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EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: TEORIA E

PRÁTICA

Aula 5-OS CONCEITOS DE QUALIFICAÇÃO E


COMPETÊNCIA E AS PROPOSTAS
EMANCIPATÓRIAS
OBJETIVOS E CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

• Analisaremos na aula de hoje o conceito de


competência. Este conceito tem orientado a formulação
de propostas de educação profissional que pretendem
se adequar à formação de trabalhadores com o perfil
ocupacional genérico (desenvolvimento de atitudes de
cooperação, de raciocínio lógico, de capacidade de
comunicação, de abstração, solucionar problemas,
tomar decisões, trabalhar em equipe, etc), que se supõe
requerido na atualidade, diante do esgotamento do
padrão de acumulação taylorista/fordista, da ampliação
do processo de internacionalização do capital e da
introdução de inovações tecnológicas e organizacionais.
A SUBSTITUIÇÃO DO CONCEITO DE QUALIFICAÇÃO
PELO DE COMPETÊNCIA

• Acredita-se que este novo perfil profissional está


apoiado na noção de competência, conceito que viria a
substituir a noção de qualificação que predominou no
paradigma taylorista fordista.
• A substituição do conceito de qualificação pelo de
competência tem sido justificada em função não apenas
das alterações das demandas de capacitação trazidas
pela introdução de inovações tecnológicas e
organizacionais, mas também em função da aparente
supressão da antiga divisão entre concepção e
execução dos processos de trabalho. Substitui-se,
assim, uma noção que relacionava saber,
responsabilidade, carreira e salário, por outra, vinculada
a aspectos relacionados à subjetividade do trabalhador,
tais como: colaboração, engajamento e mobilidade..
O CONCEITO DE QUALIFICAÇÃO
• A concepção de qualificação foi hegemônica por mais de
três décadas. Ancorava-se no modelo taylorista/fordista
de organização da produção e do trabalho e entra em
crise com a adoção de sistemas de produção flexíveis no
âmbito do sistema capitalista a partir do final dos anos 80.
• Não havia consenso em torno da noção de qualificação.
Ela era alvo de disputas em torno de dois diferentes
projetos sociais de desenvolvimento e de educação: o
primeiro articulado ao projeto de acumulação capitalista e
o segundo voltado para a emancipação e transformação
social. A primeira visão de qualificação, a que colocava o
conceito a serviço do projeto de acumulação capitalista,
toma como parâmetros a produção e a organização do
trabalhador e está atrelada ao paradigma
taylorista/fordista. A segunda visão, tributária do
marxismo, toma o trabalho como eixo articulador e parte
de uma abordagem e sócio-cultural e histórica do
conceito.
QUALIFICAÇÃO – visão articulada aos interesses do capital
• Esta concepção define qualificação a partir da posição
que o trabalhador ocupa no processo de trabalho,
posição esta previamente estabelecida (prescrita) nas
normas organizacionais da empresa, de acordo com a
lógica do modelo taylorista/fordista de organização do
trabalho. Na ótica deste modelo, a qualificação é
concebida como sendo vinculada ao posto de trabalho e
não como um conjunto de atributos inerentes ao
trabalhador.
• Em termos operacionais as organizações operavam com
representações sistemáticas e formalizadas das tarefas
e habilidades requeridas pelo posto de trabalho
(representadas nos manuais de rotina de trabalho) e, a
partir delas estabeleciam cargos e salários. Estabelecia-
se uma relação entre o perfil técnico requerido para o
posto e os requisitos formais que o trabalhador deveria
ter para ocupá-lo: fundamentalmente escolaridade e
experiência.
QUALIFICAÇÃO – visão articulada aos interesses do capital
• Refere-se ao saber necessário a uma ocupação.
• Especifica uma correspondência entre saber,
responsabilidade, carreira, salário. A noção de hierarquia
de postos de trabalho é estabelecida a partir de uma
escala de qualificações profissionais associada a níveis
também hierárquicos de escolaridade. Quanto maior a
escolaridade, mais alta a posição na hierarquia da
organização.
• Está centrada no posto de trabalho, independente dos
indivíduos que o ocupam. É dada pelo conjunto de tarefas
que continuem um posto. As empresas classificam os
postos de trabalho segundo critérios como: experiência,
formação necessária, responsabilidade, esforço requerido
e condições de trabalho.
• Tem propriedades estáveis. É dada em parte pela
formação, pelos certificados escolares e pela experiência.
É avaliada pelo diploma. Nesse sentido a qualificação é
vista como relacionada a estoque e não fluxo de
conhecimentos.
QUALIFICAÇÃO E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
• Com base nessa noção de qualificação, a formação
para o trabalho é definida como “treinamento básico,
conhecimento ou formação escolar necessários para o
exercício da função; esse conhecimento ou formação
podem ter sido adquiridos ou por instrução formal ou
por treinamento preliminar em trabalhos de menor grau,
ou pela combinação desses meios" (Kuenzer 1985,
p.114). O que importa é garantir que os trabalhadores
sejam preparados exclusivamente para desempenhar
tarefas/funções específicas e operacionais. Esta
concepção de formação profissional está alicerçada
numa concepção comportamental rígida, através da
qual o ensino/aprendizagem das tarefas/habilidades
deve-se dar numa seqüência lógica, objetiva e
operacional, enfatizando os aspectos técnico-
operacionais em detrimento de sua fundamentação
mais teórica e abrangente.
ANALISANDO CRITICAMENTE A VISÃO DE
QUALIFICAÇÃO
• Assim, a qualificação é entendida como um bem conquistado de
forma privada pelo trabalhador, como um conjunto de
conhecimentos e experiências adquiridas na vida escolar e de
trabalho, sem nenhuma conotação ou condicionamento sócio-
cultural.
• A qualificação fica reduzida a um percurso de responsabilidade
individual e de natureza meritocrática. Privatiza-se a noção de
qualificação, restringindo-a, tanto no âmbito teórico como prático,
ao ofício/função que cada trabalhador desempenha no mercado de
trabalho formal. Além disso, desenvolve-se a crença político-
ideológica do "poder da educação escolar" como mecanismo de
acesso às posições qualificadas, mascarando os demais
mecanismos sociais (inerentes a processos societais mais
abrangentes) e organizacionais (mecanismos de credenciamento
estabelecidos internamente pelas empresas), que condicionam o
acesso e a manutenção dos trabalhadores no mercado formal de
trabalho.
QUALIFICAÇÃO – visão articulada à ótica do
trabalho
• Em uma visão crítica, a noção de qualificação é
entendida como uma construção balizada por
parâmetros sócio-culturais e históricos, na qual
o trabalho constitui uma relação social e os
espaços de trabalho, instâncias de embates,
conflitos e formação. Em Marx e nos autores
contemporâneos de tradição marxiana, as
concepções de qualificação têm sido
construídas tomando-se o trabalho como eixo
articulador das noções de
qualificação/desqualificação. (MANFREDI,
2002)
QUALIFICAÇÃO – visão articulada à ótica do trabalho
• Os estudos que tomam a noção de trabalho, em sua acepção mais
ampla, acentuam a sua dimensão qualificante e seguem duas linhas
de argumentação: ora recuperam as características imanentes ao
trabalho, enquanto atividade social e coletiva, ora resgatam o
potencial que possuem os trabalhadores organizados para imporem
resistências, transgressões dos padrões instituídos e, mesmo, de
negociarem a seu favor condições, normas de trabalho, espaços e
mecanismos que lhes garantam maiores direitos e maior autonomia.
• As análises que discutem o trabalho em uma perspectiva
desqualificante analisam o modo como o trabalho se realiza em
obediência às condições estabelecidas pelo capital. Ressaltam as
características de um trabalho alienado, fragmentado e
desqualificante, decorrente da divisão entre o trabalho manual e
trabalho intelectual; da fragmentação das tarefas e do controle
hierárquico e a disciplina que o capital impõe aos trabalhadores.
(MANFREDI, 2002)
COMPETÊNCIA
• Oriunda do discurso empresarial, a noção de competência
traz a marca política e ideológica de sua origem e,
portanto, dela está ausente a idéia de relação social que
define o conceito de qualificação em uma perspectiva
crítica. No discurso dos empresários, há uma tendência a
defini-la menos como "estoque de
conhecimentos/habilidades", mas sobretudo como
capacidade de agir, intervir, decidir, em situações nem
sempre previstas ou previsíveis.
• Competência, segundo Hirata (1994), mais do que saber
fazer, significa saber ser e saber agir. Trabalhador
competente é aquele que sabe utilizar todos os seus
conhecimentos (obtidos de maneiras variadas), nas mais
diversas situações encontradas em seu posto de trabalho.
O trabalhador deve mobilizar as competências construídas
ao longo da vida ativa, tanto em situações de trabalho
como fora deste.
PROPRIEDADES DAS COMPETÊNCIAS
• Enquanto a qualificação se refere à capacidade
potencial para realizar tarefas, as competências
se referem apenas aos aspectos de
conhecimentos e habilidades necessários para
obtenção de resultados. Elas estão relacionadas
à capacidade real de desempenho.
• Elas estão centradas na pessoa, e não no
posto. Ênfase na subjetividade.
• São adquiridas em trajetórias diferenciadas.
• Têm propriedades instáveis e por isso devem
ser submetidas à prova.
• Exigem desenvolvimento de maior nível de
autonomia
MODELO DE COMPETÊNCIAS

• A lógica das competências tem sido considerada como


alternativa à de qualificação, e tem sido adotada pelas
equipes de recursos humanos das grandes empresas
capitalistas para construir novos critérios de acesso e
permanência no emprego, para seu reconhecimento e
institucionalização. Sendo assim, constitui uma noção
marcada política e ideologicamente por sua origem e
trata as habilidades e competências humanas
desvinculadas das dimensões de tempo e espaços sócio–
culturais.
• No Brasil, o modelo de competências tem sido adotado
pelo Estado e tem direcionado a mudança dos currículos
escolares, dos processos pedagógicos, da gestão
educacional e da formação profissional“ (MACHADO,
2002,p.14).
REFLETINDO SOBRE O CONCEITO DE COMPETÊNCIA
• A noção de competência ressignifica a noção tecnicista de
qualificação, indicando uma ruptura do modelo anterior ou
simplesmente constitui uma reatualização? Será que constitui uma
novidade ou representa uma outra concepção de gestão salarial e
de reengenharia cultural, que estaria sendo adotada no seio das
empresas? Quais são as suas implicações, do ponto de vista da
educação profissional?

• É claro que uma mudança de paradigmas da organização da


produção e do trabalho deve corresponder a novas exigências de
formação e preparo técnico-cientifico e atitudinal. Contudo, a
definição de perfis profissionais baseadas em rol de competências
(na maior parte das vezes, definidas de modo genérico, universal),
indica uma maneira também tecnicista de categorizar tarefas e
atribuições que fazem parte da divisão do trabalho, diluindo os
padrões que antes demarcavam cargos, carreira e salários.
Aumenta-se assim a possibilidade de adoção, por parte dos
empregadores, de mecanismos menos participativos na definição
do enquadramento profissional e dos critérios de mobilidade
ocupacional dentro da empresa.
CRÍTICAS AO MODELO DE COMPETÊNCIAS

• O modelo de competência não é, portanto, novo nem


mais racional do que a leitura tradicional do conceito de
qualificação. Ele corresponde a uma concepção de
relações de trabalho e organização que valoriza a
empresa.
• O conceito de competência remete ao sujeito e à
subjetividade, deixando de lado as importantes
dimensões cognitivas intelectuais e técnicas. A posse do
conhecimento do ofício é posta em segundo plano,
assumindo o lugar central um conjunto de capacidades
gerais e mal definidas. Nessa perspectiva, o conceito de
competências está direcionado ao processo de
valorização do capital. (MACHADO, 1996).
CRÍTICAS AO MODELO DE COMPETÊNCIAS
• A adoção do modelo de competências no Brasil e na
educação profissional tende a reforçar o caráter
autoritário, excludente e desigual da sociedade brasileira,
caminhando na contramão dos processos de
‘democratização das relações de trabalho’ que, a
princípio, as modificações introduzidas no novo
paradigma permitiam esperar.
• A opção pelo modelo de competências (na acepção
empresarial) está ancorada numa lógica de recomposição
da hegemonia do capital, onde a ressignificação da
qualificação faz parte de um processo de ressocialização
e aculturação da classe trabalhadora, tendo por função
reintegrá-la aos novos modelos de produção e gestão do
capitalismo, em sua fase de transnacionalização.
(MANFREDI, 2002)
CRÍTICAS AO MODELO DE COMPETÊNCIAS
• Ao contrario da visão crítica de qualificação (que implica
a negociação coletiva dos trabalhadores), a de
competência tende a apagar o fato de que o
reconhecimento salarial é o resultado de uma relação
social dinâmica e não de um face a face entre um
indivíduo provido de ‘competências’ a priori e de uma
empresa que as reconhece nele e as transforma em
‘desempenho’ mais ou menos suscetível de ser medido”
(DUBAR,1998, p. 98).
• Ao contrário do conceito de qualificação oriundo de uma
perspectiva crítica, o conceito de competência se afasta
de uma compreensão que considera a dimensão
coletiva do trabalho e das relações e saberes que
emergem no próprio processo de trabalho, das quais
cada trabalhador é partícipe.
CRÍTICAS AO MODELO DE COMPETÊNCIAS

• Manfredi (2002) destaca que alguns conceitos, como o


de competências, possuem conotações valorativas, não
neutras, e operam num campo simbólico de disputa
ideológica entre capital e trabalho.
• O chamado modelo de competências é parte integrante
da lógica que orienta a estratégia de recomposição das
relações entre capital e trabalho, possuindo, portanto,
dimensões político-ideológicas e culturais relevantes. Tal
modelo está se configurando como um campo de
dominação simbólica que pretende remodelar o
imaginário político-ideológico dos trabalhadores, visando
desconstruir os laços de solidariedade e combatividade
de classe e impondo um outro modelo centrado no
individualismo, no conformismo, na responsabilidade
individual da formação profissional, no estranhamento
de ações coletivas e na supervalorização do contrato
individual (em contraposição ao contrato coletivo de
trabalho).
A ABORDAGEM DAS COMPETÊNCIAS NA FORMAÇÃO
PROFISSIONAL
• Como no modelo de formação profissional anterior, a abordagem das
competências tem como eixo central do modelo de educação
profissional o ensino de habilidades ditadas pelas necessidades
pontuais do mercado. Coloca a educação profissional inteiramente a
reboque dos interesses produtivos imediatos. Ao procurar adaptar e
conformar o trabalhador no plano psico-físico, intelectual e emocional,
às bases materiais, tecnológicas e organizacionais da produção, as
propostas educacionais baseadas em competências adotam como
critérios definidores dos conteúdos as necessidades imediatas da
produção. Isso faz com que as propostas educacionais adquiram
perspectiva instrumental, além de conferir um caráter pragmático e
técnico à formação do trabalhador. Afasta-se, assim, a possibilidade
do desenvolvimento de “competências políticas, que permitiriam aos
indivíduos refletir e atuar criticamente sobre a esfera da produção (...),
assim como na esfera pública, nas instituições da sociedade civil,
constituindo-se como atores sociais dotados de interesses próprios
que se tornam interlocutores legítimos e reconhecidos”. (DELUIZ, s/d.)
A ABORDAGEM DAS COMPETÊNCIAS NA FORMAÇÃO
PROFISSIONAL

• Parte-se do equivocado pressuposto de que processo de formação


deve reproduzir o processo de trabalho estrito senso, ficando
ausentes outros aspectos do processo de trabalho – as redes de
comunicação e de conhecimentos postas em ação pelos
trabalhadores, suas estratégias de organização, de negociação, de
aliança, de enfrentamento, etc., acionadas no processo de
construção do sujeito coletivo - bem como as dimensões política e
societária mais amplas.
• Deluiz (1996) destaca que a utilização do conceito de competência
na formação profissional traz: a) formação profissional
adequacionista, voltada para o atendimento das necessidades
empresariais, em detrimento da formação do sujeito político. A
formação, neste caso, estaria pautada numa abordagem restritiva
das competências, tornando-se instrumental e tecnicista; b)
abordagem individualizada e individualizante tanto na compreensão
da construção das competências, quanto na sua avaliação; c)
preocupação com os produtos (resultados) sem considerar os
processos de construção das competências.
RESSIGNIFICANDO O MODELO DE COMPETÊNCIAS

• Vimos que, em uma perspectiva crítica, defende-se uma


educação profissional cujos conteúdos formativos não
estejam atrelados linear e mecanicamente a processos
de trabalho realizados, mas voltados para a formação
integral do trabalhador. Uma formação centrada no
desenvolvimento do conjunto das capacidades
humanas, onde estejam presentes elementos de
formação técnica, científica, humana e política.
• Nessa perspectiva, é necessário ressignificar o conceito
de competência para resgatar a dimensão
epistemologica, histórica e sócio-cultural da qualificação
no e para o trabalho. É necessário entender as
competências, não mais como um conjunto de “saberes
e competências” observáveis e classificáveis, mas como
uma construção complexa e multifacetada, que possui
dimensões individuais, sócio-culturais e políticas.
RESSIGNIFICANDO O MODELO DE COMPETÊNCIAS

• A competência profissional deve ser vista como


resultante de itinerários e percursos nos quais os
trabalhadores desenvolvem sua capacidade de trabalho,
e devem considerar que esse processo se dá num
contexto de interação social, de comunicação e
intercâmbio. A competência profissional produz-se nos
contextos de vida e de trabalho. E estes representam os
lugares da experiência e de saberes não estruturados,
reconstruídos de modo não linear e ativo pelos
trabalhadores, que efetuam, continuadamente,
processos de construção de conhecimentos resultantes
da combinação de saberes estruturados, escolares e/ou
acadêmicos e aqueles oriundos da experiência vivida
(MANFREDI, 2002)
RESSIGNIFICANDO O MODELO DE COMPETÊNCIAS
• Entender a educação profissional como prática social e cultural
apontando para sua natureza integral e totalizante “significa deixar
para trás a visão reducionista centrada no domínio de novas
competências para as novas tecnologias, de novos saberes sobre o
trabalho, de novas subjetividades, de novas dimensões requeridas
por mudanças pontuais na produção”
• Significa orientar a educação profissional de trabalhadores-
cidadãos, vistos como sujeitos em construção, como agentes de
história, valores, cultura e da política. Uma educação ampliada que
abarque uma pluralidade de dimensões formativas: intelectual,
sócio-cultural com recortes de gênero, etnia, classe, ético-politica
etc. Uma educação que se preocupe com a racionalidade e a
subjetividade, com o imaginário, com a cultura, com as identidades,
com a história. Uma educação que encare a tecnologia como uma
instância que faz parte da cultura e tem repercussões nas relações
sociais. Daí a importância de apreender os conhecimentos técnico-
cientificos que lhe servem de base, seu poder e limites, bem como
o papel sócio e ético-político que a tecnologia possui na atualidade.
(ARROYO,2002).
RESSIGNIFICANDO O MODELO DE COMPETÊNCIAS
• Neste aspecto, a construção de competências profissionais não está
embasada apenas nas necessidades do mercado de trabalho, pois,
precisa considerar as contradições do mundo do trabalho, os
contextos econômicos e também políticos, além das nuances da
coletividade, dos valores morais e das lutas travadas pelos
trabalhadores. Assim as competências devem ser concebidas a partir
daquilo que os trabalhadores vivem e observam, ou seja, sua cultura,
seus saberes, seus recursos e, inclusive, as suas atividades de
trabalho, considerado-os uma base para o desenvolvimento da
construção do conhecimento e da aprendizagem.
• A construção da competência precisa ser desenvolvida integralmente,
articulando a dimensão política, social e profissional, para a
compreensão do mundo que cerca os trabalhadores, visando a sua
transformação, enfatizando os seguintes aspectos: a) autonomia; b)
capacidade de agir nos espaços coletivos; c) busca de igualdade de
direitos, justiça social, solidariedade e ética; d) o próprio mundo do
trabalho e e) a cidadania.