0% acharam este documento útil (0 voto)
184 visualizações3 páginas

O Ciclo Arturiano

O Ciclo Arturiano, que se desenvolveu entre os séculos XII e XV, é um conjunto de lendas sobre o Rei Artur e suas batalhas, baseado em relatos históricos como a Batalha do Monte Badon. Escritores como Geoffrey de Monmouth e Chrétien de Troyes moldaram a figura de Artur, transformando-o de um líder militar em um rei mítico cercado de cavaleiros e aventuras. A literatura arturiana continua a influenciar obras contemporâneas, refletindo a busca pela identidade nacional britânica e os valores da Idade Média.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
184 visualizações3 páginas

O Ciclo Arturiano

O Ciclo Arturiano, que se desenvolveu entre os séculos XII e XV, é um conjunto de lendas sobre o Rei Artur e suas batalhas, baseado em relatos históricos como a Batalha do Monte Badon. Escritores como Geoffrey de Monmouth e Chrétien de Troyes moldaram a figura de Artur, transformando-o de um líder militar em um rei mítico cercado de cavaleiros e aventuras. A literatura arturiana continua a influenciar obras contemporâneas, refletindo a busca pela identidade nacional britânica e os valores da Idade Média.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF ou leia on-line no Scribd
ARTE & FATO | Literatura = CICLO ARTURIANO Os romances épicos sobre o mitico Rei Artur, popularizados principalmente entre os séculos XIl e XV, sao pecas essenciais da Matéria da Bretanha, um conjunto de lendas de origem britanica que evocam a propria construcao do pais as histérias em quadrinhos ‘até os mais épicos filmes do cinema,a lenda do Rei Artur esta inserida no imaginé- to popular e é um dos assuntos mais discutidos por aficionados em histéria medieval, apalxonatios por seus contos aventuras repletas de batalhas monu- rmentais e cavaleiros vestindo armadu- ras brilhantes, Como término da ocupa- ‘do romana na Bretanha no século V, 0 que hoje chamamos de Inglaterra era,na vverdade, uma porcao de tribos espalha- das pela ilha, ainda sem um lider que os tunificasse. Com o avango das invasves anglo-sax6nicas, a unio entre seus Ii- eres era necesséria, culminando em diversas batalhas, dentre elas, Batalha cdo Monte Badon, No século VI, o monge Gildas rela- tou a Batalha do Monte Bacon em seu livro De Excidio et Conquestu Britan- niiae (Sobre a Ruina e Conquista da Bretanha), descrevendo a vitéria dos bretdes sobre os anglo-sax0es, inician- do entao umn quebra-cabega historic que é montado até hoje. Embora Gildas nao mencione Artur em nenhum mo- mento do texto, Ambrésio Aureliano © 0 Rei Vortigern faze parte dos ma- nuscritos, tornando-se, alguns séculos depois, elementos essenciais da lite- ratura arturiana. Os relatos de Gildas do uma fonte histérica rarissima da época e, ainda que no identifiquem 0 local e data exatos da batalha, criaram lum grande precedente histérico sobre ‘este enfrentamento decisive para con: tera avanco dos anglo-saxces, 56 | LETURAS DA HISTORIA Por Maicon Leite A Batalha do Monte Badon foi nova- mente mencionada nos textos atribui- ddos ao clérigo galés Nennius, que em Historia Brittonum (Histéria dos Bre- 160s), no século IX, relata a vitéria de ‘Artur sobre os anglo-saxées apés doze batalhas, todas elas lideradas por Artur: “Foi entdo que o magnanimo Artur, com todos os ris e forcas militares da Breta- nha, Iutou contra os saxdes. E embora houvesse muitos mais nobres do que ele, ainda assim ele foi doze vezes escolhido ‘como seucomandante foi muitas vezes ‘oconquistador" Na otava batalha, ocor- rida perto do castelo de Gurnion, “Artur levava a imagem da Santissima Vingem, mie de Deus, sobre seus ombros,e atra- vés do poder de nosso Senor Jesus Cris- toe da Santa Maria, puseram os saxdes ‘em fuga eos perseguiuo dia inteiro com ‘grande matanca’ Anais de Gales No titimo e decisivo embate, “Artur penetrou na colina de Badon. Nessa Davalha, novecentos e quarenta catram apenas com suas maos, ninguém além do Senhor Ihe proporcionava assistén- cia. Em todas estas batalhas os britani- cos foram bem-sucedidos. Pois nenhu- ma forca pode valer contra a vontade do Todo-Poderoso’ Além disso, Artur, que aqui é mencionado como Duque de Guerra (ou lider militar ~ Dux Belforum, ‘em latim), e no como rei, teria derrota- do o impressionante nimero de 940 ini- rmigos,e, segundo Nennius,“ninguém os ‘golpeou, exceto o proprio Artur, eem to das as batalhas ele saiu como vencedor’. Na crénica em latim Annoles Cam- briae (Anais de Gales), escrita no século X,a Batalha do Monte Badon teria acon- tecidoem 516, citando também abatalha final de Artur contra seu filho Mordred em 597, a Batalha de Camlann. Nesta verstoda batalha,“Arturcarregouacruz de nosso Senhor Jesus Cristo por trés dias e tes noites sobre seus ombros e o8 betes foram os vitoriosos". Os Anais de Gales listam diversos acontecimen- tos importantes corridos na Bretanha desde o ano de 453 até 954, incluindo os anos denascimentoe morte dereis e clé- rigos, batalhas e os anos em que pestes assolaram a ilha, Destaca-se na obra “a ‘conversio de Constantino (rei da Breta- nha) ao Senor’, em 589, tratando-se do Rei Constantino Il tido como sucessor de Arturao trono nos romances arturla- ‘nos posteriores, Com esse pano de fundo historico, relatado em textos da Alta Idade Média, ‘escritores do século XII deram o ponta- pé inicial no que chamamos de Ciclo Ar- turiano, envolvendo Camelot, a Tavola Redonda, 0 Santo Graal e amor cortés, ‘ctiando os tipicos romances de cavala- ria, Aqui.o Artur histérico, um chefe mi- litar, viraria um rei envolto em uma ar- madura brilhante, disposto a lutar pela Bretanha até a morte, Popularidade na Idade Média Buscando referéncias na mitologia celta, na tradicao oral e em uma inf niidade de fatos histéricos, inclusive nos manuscritos de Gildas e Nennius, © clérigo galés Geoffrey de Monmouth Err ARTE & FATO | Literatura = tornou-se a linha de partida para a cria- ga0 de Artur como conhecemos hoje, forjando uma obra que mescla realidade fantasia, a Historia Regum Britanniae (Historia dos Reis da Bretanha),crénica escrita entre 1130 e 136 como intuito de criar uma identidade nacional apés 2 conguista normanda em 1066. (© manuserito conta, cronologicamen- te, historia dos reis bretoes, citando os troianos como os verdadeiros fundado- res da Bretanha, logo apés 0 término da ‘Guerra de Troia, até chegar as conguistas anglo-saxénicas do século VII. Desprovi- do de fatos que comprovem a autentic- dade de muito que érelatado, Geoffrey da rmargem para que a obra seja meramente fantasiosa. Todavia,era preciso criar um hheréi invencivel, que carregasse em seu sangue o DNA briténico, de uma linha- ‘gem pura echela de virtudes. ‘Ainda no século XII, o autor francés Chrétien de Troyes ganhou destaque ao cescrever sobre Rei Artur de uma forma diferente, focando ochamado"amor cor- ts", dando forma aos romances de cava- latia. Em seus cinco poemas, escritos centre as décadas de 70 e go, Chrétien passela com criatividade entre temas ue envolvem aventuras de cavaleiros dda corte do Rei Artur, como seu prime- ro poema, Erece Enida, que é tido como © primeiro romance do cielo, abrindo ‘caminho para uma infinidade de livros que sao langados até hoje em nome do mito brerao, Retorno de Avalon Em suas outras obras, Cligés, Lancelot, © Cavaleiro da Charrete ivain, o Cavalet 10 do Leto, e Perceval o Conto do Graal, ‘Chretien elenca a ralnitia Guinevere, Sit Bors, Sir Galahad, Sir Gawain, Sir Perce- val, 0 cavaleiro Meleagant, Sir Kay, 0 Rel Bandemagus e outros personagens len- darios da Tavola Redonda, Chrétien mor- reu antes de finalizar Perceval, Conto cdo Graal, que mais tarde seria revisto por Robert de Boron, poeta francés que es- ccreveu poemas sobre José de Arimateia, Merlin e Perceval, lgando-os diretamen- tea histéria do Santo Graal. Entre os séculos XII e XV hé uma ‘grande variedade de livros e poemas de- dicados a literatura arturiana, destacan- 58 | LETURAS DAWISTORIA do 0 riquissimo trabalho de Sir Thomas Mallory, que em meio as diversidades de ssua turbulenta vidaescreveu A Morte de Artur, um dos principais livros do ciclo, publicado postumamente em 1485 pelo editor William Caxton, quinze anos de- poisda morte doautor.A propria vida de Mallory renderia um bom livro, pois € ‘corcada de crimes e conspiragées contra ‘a monarquia, ¢ a versio mais aceita so- breacriagao de A Morte de Arturédigna de nota: trancafiado na prisio de New- gate, em Londres, ele teria escrito olivro ali mesmo, no final da década de 1460, ¢ ‘quando foi libertado, em 1470, aprove tou apenas alguns meses de vida antes de morrer, deixando um manuscrito nico para a posteridade. Rei imbativel Na concep¢ao original do autor, obra levaria titulo deO Livro Completodo Rei Artur e seus Nobres Cavaleiros da Tavola Redonda, mas gracasa Caxton oconhece- ‘mos pelonome atual.A obra engloba tra- ‘dugbes de textos franceses e ingleses do séc. XIll e dividido em 21 livros, contan- ddo desde a trama de Uther Pendragon e Merlin paraconquistar Igraine atéamor- te de Artur. Dos manuscritos medievais do séculoV até0os dias dehoje,a figura de ‘Artur continua sendo objeto de estucdos, ‘endo éraro encontrarmos pesquisas ten- tando decifrar os mistérios deste lend- rio representante da Inglaterra, que, se- ‘gundo a lenda, retomara de Avalon para ‘governaro pais novamente. ‘literatura arturiana contemporanea muito rica, a qual livros como Brurmas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, e ‘As Crénicas de Artur, do extremamente ewalhista Bernard Cornwell, fmecem ‘suas proprias versdes da lenda, que nun- ‘ca deixa de ser fascinante, A influéncia na literatura arturiana atingiu também escritores como George R. R. Martin J.R.R. Tolkien, este diltimo responsével pelo livro A Queda de Artur, um poema Jnacabado e editado postumamente pelo ‘seu filho Christopher Tolkien. O leitor mais atento notaré varias ssemelhancas do poema com a Terra Mé- dia, sobretudo com suas batalhas 6picas fe lugares. fantasticos © primeito livro que Tolkien publicou, Curiosamente, em 1925, foi Sir Gawain e 0 Cavaletro Verde, baseado em fontes do sé[Link] sobre um pitoresco poema envolven- do o sobrinho de Artur, Sir Gawain, © um cavaleiro gigante pintado de verde. © ciclo arturiano evoca um retrato da prépria época em que fo- ram escritos, com uma visdo roman- ta dos cavaleiros medievais e seus costumes, intimamente ligados a nobreza eo seu dever com os valores morais vigentes. ‘Ocaréter de re imbativel era tudo ‘que os nobres da Idade Média dese- javam. E se realmente existiu a figu- ra do Rei Artur, ele provavelmente era algum lider guerreiro sem toda a oma criada pelos escritores da Bai- xa Idade Média,talvez até mesmo um nativo com sangue miscigenado en- te celtas e romanos lutando contra as invasdes anglo-saxénicas, Em artigo publicado na revista norteamericana Arthuriana, em 1995, 0 especialista Geoffrey Ashe tencerra 0 assunte: “Depois de pro- longado debate, a busca pelo ‘Artur histrico’ permanece inconclusiva, devido & natureza das evidéncias ue os historiadores levam em con- sideragdo, Possibilidades surgem, no entanto, de evidéncias de outro tipo. A investigagdo literéria pode levar a percepcao histérica e identificar ‘uma figura de Artur que foi reconhe- ida em varios momentos, mas nao considerada adequadamente™.) TOLKEN, Le. A Que de Arr WME ASHE, Got. The DscoveryafKing Abu. Henny Hot and Compey. 97. The Caneot Project Dsponivel em hpsfibsoehestr edu camelot project Ricardo Costa Disporivel em wi. [Link], The Ancient Tents, Dspoiven em wn anclentets or. Project Gtenbee Opnivel em tp vantage. Macon ete jas, assessor dempensa, _raduando em strana FACCAT cules Intados de Taqura-R5) ecoatord lio Td no Songu! ~ Histna do Rock Peso Gaicho ([Link]). rbga que conta istria hea etl ach desde seus més

Você também pode gostar