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ETNOMATEMÁTICA

Matemática, Ética

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Aluno: Elion Elias da Silva Santos

Questão 1°
A Etnomatemática propõe uma compreensão da matemática radicalmente mais ampla e
inclusiva do que a visão acadêmica tradicional, rompendo seus limites de várias maneiras
fundamentais, segue alguns exemplos abaixo:

1.​ Descentralização do Conhecimento:

Para além da Europa: Rejeita a ideia de que a matemática é um produto exclusivo da


tradição greco-europeia. Demonstra que diversas culturas (indígenas, africanas, asiáticas,
comunidades tradicionais, grupos urbanos) desenvolveram e desenvolvem sistemas
matemáticos sofisticados e válidos.

Para além das Academias: Reconhece que a matemática não nasce apenas em
universidades ou centros de pesquisa formais. Ela surge e é praticada em contextos
cotidianos, artesanais, comerciais, agrícolas, rituais, lúdicos e de sobrevivência.

2.​ Contextualização Cultural:

Matemática Viva: Entende a matemática não como um corpo abstrato e universal de


verdades, mas como um conjunto de práticas, técnicas e conhecimentos (generativos,
classificatórios, contagem, medição, inferência, etc.) intrinsecamente ligados à cultura, à
linguagem, aos valores, às necessidades e à visão de mundo de um grupo específico.

Sentido e Finalidade: Enfatiza que o significado e a finalidade das práticas matemáticas só


podem ser plenamente compreendidos dentro do contexto cultural que as gerou. O que é
contado, como é medido, quais padrões são valorizados – tudo isso é culturalmente
determinado. E entre outros exemplos.

OBS/Reflexão: A Etnomatemática rompe os limites da matemática acadêmica tradicional ao


mostrar que “a matemática é plural”. Ela existe em múltiplas formas, profundamente
enraizadas nas práticas culturais e nas formas de vida de todos os povos. Ao fazer isso, ela
desafia a hegemonia cultural ocidental no campo matemático, promove a justiça cognitiva,
revela a riqueza da diversidade do pensamento humano e oferece caminhos para uma
educação matemática mais democrática, contextualizada e significativa. Ela nos convida a
ver a matemática não como uma torre de marfim, mas como uma paisagem diversa e
vibrante de saberes humanos. (Ubiratan D'Ambrosio, principal idealizador do programa
etnomatemático, foi fundamental para essa visão transformadora).

Questão 2°

A valorização das práticas matemáticas de diferentes culturas é um pilar central da


Etnomatemática e contribui decisivamente para uma educação matemática “mais inclusiva e
representativa” de várias maneiras fundamentais:

1.​ Validação das Identidades e Experiências:


"Você pertence aqui": Quando os saberes matemáticos da comunidade do aluno (indígena,
quilombola, ribeirinha, periférica, rural, etc.) são reconhecidos e incorporados em sala de
aula, os alunos se veem representados. Isso envia uma mensagem poderosa: "Seu
conhecimento, sua cultura e sua história têm valor na matemática".

Combate à inferiorização: Desmonta a ideia de que a matemática "verdadeira" só vem dos


livros ocidentais, combatendo sentimentos de inadequação e exclusão frequentemente
experimentados por alunos de grupos marginalizados.

2.​ Ponto de Partida Significativo e Contextualizado:

Da vida para a abstração: Partir de práticas familiares aos alunos (como padrões em
trançados, estratégias de negociação em feiras, técnicas de construção, jogos tradicionais,
agricultura, astronomia cultural) cria uma ponte concreta entre o mundo vivido e os
conceitos matemáticos formais.

Sentido e Relevância: A matemática deixa de ser um conjunto abstrato de regras e se torna


uma ferramenta para entender e interagir com o próprio contexto cultural e social do aluno,
aumentando sua motivação e engajamento.

3.​ Enriquecimento Conceitual e Diversificação de Perspectivas:

Múltiplas Soluções, Múltiplos Caminhos: Mostrar como diferentes culturas resolvem


problemas semelhantes (e.g., sistemas de contagem, medição, classificação, orientação
espacial) demonstra que existem diversas formas válidas de pensar matematicamente. Isso
amplia o repertório cognitivo dos alunos e desenvolve flexibilidade de pensamento.

Conceitos em Novos Contextos: Práticas culturais podem ilustrar conceitos matemáticos


complexos de maneiras únicas e acessíveis (e.g., simetria em arte indígena, proporção em
cerâmica, topologia em nós, probabilidade em jogos de estratégia).

Desafio ao Universalismo: Expõe os alunos à ideia de que a matemática não é neutra ou


universal, mas sim influenciada por contextos culturais, históricos e sociais.

Questão 3°

A integração da perspectiva etnomatemática no currículo escolar, embora transformadora,


enfrenta desafios complexos que exigem reflexão crítica e apoio institucional. Eis os
principais obstáculos identificados por educadores e pesquisadores:

1.​ Formação Docente Insuficiente:

Desconhecimento teórico: Muitos professores não tiveram contato com a Etnomatemática


durante sua formação acadêmica, desconhecendo seus fundamentos e metodologias.

Falta de repertório cultural: Dificuldade em identificar e analisar práticas matemáticas em


culturas diversas (especialmente indígenas, africanas ou populares), por limitações na
própria formação cultural.
Resistência epistemológica: Romper com a visão tradicional da matemática como "universal
e neutra" exige uma desconstrução pessoal e profissional desafiadora.

2.​ Falta de Recursos e Materiais Didáticos:

Carência de materiais contextualizados: Escassez de livros, atividades e sequências


didáticas que integrem saberes matemáticos de diferentes culturas de forma autêntica (não
folclorizada).

Acesso a fontes confiáveis: Dificuldade em encontrar registros precisos sobre sistemas


matemáticos não ocidentais (ex.: sistemas de medição africanos, padrões geométricos
indígenas).

3.​ Pressões Curriculares e Avaliativas

Grade curricular rígida: Priorização de conteúdos "tradicionais" e cobrança por resultados


em avaliações padronizadas (como o ENEM ou provas internacionais), que ignoram
dimensões culturais.

Tempo insuficiente: A abordagem etnomatemática exige pesquisa, diálogo com a


comunidade e elaboração de projetos interdisciplinares, o que colide com a rotina acelerada
das escolas.

4.Riscos de Superficialidade ou Exotização:

Folklorização: Reduzir culturas a elementos decorativos (como "padrões indígenas" sem


contextualização histórica ou significado matemático).

Apropriação indevida: Usar saberes tradicionais sem permissão, consulta ou


reconhecimento das comunidades detentoras desses conhecimentos.

Simplificação: Tratar sistemas matemáticos complexos como "curiosidades", sem explorar


sua lógica interna ou profundidade conceitual.

5. Desafios Práticos de Implementação:

Contextos urbanos heterogêneos: Como trabalhar a diversidade em salas com alunos de


múltiplas origens, sem reduzir culturas a estereótipos?

Acesso às comunidades: Dificuldade em estabelecer parcerias com detentores de saberes


tradicionais (pajés, mestres artesãos, anciãos).

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