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05-Peixes_águas_interiores

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Sections

  • SEÇÃO I – BIODIVERSIDADE
  • CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS PEIXES
  • TELEÓSTEOS EM ÁGUAS BRASILEIRAS
  • A ICTIOFAUNA NATIVA FLUMINENSE
  • ESPÉCIES INTRODUZIDAS
  • ICTIOFAUNA DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS
  • Breve Histórico das Investigações
  • Ictiofauna da Macrorregião Ambiental 1
  • Ictiofauna da Macrorregião Ambiental 2
  • Ictiofauna da Macrorregião Ambiental 3
  • Ictiofauna da macrorregião ambiental 4
  • Ictiofauna da macrorregião ambiental 5
  • Ictiofauna da Macrorregião Ambiental 6
  • Ictiofauna da macrorregião ambiental 7
  • Avaliação ictiogeográfica do Estado do Rio de Janeiro
  • SEÇÃO II - CONSERVAÇÃO
  • Análise Ictioconservacionista
  • Preservando nomes ou o processo evolutivo?
  • Principais pressões sobre a ictiofauna de águas interiores
  • PEIXES COMO INDICADORES DA INTEGRIDADE AMBIENTAL
  • Recomendações para conservação da ictiofauna
  • Considerações Finais
  • Bibliografia

SECRETARIA DE ESTADO DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - SEMADS
Projeto PLANÁGUA SEMADS / GTZ de Cooperação Técnica Brasil - Alemanha

PEIXES DE ÁGUAS INTERIORES
DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Carlos Roberto Silveira Fontenelle Bizerril Paulo Bidegain da Silveira Primo

FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR
Maio de 2001

1

Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme decreto no 1.825 de 20 de dezembro de 1907.

B 625 Bizerril, Carlos Roberto S. Fontenelle Peixes de Águas Interiores do Estado do Rio de Janeiro / Carlos Bizerril, Paulo Bidegain Primo Rio de Janeiro: FEMAR - SEMADS 2001 417p.: il. ISBN 85-87-206-209-5 Cooperação Técnica Brasil-Alemanha, Projeto PLANÁGUASEMADS/GTZ Inclui Bibliografia. 1. Peixes. 2. Meio Ambiente. 3. Recursos Hídricos. 4. Biodiversidade - Rio de Janeiro (Estado) 5. Lagoas. 6. Lagunas. 7. Represas. I. PLANÁGUA. II Título. CDD 597

Capa Publicidade RJ 2001 Foto da Capa: Rio Paraíba do Sul entre Itaocara e São Fidélis. Carlos Bizerril Revisão: Neuza Rejane Wille Lima Élia Marta Samuel Editoração: Jackeline Motta dos Santos Raul Lardosa Rebelo

O Projeto PLANÁGUA SEMADS/GTZ, de Cooperação Técnica Brasil – Alemanha vem apoiando o Estado do Rio de Janeiro no Gerenciamento dos Recursos Hídricos com enfoque na proteção dos ecossistemas aquáticos.
Coordenadores: Antônio da Hora, Subsecretário Adjunto de Meio Ambiente SEMADS Wilfried Teuber, Planco Consulting/GTZ SERLA - Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas Campo de São Cristóvão, 138/315 20.921-440 Rio de Janeiro - Brasil Tel/Fax [0055] (21) 2580-0198 E-mail: serla@montreal.com.br

2

Apresentação
Esta é mais uma publicação da série que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável vem produzindo como parte do Projeto Planágua SEMADS / GTZ, iniciativa que atende fundamentalmente o objetivo de disseminar novos conhecimentos ambientais entre técnicos e especialistas do setor e o público em geral. Pela primeira vez na história do Estado do Rio de Janeiro, o Governo estadual põe em prática uma política de meio ambiente que contempla real e concretamente, entre outras prioridades, a educação ambiental, como princípio, meio e fim do processo que busca a melhoria da qualidade de vida, mediante promoção do desenvolvimento sustentável. A série de publicações produzida pelo projeto Planágua SEMADS / GTZ insere-se nesse contexto, na medida em que contribui para ampliar o saber ambiental em seus diversos segmentos. Como o uso múltiplo dos recursos hídricos envolve obrigatoriamente a conservação da biodiversidade aquática, à SEMADS impõe-se o desafio de fundamentar uma estratégia de preservação de flora e fauna de águas interiores, conforme exposto no presente trabalho, que constitui, em linhas gerais, o primeiro passo para a concretização da pretendida estratégia preservacionista. Ao lançarmos este volume da série, temos a convicção de estarmos contribuindo decisivamente para ampliar o interesse e, conseqüentemente, a mobilização da sociedade na defesa e preservando-se os recursos naturais. proteção do meio ambiente,

SECRETARIA DE ESTADO DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

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Autores - Consultores do Projeto Planágua SEMADS - GTZ
Carlos Roberto S. Fontenelle Bizerril Paulo Bidegain da Silveira Primo

Foto da Capa: Rio Paraíba Sul entre Itaocara e São Fidélis (Carlos Bizerril)

SEMADS – Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Palácio Guanabara – Prédio Anexo – sala 210 Rua Pinheiro Machado s/no - Laranjeiras 22.238-900 – Rio de Janeiro Tel (21) 2299-5290

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Prefácio

Pode parecer estranho, à primeira vista, que a Fundação de Estudos do Mar – FEMAR – participe do patrocínio deste excelente trabalho que versa sobre “Peixes de Águas Interiores do Estado do Rio de Janeiro ( Rios, Lagoas, Lagunas & Represas)”. Afinal, a motivação que levou os idealizadores da FEMAR a cria-la há trinta e cinco anos – e continua sendo a razão de sua existência – é a de mostrar aos brasileiros o surpreendente potencial do mar para a prosperidade de nossa Nação. Que teria ela a ver com peixes de água doce, alguns vivendo há muitos quilômetros do mar? Vejo dois motivos que bastariam para justificar essa cooperação. O primeiro está precisamente enunciado na Introdução do trabalho: a delimitação entre sistemas marinhos e águas continentais não é uma tarefa trivial. Em que momento os sistemas continentais e sistemas marinhos podem ser totalmente dissociados? A existência dos peixes marinhos ditos anádromos – isto é, que sobem os rios para desovar – e dos peixes marinhos catádromos – que sobem o rio para fecundar e voltam para desovar – mostra realmente a importância de se conhecerem as fases marinhas no passado, da vida hoje em águas interiores. A segunda razão para o interesse da FEMAR no assunto está no fato de que toda a água doce existente em terra vem do mar. A energia térmica do sol vaporiza a água do mar, que se condensa em forma de nuvens e depois é levada pelos ventos pra precipitar-se, em grande parte, sobre os continentes. Aí, pura água doce irá infiltrar-se em fendas, terrenos permeáveis, gerando mananciais e também influindo no nível dos rios, lagos e lagoas onde existem peixes das águas interiores. Assim, este trabalho minucioso sobre peixes de água doce constituirá uma contribuição valiosa para estudo mais completo de identificar a necessidade de conhecimento e preservação do ambiente marinho que, certamente, tem repercussões sobre a vida nas águas interiores.

Fernando M. C. Freitas Presidente

5

FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR
Rua Marquês de Olinda, 18 - Botafogo Rio de Janeiro - RJ - Brasil 22251-040 Tel. (21) 2553-1347 Fax (21) 2552-9894 e-mail: femar@openlink.com.br

Presidente: Fernando M. C. Freitas

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ÍNDICE
Introdução 9

SEÇÃO I - BIODIVERSIDADE
Classificação geral dos peixes Teleósteos em águas brasileiras Sinópse biogeográfica A ictiofauna nativa fluminense Espécies introduzidas Ictiofauna das bacias hidrográficas Breve histórico das investigações Ictiofauna da macrorregião ambiental 1 Ictiofauna da macrorregião ambiental 2 Ictiofauna da macrorregião ambiental 3 Ictiofauna da macrorregião ambiental 4 Ictiofauna da macrorregião ambiental 5 Ictiofauna da macrorregião ambiental 6 Ictiofauna da macrorregião ambiental 7 Avaliação ictiogeográfica do Estado do Rio de Janeiro

17
17 23 25 26 88 100 100 108 161 173 180 196 218 261 269

SEÇÃO II - CONSERVAÇÃO
Análise ictioconservacionista Preservando nomes ou o processo evolutivo? Principais pressões sobre a ictiofauna de águas interiores Peixes como indicadores da integridade ambiental Fiscalização e conservação Legislação protetora Recomendações para conservação da ictiofauna Considerações finais

271

271 278 283 303 306 307 340 359

SEÇÃO III - REFERÊNCIAS
Os autores Bibliografia Projeto PLANÁGUA Femar

361

361 361 413 417

7

8 .

Como é citado neste documento. sendo inatingível para a maioria daqueles que trabalham com gestão ambiental. a ser discutida e legitimada no Conselho Estadual de Recursos Hídricos e nos Comitês de Bacias Hidrográficas. da Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas – SERLA e da Fundação Instituto Estadual da Pesca – FIPERJ. bem como agregar ao máximo as informações ecológicas disponíveis na descrição das espécies e famílias. Além de traçar diretrizes operacionais.433 de 8 de janeiro de 1997 e da Lei Estadual nº 3. O público alvo deste documento é constituído sobretudo pelos técnicos do IEF que atuam no campo. fundamentar uma estratégia consistente de conservação. neste momento. nas Agências de Gestão Ambiental da SEMADS alocadas no interior. defender os seres vivos. para o bem das gerações humanas atuais e futuras. A primeira fornece dados gerais acerca da taxonomia e da sistemática dos peixes e lista as espécies ocorrentes em águas interiores do Estado o Rio de Janeiro. assegurar o uso múltiplo das águas. Integram ainda o público alvo. que encontra-se dispersa em inúmeros publicações técnicocientíficas. Tendo em vista que o uso múltiplo dos recursos hídricos envolve obrigatoriamente a conservação da biodiversidade aquática. o documento disponibiliza uma informação atualizada sobre os peixes. mas também por constituírem fontes de substâncias farmacológicas inexploradas. que são excelentes indicadores de qualidade ambiental. a 9 . impõe-se à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SEMADS um grande desafio. enfocando os peixes. Este é o nosso compromisso ético maior.239 de 2 de agosto de 1999. assim como os sediados no escritório central. apresentar dados que permitam o reconhecimento dos diferentes grupos presentes dentro da área em enfoque. Mais do que isso. o documento foi ordenado em 3 seções. os extensionistas rurais da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural .INTRODUÇÃO Com o advento da Lei Federal nº 9. Um primeiro passo se concretiza com a elaboração deste documento. piscicultores e pescadores. pelos membros efetivos dos Comitês de Bacias Hidrográficas e Consórcios Intermunicipais de Gestão Ambiental. sobretudo. ESTRUTURA GERAL Para apresentação das informações. Objetivou-se. novos instrumentos estabelecidos para promover o gerenciamento dos recursos hídricos. assim como no já existente Conselho Estadual de Meio Ambiente – CONEMA.EMATER e os funcionários das Prefeituras que atuam nos setores ambientais e de pesca. O documento pode também ser utilizado pelas ONG’s e associações civis que atuam em prol da conservação de nossas riquezas naturais. verbalizar por eles e garantir os seus interesses de perpetuar suas espécies. visando. no turismo e lazer. que são encarregados das atividades de planejamento. Além de tratar das espécies nativas. os técnicos da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente – FEEMA. possibilitando a tomada de decisões consistentes. que apresenta um amplo panorama das nuances envolvidas na conservação da biodiversidade de águas interiores. que é. onde terão assento os diversos usuários da água. os peixes não têm valor econômico apenas por serem utilizados como alimento ou no mercado da aquicultura. os peixes têm o direito à vida pelo fato de existirem.

todos os dados foram tratados adotando-se o conceito de macrorregiões ambientais. Os limites geográficos destas unidades encontram-se no mapa na página. praias. não observando a sua gênese. A ABRANGÊNCIA DESTE DOCUMENTO Como previamente apontado por SCHÄFER (1985). a delimitação entre os sistemas terrestres e límnicos não cria maiores problemas. Em que momento sistemas continentais e sistemas marinhos podem ser totalmente dissociados? Com freqüência. agregados dentro da categoria de águas interiores. sendo descrita e analisada a composição das comunidades de peixes ocorrentes dentro das diferentes macrorregiões ambientais reconhecidas para o Estado do Rio de Janeiro. juntamente com as principais bacias hidrográficas nelas contidas. bem como toda a literatura disponível em trabalhos científicos. Para permitir a espacialização das informações e facilitar a inserção das mesmas dentro do sistema atualmente utilizado para o gerenciamento das águas interiores Fluminenses. cuja largura será definida de acordo com critérios estabelecidos no Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro. as quais estão relacionadas no Quadro 1. incluindo baías. discutindo aspectos referentes aos possíveis impactos gerados pelas introduções e a distribuição geográfica das espécies assinaladas. enseadas. mas a delimitação entre o espaço mar e águas continentais não é uma tarefa imediata. sem nenhuma possibilidade de comunicação. ou no caso de uma ligação direta.seção dedica-se ainda a relacionar os taxa introduzidos. A segunda seção enfoca especificamente aspectos relacionados à conservação da ictiofauna do estado. adota-se separação considerando que águas continentais são corpos de águas paradas ou correntes que existem separadas do mar. A porção marinha engloba a zona costeira. A superfície terrestre de cada Macrorregião Ambiental compreende uma ou mais bacias hidrográficas. foi contemplado um conjunto relativamente amplo e heterogêneo de ambientes. como estuários e lagunas. tecendo considerações quanto às espécies ameaçadas e aos principais impactos que atuam negativamente sobre a conservação da biodiversidade local. a característica de sua comunidade e eventuais fases marinhas. costões rochosos. Ainda nesta seção são fornecidos subsídios para o entendimento da questão biogeográfica.058 de 14 de março de 2000. lagunas. 1967). ilhas. Oficializadas pelo Decreto Estadual n° 26. no passado (DE LATIN. Adotar este recorte para enfocar ecossistemas não marinhos do Estado do Rio de Janeiro implicaria em excluir da análise sistemas de grande representatividade na região. teses. São também listados os principais relatórios e artigos de divulgação. foram objetos de estudos rios em toda sua extensão. sem a possibilidade de uma entrada de água do mar. Desta forma. brejos e demais ambientes aquáticos que se encontram dentro dos limites continentais do Estado do Rio de Janeiro. A terceira seção lista os estudos citados neste documento. cada Macrorregião Ambiental abrange uma parte terrestre e outra marinha. Neste critério. A SEMADS delimitou 7 Macrorregiões Ambientais. mangues e uma faixa de mar aberto. 10 . monografias e dissertações que enfoca questões diretamente relacionadas com a ictiofauna de águas interiores Fluminenses. lagos.

na parte continental. Todos os recursos ambientais continentais (água. É importante atentar que a adoção. ou seja. A inclusão da zona costeira como espaço de planejamento e intervenção é uma decisão fundamental. além de abrigar uma considerável biodiversidade. as praias. incluindo os peixes de águas interiores. a partir de uma visão integrada e sistêmica. serão administrados tendo a bacia hidrográfica como unidade básica de gerenciamento. os manguezais e as ilhas detêm uma importância singular na economia Fluminense. biodiversidade e outros). pois o mar. solos. temática e metodológica do processo de gerir cada Macrorregião Ambiental. Confundir gestão ambiental com gerenciamento implica em uma redução conceitual. ar. é consenso que a bacia hidrográfica é a melhor unidade territorial para se promover à gestão do meio ambiente.a água . não deve ser confundida com gerenciamento de recursos hídricos. administrativas e políticos. Em primeiro lugar. subsolos. pois. suas fronteiras (divisores de água) são naturais e na maioria das vezes percebidas com facilidade. entre outros aspectos. 11 .quando realizado no âmbito de uma bacia hidrográfica. da bacia hidrográfica como unidade de planejamento e intervenção da gestão ambiental.A decisão de dividir o Estado do Rio de Janeiro em macrorregiões levou em conta critérios técnicos-ambientais. o gerenciamento de um único recurso ambiental .

Corisco. São Bráz.BACIA CONTRIBUINTE DA BAÍA DE ILHA GRANDE (ILHA GRANDE) Setor Terrestre: Bacia dos rios que drenam para a Baía de Ilha Grande: Rios Jacuecanga. Guaxindiba. Botafogo. do Arpoador e de Jacareí). Irajá. São João de Meriti. Bracuí. Tingussu. Graúna. destacando-se os Rios Carioca. limitada pelas Pontas do Arpoador e Trindade. Tijuca e Rodrigo de Freitas. Setor Costeiro: Baía de Sepetiba (limitada pelas Pontas do Picão. Catumbi. da Draga. Setor Costeiro: Zona costeira adjacente. DA LAGOA FEIA E ZONA COSTEIRA ADJACENTE (MACAÉ-LAGOA FEIA) Setor Terrestre: Bacia do Rio Macaé e das Lagoas de Imboassica. Mazomba-Cação. no município de Rio das Ostras. Imboassu e Bomba. MRA – 7 . Guandu-Canal de São Francisco. Bonito. Feia e diversas bacias menores situadas até os limites da MRA -6. Ariró. Iguaçu. entre a ponta situada próxima aos limites entre Maricá e Saquarema e uma ponta ao sul da Praia de Itapebuçu.BACIA CONTRIBUINTE DA BAÍA DE SEPETIBA (SEPETIBA) Setor Terrestre: Bacia dos rios que drenam para a Baía de Sepetiba: Córrego Caratuacaia e os Rios Jacareí. próxima aos limites entre Maricá e Saquarema. Piraquê-Cabuçu. MRA – 3 . Suruí. MRA – 2 . Piracão. Macabu. dos Meros e Parati-Mirim e os Córregos da Areia. Muxiconga. do Saco. Inclui a Baía de Guanabara. do Funil. Bacias das lagunas de Piratininga e Itaipu. Roncador. Bacia da Lagoa Rodrigo de Freitas. Setor Costeiro: Zona Costeira entre uma ponta ao sul da Praia de Itapebuçu. Estrela. Japuíba. Areia do Pontal. Setor Costeiro: Zona costeira adjacente. Guapi. Camorim. Barra Grande. no Rio de Janeiro e o local situado na praia. Guaraí. Portinho e João Correia. e os canais do Fonseca e de Icaraí. no município de Rio das Ostras até um local próximo a Barra do Açu. Guandu-Mirim-Canal Guandu. Japetinga. João Gago. Canal de São Fernando.Quadro 1 .BACIA DO RIO ITABAPOANA E ZONA COSTEIRA ADJACENTE (ITABAPOANA) Setor Terrestre: Bacia do Rio Itabapoana em território Fluminense. São Roque.BACIA DA BAÍA DE GUANABARA. Timirim.BACIA DA REGIÃO DOS LAGOS. Setor Costeiro: Zona costeira entre a Ponta do Picão. Perequê-Açu. bem como as pequenas bacias situadas no litoral até os divisores de água da MRA-6. DAS LAGOAS METROPOLITANAS E ZONA COSTEIRA ADJACENTE (GUANABARA E LAGOAS METROPOLITANAS) Abrangência espacial Setor Terrestre: Bacia dos rios que desembocam na Baía de Guanabara. da Guarda. Una e das Ostras.Abrangência espacial das Macrorregiões Ambientais MRA – 1 . Fonte: SEMADS (2000) MRA – 6 - 12 . Saquarema e Araruama e dos Rios São João. Caceribu. da Conceição. Muriqui. Canais do Itá e Pau Flechas e os Rios do Ponto. Grataú. Bacia do Sistema Lagunar de Maricá. Jacarepaguá. BACIA DO RIO PARAÍBA DO SUL E ZONA COSTEIRA ADJACENTE (PARAÍBA DO SUL) Setor Terrestre: Bacia do Rio Paraíba do Sul em território Fluminense. Bacias das lagunas de Marapendi. MRA – 5 . Grande. Ingaíba. DO RIO SÃO JOÃO E ZONA COSTEIRA ADJACENTE (REGIÃO DOS LAGOS-SÃO JOÃO) Setor Terrestre: Baias das lagunas de Jaconé. Mambucaba.BACIA DO RIO MACAÉ. Setor Costeiro: Zona Costeira. MRA – 4 . Setor Costeiro: Baía de Ilha Grande. Saí. Pequeno. Jurumirim. do Sul e Andorinha.

13 .

na publicação Perfil dos Estados Litorâneos. Quadro 2 – Bacias hidrográficas por Macrorregião Ambiental Macrorregião Ambiental MRA-1 Bacias Hidrográficas Bacia hidrográfica da Baía de Guanabara Microbacias insulares da Baía de Guanabara Bacia hidrográfica da Baixada de Jacarepaguá Bacia hidrográfica da Lagoa Rodrigo de Freitas Bacia hidrográfica das Lagoas de Piratininga e Itaipu Bacia hidrográfica do sistema lagunar de Maricá Bacia hidrográfica da Baía de Sepetiba Microbacias da Restinga de Marambaia Microbacias insulares da Baía de Sepetiba Bacia hidrográfica da Baía de Ilha Grande Microbacias insulares da Baía de Ilha Grande Bacia hidrográfica do Rio São João Bacia hidrográfica do Rio das Ostras Bacia hidrográfica do Rio Una Bacia hidrográfica da Lagoa de Araruama Bacia hidrográfica da Lagoa de Saquarema Bacia hidrográfica da Lagoa de Jaconé Microbacias das pequenas e médias Lagoas da restinga de Massambaba Microbacias das pequenas lagoas litorâneas entre Arraial do Cabo a Rio das Ostras Bacia hidrográfica da Lagoa de Imboassica Bacia hidrográfica do Rio Macaé Bacia hidrográfica da Lagoa Feia (Rios Macabu. Imbé. As bacias hidrográficas integrantes das Macrorregiões Ambientais são apresentadas no Quadro 2. a linha costeira do Estado do Rio de Janeiro conta com 850 km.Campos Microbacias das pequenas e médias lagoas da MRA-5 Bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul Microbacias das pequenas e médias lagoas da MRA-6 Bacia hidrográfica do Rio Itabapoana Pequenas e médias lagoas da MRA-7 Fonte: SEMADS (2000) MRA-2 MRA-3 MRA-4 MRA-5 MRA-6 MRA-7 14 . Feia. Preto. sendo menor apenas que a do Pará (1. Lagoas de Cima. Jacaré e Ribeira Canal Macaé .200 km) e da Bahia (1.181 km). Se forem adicionados os perímetros das ilhas. certamente o comprimento da costa Fluminense ultrapassará o valor mencionado. Ururaí.Segundo o Ministério do Meio Ambiente.

não nos detivemos aos limites geopolíticos na caracterização da ictiofauna de águas interiores contemplando as bacias integralmente. Figura 1 . como representado na Figura 1. o estudo apresentado neste documento tentou trabalhar ao máximo adotando a bacia hidrográfica como unidade de estudo.Embora respeitando a divisão proposta.Limites espaciais adotados no presente estudo 15 . Desta forma.

16 .

afinidades filogenéticas).g. cada qual denominada táxon (em plural . agrupar organismos em sistemas de classificação não significa representar apenas a semelhança geral observada entre eles (como originalmente aceito). O Systema Naturae elaborado no século XVIII por CARL von LINNÉ (posteriormente LINNAEUS) representou um grande avanço no processo de organização das formas viventes.) deve ser composto por todos os organismos derivados de um ancestral comum.. Dentro do contexto evolutivo. A Figura 2 ilustra um arranjo monofilético de organismos (adequado dentro de um sistema classificatório evolucionista) e arranjos equivocados (parafiléticos e polifiléticos). Sendo assim. ordem.e.. etc. a espécie representa a unidade fundamental de estudo. Dentro da classificação hierárquica proposta por Linné. Ordenações equivocadas que não resultam em arranjos monofiléticos devem ser revistas com o objetivo de se definir conjuntos de organismos realmente aparentados. mas sim remontar suas relações de parentesco (i. No presente. designada por um nome duplo que incluí o nome de seu gênero (categoria subseqüente à espécie) e o epíteto específico. publicada em 1758. desta forma. um arranjo que de fato ilustra o resultado atual do processo evolutivo do grupo em questão. os organismos vivos ou extintos são agrupados em um sistema hierárquico de classificação. gênero e espécie. Sua décima edição. é considerada um marco na taxonomia e a estrutura geral de ordenação apresentada vem sendo adotada mundialmente desde então. é esperada uma particular atenção no processo de definição do que constitui uma espécie. 17 . Assim. Desta forma. filo. gênero. configurando. cada categoria superior a espécie reúne conjuntos de organismos agrupados em escalas de redução geral na semelhança.SEÇÃO I – BIODIVERSIDADE CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS PEIXES “O JEHOVA! Quam ampla funto opera tua! Quam ea omnia sapienter fecili! Quam plena eft terra poffeffione tua!” (Em LINNAEUS (1735) 1ª edição do Systema Naturae) Elaborar sistemas que permitiam ordenar a diversidade biológica é uma atividade que praticamente remonta os primórdios da civilização. Este conjunto é denominado grupo monofilético. família.taxa) pelos especialistas. Desta forma. ao longo do tempo foram propostas diversas metodologias e estabelecidos diferentes critérios para agrupar organismos vivos dentro de um arranjo classificatório. ocorreu uma mudança significativa na filosofia que permeia o processo de classificação da vida. Desta forma. classe. ordem.. família. no qual a menor unidade nomeável representa a espécie. A proposição do sistema hierárquico lineano antecedeu o reconhecimento da evolução como um processo universal. um taxon supraespecífico (e. embora tenha se mantido até o presente a estrutura geral de ordenação da diversidade biológica. Como resultado da adaptação gradual do sistema reconhece-se no presente como grandes unidades taxonômicas básicas as categorias de reino.

A definição mais conhecida de espécie dentro de uma abordagem evolutiva é aquela popularizada nos trabalhos e obras de ERNEST MAYR (cf. de material de referência deste taxon. deve ser definida considerando aspectos relacionados com a dinâmica da vida e de suas transformações ao longo do tempo. Ao longo do período geológico. portanto não intercruzáveis). MAYR. destacamos como particularmente aplicável ao estudo dos peixes de águas interiores. essencialmente. Sua simplicidade tem sido questionada por diversos motivos. Nestes eventos de evolução da fisiografia fluvial ocorreu evolução concomitante da distribuição da biota. cujas características gerais encontram-se descritas em uma publicação científica e ao qual se atribuiu um nome seguindo as regras definidas pelo Código Internacional de Nomenclatura Zoológica. reprodutivamente isoladas de outros grupos com as mesmas características”. portanto. não se evidenciam diferenças morfológicas notáveis entre populações de uma mesma espécie. um conjunto de organismos fortemente semelhantes entre si e diferenciáveis dos demais seres. parafiléticos (b) e polifiléticos (c) Esta definição (dita espécie tipológica) é aplicada dentro do processo de catalogar a vida (i. considera principalmente a capacidade de cruzamento entre os organismos com a produção descendência fértil. Com freqüência. O conjunto de exemplares utilizado para a descrição das espécies deve estar integralmente ou parcialmente depositado em uma coleção científica. taxonomia). Além do problema de que testar a capacidade de reprodução entre as espécies já reconhecidas é uma atividade inviável (afinal de contas os organismos foram descritos. como critério para o reconhecimento das entidades evolutivas.Do ponto de vista meramente formal. vindo a constituir o tipo da espécie. 1981).. porque a forma é o único indicador de que houve evolução? 18 . principalmente. havendo fusão ou separação das populações aquáticas. gerando o arranjo ictiofaunístico atualmente observado. uma espécie válida é. a vida evolui e sendo a espécie a unidade fundamental de estudo da vida e do processo evolutivo. O tipo trata-se. quando comparados conjuntos de peixes obtidos em bacias diferentes. com base em exemplares mortos. o fato de que o conceito de espécie biológica acaba por encobrir um processo evolutivo claramente verificável em rios e demais corpos continentais do Estado do Rio de Janeiro. denominada espécie biológica (cf. SPA SPB SPC SPD SPA SPB SPC SPD SPA SPB SPC SPD a b c Figura 2. Contudo. as bacias fluviais fluminenses sofreram processos de fusão e separação.e. Esta conceituação. Contudo.Exemplo de conjuntos monofiléticos (a). WILEY. 1977) segundo a qual a espécie é “um agrupamento de populações naturais intercruzantes.

Ignorá-lo. agrupar diferentes populações. conceito de espécie evolutiva. por exemplo. Estas alterações podem resultar no reconhecimento de que determinadas espécies consistem. o território fluminense. descobrimos que a Terra é redonda. Este conceito. a análise evolutiva nos mostra que um peixe não é exatamente um peixe. presentes em uma ampla área geográfica. Dentro desta realidade. deve ser ao menos lembrado quando da análise da biodiversidade e especialmente na elaboração de planos de conservação e manejo. da análise comparativa entre populações. além de gerar uma visão equivocada da complexidade do processo evolutivo. 1998 – ver discussões complementares no item “Análise Ictioconservacionista”). ou na fusão de espécies distintas dentro de um nome único. WILEY. Mesmo que esta suposição se demonstre real.Pode-se argumentar que possivelmente os espécimes de populações isoladas de uma mesma espécie quando colocadas em contato. em verdade em complexos de espécies. cada população isolada existente nas diferentes bacias hidrográficas do Estado do Rio de Janeiro. em um aquário. cada população isolada pode ser encarada como uma espécie (cf. ocorram mudanças quanto à aceitação dos reais limites taxonômicos das espécies já descritas. de contato entre os espécimes em questão) não vem ocorrendo. tempo este que usualmente é maior que o somatório de todas as gerações humanas que já habitaram. O isolamento reprodutivo ocorre entre. gira em volta do Sol e sobre ela evoluímos como qualquer outro animal. em volta da qual gira o Sol. na interpretação indevida de limites de tolerância às variações ambientais que determinada espécie possui. No caso da classificação. Afinal de contas. dentro de uma única espécie biológica) pode resultar na interpretação de que o taxon em questão é altamente euritópico. embora de difícil operacionalização. é natural que com o avanço do conhecimento científico.. cada população isolada consiste em uma unidade evolutiva. no caso do exemplo em enfoque. Em verdade. A que conclusão estas observações conduzem? Ao fato de que: • A mudança na forma é resultado do tempo. Assim. cruzarão gerando descendentes férteis. pode resultar. o fato é que este processo (i. da incorporação de novos conceitos e do próprio entendimento da dinâmica evolutiva. quando. e embora o senso comum nos mostre que não somos animais. A adoção de uma abordagem evolutiva na análise comparativa da vida reforça a colocação DIAMOND (1994). não ocorre a milhares de anos. cada qual passível de receber um novo nome científico. Desta forma. para restringir a nossa análise.e. consiste no aglomerado de espécies estenotópicas (KOTTELAT. em verdade. dentro de um único nome científico (i. os nomes de espécies apresentados neste documento devem ser encarados como "espécies nominais".. por exemplo. embora nossos olhos nos revelem uma Terra plana. 19 . considerando que implica no aumento expressivo do número atual de espécies reconhecidas.e. Sendo a espécie a unidade fundamental da evolução. • Assim. 1981). de que a ciência com freqüência viola o senso comum. As formas de peixes conhecidas para o Estado do Rio de Janeiro foram nomeadas seguindo conceituações de espécie tipológica ou biológica.

a super Classe Pisces (cf.Dentro do senso comum. durante um longo período.Classificação dos "peixes" e demais Craniata PHYLUM CHORDATA Subphylum Vertebrata (Craniata) Superclasse Agnatha Classe Myxini + Classe Pteraspidomorphi Classe Cephalaspidomorphi Superclasse Gnathostomata + Classe Placodermi Classe Chondrichthyes Subclasse Holocephali Subclasse Elasmobrachii +Classe Acanthodi Classe Sarcopterygii Subclasse Coelacanthimorpha Subclasse Porolepimorpha e Dipnoi +Subclasse Rhizodontimorpha + Subclasse Osteolepimorpha Subclasse Tetrapoda Classe Actinopterygii Subclasse Chondrostei Subclasse Neopterygii + Grupo extinto Peixes-bruxa Lampreias Quimeras Tubarões e raias Celacanto Peixes pulmonados (e. A afinidade aparente entre estes seres é tamanha que por si só serviu como diagnose. no sentido amplo. reunindo alguns organismos que são mais próximos dos anfíbios e demais tetrápodes do que dos outros "peixes". GRASSE. NELSON (1994) apresenta uma classificação geral dos vertebrados levemente distinta da fornecida na legenda da Figura 3. Quadro 3 . répteis. Contudo. a inclusão deste grupo na lista deve-se apenas a sua importância na explicação subseqüente). aves Esturjões. como se verifica no Quadro 3. 1954). peixe espátula Amnia. as lampreias (como as lampreias não ocorrem em águas brasileiras. os peixes são organismos aquáticos que reúnem formas conhecidas como os tubarões. de uma entidade taxonômica. os atuns. o grupo aparentemente coeso e evolutivamente próximo consiste em verdade em um conjunto muito heterogêneo.g. Pirambóia) Anfíbios. as arrais. peixes ósseos de um modo geral (Divisão Teleostei) Fonte: NELSON (1994) 20 . mamíferos. como se observa no diagrama exibido na Figura 3..

Archosauromorpha 25262728293031323334353637- Aves Crocodylia Vertebrata Actinopterygii Cladistia Actinopteri Chondostrei Acipenseroidei Polyodontoidei Neopterygii Ginglymodi Halecostomi Halecomorpha Teleostei 21 .Relação de parentesco entre os Craniata 1234567891011- Craniata Myxini Vertebrata Cephalaspidomorphi Gnathostomata Chondrichthyes Holocephali Elasmobranchii Osteichthyes Sarcopterygii Actinista 1314151617181920212223- 12.Fonte: LECOINTRE (1994) Figura 3 .Choanata Dipnoi Tetrapoda Amphibia Amniota Synapsida Sauropsida Testudines Diapsida Lepidosauromorpha Squamata Sphenodontia (= Rhynchocephala) 24.

usualmente apresentado pelos meios de comunicação como se tratando de um "fóssil vivo"). não existem registros de espécies deste grupo no Brasil. que incluem os Tetrápodes. todos da infraclasse Dipnoi. uma família . As espécies são predominantemente marinhas. a Superclasse Agnatha contempla os peixes sem mandíbula. raios das nadadeiras não segmentados e de origem epidérmica. Embora presentes na América do Sul (Argentina e Chile). cuja espécie única vivente (Latimeria chalumnae.Dentro deste grupo heterogêneo.e. A segunda subclasse deste grupo. os Chondrichthyes reúnem peixes que.Polypteridae .peixes espátula. cartilaginoso). dividindo-se em duas subclasses. Entre os Gnathostomata viventes. a subclasse Neopterygii. compartilham a posse de esqueleto usualmente não ossificado (i. dentre outros aspectos. aruanã Tarpões Sardinhas e manjubas Demais “peixes” Fonte: NELSON (1994) 22 . Quadro 4 . O segundo táxon. Todos os Chondrichthyes não possuem bexiga natatória ou pulmões. além de agregar diversos grupos fósseis. engloba a família Coelacanthidae. apresentam apenas um grupo de "peixe" em águas doces brasileiras. o Celacanto.e Polyodontidae . que ocorre nas Bacias Amazônica e do Paraguai. encontram-se agrupados dentro de uma subclasse de sarcopterígeos.com 10 espécies agrupadas em 2 gêneros) e no hemisfério norte (Ordem Acipenseriformes. Na América do Sul há uma família de raias de água doce (Potamotrygonidae). Os demais peixes integram a classe Actinopterygii. A primeira delas (Chondrostei). foi descoberta apenas em 1938. dentes não fundidos nas mandíbulas. juntamente com os grupos aparentados australianos e africanos. a pirambóia (Lepidosiren paradoxa).Classificação dos Neopterygii (grandes grupos taxonômicos) Subclasse Neopterygii + Ordem Semionotiformes Ordem Amiiformes Divisão Teleostei Sudivisão Osteoglossomorpha Subdivisão Elopomorpha Subdivisão Clupeomorpha Subdivisão Euteleostei Amnia calva e Lepisosteus Pirarucu. embora algumas percorram grandes extensões em ambientes aquáticos continentais. 1998). típicos de zonas temperadas. GAYET & MEUNIER. crânio sem suturas. possuem representantes vivos apenas na África (Ordem Polypteriformes. Algumas espécies foram registradas no extremo sul da costa brasileira. com duas famílias: Acipenseridae esturjões . com distribuição restrita as bacias amazônicas e ao sistema Paraná/Paraguai. embora apresente amplo registro fóssil na América do Sul (cf. Polyodon spathula e Psephurus gladius).. Lampreias são usualmente parasitas anádromos ou dulciaqüícolas que vivem em zonas frias. Os Myxini são de hábitos marinhos. Os Sarcopterygii. A pirambóia. apresenta-se ordenada como apresentado no Quadro 4. como por exemplo lampreias (Cephalaspidomorphi) e peixes-bruxa (Myxini).

23 . embora exibam registros fósseis em território nacional e em outros trechos da América do Sul (SILVA-SANTOS. 50000 45000 40000 35000 30000 25000 20000 15000 10000 5000 0 Número de espécies "P eix es " Tetrápodes Total Fonte: NELSON (1994) Figura 5 . compreende grande parte das espécies deste grupo de organismos. Nesta divisão estão todos os peixes de águas interiores fluminenses.Número de espécies de peixes (24. 1984. onde aproximadamente 24% de todas as espécies de peixes do mundo e 1/8 de toda a biodiversidade de vertebrados encontra-se em menos de 0.01% de toda a água da Terra. que reúne os seres que associamos mais imediatamente ao termo "peixes". SCHAEFER (1998) analisando as tendências históricas de descrição de espécies de peixes das famílias Characidae e Loricariidae e somando estes dados ao número de espécies já descritas estimou que existem cerca de 8. verifica-se um quadro. que engloba toda a América do Sul e prolonga-se pela América Central até o platô mexicano.618) e de tetrápodes (23. Como destacado por VARI & MALABARBA (1998). o que constitui cerca de 24% de todos os peixes do mundo. sendo que 0.550) TELEÓSTEOS EM ÁGUAS BRASILEIRAS O Brasil encontra-se inserido dentro de uma grande unidade biogeográfica denominada "Região Neotropical". os Amiiformes não contam com representantes viventes no Brasil.003% se encontra na região Neotropical. Desta forma. que deve ser à base de muitas considerações acerca do uso múltiplo dos sistemas aquáticos continentais. que corresponde a maior parte da riqueza de taxa de vertebrados viventes (Figura 5).003% da água do planeta. 1998).Da relação acima.000 espécies de peixes de água doce neotropicais. os habitats de água doce correspondem a 0. GAYET & MEUNIER. A divisão Teleostei.

Crenuchidae. Electrophoridae Ariidae. curimbatás. dourados. Eleotrididae. pescadas.Ordens e respectivas famílias da divisão Teleostei que possuem representantes nativos nas águas interiores do Brasil Subdivisão/Ordem Subdivisão Osteoglossomorpha Osteoglossiformes Subdivisão Elopomorpha Anguiliformes Subdivisão Clupeomorpha Clupeiformes Subdivisão Euteleostei Superoordem Ostariophysi Ordem Characiformes1 Famílias Arapaimidae e Osteoglossidae Ophichthyidae Clupeidae e Engraulididae Parodontidae. Callicthyidae. Nandidae.O Brasil. etc. Cichlidae. etc. tucunarés. Cynodontidae. as maiores bacias de água doce da região Neotropical concentra grande parte da biodiversidade reportada para esta unidade biogeográfica. Trichomycteridae.). Characidae. etc. integral ou parcialmente. Prochilodontidae. Acestrorhynchidae. etc. A ictiofauna brasileira pode ser dividida em sete grupos principais: Characiformes (lambaris. Gobiidae Soleidae Tetraodontidae Ordem Gymnotiformes2 Ordem Siluriformes3. peixe folha. Chilodontidae. Cichlidae (acarás.). Siluriformes (peixes de couros e cascudos). Curimatidae. invasores marinhos (grupo sem valor sistemático que reúne raias. em íntima relação com a evolução geológica da bacia hidrográfica e das condições ecológicas atualmente presentes. Rhamphichthyidae. Em geral a porcentagem desses grupos na composição da fauna das diferentes bacias varia de acordo a história evolutiva. As ordens e respectivas famílias de teleósteos que possuem representantes nativos nas águas interiores do Brasil. Apteronotidae. Quadro 5 .) e relitos (pirambóia. Auchenipteridae. (3) PINNA (1998) e (4) FERRARIS & PINNA (1999) 24 . sarapós. por suas dimensões gerais e por manter. Cetopsidae. Gymnotidae. Doradidae. Hypopomidae. Hemiodontidae. Aspredinidae Batrachoididae Atherinidae Belonidae Rivulidae. encontra-se no Quadro 5. Poecilidae e Anablepidae Synbranchidae Scianidae. Anostomidae.). Erythrinidade. pirarucu. Gasteropelecidae. Ctenolucidae e Lebiasinidae Sternopygidae. linguados.4 Superordem Paracanthopterygii Ordem Batrachoidiformes Superordem Acanthopterygii Series Atherinomorpha Atheriniformes Beloniformes Cyprinodontiformes Serie Percomorpha Symbranchiformes Perciformes Pleuronectiformes Tetraodontiformes Fonte: (1) BUCKUP (1998). etc. apapás. Scoloplacidae.). Cyprinodontiformes (barrigudinhos. guarus. Pimelodidae. aruanã). Loricariidae. (2) MAGO-LECIA (1994). Gymnotiformes (tuviras.

árvores filogenéticas) já elaborados. foram incluídos apenas os grupos de peixes que apresentam espécies exclusivas dos sistemas fluviais e lacustres brasileiros. 1969. Esta unidade exibe duas grandes sub-regiões (cf. op. embora possua composição ictiofaunística bastante distinta do apresentado por outras zonas ictiogeográficas reconhecidas na região Neotropical. não representa uma unidade totalmente homogênea. pode-se enquadrar os ecossistemas aquáticos fluminenses na província ictiográfica do sudeste brasileiro. que compreendem o trecho entre o extremo sul da Serra Geral (RS) e as bacias dos rios Reis Magos e Santa Maria (ES) (subunidade do sudeste. quando comparando a região leste como as demais unidades ictiogeográficas. MALABARBA et al. BOHLKE et al. Um padrão particularmente curioso é observado dentro da subprovíncia do sudeste (e na região leste brasileira. Este padrão inicial sugere se tratar de uma unidade geográfica com fauna antiga. lagos. sendo possível reconhecer subáreas agrupadas por exibirem maior nível de similaridade entre si. SINOPSE BIOGEOGRÁFICA Dentro dos limites da região Neotropical observa-se a existência de subáreas que exibem conjuntos ictiofaunísticos fortemente diferenciados dos ocorrentes em outros setores. Existem algumas definições. COSTA.. Simpsonichthys e para espécies como Otocinclus affinis. 1998. Dado ao seu pequeno porte e sua simplicidade. sensu BIZERRIL. o que sugere baixa especiação. que possui ictiofauna com identidade própria e uma alta taxa de espécies endêmicas (GERY. 1978. A província sudeste.). acerca do número de domínios ictiogeográficos da região neotropical ou dos efetivos limites de tais unidades.. lagunas e lagoas Fluminenses fazem parte da região ictiofaunística do Leste Brasileiro. BIZERRIL. 1994). BRITSKI. sensu lato). Diversos taxa marinhos que possuem tolerância às variações de salinidade podem também ocorrer em águas interiores. 1994). dentre outros). Análise comparativa preliminar foi apresentada por BIZERRIL (1996) servindo de subsídios para BIZERRIL & LIMA (1997) reconhecerem os 8 subdomínios ictiogeográficos que integram a região sudeste brasileira. em muitos dos complexos fluviais do sudeste brasileiro em especial eventos como fortes chuvas podem conduzir alterações significativas na paisagem fluvial. É o que se observa para o gênero Steindachneridion. Desta forma. 1994) e o setor entre o limite norte apresentado e o Rio São Francisco (subsistema do leste. invariavelmente discordantes. o que acarreta dois processos: • • − Inicialmente estes sistemas são particularmente susceptíveis a ocorrências de eventos catastróficos. Embora a taxa de endemismos seja alta. HARVEY (1987). que pode ser resumido como segue: • Muitas dos taxa presentes nesta região consistem nos grupos mais basais dentro dos cladogramas (i. pelo menos em algum momento de suas vidas. Em outras palavras. por exemplo (cf. ela é baixa quando comparando as diferentes bacias hidrográficas do leste. 1997. Muitos destes grupos marinhos serão tratados quando da descrição dos ecossistemas Fluminenses. STARRETT (1951). muitas das bacias locais exibem ictiofauna similar. sensu BIZERRIL.. Os rios. SCHAEFER. dentre outros.Na listagem acima. Os sistemas fluviais da região são de pequeno porte e usualmente com baixa complexidade geral.e. 1996. usualmente referidas como províncias ou domínios biogeográficos. Glanidium. mostram 25 .cit. Estas subáreas configuram unidades ictiogeográficas.

Famílias como Soleidae.. enquadradas dentro da dinâmica evolutiva da região. córregos.. Tetraodontidae. (. com baixa especiação e com alta instabilidade geral. nesta unidade geopolítica. ao contrário do verificado em outras regiões do País. 26 .Viagem ao Brasil) Das 49 famílias de teleósteos de águas interiores reportadas para o Brasil. Estima-se que ocorram nos águas interiores fluminenses (rios. logo com menor capacidade de repor estoques e com maior tendência a reduções na variabilidade genética ao longo de períodos geológicos.) dentes mais aguçados que os dos lúcios. Integrando as premissas levantadas (i. − Rios pequenos e com baixa complexidade tendem a manter populações naturalmente pequenas. lagunares e lacustres do estado. Eleotrididae.. um quadro no qual processos de extinção aparentemente dominam o panorama evolutivo local. impactos antrópicos tendem a apresentar uma magnitude e uma importância muito superior no sudeste do que nas demais áreas ictiogeográficas e. dentro da região leste e especialmente na subprovíncia do sudeste.. o Estado do Rio de Janeiro detém 22 destas.) meio pé de comprimento apenas.e. embora apresentem representantes no Estado. Belonidae. espinhais penetrantes (...) A que os selvagens denominam tamuatá mede (. Batrachoididae. lagoas.. Os grupos introduzidos são tratados em item específico (ver “Espécies Introduzidas"). Atherinidae... Neste sentido. o manejo destes sistemas requer ações específicas. 1578 . A ICTIOFAUNA NATIVA FLUMINENSE “Os rios desse país estão cheios de uma infinidade de peixes medianos e pequenos aos quais chamam os selvagens pirá-mirim. ou cerca de 45%. monstruosa (. uma região antiga. (Em JEAN DE LÉRY. Durante chuvas fortes é esperado que processo similar ocorra nos rios em enfoque. espécies de hábitos exclusivamente dulciaqüícolas. tem a cabeça muito grande. seja dos ambientes seja do tamanho das populações) verifica-se. Ophichthidae e Ariidae.)”. não possuem.a ocorrência de mortandade de organismos em pequenos rios de outras áreas biogeográficas. exclusivamente do grupo dos teleósteos. lagunas e represas) no mínimo cerca de 273 espécies nativas de peixes. logo. O Quadro 6 relaciona as espécies presentes em sistemas fluviais.

1794) Hoplerythrinus unitaeniatus (Spix.Quadro 6 . pectinata (Jenyns. grajahuensis Travassos. 1875 L. 1829) Anchovia clupeoides (Swaison. 1944 C.1 Characidium sp. vidali Travassos. 1829) Opisthonema oglinum (LeSueur. 1829) PROCHILODONTIDAE Prochilodus lineatus (valenciennes. 1909) ANOSTOMIDAE Leporinus sp. 1947) P. japuhybensis Travassos. 1967 C.4 C.2 Characidium sp. 1831) OPHICHTHYIDAE Myrophis punctatus Lutken. 1842) Harengula clupeola (Cuvier. tricolor (Agassiz. 1879) A.Composição geral da ictiofauna nativa de águas interiores do Estado do Rio de Janeiro D – Dulciaqüícola M – Marinha Táxon ANGUILIFORMES MURAENIDAE Gymnothorax ocellatus Agassiz. 1967 C. 1829) CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus (Bloch. 1766 CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Brevoortia aurea (Spix. oiticicai Travassos. 1949 C. 1917) Sardinella brasiliensis (Steindachner. interruptum (Pelegrin. 1824) CRENUCHIDAE Characidium sp. 1875 L.nov. Leporinus copelandii Steindachner. lauroi Travassos.nov. 1911) Cetengraulis edentulus (Cuvier. 1879) ENGRAULIDIDAE Anchoa januaria (Steindachner. 1831 MURAENESOCIDAE Cynoponticus savanna (Bancroft. 1859 CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert (Quoy & Gaimard. 1851 ELOPIFORMES ELOPIDAE Elops saurus Linnaeus. 1839) Anchoviella lepidentostole (Fowler. 1875 CHARACIDAE Gen. 1949 C.sp. vimboides Kner. 1829) B.3 Characidium sp. mormyrops Steindachner. conirostris Steindachner. Nome Vulgar Moréia Moréia Moréia Tabarana Savelha Savelha Sardinha Sardinha bandeira Sardinha Sardinha verdadeira Manjuba Manjuba Manjuba Manjuba Manjuba Manjuba dentuça Traíra Morobá Curimbatá Curimbatá de lagoa Sairú Canivete Canivete Canivete Canivete Canivete Canivete Canivete Canivete Canivete Canivete Piau Piau vermelho Piau branco Piau Sem nome vulgar Categoria M M M M M M M M M M M M M M M M D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D 27 . 1828) Lycengraulis grossidens (Agassiz. 1818) Platanichthys platana (Regan.

pedri Eigenmann. scabripinnis (Jenyns. microcephalus (Ribeiro. tenuis Bizerril & Auraújo.1 Astyanax sp. 1803) Sciadeichthys luniscutis (Valenciennes. duragenis Ellis. 1901) Nome Vulgar Tetra azul Bocarra Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Piabanha Pirapitinga Bagre Bagre urutu Bagre-branco Bagre Surubim Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Mandi Mandi Mandi Mineiro branco Jundiá Sem nome vulgar Sem nome vulgar Categoria D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D M M M M D D D D D D D D D D 28 . 1823) Rhamdioglanis frenatus Ihering. parahybae Eigenmann. 1925 Bryconinae Brycon opalinus (Cuvier. lateristriga (Lichtenstein. 1842) A. intermedius Eigemann. Taunaya bifasciata (Eigenmann & Norris. 1876) Tetragonopterinae Oligosarcus hepsetus (Cuvier. giton Eigenmann. 1829) Genidens genidens (Valenciennes. 1907 Rhamdia quelen (Quoy & Gaimard. 1911 Cheirodontinae Cheirodon ibicuhiensis Eigenmann. 1908 A. 1918) Hollandichthys multifasciatus Eigenmann & Norris. 1995 B. 1824) Rhamdiopsis sp. parahybae (Steindachner. 1924 H. fasciatus (Cuvier. 1875) Pimelodella sp. 1840) PIMELODIDAE Pimelodinae Steindachneridion parahybae (Steindachner. 1839) Netuma barba (Lacépède. 1817) Brycon sp. flammeus Myers. SILURIFORMES ARIIDAE Cathrops spixii (Agassiz. 1915 Oligobrycon microstomus Eigenmann. 1908) B. 1908 A. 1908 A. 1915 Spintherobolus broccae Myers. 1992 M. 1817) Astyanax sp. 1876) Pseudopimelodinae Microglanis nigripinnis Bizerril & Peres-Neto. B. 1817) A.3 A. 1908 D. 1992 Deuterodon parahybae Eigenmann. taeniatus (Jenyns. 1911 H.Táxon Glandulocaudinae Mimagoniates microlepis (Steindachner. 1900 Probolodus heterostomus Eigenmann.reticulatus (Eigenmann. 1876) P. luetkeni (Boulenger. 1887) H. 1889 Imparfinis minutus (Luetken.* P. 1908 Hyphessobrycon bifasciatus Ellis. bimaculatus (Linnaeus. 1842) Bryconamericus sp. 1908 A. 1758) A. brasiliensis (Steindachner. 1880) Heptapterinae Acentronichthys leptos Eigenmann & Eigenmann. ornaticeps Bizerril & Peres-Neto. 1911 H.2 Astyanax sp. janeiroensis Eigenmann.

1876) ASPREDINIDAE Dysichthys iheringii (Boulenger. moréia Cambeva. 1889) T. zonatus (Eigenmann. 1906) T. Sarcoglanidinae Listrura sp. 1824) C. 1992 T. moréia Cambeva. moréia Cambeva. moréia Cambeva. mimonha Costa.1 Rineloricaria sp. 1992 T. moréia Cambeva. variipictus Bizerril. moréia Cambeva. florensis (Ribeiro. microps (Steindachner. moréia Cambeva. 1877 C. itatyae (Ribeiro. rhombocephala Ribeiro. moréia Cambeva. moréia Cambeva. moréia Cambeva. moréia Cambeva. 1992 T. 1918) T. 1917) T. 1876 H. 1995 Loricariinae Harttia carvalhoi Ribeiro. moréia Cambeva. 1758) Hoplosternun litoralle (Hancock. moréia Cambeva. 1992 T. moréia Cambeva. Listrura nematopteryx Pinna.passarelii (Ribeiro. 1904) Nome Vulgar Cumbaca Cumbaca Sem nome vulgar Sem nome vulgar Cambeva. loricariformes Steindachner. callichthys (Linnaeus. triguttatus (Eigenmann. 1949) T. 1943) T. 1988 CALLICHTHYIDAE Callichthyinae Callichthys aff. 1840) N. nigricauda (Regan. mirissumba Costa. 1876) N. 1918 Parauchenipterus striatulus (Steindachner. goeldi (Boulenger. 1918) Stegophilinae Homodiaetus sp. vermiculatus (Eigenmann. 1980 LORICARIIDAE Neoplecostominae Neoplecostomus granosus (Valenciennes.3 Trichomycterus sp. prionotus Nijssen & Isbrucker. 1944) Glanapteryginae Microcambeva barbata Costa & Bockmann. paquequerensis (Ribeiro. albinotatus Costa. moréia Cambeva. 1939 H.Táxon AUCHENIPTERIDAE Glanidium melanopterum Ribeiro. moréia Cambeva. H. moréia Sem nome vulgar Sem nome vulgar Categoria D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D Sem nome vulgar Sem nome vulgar D D Tamboatá Sassá-mutema Limpa-fundo Limpa-fundo Limpa-fundo D D D D D Cascudo Cascudo Cascudo Caximbau Caximbau Caximbau Caximbau Caximbau Caximbau Caximbau D D D D D D D D D D 29 . 1918) Trichomycterus sp.1 Trichomycterus sp. 1917 T. nattereri Steindachner. travassoi (Ribeiro. 1891) TRICHOMYCTERIDAE Trichogeninae Trichogenes longipinnis Britski & Ortega. auroguttatus Costa. 1869) T. moréia Cambeva.4 T. 1943) T. 1828) Corydoradinae Corydoras barbatus (Quoy & Gaimard. moréia Cambeva. 1983 Trichomycterinae Ituglanis parahybae (Eigenmann. immaculatus (Eigenmann & Eigenmann.2 R. alternatus Eigenmann.2 Trichomycterus sp. 1939 Loricariichthys sp. Rineloricaria sp.

1999 MYCTOPHIFORMES SYNODONTIDAE Synodus foetens (Linnaeus. 1758 G. 1847 HYPOPOMIDAE Brachypopomus janeiroensis (Costa & Campos da Paz. Lacerda & Tanizaki. sylvius Albert. fractifasciatus Costa. 1877) Pseudotocinclus tietensis (Ihering. H. 1876) H. multispinis (Regan. 1918) Hypostominae Delturus parahybae Eigenmann & Eigenmann. 1792) S. gobio (Lutken. 1829 Ancistrinae Ancistrus sp A. luetkeni (Steindachner. 1911 H. cruzi Costa. 1766) BELONIFORMES EXOCOETIDAE Hyporhamphus unifasciatus (Ranzani. timucu (Wallbaum. 1874) Hypostomus affinis (Steindachner. 1812) R. 1876) Rhinelepis aff. 1868 Leptolebias citrinipinnis Costa. 1889) Parotocinclus maculicauda (Steindachner. Fernandes-Martioli & Almeida-Toledo.Táxon R. 1907) Pogonopomoides parahybae (Steindachner. 1908 G. 1988 L. 1988 L. 1840 Kronichthys heylandi (Boulenger. fluminensis (Faria & Muller. 1889 Otocinclus affinis Steindachner. ocellatus Hensel. pantherinus Steindachner. marmoratus L. steindachneri (Regan. 1937) Nome Vulgar Caximbau Cascudinho Cascudinho Cascudinho Cascudinho Cascudinho Cascudinho Cascudinho Cascudinho Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Sarapó Sarapó Sarapó Sarapó Sarapó Categoria D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D Tira vira Voador Peixe agulha Peixe agulha Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar M M M M D D D D D D D D D D 30 . 1877 Otothyris lophophanes (Eigenmann & Eigenmann. notatus Eigenmann & Eigenmann. garbei Ihering.n H. sandrii (Faria & Muller. 1904) Hypoptopomatinae Hisonotus sp. 1937) L. 1792) CYPRINODONTIFORMES RIVULIDAE Rivulus brasiliensis (Humboldt & Valenciennes. 1889 Hemipsilichthys sp. aspera Agassiz. 1984 Schizolecis guntheri (Ribeiro. duseni (Ribeiro. 1842) BELONIDAE Strongylura marina (Wallbaum. 1904) GYMNOTIFORMES STERNOPYGIDAE Eigenmannia virescens Valenciennes. 1988 L. 1907) Pseudotothyris janeirensis Britski & Garavello. 1991) GYMNOTIDAE Gymnotus carapo Linnaeus. 1991 R. punctatus Valenciennes. P. janeiroensis Costa. 1900) Pareiorhina sp. minimus L. 1876) H.

undecimalis (Bloch. 1860 C. 1803 SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus (Kaup. 1916 ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata (Jenyns. 1766) CARANGIDAE Caranx bartholomei Cuvier. falcatus (Linnaeus. crysos (Mitchil. 1829 SERRANIDAE Acanthistius brasilianus (Cuvier. 1758) Nome Vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Peixe-rei Trombeta Cachimbo Cachimbo Cachimbo Coió Cabrinha Mussum Mangangá-liso Mangangá-liso Robalo Robalo Olho de cão Mixole de areia Garoupa Badejo Enchova Pampo Xerelete Pampo Pampo Palometa do alto Pampo Pampo Pampo Categoria D D D D D D D M M M M M M M D M M M M M M M M M M M M M M M M M 31 .Táxon Nematolebias whitei (Myers. 1829) CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus Poey. hippos (Linnaeus. 1923) Syngnathus rousseau Kaup. 1766) Epinephelus striatus (Bloch. 1792) PRIACANTHIDAE Priacanthus arenatus Cuvier. 1824) GASTEROSTEIFORMES FISTULARIIDAE Fistularia petimba Lacépède. 1942) Sympsonichthys constanciae (Myers. 1868) Phallotorynus fasciolatus Henn. 1766) C. 1815) C. 1828) Diplectrum formosum (Linnaeus. 1758) T. 1833) Oligoplites saurus (Bloch & Schneider. 1868) Phalloceros caudimaculatus (Hensel. 1758) SCORPAENIFORMES TRIGLIDAE Prionotus punctatus (Bloch. 1797) SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus Bloch. 1801) Trachinotus carolinus (Linnaeus. 1942) POECILIIDAE Poecilinae Poecilia vivípara Schneider. 1831 Hemicaranx amblyrhynchus (Cuvier. 1837) PERCIFORMES URANOSCOPIDAE Astroscopus ygraecum (Cuvier. 1856) Pseudophalus mindi (Meek & Hildebrand. 1842) ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis (Quoy & Gaimard. 1795 BATRACHOIDIFORMES BATRACHOIDIDADE Porichthys porosissimus (Valenciennes. 1801 Cnesterodontidae Phallopthychus januarius (Hensel. 1856 DACTYLOPTERIFORMES DACTYLOPTERIDAE Dactylopterus volitans (Linnaeus. 1833 C. 1792) Myctoperca bonaci (Poey. 1860) POMATOMIDAE Pomatamus saltator (Linnaeus. latus Agassiz.

probatocephualus (Walbaum. 1790) Eleotris pisonis (Gmelin. 1823) Menticirrhus americanus (Linnaeus. richii Gerres aprion (Baird & Girard. 1830) SCIANIDAE Cynoscion leiarchus (Cuvier. 1879 Pogonias cromis (Linnaeus. 1758) Haemulon plumier i (Lacépède. corvianeformis (Steindachner. melanopterus Bleeker. gula Quoy & Gaimard. 1863 HAEMULIDAE Anisotremus virginicus (Linnaeus. 1766) Bairdiella ronchus (Cuvier. platanus Gunther. emborê Peixe-flor Maria da toca Sem nome vulgar Sem nome vulgar Categoria M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M D M M M M M M M M M M D D D M M M D M M M 32 . 1850) G. setapinnis (Mitchil. 1830) D. 1789) Guavina guavina GOBIIDAE Awaous tajasica (Lichtenstein. 1831) CICHLIDAE Cichlassoma facetum (Jennys. 1868) SPARIDAE Archosargus rhomboidalis (Linnaeus.Táxon Selene vomer (Linnaeus. 1875) Pachyurus adspersus Steindachner. 1824) ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus (Bloch. 1842) Crenicichla lacustris (Castelnau. 1758) Paralonchurus brasiliensis (Steindachner. 1828) L. 1836 M. 1824 G. 1815) Uraspis secunda (Poey. rhombeus (Cuvier. 1882) Nome Vulgar Galo Galo Pampo Caranho-vermelho Vermelho Carapeba Carapeba Carapeba Carapicu Carapicu Carapicu Carapicu Salema Cocoroca Cocoroca Cocoroca Cocoroca Cocoroca Sargo Sargo Marimbá Pescada Corvina Corvina Corvina Corvina Miraguaia Corvina Enxada Parati Tainha Taínha Tainha Tainha Sargentinho Pirajica Acará-ferreirinha Jacundá Acará Moréia. 1830) Micropogonias furnieri (Desmarest. 1801) GERREIDAE Diapterus lineatus (Cuvier. 1830 P. 1830) Pomadasys croco Cuvier. 1860) LUTJANIDAE Lutjanus analis (Cuvier. 1837) Chriolepis vespa Hasting & Bortone. lefroyi (Gunther. 1829) D. emborê Moréia. 1758) KYPHOSIDAE Kyphosus incisor (Cuvier. 1824) G. 1830) EPHIPIDIDAE Chaetopterus faber (Broussonet. gaimardinus Desmarest. emborê Moréia. 1758) Conodon mobilis (Linnaeus. 1860 POMACENTRIDAE Abudefduf saxatilis (Linnaeus. trichodon Poey. 1792) Diplodus argenteus (Valenciennes. 1782) MUGILIDAE Mugil curema Valenciennes. 1802) Orthopristis ruber (Cuvier. 1881 Gobionellus boleosoma (Jordan & Gilbert. 1836 M. liza Valenciennes. 1822) Bathygobius soporator (Valenciennes. 1758) A. 1855) Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard. 1880 M. 1758) S. jocu (Bloch & Schneider. 1831 M.

triocellatus CYNOGLOSSIDAE Symphurus plagusia (Bloch & Schneider. como robalos. 1801) TETRAODONTIFORMES MONACANTHIDAE Catherine pullus (Ranzani. 1889) Trinectes paulistanus (Miranda Ribeiro. 1830) TETRAODONTIDAE Sphoeroides greeleyi (Gilbert. que nos sistemas aquáticos interiores do Estado do Rio de Janeiro ocorre um conjunto ictiofaunístico caracterizado pela mistura de espécies eminentemente dulciaqüícolas com taxa marinhos (muitos dos quais reconhecidamente eurialinos) (Figura 6). 1766) S. 1915) T. orbignyana P. 1902 C. manjubas e tainhas realizam grandes migrações para áreas mais interiores. 33 . 1886) G. Por outro lado. pelo arranjo apresentado. De um modo geral. Contudo. 1928) BOTHIDAE Citharichthys arenaceus Evermann & Marsh. 1758) DIODONTIDAE Chilomycterus spinosus Nome Vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Maria da toca Maria da toca Linguado Linguado Linguado Linguado Linguado Linguado Linguado Linguado Linguado Linguado Linguado Linha de mulata Peixe porco Peixe porco Peixe porco Peixe porco Baiacu Baiacu Baiacu Baiacu espinho Categoria M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M M *Provavelmente Pimelodella eigenmanni Boulenger. 1770) G. microphtalmus (Chabanaud.Táxon G. 1900 BLENIIDAE Hypleurochilus fissicornis (Quoy & Gaimard. 1842) Monacanthus ciliatus (Mitchill. notadamente nos estuários. como será detalhado nos capítulos posteriores. 1862 Paralichthys brasiliensis (Ranzani. schufeldti (Jordan & Evermann. 1758) Catathyridium garmani (Lordan & Gross. alguns taxa. spengleri (Bloch. algumas espécies dulciaqüícolas (ver Quadro 7 para uma síntese da riqueza de espécies de cada grupos) ocasionalmente adentram estuários e lagunas e pelo menos alguns dos representantes da ordem Cyprinodontiformes são encontrados apenas nestes sistemas. 1824) Scartella cristata (Linaneus. testudineus (Linnaeus. espécies marinhas tendem a se concentrar nas partes baixas dos rios. setifer (Bennett. 1891 Verifica-se. spilopterus Gunther. 1758) S. 1900) S. oceanicus (Pallas. 1818) Stephanolepis hispidus (Linnaeus. stomatus Starks. 1913 Micogobius meeki Evermann & Marsh. bem como nas lagunas e lagos costeiros. 1840) P. isoscelles P. 1758) PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Achirus lineatus (Linnaeus.

. A maior parte das espécies de peixes de água doce ocorrentes no Estado do Rio de Janeiro encontra-se dentro do grupo dos Ostariophysi (subgrupo dos Otophysi). No caso específico da família Gobiidae. em diferentes classes de tamanho e em diversos estágios de desenvolvimento em trechos muitos distantes do mar. Dados mais aprofundados sobre este segundo grupo podem ser obtidos principalmente nos trabalhos de SHIPP (1974). incluindo o alto curso de vários rios.e. MENEZES & FIGUEIREDO (1980).150 Número de espécies 100 50 0 Dulciaquícolas Marinhas Figura 6 . cambevas. FIGUEIREDO & MENEZES (1978.Número de espécies dulciaqüícolas e marinhas encontradas nas águas interiores do Estado do Rio de Janeiro O presente documento concentrará esforço principalmente na descrição das espécies de água doce. tendo em vista seu registro. traíras. surubim. cascudos.) e os Gymnotiformes (tuviras. 34 . a espécie Awaous tajassica foi tratada juntamente com os taxa dulciaqüícolas. etc. (1998). lambaris). jundiás. 1979). dentre outros. traçando algumas considerações acerca das espécies marinhas eurialinas quando da descrição da ictiofauna presente nas diferentes Macrorregiões Ambientais. CIONE et al. RIVAS (1986). MENEZES (1983). piaus. MENEZES & FIGUEIREDO (1998). ao qual pertencem os Characiformes (i. os Siluriformes (bagres. sarapos) (Figura 7).

Quadro 7 – Estimativa do número mínimo de gêneros e espécies. por ordem e famílias dulciaqüicolas presentes em águas interiores fluminenses. Ordem Família Erytrinidae Anostomidae Chrenuchidae Characidae Prochilodontidae Curimatidae Pimelodidae Auchenipteridae Aspredinidae Trichomycteridae Callichthyidae Loricariidae Sternopygidae Hypopomidae Gymnotidae Rivulidae Anablepidae Poeciliidae Synbranchidae Cichlidae Scianidae Gobiidae Número de Gêneros 2 1 1 12 1 1 8 2 1 6 3 18 1 1 1 4 1 4 1 3 1 1 Número Mínimo de Espécies 2 4 10 31 2 1 12 2 1 24 6 30 1 1 2 9 1 4 1 3 1 1 Characiformes Siluriformes Gymnotiformes Cyprinodontiformes Symbranchiformes Perciformes 80 Número de espécies 70 60 50 40 30 20 10 0 Cyprinodontiformes Gymnotiformes Figura 7 – Número de espécies por ordem 35 Sybranchiformes Siluriformes Characiformes Perciformes .

Os Otophysis notabilizam-se. lançada ao meio quando a célula é danificada. usualmente dispersando em várias direções ou ocultando-se no fundo. exclusivos da Ásia. além dos demais taxa já mencionados. e os Otophysi. A movimentação diferencial das membranas da bexiga natatória quando ondas sonoras a atinge causa oscilações na cadeia de ossos do aparato de Weber. intercalarium e claustrum. as quais são conduzidas ao ouvido. desta forma. tripus. 1966. a bexiga natatória encontra-se conectada com os ossos nomeados sacphium.Em verdade. este grande grupo compreende mais de três quartos da fauna de peixes de água doce do mundo. gerando. Fonte: Modificado de LAUDER & LIEM (1983) Figura 8 . por apresentarem as primeiras vértebras que se articulam com a caixa craniana fortemente modificadas. Desta forma. 1975). um peixe ferido libera a substância de alarme no ambiente e as espécies que percebem este elemento alteram seu comportamento. Nestes peixes. dentre outros aspectos. LAUDER & LIEM. Apresenta uma série de particularidades anatômicas que lhes são exclusivas (cf. Dentro do grupo dos Ostariophysi (designado como uma super ordem por NELSON. 1994) reconhecem-se dois grandes complexos taxonômicos. um mecanismo de percepção de sons (ALEXANDER.Aparato de Weber 36 . que engloba a ordem das carpas e afins (Cypriniformes). formando uma estrutura denominada Aparato de Weber (Figura 8). 1983) sendo particularmente interessante a presença de células epiteliais produtoras de uma substância de alarme. Os Anatophysi.

até uma série de espécies miniaturas (WEITZMAN & VARI.. dentro do conjunto dos Ostariophysi. passível de ser desmembrado em diversas outras novas espécies (cf. encontra-se neste grupo desde espécies omnívoras. Hoplias malabaricus Fonte: FOWLER (1946) Figura 9 . Hoplias malabaricus (traíra) e Hoplerythrinus unitaeniatus (jeju ou morobá). 1990). a origem da maior parte das linhagens de Characiformes é anterior a separação da Gondwana. Apenas duas espécies são nativas de ecossistemas interiores do Estado do Rio de Janeiro. A ordem apresenta 6 famílias nas águas interiores do Estado do Rio de Janeiro. A variedade de ecomorfológica. A família Erytrhinidae reúne espécies predadoras conhecidas popularmente como traíras. Ambos os taxa apresentam ampla distribuição na América do Sul.. com dentição e comportamento altamente modificados. a maior diversidade de formas e hábitos. se tratando de um taxa introduzido (ver item Espécies Introduzidas). OYAKAWA. viabiliza a ocupação de ampla gama de ambientes.. Prochilodontidae e Characidae. O tamanho varia desde espécies de grande porte. até espécies parasitas. No que se refere a dieta alimentar. que representam importante fração dentro da pesca comercial de diversas regiões do Brasil (BITTENCOUT & COX-FERNANDES. jejus ou morobas. Curimatidae. Espécies variam desde predadores equipados com dentição bem desenvolvida até espécies detritívoras.Hoplias malabaricus da Bacia do Rio Itabapoana e Hoplerythrinus unitaeniatus 37 . que se encontra ordenada em um número superior a 1.. Hoplerythrinus unitaeniatus Dorsal com 11 a 15 raios ramificados . desde o alto curso de rios até pequenas depressões alagadas. 1990). De acordo com FINK & FINK (1981)... condição esta que sugere se tratar de complexos de espécies. Uma terceira espécie (Hoplias lacerdae) tem sido registrada no Estado. totalmente desprovidas de dentes. 1988).300 espécies (VARI. Chrenuchidae. 1998). sem especializações marcantes para a obtenção e processamento do alimento.A ordem Characiformes é o grupo de peixes que exibe. a saber: Erythrinidae. A forma do corpo varia de espécies alongadas a formas praticamente discoides. A diferenciação das espécies nativas (Figura 9) pode ser efetuada considerando os caracteres abaixo: Dorsal com 8 ou 9 raios ramificados .. Anostomidae.

e ictiófaga na fase adulta. Siluriformes (FO = 6.3 5.66 50 63.Resultado de estudos acerca da alimentação de Hoplias malabaricus no Estado do Rio de Janeiro FO = Freqüência de ocorrência. H. De acordo com os autores.18%).3 e 60mm 80 66.24% e IIR = 3. Sua estratégia de caça é baseada na espreita da presa.12% e IIR = 6.37%) e espécie não identificada do gênero Astyanax (FO = 3.25% e IIR = 17. malabaricus com H. ROMANINI (1989) e MENI & NIMURA (1993).96 3.37%).2%). seguida de rápida investida.1 5.).88 3.62% e IIR = 40.17 25.88 3.13 1. A atividade de caça de uma população de H. unitaeniatus foi descrita por MACHADO & SAZIMA (1992). Quadro 8 .75% e IIR = 17. demonstraram que Hoplias malabaricus é planctófaga. Pode ainda caçar em cardumes. cit.34 Fonte: LOWE-McCONNEL(1999) Resíduos orgânicos Restos vegetais Roedor Ostracoda Copépoda Insetos em geral Larvas de Odonata Chironomidae Peixes Crustáceos Ephemeroptera Aracnídeos 38 . CP = Comprimento Padrão.6%). ocorrendo tanto em sistemas fluviais como em complexos palustres.12% e IRR = 3. Itens identificados Bacia do Rio São João FO (%) em 30 espécimes CP entre 15. unitaeniatus são típicos de ambientes de baixada. cuja estratégia de captura de alimento é baseada na espreita da presa. restos de peixes (FO = 31. Na população da represa de Ribeirão das Lajes.74 65. Observações de AZEVEDO & GOMES (1943). Os resultados. unitaeniatus insere-se na mesma guilda trófica. pelo índice de importância relativa. IRR = Índice de Importância Relativa. (op. durante a fase larval. situação na qual um dos indivíduos investe sobre o grupo de presas.38%). dentre outros. Os mesmos autores observaram atividade caracteristicamente crepuscular ou noturna em Hoplias malabaricus. no caso do trabalho de REIS et al. (2000) (para espécimes capturados no reservatório da Represa de Ribeirão das Lajes (Bacia do Rio Paraíba do Sul).89%).13 62. quando no estádio de alevino. expressos em freqüência de ocorrência e. Tilapia rendalli (FO = 6. o que leva a dispersão dos espécimes e da posterior captura por outros componentes do grupo de caça (utilizando a terminologia empregada pelos autores). o item "peixes" agregou os seguintes conjuntos alimentares: peixes não identificados (FO = 40.33 CP entre 61 e 250mm 75 45 25 10 Represa de Ribeirão das Lajes FO (%) em 72 IIR (%) em 72 espécimes espécimes Sem indicação de comprimento 41. encontram-se no Quadro 8. Estudos efetuados especificamente com populações de traíras no Estado do Rio de Janeiro foram apresentados por BIZERRIL (1995) (enfocando organismos capturados na bacia do Rio São João) e por REIS et al. trata-se de espécie de hábitos diurnos.24% e IIR = 11. Oligosarcus hepsetus (FO = 3. insetívora.Tanto H. Cichla monoculus (FO = 18.

ou baseadas em série muito limitada de exemplares. japuhybensis. C.Characidium interruptum e C. a bexiga natatória. uma condição que auxilia na sobrevivência em ambientes com baixa oxigenação.. japuhybensis Muitas populações (e. Trata-se de um grupo que ainda reúne uma série de problemas taxonômicos. malabaricus ocorre de agosto a dezembro. vidali. Nas bacias que fluem pelo Estado do Rio de Janeiro. um taxon de ampla distribuição na América do Sul. os dados ora apresentados são passíveis de mudanças significativas. oiticicai. grajahuensis. algumas das quais pouco precisas. O estudo desenvolvido dentro da parceria ENGEVIX/UFRJ (1991) indicou que. Figura 11) não se enquadram plenamente dentro das diagnoses já apresentadas. é composta por espécies de pequeno porte representadas. reconhecemos pelo menos quatro populações. referentes tanto ao reconhecimento de novas espécies como a correta definição do status de muitas das formas já classificadas. ocorrem 6 espécies já descritas (C. C. lauroi. 1949) Figura 10 . unitaeniatus. ocorrentes nas Bacias dos Rios Paraíba do Sul. o período reprodutivo de H. Dentro do Estado do Rio de Janeiro. apenas pelo gênero Characidium.ver Figura 10 para exemplo de duas espécies presentes no Estado do Rio de Janeiro). interruptum . C. A segunda família de Characiformes tratada neste documento. Fonte: TRAVASSOS (1952. ocorrendo desde o leste do Panamá até a província de Buenos Aires na Argentina e contando com 42 espécies válidas (BUCKUP. o que torna o reconhecimento das espécies deste grupo particularmente difícil. C.1 e Characidium sp. FIGURA 11 . altamente vascularizada. C. no Estado do Rio de Janeiro.Em H. São João/Una. os Chrenuchidae. Desta maneira. 1998).g. Macaé e Itabapoana que consistem em formas que não se enquadram nas diagnoses já existentes. é usada também como órgão de trocas gasosas. na bacia do Rio Paraíba do Sul.2. respectivamente) 39 .Duas espécies de Characidium de status taxonômico não definido (denominadas neste livro Characidium sp.

. no Estado do Rio de Janeiro...75 no comprimento padrão. no estudo de uma população de Characidium do Espirito Santo. além do aspecto ecológico.. sendo igualmente encontrada em ambientes alagados..Espécies do gênero Characidium na área em enfoque apresentam hábito alimentar eminentemente insetívoro (COSTA.. BIZERRIL. interruptum é a única. Este táxon.... Leporinus copelandii Espécies com a boca situada em posição inferior .. HALBOTH & CARAMASCHI. devendo proporcionar maior aderência à superfície rugosa da rocha. Peixes conhecidos como piaus pertencem à família Anostomidae. ZAMPROGNO et al.. 1989..... Leporinus mormyrops. Uma mancha no final do pedúnculo caudal .... altura do corpo 4. Leporinus conirostris Fonte: Pranchas de STEINDACHNER (1886) Figura 12 . sendo sua identificação possível de acordo com as características apresentadas na chave a seguir. A maior parte ocorre em riachos. altura do corpo 4 no comprimento padrão .Espécies de Leporinus ocorrentes no Estado do Rio de Janeiro (Leporinus copelandii..... 1995). por apresentar linha lateral interrompida.... (1989) relataram. mancha vermelha lateral na boca) .. 34 escamas na linha lateral.. 2 • 36 ou 37 escamas na linha lateral. 1987... mormyrops. que habita preferencialmente riachos de planície.. • Espécies com boca situada em posição terminal (35 escamas na linha lateral.. São comumente verificados entre pedras e troncos. Esta é facilmente diferenciada das demais forma. que agrega formas omnívoras...... elaborada a partir dos dados fornecidos por GÉRY (1977) e GARAVELLO (1979)...... flexíveis e ligeiramente recurvadas para trás (uma condição também observada nas outras espécies deste gênero).. anal com 10 raios... possui três espécies reconhecidas no Estado (Figura 12). a capacidade de deslocamento rio acima de peixes do gênero em enfoque em uma cachoeira de aproximadamente 15m de altura e inclinação de 90o . Leporinus conirostris) 40 . L. Pela análise da estrutura das nadadeiras pares foi verificado que os 5 primeiros raios apresentam suas extremidades destacadas... preferencialmente nas áreas na qual a água exibe maior velocidade.. A espécie C..

5mm) As alterações na morfologia e na alimentação de Leporinus sp.1. uma quinta forma. em uma relação inversa ao crescimento. forma e distribuição é bastante clara.2 (Figura 14).5mm . O padrão de crescimento verificado conduz a uma mudança na forma da espécie ao longo da série ontogenética (i. abrangendo deste juvenis até adultos). mormyrops e L. conirostris. com as nadadeiras anal e dorsal fortemente pigmentadas. Desta forma. a qual passa de um ponto superior (verificado nos exemplares com 10 a 120 mm CP) para um nível subinferior nos espécimes maiores. as mudanças ontogenéticas viabilizam o gradual uso da calha do rio como área de vida (abandonando as áreas marginais) e conduzem a mudança no hábito alimentar que mostra-se eminentemente zooplanctófago nas fases juvenis e omnívora bentófaga nas fases adultas. posicionadas ao longo da linha média do corpo. série de espécimes com diferentes tamanhos. o aumento da região pós-dorsal e pós-pélvica e a alteração na posição da boca. nos quais evidenciam-se somente três máculas escuras pouco nítidas. da bacia do Rio São João foram estudadas por BIZERRIL (1995). é referido como Leporinus sp.1 .15. No processo de crescimento da espécie. a interação entre tamanho. destacando-se a formação de um corpo menos comprimido lateralmente.e. tem sido recentemente registrada.Leporinus sp.e adulto . Nessa espécie. na região entre Itaocara e São Fidélis. as mudanças no colorido geral do corpo durante o crescimento são extremamente evidentes. tratada como Leporinus sp. Ainda na bacia do Rio Paraíba do Sul.Ocorrente nas Bacias do Rio São João e Paraíba do Sul (Espécime juvenil .Na bacia do Rio São João e do Paraíba do Sul ocorre uma quarta forma de Leporinus que não se enquadra plenamente na definição das demais espécies (Figura 13).. 41 . 1979) e possivelmente consistem em um padrão do grupo. Figura 13 . possivelmente introduzida. similar a verificada em L. verificando-se padrão barrado. Processos similares de mudança foram observados em outras espécies de Leporinus (GARAVELLO. no item Espécies Introduzidas. que exibe boca inferior. Nesta última fase em particular ocorre uma redução gradual da intensidade do colorido. No presente documento este taxon. nos estágios iniciais de desenvolvimento (10 a 80 mm CP) e uma coloração menos conspícua em exemplares maiores.315.

Figura 15).Figura 16). Cariótipo de 2n = 54 foi igualmente registrado para Leporinus copelandii da Bacia do Rio Itabapoana pela equipe do PROJETO MANAGÉ (1998). 1995). Fêmeas aptas à reprodução foram registradas entre agosto e fevereiro e no período de fevereiro a julho observou-se predomínio de fase de recuperação gonadal. Foi observado desenvolvimento ovocitário caracterizando desova total para a espécie. que é encontrada em grande parte das bacias fluminenses ocupando lagoas.Cariótipo de L. conirostris da Bacia do Rio Paraibuna (Sistema do Rio Paraíba do Sul) Os Curimatidae são peixes depositívoros iliófagos de médio porte (tamanho máximo usualmente menor que 25cm). Estes organismos. figuram entre itens mais comumente pescados nas regiões Norte e Noroeste fluminense. popularmente denominados sairus. 42 . Informações acerca da citogenética de Leporinus conirostris foram apresentadas por GALETTI et al.Figura 14 . que identificaram um cariótiopo de 2n = 54 e a ocorrência de sistema sexual do tipo ZW (fêmea = ZW e machos = ZZ .Leporinus sp. sendo em muitas áreas uma das espécies de peixes mais abundantes. facilmente reconhecidos por sua coloração prateada e pela ausência de dentes. (1993. Os dados obtidos no estudo sugerem que a espécie realize migração reprodutiva. lagos costeiros e as áreas de baixada dos rios. (1995) Figura 15 . Fonte: GALETTI et al.2 (provavelmente uma espécie introduzida) A biologia reprodutiva de uma das espécies de anostomídeos fluminenses (Leporinus copelandii) foi detalhadamente analisada na Bacia do Baixo Rio Paraíba do Sul por COSTA (1999). A família possui apenas uma espécie no Estado (Cyphocharax gilbert .

No espaço entre Itaocara e Ilha dos Pombos. Foi igualmente constatada menor biomassa gonadal quando comparada com a existente em populações do Rio Paraíba do Sul.0264 Cp3.06 para fêmeas. AZEVEDO (2000) identificou a ocorrência de dois picos reprodutivos.99.. após a eliminação dos gametas.Cyphocharax gilbert Estudo desenvolvido por MENEZES (1994) e MENEZES & CARAMASCHI (1994) no curso médio e inferior da Bacia do Rio Paraíba do Sul (i.Figura 16 . Na Bacia do Rio Muriaé. THOMÉ (1997) registrou a ocorrência de reprodução por um longo período.e. uma vez que embora tenha sido registrada a ocorrência deste parasita em outras espécies de peixes de águas interiores 43 . gilbert da Bacia do Rio Itabapoana foi identificado como 2n = 54 (PROJETO MANAGÉ. As análises histológicas destas estruturas indicaram que a espécie apresenta desova parcelada. gilbert. A variação cíclica das gônadas sugere que. no Estado do Rio de Janeiro. este momento foi identificado de setembro a dezembro. tanto no que se refere a época de reprodução quando a aspectos relacionados a estrutura geral da população. entre a cidade de Três Rios e o trecho próximo à desembocadura) enfocou aspectos populacionais e reprodutivos de C. O número diplóide da população de C. estas possam retornar à maturação ou entrar em processo de recuperação. gilbert reproduz com maior intensidade de dezembro a abril.. para machos e Pt = 0. 1998). ocorrendo dois picos no intervalo de um ano. Para as fêmeas e os machos.0317 Cp2. trecho entre Itaocara e Atafona e Bacia do Rio Pomba) como área de alimentação. Cyphocharax gilbert aparentemente é. foi observado que C. foi verificada uma dinâmica diferenciada dentro de sub-regiões. sendo considerada alta quando comparada com a de outros curimatídeos. Na Bacia do Rio Itabapoana. A fecundidade absoluta individual variou de 50196 a 468843 ovócitos com diâmetro igual ou superior a 400 micrômetros.e. intercalados por uma fase de recuperação em maio. Nas Lagoas de Cima e Feia. hospedeiro preferencial de um isópoda (Riggia paranensis). Dentro da bacia estudada. registrados nos bimestres de outubro/novembro e dezembro/janeiro. A integração dos dados apontou o trecho entre Três Rios e as proximidades de Além Paraíba e a Bacia do Rio Muriaé como áreas de reprodução da espécie e o setor restante da bacia estudada (i. maior intensidade de reprodução ocorre de setembro a abril. No espaço entre Três Rios e o entorno da UHE Ilha dos Pombos. A relação peso total (Pt)/comprimento padrão (CP) foi expressa pela equação Pt = 0. estes picos ocorreram no início da primavera e no verão.

é usualmente tratado como uma espécie introduzida no Estado. as maiores taxas de parasitismo se observam no sistema do Rio Itabapoana. com registros entre a Bacia do Rio Paraíba do Sul e os rios presentes ao sul da Bahia. lineatus). CASTRO.fluminenses. Quadro similar foi registrado no complexo da Lagoa de Cima/Lagoa Feia (THOMÉ. Contudo. Aparentemente.. estando bem próximo do opérculo. 1993). existindo uma controvérsia quanto a real origem de uma delas (P. 1997. scrofa em diversos estudos realizados no Estado do Rio de Janeiro. Dentre as bacias do Estado. superficialmente similares aos Curimatidae dos quais diferem em aspectos como o tamanho (são maiores) e a presença de pequenos dentes implantados sobre os lábios. gilbert Outro grupo de Characiformes que exibe hábito alimentar iliófago são os Prochilodontidae. sendo que Prochilodus vimboides (curimbatá de lagoa) ocorre em uma ampla área no leste brasileiro. lineatus (Figura 18). as maiores freqüências de ocorrência sempre se observam no sairu (Figura 17). (2000) e THOMÉ. A fêmea deste parasita. 1997). Duas espécies ocorrem no Rio de Janeiro (Prochilodus vimboides e P. mantendo contado como o meio externo através de orifício por meio do qual efetua as trocas gasosas e lança larvas ao ambiente. 44 . 1996). como por exemplo o coração e o intestino (AZEVEDO.. Fonte: AZEVEDO. THOMÉ et al. Nesta situação. utiliza os pereiópodos para fixar-se. com freqüência denominado P. é possível que consista em espécie nativa (R. Nenhum dos espécimes parasitados coletados na Bacia do Rio Itabapoana apresentou desenvolvimento gonadal. lineatus (= P. ver comentários no item “Espécies Introduzidas”). 2000). onde até 60% dos espécimes coligidos no trecho médio do canal principal encontravam-se parasitados (LIMA et al. aloja-se acima da inserção da nadadeira peitoral. É o representante do gênero Prochilodus que apresenta a menor contagem de escamas na linha lateral (34 a 39 escamas) (CASTRO. (1997) Figura 17 . P. O parasita influencia no investimento somático do hospedeiro. 2000. conhecido entre os pescadores como "besouro do sairu". 1997). o parasita não causa lesões nas vísceras (THOMÉ.M. SILVA. comunicação pessoal.Larva infectante de Riggia paranaensis e detalhe de parasita alojado em C.C. atrofia total das gônadas e elevado teor de lipídios em sua cavidade celomática e em torno de vários órgãos. Ambas as espécies apresentam distribuição no Alto Rio Paraná e em sistemas costeiros. Os peixes parasitados apresentaram igualmente baixas concentrações de hormônios sexuais. scrofa)).

(1999). A comunicação da existência deste peixe foi feita por CASTRO et al.Prochilodus lineatus. portanto reúne espécies e gêneros que não apresentam parentesco próximo.Figura 18 . conhecido entre aquaristas como tetra-azul (Mimagoniates microlepis). nos machos de glândulas e escamas modificadas na cauda. scrofa (Provavelmente P. Observam-se. escamas modificadas posicionam-se sobre um saco epidérmico que. Glandulocaudinae. Além do colorido azul metálico. op. lineatus) realiza deslocamentos que envolvem um percurso longo.. Os peixes da subfamília Glandulocaudinae possuem apenas um representante no Estado. por exemplo. Cheirodontinae e Bryconinae. com detalhe da região bucal Proquilodontídeos ocorrem tipicamente nas áreas de deposição dos rios e muitos efetuam migrações reprodutivas. TOLEDO-FILHO et al.). variações na sua estrutura e complexidade. Ainda não há dados consistentes sobre as populações fluminenses. 1985).e. entretanto. hipotetiza-se.300km considerando a migração ascendente (i. O mecanismo ilustrado da Figura 19 é comum a maior parte dos subgrupos de peixes que integram esta subfamília e ocorre em todos os pertencentes ao gênero Mimagoniates. calculado. 45 . No Estado ocorrem quatro subfamílias. cit. Tetragonopterinae. indicam que a população por eles denominada P. A família Characidae agrega a maior parte das espécies de Characiformes presentes em águas interiores do Estado do Rio de Janeiro. (1986).. outro elemento que permite o seu reconhecimento é a presença. como aproximadamente 1. Em linhas gerais. rio acima) e a posterior descida dos reprodutores (cf. atua como um sistema capaz de emitir ferômonio sobre a fêmea como conseqüência da movimentação da cauda durante a corte (WEITZMAN & FINK. Os trabalhos desenvolvidos por GODOY (1967) e TOLEDOFILHO et al. Para esta família deve-se destacar a existência de um gênero ainda não descrito na porção paulista do Rio Paraíba do Sul. na bacia superior do Rio Paraná. Consiste em um grupamento claramente artificial. formando um mecanismo de lançamento de feromônio ao meio. o qual vem sendo estudado por Ricardo Macedo Corrêa e Castro da Universidade do Estado de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto.

o que tem conduzido a alguns erros de identificação em trabalhos referentes à ictiofauna do Estado. larvas de Culicidae (44.76%) (BIZERRIL. 46 . Verificou-se a ocorrência de Hymenoptera (Formicidae) (88.47%). Resultados similares. Assemelham-se superficialmente aos peixes do gênero Acestrorhynchus (subfamíla Acestrorhynchinae . como os peixes-cachorro ou bocarras.5 mm. além de formas mais diferenciadas. onde usualmente se encontram os espécimes de maior comprimento. MENEZES et al. com boca ampla.11%). pois dependem de insetos terrestres para sua alimentação. com comprimento padrão variando entre 30. até pequenas depressões alagadas de baixadas.6 e 43.Fonte: LANGEANI (1989). (1990) incluíram as espécies de Mimagoniates dentro dos grupos de organismos que vivem em íntima associação com as florestas.ausentes no Leste brasileiro). ao menos no que se refere ao enquadramento dentro da mesma guilda trófica.22%). WEITZMAN et al.(1988) Figura 19 . larvas de Chaoboridae (11.Mimagoniates microlepis e detalhe de cauda de exemplar macho Setas indicam orifícios anterior e posterior do mecanismo de emissão de feromônio Mimagoniates microlepis ocorre em diversos ambientes. A subfamília Tetragonopterinae representa um aglomerado polifilético que incluí grande parte dos lambaris e piabas fluminenses. desde o curso médio superior de rios. dotada de pequenos dentes cônicos. Na Bacia do Rio São João. com até três cúspides. análises de conteúdo estomacal foram realizadas em 34 espécimes.76%) e algas filamentosas (11. ácaros (76. foram obtidos por COSTA (1987). Alimenta-se especialmente insetos. Estas últimas pertencem à espécie Oligosarcus hepsetus (Figura 20) e se distinguem facilmente dos demais Tetragonopterinae por seu aspecto geral. 1995).

2 Linha lateral completa. hepsetus.. 4 Dentes da maxila inferior decrescendo paulatinamente de tamanho do primeiro ao último . Deuterodon Dentes da maxila inferior decrescendo abruptamente de tamanho depois do 3º ou 4º anteriores .Figura 20 ..Oligosarcus hepsetus Como se supõe pelo aspecto de O... Bryconamericus Série interna do pré-maxilar com 3 dentes . além da fileira externa de dentes. 4. EIGENMANN...... no trabalho de MALABARBA (1998)... um hábito denominado lepidofagia. durante muito tempo. Na bacia do Rio Paraíba do Sul. larvas e pequenos peixes. cf.. consumindo insetos. os espécimes possuem hábito alimentar eminentemente predador. . 1995). A diferenciação dos gêneros pode ser efetuada como segue: 1.. por exemplo. Hollandichthys Corpo sem listras horizontais ou com apenas uma faixa escura ao longo do corpo . não ultrapassando a metade do corpo . Hyphessobrycon 5... Sua atividade é predominantemente crepuscular (VIANNA & CARAMASCHI. Probolodus Dentes implantados em posição "normal"... 1991).. 5 Série interna do pré-maxilar com 4 dentes . sua dentição que inclui dentes implantados no entorno da boca (Figura 21)... 1990).. os quais capturam tanto na coluna d'água quanto nas áreas próximas ao fundo (BIZERRIL...... A principal característica diagnóstica deste grupo. As demais espécies de Tetragonopterinae distinguem-se dos outros Characidae do Estado por apresentarem duas séries de dentes no pré-maxilar.....e. Sua exclusão de Cheirodontinae pode ser evidenciada.. 3. 47 . encontra-se relacionada com comportamento alimentar altamente especializado. Cheirodontinae. prolongando-se até a região caudal .. Astyanax Corpo com várias séries de listras horizontais. apresenta apenas uma linha dentária no interior da boca.. 3 Linha lateral interrompida.. 1911). 2. entre outra subfamília de Characidae (i.. uma vez que. Probolodus heterostomus foi posicionado.. alimentando-se de escamas de outros peixes... foram registradas fêmeas em estado de reprodução durante todo o ano (ENGEVIX/UFRJ... Dentes implantados fora da boca .

.... heterostomus foi detalhadamente descrita por ROBERTS (1970). Tomando como base a chave de identificação apresentada pelo autor. Bryconamericus sp. SAZIMA (1977. tenuis Mais de 14 raios ramificados na nadadeira anal .. enquanto B. B.A ocorrência de lepidofagia em P..... O grupo como um todo foi alvo de revisão taxonômica recente. B. ornaticeps é restrito das bacias dos Rios Roncador e Macacu.. pode-se diferenciar as espécies já descritas ocorrentes no Estado do Rio de Janeiro pelos dados a seguir: 1.2% em relação ao comprimento padrão .. BIZERRIL.... microcephalus Comprimento do pedúnculo caudal com mais de 20% em relação ao comprimento padrão . Fonte: EIGENMANN (1915) Figura 21 ..) por C..fasciatus favoreceria a penetração da forma ectoparasita no cardume de seu hospedeiro habitual.. Comprimento do pedúnculo caudal com até 18. 1982) hipotetizou que a forte semelhança existente entre essa espécie e A. 2 2.. e por SAZIMA (1982).. microcephalus ocorre nos rios costeiros do sul do estado ate a bacia do Rio Ribeira do Iguape (SP). que demonstrou que escamas de outros peixes realmente constituem o principal item alimentar da espécie.. ocorre na bacia do Rio Iguaçu. inclusive. ornaticeps B..R.Probolodus heterostomus. tenuis ocupa o espaço entre o Rio São João e a bacia do Rio Paraíba do Sul. apresentada por SILVA (1997).. afluente da Baía de Guanabara. Nadadeira anal com 12 a 13 raios ramificados . B.... B.S.. em um processo denominado pelo autor como "mimetismo agressivo". com detalhe da região bucal O gênero Bryconamericus possui três espécies já descritas no Estado do Rio de Janeiro (Figura 22) e uma em fase de descrição (Bryconamericus sp.F..... 48 .

fêmeas reprodutivas de junho a abril. 2 dentes maxilares. parahybae Nas áreas de ocorrência. pedri Comprimento da cabeça 3. em especial folhas de vegetais terrestres... representantes de Astyanax taeniatus. ainda permanece indefinida. em estudo realizado por SÃO-THIAGO (1990). notadamente naqueles providos de vegetação ripariana. O gênero Deuterodon foi revisado por LUCENA & LUCENA (1992). pedri. A diferenciação pode ser efetuada adotando-se os caracteres listados a seguir. bem como a real riqueza do gênero nesta região. 49 . D. à exceção de junho/julho. Todas as espécies são insetívoras. Tanto B. contudo no estudo efetuado não foram contempladas as populações e espécies presentes ao norte da bacia do Rio Ribeira (SP). microcephalus são encontrados preferencialmente no curso superior dos rios. BIZERRIL & ARAÚJO.5 a 4 vezes no comprimento padrão. com freqüências de 100% em todos os bimestres deste período.. concentrando-se principalmente em remansos.. BIZERRIL) na baixada de Jacarepaguá tenha revelado uma dieta omnívora. Desta forma. 1954. Muitas das populações referenciadas como pertencentes a Deuterodon em estudos técnicos e em artigos publicados são. tenuis e B. ornaticeps quanto B. 2 ou 3 dentes maxilares. PERES-NETO. B. 1995). coletados por um de nós (C... microcephalus. as espécies listadas acima formam pequenos cardumes. A presença de duas espécies tem sido mencionada por autores diversos (TRAVASSOS. baseados na chave elaborada por GÉRY (1977). D. microcephalus Espécies de Bryconamericus ocorrem principalmente em ambientes de águas rápidas. apresentou. 1993. 2 ou 3 dentes no pré-maxilar.F.3 vezes no comprimento padrão. em verdade. com expressiva participação de itens vegetais. 3 ou 4 dentes no pré-maxilar. formando pequenos cardumes. embora o exame do conteúdo estomacal de alguns espécimes de D. quando foi de 50%.Figura 22 – Bryconamericus ornaticeps. Já B.R.. 7 a 9 dentes mandibulares . tenuis pode ser encontrado mesmo nos trechos que compõem o setor médio inferior dos sistemas fluviais. B. prolongando sua distribuição até a porção média superior. Comprimento da cabeça 4 a 4. a identidade das espécies ocorrentes no Estado do Rio de Janeiro. Não foram encontrados dados precisos acerca de outros aspectos ecológicos. 10 dentes mandibulares .S. na bacia do Rio Parati-Mirim.

A.... (descritos como subespécies de A. A.. o que impossibilita a coleta de novos topótipos e a redescrição das espécies.. DARWIN) (BUCKUP et al.. Adotamos a posição de GÉRY (1977). 2 Altura do corpo 2... A espécie A.. fasciatus. Estas foram designadas como Astyanax sp. em linguagem popular. destacamos algumas populações claramente divergentes das descrições já disponíveis.. scabripinnis e A.. as espécies A.1... Desta forma. Astyanax sp.. janeiroensis. Usualmente possuem mais escamas do que as demais espécies do gênero e uma linha dorsal nua. A... A. A. A. A.. Das espécies listadas acima.. como é o caso de A. janeiroensis 17 a 24 raios na nadadeira anal . Astyanax sp. mais ou menos pontudo .6 a 3..3 a 2. tais nomes são usados com ressalvas... A. 1..... taeniatus Existe controvérsia quanto a real posição taxonômica de uma nona espécie. intermedius Rostro arredondado .... que a identificação seja feita também consultando a descrição fornecida por EIGENMANN (1921). Neste conjunto. janeiroensis...7 no comprimento padrão ... bimaculatus pertence a um subgrupo (aparentemente não monofilético) de Astyanax que exibe um padrão característico de escamação.... As demais formas e complexos podem ser reconhecidos como apresentado na chave. A.. scabripinnis). 2000) Adicionalmente..... Astyanax hastatus.. apenas A. 3. A..... 50 . algumas das espécies listadas foram descritas originalmente como subespécies de grupos maiores..... pelo menos à frente da nadadeira. 3 Altura do corpo 2. scabripinnis representam.... giton Rostro normal. taeniatus. bimaculatus. scabripinnis possui como localidade tipo águas interiores do estado. dada a restrita gama de informações disponíveis na diagnose original destes taxa e o desconhecimento de sua real localidade tipo. baseada na elaborada por GÉRY (1977). giton. Além das espécies listadas acima. parahybae. intermedius (originalmente uma subespécie de A... de considerar a espécie sinônimo de Deutrodon pedri...2. entretanto... 2. verdadeiros "sacos de gatos". no presente documento. fasciatus + A. parahybae. fasciatus e A. a definição dos limites taxonômicos e as diagnoses são ainda mais tênues.. intermedius (Figura 24). fasciatus) e A. 23 a 33 raios na nadadeira anal .3..Deuterodon pedri Igualmente instável é a taxonomia de Astyanax.. com as espécies Astyanax bimaculatus. scabripinnis + A. A.6 no comprimento padrão ... Recomenda-se.. tendo sido coletado no município do Rio de Janeiro pela expedição do HMS Beagle (da qual participou CHARLES R. que conta no Estado... Para estes grupos. A.Fonte: TRAVASSOS (1954) Figura 23 ....

duragenys) ocorre na porção paulista da bacia do Rio Paraíba do Sul. Na bacia do Rio Paraíba do Sul..Peixes como A. a reprodução de A. Estes podem ser reconhecidos usando a chave apresentada a seguir. fato verificado por COSTA (1987). para A. Contudo. bimaculatus foi registrada de outubro a fevereiro (ENGEVIX/UFRJ. em especial no curso médio superior dos rios. Hyphessobrycon reúne peixinhos de pequeno porte. por GOMES (1994). Quatro espécies estão presentes em águas do Estado do Rio de Janeiro e uma quinta (H. Esta condição somente denota a grande plasticidade trófica da espécie e do gênero como um todo. as espécies são omnívoras generalistas. janeiroensis. taeniatus. taeniatus ocorrem em trechos com águas rápidas. e por BIZERRIL (1995). 1991). UIEDA. 1 2 3 4 5 6 51 . 1975). intermedius e A. Por exemplo. scabripinnis. para A. sendo alguns bastante coloridos. 1989. pode-se observar algumas mudanças quanto ao hábito alimentar de acordo com o ambiente ocupado.bimaculatus tem sido referida como espécie omnívora (ORTAZ & INFANTE. 1983). A. A. ROMANINI. bimaculatus. larvófaga (GODOY. para diversas espécies do Rio São João. zooplanctófaga facultativa (ARCIFA et al. modificada de GÉRY (1977). notadamente no que se refere a A. Quanto a alimentação. As demais espécies são mais comuns em remansos e também em lagoas. 1983). 1991) ou predominantemente insetívora (SAZIMA. 1986.

.... 3. Embora possua uma distribuição geográfica ampla.. 5 a 6 dentes maxilares. H. 2. Esta subfamília é representada principalmente por espécies de pequeno porte (3 a 9cm). mancha humeral posterior mais evidente . H. giton 4.. 2 Espécies sem mancha caudal. janeiroensis 3. bifasciatus e H.. 1990). ocorrendo em brejos e no baixo curso de todas as bacias do Estado do Rio de Janeiro. H.. fasciatus 7.. A. 3 16 a 18 raios na nadadeira anal. Parahybae 6. reunidas basicamente pela presença de apenas uma série de dentes no pré-maxilar e dentário e pela ausência de certas especializações de outros Characiformes. 1988).... taeniatus 5.. bifasciatus Menos de 29 raios na nadadeira anal. encontra-se ameaçado de extinção (ver item Análise Ictioconservacionista).. 4 Supraorbital grande. 1 dente maxilar ... flammeus). A. dentre os Characidae. A outra espécie de Tetragonopterinae com linha lateral interrompida é Hollandichthys multifasciatus (Figura 25). Scabripinnis 8. A. Espécies com mancha humeral e caudal . As espécies apresentam hábitos alimentares omnívoros.. H. H. reticulatus são as mais amplamente distribuídas. duas manchas humerais .. no Estado do Rio de Janeiro é encontrado apenas na região correspondente a MR3 (bacia contribuinte da baía de Ilha Grande).. com registros desde o sul da Bahia ao Rio Grande do Sul (MENEZES et al. Os lambaris do Estado que apresentam apenas uma série de dentes no pré-maxilar pertencem a subfamília Cheirodontinae. 4. bimaculatus 2. 31 .. A.. É o grupo que apresenta. como é conhecido entre aquaristas. mancha humeral anterior mais evidente.. BRITSKI (1972) relata que a espécie já foi coletada em água salobra e parece ser um dos Characidae mais resistente à variação de salinidade do ambiente. duragenys 18 a 21 raios na nadadeira anal. O tetra-rio (H..7 8 Fonte: EIGENMANN (1921) Figura 24 – Astyanax 1. reticulatus 29 a 32 raios na nadadeira anal. a mais ampla 52 . A. A.. 36 escamas longitudinais .44 escamas longitudinais . flammeus Dentre as espécies fluminenses. A. intermedius 1. A. deixando uma região nua na área lateral da cabeça . H. luetkeni Supraorbital quase totalmente em contato com o canal pré-opercular . com populações restritas a alguns poucos ambientes brejosos da bacia contribuinte da baia de Guanabara e da Lagoa Feia (WEITZMAN et al...

broccae. e incluindo algumas das espécies cis-andinas de ocorrência mais austral (Rio Colorado. 2 Dentes tricúspides .. Oligobrycon Dentes multicúspides . Nos sistemas que fluem em território fluminense ocorrem apenas 3 gêneros com uma espécie cada (um dos quais. Revisão do gênero como um todo foi apresentada por WEITZMANN & MALABARBA (1999) e SARRAF (1997) apresentou redescrição da espécie Fluminense... coletados na bacia do Rio São João... 53 . Oligobrycon microstomus. Fonte: EIGENMANN (1921) Figura 25 . Spintherobolus Com nadadeira adiposa . duragenys..... rotíferos (50%) e insetos aquáticos (30%).....Alguns Tetragonopterinae com linha lateral interrompida (Hyphessobrycon bifasciatus.. Argentina). foi constatada a presença exclusiva de larvas de chironomídeos (BIZERRIL. 1988).. com tamanho variando entre 15 mm e 25 mm. H.. notadamente pequenos riachos que atravessam florestas de terras baixas e em brejos. Ao norte possui registros até o Panamá (MALABARBA. no Estado do Rio de Janeiro.. conseqüentemente. estão pouco representados no leste e. 1995)... Em 30 exemplares... H. que podem ser diferenciados seguindo o caminho a seguir: 1. reticulatus e Hollandichthys multifasciatus) Embora esta subfamília seja abundante e diversificada na maior parte das bacias brasileiras.... nematodeos (10%). é encontrado principalmente em ambientes de águas ácidas.distribuição na América do Sul. Nos grupos incluídos dentro de Insecta.33%). Os espécimes raramente atingem mais de 3cm de comprimento padrão.Cheirodon Spintherobolus..... possuindo as únicas espécies da ordem Characiformes ocorrentes a sudoeste dos Andes. algas unicelulares (20%). Sem nadadeira adiposa .. presente apenas na porção paulista da bacia do Rio Paraíba do Sul). 2. com a espécie S... no Chile. verificou-se alimentação composta por algas filamentosas (30%). microcrustáceos (93..

. As características mais importantes compartilhadas pelas espécies incluídas neste complexo são. consistem nos maiores caracídeos do estado do Rio de Janeiro. A primeira espécie foi descrita originalmente como C. ibicuhiensis por MALABARBA (1994). Fonte: EIGENMANN (1915) Figura 26 – Cheirodon parahybae (atualmente Cheirodon ibicuhiensis) Piabanhas e pirapitingas. ibicuhiensis (. que passam como verdades absolutas entre as gerações de ictiólogos. a piabanha (B. longa mandíbula inferior (LIMA & CASTRO.. 54 . 2000). posição reiterada em MALABARBA (1998). tendo como base material coletado em Campos dos Goytacazes por J. onde é comumente encontrado C. sendo facilmente reconhecidos pela disposição única dos dentes.. além do Rio Paraíba do Sul. parahybae. coletou extensivamente em bacias dos Rios Jacuí e Uruguai. LIMA.)".parahybae. ordenados em três séries de dentes multicúspides no prémaxilar. Digo crença pois. A revisão do grupo vem sendo conduzida por FLÁVIO C. (. A ocorrência da espécie na bacia do Rio Paraíba do Sul e no sistema da Lagoa Feia foi confirmada por ARAÚJO (1996) e BIZERRIL (1998). até o presente. parahybae foi considerado sinônimo de C. já que J. opalinus) e a pirapitinga (Brycon sp.T. HOWES (1982) na sua revisão de Brycon. sugerindo que as mesmas sejam sinônimas. as quais limitam-se a dados de ocorrência em alguns biótopos.Tanto para Cheirodon ibicuhiensis (Figura 26) de águas fluminenses quanto para Oligobrycon microstomus observa-se quase que a total carência de informações ecológicas. D. acuminatus.. não há estudo desenvolvido no Estado que permita corroborar estes dados.D HASEMAN.).. O autor destaca que: "(.) não tive oportunidade de examinar os tipos de C. Existe uma crença de que estas espécies vivem em íntima associação com as matas ciliares.. da Universidade de São Paulo. alimentando-se de frutos e insetos que caem das árvores presentes na faixa marginal. C. No estado ocorrem duas espécies. 1915. ibicuhiensis Eigenmann..) é possível que tenha havido uma confusão em relação à localidade de coleta do material-tipo de C. parahybae e nas coleções a que tive acesso não encontrei um único exemplar do gênero Cheirodon da bacia do Rio Paraíba do Sul. unificou todas as espécies do leste do Brasil em no grupo B. pertencem à subfamília Bryconinae. a posse de focinho (rostro) longo e pontudo. longa maxila com muitos dentes. HASEMAN. Os dados desta espécie não permitem separá-la de C.

Contudo. opalinus. para peixes da Amazônia. derrubam ramos. a remoção da cobertura vegetal (bem como as alterações nos ambientes fluviais e mesmo devido a competição com espécies introduzidas). Acreditamos que a redução nas populações de Brycon no estado do Rio de Janeiro devase. (1999) estudaram aspectos relacionados com a reprodução de uma espécie de Brycon da bacia do Rio Paraíba do Sul. SABINO & SAZIMA (1999) relatam que para outra espécie do gênero Brycon (B. um fator que certamente influencia as estratégias de caça de organismos com orientação visual.. Na dúvida. examinaram o conteúdo estomacal de parátipos. observando: "A digested loricariid fish (.) in its stomach". em uma atividade que mobiliza toda a cidade. Cebus apella) que comem frutos na vegetação marginal dos rios e.. atraídos por esta atividade e alimentam-se dos frutos.). Os peixes são. Contudo não consistem em um fato que decorre necessariamente da diminuição de alimento.. semi digested Rhamdia (. preferimos não reproduzir neste documento os resultados alcançados pelos autores. Observa-se um padrão que mais aproxima as espécies mencionadas de um grupo generalista quanto à alimentação. A confusão nomeclatural que ocorre neste grupo inviabiliza relacionar alguns dos estudos desenvolvidos com as espécies locais.. Em espécimes por mim examinados de B. folhas e frutos na água. é também relatado por GOULDING (1980). Na cidade de Itaocara. mostram-se especializadas em consumir itens provenientes das matas ciliares.. together with remains of partially digested fruit. por eles designada B. ferox specimens from the same locality (. Bolomys lasiurus (.. mas sim do aumento na quantidade de sólidos em suspensão na água. Assim. portanto. 55 .De fato. LIMA & CASTRO (2000). O consumo de produtos alóctones. microlepis da bacia do Rio Paraguai) existe associação alimentar entre os espécimes e animais florestais (no caso o macaco prego.. então. A B. A perpetuação da piabanha (B.5g wild rat. opalinus) no Rio Paraíba do Sul é um dos objetivos da Associação de Pescadores e Amigos do Rio Paraíba do Sul. RJ a espécie é reproduzida em cativeiro e os juvenis lançados ao rio. opalinus do Rio Paraíba do Sul encontrei apenas insetos. ao descreverem uma nova espécie do Rio Mucuri (BA). de fato..). derivados das florestas inundadas ou marginais. Esta relação estreita entre os Brycon e a floresta tem sido também apontada como uma das causas da redução drástica que as populações das diferentes espécies vêm sofrendo. Por exemplo ANDRADE-TALMELLI et al. muitos dos quais pertencentes a grupos encontrados em áreas abertas e. o que é o caso dos Bryconinae. alguns dados parecem indicar uma dieta muito mais oportunista do que de fato especializada.) contained an entire 35. Provavelmente refere-se a B. não dependentes da existência de florestas. aparentemente. a diminuição das áreas florestadas vem eliminado as áreas de alimentação destas formas que. insignis. seguindo o bando de macacos durante seu forrageamento ao longo do riacho. podendo consumir tanto itens alóctones ao rio quanto autóctones. durante sua alimentação.

RJ A maior ordem de peixes de água doce do Estado do Rio de Janeiro. onde há. tamboatás e cambevas. que reúne peixes usualmente conhecidos como bagres. contudo. aproximadamente 412 gêneros e mais de 2400 espécies (NELSON.Soltura de juvenis de B. 1964) e uma cintura peitoral modificada para formam um mecanismo de trava dos espinhos peitorais (LAUDER & LIEM. Asprediniidae. ROBERTS. também é encontrada em estuários (cf. registro fóssil destes organismos (GRANDE & EASTMAN. Algumas outras especializações são a redução no número de ossos cranianos. Destas a primeira e a última ocorrem em águas interiores do Estado do Rio de Janeiro. Figura 27. 1983). 56 . Itaocara. 1972). Siluriformes apresentam o corpo sem escamas ou com grossas placas ósseas e possuem de um a quatro barbilhões que. Não estamos certos se soltar periodicamente juvenis de B. opalinus no Rio Paraíba do Sul. Outra família. é a dos Siluriformes. Grande parte das famílias de Siluriformes é dulciaqüícola. Ocorrem em praticamente todos os continentes. afinal de contas o rio continua degradado e a degradação ambiental é um dos principais fatores que exercem pressão negativa sobre a espécie. a exceção da Antártica. com mais de 30 famílias. 1994). salvo Ariidae e Plotosidae. modificações características no aparato de Weber (ALEXANDER. opalinus no Rio Paraíba do Sul contribuirá para recuperar os estoques deste peixe na bacia. 1986). de hábitos marinhos. mandis. não há dúvida que a atividade (Figura 27) conduz a uma mudança expressiva na mentalidade da população que passa a olhar o Rio Paraíba do Sul e seus peixes como um patrimônio a ser preservado e não apenas como uma área da qual "se tira peixe".Tivemos a oportunidade de participar de um dos eventos de soltura de piabanhas e é no mínimo impressionante ver a grande adesão popular à atividade. cascudos. Os Siluriformes consistem nos Ostariophysi mais amplamente distribuídos no mundo. provavelmente guardam funções tácteis e gustativas. Contudo. caximbaus.

. membranas branquiais unidas no istmo.... repetindo um padrão verificado na região Neotropical como um todo (PINNA. Pimelodidae Abertura branquial estreita. presente na porção paulista da bacia do Rio Paraíba do Sul e Rhamdiopsis. por reunir formas eminentemente marinhas não foi incluída na listagem.. 2. Figura 28 .. Corpo nu . bifasciata)... mostrando localização da placa de odontóides e boca em forma de ventosa Das famílias relacionadas acima.. 3 . que vêm a representar o maior bagre ocorrente no 57 . 4. Auchenipteridae Boca ventral. 2 Corpo coberto por placas ósseas . corpo muito deprimido . Nadadeira adiposa ausente... 5 Com placas de espinhos (odontóides) na região opercular (Figura 28) Trichomycteridae Sem espinhos na região opercular . A primeira delas (Pimelodinae) possui apenas uma espécie nativa das águas interiores do Rio de Janeiro (Steindachneridion parahybae).. Destaca-se a ocorrência de uma sétima família (Ariidae) que.. sendo enfocada no item referente a ictiofauna das macrorregiões. membranas branquiais livres no istmo .... Abertura branquial ampla..Detalhe de algumas estruturas mencionadas na chave.... 1998)...Nesta ordem encontram-se 6 famílias dulciaqüícolas nas águas interiores.. aos quais soma-se Taunaya (com uma espécie T.... 4 Sem opérculo... Loricariidae e Trichomycteridae se destacam por reunirem a maior parte das espécies ocorrentes no Estado do Rio de Janeiro.. ocorrem 7 gêneros.. cuja diferenciação pode ser realizada com auxílio da chave apresentada a seguir. 1. Pimelodidae compreendem grande parte dos peixes que. Loricariidae Boca ventral ou terminal.. com uma espécie ainda não descrita presente no setor mineiro desta mesma bacia. No estado do Rio de Janeiro. Callichthyidae 5... lábios formando um disco adesivo (Figura 28) ..... Os Pimelodidae Fluminenses estão distribuídos em 3 subfamílias... Aspredinidae Opérculo e nadadeira adiposa presentes .. 3. lábios nunca formando um disco adesivo . os Pimelodidae.. de forma geral. são popularmente conhecidos como bagres.

). caranguejos (Trichodactylus sp. como se verifica na Figura 29. Outros Pimelodinae presentes no estado pertencem ao gênero Pimelodus (P.14%).9 e 44. 58 . facilita a identificação da espécie. o surubim fluminense é endêmico dos sistemas do Rio Paraíba do Sul. Itens acessórios e acidentais estiveram representados por restos vegetais (21.48%). Outros itens constantes foram larvas de Odonata (57. que são taxa introduzidos (ver item Espécies Introduzidas). Os itens acessórios e acidentais estiveram representados por algas filamentosas (10%). parahybae é o único Pimelodidae que apresenta placas de dentes no vômer. nigripinnis tendo. A subfamília Pseudopimelodinae é igualmente pouco representada no estado. Para M. Em 100% dos espécimes foi verificada a presença de larvas de Chironomidae. fur).66%) e escamas (10%). cascudos (Rineloricaria sp. Trichoptera (50%). larvas de insetos [Chironomidae (90%).33%)] e sedimento (100%).).) e resíduos de vegetais superiores. foram estudados 28 exemplares com comprimento padrão variando entre 25. Figura 29 – Microglanis nigripinnis e M.14%) e escamas (7. nigripinnis).Estado. onde sua população aparentemente está em acelerado declínio (ver item Análise Ictioconservacionista). algas (7. Vivem em remansos dos rios. ocultando sob troncos ou outros objetos submersos durante o dia.33%). restos de peixes (6. Odonata (83. BIZERRIL (1995) analisou a alimentação de ambas as espécies na bacia do Rio São João. o que. Ephemeroptera (53. apresentam hábitos noturnos e crepusculares. Plecoptera (50%). a semelhança da grande maioria dos bagres. parahybae e M. parahybae São peixinhos de pequeno porte (CP usualmente menor do que 7cm) que. facilmente diferenciadas entre si pelo padrão cromático. onde conta apenas com um gênero (Microglanis) e duas espécies (M. GARAVELLO. Nos 30 espécimes examinados de M. algas unicelulares (10%). 1991). maculatus e P.4 mm.1 e 28. No conjunto presente no Estado do Rio de Janeiro pode-se reconhecer dois arranjos de espécies. nigripinnis. parahybae (CP entre 30. O exame do conteúdo estomacal de 5 espécimes registraram a presença de bagres (Pimelodella sp. S. como itens constantes.7 mm) observou-se uma dieta extremamente semelhante à verificada para M. restos vegetais (25%). larvas de Ephemeroptera (50%) e lodo (64. parahybae foram apresentados por MORAES & CARAMASCHI (1993). Alguns dados ecológicos sobre S. Nesta situação o colorido de ambos os taxa atua como eficiente camuflagem. Os demais Pimelodidae pertencem a subfamília Heptapterinae.14%). aliado ao seu maior porte.28%). Embora o gênero Steindachneridion ocorra em outras bacias hidrográficas (cf.

.. em sua maioria.... em águas interiores do Estado do Rio de Janeiro. Neste complexo encontram-se. 1996). no trecho paulista da mesma bacia (cf.. O exame do conteúdo estomacal de 6 espécimes de R. em geral com uma faixa longitudinal escura . Rhamdia O gênero Rhamdia conta com diversas espécies que... corpo acinzentado. frenatus do rio Macaé revelou a ocorrência de caranguejos (Trichodactylus sp. Rhamdioglanis.. SABINO & CASTRO (1990) caracterizaram a alimentação de pimelodídeos identificados como pertencentes à espécie Rhamdella minuta (= I. Pimelodella Sem essa característica. barbilhões usualmente ultrapassando a base das peitorais .. sendo usualmente encontrados entre a vegetação ou sob pedras e demais objetos submersos. Imparfinis (I. barbilhões curtos.. No segundo conjunto de Heptapterinae.. são diagnosticadas com base em características morfométricas que variam amplamente dentro de uma mesma população. Fonte: BORODIN (1927) Figura 30 – Rhamdioglanis frenatus Tanto Acentronichthys quanto Rhamdioglanis apresentam como ambiente de ocorrência o alto curso dos rios. minutus) do Rio Indaiá. Acentronichthys (A. as órbitas encontram-se livres. Este conjunto reúne apenas dois gêneros.. Corpo de coloração clara... 1.. Aparentemente apenas uma espécie ocorre no Estado 59 .O primeiro reúne formas nas quais os olhos não apresentam margem orbital livre.. leptos) Menos de 12 raios na nadadeira anal .) e larvas de insetos em 100% dos exemplares.. os gêneros Acentronichthys. OLIVEIRA & BRITSKI. estando cobertas por fina camada de pele. notadamente em ambientes rasos e com fundo de cascalho.. 2. 2000). Imparfinis. diferenciáveis como segue: Processo occipital encontrando-se com a placa dorsal. Imparfinis minutus é mais comum nos trechos médio inferiores de rios.. presente na porção mineira da bacia do Rio Paraíba do Sul e Taunaya bifasciata. na bacia do Rio São João.. Esse resultado é concordante com aqueles obtidos por BIZERRIL (1995). usualmente não ultrapassando a base das peitorais.minutus) Cabeça deprimida no sentido dorso/ventral.. os quais podem ser diferenciados como apresentado a seguir. Rhamdioglanis (R.. frenatus) Além das espécies listadas acima. SP como composta predominantemente por insetos aquáticos.. Nadadeira caudal com mais de 13 raios .. 2 Cabeça cônica. a família conta com uma espécie ainda não descrita de Rhamdiopsis (BOCKMANN et al.

considerou R. 60 . foi observado longo período reprodutivo para esta espécie. com hábitos crepusculares.). mantemos a posição da autora neste documento. revelaram se tratar de espécie carnívora.. lateristriga e uma terceira forma da bacia do Rio Paraíba do Sul ao qual atribuiu a condição de espécie ainda não descrita (Pimelodella sp. Contudo. UIEDA. Figura 31 . Extremidade distal da nadadeira peitoral não alcançando origem da nadadeira ventral e esta não alcançando a origem da nadadeira anal. com mais de 60 espécies distribuídas desde a bacia do Rio da Prata até o Panamá. ROMANINI (1989) apontou uma tendência à ictiofagia que está positivamente correlacionada com o crescimento dos espécimes o que não pode ser analisado no presente estudo visto não terem sido capturados exemplares com comprimento padrão maior que 98 mm. É possível que a última forma consista em P.do Rio de Janeiro. O gênero Pimelodella é o maior da família Pimelodidae. GUAZZELLI (1997) em revisão das espécies de Pimelodella do sul e do sudeste do Brasil reconheceu três espécies deste gênero no Estado do Rio de Janeiro: P. brasiliensis. margem posterior do acúleo peitoral com serrilhas diminutas e numerosas. Na bacia do Rio Paraíba do Sul. SCHOROEDER-ARAUJO (1980) apresentou dados que caracterizaram uma população da bacia do Paraná como composta por espécimes ictiófagos. Os dados apresentados por VIANA & CARAMASCHI (1990) sobre a população da região de Angra dos Reis. parahybae como sinônimo júnior de Rhamdia quelen. Extremidade distal da nadadeira peitoral alcançando a origem da nadadeira ventral e esta alcançando a origem da nadadeira anal. tendo sido encontrados machos reprodutivos de abril a dezembro (ENGEVIX/UFRJ. P... brasiliensis. Outras espécies desse gênero foram citadas como predominantemente insetívoras (ANGENMEIR & KARR. 1995). mais de 20 . em revisão do gênero. P. 1983.. taxon omitido do estudo da autora e cuja localidade tipo é a bacia do Rio Paraíba do Sul. Embora o nome Rhamdia parahybae seja o mais antigo disponível para a área SYLVERGIP (1996). a diferenciação as espécies pode ser efetuada considerando: 1. eigenmanni. 1991).. Assim sendo.Rhamdia quelen Rhamdia quelen do Rio São João foi identificada como insetívora e bentófaga (BIZERRIL. 1983).

Pimelodella sp. Margem interna do acúleo peitoral com serrilhas bem desenvolvidas e numerosas (7 a 21 serrilhas) . Glanidium Figura 32 . consumindo principalmente insetos aquáticos. restos de vegetais terrestres. para a população de P..).. Uma segunda família de bagres é a dos Auchenipteridae.. em número igual ou menor que 21 . a família como um todo apresenta um processo de fecundação peculiar. com mais de 30 raios . com ocorrência de indivíduos maduros durante todo o ano (SOARES-PORTO.. considerando a presença de escamas como de caracter acidental. Anal longa... De fato.. lateristriga no Rio Ubatiba (Bacia da Lagoa de Maricá) foi estudada por COSTA (1987)... com a abertura urogenital localizada na porção distal dos primeiros raios. Na bacia do Rio Ubatiba foi verificada existência de desova múltipla em P. independendo da presença do macho. conhecidos popularmente como cumbacas (do tupi ku’mbaka. 2.. Tal proposta não foi corroborada por SOARES-PORTO (1991) que.. P. crustáceos e escamas. a nadadeira anal dos machos é modificada em um órgão para cópula. cit. striatulus os espermatozóides são introduzidos no oviduto das fêmeas antes da maturação dos óvulos e que a fertilização ocorre no momento da desova.... Neste sistema. 61 . podendo ser diferenciados como na chave a seguir. fato esse igualmente constatado por BIZERRIL (1995). Parauchenipterus Menos de 30 raios na nadadeira anal. e de um período reprodutivo contínuo.. olhos em posição lateral. 1991). dos quais apenas Parauchenipterus striatulus e Glanidium melanopterum (Figura 32) ocorrem na área em estudo... lateristriga.Parauchenipterus striatulus e Glanidium melanopterum IHERING (1937) foi o primeiro a observar que em P. língua virada). contando com cerca de 20 gêneros e 70 espécies. mesmo em indivíduos com comprimento padrão acima de 80mm. 2. . lateristriga margem interna do acúleo peitoral com serrilhas delicadas e em pequeno número (5 a 9 serrilhas).margem posterior do acúleo peitoral com serrilhas desenvolvidas. que caracterizou a espécie como generalista. Largura do corpo quase igual ao tamanho da cabeça. classificou a espécie como bentófaga e carnívora. lateristriga do Rio São João. A alimentação de P. estudando a mesma população analisada por COSTA (op. sugerindo a ocorrência de comportamento lepidofágico no taxon em questão. bem desenvolvidos. Consiste em um grupo menos diversificado do que a família anterior.

tomando como base aspectos morfométricos que diferenciam tais taxa dos integrantes de Bunocephalus. tendo como base espécimes coletados na localidade de "Morro Ajudo" (provavelmente Morro Agudo). questionável. a fêmea torna-se incapacitada de receber esperma de outros machos. usualmente com estruturas lobulares.0862. enquanto o trecho posterior elabora substância gelatinosa não solúvel em água que.Os testículos. (1999). são modificados de forma que apenas a porção anterior produz esperma. Assim. o que é. 62 . que ilustra a espécie ocorrente no Estado do Rio de Janeiro.0126. São peixes de hábitos noturnos ou crepusculares. HALLIDAY. O autor. Paraná-Paraguai e drenagens costeiras do Sul e do Leste Brasileiro. 1983). no mínimo. após o lançamento dos espermatozóides. P. iheringii. uma forma que. observando um longo período de reprodução. situada dentro da bacia de drenagem da Baía de Guanabara. melanopterum na bacia do Rio Paraíba do Sul foi estudado dentro do convênio ENGEVIX/UFRJ (1991). baseando-se em exemplares coletados em Magé. Estes autores estudaram indicadores reprodutivos da espécie no reservatório em questão. podendo ainda ingerir peixes e mesmo itens de origem vegetal. Posteriormente. obstruindo a entrada do oviduto da fêmea. também conhecidos como "banjo catfishes" pelos aquaristas. Bagres da família Aspredinidae. Este peixe foi originalmente descrito como Bunocephalus salathei por MYERS (1927). A relação peso(P)/comprimento(C) obtida neste ambiente foi de P = 0. por exemplo na Figura 33. MIRANDA RIBEIRO (1944) descreveu B. após a revisão do autor supracitado. O ciclo reprodutivo de G. Desta forma. por exemplo. distribui-se nas bacias do Uruguai. apresentam aspecto bastante peculiar. MEES (1989) argumentou que seu "range is very acceptable as the range of a single species". como se evidência.0116C3. atua como um tampão (matting plug). portanto também dentro da macrorregião ambiental 1. que se alimentam principalmente de insetos. tendo sido observado maior freqüência de machos e fêmeas em reprodução em agosto. Neste processo. não encontrando diferenças entre as formas estudadas e as pertencentes a espécie D. no reservatório de Ribeirão das Lajes. Ambas as espécies são mais capturadas em áreas calmas e remansosas dos rios. MEES (1989) transferiu ambas as espécies para o gênero Dysichthys. é possível que estudos futuros venham a alterar o nome atualmente aceito para designar a espécie. e P = 0. ao ser secretada. com altos valores do índice gonadossomático de outubro a janeiro e uma fase de inatividade entre abril e setembro. para fêmeas. iheringii. as espécies ocorrentes no Rio de Janeiro passaram a ser designadas D. striatulus é um dos taxa mais abundantes. para machos. tendo representado cerca de 40% do total capturado neste ambiente por ARAÚJO et al. as considerou sinônimo do taxa em questão.0095C3. carvalhoi. o que se enquadra dentro de um modelo de sperm competition (cf. com picos reprodutivos nas fêmeas em agosto e novembro. Curiosamente.

Peixes das famílias Callichthyidae.. como apresentado na Figura 34. não atingindo a base das nadadeiras peitorais. São peixes de aspecto rústico. prionotus e C. Trichomycteridae e outras não ocorrentes no estado (i. exceto pelo fato de que consiste em uma forma amostrada exclusivamente em ambientes de baixada... Scoloplacidae e Astroblepidae) compõem o maior grupo monofilético de bagres da região neotropical. os Callichthyidae são os que contam com menor número de representantes em águas interiores do Estado do Rio de Janeiro.. diâmetro interorbital igual ou maior que a altura da cabeça .. nattereri.. O ar engolido neste processo também desempenha importante papel no balanço hidrostático.. formando cardumes. São capazes de absorver ar atmosférico pela mucosa do aparelho digestivo. C. como pela presença de placa de espinhos dérmicos próximos a região bucal dos machos. diâmetro interorbital menor que a altura da cabeça . setor no qual se oculta entre o substrato fino. Dos gêneros listados. prionotus) ocorrendo no Estado do Rio de Janeiro. é comum formarem cardumes mistos. barbatus é facilmente diferenciada das duas outras espécies não só pela coloração. estrutura que não ocorre nos demais taxa listados. Nada se sabe sobre a sua ecologia. Hoplosternum Sem essa característica . Barbilhões curtos. 63 .. Corydoras (usualmente comercializados com o nome de "limpafundos") é o que exibe maior diversidade com três espécies (C. devido a presença de placas dérmicas sobre o corpo e de estrutura geral bastante robusta...Dysichthys iheringii No Estado do Rio de Janeiro. D. barbatus. O C. nattereri são mais similares entre si.. Corydoras Barbilhões atingindo a base das peitorais.Fonte: RIBEIRO (1944) Figura 33 . nattereri e C.e.. o que os habilita a ocuparem ambientes com baixa concentração de oxigênio dissolvido na água. C. Os gêneros ocorrentes na região podem ser diferenciados pela chave abaixo: 1. Destes. Vive no curso médio ou superior dos rios. Nematogenyidae.como se vê na figura 34) e pelo porte mais robusto de C.. com diferenças concentradas na região da nadadeira peitoral (dada pelo padrão de dentes no espinho peitoral . 2 Ossos coracóides aparentes entre a base das nadadeiras peitorais .. iheringii foi registrado apenas em alguns afluentes da Baía de Guanabara e das Lagoas de Saquarema e Araruama. Quando em simpatria. Loricariidae.. Callichthys 2. os Loricarioidea..

por apresentarem corpo recoberto por placas ósseas em várias séries. Figura 35. lábios alargados em forma de ventosa e maxilas providas de uma série de dentículos com dois lobos adaptados para raspar o substrato. mencionado por JEAN DE LERY no século XVI. Esta família distribui-se por toda a América do Sul e Central.C.Hoplosternum litoralle Outra família de Loricariioidea que apresenta corpo coberto por placas dérmicas é a dos Loricariidae. desloca-se em terra a procura de novos ambientes. 1997). É encontrado principalmente em brejos. portanto. prionotos (com o detalhe dos espinhos peitorais das duas últimas espécies (modificado de NIJSSEN 0& ISBRUCKER. barbatus. C. o primeiro peixe de água doce descrito pelos europeus que vieram a esta terra Fluminense. 1980). nattereri e C. Esta espécie e Hoplosternum litoralle (Figura 35) constroem ninhos de bolhas durante a época da reprodução. o tamboatá. o que caminha no mato). mesmo em sistemas eminentemente sazonais. é. 64 . 1980)) Callichthys callichthys. quando da redução de seu habitat. Fonte: ELLIS (1911). em linhas gerais. Fonte: NIJSSEN & ISBRUCKER (1980) Figura 34 . apresentando mais de 600 espécies (ISBRUCKER. Neste caso. formando o local no qual ocorrerá a desova (REIS. Esta característica encontra-se refletida em seu nome popular (tamboatá = do tupi.Todas as espécies alimentam-se de pequenos invertebrados bentônicos. Caracteriza-se. Fonte: FOWLER (1954). A família é muito diversificada.

Assim como se verifica em Callichthyidae, diversas espécies de Loricariidae apresentam capacidade de respirar o ar atmosférico, engolindo-o e absorvendo no estômago, cujas modificações anatômicas foram detalhadamente estudadas por ARMBUSTER (1998). Quatro subfamílias ocorrem no Estado do Rio de Janeiro. A primeira delas, os Ancistrinae, possui apenas um gênero (Ancistrus) com pelo menos duas espécies na área em estudo. Uma destas, que ocorre entre o sul do Estado e a bacia da baía de Guanabara (inclusive) têm sido denominada Ancistrus multispinis (cf. MONTOBA-BURGOS et al., 1997), embora esta denominação possa estar incorreta, ainda mais se considerarmos que a localidade tipo da espécie em questão é um rio costeiro do Estado de Santa Catarina. No trecho norte e noroeste do Estado do Rio de Janeiro ocorre uma segunda forma, referenciada apenas como Ancistrus sp. neste documento. MULLER (1989) fornece uma redescrição breve de A. multispinnis, que pode ser útil para efetuar comparações com material coletado. O gênero é facilmente reconhecido por reunir espécimes com pré-opérculo reversível, armado com conjunto de espinhos, como se verifica na Figura 36.

Figura 36 - Ancistrus sp.
(com espinhos a mostra nas laterais da cabeça)

Como todos os demais loricariídeos, são iliófagos e algívoros, raspando o substrato para a obtenção de alimento. Espécies deste gênero ocorrem nos trechos médio e superior de rios, usualmente em tocas sob pedras. A segunda subfamília, Neoplecostominae, também é exclusiva de áreas com águas rápidas. São características marcantes do grupo a presença, no lábio inferior de duas ou três séries de papilas bem desenvolvidas e proeminentes após cada porção de dentes do dentário, mais conspícuas que as outras presentes no restante do lábio e o ventre recoberto parcialmente por um escudo entre as nadadeiras peitorais e pélvicas formados por pequenas placas. O único gênero, Neoplecostomus, conta com duas espécies confirmadas na área em estudo, N. microps, amplamente distribuído, e N. variipictus, conhecido apenas da Bacia do Rio Santo Antônio, um afluente do Rio Grande, Bacia do Rio Paraíba do Sul. Há ainda uma terceira forma, N. granosus, que têm sido alvo de alguma controvérsia. Consiste em espécie de fácil diferenciação, como se verificará na seqüência, contudo sua localidade tipo tem levado a dúvidas quanto a real distribuição deste táxon.

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N. granosus foi descrito por VALENCIENNES (1840, in CUVIER & VALENCIENNES, 1840) com base em espécimes coletados em Caiena e Rio de Janeiro por GAUDICHAUD. Toda a controvérsia é centrada na localidade de Caiena, usualmente associada pelos especialistas no grupo com a Guiana Francesa (cf. LANGEANI, 1990). Ora, sendo o gênero Neoplecostomus exclusivo de bacias do sudeste e do sistema do Rio São Francisco, infere-se tratar-se de erro de localidade e, portanto, consistir em forma de origem desconhecida, ainda mais considerando que coletas realizadas na Guiana nunca levaram a amostragem de qualquer exemplar de Neoplecostomus e que espécimes do Rio de Janeiro, examinados por LANGEANI (1990), enquadram-se na descrição de N. microps. Contudo, o coletor do material (i.e., CHARLES GAUDICHAUD-BEAUPRÉ) não realizou campanhas na Guiana tendo, em verdade, efetuado diversas amostragens no Rio de Janeiro em áreas vizinhas (PAPAVERO, 1971) . Soma-se a este dado a existência de uma localidade nomeada Caiana na bacia do Rio Itabapoana, o que pode significar que a real localidade-tipo da espécie seja algum ponto no Rio Itabapoana. Tomando como base este dado, sugere-se a ocorrência de N. granosus no Estado do Rio de Janeiro. No conjunto, N. variipictus (Figura 37) é diferenciado de todas as espécies atualmente inseridas no gênero Neoplecostomus por exibir uma combinação única de características que inclui principalmente, 1- corpo e nadadeiras com diversas manchas escuras circulares nitidamente delimitadas, 2- placa correspondente a trava da nadadeira dorsal mais larga que a base do primeiro raio indiviso, 3- nadadeira adiposa reduzida, se comparada com a presente nas demais espécies, 4- linha lateral com 26 placas, 5 dentário com 7 dentes e 6- pré-maxilar com 12 a 14 dentes (BIZERRIL, 1995). As duas outras espécies são diferenciadas entre si utilizando as características a seguir:
34 a 43 placas na linha lateral e 5 a 9 entre as nadadeiras adiposa e caudal .... N. granosus 27 a 33 placas na linha lateral e 5 a 9 entre as nadadeiras adiposa e caudal ... N. microps

Figura 37- Neoplecostomus variipictus Alguns Loricariidae caracterizam-se pela posse de pedúnculo caudal fortemente deprimido. Estes peixes, usualmente denominados caximbaus, integram a subfamília Loricariinae, cujos gêneros presentes no Estado são reconhecidos como segue:

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1. 2.

Nadadeira caudal com 12 raios ramificados ..... Harttia Nadadeira caudal com 10 raios ramificados ..... 2 Pré-maxila sem dentes, dentário com dentes diminutos; machos sem cerdas na cabeça, lábio inferior em geral muito desenvolvido ..... Loricariichthys Pré-maxila e dentário com dentes normais. Machos com cerdas na cabeça .... Rineloricaria

O primeiro dos gêneros relacionados acima (Harttia) conta com três espécies que, tomando como base o estudo de OYAKAWA (1993), podem ser diferenciadas como segue:
1. Região abdominal, entre as nadadeiras peitoral e ventral recobertas por pequenas placas ósseas ...... H. rhombocephala Abdome nu .... 2 Com placas ósseas pré-anais .... H. loricariformes Sem placas ósseas pré-anais .... H. carvalhoi

2.

Destas espécies, H. rhombocephala é de identidade taxonômica discutível. Inicialmente, sua áreas de distribuição (i.e., bacia de drenagem da Baía de Guanabara) é curiosa, sendo uma exceção no padrão do gênero no Estado (confinado as bacias dos Rios Paraíba do Sul e Itabapoana). A despeito de diversas amostragens efetuadas neste trecho do Estado, nunca foi coligido um único espécie adicional do táxon em questão. Em segundo lugar é o único representante do gênero com placas ósseas revestindo o abdômen. A integração destes dados leva a crer que seja, na verdade um representante de Rineloricaria. As outras duas espécies são usualmente encontradas em lajeados ou áreas com corredeiras. Tanto Loricariichthys quanto Rineloricaria são gêneros com taxonomia particularmente confusa. O primeiro aparentemente conta com apenas uma forma no Estado do Rio de Janeiro, a qual preferimos designar apenas como Loricariichthys sp. Loricariichthys sp. é comum nas áreas de fundo arenoso de rios, podendo ocorrem ainda em ambientes lênticos. Apresenta uma peculiaridade que é a grande expansão do lábio inferior do macho durante a época reprodutiva. Esta estrutura, ausente nas fêmeas, serve como área para proteção e incubação dos ovos (DEVINCENZI, 1933). ARAÚJO et al. (1998) estudaram a reprodução de uma população deste gênero no reservatório de Ribeirão das Lajes entre abril/96 e maio/97. As variações temporais nos valores dos índices gonadossomáticos indicaram um amplo período reprodutivo, de agosto a novembro, com descanso entre abril e junho. O tipo de desova observado foi o de desova parcelada. A fecundidade média obtida foi de 240 ovócitos (mínimo = 78; máximo = 322). Rineloricaria apresenta duas espécies descritas com base em material procedente do Estado do Rio de Janeiro (R. nigricauda e R. steindachneri), contudo, pelo menos mais 6 formas ocorrem nos limites geográficos em estudo.

67

Figura 38 - Rineloricaria sp.1,
(da bacia do Rio São João)

Machos deste gênero apresentam a cabeça e, em algumas formas, todo o corpo coberto por cerdas. Vivem sobre o fundo arenoso e em cascalho, sendo mais conspícuas no trecho médio inferior de rios. Dentro da família Loricariidae, um quarto grupo (Hypoptopomatinae) pode ser reconhecido com base em características como porte diminuto (Comprimento padrão em geral menor que 6mm) e por apresentarem a cintura escapular exposta (vs. coberta por pele nos outros cascudos). Os cascudinhos presentes em águas interiores do Estado do Rio de Janeiro diferenciam-se como segue:
1. 2. Com nadadeira adiposa ....... Parotocinclus (P. maculicauda) Nadadeira adiposa ausente .... 2 Extremidade do focinho coberta por placas largas, maiores que as do restante da cabeça ...... 3 Placas pequenas, um pouco menores que as do resto da cabeça cobrindo o focinho ......5 Com cristas ósseas na parte superior da cabeça ..... Otothyris (O. lophophanes) Sem essa característica ..... 4 Olho maior que o espaço infraorbital ..... Otocinclus (O. affinis) Olho menor que o espaço infraorbital ..... Hisonotus (2 espécies, uma não descrita) Olho quase lateral. Uma placa pré-orbital; cintura escapular totalmente exposta ...... Pseudotothyris (P. obtusa) Olho quase superior. Duas placas pré-orbitais; cintura escapular com sua porção mediana coberta por pele ...... Schizolecis (S. guntheri)

3.

4. 5.

Além dos taxa listados acima, no alto curso do Rio Paraíba do Sul ocorre o gênero Pseudotocinclus (com a espécie P. tietensis). A maior parte das espécies ocorrentes no Estado são monoespecíficas, com exceção de Hisonotus que, além de possuir uma espécie com ampla distribuição (H. notatus) reúne uma segunda forma ainda não descrita na bacia do Rio Paraíba do Sul. Revisões dos grupos listados podem ser obtidas em BRITSKI & GARAVELLO (1984); SCHAEFER (1997) e GARAVELLO et al. (1998). Mais detalhes sobre a taxonomia, distribuição geográfica e endemismos dos "cascudinhos" podem ser encontrados em REIS & SCHAEFER (1998). O padrão de distribuição longitudinal de algumas espécies de Hypoptopomatinae (O. affinis, O. lophophanes, H. notatus, P. maculicauda) foi estudado por BIZERRIL (1995) em

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diferentes ambientes da bacia do Rio São João. Os resultados assemelham-se em parte ao descrito por PERES-NETO & BIZERRIL (1993) para populações dos mesmos taxa ocorrentes na bacia do Rio Macacu, tendo em vista que em ambas as análises S. guntheri foi relacionada como espécie de cabeceira e O. affinis como uma forma restrita a baixadas. Divergências foram verificadas quanto a classificação de O. lophophanes, H. notatus e P. maculicauda, uma vez que PERES-NETO & BIZERRIL (op.cit.) relataram que no Rio Macacu a primeira espécie compartilha com O. affinis o mesmo padrão de ocupação longitudinal, enquanto que os taxa restantes ocuparam áreas intermediárias entre a cabeceira e a baixada. Na bacia do Rio São João, embora O. lophophanes tenha sido a única espécie a ocorrer em sistemas semi-lênticos (o que sugere uma maior capacidade de ocupação dos sistemas de baixada) sua distribuição foi muito similar à dos demais grupos, ocorrendo, junto com H. notatus e P. maculicauda inclusive no setor mais elevado do rio. Hipotetizou-se que essa divergência nos resultados seja um reflexo de diferenças na declividade do relevo nos qual os sistemas comparados encontram-se inseridos, uma vez que o Rio Macacu, bem como os demais sistemas de drenagem da Baía da Guanabara, notabilizam-se por apresentarem uma forte declividade (AMADOR, 1980), o que gera condições ambientais distintas das verificadas no Rio São João, um rio de planície. SÃO-THIAGO (1990) associou a presença de S. guntheri em diferentes setores do Rio Parati-Mirim com a abundância na vegetação marginal, não havendo influência da correnteza, volume de água ou tipo de fundo. Esse resultado diverge do alcançado no trabalho de BIZERRIL (1995), bem como do apresentado por PERES-NETO & BIZERRIL (1993). Possivelmente trata-se de um reflexo da própria homogeneidade ambiental do sistema do Parati-Mirim que, embora apresente algumas alterações abióticas ao longo de seu curso, essas não são significativas como as verificadas no Rio São João ou no Rio Macacu, o que reflete o pequeno porte do sistema e a curta distância por ele percorrida até desembocar no oceano. Ressalta-se que os micro-ambientes ocupados por S. guntheri não se limitam apenas à vegetação marginal mas sim a qualquer objeto submerso e portanto é a ausência ou a presença desses fatores que, associada à velocidade da água e à baixa profundidade, parece determinar da ocorrência da espécie nos diferentes setores longitudinais. A maior subfamília deste grupo diversificado é a Hypostominae. As informações apresentadas na chave abaixo (baseada em BRITSKI, 1972) podem auxiliar no reconhecimento dos gêneros que ocorrem no Estado do Rio de Janeiro, muitos dos quais monoespecíficos.
1. 2. Sem nadadeira adiposa ....... 2 Adiposa presente ...... 4 Pedúnculo caudal mais ou menos arredondado em seção transversa (espécies de porte médio). ....... 3 Pedúnculo caudal mais ou menos retangular em seção transversa (espécies em geral até 10 cm de comprimento padrão). Borda superior da órbita não saliente; cabeça chata; olho superior ... Pareiorhina (2 espécies) Abdome totalmente coberto por pequenas placas; coloração cinza escura típica ... Rhinelepis (R. aspera) Abdome quase totalmente nu .... Pogonopomoides (P. parahybae)

3.

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4.

Cabeça quase tão larga quanto alta, o que lhe confere um aspecto cilíndrico. Região interna da faixa de dentes do dentário com uma volta brusca, correndo, em seguida, paralelas ..... Kronichthys (K. heylandi) Cabeça larga e deprimida. Corpo afilando para trás da cabeça. Faixa de dentes sem as características apresentadas acima ...... 5 Borda da cabeça com cerdas ...... Hemipsilichthys (2 espécies) Sem esta característica ..... 6 Dorsal com I+9 ou I+10 raios .... Delturus ( D.parahybae) Dorsal com I+7 ou I+8 raios ..... Hypostomus (3 espécies)

5. 6.

Muitos dos gêneros listados acima, apresentam, dentro do Estado do Rio de Janeiro, distribuição restrita a um número reduzido de bacias, fato evidenciado para Delturus, Rhinelepis e Pogonopomoides, os quais ocupam o médio e baixo curso de rios da Bacia do Rio Paraíba do Sul, usualmente em lajes ou grupamentos de rochas submersos e associados a corredeiras. Os dois últimos gêneros foram recentemente estudados por ARMBUSTER (1998), que demonstrou a existência de grupo monofilético (Rhinelepis group) envolvendo estes taxa e os gêneros Pogonopoma e Pseudorhinelepis. Hypostomus é o gênero mais amplamente distribuído no Estado, ocorrendo em todas as macrorregiões adotadas neste estudo. Sua taxonomia vem sendo gradualmente esclarecida. MAZZONI et al. (1994), por exemplo, efetuaram revisão das formas ocorrentes na bacia do Rio Paraíba do Sul, reduzindo de 6 para duas (H. affinis e H. luetkeni) as espécies efetivamente ocorrentes na região. As formas identificadas podem ser reconhecidas tomando como base às características apresentadas no Quadro 9.

Quadro 9 – Características gerais de H. affinis e H. luetkeni
Caracteres Número de escamas ao longo do corpo Número de placas pós-supraorcipital Número de dentes (pré-maxila direita) Olho (proporção no comprimento da cabeça) Pedúnculo caudal (altura em relação com comprimento padrão) H. affinis 28-31 1 Média de 30,5 Média de 7 Média de 11,4 H. luetkeni 26-29 2-3 Média de 54.2 Média de 6,2 Média de 9,6

Em rios litorâneos ocorre uma terceira forma que se aproxima de H. affinis. Seu real status taxonômico ainda não foi convenientemente definido, aplicando-se o nome de H. punctatus para todas as populações ocorrentes nestes sistemas. A reprodução de H. affinis e H. luetkeni foi estudada por MAZZONI (1993), MAZZONI & CARAMASCHI (1995) e MAZZONI & CARAMASCHI (1997) (ver ainda resumos apresentados em congresso no item “Referências Bibliográficas”). Em ambas as espécies, machos e fêmeas atingem a primeira maturação sexual com comprimentos (C) similares, sendo C50 = 144,9 e 144mm respectivamente, em H. affinis, e C50 = 168 e 163mm, respectivamente, em H. luetkeni). Observou-se, também para ambas as espécies, um decréscimo na abundância de espécimes machos durante o período reprodutivo (que dura a maior parte do ano, com picos de setembro a fevereiro para H. luetkeni (cf. MAZZONI & CARAMASCHI, 1997).

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Este fato, que deriva possivelmente da dificuldade de captura destes organismos durante o período em questão, levou as autoras a associar o evento à ocorrência de cuidado parental, fato reportado para outras espécies do gênero (MENEZES & CARAMASCHI, 1994).

Figura 39 - Hypostomus affinis
(coletado no Rio Paraíba do Sul - Itaocara)

Quanto à fecundidade, estudada para H. luetkeni, verificou-se que a espécie, como a maior parte dos Loricariidae, desova um pequeno número (446 - 936 óvulo/indivíduo) de óvulos de grande porte (5.2mm) (MAZZONI & CARAMASCHI, 1997). MENEZES & CARAMASCHI (1994) estudaram a reprodução de H. punctatus no Rio Ubatiba, uma pequena drenagem que pertence à bacia da Lagoa de Maricá. Na população estudada, machos e fêmeas atingem a primeira maturação sexual quando se encontram com comprimento padrão na classe 10,0 a 11,5cm. Observou-se reprodução concentrada nos meses de outubro a março. Tanto Kronichthys quanto Hemipsilichthys e Pareiorhina são típicos do alto curso de rios. Além de algumas informações relacionadas ao padrão de distribuição, não existem outros dados ecológicos acerca destes taxa no Estado do Rio de Janeiro. O gênero Kronichthys é encontrado nas bacias costeiras entre o Rio São João e o sul do Estado, prolongando sua distribuição até as drenagens da Baía de São Francisco (SC), onde ocorre uma espécie ainda não descrita. Vive sob rochas ou outros objetos submersos em áreas de pequenas corredeiras. No Estado do Rio de Janeiro é particularmente comum no Rio Macacu. BUCK & SAZIMA (1995) estudaram a atividade de algumas espécies de Loricariidae em um pequeno riacho costeiro de São Paulo (ribeirão da Serra), enfocando, dentre outras espécies, K. heylandi A população estudada exibiu hábito alimentar eminentemente algívoro, ocorrendo em áreas profundas e com água com velocidade entre 30 - 78 cm/seg. A atividade de forageamento ocorreu tanto de dia quanto de noite. Os cascudinhos agregados em Hemipsilichthys foram revisados por PEREIRA (1997). Em seu estudo, o autor sinonimizou Upsilodus victori Ribeiro, 1924, um táxon descrito da bacia do Rio Paquequer, com H. gobio definindo, desta forma, a existência de duas espécies no Estado do Rio de Janeiro (Figura 40). Uma terceira espécie, ainda não

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descrita, ocorre no Rio Paraíba do Sul, em afluentes que nascem em Minas Gerais (PEREIRA et al., no prelo). As espécies já descritas podem ser reconhecidas com base nos dados apresentados a seguir, extraídos do estudo de PEREIRA (1997).
Placas laterais à frente das placas azigas se encontrando na linha média; cada um dos dentes do pré-maxilar e dentário com uma cúspide maior e outra lateral menor. Com odontódeos hipertrofiados longos na borda lateral do raio indiviso das nadadeiras peitorais de machos adultos ..... H. garbei Placas laterais à frente das placas azigas não se encontrando na linha média; cada um dos dentes do pré-maxilar e dentário com duas cúspides aproximadamente do mesmo tamanho. Raio indiviso das nadadeiras peitorais de machos adultos sem odontódeos hipertrofiados .... H. gobio

Oliveira (1997) analisando os dados acerca de H. garbei restringiu sua distribuição no Estado ao Rio Macaé.

Fonte: OLIVEIRA (1997) e PEREIRA (1997)

FIGURA 40 - Hemipsilichthys garbei e H. gobio Pareiorhina conta com uma espécie já descrita (P. rudolphi - Figura 41) e uma forma em fase de descrição (SANTANA & GARAVELLO, 1995). Vivem nas drenagens de pequeno porte associadas ao Rio Paraíba do Sul, no seu trecho superior e médio superior.

Figura 41 - Pareiorhina rudolphi A família Trichomycteridae apresenta cerca de 200 espécies já descritas, as quais se distribuem nas subfamílias Copionodontinae, Glanapteryginae, Sarcoglanidinae,
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T. uma situação que serve como um ponto de partida para a identificação das formas ocorrentes no Estado do Rio de Janeiro.... albinotatus. 4 Com dois pequenos barbilhões na região mentoniana . Boca terminal ou subinferior. é o gênero com maior riqueza de espécies desta família. T. as espécies T.. Trichogenes Menos de 30 raios na nadadeira anal . No Estado do Rio de Janeiro. enquanto em T. 5 Com nadadeiras pélvicas . todos agregados em um grupo claramente monofilético (PINNA.. algumas das quais descritas apenas recentemente.. 1998). onde são denominados cambevas (= cabeça chata em tupi) ou moréias. 73 . tomando como base à posição dos poros supraorbitais das espécies do gênero reconheceu dois grupos de espécies. Tridentinae e Vandeliinae. T. paquequerensis diferenciam-se das demais formas por apresentarem colorido homogêneo (respectivamente cinza escuro e castanho).. os poros encontram-se unidos em um orifício único situado sobre a fontanela. paquequerensis.. Trichomycterus. Listrura Mais de um raio na nadadeira peitoral . T. travassoi.. T. No Estado do Rio de Janeiro fazem-se presentes os gêneros relacionados na chave abaixo: 1.1... 2. Nadadeira anal longa.. 4... 3 Nadadeira peitoral com somente um raio ... Figura 42 .. goeldi apresentam os poros supraorbitais mais próximos entre si do que com a margem orbital (Figura 43a). alternatus. auroguttatus. (da Bacia do Rio São João) COSTA (1992). Boca ventral em forma de disco adesivo . com 30 a 34 raios ramificados . cujo aspecto geral é apresentado na Figura 42...Trichomycterus sp. Microcambeva Sem barbilhões mentonianos . Nesta ordenação. Neste conjunto. vermiculatus e T....... 5.... T. com lábios nunca formando um disco adesivo . são conhecidas 17 espécies. T... Trichomycterus Sem nadadeiras pélvicas ..... immaculatus e T.. mirissumba. Trichomycterinae. zonatus e T..Stegophilinae. sem manchas ou listras notáveis. Ituglanis 3.... Trichogeninae. immaculatus. Homodiateus Barbilhões nasais presentes. mimonha.. 2 Sem barbilhões nasais. itatiayae e T. T.. triguttatus possuem os poros mais próximos da margem orbital (Figura 43b). T.

74 . deixando a mostra apenas os barbilhões nasais. certamente.4. de agosto a janeiro os valores de incidência estiveram entre 60% e 75%. sendo que. a b Figura 43. diversas espécies ainda permanecem sem designação formal e. destacamos apenas 3 espécies como não descritas. A reprodução de T. usualmente em fendas. tendem a ser registrados em áreas de correnteza fraca a média.Como se observa para outros gêneros de peixes de águas interiores da área em estudo. correspondem. respectivamente a populações registradas no Rio São João. No presente documento. Com freqüência são as únicas espécies registradas na porção mais alta dos rios. Os integrantes de Microcambeva.1.Representação da localização dos poros supraorbitais em Trichomycterus As formas designadas como Trichomycterus sp. No ponto de coleta demarcado na porção mais alta do sistema. Foram observadas diferenças quanto às épocas de reprodução de populações amostradas em diferentes trechos do rio. Trichomycterus sp. a ocorrência de fêmeas reprodutivas se deu em dois picos de 100% de ocorrência. Alimentam-se de insetos aquáticos e outros pequenos invertebrados. um em agosto e outro de janeiro a abril. zonatus na bacia do Rio Parati-Mirim foi estudada por SÃO-THIAGO (1990). Trichomycterus sp. sob folhas ou entre troncos submersos. embora estejamos cientes que consiste em uma subestimativa do real número de taxa ainda não catalogados. Em unidade de amostragem demarcada no trecho médio superior. Picos de 100% de machos reprodutivos foram registrados em abril e de dezembro a janeiro. salvo em junho. apresentando inclusive o hábito de enterrar-se no substrato.3 e Trichomycterus sp. que dentre outros aspectos caracterizam-se por seu pequeno porte (comprimento padrão inferior a 50mm) lembram juvenis de Trichomycterus. Juvenis costumam se enterrar. Os gêneros Microcambeva e Ituglanis são superficialmente semelhantes a Trichomycterus.2.4). estudos de revisão de grupos amplamente distribuídos e contribuirão para ampliar a riqueza de formas do gênero na região. de um modo geral. Embora se observe algumas variações quanto ao uso de microambientes pelas espécies. Machos reprodutivos estiveram presentes ao longo de todo o ano estudado. fêmeas reprodutivas foram coletadas durante todo o ano. no médio Paraíba do Sul e no alto Rio Imbé (bacia da Lagoa Feia Trichomycterus sp.

larvas de Plecoptera (66. 1995). estando presente no trecho médio e médio inferior em setores nos quais a declividade cria situações de maior velocidade da água.33%).33%) e areia (33. Oligochaeta (20%) e restos vegetais (20%) (BIZERRIL. Sua distribuição é restrita aos rios costeiros do setor norte do Estado de São Paulo (região de Ubatuba) e o sul do Estado do Rio de Janeiro (região de Parati). Nematoda (33. larvas de Trichoptera (80%). larva de Chironomidae (83.Microcambeva barbata (com detalhe dos barbilhões mentonianos) Ituglanis é um gênero cuja espécie tipo originalmente fora incluída no gênero Trichomycterus por EIGENMANN (1908). Itu = cachoeira em tupi e Glanis = referência grega para bagre).33%). Oligochaeta (50%). que formam o grupamento mais plesiomórfico. não habita o curso superior do rio. com uma espécie (Trichogenes longipinnis) é considerado como o grupo irmão de todos os demais Trichomycteridae (excluindo os Copionondontinae. Embora a espécie presente em águas interiores do Estado do Rio de Janeiro (I. areia (73. larvas de Simulidae (80%). 1995). larva de Neuroptera (33. cf.33%). Nestes biótopos.33%). os itens: larva de Simulidae (100%). Em escala decrescente de freqüência de ocorrência segue-se larvas de Odonata (93.33%) (BIZERRIL. barbata) São encontrados principalmente em banco de areia submersos nas partes de baixada do rio nas quais se verifica alguma correnteza.4 mm CP. Os espécimes já coletados apresentam comprimento padrão inferior a 100mm. com comprimento variando entre 25. 1998). Fonte: BOCKMANN & COSTA (1994) Figura 44 . oculta-se sob folhas ou troncos. larvas de Chironomidae (93. Em 100% do universo amostral foi registrada a presença de larvas de Chironomidae.2 e 50.Ituglanis parahybae Outras informações ecológicas restringem-se a análise do conteúdo estomacal de 15 exemplares. Fonte: COSTA & BOCKMANN (1993) Figura 45 . 75 . em ordem decrescente de freqüência de ocorrência.33%). parahybae) ocorra em ambientes com correnteza (um comportamento imortalizado no nome do taxon. O exame do conteúdo gástrico de 12 espécimes coletados no Rio São João (localidade tipo da espécie) registrou.Espécimes de única espécie ocorrente no Estado (M. da bacia do Rio São João. Trichogenes.66%). PINNA.

foram identificados quatro grupos etológicos. Os espécimes registrados ocorrem principalmente em áreas de remansos. MORAES et al. como sob fendas de grandes pedras ou em poças profundas. padrão de pintas grandes. descritos como segue: Grupo 1Grupo 2Grupo 3- Comprimento entre 10 e 26mm. longipinnis. Hemiptera. com natação mais lenta. tanto abrigados sob a vegetação marginal. (1988) estudaram o comportamento de uma população do Rio ParatiMirim. Tomando como base o padrão de cor e o tamanho dos exemplares. período em que se observou igual predomínio de machos reprodutivos. Fonte: BRITSKI & ORTEGA (1983) Figura 46 . também presente em áreas iluminadas. foi apresentado por LIMA & GALETTI (1990). Diptera. Comprimento entre 26 e 44mm. com natação ativa a meia água e principalmente em áreas ensolaradas. Foram identificados os seguintes itens alimentares: Insetos (Formicidae. diplópodas. das quais sai apenas deslocando-se entre fendas escuras.2%). cor escura. cor clara e sem pintas. aracnídeos. esporádica de sementes.O tamanho máximo registrado no Estado do Rio de Janeiro foi de 120mm CP. Grupo 4- A reprodução foi estudada por SÃO-THIAGO (1990) na bacia do Rio Parati-Mirim. Coleoptera (13. com pico de 100% no bimestre agosto/setembro. Comprimento entre 44 e 84mm. Vivem em cardumes. mas ocupando o fundo de locas. Os itens de maior freqüência de ocorrência foram Ortophtera (13. (1989) descreverem o hábito alimentar da espécie. colorido semelhante ao anterior. A formula cromossomial foi de 36 metacêntricos (M) + 12 submetacêntricos (SM) + 6 subtelocêntricos (ST). Maiores que 85mm. O cariótipo de uma população de T. algas filamentosas e areia. com número variado de indivíduos. Foi identificado número diploide de 54 cromossomos em 76% das 331 metáfases observadas. Colleoptera. gastrópodes e oligoquetas.Trichogenes longipinnis MORAES et al. Fêmeas reprodutivas ocorreram de agosto a dezembro. Orthoptera. 76 .2%) e Hymenoptera (11. coletada na cachoeira dos Amores. tendo sido também registrada a presença. km 3 da rodovia Parati-Ubatuba (SP).3%). Lepidoptera e Trichoptera). ocupando a metade inferior da coluna d'água. sempre a sombra e nas proximidades de fendas em pedras ou barrancos. cor clara e pintas pequenas. tomando como base dados obtidos no exame de conteúdo estomacal de espécimes com o comprimento padrão variando entre 49 e 117mm.

Homodiaetus passarelii (com detalhe da porção ventral da cabeça.Diagrama representando o conjunto haplóide de T. 77 .. 1995). H. Embora seja morfologicamente muito similares. A localização da NOR é representada por dois círculos pretos) O gênero Homodiateus é composto por pequenos peixes. nos raios procurrentes e no faringobranquial (Figura 49). evidenciando placa de odontódes e boca modificada) Em revisão taxonômica do gênero.Fonte: LIMA & GALETII (1990) Figura 47 . que habita rios da drenagem da Baía de Guanabara e uma espécie ainda não descrita. que exibem hábitos parasitas. KOCH (1997) identificou a ocorrência de duas espécies de Homodiaetus no Estado do Rio de Janeiro. alimentando-se do muco que reveste o corpo de outros peixes (BIZERRIL. na bacia do Rio São João. (As bandas C-positivas são representadas em preto e bandas C-positivas de baixo contraste são representadas por pontilhados. longipinnis. Fonte: RIBEIRO (1944) Figura 48 . existem diferenças especialmente no número de odontódeos operculares. como resumido na chave abaixo. no presente designada apenas como Homodiaetus sp. com tamanho máximo de 5cm. passarelii.

1982) ou lepidófagos (SCHMIDT.6 ou 7 odontódeos operculares. particularmente durante os períodos de alta densidade populacional (WINNEMILLER. composto predominantemente de litter. 1985). passarelii 9 odontódeos operculares. 17 a º º 22 procorrentes superiores.. 21 a 24 raios procurrentes inferiores. 5 ceratobranquial sem dentes.Faringobranquial cb . o qual foi descrito detalhadamente por NICO & PINNA (1996).Basibranquial eb . nematopteryx é conhecida apenas de uma única área inundada com cerca de 1000 m2 dentro dos limites da bacia de drenagem da Baía de Guanabara. mostrando-se abundantes mesmo em trechos nos quais a água encontra-se restrita àquela existente entre o folhiço. 4 faringobranquail não reduzido e normalmente denteado ... 1980. 1927) se alimenta exclusivamente de muco (WINNEMILLER.. pigmentação e canais sensoriais. Listrura nematopteryx pertence a subfamília Glanapteryginae. 1996)... No caso específico de H. por BIZERRIL (1994. caracterizados pela redução de nadadeiras. 78 . 4 faringobranquial reduzido e com poucos dentes. Mesmo nesta situação os espécimes mostram-se normalmente ativos e aparentemente saudáveis (NICO & PINNA.alternatus. obtendo um recurso que. foi observado. BASKIN et al.. L. Os espécimes encontram-se entre o substrato. com umidade limitada à retida entre as folhas caídas. 1970). predominantemente. Periodicamente. Até o momento. Embora o biótopo de ocorrência seja um ambiente alagadiço. (ilustrando diferenças existentes no quarto faringobranquial) fb . 1989). a qual inclui os membros mais "aberrantes" dentre os Siluriformes. é abundante e constantemente renovado.. com profundidade média inferior a 10cm há. Fonte: KOCH (1997) Figura 49 .passarelii. 1908) mucófagos (ROBERTS. São peixes miniaturas. fluxo constante o que torna a água de aparência límpida. alimenta-se de muco.Arcos branquiais de Homodiaetus passarelii e Homodiaetus sp.Epibranquial hb . olhos. 1995) ser uma espécie ectoparasita que.. o o 23 a 26 procorrentes superiores. Homodiaetus sp.Ceratobranquial bb . 17 a 19 raios procorrentes inferiores. Pelo menos uma espécie (Ochmachathus alternatus Myers. 5 ceratobranquial com dentre.Hipobranquial Peixes da subfamília Stegophilinae são usualmente considerados hematófagos (EIGENMANN.. além de possuir elevado teor energético (LEWIS. a semelhança de O. H. SAZIMA.1989). o sistema torna-se parcialmente seco. 1972.

. De acordo com o padrão de emissões elétricas. Três gêneros ocorrem em águas interiores do Estado. as quais ocorrem nas áreas de baixada dos Rios B.. esta ordem aparentemente evoluiu na porção Sul Americana da Gondwana durante o Cretáceo superior (LUNDBERG. 2 Corpo cilíndrico.. apud ALBERT & CAMPOS DA PAZ. janeiroensis)...e.. não interferindo no sistema de eletrorrecepção.. Alguns autores referem-se a este grupo como uma subordem de Siluriformes (i.. são reconhecidos por exibirem morfologia altamente especializada... que se encontra representada por peixes conhecidos popularmente como tuviras e sarapós. grande desenvolvimento da nadadeira anal.. Gymnotus Sem esta característica .. 1983). 1999). LAUDER & LIEM. 1998). em contrapartida. 1998). na Argentina e o Rio San Nicolau... com a maior riqueza de espécies na bacia amazônica (ALBERT & CAMPOS DA PAZ.. no México. cf. Origem da nadadeira anal posterior ao ponto de inserção das peitorais . Origem da nadadeira anal anterior ou no mesmo nível da inserção da base das peitorais . São predominantemente noturnos. Uma ordem aparentada a dos Siluriformes é a dos Gymnotiformes.e..Uma espécie ainda não descrita ocorre na localidade de Bacaxá (LANDIN & COSTA. quando a América do Sul era uma ilha isolada e a bacia Amazônica moderna se formou. O sistema eletrosensorial é composto por músculos e células nervosas especializadas.. troncos ou na vegetação escandente durante o dia. janeiroensis é também encontrada em brejos... Pelos dados disponíveis. podendo ser diferenciados pelas características apresentadas a seguir: Mandibula inferior maior que a superior . Brachypopomus Corpo comprimido... dependendo da taxa de repetição do EOD (BENNETT.. a ordem diversificou-se. ocupando a maior parte dos habitats que ocorrem até o presente (LUNDBERG.. Eigenmannia Tanto Eigenmannia quanto Brachypopomus apresentam apenas uma espécie (respectivamente E. 1993). Gymnotus carapo). que organizam-se em órgão de descargas elétricas rítmicas (Eletric Organ Discharges EOD). 1971. A locomoção se dá pela ondulação da nadadeira anal. ocultando-se entre rochas... Desta forma gera-se distúrbio mínimo no campo elétrico do organismo. virescens e B. alto.. Estudos realizados em condições naturais e em laboratório têm confirmado a participação do sistema de eletrorrecepção tanto em interações sociais quanto tróficas. enquanto o corpo mantém-se rígido... sendo encontradas no espaço entre o Rio de La Plata. A alimentação consiste principalmente de insetos aquáticos. Verifica-se ausência de nadadeiras dorsal e pélvica e. que consiste em uma coevolução com o processo de produção e detecção de campos elétricos.. Mais de 100 espécies de Gymnotiformes já foram descritas. Externamente. a qual usualmente conta com mais de 100 raios. 79 . Durante o Cenozóico..... embora pequenos peixes já tenham sido registrados no conteúdo estomacal de uma das espécies locais (i. A ordem reúne peixes sul e centro americanos que possuem mecanismos de produção e de detecção de campos elétricos.. 1998). Gymnotoidei. peixes desta ordem têm sido informalmente classificados como geradores de "ondas" ou de "pulsos".

carapo. BULLOCK et al. G. 1996). retém os ovos fecundados no interior do corpo até a sua eclosão.. no caso particular do segundo aspecto. que possui apenas uma espécie no Estado (Synbranchus marmoratus). 1984. ROMANINI. são usualmente consideradas insetívoras ou carnívoras (ELLIS. Outro grupo de peixes que apresenta corpo alongado e aspecto serpentiforme é a ordem Synbranchiformes. G. O hábito das espécies é relatado como noturno (SAUL. KNOPPEL. Tais organismos.Gymnotus possui duas espécies dentro da área estudada. 1979). sylvius. na região gular. (1999) descreveram uma terceira espécie de Gymnotus. uma mais comum em rios com águas rápidas (Gymnotus pantherinus) e outra encontrada principalmente em brejos ou em remansos de rios (G. muito similar a G. aplicada aos Poeciliidae e Anablepidae. concorda com as observações de BIZERRIL (1995) na bacia do Rio São João. ANGENMEIER & KARR. o que. pantherinus possui colorido mais homogêneo.4 e 5 da nadadeira anal nos Poeciliidae ou então compondo uma estrutura tubular formado. BARBIERI & BARBIERI. 1975. RINGUELET et al. carapo apresenta um arranjo característico de barras transversais claras e escuras e G. Este arranjo compõe uma estrutura 80 . carapo). Esta fusão envolve os raios 3. são encontrados tanto em ambientes lênticos como lóticos. SAUL. no último caso ocupando áreas protegidas e com baixa correnteza.. A ordem Cyprinodontiformes tem como representantes mais conhecidos os peixinhos de pequeno porte (comprimento padrão usualmente menor que 10cm) popularmente denominados como "barrigudinhos". 1983). G. 1996). 1979. pela posse de nadadeiras caudal. ALBERT & MULLER (1995) destaca as relacionadas abaixo: Cabeça longa. Gymnotus e Brachypopomus. Sua localidade tipo é a bacia do Rio Ribeira (SP). 1995. 1975. habitando micro-ambientes formados sob objetos submersos (UIEDA. Peixes deste taxon são popularmente denominados muçuns. Além destas características. Assim. 1913. São capazes de utilizar o oxigênio atmosférico. BIZERRIL. machos de uma população podem ter sido produzidos tanto através de reversão sexual de fêmeas (machos secundários). As espécies de Gymnotiformes dos gêneros Eigenmannia. 1989.. uma fenda respiratória. 1981). Além desta condição. deriva do aspecto das fêmeas que. 1970. Nos peixes desta ordem ocorre a protogenia (NOSTRO & GUERRERO. Quanto à reprodução. 1967. 1983. com pequenas manchas. SOARES. anal e dorsal vestigiais. carapo Comprimento da cabeça menor que 11% do comprimento total. porém também ocorre no alto Paraíba do Sul. pela ausência de nadadeiras pélvicas e peitorais. é particularmente notável a modificação da nadadeira anal dos machos. visto que G.. não sustentadas por raios e por apresentarem. pantherinus ALBERT et al. viabilizando a fecundação interna. As duas espécies são facilmente diferenciadas com base no colorido. que apresentam hábitos fossoriais... os simbranquiformes sofrem mudanças de sexo durante a ontogenia. que através da fusão de raios forma um mecanismos de condução de esperma. como desenvolvendo-se diretamente como machos (machos primários). o caso da forma ocorrente no Estado do Rio de Janeiro por 10 raios da nadadeira anal (PARENTI. seu comprimento maior que 11% do comprimento total. São facilmente reconhecidos pelo seu formato. Esta denominação.

Deve-se ressaltar que no Estado do Rio de Janeiro ocorrem outras espécies do gênero Poecilia. januarius (B) e P. fasciolatus não ocorre dentro dos limites do Estado do Rio de Janeiro. Estudos 81 . caudimaculatus) Apêndice muito desenvolvido. P.. januarius) Gonopódio com apêndice em sua extremidade . seu formato semelhante ao de uma pá. P.. vivipara pode ser reconhecida de todas as espécies introduzidas por apresentar uma mancha escura (ocelo) evidente na porção média do corpo. principal elemento que pode ser aplicado no reconhecimento destas famílias. introduzidas por razões diversas. P. por apresentarem uma ampla distribuição no País. Poeciliidae (2) Comprimento do gonopódio igual ou menor que o comprimento da cabeça. multidentata) Gonopódio não tubular. seu comprimento quase duas vezes o comprimento da cabeça... fasciolatus (C) e fêmea de P. caudimaculatus e.. fasciolatus) 3. Gonopódio tubular . sendo registrado apenas no alto curso do Rio Paraíba do Sul. 4... Anablepidae (Jenynsia com uma espécie J. Phallotorynus (P. Phalloceros (P. caudimaculatus (D) P... em menor escala. como será abordado no item Espécies Introduzidas..... vivipara e várias introduzidas) Gonopódio longo.denominada gonopódio. P. Poecilia (uma espécie nativa P...4 e 5 ... podem ser. vivipara a posição se dá no centro do corpo ou pouco antes da nadadeira dorsal. A B C D Fonte: IHERING (1931) Figura 49 . Como se verifica na Figura 50. caudimaculatus (A). enquanto em P. pode-se diferenciar os "barrigudinhos" do Estado do Rio de Janeiro seguindo os caracteres a seguir: 1. já no Estado de São Paulo. 3 Gonopódio sem apêndice em sua extremidade . em verdade complexos de espécies. P.vivipara.. Das espécies listadas acima. este se posiciona em setor posterior do corpo. formado pela fusão dos raios 3. januarius.. caudimaculatus também apresenta um ocelo no corpo.. contudo.Gonopódios de P. Assim. P. 2. estando unido ao restante do gonopódio por um filamento . 4 Apêndice em forma de dois chifres . Phallopthychus (P.

em suas populações. 82 . Ainda no plano da taxonomia. Estas relações vão desde o consumo por parte dos embriões somente do vitelo presente no ovo. Por exemplo. Considerando os Anablepidae e Poeciliidae ocorrentes em águas interiores do Estado. aparentemente. por genes de baixa freqüência. Tanto P. caudimaculatus ocorrem em sistemas eminentemente oligoalinos. alguns trabalhos fornecem dados discordantes.g. em parte ou totalmente. aparentemente. P. Assim. januarius apresentam. P. verifica-se um padrão geral bastante consistente de distribuição nos ambientes. Fato similar se observa para J. posteriormente publicado em ARANHA & CARAMASCHI. januarius são mais comuns em ambientes mesoalinos. ocorrendo perda de massa durante o desenvolvimento do embrião (lecitotrofia) até a condição na qual os embriões suprem-se. vivipara e P.5ppm) (BATALHA et al. de nutrientes existentes no corpo das fêmeas. quanto P. como brejos e rios e P. 1998). Apesar de ser um padrão freqüentemente observado. ocorrendo tanto em lagunas como em rios. como por exemplo os existentes no sul do Estado do Rio de Janeiro. 1999). J. P.morfométricos desenvolvidos comparando algumas populações da mesma espécie têm evidenciado várias diferenças (e. determinado. um padrão cromático divergente do usual das espécies. destaca-se o estudo de GHEDOTTI & WEITZMAN (1996) que fornecem a descrição detalhada de J.. caudimaculatus e P. 1997) Particularmente interessante é o fato de que. (1988) como uma situação de viviparidade. caudimaculatus em locais com salinidade de 0. apresentando um padrão que se enquadra no descrito acima. multidentata e chave para a identificação das espécies deste gênero. BARROS & ROSA. vivipara. vivipara) e pigmentos negros sobre o corpo. porém limitando sua presença as cotas altimétricas menos elevadas. tendo em vista que maiores espécimes são usualmente coletados em ambientes com concentrações de sal mais elevadas. A distribuição das espécies destes grupos foi estudada por ARANHA (1991. Em contrapartida. Este padrão manifesta-se sob a forma de listas verticais no pedúnculo caudal e nadadeira dorsal com faixas amareladas ou alaranjadas (em P. multidentata com P. A condição reprodutiva dos Anablepidae e Poeciliidae. um fato que pode denotar influência da predação (ou mesmo da competição interespecífica) na estruturação do tamanho das populações. LIMA et al. foi tratada por WOURMS et al.3 a 0. 1997. multidentata e P. vivipara apresenta comprimento positivamente correlacionado com a salinidade da água. januarius coexistiam com P. enquanto indivíduos de P. A principal diferença entre a viviparidade e os outros mecanismos reprodutivos é a existência de várias interações fisiológicas entre o embrião e a progenitora. 1997) na bacia do Rio Ubatiba (sistema integrado à Lagoa de Maricá). vivipara ocupa uma ampla área.7ppm. vivipara em locais com salinidade mais baixa (0. que são uma fonte adicional ou preponderante de energia para o desenvolvimento do embrião (matrotofia) (NASCIMENTO. multidentata. formando um padrão de "oncinha". caudimaculatus exibe maiores dimensões em rios pouco habitados. estudos na Lagoa de Iquipari (Norte Fluminense) demonstraram a coexistência de J...

a matrotofia possui diferentes categorias de interações tróficas entre embriões e fêmeas. NOVAES & ANDREATA (op. contudo chegou-se a resultados divergentes. que reúne espécies de corpo alongado e nadadeira dorsal curta (i. tendo-se classificado esse táxon como omnívoro. multidentata observou atividade reprodutiva destas espécies durante todo o ano. No caso de P. as fêmeas de J. o item algas (filamentosas e diatomáceas). januarius quanto em J. tendo sido esse o único elemento mencionado pelo autor como de ocorrência no conteúdo estomacal da espécie. como por exemplo o da baía de Sepetiba. várias ninhadas desenvolvem-se simultaneamente dentro do ovário de uma mesma fêmea. (1988). apresentando fecundidade maior em águas mais salinas. placenta branquial. cit. 1996). Tanto em P. multidentata e P. composta por diversos outros itens alimentares. 1999). Este mesmo fenômeno parece ter afetado fêmeas sexualmente maduras de P. multidentata. permitindo que os ovócitos sejam fertilizados por lotes (CONSTANTZ. Os demais Cyprinodontiformes pertencem à família Rivulidae. COSTA (1987) encontrou. januarius e J.e. caudimaculatus. apud NASCIMENTO. em pequena quantidade. suprindo os embriões por toda a gestação. foi descrita. vivipara na Lagoa de Grussaí (CANIÇALI. multidentata há adaptações fisiológicas representadas por modificações nos tecidos de embriões e fêmeas que acabam por facilitar a transferência de nutrientes (placentas). ou seja.maculicauda procedentes do Rio Mato Grosso. uma dieta mais generalizada. para esta espécie. No trabalho de BIZERRIL (1995). consumindo itens de maior oferta no ambiente. com menos de 11 raios) é encontrando principalmente em brejos e uma das espécies ocorrentes no Estado do Rio de Janeiro (R.CONSTANTZ (1989) considera as espécies lecitotróficas (como por exemplo as do gênero Poecilia) como ovoviviparas e restringe a viviparidade as formas onde se dá a matotrofia (como J. em 100% dos espécimes de P. enquanto os outros autores concluíram ser um grupo herbívoro. ocellatus) vive em manguezais. Estes peixes são eminentemente omnívoros. o que se aproxima dos resultados apresentados por ARANHA (1991). Esta condição está relacionada à capacidade que as fêmeas possuem de estocar esperma dos machos por vários meses. multidentata que atingem a maturidade sexual. Em P.. no conteúdo gástrico de espécimes de P. SATO (1987) ressaltou a ocorrência de larvas de Simulidae. januarius ocorre à superfetação. O estudo de NASCIMENTO (1999) desenvolvido na Lagoa de Grussái (norte fluminense) enfocando P. multidentata atingem a maturidade sexual a partir de 32mm de comprimento padrão (NOVAES & ANDREATA. RJ. Na Lagoa Rodrigo de Freitas. 83 . O gênero Rivulus. assim como no estudo de SABINO & CASTRO (1990). 1989. multidentata destacando a freqüência em que ocorrem flocos de matéria orgânica em decomposição. KOBLITZ & ANDREATA (1996) descreveram o conteúdo estomacal de J. januarius) Segundo WOURMS et al. 1996.) sugerem que a salinidade seja um dos fatores reguladores do tamanho em fêmeas de J. januarius ocorre a placenta folicular e em J. 2000).

whitei Aspectos como o alto endemismo e a existência em ambientes sobre forte pressão antrópica tornam este grupo particularmente susceptível a extinção. refletida na Lista Oficial de Espécies Ameaçadas de Extinção do Estado do Rio de Janeiro. Esta colocação.Das espécies locais. os ovos entram em período de diapausa. Um esquema clássico de comportamento reprodutivo deste grupo (exemplificado pelo comportamento de Nematolebias whitei) é apresentado na Figura 51. que pertencem aos gêneros Leptolebias. ou seja. Durante o período de cheias. máculas ou faixas. Com a seca do biótopo. apresentada por COSTA (1984). Estes peixes.e. ocellatus é particularmente interessante por se tratar de um grupo hermafrodita. o córion enrijece. que tem como conseqüência a morte dos peixes adultos. uma condição característica de Nematolebias e Simpsonichthys. sandrii e L. os adultos depositam óvulos no substrato e.Comportamento reprodutivo de N. que não exibem pintas. O gênero Leptolebias é reconhecido pelo seu pequeno porte e pelo padrão uniforme de colorido das fêmeas. Espécies com dorsal mais longa (i. o qual é necessário para o desenvolvimento do embrião (BELOTE. Este taxon conta com as espécies Leptolebias citrinipinnis. encontra-se. com duas máculas no flanco do corpo. ocorrente na Bacia da Lagoa de Maricá. L. formando uma camada protetora. a fêmea. também de brejos na base da Serra de Petrópolis e um complexo de espécies (Complexo minimus) formado por L. L. R. que secam durante a estiagem. com localidade tipo brejos na base da Serra de Petrópolis. dada a sua localização pontual e a forte descaracterização que 84 . no presente. Maricá) e L. Destas L. Fonte: CARVALHO (1957) Figura 51 . minimus (presente na baixada de Jacarepaguá e em Itaguaí). quando a poça enche novamente. Os ovos eclodem no período seguinte de chuva. fluminensis. Nematolebias e Simpsonichthys vivem em ambientes brejosos periódicos. no momento da fecundação. Na ilustração. marmoratus foram apontadas por MAZZONI et al. 1998). fracfasciatus (com localidade tipo brejo próximo de Inoã. nomes que retratam o ciclo de vida destes organismos. com mais de 11 raios) pertencem ao grupo dos "peixes anuais" ou "peixes das nuvens". cruzi (de Barra de São João). (2000) como presumivelmente extintas. L. sandrii. o espécime maior corresponde ao macho e o menor. na qual estão presentes todos os peixes anuais conhecidos na região.

minimus a-c.Nadadeira ligeiramente truncada nos machos. L. As extremidades dos filamentos podem chegar a atingir.). O gênero Simpsonichthys conta com apenas uma espécie no Estado do Rio de Janeiro (S. ou ultrapassar. fluminensis foi apontada por COSTA & LACERDA (1988) como possivelmente extinta. 4 . As nadadeiras dorsal e anal não apresentam raios prolongados.redução do comprimento da nadadeira peitoral. Fonte: COSTA (1988) Figura 52 .redução da base e de número de raios da nadadeira anal e padrão de colorido da nadadeira caudal dos machos (L. freqüentemente interligadas. Raramente atinge mais de 40mm de comprimento padrão. cruzi g-i).Córion com prolongamentos em forma de cogumelo.padrão de faixas da nadadeira caudal dos machos.redução da média da altura do pedúnculo caudal. a posse de nadadeira ligeiramente truncada nos machos e córion com prolongamentos em forma de cogumelo (COSTA.Relações filogenéticas do "complexo minimus" 1 . L. com manchas pouco definidas e geralmente fundidas. op. 6 . 5 . fazendo com que estas nadadeiras sejam pontiagudas nas suas extremidades. 2 . sendo seus contornos arredondados (MURATORI. Nos flancos do corpo aparecem um ou mais manchas. As fêmeas apresentam coloração acinzentada. fractifasciatus d-f. como caracteres sinapomórficos.seu biótopo vem sofrendo. 7 . 1988). a margem posterior da nadadeira caudal em machos adultos (MURATORI. constanciae) que habita brejos entre Cabo Frio e Barra de São João. A diferenciação das espécies deste complexo pode ser realizada seguindo os dados apresentados na Figura 52.Padrão de colorido na nadadeira caudal dos machos. 85 . O "complexo minimus" de espécies exibe. Os machos apresentam séries longitudinais de máculas negras. cit. L. 1992). 3 . alternadas com pontos de coloração verde-azulada brilhante espalhados pelo corpo sobre um fundo mais claro. As nadadeiras dorsal e anal apresentam seus raios medianos alongados em filamentos.

caraúnas e jacundás. cruzi foi estudada por MURATORI (1993). pertencem a ordem Perciformes.Fonte: CRUZ & PEIXOTO (1976) Figura 53 . permite distinguir esta espécie de S. com cores brilhantes.Simpsonichthys constanciae Nematolebias também apresenta apenas uma espécie no Estado (N. ocorrendo 16 a 18 raios nos machos e 12 a 14 nas fêmeas (COSTA. o que. que exibe distribuição similar a de S. enquanto as fêmeas apresentam coloração castanho claro acinzentado. constanciae. Os machos são muito coloridos. tendo como base material coletado em brejos da Bacia do Rio São João. 1992). constanciae. A alimentação de N. 1990). whitei. As nadadeiras dorsal e anal não apresentam raios filamentosos.. Nadadeiras pélvicas unidas. C.Figura 54) Sem esta característica . respectivamente. As três espécies alimentam-se de larvas de insetos. O reconhecimento das formas nativas do Estado do Rio de Janeiro pode ser efetuada como segue: 1. onde os três taxa ocorrem em simpatria. 2 Figura 54 . principalmente de Chironomidae e Coleoptera. Acarás.. formando um disco .Awaos tajasica 86 . Gobiidae (Awaous tajasica . constanciae e L.. sendo os três primeiros nomes relacionados a peixes da família Cichlidae e os dois último a Gobiidae e Scianidae. whitei). além das diferenças no colorido. bem como os peixes-flor e as corvinas de água doce.. ocorrendo ainda em alagados presentes na porção interna da Bacia da Lagoa de Araruama (observações pessoais) e na Bacia da Lagoa de Maricá (MURATORI. Observa-se ainda dimorfismo no número de raios da dorsal..

Dois pares de narinas. 4 3. onde coletamos espécimes com diferentes tamanhos e em vários estágios de desenvolvimento.. linha lateral fragmentada em duas regiões . 1824) Os Gobiidae.. 1842) e Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard. Esta família conta com diversos gêneros marinhos que ocupam.2. a família de peixe mais abundante em rios de ilhas oceânicas (NELSON 1994). brasiiensis .... porção espinhosa da nadadeira dorsal maior que a de raios moles . consideramos a mesma como dulciaqüícola... Desta forma. Dorsal contínua. já foi registrada pelos autores no alto curso de rios.. Possui 212 gêneros e mais de 1875 espécies. aparentemente de forma efetiva.Figura 56) Fonte: HASEMAN (1911) Fonte: GOSSE (1975) Figura 56 – Cichlasoma facetum (Jenyns. Nadadeira anal com 3 espinhos ... narinas unidas..Pachyurus adspersus.... evidenciando-se um par. formam um grupo predominantemente marinho sendo. Dentre estas.. Scianidae ..Figura 56) Nadadeira anal com mais de 3 espinhos .. Corpo alongado. 87 . Fonte: HASEMANN (1911) Figura 55.Crenicichla lacustris 4.. Crenicichla (C.Figura 55) Sem estas características . facetum . estuários e lagunas. Geophagus (G. uma Awaos tajasica. como já mencionado. contudo. Cichlasoma (C... lacustris . 3 (Cichlidae) Dorsal com um septo separando duas regiões. linha lateral não fragmentada. prolongando-se até a extremidade da nadadeira caudal .

as espécies dominantes no baixo e médio curso. Os Cichlidae ocorrem em todas as Bacias do Estado do Rio de Janeiro. Exemplares maiores de C. brasiliensis e C. ROMANINI.000 anos A. Originalmente descrita como Pachyurus. 1972. O hábito alimentar de G. 1993). 1993). 1999). 1990. portanto. fato que se verifica pela grande quantidade de registros de eventos de extinção derivados de efeitos diretos e indiretos de introduções de espécies tanto em ecossistemas terrestres quanto aquáticos (DRAKE et al. CASATTI (1999). no presente. 2000). notadamente na região centro e norte fluminense. Não há dados precisos sobre sua ecologia. que desenvolve revisão do gênero verificou que. concordando. facetum é mais comum no baixo curso de rios e em brejos permanente e lagoas.g. lacustris ocupa preferencialmente áreas com maior dinâmica de circulação de água. PERRONE et al. este fenômeno situa-se entre algumas das principais preocupações ambientais do presente (MOONEY. Comportamento demersal. C.. mais de 237 espécies de peixes introduzidas em todo o mundo (WELCOMME.) (LI & MOYLE. grande parte do conhecimento acerca da ação negativa de espécies de peixes não nativas sobre os conjuntos bióticos naturais derivam de estudos desenvolvidos fora de território nacional. sendo a espécie G. registrando-se. ao menos durante algumas épocas do ano. 1988). Para o processo de introdução de peixes pode-se adotar como marco inicial a dispersão artificial da carpa comum (Cypinus carpio) iniciada pelos chineses (3. 1989. representando importante elemento no processo de alteração nas condições ambientais (CROSBY. pela morfologia da bexiga natatória.P. 1965). O número de espécies introduzidas em escala mundial aumentou progressivamente. 1996) classificou a espécie como omnívora. 88 . Se alimentam de insetos que capturam no fundo dos rios. sendo observada em praticamente todos os ambientes aquáticos da região. com os resultados alcançados por BIZERRIL (1995) na Bacia do Rio São João. facetum. RUSCHI.P. VIANA & CARAMASCHI. sua posição correta é no gênero Pachyurus.. Salvo observações ocasionais e não sistemáticas (e. associado a ocupação de áreas com baixa energia hidrodinâmica.000 anos antes do presente = A.. foi observado por UIEDA (1984) e por BIZERRIL (1995) para G. lacustris podem consumir outros peixes. A corvina de água doce (P. a espécie foi transferida para o gênero Pachypops. adspersus) ocorre apenas no Rio Paraíba do Sul. No caso específico do gênero Cichlasoma BIZERRIL (1995. mesmo em água com concentração salina igual a do mar. brasiliensis particularmente bem distribuída.brasiliensis tem sido apontado como omnívoro (NOMURA & CARVALHO. C. embora possa ser registrada em ambientes lênticos. Considerando os impactos gerados por invasões bioticas sobre a biodiversidade e sobre a estrutura socioeconômica (PIMENTEL et al..) e romanos (2.Em sistemas fluviais do Sul Fluminense são abundantes sendo. 1993). 1989). ESPÉCIES INTRODUZIDAS A introdução de espécies em ambientes naturais remonta os primeiros deslocamentos humanos.

verifica-se que relatos acerca de taxa introduzidos em diferentes sistemas fluviais brasileiros vêm sendo divulgados em progressiva freqüência (e. Soma-se a esta atividade o equivocado processo de "povoamento dos rios" que contou. de Astronotus ocellatus. é obviamente necessário a existência de uma avaliação anterior tanto no que se refere ao estado atual de introduções quanto ao potencial impacto gerado pelos diferentes taxa dentro do espaço geográfico enfocado. Para a sua elaboração. formas exóticas ou alóctones tendem a se mostrar de difícil controle e. 1988. A introdução sistemática e intencional de peixes oriundos de diferentes bacias e regiões em ambientes de água doce do Estado do Rio de Janeiro é um processo relativamente antigo. visando subsidiar "programas de restituição de fauna de peixes" (SILVA. ORSI & AGOSTINHO. 1999. danosa a biota nativa (SANTOS et al. inclusive. em convênio com a Empresa Brasileira de Aeronáutica (EMBRAER). Neste período. AGOSTINHO & JULIO. usualmente apontada como uma das atividades antrópicas que mais contribuem para o ingresso de espécies não nativas em sistemas naturais (WELCOMME. o que resulta em uma taxa mais elevada de registros.. 1996. GODINHO & VIEIRA. 1996). sobre a biota local. MORAIS FILHO & SCHUBART (1955) relatam a primeira tentativa de introdução do dourado do Rio São Francisco na Bacia do Rio Paraíba do Sul ainda durante o 2º reinado. Esta situação vem produzindo uma base para a elaboração de bancos de informações que tendem a clarificar o real impacto que o processo vem gerando. 1999) denotando não apenas a atenção desviada para este processo. ou gerou. que passaria a servir como um mecanismo destinado a inibir novas introduções. AGOSTINHO & JÚLIO.. embora não haja uma quantificação precisa dos impactos que estes organismos causam direta ou indiretamente no ecossistema invadido. Oncorhynchus mykiss e Cichla ocellaris em vários corpos d'água integrados a Bacia do Rio Paraíba do Sul. no presente.. ALVES et al. 1996). como também a atual conspicuidade e diversidade de grupos exóticos. Cyprinus carpio. notadamente no reservatório da Represa de Funil. lagunares e lacustres que se situam em território Fluminense e constam de estudo em 89 . 1999). 1986). efetuou lançamentos.. não restam dúvidas que sua atuação tende a se mostrar. com apoio de instituições de ensino e pesquisa. bem como permitir tornar gradualmente viável a elaboração de modelos de tomadas de decisões quanto a forma de controle das diferentes espécies introduzidas em sistemas fluviais brasileiros. ao desenvolvimento da atividade de aquicultura. ALVES et al. com auxílio de aviões agrícolas com tanque depósito. 1994.Contudo.g. Uma vez introduzidas e aclimatadas. 1998. pode-se destacar a atuação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) que. Os dados ora apresentados acerca da ictiofauna introduzida no Estado do Rio de Janeiro foram obtidos principalmente em coletas efetuadas nos diversos sistemas fluviais. GODINHO & VIEIRA (1998) apontaram como uma das medidas de controle de espécies introduzidas no Estado de Minas Gerais a elaboração de uma "Lista Branca" de espécies. as últimas décadas têm se revelado particularmente importantes no que se refere à entrada de novas espécies em ecossistemas continentais fluminenses. e seus possíveis resultados sobre a biota nativa.. 1999. Seguindo uma tendência observada em outras regiões do país e no mundo (AGOSTINHO & JULIO. em diferentes magnitudes. Este fato devem-se. em especial. ORSI & AGOSTINHO. Tilapia spp.

1850) Lesbiasinidae Nannostomus brechforti Gunther. aponta-se. relacionadas no Quadro 10. As amostragens ocorreram no intervalo entre janeiro de 1988 e junho/2000. ORSI & AGOSTINHO. Quadro 10 . 1844) Cyprinus carpio (Linnaeus. 1872 Pyrrhulina brevis Steindachner. a semelhança de outras áreas do país (cf. redes de espera. Anostomidae Leporinus sp. 1816) Piaractus mesopotamicus (Holmberg. Como resultado. 1855) Carassius auratus (Linnaeus.Relação das espécies introduzidas em águas interiores do Estado do Rio de Janeiro Espécies SALMONIFORMES Salmonidae Oncorhynchus mykiss (Wallbaum. 1887) Metynnis sp. no prelo). foram registradas 38 espécies de peixes não nativas. foi considerada uma área de abrangência maior que a geopolítica. Considerando a vocação que as diferentes espécies possuem. 1908 Serrasalmidae Colossoma macroponum (Cuvier. peneiras. na integra. 1900) Salminus maxillosus (Valenciennes. incorporando. Characidae Hyphessobrycon callistus (Boulenger. 1758) Ctenopharyngodon idella (Valenciennes.. 1758) Danio aequipinnatus (McClelland. Considerando que muitas das bacias estudadas possuem limites que extrapolam as linhas estaduais. 1839) SILURIFORMES Pimelodidae Lophiossilurus alexandri Steindachner. arrasto manual. 1999).fase de publicação (BIZERRIL & LIMA.e. tendo sido efetuada mediante o uso de diferentes artefatos de captura (i. puçás). a piscicultura como principal via de entrada de taxa na maior parte das unidades. 1876 Nome Popular Origem Razões relacionadas à introdução Pesca Pesca Pesca Pesca Pesca Pesca Ornamental Pesca Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Pesca Pesca Ornamental Pesca Truta Trairão Pacu Tambaqui Europa América do Sul América do Sul América do Sul América do Sul Piau branco Mato-grosso Dourado Bengalinha Pirrulina Sumatrano Japonês Carpa capim Carpa Danio Pacamão América do Sul América do Sul América do Sul América do Sul América do Sul Asia Asia Asia Asia Asia América do Sul 90 . as bacias que cortam o Estado do Rio de Janeiro. 1792) CHARACIFORMES Erythrinidae Hoplias lacerdae Ribeiro. 1876 CYPRINIFORMES Cyprinidae Barbus tetrazona (Bleeker.

1910 Bagre africano África Pesca Molinésia América Central Ornamental Guppy Molinésia Molinésia Espada Plati Apaiari Acarábandeira Tucunaré Tucunaré Tucunaré Tilápia Tilápia Peixe-folha Peixe de briga Paraíso América do Sul América Central América Central América Central América Central América do Sul América do Sul América do Sul América do Sul América do Sul América do Sul Controle biológico Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Pesca Ornamental Ornamental Ornamental Pesca Pesca América do Sul Pesca África Pesca/Controle biológico África Pesca/Controle biológico América do Sul Ásia Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Pesca Macropodus opercularis (Linnaeus. 1846 Poecilia velifera (Regan. Apistograma sp. 1858 Pimelodus fur Clariidae Nome Popular Mandi pintado Mandi Razões relacionadas à introdução América do Sul Pesca América do Sul Pesca Origem Clarias gariepinnus (Bruchell. 1758) Nandidae Polycentrus schomburgki Belondidae Betta splendens Regan. 1872) Aequidens sp. 1859 Poecilia sphenops Valenciennes. Pterophylum scalare (Cuvier. 1822) CYPRINODONTIFORMES Poeciliidae Poecilia latipinna (LeSueur. 1866) PERCIFORMES Cichlidae Astronotus ocellatus (Cope. 1821) Poecilia reticulata Peters. a ocorrência de Aequidens geayi na Bacia do Rio Roncador (unidade da Baia de Guanabara). 1914) Xiphophorus helleri Haeckel. atualmente depositado no Museu Nacional do Rio de Janeiro. 1777) Trigogaster Ásia Centrachidae Micropterus salmoides (Lacépède. As amostragens efetuadas na bacia supracitada e em rios próximos. 1831 Tillapia rendalii (Boulenger. indicaram a existência de uma única espécie nos rios da Baia de Guanabara e do Paraíba do Sul. Ásia 1758) Trichogaster trichopterus (Pallas. ainda. ressalta-se que LÜLING (1979) indicou.Espécies Pimelodus maculatus Lacépède. 1848 Xiphophorus maculatus (Gunther. 1897) Oreochromis niloticus (Linnaeus. 91 . 1802) Black-bass América do Norte Quanto à nomenclatura adotada. 1831) Cichla ocellaris (Bloch & Schneider 1801) Cichla temensis (Humboldt 1821) Cichla monoculus Agassiz. bem como a análise do material coletado pelo projeto desenvolvido pela ENGEVIX/UFRJ (1991).

de maior quantidade de espécies ornamentais e de pequeno porte.. De fato. lineatus procedentes da Bacia do Rio Paraná tem sido efetuadas. optou-se por designar o grupo em questão sem atribuir epíteto específico. embora controverso. Este fato não atenua o impacto que o processo de introdução de espécimes procedentes de outras bacias hidrográficas. Registrou-se. a introdução de espécimes juvenis de Leporinus copelandii e L. Embora grande parte da diferença deva-se ao registro. Contudo.Considerando o estado atual da taxonomia do grupo. Rios Magé e Roncador) revelou se tratar de Polycentrus schomburgki . introduções de P. conirostris obtidos a partir de matrizes procedentes do Espírito Santo dentro de um programa com o nobre.e. bem como de espécimes coligidas em outros rios que deságuam na Baía de Guanabara (i. Este taxon. pode potencialmente acarretar aos taxa nativos. Mesmo não incluindo os casos ainda não esclarecidos (e. a mesma foi considerada como nativa da área em estudo. H. NOMURA. CASTRO. a ocorrência de número elevado de espécies em área de drenagem menor que a existente no Estado de Minas 92 . portanto com histórias evolutivas diferentes. 1978). comunicação pessoal). considerou Hoplosternum litoralle uma espécie não nativa da Bacia do Rio Paraíba do Sul. OLIVEIRA (1991). desta forma.g. O exame do material amostrado pelo autor. o número de espécies não nativas (n) presentes no estado do Rio de Janeiro superior ao divulgado por GODINHO & VIEIRA (1998) para o Estado de Minas Gerais (n = 21) e por AGOSTINHO & JULIO (1996) para a Bacia do Rio Paraná (n = 13). que ocorre na Bacia do alto Rio Paraná e em alguns sistemas fluminenses. objetivo de repeixamento do baixo curso. é possível que esta espécie estivesse originalmente presente nas águas interiores de nosso estado. litoralle e P. por exemplo. Considerando não se tratar de espécie criada em piscicultura que justificasse sua introdução acidental ou intencional e por possuir ampla distribuição em outros setores do estado e do Leste do Brasil (BIZERRIL. lineatus) dentro da contabilidade geral. A ausência de dados precisos acerca da real distribuição geográfica de espécies de peixes de água doce da região neotropical pode conduzir a interpretações equivocadas quanto a eventuais introduções. hibridizações e comprometimento da identidade genética das populações verdadeiramente nativas. no Estado do Rio de Janeiro. . A falta de dados precisos sobre as conseqüências que estes eventos podem acarretar sobre a biota fluvial brasileira permite apenas que se especule quanto a possibilidade de introdução de patógenos. Possivelmente a carência de informações e de acompanhamentos sistemáticos de eventos relacionados a transposição de populações seja um dos fatores que contribuem para que este processo não seja raro. por exemplo. tanto acidentalmente quando de forma intencional. dados não publicados). vimboides. exibindo. um padrão de distribuição geográfica similar ao apresentado por P. é usualmente apontado como um organismo introduzido no Estado do Rio de Janeiro (cf. USP/Ribeirão Preto. na Bacia do Rio Paraíba do Sul e em sistemas costeiros do Estado do Espírito Santo (RICARDO MACEDO C.. na Bacia do Rio Paraíba do Sul. que também ocorre no alto Rio Paraná. PERES-NETO (1995) identificou espécie de Nandidae coletada na Bacia do Rio Macacu como Monocirrhus polyacanthus. Na mesma categoria está a tão controversa origem de Prochilodus lineatus (= Prochilodus scrofa).

Nesta situação. entre Ribeirão das Lajes e Sapucaia e em Carmo. notadamente Poecilia latipinna. A despeito dos impactos diretos e indiretos gerados por espécies não nativas. introduzido com sucesso no Estado no final da década de 40 (NOMURA. 1996). reticulata é tida como responsável pela redução na população de ciprinodontídeos nativos do Kenya e de Uganda e Poecilia latipinna é considerada "undesirable" na Austrália (COURTENAY & MEFFE. T. sua introdução ainda é recomendada em consultorias fornecidas por instituições de pesquisa à iniciativa privada. além de ser amplamente distribuída na baixada de Jacarepaguá. Sua persistência por mais de 20 anos. 1988). fato este que pode ser inferido ou determinado apenas para poucas espécies com base. 1989). Espécie do gênero Aequidens foi apontada por LULING (1979) como "the commonest small fish in the lower reaches of the Roncador". P. sendo igualmente pescado em outros trechos deste sistema fluvial (BARROSO. op. 1978). Ctenopharigodon idella é apontada como responsável. como se observa com o uso Ctenopharigodon idella para controle 93 . Destas. Para espécies de pequeno porte. 1999).) A introdução de Poeciliidae. fator que usualmente se reflete em maiores comprometimentos à manutenção da biodiversidade. COURTENAY & STAUFER. na sua participação na pesca local. destaca-se Salminus maxillosus. somada a observação de LULING (op. Salmo gairdineri. carpio.). algumas têm sido identificadas como importantes agentes de impacto em outras regiões. quase 10% do total reunido em pescarias profissionais no baixo Paraíba do Sul (municípios de Itaocara e Aperibé) (APARPS.cit.). e que atualmente representa. pela introdução de patógenos e parasitas causando a infestação de espécies nativas e peixes em cultivo por Bothriocephalus acheilognathi. cit. Cichla ocellaris é igualmente abundante em Ribeirão das Lajes e em Resende (BARROSO. 1995). (BIZERRIL. consiste em concentração de impacto. unidade das Baixadas Cariocas. BARROSO (1989) aponta Pimelodus maculatus como espécie capturada em grande quantidade na Bacia do Rio Paraíba do Sul. PERES-NETO (1995) relacionou Polycentrus schomburgki e Nannostomus brechforti como os taxa presentes em mais de 25% das amostragens realizadas no baixo curso do Rio Macacu entre os anos de 1993 e 1994. Tilapia rendalli é capturada o ano todo na Lagoa do Campelo (Bacia do Paraíba do Sul) (CASTELLO BRANCO.). 1981).cit. Clarias gariepinnus e Micropterus salmoides.cit. rendalli e O. AGOSTINHO & JÚLIO. como C. niloticus parecem atuar como catalisadores do processo de modificação ambiental (AGOSTINHO & JÚLIO. 1973. 1989). Taxa como Xiphphorus helleri e P. em especial. reticulata e Gambusia affinis (a última não registrada no presente trabalho) encontra-se relacionada com controle biológico de mosquitos e com lançamentos ocasionais de espécimes de aquário (WELCOMME. na América do Sul e no Sul do Brasil. Das espécies listadas. destaca-se Cichla ocellaris. reticulata foram apontados como uma das causas de declínio de espécies de peixes norte americanas (COURTENAY & MEFFE. Peixes bentófagos.). A ausência de monitoramentos das populações introduzidas dificulta avaliar o grau de aclimação dos diferentes taxa nos rios e ambientes lênticos do Estado do Rio de Janeiro. pode indicar aclimação da espécie a condições locais. 1984. P. 1996. onde integra o conjunto de espécies capturada em pesca comercial (BARROSO & BERNARDES. op.Gerais e na Bacia do Rio Paraná. por seu impacto negativo sobre populações derivado da predação ou competição (COURTENAY & ROBINS. 1996. 1999). Cyprinus carpio. BIZERRIL. cestódeo endêmico da China (AGOSTINHO & JÚLIO. op.

callistus Salminus maxillosus Nannostomus brechforti Pyrrhulina brevis Barbus tetrazona Carassius auratus Ctenopharyngodon idella Cyprinus carpio Danio aequipinnatus Lophiossilurus alexandri Pimelodus maculatus P. na Bacia do Rio Paraíba do Sul (e. PS = Paraíba do Sul. Poecilia reticulata. Apistograma sp. Quadro 11 – Distribuição das espécies introduzidas por macrorregião. fur Clarias gariepinnus Poecilia latipinna Poecilia reticulata Poecilia sphenops Poecilia velifera Xiphophorus helleri Xiphophorus maculatus Astronotus ocellatus Aequidens sp.temensis C. Leporinus sp. LI = Lagoa de Imboassica e drenagens associadas. 1994).. LIGHT/UFRRJ. M = Bacia do Rio Macaé.MR5.g. Das espécies inventariadas.MR-7 LI* M* LF* PS QUIS* X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X - BG = Rios da Baía de Guanabara. QUISS = Lagos costeiros de Quissamã e áreas adjacentes.MR5. MACRORREGIÕES AMBIENTAIS ESPÉCIES Oncorhynchus mykiss Hoplias lacerdae Colossoma macroponum P.MR6. LF = Lagoa Feia.biológico de macrófitas no reservatório de Ribeirão das Lajes. monoculus Tillapia rendalii Oreochromis niloticus Polycentrus schomburgki Betta splendens Macropodus opercularis Trichogaster trichopterus Micropterus salmoides MR-1BG* X X X X X X X X X X X MR1. 94 .mesopotamicus Metynnis sp.MR6. tendo sido amostradas em todas as macrorregiões (Quadro 11). Pterophylum scalare Cichla ocellaris C. H.MR-2 MR-3 BJ* X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X MR-4 MR5. BJ = Rios da baixada de Jacarepaguá e demais áreas urbanas do Rio de Janeiro. Tilapia rendalli e Oreochromis niloticus apresentam maior distribuição dentro do espaço analisado.

4 kg. Esta tentativa se realizou em redor de 1884 e não deu resultados práticos. Já em 1947 conseguiram os pescadores apanhar os primeiros exemplares e em 1948 apareciam os primeiros dourados nos mercados locais.Há três tipos de tilápia. a desova foi acompanhada pela Divisão de Proteção e Produção de Peixes e Animais Silvestres. Em 1952 já se pescaram diversos exemplares de 1. A tilápia do nilo. PEDRO II. apanhado na região de Cachoeira Paulista. soltos em dois pontos diferentes. o dourado é um peixe carnívoro. a do nilo (Oreochromis niloticus). houve corrida de dourados que se acumularam junto à cidade de Paraibuna. Foram particulares que lançaram dourados procedentes do Rio das Velhas (Bacia do Rio São Francisco).8 kg pesando o maior dourado 28. O peso médio dos dourados apanhados em 1950 foi de 2. Entre 26 a 29 de Novembro de 1951. reofílico e de piracema.Salminus maxillosus A primeira tentativa de introduzir o dourado na Bacia do Rio Paraíba do Sul foi realizada no tempo de D.8 kg. RODOLPHO von IHERING e do então Diretor do Departamento da Industria Animal.16m de comprimento e 32 kg de peso e o macho 75cm e 5. provenientes da Cachoeira de Emas e de Piracicaba (SP).5 kg e em 1951 foi de 2. com preferência por peixes. Chega a nadar 10 km por dia. à noite. Em 1945. mas nunca mais houve notícias de captura de um exemplar deste lote. um histórico relativamente seguro quanto a época e forma de introdução nas águas interiores fluminenses. Em 1951. a zanzibar (Oreochromis hornorum)e a do Congo (Tilapia rendalli). existe. Tilápias . Em 1948 foram encontrados peixes jovens da primeira desova realizada. no trecho compreendido entre a Usina Vigor e a confluência Paraitinga-Paraibuna. Fonte: CASTELNAU (1855) Figura 57 . A fêmea atinge 1. reconhecida 95 .Originário da Bacia do Paraná. Tais taxa estão relacionados abaixo: Dourado (Salminus maxillosus) .Embora não existam registros acerca da introdução de muitas das espécies relacionadas no Quadro 11. Esta iniciativa devese ao interesse do Dr.9 kg. A desova se deu em 28 de Novembro. foi realizado pela Estação Experimental de Pirassununga (SP) em colaboração com a Divisão de Proteção e Produção de Peixes e Animais Silvestres um transporte de 500 dourados de cerca de 25 cm de comprimento em média para o Rio Paraíba. Em 1931 foram soltos de novo 5 machos e 4 fêmeas de dourado de 30-50 cm. para alguns grupos. quando o vale ainda se encontrava em pleno florescimento econômico. Um lote foi lançado no trecho que banha a cidade de Pindamonhangaba e o segundo em Guaratinguetá.

Vive em rios e lagoas. Atinge a maturidade sexual com 20 cm de comprimento. No estado foram registradas duas espécies em águas interiores (Figura 59). O seu peso normal é de 1. A tilápia do congo foi introduzida no Brasil em 1953. espelho. Existem cinco variedades de carpa são: escama. A fêmea incuba os ovos na boca. pela Comissão de Pesca do Estados Unidos. e nos lugares mais frios.A carpa comum (Cyprinus carpio) é originária da Europa Oriental. Alimenta-se de microorganismos do plâncton. mas pode atingir 3kg. Foi introduzida no Brasil em 1882. FÉLIX CHARLIER. Desova uma única vez no ano. funcionário da LIGHT. tornou-se um flagelo.000 óvulos.500 a 2. A tilápia zanzibar tem o hábito alimentar semelhante a do Nilo. em geral de março a abril. Carpas . pelo Sr. A tilápia do Congo ou tilápia comum é herbívora e muito prolífica.5 kg. linha e colorida. no Ceará. onde este peixe. mas na presença de excesso de alimentos come praticamente de tudo.Tilapia rendalli As tilápias do nilo e zanzibar foram introduzidas no país pelo Serviço de Piscicultura do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS.pelas listas verticais presentes na cauda é a mais disseminada e a mais utilizada em cultivos comerciais. de agosto a novembro. 96 . A época e as circunstâncias de introdução no Estado são desconhecidas. Figura 58 . aos 10 –17 cm. em 1971. couro.000 ovos por vez. quando em cativeiro. mas de crescimento mas lento. Uma fêmea põe de 1. Os primeiros reprodutores vieram deste país. Tem crescimento rápido e é de grande rusticidade. pelo menos três vezes ao ano. Em cada postura chegam a colocar 100. É um peixe onívoro que pode alcançar 70-80 cm de comprimento e peso de 10-15 kg. Foram introduzidas na Lagoa da Tijuca durante o governo de CARLOS LACERDA. das Bacias do Mar Negro e Cáspio e da China. invadindo e multiplicando-se nos rios e represas. também exótico. com a finalidade de incrementar a piscicultura nas represas da companhia e controlar as plantas aquáticas.

000 ovos da Dinamarca. A desova acontece de setembro a dezembro. A criação de truta só ocorre no Brasil em regiões de altitude elevada. cerca de 2.huisdier.6 kg. Os alevinos foram soltos nos Rios Jacu Pintado e Bonito. Itaiaia. a truta (Oncorhynchus mykiss= Salmo gairdineri) prefere águas rápidas e oxigenadas.5 kg.. alimenta-se de insetos. Há registros de sua ocorrência em pequenas represas privadas e em trechos da Bacia do Rio Paraíba do Sul (GODOY.Originário dos Rios da América do Norte. mas a média é de 1.500 alevinos foram produzidos. Fonte: http://vissen.Micropterus salmoides 97 .net/0061. Em 1950. rãs e peixes pequenos. mais 7. provenientes de um lote de 50 mil ovos embrionados importados da Dinamarca.Figura 59 – Cyprinus carpio e Ctenopharyodon idella (ambas coletadas na Bacia do Rio Paraíba do Sul) Trutas . o “black-bass” (Micropterus salmoides) é um peixe exclusivamente carnívoro. de poços e corredeiras. demora de oito a dez meses para atingir o tamanho comercial. A época e as circunstâncias de sua introdução no Estado do Rio de Janeiro são desconhecidas. Aos dois anos atinge a maturidade sexual O período de desova vai de maio a agosto. Carnívora. onde a temperatura da água seja de no máximo 23°C. no alto das Serra da Bocaina em território paulista da Bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul. Em seu habitat há registros de espécimes que atingiram 55 cm de comprimento e peso de 2. com a fêmea deposita do seus ovos em um ninho no fundo. Após a incubação. Em cultivo.htm Figura 60 . as trutas são encontradas nos rios das regiões serranas de Resende. 1954). Teresópolis e Friburgo. Black-bass ou perca–negra . Os criadores têm o péssimo hábito de soltar filhotes nos rios serranos de águas frias para povoá-los. Foram importados 5. que vive em pequenos cardumes e que no Brasil vive em águas calmas de lagos e represas. Já em 1952 a espécie começou a ser pescada. por iniciativa da Divisão de Caça e Pesca do Ministério da Agricultura.500 alevinos foram soltos naqueles e em outros da mesma região. Foi introduzido no Brasil em 1922. A introdução da truta na Europa foi realizada em 1880 e no Brasil em 1949. Petrópolis. Nos dias atuais. em Minas Gerais.Originária dos rios de água fria da América do Norte.

o tucunaré foi introduzido na represa de Juturnaíba. (2000). IIR = Índice de Importância Relativa Item Resíduos orgânicos Insetos Restos de camarão Peixes.45 13. o afogamento de matéria orgânica terrestre promove um rápido aumento de produtividade por algum tempo. em 1945 ou 1946. A primeira introdução no tucunaré no Estado do Rio de Janeiro.09 23.3 4. considerando a população do reservatório de Ribeirão das Lajes.Trata-se de peixes originário da bacia amazônica.99 63. houve uma notável incremento de biomassa do tucunaré poucos anos depois.Tucunaré . como o surubim e o dourado. A presença deste peixe é preocupante. 1993).26 10. que ilustram o caráter eminentemente predador da espécie e registram.16 5. sendo reconhecidas as categorias: Restos de peixes Peixes não identificados Cichla monoculus FO (%) 63.5 IIR (%) 31. na Bacia do Rio São João. deu-se na represa de Lajes. em Minas Gerais. ao que tudo indica.Cihla monoculus Como é comum nestes casos.53 42.11 75 25 12. que não perdurou por muito tempo. tais como a piabanha.12 54.Itens registrado no exame de conteúdo estomacal de Cichla monoculus do (reservatório de Ribeirão das Lajes) FO = Freqüência de ocorrência. mas que não se sustenta. uma vez que se trata de uma espécie carnívora que irá competir com outras espécies carnívoras nativas. Observa-se que esta introdução se deu quase que simultaneamente ao alteamento do reservatório. Em estômagos de adultos são encontrados vários filhotes da espécie. registrou-se um aumento de 600% de sua captura na pesca científica (GODINHO. Segundo consta. Na represa de Três Marias. Os pescadores do Clube de Pesca de Piraí vem observando canibalismo entre os tucunarés.46 98 . além de predar espécies mais sensíveis e exigentes em termos de ambiente. o tucunaré surgiu em 1984 e já em 1987. inclusive a ocorrência de canibalismo são apresentados no Quadro 12. Mais recentemente. Os resultados obtidos. O hábito alimentar de Cichla monoculus em águas interiores do estado foi analisado por GONZALEZ et al. Fonte: SPIX & AGASSIZ (1831) Figura 61 . Quadro 12 .62 9.

o dourado e o tucunaré atuam como fontes de pressões bióticas sobre o arranjo nativo da Bacia do Rio Paraíba do Sul. Fonte: http://home. De forma similar. 1989. a possibilidade de que ocorra um processo de interação positiva entre espécies não nativas (SIMBERLOF & Von HOLLE. Em escala local. a vulnerabilidade é determinada especialmente pelo processo de alteração ambiental estabelecido na maior parte das bacias e sub-bacias integrantes da unidade e da quantidade elevada de taxa introduzidos. mostram-se como aquelas espécies que. no caso as macrorregiões MR6. no presente e em escala estadual.wxs. sistemas de pequeno porte. NICO & FULLER. Oreochromis. se destacam como as mais impactantes.Número de espécies introduzidas (por macrorregião ambiental.htm Figura 62 .Clarias gariepinnus A distribuição das espécies introduzidas mostra-se fortemente concentrada em alguns eixos principais. Assim. niloticus e Clarias gariepinnus (Figura 62). A magnitude do impacto das espécies introduzidas sobre os ambientes naturais pode aumentar de acordo com algumas características gerais do ambiente e de seu nível de degradação. com poucas espécies e já alterados tendem a apresentar maior vulnerabilidade no que se refere a expansão dos estoques de taxa introduzidos (MOONEY & DRAKE. taxa como Tilapia rendalli. 5 e 7. 1999).Integrando os dados de tamanho. todos de porte mediano e amplamente distribuídos.nl/~zoete004/modafcat. 1999) faz com que haja correlação entre o número de espécies introduzidas e a vulnerabilidade do ambiente. 25 Número de espécies 20 15 10 5 MR1-BG MR6-QUIS MR5-LI MR5-LF MR1-BJ MR6-PS MR5-M MR-7 MR2 MR3 MR4 0 Figura 63 . Em todas as unidades. MR7 e MR1 (Figura 63). adotando-se a modificação apresentada no Quadro 11) 99 . Integrando estes dados identifica-se como áreas mais vulneráveis ao processo de expansão de espécies as macrorregiões 1. hábito alimentar e distribuição geográfica de cada espécie no Estado do Rio de Janeiro.

100 . também descreveu espécies de peixes do Estado do Rio de Janeiro. Eventos similares de transposição de fauna ocorreram ainda como resultado das obras de "saneamento da Baixada Fluminense". contudo destacam que o real conhecimento e dimensionamento deste impacto pode ser efetuado apenas em estudos de longo prazo. mormyrops e L. ________________________ 1 ANDRÉ THEVET. o calvinista francês JEAN DE LÉRY. copelandii. em 1578. Dentre as obras já realizadas na região. em etapa final. sobre a biota nativa do sistema do Guandu. MATTEWS et al. ou causou. uma série de espécies oriundas do Rio Paraíba do Sul e ausentes em outras bacias da Macrorregião MR3. escreveu o que podemos considerar como o primeiro registro de espécies de águas interiores do Estado do Rio de Janeiro1. L. e outros. destaca-se os sistemas de geração/abastecimento do complexo de Ribeirão das Lajes. médicos que acompanhavam a comitiva do Príncipe holandês MAURÍCIO DE NASSAU no nordeste do Brasil. que desviam um volume significativo de água do Rio Paraíba do Sul lançando-o. onde foram efetuadas conexões artificiais envolvendo bacias isoladas. Além das alterações na dinâmica funcional e no porte do Rio Guandu.Um evento de especial interesse dentro do processo de introduções de espécies é a ocorrência. Quase um século antes da publicação da obra de MARCGRAVE. durante o segundo império. Detectaram impactos de pequena magnitude sobre este elemento da biota. haja visto que estes passam pelo sistema de adução e turbinas do complexo de Ribeirão das Lajes e ainda permanecem viáveis. ICTIOFAUNA DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS Breve Histórico das Investigações É usualmente aceito que as investigações científicas enfocando a ictiofauna brasileira como um todo tiveram início em 1648. como integrantes dos gêneros Leporinus (L. em especial na área da Bacia da Baía de Guanabara. de dispersão de fauna como resultado da realização de obras de transposição de bacias. apresentando. Este fato inicialmente ilustra a grande resistência de ovos e larvas. no Estado do Rio de Janeiro. ao relatar sua permanência por longo período entre os Tupinambás (Tamoios) como integrante do malogrado projeto de criação da França Antártica. inclusive a primeira ilustração de peixe do Estado (um tubarão martelo). (1996) realizaram experimento para avaliação do impacto que processos de transferências entre bacias podem causar sobre a ictiofauna. corvinas (Pachyurus adspersus). Contudo não menciona espécies de água doce. no presente. conirostris). em obra publicada em 1556. da obra de transposição do Rio Macabu para o Rio Macaé e ainda como resultado da construção. foi publicado a Historia Naturalis Brasiliae (Figura 64). Como resultado das coletas e observações. No que se refere ao impacto que este evento efetivamente causa. na Bacia do Rio Guandu. a ausência de monitoramentos e de bancos de dados referentes ao período anterior a interconexão das bacias não permite gerar especulações cientificamente embasadas. na qual são descritas diversas espécies de água doce e marinhas da região. do canal Campos-Macaé. observa-se. com os trabalhos de WILHEN PISO e GEORG MARCGRAVE.

. Em sua obra descreve o uará ou acará-uassú (provavelmente a espécie atualmente denominada Geophagus brasiliensis. Sua abundância provavelmente foi o fator que levou a nomear uma aldeia localizada próxima a um pequeno rio da margem norte da Baía de Guanabara como o Rio dos acarás (a aldeia da Akaray. monstruosa. nisso se assemelha ao tatu”. atualmente Icaraí. como diziam os Portugueses. o que anda pelo mato]. espinhais penetrantes e são armados de escamas tão resistentes que não creio que lhes faça mossa um cutilada. ou Rio de Janeiro. dentes mais aguçados que os dos lúcios. duas barbatanas debaixo das guelras. “(. em Niterói) Menciona ainda o pirá-ypochi (pirá = peixe e ipochy = ruim. em verdade em relação ao resto do corpo.. 1972) o autor destaca a riqueza da ictiofauna dos rios associados à Guanabara (seio do mar) e Niterói (água escondida). mau) um peixe “do comprimento de uma enguia (que) não vale grande coisa” cuja descrição superficial não permite descobrir a que espécie pertence. 101 .Figura 64 – Capa da obra de MARCGRAVE (1658) (com algumas das espécies ilustradas pelo autor) LÉRY dedicou um capítulo inteiro do livro referente a sua viagem aos peixes (“Dos Peixes Mais Comuns e do Modo de Pescá-los”).) a que os selvagens denominam tamuatá [nome cuja variação resultou em camboatá de kaábo-atá. Quanto as outras espécies de água doce. como designada pelos Tupinambás. muito comum em todos os corpos de água doce e mesmo salobra do Estado do Rio de Janeiro). afirmando que: “Os rios deste País estão cheios de uma infinidade de peixes medianos e pequenos aos quais chamam os selvagens de pirá-mirim. o autor se detém a detalhar uma forma local que se caracteriza “por sua deformidade”. mede comumente meio pé de comprimento apenas. tem a cabeça muito grande. Na tradução publicada pela Editora da Universidade de São Paulo (LÉRY. de um modo genérico”.

cujo material obtido foi posteriormente pilhado pelas tropas napoleônicas a pedido de GEOFFROY St. Contudo. tendo em vista a proibição portuguesa da entrada de estrangeiros para estudar a fauna. Quando a corte portuguesa mudou-se para o Brasil as fronteiras do país se abriram. Neste documento que narra observações obtidas nas então Capitanias do Rio de Janeiro. datada de 18 de março de 1604. FERREZ (1978) destaca que: “Até 1808. Desta forma. são descritas várias espécies. que implicava. expedições e “viagens filosóficas” de grande vulto só são relatadas do século XIX. maior número de relatos (NOMURA. Goiás e Mato Grosso. abandona. de fato. São Paulo. Portugal zelava com ciúme e mesquinhez pela sua colônia à qual devia basicamente sua riqueza. Após o relato de LÉRY. conseqüentemente. é possível que ainda no século XVIII tenham sido efetuadas amostragens no Estado. grandes cientistas. Desta forma. os corpos d’água em que vive e se desloca por terra até outro ambiente. a pirapitinga (pirapi’tinga. provavelmente de 1765. Neste período. preferencialmente em desembarque no Rio de Janeiro. a grande exploração portuguesa se deu na bacia amazônica. recentemente descoberto por PAPAVERO et al. dedica seu nono capítulo a relatar as “Noticia de varios peixes de mar e de rios. De fato. q’ se tem conhecimento no Brazil com a distinção. peixe este que. o que não é surpresa tendo em vista não haver na época intuito algum de divulgar estudos científicos fundamentais de um mundo novo aos europeus. Agora. ávidos de informações e novidades. é possível que a maior parte das espécies marinhas tenha sido registrada no Estado do Rio de Janeiro. contudo expedições portuguesas nesta região são desconhecidas para o período em questão. flora e os recursos naturais do Brasil. Neste período.A descrição permite identificar a espécie como o Callichthys callichthys (cujo nome vulgar mais comum é tamboatá ou ainda camboatá). como a piabanha (pia’bae. Iniciativas portuguesas de exploração sistemática da ictiofauna do Estado são desconhecidas. o que sugere se tratar de uma das típicas narrativas fantásticas da época. o mesmo valendo para algumas formas de água doce. peixe branco) Além deste registro. Expedições realizadas por outros países são pouco prováveis. artistas e viajantes de 102 . neste período. pode-se definir o século XIX como o marco inicial de pesquisa da ictiofauna dos estados do Sudeste brasileiro. o registro mais antigo que encontramos consiste em documento de autor anônimo. tornou-se praticamente impossível. No documento. é que a espécie não apresenta “dentes mais aguçados que os dos lúcios”. é sobre esta área que surgiu. HILLAIRE. no século XVIII o acesso aos rios do Estado por parte de expedições estrangeiras. contudo. sendo a expedição científica austríaca enviada pelo imperador FRANCISCO I a pedra fundamental deste momento. e circunstcas q’ se tem de cada um deles”. notadamente durante períodos úmidos ou de chuvas. nenhuma das quais com a indicação do local em que foram observadas. o Brasil tinha sido um país totalmente isolado. coordenada por ALEXANDRE RODRIGUES PEREIRA em 1783-1793. A decisão de enviar uma expedição científica foi tomada em fins de 1816 e coincidiu com o casamento da princesa LEOPOLDINA com o príncipe regente PEDRO I. vários navios que faziam a volta ao mundo foram autorizados a aportar em Santa Catarina e. o que é manchado). (1999) e republicado em sua íntegra pelos “descobridores” (ver Referências Bibliográficas). O curioso. 1998).

armazenou e preparou produtos naturais e adornos indígenas para enviar à Lisboa (LOPES. JEAN RENÉ CONSTANTIN QUOY. J. na época professor de Harvard. O material coletado pela comitiva deveria ser identificado para compor um grande estudo sobre a fauna e flora brasileira. von SCHEIBERS.todas as nações correram para lá para levantar o véu do segredo que o isolamento criara”. tendo recomendado para compor o corpo técnico o assistente do Jardim Zoológico Imperial. Foram agregados o pintor J. enviando toneladas de espécimes zoológicos de informações antropológicas ao Museu de Viena. ALLEN (Ornitólogo) e GEORGE SCEVA 103 . a maioria das quais tendo o Rio de Janeiro como porta de entrada. o caçador do príncipe herdeiro FERNADO. POHL. KNER e.F. teve como assistentes JAMES BURKHART (artista). da Universidade de Praga. mapeando os trajetos percorridos. organizado por JOHANN BAPTIST von SPIX e CARL FRIEDRICH von MARTIUS. pelo Barão FRANZ STEINDACHNER (MYERS. Infelizmente. foi nomeado organizador e conselheiro da expedição. coletando em diversas localidades. para todos os ramos de história natural e o Prof. JONH (Geólogos). o jardineiro imperial do Paço Belvedere. J. JOHANN E. HEINRICH WILHELM SCHOTT. no Rio de Janeiro foi criado. para as disciplinas mineralógicas e botânica. 1993). BUCHBERGER e o artista plástico THOMAS ENDER. C. A. Desta forma. MATHIAS UNTERHOLZER. muitas das quais procedentes da Bacia do Rio Paraíba do Sul foram descritas por HECKEL. por mais de 20 anos colecionou.G. LOUIS AGASSIZ concluiu o volume em 1829 adquirindo grande interesse pela ictiofauna brasileira. Por solicitação do rei da Baviera. O então denominado Museu é identificado por todos os historiógrafos do Museu Nacional à Casa de História Natural. VANZOLINI (1993) descreveu detalhadamente a viagem de NATERRER ao Brasil. popularmente conhecida como Casa dos Pássaros que. CHRISTIAN MIKAN. como caçador e empanhador. que participaria como zoólogo. 1964). principalmente. ANTHONY. que participaria como paisagista. viabilizou graças aos fundos concedidos por NATHANIEL THAYER de Boston. Ao grupo ainda se juntou Dr. como descrita por EIGENMANN (1917). diversas viagens foram realizadas ao sudeste do Brasil. JOSEPH PAUL GAIMARD. são nomes que se destacam. JONHANN NATTERER. O diretor do Museu Imperial das Ciências Naturais. Ainda neste ínterim. como botânico e DOMINIK SOCHOR. pelo Decreto de 6 de junho de 1818. um jovem naturalista suíço foi recomendado para terminar o volume relativo a ictiofauna. o proprietário do Parque de Animais Selvagens de Viena. Quase que paralelamente. Dentre os integrantes da equipe JONHANN NATTERER se dedicou a coleta sistemática de espécimes da ictiofauna. criada em 1784. juntaram-se a expedição austríaca os naturalistas JOHANN BAPTIST von SPIX e CARL FRIEDRICH von MARTIUS. onde numerosas espécies de peixes. NATTERER permaneceu no Brasil por 18 anos. SPIX morreu pouco após sua viagem ao Brasil. HARTT e ORESTES St. o Museu Real do Rio de Janeiro. nenhuma se comparou em vulto e importância a grande expedição que o próprio LOUIS AGASSIZ. FRANCIS DE CASTELNAU. J. como coletor de animais invertebrados e herbívoros. A expedição TAHYER foi iniciada em 1865 e. Contudo. Dr.

WALTER HUNNEWELL. Fonte: www.(Preparador). no entorno de Campos dos Goytacazes e de São Fidélis. com dificuldades de acesso a literatura estrangeira e com um número muito reduzido de periódicos para publicar suas descobertas. No retorno. dentre outros. e no Rio Muriaé. HASEMANN amostrou as seguintes localidades: Rio Paraibuna (em Serraria). 1993) e a incorporação em seu quadro de pesquisadores. Neste espaço de tempo efetuou amostragens no estado e em áreas vizinhas drenadas pelas Bacias do Rio Paraíba do Sul. A expedição chegou ao Rio de Janeiro em 22 de abril.htm FIGURA 65 – Louis Agassiz e integrantes da expedição Thayer (como em MYERS. muitos dos quais 104 . NEWTON DEXTER. St. uma segunda expedição partiu dos Estados Unidos tendo JONH D. permanecendo na cidade por três meses. Rio Paraíba em São João da Barra. do Carnegie Museum. Neste último local. enquanto HARTT e COPELAND coletaram no baixo curso do Rio Paraíba do Sul. ALÍPIO DE MIRANDA RIBEIRO publicou 146 trabalhos. como ictiólogo.edu/fish/thayer. WILLIAN JAMES. prolongado-se até 1910. passando pela localidade de Cantagalo Em 1907. Barra do Piraí. Parte da expedição. ALLEN. 1911). STEPHEN von RENSSELAER THAYER e THOMAS WARD. Com a consolidação gradual do Museu Nacional do Rio de Janeiro (cuja história é detalhadamente apresentada em LOPES. dentre os quais EDWARD COPELAND. WARD e SCEVA seguiram para Juiz de Fora. conduzida por LOUIS AGASSIZ. cruzando o Paraíba do Sul e coletando em diversas localidades. 1964) O imperador PEDRO II forneceu grande assistência e vários brasileiros tomaram parte da expedição. JONH. Trabalhando em uma instituição que ainda se estruturava. EIGENMANN (1917) menciona os nomes de Major COUTINHO. Rio Paraíba em Campos dos Goytacazes (incluindo a Lagoa Feia). Rio Paraíba em Jacareí e Rio Preto em Santa Rita do Jacutinga (ver HASEMANN. HASEMANN. de ALÍPIO DE MIRANDA RIBEIRO (Figura 66) as investigações das águas interiores do Estado do Rio de Janeiro passam a ser efetuadas também por exploradores brasileiros.harvard. além de diversos voluntários. JUSTA. cruzaram novamente o rio.mcz. COUTO DE MAGALHÃES. no início do século XX. Dr. rumou à Amazônia. Rio Paraíba em Entre Rios (= Três Rios).

Posteriormente o estudo da ictiologia em território fluminense ficou a cargo de HAROLDO TRAVASSOS. como se evidencia na relação de espécies registradas em águas interiores. o médico veterinário ASCÂNIO DE FARIA. promover intercâmbio científico com instituições estrangeiras e nacionais. A história da criação e as pesquisas desta unidade foram detalhadamente relatadas por OLIVEIRA (1987). que analisa o efeito do vinhoto sobre peixes de água doce. sucedeu ALÍPIO após sua morte. Muitos trabalhos realizados. Além de seus técnicos terem efetuado amostragens em alguns ambientes situados dentro da área enfocada por este livro. podem ser considerados pioneiros. que dedicou-se especialmente ao estudo de peixes Characiformes. fomentar por todos os meios e modos a piscicultura. foram desenvolvidos estudos diversos sobre a ictiofauna fluminense. descrevendo diversas espécies do Estado do Rio de Janeiro. Seu filho. Em 23 de dezembro de 1938. sob a direção do engenheiro agrônomo JOÃO LEOPOLDO MOREIRA DA ROCHA e de seu substituto legal. como O Campo e A Lavoura. PAULO DE MIRANDA RIBEIRO. Dentre as várias incumbências do Serviço. Em 1936.540 de 03/07/34 e instalado no edifício situado na rua Maracanã 222. promover a divulgação de conhecimentos relativos aos assuntos de sua especialidade. que consistiram. O material coletado se constituiu no embrião do Museu de Caça. o Decreto Lei n º 982 transformou o serviço de Caça e Pesca em Divisão de Caça e Pesca.em revistas não especializadas. ALVARO AGUIRRE e o taxidermista JOSÉ ANACLETO RODRIGUES DA SILVA realizaram uma expedição zoológica à Ilha dos Pombos no Rio Paraíba do Sul. (1934). Esta unidade. 105 . notadamente na Bacia do Rio Paraíba do Sul. como por exemplo o de GUIMARÃES et al. dentre outros. FIGURA 66 – Alípio de Miranda Ribeiro Deve ser destacada a iniciativa de criação do Serviço de Caça e Pesca. apresentada no início desta seção. uma das poucas vias de divulgação. integrada ao Departamento Nacional de Produção Animal do Ministério da agricultura foi criada pelo Decreto 24. durante um longo período. o artigo n º 238 determinava: realizar estudos sobre a hidrobiologia e biologia dos animais silvestres e dos peixes.

Entre outubro de 1935 e janeiro de 1936. os veterinários RAYMUNDO DEMÓCRITO SILVA e MANUEL NUNES PEREIRA realizaram estudos bioecológicos na ictiofauna presente a montante e a jusante da barragem de Ilha dos Pombos. decidiram os diretores do Museu Nacional. Fonte: PEREIRA & SILVA (1936) Figura 67 . MYERS descreveu várias espécies de peixes fluminenses e. em 20 de setembro de 1943. que incluem aspectos ecológicos. o ictiólogo e curador da Coleção Zoológica do Natural History Museum of Stanford University. que aqui permaneceu até 1944. abrangendo ramos bastante diversos da pesquisa. bioquímicos e genéticos. MYERS executarem um programa conjunto de pesquisas. com suas respectivas linhas de atuação e instituições às quais estão vinculados. como ilustrada na segunda ilustração) No ano de 1942. taxonômicos. Nessa oportunidade. 1936). O Quadro 13 relaciona os principais pesquisadores do Estado do Rio de Janeiro. chega ao Brasil. da Divisão de Caça e Pesca e o Dr. Ao longo de sua estadia. um segundo resultado da parceria firmada foi a criação. dentre outros. marcações com placas metálicas para acompanhar migrações e análises gonadais (PEREIRA & SILVA. a Divisão de Caça e Pesca foi posteriormente incorporada à SUDEPE. da Coleção Ictiológica da Divisão de Caça e Pesca. sistemáticos. O pouco que restou do material reunido ao longo de algumas décadas foi recentemente agregado à Coleção Ictiológica do Museu Nacional. A consolidação de novos centros de pesquisa como relacionados tornou o Estado do Rio de Janeiro particularmente rico em especialistas da área de ictiologia. Esta última uniu-se ao IBDF para a formação do IBAMA. Ao longo de todo o processo a coleção ictiológica foi sendo gradualmente abandonada. dilapidada e praticamente "extinta". todas abordagens relativamente inovadoras para a época. efetuando levantamento ictiofaunístico. Seguindo uma tendência comum na administração pública brasileira. Devemos destacar que existem diversos ictiólogos no estado além dos relacionados no Quadro 106 .Coleta de peixes no Rio Paraíba do Sul (para posterior marcação. visando à obtenção de informações mais completas sobre os peixes brasileiros. GEORGE SPRAGUE MYERS. tendo como curador RAYMUNDO DEMÓCRITO DA SILVA.

Nesta seção será conferida especial atenção as espécies nativas. ecologia Piscicultura e ecologia de populações Citogenética Instituição Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO) Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) Universidade Federal Fluminense (UFF) Ecologia Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ecologia. Quadro 13 . para obter listagem mais ampla das formas ocorrentes em cada setor. como será observado.Principais ictiólogos do Estado do Rio de Janeiro que realizaram ou realizam pesquisas em águas interiores Pesquisador Carlos Roberto S. Bizerril Dálcio Ricardo Andrade Erica Pauls Erica Pelegrin Caramaschi Francisco Gerson Araújo Francisco J. de Figueiredo Gustavo W. Os estudos faunísticos e ecológicos desenvolvidos no Estado do Rio de Janeiro se distribuem de forma bastante heterogênea gerando. integramos aos dados já existentes informações por nós obtidas em diversas bacias do Estado. Nunnan Hugo Ricardo Secioso Santos Jayme Bastos José Vanderli Andreata Mario Jorge Ignácio Brum Mauro J. ferramentas básicas para a elaboração de estratégias de manejo e de gestão. Espécies introduzidas só serão apresentadas quando da compilação de resultados de outros autores. algumas das regiões ainda não foram devidamente inventariadas e. taxonomia Citotaxonomia Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Morfometria Universidade Santa Úrsula (USU) Ecologia evolutiva e Faculdades Maria Thereza parasitologia (FAMATh) e Universidade Federal do Fluminense (UFF) Piscicultura IBAMA 107 . não incluindo nas listas fornecidas a seguir os taxa introduzidos.abaixo. recomenda-se a integração dos dados com os fornecidos no item anterior. são ainda pontuais. De fato. apresentados em resumos ou em relatórios técnicos fornecem apenas uma visão de trechos muito específicos do Estado. conseqüentemente. os estudos ecológicos. em praticamente todas. piscicultura Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Paleontologia Universidade do Estado do Rio de Janeiro Taxonomia e biogeografia (com Museu Nacional do Rio de principal enfoque em espécies Janeiro/UFRJ marinhas) Taxonomia Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Bioquímica aplicada Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Ecologia de espécies Universidade Santa Úrsula (USU) lagunares. os quais já foram descritos e no item "Espécies introduzidas". Desta forma. bancos de dados com diferentes níveis de detalhes acerca das várias regiões retratadas. fato que permite uma cobertura de muitas das macrorregiões adotadas e reconhecidas pelo SEMADS (2000). Contudo. os dados publicados. F. Desta forma. Contudo. avaliação de impactos. optamos por restringir a relação àqueles profissionais que estão efetivamente fixados em instituições. Cavalcanti Neuza Rejane Wille Lima Oswaldo Caetano Linha de Pesquisa Principal Biogeografia.

os riachos urbanos da cidade do Rio de Janeiro. Estrela e Sarapuí. as águas interiores da baixada de Jacarepaguá. neste caso compreendendo os sistemas entre o Rio Meriti (exclusive) e a Bacia da Lagoa Rodrigo de Freitas. Governo dos Estado e pela União. Brito Paleontologia Uiversidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Rosana Mazzoni Ecologia Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Sandra Sergipense Oliveira Ecologia de espécies lagunares Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Talita Azevedo Aguiaro Ecologia Faculdade Maria Thereza (FAMATh) e Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO) Valéria Gallo da Silva Paleontologia Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Wilson José Eduardo Taxonomia e sistemática Universidade Federal do Rio de Moreira da Costa Janeiro (UFRJ) Ictiofauna da Macrorregião Ambiental 1 "(. a leste com as Bacias dos Rios Macaé e São João e a sudeste com as bacias das lagunas de Piratininga – Itaipu e Maricá.. Os trechos de baixo curso de muitos rios vem sendo modificado desde o final dos séculos XIX e início do XX. apresentaremos os dados referentes a esta região considerando 5 sub-regiões. correspondendo as Bacias da Baía de Guanabara..Pesquisador Paulo Andreas Buckup Linha de Pesquisa Principal Taxonomia Instituição Museu Nacional do Rio de Janeiro/UFRJ Paulo M. ao norte com a Bacia do Rio Paraíba do Sul (Rios Piabanha e Dois Rios). As 108 . por obras de drenagem executadas por Prefeituras. para fins didáticos..) Este rio está cheio de várias espécies de peixes que mais adiante detalharei (. Ictiofauna da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara A bacia hidrográfica da Baía de Guanabara limita-se a sudoeste com as bacias hidrográficas da baixada de Jacarepaguá e da Lagoa Rodrigo de Freitas.) Não deixarei de mencionar também as horríveis baleias que diariamente nos mostravam suas enormes barbatanas fora d'água”. É composta de mais de 40 rios e riachos que afluem para a Baia de Guanabara. A Macrorregião Ambiental 1 consiste em área que concentra sub-regiões fortemente diferenciadas quanto as suas características ambientais. a oeste com a Bacia da Baía de Sepetiba. JEAN DE LERY (1578) descrevendo a Baía de Guanabara. sendo os principais os Rios Macacu. as Bacias Hidrográficas de Niterói e a Bacia Hidrográfica do Sistema Lagunar de Maricá. Iguaçu. Assim..

do Cunha e dos Rios Irajá. A divisão atualmente adotada para a Bacia da Baía de Guanabara considera 25 bacias e sub-bacias. A maioria dos cursos d’água das bacias dos canais do Mangue. chega-se ao arranjo listado no Quadro 14. retificação e construção de canais. Mais recentemente. Integrando os dados apresentados nos estudos acima com observações de campo. As imensas áreas urbanizadas resultaram na retificação e canalização com concreto de centenas de quilômetros de cursos de água. São João Acari. e apresentam suas águas extremamente poluídas pelas cargas de esgoto e indústrias que recebem. trataremos da Bacia do Rio Meriti e dos sistemas entre este ambiente e a desembocadura da Baía de Guanabara dentro do subitem "Riachos Urbanos". Somam-se a estes estudos. Uma das expedições de particular interesse foi do navio francês l'Uraine que chegou ao Rio de Janeiro em 6 de dezembro de 1817. Os rios que deságuam na Baía de Guanabara foram explorados ainda no século XIX por naturalistas viajantes. Iguaçu e Estrela encontram-se canalizados de forma aberta ou subterrânea. Roncador. Macacu e Iguaçu. conduzidas na Bacia dos Rios Inhomirim. localidade tipo de várias das espécies descritas por QUOY & GAIMARD (1824).intervenções mais significativas se deram nas décadas de 30 e 40. 109 . devido às obras de dragagem. O documento da SEMADS (2000) mostra a configuração hidrográfica primitiva da bacia. Os naturalistas a bordo desta embarcação (JEAN RENÉ CONSTATIN QUOY. os ictiólogos GEORGE S. coletando diversos espécimes de animais (dentre eles peixes) nas vizinhanças da cidade. listadas no item "Referências Bibliográficas". Nesta análise. MYERS e PAULO DE MIRANDA RIBEIRO descreveram várias espécies tendo como base espécimes coletados em rios que deságuam na baía. LÜLING (1979) descreveu alguns aspectos da ictiofauna do Rio Roncador e Magé e ANDRADE (1985) forneceu uma breve descrição da Ictiofauna de açudes e Rios no Município de Magé. elaborada com base em relatório de 1934 da Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense. empreendidas pela Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense e posteriormente pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento – DNOS. JOSEPH PAUL GAIMARD e CHARLES GAUDICHAUD-BEAUPRÉ) permaneceram por dois meses na região da Baía de Guanabara. em especial o Rio Macacu. PERES-NETO (1995) descreveu com detalhes o padrão de distribuição longitudinal das comunidades de peixes do Rio Macacu e BIZERRIL (1996). Na primeira metade do século XX. Esta situação tornou rios da Baía de Guanabara. relacionou as espécies de peixes coletadas no alto Rio Macacu. ao analisar a relação entre biodiversidade e fisiografia fluvial. diversas comunicações apresentadas em congressos.

parahybae Heptapterinae Acentronichthys leptos Imparfinis minutus Pimelodella sp. B. interruptum ANOSTOMIDAE Leporinus copelandii CHARACIDAE Glandulocaudinae Mimagoniates microlepis Tetragonopterinae Oligosarcus hepsetus A. aff. scabripinnis A. malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert CRENUCHIDAE Characidium sp. pectinata Sardinella brasiliensis ENGRAULIDIDAE Anchoa januaria A. C. bimaculatus A. vidali C.reticulatus Cheirodontinae Spintherobolus broccae SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens PIMELODIDAE Pseudopimelodinae Microglanis nigripinnis M.* P. tricolor CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias aff. aff. janeiroensis A. giton A. fasciatus A. flammeus H. taeniatus Bryconamericus sp.ornaticeps Deuterdon pedri Hyphessobrycon bifasciatus H. aff.Quadro 14 – Ictiofauna nativa levantada nas bacias associadas à Baía de Guanabara Taxon CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Brevoortia áurea B. lateristriga Rhamdioglanis frenatus Rhamdia quelen AUCHENIPTERIDAE Nome Vulgar Savelha Savelha Sardinha verdadeira Manjuba Manjuba Traíra Morobá Sairú Canivete Canivete Canivete Piau vermelho Tetra azul Bocarra Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Bagre urutu Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Mandi Mandi Mineiro branco Jundiá 110 .

Rineloricaria sp. moréia Sem nome vulgar Sem nome vulgar Tamboatá Limpa-fundo Limpa-fundo Limpa-fundo Cascudo Caximbau Caximbau Caximbau Caximbau Cascudinho Cascudinho Cascudinho Cascudinho Cascudinho Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Sarapó Sarapó Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho 111 .Taxon Parauchenipterus striatulus ASPREDINIDAE Dysichthys iheringii TRICHOMYCTERIDAE Trichomycterinae Trichomycterus alternatus T. pantherinus CYPRINODONTIFORMES VULIDAE Rivulus janeiroensis Leptolebias fluminensis L. marmoratus L. gobio Hypostomus punctatus Kronichthys heylandi Ancistrinae Ancistrus multispinis GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo G. callichthys Corydoradinae Corydoras barbatus C. zonatus Stegophilinae Homodiaetus. moréia Cambeva. nattereri C. moréia Cambeva. sandrii POECILIIDAE Poecilinae Poecilia vivipara Cnesterodontidae Phallopthychus januarius Phalloceros caudimaculatus ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata GASTERASTEIFORMES Nome Vulgar Cumbaca Sem nome vulgar Cambeva.2 Hypoptopomatinae Hisonotus notatus Otocinclus affinis Otothyris lophophanes Parotocinclus maculicauda Schizolecis guntheri Hypostominae Hemipsilichthys cf. immaculatus T.1 Rineloricaria sp. prionotus LORICARIIDAE Neoplecostominae Neoplecostomus microps Loricariinae Harttia rhombocephala** Loricariichthys sp.passarelii Sarcoglanidinae Listrura nematopteryx CALLICHTHYIDAE Callichthyinae Callichthys aff.

Descrições Originais) Soma-se ao conjunto de espécies listados acima um número expressivo de formas introduzidas (ver item Espécies Introduzidas). flammeus. Taxa como H. em parte. a Bacia do Rio Macacu se destaca por ainda reunir uma quantidade expressiva de peixes nativos podendo. emborê Peixe-flor ACHIRIDAE Achirus lineatus Linguado Provavelmente P. dentre outros. pelo menos duas espécies de Leptolebias já podem ter sido extintas (MAZZONI et al. sem dúvida nenhuma. como é o caso de Clarias gariepinnus. figuram na lista de espécies ameaçadas do Estado e. ** Provavelmente uma espécie de Rineloricaria Fonte: PERES-NETO (1995) BIZERRIL (1996) (Dados de campo. liza CICHLIDAE Cichlassoma facetum Crenicichla lacustris Geophagus brasiliensis ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus Eleotris pisonis GOBIIDAE Awaous tajasica PLEURONECTIFORMES Nome Vulgar Peixe-rei Cachimbo Mussum Robalo Pampo Pampo Carapeba Carapicu Parati Taínha Acará-ferreirinha Jacundá Acará Moreia. os rivulídeos anuais e L. 112 . 2000). pelo status de conservação de algumas das espécies locais. nematopteryx. como por exemplo o Rio Iguaçu. em alguns casos. Macacu e Inhomirim. coletado nos Rios Magé. Muitos dos rios que deságuam na Baía de Guanabara apresentam níveis muito baixos de integridade ambiental exibindo. emborê Moreia. dentre as quais se destaca a presença de grupos que podem exercer grande pressão sobre os peixes nativos. Dentro do contexto local.. marmoratus PERCIFORMES CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus CARANGIDAE Caranx latus Oligoplites saurus GERREIDAE Diapterus rhombeus Gerres aprion MUGILIDAE Mugil curema M. ser apontado como o principal "bolsão de biodiversidade" da Bacia da Baía de Guanabara. mostrando-se praticamente desprovido de fauna ictiica em grandes trechos.Taxon ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis SYNGNATHIFORMES SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus aff. Os processos de degradação ambiental presentes na região podem ser evidenciados. eigenmanni. como conseqüência. reduzida biodiversidade e.

Em seus limites observam-se casos interessantes que sugerem eventos de captura de bacias.Perfil longitudinal do Rio Macacu. Gymnotus pantherinus.00 Cotas (metros) 400. na qual consta também os limites dos diferentes setores do rio. Synbranchus marmoratus.00 Figura 68 . intensos. Rhamdia quelen. Neoplecostomus microps. se confirmada a identidade da espécie. gobio em um de seus tributários (rio Soberbo) que.00 Alto curso 800. ao que tudo leva a crer. Trichomycterus immaculatus. Characidium vidalii. A dominância de Siluriformes sobre os demais taxa constitui um padrão característico da região leste do Brasil. sendo particularmente acentuado nas áreas de alto curso dos rios.00 60. Phalloceros caudimaculatus.00 Extensão (km) 60. com a indicação dos limites de alto. Por outro lado. ictiofauna muito similar a do alto Macacu. pode vir a indicar captura fluvial de trecho da Bacia do Rio Paquequer. Caso todas estas evidências venham a ser confirmadas em estudos específicos. 1200. A relação das espécies inventariadas neste setor é apresentada no Quadro 15. médio e baixo curso A região do alto curso do Rio Macacu possui suas ictiocenoses compostas por 32 espécies. Similaridades faunísticas também se observam em outros rios que possuem divisores de água com o Rio Macacu.00 Extensão (km) 40. ocorrem no rio praticamente desde sua nascente até o final do que denominamos "alto curso". Homodiateus passarellii. alternatus. cf. a bacia passa a ter grande importância histórica.00 Cotas (metros) 400.00 20. Cichlasoma facetum e Pimelodella 113 . O perfil do Rio Macacu encontra-se representado na Figura 68. em seu curso superior. Astyanax taeniatus. um hábito predominante dentre os Siluriformes. representando um setor do território fluminense no qual eventos de fusão e separação de bacias foram.00 800. sendo a maioria pertencente a ordem Siluriformes. onde a condição de elevado hidrodinamismo favorece a ocupação do local por espécies demersais. Schizolecis gunteri. Trichomycterus cf. Parotocinclus maculicauda.00 20. como é o caso do alto Rio Macaé e do alto Rio São João.00 0. Corydoras nattereri. Das espécies listadas.00 0. sendo o registro mais ao Norte de Rhamdioglanis frenatus. como pode ser inferido pela presença de H. Hisonotus notatus.00 80. Hypostomus punctatus.00 0.00 Curso médio Curso Inferior 0.00 1200. taxa como Hoplias malabaricus. Evento de captura aparentemente também ocorreram envolvendo o Rio Santo Antônio (Bacia do Rio Bengala) que mantém. Rhamdioglanis frenatus.00 40.00 80.

para os quais o canal principal passa a representar. Quadro 15 . de ocorrência ocasional no sistema (Quadro 16). barbatus. A. Muitas das espécies de alto curso. como A. Alternatus T. espécies marinhas. As outras espécies listadas ocorrem principalmente na faixa altimétrica situada entre as cotas 600 e 300. interruptum CHARACIDAE Astyanax sp. o que permite a ocasional presença destes taxa. taeniatus Bryconamericus ornaticeps Mimagoniates microlepis SILURIFORMES PIMELODIDAE Acentronichthys leptos Imparfinis minutus Pimelodella lateristriga Rhamdioglanis frenatus Rhamdia quelen TRICHOMYCTERIDAE Homodiateus passarellii Trichomycterus cf. no qual se evidenciam. ornaticeps. A. uma área de deriva. nattereri LORICARIIDAE Ancistrus cf.lateristriga passam a ser registradas apenas na porção final do chamado "alto Macacu". inclusive. multispinnis Hypostomus punctatus Hisonotus notatus Parotocinclus maculicauda Neoplecostomus microps Rineloricaria sp. embora ausentes do canal principal no médio curso ainda mantém populações na rede de drenagem associada a este setor. multispinnis e N. C. leptos. immaculatus CALLICHTHYIDAE Corydoras barbatus C.2 Kronichthys heylandi Schizolecis guntheri GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus pantherinus CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Phalloceros caudimaculatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus PERCIFORMES CICHLIDAE Cichlasoma facetum Geophagus brasiliensis GOBIIDAE Awaous tajasica Fonte: BIZERRIL (1996) O trecho médio do Rio Macacu reúne um arranjo mais diversificado. heylandi.Relação das espécies de peixes do alto Rio Macacu CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus CRENUCHIDAE Characidium vidalii C. B. parallelus) e o parati (M. microps. neste trecho. K. já na passagem para a segunda unidade ambiental. curema).1 Rineloricaria sp. 114 . como o robalo (C.

1995. e dados de campo) No curso inferior do rio. prionotus LORICARIIDAE Loricariichthys sp. C. fasciatus A. parahybae Heptapterinae Imparfinis minutus Pimelodella sp. aff.2 Hisonotus notatus Otocinclus affinis Otothyris lophophanes Parotocinclus maculicauda Hypostomus punctatus GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilinae Poecilia vivipara Cnesterodontidae Phalloceros caudimaculatus GASTEROSTEIFORMES SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus aff.Mugil curema Quadro 16 . Malabaricus CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert CRENUCHIDAE Characidium sp. giton A. eigenmanni CALLICHTHYIDAE Callichthyinae Callichthys aff. marmoratus PERCIFORMES CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus MUGILIDAE Mugil curema CICHLIDAE Cichlassoma facetum Crenicichla lacustris Geophagus brasiliensis GOBIIDAE Awaous tajasica Fonte: PERES-NETO. Scabripinnis A. lateristriga Rhamdia quelen AUCHENIPTERIDAE Parauchenipterus striatulus TRICHOMYCTERIDAE Stegophilinae Homodiaetus. Rineloricaria sp. (com modificações. taeniatus Deuterdon pedri Hyphessobrycon bifasciatus H. bimaculatus A. nattereri C.* P.Figura 69 . aff. interruptum ANOSTOMIDAE Leporinus copelandii CHARACIDAE Glandulocaudinae Mimagoniates microlepis Tetragonopterinae Oligosarcus hepsetus A.passarelii * Provavelmente P. callichthys Corydoradinae C. observa-se a presença 115 .1 Rineloricaria sp.reticulatus Cheirodontinae Spintherobolus broccae SILURIFORMES PIMELODIDAE Pseudopimelodinae Microglanis nigripinnis M. que em verdade flui em canal distinto do traçado original do Rio Macacu devido às obras de "saneamento da baixada fluminense". aff.Ictiofauna do curso médio do Rio Macacu CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias aff. janeiroensis A.

2 Hisonotus notatus Otocinclus affinis Otothyris lophophanes Parotocinclus maculicauda Hyposotomus punctatus GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo CYPRINODONTIFORMES RIVULIDAE Rivulus janeiroensis POECILIIDAE Poecilinae Poecilia vivipara Cnesterodontidae Phallopthychus januarius Phalloceros caudimaculatus ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis GASTEROSTEIFORMES SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus aff. prionotus LORICARIIDAE Loricariichthys sp. Callichthys Corydoradinae C. bimaculatus A. giton Deuterdon pedri Hyphessobrycon bifasciatus H. fasciatus A.de muitas espécies marinhas (Quadro 17).1 Rineloricaria sp.reticulatus Cheirodontinae Spintherobolus broccae SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens PIMELODIDAE Pseudopimelodinae Microglanis parahybae Heptapterinae Pimelodella sp. nattereri C. janeiroensis A. tricolor CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert CRENUCHIDAE Characidium interruptum ANOSTOMIDAE Leporinus copelandii CHARACIDAE Glandulocaudinae Mimagoniates microlepis Tetragonopterinae Oligosarcus hepsetus A. Rineloricaria sp. atraindo pescadores para o local. aff. Carapebas e robalos são comuns. e dados de campo) 116 .* P. marmoratus PERCIFORMES CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus CARANGIDAE Caranx latus Oligoplites saurus GERREIDAE Diapterus rhombeus Gerres aprion MUGILIDAE Mugil curema M. aff. (com modificações. lateristriga Rhamdia quelen AUCHENIPTERIDAE Parauchenipterus striatulus CALLICHTHYIDAE Callichthyinae Callichthys aff. pectinata ENGRAULIDIDAE Anchoa januaria A. Quadro 17 . 1995.Ictiofauna do baixo curso do Rio Macacu CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Brevoortia aurea B. liza CICHLIDAE Cichlassoma facetum Crenicichla lacustris Geophagus brasiliensis ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus Eleotris pisonis GOBIIDAE Awaous tajasica PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Achirus lineatus Fonte: PERES-NETO.

Infelizmente. ANDREATA & MARCA (1993) efetuaram levantamento da Bacia do Rio dos Macacos. H. traíras (Hoplias malabaricus). 1991) indicaram a ocorrência de Callichthys calichthys. A estes soma-se formas introduzidas. O único estudo existente que poderia servir como subsídio para a avaliação da ictiofauna dos riachos (além dos listados quando da descrição da baixada de Jacarepaguá) é uma simples compilação de fontes diversas que não enfocaram a área em questão (YPIRANGA-PINTO. decorrentes dos despejos industriais. as principais são as de Paquetá e do Governador. barrigudinhos nativos (Phalloceros caudimaculatus). não existem estudos de levantamento da ictiofauna original desta região. Ictiofauna das Microbacias Insulares da Baía de Guanabara A Baía de Guanabara contém diversas ilhas e ilhotas que perfazem uma área de 44 km². o autor concluiu que a competição difusa deve ser o principal processo estruturador das comunidades por ele estudadas. embora se espere a presença de um número muito limitado de taxa. quando da elaboração do Estudo de Impacto Ambiental para Duplicação do referido empreendimento (ENGEVIX. em amostragem efetuado pelo autor. Em meio a uma paisagem de destruição da biodiversidade nativa. condição que não assegura precisão aos dados apresentados. 117 . Além do já mencionado Rio dos Macacos e demais drenagens inseridas dentro do Parque Nacional da Tijuca (ver mais detalhes destes ambientes na descrição da baixada de Jacarepaguá) alguns pequenos cursos d'água que drenam a Serra do Mendanha e fluem para a Bacia do Rio Meriti ainda exibem bons níveis de integridade ambiental. cambevas (Trichomycterus cf. observa-se um conjunto mais diversificado. Phallopthychus janurius. bagres (Rhamdia quelen). zonatus) e acarás (Geophagus brasiliensis). Na foz dos pequenos cursos d'água e embaiamentos. cascudos (Neoplecostomus microps). Hyphessobrycon bifasciatus. 1971). Destas. destacam-se alguns "oásis de vida" dentro do ambiente urbano. a maioria das quais aparentemente liberadas por aquariofilistas (ver item Espécies Introduzidas). dentro do contexto local. as comunidades de peixes presentes no alto curso do Rio Macacu apresentam-se menos persistentes e estáveis em relação às ocorrentes nos trechos inferiores. Restam apenas pequenos peixes confinadas as zonas de cabeceira das Serras de Tijuca e Pedra Branca. Não existem estudos de levantamentos sistemáticos da ictiofauna que habita estes sistemas.De acordo com PERES-NETO (1995). dada a grande alteração sofrida pelos ambientes locais. onde se destaca a microbacia do Rio Jequiá. Amostragens efetuadas em áreas brejosas próximas ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. das cargas de esgoto e da canalização com concreto. No curso médio da drenagem que integra a Bacia do Rio dos Macacos. no qual registrou-se. reticulatus e Phalloceros caudimaculatus. reunindo algumas das espécies listadas acima. Jenynsia multidentata). Ictiofauna da cidade do Rio de Janeiro (não incluindo a baixada de Jacarepaguá) Riachos urbanos A extrema degradação das águas e canais destes rios. o que impossibilita avaliar as reais perdas bióticas ocorridas. Pela correlação negativa entre distribuição e morfologia entre os pares de espécies estudadas. tuviras (Gymnotus pantherinus). as espécies dulciaqüícolas encontram-se representadas exclusivamente por barrigudinhos (Poecilia vivipara. praticamente eliminaram os peixes.

condição que caracteriza a unidade 3. na seqüência a fluir sobre relevo plano. 118 . relacionadas no Quadro 18. a construção de uma barragem gerou um enclave lêntico dentro do gradiente lótico.Perfil do Rio Dona Eugênia.00 4000.00 UNIDADE 1 400. com a indicação das unidades ambientais. Quadro 18 . o mesmo ainda não alcançou o nível de equilíbrio dinâmico. gerando maior velocidade de escoamento e força de erosão e de transporte. A partir da cota demarcada acima. Como resultado dos trabalhos de campo foram amostradas 12 espécies nativas. e detalhe de um trecho do rio Na seqüência. o rio adentra zona urbanizada e. pode-se constatar a existência de 6 unidades ambientais.00 8000.00 UNIDADE 2 Cotas (Metros) UNIDADE 3 UNIDADE 4 200. aparentemente. No trecho final da Quinta unidade. Confrontando a variação do perfil longitudinal com as variações da paisagem fluvial observadas ao longo do trabalho de campo. O curso acidentado do Rio Dona Eugênia denota que.00 12000.00 Extensão (Metros) Figura 70 .00 UNIDADE 5 UNIDADE 6 0.Tivemos a oportunidade de coletar em um destes riachos (o Rio Dona Eugênia) quando da elaboração do Plano de Manejo do Parque Municipal de Nova Iguaçu. Trata-se.00 16000. como conseqüência. produzindo um novo fragmento ambiental (unidade 4) que antecede setor de transporte (unidade 5). representadas na Figura 70.Espécies de peixes nativas do Rio Dona Eugênia.00 0. as quedas tornam-se progressivamente mais acentuadas. recebe uma série de efluentes domésticos que se acumulam progressivamente ao longo da sexta unidade. trabalho a cargo da HABTEC (1999). 600. O rio passa. de um rio de origem relativamente recente. com pequenas quedas (unidade 2). A primeira unidade representa área com condições ambientais oscilantes. dada a característica intermitente do setor e de grande parte de sua rede de drenagem associada. em função das condições do relevo.

um aumento no número de espécies ao longo do gradiente longitudinal. quanto pela queda na integridade ambiental. Tilapia rendalli e Oreochromis niloticus. dado aos seus hábitos piscívoros. 119 . Em pequenos açudes situados dentro da segunda unidade ambiental foram registrados Colosoma macroponum e Astronotus ocellatus. ocorrendo redução no sentido U4U6 tanto como conseqüência da exclusão natural de alguns grupos como reflexo das alterações nas condições gerais do sistema. o conjunto nativo é acompanhado pelas sempre presentes espécies introduzidas. tendo-se registrado no local Poecilia reticulata. vidali CHARACIDAE Astyanax janeiroensis SILURIFORMES PIMELODIDAE Rhamdia quelen TRICHOMYCTERIDAE Trichomycterus zonatus LORICARIIDAE Neoplecostominae Neoplecostomus microps Ancistrinae Ancistrus multispinis GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus pantherinus CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Phalloceros caudimaculatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus aff. no rio em estudo. moréia Cascudo Cascudo Sarapó Barrigudinho Mussum Acará-ferreirinha Acará Fonte: HABTEC (1999) Como se registra em todos os ambientes do Estado. marmoratus PERCIFORMES CICHLIDAE Cichlassoma facetum Geophagus brasiliensis Nome Vulgar Traíra Canivete Lambari Jundiá Cambeva. Xiphophorus helleri. A distribuição das espécies por unidade ambiental é apresentada no Quadro 19. malabaricus CRENUCHIDAE Characidium cf. Considerando o arranjo apresentado observa-se.Bacia do Rio Meriti Táxon CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias aff. sendo a segunda espécie potencialmente danosa ao conjunto nativo.

"A festa do centenário da nossa independência (1922) estava chegando.. que tem como principal afluente o Rio dos Macacos.Quadro 19 . O Dr. urbanistas. externou em 1921 a opinião unânime dos sanitaristas. 1997). declarando que ela fôsse salgada. diretor do Serviço de Saneamento Rural. descrito por autores como OLIVEIRA et al (1957). Tôdas as opiniões dos demais peritos: engenheiros hidráulicos.Distribuição das espécies nas unidades ambientais Espécies Hoplias aff. hidrógrafos. Seu regime de funcionamento original. baseado no extravasamento para o mar de um corpo lacustre isolado e eminentemente dulcícola. Mas. bem como os Rios Rainha e Cabeça. A laguna remanescente foi a Rodrigo de Freitas. marmoratus Cichlassoma facetum Geophagus brasiliensis U1 X U2 X X X U3 X X X X X X X X X X U4 X X X X X X X X U5 X X X X X X X X U6 X X X X X X Fonte: HABTEC (1999) Lagunas Dentro da área em enfoque existiam várias lagunas e lagos costeiros que. conferia a unidade uma condição não lagunar. Tiveram que sanear a lagoa. malabaricus Characidium cf. vidali Astyanax janeiroensis Rhamdia quelen Trichomycterus zonatus Neoplecostomus microps Ancistrus multispinnis Gymnotus pantherinus Phalloceros caudimaculatus Synbranchus aff. juntamente com brejais e demais zonas paludosas. construtores. (OLIVEIRA et al. para que os mosquitos se acabassem. foram drenados e aterrados ao longo da história da cidade (cf. AMADOR. BELIZARIO PENA. mais sim de lago costeiro. Fôra escolhido o novo regime: o salgado". reproduzindo uma condição atualmente verificada nos diversos corpos lacustres do norte Fluminense. 1957) 120 . médicos e de outros técnicos foram unânimes quanto a inconveniência do regime misto.

(1997). (1997) efetuaram coletas mensais entre março de 1991 e fevereiro de 1995 em quatro áreas de amostragem. registrando 41 espécies de peixes neste sistema. obtém-se a relação de espécies apresentada no Quadro 20. Durante as mortandades vê-se um entusiasmo febril e contagiante. Quanto a este aspecto. Este ambiente. vivem diversas espécies da fauna ictiológica fluminense. consistindo no estudo mais aprofundado disponível sobre a ictiofauna da Laguna Rodrigo de Freitas. nos dias atuais. Mortandades de peixes não são raras e. conhecido por muitos apenas como "um local onde morrem peixes". o sistema encontra-se permanentemente ligado ao mar por um canal. que se repetiu novamente em 2001. mas já uma semana após a crise tudo se esfria".. novamente o estudo de OLIVEIRA et al.). "Na época das mortandades todos os jornais publicam entrevistas como aquelas dadas na mortandade de 1953 (. Atualmente. tomando como base as análises efetuadas na laguna quando de uma mortandade de peixes. tricolor Anchoviella lepidentostole SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens PIMELODIDAE Pimelodus sp. Os autores. A ictiofauna e a carcinofauna desta laguna foi primeiramente levantada. Mais recentemente. Quadro 20 .* Savelha Savelha Sardinha Sardinha bandeira Sardinha verdadeira Manjuba Manjuba Manjuba Bagre urutu Mandi Ubarana NOME POPULAR 121 . ao final da década de 90 observou-se especial comoção popular quando da ocorrência de uma mortandade significativa de peixes. por OLIVEIRA (1976). pectinata Harengula clupeola Opisthonema oglinum Sardinella brasiliensis ENGRAULIDIDAE Anchoa januaria A. de forma sistemática. um excesso de boa vontade de todos e para todos.. presenciaram eventos similares neste ambiente. Os autores enfocaram justamente este assunto.SATURNINO DE BRITO tomou como norma "a lagoa deve ser permanentemente de água salgada" ao fazer o seu célebre projeto e estudo intitulado "Saneamento da Lagoa Rodrigo de Freitas". ANDREATA et al. assumindo a condição de laguna. retratam um quadro incrivelmente familiar a todos que. Integrando os dados fornecidos por OLIVEIRA (1976) com os reunidos por ANDREATA et al. (1957).Relação das espécies de peixes registradas na Laguna Rodrigo de Freitas TAXON ELOPIFORMES ELOPIDAE Elops saurus CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Brevoortia aurea B. deve ser lembrado.

richii Gerres aprion G. vivipara Phallopthychus januarius Xiphophorus helleri ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis GASTEROSTEIFORMES SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus Syngnathus rousseau SCORPAENIFORMES TRIGLIDAE Prionotus punctatus PERCIFORMES CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus C. latus Hemicaranx amblyrhynchus Oligoplites saurus Trachinotus carolinus T. POMATOMIDAE Pomatamus saltatrix CARANGIDAE Caranx crysos C. setapinnis LUTJANIDAE Lutjanus analis GERREIDAE Diapterus lineatus D.TAXON BELONIFORMES BELONIDAE Strongylura marina POECILIIDAE Poecilia reticulata P. undecimalis PRIACANTHIDAE Priacanthus arenatus SERRANIDAE Epinephelus striatus Myctoperca spp. gula G. melanopterus POMADASYDAE Anisotremus virginicus Orthopristis ruber Pomadasys croco P. corvianeformis SPARIDAE Archosargus rhomboidalis NOME POPULAR Peixe agulha Guppy Barrigudinho Barrigudinho Espada Barrigudinho Peixe-rei Cachimbo Cabrinha Robalo Robalo Olho de cão Garoupa Badejo Enchova Xerelete Pampo Palometa do alto Pampo Pampo Pampo Galo Galo Carapeba Carapeba Carapeba Carapicu Carapicu Carapicu Salema Cocoroca Cocoroca Sargo 122 . rhombeus D. falcatus Seleno vômer S.

TAXON SCIANIDAE Cynoscion sp. Micropogonias furnieri Pogonias cromis EPHIPIDIDAE Chaetopterus faber MUGILIDAE Mugil curema M. gaimardinus M. liza M. platanus M. trichodon POMACENTRIDAE Abudefduf saxatilis CICHLIDAE Geophagus brasiliensis Tilapia rendalli ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus Eleotris pisonis GOBIIDAE Awaous tajasica

NOME POPULAR Corumbeba Corvina Miraguaia Enxada Parati Tainha Taínha Tainha Tainha Sargentinho Acará Tilapia Moreia, emborê Moreia, emborê

Peixe-flor Bathygobius soporator Maria da toca Gobionellus boleosoma G. oceanicus Micogobius meeki PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Linguado Achirus lineatus BOTHIDAE Linguado Linguado Paralichthys orbignyana CYNOGLOSSIDAE Linha de mulata Symphurus plagusia TETRAODONTIFORMES MONACANTHIDAE Peixe porco Stephanolepis hispidus TETRAODONTIDAE Baiacu Sphoeroides spengleri * Provavelmente Rhamdia quelen Fonte: OLIVEIRA (1976); ANDREATA et al., (1997)

No arranjo listado acima verifica-se um conjunto composto principalmente por espécies marinhas, a maioria das quais com grande tolerância às variações de salinidade. Formas de água doce encontram-se representadas apenas por barrigudinhos (Poeciliidae e Anablepidae), acarás e tilápias (Cichlidae), um Gobiidae (Awaous tajasica) e uma espécie de bagre (Pimelodidae). Esta última foi identificada por OLIVEIRA (1976) como Pimelodus sp., porém provavelmente consiste em um equívoco, dada a ausência deste bagre na lagoa e em sua bacia de drenagem e pela presença, no sistema, de outra espécie (Rhamdia quelen), a qual ocorre no Rio dos Macacos e na área de contato deste ambiente fluvial com a laguna. O estudo de ANDREATA et al (1997) desenvolveu-se adotando esforço fixo de amostragem, fato este que permite a quantificação dos dados de campo. Ao término do estudo foram capturados 48.250 espécimes de peixes pertencentes a 55 espécies. Destas Brevoortia aurea, B. pectinata, Genidens genidens, Geophagus brasiliensis, Gerres

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aprion, Jenynsia multidentata, Mugil liza, Poecilia vivipara e Xenomelaniris brasiliensis foram as que exibiram com maior percentual de captura. Dentre as espécies com maior representatividade, taxa como G. genidens e B. aurea apresentaram baixa freqüência de ocorrência, tendo sido registrados em apenas algumas amostragens. Os demais taxa de maior abundância ocorreram em praticamente todos os meses, salvo B. pectinata, ausente no terceiro ano de amostragem. Os autores responsáveis pelo estudo verificaram que G. brasiliensis, P. vivipara e J. multidentata exibiram, de um modo geral, aumentos populacionais em períodos de menor salinidade e maiores temperaturas. Para alguns grupos marinhos, como B. pectinata, B. aurea e G. genidens, verificou-se uma associação mais evidente entre a abundância das populações e a temperatura, com aumentos populacionais ocorrendo em períodos mais quentes. Não foi registrada relação evidente da abundância com a salinidade. Levantamento da pesca realizado por BARROSO (1989) registrou as espécies apresentadas no Quadro 21. Na época foram registrados 20 pescadores profissionais e "centenas" de amadores. Quadro 21 - Sumário de dados sobre atividade de pesca na Lagoa Rodrigo de Freitas
Espécie de pescado Tainha/Tainhota/ Parati Robalo Badejo Produção (kg/semana) 4.000 200 70 Período de captura Fevereiro-Agosto Fevereiro-Agosto Fevereiro-Agosto Artes de pesca Rede de espera Rede de espera Rede de espera
Fonte: BARROSO (1989)

Ictiofauna da Bacia Hidrográfica da Baixada de Jacarepaguá A Bacia da Baixada de Jacarepaguá possui cerca de 300 km2 de superfície, abarcando os bairros de Jacarepaguá, Anil, Gardênia Azul, Cidade de Deus, Curícica, Freguesia, Pechincha, Taquara, Praça Seca e Tanque, todos integrantes da Região Administrativa de Jacarepaguá, e os bairros do Joá, Barra da Tijuca, Itanhangá, Camorim, Vargem Grande, Vargem Pequena, Recreio e Grumari, da Região Administrativa da Barra da Tijuca. Os divisores de águas da bacia são constituídos pelas cristas da Pedra da Gávea, Mesa do Imperador, maciço da Tijuca (Serra dos Pretos Forros, São Francisco, Três Rios, Mattheus, Carioca e elevações do Alto da Boa Vista), Serra do Engenho Velho e morros do Catonho, do Monte Alto, São José e Covanca, prosseguindo pelo maciço da Pedra Branca (Serras de Santa Barbara, Sacarrão, Nogueira e Quilombo Grumari e Geral de Guaratiba). A bacia é formada pelos rios que descem das vertentes dos Maciços da Tijuca e da Pedra Branca e do escudo rochoso situado ao Norte da baixada, e pelas Lagoas da Tijuca, Camorim, Jacarepaguá, Marapendi e Lagoinha. A drenagem tem como destino às lagoas, em primeira instância, e em seguida o mar. Da área total da bacia, cerca de 176 km2 referem-se as superfícies drenadas pelos rios.

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O sistema formado pelas Lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca apresenta um espelho d’água de cerca de 9,3 km2. Juntas possuem uma extensão de aproximadamente 13,0 km. Na prática, a Lagoa de Camorim se comporta mais como um canal de ligação entre as Lagoas de Jacarepaguá, a oeste, e a da Tijuca, à Leste. A Lagoa da Tijuca, por sua vez, recebe as águas da Lagoa de Marapendi pelo canal de mesmo nome, que tem cerca de 4,0 km de comprimento. As águas então se dirigem em conjunto para a sua barra através do canal da Joatinga. Este sistema hidrográfico possui duas ligações com o mar, uma ao Leste, no canal da Joatinga, e outra a Oeste, no canal de Sernambetiba. Pelo primeiro se dá a entrada de água do mar, mais salgada, na Lagoa da Tijuca e desta para a Lagoa de Marapendi, pelo canal de Marapendi. No caso da Lagoa da Tijuca, a penetração da maré é atenuada, atingindo valores desprezíveis na altura da Lagoa de Camorim. A Lagoa de Jacarepaguá possui a maior área drenante da região (102,8 km2). A Lagoa da Tijuca possui a maior área (4,8 km2), mas uma pequena área drenante com cerca de 26 km2. Já a Lagoa de Camorim tem uma característica inversa à da Tijuca, possuindo uma área pequena com cerca de 0,8 km2 que normalmente é repartida entre as áreas das Lagoas da Tijuca e Jacarepaguá, mas uma grande área drenante com cerca de 91,7 km2. A Lagoa de Marapendi situa-se entre uma estreita faixa de praia e as lagoas mais interiores (Tijuca, Camorim e Jacarepaguá). Possui cerca de 10,0 km de comprimento e 350 m de largura média. Tem, portanto o formato alongado, dividida em 7 compartimentos semelhantes a bolsões que reduzem a sua capacidade de renovação. Está ligada à Lagoinha pelo canal das Taxas, o qual encontra-se assoreado em alguns trechos e totalmente coberto por macrófitas, o que causa uma troca precária entre as duas lagoas por esta ligação. Juntas possuem um espelho d’água de aproximadamente 3,5 km2. Na extremidade oposta ao Canal das Taxas, a Lagoinha liga-se ao canal das Taxas, através do qual recebe uma pequena contribuição hídrica devido ao avançado processo de assoreamento desta ligação. Alguns estudos contribuem para o conhecimento da biota aquática historicamente associada à região, destacando-se, dentre estes, o trabalho de CORREA (1936) que, ao descrever detalhadamente a baixada (denominada pelo autor como um sertão carioca), aborda diversos aspectos acerca da fauna presente em rios, lagunas e brejos da região, bem como descreve a atividade de pesca existente na época. Estes dados serviram como base para outros estudos como o de LAMEGO (1974) que, dentro de uma linha de história ambiental, retratou a biota local e sua influência sobre o processo de ocupação da baixada. Estudos específicos acerca da ictiofauna associada aos ecossistemas da baixada tiveram início com os trabalhos de TRAVASSOS (1954, 1955) que ao tratarem da taxonomia e da morfologia de algumas espécies de peixes Characidae (Spintherobolus broccae e Deuterodon pedri) acabaram por fornecerem registro da presença de tais taxa na região. Estudos mais recentes apresentaram levantamentos detalhados da ictiofauna local. Ecossistemas paludiais e rios foram estudados por BIZERRIL & ARAÚJO (1993) enquanto que dados sobre a ictiofauna das lagunas da baixada encontram-se em VOLCKER & ANDREATA (1982) e por ANDREATA et al. (1990; 1992), encontrando-se ainda referencia a estes ecossistemas em BARROSO (1989). ANDREATA & MARCA (1993) enfocaram os rios riachos e lagos do Parque Nacional da Floresta da Tijuca, muitos dos quais associados à baixada de Jacarepaguá, e BIZERRIL (1996) apresentou

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uma síntese geral da biodiversidade dos ecossistemas aquáticos da baixada de Jacarepaguá, indicando áreas com maior sensibilidade ambiental a novas intervenções antrópicas. Sob a ótica ambiental, os relatórios apresentados pela FEEMA (1989), além de relacionarem diversos integrantes da biota local, apresentaram um perfil da qualidade geral dos sistemas fluviais da região. Os dados apresentados a seguir sintetizam os estudos efetuados, sendo acrescido de observações adicionais realizadas pelos autores. Este texto foi primeiramente elaborado para a SONDOTÉCNICA (1998), quando da elaboração de estudo de impacto ambiental. A região da baixada de Jacarepaguá se notabiliza por reunir, dentro de uma área relativamente pequena, elevada diversidade de ambientes aquáticos, os quais compõem conjuntos de rios, brejos e lagunas. Esta situação gera uma paisagem propícia à manutenção de fauna aquática diversificada, o que pode ser atestado pelos topônimos conferidos aos rios e às lagoas da região (e.g., Canal das Piabas, Camorim (derivado de Camori, robalo) e Jacarepaguá (vale ou baixada dos Jacaré) cf. MACIEL & MAGNANINI, 1989). Seguindo a tendência evidenciada em diversos pontos do Estado do Rio de Janeiro, a região vem sofrendo uma rápida dilapidação de sua riqueza biótica, um fenômeno negativo com forte previsibilidade, considerando a rapidez que o processo de urbanização se deu no local. Neste processo, destaca-se como um dos principais agentes de indução do processo de redução da diversidade biológica, o incremento nas vias de acesso a região, especialmente a partir da década de 70 quando grandes obras, como a construção da estrada Lagoa\Barra e a estrada da Gruta Funda, passaram a comunicar definitivamente a Baixada de Jacarepaguá ao restante da cidade, valorizando os terrenos e catalisando o processo de especulação imobiliária (SECRETARIA MUNICIPAL DE COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E DE COORDENAÇÃO GERAL, 1990). Sob um enfoque biogeográfico, os impactos antrópicos sobre a baixada de Jacarepaguá fazem com que atualmente a mesma represente uma área de descontinuidade na distribuição de alguns grupos de peixes típicos de baixadas fluviais e muito comuns no subdomínio Fluminense. São exemplos o sairu (Cyphocharax gilbert), o peixe cachorro (Oligosarcus hepsetus), os peixes ferreiros (Corydoras nattereri, C. prionotus), dentre outros, que ocorrem em toda a região Sudeste ao Norte e ao Sul deste local (BIZERRIL, 1994). A presença de alguns destes grupos na região foi relatado por CORREA (1936) que em uma passagem de sua obra na qual descreve a Lagoa de Marapendi, menciona que
“Os peixes que encontrei nas que habitam águas fluviais: cachorro (Acestrorhamphus Hydrocioneos3, denominado dentição canina, (...) o sayrú ou minhas excursões são os (...) o tambicu ou peixe hepsetur)2 da f. dos peixe cachorro por ter sairu (...)”.

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Atualmente Oligosarcus hepsetus Atualmente Characidae

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Este fato revela a ocorrência de processos de extinção envolvendo estes taxa no local, certamente derivado do uso intenso das áreas de baixada, da alteração dos regime salinos dos corpos lagunares e da poluição dos sistemas hídricos. É possível que a antiga localidade de Pirapitingui (pirá = peixe; pi= escama; tingui = branco), local onde a capela de São Gonçalo foi levantada por concessão de Matheus da Costa Aborim em 4 de outubro de 1625, tenha sido nomeado em referência a presença de sairus nos ecossistemas locais, visto que este peixe comestível e de coloração esbranquiçada (“branco como a sardinha” cf. CORREA, 1936) usualmente mostra-se muito abundante nos seus sítios de ocorrência. O trabalho de BIZERRIL & ARAÚJO (1993) apontou a espécie Spintherobolus broccae (um pequeno lambari originalmente citado por TRAVASSOS (1953) como presente no local e com lotes testemunho depositados no Museu Nacional do Rio de Janeiro), como localmente extinta. Apesar das perdas sofridas pela fauna da região ainda é possível se observar um alto número de espécies no local. Ressalta-se que a distribuição das espécies na região não é homogênea, podendo-se distinguir áreas praticamente desprovidas de grupos nativos e regiões que parecem atuar como os bolsões locais de biodiversidade. Esse aspecto, associado com a rapidez do processo de ocupação da baixada de Jacarepaguá, aumenta a importância da realização de programas que incluam, entre suas metas, o zoneamento ambiental da área. Reunindo as informações disponíveis sobre a área em estudo, verifica-se que na baixada de Jacarepaguá existem 89 espécies de peixes (Quadro 22). Desse total, 28,4% são espécies de água doce primárias (i.e., possuem distribuição restrita aos corpos fluviais e paludiais), 9,09% são dulcícolas secundárias (i.e., ocorrem em ambientes de água doce e em sistemas mesoalinos) e 62,5% são marinhas erurialinas, o que ilustra a grande importância dos ambientes marinhos periféricos e estuarinos na manutenção da riqueza biótica local. Quadro 22 – Ictiofauna da baixada de Jacarepaguá, Rio de Janeiro
(Campanhas de Campo)

Táxon ELOPIFORMES ELOPIDAE Elops saurus CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Brevoortia áurea Sardinella brasiliensis ENGRAULIDIDAE Anchoa januaria A. tricolor CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus CRENUCHIDAE Characidium sp. C. interruptum CHARACIDAE

Nome Popular Tabarana Savelha Sardinha Manjuba Manjuba Traíra Morobá Canivete Camivete

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Táxon Astyanax janeiroensis Astyanax sp. Deuterodon pedri Hyphessobrycon bifasciatus H. reticulatus Mimagoniates microlepis SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens PIMELODIDAE Acentronichthys leptos Pimelodella lateristriga Rhamdia quelen TRICHOMYCTERIDAE Trichomycterus cf. Zomatus CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys Corydoras barbatus LORICARIIDAE Hypostomus punctatus Hisonotus notatus Neoplecostomus microps Otothyris lophophanes Parotocinclus maculicauda Schizolecis guntheri GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo G. pantherinus BELONIFORMES BELONIDAE Strongylura timucu CYPRINODONTIFORMES RIVULIDAE Rivulus brasiliensis R. janeiroensis R. ocellatus Leptolebias minimus POECILIIDAE Poecilia vivipara Phallopthychus januarius Phalloceros caudimaculatus ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis GASTEROSTEIFORMES SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus BATRACHOIDIFORMES BATRACHOIDIDADE Porichthys porosissimus SCORPAENIFORMES DACTYLOPTERIDAE

Nome Popular Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Tetra azul Bagre Sem nome vulgar Mandi Jundiá Cambeva Tamboatá Limpa-fundo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Sarapó Sarapó

Peixe agulha Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Sem nome vulgar Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Peixe-rei Cachimbo Mussum Mangangá-liso

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Táxon Dactyopterus volitans PERCIFORMES URANOSCOPIDAE Astroscopus ygraecum CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus C. undecimalis CARANGIDAE Caranx bartholomei Caranx latus Oligoplites saurus Trachinotus carolinus T. falcatus Uraspis secunda GERREIDAE Diapterus olisosthomus D. rhombeus Gerres aprion D. brasilianus G. gula G. lefroyi G. melanopterus POMADASYDAE Pomadasys croco SPARIDAE Archosargus rhomboidalis A. probatocephualus Diplodus argenteus

Nome Popular Coió, voador Mangangá Robalo Robalo

Palombeta Pampo Pampo Pampo Carapeba Carapeba Carapicu Carapicu Carapicu Carapicu Carapicu Cocoroca Sargo Sargo Marimba

SCIANIDAE Micropogonias furnieri Paralonchurus brasiliensis Bairdiella ronchus EPHIPIDIDAE Chaetopterus faber MUGILIDAE
Mugil curema M. liza CICHLIDAE Geophagus brasiliensis ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus Eleotris pisonis GOBIIDAE Awaous tajasica Bathygobius soporator Chriolepis vespa Gobionellus boleosoma G. oceanicus G. schufeldti G. stomatus Micogobius meeki BLENIIDAE Hypleurochilus fissicornis PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE

Corvina Corvina Corvina Enxada
Parati Taínha Caraúna, acará Sem nome vulgar Moreia Peixe-flor Maria-da-toca Maria-da-toca Maria-da-toca Maria-da-toca Maria-da-toca Maria-da-toca Maria-da-toca Maria-da-toca

Achirus lineatus BOTHIDAE

Sola

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Táxon Citharichthys cf. spilopterus TETRAODONTIFORMES MONACANTHIDAE Catherine pullus Monacanthus ciliatus TETRAODONTIDAE Sphoeroides greeleyi

Nome Popular Linguado Peixe porco Peixe porco Baiacu
Fonte: BIZERRIL (1996)

Atualmente, a maior riqueza de espécies se dá na Laguna da Tijuca e a menor em brejos sazonais (Figura 71), em uma forma de distribuição de biodiversidade que se mostra significativamente distinta de um padrão de ocupação equitativa dos nichos espaciais disponíveis. Em termos de composição geral da ictiofauna, observa-se, a partir da ordenação dos valores de similaridade faunística, a existência de 4 complexos ambientais distintos, formados por I- Baixadas fluviais + Brejos permanente + Laguna de Jacarepaguá; II- Brejos Temporários; III- Laguna de Marapendi + Laguna da Tijuca e IV- Cabeceiras (Figura 72).

60 50 40 30 20 10 0 LT LM BF LJ BP CF BT

Figura 71 - Número de espécies de peixes por ecossistema
B = Baixadas Fluviais F B = Brejos Permanente P L = Laguna de Jacarepaguá J B T L M L T C F = Brejos Temporários = Laguna de Marapendi, = Laguna da Tijuca = Cabeceiras Aluviais

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A configuração geral destes sistemas é bastante homogênea observando-se o predomínio de rios com forte declividade no curso superior seguida imediatamente por um pequeno trecho que corre sobre as baixadas flúvio-marinhas (Figura 73). Além dos taxa relacionados abaixo.Agrupamento dos ecossistemas estudados com base na similaridade faunística BF = Baixadas Fluviais BP = Brejos Permanente LJ = Laguna de Jacarepaguá BT = Brejos Temporários. pequeno porte. as cabeceiras possuem 5 espécies (Trichomycterus cf. um aspecto a ser detalhado quando da descrição destes biótopos. Os brejos sazonais apresentam uma espécie dependente (Leptolebias minimus). espécies marinhas eurialinas como o peixe rei (Xenomelaniris brasiliensis). assim como os brejos permanentes não exibem. baixa densidade de drenagem e reduzidas hierarquias fluviais. oceanicus) são particularmente comuns nas áreas de baixada nos contatos com as Lagoas de Jacarepaguá e da Tijuca. com relação à dependência faunística.Considerando o recorte macroespacial adotado. a tainha (M. 131 . Marapendi e de Jacarepaguá. Neoplecostomus microps. o parati (Mugil curema). LM = Laguna de Marapendi LT = Laguna da Tijuca CA = Cabeceiras Os sistemas de drenagem associado às lagunas que compõem o complexo lagunar da baixada de Jacarepaguá caracterizam-se por apresentarem. a carapeba (Diapterus rhombeus). a sola (Achirus lineatus) e marias-da-toca (Bathygobius soporator. Parotocinclus maculidauda e Hisonotus notatus como eocenas. dentre outros aspectos. espécies e oceanas. A relação das espécies de peixes presentes nos rios da baixada de Jacarepaguá é apresentada no Quadro 23. o carapicu (Gerres aprion). na região da Baixada de Jacarepaguá. zonatus. 1983). minimus. verifica-se que. Os únicos ambientes com espécies ameaçadas foram os brejos sazonais. que abrigam L. o robalo (Centropomus undecimalis). liza). Schizolecis guntheri. Corydoras barbatus) e as baixadas fluviais possuem Pimelodella lateristriga. as lagunas da Tijuca. CA LT LM BT LJ BP BF 0 0. Gobionellus boleosoma G.5 1 Figura 72. embora exibam grupos preferentes (sensu DAJOZ.

500.Perfil longitudinal do Rio das Pedras. e a tilápia (Tilapia rendalli).00 Extensão (metros) 4000.00 5000. o que conduziu a introdução da espécie com o intuito de controle de mosquitos em diversas partes do país.00 0.00 RIO DAS PEDRAS 400. considerado eficiente larvófago.00 2000.00 0.00 Cotas (metros) 300. dentro do conjunto obtido.00 Figura 73 . mostram-se perfeitamente adaptadas aos biótopos locais.00 3000. uma espécie procedente das Guianas.Gerres aprion Destaca-se.00 100. São elas o barrigudinho (Poecilia reticulata). uma espécie africana introduzida na região com o objetivo de controlar macrófitas das lagoas e de servir como alimento à população. a presença de duas espécies exóticas. 132 . que durante muito tempo foi. equivocadamente.00 200. introduzidas na região com fins diversos e que atualmente. ilustrando o aspecto característicos dos rios da Baixada de Jacarepaguá Figura 74 . por sua alta plasticidade ambiental.00 1000.

CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys Corydoras barbatus LORICARIIDAE Hypostomus punctatus Hisonotus notatus Neoplecostomus microps Otothyris lophophanes Parotocinclus maculicauda Schizolecis guntheri GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo G. alguns lambaris (Hyphessobrycon reticulatus. verifica-se o predomínio de espécies classificadas no presente documento como dotadas de alta ou media tolerância às alterações ambientais. o moroba (Hoplerythrinus unitaeniatus). a maior parte dos barrigudinhos (Poecilia vivipara. A. pantherinus CYPRINODONTIFORMES RIVULIDAE Rivulus brasiliensis R. Sistemas fluviais sujeitos a um regime torrencial e a flutuações ambientais derivadas de eventos estocásticos. a tilapia (Tilapia rendalli) e a carauna (Geophagus brasiliensis) por serem os taxons dotados de maior valência ecológica dentro da assembléia de peixes amostrada. na baixada de Jacarepaguá. bifasciatus). P. Quanto ao primeiro aspecto. quer seja na obtenção e uso de recursos tróficos (PAYNE. reticulata. o tamboatá (Callichthys callichthys). 133 . o bagre jundiá (Rhamdia quelen).Ictiofauna de água doce presente nos rios da Baixada de Jacarepaguá CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus Holperitrhinys unitaeniatus CRENUCHIDAE Characidium sp. Phalloptychus januarius. H. reticulatus Mimagoniates microlepis SILURIFORMES PIMELODIDAE Acentronichthys leptos Pimelodella lateristriga Rhamdia quelen TRICHOMYCTERIDAE Trichomycterus sp. ocellatus POECILIIDAE Poecilia vivipara Phallopthychus januarius Phalloceros caudimaculatus ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus PERCIFORMES Geophagus brasiliensis GOBIIDAE Awaous tajasica Fonte: BIZERRIL (1996). Jenynsia multidentata). BIZERRIL & ARAÚJO (1993) Como reflexo das pequenas dimensões dos rios locais e da relativa homogeneidade ambiental dos mesmos. são marcados pela presença de espécies com alta valência ecológica. 1986). janeiroensis R. quer seja no que se refere às variações nas condições gerais do ecossistema. o cascudo (Hypostomus punctatus). destacam-se a traíra (Hoplias malabaricus). os quais representam 75% do total de espécies presentes nos sistemas fluviais da região. como se observa na região em estudo. Destas. C. jaeiroensis Deuterodon pedri Hyphessobrycon bifasciatus H. um arranjo ictiofaunístico presente nos rios é composto essencialmente por taxa de pequeno porte. o mussum (Synbranchus marmoratus).Quadro 23. verifica-se. interruptum CHARACIDAE Astyanax sp.

de um modo geral. R. tais como Trichomycterus sp. seguindo-se.. Phallopthychus januarius. por alguns bagres Pimelodidae (Acentronichthys leptos. Jenynsia multidentata (barrigudinhos). ocellatus) e do tetra azul (Mimagoniates microlepis). observa-se a existência de espécies com baixa tolerância. Tais grupos. os algívoros e iliófagos Neoplecostomus microps.) o tamboatá (Callichthys callichthys). por conseguinte. entre outros.No extremo oposto. Quanto ao aspecto trófico. e os omnívoros Phalloceros caudimaculatus. Hyphessobrycon spp. além dos “barrigudinhos” (Rivulus brasiliensis.e. apresentam distribuição restrita aos alto cursos da região. Phallopthychus januarius. observa-se o predomínio de espécies omnívoras. A segunda grande categoria trófica (i. R. zonatus (cambevas). bem exemplificados em Hoplias malabaricus (traíra). contribuí para a perpetuação dos mesmos. a cambeva (Trichomycterus cf. a tilapia (T. Pimelodella lateristriga). Geophagus brasiliensis (caraúna). visto que muitos. os barrigudinhos (Poecilia spp. dentre outros. Rhamdia quelen.. em ordem decrescente. os grupos presentes no alto curso dos rios são taxa com elevado grau de endemismo em termos local. S. janeiroensis. Nesta categoria estão diversos lambaris (Astyanax spp. embora se evidencie maior riqueza de espécies. onde o Rio Camorim (Figura 75) se destaca como um importante representante desta categoria de sistemas fluviais que ainda possui boas condições ao longo de todo seu curso. ser empregadas em estudos baseados em indicadores biológicos. Phalloceros caudimaculatus). o predomínio de grupos euritópicos que. guntheri e Characidium sp. tais como os insetívoros generalistas Trichomycterus cf. ocupam inúmeros biótopos na região.) e o peixe-flor (Awaous tajasica). 1986). pode-se afirmar que. Jenynsia multidentata. as corredeiras e os estuários. Nos sistemas declivosos ocorrem algumas espécies de peixes que podem ser evocadas como características. peixes iliófagos) reúne os cascudos (Loricariidae). inclusive em sistemas fortemente antropizados. interruptus). 1993). dentro de um padrão esperado para sistemas fluviais (PAYNE.). Schizolecis guntheri). Characidium sp. Em unidades situadas na região entre o Rio-Centro e a localidade de Vargem Grande. (canivetes). há. Deuterodon pedri. zonatus) e dois pequenos cascudos (Neoplecostomus microps. o bagre (Acentronichthys leptos).. por suas características ecológicas. Os grandes predadores que se situam no topo da cadeia alimentar das ictiocenoses são as traíras (Hoplias malabaricus) e morobas (Hoplerythrinus unitaeniatus) que se concentram nos remansos dos rios e no encontro destes sistemas com áreas brejosas. Schizolecis guntheri (cascudos). microps. N. representadas pelo canivete (Characidium sp. enquanto que peixes cuja dieta se baseia essencialmente na captura de invertebrados aquáticos ou terrestres estão representados pelos canivetes (Characidium sp. Poecilia vivipara. que capturam especialmente grupos bentônicos. (BIZERRIL & ARAÚJO. 134 . Estes aspectos. pelo limpa-fundo (Corydoras barbatus). Nas áreas de remansos.. podendo. Dos habitats disponíveis. e C. rendalli). Gymnotus pantherinus (tuvira) e Corydoras barbatus (limpa-fundo). Embora não se observe espécies endêmicas da baixada de Jacarepaguá. concomitantemente. ocorrem preferencialmente em áreas de corredeiras. os remansos concentram o maior número de espécies. pela cambeva (Trichomycterus sp.

e em seus tributários. pantherinus) e cascudinhos (Parotocinclus maculicauda.00 ) s o r t e m ( s a t o C 200.. Schizolecis guntheri).00 8 000.00 2000. como o verificado na Bacia do Camorim.e. pode-se presenciar uma amostra expressiva da ictiofauna nativa da baixada de Jacarepaguá. Tilapia rendalli) e bagres pimelodídeos (Rhamdia quelen). Astyanax janeiroensis.00 R IO C A M O R IM Represa do Camorim 400.00 4000.600. enquanto o espaço demersal mostra-se colonizado por ciclídeos (Geophagus brasiliensis.Perfil longitudinal do Rio Camorim Em seu alto curso.00 0. o Rio Camorim encontra-se barrado. Arranjos ictiofaunísticos diversificados. marcado por apresentar área de baixada mais amplo. Uma exceção a este padrão de drenagem pode ser observada no arroio Fundo (principal contribuinte do Rio Anil) (Figura 76). formando um reservatório de água de responsabilidade da CEDAE.. aspecto este que deveria se expressar em maior riqueza ictiofaunística no local. podendo ser ainda evidenciados na Bacia do Paineira. baixadas fluviais) encontram-se pouco representadas na região.00 6000. são atualmente raros nos rios da região. observa-se. A configuração predominante dos rios locais determina uma quebra no processo de adição de espécies que tanto caracteriza os ecossistemas fluviais.00 1 0000. especialmente por processos de lançamento de efluentes domésticos.00 Extensão (metros) Figura 75 . calictídeos (Corydoras barbatus e Callichthys callichthys) e tricomicterídeos (Trichomycterus cf. embora este sistema venha sendo rapidamente alterado. Em meio a vegetação o pequeno crenuchideo Characidium interruptum divide o espaço com tuviras (Gymnotus carapo. Deuterodon pedri). no estrato nectônico dos canais e nas margens da barragem cardumes de lambaris (Astyanax sp. zonatus). tendo em visto que as áreas usualmente mais ricas em taxa (i. Assim.00 0. G. fundada em 1908. Na represa do Camorim. 135 .

). a presença de expressivo parque urbano ao longo de praticamente toda a baixada fluvial deste rio atua como forte limitante ao pleno desenvolvimento da biota aquática local.00 20000. Notonectidae. Triplectides sp.00 C otas (m etros) 400.. No local. rico em compostos húmicos. Psephenus sp. onde o barrigudinho da espécie Poecilia reticulata. todos caraterísticos de sistemas aquáticos fortemente alterados. Este quadro sofre gradual deterioração ao longo do gradiente até o nível do Estrado dos Mananciais. e Chironomus thumni.. Zonophora sp. diversos invertebrados (i. confere coloração amarronzada a suas águas.. Hermanella sp.. a presença de uma grande quantidade de organismos sensíveis a poluição como a cambeva (Trichomycterus sp. destacando-se a taboa (Typha domingensis) e a baronesa (Eichornia crassipes) como os elementos mais marcantes dentro da paisagem local. mostram-se dominantes. Atopsyche sp.... Phylloicus sp. Smicridea sp. e Hildebrandia rivularis) permitiram classificar a área como não poluída. Estudos desenvolvidos pela FEEMA (1989) no alto curso do Rio Grande. Anacroneuria sp.Perfil longitudinal do arroio Fundo/Anil..e. Mortiella sp. onde o solo.00 0. Leptoceridae. destacando as áreas com intensa ocupação antrópica Contudo. Tricodactylus sp. Ambrysus sp. Baetis sp. Helicopsyche sp... que se restringe aos resistentes poecilídeos (Poecilia vivipara. Phallopthychus januarius. Rheatanytarsus sp..00 ARROIO FUNDO-ANIL 600. bactérias como Spherotilus natans e invertebrados como Aylacostoma sp. um importante afluente do sistema Funil/Anil revelou um quadro distinto do observado na baixada.800.. 136 .00 4000.. que comportam uma biocenose típica de uma situação extremamente poluída.00 Extensão (metros) 16000.00 Figura 76 ... Sistemas fluviais situados na face interna da estrada RJ-071 fluem por terrenos brejosos.00 8000.00 200.00 12000. Densos aglomerados de macrófitas podem ser observados no local.00 Área com intensa ocupação urbana 0. dentre outros) e algas (Chantrancia sp.. Macrobrachium sp. Progomphus sp. Jenynsia multidentata).

00 600. RJ Uma situação característica é a apresentada pelos canais que cortam a baixada em sua porção mais interna (Canais do Cortado e sistemas associados). carúnas (Geophagus brasiliensis) e tilápias (Tilapia rendalli). juntamente com os raros robalos (Centropomus parallelus) são pescados tanto nos canais como nas lagoas. determinam a sobrevivência de uma ictiofauna pouco diversificada dominada por espécies generalistas como os barrigudinhos (Poecilia vivipara. dentre os quais a baronesa (Eichornia crassipes e E.Perfil longitudinal do Rio Paineira e do Canal de Sernambetida. Poecilia vivipara. Este aspecto. os quais usualmente compõem exclusivamente os arranjos ictiofaunísticos locais presentes na maior extensão dos canais. reticulatus).00 8000. o Rio Portela e o Rio Marinho podem ser tomados como exemplos. Peixes igualmente comuns são as ictiófagas traíras (Hoplias malabaricus).00 Cotas (metros) 400. Phallopthychus januarius e Jenynsia multidentata) e lambaris (especialmente Hyphessobrycon bifasciatus. associado à poluição antrópica das águas. 137 . 800. os iliófagos cascudos (Hypostomus punctatus) e os ciclídeos (Geophagus brasiliensis e Tilapia rendalli) e as eurialinas tainhas (Mugil lisa) e paratis (Mugil curema) as quais. H.00 12000.00 0.00 16000. Phallopthychus januarius). todos fortemente eutrofizados.00 200. juntamente com o Rio Paineira). reticulatus e Astyanax sp. como pode ser constatado pela densa cobertura de macrófitos flutuantes. azurea) mostra-se como a espécie dominante.) tão abundantes nestas águas. podem ser evidenciados cardumes de lambaris (Hyphessobrycon bifasciatus e H.00 Extensão (metros) Figura 77 . Nas porções mais rasas e sem cobertura vegetal.00 0. onde o Canal da Sernambetiba (Figura 77. podemos observar pequenos peixes. notadamente os pequenos barrigudinhos (Phalloceros caudimaculatus.00 4000.Nestes sistemas.

as lagunas do complexo lagunar da baixada de Jacarepaguá vêm sofrendo um acelerado processo de descaracterização. A Lagoa de Marapendi era um sistema de água doce com características de lago costeiro. 1974). para abrigo. destacando ainda o processo de entulhamento como parte dos ciclos evolutivos destes sistemas.Sistemas Lagunares Na região em estudo. em especial. confere aos sistemas locais grande produtividade pesqueira. no extremo dessa cadeia. O manguezal é um ecossistema de alta produtividade. exibia predominantemente água salgada. A fauna associada ao manguezal consiste de dois grandes grupos: os que o habitam permanentemente. como demonstrado por evidências geológicas e biológicas (i. fosseis conchilíferos marinhos coletados a seis quilômetros do mar. bem retratado no relato histórico de CORREA (1936). Este aspecto. Atualmente. Outros processos vêm contribuindo para a degradação destes ecossistemas. irregular da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá. MORAES et al. Existem cerca de 67 espécies de peixes associadas a diversos manguezais da costa brasileira (AVELINE. 1980). a laguna do Camorim (atual Jacarepaguá) era um sistema de água salobra. desova e alimentação na fase de crescimento (diversos peixes e mamíferos). enquanto a Lagoa da Tijuca “com suas margens cobertas com manguezal arbóreo”. 1936. mangue-branco (Laguncularia racemosa) e o mangue siriúba ou mangue-preto (Avicennia shcaeriana) (CORREA. De acordo com CORREA (1936) e ARAÚJO (1980). que reduzem progressivamente a cobertura natural de mangues. extinguindo a ictiofauna nativa (“os peixes que encontrei nas minhas excursões (na Lagoa de Marapendi) são os que habitam águas fluviais” CORREA. em sua maioria. Tijuca e Jacarepaguá. Estes sistemas encontram-se estabelecidos sobre uma planície formada pelo entulhamento de antiga enseada por sedimentos marinhos.. Quanto ao último aspecto. compondo a base de uma cadeia alimentar que passa por um incontável número de aves marinhas e migratórias. As principais espécies historicamente presentes no manguezal da região são: o mangue-vermelho (Rhizophora mangle). sob camada de aluviões. decorrente. reportaram que as dragagens conduzidas na 138 . sem tratamento em um complexo que possui baixa capacidade de metabolização e/ou remoção dos rejeitos. em muitos casos. que alteraram o regime salino da Lagoa de Marapendi (atualmente mesoalina). Esta crescente ocupação do local vem agravando a intensidade de entrada de nutrientes nos sistemas lagunares provenientes de efluentes domésticos e industriais lançados. refletindo a como resultado de sedimentos arenosos e acúmulo de sedimentos arenosos ou argilosos que procedem dos cursos d’água que deságuam na lagoa. 1947).. verifica-se a existência de um complexo lagunar formado pelas lagunas de Marapendi (do tupi mbará-pindi = mar limpo). cavidades roídas por equinoides na Pedra de Itanhangá. 1936) e dragagens mal dimensionadas.) (LAMEGO. A cobertura nativa do entorno das lagoas eram as formações de mangue. SEGADAS-VIANNA (1967) descreveu a origem destas lagunas como resultado do aprisionamento de água salgada por uma língua de areia. em todo o seu ciclo vital (como os moluscos e os crustáceos) e aqueles que freqüentam-no periodicamente. incluindo ainda o próprio homem. destacandose aterros irregulares das margens e desmatamentos. (1994). etc. DANSEREAU. construções de canais de comunicação.e. unidades que se constituem em agregados de plantas halófitas de porte eminentemente arbustivo podendo chegar a arbóreo. da ocupação acelerada e.

op. Acréscimo de carga orgânica e nutrientes. à época. totalizando a maior quantidade de espécimes coletada pela COMLURB (MORAES et al. op. Assoreamento das lagoas. undecimalis). cit. a savelha (Brevoortia pectinata). por fecharem o ciclo de vida nas lagunas da região foram classificados por ANDREATA et al. especialmente pelo lançamento de dejetos. (1994) ressalta a redução na mortandade de peixes nos últimos anos. São exemplos os robalos (Centropomus parallelus.).). Os principais problemas registrados foram: • • Degradação das áreas de proteção das lagunas. cit. na escala de 8 a 10 metros em algumas áreas. 1986. é a espécie mais afetada. relacionando este aspecto não a diminuição da poluição. Outras.. obtém-se a relação de espécies listadas no Quadro 24. curema) e o bagre-urutu (Genidens genidens). os principais representantes são os peixe-reis (Xenomelaniris brasiliensis) e alguns Gobiidae (Gobionellus boleosoma e G. reunindo os dados disponíveis sobre a região.laguna de Jacarepaguá por empresas particulares acarretaram num aumento excessivo da profundidade. em síntese. C.. op cit. proliferação de vetores e doenças (NEHAB & BARBOSA. (1990b) como sendo estuarino residentes. FEEMA (1990) relata que em 1989 a instituição realizou visitas de caráter técnico às lagunas que integram o complexo lagunar da baixada de Jacarepaguá. um quadro geral de péssima qualidade da água (STRANCH et al. Algumas espécies presentes em todas as lagunas caracterizam-se por utilizar os estuários como rotas de migração que compõem suas estratégias reprodutivas e/ou alimentares.. por possuir hábito alimentar planctófago. quando comparada a outros sistemas lagunares e lacustres costeiros do Estado do Rio de Janeiro (BIZERRIL et al. 1995). tendo-se registrado eutrofização (COELHO & FONSECA. 1982). para uma reavaliação das condições destes ecossistemas. Assim. os paratis (M. contaminação bacteriana (ZEE et al. MORAES et al. Represamento dos rios poluídos. Liberação de gases tóxicos de odor desagradável.. 1992). ANDREATA et al. Durante as mortandades. mortandade de peixes (NEHAB & BARBOSA. Construções com total desrespeito à faixa marginal de proteção. COUTINHO. aumento da DBO (COUTINHO. 1984. impedindo o livre trânsito de pequenas embarcações e propicia o acréscimo de áreas de propriedades particulares. oceanicus). 1981). 139 .invadindo o espelho d’água.. já permitia a firmação de espigões e ilhas. 1992). Destes. devido a grande presença de grande quantidade de vegetação aquática. que. Desenvolvimento de condições anoxibióticas. mas sim a queda expressiva dos estoques populacionais da maior parte das espécies originalmente presentes na região. Mortandade de peixes • • • • • • Apesar dos impactos sofridos por estes sistemas. em virtude da alta concentração de esgoto e a presença de vegetação aquática em decomposição. ainda se evidencias nos mesmos uma ictiofauna diversificada. as taínhas (Mugil liza).) e. As conseqüências negativas deste processo encontram-se bem documentadas.

Quadro 24 – Ictiofauna presente nas lagunas da baixada de Jacarepaguá. tricolor CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens PIMELODIDAE Rhamdia quelen CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys LORICARIIDAE Hypostomus punctatus GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo BELONIFORMES BELONIDAE Strongylura timucu CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilia vivipara P. reticulata Phallopthychus januarius Phalloceros caudimaculatus ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata RIVULIDAE Rivulus ocellatus ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis GASTEROSTEIFORMES SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus BATRACHOIDIFORMES BATRACHOIDIDADE Porichthys porosissimus Lagoa da Tijuca X X X X X X X X X X X X X X Lagoa de Marapendi X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Lagoa de Jacarepaguá X X X X X X X X 140 . RJ Táxon ELOPIFORMES ELOPIDAE Elops saurus CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Brevoortia aurea Sardinella brasiliensis ENGRAULIDIDAE Anchoa januaria A.

undecimalis CARANGIDAE Caranx bartholomei Caranx latus Oligoplites saurus Trachinotus carolinus T. lefroyi G. gula G. brasilianus G. melanopterus POMADASYDAE Pomadasys croco SPARIDAE Archosargus rhomboidalis A. probatocephualus Diplodus argenteus SCIANIDAE Micropogonias furnieri Paralonchurus brasiliensis Bairdiella ronchus EPHIPIDIDAE Chaetopterus faber MUGILIDAE Mugil curema M.Táxon SCORPAENIFORMES DACTYLOPTERIDAE Dactyopterus volitans PERCIFORMES URANOSCOPIDAE Astroscopus ygraecum CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus C. rhombeus Gerres aprion D. schufeldti Lagoa da Tijuca X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Lagoa de Marapendi X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Lagoa de Jacarepaguá X X X X X X X X X X X X X - 141 . oceanicus G. liza CICHLIDAE Tilapia rendalli Geophagus brasiliensis ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus Eleotris pisonis GOBIIDAE Awaous tajasica Bathygobius soporator Chriolepis vespa Gobionellus boleosoma G. falcatus Uraspis secunda GERREIDAE Diapterus olisosthomus D.

associados às espécies dulcícolas eurialinas (Poecilia vivipara. Phallopthychus januarius. Na laguna da Tijuca. 142 . Consiste no sistema lagunar que. Jenynsia multidentata e Geophagus brasiliensis). de acordo com a classificação de MÜLER. Mugil liza e Gobionellus boleosoma). de ampla distribuição na laguna. reconheceram a existência de três grandes regiões ictiogeográficas dentro de seus limites. esta unidade é caracterizada por apresentar ictiofauna composta por elementos marinhos acessórios e acidentais. (1990). Área 3 – Correspondendo ao fundo da lagoa é. stomatus Micogobius meeki BLENIIDAE Hypleurochilus fissicornis PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Achirus lineatus BOTHIDAE Citharichthys cf. Destas áreas. definidas como: Área 1 – Restrita ao canal da Joatinga. dentro da baixada de Jacarepaguá. dentre as três áreas reconhecidas. possuindo suas ictiocenoses compostas essencialmente pelos grupos estuarinos residentes. spilopterus TETRAODONTIFORMES MONACANTHIDAE Catherine pullus Monacanthus ciliatus TETRAODONTIDAE Sphoeroides greeleyi Lagoa da Tijuca X X X X X X X Lagoa de Marapendi X X X X - Lagoa de Jacarepaguá X Fonte: BIZERRIL (1996) A laguna da Tijuca é marcada por apresentar um regime mixomesoalino. que garante a renovação da água. Dos taxa ocorrentes no local. a unidade 1 e 2 destacam-se por possuírem maiores níveis de integridade ambiental. Nestes locais. 1985). brasiliensis é apontada como a espécie mais abundante nas áreas com maior influência salina. Área 2 – Representa um trecho de transição entre um sistema eminentemente marinho (área 1) e um complexo com ictiofauna essencialmente lagunar (área 3). multidentata predominam nas áreas com menor gradiente de salinidade (BIZERRIL et al. 1977 (apud SCHAEFFER. exibe a maior riqueza de espécies. os quais encontram-se associados por espécies estuarino residentes (Xenomelaniris brasiliensis. verificando-se nítida segregação de uso espacial influenciada pela salinidade.. enquanto P. vivipara e J. refletindo a proximidade com o mar. os estudos desenvolvidos por ANDREATA et al. Assim. sendo marcado pelo predomínio de formar marinhas sobre as demais categorias ecológicas consideradas. a presença de pescadores que praticam a pesca esportiva com tarrafas é um aspecto marcante na paisagem. X. o peixe rei (Xenomelaniris brasiliensis) e os barrigudinhos (Poecilia vivipara e Jenynsia multidentata) destacam-se como sendo os mais abundantes.Táxon G. caracterizada por exibir menor diversidade biológica. 1991).

No estudo de ANDREATA et al. contudo. foram estas posteriormente cobertas por argilas trazidas pelos rios e córregos da serra extravasando em cheias periódicas (.. que em amostragens complementares. como o acará ou caraúna (Geophagus 143 . realizada através de tubulões com diâmetro aproximado de cinco metros. São exemplos os Poeciliidae.. a laguna de Jacarepaguá foi caracterizada como um sistema com baixa concentração salina. como pampos (Carangidae) e manjubas (Engraulididae).). a savelha (Brevoortia pectinata) e a sardinha (Sardinella brasiliensis). Sobre a laguna de Marapendi.” De um sistema naturalmente dulcícola. em um arranjo marcado pela presença predominante de espécies estuarino-residentes. mais comuns nas porções mais interiores da laguna.. tanto no que se refere a mudança em seu regime salino como às alterações na qualidade da água derivadas do lançamento de efluentes domésticos e industriais exerceu forte pressões seletivas sobre a ictiofauna local.) a do Camorim. Neste momento. Grupos de peixes marinhos são raros e pouco freqüentes. o predomínio de espécies dotadas de altos limites de valência ecológica cujos hábitos oportunistas viabilizaram o estabelecimento de estoques populacionais na área.. X. representando sistemas nos quais as condições ambientais encontram-se refletidas em uma baixa diversidade faunística. foi constatada a penetração de juvenis de espécies marinhas antes pouco abundantes. Tilapia rendalli e Geophagus brasiliensis são as mais abundantes. Este aspecto encontra-se refletido na baixa riqueza de espécies. realizadas após a retirada dos tubulões e abertura dos canais indicaram modificações expressivas na composição específica e nos padrões de abundância das principais espécies.. a laguna de Marapendi exibe atualmente condições mesoalinas derivada da comunicação deste sistema com a laguna da Tijuca pelo canal de Marapendi. LAMEGO (1974) descreveu que: “(. foi verificada pequena participação de espécies caracteristicamente marinhos entre os taxa amostrados na laguna de Marapendi. Atherinidae. As alterações sofridas por essa laguna. as espécies Poecilia vivipara. (1992). com predomínio de grupos estuarinos (área 1) ou dulcícolas (área 3) e um setor que ainda concentra maior riqueza de espécies (área 2). Igualmente formada por línguas de areia deixadas pelo mar em seu recuo. Jenynsia multidentata (Barrigudinhos). brasiliensis. Como resultado.. como o peixe-rei (Xenomelaniris brasiliensis) e o Dormitator maculatus. associados a taxa dulcícolas eurialinos. O estudo disponível sobre a estrutura da ictiofauna deste sistema limita-se ao trabalho de ANDREATA et al. (1990). atualmente. as quais passaram a constituir componentes importantes. Phallopthtychus januarius.) é evidentemente uma laguna de origem idêntica (. o que condicionava penetrações muito lentas de água de salinidade mais elevada. o bagre urutu (Genidens genidens). Associando os dados apresentados por ANDREATA et al (1992) e por BIZERRIL (1996) com as informações reunidas nas campanhas do presente estudo. enquanto grupos dulcícolas. Os autores destacam. observando-se. conduzido em sua maior parte durante período no qual a comunicação entre os dois sistemas ainda era precária. é possível compartimentar a laguna de Jacarepaguá em três grandes unidades ictiofanísticas. Em termos quantitativos. Cichlidae e grupos dulcícolas como os tamboatás (Callichthys calichthys) e os mussuns (Synbranchus marmoratus). com valores oscilando entre 1 e 8 ppm no período de dezembro/90 a fevereiro/91. limitando-se ao carapicu (Gerres aprion).

brasiliensis) sofreram reduções evidentes na abundância e tiveram a distribuição restrita às áreas menos salinas. desenvolvido entre 1919 e 1926 pelo cruzador José Bonifácio. conquistadas á custa de sua ardua profissão. Esta laguna destaca-se ainda.). No que se refere à pesca. fortificando os fios e escurencendo-os. a sua porção oeste. Possuíam ainda um núcleo na restinga de Jacarepaguá onde. como a que exibe melhores especialmente pelas condições de salinidade e pela carrear poluentes ao local. Assim. a corvina (Micropogonias furnieri). patriotas. a caraúna (Geophagus brasiliensis) e a traíra (Hoplias malabaricus). audaciosos em sua technica. a pesca local era abundante. 144 . podia-se verificar a presença de “varias casas de pescadores feitas de sopapo. são comuns. figurando entre as principais espécies capturadas a tainha (M.. imperceptíveis aos peixes (. no momento em que o volume de esgoto lançado na laguna atingir maiores proporções. depois de promptas. o robalo (Centropomus parallelus). seccam as rêdes nos varaes e concertam as mesmas e as canôas. principalmente na face Oeste. tonando-os assim. os pescadores da baixada de Jacarepaguá foram reunidos na Colônia Z 14. predominando entre elles cariocas e fluminenses bronzeados pelo sol. Pela manhã. variando o tamanho da malha e a grossura do fio de accordo com o tamanho da rêde e a qualidade de peixe que se destina. FEEMA (1990) ressalta ser razoável prever que o fenômeno de estratificação poderá ocorrer. á sombra destas. mostra-se bem preservada. Originalmente. Durante o dia. A casca fervida fornece uma tinta com que tingem as redes.... rígidos de caracter. As redes. são tintas de preto pela acção da casca de aroeira (. Neste processo. lisa).). Um panorama do cotidiano dos pescadores da região durante a década de 30 foi descrito por CORREA (1936). cujo estabelecimento foi resultado da missão de nacionalização da pesca e da organização de seus serviços no litoral do Brasil. que percorreu a costa brasileira do cabo Orange ao Canal do Chuí. as savelhas (Brevoortia pectinata). mesas e bancos para turistas e forasteiros e ali vão saborear sua matalotagem” (CORREA. integram o complexo lagunar da condições ambientais. favorecida ausência de rios que poderiam onde bancos de Ruppia maritima Contudo. Entrevistas com pescadores e amostragens pontuais revelaram que os paratis (Mugil curema).). Devido a falta de informações mais recentes sobre a região é difícil precisar a atual estrutura e o funcionamento da fauna aquática local. alliando-se qualidades extraordinárias. devido à baixa profundidade.. A rêde. estando o mesmo apresentado a seguir: “Os pescadores são brasileiros. pode ser lançada por um só homem (. o peixe-rei (Xenomelaniris brasiliensis) e os carapicus (Gerres aprion) figuram entre os itens mais freqüentes de pescado. distribuindo-se em pequenos portos que margeavam as lagoas da Tijuca e do Camorim. os pescadores profissionais brasileiros encontram-se usualmente associados em colônias. entre as pitangueiras. de quarenta braças de comprimento.. conhecedores de todos os detalhes de sua profissão e da fauna maritima-fluvial. 1936). fazem e tecem rêdes feitas de cordeis em tecido filet. physicas e moraes. dentre as demais que baixada de Jacarepaguá.

pois é a época da desova. Contudo. tendo sofrido grande redução com o assoreamento da laguna da Tijuca e do canal do Camorim. 1989). Como impactos posteriores. logar onde affluem os peixes. para desova.” Assim. A diversidade de pescado capturado na região é baixa quando comparada a coligida em outras lagoas fluminenses (BARROSO & BERNARDES. durante os mezes de agosto e setembro em que apparecem cardumes de tainhas. na corrida é facilima. 1995). trabalham com cinco redes. Registram-se ainda cerca de 8 associações de pescadores. tanto no rio como nas lagoas. Assim colhem pela madrugada os pescadores. Destaca ainda que “O bom êxito da pescaria também depende da época em que ella é feita. têm nesta atividade a principal fonte de renda. differente de todos os pescadores do Districto Federal”. onde trabalha uma boia. estação que se manifesta a arribação do peixe em grandes cardumes. Como conseqüência dos impactos antrópicos. as outras ligadas entre si. é feita á moda genuinamente nacional. Os profissionais que ainda se dedicam à pesca. que descreve a pesca como particularmente produtiva na “piracema. pescando em embarcações de madeira e armando redes de emalhar. (CORREA. o peixe preso nas tralhas da rede”. e o lançador da rede. como fazem os nossos indígenas no Amazonas e do interior do nosso paiz. 1995). 145 . o assoreamento e a poluição vêm reduzindo a capacidade de sustentação da pesca nos criadouros (BARROSO. Procuram o pesqueiro. denominado marinheiro ou chumbeiro. a produtividade atual é inexpressiva. um remador. devido ao incremento da intensidade da pesca desenvolvida pela atividade pesqueira. No caso específico da laguna de Jacarepaguá são particularmente freqüentes os blooms de Microcysts. no qual pode-se verificar redução expressiva na riqueza de pescado no sentido Lagoa da Tijuca – Marapendi – Jacarepaguá. logo a seguir. que reúne 42 famílias. atraindo poucos pescadores profissionais (BARROSO & BERNARDES. Mas a pescaria nesse recanto carioca offerece aspectos curiosissimos. os estoques têm demonstrado variados graus de excesso de exploração. dificultando o intercâmbio de espécies ícticas. algumas das quais. os quais usualmente se associam a mortandades expressivas de peixes. que é denominado mestre ou popeiro. ou descida. atualmente a pesca nas lagoas da região é uma atividade marginal. não mais dedicadas à atividade pesqueira. que acabou por isolar a Lagoa de Jacarepaguá. estando as espécies capturadas no local e a freqüência das mesmas apresentadas no Quadro 25. tendo a média de vinte taínhas. ellas medem de cincoente a sessenta centímetros de comprimento. como a Associação de Pescadores e Moradores da Vila Sonhada. De um modo geral. 1936) A sobrepesca e o manejo inadequado dos estoques pesqueiros já era observado na época. isto é. os pescadores encontram-se organizados na colônia Z-13. tendo cada uma quarenta braças. mas na corrida chegam a pescar cem taínhas por canôa. como pode ser evidenciado no trabalho de CORREA (1936). lançando a primeira rede e. uma alga cianofícea. Na época regular é calculada a pesca quotidiana de cem peixes por canôa.Cada canoa leva dois tripulantes. que elles (os pescadores) dizem corrida.

vindo a substituir as formações submontanas. Este vasto brejal era originalmente cortado por rios como os Morto. Rio de Janeiro Espécie Tainha Tainhota Parati Carapeba Linguado Corvina Robalo Cocoroca Carapicu Savelha Galo Ubarana Manjuba Peixe-Rei Tilapia Bagre Acará Lagoa da Tijuca Lagoa de Marapendi 2 2 3 3 3 3 2 2 1 0 1 0 2 1 2 0 2 1 1 3 1 0 1 2 1 0 1 3 0 2 1 1 0 3 Lagoa de Jacarepaguá 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 3 0 1 Raro. Ocorrem.) e perde-se nas matas alagadas que circundam os campos de Sernambetiba” revela mais uma variação do biotopo paludial nativo da região em estudo. CORREA (1936) ao descrever o Rio Vargem Grande como um sistema que “nasce no Morro do Cabungy (vaso d’água) (. gesneriáceas e polipodáceas) é muito 146 . a presença de expressivas formações de matas paludiais ou paludosas . das Piabas. historicamente ocupando grandes extensões da região. morro de Santo Antônio da Bica. em geral sem raízes tabulares.Comum.427. do Marinho.Abundante Fonte: BARROSO & BERNARDES (1995) (Dados de 1994/1995) Sistemas Paludiais Formações paludiais formam um conjunto de ambientes originalmente característico da baixada de Jacarepaguá. Consiste em mata perenifólia. que em geral não saem do estrato inferior. árvores com troncos fortes. possuíam área aproximada de 79. cit.. estendendo-se até a lagoa de Marapendi e a antiga lagoa do Camorim. pico do Morgado. De acordo com a descrição histórica de CORREA (1936) na baixada se localizavam os maiores alagados do Rio de Janeiro (então Distrito Federal). A riqueza em lianas e epífitas (aráceas.000 m2 situando-se em uma bacia formada pelas vertentes fluviais e pluviais do Maciço da Pedra Branca e pelo seu contraforte meridional (Serras das Tocas. Tais formações de matas paludiais (ou paludosas) usualmente se estabelecem na faixa de 5 metros acima do nível do mar e a altitude de 50 metros. das Piabas. nomeada campos de Sernambetiba (“verdadeira lagoa coberta por juncal” CORREA.Ocorrência de pescado nas lagoas da baixada de Jacarepaguá. orquidáceas. bromoliáceas. Morro da Ilha.Quadro 25 . ou seja. e só muito raramente chegam ao dossel.. piperáceas.. Esta formação. da Vargem Pequena e da Vargem Grande. de 30 a 35 m de altura. op.). e com densa vegetação arbustiva no estrato inferior. Boa Vista e Rangel). freqüentemente. grandes grupos de samambaias arborescentes e numerosas palmeiras de tamanho médio. 2. eretos. 3. Grota Funda.

Eleocharis mutata. Impactos sobre as formações brejosas certamente vem contribuindo para a delapidação da diversidade biológica associada à estes biótopos. Na região em estudo. 1988. cheias de samambaias. A grande umidade do solo é evidenciada pela existência de grande número de marantáceas e musáceas. As formações de matas paludiais. Assim como o verificado para as ictiocenoses de rios. A composição da ictiofauna encontra-se bastante associada a perenidade geral da formação paludial. COSTA. Contudo. 1988). C. Contudo. as formações de mata paludial eram bem representadas. dentre outras. pode ser tratado como praticamente endêmico da baixada. Phalloceros caudimaculatus) e acarás (Geophagus brasiliensis) são as mais comuns. secam durante determinados períodos do ano) exibem arranjos menos complexos. 1936. FEEMA (1989). próximo a UFRRJ (cf. lambaris (Hyphessobrycon bifasciatus. Nestes locais verifica-se sobre o solo úmido e turfoso espécies que se mostram características. juntamente com as carófitas e Ultricullaria spp. Alternanthera philoxeroides. 1997). Em depressões mais profundas. Ambientes alagadiços encontram-se bastante alteradas por processos de drenagem e por aterros. Assim sendo.grande. 1980). por ocorrer apenas na região e em um ambiente alvo de fortes pressões antrópicas em Itaguaí. um peixe característico de brejos e de pequenos rios de baixada (SARRAF. com árvores repletas de barba de velho (Tillandsia usneoides) (CORREA. com registros nos pântanos do Centro Histórico e no recôncavo da Guanabara (AMADOR. mussuns (Synbranchus marmoratus). barrigudinhos (Poecilia vivipara. com alguns remanescentes mais expressivos presentes no Bosque da Barra e no encontro da avenida das Américas com a Salvador Alende. Tais unidades. Morros como o do Urubu e de Itaúna eram assinalados como ilhas circundadas por matas alagadiças densas. Typha domingensis passa a representar a principal espécie. o arranjo íctico presente nos brejos carece de espécies com distribuição geográfica limitada à baixada de Jacarepaguá. ocorrendo apenas em pequenos acúmulos de água associados a matas paludiais presentes na unidade de conservação do "Bosque da Barra" e em áreas adjacentes. E. o peixe anual (Leptolebias minimus). é importante destacar a presença de uma espécie ameaçada de extinção (Leptolebias minimus) em brejos sazonais. surinamensis. por sua vez. embora pertencentes ao sistema lagunas não foram incorporadas à faixa marginal de proteção das lagunas. destaca que a situação das áreas úmidas é a mais vulnerável. as regiões brejosas da baixada de Jacarepaguá mantêm um total de 15 espécies de peixes (Quadro 26). dos quais a traíra (Hoplias malabaricus). encontram-se praticamente extintas na baixada. Scirpus robustus. de um dos principais processos que contribuiu para a extinção local de Spintherobolus broccae. ARAÚJO. dentre os demais ecossistemas que integram a baixada. caribaca. não sendo protegidas por legislação específica. tratando-se. Formações de mata paludial historicamente se encontravam amplamente distribuídas na cidade do Rio de Janeiro. Bacopa monnieri. 147 . No geral. possivelmente. tais como Cyperus polystachyos. embora ainda se evidencie extensos brejais nas proximidades da Grota Funda. o maior número de taxa é observado nos sistemas permanentes.. 1997). enquanto que brejos sazonais (i.e. H. reticulatus). tamboatás (Callichthys callicththys). LACERDA.

com sua coloração amarronzada característica. reticulatus SILURIFORMES CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys CYPRINODONTIFORMES RIVULIDAE Rivulus brasiliensis R.Ictiofauna de água doce nos brejos associados as matas paludiais CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus CHARACIDAE Hyphessobrycon bifasciatus H. RJ CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus CRENUCHIDAE C. janeiroensis R. Tais sistemas mostram uma fauna menos diversificada do que a apresentada pelos campos higrófilos.e. enquanto que o único peixe de grande porte destes sistemas é o mussum (Synbranchus marmoratus).. Ultricularia e nifeáceas se destacando como as mais conspícuas . BIZERRIL (1996) BIZERRIL & ARAÚJO (1993) 148 . As formações de mata encontram-se entremeadas por alagados e acúmulos de água dos canais de drenagem. interruptum CHARACIDAE Hyphessobrycon bifasciatus H. matas paludiais e campos higrófilos) A ictiofauna de matas paludiais da Barra da Tijuca encontra-se relacionada no Quadro 27. ocellatus Leptolebias minimus POECILIIDAE Poecilia vivipara Phallopthychus januarius SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus CICHLIDAE Tilapia rendalli Geophagus brasiliensis Pterophyllum scalare Fonte: BIZERRIL (1996) BIZERRIL & ARAÚJO (1993) Variações na ictiofauna podem ser igualmente evidenciadas quando se compara os dois grandes biótopos que integram os sistemas paludiais da região (i. apresentam florística típica.Ictiofauna de água doce presente nos brejos da baixada de Jacarepaguá. ocellatus Leptolebias minimus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus Fonte: Dados primários. embora esta espécie raramente atinja grande porte nos sistemas paludiais associados às matas da região. Tais sistemas. reunindo essencialmente grupos de pequeno porte. janeiroensis R. Espécies de médio porte restringem-se à traíra (Hoplias malabaricus).Quadro 26 . Quadro 27. reticulatus Mimagoniates microlepis SILURIFORMES CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys CYPRINODONTIFORMES RIVULIDAE Rivulus brasiliensis R. com Eleocharis. derivada da decomposição de matéria vegetal.

Quadro 28 .Muitos dos peixes presentes nas matas paludiais possuem sua perpetuação associada a posse de estratégias comportamentais e fisiológicas que os permite sobreviver nas condições flutuantes de disponibilidade de água que tanto caracterizam estes biótopos. 149 . reúne diversos invertebrados faz com que a guilda dos insetívoros seja a dominante nestes sistemas. como se observa pela ausência de Rivulidae. relacionadas no Quadro 28. reticulatus SILURIFORMES CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilia vivipara Phallopthychus januarius SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus CICHLIDAE Geophagus brasiliensis Fonte: Dados primários BIZERRIL (1996) BIZERRIL & ARAÚJO (1993) Mantém-se o predomínio de grupos de pequeno porte. os quais. absorvido no trato digestivo. Nos campos higrófilos que dominam a porção mais interna da baixada ocorrem 9 espécies de peixes. tanto a ictiofauna como os demais componentes da bióta aquática. embora fortemente distrófico.Ictiofauna de campos higrófilos CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus Hoplerithrynus unitaeniatus CHARACIDAE Hyphessobrycon bifasciatus H. A disponibilidade de recursos provenientes das matas circundantes e do próprio sistema aquático que. Comparativamente as matas paludiais.) que saltam ativamente a procura de acúmulos de água que garantam sua sobrevivência. exibindo um conjunto íctico que caracteriza-se pela filtragem de espécies mais dependentes de sistemas lóticos. tais sistemas mantém um número menor de espécies dependentes. e os pequenos rivulídeos não anuais (Rivulus spp. É o caso do tamboatá (Callichthys callichthys) capaz de utilizar o oxigênio atmosférico. Este aspecto encontra-se refletido o estudo de BIZERRIL et al (1994) que verificaram. em sua totalidade ocorrem em rios como o Camorim e Paineiras. a partir da análise de interações entre diferentes taxocenoses de ecossistemas palustre presente em área de campos higrófilos da Barra da Tijuca. A manutenção dos níveis de água nestes sistemas é condição para a sobrevivência da fauna local. Assim. que as variações ambientais possuem maior importância na estruturação das comunidades do que interações como competição e predação. tem-se que este elemento da paisagem local representa uma continuação das baixadas fluviais.

mostramse muito descaracterizados. a Lagoa de Piratininga apresentou grande mortandade de peixes e a partir de 1922 houve uma significativa redução em seu espelho d'água. notadamente os referentes à riqueza de espécies. acrescentando informações acerca da ictiofauna inventariada em riachos e canais. a autora enfocou aspectos diversos relacionados à ocorrência das espécies na região. op. Ao tentar coletar nas localidades indicadas pelos moradores encontrei apenas valas secas. da Panela. sendo esta a principal fonte de referência sobre a ictiofauna das lagunas em questão. dada as aberturas periódicas de barras e pela influência do serviço de combate à malária. que abriu diversas valas e canais de drenagem. que mostra-se em sua maior parte muito comprometida (PREFEITURA DE NITERÓI. 3 sistemas). Resumimos alguns dos resultados apresentados a seguir. De acordo com OLIVEIRA (1948. Pavuna. sentinela. da Carioca. foram retificados e canalizados) quanto a qualidade da água.. MacacuCaceribu (2). Saco de São Francisco. 1992). O complexo como um todo foi detalhadamente estudado por SERGIPENSE (1997). As últimas lagunas remanescentes da Baía de Guanabara situam-se na chamada "Região Oceânica" de Niterói. Sua grande piscosidade levou a criação de uma colônia de pescadores na área. Gradin (São Gonçalo). Em seu estudo. Nestes locais.). hábito alimentar de diversos taxa e fator de condição. e de SILVA (1994) sobre a os Gerreidae do canal de Camboatá. Inhaúma. de Copacabana (originalmente 3 brejos que se localizavam atrás do Morro do Inhangá e no Morro do Pavão. Dona Carlota (nas proximidades do Rio Berquó. sobre a ocorrência e distribuição da ictiofauna do sistema em questão. estrutura geral das comunidades. do Catete. Foram destruídas as lagunas: Boqueirão. 150 . Itaoca (2 lagunas). em Botafogo). apud SERGIPENSE. APA de Guapimirim (5 sistemas) e lagoas de meandros abandonados dos Rios Inhomirim-Estrela (3).Ictiofauna da região urbana de Niterói Riachos urbanos Os riachos urbanos de Niterói. brejos e apicuns encontrados pelos colonizadores no início do século XVI na área da Baía de Guanabara. a semelhança do observado no Rio de Janeiro. tanto no que se refere a sua estrutura original (i. analisando a abundância relativa e a cronologia alimentar deste taxon.e. Em ambientes em que a poluição é menos intensa. o principal problema enfrentado pela ictiofauna aparenta ser a redução gradual das vazões dos rios. Pole ou Lampadosa. 37 foram inteiramente destruídas por aterros e dissecações durante o processo histórico. atingindo as atuais ruas Sá Ferreira e Bulhões de Carvalho). correspondendo as lagunas de Itaipu e Piratininga. cit. das 39 lagunas. Ilha do Governador (no Saco do Pinhão. Desterro. Podemos evocar como exemplo os pequenos riachos que se associam ao Rio Muriqui e Pendotiba. Deve-se ressaltar que ao estudo desenvolvido pela autora somam-se diversas contribuições apresentadas em congressos e os trabalhos de SERGIPENSE & GAY (1995). moradores da região relataram que a alguns anos atrás capturavam cambevas (Trichomycteridae) e jundias (Rhamdia quelen). Icaraí. 1997). Sistemas lagunares Como relatado por AMADOR (1997). Iguaçu (2) e Iriri (2) (AMADOR.

destaca-se a presença de diversas espécies marinhas que usualmente não se registram em sistemas mesoalinos. Situação contrária.R. 1989. escoando suas águas para Itaipu.Em 1945. Os impactos desta barra artificial em Itaipu foram bastante sérios. 151 .). permanecendo esta laguna com uma ligação permanente com o mar. o Canal de Camboatá servia como elemento drenante. Nesta condição. um grupo introduzido. o acúmulo de água pluvial em Piratininga não foi mais suficiente para provocar a abertura de sua barra. foi construído pelo DNOS um canal artificial (canal de Camboatá) ligando as lagunas de Piratininga e Itaipu.F. quando a barra de ambas estava fechada. as quais acrescentamos mais 7 formas. foram identificadas 28 espécies de peixes por SERGIPENSE (1997). de 15 dias para esvaziar e de uma semana para tornar a fechar a barra. É digno de nota que as amostragens efetuados por um dos autores deste documento (C. Particularmente a laguna de Piratininga sofreu danos mais efetivos. pelos dados apresentados. Observa-se ainda diferenciação quase que total da fauna presente nos rios (no caso no Rio Jacaré) com a ocorrente nas lagunas. Desta forma. quando o canal de Itaipu foi construído. Neste sistema. cit. Dentro do conjunto reunido para este ambiente. por exemplo. Esta situação foi mantida até o início de 1979. reticulata. minimizando as enchentes que ocorriam no período chuvoso. que a laguna de Itaipu concentra a maior riqueza de espécies dentro do contexto avaliado (Figura 78). apud SEGIPENSE. Verifica-se. FIGUEIREDO) têm resultado na captura de apenas Geophagus brasiliensis e P. coletadas exclusivamente no Rio Jacaré.S. alterando as características hidrológicas e fisiográficas do sistema. com redução de lâmina d'água em ambas as lagunas (MARCOLONI & CORREA. As lagunas de Piratininga e Itaipu funcionavam como um sistema de vasos comunicantes. Bleniidae e Muraenesocidae. Levantamentos em curso no Rio Jacaré e demais sistemas fluviais associados as lagunas em enfoque (desenvolvidos pela bióloga CRISTIANE R. a laguna de Piratininga levava cerca de 6 meses para enches. reticulata. uma vez que encontra-se em nível superior a esta. A síntese dos levantamentos realizados é apresentada no Quadro 29. como é o caso de Muraenidae. uma situação que denota a forte influência marinha sofrida pela laguna de Itaipu. tendo como objetivo declarado o de permitir um equilíbrio hidráulico entre as duas bacias. BIZERRIL) foram realizadas em 1994. verificando-se uma situação de virtual ausência de espécies. salvo pela presença de P. 1997). op. tendo em vista que a maior parte dos demais sistemas está fortemente alterada. ficando o único contato com o mar através de Itaipu (SERGIPENSE.

Quadro 29 . Piratininga X X X X X X X X X X X X - X X X X X X X X X X X X X Hypostomus punctatus CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys MYCTOPHIFORMES SYNODONTIDAE Synodus foetens BELONIFORMES BELONIDAE Strongylura timucu CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilia reticulata** P. Itaipu X X X X X X X X X X X X X L. A januaria Tricolor Anchoviella lepidentostole Cetengraulis edentulus CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus SILURIFORMES ARIIDAE Cathrosp spixii*** Genidens genidens PIMELODIDAE Rhamdia quelen LORICARIIDAE Rios L. vivipara Phallopthychus januarius Phalloceros caudimaculatus ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata 152 . pectinata Harengula clupeola Opisthonema oglinum Platanichthys platana Sardinella brasiliensis ENGRAULIDIDAE Anchoa sp.Espécies de peixes das Lagunas de Itaipu e Piratininga e rios associados Taxon ANGUILIFORMES MURAENIDAE Gymnothorax ocellatus MURAENESOCIDAE Cynoponticus savanna ELOPIFORMES ELOPIDAE Elops saurus CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Brevoortia aurea B.

brasilianus G. lefroyi G.Taxon ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis GASTEROSTEIFORMES SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus DACTYLOPTERIFORMES DACTYLOPTERIDAE Dactylopterus volitans SCORPAENIFORMES TRIGLIDAE Prionotus punctatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus PERCIFORMES CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus * C. latus Oligoplites saurus Trachinotus carolinus T. probatocephualus Diplodus argenteus SCIANIDAE Cynoscion leiarchus Micropogonias furnieri Plagioscion sp. EPHIPIDIDAE Chaetopterus faber Rios X L. Piratininga X X X X X X X X X X X X - - X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 153 . melanopterus SPARIDAE Archosargus rhomboidalis A. jocu GERREIDAE Diapterus olisosthomus D. undecimalis SERRANIDAE Acanthistius brasilianus Diplectrum formosum Myctoperca bonaci POMATOMIDAE Pomatamus saltator CARANGIDAE Caranx hippos C. Itaipu X X X X X X L. falcatus LUTJANIDAE Lutjanus analis L. gula G. rhombeus Gerres aprion D.

As características fisiográficas das distintas lagunas parecem contribuir para que os deslocamentos dos peixes ocorram com maior amplitude no segundo sistemas. liza Mugil sp. a assíntota representando a riqueza das espécies delineou-se após dois anos. setifer TETRAODONTIDAE Sphoeroides greeleyi S. spilopterus CYNOGLOSSIDAE Symphurus plagusia TETRAODONTIFORMES MONACANTHIDAE Stephanolepis hispidus S. A estabilidade numérica foi registrada em Piratininga ao fim de um ano de estudo. spengleri S. Em termos comparativos. schufeldti G. CICHLIDAE Geophagus brasiliensis ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus Eleotris pisonis GOBIIDAE Bathygobius soporator Gobionellus boleosoma G. Itaipu X X X X X X X X X X X X L. testudineus * Denominado C. oceanicus G.Taxon MUGILIDAE Mugil curema M. mexicanus por SEGIPENSE (1997) ** Denominada Poecilia sp. stomatus Micogobius meeki BLENIIDAE Scartella cristata PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Achirus lineatus Catathyridium garmani Trinectes paulistanus T. comportando o padrão clássico de ambiente costeiro lagunarestuarino. 154 . microphtalmus BOTHIDAE Citharichthys arenaceus C. Por outro lado. pela autora *** Denominado Arius spixii. em Itaipu. dada a via marítima permanente estabelecida com a fixação da barra em Itaipu. Piratininga X X X X X X X X X - - X X X X X X X X X X X X X Fonte: SERGIPENSE (1997) (Dados de Campo) SERGIPENSE (1997) observou que o sistema pode ser considerado como rico em espécies de peixes. o número de espécies registrada em cada uma das lagunas variou significativamente. pela autora Rios X - L.

liza Geophagus brasiliensis ID = D = PD = R = QUENTE D PD 7 8 7 3 10 5 6 6 3 4 5 8 2 4 6 6 R 1 1 1 - ID% 3.80 70 Número de espécies 60 50 40 30 20 10 0 Rios L. Quadro 30. Por outro lado Mugil liza e Jenynsia multidentata predominaram em época fria. liza teve valores indiciais de dominância semelhantes em ambos os períodos sazonais.66 13. Gerres lefroyi.08 75.14 80. n º de meses que dominou.79 33.Número de espécies registradas nos diferentes sistemas Objetivando avaliar períodos de predomínio das espécies consideradas constantes e dominantes na laguna de Piratininga entre o período de fevereiro/90 e janeiro/92. enquanto M.33 86. aprion. M.41 FRIO D PD 1 6 6 6 7 6 8 3 8 6 6 6 5 3 3 8 R 1 1 1 1 96. liza e X.92 24.21 66.Valores sazonais de dominância das espécies constantes da laguna de Piratininga (fevereiro/90 a janeiro/92) PERÍODO Táxon ID% Elops saurus Poecilia vivípara Phallopthychus januarius Jenynsia multidentata Xenomelaniris brasiliensis Mugil curema M. n º de meses de pouca dominância. Na laguna de Itaipu. Phalloptychus januarius. Piratininga Figura 78 . nos meses frios. Mugil curema. G. brasiliensis predominaram na época quente. SERGIPENSE (1997) observou que Elops saurus.02 51.59 Fonte: SERGIPENSE (1997) Somatório dos valores de dominância. Geophagus brasiliensis. Por outro lado. Itaipu L. 155 . as espécies consideradas constantes e dominantes neste mesmo período foram Cetengraulis edentulos.98 48.81 17. n º de meses em que foi rara. Poecilia vivipara e Xenomelaniris brasiliensis o foram em meses quentes.09 68.91 31. com ligeiro predomínio no período quente (Quadro 30).19 82.86 19.

M. latus. curema. omnívoros (incluindo nestas categorias espécies planctófagas). verificou-se que G.. G. carnívoros micrófagos. saurus X. detritívoros e omnívoros. liza Fonte: SERGIPENSE (1997) Herbívoros P.45 17.5 82. oceanicus. Quadro 32.24 FRIO D PD 5 8 7 2 9 5 2 4 3 8 3 3 R 3 2 2 8.46 37. P. presentes em 50% ou mais das amostragens realizadas) pelas guildas é apresentada no Quadro 32. vivipara usam de forma permanente a laguna de Piratininga.67 35. n º de meses que dominou. M. liza Itaipu C. C. curema.5 35. H. olisthostomus. J. brasiliensis. demonstrando a importância da via de detritos no processo de fluxo energético das comunidades e do ecossistema. D. o grupo dos detritívoros apresenta mais representatividade. brasiliensis utiliza o sistema lagunar para seu desenvolvimento. A distribuição das espécies constantes (i.Guildas tróficas ocupadas pelas espécies de peixes constantes nas lagunas de Piratininga e de Itaipu Guildas Piscívoros Carnívoros macrófagos Carnívoros micrófagos Omnívoros Detritivoros Piratininga E. spilipterus B. No sistema como um todo. edentulus. multidentata M. aprion G. X. rhombeus.e. melanopterus. G.5 62. clupeola. n º de meses de pouca dominância.33 64. aprion. januarius e P. G.Quadro 31 . M. januarius. multidentata. lefroyi C. D. P.5 17. M. brasiliensis A. 156 . soporator. gula. vivipara Através da definição do ciclo de vida. representando carnívoros piscívoros. J. brasiliensis G. furnieri. liza ID = D = PD = R = QUENTE D PD 2 11 5 5 9 6 6 1 4 5 2 4 R 3 2 1 1 ID% 91.76 Fonte: SERGIPENSE (1997) Somatório dos valores de dominância. lefroyi Xenomelaniris brasiliensis Mugil curema M. n º de meses em que foi rara Foram identificadas 6 guildas tróficas. G. G. enquanto X. carnívoros macrófagos.5 64. brasiliensis. lineatus. sendo o responsável pela maior biomassa capturada em Itaipu.5 82.Valores sazonais de dominância das espécies constantes da laguna de Itaipu (Fevereiro/90 a janeiro/92) PERÍODO Taxon ID% Cetengraulis edentulus Gerres aprion G.

4km2)..6 km2) (OLIVEIRA et al. isto é. o sistema exibia aberturas de barra periódicas. a saber: Maricá (com área de 18. A ictiofauna foi alvo de estudos diversos. através do canal de Ponta Negra. alguns dos quais (i. com relatado por OLIVEIRA et al. Integrando os dois trabalhos com o resultado de coletas efetuadas por um de nós. O levantamento mais amplo da ictiofauna de riachos integrados ao sistema lagunar em questão foi efetuado por COSTA (1984). 1955. A partir de 1951. ou ser efetuada pelos moradores e pescadores locais. quando da época das chuvas. de noite." A abertura da barra da lagoa poderia se processar naturalmente. a malária foi eliminada de toda a região com sucesso jamais obtido anteriormente. A última abertura da Lagoa da Barra foi relatada por OLIVEIRA et al. Foi a última vez que entrou água do mar em Maricá por esta barra. (. isto é. onde se instalavam focos de mosquitos transmissores de endemias. BRUM et al.. já se achavam 500 com ferramentas. a semelhança do já descrito para as outras lagunas. estudos de autoecologia) já mencionados quando da análise da biodiversidade de águas interiores fluminenses em capítulos anteriores." Aspectos biogeográficos e hidrobiológicos dos sistemas foram descritos por OLIVEIRA et al (1955). Padre (3. 157 . picaretas. Originalmente. MAZZONI (1998) e MAZZONI et al. como uma forma de prevenção contra as inundações das faixas marginais.8km2). instalado.. Posteriormente. e também pela ação química dos inseticidas do grupo do DDT que foram empregadas simultaneamente. 1955 que destacou que: "Pelas obras de engenharia sanitária. (2000a) apresentaram resultados de coletas adicionais efetuadas no Rio Ubatiba.. enxadas. 1994). chegamos ao arranjo apresentado no Quadro 33. (1955). e forneceram mais de 1500 garrafas do melhor dos paratís e outras cachaças de alta qualidade para dar a energia em calorias e a alegria ao trabalho que ia ser executado durante toda a noite..Ictiofauna da Bacia Hidrográfica do Sistema Lagunar de Maricá O sistema Laguna de Maricá é um complexo de lagoas. haviam 800 homens reunidos na Barra da Emergência.e. composto por quatro lagoas intercomunicantes. desde 7 de maio até 4 de junho de 1951. e alí apareceram muitos comerciantes que se interessavam pelo camarão. apud. pás. Barra (9.1km2) e Guarapina (8.) A barra da Emergência esteve então aberta durante 28 dias. principalmente da malária. às 23 horas. foi fixada área de contato permanente com o mar.. tendo como base a rede de amostragem apresentada na Figura 79. devido ao aumento no volume de água durante as chuvas. "No dia em que se soltaram as águas da Lagoa de Maricá no Oceano através da laguna da Barra.

Foram ainda obtidas informações referentes a ictiofauna presente no canal de Ponte Negra.Ictiofauna presente nos riachos integrados à laguna de Maricá Taxon CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Brevoortia aurea CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus CRENUCHIDAE Characidium sp. pedri* Hyphessobrycon bifasciatus H. C.Áreas amostradas por COSTA (1994) Das espécies listadas. o estudo de BRUM et al (1994) fornece o panorama mais completo existente até o momento.Fonte: COSTA. entre outubro/85 a dezembro/86. Os autores efetuaram. cit. CALLICHTHYIDAE Savelha Traíra Canivete Canivete Tetra azul Lambari Lambari Lambari Lambari Mandi Jundiá Sem nome vulgar Nome Vulgar 158 . Quadro 33 . Figura 79 . No que se refere ao corpo lagunar. empregando diversos instrumentos de captura. amostragens em um total de 30 pontos. especialmente mediante acompanhamento da atividade de pescadores. interruptum CHARACIDAE Glandulocaudinae Mimagoniates microlepis Tetragonopterinae Astyanax janeiroensis Deuterodon cf. citrinipinnis apresenta distribuição restrita a brejos sazonais existentes dentro dos limites da bacia. o pequeno rivulídeo L. sendo 20 na Lagoa de Maricá e 10 na Lagoa da Barra. reticulatus SILURIFORMES PIMELODIDAE Pimelodella lateristriga Rhamdia quelen TRICHOMYCTERIDAE Listrura sp. op.

emborê Peixe-flor a Fonte: COSTA (1984). Genidens genidens e Mugil liza que.21% dos espécimes coligidos. representaram 91. as mais abundantes foram Geophagus brasiliensis. callichthys Corydoradinae Corydoras nattereri LORICARIIDAE Loricariinae Rineloricaria sp. Hypoptopomatinae Parotocinclus maculicauda Hypostominae Hypostomus punctatus GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo CYPRINODONTIFORMES RIVULIDAE Rivulus janeiroensis Nematolebas whitei Leptolebias citrinipinnis POECILIIDAE Poecilinae Poecilia vivipara Cnesterodontidae Phallopthychus januarius Phalloceros caudimaculatus ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata GASTEROSTEIFORMES SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus PERCIFORMES CICHLIDAE Cichlassoma facetum Geophagus brasiliensis Tilapia sp. (2000 ). pertencentes a 19 espécies. brasiliensis foi a forma mais abundantes. Entre as espécies coletadas. MAZZONI et al. Destas. juntas.09% do total de espécimes amostrados. G. Cathorops spixii. coletas complementares As coletas ictiológicas realizadas nas Lagoas de Maricá e da Barra resultaram na captura de 1292 exemplares. MAZZONI (1998).Taxon Callichthyinae Callichthys aff. Dormitator maculatus GOBIIDAE Awaous tajasica Nome Vulgar Tamboatá Limpa-fundo Caximbau Cascudinho Cascudo Sarapó Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Cachimbo Mussum Acará-ferreirinha Acará Tilápia Moreia. 159 . agregando 34. Brevoortia aurea.

** Provavelmente O. liza POMACENTRIDAE Abudefduf saxatilis KYPHOSIDAE Kyphosus incisor CICHLIDAE Geophagus brasiliensis Oreochromis sp. niloticus X Fonte: BRUM et al. 1994 160 . Mugil curema M.Quadro 34.Espécies de peixes do sistema lagunar de Maricá Táxon ANGUILIFORMES* ELOPIFORMES ELOPIDAE Elops saurus CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Brevoortia áurea Harengula clupeola Opisthonema oglinum ENGRAULIDIDAE Anchoasp.. (1994).** GOBIIDAE Gobionellus oceanicus Micogobius meeki PLEURONECTIFORMES X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X BOTHIDAE* * Não identificado a níveis mais basais por BRUM et al. SILURIFORMES ARIIDAE Cathrosp spixii Genidens genidens Netuma barba CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilia vivípara Phallopthychus januarius ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis PERCIFORMES CENTROPOMIDAE Centropomus undecimalis CARANGIDAE Lagoas da Barra e de Maricá X X X Canal de Ponta Negra X X X X X X X X X X X X X X X X Caranx crysos LUTJANIDAE Lutjanus jocu GERREIDAE Diapterus rhombeus Gerres aprion POMADASYDAE Haemulon plumieri SPARIDAE Diplodus argenteus SCIANIDAE Menticirrhus americanus MUGILIDAE Mugil sp.

liza (10.3cm.Com relação à pesca no canal de Ponta Negra. sendo um táxon marinho que busca águas de menor salinidade para completar seu ciclo biológico (FIGUEIREDO & MENEZES.7 e 18. J.9%) foram às espécies mais freqüentes.Genidens genides A população estudada teve comprimento padrão variando entre 4. tomando como base dados reunidos mensalmente entre janeiro/96 e novembro/97.5cm e fêmeas de 5.5cm. (2000b) descreveram a biologia reprodutiva de Genidens genidens. Comparando os resultados obtidos com os de COSTA (1984) e demais estudos referentes aos ambientes fluviais da região de Maricá. aprion (45. brasiliensis) ocorrem na laguna.83%). A espécie tem desova do tipo total e a reprodução ocorre entre dezembro e abril. 161 . Figura 80 . P. aos poucos de uma rede inextricável de enxagamento. aurea. MAZZONI et al.17%) foram às espécies que mais se destacaram e.5 e 25. GOES (1942) iniciando sua apresentação do saneamento da baixada de Sepetiba.5cm. HILDEBRANDO A. O tamanho médio da primeira maturação é distinta para machos e fêmeas. Mugil curema (13. A fecundidade variou entre 5 e 17 ovócitos para exemplares de 12.92% dos espécimes amostrados). januarius. liza (29. apud BRUM et al. Os ovócitos maduros alcançam tamanhos de até 1. em duas unidades de amostragem. vivipara e G. constata-se que apenas 5 espécies dos rios (B. Estende-se pelos vales a ampla lessitura dos canais de drenagem".22%) e M. G. M. P. Ictiofauna da Macrorregião Ambiental 2 "A planície alagável cobre-se. 1994). tendo-se registrado este evento para machos de 8. Gerres aprion (representando 33.16%). em coincidência com os meses de verão. Opisthonema oglinum (18. Em termos de freqüência de captura..03%) e Diplodus argenteus (12. não tendo sido evidenciado dimorfismo sexual aparente.48%). A relação de espécies capturadas é apresentada no Quadro acima. M. 1978. aurea. multidentata. não é dulciaqüícola. sendo positivamente correlacionada com o tamanho e o peso das fêmeas. Harengula clupeola (17. termos de abundância.5cm. Destas apenas B. curema (54. respectivamente.31%). Uma das espécies marinhas ocorrentes na laguna de Maricá foi alvo de detalhado estudo reprodutivo.

2000). desde o século XVII eles vem sendo retificados. São Bráz. do Saco e Saí. decorridos cerca de 50 anos de seu último alteamento. A maioria dos rios apresenta seus baixos cursos bastante modificados em relação ao que eram originalmente. Piracão. desta forma relacionamos. toda a matéria orgânica afogada tenha sido consumida. com destaque para o Rio Guandu. Os principais rios da Bacia são o Guandu. canalizados. Portinho. aff. Quadro 35 . Scabripinnis A. conirostris L.1 Characidium sp. Pimelodella cf. Canal Guandu. Reservatório de Lajes e afluentes O reservatório de Lajes e seus afluentes constituem habitats isolados. unidos por valões. os dados encontrados. indicando os peixes pelos nomes populares. A IESA (1991) efetuou levantamento da ictiofauna do reservatório e áreas adjacentes. os peixes não têm mais como acessar a calha do ribeirão das Lajes à jusante da mesma. Há poucas informações sobre os peixes desta bacia. Construiu-se ainda novos canais de drenagem para facilitar o escoamento das águas (SEMADS. Ingaíba. Devemos destacar ainda o estudo da SEMADS (1998). Devido às inundações constantes a que estava sujeita a região. que realizou um levantamento expedito de toda a bacia. eigenmanni 162 .2 Characidium sp. da Guarda.Ictiofauna da Bacia Hidrográfica da Baía de Sepetiba A bacia hidrográfica contribuinte à Baía de Sepetiba tem uma superfície de 2. dragados. mormyrops CHARACIDAE Astyanax bimaculatus A. em 1904. sem realizar coletas. no Quadro 35.654 km2 . em face de sua topografia plana. etc. resultando na listagem apresentada a seguir. Piraquê. parahybae A. por bacia. taeniatus Brycon sp.3 ANOSTOMIDAE Leporinus copelandii L. Mazomba. pois desde a construção da barragem.Ictiofauna do reservatório de Ribeirão das Lajes Táxon CHARACIFORMES Nome Vulgar Traíra Morobá Sairú Canivete Canivete Canivete Piau vermelho Piau branco Piau Lambari Lambari Lambari Lambari Piabanha Sem nome vulgar Mandi ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus* CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert CRENUCHIDAE Characidium sp. pois é de se esperar que. A represa de Lajes é um ecossistema artificial estabilizado. SILURIFORMES PIMELODIDAE Microglanis parahybae Heptapterus sp.

Schizolecis guntheri Hypostomus affinis**** H. as outras foram registradas na bacia de contribuição. microps e as 5 espécies de Trichomycterus foram registrados apenas em riachos Considerando somente os dados provenientes das duas amostragens padronizadas.2 Trichomycterus sp. as 3 espécies de Characidium. parahybae no original Como Loricariichthys spixi no original.. luetkeni**** GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Xiphophrus sp. foram coletados 1803 exemplares com biomassa 163 . moréia Limpa-fundo Cascudo Caximbau Caximbau Caximbau Cascudinho Cascudo Cascudo Sarapó Espada Barrigudinho Acará-ferreirinha Tucunaré Tilapia Acará Fonte: IESA (1991) Infelizmente para muitos dos grupos listados pelos técnicos responsáveis pelos estudos não foi possível estabelecer uma relação da nomenclatura adotada com a fornecida no presente documento. nas quais foram utilizadas redes de espera. Como Rhamdia cf.*** Rineloricaria sp. que considerava os gênero Rhamdioglanis e Acentronichthys (ambos de ocorrência esperada na bacia em questão). dentre outros. é. ocellaris Tilapia rendalli Geophagus brasiliensis * ** *** **** Como Erythrinus erythrinus no original. moréia Cambeva.1 Trichomycterus sp. sem dúvida. punctatus Nome Vulgar Mandi Jundiá Cumbaca Cambeva. Mencionados como H. Das espécies listadas. moréia Cambeva. scabripinnis. N. equivocada podendo ser fruto da utilização da definição errônea de Heptapterus proposta por MEES (1974). Quanto as cinco espécies de Trichomycterus mencionadas não podemos afirmar nada. como sinônimo de Heptapterus. moréia Cambeva. O registro de Heptapterus sp.4 Trichomycterus sp.5 CALLICHTHYIDAE Corydoras nattereri LORICARIIDAE Neoplecostomus microps Harttia loricariformes Loricariichthys sp. apenas 17 ocorreram no reservatório.3 Trichomycterus sp. A. vermicularis e H. Phalloceros caudimaculatus PERCIFORMES CICHLIDAE Cichlassoma facetum Cichla cf. moréia Cambeva.Táxon Pimelodus maculatus Rhamdia quelen** AUCHENIPTERIDAE Parauchenipterus striatulus TRICHOMYCTERIDAE Trichomycterus sp.

parahybae. Foi relatado que ocorrem migrações de piaus entre janeiro e março. Reservatório de Pereira Passos É um habitat provavelmente pobre de espécies. tanto a montante quanto a jusante até Paracambí e na região próxima a foz. se a piracema for constatada na bacia. os cascudos e o madí-açu. traíra. manjuba. Bacia à jusante da barragem de Pereira Passos O trecho de maior biomassa de peixes da bacia situa-se entre a barragem da UHE Pereira Passos e a foz do Guandu. Os peixes estuarinos ocorrem abaixo das barragens da CEDAE. C.88kg. As pescarias são realizadas com tarrafa e rede-de-espera.de 212. traíras. dourados. configurado pelas barragens da CEDAE. subindo os cardumes até a altura de Arcádia. as espécies que mais contribuíram no número total de indivíduos foram A. devido as suas características. A região da confluência do ribeirão das Lajes com o Rio Santana. Loricariichthys sp. Neste segmento há um obstáculo para a passagem dos peixes. cascudo. o piau (L. Possui alguns alagadiços e lagoas marginais. Há uma diminuição no número de espécies e uma redução de biomassa. tem vocação para ser um criatório de peixes.00. o ribeirão das Lajes até o pé da barragem da UHE Pereira Passos e o Rio Macacos. no canal de São Francisco. e O. De acordo com o levantamento expedito realizado pelo SEMADS. A cachoeira das Pedras atua como um obstáculo para os peixes acessarem a parte superior do rio. No Rio Macacos acredita-se que ocorram peixes somente a montante de Paulo de Frontin e em um estirão nas imediações da usina hidrelétrica da Brasil Industrial. copelandii) é uma das espécies o que apresenta o maior tamanho. A montante das barragens. com grandes remansos. dos Ribeirão das Lajes e dos Rios Cacaria. forma uma baía devido ao estrangulamento natural do Rio Guandu. os segmentos fluviais da baixada do Rio Guandu. cascudo-viola. piaba. as principais rotas migratórias devem ser o Rio Santana. ocorrendo por vezes mortandades devido a poluição das águas. Dados ecológicos sobre muitas espécies do reservatório em questão foram levantadas por pesquisadores da UFRRJ. este apenas em pequena parte de seu baixo curso. carpa. de sorte que há maior quantidade de peixes de Santa Branca para jusante. Tucunarés. Nestas amostragens. os taxa mais abundantes são as tilápias. mandi. piau. Na Lagoa do Guandu predominam as tilápias. Santana e São Pedro permitem um livre trânsito de cardumes até o início das serras. e as fieiras de peixes são comercializadas à R$ 8. conforme se caminha para montante. sem afluentes de relevância e com fortes oscilações diárias no nível da água. algumas decorrentes da ação de retirada de areia. está a maior quantidade de pescadores. hepsetus. cascudo. A jusante das barragens da CEDAE. No Rio Santana. Onças. Ademais. gilbert. Com efeito. bagre. que foram colonizadas parcialmente por macrófitas. tilápia. 164 . acará. tendo sido apresentados em itens anteriores neste documento. tilápias. sendo determinantes na distribuição da ictiofauna. No Rio Guandu. Nos Rios Carcaria e Onça é apontada a presença de acarás. foram citadas as seguintes espécies: lambari. peixe-cachorro. tambaquis e pacus não são muito comuns. tilápias e bagres. mandi e muçum. por seu um ambiente confinado de pequeno tamanho. As quedas d’água que começam a surgir no início dos trechos fluviais serranos impedem a passagens dos peixes rios acima.

a saber: Leporinus copelandii. reticulata) e o cascudo viola (Rineloricaria sp. Bacia Hidrográfica do Rio Mazomba-Cação O estudo do Rio Mazomba foi desenvolvido por C. expondo ao sol os ovos eventualmente colocados nas margens do rio. maculatus). como parte de estudo de impacto ambiental. cascudos. Integrando as características longitudinais com os aspectos da paisagem juxtafluvial. caximbau (Loricariichhys sp. não se enquadre na categoria de espécie introduzida. Rhamdia quelen. peixe-banana. muçum e traíras. piabas. Parotocinclus maculicauda. os tucunarés (Cichla cf. adspersus). Glanidium melanopterum. Na Bacia do Rio Guandu Mirim. O estudo desenvolvido pela BIODINAMICA (2000) para a UHE de Paracambi (cujo estudo ictiológico ficou a cargo de FLAVIO A. sendo nitidamente alóctones o piau vermelho (L. Rhamdioglanis frenatus.. op. (provavelmente D. Poecilia reticulata. onde são pescados acarás. devem ser também prejudiciais à ictiofauna. por outro lado. pedri). pelo menos Rineloricaria sp. piabas. Na Bacia do Rio dos Poços. bagres. a corvina (P. melanopterum). Possivelmente a penetração da cunha salina no interior do canal Guandu possibilite a permanência de espécies estuarinas. cascudos.). Cyphocharax gilbert. das barrancas e de pequenos alagadiços. ocellaris). Astyanax bimaculatus. parahybae. 165 . Cichla cf. cit. mandís. piabas. BIZERRIL para a empresa ECOLOGUS. A. Se por um lado o incremento artificial das vazões do ribeirão das Lajes vem causando problemas ambientais. traíras. em trechos montanhosos da Serra do Mendanha. carás. canelas-de-moça. Rineloricaria sp. Destes. muçum e cascudo-viola. os peixes praticamente se extinguiram. peixe-cachorro.. julgamos possível que. Oligosarcus hepsetus. o mandi (P. parahybae). O perfil do Rio Mazomba é apresentado na Figura 81. lambaris (A.S. dragagens e canalizações realizadas no passado e no presente.No Rio São Pedro são assinalados acarás. As fortes oscilações diárias do nível de água. é possível reconhecer 4 unidades geoambientais bem definidas. Hoplias malabaricus. o incremento artificial de vazões do ribeirão das Lajes e a exploração de areia no leito de rios acarretou e vem promovendo diversos impactos negativos sobre os peixes. Loricariichthys spixii. Trichomycterus alternatus. Exceção se faz aos cursos superiores dos Rios Santo Antônio e Douro. a ocorrência de peixes se dá apenas nos altos cursos dos Rios Guandu do Sena e Guandu do Sapê. traíras.). ocellaris e Pachypops adspersus (= Pachyurus adspersus) Quase a metade destas foi introduzida.R. Gymnotus carapo. Deuterodon sp. a montante da estrada do Rio Douro. ao diluir a carga orgânica nele lançado. bagres e cascudoviola. Pimelodus maculatus. o barrigudinho (P. copelandii). evitou que a poluição eliminasse as formas de vida no Rio Guandu. BOCKMANN) fornece uma relação de 21 espécies coletadas. Hypostomus affinis.F.) (BIODINÂMICA. como representado na Figura 82. A combinação de diversas ações como a erosão na bacia. cumbacas (G. Geophagus brasiliensis. Foi citada a ocorrência de bagres.

denotando a capacidade transportadora do sistema.00 0. representando uma área de transição entre o primeiro e o terceiro domínio.00 30. onde predominam condições de substrato arenoso.00 30.00 DIII DIV 20.800. O quarto domínio representa a porção eminentemente estuarina do sistema.00 40.00 Altitude (metros) 400.00 Extensão (Km) Figura 81 – Perfil longitudinal do Rio Mazomba O primeiro domínio (DI) compreende o alto curso da bacia.00 40. O terceiro domínio representa as áreas de armazenamento fluvial.00 Rio Mazomba Unidades geoambientais 600. provavelmente.00 0. 800. A cobertura vegetal adjacente é a de campos com alguma influência urbana.00 Extensão (Km) Figura 82 – Rio Mazomba – Domínios geoambientais 166 . O segundo domínio a partir da cota 60.00 10.00 200.00 20.00 DII 0.00 DI 200. sendo o mesmo bordeado de manguezais.00 0.00 10.00 Rio Mazomba Perfil longitudinal 600. O rio flui entre seixos e blocos de considerável tamanho. o acesso mais difícil devido ao relevo mais encaixado. o qual se desenvolve em relevo moderadamente movimentado com a mais densa cobertura vegetal da bacia refletindo.00 Altitude (metros) 400.

167 . os quais encontram-se no Quadro 36.Características das zonas de autodepuração de um curso d’água após o lançamento de uma carga orgânica Zona De Degradação Características As águas têm aspecto escuro. DBO continua decrescendo. DBO e índices bacteriológicos. etc. DBO continua diminuindo. a presença de efluentes. o teor de oxigênio dissolvido ainda é suficiente à sobrevivência de organismos aeróbios. peixes e outros organismos aeróbios voltam a aparecer. Quadro 36 . teor de amônia cresce. DBO atinge valor máximo no ponto de lançamento. como o nitrato. Synbranchiformes. as algas proliferam. mas decresce rapidamente com o tempo. a unidade DIV não foi classificada tendo em vista se tratar de um ambiente que. considerando especialmente aspectos como a coloração e o odor da água. Cyprinodontiformes e Perciformes. por sua condição eminentemente mesoalina. As águas retornam às condições primitivas. no ponto de lançamento. efetuada seguindo os critérios apresentados por MOTA (1995). o fosfato e os sais dissolvidos. algumas características indicam mudanças permanentes na qualidade das águas. o nitrogênio predomina nas formas de nitrito e de nitrato. organismos aeróbios são eliminados A reaeração excede a desoxigenação e o teor de oxigênio cresce até atingir o valor inicial. Nesta ilustração. Fonte: MOTA (1995) De Decomposição Ativa De Recuperação De águas limpas O arranjo gerado é apresentado na Figura 83. há a sedimentação do material sólido.Para gerar um quadro que represente as condições ambientais gerais dos diferentes subsetores do rio.. peixes afluem ao local em busca de alimento. número de bactérias é reduzido. Siluriformes. apresenta uma dinâmica própria. com relação ao OD. decrescendo a seguir. foram reconhecidas os Characiformes. o teor de gás carbônico é tanto maior quanto menor for o teor de OD. o nitrogênio predomina na forma de amônia. até alcançar cerca de 40% do OD de saturação. podendo resultar em intensa proliferação de algas. podendo ainda existir como amônia. cada unidade geoambiental foi classificada dentro das categorias de zonas de autodepuração. sujo. A classificação foi efetuada especialmente mediante a avaliação do aspecto geral do ambiente. aumento nos compostos inorgânicos. número de bactérias e fungos diminui. podendo voltar a elevar-se até atingir cerca de 40% da saturação. peixes e outros organismos aeróbios proliferam normalmente. águas têm aspecto mais claro. Considerando as ordens taxonômicas as quais cada espécie amostrada pertence. bactérias e fungos atingem valores elevados. a diversidade aquática. algas são raras O teor de oxigênio dissolvido atinge o mínimo.

00 600.00 10.800.00 30. Astyanax scabripinnis Bryconamericus microcephalus A.00 Figura 83 – Classificação de cada domínio ambiental Espécies de maior porte ocorrem nas famílias Erytrhrinidae (traíras e jejus) e Curimatidae (sairus). com suas águas pouco movimentadas. A distribuição dos Characiformes abrange praticamente todos os sistemas fluviais da bacia. o que reflete. 168 . As áreas de alto curso (DI e DII) mostram-se ideais para os pequenos Trichomycteridae (cambevas) e para os pequenos bagres (Rhamdioglanis frenatus. Imparfinis minutus). por um lado a grande diversificação morfológica e ecológica do grupo e por outras as limitações impostas pela poluição (no caso de DII) e pela influência salina (no caso de DIV) sobre a ocupação da bacia por tais grupos. os peixes-ferreiro (Corydoras barbatus). Assim. Hoplosternum litoralle). Logicamente algumas condições mostram-se mais propícias a determinados grupos. o bagre-amarelo (Rhamdia quelen). com exceção de DIII e DIV. áreas de corredeiras são particularmente ideais aos pequenos Chrenuchiidae do gênero Characidium japuhybensis (canivetes) e para Astyanax scabripinnis (lambaris). enquanto os remansos favorecem de sobremaneira os estoques populacionais dos ictiófagos Erythrinidae e dos iliófagos Curimatidae.00 0.00 Zona de águas limpas 200.Characiformes amostrados na Bacia do Rio Mazomba CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert CHRENUCHIIDAE Characidium japuhybensis CHARACIDAE Astyanax taeniatus. Quadro 37 .00 Extensão (Km) 20. bimaculatus Mimagoniates microlepis Hyphessobrycon bifasciatus Hyphessobrycon reticulatus Fonte: dados de campo A ordem Siluriformes é a mais bem representada na bacia. predominam os mandis (Pimelodella lateristriga). São igualmente comuns nestes locais os peixes generalistas pertencentes ao gênero Astyanax. São justamente sobre estes taxa que se concentra a atividade de captura via pesca que se dá em moldes recreativos em alguns pontos mais interiores da bacia. seguindo o padrão geral verificado na região leste.00 Altitude (metros) 400. cascudos (Hypostomus punctatus).00 40.00 Zona de recuperação Zona de decomposição ativa Estuário 0. tamboatás (Callichthys callichthys. No baixo curso.

zonatus. Jenynsia e Phallopthychus encontram-se apenas no domínio IV. como é o caso do tamboatá (Callichthys 169 . tem-se que os domínios DI e DII se destacam como sendo aqueles de maior relevância para a manutenção da fauna aquática do Rio Mazomba. Tais grupos ocorrem em todos os ambientes. A ictiofauna presente nas depressões alagadas (Quadro 40) exibe baixa biodiversidade quando comparada a presente em ambientes similares situados em áreas não impactadas ou menos alteradas (BIZERRIL & ARAÚJO. A ordem Perciformes reúne diversas espécies. ocorrem em todos os domínios considerados. Os Cyprinodontiformes. Quadro 38 . apresentando particular preferência pelas áreas mais remansosas.Siluriformes e Gymnotiformes amostrados na Bacia do Rio Mazomba SILURIFORMES PIMELODIDAE Pimelodella lateristiga. GOBIIDAE Gobionellus oceanicus G. observa-se um arranjo no qual ocorrem apenas espécies com alta valência ecológica. boleosoma ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus Eleotris pisonis Fonte: dados de campo Considerando os dados reunidos. Schizolecis guntheri Hisonotus notatus GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo STERNOPYGIDAE Eigenmannia virescens Fonte: dados de campo Quadro 39 .Perciformes CICHLIDAE Crenicichla lacustris Cichlasoma facetum Geophagus brasiliensis CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus MUGILIDAE Mugil liza Mugil curema. LORICARIIDAE Hypostomus punctatus Ancistrus multispinnis Rineloricaria sp. como representado no Quadro 39. logo obtém-se um padrão similar ao observado para os demais grupos taxonômicos tratados. presente em especial em DII. Phalloceros caudimaculatus. com as famílias Poeciliidae [barrigudinhos (Poecilia vivipara. muitas das quais dotadas de características morfológicas e fisiológicas que as habilita a ocupar ambientes com concentrações de oxigênio muito reduzidas. Imparfinis minutus Rhamdioglanis frenatus Rhamdia quelen CALLICHTHYIDAE Hoplosternum litoralle Callichthys callichthys Corydoras barbatus TRICHOMYCTERIDAE Trichomycterus cf.A única espécie da ordem Synbranchiformes é Synbranchus marmoratus (mussum). Phalloceros caudimaculatus ocorre apenas em DI e DII. Phallopthycus januarius)] e Anablepidae [barrigudinho pintado (Jenynsia multidentata)]. Assim. 1993).Ictiofauna da Bacia do Rio Mazomba .

. P. São Fernando e Itá. Como reflexo da elevada descarga de poluentes em uma área de baixa circulação relativa de água estabeleceu-se uma condição particularmente crítica para a manutenção da biota aquática na porção imediatamente adjacente à desembocadura. CHAO et al. Rio Guandu. Phallopthychus januarius. sendo composto essencialmente por grupos de alta tolerância a alterações ambientais. 1990. Quadro 40 . Nos canais artificiais de drenagem as associações ícticas mostram-se pouco diversificadas. dentre os quais se destacam peixes como as tainhas (Mugil liza) . o conjunto de organismos da região mostra-se fortemente depauperado. januarius. valas transversais à vala da Goiaba. não se verificando na maior parte do local. Maior diversificação se verifica nas áreas cobertas por taboais. brasiliensis). paratis (M. ambos com órgãos respiratórios acessórios que os permite respirar o oxigênio atmosférico. a presença de espécies características de áreas pouco impactadas. restringindo-se aos barrigudinhos (P. vivipara. Por sua vez. formas usualmente encontradas em sistemas estuarinos ou lagunares (ANDREATA et al. 1982). até a foz do canal do Pau Flecha. na face Oeste da ilha da Madeira. verifica-se o domínio de grupos faunísticos generalistas. J. Conseqüentemente. 170 . em sua maioria com alta tolerância a condições ambientais extremas. que capturam acarás (G.. o arranjo ictiofaunístico verificado pode ser classificado como pouco representativo da biodiversidade esperado no local. abarcando a desembocadura do Rio Itaguaí (ou Rio da Guarda). reticulatus CYPRINODONTIFORMES POECILIDAE Poecilia vivipara Phallopthychus januarius Phalloceros caudimaculatus ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata SILURIFORMES PIMELODIDAE Rhamdia quelen CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus PERCIFORMES CICHLIDAE Geophagus brasiliensis Em síntese.callichthys) e do mussum (Synbranchus marmoratus). ocasionalmente utilizadas como sítios de pesca pela população local.Ictiofauna amostrada nos ecossistemas alagados da Bacia do Rio Mazomba CHARACIFORMES ERITHRYNIDAE Hoplias malabaricus CHARACIDAE Hyphessobrycon bifasciatus H. Jenynsia multidentata). curema) e barrigudinhos (Poecilia vivipara. multidentata). malabaricus) e jundiás (Rhamdia quelen). canais de São Francisco. aspecto este que se modifica quando adentra-se na baía. Os manguezais presentes na porção final do Rio Mazomba/Cação se distribuem desde a sua foz. traíras (H.

peixes marinhos penetrando em água doce. contribuiu ainda para fornecer uma idéia da riqueza de taxa ocorrentes na região. que vive principalmente nas lagoas artificiais criadas pelas cavas abandonadas pela exploração de areia. brasiliensis). BIDEGAIN PRIMO) são espécies nativas. M. 2C. com exceção daqueles que drenam a área urbana de Seropédica. Já no baixo curso. com água clara e sem mata adjacente. Ocorrem por vezes mortandades nestes locais. copelandii). carás (G. A Bacia do valão dos Bois abriga uma fauna de peixes diversificada. curema por atuarem como grupos forrageiros. bagres (R. cumbaca-rajada (P. provavelmente desfalcadas de algumas espécies devido a alteração das matas adjacentes. mandis (P. curema). observados por um dos autores (P. striatulus).peixes anádromos. tucunarés e carpas). Parte da fauna foi introduzida pelos areeiros. No baixo curso do Rio da Guarda. OLIVEIRA (1986). três estações de coleta foram estabelecidas: NRnascente do rio. Os peixes que povoam estas lagoas. CR. Com base no caráter salinidade. 2B. Há rios sem quaisquer condições de manterem peixes. pois o seu estado atual é pouco propício a existência de peixes. unitaeniatus) e até robalos (Centropomus spp. Seus trechos fluviais de montanha são curtos e todos devem possuir comunidades de peixes de pequeno porte. A maioria é rasa. punctatus). 1Bpeixes de água doce invasores facultativos de águas de baixa salinidade. etc.foz do rio. quelen). cascudos (H. constituindo em alimento para espécies icticas de maior porte. como traíras (H. a penetração da cunha salina assegura a manutenção de taxas de oxigênio apropriadas à existência de peixes.vivipara e exemplares juvenis de M. Os peixes capturados foram classificados em cinco categorias ecológicas: 1A. os trechos fluviais em melhor estado são o Rio dos Neves e afluentes.peixes estritamente de água doce. barrigudinhos (Poecilia vivipara) e bagres (Genidens genidens). como os canais do Trapiche. piaus (L. tais como tainhas (Mugil liza. Bacia Hidrográfica do Rio da Guarda (ou Itaguaí) A Bacia do Rio da Guarda apresenta seus cursos de água em geral bastante comprometidos. Ponte Preta e Santo Inácio. caximbau (Loricariichthys sp). com auxílio de técnicos da UFRRJ (comunicação de moradores). Embora muitas delas sejam conectadas ao valão dos Bois. Devem abrigar comunidades de peixes pouco diversificadas. No estudo foram capturados 796 espécimes de peixes. substituídas por bananais. malabaricus). Aparentemente cheias promovem a entrada de peixes nas lagoas. muçum (S. marmoratus). este parece não ser a fonte principal das espécies que colonizam as lagoas.corpo do Rio. marobás (H.). ao estudar a fauna helmintológica endoparasitária da ictiofauna da Bacia do Rio da Guarda. além de espécies exóticas (tilápias.No local as comunidades de peixes são compostas predominantemente por espécies detritívoras. 2A. 171 . capins. FR.peixes marinhos invasores facultativos de águas de moderada a baixa salinidade. liza e M. destacando-se P. 28 gêneros e 32 espécies. lateristriga). correspondendo a 19 famílias. e os tributários da margem direita do Rio Piranema.

com predominância dos dois primeiros. A eles se seguem os Rios Jacareí. A fauna dulciaqüícola foi composta basicamente por nematóides e a fauna marinha. ocasionado pela baixa concentração de carbonatos de cálcio. sendo formada por espécies de origem dulciaqüícola na cabeceira. Catumbí. Briza Mar e os da Ilha de Itacurussá. O número de espécies provenientes destes dois habitats foi quase igual. A grande quantidade de esgoto doméstico e resíduos industriais despejados no complexo. São Braz e Saí. Os cursos com menor diversidade de peixes devem ser os Rios João Gago. Mas há citações da presença de lambaris. No Rio Saí. Região Hidrográfica de Mangaratiba Nesta região acredita-se que ocorram peixes em praticamente todos os rios. Foi observada uma variação muito pequena nas intensidades de infecção pelos endohelmintos (OLIVEIRA. Tingussú. espécies dulciaqüícolas e marinhas eurialinas no corpo principal e espécies marinhas e dulciaqüícolas eurialinas na foz. Muriqui. por estarem sendo danificados ao cruzarem áreas urbanas. Coroa Grande. por trematódeos digenéticos. Vermelho. Alguns rios estão perdendo a fauna de baixo curso.A fauna ictiológica amostrada mostrou-se bastante variada. robalo. a variação na concentração da salinidade na desembocadura do rio e a pequena amostragem de algumas espécies de peixes foram citadas como sendo alguns dos principais fatores predisponentes que contribuíram para a obtenção destes resultados. Cestoda e Acanthocephala. hospedeiros intermediários. através do despejo de lixo. bagre. pescam-se paratis. Muxiconga ou Santana. contribuíram com um número muito pequeno de espécies. Muxiconga ou Santana. retirada de manguezais ou enrrocamento de margens. A fauna helmintológica endoparasitária encontrada. Grande e do Saco. da Draga. piaba e sairú. no baixo curso. goabira. Neste caso enquadram-se os Rios Jacareí. de acordo com o porte do curso. Catumbi. Estas comunidades diferem em biomassa e diversidade. embora formada por espécies de origem dulciaqüícola e de origem marinha. da Draga e os córregos Caratucaia. do Saco. esgoto. O pequeno número de espécies de trematódeos digenéticos de origem dulciaqüícola foi associado à redução na fauna de moluscos. Muriqui. 11 e 12. traíra. tainha. traíras e acarás. Nos Rios Ingaíba e São Brás foram citadas a ocorrência de acarás. 172 . Coroa Grande. Timirim e dos Pereira e os córregos Caratucaias. robalos e acarás. da Praia Grande. Botafogo. da Praia Grande. Os outros dois grupos. Vermelho e Briza Mar. 1986). Podese especular que os cursos com maior diversidade de peixes sejam os Rios Ingaíba. O Rio do Saco é o único que tem o seu alto curso sofrendo alterações em decorrência da ocupação humana. respectivamente. mostrou-se pouco variada e com uma baixa prevalência.

Bracuí e Ariró. Suspeitase que nas lagoas temporárias entre cordões arenosos ocorram peixes anuais (Rivulidae). Portinho e talvez. Arapeí. com cerca de 800 km² de superfície. A semelhança das bacias contribuintes das Baías de Guanabara e de Sepetiba. Esta bacia abrange cerca de 1. A semelhança das bacias contribuintes das Baías de Guanabara e de Sepetiba. Piraquê. a bacia hidrográfica da Baía de Ilha Grande pode ser classificada também como uma região hidrográfica. Nesta região. Ictiofauna da Macrorregião Ambiental 3 Ictiofauna da Bacia Hidrográfica da Baía de Ilha Grande A Baía de Ilha Grande é um corpo de água salgada semi-confinada.740 km² em território fluminense. Ictiofauna das Microbacias da Restinga de Marambaia A fauna de peixes que vivem nas Lagoas Vermelha e Lagoinha. este afluente do Rio Jurumirim. canais e nos pequenos córregos é desconhecida. Nos manguezais associados ao baixo curso destes rios ocorre Rivulus ocellatus. onde estão os municípios de Bananal. Ictiofauna das Microbacias Insulares da Baía de Sepetiba A ictiofauna dos cursos de águas das ilhas da Baía de Sepetiba é desconhecida. canais e nos pequenos córregos é desconhecida. Portinho e talvez. A penetração da cunha salina no baixo curso de alguns rios como o Piracão. Ictiofauna das Microbacias Insulares da Baía de Sepetiba A ictiofauna dos cursos de águas das ilhas da Baía de Sepetiba é desconhecida. acredita-se que ocorram peixes pequenos somente nos trechos superiores dos cursos montanhosos do maciço da Pedra Branca.Região Hidrográfica da Zona Oeste/RJ Nesta região. Nos manguezais associados ao baixo curso destes rios ocorre Rivulus ocellatus. compreendendo as superfícies continentais e insulares dos municípios de Angra dos Reis e Parati. 173 . deve favorecer a existência de peixes estuarinos. Piraquê. Ictiofauna das Microbacias da Restinga de Marambaia A fauna de peixes que vivem nas Lagoas Vermelha e Lagoinha. a bacia hidrográfica da Baía de Ilha Grande pode ser classificada também como uma região hidrográfica. A penetração da cunha salina no baixo curso de alguns rios como o Piracão. Ictiofauna da Macrorregião Ambiental 3 Ictiofauna da Bacia Hidrográfica da Baía de Ilha Grande A Baía de Ilha Grande é um corpo de água salgada semi-confinada. acredita-se que ocorram peixes pequenos somente nos trechos superiores dos cursos montanhosos do maciço da Pedra Branca. Suspeitase que nas lagoas temporárias entre cordões arenosos ocorram peixes anuais (Rivulidae). deve favorecer a existência de peixes estuarinos. São José dos Barreiros e Cunha. não existindo publicações técnicas sobre o assunto. e ainda uma pequena parcela do Estado de São Paulo. correspondente ao alto curso dos Rios Mambucaba. não existindo publicações técnicas sobre o assunto. com cerca de 800 km² de superfície.

O estudo foi desenvolvido em 4 unidades de amostragem. Bonito. que apresentam diferenças significativas entre as declividades do curso superior e o inferior. ou seja. isto é. desta forma. 1991. durante o período de abril/98 a abril/99. Suas nascentes são ainda bastante preservadas pela Mata Atlântica. Tem como principais afluentes. O regime é torrencial.F. Assim. de forma que a unidade 1 corresponde ao alto curso do rio e a unidade 4.Uma característica peculiar na bacia é a grande quantidade de rios e córregos. as espécies de baixada. Tomaremos os dados de distribuição longitudinal observadas pela autora como um padrão para os demais rios locais. Hipotetizamos que o local consista em área na qual ocorreu processo expressivo de extinção natural. Grataú. BIZERRIL). de Barra Grande. Jurumirim. estando a distribuição das mesmas nas áreas de coleta representadas no Quadro 42. derivada das alterações no nível do mar. com a regressão do nível do mar e exposição dos trechos médios e inferiores dos rios. A listagem abaixo sintetiza os poucos estudos desenvolvidos na área (SÃO-THIAGO. 1990. Pequeno. 174 . observa-se a retirada clandestina de areia e seixos para emprego na construção civil. quando comparada as demais bacias do estado do Rio de Janeiro. analisou diversos aspectos relativos a ecologia da ictiofauna do Rio Parati-Mirim. o que acarreta a elevação da turbidez e a desfiguração dos leitos. da Conceição. Japuíba. dos Meros e Parati-Mirim. Bracuí. Perêque-Açu. pela esquerda. O pequeno porte dos rios e o fato do baixo e médio curso destes sistemas terem sido totalmente afogados durante a transgressão marítima. quedas de água e cachoeiras. suprimindo.S. 1997) e integra aos mesmos as observações complementares de campo colhidas por um dos autores deste documento (C. demarcadas ao longo do gradiente lótico. do Funil. salvo a área estuarina. gera um panorama bastante peculiar dentro do contexto da distribuição de biodiversidade no Estado do Rio de Janeiro. Neste panorama verifica-se na área em enfoque: Baixa riqueza de espécies. os taxa que permaneceram nos sistemas dada a sua natural ocorrência nas cabeceiras dos rios. a área próxima a desembocadura. do Pontal.R. do Morisco. os Rios Guaripu e Funil e. O Rio Mambucaba. CARAMASCHI et al.. devido ao seu porte. pela margem direita. No baixo curso de muitos rios. os Rios Memória e Santo Antônio. destaca-se na bacia. COUTINHO. Além do Mambucaba. com grande variação nos escoamentos superficiais entre os períodos secos e chuvosos. O único estudo de maior duração desenvolvido na região foi o de SÃO-THIAGO (1990) que. Predomínio de formas usualmente associadas ao alto curso de rios ocupando praticamente toda a extensão dos rios. Japetinga. merecem destaque os seguintes rios: Jacuecanga. Foram amostradas 22 espécies no Rio Parati-Mirim. os complexos fluviais agora emersos passaram a ser colonizados pelas formas de peixes remanescentes.

1851 CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus CRENUCHIDAE Characidium sp.1 Rineloricaria sp. C.2 Hypoptopomatinae Parotocinclus maculicauda Nome Vulgar Moréia Traíra Canivete Canivete Canivete Tetra azul Bocarra Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Bagre urutu Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Mandi Mineiro branco Jundiá Sem nome vulgar Cambeva. japuhybensis C. moréia Tamboatá Limpa-fundo Cascudo Caximbau Caximbau Cascudinho 175 . zonatus CALLICHTHYIDAE Callichthyinae Callichthys aff. interruptum CHARACIDAE Glandulocaudinae Mimagoniates microlepis Tetragonopterinae Oligosarcus hepsetus Astyanax cf.Espécies de peixes nativas já assinaladas nos rios que fluem para a Baía de Angra dos Reis (Bacia Hidrográfica da Ilha Grande) Taxon ANGUILIFORMES OPHICHTHYIDAE Myrophis punctatus Lutken. microcephalus Hyphessobrycon bifasciatus H.Quadro 41 . taeniatus B. callichthys Corydoradinae Corydoras barbatus LORICARIIDAE Neoplecostominae Neoplecostomus microps Loricariinae Rineloricaria sp.reticulatus Hollandichthys multifasciatus Cheirodontinae Spintherobolus broccae SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens PIMELODIDAE Pseudopimelodinae Microglanis parahybae Heptapterinae Acentronichthys leptos Imparfinis minutus Pimelodella lateristirga Rhamdioglanis frenatus Rhamdia quelen TRICHOMYCTERIDAE Trichogeninae Trichogenes longipinnis Trichomycterinae Trichomycterus cf. janeiroensis A.

emborê Peixe-flor Linguado Fonte: SÃO-THIAGO (1990). undecimalis GERREIDAE Diapterus rhombeus Gerres aprion MUGILIDAE Mugil curema M. (1991). oceanicus G. CARAMASCHI et al. Marmoratus PERCIFORMES CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus C. stomatus PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Achirus lineatus Nome Vulgar Cascudinho Cascudinho Cascudo Cascudo Sarapó Sarapó Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Cachimbo Mussum Robalo Robalo Carapeba Carapicu Parati Taínha Acará-ferreirinha Jacundá Acará Moreia. schufeldti G. emborê Moreia. liza CICHLIDAE Cichlassoma facetum Crenicichla lacustris Geophagus brasiliensis ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus Eleotris pisonis GOBIIDAE Awaous tajasica Gobionellus boleosoma G. COUTINHO (1997) (Dados de campo) 176 . multispinis GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo G.Taxon Pseudotothyris janeirensis Schizolecis guntheri Hypostominae Hypostomus punctatus Kronichthys heylandi Ancistrinae Ancistrus cf. pantherinus CYPRINODONTIFORMES RIVULIDAE Rivulus janeiroensis POECILIIDAE Poecilinae Poecilia vivípara Cnesterodontidae Phallopthychus januarius Phalloceros caudimaculatus ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata SYNGNATHIFORMES SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus GASTEROSTEIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus aff.

T. como por exemplo C. considerando que o seu aumento ao longo do rio acarretou em processo de adição de espécies. A vazão foi identificada como um fator importante na distribuição das espécies. taeniatus* B. japuhybensis e T. pantherinus foram mais numerosas no trecho profundo. 177 . quelen e G. zonatus Schizolecis guntheri G. schufeldti * ** *** Identificado como Deuterodon sp. em um processo característico de adição de taxa (SHELFORD. ou com maior abundância. nos trechos mais rasos. Identificado como Heptapterus sp. pela autora. japuhybensis A. japuhybensis. zonatus apresentaram preferência por ambientes mais rasos..1 pela autora.Ictiofauna amostrada no Rio Parati-Mirim e sua distribuição pelas unidades de amostragem Taxon Characidium sp.26m3/s.Quadro 42 .21m3/s e 2. vivipara no alto curso do rio foi atribuída a introdução antrópica. cuja maior abundância se deu em locais com vazão entre 1. a presença não esperada de P. enquanto outras foram mais numerosas em trechos profundos. Identificado como Heptapterus sp. Esta variável prece ter tido influência na distribuição de diversas espécies. 1911).2 pela autora. longipinnis. R.e. C. A segunda variável relevante foi a profundidade. Na distribuição apresentada observa-se que houve aumento no número de espécies ao longo do rio. taxa periféricos). C. pantherinus Poecilia vivipara Phalloceros caudimaculatus Oostethus lineatus Centropomus parallelus Tilapia renadlii Oreochromis niloticus Diapterus rhombeus Geophagus brasiliensis Eleotris pisonis Awaous tajasica G. microcephalus Acentronichthys leptos** Rhamdioglanis frenatus*** Rhamdia quelen Trichogenes longipinnis Trichomycterus cf. ocorrendo substituição das comunidades eminentemente fluviais por arranjos com dominância de espécies marinhas (i. visto que algumas das espécies ocorreram exclusivamente. 1 X Unidades de amostragem 2 3 X X X X X X X X X X X 4 X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Fonte: SÃO-THIAGO (1990) No quadro 42.

independentemente de correnteza. longipinnis. microcephalus e Characidium sp. Ambos os rios foram divididos em Seções Controle e Tratada. com correnteza média.A presença de pedras submersas foi um aspecto identificado como relevante para alguns taxa. Ainda nesta macrorregião ambiental. com maior correnteza. barranco moderado: A. Ambientes caracterizados pela presença e abundância de vegetação marginal. fundo arenoso com pedras grandes esparsas. fundo de pedras. No total para os dois rios. Em uma análise geral. 178 . as quais eram removidas semestralmente. através de puçás em uma área fixa de 2m2 previamente estabelecida por ponto de observação. quanto entre os pontos tratados e controle de cada um deles. C. brasiliensis. japuhybensis e T. • • • • • Tanto A. quelen e G. A ictiofauna também foi coletada quinzenalmente. Para avaliar a abundância da entomofauna associada. um em área de remanso e outra em área de cachoeira. pequeno volume de água. rendalli e O. sobre organismos não-alvo existentes em sítios de criação de Simulium pertinax. sendo o Rio Pedra Branca submetido a tratamento com Bti e o Rio Muricana ao Temephos. longipinnis. frenatus não foram incluídos na análise tendo em vista a escassez de exemplares e de observações sobre seu habitat. taeniatus. temperaturas mais altas e pequena profundidade: P. notadamente as espécies de Characidium. a qual estava representada pelas famílias Hydropsychidae (Trichoptera ). Ambientes mais profundos. maior volume de água. e em cada uma delas foram determinados dois pontos de observação. a autora sugere 6 tipos de agrupamentos de ambientes. guntheri. Chironomidae (Diptera). zonatus. alternado pequeno cachoeiras e patamares com pouca correnteza.477 exemplares da entomofauna associada a Simulium pertinax. leptos quanto R. com caudimaculatus e P. Por ocasião das coletas da fauna associada foram mensurados os dados microclimáticos da região e os abióticos dos criadouros. zonatus e T. volume de água médio.03 ppm de ingredientes ativo. foram colocados em cada ponto de observação substratos artificiais (placas de fibras de vidro). E para a coleta do material ficológico. Simuliidae (Diptera). As observações foram realizadas em dois rios na encosta da Serra do Mar no Município de Paraty. pantherinus. a saber: • Ambientes rasos. foram coletados 28. Bactidae (Ephemeroptera). Ambientes de remansos. fundo de pedras. G. R. T. Ambientes com presença de poções profundos. israelensis (Bti) a 15 ppm e de Temephos a 0. niloticus. foram fixados por ponto suportes de alumínio contendo lâminas de vidro para aderência perifiton. Os resultados demonstraram similaridade absoluta da biota coletada tanto entre os dois rios estudados. com fundo areno-lamoso e acúmulo de folhiço: T. vivipara. os quais exibem espécies que podem ser apontadas como características. dos quais quinzenalmente foram removidas as formas imaturas da entomofauna aderida nas duas faces do substrato. Ambientes pouco profundos. pequenos barrancos marginais: B. COUTINHO (1997) avaliou comparativamente o impacto direto e indireto de atividades de controle de simulídeos utilizando formulações comerciais de larvicidas a base de Bacillus thuringiensis subp. sem barranco ou com pequeno barranco: T. volume de água ou tipo de fundo: S.

pisonis. diversos rios pequenos e duas Lagoas. além de montanhas. Microbacias hidrográficas insulares da Baía de Ilha Grande A Baía de Ilha Grande possui mais de 90 ilhas. lineatus foram registrados até o trecho médio de rios. Para Bacillariophyceae predominaram os gêneros Aulacoseira sp. destacando-se a Grande. Israelensis. Nestes sistemas verifica-se uma fauna aquática que. Os resultados do material ficológico demonstram em todos os pontos de ambos os rios. Porém são necessários estudos mais aprofundados. entre os sistemas atualmente insulares e os complexos continentais.. a do Leste e do Sul. minutus) (Pimelodidae). já que reúne em seus 193 km² e 155 km de perímetro. 106 praias. Enseada da Estrela. Gipóia e Algodão. Eunotia sp. que ocupam grande parte dos nichos disponíveis derivado da ausência de um conjunto dulciaqüícola mais complexo. seguindo-se da Classe Cyanophyceae.. As demais espécies ocorrem em nas porções média e superior.e. No caso específico da Ilha Grande amostragens efetuadas por um de nós (C. G.112 espécimes distribuídos nas espécies Bryconamericus microcephalus (Characidae). desembocadura dos sistemas fluviais)..F. Verifica-se um número relativamente expressivo de espécies marinhas. oceanicus e D. BIZERRIL) e por pesquisadores da UERJ concentram-se em uma pequena área. Com relação ao rio tratado com Bacillus thuringiensis subsp. não existem dados publicados ou mesmo acervo coletado depositado em coleções oficiais.. e para as Cynophyceae destacaram-se os gêneros Oscillatoria sp. 179 .R. aparentemente restringem sua distribuição à porção final (i.S. Em relação a ictiofauna. no que se refere a seus elementos dulciaqüícolas. Tabellaria sp. cachoeiras. boleosoma. salvo a Ilha Grande. De maneira geral. Este fato retrata a antiga conexão estabelecida. apenas a família Simuliidae apresentou redução de abundância nos pontos tratados.. Abraão e Andorinha. Araçatiba. A Ilha Grande constitui um capítulo à parte. Parnaioca. Para grande parte das ilhas. maculatus. porém esta redução não apresentou-se estatisticamente significativa. caudimaculatus foram verificados em praticamente toda a extensão dos rios. Lyngbya sp. coletou-se 6. G. Em relação aos fatores fisico-químicos dos criadouros não se observou diferenças estatisticamente significativas entre os pontos das áreas tratada e controle em ambos os rios. que corresponde às bacias que fluem para a região da Praia de Abraão. muito se assemelha a verifica da porção continental desta macrorregião.Blephariceridae (Diptera) e Magapodagrionidae (Odonata). brasiliensis e P. a predominância da Classe Bacillariophyceae (diatomáceas). Kronichthys heylandi (Loricariidae) e Imparfinis piperatus (= I. O impacto na biota associada a Simulium pertinax no rio tratado com Temephos. Tal observação permite a inferência que estes fatores não exercerão influência na redução da abundância da biota. porém sem apresentar-se estatisticamente significativa. principalmente em relação ao efeito do Temephos sobre a família Chironomidae. e Anabaena sp. E. verificouse apenas nas famílias Simuliidae e Chironomidae. O. ambos os agentes supressores apresentaram resultados semelhantes e não acarretaram danos ao ambiente nas dosagens utilizadas. Dentre os cursos d’água destacam-se os Córregos Itapecirica. A lista de espécies atualmente disponível é apresentada no Quadro 43. as quais apresentaram redução da abundância quando comparado os pontos tratado com os controle. Espécies como A. durante os períodos de regressão marítima. G. do Sul. lineatus. e Naviculla sp.

A Bacia do Rio das Ostras é de pequena dimensão. com. pessoal) Soma-se aos taxa listados o guppy (P. descrevendo uma série de meandros até desaguar no oceano. Araruama. São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande. 2000). compreendendo parte dos municípios de Cabo Frio. Atravessa pastagens e muitos alagados no seu trecho médio. Nascendo com o nome de Rio Jundiá. O Rio Una. Ictiofauna da macrorregião ambiental 4 O complexo formado pelos Rios São João/Una e das Ostras é composto por sistemas bastante diversos quanto as suas características gerais. moréia Cascudinho Sarapó Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Cachimbo Acará Moreia. No seu baixo curso drena o brejo do Palmital. com cerca de 77 km². o Rio das Ostras percorre cerca de 29 km no sentido noroeste sudeste.Quadro 43 – Espécies de peixes registradas na Ilha Grande Táxon CHARACIFORMES CRENUCHIDAE Characidium japuhybensis CHARACIDAE Bryconamericus microcephalus SILURIFORMES PIMELODIDAE Acentronichthys leptos Rhamdioglanis frenatus Rhamdia quelen TRICHOMYCTERIDAE Trichomycterus zonatus LORICARIIDAE Schizolecis guntheri GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus pantherinus POECILIIDAE Poecilinae Poecilia vivípara Cnesterodontidae Phallopthychus januarius Phalloceros caudimaculatus GASTEROSTEIFORMES SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus PERCIFORMES CICHLIDAE Geophagus brasiliensis ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus Eleotris pisonis GOBIIDAE Awaous tajasica Gobionellus boleosoma G. A Bacia Hidrográfica do Rio Una drena uma área de 477 km². emborê Peixe-flor Linguado Fonte: (dados de campo. 180 . reticulata) introduzido também nesta área. Em sua foz encontra-se um manguezal outrora extenso (SEMADS. MAZZONI. emborê Moreia. oceanicus PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Achirus lineatus Canivete Nome Vulgar Sem nome vulgar Mineiro branco Jundiá Cambeva.

Na região próxima à desembocadura. o segundo maior manancial hídrico do Estado do Rio de Janeiro (AFONSO & CUNHA. 1989). respectivamente. pela margem esquerda. na cidade de Barra de São João. Na porção média do rio convém ressaltar a presença da Lagoa de Juturnaíba (atual Barragem de Juturnaíba). por sua extensão. limitadas por patamares resultantes de antigos desabamentos tectônicos que atuam como divortium aquarum com a Bacia do Rio Macaé (MOREIRA. localizado em planície de idade atribuída ao Holoceno (BRITO & CARVALHO. pela margem esquerda. 1961). após o barramento do rio durante a última transgressão marinha. De acordo com o autor. As transformações sofridas pela Bacia do Rio São João durante o quaternário foram resumidas por AMADOR (1980). o Rio São João desenvolve um traçado bastante uniforme e recebe afluentes de pouca expressão. Águas Claras. No setor médio. A área de drenagem desse sistema fluvial é de 2190 Km². Iguape e Aldeia Velha. O Rio principal da bacia nasce na Serra do Sambê. no município de Rio Bonito a uma altitude de cerca de 600 metros. levando a organização de sistema fluvial. destacando-se os Rios Continental. Casimiro de Abreu.). um dos principais acidentes geográficos associados à bacia em questão. Em seu trecho superior. na maior parte de seu percurso. compreendendo parte dos municípios de Silva Jardim. 1980). Sua foz conduz ao Oceano Atlântico. os Rios São Lourenço. um afluente da Baía da Guanabara. Gaviões. a Oeste. rios de 5ª ordem com áreas de drenagem de 194 Km² e 533 Km². por sua vez. os tributários apresentam maior porte. os Rios Lontra. o rio recebe. O Rio São João destaca-se. op. a topografia do terreno propiciou. os principais sistemas contribuintes da Bacia do São João. dentre os quais se destacam. pela margem direita. está localizado o Morro de São João. dentro deste conjunto.com cerca de 30 km. conduzem ao extravasamento do rio e ao concomitante alagamento das áreas circunvizinhas. percorre aproximadamente 150 km fluindo predominantemente em áreas de baixada. Nesta porção. No seu curso superior. praticamente isolada na baixada pantanosa fluvio-marinha. Irimuru e do Malhado. por uma série de canais que se dirigem para o Rio São João. atualmente durante os períodos de chuvas. atravessando uma zona alagada composta pelos pântanos do Itaí. Dourado e a Vala dos Medeiros e o Rio Morto e a Vala do Consórcio. 1979). No seu curso inferior. em conseqüência da sedimentação costeira (MOREIRA. e os Córregos Salto d'água e Cambucas. Rio Bonito. pela margem direita. como será apresentado. 181 . a formação de inúmeros meandros que. cit. no período interglacial Illinoiano-Wisconsiano "o umidecimento climático provocou o predomínio de processos de erosão vertical e de degradação sedimentar. Após sua origem. Essa formação. A rede hidrográfica apresenta caracteristicamente dendrítica. Araruama. além de diversas drenagens de pequeno porte. situada em depressão representante de antiga enseada litorânea. trechos retificados. recebe afluentes de pouca expressão (SEMADS. em divisor de água da Bacia do Rio Macacu. apresenta. encontra-se drenada a Leste pela vala do Medeiros e. São Pedro da Aldeia e Cabo Frio (FEEMA. bem como a bacia mais estudada quanto aos aspectos bióticos. estes últimos. por ser o sistema com maior porte. atualmente barrada. constituem. 1961). Pirineus e do Ouro. além dos Rios Capaviri e Bacaxá.

resultaram do movimento regressivo do mar a partir de um nível de cerca de 3 a 4 metros acima do atual.. Curimata gilberti (= Cyphocharax gilbert). curema. Brycon sp. Na caracterização ambiental do município de Casimiro de Abreu. As alterações geomorfológicas ocorridas nos últimos 6. Em setor situado em pontos mais interiores. M. Anadara brasiliana. tendo produzido um sistema de lagunas.P.P. Mugil sp. Esse fato está ricamente documentado nas tanatocenoses estudadas por BRITO & CARVALHO (1979).. Acestrorhamphus sp. Geophagus brasiliensis.800 e 2. 1980). Nessa fase.1994). etc. promoveu alterações na hidrologia do Rio São João que passou a se apresentar como um sistema anastomosado com canais largos. em 1942 (LAMEGO. lagoas e brejos constitui vestígio do antigo curso do rio em estudo. atualmente inexistentes. (1977) que relacionaram as espécies Hoplias malabaricus. 1946) O terreno marcado por pequenos canais. Neopimelodus (?). traçando ainda teoria biogeográfica acerca dos padrões de formação deste conjunto biótico. O primeiro estudo mais abrangente sobre a ictiofauna (e outros elementos da fauna aquática) do Rio São João foi apresentado por Alvarenga et al. onde constitui dois deltas sub-atuais (SANT'ANNA.000 anos A. BIZERRIL & AURAÚJO (1992) e por COSTA & BOCKMANN (1993.000 anos e maior expansão a 20.. tendo sido a responsável pela formação de "beach ridges" mais litorâneas (AMADOR. os autores identificaram espécimes de bivalves característicos de desembocaduras de rios. Um nível do mar mais baixo do que o atual teria ocorrido entre 4. Em período próximo ao Pleistoceno Superior.) apresentou uma série de estudos que permitiram caracterizar a fauna de peixes da bacia..P. o que foi interpretado pelos autores como um indício de ter sido essa região um ambiente de baía ou um lago salgado raso. "entre o morro do Rio São João e a última grande curva do rio de mesmo nome". marcada pelo estabelecimento de clima semi-árido.000 anos A. Essas mudanças determinaram alterações no sentido da desembocadura do Rio São João a qual deveria conduzir a um deságüe mais ao sul.000 anos A.200 e 3. descrevendo um total de 3 espécies e 2 gêneros. verificam-se registros de antigas ilhas. o Rio São João construiu um delta ao sul do Morro de São João o qual foi parcialmente submerso por transgressões marítimas. pouco profundos e possuidores de condições torrenciais de drenagem. Leporinus copelandii.1996..000 anos A. Mais recentemente foram realizados trabalhos de cunho taxonômico por COSTA & CAMPOS-DA-PAZ (1991).P. tanto sob o aspecto taxonômico quanto ecológico.. sensu GUERRA. uma das quais. Genidens genidens. momento no qual foi construído o sistema de "beach ridges" da planície costeira do São João. BIZERRIL (1995. Astyanax bimaculatus. Durante a Transgressão Flandriana (evento ocorrido entre 16. Macoma sp.P. e Plecostomus sp. a área da bacia estendiase até a isóbata de 100 metros da plataforma continental. Uma nova elevação do mar de cerca de 2 metros acima do nível atual foi verificada entre 3. as quais reúnem restos de invertebrados típicos de águas marinhas de baixa profundidade (tais como Anomalocardia brasiliana. Eigenmannia sp. Xenomelaniris brasiliensis e Centropomus parallelus no estuário do Rio São João. No local.000 e 7. 182 . elaborada pela FEEMA (1989). Neritina virginea e Bulla striata).. 1993).) deuse o afogamento dos vales pleistocênicos. A mudança climática ocorrida no Wisconsin (com início a cerca de 74. 1975). Loricaria sp. (= Hypostomus) como ocorrentes na Lagoa de Juturnaíba.800 anos A. ligada ao continente apenas recentemente..retrabalhamento e parcial remoção do pacote sedimentar preexistente e esculpimento de colinas "meia laranja" e tabuleiros"..1997. é reportada a presença de peixes como Brevoortia aurea. Rhamdia sp. (= Oligoracus hepsetus).

interruptum ANOSTOMIDAE Leporinus sp. copellandi CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert CHARACIDAE Astyanax parahybae A. obtidos em um total de 4 amostragens.X Characidium sp. taeniatus Brycon opalinus. do maior porte da mesma.2 C.Relação das espécies de peixes da Bacia dos Rios São João. vidalli C. Os dados reunidos encontram-se no Quadro 44. fato este que deriva em parte do maior esforço empreendido no levantamento da ictiofauna desta bacia e. Una e das Ostras Taxon Una ELOPIFORMES ELOPIDAE Elops saurus CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Harengula clupeola Platanichthys platana ENGRAULIDIDAE Anchoa spinifera A. tricolor Anchoviella lepidentostole CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplerythrinus unitaeniatus Hoplias malabaricus CRENUCHIDAE Characidium sp. L. O Rio das Ostras. os dados apresentados a seguir. giton A. associada a presença de manguezais na maior parte do terço final do rio em questão confere ao mesmo especial vocação para atuar como criadouro de peixes. principalmente. Bryconamericus tenuis RIOS São João X X X X X X X X X Ostras X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 183 . bimaculatus A. exibe uma comunidade essencialmente marinha. Esta condição.Para as duas demais bacias. Quadro 44 . por outro lado. intermedius A. fato que reflete o predomínio das condições de baixa dinâmica de circulação neste sistema. As comunidades de peixes do Rio Una são formadas principalmente por espécies comuns em ambientes de baixada. consistem nas únicas informações disponíveis. Verifica-se que o Rio São João concentra a maior riqueza de espécies.

Ituglanis parahybae Microcambeva barbata Trichomycterus sp. Hypostomus punctatus Loricariichthys sp. parahybae Pimelodella lateristriga Rhamdia quelen AUCHENIPTERIDAE Glanidium melanopterum Parauchenipterus striatulus TRICHOMYCTERIDAE Homodiateus sp. Luetkeni H. cf. reticulatus Mimagoniates microlepis Oligosarcus hepsetus Probolodus heterostomus Spintherobolus broccae SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens PIMELODIDAE Acentronichthys leptos Imparfinis minutus Microglanis nigripinnis M. pantherinus RHAMPHICHTHYIDAE Eigenmannia virescens HYPOPOMIDAE Brachypopomus janeiroensis BELONIFORMES BELONIDAE Una X X X X X X X X X X X X X RIOS São João X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Ostras X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 184 . Hisonotus notatus Otocinclus affinis Otothyris lophophanes Parotocinclus maculicauda Rineloricaria sp. Schizolecis guntheri GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo G. CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys Corydoras barbatus C. nattereri C. prionotus LORICARIIDAE Ancistrus sp.Taxon Hyphessobrycon bifasciatus H.

lefroyi MUGILIDAE Mugil curema M. oceanicus PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Una X RIOS São João X X X X X X X Ostras X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 185 .Taxon Strongylura timucu CYPRINODONTIFORMES RIVULIDAE Sympsonichthys constanciae Nematolebias whitei Leptolebias cruzi Rivulus janeiroensis POECILIIDAE Poecilia vivipara Phallopthychus janurarius Phalloceros caudimaculatus ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis GASTEROSTEIFORMES SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus PERCIFORMES CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus C. undecimalis CARANGIDAE Caranx latus Oligoplites saurus GERREIDAE Diapterus rhombeus Gerres aprion G. liza CICHLIDAE Cichlasoma facetum Crenicichla lacustris Geophagus brasiliensis ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus Eleotris pisonis GOBIIDAE Awaous tajasica Bathygobius soporator Gobionellus boleosoma G.

oceanicus. C. (1981). Simphurus plagiusa e Sphoeroides greeleyi. Mugil liza. mediante processos de dispersão e posterior isolamento de populações. 186 . Citharichthys cf. Oostethus lineatus. pode-se traçar uma primeira hipótese na qual o intercâmbio de espécies entre o Paraíba do Sul e o Rio São João teria ocorrido durante as primeiras fases desse período geológico. G. o que pode ser o resultado de um processo histórico de dispersão e\ou de vicariância. G. undecimalis. Oligoplites saurus. os dados apresentados por LAMEGO (1945). tiveram papel decisivo na formação e no estabelecimento de sua fauna ictiica recente. Dormitator maculatus. Gobionellus boleosoma. Contudo. Espécies marinhas constituíram cerca de 31% do total coligido. Gerres aprion. ALVES (1980). Platanichthys platana. 90 espécies de peixes. M. Bathygobius soporator. Genidens genidens. lefroyi. spilopterus.Taxon Achirus lineatus PARALICHTHYIDAE Citharichthys cf. Diapterus rhombeus. (1984) acerca da evolução da planície aluvial do Rio Paraíba do Sul durante o Quaternário não se referem a comunicações envolvendo essa Bacia e a do Rio São João. Eleotris pisonis. Spilopterus CYNOGLOSSIDAE Symphurus plagusia TETRAODONTIFORMES TETRAODONTIDAE Sphoeroides greeleyi Una X RIOS São João X X X X Ostras X X X Fonte: BIZERRIL (1995) (dados de campo) Na Bacia do Rio São João ocorrem. Awaous tajasica. e MARTIN et al. Anchoviella lepidentostole. curema. Anchoa spinifera. estando representadas por Elops saurus. Achirus lineatus. Seguindo essa linha de raciocínio .Número de espécies das Bacias dos Rios Una. Centropomus parallelus. São João e das Ostras Observa-se afinidade taxonômica entre a composição da ictiofauna do Rio São João e a descrita para os trechos médios e inferiores do Rio Paraíba do Sul. Xenomelaniris brasiliensis. Caranx latus. DOMINGUEZ et al. 90 80 Número de espécies 70 60 50 40 30 20 10 0 Una São João das Ostras Figura 84 . Strongylura timucu. JÉGU (1992) sugeriu que as alterações do regime fluvial do Rio Amazonas ocorridas no início do Quaternário.

quando foi formado a partir da progradação de um delta digitado alinhado segundo o eixo Campos-Cabo de São Tomé tendo. cuja drenagem teve início no Mioceno. 187 .De acordo com esses autores. 1945)] e. o delta subaéreo do Paraíba do Sul é provavelmente datado do Holoceno. nos mesmos.. dentre outros).g. I. que não ocorrem em outros sistemas fluviais situados em áreas limítrofes. Brycon opalinus. também ocorreu durante o Terciário quando foi estabelecido um amplo esquema de interconexões fluviais em um sistema leque deltaico alimentado por drenagem implantada paralelamente à atual costa do Rio de Janeiro que. Assim sendo.000. no litoral Campista (PETRI & FULFARO. Com relação aos dados ictiofaunísticos obtidos ao longo do estudo. desta forma.2. as drenagens da baixada de Jacarepaguá e da Lagoa de Maricá também possuem algumas espécies comuns ao Rio Paraíba do Sul. posteriormente. bifurcado com uma migração para o norte. O complexo como um todo foi formado em épocas em que ainda não existia o vale do Paraíba. 1988). atuaram como agentes selecionadores das espécies locais e também do padrão de ocupação da bacia pelos taxa remanescentes. é possível que o maior grau de afinidade ambiental entre o Rio São João e o trecho médio do Rio Paraíba do Sul tenha viabilizado em ambos os locais a manutenção de taxa de médio porte (e. 1979. com grande parte dos sedimentos carreados pelo "ancestral do Rio Paraíba do sul" para construção do Delta Emboré.P). Entretanto. de idade eocenozóica e com extensão de cerca de 200 Km. apesar da alta semelhança faunística entre os Rios São João e Paraíba do Sul. Brycon opalinus. como resultado da conjunção de fatores como as perturbações estruturais do sudeste. este fato reflete uma paleo-conexão entre todos os complexos supracitados e posterior seleção das espécies constituintes da ictiofauna a partir da interação das características ambientais estabelecidas em cada sistema com a bionomia dos taxa remanescentes. As alterações ocorridas na bacia em estudo após o evento vicariante possivelmente desempenharam importante papel na reestruturação das características hidrológicas do rio [decorrente de barramentos formados pela deposição de sedimentos marinhos e subseqüente origem de meandros e planícies de inundação. 1980. 1988). 1988). Seguindo a linha de raciocínio adotada. esfacelamento do rift da Guanabara e do rio que ali corria e assoreamento do lago Tremembé.. PETRI & FÚLFARO.. Sua área de drenagem era limitada entre o morro de São João e Sepetiba e daí provavelmente continuava pela falha de São Tomé pertencente à Bacia de Campos (PETRI & FULFARO. além dos grupos comuns aos demais complexos. Characidium sp. de espécies como Leporinus sp. e de outros complexos hidrográficos litorâneos. ALVES. refletida principalmente pela a presença. De acordo com KOWSMANN et al. com sedimentos datados do Pleistoceno (cerca de 1. dentre outras. fato comumente observado em rios das baixadas litorâneas e do norte fluminense (LAMEGO. Nesse período acentuou-se a erosão da Serra do Mar e área de influência. Ressalta-se que a fusão dos sistemas Paraíba do Sul/São João..000 de anos A. foi observado que. Esse sistema encontrava-se inserido no ''rift'' da Guanabara. passava perto do atual Cabo de São Tomé. o que pode corroborar a hipótese de existência de paleocomunicações entre esses sistemas e de vicarância da ictiofauna. (1979). o preenchimento desses deltas teria ocorrido durante a Transgressão Flandriana. dirigida de Sudeste para Nordeste. onde é possível evidenciar um nítido paleocanal que leva à antiga embocadura à foz do Rio Itabapoana (KOWSMANN et al. parahybae. Leporinus sp. AMADOR (1980) definiu a bacia quaternária do Rio São João em parte da área coberta pelo atual delta do Paraíba.

1984) e a natural correlação positiva existente entre a heterogeneidade ambiental e o número de espécies (WERNER et al. os dados apresentados enquadram-se dentro da situação esperada dado ao usual aumento na diversidade ambiental verificado ao longo de gradientes longitudinais (SOUZA. PAYNE. é explicada pelo conceito de continuidade de rios (VANNOTE et al. 1984). A queda brusca no número de espécies na passagem da macro-unidade de baixada para a de desembocadura verificado por BIZERRIL (1995) deveu-se não apenas à redução na heterogeneidade ambiental (decorrente da diminuição da área marginal). notadamente das espécies de baixada. a ictiofauna do Rio São João apresentaria origem mista. em trechos de cabeceira (i. desembocadura e brejos. enquanto as menores foram constatadas nos limites extremos superiores e inferiores. 1980). 1977) que.. foi verificado que a maioria das espécies foi registrada em altitudes situadas nas cotas de 40 metros. no Rio Quarto. dentre os quais destaca-se o Rio Santana. foi verificado um nítido aumento no número de espécies na passagem do sistema situado em cotas elevadas para os rios localizados na planície aluvial fluvial. localizado em divisor de águas com a nascente do Rio São João. S. mas à ação conjugada desse fator com a alteração na concentração salina da água. decorrente de vicariância em trechos de baixada e de erosão regressiva nas cabeceiras (complexo Macacu/São João).. Em análise mais detalhada da distribuição dos peixes na Bacia do Rio São João. áreas declivosas do curso superior e médio superior). dados não publicados). e Characidium vidalii) são encontrados nos trechos superiores de sistemas situados em divisores de águas com o Rio São João. essa paleo-comunicação explicaria a presença de grande parte de sua ictiofauna. de forma simplificada. 1975. NICO & TAPHORN.leptos. No caso particular da passagem de sistemas de cabeceira para os de baixada.e. Esse padrão é semelhante ao descrito por HARO et al. reduzida profundidade. notadamente em tributários da Bacia do Rio Macacu (BIZERRIL. um fato que sugere a ocorrência de capturas de bacias. 1986. acentuada oscilações temporais). O reduzido número de espécies presentes em sistemas paludiais da bacia é reflexo das características abióticas desses ecossistemas (baixa concentração de oxigênio. 188 .No caso específico do Rio São João. Compartimentando o rio. guntheri. que são reconhecidamente limitantes para a maioria das espécies de peixes (LOWE-MCCONNEL. Alguns taxa exclusivos de regiões de cabeceira (A. Assim. para a distribuição da ictiofauna nos ecossistemas aquáticos continentais da baixada de Jacarepaguá. e por BIZERRIL & ARAÚJO (1993). seguido de queda brusca em áreas estuarinos e em sistemas paludiais. no rio estudado. Dentro do raciocínio apresentado. (1991). no caso particular de sistemas fluviais. claramente evidenciada pela composição da fauna (predominantemente formada por espécies marinhas eurialinas). baixada. a passagem de um sistema oligoalino para um ecossistema mesoalino determinou mudança das comunidades. Argentina.

. No rio estudado observou-se que acréscimos na ordem resultam em aumentos nas dimensões gerais dos rios bem como estão negativamente correlacionados com a altitude. (1980). Assim sendo. o que. ingerem o alimento depositado em sítios de sedimentação. implicou em acréscimos no número de taxa do local. A pluviosidade exerceu. desse sistema fluvial. Com relação ao primeiro parâmetro. . nos períodos em que houve manutenção de suas espécies características. BRÖNMARK et al. Reuniu espécies que se alimentam de outros peixes. não dispondo de aparelho bucal raspador. tais dados sugerem que essas seriam as condições ambientais mais favoráveis à exploração. com baixa profundidade e largura e possuidores de regime de circulação de água situado em nível intermediário. foram definidas as unidades: Omnívoro Insetívoro Iliófago raspador Iliófagonão raspador Mucófago Lepidófago Ictiófago Predador de invertebrados Zooplanctófago Reuniu espécies que se utilizam tanto de recursos de origem animal como vegetal. . sendo as elevações nas dimensões gerais dos pontos amostrando fatores limitantes para a maioria dos taxa.Verificando as características ambientais dos sistemas localizados a 40 metros acima do nível do mar. como relatado nos estudos de GORMAN & KARR (1978) e. efeito adverso sobre as comunidades ícticas. Reuniu espécies que se alimentam de muco. em verdade. temporária ou permanente. com queda na dominância. Ressalta-se que a guilda denominada "predador de invertebrados" constituem.Reuniu espécies que se alimentam principalmente de invertebrados outros que não insetos. Hipotetizou-se que esse último fator (e não a largura ou a profundidade) explicaria o aumento do número de espécies no mesmo sentido do acréscimo de ordens no sistema. os efeitos da largura e da profundidade podem atuar de forma negativa. em equivalentes ecológicos da unidade "insetívoros". (1984). A discriminação das formas iliófagas em iliófagas raspadoras e iliófagas não raspadoras viu-se necessária tendo em vista a diferente forma de obtenção do mesmo recurso. devido à invasão do sistema por espécies procedentes do rio.Reuniu espécies que se alimentam de plancton. Reuniu espécies nas quais houve uma dominância de insetos. WELCOMME (1985)). Com base nos resultados obtidos a partir do exame do conteúdo gástrico dos espécimes coligidos em amostragens quantitativas. Esse tipo de análise demonstra que mesmo que a heterogeneidade ambiental de fato sofra aumento ao longo do sistema hidrodinâmico. em praticamente todas as unidades amostrais. tendo conduzido à sua simplificação (evidenciada pela redução no número de espécies) e nítida redução na densidade das populações. associado à 189 . Contudo. Em área de amostragem demarcada em um tributário observou-se quadro divergente desse padrão. limitando a riqueza de espécies da região. constatou-se que esses são. o que. retirando Reuniu espécies que. a exemplo da guilda supracitada. Reuniu espécies que consomem principalmente lodo. alimentam-se principalmente de lodo. essencialmente. de porte reduzido. Tais guildas resultaram da interseção de duas variáveis referentes ao tipo de alimento e ao local em que o recurso trófico utilizado ocorre. conseqüentemente.Reuniu espécies que se alimentam de escamas. favoreça manutenção de maior número de taxa (VANOTE et al. foi possível reconhecer 13 guildas tróficas.

83% (parasitas). 6..22%) e insetívoro de superfície/insetívoro de superfície e de fundo/mucófago. punctatus.52%). M. carapo. S. E. luetkeni. saurus. M. A. B.61% do total de taxa analisados.45% (zooplanctófagos) e 4. H. notatus. De superfície e de fundo . B. M. C. lepidentostole.própria bionomia das espécies incluídas nessas categorias. lophophanes. minutus. leptos.Reunindo espécies que se alimentam em ambos os estratos. no presente estudo designadas: • • • Bentófago . barbata. tem importância para a determinação da estrutura das comunidades. affinis. P. Para a análise não foram incluídas as espécies E. M. rhombeus.. lineatus. hepsetus. cf.bifasciatus. B. melanopterum. predador de invertebrados bentófago (4. oceanicus D. facetum.. Seguiram-se. C. marmoratus e C. guntheri Characidium spp. H. em ordem decrescente. O.45%). G. liza Rineloricaria sp. prionotus.01% (insetívoros). levou a definição de outra três subunidades. os valores totais obtidos foram de 35. 30.64% (omnívoros). De superfície . 17. Durante o período amostrado houve predomínio da guilda "insetívoro bentófaga". Ancistrus sp. Um resumo da distribuição das espécies pelas guildas tróficas é apresentado abaixo: Zooplanctófago Ictiófago Mucófago Lepidófago Iliófago não raspador Iliófago raspador Insetívoro bentófago Insetívoro de superfície Insetívoro de superfície e fundo Omnívoro bentófago Omnívoro de superfície e fundo Predador de invertebrados bentófago Predador de invertebrados de superfície e fundo A.12%). O. D. Loricariichthys sp. M. as unidades omnívoro de superfície e de fundo (16. C. C. greeleyi. boleosoma S. lineatus. portanto equivalente a 1. quelen. 190 . P.58% das espécies locais. O. parahybae. H. nattereri. S. O.. lateristriga. H. G. malabaricus. H.Englobando espécies que se alimentam de formas bentônicas. callichthys. E. H. reticulatus C. I.. G. saurus C. timucu. G. brasiliensis. lepidófago/iliófago não rapador/predador de invertebrados de superfície e de fundo (3. passarelii P. soporator. cada um com apenas uma espécie. gilbert..Formas que se alimentam na superfície. pisonis. Trichomycterus sp. O. broccae. lacustris. iliófago raspador/omnívoro bentófago (14. S. spinifera. cf. tenuis C. uma vez que para esses taxa não foi possível reunir um número mínimo de exemplares que tornasse viável essa abordagem. virescens. G. A. caudimaculatus. R.83%).. maculicauda. opalinus. A. heterostomus. maculatus. C. 6. zooplanctófago/ictiófago (6. janeiroensis. que englobou 22. Astyanax spp. nigripinnis. A análise do estrato em que se localizam o(s) item(ns) preferencial(is) que compõem a dieta da espécie. latus H. Considerando grandes unidades tróficas. G.74% (iliófagos). S. lefroyi.45% (ictiófagos). spilopterus. parallelus. microlepis B. P.

Embora para a maioria das espécies não tenha sido constatado um padrão de preferências ambientais divergente entre espécimes com comprimentos distintos. P. nos quais os autores demonstraram que o tamanho médio dos espécimes aumenta ao longo de um gradiente longitudinal e com o incremento nas dimensões gerais do rio. é uma decorrência da rápida recuperação sofrida por tais complexos após alterações ambientais. foram reconhecidos 59 intervalos métricos. lateristriga. janeiroensis. Essa característica da dinâmica trófica das ictiocenoses pode ser tomado como mais um elemento diferenciador das faunas fluviais e lacustres. o que pode ser interpretado como uma demonstração da queda na produtividade geral do sistema. que resultam em diversas restrições ao pleno desenvolvimento da produtividade primária e. o que concorda com os resultados apresentados por THOMPSON & HUNTE (1930). foi identificado o predomínio de formas oportunistas eurifágicas. fato igualmente observado em outros rios neotropicais. a instabilidade hidrológica confere maiores vantagens seletivas aos taxa com comportamentos generalistas. ao contrário. restringem a capacidade de suporte desses ecosistemas (SCHAFER. No rio estudado foi constatado que os sistemas situados nos trechos superiores exibem maior capacidade de manutenção temporal da fauna. hepsetus. De um modo geral. Considerando as populações de espécies presentes tanto na calha principal do sistema hidrográfico do Rio São João como em seus tributários. à semelhança do verificado para espécies ícticas das lagoas marginais de rios do sistema Paraná/Paraguai (GODOY. punctatus e A. tendo em vista que a estabilidade ambiental imperante no segundo tipo de ambiente favorece a especialização alimentar. H. Considerando as classes de comprimento utilizadas para agrupar os exemplares de cada espécie. Assim. uma vez que esse fator viabiliza a manutenção de diferentes fenótipos (incluindo-se nessa designação não apenas características morfológicas mas também padrões comportamentais) produzidos ao longo do processo evolutivo das espécies lacustres (PAYNE.. potencialmente capazes de utilizar uma ampla gama de recursos (LOWE-MCCONNELL. conseqüentemente. O. taeniatus uma clara divergência na ocupação dos sistemas formadores da bacia por espécimes pertencentes a diferentes classes de comprimento. HYNES (1970) e WIKRAMANAYER (1990) para outras ictiocenoses. B. virescens. 1975. gilbert. lateristriga e A. P. enquanto espécimes menores foram constatados exclusiva ou preferencialmente em tributários.Desta forma. 1985). 1975. os resultados obtidos sugerem que tais sistemas fluviais atuam como áreas de crescimento que. que variaram entre 0 -| 5 mm a 300 -| 305 mm de comprimento padrão. E. em alguns taxa.1986). Esse fato foi verificado mais claramente em Rhamdia quelen. 1987). Em ambientes fluviais. um padrão ocupacional que sugere uma segregação espacial entre formas com diferentes tamanhos. LOWE MCCONNEL. C. Rhamdia quelen. Assim sendo. foi verificado para H. taeniatus (comparando as populações presentes no Rio São João e as ocorrentes na estação amostral demarcada em tributário) devido ao volume satisfatório de espécimes coligidos. malabaricus. para esses taxa foi observada que a ocorrência de exemplares de maior porte esteve restrita ao Rio São João. foi possível verificar. Este fato. os acréscimos na pluviosidade refletiram-se na simplificação da estrutura trófica das comunidades. 191 .. Assim sendo foi verificado que a estabilidade ambiental compensa as limitações de exploração dos recursos impostas pela elevada energia hidrodinâmica.

por exemplo) apresentaram um padrão de distribuição oposto. rios das Guianas e da Venezuela. C. contudo os resultados podem ser encarados como uma possível tendência migratória ou de dispersão aleatória dos ovos desses taxa. a importância de estuários como "criadouros de espécies" encontra-se ricamente documentada na literatura e. correspondente a estação E3 de BIZERRIL (1995). o baixo número de espécimes coligidos não confere tanta credibilidade à hipótese.. 1986.. desenvolveriam nesses rios as primeiras etapas de seu desenvolvimento ontogenético. liza e dos engraulidídeos. No caso de H. como relatado em LOWE-McCONNEL (1975). os dados reunidos em outras regiões brasileiras concordam com os resultados apresentados. a dominância de espécimes de pequeno porte (comprimento padrão entre 20-| 25 mm) registrada no local. gilbert. A.e. GARUTTI.hepsetus. liza. S. B. bióticos e socioeconômicos. fato esse particularmente claro quando considerando as espécies A.Centropomus parallelus Ictiofauna da Bacia Hidrográfica da Lagoa de Araruama Uma caracterização geral da laguna de Araruama. foi apresentado por BARROSO (1987). greeleyi. TORLONI et al. parallelus e M. BIZERRIL & ARAÚJO. 1988. 1988. E.e. passarellii. C.janeiroensis e O. 1986) e de outros sistemas fluviais da região neotropical (i. Figura 85 .TORLONI et al. ao menos no caso de M. No caso do estuário. Em uma análise geral foi verificado. portanto. ROJAS-BELTRAN. 1992) que demonstraram a importância dos sistemas fluviais contribuintes como áreas de reprodução e de manutenção dos estoques juvenis de diversas espécies de peixes presentes na calha principal de diferentes complexos hidrográficos. Embora haja a possibilidade de que esse resultado tenha sido alcançado devido a não adequação total das artes de pesca adotadas às condições ambientais de E3. em sua maioria estágios juvenis de várias espécies. 192 . sugere o uso do local como área de crescimento para diversos taxa. Ressalta-se que algumas espécies (como H. virescens. que os dados apresentados concordam com conclusões alcançadas por outros autores (i. com espécimes maiores nos tributários. abordando aspectos abióticos. lepidentostole. malabaricus. spinifera.

SAAD. tende a apresentar uma fauna aquática radicalmente distinta da verificada para os demais ambientes lagunares diagnosticados. constam ainda as abreviaturas utilizadas pelo autor para situar dentro da representação esquemática da Figura 87. sendo de Leste para Oeste.4 km²) e Mombaça (ou Urussanga). Mole. Os dados adicionais restringem-se a coleta situados na face interna da laguna. 2000). Redonda. o Rio Mato Grosso (COSTA. Os principais rios afluentes são o Roncador ou Mato Grosso. A Lagoa de Saquarema é formada por um sistema constituído por quatro lagoas interligadas. com coletas realizadas em duas regiões (Figura 86).9 km²). Ictiofauna da Bacia Hidrográfica da Lagoa de Saquarema A bacia hidrográfica da Lagoa de Saquarema compreende cerca de 215 km². através da construção de guia correntes na Praia de Itaúna e da dragagem do canal que se formará entre o guia correntes e a pedra da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré (SEMADS. Dados acerca da ictiofauna de ocorrência nesta bacia são raros. a situação na qual as espécies foram coligidas. 1987).7 km².Amostragens específicas para a análise do compartimento biótico foram efetuadas dentro de programa de monitoramento das atividades das Álcalis. até o presente não existem dados consistentes acerca da ictiofauna da laguna de Araruama. foram coletadas 17 espécies. 82 km². Tingui. razão pela qual a reproduzimos neste documento. por sua condição de hipersalinidade. e útil. o conhecimento da ictiofauna do ambientes lacustre é particularmente importante. Tingui. a qual vem sendo investigada pela bióloga ADRIANA M. 2000). Desta forma. Como resultado. aguardamos a apresentação dos resultados para uma segura caracterização do sistema que. Assim.0km². na qual amostramos Nematolebias whitei. as seguintes: Saquarema propriamente dita (ou de Fora). no quadro a seguir. com 6. estando delimitada pelas Serras de Mato Grosso. Padre e Bacaxá. A área do sistema lagunar é de 23. é a descrição de uso de ambientes pelas espécies coletadas. O estudo foi desenvolvido objetivando especialmente caracterizar os hábitos alimentares e o uso do espaço fluvial pelas espécies ocorrentes e acabou por constituir no único levantamento de maior detalhe disponível para a Bacia da Lagoa de Saquarema como um todo. com comprimento de 18 km e largura máxima de 9 km. 193 . Contudo. Particularmente interessante. esta com 13. Jardim (3. Considerando que Governo do Estado planeja perenizar a barra. A Lagoa de Mombaça encontra-se conectada a de Jaconé pelo canal do Salgado (SEMADS. restringindo-se a poucas coletas e a um estudo desenvolvido em um dos sistemas de drenagem. Cyphocharax gilbert e Callichthys callichthys. como um todo. Amar e Querer e Boa Esperança. O estudo de COSTA (1987) desenvolveu-se nos meses de agosto. setembro. novembro e dezembro. Jundiá. Boqueirão (0. relacionadas no Quadro 45. Seco.

Espécies de peixes coletadas no Rio Mato Grosso (ou Roncador) Taxon CHARACIFORMES CHARACIDAE Astyanax taeniatus Hyphessobrycon bifasciatus H.Localização do Rio Mato-Grosso. dorni por COSTA (1987) Fonte: COSTA (1987) Figura 86 . 1987) 194 . C. reticulatus Mimagoniates microlepis Spintherobolus broccae ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus CHRENUCHIDAE Characidium sp. interruptum GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus pantherinus SILURIFORMES PIMELODIDAE Pimelodella lateristriga Rhamdia quelen LORICARIIDAE Hypostomus punctatus Parotocinclus maculicauda CYPRINODONTIFORMES RIVULIDAE Rivulus janeiroensis* POECILIIDAE Phaloceros caudimaculatus PERCIFORMES CICHLIDAE Cichlasoma facetum Geophagus brasiliensis • Abreviatura Estação I Chuva Seca X X X X Estação II Chuva Seca X X X X X X X X X X X X X X X X AST HBI HRE MIM SPI HOP CHA JOB GYM PIM RHA HYP PAR RIV PHA CIC GEO X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Identificado como R.Quadro 45 . com as áreas de amostragem (Modificado de COSTA.

respectivamente Ictiofauna da Bacia Hidrográfica da Lagoa de Jaconé Não há dados sobre os peixes que vivem no Rio Grande de Jaconé e na Lagoa de mesmo nome.Áreas alagadas sazonais e permanentes Em menor quantidade. quando sazonais. Estas foram: Hoplerythrinus unitaeniatus. Ictiofauna das Pequenas e Médias Lagoas da Restinga de Massambaba Neste treco ocorrem diversas pequenas lagoas. que ainda não foram devidamente investigadas. Fonte: COSTA (1987) Figura 87.S. outras espécies foram coletadas na bacia em momentos anteriores ao estudo. Eleocharis sp.F. Estes sistemas. observam-se brejos permanentes. Figura 88 . BIZERRIL. 195 . nas quais foram efetuadas amostragens ao longo do ano de 2000 por C. todas amostradas na estação II Soma-se as espécies listadas o pequeno aspredinídeo Dysichthys iheringii.R. apresentam-se especialmente sob a forma de depressões periodicamente inundáveis. nos quais a taboa (Typha domingensis) é a espécie vegetal de maior conspicuidade.. usualmente com cobertura vegetal composta eminentemente por ciperáceas (Cyperus sp. Ocorrem ainda formações paludiais. remanescentes de pequenos lagos costeiros ou baias de lagunas.) e moitas de Acrostichum sp. Callichthys callichthys e Synbranchus marmoratus.Como relatado pelo autor.Representação da forma de uso do espaço pelas espécies amostradas na estação I e II.

Abril de 1832 Charles Robert Darwin 196 . em geral.. dentre outras. absorvido no trato digestivo. o ultimo pedaço de chão cultivado que se vê nesta direção (. E. Bacopa monnieri.. Em depressões mais profundas. apenas por Poecilia vivipara. surpresa e recolhimento que enchem e elevam o pensamento". mussuns (Synbranchus marmoratus).. o maior número de táxons é observado nos sistemas permanentes. reticulatus SILURIFORMES CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilia vivipara Phallopthychus januarius SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus CICHLIDAE Tilapia rendalli Geophagus brasiliensis Muitos dos peixes presentes nos sistemas paludiais possuem sua perpetuação associada à posse de estratégias comportamentais e fisiológicas que os permite sobreviver nas condições flutuantes de disponibilidade de água que tanto caracterizam estes biótopos. C. dirigimo-nos a outra propriedade.e. Quadro 46 . Assim sendo. especialmente dos vales. É o caso do tamboatá (Callichthys callichthys) capaz de utilizar o oxigênio atmosférico.) A altura de trinta metros as colinas desapareciam em densa neblina branca que se erguia como colunas de fumaça. juntamente com as carófitas e Ultricullaria spp. surinamensis. lambaris (Hyphessobrycon bifasciatus. caribaca. Eleocharis mutata. Ictiofauna da macrorregião ambiental 5 “Deixando Sossego. mas não é possível dar-se uma idéia conveniente do que sejam as sensações de maravilha..) É fácil especificarem-se os objetos individuais que causam admiração nestas cenas grandiosas. Nestes locais verifica-se sobre o solo úmido e turfoso espécies que se mostram características. Typha domingensis passa a representar a principal espécie. No geral. compostos.Ictiofauna de água doce presente nos ambientes paludiais CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus CHARACIDAE Hyphessobrycon bifasciatus H. barrigudinhos (Poecilia vivipara.. A composição da ictiofauna encontra-se bastante associada a perenidade gerais da formação paludial. enquanto que brejos sazonais (i. (. Scirpus robustus. saindo das partes mais cerradas da mata. as regiões brejosas mantém um total de 9 espécies de peixes dos quais a traíra (Hoplias malabaricus). Alternanthera philoxeroides. H. secam durante determinados períodos do ano) exibem arranjos menos complexos.Muitos dos ambientes alagadiços encontram-se bastante alteradas por processos de drenagem e por aterros. no Rio Macaé. reticulatus).. tais como Cyperus polystachyos. Phalloceros caudimaculatus) e acarás (Geophagus brasiliensis) são as mais comuns (Quadro 46). tamboatás (Callichthys callicththys).

interruptum CHARACIDAE A. relacionadas no Quadro 48.3 1.3 1. refletem a característica geral do sistema.Ictiofauna da Bacia Hidrográfica da Lagoa de Imboassica A bacia hidrográfica da Lagoa de Imboassica compreende cerca de 50 km². o Rio Imboassica. giton A. Lagoa de Imboassica consiste no resultado do represamento. correndo entre áreas brejosas e planas. abarcando parcelas dos municípios de Macaé e Rio das Ostras. nattereri C. C. Quadro 47 .Características da Lagoa de Imboassica Área 3.7 Fonte: ESTEVES (1998) O Rio Imboassica exibe fauna que muito se assemelha a de outros pequenos rios presentes nesta macrorregião ambiental. do pequeno Rio Imboassica (LAMEGO.6 5. recebendo grande quantidade de sedimentos. GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilia vivipara Phalloceros caudimaculatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus PERCIFORMES CICHLIDAE Cichlasoma facetum Geophagus brasiliensis Fonte: dados de campo 197 . Exibe relativo grau de descaracterização ambiental. A lagoa tem apenas um curso d’água significativo. sendo o arranjo ictiofaunístico marcado pelo predomínio absoluto de espécies características do baixo curso de rios e de sistemas de áreas remansosas. reticulatus Mimagoniates microlepis Oligosarcus hepsetus SILURIFORMES PIMELODIDAE Microglanis parahybae Pimelodella lateristriga Rhamdia sp. cf.5 Volume (km³) 3. 1974). taeniatus Hyphessobrycon bifasciatus H. Média (km) (m) (m) (m) 27. bimaculatus A. dejetos orgânicos provenientes das residências localizadas nas suas margens.56 Salinidade 2.Ictiofauna do Rio Imboassica CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplerythrinus unitaeniatus Hoplias malabaricus CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert CRENUCHIDAE Characidium sp. por cordão arenoso. prionotus LORICARIIDAE Hypostomus punctatus Hisonotus notatus Otothyris lophophanes Rineloricaria sp. um sistema que exibe características eminentemente de sistema fluvial de baixada. As espécies inventariadas. Luetkeni H. Quadro 48 . Suas características gerais encontram-se no Quadro 47.26 Perímetro Comprimento Largura Prof. Ocorrem ainda intervenções freqüentes no sistema pela abertura artificial de sua barra. em um processo similar ao outrora observado em outros lagos (atualmente lagunas) fluminenses. CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys C.

falcatus GASTEROSTEIFORMES FISTULARIIDAE Fistularia petimba PERCIFORMES URANOSCOPIDAE Astroscopus ygraecum CENTROPOMIDAE Centropomus undecimalis* LUTJANIDAE Lutjanus jocu GERREIDAE Diapterus richii D. Quadro 49. hippos. Este aspecto significa que para muitas das espécies. lefroyi SCIANIDAE Micropogonias furnieri MUGILIDAE Mugil curema Mugi sp. Platanichthys platana. Mugil sp.. Tilapia rendalli e Elops saurus foram dominantes. O arranjo obtido é composto principalmente por espécies marinhas. Gerres gula. rhombeus Gerres gula G. Nas capturas efetuadas por AGUIARO (1994) utilizando tarrafas Gerres aprion. C. ou crescimento. brasiliensis. schufeldti Micogobius meeki PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Trinectes paulistanus BOTHIDAE Citharichthys spilopterus Paralichthys brasiliensis Fonte: AGUIARO (1994) 198 .. Strongylura timucu. lineatus D. Em redes de espera. G. Geophagus brasiliensis. G. genidens. algumas das quais possivelmente aprisionadas dentro do sistema após o fechamento das barras abertas periodicamente. oceanicus G. Mugil curema e Genidens genidens foram as espécies mais abundantes. CICHLIDAE Tilapia rendalli Geophagus brasiliensis ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus Eleotris pisonis GOBIIDAE Bathygobius soporator Gobionellus boleosoma G. o ambiente não representa sistema de reprodução. curema. A lista de espécies obtidas pela autora é apresentada no Quadro 49. Xenomelaniris brasiliensis. exibida no quadro anterior.A ictiofauna amostrada neste ambiente por AGUIARO (1994) difere significativamente da coletada no Rio Imboassica. sendo. G. local em que a presença do taxa se mostra essencialmente acidental.Ictiofauna da Lagoa de Imboassica ANGUILIFORMES OPHICHTHYIDAE Myrophis punctatus ELOPIFORMES ELOPIDAE Elops saurus CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Platanichthys platana ENGRAULIDIDAE Anchovia clupeoides Lycengraulis grossidens CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus CHARACIDAE Hyphessobrycon bifasciatus H. Lycengraulis grossidens. Ciharichthys spilopterus. luetkeni SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens BELONIFORMES EXOCOETIDAE Hyporhamphus unifasciatus BELONIDAE Strongylura timucu CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilia vivipara ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis POMATOMIDAE Pomatamus saltator CARANGIDAE Caranx hippos Trachinotus carolinus T. aprion. em verdade. M.

X. vivipara demonstraram uso de recursos mais presentes na coluna d'água ou no perifiton. brasiliensis e pupas de Diptera por X. Gastropoda foi utilizada por G. 199 . em menor escala. Polychaeta destacou-se na dieta de G. Quatro espécies utilizaram detrito como fonte alimentar. populações diferentes de mesmas espécies ou de espécies distintas saem e entram.Lycengraulis grossidens Dos invertebrados.AGUIARO (1999). bifasciatus e. O estudo se desenvolveu de outubro/93 a setembro/94. enquanto M. G. platana. P. que a Lagoa de Imboassica funciona como um tanque de engorda de espécies marinhas. curema. Copepoda Calanoida por X. aprion. G. dependendo do estoque disponível na zona costeira quando da abertura. brasiliensis. de M. Foram coletadas 35 espécies. A cada abertura. G. vivipara. Figura 89 . aprion e M. A autora conclui. curema. O consumo de algas foi efetuado por todas as espécies. não se observando alteração no arranjo apresentado no quadro anterior. bifasciatus e P. o evento de abertura é um distúrbio pontual devido às alterações bruscas provocadas no ambiente durante um curto período de tempo. curema. Do zooplancton apenas Cladocera foi bastante consumido por H. platana. em menor escala. brasiliensis utilizaram recursos nitidamente bentônicos ou associados ao substrato. SAAD (1997) analisou a influência da abertura de barra desta lagoa sobre a sua comunidade de peixes. trabalhando com as espécies de maior representatividade dentro da Lagoa de Imboassica. P. P. elaborou detalhada análise da dinâmica trófica das comunidades de peixes deste ambiente. em menor escala. Na teia trófica proposta para a Lagoa de Imboassica as espécies H. brasiliensis e. dentre outros aspectos. Assim. quando ocorreram duas aberturas de barra (16 de março/94 e 26 de abril/94). Foi observada a participação de todos os grandes grupos na dieta dos peixes analisados (Figura 90). aprion e. brasiliensis.

pela Bacia do Rio São João. onde estão localizadas as nascentes.Teia trófica das espécies de peixes analisadas na Lagoa de Imboassica. Ouro Macaé. o Rio Macaé nasce na Serra de Macaé próximo ao Pico do Tinguá (1. Guanandirana e Sabiá. ao Sul. Seu curso se desenvolve por cerca de 136 km. O DNOS retificou um estirão de 25 km no baixo curso do Rio Macaé. sendo limitada ao Norte. Considerando os dados reunidos em campo e as amostragens já efetuadas na Bacia do Rio Macaé por outros pesquisadores. Os principais afluentes pela margem direita são os Rios Bonito. em parte. os Córregos Roça Velha e Belarmino e o Rio Três Pontes e pela margem esquerda.Fonte: AGUIARO (1999) Figura 90 . desaguando no Oceano Atlântico junto à cidade de Macaé. os Córregos Abacaxi e Carão. Purgatório e Pedrinhas. e de Casimiro de Abreu. afluente à Lagoa Feia. Rio das Ostras. a Leste. a Oeste. o Rio Teimoso. pelo Oceano Atlântico. Atalaia. Conceição de Macabu e Carapebus. em Nova Friburgo. chega-se ao arranjo ictiofaunístico apresentado no Quadro 50. os Rios Sana.560m de altitude).765 km2. executando o mesmo tipo de obra em tributários no Rio São Pedro e em outros (SEMADS.linhas finas e IRI>1000 linhas largas) Ictiofauna da Bacia Hidrográfica do Rio Macaé A Bacia do Rio Macaé compreende cerca de 1. São Pedro e Jurumirim e os Córregos Genipapo. pela Bacia do Rio Macabu. São Domingos. 2000). pela Bacia do Rio Macacu e. Santa Bárbara. (utilizando valores de índice de importância relativa = IRI>100 . A bacia abrange grande parte do município de Macaé e parcelas dos municípios de Nova Friburgo. Cerca de 82 % da superfície da bacia esta no município de Macaé. 200 . O presente documento consiste no primeiro levantamento da totalidade da bacia. Antigo Rio dos Bagres. Dados anteriores restringem-se a coletas pontuais.

tambicu Lambari Bagre Bagre Mandi Jundiá Mineiro-branco Cumbaca Cumbaca Cambeva Tamboatá Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Cascudo Caximbau Cascudo Cascudo 201 . Quadro 50 – Ictiofauna levantada na Bacia do Rio Macaé Taxon CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplerythrinus unitaeniatus Hoplias malabaricus CRENUCHIDAE Characidium sp. luetkeni H. Hisonotus notatus Otocinclus affinis Nome Vulgar Morobá Traíra Canivete Canivete Sairú Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Piabanha Lambari Bocarra. taeniatus Hyphessobrycon bifasciatus H. giton A.MZUSP 46967) por se tratarem de espécies que constam da lista da fauna ameaçada do Estado do Rio de Janeiro. interruptum CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert CHARACIDAE Astyanax intermedius A scabripinnis A. nattereri C.MNRJ 13592 . C. bimaculatus A. como atestado pelo exame de material depositado no Museu Nacional (MNRJ 13592) e de Hemipsilichthys garbei (lotes testemunho depositados no Museu Nacional do Rio de Janeiro . prionotus LORICARIIDAE Neoplecostomus microps Hypostomus punctatus Loricariichthys sp.e Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo . cf. reticulatus Bycon opalinus Mimagoniates microlepis Oligosarcus hepsetus Probolodus heterostomus SILURIFORMES PIMELODIDAE Imparfinis minutus Microglanis parahybae Pimelodella lateristriga Rhamdia quelen Rhamdioglanis frenatus AUCHENIPTERIDAE Glanidium melanopterum Parauchenipterus striatulus TRICHOMYCTERIDAE Trichomycterus cf.Dos taxa relacionados abaixo destaca-se a ocorrência de Byrcon opalinus (piabanha). alternatus CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys Corydoras barbatus C.

lacustris Geophagus brasiliensis CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus MUGILIDAE Mugil curema GOBIIDAE Gobionellus boleosoma PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Achirus lineatus Nome Vulgar Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Tuvira. Quadro 51 .e. sarapó Tuvira. Schizolecis guntheri Hemipsilichthys garbei GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo G.. taeniatus Baixadas X X Alto Curso X X X X X X X X X 202 . sarapó Sem nome vulgar Barrigudinho Barrigudinho Muçum Acará Jacundá Cará.Distribuição das espécies de peixes da Bacia do Rio Macaé considerando a divisão em alto e baixo curso (i. sarapó Tuvira. caraúna Robalo Parati Maria da toca Sola Fonte: dados de campo A distribuição das espécies considerando os ambientes de baixada e de alto curso é apresentada no Quadro 51. bimaculatus A. C. pantherinus RHAMPHICHTHYIDAE Eigenmannia virescens HYPOPOMIDAE Brachypopomus janeiroensis CYPRINODONTIFORMES RIVULIDAE Rivulus janeiroensis POECILIIDAE Poecilia vivipara Phalloceros caudimaculatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus PERCIFORMES CICHLIDAE Cichlasoma facetum Crenicichla cf.Taxon Otothyris lophophanes Rineloricaria sp. giton A. interruptum Cyphocharax gilbert Astyanax intermedius A scabripinnis A. acará. baixadas) Espécies Hoplerythrinus unitaeniatus Hoplias malabaricus Characidium sp. sarapó Tuvira.

lacustris Geophagus brasiliensis Centropomus parallelus Mugil curema Gobionellus boleosoma Achirus lineatus Baixadas X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Alto Curso X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X O trecho entre a nascente do rio e a cota 100 apresenta uma ictiofauna muito uniforme. 203 . e grupos de Corydoras barbatus (limpa fundo) e Phalloceros caudimaculatus (barrigudinho). alternatus Callichthys callichthys Corydoras barbatus C. parahybae Pimelodella lateristriga Rhamdia quelen Rhamdioglanis frenatus Glanidium melanopterum Parauchenipterus striatulus T. que ocupa as áreas mais abertas deste biótopo. pantherinus Eigenmannia virescens Brachypopomus janeiroensis Rivulus janeiroensis Poecilia vivípara Phalloceros caudimaculatus Synbranchus marmoratus Cichlasoma facetum Crenicichla cf. Luetkeni H. scabripinnis. entre pedras e em poços mais profundos exibem como arranjo ictiíco mais característico aquele formado por cardumes de uma espécie de lambari (Astyanax cf. caracterizada pelo predomínio absoluto de espécies típicas de ambientes com alta energia hidrodinâmica e pela reduzida riqueza de taxa. Hisonotus notatus Otocinclus affinis Otothyris lophophanes Rineloricaria sp. reticulatus B. Schizolecis guntheri Hemipsilichthys garbei Neoplecostomus microps Gymnotus carapo G. nattereri C.Espécies Hyphessobrycon bifasciatus H. prionotus Hypostomus punctatus Loricariichthys sp. cf. cf. Áreas mais remansosas. nas áreas mais próximas das margens. opalinus Mimagoniates microlepis Oligosarcus hepsetus Probolodus heterostomus Imparfinis minutus M.

tais áreas. tamboatás (Callichthys callichthys). G.Mimagoniates microlepis. Espécies marinhas (no caso C. tuviras (Gymnotos carapo) e o jundiá (Rhamdia quelen). alguns cascudos (Hypostomus punctatus). Corydoras barbatus da Bacia do Rio Macaé Nos remansos algumas espécies podem ser evocadas como mais freqüentes. dentro do trecho do estado no qual o rio se insere. Imparfinis minutus. Tendo em vista que muitos destes grupos são apreciados como alimento pela população. mussuns (Synbranchus marmoratus) e pequenos cascudos (Parotocinclus maculicauda e Hisonotus notatus). Cichlasoma facetum). Neoplecostomus microps e Schizolecis guntheri os mais comuns e característicos.Sob pedras ou troncos é comum a presença do mineiro-branco (Rhamdioglanis frenatus).. sendo Ancistrus sp. cumbacas (Parauchenipterus striatulus). A. De fato. boleosoma e M. lineatus. parallelus. não tendo sido efetivamente quantificado). ele mostra-se como sendo o sistema com as menores abundâncias (dados obtidos apenas em observação. tuviras (Eigenmannia virescens). Nestes ambientes verifica-se ainda a presença de cascudinhos. as traíras (Hoplias malabaricus). é a baixa densidade de organismos observada em todas as amostragens efetuadas. consistem em sítios de pesca bastante procurados. os acarás (Geophagus brasiliensis. Figura 91 . Condições de deposição estabelecidas em remansos são atrativos para grupos que se alimentam de depósitos. notadamente a calha principal do Rio Macaé. mandis (Pimelodella lateristriga). representados pelo gênero Hyphessobrycon). A área de baixada exibe um conjunto de espécies no qual se observa dominância de taxa que tem como habitat ótimo àqueles no qual se verifica pequena dinâmica de circulação fluvial. o mesmo sendo verificado no Rio São Pedro. bocarras (Oligosarcus hepsetus). curema) foram registradas até um pouco depois do cruzamento do Rio Macaé com a Br-101. sendo a população do Rio Macaé o registro mais extremo do limite norte da área de ocorrência deste taxon. predominando condições de deposição. aspecto este que usualmente denota a maior abundância dos mesmos. 204 . lambaris (Astyanax bimaculatus e outros. particularmente em seu curso médio e inferior. Nestes sistemas verificamos também pequenos bagres (Microglanis parahybae). tais como os peixes iliófagos dos gêneros Hypostomus (cascudos) e Cyphocharax (sairu). Nesta categoria estão os barrigudinhos (Phalloceros caudimaculatus). Um aspecto marcante em todo o Rio Macaé.

As águas fluem para a Lagoa Feia e daí para o mar através do canal das Flechas.. a hipótese menos provável. É contudo.. canal Campos-Macaé). Este fator. redução de vazão. integrado com a redução de vazão do rio. notadamente as retificações estabelecidas no rio principal e em seus afluentes. a qual estava tão agitada com o vento sudoeste. resultando em curta história evolutiva integrada com as demais bacias. etc. aonde demos o apelido de Lagoa Feia"..900 km². É possível ainda que reflita alterações ambientais. o que se traduz em baixo intercâmbio de espécies. além de reduzir a variabilidade de ambientes pode. reproduzido por LAMEGO (1934) A bacia hidrográfica da Lagoa Feia compreende uma superfície com cerca de 2. retificação.Figura 92 . é o impacto gerado pela comunicação artificial entre o Rio Paraíba do Sul e o Rio Macaé (i. no município de Trajano de Morais e percorre cerca de 121 km até desaguar na Lagoa Feia.) ocorre em outros rios do Estado e o resultado não foi tão drástico quanto o verificado no Rio Macaé. tão crespas suas águas e tão turvas que metiam horror. Roteiro de MIGUEL AIRES MALDONADO. Teria sido este sistema uma via de dispersão de parasitoses ou outras doenças? Ictiofauna da Bacia Hidrográfica da Lagoa Feia "(. via artificial de escoamento construída pelo DNOS em 1949. O Rio Macabu nasce na Serra de Macaé. o que implica em limitação da área a ser explorada por espécies com menor tolerância as variações na concentração de NaCl na água.e. contribuir para maior penetração da cunha salina. ainda mais se considerarmos que o baixo curso é o trecho no qual a baixa abundância de organismos é particularmente marcante..) era um grandíssimo lago ou lagoa d'água doce. A Bacia do Rio Macabu abrange aproximadamente 1. a 1. Uma hipótese que não pode ser descartada.076 km². 205 . tendo em vista que o mesmo processo (i. É formada pelos Rios Ururaí.Achirus lineatus e juvenil de Mugil curema Qual o motivo deste padrão? Uma primeira teoria seria uma origem geológica recente do rio.480m de altitude.e. Macabu e por uma intricada rede de canais de drenagem e córregos.

00 Lagoa Feia RIO URURAÍ 0.cit.00 0.00 30. o rio praticamente seca e desaparece por 5 km a jusante da barragem (SEMADS.00 RIO IMBÉ 40.Representação esquemática do complexo Imbé.00 0.00 20. onde se localiza a usina de Macabu. Lagoa de Cima.00 RIO IMBÉ DI Cotas (metros) 600. O reservatório tem cerca de 11 km de comprimento. Com suas águas desviadas para a bacia vizinha.00 DII 400. sobretudo.00 Extensão (km) Fonte: BIZERRIL & LIMA. 100. op. A transposição é feita por um sistema de comportas e por um aqueduto subterrâneo. pelos Rios Imbé e Urubu.00 DIII 200.8 km de comprimento (SEMADS.00 20.00 Figura 93 . 2000).00 60.00 800. que pertence à Bacia do Rio Macaé. O Rio Ururaí origina-se na Lagoa de Cima. que juntos tem uma área de drenagem de 986 km² (Figura 93).00 80.00 DV 60. sendo esta alimentada.00 Lagoa de Cima 20.00 40.00 10.00 DIV 0. A represa possibilita a transposição das águas do Rio Macabu para um afluente do Rio São Pedro. Ururai e Lagoa Feia 1000. alcançando 500 m de largura máxima. em prep Figura 94 .A 40 km da nascente está a barragem da Usina Hidrelétrica de Macabu.00 80. de propriedade da CERJ. com 4. concluída nos anos 50.).Perfil do Rio Imbé com a indicação de diferentes unidades ambientais 206 .

vimboides CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert CRENUCHIDAE Characidium sp. Antecipamos a listagem de formas levantadas em cada um dos ambientes (Quadro 52). A Lagoa de Cima possui uma área de 14. com tempo de detenção hidráulica de 40 dias (SEMADS. contemplando Rio Imbé. C. de Cima R. conirostris L.S. Ururaí L. interruptum ANOSTOMIDAE Leporinus copelandii L. o Rio Ururaí. mormyrops CHARACIDAE Glandulocaudinae Mimagoniates microlepis Tetragonopterinae Oligosarcus hepsetus A. A sua profundidade é estimada em 3 m. restringindo-se a descrição de algumas espécies e relatos pouco detalhados. Dados sobre a ictiofauna deste complexo de ambientes são escassos. C.W. a Lagoa Feia e o baixo curso do Rio Macabu. tricolor Anchoviella lepidentostole Lycengraulis grossidens CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus PROCHILODONTIDAE Prochilodus lineatus P.O Rio Imbé nasce na serra do mesmo nome. com largura máxima de 4 km e comprimento máximo de 7.F. bimaculatus A. resultando num volume de 44 x 106 m³. BIZERRIL & N. LIMA efetuaram diversas amostragens em ambientes que integram o complexo. desenvolvendo-se em um percurso total de 70 km. parahybae A. scabripinnis L.R. feia X R. giton A.R. Imbé R. O perfil do Rio Imbé é apresentado na Figura 94.5 km. Quadro 52 . Os resultados estão sendo ordenados para publicação. Macabu X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 207 . a Lagoa de Cima.Ictiofauna do sistema das Lagoas de Cima e Feia Taxon ELOPIFORMES ELOPIDAE Elops saurus CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Brevoortia aurea Platanichthys platana ENGRAULIDIDAE Anchoa januaria A.95 km². 2000). fasciatus A. intermedius A.

nattereri C.reticulatus Probolodus heterostomus Cheirodontinae Cheirodon ibicuhiensis Bryconinae Brycon opalinus SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens PIMELODIDAE Pseudopimelodinae Microglanis parahybae Heptapterinae Acentronichthys leptos Imparfinis minutus Pimelodella lateristriga Rhamdia quelen AUCHENIPTERIDAE Glanidium melanopterum Parauchenipterus striatulus TRICHOMYCTERIDAE Trichomycterus sp. flammeus H. de Cima X X X X R.Taxon A. luetkeni Ancistrinae Ancistrus sp GYMNOTIFORMES STERNOPYGIDAE Eigenmannia virescens L.2 Hypoptopomatinae Hisonotus notatus Otocinclus affinis Otothyris lophophanes Parotocinclus maculicauda Schizolecis guntheri Hypostominae Hypostomus affinis H. prionotus LORICARIIDAE Neoplecostominae Neoplecostomus microps Loricariinae Harttia loricariformes Loricariichthys sp. luetkeni H. Ururaí X X X X L. feia X X X X X X X R. Imbé X X X X X X R. callichthys Hoplosternun litoralle Corydoradinae Corydoras barbatus C. taeniatus Bryconamericus tenuis Hyphessobrycon bifasciatus H. Macabu X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 208 . Microcambeva barbata CALLICHTHYIDAE Callichthyinae Callichthys aff. Rineloricaria sp.1 Rineloricaria sp.

(curimatã) e Leporinus spp. Prochilodus spp. Imbé X X X R. utilizados como iscas vivas na pesca com anzol de Hoplias malabaricus (traíra) a espécie de maior valor na região. em prep. Neste local pesca-se Cyphocharax gilbert (sairu). Astyanax bimaculatus e A. os quais são. a Lagoa Feia notabiliza-se por apresentar a pesca mais produtiva.). cit. M curema (parati). liza CICHLIDAE Cichlassoma facetum L. 209 . Ururaí X X L. Uma síntese da composição do pescado capturado nestes locais é apresentada no Quadro 53. fasciatus (piabas).Taxon HYPOPOMIDAE Brachypopomus janeiroensis GYMNOTIDAE Gymnotus carapo G. tratando das Lagoas Feia e de Cima. Pachyurus adspersus (corvina). BARROSO & BERNARDES (1995) descreveram brevemente a pesca em ambientes lacustres associados à Bacia do Rio Paraíba do Sul. por sua vez. (piabanha). pantherinus CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilinae Poecilia vivipara Cnesterodontidae Phallopthychus januarius Phalloceros caudimaculatus ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis GASTEROSTEIFORMES SYNGNATHIDAE Oostethus lineatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus aff. (piau). Centropomus parallelus (robalo). Marmoratus PERCIFORMES CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus SCIANIDAE Pachyurus adspersus MUGILIDAE Mugil curema M. feia X X R. Captura-se ainda Mugil liza (tainha). Brycon spp. de Cima X X R. Dentre os ambientes enfocados por BARROSO & BERNARDES (op. Macabu X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Crenicichla lacustris Geophagus brasiliensis GOBIIDAE Awaous tajasica PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Achirus lineatus X X X X X X X X X X X X X X Fonte: BIZERRIL & LIMA.

A importância de tais unidades para o manejo da biodiversidade local e regional foi um dos aspectos que justificou a recente criação do Parque Nacional de Jurubatiba. enquadrados dentro da definição de lagoas costeiras (ESTEVES. respectivamente. Ictiofauna do Canal Macaé – Campos Não há informações sobre as espécies presentes neste canal. existem dados sobre estes sistemas. 210 .25km2 de área e 26. No extremo sul desta macrorregião ambiental. Carapebus e Quissamã. constando de 7 coletas trimestrais. as condições físico-químicas da Lagoa de Cima não são muito favoráveis ao desenvolvimento da ictiofauna dentro de uma escala comercial. 1998).2 km de perímetro) é reduzida e o tempo de residência da água e dos nutrientes é insuficiente para conduzir a alta produtividade das comunidades ícticas em uma escala que favoreça a pesca intensa. Ictiofauna das Microbacias das Pequenas e Médias Lagoas da MRA-5 Considerando os diferentes setores do Estado do Rio de Janeiro.Quadro 53 . Esta unidade de conservação abrange os municípios de Macaé. uma ampla faixa de restinga na qual se inserem mais de 20 corpos lênticos. Os trabalhos de campo desenvolveram-se entre julho/91 e janeiro/93. com diferentes graus de associação com complexos paludiais. Embora ESTEVES (1998) não tenha relacionado dados que permitissem embasamento a sua afirmação. apresentados neste documento de forma individualizada. AGUIARO (1994) estudou as Lagoas Comprida e de Cabiunas. preservando. ou ao menos uma avaliação mais criteriosa acerca da real importância da área para manejo da biodiversidade aquática.11km2. com áreas de 0. desta forma. uma vez que a superfície da lagoa (14. a região norte fluminense é notabilizada por reunir a maior quantidade de lagunas e lagos costeiros de pequeno ou de médio porte.Ocorrência de pescado no período de 1994/1995 nas Lagoas Feia e de Cima Espécies Tainha Parati Carapeba Xerelete Robalo Savelha Corvina de água doce Tilápia Piau Piaba Sairu Traíra Caximbau Curimatá Acará Lagoa feia X X X X X X X X X X X X X X X Lagoa de cima X X X X X Fonte: BARROSO & BERNARDES (1995) Como ressaltado por BARROSO (1989). é possível que o local se constitua em área de crescimento de diversas espécies que completam seu ciclo de vida na Lagoa Feia. O estudo foi posteriormente publicado por AGUIARO & CARAMASCHI (1995). Entretanto.35km2 e 0. obtidos por diferentes autores e.

Ictiofauna das Lagoas de Cabiúna e Comprida Táxon CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Platanichthys platana ENGRAULIDIDAE Anchovia clupeoides Lycengraulis grossidens X X X - Cabiúnas Comprida CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert CHARACIDAE Oligosarcus hepsetus Astyanax bimaculatus Hyphessobrycon bifasciatus H. lineatus D. A lista das espécies coletadas e a distribuição das mesmas por cada uma das lagoas é apresentada no Quadro 54. bimaculatus (AGUIARO. seguida por A. Hyphessobrycon bifasciatus. Coletas realizadas com baterias de redes de espera apontaram Cyphocharax gilbert como a espécie mais abundante. 1994). luetkeni e Poecilia vivipara. sendo Gerres aprion e G.reticulatus SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens PIMELODIDAE Rhamdia quelen AUCHENIPTERIDAE Parauchenipterus striatulus X X X X X X X X X X X X X X X - BELONIFORMES BELONIDAE Strongylura timucu CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilia vivípara Phalloceros caudimaculatus ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis PERCIFORMES URANOSCOPIDAE Astroscopus ygraecum CENTROPOMIDAE Centropomus undecimalis* LUTJANIDAE Lutjanus jocu GERREIDAE Diapterus richii D. luetkeni H. lefroyi X X X X - X X M X X X X X - 211 . O período no qual se constatou maior riqueza de espécies foi o mês de janeiro/92. os taxa mais abundantes.Para as amostragens foram adotados arrastos manuais e redes de emalhar com diferentes malhagens. Para a Lagoa de Cabiúnas. foram os mais representativos. H. as coletas efetuadas com tarrafas reuniram principalmente espécimes jovens. rhombeus Gerres aprion G. Quadro 54 . brasiliensis. Nas amostragens com arrasto manual.

212 . o qual foi destaque apenas para C. aprion. bifasciatus. bifasciatus foi a dominante. as espécies P. apesar de participar deste grupo. Esta espécie foi dominante na maior parte das amostragens. mexicanus por AGUIARO (1994) Cabiúnas X X X X X X X X Comprida X Fonte: AGUIARO (1994) Na Lagoa Comprida a única espécie capturada com tarrafa foi G.Geophagus brasiliensis em rede de espera De acordo com a teia trófica traçada por AGUIARO (1999) (Figura 96). H. demonstrou alguma preferência por detrito. enquanto G. Destas. G. malabaricus mostrou-se abundante. brasiliensis.).. CICHLIDAE Cichlasoma facetm Geophagus brasiliensis GOBIIDAE Awaous tajasica PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Trinectes paulistanus (Miranda Ribeiro. 1915) BOTHIDAE Citharichthys spilopterus * Identificado como C. excetuando em abril/92 e julho/92 quando a dominância foi respectivamente de Centropomus undecimalis e G. Nas baterias de redes de espera H. op. brasiliensis. H.Táxon HAEMULIDAE Conodon mobilis MUGILIDAE Mugil curema Mugi sp.cit. X. gilbert (AGUIARO. platana ingerem preferencialmente itens situados na coluna d'água ou relacionados às macrófitas e ao perifiton. Figura 95 . brasiliensis. brasiliensis e P. cf. tendo sido as demais espécies inventariadas para este ambiente amostrada com arrasto. vivipara.

objetivando ampliar a lista de espécies já registradas e avaliar a influência de alguns aspectos físicos sobre a determinação da riqueza de taxa das diferentes lagoas.) continuaram amostragens na região. Desta forma. assim como as Lagoas de Imboacica. secam parcialmente = 2 e secam completamente = 3. Robalo. Os dados reunidos foram utilizados para enquadrar os sistemas dentro dos seguintes grupos: sistemas permanentes. foram estudadas as Lagoas Paulista. BIZERRIL & LIMA (em prep. Maria Menina. Cabiúnas e Comprida. 213 . Assim. Piripiri. Após o estudo. estudo que sintetizou os resultados colhidos pela CIC (1994) quando da elaboração de Plano de Zoneamento Econômico Ecológico da Restinga de Quissamã.linhas largas) As lagoas situadas dentro dos limites do município de Quissamã.Fonte: AGUIARO (1999) Figura 96 . portanto inseridas no Parque Nacional de Jurubatiba. tendo sido ainda considerados sistemas paludiais localizados no entorno de alguns dos sistemas lagunares. coletas foram efetuadas em campanhas de 5 dias de duração realizadas nos períodos de janeiro/94.. João Francisco.e. Garça. foram primeiramente estudadas por BIZERRIL et al (1995). no pico de estiagem. Os ecossistemas enfocados. A conversão para escala ordinal foi feita de forma que permanentes = 1. porém menor que 100%) e sistemas que secam completamente. IRI<1000 .linhas finas. Saídas de campo complementares foram realizadas em setembro/94 e setembro/95. Visgueiro e Preta. 1998). enquadram-se dentro da categoria "Lagoas de Planície de Restinga" (sensu SOFFIATI. redução no espelho d’água maior que 50%.Teia trófica da Lagoa de Cabiúnas utilizando valores do índice de importância relativa (IRI>100 . Neste momento. foi fechado um ciclo sazonal de períodos de estiagem (agosto) e de alta pluviosidade (janeiro). com vistas a checar o estado das lagoas no que se refere à manutenção do espelho d’água. Amarra Boi. agosto/95 e janeiro/95. sistemas que secam parcialmente (i.

utilizando os critérios listados anteriormente. em um somatório de grupos amplamente distribuídos no Estado do Rio de Janeiro. H. O Quadro 56. Callichthys callichthys. halino e hiperalino. Poecilia vivipara.151 0.. que expressa a estabilidade de cada ambiente. 2 – Área total da Lagoa Preta A ictiofauna amostrada não exibiu endemismos locais ou regionais. Gymnotus carapo. a concentração salina. em verdade.332 1.2 J. Quadro 56 – Classificação. bifasciatus. 214 . das características ambientais e da estabilidade das lagoas estudadas (IE = índice de estabilidade) e valores da área na época de maior pluviosidade LAGOAS SALINIDADE POR COLETA Col.1 0.09 0. Brachippopomus janeiroensis. dada por oligoalino = 1. halino = 3 e hiperalino = 4. em escala ordinal. 3 2 1 1 1 1 1 1 2 1 MANUTENÇÃO DO ESPELHO D’AGUA 1 1 2 3 3 3 3 1 1 IE (%) ÁREA (ha) Paulista p. elaborado especificamente para o estudo. Mimagoniates microlepis. A escala nominal foi convertida para escala ordinal. adotando-se os limites fornecidos em SCHAFER (1985). Hoplias malabaricus. consistindo. sendo muitas das espécies coligidas presentes em praticamente todo o sudeste brasileiro.1 Preta p.Durante as coletas foi medida. O índice de estabilidade (IE) foi calculado como IE = (ME).1 0. mesoalino. Para facilitar a operacionalização numérica. Σ ∆csmax. Rhamdia sp. reticulatus. mediante o uso de espectrofotômetro.2 1 1 0.34 0 0 0. Σ ∆cs/ (ME)max. mesoalino = 2. Nestes sistemas foram inventariadas 52 espécies de peixes (Quadro 57). H.34 0. apresentado a seguir. Hoplerythrinus unitaeniatus.17 0. sintetiza as características das lagoas. A associação entre os dados referentes à variação na concentração salina (∆cs) por campanha de amostragem e a manutenção do espelho d’água (ME) ao longo do ano foi realizada através de um índice simplificado.34 1 1 0. Menina Robalo Visgueiro Preta p. Hyphessobrycon luetkeni. Das espécies coletadas. Synbranchus marmoratus e Geophagus brasiliensis foram registradas nos ambientes paludiais.Área total da Lagoa Paulista. Hoplosternum litoralle. Phalloceros caudimaculatus.1 Paulista p.19 0. 2 2 1 4 4 4 3 3 2 1 Col. os valores obtidos foram agrupados em classes referentes as seguintes condições: oligoalino. 1 2 1 1 1 1 1 1 2 1 Col. Characidium interruptum. Francisco Piripiri M.

215 . bifasciatus H. bimaculatus A.. em prep. reticulatus Mimagoniates microlepis Probolodus heterostomus SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens PIMELODIDAE Pimelodella lateristriga Rhamdia quelen AUCHENIPTERIDAE Parauchenipterus striatulus LORICARIIDAE Hypostomus punctatus CALLICHTHYIDAE Hoplosternum litoralle Callichthys callichthys GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo HYPOPOMIDAE Brachippopomus janeiroensis CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilia vivípara Phalloceros caudimaculatus Phalloptychus januarius ANABLEPIDAE Jenysia multidentata ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus PERCIFORMES CICHLIDAE Cichlasoma facetum Crenicichla lacustris Geophagus brasiliensis MUGILIIDAE Mugil liza Mugil curema SCIANIDAE Micropogonias furnieri Menticirrhus americanus GERREIDAE Diapterus rhombeus Gerres aprion Gerres melanopterum GOBIIDAE Gobionellus boleosoma Awaous tajasica CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus Centropomus undecimalis PLEURONECTIFORMES PLEURONECTIDAE Citarichthys spilopterus Achirus lineatus TETRAODONTIFORMES DIODONTIDAE Chilomycterus spinosus Fonte: BIZERRIL et al.Quadro 57 . 1995.Espécies de peixes das Lagoas de Quissamã CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Sardinella brasiliensis Harengula clupeola Platanichtys platana Brevoortia áurea ENGRAULIDAE Cetengraulis edentulus Anchoa januaria CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus CHRENUCHIDAE Characidium interruptum ANOSTOMIDAE Leporinus copelandii CURIMATIDAE Cyphocarax gilbert CHARACIDAE Oligosarcus hepsetus Astyanax sp. fasciatus Hyphessobrycon luetkeni H. A. BIZERRIL & LIMA.

gera uma condição de maior capacidade de suporte à biodiversidade. um grupo que se distribui de forma praticamente contínua. bem como com as informações de BIZERRIL (1996) para lagunas do complexo da baixada de Jacarepaguá. com. a ausência de Cynolebiatinae na região. Este fato é um reflexo da interação entre as dimensões dessas lagunas. terem efetuado coletas nos brejos do norte fluminense e também não terem coligido espécies de Cynolebiatinae. identificamos o padrão esperado de baixa diversidade em lagoas e alta em rios. dos paleo-rios que drenavam a antiga planície costeira. BIZERRIL (1995). ocupando preferencialmente as baixadas litorâneas. obtém-se uma diversidade biológica relativamente baixa. acaba por se refletir na formação de sistemas com alto grau de instabilidade.. quando comparada com os dados fornecidos por COSTA (1984). Embora exista a possibilidade de tal grupo ocorrer na área em estudo e não ter sido amostrado. contudo. notadamente do setor de zoologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COSTA. Quando efetuamos uma análise dentro de uma mesma região ictiogeográfica (i. No caso específico da comparação com lagunas. uma região ictiogeográfica que. para sistemas fluviais do Estado do Rio de Janeiro. possivelmente. o que. 216 . condição esta que. evidencia-se que 34 espécies são dependentes dos sistemas em estudo e que 31 são efetivamente residentes. o que produz uma condição restritiva ao uso dos mesmos por espécies com menor valência ecológica. no Rio de Janeiro. Dentre os ambientes estudados. na qual o autor incluiu a ictiofauna como um grupo particularmente bem representado. a menor diversidade biológica da área em estudo deriva especialmente da ausência de comunicação permanente entre as lagoas costeiras e o mar. pessoal). as Lagoas Paulista e Preta exibiram maior riqueza de espécies.e. quando espécies estenoécias foram excluídas do local. temos que o arranjo atual provavelmente é um reflexo do processo seletivo estabelecido sobre a ictiofauna com o barramento. o fato de outras equipes. sua maior diversidade de micro-habitats e as menores oscilações temporais verificadas em suas características abióticas. Estes dados demonstram inconsistência na afirmação de ESTEVES (1998) de que as lagoas costeiras do norte-nordeste fluminense atuem como “importantes depositários da biodiversidade aquática”. possui reduzida diversidade biótica. entre a região de Seropédica e Barra de São João. Este erro provavelmente derivou de comparação indevida dos levantamentos efetuados por AGUIARO & CARAMASCHI (1995) com a riqueza biótica de lagoas da Europa. O arranjo obtido resulta em um conjunto de espécies muito similar ao descrito para outras porções do Estado. por suas características históricas. Considerando a relação que as espécies coletadas exibem com ambientes lagunares e estuarinos. reforça a possibilidade de tal taxon não ocorrer na região. onde a maior heterogeneidade de ambientes que tanto caracteriza o mosaico de uma bacia hidrográfica. destacando-se.Se considerarmos que a grande amplitude de distribuição é um indicador de alta valência ecológica. além de impedir o livre trânsito de espécies. Trabalhando apenas com as espécies residentes. pelos cordões arenosos. sudeste brasileiro). seria um reflexo da origem tardia da área quando comparada a de outras planícies costeiras do Estado.

3 1.).9 -0. Figura 97. 1.Relação entre o número de espécies (logx+1) e área (log) e estabilidade Ao norte do Estado. sistema este resultante de canais abandonados na região deltaica do Rio Paraíba do Sul (AMADOR.A relação entre área e diversidade de espécies encontra-se ricamente abordada na literatura (cf.4 1. nas áreas próximas a desembocadura do Rio Paraíba do Sul ocorrem ainda diversos corpos lagunares. o Rio Iquipari.4 1. 1998). McARTHUR & WILSON. os quais enfocaram especificamente a questão do impacto produzido pela abertura de barra sobre as ictiocenoses.2 1.6 -0.7 -0.5 1. um aumento praticamente isométrico entre a área e o número de espécies.1458log(IE+1).03 (Figura 97). um táxon ameaçado.8 1. 1989.0339log(Área).5 -0. com r = 0.1 0.7 log(Número de espécies) log(Número de espécies) 1.3 0. flammeus. sendo log (Número de espécies)= 0. A Lagoa de Iquipari. 1986. Provavelmente. ANGERMEIR & SCHLOSSER. se tratando de um fator que atua sobre a riqueza das comunidades em intima associação com os acréscimos de micro-ambientes.15 0.939+2. 2 217 . em prep. de pequeno porte.2 0. Ao longo do estudo foram amostrados 36 espécies (Quadro 58). gerando condições com menor competição e maiores quantidades de nichos potencialmente exploráveis. na região.1 -1 -0.9 -1.1 1 0. Observase.6 1. maior influência deste aspecto sobre a biodiversidade.9 -0.35 log(Área) 95% de confiança log(IE+1) VRB=ÇÉ=ÅçåÑá~åÐ~ Fonte: BIZERRIL & LIMA. Quando se relaciona o número de espécies com a estabilidade (expressa pelo índice de estabilidade .IE.3 1.25 0.8 1.693 significativo para p=0.08. desta forma.5 1. SOFFIATI.05 0 0. observou-se que a região da barra foi aquela que sofreu a maior redução no número de espécies.8 -0. A relação entre a área e o número de espécies da região estudada é descrita pela regressão log (Número de espécies)= 2.7 1.4 1. Após abertura e fechamento da Lagoa de Iquipari.1004+1. dentre os quais se destacam as Lagoas de Iquipari e Grussaí. da morte ou fuga das espécies sensíveis ao aumento de salinidade e/ou do retorno ao mar das espécies marinhas aprisionadas na lagoa. esta redução decorreu da emigração forçada de espécies de pequeno porte durante a maré vazante. 1967). foi alvo de estudo desenvolvido por LIMA et al (1996) e LIMA et al (em prep.6 1.05 0. sendo r = 0.886 significativo para p=0. O sistema em questão possui um formato alongado e área de cerca de 1. proposto) verifica-se que há. dentre as quais destacase a presença de H.1 1 0.4 km e perímetro de 10 km. situada no município de São João da Barra.2 1. Consiste em barramento natural de um pequeno curso d'água de segunda ordem.

cf. Jardim da infância do Brasil criança. escolhido por Alencar para no lençol de suas águas envolver os corpos entrelaçados de Ceci e Peri. quando São Paulo era um sertão ainda e pelas colinas de suas orlas os primeiros 218 . embalado ao acalanto de toadas africanas. fasciatus Hyphessobrycon bifasciatus H.. Ictiofauna da Macrorregião Ambiental 6 Ictiofauna da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (. acordando nos vagidos de seus bangüês. diretriz das Bandeiras audaciosas. Rio magnético. Leito nupcial da Raça. liza ELEOTRIDIDAE Dormitator maculatus Eleotris pisonis GOBIIDAE Awaous tajasica SCIANIDAE Micropogonias furnieri ACHIRIDAE Achirus lineatus TETRAODONTIDAE Sphoeroides sp.. Escola de trabalho do Brasil adolescente.Quadro 58 . quando primitivos canaviais fofavam o berço verde do Brasil nascente. flammeus H. PIMELODIDAE Rhamdia quelen ANABLEPIDAE Jenynsia multidentata POECILIIDAE Phalloceros caudimaculatus Phallopthychus januarius Poecilia vivípara ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis CICHLIDAE Cichlasoma facetum Geophagus brasiliensis GERREIDAE Gerres aprion Diapterus rhombeus Centopomdae parallelus MUGILIDAE Mugil curema M. Fonte: LIMA et al. PARALICHTHYIDAE Paralichthys sp. em prep.Lista das espécies da ictiofauna coleta na Lagoa de Iquipari coletas antes e depois da abertura da barra ORDENS ELOPIFORMES CLUPEIFORMES CHARACIFORMES FAMILIAS ELOPIDAE CLUPEIDAE ENGRAULIDIDAE CHARACIDAE ESPÉCIES HABITAT Marinho Marinho Marinho Dulciaqüícola Dulciaqüícola Dulciaqüícola Dulciaqüícola Dulciaqüícola Dulciaqüícola Dulciaqüícola Dulciaqüícola Marinho Marinho Dulciaqüícola Dulciaqüícola Dulciaqüícola Dulciaqüícola Dulciaqüícola Dulciaqüícola Dulciaqüícola Dulciaqüícola Marinho Dulciaqüícola Dulciaqüícola Marinho Marinho Marinho Marinho Marinho Marinho Marinho Dualciaqüícola Marinho Marinho Marinho Marinho SILURIFORMES CYPRINODONTIFORMES ATHERINIFORMES PERCIFORMES PLEURONECTIFORMES Elops saurus Platanichthys platana Cetengraulis edentulus Astyanax bimaculatus A.) Rio da iniciação.. Luetkeni Oligosarcus hepsetus CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus ARIIDAE Genidens genidens Notarius grandecassis AUCHENIPTERIDAE Parauchenipterus striatulus CALLICHTHYIDAE Hoplosternum litoralle LORICARIIDAE Loricariichthys sp.

Foi neste grande vale que instalou-se a drenagem atual do Rio Paraíba do Sul com suas características diferenciadas em função da zona em que a drenagem atua. com uma submersão recente próximo às desembocaduras dos rios. Núcleo centralizador do Brasil emancipado. Assim. fluvial.. A morfologia dos vales baixos é muito ampla para os respectivos rios. Tais conjuntos são descontínuos e representados por sedimentos continentais do Grupo Barreiras e da Formação Macacu. O delta do Rio Paraíba do Sul. Na região Leste o isolamento da Bacia do Rio Paraíba do Sul ocorre por meio de relevos montanhosos localizados entre a Serra da Mantiqueira e a Serra do Mar que separa este sistema do Rio Itabapoana.cafezais corriam (. Rio da experiência e provação. entre as áreas planálticas sujeitas a clima úmido. passando a uma calha retilinizada no curso médio-inferior. no curso médio e superior. A região comporta-se topograficamente e morfologicamente como um corredor climático. O complexo deltaico. Dentro do domínio dos Depósitos Sedimentares destacam-se a unidade "Planícies Litorâneas" e o "Delta do Paraíba do Sul". As planícies fluviais de maior porte encontramse principalmente localizadas no litoral norte fluminense e ao sul do Estado do Espírito Santo. desenvolve-se paralelamente à vertente continental da Serra do Mar ao longo dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Geomorfologicamente a região da Bacia do Rio Paraíba do Sul encontra-se no domínio chamado de Depósitos Sedimentares composto por conjuntos de depósitos com maior expressão areal e morfológica ocorrentes principalmente ao longo da faixa costeira dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Ao Sul a Serra do Mar separa esta bacia de diversos pequenos rios que fluem diretamente para o Oceano Atlântico. A Oeste apresenta divisores de água com o Rio Tietê (Bacia do Rio Paraná).) em linhas de assalto. O ambiente de formação dos sedimentos é relacionado com o levantamento dos blocos dos planaltos atlânticos. é uma planície que se estende na direção sudoestenordeste. o leito é meandrante. eólico e coluvionar que foram acumulados durante o Quaternário. como prolongamento das unidades morfológicas no litoral brasileiro. ALBERTO LAMEGO (1945) A Bacia do Rio Paraíba do Sul encontra-se compreendida entre os paralelos 20º26‘ e 23º 38‘ Sul e os meridianos 41º00‘e 46º30‘ Oeste. O Rio Paraíba do Sul. laboratório de toda a madureza política do Segundo Império”. Ao Norte seu divisor de águas se faz entre os Rios Grande (Bacia do Paraná) e Doce (sistema do leste brasileiro) por intermédio da Serra da Mantiqueira. sobre os destroços da floresta em fuga. tendo ainda um fundo deposicional plano. fluviomarinha. onde corta uma região estruturalmente situada entre os alinhamentos das serras. Alinhamentos de Cristas do Paraíba do Sul e Depressão Escalonada dos Rios PombaMuriaé. lacustre. A deposição do delta foi influenciada por diversos fatores dentre os quais cita-se o regime 219 . Nesta região foram identificadas as unidades geomorfológicas Depressão do Médio Paraíba do Sul.. através de ramificações diversas do maciço da Serra do Mar e da Mantiqueira. além dos sedimentos de origem marinha. corresponde a um conjunto de ambientes sedimentares relacionados principalmente às fases de progradação costeira (avanço da linha de costa). indicando uma oscilação do nível do mar. ambos atribuídos ao Terciário Superior e ao Quaternário.

Pomba. A declividade média deste setor é de 0. 1994). relativamente ao paralelo geográfico. A direção do canal principal sofre sensíveis variações ao longo de seu traçado. observa-se que. como os principais sistemas de drenagem que interagem com o canal principal. as ações marinhas e o comportamento tectônico. conseqüentemente. São reconhecidas 4 unidades geográficas distintas ou províncias ao longo do Rio Paraíba do Sul (Figura 98). Tendo como base estas características. Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Paraibuna. Trechos encachoeirados podem ser evidenciados neste setor. Destes. atingindo o oceano Atlântico. entre Guararema e Cachoeira Paulista. O seu curso se desenvolve com inclinação média de cerca de 30°. exibindo regime torrencial. Na zona de Lorena há acúmulo de depósitos de areia.7%) e Minas Gerais (24. oposta ao primeiro traçado. Ao longo do seu traçado e do percurso da rede contribuinte. tomando a direção Nordeste. onde o rio corre para Leste. Desta forma. Bananal.O curso médio superior se desenvolve em um traçado sinuoso por cerca de 300 km. Nos últimos 80 km de curso inferior.4%) (COSTA.19 m/km. Este trecho possui fortes declives (cerca de 4. o Rio Paraíba do Sul drena os estados de São Paulo. Paraibuna mineiro. com 37.Compreende as nascentes do Rio Paraíba (situadas à cerca de 1800 m de altitude) até as cercanias de Guararema. Dentro do sistema do Paraíba do Sul. na região acima de Guararema. O Rio Paraíba do Sul é formado pela confluência dos Rios Paraitinga e o Paraibuna. o Rio Paraíba do Sul. Bocaina. alguns tributários destacam-se pelo seu porte e sua alta complexidade ambiental. refletindo o trabalho fluvial sobre os terrenos sedimentares de origem terciária.9% da área total. o Estado do Rio de Janeiro é o que exibe maior área drenada pelo sistema. para Leste. Una. Médio Vale (superior e inferior) . podem-se considerar os Rios Paraitinga. após receber as águas do Rio Pomba. Dois Rios e Muriaé. Destaca-se a presença de vários meandros mortos. Piagui. Paquequer. o canal corre na direção Sudoeste.fluvial. guinando abruptamente à direita e. 220 . deixa as formações cristalinas e segue. em inúmeros meandros. Seguem-se os estados de São Paulo (37. Essa direção é mantida na maior parte do percurso médio. A conjugação desses fatores forçou uma progradação da linha de costa por mais de 30 km e a mudança do curso do Rio Paraíba do Sul em direção ao norte. Piabanha. O curso médio inferior possui comprimento aproximado de 430 km e declividade média de 1m/km. as quais foram descritas detalhadamente por Ab'SABER & BERNARDES (1958) e cujos elementos diagnósticos podem ser sintetizados como segue: Alto Vale .9 m/Km). exceto em um curto trecho compreendido entre Cachoeira Paulista e Barra do Piraí.

em muitos casos . O trecho em questão exibe pequena declividade. Domínio das lagoas . Tais unidades foram. são alimentados pelo transbordamento do Rio Paraíba do Sul.00 Figura 98. Domínio das ilhas fluviais .00 Médio Vale Inferior Altitude (metros) 1000.00 Alto Vale Médio Vale Superior 1500.00 Altitude (metros) 1000.Dmlm.Dla. ao longo de nossos estudos denominados: Domínio das serras e do planalto .00 600. é possível identificar a existência de subunidades ambientais inseridas dentro dos grandes domínios geográficos. A localização de cada um dos domínios dentro do perfil longitudinal do Rio Paraíba do Sul encontra-se na Figura 99. Domínio das corredeiras . com a indicação das unidades geográficas Baixo Vale .00 1200.Dcor.A área do baixo Paraíba do Sul se desenvolve de São Fidélis até a foz.00 200. brejos.00 0. com valores médios de 0. que abrange toda a planície litorânea desde a orla da Lagoa Feia até a divisa dos estados do Rio de Janeiro e Espirito Santo. lagos e lagoas) que. Domínio de meandros com condicionamento estrutural . Domínio dos depósitos fluviais .00 2000.Dme. Nesta unidade geográfica há um apreciável número de sistemas lênticos (i.22 m/km. A terminologia adotada para a denominação dos domínios reconhecidos expressa a dominância de determinados elementos da paisagem.00 Baixo Vale 500.00 400.00 0. Através da avaliação da paisagem de cada uma das grandes divisões descritas acima e interagindo as variações longitudinais com o aspecto dos diferentes trechos.00 Extensão (km) 800.00 1000.00 Extensão (km) 800.00 0.00 600.Dif.00 1500.00 400.e.00 500.00 0..00 200. Domínio dos meandros com lagoas marginais .00 1200.Dsp. atravessando a região denominada Planície dos Goytacazes.Perfil longitudinal do Rio Paraíba do Sul.Ddf. 221 .00 1000.2000.

o elemento mais marcante dentro do contexto regional é a presença de inúmeros meandros. três são os níveis de terraços mais nítidos existentes na Bacia de Resende a partir do talvegue do Rio Paraíba.00 Dif Ddf Dla 500. A concentração de meandros é particularmente elevada nas cotas mais altas. um de 5 a 8 metros dotado de potentes 222 . associados a ampla faixa juxtafluvial.00 800. A planície formada é ladeada de baixos terraços fluviais do Paraíba. Domínio dos corpos fluviais – Dcf Até Jacareí na altitude de 1800 metros. após 200 quilômetros de curso. De acordo com AB'SABER & BERNARDES (1958). há um trecho de menor declive porém ainda acidentado. onde o canal torna-se mais encaixado. que ocorre a 620 metros de altitude. A variação de declividade é particularmente marcante e determina o caráter dinâmico do sistema fluvial neste setor.00 1000. perdendo densidade progressivamente e.00 0. ao transpor as colinas tabulares suavizadas de Resende e penetrar no cristalino. o Paraíba recebe.00 0. correspondendo a uma energia de relevo acentuada.00 200. Tendo sua origem a 1800 metros. Daí para a confluência com o Paraibuna. onde gradualmente o leito do rio se livra dos travessões e das corredeiras. Este fato favoreceu a construção da UHE Funil no local.00 Extensão (km) Figura 99 – Domínios geoambientais do Rio Paraíba do Sul A descrição de cada domínio é apresentada abaixo. O regime fluvial é marcado pela presença de corredeiras. Trata-se da área de alto curso do rio. desde as nascentes até as proximidades da ponte da estrada de Cunha é de 700 metros em 65 quilômetros.00 Dcor 1000.00 1200. Sucessões entre rápidos e piscinas podem ser observados nos trechos mais elevados. forma uma extensa planície de inundação.00 600. na região de Floriano.00 Dsp Dmlm Dme Altitude (metros) 1500. desaparecendo a proporção que os morros cristalinos tornam-se mais aproximados do canal fluvial. Nesta região.Dme Na região entre Barra do Piraí e Jacareí.00 400.2000. Por fim o rio atinge o cotovelo de Guararema. o elemento mais marcante é a forte e expressiva rede de drenagem. A declividade do leito do rio em seu primeiro trecho. em seguida. O Rio Paraíba do Sul. Uma interrupção no aspecto meandrico do rio ocorre entre São José do Barreiro e Cruzeiro. com uma área inundada de 279. na nascente do Rio Paraitinga (= Paraíba) encontra-se o último domínio geoambiental reconhecido. Domínio dos meandros . O aspecto geral dos sistemas é fortemente dendrítico. onde as superfícies de aplainamento superiores do Brasil Tropical Atlântico estão muito bem representadas.4 km2. na qual de localizam diversos braços mortos convertidos em lagoas marginais. a confluência do Rio Paraibuna.

é atividade prioritária no local. Consequentemente. sem formação de meandros na maior parte de seu traçado. as quais utilizam os sistemas marginais como áreas de crescimento. Embora na região a partir de Três Rios ocorram algumas inflexões do canal fluvial.) particularemente relevantes. dentre os quais os Rios Paraibuna e Piabanha mostramse os mais expressivos. o que gera pequena declividade. com meandros pequenos e aproximados. Neste trecho. um de 60 a 70 metros. o Rio Paraíba passa as apresentar aspecto predominantemente retilíneo. tornando-se. marcado pela presença de um canal fluvial fortemente sinuoso. Assim como o evidenciado no domínio anterior. o qual apresenta uma fauna bastante particular. caracterizando um novo domínio que exibe alta diversificação ambiental. passando da cota 80 para a cota 20. a altitude passa de 290 m até 80 m. favorecendo a ocorrência de inúmeras espécies ícticas. A variação altimétrica é de 60 metros. terrenos cristalinos e. englobando tanto táxons de pequeno porte como grandes peixes de valor comercial. o rio apresenta formato sinuoso com inflexões mais marcadas na região de Coronel Teixeira. em termos de relevância ambiental relativa. as áreas de deposição são comuns. Além das ilhas. A maior parte da rede de drenagem é composta por bacias de pequena ordem.S. condicionados estruturalmente e particularmente bem representados na região entre a foz do Rio Monte Alegre e Sebastião Lacerda. contribuintes de maior porte) confere forte hidrodinamismo ao trecho.cascalheiros de seixos miúdos. Domínio das ilhas fluviais – Dif No trecho entre a cidade de São Sebastião do Paraíba e a foz do Rio Dois Rios. Dentre os fluviais da região. Domínio das corredeiras – Dcor No trecho a jusante de Andrade Pinto e a montante de São Sebastião do Paraíba. o principal ambiente fluvial associado a este domínio.N. 223 . A presença de ilhas gera situações diferenciadas de hidrodinamismo e de batimetria. próximo de Andrade Pinto. marcada por apresentar pequenos espaços alveolares e apertado entre os morros cristalinos. a regulamentação do uso das várzeas. Observa-se no domínio das corredeiras a comunicação do Rio Paraíba com afluentes mais expressivos.Dme No trecho entre Barra do Piraí e Andrade Pinto estabelece-se o quinto domínio geoambiental. dotadas de tamanhos diferenciados. notadamente no trecho entre Porto Marinho e Portela. finalmente. Nesta região. cortando sedimentos terciários e para jusante e montante. o padrão retiliniforme se prolonga de forma bastante homogênea até Três Pontes. o Rio Paraíba do Sul apresenta marcada dominância de ilhas fluviais. Cambuci em áreas próximas a Itaocara. um 25-30 metros. ocorrem afloramentos e corredeiras. o Rio Pomba é o único com dimensões elevadas. Domínio de meandros com condicionamento estrutural . As lagoas marginais ali presentes desempenham papel chave no desenvolvimento de espécies de peixes reofílicas. embora não desvinculada do contexto da ictiofauna do Rio Paraíba do Sul. forma do canal. o que torna os problemas de assoreamento e acúmulo de metais (procedentes. historicamente utilizada para dar suporte a cultivos diversos. Nesta região. por exemplo da C. A interação dos aspectos supracitados (declividade.

O canal fluvial. conseqüentemente. na foz do Muriaé. A rede de drenagem torna-se gradualmente mais densa. exibindo profundidade elevada e possuindo algumas ilhas. os sistemas integrados à Bacia do Paraíba do Sul no trecho dos domínios dos depósitos fluviais são. O somatório destas condições e o efeito sinérgico gerado favorecem grandemente os processos de deposição. As variações altimétricas são pequenas. É justamente a dominância expressiva dos processos de deposição que caracteriza esta área. muitos dos quais associados às ilhas. demonstrando a pequena complexidade da maior parte dos sistemas fluviais que ocorrem neste trecho. como será detalhado no Item 3. A área encontra-se mantida por um equilíbrio entre processos de deposição e transporte.Dla Esta região. de aspecto sinuoso. ocorrendo diversas subbacias associadas a este trecho.Figura 100 . Poucas são as bacias hidrográficas que. as quais tendem a se concentrar no canal principal e em rios maiores. delimitada a jusante pela foz do Rio Muriaé e a montante pela foz do Rio Dois Rios. em sua maioria. apresentam uma hierarquia fluvial superior a 4. próxima ao Rio Morto. um sistema com reduzida declividade mostra particular importância por atuar como uma rota migratória para diversas espécies de peixes. Este aspecto se traduz em uma reduzida oferta de espaço para espécies de maior porte. na região do Rio Dois Rios para a cota 10. dentro do domínio considerado. corre em área de pequena declividade. os nomes dos cursos d'água são conhecidos apenas pela população local. é marcada pelo alargamento expressivo da planície aluvial (planície dos 224 . com a formação de inúmeros areais. com curvas alongadas e sem meandramentos bem marcados. Dentre estes. A única lagoa remanescente é a Lagoa do Mel. consistindo na passagem da cota de 20 m. Domínio das Lagoas . O curso como um todo apresenta extensão aproximada de 40 km. Apesar de abundantes. que se estende desde a foz do Rio Paraíba do Sul até a confluência com o Rio Muriaé. de pequena ordem e.Ddf A partir do encontro do Rio Paraíba do Sul com o Rio Muriaé observa-se a progressiva redução da planície aluvial.Domínio das ilhas fluviais Domínio dos depósitos fluviais . com a eliminação das grandes lagoas e brejais que marcavam o domínio anterior. já na Bacia do Rio Muriaé. no caso os Rios Muriaé e Dois Rios. o Rio Muriaé.

visto que áreas aparentemente isoladas estabelecem comunicações múltiplas entre si e com o próprio rio durante o período das cheias. lagoas que não se encontram diretamente associadas ao Rio Paraíba do Sul passam a integrar o sistema por via de diversos canais de drenagem implantados na região. Os processos de extravasamento do Rio Paraíba e as comunicações estabelecidas entre os corpos associados a este canal fluvial permitem a comunicação do complexo com outras áreas lacustres que durante a maior parte do ano se encontram isoladas. refletindo os séculos de obras de drenagens e de retificações efetuadas no sentido de sanear a baixada campista e viabilizar as atividades agrícolas (notadamente o cultivo da cana) e a pecuária de bovinos na região. se não forem acompanhadas as variações temporais nas áreas dos sistemas enfocados. como brevemente relatado no início deste capítulo.Goytacazes). Com relação aos ambientes fluviais associados a essa região e diretamente ligados ao Rio Paraíba do Sul. Embora muitos dos trabalhos produzidos a 225 . Definir com precisão quais corpos efetivamente estabelecem comunicações com o Rio Paraíba do Sul é uma tarefa particularmente difícil. A declividade longitudinal é pouco expressiva. estando separado deste sistema por corpos lagunares. o volume de trabalhos sobre a icitofauna da Bacia do Rio Paraíba do Sul aumentou significativamente a partir da década de 70. a região conta. Os limites do domínio situam-se entre as cotas 0 e 10 metros. representando aquelas regiões ligadas diretamente ao Paraíba durante a maior parte do ano. A definição de uma área de influência do Rio Paraíba do Sul sobre os complexos lacustres da região é um processo pouco preciso. o Córrego da Cataia e o Valão da Ponte (associados à Lagoa do Campelo). Destacam-se. todos mostram-se fortemente antropizados. Nesta área destaca-se a presença de inúmeras lagoas. Uma vez que a Lagoa Feia passa a ser incluída no sistema do Paraíba do Sul por conta de sua comunicação com o canal principal por intermédio do canal Macaé-Campos e pelos extravasamentos naturais do Rio Paraíba. foi identificada uma área de influência direta do Paraíba. como na região de influência indireta. exibindo extensão aproximada de 37 km. a vala do Pires. Contudo. dentre os sistemas fluviais associados a este domínio. com diversos setores nos quais o lençol freático rebaixado e o solo pouco permeável permitem a formação sazonal de pequenas lagoas. Assim sendo. Invariavelmente. cujos nomes são conhecidos apenas por moradores locais. são eles: o canal Macaé-Campos (associado à Lagoa Feia). associadas direta ou indiretamente ao rio principal. englobando áreas que se comunicam com o Rio Paraíba durante as épocas de maior pluviosidade e rios indiretamente ligados ao Paraíba. Concomitantemente. tanto em sua área de influência direta. o canal do Degredo (ligado à Lagoa do Taí) e a Vala Campo Novo (ligada à Lagoa da Figueira). toda uma séria de sistemas fluviais se tornam indiretamente ligados ao Paraíba. e uma área de influência indireta. Além dos corpos lacustres. mais de uma designação é feita para o mesmo ambiente. Alguns rios consistem apenas em canais de comunicação entre os corpos lagunares. Estudos desenvolvidos A Bacia do Rio Paraíba do Sul foi alvo de diversas amostragens ainda no século XIX e no início do século XX. alguns ambientes que assumem especial relevância por estabelecerem a comunicação das lagoas com o Rio Paraíba do Sul.

que apresentaram um levantamento da ictiofauna do Paraíba do Sul entre a UHE de Funil e a cidade de Barra do Pirai. ao descrever a ictiofauna do estado de São Paulo. OLIVEIRA (1997) e PEREIRA (1997)]. que enfocou a distribuição da ictiofauna no trecho entre Três Rios e Campos dos Goytacazes. (1983). BIZERRIL (1995a). em resumo de congresso. que tratou da composição e da estrutura da comunidade de peixes do médio e baixo Paraíba do Sul e de ESPIRITO-SANTO et al. 1989). listou as espécies do Rio Paraíba do Sul. pode-se mencionar o trabalho de SUPPA & BUCKUP (1997) no qual os autores reconhecem.deste período até o presente ainda mantenham conotação eminentemente taxonômica (que tanto caracterizavam os trabalhos publicados nos séculos XIX e início e meados do século XX. o estudo da MONASA (1986) e o convênio ENGEVIX/URFJ (1991). enquanto no presente trabalho consideramos apenas a existência de quatro morfoespécies. (1997). Somam-se aos trabalhos técnicos de divulgação dentro do universo acadêmico. dois dos quais estiveram integrados à Cooperação Brasil-França para o estudo da Bacia do Rio Paraíba do Sul. BOCKMANN et al. se confirmados. diversos estudos de avaliação ambiental elaborados por instituições diversas.g. Assim. enfocando esta bacia em particular) [e. que ao coordenar o “Projeto de Biotetecção de Tóxicos em Sistemas Fluviais de Utilização em Captação de Água em Sistemas Públicos de Abastecimento”. de NUNANN et al. reprodução e interação da ictiofauna com aspectos bióticos e abióticos da bacia. Como exemplo. 1996). A Bacia do Rio Paraíba do Sul conta com mais de 160 espécies de peixes. BARROS. 8 espécies de Rineloricaria na bacia. há a preocupação de descrever aspectos relativos a distribuição. CARAMASCHI & CARAMASCHI (1991). BIZERRIL (1998) apresentou uma análise de toda a Bacia do Rio Paraíba do Sul sintetizando informações existentes e apresentados novos dados obtidos ao longo de cinco anos de coletas realizadas na bacia. MAZZONI & PERESNETO (1994). LANGEANI (1990). Alguns estudos. Dentre os levantamentos gerais destacam-se os trabalhos de BRITSKI (1972) que. muitos dos artigos e estudos efetuados assumem uma conotação ecológica. MAZZONI et al.. com especial ênfase às presentes em território paulista. COSTA (1992). sobre a ictiofauna de diversos setores da bacia situados dentro do território fluminense (cf. SP. podem vir a elevar o número de espécies da bacia. Aspectos relacionados à pesca na Bacia do Paraíba do Sul e em ambientes periféricos foram sintetizados nos trabalhos de BARROSO (1989) e BARROSO & BERNARDES (1995). Destas. de ARAÚJO (1985. que relataram a ocorrência de 28 espécies de peixes em Pindamonhangaba. (1993). relacionou as espécies da bacia. 226 . (1996). além de consistirem em levantamentos taxonômicos. destacam-se os trabalhos da FEEMA. Recentemente. de ARAÚJO (1983).

Os grupos marinhos. ocorrendo.Unidades amostradas por BIZERRIL (1998) dentro da cooperação Brasil-França Os taxa inventariados na bacia podem ser ordenados em três grandes grupos.Fonte: BIZERRIL (1998) Figura 101 . tendem a exibir distribuição limitada ao ultimo domínio ambiental da bacia (i. 227 . representados nas espécies de água doce nativas. imaturo e de adulto com gônadas bem desenvolvidas. como sendo os grupos marinhos com maior distribuição no interior da bacia. liza) a carapeba (Diapterus rhombeus). a manjuba (Anchoviella lepidentostole). tendo sido registradas em diversos pontos interiores do canal principal e de alguns dos tributários. o peixe flor (Awaous tajasica). contudo.e. o parati (Mugil curema) a tainha (M. Algumas espécies. possuem distribuição ampla na bacia. relacionados na Quadro 59. Espécies como o peixe cachimbo e o peixe flor notabilizam-se por possuírem pequeno porte e por terem sido coletados em diferentes estágios de desenvolvimento no interior da bacia. Considerando os dados secundários consultados e as informações reunidas nas campanhas de campo desenvolvidas especificamente para o presente estudo pode-se destacar o robalo (Centropomus paralellus).. como pode ser constatado na Figura 102. o xerelete (Caranx latus) e o peixe caximbo (Oostetus lineatus). em sua maioria na área próxima à foz do Rio Paraíba do Sul. domínio das lagoas marginais). aspectos estes que sugerem se tratar de táxons que fecham o seu ciclo vital no interior da bacia. espécies marinhas e espécies dulciaqüícolas introduzidas. incluindo as fases de juvenil.

Quadro 59 – Espécies marinhas coletadas na Bacia do Rio Paraíba do Sul ANGUILIFORMES OPHICHTHYIDAE Myriophis punctatus CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Platanichthys platana ENGRAULIDIDAE Anchoa januaria Anchovia clupeoides Anchoviella lepidentostole SILURIFORMES ARIIDAE Netuma barba Cathrops spixii Genidens genidens Sciadeichthys luniscutis ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis BELONIFORMES BELONIDAE Strongylura timucu PERCIFORMES CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus MUGILIDAE Mugil curema M. gaimardinus SCIAENIDAE Micropogonias furnieri Bairdiella ronchus CARANGIDAE Caranx bartholomaei C. greeleyi Fonte: ARAÚJO (1996). liza M. triocellatus TETRAODONTIFORMES TETRAODONTIDAE Sphoeroides testudineus S. BIZERRIL (1998) Mugil liza/Anchoviella lepidentostole Mugil curema 228 . olisthostomus GOBIIDAE Awous tajasica Bathygobius soporator Gobionellus oceanicus Gobionellus sp. lugubris Oligoplites saurus GERREIDAE Gerres aprion Diapterus rhombeus D. ELEOTRIDIDAE Eleotris pisonis Dormitator maculates Guavina guavina PLEURONECTIFORMES ACHIRIDAE Achirus lineatus PARALICHTHYIDAE Paralichthys isosceles P. latus C. orbignyana P.

Nesta categoria tem-se como exemplo mais representativo o dourado (Salminus maxilosus) introduzido no Rio Paraíba do Sul em 1946 entre as cidades de Guaratinguetá e Taubaté (SP) (NOMURA. como os registrados na Bacia do Rio Muriaé e entre São Fidélis e Itaocara. Lagoa da Cataia. em casos extremos possa levar à extinção de táxons autóctones. introduzidas por razões diversas no sistema.Centropomus parallelus Caranx latus/Oostethus lineatus Awaous tajasica Diapterus rhombeus Figura 102 – Amplitude de distribuição de algumas espécies marinhas eurialinas e de A. 1991). seja usualmente danosa e. 229 . dentro dos limites do Estado do Rio de Janeiro.e. Esta crença tem conduzido a novos peixamentos de S. Um conjunto ictiofaunístico recente na bacia é aquele representado pelas espécies exóticas. Lagoa do Jacu). alguns grupos ícticos foram introduzidos por iniciativas oficiais. apresenta a maior quantidade de taxa introduzidos (ver item Espécies Introduzidas). ambientes caracterizados pelas condições eminentemente oligoalinas de suas águas (ver ENGEVIX/UFRJ. O grau de aclimação do dourado é tamanho que muitos moradores da região acreditam se tratar de espécie nativa. 1978) e atualmente em perfeita comunhão com as condições ambientais da bacia como um todo. notabiliza-se por ocupar diversas lagoas marginais do Rio Paraíba do Sul (i. maxilosus.. por exemplo. Embora a introdução de espécies não nativas em ambientes com características insulares. sendo esta a bacia que. tajasica na Bacia do Rio Paraíba do Sul A espécie Platanichthys platana. embora não tenha sido registrada após a desembocadura do Rio Muriaé. como é o caso de bacias hidrográficas isoladas.

1995) para rios do leste Brasileiro. na bacia como um todo. Nematolebias e Sympsonichthtys. 230 . 2000) e para o Rio Itapemirim (cf. Possivelmente este fenômeno. para o Rio Ribeira (cf. estando ausentes apenas os gêneros Kronichthys. a ocorrência da maior parte dos gêneros de peixes de água doce registrada nos rios integrados à província ictiogeográfica do sudeste brasileiro dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.A semelhança entre a bionomia de espécies nativas e introduzidas é um aspecto que pode conduzir a um processo de exclusão de grupos que possuem menor potencial biótico.. o que concorda com o padrão descrito por BIZERRIL (1994.g.g. Aos grupos supracitados somam-se algumas espécies com representantes em bacias integradas às drenagens do Paraná e do São Francisco (e. Espécies ictiófagas.. Os táxons inseridos nesta ordem encontram-se agrupados em 6 famílias. A fauna de água doce nativa é formada essencialmente por peixes Otophysi. A bacia mantém ainda uma série de taxa que. Listrura. Pogonomopoma.g. Cheirodon. como Clarias gariepinnus. Pareiorhaphis.. Leptolebias.e. aspecto este de especial interesse biogeográfico. lhe são exclusivos (e. 1994). Pseudocorynopoma. dentro da área em questão apenas as Bacias dos Rios Ribeira de Iguape (SP) e Cachoeiro de Itapemirim (ES) apresentam dimensões próximas à apresentada pela Bacia do Rio Paraíba do Sul. Pseudotothyris. opalinus) na bacia e o concomitante aumento na população de dourados (S. os Siluriformes foram os que mostraram maior riqueza de espécies. gerar impactos significativos sobre a biodiversidade do Rio Paraíba do Sul. De fato. um arranjo comum às demais bacias da região Neotropical (LOWE McCONNELL. Delturus.. provavelmente. representando. Rachoviscus. e Cichla spp. 1987). Phallotorhynus) e ausentes em outros sistemas fluviais do leste brasileiro. um grande número de espécies (Quadro 60) com tamanhos variando entre menos de 1 cm a algo próximo de 80 cm. Oligobrycon) ou compartilhados com Rios do Espírito Santo (e. ENGEVIX. Rhamdiopsis. das quais Characidae engloba a maior riqueza de espécies. 1994 e BRITSKI. Pareiorhina. Rivulus. se expandirem sua distribuição para áreas que se notabilizam por manterem ictiocenoses com alto grau de endemismo poderão. A ordem Characiformes reúne. 1997)] Em sua composição geral verifica-se. associado às alterações ambientais sofridas pela bacia. Steindachneridion). Pseudotocinclus. por exibir alta biodiversidade. Quanto a sua fauna de água doce nativa. Dentre as ordens inventariadas. a Bacia do Rio Paraíba do Sul se destaca. Trichogenes. a área com maior riqueza ictiofaunística deste local. na bacia. BIZERRIL & LIMA. dentro dos limites geográficos considerados. dentro da unidade ictiogeográfica do sudeste brasileiro (sensu BIZERRIL. poderia explicar a redução nos estoques de piabanhas (B. como será discutido. Spintherobolus. embora exibam riquezas bióticas muito inferiores [i. maxilosus). através de interação predatória.

laroi CHARACIDAE Brycon opalinus Brycon sp.2 Characidium sp. duragenys Cheirodon parahybae Oligobrycon microstomus Probolodus heterostomus Gen. cf. mormyrops L. Oligosarcus hepsetus Mimagoniates microlepis Astyanax sp.nov Traíra Curimbatá Curimbatá Sairu Piau Piau Piau Piau Canivete Canivete Canivete Canivete Canivete Canivete Piabanha Pirapitinga Bocarra Lambari Lambari Lambari do rabo amarelo Lambari do rabo vermelho Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Piquira Lambari Sem nome vulgar Nome Vulgar A maioria das espécies apresenta hábitos omnívoros sem especializações tróficas (Figura 103). um pequeno Characidae.3 Characidium sp. taeniatus Bryconamericus tenuis Deuterodon pedri Hyphessobrycon bifasciatus H.Ictiofauna da Bacia do Rio Paraíba do Sul . Especializações podem ser observadas nas famílias Curimatidae e Prochilodontidae. foi detalhadamente estudado por SAZIMA (1977). interruptum Characidium sp. scabripinnis A. reticulatus H.Characiformes Táxon ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus PROCHILODONTIDAE Prochilodus vimboides P. os quais são iliófagos. cujo hábito de se alimentar de escamas de outros peixes (lepidofagia). lineatus CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert ANOSTOMIDAE Leporinus sp L. 231 .1 Characidium sp.sp.nov.Quadro 60 . conirostris CHRENUCHIIDAE Characidium alipioi C.4 C. Luetkeni H. em especial de Astyanax parahybae. Astyanax bimaculatus Astyanax parahybae A. giton A. copelandii L. e em Probolodus heterostomus.

são particularmente ideais aos pequenos Chrenuchiidae (canivetes) e Astyanax scabripinnis. As áreas de fonte. D. Logicamente algumas condições mostram-se mais propícias a determinados grupos. Peixes como os dos gêneros Brycon (piabanha e pirapitinga) e Salminus (dourados) são mais comuns em locais de dinâmica intermediária. favorecem sobremaneira os estoques populacionais dos ictiófagos Erythrinidae. por exibirem condições fortemente limitantes. enquanto os remansos. tais como baixa produtividade biológica e alta instabilidade ambiental. Brycon spp. mantêm poucas espécies de Characiformes. Os compartimentos de transporte e de armazenamento dos sistemas fluviais concentram a maior riqueza de espécies. tais como os Chrenuchiidae. O. tão característicos dos domínios dos depósitos fluviais. o que reflete a grande diversificação morfológica e ecológica do grupo. P. C.O.GUILDAS TRÓFICAS PREDOMÍNIO DA ICTIOFAGIA INSETÍVOROS (Ictiofagia ocasional em alguns grupos) ILIÓFAGOS OMNÍVOROS LEPIDÓFAGOS Hoplias malabaricus.. Astyanax spp. microlepis. Bryconamericus spp. A ordem Siluriformes é a mais bem representada na bacia (Quadro 61). hepsetus. H. gilbert Fonte: BIZERRIL (1998) Figura 103 – Distribuição dos Characiformes nas guildas tróficas A distribuição dos Characiformes abrange todos os domínios. C. unitaeniatus Characidium spp. mantendo especialmente grupos bentônicos. pedri. seguindo o padrão geral verificado na região leste brasileira. áreas de corredeiras. parahybae. Leporinus spp. São igualmente comuns nestes locais os peixes generalistas pertencentes aos gêneros Astyanax e Cheirodon (lambaris). tais como margens vegetadas. Assim. respectivamente (Figura 104). microstomus. bem como os lepidófagos Probolodus heterostomus (lambari). Hyphessobrycon spp. dos corpos lagunares e das ilhas. próximas às corredeiras. 232 . ou nos pontos de conexão fluvial. M. as quais ocorrem nos microambientes de remansos e na porção marginal dos rios. dos iliófagos Prochilodontidae e Curimatidae e dos omnívoros Anostomidae (piaus).. tais como as verificadas em abundância no domínio das corredeiras fluviais e no alto curso de diversos tributários. heterostomus Prochilodus spp.

Astyanax spp.. Characidium sp. L. unitaeniatus. C.. microlepis. Characidium sp. entre os Siluriformes. Leporinus spp. hepsetus. hepsetus. malabaricus. A scabripinnis Brycon spp. Prochilodus spp. 233 . Astyanax spp. laroi. mormyrops. C.cf.1.4. Hyphesobrycon spp. hepsetus.REMANSOS FONTE CORREDEIRAS Astyanax scabripinnis Characidium sp. gilbert.2. gilbert. C. Prochilodus spp. microlepis. observamos.taeniatus). (excluindo A scabripinnis). (excluindo A scabripinnis e A. Brycon spp. L.. alipioi. conirostris. microstomus. tahyeri. interruptum O. O. H. L. M. Astyanax taeniatus ARMAZENAMENTO PORÇÃO MARGINAL DO RIO PORÇÃO CENTRAL DO RIO O. C. H. parahybae. gilbert. D. pedri TRANSPORTE REMANSOS CORREDEIRAS Brycon spp. H. malabaricus. C. C. heterostomus. Bryconamericus spp... M. o que favorece o uso multidimensional dos recursos espaciais disponíveis na bacia. Fonte: BIZERRIL (1998) Figura 104 – Distribuição dos Characiformes nos grandes ambientes da Bacia do Rio Paraíba do Sul Assim como o verificado para os Characiformes.. P. O. taeniatus). Leporinus spp. uma grande diversidade de formas e hábitos. copelandii. (excluindo A scabripinnis e A. Prochilodus spp.3. C. Characidium sp.. Astyanax spp. L..

maria mole. Rhamdioglanis frenatus TRICHOMYCTERIDAE Microcambeva barbata Trichomycterus albinotatus T. moreia Cambeva. moreia Cambeva. paquequerensis T. maria mole. itatiayae T. moreia Cambeva.2 Trichomycterus sp.1 Trichomycterus sp. Pareiorhina rudolphi Pogonopomoides parahybae Rinelepis aspera Hemipsilichthys sp. moreia Cambeva. maria mole. moreia Cambeva. maria mole. maria mole.Ictiofauna da Bacia do Rio Paraíba do Sul Siluriformes e Gymnotiformes Táxon SILURIFORMES AUCHENIPTERIDAE Glanidium melanopterum Parauchenipterus striatulus PIMELODIDAE Acentronichthys leptos Microglanis parahybae Steindachneridion parahybae Pimelodella sp. vermiculatus Trichomycterus sp. maria mole. maria mole. travassoi T. moreia Cambeva. maria mole. maria mole. moreia Cambeva. H. notatus Otocinclus affinis Parotocinclus maculicauda Otothyris lophophanes Schizolecis guntheri Pseudotocinclus tietensis Neoplecostomus microps N. moreia Cambeva. moreia Cambeva. hartti Rhamdia quelen Imparfinis minutus Taunayia bifasciata Rhamdiopsis sp. mimonha T. moreia Cambeva. moreia Cambeva. gobio Hisonotus sp. mirissumba T. maria mole. moreia Cambeva. maria mole. auroguttatus T. maria mole. maria mole. moreia Cambeva. moreia Cambeva.3 Trichomycterus sp. maria mole. Harttia carvalhoi Nome Vulgar Cumbaca Cumbaca Sem nome vulgar Cumbaca Surubim Mandi chorão Mandi chorão Mandi chorão Jundiá Mandizinho Sem nome vulgar Sem nome vulgar Mineiro branco Sem nome vulgar Cambeva. P. lateristriga P. goeldii T. moreia Cascudo Cascudo Cascudo Sem nome vulgar Sem nome vulgar Cascudo leitero Cascudo Cascudo Cascudo Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Cascudo Caximbau 234 . H. moreia Cambeva.4 LORICARIIDAE Delturus parahybae Hypostomus affinis H. maria mole. variipictus Ancistrus sp. maria mole. immaculatus T. maria mole. florensis T. santae-ritae T. luetkeni Pareiorhina sp. triguttatus T.Quadro 61 . moreia Cambeva.

235 . cascudos (Hypostomus spp. sarapós e peixesfaca (Gymnotiformes). Hempsilichthys gobio. dentre outros. tamboatás (Callichthys callichthys.Táxon H. embora estes. Paraeiorhina rudolphi. camboatá Ferreiro Ferreiro Ferreiro Sassá mutema Tuvira Tuvira Tuvira Tuvira Tuvira Há o predomínio. e as cumbacas (G. prionotus. havendo maior riqueza de espécies nos remansos e nas porções marginais (Figura 106). de grupos generalistas quanto ao aspecto trófico. os peixes-ferreiro das espécies Corydoras nattereri e C. Parotocinclus. quelen). a maior diversidade de Siluriformes se dá nos trechos de transporte e de armazenamento. nattereri C. como se registrou para o jundiá (R. Estes locais mostram-se ideais para os pequenos Trichomycteridae (cambevas). Schizolecis guntheri). Glanidium melanopterum).sylvius HYPOPOMIDAE Brachypopomus janeiroensis STERNOPYGIDAE Eigenmannia virescens Nome Vulgar Caximbau Caximbau Caximbau Caximbau Caximbau Caximbau Tamboatá. pequenos mandizinhos do gênero Pimelodella e Microglanis. Hisonotus. se concentrem no grupo de insetívoros. Otothyris). ao contrário do verificado para os Characiformes. estes últimos particularmente comuns entre a vegetação marginal. Rineloricaria sp.e. o bagre-amarelo (Rhamdia quelen). que engloba todos os cascudos (Loricariidae) presentes no sistema em estudo. Caracteristicamente. prionotus Hoplosternum littoralle GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo G.).. limpa-fundos (Corydoras barbatus) e para o mineiro-branco (Rhamdioglanis frenatus). verifica-se que a ordem em questão exibe maior riqueza relativa de espécies no alto curso dos rios. T. loricariformes Loricariichthys sp. melanopterum. Neoplecostomus spp. pantherinus G. striatulus) (Figura 105). entre os Siluriformes.1 Rineloricaria nigricauda Rineloricaria steindachneri Rineloricaria sp.2 CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys Corydoras barbatus C. alguns cascudos (i. Comparativamente aos Characiformes. A segunda guilda trófica com maior riqueza de espécies é a dos iliófagos. Nos pontos com águas barrentas e pouco movimentadas predominam os mandis as cumbacas (Parauchenipterus striatulus. Dentre estes. Hoplosternum litoralle) e cascudinhos (gêneros Otocinclus. estão algumas espécies que ingerem ocasionalmente peixes. onde dividem o espaço como as tuviras.

H.. Delturus spp. parahybae. P.. S. Phallopthychus januarius. Hartia spp. enquanto Phallotorynus fasciolatus é restrito aos domínios 1 e 2. macrurus Hypostomus spp. 236 .. O. Pimelodella spp. A ordem Synbranchiformes possui apenas uma espécie (Synbranchus marmoratus. parahybae C. R. striatulus. barbata. leptos.. I. Rhamdiopsis sp. Ancistrus sp. maculicauda. A ordem como um todo ocorre em todos os domínios considerados. Pimelodus ssp. R.. como se observa para as espécies dos gêneros Poecilia.. aspera. A. P.. T. o muçum). Phallotorhynus fasciolatus)] e Anablepidae [barrigudinho pintado (Jenynsia multidentata)] são comuns em remansos. Taunaya marginata. com as famílias Poeciliidae [barrigudinhos (Poecilia vivipara Phalloceros caudimaculatus. Pimelodella spp. Loricariichthys sp.. Os Cyprinodontiformes. Trichomycterus spp. guntheri. O.. janeiroensis.) e alguns cascudos (Hypostomus spp. Harttia spp. tais como aquelas encontradas nos remansos do domínio das ilhas fluviais e nos encontros de rios.. minutus. B. tietensis..lophophanes. S. melanopterus. Jenynsia e Phallopthychus encontram-se apenas no domínio 7. Phallopthychus e Jenynsia.. Corydoras spp. M. M. E. Gymnotus spp. Heptapterus sp. Microlepidogaster spp.GUILDAS TRÓFICAS PREDOMÍNIO DA ICTIOFAGIA INSETÍVOROS (Ictiofagia ocasional em alguns grupos) ILIÓFAGOS OMNÍVOROS S.. callichthys. parahybae. P. virescens. Pareiorhina spp. litoralle G. Fonte: BIZERRIL (1998) Figura 105 .. Rineloricaria spp. a qual se faz presente em todos os domínios reconhecidos. ocorrendo inclusive em áreas com forte influência salina.. transfasciatus. R..) e os iliófagos caximbaus (Loricariichthys sp. Rineloricaria spp. Neoplecostomus spp. grandes bagres como o surubim (Steindachneridion parahybae) coexistem com mandizinhos (Imparfinis minutus.)..Distribuição dos Siluriformes e Gymnotiformes nas guildas tróficas Em áreas intermediárias. affinis. parahybae..

Hypostomus spp. Pareiorhina spp. TRANSPORTE REMANSOS CORREDEIRAS ARMAZENAMENTO PORÇÃO MARGINAL DO RIO PORÇÃO CENTRAL DO RIO G. S. Loricariichthys sp. Contudo. parahybae . R.. Hypostomus spp. G.. carapo. prionotus. aspera. guntheri.. Neoplecostomus spp.. janeiroensis. C. leptos. A. Pimelodus spp. Tais grupos ocorrem em todos os domínios. parahybae .. Pimelodella spp.. Microlepidogaster spp. virescens.. Pimelodus spp. Fonte: BIZERRIL (1998) Figura 106 .. transfasciatus. litoralle . P. melanopterum. C. O. R. T. maculicauda . especialmente nos setores de armazenamento e de transporte. maculicauda . Heptapterus sp.. Rineloricaria spp. carapo. P. Hypostomus spp.. C. nattereri. E. E. M. parahybae. O jacundá e 237 . H. T. Delturus spp.. parahybae. parahybae . striatulus . prionotus. parahybae. De um modo geral a maior densidade e diversidade de Perciformes se dá em áreas remansosas. barbatus. Pimelodella spp.. R. marginata. striatulus . C. nattereri.REMANSOS FONTE CORREDEIRAS Trichomycterus spp. Pimelodus spp. no peixe-flor (Awaous tajasica) da família Gobiidae e na corvina de água doce (Pachyurus adspersus) da família Scianidae. B.. S... G.. T. H. M. Loricariichthys sp. R. Rineloricaria spp. tietensis. G. Pimelodella spp. Ancistrus sp. G. virescens. gobio. C.. affinis S. acará ferreirinha (Cichlasoma facetum) e jacundás (Crenicichla lacustris)]. melanopterum. parahybae .. P...Distribuição característica dos Siluriformes e Gymnotiformes por ambientes na Bacia do Rio Paraíba do Sul A ordem Perciformes reúne diversas espécies na Bacia do Rio Paraíba do Sul. Rhamdiopsis sp. callichthys. C. uma condição que se verifica apenas na família Cichlidae [cará ou caraúna (Geophagus brasiliensis). parahybae Hartia spp. pantherinus. Hypostmus spp.. R. poucas são exclusivamente dulcícolas. Microlepidogaster spp. P...

é importante destacar a implantação de escada para peixes. inclusive. alguns bagres e as piabanhas e pirapitingas (Brycon spp. observa-se uma redução mais tênue na área de deslocamentos migratórios a qual originalmente se dava até a cidade de Bom Jardim e no presente. É o caso do surubim do Paraíba (Steindachneridion parahybae) e da pirapitinga (Brycon sp.Escada para peixe da UHE Ilha dos Pombos Na bacia. que vem possibilitando a transposição da barreira artificial por algumas espécies da região (Figura 107).o peixe-flor. os piaus (Anostomidae). por sua vez. porém eficiente. Rios como o Piabanha. contudo. que possuem a maior parte de sua extensão sensivelmente alterada por poluentes. A maior parte do canal principal do Rio Paraíba do Sul é utilizada como rota migratória de espécies reofílicas. porém limita-se. como previamente destacado. Dentre os peixes marinhos eurialinos registrados na Bacia do Rio Paraíba. para alguns grupos pode representar uma migração com finalidades tróficas ou reprodutivas. No Rio Grande. uma espécie que nomeia. podendo ser classificados como comercialmente extintos. devido à implantação de usinas hidrelétricas gerou uma quebra nas rotas migratórias. o que. incluem-se algumas espécies que. como a redução na amplitude de rotas migratórias naturais ou o uso de rotas alternativas podem ser registrados.). especialmente no setor entre a UHE Ilha dos Pombos e a desembocadura. 238 . dada a influência da elevada carga de poluentes orgânicos a montante. Muitos destes grupos encontram-se com estoques em acelerado declínio. A fragmentação do canal principal. são freqüentemente registrados em trechos dos rios nos quais há maior circulação de água. ocasionalmente ocultando-se entre rochas nas piscinas formadas abaixo de corredeiras. à localidade de Ponte Beçot. Observa-se no arranjo ictiofaunístico inventariado uma parcela de espécies migratórias. se notabilizam por percorrerem grandes extensões no interior da bacia. à dispersão da fauna e ao processo migratório como um todo. ocorrendo interrupções em razão da existência de barramentos ou de alterações fisiográficas naturais nos rios.). podem ser tomados como exemplos extremos deste fenômeno. dentre as quais podem ser citadas os curimbatás (Prochilodontidae). impactos locais. Em outras áreas da bacia onde se estabelecem usinas hidrelétricas. diversos rios e localidades inseridas dentro da bacia. Quanto a este aspecto. que gera uma barreira mais sutil. Figura 107 . a mudança na amplitude de rotas migratórias é ainda um reflexo da alteração na qualidade da água.

LANGEANI. Alto curso do Rio Santo Antônio e São Lourenço. por exemplo. com ocorrência assinalada até a região de Itaocara. 239 .É o caso. sendo em verdade um mosaico de subunidades ictiogeográficas (BIZERRIL & LIMA. A unidade 4. Acentronichthys leptos. podem ser reconhecidas quatro grandes unidades de afinidades ictiogeográficas. 1997). Localizada no alto Rio Paraibuna. ES (ao norte). por exibirem capacidade de dispersão restrita ao canal fluvial.e. representam um antigo continunn de ambientes. Analisando a relação de peixes inventariados na Bacia do Rio Paraíba do Sul pode-se enquadrar este ambiente entre os demais sistemas fluviais integrantes da província ictiogeográfica do leste brasileiro. Dentro do arranjo ictiofaunístico da Bacia do Rio Paraíba do Sul. cuja distribuição na bacia se estende até a barragem da Ilha dos Pombos. Assim sendo. A unidade 3. na Bacia do Rio Grande/Dois Rios) compartIlha diversas espécies. em verdade. ilustrando paleocomunicações derivadas de interconexão fluvial ao nível da plataforma continental ou de erosão remontante de cabeceiras. ela não constitui um ambiente homogêneo. liza. sugerindo um segundo evento de captura fluvial. ocorrente na área a jusante de Itaocara e a montante de Campos. A unidade 2. M. constituem um grupo faunístico particularmente indicado para estudos biogeográficos objetivando reconhecer e remontar paleocomunicações entre ambientes atualmente isolados (VARI. A Biogeografia da Ictiofauna da Bacia do Rio Paraíba do Sul. um fenômeno que se encontra bem documentado na literatura. A unidade 1. seja uma região com comunidades de peixes facilmente distinguíveis das presentes nas demais unidades biogeográficas reconhecidas em território nacional. Centropomus paralellus. 1989). Que engloba o trecho médio inferior e o baixo Paraíba do Sul. o que ilustra a captura fluvial deste sistema pela Bacia do Rio Grande/Dois Rios. Schizolecis guntheri e Rhamdioglanis frenatus. caracteriza-se pela alta similaridade com sistemas fluviais situados entre o Rio Una e as Bacias das Lagoas de Cima e Feia (ao sul) e entre o Rio Itabapoana e Beneventes. Embora a região leste brasileira e em especial a subprovíncia do sudeste do Brasil (apud BIZERRIL. de Anchoviella lepidentostole e Mugil curema. 1994). tanto sob o ponto de vista geológico como quanto a aspectos bióticos (cf. MG). 1992). que ocorre até a UHE da Ilha dos Pombos e em trechos de médio curso dos Rios Dois Rios e Muriaé e Diapterus rhombeus. que guarda algumas espécies ou gêneros comuns com o alto Rio Paraná (alto Rio Grande. Esta unidade se localiza entre a nascente do rio e a localidade de Jacareí (inclusive). 1988). a análise comparativa da ictiofauna presente neste sistema com a ocorrente nas demais bacias do sudeste permite identificar áreas que. (i. a presença de espécies comuns em sistemas fluviais distintos e não comunicantes pode ser interpretada como uma indicação da ocorrência de processos de dispersão e vicariância entre as unidades geográficas envolvidas (MAYDEN. No caso específico da Bacia do Rio Paraíba do Sul. tais como Corydoras barbatus. a caracteriza. com o alto curso do Rio Macacu. Na qual capturas fluviais envolvendo o Rio Paraíba do Sul/Tietê. Peixes de água doce..

Meandros Estrutur D. a ictiofauna do Rio Paraíba do Sul revela que este sistema foi formado pela interseção de sua bacia original com rios primitivamente associados às Bacias do alto Rio Doce. os quais podem ser trabalhados. alto Paraná e do Tietê.3 0. Taunaya bifasciata. Ilhas D. uma distribuição geográfica mais ampla. Tais unidades biogeográficas atuam.e. tanto nos limites da Bacia do Rio Paraíba do Sul.35 Fonte: BIZERRIL (1998) Figura 108 . permitiram identificar áreas de endemismos representada pelos seguintes locais: Alto Rio Paraíba e sistemas tributários associados. observa-se que. em programas ambientais específicos. o que as enquadra dentro da definição de zonas de endemismos. onde encontram-se grupos relitos (e.15 0.35 0. atualmente. Observa-se a existência de 5 domínios ictiogeográficos: I.Agrupamento por UPGMA dos escores de dissimilaridade (Percentual de discordância) obtidos na comparação das ictiocenoses dos diferentes domínios geoambientais Algumas regiões da Bacia do Rio Paraíba do Sul notabilizam-se por reunirem conjuntos únicos de espécies.25 0.05 0. 0 D. como em outras unidades biogeográficas.Em sua composição geral.g..1 0.Domínio das Serras. Depósitos Fluviai D. como reflexo das características fisiográficas atuais e da história de formação de cada um dos compartimentos geoambientais (i. Pseudotocinclus tietensis) que remontam um período de conexão dos sistemas Tietê/Paraíba. Os estudos desenvolvidos no âmbito do Programa de Cooperação Técnica Brasil França para Gestão Integrada das Bacias Hidrográficas.05 0. como refúgios faunísticos para espécies que apresentavam.1 0. Serras D. como unidades naturais. Phallotorhynus fasciolatus. Comparando-se as ictiocenoses de cada domínio no que se refere à sua composição qualitativa. obtém-se o arranjo apresentado na Figura . Meandros D.25 0. IV – Domínio das Ilhas + Domínio dos Depósitos Fluviais e V – Domínio dos Corpos Lagunares.2 0. Complexos biogeográficos podem ser reconhecidos em diferentes escalas de detalhamento. Corpos Lagunares 0 0. domínios.15 0.3 0. Corredeiras D. havendo um aumento na diversidade biológica ao longo do gradiente lótico.. uma distribuição não homogênea das espécies. Adotando a aproximação na qual a bacia hidrográfica se torna a unidade de análise. no presente. ver descrição no primeiro capítulo) verifica-se. III – Domínio dos Meandros Estruturais + Domínio das Corredeiras.2 0. em períodos geológicos anteriores. 240 . II – Domínio dos Meandros.

A Atividade Pesqueira . que mantêm endemismos dos gêneros Trichomycterus e Rhamdiopsis. Nestes locais. embora a forma de interação ocorra de diferentes maneiras. Dentre os peixes mais procurados destacam-se os apresentados na Figura 109. Quadro 62 – Interação entre a população e o Rio Paraíba do Sul nos diferentes domínios Domínio Domínio das Serras Domínio dos Meandros Domínio dos Meandros estruturais Domínio das Corredeiras Domínio das Ilhas Domínio dos Depósitos Fluviais Domínio dos Corpos lagunares Interação Pesca recreativa. Rhamdioglanis frenatus. o domínio das Serras diferencia-se dos demais por possuir o Rio Paraíba (no local ainda nomeado Paraibuna e Paraitinga) como importante fonte de lazer para a população das cidades próximas (i. A pesca é apenas secundária. além de diversas espécies de Trichomycterus descritas apenas recentemente. cf. cuja ictiofauna guarda uma série de elementos característicos dos rios que correm pela vertente leste da Serra do Mar (e. dentre os domínios considerados. Pareiorhina rudolphi e Trichomycterus itatyaie. um sentido longitudinal de incremento na produtividade pesqueira. onde se registram diversos grupos exclusivos do local. de um modo geral.A pesca no Rio Paraíba do Sul e o uso deste sistema em atividades recreativas pela população é um aspecto observado em todos os domínios ambientais.g.. o que pode refletir tanto melhorias nas condições gerais do ambiente causadas pela diluição de poluentes ou simplesmente uma corroboração local do princípio geral de Continuidade Fluvial (River Continunn Concept. Corydoras barbatus. Seguindo o gradiente lótico. Alto Rio Paraibuna e bacias associadas. 241 . Ainda no Domínio das Ilhas Fluviais.Lazer Pesca recreativa e de subsistência Pesca recreativa e de subsistência Pesca recreativa e de subsistência. Cunha) que se reúne para a realização de piqueniques e para banhos de cachoeiras. dada a baixa produtividade no local. a pesca passa a assumir. maior importância para a população. como é o caso de Characidium lauroi. Schizolecis guntheri). Assim. como sintetizado no Quadro 62..Alto Rio Preto e sistemas integrados ao Parque Nacional de Itatiaia. a pesca artesanal movimenta a economia de aproximadamente 120 famílias (cerca de 720 pessoas). gradualmente. a APARSP (1998) apresentou alguns dados sobre a pesca nos Municípios de Itaocara e Aperibé.e. atingindo sua maior representatividade como atividade econômica no Domínio dos Depósitos Fluviais. Alto Rio Grande (Rio São Lourenço). representando uma área de captura fluvial. como é o caso de Hemipsilichthys gobio.Turismo Pesca recreativa e de subsistência Pesca recreativa e de subsistência Observa-se. 1980). VANOTE et al. Alto Rio Paquequer.Turismo Pesca recreativa e de subsistência. situado dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos mantém espécies igualmente endêmicas.

20 % esforço de captura 15 10 5 Caximbau Curimbatã Tucunaré Traíra Robalo Fonte: APARSP (1998) Figura 109 . onde divide espaço com o pescado proveniente da Lagoa Feia. e em Itaocara (Domínio das Ilhas). Os pescadores profissionais que atuam na Bacia do Paraíba do Sul organizaram-se originalmente em quatro colônias assim denominadas: Z-1 (Guaxindiba). Z-20 (Itaperuna) e Z-21 (São Fidélis). Z-2 (Atafona). Para a bacia foram relacionados 42 taxa como economicamente relevantes (Quadro 63). utilizadas não mais na pesca fluvial e sim na captura de pescado marinho. onde o festival do Dourado atrai inúmeros pescadores ao local. Z19 (Farol de São Tomé). a maior pressão da atividade pesqueira concentra-se sobre os grupos listados. como uma fonte de absorção de mão-de-obra quando da entressafra da cultura canavieira. inclusive. notadamente a Lagoa Feia. O rio é uma fonte de renda pela via do turismo nos domínios das corredeiras. onde se explora principalmente o Rio Paraibuna mineiro para atividades de canoagem. Contudo. a pesca passa a concentrar-se nas lagoas. As espécies pescadas atendem principalmente ao mercado interno e o mercado de Campos dos Goytacazes. Como relatado por técnicos do IBAMA. No Domínio dos Corpos Lagunares. Ressalta-se que a pesca esportiva e de subsistência muitas vezes coleta outros taxa além dos relacionados abaixo. As embarcações presentes na região de Atafona e São João da Barra são. 242 Piabanha Dourado Piau 0 . tais associações foram gradualmente desfeitas. RJ No domínio dos Depósitos Fluviais a atividade pesqueira é muito desenvolvida atuando. com incursões aos sistemas lacustres.Espécies mais comercializadas na região dos Municípios de Itaocara e Aperibé. embora a pesca nas águas interiores do Rio Paraíba do Sul ainda se faça presente. restando apenas duas colônias (Z-1 e Z-2). especialmente nas Lagoas Feia e de Cima. Observa-se atualmente que. por sua vez. as colônias remanescentes atuam especialmente na área costeira.

curimatá e acará.Quadro 63 .). no trecho referente às bacias integradas à Lagoa Feia. usualmente. piaus (Leporinus spp. do jundiá ou bagre-amarelo (Rhamdia quelen). a pequenas áreas. caximbau. foi possível relacionar as espécies mais freqüentemente capturadas em cada um dos domínios geoambientais. curimbatás (Prochilodus spp. tilápia.). da traíra (Hoplias malabaricus). do caximbau (Loricariichthys sp. Na Lagoa do Campelo. como é apresentado no Quadro 64. sairu (Cyphocharax gilbert) e piabanhas e pirapitingas (Brycon spp. dos cascudos (H. luetkeni Loricariichthys sp. No domínio VII. lugubris Diapterus rhombeus D. latus C. luetkeni). de baixa expressividade dentro do contexto do sistema hidrográfico em estudo. affinis e H. 243 . liza Micropogonias furnieri Bairdiella ronchus Pachypops adspersus Caranx bartholomaei Gerres aprion Parauchenipterus striatulus Dados sobre a pesca nos sistemas fluviais da Bacia do Paraíba do Sul são escassos e se restringem. vimboides Cyphocharax gilbert Leporinus conirostris L. piau. Brycon opalinus Brycon sp Salminus maxilosus Astyanax bimaculatus Steindachneridion parahybae Pimelodus maculatus Rhamdia quelen C. É o caso do acará (Geophagus brasiliensis). olisthostomus Netuma barba Cathrops spixii Genidens genidens Sciadeichthys luniscutis Hypostomus affinis H. lambaris de rabo amarelo (Astyanax bimaculatus). piaba. traíra. sairu. do dourado (Salminus maxilosus).Espécies de peixes com valor comercial ocorrentes na Bacia do Rio Paraíba do Sul Anchoviella lepidentostole Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus Prochilodus lineatus P. Observa-se no quadro que algumas espécies são capturadas em todas as unidades geoambientais. Considerando as informações reunidas nas campanhas realizadas. Hoplosternum littoralle Cichla ocellaris Geophagus brasiliensis Oreochromis niloticus Tilapia rendalli Centropomus parallelus Mugil curema M. mormyrops Leporinus sp. BARROSO & BERNARDES (1995) relataram a pesca de corvina de água doce. neste documento. estando suas características pesqueiras descritas para as Lagoas de Cima e Feia.). copelandii L.). as regiões lacustres representam importantes sítios de pesca.

III X X X X X X X X X X X X X D.I X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Bairdiella ronchus Pachyurus adspersus Caranx bartholomaei Gerres aprion X X X X Um aspecto marcante observado ao longo de todo o curso do Rio Paraíba do Sul é a presença pujante de “pesques-pague”. copelandii L. lugubris Diapterus rhombeus D. carpa. gaimardinus Micropogonias furnieri D. olisthostomus Netuma barba Cathrops spixii Genidens genidens Sciadeichthys luniscutis Hypostomus affinis H. constando especialmente do pacu.VI X X X X X X X X X X X X X X D. mormyrops Leporinus sp. tambaqui.V X X X X X X X X X X X X X D. Salminus maxilosus Astyanax bimaculatus Steindachneridion parahybae Pimelodus maculatus Rhamdia quelen C. com menos freqüência nas áreas mais inferiores. bagre africano e tucunaré. tilápia.Quadro 64 . tambacu. Esta característica mostra-se mais expressiva nos setores médio e superiores da bacia.IV X X X X X X X X X X X X X X D.Espécies de captura mais freqüente nos diferentes domínios ambientais ESPÉCIES Anchoviella lepidentostole Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus Prochilodus lineatus P. liza M. Hoplosternum littoralle Cichla ocellaris Geophagus brasiliensis Oreochromis niloticus Tilapia rendalli Centropomus parallelus Mugil curema M. A diversidade de espécies criadas nos ”pesques-pague” e pisciculturas visitados é baixa. 244 . ocorrendo. luetkeni Loricariichthys sp.VII X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X D. Brycon opalinus Brycon sp. vimboides Cyphocharax gilbert Leporinus conirostris L.II X X X X X X X X X X X D. latus C.

d. identificando as espécies listadas no Quadro 66. Quadro 65 . Os únicos dados sobre ictiofauna de reservatórios inseridos nos limites da Bacia do Rio Paraíba do Sul foram apresentados por CASTRO & ARCIFA (1987).d. a priori. mostram-se menos diversificadas que as presentes no canal onde se dá o livre fluxo de água. 1949 1908 1924 1949 1914 --1914 1914 Fonte: SEMADS Não encontramos nenhuma referência acerca da ictiofauna presente nestes sistemas. Santa Branca e Jaguari. Na Bacia do Rio Paraíba do Sul existem diversos reservatórios (Quadro 65).Figura 110 . s.Reservatórios presentes na Bacia do Rio Paraíba do Sul no Estado do Rio de Janeiro Usina Hidrelétrica e Represa UHE Funil Santa Cecília UHE Ilha dos Pombos Represa de Santana Represa do Vigário Represa de Tocos UHE Areal UHE Piabanha UHE Fagundes UHE Euclidelândia UHE Chave do Vaz UHE Hans UHE Xavier UHE Comendador Venâncio UHE Tombos Rio Rio Paraíba do Sul Rio Paraíba do Sul Rio Paraíba do Sul Rio Piraí Rio Piraí Rio Piraí Rio Piabanha Rio Piabanha Rio Fagundes Rio Negro Rio Negro Rio Santo Antônio Rio Grande Rio Muriaé Rio Carangola Proprietário FURNAS LIGHT LIGHT LIGHT LIGHT LIGHT CERJ CERJ CERJ CERJ CERJ Cataguazes Leopoldina Cataguazes Leopoldina CERJ CERJ Ano de Conclusão das Obras 1969 1952 1924 s. ou seja. 245 . vários enclaves lênticos.d. implicando em uma reestruturação de sua comunidade de peixes. s. Os autores estudaram os reservatórios de Paraibuna. Ictiofauna de Reservatórios A implantação de barragens em rios acaba por transformar um trecho do sistema lótico em um ambiente lêntico. com comunidades de peixes que.Leporinus copelandii A criação de tais espécies dentro da Bacia do Rio Paraíba é preocupante no tocante à possibilidade de introdução acidental de espécies exóticas na bacia.

expressiva alteração na qualidade da água (MELLO. ** Provavelmente G. contudo.nov. 1997). A ausência de dados acerca da ictiofauna presente no Rio Paraíba do Sul em períodos anteriores aos grandes desmatamentos impede avaliar a magnitude deste processo impactante sobre a fauna local. Pode-se. 1993). Embora em pontos localizados se evidenciem concentrações de poluentes diferenciados. melanopterum Perdas na biodiversidade A Bacia do Rio Paraíba do Sul exibe. mormyrops Eigenmannia virescens Glanidium sp. Embora delimitar a ocorrência de perdas bióticas pretéritas na bacia seja atualmente inviável. no presente. podendo ser. uma das causas múltiplas que vêm contribuindo para o declínio das espécies de Brycon na bacia. Cichla ocellaris Crenicichla lacustris Geophagus brasiliensis Tilapia rendalli Paraibuna X X X X X X X X X X X X X X X Santa Branca X X X X X X X X X X X Jaguari X X X X X X X X X X X X X X X Fonte: CASTRO & ARCIFA (1987) * Provavelmente Cyphocharax gilbert.** Pimelodus maculatus Rhamdia quelen Callichthys callichthys Hypostomus cf.Quadro 66 . A transformação de grandes rios de águas límpidas em sistemas com alta carga de sedimentos em suspensão é um processo com rebatimentos em diversos grupos da fauna aquática. ou ainda identificar a ocorrência de extinções derivadas do mesmo. fasciatus Gen.nov Probolodus heterostomus Oligosarcus hepsetus Hoplias malabaricus Curimata modesta* Leporinus conirostris L. comersonii Hypostomus sp. inferir que esta alteração ambiental mostra-se mais atuante sobre grupos que dependem da orientação visual para a captura de presas. portanto.Peixes coletados em reservatórios da Bacia do Rio Paraíba do Sul Taxon Astyanax bimaculatus A. 1997). derivados principalmente dos processos erosivos que se estabeleceram nas margens fortemente desmatadas. a bacia como um todo se notabiliza por exibir altas concentrações de sólidos (em especial sedimentos) em suspensão (MELLO. tendo sido apontado como a causa de extinção de diversas espécies de peixes na região neártica (WILLIANS & NOWACK. é possível observar a ocorrência de um processo de extinções bem representado nos seguintes setores: 246 .sp. copelandii L.

devido ao lançamento de efluentes. especialmente. encontra-se desprovido de fauna na maior parte de sua extensão. podendo ser rapidamente evidenciada quando do desaparecimento de determinados taxa ou da redução progressiva nos estoques de sua população. Rio Piabanha. sistema hidrográfico que. se reflete na contaminação do pescado e na eliminação de espécies mais sensíveis. Melhores condições ambientais começam a ser identificadas apenas após o encontro do Rio Piabanha com o Rio Preto. tomando como base os estudos desenvolvidos por um dos autores (C. atua como último refúgio faunístico para as espécies locais. Assim como todo o hidrossistema fluvial. onde o efeito do lançamento de efluentes é magnificado pela reduzida vazão relativa do rio. como se verifica com grupos como Steindachneridion parahybae e Brycon spp. seu desaparecimento. se distribuíam de forma homogênea e contínua. onde o lançamento de efluentes gerados na cidade em um trecho de baixa dinâmica de circulação se reflete no aumento significativo de coliformes. Ictiofauna da Rede de drenagem Apresentamos na seqüência dados referentes a ictiofauna de alguns dos principais afluentes do Rio Paraíba do Sul. como apresentado na Figura 112.R. considerando as variações fisiográficas do canal principal e as alterações sofridas pelo relevo de cada trecho da bacia. de detecção menos simples. na cidade de Muriaé. DBO. Tais análises enfocaram os Rios Grande/Dois Rios. Muriaé e Pomba. Rio Paraíbuna.BIZERRIL). Nesta bacia. no trecho em enfoque. o que produz um arranjo de baixa capacidade suporte. ambientes nos quais as alterações na qualidade da água vem gerando barreiras para o intercâmbio gênico entre as populações de diferentes espécies ícticas confinadas redes de tributários com melhores níveis de integridade ambiental. Rio Muriaé. a fragmentação no habitat conduz à gradual redução na diversidade genética das populações afetadas. que ainda guarda alguns sistemas bem conservados. Este evento possivelmente vem se estabelecendo em áreas como o Rio Piabanha e médio Rio Grande. 247 . gerando. a rede de drenagem. de deformidades e lesões em cascudos (Hypostomus affinis) e em jundiás (Rhamdia quelen). O processo de extinção das espécies se dá em escalas de tempo distintas. a maioria dos quais dotados de pequenas dimensões e reduzidas ordens. o percurso longitudinal do rio em estudo não se dá em um ambiente homogêneo. no qual se repetem os processos identificados na primeira região. a longo ou médio prazo. por exemplo. onde o lançamento de dejetos domésticos e. Em outras situações.F. é possível reconhecer cinco unidades geoambientais ao longo do Rio Grande/Dois Rios. Rio Grande/Dois Rios O perfil longitudinal do Rio Grande/Dois Rios é apresentado na Figura 111.S. entre Conselheiro Paulino e Bom Jardim. a jusante de Juiz de Fora.Rio Paraíba do Sul entre Resende e Volta Redonda. industriais. O efeito da poluição encontra-se refletido tanto nas perdas bióticas como na ocorrência. Dessa forma. Rio Grande. DQO e extinção local de espécies de peixes que. até este ponto.

Cambuci e Renascença) 250.00 200.Forte declividade.00 0.00 Unidade II .00 250. a área da nascente do Rio São Lourenço mostra baixa atividade antrópica. meandros com condicionamento estrutural.00 Unidade IV .00 50.00 Figura 111 .00 150.00 Unidade III .00 0.Declive acentuado. alta densidade de drenagem (Folha Nova Friburgo) 1200.00 1600. 2000. M.00 100.Perfil longitudinal do Rio Grande/Dois Rios.00 1200. RJ Eixo vertical = altitude em metros. à atividade olerícola. em metros 248 .Relevo menos declivoso. desde a metade posterior da unidade I até o terço inicial de unidade III. concentrada nos alvéolos mais expressivos. a qual se limita.00 1600. forte atividade de deposição (Folha.00 400.00 Unidade 1 . RJ Eixo vertical = altitude em metros.Unidades geoambientais reconhecidas no Rio Grande/Dois Rios. Eixo horizontal = distância da origem.00 100. Sta.00 0. Neste contexto. Madalena e Trajano de Moraes) 0. neste ponto. forte condicionamento estrutural.00 200. Eixo horizontal = distância da origem.00 Figura 112 .Relevo pouco movimentado. O aumento gradual da olericultura culmina com o estabelecimento de extensas plantações. em metros Como descrito em BIZERRIL (1997).00 800. que ocupam eficientemente todos os espaços disponíveis dentro do planalto no qual corre o Rio Grande. a forma de uso do solo no entorno da bacia apresenta notáveis diferenças ao longo do gradiente longitudinal.00 150.00 Unidade V . redução na densidade de drenagem (Folha Nova Friburgo e Duas Barras) 800.00 50.Relevo menos declivoso.2000. alta densidade de drenagem (Folha Duas Barras)] 400. rio com maior largura (Folhas Cordeiro.

o Rio Bengala. em metros 249 .00 1600. contudo. Em termos gerais. efluentes urbanos tornam-se mais expressivos. na região de Conselheiro Paulino. culminando na área de encontro do Rio Grande com o Rio Bengala. novos fragmentos podem ser evidenciados. De acordo com MELLO (1997). pode ser apontado.00 250.00 400.00 150. contudo. refletido na própria regeneração da biodiversidade aquática.Classificação do nível de integridade ambiental de diferentes setores do Rio Grande-Dois Rios.00 100. 2000.00 200.00 Intermediária 800. 1997). o processo de autodepuração parece se dar de forma bastante eficiente. A partir da UHE de Xavier. como a estação de medição de qualidade de água com maior nível de contaminação bioquímica de toda a Bacia do Paraíba do Sul. a ocorrência de processos de deposição localizados. provavelmente favorecidos pelo incremento do aporte de sedimentos procedentes das pastagens e áreas desmatadas existentes no entorno da bacia (BIZERRIL. 1997). o que se expressa. Por se tratar de uma unidade geoambiental caracterizada pela presença de inúmeras corredeiras. um quadro geral aceitável.00 Boa Ruim 1200. de tal modo que a partir do terço posterior da unidade geoambiental 4 o aspecto geral do rio e de suas condições de integridade ambiental mostram-se bastante aceitáveis.00 0. Como reflexo dos impactos antrópicos derivados da forma de uso do solo no entorno da bacia. dentre outros aspectos.Essa forma de uso cede lugar gradualmente à atividade urbana.00 50. Áreas localizadas a jusante da segunda unidade possuem pontos de acúmulo de poluentes. campos abandonados e remanescentes florestais.00 Figura 113 .00 0. Observase. na ocorrência de deformidades nas espécies de peixes (BIZERRIL. apresentando. observam-se três grandes fragmentos que representam níveis de integridade ambiental distribuídos ao longo da bacia. passando antes por pequenas pastagens. um dos principais afluentes do sistema do Rio Grande/Dois Rios. estando a pior condição de integridade localizada na região situada após a confluência com o Rio Bengala e o final da área de influência da cidade de Bom Jardim. RJ Eixo vertical = altitude em metros Eixo horizontal = distância da origem. como apresentados na Figura 113.

Tomando como base os dados reunidos pela COOPERAÇÃO BRASIL-FRANÇA (cf. BIZERRIL, 1997), pode-se evidenciar, em síntese, um processo alternado de impacto ambiental, derivado de contribuições domésticas e industriais, que alteram significativamente os níveis de diversos parâmetros indicadores (e.g., Coliformes, cor, turbidez, transparência, etc.) na região de Banquete, como também em Bom Jardim, ambas na unidade de baixa integridade ambiental, precedendo processos erosivos e de deposição que se estabelecem no trecho entre Cambiasca e o Rio Paraíba do Sul. A ictiofauna da Bacia do Rio Grande/Dois Rios foi alvo de estudos diversos, que abordam aspectos taxonômicos, faunísticos e ecológicos. Um estudo faunístico geral integrou o amplo levantamento efetuado ENGEVIX\UFRJ (1991), apontando a ocorrência de 47 espécies no local. BIZERRIL (1995) descreveu uma espécie de cascudo (Neoplecostomus variipictus) do alto Rio Grande, táxon que até então permanecia desconhecido para a Ciência. Mais recentemente, BIZERRIL (1997) e BIZERRIL & CAFFE (1997) apresentaram estudo acerca da ictiofauna da bacia, integrando os dados com aspectos relativos à qualidade da água do sistema, tendo relacionado 60 espécies de peixes. Integrando os estudos supracitados com o resultado de campanhas posteriores, obtém-se a relação das espécies apresentada no Quadro 67. No arranjo faunístico apresentado, destaca-se a presença de seis espécies introduzidas (Cyprinus carpio, Salminus maxilosus, Xiphophorus helerii, Pimelodus maculatus, Poecilia reticulata, Tilapia rendalli), todas enquadradas na categoria de “invasoras” (sensu LODEG, 1993), ou seja, apresentam populações viáveis e plenamente estabelecidas. Quadro 67 - Ictiofauna da Bacia do Rio Grande/Rio Dois Rios
Taxon
CYPRINIFORMES Cyprinidae Cyprinus carpio CHARACIFORMES Erythrinidae Hoplias malabaricus Prochilodontidae Prochilodus vimboides Prochilodus lineatus Curimatidae Cyphocharax gilbert Anostomidae Leporinus copelandii L. mormyrops L. conirostris Chrenuchidae Characidium interruptum Characidium sp. Characidae Brycon opalinus Salminus maxilosus Oligosarcus hepsetus Mimagoniates microlepis Astyanax bimaculatus Astyanax parahybae A giton A.taeniatus A.scabripinnis Hyphessobrycon bifasciatus SILURIFORMES

Nome Vulgar
Carpa Traíra Curimbatá Curimbatá Sairu Piau Piau Piau Canivete Canivete Piabanha Dourado Bocarra Lambari Lambari do rabo amarelo Lambari do rabo vermelho Lambari Lambari Lambari Lambari

250

Taxon
Auchenipteridae Glanidium melanopterum Parauchenipterus striatulus Pimelodidae Rhamdioglanis frenatus Steindachneridion parahybae Microglanis parahybae Pimelodus fur Pimelodella sp. P. lateristriga Imparfinis minutus Rhamdia quelen Trichomycteridae Trichomycterus sp.1 Trichomycterus sp.2 Trichomycterus florensis Loricariidae Hypostomus affinis H. luetkeni Hisonotus notatus Parotocinclus maculicauda Schizolecis guntheri Neoplecostomus variipictus Harttia loricariformes Loricariichthys sp. Rineloricaria sp.1 Rineloricaria sp.2 Callichthyidae Hoplosternum litoralle Callichthys callichthys Corydoras barbatus C. nattereri GYMNOTIFORMES Gymnotidae Gymnotus carapo G. pantherinus Hypopomidae Brachypopomus janeiroensis Sternopygidae Eigenmannia virescens CYPRINODONTIFORMES Poeciliidae Poecilia reticulata Poecilia vivipara Xiphophorus helleri Phalloceros caudimaculatus SYNBRANCHIFORMES Synbranchidae Synbranchus marmoratus PERCIFORMES Cichlidae Crenicichla lacustris Cichlasoma facetum Tilapia rendalli Geophagus brasiliensis Scianidae Pachypops adspersus Centropomidae Centropomus parallelus Mugilidae Mugil curema Gobiidae Awaous tajasica

Nome Vulgar
Cumbaca Cumbaca Mineiro branco Surubim Cumbaca Bagre pintado Mandi chorão Mandi chorão Bagre Jundiá Cambeva, maria-mole, moréia Cambeva, maria-mole, moréia Cambeva, maria-mole, moréia Cascudo Cascudo Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Cascudo Caximbau Caximbau Caximbau Sassá-mutema Tamboatá, camboatá Ferreiro Ferreiro Sarapó Sarapó Sarapó Sarapó Barrigudinho Barrigudinho Espada Barrigudinho Muçum Joaninha Acará-ferreirinha Tilapia Acará, cará, caraúna

Robalo Parati Peixe-flor
Fonte: ENGEVIX/UFRJ (1991); BIZERRIL & CAFFÉ (1997) (Dados de campo)

251

As espécies que não podem ser encaradas como verdadeiramente autóctones estão representadas por dois grupos marinhos eurialinos (Mugil curema, Centropomus paralellus), os quais utilizam a bacia em estudo como parte integrante de suas estratégias bionômicas. A distribuição das espécies ao longo dos fragmentos ambientais não é homogênea, observando-se um gradual aumento na diversidade biológica no sentido fonte-foz (BIZERRIL, em prep.).

60 50 40 30 20 10 0 U1 U2 U3 U4 U5

Figura 114 - Variação do número de espécies ao longo das unidades de amostragem (BIZERRIL & CAFFÉ, 1996)
Eixo vertical = número de espécies

Considerando os fragmentos de origem antrópica (i.e., derivados das alterações na qualidade da água) verifica-se também uma distribuição de diversidade biológica igualmente heterogênea e não-eqüitativa que pode ser observada na Figura 115 (BIZERRIL, em prep.).

2000.00

60
1600.00

Boa Ruim

50 40

1200.00

Intermediária

800.00

30 20 10

400.00

0.00 0.00 50.00 100.00 150.00 200.00 250.00

0 Zona 1 Zona 2 Zona 3

a b Figura 115 - Número de espécies por fragmento antrópico
Figura a - Eixo vertical = altitude em metros,

Eixo horizontal = distância da origem, em metros
Figura b - Eixo vertical = número de espécies

252

Considerando que a zona 2 consiste em uma área de transição entre ecossistemas de baixada e de corredeiras, era esperado uma alta biodiversidade no local, dada pelo somatório das espécies procedentes das diferentes seções do rio. Dentro desse raciocínio, pode-se inferir o impacto da poluição urbana sobre a ictiofauna, acompanhando-se as variações no número de espécies ao longo das unidades amostrais. Assim, observa-se no gráfico exibido na Figura 114 uma tendência ao aumento gradual no número de táxons ao longo das áreas amostradas, havendo uma redução na continuidade do processo justamente na unidade caracterizada pelas piores condições ambientais, derivadas do lançamento de efluentes urbanos. BIZERRIL (1997) ressalta que, no caso específico de Trichomycterus sp. e de N. variipictus, as maiores dimensões do canal principal podem atuar como inibidores naturais à presença de tais táxons no local. Para A. scabripinnis, a explicação mais provável é a ocorrência de um processo de extinção local causado pelo lançamento de efluentes. A despeito da descaracterização sofrida pelo sistema, ele ainda é utilizado como rota migratória por espécies de peixes. Neste processo, ocorre tanto uma migração interna, isto é, espécies residentes no rio realizam deslocamentos de jusante para montante do rio, como uma migração externa, quando espécies procedentes do Rio Paraíba do Sul ingressam no Rio Grande. A extensão da migração é apresentada na Figura 116.

Fonte: MONASA (1986)

Figura 116 - Migração das espécies de peixes no interior do Rio Grande/Dois Rios Rio Muriaé O perfil longitudinal do Rio Muriaé é apresentado na Figura 117. Na primeira representação encontram-se localizados os principais centros urbanos (Miraí, Muriaé, Patrocínio de Muriaé, Laje de Muriaé, Itaperuna, Italva, Cardoso Moreira) que se distribuem ao longo do gradiente lótico, bem como a UHE Miguel Pereira, uma pequena usina do tipo fio d’água. Conjugando os dados obtidos nas cartas 1:50.000 com as observações de campo, é possível reconhecer cinco unidades geoambientais distribuídas ao longo do canal principal, como representado na Figura 117. A primeira unidade representa o alto curso do Rio Muriaé, caracterizando-se por exibir pequenas dimensões (largura média = 2,0

253

metros; profundidade média = 60 cm) e alta declividade. O rio apresenta características torrenciais, correndo sobre substrato composto por cascalho e grandes seixos. A partir da cota de 300 metros o rio passa a correr sobre planalto de solos predominantemente hidromórficos e argilosos. A menor declividade do terreno, associada ao baixo condicionamento estrutural do canal, conduz à formação de um sistema meândrico o que se encontra, atualmente, retificado na maior parte de sua extensão. O rio flui monotonamente, sem alterações marcantes no seu aspecto, até as proximidades da confluência com o Rio Glória, já na terceira unidade geoambiental. Deste ponto para jusante, o aumento nas dimensões do canal principal se faz de forma mais eficiente. A terceira unidade pode ser caracterizada por manter um rio remansoso, com ocorrências pontuais de corredeiras.
500.00

400.00

UNIDADE 1

Cotas (metros)

300.00

UNIDADE 2
200.00

UNIDADE 3

100.00

UNIDADE 4 UNIDADE 5

0.00

0

Extensão (km)

180

Figura 117 - Compartimentação geoambiental do canal principal do Rio Muriaé A partir da cota 120, o rio entra em área mais declivosa, correndo sobre lajes basálticas. Corredeiras se fazem freqüentes, atuando como elemento diagnóstico do quarto domínio. A porção final, que caracteriza o quinto domínio, diferencia-se por exibir baixo dinamismo, observando-se o predomínio de atividade de deposição sobre os processos erosivos. A ocorrência de “coroas” (i.e., bancos de areia) no local é freqüente, denotando a tendência local de assoreamentos. O uso do solo predominante ao longo da maior parte do canal principal é a pecuária extensiva, entremeada, em determinados pontos, por outras atividades agropastoris, como é o caso da rizicultura, bem estabelecida na segunda unidade geoambiental. A partir da quarta unidade geoambiental, as pastagens passam a coexistir com cultivos de cana-de-açúcar. Na quinta unidade, a atividade de cultivo e beneficiamento da cana passa a constituir o uso do solo dominante. Nas unidades 3,4 e 5, a extração de areia é outra atividade constantemente observada.

254

Dados sobre a ictiofauna do Rio Muriaé são encontrados principalmente nos estudos da ENGEVIX/UFRJ (1991), que efetuaram amostragens em diversos pontos do rio. Há, também, o estudo de BIZERRIL, (1997) que fez coletas nos pontos demarcados na Figura 118, estabelecendo correlação entre a biodiversidade e algumas características físicoquímicas da água.
500.00

400.00

PONTO 1- ALTO CURSO

Cotas (metros)

300.00

PONTO 2 - MIRAÍ

200.00

PONTO 3 - MURIAÉ PONTO 4 - LAJE DE MURIAÉ

100.00

PONTO 5 - PARAÍSO PONTO 6 - "VALÃO DA ONÇA" PONTO 7 - USINA SAPUCAIA
0
Extensão (km)

0.00

180

Figura 118 - Pontos de amostragem da ictiofauna Como resultado dos estudos em questão, pode-se traçar uma lista com 62 espécies de peixes, as quais se encontram relacionadas no Quadro 68, juntamente com os nomes regionais. Quadro 68 - Espécies de peixes coletadas na Bacia do Rio Muriaé Táxon
CLUPEIFORMES Clupeidae Platanichthys platana Engraulididae Anchoviella lepidentostole CHARACIFORMES Erythrinidae Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus Prochilodontidae 2 Prochilodus lineatus P vimboides Curimatidae Cyphocharax gilbert Anostomidae Leporinus conirostris L copelandii L mormyrops Leporinus sp. Chrenuchiidae C interruptum Characidium sp Characidae Brycon opalinus Salminus maxilosus Oligosarcus hepsetus

Nome Vulgar
Sardinha Manjuba Traíra Curimbatá Curimbatá Sairu Piau Piau Piau Piau Canivete Canivete Piabanha Dourado Bocarra

255

Táxon
Mimagoniates microlepis Astyanax bimaculatus Astyanax parahybae A giton A scabripinnis A taeniatus Hyphessobrycon bifasciatus H cf. luetkeni

Nome Vulgar
Lambari Lambari do rabo amarelo Lambari do rabo vermelho Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari

H reticulatus SILURIFORMES Auchenipteridae Glanidium melanopterum Parauchenipterus striatulus Pimelodidae Microglanis parahybae Pimelodus maculatus Pimelodella sp.
P lateristriga Rhamdia quelen Imparfinis minutus Ariidae Genidens genidens Trichomycteridae Trichomycterus sp Loricariidae Hypostomus affinis H luetkeni Hisonotus notatus Parotocinclus maculicauda Neoplecostomus microps

Lambari Cumbaca Cumbaca Cumbaca Bagre pintado Mandi-chorão
Mandi-chorão Jundiá Mandizinho Bagre-urutu Cambeva, maria-mole, moreia Cascudo Cascudo Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar

Harttia loricariformes Loricariichthys sp Rineloricaria sp 1 Rineloricaria sp 2 Callichthyidae Callichthys callichthys Corydoras nattereri C prionotus Hoplosternum littoralle GYMNOTIFORMES Gymnotidae Gymnotus carapo Hypopomidae Brachypopomus janeiroensis Sternopygidae Eigenmannia virescens CYPRINODONTIFORMES Poeciliidae P vivípara Phalloceros caudimaculatus GASTEROSTEIFORMES Syngnathidae
Oostethus lineatus SYNBRANCHIFORMES Synbranchidae Synbranchus marmoratus PERCIFORMES Cichlidae Crenicichla lacustris Cichlasoma facetum Geophagus brasiliensis

Caximbau Caximbau Caximbau Caximbau Tamboatá, camboatá Ferreiro Ferreiro Tamboatá Sarapó Sarapó Sarapó Barrigudinho Barrigudinho
Peixe-agulha Muçum Joaninha Acará-ferreirinha Acará, cará, caraúna

256

Táxon
Centropomidae Centropomus parallelus Mugilidae Mugil curema Sciaenidae Pachypops adspersus Gobiidae Awaous tajasica

Nome Vulgar
Robalo Parati Corvina-de-água-doce Peixe flor
Fonte: ENGEVIX/UFRJ (1991); BIZERRIL (1997)

Um aspecto que torna este rio uma importante área de pesca é a dominância de espécies de peixes com potencial valor econômico, 13 das quais efetivamente comercializadas, tanto nas localidades situadas ao longo do rio como no mercado de Campos dos Goytacazes. Embora as ictiocenoses sejam, naturalmente, dominadas por espécies de água doce, ocorrem ainda diversas espécies marinhas eurialinas, algumas das quais, como o robalo (Centropomus parallelus), percorrendo amplas áreas no interior da bacia. Assim como observado no Rio Grande/Dois Rios, a Bacia do Rio Muriaé é marcada por exibir diversas espécies que se notabilizam, dentre outros aspectos, por apresentar hábitos migratórios associados à reprodução. Deslocamentos reprodutivos ocorrem em diversas partes do rio, envolvendo grupos residentes e espécies procedentes do Rio Paraíba do Sul. As áreas de migração são apresentadas na Figura 119. A Bacia do Rio Muriaé tem sido alvo de diversos impactos, especialmente daqueles relacionados com o desmatamento e, em menor escala, dentro de uma dimensão de análise na qual a bacia hidrográfica é a unidade de estudo, do lançamento de efluentes. O lançamento de efluentes domésticos e industriais é particularmente notado na região de Muriaé, local onde as condições de relevo, que determinam baixo dinamismo no sistema de circulação fluvial, interagem gerando um quadro pouco propício à manutenção da riqueza da ictiofauna.

Fonte: MONASA (1986)

Figura 119 - Rotas migratórias no interior da Bacia do Rio Muriaé

257

como relatado por pescadores.Ictiofauna do Rio Pomba Taxon CYPRINIFORMES CYPRINIDAE Cyprinus carpio CHARACIFORMES ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus PROCHILODONTIDAE Prochilodus vimboides Prochilodus lineatus CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert ANOSTOMIDAE Leporinus copelandii L. o rio aumenta gradualmente de porte. ocorrendo diferenciações especialmente no alto curso. Em termos taxonômicos. no encontro com o Rio Paraíba do Sul. mantendo curso remansoso. Figura 120 . sobre lajes de pedras. em diversos pontos. o curso médio e o baixo curso. e com diversos obstáculos. A primeira unidade estende-se da nascente do rio ao entorno da localidade de Rio Pomba. olericulturas (notadamente na localidade de Santo Antônio de Pádua) e núcleos urbanos. o rio exibe reduzida dimensão. o Rio Pomba passa a correr. quando espécies como Trichomycterus sp.2 se fazem presentes. T.Seqüência de Barreiras à Dispersão da Ictiofauna no Alto Curso do Rio Pomba (UHE Ituerê e Quedas D’água) A partir desta localidade até o entorno de Miracema. evidenciando. Do último ponto até a desembocadura. sendo a atividade pecuária a dominante. Neste rio. vermiculatus e Characidium sp. A forma de uso do solo no entorno do rio é bastante constante. passando por corredeiras e remansos. ainda.. corredeiras suaves e remansos. o pescado ainda é abundante. apresentando.Rio Pomba A paisagem do Rio Pomba pode ser compartimentada em três grandes unidades. embora os estoques pesqueiros estejam em declínio. a ictiofauna repete em grande parte o arranjo presente no Rio Paraíba do Sul. representando o alto curso. Quadro 69 . a ictiofauna mostra-se diversificada (Quadro 69) e. à dispersão da fauna aquática (Figura 120). ocasionalmente interrompido por rápidos. naturais e antrópicos. Nesse trecho. mormyrops Nome Vulgar Carpa Traíra Curimbatá Sairu Piau Piau 258 .

Rineloricaria sp. vermiculatus LORICARIIDAE Hypostomus affinis H. camboatá Ferreiro Sarapó Sarapó Sarapó Barrigudinho Barrigudinho Barrigudinho Muçum 259 . lateristriga Imparfinis minutus Rhamdia quelen TRICHOMYCTERIDAE Trichomycterus sp. nattereri GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo HYPOPOMIDAE Brachypopomus janeiroensis STERNOPYGIDAE Eigenmannia virescens CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilia reticulata Poecilia vivípara Phalloceros caudimaculatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus PERCIFORMES Nome Vulgar Piau Canivete Canivete Dourado Bocarra Lambari-do-rabo-amarelo Lambari-do-rabo-vermelho Lambari Lambari Lambari Cumbaca Cumbaca Surubim Cumbaca Bagre pintado Mandi pintado Mandi-chorão Mandi-chorão Bagre Jundiá Cambeva. opalinus Salminus maxilosus Oligosarcus hepsetus Astyanax bimaculatus Astyanax parahybae A giton A. maria-mole. P. T. moréia Cambeva.Taxon L. luetkeni Hisonotus notatus Parotocinclus maculicauda Harttia loricariformes Loricariichthys sp. maculatus Pimelodella sp.1 CALLICHTHYIDAE Hoplosternum litoralle Callichthys callichthys C. maria-mole.scabripinnis SILURIFORMES AUCHENIPTERIDAE Glanidium melanopterum Parauchenipterus striatulus PIMELODIDAE Steindachneridion parahybae Microglanis parahybae Pimelodus fur P. conirostris CHRENUCHIDAE Characidium interruptum Characidium sp.taeniatus A. B. CHARACIDAE Brycon sp. moréia Cascudo Cascudo Sem nome vulgar Sem nome vulgar Cascudo Caximbau Caximbau Sassá-mutema Tamboatá.

Steindachneridion parahybae. Mudanças. espécies como Mugil curema. a ictiofauna local mostra-se bastante homogênea ao longo do seu curso. derivadas essencialmente do depauperamento de espécies. Em contrapartida.Espécies de peixes mais vendidas no Rio Pomba CHARACIFORMES Erythrinidae Hoplias malabaricus Prochilodontidae Prochilodus vimboides P. conirostris Characidae B. A partir desse ponto. não se fazem mais presentes. opalinus Salminus maxilosus SILURIFORMES Pimelodidae Rhamdia parahybae Loricariidae Hypostomus affinis H. ocorrem apenas a montante dos acidentes ilustrados na Figura . com fundo de cascalho. O comércio de pescado é particularmente bem representado no último setor do rio. luetkeni Harttia loricariformes Loricariichthys sp. passam a se tornar mais comuns. caraúna Robalo Parati Peixe-flor Fonte: Dados de campo Por se tratar de rio no qual as barreiras geográficas (naturais ou antrópicas) não são pronunciadas. e Awaous tajasica. são vendidas e integram alguns dos pratos típicos das localidades ribeirinhas. Quadro 70 . cará. quando espécies. os Trichomycteridae e os Chrenuchiidae.Taxon CICHLIDAE Crenicichla lacustris Cichlasoma facetum Tilapia rendalli Geophagus brasiliensis SCIANIDAE Pachypops adspersus CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus MUGILIDAE Mugil curema GOBIIDAE Awaous tajasica Nome Vulgar Joaninha Acará-ferreirinha Tilapia Acará. PERCIFORMES Scianidae Pachypops adspersus Centropomidae Centropomus parallelus Mugilidae Mugil curema 260 . como as relacionadas no Quadro 70. Prochilodus spp. lineatus Curimatidae Cyphocharax gilbert Anostomidae Leporinus copelandii L. relativamente raros até estes pontos. Centropomus parallelus. notadamente a partir dos trechos nos quais o rio assume condição mais encachoeirada. A pesca na bacia é bem desenvolvida.

para a Bacia do Rio Itabapoana como um todo.htm). drenando uma área de aproximadamente 4. 1998). Assim. com morros baixos arredondados. servindo de refúgio a grande número de aves aquáticas.mcz. originalmente Rio Managé.. No presente. a vegetação original foi em sua quase totalidade substituída por campos de pastagem e culturas. Após a expedição THAYER. Os pesquisadores CHARLES F.).edu/fish/tahyer. tudo coberto de florestas do máximo vigor de vegetação. em acelerado processo de degradação. A bacia apresenta uma conformação em L. reunindo exemplares dos principais sistemas explorados.Ictiofauna da macrorregião ambiental 7 "Dessa serra até Bom Jesus. 1996 in: www. O rio é ladeado por terras planas de aluvião. a maior parte da cobertura natural nas áreas abrangidas pelos ambientes das formações estacionais semideciduais se encontra substituída por agricultura e pastagens.". Atualmente os escassos remanescentes florestais restringem-se a ilhas esparsas de vegetação secundária. Submetida desde o século XIX a intensa interferência antrópica. a região é toda de gnais.. o Rio Itabapoana deixou de ser amostrado até meados do século XX. CHARLES F. HARTT (1856) A Bacia do Rio Itabapoana. etc. de acordo com o mapa de cobertura vegetal apresentado em RADAM (1983). seguindo perpendicular à costa em seu baixo curso e parte do médio curso. HARTT e EDWARD COPELLAND percorreram os rios costeiros do sudeste brasileiro.. (. predomínio absoluto de áreas antropizadas. A principal nascente do Rio Itabapoana encontra-se localizada na Serra do Caparaó e sua desembocadura se dá no oceano Atlântico. primeiramente na forma de exploração madereira. e aproximadamente paralela à costa e parte de seu médio curso e em seu alto curso. dentre os quais figura a bacia em estudo (HIGUSHI.harvard.800 km. Dados acerca da ictiofauna do Rio Itabapoana foram reunidos primeiramente pela Expedição NATHANIEL THAYER que. a Bacia do Rio Itabapoana difere radicalmente da paisagem descrita por HARTT (1856). situa-se entre as latitudes 20º15' e 21º15'sul e longitudes 41º00 e 42º05'Oeste. e posteriormente por atividades agrícolas (ciclos do café e da cana) e atualmente pecuária. 4 Atualmente Jacana jancana 261 . Esta condição já se encontrava nitidamente delineada quando da conclusão do Projeto Radam. em 1865 iniciou seus trabalhos em território brasileiro. O PROJETO MANAGÉ (1998) apontou. grous. limitando os municípios de São Francisco de Itabapoana e Presidente Kennedy (PROJETO MANAGÉ. piaçocas (Parra jacana4). freqüentemente alagadiças.

foram identificadas 71 espécies de peixes na bacia entre a UHE de Rosal e a desembocadura (Quadro 71). A ENGEVIX ENGENHARIA. aumentando para 32 o número de espécies conhecidas no local.R.g. Macaé. o projeto MANAGÉ passou a efetuar amostragens em uma malha mais ampla.S. durante os anos de 1992. reunindo um total de 6 espécies. Mais recentemente. Não possuímos dados acerca da ictiofauna presente no trecho superior da bacia. Desta forma. salvo por alguns espécies de Trichomycterus vermiculatus coletadas próximos a Serra do Caparaó. notadamente na presente no curso médio e inferior deste último sistema. Em sua composição geral. permitindo ampliar consideravelmente o número de espécies registrado no sistema. Um de nós (C. a ictiofauna de água doce guarda grande semelhança com a presente na Bacia do Rio Paraíba do Sul. São João e as bacias associadas às Lagoas Feia e de Cima. é possível ainda que o rio seja a localidade tipo de N. É importante destacar a ausência de amostragens também nos sistemas de brejos e lagoas existente na porção inferior da bacia.Figura 121 . 262 .. as equipes dos departamentos de ictiologia e malacologia do Museu Nacional do Rio de Janeiro realizaram amostragens neste sistema e em alguns de seus tributários (e. ampliando para 14 o número de espécies conhecidas para a bacia em enfoque. Coletas realizadas posteriormente (1992) por BIZERRIL. Rio Pirapitinga). os Rios Itabapoana.F. granosus o que. realizou novas amostragens na bacia (mais especificamente na área de influência direta do projeto). Itapemirim. BIZERRIL) realizou coletas na bacia. nomeada Província do Paraíba do Sul que congrega os trechos médio e inferior do Rio Paraíba do Sul. ilustrando a remoção quase que absoluta da vegetação Na década de 80. Como destacado no item referente à taxonomia das espécies de peixes de água doce Fluminenses. este setor consiste em uma zona totalmente desconhecida no que se refere a sua real riqueza biótica e quanto a sua importância bioconservacionista. Como resultado. BIZERRIL & LIMA (1997) propuseram a existência de uma subunidade biogeográfica dentro do leste brasileiro. se confirmado. no norte fluminense. acrescentaria mais uma espécie a lista apresentada acima. 1996 e 1999. ao efetuar o estudo de impacto ambiental da UHE Rosal.Detalhe da paisagem na Bacia do Rio Itabapoana. reuniram mais 3 espécies de peixes.

Nome Vulgar Moreia Sardinha Manjuba Manjuba Manjuba Traíra Curimbatá Curimbatá Sairu Piau Piau Piau Canivete Piabanha Bocarra Lambari Lambari Lambari do rabo amarelo Lambari do rabo vermelho Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Lambari Bagre Cumbaca Cumbaca Cumbaca Mandi chorão Jundiá Mandizinho Cambeva. cf. taeniatus Hyphessobrycon bifasciatus H. mormyrops CHRENUCHIIDAE Characidium sp. copelandii L. vimboides CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert ANOSTOMIDAE Leporinus conirostris L. Astyanax bimaculatus Astyanax fasciatus A. interruptum CHARACIDAE Brycon opalinus Oligosarcus hepsetus Mimagoniates microlepis Astyanax sp. luetkeni H. C. giton A. reticulatus SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens AUCHENIPTERIDAE Glanidium melanopterum Parauchenipterus striatulus PIMELODIDAE Microglanis parahybae Pimelodella lateristriga Rhamdia quelen Imparfinis minutus TRICHOMYCTERIDAE Trichomycterus sp.Quadro 71 . moreia 263 . scabripinnis A. maria mole.Ictiofauna Nativa da Bacia do Rio Itabapoana Táxon ANGUILIFORMES OPHICHTHYIDAE Myriophis punctatus CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Platanichthys platana ENGRAULIDIDAE Anchoa januaria Anchovia clupeoides Anchoviella lepidentostole ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus Hoplerythrinus unitaeniatus PROCHILODONTIDAE Prochilodus lineatus P.

Táxon Trichomycterus cf. Rineloricaria sp. Hypostomus affinis H. camboatá Ferreiro Ferreiro Sassá mutema Tuvira Tuvira Tuvira Barrigudinho Barrigudinho Peixe-rei Agulhão Peixe-cachimbo Peixe-cachimbo Muçum Acará ferreirinha Jacundá Cará Robalo Parati Tainha 264 . vermicularis LORICARIIDAE Ancistrus sp. liza GERREIDAE Nome Vulgar Cascudo Cascudo Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Sem nome vulgar Caximbau Caximbau Caximbau Tamboatá. luetkeni Hisonotus notatus Otocinclus affinis Parotocinclus maculicauda Otothyris lophophanes Neoplecostomus microps Harttia loricariformes Loricariichthys sp. CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys Corydoras nattereri C. prionotus Hoplosternum littoralle GYMNOTIFORMES GYMNOTIDAE Gymnotus carapo HYPOPOMIDAE Brachypopomus janeiroensis STERNOPYGIDAE Eigenmannia virescens CYPRINODONTIFORMES POECILIIDAE Poecilia vivipara Phalloceros caudimaculatus ATHERINIFORMES ATHERINIDAE Xenomelaniris brasiliensis BELONIFORMES BELONIDAE Strongylura timucu GASTEROSTEIFORMES SYNGNATHIDAE Pseudophalus mindi Oostethus lineatus SYNBRANCHIFORMES SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus PERCIFORMES CICHLIDAE Cichlasoma facetum Crenicichla lacustris Geophagus brasiliensis CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus MUGILIDAE Mugil curema M.

tendo sido registradas em diversos pontos interiores do canal principal e de alguns dos tributários. grande fertilidade e alta capacidade de dispersão. mostram-se potencialmente danosos à conservação da fauna nativa. resulta tanto da menor dimensão da bacia quanto da baixa expressividade da rede de drenagem. Assim como verificado em outros rios. derivada de vicariância com o soerguimento do complexo da Serra do Mar/Mantiqueira no Mioceno. contudo. Na lista apresentada verifica-se a mescla de espécies dulciaqüícolas e marinhas. a tainha (M. a Província do Paraíba do Sul possui uma formação mista. Dessa forma. uma condição que. Dentre as espécies introduzidas. contudo. durante o Quaternário recente. Nos processos de captura ao nível da plataforma. pode-se destacar o robalo (Centropomus paralellus). definidos de acordo com a extensão e a forma das migrações realizadas pelos mesmos. associado a capturas fluviais por erosão regressiva dos divisores de água durante o início do Quaternário e final do Terciário. o que permite dividir as espécies locais em três grandes complexos ecológicos. os piaus (Anostomidae). A amplitude e a natureza da migração dos taxa migradores mostra-se muito variável. menos diversificado do que o observado na Bacia do Paraíba do Sul. relacionadas no item Espécies Introduzidas. dentre as quais podem ser citadas os curimbatás (Prochilodontidae). e a piabanha (Brycon opalinus). possuem distribuição mais ampla na bacia. o parati (Mugil curema). provavelmente. somando-se a estas taxa introduzidas. aspectos estes que geram baixa diversidade ambiental. um padrão similar ao que se verifica em outros rios costeiros do sudeste brasileiro (BIZERRIL. Os grupos marinhos. Destas. O arranjo reunido é. taxa como Clarias sp. podemos reconhecer os seguintes grupos: 265 . 1998). ocorrentes na região consistem no arranjo predominantemente verificado nas águas interiores do Estado do Rio de Janeiro. o Rio Itapemirim e Itabapoana possivelmente representaram importantes vias de intercâmbio faunístico. Observa-se no arranjo ictiofaunístico inventariado uma parcela de espécies migratórias. a manjuba (Anchoviella lepidentostole). e conexões fluviais ao nível da plataforma continental. tais espécies tendem a exibir distribuição limitada ao trecho final da bacia. e Cichla ocellaris. ocupando preferencialmente a área da foz. Alguns taxa. liza) e o peixe flor (Awaous tajasica). como resultado dos movimentos isostáticos do mar.Táxon Gerres aprion Diapterus rhombeus SCIANIDAE Micropogonias furnieri GOBIIDAE Awaous tajasica ELEOTRIDIDAE Eleotris pisonis Dormitator maculatus Nome Vulgar Carapicu Carapeba Corvina Peixe-flor Moreia Moreia Fonte: Dados de Campo Dentro desta concepção biogeográfica. como os taxa com maior dispersão no interior da bacia. por apresentarem hábitos ictiófagos.

Grandes migradores – Espécies que deslocam-se por grandes distâncias antes de iniciar a desova. Taxa como Genidens genidens e os singnatídeos e eleotridídeos são usualmente apontados 266 . as espécies de "piracema” da Bacia do Rio Itabapoana exibem hábitos reprodutivos que as classificam dentro do grupo dos pequenos migradores (Quadro 72). com cerca de 75km de extensão). muitas vezes limitando-se a trechos de pequenos tributários. para designar toda e qualquer migração no sentido mar-rio. fato este que se verifica para Strongylura timucu. por exemplo.. mormyrops CHARACIDAE Brycon opalinus SILURIFORMES ARIIDAE Genidens genidens PERCIFORMES CENTROPOMIDAE Centropomus parallelus MUGILIDAE Mugil curema M. embora como já mencionado neste documento ainda não existem dados consistentes acerca das reais extensões percorridas por estes peixes em águas interiores do Estado. ocorre. Grandes migradores encontram-se representados. dentre outros ambientes do Estado do Rio de Janeiro. é possível que sua reprodução envolva pequenos deslocamentos. Quadro 72 . Rios Macabu. o que significa que o processo de incursão no sistema não representa um elo fundamental de suas estratégias de sobrevivência. com 136km de extensão e barrado em sua porção intermediária.).Espécies migratórias da Bacia do Rio Itabapoana Taxon CLUPEIFORMES CLUPEIDAE Platanichthys platana ENGRAULIDIDAE Anchoa januaria Anchovia clupeoides Anchoviella lepidentostole PROCHILODONTIDAE Prochilodus lineatus Prochilodus vimboides CURIMATIDAE Cyphocharax gilbert ANOSTOMIDAE Leporinus conirostris L. de forma simplista. Muitos dos grupos eurialinos listados na relação geral de espécies podem ser classificados como "ocasionais" ao sistema. com 30km de extensão e Imbé. Na sua maioria. por exemplo. apenas pelos curimbatás (Prochilodus spp. liza Hábito Anádromas* Anádromas Anádromas Anádromas Grande migrador Grande migrador Pequeno migrador Pequeno migrador Pequeno migrador Pequeno migrador Pequeno migrador Anádromas Anádromas Anádromas Anádromas Prochilodus vimboides. na Lagoa Feia. a priori. O termo anádromo foi adotado. copelandii L.e. Pequenos migradores – Espécies cuja migração se dá em pequenas distâncias. um ambiente lacustre cuja rota migratória possível se dá apenas em rios relativamente pequenos (i. Desta forma. Espécies anádromas – Espécies marinhas que realizam migrações no interior do sistema fluvial. Ururaí.

a cachoeira de Rosal atua como um segundo elemento seletivo à migração da ictiofauna (Figura 122). não envolvendo tributários. como a desembocadura do Rio Itabapoana. Fonte: MONASA (1986) Figura 122 . A principal rota se desenvolve de forma contínua até a UHE Franca Amaral. sendo registradas a montante desta seqüência de corredeiras. com maior raridade. A montante destes acidentes. Na Bacia do Rio Itabapoana. Por outro lado. Após a UHE Franca Amaral. verifica-se uma fauna muito similar à existente nos médios e baixos cursos. o que se explica pelos portes relativamente pequenos dos mesmos. cuja barragem passou a ser uma barreira física para a dispersão da fauna a montante. no caso até Bom Jesus do Itabapoana.como estuarino-residentes. o que sugere a ocorrência de pequenas migrações no trecho superior. 267 . espécies como Centropomus parallelus e os mugilídeos notabilizam-se por realizarem migrações em diversos rios do litoral brasileiro.Rotas migratórias de peixes e crustáceos ao longo do Rio Itabapoana As espécies marinhas eurialinas penetram no canal principal do Rio Itabapoana principalmente até o acidente geográfico denominado localmente como cachoeira das Garças ou cachoeira Gabiroba. a migração das espécies listadas ocorre ao longo do canal principal. o que sugere a importância destes sistemas como parte de suas estratégias tróficas e reprodutivas. logo podem completar seu ciclo evolutivo em ambientes mesoalinos.

M. um evento que. ao menos em trechos restritos e em períodos específicos. pescadas no Rio Itabapoana 268 . Cichla ocellaris. Tilapia rendalli.Hypostomus affinis. baixa capacidade de recuperação. ocorrendo um pequeno comércio. provavelmente. taxa como Brycon opalinus e Prochilodus vimboides encontram-se com estoques em acelerado declínio. As principais espécies comercializadas são os cascudos (Hypostomus spp. são Anchoviella lepidentostole. Brycon opalinus. Mugil curema. Prochilodus spp. No trecho médio. Centropomus parallelus. sendo comercializado na residência dos próprios pescadores. exibe.Figura 123 . reflete a sobrepesca que tais grupos vêm sofrendo.) e traíras (Hoplias malabaricus).Detalhe do trecho do Rio Itabapoana próximo à cachoeira das garças A pesca no Rio Itabapoana e o uso deste sistema em atividades recreativas pela população é um aspecto observado principalmente no trecho médio e no trecho inferior. Esta condição deriva do estabelecimento de uma atividade extrativista em um sistema que.). A atividade é essencialmente de subsistência ou esportiva. Figura 124 . naturalmente. Loricariichthys sp. nas estradas ou em pequeno comércio. Cyphocharax gilbert. Astyanax bimaculatus. Genidens genidens. especialmente na porção inferior da bacia. liza.. a coleta ocorre principalmente entre São Eduardo e Bom Jesus de Itabapoana. Outros taxa que apresentam relevância econômica. notadamente na feira de Bom Jesus de Itabapoana. por sua simplicidade ambiental. Rhamdia parahybae e Parauchenipterus striatulus. piaus (Leporinus spp. Das espécies relacionadas.

nattereri. bem como o sistema do complexo Lago Feia/lLagoa de Cima (e bacias associadas). observam-se alguns padrões interessantes: • Para um grande número de grupos de peixes. a queda é menos brusca. e Paraíba do Sul. em parte. Para Sul. a gradual perda de tributários. ocorre redução brusca na diversidade quando da passagem para a face sul da Baía de Guanabara e esta queda se mantém até o fim do Estado. Cichlasoma e espécies como Corydoras barbatus. RJ. C. Cyphocharax. Schizolecis guntheri e Corydoras barbatus. por uma determinação histórica. São João. A única exceção a este padrão é a Bacia do Rio Macaé. conta com representantes ao longo de toda a extensão da região costeira até a Bacia do Rio Paraíba do Sul (inclusive). Ao norte. que consideramos um sistema agonizante dada a alteração que a bacia como um todo sofreu (e ainda vem sofrendo). Spintherobolus broccae por exemplo. dada a dificuldade de reabastecimento de aqüíferos (reflexo do uso inadequado do solo) tende a conduzir a um processo de rápida perda na riqueza de espécies. Assim. Assim. Bacias como as dos Rios Macacu. fato abordado ao longo deste documento. Dentro do Estado.Avaliação ictiogeográfica do Estado do Rio de Janeiro Integrando as informações apresentadas para as diferentes macrorregiões do Estado com dados de distribuição geográfica dentro do leste brasileiro das espécies inventariadas. taxa como os pertencentes aos gêneros Oligosarcus. ainda mantém um número relativamente alto de espécies. ocorrem tanto ao norte como ao sul da área em estudo. que com baixa riqueza de espécie e reduzida densidade de espécimes (como evidenciamos nas amostragens conduzidas neste sistema) merece ser alvo de um estudo aprofundado. relacionada com o tempo de formação das bacias que fluem por este setor e de sua dinâmica evolutiva. caso mostre-se um estado definitivo do rio. Este padrão é verificado de forma bastante coesa para espécies como Rhamdioglanis frenatus. Com algumas exceções verifica-se um decréscimo no número de espécies a medida que nos distanciamos da Bacia do Rio Paraíba do Sul. A Bacia do Rio Itabapoana. em parte. 269 . que ocorrem desde rios do Estado de Santa Catarina (em verdade deste o Rio Itapocu e bacias adjacentes) até as Bacias dos Rios Macaé (no caso de R. consiste em interessante problema biogeográfico. barbatus). É possível que o fato revele-se uma decorrência de problemas amostrais (o que julgamos pouco provável) porém. deixando de ser registrado ao norte deste sistema. o padrão que se verifica é de grande concentração de biodiversidade em locais específicos. • O mesmo é verificado para o gênero Bryconamericus que. derivado de mudanças antrópicas sofridas pelos ecossistemas aquáticos inseridos dentro da densa malha urbana e. Trichomycterus. Geophagus. Contudo. com registro partir de Joinville. O processo é. Para um segundo grupo de espécies do Rio de Janeiro é o limite de distribuição extremo. o Estado do Rio de Janeiro representa um contínunn de distribuição. frenatus) e Imbé (no caso de C. Fato similar ocorrem com Kronichthys. Santa Catarina (espécie ainda não descrita) até o Rio Macacu. partindo do sul do país. podem ser apontados como os centros de maior riqueza biótica.

o registro de espécies como Moenkausia doceana. nos mostrará que chegamos em outra província ictiogeográfica (cf. qualquer abordagem futura deve enfocar. onde nossa análise acaba. por exemplo. • 270 . Ao chegarmos ao Rio Doce. mas sim dados genéticos que. durante os períodos de regressão marítima. poderão fornecer a explicação necessária para o entendimento desta questão. em especial através de estudos genéticos. Acreditamos que esta é a grande área de fonte de espécies que. Esta observação merece ser mais detalhadamente checada. em sua face sul um arranjo ictiofaunístico que julgamos mais similar ao verificado em bacias como as que fluem para a baixada de Jacarepaguá. Lophiosilurus alexandri (neste caso não consistindo uma espécie introduzida). do que a presente em rios da face norte da referida baía. ao nível da plataforma continental. Pode-se observar diversas semelhanças na estrutura das comunidades do alto curso desses rios. Passando para uma análise de maior detalhe. Neste quadro é difícil não ser poético e deixar de considerar o Rio Paraíba do Sul como o coração da ictiofauna Fluminense. 1994). Novamente. algumas relatadas neste livro. associados às informações geográficas. não apenas aspectos morfológicos.Se extrapolarmos os limites estaduais e prolongarmos nossa análise pelos rios do Estado do Espírito Santo. BIZERRIL. podemos verificar ainda dois padrões que chamam atenção e merecem um estudo específico: • A Baía de Guanabara (em verdade uma ria. reabastece as bacias que passam se comunicar. com este grande rio. por exemplo. ou rio afogado) exibe. O sistema de drenagem que apresenta divisores de água com a Bacia do Rio Macacu aparentemente efetuou diversas capturas gerando uma história biogeográfica particularmente curiosa. novamente observaremos uma perda gradual de espécies à medida que nos distanciamos do Rio Paraíba do Sul.

Existem tantos de nós (5. aparentemente nenhuma espécie. Eventos catastróficos são poucos ao longo de uma vida.CONSERVAÇÃO Análise Ictioconservacionista A Humanidade cresce. De fato.). 271 . praticamente em todos os países. é conveniente diferenciar dois tipos básicos de extinção. um verão muito quente. O problema de perda de biodiversidade é maior. A constatação deste processo vem alterando a forma de encarar o grande geossistema do qual somos parte integrante. Inicialmente. 1993). tigre. salvo as poucas famosas (e. O que isto significa? Parece. o mundo é modificado. que não inclui a espécie humana) estará salvo. O problema é que a extinção vem ocorrendo. Bom. e cada indivíduo consome tanta energia e tantos recursos que nossas atividades influenciam virtualmente tudo na natureza (RICKLEFS. onça. algumas baleias. um inverno muito seco. um furacão no hemisfério norte. maior que o nosso prazo de vida) a extinção da vida passa a assumir outra dimensão. baleia etc. Surge. Fala-se ainda do desmatamento e das queimadas em matas tropicais (muitas das quais brasileiras) que atingem valores anuais muito altos. A onça (Panthera onca). um dezena de derrames acidentais de petróleo.4 bilhões em 1992 e aumentando em uma taxa de quase 2% ao ano). dentro de uma escala de tempo de uma vida os sistemas ambientais parecem muito constantes. uma consciência ecológica.. para o mundo situado fora dos muros das universidades. que se resolvermos estes problemas.e. mico. 1993). quando a questão ambiental vem deixando de ser uma discussão restrita ao mundo acadêmico e passa ao mundo real. Paleontólogos normalmente distinguem entre extinções "normais" ou "de fundo" de "extinções em massa". uma forte tempestade. 1996). são apresentados como previsões de perdas para um futuro próximo (o cabalístico número de 2100 é usualmente adotado cf. usualmente sem significado para o cidadão comum. até certo ponto. A nossa curta vida acaba gerando uma barreira para a percepção de um processo dinâmico que extrapola nosso limite de tempo. Mas a análise integrada de processos e a avaliação ambiental em escala global revelaram uma mudança acelerada nas condições do ambiente.g. Números discordantes. vem desaparecendo. o meio ambiente (em sua falsa concepção. KAUFMAN. etc. como ocorreu próximo ao limite Permo-Triássico (FUTUYMA. Quando conseguimos visualizar o mundo dentro de uma perspectiva de longo prazo (i. o drama de algumas espécies ameaçadas de extinção. A população acompanha.. porém invariavelmente altos..SEÇÃO II . antes de nos aprofundarmos nesta questão e aplicarmos a abordagem a uma análise ictioconservacionista. o mico leão dourado (Leontopithecus rosalia). Houve uma demora na percepção deste processo.

os argumentos que usualmente são empregados para justificar a preservação da biodiversidade refletem apenas o momento cultural em que vivemos. as justificativas para a preservação da biodiversidade. A água também não é valorável. por que a biodiversidade tem que. é bom lembrar). Um peixe anual (Rivulidae) em um brejo cercado por loteamentos? A extinção vem acontecendo (em Barra de São João. A pura e simples presença ou ausência de espécies em bacias já nos permite contar toda a evolução de trechos do Estado (ver Avaliação Ictiogeográfica do Estado do Rio de Janeiro. em sua estrutura genética. Afinal. Assim. porém sem valor como argumentos críticos. E daí? Qual o problema de perdermos a biodiversidade? TUDGE (1989) em um artigo intitulado "The rise and fall of Homo sapiens sapiens" assume um papel criado pela igreja católica no século 16. Discursos nos quais a biodiversidade mostra-se relevante. uma queda na taxa de extinções normais deve ser esperada se a evolução levar a um aumento contínuo na adaptação de organismos às vicissitudes do ambiente. Ao longo do tempo.As espécies não "vivem" indefinidamente. a extinção vem acontecendo em dose tripla). de fato. Mas se quer um argumento financeiro. O princípio do Usuário Pagador. Imagine a extinção dentro de sua dinâmica real. Mas desde que espécies não podem se adaptar a mudanças futuras e desde que mudanças ambientais novas têm ocorrido ao longo da história. De fato. fonte de remédios. 272 . está cercada de casas. normalmente extinguem. não de TUDGE (1989). a possibilidade de contar Histórias. Eventos catastróficos podem reduzir em um período curto (sob o ponto de vista geológico. um número alto de espécies. fonte de recursos gênicos (todos já ouviram estes discursos) são destacados pelo autor como boas tentativas. fonte de renda (via turismo ecológico). gerar dividendos? A grande relevância da biodiversidade reside na história que ela nos conta. É um fato. uma população remanescente de uma espécie de peixe de água doce em um rio que gradualmente torna-se mais e mais poluído. afirmavam os economistas brasileiros de décadas atrás. onde Sympsonichthys constanciae. de uma forma ou de outra. vamos lá. Não há porque questionar que vivemos em pleno Terceiro Evento. caracterizando as extinções em massa (quem não imagina os dinossauros agonizando como um exemplo de extinções em massa?). no caso da presente discussão. a ser implantado em diversas bacias brasileiras apenas demonstra o quão tênue é o limite entre o valorável e o não valorável. agora aproximando nossa discussão para o Estado do Rio de Janeiro. Leptolebias cruzi e Nematolebias whitei coexistem em uma poça que. Cada organismo tem. e esta é uma consideração nossa. por exemplo). WARD (1997) agregou as extinções em massa ocorridas na Terra em dois grandes eventos e é categórico em afirmar (em sintonia com outros pesquisadores) que vivemos o Terceiro Evento. o de advogado do diabo. Imagine. como por exemplo. Quem insiste em ter um argumento monetarista pode afirmar que a história não pode ser valorada. não há necessariamente razão para esperar que espécies se tornem mais resistentes à extinção. para atacar idéias que são aceitas pela população. A extinção vem acontecendo. Esta é a conclusão de TUDGE (1989).

fundamental para sua manutenção. Porém algumas cartas. como espécies isolada.. extingue). De fato. romântica e tocante..e. Não estamos falando do clássico argumento de que "toda e qualquer espécie é parte integrante de um todo e. A fuselagem enverga e o avião (ecossistema) cai (extingue).. Contudo. O autor menciona a "metáfora do avião" incorporando algumas mudanças. a estrutura de ecossistemas. pois existem outros parafusos que cumprem mais de uma função e seguram. porém falsa. a fuselagem. e mesmo de meados do século XX. A quebra da visão romântica gerou uma série de metáforas para descrever. a biodiversidade pode nos contar a História do Mundo (e lógico a nossa própria História). com certa eficiência. cartas podem ser tiradas (i. espécies. logo sua preservação é estratégica se quisermos manter algum tipo de ecossistema. porém ela possui uma função estratégica que se relaciona diretamente com o manejo do grande geossistema no qual estamos inseridos e que. De acordo com esta metáfora. relatos de naturalistas viajantes no final do século XIX. incorpora novos conceitos porém apresenta algumas limitações. Pode-se comparar um ecossistema a um avião. em alguns ecossistemas ela pode ser uma espécie que ainda não foi sequer descrita). se retiradas causam desmoronamento do castelo (i. os ecossistemas podem ser comparados a castelos de cartas sendo cada carta uma espécie.. em geral. Nada acontece. fim do ecossistema). espécie) cai (i.e. quando transportadas ao mundo real são nomeadas espécies chave. pode significar que o rio pode se tornar radicalmente diferente quanto ao seu funcionamento. não sabemos quais são as espécies chave (de fato. Se quisermos entender a real problemática do processo de extinções que estamos vivendo temos que ser realistas. o modelo de castelo de cartas é interessante (melhor que a visão poética). conservacionistas) gastaram boa parte do tempo apertando e protegendo os parafusos mais importantes.e. Uma das pioneiras é a do castelo de cartas. não podemos manter. assim como o que ocorre em outros ecossistemas. enquanto você voa em aparente tranqüilidade em seu avião. Neste processo o ritmo de extinções aumentará. Perder várias espécies por ano não significa apenas que. Tais cartas. O Estado do Rio de Janeiro vem passando por mudanças no mínimo impressionantes em seu ambiente. a princípio similares às outras.e. um parafuso da fuselagem (i. portanto. Como vem sendo apresentado neste documento. 273 . visto haver uma grande rede de interdependência entre os organismos". por exemplo. parafusos pouco relevantes continuam a cair. apresentam uma paisagem radicalmente distinta da atual. os rios terão menos peixes para pescar. De fato.e. O principal elemento causador de extinções é a mudança ambiental (WARD. Esta é uma linda visão. em linguagem simplificada. pois os engenheiros do avião (i. O primeiro problema é que. as quais foram estabelecidas em um curto espaço de tempo. Ocasionalmente.Limitar a argumentação a este ponto seria uma postura simplista. Como descrito por BIZERRIL (1998). 1997). Chega um momento que os parafusos que foram protegidos não conseguem mais segurar a fuselagem sem a presença dos parafusos que se foram.. e a história nelas contidas. podem ser extintas) sem que o castelo caia. Isto lhe dá uma certa segurança.

MAGALHÃES (1931). bem como aqueles extintos ou provavelmente extintos. Existem diversas limitações quanto ao emprego das listas (como será discutido) contudo..Áreas de concentração dos esforços de "saneamento das baixadas fluminenses" e uma comparação quanto a área na qual os rios foram "desobstruídos" Barragens foram implantadas em diversos cursos de água. verifica-se que grandes processos de dragagem e retificações foram desenvolvidos nas baixadas fluminenses. mediante critérios preestabelecidos. de caráter oficial. 1990) incluíram 9 espécies de peixes de água doce. O IBAMA (1992) publicou portaria regulamentando a captura e comercialização de peixes ornamentais de água doce. Neste processo. 1977. para uma primeira discussão acerca das magnitudes e tendências dos processos impactantes estabelecidos em determinadas unidades geográficas. Considerando apenas este século. Uma ferramenta que permite aproximação do estado de comprometimento da biota de determinada região é a lista oficial de espécies locais ameaçadas de extinção. vulneráveis ou criticamente ameaçados. Alteração física e química na qualidade das águas.Neste processo. enquanto listagens internacionais de animais ameaçados (MILLER. estes instrumentos servem como uma base. quais grupos bióticos encontramse em perigo. BIZERRIL et al.g. 1998. lançamentos de efluentes e sobre-pesca. ressaltou ser equivalente a distância entre Washington e São Francisco (Figura 125). perdas bióticas são eventos de ocorrência esperada. ROSA & MENEZES (1996) apresentaram relação preliminar de peixes ameaçadas no Brasil. Fonte: GÓES (1934) Figura 125 . A primeira lista oficial de espécies ameaçadas de extinção do Brasil (IBDF. profeticamente previa o progressivo desaparecimento de Brycon do Rio Paraíba do Sul dada a combinação de desmatamentos. Como mencionado por LIMA & CASTRO (2000). BIZERRIL & LIMA. 1997. AMADOR. alterações nos ecossistemas aquáticos continentais mostram-se particularmente conspícuos. com todo o ufanismo que caracterizou este período. permitidas exclusivamente para as 177 espécies que constam na portaria. 1988. enquanto o desmatamento reduziu a cobertura de florestas ombrófilas e estacionais a menos de 20. IUCN. Este instrumento indica. introdução de espécies exóticas e de perda de habitats encontram-se bem documentados (e. 1997).. 1973) não continha nenhuma espécie de peixe na relação apresentada.24% da área do Estado (CIDE. englobando área que GOES (1934). 274 . no prelo).

em uma primeira análise. a representatividade de taxa que apresentam relação direta com ecossistemas aquáticos continentais é expressiva (Figura 126). No Município do Rio de Janeiro. que abrange uma área por demais restrita. 275 .8%). verifica-se que a maior parte dos taxa exibe distribuição virtualmente restrita a bacia hidrográfica de ocorrência. Assim. anfíbios (5. A PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO (2000) publicou.Recentemente. Por sua característica muito localizada. a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) coordenou encontro que teve como objetivo elaborar a lista local de espécies ameaçadas. não utilizaremos esta lista em nossa avaliação. publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (5/06/98). Esta condição de restrição na distribuição determina que a extinção da maior parte dos taxa significa sua extinção total. Na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção do Estado do Rio de Janeiro foram identificadas 257 espécies de animais ameaçadas.5%). sob a forma de livro.6%). aves (10%).9%) e moluscos (1. Embora haja um amplo domínio de espécies terrestres dentro do total relacionado.5%). crustáceos (8. os técnicos responsáveis pela elaboração da lista reconheceram 9 espécies de peixes de água doce ameaçadas de extinção. não restringindo-se aos limites estaduais. marinho e aquático continental do Estado do Rio de Janeiro As espécies de peixes que constam da lista oficial do Estado encontram-se no Quadro 73. répteis/mamíferos (2.4%). não havendo possibilidade de renovação de estoques populacionais mediante migração. seguindo-se insetos (11.Representatividade de espécies ameaçadas ocorrentes nos ambientes terrestre. Es p é c ie s d e á g u a s c o n tin e n ta is 27% Es p é c ie s ma r in h a s 14% Es p é c ie s te r r e s tr e s 59% Figura 126 . a lista de espécies ameaçadas de Extinção no Município do Rio de Janeiro. A maioria das espécies ameaçadas ocorrentes em ambientes aquáticos continentais pertence ao grupo dos Teleósteos (56.

1915* SILURIFORMES Pimelodidae Chasmocranus truncatorostris Borodin. 1955 Characidium grajahuensis Travassos. 1937) Simpsonichthys constanciae (Myers. 1995 Pareiorhina rudolphi (Ribeiro. 1949 Characidae Hyphessobrycon flammeus Myers. 1911) Pogonopomoides parahybae (Steindachner. 1917) Trichomycterus travassoi (Ribeiro. 1992 Trichomycterus mirissumba Costa. 1934) Leptolebias minimus (Myers. 1918) Listrura nematopteryx Pinna. 1891) Trichomycteridae Homodiaetus passarelii (Ribeiro. 1944) Ituglanis parahybae (Eigenmann. **** = Nematolebias whitei. whitei Myers. 1988 Trichomycterus albinotatus Costa. 1992 Trichomycterus auroguttatus Costa. 1924 Cheirodon parahybae Eigenmann & Eigenmann. 1942) Leptolebias nanus (Cruz & Peixoto. 1924*** Kronichthys heylandi (Boulenger. 1992 Acentronichthys leptos Eigenmann & Eigenmann. 1900) CYPRINODONTIFORMES Rivulidae Leptolebias citrinipinnis Costa. 1942) S. *** = Hemipsilichthys gobio. 1988 Leptolebias fluminensis (Faria & Muller. 1917) Trichomycterus vermiculatus (Eigenmann.Espécies de peixes ameaçadas de extinção presentes nos ecossistemas continentais do Estado do Rio de Janeiro Táxon Chrenuchiidae Characidium alipioi Travassos. 1876) Aspredinidae Dysichthys iheringii (Boulenger. 1992 Trichomycterus goeldi Boulenger. 1944 Characidium lauroi Travassos. 1942**** * = Cheirodon ibicuhiensis. 1937) Leptolebias fractifasciatus Costa. 1889 Trichomycterus mimonha Costa. ** = Rhamdioglanis frenatus. 1927** Microglanis nigripinnis Bizerril & Peres-Neto. 1988 Leptolebias cruzi Costa. 1943) Trichomycterus trigutatus (Eigenmann.Quadro 73 . 1992 Trichomycterus paquequerensis (Ribeiro. 1949) Nome vulgar Canivete Canivete Canivete Tetra Lambari Mineiro branco Bagre Bagre Surubim Cambeva Cambeva Cambeva Cambeva Cambeva Cambeva Cambeva Cambeva Cambeva Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Cascudo Peixe das nuvens Peixe das nuvens Peixe das nuvens Peixe das nuvens Peixe das nuvens Peixe das nuvens Peixe das nuvens Peixe das nuvens Peixe das nuvens Peixe das nuvens LORICARIIDAE Hemipsilichthys garbei Ihering. 1876) Rhinelepis aspera Agassiz. 1829 Upsilodus victori Ribeiro. 1988 Leptolebias marmoratus (Ladiges. 1889 Steindachneridion parahybae (Steindachner. Fonte: Lista Oficial de Espécies Ameaçadas de Extinção do Estado do Rio de Janeiro Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro 5/06/98 276 . 1963) Leptolebias sandrii (Faria & Muller. 1911 Neoplecostomus varipictus Bizerril. Lacerda & Tanizaki.

No caso específico dos brejos. Em lagos e lagoas. cit. as intervenções derivadas das atividades pesqueiras e do lançamento de poluentes atuam como importantes fontes de pressão. marmoratus (Ladges. duas espécies de peixes já se encontram provavelmente extintas (Leptolebias sandrii (Faria & Muller. foi verificada uma menor proporção de grupos ameaçados (apenas 5%). respectivamente. (2000) separaram os taxa listadas por ambiente de ocorrência considerando. MAZZONI et al. as áreas de baixada fluvial. tornando a atividade de manejo das populações remanescentes uma tarefa a ser realizada sem o devido embasamento teórico. derivadas por exemplo de ações antrópicas diretas ou indiretas. Este fato pode ser estendido a toda a fauna ameaçada que em sua maioria foi descrita e nomeada a menos de 100 anos.XX Séc. como recorte geográfico. 20 Número de espécies 15 10 5 0 Século XIX Primeira Segunda metade metade Séc. Desta forma.Do arranjo listado. Para analisar a distribuição das espécies em escala macroespacial. 277 .Número de espécies ameaçadas descritas em diferentes períodos Nas baixadas fluviais e nos brejos ocorrem 25% e 27. por ocorrer uma fauna de peixes dulciaqüícola naturalmente menos diversificada e composta por espécies com maior valência ecológica. Nota-se que as espécies presumivelmente extintas foram descrita apenas no século XX.5% das espécies ameaçadas. como se observa na maior parte dos casos. 1937) e L. o processo de drenagem para o uso do solo pode ser apontado como o principal impacto exercido sobre a ictiofauna (MAZZONI et al. o alto curso dos rios.. são dificilmente repostas através de migrações procedentes de áreas não impactadas. reduções populacionais. 2000) . Nos rios de baixada. um padrão que reflete a condição de isolamento que a biota residente nestes ambientes se encontra submetida. Tal condição significa que pouco ou. correspondem a 50% das formas ameaçadas).XX Figura 127 .. 1934) (MAZZONI et al.. Com base nesta classificação verificou-se que espécies de alto curso apresentam maior comprometimento (i. op. com um grande percentual (quase 40%) descrita na segunda metade do século XX (Figura 127).). nada se conhece acerca das necessidades ecológicas dos diferentes taxa. brejos e lagoas e lagoas.e.

bem como para subsidiar o processo de conservação.F. Os estoques comercializados raramente derivam de criações. especialmente dos gêneros Leptolebias. dentre outros (BIZERRIL. bem como a eventual inclusão das mesmas na lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). 278 . prionotus).S. Contudo. BIZERRIL . que o local consiste em uma área de descontinuidade na distribuição de alguns grupos de peixes típicos de baixadas fluviais e muito comuns dentro do espaço entre a Baía de Sepetiba e a foz do Rio Paraíba do Sul. por suas belas cores são muito cobiçados no ramo da aquariofilia e. flammeus. a ameaça às espécies relacionadas na lista oficial está fortemente relacionada à drástica redução nos habitats disponíveis. exerce pressão sobre alguns grupos de valor neste ramo. Coleta para aquariofilia. foram selecionadas: a destruição de habitats. embora de difícil quantificação. despertando pouca ou nenhuma atenção. por exemplo. Peixes como os Rivulidae. verifica-se que estão ausentes.fez parte) as principais ações de impacto. Foram ainda considerados critérios naturais das espécies. 1994. Alguns exemplos de extinção local no Estado do Rio de Janeiro podem ser inferidos a partir de análise biogeográfica. como concebido. incluindo a distribuição geográfica restrita. caça. Otocinclus. mostram-se amplamente distribuídos no Estado. Preservando nomes ou o processo evolutivo? Embora a lista de espécies ameaçadas seja de importância inegável para a avaliação do nível de degradação que diferentes unidades geográficas vêm sofrendo. Em uma primeira análise da lista estadual. BIZERRIL & ARAÚJO.Na elaboração da listagem de fauna foi igualmente destacado pelos grupos de especialistas (do qual um dos autores deste livro . C. Desta forma. São exemplos o sairu (Cyphocharax gilbert). (2000). como destacado por MAZZONI et al. os peixes ferreiros (Corydoras nattereri. atualmente de venda menos comum). como já reportado neste livro. Não é raro encontrar em lojas que comercializam animais espécimes nativas de Corydoras. Tomando como exemplo a ictiofauna existente na região da baixada de Jacarepaguá observa-se. por conseguinte. A sobre-pesca é um segundo agente que atua sobre espécies como Steindachneridion parahybae e os Bryconinae. Muitas das espécies listadas possuem distribuição restrita a poucos ambientes. apresenta apenas uma subestimativa do real impacto sofrido pela biota de determinada região.R. eventos de extinção local de alguns grupos que. bem como outras informações que justifiquem a inclusão dos taxa na listagem proposta. Como agentes de impacto. o peixe cachorro (Oligosarcus hepsetus). 1993). extinções locais acabam por resultar em eventos de baixa detecção. o comércio e controle.C. Nematolebias e Simpsonichthys. o que aumenta suas chances de extinção. alvo de capturas ilegais. ocorrência em pequenas populações ou em população isoladas. este instrumento. Hyphessobrycon (incluindo o ameaçado H. sendo essencialmente resultado de atividade extrativista. dentro de uma conceituação de espécie biológica. perseguição.

dos Hydrocioneos6.. o nome C..e. WILLEY.. A não existência. geologicamente esperado). é necessário o uso de uma definição verdadeiramente evolutiva das espécies a serem manejadas. Novamente. 1981) acaba por gerar uma lista de nomes e não de unidades evolutivas. a subestimativa do real problema ambiental deriva especialmente do uso de um conceito indevido de espécie. (. 1990. Desta forma. BIZERRIL. BIZERRIL & ARAÚJO. 1998). denominado peixe cachorro por ter dentição canina.. De fato. a população da baixada de Jacarepaguá). destes taxa na região (ANDREATA et al. Contudo. além de poder conduzir ao agrupamento de diferentes unidades estenoécias dentro de uma entidade aparentemente euriécia (KOTTELAT. Desta forma houve perda na biodiversidade e esta perda não foi detectada. gilbert não se encontra ameaçado. por exemplo. no presente. porém muitas das populações (em verdade espécies evolutivas) agregadas sob esta designação taxonômica encontram-se nesta categoria e uma..) o tambicu ou peixe cachorro (Acestrorhamphus hepsetur)5 da f. principalmente. 1996) revela a ocorrência de processos de extinção dentro do espaço considerado.. uma vez que há a possibilidade de que o conhecimento disponível acerca das exigências ecológicas de uma população de determinada espécie biológica não se aplique a outras populações.) o sayrú ou sairu (. o já mencionado Cyphocharax gilbert não foi incluído na listagem oficial. da alteração dos regimes salinos dos corpos lagunares e da poluição dos sistemas hídricos. tomando como exemplo a ictiofauna. permitir a manutenção da biodiversidade dentro de um período evolutivamente aceitável (i.. a espécie Spintherobolus broccae (um pequeno lambari originalmente citado por TRAVASSOS (1953) como presente no local e com lotes testemunho depositados no Museu Nacional do Rio de Janeiro). também. O mesmo se verificaria na tentativa de elaboração de estratégias de manejo para as populações identificadas como ameaçadas. já foi extinta (i.A presença de alguns deste grupos na região foi relatado por CORREA (1936) ao descrever a Lagoa de Marapendi. certamente derivado do uso intenso das áreas de baixada. 1993.)”. MAYR. mencionando que “os peixes que encontrei nas minhas excursões são os que habitam águas fluviais: (. como localmente extinta.. O trabalho de BIZERRIL & ARAÚJO (1993) apontou. Considerando que as iniciativas de conservação objetivam. observamos que. 2 3 Atualmente Oligosarcus hepsetus Atualmente Characidae 279 .e.. o uso do conceito de espécie biológica (cf. resulta na não inclusão de diferentes histórias evolutivas dentro de um documento que objetiva subsidiar a proteção das mesmas. Elaborar uma lista de espécies evolutivas é uma atividade com baixa probabilidade de sucesso visto que se considerarmos cada população de cada espécie como uma nova unidade a ser analisada com fins bioconservacionistas o resultado será um processo quase interminável de discussões e avaliações. 1957) em detrimento do conceito de espécie evolutiva (cf. pelo menos. A aceitação de que as diferentes populações de uma espécie biológica amplamente distribuída consistam uma única unidade evolutiva.

sendo esta história umas das informações mais preciosas contida na diversidade da vida (TUDG. visto que ambientes com maiores dimensões gerais viabilizam a ocorrência de espécies com diferentes necessidades espaciais para forageamento. tanto sob o aspecto trófico. relação essa usualmente expressa pela função exponencial dada por S = b. A argumentação é a de que. SIMBERLOF (1969). embora aleatória. porém a Bacia do Rio Iguaçu. diversidade de ambientes e complexidade ambiental encontram-se positivamente correlacionadas com o número de espécies (RICKLEFS & SCHLUTER. 1970).e. 1967). a história da bacia encontra-se ameaçada. soma-se a estas três variáveis (área. é esperado encontrar maior número de espécies em rios que exibam maior número de seções ecológicas ao longo do gradiente hidrodinâmico. Dentre as abordagens realizadas neste sentido. resultam em uma condição que favorece o incremento da biodiversidade. 1962. 1969. elementos dos ambientes aquáticos continentais fornecem indicações quando a capacidade do sistema em manter sua fauna. 280 . COLINVAUX. identificar ambientes ameaçados resulta em também identificar histórias evolutivas ameaçadas. gilbert pode não estar ameaçado no Estado do Rio de Janeiro. coletores profissionais. No segundo caso. na qual ocorre população desta espécie e de outras não ameaçadas. 1986). verifica-se que regiões com grandes áreas são usualmente dotadas de maior diversidade de ambientes e maior complexidade ambiental quando comparadas com regiões com pequenas áreas. dada a evolução conjunta. A observação de que profissionais que se encontram diretamente envolvidos com processos de captura de organismos aquáticos (i. Assim como algumas características das espécies (ou populações) permitem avaliar sua tendência a extinção. taxocenoses estas marcadas pela presença de tipos convergentes de adaptação morfológica (isocenoses. quais sistemas irão fornecer maior riqueza de espécies quando da realização da coleta sugere que existam variáveis ambientais que. como no que diz respeito a interações entre organismos e disponibilidade de nichos potencialmente utilizáveis (SIMBERLOF & WILSON. afluente da Baía de Guanabara. a típica zonação exibida pelas comunidades ícticas ao longo de gradientes longitudinais. Assim sendo. Neste raciocínio. 1989). A área influencia o número de espécies de diferentes maneiras. No caso específico de sistemas fluviais. a partir de uma rápida avaliação geral de ambientes fluviais. com a lista de espécies ameaçadas. Assim sendo.. apresenta um nível de degradação que indica uma baixa capacidade de manter sua fauna. em paralelo. apud SCHAFER. sensu ILLIES.Aa. destacamse os trabalhos de MCARTHUR & WILSON (1963. 1985). da biota e do ambiente. DIAMNOND & MAY (1976) e outros que demonstraram a forte relação existente entre área (A) e o número de espécies (S). de lista de ambientes ameaçados.Por este motivo recomenda-se a adoção. C. Este conhecimento acumulado empiricamente encontra-se igualmente documentado em diversos estudos ecológicos. Esta zonação se expressa na formação de comunidades aquáticas características de cada seção do curso fluvial. Logo. 1993). 1970. bem como reduzem a intensidade de interações competitivas e de predação (SIMBERLOF & WILSON. biólogos de campo) facilmente reconhecem. pescadores. diversidade de ambientes e complexidade ambiental). 1969. quando conjugadas.

Uma vez efetuado este processo foi obtido a extensão de cada grupo ambiental obtido e estes dados foram lançados na equação originalmente proposta por SHANNON (1949) para calcular o conteúdo informativo de processos estocásticos de uma fonte de transmissão constante. é interessante mencionar o estudo de BIZERRIL (1996) que testou relação entre fisiografia fluvial na Bacia do Rio Macacu. Riqueza de tributários . 1969).ln Pi onde. conseqüentemente.Para obtenção da diversidade de ambientes foi inicialmente traçado o perfil longitudinal de cada sistema estudado. A caracterização morfométrica de ambientes fluviais estudados foi efetuada considerando variáveis ambientais que expressem aspectos de dimensão geral. Área .Obtido pelo somatório das extensões de cada elemento que compõem o conjunto de drenagens considerado. sendo Am = Amax + Amin/2). Assim sendo. Estes índices. utilizando o nat como unidade de informação.Amin/L). 3. Gradiente . 1971). a qual atualmente é de amplo uso em estudos ecológicos como um índice de diversidade. O índice de diversidade (H′) é dado. O autor confrontou os dados de biodiversidade reunidos em diversas amostragens com aspectos morfométricos dos Rios Enfocados.Obtido pela relação entre as altitudes máximas (Amax) e mínima (Amin) (i. foram elaboradas mais duas variáveis que objetivaram traduzir a diversificação de ambientes identificadas ao longo do canal fluvial principal de uma determinada bacia hidrográfica.Desta forma. 5.Obtida adotando-se a técnica de pesagem (CHRISTOFOLETTI et al. Além destes aspectos físicos. por H′ = - ∑ Pi. Extensão total do sistema . 4. 281 .Comprimento total do canal principal do Rio Macacu em cada subunidade de amostragem e dos canais principais das sub-bacias. amplitude) e a extensão do canal principal (L) (Gradiente = Amax . Pi foi n =1 n tomado como a probabilidade de ocorrência de um determinado ambiente dentro do canal principal.Dada pelo método de STRAHLER (1952). Os valores produzidos foram comparados quanto a sua semelhança utilizando o índice de Bray-Curtis (bjk= X ij − X ik ( X ij + X ik ) . complexidade e diversidade ambiental. com diferentes vocações bioconservacionistas. Hierarquia fluvial . 2. sendo ∑ ∑ Xij e Xik os valores da variável X nas subáreas j e k) e os escores finais foram agrupados por UPGMA (SNEATH & SOKAL. verifica-se que algumas variáveis físicas podem servir como um caminho para uma primeira discussão acerca de áreas com diferentes níveis de riqueza biótica e.. nomeados Índice de Diversidade Ambiental e Taxa de Alteração Ambiental sintetizam em um valor numérico características de altitude e declividade e são descritos abaixo: • Diversidade ambiental . O eixo do comprimento do perfil foi subdivido em intervalos com extensão de 570 metros e cada subárea reconhecida foi caracterizada quanto a declividade e a altitude média (Am. Neste aspecto. em sua versão modificada. foram consideradas as seguintes variáveis: 1. Extensão do canal principal .. na presente abordagem.Dada pela contagem dos tributários de cada sub-bacia ou de cada sub-região do Rio Macacu. 6.e.

Desta forma.908* 0. e por BIZERRIL (1995). Levar ao isolamento artificial das populações implica em aumentar suas chances de extinção.4.818 0.844 0. no caso específico da relação entre SP e extensão. a diversidade ambiental e o número de espécies foi igualmente observada por autores como PENZACK & MANN (1990). valores estes que.927* 0. Foram obtidos valores elevados de correlação entre todas as variáveis consideradas e o número de espécies (SP). A retificação de canais.05 0. para ambientes da região holártica. considerando um ambiente hipotético no qual o agrupamento de todas as subáreas se deu ao nível de 0. extensão total e ordem apresentaram significância estatística. gera-se um quadro de ruptura nas vias de conexão. contudo a diferença interna entre os ambientes que os compõe pode se dar em patamares distintos.P<0.A taxa de alteração ambiental é um subproduto da análise supracitada e atua como uma informação complementar. Assim sendo. acaba por produzir quebras no continunn fluvial. produzindo gradual isolamento das populações. WHITESIDE & MCNATT (1972). algumas das quais sumarizadas no Quadro 75. outras indicam estados de comprometimento. A única correlação negativa entre SP e as variáveis fisiográficas obtida foi para o par SP/Gradiente (G).818 0. no Rio São João. derivada do lançamento de poluentes.4 tem-se TA = 0.Correlações entre as variáveis físicas e bióticas Variáveis Número de espécies Área Diversidade Extensão do canal principal Extensão Total Ordem Taxa de transformação Riqueza de tributários Gradiente * . As correlações entre as variáveis fisiográficas e a biodiversidade encontram-se no Quadro 74.903* 0. Quadro 74 . Para calcular este aspecto como uma taxa de alteração ambiental (TA) considerou-se o valor final do agrupamento das subáreas delimitadas em cada região de estudo.816 -0. como por exemplo o nível de ocupação e a integridade da cobertura vegetal. 282 . Assim. tais indicações. Enquanto algumas variáveis permitem uma previsão de maiores ou menores patamares de riqueza de espécies. Dois sistemas fluviais podem apresentar a mesma diversidade ambiental. quer seja por obras (como barragens) quer seja pela produção de barreiras químicas. reduzindo as áreas de deposição fluvial. O comprometimento de trechos da bacia. enquadra-se também nesta categoria Particularmente importante é a perda de conectividade entre os ambientes de uma bacia. quebras estas que interferem na circulação de espécies. podem ser aplicadas dentro de um modelo de identificação de ambientes ameaçados.• Taxa de alteração ambiental .879 Fonte: BIZERRIL (1996) Correlação positiva entre a ordem. por reduzir a variabilidade de ambientes e alterar a dinâmica do sistema.

o trabalho de GUIMARÃES et al. apenas alguns aspectos foram abordados até o presente. Diversas atividades e ações. trataram do impacto causado por aberturas de barra de lagos costeiros sobre as comunidades ictiícas. Principais pressões sobre a ictiofauna de águas interiores Embora se observem diversos impactos sobre a ictiofauna do estado. . 283 . 1987. 1997. O quadro a seguir relaciona estes agentes e sumariza algumas de suas características. que tratou do efeito do vinhoto sobre a ictiofauna. 1998). = Aumento ou redução da capacidade de suporte da biodiversidade. 1997). 1994) e sistemas próximos (FERREIRA. Relações entre a ictiofauna e a qualidade da água na bacia do Rio Paraíba do Sul podem ser encontradas em BIZERRIL (1996. FROTA & CARAMASCHI (1999). 1997. Dentro deste tópico. 1996. Uma análise geral das agressões sofridas pela ictiofauna no estado pode ser encontrada em BARROSO (1989). pode ser apontado como pioneiro. FERREIRA & LIMA. (1997). a maioria das quais relacionadas a destruição de habitats. (1934). exercem efeitos negativos sobre a conservação da fauna de peixes.Quadro 75.Alguns elementos indicadores de sustentabilidade natural dos ambientes aquáticos continentais Características Características naturais Área Estabilidade Número de tributários Diversidade de ambientes Rios ⇑ ⇑ ⇑ ⇑ Lagos e Lagoas ⇑ ⇑ ⇑ ⇑ Brejos ⇑ ⇑ ⇑ Características derivadas de Interferências Sistemas retificados ou drenados Perda de conectividade entre os sistemas contribuintes Integridade da cobertura vegetal nativa Urbanização do entorno da bacia ⇑ ⇑ ⇑ ⇑ ⇑ ⇑ ⇑ ⇑ ⇑ ⇑ ⇑ ⇔ = Aumento ou redução da variável em enfoque.= Variável não se aplica a este ambiente. SAAD (1997) e LIMA et al. A contaminação de espécies locais por metais pesados foi alvo de estudos na bacia do Rio Paraíba do Sul (MALLAR. SOUZA.

etc. oficinas mecânicas e garagens. agrícolas Barragens e Construídas para geração de energia. fluxos de lama e areia que terminam nos solos das bacias cursos de água hidrográficas Retificação. constituindo uma fonte de poluição tanto maior quanto mais deficiente for a limpeza pública. devido a ausência/insuficiência de esgotos de redes coletoras de esgoto e de estações de tratamento. apresentando composição química variável. controle de cheias. sitiadas sobre as barrancas marginais no alto curso ou em planícies de inundação no baixo Captação Extração elevada de água para diversos propósitos.) motivada por diversas generalizados nos causas. Transposição de Captação de água de uma bacia e relocação do volume subtraído para outra bacias contígua. canais e lagoas de água Retirada de matas Retirada de florestas que margens rios e lagoas. vinhoto. efluentes de pocilgas. bem como descartados diretamente nos rios e lagoas pelos proprietários de embarcações. esta atividade é realizada para ampliação de áreas urbanas alagadiços e lagoas marginais Ocupação de Construção de moradias. São resíduos oleosos que chegam aos corpos de água depois de serem lixiviados em pisos de postos de serviço. dragagem de cursos de água Drenagem de Ações localizadas. dessecamento de grandes canalização e áreas rurais alagadiças ou recuperação de sistemas de drenagens urbanos. represas abastecimento de água ou outros propósitos. após as chuvas. Efluentes orgânicos de estabelecimentos de criação de trutas. podem conter. além de limiares excessiva de aceitáveis. irrigação. Obras realizadas para controle de enchentes. além de matéria orgânica. lagoas marginais Aterros de Em geral. reciclagem e destino final Resíduos de Consiste em corretivos e fertilizantes. implementadas por órgãos públicos e proprietários rurais alagadiços e para fins agropecuários. arruamentos e outras edificações nas margens de margens de corpos rios. vossorocas. sendo então arrastados pela drenagem para os cursos d’água superficiais. Processos erosivos Degradação dos solos (ravinas.Agentes causais da diminuição da ictiofauna Agente Características Cargas elevadas São produzidas nas cidades. todos os poluentes que se depositam na superfície do solo. que são despejados em rios serranos pequenos com baixa capacidade de depuração.. misturados com diversas outras substâncias. resíduos atividades de avicultura e agrotóxicos. que geram. recursos hídricos 284 . em geral.Quadro 76 . são acumulados no solo em valas. Lançamento de Compreende os efluentes líquidos originados pela decomposição da matéria chorume orgânica contida nos depósitos de lixo. Efluentes industriais Efluentes de trutários Efluentes oleosos Lançados pelas indústrias que não dispõe de sistemas de tratamento. visando ampliar as áreas agricultáveis. superficial de áreas Quando da ocorrência de chuvas. Lançamento de lixo Composto de material sólido pouco ou não biodegradável devido a precariedade dos sistema de coleta. vilas e povoados. bueiros. assim como de domésticos saneamento rural deficiente Escoamento Contém. urbanas etc. diversos tipos de substâncias tóxicas.

nas diversas fases de seu ciclo. Adição de substâncias tóxicas. A falta de oxigênio é a principal causa da mortandade de peixes. Destruição de matas ciliares. quantidade de matéria orgânica. larvas. sendo praticada com material proibido ela legislação. todos os peixes. alevinos. A poluição não atinge de maneira uniforme todos os peixes. tendo importância secundária a presença de outros compostos tóxicos. em águas poluídas. A poluição orgânica das águas e sedimentos pode ter diversos impactos negativos sobre os peixes. após rompimento de açudes. por exemplo Captura excessiva de peixes ornamentais para abastecer o mercado de aquariofilia Tomadas de água sem dispositivos para evitar a sucção de ovos. temperatura. lagoas e lagadiços marginais. Presença de lixo flutuante e nos sedimentos. larvas e ovos. onde sobressaem os fertilizantes e o vinhoto. em áreas localizadas. pela morte de peixes em áreas em que não chega a faltar oxigênio (BRANCO. ou ingresso acidental das mesmas. o lançamento de chorume e. turbidez e presença de substâncias orgânicas e inorgânicas diversas. pH. Regularização/decréscimo de vazões. Sucção de adultos. Modificação de traçados e seções de canais fluviais. porém. Ampliação artificial de vazões. metais pesados e óleo nas águas e sedimentos. alevinos. etc. 1978). O nitrogênio amoniacal. para suprimento do mercado de construção civil É aquela que atinge indiscriminadamente. Elevação da turbidez e assoreamento da calha dos rios. Aprisionamento de peixes em tubos de descarga de turbinas. uma vez que estes são facilmente transformados por atividade de microrganismos. secundado pelos efluentes industriais. tais como H2S e CH4. pois eles possuem variados graus de tolerância aos distintos elementos poluidores. pode ser responsável. O primeiro dos impactos listados (Poluição orgânica das águas e dos sedimentos) é causado principalmente pelas cargas elevadas de esgotos domésticos. várzeas sazonalmente inundadas. pelos efluentes de trutários e resíduos de atividades agrícolas. Represamento de rios. filhotes e peixes jovens e adultos Em síntese. Depleção de estoques devido a pesca criminosa e a sobrepesca. Soltura proposital de lotes de espécies exóticas em corpos de água. o escoamento superficial de áreas urbanas. podemos agrupar os dados listados nas seguintes fontes de pressões que podem resultar em o declínio populacional da ictiofauna: • • • • • • • • • • • • • Poluição orgânica das águas e dos sedimentos. A morte de peixes constitui o 285 . sendo estes essencialmente vinculados a alteração da concentração de oxigênio.Agente Extração de areia Pesca criminosa Sobrepesca Introdução deliberada ou acidental de espécies exóticas Captura de peixes ornamentais Tomadas de águas sem telas Características Exploração de areia em leitos e margens de rios e canais. Proliferação de espécies exóticas. em lugar não permitido ou no período de defeso Consiste na captura de determinadas espécies em quantidades superiores as capacidades de renovação dos estoques populacionais.

o escoamento superficial de áreas urbanas. teores de pH abaixo de quatro e concentrações de oxigênio dissolvidos muito baixos são fatais para a maioria dos peixes. assim como sobre os metais pesados. tem ação neutralizante sobre a toxidez do sódio.ou orgânica) (ARAGON. os metais pesados podem precipitar-se e por processos físico-químicos como. encontram-se comumente sob a forma iônica ou complexados pelos ácidos fúlvicos e húmicos quando há grande disponibilidade matéria orgânica no ambiente. magnésio. enquanto outros podem viver com concentrações de 5 a 3 mg/l e até mesmo 2mg/l. complexação com moléculas orgânicas.1980). Peixes de regiões de cabeceira de rios estão acostumados a águas com valores elevados de oxigênio. sem peixes. O cálcio. as cargas elevadas de esgotos domésticos. A disponibilização de metais ocorre principalmente em águas ácidas. ambientes redutores. Estas formas podem ser classificadas como frações residuais (quando o metal faz parte da estrutura cristalina de minerais primários) e lábeis (incorporadas por adsorção à fase sólida mineral . Os metais pesados dissolvidos na água. adsorção a sítios de troca catiônica. Por outro lado. potássio. Em geral. como aqueles ricos em compostos orgânicos. em especial nos valões das áreas urbanas. demandando concentrações acima de 6 mg/l. metais pesados e óleo nas águas e sedimentos. destacando neste caso os agrotóxicos. podendo ficar disponíveis para a biota. quando o caráter oxidante do ambiente for acentuado. sendo pouco tolerantes ao decréscimo acentuado deste elemento. entre outros. por exemplo. gerando a precipitação dos mesmos e a imobilização dos metais pesados no sedimento anóxido. O decréscimo de oxigênio não atinge de maneira uniforme todos os organismos. chumbo. amplificando sua ação tóxica (BRANCO. Nestas situações extremas. bem como organismos patogênicos ligados à poluição fecal. embora uma grande massa de outros organismos morram sem que sejam percebidos.minerais diagenéticos . é esperada a ocorrência de uma reação dos metais com sulfitos. do tipo sulfatoredutoras e metanogênicas. os efluentes oleosos. como por exemplo entre o zinco e o cobre. o lançamento de chorume e os resíduos de atividades agrícolas. por espaço de algumas horas por dia (BRANCO. 1978). deficientes em oxigênio. Entretanto. 1978). que se resume a bactérias anaeróbicas. Em meio aquoso. sendo incorporados ao sedimento sob a forma metálica ou iônica. alguns destes elementos metálicos podem apresentar ação sinérgica. 1987) onde os metais pesados encontram-se associados. os metais passam a ser muito menos nocivos à biota. Há peixes que são muito exigentes em termos de oxigênio dissolvido. o rio praticamente perde a capacidade de sustentar a vida aquática. No que se refere a adição de substâncias tóxicas. Quando encontram-se na forma dissolvida em águas naturais.efeito biológico mais visível da poluição. devido a interação com determinados elementos presentes no ambiente aquático. e a uma acidificação da água devido a liberação de gás carbônico (FELLENBERG. coprecipitação em presença de óxidos e hidróxidos de Fe e Mn. zinco e cobre. Os sulfitos 286 . estes impactos têm como responsáveis os efluentes industriais. No Estado do Rio de Janeiro há diversos rios mortos. nas quais a respiração dos microorganismos levam a uma redução da quantidade de oxigênio dissolvido.

os principais fatores que determinam as concentrações de metais em sedimentos de fundo de ambientes aquáticos são: A granolumetria fina. através da afinidade entre este elemento e os metais. A presença de óxidos e hidróxidos de ferro e manganês que removem outros metais da coluna d’água por adsorção e co-precipitação. O diagrama apresentado na Figura 128 ilustra. Os metais podem se acumular progressivamente ao longo da cadeia alimentar em um processo denominado biomagnificação. o comportamento de metais considerando compartimentos de rios. A contaminação por mercúrio no Brasil tem-se caracterizado eminentemente através das perdas observadas no processo de mineração de ouro. permitindo a formação de compostos reduzidos de enxofre como sulfetos metálicos. o que os torna não disponíveis para a incorporação pela biota aquática. O teor de matéria orgânica. de forma simplificada. Exportação RESERVATÓRIO RIO Sedimentação SISTEMA TERRESTRE Remobilização Incorporação Figura 128 – Esquema de transporte e metabolismo de metais Os peixes. Em linhas gerais. reservatórios (ou trechos de menor dinâmica de rios) e ambientes terrestres. a estimativa de perda.metálicos são em geral muito estáveis em condições redutoras. A mineralogia. Às atividades de animais e plantas. podem representar vias críticas de transferência de metais pesados para o homem bem como podem atuar como indicadores biológicos para a avaliação deste tipo de poluente. principalmente as espécies que se alimentam de materiais depositados nos sedimentos. segundo 287 . pois diferentes tipos de argilo-minerais apresentam capacidades diferentes de adsorção. especialmente evidenciado com o mercúrio. que propicia uma grande capacidade para a adsorção de metais devido ao aumento da área específica. O processo de sulfato-redução em ambientes anóxicos. Após a utilização do mercúrio metálico no processo de beneficiamento do metal nobre.

Quando do aumento da taxa de oxigenação e da disponibilidade de nutrientes no meio. 1998). o Hg encontra-se ou na fração solúvel oxidada (complexado à espécies inorgânicas) ou adsorvido às partículas suspensas. seja por lançamento direto. com conseqüente mortandade dos peixes.. é um processo significativo no mecanismo de dispersão do Hg em sistemas aquáticos naturais. a) Durante o período de estratificação da coluna d'água e baixa produção primária. responsável pela dispersão do metal. proporcionam condições. A estabilidade em solução do metil mercúrio associada a sua solubilidade. uma vez que esse compartimento sofre biomagnificação através da cadeia alimentar. para a fração lançada diretamente nos rios e 55% correspondente àquela emitida para atmosfera. associadas à um meio de relativa acidez. LACERDA & SALOMONS (1998). seguida da precipitação do metal na forma de sulfeto. O mercúrio liberado nesta fração. 1988). 288 . Os reservatórios artificiais apresentam características hidrológicas e hidroquímicas peculiares. ocasionando um impacto considerável em ecossistemas que não estejam diretamente relacionados aos sítios de mineração (LACERDA & SALOMONS. o 2+ Hg é eventualmente incorporado ao fitoplâncton e liberado como complexos orgânicos solúveis. comprometendo a pesca e/ou possibilitando a utilização de recursos hídricos inadequados na agricultura. caracterizada como vapor de Hg. como conseqüência da queima do amálgama. Os efluentes industriais são os subprodutos de vários processos de fabricação. sendo sempre conduzidos a um curso de água. mesmo quando esses corpos d´água estejam localizados longe dos sítios de emissão. considerando-se a disponibilidade de substratos orgânicos e inorgânicos envolvidos nos processos de remobilização de metais pesados. De qualquer forma as duas vias colocam em risco a potencialidade de uso dos recursos naturais da área. consideram três etapas importantes no mecanismo de transferência de Hg nesses corpos d'água. é cerca de 45%. tanto na superfície do sedimento quanto na coluna d'água. tem sido considerado na literatura como a fonte principal. Muitos resíduos líquidos contêm substâncias que nas águas causam redução e até mesmo eliminação do oxigênio dissolvido necessário à fauna ictiológica. como conseqüência dos processos bacterianos de sulfato-redução. a disponibilidade elevada de matéria orgânica e de microorganismos.PFEIFFER & LACERDA (1988). os compostos 2+ reduzidos de enxofre. principalmente no mecanismo de irrigação. para o aumento da taxa de metilação. Em uma segunda etapa. Nessa etapa. através de uma rede coletora urbana ou por infiltração no solo. o que é comprovado por alguns autores (GUIMARÃES et al. durante o processo de decomposição (ESTEVES. da mesma forma que proporciona uma rápida incorporação em peixes. mecanismo esse favorecido pelo elevado tempo de residência do metil Hg em animais (NRIAGU. catalisada por uma alta taxa de sedimentação. caracterizada por uma anoxia predominante na coluna d'água. garantindo uma posterior sedimentação. 1990). 2+ b) c) A principal via de transferência do metil mercúrio de um ambiente contaminado para o homem é o peixe. induziriam a precipitação do Hg na forma de sulfeto e posterior deposição. 1994). Um dos principais exemplos desse fenômeno de dispersão é o aumento da concentração de Hg em reservatórios artificiais.

Neste processo. tóxicos e outras impurezas destroem o plâncton. proliferação de bactérias filiformes. responsáveis pela mineralização das moléculas orgânicas. 289 . onde predominam organismos decompositores. é possível a manutenção de populações viáveis de peixes in-situ. em especial nas fases de larva e alevino e afugentam os jovens e adultos para outras áreas. e. os impactos variam de acordo com o posicionamento da represa. alimentação e crescimento dos peixes. os estoques e a estrutura das comunidades de peixes a partir das modificações promovidas no seu habitat. criando uma seção lêntica (represa) cuja água permanece parcialmente estagnada. Estes impactos são apresentados no Quadro 77 e muitos destes são descritos em maior detalhe na seqüência. Os impactos decorrentes da implantação de usinas hidrelétricas sobre os ecossistemas aquáticos devem ser avaliados a luz da conservação da biodiversidade local ou regional. médio ou baixo curso de um rio. configurante eventos de ocorrência possível. mesmo com a implantação da obra. etc. A primeira. em geral são desfavorecidas. cor enegrecida. a não iluminada ou afótica. O mesmo ocorre com os invertebrados e com as plantas aquáticas (macrófitas).As descargas de óleo. escuma e interceptam a luz solar necessária à fotossíntese. Inegavelmente. ou seja. onde predominam os organismos produtores (responsáveis pela síntese dos alimentos) e os consumidores. As espécies deste grupo biológicos que sejam estritamente fluviais. se no alto. ou seja. ou seja. tanto a montante quanto à jusante. nem todos conseguem sobreviver às novas condições. o tamanho dos cursos de água que afluem lateralmente a ela e diversos outros relacionados à morfologia e profundidade. Em conseqüência do processo de absorção que a luz solar sofre ao atravessar a massa d'água. perecendo ou migrando a montante em busca das águas correntes do rio. alguns impactos que se mostram recorrentes em processos de barramentos podem ser relacionados. iluminada ou eufótica. Grandes quantidades de matéria orgânica vegetal ou animal nos cursos de água. crostas em decomposição. e em que grau de comprometimento. Nos primeiro anos de formação de uma represa em geral há um incremento da biomassa destes organismos. remansos. observa-se que em represas com certa profundidade se formam duas camadas. Contudo. as barragens e represas associadas modificam as áreas de reprodução. diminuindo a solubilidade do oxigênio. O impacto das barragens e represas existentes no Estado do Rio de Janeiro sobre a ictiofauna encontrase pobremente documentada. produzem maus odores. Com a formação de uma represa. forma-se um ecossistema funcionalmente diferente. mau sabor na água. corantes. a existência de outras barragens a montante e a jusante. se a represa e a barragem de alguma forma alteram a composição. Resíduos quentes podem elevar sensivelmente a temperatura das águas receptoras. abaixo dela. de águas correntes. o primeiro evento é a ocupação da mesma por parte dos seres vivos. no seu habitat natural. que é um alimento dos peixes. Um aspecto importante a ser observado é se.). bancos de lodo. O represamento de rios modifica o traçado fluvial. Com respeito a ictiofauna. As espécies planctônicas que colonizam uma represa são geralmente aquelas encontradas nos habitats aquáticos de água parada (lagoas. que foram submersos ou encontram-se presentes nas cercanias. principalmente bactérias.

Impactos potenciais dos represamentos sobre a ictiofauna Fonte de impacto Afogamento de quedas de água Ampliação da área lacustre na bacia Ação Impactante Eliminação de barreiras naturais à dispersão Impacto Observado IMPACTOS A MONTANTE Introdução de espécies nos segmentos montante. incremento elevadas na densidade de predadores atraídos por peixes feridos 290 .mas jovens. geralmente de menor valor comercial Extinção local de espécies estritamente reofílicas Fuga ou eventualmente mortandade de peixes Eventual mortandade de peixes Mortandade de peixes Restrições à alimentação de espécies bentófagas Restrições de abrigo e disponibilidade alimentar para espécies forrageiras e for. com os impactos decorrentes Proliferação de espécies rústicas Dispersão para os trechos a de menor interesse à pesca montante reduzindo o interesse à pesca IMPACTOS NO CORPO DA REPRESA Redução dos estoques Proliferação de espécies rústicas. desova e a morfológicas e granulométricas no disponibilidade de alimento canal bentõnico Maior transparência da água Incremento na mortalidade de jovens por predação Supersaturação gasosa nas áreas Mortalidade por embolia gasosa adjacentes à barragem Turbulência hidráulica ou pressões Mortandade de peixes. restrições à desova para algumas espécies Redução nos estoques de espécies frugívoras ou que dependam de suprimento alimentar alóctone Redução de áreas Redução dos criadouros sazonalmente alagáveis na bacia Alterações na dinâmica Mudanças nos atributos físicos da água químicos e biológicos Estratificação térmica e Depleção do oxigênio química Desestratificação Alta eutrofização Deterioração da qualidade da água Assoreamento Restrições à comunidade bentônica Instabilidade de nível e Restrições a instalação de uma ação erosiva das ondas comunidade vegetal e animal nas margens Redução na relação área terrestre: área aquática Menor disponibilidade de ali mentos alóctones IMPACTOS A JUSANTE Regulação e redução da vazão Reduções na área alagável pela atenuação dos picos de cheia e perda de vazão Retardamento do pico de cheias Retenção de sólidos em suspensão Queda da água no vertedouro ou pressão de turbinas Redução dos estoques que dependem da planície alagável para o desenvolvimento inicial Redução dos estoques pela elevação da mortalidade ou sucesso parcial da desova de espécies com ciclo sincronizado às cheias Maior capacidade carreadora da Alterações no habitat relacionadas água evertida e alterações a abrigo.Quadro 77 .

alagadiços. através da decomposição das mesmas. Contudo. Dentre os exóticos. pois é reconhecido que as represas em geral apresentam poucos tipos de habitat em comparação com os rios e os ecossistemas a ele associados (lagoas marginais. este suprimento extra de nutrientes é gradualmente consumido até esgotar o estoque. Caso a represa promova a submersão de barreiras naturais como cachoeiras. a inundação permitirá o contato entre populações da mesma espécie antes isoladas pela queda d'água. esta alta produção inicial não é sustentada. e tucunarés. mostram que as populações de peixes em represas crescem rapidamente em número de indivíduos e biomassa acima das condições originais do rio que foi barrado. Outrossim. Em princípio. 291 .) e o acará (Geophagus brasiliensis). que impediam à existência de determinadas espécies de peixes rio acima. O contrário também tem sido observado. Em geral . compilados por BHUKASWAN (1980). com possível inviabilidade da espécie Aumento nos níveis de predação.).Fonte de impacto Atração hidráulica de peixes pelo canal de sucção durante as operações de manutenção de turbinas Reduções súbitas da vazão a jusante para o enchimento da represa ou atender picos de demanda energética Interceptação do rio pela barragem Ação Impactante Concentração de peixes sob condições de oxigênio em de pleção Impacto Observado Mortandade de peixes por asfixia Exposição do leito do rio Mortandade de peixes por asfixia temperatura ou dessecamento Inacessibilidade dos peixes a sua área de reprodução e ou alimentação Concentração de peixes nas proximidades da barragem Redução do estoque. Diversos estudos. incrementando a cadeia alimentar. isto possibilitará a invasão de espécies para montante daquele antigo limite. as espécies de peixes migradores de grande e médio porte diminuem consideravelmente as suas populações. ocorrendo apenas nos primeiros anos após do enchimento e decaindo rápida ou gradualmente para níveis de baixa produtividade. peixes que naturalmente ocorriam com populações baixas podem ser tornar-se numerosos. inclusive pelo homem Fonte: AGOSTINHO (1994) a) Alterações da composição e abundância das comunidades e populações: Os peixes que colonizam uma represa pertencem às populações presentes nos rios e lagoas marginais que foram atingidos pela inundação. observa-se uma redução no número de espécies e uma modificação na abundância. Sobre a abundância. Espécies que não ocorriam nos trechos superiores do rio se estabelecem e passar a concorrer com as residentes. os lambaris (Astyanax spp. sobressaem as tilápias. etc. Entretanto. Alguns peixes nativos favorecidos pela construção de represas são principalmente a traíra (Hoplias malabaricus). Isto ocorre porque a inundação incorpora matéria orgânica de plantas terrestres ao sistema.

velocidade de enchimento. se não houver mistura vertical para destruir o gradiente de calor logo à superfície. Durante o dia. Em geral. Outras funções de força que influem diretamente na natureza da estratificação térmica e da densidade são o vento e a precipitação. área da superfície líquida. podendo ocorrer desestratificação apenas no inverno. que se estende até o fundo da represa e apresenta menor temperatura e maior densidade. comprimento das margens). tem-se a desestratificação pela ação combinada dos ventos e do resfriamento da camada superior. o hipolímnio. há geralmente um ciclo diário de variação. o epilímnio e o hipolímnio. podem ocorrer mortandades sazonais de peixes adultos que ficam aprisionados em depressões rasas quando a água recua. onde a temperatura é geralmente constante e a densidade menor. A literatura demonstra que nas regiões tropicais esses dois fatores são os reguladores efetivos do fenômeno da estratificação (NOGUEIRA. ocorrerá estratificação térmica. este impacto é atenuado. largura. que incluem radiação solar. As principais alterações que podem ocorrer são a estratificação e a eutrofização. em decorrência de gradientes de densidade. admite-se a existência de duas grandes camadas. segundo NOGUEIRA (1991). A estratificação. sendo o plano horizontal que as separa denominado termoclina. área de drenagem. notadamente em rios com as características observadas nas águas interiores do Estado do Rio de Janeiro.b) Impactos das oscilações do nível de água da represa: Grandes flutuações do nível de água de represas podem eliminar ou reduzir populações das espécies que desovam somente nas margens. profundidade. Além disso. Já a estratificação térmica nos reservatórios é o resultado do balanço de calor entre a água armazenada e as contribuições externas. Constitui-se. Nos reservatórios rasos de clima tropical. onde o gradiente de temperatura é máximo e. tempo de residência e oscilações de nível da água. entre outros. c) Impactos das mudanças físico-químicas e biológicas da água: A transformação de um trecho do rio em represa desencadeia processos biogeoquímicos que promovem alterações nas características físico-químicas e biológicas das águas no tempo e no espaço. Como os processos de aquecimento e resfriamento ocorrem em uma superfície relativamente fina. Entre os fatores interagentes nesse processo. 1991). a seguir. o metalímnio. com a predominância dos efeitos da temperatura. destacam-se: características morfométricas do reservatório (comprimento. As diferenças térmicas mais acentuadas entre as 292 . que são provocados por gradientes de temperatura e de concentração de sólidos dissolvidos e em suspensão. tipo de vegetação inundada e atividades humanas na bacia de contribuição. que representa a camada superior. em linhas gerais. Se as espécies desovarem apenas no período das chuvas. do aumento da temperatura ou mesmo do secamento da poça. é um fenômeno praticamente inexistente em rios. troca condutiva de calor entre a atmosfera e a água e o calor dos tributários. pois as oscilações expõem ovos. A represa pode emitir calor de volta para a atmosfera por radiação de superfície e pode também perdê-lo por evaporação. em decorrência da queda do teor de oxigênio. provocando a mistura total a cada 24 horas. ocorre a estratificação pelo aquecimento da camada superficial e. logo abaixo. volume. Já os reservatórios profundos de clima tropical permanecem praticamente todo o ano estratificados. pois nesta época as variações de nível tendem a ser menores. à noite. A ocorrência da estratificação permite a identificação distinta de três zonas verticais: o epilímnio. em um acomodamento vertical das camadas do fluido. por condução e pelas vazões defluentes. larvas e alevinos ao dessecamento.

gerando como resíduos metabólicos gases como metano e gás sulfídrico. um alto tempo de residência pode provocar.). há o empobrecimento do epilímnio. mas geralmente estão entre 5 ºC e 7 ºC (NOGUEIRA. por exemplo) e sobre a biota (alterações na diversidade e na densidade dos organismos). consequentemente. aumentando a produtividade primária do sistema. podendo levar o sistema a quadros de hipoxia (baixa concentração de oxigênio) ou até anoxia (ausência de oxigênio). com efeitos tóxicos imediatos sobre a biota aquática. A eutrofização é um fenômeno que depende do aporte de substâncias nutrientes e de matéria orgânica na represa. Do contrário. uma superpopulação. concentração de nutrientes e oxigênio dissolvido. os quais podem ser oriundos da decomposição da vegetação submersa ou trazidos pelas chuvas e águas superficiais. podendo haver uma transformação de um meio oligotrófico em eutrófico. cit. que lavam ou erodem a superfície terrestre da bacia de contribuição. Entretanto. gerando efeitos diretos na qualidade da água e seus aproveitamentos. na maioria dos casos. que aumenta a área da zona eufótica. a médio ou longo prazo. Nessas condições. que contribuem para o processo de eutrofização. Em conseqüência da estratificação da coluna d'água. Uma das principais conseqüências do aumento da produtividade do sistema é o aumento da demanda bioquímica de oxigênio (DBO). como a pouca profundidade do reservatório. 293 . tornando as condições do meio quase sempre oligotróficas (pobres em nutrientes). se o sistema apresentar altos níveis de nutrientes e um alto tempo de residência deixa de existir um fator limitante. Paralelamente. Com o barramento dos rios e sua transformação em represas.camadas da superfície e do fundo podem chegar até 10 ºC. devido a diversos fatores limitantes. op. bem como fontes de matéria orgânica oriunda de diversos tipos de dejetos. os nutrientes resultantes da decomposição da matéria orgânica são acumulados no hipolímnio. uma estratificação química é conseqüência da estratificação térmica. há incremento no metabolismo dos microoorganismos anaeróbios. um acúmulo da concentração de nutrientes. Sabe-se também que áreas agrícolas podem ser fontes de nutrientes oriundos de fertilizantes e outros insumos. como escassez de nutrientes. ocorrendo uma estratificação também das substâncias químicas orgânicas e inorgânicas. que a médio prazo pode baixar os níveis de oxigênio dissolvido na água. a redução da produtividade primária do sistema. Em rios. Portanto. o que gera. ocorre uma diminuição da circulação da água e. como forma de repor as perdas de biomassa potencialmente reprodutiva ocasionadas pela saída da água. todo o aporte de nutrientes é carreado. podendo haver intensa colonização do meio aquático com grande superpopulação fitoplanctônica e de macrófitas aquáticas. aumento da concentração de gases metano e sulfídrico. com posterior diminuição no potencial reprodutivo da maioria dos organismos planctônicos. Outro fator importante envolvido se refere ao tempo de residência da água. Isto pode ser incrementado por outros fatores. Um baixo tempo de residência implica em elevada taxa de reprodução para os organismos planctônicos. Um processo de eutrofização intensa resulta em geral em efeitos extremamente deletérios para a qualidade da água (mediante alterações significativas no pH em um curto período de tempo.

refúgio e procriação de peixes. além de servir de local de desova e refúgio de formas jovens. A fonte alternativa de alimentos pode ser. e) Impacto da perda de habitats: Dentro do perímetro da represa. gerando asfixia na biota aquática. podem afetar a ictiofauna. observados neste processo. Ao impedir a penetração de luz reduz a eficiência fotossintética de vegetais imersos e. uma proliferação excessiva pode gerar impactos diversos como por exemplo: • • • • Diminui o fluxo de água em canais e rios. Os peixes habituados a se alimentar de animais e plantas que vivem no fundo (fauna e flora bentônica) podem ver-se privados desta fonte de recursos alimentares. d) Impactos do aumento da pressão: Os efeitos da pressão decorrentes do aumento da profundidade sobre as espécies de peixes nativos são pouco conhecidos. o que poderia ser explorada por peixes planctófagos. que se tornam locais despovoados. a princípio. A depleção do oxigênio em função da estratificação térmica ou química. ou a deterioração da qualidade da água em decorrência de uma alta eutrofização podem levar a mortandade de peixes. a inundação desfigura ou faz desaparecer as lagoas marginais. Atuam como viveiros de vetores de patogenias diversas. g) Impacto da proliferação de plantas aquáticas (macrófitas): A presença não excessiva de macrófitas pode favorecer algumas espécies. caso as represas apresentam uma camada sem oxigênio junto ao fundo. que constituem locais importantes de alimentação. o plâncton passa a assumir um papel importante. com isso. cogita-se que os peixes não conseguem nadar nas camadas mais profundas de represas. a vegetação das margens das represas é muito diferente da situação anterior. Em geral. pois restringe o acesso a este tipo de fonte alimentar. devido a topografia e aos solos não serem aluviais. Como eles evoluíram em habitats aquáticos rasos. Algumas mudanças nos atributos físico-químicos e biológicos da água. No entanto.Destaca-se o fato de os fenômenos acima citados serem de ocorrência mais crítica em geral durante o enchimento e na etapa logo posterior ao mesmo. Sabe-se entretanto que na ictiofauna brasileira existem poucas espécies de peixes que na fase adulta alimentam-se exclusivamente de plâncton. gerando perda substancial de água. Outrossim. os organismos associados à vegetação terrestre inundada. tais fatores atuam seletivamente. brejos e outros. Nas águas lênticas. Aumenta a evaporação de 3 a 7 vezes a razão normal. corredeiras. Um eventual assoreamento dos represos prejudicaria os peixes bentônicos. diminui a liberação de oxigênio. tanto fluviais quanto lacustres. 294 . que aumenta caso ocorra a eutrofização da represa. que passam a explorar os organismos que vivem ao redor de caules e raízes destes vegetais. f) Impactos da perda da mata ciliar: As espécies de peixes que dependem estritamente da matéria orgânica oriunda das matas adjacentes aos rios sofrem uma redução acentuada de suas populações. O tempo necessário ao restabelecimento das condições favoráveis é em geral função da retirada prévia da fitomassa a ser inundada e do tempo de residência médio da água no reservatório. excluindo os peixes que não toleram as novas condições.

1978). observa-se que a diminuição da turbulência oferece condições propícias à deposição da carga de sólidos arrastada no leito do rio e da transportada em suspensão. ao atingem determinada idade.h) Impactos da compartimentação do rio e na piracema: As barragens compartimentam o habitat aquático. e uma turbulência hidráulica ou pressão elevada. ao impedirem ou mitigarem excessivamente o transbordamento dos rios no baixo curso ou favorecerem a intrusão da cunha salina. migram rio acima para desovar. Usinas hidrelétricas. prejudicando as migrações dos peixes de piracema. Outro impacto sobre os organismos aquáticos está relacionado à qualidade da água que é devolvida a jusante. a queda da água proveniente de turbinas ou dos vertedouros pode promover uma supersaturação gasosa na água. Isto é amenizado quando a barragem é construída em um trecho do rio onde existam várias quedas d'água consecutivas. constataram que sete das dez espécies de maior captura comercial da represa de Itaipu. A barragem. na represa. Tal impacto é de complexa avaliação. o que pode causar sérios impactos na ictiofauna. 295 . resultando em mortandades de peixes a jusante. renovando os estoques pesqueiros. promovendo a erosão e ao entalhamento da calha do rio. Os filhotes. podendo redundar em mortandades (AGOSTINHO. AGOSTINHO (1994) assinala que alterações no habitat relacionados ao abrigo. Após a desova. retornam para o Rio Paraná ou para o reservatório de Itaipu. isolando as populações de peixes nos trechos a montante. Águas com baixos teores de oxigênio dissolvido podem ser lançadas. que naturalmente isolavam as populações de peixes. i) Impactos no trecho do rio à jusante: A jusante da barragem. FOWLER. Questão igualmente complexa é avaliar o impacto da retenção de sedimentos por barragens sobre a ictiofauna que vive a jusante. causando morte por embolia. entre as quais uma correlação entre as vazões históricas e a superfície das áreas alagadas. nas áreas adjacentes a barragem. podem levar a regularização ou ao decréscimo de vazões. represas para irrigação ou a captação excessiva de recursos hídricos. por ser um obstáculo intransponível. Esta erosão tende a iniciar na região próxima à barragem. observando-se uma degradação máxima no local da queda da coluna d'água liberada pela mesma A erosão no trecho a jusante faz com que a calha do rio se aprofunde. caso a captação seja feita em camadas com certa profundidade. O impacto é de difícil quantificação. Em geral as barragens promovem alterações nos processos de arraste e deposição de sedimentos nos estirões fluviais a jusante. e a jusante. no rio. desova e a disponibilidade de alimentos das espécies bentônicas tem sido relatadas sobre a ictiofauna que passa a viver a jusante de barragens. os ovos são carreados pelas correntes para as planícies de inundação do Rio Paraná. ao estudarem a planície de inundação do Rio Paraná. onde encontram ambiente propício para se desenvolverem. barragens de controle de cheias. AGOSTINHO & ZALESWKI (1996). devido as mudanças nos processos deposicionais. o que ocasiona uma diminuição em sua largura. impede a passagem de peixes de montante para jusante e vice-versa. 1994. Nas represas. pois depende da análise de diversos fatores.

maior será quantidade de peixes que atingirão a idade adulta e renovarão os estoques pesqueiros. o antigo leito do Rio Paraíba do Sul permanece seco a maior parte do ano. BHUKASWAN. quais as que provavelmente apresentarão populações maiores e menores? Quais as que desaparecerão? O que ocorrerá com os peixes migradores de maior porte? Quais os habitats importantes de alimentação. matas ciliares etc. médio ou baixo curso do rio? Quais as espécies que colonizarão a represa? Dentre elas. Conclui-se então que o transbordamento dos rios é vital para manter as populações de peixes e. Tendo como base às informações apresentadas. Estudos indicam que a regularização das vazões pode implicar na diminuição da área alagável no baixo curso pela atenuação dos picos de cheia. alagadiços. Os peixes ficam aprisionados em poços e sucumbem. A correnteza e a turbulência na entrada das tomadas de água das barragens atrai os peixes. 1980). A solução foi em grande parte contornada através de obras específicas. causando uma concentração dos cardumes nestes locais e a penetração de alguns exemplares. Na prática.). causando a redução das populações dos peixes que dependem das planícies alagáveis. a pesca. técnicos que venham a efetuar estudos de impacto ambiental para o licenciamento de empreendimentos que gerem reservatórios devem considerar questões como as relacionadas a seguir: Para os impactos do reservatório: A barragem se situa no alto. 1994. por conseguinte. Situações extremas podem ser observadas quando há secamento de cursos de água. que irão sucumbir frente à força da água. elevação de temperatura ou dessecamento (AGOSTINHO. O sistema de vertimento desta usina é através de um canal de fuga que conduz a água até o Rio Paraíba do Sul. Durante a operação de uma usina hidrelétrica. Destaca-se ainda o aprisionamento de peixes em tubos de descarga de turbinas. como descrito anteriormente. conseqüentemente. maior o espaço disponível e a oferta de ambientes propícios para o desenvolvimento de filhotes e. refúgio e procriação de peixes que foram submersos? (lagoas marginais. A represa submergirá cachoeiras que atuam como barreiras geográficas na dispersão das espécies? Caso positivo quais são os impactos esperados pela 296 .O mais notável aspecto detectado no estudo foi uma correlação positiva entre a magnitude do transbordamento do Rio Paraná e a captura de curimba (Prochilodus lineatus). por exemplo. quando o bombeamento é excessivo no período de plantio. isto significa que quanto maior a enchente. sendo isto mais comum em áreas de irrigação. que provoca mortandades dos mesmos. Quando a água era por ele vertida temporariamente e logo a seguir suspensa. Fato semelhante ocorre à jusante da usina hidrelétrica de Ilha dos Pombos. reduções súbitas de vazão para atender a demandas energéticas de pico ou necessidades de manutenção podem expor o leito do rio e causar mortandades por asfixia. Entre este ponto e a barragem. muitos peixes ficavam aprisionados nas depressões dos leitos rochosos.

e a jusante. ao abordar a conservação da fauna aquática. em especial sobre o isolamento das populações de peixes nos trechos a montante. O Plano. suas reformulações e legislação complementar)”. no rio? Para os impactos a jusante: Há possibilidade de ocorrer uma supersaturação nas águas próximas a barragem? Qual o impacto esperado sobre os peixes? Quais os impactos da regularização da descarga sobre os peixes? Quais os impactos das oscilações diárias da descarga sobre os peixes? Há previsão de outras barragens a montante e a jusante? Caso positivo.dispersão para montante das espécies que antes ocorriam somente abaixo da cachoeira? Quais os impactos acarretados pelas flutuações bruscas do nível de água de represas sobre a ictiofauna? Qual a possibilidade de ocorrer estratificação e eutrofização na represa? (Empregar modelos matemáticos). com o propósito de : "Definir princípios e diretrizes que configuram a postura geral do Setor Elétrico no trato das questões sócio ambientais nas etapas de planejamento. aponta a necessidade das concessionárias em participar eventualmente de programas de recuperação ambiental de bacias hidrográficas. deve-se destacar as resoluções diretrizes e recomendações ao setor elétrico. a Eletrobrás publicou o "Plano Diretor de Meio Ambiente do Setor Elétrico 1991/1993". caso este fenômeno ocorra? Quais são os impactos do aumento da pressão devido à profundidade da represa sobre a ictiofauna? Haverá camadas profundas desabitadas? Quais as espécies mais desfavorecidas pela perda de matas ciliares? Quais os impactos na piracema? Qual os impactos decorrentes da compartimentação do habitat aquático. 297 . Quais os impactos sobre os peixes? Qual o impacto da proliferação de plantas aquáticas (macrófitas) sobre a ictiofauna. compatível com as diretrizes e instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n. o que muda do cenário descrito? Ainda no que se refere a empreendimentos de geração hidrelétrica. Em 1990.º 6. na represa.938/81. como forma de garantir que suas ações voltadas para a conservação sejam efetivadas. implantação e operação de empreendimentos.

com objetivos bem definidos e precedido de levantamentos detalhados. Deve-se entender como manejo. definidas de maneira concisa e conforme as peculiaridades de cada bacia. Estudos quanto à eficiência das obras de transposição já implantadas devem ser realizados. também realizada como parte de um planejamento global. deve ser monitorada. devem ter compromisso permanente com a manutenção da biodiversidade. devem ser consideradas as possibilidades de problemas com endocruzamento. hibridação e disseminação de doenças e parasitas. estas devem ser implantadas quando o planejamento assim exigir. As recomendações relativas à conservação da fauna aquática delineada pelo COMASE são apresentadas abaixo. O modelo deve ser precedido pelo planejamento e embasado no conhecimento dos componentes ecológicos e socioeconômico e cultural do sistema. A difusão da técnica de tanques-rede.Pelo fato dos rios e represas constituírem o ponto de convergência das ações antrópicas na bacia de contribuição. Quando as condições não as recomendarem. o controle parasitológico e as restrições a espécies alóctones e exóticas. Logo. deve contemplar o monitoramento da qualidade de água. em relação a um modelo ou padrão conhecido. de modo contínuo. Tanques-Redes e Canais de Desova: • Embora as obras de transposição. O monitoramento dos recursos deve ser entendida como uma atividade destinada a avaliar o grau de variabilidade apresentado pelo recurso. A estocagem. é necessário que as atividades de manejo extrapolem os limites do ambiente represado ou da calha fluvial. • • • 298 . a adoção do procedimento recomendado pelo Plano deve fazer parte da estratégia de conservação. Introduções de Espécies de Peixes nas Bacias Hidrográficas: • • • As ações de estocagem não devem envolver espécies alóctones (oriundas de outras bacias) ou exóticas (de outros continentes). a viabilidade de canal de desova e outros procedimentos devem ser considerados. • Manejo dos Recursos Aquáticos: • • Obras de Transposição. Na estocagem com espécie autóctone. mesmo quando as peculiaridades da bacia permitirem que ações voltadas aos interesses da produção pesqueira sejam implementadas. A implantação das obras de transposição deve considerar as condições vigentes nos segmentos a montante. Estações de Piscicultura. através do Grupo de Trabalho GT Fauna Aquática. Diretrizes para as Ações de Mitigação de Impactos e Manejo dos Recursos: • As diretrizes. quanto à efetividade da reprodução e ao desenvolvimento inicial de formas jovens. vem organizando encontros reunindo técnicos do Setor e cientistas com o objetivo de estabelecer diretrizes que fundamentem a compatibilização dos empreendimentos com a conservação da fauna aquática. tanques-redes e canais de desova sejam ações potencialmente válidas. através de levantamento detalhados. a implementação de ações sobre o sistema visando otimiza-lo conforme um dado objetivo. visando subsidiar decisões em futuros empreendimentos. Cabe ressaltar que o Conselho Diretor do Comitê Coordenador das Atividades de Meio Ambiente do Setor Elétrico COMASE. quando realizada. estações de piscicultura. Monitoramento dos Recursos Aquáticos: • O monitoramento deve ser realizado em toda a área de influência do empreendimento.

o que pode causar mudanças na qualidade da água. que produzem a modificação de traçados e seções de canais fluviais e ocorreram em virtualmente todos os principais rios do Estado (GOES. 299 . A alteração do habitat e a maior velocidade da água podem causar efeitos adversos sobre os peixes. A turbidez e os sólidos em suspensão aumentam devido à perturbação do fundo e à maior velocidade da corrente após a dragagem. aliada a retificação que elimina os meandros. provocando os impactos anteriormente comentados. a modificação de traçados de canais e o aprofundamento do leito pelas dragagens eliminam matas ciliares. devem ser consideradas. anfípodos. reduz as populações de peixes de muitas espécies. As ilhas de vegetação flutuante.• Outras modalidades de manejo. ao eliminarem meandros e saliências. Portanto. As operações de limpeza incluem a remoção de estruturas que retém entulhos orgânicos. especialmente as ligadas à manipulação de habitats de reprodução e desenvolvimento inicial dos peixes (recomposição da vegetação. acelera o escoamento. e afetam as lagoas e alagadiços marginais aos rios. A construção de canal extravasor e as operações de manutenção da limpeza e remoção de troncos e plantas flutuantes simplificam a estrutura física do habitat do canal. Destes destacam-se as obras de retificação. dada a baixa densidade de barragens no Estado do Rio de Janeiro. os peixes de fundo e os ovos de peixes depositados no leito. que proporcionam tanto habitat para os organismos aquáticos como retém a matéria orgânica. tais como de grupos de insetos. significa que estes não são os principais agentes de declínio das espécies em escala estadual. oligoquetos. Afora o aprofundamento do canal. que é por eles processada. Além disso. a remoção do material pode alterar a composição e o tamanho de partícula do material do leito. comprometem algumas espécies. qualquer mudança pode reduzir o habitat disponível para alguns grupos de peixes. briozoários. Os impactos relacionados a implantação de reservatórios têm ação relativamente localizada o que. Cada espécie aquática tem um intervalo preferencial e uma margem de tolerância para a velocidade e a turbidez da água. A perda da diversidade estrutural do habitat. embora sejam alguns dos fatores que. caranguejos e esponjas. canalização e dragagem de cursos de água e a extração de areia. edificações e outras estruturas que possam atuar como abrigo para as formas jovens e forrageiras de peixes. cuidado de prole e descanso por várias espécies de peixes. inegavelmente. sanguessugas. Remoção da Vegetação da Área do Reservatório: • A extensão do desmatamento deve ser compatível com níveis adequados dos parâmetros de qualidade da água. amplamente distribuídos pelo estado podem ser apontados como as principais fontes de pressão na atualidade. recuperação e ampliação dos ambientes de desova e criadouros naturais) ou abrigo. mas. as galhadas e os troncos de árvores mortas submersas são utilizados como locais de alimentação. A dragagem não só altera o material do fundo. Os organismos diretamente afetados pela remoção de material durante a dragagem incluem macroinvertebrados bentônicos. 1934). recomendando-se a manutenção de segmentos da floresta. abrigo. Outros impactos. facilitando a erosão de margens e o transporte de sedimentos. Também podem ser prejudicados os moluscos gastrópodos e bivalves. por conseguinte.

brejos e alagadiços foram e continuam sendo drenados. retificação e construção de canais. Na década de 70. A destruição de matas ciliares. A extração mecanizada de areia em leitos também altera os traçados e seções fluviais Esta atividade compreende a dragagem dos sedimentos através de bombas de sucção instaladas sobre barcaças ou flutuadores montados sobre tambores. e criação de enseadas laterais na calha dos rios. retendo os excessos de precipitação nos períodos úmidos e liberando-os durante os períodos de estiagem. o governo federal fomentou através do Programa PROVÁRZEAS. interfere desfavoravelmente na incubação dos ovos e reduz a produtividade primária dos alagadiços e lagoas marginais pois diminui a penetração da luz solar. que passaram e desenvolver de 300 . Os paradigmas deste programa impregnaram a cultura dos órgãos de extensão rural. Ademais a deposição do bota-fora em geral é feita na margem dos rios. aprofundamento do leito do rio. estabilizam áreas críticas nas margens de rios e canais. Além disso. impedindo e dificultando o carreamento de sedimentos para o sistema aquático. Os impactos causados pela dragagem e a manutenção de canais dependem do tamanho do rio. várzeas sazonalmente inundadas. ou seja. Os rios menores e as porções superiores dos cursos são mais impactados. soterrando lagoas e alagadiços marginais. pelo desenvolvimento e manutenção de um emaranhado radicular. a drenagem de várzeas visando a “recuperação das terras”. os alagadiços e as lagoas marginais amortecem as cheias (absorção e regulação). dragagem. os alagadiços e os brejos localizados em áreas com solos encharcados ou sujeitos a inundações temporárias (várzeas). inviabilizando a existência de comunidades diversificadas de peixes. Os lagos marginais. lagoas. diminuem a filtram o escoamento superficial. alteração da velocidade do escoamento. No Estado do Rio de Janeiro a destruição de matas ciliares vem sendo realizadas por décadas e milhares de hectares de várzeas inundadas. canalização. por exemplo da piabanha (Brycon opalinus). solapando as margens. proporcionam cobertura. desmonte de barranca. como é o caso. 40 e 50 pela Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense e posteriormente pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento – DNOS que realizou obras de drenagem. mantendo assim as vazões mínimas nos cursos de água. desfiguração da calha. As bombas de sucção são acopladas às tubulações que efetuam o transporte do material dragado até as peneiras dos silos. A turbidez elevada prejudica a respiração dos peixes (larvas. A dragagem e construção dos canais podem alterar também a capacidade de escoamento. pelas obras de retificação. Eles agem como reservatórios naturais. lagoas e alagadiços marginais são realizadas pelo desmatamento. acelerando-o. funcionam como tampão e filtro entre os terrenos mais altos e o ecossistema aquático. o que prejudica a inundação das áreas marginais. drenagem e aterro e pela ocupação de margens de corpos de água. ressuspensão de sedimentos finos. mantendo os estoques de animais de interesse pesqueiro. as matas ciliares. afetando os peixes de uma forma geral pela destruição do habitat e pelo aumento da turbidez. alevinos e adultos). habitat e alimento para peixes adultos e alevinos e fornecem alimento para peixes. A canalização de cursos de água com concreto artificializa e uniformiza demais o ambiente. As maiores intervenções foram empreendidas nas décadas de 30. desempenham diversas funções ambientais de suma relevância. A extração de areia provoca graves conseqüências nos cursos d’água: macroturbulência localizada.A elevação da turbidez prejudica ainda os peixes que localizam o alimento empregando a visão como principal instrumento.

Indiretamente. as zonas de médio curso perdem a contribuição das matas adjacentes. sem questionar os danos ambientais. pela retificação. agora diminuída. tendo ainda papel importante na turbidez. as cargas elevadas de esgotos domésticos. supre os herbívoros com os frutos. Como conseqüência das obras comentadas anteriormente. devido aos desequilíbrios que causa nos processos de transporte e deposição de sedimentos. contribui com o aporte de nutrientes liberados com a decomposição do material vegetal caído e transportado pela água e diretamente. Por fim. a canalização e a drenagem das planícies aluviais reduziu drasticamente as matas ciliares. provocando uma diminuição na penetração da luz na calha. a turbidez dificulta respiração dos peixes. A elevação da turbidez e assoreamento da calha dos rios é causada principalmente pelos processos erosivos generalizados nos solos das bacias hidrográficas. os resíduos de atividades agrícolas e a retirada de matas marginais. A mata ciliar fornece a fonte primária de energia. como ocorre na Bacia do Rio Guandu. já discutidos anteriormente. canalização e dragagem de cursos de água e pela extração de areia. A retirada das matas das margens de córregos e riachos montanhosos compromete seriamente a icitofauna. a erosão eleva significativamente a carga sólida dos rios principais. aspecto vital já que em um rio a produção primária é sempre muito baixa. Do mesmo modo. que são os frutos. Já o assoreamento altera os habitats de fundo. A drenagem de lagoas e alagadiços elimina sítios de desova e criadouros de alevinos e locais importantes de engorda de peixes jovens e adultos. Os impactos sobre os peixes decorrem do aumento da turbidez e da aceleração do escoamento. o que impede uma maior produção autotrófica pelas algas fixadas no substrato. pois ela é altamente dependente desta vegetação. Sem dúvida a pesca é um outro importante agente de pressão. as populações de peixes tendem a diminuir. o lançamento de chorume. privados de recursos alimentares e de criadouros. o escoamento superficial de áreas urbanas. A perda das matas ciliares reduz a oferta de alimentos para os peixes. efluentes industriais. aos alagadiços e as lagoas marginais seja diretamente. semente e flores.forma açodada a drenagem de grandes superfícies de terras alagadiças. A retificação dos traçados fluviais. prejudica as espécies que localizam o alimento empregando a visão. impactando as espécies bentônicas. A visão equivocada de pescadores de que a população explorada de peixe é um recurso infinito e de que a culpa 301 . folhas e detritos vegetais. sofrem uma elevação na carga de sedimentos. Como comentado anteriormente. flores. devido às perdas de solo. pois a capacidade de reservação na bacia. provocando o assoreamento no baixo curso. A ampliação artificial das vazões em cursos de água podem acarretar diversos impactos. Além disso. As vazões mínimas de vários rios tendem a decair nos períodos de estiagem. Basicamente. seja pelo rebaixamento do lençol freático provocada pelos drenos. afetando a disponibilidade hídrica. prejudica a regularização do fluxo. é o aprofundamento da calha e a erosão das barrancas. a maioria dos rios apresenta seus baixos cursos bastante modificados em relação ao que eram originalmente. O mais significativos deles. interfere desfavoravelmente na incubação dos ovos e reduz a produtividade primária dos alagadiços e lagoas marginais.

Se a espécie exótica prolifera. Particularmente lamentável foi a atuação de universidades na promoção de introduções. Não menos condenável é a pesca com utilização de venenos como o timbó ou a rotetona.pela queda nos estoques nunca é deles e sim "da poluição" muito contribuem para que a sobrepesca persista. Outra modalidade de pesca criminosa é a que emprega redes de malhas reduzidas. na Lagoa de Araruama. filhotes e adultos). que dá preferência a adaptação da tecnologia estrangeira até nos ramos mais simples. por hemorragias internas. Prática ilícita também é a colocação de redes fechando locais de estreitamento de rios e canais de conexão de rios com de lagoas marginais. o Brasil é o país que detém a maior biodiversidade de peixes de água doce do planeta. A pior modalidade de pesca criminosa é a realizada com explosivos. devido a ruptura de órgãos. o tubo digestivo e o fígado. A pesca em períodos de defeso também é considerada criminosa. A piscicultura é considerada o principal causa de introdução de espécies exóticas cuja tecnologia de propagação foram desenvolvidas no exterior. até hoje amplamente difundidas pelos órgãos oficiais de pesca e extensão rural. se ocorre. IEF e no Batalhão Florestal atestam que esta prática ocorre. NILSOON (1994) sugere que a introdução de espécies exóticas resulta nas seguintes situações • • • Rejeição. ao invés de criá-la. de difícil quantificação. ou seja. em geral a bexiga natatória. mas na piscicultura predominam as espécies exóticas. que causam a morte de todos os tipos de peixes (ovos. Como já mencionado neste documento. Informações obtidas no IBAMA. É uma prática aparentemente desconhecida no Estado do Rio de Janeiro onde. Em nenhum momento foi avaliado o efeito dessas espécies sobre a ictiofauna nativa. quando não há nichos disponíveis. Hibridação intra-específica ou inter-específica. na base do “vamos ver o que vai dar”. • A introdução intencional é realizada através de peixamentos patrocinados por órgãos oficiais e por particulares. Maiores detalhamentos quanto a este aspecto podem ser obtidos no item Espécies Introduzidas. Paradoxalmente. Encontro de nicho vago. que matam os peixes por asfixia. a semelhança de outros fatores. Erradicação de espécie(s) nativa (s) ecologicamente homólogas. não se conhece o custo ecológico embutido. por exemplo. assim como a captura a jusante de barragens. Uma característica comum em quase todas as iniciativas de introdução de espécies exóticas no Estado é que elas careceram de qualquer embasamento técnico. 302 . tendo sido eminentemente empíricas. capturando peixes de todos os tamanhos. a ocorrência de espécies exóticas é também um importante fator de pressão sobre a fauna nativa sendo. Isto demonstra os efeitos danosos ao país da velha submissão cultural. ovos e adultos por ocasião do esgotamento de tanques de piscicultura. muitos dos quais são descartados mortos. Já a casual pode decorrer devido ao rompimento de açude ou o escape de larvas. estabelecendo-se. provocadas pelas ondas de choque. sendo muitas ilegais. é em trechos muito restritos.

Representa um conjunto de organismo que desempenha importante papel dentro do contexto econômico de muitas regiões. 1996). foram identificadas. Em terceiro lugar. Em segundo lugar. diversidade de Shannon e equitabilidade. com freqüência utilizada como indicadora de qualidade ou integridade ambiental. CARNEIRO & BIZERRIL. aplicar os resultados dentro de um quadro de diagnóstico da qualidade do ambiente. todos são de cálculo simples. Consiste em um conjunto de organismos de grande representatividade dentro dos ecossistemas aquáticos. Cachoeira do Sul. a metodologia é largamente conhecida. (1988) em culturas de arroz em Uruguaiana.. como indicadores de estrutura de comunidades bem como o índice de integridade biótica.. Somado a estas limitações. desta forma. Como resultado dos estudos. todos foram amplamente utilizados e. é necessário pouco background ecológico para aplicar estes índices em estudos de comunidades (FAUSCH et al. ferramenta primeiramente apresentada por KARR (1981).Um impacto usualmente negligenciado é o causado pela tomada d'água para atividades de irrigação e de abastecimento. como será apresentado a seguir. se for aceita a premissa de que a amostragem reuniu uma parcela significativa da comunidade. Todos estes índices possuem vantagens e desvantagens de aplicação. Existem diversas vantagens de se utilizar índices de riqueza. existindo muitos trabalhos prévios acerca de aspectos teóricos e propriedades estatísticas (PEET. foram sugados pelas bombas. diversidade e equitabilidade para avaliar as mudanças sofridas pelas comunidades de peixes como reflexo da degradação ambiental e. 1974. Primeiro. O emprego da ictiofauna facilita a passagem de informações entre os órgãos ou instituições empenhadas em monitoramentos por bioindicação e a população. Tapes e Santa Vitória do Palmar. A ação das bombas de irrigação sobre a ictiofauna foi analisada por LUCENA et al. no Rio Grande do Sul. alevinos e peixes jovens e adultos. Estas tomadas de água sem telas de proteção. 1984). 1990). A escolha deste grupo é usualmente justificada por aspectos como: • • • • Trata-se de um grupo dotado de alto conteúdo sistêmico (cf. WASHINGTON. nota-se que a maioria possui uma conformação que as torna susceptíveis de serem sugadas pelas diversas tomadas de água existentes no Estado. em uma análise de 60h. PEIXES COMO INDICADORES DA INTEGRIDADE AMBIENTAL A ictiofauna é. possui pouca informação sobre as comunidades e varia regionalmente. dentro de modelos de bioindicação. com tamanho variando entre 8 e 30 cm. Em análises de bioindicação de ecossistemas aquáticos é comum o emprego de índices de riqueza de espécies. desta forma. que 24 espécies de peixes e larvas. Considerando o tamanho das espécies de peixes fluminenses. Algumas das desvantagens em usar o índice de riqueza derivam do fato de que ele depende do tamanho da amostragem. sugam ovos. tendo em vista a importância cultural do pescado em várias regiões.e. larvas. tem-se o fato de que a lista de peixes coletados em amostragens bem conduzidas (i. com instrumental adequado em uma 303 .

embora sejam de cálculo fácil. quando interpretado por ictiólogos competentes que conhecem as necessidades ambientais de cada espécie. os índices de diversidade e equitabilidade são de difícil interpretação. porém estes foram pouco utilizados e. mesmo se o número total de indivíduos reduzir (KOVALAK. algumas das quais com baixa abundância. McERLEAN et al. os índices de diversidade e de equitabilidade incorporam pouca informação biológica. é pouco claro qual o melhor indicador ambiental. possuem propriedades estatísticas ainda pouco conhecidas (CORNELL et al. 1968). Após cálculo do número final do índice. Em quinto lugar. Em terceiro lugar. Na ausência de outras informações. embora degradação severa tenda a reduzir a diversidade. 1973) ou entre anos (ANGERMEIER & SCHLOSSER. eles ignoram a função das espécies na comunidade. a diversidade e a equitabilidade apresenta uma gama maior de limitações. para uma comunidade com poucas espécies que sejam eqüitativamente abundantes pode aumentar o índice de diversidade. Esta confusão de atributos das comunidades levou HULBERT (1971) a denominar a diversidade de espécies como um "nonconcept". englobando todos os habitats) pode fornecer mais informação sobre a qualidade ambiental. Por fim. Assim. este índice é usualmente insensível para substituições de espécies (por exemplo à extinção de uma espécie sensível e a colonização da área por uma espécie oportunista) e declínios em abundâncias absolutas. 1968. Por exemplo.. 1990). uma perturbação não seletiva que altera uma comunidade com muitas espécies. 1976). Em adição a estas limitações. Alguns índices de diversidade e equitabilidade apresentam mais sensibilidade a estes aspectos. 1981). Embora mudanças no número de espécies e suas abundâncias relativas influenciam a diversidade. Em comparação com os índices de riqueza. a riqueza de espécies e a equitabilidade são matematicamente relacionadas com a diversidade (PEET.. a diversidade baseada em número de espécimes expressa os caminhos de transferência de energia. o que restringe severamente seus usos em análises ambientais detalhadas.malha de amostragem ampla. embora a comunidade seja influenciada tanto por número de indivíduos quanto por biomassa de espécies. o pesquisador deve determinar como ele pode ser utilizado para referenciar degradação ambiental. WILHM & DORRIS. 1987). 1970. os dados empíricos têm mostrado que os limites adotados para a definição de zonas com diferentes níveis de distúrbios são inapropriados para a avaliação de comunidades de peixes. 1970). WIHLM. Primeiro. Embora existam roteiros de interpretação (cf. sofrer aumento com degradação reduzida ou moderada (LEIDY & FIEDLER. uma segunda desvantagem é que embora estes índices tenham como referência a estrutura da comunidade. 1974). conseqüentemente. do que a simples contagem de taxa existentes em determinada área (FAUSCH et al. Uma sexta desvantagem é de que. em verdade. diversidade e equitabilidade não consideram a identidade das espécies e a abundância absoluta. Uma quarta desvantagem é que mesmo em ambientes não degradados a diversidade. a riqueza de espécies e a diversidade podem. e desta forma os índices de diversidade tornam-se de difícil interpretação.. a riqueza e a equitabilidade podem variar substancialmente em cada situação sazonal (DAHLBERG & ODUM. Embora o índice de diversidade baseado em biomassa tenda a representar a distribuição de energia em um ecossistema (WIHLM. este aumento na diversidade pode ser interpretado como uma melhoria no ambiente. 304 . 1985).

Terceiro. 1990.. (1990) destacam que os índices de diversidade. usualmente referido como testes enzimáticos e genotóxicos. podendo ter sua função catalítica inibida ou ativada por estas drogas em situações diversas. KARR. Existem desvantagens relacionadas ao uso deste índice (FAUSCH et al. principalmente. Dentre as funções metabólicas dos P-50 está a de oxidação de substâncias estranhas ao organismo (i. Os métodos para estabelecer as categorias métricas são subjetivos.. É uma situação rara conseguir se enquadrar nestes requisitos. embora corriqueiramente estudada em análises ambientais conduzidas em outros países (cf. Um dos indicadores são os citocromos P-450. Este conhecimento ainda é raro. torna-se bastante difícil em rios com o porte igual ou maior que o do Rio Paraíba do Sul. alimentar). o IBI usa uma gama maior de dados ecológicos do que os demais índices. geraram um pacote metodológico que permite avaliar a ação de diversas situações ambientais sobre as espécies de peixes e demais organismos aquáticos. por exemplo. certos compostos 305 . para uma revisão da literatura básica de algumas aplicações) são análises bioquímicas.. Primeiro o índice avalia tanto a estrutura quanto o funcionamento da comunidade. que compõem uma das essenciais do índice. biomarcadores de efeito). apresentam os piores desempenhos. • • Uma variável nunca incorporada nos estudos de bioindicação desenvolvidos no Brasil. Em segundo lugar. xenobiontes) (SULTATOS et al. que quando comparados com outras formas de avaliar a integridade dos sistemas ecológicos. A seguir relacionamos três das desvantagens que consideramos mais relevantes: • Para sua aplicação é necessário que se faça uma amostragem completa e ampla da área estudada. fácil aplicação e com resultados rápidos e seguros. permitem medir indicadores metabólicos de peixes que se alteram com as mudanças ambientais (i. Desenvolver um IIB para determinada região requer conhecimento detalhado acerca dos peixes e das comunidades de peixes de uma grande variedade de rios que integram a unidade em estudo. especialmente em se tratando da rica e pouco conhecida fauna da região neotropical. O uso do IIB (índice de integridade biótica . Desta forma. 1981) possui diversas vantagens. 1990). as unidades métricas do IIB.. as classes produzidas pelo IIB possuem forte significado biológico. Progressos bioquímicos. riqueza e equitabilidade não são tão amplamente utilizados como eram nos últimos 15 anos. 1985). Ao serem biotransformados. incluindo áreas não degradadas ou ao menos pouco degradadas. Este processo.e. de aspectos populacionais e condição individual dos peixes. são sensíveis a diferentes tipos de degradação. agregando dados acerca da dinâmica trófica (i. JIMENEZ & STEGEMAN.e. de custo relativamente baixo. Dentre os diversos argumentos apresentados tem-se. O IIB foi empregado por ARAÚJO (1998) para avaliar a qualidade ambiental de um trecho do Rio Paraíba do Sul.cf.FAUSCH et al. próximo a Companhia Siderúrgica Nacional. quando bem selecionadas.e. de forma que todas as espécies sejam capturadas em um arranjo que represente suas abundâncias no ambiente. Se cumprir esta etapa é uma tarefa relativamente mais simples em pequenos rios.

Outras 4 enzimas apresentam aplicabilidade similar. BASTOS et al.químicos podem provocar um aumento da concentração do P-450 (HAASCH et al. Embora vários substratos possam ser metabolizados por diferentes citocromos P-450.SERLA.. Já foi demonstrado que hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAHs) e compostos bifenílicos policlorados não-planares (PCBs) induzem principalmente o P-450 do tipo 1A1. mesopotamicus).e.. 1994). É possível utilizar os níveis de enzimas como biomarcadores de efeito de pesticidas e metais pesados de um modo geral. Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente FEEMA e Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas . 1980). sendo uma não nativa (P. FISCALIZAÇÃO E CONSERVAÇÃO No Estado do Rio de Janeiro. 1998. GUENGERICH et al. Desta forma. as entidades que atuam nestas atividades são o Batalhão Florestal e do Meio Ambiente. é possível avaliar a qualidade da água e a sanidade de peixes por testes enzimáticos e de genotoxidez de maneira a fornecer subsídios à tomada de decisão com relação às exigências necessárias para o controle ambiental. 1999). permitindo. retroalimentação) ou de inibição de determinado P-450 como bioindicadores de contaminação por poluentes.SEMADS e os seus órgãos vinculados: Fundação Instituto Estadual de Florestas – IEF. Dados enzimáticos de espécies de peixes Fluminenses são totalmente incipientes. traçar um quadro toxicológico das espécies de peixes a semelhança de um exame clínico conduzido em seres humanos. 1982b). Desta forma. No território paulista das bacias do Rio Paraíba do Sul e do Rio Mambucaba. o Departamento de Águas e Energia Elétrica – DAEE e o Instituto de Pesca. 1982a. das fosfatases alcalina e ácida e das transaminases em plasma e fígados de espécimens de peixes permitem avaliar seu uso como bioindicador precoce de lesões hepáticas subletais. de síntese "de novo" (i.e. Enzimas como a GOT e a GTP mostram-se correlacionadas (em peixes salmonídeos) à influência de lançamento de esgotos (WIERSER & HINTERLEITNER. visto que os únicos estudos desenvolvidos até o presente forem realizados com base em apenas 2 espécies (Hypostomus punctatus e Piaractus mesopotamicus. mediante a análise destes elementos. que é um dos citocromos envolvidos com o metabolismo de xenobióticos mais bem conservado em espécies animais (GUENGERICH et al. biotransformação) de ésteres e fosfatos. cf. O IEF é o órgão responsável pela gestão da biodiversdade. De valor para esta abordagem são também as enzimas de conjugação (UGTs e GSTs). Dosagens de SDH. atuam principalmente a Polícia Florestal.. pode-se utilizar reações enzimáticas que são marcadoras de ativação. a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável . o que reflete a relação destas enzimas com processos que envolvam a metabolização (i. algumas moléculas de xenobióticos só sofrem metabolismo mediado por uma única isoenzima P-450. A 306 . a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental – CETESB.

VII) Em 8 de janeiro de 1997 a Lei Federal 9. vedadas.. foi instituída a política nacional do meio ambiente.da água". o mar territorial. 3.. possui uma estação de piscicultura em Paraibuna. "incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais". o Instituto Estadual de Florestas – IEF. II e VII) Em 1981... as águas interiores superficiais e subterrâneas. a fauna e a flora" (art. A nível federal. os estuários. I. A utilização destes recursos deve se pautar nos seguintes princípios: "racionalização do uso . destacam-se o IBAMA.433 instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. a Fundação Estadual de Meio Ambiente . os elementos da biosfera. onde são propagadas algumas espécies do Rio Paraíba do Sul. "planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais". o subsolo .CEIVAP. "A atmosfera. arts. a Secretaria de Estado de Assuntos do Meio Ambiente – SEAMA.ao usuário da contribuição pela utilização dos recursos ambientais com fins econômicos". LEGISLAÇÃO PROTETORA Promulgada em 5 de outubro de 1988.Companhia Energética de São Paulo – CESP.938 de 31 de 31 de agosto. o solo. Nos territórios mineiros das bacias dos Rios Paraíba do Sul e Itabapoana agem a Polícia Florestal. "proteção de ecossistemas"... provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade”. "acompanhamento do estado da qualidade ambiental". recém criada para exercer atividades em bacias de rios federais e o Comitê da Bacia do Rio Paraíba do Sul . na forma da lei. O 307 .FEAM e o Instituto Mineiro das Águas – IGAM e no território capixaba da bacia do Rio Itabapoana. 2º e 4º. "controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras". A Capitania dos Portos e futuramente a Agência Nacional de Águas – ANA. a Constituição do Brasil estabeleceu diversas regras relacionadas direta ou indiretamente a conservação dos peixes e dos ecossistemas de águas interiores. V). a Polícia Ambiental e o Instituto de Desenvolvimento e Assistência Florestal . (Lei 6. que passou a considerar como recursos ambientais.IDAF." e "proteger a fauna e a flora. as práticas que coloquem em risco sua função ecológica. No seu capítulo dedicado ao Meio Ambiente. "recuperação de áreas degradadas e proteção de áreas ameaçadas de degradação" prevendo-se ainda a "imposição. 225.938/81.. (art. a Constituição determina ao Poder Público a tarefa de "Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas". "preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País. através da Lei 6.

A nível estadual. de 10 de julho de 1934) como a lei de direito da água no Brasil. suspensões e embargos das atividades. proteção do meio ambiente. estadual ou federal).. Trata-se pois de uma lei de organização administrativa. de interesse para o manejo e a conservação dos peixes e de seus habitats.conservação da natureza. A nível federal.. dos Estados e dos Municípios. A penalidade civil é uma sanção imposta através de uma eventual ação de indenização movida em face do poluidor ou degradador. pois é ela que respalda as ações de manejo e fiscalização do Poder Publico para promover a conservação. de acordo com o que assegura a Constituição Federal (art 23. A penalidade criminal é imputada pelo Poder Judiciário quando há prática de um crime ou contravenção penal. multas. Competências Legais Privativas. independentes entre si: a administrativa. Ademais. independentemente da ocorrência de dano ambiental. Nesta ótica. isolada ou cumulativamente. O artigo 24 da CF estabeleceu ainda que: "Compete concorrentemente à União.643. A penalidade administrativa é aplicada pelo próprio órgão ambiental (municipal. cabendo ao Juiz arbitrar o valor da reparação. IEF (biodiversidade) e FEEMA (qualidade das águas e atividades poluidoras). que pode se configurar numa obrigação de pagar indenização ou na recomposição efetiva do ambiente degradado. normas e padrões de gestão da água universalmente aceitos e praticados em muitos países. conforme as circunstâncias em que se der o dano. permanecendo o Código de Águas (Decreto 24. a criminal e a civil. criando um novo marco institucional no país. São as advertências. tão importante quanto conhecer a legislação relativa aos peixes é entender também as regras e normas aplicadas a conservação e ao uso dos ecossistemas aquáticos interiores e seus recursos.ANA. órgãos vinculados ao Ministério do Meio Ambiente. para o setor de recursos hídricos. e controle da poluição". 308 . Importa destacar que na legislação ambiental vigente existem três modalidades de penalidades. Segue uma apreciação sucinta das principais determinações legais. a competência é repartida pela SERLA (águas e faixa marginal). Cada uma das penalidades pode ser aplicada sem prejuízo das demais. Comuns e Concorrentes: A conservação de ecossistemas de água interiores é uma tarefa de competência comum da União. Políticas Nacional e Estadual de Recursos Hídricos: Política Nacional de Recursos Hídricos Em 8 de janeiro de 1997 a Lei 9.433 instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. aos Estados e ao Distrito Federal legislarem" sobre ". Verifica-se aí o dano ambiental causado. a legislação serve para identificar as responsabilidades jurídico-ambientais das pessoas físicas e jurídicas no tocante a conservação dos ecossistemas de águas interiores e da ictiofauna.conhecimento da legislação ambiental aplicada é fundamental. defesa do solo e dos recursos naturais. é atribuição do IBAMA e de Agência Nacional de Águas . proteger os ecossistemas aquáticos interiores. incorporando princípios. VI).

por estado e para o país. A bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Outorga dos direitos de uso dos recursos hídricos instrumento pelo qual o usuário recebe autorização. assim como um recurso natural limitado. Enquadramento dos corpos d’água em classes de uso visando tanto a assegurar às águas qualidade compatível com os usos mais exigentes a que forem destinadas. de longo prazo. A gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada. que visam a fundamentar e orientar a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e o gerenciamento dos recursos hídricos.planos diretores. incentivar a racionalização do seu uso. 309 . mediante ações preventivas permanentes. e obter recursos para o financiamento dos programas contemplados nos planos de recursos hídricos. provendo os gestores. dando ao usuário indicação de seu valor. no sentido que o que pode ser decidido no em níveis hierárquicos mais baixos de governo não será tratado em níveis mais altos. a Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes fundamentos: A água é um bem de domínio público. tratamento.com o objetivo de reconhecer a água como bem econômico. o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais. Cobrança pelo uso de recursos hídricos . armazenamento e recuperação de informações sobre recursos hídricos e fatores intervenientes em sua gestão. os usuários e a sociedade com as condições necessárias para participar do processo decisório. concessão ou permissão (conforme o caso) para fazer uso da água.Segundo o artigo 1º da lei. quanto a diminuir os custos de combate à poluição. A lei define cinco instrumentos para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos: Planos de recursos hídricos . Em situações de escassez. dos usuários e das comunidades. permitindo que todos os setores usuários tenham igual acesso à água. e contar com a participação do Poder Público. dotado de valor econômico. Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos sistema de coleta. elaborados por bacia hidrográfica. A gestão deve sempre proporcionar o uso múltiplo dos recursos hídricos.

as associações de usuários de recursos hídricos. regulamenta a constituição estadual. a gerir os recursos oriundos da cobrança pelo uso da água.239. Seu presidente é o ministro titular do Ministério do Meio Ambiente. sendo destinadas. As Agências de Água exercem a função de secretaria executiva de seus correspondentes comitês. 310 . parágrafo 1º. bem como outras organizações reconhecidas pelos Conselhos Nacional ou Estaduais de Recursos Hídricos. das prefeituras. Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos. São consideradas organizações civis de recursos hídricos os consórcios e associações intermunicipais de bacias hidrográficas. O Conselho Nacional de Recursos Hídricos é o órgão mais elevado da hierarquia do Sistema Nacional de Recursos Hídricos. entre outros. sendo também composto por: Representantes dos ministérios e secretarias Presidência da República com atuação gerenciamento ou no uso de recursos hídricos. Compete a ele decidir sobre as grandes questões do setor. inciso VI”. dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal. Os Comitês de Bacias Hidrográficas contam com a participação dos usuários. da sociedade civil organizada e dos demais níveis de governo (estaduais e federal). cujas competências se relacionem com a gestão de recursos hídricos. estaduais e municipais. ressalta-se que a lei estabeleceu um arranjo institucional criando novos tipos de organização para a gestão compartilhada do uso da água. Agências de Água. as organizações técnicas e de ensino e pesquisa com interesse na área. Representantes dos usuários. Representantes das organizações civis de recursos hídricos. que: “Institui a política estadual de recursos hídricos.Por fim. em termos administrativos. as ONGs de defesa de interesses difusos e coletivos da sociedade. cria o sistema estadual de gerenciamento de recursos hídricos. além de dirimir as contendas de maior vulto. constituindo o fórum de decisão no âmbito de cada bacia hidrográfica. Comitês de Bacias Hidrográficas. Os órgãos dos poderes públicos federais. da no Representantes dos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos. quais sejam: Conselho Nacional de Recursos Hídricos. em seu artigo 261. Política Estadual de Recursos Hídricos: Em 2 de agosto de 1999 foi sancionada a Lei Estadual 3.

os estudos realizados por instituições de pesquisa. O PERHI contemplará as propostas dos Comitês de Bacia Hidrográfica. proteção. As prioridades para outorga de direitos de uso de recursos hídricos. As medidas a serem tomadas. e Enquadramento dos corpos de água em classes. Metas de curto. Plano Estadual de Recursos Hídricos Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FUNDRHI). através da SERLA. O PERHI será atualizado periodicamente. médio e longo prazos para atingir índices progressivos de melhoria da qualidade. (PERHI) Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH's). Outorga dos direitos de uso de recursos hídricos Cobrança aos usuários.(PBH'S) Agências de Água. O escopo do PERHI deverá contemplar: Características sócio-econômicas e ambientais das bacias hidrográficas e zonas estuarinas. 311 . Planos de Bacia Hidrográfica . Plano Estadual de Recursos Hídricos O Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERHI) constitui um plano diretor que visa a fundamentar e orientar a implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos e o gerenciamento dos recursos hídricos. racionalização de uso. Terá sua formulação e execução coordenada pela Secretaria de Estado de Maio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SEMADS. à política de desenvolvimento do Estado e a Política Nacional dos Recursos Hídricos. recuperação e despoluição dos recursos hídricos.Quadro 78 . estadual e municipal cujas competências se relacionem com a mesmos gestão dos recursos hídricos. conforme mostra o quadro acima: Seguem comentários sucintos sobre os principais instrumentos e sobre os Comitês de Bacia Hidrográfica e as Agências de Água. programas a desenvolver e projetos a implantar. contemplando os planos de bacias hidrográficas e considerando as normas relativas à proteção do meio ambiente. pelo uso dos recursos hídricos Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos (SEIRHI) Proteção ambiental dos corpos d’água. segundo os usos preponderantes dos Organismos dos poderes público federal. pela sociedade civil organizada e pela iniciativa privada que possam contribuir para sua elaboração. Instrumentos de Gestão A lei encontra-se organizada em dois conjuntos temáticos: os instrumentos e o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos. para o atendimento das metas previstas.Organização da Lei Estadual de Recursos Hídricos Órgãos Integrantes do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SEGRHI): Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERHI).

lagoas. e As diretrizes para a proteção das áreas marginais de rios. A análise de alternativas do crescimento demográfico. com o apoio técnico no primeiro momento da SEMADS/SERLA. 312 . inclusive de poços tubulares. A avaliação econômico-financeira dos setores saneamento básico e de resíduos sólidos urbanos. em distintos cenários de planejamento. Os diagnósticos dos recursos hídricos ecossistemas aquáticos e aqüíferos. questões relativas às Os programas de desenvolvimento institucional. de As projeções de demanda e de disponibilidade de água. Serão elementos constitutivos dos Planos de Bacia Hidrográfica (PBH’s): As caracterizações sócio-econômica e ambiental da bacia e da zona estuarina. aqüíferos e águas subterrâneas. As diretrizes para as transposições de bacias. O balanço hídrico global e de cada sub-bacia.239 de 02 de agosto de 1999. no fomento aos programas relativos aos recursos hídricos. tecnológico e gerencial. lagunas. atendendo ao escopo estabelecido na referida norma legal. lagoas. Os objetivos de qualidade a serem alcançados em horizontes de planejamento não-inferiores aos estabelecidos no Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERHI). lagunas e demais corpos de água. e posteriormente da Agência de Águas. de evolução das atividades produtivas e de modificações dos padrões de ocupação do solo. com vistas à proteção dos recursos hídricos. no campo dos recursos hídricos. As diretrizes e critérios para a participação financeira do Estado. em rios. e dos Cadastro de usuários. As regras suplementares de defesa ambiental. na exploração mineral. serão formulados pelos Comitês de Bacia. Planos de Bacias Hidrográficas: Os Planos de Bacia Hidrográfica (PBH's) previstos pela Lei Estadual 3. e capacitação profissional e de comunicação social. As propostas para a criação de áreas sujeitas à restrição de uso. Diagnóstico institucional dos Municípios e de suas capacidades econômico-financeiras.Diretrizes e critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos.

mas os níveis de qualidade que deveriam possuir para atender às necessidades da comunidade e garantir os usos concebidos para os recursos hídricos”. e estabelecer metas de qualidade da água. As normas e padrões de qualidade e classificação de águas e padrões de emissão de efluentes encontram-se fixados pela Resolução CONAMA 20. visa a: assegurar às águas qualidade compatível com os usos prioritários a que forem destinadas. serão feitos. com estimativas de custo. com base na legislação ambiental. a serem atingidas Os enquadramentos dos corpos de água estaduais. de 18.1986. . após avaliação técnica pelo órgão competente do Poder Executivo (art. e . 17).Simulação da aplicação do princípio usuário-poluidorpagador. segundo os usos preponderantes dos mesmos.06. através de: . estruturais ou não. De acordo com a Resolução. o órgão competente será a Agência Nacional de Águas – ANA. nas respectivas classes de uso. No caso dos rios federais. o enquadramento dos corpos de água em classes. Resolução CONAMA 20/86). Os órgãos ambientais dos Estados e dos Municípios têm competência para fiscalizar o cumprimento da legislação e a aplicação das penalidades administrativas (art. na forma da lei. cujos limites ou condições qualitativas acham-se detalhados na Resolução.Rateio dos investimentos de interesse comum. em qualquer fase do regime. 16 da Lei 3. salobras e salinas. diminuir os custos de combate à poluição das águas. 35 e 40. A Resolução CONAMA 020/86 estabeleceu para o território brasileiro classes de uso preponderante para as águas doces. “O enquadramento dos corpos d’água deve considerar não necessariamente seu estado atual. mediante ações preventivas permanentes. capazes de assegurar a manutenção da biodiversidade aquática e ribeirinha. Os programas das intervenções. pelos Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH's) e homologados pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERHI). na bacia. 313 .Previsão dos recursos complementares alocados pelos orçamentos públicos e privados. O quadro a seguir identifica os usos preponderantes por classe. Enquadramento dos Corpos de Água em Classes: De acordo com o art.239/99.A análise das alternativas de tratamento de efluentes para atendimento de objetivos de qualidade da água. Todos os Planos de Bacia Hidrográfica (PBH's) deverão estabelecer as vazões mínimas a serem garantidas em diversas seções e estirões de rios. para estimar os recursos potencialmente arrecadáveis na bacia. e Os esquemas de financiamentos dos programas referidos no início anterior.

de modo a compatibilizar a oferta com as demandas dos recursos hídricos e dos demais recursos ambientais. Esses limites podem ser absolutos. esqui aquático e mergulho) de contato secundário de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvem rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de Irrigação oleícolas de hortaliças e plantas frutíferas de culturas arbóreas. mesmo tratados”. 18) Nos outros casos. há necessidade de que ele seja resultado de um processo de planejamento da bacia hidrográfica. são estabelecidos limites de lançamentos de resíduos. sociais e ecológicas do enquadramento. lixo e outros resíduos sólidos. (art. fertilizantes químicos e outros poluentes.Classes de uso preponderante das águas territoriais brasileiras de acordo com Resolução CONAMA 020/86 Tipo de Água USOS PREPONDERANTES Abastecimento Doméstico sem prévia ou com simples desinfecção após tratamento simplificado após tratamento convencional Preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas x Proteção às comunidades aquáticas Harmonia paisagística Recreação de contato primário (natação. domésticas e industriais. além de atenderem uma série de restrições no que tange à qualidade do efluente. substâncias potencialmente tóxicas.Quadro 79 . são tolerados lançamentos desde que. defensivos agrícolas. Em função disso. como no caso da Classe Especial (E). cujo uso afete a qualidade das águas. são estabelecidos programas de monitoramento de sua condição. “Não venham a fazer com que os limites estabelecidos para as respectivas classes sejam ultrapassados”. em que “Não serão tolerados lançamentos de águas residuárias. Devido às conseqüências econômicas. bem como programas de controle da poluição para que os cursos de água atinjam as classes. pois estabelece o nível de qualidade (ou classes) a ser alcançado e/ou mantido em um segmento de corpo de água ao longo do tempo. cerealíferas e forrageiras Criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana Navegação Lazer Comercial Usos menos exigentes E x Doce 1 2 3 X x x x x x x x x x x x x x x x x x x X x x x X x X x 4 Salina 5 6 Salobra 7 8 O enquadramento nessas classes é um instrumento de planejamento ambiental. 314 . no que diz respeito à quantidade e qualidade. (art. 19) A partir do enquadramento.

pesque e pague. em função das prioridades de uso estabelecidas nos Planos de Bacia Hidrográfica e do enquadramento do corpo d’água. as indústrias e a irrigação. irrigação. expressa em unidade de volume. é a irrigação. 315 . consumo de agroindústrias e aquicultura (piscicultura. cabendo ao Poder Público examinar o pedido para verificar a existência de água suficiente. infiltração ou degradação da água demandada que impeça sua utilização futura. O conhecimento da quantidade da água já comprometida pelo uso. consumo industrial. com aumento exponencial do consumo de água e todos os problemas decorrentes desse fato. Usos Não Consuntivos: Manutenção de biodiversidade fluvial. por também ter aspectos de sazonalidade. adquirido através das outorgas. Se constitui também em um instrumento que permite controlar e proteger os recursos hídricos. abastecimento de populações humanas dispersas no meio rural. Outra atividade que merece atenção. Consumo – é a parcela de demanda que é gasta na atividade definida. recreação. sendo um licenciamento obrigatório para o uso da água. Retorno – é a parcela restante da demanda que volta ao rio em condições de ser utilizada à jusante. dessedentação animal (rebanhos). geração hidrelétrica. Entre os não consuntivos está a recreação e lazer e a navegação. publicado no Diário Oficial do Estado ou da União. sejam eles consuntivos ou não. considerando os aspectos quantitativos e qualitativos. por exemplo. controle de cheias. que devem satisfazer aos diversos usos. como as populações. através de drenagens ou sistemas de esgotamento sanitários. etc). concedida pelo Poder Público. é essencial para que o Poder Público possa efetuar a gestão entre a disponibilidade e a demanda dos recursos hídricos. os rebanhos.Outorga dos Direitos de Uso de Recursos Hídricos: Uso da água se refere às maneiras pelas quais ela pode ser utilizada pelo homem e demais seres vivos. navegação. Demanda Hídrica – quantidade de água. Sazonalidade da Demanda: Municípios de grande afluência turística no verão (período de quatro meses). lazer e turismo e assimilação de esgotos. A outorga está condicionada à disponibilidade hídrica. vilas e povoados. pesca. concessão ou permissão (conforme o caso) para fazer uso da água. Dentre os principais usos destacam-se: Usos Consuntivos: abastecimento de cidades. Outorga dos direitos de uso dos recursos hídricos é o instrumento pelo qual o usuário recebe autorização. são os mais afetados. seja por incorporação no processo ou por perdas como evaporação. Alguns conceitos básicos importantes são: Uso Consuntivo ou Não Consuntivo: Usuários consuntivos dos recursos hídricos são aqueles que efetivamente incorporam uma parte desses recursos.

será obrigatória a outorga as seguintes atividades ou modalidades de uso dos recursos hídricos que interferem com os ecossistemas aquáticos interiores: Derivação ou captação de água em um corpo de água para consumo. com o fim de sua diluição. Modificações do curso. aproveitamento dos potenciais hidrelétricos. Canalização de córregos e obras de drenagem de várzeas. as derivações. tais como o uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de pequenos núcleos populacionais. transporte ou disposição final. Construção de estruturas de transposição de níveis ou travessias. a quantidade ou a qualidade da água existente em um corpo hídrico. Outros usos que alterem o regime. pesquisas. em corpo de água. monitoramento e outras. inclusive abastecimento público e irrigação. ou insumo de processo produtivo. lançamento. Abertura de canais ou leitos drenantes. e outros usos que alterem o regime.De acordo com o artigo 22 da Lei 3. Lançamento. Levantamentos. Construção de diques e desvios de cursos d’água. Aproveitamento de potencial hidrelétrico. de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos.239/99. lagos e represas. em corpo de água. distribuídos no meio rural. Execução dos seguintes tipos de obras que interferem com os recursos hídricos: Barramentos e açudes. Construção de estruturas de lançamento ou disposição de resíduos. Construção de estruturas de recreação nas margens de rios.239/99. Cobrança aos Usuários. incentivar a racionalização do uso da água e obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e intervenções contemplados nos Planos de Bacia Hidrográfica (PBH's). 316 . leito e margens de rios. de esgotos ou outros resíduos líquidos ou gasosos. Provavelmente. estarão sujeitos a outorga os seguintes usos de recursos hídricos: derivação ou captação de parcela da água existente em um corpo de água para consumo. a quantidade ou a qualidade da água. tratados ou não. 27 da Lei 3. Instalação de turbinas ou equipamentos assemelhados. tratados ou não. Devem ser isentos de outorga as derivações insignificantes. transporte ou disposição final. a cobrança pelo uso de recursos hídricos objetiva reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de seu real valor. pelo Uso dos Recursos Hídricos: Segundo o artigo art. extração de água de aqüífero. com a finalidade de sua diluição. captações e lançamentos de resíduos considerados insignificantes e as diminutas acumulações de água.

Na fixação dos valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos. Parte deste sistema já se encontra em operação. Delimitação da orla e da FMP. Projeto de Alinhamento de Orla de Lagoa ou Laguna (PAOL). dentre outros. dispondo de sensores eletrônicos que medem a chuva. lagoas. devem ser observados.239/99). biológicas e de toxicidade do efluente (art. o volume retirado e seu regime de variação e. os seguintes aspectos: nas derivações. a Lei 3. captações e extrações de água. vedou a instalação de aterros sanitários e depósitos de lixo às margens de rios. Alimentados por bateria solar e dispondo de alta tecnologia.Serão cobrados. o volume lançado e seu regime de variação e as características físico-químicas.239/99) Proteção Ambiental dos Corpos d’Água: Para assegurar a proteção ambiental das margens e leitos de corpos de água. sistematizará e divulgará informações sobre os recursos hídricos e fatores intervenientes na gestão dos mesmos (art 30 da Lei 3. bem como. aos usuários. A SERLA planejou. através de telefonia celular.239/99. Atualizar permanentemente as informações sobre disponibilidade e demanda de recursos hídricos. manguezais e mananciais. dar consistência e divulgar os dados e informações sobre as situações qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos no Estado. e Determinação do uso e ocupação permitidos para a FMP. estes equipamentos coletam os dados e enviam. implantou e está operando uma rede coleta de dados hidrológicos e de sedimentos nas bacias hidrográficas das Baías de Guanabara e de Sepetiba. Definiu ainda que o Estado auxiliará a União na proteção das margens dos cursos d'água federais e na demarcação dos terrenos dos terrenos de marinha e dos acrescidos. 317 . Projeto de Faixa Marginal de Proteção (FMP). os níveis dos rios e a qualidade das águas. A rede é composta por 28 equipamentos instalados nas margens de rios. e Fornecer subsídios à elaboração do Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERHI) e dos diversos Planos de Bacia Hidrográfica (PBH's). lagunas. previu os seguintes instrumentos (art 33): Projeto de Alinhamento de Rio (PAR). os demais informes relacionado aos mesmos. os usos de recursos hídricos sujeitos à outorga. em todo o território estadual. que será instalada na SERLA. até uma central com um banco de dados. nos lançamentos de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos. Seus objetivos são (art 32): Reunir. Por fim. nas fozes dos rios e nas margens das lagunas (art 34). Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos (SEIRHI): Este sistema produzirá. conforme determina o artigo 278 da Constituição Estadual. 27 e 28 da Lei 3. coletará.

ratificar convênios e contratos relacionados aos respectivos PBH's. dispondo de um laboratório completo e equipado. vinculados a SEMADS. além de realizar pesquisas sobre irrigação e conservação de solo e água. 55 da Lei Estadual 3. para ser referendado. para efeito de isenção da obrigatoriedade de outorga de direito de uso de recursos hídricos. tendo por base o respectivo PBH. gerando dados de chuva e evaporação e a PESAGRO opera postos pluviométricos e climatológicos nas Estações Experimentais. no âmbito do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara . releva mencionar que através de convênio com a CPRM. a serem executadas nas bacias hidrográficas. derivações. aprovar a previsão orçamentária anual da respectiva Agência de Água e o seu plano de contas. em serviços e obras de interesse dos recursos hídricos.433.790. propor os valores a serem cobrados e aprovar os critérios de cobrança pelo uso da água da bacia hidrográfica. produzindo dados de chuva e evaporação. encaminhar. A Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia também opera postos climatológicos. eventuais conflitos relativos ao uso da água. segundo quaisquer das formas admitidas em direito. com personalidade jurídica própria. autonomia financeira e administrativa. e encaminhá-lo para avaliação técnica e decisão pelo órgão competente. Os Comitês de Bacia Hidrográfica têm as seguintes atribuições e competências (art. previstos na Lei Estadual de Recursos Hídricos. lagoas e lagunas. aprovar as condições e critérios de rateio dos custos das obras de uso múltiplo ou de interesse comum ou coletivo. as propostas de acumulações. propor o enquadramento dos corpos de água da bacia hidrográfica. e organizar-se-ão de acordo com a Lei Federal nº 9. captações e lançamentos considerados insignificantes.239/99): propor ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERHI). a autorização para constituição da respectiva Agência de Água. Agências de Água: As Agências de Água são entidades executivas. aprovar e encaminhar ao CERHI a proposta do Plano de Bacia Hidrográfica (PBH).PDBG. Comitês de Bacias Hidrográficas: Os Comitês de Bacia Hidrográfica são órgãos colegiados. A SERLA deve iniciar em breve o serviço de cadastramento de usuários de recursos hídricos. implementar ações conjuntas com o organismo competente do Poder executivo.Além da rede. em classes de uso e conservação. elaborar o relatório anual sobre a situação dos recursos hídricos de sua bacia hidrográfica. 318 . A FEEMA executa o monitoramento da qualidade da água. que em breve estarão armazenados em computador e disponibilizados ao público. no qual tem assentos os poderes públicos estaduais e municipais. serão regidas pela Lei Federal nº 9. de 8 de janeiro de 1997 e por esta. a SERLA está consolidando e processando milhares de dados hidrológicos de seu acervo. iniciando pela bacia da baía de Guanabara. os usuários de recursos hídricos e a sociedade civil. submetendo à homologação do CERHI. e dirimir. aprovar os programas anuais e plurianuais de investimentos. As Agências de Água não terão fins lucrativos. além de ser o órgão encarregado de propor o enquadramento de corpos de água em classes de uso. acompanhar a execução do PBH. em primeira instancia. visando a definição dos critérios de preservação e uso das faixas marginais de proteção de rios. instituídas e controladas por um ou mais Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH's). de 23 de março de 1999.

da disponibilidade de Manter o cadastro de usuários de recursos hídricos. Implementar o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos (SEIRHI). a cobrança pelo uso de recursos hídricos. conforme especificam as normas legais listados no quadro a seguir. e Elaborar a sua proposta orçamentária e submetê-la à apreciação dos respectivos Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH's). Os valores a serem cobrados pelo uso de recursos hídricos. para apreciação pelos respectivos CBH's. Licenças ambientais para obras e atividades em corpos de água: Empreendimentos e obras em corpos de água necessitam de licenças ambientais para que possa ser construídos e operacionalizados.Compete à Agência de Água. em sua área de atuação. 319 . Efetuar. elaborar as propostas dos Planos de Bacia Hidrográfica (PBH's). de interesse comum ou coletivo. Promover estudos necessários à gestão dos recursos hídricos. para encaminhamento ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERHI). Plano de aplicação dos valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos. Celebrar convênios e contratar financiamentos serviços. no âmbito de sua área de atuação: Manter balanço atualizado recursos hídricos. Rateio dos custos das obras de uso múltiplo. desempenho de suas atribuições. e Propor aos respectivos CBHS's: Enquadramento dos corpos de água nas classes de uso. Acompanhar a administração financeira dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso dos recursos hídricos. mediante delegação do outorgante. Analisar e emitir pareceres sobre os projetos e obras a serem financiados com recursos gerados pela cobrança do uso dos recursos hídricos e encaminhá-los à instituição financeira responsável pela administração desses recursos.

estudo prévio de impacto ambiental.274/90 Regulamenta a Lei 6.Lei Dispõe sobre a prevenção e controle da poluição do meio ambiente 134/1975 Decreto 1.663/97 Relatório de Impacto Ambiental NA-042 Pedido. para instalação de obra potencialmente causadora de degradação do meio de 05/10/88. análise e aprovação dos Estudos de Impacto Ambiental Decreto 9.938/81 Institui a Política Nacional de Meio Ambiente Decreto 99.555/91 Deliberação CECA Aprova a diretriz para Realização de Estudo de Impacto Ambiental e do respectivo 3.760/87 Regulamenta a Lei 1130/87. inciso IV Lei 6. à nível federal.65/88 que dispõe sobre os procedimentos vinculados à elaboração.766/79 Deliberação Ceca Regulamenta as publicações de licenças 2. localiza as Áreas de Interesse Especial do Estado.633/77 Regulamenta em parte o Decreto-lei 134/75 e institui o Sistema de Licenciamento de Atividades Poluidoras Lei 1356/88 Dispõe sobre os procedimentos vinculados à elaboração. as responsabilidades.Normas federais e estaduais relacionadas ao licenciamento e a avaliação de impactos ambientais Normas Federais Conteúdo Constituição Federal Exige.938/81 Resolução Estabelece as definições. e define normas para loteamentos e desmembramentos a que se refere o artigo 13 da lei Federal 6. os critérios básicos e as diretrizes CONAMA 001/86 gerais para uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente e vincula o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente à elaboração de EIA/RIMA Resolução Aprova os modelos de publicação de pedidos de licenciamento em Quaisquer de CONAMA 006/86 suas modalidades.538/91 Deliberação CECA Regulamenta a realização de Audiência Pública 2.663/97 (parcialmente modificada e complementada) 320 .225.Quadro 80 . ambiente. Recebimento e Análise de Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) NA-043 Participação e Acompanhamento da Comunidade no Processo de Avaliação de Impacto Ambiental NA-051 Indenização dos custos de processamento de licenças NA-052 Regulamentação das publicações previstas no sistema de licenciamento de atividades poluidoras – SLAP IT – 58 Roteiro para Formulação de Instrução Técnica específica para orientar a elaboração de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental Fonte: Deliberação CECA/CN n° 3. análise e aprovação dos Estudos de |Impacto Ambiental Lei 2535/96 Acrescenta dispositivos à Lei 1. a realização de audiência pública nos projetos CONAMA 009/87 submetidos à avaliação de impactos ambientais Resolução Estabelece os critérios e os procedimentos básicos para a implantação do cadastro CONAMA 001/88 Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental Resolução Sujeita ao licenciamento as obras de saneamento para as quais seja possível CONAMA 05/88 identificar modificações ambientais significativas segundo critérios e padrões do órgão ambiental estadual competente Resolução Revoga os artigos 3° e 7° da Resolução CONAMA 001/86 e detalha diversos CONAMA 237/97 procedimentos referentes ao licenciamento ambiental Normas estaduais Conteúdo Decreto. art. sua renovação e a respectiva concessão e aprova os novos modelos para publicação de licenças Resolução Altera o inciso XVI e acrescenta o inciso XVII ao artigo 2° da Resolução CONAMA CONAMA 011/86 001/86 Resolução Regulamenta.

Realização da Audiência Pública. Quando do recebimento do EIA/RIMA. que dispõe sobre a realização de Estudo de Impacto Ambiental e do Respectivo Relatório de Impacto Ambiental.274. a sua verificação quanto ao cumprimento das diretrizes legais e da instrução técnica específica fornecida em cada caso. Quadro 81 . contemplados no seu item n° 4. Elaboração de planejamento executivo das medidas de gestão ambiental elencadas no EIA.R-13. com as medidas de controle Operação ambiental e condicionantes determinados para a operação. atestando a viabilidade ambiental e (LP) estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases Licença Autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as de especificações constantes nos planos. com o mínimo de 45 dias úteis. Resolução CONAMA 237/97). a FEEMA procederá em até 5 dias úteis. A Deliberação CECA n° 3663. de 28. (LO) Fonte: Resolução CONAMA 237/97 Basicamente. A FEEMA encaminhará aos órgãos públicos que tiverem relação com o projeto. assim como a Resolução CONAMA 001/86. da qual constituem motivo (LI) determinante Licença Autoriza a operação da atividade ou empreendimento.Tipos de licença ambiental Licença Características Licença Concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividades. cabendo a FEEMA executar as medidas necessárias ao cumprimento da Diretriz. programas e projetos aprovados.97 aprovou a diretriz DZ041. Prévia aprovando sua localização e concepção. terá início a fase de análise técnica que não poderá exceder a 2/3 do prazo concedido ao interessado para apresentação do EIA/RIMA.08. no Estado do Rio de Janeiro os empreendimentos sujeitos à apresentação de EIA/RIMA a serem submetidos à análise técnica da FEEMA. a ser feito pelo responsável pela atividade. de acordo com a NA-052. incluindo as Instalação medidas de controle ambiental e demais condicionantes. mostradas no quadro abaixo. Tal Diretriz lista. 19 do Decreto nº 99. O responsável pela atividade publicará no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro e no primeiro caderno de no mínimo 3 jornais diários de grande circulação em todo o estado do Rio de Janeiro. estabelece os procedimentos de aplicação da mesma. após a verificação do efetivo de cumprimento do que consta das licenças anteriores.São três as licenças emitidas pela FEEMA (Art. as obrigações do empreendedor da obra ou atividade para obter as referidas licenças são: Elaboração e apresentação do Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto Ambiental. em especial à Prefeitura dos municípios onde se 321 . Execução das medidas. contados a partir da data da publicação da entrega do EIA/RIMA. Procedida a verificação. No seu item 5.

a qual se juntarão periodicamente os relatórios contendo os resultados de acompanhamento da implantação do projeto e dos planos de monitorização. Reservatórios. como as escolas. haja vista o conceito de meio ambiente aceito pela doutrina e pela legislação. que não poderá ser inferior a 30 dias.são os destinados a uso geral como as ruas. O uso geral desses bens subordina-se à disciplina administrativa. estações e linhas ferroviárias. permanecendo uma cópia. sirvam de limites com outros países. Sua colocação nessa categoria. quartéis e estabelecimentos públicos em geral. serão consideradas no parecer técnico de licença e anexadas ao respectivo processo administrativo. À lista dos bens de uso comum. III) Aos Estados pertencem os rios e lagos que não são da União (art. Lagoas. na biblioteca da FEEMA. conforme a Deliberação CECA n° 2555/91. I). nem a uso especial são bens disponíveis. ou dele provenham e aqueles onde haja obras da União". por força do disposto no art. A cópia da licença ambiental concedida permanecerá à disposição para consulta dos interessados na Biblioteca da FEEMA. à disposição para consulta dos interessados. ao Ministério Público e à CECA. 225. bem como os rios e as praias. poderão ser convocadas e realizadas Audiências Públicas. de uso especial ou dominiais. Lagunas. Praias e Ilhas: São federais de acordo com a Constituição Federal: "Os rios e lagos em terreno de seus domínios ou que banhem mais de um estado. praças. não estando destinados nem ao uso comum. a) Domínios dos Rios.localizar a atividade. deve ser acrescentado o meio ambiente. informando-os e orientando-os quanto ao prazo para manifestação. 20 e 26) podem ser de uso comum. 26. Bens de uso especial . 322 . Domínio e definição dos habitats aquáticos e marginais legalmente protegidos Domínios: Os bens referidos na Constituição Federal (art. Bens dominiais . do Código. O EIA/RIMA serão acessíveis ao público. em termos práticos. conforme estabelecido no Código Civil. todavia. As manifestações recebidas até o limite de 2/3 do período de análise do EIA e do respectivo RIMA. podendo ser alienados. cópias do RIMA para conhecimento. estradas. se estendam a território estrangeiro. sob determinadas condições. Para subsidiar a decisão da CECA. contados a partir da data da publicação supra citada.são os que o poder público detém corno qualquer particular. 20. da Constituição Federal de 1988. sendo: Bens de uso comum do povo . (art. não é fácil. à Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa.são aqueles vinculados a serviço publico específico. ou no prazo mínimo de 30 dias úteis.

conforme Súmula 479 do Supremo Tribunal Federal. III. que não são indenizáveis nas desapropriações. 5. São bens da União de acordo com a CF "os terrenos de marinha e seus acrescidos" (art.Pertencem também a União as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países. ilhas fluviais e lacustres. as praias fluviais e os terrenos de marinha (art. Esse Decreto-lei. art. I. o Decreto-lei 9. 323 .). Alguns as consideram como meras servidões administrativas. Segundo MEIRELLES (1990). praias fluviais e terrenos marginais de propriedade dos Municípios. VII). destacando-se os Decretos-leis 2. terrenos reservados são as faixas de terras particulares. Influenciados pelas marés: Refere-se aqui aos terrenos situados nas margens do baixo curso de rios. revigorada pelos arts. lagoas. fora do alcance das marés. o mais importante. 20.760/46 (Pompeu. 20. 3. VII).666 de 15/07/43.507 de 26/09/1897. oneradas como servidão de trânsito. bem como os terrenos marginais. define como: “Terrenos marginais" os “que banhados pelas correntes navegáveis. através de seu artigo 4º. com a edição do Código de Águas. op. Não há rios. Há uma controvérsia entre os estudiosos do direito ambiental e administrativo acerca da dominialidade das margens de cursos de água (terrenos marginais). 1988). através de canais naturais ou artificiais.760 de 5/09/46. e. na largura de 15 metros. e constam em diversas normas. Os terrenos de marinha foram especificados pela primeira vez no Aviso Imperial de 12/07/1833. 39 da Lei Imperial 1.643 de 10/07/34 (Código de Águas). 20. Os “terrenos reservados” tiveram sua denominação alterada para “terrenos marginais” pelo Decreto-lei 9. a Constituição da República passou a considerar os terrenos marginais como bens públicos da União (CF. lagos. as margens dos rios não são passíveis de parcelamento e edificação. As ilhas fluviais e lacustres. Outros argumentam que se trata de terrenos públicos. contados desde a linha média das enchentes ordinárias". próximos a sua confluência com o mar. De concreto. As margens eram designadas como "terrenos reservados". as praias fluviais e os terrenos marginais situados em rios de domínio do Estado pertencem a este.490 de 16/08/40. instituída pelo art. bem como nas lagunas que possuem conexão permanente com o mar. cit). b) Domínio das Margens de Rios. portanto de domínio privado (Meirelles. Lagoas e Lagunas: Situados fora do alcance das marés: Desde 1934.12 e 14 do Decreto Federal 24.483 de 17/07/41. II. vão até a distância de 15 metros para a parte da terra. que o exclui do domínio do expropriado. tem-se que em 1988. lagunas e canais públicos. 11. marginais aos rios. e tratados nos artigos 14 e 31 do Código de Águas.

que dispõe sobre a ocupação de terrenos da União.98. que dispõe sobre foros. em decorrência de sua situação.636/98 estabelece normas e condições para a regularização e utilização ordenada dos bens da união.41.561. proibindo a regularização das ocupações ocorridas após 15.876. Decreto-lei n° 1. os brejos e os alagadiços marginais. 49 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.197/67) dispõe em seu artigo 1º que os "criadouros naturais" da fauna "são propriedade do Estado. para o cadastramento das ocupações e alienação de imóveis.81. em seguimento aos terrenos de marinha”. devendo ser citados também: Decreto-lei n° 3.490.760 de 05/09/46. Lei nº 9. que esclareceu e ampliou o Decreto-lei n 2.7. locados ou aforados. de uso especial ou dominial. aforamento e os alienação de bens imóveis de domínio da União. da posição da linha do preamar médio de 1831: a) os situados no continente. Decreto-lei n° 1. que dispõe sobre a dispensa de pagamento de foros e laudênios para os Estados e Municípios.40.. Brejos. de 13. Habitats Aquáticos e Marginais Legalmente Protegidos a) Lagoas. para o lado do mar ou dos rios e lagoas. dentre outros titulares.7. de 15. medidos horizontalmente para a parte da Terra.. altera dispositivos dos Decretos-Leis n 9. ambos anteriores ao Decreto-lei n° 9.97. de 21 de dezembro de 1987.7. Para os efeitos deste artigo.398. Art. destruição. permissão de uso e cessão de uso.438 de 17.398.77. administração. Parágrafo Único. Alagadiços Marginais e Praias Fluviais e Lacustres: A lei de proteção à fauna (Lei 5..02.05. Decreto-lei n° 2. Tais bens.". e 2.636.12. e dá outras providências A Lei n° 9. nos casos que especifica.São terrenos de marinha. regulamenta o § 2 do art. podem ser cedidos. sendo proibida a sua.87.Referido Decreto-lei 9760/46 dispõe: “Art. que dispõe sobre a regularização. o de 5 de setembro de 1946. aforamento. na costa marítima e nas margens dos rios e lagoas.. Sendo as lagoas. de 16. Os terrenos de Marinha podem se constituir em bens de uso comum. que ocorra em qualquer época do ano.São terrenos acrescidos de marinha os que tiverem se formado. reconhecidos 324 . quando dominiais. até onde faça sentir a influência das marés. em sua profundidade de 33 metros. natural ou artificialmente. cessão. as lagunas. c) Disciplina dos Bens Imóveis da União: A disciplina dos bens imóveis da União é dada pelo Decreto-lei n° 9. 2° . uso ou localização. aumentando o poder de polícia da Secretaria de Patrimônio da União-SPU e de fiscalização dos imóveis da União e incentivando as parcerias com os Estados. Lagunas. 3° . municípios e a iniciativa privada. de 21. h) os que contornam as ilhas situadas em zonas onde se faça sentir a influência das marés.760. laudêmios e taxas de ocupação relativos a imóveis de propriedade da União. de 15.760/46.8. a influência das marés é caracterizada pela oscilação periódica de 5 centímetros pelo menos do nível das águas.

e não da beira do canal do rio. como por exemplo a cota correspondente a vazão máxima média. estabelece que os terrenos pantanosos só poderão ser dessecados por seus proprietários.268. sua proteção encontra apoio neste dispositivo legal. no caso de declarada a insalubridade pela administração pública (art. O leito maior sazonal foi conceituado como a calha alargada ou maior de um rios. de 200 (duzentos) metros para os cursos de água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura.938. III e IV) b) Margens de Rios: A Lei 4. sendo que. em casos de projetos. através de seu artigo 18. I).643 de 10/07/34 (Código de Águas). assim como as praias fluviais e lacustres. de 50 (cinqüenta) metros para (cinqüenta) metros de largura. as faixas marginais de proteção de águas superficiais e as áreas que sirvam como locais de pouso. A Constituição Estadual estabeleceu que são áreas de preservação permanente as lagoas e lagunas. em faixa marginal cuja largura mínima seja: a) b) c) d) de 30 (trinta) metros para os cursos de água de menos de 10 (dez) metros.771/65 (Código Florestal). Em 1981. desde o seu nível mais alto. a Lei nº 6. que são terrenos planos encharcados que aparecem na região de cabeceira ou em zonas de alagamento de rios e lagoas. I. alimentação ou reprodução da fauna e flora (arts. O Decreto Federal 24. Observa-se que reserva ecológica da margem de cursos d' água deve ser estabelecida a partir de dois critérios: largura do rio e linha de alcance da cheia. se possa demarcála. definiram e ampliaram seu conceito e fixaram regras mais claras relativas ao tema. e e) de 500 (quinhentos) metros para os cursos de água a que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros. 3°. declarou como de "preservação permanente" as "florestas e demais formas de vegetação" situadas: I . conforme assevera MACHADO (1994).336/84 e a Resolução CONAMA 004/85. ciperáceas e outras ervas).Ao longo dos rios ou de qualquer curso de água. itens a. 325 . na prática. posteriormente. Não há regulamento especificando o que se deve adotar como nível mais alto em uma determinada seção do rio. A Resolução CONAMA 005/85 ao delimitar as reservas ecológicas marginais de rios. 113). e atividades de utilidade pública ou interesse social. transformou estas "florestas e outras formas de vegetação de preservação permanente" em "Reservas Ecológicas". a supressão ou alteração das florestas e demais formas de vegetação de preservação permanente só pode ser admitida por força de lei. planos. Importa distinguir o significado de brejo. a largura da reserva ecológica da margem é contada a partir da linha de alcance da cheia. Na reserva ecológica. estabelece uma “faixa marginal além do leito maior sazonal medida horizontalmente” (art. A vegetação é formada por plantas herbáceas (gramíneas. os cursos de água que tenham de 10 (dez) a 50 de 100 (cem) metros para os cursos de água que tenham de 50 (cinqüenta) a 200 (duzentos) metros de largura.criadouros de peixes. Assim. que são locais de nidificação de cágados e aves. através de seu artigo 2º. b e c. Este aspecto é importante para que. o Decreto nº 89. obras.

desde o seu nível mais alto medido horizontalmente. Reocrenos são nascentes cuja água ao sair do solo forma imediatamente um riacho.. A Lei 4. cuja faixa marginal será de 50 metros.. que trata do parcelamento do solo. dessedentação de animais domésticos..ocupada nos períodos de cheia.. ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água". “d”)."reservatórios artificiais. item “c” declarou como de "preservação permanente" as florestas e demais formas de vegetação natural situadas “nas nascentes. em faixa marginal. medidas a partir do nível d'água mais alto da lagoa ou laguna: • • De 30 metros para as que estejam situadas em áreas urbanas. cuja largura mínima será". através de seu artigo 2º."ao redor de"...."de 100 (cem) metros para represas hidrelétricas".. A reserva ecológica da margem de um reservatório é constituída por uma faixa marginal de 100 metros tomada a partir da cota correspondente ao nível da água máximo maximorum. havendo maior ou menor correnteza na própria nascente. lagos .. A Lei 4. irrigação.. através de seu artigo 2º. determina que a faixa que constitui a reserva ecológica deve possuir as seguintes dimensões. sem permissão da autoridade competente” (art... não especificando porém a largura. posto que o artigo 3º item II da Resolução CONAMA 004/85 cita que são "Reservas Ecológicas".. mas não fixou a largura. qualquer que seja a sua situação topográfica. 1944). Novamente aqui são omitidos critérios hidrológicos para facilitar a colocação em prática da norma.771/65.. fontes ou olhos de água são os locais onde se verifica o aparecimento de água por afloramento do lençol freático (Resolução CONAMA 005/85. formando um brejo sem superfície de água livre (Kleerekoper . 2°. reservatórios artificiais". limnocrenos são nascentes que formam uma poça sem correnteza em toda a massa de água. de indústrias. II) . tais como abastecimento de cidades. geração de energia... helocrenos são nascentes cuja água se espalha numa superfície extensa do solo. através de seu artigo 2º. A Lei nº 7754 de 14/04/89 326 .771/65. limnocreno e helocrenos.. "as florestas e demais formas de vegetação natural situadas".. e finalmente. e) Nascentes: Nascentes.771/65. Constitui crime ambiental “cortar árvores em floresta considerada de preservação permanente.766/79.605/98). três tipos de nascentes podem ser distinguidas: reocreno.. A Lei 6. A Resolução CONAMA 005/85 (art. 39 da Lei Federal 9. Conforme o modo da água jorrar no solo. define como não edificante uma faixa de 15 metros para cada margem do rio. 3°. De 100 metros para as que estejam em áreas rurais.. item b declarou como de "preservação permanente" as "florestas e demais formas de vegetação" situadas "ao redor de .. c) Margens de Lagoas e Lagunas: A Lei 4.. d) Margens de Reservatórios ou Represas: Reservatórios (ou represas) são acumulações artificiais de água provocadas pelo barramento de um rio ou córrego para diversas finalidades.. exceto os corpos d’água com até 20 hectares de superfície. art. 3°.. lazer.. A Resolução CONAMA 005/85 (art.. III) praticamente reitera o texto..... etc. item b declarou como de "preservação permanente" as "florestas e demais formas de vegetação" situadas "ao redor de lagoas. num raio mínimo de 50 (cinqüenta) metros de largura”.

criado pelo artigo 6° do Decreto Estadual n° 2. e Determinação do uso e ocupação permitidos para a FMP. que dispõe sobre a Política Estadual de Defesa e Proteção das Bacias Fluviais e Lacustres do Rio de Janeiro. ocorrem sempre revestindo os “terrenos de marinha e seus acrescidos”. de 10 de junho de 1934”.330 de 8 de janeiro de 1979. 327 . cuja execução cabe a SERLA. nos limites da definição contida no artigo 2° da Lei n° 4. O parágrafo único do artigo 3° da Lei 650/83.643. f) Manguezais: As plantas de mangue são de domínio público. especifica os critérios para a demarcação da FMP: “Parágrafo Único A Faixa Marginal de Proteção (FMP).. as margens e leitos de rio. Projeto de Faixa Marginal de Proteção (FMP). as diversas normas legais de proteção que incidem sobre as margens de lagoas e rios. obedecidos os princípios contidos no artigo 1° do Decreto-Lei n° 134. A Constituição Estadual promulgada em 1989 estabeleceu que são áreas de preservação permanente as “faixas marginais de proteção de águas superficiais” (art. de 16 de junho de 1975. Em 1983.239/99. A FMP passou a constar como um dos instrumentos do sistema estadual de gerenciamento de recursos hídricos.330/1979 determina que os Projetos de Alinhamento de Orla de Lago (PAO) e os Projetos de Alinhamento de Rio (PAR) devem ser aprovados pelo Governador do Estado e pelo Secretário de Estado de Meio Ambiente. g) Faixa Marginal de Proteção – FMP: Conhecida como “FMP”. VII). VII). na largura mínima estabelecida no artigo 14 do Decreto n° 24.268. no terreno. e que as FMP’s devem ser demarcadas e aprovadas pela SERLA. Em 1999. “f”) e reservas ecológicas (Resolução CONAMA. que instituiu o Sistema de Proteção das Lagoas e Cursos d’Água do Estado do Rio de Janeiro.vegetais que se encontrem em águas dominiais" (art 3°). Além disso. 3°. de 15 de setembro de 1965. e artigos 2° e 4° da Lei n° 6. O Decreto Estadual n° 2. analisadas anteriormente. Delimitação da orla e da FMP. Ao lado do Projeto de Alinhamento de Rio (PAR). De acordo com o art. A intenção básica da FMP é materializar. Os manguezais. art.estabelece medidas para proteção das florestas estabelecidas nas nascentes dos rios e dá outras providências. lagoas e lagunas serão protegidas por: Projeto de Alinhamento de Rio (PAR). respectivamente. do Projeto de Alinhamento de Orla de Lago (PAO) e da Licença para Extração de Areia (LA). 20. (art. instituído pela Lei Estadual 3. a “Faixa Marginal de Proteção” constitui um instrumento inovador.. III). 33 da referida lei. segundo o Decreto-Lei 221 de 28 de fevereiro de 1967 (Código de Pesca). que são bens da União de acordo com a Constituição Federal. em toda sua extensão.. a Lei Estadual n° 650 de 11 de janeiro de 1983.771.. Projeto de Alinhamento de Orla de Lagoa ou Laguna (PAOL). art. a FMP permanece como um dos procedimentos de controle do sistema de proteção dos lagos e cursos d’ água.938 de 31 de agosto de 1981. já que. definiram critérios mais precisos para a delimitação das FMP’s. será demarcada pela Superintendência Estadual de Rios e Lagoas – SERLA. são considerados como vegetação de preservação permanente (Lei 4771/65. "são de domínio público todos os . 2°.

que são os terrenos reservados.) pertencentes ao Estado ou a União. em sucessivos pareceres de Castro (1992. vale a faixa pública de 15 metros contados a partir da orla. a norma determina que a largura mínima da FMP é de 15 metros. se em área urbana ou rural.Na prática. do tamanho da lagoa e de sua posição geográfica. Dispositivos legais para conservação da ictiofauna Peixes como Bens Públicos: A Lei que dispõe sobre a proteção à fauna. A Procuradoria Geral do Estado (PGE). As larguras máximas podem aumentar além das medidas anteriormente mencionadas. especificados no Código Florestal. com a edição do Código Florestal. podendo alcançar uma parte dos terrenos privados adjacentes. assim se pronuncia a respeito da FMP: • A faixa de terrenos reservados (terrenos marginais) constitui uma propriedade pública.197/67.Critérios adicionais para definição da largura máxima da faixa marginal de proteção. o que corresponde aos “terrenos marginais (ou reservados)” estabelecidos no artigo 14 do Decreto Federal n° 24. de 10 de junho de 1934 (Código de Águas). incluídos nas FMP’s. A largura máxima da FMP dependerá dos tipos de vegetação de preservação permanente situados na margem. abarcando a faixa pública dos terrenos reservados e. duas normas legais especificam os critérios para a delimitação da largura máxima: o Código Florestal (Lei Federal 4. os terrenos de marinha. nos casos expostos no quadro a seguir: Quadro 82 . A FMP é uma limitação administrativa de usos admissíveis. Onde ela não existe.643. O ato que institui a limitação administrativa se corporifica com a demarcação efetuada pela SERLA. desde 1965. que são da União. Lei 5. a vegetação das margens de lagoas e lagunas é considerada como de preservação permanente. Peculiaridade Procedimento Presença de Manguezais Todo o manguezal deve ser incluído na FMP Presença de Dunas e Vegetação de As dunas devem constar integralmente na FMP Restinga Presença de Brejos Os brejos perilagunares devem constar integralmente na FMP Costões Rochosos Os costões rochosos devem constar integralmente Presença de Terrenos de Marinha e Os terrenos de marinha devem constar acrescidos integralmente na FMP Observa-se que. A FMP passa a existir somente a partir do momento em que é demarcada. e os tipos de vegetação de preservação permanente. mesmo na ausência de uma FMP demarcada. ambas analisadas anteriormente. • • Cabe salientar que. Basicamente. 1989) e Valverde (1992). dada a largura. afirma em seu artigo 1º que 328 . estão os (i) terrenos marginais (reservados. Logo as benfeitorias existentes são passíveis de demolição compulsória.771/65) e a Resolução CONAMA 005/85.

"aprovar os projetos de erradicação de espécies daninhas"."as águas interiores do Brasil" (art. Represas e Lagoas De acordo com o art.. sem parecer técnico oficial favorável e licença expedida na forma da lei" (art. Para tanto. a nível Estadual pelo Instituto Estadual de Florestas . Compete assinalar que constitui crime ambiental. nas águas interiores. A pesca com "dinamite e outros explosivos comuns ou com substâncias que. A fauna lhe pertence porque deve ser administrada pelo Poder Público tendo em vista o interesse coletivo. 225. que "dispõe sobre os estímulos à pesca e dá outras providências" e estabelece que "os efeitos deste Decreto-Lei. a União reservou para si o domínio eminente da fauna.605/1998 “introduzir espécime animal no País.. Redução de Populações de Peixes: Segundo a Portaria SUDEPE 001/77..que tenham na água seu normal ou mais freqüente meio de vida" o Decreto-Lei 221 de 28 de fevereiro de 1967.522/89 do IBAMA. que os relaciona e declara que ficam protegidos de modo integral. cuidou dos "animais. bem como a introdução de espécies nativas ou exóticas. constituindo a fauna silvestre. Por isso é importante classificar-se esse bem como bem de uso comum do povo. Observa-se que a partir da entrada em vigor desta Lei.. 31). A Lei 5. sendo proibida a sua utilização. 4). .. sem autorização do IBAMA". A fauna não constitui bem do domínio privado da Administração pública ou bem patrimonial. 4. Sendo os animais um bem do Estado. 34 do Decreto-Lei 221/67.. Peixes Ameaçados de Extinção: No tocante aos peixes ameaçados de extinção. de acordo com a Lei Federal 9.. perseguição. do qual a União possa utilizar-se para praticar atos do comércio. no qual a utilidade pública da conservação da fauna constitui uma característica inegável (Machado. item a)... em qualquer estágio de evolução. são propriedade do Estado.IEF.1992). seus regulamentos. Como visto.. sem parecer técnico oficial favorável e licença expedida por autoridade competente” (art.197/67. Introdução de Peixes (Peixamento ou Estocagem) em Rios. "É proibida a importação ou exportação de quaisquer espécies aquáticas. de acordo com o estabelecido na Lei 5. possam agir de forma explosiva" ou "com substâncias tóxicas" só é permitida no caso de atividades 329 . As práticas que possam provocar a extinção de espécies são vedadas pela Constituição (art.197/67 assinala que "nenhuma espécie poderá ser introduzida no País. ou apanha". De acordo com o artigo 3º deste Decreto-Lei. em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro.(art 2. "cabe privativamente ao IBAMA". tendo em vista sua importância para a pesca. este deve tutelá-la em quaisquer fases de seu desenvolvimento. Esta atribuição é exercida a nível federal pelo IBAMA e. se estendem especialmente". caça. Alguns grupos faunísticos recebem tratamento legal complementar. a introdução de espécies exóticas ou nativas é uma atividade sujeita a aprovação do IBAMA e do IEF. VII). "são de domínio público todos os animais e vegetais que se encontrem em águas dominiais". estes são tratados na Portaria 1."Os animais de quaisquer espécies. destruição. decretos e portarias dele decorrentes. alterando em profundidade a característica de que a fauna era coisa sem dono. item c).. em contato com a água.

Manutenção de Populações Viáveis da Ictiofauna In-Situ: Nenhum empreendimento ou atividade pode acarretar a eliminação de espécies na sua área de influência. provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade” (inciso VI) Manejo da Ictiofauna e Obras de Manejo do Habitat em Represas: O Decreto-Lei 221/67 determina que o proprietário ou concessionário de represa é obrigado a tomar medidas de proteção à fauna e que cabe ao IBAMA aprová-las em quaisquer obras que importem na alteração do regime dos cursos d'água. anualmente ou quando solicitadas. estabelece que: "São também obrigações das entidades que. Implantar estação ou posto de piscicultura. e parágrafo primeiro). dos programas e serviços aprovados" e "dar quitação ao cumprimento das obrigações legais". operar e manter sempre em funcionamento as instalações necessárias ao cumprimento dos programas determinados pelo IBAMA". item f). nos rios. 330 . que assegura que compete ao Poder Público “proteger a fauna e a flora. cópias de todos os relatórios técnicos publicados. lagoas e lagunas. f) O Código de Águas especifica que os empreendimentos hidrelétricos devem assegurar a "conservação e a livre circulação dos peixes" (art. diretamente ou por intermédio de órgãos públicos ou empresas especializadas. b .executadas pelo Poder Público que se destinem ao extermínio de espécies consideradas nocivas (Decreto-Lei 221/67. (art. "fiscalizar. na forma da lei. d. e. "aprovar o sistema e o método de proteção e conservação da fauna aquática". o desenvolvimento dos programas de conservação da fauna aquática" e "encaminhar ao IBAMA. ou seja. art. "determinar ou aprovar programas de trabalho". quanto aos aspectos técnicos. as práticas que coloquem em risco sua função ecológica. 143. mesmo quando ordenadas pelo Poder Público (art. itens a. Esta determinação encontra respaldo no artigo 225 da Constituição Federal. escadas de peixes ou outro sistema de transposição. itens a. se estas instalações foram indicadas ou aprovadas pelo IBAMA. tendo por responsabilidade assegurar condições ambientais capazes de manter populações viáveis da ictiofauna nativa “in-situ”. 36 e seu parágrafo único). (art. as empresas proprietárias de represas para diversos fins e de usinas hidrelétricas. ao regulamentar o artigo. em especial na bacia hidrográfica. A Portaria 001/77 da SUDEPE (atual IBAMA).c) Determina ainda que: "Cabe privativamente ao IBAMA". direta ou indiretamente. "realizar. vedadas. 2. devem: Desenvolver estudos e implementar projetos para conservação da ictiofauna. itens c. relacionados com os projetos desenvolvidos". 35. exerçam a posse de barragens": "equipar. Para estar em conformidade com a legislação. canal de desova. a execução das obras.5. d.

quando o caso. A Portaria n° 125/84 compõem um conjunto de regulamentos denominado “Normas para Apresentação de Estudos e de Projetos de Exploração de Recursos Hídricos para Geração de Energia Elétrica”.. com exceção para os casos de usinas hidrelétricas. o que acarretaria o secamento ou a diminuição drástica de vazão em um trecho do mesmo abaixo do ponto de captação ou de um barramento. para fins de aprovação pelo Poder Púbico (ANEEL). dos estudos e projetos de exploração de recursos hídricos. A Lei Estadual n° 3.7. A Norma n° 3 estabelece os requisitos necessários à analise. garantindo a todos os usuários o acesso à água. 2) 3) 4) Examinando a legislação federal e estadual. e a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. Esta obrigação encontra-se respaldada no artigo 225. 13). em qualquer fase do regime (parágrafo único do art. dispondo em seu item 3. deverão ser consideradas para efeito de outorga (Parágrafo único do art. sobre o assunto. O regime de outorga de direito de uso de recursos hídricos tem como objetivos controlar o uso. sobre a vazão mínima a ser mantida a jusante do barramento.Garantia de Vazões Mínimas nos Ecossistemas Aquáticos: A legislação impede que as águas de um rio sejam totalmente ou em grande parte derivadas para quaisquer fins. Toda outorga estará condicionada às prioridades de uso estabelecidas no Plano de Bacia Hidrográfica (PBH) e respeitará a classe em que o corpo de água estiver enquadrado. Cabe salientar que o DNAEE foi desmembrado em dois órgãos: Agência Nacional de Águas. percebe-se que inexistem regras e diretrizes gerais sobre o assunto. recém criada. especifica: 1) Todos os Planos de Bacia Hidrográfica (PBH's) deverão estabelecer as vazões mínimas a serem garantidas em diversas seções e estirões de rios. que assegura que o Poder Público deve preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico dos ecossistemas. conforme transcreve-se a seguir: 331 . visando o uso múltiplo e a preservação das espécies da fauna e flora endêmicas ou em perigo de extinção (art. incisos I e II da Constituição Federal. a manutenção de condições adequadas ao transporte aquaviário (art. onde a Portaria n° 125 de 17/08/84 do extinto Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica . cujo conteúdo refere-se à aprovação de projetos de geração hidrelétrica para uso de particulares. 19). estabeleceu parâmetros sobre a manutenção de vazões nos trechos de rios a jusante de barragens. 23).DNAEE. e.239/99. capazes de assegurar a manutenção da biodiversidade aquática e ribeirinha. As vazões mínimas estabelecidas pelo Plano de Bacia Hidrográfica (PBH). que inclui a Norma n° 3. 19). a conservação da biodiversidade aquática e ribeirinha. para as diversas seções e estirões do rio.

os terrenos pantanosos só poderão ser dessecados por seus proprietários.643 de 10/07/34). constituem criadouros de peixes. a circulação e a reprodução das espécies que povoam as águas no momento da instalação da obra. 113 do Código de Águas (Decreto Federal 24. Do ponto de vista técnico-hidrológico. a vazão poderá ser a vazão mínima mensal. e assim por diante. introduziu diversas disposições visando garantir o interesse geral ligado a manutenção dos ecossistemas aquáticos. já que estes ecossistemas são considerados de preservação permanente por. 332 . A vazão deve ser modulada segundo as estações. caracterizada com base na série histórica de vazões naturais com extensão de. 1º). De acordo com o jurista PAULO AFONSO LEME MACHADO (1994). serão examinados pelo DNAEE”. entre outros motivos.717 de 24 de abril de 1997. no caso de declarada a insalubridade pela administração pública. Segundo ainda LEME MACHADO. ou a alteração de desfiguração da configuração natural de seus entornos” (art. a vazão deve ser suficiente para assegurar a conservação da qualidade e da diversidade do meio aquático. outros preferem basear-se em estimativas sobre a vazão de 95% de permanência de um histórico minimamente representativo de registros fluviométricos. não poderá ser inferior a 80 % da vazão mínima média mensal. Quando a ordenação do território comporta uma derivação das águas. Alguns autores defendem a utilização da vazão Q7-10 ou de um percentual dela. Manutenção dos Canais Permanentes e Temporários de Ligação de Lagunas com o Mar: A Lei Estadual 2. isto é. Controle da Drenagem de Lagoas e Alagadiços Marginais: A drenagem de lagoas. em observância ao que prevê o art. Na ausência dessa informação.“Na concepção do Projeto Básico. deverá ser considerada que a vazão remanescente no curso de água a jusante do barramento. a experiência demonstra que não existe consenso sobre um valor ótimo de vazão remanescente a jusante de um barramento ou ponto de captação. pelo menos. de canais de irrigação de lagoas com o mar. outros ainda costumam utilizar um percentual sobre a vazão mínima média. ainda que parcial. a Lei Francesa da Águas (Lei de 29 de junho de 1984). um especialista no assunto: “É a regulamentação da água que fixa a vazão mínima. determina que “é proibido construir. Os casos em que houver impossibilidade de aplicação do critério acima especificado e os de reservatórios em cascata. a qualquer título. um valor correspondente à vazão mínima de dez dias consecutivos de estiagem do período anterior de cinco anos. lagunas e alagadiços marginais é proibido pela legislação. assim se pronuncia o jurista francês MICHEL PRIEUR. Como comentado anteriormente. Não deve ser de valor inferior a vazão característica de estiagem no período qüinqüenal. a obrigação para que seja mantida uma vazão mínima garantindo permanentemente a vida. Em todos os casos deve ser previsto nas autorizações um procedimento de revisão das vazões previstas”. 10 (dez) anos. Entre elas. dispositivos que resultem em obstrução. da Universidade de Limoges.

a uma distância. que qualquer outro sistema de proteção deve ser autorizado pelo IBAMA”. no mínimo. bem como pelas multas que forem impostas nos regulamentos administrativos. que a tela deverá ser colocada em torno da bomba de sucção. do mesmo diâmetro da boca da bomba (art. 333 . que não for proveniente da legítima aplicação das águas”. Na atualidade encontra-se estabelecido na Portaria SUDEPE n° N-012 de 7/04/82 que revogou a portaria anteriormente mencionada."executar o reflorestamento ciliar das bacias hidráulicas com espécies indicadas à conservação da fauna" . 3°). (art. item a) A largura da faixa a ser reflorestada não encontra-se especificada em norma legal. direta ou indiretamente. de modo a evitar prejuízo de terceiros. quando eles tiverem origem nos seus prédios. Já o artigo 84 cita: “Os proprietários marginais das correntes são obrigados a se abster de fatos que possam embaraçar o livre curso das águas e a remover os obstáculos a este livre curso. 2°). exceto se para tais fatos forem especialmente autorizados por alguma concessão”. mas deduz-se que seja de 100 metros (Resolução CONAMA 004. "São também obrigações das entidades que. A Portaria 012/82 determina: “Que o tamanho máximo da malha protetora é de 1 cm² (art. O parágrafo único deste artigo afirma que o serviço de remoção do obstáculo será feito à custa do proprietário e que ele deve responder pelas perdas e danos que causar.Remoção de Obras que Causam Danos aos Ecossistemas Aquáticos: O artigo 53 do Código de Água estabelece que “Os utentes das águas públicas de uso comum ou os proprietários marginais são obrigados a se abster de fatos que prejudiquem ou embaracem o regime e o curso das águas. 5.. exerçam a posse de barragens". Este procedimento é obrigatório desde 1972 (Portaria SUDEPE n° 464 de 08/11). Implantação de Telas de Proteção nas Tomadas de Água: Os proprietários de tomadas de água para diversos fins são obrigados a colocarem telas de proteção para evitar a passagem de peixes e alevinos. (art.. artigo 3º item II). e a navegação ou flutuação. 4°) Reflorestamento de Margens de Represas: Segundo a Portaria SUDEPE 001/77. Não há norma ditando que as terras marginas devam ser adquiridas pelo empreendedor para efeito de reflorestamento ciliar.

Oleosos e Agrotóxicos A legislação ambiental de proteção as águas continentais contra a poluição. na forma da lei (Constituição Estadual. art. ainda que temporariamente. na forma da Constituição Estadual. de tratamento primário completo. A emissão de afluentes deve observar o seguinte: “Estão sujeitos a outorga os seguintes usos de recursos hídricos: lançamento. No segundo caso. f). máquinas e implementos agrícolas ou outro uso.887 de 29 de junho de 1961). § 1°. devem ter um destino adequado. No primeiro. 261. com o fim de sua diluição. em seu artigo 261.239/99). Lei Estadual 2. transporte ou disposição final (art. 22 §2° da Lei Estadual n° 3. devem obter licença no IBAMA (Lei Federal 4. As embalagens vazias de óleo bem como os resíduos de óleos usados.824/60 estabelece que é obrigatória a destoca e conseqüente limpeza das represas. Fica vedada a implantação de sistemas de coleta conjunta de águas pluviais e esgotos domésticos e industriais (Constituição Estadual.966 de 28/04/00. VII. A outorga para fins industriais somente será concedida se a captação em cursos de água se fizer a jusante do ponto de lançamento dos efluentes líquidos da própria instalação. III. art. da Lei Estadual n° 3. for considerada necessária à proteção da ictiofauna e das reservas indispensáveis à piscicultura Todos aqueles interessados em construir represas portanto. a critério dos técnicos. tratados ou não. para o consumo e a utilização normais ou para a sobrevivência das espécies (Constituição Estadual.239/99). É proibido o despejo nas águas. Decreto Federal 50.771/65) e no IEF para executarem o desmatamento. § 1°).Desmatamento de Áreas a Serem Inundadas A Lei Federal 3. podendo ser reservadas áreas com vegetação que. Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente podem ser lançados se estiverem de acordo com as condições estipuladas no artigo 21 da Resolução 020/86 do CONAMA. bem como de resíduos ou desejos capazes de torná-las impróprias. de caldas ou vinhoto. que tenham sido utilizados em embarcações. Lançamentos de Efluentes Líquidos. de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos. art. 22. no mínimo. 277. 334 . se estabelecem normas a serem aplicadas a própria massa de água que recebe o efluente. Os lançamentos finais de sistemas públicos e particulares de coleta de esgotos sanitários deverão ser precedidas. 277. especifica dois critérios distintos: um chamado "norma de emissão" (ou também norma de efluentes) e a “norma do corpo receptor”. em corpo de água.661 de 27/12/96). parágrafo 4° (art. são fixados limites de concentração dos poluentes a ser observada nos efluentes lançados no corpo receptor. Não é permitido o lançamento de lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas nas águas interiores (Lei Federal 9.

na forma da lei (Constituição Estadual. são proibidos de efetuar a lavagem de maquinários e implementos agrícolas que tenham contato com adubos e agrotóxicos. Vender agrotóxicos somente a pessoas com receituário. b) nome comercial dos produtos e quantidades comercializadas. e açudes. no caso o IBAMA e órgãos federais de Agricultura. uma via da receita ao Conselho Regional profissional e outra via da receita ao órgão estadual competente. O titular de qualquer concessão fica obrigado a evitar a poluição da água. Promover a armazenagem e o destino final adequado das embalagens (Norma ABNT ou similar). Estar autorizado a comercializar (registrado em órgãos públicos competentes). Usuário (Agricultor) Empregador Prestador de Serviço (Pessoa Física ou Jurídica) Comerciante Fonte: Lei Federal 7. O quadro abaixo resume os procedimentos. no caso o IBAMA. os proprietários rurais são obrigados a efetuar a aplicação de agrotóxicos e a promover o destino final das embalagens segundo as recomendações legais. Fornecer ao empregado os equipamentos adequados à proteção da saúde. Remeter até o quinto dia útil do mês subseqüente. Decreto Federal 98.802/89.Responsabilidades legais na utilização de agrotóxicos Agente Responsabilidades Ter a assistência de um técnico devidamente habilitado. art. Adquirir agrotóxicos somente de posse de receituário. Aplicar somente agrotóxicos devidamente registrado em órgão federal competente. Arquitetura e Agronomia CONFEA 344 de 27/6/90. a contar da emissão do documento. 35 da Lei Estadual n° 3. Saúde e Meio Ambiente e na Secretaria Estadual de Saúde e Meio Ambiente.47. Manter um livro de registro com o Seguinte conteúdo: a) relação detalhada do estoque existente. Resolução do Conselho Federal de Engenharia. do estado ou do município. armazenamento. atendidas as diretrizes e exigências dos órgãos federais responsáveis que atuam nas áreas da saúde. Comprar somente agrotóxicos devidamente registrado em órgão federal competente. em estabelecimentos devidamente autorizados à comercializar (registrados em órgãos públicos competentes). Saúde e Meio Ambiente e na Secretaria Estadual de Saúde e Meio Ambiente. acompanhadas das respectivas receitas. Comercializar somente agrotóxicos devidamente registrados em órgão federal competente. Quadro 83 . obrigações e responsabilidades para uma adequada aplicação. Saúde e Meio Ambiente e nas Secretarias Estaduais de Saúde e Meio Ambiente. e órgãos federais de Agricultura. em rios. É vedada a instalação de aterros sanitários e depósitos de lixo às margens de rios.816/90. Portaria Normativa IBAMA 349/90. e órgãos federais de Agricultura. Estar registrado nos órgãos competentes. lagunas. especificados nas diferentes normas legais existentes sobre o assunto. manguezais e mananciais. Promover a armazenagem e o destino final adequado das embalagens (Norma ABNT ou similar).As atividades poluidoras deverão dispor de bacias de contenção para as águas de drenagem. 277. do meio ambiente e da agricultura. Exigir do prestador de serviço que ela seja registrado em órgão oficial. que possa resultar dos trabalhos de mineração (Decreto Lei 227 de 28/02/67 – Código de Minas – art. riachos. córregos. 335 . comercialização e destino final dos resíduos e embalagens de agrotóxicos. § 2°).239/99). Guardar a receita no estabelecimento comercial à disposição pelo período de cinco anos. Bem assim. XI). conforme determina o artigo 278 da Constituição Estadual (art. no caso o IBAMA. lagoas. No caso de agrotóxicos.

embalar. Normatização da Pesca. ao tratar da pesca científica. comercializar. dispõe que "Poderá ser concedida a cientistas. conforme estabelecido pela Constituição Federal. agropecuárias. 57).171 de 17 de janeiro de 1991).". estabelece que o uso de jet-ski nos rios. assinala em seu artigo 32 que: "Aos cientistas das instituições nacionais que tenham por lei a atribuição de coletar material biológico para fins científicos serão concedidas licenças permanentes especiais gratuitas". lagoas. Como os recursos 336 . da Aquicultura e da Aquariofilia: a) Normatização Geral da Pesca: O Setor Pesqueiro é um ramo de atividade econômica do segmento agrícola (setor primário da economia). exportar. da mesma forma. em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos (art. que dispõe sobre a proteção e estímulo a pesca e dá outras providências. dos Estados e dos Municípios.. Este artigo encontra-se regulamentado pela Portaria 332 /90 do IBAMA. ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora (art. pesqueiras e florestais". prevê os recursos e estabelece as ações e instrumentos da política agrícola.605/98: “Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana. cita no seu artigo 1º: "Esta lei fixa os fundamentos. Coleta para Pesquisa Científica: O artigo 14 da Lei 5. define os objetivos e as competências institucionais. oficiais ou oficializadas. quando assim o exigir a autoridade competente. fornecer. transportar. § 1º). lagos. VIII. pesca.473. relativamente às atividades agropecuárias. segundo a Lei Federal 9. 54).197/67.. Produzir. lagunas e cursos d’água no Estado do Rio de Janeiro dependerá de prévio licenciamento pelo órgão ambiental competente.Cabe assinalar que constitui crime ambiental. Promover e fomentar a pesca é competência comum da União. que "incluem-se no planejamento agrícola as atividades agroindústrias. em qualquer época". Abandonar os produtos ou substâncias referidos no caput. armazenar. ou os utiliza em desacordo com as normas de segurança (art. e que estará condicionada à inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Rio de Janeiro (arts. aos Estados e ao Distrito Federal legislarem" sobre ". 1º e 3º). parágrafo único. § 3º). ou por estas indicadas. guardar. ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica. 54. A Lei Agrícola (Lei 8. importar. Controle de Jet-Ski: A Lei Estadual 2. que afirma em seu artigo 187. de acordo com o que assegura a Constituição Federal no seu artigo 23. respeitada a legislação ambiental.. Deixar de adotar. agroindustriais e de planejamento das atividades pesqueira e florestal". pertencentes a instituições científicas. licença especial para a coleta de material destinado a fins científico. O artigo 24 da Constituição Federal estabeleceu que "compete concorrentemente à União. de 07 de dezembro de 1995. 57. processar. perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente. Já o Decreto 221/67. medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível (art.

I simples e múltiplos empregados com caniço simples com carretilha ou molinetes. II de mergulho ou anzóis simples e múltiplos empregados com caniço simples com carretilha ou molinetes. a Lei 7679/88 e a Lei 9. art. providos de isca natural ou artificial 337 . I Pesca Pesca exercida unicamente com fins de pesquisa por Decreto-Lei 221 de Cientifica* instituições ou pessoas devidamente habilitadas para este fim 28/02/67. equipamento eletrônico de navegação e detecção e material de casco feito em aço ou madeira Pesca Pesca que se pratica com linha de mão. art. Os conceitos legais aplicados as atividades pesqueiras são apresentados no quadro a seguir. capazes de operar em áreas distantes 28/07/94 da costa. ressalvadas as espécies ameaçadas de extinção. Pesca Pesca que tem por finalidade realizar atos de comércio na Decreto-Lei 221 de Comercial forma da legislação em vigor 28/02/67. art. Esta atribuição é exercida a nível federal pelo IBAMA. 3º. Lei Federal 9605 de moluscos e vegetais hidróbios. 2º. art. 2º. transformação ou 28/02/67. pesquisa. providos de isca natural ou artificial) Pesca Pesca realizada sem o auxílio de embarcação e com a Portaria IBAMA Desembar. crustáceos. se dediquem exclusiva e Decreto-Lei 221 de de Pesca permanentemente a captura. motorização da propulsão com motores a diesel de potência elevada. competente. §1° Pesca Pesca que se caracteriza pela exploração de espécies de Empresarial exportação ou de espécies de valor comercial já bem ou Industrial estabelecido. extrair. tarrafa. coletar. suscetíveis ou não de 12/02/98. caniço com molinete. por meio de aparelhos Decreto-Lei 221 de Desportiva de mergulho ou quaisquer outros permitidos pela autoridade 28/02/67. devidamente autorizadas. Decreto 1203 de de grande autonomia. 1583 de 21/12/89 tarrafa. A administração pesqueira tem como marcos legais o Decreto-lei 221/67. e que em nenhuma hipótese venha a importar em §2° atividade comercial Pesca Pesca praticada por brasileiros ou estrangeiro. 36 aproveitamento econômico. sem finalidade comercial 1583 de 21/12/89. art. 1º vida Pesca Ato tendente a retirar. com a Portaria IBAMA Amadora finalidade de lazer ou desporto. e a nível estadual pelo IEF. espingarda de mergulho ou anzóis art. caniço simples. este deve tutelá-lo em quaisquer fases de seu desenvolvimento.605/98. 2º. espingarda art. 1583 de 21/12/89 cada caniço com molinete.utilização de linha de mão. §3° Embarcação As que. 3º. art. apreender ou capturar espécimes dos grupos dos peixes. puçá. Quadro 84 – Conceitos relacionados a atividade pesqueira( 9605/98) Termo Conceito Ato Legal Ato tendente a capturar e extrair elementos animais e vegetais Decreto-Lei 221 de que tenham na água seu mais normal ou freqüente meio de 28/02/67. 5º pesquisa dos seres vivos animais e vegetais que tenham na água seu meio natural ou mais freqüente de vida Pesca Pesca realizada em embarcações da classe recreio e com o Portaria IBAMA Embarcada emprego de petrechos citados no inciso anterior (linha de mão. explorando recursos pesqueiros que se apresentam relativamente concentrados geograficamente. constantes nas listas oficiais da fauna e da hora. com mecanização a bordo para manipulação de petrechos e da captura. apanhar. art.pesqueiros são bens do Estado. puçá. 2º. utilizando embarcações acima de 20 toneladas. caniço simples.

338 . 1º Fonte: Decreto-Lei 221/67. linha de mão ou vara. petrechos. 33. 3º. Decreto 1. podendo proibir ou interditar o uso de quaisquer destes apetrechos.695/95. I. art. os períodos de proibição da pesca. b) substâncias tóxicas. Lei Federal 9605/98 * Também denominada "Pesca experimental" No âmbito da normatização da pesca. V.168 a jusante das represas e barragens hidrelétricas de 30 de outubro de 1990) As concessionárias de energia elétrica devem fixar “os limites de (Portaria IBAMA 329 segurança” para a pesca de 13 de março de 1990) É vedado o transporte. Decreto 1203/94. e inferiores aos permitidos. para o exercício da pesca. permissão ou concessão do órgão competente. nos e §1°) períodos de desova. itens a. domínio público art. competente. faz da pesca sua profissão e 28/02/67. a comercialização. em contato com a água. incluindo a relação de espécies. bem como as demais medidas necessárias ao ordenamento pesqueiro Ao IBAMA competirá a regulamentação e controle dos aparelhos e (Decreto-Lei 221/67. em locais onde o exercício da pesca cause embaraço à navegação a menos de 500 m das saídas de esgotos Sem inscrição. d. técnicas e métodos não permitidos. Quantidades superiores às permitidas. É proibida a pesca amadora e profissional a duzentos metros a montante e (Portaria IBAMA 2. produzam efeito semelhante. o beneficiamento e a (Lei 7679 de 23/11/88. matriculado na Capitania dos Portos. licença. em água parada ou mar territorial. VI migratórios para reprodução e. encontram-se em vigor as seguintes regras gerais para proteção dos peixes: Todas as embarcações de pesca devem ser registradas no IBAMA (Decreto-Lei 221/67) A relação das espécies. atendendo às art. Lei 7679/88. 2º) peculiaridades regionais e para a proteção da fauna e flora aquáticas. segundo Decreto-Lei 221 de as leis e regulamentos em vigor. 1º. c) aparelhos. c. serão fixados pelo IBAMA art. §2°). autorização. Em épocas e nos locais interditados pelo órgão competente. 35.Termo Pescador Profissional Conceito Ato Legal Pescador que. Espécies que devam ser preservadas ou indivíduos com tamanhos (Decreto-Lei 221/67. art. por meio de atos normativos do órgão (Lei 7679 de 23/11/88. art. §1°) (Lei 7679 de 23/11/88. IV. seus tamanhos mínimos e épocas de proteção (Decreto-Lei 221/67. Ficam excluídos da proibição. 33. 39) pesca. II. 2º) O Poder Executivo fixará. implementos de toda natureza suscetíveis de serem empregados na art. art. sem fins comerciais 28/02/67. de reprodução ou de defesa. Mediante a utilização de: a) explosivos ou de substâncias que. industrialização de espécimes provenientes da pesca proibida art. § 1°) A pesca pode ser transitória ou permanentemente proibida em águas de (Decreto-Lei 221/67. É proibido pescar: Em cursos d’água. nos períodos em que ocorrem fenômenos art. II. linha e anzol. os pescadores artesanais e amadores que utilizem. e Período de Período do ano em que o órgão disciplinador competente Lei 7679 de defeso proíbe a pesca /e ou captura de espécies determinadas 23/11/88. 26 meio principal de vida Pescador Pescador que pratica a pesca com finalidade de lazer ou Decreto-Lei 221 de Amador desporto. Portaria IBAMA 1583/89.

É proibida a pesca amadora e profissional a duzentos metros a montante e (Portaria IBAMA 2.168 a jusante das represas e barragens hidrelétricas de 30 de outubro de 1990) As concessionárias de energia elétrica devem fixar “os limites de (Portaria IBAMA 329 segurança” para a pesca de 13 de março de 1990)

Deve ser destacado ainda o Decreto 1.695, de 13.11.95, que cria o Sistema Nacional de Informações da Pesca e Aqüicultura - SINPESC, com o objetivo de coletar, agregar, processar, analisar, intercambiar e disseminar informações sobre o setor pesqueiro nacional. A coordenação, implantação, o desenvolvimento e a manutenção do SINPESC foram atribuídos, por esse Decreto, à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE. Caberá a este órgão, em conjunto com outros ministérios envolvidos, a elaboração de plano operativo definindo as atribuições e respectivos responsáveis pelas ações decorrentes da implementação do SINPESC. b) Normatização da Aqüicultura: Com respeito a aqüicultura, esta atividade foi pouco destacada no Decreto-lei 221/67, que se limitou a estabelecer que o “Poder Público incentivará a criação de Estações de Biologia e Aquicultura federais, estaduais e municipais e dará assistência técnica aos particulares.” (art. 5°). Os arts. 51 e 52 do referido decreto referem-se ao registro de aqüicultores amadores e profissionais, bem como ao pagamento da taxa correspondente. O Decreto 1.695, de 13/11/95, regulamentou a exploração da aquicultura em águas públicas pertencentes à União, definindo aquicultura como o “cultivo de organismos que tenham na água seu normal ou mais freqüente meio de vida”. O Decreto atribuiu ao IBAMA a promoção do registro dos aqüicultores, bem como a definição das espécies a serem cultivadas e das técnicas e equipamentos a serem utilizados. A utilização de águas públicas pertencentes à União, para fins de aqüicultura, bem como a regularização de ocupações já existentes, fica sujeita à autorização pela SPU, ouvido o IBAMA, o Ministério da Marinha e outros ministérios eventualmente envolvidos, no que diz respeito aos aspectos de suas competências. c) Normatização dos Pesque-Pague: É regulamentada por portaria específica produzida pelo IBAMA. d) Normatização da Aquariofilia: As normas aplicadas ao transporte, comercialização e a aquicultura de peixes ornamentais constam em portaria elaborada pelo IBAMA. e) Normas de Ordenamento Específicas em Vigor do Estado do Rio de Janeiro As normas específicas em vigor relacionadas ao ordenamento pesqueiros das águas interiores fluminenses são apresentadas a seguir, destacando-se ainda a existência de portaria específica para a lagoa de Araruama.
Lei Estadual No ciclo de desova dos peixes, que compreende o período de 1° de outubro a 30 2.423 de 17 de de janeiro, fica vedada, em todos os cursos d’água do Estado do Rio de agosto de Janeiro, a execução da pesca com o uso de redes, tarrafas, cocas, fisgas, 1995 espinhel, ou qualquer substância tóxica, que facilite a captura de peixes (art. 1°) A pesca com caniço ou linha de mão é liberada em qualquer período do ano (Parágrafo único do art. 1°)

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e) Sanções Penais e Administrativas: A Lei 9.605/98, que dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, enumera, dentre outras condutas, como crimes contra o meio ambiente “causar degradação cm viveiros, açudes ou estações de aqüicultura de domínio público (art. 33, 1)”. Estabelece também como crimes, diversas ações lesivas à fauna aquática como pesca em período no qual a atividade seja proibida ou em lugares interditados pelo órgão competente.

Recomendações para conservação da ictiofauna
Neste capítulo apresenta-se um esboço de uma estratégia para conservação dos peixes de águas interiores. A estratégia fundamenta-se na premissa estabelecida pela FAO (1984), de que a melhor forma de se promover a conservação da ictiofauna é manter as características físicas e ecológicas e a qualidade ambiental do habitat onde ela vive, ou seja, os rios, córregos, ribeirões, lagoas e lagunas, por ser menos onerosa e lograr melhores resultados. Isto implica em que a conservação deve ser efetuada prioritariamente in-situ, através da manutenção de populações viáveis da biodiversidade dentro do ecossistema, no seu habitat natural. A estratégia proposta se corporifica em quatro campos de ação complementares:
Providências de Caráter Geral; Estudos Aplicados; Atividades de Manejo; Monitoramento, Patrulhamento, Fiscalização e Assistência Técnica.

O primeiro compreende as medidas de caráter amplo, de aplicação uniforme em todo o Estado. O segundo contempla o desenvolvimento de estudos básicos para fundamentar a elaboração de Planos de Manejo da Ictiofauna por Macrorregião Ambiental, que se desdobram em programas específicos para as distintas bacias hidrográficas, lagoas, lagunas e represas, assim como a implementação das atividades planejadas. Os planos de manejo devem obrigatoriamente, estarem harmonizados aos Planos da Bacia Hidrográfica previstos na Lei Estadual 3.239 de 02 de agosto de 1999 e terem como meta definir as providências a serem executadas para a manutenção de populações geneticamente viáveis de espécies de peixes nativos. O monitoramento objetiva aferir a eficácia das medidas implementadas, subsidiando ajustes metodológicos e eventuais mudanças de rumo. O patrulhamento, a fiscalização e a assistência técnica visam verificar o cumprimento da legislação, prestar assessoria técnica, ampliando a conscientização, e evitar que danos ambientais aos ecossistemas aquáticos sejam incrementados. Cabe ressaltar que os órgãos e entidades executoras das ações seriam as seguintes:
IEF, Batalhão Florestal e do Meio Ambiente, SERLA, FEEM, FIPERJ e EMATER; Prefeituras; Proprietários de usinas hidrelétricas (Cerj, Furnas, Cataguazes-Leopoldina, Paranapanema) e de barragens

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e represas para outros fins, tais como irrigantes e empresas prestadoras de serviços de água e esgoto (Cedae, Águas de Juturnaíba, Pró-lagos, Águas do Paraíba, Águas do Imperador); Proprietários de Tomada de Água.

Nas bacias de rios federais, haveria o concurso da Secretaria de Recursos Hídricos e do IBAMA, ambos do Ministério do Meio Ambiente; da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo - SMA, do Instituto de Pesca, Do Instituto Florestal, da CETESB e da Companhia Energética de São Paulo - CESP, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Minas Gerais - SEMAD, do IEF/MG, do Instituto Mineiro das Águas - IGAM e das Centrais Elétricas de Minas Gerais CEMIG. Outros órgãos federais importantes são o IBAMA, a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL e o Departamento de Meio Ambiente da ELETROBRÁS. Providências de caráter geral Dentre as providências de caráter geral propostas listam-se: Cadastro de Estações de Piscicultura, Pesque - Pagues, Estabelecimentos de Produção e Comercialização de Peixes Ornamentais e Clube de Pesca:
• • • • • • Controle da Entrada de Espécies Exóticas; Precauções na Outorga; Licenciamento Ambiental; Normatização de Atividades de Manutenção de Turbinas; Implantação de um Centro para Conservação da Ictiofauna Fluminense; Revisão de Inventários Hidroenergéticos.

Cadastro de Estações de Piscicultura, Pesque - Pagues, Estabelecimentos de Produção e Comercialização de Peixes Ornamentais e Clube de Pesca. Como os principais focos de introdução de espécies exóticas são os estabelecimentos acima referidos, propõe-se que o IEF, em conjunto com o IBAMA, e contando com o apoio da FIPERJ e a EMATER, promovam um cadastro único, além de normatizar a entrega anual obrigatória de relatórios com informações de interesse para a gestão. As Estações de Piscicultura, os Pesque – Pagues e os Estabelecimentos de Produção e Comercialização de Peixes Ornamentais devem enviar dados a respeito das espécies utilizadas, produção, infra-estrutura, local onde compram alevinos, etc. Controle da Entrada de Espécies Exóticas: Sugere-se como primeira atividade enviar ofício às estações de piscicultura, pesquepagues, estabelecimentos de produção e comercialização de peixes ornamentais e clube de pesca, relacionando as responsabilidades atinentes ao comprimento da legislação. Como medida de salvaguarda, pode-se criar um modelo de tomada de decisão para análise de pedidos de introduções de organismos aquáticos, baseado na sistemática proposta por KOLHER & STANLEY (1984). Os autores recomendam o estabelecimento de um comitê ou câmara de avaliação, com a promulgação de uma proposta formal para cada introdução desejada.

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O modelo é altamente flexível, e é composto de cinco níveis de revisão e, cinco compartimentos de decisão. Neste comitê teriam assento o IEF, a FIPERJ, a EMATER e a UERJ, dentre outros. Precauções na Outorga: Deve-se assegurar que em todos os processos de análise de pedidos de outorga, a questão da garantia da vazão mínima necessária para a manutenção do habitat seja sempre observada. Cabe salientar que na Califórnia, as demandas ambientais incluem preservação de rios em áreas intocadas, proteção de peixes e outras espécies e prevenção da intrusão salina, e já representam 28% do total de suprimento da água (SALATI et al., 1999). Licenciamento Ambiental: É recomendável que se produzam especificações técnicas gerais para estudos de impacto ambiental de obras hidráulicas, em especial usinas hidrelétricas, barragens para diversos fins e projetos de irrigação, que orientem a elaboração de termos de referência específicos. Normatização de Atividades de Manutenção de Turbinas: Pode-se criar um grupo de trabalho com a participação de representante das empresas concessionárias, visando produzir uma norma sobre o assunto, para mitigar o aprisionamento dos peixes nos tubos de descarga. A norma poderá prever os serviços de rotina para a manutenção das turbinas sejam feitos apenas em épocas de não ocorrência da piracema e que sempre que houver necessidade de parar uma turbina, deve ocorrer o simultâneo fechamento do tubo de descarga. Implantação de um Centro de Conservação da Ictiofauna Fluminense: Ao invés de se cobrar das empresas concessionárias de energia a implantação de várias estações ou postos de pisciculturas próximas às usinas hidrelétricas, como ocorreu em São Paulo e Minas Gerais por exemplo, recomenda-se ao IEF implantar um Centro de Conservação da Ictiofauna Fluminense de Águas Interiores. Sugere-se que os custos associados a construção e parte da manutenção sejam rateados entre as empresas proprietárias de usinas hidrelétricas, em atendimento ao que prevê a Portaria 001/77 da SUDEPE. O Centro manteria exemplares das espécies nativas em cativeiro, para obter informações que, em habitats naturais, seriam difíceis ou mesmo impossíveis. As investigações deverão cobrir vários campos da biologia, da veterinária e da zootecnia, contribuindo cada um de maneira diferenciada para a interpretação dos fenômenos biológicos. A aplicação dos conhecimentos adquiridos pelo Centro seria direcionada prioritariamente ao:
Domínio da tecnologia de reprodução artificial, larvicultura e alevinagem de espécies nativas, que apresentam populações muito reduzidas, visando a produção de peixes para repovoamento de rios, represas e lagoas; Controle biológico de parasitas, principalmente daqueles introduzidos pelas espécies exóticas, empregando organismos que predam os parasitas ou seus hospedeiros intermediários;

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Preservação de germoplasma, que constitui a guarda de sêmen, óvulos, ovos ou embriões de espécies ameaçadas ou que despertem interesse por outro motivo, em bancos de germoplasma próprio. Identificação de conteúdo estomacal de peixes, para indicação de plantas adequadas ao reflorestamento ciliar.

O Centro poderia também promover o aproveitamento do potencial zootécnico da ictiofauna nativa, através de atividades de piscicultura experimental em tanques convencionais e tanques redes, repassando a tecnologia para os produtores rurais, além de treinamento em piscicultura. Esta atividade contudo, não é da alçada do IEF, mas da FIPERJ. As instalações do Centro servirão ainda com base física para atividades de laboratório e escritório de serviços de levantamento da ictiofauna, realizados por universidades conveniadas. Com respeito a infra-estrutura, o Centro poderá dispor de: Prédios: administração, laboratório de biologia e de reprodução artificial e incubação; laboratório de larvicultura, almoxarifado, galpão para preparo de ração e alojamento para pesquisadores visitantes. Tanques e viveiros para manutenção de reprodutores, criação de alevinos, manutenção de peixes para estudos biológicos e, caso seja decidido, cultivos experimentais. Quanto aos recursos humanos estima-se a necessidade de três profissionais de nível superior (dois biólogos e um médico veterinário ou zootecnista), um técnico de nível médio (técnico agrícola ou tecnólogo em piscicultura), 1 agente administrativo e 1 pescador profissional. O número de operários será maior caso o Centro realiza experimentos de piscicultura, podendo atingir de 7 a 10. A equipe fixa poderá mesclar técnicos do IEF, da FIPERJ e das empresas de energia. Equipes temporárias poderão ser formadas por estagiários de biologia, agronomia, veterinária e zootecnia, assim como profissionais que desejem utilizar o Centro como local para produção de teses de mestrado e doutorado. A localização do Centro deve ser em altitude baixa, junto a uma universidade, onde já disponha de segurança e outras facilidades, afastada dos grandes centros urbanos e próxima de rios ou lagoas com boa qualidade de água e oferta hídrica. Para se idéia da importância deste centro, cabe assinalar que a Estação de Hidrobiologia e Piscicultura de Três Marias, de propriedade da CODEVASF, contou até 1991 com a participação de quase 100 pessoas (pesquisadores, professores, estudantes, estagiários e técnicos) das instituições CODEVASF, UFMG, UFV, UFSCar, USP, UNESP, EPAMIG e CETEC. Nela foram produzidos de 1980 a 1993, um total de 284 publicações relacionadas à piscicultura, ictiologia, pesca e limnologia do Alto São Francisco entre teses, dissertações, monografias, artigos, relatórios, palestras e resumos em congressos. Mais de dez milhões de alevinos de espécies nativas foram produzidos na Estação e utilizados no repovoamento. Todos os estados mais desenvolvidos do país dispõem de centros

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assemelhados, como São Paulo, onde são administrados pela CESP e o Instituto de Pesca e Minas Gerais, pela CEMIG. Revisão de Inventários Hidroenergéticos: Recomenda-se negociar com a ANEEL, a SRH e o IBAMA, a revisão dos inventários hidroenergéticos das Bacias dos Rios Paraíba do Sul e Itabapoana. O planejamento hidroenergético do Rio Paraíba do Sul, por exemplo, prevê uma sucessão de represas, o que o transformará em algo parecido com o rio Tietê, que dado a submersão dos canais não pode mais ser designado como rio. Tal cenário é extremamente danoso para a ictiofauna, haja visto a pobreza de espécies na represa do Funil, por exemplo. Na revisão, estirões fluviais devem ser deixados livres, sem represas para que a ictiofauna possa sobreviver. O estudo pode ser designado como inventário dos usos múltiplos, e não somente hidroenergético, o que garantia a incorporação de critérios de conservação da ictiofauna no planejamento. Estudos Aplicados Os estudos deverão ser realizados por Macrorregião Ambiental, e nelas, por bacia hidrográfica, objetivando criar uma base mínima de conhecimentos sobre a ictiofauna dos rios, lagos, lagunas e represas, capaz de fundamentar a elaboração do Plano de Manejo da Ictiofauna e, por conseguinte, a implementação das atividades. Propõe-se que os estudos sejam empreendidos por universidades públicas e privadas, que disponham de pessoal especializado em ictiologia, como por exemplo a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Universidade do Rio de Janeiro (UniRio), a Universidade Santa Úrsula (USU) e a Faculdade Maria Thereza (FAMATh). Para tanto, basta direcionar cada universidade para uma Macrorregião ou bacia hidrográfica. Por exemplo, na Macrorregião Ambiental 1, pode-se estabelecer convênio com a UFRJ para estudar os peixes dos rios da bacia da baía de Guanabara; a USU ou a UERJ para as lagoas da baixada de Jacarepaguá e Rodrigo de Freitas e a FAMAT para as lagoas de Piratininga-Itaipu e o Sistema Lagunar de Maricá. A MRA - 3 poderia ser de responsabilidade da UFRJ, que já implementa estudos nesta região; A MRA-2 ficaria com a UFRRJ; a MRA 4 com a UNIRIO e a MRA-5 com a UENF. Já as MRA’s 6 e 7 por serem extensas, seriam divididas em sub-bacias, cujo estudo seria partilhado com as universidades de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. As fontes de recursos para os estudos podem advir das empresas proprietárias de usinas hidrelétricas, da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ, do Fundo Estadual de Conservação Ambiental – FECAM, do Fundo Estadual de Recursos Hídricos e, nos casos de rios da União, da Secretaria de Recursos Hídricos e do Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA. As Prefeituras podem colaborar nas atividades de campo fornecendo alojamento, combustível e alimentação. No caso de represas e em trechos a montante e a jusante, os estudos podem ser financiados pelos proprietários das mesmas. O estudo deve compreender atividades de campo para observações, coleta e entrevistas, assim como atividades de laboratório/escritório. Deve-se prever o aprofundamento cientifico do conhecimento biológico dos pescadores. O levantamento deverá amostrar

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não somente o rio principal da bacia, mas também os afluentes, os tributários deste, as represas, as lagoas, as lagunas, açudes e alagadiços marginais. Os produtos esperados destes estudos podem compreender: - Relatórios Setoriais e Finais de Caracterização da Ictiofauna Os relatórios de Caracterização da Ictiofauna deverão contemplar o escopo apresentado no quadro a seguir. Quadro 85 – Escopo dos relatórios setoriais e finais de caracterização da ictiofauna Tema
Referencial Metodológico

Escopo

Descrever a metodologia utilizada no serviço, para cada um dos aspetos enfocados Comentários sobre estudos Tecer comentários sobre o estado da arte do conhecimento da existentes ictiofauna da bacia, apreciando os trabalhos existentes Descrição ambiental dos Descrição dos habitats aquáticos da bacia (rios, lagoas, represas e habitats aquáticos da bacia lagunas), indicando os obstáculos naturais e artificiais que impedem a dispersão, os sítios importantes para a desova e alimentação Biogeografia e Composição Composição taxonômica: relacionar os gêneros e as espécies Geral da Ictiofauna ocorrentes, ordenadas por famílias e ordens Sinopse biogeográfica Uso do habitat: Caracterizar separadamente, por sub-bacia, as comunidades fluviais do alto curso, médio curso, baixo curso de água doce, baixo curso de água salobra; de lagoas marginais, brejos e alagadiços e de habitats aquáticos artificiais (reservatórios, açudes, canais de irrigação, canais de drenagem, etc) Características biológicas das comunidades: Descrever os aspectos Uso do Habitat e relacionados a sociabilidade, meios de comunicação, hábitos Caracterização das alimentares (dieta e dinâmica de nutrição), biologia reprodutiva Comunidades (morfologia gonadal, ciclo reprodutivo, local e tipo de desova, fecundidade, primeira maturação e relação biométrica, locais estimados como importantes para desova), migrações e deslocamentos (através de marcação e recaptura, levantamentos hidroacústicos ou métodos mais simples) distribuição espacial de ovos e larvas (somente no caso de lagoas, lagunas e represas) e aos parasitos e doenças Estrutura populacional das comunidades: Apresentar a distribuição em comprimento Proporção sexual, relação peso x comprimento e composição etária Análise Ictioconservacionista Endemismos, espécies destacáveis e vulneráveis: tecer comentários sobre endemismo e; espécies vulneráveis, peixes nativos indicadores de qualidade ambiental, espécies nativas destacáveis e espécies exóticas destacáveis Peixes de interesse comercial, esportivo e médico: tecer comentários sobre peixes nativos com valor comercial; peixes de importância esportiva; peixes nativos com potencial para a aquicultura; peixes nativos de interesse para a aquariofilia; peixes predadores de larvas de mosquito e caramujos; peixes de importância médica e peixes contaminados por metais pesados ou deformados por produtos tóxicos Agentes causadores da redução da ictiofauna: relacionar os principais agentes que causam o declínio populacional.

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Tema

Escopo

Impactos estimados: avaliar o impacto sobre os peixes dos seguintes Eventos e Atividades Responsáveis pela Redução fatores: poluição orgânica das águas e sedimentos, adição de substâncias tóxicas, metais pesados e óleo nas águas e sedimentos, da Ictiofauna represamento de rios; regularização/decréscimo de vazões, modificação de traçados e seções de canais fluviais, destruição de matas ciliares, várzeas sazonalmente inundadas, lagoas e alagadiços marginais, elevação da turbidez e assoreamento da calha, ampliação artificial de vazões; presença de lixo flutuante e nos sedimentos, aprisionamento de peixes em tubos de descarga de turbinas, depleção de estoques devido a pesca criminosa e a sobrepesca, proliferação de espécies exóticas e sucção de adultos, alevinos, larvas e ovos. Normas pesqueiras em Descrever as normas pesqueiras em vigor na bacia e os órgãos de vigor e aparato fiscalizador fiscalização que nela atuam estatal Entidades de pesquisa e Descrever as atividades desenvolvidas pelas entidades de pesquisa manejo da ictiofauna com e manejo da ictiofauna com atuação local atuação local Bibliografia Relacionar os estudos consultados Mapa hidrográfico Mapa de esboço ictiogeográfico Documentário fotográfico Anexos Mapa de ictiofaunístico e pesqueiro Quadros de relação das espécies da ictiofauna Endereços das entidades de pesquisa e manejo da ictiofauna com atuação local

Um esboço da itemização do relatório de caracterização da ictiofauna é apresentado como segue:
Relação de Quadros Relação de Figuras APRESENTAÇÃO 1. REFERENCIAL METODOLÓGICO 2. COMENTÁRIOS EXISTENTES SOBRE DOS ESTUDOS HABITATS

3. DESCRIÇÃO AMBIENTAL AQUÁTICOS DA BACIA

3. BIOGEOGRAFIA E COMPOSIÇÃO GERAL DA ICTIOFAUNA 3.1 COMPOSIÇÃO TAXONÔMICA 3.2 SINOPSE BIOGEOGRÁFICA 4 USO DO HABITAT E CARACTERIZAÇÃO DAS COMUNIDADES

4.1 USO DOS HABITATS Comunidades Fluviais do Alto Curso Comunidades Fluviais do Médio Curso Comunidades Fluviais do Baixo Curso de Água Doce

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4 Peixes Nativos de Interesse para a Aquariofilia 5. ESPÉCIES DESTACÁVEIS E VULNERÁVEIS 5. Alagadiços Comunidades de Habitats Aquáticos (Reservatórios.2 CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS COMUNIDADES Sociabilidade Meios de comunicação Hábitos Alimentares Migrações e Deslocamentos Distribuição Espacial de Ovos e Larvas Parasitos e Doenças 4.2.5 Espécies Exóticas Destacáveis 5.2.1. 5.2 Espécies Vulneráveis 5.2 Peixes de Importância Esportiva 5.1.Comunidades Fluviais do Baixo Curso Salobra Comunidades de Lagoas Marginais.2 PEIXES DE INTERESSE ESPORTIVO E MÉDICO COMERCIAL. DAS DAS 5.2.6 Peixes de Importância Médica 5.1.1 AGENTES CAUSADORES DA REDUÇÃO DA ICTIOFAUNA 6.3 Peixes Nativos com Potencial para a Aquicultura 5.2 IMPACTOS ESTIMADOS Poluição Orgânica das Águas e Sedimentos 347 .2.2. Açudes.1.7 Peixes Contaminados por Metais Pesados ou Deformados por Produtos Tóxicos 6 EVENTOS E ATIVIDADES RESPONSÁVEIS PELA REDUÇÃO DA ICTIOFAUNA 6.1 Peixes Nativos com Valor Comercial 5.5 Peixes Predadores de Larvas de Mosquito e Caramujos 5.1 Endemismo e Afinidades Ictiofaunísticas 5.2.4 Espécies Nativas Destacáveis 5.1.2. Canais de Canais de Drenagem.1 ENDEMISMOS.3 Peixes Nativos Indicadores de Qualidade Ambiental 5. etc) 4.3 ESTRUTURA POPULACIONAL COMUNIDADES Distribuição em Comprimento Reprodução Proporção Sexual Relação Peso x Comprimento Composição Etária 5 ANÁLISE ICTIOCONSERVACIONISTA de Água Brejos e Artificiais Irrigação.

Pesca Esportiva: locais de concentração. Aquicultura. alevinos. entidades de fomento da pesca com atuação local. registro da composição das capturas comerciais. NORMAS PESQUEIRAS EM VIGOR E APARATO FISCALIZADOR ESTATAL 8. lagoas e alagadiços marginais Elevação da turbidez e assoreamento da calha 6.9. Este relatório deverá contemplar: Pesca Comercial: Cadastro dos pescadores profissionais atuantes. Presença de Lixo Flutuante e nos Sedimentos 6.9. Ampliação artificial de vazões 6. tipos de pesca. registro de capturas comerciais e estatísticas de produção pesqueira. Sucção de adultos.2. sistemas conservação e comercialização.10. BIBLIOGRAFIA ANEXOS MAPA HIDROGRÁFICO MAPA DE ESBOÇO ICTIOGEOGRÁFICO DOCUMENTÁRIO FOTOGRÁFICO MAPA DE ICTIOFAUNÍSTICO E PESQUEIRO QUADROS DE RELAÇÃO DAS ESPÉCIES DA ICTIOFAUNA ENDEREÇOS DAS ENTIDADES DE PESQUISA E MANEJO DA ICTIOFAUNA COM ATUAÇÃO LOCAL .8.2. petrechos e embarcações.Adição de Substâncias Tóxicas. Pesque-Pagues e Aquariofilia. Proliferação de espécies exóticas 6. ENTIDADES DE PESQUISA E MANEJO DA ICTIOFAUNA COM ATUAÇÃO LOCAL 9. locais de concentração de pesca. Depleção de Estoques devido a Pesca Criminosa e a Sobrepesca 6.12. Metais Pesados e Óleo nas Águas e Sedimentos Represamento de rios Regularização/Decréscimo de Vazões Modificação de traçados e seções de canais fluviais Destruição de matas ciliares. nível de organização social.13.9. caracterização sócio-cultural. larvas e ovos 7. Aprisionamento de Peixes em Tubos de Descarga de Turbinas 6. 348 .9. várzeas sazonalmente inundadas.Relatórios Setoriais e Finais de Caracterização da Atividade Pesqueira. clubes de pesca.2.11.

Associação Portos de Pesca Porto/Marinas/Clubes Náuticos Escritórios do Ibama. infra-estrutura. Mapa Ictiofaunístico e Pesqueiro. de Baixo Curso Água Doce e de Baixo (A4 ou A3) Curso de Água Salobra Assinalando: Curvas de níveis. a época e o tipo de arte de pesca empregado) Pesqueiros mais freqüentados (pesca esportiva amadora) Áreas com Pesca predatória e com bombas Capitania dos Portos Sedes de Colônias. Cooperativas. espécies utilizadas. várzeas sazonal ou MAPA permanentemente inundadas. Piscicultura de Espécies Ornamentais: Localização das estações de piscicultura. indicação do alto. áreas urbanas. espécies cultivadas. áreas alagadas. espécies cultivadas. (A1) quedas d’água) Áreas de concentração de pesca profissional Principais Áreas de Pesca (indicar a espécie. alimentação e recrutamento de peixes (lagoas marginais. traçados de rios. cidades vilas e povoados Limites de bacias e sub-bacias. infra-estrutura. de Reservatório. médio e baixo curso. ICTIOFAUNÍSTICO E concentração de matas ciliares. zonas alagadiças. lagoas. estradas. etc) PESQUEIRO Obstáculos efetivos a migração e deslocamentos (cachoeiras. etc. Polícia Ambiental e Órgão Estadual de Meio Ambiente Frigoríficos Indústrias de Processamento de Pescado Estações de Piscicultura Pesque-pagues 349 . Os mapas deverão conter: MAPA DE ESBOÇO Assinalando as Zonas Ictiogeográficas de: Alto curso. grandes remansos. Médio ICTIOGEOGRÁFICO curso. etc. endereços das entidades de fomento da pesca e endereços das estações de piscicultura e pesques-paguas e clubes de pesca. limites municipais. Anexos: mapa de ictiofaunístico e pesqueiro. documentário fotográfico. Sítios potencialmente importantes de desova. Piscicultura de Espécies Comestíveis: Localização das estações de piscicultura. açudes e represas. campos alagados. infra-estrutura.Pesque-Pague: localização. córregos.

Avaliação da necessidade de implantação de dispositivos junto as tomadas d'água de irrigação. assim como de estruturas de transposição junto as barragens. dieta e comportamento alimentar. abundância. 350 . nome técnico e sinonímias. migrações e deslocamentos. alevinos e peixes juvenis. Capacidade de suporte de pesca profissional. Recomendações para o controle de esforço da pesca. período de atividade. Espécies de peixes que devem ser produzidas em laboratório para reintrodução. Indicação das normas pesqueiras a serem adotadas para a proteção do estoque desovante e das formas juvenis.Plano de Manejo da Ictiofauna: Este plano deverá contemplará as recomendações e a descrição detalhada das técnicas de manejo a serem implementadas. por apresentarem populações muito reduzidas. Indicação de espécies vegetais para serem plantadas nas faixas marginais dos rios. biologia reprodutiva (comportamento e ciclo reprodutivo.Manual de Identificação de Peixes: O Manual consiste em um relatório contendo inicialmente comentários sobre a ictiogeografia da bacia e os habitats. incluindo: Locais onde a pesca deverá sofrer um impedimento temporal ou total. local e tipo de desova. Diretrizes para a piscicultura nas cavas de areia (onde existirem). nomes populares na bacia. . Considerações sobre a produtividade pesqueira e a viabilidade de criação de peixes autóctones. tamanho da primeira maturação gonadal. Diretrizes sobre as técnicas e aparelhos mais adequados à captura seletiva dos recursos pesqueiros. Discriminação dos aparelhos de pesca não seletivos que deverão ser interditados. sociabilidade. distribuição geográfica. relacionando as restrições quanto ao número de pescadores e/ou de aparelhos de pesca. Trechos de grande diversidade biológica que devem ser preservados. pendências taxonômicas e chave dicotômica para identificação dos peixes. dentre outros). habitat. Para cada espécie deverá ser apresentado: fotos.. Diretrizes para eliminação de espécies exóticas. indústrias e de abastecimento de água que evitem a sucção de ovos. morfologia e biometria. a saber: Trechos indicados para a renaturalização. Recomendações para a proteção/recuperação de sítios importantes para a desova e alimentação.

Diretrizes para planejar e executar obras de renaturalização de rios são encontrados em SEMA (1998). sendo implementado através de medidas que incrementem a taxa de recrutamento (melhoria das condições de reprodução e de sobrevivência de formas jovens). ao reativar meandros. Pode envolver as técnicas descritas a seguir.Manual de Monitoramento da Ictiofauna e Registro do Desembarque da Pesca Comercial. Atividades de manejo da ictiofauna O manejo constitui o ato de intervir sobre o meio natural. refaz a diversidade estrutural do habitat. Atividades de Manejo do Habitat: Compreende a manipulação dos habitats dos peixes como forma de controle de suas populações em rios. 351 . amplia os micro e mesos ambientes. que podem ser aplicadas dependendo das finalidades e das peculiaridades do habitat e da ictiofauna que se deseja manejar. equipamentos e materiais necessários. No segundo.Outros aspectos julgados relevantes: . com o propósito de promover e garantir a conservação. a) Renaturalização de Rios: Consiste na recomposição física de rios que tiveram suas condições naturais alteradas por obras realizadas em seu leito. que discorre sobre a experiência alemã. 1994). a despeito das restrições impostas nos meios rural/agrícola e urbano e dos custos envolvidos. recursos humanos. como retificações e canalizações. elevação da capacidade biogênica do ambiente. redução da mortalidade natural e controle da pesca. lagoas e lagunas e represas. Do ponto de vista da biodiversidade aquática. envolvendo obras hidráulicas e recuperação de áreas de inundação. pois destes estoques sairão as matrizes que colonização os demais rios que hoje estão degradados e sem qualquer possibilidade de recomporem por si só a sua fauna. o manejo é realizado para permitir um alto rendimento sustentável de uma ou algumas espécies. o manejo é dirigido à manutenção de populações acima de limiares demográficos e genéticos que são críticos à reprodução e aos processos evolutivos necessários às suas existências a longo prazo. logística e custos. parâmetros a serem aferidos. . incluindo objetivos. Com isso. A literatura técnica apresenta um elenco variado de técnicas de manejo. recriar remansos e repor saliências nas barrancas e troncos mortos submersos. Relaciona-se a seguir diversas técnicas de manejo da ictiofauna que poderão constar nos Planos de Manejo. metodologia. As experiências realizadas na Europa e nos Estados Unidos demonstram que a recomposição é possível. A renaturalização. as ações de renaturalização devem ser planejadas de modo a recuperar prioritariamente os rios que ainda sustentam peixes nativos. com base em conhecimentos científicos e técnicos. O manejo é uma atividade que lida essencialmente com os processos de escassez e abundância de indivíduos nos diferentes níveis de organização do sistema ecológico.Descrição das técnicas de monitoramento da ictiofauna e do registro de desembarque da Pesca Comercial. possibilitando uma fauna mais diversificada e abundante. podendo ser implementado no sentido de preservar a diversidade de espécies e/ou sustentar uma exploração econômica (AGOSTINHO. No primeiro caso.

não requerendo grande investimentos. em especial o deixado nas Bacias dos Rios São João. a Secretaria do Patrimônio da União – SPU e o Departamento do Serviço Geográfico do Exército – DSG. empregando-se sobretudo aquelas que. c) Proteção. que é o órgão responsável. Uma campanha de comunicação deveria ser empreendida. melíferas ou frutíferas típicas de várzeas). A recuperação de lagoas e alagadiços marginais através de obras é uma prática viável. a FEEMA. criação de capivaras e silvicultura (espécies madeireiras. pois a proteção das margens de rios. poderão acarretar os seguintes efeitos: 352 . A finalidade principal é reduzir a eutrofização e a contaminação do rio. Pode-se também restabelecer comunicações de lagoas com rios onde foram interrompidas. reter sedimentos. O serviço poderá envolver. tem seus frutos e sementes consumidos pelos peixes. forragem. pesca. da manutenção da vegetação arbórea por ocasião do represamento e da criação de facilidades para a proliferação de macrófitas. além da SERLA. em lagunas casos. A drenagem de áreas úmidas tem sido um aspecto muito questionado no mundo. No que concerne a proteção. Em alguns casos haverá necessidade de Estudos de Impacto Ambiental. inclusive com a materialização física no terreno. o IEF. abrangendo inclusive os setores de extensão rural. d) Proteção e Recuperação de Matas Ciliares: A proteção e recuperação matas ciliares inclui a imposição de restrições ao uso agrícola destas áreas e o reflorestamento com espécies nativas. a(s) Prefeitura(s). lagoas e lagunas. A técnica é empregada quando surgem problemas na proporção predador presa ou mortalidade elevada de juvenis por predação. amortecer as cheias. lagoas e lagunas é fundamental para assegurar a integridade do ecossistemas aquático. Vários países já abandonaram este procedimento e passaram a estudar e implementar formas adequadas de aproveitamento econômico das áreas úmidas. Há um elenco de possibilidades como produção agrícola. reduzir a erosão da ribanceira e assegurar recursos alimentares para as comunidades aquáticas e o habitat para o desenvolvimento de formas jovens de peixes. o Departamento de Patrimônio Imobiliário do Estado. Macaé e da Lagoa Feia. onde sérios problemas foram causados pelas obras de retificação e drenagem. Una. ressalta-se que a drenagem de várzeas. Pode ser adaptada para lagoas e lagunas e. através da instalação de abrigos artificiais construídos com materiais de baixo custo (galhadas. piscicultura. Manipulação e Recuperação de Locais de Desova e Criadouros: Consiste na imposição de restrições ao uso agrícola das margens e na manutenção e a recuperação de lagoas marginais aos rios e de alagadiços e brejos marginais aos rios. este na realização dos serviços de fotointerpretação. b) Manipulação de Abrigos: É aplicada em represas para aumentar ou reduzir a disponibilidade de abrigos às espécies presas ou formas jovens.Uma das maneiras para se implementar a renaturalização é equacionar o passivo ambiental do DNOS em parceria com o Governo Federal. conforme determina o CONAMA. A ampliação das matas ciliares. remansos de rios. levantamento topográfico e cartografia. Fundação Instituto Estadual da Pesca – FIPERJ. troncos submersos. Obras em margens de rios e lagoas devem ser autorizadas pela SERLA. A demarcação das faixas marginais de proteção (FMP) deve ser incrementada. alagadiços e lagoas é uma prática proibida pelo Código Florestal e de Águas e pela Resolução CONAMA 020/86. comprovadamente. que são intimamente associados aos ecossistemas aquáticos.

considerando-se o posicionamento das mesmas (alto. das cotas do nível de água e entendimentos com a empresa proprietária da barragem. de modo a assegurar. como por exemplo 70 % das vazões mínimas ou a Q (7. Em 353 . da topografia das margens. f) Controle do Nível da Água a Jusante de Barragens: O órgão de gestão da biodiversidade deve influir na definição das regras operativas de barragens. para que se possa traçar os procedimentos operacionais de manipulação da toma da de água e vertedouros. as oscilações do nível de água normalmente ocorrem dentro da calha. habitat e alimento para peixes adultos e alevinos e outros componentes da fauna aquática. pelo desenvolvimento e manutenção de um emaranhado radicular. Estimá-la é uma questão complexa pois um rio constitui uma seqüência de ecossistemas. A técnica pode ser adaptada em lagunas que disponham de comporta e canais permanentes de ligação com o mar. A garantia prévia da vazão mínima é fundamental. proporcionando cobertura. que se sucedem das cabeceiras até a foz. capazes de assegurar a manutenção da biodiversidade aquática e ribeirinha. médio e baixo curso). Não é recomendável que seja fixado um valor absoluto. são bruscas e respondem rapidamente a chuva. No alto e no médio curso de um rio. os trechos prioritários.Integração com a superfície da água. A Lei Estadual 3.10) . Criação de um tampão e filtro entre os terrenos mais altos e o ecossistema aquático. O reflorestamento deve ser antecedido de projetos básico que identifique em uma bacia. que sejam garantidas vazões adequadas aos requisitos da ictiofauna e ao favorecimento da reprodução de espécies cujo ciclo de vida dependa do regime de cheias da planície de inundação à jusante. pois orienta a concepção de todas as obras hidráulicas. refúgio ou reprodução. em qualquer fase do regime. Incremento dos estoques de animais de interesse pesqueiro. ou regularizadas por uma usina hidrelétrica. pois ela será variável ao longo do ano. principalmente através da outorga. A aplicação da técnica envolve um bom conhecimento do ciclo de vidas das espécies que vivem na represa. o controle do nível da água pode ser utilizado para interferir nas condições da zona litorânea do reservatório com o objetivo de reverter eventuais depleções ou proliferação excessiva de populações cujas espécies utilizem esta zona para alimentação.239/99 estabeleceu que os todos os Planos de Bacia Hidrográfica (PBH's) deverão definir as vazões mínimas a serem garantidas em diversas seções e estirões de rios. impedindo e dificultando o carreamento de sedimentos para o sistema aquático. as espécies a serem utilizadas. e) Controle do Nível da Água em Represas e Lagoas: Nas represas. a metodologia e demais aspectos envolvidos. Diminuição e filtragem do escoamento superficial. Na prática. Este aspecto deve ser considerado para efeito de cálculo. Estabilização de áreas críticas nas margens de rios e canais. Esta vazão sinalizaria os limites que poderiam ser atingidas por todas as retiradas de água somadas (real disponibilidade hídrica ou volume outorgável) em uma dada seção e fase do regime. propõe-se que sejam estabelecidas vazões mínimas para distintas seções do rio.

para que se conheça as distintas opções. a partir de proposição técnica dos órgãos gestores de recursos hídricos e de meio ambiente. Esta cota poderia ser fixada por consenso no Comitê da Bacia. os 354 . É recomendável ainda que se encomende a especialista um estudo sobre o estado da arte das obras de transposição de peixes. as vazões mínimas adequadas seriam aquelas capazes de garantir. que o rio atingisse uma cota tal que. Caso exista uma usina hidrelétrica a montante do estirão. Deve-se estudar prioritariamente a implantação de uma na barragem de Jururnaíba e nas barragens do rio Itabapoana. j) Reflorestamento de Manguezais no Baixo Curso de Rios ou Orlas de Lagoas: O reflorestamento de manguezais no baixo curso de rios ou orlas de lagunas pode resultar nos seguintes efeitos: Aumento da produtividade biológica das lagunas e baixo curso de rios: os manguezais são exportadores de matéria orgânica. Para se ter idéia. saindo sob a forma de partículas orgânicas de folhas. h) Construção de Dispositivos Artificiais de Desova: A construção de dispositivos artificiais para desova se refere a implantação de canais de desova para estimulá-la in situ e de estações de piscicultura. Nas usinas hidrelétricas cuja casa de força fique afastada da barragem. em várias seções. canais de passagem ou outro mecanismo se destina a possibilitar o trânsito de peixes migradores de jusante para montante em uma represa. pois parte da produtividade deste ecossistema não é utilizada na respiração e na acumulação de biomassa. deve-se assegurar descargas através de estrutura especial no barramento capazes de. recomenda-se ao IEF exigir a apresentação destes estudos. A proteção e a reabilitação da zona marginal de represas pode ser efetuada através do estabelecimento de restrições ao uso desta zona e do reflorestamento com espécies nativas típicas de matas ciliares. visando reduzir a eutroficação do reservatório. no mínimo. i) Proteção e Reabilitação de Zonas Marginais de Represas: Esta é uma atividade obrigatória pela Portaria 001/77. como por exemplo na UHE Funil.estirões fluviais com amplas planícies de inundação. estabilizar as margens. de modo que uma alça do rio corra o risco de permanecer seco. Estas obras devem ser exigidas das empresas proprietárias de barragem somente quando foi comprovado através de estudo. esta para a reprodução exsitu. atingindo uma superfície prédeterminada. produzir uma coluna d'água no canal principal que assegure condições mínimas para o deslocamento da maior espécie local de peixe. g) Implantação de Obras de Transposição de Barragens: A implantação de obras de transposição tais como escadas de peixes. O primeiro foi implantado na usina de Itaipu. inundasse a várzea adjacente. Em todo caso. saindo da calha. que serão eficazes. A definição das espécies vegetais que deverão ser plantadas no entorno do reservatório para fornecer alimentos para a ictiofauna deverá ser procedida com base nos estudos relacionados a dieta dos peixes nativos. poderá ser determinada uma vazão a ser obrigatoriamente turbinada no período de cheia. quando a barragem é de grande altura. proporcionar um sítio para a recolonização de espécies ribeirinhas e fornecer recursos alimentares para as comunidades aquáticas. e parece ser conveniente para algumas situações.

As terras poderão pertencer ao governo no seu todo ou em parte. caranguejos. cujos indivíduos jovens encontram proteção no emaranhado de raízes. Os manguezais podem atuar como uma barreira geoquímica para poluentes metálicos. com exceção do jet-ski.mangues podem produzir até 400 gramas de carbono por metro quadrado ao ano. desde que a quantidade de água retirada não exceda a vazão mínima estabelecida e prática de esportes náuticos. Outra alternativa é criá-las para proteger tributários de represas. em ecossistemas decisivos para a manutenção das cadeias alimentares das lagunas e. etc). preservar amostras de comunidades fluviais da bacia. e parcela significativa deste total pode ser transferida para as águas adjacentes. assegurando a manutenção de ecossistemas fluviais que possam servir como rota alternativa para peixes migradores efetuarem a piracema e. Nestas Reservas é proibida a extração de areia. tanto na própria lagoa como nas áreas costeiras adjacentes. ou seja. podem ser preservados pela decretação de reservas aquáticas. Incremento de produtos comercializáveis: os manguezais fornecem diversas matérias primas e recursos alimentares (ostras. portanto. além da abundância de alimentos. Retenção de sedimentos: os manguezais protegem à costa das lagoas e dos rios contra os atritos das correntes. atuam como fixadores da linha de costa. berçário e refúgio para diversas espécies marinhas eurihalinas. bem como a construção de canais para derivação de água e a drenagem de várzeas. Constituem-se. etc. Os limites de Reserva devem contemplar o leito e as terras adjacentes que garantam a integridade da mata ciliar. siris. sururus. poços. Assume grande relevância quando aplicada para tributários de represas cujo remanso se situa próximo a barragem de uma usina de montante. mariscos. em grande parte responsáveis pela produtividade pesqueira. das lagoas e dos alagadiços marginais. Retenção de metais pesados. aproveitamento da água para fins de irrigação. ao alcançar os mangues aderido as partículas em suspensão carreadas pelos rios e pelas marés.) de grande demanda. Acréscimo de habitats para animais aquáticos: os manguezais servem como habitat. et al. leitos de areias e pedras. l) Criação de Reservas Aquáticas: Trechos de rios que apresentam grande diversidade de espécies ou tenham concentração de lagoas marginais ou alta diversidade estrutural (corredeiras. causando a deposição rápida dos sedimentos. Os usos possíveis em uma Reserva de Ecossistema Fluvial podem ser: pesca artesanal e esportiva. 1990). sendo a proteção efetuada mediante acordo com proprietários. Os objetivos de uma Reserva de Ecossistema Fluvial são a manutenção dos processos ecológicos de águas correntes. especialmente o fluxo e o regime de cheia e vazante. abastecimento público e industrial. e o alcance das cheias. ao mesmo tempo. 355 . mesmo que a fio d'água. para rios que apresentam uma seqüência de barramentos. Conseqüentemente. observada a topografia. a construção de barragens para quaisquer fins. O metal pesado. guaiamus. assim como populações geneticamente viáveis de organismos aquáticos de uma determinada bacia hidrográfica. por conseguinte. é aprisionado sob formas quimicamente bioindisponíveis (SILVA. já que as árvores colonizam os sedimentos que avançam sobre as lagoas.

d) Controle de Parasitas: Para o controle de parasitas de peixes e doenças é empregado o método do controle biológico. oligoquetos e moluscos. Consiste na introdução de vários invertebrados como cladóceros. lagunas e represas eutrofizadas. queda no rendimento da pesca ou outra situação especial. Sugere-se baixar um ato legal com as especificações do equipamento. as indústrias e os proprietários rurais irrigantes. atividades de pesca e navegação. balneabilidade. (ii) na estocagem com espécie nativa. qualidade da água. cumáceos. quando realizada. deve ser sempre monitorada. que utiliza organismos que predam os parasitas ou seus hospedeiros intermediários. a instalarem telas ou de outro dispositivos de proteção nas tomadas de água. a) Redução de Populações: A redução de populações pode ser efetuada através da pesca seletiva ou elétrica. misidáceos. do controle biológico e do controle integrado. A prática desta técnica é exclusiva do Poder Público. pesca e nanismo. com o objetivo de evitar a turbulência e o efeito de correnteza que atraem os cardumes para estes locais. do esvaziamento de represas. competição. hibridação e (iii) disseminação de doenças e parasitas e a estocagem. do uso de herbicidas. 356 . quando ocorre a depleção do estoque ou população de interesse. Deve-se também solicitar a implantação de estruturas na parte frontal do emboque de condutos forçados de usinas hidrelétricas. o) Incremento de Recursos Alimentares Animais: Constitui uma medida exclusiva para ser aplicada em represas. Estas atividades devem ser realizadas em lagoas.m) Implantação de Telas de Proteção em Tomadas de Água: O Poder Público deve obrigar as concessionárias de energia e de abastecimento. devem ser consideradas as possibilidades de problemas com endocruzamento. c) Salvamento de Peixes em Turbinas: O salvamento de peixes em turbinas é efetuado nas usinas hidrelétricas por ocasião da manutenção das mesmas. Sobre esta atividade é importante fixar três premissas: (i) as ações de estocagem não devem envolver espécies exóticas. n) Controle de Macrófitas: O controle de macrófitas pode ser efetuado através da retirada mecânica. sendo os peixes reintroduzidos na represa ou colocados à jusante. podendo ser efetivada através das técnicas a seguir descritas. b) Estocagem de Peixes: A estocagem de peixes configura a adição de peixes nativos (repovoamento) ou de outras bacias (introdução) nos habitats aquáticos. no caso o IEF. anfípodes. dentre outros. quando são detectados problemas decorrentes de seu excesso com a produtividade planctônica. que não é recomendável face aos inconvenientes. Atividades de Manejo de Populações: Compreende a intervenção direta na abundância da população ou na sua estrutura. As diretrizes para implementar estas medidas foram apresentadas anteriormente. de explosões controladas ou da aplicação de ictiocidas quando são detectados problemas com predação. que servirão de alimento para os alevinos e para macroinvertebrados que são predados por peixes maiores.

etc. b) Interdição Temporal: A interdição temporal se refere a proibição da atividade durante períodos críticos (época de desova.e) Preservação de Germoplasma Ex-Situ: A preservação de germoplasma constitui a guarda de sêmen. Macaé. onde a normatização feita pelo IBAMA contou com o concurso dos pescadores. que tem a mesma finalidade do procedimento anterior. O estabelecimento dos atos normatizadores por parte do IEF deve ser precedido de estudos. a semelhança do existente para a lagoa de Araruama. A interdição de uso de determinados aparelhos ou métodos não seletivos visa evitar o deplecionamento dos estoques pela pesca. reuniões com técnicos da FIPERJ e EMATER. canais de migração. Imboassica. a) Registro das Embarcações de Pesca: O IEF deve compartilhar com o IBAMA. f) Controle do Esforço de Pesca: O controle do esforço de pesca. Macabu. deve-se priorizar as da baixada de Jacarepaguá. d) Definição de Tamanhos Mínimos: Refere-se a fixação do tamanho mínimo que a espécie pode ser capturada e comercializada. Feia. Piratininga-Itaipu. e) Normatização de Uso de Aparelhos: Implica na definição das especificações dos aparelhos de pesca (petrechos) que podem ser utilizados. represa. Maricá. A prioridade deve recair sobre as bacias dos rios Paraíba do Sul. de Cima e do Campelo. um cadastro das embarcações pesqueiras que atuam nos rios. de modo a legitimar a decisão. Macacu. São João. Objetiva evitar o deprecionamento dos estoques pela pesca. criadouros naturais ou em áreas de desova coletiva. é fixado com base em estudos que revelam o tamanho mínimo em que a espécie atinge a primeira maturação gonadal. Atividades de Manejo da Pesca: O manejo da pesca é efetuado através de sua normatização e controle. Funil e Macabu. Saquarema. sobrepesca. 357 . obstáculos naturais. Rodrigo de Freitas. Araruama.). No caso das lagoas. Em geral. ou seja. migração. Deve-se proibir a pesca a jusante de barragens com o intuito de proteger eventuais concentrações de cardumes da ação de grande número de pescadores que se amontoam no período de piracema. Exemplo desta prática ocorreu na lagoa de Araruama. em bancos de germoplasma. Guandu. produzir atos normativos para cada bacia hidrográfica. lagoa ou laguna. ictiólogos e por negociações com os pescadores. Deve-se ter como meta. se dirige a adoção de restrições ao número de pescadores e ou aparelhos de pesca. como em trechos à jusante da barragem. lagoas. e Mambucaba e para as represas de Jutunaíba. visando reverter tendências de depleção dos estoques relacionadas ao recrutamento ou ao crescimento. como por exemplo o tamanho das malhas das redes. ovos ou embriões de espécies ameaçadas ou que despertem interesse por outro motivo. Itabapoana. lagunas e represas. ONG’s e demais setores envolvidos. c) Interdição Espacial: A interdição espacial configura a proibição da pesca em locais onde o estoque é vulnerável a sobrepesca. torna-se sexualmente ativa. óvulos. que visa à proteção do estoque desovante e das formas juvenis.

verificar o cumprimento da legislação. represa. cuja função é a de implementar o Serviço de Conservação da Biodiversidade Aquática de Águas Interiores de sua respectiva Macrorregião Ambiental. adotando-se uma rede de pescadores amostradores. A áreas foram agrupadas em três zonas: fluvial.Monitoramento. transição. Nas represas e trechos a montante e jusante. clubes de pesca. em especial as secretarias municipais de meio ambiente. orientar seu preenchimento e proceder o recolhimento das informações. tendo por critério a composição do pescado. Monitoramento: O monitoramento pode ser realizado de duas maneiras: levantamentos sazonais e registros de desembarque. conselhos gestores de lagoas. modelo este implementado na represa de Itaipu. etc). distribuídos ao longo rios. sendo realizados pelas empresas e entregues na forma de relatórios periódicos. composto pelas seguintes áreas de atuação: Assistência técnica e atendimento a demandas de extensionistas rurais. O monitoramento serve por exemplo para detectar a presença de uma nova espécie exótica. por bacia hidrográfica. como por exemplo composição. deve estar uma equipe composta por dois técnicos de nível superior (biólogos) e dois auxiliares. patrulhamento. a partir de termos de referência emanados pelo IEF. 358 . prestar assistência técnica. a tempo de evitar sua disseminação e eventualmente encontrar o responsável. os tipos de equipamentos de pesca e os agentes de comercialização. o monitoramento deve ser obrigatório e diuturno. piscicultores. O modelo proposto foi concebido. com a atribuição de repassar os formulários. sob influência do rio Paraná e processos de transporte. ampliando a conscientização. Sugere-se implementar sistemas para cada bacia hidrográfica ou lagoa. Fornecer informações e assistência técnica as Prefeituras. Patrulhamento. etc. comitês de bacia. as entidades da sociedade civil e demais órgãos estaduais e federais. represas e lagunas. conselhos municipais de meio ambiente. de acordo com a peculiaridade de cada bacia e a atividade que se quer aferir a eficácia. O segundo tipo de monitoramento consiste no registro de desembarque de pesca comercial. elegendo-se alguns aspectos chaves a serem registrados. aos colegiados regionais (consórcios intermunicipais. lagoa ou laguna. empreendimentos hidrelétricos e de irrigação. e evitar que danos ambientais aos ecossistemas aquáticos sejam incrementados. fiscalização e assistência técnica Estas atividades objetivam aferir a eficácia das providências gerais e das ações do plano de manejo. Fiscalização e Assistência Técnica: Em cada uma das Agências de Gestão Ambiental da SEMADS. lagoas . Recomenda-se que seja viabilizado em convênio com Universidade. Releva mencionar que um dos produtos previstos na etapa de “Estudos Aplicados” é o “Manual de Monitoramento da Ictiofauna e Registro do Desembarque da Pesca Comercial”. que preferencialmente devem ser pescadores profissionais. montado e monitorada por um técnico da Universidade Estadual de Maringá na represa da UHE Itaipu. Os formulários são preenchidos diariamente. O primeiro pode ser implementado através de levantamentos semestrais da ictiofauna. adundância. influenciada por tributários de médio porte e processos de deposição e lacustre. A represa foi dividida em 12 áreas de pesca. além de acompanhar as entradas e saídas de novos profissionais. pescadores artesanais. com o registro das captura (peso).

no qual são analisados alguns aspectos fundamentais na conservação da biodiversidade de água doce. Aferição da eficácia de mecanismos de transposição de barragens. atos de normatização da pesca e compromissos estabelecidos em licenças ambientais. a partir de registros efetuados nas inspeções de campo. Cadastrar e efetuar vistorias em usinas hidrelétricas. 359 . dos recursos naturais e da utilização dos recursos hídricos. estações de piscicultura. Detecção da ocorrência de espécies exóticas. Planejamento. Considerações Finais Releva transcrever uma trecho do trabalho “A Estratégia Global da Biodiversidade”. para atestar o cumprimento das normas legais.Prestar apoio técnico-operacional aos Comitês de Bacias Hidrográficas e aos Conselhos Gestores de Lagoas e Lagunas. represas. pesque-pagues. Tomada de decisão quanto aos serviços de manejo a serem implementados. lagunas e represas. Prestar assistência e apoio operacional em questões de acidentes e emergências ambientais e de relevante interesse ambiental. operadores de usinas hidrelétricas e represas. tomadas de água. publicado pelo WRI. Registro anual dos períodos de piracema. lagoas. locais de desembarque e áreas de concentração de pesca profissional e esportiva. entrevistas com pescadores. outorgas e termos de ajustamento de conduta. UICN e PNUMA em 1992 . estabelecimentos de comercialização e produção de peixes ornamentais. a partir de contatos com pescadores e inspeções de campo. Atender aos questionamentos do Ministério Público. para registro sistemático da qualidade ambiental dos mesmos e detecção de irregularidades e delitos. mercados de peixes. de interesse para a ordenação do uso do solo. Patrulhamento e inspeção dos rios. Manter atualizada as informações sobre a biodiversidade de águas interiores. execução e/ou acompanhamento de ações de manejo. mapeamento dos aspectos relevantes e dados obtidos nos demais serviços executados. Opinar e dar parecer sobre pedidos de licenciamento e em termos de referência para elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Termos de Ajustamento de Conduta. estudos de impacto ambiental. Opinar e dar parecer sobre pedidos de outorga de uso dos recursos hídricos.

Além disso. o Gatun. mas os cursos d'água são geralmente muitos lineares para serem adequadamente incluídos nas unidades de conservação. • • Diversos fatores vem contribuindo para a degradação dos ecossistemas de água doce e sua biota nativa. eles freqüentemente percorrem mais de uma jurisdição política. 360 . endêmicas. entre os quais se incluem a utilização inadequada dos solos da bacia por atividades agropecuários e silviculturais. Organismos marinhos e terrestres vivem em meios relativamente contínuos. A introdução destas espécies . ou podem até constituir fronteiras políticas. por exemplo. e mesmo sistemas pequenos de lagos e riachos freqüentemente abrigam formas de vida singulares. a adução excessiva de recursos hídricos. a mineração industrial e o garimpo. uma vez que as espécies diferem de uma área para outra. as obras de canalização e retificação. Nos Estados Unidos. Muitas áreas protegidas (unidades de conservação) incluem lagos ou pequenas porções de bacias hidrográficas. O método elementar para a proteção da biodiversidade de água doce tem sido o de designar certas espécies como ameaçadas de extinção. o que muitas vezes complica a administração efetiva da biodiversidade fluvial. Infelizmente esta abordagem não vem apresentando resultados favoráveis. o despejo de esgoto e lixo doméstico urbano. Isto surte três efeitos importantes: • As espécies de água doce devem sobreviver as mudanças climáticas e ecológicas no próprio local. nenhuma espécie aquática saiu da lista oficial de espécies ameaçadas. a drenagem de suas planícies de inundação e de lagoas marginais e os aterros para implantação de estradas. sujeitando-as a programas nacionais de recuperação e a regimes internacionais de proteção. Já os habitats de água doce são relativamente descontínuos e muitas espécies de água doce não se dispersam facilmente. a não ser as 10 espécies que foram retiradas da lista por estarem extintas”. pois existem barreira terrestres que separam os cursos dos rios formando unidades distintas.infelizmente ainda autorizadas ou fomentadas por muitos governos provocou o colapso de importantes recursos pesqueiros em lagos como o Chalapa. A biodiversidade de água doce é em geral extremamente localizada.“A biodiversidade dos sistemas de água doce está distribuída em um padrão fundamentalmente diferente dos ecossistemas marinhos e terrestre. no México. os derrames de óleo. no Panamá e os Grandes Lagos na América do Norte Os programas de proteção da biodiversidade de água doce em países industrializados têm sido relegados em relação aos programas dedicados à biota terrestre. rural e de resíduos industriais sólidos e líquidos. A diversidade de espécies de água doce é grande mesmo em regiões onde o número de total de espécies seja pequeno. podendo se espalhar por amplos espaços. a construção de grandes barragens. O excesso de pesca e a introdução de espécies exóticas são agentes importantes de perda de biodiversidade. até certo ponto. quando mudam as condições climáticas ou a situação ecológica. Esses fatores vem afetando a biodiversidade em diferentes graus tanto em países industrializados quanto nos em desenvolvimento. o desmatamento de matas ciliares e de zonas de cabeceiras.

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