📘 APOSTILA – UNIVERSAL PRINCIPLES OF DESIGN
Disciplina: ENG430 – Engenharia de Produto
Instituição: Universidade Federal da Bahia – UFBA
Professor: Lucas Magalhães
1. Regra 80/20 (Princípio de Pareto)
Descrição: O Princípio 80/20, também conhecido como Regra de Pareto, indica
que aproximadamente 80% dos efeitos vêm de apenas 20% das causas. Na
engenharia de produto, isso significa que uma pequena parte das
funcionalidades de um produto é responsável pela maior parte de seu valor
percebido e uso real.
Exemplo prático:
• Microsoft Word: apesar de ter dezenas de funcionalidades, cerca de 80% dos
usuários usam apenas recursos básicos como “negrito”, “copiar/colar” e “salvar”.
• Amazon: 80% do faturamento vem de 20% dos produtos mais vendidos
(geralmente best-sellers e eletrônicos).
• Produção industrial: frequentemente, 20% das máquinas causam 80% dos
atrasos quando analisamos paradas não planejadas.
Aplicação em Engenharia de Produto: Identificar os 20% de funcionalidades
mais usadas permite priorizar melhorias e simplificar a experiência do usuário.
Vantagens:
• Foco em funcionalidades essenciais, evitando desperdícios.
• Redução de custos e tempo de desenvolvimento.
• Melhoria contínua baseada em dados reais de uso.
Desvantagens:
• Pode negligenciar funcionalidades relevantes para nichos específicos.
• Risco de dependência excessiva de métricas passadas.
• Dificuldade de identificar os 20% mais relevantes em produtos muito novos ou
inovadores.
2. Acessibilidade
Descrição: Refere-se ao design inclusivo que permite o uso do produto por todas
as pessoas, independentemente de limitações físicas, sensoriais ou cognitivas.
Um bom design acessível considera múltiplas formas de interação, percepção e
entendimento.
Exemplo prático:
• Natura: algumas embalagens trazem descrições em braille para pessoas com
deficiência visual.
• Apple e Google: oferecem sistemas operacionais com leitores de tela, legendas
automáticas e ajustes de contraste e tamanho de texto.
• Elevadores em shoppings: botões com números em braille e sinalização
sonora.
Aplicação em Engenharia de Produto: Criar produtos que possam ser utilizados
por um público mais amplo, incluindo idosos, pessoas com deficiência e usuários
com baixa alfabetização digital.
3. Operabilidade
Descrição: A operabilidade trata da facilidade de operação de um produto por
qualquer pessoa, independentemente de suas habilidades motoras. Um design
operável exige o mínimo de esforço e movimentos precisos para funcionar
corretamente.
Exemplo prático:
• Terminais de autoatendimento (Itaú, Banco do Brasil): interface com botões
grandes e feedback sonoro.
• Dispositivos Alexa e Google Home: permitem que tarefas sejam feitas apenas
com comandos de voz.
• Carros adaptados da Toyota: controles de direção que substituem pedais por
alavancas manuais.
Aplicação em Engenharia de Produto: Fundamental em setores como
eletrodomésticos, automotivo e médico, onde falhas de uso podem gerar riscos.
4. Simplicidade
Descrição: Um produto simples reduz a curva de aprendizado e o risco de erro.
Bons projetos simplificam as ações do usuário, organizando visualmente as
informações e eliminando o desnecessário.
Exemplo prático:
• Google: barra de busca centralizada, sem distrações.
• Kindle (Amazon): interface limpa, com poucos botões e função de leitura direta.
• Spotify: playlists organizadas de maneira intuitiva, com atalhos visuais bem
definidos.
Aplicação em Engenharia de Produto: A simplicidade reduz custos de suporte
técnico e aumenta a adesão inicial do usuário ao produto.
5. Tolerância a Erros (Forgiveness)
Descrição: Esse princípio defende que o design deve prever erros humanos e
permitir que sejam corrigidos com facilidade, sem grandes consequências.
Previne frustrações e falhas catastróficas.
Exemplo prático:
• Gmail: botão “desfazer envio” após clicar em enviar.
• Aplicativos de bancos: confirmação em dois passos para transferências.
• Tesla: piloto automático que avisa e corrige trajetórias perigosas, aumentando
a margem de segurança.
Aplicação em Engenharia de Produto: Muito últil em sistemas complexos, como
softwares de engenharia, usinas de energia e equipamentos médicos.
6. Efeito Estético-Usabilidade
Descrição: Usuários tendem a considerar que produtos esteticamente
agradáveis são mais fáceis de usar, mesmo que não sejam tecnicamente
superiores. A estética influencia diretamente a percepção da qualidade e da
confiança no uso.
Exemplo prático:
• Apple: forte apelo visual que reforça a percepção de qualidade e simplicidade.
• Xiaomi: design sofisticado em smartphones de baixo custo, aumentando o
valor percebido.
• Nespresso: máquinas de café com acabamento elegante, mesmo com
operação simples.
Aplicação em Engenharia de Produto: Design visual agradável influencia o
sucesso comercial e a fidelização do cliente, especialmente em mercados
competitivos.
7. Affordance
Descrição: Affordance é a qualidade de um objeto que sugere como ele deve ser
usado. Um design com boa affordance “explica” sua função sem precisar de
instruções.
Exemplo prático:
• Maçanetas: o formato define se devem ser puxadas ou empurradas.
• Botões de micro-ondas: símbolos como “+30s” indicam que adicionam tempo.
• Interface do Instagram: ícones como coração (curtir), avião (enviar) e balão de
fala (comentar) sugerem sua função naturalmente.
Aplicação em Engenharia de Produto: Melhora a experiência do usuário e reduz
a dependência de treinamentos e manuais.
8. Alinhamento
Descrição: Elementos alinhados visualmente trazem organização e facilitam a
leitura e interpretação. O alinhamento cria padrões mentais que aceleram a
tomada de decisão do usuário.
Exemplo prático:
• Interfaces de SAP ou Totvs: dashboards com tabelas e gráficos alinhados
facilitam a visualização e análise.
• Sites de e-commerce como Mercado Livre: organização padronizada de título,
imagem, preço e botão de compra.
• Catálogos da IKEA: produtos dispostos simetricamente, facilitando
comparação.
Aplicação em Engenharia de Produto: Facilita o uso de sistemas e manuais
técnicos, reduz erros e tempo de execução.
9. Antropomorfismo
Descrição: Trata-se de atribuir características humanas a produtos ou sistemas,
gerando maior empatia e aceitação. Formas, vozes e expressões humanas
criam uma conexão emocional.
Exemplo prático:
• Siri, Alexa e Google Assistant: vozes amigáveis e frases humanizadas.
• Robôs da Boston Dynamics: com formas corporais e movimentos semelhantes
aos humanos.
• Totens de atendimento com avatares animados: utilizados em aeroportos e
hospitais.
Aplicação em Engenharia de Produto: Utilizado em robótica, IA, brinquedos e
sistemas de atendimento automatizado.
10. Arquétipos
Descrição: Arquétipos são formas, símbolos ou comportamentos que são
universalmente reconhecidos e compreendidos. Seu uso facilita a comunicação
com o usuário sem necessidade de explicação adicional.
Exemplo prático:
• Engrenagem = configurações. Presente em celulares, sistemas operacionais e
eletrodomésticos.
• Coração = curtir/favoritar.
• Carrinho = adicionar ao carrinho de compras.
Aplicação em Engenharia de Produto: Reduz o tempo de adaptação ao produto,
melhora a comunicação e evita erros de uso.