DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
REGÊNCIA DO CURSO DE ENSINO DE QUÍMICA
Atividades Dictaticas para o desenvolvimento de habilidades na
nomenclatura e formulação dos compostos orgânicos nitrogenados
“amidas”, nos alunos da 12ª classe no curso de ciências físico-
biologicas, Liceu nº 58M Welwitchia Mirabilis.
RICARDO CAMATI SABONETE
MOÇÂMEDES, 2024
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
REGÊNCIA DO CURSO DE ENSINO DE QUÍMICA
Actividades Didaticas para o desenvolvimento de habilidades na
nomenclatura e formulação dos compostos orgânicos nitrogenados
“amidas”, nos alunos da 12ª classe no curso de ciências físico-
biologicas, Liceu nº 58M Welwitchia Mirabilis.
Ricardo camati sabonete
Trabalho de Fim de Curso elaborado para Trabalh
obtenção do grau de Licenciado em Ensino o de
da química, no Departamento de Ciências Fim de
de Educação, sob a orientação do Docente Curso
PhD Bernardo Camunda. elabora
do para
MOÇÂMEDES, 2025
UNIVERSIDADE DO NAMIBE
Unidade Orgânica: Faculdade de Ciências Socias e Humanidades
Departamento de: Ciências da Educação
Regência: Curso de Ensino da Química
Actividades Dictaticas para o desenvolvimento de habilidades na
nomenclatura e formulação dos compostos orgânicos nitrogenados
“amidas”, nos alunos da 12ª classe no curso de ciências físico-
biologicas, Liceu nº 58M Welwitchia Mirabilis.
Apresentado por: RICARDO CAMATI SABONETE
N.º de estudante: 2020109060
N.º de Registo do Trabalho:
Moçâmedes, 2024
Sumário
INTRODUÇÃO.................................................................................................................1
APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA DA INVESTIGAÇÃO....................................3
OBJECTO DE ESTUDO..............................................................................................4
METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO....................................................................4
Métodos e técnicas de investigação utilizados..........................................................5
RESULTADO A ESPERAR.........................................................................................6
ESTRUTURA DO TRABALHO..................................................................................6
FUNDAMENTADOS TEÓRICOS E METODOLOGICOS DO PROCESSO DE
ENSINO E APRENDIZAGEM DA QUÍMICA E ACTIVIDADES PARA
DESENVOLER HABILIDADES DE NOMEAR COMPOSTOS ORGÂNICOS
“AMIDAS”........................................................................................................................7
2.1. História do Porcesso do Ensino-Aprendizagem da Química.................................8
2.1 O Ensino de Química no Ensino Médio................................................................11
2.2. O Processo de Ensino-Aprendizagem dos Compostos Orgânicos Nitrogenados.13
2.3. Introdução aos compostos orgânicos nitrogenados..............................................14
2.3.1. Conceito e classificação das amidas..............................................................15
2.3.3. Fórmulas estruturais e moleculares...............................................................19
2.4. A Importância das Actividades Didáticas no Desenvolvimento de Habilidades. 21
2.5 Caracterização do programa do ensino da química no ensino secundário............24
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA.............................................................................27
INTRODUÇÃO
O ensino de química orgânica desempenha um papel fundamental na formação
científica dos estudantes, pois fornece bases essenciais para a compreensão da estrutura,
nomenclatura e reatividade dos compostos químicos. Dentro desse campo, os compostos
orgânicos nitrogenados, especialmente as amidas, apresentam desafios pedagógicos
devido à complexidade de suas regras de nomenclatura e formulação. Autores como
(Bruice, 2006) enfatizam que a dificuldade no ensino da química orgânica está
relacionada à abstração dos conceitos e à falta de metodologias interativas que facilitem
o aprendizado. Raggazzi (2022) destaca que o ensino desses compostos deve ser
acompanhado de estratégias didáticas que integrem teoria e prática, enquanto Guerra,
(2020) sugere que a aplicação de métodos activos de ensino pode melhorar a
assimilação dos conteúdos, tornando-os mais acessíveis aos estudantes.
No contexto da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), as
políticas educacionais voltadas para o ensino das ciências exatas enfatizam a
necessidade de fortalecer as metodologias de ensino-aprendizagem. No entanto, ainda
existem desafios na implementação de estratégias eficazes para a aprendizagem de
conteúdos abstratos, como os compostos orgânicos nitrogenados. A escassez de recursos
didáticos e a ausência de formação contínua para professores comprometem a qualidade
do ensino, dificultando o desenvolvimento de habilidades fundamentais para a
nomenclatura e formulação das amidas.
A Lei de Base do Sistema Educativo nº 13/01 (2001) impulsionou a reforma e melhoria
do sistema educativo angolano. Posteriormente, a Lei nº 32/20 (2020) revogou a Lei nº
13/01, alterou a Lei nº 17/16 e republicou-a, adicionando artigos e especificando
objectivos como os da Formação Média Técnica no seu artigo 42º, que na alínea A,
refere: Ampliar, aprofundar e consolidar os conhecimentos, as capacidades, os hábitos
culturais, as atitudes, aptidões e as habilidades adquiridas no I Ciclo do Ensino
Secundário Técnico-Profissional, correspondentes à Formação Profissional Básica.
Ainda assim, o sistema de avaliação em vigor em Angola, valoriza mais o resultado
final das avaliações do aluno, em detrimento do processo construído ou desenvolvido ao
longo das aulas, indiciando, portanto, uma reversão em relação aos objetivos enunciados
no corpus da reforma educativa (Januário, 2020).
1
A educação é um processo de vital importância que tem como objetivo desenvolver as
habilidades, valores, atitudes e competências do indivíduo por meio do conhecimento,
capacitando-o para enfrentar os desafios do quotidiano e contribuir de maneira
significativa para a sociedade.
O processo de ensino – aprendizagem da resolução de problemas com cálculos em
Química, em Angola, apresenta muitas dificuldades, que estão ligadas ao deficiente
tratamento dos conceitos, leis, teorias e princípios da Química (Pinto, 2012 citado por
Camunda, 2020). O domínio da nomenclatura e formulação de amidas é fundamental
para o avanço dos alunos nas ciências químicas e biológicas, áreas que têm grande
importância tanto no ensino superior quanto no mercado de trabalho. Identificar e
aplicar métodos eficazes de ensino dessas habilidades pode não apenas melhorar o
desempenho acadêmico, mas também motivar os alunos a prosseguir em carreiras
científicas, contribuindo para a formação de profissionais qualificados em um contexto
global que cada vez mais demanda conhecimentos avançados em química. Assim, o
presente estudo busca preencher lacunas na abordagem pedagógica desse conteúdo e
oferecer subsídios para a prática docente no ensino de Química.
A formação de futuros professores e pesquisadores na área de ciências exatas e sociais
da Universidade do Namibe busca integrar a teoria com práticas inovadoras para
aprimorar a aprendizagem. No entanto, constata-se que, na prática pedagógica, há
lacunas metodológicas que impactam diretamente a assimilação dos conceitos de
química orgânica, especialmente no que diz respeito à nomenclatura e formulação dos
compostos nitrogenados. No Liceu Nº58M Welwitchia Mirabilis, onde se insere o
presente estudo, observa-se que os estudantes enfrentam dificuldades na aplicação das
regras da IUPAC para a nomenclatura das amidas, evidenciando a necessidade de
estratégias didáticas mais eficientes. As insuficiências constatadas na prática pedagógica
incluem:
A falta de recursos didáticos específicos;
O uso excessivo de abordagens teóricas em detrimento de atividades práticas e
experimentais;
Dificuldade dos alunos em estabelecer relações entre a estrutura molecular e a
nomenclatura sistemática das amidas.
Insuficiencias na articulação e desenvolvimento da habilidades de nomear e
formular as amidas.
2
Insuficiencias por partes dos professores em relacionar as aplicações químicas
das amidas com situações práticas ligadas à vida quotidiana dos estudantes.
A dificuldade dos alunos em compreender e aplicar as regras de nomenclatura e
formulação das amidas, compostos orgânicos nitrogenados, é diretamente relacionada à
falta de actividades didáticas específicas para o desenvolvimento dessas habilidades.
Essa contradição evidencia a necessidade de uma abordagem pedagógica mais eficaz e
prática no ensino de amidas.
Diante desse cenário, o presente estudo propõe o seguinte problema de investigação:
Como contribuir para o desenolvimento de habilidades na nomenclatura e formulação
de amidas na 12ªclasse no liceu nº 58m welwitchia mirabilis ?
APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA DA INVESTIGAÇÃO
No ensino médio, especialmente na 12ª classe do curso de Ciências Física e Biológica
(CFB), a química orgânica representa um desafio significativo, tanto para professores
quanto para alunos. Entre os diversos conteúdos abordados, a nomenclatura e a
formulação de compostos químicos, como as amidas, destacam-se pela complexidade e
pela necessidade de habilidades específicas. Muitos alunos têm dificuldade em
compreender e aplicar as regras de nomenclatura e formulação, o que pode resultar em
baixo desempenho nas avaliações e na falta de domínio de conceitos essenciais para a
continuidade dos estudos em áreas científicas.
Objectivo da investigação
Propor actividades didáticas que favoreçam o desenvolvimento de habilidades para
aprendizagem da nomenclatura e formulação das amidas dos alunos da 12ª classe do
curso de Ciências Físico-Biológicas no Liceu Nº 58M Welwitchia Mirabilis.
Perguntas Científicas
Quais são os fundamentos teoricos e metodologicos do processo do ensino-
aprendizagem da nomeclatura das amidas na 12ª classse?
Qual é o estado actual do processo da nomenclatura das amidas na 12ªclasse
liceu Nº58M Welwitchia Mirabilis?
Como contribuir para melhorar no desenvolvimento de habilidades da
nomenclatura das amidas na 12ª classe?
3
Tarefa de Investigação
Sistematização dos fundamentos teóricos e metodológicos no processo de
ensino-aprendizagem da nomenclatura das amidas.
Diagnostico do estudo actual do processo de ensino-aprendizagem da
nomenclatura das amidas na 12ª classe no liceu Nº58M Welwitchia Mirabilis.
Elaboração de uma metodologia para o desenvolvimento de habilidades da
nomenclatura das amidas.
OBJECTO DE ESTUDO
O processo de ensino-aprendizagem dos compostos orgânicos nitrogenados 12ªclasse.
CAMPO DE AÇÃO: Actividades didáticas para desenvolver habilidades na
nomenclatura e formulação dos compostos orgânicos nitrogenados “amidas”, nos alunos
da 12ªclasse.
METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO
A metodologia examina a estrutura e a lógica por trás dos métodos de pesquisa,
garantindo que sejam apropriados e eficazes para alcançar o conhecimento desejado.
Entende-se por metodologia o estudo do método na busca de determinado conhecimento
(Gil, 2008).
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa descritiva com abordagem qualitativa e
quantitativa. As pesquisas descritivas têm como objetivo principal descrever as
características de uma população ou fenómeno específico ou estabelecer relações entre
variáveis (Gil, 2008).
A abordagem qualitativa será importante para analisar as dificuldades conceituais e a
percepção dos alunos sobre o tema. Por outro lado, centra-se na compreensão
aprofundada de fenómenos através da análise de dados não numéricos, como
entrevistas, observações e documentos (Bouzada, 2017).
A abordagem quantitativa será importante para mensurar o nível de acertos nos
questionários e inquéritos aplicados. A abordagem quantitativa na pesquisa enfatiza a
medição numérica e a análise estatística para descrever e compreender fenómenos
(Lakatos & Marconi, 2003).
4
Métodos e técnicas de investigação utilizados
No estudo foram utilizados métodos do nível teoricos, empriricos e estátisticos.
Métodos de nível teóricos
O método de nível teórico é um conjunto de procedimentos utilizados na pesquisa
científica para analisar e interpretar fenômenos de forma abstrata e conceitual, sem
necessariamente recorrer à experimentação direta. Esse método é aplicado quando o
objetivo é desenvolver modelos, teorias ou explicações gerais a partir da reflexão lógica
e do raciocínio.
Analise-Sintese: Fragmenta um fenômeno em partes para compreendê-lo
melhor (análise) e, depois, reúne os elementos para formar uma visão mais
ampla e integrada (síntese). O método de análise e síntese possibilitou examinar
o conteúdo das bibliografias coletadas e condensar as informações obtidas para a
elaboração do trabalho.
Hipotético-dedutivo: Permitiu estruturar e avaliar a eficácia das atividades
propostas no desenvolvimento das habilidades de formulação e nomenclatura de
amidas.
Métodos de nível Empírico
Inquérito por questionário: o inquérito por questionário é uma técnica de
recolha de dados que utiliza um conjunto de perguntas escritas para obter
informações dos participantes de forma eficiente e anónima, sendo crucial a sua
correta elaboração e pré-teste para garantir a validade e fiabilidade dos
resultados (Lakatos & Marconi, 2003). O inquérito aos alunos possibilitou
identificar dificuldades na nomenclatura e formulação das amidas.
Teste diagnóstico: Um conjunto de questões para avaliar o nível de
conhecimento dos alunos antes da implementação das actividades sugeridas.
Permitiu medir o nível de conhecimento dos estudantes antes da intervenção.
Método Matemático-Estátisitcos
Matemático-estatístico é um método que envolve a coleta de uma amostra
representativa de uma poopulação e, a partir dessa amostra, obtém-se conclusões
numéricas sobre a população. Essas conclusões são frequentemente representadas por
meio de gráficos, como destacado por Alves (2007). Este método forneceu
características populacionais com base em informações coletadas de subconjuntos que é
representado por 20 alunos.
5
Analise Percentual
Segundo Gil( 2007) Análise percentual permite interpretar de forma objectiva os dados
coletados, facilitadoa a identificação de padrões e dificultades mais frequentes.
População e amostra
A amostra é uma parcela convenientemente selecionada do universo (população); é um
subconjunto do universo (Bouzada, 2017). A pesquisa foi realizada com uma amostra
de 20 estudantes da 12ª classe do curso de Ciências Físico-Biológicas do Liceu nº 58M
Welwitchia Mirabilis.
RESULTADO A ESPERAR
Espera-se que a implementação das actividades didáticas propostas melhore
significativamente a compreensão e a aplicação da nomenclatura e formulação de
amidas entre os alunos da 12ª classe do curso de CFB do Liceu 58M Welwitchia
Mirabilis. Mais especificamente, os alunos devem demonstrar maior proficiência em
identificar, nomear e formular amidas, refletida em melhores desempenhos nas
avaliações e maior confiança a io lidar com o conteúdo. Adicionalmente, espera-se que o
interesse e a motivação dos alunos pela disciplina de Química aumentem, resultando em
uma aprendizagem mais ativa e engajada. Em forma de listagem, irei de citá-los:
• Maior compreensão da nomenclatura e formulação de amidas;
• Facilidade de identificar um composto nitrogenados;
• Mais engajamento e envolvimento com conteúdos afins.
ESTRUTURA DO TRABALHO
O presente estudo está organizado em partes, visando garantir uma abordagem lógica e
estruturado do tema em análise. A Introdução apresenta o contexto da pesquisa,
destacando a relevância do estudo, a problemática investigada, os objectivos e a
metodologia adoptada. Essa seção oferece uma visão geral do trabalho, situando o leitor
sobre a temática e justificando sua importância. O Capítulo 1 – Fundamentação Teórica
reúne conceitos e teorias essenciais para a compreensão do tema. São exploradas as
bases científicas e metodológicas relacionadas à formulação e nomenclatura de amidas,
apoiadas em referências especializadas. O Capítulo 2 – Análise e Discussão dos
Resultados apresentam e interpretam os dados obtidos ao longo da pesquisa. Conclusão,
Sugestões, Bibliografia e Apêndice
6
FUNDAMENTADOS TEÓRICOS E METODOLOGICOS DO
PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DA QUÍMICA E
ACTIVIDADES PARA DESENVOLER HABILIDADES DE
NOMEAR COMPOSTOS ORGÂNICOS “AMIDAS”
7
Neste capítulo apresentamos conceitos e abordagens essenciais que sustentam o estudo
sobre o ensino-aprendizagem dos compostos orgânicos nitrogenados, com foco nas
amidas. Nele são explorados temas como a importância da Química na formação
científica, os desafios no ensino da Química Orgânica e o papel das actividades
didáticas no desenvolvimento de habilidades. A fundamentação é guiada por autores da
pedagogia e da educação científica.
2.1. História do Porcesso do Ensino-Aprendizagem da Química
A compreensão da história do ensino da Química permite não apenas situar a disciplina
dentro do currículo escolar, mas também perceber as transformações pelas quais passou
em sua abordagem pedagógica, conteúdos e objectivos. Ao longo do tempo, o ensino da
Química foi se modificando conforme as necessidades sociais e os avanços científicos,
passando de uma abordagem meramente expositiva para metodologias mais interativas e
centradas na aprendizagem significativa do aluno.
Segundo (PERRENOUD, 2021), o ensino de Química, inicialmente, era destinado a
uma elite intelectual e priorizava os aspectos técnicos e teóricos da ciência,
desconsiderando o contexto social do aluno. A autora destaca que, ao longo do século
XX, especialmente após as reformas educacionais e a introdução das diretrizes
curriculares, houve um avanço significativo no sentido de aproximar o conteúdo
químico da realidade dos estudantes.
No contexto africano, e mais especificamente angolano, o ensino da Química esteve
fortemente condicionado pelos modelos herdados do sistema colonial, que
privilegiavam a memorização em detrimento da compreensão crítica e da aplicação
prática. Como salienta (Cabral, 2022), “o ensino de Química nos países africanos após a
independência precisou de uma reestruturação profunda para responder às necessidades
locais de formação científica, tecnológica e de cidadania”.
Para (Mortimer & Machado, 2016), o processo de ensino-aprendizagem da Química
deve integrar três dimensões: a conceitual (compreensão dos conceitos), a experimental
(vivência prática) e a metacognitiva (reflexão sobre o próprio aprendizado). Isso
representa um avanço em relação à abordagem tradicional, que muitas vezes se
concentrava apenas na transmissão de conteúdos descontextualizados.
Além disso, (Delizoicov et al., 2009) argumentam que a construção do conhecimento
químico exige o desenvolvimento de habilidades cognitivas como observar, comparar,
8
classificar, interpretar e generalizar. Tais habilidades não são adquiridas apenas com a
exposição teórica, mas sim com a prática reflexiva, a experimentação e a resolução de
problemas reais.
O movimento da Educação em Ciências nos anos 1990, conforme destaca Delizoicov et
al. (2009) trouxe uma nova visão para o ensino da Química, propondo uma educação
científica crítica, que considere a relevância social dos conteúdos e valorize a
participação ativa do aluno no processo de construção do conhecimento.
No caso das escolas de ensino médio em Angola, ainda existem desafios a serem
superados, como a carência de laboratórios, a escassez de materiais didáticos e a
formação contínua de professores. No entanto, observa-se um crescente esforço por
parte das instituições e docentes no sentido de promover práticas pedagógicas mais
inovadoras e eficientes, como o uso de atividades didáticas diferenciadas, jogos,
simulações e recursos audiovisuais.
A trajetória histórica do ensino de Química está intrinsecamente ligada às
transformações sociais, políticas, tecnológicas e educacionais de cada época. Ao longo
dos séculos, essa disciplina evoluiu de uma ciência empírica e voltada para as práticas
artesanais, como a alquimia, para uma ciência sistemática e experimental, com forte
presença nos currículos escolares de ensino médio em todo o mundo. Entender essa
história é essencial para compreender os desafios e as possibilidades do ensino da
Química nos dias atuais.
Segundo (Neves, 2011), no início do século XIX, a Química começou a ser introduzida
de forma sistemática nos currículos escolares de escolas secundárias, principalmente na
Europa. Essa introdução tinha como principal objetivo formar profissionais para atuar
na nascente indústria química, que era fundamental para o desenvolvimento econômico
dos países. Entretanto, o ensino ainda era fortemente baseado em memorização de
fórmulas e regras, sendo pouco significativo para o estudante comum.
No contexto angolano, o ensino da Química sofreu influências diretas do modelo
europeu, especialmente do sistema educacional português durante o período colonial.
Como observa (Cabral, 2022), a estrutura do ensino era voltada para a reprodução de
conteúdos, não estimulando a reflexão crítica nem o uso prático dos conhecimentos
científicos. Após a independência, Angola iniciou um processo de reestruturação do seu
sistema educativo, com o objetivo de torná-lo mais voltado para a realidade local e mais
capaz de desenvolver uma cultura científica entre os estudantes.
9
De acordo com (Delizoicov et al., 2009), o ensino de Ciências, incluindo a Química,
passou a ser visto, especialmente a partir da década de 1990, como uma área estratégica
para o desenvolvimento social. A Química, por sua capacidade de explicar fenômenos
naturais e contribuir para soluções de problemas ambientais, sanitários e industriais,
ganhou destaque como ferramenta essencial para a cidadania. No entanto, os autores
também destacam que esse reconhecimento não foi suficiente para garantir a qualidade
do ensino. Muitos professores ainda utilizavam metodologias tradicionais, centradas no
professor e baseadas em aulas expositivas, o que dificultava o envolvimento ativo dos
alunos.
Mortimer & Machado, (2016) introduzem o conceito de ensino de Química baseado em
três dimensões fundamentais: a conceitual, a procedimental e a atitudinal. A dimensão
conceitual refere-se ao domínio dos conteúdos teóricos; a procedimental envolve o
desenvolvimento de habilidades práticas e laboratoriais; e a atitudinal refere-se à
postura investigativa e crítica do aluno diante do conhecimento. Essa proposta busca
superar a fragmentação dos conteúdos e tornar o ensino mais integrador e significativo.
Além disso, (Neves, 2011) ressaltam que a Química deve ser ensinada de forma
contextualizada, partindo de situações do cotidiano do aluno. Para eles, a
contextualização não é um simples artifício didático, mas um elemento essencial para a
construção do conhecimento. Quando o aluno consegue relacionar os conceitos
químicos com sua realidade, a aprendizagem torna-se mais significativa e duradoura.
Isso é particularmente importante em tópicos como a Química Orgânica, cujos
compostos estão presentes em diversos produtos do dia a dia, como medicamentos,
alimentos, plásticos, cosméticos, entre outros.
A história do ensino da Química também revela a importância crescente do uso de
atividades experimentais como instrumento pedagógico. Como aponta (Vidal, 1986), a
experimentação deve ir além da simples demonstração de fenômenos; ela deve ser
investigativa, permitindo que o aluno formule hipóteses, realize testes e interprete os
resultados. No entanto, em muitos contextos, como o das escolas públicas angolanas,
essa abordagem enfrenta dificuldades devido à falta de laboratórios e de recursos
materiais adequados.
Outro aspecto relevante na evolução do ensino da Química é a valorização da formação
docente. Segundo (PERRENOUD, 2021), não basta que o professor domine o conteúdo;
ele precisa também conhecer estratégias didáticas que favoreçam a aprendizagem ativa
e significativa. Isso exige uma formação contínua, voltada não apenas para o conteúdo
10
disciplinar, mas também para o domínio de metodologias inovadoras, como o uso de
TICs, metodologias ativas e avaliação formativa.
Em suma, a história do ensino da Química mostra que essa disciplina vem se
transformando para atender às demandas de uma sociedade cada vez mais complexa e
interdependente. De um ensino centrado na repetição e memorização, caminha-se para
um ensino mais crítico, reflexivo e contextualizado. Contudo, os desafios ainda são
muitos, especialmente em contextos educacionais com menos recursos, como é o caso
de muitas escolas em Angola. É nesse cenário que se insere o presente estudo, que
busca contribuir para a melhoria do ensino da Química Orgânica — em especial das
amidas — através de atividades didáticas planejadas com base em teorias de
aprendizagem e em metodologias ativas.
2.1 O Ensino de Química no Ensino Médio
Ensinar Química no ensino médio vai além de transmitir fórmulas e reações. Trata-se de
ajudar o aluno a compreender o mundo que o cerca por meio de conceitos químicos
aplicados à realidade. Nesse sentido, Moreira (2011) destaca que o ensino de Ciências,
incluindo a Química, deve favorecer a aprendizagem significativa, conectando os novos
conteúdos aos conhecimentos prévios dos alunos.
A Química, por sua natureza abstrata e simbólica, muitas vezes apresenta desafios tanto
para os professores quanto para os estudantes. Segundo Carvalho (2012), é comum que
o ensino da Química se limite à memorização de fórmulas e regras, o que dificulta a
aprendizagem e reduz o interesse do aluno. Para superar essas dificuldades, é necessário
adoptar métodos que envolvam os alunos de forma activa, despertando o raciocínio
lógico e o pensamento crítico.
Compreender como a Química tem sido ensinada no ensino médio é essencial para
identificar falhas e propor práticas pedagógicas mais eficazes, principalmente quando se
trata de conteúdos complexos como os compostos orgânicos nitrogenados.
A Química, como ciência central, desempenha um papel essencial na formação
científica dos estudantes, contribuindo para o desenvolvimento do pensamento lógico,
investigativo e crítico. Em um mundo cada vez mais marcado pelo avanço tecnológico e
pelas transformações sociais impulsionadas pela ciência, o ensino da Química no ensino
médio torna-se uma ferramenta estratégica para formar cidadãos mais conscientes e
preparados para lidar com os desafios da vida moderna.
Segundo Muenchen & Delizoicov (2012), o trabalho escolar era organizado em três
momentos: Estudo da Realidade, Estudo Científico e Trabalho Prático. Isso amplia a
percepção do estudante sobre temas como alimentação, saúde, meio ambiente, energia e
11
desenvolvimento sustentável, permitindo que ele faça escolhas mais informadas e
responsáveis.
Caluzi & Recena (2011) reforça essa ideia ao afirmar que a Química é uma ponte entre
o conhecimento científico e a realidade prática. Quando integrada a contextos reais, essa
disciplina desperta o interesse dos alunos e os estimula a buscar explicações racionais
para os fenômenos naturais, além de desenvolver habilidades como a observação, a
experimentação e a análise crítica de informações.
Na atualidade, nunca ouvimos falar tanto de ciência e tecnologia, e divulga-se a ideia de
que o avanço da ciência, bem como da tecnologia, necessariamente conduz ao
desenvolvimento humano e ao progresso da sociedade (Xavier 2010 citado em Stange et
al., 2016).
A Química, portanto, é fundamental não apenas para quem seguirá carreiras nas ciências
exatas ou da saúde, mas para todos que precisam compreender o mundo com base em
argumentos científicos. Ao proporcionar essa compreensão, o ensino da Química torna-
se um elemento-chave na formação de sujeitos autônomos, reflexivos e capazes de
participar ativamente das decisões que impactam a sociedade e o meio ambiente.
Assim, promover uma abordagem mais significativa e aplicada no ensino da Química é
um passo importante para tornar a ciência mais acessível e útil na vida dos alunos,
contribuindo para sua formação integral como cidadãos e como futuros profissionais.
O ensino de Química Orgânica na 12.ª classe representa um momento crucial na
formação científica dos alunos, pois envolve conteúdos com maior nível de abstração e
simbologia, exigindo maior domínio conceitual por parte do estudante. No entanto,
muitos obstáculos ainda persistem e comprometem a aprendizagem desse ramo da
Química, especialmente quando se trata da nomenclatura e formulação de compostos
como as amidas.
Segundo (Vidal, 1986), os conteúdos de Química Orgânica frequentemente são
abordados de maneira excessivamente técnica e descontextualizada, o que dificulta a
compreensão dos alunos e reduz seu interesse. A nomenclatura, por exemplo, é muitas
vezes ensinada de forma mecânica, sem que o aluno compreenda o porquê das regras, o
que compromete a fixação e a aplicação dos conhecimentos.
Além disso, Bizzo (2021) destaca que o currículo do ensino médio muitas vezes não
favorece a exploração mais aprofundada, devido ao tempo limitado e à grande
quantidade de conteúdos programáticos. Isso leva o professor a acelerar os conteúdos,
priorizando fórmulas e definições em vez de promover situações de aprendizagem mais
significativas e práticas.
Outro desafio identificado por Perrenoud (1997) está na ausência de metodologias que
desenvolvam habilidades cognitivas mais complexas. Muitos alunos são treinados para
decorar nomes e estruturas, mas não para resolver problemas, fazer associações,
12
formular hipóteses ou identificar padrões químicos, competências essenciais para a
consolidação do conhecimento em Química Orgânica.
2.2. O Processo de Ensino-Aprendizagem dos Compostos Orgânicos Nitrogenados
O ensino dos compostos orgânicos nitrogenados, entre os quais se destacam as aminas,
amidas, nitrilas e nitrocompostos, representa uma etapa essencial no currículo da
Química Orgânica na 12.ª classe. Esses compostos possuem grande importância
biológica, farmacêutica e industrial, e, portanto, o seu domínio é fundamental para a
formação científica dos estudantes. No entanto, a complexidade de suas estruturas,
nomenclatura e reações químicas representa um desafio pedagógico, exigindo uma
abordagem didática cuidadosa e fundamentada.
De acordo com (Moreira, 2011), o processo de ensino-aprendizagem deve considerar o
nível de desenvolvimento cognitivo dos alunos e proporcionar situações didáticas que
permitam a construção do conhecimento a partir de significados. Ensinar compostos
nitrogenados não pode ser limitado a memorização de fórmulas e regras, mas deve
envolver a compreensão de suas funções, propriedades e aplicações no cotidiano.
Novak et al. (1991) também enfatiza a importância da aprendizagem significativa, que
ocorre quando os novos conhecimentos se relacionam de maneira substantiva e não
arbitrária com aquilo que o aluno já sabe. No caso dos compostos orgânicos
nitrogenados, o professor pode estabelecer conexões com substâncias conhecidas dos
alunos, como medicamentos, fertilizantes ou proteínas, estimulando o interesse e
facilitando a assimilação dos conteúdos.
Apesar disso, André (2022) alerta que muitos professores ainda enfrentam dificuldades
para trabalhar esses temas de forma contextualizada, devido à falta de formação
continuada, escassez de materiais didáticos apropriados e ausência de estratégias
diversificadas. O resultado é que o ensino torna-se fragmentado e desmotivador,
levando os alunos a verem a Química como algo abstrato e desinteressante.
No que diz respeito às amidas, especificamente, Chang (2010) observam que a
nomenclatura sistemática, baseada nas regras da IUPAC, costuma ser um dos principais
pontos de dificuldade para os alunos. Muitos não compreendem a lógica dos nomes,
como por exemplo, “etanamida” ou “propanamida”, e tampouco reconhecem as
estruturas moleculares desses compostos. A ausência de modelos, esquemas e
actividades práticas contribui para essas lacunas.
Para superar essas dificuldades, (Perrenoud, 1997) propõe o uso de metodologias
activas de ensino, como resolução de problemas, aprendizagem por projetos e
experimentação dirigida. Tais metodologias incentivam o protagonismo do aluno no
processo de aprendizagem, tornando-o mais engajado e crítico. Ao propor, por exemplo,
uma actividade em que o aluno precisa identificar amidas em bulas de medicamentos ou
13
produtos cosméticos, o professor estimula a pesquisa, o raciocínio e a aplicação prática
do conhecimento.
Outro ponto a ser considerado é a avaliação. Conforme Lakatos & Marconi (2003), nos
seus estudos sobre metodologia de investigação, afirmam que: a avaliação deve ser
parte integrante do processo de aprendizagem e não apenas um instrumento de medição.
No ensino dos compostos nitrogenados, em particular, avaliações contínuas, formativas
e diagnósticas podem ajudar o professor a perceber as dificuldades específicas dos
alunos e a ajustar a sua prática pedagógica em tempo real.
Além disso, Mortimer & Machado (2016) destacam que a linguagem científica da
Química é um obstáculo recorrente. Símbolos, fórmulas, nomes e estruturas exigem do
aluno uma competência linguística específica. Por isso, é necessário que o professor
atue como tradutor entre a linguagem do senso comum e a linguagem científica,
permitindo que os alunos gradualmente dominem essa nova forma de se expressar e
compreender o mundo químico.
Em suma, o ensino dos compostos orgânicos nitrogenados deve ir além da repetição e
da decoreba. Deve promover o desenvolvimento de habilidades cognitivas,
investigativas e críticas, por meio de estratégias didáticas bem planejadas, com
mediação ativa do professor e valorização dos saberes dos alunos. Somente assim será
possível garantir uma aprendizagem efetiva e significativa, que prepare os estudantes
não apenas para os exames, mas para a vida e o exercício da cidadania científica.
2.3. Introdução aos compostos orgânicos nitrogenados.
A Química Orgânica constitui um dos ramos mais extensos da ciência, tendo como foco
os compostos do carbono e suas múltiplas ligações. Dentro dessa grande área, os
compostos orgânicos nitrogenados se destacam por sua relevância biológica,
farmacológica e industrial. Tais compostos possuem em sua estrutura átomos de
nitrogênio ligados ao carbono, o que lhes confere propriedades químicas e físicas
peculiares.
Morrison & Boyd (1998) iniciam a discussão ressaltando que os compostos orgânicos
nitrogenados estão entre os mais importantes da Química Orgânica devido à sua
presença em sistemas vivos e à sua vasta aplicação prática. Eles incluem as aminas,
amidas, nitrilas, isocianatos, nitrocompostos, entre outros. A diversidade desses
compostos está relacionada ao número e ao tipo de ligações que o nitrogênio pode
estabelecer, geralmente apresentando três ligações e um par de elétrons não
compartilhado, o que lhes confere características básicas e nucleofílicas.
Solomons et al. (2016) complementam que a compreensão desses compostos é essencial
para o estudante do ensino médio, pois amplia sua capacidade de reconhecer funções
orgânicas, interpretar fórmulas estruturais e compreender os mecanismos básicos de
reações orgânicas. No caso das amidas, por exemplo, a ligação entre um grupo acila e
um grupo amina apresenta uma estabilidade que explica sua ocorrência natural em
proteínas, por meio das ligações peptídicas.
14
No campo da Química Educacional, Moreira (2011) defende que o ensino das funções
orgânicas, como os compostos nitrogenados, deve ir além da memorização de fórmulas,
priorizando a aprendizagem significativa. Isso significa associar os novos
conhecimentos aos saberes prévios dos alunos, por meio de situações-problema,
experimentos práticos e atividades interativas que despertem a curiosidade científica.
Cabral (2022), ao estudar a abordagem dos compostos nitrogenados no ensino médio,
destaca que muitas vezes esses conteúdos são tratados de forma superficial e
desconectada da realidade dos alunos. Essa abordagem fragmentada impede que o
estudante compreenda, por exemplo, a relação entre uma amida estudada na sala de aula
e a constituição de proteínas no organismo humano, ou entre uma amina e a formulação
de medicamentos antidepressivos.
Além disso, Lima (2022) afirmam que a defasagem no domínio das funções
nitrogenadas está diretamente relacionada à carência de estratégias pedagógicas
diversificadas e à ausência de material didático que promova a articulação entre teoria e
prática. Muitos estudantes demonstram dificuldades em identificar as funções, realizar a
nomenclatura segundo as regras da IUPAC, desenhar estruturas químicas e
compreender as propriedades físicas dos compostos nitrogenados.
Essas dificuldades foram observadas, com ênfase nos desafios da nomenclatura e
formulação das amidas, o que motivou a presente investigação. A ausência de um
trabalho sistematizado voltado ao desenvolvimento dessas habilidades evidencia a
necessidade de intervenções metodológicas que valorizem a construção do
conhecimento por meio de actividades práticas e cognitivamente estimulantes.
A importância desses compostos para a vida cotidiana também é enfatizada por Feltre
(2021), que destaca a aplicação dos compostos nitrogenados em diversos setores:
fertilizantes (ureia), medicamentos (paracetamol e lidocaína), corantes, explosivos
(TNT), entre outros. O domínio conceitual desse conteúdo permite ao aluno
compreender e contextualizar fenômenos que o cercam, desenvolvendo assim a
alfabetização científica e preparando-o para uma atuação cidadã mais crítica e
informada.
É imprescindível, portanto, que o professor atue como mediador do conhecimento,
promovendo um ambiente de aprendizagem dinâmico, onde o aluno possa investigar,
experimentar, discutir e aplicar os conceitos aprendidos. Como destaca (Libanêo, 2021),
o ensino deve partir da realidade concreta do aluno para promover transformações
intelectuais, o que é possível quando os conteúdos escolares são tratados de forma
contextualizada e significativa.
Os compostos orgânicos nitrogenados representam um conteúdo de alta relevância para
a formação científica dos alunos, sendo necessário que sua abordagem no ensino médio
seja repensada à luz de práticas didáticas inovadoras e integradas. O desenvolvimento
de habilidades como a nomenclatura e formulação de amidas, objeto deste estudo, deve
15
ser conduzido por meio de atividades teóricas e práticas bem estruturadas, capazes de
proporcionar aprendizagens duradouras e contextualizadas.
2.3.1. Conceito e classificação das amidas.
A compreensão das amidas, compostos orgânicos pertencentes à família dos derivados
de ácidos carboxílicos, é fundamental no estudo da química orgânica, principalmente na
12.ª classe, quando os alunos entram em contato com as funções nitrogenadas.
Aprofundar-se nesse conteúdo não só contribui para a formação científica, mas também
desenvolve a capacidade de identificar, nomear e formular compostos relevantes no
cotidiano e na indústria farmacêutica, alimentícia e biotecnológica.
Segundo Solomons et al., (2016), as amidas são compostos orgânicos derivados da
substituição do grupo hidroxila (-OH) do ácido carboxílico por um grupo amino (-NH₂,
-NHR ou -NR₂). Essa característica estrutural confere às amidas propriedades únicas,
especialmente em relação à sua polaridade, solubilidade e comportamento frente a
reações químicas.
Morrison & Boyd (1998) acrescentam que as amidas fazem parte da classe de
compostos onde o átomo de nitrogênio se liga diretamente ao grupo carbonila (C=O),
formando uma ligação característica:
R–CO–NR'R'',
onde R pode ser um hidrogênio ou uma cadeia carbônica, e R' e R'' podem ser
hidrogênios ou radicais orgânicos.
Classificação das Amidas
A classificação das amidas pode ser feita com base no número de substituintes ligados
ao nitrogênio (Feltre, 2021):
1. Amidas Primárias: possuem dois hidrogênios ligados ao nitrogênio.
Exemplo: CH₃CONH₂ (acetamida).
2. Amidas Secundárias: possuem um hidrogênio e um radical orgânico ligados ao
nitrogênio.
Exemplo: CH₃CONHCH₃.
3. Amidas Terciárias: possuem dois radicais orgânicos ligados ao nitrogênio.
Exemplo: CH₃CON(CH₃)₂.
Além dessa classificação estrutural, as amidas também podem ser categorizadas quanto
à complexidade da cadeia:
Amidas simples: apenas uma cadeia principal.
Amidas aromáticas: quando ligadas a anéis benzênicos.
16
Amidas heterocíclicas: quando fazem parte de um ciclo contendo átomos
diferentes do carbono.
De acordo com (Moreira, 2011), o ensino desse conteúdo deve considerar abordagens
ativas que envolvam nomenclatura, estrutura e formulação de compostos, pois essas
habilidades são frequentemente subdesenvolvidas nos estudantes do ensino médio, o
que compromete o entendimento de temas como proteínas, ureia e outros compostos de
importância biológica.
2.3.2. As Amidas: Estrutura, Nomenclatura e Formulação
No universo dos compostos orgânicos nitrogenados, as amidas destacam-se por sua
importância biológica, industrial e educacional. Estas substâncias apresentam um grupo
funcional característico – o grupo amida – derivado da reação entre um ácido
carboxílico e uma amina ou amônia. A estrutura fundamental das amidas está
diretamente ligada à compreensão de conceitos como polaridade, ligação peptídica e
propriedades físico-químicas das proteínas, o que reforça sua relevância para a
formação científica dos estudantes.
De acordo com Morrison & Boyd (1998), as amidas são compostos nos quais o grupo
hidroxila (–OH) do ácido carboxílico é substituído por um grupo amino (–NH₂, –NHR
ou –NR₂). Sua fórmula geral pode ser representada por R–CO–NH₂, onde “R” é um
grupo alquila ou arila. Essa estrutura confere às amidas estabilidade térmica e
polaridade, o que explica sua presença em compostos orgânicos naturais e sintéticos,
como medicamentos, fertilizantes e polímeros.
Do ponto de vista didático, o ensino da estrutura das amidas deve ser tratado com
cuidado, pois envolve conceitos fundamentais da Química Orgânica. A presença da
carbonila conjugada ao nitrogênio estabelece uma ressonância que reduz a basicidade
do átomo de nitrogênio, uma particularidade que os alunos muitas vezes ignoram se o
ensino for apenas baseado na memorização. Solomons et al. (2016) destacam que é
preciso utilizar representações tridimensionais, modelos moleculares e recursos visuais
que ajudem o aluno a internalizar a estrutura da função amida.
No que concerne à nomenclatura, a IUPAC estabelece regras claras para nomear as
amidas. Conforme orienta (Feltre, 2021), para nomear uma amida primária (onde o
nitrogênio está ligado a dois hidrogênios), substitui-se o sufixo “-oico” do ácido
correspondente por “-amida”. Por exemplo:
Ácido etanoico → Etanamida
Ácido benzoico → Benzamida
Já para amidas substituídas, ou seja, quando o nitrogênio está ligado a cadeias
carbônicas além do grupo acila, essas cadeias devem ser mencionadas antes do nome da
amida, precedidas da letra “N”. Por exemplo:
17
N-metilpropanamida
N,N-dimetilbutanamida
Lima (2022) enfatizam que muitos alunos do ensino médio enfrentam dificuldades
nesse processo de nomeação, principalmente ao identificar o grupo principal da cadeia e
ao diferenciar a função amida de outras semelhantes, como as aminas e os ésteres. Tais
desafios exigem que o professor proponha atividades de associação, reconhecimento e
construção de estruturas moleculares, permitindo ao aluno fazer a ligação entre nome e
estrutura de maneira ativa.
Em relação à formulação, trata-se da habilidade de representar graficamente ou
simbolicamente as amidas a partir do nome ou da equação da reação de síntese. O
processo de formação de amidas é classicamente explicado como uma reação de
condensação entre um ácido carboxílico e uma amina, resultando na liberação de água.
Esse tipo de reação deve ser ensinado de forma prática e visual, sempre que possível
com modelos ou simulações. Segundo Moreira, (2011), o uso de experimentos
simulados ou reais contribui para que o aluno compreenda o processo químico
envolvido na formação dessas substâncias.
Outro ponto relevante é que a formulação correta das amidas exige o domínio prévio de
ligações covalentes, eletronegatividade e geometria molecular. Assim, como defendem,
Mortimer & Machado (2016) é necessário que o professor revisite os conceitos prévios
e relacione-os com a nova aprendizagem, utilizando a abordagem espiralada, onde os
conteúdos são retomados e aprofundados gradualmente.
É importante, ainda, destacar que o domínio da estrutura, nomenclatura e formulação
das amidas não deve se limitar ao aspecto técnico. Como salienta (Libanêo, 2021), o
ensino deve considerar a formação integral do estudante, promovendo o
desenvolvimento do raciocínio lógico, da criticidade e da aplicação do conhecimento
em situações reais. Quando o aluno é capaz de nomear e formular corretamente as
amidas, ele não está apenas demonstrando conhecimento técnico, mas também
desenvolvendo habilidades cognitivas e linguísticas que serão úteis em diversos
contextos científicos e sociais.
Concluindo, o ensino da estrutura, nomenclatura e formulação das amidas deve ser
planejado de forma a integrar teoria e prática, estimulando o aluno a construir o
conhecimento com base na investigação e na reflexão. A clareza conceitual, aliada a
estratégias didáticas criativas, será o caminho para superar as dificuldades
diagnosticadas e promover um ensino mais significativo e eficaz.
Regras da IUPAC para a nomenclatura.
A nomenclatura das funções orgânicas é um dos pilares do ensino da Química Orgânica
no ensino médio. No caso das amidas, esse processo exige atenção a regras específicas
da IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry), que orientam a forma
18
sistemática e universal de nomear compostos químicos, facilitando a comunicação entre
químicos de diferentes partes do mundo.
De acordo com Stange et al. (2016), a IUPAC estabelece que as amidas são nomeadas
como derivados dos ácidos carboxílicos. Isso significa que a nomenclatura de uma
amida parte do nome do ácido correspondente, substituindo a terminação -ico (do ácido)
por -amida. Por exemplo:
Ácido etanoico → Etanamida
Ácido benzoico → Benzamida
Feltre (2021), é fundamental identificar a cadeia principal, que deve ser a mais longa
possível contendo o grupo funcional –CONH₂. A contagem dos carbonos da cadeia
começa a partir do carbono da carbonila (C=O), considerado como o carbono número 1.
Regra Geral da Nomenclatura IUPAC para Amidas Simples
Identificar o ácido de origem.
Substituir o sufixo “-ico” ou “-óico” por “-amida”.
O carbono da carbonila é sempre o carbono 1.
Os substituintes da cadeia principal são nomeados com suas respectivas
posições.
Exemplo:
CH₃–CONH₂ → Ácido etanoico → Etanamida
CH₃–CH(CH₃)–CONH₂ → 2-metilpropanamida
Mortimer & Machado (2016) reforçam que, em compostos com ramificações, é
essencial numerar a cadeia corretamente para localizar os radicais. Isso garante clareza e
precisão, evitando ambiguidade na identificação do composto.
Nomenclatura de Amidas Substituídas (Secundárias e Terciárias)
Quando o grupo amida está ligado a um ou dois radicais no lugar de hidrogênios, a
nomenclatura inclui o prefixo “N-” para indicar que o substituinte está ligado ao átomo
de nitrogênio, não ao carbono da cadeia principal.
CH₃–CONHCH₃ → N-metiletanamida
CH₃–CON(CH₃)₂ → N,N-dimetiletanamida
19
Como explicam Solomons et al (2016), esse tipo de nomenclatura exige atenção
especial do aluno, pois os prefixos N- e N,N- não indicam posições na cadeia, mas sim a
localização no nitrogênio funcional.
2.3.3. Fórmulas estruturais e moleculares.
O ensino da Química Orgânica exige que os alunos desenvolvam habilidades para
representar correctamente os compostos, tanto de forma simbólica quanto estrutural.
Quando se trata das amidas, a compreensão das fórmulas estruturais e moleculares é
essencial para que os estudantes consigam aplicar os conhecimentos teóricos na
identificação e formulação dos compostos. As amidas que não têm substituintes no
nitrogênio são denominadas retirando-se a palavra ácido e trocando-se a terminação -
ico do nome vulgar (ou -oico do nome sistemático) pela terminação -amida. Os grupos
alquila ligados ao átomo de nitrogênio das amidas são denominados substituintes, e o
nome do substituinte é precedido por Nou N,N- (Solomons et al., 2016).
Segundo Feltre (2004), o entendimento das representações químicas permite aos alunos
fazerem conexões entre estrutura, nomenclatura e reactividade. Nas amidas, essa
compreensão começa com a fórmula molecular, que expressa o número e o tipo de
átomos presentes na substância, e se aprofunda com a fórmula estrutural, que revela
como esses átomos estão organizados e ligados.
Fórmula molecular das amidas
A fórmula molecular indica a quantidade exata de átomos de cada elemento no
composto, mas não mostra como estão conectados. Por exemplo:
Metanamida: CH₃CONH₂ → fórmula molecular: C₂H₅NO
Etanamida: CH₃CH₂CONH₂ → C₃H₇NO
Como explica Brown et al. (2011), essa representação é útil em análises quantitativas e
na identificação geral dos compostos, porém limita-se a informações superficiais, não
revelando detalhes funcionais importantes.
Fórmula estrutural das amidas
A fórmula estrutural, por outro lado, é essencial para a compreensão do comportamento
químico. Ela mostra as ligações covalentes entre os átomos, e a presença do grupo
funcional amida (–CONH₂).
A estrutura geral de uma amida primária é:
R–CO–NH₂
Onde:
R = cadeia carbônica (alquila ou arila)
20
CO = grupo carbonila (C=O)
NH₂ = grupo amino ligado diretamente ao carbono da carbonila
Exemplo 1: Metanamida
Fórmula estrutural:
H–CO–NH₂
Exemplo 2: Etanamida
CH₃–CO–NH₂
Exemplo 3: N-metilpropanamida
CH₃–CH₂–CO–NHCH₃
É importante ensinar aos alunos que a geometria da ligação entre a carbonila e o grupo
amino influencia a polaridade e as propriedades físicas das amidas, como ponto de
ebulição e solubilidade (Solomons et al., 2016).
2.4. A Importância das Actividades Didáticas no Desenvolvimento de Habilidades
A aprendizagem significativa ocorre quando o conteúdo é apresentado de forma ativa,
contextualizada e conectada ao cotidiano do aluno (Ausubel et al., 1991).
O processo de ensino-aprendizagem da Química, especialmente quando se trata de
conteúdos desafiadores como os compostos orgânicos nitrogenados, exige estratégias
que ultrapassem o modelo tradicional de ensino expositivo. As atividades didáticas
surgem como ferramentas pedagógicas fundamentais para desenvolver habilidades
cognitivas, procedimentais e atitudinais nos estudantes da 12.ª classe.
O uso de atividades didáticas, sejam elas práticas, lúdicas, experimentais ou
investigativas, permite ao aluno a vivência do conteúdo em situações reais ou
simuladas, despertando o interesse e possibilitando a construção de conhecimento com
base na ação. “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a
sua produção ou a sua construção.” (Saviani, 2024).
No caso da nomenclatura e formulação das amidas, as atividades didáticas são
essenciais para:
Compreender visualmente o grupo funcional da amida;
Relacionar nomes sistemáticos com estruturas reais;
Corrigir erros de formulação por meio da prática guiada;
21
Criar analogias com substâncias do cotidiano (ex: ureia, paracetamol).
O conhecimento químico, para ser significativo, precisa estar relacionado com a
realidade vivida pelo aluno (Mortimer & Machado, 2016).
O uso de modelos moleculares, jogos de nomenclatura, mapas conceituais,
dramatizações e experimentos simples são algumas estratégias eficazes que reforçam as
habilidades dos alunos e despertam maior envolvimento com o conteúdo.
O processo de ensino-aprendizagem exige estratégias que estimulem o envolvimento
ativo dos alunos na construção do conhecimento. As atividades didáticas representam
um desses instrumentos pedagógicos fundamentais, pois favorecem não apenas a
compreensão dos conteúdos, mas também o desenvolvimento de habilidades cognitivas,
procedimentais e atitudinais.
“As atividades didáticas, quando bem planejadas, são o ponto de articulação entre os
objetivos de ensino e as capacidades que se deseja desenvolver nos alunos” (Carvalho,
2012). Isso significa que a seleção de uma atividade pedagógica não deve ser aleatória,
mas sim alinhada às competências que se pretende atingir, especialmente em disciplinas
como Química, que exigem constante articulação entre teoria e prática.
Para (Libanêo, 2021), “A função das atividades didáticas é mediar a aprendizagem por
meio de situações concretas, que provoquem no aluno o exercício de sua autonomia
intelectual.” A atividade didática é compreendida como uma ação intencional, planejada
pelo professor, que visa proporcionar situações de aprendizagem significativas, levando
em conta os conteúdos escolares e as necessidades formativas dos alunos.
A actividade didática é a mediação pedagógica realizada pelo professor com o objetivo
de promover a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos. Ou seja, ela é o elo entre
o conteúdo e o sujeito que aprende, possibilitando a construção do conhecimento por
meio de interações organizadas e com objetivos bem definidos. A actividade didática é a
ação educativa planejada e sistematizada que busca promover a formação integral do
aluno por meio da experiência e da reflexão crítica (André, 2022). Nesse sentido, não
basta transmitir conteúdo; é necessário provocar no aluno uma atitude ativa diante do
saber.
Vygotsky, a partir da psicologia histórico-cultural, nos lembra que: “O aprendizado só é
eficaz quando ocorre em um contexto de atividade intencional e socialmente mediada.”
Assim, as atividades didáticas devem considerar o nível de desenvolvimento real e o
potencial dos alunos, promovendo a chamada “zona de desenvolvimento proximal”.
A actividade didática é uma prática educativa que envolve o planejamento, a mediação e
a avaliação, sendo essencial para promover aprendizagens significativas,
contextualizadas e com foco na autonomia do educando.
Desse modo, atividades bem elaboradas contribuem para que o aluno não apenas
memorize conceitos, mas saiba aplicá-los de forma reflexiva, crítica e contextualizada.
22
No ensino das amidas, por exemplo, propor exercícios de formulação e nomenclatura
que envolvam situações-problema pode ajudar os estudantes a compreenderem a
aplicação prática do conteúdo.
Logo, atividades que estimulam a análise, comparação, interpretação e resolução de
problemas químicos favorecem o desenvolvimento de habilidades cognitivas superiores,
como a análise crítica e a criatividade.
Vygotsky, com sua teoria da mediação e da zona de desenvolvimento proximal, nos
lembra que: “As atividades que desafiam o aluno dentro de sua zona de
desenvolvimento proximal são as que mais contribuem para seu crescimento cognitivo.”
Portanto, atividades didáticas bem planejadas devem considerar o nível atual de
conhecimento do aluno, mas também desafiá-lo a ir além, promovendo aprendizagens
mais elaboradas e duradouras.
No contexto específico da 12.ª classe, onde os alunos se deparam com conceitos mais
complexos da Química Orgânica, como as amidas, o uso de atividades didáticas é ainda
mais relevante. Elas possibilitam ao professor verificar o nível de compreensão dos
discentes, bem como ajustar sua prática pedagógica às reais necessidades da turma.
Em suma, as atividades didáticas são muito mais do que instrumentos de fixação de
conteúdo. Elas são meios eficazes de desenvolvimento de habilidades essenciais para a
formação científica, a construção da autonomia intelectual e a consolidação do
conhecimento químico. Sua importância no contexto da disciplina de Química, e
particularmente na aprendizagem de compostos orgânicos como as amidas, é
indiscutível.
No processo de ensino-aprendizagem, as atividades didáticas são ferramentas essenciais
para tornar o conhecimento significativo. A aprendizagem significativa ocorre quando o
conteúdo novo é relacionado com aquilo que o aluno já sabe, permitindo uma
compreensão duradoura e contextualizada. Essa perspectiva foi amplamente defendida
por Ausubel et al. (1991), que afirmou: “A principal influência na aprendizagem é o que
o aluno já sabe. Descubra isso e ensine-o a partir daí.”
Para Ausubel, o papel do professor é organizar os conteúdos de forma lógica e
progressiva, ativando os conhecimentos prévios dos alunos. As atividades, nesse
contexto, funcionam como elos entre o conhecimento anterior e o novo, permitindo que
os estudantes integrem as novas informações a estruturas cognitivas já existentes. No
caso da Química, e mais especificamente do estudo das amidas, a aprendizagem
significativa pode ser alcançada por meio de tarefas que relacionem as funções
orgânicas já estudadas com as características das amidas, por exemplo, destacando
semelhanças com as aminas ou com os ácidos carboxílicos.
Piaget (1977), por sua vez, traz a ideia de que a aprendizagem ocorre por meio da
interação ativa do sujeito com o objeto de conhecimento, sendo o aluno o protagonista
23
da construção do saber. Ele afirma que: “O conhecimento é uma construção contínua
que ocorre a partir da ação do indivíduo sobre o meio.”
Assim, atividades que envolvam experimentação, resolução de problemas,
classificações e construção de modelos moleculares favorecem o desenvolvimento das
operações mentais e das habilidades cognitivas dos alunos. Tais atividades permitem
que eles avancem dos estágios concretos para o pensamento formal, que é essencial no
ensino médio, especialmente na 12.ª classe.
Vygotski et al. (2019), por outro lado, destaca o aspecto social da aprendizagem e
introduz o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). Para ele: “O que a
criança consegue fazer hoje com ajuda, conseguirá fazer sozinha amanhã.”
Nessa linha, as actividades devem ser propostas de modo que desafiem o aluno, mas
estejam dentro de seu alcance com o suporte adequado do professor ou de colegas. Em
um contexto colaborativo, as estratégias de ensino tornam-se mais eficazes, pois o
estudante é conduzido, por meio da mediação, a construir o conhecimento. Isso pode ser
aplicado, por exemplo, por meio de atividades em duplas ou grupos, onde os alunos
formulam e nomeiam compostos orgânicos juntos, trocando ideias e corrigindo erros
mutuamente.
Além disso, as actividades práticas, como a montagem de estruturas moleculares com
materiais simples (modelagem com bolas de isopor, por exemplo), jogos didáticos,
resolução de situações-problema e estudos de caso, constituem estratégias que
despertam o interesse dos alunos e facilitam o entendimento de conceitos abstratos.
As teorias de Ausubel, Piaget e Vygotsky oferece uma base sólida para a elaboração de
actividades didáticas que não apenas informam, mas formam o aluno de maneira crítica
e significativa.
2.5 Caracterização do programa do ensino da química no ensino secundário
O programa da 12ª classe está estruturado com base em princípios como estrutura-
propriedades-aplicações das substâncias. Visa aprofundar conhecimentos do I Ciclo e
introduzir novos conteúdos. Segundo Med (2019) os objetivos gerais do II Ciclo
incluem:
1. Introduzir uma nova visão do que é a Química e seu valor.
2. Desenvolver o conceito atómico-molecular da matéria.
3. Analisar a diversidade das substâncias.
4. Relacionar propriedades físicas e químicas com a identificação de substâncias.
5. Compreender as substâncias com base em suas estruturas, propriedades e
aplicações.
24
6. Interpretar símbolos, fórmulas, gráficos e diagramas.
7. Aplicar normas de segurança em laboratório.
8. Realizar experiências que promovam a aquisição de conhecimentos sólidos.
9. Valorizar a experimentação como ferramenta de validação científica.
10. Caracterizar reações químicas com profundidade.
11. Aplicar conhecimentos à vida prática e ao mundo do trabalho.
12. Preparar para o ensino superior.
13. Desenvolver atitudes corretas em grupo e respeito pelo outro.
Segundo CABRAL, (2022), três pilares são fundamentais para o progresso em Química:
empenho docente, interesse dos alunos e recursos pedagógicos adequados. Também se
afirma que aprender Química exige alfabetização em uma nova linguagem.
Organização dos Conteúdos – 12ª Classe
Os conteúdos da 12ª classe estão organizados nos seguintes temas:
Tema A: Compostos orgânicos
Tema B: Reações dos compostos orgânicos
Tema C: Biomoléculas
Tema D: Forças intermoleculares
Tema E: Forças intermoleculares e estado gasoso
Neste trabalho, será dada ênfase ao Tema A: Compostos orgânicos, com os seguintes
objetivos:
Entender o conceito de grupo funcional;
Representar grupos funcionais dos álcoois;
Identificar fórmulas estruturais dos álcoois;
Descrever reações químicas características;
Distinguir isômeros de posição e grupos funcionais.
Subtema A5 – Amidas
Conteúdos a lecionar:
Grupo funcional;
Fórmulas (geral e estrutural);
Nomenclatura;
Propriedades físicas e químicas;
Reações químicas;
25
Produção industrial e preparação laboral;
Aplicações e importância.
Apesar de o programa mencionar explicitamente apenas as aminas, o professor deve
rever conteúdos anteriores, como os álcoois. Recomenda-se actividades de pesquisa,
experiências laboratoriais e exercícios práticos que fortaleçam o domínio sobre
estrutura, nomenclatura e propriedades das diversas classes funcionais.
26
27
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