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A obra de arte na era de sua

reprodutibilidade técnica

Walter Benjamin
Uma teoria da arte que não sirva ao fascismo

 Quais as tendências da arte no atual desenvolvimento econômico?


 Transformações das subjetividades
 Perspectiva coletivista contra o idealismo individualista burguês
 Haveria ainda uma arte revolucionária?
Reprodução técnica

 O desenvolvimento das técnicas de reprodução foi um momento revolucionário para arte.

 No século XX todas as artes tornam-se reproduzíveis, e a própria técnica de reprodução


torna-se uma obra de arte.
Et nunc – aura, “aqui e agora”

 a originalidade de uma obra perde todo o seu sentido em uma reprodução.


 ela ganha autonomia frente à original, no caso da fotografia pode inclusive ressaltar
aspectos que não foram vistos, atinge uma realidade ignorada pela visão natural.
 Permite um deslocamento do lugar real da obra,
 valor de exposição a obra de arte.
 Proximidade e multiplicação
A decadência da aura

 A percepção humana, sua forma de sentir, é histórica, não apenas natural.

 A decadência da aura está vinculado ao fenômeno das massas em dois sentidos: As massas
exigem que as coisas lhes tornem, tanto humana quanto espacialmente mais próximas, por
outro lado, devido à reprodução tendem a desprezar aquilo que só é dado uma vez.
Arte, ritual e política

 Ao se emancipar da condição parasitaria imposta pelo seu papel ritualístico, começam a


surgir obras de arte que são feitas justamente para serem reproduzidas. (impossível pensar
em um filme feito senão para exposição em massa)

 Em lugar de se basear sobre o ritual, ela se funda, doravante, sobre uma outra forma
de práxis: A política.
 A massa muito retrograda frente a um Picasso torna-se bastante progressista diante
de um Chaplin.
 É que a massa se identifica com o klaus

 No cinema o público não separa crítica de fruição.


Distração

 Mas o distraído também pode habituar-se. Mais: realizar certas tarefas, quando estamos
distraídos, prova que realizá-Ias se tornou para nós um hábito. Através da distração, como
ela nos é oferecida pela arte, podemos avaliar, indiretamente, até que ponto nossa
percepção está apta a responder a novas tarefas. E, como os indivíduos se sentem tentados
a esquivar-se a tais tarefas, a arte conseguirá resolver as mais difíceis e importantes sempre
que possa mobilizar as massas. É o que ela faz, hoje em dia, no cinema. A recepção
através da distração, que se observa crescentemente em todos os domínios da arte e
constitui o sintoma de transformações profundas nas estruturas perceptivas, tem no
cinema o seu cenário privilegiado. E aqui, onde a coletividade procura a distração, não
falta de modo algum a dominante tátil, que rege a reestruturação do sistema perceptivo.
A estética fascista

 O Fascismo quer mudar o regime sem transformar o regime de propriedade privada, o que
o leva a uma estetização da política.
 Um culto ao chefe, a guerra.
 Contra a estetização da política o comunismo deve responder com a politização da arte.
O Anjo da História

 Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece
querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua
boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está
dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma
catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés.
Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma
tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode
mais fechálas. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as
costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que
chamamos progresso.