Introdução
As liberdades públicas são pilares fundamentais do Estado Democrático de Direito, consagradas na
Constituição da República de Moçambique (CRM). Elas incluem direitos como a liberdade de expressão,
de associação, de manifestação, de imprensa, entre outros. Contudo, apesar do quadro legal
relativamente robusto, o exercício prático dessas liberdades enfrenta diversos desafios no contexto
moçambicano.
1. Desafios no Exercício das Liberdades Públicas
a) Restrição administrativa e repressão estatal
Em alguns casos, as autoridades impõem barreiras burocráticas ou repressão policial contra
manifestações públicas, greves ou reuniões, violando os direitos previstos nos artigos 52 e 53 da CRM.
b) Intimidação da imprensa e censura indireta
Jornalistas e órgãos de comunicação enfrentam pressões políticas, ameaças, e falta de proteção
institucional. Isso limita a liberdade de imprensa e de informação (Art. 48 da CRM).
c) Fraca cultura democrática e participação cidadã
A falta de educação cívica e o medo de represálias contribuem para a apatia social e o baixo
envolvimento popular em questões políticas e sociais.
d) Instrumentalização do sistema judicial
Em certos casos, o sistema judicial é utilizado para silenciar vozes críticas por meio de processos por
difamação ou calúnia, sem um devido equilíbrio entre liberdade de expressão e proteção da honra.
e) Desigualdades sociais e regionais
O acesso desigual à informação, educação e justiça dificulta o exercício pleno das liberdades públicas,
especialmente nas zonas rurais ou comunidades marginalizadas.
2. Propostas de Soluções Jurídicas Viáveis
a) Reforço das garantias constitucionais com legislação clara
Elaborar ou rever leis que regulamentem o exercício das liberdades públicas com maior clareza e
segurança, como leis sobre manifestações públicas, acesso à informação, e proteção a jornalistas.
b) Capacitação das autoridades e forças de segurança
Promover formação contínua em direitos humanos para polícias, administradores e magistrados, a fim
de garantir o respeito aos direitos fundamentais.
c) Fortalecimento da sociedade civil e da educação cívica
Incentivar organizações não governamentais, escolas e universidades a promoverem educação para a
cidadania, para desenvolver a consciência crítica e o exercício ativo das liberdades.
d) Proteção legal para jornalistas e denunciantes
Criar mecanismos legais eficazes para proteger jornalistas e whistleblowers, garantindo-lhes o direito de
informar sem medo de represálias.
e) Criação de instituições independentes de fiscalização
Fortalecer órgãos como a Comissão Nacional dos Direitos Humanos e a Provedoria de Justiça, com maior
autonomia, recursos e poder de intervenção.
Conclusão
Embora a Constituição moçambicana reconheça e proteja amplamente as liberdades públicas, sua
concretização enfrenta obstáculos estruturais, políticos e sociais. O enfrentamento desses desafios exige
vontade política, reforma institucional e compromisso jurídico com os direitos humanos. Só assim será
possível construir uma democracia sólida, plural e participativa em Moçambique.