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LUÍS DE CAMÕES – 1524 – 1580 PUBLICAÇÃO D’ OS LUSÍADAS – 1572

A ÉPOCA DO RENASCIMENTO (Séculos XV/XVI)

Esta nova época vai modificar, a todos os níveis, o pensamento “fechado” que se vivia na
Idade Média, procurando ser uma época de modernidade, de novas experiências e
descobertas. Vamos ver a que níveis podemos encontrar diferenças em relação à época
anterior:

No século XVI dá-se uma maior liberdade social e económica. Ao desenvolvimento


comercial e industrial corresponde o desenvolvimento das cidades onde habita a
burguesia.Os burgueses mandam os filhos para a Universidade, deixando a educação de
ser um privilégio quase exclusivo do clero.

A aprendizagem teórica que era típica da Idade Média (Escolástica) é substituída pelo
desejo de passar da teoria à prática e, consequentemente, de experimentar tudo o que
se desconhecia até aí.

A curiosidade do povo pelo desconhecido levou aos Descobrimentos portugueses (dos


quais se destaca a descoberta do caminho marítimo para a Índia), que desvendaram
novos climas, paisagens, faunas, floras e costumes, alargando assim o conhecimento do
Mundo e do Homem.

Surge a imprensa em meados do séc. XV, o que fez com que qualquer pessoa tivesse
mais acesso aos livros, uma vez que eram produzidos em maior quantidade.

Com as descobertas marítimas, dá-se um avanço da técnica da construção naval e


dos instrumentos náuticos.

Começa-se a questionar o poder exagerado da Igreja Católica de Roma. Então, vai


desaparecendo a cultura do Teocentrismo da Idade Média (Deus era o centro do mundo
e era ele que decidia a vida de todos os Homens) e constrói-se a ideia do
Antropocentrismo (o Homem continua a acreditar em Deus e conta com ele para sua
protecção, mas passa a acreditar também que, pelos seus actos, pode planificar o seu
próprio destino, libertando-se da opressão e do medo da “mão” de Deus).

O Homem passa a ser “o centro do mundo”, um ser importante, uma vez que é ele que
faz evoluir a vida. Chama-se a este interesse e valorização de tudo o que é humano,

Humanismo.
Mandam-se construir palácios, praças, fontes, parques, todos os edifícios que se
considerassem belos, confortáveis e úteis para o ser humano, por oposição às escuras
catedrais e fortalezas da Idade Média que apenas serviam a Igreja e os Senhores da
guerra.

Ao nível cultural, os artistas começaram a interessar-se pela Antiguidade Clássica dos


Gregos e Romanos, uma vez que, apesar de serem civilizações muito antigas, tinham
revelado uma modernidade e uma abertura de ideias inigualáveis que podiam, agora,
servir de modelo nesta época do “renascer”. A Antiguidade Clássica era considerada uma
época em que o Homem tinha sido valorizado e, por isso, era uma época muito admirada

pelos Humanistas. É assim que surge o Classicismo, teoria artística do


Renascimento, que se baseia num sentimento de admiração pela Antiguidade
Clássica, no desejo de imitação da cultura greco-latina e de retoma dos seus
valores. A arte classicista procurava a perfeição formal, o equilíbrio, o rigor .

Alguns escritores humanistas procuraram, neste século, voltar a adoptar formas da

literatura da Antiguidade Clássica, das quais um exemplo é a epopeia, que era


considerada a forma mais elevada, mais excelente de se escrever entre os Antigos. Logo,
passou a sê-lo também entre os Humanistas que queriam não só imitar esse modelo,
como se possível, superá-lo. Daí o facto de Luís de Camões ter escrito Os Lusíadas na
forma de uma epopeia, pois era uma maneira sublime de tratar um tema tão
grandioso como os feitos heróicos do povo português.

A Epopeia é uma mistura dos géneros lírico e narrativo, uma vez que é escrita em verso,
mas também narra uma história. Já na Antiguidade, a palavra épico queria dizer heróico.
As epopeias Clássicas contavam a história de heróis, das suas aventuras e vitórias.

Odisseia Homero Aventuras do herói


Ulisses, dez anos depois
da Guerra de Tróia.
Ilíada Homero
(sécVIII a.C.) Guerra de Tróia / Aquiles
Conta-se a viagem de Tróia
Eneida (séc. I ª C.) Virgílio para Itália do herói Eneias

Os Lusíadas Camões Narra-se a descoberta do


caminho marítimo para a
Índia – o herói é o povo
português, simbolicamente
representado por Vasco da
Gama.