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TCC BANCA 2010_2 LUIZ CLÁUDIO DA ROSA 200601217601- versão final

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Desconsideração Inversa da Personalidade Jurídica
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  • 1 INTRODUÇÃO
  • 2 PESSOA JURÍDICA
  • 2.1 CONCEITO
  • 2.2 HISTÓRICO
  • 2.3 NATUREZA JURÍDICA
  • 2.3.1 Teoria da Ficção
  • 2.3.2 Teoria da realidade ou realidade objetiva
  • 2.3.3 Teoria negativista (equiparação)
  • 2.3.4 Teoria da instituição
  • 2.4 CLASSIFICAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA
  • 2.4.1 Pessoas jurídicas de direito privado
  • 2.4.1.1 Associações
  • 2.4.1.2 Sociedades
  • 2.4.1.3 Fundações
  • 2.4.2 Classificação das Sociedades Empresárias
  • 2.4.2.1 Sociedade em nome coletivo
  • 2.4.2.2 Sociedade comandita simples
  • 2.4.2.3 Sociedade comandita por ações
  • 2.4.2.4 Sociedade anônima
  • 2.4.2.5 Sociedade limitada
  • 3 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
  • 3.2 CONCEITO
  • 3.4.1 A Desconsideração no Direito do Consumidor
  • 3.4.2 A Desconsideração no Direito Tributário
  • 3.4.4 A Desconsideração no Código Civil de 2002 – Art. 50
  • 4 DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA
  • 4.1.1 Abuso do Direito
  • 4.1.2 Desvio de finalidade
  • 4.1.3 Confusão patrimonial
  • 4.2 ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL
  • 5 CONCLUSÃO
  • REFERÊNCIAS

FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ DE SANTA CATARINA

LUIZ CLÁUDIO DA ROSA

FUNDAMENTOS LEGAIS DA TEORIA DA DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA

SÃO JOSÉ, 2010.

LUIZ CLAUDIO DA ROSA

FUNDAMENTOS LEGAIS DA TEORIA DA DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA

Trabalho de Conclusão de Curso – TCC apresentado à disciplina de Monografia II do Curso de Direito da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina, como requisito parcial para aprovação na mesma.Orientador de Conteúdo: Prof. MSc. Rafael Peixoto Abal Orientadora Metodológica: Prof. MSc. Edelu Kawahala

SÃO JOSÉ, 2010.

LUIZ CLÁUDIO DA ROSA FUNDAMENTOS LEGAIS DA TEORIA DA DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado e aprovado em sua forma final pela Coordenação <xxxxxx> da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina. em XXXX de XXXXX de 2010. Rafael Peixoto Abal Orientador __________________________________________ Prof. Priscila Monteiro Pereira Coordenadora do Curso de Direito Apresentada à Banca Examinadora composta pelos professores __________________________________________ Prof. xxxxxxxxxxx Membro . Prof. xxxxxxxxxxx Membro __________________________________________ Prof.

A minha querida esposa Gabriela. . a minha filha Nicole e a todos que acreditaram no meu potencial.

muito obrigado. Rafael Peixoto Abal. que levarei comigo. Everaldo Luis Restanho. lealdade e companheirismo. Tullo Cavallazzi Filho e Marcos Andrey de Sousa que me apoiaram desde o início. que vulgo “Sócios”. e que serei eternamente grato. Agradeço muito pela educação. que me acompanha intensamente nesta jornada. que aqui já completou sua missão. Aos grandes advogados. e com sua humildade e dedicação soube educar com benevolência seus filhos. a criar uma família. em especial ao Renato Souza e Leonardo Longo. a amar. aumentando veemente minha paixão pela vida. Ao meu pai. deixo aqui registrado meu muito obrigado. com intuito de melhorar ainda mais meu trabalho. Seu incentivo foi fundamental para superar tantas dificuldades. meu amor por você é incondicional. Aos meus colegas do curso. que com sua sabedoria. que acreditou na minha superação. A minha amada esposa Gabriela. conseguem transformar simples alunos em grandes profissionais. Aos que compuseram a banca. que com seus apoios. Aos professores e orientadores. que me apoiou e incentivou. por ter me ensinado a respeitar. uma sociedade composta de amizade. Em especial a minha querida mãe. pela força consistente de superar tantos desafios. Alexandre Brito de Araújo.AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus. em meu coração você é eterna. que com sua força. aos amigos que conquistei. soube superar tantos desafios. assim serei com minha filha. que me incentivou ainda mais. Mãe. . A minha filha Nicole. Leia Mayer Eyng e Edelu Kawahala. Aos mestres. enfrentei com tranquilidade este trabalho.

ele não poderá prescindir a luta. o meio de que se serve para conseguir-lo é a luta.O fim do direito é a paz. Rudolf von Ihering . A vida do direito é a luta: luta dos povos. Enquanto o direito estiver sujeito às ameaças da injustiça. das classes sociais. e isso perdurará enquanto o mundo for mundo. dos governos. dos indivíduos.

teoria pelo qual é fundamental para a mesma função. Inversa. Nesse mesmo liame. escondendo seus bens pessoais na pessoa jurídica. não deixar que seus controladores usem a pessoa jurídica como meio de desvirtuar sua função. e para que seja protegida a pessoa jurídica deve-se distinguir a pessoa do sócio. a autonomia patrimonial desta. Muitos sócios tentam esquivar-se de suas dívidas pessoais. Desconsideração da personalidade Jurídica. . e fraudar seus credores. encontrase a Desconsideração inversa. a importância de utilizar a Teoria Inversa.RESUMO A Desconsideração da Personalidade Jurídica é tratada no Código Civil Brasileiro de 2002. 50. e fugir das suas obrigações. tem como finalidade proteger a pessoa jurídica. Sabe-se que a Teoria Inversa da Personalidade Jurídica vem ganhando força na esfera jurídica e nos tribunais. proteger a pessoa jurídica. Sabe-se que na atualidade. as sociedades realizam várias operações no mercado. obtendo a confusão patrimonial e caracterizando a fraude. e o seu reconhecimento doutrinário e jurisdicional na sua forma excepcional. Palavras – chave: Pessoa jurídica. no seu art.

.........................................2.......................................................11 2................................................................42 3..........4.....3 3.....................25 2..................1 Associações.........................2..................9 2 PESSOA JURÍDICA..........................................................................................1 A Desconsideração no Direito do Consumidor.....................................................1 Teoria da Ficção .2.....................................................................................................14 2...............................................51 ..3............28 2...............1..................................2 Sociedade comandita simples............................................................2 CONCEITO .....................17 2..........................................................................................................................................39 A DESCONSIDERAÇÃO PERSOBALIDADE NO DIREITO BRASILEIRO.........1 evolução histórica...................................4.........................................................4..............49 4 DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA..............................4......................................................................................................................................................................................25 2.....26 2................4.....27 2................4.................4...........................................................................4 A Desconsideração no Código Civil de 2002 – Art..............................................2.4..................................3 Sociedade comandita por ações.......23 2.................4.....................................................3...................................2..............................4......1......4 Sociedade anônima.....................................5 Sociedade limitada.....................................................30 2........21 2....................................30 2..................4 CLASSIFICAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA...................................... 50.....SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO......3 Fundações..3 NATUREZA JURÍDICA..............................................4........................................................................................................2 Sociedades..4...................28 2...2 Classificação das Sociedades Empresárias...2 Teoria da realidade ou realidade objetiva..........................33 3......................................................................3...........3 Teoria negativista (equiparação)............................2 HISTÓRICO...............4 Teoria da instituição.............................................................................1 Pessoas jurídicas de direito privado................................................29 2.........................................32 3 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA......3......................44 3..............................................................................1 Sociedade em nome coletivo...45 3...............................24 2...........................................................................1..........26 2.........................................................4......................................................................................................36 3...........................................1 CONCEITO.......................................2 A Desconsideração no Direito Tributário........19 2...........34 3..........................11 2...........................................................................4 TEORIA MAIOR E TEORIA DA MENOR DA DESCONSIDERAÇÃO JURIDICA DA PERSONALIDADE JURÍDICA......

.........1 FUNDAMENTOS LEGAIS DA DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA..............................................................................................................57 4..2 Desvio de finalidade....................................1.............................................................60 4................................................................69 REFERÊNCIAS...........................................................................71 .56 4................................1.........................3 Confusão patrimonial.................................62 5 CONCLUSÃO................................1 Abuso do Direito..............................1..........4.............................58 4..................................2 ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL ............................................................................................................................................................................

sendo o primeiro dispositivo a tratar da teoria. em virtude de sua lógica. aspecto histórico e natureza jurídica. Será baseado no raciocínio lógico. na sua forma invertida. Seu estudo será realizado desde a sua origem. verificar o entendimento doutrinário e jurisprudencial acerca do tema. assim denominada pesquisa pura. objetivando a constrição sobre os bens do sócio que por tais atos abusivos leva a confusão patrimonial. assim o legislador entende aplicar a teoria no Código Civil de 2002. partindo de princípios reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis. No entanto. O primeiro capítulo tem como propósito observar o surgimento da pessoa jurídica. ou seja. vale ressaltar que no ordenamento jurídico brasileiro. contexto histórico. a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. No segundo capítulo. O método de abordagem será utilizado o dedutivo. na sua forma explícita. Entretanto com finalidade de proporcionar conhecimentos possíveis de aplicações práticas. Ainda. inibindo a confusão patrimonial. na Lei 9. A teoria nasce com o propósito de coibir a prática da fraude ou abuso através da personalidade jurídica.9 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como objetivo. traz o Código de Defesa do Consumidor. especificamente no direito brasileiro. diferenciando e caracterizando as sociedades. as associações e fundações. as teorias existentes a seu respeito. a fim de elucidar que a teoria busca preservar a sociedade empresária. possibilitando chegar a conclusões de maneira puramente formal. . mas sim levantar o véo que a encobre. e dentre outros ordenamentos que será analisado. observou-se a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica de origem anglo-americana. não visa a teoria anular a personificação. buscando entender o instituto da Desconsideração da Personalidade Jurídica. seu contexto histórico e surgimento no direito brasileiro. Buscar a origem da pessoa jurídica. será examinada a classificação das pessoas jurídicas. com base no ordenamento jurídico pátrio. Será abordada neste capítulo. analisar os fundamentos da Teoria da Desconsideração Inversa da Personalidade Jurídica. doutrinário e jurisprudencial. e desta forma. discorrer sobre a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. É nesse norte. sua natureza e contexto histórico. mediante utilização de métodos científicos. encontrar soluções para o problema proposto. coibir o abuso do sócio em relação à pessoa jurídica e terceiros. a sua aplicação invertida. buscar fundamentos para a nova interpretação da teoria. abordando seu conceito. sua origem.605/98 (Lei Ambiental). voltou-se a debater uma nova interpretação do instituto em estudo.

poderá o juiz declarar a desconsideração inversa. Em princípio. desvio de finalidade e confusão patrimonial. não apenas aquelas da própria personalidade jurídica buscam outros meios fraudulentos de esquivar-se dos seus credores. se escondem por trás da pessoa jurídica para desviar seus bens pessoais. abuso de direito. São requisitos essenciais para a caracterização da teoria da desconsideração. ganha espaço no ordenamento jurídico brasileiro e nos tribunais. meios esses que se iniciam das suas obrigações pessoais. seus fundamentos e pressupostos para aplicação com base na doutrina e jurisprudência pátria. que se desvirtue dos seus princípios e objetivos. que faça da pessoa jurídica um obstáculo para com as suas responsabilidades perante seus credores. No decorrer dos anos a desconsideração da personalidade jurídica. coibir atos fraudulentos daquele que controla a pessoa jurídica. com a mesma finalidade da teoria tradicional. É neste entendimento que será abordado todo aspecto legal para sua aplicação. inverter o pólo da teoria. No terceiro e último capítulo. escondendo seus bens. . ou seja. esquivando-se assim de suas obrigações. por meio dos seus sócios e administradores. Tramitando na mesma linha de raciocínio. pois são fontes indispensáveis para o estudo e interpretação do direito.10 Importante salientar que. tais agentes para escapar de outras obrigações. ou seja. a desconsideração é apenas caracterizada pelo abuso da pessoa jurídica. Importante salientar. o credor não poderá executar a pessoa jurídica por esta ser distinta da pessoa do sócio. Assim. surge uma nova interpretação da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica em sua forma invertida. confundindo fraudulentamente com bens da pessoa jurídica. com base na doutrina e jurisprudência. como fundamentos legais. sendo estas fontes essenciais como base do estudo. e não é qualquer ato de inadimplemento que servirá para caracterizar de plano a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. Destarte. Somente através de provas do desvirtuamento do sócio. coibindo o sócio administrador. serão analisados para a busca da nova interpretação da Desconsideração da Personalidade Jurídica. que deverá o magistrado observar os pressupostos da Desconsideração da Personalidade Jurídica. desconsiderar a personalidade jurídica diante dos atos fraudulentos pessoais do sócio. abordará a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica na sua forma Inversa. com base na doutrina e jurisprudência.

ou seja. A pessoa jurídica é. ou seja. são distintas. é necessária sua existência real. Assim surge a pessoa jurídica para que o homem diante de sua necessidade de reunir-se a outros criando força para novos objetivos. a pessoa jurídica é um produto da ficção jurídica. É neste norte que será estudado por diversos doutrinadores o conceito da pessoa jurídica e seus efeitos perante terceiros.11 2 PESSOA JURÍDICA Por razão natural. mas com responsabilidades. à qual a lei confere personalidade. Verifica-se também que a pessoa jurídica é um ente incorpóreo. Todavia.1 CONCEITO Primeiramente. Como afirma o autor. 184): . é neste sentido que leciona Martins (2005. É importante frisar que a pessoa jurídica é distinta da pessoal natural. seu reconhecimento positivado. 2. a entidade capaz de ser sujeito de direitos e obrigações na órbita social. 39): pessoa jurídica é distinta da pessoa natural. o homem agrupa-se para diversas finalidades. 1985). a pessoa jurídica para que seja desconsiderada. deve-se observar a concepção de pessoa jurídica. porém adquirente de direitos e obrigações. estabelecendo-se ao lado da pessoa natural como outra espécie de gênero pessoa. a pessoa jurídica tem gênero de pessoa natural. tal criação deve ser analisada para que seus efeitos jurídicos sejam reais. assim como a desconsideração de sua personalidade em casos excepcionais. de existência real. porquanto só é possível desconsiderar aquilo que existe (JUSTEN FILHO. p. com o passar do tempo seu propósito aumenta. sendo esta um fenômeno jurídico. Portando. É nesse sentido que surge o instituto da pessoa jurídica. é de fato que esta seja um ente real. 2007). portanto. obrigações e direitos. p. Dessa forma. ou seja. atuando na vida jurídica independentemente dos indivíduos que compõem. reconhecida pelo ordenamento jurídico. Dessa forma orienta Silva (2007. distinção reconhecida pelo ordenamento jurídico (SILVA. ela se constitui num centro autônomo de imputação de relações jurídicas.

sob pena de comprometer-se a decidibilidade que lhe é própria. da mesma forma que a pessoa natural. na verdade de mero conceito jurídico que não é unanimemente aceito. dominando um patrimônio próprio. agente ou ator do ato jurídico”. Destarte. não passava de uma unidade consistente num complexo de deveres jurídicos e de direitos subjetivos imputados por normas jurídicas. pode ser sujeito de direitos. tanto a reconhecida as ser humano como a atribuída a grupamentos distintos. para o direito. mormente tratando-se de obrigações. p. Percebe-se então o conceito dado pelo autor. a pessoa jurídica tem vida autônoma. 387) ensina que: a sociedade transforma-se em um novo ser. Não se confundem. delas se distanciam. ao contrário. porém. aquele é um conceito biológico. p. Os bens sociais. um dogma. como as pessoas físicas. e também a sua preocupação entre a distinção da pessoa jurídica e pessoa natural. no conceito de pessoa jurídica Requião (2008. Ao analisar o assunto da personalidade jurídica. assim. a autonomia patrimonial da pessoa jurídica. como objeto de sua propriedade. possuidor de órgãos de deliberação e execução que ditam e fazem cumprir a sua vontade. no terreno obrigacional. ao passo que o conceito de pessoa. indica o sujeito com capacidade de titularizar direitos e deveres. pois cada pessoa responde por seu patrimônio. constituem a garantia dos credores. nome particular. porém seus efeitos e natureza que se diferem (MARTINS. Kelsen demonstraria que a personalidade jurídica. estranho à individualidade das pessoas que participam de sua constituição. Para Mamede (2008. Dantas (1998. Seu patrimônio.12 é a pessoa jurídica o ente incorpóreo que. uma verdade que se deve ser aceita pelo direito. Na verdade.32) “são distintas as idéias de ser humano e de pessoa. 2005). trata-se de um truísmo. . p. 59) referindo a definição dada por Kelsen: em sentido contrário. como demonstrou Tércio Sampaio Ferraz. como ocorre com os de qualquer pessoa natural. assegura sua responsabilidade direta em relação a terceiros. as pessoas jurídicas com as pessoas físicas. as quais deram lugar ao seu nascimento. ou seja. p. Ainda.58) aduz que: trata-se. adquirindo patrimônio autônomo e exercendo direitos em nome próprio. em obra recente e muito bem aceita. preservando assim. Continua Dantas (1998.

Mamede (2008. ocupando juristas de todas as épocas e de todos os campos do direito. das pessoas. não os seus membros. Portanto passa-se a analisar o conceito de pessoa jurídica apresentado pelos grandes doutrinadores civilistas. pois na doutrina comercialista é comum evitar a discussão acerca do conceito (COELHO. a capacidade do homem. para um estudo mais específico acerca do conceito de pessoa jurídica deve-se analisar estudos no âmbito civil. formando associações. cuja existência começa com o registro regular. Negocie com João: serão duas pessoas distintas mantendo relações contratuais. Fica claro o exemplo do autor. a sociedade (a pessoa jurídica). acrescentando sua atividade à de seus semelhantes. porém na sua concepção.. o que não é afetado por João se um dos sócios de Zé. sendo que na criação da personalidade jurídica. 34) exemplifica na prática a pessoa jurídica. No entanto. É possível. ele tem de unir-se a outros homens. pessoa jurídica e pessoa natural em relação aos seus direitos e deveres. Assim. 2003).” É de bom alvitre salientar que. p. 9) “a pessoa jurídica não preexiste ao direito. não se confunde tais agentes. 120): para o bem compreender a existência de semelhantes entidades as pessoas jurídicas. 260) que a conceituação da pessoa jurídica é polêmica. muitas vezes. ou seja. conforme artigo 45 do Código Civil. p. por si só. Afirma Venosa (2005. que Zé Ltda. p. Para a consecução desses fins. observa-se: se as pessoas João. que auxilia a composição de interesses ou a solução de conflitos. juntando seu poder ao de outros indivíduos. multiplica-se assim. proporcionando diversas atividades em proveito da comunidade (MONTEIRO. para que seja concretizado o instituto jurídico da pessoa jurídica. Para Coelho (2004.13 Ao analisar a distinção entre a pessoa jurídica e natural. 2004). diante do seu conceito e natureza jurídica. Sociedade Zé Ltda. a pessoa jurídica se desenvolve através da pessoa natural. é preciso partir da ideia de que o individuo. será incapaz de realizar certos fins que ultrapassam suas forças e os limites da vida individual. necessita a união de suas forças. nos negócios mantidos por Zé será ela. conceitua a pessoa jurídica nos seguintes termos: . com as quais supera a debilidade de suas forças e a brevidade de sua vida. uma idéia conhecida dos advogados. juízes e demais membros da comunidade jurídica. Partindo dessa premissa segue-se o conceito de Monteiro (2003. dotadas de estrutura própria e de personalidade privativa. inclusive. é uma criação. p. José e Pedro constituem regularmente a pessoa jurídica. o sujeito de direitos e deveres.

33) apreciando o contexto histórico da pessoa jurídica afirma que “no direito romano. No ius privatum. 370) impõe-se desde logo.2 HISTÓRICO A moderna concepção de pessoa jurídica derivou da evolução e confluência do direito romano. Sua Atividade é distinta. no início da formação desses sistemas. esta em sentido coletivo”. (SILVA. Ainda Silva (2007. companhia. passando assim a ser vista como outra espécie de sujeitos. de pessoa natural a tais coletividades. quer se trate de associações. era robusta a idéia de pessoa natural. Para Requião (2008. percebemos. Destarte. p. é que se nota a transformação dos sujeitos. quer se trate de sociedades. germânico e canônico. nem com as pessoas que são beneficiadas por sua atividade. “a fixação do precioso sentido jurídico das palavras com que se designa a união de pessoas para o desenvolvimento de atividade econômica: associação. assim. e não alcançaram um conceito preciso como sujeitos de direito privado autônomos (SILVA. p. como único sujeito de direito”. pois eram vistas sob o prisma da existência de pessoas naturais que lhes davam forma e conteúdo. deriva a criação da pessoa jurídica (SILVA. destaca-se delas algo que as transforma em entidades que não se confunde com as pessoas que as constituíram ou as dirigem. independentes dos membros que as compunham. 2007). p. com a evolução do contexto histórico do sistema jurídico. Nessa época. Portanto. havia uma nítida distinção entre o regime jurídico do direito público e do direito privado. pode-se dizer que. o mesmo não era reconhecido por entes coletivos. Nesse diapasão elucida Silva (2007. quer se trate de fundações. 2. não interessava ao Direito outro ente que não fosse a pessoa natural. 33): certamente.14 intuitivamente. 2007). sociedade e empresa. na busca do conceito de pessoa jurídica. as coletividades não eram compreendidas como unidades autônomas. . 2007).

uma luta incessante entre o princípio da unidade e o da universalidade. Quer de ordem pública. subordinada pela Igreja. certas associações de interesse público. Freqüentemente o homem não encontra em si forças e recursos necessários para uma empresa de maior vulto. desaparecendo. Na primeira fase do Império Romano. p. Assim. Nesse processo genético nota-se. enriqueceu-se a pessoa jurídica com o acréscimo das fundações. especialmente do ponto de vista político. singularmente. Por vezes a finalidade que o move . 29) “as primeiras notícias de formas associativas são provenientes da Idade Média. sodalitattes.” Na síntese histórica buscada por Lopes (2000. e jamais tiveram a mesma idéia a respeito das vastas abstrações metafísicas que os escritores alemães iriam formular séculos mais tarde. p. a origem no contexto histórico da pessoa jurídica surge quando: a pessoa jurídica surge para suprir a própria deficiência humana. de começo outra coisa senão as pessoas humanas. tornando-se mais tarde independentes. p. não se lobrigava senão a entidade na coletividade. Monteiro (2003. com a criação das fundações denominadas corpus mysticum. como acontecia na universalidade. elas se multiplicaram de modo impressionante.” Para Rodrigues (2002. constituir um organismo capaz de alcançar o fim almejado. a seu turno. entretanto. para os fins mais diversos. na confluência desses três fatores históricos: o Direito romano. Acentua ainda Monteiro (2003) que foi o direito canônico que desenvolveu o instituto da pessoa jurídica. ensina que: toda moderna concepção de pessoa jurídica plasmou-se. o valor do indivíduo. muito parcimoniosos nesse tema. quer de ordem privada.15 Para Gonçalves (2004. p. Não se compreendia. no antigo direito germânico não existia o conceito de pessoa jurídica. o Direito germânico e o canônico. como universitates . porém. No direito de Justiano. estabelecendo sociedade com outros homens. 121): no antigo direito romano a pessoa jurídica não existia. Entretanto. as associações e instituições passaram a interessar ao Estado. Acerca da origem histórica da pessoa jurídica nos ensina Monteiro (2003. que formavam o grupo. p. de sorte que procura. Mas os romanos sempre se mostraram muito sóbrios. conheciam-se. mas unidade autônoma e independente. 82). Somente após uma evolução notável das idéias é que a coletividade se abismou para cristalizar-se na unidade. 357). Nos tempos modernos. e tinham só objetivo a criação de empresas econômicas pelos comerciantes italianos permitindo a conjugação de esforços em prol de um fim comum. corpora e collegia. por assim dizer. 121) afirma que “mais recentemente. pois as pessoas naturais que integravam nas coletividades eram os verdadeiros sujeitos de direitos.

p. sendo assim elemento fundamental da economia contemporânea. a necessidade de o Estado intervir na economia para coibir abusos. e os indivíduos se associam para se recrear. proveniente desse fenômeno histórico e social”. que se confundiam com a própria família.16 não tem intuitos econômicos. inclusive. tornando assim uma unidade e atuando no comércio. portanto. o Estado percebeu a importância das formas de associações. figura moldada a partir de um fato social. com o florescer do desenvolvimento tecnológico. e. No mesmo sentido Gonçalves (2008. Acerca da necessidade da criação do instituto da pessoa jurídica observando seu traçado histórico Gagliano e Pamplona Filho (2008. 30): assim a pessoa jurídica que é dotada de uma personalidade e capacidade jurídica por concessão do Estado. constata-se ainda Gonçalves (2004. 2004). a assistência social. impondo. Essa constatação motivou a organização de pessoas e bens. PAMPLONA FILHO. Uma associação nasce ganha vida e personalidade. sobrelevandose aos indivíduos que a compõem. passando este a atuar na vida jurídica com personalidade própria. que atribui personalidade ao grupo. ressalta que: a razão de ser. 182) nos ensina que: também o desenvolvimento econômico dos povos demonstrou a necessidade de o homem formar grupos para atingir as suas metas. da pessoa jurídica está na necessidade ou conveniência de os indivíduos unirem esforços e utilizarem recursos coletivos para a realização de objetivos comuns. ou para se cultivar. Destarte. portanto. 182). como se faz com a . Adequando-se ao contexto. No início. mas com sua capacidade individual (GAGLIANO. Gonçalves (2008. ou para praticar a caridade. p. cultuar seu deus. 30) afirma que “a pessoa jurídica é. como sujeito de direitos e obrigações. nasce como contingência de fato associativo. Portanto para Gagliano e Pamplona Filho (2008. que transcendem as possibilidades individuais. posteriormente. simples núcleos primitivos de produção. p. grandes e complexos aglomerados empresariais. ou mesmo para. juntos. Contudo. distinta da de cada um de seus membros. Após as observações. conferindo personalidade jurídica ao grupo. p.183) “nesse contexto a pessoa jurídica. com o reconhecimento do direito. p. motivo este que incorporou a estrutura da pessoa jurídica no sistema econômico para acompanhar o desenvolvimento social (GONCALVES. ganha singular importância”. 2008). necessita o direito reconhecer a pessoa jurídica.

existindo somente em virtude de seus contratos. onde denotava uma visão nitidamente liberal. suas teorias e interpretações partindo da premissa dos fundamentos históricos da pessoa jurídica. Vale dizer que. 2.. também no seu esboço não tratou a pessoa jurídica de sujeitos de direito. 36) ressalta que “no Brasil ao tempo da Consolidação das Leis Civis. p. p. No esboço do Código Civil brasileiro elaborado por Teixeira de Freitas. que. não se consideravam como pessoas jurídicas.17 pessoal natural. Silva (2007. [. o conceito auxiliar de pessoas jurídicas . 2007).318. e não um produto do direito. 36) no esboço histórico: essa situação ainda perdurou com o Decreto Imperial de n. as sociedades civis ou comerciais. Vê-se. nada foi regulamentado. são um produto da ciência que descreve o Direito. estando ele em franca evolução. pois naquele tempo ainda não se compreendia a limitação da responsabilidade do membro da sociedade (SILVA. que o Código comercial de 1850 já derrogado. havia muita confusão quanto ao tema das pessoas jurídicas. Prossegue Silva (2007. às Ordenações Filipinas e legislação posterior que as modificaram. observa-se. a pessoa jurídica somente foi reconhecida em nosso sistema jurídico no Código Civil de 1916. Por Fim. 2007). modificado pelo vigente Código Civil brasileiro de 2002. no entanto a sua natureza. 2.] o ordenamento jurídico confere à universalidade de uma personalidade jurídica permitindo que se torne uma unidade capaz de exercer direitos e obedecer aos deveres que lhe são pertinentes.. pois esta somente tem personalidade reconhecida quando o ordenamento jurídico a concede. que autorizou a elaboração do projeto de Código Civil. No entanto. assim. Assim.3 NATUREZA JURÍDICA . Destarte. não se tratou com o devido rigor técnico o conceito de pessoa jurídica. em que apresente a pessoa jurídica com um espírito social (SILVA. de tal modo que a personificação e o seu resultado. correspondia ao direito positivo em vigor. sendo negada quando esse assim o quer. como é sabido. ainda nessa época. isto é. buscou-se relacionar as pessoas jurídicas como pessoas de existência ideal públicas. de 22 de dezembro de 1858. apresentado seus fundamentos históricos.

comercialistas e até canonistas”. ansiosos de lhes descobrirem a natureza jurídica. de Hauriou. 183) a natureza jurídica da pessoa jurídica classificam-se em dois grupos: malgrado subsistam teorias que negam a existência da pessoa jurídica (teorias negativas). muito debatida pelos juristas. a da pessoa jurídica realidade técnica. conforme descrito por Monteiro (2003. estuda-se aqui as teorias mais debatidas pelos grandes pesquisadores do direito. surgindo então as teorias interpretativas na concepção da pessoa jurídica. a da pessoa jurídica como realidade objetiva. E mais de uma dezena de teorias foram elaboradas. Merecem maior destaque dentre essas teorias: a da ficção legal. p. procuram explicar esse fenômeno pelo qual o grupo de pessoas passa a constituir uma unidade orgânica. a institucionalista. não aceitando possa uma associação formada por um grupo de indivíduos ter personalidade própria. . certa perplexidade nos juristas. e que são divididas por escritores de grande envergadura acerca do tema. Entretanto. outras. Para Pereira (2004) as teorias se dividem em quatro categorias. p. As diversas teorias afirmativas existentes podem ser reunidas em dois grupos: o das teorias da ficção e o das teorias da realidade. filósofos do direito. p. passa-se agora a verificar a natureza da pessoa jurídica. 86): a existência desses seres provocou. Ainda na mesma diapasão. várias teorias formularam-se a respeito. com individualidade própria reconhecida pelo Estado e distinta das pessoas que a compõem. Sua natureza jurídica. criminalistas. as teorias da ficção da propriedade coletiva. em que tomaram parte civilistas. equiparação orgânica ou da realidade objetiva e da realidade das instituições jurídicas (MONTEIRO 2003). a da realidade e a institucional. romanistas. cada qual procurando justificar e explicar a existência de referidas instituições. naturalmente.128) é “campo aberto às mais sutis discussões e às polêmicas mais ardentes. como da ficção. porém tais teorias são numerosas além das citadas pelo jurista.18 Portanto. Destarte. Para Gonçalves (2009. em maior número (teorias afirmativas). preceitua Rodrigues (2007.

por ficção. entende que a pessoa jurídica não é mais do que uma criação legal. Partindo Savigny da diferença entre pessoas físicas e jurídicas. p. por elas não possuírem vontade própria (OLIVEIRA. isto é.19 2. Ainda acerca do tema. estabelecidas em estatuto. porque sua existência só se justifica para atender a fins jurídicos. devendo ser atribuída. a pessoa jurídica equipara-se aos absolutamente incapazes. somente o Estado pode admitir. Com fundamento na teoria da ficção. ainda Oliveira (2000. na concepção de Oliveira (2000.1 Teoria da Ficção A teoria da ficção dentre outras teorias tão debatidas é de maior ênfase entre os estudiosos. bem como se fosse um sujeito de direito. Essa visão de Savigny decorre da sua noção de direito subjetivo como sendo um poder atribuído pelo ordenamento jurídico a uma vontade. 273). e encontra seu principal defensor Savigny. Assim. 87) conceitua que: enquanto a personalidade natural é uma criação da natureza e não do direito. Em seguimento. também citando como percussor da teoria da ficção Savigny. observa-se: a teoria da ficção. Assim. lhe atribuiu existência. possuem direitos subjetivos. Rodrigues (2007. Savigny classificou-as de pessoas fictícias. 2000).3. qual seja a de atribuir exclusivamente à vontade psíquica o poder. pelo qual entende que a pessoa jurídica não passa de uma criação legal. No entendimento de Rodrigues (2007). de certo modo. mas apenas intelectual. p. oriundo da noção mesma de direito subjetivo sustentado por Savigny. mas que. Windscheid é categórico ao ensinar que a pessoa jurídica não tem existência real. p. sustentada por Savigny. sendo certo que a lei. uma pessoa. a criação de pessoa jurídica. pois temos pessoa físicas que não possuem vontade (menores. isto é. Essa idéia se encontra. b) por não possuir vontade. resume-se que somente o homem poderá representar as pessoas jurídicas. foram retidas as seguintes conseqüências: a) a personalidade jurídica depende do Estado. sustentava que a personalidade jurídica decorria de uma ficção da lei. através de lei. argumenta: essa visão padece de um grave vicio. doentes mentais). aplicando- . desfrutou largo fastígio no século XIX. repetida na obra de seus afamados adeptos. apesar disso. a personalidade jurídica somente existe por determinação da lei. sustenta que o ordenamento jurídico conceitua a união de pessoas. 273). para atuarem no mundo jurídico.

não passa de simples conceito. diversa da realidade. ainda para Gonçalves (2009. Tudo quanto se encontre na esfera jurídica seria. Desse modo. pois somente a pessoa natural pode ser sujeito da relação jurídica e titular de direitos subjetivos. e não dos seus membros. ainda acerca da teoria da ficção. Constrói-se desse modo. que dele emana. intelectualmente. A pessoa jurídica. que são em grande número. Já na segunda categoria da ficção doutrinária. para fins patrimoniais. Para Gonçalves (2009. concebida dessa forma. p. as teorias não mais são aceitas nos dias de hoje. ao nosso entender. 184). . decorre simplesmente da necessidade de atingir seus fins. 302). p. uma abstração que. desfrutam largo prestígio no século XIX e podem ser divididas em duas categorias: teoria da ficção legal e teoria da ficção doutrinária”. c) a capacidade de direito. d) como são criações do Direito.20 se a essa representação as normas do mandato. p. e não tem existência real. Deste ponto de vista verifica-se as categorias segundo Gonçalves (2009. só entendida como uma ficção pode essa capacidade jurídica ser estendida às pessoas jurídicas. e. porem várias. Na conceituação de Pereira (2004. inclusive a própria teoria da pessoa jurídica”. Dessa forma. destino a justificar a atribuição de certos direitos a um grupo de pessoas físicas. a pessoa jurídica constitui uma criação artificial da lei. 184): para a primeira. para o campo da ficção devem ser deslocadas doutrinas que comumente são apresentadas como não compreendidas nesta categoria. ou seja. a crítica feita é de que o próprio Estado não explica sua existência como pessoa jurídica (GONCALVES 2009). “dizer-se que o Estado é uma ficção legal ou doutrinária é o mesmo que dizer que o direito. atribuída às pessoas jurídicas. Não há uma única teoria ficcionista. desenvolvida por Savigny. assim. e) por outro lado.183) “as concepções ficcionais. também o é. é considerada pelo ordenamento jurídico. segundo Gonçalves (2009) é uma variação da anterior. um ente fictício. sua dissolução também depende da vontade estatal. Assim. nos ensina que: sob esta epígrafe podem ser agrupadas as que negam a existência real da pessoa jurídica procurando explicá-la como ente fictício. é uma mera ficção criada pela doutrina. p. uma ficção. portanto. uma ficção jurídica. o Estado pode dissolver a pessoa jurídica por motivos políticos.

Venosa (2005). é capaz de dar vida a um organismo. é aquela que tem existência real. representa uma reação contra a anterior. p. e hoje já não mais aceita. construindo-se uma ficção jurídica. estando em franco descrédito. o Estado é necessidade primária e fundamental. seres com vida própria que nascem por imposição das forças sociais. 2. é de se perguntar quem o investe de tal capacidade. e acrescenta que originou-se do direito canônico e prevaleceu até o século XIX.Desse raciocínio infere-se que o legislador pode livremente conceder. na análise da teoria da ficção. segundo os críticos. p. de procedência germânica (Gierke e Zitelmann).21 Monteiro (2003). p. porque só ele tem existência real e psíquica. sendo o contrário da teoria já analisada anteriormente. porém acredita que isso não afasta a contradição da teoria. No entanto. o direito. é que se buscam novos entendimentos doutrinários acerca das teorias da natureza jurídica da pessoa jurídica.3. 261): tais prerrogativas humanas pressupõem vontade capaz de deliberar. e que os adeptos dessa teoria. afirma que a teoria constitui a doutrina tradicional.2 Teoria da realidade ou realidade objetiva Doravante. capaz de tornar-se sujeito de direito. longe de serem mera ficção. são uma realidade sociológica. Quando se atribuem direitos a pessoas de outra natureza. Daí a conclusão de Rodrigues (2007. . Sustenta que a vontade. A ideia básica dessa teoria é que as pessoas jurídicas.” No entanto. nas relações com seus semelhantes. só o homem pode ser titular de direitos. que tem existência natural. Venosa (2005. observa-se a teoria da realidade ou objetiva. partindo dessa teoria. 88): a teoria da pessoa jurídica como realidade objetiva. assim. Neste norte. assim conceituam os juristas. ensina Venosa (2005. acerca dessa corrente que. pública ou privada. como poder de ação. explica Venosa (2005). apenas o homem é concedido as prerrogativas. Por isso. isso se trata de simples criação da mente humana. negar ou limitar a capacidade desses entes ficticiamente criados. real e verdadeiro. 262) ainda complementa a mais séria crítica feita a esta teoria referente a personalidade do próprio Estado “ se o próprio estado é uma pessoa jurídica. afirma que há múltiplas formas de encarar a pessoa jurídica.

125) salienta que. nem assumir que a capacidade e personalidade são mera ficção. parte de base diametralmente oposta “a da ficção. ao relatar a teoria da realidade. Ainda Monteiro (2003. que têm vida autônoma e vontade própria. Monteiro (2003. Acerca da teoria da realidade conceitua Venosa (2005. junto à pessoa natural. repudiando assim a teoria objetiva e encarando a natureza da pessoa jurídica como realidade técnica. também chamada de orgânica. há organismos sociais. Pereira (2004. tal teoria apresentada pelos pesquisadores. porém não pode cumprir todas as atividades a que se propõe senão unindo-se a outros [. com existência real e verdadeira.. . p. Pereira (2004) admite que a realidade jurídica. p..22 Percebe-se então que. “por outras palavras. aceitando sua personalidade sem qualquer artifício. Como individuo. como organismo físico. pois elas provem de lei. 262). p. cuja finalidade é a realização do fim social”. São as pessoas jurídicas. A doutrina normalmente denominada de realidade objetiva ou orgânica. distinta da de seus membros. ainda sustenta que “para essa teoria. que constituem realidade vivas. que podemos expressar na exposição dos traços fundamentais da sua conceituação científica. 263). argüindo que pessoa não é só o homem (MONTEIRO 2003). tão real quanto a das pessoas física. Junto deste há entes dotados de existência real. Acerca o tema. é capaz de crias e dar vida a um organismo. faz importante registro: da leitura de tantos escritores vemos que não se repetem. ou pessoas jurídicas. colocando-se em uma só linha. p. assemelhando com a pessoa natural. é a idéia da realidade do ente coletivo. O que os une. 125) ao escrever sobre a teoria da realidade objetiva salienta que: a teoria da realidade objetiva. Assim. demonstra que é oposto da ficção. p. Venosa (2005. tornando-se um sujeito de direito. Pessoa não é só o homem. 22). abandonando a chamada realidade objetiva (organicismo) para abraçar a teoria da realidade técnica ou realidade jurídica. no mesmo entendimento do autor supracitado: essas doutrinas consideram as pessoas jurídicas como realidade social. o ser humano é centro fundamental de interesse e vontade a quem o Direito reconhece personalidade. publica ou privada. que passa a ter existência própria. Por fim.]”. sustenta que a vontade. desenvolvendo cada um as suas idéias próprias.

tendo em vista o objetivo a conseguir. de uma forma ou de outra. além do grupo de doutrinas que. reconhece a existência. só existem no direito os seres humanos. Assim. no seu tratamento jurídico. pois sua visão é comparativa a teoria da ficção. p. partindo da negação do conceito de direito subjetivo. mas. entendido a teoria da equiparação ou negativistas nota-se que não se confunde massas de bens e as pessoas que a mantém. no que tange a sua existência. às pessoas naturais. que há certas massas de bens. 264). Já para Monteiro (2003). equiparados. ou patrimônios personificados pelo direito. ao lado da pessoa natural existe uma pessoa criada pelo Direito.3 Teoria negativista (equiparação) Outra teoria também muito debatida entre os juristas ganha maior importância a ser analisada. A teoria negativista. assim. Vejamos o que nos ensina ainda Monteiro (2003. procurar sobre a pessoa jurídica sua verdadeira realidade. 124): ela admite. pois consideram que é uma visão superficial e insustentável afirmar que. Ainda na mesma linha de raciocínio Venosa (2005. tal teoria. como conseqüência. estamos diante de uma personalidade fictícia. concluem pelo desconhecimento da personalidade. é em certo ponto comum com a da ficção. nega qualquer personalidade jurídica como substância. pode-se dizer que. Para tais sistemas. a pessoa jurídica (VENOSA 2005). Entretanto. carecendo as denominadas pessoas jurídicas de qualquer atributo de personalidade. ao contrário.3. p. pois a única pessoa existente é o homem. tão-somente. Portanto. Para eles. traz importante contribuição acerca da teoria negativista: há doutrinas que. o jurista não deve se satisfazer com a afirmação simplista de que há personalidade ficta. ou negatória para Oliveira (2000). . determinados patrimônios. As pessoas jurídicas não passam de meros patrimônios destinados a um fim especifico. p.23 2. Porém Oliveira (2000. somente equiparam-se com o tratamento jurídico as pessoas naturais. na grande maioria. denominada pelo autor como teoria da equiparação. 278) alerta que: afastam-se da teoria da ficção.

existe na realidade social uma séria de realidades institucionais. a teoria institucionalista não encontra explicação para a concessão de personalidade jurídica às sociedades que se organizam sem a finalidade de prestar um serviço ou preencher um oficio. . p. de uma empresa que se desenvolve. conceitua a teoria da instituição criada por Hauriou. onde há realizações e projetos dando formas definidas aos fatos sociais. 307). No mesmo entendimento de Venosa (2005). são personificadas. acrescenta no mesmo sentido segundo a transposição de Hauriou: [.24 2. o criador da teoria enseja que a instituição é ideia de obra. em que.4 Teoria da instituição Destarte. Rodrigues (2007. 262) faz menção a teoria “furto-me de criticá-las. porque me parece que cada qual. segundo Rodrigues (2007) preexiste ao momento que surge a pessoa jurídica. p 265). tas doutrina nada aclara sobre a existência da pessoa jurídica. verifica-se que a teoria da instituição. a instituição adquire personalidade moral. Além de não oferecer um critério justificativo da atribuição de personalidade. ou seja. oferece um adminículo para melhor compreensão do fenômeno”. organizando-se com o mesmo fim.. que é precisamente o que constitui o ponto fundamental da controvérsia. ainda Venosa (2005. ou seja. do momento do seu nascimento. Entretanto. Quando essa idéia permite unificar a atuação dos indivíduos de tal modo que essa atuação se manifesta como exercício de poder juridicamente reconhecido. Como percebemos. de certo modo.] a idéia da instituição imaginando os entes morais como organizações sociais que. por se destinarem a preencher finalidades de cunho socialmente útil. unindo indivíduos com o mesmo propósito. incluindo assim um vínculo social.. Corroborando. p. constituindo uma estrutura hierárquica. Denota-se que Pereira (2004. acrescenta acerca da ideia de obra ou empresa: quando a idéia de obra ou empresa se afirma de tal modo na consciência dos indivíduos que estes passam a atuar com plena consciência e responsabilidade dos fins sociais.3. a instituição adquire personalidade jurídica.

coletivamente (PEREIRA. 2007). a importância de destacar apenas a pessoa jurídica de direito privado. de direito público e direito privado. onde se aplica excepcionalmente a teoria da desconsideração. verifica-se aqui diante da teoria da desconsideração da personalidade jurídica a ser analisado. as associações. O ordenamento jurídico brasileiro faz menção a duas categorias de pessoas jurídicas. 44 do atual Código Civil. de vontade individual em conformidade com o direito positivado. pois esta é submetida a regime público. as pessoas jurídicas de direito privado são de origem do poder público. separadas em dois grupos. as religiosas. do estudo da sua natureza e teorias. observa-se a sua classificação. as sociedades. e não será tratada a pessoa jurídica de direito público. a validade da natureza jurídica é de menor relevo. pois o presente trabalho será focado nas pessoas jurídicas de direito privado. constituem as pessoas jurídicas.25 O autor afirma que não há negação da atuação na vida jurídica. 2. morais. as organizações religiosas e os partidos políticos (VENOSA. especialmente as de responsabilidade limitada. pois as diferenças de concepção não influem sobre as soluções positivadas da lei. Assim. com escopo nos objetivos de natureza particular. 44 o rol das sociedades civis. sendo desenvolvidas por atividades atípicas do Estado.1 Pessoas jurídicas de direito privado O Código Civil de 2002 traz no seu art. ou seja. enunciados no art. Portanto. científicas ou literárias. Adequando-se a doutrina. as sociedades mercantis (RODRIGUES.4 CLASSIFICAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA Após todo exposto. . 2005). e os costumes da época.4. as fundações e mais breve inseriu-se duas outras entidades. 2004). beneficiando assim os seus próprios criadores. diante de varias negociações jurídicas. 2. pias. as associações de utilidade pública e as fundações.

porém somente para sua mantença. conforme regula a lei. contraindo direitos e obrigações e contribuindo com bens e serviços.4. sendo esta uma das maiores inovações do direito brasileiro intitulado no Código Civil (PEREIRA. 2.2 Sociedades As sociedades. formadas pela união de indivíduos com propósito de realizarem fins não-econômicos. . podem ser simples e empresárias. Considera-se que a finalidade das associações é meramente não econômica. expressões estas que substituíram a antiga divisão em sociedades civis e comerciais. sua intenção não é divisão de lucros. PAMPLONA FILHO.4. assim preceituado no art. aquelas pessoas que celebram contrato de sociedade reciprocamente. direitos e obrigações recíprocos (GONÇALVES.26 Passa-se então a verificar cada uma dessas espécies de pessoas jurídicas mencionadas no Código Civil de 2002. são constituídas por pessoas que unem seus esforços para fins não econômicos. 2. 2008). pessoas jurídicas de direito privado.1. gerar renda para manter seu quadro funcional regular. também previstas no artigo 44 do Código Civil de 2002. ou seja. compartilhando lucros dos resultados da sociedade (GONÇALVES. portanto que o intuito da associação não é o lucro. profissional e religiosa. organizada no Direito de Empresa. 2008). nem há nas associações entre os membros.1 Associações As associações. Percebe-se. em que constitui as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. 2009). podendo assim ser de natureza educacional. As sociedades estão disciplinadas no Código Civil Livro II da Parte Especial.1. sem partilhar lucros (GAGLIANO. Assim. assim destacando seu aspecto pessoal. em que seu ato constitutivo será por estatuto. Destaca-se também que poderá a associação ter lucro. 2004). 53 do Código Civil de 2002. Para Gagliano e Pamplona Filho (2008. lúdica.) as associações são entidades de direito privado.

3 Fundações Nas fundações destaca-se uma diferenciação das sociedades e associações.4. reputadas relevantes pelo instituidor (COELHO. observa-se que a sociedade por ser um ente moral. Este é estabelecido pelo instituidor e não pode ser lucrativo. que a fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos. p.27 As sociedades podem ser simples e empresárias conforme nos ensina Gonçalves (2009. agrupam-se com pretensão de ganhar dinheiro (COELHO. pois a fundação não se resulta da união de pessoas para fins comuns.1. obter renda através de suas atividades empresariais. mas distinguem-se das sociedades simples porque tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito ao registro previsto no art. pois o que se considera é a atividade principal por elas exercida. inovou o Código Civil de 2002 ao prescrever. As fundações podem ser particulares e públicas instituídas pelo Estado. escritórios de advocacia. no entanto que as sociedades têm como fim comum o lucro. p. em geral. e sim da afetação de um patrimônio a determinadas finalidades. mas social. Segundo Rocha Filho (2004. de interesse público. entre si dos resultados”. 967 do Código Civil. e seus objetivos aproxima-se aos sócios com fim econômico. 2004). tal fato não altera a sua situação. As sociedades empresárias também visam lucro. ou seja. 262). 62. a contribuir. no parágrafo único do supratranscrito art. Assim. Mesmo que eventualmente venham a praticar atos próprios de empresários. reciprocamente. de dois elementos: o patrimônio e o fim. morais. rege-se por contrato. para o exercício de atividade econômica e a partilha. com bens ou serviços. 206): as sociedades simples são constituídas. p. 2. por profissionais que atuam em uma mesma área ou por prestadores se serviços técnicos (clínicas médicas e dentárias. já as particulares são reguladas pelos artigos 62 e 69 do Código Civil. Assim preceitua Gonçalves (2009. 207): a fundação compõe-se. a sociedade conceitua em “contrato consensual por intermédio do qual duas ou mais pessoas se obrigam. culturais ou de assistência . assim. Observa-se. instituições de ensino etc.) e tem fim econômico ou lucrativo. A propósito. 2004).

as restantes não comportam tanta importância por serem de pouco uso e de menos envergadura.28 Assim. nome coletivo. não preserva nenhum dos sócios dos riscos inerentes ao investimento empresaria”. . Analisado os tipos de pessoa jurídica de direito privado. p. podem realizar atividades filantrópicas. 2. as que mais importam à economia atual são as sociedades anônimas e sociedades limitadas. mesmo sendo cinco tipos de sociedades empresárias no direito brasileiro.2 Classificação das Sociedades Empresárias Depois de verificado a classificação da pessoa jurídica. 478) “a exploração de atividade econômica por esse tipo de associação de esforços. sociedades limitadas. pela suas obrigações sociais.2. Portanto. suas funções e finalidades. criador. anônima e comandita por ações. artística ou literária. mediante a conjugação de suas ações. 2.4. manter hospitais. portando. As sociedades empresárias são compostas por cinco tipos. Para Coelho (2004. Coelho (2004.4. passa-se então a observar a classificação das sociedades empresárias. 2005). acrescenta que “em outros termos. com responsabilidade solidária entre eles. a cultura científica. p. asilos. a fundação constitui pela destinação de um patrimônio com um determinado fim específico. passa-se então a observar as sociedades empresárias classificadas no direito brasileiro. dentre outras preservando sua finalidade social e moral (PEREIRA. comandita simples. Insta salientar que. creches. proporcionando ou estimulando a investigação.1 Sociedade em nome coletivo A sociedade em nome coletivo é a sociedade pelo qual todos os sócios são pessoas físicas. que é a agregação de pessoas com mesmos objetivos para. a pessoa natural ou até uma pessoa jurídica. alcançarem-nos com menor dificuldade”. sendo seu instituidor. não se encontra na fundação o traço comum às associações e sociedades. 13).

2005). os comanditados que correspondem as pessoas da sociedade com responsabilidade solidária e ilimitada e comanditário. foi posteriormente. Para melhor sistematizar o estudo da sociedade em nome coletivo.039. pelas obrigações sociais. que são as pessoas físicas ou jurídicas com responsabilidade limitada correspondente ao valor das quotas (COELHO. está classificada na sociedade em comandita. denominação com que foi acolhida no Código Civil.2. 101) no conceito de sociedade simples. ou seja. e contrair dívidas. pois seu caráter é meramente familiar. p. Na sociedade em comandita simples os sócios são classificados em duas categorias. o que caracteriza é o tipo de responsabilidade. uma só categoria de sócios. designada como sociedade em nome coletivo. citando Hernani Estrella: . caso a empresa não venha a ter lucros.4. já no Código Comercial francês de 1807. conceitua Almeida (2005. 2004). 1. já em desuso. sem sucesso. pode o patrimônio dos sócios responder integralmente. embora não o conceitue. solidária e ilimitadamente.051 do Código Civil de 2002. Entretanto. grifo do autor): Originalmente denominada sociedade geral. para o pagamento dos seus credores (COELHO. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome coletivo. Tal dispositivo é claro ao afirmar que o tipo de sociedade constituída tem responsabilidade única solidária dos sócios. traça-lhe o perfil: Art. afetando assim o patrimônio familiar.29 Assim. que. única e solidária entre os sócios. é um tipo de sociedade pelo qual está disciplinada nos artigos 1. o dispositivo legal supracitado.045 a 1. ou outro tipo de sociedade.2 Sociedade comandita simples A sociedade comandita simples. Merece destaque Almeida (2005. outro apontamento ao dispositivo é que não poderá ser parte da sociedade em nome coletivo a pessoa jurídica. 2004). 2. p. ou seja. respondendo todos os sócios. solidariamente pelas suas obrigações sociais (ALMEIDA. 107. nada obsta que os sócios no contrato social limitem suas responsabilidades.

. Acerca desse tipo de sociedade ensina Coelho (2004. A diferença essencial com a outra sociedade por ações. sob regime especial. ao contrário daquele que administra a sociedade. está na responsabilidade de parte dos sócios. uns que não respondem além do valor do que foi prometido ou entregue. porém tem suas peculariedades. a anônima. 2. pelas obrigações sociais. outros que respondem pessoal. O regime das sociedades por ações segue a mesmo das anônimas. terá responsabilidade limitada.4. são denominadas sociedades contratuais menores tendo em vista a pouca presença na economia brasileira (COELHO. 2004). também classificada nas sociedades em comandita. a Lei 6. além.092 do Código Civil de 2002 (COELHO. 2.3 Sociedade comandita por ações As sociedades por ações. solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. 477): a comandita por ações é a sociedade cujo capital social se divide e. nela realizado. portando. ou seja. tendo em vista sua grande atuação na economia mundial. e responde subsidiariamente pelas obrigações da própria sociedade. assim se manifesta Hernani Estrela: Sociedade em comandita simples é a em que existem sócio de duas categorias.404 de 15 de dezembro de 1976 (Lei de Sociedades por Ações). diante dos tipos de responsabilidades que comporta a sociedade de comandita simples.2.091 e 1. sendo solidário com os demais sócios. p. valores imobiliários investido pelo sócio.30 conceituando a sociedade em comandita simples. aquele acionista que não participa da administração. Entretanto. onde tem responsabilidade ilimitada. Destarte. é regida no Brasil por uma legislação especial. ações. valores mobiliários representativos do investimento dos sócios.4. para o fundo social. ao limite das ações que adquiriu ou subscreveu. também encontram-se atualmente em desuso. submetendo-se as regras dos artigos 1.2. é que ressalta o desuso.4 Sociedade anônima A sociedade anônima. 2005). é aquela cujo seu capital é dividido por ações. da quota prometida ou entregue. os que administram a empresa.

nos casos amissos as disposições deste Código. o ingresso de quem quer que seja no quadro associativo”. não respondem pelas aquelas obrigações assumidas pela sociedade.31 Nosso Código Civil acrescenta em seu esboço. atuando no seio da sociedade. tem a liberdade de circulação das ações. 1088. 171): para Miranda Valverde a sociedade anônima é uma pessoa jurídica de direito privado. que o próprio Código Civil afirma que o regulamento das sociedades anônimas no Brasil serão reguladas por lei especial. por conseguinte. por eles subscritas ou adquiridas. Na sociedade anônima ou companhia. a substituição de todos os sócios ou acionistas . Nenhum dos acionistas pode impedir.088 e 1. in verbis: art. Para melhor esclarecimento sobre esse tipo de sociedade conceitua Almeida (2005. que limitam a responsabilidade dos participantes. leva então a ingerência do Estado na sua formação e nos seus atos. A sociedade anônima para Coelho (2005. Destaca-se também a função social da sociedade anônima. p. A sociedade anônima rege-se por lei especial. Entende-se.089. os arts. art. por sua circulação. em virtude de um acordo privado. 181) “é uma sociedade de capital. sócio ou acionista. obrigando-se cada sócio ou acionista somente pelo preço das ações que subscrever ou adquirir. a responsabilidade de cada sócio ou acionista. pela responsabilidade dos sócios limitando-se apenas ao preço das ações subscritas ou adquiridas. dependendo do capital integralizado. 2005). denominadas ações. e ainda já estabelece sobre a responsabilidade de cada sócio. tem a possibilidade de subscrição do capital social mediante apelo ao público (MARTINS. . de natureza mercantil. 1. Caracterizam-se as sociedades anônimas no direito brasileiro. considerada uma organização jurídica de interesse público. 1089. ação. distinguindo das demais sociedades. sendo de responsabilidade limitada. Os títulos representativos da participação societária. são livremente negociáveis. p. e livre retirada de qualquer sócio sem afetar sua estrutura. o capital divide-se em ações. dependendo da sua participação. sócios ou acionistas ao montante das ações. pois envolve todos aqueles que adquirirem ações da sociedade. em que todo capital se divide em ações. as quais facilitam. aplicando-se-lhe. a divisão do capital social em partes. portanto. Destaca-se então.

pelas obrigações sociais”. a sociedade limitada possui uma só categoria de sócio. . da limitação da responsabilidade típica das anônimas. sobre a criação das sociedades limitadas. 2005). A sociedade limitada está regulada no Código Civil de 2002.052 a 1. Coelho (2004. e decorre da iniciativa de parlamentares. Acerca da criação da sociedade limitada. para atender ao interesse de pequenos e médios empreendedores. Assim. nem se sujeitas a prévia autorização governamental. ou ainda sociedade por quotas (ALMEIDA. a de responsabilidade limitada. mas sem atender às complexas formalidades destas. Sua criação é. como dispõe o artigo 1. recente. com receio de criar uma sociedade em razão da sua responsabilidade. p. surge então em 1982.055 Código Civil (ALMEIDA. somente será integralizado com dinheiro ou bens a serem avaliados em pecúnia. constituído em seu contrato social. para a formação do capital social. que queriam beneficiarse.087.052 do Código Civil.2. foi o incentivo as pessoas que. 1. 143) relata que “se tratando de sociedade empresária e. Na omissão de assuntos não regulamentados no Código Civil acerca da sociedade limitada. ainda não previsto em contrato social e na omissão da lei. porém tem responsabilidade solidária pela integralização do capital social. contribui: a sociedade limitada anteriormente chamada sociedade por quotas de responsabilidade limitada tem uma história pequena e pobre. p. usa-se previamente previsto no contrato social subsidiariamente a lei das sociedades anônimas. Sua obrigação. ilimitada. a sociedade por quotas de responsabilidade limitada. 2005).32 2.5 Sociedade limitada A sociedade limitada foi criada em razão da complexidade das sociedades por ações e ao inconveniente da solidariedade das sociedades de pessoas. 366). Almeida (2005. em princípio. é que surge a sociedade por quotas de responsabilidade limitada. 1. assim não será permitido prestação de serviços conforme o art. os sócios não respondem. na exploração de atividade econômica. 2004). em relação as demais sociedades. perante a sociedade. colocando em risco seus bens pessoais e de sua família. na Alemanha. Acerca das obrigações. por isso. Outro ponto importante a destacar. arts. com autonomia patrimonial. necessariamente personalizada. observa-se o previsto nas sociedades simples (COELHO.4.

o contrato social deve atender. foi necessário o legislador encontrar um meio eficaz e legal para combater o sócio mal intencionado. eis que já mencionado anteriormente. Isso porque a falta de um dos pressupostos de existência não conduz à invalidação do contrato social ou de suas cláusulas. Porém para ter validade o contrato social deve conter os requisitos de validade dos atos jurídicos. compreender todos os efeitos entre os sócios decorrentes do contrato social. sócio e sociedade são sujeitos distintos. 3 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA A Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica tem como finalidade proteger a sociedade e seus credores contra atos abusivos dos seus sócios e administradores. para a constituição de uma sociedade limitada. tem como objeto o contrato social. p. devendo ser celebrado por sujeitos capazes. . ou seja. anteriormente referidos.33 Destarte. Assim. desconsiderando a personalidade jurídica. b) a effectio societatis. já que a invalidação pode. a dois pressupostos: a) a pluralidade dos sócios. definidos em lei. 2004). de primórdio implica a separação patrimonial entre a pessoa jurídica e os sócios. enquanto a dissolução nunca importa a desconstituição de efeitos pretéritos do contrato. uma forma de preservar o próprio instituto da pessoa jurídica. devidamente arquivado na Junta Comercial. São situações jurídicas diferentes. ou seja. ser absoluta a nulidade. mas a dissolução da sociedade. a responsabilidade pelas obrigações sociais. Diferem essas condições dos requisitos de validade. destaca-se ainda. Portanto. ter objeto lícito e observar a forma legal (COELHO. 388) acerca dos pressupostos de existência da sociedade limitada: para que a sociedade exista. no direito brasileiro. Ainda afirma Coelho (2004.

a decisão judicial a favor. Salomon pegaria empréstimo com juros de 8% a. Salomon citada por Bastos (2007. Começando seu comércio em um pequeno capital. em Higth Street. Mr. 3): Aron Salomon era um homem rico.34 3. Salomon. possuindo bom crédito e boa reputação. alegando que os valores foram fraudados. Broderip. Na transação foram emitidas debêntures em favor do Sr. assim o Sr. mesmo Mr. deve-se observar a evolução do instituto da Desconsideração da Personalidade Jurídica. considerou a fraude. onde consagrou a autonomia patrimonial. Pensando na família. Eis aí a surpresa. onde possuía grandes armazéns e o estabelecimento propriamente dito. porém o valor documentado foi acima da realidade. gradualmente construiu um próspero negócio. 2007). e mostrar que o princípio da autonomia patrimonial não é absoluto. Salomom & Co. Observa-se o caso Salomom vs Salomom & Co nas palavras de Bastos (2003. Mr. sendo que quatro já trabalhavam na sociedade. e por pressões queriam participação efetiva na sociedade. A origem do instituto da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica deu-se origem com o caso Bank of Unites vs. Broderip tenta judicialmente receber os valores em face de Mr. Devaux e Salomom vs. pois Mr. sua origem e evolução diante do ordenamento jurídico. p. visando solucionar problemas. p. Salomon. a. distinguindo a pessoa jurídica da pessoa do Sr. Com o passar dos anos. Observa-se parte da decisão em fase de apelação. 6): . Estava no ramo há 30 anos. Os valores não foram pagos. e mesmo assim não responsabilizou-o pelo pagamento. não participavam do contrato social. pai de seis filhos. valores esses pagos corretamente. Produtor de sapatos e botas. Salomon transforma sua empresa em uma nova companhia limited stock company denominada Aron Salomon Company Limited.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA Primeiramente. a sua nova companhia foi transferida. Whitechapel. de responsabilidade limitada (BASTOS. 2007). em julho de 1882. exercia o comércio através de uma empresa denominada Salomon & CO. ainda não pensava em aposentaria. sendo este o caso mais famoso. Apenas trabalhavam. Salomon defendendo sua companhia. onde se originou a teoria no âmbito mundial (BASTOS.

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houve a apelação para a House of Lords. Lord Halsbury L.C. entendeu ser indiscutível que, quando a companhia é legalmente incorporada, deve ser tratada como ente diferente, com seus direitos e obrigações e que os motivos daqueles que a constituíram são absolutamente irrelevantes na discussão dos direitos e obrigações. Assim declarou seu voto: “Para mim a lei dá à companhia uma existência legal, com direitos e obrigações , quaisquer que tenham sido as idéias ou esquemas que criaram”. “A companhia limitada era uma entidade legal ou não. Se ela era, o negócio pertence a ela e não ao Sr. Salomon”.

Entretanto, mesmo dando origem a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica, o caso em tela não foi desconsiderado na época pelo julgador, e sim mantida a distinção entre pessoa jurídica e pessoa física (BASTOS, 2007). Já nos Estados Unidos, o caso Bank of Inited States vs. Deveaux, também de grande repercussão, é mais antigo que o caso inglês Salomon vs Salomon & Co, ou seja, 88 anos mais antigo (SILVA, 2007). O caso Norte Americano, no mesmo sentido de Mr. Salomon, não foi observado o abuso de direito por parte dos seus controladores. Assim nos traz Silva (2007, p. 67):

nesse sentido, o julgado em tela proclama que, essencialmente, as verdadeiras partes do processo judicial são os acionistas, devendo-se, portanto, observar os direitos e deveres das pessoas naturais que se colocam atrás da pessoa jurídica. Muito embora parte da doutrina reconheça nesse julgado a desconsideração da personalidade jurídica, é importante observar que não há qualquer elemento que leve o interprete a verificar o abuso de direito da personalidade jurídica nesse caso. Ademais, como se sabe, é essencial para a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica a manifestação concreta de abuso do direito.

Portanto, no entendimento de Silva, não há de se falar em desconsideração no caso referido, pois para configurar a desconsideração, é preciso haver abuso de direito diante da pessoa jurídica. Somente em 1950 com o grande trabalho de Rolf Serick foi divulgado e assim ganhou impulso nas diversas teorias que admitiam a desconsideração da personalidade jurídica, dentre ele outros grandes trabalhos, objetivando precisão para aplicação da desconsideração da personalidade jurídica (SILVA, 2007). Assim, Requião (2008), referindo-se ao caso de Salomon & Co, acentua que a decisão modificada repercutiu acerca do assunto, dando assim origem a disregard of legal entity, sobretudo nos Estados Unidos, dando origem a grandes decisões, expandido jurisprudência, assim como na Alemanha e em outros países europeus.

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Em seguimento, Requião (2008) acrescenta que há um grande crescimento da teoria, alcançando ainda o terreno do direito tributário, para reprimir a sonegação e evasão de impostos, no uso da personalidade jurídica comercial como anteparo. É de bom alvitre salientar, acerca do crescimento e reconhecimento da teoria, Martins (2005, p. 195) ressalta:

numerosos desses fatos ocorreram nos Estados Unidos e na Inglaterra, sendo freqüentemente levados aos tribunais. Estes passaram, então, quando assim ocorria, a desconhecer a personalidade jurídica das sociedades para responsabilizar os culpados. Nos Estados Unidos chegou a falar em lifting the veil, ou seja, levantar o véu da pessoa jurídica para serem atingidos diretamente os sócios. Na Alemanha, o professor Rolf Serick apresentou, na Universidade de Tubingen, a tese sobre, Aparência e Realidade nas Sociedades Mercantis. Do abuso de direito por intermédio da pessoa jurídica. O assunto interessou grandemente aos círculos europeus, destacando-se, entre os que trataram do mesmo, o Prof. Piero Verrucoli, da Universidade de Pisa, na Itália, que escreveu o livro Superamento da Personalidade Jurídica das Sociedades de Capitas na Common Law e na Civil Law.

Assim, a Teoria da Desconsideração ganha espaço no âmbito jurídico mundial e hoje positivado por muitos países, preservando a personalidade jurídica contra abusos de direto, desvio de finalidade e fraude contra seus credores.

3.2 CONCEITO

É importante, depois de verificado o seu escorço histórico, analisar diante da doutrina o conceito do instituto da Desconsideração da Personalidade Jurídica. Para Coelho (2004, p. 42), “em razão do princípio da autonomia patrimonial, as sociedades empresárias podem ser utilizadas como instrumento para a realização de fraude contra os credores ou mesmo abuso de direito”. Partindo dessa premissa, verifica-se que a Desconsideração da Personalidade Jurídica é aquela em que se desconsidera a autonomia patrimonial quando de fato ocorrem os pressupostos citados, fraude ou abuso de poder. Entretanto, o princípio da autonomia patrimonial não é absoluto, criando-se um mecanismo de superação personificação jurídica. Para que prevaleça o principio devem os membros da sociedade manter a conduta conforme o ordenamento jurídico, assim nada lhe será imputado (GONCALVES, 2004).

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Ainda para melhor entendimento, Gonçalves (2004, p. 45) ensina que:

ao revés, em caso de fraude ou abuso de direito, é possível a desconsideração da personalidade conferida a pessoa jurídica, de modo a atingir os verdadeiros praticantes dos atos danosos, surpreendendo uma realidade que se encontra subjacente, imputando efeitos jurídicos além daquele sujeito a que se destinou originalmente.

Assim, dando continuidade ao raciocínio, a desconsideração é instrumento de aperfeiçoamento da pessoa jurídica, impedindo o seu mau uso contrário ao direito (GONÇALVES, 2004). Contudo, Koch (2005, p. 40) conceitua a desconsideração da personalidade jurídica da seguinte forma:

pode-se conceituar a desconsideração da personalidade jurídica como uma ruptura à regra legal da autonomia da entidade jurídica, com o fito de alcançar o patrimônio particular dos sócios e usá-lo para fazer frente às obrigações da sociedade, quando esta se mostrar hipossuficiente por motivo de fraude e abuso de direito por parte de sócio.

Nessa ordem de idéia pode-se dizer que a desconsideração da personalidade jurídica é uma medida excepcional, nascida então de uma construção jurisprudencial e visa a proteger terceiros contra atos abusivos dos sócios (KOCH, 2005). Para melhor entendimento acerca do conceito da desconsideração da personalidade jurídica, Silva (2007) lembra que a desconsideração seria como arrancar a máscara da pessoa jurídica, com o propósito de revelar a legítima expressão, escondida pelo abuso. Silva (2007, p. 70) melhor ilustrando, continua:
a máscara seria a personalidade jurídica o artista, os sócios. Sua união para a atividade artística, uma sociedade personificada. Assim, quando se abusasse da máscara para a prática de uma interpretação desastrosa, surgiria um direito do público lesado de exigir do Estado uma providência para sanar o ilícito.Perguntarse-ia, então, cui prodest? Ou seja, a quem beneficiaria a máscara, quando de uma interpretação que extrapola os limites do razoável numa peça teatral? Não há outra conclusão, senão o artista, responderia ao público, isto é, no caso de abuso à personalidade jurídica, os sócios seriam levados a responder pelo abuso.

Nesta senda, Ceolin (2002) apresenta a teoria da desconsideração como um remédio jurídico que possibilita aos magistrados prescindirem da estrutura formal da pessoa jurídica para tornar a sua existência autônoma, ou seja, sujeitos de direito, tornando assim ineficaz a uma situação particular.

do princípio da personalidade jurídica. p. a pessoa jurídica deve respeitar seus preceitos legais. Contudo. quando assim ocorria. 194): a admissão. acobertados pela garantia de que seu patrimônio pessoal não é alcançado por dívidas da sociedade. utilizando-se da mesma. Partindo dessa premissa. Estes passaram. atos fraudulentos ou com o abuso de direito. Simão. ensina Martins (2005. praticassem. fazendo com que as pessoas jurídicas respondessem pelos mesmos. pessoa natural. Em circunstâncias excepcionais. 1): o mau uso do ente personificado ocorre quando os indivíduos que o integram. mas para coibir tais atos abusivos. os sócios procuram se isentar da responsabilidade pessoal por negócios que. Sob o véu de tal autonomia. e não anular a personalidade existente. e torná-la sem eficácia por um período para que possa levantar o véu que a coberta (SIMÃO. p. Lucca (2004). 3). para demonstrar que o direito criado diante da personificação não é absoluto. Numerosos desses fatos ocorreram nos Estados Unidos e na Inglaterra. pelas sociedade. acerca da desconsideração da personalidade jurídica.38 Observa-se atentamente o que ainda ensina Ceolin (2002. em proveito próprio. a desconhecer a personalidade jurídica das sociedades para responsabilizar os sócios . porém está sujeito a teoria da fraude contra credores e pela teoria do abuso de direito (REQUIÃO. desenvolvendo uma doutrina para atenuar os rigores da teoria da pessoa jurídica e do princípio da autonomia objetiva ou patrimonial. na verdade são de seu direto interesse e não da coletiva. onde o pressuposto era o abuso da forma societária e o privilégio da responsabilidade limitada a ela associada. deu lugar a indivíduos desonestos que. observa-se um conceito através dos casos desenvolvido nos tribunais: nos processos envolvendo desvio na condução da atividade social pelo controlador. sendo frequentemente levados aos tribunais. paulatinamente. Este expediente foi denominado disregard . No entendimento de Alves (2008. No mesma diapasão. ter limites para sua existência legal. p. então. os tribunais foram. 2008). nota-se que a teoria de origem anglo-americana construída afim de inibir fraude e abuso do direito através da personalidade jurídica. Destarte. vale ressaltar. afirma que por ser uma criação legal. 2004). LUCCA. utilizam-se abusivamente do princípio segundo o qual a pessoa jurídica não se confunde com os seus membros. que a doutrina da personalidade jurídica não constitui em um direito absoluto. de acordo com as regras. foi estendida a responsabilidade pelas dívidas da sociedade ao sócio “dominante” – responsabilidade solidária.

através de jurisprudências. no caso o credor. caso contrário. assim o judiciário poderia ignorar a autonomia patrimonial da pessoa jurídica sempre que esta fosse contrário ao seu exercícios e expedientes. seria um instrumento válido para coibir abusos da pessoa jurídica. p. Far-se-á. acredita que ainda não se permitiu uma formulação exata. ou seja. a teoria mais elaborada. poucos autores trazem o estudo da teoria. visar o mau uso do instituto. destarte. a maior e a menor. 2004). ou seja. também conhecida por piercing the corporate veil (doutrina da penetração). p. assim ressalta-se Coelho (2004. ou seja. que condiciona o afastamento episódico da autonomia patrimonial das pessoas jurídicas à . Justen Filho (1985. inicialmente nos Estados Unidos.. precisa de um conceito através dos moldes tradicionais e clássicos dos estudos dogmáticos. que “o pressuposto da desconsideração. duas interpretações para a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica. a desconsideração da personalidade jurídica no entendimento do ilustre doutrinador. uma análise das teorias mencionadas. Conclui Coelho (2004). como superação ou penetração. portanto usa-se uma acepção vocabular para a desconsideração. Inglaterra e Alemanha.3 TEORIA MAIOR E TEORIA MENOR DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA Insta evidenciar. Já. 3. deverá este suportar o prejuízo pela insolvência da devedora (COELHO. 42) que faz menção as duas teorias da desconsideração. já se viu. para indicar a ignorância societária”. Destarte. que no direito brasileiro existem duas teorias da desconsideração. é a ocorrência de fraude perpetrada com uso da autonomia patrimonial da pessoa jurídica”. assim aquele que pretende rever o dano que sofreu. Justen Filho (1985). “de um lado. e punir a quem a controla. etc. 38) acentua que “usualmente. Para Coelho (2005). levantamento do véu societário. para coibir tais abusos. deverá provar a fraude perpetrada pelo controlador da pessoa jurídica. Sendo esta a mais coerente visão para caracterizar a desconsideração da personalidade jurídica e preservar a pessoa jurídica e sua autonomia. uma mais elaborada e outra mais branda.39 of the legal entity doctrine (doutrina da desconsideração da personalidade jurídica). de maior consistência e abstração. utiliza-se a expressão desconsideração da pessoa jurídica ou outra equivalente. imputando assim o sócio a responsabilidade pelos seus atos. menos densa. a doutrina criou tal teoria.

o quarto princípio sustenta que não havendo um conceito de que as partes sejam um só sujeito. Coelho (2004. anote-se que. exigindo-se. a pretexto de inexistência de dispositivo legal expresso. 37): de qualquer forma.40 caracterização da manipulação fraudulenta ou abusiva do instituto”. No que concerne a teoria menor menciona Coelho (2004). ou seja. a elaboração de quatro princípios para o afastamento da autonomia das pessoas jurídicas (COELHO. o segundo afirma que não seria possível desconsiderar a autonomia patrimonial por mera insatisfação por parte do credor. sendo o principal sistematizador. deve-se respeita-la. no campo do direito societário brasileiro. que a elaboração doutrinária é recente. caso contrário caberá a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica. Assim tendo resultado de sua pesquisa. a expressão “desconsideração”. pois a interpretação ainda é confusa. é pacífico na doutrina e jurisprudência que a desconsideração da personalidade jurídica não depende de qualquer alteração legislativa para ser aplicada. Isto é. a palavra passou a ter dois significados diferentes. hoje. observa-se: a distância entre as duas teorias é tamanha que não se pode deixar tomar. Tendo em vista esse cuidado. sem qualquer especificação. p. e por fim.deixar de aplica-la. afastando a autonomia patrimonial (COELHO. que se observa os princípios formulados pelo doutrinador. firma a importância da distinção entre as teorias. o simples prejuízo do credor já é possível afastar a autonomia patrimonial. para impedir o ilícito. 58) a teoria maior segue a seguinte forma: . como ambígua. p. significaria o mesmo que amparar a fraude. onde defendeu sua tese de doutorado. quando menciona a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. Quer dizer. Nesse sentido. no presente curso. 2004). 35). É nesse cenário que pacificou a doutrina e jurisprudência acerca da aplicação da desconsideração conforme traz Coelho (2004. Imperioso gizar. p. O primeiro argumenta que o juiz diante do abuso da pessoa jurídica poderá desconsiderar o principio que separa o sócio da pessoa jurídica. se existe lei que as distingue. no estudo da matéria. deve-se desconsiderá-la. Rolf Serick. está-se referindo à sua versão maior. por simples prova. a maior e o menor. que esta menos elaborada. No entendimento de Koch (2005. Neste sentido. na medida em que se trata de instrumento de repressão a atos fraudulentos. o terceiro princípio aplica-se as normas sobre sua capacidade não havendo contradição entre os objetivos do sócio e a função da sociedade. o cuidado de prévia definição do tema em exame. 2004).

41 pela concepção da teoria maior. Enfatiza-se ainda. p. visa preservar o instituto da pessoa jurídica. quando referente a sociedades empresárias. não sendo contrária à personalização das sociedades empresárias. inclusive. portanto. num eventual insucesso terá comprometido todo seu patrimônio particular para saldar dívidas sociais. bem menos elaborada que a maior. e dando um seguimento ao estudo. por outro lado. que poderá. assim. Entretanto. Já na teoria menor. que a teoria menor da desconsideração não considera o elemento fraude e abuso de poder por parte daquele que se acoberta por traz da pessoa jurídica. comprando ações ou quotas. certamente se obsterá de investir. vale ressaltar que a teoria menor é contrária a todo conceito da autonomia patrimonial e não observa nenhum dos pressupostos para a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica. assim faz um alerta Koch ( 2005. basta que ocorra algum obstáculo para que o credor não receba o que é devido. Apregoa Koch (2005). para melhor compreender a teoria menor. Cria insegurança entre os aplicadores. Se um potencial investidor é sabedor de que. 46) conceitua de forma objetiva a teoria: a teoria menor da desconsideração é. por evidente. 2004). para a criação de riquezas. reunindo-os em entidades personalizadas. a crise do princípio da autonomia patrimonial. rompendo com a regra da separação do patrimônio da pessoa jurídica com relação ao patrimônio dos entes que compõem. Ela reflete. ficando provada a prática de fraude ou abuso de direito. senão em casos excepcionais. É nesse sentido que a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica. não se falando em fraude ou abuso de direito. p. Preserva-se a autonomia da sociedade e os bens particulares dos sócios não poderão ser chamados a responder pelas obrigações da sociedade. mediante o uso da personalidade jurídica. A idéia da teoria maior. pois assumiria o grande risco de perder o seu patrimônio particular em troca de obter um provável lucro. sem o estabelecimento de qualquer proporção com o montante investido. na verdade. Coelho (2004. bem evidenciada por Fabio Ulhoa Coelho. seu objetivo principal e coibir as práticas fraudulentas e abusivas daquele que a utiliza (COELHO. O seu pressuposto é simplesmente o . é aplicada a desconsideração em qualquer caso. 56): a aplicação da teoria menor representa um desestímulo para a captação de recursos populares. ao investir um certo valor numa empresa. a desconsideração da personalidade jurídica requer requisitos específicos que justifiquem ta medida excepcional. impõe para sua aplicação. ser irrisório. a manipulação fraudulenta ou abusiva do sócio ou administrador.

em artigo publicado abuso de direito e fraude à lei através da personalidade jurídica. caracterizando assim a teoria menor. De acordo com a teoria menor da desconsideração. Exemplo clássico é o artigo 28 do CDC. isso basta para responsabilizá-lo por obrigações daquela. mas o sócio é solvente. 46). não se dedicaram ao prévio e suficiente estudo da matéria e passaram a fazer apressado e inadequado o uso da expressão desconsideração”. desconsideram o princípio da autonomia patrimonial. Para Gonçalves (2004). o caráter absoluto do principio da autonomia da pessoa jurídica”. a frustração do credor da sociedade. não está preocupada com abuso ou fraude. se a sociedade não possui patrimônio. onde será visto em momento oportuno. Percebe-se com clareza. Rubens Requião. . p. por um único pressuposto. “os juízes brasileiros. em momento de descuido.42 desatendimento de crédito titularizado perante a sociedade. onde faz menção ao desvio de função e da confusão patrimonial. os pressupostos para desconsiderar a personalidade jurídica e alcançar os bens daquele que a controla. sendo que são os pressupostos centrais para justifica a teoria. Fábio Konder Comparato. No entanto. assim abrindo portas para outros doutrinadores a discutir o assunto. 3. e sim a sua insolvência e o não pagamento em favor de terceiros. onde preceitua a relação consumerista. como preceitua Coelho (2004. em razão da insolvabilidade ou falência desta. afastando. que teoria menor. em muitos casos.4 A DESCONSIDERAÇÃO BRASILEIRO DA PERSOBALIDADE JURIDICA NO DIREITO O surgimento da teoria tem como pioneiro. evidencia Silva (2007). pouco importa o ato praticado. excepcionalmente. Assim entende o doutrinador que os juízes brasileiros. “essa obra abriu campo para a doutrina e a jurisprudência aplicarem a desconsideração. Ocorre que. ou seja.

preocupava-se com o assunto “não temos lembrança. Lei 8. era sistematizar tal teoria. teve como consagração o artigo 28 do CDC (Código de Defesa do Consumidor. mas tão somente na ineficácia da separação patrimonial. enquanto legislador não a fizesse inserir no direito positivo. comenta ainda Ceolin (2002). pois a teoria foi recebida com grande entusiasmo. pois nada se poderia fazer acerca das fraudes perpetradas através da pessoa jurídica. os doutrinadores entendiam a princípio que. no qual aclamava a omissão doutrinária. Esse foi o grande obstáculo para a sua aplicação. Lei n. Para aclamar as primeiras manifestações. Requião (1969). a personalidade jurídica cumpre sua função quando promove a identificação de um centro autônomo de interesses. já na época. que será visto mais adiante. que não contemplava a possibilidade de se desconsiderar a pessoa jurídica. entretanto exigiu muito estudo por parte dos doutrinadores. não seria possível aplicar a teoria da desconsideração da pessoa jurídica aos casos concretos. A preocupação do legislador.43 Observa ainda Silva (2007. No entanto. quando houvesse a frustração desse centro autônomo de interesses. Assim. Essa desconsideração não redundaria na nulidade ou anulabilidade da pessoa jurídica. que prejudicava terceiros e acionistas. o dispositivo mais aceito como percussor da superação da personalidade jurídica no Direito positivo brasileiro. pelas críticas tecidas à legislação brasileira.078/90. a solução seria a desconsideração. Em face da ausência de textos legais que a acolhessem. embora o sistema jurídico pátrio fosse compatível com a sua adoção. que na época foi muito debatida. tendo como contribuição os julgados norte-americanos. invariavelmente. em nossas constantes peregrinações pelas páginas do direito comercial pátrio.078/1990). 113) em sua doutrina: segundo ele. Sendo assim. Assim o instituto da desconsideração da personalidade jurídica no Brasil. de haver encontrado doutrina nacional ou estudos sobre o uso abusivo ou fraudulento da pessoa jurídica”. para o acolhimento da teoria da desconsideração. para assim coibir a fraude e o abuso de direito. p. parágrafo 5° do Código de Defesa do Consumidor. é o próprio artigo 28 caput. 8. lamentava os juristas brasileiros a falta de positivação da teoria. Esse era o problema na época. . até então. pois não cabe ao Poder Judiciário criar leis. não havia sanção alguma. insta salientar Ceolin (2002): as primeiras manifestações doutrinárias a respeito da teoria em comento foram marcadas.

encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. A desconsideração também será efetivada quando houver falência. § 2° As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas. para defender não só o consumidor. excesso de poder. onde se observou a sua aplicação para desconsiderar a personalidade jurídica. menciona: dessa forma. estabelecida pela Constituição Federal de 1998. Para complementar o estudo da desconsideração no CDC observa-se o dispositivo in verbis: art. estado de insolvência. houver abuso de direito. § 3° As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código. sofre grande intervenção (GONÇALVES. § 1° (Vetado). É neste sentido que Gonçalves (2004. . O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. onde há limitação das responsabilidades de cada um dos sócios. de alguma forma. 3. com o propósito de defesa do consumidor. antes absoluto. sendo certo quem um dos elementos fundamentais para garantir o desenvolvimento econômico é a possibilidade de pessoas unirem-se formando sociedades. em detrimento do consumidor. valendo-se de que o princípio da autonomia patrimonial.44 Destarte. valeu-se o legislador aplicar a teoria da desconsideração da personalidade jurídica no microssistema do CDC.1 A Desconsideração no Direito do Consumidor Para melhor entendimento do artigo supracitado. para que o consumidor obtenha a mais ampla reparação por vícios. § 4° As sociedades coligadas só responderão por culpa. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. mas principalmente o consumo.4. são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código. 28. Assim. insta evidenciar que sua criação veio através do Código de Defesa do Consumidor. 2004). fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. evidente que a proteção ao consumidor não pode inviabilizar a livre iniciativa. voltadas para um fim comum. § 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. p. 89). passa-se então a analisar brevemente a aplicação da teoria da desconsideração em alguns ramos do direito brasileiro. infração da lei.

51). sua aplicação não observa o estudo da teoria da desconsideração. Novamente.45 No direito brasileiro. p. A norma não condiciona o rompimento do véu da personalidade jurídica ao uso desta como instrumento para a prática da fraude ou abuso de direito”. Assim. Assim complementa Koch (2005) que pelo CDC a empresa mesmo praticando uma infração a lei. sabe-se que o primeiro dispositivo legal a se referir à desconsideração da personalidade jurídica é o Código de Defesa do Consumidor. mesmo em contradição com estudo e os pressupostos da desconsideração da personalidade jurídica. 2004).então será possível imputar ao administrador a responsabilidade pelos danos sofridos pelos consumidores. Entretanto.2 A Desconsideração no Direito Tributário . descabendo.. 28. omite-se o principal fundamento da desconsideração. nota-se também a aplicação da teoria menor da desconsideração. Entretanto. nota-se também que a simples existência de prejuízo patrimonial. Na mesma vertente. cogita-se de erros do administrador na condução dos negócios sociais. já é suficiente para a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. Quando ele desatende às diretrizes fixadas pelas técnicas administrativas. e. Koch (2005. 2005). caput.] o dispositivo também não se manteve fiel aos fundamentos da disregard doctrine. Coelho (2005. caracteriza-se a desconsideração. pela chamada ciência da administração. a referência à sua desconsideração.66). por isso. no caso exemplificou a sonegação de tributos.. a existência. Aqui.se ocorrer falência da sociedade empresária. 3. a fraude (COELHO. o lesado na qualidade de consumidor. no seu artigo 28. foi o dispositivo pioneiro da introdução da teoria no direito brasileiro (KOCH. e disto sobrevêm prejuízos a pessoa jurídica. faz menção ao aspecto da má administração da pessoa jurídica: outro aspecto do disposto no art.4. Assim. afirma que “[. deixando de fazer o que elas recomendam ou fazendo o que desaconselham. ele administra mal. por outro. do CDC é a refêrencia à má administração da pessoa jurídica como pressuposto da desconsideração. por um lado responsabiliza o administrador. p. a insolvência da associação ou fundação ou mesmo o encerramento ou inatividade de qualquer uma delas em decorrência da má administração.

III . a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. Por decorrência. 135. sem a necessidade da aplicação por via judicial. vale aqui destacar. da tipicidade fechada e da reserva do formalismo da lei (SILVA. II . estaria prevista no art.os mandatários. o resultado fraudulento. incide o art.os diretores. que consiste em reputar inocorrentes seus efeitos quando houver comportamento abusivo ou ilícito do representante. O art. pois tal aplicação incorre contra os princípios que regem o direito tributário. Para Silva (2007). Ou seja. prepostos e empregados. comportando esse os elementos centrais da teoria. que incorra risco de resultado fraudatório. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. Para melhor entendimento. 135.as pessoas referidas no artigo anterior. como decorrência de atuação indevida ou ilícita.46 A desconsideração no direito tributário vem sendo de grande debate pelos doutrinadores. como aspecto fundamental. existem duas correntes. 135 não se caracteriza como remédio para distorções. 111). que a desconsideração da pessoa jurídica é um remédio para certas distorções derivadas da consagração legal da personificação de sociedade. uma negando sua aplicação sob o argumento da estrita legalidade para definir o fato gerador e do sujeito passivo. A desconsideração não é um resultado considerado em si mesmo. 135 requer cogita do resultado fraudatório. 135. destacando pontos importantes a serem analisados: a teoria da desconsideração toma em vista. Há parte quem entenda que a aplicação da desconsideração no direito tributário só seria possível havendo norma expressa. não incidirá a desconsideração em todo e qualquer caso em que o sócio atuar de modo ilícito ou abusivo. fundado no critério econômico da legislação tributária. para entendimento de alguns. No entanto. . admitiria a aplicação da teoria. Opostamente. p. que na época já fazia menção ao art. e outro em que. gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. . a interpretação de Justen Filho (1987. 135 do CTN com o instituto da desconsideração da personalidade jurídica. Assim. mas decorre de uma certa concepção da representação. ainda. Observa-se o disposto no artigo 135 do Código Tributário Nacional: art. sanável exclusivamente pela via da desconsideração. somente há a desconsideração se puder concretizar-se um resultado fraudatório ao direito de terceiro. insta salientar que no âmbito jurídico não há unanimidade quanto a aplicação da teoria da desconsideração na legislação tributária. o art. 2005). contrato social ou estatutos: I . III. pois argumenta-se também de ser de interesse público (KOCH. 2007). como o da legalidade. mas somente se tal ilicitude ou abuso forem aptos a provocar a fraude a direito alheio. Diríamos então. Ou seja. do Código Tributário Nacional.

135. Rel. 135. Já a sociedade de capitais. e que. no entanto as atribuições da personalidade. o relacionamento entre si e a capacidade de escolher com quem se associar”. Portanto para Koch (2005. assim a doutrina como também a 1 STJ Resp. 2005). respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: [.47 No entanto para Justen Filho (1987). seria assim a melhor análise do artigo. só poderia cogitar resultado danoso. incorre na substituição da responsabilidade tributária. mas vale aqui destacar o inciso VII: art. a sociedade por cotas de responsabilidade limitada tem acarretado dúvidas. Ainda entende Koch (2005). exonerando o contribuinte e estabelecendo nova relação jurídica tributária com os relacionados no art. Mesmo que. No mesmo norte. (II) sociedade em conta de participações..os sócios. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte. 83) “sociedade de pessoas são aquelas firmadas na affectio societatis em que conta o elemento volitivo das pessoas. 134 do CTN trata a responsabilidade de terceiros nos seus respectivos incisos. nas sociedades limitadas e as sociedades anônimas. Há entendimento que o art. só haveria a incidência da teoria da desconsideração. no campo tributário. De acordo com doutrina. por serem de fisionomia jurídica especial. ou seja. 134. (II) comandita simples.] VII . p. no caso de liquidação de sociedade de pessoas. que. Ministro José Delgado . propiciado pela incidência do regime jurídico correspondente à personalidade jurídica. pois o patrimônio a todos pertence e as obrigações ficam em torno do sócio. de responsabilidade direta. em que o conjunto dos sócios é o titular das ações e direitos no qual correspondem à sociedade. as sociedades de pessoas. quando ocorrer frustração de incidência de norma tributária. leva. o art.. por estarem desvinculadas aos indivíduos que as compõem. verificando um resultado danoso. sociedade de pessoas são: (I) em nome coletivo. Para Requião (2008). agindo com excesso de poder ou infração de lei. por serem estas sociedades de capital e não de pessoas1. contrato social ou estatutos (KOCH. são sociedades não personificadas. O grande problema está no conceito de sociedade de pessoas conforme descrito no inciso VII. não se aplicaria às regras de atribuições de responsabilidade tributária aos sócios contidos no inciso VII. com base nas jurisprudências. 133645:PR.

4°. não cabe criticar o legislador por confundir a desconsideração com outras figuras do direito societário. 2005). A teoria da desconsideração da personalidade jurídica vem ganhando novas interpretações. Se determinada sociedade provocar sério dano ambiental. 53). dispõe sobre a responsabilidade por lesões ao meio ambiente. mas sempre com o intuito de responsabilização daquele que causa um dano. a manipulação fraudulenta da autonomia patrimonial não poderá impedir a responsabilização de seus agentes. argumenta acerca do dispositivo: desta feita. Contudo. a execução do crédito ressarcitório no patrimônio das duas sociedades. também. será possível. deixando a primeira minguar paulatinamente (ver exemplo do início do capítulo envolvendo Benedito e Carlos). . na composição dos danos à qualidade do meio ambiente. não qual passem concentrar seus esforços e investimentos. interpretar a norma em tela em descompasso com os fundamentos da teoria maior.605/98. recursos e pessoal diversos. O Direito Ambiental tem merecido maior atenção nos últimos anos. Portando. 3. com sede. mas. por meio da desconsideração das autonomias patrimoniais.4. as regras dos artigos 134 e 135 do CTN. especificamente no seu art. p.48 jurisprudência entende que seja uma sociedade tipicamente de pessoas. Assim propôs o legislador a aplicação da teoria no âmbito do Direito Ambiental. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. Mas não se pode. 2005). Com a criação da Lei 9. Que dizer. para tentar escapar à responsabilidade. com os grandes movimentos ecológicos em virtude do ecossistema e dos direitos difusos da sociedade em preservar a natureza (KOCH. filia-se a tese de que não seria hipótese de desconsideração da personalidade jurídica.3 A Desconsideração no Direito Ambiental. mas são formas de responsabilizar o indivíduo que prática os atos que lhe deram origem (KOCH. em tais casos. observa-se: art. os seus controladores constituírem nova sociedade. existe aqueles que entendem que seja sociedade de capital. Coelho (2004. impropriedade em que incorreu ao editar o Código de Defesa do Consumidor e a Lei Antitruste.

4. o equilíbrio do ecossistema. afirma que “[. foi criação jurisprudencial. para concluir o raciocínio. a vida sobre a terra. 50 A teoria da desconsideração da personalidade jurídica. onde faz menção ao anteprojeto do atual código civil. 75): a pessoa jurídica não pode ser desviada dos fins que determinaram a sua constituição. É nesse cenário que nasceu a Lei 9. além de vários estudos doutrinários. diante da evolução da nossa civilização. já analisado anteriormente. pois seu comportamento que antes era reverenciado. a dissolução. No entanto. caso em que caberá ao juiz. para servir de instrumento ou cobertura à pratica de atos ilícitos. Assim surgem muitas críticas acerca da redação do texto sugerido. como demonstra Justen Filho (1987.605/98. Assim. que antes exibia sua presa como vitória. Gonçalves (2004). a grande preocupação. conjuntamente com os da pessoa jurídica. salvo se norma especial determinar a responsabilidade solidária de todos os membros da administração. hoje se esconde na multidão. p. e por tais motivos que existe a possibilidade de se desconsiderar a personalidade jurídica em determinados casos.4 A Desconsideração no Código Civil de 2002 – Art. ou abusivos. 3. 2005). sob a justificativa de prevenir e repelir os abusos perpetrados à sombra da personalidade jurídica. porque a sua principal característica é atuar episodicamente sem implicar a extinção da pessoa jurídica”. na esfera ambiental. para abraçar a causa ambiental. p. o caçador.] não se trata da teoria da desconsideração. trazida por Gonçalves (2004. destarte exigiu do legislador criar dispositivo para incluir no Código Civil de 2002. sem prejuízo de outras sanções cabíveis.. aprendeu-se a valorizar a natureza.49 Por fim. responderão. criou-se a primeira redação de um artigo em que trataria da desconsideração. acatado como um depredador. inimigo da mãe natureza (KOCH. Hoje valores e conceitos mudaram. os bens pessoais do administrador ou representante que dela se houver utilizado de maneira fraudulenta ou abusiva. Neste caso. respeitando sobre tudo a fragilidade da natureza contra agressores e grandes indústrias. Observa-se na doutrina de Gonçalves (2004). 151): . hoje é condenado. Parágrafo Único. onde Miguel Reale membro Comissão buscou consagrar a disregard doctrine..

com a imensa autoridade não apenas decorrente de seu profundo conhecimento como também propiciada pela introdução da teoria da desconsideração entre nós. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Novamente reflete Koch (2005. em que “[. pois a desconsideração não implica a dissolução da sociedade. somente em janeiro de 2003 que entra em vigor a nova redação do artigo em que trata a desconsideração. a requerimento da parte. em 11/01/2003. sem mencionar. caracterizado pelo desvio de finalidade. dos produtos transgênicos. mesmo tendo o espírito da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. ainda carece de melhor redação. da digitalização. seria desproporcial. Entende-se que o artigo 50 do Código Civil de 2002. quando finalmente entrou em vigor. 50: art. Estamos no mundo da internet. como referia a redação do artigo que seria inserido no novo código civil. a utilização da pessoa de forma fraudulenta”. no seu art. diversas propostas foram apresentadas. já estava defasado em relação às novas necessidades nas relações interpessoais. nem total nem parcial (JUSTEN FILHO. O próprio Prof. Rubens Requião. porém nem todas se ajustavam ao conceito clássico da teoria da desconsideração da personalidade jurídica (KOCH. 1987).] a inexatidão quanto à aplicação da Teoria da Desconsideração continua.. p.50 evidentemente. enfim. Assim. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. contudo. Por tudo isso. de novos conceitos que sequer se cogita existirem lá pelos anos 70. é preciso enfatizar que o novo Código Civil. . O mesmo entendimento sustenta Aguiar (2008).. 50. 167). foi preciso percorrer um longo caminho. 2005). pois a dissolução da sociedade provocada por conduta abusiva. e nem ao afastamento do sócio seria a solução mais adequada. cada vez mais complexas e variadas. pois a norma em questão visa somente ao abuso da personalidade jurídica. Tantas inovações dão a sensação de que nova reforma do Código deveria iniciar-se imediatamente. opôs-se frontalmente a tão incompreensível construção. nem representa a sua adoção. pode o juiz decidir. para chegar até a redação final. Em caso de abuso da personalidade jurídica. ou pela confusão patrimonial. acerca do artigo 50 do CC: assim. a proposta não tem qualquer filiação à teoria da desconsideração. do DNA. O projeto seria incompatível com o problema ora focado. da união entre homossexuais.

excepcionalmente. contempla. que será analisado outras formas de aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. uma norma destinada a atender às mesmas preocupações que nortearam a elaboração da disregard doctrine. a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. a pessoa jurídica. confusão patrimonial e abuso de direito. com o fim específico de obter recursos para saldar a dívida. todos os pressupostos legítimos da teoria da desconsideração. poderia ser mais específico. foi uma tentativa de aplicar a teoria da desconsideração no Código Civil de 2002. p. como já mencionado. e de fato. o Código Civil de 2002 ainda não contempla especificamente a teoria da desconsideração. É nesse sentido. atingindo os bens pessoais dos sócios (KOCH. 2004).. . porém muitas em desacordo com a teoria. ainda deixou a desejar a redação atual do artigo 50 do CC. Enquanto tramitou pela Câmara. somente com a ajuda de Fábio Konder Comparato houve uma interpretação coerente. pois em qualquer hipótese. cabendo. É o caso do art. para preservar os direitos dos credores e garantir a credibilidade da pessoa jurídica. será aplicada (COELHO. no entanto. tendo todas elas recebido críticas variadas.] a pesquisa da origem desse dispositivo revela que a intenção dos elaboradores do Projeto de Novo Código Civil era a de incorporar. Para os doutrinadores. no direito brasileiro. desconsidera em certo momento. combater o desvio de finalidade.. 50. No entendimento de Fábio Ulhoa Coelho. ocorrendo a confusão patrimonial. o juiz. desviando bens da sociedade para esquivar-se de suas obrigações sociais contra terceiros. 4 DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA A teoria da desconsideração da personalidade jurídica. observa-se: o Código Civil de 2002 não contempla nenhum dispositivo com específica referência à desconsideração da personalidade jurídica. aos juristas a aplicação da teoria com maior eficácia para desconsiderar os atos fraudulentos ou abusivos daqueles que a controlam. visa coibir atos fraudulentos daqueles que a utilizam. 2005). porém. 53).51 Já para Coelho (2004. De tal modo. Portanto a aplicação da teoria independe de previsão legal. [. havendo os pressupostos da teoria. e a cada dia que passa novas interpretações surgem com o objetivo de preservar a pessoa jurídica. o dispositivo recebeu mais de uma redação.

Porém em algumas situações ocorre a desconsideração na forma inversa ou seja. obrigam o patrimônio social. uma nova aplicação da teoria. outro como pessoa física. no que tange a garantia de dívidas. a transmissão fraudulenta de bens do devedor para o capital de uma pessoa jurídica. Acerca do tema ainda leciona Pinto (2003. ou seja. nova interpretação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. na sua forma invertida. já firmou o princípio de que os contratos celebrados pelo sócio único.Salomão Filho (2008. a sociedade adquire inteira autonomia patrimonial. para coibir outros atos que envolvem a pessoa jurídica. ou seja. somente seu patrimônio social passa a ser garantia de seus credores. p.73): . 2005). para ocultar seu patrimônio particular. mas também em sentido inverso. mesmo quando não foi a sociedade formalmente parte no negócio. A desconsideração da personalidade jurídica na sua forma inversa foi tratada primeiramente por Fábio Konder Comparato. uma vez demonstrada a confusão patrimonial de facto Nota-se que o doutrinador já abordava a possibilidade da aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. busca a doutrina e a jurisprudência. assim não podendo os credores particulares do sócio executar bens da sociedade. contra terceiros. na clássica obra O Poder de Controle da Sociedade Anônima. um princípio da personalidade jurídica. Vale gizar que. ou pelo acionista largamente majoritário. credores do sócio na qualidade de pessoa física (KOCH. por exemplo. Percebe-se a distinção da responsabilidade da sociedade e da figura do sócio. o sócio utiliza a sociedade. para ocasionar prejuízos a terceiros. essa desconsideração da personalidade jurídica não atua apenas no sentido da responsabilidade do controlador por dívidas da sociedade controlada. p. um observando a autonomia patrimonial. Importantes foram as palavras de Comparato. como o patrimônio do sócio responde perante os seus redores particulares.137) leciona: aliás. Requião (2008). ou seja. no que refere ao tema. em benefício da companhia. já mencionou a ocorrência de consumação de fraude por parte dos sócios. porém não aplicada nos tribunais e nem positivada. no da responsabilidade desta última por atos do seu controlador. em via de regra. A jurisprudência americana. a aquisição da personalidade jurídica. assim Comparato. ou seja.52 Com intuito de preservar a pessoa jurídica. pessoa jurídica. atualizada por Calixto Salomão Filho.

Como detém absoluto controle nessa sociedade. quotas ou ações representativas de parcelas do capital . na qual é sócio majoritário ou acionista. contudo. busca atingir o ente coletivo. a desconsideração inversa é o afastamento do princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica para responsabilizar a sociedade por dívidas atraídas pelo sócio em face de terceiros. para resgatar os bens pessoais do sócio que. a denominada desconsideração inversa. continua a desfrutar desses bens assim transferidos. p. integram o ativo imobilizado da pessoa jurídica que está sob seu controle e administração. Enquanto a teoria da desconsideração da pessoa jurídica propriamente dita aplica-se às hipóteses em que se pretende responsabilizar pessoalmente os sócios por atos praticados em nome da sociedade. Destarte. 2005). Desse modo. para Coelho (2004. Contudo. 45): em síntese a desconsideração é utilizada como instrumento para responsabilizar sócio por dívida formalmente imputada à sociedade.53 é o caso do devedor que se vale da pessoa jurídica. verifica-se que na ocasião deverá estar presente os pressupostos da teoria da desconsideração da personalidade jurídica (KOCH. transfere para a sociedade em prejuízo de terceiros (CEOLIN. p. verifica-se que basicamente a desconsideração inversa tem como objetivo evitar o desvio de bens: a fraude que a desconsideração invertida coíbe é. O devedor transfere seus bens para a pessoa jurídica sobre a qual detém absoluto controle. mas da pessoa jurídica de uma sociedade. Também é possível. Nota-se que a pessoa jurídica passa a ser um instrumento para que o sócio venha a praticar fraude contra seus credores. 45). define: denomina-se desconsideração inversa o instrumento jurídico que permite prescindir da responsabilidade e da autonomia patrimonial da pessoa jurídica. ensina Coelho (2004. visa à teoria da desconsideração inversa da personalidade jurídica. incorporando ao seu acervo patrimonial bens pessoais de sua titularidade. Na mesma linha de entendimento. por ato fraudulento. continua a usufruí-los. p. o inverso: desconsiderar a autonomia patrimonial da pessoa jurídica para responsabilizá-la por obrigação de sócio. isto é. o desvio de bens. apesar de não serem de sua propriedade. Ainda sobre a teoria inversa Ceolin (2002. que. 2002). para responsabilizá-la por obrigação pessoal do sócio. ao sócio é atribuída a participação societária. basicamente. Assim. alcançar o patrimônio social. onerando o seu patrimônio por dívidas pessoais de seus membros. embora não sejam mais de sua propriedade.127). Portanto.

será possível desconsiderar a autonomia patrimonial para desfazer o ato fraudulento.. A teoria vem ganhando espaço doutrinário e jurisprudencial. Nesse contexto. em conseqüência. p. a fim de desfazer o prejuízo do cônjuge enganado.) quando o marido transfere para a sua empresa o rol significativo de seus bens matrimoniais. em regra. essa prática tem-se verificado em alguns dos processos mais ruidosos de separação judicial de casais. p. O outro cônjuge é enganado com a dilapidação dos bens do casal. sentença final de cunho declaratório haverá de desconsiderar esse negócio específico. vem se aplicando a teoria inversa. antes da separação. 45). desconsidera-se a autonomia da pessoa jurídica para buscar. na fase destinada a sua divisão. para ordenar a sua partilha no ventre da separação judicial. flagrada a fraude ou o abuso. havendo. principalmente frente à constatação nas disputas matrimoniais.. No direito de família. afirma: é larga e procedente a sua aplicação no processo familiar. que tais atos podem ser praticados por aqueles que mantêm controle total da sociedade. se não todo. já considerados comuns e comunicáveis. o rol mais significativo de seus bens (.54 social. um dos cônjuges transfere os bens do casal para a pessoa jurídica da qual é sócio. Para Coelho (2004. os bens fraudulentamente transferidos. “a desconsideração invertida ampara. em retorno. e responsabilizar a pessoa jurídica pelo devido ao ex-cônjuge ou ex-companheiro COELHO (2004). Nesse caso. os direitos de família. Vale salientar. como já mencionou Fábio Ulhoa Coelho. do cônjuge empresário esconder-se sob as vestes da sociedade. Madaleno (1998. 27). p. seria mais fácil de solidificar a fraude e o desvio de bens. sendo aplicada a teoria em diversos ramos do direito. acerca da desconsideração inversa no Direito de Família. e para esquivar-se da meação. de forma especial. em que. . No entanto. penhoráveis para garantia do cumprimento das obrigações do seu titular. Essas são. visando esvaziar o patrimônio a ser dividido na hora da partilha dos bens. 73): no Brasil. registra-os em nome da pessoa jurídica em qual é sócio e controlador. se um dos cônjuges ou companheiro. No mesmo sentido evidencia Koch (2005. como matrimoniais esses bens. adquirente de bens de maior valor. para a qual faz despejar. a partilha de bens comuns pode resultar fraudada”. Na desconstituição do vínculo de casamento ou de união estável.

entretanto [o projeto do novo Código Civil].55 Por motivo do uso ilícito da pessoa jurídica. lamentavelmente. assim desconsidera-se a personalidade jurídica da pessoa natural. É a chamada desconsideração inversa”. Tal palestra foi ministrada em 2002. para a aplicação da teoria inversa da desconsideração da personalidade jurídica." Também é entendimento de Melo (2004)2 que “é possível desconsiderar a personalidade desta para responsabilizá-la por obrigação do sócio. Para a Ministra. o alcance dos bens patrimoniais da sociedade e a partilha dos bens do casal. Em tal caso. 2 bacharela em Direito. o sujeito casado coloca seu patrimônio em nome da empresa da família. Nancy Andrigh (2002) descreve que “nessa modalidade. Ou seja. enquanto pessoa natural. que se dá quando o indivíduo coloca em nome da empresa seus próprio bens. Exemplo: em receio de eventual partilha detrimentosa de bens. de fazer referência à denominada 'desconsideração inversa'. a quebra do princípio da autonomia patrimonial. conforme apontamento da doutrina. existe outra hipótese de desconsideração. Sobre o tema. a desconsideração inversa.76): Deixou. Contudo. visando prejudicar terceiros. no qual será analisado mais adiante. que pertence. deverá o juiz desconsiderar inversamente a personalidade da sociedade empresária para atingir o próprio patrimônio social. subdiretora de Cursos Internos da Escola Superior da Magistratura de Sergipe . ele esvazia o seu patrimônio pessoal. Assim foi destacado pela Ministra do Superior Tribunal de Justiça Nancy Andrigh. é importante fazer uma análise dos fundamentos legais para a sua incidência. sendo de grande importância seu apontamento na doutrina jurisprudência e até em palestras. que terá como efeito. Percebe-se que o tema vem ganhando espaço no ordenamento jurídico. à pessoa física fraudadora. e o integraliza totalmente na pessoa jurídica”. em verdade. atualmente. ao invés de o sócio esvaziar o patrimônio da pessoa jurídica para fraudar terceiros. a própria Ministra foi relatora de decisão importante. para alcançar o patrimônio da pessoa jurídica em detrimento de dívidas pessoais de quem é sócio. buscam-se os bens que compõem o patrimônio da sociedade para cumprimento de obrigações do sócio. melhor explicam Gagliano e Pamplona Filho (2008 p. será aplicada a desconsideração inversa da personalidade jurídica.

nos termos do art. passa a esconder ali os seus bens. na verdade. mesmo não existindo dispositivo legal previsto no Código Civil. O autor do enunciado foi Eugênio Rosa de Araújo. juiz federal. merece registro o fato de que a Desconsideração Inversa encontra-se. quando devidamente comprovada a sua ocorrência. frustrando os legítimos interesses dos credores. em nosso ordenamento jurídico. É de grande alvitre salientar que. em que pessoa natural divide seu patrimônio de forma que seus ativos situem-se na sociedade e os passivos na pessoa do sócio. serão observados seus pressupostos específicos. 50 do Código Civil para a sua incidência.1 FUNDAMENTOS LEGAIS DA DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA É importante destacar que não há. vale ressaltar a IV Jornada de Direito Civil. ou seja. ocorrerá a quebra do princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica. e que seja possível o alcance dos bens desviados. no ano de 2007 por grandes juristas do Brasil. abuso de direito. inexistente. . legislação específica que aborde a Desconsideração Inversa da Personalidade Jurídica. como aqueles estabelecidos no art. em lugar de o sócio valer-se licitamente da pessoa jurídica como barreira protetiva de seu patrimônio pessoal. apenas decisões jurisprudenciais que entendem a sua aplicação. em grande estágio de amadurecimento. 50 do CC: a classificação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica como inversa se justifica porque. que são eles. Portanto. com prejuízo a terceiros. ainda. 50. 50: É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada “inversa” para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais. tanto a confusão patrimonial quanto o desvio de finalidade e o abuso de direito. Muito comum é a situação em que o cônjuge promove o esvaziamento do patrimônio do casal. dando a entender perante terceiros que possui situação pessoal patrimonial. atualmente. realizada pelo Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal. É nesse sentido que. onde fica evidenciada a desconsideração inversa no enunciado 283: 283 — Art. que fez sua justificativa acerca da aplicação da desconsideração inversa com base no art. desvio de finalidade e confusão patrimonial.56 4. transferindo bens para uma sociedade. No entanto. fundamentos necessários para a caracterização da teoria em comento. ou. para que o juiz possa levantar o véu da personalidade jurídica.

pois ofende os princípios jurídicos. esse jogo epistemológico pode. cumpre-se fixar o direito a que se refere a teoria da desconsideração. p. não assumido pelo direito e pela comunidade jurídica. assim dando maior oportunidade de abuso. portanto. Primeiramente. É oportuno anotar. 1987). com objetivo específico de um fim social positivo. é relevante observar o conceito de abuso de direito através da pessoa jurídica. 22) “com apoio a noção de abuso de direito. Ainda para Justen Filho (1987) na interpretação de abuso que conduz a desconsideração da personalidade jurídica. senão devidamente fixado. Ainda . por si só. deve-se analisar se a relação entre abuso de direito e abuso da pessoa jurídica é das mais adequadas. ou seja. Partindo-se dessa premissa. Porém. 2002). carece de uma análise da expressão empregada (CEOLIN. vez que a responsabilidade pessoal do sócio é limitada (JUSTEN FILHO. p. mas sim um sujeito de direitos e obrigações. utilizando a pessoa jurídica como escudo de suas artimanhas. na mesma forma. 1987). pode dizer que a desconsideração da personalidade jurídica será aplicada sempre que de fato. daria oportunidade inevitável ao abuso por parte daquele que a compõe. 19). ocorrer ato imoral e antiético nos resultados que perfazem (JUSTEN FILHO. mas do direito à personificação. ensejar dúvidas e incertezas.1.57 4. esse tido como exercício de direito de modo contrário à sua função ético-jurídica e social. Pois através da personificação societária. o abuso não e propriamente da pessoa jurídica. sob um certo ângulo. a distinção dos patrimônios de cada um. para que não ocorram equívocos na aplicação da teoria. propiciase a distinção entre a pessoa jurídica e pessoa física. Em raciocínio lógico. pois alguns doutrinadores utilizam a expressão a partir da noção de abuso de direito: todavia. Justen Filho (1987). seria o abuso não permitido. que o limite de todo direito encontra-se no âmbito de sua finalidade”. deve-se observar com clareza a expressão abuso de direito através da pessoa jurídica. que para Ceolin (2002. percebe-se que a personificação societária. haja vista que a pessoa jurídica não é objeto. entende que a sociedade daria ensejo ao sócio mal intencionado a praticar atos abusivos.1 Abuso do Direito Primeiramente. Para Ceolin (2002. Todavia.

o abuso do direto pode ter uma aparência de legalidade. abuso de direito pode ser considerado como o exercício irregular de um direito pelo seu titular. até mesmo. ou seja. p. pode-se dizer que seria o exercício irregular do direito. (AGUIAR. viola os princípios da finalidade econômica e social desta. p. ocorrente na utilização pelo particular desse instrumento”. 121) que “o abuso da pessoa jurídica indica a atividade atípica. constata-se que. está relacionado à ideia de excesso. imprevisível. agir com vigor a finalidade social do Direito que possui. Assim. se desvia da destinação social e econômica desta. através da qual o titular protege seus atos ilícitos sob o manto da norma positivada (KOCH. fundamento essencial para a aplicação da teoria da desconsideração. deve o indivíduo. Acerca do tema. 2008). pois estará praticando abuso de direito. logo. embora praticado de acordo com os limites objetivos traçados pela norma jurídica. e causa um dano a outrem. 41) leciona: o abuso. em qualquer plano. de uso inadequado de uma confiança. 2005). Para Aguiar (2008) o abuso de direito não consiste somente no ato lesivo. está praticando ato fora dos princípios da sociedade. possuidor deste direito. Dessa forma.2 Desvio de finalidade Outro pressuposto importante a ser analisado é o desvio de finalidade. ou seja. e neste caso deverá haver a aplicação da teoria da desconsideração. visando prejudicar terceiros em proveito próprio. ou seja.1. de comportamento não autorizado. Partindo da idéia de conceito de abuso do direito. é aquele ato perpetrado em desacordo com o exercício normal do direito subjetivo ou que cause dano ou mal-estar a alguém.58 complementa Justen Filho (1987. mesmo obedecendo aos ditames da lei. exercício com excessos. . descontrolada e insuportável. 4. o seu titular extrapola os limites da licitude. utilizando-se de um direito que supõe ter. Koch (2005. aquele que age abusivamente. Isso porque o Direito foi criado para que o indivíduo tenha uma convivência harmoniosa com os demais membros da sociedade. não prevista e. mas também fere o princípio da finalidade econômica e social: já a teoria do abuso de direito é aquela que preceitua a respeito do ato que.

Observa-se então. Pois sua finalidade principal é distinguir dos membros que a compõem. ou inversamente. Aqui. 51) é aquele em que “o ente instituído para unir esforços e patrimônios. todo direito tem uma finalidade. Contudo. caso for comprovado o mau uso da pessoa jurídica por parte do sócio. distinta dos seus membros que compõem a pessoa jurídica. que suporta um centro autônomo de direitos e deveres. Em análise. caracterizando o abuso na estrutura formal”. com o intuito de acobertar sua identidade pessoal. 171) que. que acabem por gerar obrigações incompatíveis com a finalidade para a qual foi instituída. p. uma função ou até um fim. com mais clareza o que leciona Silva (2007. 14) faz a seguinte exposição: conseqüentemente. 132). estabilidade e segurança nas suas relações (SILVA. em regra. sem a devida autorização ou sem o consentimento de seu senhor e possuidor. “o desvio de finalidade fica caracterizado sempre que são praticados atos incompatíveis com os objetos sociais estabelecidos no ato constitutivo da sociedade. configurando de fato o desvio de finalidade. há desvio de finalidade quando são praticados atos incompatíveis com aqueles estabelecidos no contrato ou estatuto. ou o destino diferente dado à coisa pertencente a outrem pela pessoa que a detinha a título precário. Gonçalves (2004. Observa-se que o único propósito do sócio controlador é confundir bens sociais com os bens pessoais. acerca do desvio de finalidade: a palavra desvio é freqüentemente empregada pela terminologia jurídica para indicar o uso indevido. p. Complementa Koch (2004. então. p. emprega seus esforços para dar outro destino à referida personalidade. o ato abusivo do detentor. para que ocorra o desvio de finalidade no exercício abusivo da personalidade jurídica. p. para aferir agilidade. a palavra desvio é utilizada apenas na acepção de uso indevido ou anormal. Entretanto. esta deve ser direcionada a outro fim. 2007). gerentes ou administradores na condução da pessoa jurídica. No mesmo sentido é o que ocorre com o caso da pessoa jurídica. pois o sócio que detém a liberdade de iniciativa de se servir de uma personalidade jurídica. Assim. . É. deverá este suportar os prejuízos causados a terceiros. haverá desvio de finalidade. seja ele contrato ou estatuto”.59 O desvio de finalidade para Ceolin (2002. pois a finalidade social foi descumprida. O desvio de finalidade está ligado às ideias de desvio e abuso de poder dos sócios. estranho à sua função. permitindo a ele a prática de ato que lhe fora vedado por lei ou em contato. mas para esconder a identidade dos sócios ou do seu sócio majoritário com o propósito de confundir terceiros.

60 É oportuno diferenciar entre a teoria denominada ultra vires e a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. e sim deverá desempenhar suas atividades como agente de desenvolvimento social. utilizando-se da pessoa jurídica como meio. enquanto que a ultra vires apenas visa anular o ato praticado em desajuste com a finalidade social da empresa. Contudo. p. torna-se imprescindível relatar acerca da confusão patrimonial. em conformidade com a lei. não poderá estar a serviço da fraude e de ilicitude. na verdade. tem apenas como objetivo. Diante desse capital.1. autonomia. pelo qual o sócio deverá realizar sua participação desse fundo comum. Não pode a sociedade servir de instrumento com intuito de fraudar terceiros. transparece legalmente. Pode-se exemplificar o desvio de finalidade. a lavagem de dinheiro. Esta ignora a autonomia da pessoa jurídica para atingir o patrimônio particular daquele que a praticou fraude contra terceiros. a sociedade empresária consiste em relações próprias. ou seja. quando. por ser um ente personalizado. 2005). 4. mas seus objetivos reais são outros (KOCH. devidamente . 171): sempre que uma organização desviar suas operações dos limites fixados pelo ato constitutivo. de concepção anglo-saxônica. 2004). que não se confundem com as relações dos sócios. É sabido que. ou seja. define seu capital social expressamente. do administrador ou mesmo de outras entidades que tenham relações de fato e de direito (MAMEDE. tem-se o desvio de finalidade. entende-se que a sociedade deve desempenhar uma atividade produtiva.3 Confusão patrimonial Diante do contexto dos fundamentos legais para a desconsideração da personalidade jurídica. quando sociedades são constituídas sob uma fachada idônea. assim leciona Koch (2005. que permite considerar nulo todo ato praticado que se descia da finalidade social prevista no contrato ou estatuto social. Necessário destacar a diferença conceitual entre a teoria denominada ultra vires e a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. Será então aplicável a teoria ultra vires. Uma sociedade que por força da lei.

a pessoa jurídica. Quando esta surge. gozo e disposição dos bens de outra pessoa jurídica. enquanto critério de aplicabilidade da desconsideração. ou seja. da confusão entre o patrimônio de uma pessoa jurídica com o patrimônio de outra. Nessas hipóteses. perde essa qualidade. sempre que determinada pessoa natural ou jurídica. p. 2004). escondendo-se atrás do manto formal desta. devendo ser desconsiderada sua personalidade como forma de repressão ao abuso perpetrado. detiver idênticos direitos de uso. p. É preciso. Assim leciona Ceolin (2002. constitui-se um patrimônio societário. ocorrerá o abuso de personalidade jurídica pela confusão patrimonial. desviando da sua finalidade atribuída. será distinto do patrimônio dos sócios (MAMEDE. com o escopo de obter vantagens indevidas. É nessa seara.61 registrado. pois. que por ser um ente jurídico personificado. Não se pode entender por confusão patrimonial. analisar se a personalidade jurídica foi utilizada para práticas de atos abusivos por parte dos seus sócios. Assim. observar de que forma houve a confusão patrimonial. ou mesmo o pagamento de despesas de uma pessoa jurídica por outra. seja contra o processo executório. tornando-se sócios. 136): em síntese. Explica. a confusão se resume em duas formas distintas. jamais abuso da estrutura formal da pessoa jurídica. por exemplo. Silva (2007). A primeira quando terceiros encontram dificuldades em responsabilizar uma empresa de um grupo . 54): a confusão patrimonial só revela o abuso da estrutura formal da pessoa jurídica. A escrituração contábil conjunta. concebida até então como um centro autônomo de interesses. que o patrimônio da pessoa jurídica por lógica da sua própria criação. é esta possuir patrimônio distinto dos indivíduos que a integram. que se deve observar o que pretende a teoria da desconsideração com a confusão patrimonial. ou mesmo. como a confusão patrimonial com o fim de prejudicar terceiros. de frustrar o adimplemento de obrigações particulares ou da própria pessoa jurídica encoberta. naturalmente pode ensejar a confusão patrimonial. a mera transferência de bens do sócio para a sociedade ou vice-versa. há forte presunção que concordam com a separação patrimonial. quando o sócio atua de forma a confundir também a sua personalidade com a do ente abstrato. devendo os sócios observar este princípio. ou. Segundo Muniz (2003). pois é a separação patrimonial que revela a formalização de um centro autônomo de interesses. justificando a aplicação da teoria da desconsideração. É necessário então. Observa-se claramente o que anota Silva (2007. caracterizada estará a ocorrência de simulação ou fraude. seja contra credores. a confusão patrimonial decorre da promiscuidade entre o patrimônio pessoal dos sócios e o patrimônio da sociedade. Pois quando indivíduos decidem pela formação de uma pessoa jurídica.

2 ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL Para finalizar. Juiz deferiu o bloqueio e a penhora eletrônica da quantia de R$ 557. alguns julgados acerca do tema da desconsideração inversa da personalidade jurídica. os haveres ou até os créditos societários.23 das contas ou aplicações bancárias do devedor. as pessoas jurídicas são gerenciadas como se fossem a mesma empresa. Agravo de Instrumento n° 1. sendo que há duas personalidades jurídicas distintas. não deve os bens. a confusão patrimonial. pressupondo que desta conduta venha a prejudicar terceiros. o entendimento jurisprudencial. Manoel de Queiroz Pereira Calças do Tribunal de Justiça de São Paulo. pois há hipóteses de sociedades distintas. a decisão do caso CAOA . nessa hipótese. caso contrário será invocado a teoria da desconsideração. observa-se que existem muitas decisões que elegeram a desconsideração inversa. para ocorrer à indicação do art. sob o mesmo controle. deve-se detectar a prática do abuso da personalidade jurídica. Assim foi o voto do Des.198. e em fase de cumprimento de sentença. deve nelas permanecerem. Destarte. para a decretação da superação da personalidade jurídica.103-0/0 interposto por Manuel Affonso Ferreira Advogados. 50 do Código Civil.645. e seus fundamentos para a efetiva aplicação da teoria. desvio de finalidade e confusão patrimonial. com fim específico cobrança de honorários (SÃO PAULO. Vale aqui expor. nos autos da ação de cobrança de honorários advocatícios que promove contra CARLOS ALBERTO DE OLIVEIRA ANDRADE julgada procedente. 2010b): Trata-se de agravo de instrumento manejado por MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA ADVOGADOS. insta evidenciar. A segunda forma é a mistura de patrimônios. 4. mesmo na desconsideração inversa.62 econômico. pesquisando o acervo dos tribunais pátrios. tendo o Banco Central informado . com o mesmo endereço e mesmos administradores. Evidentemente. formar o acervo do patrimônio dos sócios. Caoa Montadora de Veículos S/A. com denominação parecida. ou seja. por uma obrigação. utilizar o instituto da pessoa jurídica com intuito de fraudar. caracterizado pelo abuso de direito. caso que repercutiu o tema. Sendo que é comum a ocorrência. Não poderá o sócio. Alega que o MM.Hyundai Caoa do Brasil Ltda.. Para Koch (2005). objeto social semelhante. pois dela é peculiar.

freqüentar restaurantes e hotéis. como Diretor-Presidente das referidas sociedades. em execução da dívida judicial no valor de R$ 669. não precisando.] Pretende o exeqüente a desconsideração da personalidade jurídica inversa. pedindo ainda a imposição de encargos sucumbenciais à agravante.. pode viajar com passagens adquiridas em nome das empresas.] desconsiderar. impetuoso foi o magistrado ao aplicar a teoria da desconsideração inversa. para o fim de determinar a penhora virtual (on line) de numerário existente em contas bancárias ou aplicações financeiras de qualquer modalidade em nome das duas sociedades. o detalhamento e a transferência para conta judicial do Banco Nossa Caixa. e Caoa Montadora de Veículos S/A. Carlos Alberto de Oliveira Andrade. helicópteros) registrados em nome das empresas. A partir dessa decisão. dirige como senhor de baraço e cutelo. com o fim específico de reverter o ato fraudulento do sócio mal intencionado. que apresenta suas contas zeradas. Anápolis. em sentido inverso. formais ou informais. Prevaleceram na decisão em comento os pressupostos essenciais para de fato configurar a desconsideração inversa. 1º andar. frustradas as diligências realizadas com o escopo de bloquear ativos financeiros do sócio devedor. nº 2. usando o cartão corporativo da companhia ou da sociedade limitada. mostrou-se claramente que o agravado foi buliçoso em seus atos. pleiteou a intimação das sociedades empresárias para se manifestarem sobre o bloqueio e penhora virtuais da quantia executada. outras do mesmo sentido vem ganhando aceitação pelo magistrado. a personalidade jurídica de HYUNDAI CAOA DO BRASIL LTDA. utilizar veículos (automóveis. CNPJ-MF nº 03. sócio-controlador e “dono absoluto” das sociedades Hyundai Caoa do Brasil Ltda. nas obrigações de seu sócio. “pode tudo”. ora executado. afastar a assertiva das sociedades no sentido de que a desconsideração inversa só pode ser aplicada se for demonstrada a transferência de bens do patrimônio particular do sócio controlador-devedor para a pessoa jurídica.732/0001-66. ainda. como é público e notório.344/0001-77. com sede na Avenida Ibirapuera. providenciando-se. exsurge evidente que. multimilionário. Goiás. O magistrado julgou procedente o agravo determinando a penhora de contas existentes em nome das sociedades de controle do agravado. ter dinheiro de contado no bolso. mediante expedientes lícitos ou ilícitos. que. obviamente.822. . para esquivar-se de suas obrigações pessoais.. o devedor é empresário de sucesso. [. as quais ingressaram nos autos e formularam resistência à constrição de numerário de suas contas bancárias.] Por fim. s/n. atualmente sediada na rua 11. impõe-se. efetivamente. [.198. nem um centavo em suas contas bancárias pessoais....27.. e satisfazer as dívidas pessoais em favor de terceiros.471. para responsabilizar a pessoa jurídica denominada Hyundai Caoa Brasil Ltda. (Agravo de instrumento n 1. Isto porque. a confusão patrimonial em evidência. Considerando-se que. posteriormente. retira da caixa das empresas. CNPJ-MF nº 03. o necessário para a sua manutenção e de sua família (CAOA FAMILY). Nada impede que. São Paulo e de CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS S/A.63 que todas as contas bancárias do executado estavam zeradas. [. aviões.103-0/0) Nota-se que. Fazenda Barreiro Meio. enfim. e Caoa Montadora de Veículos S/A. na condição de “dono” ou “sócio de fato” ou “controlador” das sociedades.174.518..

DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA INVERSA .DESVIO DE FINALIDADE OU CONFUSÃO PATRIMONIAL COMPROVADOS. Recurso conhecido e improvido. de modo que os bens da sociedade respondam pelas obrigações do sócio.. [. EXECUÇÃO. do desvio de finalidade ou confusão patrimonial e ainda da prática de atos irregulares. ou seja. (Apelação Cível nº 117379-9/188) Deste modo. quando comprovado um dos seus pressupostos para a desconsideração da personalidade jurídica: AGRAVO DE INSTRUMENTO. Presente a efetiva comprovação da fraude à execução. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. prevista no art. [. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NA FORMA INVERSA. (Apelação Cível 20070110699577) Nesse sentido. decide o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. DECISÃO MANTIDA. aplicando a teoria inversa. CONFUSÃO PATRIMONIAL. quando demonstrada a ocorrência da confusão patrimonial com vistas a frustrar o processo executivo. 50 do Código Civil. A teoria da DESCONSIDERAÇÃO da PERSONALIDADE JURÍDICA. o desvio de finalidade ou a confusão patrimonial. Admite-se a aplicação da medida excepcional da desconsideração da personalidade jurídica na forma inversa. uma vez que constitui exceção ao princípio de que a sociedade não se confunde com a pessoa de seus sócios. direta ou inversa. 50 do CC.AÇÃO DE EXECUÇÃO FRAUDE À EXECUÇÃO . DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA NA FORMA INVERSA. Conquando na aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica parte-se do pressuposto que o sócio responde com seu patrimônio particular pela obrigação da empresa.IMPROVIMENTO .. perpetrados por meio do abuso da estrutura da personificação.. há de ser deferido o pedido de DESCONSIDERAÇÃO da PERSONALIDADE JURÍDICA INVERSA.] A desconsideração da personalidade jurídica. sempre na observância de seus pressupostos: APELAÇÃO CÍVEL.64 É nesse norte que se busca o entendimento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. encontram-se também julgados no Tribunal de Justiça de Goiás. EMBARGOS DE TERCEIRO. [. sustentando em sua decisão que deverá estar presente os pressupostos para a caracterização da desconsideração inversa: AGRAVO DE INSTRUMENTO . o direito não pode se furtar a aplicar essa teoria de forma inversa quando o devedor cria uma ficção jurídica para defender seu patrimônio ameaçado de alienação judicial por força de dívidas contraídas junto a terceiros.] 1. deve ser aplicada com cautela.. POSSIBILIDADE. é medida excepcional.. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.. e quando presentes os requisitos enumerados no art. devendo ser utilizada quando não houver outra maneira de resolver o caso.] .

50 do atual Código Civil. 50 do Código Civil em vigor.RECURSO PREJUDICADO. que o julgador a quo vislumbre e. sua aplicação não importa em desconstituição da personalidade jurídica. ainda que concisa. sob pena de vulneração aos arts. no entanto.031945-4) No mesmo sentido já se decidiu. . E 165 DO CPC . como aclama o enunciado n° 283 da IV Jornada de Direito Civil citado na decisão deste Tribunal: AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO MONITÓRIA CONVERTIDA EM EXECUÇÃO – DECISÃO DETERMINANDO A PENHORA DE DIREITO AFETO À SOCIEDADE LIMITADA. cabendo ao juiz. 283 da IV Jornada de Direito Civil do CJF. O interlocutório que desconsidera inversamente a personalidade jurídica de sociedade comercial. 50 DO CC/2002) – AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO . CUJO QUADRO SOCIAL É INTEGRADO PELO DEVEDOR PESSOA FÍSICA.] Portanto. com prejuízo a terceiros. IX. dispositivos que transmitem a necessidade de motivação nas decisões judiciais. seja pelo acolhimento ou rejeição do pedido. é que. [. 2005. OCASIONANDO A DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA (ART.. mas tão-somente na declaração de sua ineficácia. ampara o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina. uma vez presente a comprovação de elementos capazes de ensejar a aplicação do art. IX.0702. 93. contribuindo para sua aplicação na forma invertida. desvio de finalidade ou confusão patrimonial). que autoriza a desconsideração da personalidade jurídica "inversa": É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada “inversa” para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais.NULIDADE DECRETADA EX OFFICIO . (Agravo de instrumento n. do CPC. da CRFB. discorre sobre a doutrina do Disregard of Legal Entity inspiradora da regra insculpida no art.OFENSA AOS ARTS. Conheça. abuso de PERSONALIDADE. A teoria da Desconsideração da personalidade Jurídica deve ser aplicada com cautela.. pela possibilidade de aplicação da teoria inversa. fundamentadamente. Além disso. também. Aspecto relevante na decisão. 283 da IV Jornada de Direito Civil do CJF. apontar as razões do seu convencimento. [. no Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. necessário se faz. expresse em sua decisão os pressupostos autorizadores dessa medida excepcional.. 50 do Código Civil (prática de ato irregular. Desconsideração da personalidade jurídica denominada "inversa".] Nesse contexto. DA CRFB.99. (Agravo de Instrumento n° 1. sob pena de nulidade.65 Pois bem.. que elege a teoria em comento. 93. impõe-se a mantença da decisão que declarou a ocorrência de fraude à execução. uma vez que constitui exceção ao princípio da separação entre a pessoa da sociedade e a pessoa dos sócios. e 165. Portanto deverão estar presentes seus pressupostos. Art. sobretudo. está circunscrito aos pressupostos do art. 50 do CC/2002 e Enunciado n. em que pese poder se cogitar a invasão patrimonial da sociedade cujo o devedor é quotista.023535-1/001) No afã de corroborar as teses suscitadas nos tribunais pátrios. fazendo com que a empresa responda com seu patrimônio pela dívida pessoal do sócio. o Enunciado n.

o executado Ênio José Bernardes de Oliveira é quem exerce tal função de fato. ou seja. foi usado o nome da pessoa jurídica para esconder e acobertar a existência de bens pessoais de seus sócios aparentes ou nãoaparentes. desviando de sua finalidade com o abuso de direito. poderá o magistrado desconsiderar a personalidade jurídica.] O intuito fraudatório fica ainda mais evidente quando se tem em conta o fato de que um notável administrador. Observa-se que neste caso o sócio usou do ente jurídico para esquivar-se se suas obrigações pessoais. mas sim o efetivo proprietário da empresa e dos respectivos bens. inclusive portando no bolso o certificado de propriedade do veículo penhorado. PENHORA. entendeu o magistrado a penhora parcial do patrimônio da sociedade empresária para garantir o crédito do credor lesado. registra ainda este tribunal. embora não figure juridicamente como sócio da empresa na Junta Comercial. utilizando-se da sociedade empresária. pois o sócio que age com intuito de fraudar terceiros. No mesmo sentido. (Apelação Cível n 70026209627) Percebe-se que o magistrado prestigia a aplicação da teoria inversa da desconsideração da personalidade jurídica... revelando que não é mero “expectador”.. UNÂNIME. colocando em risco a autonomia patrimonial desta.. TRANSFERÊNCIA DO PATRIMÔNIO DA PESSOA FÍSICA PARA A SOCIEDADE. NEGARAM PROVIMENTO. no caso dos autos. 2010a): APELAÇÃO CÍVEL.. LOCAÇÃO. EMBARGOS DE TERCEIRO. QUE FOI USADO O NOME DA PESSOA JURÍDICA PARA ESCONDER E ACOBERTAR A EXISTÊNCIA DE BENS PESSOAIS DE SEUS SÓCIOS APARENTES OU NÃO-APARENTES. DE ACORDO COM A CERTIDÃO DO OFICIAL DE JUSTIÇA. [. Destarte. PRELIMINARES. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. e que nada foi encontrado em seu nome para uma possível execução.66 mesmo não configurando juridicamente como sócio. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA INVERSA. 2010b): AGRAVO DE INSTRUMENTO. outra possibilidade de aplicar a teoria em comento. ocorreu a chamada “desconsideração da personalidade jurídica inversa”. é possível alcançar a personalidade jurídica. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. [. revertendo assim a o ato fraudulento daquele que a controla (RIO GRANDE DO SUL. [.] Merece registro que. CONFUSÃO PATRIMONIAL. não possui ativos financeiros em nenhuma das contas-correntes . DESCONSTITUIÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA. DEMONSTRADO NOS AUTOS.. com fundamento expressivo. (RIO GRANDE DO SUL. MANUTENÇÃO. assim considerado pelos mais confiáveis veículos de comunicação. tanto é que usa os bens registrados em nome da pessoa jurídica. pois todos seus bens passíveis de penhora foram fraudulentamente transferidos para a sociedade da qual é titular.] É de ressaltar que.

[. mas também no Superior Tribunal de Justiça. bem como da confusão havida entre o patrimônio de um dos sócios e da sociedade que o mesmo integra e da transferência de patrimônio pessoal daquele em favor desta última. possível afigurase a desconsideração inversa da personalidade jurídica determinada na origem. 2010a): EXECUÇÃO . Logo. acerca do tema.Pessoa que adquire todas as cotas de uma empresa constituída como sociedade de responsabilidade limitada. diante das inúmeras e infrutíferas tentativas de localizar bens em nome dos executados capazes de garantir o juízo executório. (Agravo de Instrumento n° 990. [..Agravo provido. com isso. não havendo sequer necessidade de alteração do polo passivo. 192/193. em prejuízo de credores .] Ficando evidenciada a confusão patrimonial. não há como deixar de reconhecer que a personalidade jurídica dessa empresa está sendo fraudulentamente utilizada para uma "blindagem" do patrimônio desse seu proprietário.321640-7) Verifica-se que o entendimento é unânime quanto à aplicação do instituto. transformando-a irregularmente e de fato em empresa individual Circunstância que permite a desconsideração inversa da personalidade jurídica. visto que a empresa individual e o respectivo empresário constituem uma só pessoa natural para efeitos civis. configurando a confusão patrimonial de fato (SÃO PAULO. pois. fls.. seu único titular. abuso de direito. desvio de finalidade e confusão patrimonial. em prejuízo de credores particulares dele. para que se proceda à penhora de tantos bens ou ativos financeiros em nome da empresa indicada. com o objetivo de "blindar" o patrimônio particular do devedor. quantos bastem para garantir o crédito. inviabilizando. Pois. Em recente decisão a Ministra Nancy Andrighi profere seu voto em Recurso Especial. (Agravo de Instrumento n° 70034165084) Contribuindo ainda mais.10. detida pelo sócio Nestor Perini e representada por 263. mantendo-se o devedor irregularmente como empresário individual de fato. para permitir a penhora de bens dessa empresa . decisão agravada... o tema vem ganhando espaço não somente nos tribunais regionais. Permitindo a desconsideração inversa nos casos de transferência irregular dos bens pessoais do sócio para a sociedade. presente os pressupostos principais. o intuito fraudatório fica ainda mais evidente.Devedor que não mantém bens em seu nome . Assim. o Tribunal do Estado de São Paulo assim já decidiu no mesmo sentido.67 mantidas em instituições financeiras. não conservando bens ou ativos financeiros em seu nome e deixando suas posses em nome de uma pessoa jurídica da qual é o único e exclusivo titular.] Reforma-se. o bloqueio via sistema BACEN-JUD.298 ações da Lupatech S/A.Confusão patrimonial evidente. a r. A propósito. cabível a penhora da parte do patrimônio da empresa Lupapar Negócios e Empreendimentos Ltda. sendo a primeira decisão deste tribunal a desconsiderar a pessoa jurídica na sua forma inversa: . reconhecendo o instituto da desconsideração inversa.

com a finalidade de organização da economia.. de modo a ocultá-los de terceiros. deve-se também congratular o princípio da função social da empresa. integralizando-o na pessoa jurídica. para que seja combalido o ato do sócio mal intencionado. A luz da discussão. contrariamente do que ocorre na desconsideração da personalidade jurídica propriamente dita.. possibilitar o adimplemento de dívidas assumidas pela sociedade. visa o instituto combater o a utilização indevida do ente societário por seus sócios. O Juiz somente está autorizado a “levantar o véu” da personalidade jurídica quando forem atendidos os pressupostos específicos relacionados com a fraude ou abuso de direito estabelecidos no art. a separação dos entes é imprescindível. originária do direito anglo-saxão. de modo a responsabilizar a pessoa jurídica por obrigações do sócio..] Ademais. cujos sócios permanecem abastados. é imperioso analisar os pressupostos específicos que traz o artigo 50 do Código Civil. relata que somente em casos excepcionais poderá aplicar o magistrado tal medida. A teoria da desconsideração da personalidade jurídica. [. Destarte..117) A discussão em tela promove a possibilidade ou não da aplicação do artigo 50 do Código Civil. atingir o ente coletivo e seu patrimônio social. [. 50 do CC/02 sob a ótica de uma interpretação teleológica. que vedam o abuso de direito e a fraude contra credores. .68 PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. Daí a importância do princípio da autonomia patrimonial. pois a empresa privada é um corolário da propriedade privada (CAVALLAZZI FILHO. em voto proferido pela Ministra Nancy Andrighi. 50 DO CC/02. impende ressaltar que a desconsideração inversa da personalidade jurídica caracteriza-se pelo afastamento da autonomia patrimonial da sociedade. surgiu como uma forma de flexibilização da distinção entre a responsabilidade do ente societário e seus integrantes (societas distat a singulus). entendo que a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica em sua modalidade inversa encontra justificativa nos princípios éticos e jurídicos intrínsecos a própria disregard doctrine . que tem como objetivo não somente o lucro.. (Recurso Especial n 948.] Dessa forma. ART. [. com intuito de praticar atos fraudulentos. RECURSO ESPECIAL. inclusive no caso deste esvaziar o seu patrimônio pessoal. desrespeitando a função social da empresa. a qual tem servido para acobertar comportamentos fraudulentos e abuso de direito..] De início. ainda que não se considere o teor do art. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA INVERSA..] A desconsideração da personalidade jurídica pode ser entendida como o afastamento episódico da autonomia patrimonial da pessoa jurídica com o intuito de. mediante a constrição do patrimônio de seus sócios ou administradores. a desconsideração da personalidade jurídica configura-se sempre como medida excepcional. 50 do CC/02. como nos casos em que credores de boa-fé vêem seus direitos e expectativas frustrados por uma sociedade em bancarrota. mas também como um ente funcional. Não deverá prevalecer aquele que detêm o controle. em ambas as modalidades. para. 2006). EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL.. [. POSSIBILIDADE.

traçar o instituto da desconsideração da personalidade jurídica e sua aplicação inversa. assim aplicando-a na sua forma tradicional ou inversa. mormente. sendo uma pessoa com personalidade própria. A desconsideração da personalidade jurídica. A teoria da desconsideração da personalidade jurídica visa. 5 CONCLUSÃO O presente estudo. . deve ser aplicada quando possível caracterizar seus pressupostos. pronto para sua aplicação. de direito privado e direito público. evitando assim que sua autonomia patrimonial seja usada de escudo protetor do sócio. resguardar a credibilidade da pessoa jurídica. com base nas doutrinas. para entender sua existência real. não poderá ser vista como um produto acabado. Buscou-se primeiramente enfatizar a pessoa jurídica. Em seguida. tratou-se da classificação da pessoa jurídica.69 Portanto a aplicação da teoria da desconsideração deverá sempre ser aplicada quando ocorrer ato lesivo a terceiro. e sua desconsideração é exceção. com objetivo de combater a fraude por parte daquele que a controla. teve como escopo. Observou-se o conceito de pessoa jurídica. seu contexto histórico. sendo esta episódica e excepcional. Cabe ainda registrar que a autonomia da pessoa jurídica é regra. para chegar os seus tipos de personalidades. mas com o mesmo objetivo de combater o ato leonino do sócio mal intencionado. sua natureza jurídica.

como fundamento legal. a doutrina. confundindo seu patrimônio pessoal com o patrimônio da pessoa jurídica. ora positivada. Ficou evidenciado que. mas com força da doutrina e jurisprudência poderá com base nos pressupostos da art. Direito Tributário. com a constituição da personalidade jurídica. a desconsideração inversa da personalidade jurídica. o instituto que visa coibir fraude por parte dos seus sócios. Enfim chega-se a um esboço sobre a teoria da desconsideração inversa. o patrimônio do sócio não se confunde com o patrimônio da sociedade. desvio de personalidade e confusão patrimonial. Em seguida. analisou brevemente. Apesar de não haver dispositivo legal que disponha acerca da existência da Desconsideração Inversa da Pessoa Jurídica. Assim surge a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. assim evidenciou situações onde a lei consagra tal teoria.70 Para melhor compreensão. Assim entende a doutrina e jurisprudência à aplicação da teoria inversa. Aliás. como se. Procurou-se demonstrar o que preconiza a doutrina e seus fundamentos para a sua aplicação no judiciário. Sobre o instituo da desconsideração. Como no Direito do Consumidor. que não fica restritamente na aplicação da clássica teoria da desconsideração. desviando seu patrimônio particular. Assim. ainda no Direito de Família quando verificado a fraude por parte do cônjuge por transferir o patrimônio particular para a sociedade empresária. quando configurado os pressupostos do artigo 50 do Código Civil. a teoria maior e a menor. a desconsideração da personalidade jurídica no direito brasileiro. são entes distintos que não podem se confundir. chegou até as espécies de sociedades empresárias. alcançar o patrimônio da sociedade por dívidas pessoais do sócio que a controla. evidenciou-se os pressupostos do artigo 50 do Código Civil para a caracterização da teoria da desconsideração. da pessoa jurídica fosse. resulta a separação patrimonial. é utilizada não só no Direito Comercial. Direito Ambiental e desconsideração no Código Civil no seu artigo 50. abuso de direito. como também no campo do Direito do Consumidor. no qual. ou seja. em determinadas sociedades empresárias caberá a desconsideração da personalidade jurídica. . para determinar o grau de responsabilidade. ou seja. foi estudado duas teorias adotada pelos doutrinadores. juntamente com a jurisprudência pátria tratou de agitar o entendimento com o propósito de atalhar que a pessoa do sócio se apodere do ente jurídico para lograr a lei. mas também em outras áreas do direito. 50 aplicar a teoria da desconsideração na sua forma inversa.

ed. Guilherme Calmon Nogueira (Coord. na aplicação da teoria inversa da desconsideração. Amador Paes de. Rio de Janeiro: Renovar. AGUIAR. e com ela. e seus pressupostos norteadores da Desconsideração da Personalidade Jurídica delineado no artigo 50 do Código Civil. as fontes do direito. Por fim.). Desconsideração da Personalidade Jurídica. Rio de Janeiro: Forense. Roberta Macedo de Souza: Desconsideração da Personalidade Jurídica no Direito de Família. 2005. evitando que da autonomia patrimonial seja usada de forma irregular por parte do sócio. Rio de Janeiro: Lumen Júris. como uma necessidade para proteger a credibilidade da pessoa jurídica. Alexandre Ferreira de Assumpção. 2008. GAMA. REFERÊNCIAS ALMEIDA. deve prevalecer a idoneidade e autonomia nas suas relações. de fato.71 Observou-se ainda que. Afinal o ente jurídico tem sua função social e econômica. Manual das Sociedades Comerciais: Direito de Empresa. pessoa jurídica. 2003. Eduardo Lessa. . 15. fontes fundamentais para a interpretação do direito. 2008. doutrina e jurisprudência. São Paulo: Saraiva. Temas de Direito Civil – Empresarial. prevalecem. BASTOS. a teoria inversa vem se mostrando cada vez mais presente nos tribunais. ALVES.

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