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Análise ao conceito “investigação”

 Investigar traduz-se em

confirmar experimentar
procurar aprofundar esclarecer

 A investigação é um processo de busca intencional, consistente,


metódica e orientada, visando dar resposta a problemas colocados
pela praxis social

 A investigação produz novo saber (conhecimento, experiências)


sobre a realidade estudada, permitindo resolver os problemas que
estiveram na origem do processo de busca.
 Etimológicamente “investigar” significa procurar e
“investigação” procura (research, recherche, ricerca)

 Procurar o quê? Com que objectivos? Como? Para quê?

 Que busco quando investigo?


A informação?
A verdade?
A compreensão?
Uma explicação?
A emancipação?
Fundamentos teóricos

 Questões ontológicas: prendem-se com a natureza da


realidade, com a natureza daquilo que pode ser
“conhecido”;

 Questões epistemológicas: abarcam a questão da


natureza da relação entre “aquele que conhece” (o
investigador) e aquilo que é “conhecido” (o objecto de
estudo);

 Questões metodológicas: abarcam toda a problemática


das decisões a tomar pelo investigador no que concerne
às diferentes etapas de realização da investigação.
Ontologia

Epistemologia
SUJEITO OBJECTO
“EU” “O REAL”
Método

Lógica Metodologia

CONHECIMENTO
(área do saber)
Primazia no acto de conhecimento?

SUJEITO ? OBJECTO?
• relação circular

EU
Idealismo/racionalismo

SUBJECTIVISMO
RAZÃO
OBJECTO?

Empirismo/realismo • A relação objectiva

OBJECTIVISMO O objecto é tudo


SUJEITO OBJECTO

Relativismo

CONSTRUTIVISMO
Abordagens ao conhecimento
NÃO CIENTÍFICA CIENTÍFICA

Abordagem geral Intuitiva Empírica

Observação Casual, incontrolada Sistemática

Comunicação Subjectiva Objectiva

Conceitos Ambíguos Definições claras

Instrumentos Imprecisos Precisos


Medida Não válida ou fiável Válida, fiável
Atitude Acrítica Crítica
Características do conhecimento
científico

OBJECTIVO RACIONAL
FÁTICO

METÓDICO
VERIFICÁVEL SISTEMÁTICO

COMUNICÁVEL
Método científico

TEORIAS
(ideias)

RACIOCÍNIO RACIOCÍNIO
INDUTIVO DEDUTIVO

DADOS
(realidade)
TEORIAS

INVESTIGAÇÃO
INVESTIGAÇÃO

DEDUTIVA
INDUTIVA
GENERALIZAÇÃO HIPÓTESES
EMPÍRICA

INVESTIGAÇÃO
DESCRITIVA
DADOS
Fases do método científico

 Levantamento do problema
 Revisão da literatura
 Formulação de hipóteses
 Metodologia
 Definição de variáveis
 Constituição da amostra
 Desenho do estudo
 Procedimentos
 Análise de dados
 Conclusões
Inspirados e alimentados por uma … Epistemologia

Linhas teóricas afins agrupam-se em … Paradigmas

Leis interrelacionadas podem constituir… Teorias

Partindo da análise de dados formulam-se… Leis

O conhecimento científico baseia-se em… Dados


Paradigma

“Um paradigma é uma forma de ver o mundo aceite num dado momento por uma dada
comunidade científica”

“o cientista não é objectivo, não pensa de forma livre e céptica. É mais um


conservador que aceita o que lhe é ensinado e que aplica o seu conhecimento na
solução de problemas que já existiam antes dele.”

“A ciência não é uma forma estática de acumulação de conhecimento. É antes uma


série de interlúdios calmos perturbados por violentas revoluções intelectuais. Nessas
revoluções uma forma de ver o mundo é substituída por outra.”

Thomas Kuhn, 1962


Paradigmas da investigação educativa

 Quantitativo, positivista, empírico-analítico, racionalista,


empiricista

 Qualitativo, hermenêutico, interpretativo, naturalista

 Socio crítico, emancipatório


Paradigma positivista

 percursor Francis Bacon; empirismo de Locke e S. Mill;


positivismo de A. Comte, B. Russell e R. Carnap;
 epistemologia objectivista:

• distinção entre o investigador “subjectivo” e o mundo


exterior “objectivo”
• conhecimento válido por resultar da aplicação do
método científico
• palavras chave: determinismo – racionalidade –
- impessoalidade – previsão - objectividade
Paradigma qualitativo

 “fenomenologia” de Husserl – “interracionismo simbólico”


de Mead – “etnometodologia” de Garfinkel

 Epistemologia subjectivista/construtivista

• investigador e objecto são ambos e ao mesmo tempo


“intérpretes” e “construtores de sentidos”
• valoriza o papel do investigador/construtor do
conhecimento
• Palavras-chave: compreensão – significado –
acção – contexto
Paradigma Socio-crítico

 Escola de Frankfurt anos 20; teorias marxistas; Jurgen


Habermas; P. Freire; M. Apple e H. Giroux nos EU.

 Pressupostos:
• impossibilidade de um conhecimento objectivo
investigador socialmente “situado”
• introdução da componente ideológica e da intenção
clara de transformar o mundo rumo à liberdade e
democracia
• Palavras-chave : emancipação – teoria crítica –
mudança - libertação
Comparação entre paradigmas

POSITIVISTA QUALITATIVO CRÍTICO

Fundamento Teórico Positivismo Fenomenologia T. crítica

Finalidade Verificação Descoberta Mudança

Visão realidade Única Múltipla Dinâmica

Aproximação realidade Simplificada Holística Interactiva

Estilo do investigador Interventivo Selectivo Participativo

Desenho estudo Determinado Emergente Negociado

Quadro investigação Laboratório Natural Circunscrito


Metodologia Metodologia
quantitativa qualitativa

Teoria a testar Construção da teoria

Problema e hipóteses Busca de padrões


derivados da teoria

Conceitos e variáveis Categorias de dados


relacionados com teoria

Recolha de dados Levantamento questões


que confirmem a teoria
Recolha de dados
Qualitativa Quantitativa

Survey Experimental
Histórica
Quase
Etnografia Estudo de caso experimental

Indução Dedução
Compreender fenómenos Explicar fenómenos
Criar teoria Fundamentar teoria
Situada num contexto Livre do contexto
Observador participante Observador externo
Modalidades investigação didáctica

 Estudos quantitativos:
• experimentais
• não experimentais ou descritivos
 Estudos qualitativos
• etnografia
• fenomenologia
• Grounded theory (teoria fundamentada)
 Estudos mistos
• estudo de caso
• estudo de avaliação
• investigação-acção
• Investigação analítica