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A dispersão da luz em óptica biomédica Rui Guerra Departamento de Física, Faculdade de Ciências
A dispersão da luz em óptica biomédica
Rui Guerra
Departamento de Física,
Faculdade de Ciências e Tecnologia
Universidade do Algarve
Aveiro, 20 de Maio d 2006
O objectivo Fazer imagem e espectroscopia de tecidos com espessuras de até 10 cm através
O objectivo
Fazer imagem e espectroscopia de tecidos com
espessuras de até 10 cm através de luz visível e
infravermelha.
É importante esclarecer que esta apresentação não se foca em
OCT ou outras modalidades de imagiologia limitadas a apenas
alguns milímetros de espessura de tecido
Introdução 1929 Max Cutler fez as primeiras observações de transiluminação para a detecção do cancro
Introdução
1929 Max Cutler fez as primeiras observações de transiluminação
para a detecção do cancro da mama em 1929:
“The examination is made in a totally dark room with the patient sitting
in a revolving chair opposite the examiner. The [electric] lamp is placed
against the under surface of the breast and gradually moved as different
areas in the breast are inspected successively, the object being to place
the particular portion in question directly between the light and the
examiner’s eye.”
Cutler, M., Transillumination as an aid in the diagnosis of breast lesions,
Surg. Gynecol. Obstet., 721-8, 48 (1929)
Cutler observou que a concentração do sangue num tecido é um dos factores que determinam
Cutler observou que a concentração do sangue num tecido
é um dos factores que determinam a sua opacidade e que os
tumores sólidos são frequentemente opacos. No entanto não
conseguiu diferenciar os benignos dos malignos.
O diagnóstico não provou ser muito fiável porque as
estruturas abaixo da superfície aparecem muito difusas
(blurred).
zona de sombra
Imagem difusa
claramente
definida
Raios-X
Luz vísivel
Isto é devido à dispersão/espalhamento da luz (light scattering).
Dispersão, absorção e extinção meio não absorvente A não há fonte de energia o meio
Dispersão, absorção e extinção
meio não absorvente
A
não há fonte de energia
o meio é não absorvente
extinção=absorção
+ dispersão
o meio é não absorvente
Caracterização dos tecidos biológicos Do ponto de vista óptico e macroscópico a propagação da luz
Caracterização dos tecidos biológicos
Do ponto de vista óptico e macroscópico a propagação da luz num dado
meio é caracterizada pelos seguintes parâmetros :
g
µ a
µ s
coeficiente de absorção
coeficiente de dispersão
factor de anisotropia
g>0
I=I 0 exp(-µ a x)
I=I 0 exp(-µ s x)
θθθθ
µ
a =ρσ a
µ
a =ρσ s
0
90
180
p(θ,φθ,φ)θ,φθ,φ
Meios túrbidos Meios túrbidos Um meio túrbido é aquele em que a propagação da luz
Meios túrbidos
Meios túrbidos
Um meio túrbido é aquele em que a propagação da luz tem de ser descrita em termos
da dispersão e da absorção.
meios
túrbidos
meios
não
túrbidos
Equação do transporte radiativo A equação do transporte radiativo tem uma gama de aplicação muito
Equação do transporte radiativo
A equação do transporte radiativo tem uma gama de aplicação muito vasta, desde a
atmosfera até às galáxias (S. Chandrasekhar (1960), Radiative Transfer. Dover) .
A sua forma geral é
termo de
fonte
conduz à atenuação exponencial habitual
Este termo dá conta da radiação que é
redispersa na direcção s e que tem o
efeito de tornar a atenuação mais suave
L(r,s)
s é a radiância
[Wm -2 sr -1 ]
p(s,s’) é a função de fase para o ângulo
definido pelas direcções s e s’. Dá a prob de:
antes do evento
de dispersão
s-s’
r
s’
s depois do evento
de dispersão
Aproximação da difusão o meio é isotrópico decomposição colimada + difusa Expansão da radiância difusa
Aproximação da difusão
o meio é isotrópico
decomposição colimada + difusa
Expansão da radiância difusa
ΦΦΦΦ
F
coeficiente de difusão
Equação da difusão para ΦΦΦΦ
coeficiente de dispersão
reduzido
•Comportamento individual de um fotão: aleatório •Comportamento estatístico de muitos fotões: processo de
•Comportamento individual de um fotão: aleatório
•Comportamento estatístico de muitos fotões: processo de difusão,
semelhante ao do calor
Física bem conhecida!
∼1 mW
10 15
fotões/s
Panorama da Óptica Biomédica determinação das propriedades ópticas dos tecidos in vivo e in vitro
Panorama da Óptica Biomédica
determinação
das propriedades
ópticas dos
tecidos in vivo
e in vitro
Física
fundamental
da propagação
e dispersão
Construção
de
fantomas
conceitos
centrais:
interacção
Transporte Radiativo
Fotões Difusos
laser-tecido
monitorização
de variações
dos parâmetros
ópticos como
auxiliares de
diagnóstico
Tomografia
Espectroscopia
de IV
determinação
de mapas de
µ s ’ e µ a , ou
seja, IMAGEM
óptica
Como medir µµµµ s ’ e µµµµ a ? g: goniometria Directas µ t :
Como medir µµµµ s ’ e µµµµ a ?
g: goniometria
Directas
µ t : espectrofotometria
Time domain
Reflectância
Frequency domain
Medições
Modelo baseado na AD
Transmitância
µµµµ a ,µµµµ s ’
Steady state
Monte Carlo
Comparação com simulações numéricas
Adding-Doubling
Integral de Caminho
Alguns exemplos goniometria feixe incidente laser ou luz branca θ g θθθθ 0 90 180
Alguns exemplos
goniometria
feixe incidente
laser
ou luz branca
θ
g
θθθθ
0
90
180
amostra fina
de tecido (~100 µm)
espectrofotometria
pinhole
detector
feixe incidente
I=I 0 exp(-µµµµ t L)
µµµµ t
laser
ou luz branca
amostra fina
de tecido (~100 µm)
p(θ,φθ,φ)θ,φθ,φ
Alguns exemplos Reflectância esfera radiação difusa integradora Modelo Aprox. Métodos feixe incidente laser
Alguns exemplos
Reflectância
esfera
radiação difusa
integradora
Modelo
Aprox.
Métodos
feixe incidente
laser
ou luz branca
amostra
Difusão
numéricos
de tecido
R=R(µ s ’,µ a )
R=R(µ s ,µ a ,g)
detector
µµµµ s ’,µµµµ a
µµµµ s ,µµµµ a ,g
amostra
out
de tecido
esfera
radiação difusa
neste caso
integradora
porto
d
R(d)=R(d,µ s ’,µ a )
tapado
feixe incidente
laser
ou luz branca
(spectralon)
R(d)=R(d,µ s ,µ a ,g)
amostra
de tecido
detector
in
Alguns exemplos Transmitância in out I t alargamento do pulso µµµµ s ’,µµµµ a t
Alguns exemplos
Transmitância
in
out
I
t
alargamento do pulso µµµµ s ’,µµµµ a
t
d
in
I
out
amostra
t
de tecido
desfazamento e atenuação µµµµ s ’,µµµµ a
in
y
perfil µµµµ s ’,µµµµ a
out
x
steady
freq. domain
time domain
state
Métodos resolvidos no tempo Fotão “snake”: 0-2 colisões I 900 fs Streak Laser pulsado camera
Métodos resolvidos no tempo
Fotão “snake”:
0-2 colisões
I
900 fs
Streak
Laser pulsado
camera
τ∼100fs
t
Fotão difuso:
muitas colisões
difusos
snake
• Os fotões snake contêm muito mais informação do que os difusos. Uma das
possibilidades é discriminar estes fotões e rejeitar os difusos. O problema fica
parecido ao dos raios-X
Das B.B, Liu, F., Alfano, R. R., Time-resolved fluorescence and photon migration studies in
biomedical and model random media, Rep. Prog. Phys., 227-292, 60 (1997)
Métodos resolvidos no tempo …mas em geral usam-se os fotões todos counts MCP- Electrónica PMT
Métodos resolvidos no tempo
…mas em geral usam-se os fotões todos
counts
MCP-
Electrónica
PMT
rápida
Laser pulsado
τ∼100fs
t
fit ao modelo
µµµµ s ’,µµµµ a
Métodos no domínio das frequências APD Detecção ou A,φφφφ de fase Laser ou LED modulado
Métodos no domínio das frequências
APD
Detecção
ou
A,φφφφ
de fase
Laser ou
LED modulado
PMT
• fonte da eq. de difusão ~ exp(iωt)
• solução também ~ exp(iωt): Diffuse Photon Density Waves
• diferença de fase:
µµµµ s ’,µµµµ a
• atenuação
DC
RF
Os lasers empregues nesta técnica são os DÍODOS LASER (os mesmos dos leitores de CD,
Os lasers empregues nesta técnica são os DÍODOS LASER
(os mesmos dos leitores de CD, laser pointers e em comunicações ópticas)
Ao contrário dos outros lasers, os D. L. podem ser modulados
em intensidade (e em comprimento de onda)
i(A)
t
i(A)
DC+
AC
t
Díodo laser
Fotodíodo/APD/PMT
Que λλλλ usar? Absorção Hb Existe apenas uma janela estreita útil, que é a do
Que λλλλ usar?
Absorção Hb
Existe apenas uma janela estreita útil,
que é a do IV próximo
Absorção água
No Vis e o IV a luz é simplesmente
muito absorvida. A AD não é válida.
λλλλ ~ 700 – 900 nm
No IVP os fotões são muitas vezes
dispersos antes de serem absorvidos.
A AD é válida
Aplicações Monitorização de variações temporais dos coeficientes de absorção e espalhamento Espectroscopia
Aplicações
Monitorização de variações
temporais dos coeficientes de
absorção e espalhamento
Espectroscopia
Oximetria cerebral: monitorização da
oxigenação da hemoglubina no cérebro
Imagiologia
Imagem de heterogeneidades
localizadas através de métodos
tomográficos
Localização precoce do
tumor da mama
Espectroscopia de IV próximo-Oximetria Artéria Veia O sangue venoso absorve mais o vermelho que o
Espectroscopia de IV próximo-Oximetria
Artéria
Veia
O sangue venoso absorve mais o vermelho
que o sangue arterial.
O sangue arterial absorve mais o IVP
que o sangue venoso.
ponto isobéstico
Este é o princípio da oximetria:
Oximetria de pulso Com dois comprimentos de onda (660nm, 900nm) pode medir-se a saturação da
Oximetria de pulso
Com dois comprimentos de onda (660nm, 900nm) pode medir-se
a saturação da hemoglobina em oxigénio
Lei de Beer-Lambert
I
0
d
I=I0exp(-µ a d)=I 0 10 -acd
c= concentração; a=coeficiente de extinção
Oximetria cerebral 850 nm 750 nm A lei de Beer-Lambert não funciona aqui devido ao
Oximetria cerebral
850
nm
750
nm
A lei de Beer-Lambert
não funciona aqui devido
ao espalhamento
Percurso médio≠
distância entre pontos
LBL modificada:
percurso efectivo
Os métodos da NIRS
permitem determinar o DPF
I=I 0 10 -(acd.DPF+G)
Correcção à atenuação
devido ao scattering
Resultados clínicos obtidos no University College London emissor detector
Resultados clínicos obtidos no
University College London
emissor
detector
[dados cedidos por J. Hebden, University College London]
[dados cedidos por J. Hebden, University College London]
Oscilações respiratórias e cardíacas medidas por oximetria IVP cerebral P ulse W aveform 70 4
Oscilações respiratórias e cardíacas
medidas por oximetria IVP cerebral
P ulse W aveform
70
4
60
50
N asal Airflow
40
3
30
20
10
0
2
-10
-20
H bO 2
-30
-40
1
0
10
20
30
40
50
60
Tim e (seconds)
Sobreposição dos dois ritmos
[dados cedidos por J. Hebden, University College London]
∆ HbO 2 µ( molar.cm)
Arb. Units
varrimento XY Tomografia Óptica peso dos voxeis um voxel A tomografia óptica dá dois mapas:
varrimento XY
Tomografia Óptica
peso dos voxeis
um voxel
A tomografia óptica dá dois mapas:
•O mapa do coeficiente de absorção
•O mapa do coeficiente de espalhamento
varrimento XY
A inversão do sinal na TO é muito mais difícil do que na TRX Fonte
A inversão do sinal na TO é muito mais difícil do que na TRX
Fonte RX
detector
Na TRX o peso dos voxeis
é ≠0 apenas na linha fonte-
-detector
TO o peso dos voxeis
é ≠0 em todo o lado
na
é preciso resolver a equação da difusão com as
condições dadas pelas medições na fronteira
Resultados de Simulação (retirado da tese de doutoramento de M. A. O’Leary, “Imaging with diffuse
Resultados de Simulação
(retirado da tese de doutoramento de M. A. O’Leary, “Imaging with diffuse photon density waves”,
Univ. of Pennsylvania, 1996)
State of the art: MONSTIR Multichannel Opto-electronic Near-infrared System for Time-resolved Image Reconstruction
State of the art: MONSTIR
Multichannel Opto-electronic Near-infrared System for Time-resolved Image Reconstruction
Schmidt, F. E. W., Fry, M. E., Hillmann, E. M. C., Hebden, Delpy, D. T., A 32-channel time-resolved
instrument for medical optical tomography, Rev. Sci. Instrum. 256-265, 71 (2000)
Tomografia óptica do antebraço A B Longitudinal MRI MRI Scatter Absorption Subject ASubject B
Tomografia óptica do antebraço
A
B
Longitudinal
MRI
MRI
Scatter
Absorption
Subject ASubject
B
Mamografia óptica Paciente de 72 anos com carcinoma ductal incvasivo, de diâmetro 2,5 cm Fantini
Mamografia óptica
Paciente de 72
anos com carcinoma
ductal incvasivo,
de diâmetro 2,5 cm
Fantini S, Heffer EL, Franceschini MA, Götz L, Heinig A, Heywang-Köbrunner S, Schütz O, Siebold H:
Optical mammography with intensity-modulated light. In: Proceedings Volume from In Vivo Optical Imaging Workshop;
September 16-17 1999. Edited by Gandjbakhche A. Bethesda, MD: National Institutes of Health; 2000