Documentos e Incoterms em Negociações Internacionais
Documentos e Incoterms em Negociações Internacionais
Introdução
Neste capítulo, serão abordados os primeiros documentos que surgem em uma negociação
internacional. Aqueles que dão origem e continuidade em um processo de exportação e
importação. A partir desses documentos que se pode emitir os documentos eletrônicos no
Siscomex . Também serão conhecidos os 11 Termos Comerciais Internacionais – Incoterms
e serão, ainda, apresentados, na prática, quais elementos estão presentes em cada termo,
definindo, dessa forma, como ocorrerá cada processo de exportação/importação. Dessa
maneira, aproveite bem seus estudos para compreender as atividades a serem apresentadas
nesta unidade e, sempre que necessitar, procure esclarecer suas dúvidas e aprofundar seus
conhecimentos na área de exportação e importação, seja por meio da bibliografia apresentada
ou outras fontes referentes ao comércio exterior.
Após o primeiro contato com o importador, o exportador deve definir todas as questões
comerciais com vistas a ofertar o produto de forma clara ao comprador. Os termos da venda
serão inicialmente expressos na Fatura Proforma ou “Proforma Invoice”. Este documento
será enviado ao importador para que este conheça os termos de oferta do produto e possa
dar o aceite nas condições expostas ou renegociar, caso não concorde com algum ponto.
Caso o exportador tenha optado por receber o valor da venda por intermédio do Pagamento
Antecipado, a Fatura Proforma servirá inclusive para o importador providenciar o pagamento
ou dar início ao cumprimento de exigências no país do importador, como, por exemplo,
a emissão da Licença de Importação (LI), se necessário. No Brasil, tanto o Pagamento
Antecipado como a emissão da Licença de Importação, ocorrem antes do embarque da
mercadoria no exterior.
Seguem abaixo os itens principais que devem respaldar uma Fatura Proforma:
Deve-se esgotar todos os entendimentos sobre os itens acima e outros relacionados à negociação
para respaldar a emissão do segundo documento pelo exportador, a Fatura Comercial ou
“Commercial Invoice”.
A Fatura Comercial é um dos documentos essenciais para a liberação aduaneira, tanto no país
do exportador quanto no país do importador. Este documento é originário da Fatura Proforma,
que é a proposta de venda, o orçamento, a cotação. Após ter tido o aceite de todos os termos
propostos pelo exportador, por parte do importador, ocorre o surgimento da Fatura Comercial,
para concretizar a venda. A Fatura Comercial segue com a mercadoria, no momento de seu
embarque ao exterior.
Os elementos essenciais da fatura comercial são os mesmos da fatura proforma. Embora, não
exista um padrão internacional.
Na legislação nacional, os termos que devem estar contidos na Fatura Comercial estão
descritos no Regulamento Aduaneiro. Segundo o site da Receita Federal do Brasil – RFB, a
fatura deve conter as seguintes indicações (art. 557):
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•• País de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a
mercadoria ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial.
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Exemplo 2.1
LOGOTIPO DA
EMPRESA
PROFORMA INVOICE
US$ US$
INCOTERMS:
NCM:
Payment Terms:
Net Weight:
Gross Weight:
Porto of Origin:
Porto of Destination:
Package:
Dimensions:
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Exemplo 2.2
LOGOTIPO DA
EMPRESA
COMMERCIAL INVOICE
US$ US$
INCOTERMS:
NCM:
Payment Terms:
Net Weight:
Gross Weight:
Port of Origin
Porto of Destination:
Package:
Dimensions:
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produtos embalados em cada volume. Além disso, é uma exigência legal para o desembaraço
aduaneiro no Brasil, sob pena de multa, conforme o Art. 107 do Decreto-Lei nº 37. Os
elementos essenciais são:
•• nome do exportador;
•• nome do importador;
•• número do Packing List;
•• descrição das mercadorias;
•• tipo de embalagem;
•• peso bruto; peso líquido; dimensões; cubagem;
•• numeração de cada volume etc.
LOGOTIPO DA
EMPRESA
PACKING LIST
Package: Dimensions:
box/piece/unit M / Cm KG KG
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Para esclarecer um pouco mais sobre alguns documentos citados acima, o Certificado de
Origem é o documento que atesta a origem da mercadoria quando esta é comercializada
entre países que mantêm acordos comerciais entre si. Tem o objetivo de isentar ou reduzir
o imposto de importação no país adquirente da mercadoria. Este é emitido por entidades
representativas das empresas, que exigirão a apresentação de Declaração do Produtor e da
Fatura Comercial por parte do exportador, para a devida emissão. O Certificado de Origem
pode ser emitido por via eletrônica: Certificado de Origem Digital – COD BRASIL, pelas
Federações das Indústrias dos Estados.
Existe um Certificado de Origem específico para cada tipo de acordo. Segue, no Exemplo
2.4, um modelo de Certificado de Origem para o MERCOSUL emitido pela Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo.
Exemplo 2.4 – Modelo de Certificado de Origem para o MERCOSUL emitido pela Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo
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Ainda esclarecendo os documentos emitidos após a Fatura Comercial e o Packing List, temos o
Conhecimento de Embarque ou Conhecimento de Carga. Este documento é emitido pelo agente
transportador da carga, assim que ele a recebe do exportador para embarque. Tem como principal
finalidade comprovar que a carga foi entregue pelo embarcador ao transportador, servindo como
um recibo de entrega da mercadoria e, ainda, representa um título de propriedade da mercadoria
(transferível e negociável). Este contém os dados da mercadoria, do modal de transporte, valor de
frete etc. O nome do conhecimento de carga muda de acordo com o modal de transporte:
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Assim chegamos aos Incoterms – 2010, porém com vigência a partir de 01/01/2011.
Publicado internacionalmente pela Câmara de Comércio Internacional (International Chamber
of Commerce – ICC) e nacionalmente pela Resolução Camex nº 21, de 07 de abril de
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•• A criação de dois novos termos: DAT e DAP, que substituiram os termos DAF,
DES, DEQ e DDU, das antigas versões. São utilizados em qualquer modal
de transporte e os valores de frete e seguro internacionais compõem o valor
comercializado da mercadoria.
•• Também foi estipulada uma nova definição para “terminais”, que inclui
qualquer lugar, seja em área coberta ou não. Pode ser um cais, um armazém,
um pátio de contêineres, um terminal ferroviário, rodoviário ou terminal de
carga aérea.
•• Uma nova definição para “transferência de custos e riscos” nos termos FOB,
CFR e CIF. Na qual se considerava a transferência dos custos e riscos a
partir da “transposição da amurada do navio” (Incoterms 2000) para “a
bordo do navio” (Incoterms 2010), na revisão atual, evitando transtornos na
interpretação.
•• EX WORKS – EXW;
•• FREE CARRIER – FCA;
•• FREE ALONG SIDE SHIP – FAS;
•• FREE ON BOARD – FOB;
•• COST AND FREIGHT – CFR;
•• COST, INSURANCE AND FREIGHT – CIF;
•• CARRIAGE PAID TO – CPT;
•• CARRIAGE AND INSURANCE PAID TO – CIP;
•• DELIVERED AT TERMINAL – DAT;
•• DELIVERED AT PLACE – DAP;
•• DELIVERED DUTY PAID – DDP.
Existem diversas categorias criadas para facilitar o entendimento dos Incoterms. Segue abaixo
o Quadro 2.1, que o divide por grupo das letras iniciais.
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C de Cost ou Carriage Cost and Freight – CFR O vendedor contrata o transporte, sem
(TRANSPORTE Cost, Insurance and Freight – CIF assumir riscos por perdas ou danos
PRINCIPAL PAGO PELO Carriage Paid to – CPT às mercadorias ou custos adicionais
EXPORTADOR) decorrentes de eventos ocorridos após
Carriage and Insurance Paid to – CIP
o embarque e despacho.
Também podem ser separados pela utilização segundo os modais de transporte. São termos
utilizados exclusivamente no transporte marítimo (aquaviário): FAS, FOB, CFR, CIF. São termos
utilizados para qualquer modalidade de transporte, inclusive multimodal: EXW, FCA, CPT, CIP,
DAT, DAP e DDP, conforme o Quadro 2.2 a seguir.
Incoterms 2010
Modalidades de
Transporte
Sigla Inglês Português
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Para que os Incoterms possam ser aplicáveis aos contratos internacionais, à Fatura
Proforma e Comercial, deve-se deixar claro de qual versão trata-se, seguido do local
designado. Ex: FOB Porto de Santos – Incoterms 2010. (LUNARDI, 2010). A seguir serão
descritos os 11 termos e as suas representações gráficas.
A indicação dos riscos e dos custos que se encontram abaixo do gráfico, respectivamente
representados pelas letras “R” e “C”, seguidos de linhas azuis e vermelhas, devem ser
entendidos do seguinte modo (LUNARDI, 2010. Pg 81):
As linhas azuis representam o exportador e dizem respeito aos seus custos e riscos. As
linhas vermelhas representam o importador e dizem respeito aos seus custos e riscos. Na
maioria das vezes, o custo e o risco são transferidos do exportador para o importador no
mesmo ponto, ou seja, possuem apenas um “ponto crítico”, isso ocorre nos Incoterms
representados inicialmente pelas letras “E” “F” e “D”, conforme mostra a Figura 2.1.
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Neste exemplo,
os bens são
ENTREGUES
pelo vendedor a
bordo do navio
desembaraçados
para exportação,
no porto de
embarque.
Já os Incoterms iniciados com a letra “C” possuem dois “pontos críticos”, uma para risco,
outro para custo. Veja um exemplo na Figura 2.2 a seguir.
Os bens são
ENTREGUES pelo
vendedor quando
ele os coloca à
disposição do
comprador, em
suas instalações
ou em outro local
acordado, sem
carregamento e
sem desembaraço
para exportação.
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comprador caso este não possa responsabilizar-se, direta ou indiretamente, pelas formalidades
deste tipo de exportação. Este termo pode ser utilizado em qualquer modalidade de transporte.
Observe que nem sempre a legislação do país exportador permite que estrangeiros executem a tarefa
de “despacho aduaneiro”, como é o caso do Brasil. Apesar disso, este termo pode ser utilizado nas
exportações brasileiras, porém desembaraçado.
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Os bens são
ENTREGUES
a bordo do
navio nomeado
pelo vendedor,
desembaraçados
para exportação,
com custos e frete
pagos para enviar
os bens até o
porto de destino
designado.
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O vendedor contrata e paga o frete para levar as mercadorias até o local de destino designado.
A partir do momento em que as mercadorias são entregues à custódia do transportador, os
riscos por perdas e danos transferem-se do vendedor para o comprador, porém é o vendedor
quem deve contratar e pagar os custos de transporte necessários para enviar a mercadoria até
o local de destino nomeado, no país do importador, assim como possíveis custos adicionais
que possam incorrer. O vendedor é, ainda, o responsável pelo desembaraço das mercadorias
para exportação. Cláusula utilizada em qualquer modalidade de transporte.
Os bens são
ENTREGUES
a bordo do
navio nomeado
pelo vendedor,
desembaraçados
para exportação,
com custos e frete
pagos para enviar
os bens até o
porto de destino
designado.
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Os bens são
ENTREGUES ao
transportador
nomeado pelo
vendedor,
desembaraçados
para exportação,
com custos de
transporte e
seguro pagos para
enviar os bens até
o local de destino
designado.
Os bens são
ENTREGUES no
terminal, (neste
caso, o ARMAZÉM
no porto de
destino designado)
descarregados.
Qualquer
despesas, após o
descarregamento
no ARMAZÉM
é por conta do
comprador.
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Os bens são
ENTREGUES no
local de destino
designado,
desembaraçados
para exportação,
prontos para serem
descarregados
(neste caso, a
bordo do navio),
sem desembaraço
para importação
ou pagamento de
qualquer direito de
importação.
Fonte: Adaptado de Lunardi (2014, p. 156).
Os bens são
ENTREGUES no
local de destino
designado,
desembaraçados
para exportação,
prontos para serem
descarregados
(neste caso, num
PORTO SECO),
sem desembaraço
para importação
ou pagamento de
qualquer direito de
importação.
Fonte: Adaptado de Lunardi (2014, p. 157).
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E logo em seguida:
Os bens são
ENTREGUES no
local de destino
designado,
desembaraçados
para exportação,
prontos
para serem
descarregados,
sem desembaraço
para importação
ou pagamento de
qualquer direito de
importação.
Os bens são
ENTREGUES no
local de destino
designado,
desembaraçados
para exportação e
para importação,
com todos
os direitos de
importação
pagos, prontos
para serem
descarregados.
1. Termo não permitido nas importações brasileiras, nas quais o Regulamento Aduaneiro prevê que o recolhimento dos tributos
em uma importação é de responsabilidade do importador.
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Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TRANSPORTADORES INTERNACIONAIS (ABTI). Manifesto
internacional de carga rodoviária/declaração de trânsito aduaneiro. Disponível em:
<[Link]
[Link]>. Acesso em: 02 jun. 2016.
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