0% acharam este documento útil (0 voto)
47 visualizações22 páginas

Trabalho 2

O documento apresenta uma análise e diagnóstico de uma estrutura de concreto armado, identificando problemas patológicos como fissuras, desplacamento e corrosão das armaduras. A avaliação incluiu inspeções visuais e ensaios tecnológicos, revelando a necessidade de intervenções para reabilitação. A proposta de terapia visa restaurar a segurança e durabilidade da edificação, considerando as condições ambientais e os mecanismos de degradação identificados.

Enviado por

Luma Sampaio
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
47 visualizações22 páginas

Trabalho 2

O documento apresenta uma análise e diagnóstico de uma estrutura de concreto armado, identificando problemas patológicos como fissuras, desplacamento e corrosão das armaduras. A avaliação incluiu inspeções visuais e ensaios tecnológicos, revelando a necessidade de intervenções para reabilitação. A proposta de terapia visa restaurar a segurança e durabilidade da edificação, considerando as condições ambientais e os mecanismos de degradação identificados.

Enviado por

Luma Sampaio
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

ANÁLISE, DIAGNÓSTICO E

PROPOSTA DE TERAPIA
PARA REABILITAÇÃO DE
ESTRUTURA DE CONCRETO
ARMADO
TRABALHO DA DISCIPLINA PPEC044:
DURABILIDADE E DEGRADAÇÃO DAS
ESTRUTURAS DE CONCRETO

Avaliação de Manifestações Patológicas,


Causas, Mecanismos, Métodos de
Análise e Intervenção.

Equipe 01

Felipe Menezes de Souza – Matrícula 2024101586


Luma Crystys Barros Sampaio – Matrícula 2024117737
Matheus da Silva Dias dos Santos – Matrícula 2021119268

Professor: Daniel Véras Ribeiro

2024.1
ÍNDICE
Pág.

1. INTRODUÇÃO..............................................................................................1
2. ANAMNESE E AVALIAÇÃO DA ESTRUTURA...........................................1
3. PROBLEMAS PATOLÓGICOS....................................................................4
4. ENSAIOS TECNOLÓGICOS......................................................................10
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES................................................................11
6. TERAPIA.....................................................................................................11
7. REFERÊNCIAS.............................................................................................5
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

1. INTRODUÇÃO

O presente documento tem como finalidade documentar a inspeção


realizada em estrutura de concreto armado, apresentar os resultados de
sua avaliação e apresentar metodologia para execução de serviços para
solução dos problemas patológicos.
A inspeção da estrutura visa a sua caracterização e o registro do
quadro patológico apresentado, de forma a permitir a avaliação de suas
condições atuais e a metodologia de reparo a ser apresentada no tópico
de terapia.
Não foi necessária a utilização de equipamentos especiais para
acesso aos componentes da estrutura. Ainda, foram realizados ensaios
destrutivos e não destrutivos para embasamento da avaliação da
estrutura em questão.
Segundo Bertolini (2010), a inspeção compõe o diagnóstico do estado
de conservação da edificação, como também, a avaliação de sua
estabilidade. A inspeção visual é um momento essencial na avaliação de
uma estrutura, pois consiste em identificar as condições estruturais e
fornece as informações uteis relativas aos fenômenos ou anomalias para
uma análise posterior (BOLINA, TUTIKIAN e HELENE, 2019).
O método adotado visou analisar as condições atuais do sistema
estrutural que compõe a estrutura, através da anamnese da
documentação recebida e das informações coletadas com os usuários e os
gestores da edificação, de inspeção visual e da execução de ensaios
destrutivos e não destrutivo, do apontamento das anomalias existentes,
da definição de prioridades de intervenção e da indicação da metodologia
de reparo para estabelecimento de uso seguro e confortável por seus
usuários.

2. ANAMNESE E AVALIAÇÃO DA ESTRUTURA

O Edifício Comercial objeto de estudo, indicado na Figura 1, está


localizada em zona urbana, na cidade de Salvador/BA a 8,00 km de
distância do Oceano Atlântico e a 2,50 km da Bahia de Todos os Santos.
Trata-se de imóvel comercial, com salas administrativas, que tem
sido utilizado como apenas como depósito de materiais diversos.
Sobre a edificação, há um reservatório de água em concreto. Após 15
anos de sua construção, foi decidido realizar intervenções devido à
formação de fissuras, à infiltração e ao desplacamento da camada do
cobrimento de concreto nas vigas, pilares e reservatório.

1
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

Figura 1- Estado atual dos pilares.

Fonte: Autores.

Condições climáticas e ambientais: A edificação localizada na cidade


de Salvador, de clima tropical quente e úmido, caracterizado pelas altas
temperaturas na maior parte do ano, inclusive nos meses correspondentes
ao inverno, e pela umidade relativa do ar elevada. Ao longo do ano, em
geral, a temperatura varia de 23 °C a 34 °C e raramente é inferior a 22 °C
ou superior a 36 °C.
Classe de agressividade II: Classe de Agressividade Ambiental é a
Moderada, com baixo risco de deterioração da estrutura, conforme
preconiza a NBR 6118:2024.
Analisando preliminarmente o ambiente do qual a estrutura encontra-
se localizada e assim relacionando com o mapa de agressividade
ambiental da cidade de Salvador proposto em estudo realizado por
VILASBOAS e MACHADO (2010), em que está em uma zona de
agressividade moderada, o que corresponde aos locais com uma taxa de
ocorrência de problemas patológicos por mil unidades de domicílio inferior
a 0,18. Albuquerque (2016) determinou que a região é questão apresenta
classe de agressividade moderada, porém oferece baixo risco de
deterioração estrutural por cloretos. A figura 2 apresenta a localização
geoespacial da edificação. A figura 3 apresenta o zoneamento das áreas
da região de Salvador-BA, ante a classificação de agressividade à corrosão
por cloretos.

2
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

Figura 2 - Distância do empreendimento quanto ao Oceano Atlântico e a Baia de


Todos os Santos.

Fonte: Disponível em: <https://www.google.com.br/maps/@-12.9689196,-


38.4525 837,12.25z?entry=ttu>. Acesso em: 03 jun. 2024

Figura 3 - Classificação das diferentes zonas de agressividade ambiental de


Salvador/BA.

Fonte: VILASBOAS e MACHADO (2010).

3
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

Tipologia dos principais sistemas construtivos: O prédio sede possui


estrutura em concreto armado constituída por fundações diretas
(sapatas), vigas e pilares em concreto armado e lajes em vigotas pré-
moldadas. As vigas possuem dimensões de 0,4 x 0,30 m e os pilares 0,65
x 0,30 m, ambos com cobrimento de 10 mm. Suas vedações são em
paredes em alvenaria com acabamento de pintura em textura em alguns
ambientes e pintura látex em outros ambientes, já o reservatório de água
possui estrutura em concreto armado.
Os trabalhos de inspeção foram realizados, de forma tátil-visual, para
averiguar a natureza, a extensão e a evolução das manifestações
patológicas presentes na sua estrutura.
Durante a análise, não foi possível encontrar um registro "as built" da
edificação. A falta desses documentos dificulta a compreensão completa
da edificação e sua infraestrutura relacionada.

3. PROBLEMAS PATOLÓGICOS

Durante a inspeção dos elementos em estudo, foram observadas


fissuras, desplacamento do concreto e exposição das armaduras,
indicando um processo de corrosão. A corrosão das armaduras no
concreto ocorre devido a dois fatores principais: a diminuição da
alcalinidade do concreto, que leva à carbonatação, e a presença de
cloretos livres no concreto (CAVALCANTI e CAVALCANTI, 2010).
Durante a análise visual, também foi identificado desplacamento
uniforme da camada de cobrimento do concreto. Foi visualizado também a
corrosão generalizada na armadura. De acordo com Mehta e Monteiro
(2014), o processo corrosivo é considerado uniforme quando o teor de
CO2 presente na atmosfera supera o de íons cloreto. Nesse caso, a difusão
de CO2 no concreto provoca a diminuição do pH da matriz cimentícia (de
aproximadamente 13 ou 12 até 9), destruindo a camada passivadora que
envolve as armaduras e tornando o aço suscetível à corrosão.
A penetração e reação de carbonatação acontecem de forma gradual
(Figura 4), resultando em uma camada de concreto carbonatado que se
expande com o tempo. Esta camada crescente é conhecida como frente
de carbonatação (CARMONA, 2005). A Figura 4 evidencia o destacamento
da camada de cobrimento da armadura. As Figuras 5 e 6 mostram pontos
onde há exposição de armadura.

4
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

Figura 4 - Corrosão uniforme.

Fonte: Felix (2018).

Figura 5 - Fissuras em vigas.

Fonte: Autores.

Figura 6 – Armadura Exposta.

Fonte: Autores.

5
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

Figura 7 - Desplacamento do cobrimento em pilar.

Fonte: Autores.

Segundo GOMES (2006), no fenômeno da carbonatação, um gás


dissolvido em uma película úmida reage com um álcali em solução, ao
invés de reagir diretamente com o material sólido. O concreto em si não
possui um pH; o que é medido é o pH da fase líquida em equilíbrio com a
massa sólida. Para que essas reações ocorram, é essencial a presença do
poro líquido, ou seja, a existência de um líquido no qual o CO2 possa se
dissolver.
O grau de saturação dos poros afeta a taxa de difusão do CO2. O pH
do líquido presente nos poros é um indicador crucial da ocorrência e
intensidade dessa reação. No caso em estudo, a saturação dos poros é
explicada pelo fato de se tratar de uma área de fachada. Durante períodos
de chuva, a falha na impermeabilização do revestimento da fachada e na
vedação das esquadrias, permite a infiltração de água na estrutura
(GOMES, 2006).
Verificou-se ainda, na fachada do reservatório, “fissuras em mapa”
(cracking map), sugerindo indícios de reação álcali agregado – RAA (Figura
8). O fenômeno decorre da reação química de sílica, silicatos e/ou
carbonatos em estado reativo (amorfo) presentes no agregado da
argamassa, que reagem com os álcalis e hidróxidos oriundos da pasta de
cimento e dispersadas na água impregnada no concreto. O produto de
reação é um gel expansivo, de estrutura química indefinida, formada
sobretudo por silanóis eletricamente estabilizados por metais alcalinos

6
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

dispersos, que se espalha pela estrutura porosa da zona de transição


pasta-agregado, região de maior fragilidade dada elevada porosidade
provocada pela película de água adsorvida pelo agregado, que altera a
relação água/cimento de forma localizada. Esse gel expansivo provocando
tensões internas na estrutura (pode alcançar até 20MPa) que, ao superar a
resistência a tração do concreto (entre 3-5MPa), gera fissuras na estrutura
(OLLIVIER et al., 1995; MEHTA e MONTEIRO, 2014). A presença de
portlandita, naturalmente dispersa na pasta de cimento, favorece o
fenômeno por “aprisionar” o gel na estrutura porosa e favorecer a entrada
de álcali e água (KRIVENKOA et al., 2014).
O fenômeno é dependente de três fatores: a presença de
sílica/silicatos ou carbonatos no agregado, humidade (permitir dissolução
dos reagentes) e pH elevado. A região em questão tem umidade relativa
média da ordem de 80% (TELLES, 2011) e RIBEIRO e REY (2019)
evidenciaram que os agregados miúdos da região apresentam baixa
reatividade, mas os graúdos, alta. Portanto, tais parâmetros são
relevantes, sobretudo para estabelecimento de estratégia mitigatória.

Figura 8 – Fissuras tipo “mapa” na fachada do reservatório.

Fonte: Autores.

Verificou-se, por fim, presença de microrganismo no piso e paredes


do reservatório, evidenciando possível ataque por sulfatos (Figura 9). A
concentração atmosférica de dióxido de enxofre na região de Pirajá é
oscila entre 3 e 6 ppb/mês (OLIVEIRA e COUTO, 2001), o que favores a
proliferação microbiológica (TEIXEIRA, 2021). O ataque por sulfato decorre
da reação entre íons sulfato proveniente de fontes externas que permeia a
estrutura porosa do concreto, reage com a portlandita formando gipsita. A
gipsita, então, reage com aluminatos, formando etringita, que apresentam
volume molecular maior que a portlandita. Esse processo geralmente
ocorre em dois estágios: primeiramente o produto permeia os vazios da

7
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

pasta e, após a saturação, o produto gera tensões no interior da estrutura,


fissurando-a (SANTHANAM et al., 2002).

Figura 9 – Presença de microrganismo no piso do reservatório de água.

Fonte: Autores.

Verificou-se a presença de eflorescência sob a laje inferior do


reservatório (Figura 10), devido às microfissuras presentes e acúmulo de
água condensada em sob a laje superior (Figura 11).
Figura 10 – Presença de eflorescência no fundo do reservatório de água.

8
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

Fonte: Autores.

Figura 11 – Acúmulo de água condensada na laje dentro do reservatório.

Fonte: Autores.

A “água pura” proveniente da condensação da água contêm pouco ou


nenhum íon de cálcio e magnésio. Quando entra em contato com a pasta
de cimento Portland, tende a hidrolisar ou dissolver os compostos à base
de cálcio. Com a infiltração, ocorre a lixiviação do hidróxido de cálcio.
Dessa forma, constituintes cimentícios da pasta de cimento endurecida
ficam susceptíveis à decomposição química, podendo formar geles de
sílica e aluminatos com pouca ou nenhuma resistência mecânica. O
produto lixiviado pela hidrólise do hidróxido de cálcio, em contato com o
CO2 presente no ar pode formar uma crosta esbranquiçada de carbonato
de cálcio na superfície do concreto, conhecido como eflorescência
(RIBEIRO, 2018).
O poder de dissolução da água é tanto maior quanto mais pura for a
água, isto é, quanto menos carbonato de cálcio e de magnésio ela contém,
mais fraca é sua dureza (BAUER, 2008).
Nesse tipo de ataque, ocorre a percolação de água pura em concretos
fissurados ou com alta permeabilidade, resultando na dissolução de
compostos da pasta de cimento (ANDRADE e SILVA, 2005).
9
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

Um dos constituintes da pasta de cimento mais susceptível ao


processo de lixiviação é a portlandita, pois possui alta solubilidade em
água pura (1230mg/l). A hidrólise se manterá até que grande parte da
portlandita seja eliminada do concreto por meio da lixiviação (POGGIALI,
2009).
A evidência mais comum do ataque de águas puras é a dissolução da
portlandita, seguida de precipitação de géis (de sílica e de alumina), com a
consequente formação de estalactites e estalagmites (SOUZA e RIPPER,
1998). Logo, o ataque da água pura acarreta as seguintes consequências
para o concreto:
· Diminuição da durabilidade, já que a lixiviação da portlandita
torna o concreto mais poroso e mais permeável, e, portanto, mais
suscetível à penetração de agentes agressivos;
· Razões estéticas, quando o material lixiviado entra em contato
com o ar, interage com o CO2 e forma uma crosta esbranquiçada de
calcita na superfície da estrutura, conhecido como eflorescência
(POGGIALI, 2009).
· Diminuição da resistência mecânica, visto que a água mole
reage com o silicato de cálcio hidratado (C-S-H), principal responsável pela
resistência mecânica do concreto, resultando na decomposição química da
pasta, gerando géis de sílica e as já mencionadas estalactites e
estalagmites;
Diversos fatores podem contribuir para a aparição da eflorescência,
dentre eles a porosidade do concreto, relação água/cimento e grau de
adensamento (NEVILLE, 1997).

4. ENSAIOS TECNOLÓGICOS

Ante a inspeção visual preliminar, verificou-se indícios de


carbonatação nas vigas e pilares das áreas internas da edificação, abaixo
do reservatório. Verificou-se ainda, além de carbonatação, indícios de RAA
e ataque por sulfato no reservatório. Sob tais condições, elencou-se os
seguintes ensaios para diagnose:
• Avaliação de CO2 na região: monitoramento ambiental com
instrumento detector de gases, para determinar a agressividade do
ambiente.
• Ensaio de Resistência Mecânica de testemunho, conforme NBR
7680-1/2015 de pontos em que a degradação não é aparente, objetivando
verificar possível redução de propriedades mecânicas da edificação.

10
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

• Análise de profundidade por testemunho pelo Método CPC18


RILEM ou ensaio de Difração de Raio-X para determinar presença de
calcita – por camada de 5mm de cobrimento.
• Análise de perfil de concentração de cloretos – por camada de
5mm de cobrimento – para avaliar razão Cl-/HO- (0,4% em relação a
massa de cimento ou 0,033% a massa de concreto);
• Ensaio de DRX para determinar profundidade de ataque por
sulfato (presença de gipsita) por camada de 5mm de cobrimento.
Sobre os ensaios anteriores, salienta-se que a análise por DRX
permite avaliar tanto profundidade de carbonatação, como profundidade
do ataque por sulfatos, possibilitando um único ensaio para duas
referências (MELO et al., 2017).
Acrescenta-se que os ensaios de profundidade de carbonatação,
cloretos e sulfatos, objetiva avaliar, sobretudo nas estruturas sem
destacamento do cobrimento, o alcance dos agentes de
corrosão/degradação, para então propor intervenção para recuperação
estrutural. O monitoramento da concentração de CO2 objetiva determinar
a intensidade da agressividade do ambiente, para dimensionar o concreto
a ser utilizado na intervenção.

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Seguem os resultados dos ensaios de diagnose:


• Concentração de CO2 atmosférico: 0,7% - ambiente urbano
pesado ou industrial leve (RIBEIRO, 2018).
• Perfil de cloretos: concentração de cloretos 0,06% relação
massa do concreto para 5mm de cobrimento e 0,03% entre 5-10mm: o
resultado sugere que a concentração de cloretos para região mais próxima
da armadura é considerada de baixo risco de corrosão (HAUSMANN,
1967).
• Ensaio de profundidade de carbonatação por DRX: Presença de
calcita alcançando 5mm de vigas e pilares, e 5mm nas paredes do
reservatório.
• Ensaio de profundidade de sulfato por DRX: Presença de
gipsita alcançando 5mm do cobrimento na base do reservatório.
• Ensaio de Resistência Mecânica de testemunho apontou uma
resistência característica do concreto de 28 MPa, que atende ao de projeto
(25 MPa).

11
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

6. TERAPIA

 Vigas e pilares com desplacamento: conforme Figuras 12, 13 e 14.


 Vigas e pilares sem desplacamento: remoção de 10mm do
cobrimento e recuperação.
Acrescenta-se que é recomendada a adição de material pozolânico no
concreto de cobrimento, em teor de 5-15%, pois, apesar da redução do pH
do concreto e favorecimento da corrosão da armadura, reduz-se a
disponibilidade de portlandita e reduz-se a porosidade da estrutura,
mitigando corrosão por cloretos e carbonatação, como também a
degradação por RAA e sulfatos (FIGUEIREDO et al., 2014; MUNHOZ, 2017;
RAHHAL et al., 2012; VIEIRA, 2003). Considerando que o cobrimento das
vigas e pilares alcançarão as armaduras, recomenta-se ainda utilização de
proteção catódica por meio de ânodo de sacrifício (CHAUDHARY et al.,
2002).

12
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise, Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de
Estrutura de Concreto Armado

Figura 12 – Iniciar os serviços com a limpeza da superfície através de com hidrojateamento (a); delimitar a área degradada
(b e c); efetuar o corte da camada de concreto carbonatada até a profundidade que permita acesso a todo o perímetro da
armadura (d e e); efetuar limpeza da armadura de maneira mecanizada (f) ou através de hidrojateamento com granalha de
aço ou vidro (g); caso tenha perda de seção, efetuar a reposição da armadura (e); aplicar inibidor de corrosão em todo
perímetro da armadura, seguindo as recomendações do fabricante (f); preenche a janela de reparo com argamassa
estrutural, de forma manual, de forma a não deixar vazios, seguindo as recomendações do fabricante (g); por fim, efetuar a
cura dos reparos.

(a) (b) (c)

(d) (e) (f) (g)

1
Fonte: Autores
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

Figura 13 – Caso tenha perda de seção, efetuar a reposição da armadura.

Fonte: Autores

Figura 14 - Aplicar inibidor de corrosão em todo perímetro da armadura,


seguindo as recomendações do fabricante (a e b); preenche a janela de reparo
com argamassa estrutural, de forma manual, de forma a não deixar vazios,
seguindo as recomendações do fabricante (c e d); por fim, efetuar a cura dos
reparos.

(a) (b)

(c) (d)

Fonte: Autores.

1
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

 RAA: Aplicação de sais de lítio (Figura 15).

Figura 15 – Aplicação de sais de lítio para mitigação de RAA: (a) selar a


superfície plástica com adesivo, inserir solução de lítio; (b) aplicar vácuo de 0,5
atm; (c) aguardar penetração da substância na peça estrutural.

Fonte: Thomas et al. (2007).

 Reservatório: para prevenir os efeitos da ação da água pura,


devem ser seladas as fissuras e tratamento superficial do
reservatório através de impermeabilização sua parte interna.
Nas fissuras dentro do reservatório, fazer a injeção de espuma e gel de
poliuretano.
a) Tratamento da área a ser injetada a resina: primeiramente,
limpa-se a área onde ocorre as infiltrações, permitindo-se uma real
visão e medição da fissura ou do ponto de onde se dá a infiltração;
b) Perfuração e instalação dos bicos injetores: os bicos de injeção
são instalados conforme a necessidade que se exigem para a
aplicação, ou seja, no caso de trincas ou fissuras considera-se a que
a distância entre bicos seja aproximadamente a metade da
espessura da parede ou da laje e a perfuração será realizada a 45º
graus igual de inclinação afim de se atingir o centro da peça;
c) Injeção de resinas (Figura 16): através dos bicos já instalados, os
diversos tipos de resinas serão injetados de acordo com cada caso,
sendo fissuras com infiltrações usado espuma de poliuretano para
tamponamento provisório e gel de poliuretano em fissuras sem a
presença de água e para selagem dos pontos onde foi utilizado
espuma, através de bombas com pressão adequada para o
preenchimento com o material em toda a extensão e espessura da
fissura a ser tratada. Observa-se que a resina quando aplicada
chega a escoar para fora garantindo o total preenchimento do vão
da fissura causadora da infiltração;

2
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

Figura 16 – Selagem de fissuras.

Fonte: Autores.
d) Acabamento: Dentro do período de cura estabelecido após a
injeção, o excesso de material e os bicos de injeção poderão ser
retirados para que a superfície possa ser tratada e receber o
acabamento.

Ainda dentro do reservatório, fazer a impermeabilização com membrana


acrílica seguindo as recomendações do fabricante e sequência executiva
destacada na Figura 17. O teto do reservatório deverá obrigatóriamente
ser impermeabilizado.

3
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

Figura 17 – Preparar o substrato através de lixamento (a) e hidrojateamento (b),


deixando-o limpo e livre de partículas soltas. Cantos e quinas deverão ter
tratamento cuidadoso (c) e reforço com tela de poliéster (d). Aplicação da
membrana acrílica (e). Serviço finalizado (f).

(a) (b)

(c) (d)

(e) (f)

4
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

7. REFERÊNCIAS

ABNT. NBR7680-1. Concreto - Extração, preparo, ensaio e análise de


testemunhos de estruturas de concreto - Parte 1: Resistência à
compressão axial. Rio de Janeiro, 2015.
ALBUQUERQUE, F.F. Atualização do mapa de agressividade ambiental de
Salvador-BA com dados de deposição de cloretos. Orientador: Prof. Dr.
Sandro Lemos Machado. 2016. 73f. TCC (Graduação) - Curso de graduação
em Engenharia Civil, Escola Politécnica, Universidade Federal da Bahia,
Salvador, 2016.
ANDRADE, T.; SILVA, A. J. C. Patologia das Estruturas. In: ISAIA, Geraldo
Cechella (Ed.). Concreto: ensino, pesquisa e realizações. São Paulo:
IBRACON, 2005. 2v. Cap.32, p.953-983.
BAUER, L. A. F. Materiais de construção. 5ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008.
1v. 488p.
BERTOLINI, L. Materiais de Construção: Patologia, Reabilitação e
Prevenção. São Paulo. Oficina de textos. 414 p. 2010.
BOLINA, F. L., TUTIKIAN, B. F. e HELENE, P. R. do L. Patologia das
Estruturas. São Paulo. Oficina de Textos. 320 p. 2019.
CARMONA, T.G. Modelos de Previsão da Despassivação das Armaduras em
Estruturas de Concreto Sujeitas à Carbonatação. 2005. Dissertação
(Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo.
CAVALCANTI, A. N.; CAVALCANTI, G. A. D. Inspeção técnica do píer de
atracação de Tambaú. Revista Concreto, n. 57, p. 45-57, 2010.
CHAUDHARY, Z.; BAIRAMOV, A.; FERNANDEZ, RODEL; AL-MUTLAQ, F.M.
Cathodic Prevention of New Seawater Concrete Structures in
Petrochemical Plants. Materials Performance, 2004.
FELIX, Emerson Felipe. Modelagem da Deformação do Concreto Armado
Devido à Formação dos Produtos de Corrosão. 2018. Dissertação
(Mestrado) – Universidade de São Carlos, São Carlos.
FIGUEIREDO, C.P.; SANTOS, F.B.; CASCUDO, O.; CARASEK, H.; CACHIM, P.;
VELOSA, A. O papel do metacaulim na proteção dos concretos contra a
ação deletéria de cloretos. IBRACON Estrut. Mater., v.7, n.4, p.685-708,
2014. DOI: 10.1590/S1983-41952014000400008.
GOMES, Nivaldo de Almeida. Estruturas de Concreto Armado em Ambiente
Urbano: Avaliação de Carbonatação à Luz das Recomendações da NBR
6118:2003. São Carlos: UFSCar, 2006. 99 p.
HAUSMANN, D.A. Steel corrosion in concrete: how does it occur? Materials
Protection, v.6, n.11, p.19-23, 1967.

5
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

KRIVENKOA, P.; DROCHYTKA, R.; GELEVERA, A.; KAVALEROVA, E.


Mechanism of preventing the alkali–aggregate reaction in alkali activated
cement concretes. Cement and Concrete Composites, v. 45, p.157-165,
2014. DOI: 10.1016/j.cemconcomp.2013.10.003.
MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto: Microestrutura, Propriedades e
Materiais. São Paulo: Ibracon, 2014. 751 p. ISBN 9788598576213.
MELO, K.K.S.; LIMA, A.P.C.; SANTANA, M.C.; ANDRADE, V.C.P.; BRAGA,
A.L.C.; CORREIA, K.V. Caracterização química e mineralógica dos resíduos
da mineração de gipsita no semiárido pernambucano. HOLOS, v.33, n.6,
p.194-200, 2017. DOI: 10.15628/holos.2017.5626.
MUNHOZ, F.A.C. Efeitos de adições ativas na mitigação das reações álcali-
sílica e álcali-silicato. Profa. Dra. Maria Alba Cincotto. 2017. Dissertação
(mestrado) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo,
2017.
OLIVEIRA, T.F.; COUTO, E.R. Avaliação da qualidade do ar em áreas
urbanas do município de Salvador - BA. In: CONGRESSO NACIONAL DE
INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 16., 2001, Guarulhos, Anais... São Paulo: SEMESP,
2001.
OLLIVIER, J.P.; MASO, J.C.; BOURDETTE, B. Interfacil transition zone in
concrete. Advanced Cement Based Material, v.2, n.1, p.30-38, 1995. DOI:
0.1016/1065-7355(95)90037-3.
POGGIALI, F. S. J. Durabilidade de estruturas de concreto em usinas
siderúrgicas. Monografia (Aperfeiçoamento / Especialização),
Especialização em Construção Civil – Escola de Engenharia da
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009.
RAHHAL, V.; BONAVETTI, V.; TRUSILEWICZ, L.; PEDRAJAS, C.; TALERO, R.
Role of the filler on Portland cement hydration at early ages. Construction
and Building Materials, v.27, n.1, p.82-90, 2012. DOI:
10.1016/j.conbuildmat.2011.07.021.
RIBEIRO, D.V. (coord.). Corrosão e degradação em estruturas de concreto:
Teoria, controle e técnicas de análise e intervenção. Rio de Janeiro: LTC,
2018
RIBEIRO, D.V.; REY, R.O. Avaliação dos agregados utilizados na região
metropolitana de Salvador quanto à ocorrência de Reatividade Álcalis-
Agregado (RAA). ALCONPAT, v.9, n.2, p.185–199, 2019. DOI:
10.21041/ra.v9i2.326.
SANTHANAM, M.; COHEN, M.D.; OLEK, J. Mechanism of sulfate attack: A
fresh look: Part 1: Summary of experimental results. Cement and Concrete

6
Trabalho da Disciplina PPEC044: Durabilidade e Degradação das Estruturas de Concreto – Análise,
Diagnóstico e Proposta de Terapia para Reabilitação de Estrutura de Concreto Armado

Research, v.32, n.6, p.915-921, 2002. DOI: 10.1016/S0008-


8846(02)00724-X.
SARTORTI, A. L. Identificação de patologias em pontes de vias urbanas e
rurais no município de Campinas-SP. Campinas, 2008. Dissertação
(Mestrado) –
SILVA, A.F.P.; BARROS, H.E.B.; FERREIRA, D.S.; NASCIMENTO, L.G.; LIMA,
F.É.G.; BEZERRA, L.O. Patologias em estruturas de concreto armado:
estudo de caso. Brazilian Journal of Development, v.7, n.1, p.363-374,
2021. DOI:10.34117/bjdv7n1-027
SOUZA, V. C.; RIPPER, T. Patologia, recuperação e reforço de estruturas de
concreto. São Paulo: PINI, 1998.
TEIXEIRA, P.S. Controle e monitoramento de corrosão microbiológica na
indústria do petróleo: uma revisão da literatura. Orientador: Jean Vicente
Ferrari. 2021. 61f. TCC (graduação) - Escola Politécnica, Universidade de
São Paulo, São Paulo, 2021.
TELLES, A.B. RELAÇÕES ENTRE CONDIÇÕES CLIMÁTICAS E INFECÇÕES
RESPIRATÓRIAS AGUDAS NOTIFICADAS EM SALVADOR - 2004 A 2008.
Orientador: Prof. Dr. Emanuel Fernando Reis de Jesus. 2001. 86f.
Dissertação (mestrado) – Pós-Graduação em Geografia, Instituto de
Geociências, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2011.
THOMAS, M. D. A.; FOURNIER, B.; FOLLIARD, K. J.; IDEKER, J. H.;
RESENDEZ, Y. The Use of Lithium To Prevent or Mitigate Alkali-Silica
Reaction in Concrete Pavements and Structures. Office of Infrastructure
R&D: McLean, 2007.
VIEIRA, F.M.P. Contribuição ao estudo da corrosão de armadura em
concretos com adição de sílica. Dissertação (mestrado) - Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2003.
VILASBOAS, J. M. L.; MACHADO, S. L. Uma proposta de classificação da
agressividade ambiental para a cidade de Salvador-BA. Revista IBRACON
de estruturas e materiais, Volume 3, nº 2, 2010.

Você também pode gostar