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E Fóliob

O conto 'Amiga Raposa e Amigo Corvo' de Sylvio Roméro reflete a diversidade cultural brasileira, incorporando influências europeias, indígenas e africanas através de personagens animais que representam traços de comportamento social. A narrativa aborda temas como vingança e traição, utilizando uma moral didática típica dos contos europeus. Assim, o conto não apenas entretém, mas também oferece uma crítica social sobre a amizade e a natureza humana.

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O conto 'Amiga Raposa e Amigo Corvo' de Sylvio Roméro reflete a diversidade cultural brasileira, incorporando influências europeias, indígenas e africanas através de personagens animais que representam traços de comportamento social. A narrativa aborda temas como vingança e traição, utilizando uma moral didática típica dos contos europeus. Assim, o conto não apenas entretém, mas também oferece uma crítica social sobre a amizade e a natureza humana.

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AMIGA RAPOSA E AMIGO CORVO

Para uma análise de um conto, antes de tudo, é necessário saber em quais


circunstâncias este conto surgiu. Para além de questões estéticas e classificações, torna-
se fundamental conhecer um pouco da história por trás do seu “nascimento”. Neste
caso, em termos no que diz respeito à sua origem, o conto Amiga Raposa e Amigo
Corvo presente no livro Contos Populares do Brazil, do escritor Sylvio Roméro (1851-
1914), apresenta-se múltiplo e diversificado.

Como a própria história do Brasil comprova, foram muitas as influências


recebidas na formação se sua cultura e de seu povo, europeus, indígenas e africanos,
conceberam ao povo brasileiro sua identidade, através da transmissão de costumes de
cada um desses povos. No presente conto, observa-se também essa múltipla intervenção
cultural, que caracteriza o povo brasileiro, pois, apesar de apresentar-se como um conto,
este bem poderia apresentar-se como uma fábula.

Essa classificação diversificada quanto à sua narrativa, deve-se ao facto de que


no conto, assim como nas fábulas, os personagens são apresentados não humanos e sim
animais. Esta característica é muito comum entre os indígenas e também nos cultos
africanos que utilizavam-se dos animais para a representação de um modelo de
sociedade, pois os animais e as forças da natureza, eram modelos a serem seguidos e
preservados, facto que, erroneamente, caracterizou a cultura indígenas e os cultos
africanos, como selvagens e satânicos diante dos europeus.

Os personagens do conto são: a raposa, o corvo, o gambá, o caracará, a onça, e o


galo, e em cada um constata-se o desejo de sobrevivência e vingança, a raposa com seu
instinto voraz, sempre a comer e vingar-se, o gambá fedorento e preguiçoso, o caracará
muito audacioso e provocativo, com afirmações dignas de uma pessoa com um ego
elevado, e o corvo que demonstra um destacável sentimento de vingança diante da
adversidade.

Deste modo, confere-se no conto a história da raposa e de seu amigo corvo que
saem em viagem, junto aos outros amigos que cada um escolhe para acompanhar,
respetivamente o gambá e o caracará, porém em determinado momento param na casa
da amiga onça para jantar e dormir, a onça acabara de trazer a comida que era um
carneiro, e somente a raposa pôde comer e todos ficaram com fome, logo depois todos
foram dormir, porém o corvo e o caracará acabaram por comer os filhos da onça, de
tanta fome que tinham, deixando a raposa em uma situação desconfortável com sua
amiga onça.
No dia seguinte, a raposa trama a vingança contra seus “supostos” amigos que a
traíram. Já na casa do galo, esperam que todos comam e no momento em que todos vão
dormir acabam atacando os bicudos, corvo e caracará, junto à suas amigas, dando fim à
vida dos dois. Neste ponto final do conto, observa-se a tentativa de apresentar uma
“moral da história” característica dos contos europeus, que além de divertir e fazer rir,
muitas vezes possuem a função didática e moral, para que assim a sociedade, através
das histórias contadas, se molde de acordo com os ensinamentos morais das histórias.

Outro ponto que corrobora para a múltipla influencia de tradições, é que neste
conto, os personagens, neste caso os animais, não são apenas animais presentes nos
contos de uma influencia, e sim de todas elas, por exemplo, a raposa, é presente tanto
nos contos portugueses, quanto nas fábulas indígenas e africanas. Do modo contrário,
também se faz notar as diferenças, ou seja, os animais apresentados têm também em sua
determinada cultura o seu culto e particularidade, é o caso do caracará, animal presente
no Brasil, de nome originário da cultura indígena.

Por seu caráter didático, este conto pode remeter aos modelos de comportamento
social, pois nele são inseridos pontos e traços de personalidades dos animais, que
também poderiam representar traços do caráter humano. Pois a vingança é um
sentimento humano cuja origem muitas vezes provém do desgosto e deceção diante de
um facto inesperado por parte de quem se tem afeição. O comportamento falsamente
amigável apresentado no inicio do texto, é comum na sociedade, onde numa esforço
contra a solidão, todos dizem serem amigos de todos, mas na hora da necessidade,
poucos são os que ajudam.

Do mesmo modo em que a vingança é algo tão comum à necessidade humana de


sentir-se em vantagem diante de alguma contrariedade. Nestes pontos, o conto, serve
como modelo de comportamento social, ainda que seja um comportamento inapropriado
para o convívio entre pessoas, pois uma vez “traída” a raposa decide vingar-se, porém
antes mesmo de sua vingança, o próprio ato do corvo e do caracará já era em si, um ato
vingativo diante do “egoísmo indireto” da raposa quando somente ela pôde comer na
ceia na casa da onça.

Conclui-se que neste conto, as múltiplas influências que formaram a cultura


brasileira se faz presente, tanto no que se refere ao género narrativo, quanto à
representação de costumes e reflexos sociais. E que todos os traços das culturas
apresentadas no conto, corroboram para a consolidação da imagem diversificada que
caracteriza a cultura brasileira.

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