RETA FINAL - CESPE Disciplina: Direito do Consumidor Aula nº 01

RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO A relação jurídica de consumo possui três elementos, a saber: o subjetivo, o objetivo e o finalístico. Por elemento subjetivo devemos entender as partes envolvidas na relação jurídica, ou seja, o consumidor e o fornecedor. Já por elemento objetivo devemos entender o objeto sobre o qual recai a relação jurídica, sendo certo que, para a relação de consumo, este elemento é denominado produto ou serviço. O elemento finalístico traduz a idéia de que o consumidor deve adquirir ou utilizar o produto ou serviço como destinatário final. CONCEITO DE CONSUMIDOR Ainda que o CDC tenha trazido claramente um conceito para consumidor (art. 2º), sua aplicação prática não é simples. A doutrina aponta duas correntes possíveis para orientar a identificação do consumidor: a) Corrente finalista (subjetiva) - O consumidor é aquele que retira definitivamente de circulação o produto ou serviço do mercado. Adquire produto ou utiliza serviço para suprir uma necessidade ou satisfação eminentemente pessoal ou privada, e não para o desenvolvimento de uma outra atividade de cunho empresarial. No que diz respeito à pessoa jurídica, esta poderá ser considerada consumidora desde que o produto ou serviço adquirido não tenha qualquer conexão, direta ou indireta, com a atividade econômica por ela desenvolvida, e que esteja demonstrada a sua vulnerabilidade ou hipossuficiência (fática, jurídica ou técnica) perante o fornecedor. Destarte, a pessoa jurídica que não tenha intuito de lucro será sempre considerada consumidora, tais como as associações, fundações, entidades religiosas e partidos políticos. b) Corrente maximalista - Para ser considerado consumidor basta que este utilize ou adquira produto ou serviço na condição de destinatário final, não interessando o uso particular ou empresarial do bem. Dessa forma, não será consumidor quem adquirir ou utilizar produto ou serviço que participe diretamente do processo de produção, transformação, montagem, beneficiamento ou revenda. Assim a definição do art. 2º deve ser interpretada o mais extensamente possível, segundo esta corrente, para que as normas do CDC possam ser aplicadas a um número cada vez maior de relações no mercado. CONSUMIDOR POR EQUIPARAÇÃO a) Coletividade de pessoas - O art. 2º, parágrafo único, equipara consumidor “a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo”. b) Vítima de acidente de consumo - No capítulo referente à responsabilidade civil pelo fato do produto e do serviço, prevê o art. 17 a equiparação a consumidor de todas as vítimas do evento. CONCEITO DE FORNECEDOR O conceito de fornecedor é encontrado no art. 3º do CDC. Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica , pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. (...)

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móvel ou imóvel. mas não se confunde com a vulnerabilidade. e que o fornecedor encontra-se em posição de supremacia. bem como a transparência e harmonia das relações de consumo. quando o consumidor apresenta RETA FINAL OAB . de contabilidade ou de economia. a melhoria da sua qualidade de vida. quais sejam: 1) Técnica – O consumidor não possui conhecimentos específicos sobre o objeto que está adquirindo. I) A doutrina aponta três tipos de vulnerabilidade do consumidor. 4º.) § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no merc ado de consumo. de 21. mater ial ou imaterial. 4º do CDC Art. 3º do CDC. POLÍTICA NACIONAL DE RELAÇÕES DE CONSUMO Os objetivos da Política Nacional de Relações de Consumo estão inseridos no art. 3º do CDC Art. CONCEITO DE SERVIÇO O conceito de serviço está inserido no § 2º do art. financeira.. Para o Código de Defesa do Consumidor.) § 1° Produto é qualquer bem..RETA FINAL . salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. de crédito e securitária. saúde e segurança. A hipossuficiência é outra característica do consumidor. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores. mediante remuneração. Art.008.CESPE Disciplina: Direito do Consumidor Aula nº 01 CONCEITO DE PRODUTO O conceito de produto está inserido no § 1º do art. todos os consumidores são vulneráveis. 3) Fática (ou socioeconômica) – baseia-se no reconhecimento de que o consumidor é o elo fraco da corrente. atendidos os seguintes princípios: (Redação dada pela Lei nº 9. 3º (.3. sendo o detentor do poder econômico.CESPE – Direito do Consumidor .1995) PRINCÍPIOS Para atingir os objetivos os incisos do art. a proteção de seus interesses econômicos.. inclusive as de natureza bancária. A hipossuficiência pode ser econômica. o respeito à sua dignidade. mas nem todos são hipossuficientes. 3º (. a saber: a) Reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor (art..Aula n. 2) Jurídica – reconhece o legislador que o consumidor não possui conhecimentos jurídicos. tanto no que diz respeito às características do produto quanto no que diz respeito à utilização do produto ou serviço. 4º do CDC estabelecem os princípios norteadores da Política Nacional de Relações de Consumo a serem observados por toda sociedade de consumo. 01 .

a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços. sem prejuízo da adoção de outras medidas cabíveis em cada caso concreto. mediante anúncios publicitários. rádio e televisão. individuais.CESPE Disciplina: Direito do Consumidor Aula nº 01 dificuldades financeiras. qualidade e preço. coletivos e difusos. X . tiver conhecimento da periculosidade que apresentem. Esta condição de hipossuficiente deve ser verificada no caso concreto. individuais. poste riormente à sua introdução no mercado de consumo. obrigando-se os fornecedores. bem como sobre os riscos que apresentem. segundo as regras ordinárias de experiências. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. em qualquer hipótese. a critério do juiz. 01 . asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações. V . 6º São direitos básicos do consumidor: I . aproveitando-se o fornecedor desta condição.Aula n.a proteção da vida. 9° O fornecedor de produtos e serviços potenci almente nocivos ou perigosos à saúde ou segurança deverá informar. através de impressos apropriados que devam acompanhar o produto. § 2° Os anúncios publicitários a que se refere o pa rágrafo anterior serão veiculados na imprensa. VI . ao fabricante cabe prestar as informações a que se refere este artigo. quando o consumidor demonstra dificuldade de fazer prova em juízo. Em se tratando de produto industrial. às expensas do fornecedor do produto ou serviço. quando.o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais. e é caracterizada quando o consumidor apresenta traços de inferioridade cultural.a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais. § 1° O fornecedor de produtos e serviços que. VIII . deverá comunicar o fato imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores. DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR Art. PERICULOSIDADE DOS PRODUTOS E SERVIÇOS Art. a dar as informações necessárias e adequadas a seu respeito. Parágrafo único. assegurada a proteção Jurídica. inclusive com a inversão do ônus da prova. Art. características. exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição.a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas. ou processual. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços. RETA FINAL OAB . III . coletivos ou difusos.a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.CESPE – Direito do Consumidor .a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva. de maneira ostensiva e adequada. II . métodos comerciais coercitivos ou desleais. administrativa e técnica aos necessitados. IX . composição. O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança. a seu favor. com especificação correta de quantidade. Art.(Vetado). IV . saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos.a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços. VII . técnica ou financeira. 10.a facilitação da defesa de seus direitos.RETA FINAL . a respeito da sua nocividade ou periculosidade. no processo civil. 8° Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos à saúde ou segurança dos consumidores.

não são diminuídos os riscos apresentados. Ao invés de utilizar o vocábulo fornecedor. § 3º do CDC. 12 explicita quem são os responsáveis pela reparação dos danos. esta omissão deverá ser suprida por comunicação promovida pelo Poder Público. 01 .CESPE Disciplina: Direito do Consumidor Aula nº 01 § 3° Sempre que tiverem conhecimento de periculosid ade de produtos ou serviços à saúde ou segurança dos consumidores. DEFEITO OU VÍCIO O defeito vai além do produto ou do serviço para atingir o consumidor em seu patrimônio jurídico. levando em consideração a utilidade do produto ou serviço. bem como a possibilidade de manter-se ou não no mercado de consumo. Classificação quanto à periculosidade dos produtos: a) Periculosidade latente ou inerente: Diz respeito aos produtos que trazem consigo uma periculosidade que lhe é própria. na forma do art. examinar o patamar aceitável de risco para os consumidores. 12 a 25 do CDC. e dele decorre o acidente de consumo. importador e produtor. não podendo ser inserido no mercado de consumo. 18 a 21). acidente de consumo. esta periculosidade deve ser informada e prevista pelo consumidor. a União. os produtos ou serviços apresentam defeitos de fabricação que põem em risco a incolumidade física do consumidor. 12 do CDC. no caso concreto.Aula n. devendo o juiz. no entanto. no caso. somente se fala propriamente em acidente. alcançando a todos da cadeia produtiva. preferiu o legislador inserir rol taxativo dos responsáveis. e. Cumpre ressaltar também que. se o fornecedor não cumpre o seu dever de informação a respeito da periculosidade do produto ou serviço. quais sejam fabricante. os Estados. O caput do art. mesmo o fornecedor tomando os devidos cuidados no que tange à informação dos consumidores.RETA FINAL . Destarte. Preferiu o legislador distinguir a responsabilidade pelo fato do produto ou serviço (arts. construtor. 10.CESPE – Direito do Consumidor . a periculosidade é sempre imprevista pelo consumidor c) Periculosidade exagerada: Trata-se de produto ou serviço em que. seja moral e/ou material. 12 a 17) e a responsabilidade por vício do produto ou serviço (arts. na hipótese de defeito. Por isso. Os conceitos de nocividade e de periculosidade são abertos. pois é aí que o consumidor é atingido. RESPONSABILIDADE CIVIL A responsabilidade civil do fornecedor de produtos e serviços é tratada nos arts. nestas hipóteses. o Distrito Federal e os Municípios deverão informá-los a respeito. O defeito do produto ou serviço (que sempre pressupõe a existência de um vício) expõe o consumidor a risco de dano a sua saúde ou segurança. RESPONSABILIDADE PELO FATO DO PRODUTO A responsabilidade pelo fato ou defeito do produto está disciplinada no art. Há três tipos de fornecedores: RETA FINAL OAB . b) Periculosidade adquirida: Diferentemente da periculosidade inerente.

RETA FINAL OAB . 13 do CDC. PRODUTO DEFEITUOSO Art. somente sendo descoberto depois de algum tempo de uso do produto. incluindo instruções constantes de manuais de instrução para utilização do produto. não há que se falar em incidência do disposto no art. Importante notar que nestes casos o comerciante que arca com a indenização terá o direito de regresso em face do causador do dano. Se o produto já apresentava defeito e foi aperfeiçoado pelo fornecedor com o fito de sanar tais defeitos.RETA FINAL . parágrafo 1º do CDC É possível classificar o defeito do produto da seguinte forma: a) Defeito de criação ou concepção: o defeito está na fórmula do produto. sendo resultado tanto da escolha inadequada do material utilizado pelo fornecedor quanto do projeto tecnológico. 12. na hipótese de o comerciante não conservar adequadamente o produto. ainda. Deve corresponder a uma impossibilidade absoluta da ciência em perceber o defeito.CESPE – Direito do Consumidor . b) Defeito de produção: é o defeito decorrente da falha instalada no processo produtivo e está presente na fabricação. ou.CESPE Disciplina: Direito do Consumidor Aula nº 01 a) Fornecedor real: compreendendo o fabricante. rótulos e embalagens. § 2º.Aula n. na forma do art. produtor ou importador). 12. b) Fornecedor presumido: assim entendido o importador de produto industrializado ou in natura. ressaltando-se que este deverá indenizar o consumidor sempre que não puder ser identificado ou quando não houver identificação do fornecedor (fabricante. RESPONSABILIDADE CIVIL DO COMERCIANTE O comerciante também pode ser responsabilizado pelo fato do produto. c) Fornecedor aparente: aquele que apõe seu nome ou marca no produto final. ÉPOCA EM QUE O PRODUTO FOI COLOCADO EM CIRCULAÇÃO Interessa saber se o fornecedor ofereceu ao consumidor toda a segurança possível na época em que o produto foi colocado em circulação. presente na rotulagem e na publicidade. mas adequação de produto defeituoso. montagem ou construção no acondicionamento do produto. A apresentação do produto inclui todo o processo de informação ao consumidor. produtor e construtor. RISCO DE DESENVOLVIMENTO O risco de desenvolvimento é aquele que não pode ser identificado quando da colocação do produto no mercado em função de uma impossibilidade científica e técnica. devendo o comerciante demonstrar a culpa do fornecedor no evento danoso para ter os prejuízos ressarcidos. e não à impossibilidade subjetiva do fornecedor. o defeito do produto não pode ser perceptível na época de seu lançamento. em razão de inovação tecnológica. Para que se caracterize o risco de desenvolvimento. 01 .] c) Defeito de informação ou comercialização: é o defeito que decorre da apresentação ao consumidor. construtor.

Na forma do § 3º do art. deverá ressarcir o consumidor pelos prejuízos por este experimentados. § 3º. conforme a regra do § 4º do art. assim. considerando que já existe o defeito no momento da colocação do produto no mercado e inexistindo apenas o conhecimento científico por parte do fornecedor. 14. justifica-se em função da potencial gravidade que pode atingir o fato do produto ou do serviço. Há também a responsabilidade civil do profissional liberal. Assim. o consumidor direto e o indireto por equiparação. os danos advindos dos riscos do desenvolvimento devem ser indenizados pelo fornecedor. 17 do CDC prevê a figura do “consumidor por equiparação”. A responsabilidade do fornecedor de serviços também tem por fundamento o dever de segurança.RETA FINAL . Protege-se. 01 . a qual é adotada a teoria da responsabilidade subjetiva.Aula n. É importante salientar que a prova da excludente de responsabilidade é do fornecedor de serviço. não há que se falar em exclusão de responsabilidade. RESPONSABILIDADE PELO FATO DO SERVIÇO As mesmas considerações feitas na responsabilidade civil pelo fato do produto são aplicáveis para a responsabilidade pelo fato do serviço. levando-se em consideração: O modo de fornecimento. Sérgio Cavalieri Filho trata os riscos de desenvolvimento como fortuito interno (risco integrante da atividade do fornecedor) pelo que não exonerativo da sua responsabilidade. A equiparação de todas as vítimas do evento aos consumidores. CONSUMIDOR POR EQUIPAÇÃO O art. 17. A época em que foi colocado em circulação.CESPE – Direito do Consumidor . VÍCIO DO PRODUTO RETA FINAL OAB . 12. A extensão justifica-se pela potencial gravidade que pode assumir a difusão de um produto ou serviço no mercado. Toda vez que o fornecedor de serviços infringir o dever de prestar as informações necessárias e adequadas sobre o serviço inserido no mercado de consumo. não exclui expressamente a responsabilidade do fornecedor. As excludentes de responsabilidade pelo fato do produto também se aplicam ao fato do serviço. O resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam. posto que o art. estendendo a proteção do Código a qualquer pessoa eventualmente atingida por acidente de consumo. O caso fortuito e a força maior também são considerados excludentes de responsabilidade. O serviço será considerado defeituoso sempre que não apresentar a segurança esperada pelo consumidor. na forma do citado art. 14 do CDC.CESPE Disciplina: Direito do Consumidor Aula nº 01 Para a doutrina majoritária.

o abatimento do preço.RETA FINAL . Parte expressiva da doutrina e da jurisprudência externa o entendimento de que há responsabilidade do comerciante. todos os partícipes da cadeia produtiva são considerados responsáveis diretos pelo vício do produto. O art. Abatimento proporcional do preço. As partes. na cadeia dos coobrigados. 18 do CDC). REsp 402356/MA). REsp 414986/SC. pode o consumidor exigir. o consumidor pode: Exigir a substituição por outro produto. independentemente de previsão contratual. RETA FINAL OAB . coobrigados e solidariamente responsáveis. VÍCIO DE QUALIDADE Sendo constatado o vício do produto. ainda. tem o fornecedor o direito de reparar o defeito no prazo máximo de 30 dias (art. o comerciante eventualmente responsabilizado pelos danos causados por vício no produto terá ação de regresso contra o fabricante. podem convencionar outro prazo. Sendo assim. produz a desvalia. em razão da extensão do vício. mas sem coloca-lo em risco.CESPE – Direito do Consumidor . 441 a 446 do CC. ainda. Exigir a devolução imediata da quantia paga. “sempre que. ou. a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto. A garantia assegurada pelo CDC é bem mais ampla.CESPE Disciplina: Direito do Consumidor Aula nº 01 O vício do produto o torna impróprio ao consumo. Pleitear o abatimento do preço. à sua escolha: Substituição total ou de parte do produto. REsp 142042/RS. os vícios de qualidade ou de quantidade de bens e serviços podem ser ocultos ou aparentes. Vencido o prazo de garantia e persistindo o vício. diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial”. alternativamente.Aula n. Ademais. todavia. tendo em vista a responsabilidade solidária entre todos os fornecedores (Conferir STJ. que pode optar por qualquer dessas hipóteses sem dar qualquer satisfação ao fornecedor. Questão a ser discutida é se o comerciante responde pelos vícios de qualidade do produto. O prazo oferecido ao fornecedor para que seja sanado o vício é de 30 (trinta) dias. o § 3º do art. Caso o vício não seja sanado no prazo legal. ou a devolução imediata da quantia paga. Cabe esclarecer que não se trata aqui do vício redibitório previsto nos arts. desde que não seja superior a 180 (cento e oitenta) dias e inferior a 7 (sete) dias. 01 . sendo certo que esta ampliação ou redução de prazo deve ser convencionada e não imposta ao consumidor. Enquanto os vícios redibitórios pelo CC dizem respeito aos defeitos ocultos da coisa. a diminuição do valor e frustra a expectativa do consumidor. Prevê. A escolha da sanção é do consumidor. razão pela qual pode o consumidor escolher qualquer dos partícipes para a reparação do vício do produto ou serviço. Restituição da quantia paga. 18 do CDC determina que os responsáveis pela reparação dos vícios dos produtos são todos fornecedores. 18 que o consumidor pode exigir a substituição imediata do produto.

cabendo exclusivamente ao consumidor exigir alternativamente: O abatimento proporcional do preço. VÍCIOS DO SERVIÇO Os vícios do serviço estão previstos no art. Prazo decadencial – vício do produto ou serviço O art. Abatimento proporcional do preço DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO Decadência e prescrição no CDC A decadência e a prescrição são tratadas no CDC nos arts. 18. sem prejuízo de eventuais perdas e danos. O prazo para reclamar por vício do serviço ou do produto é decadencial. 26 e 27. por força do art. 20 do CDC. pode o consumidor.CESPE – Direito do Consumidor . o consumidor pode optar diretamente por uma das soluções apontadas no § 1º do art. A imediata restituição da quantia paga. A substituição do produto por outro da mesma espécie. exigir: A sua reexecução. 26 do CDC determina que o direito do consumidor para reclamar dos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: a) 30 (trinta) dias. A complementação do peso ou medida. se o produto for essencial ao consumidor. 19 do CDC. As sanções para o vício de quantidade estão previstas nos incisos I a IV e § 1º do art. 01 . sem a necessidade de aguardar o fornecedor sanar o vício.Aula n. sem custo adicional e quando cabível. RETA FINAL OAB . Diante do vício de qualidade de serviço. monetariamente atualizada.CESPE Disciplina: Direito do Consumidor Aula nº 01 Destarte. tratando-se de serviço e de produtos não duráveis. 19 do CDC. razão pela qual não podem ser alterados pela vontade das partes. VÍCIO DE QUANTIDADE DO PRODUTO O vício de quantidade do produto está disciplinado no art. alternativamente e à sua escolha. marca ou modelos diversos.RETA FINAL . A restituição da quantia paga (atualizada e acrescida de perdas e danos). ou se o vício for essencial. já o prazo para reclamar pelo fato do produto ou do serviço é prescricional. Os serviços são considerados viciados sempre que se apresentarem inadequados para os fins que deles se esperam ou não atenderem às normas regulamentares para a prestação de serviço. Saliente-se que os prazos prescricionais e decadenciais no CDC são de ordem pública. mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço. 1º do mesmo diploma legal. A substituição do produto por outro de espécie.

na forma do art. São elas: a) reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor. por exemplo. valendo. TEMA: PRÁTICAS COMERCIAIS (OFERTA) As práticas comerciais abragem as técnicas e os métodos utilizados pelos fornecedores para fomentar a comercialização dos produtos e serviços destinados ao consumidor. faltando apenas a aceitação do consumidor. O legislador consumerista estabeleceu no § 2º do art. isto é. até o seu encerramento (art. Na hipótese de reclamação do consumidor perante o fornecedor. Em segundo lugar. O que diferencia é o termo inicial para contagem. 26. portanto.Aula n. Os prazos iniciam-se a partir da efetiva entrega do produto ou do término da execução dos serviços.RETA FINAL . 01 . II) No que diz respeito à suspensão do prazo decadencial em razão da instauração de inquérito civil. 26.CESPE Disciplina: Direito do Consumidor Aula nº 01 b) 90 (noventa) dias. Uma proposta que deixe de chegar ao conhecimento do consumidor não vincula o fornecedor. contando a suspensão do prazo da data da reclamação ao fornecedor até a resposta negativa correspondente. “o mais bonito”. Este mesmo diploma legal não estabelece nenhuma hipótese de interrupção ou suspensão dos prazos prescricionais. seu fundamento está baseado no fato de que o objetivo do inquérito é de servir como instrumento para obtenção de dados para esclarecimento dos fatos. como “melhor sabor”. que não permitem verificação objetiva. É o caso de expressões exageradas. as regras previstas nos arts. § 2º. os elementos essenciais da compra e venda. RETA FINAL OAB . A oferta é conceituada pelo CDC no art. duas hipóteses de suspensão de prazo decadencial. o simples exagero (puffing) não obriga o fornecedor. a oferta (informação ou publicidade) deve ser suficientemente precisa. 197 a 204 do CC. 30. Sendo assim. para que o consumidor não seja lesado. tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis. Prazo prescricional – fato do produto ou do serviço O prazo prescricional para reclamar o fato do produto ou do serviço é de 5 (cinco) anos. desde a entrega da reclamação. constituindo exceção à regra. Tanto para o vício aparente como também para o vício oculto o prazo é decadencial. bem como se estes mesmos fatos infringem ou não norma estabelecida no CDC. I). bem como os mecanismos de cobrança e serviço de proteção ao crédito. § 2º. que deve ser transmitida de forma inequívoca (art. As práticas comerciais são previstas no Capítulo V do CDC. A oferta não terá força obrigatória se não houver veiculação da obrigação. será considerada com uma oferta vinculante. o objeto e o preço. comprovada mediante recibo ou através de notificação judicial ou extrajudicial. o prazo decadencial é suspenso. é evidente que a suspensão do prazo decadencial é imprescindível. b) a instauração de inquérito civil. Agora. 27 do CDC.CESPE – Direito do Consumidor . qualquer informação ou publicidade veiculada que tornar precisos. 26.

em complemento ao CDC. Já a propaganda é definida como o conjunto de técnicas de ação individual utilizadas no sentido de promover a adesão a um dado sistema ideológico. 42. acrescido de correção monetária e juros legais. dispõe sobre a oferta e as formas de afixação de preços de produtos e serviços para o consumidor. segundo a Súmula no.CESPE Disciplina: Direito do Consumidor Aula nº 01 A Lei no. alínea a) se não houver recusa de informações por parte da autoridade administrativa. LXXII. 43. ensejará indenização opor danos morais. aumentando ou mantendo cliente. 42 que. 01 . cujo rol é apenas exemplificativo COBRANÇA DE DÍVIDAS Forma de cobrança de dívidas Determina o art. cabe esclarecer que. salvo hipótese de engano justificável (art. A veiculação ou informe publicitário é parte integrante do contrato e impõe ao fornecedor a obrigação de honrar a oferta. na cobrança de débitos. o consumidor inadimplente não poderá ser exposto ao ridículo ou a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça. art. 39 do CDC. Banco de dados e cadastro de consumidores O art. 9. O consumidor tem direito.507/97. fichas. 6º. nos termos da Lei no. ainda. RETA FINAL OAB . No entanto. PRÁTICAS COMERCIAIS (PUBLICIDADE) A publicidade seria o conjunto de técnicas de ação coletiva utilizadas no sentido de promover o lucro de uma atividade comercial. 10. O direito de solicitar informações pode ser exercido através do hábeas data. conquistando.CESPE – Direito do Consumidor . estão previstas no art. na forma do § 2º do art. Este direito coaduna-se com o direito básico à informação estabelecido no art. 43 da legislação consumerista trata do direito inequívoco do consumidor de acesso às informações existentes em cadastros. parágrafo único). ao aviso prévio quanto ao registro ou à inscrição. 5º. inciso III. Repetição do indébito O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito. não cabe hábeas data (CF.Aula n. por igual valor ao dobro do que pagou em excesso. bem como das suas respectivas fontes. caso contrário. registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele.RETA FINAL . PRÁTICAS ABUSIVAS Prática abusiva é a desconformidade com os padrões mercadológicos de boa conduta em relação ao consumidor. 2 do STJ. que deve ser promovido pela entidade que mantém o banco de dados e pelo fornecedor que envia o nome do consumidor para registro.962/04.

01 . deve ser feita em moeda nacional. deverá ocorrer dias antes do registro de débito em atraso. ademais. as cláusulas abusivas estão previstas nos arts.Aula n. DIREITO DE ARREPENDIMENTO Para proteger o consumidor de uma prática comercial na qual ele não desfruta das melhores condições para decidir sobre a conveniência do negócio. toda e qualquer contratação. 51 a 53 e os contratos de adesão no art. Deve o consumidor. 51 estabelece a nulidade de pleno direito das cláusulas contratuais que contrariam as normas de ordem pública e interesse social estabelecidas em favor da defesa do consumidor. mas o Código não estabelece prazo para tanto.RETA FINAL . GARANTIA CONTRATUAL Art. o dano moral é presumido. nos casos de leasing. ao exercer o direito de arrependimento. 5 (cinco) anos. exceto nos contratos de leasing. sendo obrigatória a utilização de índices oficiais para a correção monetária do valor emprestado.CESPE – Direito do Consumidor . o art. Diante de uma inscrição indevida é cabível indenização por danos morais. no máximo. não havendo necessidade de se fazer prova quanto ao prejuízo sofrido pelo consumidor. As disposições gerais estão inseridas nos arts. A legislação vigente (Lei 8. prévia e adequadamente sobre: Preço do produto ou serviço em moeda corrente nacional. de alguma forma. 50 CLÁUSULAS CONTRATUAIS ABUSIVAS O art. ainda que utilização a variação por moeda estrangeira. 43 determina que os Sistemas de Proteção ao crédito não devem manter ou disponibilizar dados respeitantes a débitos prescritos. o § 5º do art. podendo ser através de carta com aviso de recebimento (AR) ou de manifestação oral presenciada por testemunhas. As informações negativas podem ser mantidas por. Assim. 46 a 50. inserindo rol exemplificativo das mesmas no CDC. fazê-lo de maneira inequívoca. sob pena de nulidade do contrato. bem como o reajuste de prestações em função de variação de moeda estrangeira. Nesta hipótese. PROTEÇÃO CONTRATUAL O capítulo VI do CDC cuida da proteção contratual do consumidor.880/94) proíbe a contratação em moeda estrangeira. envolvam concessão de crédito ao consumidor. CONCESSÃO DE CRÉDITO NAS RELAÇÕES CONTRATUAIS DE CONSUMO No que diz respeito aos contratos bancários ou que.CESPE Disciplina: Direito do Consumidor Aula nº 01 Para que a comunicação seja válida e atinja o objetivo a que se destina. 49 do CDC prevê a hipótese de arrependimento do consumidor toda vez que ocorrer a contratação fora do estabelecimento comercial. 54. o fornecedor é obrigado a informar o consumidor. Juros de mora RETA FINAL OAB .

Acréscimos legalmente previstos Outro direito do consumidor é saber quais são os acréscimos legais que serão cobrados em razão do financiamento.181/97. § 1º.RETA FINAL . com redação dada pela Lei 9. Com estas informações pode avaliar melhor a taxa de juros incidente na relação que pretende firmar.CESPE Disciplina: Direito do Consumidor Aula nº 01 O fornecedor deve informar previamente o consumidor a respeito da taxa de juros remuneratória e moratória que está sendo cobrada do consumidor.298/96. Liquidação antecipada do débito RETA FINAL OAB . na forma do art. 22 do Decreto no. Multa de mora O percentual da multa de mora decorrente do inadimplemento de obrigações pelo consumidor não poderá ser superior a 2% (dois por cento) do valor da prestação. Número e periodicidade das prestações A quantidade de prestações deve ser previamente cientificada ao consumidor Soma total a pagar com e sem financiamento Sabedor do valor que será pago o consumidor exerce seu poder de decisão. 2. Vale lembrar que a não-observância deste dispositivo legal constitui infração administrativa.Aula n.CESPE – Direito do Consumidor . Estes acréscimos versam tanto sobre obrigações de natureza tributária como outros encargos contratuais. 52. 01 . na forma do art.

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