e) avareza e luxúria.
Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes Exercício 149
índios, aos quais trata como tão escravos seus, Para responder à(s) questão(ões) a seguir, leia o
que nenhum tem liberdade nem para deixar de trecho de uma carta enviada por Antônio Vieira
servir a ele nem para poder servir a outrem; o ao rei D. João IV em 4 de abril de 1654.
que, além da injustiça que se faz aos índios, é No fim da carta de que 1V. M. me fez mercê me
ocasião de padecerem muitas necessidades os manda V. M. diga meu parecer sobre a
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conveniência de haver neste estado ou dois Tornando aos índios do Pará, dos quais, como
capitães-mores ou um só governador. dizia, se serve quem ali governa como se foram
Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e seus escravos, e os traz quase todos ocupados
hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi em seus interesses, principalmente no dos
toscamente o que me parece. tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a
Digo que menos mal será um ladrão que dois; e V. M. os grandes pecados que por ocasião deste
que mais dificultoso serão de achar dois homens serviço se cometem.
de bem que um. Sendo propostos a Catão dois (Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras,
cidadãos romanos para o provimento de duas 2017. Adaptado.)
praças, respondeu que ambos lhe 1V. M.: Vossa Majestade.
descontentavam: um porque nada tinha, outro
porque nada lhe bastava. Tais são os dois (Unesp 2020) À questão colocada por D. João IV,
capitães-mores em que se repartiu este Antônio Vieira
governo: Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio a) responde de maneira categórica.
do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é b) opta por não emitir uma opinião.
maior tentação, se a _____1_____, se a c) finge não tê-la compreendido.
_____2_____. Tudo quanto há na capitania do d) admite a incapacidade de respondê-la.
Pará, tirando as terras, não vale 10 mil cruzados, e) responde de forma enigmática.
como é notório, e desta terra há-de tirar Inácio
do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, Exercício 150
segundo se lhe vão logrando bem as indústrias. Para responder à(s) questão(ões) a seguir, leia o
Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes trecho de uma carta enviada por Antônio Vieira
índios, aos quais trata como tão escravos seus, ao rei D. João IV em 4 de abril de 1654.
que nenhum tem liberdade nem para deixar de No fim da carta de que 1V. M. me fez mercê me
servir a ele nem para poder servir a outrem; o manda V. M. diga meu parecer sobre a
que, além da injustiça que se faz aos índios, é conveniência de haver neste estado ou dois
ocasião de padecerem muitas necessidades os capitães-mores ou um só governador.
portugueses e de perecerem os pobres. Em uma Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e
capitania destas confessei uma pobre mulher, hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi
das que vieram das Ilhas, a qual me disse com toscamente o que me parece.
muitas lágrimas que, dos nove filhos que tivera, Digo que menos mal será um ladrão que dois; e
lhe morreram em três meses cinco filhos, de que mais dificultoso serão de achar dois homens
pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela de bem que um. Sendo propostos a Catão dois
morte de tantos filhos, respondeu-me: “Padre, cidadãos romanos para o provimento de duas
não são esses os por que eu choro, senão pelos praças, respondeu que ambos lhe
quatro que tenho vivos sem ter com que os descontentavam: um porque nada tinha, outro
sustentar, e peço a Deus todos os dias que me porque nada lhe bastava. Tais são os dois
os leve também.” capitães-mores em que se repartiu este
São lastimosas as misérias que passa esta pobre governo: Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio
gente das Ilhas, porque, como não têm com que do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é
agradecer, se algum índio se reparte não lhe maior tentação, se a _____1_____, se a
chega a eles, senão aos poderosos; e é este um _____2_____. Tudo quanto há na capitania do
desamparo a que V. M. por piedade deverá Pará, tirando as terras, não vale 10 mil cruzados,
mandar acudir. como é notório, e desta terra há-de tirar Inácio
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do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, Exercício 151
segundo se lhe vão logrando bem as indústrias.
Exercício 152
Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes
Para responder à(s) questão(ões), leia o trecho
índios, aos quais trata como tão escravos seus,
de uma fala do personagem Quincas Borba,
que nenhum tem liberdade nem para deixar de
extraída do romance Quincas Borba, de Machado
servir a ele nem para poder servir a outrem; o
de Assis, publicado originalmente em 1891.
que, além da injustiça que se faz aos índios, é
— […] O encontro de duas expansões, ou a
ocasião de padecerem muitas necessidades os
expansão de duas formas, pode determinar a
portugueses e de perecerem os pobres. Em uma
supressão de uma delas; mas, rigorosamente,
capitania destas confessei uma pobre mulher,
não há morte, há vida, porque a supressão de
das que vieram das Ilhas, a qual me disse com
uma é condição da sobrevivência da outra, e a
muitas lágrimas que, dos nove filhos que tivera,
destruição não atinge o princípio universal e
lhe morreram em três meses cinco filhos, de
comum. Daí o caráter conservador e benéfico da
pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela
guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas
morte de tantos filhos, respondeu-me: “Padre,
tribos famintas. As batatas apenas chegam para
não são esses os por que eu choro, senão pelos
alimentar uma das tribos, que assim adquire
quatro que tenho vivos sem ter com que os
forças para transpor a montanha e ir à outra
sustentar, e peço a Deus todos os dias que me
vertente, onde há batatas em abundância; mas,
os leve também.”
se as duas tribos dividirem em paz as batatas do
São lastimosas as misérias que passa esta pobre
campo, não chegam a nutrir-se suficientemente
gente das Ilhas, porque, como não têm com que
e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a
agradecer, se algum índio se reparte não lhe
destruição; a guerra é a conservação. Uma das
chega a eles, senão aos poderosos; e é este um
tribos extermina a outra e recolhe os despojos.
desamparo a que V. M. por piedade deverá
Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações,
mandar acudir.
recompensas públicas e todos os demais efeitos
Tornando aos índios do Pará, dos quais, como
das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso,
dizia, se serve quem ali governa como se foram
tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo
seus escravos, e os traz quase todos ocupados
motivo real de que o homem só comemora e
em seus interesses, principalmente no dos
ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e
tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a
pelo=motivo racional de que nenhuma pessoa
V. M. os grandes pecados que por ocasião deste
canoniza uma ação que virtualmente a destrói.
serviço se cometem.
Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as
(Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras,
batatas. [...] Aparentemente, há nada mais
2017. Adaptado.)
contristador que uma dessas terríveis pestes
1V. M.: Vossa Majestade.
que devastam um ponto do globo? E, todavia,
esse suposto mal é um benefício, não só porque
(Unesp 2020) Em sua carta, Antônio Vieira
elimina os organismos fracos, incapazes de
relata os padecimentos
resistência, como porque dá lugar à observação,
a) dos nativos e dos capitães-mores. à descoberta da droga curativa. A higiene é filha
b) dos negros e dos colonos pobres. de podridões seculares; devemo-la a milhões de
c) dos nativos e dos colonos pobres. corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é
d) dos negros e dos capitães-mores. ganho.
e) dos nativos e dos negros.
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(Quincas Borba, 2016.) centro do cosmo. Ao tentar fazer com que o
Universo se adaptasse às ideias platônicas, ele
retornou aos pitagóricos, ressuscitando a
(Unesp 2020) Está empregado em sentido doutrina do fogo central, que levou ao modelo
figurado o termo sublinhado em: heliocêntrico de Aristarco dezoito séculos antes.
a) “nenhuma pessoa canoniza uma ação que Seu pensamento reflete o desejo de reformular
virtualmente a destrói”. as ideias cosmológicas de seu tempo apenas
b) “a supressão de uma é condição da para voltar ainda mais no passado; Copérnico era,
sobrevivência da outra”. sem dúvida, um revolucionário conservador. Ele
c) “Uma das tribos extermina a outra e recolhe jamais poderia ter imaginado que, ao olhar para o
os despojos”. passado, estaria criando uma nova visão cósmica,
d) “Daí o caráter conservador e benéfico da que abriria novas portas para o futuro. Tivesse
guerra”. vivido o suficiente para ver os frutos de suas
e) “não chegam a nutrir-se suficientemente e ideias, Copérnico decerto teria odiado a
morrem de inanição”. revolução que involuntariamente causou.
Entre 1510 e 1514, compôs um pequeno
Exercício 153 trabalho resumindo suas ideias, intitulado
Leia o trecho do livro A dança do universo, do Commentariolus (Pequeno comentário). Embora
físico brasileiro Marcelo Gleiser, para responder na época fosse relativamente fácil publicar um
à(s) questão(ões) a seguir. manuscrito, Copérnico decidiu não publicar seu
texto, enviando apenas algumas cópias para uma
Algumas pessoas tornam-se heróis contra sua audiência seleta. Ele acreditava piamente no
própria vontade. Mesmo que elas tenham ideias ideal pitagórico de discrição; apenas aqueles que
realmente (ou potencialmente) revolucionárias, eram iniciados nas complicações da matemática
muitas vezes não as reconhecem como tais, ou aplicada à astronomia tinham permissão para
não acreditam no seu próprio potencial. Divididas compartilhar sua sabedoria. Certamente essa
entre enfrentar sua insegurança expondo suas posição elitista era muito peculiar, vinda de
ideias à opinião dos outros, ou manter-se na alguém que fora educado durante anos dentro da
defensiva, elas preferem a segunda opção. O tradição humanista italiana. Será que Copérnico
mundo está cheio de poemas e teorias estava tentando sentir o clima intelectual da
escondidos no porão. época, para ter uma ideia do quão “perigosas”
Copérnico é, talvez, o mais famoso desses eram suas ideias? Será que ele não acreditava
relutantes heróis da história da ciência. Ele foi o muito nas suas próprias ideias e, portanto, queria
homem que colocou o Sol de volta no centro do evitar qualquer tipo de crítica? Ou será que ele
Universo, ao mesmo tempo fazendo de tudo para estava tão imerso nos ideais pitagóricos que
que suas ideias não fossem difundidas, realmente não tinha o menor interesse em
possivelmente com medo de críticas ou tornar populares suas ideias? As razões que
perseguição religiosa. Foi quem colocou o Sol de possam justificar a atitude de Copérnico são, até
volta no centro do Universo, motivado por razões hoje, um ponto de discussão entre os
erradas. Insatisfeito com a falha do modelo de especialistas.
Ptolomeu, que aplicava o dogma platônico do (A dança do universo, 2006. Adaptado.)
movimento circular uniforme aos corpos
celestes, Copérnico propôs que o equante fosse (Unesp 2019) De acordo com o texto,
abandonado e que o Sol passasse a ocupar o
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a) a exemplo de Aristarco, Copérnico concebeu por experiência, mas por medo. Porque, enfim,
um Universo cujo centro era ocupado pelo Sol. pode um homem ter nascido num século de
b) Copérnico contribuiu decisivamente para a luzes e de descrenças, e ter mamado o leite do
propagação de sua nova concepção do Universo. liberalismo nos estafados seios da Revolução
Francesa, e não acreditar nem em Deus nem no
c) a originalidade do pensamento de Copérnico Diabo – e, apesar disso, sentir a voz presa na
foi ter colocado o Sol no centro do Universo. garganta, quando encontra na rua, a desoras2,
d) em sua concepção do Universo, Copérnico uma avantesma3...
apropria-se do dogma platônico do movimento Assim, um profundo mistério cercava a
circular uniforme dos corpos celestes. existência do lobisomem de Catumbi – quando
e) tanto Copérnico quanto Ptolomeu podem ser começaram de aparecer vestígios assinalados de
considerados exemplos de heróis relutantes. sua passagem, não já pelas ruas, mas pelo
interior das casas. Não vades agora crer que se
Exercício 154
tenham sumido, por exemplo, as hóstias
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 6 QUESTÕES:
consagradas da igreja de Catumbi, ou que os
Leia a crônica “Almas penadas”, de Olavo Bilac,
empregados do cemitério de S. Francisco de
publicada originalmente em 1902.
Paula tenham achado alguma sepultura vazia, ou
Outro fantasma?... é verdade: outro fantasma.
que algum circunspecto pai de família, certa
Já tardava. O Rio de Janeiro não pode passar
manhã, ao despertar, tenha dado pela falta... da
muito tempo sem o seu lobisomem. Parece que
própria alma. Nada disso. Os fenômenos eram
tudo aqui concorre para nos impelir ao amor do
outros. Desta casa sumiram-se as arandelas,
sobrenatural [...]. Agora, já se não adormecem as
daquela outra as galinhas, daquela outra as
crianças com histórias de fadas e de almas do
joias... E a polícia, finalmente, adquiriu a
outro mundo. Mas, ainda há menos de cinquenta
convicção de que o lobisomem, para perpétua e
anos, este era um povo de beatos [...]. [...] Os
suprema vergonha de toda a sua classe, andava
tempos melhoraram, mas guardam ainda um
acumulando novos pecados sobre os pecados
pouco dessa primitiva credulidade. Inventar um
antigos, e dando-se à prática de excessos menos
fantasma é ainda um magnífico recurso para
merecedores de exorcismos que de cadeia.
quem quer levar a bom termo qualquer grossa
Dizem as folhas4 que a polícia,
patifaria. As almas simples vão propagando o
competentemente munida de bentinhos5 e de
terror, e, sob a capa e a salvaguarda desse
revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou
temor, os patifes vão rejubilando.
anteontem o reduto do fantasma. Um jornal,
O novo espectro que nos aparece é o de
dando conta da diligência, disse que o delegado
Catumbi. Começou a surgir vagamente, sem
achou dentro da casa sinistra – um velho
espalhafato, pelo pacato bairro – como um
pardieiro6 que fica no topo de uma ladeira
fantasma de grande e louvável modéstia. E tão
íngreme – alguns objetos singulares que
esbatido1 passava o seu vulto na treva, tão
pareciam instrumentos “pertencentes a
sutilmente deslizava ao longo das casas
gatunos”. E acrescentou: “alguns morcegos
adormecidas – que as primeiras pessoas que o
esvoaçavam espavoridos, tentando apagar as
viram não puderam em consciência dizer se era
velas acesas que os sitiantes7 empunhavam”.
duende macho ou duende fêmea. [...] O fantasma
Esta nota de morcegos deve ser um chique
não falava – naturalmente por saber de longa
romântico do noticiarista. No fundo da alma de
data que pela boca é que morrem os peixes e os
todo o repórter há sempre um poeta... Vamos lá!
fantasmas... Também, ninguém lhe falava – não
nestes tempos, que correm, já nem há
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morcegos. Esses feios quirópteros, esses aumentaram. Assistir a tigres e leões famintos
medonhos ratos alados, companheiros clássicos devorando pessoas vivas pedaço a pedaço, ou a
do terror noturno, já não aparecem pelo bairro gladiadores, por astúcia e engano, mutuamente
civilizado de Catumbi. Os animais, que se ferindo e matando, dificilmente constituiria
esvoaçavam espavoridos, eram sem dúvida os uma diversão para a qual nos prepararíamos com
frangões roubados aos quintais das casas... Ai o mesmo prazer que os senadores ou o povo
dos fantasmas! e mal dos lobisomens! o seu romano. Tudo indica que nenhum sentimento de
tempo passou. identidade unia esses espectadores àqueles que,
(Olavo Bilac. Melhores crônicas, 2005.) na arena, lutavam por suas vidas. Como
sabemos, os gladiadores saudavam o imperador
1esbatido: de tom pálido. ao entrar com as palavras “Morituri te salutant”
2a desoras: muito tarde. (Os que vão morrer te saúdam). Alguns dos
3avantesma: alma do outro mundo, fantasma, imperadores sem dúvida se acreditavam
espectro. imortais. De todo modo, teria sido mais
4folha: periódico diário, jornal. apropriado se os gladiadores dissessem
5bentinho: objeto de devoção contendo orações “Morituri moriturum salutant” (Os que vão
escritas. morrer saúdam aquele que vai morrer). Porém,
6pardieiro: prédio velho ou arruinado. numa sociedade em que tivesse sido possível
7sitiante: policial. dizer isso, provavelmente não haveria
gladiadores ou imperadores. A possibilidade de
(Unesp 2022) Em “o lobisomem, para perpétua se dizer isso aos dominadores – alguns dos quais
e suprema vergonha de toda a sua classe, andava mesmo hoje têm poder de vida e morte sobre
acumulando novos pecados sobre os pecados um sem-número de seus semelhantes – requer
antigos, e dando-se à prática de excessos menos uma desmitologização da morte mais ampla do
merecedores de exorcismos que de cadeia” (3º que a que temos hoje, e uma consciência muito
parágrafo), o trecho sublinhado constitui um mais clara de que a espécie humana é uma
exemplo de comunidade de mortais e de que as pessoas
a) sinestesia. necessitadas só podem esperar ajuda de outras
b) paradoxo. pessoas. O problema social da morte é
c) pleonasmo. especialmente difícil de resolver porque os vivos
d) hipérbole. acham difícil identificar-se com os moribundos.
e) eufemismo. A morte é um problema dos vivos. Os mortos
não têm problemas. Entre as muitas criaturas
Exercício 155 que morrem na Terra, a morte constitui um
Exercício 156 problema só para os seres humanos. Embora
Leia o trecho do livro A solidão dos moribundos, compartilhem o nascimento, a doença, a
do sociólogo alemão Norbert Elias. juventude, a maturidade, a velhice e a morte com
Não mais consideramos um entretenimento os animais, apenas eles, dentre todos os vivos,
de domingo assistir a enforcamentos, sabem que morrerão; apenas eles podem prever
esquartejamentos e suplícios na roda. seu próprio fim, estando cientes de que pode
Assistimos ao futebol, e não aos gladiadores na ocorrer a qualquer momento e tomando
arena. Se comparados aos da Antiguidade, nossa precauções especiais – como indivíduos e como
identificação com outras pessoas e nosso grupos – para proteger-se contra a ameaça da
compartilhamento de seus sofrimentos e morte aniquilação.
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(A solidão dos moribundos, 2001.) a que se refere.
a) A poesia de Meus poemas preferidos, de
(Unesp 2022) No primeiro parágrafo, a Manuel Bandeira, mesmo quando recorre a
impessoalidade da linguagem está bem elementos do mundo exterior, é lírica, porque
exemplificada no trecho: manifesta inquietudes emocionais e
a) “Se comparados aos da Antiguidade, nossa sentimentais.
identificação com outras pessoas e nosso b) Auto da compadecida, de Ariano Suassuna, é
compartilhamento de seus sofrimentos e morte uma obra que pertence ao gênero dramático,
aumentaram.” porque seu texto se estrutura em ações e
b) “Como sabemos, os gladiadores saudavam o diálogos próprios para ser representados por
imperador ao entrar com as palavras ‘Morituri te atores.
salutant’ (Os que vão morrer te saúdam).” c) As narrativas de O conto da mulher brasileira,
c) “Assistimos ao futebol, e não aos gladiadores antologia organizada por Edla van Steen,
na arena.” caracterizam-se como contos, porque são
d) “Tudo indica que nenhum sentimento de histórias breves, com poucas personagens
identidade unia esses espectadores àqueles que, envolvidas em um pequeno número de ações.
na arena, lutavam por suas vidas.” d) Os textos de A alma encantadora das ruas, de
e) “Não mais consideramos um entretenimento João do Rio, caracterizam-se como crônicas,
de domingo assistir a enforcamentos, porque, neles, a ordenação dos acontecimentos
esquartejamentos e suplícios na roda.” é presidida pela cronologia - do grego khrónos,
que significa ‘tempo’.
Exercício 157
(Unisc 2021) Leia o comentário a seguir: Exercício 159
Encenada pela primeira vez em 1956, em Recife, (Ufu 2007) Leia as afirmações a seguir e
e adaptada para uma minissérie televisiva em assinale a alternativa correta.
1999, Auto da compadecida é uma peça teatral a) "A hora e a vez de Augusto Matraga" é um
escrita por Ariano Suassuna em 1955. romance que apresenta um diálogo com o
Assinale a alternativa correta. gênero lírico principalmente no que se refere à
a) Auto da compadecida, peça de Ariano linguagem metaforizada.
Suassuna, inclui diálogos entre os personagens b) "Sentimento do mundo" é uma obra narrativa,
na sua composição. apesar de possuir trechos dramáticos que o
b) Auto é uma estrutura literária fixa, composta aproximam da tragédia pela densidade que
de dois quartetos e dois tercetos. apresenta em alguns momentos.
c) O gênero dramático é aquele que apresenta c) "Calabar" pertence ao gênero dramático,
um narrador em terceira pessoa. aproximando-se, em alguns momentos, da
d) Ao ser adaptada para a televisão, uma peça comédia por apresentar em sua estrutura teatral
teatral precisa incluir um narrador. elementos grotescos.
e) Enquanto uma minissérie televisiva precisa d) "Triste fim de Policarpo Quaresma" pertence
incluir diálogos em sua composição, o gênero ao gênero dramático, por apresentar a estrutura
dramático pode se servir apenas da narração. perfeita de uma comédia, apesar da evidência de
elementos líricos e narrativos.
Exercício 158
(Ufmg 2009) Assinale a alternativa que Exercício 160
apresenta uma afirmativa incorreta sobre a obra (Ufgd 2021) Texto I
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NÓ, CLÍMAX, DESFECHO implicar um com o outro. Retomam com novo
Nó – É o fato que interrompe o fluxo da situação fervor uma discussão antiga. Ela diz que ele
inicial da narrativa, criando um problema ou ronca quando dorme, ele diz que é mentira.
obstáculo que deverá ser resolvido. O Nó é o – Ronca.
que dá origem ao conflito dramático [...]. Ele – Não ronco.
evidencia que só há uma história a ser contada – Ele diz que não ronca – comenta ela,
por que uma crise se instalou em determinada impaciente, como se falasse com uma terceira
situação exigindo que se tente resolvê-la de pessoa.
modo a reequilibrar o que ela desestabilizou [...]; Mas não existe outra pessoa na casa. Os filhos
Clímax – É o elemento que marca o auge do raramente visitam. Os netos, nunca. A
conflito dramático, momento do tudo ou nada empregada vem de manhã, faz o almoço, deixa o
entre as forças contrárias que agem e se jantar e sai cedo. Ficam os dois sozinhos.
defrontam na narrativa [...], engendrando e – Eu devia gravar os seus roncos, pra você se
desenvolvendo a história. Diferentemente do convencer – diz ela. E em seguida tem a ideia
desfecho, o clímax caracteriza um momento em infeliz. – É o que eu vou fazer!
que a expectativa em relação à resolução do Esta noite, quando você dormir, vou ligar o
conflito central da narrativa ignora qual das gravador e gravar os seus roncos.
forças contrárias vencerá. O clímax, portanto, – Humrfm – diz o velho.
suspende, mantendo por instantes em tensão Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai
máxima, a história contada na narrativa; acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar
Desfecho – É a resolução do conflito central da de escrever. Às ideias não podem ser
narrativa, momento em que uma das forças desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos,
contrárias vence e se afirma sobre a sua a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare
oponente. Normalmente, liga-se à situação final tivesse se horrorizado com suas próprias ideias e
da narrativa. deixado de escrevê-las, por puro comedimento.
FRANCO JUNIOR, Arnaldo. Operadores de Não que eu queira me comparar a Shakespeare.
leitura da narrativa. In: BONNICI, Thomas; Shakespeare era bem mais magro. Tenho que
ZOLIN, Lúcia Osana (orgs.). Teoria literária: exercer este ofício, esta danação. Você, no
abordagens históricas e tendências entanto, não é obrigado a me acompanhar, leitor.
contemporâneas. Maringá: Eduem, 2003, p. 42. Vá passear, vá tomar um sol. Uma das maneiras
de controlar a demência solta no mundo e deixar
Texto II os escritores falando sozinhos, exercendo
SOZINHOS sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício
Esta ideia para um conto de terror é tão terrível solitário. Você ainda está lendo.
que, logo depois de tê-la, me arrependi. Mas já Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha.
estava tida, não adiantava mais. Você, leitor, no Sozinhos. Os velhos sozinhos na casa. Os dois
entanto, tem uma escolha. Pode parar aqui, e se vão para a cama. Quando o velho dorme, a velha
poupar, ou ler até o fim e provavelmente nunca liga o gravador. Mas em poucos minutos a velha
mais dormir. Vejo que decidiu continuar. Muito também dorme. O gravador fica ligado, gravando.
bem, vamos em frente. Talvez, posta no papel, a Pouco depois a fita acaba. Na manhã seguinte,
ideia perca um pouco do seu poder de susto. Mas certa do seu triunfo, a velha roda a fita. Ouvem-
não posso garantir nada. É assim: Um casal de se alguns minutos de silêncio. Depois, alguém
velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os roncando.
filhos, os netos já estão grandes, só lhes resta – Rarrá! – diz a velha, feliz.
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Pouco depois ouve-se o ronco de outra pessoa, a d) No desfecho da crônica estilo épico, a gravação
velha também ronca! da fita apresenta uma mensagem de caráter
– Rarrá! – diz o velho, vingativo. sensacionalista, repleta de onomatopeias e
E, em seguida, por cima do contraponto de simbolismos, que podem ser identificados nos
roncos, ouve-se um sussurro. Uma voz trechos: “Humrfm – diz o velho”; “Rarrá! – diz a
sussurrando, leitor. Uma voz indefinida. Pode ser velha, feliz” e “Rarrá! – diz o velho, vingativo”.
de homem, de mulher ou de criança. A princípio – e) Ao apresentar como elemento dramático as
por causa dos roncos – não se distingue o que ações linguístico-discursivas do gênero diálogo
ela diz. Mas aos poucos as palavras vão ficando formal (presentes nas conversas de
claras. São duas vozes. É um diálogo sussurrado. personagens, autor e leitor), o conto lírico
“Estão prontos?” surpreende o narrador ao trazer, em seu
“Não, acho que ainda não...” desfecho, a continuidade da trama, identificada
“Então, vamos voltar amanhã...”. por: “[...] vamos voltar amanhã[...]”.
VERISSIMO, Luis Fernando. Sozinho. In.:
Exercício 161
Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro:
(Espcex (Aman) 2016) Leia o trecho do conto O
Objetiva, 2001
Peru de Natal e responda.
“O nosso primeiro Natal em família, depois da
Assinale a alternativa correta sobre os aspectos
morte de meu pai, acontecida cinco meses antes,
narrativos empregados por Luís Fernando
foi de consequências decisivas para a felicidade
Veríssimo no texto Sozinhos, presente na obra
familiar. Nós sempre fôramos familiarmente
Comédias para se ler na escola (use o texto I
felizes, nesse sentido muito abstrato da
como apoio).
felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem
a) Ao utilizar-se do suspense no auge do conflito brigas internas nem graves dificuldades
dramático (identificado pelo trecho “e, em econômicas. Mas, devido principalmente à
seguida, por cima do contraponto de roncos, natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de
ouve-se um sussurro”), a crônica traz um qualquer lirismo, duma exemplaridade incapaz,
desfecho inesperado, capaz de instigar a acolchoado no medíocre, sempre nos faltara
imaginação e fazer o leitor se questionar: eles aquele aproveitamento da vida, aquele gosto
estariam mesmo sozinhos? pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma
b) O clímax, ou seja, o fato que interrompe o estação de águas, aquisição de geladeira, coisas
fluxo da situação inicial da crônica de terror, dá- assim. Meu pai fora de um bom errado, quase
se quando o narrador questiona enfaticamente o dramático, o puro-sangue dos desmancha-
leitor, logo no primeiro parágrafo: “Pode parar prazeres.
aqui, e se poupar, ou ler até o fim e Morreu meu pai sentimos muito, etc. Quando
provavelmente nunca mais dormir. Vejo que chegamos nas proximidades do Natal, eu já
decidiu continuar”. estava que não podia mais pra afastar aquela
c) Para a construção do nó e do desfecho da memória obstruente do morto, que parecia ter
tragicomédia de terror Sozinhos, o narrador e o sistematizado pra sempre a obrigação de uma
autor usam como elemento narrativo a lembrança dolorosa em cada almoço, em cada
linguagem humorística para retratar o cotidiano gesto da família... A dor já estava sendo cultivada
de um casal de idosos que, constantemente, pelas aparências, e eu, que sempre gostara
recebe visitas inesperadas de seus filhos e apenas regularmente de meu pai, mais por
familiares. instinto de filho que por espontaneidade de
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amor, me via a ponto de aborrecer o bom do dos meus nomes, mas você pode me chamar
morto. também de Jesus, de Senhor, de Deus... Ele
Foi decerto por isso que me nasceu, esta sim, gosta de me chamar de Manuel ou Emanuel,
espontaneamente, a ideia de fazer uma das porque assim quer se persuadir de que sou
minhas chamadas “loucuras”. Essa fora, aliás, e somente homem. Mas você, se quiser, pode me
desde muito cedo, a minha esplêndida conquista chamar de Jesus.
contra o ambiente familiar. Desde cedinho, JOÃO GRILO – Jesus?
desde os tempos de ginásio, em que arranjava MANUEL – Sim.
regularmente uma reprovação todos os anos; JOÃO GRILO – Mas espere, o senhor é que é
desde o beijo às escondidas, numa prima, aos Jesus?
dez anos...eu consegui no reformatório do lar e MANUEL – Sou.
vasta parentagem, a fama conciliatória de “louco”. JOÃO GRILO – Aquele a quem chamavam
“É doido coitado!” (…) Cristo?
Foi lembrando isso que arrebentei com uma das JESUS – A quem chamavam, não, que era
minhas “loucuras”: Cristo. Sou, por quê?
– Bom, no Natal, quero comer peru. JOÃO GRILO – Porque... não é lhe faltando
Houve um desses espantos que ninguém não com o respeito não, mas eu pensava que o
imagina.” senhor era muito menos queimado. [...] A cor
pode não ser das melhores, mas o senhor fala
Nesse fragmento, o universo ficcional constitui bem que faz gosto. [...]
a) o ponto de vista externo do narrador, que MANUEL – Muito obrigado, João, mas agora é
valoriza a célula dramática das novelas sua vez. Você é cheio de preconceito de raça. Vim
românticas. hoje assim de propósito, porque sabia que ia
b) característica da primeira geração modernista, despertar comentários. Que vergonha! Eu, Jesus,
que repudiava o conservadorismo. nasci branco e quis nascer judeu, como podia ter
c) a temática da prosa de costumes, enaltecendo nascido preto. Para mim tanto faz um branco ou
a primeira geração romântica. um preto. Você pensa que sou americano para
d) uma temática nacionalista ao exaltar o ter preconceito de raça?
conservadorismo. Com base no diálogo e na obra literária de
e) a valorização do sistema patriarcal. Ariano Suassuna, analise as afirmativas.
I. João Grilo mostra-se desrespeitoso diante de
Exercício 162 um Jesus negro, que não corresponde às suas
(Pucrs 2015) Leia o excerto do texto dramático expectativas.
O auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. II. Na sua fala, Manuel demostra que o valor das
MANUEL – Sim, é Manuel, o Leão de Judá, o pessoas independe da cor da pele.
Filho de Davi. Levantem-se todos pois vão ser III. O companheiro inseparável de João Grilo,
julgados. Chicó, é um contador de estórias que se
JOÃO GRILO – Apesar de ser um sertanejo caracteriza como uma espécie de mentiroso
pobre e amarelo, sinto que estou diante de uma ingênuo.
grande figura. Não quero faltar com o respeito a IV. A obra dramática de Ariano Suassuna mostra-
uma pessoa tão importante, mas, se não me se alinhada a uma tradição literária ibérica que
engano, aquele sujeito acaba de chamar o senhor apresenta obras fundacionais, como o Auto da
de Manuel. barca do Inferno, de Gil Vicente.
MANUEL – Foi isso mesmo, João. Esse é um Estão corretas as afirmativas
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a) I e II, apenas.
b) III e IV, apenas.
c) I, II e III, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III, IV.
Exercício 163
(Unicamp 2022) Texto I
GABARITO
Exercício 5
Exercício 1
d) “Que faziam perpétua a primavera:” (3ª estrofe)
b) No Artigo VIII encontra-se exemplo de metonímia.
Exercício 6
Exercício 2
a) “O calor do sol está dizendo aos homens que vão descansar
b) personificação. e dormir” (1º parágrafo) – personificação.
Exercício 3 Exercício 7
b) as raízes profundas, presentes na imagem, representam a) metonímia.
metaforicamente o quão complexo é acabar com o racismo no
Brasil, pois a ideia de raça foi historicamente construída e Exercício 8
mantida por muito tempo em nosso país.
e) Sinestesia.
Exercício 4
Exercício 9
c) I, III e IV apenas.
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c) prosopopeia Exercício 25
Exercício 13 b) 2 – 3 – 1
Exercício 72 Exercício 87
Exercício 77 Exercício 91
Exercício 81 Exercício 94
d) A intertextualidade, quando bem empregada em um texto c) o eu lírico demonstra uma atitude de temor e encantamento
literário, tende a torná-lo mais rico e mais fluído, em face da ciência e da tecnologia.
possibilitando melhoria no processo de leitura. Esse recurso
Exercício 95
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b) uma atmosfera onírica, sugerida por imagens que se b) Ressalvas que remetem a uma realidade econômica e
sobrepõem sem ordenamento temporal. política desfavorável à vida, mas que não impedem os sentidos
contidos na afirmação: “a vida vale a pena”.
Exercício 96
Exercício 109
a) da sinestesia.
b) Risco.
Exercício 97
Exercício 110
c) demonstra o tédio de uma mãe, esposa e dona de casa.
d) “Quem não se arrisca não pode berrar.”.
Exercício 98
Exercício 111
c) “Misterioso doutor de capa preta”.
d) Em descontinuidade com a cena descrita na primeira estrofe,
Exercício 99 anuncia uma reflexão incomum em cenas de enterros.
a) Tratam de um mesmo assunto, porém exibem diferentes
Exercício 112
gêneros textuais, uma vez que o primeiro se configura como
poema, empregando uma significação mais conotativa, ao b) Devido a uma visão idealizada da vida e da morte, o poema
passo que o segundo é de caráter informativo, usando a pode ser considerado tipicamente romântico.
linguagem denotativa.
Exercício 113
Exercício 100
e) A letra (fundindo referências culturais distintas) atualiza a
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas. personagem “letrada” Ismalia, deslocando-a para o chão
(“Quis tocar o céu, mas terminou no chão”) da realidade dura e
Exercício 101 concreta das periferias de diversos centros urbanos brasileiros.
b) Mas não pode acabar minha tristeza, / Enquanto não
quiserdes vós, Senhora.
Exercício 114
Exercício 102 a) concebe uma narrativa sobre a origem da imobilidade das
b) rigor formal e busca de objetividade pedras.
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Exercício 124 na sua graça, na sua força, na sua formosura, no seu
colorido...”) e o antropomórfico, isto é, ele a humaniza,
d) eterno e dissolvido.
concebe-a sob forma humana ou com atributos humanos.
Exercício 125
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capacidade de um ser espontâneo e natural: “Desmorder a Exercício 155
maçã não existe como opção”.
b) Nos versos “O essencial é saber ver/Saber ver sem estar a Exercício 156
pensar” e “O meu misticismo é não querer saber/É viver e não d) “Tudo indica que nenhum sentimento de identidade unia
pensar nisso”, o eu lírico valoriza a aquisição do conhecimento esses espectadores àqueles que, na arena, lutavam por suas
através das sensações não intelectualizadas. Heterônimo de vidas.”
Fernando Pessoa, Alberto Caeiro é o poeta ligado à natureza
que despreza o pensamento filosófico para, paradoxalmente, Exercício 157
defender uma não-filosofia como a sua própria forma de a) Auto da compadecida, peça de Ariano Suassuna, inclui
entender a existência e dessa forma, livrar-se da diálogos entre os personagens na sua composição.
autoconsciência para imergir “no fluxo espontâneo e irrefletido
da vida”. Exercício 158
e) eufemismo.
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