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DIREITO CONSTITUCIONAL II

Prof. Msc Bráulio Cavalcanti Ferreira.


IV. CONTEÚDO
1. Introdução à Disciplina;
2. O Poder Legislativo;
3. O Processo Legislativo;
4. O Estatuto dos Parlamentares;
5. O Poder Executivo;
6. O Poder Judiciário e o Sistema de Justiça;
7. A Estrutura e organização do Estado Federal Brasileiro;
8. A Defesa do Estado e Instituições Democráticas;
9. A Ordem Econômica e Financeira;
10. A Ordem Social;
11. As Perspectivas do Direito Constitucional;
INTRODUÇÃO
Princípio Federativo – critério
orientador da organização do Estado.
“Art. 1º A República Federativa do
Brasil, formada pela união indissolúvel
dos Estados e Municípios e do Distrito
Federal, constitui-se em Estado
Democrático de Direito e tem como
fundamentos:”
FORMAS DE ESTADO
Está relacionada à distribuição do exercício do poder político
em razão de um território.
ESTADO UNITÁRIO. Marcado pela centralização
política – único núcleo estatal de onde emanam todas as decisões.
Em que pese a inexistência de descentralização política, admite-se a
descentralização administrativa.
Brasil – já foi unitário no Brasil-Colônia e no Brasil-
Império.

ESTADO FEDERADO. Descentralização no


exercício do poder político, pulverizado em mais de uma entidade
política, todas funcionando como centros emanadores de
comandos normativos e decisórios. Existe mais de um ente dotado
de capacidade política, mas não se pode perder de vista a unidade.
ESTADO FEDERADO
CONCEITO:
É a reunião, feita por uma Constituição,
de entidades políticas autônomas unidas por
um vínculo indissolúvel.
Nesta reunião, inexiste direito de
secessão, havendo completa intolerância com
movimentos separatistas, que serão firmemente
coibidos.
Todas as Constituições brasileiras, desde
1891, mantiveram a forma republicana de
Estado.
CARACTERÍSTICAS:
Descentralização do poder político:
1) a divisão não é apenas administrativa, mas constitucional-normativa.
Cada entidade possuirá competência para estabelecer sua organização
política própria, mediante a edição de um documento constitucional
(em conformidade com a Constituição Federal), o que configura sua
autonomia;
2) consequência da descentralização: identificação de ordens jurídicas
parciais, conformadas em entes federados dotados de autonomia e não
subordinadas entre si;
3) a autonomia das entidades parciais podem ser traduzidas em aptidão
para a realização de: a) auto-organização – elaborar sua própria
legislação fundamental e demais leis; b) auto-governo – capacidade de
eleger e escolher seus representantes; c) auto-administração – exercer
atividades de cunho legislativo, administrativo e tributário.
CARACTERÍSTICAS:
Indissolubilidade do vínculo federativo:
Inexiste direito de secessão, sob pena de qualquer entidade que deu
origem ao movimento separatista seja alvo de processo interventivo.
A intervenção federal é instrumento que restabelece o equilíbrio
federativo.

Existência de um Tribunal Constitucional:


Órgão de cúpula do Poder Judiciário – dever de interpretar e proteger
a Constituição e dirimir conflitos entre os entes.
Previsão de um Órgão Legislativo que represente os poderes regionais.
As vontades parciais formam a vontade geral – dá-se efetivamente pelo
princípio da participação, com o Senado representando os Estados-
membros.
OUTRAS FORMAS DE ESTADO
Estado Regional
Itália – não possui descentralização política, mas somente
descentralização administrativa – afasta-se do Estado
Unitário por conferir competências legislativas às regiões.
Estado Autonômico
Espanha – inexistência de descentralização política e
existência de centralização administrativa e legislativa.
CONFEDERAÇÃO
É a reunião de Estados soberanos – usualmente criada
por tratados internacionais, podendo até mesmo adotar
um documento comum intitulado de Constituição.
FEDERAÇÃO CONFEDERAÇÃO
Formada por entidades Politicas Formada por Estados Soberanos,
Autônomas reunidos por um Tratado/Acordo
Internacional
Os entes são dotados de Os Entes Componentes são dotados
AUTONOMIA de SOBERANIA

Inexistências do Direito de Permitido o vínculo de Secessão já


Secessão(pois o vínculo federativo é, que o vínculo é dissolúvel( os entes
necessariamente, indissolúvel) mantém sua sobernia)

Existência de um órgão de Cúpula Congresso Confederativo para


do Poder judiciário para solucionar dirimir os conflitos. Ausência de
os conflitos entre as entidades Coerção.
autonomas
QUANTO À ORIGEM OU FORMAÇÃO

Por Agregação:
Também chamada de federação perfeita – é o resultado da reunião/junção de
alguns Estados Nacionais, até então soberanos, que decidem se reunir em um
vínculo federativo. Para tanto, cedem sua soberania e os Estados Originários
deixam de existir, convertendo-se em um terceiro.
É fruto do movimento centrípeto (de fora para dentro) – EUA.

Por Segregação:
Federação imperfeita – é o desfazimento de um Estado unitário (marcado pela
centralização política) que pretende se tornar federado.
É fruto do movimento centrífugo (dentro para fora) – Brasil.
QUANTO À ATUAL
CONCENTRAÇÃO DE PODER
CENTRÍPETAS
Maior volume de atribuições no centro,
no plano federal (caso brasileiro).
CENTRÍFUGAS
Competências são mais abundantes –
EUA.
QUANTO À REPARTIÇÃO DE
COMPETÊNCIAS
Dual ou clássica
Reparte atribuições isoladas para os entes federados,
entregando a cada um suas competências próprias que serão
exercidas sem comunicação com os demais entes, de forma
independente e sem apoio das demais entidades.
Cooperativa ou neoclássica
Tarefas são repartidas de modo a possibilitar a participação
conjunta dos entes – a partir da CF 1934 foi adotado o
federalismo cooperativo no Brasil – reflete o sistema de
repartição de competências da atual CF.
QUANTO AO EQUACIONAMENTO
DAS DESIGUALDADES
Simétricas
Distribuição de competências e receita é feita de modo equânime entre
as entidades, sem disparidades ou diferenças, dando primazia à
igualdade entre os entes federados. Ex; EUA.

Assimétricas
Há um desiquilíbrio no tratamento, tendo em vista abissais
desigualdades regionais que precisam ser superadas ou as diferenças
culturais. Ex: Suíça.

Brasil – a CF tem momentos de assimetria, sendo a posição adotada


por alguns autores. Entretanto, a maioria da doutrina afirma que o
tratamento entre os entes federados é simétrica, porque as entidades
federativas estão em mesmo grau.
FEDERAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO
DA REPÚBLICA DE 1988
Federação brasileira é o resultado do desfazimento do Estado
Unitário – transformou as províncias em Estados-membros.
É considerada cláusula pétrea:
Art. 60, § 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de
emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
Composição: União, Estados, Distrito Federal, Municípios –
todos autônomos entre si – inexiste hierarquia entre eles – mas
todos são subordinados à Constituição.
UNIÃO

É o ente central da federação – possui


total autonomia em relação as demais
entidades federativas e concreta um
grande volume de atribuições
administrativas, legislativas e tributárias.
Quanto a concentração do poder –
centrípeta.
UNIÃO
A União representa a República Federativa do Brasil nas
relações internacionais, o que não autoriza confundir as duas
entidades – embora representadas pela mesma pessoa física
(Presidente) – chefe de Estado: representa a República. Chefe
de Governo: representa a União.
Personalidade jurídica: pessoa jurídica de direito constitucional
(interno), agindo como entidade federada; por vezes é de direito
público internacional, representando a República.
Assim, infere-se que a União NUNCA será detentora da
soberania nacional, uma vez que pertence à República.
ESTADOS-MEMBROS
Entidades primordiais e indispensáveis para a
instituição do Estado Federado – são
organizações políticas típicas, que
materializam a descentralização no exercício
do poder político.
Entidades autônomas – se organizam pelo
poder derivado decorrente nas respectivas
Constituições Estaduais e pelo restante do
corpo normativo no âmbito estadual.
ESTADOS-MEMBROS
Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas
Constituições e leis que adotarem, observados os princípios
desta Constituição.
Art. 11, do ADCT. Cada Assembléia Legislativa, com poderes
constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo de
um ano, contado da promulgação da Constituição Federal,
obedecidos os princípios desta.
Autônomos – a CF delega aos estados a competência para
estruturar seus Poderes, sem que haja qualquer intervenção
federal ou subordinação ao poder central.
PODER LEGISLATIVO
ESTADUAL
Art. 27. O número de Deputados à Assembléia Legislativa
corresponderá ao triplo da representação do Estado na Câmara dos
Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de
tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze.
Estrutura unicameral – representado pela Assembleia Legislativa.
Sistema eleitoral é o proporcional para a escolha dos Deputados
Estaduais, que terão mandatos de 4 anos, sendo o número de
Deputados Estaduais igual ao triplo do de Deputados Federais.
Art. 45, § 1º - O número total de Deputados, bem como a
representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por
lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos
ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma
daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de
setenta Deputados.
PODER EXECUTIVO ESTADUAL
Eleição de governador e vice no primeiro domingo de outubro,
em primeiro turno e no ultimo domingo, se houver segundo
turno. O sistema eleitoral é o majoritário absoluto e posse
ocorre em 1º de janeiro ao ano subsequente ao das eleições.
Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de
Estado, para mandato de quatro anos, realizar-se-á no primeiro
domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo
de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao
do término do mandato de seus antecessores, e a posse
ocorrerá em primeiro de janeiro do ano subseqüente,
observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77.
MUNICÍPIOS
Não tinham condição de Ente Federado até a atual CF88. Assim,
tem garantia a plena autonomia.
Organizam-se através de Lei Orgânica, votada em 2 turnos, com
interstício mínimo de 10 dias, aprovada por 2/3 dos membros da
Câmara Municipal, que a promulgará.
Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois
turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois
terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará,
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na
Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:
Também podem se auto-organizar pela edição de normas
municipais.
DISTRITO FEDERAL
É um ente federativo autônomo – organiza-se por Lei Orgânica, votada em 2
turnos, com interstício mínimo de 10 dias, aprovada por 2/3 da Câmara
Legislativa que a promulgará.
Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger- se-á por
lei orgânica, votada em dois turnos com interstício mínimo de dez dias, e
aprovada por dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os
princípios estabelecidos nesta Constituição.
Auto-organização: leis distritais – é atribuído ao Distrito Federal as
competências legislativas reservada aos Estados e aos Municípios.
Art. 32, § 1º - Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas
reservadas aos Estados e Municípios.
Auto-governo: eleição de governador e vice, pela regra do art. 77, bem como a
eleição proporcional para os Deputados Distritais (mandato de 4 anos).
Ao DF é vedada a divisão em Municípios. Art. 32. O Distrito Federal,
vedada sua divisão em Municípios [...]
TERRITÓRIOS FEDERAIS
Foi suprimida a condição de entidade federado aos territórios pela atual CF88 – transformou os territórios
federais existentes em estados-membros ou reincorporou ao Estado de origem.
Art. 14, do ADCT. Os Territórios Federais de Roraima e do Amapá são transformados em Estados
Federados, mantidos seus atuais limites geográficos.
Art. 15, do ADCT. Fica extinto o Território Federal de Fernando de Noronha, sendo sua área
reincorporada ao Estado de Pernambuco.
Atualmente não existem territórios federais e ainda que novos sejam criados (art. 18, §3º), não serão entes
federados.
Art. 18, § 3º - Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem
a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população
diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.
Os territórios federais integrarão a União como meras descentralizações administrativo-territoriais e não
possuíram nenhuma autonomia política.
Art. 18, § 2º - Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou
reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar.
Integrarão, portanto, a estrutura descentralizada da União, como entidades autárquicas e seu regime
jurídico há de ser definido por lei federal infraconstitucional.
Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos Territórios.
PROCESSO DE CRIAÇÃO DE
TERRITÓRIOS FEDERAIS
• 1) regulados por lei complementar federal;
• Art. 18, § 2º - Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão
reguladas em lei complementar.
• 2) uma vez criado o território será devidamente organizado, administrativa e judiciariamente, por lei federal (da União).
• Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos Territórios.
• 3) território podem, ou não, serem divididos em Municípios – caso seja, os Municípios serão tratados como aqueles dos estados-membros,
tendo autonomia política e passíveis de intervenção.
• Art. 33, § 1º - Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos quais se aplicará, no que couber, o disposto no Capítulo IV deste Título.

• Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território Federal, exceto quando:
• 4) territórios federais não serão dotados de autonomia, não terão capacidade política, apenas administrativa;
• 5) a Câmara Territorial – não possuirá dever de fiscalizar as contas do território, pois será um embrião da Assembleia Legislativa com função
única de deliberação. As contas do território federal serão remetidas ao Congresso, com parecer prévio do TCU;
• § 2º - As contas do Governo do Território serão submetidas ao Congresso Nacional, com parecer prévio do Tribunal de Contas da União.
• 6) Presidente escolherá o Governador do território, cujo nome deverá ser aprovado pelo Senado, em votação secreta, após arguição pública.
• Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
• III - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição pública, a escolha de:
• c) Governador de Território;
• 7) se tiver mais que 100 mil habitantes – terá órgãos judiciários de primeira e segunda instância, membros do MP e DP.
• Art. 33, § 3º - Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes, além do Governador nomeado na forma desta Constituição, haverá
órgãos judiciários de primeira e segunda instância, membros do Ministério Público e defensores públicos federais; a lei disporá sobre as
eleições para a Câmara Territorial e sua competência deliberativa.
• 8) se o território não tiver mais que 100 mil habitantes, não terá Tribunal próprio; o governador será julgado, pela prática de crime comum ou
de responsabilidade, pelo TJDFT;
• 9) União responsável pelo impostos estaduais no território e também pelos municipais, se não for dividido em municípios.
• Art. 147. Competem à União, em Território Federal, os impostos estaduais e, se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente,
os impostos municipais; ao Distrito Federal cabem os impostos municipais.
• 10) União será competente para organizar e manter o Poder Judiciário, MP e a DP nos territórios;
• Art. 21. Compete à União:
• XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios;
• 11) Juízes da justiça local serão responsáveis por exercer as atribuições e a jurisdição dos juízes federais;
• Art. 110, Parágrafo único. Nos Territórios Federais, a jurisdição e as atribuições cometidas aos juízes federais caberão aos juízes da justiça local,
na forma da lei.
FORMAÇÃO DE NOVOS ESTADOS E
MUNICÍPIOS
• Uma das características nucleares da Federação é a inadmissibilidade do direito à secessão – assim, o vínculo federativo é indissolúvel. CF/1988
– veda os movimentos separatistas para a formação de novos Estados Nacionais. Nada impede, todavia, a remodelagem da organização interna.
• FORMAÇÃO DE NOVOS ESTADOS
• Art. 18, § 3º - Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados
ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei
complementar.

• Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor
sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre:
• VI - incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou Estados, ouvidas as respectivas Assembléias Legislativas;
• REQUISITOS:
• Consulta prévia à população, por meio de plebiscito;
• Deve ter a participação popular direta no exercício da soberania popular – por isso o plebiscito e motivo pelo qual não pode ser substituído pelo
referendo (que é uma consulta posterior ao ato legislativo).
• A “população diretamente interessada” – tanto da área desmembrada como a da área remanescente.
• A aprovação por plebiscito é condição necessária a indispensável – se o resultado for desfavorável, o Congresso não poderá levar adiante. Se for
favorável, o Congresso passará a avaliar soberanamente a viabilidade, podendo aprova, ou não, a lei complementar.
• b) Oitiva das Assembleias Legislativas dos Estados envolvidos;
• Serão somente ouvidas e fornecerão dados técnicos concernentes aos aspectos administrativos, financeiros, sociais e econômicos.
• A deliberação da Assembleia é meramente opinativa, não vinculando o Congresso Nacional.
• c) aprovação do Congresso Nacional, com a edição de Lei Complementar.

• CINCO POSSIBILIDADES DE REDIVISÃO INTERNA DO TERRITÓRIO:
• INCORPORAÇÃO
• Estado-membro agrega-se a outro, com a extinção do Estado agregado e manutenção do Estado agregador. Ex: Estado da Guanabara foi
incorporado ao Estado do Rio de Janeiro em 1975.
• FUSÃO
• União de dois ou mais Estados – todos perdem suas personalidades originais – surge um novo Estado. Ex ridículo: Bahia + MG = Axé Mineiro.
• SUBDIVISÃO
• Um Estado se divide em dois ou mais, perdendo a personalidade Jurídica originária e formando outros novos. Ex: subdivisão do Estado de MG =
Estado de Minas e o Estado de Gerais.
• DESMEMBRAMENTO-ANEXAÇÃO
• Um Estado perde parcela de seu território para outro Estado, havendo somente a mudança nos limites geográficos.
FORMAÇÃO DOS MUNICÍPIOS
• É a maneira encontrada pelo Poder Derivado Reformador de impedir a proliferação do número de Municípios – limitou o poder dos estados-
membros de criar novos municípios.
• Evitar a manipulação da fragmentação das unidades federadas – EC 15/96:
• Art. 18, § 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado
por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após
divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei.
• EC 15/96 – trouxe novo requisito – a exigência de lei complementar federal, dificultou a formação de novos municípios – intenção de conter o
avanço desenfreado de novos municípios.
• REQUISITOS:
• Edição de lei complementar federal
• Fixando de maneira genérica o período em que poderá ocorrer a criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios.
• Aprovação de lei ordinária federal
• Prevendo genericamente os requisitos a serem respeitados, bem como a divulgação, apresentação e publicação dos estados de viabilidade
municipal.
• Consulta prévia
• Por plebiscito convocado pela Assembleia Legislativa.
• Aprovação de lei ordinária estadual
• Regulamentando a criação, fusão, incorporação ou desmembramento.
• QUESTÃO DA LEI COMPLEMENTAR FEDERAL
• Até hoje (2017) não foi elaborada a lei complementar federal – desde a EC 15/96 que exigiu a normatização como condição prévia para a
criação – enquanto ela não for elaborada a remodelação da estrutura federada, no tocante aos municípios, não poderá ser feita (STF, ADI
2.381/RS).
• Entretanto, a inexistência de lei complementar federal não foi obstáculo para a formação de novos municípios mediante a aprovação de leis
estaduais – criaram-se os Municípios Putativos – existiam de fato, mas juridicamente eram inconstitucionais, por ofensa ao art. 18, §4º.
• Questão aportou ao STF – ADI 3.682/MT – reconheceu a inconstitucionalidade da mora do Congresso Nacional em regulamentar o §4º, art. 18 e,
ainda, fixou prazo de 18 meses para que o Poder Legislativo editasse a lei complementar federal.
• Flagrante tensão entre os poderes – STF entendeu adequado apresentar um ofício, informando que não se tratava de imposição de prazo, mas
a fixação de um parâmetro temporal razoável.
• Em 18/12/2008 – Congresso promulgou a EC 57/2008 – convalidando os atos de formação dos Municípios criados até 31/12/2006.
• STF descartou qualquer tentativa de constitucionalização superveniente, como a operada pela Emenda. Até hoje não se manifestou sobre a EC
57/06.
• Por fim, a exigência da lei complementar federal permanece até hoje, norma esta que não foi produzida. Se novo município for criado após
31/12/2006, será inconstitucional, portanto. Ocorreu com a Lei 2264/10 do Estado de Rondônia – criou um município e o STF suspendeu em
cautelar, porque não foi editada a referida lei complementar.
VEDAÇÕES CONSTITUCIONAIS
• Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios:
• I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas,
subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento
ou manter com eles ou seus representantes relações
de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da
lei, a colaboração de interesse público;
• II - recusar fé aos documentos públicos;
• III - criar distinções entre brasileiros ou preferências
entre si.
REPARTIÇÃO CONSTITUCIONAL DE
COMPETÊNCIAS
• A divisão constitucional das atribuições entre os entes
federados é elemento fundamental na constituição do
federalismo. Estado federal – exercício do poder político
está descentralizado – caracterizada por estar dentro de
um único sistema jurídico global, sendo as capacidades
políticas distribuídas entre as diferentes pessoas
jurídicas.
• Todas elas são igualmente capazes politicamente – cabe a
CF a tarefa de distribuir, a cada ente federado, as
competências administrativas, legislativas e tributárias.
• A autonomia das entidades federadas pressupõe a
repartição da competência – CF está harmonizando a
convivência entre as entidades.
PRINCÍPIOS NORTEADORES
• É a preponderância dos interesses – em razão da amplitude dos assuntos em
discussão.
• Cabe a União – matérias de interesse nacional; aos Estados – regional;
municípios – local. DF – é híbrida, pois de interesse regional e local (art. 32,
§1º).
• IMPORTANTE! Baseia-se na noção de predominância do interesse e jamais da
exclusividade.
• Doutrina – outro princípio – PODERES IMPLÍTICOS
• Dos dispositivos constitucionais expressamente preveem atribuições aos
entes federados, pode-se extrair a competência para que os entes efetivem e
implementam a tarefa, valendo-se dos meios necessários para se alcançar
este fim. São as competências implícitas – podem praticar atos não expostos
na CF, mas necessários à realização das prerrogativas expressamente
indicadas na CF. Ex: STF – atribuição do TCU de prevenir e afastar lesões ao
erário – daí deriva legitimidade para determinar a suspensão cautelar de
licitação irregular.
TÉCNICAS DE REPARTIÇÃO
• MODELO AMERICANO
• Delimitação precisa das competências da União (hipótese taxativas), com os
poderes remanescentes sendo delegados aos estados.
• MODELO CANADENSE
• Os poderes são enumerados aos Estados, com reserva dos remanescentes
para a União.
• MODELO INDIANO
• Competências são enumeradas para todos os entes federados, de maneira
exaustiva, o que ocasiona o inchaço do documento constitucional.
• BRASIL? MODELO AMERICANO – salvo quanto aos Municípios, que aqui
também são entes federados autônomos e a enumeração das competências
é feita para a União e aos Municípios, ficando aos Estados a remanescente.
TÉCNICAS DE DISTRIBUIÇÃO DAS
COMPETÊNCIAS
SISTEMA HORIZONTAL
EUA – CF delega a cada ente atribuições que lhe
sejam próprias, particulares. Esse sistema dá
origem às competências privativas e exclusivas.
SISTEMA VERTICAL
Dá origem às atribuições comuns e concorrentes
– exercidas em parceria pelos entes federados.
BRASIL? Momentos da horizontal e da vertical.
TÉCNICAS DE DISTRIBUIÇÃO
DAS COMPETÊNCIAS
Art. 21 – matérias exclusivas (administrativas
ou executivas)
Art. 22 – matérias privativas (legislativas)
Art. 23 – matérias comuns (administrativas ou
executivas)
Art. 24 – matérias concorrentes (legislativas).
Existem outras competências federais – arts.
48, 49 e 149, CF.
COMPETÊNCIAS MATERIAIS
EXCLUSIVAS – ART. 21
Materiais – administrativas ou
executivas – ideia de “fazer”, “agir”,
“atuar”.
São atribuições INDELEGÁVEIS –
devem necessariamente ser prestadas
pela União.
Art. 21. Compete à União:
COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS
PRIVATIVAS – ART. 22
Todos os incisos são iniciados com um
substantivo (desapropriação, trânsito e
transporte, etc).
As atribuições são delegáveis, não
porque o caput diz que são privativas,
mas sim por autorização constitucional
expressa.
COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS
PRIVATIVAS – ART. 22
Art. 22, Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a
legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo.
REQUISITOS PARA A DELEGAÇÃO
FORMAL: edição de lei complementar;
MATERIAL: União não poderá delegar toda a matéria do inciso, mas somente
questões específicas relacionadas às matérias. Ex: LC 193/2000 – delegação não
sobre o direito do trabalho, mas sobre o piso salarial.
IMPLÍCITO: não pode beneficiar um ou outro Estado-membro, mas todos
em virtude do princípio da isonomia das entidades federativas.
IMPORTANTE! União não está obrigada a delegar a competência e, se o fizer,
não estará declinando de sua função legislativa, podendo recuperá-la a qualquer
tempo, editando normas que se refiram ao assunto da delegação.
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
COMPETÊNCIAS MATERIAIS
COMUNS – ART. 23
Cumpridas pela União e demais entes federados – Estados, DF
e Municípios – competências administrativas ou executivas.
As atribuições podem ser exercidas concomitantemente – não
há limites prévios estipulados e a atuação de um não inviabiliza
a de outro. Assim, nasce a possibilidade de conflito entre as
atuações.
Art. 23, Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas
para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do
desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios:
COMPETÊNCIA DOS ESTADOS-
MEMBROS
Art. 25. Os Estados organizam-se e
regem-se pelas Constituições e leis que
adotarem, observados os princípios desta
Constituição.
§ 1º - São reservadas aos Estados as
competências que não lhes sejam vedadas
por esta Constituição.
COMPETÊNCIA DOS ESTADOS-
MEMBROS
• MATERIAIS EXCLUSIVAS
• As remanescentes – não enumeradas
para a União no art. 21.
• Ex: Art. 25, § 2º - Cabe aos Estados
explorar diretamente, ou mediante
concessão, os serviços locais de gás
canalizado, na forma da lei, vedada a
edição de medida provisória para a sua
regulamentação.
COMPETÊNCIA DOS ESTADOS-
MEMBROS
LEGISLATIVAS PRIVATIVAS
Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas
Constituições e leis que adotarem, observados os princípios
desta Constituição.
§ 1º - São reservadas aos Estados as competências que não lhes
sejam vedadas por esta Constituição.
Ex: lei sobre transporte público intermunicipal. É privativa da
União legislar sobre transporte público interestadual, por outro
lado é dos Municípios os transportes públicos intramunicipal.
COMPETÊNCIA DOS
MUNICÍPIOS
Art. 30. Compete aos Municípios:
I - legislar sobre assuntos de interesse local;
STF – fixação dos horários de funcionamentos dos
estabelecimentos comerciais (Súmula 645, STF). Por outro lado,
o horário de funcionamento das agências bancárias, para fins de
atendimento ao público, não é competência municipal –
interessa a União – interesse nacional – Súmula 19 STJ.
É de competência municipal as normas que referem-se ao
conforto e segurança dos serviços bancários (AI 347.717).
Estipulação de tempo máximo de espera em fila em cartórios.
Não compete aos municípios a edição de normas que impedem
a instalação de estabelecimentos comerciais de mesmo ramo em
determinada área – fere o direito a concorrência.
COMPETÊNCIAS DOS
MUNICIPIOS
II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;
Duas exigências – assuntos sejam de interesse local e que estejam
suplementando uma lei prévia. Essas leis podem ser editadas no
exercício da competência legislativa concorrente. Assim, as normas
municipais não podem complementar as competências privativas da
União (art. 22).
Para a doutrina majoritária, somente possuem competência
suplementar-complementar, sendo desprovidos de competência
suplementar-supletiva (para editar normas gerais).
COMPETÊNCIAS DOS
MUNICIPIOS
III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da
obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei;
IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de
interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial;
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação pré-
escolar e de ensino fundamental;
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil
e de ensino fundamental; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à
saúde da população;
VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do
uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;
IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação
fiscalizadora federal e estadual.
COMPETÊNCIAS DO DISTRITO
FEDERAL
• Exerce a competência legislativa e tributária reservada aos Estados e aos Municípios – competência cumulativa, portanto.
• Art. 32, § 1º - Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios.

• Art. 147. Competem à União, em Território Federal, os impostos estaduais e, se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente,
os impostos municipais; ao Distrito Federal cabem os impostos municipais.
• As leis do DF podem ser alvo de ADI – desde que editadas no exercício da competência legislativa estadual.
• Súmula 642, STF: Não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal derivada da sua competência legislativa municipal.
• DF também exerce as competências materiais comuns, legislativas concorrentes, e se houver delegação da União, as privativas (art. 22).
• No mais, é competente para:
• 1) editar sua própria Lei Orgânica;
• 2) exercer a competência legislativa remanescentes dos Estados-membros;
• 3) eventual competência legislativa privativa da União (delegação);
• 4) competência legislativa suplementar (complementar ou supletiva) com os Estados-membros;
• 5) competências legislativas dos Municípios;
• 6) competência suplementar-complementar dos Municípios.
• Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger- se-á por lei orgânica, votada em dois turnos com interstício mínimo de dez
dias, e aprovada por dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição.
• § 1º - Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios.
• § 2º - A eleição do Governador e do Vice-Governador, observadas as regras do art. 77, e dos Deputados Distritais coincidirá com a dos
Governadores e Deputados Estaduais, para mandato de igual duração.
• § 3º - Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27.
• § 4º - Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar.