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A mudança do modelo primário

exportador para a industrialização


substitutiva de importação (I)
Etapas no processo de industrialização na
América Latina
 1a. fase: industrialização induzida pela
expansão das exportações => da colônia ao
século XIX, para atender a demanda do setor
exportador
 2a. fase: 1914 – 1945 (período de ruptura de
experimentação)
 3a. fase: 1945 – 1973: industrialização
promovida pelo Estado
 4a. fase: crise do modelo e a busca de novas
orientações
1a. fase: industrialização induzida pela
expansão das exportações

Especialização => elevação da produtividade e


da renda => diversificação da demanda
interna => “possibilidade” de formação de um
núcleo de mercado interno para manufaturas
e para a construção de uma infraestrutura.
Pouco dinamismo econômico.
1a. fase: industrialização induzida pela
expansão das exportações
Conforme destacou Furtado (1969) a transição,
nesta fase, para uma economia industrial
dependeu:
a) Da natureza da atividade exportadora,
particularmente no que diz respeito à
quantidade de mão-de-obra
b) Do Tipo de infra-estrutura requerida
1a. fase: industrialização induzida pela
expansão das exportações
c) Propriedade dos investimentos realizados na
economia;
d) Taxa de salário que prevalece no setor
exportador
e) A dimensão geográfica e demográfica do
país
2 casos que confirmam estes
condicionantes
 Argentina: crescimento da imigração, rápida
urbanização, nível relativamente alto dos salários e
a construção uma importante infraestrutura
requerida pelo tipo de exportação que permitiu uma
maior integração da economia.
 Bolívia: setor mineiro de exportação, que absorve
uma parcela insignificante de mão de obra a uma
taxa salarial baixa; infraestrutura sem grande
significação para as demais atividades econômicas
 Brasil: grande mercado consumidor.
1a. fase: industrialização induzida pela
expansão das exportações
 Esta fase não chegou a criar um núcleo
industrial dinâmico. Entretanto, ao alcançar
a demanda interna certas dimensões, uma
política protecionista ou uma interrupção
nos fluxos de comercio internacional
seriam suficientes para algum surto
industrial. E foi o que aconteceu.
2a. fase: 1914 – 1945: período de
“ruptura de experimentação”
 1a. guerra => interrupção do comércio => estímulo
às indústrias já criadas na 1a. fase.
 Década de 20 => retorno ao modelo agro-
exportador, endividamento e crescimento do papel
dos EUA nas relações internacionais
 década de 30 => considerado por muitos como o
ponto de inflexão das estruturas: colapso brusco na
capacidade de importar (pelo menos no período
inicial da crise), contração do setor exportador e
obstrução dos canais de financiamento
internacional; crescimento do protecionismo mundial
Mudanças nos preços relativos e volume exportado em 1932
(1928 = 100)

País preço das Xs Volume das Xs


Argentina 37 88
Brasil 43 86
Chile 47 31
México 49 58
América Latina 36 78
Fonte: Bulmer-Thomas (2005)
2a. fase: 1914 - 1945
 2a. guerra: forças contraditórias na industrialização:
 a escassez de produtos importados estimulava novos
esforços para sua substituição, mas esses esforços eram
limitados dada as dificuldades de importações de bens de
capital; as exportações primárias tiveram, em geral, um
desempenho positivo
 resultados: acumulo de reservas; continuidade do
crescimento industrial já registrado na década de 30 porém
com uma demanda reprimida de bens de capitais;
A experimentação

 O Abandono das políticas auto-reguladoras e


a conseqüente adoção de políticas ativas=>
percepção de que a alocação de recursos
poderia ser direcionada.
 início de uma utilização mais sistemáticas
dos controles cambiais, das tarifas de
importações e outras formas de controle das
importações
A experimentação

 Pode-se afirmar que as mudanças


particularmente na década de 30,
construíram os alicerces de uma transição
para o modelo de substituição de
importações, que iria alcançar sua forma
mais expressiva a partir dos anos 50
3a. Fase: a industrialização induzida pelo
Estado

Um contexto importante: a criação da CEPAL


em 1948 e os primeiros trabalhos de Raul
Prebisch nesta instituição (próxima aula)
A crítica cepalina à especialização
primária
 Evidência empírica: deterioração dos termos
de troca:
 1876-1880: 100
 1989-1900: 87,1

 1911-1913: 85,8

 1921-1925: 67,3

 1931-1935: 62

 1946-1947: 68,7

(Fonte: Prebisch, 1949)


A crítica a especialização primária

 Explicação inicial para o processo: os frutos


do progresso tecnológico no “centro” não
estariam sendo exportado para a “periferia”
 Trabalhos posteriores: baixo dinamismo das
exportações primárias. Motivos: próxima
aula.
Instrumentos para a industrialização

 O protecionismo
Taxas para os bens de consumo duráveis
(bens de capital)
Argentina: 266% (98%)
Brasil: 328% (82%)
México: 147% (14%)
 Taxas múltiplas de câmbio

 Isenção tarifária para bens de capitais

(Fonte: Thorp, 2000)


Instrumentos para a industrialização

 considerando a rigidez estrutural, ou seja, as


imperfeições de mercado, bem como as
deficiências de infra-estrutura, nas
instituições e nos sistemas de valores
políticos e sociais, as economias
dependeriam de uma deliberada ação do
Estado
Instrumentos para a industrialização

 Outro contexto importante: as tensões


sociais e políticas provocadas decorrentes do
processo de urbanização, ampliadas pelo
aumento populacional e pelo processo de
urbanização => necessidade de estratégia de
desenvolvimento que criasse empregos =>
industrialização
Instrumentos para a industrialização

 investimento estatal na infra-estrutura:


estradas, redes telefônicas, energia etc.

 Controle do papel do trabalho e dos


investimentos: populismo e ditaduras
militares => industrialização concentradora
de renda
Bibliografia
 Celso Furtado, Formação Econômica da
América Latina, Companhia Editora Nacional,
1969
 Ricardo Ffrench-Davis, Oscar Munoz e José
Gabriel Palma, As economias Latino-
Americanas, 1939 – 1950, in Leslie Bethell, A
América Latina após 1930. Ed. Edusp, 2005
 Rosemary Thorp, Progresso, Pobreza e
Exclusão: Uma História da América Latina no
Século XX, BID, 2000.