Democratização da Escola Pública A Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos

Tendência Liberal Tradicional Tendência Renovada Progressista Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva Tendência Liberal Tecnicista Tendência Progressista Libertadora Tendência Progressista Libertária Tendência "Crítica-Social dos Conteúdos"

Tendência Liberal Tradicional Papel da Escola: Consiste na preparação intelectual e moral dos alunos, compromisso com a cultura, os menos capazes devem lutar para superar suas dificuldades e conquistar seu lugar junto aos mais capazes. Conteúdos de Ensino: Valores sociais acumulados pelos antepassados. As matérias preparam o aluno para a vida. Conteúdos separados das realidades sociais. Método: Exposição verbal da matéria, preparação do aluno, apresentação, associação, exercícios e repetições. Professor x Aluno: Predomina a autoridade do professor. O professor transmite o conteúdo na forma absorvida. Disciplina rígida. Pressupostos: Aprendizagem receptiva e mecânica, ocorre com a coação. Considera que a capacidade de assimilação da criança é a mesma do adulto. Reforço em geral negativo as vezes maior. Prática Escolar: Comum em nossas escolas. Orientação humanicética, clássica, científica, modelos de imitação.

Tendência Renovada Progressista Papel da Escola: Ordenar as necessidades individuais do meio social. Experiências que devem satisfazer os interesses do aluno e as exigências sociais. Interação entre estruturas cognitivas do indivíduo e estruturas do ambiente.

Prática Escolar: Aplicação reduzida. Professor x Aluno: A pedagogia não-diretiva propõe uma educação centrada. Pressupostos: A motivação resulta do desejo de adequação pessoal da autorealização. Professor x Aluno: Professor sem lugar privilegiado. Métodos: Aprender fazendo.pedagogia. Aprender é uma atividade de descoberta. Pressupostos: Estimulação da situação problema. O professor é um especialista em relações humanas. Aprender a aprender. experiência. Indispensável bom relacionamento entre professor e aluno. orientadores. Clima favorável à mudança do indivíduo. toda a intervenção é ameaçadora. professores. Choque com a prática . Boa relação entre professor e aluno. aprender. Tendência Liberal Tecnicista . b) desafiante. boa terapia (Rogers) Conteúdos: Esta tendência põe nos processos de desenvolvimento das relações e da comunicação se torna secundária a transmissão de conteúdos. Preocupações com problemas psicológicos. soluções à prova. Retido o que é descoberto pelo aluno. Auxiliados. é modificar suas próprias percepções. Trabalho em grupo. Boa educação. Método ativo: a) situação. daí se aprende o que estiver significamente relacionados. Prática Escolar: As idéias do psicólogo C. soluções provisórias. Tendência Liberal Renovada não-Diretiva Papel da Escola: Formação de atitudes. portanto. Método: O esforço do professor é praticamente dobrado para facilitar a aprendizagem do aluno. Rogers é influenciar o número expressivo de educadores. Disciplina como tomada de consciência. Processos mentais e habilidades cognitivas.Conteúdos: Conteúdos estabelecidos em função de experiência vivificada. psicólogos escolares.

Ambos são sujeitos do ato do conhecimento.. Métodos: Consistem o método de transmissão. Método: Predomina o diálogo entre professor e aluno. utilizando um sistema mais abrangente. Prática Escolar: Remonta a 2a. da vida dos educandos. numa seqüência lógica e psicológica por especialistas. Educação se dá a partir da codificação da situação problema. Consciência da realidade para transformação social. Questionar a realidade. Professor x Aluno: A comunicação professor x aluno tem um sentido exclusivamente técnico. Pressupostos: Educação problematizadora. tal indivíduo que se integra na máquina social. Processo de reflexão e crítica. Trata-se de um ensino diretivo. . Conhecimento da realidade. no aperfeiçoamento da ordem social vigente. Sem relação de autoridade. Professor x Aluno: Relação horizontal. metade dos anos 50 (Programa BrasileiroAmericano de Auxílio ao Ensino Elementar). recepção de informações. O material instrucional encontra-se sistematizado nos manuais. Tendência Progressista Libertadora Papel da Escola: Atuação não formal. A escola atual assim.. A tecnologia educacional é a aplicação sistemática de princípios. através de técnicas específicas. Conteúdos: São as informações. Debates. O professor é um animador que por princípio deve descer ao nível dos alunos. princípios e leis. É quando a orientação escolanovista cede lugar a tendência tecnicista pelo menos no nível oficial. Educação crítica. etc. Conteúdos: Geradores são extraídos da prática. nos livros didáticos. eficácia da transmissão e conhecimento.Papel da Escola: Funciona como modeladora do comportamento humano. Caráter político. Pressupostos: As teorias de aprendizagem que fundamentam a pedagogia tecnicista dizem que aprender é uma questão de modificação do desempenho. discussões são desnecessárias.

Tendência anti-autoritária. Tendência "Crítica-Social dos Conteúdos" Papel da Escola: É a tarefa primordial. é preciso que se liguem de forma indissociável. Método: É na vivência grupal. Conteúdos: Matérias são colocadas à disposição dos alunos. embora sejam desiguais e diferentes. mas vivos. muitos professores vêm tentando colocar em prática todos os graus de ensino formal. na forma de auto-gestão que os alunos buscarão encontrar as bases mais satisfatórias. a função é "uma atividade mediadora no seio da prática social e global". A Postura da Pedagogia dos Conteúdos: assume o saber como tendo um conteúdo relativamente objetivo. mas ao mesmo tempo "introduz" a possibilidade de uma reavaliação crítica frente a este conteúdo. Consiste para o mundo adulto. .Prática Escolar: A pedagogia libertadora tem como inspirador Paulo Freire. modificações institucionais à partir dos níveis subalternos. Conteúdos: São os conteúdos culturais universais que se constituíram em domínios de conhecimento relativamente autônomos. Vai do interesse de cada um. Professor x Aluno: Considera-se que desde o início a ineficácia e a nocividade de todos os métodos. mas não são cobradas. Tendência Progressista Libertária Papel da Escola: Transformação na personalidade do aluno. Conteúdos abstratos. Prática Escolar: Trabalhos não pedagógicos mas de crítica as instituições. Crescer dentro da vivência grupal. Relevância do saber sistematizado. relevância ao que tem uso prático. não basta que eles sejam apenas ensinados. A escola é a parte integrante de todo social. formações teóricas indicam educação para adultos. Movimentos populares: sindicatos. Pressupostos: Aprendizagem informal. concretos.

22).UFRJ Doutoranda em Pedagogia Social . . O conhecimento novo se apoia numa estrutura cognitiva já existente. relacionada com as questões metodológicas de suas pesquisas.UNED Profª Titular . tendo como referência textos de diferentes autores. mas tendo em conta que nenhum tipo de pesquisa é autosuficiente. tem o objetivo de sintetizar algumas características de modalidades de pesquisa. MODALIDADES DE PESQUISA: UM ESTUDO INTRODUTÓRIO Maria Adelia Teixeira Baffi Petrópolis. quatro gêneros de pesquisa. Assim sendo. p. mesclamos todos acentuando mais este ou aquele tipo de pesquisa" (2000. podemos distinguir. 2002. é a explicação sobre as características específicas dos procedimentos adequados. Professor x Aluno: Consiste no movimento das condições em que professor e alunos possam colaborar para fazer progredir essas trocas. que pretende ser apenas uma breve introdução à referida questão.Método: É preciso que os métodos favoreçam a correspondência dos conteúdos com os interesses dos alunos. Pedagoga . este estudo. pelo menos. para a realização da pesquisa proposta.PUC-RJ. pois "na prática. Pressupostos: O aluno se reconhece nos conteúdos e modelos sociais apresentados pelo professor. Segundo Demo (1994 e 2000). O esforço de elaboração de uma pedagogia dos conteúdos está em propor ensinos voltados para a interação "conteúdos x realidades sociais".FE/UCP Uma das preocupações básicas dos pesquisadores. Mestre em Educação .

Trata-se da pesquisa que é "dedicada a reconstruir teoria. p.três grandes grupos: pesquisas exploratórias.Refere-se ao tipo de pesquisa voltada para a inquirição de métodos e procedimentos adotados como científicos. 1994. 3. 4. polêmicas e discussões pertinentes. as crises da ciência. 2000.Trata-se da pesquisa "ligada à práxis. pesquisas descritivas e pesquisas explicativas. polêmicas. 37). em termos imediatos. Pesquisa empírica . 22). Classificação com base nos objetivos . 2000. onde via de regra. ou seja. não esconde a ideologia. Pesquisa prática . p. p. argumentação diversificada. quadros de referência. mas nem por isso deixa de ser importante. Pesquisa metodológica . 21). 2000. procedendo sempre pela via do controle empírico e fatual" (Demo. "Faz parte da pesquisa metodológica o estudo dos paradigmas. assim como Demo. 36). para confrontar a visão teórica com . ideologias. Classificação com base nos procedimentos técnicos adotados (pois. O significado dos dados empíricos depende do referencial teórico. p. idéias. tendo em vista. aprimorar fundamentos teóricos" (Demo. também apresenta uma classificação das pesquisa.1. p. pois seu papel é decisivo na criação de condições para a intervenção. capacidade explicativa" (1994. A pesquisa teórica não implica imediata intervenção na realidade. sobretudo no sentido de facilitarem a aproximação prática" (Demo. 37). produz e analisa dados. por mais tênue que possa ser a base fatual. Gil (2001). condições explicativas da realidade.É a pesquisa dedicada ao tratamento da "face empírica e fatual da realidade. desempenho lógico. pesquisa participante. porém adota o a seguinte referencial: classificação das pesquisas com base em seus objetivos e classificação com base nos procedimentos técnicos adotados. o pesquisador faz a devolução dos dados à comunidade estudada para as possíveis intervenções (Demo. para analisar os fatos do ponto de vista empírico. A valorização desse tipo de pesquisa é pela "possibilidade que oferece de maior concretude às argumentações. p. conceitos. mas estes dados agregam impacto pertinente. análise acurada. Alguns métodos qualitativos seguem esta direção. 2. mas sem perder ó rigor metodológico". "O conhecimento teórico adequado acarreta rigor conceitual. à prática histórica em termos de conhecimento científico para fins explícitos de intervenção. Esse tipo de pesquisa é orientada no sentido de re-construir teorias. 20). Pesquisa teórica . os métodos e as técnicas dominantes da produção científica" (Demo. pesquisa-ação. como por exemplo. 1994.

destacando a caracterização das pesquisas segundo as fontes de informação. Metodologia do conhecimento científico. pesquisa documental. levantamento. 1994. estudo de caso e pesquisa-ação. 3. . lá. 1994.os dados da realidade. ed. GIL. tecle CTRL + C. Antonio Raimundo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. 2000. Então. digite CTRL + V. Metodologia científica: a construção do conhecimento. lá. São Paulo: Atlas. Como elaborar projetos de pesquisa. FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO Dica: Marque todo o texto com o mouse. REFERÊNCIAS: DEMO. pesquisa de laboratório e pesquisa bibliográfica. E responda através de E-Mail. Rio de Janeiro: DP&A. Pesquisa e construção do conhecimento: metodologia científica no caminho de Habermas. Santos (1999) acrescenta à classificação apresentada por Gil. pesquisa ex-pos-facto. ou seja. é necessário traçar o modelo conceitual e também o operatório): pesquisa bibliográfica. pesquisa de campo. SANTOS. depois abra seu editor de texto e. leia o texto. Antonio Carlos. pesquisa experimental. São Paulo: Atlas. Pedro. 1999. ________.

Cabe ressaltar a pessoa humana possui uma estrutura básica que a leva a divisar o que.UNED Profª Titular . tais como planejamento. e outros. sendo a pessoa experiências humana condenada. programa. plano. visando a dar espaço para que o leitor possa estabelecer as relações entre é impossível enumerar todos tipos e níveis de planejamento eles. . por sua racionalidade.PUC-RJ. uma vez que já pertencem ao contexto de nossa rotina.UFRJ Doutoranda em Pedagogia Social . a realizar algum tipo de pessoais e planejamento. mesmo porque.O PLANEJAMENTO EM EDUCAÇÃO: REVISANDO CONCEITOS PARA MUDAR CONCEPÇÕES E PRÁTICAS Maria Adelia Teixeira Baffi Petrópolis. como aponta Gandin (2001. mas um dos complicadores para o exercício da prática de planejar parece ser a compreensão de conceitos e o uso adequado dos mesmos. está sempre ensaiando processos de transformar suas profissionais. usamos os processos racionais para alcançar o que desejamos. plano estratégico plano operacional. Assim sendo. Entretanto. As idéias que envolvem o planejamento são amplamente discutidas nos dias atuais. a partir de necessários à atividade humana. 83). Pedagoga . a analisar a realidade a propor ações e atitudes para transformátexto. neste breve futuro. pretende abordar todos os níveis de planejamento. o objetivo deste texto é procurar explicitar o significado básico de termos.FE/UCP O ato de planejar faz parte da história do ser humano. pois o desejo de transformar sonhos em realidade objetiva é uma preocupação marcante de toda pessoa. projeto. sempre estamos enfrentando situações que necessitam de planejamento. mas nem sempre as nossas atividades diárias são delineadas em etapas concretas da ação. para a realização de atividades que não estão inseridas em nosso cotidiano. não se la. p. Embora não o faça de maneira consciente e eficaz. 2002. idéias em realidade. Sobretudo porque. Em nosso dia-adia. Mestre em Educação .

2001. pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante. econômico e político de quem planeja e com quem se planeja. 2001. de modo a atingir objetivos antes previstos. os aspectos contextuais e os pressupostos filosófico. p. estadual e municipal". 1995. visto que esta tem como características básicas: evitar a improvisação. p. a partir dos resultados das avaliações (PADILHA. prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação. essa modalidade de planejar constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola. p. 14). envolvendo as ações e situações. 5. Portanto. processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis. tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras. 63). no cotidiano de seu trabalho pedagógico. visando ao melhor funcionamento de empresas. estabelecendo fins e meios que apontem para sua superação. visando à concretização de objetivos. pensando e prevendo necessariamente o futuro". em sentido amplo.PLANEJAMENTO É 1. em prazos determinados e etapas definidas. Planejar e avaliar andam de mãos dadas. É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno". de tomada de decisão sobre a ação. 2. setores de trabalho. p. 56). Planejamento é processo de busca de equilíbrio entre meios e fins. 1995. mas considerando as condições do presente. instituições. incorporando as políticas educacionais. 3. Planejar é uma atividade que está dentro da educação. 4. "o planejamento do Sistema de Educação é o de maior abrangência (entre os níveis do planejamento na educação escolar). Para Vasconcellos (1995. é um processo que "visa a dar respostas a um problema. Planejamento de Ensino é o processo de decisão sobre atuação concreta dos professores. entre recursos e objetivos. Planejamento Curricular é o "processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. O ato de planejar é sempre processo de reflexão. Planejamento Educacional é "processo contínuo que se preocupa com o 'para onde ir' e 'quais as maneiras adequadas para chegar lá'. quanto as do indivíduo" (PARRA apud SANT'ANNA et al. estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução da ação educativa. p. 30). cultural. correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional. organizações grupais e outras atividades humanas. para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades da sociedade. prever o futuro. (idem. Planejar. em . 53). através dos diversos componentes curriculares (VASCONCELLOS. as experiências do passado.

envolvendo o processo de reflexão. de decisões sobre a organização. Tem sua expressão nos programas e. "como" e "com quê". inserido no contexto histórico. momento de execução para solucionar problemas (idem. 19). 2. O plano é a "apresentação sistematizada e justificada das decisões tomadas relativas à ação a realizar" (FERREIRA apud PADILHA. médio ou curto prazo" (MEEGOLLA. culminando com a definição dos mesmos. 6. nos projetos. Para existir plano é necessária a discussão sobre fins e objetivos. Planejamento Político-Social tem como preocupação fundamental responder as questões "para quê". tratando prioritariamente dos meios. PLANO É 1. onde a ênfase é o presente. envolve desafios e contradições (FUSARI. cit. Plano é um guia e tem a função de orientar a prática. A preocupação central é definir fins. 221). articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social" (LIBÂNEO.). 7. Plano tem a conotação de produto do planejamento. 33). organização e coordenação da ação docente. de um lado. serve para situações de crise e em que a proposta é de transformação. p. 1993. 36). "para quem" e também com "o quê". p. . 2001. os instrumentos. 8. Plano é um documento utilizado para o registro de decisões do tipo: o que se pensa fazer. op. partindo da própria prática e. com quem fazer. mais especificamente. expressa orientações gerais que sintetizam. "É um processo de racionalização. esse nível de planejamento trata do "processo de tomada de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno. na situação de ensino-aprendizagem". Ele é a formalização dos diferentes momentos do processo de planejar que. Plano Escolar é onde são registrados os resultados do planejamento da educação escolar. a preocupação é responder as perguntas "o quê". sendo sobretudo tarefa de administradores. p. quando fazer. as ligações do projeto pedagógico da escola com os planos de ensino propriamente ditos" (LIBÂNEO. SANT'ANNA. 48). que é desenvolvida a longo. com que fazer. em médio prazo e/ou longo prazo. 3. No Planejamento Operacional. portanto. "É o documento mais global. o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. 2001. por sua vez. 225). Plano Nacional de Educação é "onde se reflete toda a política educacional de um povo. p.constante interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos (PADILHA. como fazer. buscar conceber visões globalizantes e de eficácia. não pode ser um documento rígido e absoluto. p. "Tem o plano e o programa como expressão maior" (GANDIN. p. Planejamento Escolar é o planejamento global da escola. 55).). pois somente desse modo é que se pode responder as questões indicadas acima. 1993. Abarca cada aspecto isoladamente e enfatiza a técnica. 1994. centralizando-se na eficiência e na busca da manutenção do funcionamento. Na opinião de Sant'Anna et al (1995. p. 1992.

consciente. p. 5. numa dada realidade". dando sempre a idéia de mudança. de movimento. sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro. É uma metodologia de trabalho que possibilita re-significar a ação de todos os agentes da instituição (p. projetar é lançar para a frente. 117). Todo projeto supõe ruptura com o presente e promessas para o futuro. As promessas tornam visíveis os campos de ação possível. esse tipo de plano é a "sistematização da proposta geral de trabalho do professor naquela determinada disciplina ou área de estudo. 1993. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se. alunos ou pela comunidade". p. 2001. sistematizada. p. Plano de Ensino "é o plano de disciplinas. Segundo Vasconcellos (1995.4. Como o próprio nome indica. Para Veiga (2001. durante o período de duração de um curso. pois define e operacionaliza toda a ação escolar existente no plano curricular da escola. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente determinadas rupturas. (SANT'ANNA. Projeto Pedagógico. PROJETO É 1. o que é essencial. professores. Projeto representa o laço entre o presente e o futuro. atravessar um período de instabilidade e buscar uma estabilidade em função de promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. 49). . 18). Plano de Curso é a organização de um conjunto de matérias que vão ser ensinadas e desenvolvidas em uma instituição educacional. 11) o projeto pedagógico deve apresentar as seguintes características: a) "ser processo participativo de decisões. participativa. p. só que de uma forma refletida. Trata-se de uma tendência natural e intencional do ser humano. comprometendo seus atores e autores. 2. de unidades e experiências propostas pela escola. Situa-se no nível bem mais específico e concreto em relação aos outros planos.143). Na opinião de Gadotti (apud Veiga. segundo Vasconcellos (1995) é um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola. orgânica e. Projeto é também um documento produto do planejamento porque nele são registradas as decisões mais concretas de propostas futuristas.

que tipo de cidadão se deseja e para que projeto de sociedade?" (GADOTTI. distinguem nele três marcos: situacional. FREIRE. 1994. consequentemente. f) nascer da própria realidade .b) preocupar-se em instaurar uma forma de organização de trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições. p. h) ser uma ação articulada de todos os envolvidos com a realidade da escola. 36 e 1995. PROGRAMA É 1. 42). a partir de respostas a perguntas tais como: "que educação se quer. pois como produto. a idéia de participação. na elaboração de um programa é necessário considerar quatro dimensões: "a das ações concretas a realizar. visando a aproximar a realidade existente da realidade desejada. e o político é educador pelo próprio fato de ser político" (GADOTTI. CONSTRUINDO UM CONCEITO DE PARTICIPAÇÃO A preocupação com a melhoria da qualidade da Educação levantou a necessidade de descentralização e democratização da gestão escolar e. Dissociar a tarefa pedagógica do aspecto político é difícil. sendo este a luz que deverá iluminar o fazer das demais etapas. num período de tempo definido" (p. falam simplesmente em referencial. a das orientações para toda a ação (atitudes. explica que um programa é "constituído de um ou mais projetos de determinados órgãos ou setores. 2000. participação tornou-se um conceito nuclear. Desse modo. pp. Como aponta Lück et al. GUIMARÃES. 42). e) explicitar o compromisso com a formação do cidadão. Padilha (2001). onde o passo inicial é a elaboração do marco referencial. é o espaço onde são registradas as propostas de ação do planejador. isto é. do trabalho associado de pessoas analisando situações. Projeto Político-Pedagógico da escola precisa ser entendido como uma maneira de situar-se num horizonte de possibilidades. é também processo". dentro de um plano. Falar da construção do projeto pedagógico é falar de planejamento no contexto de um processo participativo. comportamentos). como por exemplo Moacir Gadotti. c) explicitar princípios baseados na autonomia da escola. g) ser exeqüível e prever as condições necessárias ao desenvolvimento e à avaliação. em si. 104). p. Alguns autores que tratam do planejamento. 25-26). na solidariedade entre os agentes educativos e no estímulo à participação de todos no projeto comum e coletivo. Gandin (1995) complementa dizendo que o programa. 3. tendo como suporte a explicitação das causas dos problemas e das situações nas quais tais problemas aparecem. "o entendimento do conceito de gestão já pressupõe. 1993. a das determinações gerais e a das atividades permanentes" (GANDIN. visto que o "educador é político enquanto educador. i) ser construído continuamente. como Danilo Gandin. d) conter opções explícitas na direção de superar problemas no decorrer do trabalho educativo voltado para uma realidade específica. citando Bierrenbach. decidindo sobre seu encaminhamento e agir sobre elas em . P. doutrinal e operativo. (1998). mas outros.

programas e projetos. possa contribuir na reconstrução de uma escola de que precisamos? REFERÊNCIAS BENINCÁ. Com diz Libâneo (2001). de uma equipe) reconhecem e assumem seu poder de exercer influência na determinação da dinâmica. cabe perguntar: como estamos trabalhando. nas quais a pessoa se sente insegura por falta de instrumentação. que se propõe de forma explícita ou implícita uma tarefa que constitui sua finalidade" (pp. A partir desses breves comentários. Pichon-Rivière (ibdem) diz que a resistência à mudança é conseqüência dos medos básicos que são o "medo à perda" das estruturas existentes e "medo do ataque" frente às novas situações. ora alternativas transformadoras ora resistência à mudança). Para Pichin-Rivière (1991) grupo é um "conjunto restrito de pessoas ligadas entre si por constantes de espaço e tempo. pode-se compreender a importância do tão divulgado "momento de sensibilização" na implementação de planos. Sensibilizar. Trabalhar em conjunto. De acordo com a etimologia da palavra. 26. 1995. O que se diz explícito é justamente o observável. requer compreensão dos processos grupais para desenvolver competências que permitam realmente aprender com o outro e construir de forma participativa. Para Lück et al. pois é assim que todos os envolvidos no processo educacional da instituição estarão presentes. responsabilidade sobre a ação. pela qual os membros de uma unidade social (de um grupo. (1998) a participação tem como característica fundamental a força de atuação consciente. Em um grupo operativo. 1995. Revista Educação AEC. propriedade do organismo vivo de perceber as modificações do meio externo e interno e de reagir a elas de maneira adequada" (FERREIRA. acompanhamento e avaliação. Sensibilidade é "qualidade de ser sensível. o concreto. n. 14). ou seja. 65-66). articuladas por sua mútua representação interna interatuando através de complexos mecanismos de assunção e atribuição de papéis. ações. mas abaixo dele está o que é implícito. decidir e agir em conjunto. "Executar uma ação não significa ter parte. 53). no sentido de formação de grupo. quando se torna consciente de certos aspectos de sua estrutura dinâmica. no sentido do desenvolvimento de grupos operativos. Finalizando. Por outro lado. faculdade de sentir. é provocar e tornar a pessoa sensível. da cultura da unidade social. fazer com que ela participe de alguma coisa de forma inteira. E só será sujeito da ação quem puder decidir sobre ela" (BENINCÁ. cada sujeito conhece e desempenha seu papel específico. programas./set. As origens do planejamento participativo no Brasil. E. projetos. onde cada sujeito. Para ter parte na ação é necessário ter acesso ao agir e às decisões que orientam o agir. a participação é fundamental por garantir a gestão democrática da escola. com sua subjetividade. a partir da competência e vontade de compreender. tanto nas decisões e construções de propostas (planos.15). . de acordo com as leis da complementaridade" (p. Este é constituído de medos básicos (diante de mudanças. participação origina-se do latim "participatio" (pars + in + actio) que significa ter parte na ação. portanto. jul. s/d). lembra Pichon-Riviére (1991) que "um grupo obtém uma adaptação ativa à realidade quando adquire insight. eventos) como no processo de implementação.conjunto" (p. p.

GADOTTI. F. Acesso em: dia mes ano.. Campinas: Papirus. 2. Currículo sem Fronteira. 2001 LÜCK. pp.. (Org. ed. ed. 1991. D.). 2002. Organização e gestão escolar: teoria e prática.ed.. C. M. 2001.. P.: BELLO. In. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo. Goiânia: Editora alternativa. ENRICONE. Trad. O processo grupal. 4. 81-95. Planejamento de ensino e avaliação. Para referência desta página: BAFFI. J.br/fundam02. S.htm>. _________ .pedagogiaemfoco. Planejamento em orientação educacional. M. Marco Aurélio Fernandes. 1. São Paulo: Loyola. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. São Paulo: Cortez. São Paulo: Libertad. _________ . ed.ed. TURRA. 1994. PICHON-RIVIÈRE. SANT'ANNA. GUIMARÃES. C.. PADILHA. São Paulo: Cortez. ed.pro. 2000. Maria Adelia Teixeira. P. I. 4. M. Petrópolis: Vozes. ANDRÉ. Planejamento dialógico: como construir o projeto político-pedagógico da escola. Petrópolis: Vozes. VEIGA. C. H. Pedagogia em Foco. LIBÂNEO.1. 7. . São Paulo: Martins Fontes. GANDIN. R. FREIRE. S. 1995.. 1991. P. 1995. 1994. 2001. 2001. A prática do planejamento participativo. VASCONCELLOS. 13. 11. E. n. jan. 5. Planejamento como prática educativa. D. Porto Alegre: Sagra / DC Luzzatto. ed. Pedagogia: diálogo e conflito. v. L. Disponível em: <http://www. José Luiz de Paiva. Petropólis. O planejamento em educação: revisando conceitos para mudar concepções e práticas. 10. ed. Posição do planejamento participativo entre as ferramentas de intervenção na realidade. Instituto Paulo Freire./jun.

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