A história dos PCs é formada basicamente pela evolução de seus componentes, que a cada dia se mostram
mais rápidos, menores e mais baratos. Porém, isto não tirou a importância primordial dos processadores
dentro de uma máquina. Nesta galeria, nós vamos ver a evolução dos principais 'pequenos chips' para
computadores.
1971 até 1981
Em 1971, a Intel lançou seu primeiro processador. O Intel 4004 era usado apenas em calculadoras e tinha
capacidade de processamento de 8 bits, mas mostrou na prática a idéia usada até hoje nos processadores: a
capacidade de reunir todos os componentes necessários num único chip.
Apenas quatro anos mais tarde o mundo conheceu o primeiro computador pessoal. A empresa MITS lançou o
Altair 8800 em 1975, com o processador 8080 da Intel, que apresenta a velocidade processamento de 2MHz
(!!!). O baixo preço da máquina (cerca de US$ 400) a transformou num sucesso comercial para usuários
domésticos.
Este sucesso atraiu vários programadores universitários. O caso mais famoso ocorreu com Paul Allen e Bill
Gates, que criaram uma versão do BASIC (linguagem de programação) para o Altair 8800 e, no mesmo ano,
resolveram abrir sua própria empresa de softwares (Micro-soft na época, Microsoft hoje).
Neste mesmo ano, Steve Wozniak e Steve Jobs lançaram a Apple, que, em 1978, foi a responsável por
mostrar às empresas que o computador também era uma ferramenta de produtividade. A máquina Apple II
foi a primeira com um software de planilhas eletrônicas (VisiCalc).
Enquanto isso, a IBM, que já era líder no mercado de computadores de grande porte, apenas observava o
crescimento deste novo setor. Em 1980, ela começou a agir para também ser líder no mercado de
computadores pessoais.
Usando o processador 8088 da Intel, lançado em 1978 como uma versão mais barata do modelo 8086
(ambos de 16 bits), o IBM PC (Personal Computer) foi um sucesso absoluto, vendendo cinco vezes mais do
que o planejado pela empresa em seu ano de lançamento. Um dos pontos mais interessantes do IBM PC
estava em sua arquitetura. Ao contrário da Apple, que não permitia que outras empresas criassem máquinas
compatíveis com as suas, a IBM permitiu este tipo de concorrência – o que foi fundamental para a
popularização do 'PC'.
1981 até 1984
Um dos 'problemas' da IBM antes do lançamento do IBM PC estava na escolha do sistema operacional para a
máquina. Após tentativas frustradas com a Digital Research, a IBM procurou a Microsoft, que adquiriu o
sistema QDOS (criado por Tim Patterson), melhorou-o e o licenciou como PC-DOS (quando vinha com o IBM
PC) ou MS-DOS (quando adquirido separadamente).
Só que, posteriormente, o IBM PC também começou a ser vendido com outros sistemas: o CP/M da Digital
Research e o UCSD p-System da Softtech. Mas como o preço destes sistemas era bem maior em
comparação ao PC-DOS, a popularidade do IBM PC com PC-DOS só cresceu, o que, em parte, explica a
liderança da Microsoft nos dias de hoje.
Dois anos após o lançamento do IBM PC, os desenvolvedores se focavam quase que apenas na versão com
PC-DOS, o que causou o fechamento de várias empresas concorrentes. Na ânsia de ganhar mercado, muitas
fabricantes de hardware criaram máquinas 'compatíveis' com o IBM PC, mas como a arquitetura das mesmas
não era 100% igual à máquina, estes projetos não foram adiante.
Mas pelo fato da arquitetura da IBM era aberta, cedo ou tarde um clone do IBM PC seria lançado. E isto
aconteceu em 1983, com o Compaq Portable. Oficialmente, a máquina é conhecida por ser o primeiro
notebook do mundo, mas com seus 12 KGs, não se pode dizer que a mesma é 'portátil'. Porém, seu
lançamento fez com que nos dois anos seguintes, vários clones do IBM PC (totalmente compatíveis com o
original) fossem lançados, ameaçando a hegemonia da IBM no setor.
A empresa então tentou contra-atacar com o IBM PCjr,
que seria uma versão mais acessível e barata do IBM PC original, mas foi um fracasso de vendas. Então, a
IBM decidiu lançar o verdadeiro sucessor do IBM PC.
Em 1982, a Intel lançou seu novo processador 80286, sucessor do 8086/8088, com velocidades entre 6 MHz
e 25 MHz. Neste mesmo ano, a AMD surgiu como uma empresa de processadores, trabalhando com os modelos
da Intel, já que a IBM começou a exigir pelo menos duas indústrias para o fornecimento de processadores
para suas máquinas.
O Intel 80286 só foi usado comercialmente a partir de 1984, justamente no sucessor do IBM PC, o IBM PC AT.
Ao manter a compatibilidade dos aplicativos criados para o IBM PC, a empresa levou o computador pessoal a
um novo patamar.
1984 até 1985
Com o tempo, clones do IBM PC AT também foram lançados, consolidando de uma vez por todas o padrão
DOS. Se um programador criasse um aplicativo para o IBM PC, este rodaria em todos os clones do IBM PC,
no IBM PC AT e em todos os clones do IBM PC AT - note que esta padronização é parte integrante do
mercado até hoje.
Só que no mesmo ano, um rival do PC surgiu com uma idéia ainda não vista.. A Apple lançou o Macintosh ao
mundo com interface gráfica - usando o recém criado mouse e conceitos vistos até hoje, como janelas de
programas e sobreposição de janelas. Embora alguns aplicativos do PC (e PC AT) tenham sido convertidos
para o Macintosh, isto não foi suficiente para tirar uma quantidade significativa de usuários do PC.
Claro que o mercado de PCs não iria ficar parado, e várias interfaces gráficas foram lançadas para o DOS,
como o Windows 1.0 (lançado em 1985). Como nenhuma destas interfaces tinha muitos softwares
compatíveis, elas também acabaram não sendo bem aceitas inicialmente pelo mercado.
Também em 1985, a Intel lança o sucessor do processador 80286. O 80386, com velocidades entre 12 MHz e
40 MHz, foi o primeiro processador a trazer instruções de 32 bits (as mesmas instruções usadas até hoje). O
chip também foi o primeiro a receber variações dentro da mesma arquitetura, com versões SX (de baixo custo),
SL (com instruções próprias para computadores portáteis) e DX (versão original, que recebeu a sigla para se
destacar perante as variações).
Pela primeira vez, 'clones' foram lançados antes de produtos da própria IBM, o que ditou um novo padrão de
mercado. Agora, um programa ou dispositivo não precisava ser compatível com máquinas da IBM, mas sim
com uma única arquitetura - processador Intel com sistema DOS.
1985 até 1993
A IBM percebeu que tinha perdido o controle do mercado de PCs, e agiu pra recuperá-lo em 1987, com o
lançamento do IBM PS/2. Trazendo versões levemente diferenciadas dos processadores Intel, as máquinas
PS/2 tinham um arquitetura de hardware diferente dos PCs (embora compatível com os programas lançados
até então), que não foi adotada pelas fabricantes de máquinas clones, devido aos altos custos de
licenciamento cobrados pela IBM.
Isto fez com que a tecnologia do PS/2 não fosse adotada pelo mercado, que preferiu continuar investindo no
PC. Porém, não se pode diminuir a importância do PS/2, que trouxe novas tecnologias que são usadas até
hoje, como os conectores PS/2 para mouse e teclado e a tecnologia de vídeos VGA.
No mercado de processadores para PC, a Intel lançou o sucessor do 80386 em 1987. O processador 486,
com velocidades entre 16 MHz e 100 MHz, recebeu várias versões, e foi o primeiro chip a permitir que mais
de uma instrução fosse processada no mesmo ciclo de processamento. Porém, tanto processamento tem um
preço. Os chips 486 foram os primeiros a precisar de um sistema de refrigeração - pequenos dissipadores
em cima dos chips - e isto apenas aumentou com o passar dos anos.
Um ano depois, nasceu a empresa Cyrix, que fabricava co-processadores matemáticos, que aumentavam de
forma visível o desempenho de processadores 80286 e 80386 - processadores Intel 486 vinham com este co-
processador embutido. A partir de 1992, a Cyrix também começou a criar processadores compatíveis com os
da Intel, o que rendeu processos entre as empresas (já que, ao contrário da AMD, a Cyrix não tinha autorização
da Intel para tal). Os nomes dos processadores da Cyrix, com numeração semelhante à usada pela Intel,
juntamente com decisões legais, fizeram a Intel adotar uma marca registrada para seus futuros processadores.
Enquanto isso, a Microsoft lançou o Windows 2.0 em 1987, melhorando praticamente todos os aspectos do
Windows 1.0 e o Windows 3.0 em 1990. Porém, o Windows 3.1, lançado em 1992 foi o grande responsável
pela popularização do Windows como sistema operacional padrão dos PCs. Com melhoras significativas,
principalmente na estabilidade, o Windows 3.1 manteve a compatibilidade do DOS e atraiu novos
desenvolvedores, que criaram vários programas para ele.
1993 até 1998
Em 1993, a Intel lançou o sucessor do 486. O processador Pentium, com velocidades entre 60 MHz e 300
MHz, foi um sucesso de mercado graças também ao sucesso do Windows 95, que usava (e abusava) do
processamento. Um ano depois, surgiu a linha Pentium MMX, com as mesmas características, com instruções
de processamento voltadas para aplicações multimídia.
Em 1995, surgiu o oficial sucessor do Pentium. A linha de processadores Pentium Pro, com velocidades entre
150 MHz e 200 MHz era mais veloz que os processadores Pentium originais, mas não traziam as instruções
multimídia dos modelos MX. Foi substituída em dois anos, mas trouxe uma novidade que pode ser vista até
hoje: a possibilidade de rodar mais de um processador na mesma máquina.
No ano seguinte, a AMD lançou seu primeiro processador rival do Pentium feito com tecnologia própria. O
AMD K5 não conseguiu uma porcentagem significativa de mercado, pois era mais lento do que os modelos
Pentium compatíveis. Em 1997, a Intel lança o Pentium II, com velocidades entre 233 MHz e 450 MHz, e a
AMD lança o sucessor do K5. Seu processador K6, com velocidades entre 166 MHz e 300 MHz, é a primeira
ameaça real ao mercado da Intel, já que oferecia o mesmo processamento do Pentium II com preços menores.
A Intel decidiu contra atacar em 1998, dividindo sua família
de processadores em três: Pentium para o mercado
doméstico; Celeron, para computadores de baixo custo;
e Xeon, para servidores que precisavam de alto
desempenho. Embora o formato dos processadores fisicamente não tenha mudado muito, a Intel resolveu
inserir seus recursos numa espécie de placa própria de circuito integrado, o que fez com que os chips viessem
numa espécie de ‘cartucho’.
1999 até 2004
Em 1999, Intel e AMD lançaram seus novos processadores. Enquanto o Pentium III apresentava velocidades
entre 450 MHz e 1.4 GHz, o AMD Athlon ganhou várias revisões, que permitiram velocidades entre 500 MHz
e 2.33 GHz. Ambas as empresas mudaram levemente a arquitetura de seus chips, mas melhorias feitas nas
revisões do Athlon permitiram que o mesmo tivesse uma vida comercial bem maior do que os processadores
Pentium III.
]
Em 2000, os processadores Pentium IV foram lançados, com uma nova arquitetura completamente diferente
da usada desde os processadores Pentium Pro (mas compatíveis com todos os programas lançados até então),
com velocidades entre 1.3 GHz e 3.8 GHz. Como é possível perceber, o grande objetivo da Intel era atingir a
maior velocidade possível de processamento - embora isto não garanta necessariamente um processamento
mais rápido.
Justamente por isto, os processadores Pentium IV nunca foram realmente bem aceitos pelo mercado, já que,
com o tempo, esta afirmação pode ser comprovada nos próprios produtos. Como grande novidade, estes
processadores apresentaram a tecnologia Hyper-threading (HT), que permite que um único processador opere
como dois processadores virtuais.
Enquanto isso, a AMD lançava a revisão mais famosa do Athlon, chamada de Athlon XP (uma referência não
oficial ao Windows XP) e lançava o primeiro processador doméstico com tecnologia 64 bits (mantendo a
compatibilidade com a atual tecnologia 32 bits). O Athlon 64 foi um sucesso de mercado e obrigou a Intel a
adotar a mesma arquitetura 64 bits um ano após sua grande rival.
2004 até 2008 Com a AMD obtendo cada vez
mais espaço, a Intel decidiu contra-atacar com base na arquitetura mais recente do Pentium III (provando
que a arquitetura do Pentium IV evoluiu pelo caminho errado). No entanto, a AMD mais uma vez inovou no
mercado de processadores domésticos, sendo a primeira empresa a lançar um processador dual-core (Athlon
64 X2, em Junho de 2005) para o mercado de PCs. A nova arquitetura permitiu ter dois núcleos de
processamento num único chip de processador, aumentando o desempenho do mesmo sem a necessidade
de aumentar a velocidade de processamento.
A Intel chamou a atenção do mercado em 2006 com a linha de processadores Core Duo e Core Solo
(respectivamente com dois e um núcleo), resultantes das várias melhorias aplicadas na plataforma dos
processadores Pentium Mobile (para Notebooks), que por sua vez são derivados do Pentium III. No ano
seguinte, os sucessores da linha Core 2 apresentam versões Solo (com um chip), Duo (com dois chips), Quad
(com quatro chips) e Extreme (com dois ou quatro núcleos, voltada para entusiastas).
A corrida para processadores mais rápidos, com mais núcleos e com menos gasto energético - o que resulta
em menos calor dissipado - ganhou um novo capítulo no último mês, com o lançamento dos primeiros modelos
Intel Core i7 (sucessores da família Core 2). Pelo menos por enquanto, todos os modelos apresentados (com
velocidades variando entre 2.66 GHz e 3.2 GHz) apresentam quatro núcleos.
A tecnologia HT, que permitia que os processadores Pentium IV agissem como dois processadores, foi
recolocada nos processadores Core i7 – em termos práticos, ela permite que um processador aja como oito
processadores (já que apresenta quatro núcleos). Apenas imagine quatro núcleos de processamento
trabalhando a 3.2 GHz cada... e pensar que o Altair 8800, 23 anos atrás, tinha um processador com apenas 2
MHz!