Capitulo Santos
Capitulo Santos
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Infantil (I a III) 10 a 12 anos 04 minutos
Infanto-juvenil (I a III) 13 a 15 anos 04 minutos
Juvenil (I e II) 16 e 17 anos 05 minutos
CATEGORIA FAIXA-ETÁRIA TEMPO DE LUTA
05 minutos – Branca
06 minutos – Azul
Adulto 18 a 29 anos 07 minutos – Roxa
08 minutos – Marrom
10 minutos – Preta
05 minutos – Branca e Azul
Master 1 30 anos 06 minutos – Roxa, Marrom e
Preta
Master 2 a 7 > 36 até 61 anos 05 Minutos
Tempo de descanso entre lutas Etapa
Igual ao tempo regulamentar de luta Até a Semifinal
De cada categoria
Dobro do tempo regulamentar de luta de cada categoria Finais
Nota - Classificação por categoria, idade, graduação, tempo de luta e tempo de descanso entre as lutas
(IBJJF, 2010).
O resultado dos duelos é decidido por desistência de um dos atletas, interrupção, desclassificação,
perda dos sentidos, pontuação, decisão do árbitro ou sorteio. Em relação a pontuação, o atleta soma 2
pontos quando projeta seu adversário ao solo, quando se utiliza da técnica de joelho na barriga ou quando
realiza uma raspagem. Soma três pontos por passagem de guarda, e quatro pontos quando está na posição
de montada pela frente ou costa, e quando faz a pegada pelas costas (IBJJF, 2010) . Ainda é possível que o
árbitro utilize a vantagem em certas ocasiões durante a luta.
É importante ressaltar o detalhe do tempo de descanso entre as lutas, pois essa informação será
relevante quando do planejamento e periodização do treinamento do atleta em questão para promover
um maior aproveitamento fisiológico (ØVRETVEIT, 2018).
ANÁLISE DE TEMPO-MOVIMENTO NO BJJ
Tomar uma decisão durante um duelo em competição é um processo cognitivo, que depende de
o tempo disponível para o atleta tomar a decisão e a executá-la. Por isso a estratégia e a tática se dividem
em três estágios: micro, meso e macro (LIGHT; HARVEY; MOUCHET, 2014).
A estratégia está em nível macro, pois é formulada anteriormente, com muito tempo disponível e
sem pressão; as ações táticas são os caminhos escolhidos pelo atleta para alcançar o objetivo traçado
anteriormente na estratégia, em um nível meso. O nível micro é o momento onde o atleta está sob ameaça
de um ataque do seu adversário, e precisa agir em poucos segundos (LIGHT; HARVEY; MOUCHET, 2014). É
um processo de negociação cognitiva inteligente, dinâmica e complexa, que envolve inúmeras decisões
sendo tomadas e executadas sob pressão (LIGHT; HARVEY; MOUCHET, 2014), onde não existe uma
separação entre a percepção, a tomada de decisão e a ação executada; que ocorre em um processo
extremamente veloz, que expressa a capacidade de decidir e agir adequadamente a cada situação
apresentada (COLLINS; COLLINS; CARSON, 2016).
Existe uma lacuna no campo científico (COSWIG; BARTEL; DEL VECCHIO, 2018) que envolve o jiu-
jitsu brasileiro em relação a análise técnica e tática, A variável estratégica na luta é de extrema importância
já que, está diretamente associada ao sucesso competitivo (LEES, 2002).
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A tomada de decisão é um processo cognitivo que trata de basicamente da escolha da melhor
opção entre as alternativas, que resultará em uma determinado desfecho durante o duelo, mas apesar da
tomada de decisão ser um processo comum, quase automático, são poucos os estudos que analisam esse
processo (VICENTINI; MARQUES, 2019). Dar-se o nome de análise técnico tático a este processo, que
expressa o trabalho do analista, que pretende identificar a resposta do atleta aos estímulos através de uma
ação, em seguida lhe fornecer feedbacks que tem por objetivo melhorar o desempenho atlético (MIARKA
et al., 2011).
A utilização da tática se expressa de acordo como o atleta irá utilizar das suas melhores técnicas
para explorar as deficiências do adversário, e em paralelo, proteger-se de ser atacado em suas deficiências
(MIARKA et al., 2011). Para isso é necessário utilizar as capacidades de tomada de decisão de maneira
racional, afim de aproveitar sua competência técnica mais adequada para reagir a cada estímulo
proveniente do adversário (LIGHT; HARVEY; MOUCHET, 2014).
Siedlik et al. (2016), apontou alterações deficitárias no gerenciamento de carga cognitiva durante
momentos de alta intensidade física. Considerando a correlação da perda na tomada de decisão, em
momentos de alta carga de estresse, causado pelos exercícios de alta intensidade como é o caso dos duelos
competitivos, é possível afirmar que o estresse da competição influencia diretamente na psicofisiologia do
atleta (IDE et al., 2019) durante o duelo, ficando evidente no seu rendimento.
Uma das maneiras de reduzir as possibilidades de erro durante o duelo é tanto o treinador como
o atleta basearem suas decisões em um processo anterior ao duelo (COLLINS; COLLINS; CARSON, 2016),
durante a preparação do atleta.
Da mesma maneira como foi utilizado no judô (MIARKA et al., 2011), a análise do combate pode
ser empregado no BJJ se fizermos alguns direcionamentos para obter maior especificidade naquilo que
estamos observando. Fica claro portanto, que o objetivo primordial da análise técnico tática é atuar no
planejamento das ações técnicas para o combate e para a prescrição do treinamento (ANDREATO et al.,
2016, 2015; COSWIG et al., 2018; COSWIG; BARTEL; DEL VECCHIO, 2018; MIARKA et al., 2011), pois
interferem diretamente nas demandas fisiológicas, bem como a elaboração de estratégias ao próximo
combate.
Segundo Campos et al. (2016), vencer ou perder está associado com a preparação física, técnica
e tática, estados psicológicos, estados bioquímicos e hormonais.
Andreato (2013) apresentou a investigação sobre a resposta fisiológica e os parâmetros técnico-
táticos de atletas durante uma competição de jiu-jitsu em nível regional. Participaram desse estudo 35
atletas da categoria adulto, de variadas graduações até a marrom. Foram analisadas 22 lutas. Os resultados
do estudo apontaram uma variação bioquímica nos atletas, e apresenta que graças a constante utilização
de força durante os esforços competitivos resultaram em reduções significativas da força de pressão das
mãos, pois segundo os próprios atletas definiram as lutas como intensas e difíceis.
O autor trouxe uma contribuição considerável no tocante a utilização de ações de alta
intensidade de 4 segundos e de baixa intensidade, numa proporção de oito ações de baixa intensidade para
cada uma das ações de alta intensidade.
As recomendações do estudo são para os treinadores, direcionarem as cargas de treinamento
tomando por norte a demanda energética que os duelos em competição exigem.
Em estudo subsequente, o objetivo foi analisar o desempenho, a estrutura temporal, as ações
técnicas e as respostas perceptivas em atletas de jiu-jitsu em uma competição simulada.10 atletas foram
submetidos aos duelos simulados em quatro lutas de 10 minutos. O estudo aponta que o tempo de reação
e a flexibilidade não sofreram alterações importantes entre os duelos, porém houve uma diferença
significativa em relação a resistência muscular em relação a força de aderência manual no quimono. Os
atletas realizaram o maior número de ataques durante o último duelo, mesmo já demonstrando cansaço,
justamente nesse ponto, os atletas tiveram maiores dificuldades defensivas do que nos duelos anteriores
(ANDREATO et al., 2015).
O tempo de ações de alta intensidade durante os duelos deve ser prescritas com cautela e
controle. As ações de alta intensidade tiveram uma média 3 segundos, e uma relação de 8 ações de baixa
intensidade, para cada uma das ações de alta intensidade conforme estudo anterior (ANDREATO et al.,
2015).
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O estudo de Coswig (2018) aponta a intermitência entre as demandas de alta e baixa intensidade
durante o combate, exigindo do atleta uma elevada aptidão física, metabólica e neuromuscular. Essa
aptidão pode ser observada através do desempenho técnico e tático durante as lutas.
A amostra foi composta de 40 atletas de judô e jiu-jitsu, aplicado testes físicos e lutas simuladas.
Os resultados indicaram diferenças nos padrões de técnica e tática e tempo movimento entre as
modalidades estudadas, e houve diferença entre as variáveis relacionadas no judô e no jiu-jitsu.
O estudo apontou que segundo os modelos de regressão baseados em variáveis de aptidão
metabólica podem ser responsáveis por até 53% das variações técnico-táticas ou de tempo movimento no
judô, e 31% no jiu-jitsu.
Os modelos neuromusculares atingiram valores de 44 e 73% no judô e no jiu-jitsu
respectivamente. Quando combinados, os componentes explicam até 90%¨das ações de alta intensidade
no judô.
Concluindo que os modelos de previsão de desempenho em combate indicaram que as variáveis
de aptidão anaeróbica, aeróbica e neuromuscular contribuem para explicar as variações de movimento
temporal associados a alta intensidade e técnicas no judô e no jiu-jitsu.
A inovação por parte desse estudo é referente a indicação das ferramentas de tecnologia para
proporcionar aos treinadores uma maneira de ampliar seu entendimento sobre os padrões de luta dos seus
atletas e adversários (COSWIG et al., 2018).
No mesmo sentido, Ando, Miarka e Pinto (2016) apresentaram dados importantes em relação a
utilização de softwares para análise técnico e tática e tempo movimento onde foi avaliado ser era possível
que avaliadores não experts em determinados estilos de lutas, em especial o judô, que tem sua origem no
jiu-jitsu (SANTOS et al., 2019).
O resultado do estudo apontou que a mensuração de análise tempo movimento tiveram forte
relação com a concordância, indicando que os softwares de análise podem ser utilizados por profissionais
de educação física para realizar analise de esportes de combate, mesmo que estes profissionais não
tenham tido experiências na prática da modalidade (ANDO; MIARKA; PINTO, 2016).
Miarka et al., (2011), conduziu diversos estudos sobre o tema técnica, tática e tempo movimento,
validando a objetividade de um software para análise técnico-tática e tempo movimento específico para
as artes marciais (MIARKA et al., 2011). O uso dessa tecnologia tem por objetivo melhorar a capacidade de
análise dos treinadores.
Em 573 duelos foram gravados em campeonatos de níveis regionais e estaduais, para então serem
analisados entre experts da modalidade. Miarka (2011) define as variáveis de estrutura temporal,
penalidades, execução, orientação e técnicas de ataque. Essas variáveis nortearam outros estudos
posteriores, e ficou exposto que o software em questão pode esclarecer a compreensão de análise técnica
e tática em muito boa precisão.
O estudo também trouxe a luz os comportamentos mais recorrentes dos atletas durante o
combate, fornecendo uma gama de dados relevantes para preparadores, atletas e estudiosos.
A relação entre a análise de desempenho e a preparação física, conforme apontam diversos
estudos (ANDO; MIARKA; PINTO, 2016; ANDREATO et al., 2013; COSWIG; BARTEL; DEL VECCHIO, 2018; DEL
VECCHIO; GONDIM; ARRUDA, 2016; MIARKA et al., 2011) é íntima, e fica claro que o propósito de analisar
as ações de tempo-movimento, técnico-tática, respostas motoras, psicológicas e fisiológicas caminham na
direção da construção de um saber específico no atleta, treinador/preparador e professor para entender a
especificidade do contexto em que estão avaliando, gerando uma percepção em que direção conduzir os
treinamentos para obter um maior impacto das suas ações durante a competição, como se fosse possível
através das análises prever acontecimentos futuros (LEES, 2002; WILLIAMS et al., 2019).
Dentre diversos estudos já realizados, destacamos as possibilidades daquilo que pode se analisar
durante um combate, a começar pelo tempo de luta em pé e o tempo de luta em solo, avalia-se as técnicas
aplicadas como projeção, raspagens, passagens de guarda, o tempo médio de luta, finalização e pontuação
(COSWIG; BARTEL; DEL VECCHIO, 2018).
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Andreato et al., (2016a) trouxe importante colaboração apontando as ações de tempo-movimento
e a relação de alta intensidade (quando o atleta utiliza avança com vigor, força ou potência muscular) e
baixa intensidade (com um baixo nível aparente de aplicação força, movimentos lentos com baixa utilização
de potência) durante os confrontos, o que é altamente relevante sob a ótica da preparação para a luta,
entre os achados, ele aponta que os atletas gastam a maior parte do tempo em ações de baixa intensidade,
tendo picos isolados de alta intensidade durante a luta (ANDREATO et al., 2016).
Coswig (2018) adicionou as possibilidades de análise o componente de fadiga, além disso,
relacionou a posição de domínio pelas costas, bem como joelho na barriga, e diferenciou as tentativas de
finalização por estrangulamento ou por torção ou trava articular tanto em lutas com quimono bem como
em lutas sem quimono, conhecidas popularmente como Gi e noGi.
Diferente do que se acreditava sobre os atletas sem quimono realizarem um gasto físico maior
que os atletas que lutam como quimono, o estudo apontou que não foi encontrada diferença significativa
nesse parâmetro, já que acreditavam que por não terem as possibilidades de pegada no pano do quimono,
isso dificultaria a estabilização das posições (COSWIG; BARTEL; DEL VECCHIO, 2018).
Em uma segunda etapa, Andreato (2015) trouxe informações relevantes sobre o tempo de reação
de um atleta (variável que afeta diretamente a capacidade de tomada de decisão, ataque, defesa), o
resultado encontrado foi que o tempo de reação de um atleta não muda durante as lutas que foram
simuladas durante o estudo, bem como apresentou as técnicas que resultam em maiores chances de
pontuação, são elas as projeções e as raspagens, seguidas de perto por passagem de guarda e pegada pelas
costas. No que se trata de fadiga, quanto mais cansados os lutadores ficavam, menores eram suas
capacidades defensivas. (ANDREATO et al., 2015).
Quadro 2 – Composição dos artigos mais relevantes sobre o tema. *N/A = o artigo não analisou a variável
em questão.
(ANDREATO et al., 2013) 22 lutas Competição regional 296 segs. 33 segs. N/A* N/A*
(≤ 6:1) (≤ 8:1)
(≤ 8:1)
(ANDREATO et al., 2015) 4 lutas Competição simulada 117 Seg. 33 Seg. N/A* N/A*
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Apesar do judô e do BJJ originarem-se do mesmo conjunto de artes marciais, existem diferenças
técnicas e dinâmicas em relação a utilização das ações motoras durante um combate de BJJ, que em
paralelo, reflete na demanda fisiológica, hormonal e antropométrica entre os praticantes dos diferentes
estilos de esportes de combate (STACHOŃ et al., 2015).
Ao iniciar um combate de BJJ, a primeira ação motora relevante a apresentar-se é a capacidade
de realização e manutenção da pegada (handgrip) no quimono do adversário. A pegada é um fator
importante para o sucesso no combate e diferencia um atleta de sucesso porque existem diversas
possibilidades de realizar técnicas combinadas, ofensivas ou defensivas, em paralelo com a pegada.
Estudiosos dos esportes de combate tem se debruçado sobre essa habilidade demonstrando a
importância da pegada em esportes de grappling, trazendo contribuições relevantes para comparação
desta habilidade técnica no BJJ (ANDREATO et al., 2017, 2015d, 2016b, 2013d; BURDUKIEWICZ et al., 2018;
DETANICO et al., 2017; DIAZ-LARA et al., 2016; FOLLMER et al., 2017; JAMES et al., 2016; ØVRETVEIT, 2018;
SANTOS et al., 2019; STACHOŃ et al., 2015) entre atletas, permitindo aprimorar a capacidade de
preparação física e técnica dos atletas.
Projeção e arremessos
Quando o árbitro inicia a luta, uma das variantes técnicas iniciais do combate é projeção, porém,
a capacidade técnica de projeção do adversário ao solo tem perdido espaço dentro do combate. Mesmo
que a projeção garanta ao atleta pontos valiosos, que podem definir um combate, a projeção não tem sido
escolha frequente nos campeonatos mundiais observados pelo site especializado bjjstats2. Em cinco
competições de elite (IBJJF World e Pan Championship), entre os anos de 2016 a 2019, foram coletados
dados referentes as projeções em 830 combates de BJJ, sendo executadas 116 projeções, com uma média
de 14% de quedas e arremessos por partida (menos de 2 a cada 10 partidas).
Os arremessos e projeções tem perdido espaço para a técnica de puxada para guarda, mas não há
consenso entre os estudiosos e praticantes sobre o motivo da puxada para guarda estar ganhando espaço
na luta, entretanto, os números relativos a puxada para guarda tem apresentando um rendimento que
merece discussão sobre sua efetividade.
Os atletas de elite que defendem a puxada de guarda têm obtido pontuação favorável em torno
de 30% ao enfrentar atletas que fazem puxada para guarda e erram a puxada. Os números confirmaram as
hipóteses da organização do Pan IBJJF ao ficar evidente que a puxada da guarda foi extremamente popular,
com 99 das 115 lutas tendo pelo menos uma puxada da guarda, os resultados, no entanto, foram
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BJJSTATS - https://www.bjjheroes.com/editorial/bjj-stats-takedowns-in-jiu-jitsu
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extremamente divididos: puxada para guarda: 47 vitórias contra 36 derrotas, tendo ainda 16 vezes em que
houve puxada dupla.
Ao comparar a efetividade da puxada para guarda, notamos que a média entre vencer o perder
utilizando-se da puxada para guarda teve em média 48% (ver gráfico abaixo) de efetividade, ao
confrontarmos esse número com o número de vitórias obtidas por atletas que utilizaram projeções e
arremessos, obtiveram 100% de vitória nos combates realizados na mesma competição, demonstrando
que ainda existe um longo caminho de debate sobre a vantagem de utilizar a puxada para guarda ao iniciar
um combate de jiu-jitsu abrindo mão das técnicas de projeção e arremessos.
puxada dupla
16%
vitória
48%
derrota
36%
Figura 2 - Relação entre vitória e derrota ao começar o combate e puxar para guarda - Fonte: BJJStats
(2019).
Figura 3 - Relação entre vitória e derrota ao marcar o primeiro ponto – Fonte: BJJStats (2019).
O atleta que pontua primeiro tem de 80% a 94% de probabilidade de vencer um combate de BJJ,
conforme números de duas competições distintas em 2018, por isso, ressaltamos a importância da
utilização das técnicas de projeção em detrimento a puxada para guarda (BJJHEROES, 2018).
Guarda e raspagem
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A capacidade de manutenção de guarda está ligada a maior força nos membros inferiores,
Andreato (2012), Stachon (2015) e Burdukiewicz (2018) afirmam que os praticantes de BJJ, quando
comparados aos praticantes de judô, possuíam excelente resistência abdominal e força corporal superior
na região do CORE (musculatura da região central do corpo (abdominal, lombar, pelve e quadril)), e isso
fica evidente pela necessidade de movimentação constante dos quadris e dos membros inferiores durante
a luta de solo, que é a fase onde o atleta de BJJ passa a maior parte do tempo durante um combate de BJJ.
É no plano horizontal que ocorrem a maior parte das ações técnicas que são relevantes para pontuar ou
vencer um combate, tais como guarda, raspagens e submissão (figura 4).
Pontos vs Submissão
Uma das grandes discussões no seio do BJJ refere-se ao que é mais importante para vencer uma
competição, a
Técnicas que resultaram em pontos pontuação ou a
200 70%
submissão. Alguns
180
60%
professores chegam a
160
50%
dizer que atletas que
140
ganham por pontos
Porcentagem
Quantidade
120 40%
100 são não completos, e
80 30%
60
que não deveria haver
20%
40 limite de tempo nas
10%
20 competições, pois só
0 0%
Raspagens
Controle das Passagem de Projeção e nesse formato seria
costas guarda arremessos
Total 186 35 49 29
possível avaliar
Porcentagem 62% 12% 16% 10% perfeitamente
quando um atleta é
superior ao outro tecnicamente.
No sexo masculino, a vitória por submissão (36%) tem uma considerável perda em relação a vitória
por pontos (46%), enquanto no feminino é o inverso, com leve vantagem para a submissão (36%). Cabe
destacar que ainda existe uma proporção considerável de vitórias por vantagem, o que não é consenso
entre as federações de BJJ, onde algumas delas não contabilizam vantagem (BJJHEROES, 2017).
Destacaram entre as finalizações mais utilizadas em 2017, o estrangulamento pelas costas (10
ocasiões), seguido pelas chaves de braço (9 ocasiões), em terceiro, a técnica de “arco e flecha” (7 ocasiões),
triângulos (5 ocasiões) e chaves de joelho (4 ocasiões) (BJJHEROES, 2017).
Por fim, a quando analisado a origem da técnica que gerou o maior número de pontuações no IBJJF Word
Championship de 2017, os dados apontam que dominar as costas do adversário é fundamental para vencer
a luta por submissão tendo o controle das costas 41% das vitórias, dominando o adversário na montada
por cima 23%, e submissão a partir da guarda 36%)(BJJHEROES, 2017).
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Figura 5 - Divisão por sexo do resultado das lutas - Fonte: IBJJF Word Championship 2017 - Fonte: BJJStats
(2019).
Entre os estilos de combate encontrados nos campeonatos de BJJ de elite, encontramos atletas
que preferem utilizar o “jogo de guardeiro” e o “jogo de passador”, o que reflete diretamente na proporção
de vitórias por combate (figura 6).
Figura 6 - Prevalência
do estilo de jogo em
relação a vitória -
IBJJF Word
Championship 2017 -
Fonte: BJJStats
(2019).
Conforme
figura 6, “jogar por
cima” em competição
de BJJ aumenta a
probabilidade de
vitória, em relação aos que preferem fazer o jogo de “guardeiros”. Ainda nessa linha, novamente a puxada
para guarda não mostrou relevância para resultar em vitória (IBJJF Word Championship de 2018), onde
53% das lutas em que os atletas optaram por puxar para guarda, tiveram como resultado a derrota, e 47%
resultaram em vitória.
player.br.uptodown.com/windows/download
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Baixe o frami software em:
https://drive.google.com/file/d/1l_nyXMr0kwvS3KEKvaB7SYrl7s3oKS-F/view?usp=sharing
A figura 1 a seguir mostra a primeira tela do programa, na qual devem ser preenchidas as
informações referentes à luta, e selecionado o vídeo a ser analisado:
10
Na figura 1, observa-se o nome da guia “Cadastro” e os campos para preenchimento. O
primeiro campo, “Id”, é um identificador interno do banco de dados, que não permite alterações
e é preenchido automaticamente pelo programa, a cada nova luta cadastrada, um novo número
é atribuído. A seguir, existe o campo “Evento”, no qual o avaliador deve inserir o nome do evento
(competição) a ser analisado. O campo “Nível” diz respeito ao nível da competição a ser
analisada (regional, estadual, nacional ou internacional). Em seguida existe o campo “Categoria”,
que deve receber a categoria de peso do atleta a ser analisado; o campo “Classe” corresponde
à classe de idade do atleta, seguido pelos campos “Sexo”, “Local”, “Data”, “Fase da Competição”,
“Combatente A”, no qual deve ser cadastrado o nome do atleta A, seguido pelo campo “Origem
A”, em que deve ser cadastrado o país ou região deste combatente. O mesmo é feito para os
campos “Combatente B” e “Origem B”, que devem conter as informações referentes ao atleta B
- oponente. Todos os campos podem ser acessados pela tecla Tab. A barra de navegação,
localizada abaixo do campo “Vídeo”, está presente também em outras telas em do programa, e
permite navegar pelos registros existentes, adicionar, cancelar ou excluir registros. O botão
nomeado como “Exportar para formato CSV (Excel)”, salva as informações em um arquivo do
tipo Comma Separeted Values, que pode ser aberto no Excel para visualização, oferecendo as
opções de exportação completa ou simplificada, como mostra a figura 2:
Figura 2. Demonstração das opões de exportação das análises para planilha Excel
11
Para inserir o vídeo a ser analisado, basta clicar na lupa ao lado do campo “Vídeo”, será
exibida uma janela de localização, para navegar pelas pastas do computador e selecionar o vídeo
desejado, conforme mostra a figura 3:
Figura 3. Demonstração de inserção de vídeo no FRAMI 2.0 para análise dos dados
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O primeiro botão, “Velocidade”, permite que o analista selecione a velocidade em que o
vídeo será exibido (1/8x, 1/4x, 1/2x, 1x, 2x, 4x e 8x), podendo passar mais rápida ou lentamente.
Os comandos utilizados para que o avaliador realize as análises, obedecem aos seguintes
atalhos do teclado: F1 oferece ajuda sobre o programa, F2 roda o vídeo, F3 para e F4 pausa o
vídeo; F5 inicia a inserção de dados, F6 inicia a edição de dados, F7 inicia a inserção de dados
para o lutador A, com início e tempo atual do vídeo, F8 inicia a inserção de dados para o lutador
B, com início e tempo atual do vídeo, e F9 insere término com tempo atual do vídeo. Abaixo
desses atalhos, ao lado esquerdo, pode-se observar os cronômetros de tempo atual e total da
luta. Logo abaixo, na área de análise, existe o campo “Lutador”, que oferece duas opções para
escolha do atleta que se pretende analisar, A ou B. Ao lado existe o campo “Grupo”, que possui
os grupos de variáveis ou as próprias variáveis a serem observadas, o próprio observador pode
inseri-las ou editá-las da maneira que preferir, em função do tipo de modalidade a ser analisada.
O mesmo é feito para o campo “Elementos”, em que são definidos os subgrupos do campo
“Grupo”, como mostra a figura 5:
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Os campos “Início” e “Término” indicam a temporalidade em que ocorreu a observação
notificada pelo analista, eles podem ser preenchidos através de duplo clique, porém, ao iniciar a
inserção de dados para determinado lutador através dos atalhos F7 ou F8, o campo “Início” é
preenchido automaticamente, e ao finalizar a observação pressionando a tecla F9, o programa
registra o término da determinada ocorrência. Além de possibilitar a captação da frequência de
ocorrências das variáveis da luta e sua temporalidade, como demonstrado na figura 4, o software
permite ainda, registrar a pontuação e orientação dos golpes observados, nos respectivos
campos “Pontuação” e “Orientação”.
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Na figura 6, observa-se o nome da guia “Relatório”, e os gráficos, que podem ser
categorizados por quantidade, duração e pontuação, através das opções existentes na caixa de
seleção “Visualizar Grupos por”.
REFERÊNCIAS
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