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USP / ECA / CMU

História da Música III


Prof. Dr. Marcos Branda Lacerda

BERLIOZ Programa:

Biografia William / Victor


Acorde Colorístico Eduardo
Grande Estrutura Harmônica Marcio
Obra Orquestral Gustavo / Brenda
Idea Fixa Bruno / Leonardo
William / Victor

Biografia:
Vida:
Hector Berlioz (1803-1869) nasceu na comuna
francesa de La Côte-Saint-André,
no departamento de Isère, perto de Grenoble. Seu
pai, Louis Berlioz, um médico provincial respeitado e
estudioso que é amplamente creditado pelas
primeiras aplicações e registros do uso de
acupuntura na Europa, foi responsável por grande
parte da educação de Berlioz. Louis era
um agnóstico, com uma perspectiva liberal; sua mãe,
Marie-Antoinette, era devota Católica
Romana. Berlioz teve cinco irmãos, ao todo, três dos
quais não chegaram à idade adulta. Os outros dois,
Nanci e Adèle, permaneceram perto de Berlioz ao
longo da sua vida.
William / Victor

Carreira:

Pouco apreciado na França da época, a música e a vida de Berlioz talvez tenham


personificado os ideais românticos mais que qualquer outro compositor, salvo Liszt. A
incrível originalidade de sua imaginação, suas concepções grandiosas e seu talento
extraordinário na orquestração introduziram um novo pictorialismo na música. Primeiro
grande compositor não instrumentista, Berlioz tornou-se um dos primeiros regentes
modernos, bem como um crítico perspicaz.
William / Victor

Música:
1821 - Ingressa na faculdade de medicina em Paris; faz as primeiras incursões na Ópera
1824 - Desiste da Medicina; compõe a Messe Solennelle
1821 - Matricula-se no Conservatório de Paris
1827 - Assiste a Harriet Smithson em “Hamlet”
1830 - Symphonie fantastique ganha o Prix de Rome
1834 - Compõe “Haroldo na Itália”, concerto para viola
1837 - Escreve a Grande Messe des Morts
1841 - Les nuits d’été, obra vocal, composta
1842 - Primeira de várias turnês internacionais
1849 - Compõe o Te Deum
1858 - Escreve Les troyenes, ópera
Eduardo
Acorde colorístico
A função da tríade na música tonal:
• Posição fundamental – em cadências e efeito estável.
• 1º inversão (acorde com 6ª) – consonante e resolução intermediária, não dissonante mas não tem
resolução (ressonância de 5ª)
• 2º inversão – dissonante, acorde 6/4, dura sonoridade de 4º requer resolução.

Em Berlioz, as inversões de acordes e posições fundamentais visa expressividade


• Escolha da posição do acorde, em fundamental, pelo efeito colorístico soam estranho
e sem justificativa contrapontística.
Eduardo

Abertura de L’Absence, de Les nuits d’été


D2 (C#7/B) T (F#)

Salto de 4º
• O si (7º da D) deveria dirigir-se ao lá# (3º da T).

• a contundência do 3º compasso – D7 – duramente dissonante e o brilho do 4º compasso.


Eduardo
A canção O Espectro da Rosa (1’00min.)
D Bm7/D D + +

D E7b9 A7/C# F#7b9/A# A6/4 A


7º 3º

4
Eduardo

 no comp.2 as notas marcadas (+) sugerem outra harmonização


 o acorde F#7b9 tem sonoridade de A7b9 – o sol (7º da Dom.) da melodia resolve em fa# (3º da Tônica -
Ré).
 “a harmonia reforçada pelo baixo está lutando contra a harmonia incorporada na melodia.” (p.728)

 Ataca a prosódia conferindo maior expressão ao e não-acentuado da palavra close, em vez do o da primeira
sílaba (close). Colocar a dissonância na 2º sílaba intensifica o movimento para o pulso seguinte.

 Convencionalmente seria com retardo ao E7b9 ou E7:

 O acorde ré maior de tônica em posição 6/4 sobre a última sílaba de “virginal” bloqueia qualquer
expectativa de resolução do lá sustenido cromático do baixo; não resolve, apenas desce.
Marcio
Acorde Colorístico  Controvérsia: Gênio ou Incompetente? (1/3)

Efeitos “colorísticos” de Berlioz  interpretação controversa de seus admiradores e críticos:

• Críticos: • Admiradores:
• Comportamento irriquieto • Gênio criativo
• Forma negligente • Procedimentos da pintura e da literatura
• Harmonia libertina • Textura básica clássica + polifonia anticlássica
• Contraponto ingênuo • Rítmica criativa (sons intermitentes)
• Faltava competência técnica • Orquestração diferenciada

• Mendelssohn ("mere grunting, shouting”) • Verdi (”has a real feeling for instrumentation effects,
• Verdi (”poor, sick man, lacked the calm to produce art”) anticipated Wagner”)
• Debussy (“favorite musician of those who do not know • Wagner (”a party of supporters who listen to no music but
music”; “clumsiness of his harmonic liberties") the Symphonie Fantastique”)
• Stravinsky (”reputation as orchestrator highly suspect”) • Rosen (”his polyphony escapes classical standards through
his imaginative use of rhythm, like the intermittent sounds”
Marcio
Acorde Colorístico  Controvérsia: Gênio ou Incompetente? (2/3)

Scéne d’amour – Roméo et Juliette (2’53’’)

• Seção orquestral mostra dicotomia entre Melodia e Harmonia

• Estrutura melódica: Lá Maior

A E7 A G#dim A E7

• Estrutura harmônica:
Dó# Menor

C#m G#7/D# C#m/E D#dim A/C# E/B A Bdim/F A/E E


Marcio
Acorde Colorístico  Controvérsia: Gênio ou Incompetente? (3/3)

Chopin: explicação técnica


• “Falta de jeito” com o contraponto, decorrente da "nova forma de ensino" (séc. XIX)
• Forma tradicional: 1o Contraponto por espécie  CBT  depois Harmonia (funcional)
• "Nova forma": Harmonização sem condução de vozes; pensamento violonístico

Rosen: explicação procedural


• Compositores sempre tentam surpreender o público, frustrar suas expectativas e quebrar convenções
• Em geral, ocorre apenas adiamento: surpresas são esclarecidas, expectativas satisfeitas, convenções respeitadas
• Berlioz: as violações eram tão intensas que não era possível uma resolução posterior

Grande Estrutura Harmônica


Marcio
Grande Estrutura Harmônica

Scéne d’amour – Roméo et Juliette

• Andamento adágio
• Direcionamento harmônico
constantemente evitado,
mudando o centro tonal
• Estabilidade (A/A) atingida
após 150 compassos!
Gustavo / Brenda / Bruno / Leo

Características de escrita

• Música sempre ligada à literatura, pois era um grande admirador;


• Inovações harmônicas, rítmicas, de orquestração, exploração de novos timbres;
• Nenhum modelo de composição que o precedesse;
• Música mais decorativa e de efeitos descritivos do que propriamente arquitetada como a
música alemã;
• Frases não simétricas (fugiam do padrão de 4-8 compassos);
• Muitos consideravam como ignorância, outros como uma “mente independente” das
regras.
Gustavo / Brenda / Bruno / Leo

A Sinfonia Fantástica (1830)


• “A cena campestre começa com um dueto de flautas que constitui uma homenagem à Sinfonia
Pastoral de Beethoven, obra que Berlioz muito admirava e cujo quinto andamento começa com
um diálogo entre o clarinete e a trompa. Aqui temos um oboé e um cornetim inglês em pano de
fundo, e a música é a do chamamento dos pastores suíços (ranz de vaches). Tal como em
Beethoven, também aqui encontramos o canto de algumas aves (comp. 67-71). Outro pormenor
inspirado em Beethoven é o súbito aparecimento de um recitativo (comp. 87) nos fagotes e
contrabaixos, tal como sucede na 9.A Sinfonia, a que aqui respondem sucessivos fragmentos da
idée fixe nas flautas e nos oboés. A marcha para o cadafalso, em contrapartida, está cheia de
efeitos orquestrais inéditos. Berlioz concebera originalmente esta marcha para a ópera Les
Francs-juges, o que talvez explique- por que não surge nela a idée fixe. O dueto inicial dos
timbales em terceiras, acompanhado pelas trompas com sons fechados, produzidos com a mão e
não com as válvulas, e contrabaixos tocando acordes divisi de quatro notas em pizzicato traçam o
quadro sombrio de uma execução, a-que é conduzido o herói do drama de Berlioz. Outra
novidade é um tema nos contrabaixos, dobrados pelos violoncelos, que percorre a escala
melódica menor, descendente, marcado por um ritmo lúgubre (comp. 17). O tema principal da
marcha (comp. 62), cuja configuração é a de um segundo tema de forma sonata (forma sugerida
pela repetição do comp. 77), é uma fan-farra baseada nas notas abertas da trompa, dobrada por
todos os intrumentos de sopro da orquestra, incluindo dois oficleides, uma espécie de cometim
baixo provido de chaves. Um toque de realismo é dado pelo sonoro acorde de tutti no comp. 169,
representando a queda da lâmina da guilhotina, e a descida mais suave nas cordas pizzicato,
representando a queda da cabeça. “
Gustavo / Brenda / Bruno / Leo

A Sinfonia Fantástica
• Há uma “idée fixe” que se apresenta em todos os movimentos, com exceção do último;
• O caráter programático está muito presente em toda a obra, onde a orquestração, adição
de notas e vários elementos musicais são colocados propositalmente para a descrição ou
narração de determinado fato, personagem ou cenário;
• Criticado pois na idée fixe em vez de harmonizar o ponto de clímax com acorde de
dominante, como seria o mais esperado, antecipa a resolução com a tônica;
• Experimentos em orquestração, como uso do Col Legno nas cordas, acordes e melodias
em divisi nos contrabaixos.
• Foi inspirada na sua primeira esposa, Harrieth Smithson, onde ele a descreve em sua idée
fixe.
Gustavo / Brenda / Bruno / Leo

Outras Obras Sinfônicas

• Conceito de “Sinfonia” diferente do tradicional alemão, mesmo com influências de


Beethoven;
• Obras programáticas assim como a Sinfonia Fantástica;
• “Haroldo Na Itália” é descrita como uma sinfonia em quatro movimentos com viola
solista, o que já a diferencia da sinfonia comum puramente orquestral.
• “Roméo e Juliette” foge ainda mais dos padrões sinfônicos tradicionais, sendo baseado
na famosa obra de Shakespeare. A peça é uma descrição do texto, dividida em três
partes, com a utilização de coro e solistas, muito presentes no final da obra, o que sugere
uma influência da 9ª sinfonia de Beethoven;
• “Symphonie funebre et triomphale” é escrita para banda sinfônica e depois tem parte de
cordas adicionada. Sua estrutura é um pouco mais parecida com a de sinfonias mais
tradicionais, sendo o primeiro movimento uma forma sonata, porém só tendo outros
dois movimentos.
Gustavo / Brenda / Bruno / Leo
Ideia Fixa – Tradição e Excentricidade