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Sumário

Aula 01 Educação no Mundo Globalizado – Parte 1 05 Aula 02 Educação no Mundo Globalizado – Parte 2 10 Aula 03 Alfabeto e Números 13 Aula 04

União, Estado, Sociedade e Educação: a Gênese das Políticas Públicas e Sua Relação com

a Realidade Social Aula 05

Estado, Sociedade e Educação: a Gênese da Escola e Democrática das Atuais Políticas Públicas do Brasil 17 Aula 06 Estado, Sociedade e Educação:a Gênese da Escola Democrática e das Atuais Políticas Públicas do Brasil 20 Aula 07 Questão da Ideologia e do Poder na Delimitação das Políticas Educacionais 24 Aula 08

O Fenômeno da Ideologia e seu Real Poder na Delimitação das Políticas Educacionais.26

Aula 09

Pesquisa Analítica da Realidade do Brasil em Números, Quantitativamente das Políticas Públicas; e do Processo de Desenvolvimento de Nosso País 27 Aula 10

A Educação no Brasil: Organização na Educação do Brasil 28

Aula 11

A Organização na Educação do Brasil 34

Aula 12 EstruturaEducacionalnoBrasil 38 Aula 13 Organização e Administração dos Estabelecimentos de Ensino 42 Aula 14

Legislação: LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei n. 9 394/96 45 Aula 15

A Autonomia da Escola e a Construção Coletiva do Projeto Político Pedagógico 46

Aula 16 QualidadenaEducação 50 Aula 17 Planejamento:InstrumentodeAçãoEducativa 55 Aula 18 Planejamento Educacional 59 Aula 19 Planejamento Estratégico 61 Aula 20 Programas de Incentivo a Educação 64 Aula 21 Gestão Financeira e a Autonomia Financeira das Escolas 66 Aula 22

Gestão Pedagógica e Educação Escolar com Qualidade Social 69 Aula 23

A Razão do Existir da Escola

Aula 24 Reelaborando o Saber e Reencantar a Educação 77

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Referências

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EDUCAÇÃO NO MUNDO GLOBALIZADO – PARTE 1 Objetivo: Analisar situações relevantes da educação em um
EDUCAÇÃO NO MUNDO GLOBALIZADO – PARTE 1
Objetivo:
Analisar
situações
relevantes
da
educação
em
um
mundo
globalizado e destacar pontos importantes para a realidade.
Educação, tratados e convenções internacionais
O
relatório de estudo da UNESCO - Uma visão dentro de escolas
Políticas Públicas e Gestão da Educação
primárias - em recente publicação, apresenta resultado de uma pesquisa
realizada em 11 países integrantes da Amárica Latina, Ásia e Norte da
África, em que foram coletados e analisados dodas entre 2005 e 2007.
Como parte do programa de Indicadores da Educação Mundial (WEI), esses
países envolvera-se no desenvolvimento e na realização dessa pesquisa
a fim de examinar os fatores que formam a qualidade e a igualdade da
educação primária (até a quarta série do Ensino Fundamental, no caso do
Brasil).
Os países onde os foram pesquisados, coletados e analisados são:
Argentina, Brasil, Chile, Índia, Malásia, Paraguai, Peru, Filipinas, Sri Lanka,
Tunísia e Uruguai. Professores/Educadores da quarta série e diretores de
mais de 7 600 escolas responderam questionários detalhados sobre como
as escolas funcionam, como os professores ministram as aulas, quais as
condições de aprendizagem e qual o apoio disponível aos professores e
diretores.
“Essa pesquisa oferece uma riqueza de dados considerável. Por um
lado, vemos como faltam recursos básicos nas escolas – água encanada ou
eletricidade – que são oferecidos normalmente nos países desenvolvidos”,
diz Hendrik van der Pol, diretor do Instituto. “Mas os dados também
revelam como a desigualdade social afeta a oportunidade de uma criança
aprender. Claramente, nenhum país – rico ou pobre – está imune a essas
disparidades.”
O
relatório revela grandes lacunas em recursos entre escolas rurais
e urbanas. Na Índia, 27% das escolas em vilarejos possuem eletricidade,
comparado com 76% das escolas em pequenas ou grandes cidades.
Somente cerca de metade dessas escolas rurais possui toaletes suficientes
para meninas e menos de 4% possuem um telefone.
No Peru, menos da metade das escolas da área rural está equipada
com eletricidade, biblioteca ou toaletes para meninos ou meninas. Já em
áreas urbanas, quase todas as escolas possuem eletricidade, 65% possuem
toaletes suficientes e 74%, bibliotecas.
Em geral, as estruturas de escolas em vilarejos apresentam uma
necessidade maior de reparo, de acordo com os resultados da pesquisa.
No Peru e nas Filipinas, por exemplo, diretores nas áreas rurais relatam
que aproximadamente 70% dos seus alunos freqüentam escolas que
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necessitam de grandes reformas ou de uma reconstrução completa. No Brasil, metade dos alunos em
necessitam de grandes reformas ou de uma reconstrução completa.
No Brasil, metade dos alunos em áreas rurais freqüenta salas de
aula deterioradas, comparado com menos de 30% dos alunos em
estabelecimentos urbanos.
“É perturbante pensar que alunos recebem mais ou menos
recursos de acordo com o lugar em que vivem. Mas isso é só uma parte
da estória,” diz Yanhong Zhang, um dos autores do relatório. “O estudo
mostra que alunos em vilarejos possuem maior probabilidade de serem
oriundos de lares desprivilegiados. Então, as desigualdades em recursos
escolares estão vinculadas a seus status socio econômicos. Na verdade,
essas crianças estão sujeitas a uma dupla desvantagem – a carência de
recursos em casa e na escola.”
Na pesquisa, professores e diretores de escolas foram solicitados
a
avaliar os históricos dos seus alunos, baseando-se em uma série de
indicadores: da renda familiar e nível de educação dos pais à frequência
com a qual essas crianças pulavam refeições. As informações serviram
como base para um índice usado para examinar os vínculos entre o
status socio econômico e as condições escolares, incluindo o ambiente
de aprendizagem.
Um dos fatores mais importantes que formam os ambientes de
aprendizagem é o envolvimento dos professores e alunos. De acordo com
estudo, professores e diretores que trabalham em escolas que atendem
crianças em situação de desvantagem social costumam relatar níveis
mais baixos de motivação de alunos, como também mais problemas
comportamentais. Esse achado foi mais marcante em países da América
Latina e na comparação entre escolas públicas e privadas.
o
Tais resultados do estudo são baseados em percepções subjetivas
e,
por conseguinte, devem ser interpretados com cautela. As crianças em
situação de desvantagem são, de fato, estudantes menos motivados? Ou
as difíceis condições de trabalho dos professores influem no olhar que
eles têm dos alunos? Para os autores do estudo, a situação é preocupante
nos dois casos. Percepções negativas podem levar a um círculo vicioso,
nos quais professores, pais e estudantes esperam e tiram menos proveito
da escola.
O estudo aborda como esse espiral de expectativas reduzidas
pode influenciar o ambiente de ensino e a aprendizagem. Ele oferece
informações detalhadas sobre diferentes questões: do grau de empenho
das escolas para conseguir que seus alunos desenvolvam ao máximo seu
potencial escolar ao interesse dos pais pelos estudos de seus filhos.
Os dados indicam que as condições de trabalho são consideradas
mais difíceis em escolas que recebem um número maior de estudantes
desfavorecidos. Nelas, os professores se encontravam mais insatisfeitos
com o salário, com o apoio prestado pelos pais, com o tamanho das
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Políticas Públicas e Gestão da Educação

turmas e com o acesso ao material escolar. A pesquisa também incluiu um questionário específico para avaliar em que medida são oferecidas aos estudantes oportunidades reais para o aprendizado da leitura. Na maioria dos países, professores com estudantes motivados e pertencentes a classes sociais favorecidas tendem a fazer uso de materiais e atividades mais inovadoras, assim como de métodos de ensino mais criativos. Por outro lado, professores com estudantes de menor renda descrevem seus estilos de ensino como menos exigentes e mais freqüentemente baseados na memorização, por repetição. Segundo os autores do relatório, há uma necessidade urgente de destinação de mais recursos as escolas presentes em comunidades menos privilegiadas. Reformas em estruturas ou bibliotecas, entretanto, não asseguram que todas as crianças atinjam seu potencial escolar. São necessárias políticas direcionadas para melhorar o ambiente de aprendizado de crianças e as condições de trabalho de professores e diretores. A desigualdade envolve uma série de problemas que afetam a sociedade de forma abrangente. Com apoio adequado, porém, as escolas podem oferecer mais oportunidades a seus estudantes. No transcorrer desses anos de magistério alguns autores tornaram–se co-responsáveis pela profissional que sou e a cada dia busco torna-me ainda melhor. O primeiro, desses autores, é Paulo Freire e para retratá-lo neste momento faço de seu pensamento o meu mais profundo sentimento:

“Uma das condições fundamentais é tornar possível o que parece não ser possível. A gente tem que lutar para tornar possível o que ainda não é possível. Isso faz parte da tarefa da história de redesenhar e reconstruir o mundo”.

Portanto, quero apresentar o real e o utópico, pois só assim acredito que apresentarei conteúdos e conhecimentos, suscitando em cada um de vocês o desejo de transformação e de mudança. A seguir apresento no quadro ao lado duas poesias para reflexão.

Políticas Públicas e Gestão da Educação 7
Políticas Públicas e Gestão da Educação
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A Escola Para você me educar “Escola é o lugar onde se faz amigos não
A Escola
Para você me educar
“Escola é
o lugar onde se faz amigos
não se trata só de prédios, salas, quadros,
programas, horários, conceitos
Escola
PARA VOCÊ ME EDUCAR
Você precisa me conhecer, precisa saber de
minha vida Meu modo de viver e sobreviver,
Conhecer a fundo as coisas nas quais eu
creio E as quais me agarro nos momentos
é, sobretudo, gente, gente que trabalha,
de solidão, desespero, sofrimento
Precisa
que estuda, que se alegra, se conhece, se
estima. O diretor é gente, O coordenador
é
gente, o professor é gente, o aluno
é
gente, cada funcionário é gente. E a
escola será cada vez melhor na medida
em que cada um se comporte como
colega, amigo, irmão. Nada de ‘ilha
cercada de gente por todos os lados’.
Nada de conviver com as pessoas e
depois descobrir que não tem amizade
a
ninguém nada de ser como o tijolo
que forma a parede, indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar,
não é só trabalhar, é também criar
laços de amizade, é criar ambiente de
camaradagem, é conviver, é se ‘amarrar
nela’! Ora , é lógico
numa escola assim
vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer,
fazer amigos, educar-se, ser feliz.”
Paulo Freire
*
Educador brasileiro que nasceu em 1921
e
faleceu em 1997, o mestre da autonomia
que gritava contra a opressão, a favor dos
oprimidos e sua pedagogia sempre foi a da
libertação da esperança e dos sonhos
possíveis.
saber e entender as verdades, pessoas e
fatos Aos quais eu atribuo forças superiores
às minhas E aos quais me entrego quando
preciso ir além de mim mesmo.
PARA VOCÊ ME EDUCAR
Precisa me encontrar lá onde eu existo, Quer
dizer, no coração das coisas, Nos mitos e nas
lendas, nas cores e movimento, Na força dos
astros, do sol e da chuva.
PARA VOCÊ ME EDUCAR
Precisa estar comigo onde eu estou, Mesmo
que você venha de longe e que esteja
muito adiante, Só há um adiante para mim,
Aquele que eu construo e conquisto, Só há
uma forma de construí-lo; A partir de mim
mesmo e do meio em que vivo.
PARA VOCÊ ME EDUCAR
Precisa compreender a cultura do contexto,
em que se dá meu crescimento. Pois suas
linhas de força são as minhas energias. Suas
crenças, expectativas são as que passam
a construir O meu credo e as minhas
esperanças. Mas eu também estou aberto
para outras culturas. Identidade cultural
não significa prisão ao espaço que ocupo,
Mas abertura ao que é autenticamente
nosso E ao que vindo de fora, nos pode
fazer mais nós mesmos. A cultura universal
é produto de todos os homens. Mas como
posso contribuir com essa fraternidade Se
não constitui o meu eu, e não tenho minha
expressão cultural própria? A educação
que necessito, é aquela que me faz eu,
Que desperta do mistério do meu ser,
As potencialidades adormecidas. É uma
educação que promove minha identidade
pessoal. Eu me educo fazendo cultura e
nesse ato de geração cultural, Eu construo
minha educação, conquisto o meu ser,
Na relação dialógica homem/natureza.
Vidal, Dionet. Para você me educar Infância
e Cultura. Revista da educação,
MEC Brasília: MEC 1983
Os quatro pilares da educação
Jacques Delors coordenou um trabalho com a Comissão
Internacional juntamente com outros grandes autores mundiais, sobre
educação para o século XXI. Desse trabalho Tesouro a Descobrir, em
1999, que apresenta os quatro pilares da educação: Aprender a conhecer;
Aprender a fazer; Aprender a conviver com os outros; Aprender a ser.
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Políticas Públicas e Gestão da Educação
Em educação para todos: Compromisso de Dakar ( ) Art. 6° A educação enquanto um
Em educação para todos: Compromisso de Dakar (
)
Art. 6°
A educação enquanto um direito humano fundamental é a chave para um desenvolvimento
sustentável, assim como para assegurar a paz e a estabilidade dentro e entre países e, portanto,
um meio indispensável para alcançar a participação efetiva nas sociedades e economias do século
XXI. Não se pode mais postergar esforços para atingir as metas de Educação Para Todos. As
necessidades básicas da aprendizagem podem e devem ser alcançadas com urgência.
Segunda a declaração de Nova Delhi sobre educação para todos,
Reconhecemosque:( )§aeducaçãoémaioretemdeser–responsabilidade
da sociedade, englobando igualmente os governos, as comunidades e as
esferas não-governamentais, exige compromisso e a participação de todos
numa grande aliança que transcende a diversidade de opiniões e posições
políticas.
Políticas Públicas e Gestão da Educação
Atividade!
Formem grupos de leitura e de trocas de conhecimentos.
Sistematizem nos grupos e repassem os conteúdos do site sugerido abaixo
com os referidos temas. Vale a pena começar a tornar-se um pesquisador
e detentor dos tratados, das leis, dos acordos que vigoram e conduzem o
nosso trabalhão dentro da sala de aula.
Banco de dados de direito à educação – Disponível em:
http://www.acaoeducativa.org.br/
Temas a serem pesquisados
• Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos
• Declaração de Nova Delhi Sobre Educação Para Todos
• Educação para Todos: Compromisso de Dakar
• Declaração Mundial sobre Educação Para Todos - JOMTIEN
• Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.9394 de 20/12/96)
• Plano Nacional de Educação
SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) - lei no
10.861, de 14/04/2004
Para pesquisar na internet
BANCO DE DADOS DE DIREITOS À EDUCAÇÃO
Constituição Federal
de 1998
Lei de Diretrizes e
Bases da Educação
Nacional (Lei n. 9 394
de 20/12/96)
SINAES (Sistema
Nacional de Avaliação
da Educação Supe-
rior) – lei n. 10.861,
Plano Nacional de
Educação
de14/04/2004
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EDUCAÇÃO NO MUNDO GLOBALIZADO – PARTE 2 Objetivo: Refletir sobre a realidade da Educação brasileira
EDUCAÇÃO NO MUNDO GLOBALIZADO – PARTE 2
Objetivo:
Refletir sobre a realidade da Educação brasileira em um mundo
globalizado, em que existe uma crise educacional, analisando sob uma
nova ótica verificando a possibilidade de compromisso de mudança
com a implantação de uma escola democrática transformadora.
Quando falamos em conhecimento, como profissionais da
educação e futuros pedagogos(as) devemos ter em mente o processo
educativo na sua concepção, criação, assimilação e realização enquanto
processo que possibilita a si e ao outro transformações.
Por meio de pesquisas, descubra quais são os autores das citações a
seguir:
Compromisso e educação
“A melhor maneira que a gente tem de fazer possível amanhã
alguma coisa que não é possível de ser feita hoje, é fazer hoje o que hoje
pode ser feito. Mas se eu não fizer hoje o que hoje pode ser feito e tentar
fazer hoje o que não pode ser feito , dificilmente eu faço amanhã o que
hoje também não pude fazer.” ( )
Conhecimento e educação
“Além de um ato de conhecimento, a educação é também um ato
político. É por isso que não há pedagogia neutra.”(
)
País e educação
“Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-
lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a
vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha
não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”
( )
Educação e política
“Se a Educação pudesse falar, ela diria: Tenho que compreender quão
limitada me obriga a ser, dados os limites políticos que não me permitem
ultrapassar”.( )
Futuro e educação:
Gente
“É preciso resgatar uma paixão por uma idéia irrecusável: gente foi feita
para ser feliz. E é esse o nosso trabalho; não só nosso, mas também nosso.
Paixão pela inconformidade de as coisas serem como são; paixão, em
suma, pelo futuro.” ( )
10
Políticas Públicas e Gestão da Educação

Educação e sabedoria:

Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.” ( )

Educação e opressão:

“Que tem de ser forjada com ele e não para ele, enquanto homens ou povos,na luta incessante de recuperação de sua humanidade. Pedagogia que faça da opressão e de suas causas objeto de reflexão dos oprimidos, de que resultará o seu engajamento necessário na luta por uma libertação, em que esta pedagogia se fará e se refará.” ( )

Educação e libertação:

“O grande problema, está em como poderão os oprimidos, que hospedam o opressor em si, participar da elaboração, como seres duplos, inautênticos, da pedagogia da sua libertação. Somente na medida em que se descubram hospedeiros do opressor poderão contribuir para o partejamento de sua

pedagogia libertadora”. (

)

Educação e ideologia:

“Saber igualmente fundamental à prática educativa do professor ou da professora é o que diz respeito à força, às vezes maior que pensamos, da ideologia. É o que nos adverte de suas manhas, das armadilhas que nos faze cair. É que a ideologia tem que ver diretamente com a ocultação da verdade dos fatos, com o uso da linguagem para penumbrar ou opacizar a realidade ao mesmo tempo que nos torna ‘míopes’. ( )

Solidariedade e educação:

“O que caracteriza os oprimidos, como ‘consciência servil’ em relação à consciência do senhor, é fazer-se quase ‘coisa’ e transformar-se, como

salienta Hegel, em ‘consciência para o outro’. A solidariedade verdadeira com eles está em com eles lutar para a transformação da realidade

“Somente sua solidariedade

(objetividade- subjetividade), em que o objetivo constitui com o subjetivo uma unidade dialética é possível a práxis autêntica. A práxis, porém, é a reflexão e a ação dos homens no mundo para transformá-lo. Sem ela, é impossível a superação opressor-oprimido” ( )

objetiva que os faz ser este ser para outro” [

]

Profissão e professores(as):

“Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutro, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo” ( )

Educação e percepção:

“No exercício crítico de minha resistência ao poder manhoso da ideologia, vou gerando certas qualidades que vão virando sabedoria indispensável à minha prática docente. A necessidade desta resistência crítica, por exemplo, me predispõe, de um lado, a uma atitude aberta aos demais, aos dados da realidade; de outro, a uma desconfiança metódica que me defende de tornar-me absolutamente certo das certezas. Para me resguardar das artimanhas da ideologia, não posso nem devo me fechar aos outros, nem tampouco me enclausurar no ciclo da minha verdade. Pelo contrário, o melhor caminho para guardar vive e desperta a minha

Políticas Públicas e Gestão da Educação 11
Políticas Públicas e Gestão da Educação
11
capacidade de pensar certo, de ver com acuidade, de ouvir com respeito, por isso de
capacidade de pensar certo, de ver com acuidade, de ouvir com respeito,
por isso de forma exigente, é me deixar exposto às diferenças, é recusar
posições dogmáticas, em que me admita como proprietário da verdade.”
(
)
Professor(a) e paixão:
“Só desperta paixão de aprender, quem tem paixão de ensinar.”
( )
Educação e pedagogia
“A pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e libertadora,
terá dois momentos distintos. O primeiro, em que os oprimidos vão
desvelando o mundo da opressão e vão comprometendo-se na práxis,
com a transformação; o segundo, em que, transformada a realidade
opressora, esta pedagogia deixa de ser do oprimido e passa a ser a
pedagogia dos homens em processo permanente de libertação”.
(
)
Cultura e educação:
“ A ação cultural que, em sua amplitude, assume caracteres ‘utópicos e
esperançosos’, por um lado, e de ‘denúncia- anúncio’, por outro. Utópica
‘não porque se nutra de sonhos impossíveis’ ou porque seja ‘idealista’ ou
‘porque tente negar a existência das classes e de seus conflitos’. Utópica e
esperançosa porque a serviço da libertação dos subalternos/oprimidos,
‘se faz e refaz na prática social”, no concreto, e implica a dialetização da
denúncia e do anúncio” ( )
12
Políticas Públicas e Gestão da Educação

ALFABETO E NÚMEROS

Objetivo:

Apresentar de forma resumida o “discurso político” atual, para que possamos analisá-lo de forma crítica, e vislumbrar os avanços que promovam e provoquem em cada um de nós, educadores ou futuros educadores (lembre-se de que como cidadãos brasileiros também é

a motivação para assumir o compromisso de lutar pela

efetivação dos mesmos.

nosso dever

),

Atividade lúdica para aprendizagem

1)

dos mesmos. nosso dever ), Atividade lúdica para aprendizagem 1) 2) 3) Políticas Públicas e Gestão

2)

dos mesmos. nosso dever ), Atividade lúdica para aprendizagem 1) 2) 3) Políticas Públicas e Gestão

3)

dos mesmos. nosso dever ), Atividade lúdica para aprendizagem 1) 2) 3) Políticas Públicas e Gestão
Políticas Públicas e Gestão da Educação 13
Políticas Públicas e Gestão da Educação
13
Moacir Gadotti foi um grande amigo, e fiel companheiro de Paulo Freire. Durante a vida
Moacir Gadotti foi um grande amigo, e fiel companheiro de Paulo
Freire. Durante a vida de seu companheiro de luta por uma educação
transformadora e libertária lutou incansavelmente. Nos dias atuais,
Moacir Gadotti não deixa de nos ensinar o que aprendeu com o mestre,
e afirma: “É preciso ler o mundo para ler a palavra com competência”.
Gadotti vê a competência subordinada à ética, à estética e à política. “Não
é
competente o educador que não é comprometido porque ele trabalha
em função de um mundo a ser construído, de um outro mundo possível;
portanto de uma utopia”, explicou.
Gadotti diz ainda que, em função do futuro, voltamos para o
presente. Para ele, é preciso entender essa concepção de Paulo Freire,
sobre a competência, para compreender a sua pedagogia. Demonstra
que ensinar não é transferir conhecimento. “O papel da escola, que
era de transmitir conhecimentos porque era um dos poucos espaços
do saber elaborado, nesse momento, diante desses novos espaços de
informação, a escola e o professor passam a ter outra característica
que é a de gerenciar, administrar, organizar, selecionar e de dar sentido
ao conhecimento e a escolher o conhecimento, já que a sociedade está
impregnada de informação pelos jornais”, argumentou. Diante dessa
constatação, a profissão de educador deixa de ser a de transmitir
conhecimento para assumir a tarefa de organizador do conhecimento
e
do trabalho do aluno, para que o mesmo possa ser realmente incluído
em nossa sociedade excludente.
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Políticas Públicas e Gestão da Educação
UNIÃO, ESTADO, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO: A GÊNESE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E SUA RELAÇÃO COM A
UNIÃO, ESTADO, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO: A GÊNESE DAS POLÍTICAS
PÚBLICAS E SUA RELAÇÃO COM A REALIDADE SOCIAL
Objetivo:
Analisar a União, o Estado, a Sociedade e a Educação pela a gênese
das políticas públicas, e bem como pelo relação com a realidade social.
A
educação é um direito fundamental, universal e inalienável.
Você deve estar se perguntando: Se a educação é dever do estado por que
pagamos tanto imposto? O estado – como a figura ilustrativa do leão é
voraz. É o IPTU em janeiro, o IPVA em fevereiro, o Imposto de Renda em
Políticas Públicas e Gestão da Educação
março, fora os impostos (ICMS, IPI, Confins, PIS, CPMF, entre outros) que
estão embutidos nos preços de mercadorias e serviços. Há 13 anos, a carga
tributária do PIB (Produto Interno Bruto que mede a riqueza produzida
pela Nação) era de 28%, ou seja, os brasileiros pagavam, em média, 28%
de impostos aos governos federal, estadual e municipal. Assim, de cada
cem dias de trabalho, 28 dias ficavam com o poder estatal.
Hoje, a arrecadação do Estado é maior.
Quase 39 dias de trabalho vão para o poder estatal. Em
contrapartida, a saúde, educação, segurança pública e os serviços
públicos, em geral, continuam uma lástima. Segundo o Jornal de Debates
o
imposto cobrado tem em sua essência causas nobres: é um montante de
arrecadação que deve servir ao público, através dos tributos recolhidos do
cidadão na compra de serviços e bens, em seus rendimentos do trabalho
e
do capital. O imposto pago deve ser devolvido à sociedade na forma de
escolas e hospitais bem equipados, estradas sem buracos, segurança nas
ruas e locais de trabalho e lazer, esgotamento sanitário e água tratada para
todos, trabalhadores da educação e da saúde bem remunerados e com
condições de trabalho dignas, servidores públicos bem qualificados para
prestar serviços de qualidade ao público, à sociedade, à comunidade, ao
povo. O policial, o professor, o enfermeiro, o fiscal de tributos, o vereador,
deputado, o senador, o prefeito, o governador, o presidente da república,
todos estão obrigados a servir ao público, e bem. Portanto é dever do
Estado implementar políticas públicas capazes de garantir sua qualidade
social, bem como o acesso e permanência de todos e de todas; construir
espaços de participação direta, indireta e representativa, nos quais a
o
sociedade civil possa atuar efetivamente na definição, gestão, execução e
avaliação de políticas públicas educacionais.
É
necessário que os governos garantam prioridade de recursos
financeiros para a educação pública, pois o compromisso com a
qualidade é também compromisso financeiro com a educação. É tarefa
de todos que acreditam no direito à educação exigir que o Estado efetive
políticas públicas para a educação de qualidade, concebendo-a não como
simples acesso às cadeiras escolares e sim à garantia ao conhecimento
historicamente construído.
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Atividades! Convide um colega seu para formar uma dupla com você, expresse abaixo nota de
Atividades!
Convide um colega seu para formar uma dupla com você, expresse
abaixo nota de indignação com as argumentações que possuem. Sejam
criativos e críticos, coloquem, expressem o que vocês estão percebendo,
sentindo e vivenciando na educação hoje!
As políticas públicas de em educação, hoje mais acessíveis ao
nosso conhecimento em relação do discurso e a vinculação por escrito dos
documentos oriundo das discussões realizadas pelos nossos governantes,
eleitos por nós e para nos representar e que devem lá no seu espaço de
poder de votar e vetar expressar os desejos e os anseios de nós brasileiros
cidadãos.
Atualmente as políticas públicas vinculadas estão retratadas
no quadro abaixo; Vamos conhecê- las um pouco melhor e vamos
simultaneamente avaliá-las, dentro das nossas possibilidades e
conhecimentos.
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Políticas Públicas e Gestão da Educação
ESTADO, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO: A GÊNESE DA ESCOLA E DEMOCRÁTICA DAS ATUAIS POLÍTICAS PÚBLICAS DO
ESTADO, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO: A GÊNESE DA ESCOLA E DEMOCRÁTICA
DAS ATUAIS POLÍTICAS PÚBLICAS DO BRASIL
Objetivo:
Analisar a questão da ideologia e do poder na delimitação das
políticas educacionais; estudando análiticamente, essas políticas no
contexto das políticas públicas e no processo de desenvolvimento,
verificando também as questões subjacentes e a curvatura da vara.
Educação no Brasil: contexto social e a curvatura da vara
Políticas Públicas e Gestão da Educação
Retomaremos aqui a obra de Dermeval Saviani, Escola e Democracia,
que nasceu de textos gerados a partir do âmago latente da reflexão e da
ação da história da Educação no Brasil, e que esclarecer a situação da
Educação e a sua relação com a sociedade ao longo do tempo.
O livro é divido em quatro partes:
1. As teorias da Educação e o problema da marginalidade;
2. Escola e Democracia I – A Teoria da Curvatura da Vara;
3. Escola e Democracia II – Para além da Teoria da Curvatura da
Vara;
4. Onze teses sobre a educação e política.
Trabalharemos, neste encontro, ao máximo essa obra. Espero que
aproveitem esse momento.
Na primeira parte do livro são enfocadas teorias não-críticas
e é apresentado as principais diferenças existentes entre a pedagogia
tradicional, a pedagogia nova e a pedagogia tecnicista. Na seqüência, é
feito algumas considerações sobre as teorias crítico-reprodutivistas a)
“teoria do sistema de ensino enquanto violência simbólica”; b) “teoria da
escola enquanto aparelho ideológico de Estado (AIE)”; c) “teoria da escola
dualista”.
Na Teoria da Curvatura da Vara, destacan-se três teses políticas:
filosófica-histórica; pedagógica- metodológica; e uma terceira que,
segundo Saviani, é resultado da junção das duas primeiras ,”que é aquela
conclusão segundo a qual quando mais se falou em democracia no interior
da escola,
Savianidestacaededicaadelicadareproduçãoàstesesapresentadas
anteriormente e algumas contribuições dos professores, deixando em
evidencia a relação entre educação e sociedade. Além disso, ele considera
que a responsabilidade dos professores é a de transformar seus alunos
para que compreendam seus direitos e deveres e para a efetivação de uma
nação melhor de se viver.
Ao término desta unidade, como fechamento, conheço, desse grande
pensador, as proposições ONZE TESES SOBRE EDUCAÇÃO E POLÍTICA.
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Capítulo I - as teorias da educação e o problema da marginalidade O problema da
Capítulo I - as teorias da educação e o problema da marginalidade
O problema da década de 70 – Contextualização histórica
Dois grupos de teorias:
a) Para o primeiro grupo, a educação é como
instrumento de equalização social, de superação
da marginalidade; é uma sociedade harmoniosa; a
escola e força homogeneizadora; a educação tem
autonomia em relação à sociedade e contribui
para a construção de uma sociedade igualitária.
Esse primeiro grupo é composto pelas teorias
não-críticas, ou seja, é como se a educação pudesse
ser compreendida a partir dela mesma. Para esse
grupo a causa da marginalidade é a ignorância.
b) Para o segundo grupo, a educação é como
instrumento de discriminação social, fator de
marginalidade. Ela compreende a marginalidade
como fenômeno inerente à própria estrutura da
sociedade, assim sendo, a educação é entendida
como totalmente dependente da estrutura social,
por isso reforça e reproduz a sociedade, legitiman-
do a marginalização. Fazem parte desse grupo as
teorias críticas ou crítico-reprodutivistas. Para elas
a educação tem condicionantes objetivos.
50% das crianças do Ensino Primário na América Latina abandonavam a Escola.
TEORIAS NÃO CRÍTICAS:
A) Tradicional
B) Escola Nova
C) Escola Tecnicista
Marginalidade é fruto da
Marginalidade não é fruto
Marginalizado não é nem o
ignorância.
da ignorância, mas da rejeição
Difundir instrução para co
mbater marginalidade.
(marginalizados são os
anormais, desajustados ou
ignorante, nem o diferente, mas
o incompetente. Assim sendo, a
Escola, agência centrada no
inadaptados).
escola deve torná-lo competente
para não ser marginalizado.
professor, professor ensina aluno
aprende.
É função da escola atender
diferentemente cada um, de
Aparente neutralidade
científica.
Alunos devem realizar
atividades disciplinadamente.
acordo com suas diferenças
individuais, para que possa se
Princípios de racionalidade,
eficiência e produtividade.
O importante é aprender.
tornar um sujeito adaptado e
não-marginalizado. –Do aspecto
O trabalhador deve ser
lógico para o aspecto psicológico;
questão pedagógica do intelecto
para questão do sentimento;
conteúdos para métodos
(aprender fazendo); do professor
para o aluno; do diretismo para
ajustado ao ambiente do
trabalho.
Buscou-se dotar a educação de
uma organização racional capaz
de torná-la eficiente.
Exemplos: telensino, instrução
programada.
o
não diretismo; da pedagogia
Separa o planejar do executar:
sustentada pela filosofia, para
os especialistas planejam e
pedagogia sustentada pela
biologia e psicologia.
a
professor/aluno executam; os
especialistas são supostamente
O importante é aprender a
aprender.
neutros, objetivos, imparciais.
Formar indivíduos eficientes e
Professor estimulador e
autônomos.
facilitador da aprendizagem.
– Base: psicologia behaviorista.
– Atender interesses dos alunos.
– Aprender a fazer.
– Ambiente deve ser estimulante.
– Controle burocrático (fichas,
– Esvaziamento do conteúdo.
relatórios).
Afrouxamento da disciplina e
esvaziamento do conteúdo.
Altos índice de evasão e
repetência.
Havia inclusive interesses
para a venda de artefatos
tecnológicos: materiais,
computadores
18
Políticas Públicas e Gestão da Educação
 

TEORIAS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS

 

A) Teoria do sistema de ensino como violência simbólica

B) Teoria da escola como aparelho ideológico de Estado

C) Teoria da escola dualista

Bourdieu e Passeron na obra A

– Althusser

Baudelot e Establet na obra

reprodução: elementos para uma teoria dos sistema de ensino.

– São aparelhos ideológicos do

L’École Capitaliste em France

Estado: igreja, família, jurídico,

Uma escola para a burguesia

Por meio da força simbólica,

político, sindical, da informação, cultural.

e outra para o proletariado:

reforça as relações da força material.

rede secundária superior e rede

Uns repressivos outros

primária profissionalizante.

Escola que legitima e naturaliza

ideológicos.

Duas funções: formação da

o poder, a dominação econômica de uns sobre outros. – Exemplos: formação de opinião pública pelos meios de comunicação, pregação religiosa,

Os saberes escolares estão

força do trabalho e inculcação da ideologia da classe dominante para impedir o desenvolvimento

repletos da ideologia da classe dominante.

Marginalizada é a classe

da luta de classes.

trabalhadora.

arte, literatura, família, escola.

Enfatiza luta de classes.

Pela reprodução cultural há a reprodução das desigualdades sociais.

 

Marginalizados aqui são os

grupos ou classes dominadas.

Viés cultural, relativiza a questão da luta de classes.

Obs.: As teorias não-críticas apresentam modo pedagógico de ser e as outras são uma análise desse modo pedagógico de ser da Escola.

são uma análise desse modo pedagógico de ser da Escola. Atividades! Responda as questões a seguir.

Atividades!

Responda as questões a seguir.

A Escola tem determinantes sociais, mas seria possível articular uma

escola com os interesses dos dominados? Justifique.

É possível uma Escola que contribua criticamente para a superação da marginalidade? Justifique.

Você concorda que, nessa perspectiva, a Escola seria um instrumento de luta se buscasse superar a seletividade, a discriminação e o rebaixamento do ensino das camadas populares? Justifique.

Políticas Públicas e Gestão da Educação 19
Políticas Públicas e Gestão da Educação
19
ESTADO, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO: AGÊNESE DA ESCOLA DEMOCRÁTICA E DAS ATUAIS POLÍTICAS PÚBLICAS DO BRASIL
ESTADO, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO: AGÊNESE DA ESCOLA DEMOCRÁTICA E DAS
ATUAIS POLÍTICAS PÚBLICAS DO BRASIL
Objetivo:
Estudar analiticamente as políticas educacionais no contexto
das políticas públicas e no processo de desenvolvimento. Verificar as
questões subjacentes às políticas educacionais, destacando a curvatura
da vara.
A seguir, analisaremos três questionamentos realizados a
Demerval Saviani na revista eletrônica Educação.
Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no
Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a
educação vive?
Os muitos problemas da educação básica no Brasil podem
ser resumidos em uma palavra: precariedade. As condições de
funcionamento das escolas sob o aspecto material e pedagógico, a
formação dos professores, suas condições de trabalho e de salário,
a
situação de vida da grande maioria dos alunos são extremamente
precárias. Em conseqüência, apesar do grande avanço quantitativo
ocorrido no século XX, quando o número de matrículas aumentou 20
vezes enquanto a população quadruplicou, o déficit ainda é grande
em razão do imenso atraso histórico em que nos encontramos, o que,
obviamente, torna o desempenho qualitativo simplesmente sofrível.
Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o
desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?
Sem dúvida, o principal desafio diz respeito ao financiamento. É
preciso acabar com a duplicidade pela qual, ao mesmo tempo em que
se proclamam aos quatro ventos as virtudes da educação, exaltando
sua importância decisiva num tipo de sociedade como esta em que
vivemos, classificada como “sociedade do conhecimento”, as políticas
predominantes se pautam sempre pela busca da redução de custos,
cortando investimentos. Ora, faz-se necessário ajustar as decisões
políticas ao discurso imperante. Trata-se, pois, de eleger a educação
como máxima prioridade, definindo-a como o eixo de um projeto de
desenvolvimento nacional e, em conseqüência, carrear para ela todos
os recursos disponíveis. Assim procedendo, estaríamos atacando de
frente, simultaneamente, os demais problemas do país como saúde,
segurança, desemprego, pobreza, infra-estrutura, transporte, energia,
abastecimento, meio ambiente, etc.
Na sua avaliação, os cursos de formação de educadores no
Brasil conseguem preparar o professor para a sala de aula? Se sim
ou não, justifique?
Não conseguem. Na verdade, as políticas de formação docente
supõem que preparar o professor para a sala de aula possa ser feito pela
simplificação e redução dos currículos, em cursos de curta duração,
despidos de maiores preocupações com a fundamentação teórica.
Pensa-se, assim, em matar dois coelhos com uma só cajadada: conseguir
a
façanha de formar professores mais capazes de enfrentar as salas de
aula e, ao mesmo tempo, reduzir os custos de sua formação, propondo
reformas que visam, ao máximo, resultados com o mínimo de dispêndio
20
Políticas Públicas e Gestão da Educação

e dando preferência para os institutos superiores de educação em detrimento dos cursos oferecidos pelas universidades públicas. Ora, o professor de que precisamos necessita ter uma sólida cultura. Logo, só pode ser formado em cursos de longa duração.

Atividade!

Escreva sua opinião sobre as respostas dada por Saviani e a realidade que você vivencia. Busque ser firme em seus argumentos, fazendo analises críticas, exemplificando e até mesmo propondo soluções.

1. O homem livre: Na Antigüidade os escravos não eram considerados

humanos, portanto não tinham essência humana. A partir da Idade Média, pela análise da criação divina, todos têm essência humana, então todos nascem iguais e livres. As desigualdades são geradas pela sociedade. Essa idéia justifica substituir uma sociedade com base num suposto direito natural por uma sociedade contratual (derrubada do absolutismo pela burguesia). Se somos iguais e livres podemos escolher. Na Pedagogia isso se dá da seguinte forma: escolarizar todos já que são iguais. Posso por meio da escola converter o servo em cidadão Concluindo: se nascemos iguais e tornamo-nos diferentes na sociedade a instrução é uma forma de igualar novamente as condições das pessoas nessa sociedade, garantindo a realização da essência humana para todos.

2. A mudança de interesses: A burguesia que proclamou essa questão

da essência, mas quando tornou- se classe hegemônica, passou então a propor a pedagogia da existência, ou seja, os homens não são iguais, uns aprendem mais devagar, outros têm mais capacidade. A pedagogia da existência tem caráter reacionário porque se contrapõe ao movimento de libertação da humanidade.

3. A falsa crença da Escola Nova: A Escola Tradicional estava pautada

no método de Herbart que tinha cinco passos (preparação, apresentação, comparação e assimilação, generalização, aplicação), que estava pautado no método científico indutivo de Bacon (empirista), que tinha três passos (observação, generalização e confirmação).

4. O Ensino não é pesquisa: A Escola Nova buscou articular o ensino

com o processo de pesquisa. Assim, o ensino seria uma atividade que

Políticas Públicas e Gestão da Educação 21
Políticas Públicas e Gestão da Educação
21
suscita determinado problema, que provoca levantamento de dados, a partir do qual são levantadas hipóteses,
suscita determinado problema, que provoca levantamento de dados, a
partir do qual são levantadas hipóteses, que passam pela experimentação
para serem confirmados ou não.
Se a Escola Tradicional se propunha a socializar os conhecimentos
obtidos pela ciência, já compendiados, sistematizados, a Escola Nova
reforça os processos de obtenção do conhecimento, empobrecendo o
ensino e inviabilizando a pesquisa. (daí porque o autor usou o termo
pseudo-científico para a Escola Nova). A pesquisa deveria promover o
confronto do conhecido e do desconhecido. Como o Ensino torna algo
conhecido e como não existe pesquisa sem ensino, ninguém chega a ser
pesquisador se não conhecer o que já foi produzido na área que pretende
pesquisar.
5. A Escola Nova não é democrática: a primeira prova de não
democracia é que este modelo de escola não era para todos, só para
a
elite. Quando a burguesia criou a escola ela tinha sim a intenção de
democratizar o conhecimento, ou seja, quando não falou em democracia
estava preocupada com ela, quando falou sobre ela, negou-a.
6. A Escola Nova: Hegemonia da classe dominante; 1930, movimento
dos Pioneiros da Educação; 1924 é fundada a Associação Brasileira de
Educação (ABE); 1932 Manifesto dos Pioneiros da Educação; movimento
escolanovista no Brasil que teve seu auge nos anos 60, mas é substituída
pelo tecnicismo; 1920 (década de crise das oligarquias, decadência da
política café com leite) entusiasmo pela educação (todos na escola); e
1930 otimismo pedagógico (mudança nos métodos), ou seja, modernizar
a
escola para impor a hegemonia da classe dominante e não para atender
aos interesses das classes operárias.
Movimentos anarquistas que propõem um outro modelo de escola
se fortalecem. 1971 – reforma 5692 – terminalidade legal e real: para uns
o
conteúdo é dado em oito anos para outros, em quatro (aligeiramento
de ensino para as classes populares); outro ponto que o autor enfatiza
é
a adoção da organização curricular em forma de atividades e áreas
de estudo que de certa forma diluem o conteúdo. O autor conclui
essas questões dizendo que “seria preciso dar prioridade ao conteúdo,
principalmente quando se trata de classes populares”.
O acesso ao conhecimento poderia ser um dos instrumentos para
superação da sociedade de classes: o dominado não se liberta se não
vier a dominar aquilo que os dominantes dominam. • Ação política do
professor: instrumentalizar as classes populares; somos reacionários
quando negamos isso, pois reforçamos a estrutura que já está posta;
• Para dominar conteúdos, a disciplina é importante, ou melhor, é
a
22
Políticas Públicas e Gestão da Educação

fundamental, desde que de forma equilibrada e sensata. Teoria da curvatura da vara: A Escola Tradicional curvou para um lado; a escola Nova para outro; isso significa que nem uma nem outra fez a vara atingir o ponto certo. Porém, a pedagogia revolucionária prioriza a valorização dos conteúdos a fim de serem instrumentos para que as classes populares possam fazer parte, assim como a Escola, da construção de uma nova sociedade.

Atividade! Ilustre a Teoria da Curvatura da Vara de Demerval Saviani.

Políticas Públicas e Gestão da Educação 23
Políticas Públicas e Gestão da Educação
23
QUESTÃO DA IDEOLOGIA E DO PODER NA DELIMITAÇÃO DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS Objetivo: Apresentar a Ideologia
QUESTÃO DA IDEOLOGIA E DO PODER NA DELIMITAÇÃO DAS
POLÍTICAS EDUCACIONAIS
Objetivo:
Apresentar a Ideologia como um conhecimento fundamental para
o
exercício Pedagógico.
A
música tem sido concebida como expressão de arte no
pensamento hegemônico em diferentes ambientes. O fazer musical
sempre se vinculou às mais variadas práticas e sociedades, fazendo-
se presente nas atividades religiosas, nos momentos solenes e de
exaltação coletiva, no trabalho, na educação, nas expressões dramáticas
e coreográficas, servindo à demarcação identitária de pessoas, grupos e
povos e tantos vínculos mais. Um dos usos da música nos diversos grupos
humanos se dá no campo político- ideológico, objeto deste pequeno
ensaio.
A
música utilizada político-ideologicamente é uma constante
nos grupos humanos. O espaço da gênese da música política visualiza
as sociedades sob a ótica das suas contradições internas e externas, no
campo de uma “sociologia do conflito”, em que a música tem o sentido
político-ideológico. É notório que junto aos grupamentos humanos
hierarquizados, tanto por parte dos setores hegemônicos quanto
pelo lado daqueles que se põem, a música tem uso político. Assim, de
a
música é usada um lado, como elemento de distinção e identidade
classista, servindo aos processos de dominação ideológica; de outro,
como contestação destas e/ou como motivação para ações que visam
à
transformação da sociedade e também como forma de identidade
e
resistência, ou, ainda, apenas para apresentar de forma “nua e crua”
a
realidade. Quando a música torna-se apropriada de um ou uma
determinada situação/função em diferentes graus estaremos no campo
das relações de poder, imanência das relações sociais, portanto, os vários
âmbitos das sociedades, não será sempre que a questão política se
explicitará na música, na forma de confissão consciente ou programático-
partidária.
Muito ao contrário, na maioria das vezes, a música de sentido
político resultará da percepção intuitiva da realidade, como uma
consciência política apenas potencial. Frente as ações anti-hegemônicas
podemos visualizar a relação música e política em duas vertentes básicas,
sejam elas: a) ligadas aos movimentos políticos organizados, muitas
vezes na forma de programas partidários; e b) como resultado perceptivo
realista da sociedade, porém difuso quanto ao grau de profundidade, e,
portanto, não normatizada.
Apontamos também para a plena consciência política da realidade,
porém as ações desveladoras se dão por meio de linguagens dissimuladas,
comuns na cultura popular e em sociedades dominadas por esquemas
repressivos, não excluindo a presença constante de músicas realistas,
denunciadoras ou questionadoras, nas formas culturais cotidianas dos
vários grupos humanos, explícitas ou não politicamente, estaremos
neste terreno até na forma como se estabelecem as suas funções e
significados, na conjugação das forças que dinamizam e compõem
o
cotidiano das sociedades. A música, por sua natureza polissêmica,
variável em cada contexto e época, é usada na produção de sentidos
simbólicos que se faz de maneira bastante dinâmica, tanto assim que
em todas as sociedades, em momentos importantes, ela se faz presente:
24
Políticas Públicas e Gestão da Educação

nas solenidades, nas festividades, nos rituais religiosos ou mágicos, nos processos revolucionários e outros. Em cada situação, adaptada ao evento praticado, a música servirá ainda para o estabelecimento de significados agregados, construídos na história própria de cada coletividade. A música não terá, então, somente usos e fruições, mas ainda significados

e seus significantes, muitas vezes subjacentes, que explicarão melhor os processos dinâmicos da realização sonora na espécie humana. Portanto, o ato do fazer música estão, sim, sempre permeados do político, embora nem sempre se esclareçam como tal. Devemos lembrar, entretanto, que esses processos sempre foram dinâmicos, constituindo um campo constante de contradições, questionamentos e modificações, em cada momento histórico e expressão de paradigmas do fazer artístico. Assim, tanto no âmbito da música praticada como forma de confirmação e manutenção dos sistemas dominantes, quanto nos questionamentos destes estaremos, dialeticamente, no campo do político e do ideológico.

Atividades!

Procure responder as questões abaixo, construindo as respostas com os conhecimentos até aqui assimilados.

a) O que é ideologia?

b) Por que existe Ideologia?

c) Qual a função da Ideologia?

Ideologia

É o conjunto mais ou menos sistemático e coerente de crenças políticas de determinada parcela da sociedade. É por meio dela que se dá sentido ao mundo, que se procura explicar as condições atuais da sociedade e orientar o esforço por transformá-las. O termo ‘ideologia’ tornou-se presente por meio do Marxismo, que o empregou para designar as visões de mundo, crenças próprias de diferentes classes

sociais, principalmente da capitalista ou burguesia. A ideologia burguesa seria uma falsa consciência, uma representação distorcida da realidade,

e se opõe á perspectiva científica, associada à consciência verdadeira,

própria da classe trabalhadora. O termo às vezes é confundido com idéias políticas construídas de forma sistemáticas ou rígidas e extremistas, em oposição a regimes mais moderados e flexíveis.

Políticas Públicas e Gestão da Educação 25
Políticas Públicas e Gestão da Educação
25
O FENÔMENO DA IDEOLOGIA E SEU REAL PODER NA DELIMITAÇÃO DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS. Objetivo: Assimilar
O FENÔMENO DA IDEOLOGIA E SEU REAL PODER NA DELIMITAÇÃO
DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS.
Objetivo:
Assimilar a presença da Ideologia como um instrumento na
prática Pedagógica.
A ideologia é um fenômeno social que tem origem no modo de
produção econômico. Assim, ela existe porque, à medida que a divisão
social do trabalho foi tornando-se mais complexa e dividiu-se entre
trabalho material e trabalho intelectual. Gramsci afirma: “que o bom
senso é núcleo sadio do senso comum”.
Atividade!
Escreva as principais características da Ideologia.
Pensando no contexto educacional, Gramsci afirma: “
as
forças
materiais são o conteúdo e as ideologias são a forma - sendo que esta
distinção entre forma e conteúdo é puramente didática, já que as
forças materiais não seriam historicamente concebíveis sem forma e as
ideologias seriam fantasias individuais sem as forças materiais.”
Atividade!
O termo Ideologia possui vários significados, muitos discutidos
e trabalhados nesta unidade. Assim necessitamos fixar por meio da
escrita três significados fundamentais para o contexto pedagógico no
qual estamos nos inserindo como futuros(as) pedagogos(as). Ultilize o
quadro a seguir para inserir a definição de ideologia de cada sentido.
Sentido Originário
Sentido Perjorativo
Sentido doutrinário
Sentido de naturalização
Sentido da
Sentido da ocultação
homogeneização
26
Políticas Públicas e Gestão da Educação
PESQUISA ANALÍTICA DA REALIDADE DO BRASIL EM NÚMEROS, QUANTITATIVAMENTE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS; E DO PROCESSO
PESQUISA ANALÍTICA DA REALIDADE DO BRASIL EM NÚMEROS, QUANTITATIVAMENTE DAS
POLÍTICAS PÚBLICAS; E DO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE NOSSO PAÍS.
Objetivo:
Construir coletivamente dados significativos para nós brasileiros
que trabalhamos na Educação do nosso país.
Políticas Públicas e Gestão da Educação
Atualmente, considera-se a educação um dos setores mais
importantes para o desenvolvimento de uma nação (fatores internos
e externos). É por meio da produção de conhecimentos que um país
cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Embora
o Brasil tenha avançado nesse campo nas últimas décadas, ainda há
muito para ser feito. A escola (Ensino Fundamental, Médio e Pós-Médio
ou Profissionalizante) ou a universidade tornaram-se locais de grande
importância para a ascensão social, e muitas famílias tem investido muito
nesse setor.
O MEC facilita o acesso aos dados e às informações de seus vários
programas. Assim, você pode conhecer a realidade da educação oferecida
pelo seu município, estado ou pelo governo federal e exigir do gestor
público ações para melhorar a qualidade e o acesso. Em Educação Básica,
você pode verificar quantos alunos são beneficiados pelo transporte
escolar, a quantidade de livros didáticos distribuídos para o Ensino
Fundamental e o Ensino Médio; o número de escolas com bibliotecas e
laboratórios de informática; os programas voltados à formação inicial e
continuada de professores; e a ampliação dos investimentos na educação
com a criação do Fundeb. Consulte em Pós-Graduação todos os números
referentes aos cursos de Mestrado, Doutorado e Pós-doutorado no país,
inclusive os investimentos realizados em bolsas de estudos. Além disso, são
encontradas informações sobre os principais programas desenvolvidos na
área; o Portal de Periódicos, com acesso gratuito das instituições públicas
a estudos e artigos científicos; e as ações desenvolvidas no exterior. Em
Educação Superior, você localiza informações sobre as universidades
federais recém-criadas, como cursos oferecidos, campi em reforma ou
ampliação, recursos disponibilizados, e os investimentos realizados nas
universidades já existentes.
Também poderá conferir o número de bolsas de estudos
oferecidas pelo ProUni e os contratos firmados para o financiamento
estudantil. Acesse em Ensino Profissional os dados gerais sobre
expansão de escolas técnicas e as informações de cada uma dessas
instituições de ensino, verificando cursos, número de vagas e
início das aulas. Ainda podem ser verificadas informações sobre os
programas desenvolvidos pelo MEC na educação profissional, como
o Escola de Fábrica, Proep e Proeja.
27
A EDUCAÇÃO NO BRASIL: ORGANIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO DO BRASIL Objetivo: Reconhecer princípios e fins da
A EDUCAÇÃO NO BRASIL: ORGANIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO
DO BRASIL
Objetivo:
Reconhecer
princípios
e
fins
da
Educação
Nacional
e
sua
organização.
Para a professora Aparecida de Moraes Ribeiro, “Sonhar uma
sociedade melhor está em realizar uma escola melhor”. A realidade social
a escola não se vincula no estudo específico sobre Educação. Assim não
se deve prender-se somente ao conhecimento de fatores pedagógicos,
e
é
preciso, antes de qualquer coisa, conhecer e refletir sobre o homem.
O homem tem por características desenvolver duas ações: o trabalho
e o ato de pensar. Com isso, é possível perceber a construção da vida
em sociedade quando o homem executa e planeja seu fazer. Ao longo
do processo de evolução, o homem criou diversos modos de viver em
sociedade, sendo a mais dominante aquela que cria a divisão de trabalho,
ou seja, pessoas que pensam e planejam e aqueles que executam a
tarefa. O interessante nesse contexto é verificar que o homem não para
de pensar, planejar e executar. Recordando o Paulo Freire, “o homem se
sabe inacabado e por isso se educa”. Não haveria educação se o homem
fosse um ser acabado. Isso o motiva à busca incessante do conhecimento
e de sua própria existência. Pode-se afirmar que essa é a essência da
educação. Freire e Saviani dialogaram sobre a educação, pois esta, é um
fenômeno próprio do seres humanos, o que significa afirmar que ela é um
28
Políticas Públicas e Gestão da Educação

diferencial em relação aos demais seres vivos. O homem não se adapta

à

natureza, ao contrário, adapta a natureza a si, ou seja, a transforma.

O

homem, portanto, em busca da sobrevivência desenvolve processos

sociais e culturais; e a maneira que encontrou para perpetuá-los foi pela educação.

Vamos refletir sobre algumas realidades e alguns conceitos que tornara-se ingredientes chaves para introduzir esta disciplina de Políticas Públicas e Gestão da Educação.

1°.-OBrasilestáinseridoemummundoglobalizado.Aglobalização

é também o resultado das ações que asseguram a emergência de um

mercado dito global. A competitividade, e o individualismo sugeridos pela produção e pelo consumo, é a fonte de novos totalitarismos, facilmente aceitos graças à confusão que se instala. Disponível em:

<www.somatematica. com.br>

Como a Educação pode ser uma mediação no seio da prática social global?

2°. - Bernard Charlot traz os princípios em torno da educação nos próximos anos em escala planetária. O mais importante deles – denominado ‘princípio de base’ – defende a “educação pública para todos”, cabendoaoEstadoassegurá-laefinanciá-la.Nasdiscussõesdesenvolvidas relacionou-se o recuo do atendimento a esse direito à globalização, pois, ao se organizar globalmente, a sociedade neoliberal desqualifica a idéia de serviço público e qualquer espécie de regulamentação. Chegou-se a ponto de considerar que os serviços públicos, em áreas como a educação, devem ser ações pontuais determinadas a evitar explosões sociais, e não um dever do Estado. Em alguns países, a política educacional funciona mais como “ajuda social” e não como direito de cidadania.

“Ninguém educa ninguém, todos nos educamos”

(Paulo Freire) “A Educação é mais que processo. É projeto. ”(Carlos Roberto Jamil Cury). Educar para que, quem e como? O que é educação? Ensino/Escola “Cinqüenta milhões de alunos são educados pelos professores e funcionários das escolas públicas na educação básica. (João Monlevade). De acordo com o MEC, para melhorar os índices da

Educação Básica é necessário discutir o currículo de ensino e ampliar, com qualidade, a formação de professores. Assim, é possível aumentar

a motivação da criança para estudar. “A escola tem que ser o lugar do sucesso, da aprendizagem, da garantia da inclusão e do respeito ao trabalho do professor”.

3°. - Educação

Políticas Públicas e Gestão da Educação 29
Políticas Públicas e Gestão da Educação
29
4°. - Trabalhadores discutem ações em defesa da educação pública Quem são os trabalhadores da
4°. - Trabalhadores discutem ações em defesa da educação
pública Quem são os trabalhadores da educação? Quem são os
funcionários?
Nova área profissional, a área de serviços de apoio Escolar. 21a área do
CNE/CEB no. 4/99.
FMI, OMC, MB, e outros, que desde a década de 1980 têm em mente uma
Educação organizada segundo a demanda da acumulação de capital
humano perspectivado na lógica custo-benefício. De um lado, deve-
se preparar trabalhadores “empregáveis”, “flexíveis”, “adaptáveis” e
“competitivos” – o que gera um determinado currículo escolar. De outro
lado, as elites econômicas definem o nível de ensino obrigatório: a escola
básica. O ensino secundário e o superior serão organizados segundo as
exigências do mercado, principalmente sob a “forma de um mercado
educativo desregulamentado.
5°.- O ensino privado progride a passos largos em todos os níveis,
mais especialmente no universitário. Além de a lógica mercantil estar
presente nas instituições públicas, que concorrem com as privadas e
entre si, há ainda as imposições de autofinanciamento das universidades
públicas, pelos governos, e o caso das empresas que procuram valorizar
seus produtos e serviços vendendo-os no interior das universidades, como
os bancos.
Embora tenha havido aumento na taxa de escolarização de base
no planeta, o acesso ao saber não foi eqüitativo. Ou seja, as populações
são incluídas nas escolas, mas a lógica do liberalismo contemporâneo
marginaliza-as e as exclui. Não são dadas as condições financeiras e
científicas de formação docente, de pesquisa e de renovação pedagógica.
De outra parte, crianças e jovens não têm acesso a escolas do mesmo nível
posto que isso depende do pertencimento social de seus pais. Nessas
circunstâncias, então, seria desejável que a escola pública oferecesse as
condições para que tais populações a ela tivessem acesso de forma que
nela se abrigassem as vítimas dessa situação: pobres; filhos de imigrantes;
comunidades indígenas; minorias étnicas, religiosas ou culturas
dominadas; famílias marginalizadas por alguma razão.
Outros problemas incidem sobre o professor. Suas condições
de trabalho são precárias, sua identidade profissional profundamente
questionada. No lugar do conceito ‘professor’ constrói-se o de ‘técnico
em educação’, buscando-se, quem sabe, retirar-lhe o conteúdo ético e
político. Acrescente-se a isso que, não raro, as tecnologias da informação
e comunicação têm sido tomadas como mais importantes que o professor,
tornado seu acessório. Decorre disso o grave desprestígio da profissão
‘professor’. É importante e está em jogo o mercado educativo, disputado
pela indústria das tecnologias da informação e da comunicação, e não a
30
Políticas Públicas e Gestão da Educação

simplista bate-barba de ser-se ou não a favor de seu uso escolar. O investir em tecnologia não combate a exclusão, constitui um mercado rentável, cria a exclusão digital, reforça o juízo de que é mais importante equipar

a escola com computadores e internet para educação a distância do que

resolver o “enigma” das múltiplas determinações de suas dificuldades. A educação é um direito universal, próprio da condição humana, e não uma mercadoria; a educação não pode ser ‘prioritariamente’ instrumento de desenvolvimento econômico e social e preparadora para o mercado de

trabalho, conquanto não possa perder de vista que o trabalho é essencial

a homens e a mulheres. É de se ressaltar que o documento exacerba um fenômeno que grassa nos dias que correm: o da ressignificação conceitual. Conceitos utilizados por educadores progressistas – liberdade, autonomia, descentralização, por exemplo – foram apropriados pelo pensamento

neoliberal e ressignificados. É necessário, pois, retomar tais conceitos e redefinir seus sentidos para que possam re-fertilizar as lutas sociais por um projeto progressista de sociedade e de mundo. Entende-se, ainda, que é possível uma outra forma de globalização ou mundialização, um mundo mais solidário. A educação, nessa circunstância,

é instrumento de luta devido à sua dimensão universalista. Pode preservar as diferenças culturais tendo em vista um projeto que lute por um mundo

solidário, pela paz, contra a violência, a discriminação, a exploração e

a degradação do ser humano. Interessante observar que nesse campo

genericamente chamado progressista, à educação foi atribuído grande poder.

Considerada “direito universal”, a proposição “educação pública como direito de cidadania” surge como único meio pelo qual os pobres

teriam acesso ao conhecimento escolar. Por outro lado, a educação pública

é a única que poderia portar um projeto de educação como bem comum,

universal, para todos. Lastreados nessas idéias estão os norteamentos para uma educação democrática que: a) respeite homens e mulheres, e eduque

contra a violência, a opressão, as drogas; b) estimule os valores universais da liberdade, igualdade, solidariedade, paz, saber; c) reconheça, respeite

e leve em conta as diferenças culturais; d) respeite os direitos da criança;

e) se coloque na perspectiva do desenvolvimento sustentável e solidário

e acate o patrimônio das diversas comunidades; f) assegure alfabetização

para todos; g) promova o pensamento crítico e racional, que proteja contra os fundamentalismos, populismos demagógicos; h) considere a ciência

e tecnologia e não confunda acesso ao saber com acesso à informação;

i) considere as dimensões do ser humano: o corpo, a sensibilidade, a

imaginação; j) forme para a cidadania, desenvolva a consciência dos

Políticas Públicas e Gestão da Educação 31
Políticas Públicas e Gestão da Educação
31
direitos e deveres, construa sentimentos de pertença; k) eduque para a tolerância, para a gestão
direitos e deveres, construa sentimentos de pertença; k) eduque para
a tolerância, para a gestão dos conflitos e antagonismos, para o diálogo;
l) permita superar o abandono, a pulverização das relações.
Há inúmeras questões – teóricas e políticas – a serem ponderadas
por todos nós. Com essas preocupações, já está em andamento a
discussão de novas formas de organização de modo a torná-lo ainda
mais amplo e democrático.
As organizações constituem sistemas complexos que interagem
constantemente com um número significativo de outros sistemas,
também com grande complexidade. Em função disso, uma organização
não se encontra isolada, nem é auto-suficiente. Ao contrário, existe ao
seu redor todo um contexto que deve ser considerado em sua existência
e estudo: o ambiente. Dessa forma, as organizações,
como os seus ambientes, são dinâmicas. Em função de sua experiência
pessoal e profissional, você já sabe que, na sociedade moderna, as
organizações assumiram um papel muito importante, sendo uma das
principais características do mundo atual. Sendo bastante diversificadas,
as organizações podem ser, por exemplo:
a)
b)
c)
d)
e)
públicas e privadas;
pequenas, médias e grandes;
de participação obrigatória ou voluntária;
econômicas, políticas, religiosas, educacionais, etc.;
produtivas ou de serviço;
f) associativas de benefício mútuo e/ou empresas comerciais etc.
As organizações podem também ser classificadas de diversas
formas, conforme a proposta dos autores que as discutem. Etzioni (1989),
por exemplo, as classifica como utilitárias, voluntárias e coercitivas.
As instituições utilitárias são aquelas que têm como principal
forma de controle sobre os seus membros a recompensa, a qual pode
ser de naturezas diversas. Nesse grupo, temos como exemplos: fábricas,
bancos, repartições governamentais, empresas médicas, etc.
As instituições voluntárias são aquelas nas quais os membros
podem livremente entrar e sair delas, com finalidade específica. Os
membros desse tipo de organização não são remunerados, embora
caso elas cresçam consideravelmente, seja possível, dentro dela, o
aparecimento de um grupo que possa vir a ser remunerado. Como
exemplo dessas instituições, temos: igrejas, clubes recreativos e
as organizações não-governamentais (ONGs), que vêm crescendo
consideravelmente no Brasil, a partir da década de 1980.
As instituições coercitivas são aquelas em que a coerção constitui-
se na principal forma de controle sobre os membros. Esse nível de
coerção tende a resultar em considerável ação dos membros em relação
32
Políticas Públicas e Gestão da Educação

à organização, o que é garantida, em níveis variados, pela força e rígida disciplina. São exemplos de organizações coercitivas as prisões, entidades que abrigam menores infratores e hospitais destinados a atender pacientes psiquiátricos. Igualdade de oportunidades ou resultados estatísticos? Reflita e analise essa questão, ralacionando-a com imagem a seguir.

analise essa questão, ralacionando-a com imagem a seguir. 1. Procure informar-se sobre a Organização Educacional do

1. Procure informar-se sobre a Organização Educacional do Município em

que você está inserido. 2. Identifique as organizações não-governamentais que existem em seu

município. Liste as áreas em que essas organizações atuam. Alguma delas atua junto à sua escola? Expresse sua opinião sobre a atuação das ONGs em serviços públicos como saúde e educação.

3. A escola nossa de cada dia possui que tipo de organização? Podemos

afirmar que a escola é uma organização formal de serviços? Quais são os beneficiários de seus serviços? Os profissionais que atuam na escola desenvolvem suas atividades com ética e transparência?

Políticas Públicas e Gestão da Educação 33
Políticas Públicas e Gestão da Educação
33
A ORGANIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO DO BRASIL Objetivo: Apresentar elementos constitutivos da educação no cenário
A ORGANIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO DO BRASIL
Objetivo:
Apresentar
elementos
constitutivos
da
educação
no
cenário
nacional
Vamos iniciar com uma Reflexão.
Há muitos anos, Estados Unidos, Virgínia e Maryland assinaram
um tratado de paz com os índios das Seis Nações.
Ora, como as promessas e os símbolos da educação sempre foram
muito adequados a momentos solenes como aquele, logo depois os seus
governantes mandaram cartas aos índios para que enviassem alguns de
seus jovens às escolas dos brancos. Os chefes responderam agradecendo
e
recusando. A carta acabou conhecida porque alguns anos mais tarde
Benjamin Franklin adotou o costume de divulgá-la aqui e ali. Eis o trecho
que nos interessa:
Nós
estamos convencidos, portanto, que os senhores desejam o
bem para nós e agradecemos de todo o coração.
Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm
concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão
ofendidos ao saber que a vossa idéia de educação não é a mesma que a
nossa.
Muitos
dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas
do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltavam
para nós, eles eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta
e
incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o
veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua
muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis. Não serviam como
guerreiros, como caçadores ou como conselheiros.
Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora
não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão, oferecemos aos
nobres senhores de Virgínia que nos enviem alguns dos seus jovens, que
lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos deles homens.”
Esperamos que ao término desta unidade todos conheçam esse
livro na íntegra, pois o considero fundamental.
Níveis de participação dentro das organizações
As teorias administrativas concebem a participação dos indivíduos
dentro das organizações de forma bastante variadas. Porém, é possível
refletir sobre o nível de participação por meio da proposta de Bordenave
(1995).
34
Políticas Públicas e Gestão da Educação
A organização da Educação Básica Nacional (SEB) A Educação Básica é composta pela Educação Infantil,
A organização da Educação Básica Nacional (SEB) A Educação Básica é composta pela Educação Infantil,

A organização da Educação Básica Nacional (SEB)

A Educação Básica é composta pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. O objetivo da Educação Básica é assegurar a todos os brasileiros a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhes os meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores (LDBEN Art. 21 e 22). Dois são os principais documentos norteadores da Educação Básica: a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - (LDB), Lei no. 9394, de 20 de dezembro de 1996; e o Plano Nacional de Educação - (PNE), Lei no. 10172/2001, regidos, naturalmente, pela Constituição da República Federativa do Brasil. Há ainda o Conselho Nacional de Educação - (CNE) - cujas ações são normativas, deliberativas e de assessoramento ao Ministro de Estado da Educação, no desempenho das funções e atribuições do poder público federal em matéria de educação. Compete ao Conselho e às Câmaras de Educação Básica e de Educação Superior exercerem as atribuições conferidas pela Lei 9131/95. A Câmara de Educação Básica tem como atribuições analisareemitirpareceressobreprocedimentos e resultados de processos de avaliação da educação infantil, fundamental, média, profissional e especial, deliberar sobre diretrizes curriculares propostas pelo Ministério da Educação; e acompanhar a execução do Plano Nacional de Educação.

Políticas Públicas e Gestão da Educação 35
Políticas Públicas e Gestão da Educação
35
A LDB regulariza em âmbito nacional, a base comum do currículo, a carga-horária e presença
A
LDB regulariza em âmbito nacional, a base comum do currículo,
a
carga-horária e presença mínima em aula e as formas de promoção
de série, cabendo aos estados, municípios e até mesmo às escolas a
normatização das peculiaridades regionais e locais, curriculares e de
calendário, de promoção de série e a expedição da documentação escolar
de cada aluno da educação básica.
O
Plano Nacional de Educação (PNE) - estabelece metas decenais
para todos os níveis e etapas da educação, apontando para que estados
e
municípios criem e estabeleçam planos semelhantes compatíveis com
as metas nacionais. A Secretaria de Educação Básica (SEB) - conta com o
Programa de Avaliação e Acompanhamento do PNE e dos Planos Decenais
Correspondentes, que realiza a avaliação do PNE e estimulam Estados
e
Municípios a criarem seus planos correspondentes e avaliarem-no a
cada cinco anos, de acordo com a própria lei.
Em 24 de abril de 2007, foi lançado o Plano de Metas, Compromisso
Todos pela Educação, pela União Federal, em regime de colaboração com
Municípios, Distrito Federal e Estados, e conta com a participação das
famílias e da comunidade, mediante programas e ações de assistência
técnica e financeira, visando a mobilização social pela melhoria da
qualidade da educação básica. O Plano foi lançado por meio do decreto
no. 6094, publicado no Diário Oficial da União em 25 de abril de 2007.
As etapas da Educação Básica estão assim dispostas:
*A variação deve-se ao período de adaptação à Lei no. 11274, de 6 de fevereiro de 2006, que aponta a
obrigatoriedade da Ampliação do Ensino Fundamental para Nove Anos, e o prazo até 2010 para que os
sistemas de ensino se adaptem.
As atuais políticas da SEB têm como base a LDB e o PNE. Sobre
essa base são construídos os eixos norteadores da política adotada, que
regem os Programas da SEB.
Eixos norteadores das atuais políticas da SEB:
• A redefinição da política de financiamento da Educação Básica –
Fundeb;
A democratização da gestão educacional;
A formação e valorização dos trabalhadores em educação – professores
e funcionários da escola;
A inclusão educacional
Ampliação do Ensino Fundamental para Nove Anos
Política de Livro Didático, inclusive para alunos do Ensino Médio.
36
Políticas Públicas e Gestão da Educação

Influência do pensamento administrativo nas escolas

A escola vem sendo influenciada pelo pensamento administrativo.

Por isso, do ponto de vista da organização e gestão educacional no Brasil, é possível identificar tendências históricas dessa Influência. De acordo com Teixeira (2003), essas tendências são basicamente três:

• Tendência conservadora.

• Tendência democrática.

• Tendência gerencial.

Vejamos como cada uma dessas tendências se caracteriza em relação à gestão da escola.

A tendência conservadora é identificada, em nosso país, no período

entre 1930 a 1970 e tem suas raízes no modelo tradicional da organização

escolar: burocrática, hierarquizada, rígida e formal. Esse modelo enfatiza a obediência às normas, valorizando a obediência às regras e ao formalismo, em detrimento, por exemplo, do aperfeiçoamento profissional.

A tendência democrática manifesta-se no Brasil a partir da década

de 1980, mediante o surgimento dos movimentos sociais. Em geral, ela se opõe às idéias técnico-funcionalistas (conservadoras) predominantes nas décadas anteriores. Essa tendência perceberá a escola como uma organização em constante construção; um espaço público no qual devem ser expressas as opiniões e interesses dos diversos grupos que formam a escola.

A tendência gerencial é mais recente, tendo surgido nos anos de

1990, substituindo o eixo da democratização pelo discurso administrativo- economicista. Em linhas gerais, podemos dizer que essa tendência busca não a qualidade do ensino, mas, sobretudo, a qualidade do gerenciamento da escola, em suas diversas áreas de atuação, além de enfatizar o controle dos processos escolares.

Atividade!

além de enfatizar o controle dos processos escolares. Atividade! Políticas Públicas e Gestão da Educação 37
Políticas Públicas e Gestão da Educação 37
Políticas Públicas e Gestão da Educação
37
ESTRUTURA EDUCACIONAL NO BRASIL Objetivo: Analisar a Educação como sendo direito de todos e dever
ESTRUTURA EDUCACIONAL NO BRASIL
Objetivo:
Analisar a Educação como sendo direito de todos e dever do
Estado e da Família, e verificar como está estruturada a Educação em
seus diferentes níveis, em nosso país.
O
cenário Nacional, Educação, Educação Escolar e Ensino.
Reconhecer princípios e fins da Educação nacional tendo como
princípios uma sociedade democrática, sua estrutura e o reflexo na
realidade nacional. Assim, é importante identificar a Educação nos
sistemas do macro para o micro.
Centralização, Descentralização e Desconcentração
O
ensino brasileiro possui um caráter extremamente
descentralizado, totalizando 27 sistemas estaduais e cerca de 5500
sistemas municipais autônomos.
O
papel do governo central tem sido reduzido a funções normativas,
supletivas e redistributivas.
Normativa, principalmente, no que se refere às orientações e
condução da política educacional brasileira e à definição das diretrizes e
parâmetros curriculares nacionais. Supletiva e redistributiva, no sentido
de auxiliar e subsidiar as demais esferas governamentais, a fim de
diminuir desigualdades sociais e regionais.
Aos
Estados, Distrito Federal e Municípios cabe a implementação
das ações e políticas definidas no âmbito nacional ou autonomamente.
No
que se refere às responsabilidades, o Ensino Fundamental
obrigatório, a Educação Infantil (creches e pré-escolas) e o Ensino Médio
constituem atribuições dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
a Educação Superior pode ser de responsabilidade de qualquer esfera
governamental, contanto que cumpra devidamente suas prioridades
constitucionais relativas aos demais níveis de ensino.
A
partir da Constituição de 1988, a autonomia dos municípios foi
enormemente ampliada, permitindo- lhes até que organizassem seus
próprios sistemas de ensino, independentemente de supervisão estadual
ou federal.
Uma vez que a responsabilidade pelo Ensino Fundamental
obrigatório cabe tanto aos Estados como aos Municípios, a Emenda
Constitucional N.o 14, de 12 de setembro de 1996, teve grande importância
na definição de responsabilidades mais claras: o provimento do Ensino
Fundamental continuou sendo compartilhado, mas se criou um novo
sistema de financiamento que organizou a contribuição de cada uma das
instâncias de governo na manutenção desse nível de ensino.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996,
também apresenta a distribuição de responsabilidades entre Estados
e
Municípios: aos municípios cabe a responsabilidade pela educação
Infantil e aos Estados, a responsabilidade pelo Ensino Médio, sendo
compartilhada a responsabilidade pelo Ensino Fundamental.
A educação brasileira convive com um forte processo de
descentralização, uma vez que as responsabilidades de formulação e
implementação da política educacional são distribuídas entre as três
instâncias governamentais: a União, os Estados e os Municípios.
A
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional determina que a
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem organizar, em
regime de colaboração, seus respectivos sistemas de ensino. De acordo
com os art. 8o e 9o da LDBEN, a União deve organizar a política nacional
38
Políticas Públicas e Gestão da Educação

de educação e exercer função normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias governamentais. São ainda competências da União:

I. Elaborar o Plano Nacional de Educação [

II. Organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do

sistema federal de ensino [

III. Prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal

e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória [

IV. Estabelecer, em colaboração com os Estados, Distrito Federal e

Municípios, competências e diretrizes para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum.

V. Coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação.

VI. Assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no

Ensino Fundamental, Médio, Superior, em colaboração com os sistemas de ensino, objetivando a melhoria da qualidade do ensino.

VII. Baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação.

VIII. Assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino.

IX. Autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar,

respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino.

Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem, efetivamente, implementar as políticas educacionais definidas nacionalmente, a partir das diretrizes e bases educacionais.

Conforme o Artigo 10, os Estados, portanto, devem:

I. Organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino.

II. Definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta do Ensino

Fundamental, as quais devem assegurar a distribuição proporcional das

responsabilidades, de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do poder público.

III.Elaborareexecutarpolíticaseplanoseducacionais,emconsonânciacom

as diretrizes e planos nacionais de educação, integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios.

IV. Autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar,

respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os

estabelecimentos do seu sistema de ensino.

V. Baixar normas complementares para o seu sistema de ensino.

VI. Assegurar o Ensino Fundamental e oferecer, com prioridade, o Ensino

Médio.

No que se refere aos Municípios, de acordo com o art. 11, devem

eles:

I. Organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos

seus sistemas de ensino, integrando- os às políticas e planos educacionais

da União e dos Estados.

II. Exercer ação redistributiva em relação às suas escolas.

III. Baixar normas complementares para o seu sistema de ensino.

IV. Autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu

Políticas Públicas e Gestão da Educação 39
Políticas Públicas e Gestão da Educação
39
sistema de ensino. V. Oferecer a Educação Infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade,
sistema de ensino.
V.
Oferecer a Educação Infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade,
o
Ensino Fundamental, permitida a atuação em outros níveis de ensino
somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de
sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos
vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento
do ensino.
A legislação educacional também define responsabilidades aos
estabelecimentos de ensino. São elas:
I.
Elaborar e executar sua proposta pedagógica.
II. Administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros.
III.
IV.
Assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas.
Velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente.
V.
VI.
Prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento.
Articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de
integração da sociedade com a escola.
VII.
Informar os pais e responsáveis sobre a freqüência e o rendimento
dos alunos, bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica (art.
12).
Como a educação brasileira é constituída por três sistemas
diferenciados de ensino (federal, estadual e municipal), existem algumas
diretrizes consolidadas pela LDBEN que determinam parâmetros
mínimos que estruturam e organizam a educação nacional. Mas a
LDBEN também explicita a liberdade e a autonomia dos sistemas de
ensino na condução da sua política educacional, desde que inserida nos
parâmetros definidos nacionalmente. De acordo com as competências
anteriormente citadas, cada esfera governamental obriga-se a assumir as
suas responsabilidades, buscando articulá-las à legislação educacional e à
política educacional definida nacionalmente ou adaptando-as, conforme
previsto em lei, às peculiaridades, necessidades e opções regionais. Além
disso, a efetivação do processo de descentralização e desconcentração,
no interior dos próprios sistemas de ensino, trouxe um movimento
cada vez mais aparente de redistribuição de responsabilidades aos
estabelecimentos públicos de ensino, sejam elas de ordem pedagógica,
financeira ou administrativa.
O Ministério da Educação é dirigido pelo Ministro de Estado
da Educação, com o auxílio de secretários, assessores e diretores
responsáveis pelas secretarias, subsecretarias, diretorias, departamentos
e
autarquias que compõem o Ministério da Educação.
Estrutura e organização do Ministério (despachos principais)
O Ministério da Educação tem como áreas de competência:
I.
II.
Política Nacional de Educação.
Educação Infantil.
III.
Educação em geral, compreendendo Ensino Fundamental, Ensino
Médio,
Ensino Superior, Ensino Supletivo, Educação Tecnológica,
Educação de Jovens e Adultos, Educação Profissional, Educação Especial
e
IV.
Educação a Distância, exceto ensino militar.
Avaliação, informação e pesquisa educacional.
V.
Pesquisa e extensão universitárias.
VI.Magistério.
40
Políticas Públicas e Gestão da Educação

VII. Coordenação de programas de atenção integral a crianças e adolescentes. Ao Gabinete do Ministro compete:

I. Assistir ao Ministro de Estado em sua representação política e

social, ocupar-se das relações públicas e do preparo e despacho de seu

expediente pessoal.

II. Acompanhar o andamento dos projetos de interesse do Ministério em

tramitação no Congresso Nacional. III. Providenciar o atendimento às consultas e aos requerimentos

formulados pelo Congresso Nacional. IV. Providenciar a publicação oficial e a divulgação das matérias relacionadas à área de atuação do Ministério.

V. Exercer outras atribuições que lhe forem cometidas pelo Ministro de

Estado.

Políticas Públicas e Gestão da Educação 41
Políticas Públicas e Gestão da Educação
41
ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO Objetivo: de Analisar a relação da Educação
ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO
Objetivo:
de
Analisar a relação da Educação Nacional, a organização e as formas
administração dos estabelecimentos de ensino.
Estabelecimentos de ensino segundo modalidade de gestão e
dependência administrativa. As instituições de ensino atuantes nos
diferentes níveis se classificam nas seguintes categorias administrativas:
a) públicas, quando criadas ou incorporadas, mantidas e administradas
pelo poder público;
b) privadas, quando mantidas e administradas por pessoas físicas ou
jurídicas de direito privado.
Conforme exposto em cada nível da administração educacional, os
estabelecimentos de ensino, de acordo com o nível de atuação, pertencem
a determinado sistema de ensino – federal, estadual ou municipal.
A coexistência de diferentes sistemas de ensino reflete
diretamente na diversidade dos estabelecimentos de ensino. Além disso,
essa diversidade, relativa aos recursos físicos, humanos e materiais,
apresenta-se também no interior do próprio sistema de ensino.
Composição, competências e relações da equipe de direção
dos estabelecimentos de ensino.
Devido à diversidade dos estabelecimentos do ensino, não é
possível apresentar detalhadamente suas formas de organização e as
competências das equipes que os compõem.
Cada estabelecimento de ensino, com base na legislação
educacional vigente, elabora o seu Regimento Escolar, definindo sua
forma de organização e funcionamento, bem como as normas e os
procedimentos para tal finalidade.
É o Regimento Escolar que deverá conter informações mais
descritivas sobre as competências e atribuições das equipes de direção,
coordenação e supervisão e as relações institucionais (internas e
externas) que estabelece.
A
instituição escolar, no que se refere aos aspectos pedagógicos
e
administrativos, geralmente é composta de diretor, vice-diretor,
coordenador pedagógico, supervisor escolar e secretário.
A
legislação educacional preconiza que os sistemas de ensino
devem definir normas de gestão democrática para o ensino público,
atendendo as peculiaridades de cada sistema de ensino e aos seguintes
princípios: participação dos profissionais da educação na elaboração do
projeto pedagógico da escola; participação das comunidades escolar e
local em conselhos escolares ou equivalentes.
Dessa forma, os sistemas de ensino devem assegurar às unidades
escolares públicas progressivos graus de autonomia pedagógica,
administrativa e financeira.
Órgãos assessores, consultivos, de participação e de apoio
A
Constituição Federal de 1988 determinou a gestão democrática
do
ensino público como um dos princípios educacionais. De acordo com o
art. 14 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, “os sistemas de
ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na
42
Políticas Públicas e Gestão da Educação

educação básica”, levando-se em conta a “participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola” e “a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes”. Sendo assim, os estabelecimentos de ensino contam com o apoio de entidades representativas. Geralmente, esses conselhos escolares são compostos de representantes da comunidade, de pais, alunos, professores e funcionários da escola. Suas funções compreendem tarefas relativas à gestão financeira, administrativa e pedagógica, com variados graus de responsabilidades, implicando diferentes graus de participação e autonomia. Normas que os estabelecimentos de ensino devem cumprir quanto à sua infra-estrutura física e condições técnicas:

Os estabelecimentos de ensino devem basear-se na legislação educacional vigente e nas normas relativas ao sistema de ensino a que pertence quanto à infra-estrutura física e condições técnicas. O Plano Nacional de Educação (Lei n. 10172/2001) prevê a elaboração e a garantia do estabelecimento de padrões mínimos nacionais de qualidade nas instituições escolares. Quanto à educação infantil, o Plano Nacional de Educação também determina a elaboração de padrões mínimos de infra-estrutura para o funcionamento adequado das instituições de Educação Infantil (creches e pré-escolas) públicas e privadas, que, respeitando as diversidades regionais, assegurem o atendimento das características das distintas faixas etárias e das necessidades do processo educativo quanto a:

a) espaço interno, com iluminação, insolação, ventilação, visão para o

espaço externo, rede elétrica e segurança, água potável, esgotamento sanitário;

b) instalações sanitárias e para a higiene pessoal das crianças;

c) instalações para preparo e/ou serviço de alimentação;

d) ambiente interno e externo para o desenvolvimento das atividades,

conforme as diretrizes curriculares e a metodologia da educação infantil, incluindo o repouso, a expressão livre, o movimento e o brinquedo;

e) mobiliário, equipamentos e materiais pedagógicos;

f) adequação às características das crianças especiais.

Em relação ao Ensino Fundamental, o Plano tem como meta a elaboração de padrões mínimos nacionais de infra-estrutura, “compatíveis com o tamanho dos estabelecimentos e com as realidades regionais”. Esses padrões devem compreender:

a) espaço, iluminação, insolação, ventilação, água potável, rede elétrica,

segurança e temperatura ambiente;

b) instalações sanitárias e para higiene;

c) espaços para esporte, recreação, biblioteca e serviço de merenda

escolar;

d) adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais;

e) atualização e ampliação do acervo das bibliotecas;

f) mobiliário, equipamentos e materiais pedagógicos;

g) telefone e serviço de reprodução de textos;

h) informática e equipamento multimídia para o ensino.

Quanto

ao

Ensino

Médio,

o

Plano

determina

estabelecimento

de

padrões

mínimos

nacionais

de

o

infra-estrutura,

igualmente

Políticas Públicas e Gestão da Educação 43
Políticas Públicas e Gestão da Educação
43
incluindo: a) b) espaço, iluminação, ventilação e insolação dos prédios escolares; instalações sanitárias e
incluindo:
a)
b)
espaço, iluminação, ventilação e insolação dos prédios escolares;
instalações sanitárias e condições para a manutenção da higiene em
todos os edifícios escolares;
c)
espaço para esporte e recreação;
d)
espaço para a biblioteca;
e) adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos
portadores de necessidades especiais;
f)
instalação para laboratórios de ciências;
g)
h)
informática e equipamento multimídia para o ensino;
atualização e ampliação do acervo das bibliotecas, incluindo material
bibliográfico de apoio ao professor e aos alunos;
i)
equipamento didático-pedagógico de apoio ao trabalho em sala de
aula;
j) telefone e reprodutor de texto.
Serviços complementares das instituições escolares: alimentação e
transporte escolar
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional prevê
“atendimento ao educando, no Ensino Fundamental público, por meio
de programas suplementares de material didático-escolar, transporte,
alimentação e assistência à saúde” (Art. 4o, VIII).
Assim, os estabelecimentos públicos de ensino, como as
instituições filantrópicas, recebem auxílios advindos de programas
de alimentação, transporte escolar, material didático e médico-
odontológico, desenvolvidos no âmbito das esferas federal, estadual e/
ou municipal.
44
Políticas Públicas e Gestão da Educação
LEGISLAÇÃO: LDB – LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL LEI N. 9 394/96
LEGISLAÇÃO: LDB – LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL LEI N. 9 394/96
Objetivo:
Apresentar analiticamente e historicamente a Legislação Nacional
que rege a Educação do nosso país.
A LDB no cenário Nacional, Educação, Educação Escolar e Ensino.
Reconhecer princípios e fins da Educação nacional tendo como
princípios uma sociedade democrática, suas leis e seus valores e o reflexo
na realidade nacional.Assim, é importante identificar a vigência da Lei
nos diferentes âmbitos Federal, Estadual e Municipal.
Políticas Públicas e Gestão da Educação
O
que é Lei de Diretrizes e bases? Você conhece o contexto histórico
do processo de elaboração da LDB 9 394/96? Você já realizou uma leitura
critica e compreensiva da LDB? Discutiu com seus colegas de trabalho os
avanços e os retrocessos da LDB?
LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei n. 9 394/96
O
artigo 1o da LDB apresenta uma concepção ampla de educação
que abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida
familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e
pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas
manifestações culturais. Portanto, o processo educacional acontece em
todos os espaços sociais e diferentes formas de relacionamento humano.
A
educação pode ser escolar ou extra-escolar, devendo a escolar
desenvolver-se predominantemente por meio do ensino e sempre
vinculada aos fatos da vida social. Há aprendizagem e aprendizagens fora
do espaço escolar e esse saber deve ser sempre valorizado. A educação
deixa de ser sinônimo de escolarização e ensino e não se conclui com o
término da escolaridade dos indivíduos, mas se constitui em processo
permanente, que se dá antes, durante e depois da educação escolar.
A educação, formação integral do ser humano nos aspectos físico,
intelectual e emocional, tem uma de suas dimensões no ensino, que é
processo de transmissão, construção e reconstrução de conhecimento
sistematizado. A LDB amplia a função da escola ao institucionalizar a
concepção de educação escolar que, embora tenha no ensino sua dimensão
predominante, a ele não se limita. De acordo com essa concepção, integram
a educação escolar, aulas e disciplinas que constituem as atividades ensino-
aprendizagem, quanto outras práticas pedagógicas desenvolvidas no
ambiente escolar, relacionadas por exemplo, com a merenda , momentos
de lazer vivenciados no pátio da escola e experiências de participação
oportunizadas pelos grêmios estudantis e conselhos escolares.
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A AUTONOMIA DA ESCOLA E A CONSTRUÇÃO COLETIVA DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO Objetivo: Reconhecer o
A AUTONOMIA DA ESCOLA E A CONSTRUÇÃO COLETIVA DO PROJETO
POLÍTICO PEDAGÓGICO
Objetivo:
Reconhecer o Projeto Político Pedagógico, seus pressupostos
teóricos e práticos, no exercício da Pedagogia Atual.
Para iniciarmos a nossa conversa vamos lembrar que o trabalho
do Pedagogo e a autonomia da escola é fundamental, pois propicia a
apresentação da identidade da escola de forma completa e elimina a
dependência.
Ilma Passos Veiga afirma que “O significado de autonomia
remete-nos para regras e orientações criadas pelos próprios sujeitos
das ações educativas, sem imposições externas.”
Discuta com dois colega obre as dimensões da autonomia: Após,
escreva, no quadro abaixo, as dimensões da autonomia.
AUTONOMIA
ADMINISTRATIVA
AUTONOMIA
JURÍDICA
AUTONOMIA
FINANCEIRA
AUTONOMIA
PEDAGÓGICA
Vamos recordar uma leitura que já foi sugerida em outra
oportunidade, em que Paulo Freire, na obra “Pedagogia da Autonomia”
coloca o eixo norteador de sua prática pedagógica; defende que “formar”
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Políticas Públicas e Gestão da Educação

é muito mais que formar o ser humano em suas destrezas, atentando

para a necessidade de formação ética dos educadores e conscientizando-

os sobre a importância de estimular os educandos a uma reflexão crítica da realidade em que está inserido. Enfatiza alguns aspectos primordiais, porém nem sempre adotados pela sociedade atual, como: simplicidade, humanismo, bom senso (ética em geral) e esperança, já que na sua visão o capitalismo leva a sociedade a um consumismo exacerbado e

a uma alienação coletiva, por meio, principalmente, dos veículos de

comunicação de massa. O fracasso educacional deve-se em particular a técnicas de ensino ultrapassadas e sem conexão com o contexto social

e econômico do aluno, mantendo-se assim o status quo, pois a escola ainda é um dos mais importantes aparelhos ideológicos do Estado.

“Se quisermos ser livres, ninguém deve poder dizer-nos o que devemos pensar” (Castoriadis)

Para Gadotti, a palavra projeto vem do verbo projetar, lançar-se para frente, dando sempre a idéia de movimento, de mudança. A sua origem etimológica, como explica Veiga (2001, p. 12), vem confirmar essa forma de entender o termo projeto que “vem do latim projectu,

particípio passado do verbo projecere, que significa lançar para diante”. Na definição de Alvaréz (1998) o projeto representa o laço entre presente e futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro. Para Fagundes (1999), o projeto é uma atividade natural e intencional que

o ser humano utiliza para procurar solucionar problemas e construir

conhecimentos. Alvaréz afirma que, no mundo contemporâneo, o projeto

é a mola do dinamismo, se tomando em instrumento indispensável de

ação e transformação. Vivemos a época da “cultura de projeto” em nossa sociedade, onde as condutas de antecipação para prever e explorar o futuro fazem parte de nosso presente. Essa influência do futuro sobre nossas adaptações cotidianas só faz sentido se o domínio que tentamos desenvolver sobre os diferentes espaços cumpre a função de melhorar as condições de vida do ser humano. Portanto, foi a partir desse pensar inicial que surgiu este texto, com o objetivo de melhor compreender o significado e o processo do projeto pedagógico. O projeto pedagógico não é modismo nem documento para ficar engavetado em uma mesa na sala de direção da escola, ele transcende o simples agrupamento de planos de ensino e atividades diversificadas, pois é um instrumento do trabalho que indica rumo, direção e construído com a participação de todos os profissionais da instituição.

com a participação de todos os profissionais da instituição. Políticas Públicas e Gestão da Educação 47
Políticas Públicas e Gestão da Educação 47
Políticas Públicas e Gestão da Educação
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O projeto pedagógico tem duas dimensões, como explicam André (2001) e Veiga (1998): a política
O projeto pedagógico tem duas dimensões, como explicam
André (2001) e Veiga (1998): a política e a pedagógica. Segundo André,
ele “é político no sentido de compromisso com a formação do cidadão
para um tipo de sociedade” (p. 189) e é pedagógico porque possibilita
a efetivação da intencionalidade da escola, que é a formação do cidadão
participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo”. Essa
última é a dimensão que trata de definir as ações educativas da escola,
visando a efetivação de seus propósitos e sua intencionalidade (VEIGA,
p. 12).
Assim sendo, a “dimensão política se cumpre na medida em que
ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica” (SAVIANI,
apud VEIGA, 2001, p. 13).
Vamos juntos montar a estrutura do Projeto Político Pedagógico.
Para
Veiga
a
concepção
de
um
projeto
pedagógico
deve
apresentar características tais como:
Ser processo participativo de decisões.
Preocupar-se em instaurar uma forma de organização de trabalho
pedagógico que desvele os conflitos e as contradições.
Explicitar princípios baseados na autonomia da escola, na solida-
riedade.
Comprometer-se como agentes educativos e no estímulo à participação
de todos no projeto comum e coletivo.
Conter opções explícitas na direção de superar problemas no decorrer
do trabalho educativo voltado para uma realidade especifica.
Explicitar o compromisso com a formação do cidadão. A execução de
um projeto pedagógico de qualidade deve, segundo a mesma autora:
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Políticas Públicas e Gestão da Educação

Falar da construção do projeto pedagógico é falar de planejamento

no contexto de um processo participativo, em que o passo inicial é a elaboração do marco referencial, sendo este a luz que deverá iluminar

o fazer das demais etapas. Alguns autores que tratam do planejamento,

como por exemplo, Moacir Gadotti, falam simplesmente em referencial, mas outro, como Danilo Gandin, distingue nele três marcos: situacional, doutrinal e operativo. O Projeto Político Pedagógico resulta da construção coletiva dos atores da Educação Escolar. Ele é a tradução que a escola faz de suas finalidades, a partir das necessidades que lhe estão colocadas, com o pessoal – professores, alunos, equipe pedagógica, pais, e com os recursos de que dispõe. Esses elementos todos são mutáveis, modificam-se de ano para ano, no mesmo ano; de escola para escola, na mesma escola. Por isso, o projeto não está pronto, mas em construção. Nele, a equipe vai depurando, explicitando, detalhando a inserção dessa escola na transformação social.

Atividade!

Ligue as partes que compõem o Projeto Político Pedagógico com as afirmativas que se completam. Segundo Paulo Freire, o sonho faz parte da construção da transformação. Assim, pergunto Pode-se sonhar?

da transformação. Assim, pergunto Pode-se sonhar? O Projeto Político Pedagógico ganha consistência e

O Projeto Político Pedagógico ganha consistência e solidez à medida

que vai captando sistematicamente a realidade na qual se insere. Daí ser

a realização contínua de diagnósticos dessa realidade, um instrumental

importantíssimo nessa construção. Esse diagnóstico é aberto, não se cristaliza e não se encerra na constatação da realidade, mas a lê e a interpreta – isso supõe conhecimento/ posicionamento teórico/prático da equipe. Esse trabalho com o diagnóstico, os dados, será definidor/ redifinidor do conteúdo/forma do Projeto Político Pedagógico da escola.

Políticas Públicas e Gestão da Educação 49
Políticas Públicas e Gestão da Educação
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QUALIDADE NA EDUCAÇÃO Objetivo: Proporcionar analise reflexiva e conhecimentos acerca de programas, projetos e
QUALIDADE NA EDUCAÇÃO
Objetivo:
Proporcionar analise reflexiva e conhecimentos acerca de
programas, projetos e currículo como instrumentos de melhoria da
qualidade da educação.
Quero iniciar nosso diálogo com uma análise sobre a reflexâo,
Refletir, pressupõe três componentes distintos que formam juntos a
investigação sobre Educação: reconsidere, reconecte-se e reformule.
A abrangência do processo ensino-aprendizagem, permeado
pela organização do trabalho pedagógico, inclui currículo, programas,
planejamento e avaliação, métodos de ensino e recuperação. Analisando
dessa forma, temos a impressão de que a supervisão abrange o todo,
mas, de acordo com Rangel (2003), esses aspectos devem sofrer a
intervenção da supervisão sob a ótica da coordenação, com finalidade
integradora, e da orientação, centrada no estudo com ênfase nas trocas
de experiência, ou seja, no significado da práxis. Não fosse assim, com
certeza, teríamos a Supervisão relacionada a um super-herói. Para
o Supervisor Educacional, é importante reconhecer os momentos
de planejamento e de escolha do livro didático como momentos de
decisão política, haja vista que ambos interferem em conhecimentos
(epistemologia) e valores (axiologia) que substanciam esse processo –
todo conhecimento está “recheado de valores e intenções”.
A prática no que se refere a currículo é muito recente e instigante,
mas uma realidade estabelecida por meio de comportamentos didáticos,
políticos, administrativos, etc. Portanto Grundy afirma que: “o currículo
não é um conceito, mais uma construção cultural, isto é, não se trata
de um conceito abstrato que tenha algum tipo de existência fora e
previamente a experiência humana. É, antes, um modo de
organizar uma série de práticas educativas.”
Podemos refletir sobre o currículo levando em consideração
cinco âmbitos formalmente diferenciados:
Função social
Projeto ou plano educativo
Expressão formal e material de conteúdos
Ação prática permeada de possibilidades: analise instrutiva a partir de
conteúdos, inserido na prática pedagógica; sustentar o discurso entre
interação entre teoria e prática.
• Atividades discursivas acadêmicas e pesquisadora sobre todos os
temas.
50
Políticas Públicas e Gestão da Educação

A reforma

educacional

trouxe

consigo

modelos

curriculares,

especificamente para a Educação Básica:

• Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI);

• Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN 1o. e 2o. Ciclos);

• Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM).

Isso não significa que esses instrumentos estão “prontos”, mas indicam que o currículo da escola básica tem parâmetros legais e pedagógicos (Resolução no. 2, de 07/04/1998, do Conselho Nacional de Educação). Pensando na práxis supervisora e em seus procedimentos de coordenação (no sentido de promoção da integração entre estudos e práticas), enfoca-se a questão axiológica do currículo: este é um dos aspectos da dimensão política do trabalho da Supervisão. Ao definirem-se “competências básicas” para aprender com autonomia, criatividade, criticidade, compreensão do mundo, do

conhecimento, da ciência e tecnologia, das linguagens, encaminham- se os conteúdos como meios e não fins, permeando os princípios pedagógicos do currículo com a interdisciplinaridade e a contextualização.

A construção dos programas disciplinares (planos anuais de

cada disciplina e planos de aula diários) são construções coletivas de professores que, a partir do contato com os alunos, vai flexibilizá-la. Essa construção coletiva requer da supervisão, o incentivo e o planejamento de oportunidades nas quais se reúnam professores das diversas séries. O pressuposto de qualquer atividade a ser desenvolvida é o planejamento/ projeto que expresse o desejo de mudança, de certar, de aperfeiçoar. Cabe ao Supervisor apresentar com clareza que planejar é uma necessidade consciente e tem que ser criativo e pesquisador, senão torna-se um mero reprodutor. A tarefa do professor é complexa, muitos são os fatores intervenientes, por isso tem que ser muito bem preparada.

são os fatores intervenientes, por isso tem que ser muito bem preparada. Políticas Públicas e Gestão
Políticas Públicas e Gestão da Educação 51
Políticas Públicas e Gestão da Educação
51
Para exemplificar um dos Programas do Governo Federal temos o Programa Nacional do Livro Didático
Para exemplificar um dos Programas do Governo Federal
temos o Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio –
PNLEM, desde 2004 em vigência em todo território nacional, que é
processo de escolha de livros didáticos e de qualquer outro material
de caráter pedagógico de apoio ao processo ensino-aprendizagem
que deve acontecer na coletividade. Todos os profissionais que estão
comprometidos com o pedagógico da escola devem estar envolvidos
com a escolha, indicando que, se o professor usa livro didático, pode
analisar o livro que os alunos utilizam e comparar os resultados de
sua análise com os objetivos que pretende no processo de ensino-
aprendizagem. Com isso, pode verificar se o livro que escolheu para
seus alunos é adequado aos propósitos e concepções adotadas.
Antes de aprofundar a proposta do programa de escolher
um dos instrumentos que possibilitará ao educando a aquisição de
conteúdos curriculares necessários para que ele desenvolva-se e possa
forma- se enquanto aluno/educando e exercer sua cidadania enquanto
profissional no mercado de trabalho, convido a refletir o pensamento
de dois grandes educadores:
Entretanto, a análise a ser desenvolvida pelo professor não pode
apenas identificar a presença ou a quantidade relativa desse ou daquele
aspecto do livro didático. O docente deve mais do que isso, identificar a
qualidade de cada aspecto que julga relevante.
De
acordo com orientações do MEC para escolha do livro didático,
deve-se perceber:
O uso correto de conceitos apresentados no livro didático;
A relevância das atividades e dos exercícios;
A abrangência dos exercícios e das atividades (reforçam e recapitulam
que o texto havia apresentado, ou permitem que o aluno ultrapasse a
simples memorização de termos, expressões e fatos apresentados no
próprio livro);
o
O nível cognitivo das atividades propostas (levam em conta a vivência
o nível cognitivo de seus alunos);
• O grau de dificuldade de cada uma das propostas de atividades
sugeridas no livro;
e
A viabilidade da realização das atividades nas condições das escolas
e
dos escolares, conforme os materiais e recursos que elas pressupõem
para sua realização;
• Identificação, nas propostas, de aspectos do domínio afetivo
relacionados, por exemplo, ao trabalho de cooperação dos alunos entre
si.
A
escolha dos livros didáticos incentivada pelo MEC é um
momento em que a educação pública brasileira passa por uma
mudança significativa. A ampliação do Ensino Fundamental para nove
anos representa a oportunidade de os alunos da rede pública entrar
mais cedo em contato com o universo letrado. Isso representa, para
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Políticas Públicas e Gestão da Educação
grande parte dos alunos, o aumento do tempo de permanência na escola, ampliando, também, as
grande parte dos alunos, o aumento do tempo de permanência na escola,
ampliando, também, as possibilidades de progresso na vida escolar. A
ampliação do Ensino Fundamental para nove anos exigirá uma adequação
curricular e uma nova organização do tempo e do espaço da escola, de
forma a atender desde as necessidades da criança que ingressa aos 6 anos
de idade até as dos adolescentes dos anos finais do Ensino Fundamental.
Essa mudança envolve as secretarias estaduais e municipais de educação,
os conselhos escolares e, principalmente, as escolas, que deverão atualizar
e
reorganizar o projeto pedagógico, com vistas a atender às demandas
Políticas Públicas e Gestão da Educação
geradas pela ampliação do Ensino Fundamental. Como é possível observar
nos textos que compõem este guia, a nomenclatura 5 a a 8 a série permanece,
uma vez que a Lei n. 11274/2006 estabelece o prazo até 2010 para que
todos os sistemas tenham consolidado a mudança. No que se referem às
obras que constam do guia, os textos apontam os aspectos significativos
de cada uma delas, como forma de orientar o professor quanto à escolha
de uma ou outra obra, tendo em vista a proposta pedagógica da escola.
No momento da escolha dos livros didáticos, é necessário salientar a
importância da escolha autônoma e consciente: por mais que a avaliação
seja um processo detalhado e criterioso, a leitura e análise dos textos do
guia pelos professores são imprescindíveis, pois somente o professor
tem condições de decidir sobre o melhor material para auxiliá- lo em seu
trabalho. Pensando nisso, apresentamos, a seguir, uma série de reflexões
acerca da escolha do livro didático como forma de contribuir para que essa
etapa do cotidiano escolar possa transcorrer da forma mais consistente
possível.
ADOTAR UM LIVRO: UM JOGO E SUAS REGRAS
A partir de agora, vocês vão “adotar um livro”. Já repararam nos
sentidos que a palavra “adotar” implica? Então veja o que nos diz a respeito
Aurélio Eletrônico, porque conhecer o sentido da palavra é a primeira
regra desse jogo delicado:
o
Verbete: adotar [Do lat. adoptare.]
1.
Optar ou decidir-se por; escolher, preferir: “Entre mandar a carta ao
destinatário e entregá-la a Sofia, adotou afinal o segundo alvitre”. (Machado
de Assis. Quincas Borba, p. 183.).
2. Seguir, abraçar: Adotou a carreira do pai.
3. Tomar, assumir.
4. Aceitar, acolher, seguir: adotar um conselho.
5. Pôr em prática, em uso; praticar, aplicar: A nova república adotou o
regime democrático.
6.
Atribuir (a um filho de outrem) os direitos de filho próprio; perfilhar,
legitimar.
7.
Usar de, ou passar a usar de; tomar, assumir: “Insensivelmente adotei
um tom de cerimônia.” (Domingos Monteiro. Contos do Dia e da Noite, p.
18.)
8.
Aprovar; outorgar.
9.
Admitir, aceitar; reconhecer: Adotei-o por filho; Adotarei a criança como
minha neta.
10. Recorrer a, valer-se de: Adotou a passividade como defesa.
11. Jur. Tomar por filho; perfilhar, legitimar.
Como é fácil perceber, todos os sentidos destacados explicitam que adotar
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envolve uma tomada de decisão consciente e responsável, na medida em que nos compromete intimamente
envolve uma tomada de decisão consciente e responsável, na medida
em que nos compromete intimamente com o objeto da adoção. Isso
não quer dizer, evidentemente, que não seja possível, depois de uma
experiência concreta, rever e repensar o gesto. Antes pelo contrário:
adotar um livro é usá-lo criticamente e, assim, ser capaz de fazer uma
nova escolha, quando for o caso.
Resumidamente, inúmeros são os ganhos substanciais que
trouxe ganho na qualidade, hoje os livros que estão disponíveis para as
escolas públicas têm igual senão maior qualidade que livros adotados
por escolas particulares. Aspectos que o professor pode levar em conta
para analisar o livro didático ou os diferentes materiais impressos
como revistas, recortes de jornais, exercícios mimeografados, gravuras
etc.
As mudanças significativas podem ser assim sintetizadas:
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Políticas Públicas e Gestão da Educação

PLANEJAMENTO: INSTRUMENTO DE AÇÃO EDUCATIVA

Objetivo:

Apresentar o Planejamento como instrumento de efetivação da melhoria da qualidade de ensino a partir de políticas públicas e da efetivação de mudança no processo de gestão.

e da efetivação de mudança no processo de gestão. “Só aprende aquele que se apropria do

“Só aprende aquele que se apropria do aprendido, transformando- o em aprendido, com o que pode, por isso mesmo, reinventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido-aprendido a situações existenciais concretas”. Paulo Freire

Contexto histótico mundial do planejamento

Paulo Freire Contexto histótico mundial do planejamento Contexto histórico brasileiro do planejamento Políticas

Contexto histórico brasileiro do planejamento

mundial do planejamento Contexto histórico brasileiro do planejamento Políticas Públicas e Gestão da Educação 55
Políticas Públicas e Gestão da Educação 55
Políticas Públicas e Gestão da Educação
55
PLANEJAMENTO 1.Planejar é organizar ações: a) Participação: Primeira condição de um planejamento eficiente; b)
PLANEJAMENTO
1.Planejar é organizar ações:
a) Participação: Primeira condição de um planejamento eficiente;
b)
c)
Participação nos diversos níveis;
Avaliação parte fundamental do planejamento.
2.
Fases do planejemento escolar:
1 a. Diagnóstico
2 a. Programação
3 a. Acompanhamento e avaliação
3.
Hoje, a educação é concebida como fator de mudança, renovação
e
progresso. Por tais circunstâncias o planejamento se impõe,
nesse setor, como recurso de organização, é o fundamento de toda
ação educacional.Como toda inovação ou mudança vai encontrar
resistências, o planejamento é a forma de gerenciar essas mudanças
para que sua implantação se realize com o mínimo de resistências.
A educação, por ser considerada um investimento indispensável
à
globalidade desenvolvimentista, passou, nos últimos decênios de
nosso século, a merecer maior atenção das autoridades, legisladores
e
educadores, pelo menos no mundo desenvolvido. Amparados em
legislação pertinente, foram desencadeados processos de aceleração,
principalmente no que diz respeito à expansão e melhoria da rede
escolar e preparação de recursos humanos.
O planejamento educacional põe em relevo esta área,
integrando-a, ao mesmo tempo, no progresso global do país.
Nessa ampla perspectiva constatamos, que planejamento
educacional é:
• “Processo contínuo que se preocupa com o para onde ir e quais as
maneiras adequadas para chegar lá, tendo em vista a situação presente
e
possibilidades futuras, para que o desenvolvimento da educação
atenda tanto as necessidades do desenvolvimento da sociedade, quanto
as
do indivíduo.
Processo de abordagem racional e científica dos problemas da
educação, incluindo definição de prioridades e levando em conta a
relação entre os diversos níveis do contexto educacional.
4.
São objetivos do planejamento educacional, segundo Joanna Coaracy:
“Relacionar o desenvolvimento do sistema educacional com o
desenvolvimento econômico, social, político e cultural do país, em
geral, e de cada comunidade, em particular;
Estabelecer as condições necessárias para o aperfeiçoamento
56
Políticas Públicas e Gestão da Educação

dos fatores que influem diretamente sobre a eficiência do sistema educacional (estrutura, administração, financiamento, pessoal, conteúdo, procedimentos e instrumentos);

• Alcançar maior coerência interna na determinação dos objetivos e nos meios mais adequados para atingi-los;

• Conciliar e aperfeiçoar a eficiência interna e externa do sistema”.

É condição primordial do processo de planejamento integral da educação que, em nenhum caso, interesses pessoais ou de grupos possam desviá-lo de seus fins essenciais que vão contribuir para a dignificação do homem e para o desenvolvimento cultural, social e econômico do país.

Os requisitos fundamentais do Planejamento Educacional são:

• Aplicação do método científico na investigação da realidade educativa,

cultural, social e econômica do país;

Apreciação objetiva das necessidades, para satisfazê-las a curto, médio

e

longo prazo;

• Apreciação realista das possibilidades de recursos humanos e financeiros,

a fim de assegurar a eficácia das soluções propostas;

• Previsão dos fatores mais significativos que intervêm no desenvolvimento do planejamento;

• Continuidade que assegure a ação sistemática para alcançar os fins

propostos;

• Coordenação dos serviços da educação, e destes com os demais serviços

do Estado, em todos os níveis da administração pública;

• Avaliação periódica dos planos e adaptação constante destes às novas necessidades e circunstâncias;

• Flexibilidade que permita a adaptação do plano à situações imprevistas ou imprevisíveis;

• Trabalho de equipe que garanta uma soma de esforços eficazes e

coordenados;

Formulação e apresentação do plano como iniciativa e esforço nacionais,

e

não como esforço de determinadas pessoas, grupos e setores”.

O planejamento educacional tem como pressupostos básicos:

O planejamento educacional tem como pressupostos básicos: Podemos, portanto, considerar que o planejamento educacional

Podemos, portanto, considerar que o planejamento educacional constitui a abordagem racional e científica dos problemas da educação, envolvendo o aprimoramento gradual de conceitos e meios de análise, visando estudar a eficiência e a produtividade do sistema educacional, em seus múltiplos aspectos. Para posicionar-se ante o sistema educacional e a nova dinâmica de ensino, o educador é chamado a refletir, num primeiro momento, em torno de certos elementos que recebem hoje um novo enfoque decorrente do progresso científico e tecnológico. Atualmente, a escola é vista como o centro da educação sistemática, integrada na comunidade da qual faz parte. Cabe-lhe oferecer aos alunos

Políticas Públicas e Gestão da Educação 57
Políticas Públicas e Gestão da Educação
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situações que lhes permitam desenvolver suas potencialidades de acordo com a fase evolutiva em que
situações que lhes permitam desenvolver suas potencialidades de
acordo com a fase evolutiva em que se situam e com os interesses que os
impelem à ação.
A escola atual visa ao preparo de pessoas de mentalidade flexível
e
adaptável para enfrentar as rápidas transformações do mundo.
Pessoas que aprendem a aprender e, conseqüentemente, estejam aptas
a
continuar aprendendo sempre.
Portanto, o currículo de hoje deve ser funcional. Deve promover
não só a aprendizagem de conteúdo e habilidades específicas, mas
também fornecer condições favoráveis à aplicação e integração desses
conhecimentos. Isso é viável por meio da proposição de situações que
favoreçam o desenvolvimento das capacidades do aluno para solucionar
problemas, muitos dos quais comuns no seu dia-a-dia.
A
previsão global e sistemática de toda ação a ser desencadeada
pela escola, em consonância com os objetivos educacionais, tendo por
foco o aluno, constitui o planejamento curricular. Portanto este nível
de planejamento é relativo à escola. Através dele são estabelecidas as
linhas-mestras que norteiam todo o trabalho. Ele expressa, por meio dos
objetivos gerais, a linha filosófica do estabelecimento.
Resumindo planejamento curricular é uma tarefa multidisciplinar
que tem por objeto a organização de um sistema de relações lógicas e
psicológicas dentro de um ou vários campos do conhecimento, de tal
modo que se favoreça ao máximo o processo ensino-aprendizagem,ele é
a
previsão de todas as atividades que o educando realiza sob a orientação
da escola para atingir os fins da educação.
São objetivos do Planejamento Curricular:
Ajudar aos membros da comunidade escolar a definir seus objetivos;
Obter maior efetividade no ensino;
Coordenar esforços para aperfeiçoar o processo
ensinoaprendizagem;
Propiciar o estabelecimento de um clima estimulante para o
desenvolvimento das tarefas educativas.
O planejamento curricular deve refletir os melhores meios de
cultivar o desenvolvimento da ação escolar, envolvendo, sempre, todos
os
elementos participantes do processo.
Seus elaboradores devem estar alerta as paras novas descobertas e
para os novos meios postos ao alcance das escolas. Estes devem ser
minuciosamente analisados para verificar sua real validade naquele
âmbito escolar. Posto isso, fica evidente a necessidade dos organizadores
explorarem, aceitarem, adaptarem, enriquecerem ou mesmo rejeitarem
tais inovações.
O
planejamento curricular é de complexa elaboração. Requer um
contínuo estudo e uma constante investigação da realidade imediata e
dos avanços técnicos, principalmente na área educacional. Constitui, por
suas características, base vital do trabalho.
A
dinamização e integração da escola como uma célula viva da
sociedade, que palmilha determinados caminhos conforme a linha
filosófica adotada, é o pressuposto inerente a sua estruturação.
O planejamento curricular constitui, portanto, uma tarefa
continua em nível de escola, em função das crescentes exigências de
nosso tempo e dos processos que tentam acelerar a aprendizagem. Será
sempre um desafio a todos aqueles envolvidos no processo educacional,
para busca dos meios mais adequados à obtenção de maiores resultados.
58
Políticas Públicas e Gestão da Educação

PLANEJAMENTO EDUCACIONAL

Objetivo:

Apresentar o Planejamento Educacional e a sua construção e os diferentes planejamentos e modalidades que efetivam a Gestão Escolar.

Como processo, o planejamento leva os indivíduos que dele participam a discutirem suas próprias concepções acerca do que é planejar, estabelecer suas metas, debater e escolher as melhores formas de alcançá-las. Fazendo isso, os indivíduos participam da elaboração de determinado planejamento.

A partir das análises anteriores, verificamos que o Planejamento Educacional e a Gestão Pedagógica da Educação Escolar, nos apresenta um conjunto de princípios e de concepções e sugerem ações para as mudanças pedagógicas do processo educativo que ocorre na escola.

Desse modo, o estudo da educação foi realizado a partir de reflexões e estudos sobre as condições vigentes na educação brasileira e suas demandas, assim como um conjunto de considerações a respeito de um ideário avançado para nortear essa gestão, orientadas por princípios democráticos de inclusão, eqüidade e autonomia. Apóia-se no entendimento de que uma escola com qualidade social é aquela que atende bem a toda a população, permitindo que o acesso e a construção do conhecimento, a partir de práticas educacionais participativas, forneçam condições para que os educandos possam enfrentar criticamente os desafios de se tornar um cidadão atuante e transformador da realidade socio cultural e econômica vigente e de dar continuidade permanente aos seus estudos. Identifica-se que essa prática não é a regra dominante no cenário educacional brasileiro. Para que realmente assumamos o compromisso com o Planejamento Educacional e a realidade da escola que estamos inseridos, vamos analisar os quadros a seguir.

da escola que estamos inseridos, vamos analisar os quadros a seguir. Políticas Públicas e Gestão da
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Políticas Públicas e Gestão da Educação
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60 Políticas Públicas e Gestão da Educação
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Políticas Públicas e Gestão da Educação

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Objetivo:

Apresentar a importância do Planejamento destacando

o Planejamento estratégico como instrumento organizativo de desenvolvimento qualitativo e quantitativo da educação.

O ato de planejar faz parte da história do ser humano. Sempre

enfrentamos situações que necessitam de planejamento, embora nem

sempre nossas atividades diárias sejam definidas em etapas concretas da ação. Porém, para realizar atividades não inseridas em nosso cotidiano, usamos processos racionais, visando alcançar o que desejamos. Assim,

o planejamento pode ser entendido como um processo no qual são

envolvidas uma ou mais pessoas, com o propósito de pensar sobre os melhores meios de se realizar uma determinada tarefa. Planejar é uma

atividade intrínseca à educação e, como tal, apresenta as seguintes características básicas: evitar a improvisação, prever o futuro, estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução da ação educativa, prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação. Segundo o Dicionário Aurélio, planejamento é o ato ou efeito de planejar (Fazer o plano ou planta de traçar); Trabalho de preparação para qualquer empreendimento, segundo roteiro e métodos determinados; Elaboração por etapas, com bases técnicas, de planos e programas com objetivos definidos. Há quem afirme que Planejar é uma arte. Dizem que quem faz

um bom planejamento já realizou 50% das tarefas a serem desenvolvidas.

Você planeja sua vida pessoal? Sua vida profissional? Tem claro suas

metas e seus objetivos? Avalia constantemente suas ações para constatar

se o rumo tomado está ainda no curso desejado?

A escola pode e deve ser vista como uma empresa ou como

instituição pública? Ela pode e dever ser vista como comunitária? Muito se fala em Planejamento Estratégico (PE), e nas organizações de maneira geral ainda se pode encontrar uma série de interpretações em

relação a esta ferramenta da administração. O Planejamento Estratégico, que se tornou o foco de atenção da alta administração das empresas, volta- se para as medidas positivas que uma empresa poderá tomar para enfrentar ameaças e aproveitar as oportunidades encontradas em seu ambiente. Empresas de todos os tipos estão chegando à conclusão

de que essa atenção sistemática à estratégia é uma atividade muito

proveitosa. Empresas pequenas, médias e grandes, distribuidores e fabricantes, bancos e instituições sem finalidade de lucro, todos os tipos de organizações devem decidir os rumos que sejam mais adequados aos

seus interesses. As razões dessa atenção crescente à estratégia empresarial são muitas, algumas mais evidentes que outras. Dentre as causas mais importantes do crescimento recente do Planejamento Estratégico, pode- se citar que os ambientes de praticamente todas as empresas mudam com surpreendente rapidez. Essas mudanças ocorrem nos ambientes econômico, social, tecnológico e político. A empresa somente poderá crescer e progredir se conseguir ajustar-se à conjuntura, e o Planejamento Estratégico é uma técnica comprovada para que tais ajustes sejam feitos com inteligência. Trata-se de um instrumento mais flexível que

o conhecido Planejamento em Longo Prazo. Um elemento-chave da

estratégia é a seleção de apenas algumas características e medidas a serem consideradas tomadas. É um instrumento que força, ou pelo menos estimula, os administradores a pensar em termos do que é importante ou relativamente importante, e também a se concentrar sobre assuntos de relevância.

Políticas Públicas e Gestão da Educação 61
Políticas Públicas e Gestão da Educação
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O mais importante na utilização do Planejamento Estratégico é o seu estreito vínculo com a
O mais importante na utilização do Planejamento Estratégico é o
seu estreito vínculo com a administração estratégica nas organizações.
Não se pode tratar isoladamente o planejamento estratégico sem entrar
no processo estratégico, contribuindo, assim, de forma mais eficaz com
a
gestão dos administradores na obtenção dos seus resultados.
O que é Planejamento Estratégico?
Vasconcelos apresenta um quadro para que possamos pensar
nos comportamentos opcionais e respectivas consequências.
Comportamentos opcionais e respectivas consequências
Existem dúvidas, também, sobre as diferenças entre Planos
Estratégicos, Táticos e Operacionais. Russell Ackoff (1966) esclarece que
o
Plano Estratégico é pertinente à organização como um todo, enquanto os
Planos Táticos estão relacionados com as diversas áreas da organização.
Por exemplo, um Plano Financeiro e um Plano de Marketing são Planos
Táticos. Para operacionalizar os Planos Táticos, são preparados os Planos
Operacionais, que orientam a alocação de recursos para cada parte dos
Planos Táticos.
No mundo dos negócios, a maior parte do pensamento
convencional sobre planejamento estratégico, ou seja, o estabelecimento
de metas e a formulação de planos para atingi-las, é mal conduzida e às
vezes obsoleta. Muitas organizações perdem tempo excessivo e energia
intelectual preciosa tentando planejar e fazer um prognóstico de seu
futuro. Criam planos estratégicos grandiosos, apoiados em orçamentos
detalhados, estimativas de recursos, planos táticos e cronogramas, mas
maioria desses esforços tem pouca ligação com o sucesso dos negócios.
Muitos líderes organizacionais tendem a confundir orçamento
com planejamento. Nas instituições estatais, por exemplo, em que os
orçamentos são quase em sua totalidade dirigidos para os custos da
folha de pagamento, o líder simplesmente extrapola os custos do ano
vigente para o ano seguinte, com correções para ajustes de salários
e fatores relacionados ao custo de vida. Todos eles compõem seus
orçamentos corretamente, com mínimas mudanças, e o processo passa
de um ano para outro. Esse tipo de atividade com base no orçamento
ilude as pessoas, levando-as a pensar que estão planejando, mas de fato
freqüentemente há muito pouco ou nenhum planejamento (ALBRECHT,
a
1994).
Planejamento à Projeção Futura é uma forma melhor de se
62
Políticas Públicas e Gestão da Educação

pensar no futuro. É preciso mudar o vocabulário que usamos para pensar e falar sobre como orientar nossos negócios. Planejar é a palavra apropriada para se projetar um conjunto de ações para atingir um resultado claramente definido, quando se tem plena certeza da situação em que as ações acontecerão e controle quase absoluto dos fatores que asseguram o sucesso no alcance dos resultados. É necessário um plano

para se construir uma ponte, pilotar um avião, transplantar um rim, abrir um novo escritório numa outra cidade ou lançar um novo produto. Mas, se alguém pretende se aventurar num mercado competitivo, ou passar do mercado nacional para um mercado global, ou defender seu negócio principal (core business) em face de mudanças competitivas

e tecnológicas expressivas, é preciso algo mais que planejamento.

É necessário um processo de raciocínio que seja explorador, e não determinístico. Albrecht (1994) o chama de projeção futura.

A projeção futura e o planejamento devem encontrar-se no ponto

em que seja possível divisar uma estratégia de ação e traduzi-la numa

meta ou alvo. Nesse sentido, o planejamento torna-se o resultado tático

da projeção do futuro, mas não se espera que ele resolva o quebra-cabeça

estratégico para a empresa; trata-se de um quebra-cabeça dinâmico, cujas peças são encaixadas a cada dia, a cada mês e ano, e não montadas de uma

só vez, na elaboração do chamado plano.

montadas de uma só vez, na elaboração do chamado plano. O processo de administração estratégica A

O processo de administração estratégica

A Administração Estratégica envolve um processo ou uma série de

etapas. As etapas básicas incluem:

Etapa 1 – Execução de uma análise do ambiente Etapa 2 – Estabelecimento de uma diretriz organizacional Etapa 3 – Formulação de uma estratégia organizacional Etapa 4 – Implementação da estratégia organizacional Etapa 5 – Controle estratégico

Questões especiais na Administração Estratégica – Operações Internacionais, – Responsabilidade social.

Políticas Públicas e Gestão da Educação 63
Políticas Públicas e Gestão da Educação
63
PROGRAMAS DE INCENTIVO A EDUCAÇÃO Objetivo: Apresentar e discutir alguns programas de incentivo e apoio
PROGRAMAS DE INCENTIVO A EDUCAÇÃO
Objetivo:
Apresentar e discutir alguns programas de incentivo e apoio a
Educação.
Nesta unidade teremos a oportunidade de conhecer alguns
programas que possuem destinação especifica, isto é, são recursos
destinados a uma ação especifica: alimentação escolar; transporte
escolar; livro didático; biblioteca escolar; saúde escolar e manutenção
da escola. Conforme veremos a seguir.
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) encaminha
recursos para estados e municípios, visando garantir alimentação
escolar. Os estados e municípios complementam os recursos recebidos,
com verbas próprias, para atendimento a educação infantil e ao Ensino
Fundamental, incluindo as escolas de educação indígena e filantrópicas.
Para o Transporte Escolar existem dois programas: o PNTE (Programa
Nacional de Transporte Escolar) (PNTE) e o (Programa Nacional de
Apoio ao Transporte Escolar) (PNAT). O PNTE contribui financeiramente
com os municípios e organizações não-governamentais (ONGS) para
aquisição de veículos para o transporte de alunos da Rede Pública de
Ensino Fundamental residentes na área rural e para escolas de ensino
fundamental que atendam alunos com necessidades educacionais
especiais. O PNAT tem por objetivo custear despesas com a manutenção
de veículos escolares pertencentes aos estados e municípios, alem de
ser utilizado também para a contratação de serviços terceirizados de
transportes para alunos do Ensino Fundamental público residentes em
área rural que utilizem transporte escolar.
Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e o Programa
Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio PNLEM. Tanto o PNLD
quanto PNLEM têm por objetivo a oferta gratuita de livros didáticos e
dicionários. O primeiro é destinado ao Ensino Fundamental fases I e II
da rede pública, Educação Especial pública e as instituições privadas
definidas pelo censo escolar como comunitárias e filantrópicas. Já o
PNLEM é voltado para os alunos do Ensino Médio publico de todo país,
porém, inicialmente é oferecido somente nas disciplinas de português e
matemática.
Programa Nacional Biblioteca da Escola – (PNBE) consiste na
aquisição e distribuição de livros de literatura brasileira e estrangeira,
infanto-juvenil, clássica, de pesquisas, de referências e outros materiais
de apoio, como Atlas, Enciclopédias, Globos e Mapas.
Programa Nacional de Saúde do Escolar – (PNSE) é um apoio
financeiro concedido aos Municípios, em caráter suplementar, para a
realização de consultas oftalmológicas, aquisição e distribuição de
óculos para os alunos com problemas visuais matriculados na 1a série
do ensino fundamental público das redes municipais e estaduais. O
Programa atende a um Município por Estado, sendo aquele que apresenta
o maior numero de alunos com problemas visuais, identificados em
exames prévios de acuidade visual.
Como recursos vindos da União diretamente para as escolas,
podemos citar:
Programa Dinheiro Direto na Escola – PDDE: este programa
consiste no repasse anual de verbas ás contas bancárias das unidades
escolares públicas do ensino fundamental estaduais, municipais e do
Distrito Federal, e as do ensino especial mantidas por organizações
não governamentais (ONGs) desde de que devidamente registradas
no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Os recursos
transferidos variam de escola para escola, os valores são determinados
com base no número de alunos matriculados no ensino fundamental ou
64
Políticas Públicas e Gestão da Educação

na educação especial estabelecido no censo escolar do ano anterior ao do atendimento. Estes recursos devem ser utilizados a partir de decisões dos órgãos colegiados da escola e podem ser utilizados para as seguintes finalidades:

• Aquisição de material permanente;

• Manutenção, conservação e pequenos reparos da unidade escolar;

• Aquisição de material de consumo necessário ao funcionamento da escola;

• Implementação de Projeto Pedagógico;

• Desenvolvimento de atividades educacionais.

O Plano de Desenvolvimento da Escola – PDE é um recurso encaminhado diretamente da União para escolas com mais de 100 alunos, que organizem unidades executoras, disponham de condições mínimas de funcionamento e possuam liderança forte para elaborarem o PDE. As metas e ações consideradas essenciais para a melhoria da aprendizagem dos alunos e que poderão ser financiadas pelo FUNDESCOLA deverão ser descritas no Projeto de Melhoria da Escola (PME). Projeto de Melhoria da Escola – PME segundo o site do FNDE/ MEC o PME é o conjunto de metas e ações selecionadas pela escola, a partir do PDE (Plano de Desenvolvimento da Escola). O projeto viabiliza o repasse de recursos diretamente para a escola, tendo como objetivo a melhoria da aprendizagem dos alunos. É importante que toda esta organização se apóie num processo de planejamento para boa utilização de recursos. Este processo de planejamento precisa ser desenvolvido de forma coletiva, com a participação de todos os segmentos envolvidos com a escola. Como os recursos de modo geral não são suficientes para suprir todas as necessidades da escola, é fundamental que sejam eleitas as prioridades. Lembre-se que vários olhares sobre as necessidades da escola certamente identificarão as mais urgentes. A existência dos Conselhos Escolares e o seu funcionamento efetivo, segundo Dourado (2006 p.61), é uma das possibilidades de aplicação do planejamento participativo na escola, tendo em vista como já vimos nas unidades anteriores, este deve ser um órgão colegiado e, como tal, deve contar com a participação de representantes de todos os segmentos da comunidade local e escolar. Possibilitando desta forma, uma melhor aplicação dos recursos financeiros da escola, como também uma gestão mais transparente e democrática. Assim, o Conselho Escolar poderia ser o local ideal para administrar os recursos financeiros da escola. Porem é necessário um diagnóstico da realidade da escola: suas necessidades e suas potencialidades. A partir daí, estabelecer as prioridades de ação. Concluída esta etapa, será possível identificar melhor a aplicação dos recursos disponíveis. O Conselho também poderia fazer um acompanhamento da aplicação dos recursos financeiros. Este acompanhamento poderia ser mensal ou bimestral, de acordo com as possibilidades da escola e o desenvolvimento dos projetos e programas da unidade escolar. Neste mesmo período, poderia ser feito uma avaliação da aplicação destes recursos, na qual poderiam ser dimensionadas novas ações ou novos direcionamentos dos recursos. Ao término do ano letivo, é de fundamental importância, divulgar todos os atos praticados pela escola, no que se refere a aplicação de recursos. É importante lembrar a importância de uma escola pública transparente em todas as suas ações, inclusive as voltadas para a administração de recursos financeiros. O balanço anual é um excelente meio de por isso em pratica.s

Políticas Públicas e Gestão da Educação 65
Políticas Públicas e Gestão da Educação
65
GESTÃO FINANCEIRA E A AUTONOMIA FINANCEIRA DAS ESCOLAS Objetivo: Analisar a importância da Gestão Financeira,
GESTÃO FINANCEIRA E A AUTONOMIA FINANCEIRA DAS ESCOLAS
Objetivo:
Analisar a importância da Gestão Financeira, autonoma e
transparente para que o planejamento executado traga melhorias para
contexto social onde a escola esta inserida e mudanças significativas
para a escola pública no Brasil.
o
O Gestor Escolar precisa se organizar para administrar os
recursos financeiros por causa da política, planejamento e legislação.
Assim quais são as relações presentes na gestão democrática onde se
insere essa relação? Vamos discutir um pouco sobre esses conceitos
presentes e pertimentes.
Com a progressiva autonomia (financeira, pedagógica e
administrativa) das escolas, estabelecida pela LDB, os gestores escolares
começam a tarefa de administrar recursos financeiros que lhes são
diretamente encaminhados e acompanhar os que chegam de forma
indireta, para as respectivas Secretarias de Educação. Atualmente,
muitas escolas públicas vêm recebendo recursos financeiros repassados
pelas respectivas secretarias de Educação Estaduais e Municipais. Além
dos programas de apoio as Secretarias, com repasse de recursos da
União. São várias as possibilidades de aplicação desses recursos e, de
maneira geral, eles fazem parte de programas que possuem destinação
especifica, isto é, são recursos destinados: alimentação escolar; ao
transporte escolar; ao livro didático; biblioteca escolar; saúde escolar e
manutenção da escola. Conforme vimos nas unidades anteriores. Veja o
quadro a seguir:
Da mesma forma que os materiais, o planejamento do ensino
não deve limitar (engessar) as ações, mas prever a atuação didática.
Ele deve orientar a escolha de conceitos e de critérios com o intuito de
garantir oportunidades de construção coletiva. O planejamento requer
uma metodologia e que, para ser efetivo, deve contemplar objetivos,
conteúdo(s), procedimentos, avaliação e bibliografia, tudo permeado
pela reflexão coletiva. Quando adentramos no tema planejamento,
precisamos pensar em conteúdos, objetivos, métodos e procedimentos
e,
por fim, em avaliação.
Para o educador Libâneo (1999) conteúdos de ensino é o
conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, modo valorativo e
atitudinais de atuação social, organizados pedagógica e didaticamente,
tendo em vista a assimilação ativa e aplicação, pelos alunos, na sua
prática de vida.
É muito importante que a escola retome o seu Projeto Político
Pedagógico refletindo sobre o fato de que o conteúdo escolar não
pode ser entendido apenas na dimensão conceitual. É preciso pensar
o
conteúdo escolar também nas dimensões dos procedimentos e das
atitudes. A dimensão factual está muito relacionada com a conceitual.
Libâneo (1999) considera procedimentos de ensino como “as ações,
processos ou comportamentos planejados pelo professor para colocar
o
aluno em contato direto com coisa, fatos ou fenômenos que lhe
possibilitem modificar sua conduta, em função dos objetivos previstos”.
Portanto, os procedimentos de ensino dizem respeito às formas de
66
Políticas Públicas e Gestão da Educação
intervenção na sala de aula. A escola crítica e criativa enfatiza a avaliação dinâmica, em
intervenção na sala de aula.
A escola crítica e criativa enfatiza a avaliação dinâmica, em um
processo que integra a aprendizagem do aluno e a intervenção pedagógica
do professor, no sentido de construir o conhecimento e formar a cidadania.
O ato de avaliar constitui-se no processo da ação-reflexão-ação em que o
professor redireciona o ensino no sentido da aprendizagem, refletindo:
Como o meu aluno aprende? O que é significativo para a sua aprendizagem?
Como se efetiva o ensino?
São essas reflexões que vão orientar a prática pedagógica do
supervisor, permitindo a ele auxiliar a comunidade escolar a redimensionar
asuaintervençãonoprocessodeensino,revendometodologias,alternativas
de trabalho e criando didáticas mais adequados ao desenvolvimento do
aluno.
Políticas Públicas e Gestão da Educação
Tomo a liberdade de apresentar uma proposta metodológica de
aprendizagem, auto-aprendizagem ou aprendizagem pessoal por meio
do mapeamento de informações que tem suas origens na instrução
programada e permite ao usuário decidir como utilizar o conteúdo.
Essa técnica organiza as informaçőes analogamente. Segundo o autor
Romiszowski (1995), o mapeamento de informação é um processo de
preparação de mapas de informação; é constituído de um conjunto de
regras para analisar, escrever, organizar e apresentar qualquer tipo de
informação.
Para a comunidade, o importante é que o administrador escolar
esteja preparado para gerir os recursos que lhe são confiados, de forma a
obter o maior proveito social e educacional possível. Além de que não se
deve levar em conta apenas “quantidade” mas, valoriza principalmente a
“qualidade”.
O Gestor escolar deve almejar o equilíbrio financeiro, ou seja,
R=D (recursos = despesas), visando sempre a melhoria de sua escola
proporcionando melhores condições aos alunos, professores e a
comunidade em geral, com ética e transparência.
67
Para Refletir: BAMBU CHINÊS Você sabia que depois de plantada a semente do bambu chinês
Para Refletir: BAMBU CHINÊS
Você sabia que depois de plantada a semente do bambu chinês não se vê nada
por aproximadamente cinco anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto
a
mas
partir do bulbo?
Durante cinco anos todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu,
uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente
pela terra, está sendo construída.
Ocorre, então, que ao final do quinto ano, o bambu cresce até atingir uma
altura de 25 metros. A respeito disso, um escritor de nome Covey assim escreveu:
“Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês.
Você trabalha, investe tempo, esforço, enfim, faz tudo o que pode para nutrir seu
crescimento. Às vezes não vê nada por semanas, meses, ou mesmo, anos. Mas, se tiver
paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo (seu esforço), seu quinto
ano chegará, e, com ele, virá o crescimento e as mudanças que você jamais esperou ”
O
bambu chinês nos ensina que não devemos desistir facilmente de nossos projetos e
de nossos sonhos! Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida:
a
persistência e a paciência, pois você merece alcançar todos os seus sonhos!
É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade
para se curvar ao chão.
Autonomia financeira das escolas
O art. 15 da LDB dispõe que “os sistemas de ensino assegurarão
às unidades escolares públicas de Educação Básica que os integram
progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de
gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro
público”. Ao lado, portanto, da possibilidade de a escola construir o seu
projeto pedagógico e decidir sobre a sua direção, estabelece o legislador
que as escolas devem poder contar com recursos financeiros e utilizá-
los a seu critério.
Na verdade, trata-se de possibilitar às escolas atender, com
presteza, às necessidades de pequenos serviços ou de compra de
materiais mediante repasse sistemático de recursos pela Secretaria.
Há, ainda, os recursos financeiros que têm sido transferidos pela União,
diretamente para as escolas, como o Programa Dinheiro Direto na Escola
(PDDE), por meio do qual o Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação (FNDE) repassa recursos anuais exclusivamente para as contas
bancárias das unidades executoras das escolas de Ensino Fundamental.
Porém, é sob o enfoque da autonomia da escola e da gestão democrática,
ou seja, da possibilidade de a escola constituir-se em um espaço de decisão
sobre a aplicação dos recursos públicos e de gestão desses mesmos
recursos, que deve ser entendido o referido artigo da LDB. Assim como
qualquer ação que acontece no interior da escola, essa tem importantes
implicações pedagógicas, o que possibilita, concomitantemente, a
construção de novos conhecimentos e o exercício da cidadania.
Planejar o uso de recursos financeiros recebidos pela escola
e fiscalizar a sua aplicação é um processo que pode ser catalisador da
mobilização para que a comunidade participe da vida da escola e uma
oportunidade privilegiada para que a apropriação de informações sobre
financiamento da educação, procedimentos públicos no uso de recursos
financeiros e outros.
68
Políticas Públicas e Gestão da Educação
GESTÃO PEDAGÓGICA E EDUCAÇÃO ESCOLAR COM QUALIDADE SOCIAL Objetivo: Apresentar pressupostos teóricos que
GESTÃO PEDAGÓGICA E EDUCAÇÃO ESCOLAR COM QUALIDADE SOCIAL
Objetivo:
Apresentar
pressupostos
teóricos
que
enriqueçam
a
prática
pedagógica a partir do exercício efetivo da Gestão Democrática.
Frequentar uma escola de qualidade, independentemente das
condições pessoais, sociais, culturais e econômicas, é um direito da
população e uma conquista histórica da sociedade brasileira expressa em
vários dos seus instrumentos legais. No entanto, os dados existentes sobre
o
desempenho dos sistemas de ensino e das suas escolas mostram que há
ainda muito por fazer para que o direito de aprender seja, efetivamente,
exercido pelas crianças e jovens do Brasil. Daí a busca por uma gestão
pedagógica a partir de políticas educacionais comprometidas com a
efetividade das práticas democráticas na sociedade brasileira.
A
qualidade do trabalho da escola ou de qualquer outra instituição
Políticas Públicas e Gestão da Educação
social só pode ser analisada quando se pensa nos efeitos dos serviços
que ela presta à sociedade, da qual é parte integrante. Se a escola pública
brasileira não vem contribuindo, efetivamente, para a construção, por
parte dos alunos e dos seus educadores, de processos de apreensão,
ressignificação e reconstrução de conhecimentos, ela não está cumprindo
as finalidades que uma escola precisa ter no mundo contemporâneo.
O papel social da escola
Uma análise do papel histórico da escola pública brasileira mostra
que ela se estruturou, desde o seu início – e até hoje, em grande medida,
assim se mantém - como uma escola de caráter seletivo, muito mais
do que inclusivo, contribuindo para a manutenção das desigualdades
sociais e econômicas. Isso vai expressar-se nas práticas pedagógicas,
na organização, nas suas formas de avaliação. Essa herança histórica da
escola torna ainda mais urgente a necessidade de discutir sobre o papel
que ela deve exercer em uma sociedade cujos princípios constitucionais
maiores, os quais devem orientar o fazer das instituições, são os princípios
democráticos de participação, construção de autonomia, inclusão crítica
eqüidade.
Quais são as finalidades da educação escolar nos dias atuais? Que
conteúdos, valores e atitudes as escolas e os sistemas educacionais vêm
privilegiando? As práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolas vêm
favorecendo uma formação integral e solidária dos seus alunos? Quais
são as finalidades da educação em países como o Brasil em que boa parte
da população ainda não tem os seus direitos sociais consolidados?
e
A
sociedade humana, vista em sua forma concreta e dinâmica, é
constituída por muitos campos de luta e de relações que se entrecruzam,
produzindo movimentos sociais que refletem disputas políticas,
culturais e sociais. Assim, a depender dos fins que orientam os processos
educacionais, podem ser fortalecidas, tanto práticas sociais que enfatizam
a
competição, tendo como lógica o lucro, quanto práticas democráticas
que buscam a cooperação e o enfrentamento crítico dos conflitos e que
reconhecem a existência de tensões entre as necessidades e interesses
individuais e os valores e direitos coletivos.
Se o papel da escola é o de contribuir para a construção de uma
nova ordem social, é possível orientá-la a aprender, ela mesma, e a
ensinar a partir das divergências em favor de um objetivo democrático
69
maior, sem deixar de enfrentar e compreender a natureza dos conflitos, dando lugar ao debate
maior, sem deixar de enfrentar e compreender a natureza dos conflitos,
dando lugar ao debate e à expressão das várias necessidades e das
diferenças dos seus sujeitos. Isto poderia produzir um ambiente do qual
resultem a assunção coletiva dos problemas, a cooperação voluntária no
trabalho coletivo, a aprendizagem com qualidade social e a repartição
mais igualitária do poder e dos recursos. Se forem essas as finalidades
maiores de uma educação que visa à construção de uma sociedade mais
justa, elas só podem ser aprendidas e realizadas mediante um exercício
contínuo e cotidiano de todos os que são por ela responsáveis.
Assim, uma das tarefas que se constituem como das mais
fundamentais dos dirigentes municipais de educação é a da coordenação
dos esforços na direção da construção de uma escola pública com
qualidade social que tenha um papel significativo no município,
porque será formadora de cidadãos críticos e atuantes, dotados dos
instrumentos que permitam a participação ativa e transformadora na
vida social, econômica e política do mundo contemporâneo. Para tanto,
é de fundamental importância a criação de canais e fluxos que permitam
a gestão, pela secretaria, da política educacional em pelo menos
cinco direções: democratização do acesso, democratização da gestão,
desenvolvimento da qualidade social da educação, financiamento e
gestão administrativa. No que se refere em particular à qualidade social
e ao desenvolvimento do trabalho pedagógico, estes canais e fluxos
devem permitir o estabelecimento de uma relação sistemática entre
secretaria e escolas voltada à elaboração de processos de investigação
sobre os alunos, identificação de necessidades cognitivas e decisões
sobre o currículo (conceituais e metodológicas).
Na sociedade contemporânea, o conhecimento teórico-técnico,
auxiliado pelas tecnologias da informação e pela capacidade de
invenção, vem se tornando às forças produtivas de maior valor, fazendo
com que a educação e a criatividade se constituam em meios necessários
e indispensáveis para uma inserção crítica na vida social e no mundo
do trabalho. Por essa razão, o risco da exacerbação das desigualdades
entre países ricos e pobres é grande, como, também, a produção de uma
nova forma de analfabetismo favorecedor da manutenção do processo
de exclusão social. (SACRISTÁN, 1999. p, 13.) afirma: “A sociedade do
conhecimento coloca as desigualdades no terreno da inteligência e
da cultura, as lutas sociais nas sociedades avançadas são vencidas
ou perdidas, em grande parte, no terreno do simbólico, segundo a
capacidade que tenham os significados divulgados para remodelar ou
implantar o novo senso comum”.
Por isso é vital para os sistemas de ensino o estímulo a uma
discussão local sobre a função social da educação como promotora
da construção de um conhecimento que subsidie e sustente as ações
voltadas para o desenvolvimento social e econômico. Cada vez mais,
esse desenvolvimento se assenta, não só sobre a distribuição do
conhecimento entre as pessoas e o conjunto da sociedade (ELMORE,
IN: MARCHESI) Fracasso escolar: uma perspectiva multicultural. (Porto
Alegre: Artmed, 2004.), como também sobre a sua capacidade de gerar
novos conhecimentos, de aprender a ressignificar a realidade que
continuamente se transforma pela dinâmica de rede da qual faz parte,
em vista do que se explica: “que o importante na sociedade atual não é
apenas aprender e, sim, aprender a aprender ”. (DELORS, (org.), 1999.)
O ZÊLO E ÉTICA PELA INSTITUIÇÃO PÚBLICA COMO ESPAÇO
COMUNITÁRIO - “A Escola Cidadã é aquela que se assume como um
70
Políticas Públicas e Gestão da Educação

centro de direitos e de deveres. O que a caracteriza é a formação para

a cidadania. A Escola Cidadã, então, é a escola que viabiliza a cidadania

de quem está nela e de quem vem a ela. Ela não pode ser uma escola cidadã em si e para si. Ela é cidadã na medida mesma em que se exercita na construção da cidadania de quem usa o seu espaço. A Escola Cidadã

é uma escola coerente com a liberdade. É coerente com o seu discurso

formador, libertador. É toda escola que, brigando para ser ela mesma, luta para que os educandos- educadores também sejam eles mesmos. E como ninguém pode ser só, a Escola Cidadã é uma escola de comunidade, de companheirismo. É uma escola de produção comum do saber e da liberdade. É uma escola que vive a experiência tensa da democracia”. PAULO FREIRE, Arquivos Paulo Freire, 19 de março de 1997.

PAULO FREIRE, Arquivos Paulo Freire, 19 de março de 1997. O que você entende por ÉTICA?

O que você entende por ÉTICA? Segundo o dicionário Aurélio Ética: Estudo dos juízos de apreciação referente à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto.

PARA O EXERCÍCIO DA CIDADANIA DOS DIREITOS DO CIDADÃO

PROCURADORIA

REGIONAL

DA CIDADANIA DOS DIREITOS DO CIDADÃO PROCURADORIA REGIONAL Na Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC),

Na Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), por deliberação de todos os procuradores, não atuam em processos criminais

e de mandado de segurança, concentrando sob sua responsabilidade a

maior parte das atribuições do Ministério Público Federal no que respeita

à defesa dos interesses coletivos (tutela coletiva judicial e extrajudicial), demonstrando, assim, a preocupação dos membros da Instituição, neste Estado, com a área. Por tal razão, além das funções que em nível federal são conduzidas pela Procuradoria (PFDC), especialmente saúde, educação,

cidadania e zelo pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos constitucionais, também responde pelas matérias relacionadas à meio ambiente, patrimônio cultural, patrimônio público (em conjunto com outros colegas), direitos indígenas, minorias

e outra questões constitucionais. Também tem por atribuição aprimorar

a atuação institucional na área de tutela coletiva no Estado, organizando

banco de dados (eletrônico e bibliográfico) e capacitando servidores da área. Os Procuradores da República com atuação na PRDC realizam atividades judiciais, atuando como órgão agente, quando toma a iniciativa de provocar o Poder Judiciário, mediante o ajuizamento de Ações Civis Públicas e de outras ações coletivas. É comum, igualmente, o exercício de suas atribuições através de

Políticas Públicas e Gestão da Educação 71
Políticas Públicas e Gestão da Educação
71
providências extrajudiciais, passando a atuar como órgão interventivo, na defesa dos interesses difusos e coletivos,
providências extrajudiciais, passando a atuar como órgão interventivo,
na defesa dos interesses difusos e coletivos, podendo, inclusive, instaurar
Inquéritos Civis Públicos e outros procedimentos administrativos,
celebrar Termos de Ajuste de Conduta e expedir Recomendações aos
órgãos públicos, para melhoria dos serviços públicos prestados e
respeito aos interesses, direitos e bens cuja defesa cabe ao Ministério
Público promover (Lei Complementar n. 75/93, art. 6 o , XX). Nessa área,
o MPF defende tão-somente direitos difusos, coletivos e individuais
indisponíveis ou de interesse social.
72
Políticas Públicas e Gestão da Educação
O Gerenciamento dos Recursos Financeiros, dos Ambientes e do Patrimônio é importante para o curso
O Gerenciamento dos Recursos Financeiros, dos Ambientes e
do Patrimônio é importante para o curso de Pedagogia, pois tem como
principio norteador apresentar pressupostos teóricos da área de gestão
escolar, tendo como objetivos no princípio de abordar a racionalidade
administrativa na escola, Políticas públicas de apoio. Gestão financeira:
Políticas Públicas e Gestão da Educação
planejamento, execução e controle; A organização da equipe pedagógica
e os recursos financeiros das escolas públicas. O papel do(s) conselho(s)
e
dos outros órgãos representativos da escola. A concepção de tempo e o
espaço escolar. O zêlo pela instituição pública como espaço comunitário.
Projetos de preservação do patrimônio escolar: da tomada de consciência
a
ação comunitária. Os projetos comunitários. O sistema de parcerias. A
representação social da escola na comunidade.
73
A RAZÃO DO EXISTIR DA ESCOLA Objetivo: Consolidar a reflexão da ação transformadora consciente da
A RAZÃO DO EXISTIR DA ESCOLA
Objetivo:
Consolidar a reflexão da ação transformadora consciente da
Importância da Escola e da gestão democrática para a construção de
uma educação voltada para o desenvolvimento do país e de seu cidadãos.
Educar é colaborar para que professores e alunos - nas escolas e
organizações - transformem suas vidas em processos permanentes de
aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade,
do seu caminho pessoal e profissional - do seu projeto de vida,
no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e
comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais,
sociais e profissionais e tornarem-se cidadãos realizados e produtivos.
O
Ensino Aprendizagem, fundamentado e desenvolvido no ambiente
escolar, tem uma conceituação, teórica e prática, que se apresenta
diferente ao longo dos anos. O mesmo acontece com a avaliação. São
diferentes definições que, implícita ou explicitamente, denunciam a
concepção de educação que se faz presente naquela ação pedagógica.
Analise o quadro abaixo e aprofunde seus conhecimentos na
diferenciação de Projetos de Ensino e Projetos de Aprendizagem. O
autor desta forma de ensinar nos afirma que esta será a condição para
os
educadores do futuro:
Fonte: FAGUNDES, L. Aprendizes do Futuro: As inovações começaram Brasília: MEC 1999, p.17
A AVALIAÇÃO
Quando o assunto é avaliação, é muito comum verificarmos que
educadores, de modo geral, direcionam o olhar apenas, e tão somente,
os
aos resultados obtidos pelos alunos no processo de aprendizagem.
Entretanto, há décadas que é possível encontrar pesquisas e estudos
que enxergam a avaliação além dos limites da aprendizagem dos alunos.
De acordo com essa visão mais ampla, mais aberta, do processo
avaliativo, o aluno não é mais o único sujeito da avaliação. As atenções
também são voltadas à turma como um todo, ao coletivo de professores
etc. Da mesma maneira, o objeto da avaliação não fica delimitado, única e
exclusivamente, ao processo de aprendizagem dos alunos. O trabalho do
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Políticas Públicas e Gestão da Educação

professor, por exemplo, é outro elemento possível de estudo da avaliação. Zabala (1998, p.196) construiu um quadro que nos ajuda a compreender essas diferentes definições a respeito da avaliação. Vejamos, então, que é possível perceber o processo ensino aprendizagem, com seus sujeitos e objetos da avaliação, de maneira individual ou coletiva.

O conceito de avaliação

A GESTÃO E A AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL

Compreender e utilizar auto-avaliação da Instituição que atua para descortinarnovosconhecimentoseaçõesnecessáriasparaatransformação necessárias para o contexto atual. Permitir ao aluno uma analise com visibilidade da avaliação realizada das dimensões da Instituição de ensino no qual você esta inserida. Considero um momento muito especial onde junto nesta avaliação do PPP e a avaliação Institucional a partir do quadro abaixo:

“O importante não ‘é fazer como se’ cada um houvesse aprendido, mas permitir a cada um aprender”. (PERRENOUD, 1999, p. 165,) Avaliar deve servir para cada vez mais permitir a cada um aprender!

AVALIANDO DIMENSÕES: O Programa de Avaliação Institucional é uma política da atual gestão que objetiva conhecer de forma sistemática a realidade das diferentes instâncias do Estado, através da intensa participação de seus profissionais, a fim de interferir nesta realidade de forma responsável e efetiva. A Avaliação Institucional na Educação constitui-se num processo sistemático de discussão permanente sobre as práticas vivenciadas na escola, intrínseco à construção da sua autonomia, uma vez que fornece subsídios para a melhoria e o aperfeiçoamento da qualidade do seu trabalho. Essa autonomia não desvincula a escola das

demais instâncias do sistema, uma vez que a Avaliação Institucional articula as demais avaliações, possibilitando uma leitura da totalidade das instituições e do sistema.

que o formando, desde o princípio de sua experiência

formadora, assumindo-se com sujeito também da produção do saber, se convença definitivamente de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. (A Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à prática docente) A avaliação Institucional como política, com definição e implantação de um Programa construído coletivamente, com propostas diferenciadas, contemplando as especificidades das instâncias local, regional e estadual; reelaborando os processos de avaliação existentes e unificando fontes de dados;levantandoexaustivamenteasituaçãodasinstituiçõeseducacionais, mapeando as dificuldades, os problemas, para escolha e implementação de ações corretivas, incluindo a avaliação das propostas de trabalho. Avaliar tem por objetivo criar um movimento emancipatório, formativo e educativo, de complementação, aperfeiçoamento e articulação dos processos avaliativos praticados no Sistema Estadual de Educação de modo a: superar as resistências e desmitificar o caráter da avaliação; revelar a totalidade da realidade escolar e educacional; fornecer subsídios para a reorientação das políticas educacionais e atualização dos projetos político-pedagógicos das escolas e dos planos de trabalho das equipes que atuam no sistema educacional; respeitar as especificidades das modalidades de ensino e a cultura de cada Instituição, reforçando e valorizando sua identidade; envolver, comprometer e co-responsabilizar

“É preciso (

)

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todos na construção de uma educação transformadora, cidadã e socialmente responsável. DIMENSÃO 1:
todos
na
construção
de
uma
educação
transformadora,
cidadã
e
socialmente responsável.
DIMENSÃO 1: Órgãos Colegiados de Gestão
Neste momento vamos analisar o trabalho articulado do Diretor
com o Conselho Escolar, o Conselho de Classe, a APMF e o Grêmio
Estudantil, considerando o enfoque de gestão democrática.
DIMENSÃO 2: Profissionais da Educação
A seguir, contemplam-se as questões relativas aos profissionais
da escola, considerando: seu papel/compromisso/responsabilidade
profissional em relação ao seu próprio trabalho e em relação à instituição
da qual faz parte; condições de trabalho justas e dignas; formação
continuada; respeito aos direitos humanos e trabalhistas.
DIMENSÃO 3: Condições Físicas e Materiais
Vamos analisar as condições concretas de trabalho, a estrutura
física, os recursos financeiros e materiais a partir de um olhar
pedagógico. Pedagógico no sentido de que estas condições são elementos
que contribuem para a efetivação do processo ensino-aprendizagem e,
portanto, estão subordinadas ao pedagógico.
DIMENSÃO 4: Prática Pedagógica
As reflexões acerca da prática pedagógica procuram evidenciar
que não basta que a escola tenha profissionais com conhecimentos
em sua área de atuação. É preciso que estes conhecimentos estejam
inseridos criticamente na realidade socioeconômica e política de nossa
sociedade. Esses conhecimentos também devem estar articulados a
uma prática comprometida com a concretização do processo ensino-
aprendizagem com qualidade e, que essa concretização, se dê baseada
em relações democráticas.
DIMENSÃO 5: Ambiente Educativo
As questões propostas nesta dimensão estão centradas na
idéia de que a escola é o local onde se concretiza o processo ensino-
aprendizagem, e para que esse processo se fundamente na formação
humana é necessário que o ambiente escolar seja inclusivo e que as
relações sejam éticas e democráticas.
DIMENSÃO 6: Acompanhamento e Avaliação do Desenvolvimento
Educacional
As reflexões acerca do desenvolvimento educacional são
apresentadas de forma a ressaltar a responsabilidade da escola e
do sistema como um todo no sentido de fazer um acompanhamento
criterioso desse desenvolvimento, como forma de garantir aquilo que
é direito do educando: a apropriação de conhecimentos científicos,
culturais e tecnológicos significativos, comprometidos com a formação
humana.
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Políticas Públicas e Gestão da Educação

REELABORANDO O SABER E REENCANTAR A EDUCAÇÃO

Objetivo:

Vivenciar a Educação a partir do conhecimento e reconhecimento da Teoria a Práxis do Teórico/ Autor ao Educador.

Necessitamos ter clareza sobre os conceitos de globalização e o neoliberalismo, porque veremos as relações intrínsecas desses movimentos históricos diretamente com a atuação do Pedagogo. É inquestionável o fato de que a história da humanidade é marcada por avanços e permanências e, nesse ritmo, surgem as “descontinuidades”, provocando que não é possível uma linearidade histórica. Hoje, aponta-se a globalização como “mola mestra” de todas as mudanças contemporâneas. Com certeza, nunca se vivenciaram transformações tão rápidas e radicais tanto no âmbito científico e tecnológico quanto no econômico e social, bem como nas faces éticas, políticas e culturais como vivemos hoje, especialmente da década de 1960, do século XX. Detemo- nos pousando nosso olhar sobre as interligações sociais em escala global. Apontamos para as alterações de características internas (íntimas) aos seres humanos. Como não poderia deixar de ser, ambas interferem e afetam as relações pedagógicas intermediadas pelo espaço privilegiado da educação formal humana: a escola. Nesta mesma escala em que ocorre a globalização do capitalismo, verifica-se a globalização do mundo do trabalho. Esse fato vem exigir novas compreensões e responsabilidades sobre o rumo decisivo de todos os avanços da ciência e da tecnologia na formação de profissionais em geral, de profissionais da educação, e na formação para o exercício da cidadania.

PROFISSIONAL COMPROMETIDO COM A LEITURA E A FORMAÇÃO Assim, nunca na literatura pedagógica indicaram-se tanto novos caminhos a serem percorridos, na busca de mudanças paradigmáticas. Apresentarei alguns autores/educadores os quais quero procurar ao apresentar revelar e desvelar para você, aluno (a) do curso de pedagogia, futuro Pedagogo (a), colega de trabalho o encantamento do compromisso de trabalhar com a educação. Vejamos. Como já havia dito anteriormente conhecer Paulo Freire e ter a oportunidade de fazer várias disciplinas junto a PUC - SP e com os discípulos e pesquisadores deste autor enriqueceu de forma si ne qua non minha postura como Educadora e lutadora pela educação:

non minha postura como Educadora e lutadora pela educação: 1 - PAULO FREIRE Em sua obra

1 - PAULO FREIRE Em sua obra Pedagogia da Autonomia, indica três pontos-chave da atuação do educador, dividido em vinte e sete pontos. Vamos vê-los.

NÃO HÁ DOCÊNCIA SEM DISCÊNCIA:

ensinar rigorosidade metódica; ensinar exige pesquisa; ensinar exige respeito aos saberes dos educandos; ensinar exige criticidade; ensinar exige estética e ética; ensinar exige a corporificação das palavras pelo exemplo; ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação; ensinar exige reflexão crítica sobre a prática; ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural.

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ENSINAR NÃO É TRANSFERIR CONHECIMENTO: ensinar exige consciência do inacabado; ensinar exige o reconhecimento de
ENSINAR NÃO É TRANSFERIR CONHECIMENTO: ensinar exige
consciência do inacabado; ensinar exige o reconhecimento de ser
condicionado; ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando;
ensinar exige bom senso; ensinar exige humildade, tolerância e luta
em defesa dos direitos dos educadores; ensinar exige apreensão da
realidade; ensinar exige alegria e esperança; ensinar exige a convicção
de que a mudança é possível; ensinar exige curiosidade.
ENSINAR É UMA ESPECIFICIDADE HUMANA: ensinar exige
segurança, competência profissional e generosidade; ensinar exige
comprometimento; ensinar exige compreender que a educação é uma
forma de intervenção no mundo; ensinar exige liberdade e autoridade;
ensinar exige tomada consciente de decisões; ensinar exige saber
escutar; ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica; ensinar
exige disponibilidade para o diálogo; ensinar exige querer bem aos
educandos.
2 – RUBEM ALVES
“Explico: o que é que se encontra no
início? O jardim ou o jardineiro? É o
jardineiro. Havendo um jardineiro,
mais cedo ou mais tarde, um
jardim aparecerá. Mas, havendo um
jardim sem jardineiro, mais cedo
ou mais tarde ele desaparecerá. O
que é um jardineiro? Uma pessoa
cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os
pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos
daqueles que o compõem” (ALVES, 2000, p. 24-25).
“Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos
fragmentos de futuro em que a alegria é servida como sacramento, para
que as crianças aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola,
ela mesma, seja um fragmento do futuro
Rubem Alves.
3 – PHILIPPE PERRENOUD
Dez Novas Competências para Ensinar
1- Organizar e dirigir situações de aprendizagem;
2- Administrar a progressão das atividades;
3- Conceber e fazer os dispositivos de diferenciação;
4- Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho;
5- Trabalhar em equipe;
6- Participar da administração da escola;
7- Informar e envolver os pais;
8- Utilizar novas tecnologias;
9- Enfrentar os deveres e os dilemas éticos
da profissão;
10- Administrar sua própria formação
contínua.
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Políticas Públicas e Gestão da Educação
3 – EDGAR MORIN Os sete saberes necessários à educação do futuro, contrapondo as certezas
3 – EDGAR MORIN
Os sete saberes necessários à educação do futuro, contrapondo as
certezas e as incertezas das ciências. Afirma que a POLÍTICA PEDAGÓGICA
precisa converter-se em um instrumento que conduza o aprendente a um
diálogo criativo com as dúvidas e as interrogações do nosso tempo, as
cegueiras do conhecimento:
1) O erro e a ilusão;
2) Os princípios do conhecimento pertinente;
3) Ensinar a condição humana;
4) Ensinar a identidade terrena;
5) Enfrentar as incertezas;
6) Ensinar a compreensão;
7) A ética do gênero humano.
Políticas Públicas e Gestão da Educação
O que é COMPLEXIDADE?
Segundo Edgar Morin “À primeira vista, a complexidade é um tecido
(complexus: o que é tecido em conjunto) de constituintes heterogêneos
inseparavelmente associados: coloca o paradoxo do uno e do múltiplo.
Na segunda abordagem, a complexidade é efetivamente o tecido de
acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos,
que constituem o nosso mundo fenomenal. Mas então a complexidade
apresenta-se com os traços inquietantes da confusão, do inextricável,
da desordem, da ambigüidade, da incerteza
Daí a necessidade, para o
conhecimento, de pôr ordem nos fenômenos ao rejeitar a desordem, de
afastar o incerto, isto é, de selecionar os elementos de ordem e de certeza,
de retirar a ambigüidade, de clarificar, de distinguir, de hierarquizar
Mas
tais operações, necessárias à inteligibilidade, correm o risco de a tornar
cega se eliminarem os outros caracteres do complexus; e efetivamente,
como o indiquei, elas tornam-nos cegos.” (MORIN, 1991, pp. 17-19).
4 – HUGO ASSMANN
Considero um dos autores mais atuais
quanto s questões pertinentes a aprendizagem e
a necessidade do professor pensar e repensar seu
papel, nas poucas obras que publicou deixou-nos
um legado de conhecimentos e possibilidades de
nos tornarmos pesquisadores em profundidade na
arte de educar de ensinar e de aprender, destaco três
palavras marcantes para minha vida profissional
que ouvi com sua própria voz e possibilitaram
mudanças significativas no meu ensinar e aprender:
Aprendência
Criativiver
Fraternura
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Referências AGENOR. Metodologia para um Processo de Planejamento Participativo . São Paulo: Paulinas, 1988. AGUIAR,
Referências
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