P. 1
Dimensao Humano Afetiva Na Vida Do Padre

Dimensao Humano Afetiva Na Vida Do Padre

|Views: 114|Likes:
Publicado porPaulo Chaves

More info:

Published by: Paulo Chaves on Sep 06, 2012
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

01/19/2013

pdf

text

original

13º ENCONTRO NACIONAL DE PRESBÍTEROS

03 a 09 de fevereiro de 2010, Itaici, Indaiatuba - SP ENPs, 25 anos celebrando e fortalecendo a comunhão presbiteral “Eu me consagro por eles” (Jo 17,19a) Prot. 07/2010 13º ENP

DIMENSÃO HUMANO AFETIVA NA VIDA DO PRESBITERO
Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDS
“Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” Lc. 2,52.

INTRODUÇÃO: Inicio com um pensamento do Pe. Manuel Godoy1, referindo-se à maturidade humana e ministerial afirma: ”É bom lembrar que antes de ser padre, é preciso ser cristão e antes de ser cristão, é ser humano. Somente sobre fundamentos sólidos humanos se pode edificar o verdadeiro presbítero, pois este deverá ter condições de colocar a totalidade de sua vida sob o dinamismo do Espírito. É claro que por maturidade entendemos hoje mais claramente que se trata de um processo, que nos acompanha a vida inteira, desde “la cuna hasta el ataud”. Refletir sobre a dimensão humana afetiva na vida do presbítero é falar de alguém humano que tem uma opção de vida definida por uma vocação! Tratase de uma experiência única vivida por um sujeito que define seu agir humano movido por uma escolha vocacional definida que contem pressupostos que fazem parte da perspectiva da vida tomada como um todo. No tema proposto temos elementos importantes que o compõem e se completam. 1) dimensão humano afetiva; 2) na vida do presbítero.
1) Dimensão Humana afetiva: Por definição compreendemos que a

dimensão humano afetiva é algo que pertence a todos os humanos, independente de sua opção de vida. Ela faz parte do ser gente. É uma dimensão estrutural da pessoa, faz parte da sua constituição. Ela envolve o modo de ser e de se relacionar de cada um consigo, com as outras pessoas, com as coisas e com o mundo. No âmbito dos afetos estão envolvidas as emoções, os sentimentos, a racionalidade.
2) Na vida do presbítero (um modo específico de vivenciar a dimensão

afetiva) é o outro elemento importante relacionado ao tema. Aqui a dimensão humana afetiva ganha uma conotação própria específica, vinculada a uma opção, uma escolha feita cuja razão de ser é a entrega total e incondicional a Deus e ao seu Reino. Essa escolha “afetiva” é dom e implica a aceitação de caminhos definidos na maneira de viver o humano afetivo, que exige um alto grau de
1

http://br.celam.info Fornecido por Joomla! Produzido em: 3 May, 2007, 00:22.

1

de fazer festa e trabalhar. Quatro elementos2 significativos compõem o horizonte da afetividade na vida do presbítero: a) o amor é o “coração” da escolha da vida do presbítero. nem borboleta. p. Amedeo.maturidade e capacidade de gestir a própria vida diante dos apelos da própria afetividade. irmã. Se nos esquecemos das razões fundantes de nossa opção e elas não permanecerem como objeto de atenção constante (formação permanente) a vida transforma-se em cansaço impossível de viver e/ou frustração permanente... na atração espontânea ou no interesse pessoal.”4 Depois dessa introdução vamos detalhar melhor os dois aspectos acima acenados da dimensão humano afetiva na vida do presbítero. ou pensamos que com o passar dos anos entramos na fase da “paz dos sentidos” ou ainda somos sábios e realistas a ponto de nos dispensar uma grande paixão no coração. nem na perpétua busca de apoios e compensações variadas. Ibidem. Deus é amado de todo o coração.. de modo particular os destinatários do apostolado. d) a renúncia. PP. por exemplo. Não se pretende com isso abordar todas as facetas relacionadas ao tema e muito menos esgotar o assunto relativo a esses dois aspectos. mas tampouco ingênuo ou esperto! a ponto de se permitir tudo ou quase tudo”! Muitas vezes nossa presunção nos leva a compactuar com auto enganos. Vamos refletir por partes: 1. nem fechado em si mesmo. ao matrimonio. de dar sentido à vida e à morte. Qualquer escolha envolve uma renúncia.21-28. Isto é. DIMENSÃO HUMANO AFETIVA. Ibidem. nem supermoralista a ponto de ver o mal por toda parte. No caso do presbítero renuncia aos laços definitivos e exclusivos por uma pessoa. de toda a mente e com toda a vontade. Deus é amado de coração e por um coração totalmente humano. com base no instinto. de viver a relação e a solidão.. Paradoxalmente ele escolhe não excluir ninguém! Em síntese. São Paulo: Paulinas. como o de julgarmos saber e compreender tudo (já fizemos tantos cursos sobre isso). de sofrer e ter compaixão.28 2 . altura e intensidade. benevolência que prefere um e exclui outro. cuja centralidade é sua relação com Deus e a paixão por cada irmão. ele renuncia a amar com os critérios puramente humanos de simpatia. sempre por um coração de carne. 2009. de crer e esperar. c) a totalidade. 26. O presbítero deve viver muitas relações. de estar com Deus e com o próximo. mas educado pela liberdade de Deus amar com a sua largura. b) Deus é a razão do amor presbiteral e por conseqüência o amor às criaturas. enquanto a criatura humana é amada com afeição divina. Apropriando-me do pensamento de Cencini e aplicando ao presbítero podemos dizer a opção presbiteral solidifica-se num “estilo de vida que envolve o modo de pensar e desejar. Virgindade e celibato hoje – para uma sexualidade pascal. 2 3 4 CENCINI. Como diz Cencini3 ‘E isto para além de qualquer postura unilateral e extrema: nem urso. p. mas com um estilo particular.

3 . Estabelece-se aí um processo relacional que passa por fazes distintas. Os demais somente de quando necessários para ampliar a compreensão. psicológicos. Sabe-se hoje que o afeto na vida do bebê é tão importante (ou mais) quanto à alimentação. a antropologia (compreensão de quem é o ser humano). Cresce. instintivo). Este não é apenas “instrumento”. da adolescência até chegar ao corpo adulto em torno dos 21-25 anos. O desenvolvimento biológico segue pelas etapas da infância. Na primeira infância o “amor filial”. como do autismo (ou indiferenciação). na adolescência “o amor paixão”. a teologia (as relações com o transcendente). Podemos distinguir para cada fase pelo menos um aprendizado afetivo. envelhece e morre. angústias humano afetivas da mãe são captados pelo nascituro e desde já pode sofrer condicionamentos que podem repercutir no seu futuro. Já aí suas características genéticas definidas (DNA) e o meio ambiente começam a interagir. mas se torna meio para a formação de novos vínculos afetivos. extremamente importante para o processo de desenvolvimento tanto biológico como afetivo5. O ser humano desde o ventre materno se desenvolve seguindo leis próprias da natureza humana. o aspecto biológico segue um ciclo que a própria natureza determina. ou melhor. E assim poderíamos listar ainda outros componentes. Nem sempre esse processo é contínuo e complementar. Inicia agora uma busca por alimento ainda suprido pelo seio materno. Dimensão humano afetiva biológica. Em cada uma dessas fases do crescimento biológico há também o amadurecimento emocional envolvido com características próprias em cada fase. da simbiose (ou diferenciação).2. As tensões. 1. dizendo uma forma de “amor”. Com o parto inicia-se uma nova fase de desenvolvimento biológico e experiencial. da individuação e da integração objetal6. proporciona uma unidade tal que entre eles não há espaço para mais ninguém! Fases do desenvolvimento objetal segundo Otto Kernberg. 5 6 7 A intensidade da relação. a sociologia (o mundo das relações sociais). entrar em contato comas outras pessoas a sua volta e outros objetos. canal para obter o alimento. fica adulto.Refletir sobre a dimensão humano afetiva implica desde o inicio. a psicologia (desenvolvimento emocional emoções e sentimentos). Até seu nascimento o seu meio ambiente é o ventre materno. 1. Podem ocorrer fixações com as conseqüências relativas a cada fase. a filosofia (perguntas a respeito do ser). Dimensão humano afetiva psicológica. Em nossa reflexão vamos acenar apenas para alguns componentes biológicos. ansiedades. na vida adulta o “amor oblativo”. na juventude “o amor responsável”. Ao mesmo tempo em que as células se multiplicam e formam os diferentes órgãos o feto começa um “aprendizado” que passa pela sua sensibilidade em captar através dos estímulos orgânicos da mãe “mensagens” emocionais vividas por ela e que passam a afetá-lo.1. quando a mãe amamente o seu bebê. na puberdade “o amor de companheiros”.7 Não havendo doenças ou outros fatores impeditivos. O bebê recém nascido deve se adaptar as novas condições de temperatura. Vai se formando corpo que interage com outro corpo que o sustenta e nutre: a mãe. ter consciência de que se trata de assunto complexo que envolve a biologia (desenvolvimento físico.

por expressões anormais. delinear alguns aspectos que nos ajudem a entender a afetividade bem como a sexualidade. que trazem satisfação. pela simulação.Nessa dimensão vamos considerar dois elementos que se interpenetram quando se fala da afetividade. AFETIVIDADE A afetividade está ligada ao Eros (deus do amor . queridas. 8 “Há três estágios cerebrais. emoções. Por expressões normais e sadias. Este é o mais recente e o que menos memória genética possui. por impulsividades. Diante dessa gama de situações poderíamos tentar. por olhares. Esse cérebro ancestral responde pela fisiologia da subsistência. por beijos.. por posturas corporais. bem estar. nos acompanha durante o dia e vai dormir conosco. Uma outra forma mais contundente é pela sexualidade. por manifestações silenciosas.] O primeiro é o cérebro reptiliano. desde a sexualidade reprodutiva até os movimentos digestivos e nervosos de defesa diante da ameaças. Muitas formas são aceitas em uma cultura e em outras não. Ela é uma característica humana (e animal. a título de compreensão. Há diferentes formas de expressões da afetividade: por gestos.afeto) e ao pathos (“sentimento”)8 na nomenclatura grega. até aquelas “negativas” que causam sofrimento. A afetividade e sexualidade são dois termos que indicam em si aspectos diferentes da experiência humana. há o cérebro neocortical que irrompeu com a consciência reflexa há três milhões de anos. sempre instintivas e pré-reflexas. aprovadas. Por fim. pela fala e pela capacidade de abstração e de 4 . por afagos. beber. pela sedução. Um elemento é a própria afetividade distinta da sexualidade. surgido há 125 milhões de anos. vestir. da comunicação oral. A afetividade faz parte do cotidiano humano como o comer. do cuidado com a prole. surgidos ao longo da evolução [. da relação afetiva. Quais maneiras de expressar são aceitas. quando do aparecimento dos répteis. O segundo é o cérebro límbico. por abraços. o segundo elemento é a sexualidade enquanto fonte de energia biológica cuja ação também envolve o emocional e afetivo. isto mais por necessidade didática do que por separação. Ele responde pelo pensamento. Examinemos por partes para facilitar a compreensão. por escritos. A afetividade abrange desde as emoções “positivas”. pois organiza as reações mais espontâneas da nossa vida. por imagens etc. agressividade. feita de pathos (“sentimento”) e Eros (“afeto”). É o cérebro dos sentimentos. Por afetividade podemos entender tudo o que envolve sentimentos. É o cérebro da dimensão de anima em todos os seres superiores. prazer. Há também maneiras próprias de se manifestarem e serem entendidas nas diferentes etapas da vida (desenvolvimento). ela existe também nos animais. dificuldades. surgido há 200 milhões de anos.. por sorrisos. desprazer. e quais não são aceitas. quando comparado com os seu predecessores. porém muitos interligados. como nas dificuldades que se apresentam em suas formas de expressão. pois ambas se implicam mutuamente. A grande questão está no reconhecimento de sua presença e aceitação. São aspectos complexos da vida humana porque envolvem tanto a racionalidade como a emocionalidade. trabalhar. embora desprovida da racionalidade) que envolve todo o ser da pessoa. são reprovadas nas condutas humanas. Esse teve a mais longa duração temporal e estrutura fundamentalmente a profundidade humana. com os mamíferos. Vejamos: 2. que são os canais pelos quais a afetividade se manifesta ou se move. É uma realidade que acorda conosco. pelo intercurso sexual. por cumprimentos. patológicas.

A afetividade enquanto emoção é visível. contentamento. a tendência é usar a razão para justificar a aproximação ou ordenação do ser humano. É fenomenológica. a afetividade se caracteriza por sentimentos que se manifestam fisicamente. Leonardo. Etc. arrepios. Afetividade como expressão de percepções Enquanto percepção ela é um modo como o mundo entra em nós e como nós o acolhemos dentro de nós como o experimentamos e o manifestamos em nossas reações. tristeza. perceptível. mais rapidamente ele é percebido). Exploremos um pouco alguns deles. Ela é expressão de um mundo interno da pessoa. Pela definição acima já podemos perceber que se trata de algo complexo. 2002 p. taquicardia etc. detectável. necessidade que sentimos e valores que cultivamos. Dependendo da carga emotiva envolvida o objeto é avaliado como atraente ou repulsivo. que vem associado com suas experiências pessoais. homens e mulheres. dependendo da intensidade. rubor. do indivíduo. de agrado ou desagrado. Essa avaliação pode ser contracenada pela avaliação racional. suas percepções. abatimento. A sexualidade e o amor têm as suas raízes profundas no cérebro límbico” – (MURARO. Rose Marie e BOFF. Vamos vê-la por partes: 2. acompanhados sempre da impressão de dor ou prazer. portanto. 2. elas aparecem em manifestações físicas em formas de expressões de alegria.2. “é um conjunto de fenômenos psíquicos”. dai decorre um desejo de aproximar-se ou afastar-se do objeto. de alegria ou tristeza”. se trata de algo que envolve individualidade. também podem incidir fatores inconscientes e diferenças culturais. hilaridade. simplificá-la demais. a familiaridade (quanto mais familiar um objeto. Não se pode. palpitações. sentimentos e paixões. Rio de Janeiro: Sextante. entre eles: o significado emotivo que o objeto percebido tem para nós. porém.Segundo a definição do dicionário “Aurélio” afetividade é o: “conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções. suas simbolizações etc. sem correr o risco de esvaziála. subjetividade e relações. este objeto mais facilmente tomará conta da mente e sentimentos do individuo.1. A percepção se dá normalmente através dos cinco sentidos. traços de personalidade.47-48) 5 . É fundamentalmente responsável pela dimensão de animus nos seres humanos. por exemplo: a) O significado emotivo do objeto. Feminino e Masculino. a intensidade (quanto forte é o estimulo). suas interpretações. é difícil para o indivíduo submeter-se àquilo que sua razão aponta como mais razoável. Afetividade como expressão de emoções Enquanto expressão de emoções. portanto. de satisfação ou insatisfação. Eles são os canais pelos quais entramos em contato com o mundo e o mundo entra em contato conosco e desperta nossos espaços interiores ou os esconde mais. Nossa percepção pode ser influenciada por diversos fatores. Se um dado objeto (pessoa ou coisa) estiver relacionado com alguma experiência significativa para a pessoa.

Nós o percebemos pelos sintomas que aparecem. variar sua intensidade. b) A intensidade Um estímulo pode ser forte ou fraco. atitudes emocionais e transformar-se em hábitos. 2. com o passar do tempo. aos fatos que as geraram. Muitos fatos estão esquecidos. há uma propensão a ceder à tentação). E assim poderíamos ir descrevendo os demais aspectos da percepção. Por hora nos baste estes para constatar sua capacidade de influenciar nosso agir (comportamentos).3. Afetividade como simbolização: Nossa capacidade de simbolizar é muito grande e a usamos com muita freqüência. Estas podem ser evocadas por pequenos estímulos que 9 “Memória afetiva” conceito cunhado por Magda Arnold e significa as memórias emocionais guardadas dentro de nós (inconsciente) de experiências vividas cujos fatos foram esquecidos. não é necessária muita intensidade de estímulo se o objeto em si já vem carregado de significado desejado. ou melhor. sua interpretação. A tendência é de quanto mais forte for um estímulo haverá mais facilidade de percepção e mais facilidade de razão. bem como nos põe em contato com realidades que fogem às análises objetivas. então o grande desafio é a decodificação dos símbolos. Basta uma pequena faísca. próprios para cada pessoa. esta percepção mesmo em nível subliminar é capaz de influenciar comportamentos e formar. Nosso inconsciente usa da linguagem simbólica para se manifestar. mais presente ele está. não se aplica necessariamente às percepções que envolvem cargas afetivas.afastamento do objeto (mecanismo de defesa da racionalização). o emotivo tende a prevalecer sobre o racional. A linguagem dos símbolos nos lança para dentro de aspectos indecifráveis pela razão. Se isto vale de modo geral. ou melhor. Como todo símbolo vem carregado de significados afetivos e cada pessoa atribui aos seus símbolos seus próprios significados. contudo em se tratando de emoções nós somos capazes de perceber os objetos até um limiar. Contudo a experiência emocional pode retornar diante de um símbolo que evoque a experiência 6 . Em nosso inconsciente há muitas memórias afetivas9 que são atingidas pelos símbolos. c) A familiaridade Quanto mais eu convivo com o objeto. Elas podem ser evocadas sem que conheçamos os fatos a elas relacionados. Tendemos a ver os objetos de nossos desejos com mais sutileza e nos aproximarmos dele com menos estímulos. Em outras palavras. mais facilmente eu o detecto no meio de outros objetos. (em termos religiosos diríamos. isto é. O símbolo envolve o subjetivo da pessoa e os objetos tornados símbolos ganham significados afetivos particulares. mas nossa memória afetiva retém a experiência emocional vivida em relação a eles. E para interpretá-los corretamente é necessário conhecer um pouco a que coisas eles estão associados ou ligados.

É dom enquanto originária do próprio criador que nos fez sexuados como obra muito boa saída de suas mãos! Ela é preocupação porque gera em nós tensões que precisam ser canalizadas de forma consciente e livre para não se tornarem repressões impulsivas que podem trair belos projetos e boas 10 MURARO. como se protege. ela está ligada ao prazer. Esse processo passa necessariamente pela experiência que faz no convívio com os outros com quem interage. Somos sexuados dos pés à cabeça. no processo de desenvolvimento para a maturidade afetiva passa por estágios de amadurecimento que se diferenciam em cada um deles pelas características próprias que marca cada uma de suas fases. nosso ser homem. A anatomia dos sexos possui uma indicação: a mulher é aquela que recebe acolhe e interioriza. os “outros” significativos afetivamente. Embora um indivíduo biologicamente falando possa completar sua fase de crescimento em torno dos 25 anos. Leonardo. ela está ligada à possibilidade de gerar novas vidas. Edição. ser mulher é definido pela sexualidade. exterioriza. A sexualidade é ao mesmo tempo um dom e uma preocupação. O grau de afetividade que marca as relações é um fator preponderante para o amadurecimento sadio ou para fixações infantilizantes que podem se perpetuar na vida adulta. Tudo em nós tem a marca de nossa sexualidade. acionam as disposições internas para reagir conforme o significado simbólico a eles conectados. Sendo sexuado. A sexualidade possui dentro de nós uma força vital muito intensa. projeta.4. que normalmente são os próprios pais e pessoas próximas. como defende seu eu. Estas características incidem sobre a autocompreensão. dimensionado para o outro até nas determinações corporais. é um ser sexuado da cabeça a ponta dos pés. p. está ligada ao instinto conservador da vida. isto não é garantia de que da mesma forma se dá seu amadurecimento psico afetivo.percebidos como simbólico dos fatos esquecidos. 2002. sobre a psicologia diferencial e sobre a construção do estar-no-mundo com os outros10”. está impregnada de afetos. 3. aquele que emite. Como expressão da individualidade pessoal A afetividade enquanto expressão da individualidade pessoal está ligada ao desenvolvimento psico afetivo do sujeito. “O ser humano não tem sexo. Cada um de nós. de modo especial. O sujeito expressa através de sua individualidade aquilo que acumulou nos anos em que viveu e como os internalizou dentro de si. dois irmãos assimilam de modo diferente a educação que recebem dos pais. O indivíduo precisa encontrar no ambiente onde se desenvolve um clima afetivo favorável. sente-se para além de si. Seu estilo de personalidade vai mostrar como vive. vai permitir ou não que adquira a certeza interna de se sentir amado e aceito ou rejeitado. Rio de Janeiro: Sextante. SEXUALIDADE A sexualidade impregna todo o ser pessoal do homem e da mulher. 3ª. Mesmo vivendo no mesmo ambiente sócio cultural e familiar.62 7 . Rose Marie e BOFF. Sua afetividade vai estar marcada por essas nuances todas. com dosagem optimal de frustrações e afetos para aprender amar-se sadiamente e amar os outros e a Deus. o homem. 2. O modo como alguém se sente amado. Feminino e Masculino. O aumento da idade cronológica não é sinônimo de amadurecimento afetivo.

do celibato precisamos ser mais convincentes com o nosso testemunho pessoal se queremos ajudar os jovens a entender com mais profundidade o sentido da sexualidade e genitalidade como expressão do amor e comunhão de vida. ao sadismo sexual. A única preocupação que os acompanha é a de prevenir-se contra a gravidez e a contração de doenças tipo AIDS. exceto as aberrações. enquanto educadores da fé. Nesse sentido o discurso religioso produz pouco resultado. como normal e legítima. mal versões. A moral como força controladora da iniciação sexual. preconceitos. Hoje a genitalidade é vista pela Mídia. A sexualidade é parte de um todo que se integra em um indivíduo que se conhece em seus aspectos humanos e afetivos. A sexualidade pode ser vista como genitalidade.intenções. Nesse sentido é a atração física que sentimos por alguém com quem desejamos estabelecer intercurso sexual. e fortemente estimulada com apelos cada vez mais excitantes. ao fetichismo transvéstico. Poucos jovens levam em consideração ensinamentos morais a respeito da sexualidade. etc. Para isso é necessário que avaliemos há quantas anda a integração de nossa própria sexualidade e seu lugar em nosso projeto de vida. Vejamos algumas formas de sua expressão. Ninguém pode menosprezar a força da sexualidade sem correr o risco de sucumbir diante de suas artimanhas. da castidade. Os jovens se iniciam precocemente na genitalidade facilmente consentida quando não estimulada pelos próprios pais. Sexualidade como genitalidade. vícios. dos valores cristãos. 3. A genitalidade enquanto força. ao fetichismo. muito raros são aqueles que se guardam castos até o casamento. que tem consciência clara de sua opção vocacional. que tem internalizado os valores 8 . ao voyeurismo. erotiza as relações com os outros. por ser considerada a esse respeito como coisa do passado. ao masoquismo sexual. é de pouca valia. Há em torno da sexualidade muitos mistérios. A sexualidade como expressão de um amor amadurecido A sexualidade integrada na vida é expressão do amor amadurecido. Enquanto genitalidade ela possui um poder de estímulo e sedução grande que mexe com a imaginação e fantasia. 3. A libido sexual estimula a busca do prazer físico que é direcionado para outra pessoa do outro sexo para os heterossexuais e para outra pessoa do mesmo sexo para os homossexuais. chegando à banalização.1. Se não for sadiamente controlada pelo indivíduo ela vai se tornando impulso que é capaz de cometer aberrações de diferentes tipos: Pode ir da pedofilia (problema bastante atual – que envolveu membros da Igreja recentemente com grande escândalos explorados exaustivamente pela mídia). Para que ela se torne expressão disso se faz necessário uma integração de toda a personalidade. ao exibicionismo.2. que deturpam o sentido dela em nossa vida. O prazer pode ser buscado também solitariamente através da masturbação ou de fantasias ou formas mais aberrantes (doentias). Nós.

carência afetiva. 3. 3) como afirmação da própria identidade. Na infância. assim como problemas afetivos. vistos externamente como virtudes. Freqüentemente a carência pode se tornar também agressividade. M. A sexualidade tanto pode se refletir em diferentes sintomas aparentemente não sexuais. 6) como fuga de uma solidão ou da aflição. sentimento de culpabilidade etc. desde as abertas. deliberadas até as mais sofisticadas que se escondem em nível inconsciente atrás de comportamentos e atitudes. podem se manifestar em conflitos sexuais ou manifestações eróticas tipo masturbação. pode ficar um carente por toda a vida. São muitas as razões porque alguém é carente afetivo. equilibrada.187ss. ou no mau humor com que se vive o dia-dia. A sexualidade integrada se manifesta também como afetividade madura. podem mascarar tal carência Essa carência afetiva outras vezes busca sua satisfação através da sexualidade em relacionamentos escusos. tipo relações interpessoais conflitivas.De acordo com o estudo de Friedrich. que expressa suas convicções pelo seu modo de viver. Isto vale para pessoas casadas. A carência afetiva com o passar do tempo mina as boas intenções. da adolescência e que nunca foi tratada adequadamente. insucessos. quando a criança não recebe os afetos devidos. às vezes é tanta que se devora o outro. alivio de solidão. Explicando melhor. 5) como defesa contra desejosos homossexuais. complexo de inferioridade. necessários para desenvolver-se afetivamente bem. 4) como comprovação do valor pessoal. a outra com os pensamentos. conscientes. frustrações no campo profissional etc. A sexualidade integrada perpassa todas as atitudes do indivíduo. às vezes mal humoradas freqüentemente ressentem-se de uma integração sexual satisfatória. vozes.. 9 . gestos (aparentemente) de generosidade. com imaginação. Freqüentemente são casos que tem uma longa história vinda da infância.. 9) como um meio de satisfazer um desejo de amor infantil. A carência afetiva (dependência) está presente em cerca de 60% das pessoas adultas normais. com a fantasia. celibatárias. . pp. Em sua atitude frente ao mundo agir como alguém que se sente injustiçado e reclamar porque “tinha um direito de origem que lhe foi negado” e agora vive cobrando esse direito das pessoas. solteiras.. Alguém pode ser carente ou dependente afetivo por razões opostas. Antonio Moser. situação penosa. Descarga de tensão biológica. 7) como demonstração de poder sobre outra pessoa. Há aqueles que quando pequenos foram 11 A masturbação pode ser expressão de problemas de outra ordem. 8) como uma expressão de raiva e de destruição. Cfr. A busca da gratificação da carência afetiva se dá por diferentes formas. pode-se procurar o relacionamento sexual pelos seguintes motivos: 1) para atenuar a ansiedade e a tensão.3. Nelas ele se expressa enquanto pessoa e enquanto vocacionado. 11 3. que aparece no azedume com que se atende as pessoas. tira o elã por tudo aquilo que não gratifica e esvazia a vocação a ponto de torná-la infrutífera ou levar ao abandono dela. vivaz e criativa.A. A fome de afeto. 2) para engravidar e/ou para ter um filho. alegre. Clinical Obstetric Gynecology. Pessoas. Motivations for coitus. Sexualidade vs dependência afetiva Um dos aspectos mais em evidência hoje nas relações interpessoais são as carências ou dependências afetivas. muitas formas de altruísmo. Por exemplo. ed. 1970. É comum se ouvir expressões “hoje estou carente” como indicações de vazios ou de situações que não sabe bem definir o que é ou como lidar ou se livrar delas.nos quais acredita. O enigma da esfinge. É carente por falta ou dependente por excesso. (falsa) humildade etc.

pois “tinham um direito adquirido e agora lhes é negado”. A intimidade implica tanto promover uma proximidade ou a conexão como ter a experiência de calor ou afeto em uma relação humana. Como podemos entender a intimidade? É um tipo especial de relação que reflete uma necessidade fundamental de apego. sociais e espirituais. 4. 7 14 SPERRY.. Santander: Sal Terrae. Eros = amor sensibilidade. 15 SPERRY. ágape: três maneiras distintas. Podemos distinguir diferentes tipos de intimidade. Brunner/Routlege. filia = amor relações de amizade. sacerdócio e Iglesia. emoções e sentimentos. Sexo. L. Quando foram para a escola e lá não obtinham a mesma atenção da professora e dos colegas. 2004 pp. diferenciada e avançada da necessidade biológica universal de proximidade. começaram a experimentar a frustração e então também eles se julgaram injustiçados. ágape = amor entrega. Na verdade elas estão ligadas ao amor12 ou desamor. conexão e contato físico como outro ser humano”13. A necessidade da intimidade do ponto de vista do desenvolvimento deve ser “uma manifestação mais madura. por isso reclamam (choramingam) com os outros o afeto que precisam para sentir-se amados ou mesmo valorizados. 2002 p. sacerdócio e Iglesia. 12 Eros. Enhancing Intimacy in marriage: A Clinican’s Guide. Intimidade Há ao menos oito tipos de intimidade15. comunhão. 13 Bagarozzi.. Como se vê a questão afetiva e sexual são realidades humanas complexas. intelectuais. não aprenderam a suportar frustrações dela. em casa não conheceram a frustração. 4. New York. L. D. INTIMIDADE E CELIBATO “Não há caminho para o amor divino que não seja pela descoberta da intimidade e da comunidade humanas” (Thomas Moore em Cuide de sua alma) Já discutimos sobre sexualidade e afetividade. 2004 pp. Interrupções ou falhas nesse processo acarretam graves conseqüências a curto ou longo prazo. A curto prazo a criança sem vínculo de apego não se desenvolve bem e pode até morrer. Apoiam-se nisso inclusive para sustentar uma auto estima frágil.82-83. foram sempre atendidos de modo até exagerado em suas demandas afetivas. Sexo. O sentido de proximidade pode incluir vínculos emocionais. convém agora refletir um pouco sobre intimidade e celibato. A longo prazo pode afetar a questão da intimidade nos diversos tipos de relacionamentos que vão desde dificuldades de manter relações de amizades duradouras ou de relações matrimonias conflitivas até causar transtornos psiquiátricos graves. Santander: Sal Terrae. 10 .1. A intimidade madura se caracteriza por uma relação pessoal de proximidade. mas complementares do grego referir-se aquilo que denominamos “amor”.82-83. Há ao menos oito tipos de intimidade14. O apego é um vínculo emocional que se desenvolve entre o bebê e mãe ou pessoa que cuida dela. familiar e afetuosa com outra pessoa que implica conhecimento profundo dela bem como expressão recíproca dos próprios pensamentos. sensualidade. filia.super mimados.

sentimentos. compartilham sentimentos. Supõe a empatia. religioso. por exemplo. experiências da natureza ou profundas experiências espirituais pessoais. o contato e interações destinadas a excitar. compartilham e revelam informações e sentimentos pessoais sobre si mesmo com uma pessoa significativa. estimular e satisfazer sexualmente. a capacidade de pôr-se no lugar do outro e sentir o que o outro está sentindo. se fala sobre acontecimentos atuais. isto é. Intimidade Intelectual: Comunicam-se e compartilham idéias. “O que a gente retém só para si é o que se corrompe dentro de nós como água-parada. 4. pensamentos. Intimidade emocional: Comunicam-se e compartilham todos os 6. para um sacerdote. de compreender o mundo a partir do marco de referência do outro. por exemplo: práticas religiosas. com uma pessoa significativa. Intimidade celibatária: Compartilha-se uma amizade profunda sem estar casado e sem violar a castidade nem física nem psicologicamente. pensamentos e crenças importantes com uma pessoa significativa. Intimidade Psicológica: Comunicam-se. 2. se compartilha refeições etc. rituais. preocupações e inseguranças. Intimidade física não sexual: Proximidade física e contato corporal 3. crenças e experiências sobre questões ou assuntos espirituais com uma pessoa significativa. Em cada uma delas há um espaço e um limite que sempre implica em um grau de maturidade. Intimidade espiritual: Compartilham-se os próprios pensamentos. Tudo o que é retido se deteriora até desintegrar-se. e o próprio coração se converte em carcereiro. A verdadeira intimidade psicológica supõe uma base segura de confiança na relação. Inclui a proximidade física. uma massagem no ombro ou outras formas de contato não sexual. Como se vê a intimidade pode se expressar de diferentes maneiras. se compartilha as experiências diárias.1. sem identificar-se ou sentir-se anulado por ele (o que chamamos de simpatia). isto é. 7. Supõe a capacidade de “por-se no papel” do outro. Pode incluir a comunicação das esperanças e dos sonhos pessoais e também dos próprios temores. e com Deus. esta forma de intimidade é um dom e uma graça. Tudo o que é presenteado cresce sem fim com vida própria. que não são prelúdio para a atividade sexual genital. Alguns pensam que. 8. por exemplo. com uma pessoa significativa que consiste. e o nosso coração se converte 11 . positivos e negativos. porém pode levar ou não à relação sexual e ou ao orgasmo para uma das partes ou para os dois. O que a gente deixa passar para os outros é o que lava nossa intimidade como água que corre. sentimentos pessoais. 5. Intimidade social: Participa-se de atividades e experiências agradáveis ou lúdicas com uma pessoa significativa. Intimidade sexual: Comunicam-se. em um abraço. fantasias e desejos de natureza sexual com uma pessoa significativa.

e se denomina celibato íntimo. até a aposentadoria e a morte e se pode denominar celibato integral.em criador. A resolução desta etapa supõe a aceitação da intimidade do companheirismo como realidade que fortalece a vida e o ministério. Relacionado ao celibato está a castidade. B. aproximadamente. da vida e bem estar da próxima geração. Adolescente: Esta etapa se estende desde a puberdade até o final da segunda década de vida. 3. 4. Por celibato físico se entende a capacidade de ser plenamente humano sem ser sexualmente ativo nem se sentir frustrado e preocupado. 00:22 Bonnot.”16.Vejamos: 1. Norteia-se pelos estágios de desenvolvimento afetivo de Erik Erikson. Podemos compreendê-lo dentro de um quadro de referência por etapas de desenvolvimento Bonnot17 propõe uma compreensão do celibato dentro diferentes momentos da vida. 4. Integral: Esta etapa se estende desde os 60 anos aproximadamente. e se pode denominar celibato generativo. 18-22 12 .2. Parecem úteis para nós enquanto mostram seu dinamismo e significados nas diferentes fases da vida. Guardar-se inteiramente para si é a única forma de perder-se eternamente na esterilidade da morte. a capacidade de encontrar razões para seguir adiante quando os amigos e iguais se jubilam ou morrem. 2. Celibato íntimo designa a capacidade de ser amigo que compartilha a vida sem estar casado. ela tem como horizonte a integração do verdadeiro significado da sexualidade e intimidade. tanto para as pessoas casadas como solteiras. A resolução desta etapa requer assumir a responsabilidade da comunidade como um todo. aproximadamente. Generativa: Esta etapa se estende desde o final da segunda década de vida até os 35 anos. A resolução desta etapa supõe a aceitação das decisões e experiências da vida 16 17 P. A castidade não é só continência. assim como de não violar a castidade física e psicologicamente. Manoel Godoy in: http://br.info Fornecido por Joomla! Produzido em: 3 May. (1995) Stages in a Celibate’s Life: Human Development 16 (3) pp..celam. Esta etapa se assemelha à etapa da intimidade de Erikson. Celibato generativo se refere à capacidade de ser produtivo e responsável sem ser pai/mãe nem se sentir incompleto e com carências. Celibato O celibato sacerdotal é um modo de vida caracterizado pela continência ou renúncia ao matrimônio pelo Reino de Deus. Esta etapa se assemelha à etapa da generatividade de Erikson. Esta etapa se assemelha a etapa da identidade de Erikson. Esta é a etapa mais difícil de percorrer dentro das atuais estruturas da igreja. Intima: Esta etapa se estende entre os 35 e os 60 anos. A resolução desta etapa supõe que a pessoa tenha forjado uma visão do celibato como opção de estilo de vida que vale a pena. 2007. Celibato integral designa a capacidade de manter o sentido e a esperança da aportação pessoal para a vida diante da aposentadoria e a perda da saúde. e se pode considerar como o estado de celibato físico.

Ela contribui para o conhecimento e crescimento pessoal. com uma adesão de fé que crê. relacionado com a experiência do amor de Deus. Destacamos alguns aspectos relacionados à afetividade. começamos a preocupar-nos com o que pensamos e sentimos a respeito uns dos outros. Esta etapa se assemelha à etapa da sabedoria de Erikson. Resta-nos aceitar o desafio de aprofundar sempre mais nosso auto conhecimento . Isto significa dizer que ele é possível de ser vivido de forma sadia. como também uma ajuda para a santificação e o crescimento humano. 00:22 13 . Foi bastante enfático ao afirmar: “não é capaz de verdadeira e fraterna comunhão.passada sem desespero nem amargura. ao referir-se a ela diz: estou seriamente convencido de que a delicadeza. rapidamente ficamos desconfiados uns dos outros ou irritados uns com os outros. O Papa João Paulo II afirmava que a solidão oferece oportunidades positivas para a vida sacerdotal. Manoel Godoy in: http://br. Ela faz parte intrínseca da vida do presbítero em sua missão. Todos eles inerentes à condição humana presbiteral e merecedoras de atenções para um crescimento sadio e fecundo em uma maturidade integradora. Referido por P. O celibato requer determinado compromisso e empenho no âmbito espiritual. É também em relação à maturidade humana. Nouwen traduziu de forma límpida a importância da solidão na vida do presbítero. Fornecido por Joomla Produzido em: 3 May. a esmiuçar uns aos outros com uma hipersensibilidade fatigante. É na solidão que podemos nos encontrar profundamente conosco e com Deus. Sem a solidão. podem-se inferir algumas conclusões para a nossa vida presbiteral. Esses aspectos 18 19 Solidão não deve ser confundida com vida solitária. 2007. Antes de tudo ressaltamos a importância de sermos conscientes da complexidade da dimensão humano afetiva na vida do ser humano.19 CONCLUSÃO Diante do acima exposto. à sexualidade. conflitos superficiais facilmente tornam-se sérios e causam dolorosas feridas. 4.info. começamos a apegar-nos uns aos outros. à intimidade e o celibato. mormente no presbítero. com uma fidelidade à oração. e começamos muitas vezes de maneira inconsciente.celam. embora envolva sempre um componente sexual. Como se vê o celibato. quem não sabe viver bem a própria solidão”. uma abertura ao outro e à relação com ele. Ela é necessária à vida para que a vida seja penetrada e fecunda. uma autonomia afetiva e uma capacidade de solidão. Henry J. a solidão pode ser uma oportunidade para a oração e o estudo. cujo testemunho edifica quem o vive e quem se relaciona com o celibatário. a forma de vivê-lo e a modo de se expressar tem características próprias para cada faixa etária.3 A Solidão Ainda uma breve reflexão sobre a solidão18 na vida do presbítero. M. a tranqüilidade e a liberdade interior de aproximar-nos uns dos outros ou de afastar-nos uns dos outros são alimentadas na solidão. a ternura. Sem a solidão. Se aceita com espírito de oferta e procurada na intimidade com Jesus Cristo Senhor. uma relação de calor humano e afeto desinteressado. com exercícios de contemplação.

NOUWEN.A. F. L. Conhecer a própria afetividade. POROLARI. Rio de Janeiro: Sextante. Um mergulho em si. A. São Paulo. aflições. São Paulo: Paulinas. J. como ela se desenvolveu. HERERRO. Conhecer e integrar a própria sexualidade é fator indispensável para a saúde psíquica e harmonia na e da personalidade. São Paulo: Paulinas. 2002. Cultivar uma espiritualidade verdadeira é é condição sine qua non para o crescimento e perseverança num ministério eficaz. Saber amar-se. 1997 ________ Com amor. São Paulo: Paulinas. Edição. 2004. MURARO.abordados não são os únicos. SPERRY. 1997 ________ Virgindade e celibato hoje. A voz íntima do amor. N. Sexualidade Humana. 14 . DI PIETRO. Leonardo. L. Sexo. mas certamente são base para uma espiritualidade fértil e uma eficácia apostólica da vida do presbítero. São Paulo: Paulinas.M. H. sacerdócio e Iglesia. ALGUMAS REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: A. Por amor. (Org). saibamos também nós “crescer em estatura. 2009 DAL MOLIN. A. São Paulo: Paulinas. Encontrar-se consigo mesmo. Publicações CRB 1989 CENCINI. Santander: Sal Terrae. Paulinas IOBATA. São Paulo: Paulinas. Olhou para ele com amor. São Paulo: Paulinas. Feminino e Masculino. Manter amizades sadias e tempo para si mesmos são fatores que contribuem para o equilíbrio psicológico e o esvaziamento depressivo. P. Itinerário para o amor. Rose Marie e BOFF. M. A exemplo de Jesus.J. Paulinas. São Paulo:. que aspectos ficaram imaturos pode ajudar muito para prevenir neuroses. Afetividade e vida religiosa.C. sabedoria e graça diante de Deus e dos homens”. 3ª. depressões. São Paulo: Paulinas LUCISANO. 1996 IMODA F..

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->