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PRÁTICA SIMULADA III - PENAL

Aula 5: ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS

Professora Ana Paula Couto


PRÁTICA SIMULADA III - PENAL

CASO CONCRETO DA SEMANA 5

José de Tal, brasileiro, divorciado, primário e portador de


bons antecedentes, ajudante de pedreiro, nascido em
Juazeiro, Bahia, em 07/09/1938, residente e domiciliado em
Planaltina DF, foi denunciado pelo Ministério Público como
incurso nas penas previstas no art. 244, caput, c/c art. 61,
inciso, II, e, ambos do CP. Na exordial acusatória, a conduta
delitiva atribuída ao acusado foi narrada nos seguintes
termos:
Desde janeiro de 2005 até, pelo menos, 04/04/2008, em
Planaltina, DF, o denunciado José de Tal, livre e
conscientemente, deixou, em diversas ocasiões e por

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períodos prolongados, sem justa causa, de prover a


subsistência de seu filho Jorge de Tal, menor de 18 anos, não
lhe proporcionando os recursos necessários para sua
subsistência e faltando ao pagamento de pensão alimentícia
fixada nos autos do processo n. 001/2005, 5ª Vara de Família
de Planaltina (ação de alimentos) e executada nos autos do
processo n. 002/2006 do mesmo juízo. Arrola como
testemunha Maria de Tal, genitora e representante legal da
vítima.
A denúncia foi recebida em 03/11/2008, tendo o réu sido
citado e apresentado, no prazo legal, de próprio punho, visto
que não tinha condições de contratar advogado sem prejuízo
do seu sustento próprio e de sua família, resposta à
acusação, arrolando as testemunhas Margarida e Clodoaldo.

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A AIJ foi designada e José compareceu desacompanhado de


advogado. Na oportunidade, o juiz não nomeou defensor ao
réu, aduzindo que o Ministério Público estaria presente e que
isso seria suficiente.
No curso da instrução criminal, presidida pelo juiz de Direito
da 9ª Vara Criminal de Planaltina, DF, Maria de Tal confirmou
que José atrasava o pagamento da pensão alimentícia, mas
que sempre efetuava o depósito parcelado dos valores
devidos. Disse que estava aborrecida porque José constituíra
nova família e, atualmente, morava com outra mulher,
desempregada, e seus 6 outros filhos menores de idade.
As testemunhas Margarida e Clodoaldo, conhecidos de José
há mais de 30 anos, afirmaram que ele é ajudante de

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pedreiro e ganha 1 salário mínimo por mês, quantia que é


utilizada para manter seus outros filhos menores e sua mulher,
desempregada, e para pagar pensão alimentícia a Jorge, filho
que teve com Maria de Tal. Disseram, ainda, que todas as
vezes que conversam com José, ele sempre diz que está
tentando encontrar mais um emprego, pois não consegue
sustentar a si próprio nem a seus filhos, bem como que está
atrasando os pagamentos da pensão alimentícia, o que o
preocupa muito, visto que deseja contribuir com a
subsistência, também, desse filho, mas não consegue.
Informaram que José sofre de problemas cardíacos e gasta boa
parte do seu salário na compra de remédios indispensáveis à
sua sobrevivência.

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Após a oitiva das testemunhas, José disse que gostaria de ser


ouvido para contar sua versão dos fatos, mas o juiz recusou-se
a interrogá-lo, sob o argumento de que as provas produzidas
eram suficientes ao julgamento da causa. Na fase processual,
prevista no art. 402 do CPP, as partes nada requereram. Em
manifestação escrita, o Ministério Público pugnou pela
condenação do réu nos exatos termos da denúncia, tendo o
réu, então, constituído advogado, o qual foi intimado, em
15/06/2009, segunda-feira, para apresentação da peça
processual cabível.
Considerando a situação hipotética acima apresentada, redija,
na qualidade de advogado (a) constituído por José, a peça
processual pertinente, privativa de advogado, adequada à
defesa de seu cliente.

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Em seu texto não crie fatos novos, inclua a fundamentação


que embase seus pedidos e explore as teses jurídicas cabíveis,
endereçando o documento à autoridade competente e
datando-o no último dia do prazo para protocolo.

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Art. 244, Código Penal

ABANDONO MATERIAL
Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge,
ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o
trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta)
anos, não lhes proporcionando os recursos necessários ou
faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente
acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de
socorrer descendente ou ascendente, gravemente enfermo:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma
a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País.

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Art. 89, LEI 9099/95

Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual
ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o
Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a
suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o
acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido
condenado por outro crime, presentes os demais requisitos
que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do
Código Penal).

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Art. 61, II, “e”, CP

Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena,


quando não constituem ou qualificam o crime:

II - ter o agente cometido o crime:

e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;

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FASES DO PROCEDIMENTO SUMÁRIO


(a) oferecimento da denúncia ou queixa (art. 41)
(b) recebimento da denúncia ou queixa (art. 395)
(c) citação (art. 351 a 369)
(d) resposta do réu (art. 396)
(e) possibilidade de absolvição sumária (art. 397)
(f) audiência de instrução e julgamento (art. 531).
(f.1) oitiva da vítima
(f.2) oitiva das testemunhas de acusação
(f.3) oitiva das testemunhas de defesa
(f.4) interrogatório
(f.5) diligências
(f.6) alegações finais
(f.7) sentença
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CPP
Art. 403. Não havendo requerimento de diligências, ou
sendo indeferido, serão oferecidas alegações finais orais
por 20 (vinte) minutos, respectivamente, pela acusação e
pela defesa, prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o
juiz, a seguir, sentença.

§ 3o O juiz poderá, considerada a complexidade do caso


ou o número de acusados, conceder às partes o prazo de
5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de
memoriais. Nesse caso, terá o prazo de 10 (dez) dias para
proferir a sentença.

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CPP
Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá arguir
preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa,
oferecer documentos e justificações, especificar as
provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as
e requerendo sua intimação, quando necessário.

§ 2o Não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o


acusado, citado, não constituir defensor, o juiz nomeará
defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos
por 10 (dez) dias.

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CPP
Art. 185. O acusado que comparecer perante a autoridade
judiciária, no curso do processo penal, será qualificado e
interrogado na presença de seu defensor, constituído ou
nomeado. dias.

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CPP
Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:
III. por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:
c. a nomeação de defensor ao réu presente, que o não tiver,
ou ao ausente, e de curador ao menor de 21 anos;
e) a citação do réu para ver-se processar, o seu interrogatório,
quando presente, e os prazos concedidos à acusação e à
defesa;

Enunciado nº 523, da súmula do STF


No processo penal, a falta de defesa constitui nulidade
absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova
de prejuízo para o réu.
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CPP
Art. 263. Se o acusado não o tiver, ser-lhe-á nomeado
defensor pelo juiz, ressalvado o seu direito de, a todo
tempo, nomear outro de sua confiança, ou a si mesmo
defender-se, caso tenha habilitação.

Parágrafo único. O acusado, que não for pobre, será


obrigado a pagar os honorários do defensor dativo,
arbitrados pelo juiz.

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Art. 65, I, CP
Circunstâncias atenuantes

Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena:

I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do


fato, ou maior de 70 (setenta) anos, na data da sentença;

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA 9ª VARA


CRIMINAL DE PLANALTINA – DISTRITO FEDERAL

Processo nº

JOSÉ DE TAL, brasileiro, divorciado, ajudante de pedreiro,


nascido em Juazeiro, Bahia, em 07/09/1938, residente e
domiciliado em Planaltina, Distrito Federal, vem, por seu
advogado regularmente constituído conforme procuração
de fls.__, perante Vossa Excelência, apresentar suas

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ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS

Com base no art. 403,§3º, CPP, pelos fatos abaixo


expostos:

1. DOS FATOS

O Ministério Público ofereceu denúncia em face do


acusado, imputando-lhe....

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2. DO DIREITO

2.1. DA CONCESSÃO DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DO


PROCESSO, NOS TERMOS DO ART. 89, DA LEI 9099/95;

2.2. DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE


DEFESA TÉCNICA;

2.3. DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE


RESPOSTA DO RÉU;

2.4. DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE


INTERROGATÓRIO;
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2.5. DA ABSOLVIÇÃO PELA ATIPICIDADE DA CONDUTA;

2.6. DA EXCLUSÃO DA AGRAVANTE PREVISTA NO ART.


61,II, CP

2.7. DO RECONHECIMENTO DA CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE


PREVISTA NO ART. 65, I, CP.

2.8. DA FIXAÇÃO DA PENA NO MÍNIMO LEGAL;

2.9. DA FIXAÇÃO DO REGIME ABERTO PARA CUMPRIMENTO


DE PENA, DE ACORDO COM ART. 33, § 2º, ‘c’, CP;

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2.10. DA SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE


LIBERDADE, NOS TERMOS DO ART. 44, CP;

3. DO PEDIDO

Diante do exposto, a defesa pleiteia inicialmente a


concessão da suspensão condicional do processo.

Caso não seja concedido tal benefício, a defesa pleiteia a


anulação do presente processo desde o oferecimento da
resposta do réu, haja vista a ausência de defesa técnica.

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Pelo princípio da eventualidade, caso não haja a anulação


de todo o feito, a defesa pleiteia a realização imediata de
interrogatório do réu na presença de seu defensor.

Caso Vossa Excelência não acolha as preliminares


suscitadas, a defesa requer a absolvição do réu, de acordo
com o art. 386, III, CPP.

Caso Vossa Excelência não absolva o réu, a defesa pleiteia


a exclusão da agravante suscitada e o reconhecimento da
atenuante prevista no art. 65, I, CP. Pleiteia, ainda, a
fixação da pena mínima com regime menos gravoso e a
substituição da pena eventualmente imposta.

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Nestes termos,
Espera deferimento

Planaltina, 22 de junho de 2009.

___________________
Advogado
Inscrição OAB nº
.

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