Evolução da relação entre peso e altura e peso e idade em crianças de 3 meses a 6 anos assistidas em creche, Sorocaba (SP), Brasil1

Ana Maria Segall Corrêa,2 Neusa Nunes da Silva e Gonçalves,2 Aguinaldo Gonçalves,3 Gabriela Picarelli Russo Leite2 e Carlos Roberto Padovani3

RESUMO

As condições nutricionais da população brasileira melhoraram nas últimas 3 décadas. Mesmo assim, é pouco conhecido o papel da assistência oferecida por instituições públicas ou filantrópicas que atendem crianças préescolares de baixa renda e de maior risco nutricional. Visando avaliar o impacto nutricional do programa municipal de assistência alimentar em creches do município de Sorocaba, Estado de São Paulo, Brasil, realizou-se um estudo quase-experimental. Durante 1 ano, em quatro observações trimestrais, acompanhou-se a evolução no peso e altura de 444 crianças de 3 meses a 6 anos completos: 164 assistidas em uma creche (grupo de intervenção) e 280 não assistidas (grupo de não intervenção), residentes na área adstrita à creche porém não freqüentes à mesma, e identificadas em censo específico. Depois de colhidos termos de assentimento e executado um pré-teste, profissionais e alunos universitários entrevistaram as mães das crianças participantes no estudo, segundo técnicas e condições padronizadas. A antropometria foi realizada por dupla de investigadores, um deles sempre fixo na equipe, com equipamentos aferidos pela agência técnica regional. Avaliou-se a concordância entre a primeira observação e as observações subseqüentes, com estratificação da população em três grupos de escores z de peso para idade e peso por altura (tendo como referência as curvas do National Center for Health Statistics) verificados ao início do estudo e em três faixas etárias (menores de 24 meses, de 24 a 36 e maiores de 36 meses). Os grupos de intervenção e não intervenção foram semelhantes quanto às condições sóciodemográficas, exceto trabalho materno (as mães no grupo de intervenção trabalhavam fora com maior freqüência); foram significativamente distintos quanto à idade (mais velhas no grupo de intervenção), condições nutricionais (piores no grupo de intervenção) e prevalência de internação hospitalar anterior (maior no grupo de

onde políticas setoriais são introduzidas e suprimidas sem a devida reflexão. permitindo concluir que a assistência na creche melhorou a nutrição das crianças atendidas. Sabe-se. maior acesso da população aos serviços de assistência à saúde e aumento de cobertura de programas de suplementação alimentar. entretanto. Entre crianças menores de 5 anos houve. a prevalência da desnutrição no Nordeste rural é de 25%. Brasil. Segundo Batista Filho (3). São Paulo.intervenção). Já nos primeiros 3 meses. resultando na manutenção de proporções elevadas de desnutrição no meio rural: enquanto a média nacional situa-se em 19%. definição precisa de estratégias viáveis e avaliação de resultados das intervenções realizadas. também. não permitem entender a ação de cada um dos fatores implicados na ocorrência da desnutrição. As contribuições referidas são importantes para a compreensão do impacto das políticas públicas do país. em todo território nacional. o declínio da desnutrição pode ser explicado (2) pela expansão do saneamento básico. níveis crescentes de escolaridade materna. sendo o déficit no centro-sul do país de 5%. com o objetivo de avaliar o impacto nutricional do programa municipal de alimentação escolar. Não abordam. Nestas regiões encontraram-se. entre os menores de 5 anos. A diferença favorecendo o grupo de intervenção aumentou com a duração da intervenção e foi maior entre crianças mais velhas. neste período. as doenças carenciais destacam-se sobremodo no conjunto de agravos endêmicos da realidade brasileira. . dado seu caráter comparativo e histórico. É importante salientar que estas medidas favorecem mais os grupos urbanos. diminuição importante da prevalência de retardo de crescimento. desenvolvido em creches naquela cidade. o que acaba levando a graves descontinuidades administrativas. mantendo-se. que o planejamento e a gerência dos serviços na área social têm prescindido com freqüência de diagnóstico de situação. ainda. diferenciais regionais desfavoráveis para residentes das regiões Norte e Nordeste (2). proporções de déficit de altura para idade de 17 e 13% respectivamente. eventualmente comprometendo os avanços alcançados até então (4). enquanto no grupo de não intervenção apenas 13% apresentaram melhora. A análise das condições nutricionais da população brasileira nas últimas 3 décadas (1) aponta para uma evolução favorável entre 1974 e 1996. Embora a gênese destas doenças se situe no plano macroeconômico. em 1996. entretanto. a presente investigação foi desenvolvida a pedido do governo municipal de Sorocaba. Levando em conta estes fatores. 32% das crianças no grupo de intervenção migraram para estrato de status nutricional superior. o papel da assistência aos pré-escolares em instituições públicas ou filantrópicas que atendem preferencialmente crianças de baixa renda e de maior risco nutricional.

foi necessário realizar um censo nestes bairros a fim de identificar as crianças e obter dos pais ou responsáveis. Os lactentes recebem ajuda das assistentes e os maiores servem-se. As condições locais de operação de creches nos bairros periféricos permitiram a utilização de metodologia epidemiológica de análise de intervenção. não resultou de processo de amostragem casual. fizeram parte do GI aquelas que atenderam aos critérios de inclusão (descritos mais adiante). O delineamento. Por opção da administração local. Na primeira observação. por razões éticas. à livre demanda. Para acompanhar estes grupos. não haviam se apresentado ao processo. foram feitas quatro observações consecutivas. observando critérios etários e hábitos alimentares locais. Nestas unidades. a merenda escolar está integralmente municipalizada em mais de 100 escolas que compõem o sistema. 23 escolas oferecem atendimento integral (cuidados gerais e alimentares) a crianças de 3 a 78 meses (6. Em decorrência. ou de intervenção em populações (6). sob supervisão. almoço. ou aqueles que não concordaram em participar. optou-se por buscar nos domicílios as crianças das Vilas Sabiá.5 anos). para inscrição em lista de vagas e da preferência dada pelas creches aos filhos de mães trabalhadoras. duas creches inauguradas no ano letivo de 1995 e cujas populações de respectivas áreas de cobertura não haviam sido ainda beneficiárias de programas oficiais de suplementação alimentar. o presente estudo observou apenas as crianças da Vila Sabiá e setores adjacentes (bairros Zacarias e João Romão). mas sim. por qualquer motivo. intencional. do processo de auto-seleção. com o auxílio dos técnicos da Secretaria de Educação e Cultura de Sorocaba. porém residentes na área. com intervalos de 3 meses entre si. Como apenas em uma das áreas foram identificados grupos de intervenção e não intervenção residentes na mesma área geográfica. O cardápio é composto predominantemente por produtos não industrializados. a assistência alimentar atende a 100% das necessidades calórico-protéicas dos usuários. Todos os matriculados na creche da Vila Sabiá e não matriculados. foram identificadas. lanche da manhã. permissão para serem incluídas. exceto aqueles com deformidades físicas graves que pudessem comprometer a antropometria. distante aproximadamente 100 quilômetros da cidade de São Paulo. Na fase de planejamento. em função da impossibilidade. por parte dos pais. lanche da tarde e jantar. de garantir aleatoriedade no processo de alocação entre os grupos de intervenção (GI) e de não intervenção (GN). como conduzido no GI. para entrevista das mães ou . recebendo cinco refeições diárias: café da manhã. capital do estado.MATERIAIS E MÉTODOS Em Sorocaba (aproximadamente 500 mil habitantes). O presente estudo. com oferta de em torno de 130 mil refeições por dia e custo anual aproximado de 9 milhões de dólares. A seleção para matrícula das crianças candidatas a vagas na creche foi feita através de sorteio. que as freqüentam em tempo integral. realizado no ano de 1995. na faixa etária entre 3 meses e 7 anos incompletos. portanto. Como os excedentes não eram em número suficiente para constituir GN. por meio de carta de consentimento informado. constituindo-se de todos os assistidos na creche (GI) e do universo dos residentes não beneficiários do programa (GN). foi definido como do tipo quase-experimental (5). foram elegíveis para o estudo. Dentre as crianças matriculadas. Zacarias e João Romão que.

em seguida. obtidos através de inquérito recordatório de 24 horas. Menores de 2 anos eram pesados despidos e os demais com uma peça de roupa íntima (“calcinha”/“cueca”). ambos com intervalo escalar de 10 mm. como os antecedentes mórbidos ao nascimento. ambos a serem realizados na instituição. bem como a antropometria. Para não interromper as atividades de rotina. todas as quatro observações. Em todas as entrevistas interrogava-se sobre a ocorrência de doença nos últimos 15 dias e coletavam-se medidas antropométricas de peso e estatura. passando. com a participação de 12 a 16 entrevistadores. e nos domicílios. Os equipamentos usados foram balanças eletrônicas portáteis do tipo plataforma (Filizola). foi utilizado questionário estruturado. história do nascimento das crianças. a seguir. Os antropômetros horizontais eram operados sobre uma mesa. são objeto de outra publicação (8). Todos os equipamentos passaram por aferição na agência de Campinas do Instituto de Pesos e Medidas/Instituto Nacional de Metrologia (IPEM/INMETRO). Executaram-se os exames antropométricos da primeira observação na creche. foram executadas aos sábados. para o GN. pesava-se a criança no colo daquele adulto. As crianças do GN e suas mães eram então transportadas para a creche por veículos da prefeitura. com escala de 100 g e peso máximo de 150 kg. O processo de pesagem de menores de 2 anos era por verificação de diferenças: o adulto era pesado. para o GI. para cada criança. As entrevistas.responsáveis. nas sucessivas mensurações. a partir da segunda observação. por razões operacionais. e antropômetros horizontais (para crianças de até 2 anos) e verticais (para crianças acima de 2 anos). Os resultados referentes ao consumo alimentar. antecedentes de morbidade neonatal. As informações referentes ao GI. a balança eletrônica zerada por dispositivo próprio e. antecedentes obstétricos das mães. Os maiores eram pesados diretamente. Os equipamentos foram instalados em salas da creche. a fim de se obterem informações acerca das características sociais e demográficas das famílias. Garantiu-se que os procedimentos antropométricos fossem sempre executados por dois pesquisadores treinados. dada a precariedade das condições domiciliares. e as relativas à primeira observação do GN foram realizadas com defasagem de 3 meses. sem rodapé e seguindo as instruções dos fabricantes. as condições sociais da família e história gestacional e consumo alimentar ao ingresso do estudo. foram realizadas logo depois da matrícula. Os antropômetros verticais (fitas antropométricas) eram fixados em parede lisa. no GN. foram fornecidas pelas professoras. no mesmo período do dia. Este treinamento serviu também como oportunidade para pré-teste dos questionários. submetidos a treinamento prévio. A padronização das medidas antropométricas para controle da variabilidade inter e intra observadores seguiu as recomendações internacionais (7) e foi realizada em creche da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). foram empreendidas por nutricionistas ou estudantes de nutrição no último ano de graduação. com crianças nas mesmas faixas etárias das crianças do estudo. referência de doença nos 15 dias anteriores à entrevista e registro alimentar das últimas 24 horas. referentes às crianças usuárias da creche. de acordo com o número de equipes. Os protocolos usados subseqüentemente excluíam as informações já colhidas. As entrevistas feitas na primeira observação. especialmente para verificação de altura com o aparelho vertical. . história de amamentação. que mantinham registros de ocorrência de doenças e motivos de ausência.

respectivamente. a mudança das famílias para outro bairro.0 (9). diferenças estatísticas entre as crianças que permaneceram no estudo e as que não o fizeram. foram realizados para comparação entre GI e GN (12). estabelecidos em função da conveniência de se obter número adequado para posterior estratificação por idade. e Harvard Graphics. as proporções de “melhora” e “piora” entre uma observação e outra subseqüente. Esta técnica. Oito foram excluídas por mudança de condição de não exposição à intervenção (foram matriculadas na creche) e duas por apresentarem problemas de consistência nos seus registros de dados. –1 < z < +1. RESULTADOS Foram alocadas para estudo 532 crianças. ou teste exato de Fisher. a partir dos respectivos pares discordantes. As perdas (32 no GI e 64 no GN) deveramse. nas variáveis consideradas.As informações coletadas foram organizadas em arquivos de Epi Info versão 6. exceto em relação às idades. outras três foram excluídas por mudança de grupo (abandonaram a creche) ao longo do seguimento. resultando em 164 crianças no GI e 280 no GN (total de 444 crianças). Os questionários foram revisados e codificados antes de se iniciar a digitação. Testes de qui-quadrado (χ2). o que permitiu registro evolutivo. de ambas as populações. 16% e 19% de perdas de seguimento no GI e GN. de continuarem participando na investigação. assim. além de fornecer a proporção dos que se mantêm nutricionalmente estáveis. A análise dos dados obtidos ao longo do período de seguimento baseou-se no incremento ou decremento da relação peso por altura e peso para idade. As medidas antropométricas foram tratadas no módulo “EPINUT”. O banco de dados em Epi Info foi exportado para outros programas: SAS. portanto. bem como das diferenças na distribuição entre os diferentes grupos de alocação (13). Permaneceram no estudo as crianças que tiveram pelo menos duas observações. para procedimentos estatísticos. 11). Apontando controle de viés de perda de segmento. para gráficos. e z ≥ + 1). do grupo de intervenção. O efeito da intervenção foi avaliado utilizandose o método de concordância. impedindoas. a tabela 1 mostra que não foram registradas. fato este considerado nas estratificações sucessivas. na sua maioria. . 196 matriculadas na creche (GI) e 336 não matriculadas (GN). Cada população foi distribuída em estratos limitados por valores de escores z (z · –1. 54 foram excluídas por terem sido observadas apenas uma vez. Houve. 29 foram excluídas da análise por terem sido observadas apenas uma vez. com teste de significância de Kappa (12). Desta forma. disponibiliza. No outro grupo. considerando valores de escore z em relação às medianas de referência (10. em ambos os grupos. procedendo-se em seguida à análise de consistência na busca de eventuais desvios nestas fases. O teste de Goodman foi adotado complementarmente para verificação da significância das diferenças entre duas observações para um mesmo estrato.

entretanto.Referindo-se a situações caracterizadas na primeira avaliação. a tabela 2 indica que os grupos de intervenção e não intervenção apresentaram diferenças significativas quanto aos antecedentes de morbidade. . referências de doenças nos últimos 15 dias foram mais freqüentes no GN. contrariamente. Os grupos não diferiram. também. quanto às condições salariais e de moradia. Esta condição levou também ao predomínio de crianças mais velhas neste grupo. com predomínio de internação hospitalar prévia. fato conseqüente aos critérios institucionais de seleção para matrícula. tendo sido. observado o predomínio de condições nutricionais mais desfavoráveis e de trabalho fora do lar entre mães do grupo de intervenção. no GI.

é importante salientar ainda que. considerando para esta classificação valores de escore z menores do que 2 desvios-padrão (–2DP) da mediana da população de referência. O inverso ocorreu entre as crianças do GN. apenas o GI apresentava crianças nesta condição (8%). Em relação a peso para idade. Quando o indicador era peso por altura. Ao longo do seguimento.Quanto a este aspecto. as tabelas 3 a 6 apresentam a estratificação em três grupos de idade (menor ou igual a 24 meses. entre 24 e 36 meses e maior de 36 meses). a partir dos índices de peso para idade e peso por altura. As tabelas 3 a 6 mostram a distribuição de freqüências segundo os valores de escores z anteriormente definidos. além disso. as prevalências de z <–2DP foram de 5 e 3% no GI e GN. respectivamente. . a prevalência de crianças abaixo de –2DP no GI diminui em termos dos dois índices antropométricos. a proporção de crianças desnutridas foi maior no GI.

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exceto para a proporção de melhora das crianças até 24 meses de idade. Os estratos de escore z na primeira e terceira. respectivamente. O inverso foi verificado em relação às proporções de piora: nas três situações mencionadas acima. porém.35 e 6. As diferenças de proporção de incremento e decremento dos valores de z para peso por altura entre os grupos estudados foram estatisticamente significativas. Enquanto 32% das crianças assistidas experimentaram incremento nos valores do escore z para a relação peso por altura. também revela tendências da mesma direção: os incrementos de melhora no GI foram. A estratificação por idade (tabelas 4–6) mostrou que o impacto observado é mantido quando se analisam os três grupos. significando que o incremento para este indicador foi 2.25 vezes. os diferenciais do quantificador em questão foram maiores no GN (8. indicam seu aumento em 4.51 vezes. não foram significativas as diferenças entre GI e GN em termos das proporções de crianças mantidas no mesmo estrato de escore z ao longo do estudo. Contrariamente. 14 e 22%. A análise do indicador peso por idade (tabela 3). bem como na primeira e quarta observações. considerando todas as idades.51 e 3. respectivamente. de 10.24 a 10.41 vezes superior no GI. DISCUSSÃO .A análise de concordância. 6 e 18%. sugere uma evolução diferente dos índices antropométricos no GI comparativamente ao GN. respectivamente). estes indicadores atingiram 8. apenas 13% de seus controles o fizeram. através do teste de Goodman. Para o GN. com magnitude aumentada nos dois estratos etários superiores.

fornecem diferenças entre 1. O fato de o presente estudo dispor de população controle. Vale. pois a mensuração de comprimento (medida deitada). com subseqüente redução das diferenças do perfil nutricional entre os dois grupos. sendo a explicação mais plausível a falta de homogeneidade nas distribuições etárias dentro do mesmo grupo e. A explicação está no fato de que. pode-se afirmar que. Sua evolução antropométrica. especialmente quando se consideram dentre elas aquelas com valores de escores z mais baixos. que possui valores de estatura também obtidos a partir de procedimentos distintos entre si. decorrente das diferenças etárias observadas entre os dois grupos. Isto porque as crianças mais jovens. mas também das alterações na curva de referência usada. entre os grupos. no sentido de diminuir o efeito considerado. demonstram os benefícios nutricionais da assistência analisada. para aquelas com idades superiores. As diferenças na distribuição das idades. não estratificadas.9 cm na medida de estatura. O indicador peso por idade não mostrou a mesma eficiência para detectar as diferenças. De fato. na faixa etária entre 24 e 36 meses. contrariamente ao registrado com os percentuais de melhora. mudanças no perfil nutricional em programas de assistência alimentar seriam conseqüência não apenas da intervenção. Em outros termos. oriunda do mesmo estrato social da beneficiária. associada à comparação dos grupos a partir de situação nutricional . Portanto. especialmente ao serem consideradas as técnicas de antropometria recomendadas. para crianças com até 24 meses. sensivelmente maiores no GI. com conseqüente redução da proporção abaixo da mediana de referência. Entretanto. são três vezes mais freqüentes no GN comparativamente ao GI. os critérios institucionais adotados para a matrícula das crianças nas creches tiveram como conseqüência a seleção de um grupo de intervenção em condições nutricionais menos favoráveis e com idades superiores às do grupo controle. poderia alterar as proporções nos estratos estabelecidos pelos valores de escores z. neste estudo. mas também reduzir o incremento de seu efeito. Tal viés na seleção eventualmente traria problemas para a análise da intervenção. torna o efeito observado mais sustentável.5 e 1. influenciariam tanto a prevalência da desnutrição ao início. abaixo de 24 meses. no GN. Tal condição. buscou-se. Dessa forma. Do mesmo modo. Esta condição pode agravar a distorção causada pela comparação com o padrão de referência.Os valores apresentados. detecta-se que a piora no GN apresenta sempre números muito mais elevados que no GI. tende a aproximação maior em direção à mediana da população de referência. em estudos que envolvem seguimento. Estes procedimentos de mensuração. para todas as comparações das observações vistas duas a duas. para a relação peso por altura. certamente reduziram os possíveis vieses advindos de condições nutricionais diferentes ao início. crianças com baixo peso para a idade e baixo peso por comprimento ou altura teriam seu afastamento (em escore z) da mediana da população de referência reduzido quando ultrapassam os 24 meses de idade. não só diminuir estes modificadores de resultados. também. através de análise de concordância. nos procedimentos de análise em três grupos etários. (14). a distribuição das populações em estratos limitados por valores de escore z e a subseqüente evolução das proporções encontradas em cada estrato. ainda. quanto a prevalência da desnutrição verificada ao longo de todo o acompanhamento. segundo Dibley et al. a melhora é sempre maior no GI e a piora. e de altura (medida em pé). uma vez submetidos a procedimentos analíticos prévios (estratificação) para controle de viés e fatores de confusão. ressaltar que qualquer viés a esse propósito seria.

Isto posto. em nível nacional. o que representava uma cobertura de 10%. segundo Ometto et al. Segundo Salay e Carvalho (17). o aporte de alimentos. (16) referem que. que se apresentaram com distribuição diferente nos GI e GN. especialmente aquelas originárias dos estratos mais pobres. Esta cifra atingia 13% em Campinas (18). sobre a proporção de préescolares assistidos em instituições públicas. tais como antecedentes de internação hospitalar e incidência de processos infecciosos nos 15 dias anteriores à primeira entrevista. em 1994. faz-se necessário ampliar a cobertura de equipamentos sociais de apoio. pode ter conseqüências benéficas. especialmente considerando. No Brasil. Ometto et al. de fato. associado à assistência prestada. destacadamente quanto à modificação do efeito negativo da diarréia sobre o crescimento. entretanto. através de programas específicos de suplementação. A metodologia de análise aqui utilizada não contemplou. em 1990. caracterizando. filantrópicas ou privadas.semelhante ao início do estudo (estratos de escores z). pode-se afirmar que os resultados obtidos vêm se acrescentar àqueles apresentados por publicação do sub-comitê de nutrição das Nações Unidas (15). Em situação de crise social e econômica com condições que aumentam a proporção de mulheres em atividades fora do lar. Eles vão desde os processos de socialização e estimulação psicomotora até apoio à família para a guarda segura de seus filhos pequenos. Comunicação verbal de técnicos de Secretaria Municipal de Educação e Esportes de Sorocaba referia para este município valor de 6% no mesmo ano. O impacto que esta assistência pode trazer para a melhoria das condições nutricionais das crianças. assim. havia cerca de 80 mil pré-escolares recebendo assistência na cidade de São Paulo (18). está sendo preparada para outra comunicação. que tem mostrado que. o trabalho feminino a partir dos 10 anos de idade era de 39%. os benefícios da assistência oferecida em creches a crianças em idade pré-escolar transcendem os benefícios nutricionais quantificados nesta investigação. cognição e ainda compensação da energia perdida durante a doença. Uma análise multidimensional com técnica de regressão logística. não só sobre o crescimento. permite concluir que o impacto verificado está. passando para 28% na década de 80. (16). reforça a premência de empenho neste sentido. em crianças. não existem dados precisos. que a incorporação das mães à população economicamente ativa não significa aumento de renda familiar e conseqüentemente capacidade para absorver despesas extras com cuidado e educação dos filhos. a participação das mulheres no mercado de trabalho era de 21% nos anos 70. necessária ao controle destas condições. o controle de outras variáveis potencialmente modificadoras do estado nutricional. mas também sobre a atividade. Por outro lado. como foi demonstrado na presente investigação. Estima-se que. havia 2 milhões de beneficiários deste tipo de assistência no ano de 1994. por peculiaridades relativas ao número de crianças observadas. uma tendência crescente. REFERÊNCIAS . De fato. apontam para a magnitude da carência e a necessidade de ampliação de serviços para atender a demanda social associada à participação econômica das mulheres no sustento familiar. ainda que parciais. Estas informações.

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