Conto: O MENINO E OS CÃES (Adaptado para radionovela)
Pedrinho era um menino de doze anos de idade, muito alegre, que adorava ajudar quem
estivesse necessitando. Se compadecia das pessoas menos favorecidas, dos doentes e dos
animais. Morava num sítio com um casebre pobre, que ficava bem afastado da cidade, com
sua mãe Joaquina, com seu padrasto Gonzaga e com seus dois irmãos pequenos.
Todos os animais feridos ou maltratados que via pela rua, trazia para casa, com o
intuito de cuidá-los. O quintal da velha casa pobre estava repleto de lugares improvisados
onde abrigava seus animais. Ele tinha 5 cachorros, todos sem raça definida, tinha também
várias gaiolas improvisadas, o papagaio Azulão num cercadinho, o galo Zecão e o gato
Pinduca.
Seu padrasto não gostava nada dessa situação, nem de animais, e sempre implicava
com o menino. E vivia dizendo a ele que, quando menos esperasse, voltaria da escola e não
encontraria mais os animais.
Um dia, sem querer, quando estava correndo por dentro da casa, saindo atrasado para ir
à escola, Pedrinho tropeçou, sem querer, no pé do seu Gonzaga, que ficou imediatamente
muito irritado com o menino, que pediu desculpas e se foi.
O pedido de desculpas não adiantou, porque bastou ele desaparecer no horizonte,
dentro do ônibus escolar, e seu Gonzaga soltou todos os seus cães e o restante dos animais na
estrada. Ficou somente com o galo, que ordenou para a mãe de Pedrinho que o cozinhasse
para o almoço.
Assim que entrou em casa, na volta da escola, Pedrinho foi correndo ver os seus
animaizinhos e se assustou quando não viu nenhum deles no quintal. Soube pela sua mãe o
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que o seu padrasto fizera e ficou muito triste. Não almoçou, nem jantou. Foi deitar para
dormir muito triste, e custou a pegar no sono.
De madrugada, todos na casa ouviram um rosnado de onça no quintal, e ficaram com
muito medo. O padrasto de Pedrinho abriu a porta da casa e foi verificar o que estava
acontecendo. Quando chegou no meio do quintal, deu de cara com a onça.
Na hora, ficou paralisado de medo e soltou a espingarda que estava na mão. Começou à
tremer, tentou correr para dentro de novo, mas a onça rugiu bem forte e rapidamente saltou
em cima dele. De repente, quando tudo parecia perdido, todos ouviram os latidos dos
cachorros se aproximando como se estivessem atendendo a um pedido de socorro.
Como se tivessem asas, todos os cinco voaram para cima da onça e, após rugidos,
rosnados e latidos, conseguiram espanta-la para longe.
Atônito, o padrasto de Pedrinho abraçou o menino e os cães, em agradecimento por
terem salvado a sua vida, e fez com que os animais entrassem novamente no quintal e
colocou-os no abrigo.
Daquele dia em diante, tanto Pedrinho, como seus cães passaram a receber um
tratamento gentil, respeitoso e hospitaleiro do padrasto, que sempre se mostrou arrependido
por ter subestimado a serventia dos animais, e do carinho que o menino dedicava à eles.
MORAL DA HISTÓRIA
Não devemos negligenciar ou menosprezar a importância das pessoas ou de criaturas,
ignorando o fato de que, amanhã ou depois, possam ser de grande valia para nós, ou mesmo
salvar nossa vida. Aquele que é fraco hoje pode demonstrar grande valor ou valentia amanhã.
PARA REFLETIR
Por mais individualistas que possamos ser, não devemos pensar que jamais
precisaremos de alguém. E, se você discorda desta afirmação, olhe ao redor... Já imaginou que
foi um sapateiro quem costurou a peça que está nos seus pés, que foi um padeiro que amassou
a massa do pão que comeu hoje? Imaginou que, para viajar ou se locomover, depende da
habilidade do condutor do veículo em que se encontra?
Pense nisso, e jamais afirmará que não necessita ou não deve ajudar os outros.
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FÁBULA DA CONVIVÊNCIA
Durante uma era glacial, muito remota, quando parte do globo terrestre esteve coberto por densas camadas de
gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições do
clima hostil.
Foi então que uma grande manada de porcos-espinho, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se
unir, a juntar-se mais e mais. Assim cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos,
agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.
Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente
aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. E afastaram-se feridos,
magoados, sofridos. Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam
muito...
Mas esta não foi a melhor solução. Afastados, separados logo começaram a morrer congelados. Os que não
morreram voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma unidos, cada qual
conservava uma certa distância do outro, mínima, mas suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem
magoar, sem causar danos recíprocos. Assim suportaram-se, resistindo a longa era glacial.
Sobreviveram.
O TRABALHO
Assim que morreu, Juan encontrou-se num belíssimo lugar, rodeado pelo conforto e beleza que sonhava. Um
sujeito vestido de branco aproximou-se: - Você tem direito ao que quiser, qualquer alimento, prazer, diversão.
Encantado, Juan fez tudo que havia sonhado fazer durante a vida. Depois de muitos anos de prazeres, procurou o
sujeito de branco:
- Já experimentei o que tinha vontade. Preciso agora de um trabalho, para me sentir útil.
- Sinto muito, disse o sujeito de branco, mas esta é a única coisa que não posso conseguir. Aqui não há trabalho.
- Que terrível, disse Juan, passar a eternidade morrendo de tédio. Preferia mil vezes estar no inferno.
O homem de branco aproximou-se e disse em voz baixa: - E onde o senhor pensa que está?
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O BODE
Num pequeno vilarejo, numa casa simples, mas limpa e arrumada, vivia um homem com sua família: mulher,
três filhos e a sogra. Mas o homem sentia-se completamente infeliz. Reclamava de tudo e de todos. Ora
implicava com os filhos, ora era a sogra que o aborrecia, a casa que era pequena demais, a esposa que não era
boa o suficiente... Nada o satisfazia.
Um dia, cansado de tanto sofrer, resolveu recorrer ao homem mais sábio da aldeia e pedir o seu conselho.
O sábio então lhe disse: - Vai, meu filho, procure um bode e o coloque dentro de sua casa. O homem se
surpreendeu com aquilo, mas, diante da insistência do sábio, resolveu acatar o seu conselho.
Passado algum tempo, o homem voltou ao sábio mais infeliz ainda dizendo que sua vida estava muito pior, que
sua casa estava suja, barulhenta, mal cheirosa, insuportável, e perguntou o que deveria fazer. E o sábio lhe disse:
- Vá e tire o bode de sua casa.
E ele assim fez. Tamanho foi o alívio por se ver livre do animal que, a partir daquele dia, ele tornou-se um novo
homem. Começou a descobrir e a valorizar tantas coisas que sempre tinham estado à sua volta, coisas das quais
ele sequer tinha percebido a existência.
O ANEL
Havia, certa vez, um rei sábio e bom, que já se encontrava no fim de sua vida.
Certo dia, pressentindo a chegada da morte, chamou seu único filho, que o sucederia no trono, tirou do dedo um
anel e deu-o a ele dizendo:
- Meu filho, quando fores rei, leva sempre contigo este anel. Nele há uma inscrição. Quando estiveres vivendo
situações extremas de glória ou de dor, tira-o e lê o que há nele.
E o rei morreu, e seu filho passou a reinar em seu lugar, sempre usando o anel que o pai lhe deixara.
Passado algum tempo, surgiram conflitos com um reino vizinho, que acabaram culminando numa terrível guerra.
O jovem rei, à frente do seu exército partiu para enfrentar o inimigo. No auge da batalha, seus companheiros
lutavam bravamente; mortos, feridos, tristeza, dor, o rei lembra-se do anel; tira-o e lê a inscrição:
ISTO TAMBÉM PASSARÁ
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E ele continua a luta. Perde batalhas, vence outras tantas, mas ao final, sai vitorioso. Retorna, então, ao seu reino
e, coberto de glória, entra em triunfo na cidade. O povo o aclama. Neste momento ele se lembra do seu velho e
sábio pai. Tira o anel e lê:
ISTO TAMBÉM PASSARÁ.
PRECIOSIDADES
O homem por detrás do balcão olhava a rua de forma distraída. Uma garotinha se aproximou da loja e amassou o
narizinho contra o vidro da vitrine. Os olhos da cor do céu brilhavam quando viu um determinado objeto. Entrou
na loja e pediu para ver o colar de turquesa azul.
- É para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito? - diz ela.
O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e lhe perguntou:
- Quanto de dinheiro você tem?
Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o
balcão e feliz, disse:
- Isso dá?
Eram apenas algumas moedas que ela exibia orgulhosa.
- Sabe, quero dar este presente para minha irmã mais velha. Desde que morreu nossa mãe ela cuida da gente e
não tem tempo para ela. É aniversário dela e tenho certeza que ficará feliz com o colar que é da cor de seus
olhos.
O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e
fez um laço caprichado com uma fita verde.
- Tome!, disse para a garota. Leve com cuidado.
Ela saiu feliz, saltitando pela rua abaixo.
Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis adentrou a loja.
Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e indagou:
- Este colar foi comprado aqui?
- Sim senhora.
- E quanto custou?
- Ah! - falou o dono da loja - o preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre
o vendedor e o cliente!
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A moça continuou:
- Mas minha irmã tinha somente algumas moedas! O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-
lo!
O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e o devolveu à jovem.
- Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar: ela deu tudo o que tinha!
O silêncio encheu a pequena loja e duas lágrimas rolaram pela face emocionada da jovem, enquanto suas mãos
tomavam o pequeno embrulho.
A Borboleta
Um dia, uma pequena abertura apareceu em um casulo, um homem sentou e observou a borboleta por várias
horas conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco. Então
pareceu que ela parou de fazer qualquer progresso. Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não
conseguia ir mais longe. Então o homem decidiu ajudar a borboleta, ele pegou uma tesoura e cortou o restante do
casulo. A borboleta então saiu facilmente.
Mas seu corpo estava murcho e era pequeno e tinha as asas amassadas. O homem continuou a observar a
borboleta porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem
capazes de suportar o corpo, que iria se afirmar a tempo. Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto
a sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.
O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar, não compreendia era que o casulo apertado e o esforço
necessário a borboleta para passar através da pequena abertura era o modo com que Deus fazia com que o fluido
do corpo da borboleta fosse para as suas asas de modo que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse
livre do casulo.
Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida. Se Deus nos permitisse passar através
de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, Ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como
poderíamos ter sido. Ou nunca poderíamos voar.
"Eu pedi Força... e Deus me deu Dificuldades para me fazer forte.
Eu pedi Sabedoria... e Deus me deu Problemas para resolver.
Eu pedi Prosperidade... e Deus me deu Cérebro e Músculos para trabalhar.
Eu pedi Coragem... e Deus me deu Perigo para superar.
Eu pedi Amor... e Deus me deu pessoas com Problemas para ajudar.
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Eu pedi Favores... e Deus me deu Oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi... Mas eu recebi tudo de que precisava."
OS REMOS QUE LEVAM AO PORTO DA AUTOCONFIANÇA
Um viajante ia caminhando em solo distante, às margens de um grande lago de águas cristalinas. Seu destino era
a outra margem.
Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte. A voz de um homem coberto de idade, um
barqueiro, quebrou o silêncio momentâneo, oferecendo-se para transportá-lo.
O pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de
carvalho. Logo seus olhos perceberam o que pareciam ser letras em cada remo.
Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, o viajante pôde observar que se tratava de duas palavras: num
deles estava entalhada a palavra ACREDITAR e no outro a palavra AGIR.
Não podendo conter a curiosidade, o viajante perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos. O
barqueiro respondeu pegando o remo chamado ACREDITAR e remou com toda força. O barco, então, começou
a dar voltas sem sair do lugar em que estava.
Em seguida, pegou o remo AGIR e remou com todo vigor. Novamente o barco girou, agora em sentido oposto,
sem ir adiante.
Finalmente, o velho barqueiro, segurando os dois remos, remou com eles simultaneamente e o barco,
impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas do lago chegando ao seu destino, à outra margem.
Então o barqueiro disse ao viajante: - Esse porto se chama autoconfiança. Simultaneamente, é preciso
ACREDITAR e também AGIR para que possamos alcançá-lo!
AS TRÊS PENEIRAS DE SÓCRATES
Certa vez, um homem chegou até Sócrates e disse:
- Escuta, tenho que contar-te algo importante a respeito de teu amigo!
- Espere um pouco, interrompeu o sábio, fizeste passar aquilo que me queres contar pelas três peneiras?
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- Que três peneiras?
- Então, escuta bem! A primeira é a peneira da VERDADE. Estás convicto de que tudo o que queres dizer-me é
verdade?
- Não exatamente, somente o ouvi dos outros.
- Mas, então, certamente o fizeste passar pela segunda peneira? Trata-se da peneira da BONDADE.
O homem ficou ruborizado e respondeu:
- Devo confessar que não.
- E pensaste na terceira peneira? Vendo se me seria útil o que queres falar-me a respeito do meu amigo? Seria
esta a peneira da UTILIDADE.
- Útil? Na verdade, não.
- Vês? - disse-lhe o sábio - Se aquilo que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor
que guardes somente para si.
DIÓGENES
O famoso filósofo Diógenes jantava, um dia, um prato de lentilhas, quando aproximou-se dele outro filósofo,
Aristipo, que levava uma vida boa e confortável, sempre adulando o Rei.
Disse, então, Aristipo a Diógenes: - Se aprendesses a bajular o Rei, não te seria necessário comer um lixo assim,
como lentilhas.
Por sua vez, Diógenes lhe disse: - Tu também, se tivesses aprendido a alimentar-te sempre de lentilhas, não te
seria nunca necessário passar a vida bajulando o Rei.