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SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA

1. Origem e significado

A sociologia é uma ciência relativamente jovem, que surgiu com a intenção de organizar o estudo
dos fenômenos sociais, identificando suas origens e procurando maneiras de solucionar o que for
considerado um problema para a sociedade. Assim, foi sendo construído um modo de pensar que
estabelece ligações entre os diferentes integrantes da sociedade, e algumas vezes, demonstrando que
pode haver certas estruturas sociais que servem como alicerces para a vida social.
A sociologia surgiu no século XIX como resposta às profundas transformações ocorridas na
sociedade depois da chamada Revolução Industrial, que não provocou mudanças apenas na maneira
como as pessoas produzem bens e serviços, mas também na forma como estas mesmas pessoas se
relacionam em seu cotidiano. É claro que desigualdades sociais e exploração da massa trabalhadora
sempre ocorreu na história da humanidade, entretanto, depois da industrialização, as cidades
cresceram de maneira extrema, e assim a visibilidade desses acontecimentos tornou-se assustadora.
Muitos intelectuais ou pensadores da época passaram a se questionar sobre as alterações sociais que
vinham acontecendo, mas tinham instrumental insuficiente para explicar de maneira adequada os
fenômenos sociais. Foi a partir dessa necessidade que surgiu a sociologia, que no início trouxe
consigo as técnicas das ciências naturais e exatas para analisar as relações sociais.
Dessa forma, o objeto de estudo da sociologia apresenta-se como sendo todas as formas de relações
sociais apresentadas pelo homem, podem ser relações econômicas, jurídicas, políticas, religiosas,
etc. Toda forma de interação dos seres humanos é estudado pela sociologia.

ATIVIDADES
1) O que é a sociologia?
2) Qual a relação entre a sociologia e a Revolução Industrial?

2. Sociologia: ciência x senso comum

É muito comum que as pessoas ao saberem que a sociologia estuda as relações sociais, acreditarem
que ter opiniões sobre os fenômenos sociais seria o mesmo que fazer sociologia. Assim, cabe aqui a
distinção entre ciência (que é o que a sociologia faz) e o senso comum (realizado por todos os
indivíduos).
Ainda que entre o senso comum e o conhecimento científico exista alguma aproximação, há
diferenças bem marcantes entre eles. O primeiro baseia-se nos sentidos, crenças, tradições, acredita
no que vê ou sente, é resultado das experiências do cotidiano, ou naquilo que se tornou evidente
através da evolução da ciência. Esta por sua vez, procura através do raciocínio objetivo, baseado na
racionalidade do ser humano e em métodos experimentais, a comprovação daquilo que os sentidos
demonstram.
O senso comum é um saber que se adquire através da vida em sociedade, por isso, é uma sabedoria
informal adquirida de forma instintiva através do contato com o próximo, com situações e objetos
que rodeiam o indivíduo. Apesar das suas limitações, o senso comum é importante, sem ele os
membros da sociedade não conseguiriam orientar-se na sua vida cotidiana. É um saber muito
simples, superficial e informal, que não precisa de grandes esforços nem bases sólidas que atestem
se é verdade ou sua origem, ao contrário das ciências, que se baseiam em conhecimentos formais
porque requerem um longo processo de aprendizagem/conhecimento.
O Senso Comum tem fatores positivos e negativos. Se por um lado junta conhecimentos e sabedoria
popular e os transmite de geração em geração dando bases para uma vida adaptativa na sociedade
em que estamos, por outro lado poderá originar o prolongamento de crenças ou opiniões menos
verdadeiras e/ou preconceituosas que se arrastam no tempo, somente ultrapassadas por
pesquisas/estudos científicos. E é por isso que é benéfica a interligação entre o Senso Comum -
baseado em testemunhos culturais – e o Conhecimento Cientifico – baseado em métodos de
pesquisa. Um, é a continuação do outro, a Ciência pode comprovar ou desmistificar
fatos/acontecimentos fundamentado no senso comum, através dos métodos de pesquisa cientifica.
Foi no começo do século XVII que o homem passou a perceber a natureza como algo que pudesse
ser transformado através de sua ação e pensamento. Assim, podia formular hipóteses e experimentá-
las para verificar se eram verdadeiras ou não, desse modo poderia superar o senso comum que até
então dominava o mundo. Era o nascimento da ciência com uma metodologia própria para o
controle da produção de conhecimento.
Podemos afirmar que a ciência é uma conquista recente da humanidade, pois tem apenas cerca de
300 anos. Ele passou a ser usado constantemente para afastar crenças supersticiosas e a ignorância e
garantir uma ação humana mais segura em todos os âmbitos da sociedade. Desta forma, a diferença
mais importante entre a ciência e o senso comum é o rigor. Enquanto que o senso comum é acrítico,
conservador e muitas vezes preconceituoso, a ciência preocupa-se com pesquisas sistemáticas e
experiências controladas para resultar em verdades racionais.
São características do conhecimento científico:
a) o resultado das pesquisas científicas pode ser sempre confirmado por outras pessoas;
b) o resultado de uma descoberta científica é neutro, o uso que os homens fazem dele é que pode
ajudar ou atrapalhar a sociedade;
c) a investigação científica deve ser baseada na objetividade, procurando afastar-se das crenças e
valores pessoais dos cientistas.

ATIVIDADES
1) Quais as características do senso comum?
2) Quais as características da ciência?
3) Porque a sociologia é ciência?
3. Positivismo

No século XIX, a consolidação do sistema capitalista na Europa fez surgir uma nova ciência: a
sociologia. Um dos seus primeiros autores foi Auguste Comte que desenvolveu uma teoria chamada
Positivismo que influenciou muito no início da sociologia.
Comte queria estender os métodos científicos das ciências naturais ao estudo da sociedade, ou seja,
uma sociologia científica que se afastasse ao máximo do senso comum, no início este autor chegou
chamar a sociologia de Física social. O positivismo foi a teoria que teve maior difusão no século
XX e foi base para outras de grande impacto. Essa teoria era evolucionista e empirista, segundo a
qual todos os ramos do conhecimento passam, necessariamente, por 3 estágios históricos:
a) teológico: os fenômenos e a sociedade seriam explicados pela fé religiosa e havia predominância
da atividade militar;
b) metafísico: os fenômenos e a sociedade seriam explicados pela natureza;
c) positivo ou científico: os fenômenos e a sociedade seriam explicados pela busca da regularidade
e por leis observáveis. Para Comte, os fenômenos teriam explicações que podiam vir acompanhadas
por previsões e com elas poder-se-ia estabelecer o controle sobre os fatos. Neste caso a ciência
tomaria o lugar da religião para dar os princípios da ordem social.
Para Comte, com a racionalidade da ciência predominando na sociedade, o homem deixaria de se
preocupar tanto com a guerra e passaria a ocupar seu tempo com a exploração racional dos recursos
naturais disponíveis.
Uma reforma social só poderia acontecer se houvesse uma reforma intelectual, ou seja, se todos
olhassem o mundo com um ponto de vista científico. Desta forma, revoluções e manifestações
geram desordem e não é racional.
Em outras palavras, ao modificar a forma de pensar dos homens (por meio da ciência) haveria
posteriormente a reforma da sociedade. E esta deveria ser organizada cientificamente para um
objetivo, assim como a fábrica funcionava para produzir.
Com relação às desigualdades sociais, Comte acreditava que propriedade privada era inevitável aos
mais pobres e a não abusar de sua posição. Desta forma, este autor assumiu uma posição
intermediária entre o liberalismo e o socialismo, por isso, o positivismo foi usado por teorias tão
diferentes entre si.

ATIVIDADES

1)Na história do surgimento da Sociologia, a primeira corrente teórica consolidada foi o


positivismo. Assinale a alternativa INCORRETA sobre essa corrente de pensamento.
A) O positivismo tinha uma perspectiva bastante otimista quanto ao desenvolvimento das
sociedades humanas e colocava como fundamentos da dinâmica social, das mudanças para estágios
superiores, a busca da ordem e do progresso.
B) No positivismo, reconhecia-se que os princípios reguladores do mundo físico e da sociedade
humana eram diferentes em essência, mas a crença na origem natural de ambos os aproximava e,
por isso, deviam ser estudados sob o mesmo método.
C) O positivismo concebia a sociedade como um organismo constituído de partes integradas e
harmônicas, segundo um modelo físico e organicista, que levou o próprio Augusto Comte a chamar
a Sociologia de Física Social, inicialmente.
D) No positivismo, os conflitos e a luta de classes observados na sociedade humana eram inerentes
à vida social, tal como na desordem da cadeia alimentar de outros animais, pois todos os seres vivos
estavam submetidos às mesmas leis da natureza.

2) Explique os 3 estágios históricos de Comte.

3.1. Positivismo no Brasil

Jovens brasileiros ricos iam com freqüência à França no final do século XIX para fazer faculdade,
foi assim que muitos deles tiveram contato como positivismo. A partir daí Comte passou a ter vários
seguidores em nosso país, inclusive com a fundação da Igreja Positivista do Brasil.
Eles mantinham publicações que defendiam a educação leiga (não religiosa), o anti-racismo, a
abolição da escravidão, a república, o casamento civil, a seriedade com o dinheiro público e a
humanização das condições do trabalho operário.
Sobre a abolição da escravidão africana, Comte dizia que cada raça teria um papel harmônico na
civilização e de certa maneira apoiaria a mestiçagem. Além disso, o escravo não caberia numa
sociedade industrializada e por isso mais desenvolvida.
Sobre a república, Comte alertava que ela era o regime mais acertado, pois não era baseada na
religiosidade como a monarquia cujo rei seria representante de Deus na Terra. Mas a democracia
não estava entre seus princípios.
Com a proclamação da República em 1889 algumas propostas positivistas foram incorporadas à
nova ordem: casamento civil e o registro civil, as palavras Ordem e Progresso na bandeira nacional,
entretanto, houve a estranha incoerência de ter sido proclamada por militares, que eram figuras
desprestigiadas por Comte.

ATIVIDADES

1) Quem eram os positivistas brasileiros?


2) O que os positivistas brasileiros defendiam?
3) Qual a incoerência no fato da proclamação da república ter sido feita por positivistas brasileiros?

4. Durkheim

Emile Durkheim foi um sociólogo francês que se mostrou muito importante para a formação da
sociologia enquanto ciência. Em seu livro “As regras do método sociológico” este autor definir o
objeto da sociologia (aquilo que a sociologia pretende estudar) como sendo o chamado FATO
SOCIAL, e por fato social Durkheim entende todo modo de agir e pensar que é ao mesmo tempo
coercitivo, geral e anterior ao indivíduo.
Para dar um exemplo, imaginem uma moça aparecer com o uniforme da escola na beira do mar,
enquanto seus colegas estão de sungas, calções, biquínis e maiôs. Qual será a conseqüência desse
acontecimento pra a moça em questão? Durkheim diria que o grupo a isolaria ou zombaria dela e
para que ela pudesse ser aceita novamente teria que se adequar ao comportamento de todos e
ninguém se questionaria o motivo pelo qual não se deve usar determinadas roupas em certos
lugares. Assim, este modo de comportamento é anterior aos indivíduos, é geral a todos eles e é
coercitivo, sob pena de desaprovação de seus semelhantes.
Estabelecido o objeto da sociologia como sendo o FATO SOCIAL, Durkheim também definiu uma
metodologia própria para analisá-lo, qual seja, procurar afastar-se das pré-noções e tomá-lo como
coisa.
Isto quer dizer que ao escolher um objeto para ser estudado do ponto de vista sociológico é preciso
que o cientista deixe de lado tudo aquilo em que ele acredita a respeito do mesmo objeto, tornando-
o uma coisa.

5. Weber

Max Weber era um sociólogo alemão que pensava que a sociedade não era algo exterior ou anterior
ao indivíduo como Durkheim. Para Weber objeto da sociologia é a ação social. E por AÇÃO
SOCIAL entenda-se toda ação que o indivíduo faz levando em conta a ação do outro.
Para ajuda na explicação da sociedade, Weber criou quatro tipos de ação social:
Ação tradicional: aquela determinada por algum costume muito antigo;
Ação efetiva: aquela determinada pelo afeto e pelos sentimentos;
Ação racional com relação a valores: aquela que é determinada pelo que o indivíduo acredita que é
importante;
Ação racional com relação a fins: aquela que é determinada pela racionalidade do indivíduo.
Para ele as regras sociais são o resultado das ações individuais e a metodologia de Weber era
baseada na idéia de que a neutralidade deve ser buscada, mas acreditava que o cientista nunca
conseguiria alcançá-la totalmente.

6. Marx

Karl Marx foi um dos principais pensadores do século XIX e para ele não é possível pensar a
relação entre indivíduo e sociedade através do FATO SOCIAL ou da AÇÃO SOCIAL, porque é
necessário observar as condições materiais que sustentam esses indivíduos e suas relações sociais.
Em outras palavras, para existir, os seres humanos precisam comer, morar, vestir e para tudo isto
transforma a natureza através do trabalho, através da produção. Por tudo isto, a base da explicação
de Marx sobre a sociedade são as relações sociais de produção. Estas por sua vez criam as
CLASSES SOCIAIS que partilham idéias e comportamentos entre si, mas nas ocasiões de conflito
social as diferenças entre elas serão tão marcantes que as tornarão inconciliáveis.
No que toda ao método utilizado ou defendido por Marx, ele enfatiza que a ciência deve não só
descrever a realidade social, mas analisá-la criticamente ao longo da história. Além disso, a ciência
tem um papel não só de compreender, mas principalmente de transformar a sociedade.
ATIVIDADES

1) Quais os conceitos desenvolvidos por Durkheim, Weber e Marx para explicar a sociedade?
2) Explique os métodos ou metodologias defendidas por Durkheim, Weber e Marx.
3) Explique o que é fato social e suas características.
4) Explique os tipos de ação social
5) Explique o motivo pelo qual Marx achava tão importante o conceito de relações sociais de
produção.