UNIDADE 02
Economia
Introdução
O autor norte-americano N. Gregory Mankiw conseguiu representar na formulação dos dez princípios
básicos da economia não só a maneira como a ciência se relaciona com o dia a dia das pessoas, mas,
também, a divisão existente no estudo das ciências econômicas, a partir de uma ótica mais facilmente
compreendida e vivenciada.
Objetivo
Ao estudar esta unidade de aprendizagem, você poderá:
●●Reconhecer em comportamentos rotineiros aspectos do estudo da economia.
●●Conhecer o significado de alguns dos principais termos técnicos da área econômica.
Tópicos Abordados
No decorrer deste material você conhecerá diferentes temas. Confira abaixo:
●●Como as pessoas tomam decisões
●●Como as pessoas interagem
●●Como funciona e economia.
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Os dez princípios básicos da economia
Olá! Seja bem vindo a aula de economia. Hoje temos alguns conceitos importante para você. Tenha bons estudos!
Você sabia que a economia tem alguns princípios básicos?
Os Dez Princípios Básicos da Economia
Mankiw (2009) apresenta dez princípios sobre acontecimentos
cotidianos facilmente relacionados pelas pessoas, que de forma
análoga, representam o curso do estudo das ciências econômicas.
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Como as pessoas tomam decisões
Vamos conhecer o principio da economia!
Princípio 1: as pessoas enfrentam tradeoffs
A tomada de decisões implica em escolhas e renúncias. O termo tradeoff
refere-se justamente à máxima de que “nada é de graça”, ou seja,
significa que para cada escolha que se faz deve-se abrir mão de algo.
O exemplo pode ser uma pessoa que decide ingressar na universidade.
A partir do momento em que ela assume o compromisso com os estudos,
opta ou escolhe se tornar um universitário sabe que deverá abrir mão
do tempo que estará em sala de aula. Ou, das atividades que fazia no
horário que estudará.
As pessoas em sociedade se deparam com diferentes e importantes tradeoffs, como entre produzir em
grande escala e gerar renda ou não agredir o meio ambiente, ou ainda, entre optar por um crescimento
econômico eficiente, acumulador ou por políticas que visem a distribuição igualitária dos recursos.
Princípio 2: o custo de alguma coisa é aquilo que se desistiu de obter
Mesmo sem se darem conta, ao enfrentar tradeoffs as pessoas avaliam os custos e os benefícios das
alternativas antes de tomarem decisões. Seguindo com o exemplo do ingresso na universidade, ao optar
por fazer o curso superior, o aluno coloca na balança os custos que terá e os benefícios que alcançará
após a conclusão.
O total de custos é o custo de oportunidade de se cursar o ensino superior (no caso, o tempo que
será despendido para o estudo e, em segundo, o dinheiro gasto com as mensalidades, livros, cópias,
etc.); e o benefício é o crescimento intelectual, as melhores possibilidades de emprego e ganhos e,
consequentemente, melhores condições de vida. O custo de oportunidade de alguma coisa é aquilo de
que se abre mão para obtê-la.
E o benefício é o crescimento intelectual, as
melhores possibilidades de emprego e ganhos e,
consequentemente, melhores condições de vida.
O custo de oportunidade de alguma coisa é aquilo
de que se abre mão para obtê-la.
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Princípio 3: as pessoas racionais pensam na margem
Pare e pense o que seria esse PRINCÍPIO!
É entendido pela economia que as pessoas são racionais, ou seja, – conforme a definição de pessoa
racional – fazem sempre o melhor para alcançar seus objetivos dentro das oportunidades possíveis. As
mudanças marginais são pequenos ajustes incrementais nas ações já existentes . O custo marginal é o
custo de se produzir uma unidade a mais do que o total do processo e a receita marginal é o ganho que
essa unidade a mais, proporciona. Por exemplo, hoje em dia é bastante comum um universitário pensar,
já no fim da sua graduação, em fazer logo em seguida uma pós-graduação.
O custo marginal será o período de estudo (um ou dois anos) além dos quatro ou cinco anos da sua
graduação. Já a receita marginal será a diferença na sua remuneração que o curso proporcionará. O aluno
pode concluir a graduação após quatro anos e sair ganhando $ 3.000,00; ou pode estudar dois anos a mais
e ganhar $ 5.000,00. A tomada de decisão é racional se o benefício marginal for maior que o custo marginal.
Princípio 4: as pessoas reagem a incentivos
Como as pessoas são racionais e tomam suas decisões de acordo com os custos e benefícios
proporcionados, elas também reagem a incentivos . Quando realizamos estudos de mercado isso se torna
mais evidente, no modo como os consumidores e os vendedores reagem aos incentivos, e os motivos de
essas reações serem distintas.
Saiba Mais
Um exemplo de resposta a incentivos é o
comportamento dos consumidores diante de
campanhas de propagandas ou de modismos
lançados na televisão. O consumo de um
produto pode aumentar significadamente se um
grupo específico de consumidores observar seu
personagem preferido da TV usando-o.
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Princípio 5: o comércio pode ser bom para todos
A concorrência entre países, empresas ou famílias não é maléfica para a economia, pelo contrário, traz
benefícios. Se as pessoas se isolassem do restante do comércio, teriam que produzir sozinhas tudo o que
precisam para sobreviver.
Porém, não teriam competência ou recursos para tudo. Logo, o comum é que algumas pessoas, setores
e até países, se especializem em determinados produtos e se beneficiem da troca dessa variedade. Além
da variedade, a concorrência também proporciona melhoria da qualidade.
Princípio 6: os mercados são geralmente uma boa maneira de organizar a atividade econômica
Quando não existe um órgão centralizador para organizar os problem as econômicos, esses problemas são
resolvidos pelos mercados. O mercado é a reunião dos consumidores e dos ofertantes, é o conjunto das
decisões sobre consumo e produção da sociedade. Quando a economia caminha guiada pelo mercado,
as pessoas trabalham e produzem a fim de promover seu benefício individual. Entretanto, ao fazerem,
proporcionam benefícios aos demais membros da sociedade.
Assim, o governo deve promover apenas os serviços básicos essenciais à sociedade (educação, saúde,
segurança, saneamento, etc.), sem interferir nas questões econômicas, pois estas serão organizadas
pelo mercado.
Princípio 7: às vezes os governos podem melhorar os resultados dos mercados
Na busca pelo benefício individual os agentes muitas vezes cometem as falhas de mercado (como a
poluição realizada pelas fábricas , desmatamentos, etc.), prejudicando outras parcelas da população; a
acumulação de capital também não é equânime, ou seja, a renda não é distribuída igualitariamente, alguns
poucos ganham e concentram muito enquanto a maioria fica com muito pouco.
Para a garantia do direito de propriedade, para
diminuir as falhas de mercado, o poder de mercado
e promover uma maior igualdade, é fundamental que
o governo atue com pontualidade nestes temas.
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A partir desse momento você vai conhecer os três princípios que mostra como a economia funciona.
Observe esse globo !
Reflita sobre o que ele tem haver com a ECONOMIA!
Principio 8: O padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produzir bens e serviços.
O padrão de vida é muito diferente nos vários países do mundo. O padrão de vida medido pela renda no Brasil
é diferente do padrão de vida na Etiópia e também é diferente do padrão de vida na Alemanha.
Onde a renda é maior a saúde é melhor, as pessoas são melhores nutridas, os acessos são maiores. As
diferenças significativas nos padrões são em maioria explicadas pela produtividade dos países, ou seja, pela
capacidade de produção de bens e serviços dada à mão de obra existente no país.
Países com maior produtividade possuem mão de obra qualificada. A qualificação da mão de obra está
diretamente ligada à educação do país, logo, países com melhor educação possuem mão de obra qualificada,
maior produtividade e melhor qualidade de vida.
Principio 9: os preços sobem quando o governo emite moeda demais.
O aumento generalizado e frequente dos preços é mais conhecido como inflação. A inflação é um tema
recorrente no Brasil e voltou a ser uma das maiores preocupações da política econômica atual. Na maior parte
dos casos a inflação é provocada pelo aumento na quantidade de moeda, que pode se dar para atender a um
aumento na procura de dinheiro pelo aumento nos gastos e compras dos consumidores ou por um aumento
nos gastos do governo.
Num exemplo recente, acompanhamos a campanha do governo pelo aumento do consumo das famílias em
resposta à crise de 2008 e o desenfreado e mal empregado aumento dos gastos governamentais. A entrada
de mais moeda na economia fez o seu valor diminuir e os preços aumentarem, o resultado é o processo
inflacionário atual com taxas superiores à aceita para uma economia estável.
Principio 10: a sociedade enfrenta um tradeoff de curto prazo entre inflação e desemprego.
No curto prazo, quando a quantidade de moeda em circulação aumenta, o consumo é maior, portanto, as
empresas devem se ajustar para ofertarem as maiores quantidades de bens desejados pelos consumidores.
Para aumentarem a capacidade produtiva, ou utilizarem a capacidade ociosa, as empresas devem aumentar a
jornada de trabalho e contratar mais mão de obra.
O aumento da mão de obra provoca a diminuição do desemprego e os novos trabalhadores (antes
desempregados) passam a ter renda e a fazer parte do público consumidor, logo, o consumo aumenta mais
ainda e as empresas devem produzir ainda mais. Este ciclo gera inflação e, no intervalo de tempo até que
medidas de combate à inflação comprometam o ciclo e o consumo (curto prazo), o aumento da inflação diminui
a taxa de desemprego e vice-versa .
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Avaliação a Distância
1 - O que significa a expressão trade off?
2 - Por que os governos podem às vezes melhorar os resultados dor mercados?
3 - Porque há um trade off entre inflação e desemprego?
Atividade Obrigatória
Quais são os trade offs que você enfrenta diariamente?
Os investimentos do seu tempo e da sua renda lhe trarão retornos significativos?
Aplique os conceitos dos princípios básicos às suas ações cotidianas e reflita sobre os resultados já
alcançados e os esperados.
Respostas - Verifiquem as respostas na sala de aula virtual.
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Síntese
As pessoas se deparam frequentemente com tradeoffs entre seus objetivos, e isso não é diferente quando
se trata de objetivos referentes às importantes decisões de políticas econômicas. Como visto, a sociedade
enfrenta um significativo tradeoff entre a inflação e o desemprego, entre manter a estabilidade econômica,
sem inflação, com poder de compra garantido, porém, sem promover numerosa criação de vagas de
emprego e aumento da taxa de desemprego, ou gerar vagas de emprego e, consequentemente, diminuir
a taxa de desemprego, com aquecimento e crescimento econômico, mas com crescimento inflacionário e
comprometimento do poder de compra da classe assalariada.
Bibliografia Recomendada
●●DORNBUSCH, Rudiger; FISCHER, Stanley e BEGG, David. Introdução à Economia. Tradução da
2ª Edição. Rio de Janeiro: Elsivier, 2003.
●●MANKIW, N. Gregory. Introdução à Economia. Tradução da 5ª Edição norte-americana. São
Paulo: Cengage Learning, 2009.
●●PINHO, Diva Benevides e VASCONCELLOS. Marco A. S. de (org.) Manual de Economia. Equipe
de professores da USP. 5ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2004.
●●ROSSETI, José Paschoal. Introdução à Economia. 20ª Edição. São Paulo: Atlas, 2010.
●●VASCONCELLOS, Marco A. S. de. Economia: micro e macro. 4ª Edição. São Paulo: Atlas, 2009.
●●VASCONCELLOS, Marco A. S. de e GARCIA, Manuel E. Fundamentos de Economia. 3ª Edição.
São Paulo: Saraiva, 2008.
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