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MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

Osm·rio Santos

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

OrganizaÁ„o:

2002

AfonsoNascimento

  UNIVERSIDADEUNIVERSIDADEUNIVERSIDADEUNIVERSIDADEUNIVERSIDADE FEDERALFEDERALFEDERALFEDERALFEDERAL DEDEDEDEDE
  UNIVERSIDADEUNIVERSIDADEUNIVERSIDADEUNIVERSIDADEUNIVERSIDADE FEDERALFEDERALFEDERALFEDERALFEDERAL DEDEDEDEDE
 

UNIVERSIDADEUNIVERSIDADEUNIVERSIDADEUNIVERSIDADEUNIVERSIDADE FEDERALFEDERALFEDERALFEDERALFEDERAL DEDEDEDEDE SERGIPESERGIPESERGIPESERGIPESERGIPE

Prof. Dr. JosÈ Fernandes de Lima ReitorReitorReitorReitorReitor

Prof. Dr. JosuÈ Modesto dos Passos Subrinho Vice-ReitorVice-ReitorVice-ReitorVice-ReitorVice-Reitor

CentroCentroCentroCentroCentro EditorialEditorialEditorialEditorialEditorial eeeee AudiovisualAudiovisualAudiovisualAudiovisualAudiovisual (CEAV)(CEAV)(CEAV)(CEAV)(CEAV) Luiz Augusto Carvalho Sobral DiretorDiretorDiretorDiretorDiretor

ValÈria Maria dos Santos DigitaÁ„oDigitaÁ„oDigitaÁ„oDigitaÁ„oDigitaÁ„o

Cristiane Gally/ Raquel AmÈlia Costa Revis„oRevis„oRevis„oRevis„oRevis„o

Adilma Menezes/CEAV EditoraÁ„oEditoraÁ„oEditoraÁ„oEditoraÁ„oEditoraÁ„o EletrÙnicaEletrÙnicaEletrÙnicaEletrÙnicaEletrÙnica

Adauto Machado/ Cl·udio Rosa CapaCapaCapaCapaCapa

 

Santos, Osm·rio S237m MemÛrias de polÌticos de Sergipe no sÈculo XX/Osm·rio Santos. OrganizaÁ„o de Afonso Nascimento. -- Aracaju: Gr·fica JAndrade,

2002.

824p.

1. PolÌticos - Sergipe - MemÛrias. 2. HistÛria polÌtica - Sergipe - sÈculo XX. I. Nascimento, Afonso. II. TÌtulo.

CDU 32(813.7) (093.3)

- MemÛrias. 2. HistÛria polÌtica - Sergipe - sÈculo XX. I. Nascimento, Afonso. II. TÌtulo. CDU
- MemÛrias. 2. HistÛria polÌtica - Sergipe - sÈculo XX. I. Nascimento, Afonso. II. TÌtulo. CDU
  A os meus filhos Linna Rosa e Paulo Ricardo de- dico o fruto da
  A os meus filhos Linna Rosa e Paulo Ricardo de- dico o fruto da
 

A os meus filhos Linna Rosa e Paulo Ricardo de- dico o fruto da minha lavra, a semente do meu trabalho, o livro de outros que vir„o.

Ao empres·rio AntÙnio Carlos Franco, por sua vis„o jornalÌstica, pelo dinamismo e pelo companheirismo que sempre soube cultivar a todos da RedaÁ„o do Jornal da Cidade.

¿ memÛria de Roberto Batista, sob a direÁ„o de quem dei inÌcio, no Jornal da Cidade, a publicaÁ„o das entrevistas da p·gina MemÛria de Sergipe.

¿ FundaÁ„o Augusto Franco, pelo estÌmulo de um prÍmio, no inÌcio do trabalho.

Ao jornalista e pesquisador Luiz Antonio Barreto, pelas constantes palavras de incentivo e todo esforÁo no trabalho incans·vel que desenvol- ve na organizaÁ„o na memÛria sergipana.

Aos amigos de geraÁ„o, os mais velhos pela ex- periÍncia, os mais novos pela ousadia, dedico este livro.

sergipana. Aos amigos de geraÁ„o, os mais velhos pela ex- periÍncia, os mais novos pela ousadia,
sergipana. Aos amigos de geraÁ„o, os mais velhos pela ex- periÍncia, os mais novos pela ousadia,
  C abe aqui, mais uma vez, repetir e relembrar a frase cÈlebre de Carlyle,
  C abe aqui, mais uma vez, repetir e relembrar a frase cÈlebre de Carlyle,
 

C abe aqui, mais uma vez, repetir e relembrar a frase cÈlebre de Carlyle, o mais brilhante e certamente o mais retÛrico dos histo-

riadores, quando proclama e ressalta ìque a histÛria de um povo, È a histÛria dos seus grandes filhosî. Foi assim pensando que Osm·rio Santos, conhecido e consagrado jornalista registrou, ao longo de tan- tos anos, em coluna que permanece atÈ hoje lida avidamente pela

cidade inteira, no ìJornal da Cidadeî os acontecimentos do cotidia- no. Fez mais: em 1981, no mesmo Ûrg„o da Imprensa Sergipana, tomou a iniciativa, clarividente, de redigir grandes reportagens e not·veis entrevistas, sob a epÌgrafe ìMemÛrias de Sergipeî, que re˙ne, em livro de mais de 800 p·ginas, intitulado ìMemÛrias de PolÌticos de Sergipe no SÈculo XXî, que vem preencher uma lacuna imperdo·vel em nosso Estado, que È a falta de MemÛria, sobre a vida e import‚ncia dos nossos homens p˙blicos, alÈm do registro dos fatos sociais, polÌticos e econÙmicos acontecidos em nosso Esta- do de Sergipe. Agripino Grieco, o mais renomado e irreverente dos nossos crÌ- ticos, costumava dizer que nenhuma entrevista È perfeita, se n„o for conduzida h·bil e engenhosamente por um bom entrevistador. Usando mÈtodos cientÌficos, Osm·rio Santos, valendo-se dos proces- sos socr·ticos (Maieutica) consegue extrair o m·ximo dos seus en- trevistados. A ìFundaÁ„o OviÍdo Teixeiraî mantida pela Norcon - Sociedade

Nordestina de ConstruÁıes S/A- rejubila-se por ter podido contri-

buir para a publicaÁ„o dessa obra, que enriquece e engrandece

Sergipe.

 

 
Seixas DÛria

Seixas DÛria

Presidente da FundaÁ„o OviÍdo Teixeira

 

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obra, que enriquece e engrandece Sergipe.     Seixas DÛria Presidente da FundaÁ„o OviÍdo Teixeira  
obra, que enriquece e engrandece Sergipe.     Seixas DÛria Presidente da FundaÁ„o OviÍdo Teixeira  
O BANESE ñ Banco do Estado de Sergipe torna p˙blico a sua satisfaÁ„o em patrocinar
O BANESE ñ Banco do Estado de Sergipe torna p˙blico a sua satisfaÁ„o em patrocinar

O BANESE ñ Banco do Estado de Sergipe torna p˙blico a sua satisfaÁ„o em patrocinar a ediÁ„o do livro MEM”RIAS DE PO-

 

LÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX, de autoria do jornalista Osm·rio Santos, em parceria com a Universidade Federal de Sergi-

pe e com a FundaÁ„o Oviedo Teixeira.

 

O

BANESE tem com o Estado de Sergipe uma relaÁ„o de confian-

Áa e de intimidade, somando-se a todos os esforÁos pelo desenvolvi- mento, sejam econÙmicos, sociais, esportivos ou culturais. Dessa for- ma, o BANESE devolve ‡ comunidade sergipana parte dos seus lu- cros, sob as mais diversas formas de incentivo, como contrapartida

 

pela confianÁa e preferÍncia que os sergipanos nele depositam.

 

A

experiÍncia tem mostrado a nÛs, dirigentes do BANESE, que os

bancos s„o agÍncias m˙ltiplas das sociedades e que devem estar sin- tonizadas com a marcha cotidiana da histÛria. N„o foge aos objeti- vos do banco, portanto, o patrocÌnio que empresta na ediÁ„o deste livro, que È importante registro documental da histÛria, fixando da-

 

dos biogr·ficos e idÈias de dezenas de personagens de Sergipe.

 

O

trabalho de Osm·rio Santos, durante v·rios anos, de identifi-

caÁ„o, entrevista, preparaÁ„o de textos, ilustraÁ„o e editoraÁ„o em sua p·gina semanal, aos domingos, no Jornal da Cidade, alÈm de primoroso representa uma das mais sÈrias contribuiÁıes jornalÌsticas a Sergipe, passando a ser, com a presente reuni„o das entrevistas

 

polÌticas, uma referÍncia como fonte de pesquisas.

O material assinado por Osm·rio Santos È uma matriz rica, que

revela a diversidade cultural sergipana, e que enche de orgulho a todos nÛs, que construÌmos diariamente o futuro de Sergipe.

 
Jo„o Andrade Vieira da Silva

Jo„o Andrade Vieira da Silva

Presidente

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orgulho a todos nÛs, que construÌmos diariamente o futuro de Sergipe.   Jo„o Andrade Vieira da
orgulho a todos nÛs, que construÌmos diariamente o futuro de Sergipe.   Jo„o Andrade Vieira da
  P ALAVRAS DO AUTOR Este livro È produto de um trabalho jornalÌstico contÌnuo ñ
  P ALAVRAS DO AUTOR Este livro È produto de um trabalho jornalÌstico contÌnuo ñ
 

PALAVRAS DO AUTOR

Este livro È produto de um trabalho jornalÌstico contÌnuo ñ uma p·gina de entrevista, todos os domingos, no Jornal da Cidade, por 13 anos ñ coerente com minha formaÁ„o intelectual, nas entidades aracajuanas, como JOVREU e AssociaÁ„o Sergipana de Cultura, que orbitavam em torno da Galeria de Artes £lvaro Santos, local que nos anos de 1960 representava, emblematicamente, um lugar de aprendizagem e de resistÍncia. Desde que me iniciei no jornalismo, como opÁ„o de vida e de tra- balho, que pensei em abrir espaÁo para que figuras de mulheres e de homens de Sergipe pudessem revelar, objetivamente, as suas idÈi- as, mescladas de informaÁıes pessoais, familiares, das amizades, no balanÁo sincero da existÍncia. A entrevista pareceu ser o melhor ins- trumento, para o registro documental das biografias de centenas de sergipanos, das mais variadas camadas sociais, sem o rigor da apu- raÁ„o metodolÛgica dos fatos. Cada entrevistador teve o mesmo es- paÁo e a mesma liberdade para considerar, por ordem de import‚n- cia, os cen·rios e os fatos da prÛpria vida. O resultado tem sido muito positivo. Da minha parte experimento a satisfaÁ„o de todas as semanas oferecer ao p˙blico leitor uma en- trevista de artista, empres·rio, intelectual, profissional das v·rias formaÁıes, polÌticos e administradores p˙blicos, independentemente dos partidos aos quais estejam filiados. N„o quis fazer uma tese de consistÍncia polÌtica, mas apenas apresentar textos, que expressam

opiniıes pessoais, mas que fornecem matÈria para que se conheÁa

melhor a milit‚ncia sergipana.

Organizar em livro o conjunto de entrevistas n„o era minha pri-

oridade. Mas aceitei, de muito bom grado, fazÍ-lo, confiando a defi-

niÁ„o e a escolha ao professor Afonso Nascimento, dos quadros da

Universidade Federal de Sergipe. O presente livro, portanto, trata

das entrevistas com polÌticos sergipanos. PolÌticos famosos, com man-

dato, mas tambÈm aqueles que atravÈs dos partidos tÍm participa-

 

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sergipanos. PolÌticos famosos, com man- dato, mas tambÈm aqueles que atravÈs dos partidos tÍm participa-  
sergipanos. PolÌticos famosos, com man- dato, mas tambÈm aqueles que atravÈs dos partidos tÍm participa-  
  Á„o na vida do Estado. Considero ter contribuÌdo para que o verbete PolÌtico fosse
  Á„o na vida do Estado. Considero ter contribuÌdo para que o verbete PolÌtico fosse
 

Á„o na vida do Estado. Considero ter contribuÌdo para que o verbete PolÌtico fosse ampliado em sua significaÁ„o, como bem o demonstra o livro que a Universidade Federal de Sergipe e seus parceiros patro- cinadores entregam ao p˙blico. Nem sempre foi f·cil montar, semanalmente, as entrevistas. Por preconceito ou superstiÁ„o, muitas pessoas deixaram de gravar seus depoimentos com receio da morte, ou por conveniÍncia pessoal. H·, assim, uma lacuna, que independeu do autor. … verdade que al- guns dos entrevistados deixaram o convÌvio social, mas graÁas as entrevistas que deram Sergipe ficou com uma memÛria, que em muitos casos È essencial para o conhecimento da histÛria e da cultu- ra sergipanas. Muitas das p·ginas dominicais s„o registros ˙nicos, por isto mesmo importantes. Gostaria de ter feito mais, muito mais, como contribuiÁ„o efetiva a Sergipe e aos estudiosos sergipanos. S„o mais de 120 entrevistas polÌticas, com as quais acredito contri- buir para a organizaÁ„o de uma base de dados, com preciosas infor- maÁıes e com conceitos e opiniıes que firmam, ao correr do tempo, a memÛria sergipana. O livro faz recircular os textos, reabrindo deba- tes, depertando curiosidades, cumprindo um papel intelectual valioso. … claro que ninguÈm est· sozinho num trabalho grandioso como este. Contei, em v·rias fases do meu trabalho, com a colaboraÁ„o dos integrantes do Jornal da Cidade, desde a sua DireÁ„o atÈ as ofici- nas, no esforÁo conjunto que permitiu, todos os domingos, a publica- Á„o das entrevistas, chegando mesmo a criar uma espera semanal, nas bancas e entre os assinantes, ·vidos pelas informaÁıes e revela- Áıes contidas nas p·ginas que assinei. A todos eles declaro o mais sincero agradecimento pelo estÌmulo, contribuiÁ„o e interesse, dedi- cando-lhes o livro, que retrata parte do trabalho. Meu interesse de autor È o de mostrar, num retrato sem retoques,

como s„o, como vivem e como pensam os nossos polÌticos, suas emo-

Áıes, trajetÛrias, ideais, sem qualquer outra intenÁ„o, ou interesse

subalterno. … um retrato fiel da prÛpria imagem que os polÌticos fa-

 

zem de si mesmos. O mais È com os leitores, no acompanhamento dos

fatos que fazem a histÛria de Sergipe.

Osm·rio Santos

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de si mesmos. O mais È com os leitores, no acompanhamento dos fatos que fazem a
de si mesmos. O mais È com os leitores, no acompanhamento dos fatos que fazem a
  S UM£RIO ApresentaÁ„o JosÈ Fernandes de Lima 17 IntroduÁ„o Afonso Nascimento 21 Abrah„o Crispim
  S UM£RIO ApresentaÁ„o JosÈ Fernandes de Lima 17 IntroduÁ„o Afonso Nascimento 21 Abrah„o Crispim
 

SUM£RIO

ApresentaÁ„o JosÈ Fernandes de Lima

17

IntroduÁ„o Afonso Nascimento

21

Abrah„o Crispim de Souza

31

Acival Gomes

38

Aerton Silva

45

Agnaldo da Rocha Menezes

51

Agonalto Pacheco

57

Albano Franco

65

Anete Albuquerque Maciel Prado

71

AndrÈ Ferreira

75

AntÙnio Carlos Franco

81

AntÙnio Carlos Valadares

89

AntÙnio Garcia Filho

112

AntÙnio JosÈ de GÛis

119

AntÙnio Samarone

125

Armando Rollemberg

130

Arnaldo Rollemberg Garcez

136

ArnÛbio PatrÌcio Bezerra de Melo

142

Augusto do Prado Franco

148

Baltazar Santos

152

Benedito de Figueiredo

159

Carlos Britto

166

Carlos Magalh„es

170

Celso de Carvalho

174

CleovansÛstenes de Aguiar

181

 

186

 

Cosme Fonseca de Oliveira Djenal GonÁalves Soares

194

174 CleovansÛstenes de Aguiar 181   186   Cosme Fonseca de Oliveira Djenal GonÁalves Soares 194
174 CleovansÛstenes de Aguiar 181   186   Cosme Fonseca de Oliveira Djenal GonÁalves Soares 194
  199   Djenal Queiroz Edvaldo Nogueira 208 Enoque Salvador de Melo 213 Fabiano Oliveira
  199   Djenal Queiroz Edvaldo Nogueira 208 Enoque Salvador de Melo 213 Fabiano Oliveira
 

199

 

Djenal Queiroz Edvaldo Nogueira

208

Enoque Salvador de Melo

213

Fabiano Oliveira

218

Fernando Franco

223

Fernando Nunes

227

Francisco Gualberto da Rocha

236

Fernando Porto

241

Fernando Prado Leite

247

Francisco Passos

253

Francisco Rollemberg

259

Francisco Teles de MendonÁa

266

Francisco Vieira Paix„o

275

Gerard L. J. Olivier

281

Gerv·sio dos Santos

287

Gilmar Carvalho

292

GÌlton Garcia

300

Godofredo Diniz

306

Helber Ribeiro

311

Hermeto Feitosa

316

Hor·cio Goes

321

Ismael Silva

328

Ivan Leite

333

Ivan Paix„o

339

Jackson Barreto

346

JerÙnimo de Oliveira Reis

355

Jo„o

Alves Filho

360

Jo„o Augusto Gama

368

Jo„o Fernandes de Brito

374

Jo„o Francisco dos Santos

378

Jo„o Pessoa Chagas

382

Jo„o Garcez

390

Jo„o Machado

396

Jo„o Moreira

402

 

408

 

Jorge Alberto Teles Prado Jorge Ara˙jo

415

Garcez 390 Jo„o Machado 396 Jo„o Moreira 402   408   Jorge Alberto Teles Prado Jorge
Garcez 390 Jo„o Machado 396 Jo„o Moreira 402   408   Jorge Alberto Teles Prado Jorge
  420   Jorge Carvalho do Nascimento JosÈ Almeida Lima 427 JosÈ Ara˙jo 435 JosÈ
  420   Jorge Carvalho do Nascimento JosÈ Almeida Lima 427 JosÈ Ara˙jo 435 JosÈ
 

420

 

Jorge Carvalho do Nascimento JosÈ Almeida Lima

427

JosÈ Ara˙jo

435

JosÈ Batalha de GÛes

440

JosÈ Carlos de Sousa

445

JosÈ

Carlos

Machado

451

JosÈ Carlos Teixeira

457

JosÈ Eduardo Dutra

467

JosÈ FÈlix da Silva

472

JosÈ Machado de Souza

478

JosÈ Renato Vieira Brand„o

483

JosÈ Raimundo Ribeiro

489

JosÈ Rivaldo Santos

495

JosÈ Rollemberg Leite

501

JosÈ Rosa

510

JosÈ Soares de Souza

517

Juarez Conrado

522

Laonte

Gama

526

Leopoldo de Ara˙jo Souza Neto

533

LÌdio

Santos

539

LÌgia Maynard Garcez

546

Lucilo da Costa Pinto

550

Lourival Baptista

556

Luiz AntÙnio Barreto

560

Luiz Garcia

569

Luiz Garibalde

575

Manoel Cabral Machado

580

Manoel Prado Vasconcelos

586

Manoel Silva

592

MarcÈlio Bomfim Rocha

596

Marcelo DÈda

602

Marcelo Silva Ribeiro

613

Maria Carmelita Cardoso Chagas

618

Maria do Carmo do Nascimento Alves

622

 

629

 

MÌlton Coelho MÌlton Santos

637

Cardoso Chagas 618 Maria do Carmo do Nascimento Alves 622   629   MÌlton Coelho MÌlton
Cardoso Chagas 618 Maria do Carmo do Nascimento Alves 622   629   MÌlton Coelho MÌlton
  646   NazarÈ Carvalho NÈlson Ara˙jo dos Santos 652 OviÍdo Teixeira 658 Pascoal Nabuco
  646   NazarÈ Carvalho NÈlson Ara˙jo dos Santos 652 OviÍdo Teixeira 658 Pascoal Nabuco
 

646

 

NazarÈ Carvalho NÈlson Ara˙jo dos Santos

652

OviÍdo Teixeira

658

Pascoal Nabuco

666

Passos Porto

673

Paulo Barreto

679

Pedrinho Valadares

686

Pedro Firmino

692

Raul Ferreira de Andrade

698

Reinaldo Moura

702

RÙmulo

Rodrigues

708

Rosalvo Alexandre

712

Rosendo Ribeiro

717

Santos MendonÁa

724

Seixas DÛrea

731

SÈrgio GÛes

741

SÌlvio Santos

746

Susana Azevedo

750

T‚nia Magno

755

Tertuliano Azevedo

761

Viana de Assis

766

Walter Baptista

775

Walter Cardoso

782

Walter Santiago

788

Wellington Mangueira

793

Wolney Melo

801

Anexos

 

Bibliografia tem·tica sobre biografias e memÛrias de sergipanos

809

I.

Livros

809

II. Artigos

810

Caderno do Estudante

810

Revista da Faculdade de Direito

813

Revista de Aracaju

814

 

816

 

Revista da Academia Sergipana de Letras Revista do Instituto HistÛrico e Geog·fico de Sergipe

818

  816   Revista da Academia Sergipana de Letras Revista do Instituto HistÛrico e Geog·fico de
  816   Revista da Academia Sergipana de Letras Revista do Instituto HistÛrico e Geog·fico de
  A PRESENTA« O   … papel da instituiÁ„o universit·ria interagir com a sociedade no
  A PRESENTA« O   … papel da instituiÁ„o universit·ria interagir com a sociedade no
 

APRESENTA« O

 

papel da instituiÁ„o universit·ria interagir com a sociedade no

sentido de oferecer respostas para suas perguntas e anseios. Isso era

 

verdade no passado e torna-se cada vez mais importante nos dias de hoje, na medida em que adentramos na era do conhecimento.

 

A

atual administraÁ„o da UFS est· atenta a esses novos reclamos

e por isso tem procurado dar respostas novas e atualizadas. Temos procurado incentivar, de todos os modos, o incremento da produÁ„o acadÍmica, seja ela de car·ter cientÌfico, social ou artÌstico. Foi se- guindo nesta direÁ„o que recentemente realizamos dois passos da

 

maior import‚ncia para a aproximaÁ„o com a sociedade.

 

O

primeiro foi a instalaÁ„o do FÛrum Pensar Sergipe que, numa

perspectiva suprapartid·ria, est· discutindo os destinos de Sergipe visando ‡ construÁ„o de um plano de desenvolvimento sustent·vel para o nosso Estado. As primeiras opiniıes de especialistas acadÍmi- cos, polÌticos, empres·rios, representantes governamentais e da so-

 

ciedade em geral j· est„o registradas nos dois primeiros volumes recentemente publicados.

 

O

segundo ato diz respeito ‡ reativaÁ„o do Programa Editorial da

UFS, em parceria com a FundaÁ„o OviÍdo Teixeira. Esse programa tem servido de veÌculo para divulgaÁ„o dos trabalhos produzidos, n„o sÛ pelos professores da UFS como tambÈm por autores n„o per- tencentes ‡ comunidade universit·ria. … nosso objetivo incentivar a

 

produÁ„o liter·ria e o registro da histÛria e das idÈias sergipanas, seja no plano da ciÍncia, da cultura ou da arte.

 

O

livro MemÛrias de PolÌticos de Sergipe no sÈculo XX, que

 

em boa hora estamos apresentando, enquadra-se no rol daqueles

trabalhos que visam disponibilizar para a populaÁ„o sergipana uma

maior quantidade de informaÁıes sobre o Estado de Sergipe.

N„o È um livro de histÛria convencional que venha embalado

com as tradicionais formalidades acadÍmicas. Trata-se do resultado

de um longo trabalho realizado pelo jornalista Osm·rio Santos que,

 

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acadÍmicas. Trata-se do resultado de um longo trabalho realizado pelo jornalista Osm·rio Santos que,   17
acadÍmicas. Trata-se do resultado de um longo trabalho realizado pelo jornalista Osm·rio Santos que,   17
  durante mais de dez anos, vem recolhendo as memÛrias de destaca- das personalidades da
  durante mais de dez anos, vem recolhendo as memÛrias de destaca- das personalidades da
 

durante mais de dez anos, vem recolhendo as memÛrias de destaca- das personalidades da vida sergipana. Neste livro, o renomado jor- nalista re˙ne mais de cem memÛrias de polÌticos sergipanos que atu- aram no nosso estado durante o sÈculo XX, notadamente na segun- da metade desse sÈculo. AtravÈs de longos depoimentos, cada um desses polÌticos fala de sua vida, de sua famÌlia, de sua atuaÁ„o polÌtica e de suas contribui- Áıes para o Estado de Sergipe. S„o informaÁıes personalÌssimas, carregadas de emoÁıes e que refletem o pensamento de cada um desses personagens no momento da entrevista. Trata-se, portanto, da memÛria que os prÛprios personagens re- gistraram, a partir de um question·rio-padr„o elaborado pelo autor e, tambÈm, da vers„o que gostariam que fosse perpetuada pela his- tÛria. Evidentemente, os historiadores poder„o ter um outro julga- mento, diferente do de cada personagem, em alguns casos diametralmente oposto ao assinalado neste volume. Mesmo que essa seja a situaÁ„o, o livro mantÈm-se como importante registro de da- dos, por vezes de dificÌlimo acesso para os pesquisadores, de um con- junto significativo dos principais atores polÌticos de Sergipe. No trabalho de organizaÁ„o, realizado pelo professor JosÈ Afonso Nascimento, optou-se pela utilizaÁ„o de todas as entrevistas de polÌ- ticos que tiveram mandatos eletivos ou exerceram cargos executivos disponÌveis atÈ a data da ˙ltima vers„o, n„o tendo sido feita nenhu- ma alteraÁ„o nem censura. A apresentaÁ„o em ordem alfabÈtica vi- sou evitar juÌzo de valores a respeito da import‚ncia da participaÁ„o de cada um dos entrevistados, deixando essa tarefa a cargo exclusi- vo dos leitores. A forma cuidadosa com que o jornalista Osm·rio Santos condu- ziu as entrevistas resultou numa leitura agrad·vel e muito rica de

conte˙do. A disposiÁ„o em ordem alfabÈtica e o fato de cada entre-

vista apresentar um conte˙do bem delimitado permitem que o leitor

possa abordar esse livro de diferentes maneiras. Os leitores e pes-

quisadores encontrar„o nele informaÁıes relevantes sobre a classe

 

social, sobre os mandatos exercidos, sobre as filiaÁıes partid·rias e

muitas outras informaÁıes capazes de formar um perfil da classe

polÌtica sergipana.

 

18

partid·rias e muitas outras informaÁıes capazes de formar um perfil da classe polÌtica sergipana.   18
partid·rias e muitas outras informaÁıes capazes de formar um perfil da classe polÌtica sergipana.   18
  O Livro MemÛrias de PolÌticos de Sergipe no sÈculo XX re- ˙ne informaÁıes da
  O Livro MemÛrias de PolÌticos de Sergipe no sÈculo XX re- ˙ne informaÁıes da
 

O Livro MemÛrias de PolÌticos de Sergipe no sÈculo XX re- ˙ne informaÁıes da maior import‚ncia para todos aqueles que dese- jem saber um pouco mais sobre a histÛria polÌtica de Sergipe. Trata- se de um documento precioso que ajudar· a preservar a memÛria do nosso Estado. … nossa expectativa que este texto possa servir de guia e incenti- vo para muitos estudos futuros.

Prof. Dr. JosÈ Fernandes de Lima Reitor da Universidade Federal de Sergipe

e incenti- vo para muitos estudos futuros. Prof. Dr. JosÈ Fernandes de Lima Reitor da Universidade
e incenti- vo para muitos estudos futuros. Prof. Dr. JosÈ Fernandes de Lima Reitor da Universidade

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

INTRODU« O

Afonso Nascimento*

ìA memÛria, onde cresce a histÛria, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de forma que a memÛria coletiva sirva para a libertaÁ„o e n„o para a servid„o dos homensî.

LE GOFF, Jacques. HistÛria e memÛria. Campinas: Ed. da Unicamp, 1992, p.477

I. A polÌtica È um conjunto de atividades sociais que tem sido de- finida de v·rias maneiras. Os conceitos mais populares s„o em n˙- mero de quatro: a polÌtica como a arte de governar, a polÌtica como assuntos p˙blicos (public affairs), a polÌtica como compromisso e con- senso e a polÌtica como poder e distribuiÁ„o de recursos 1 . O desenvolvimento do saber sobre a polÌtica nas sociedades capi- talistas contempor‚neas È profundamente desigual. Com efeito, nas sociedades do capitalismo avanÁado (notadamente nos EUA), È gran- de o conhecimento produzido. Entretanto, nas sociedades da perife- ria capitalista (como o Brasil) È relativamente pouco o saber acumu- lado sobre a polÌtica, e menor ainda em espaÁos subnacionais como Sergipe.

* Afonso Nascimento È professor do Departamento de Direito da UFS. Tem Mestrado em Direito (InstituiÁıes JurÌdico-PolÌticas) pela Universidade Federal de Santa Catarina e DEA em Estudos PolÌticos (Estado Contempor‚neo) pela Universidade de Montpellier, FranÁa. 1 Ver a este respeito HEYWOOD, Andrew.Politics. London: Macmillan Press Ltd, 1997, p.5 e seguintes.

21

  O SM£RIO S ANTOS   Na verdade, em se tratando de Sergipe, existe um
  O SM£RIO S ANTOS   Na verdade, em se tratando de Sergipe, existe um
 

OSM£RIO SANTOS

 

Na verdade, em se tratando de Sergipe, existe um enorme descompasso entre a import‚ncia e a centralidade da polÌtica na vida dos sergipanos e o conhecimento ñ qualquer que seja ele ñ sobre ela acumulado. Para mostrar isso, farei, a seguir, o exame dos trÍs tipos de saberes sobre a polÌtica em Sergipe, noutras palavras, a historio- grafia polÌtica, os resultados das sondagens de opini„o e o jornalis- mo polÌtico. A historiografia sergipana n„o tem dado muita atenÁ„o ‡ polÌtica local. A despeito disso, a polÌtica tem sido tratada pelos historiadores de duas formas. A primeira È aquela que aparece nos livros de His- tÛria de Sergipe, nos quais a polÌtica È enfocada, mas n„o È tomada como objeto especÌfico 2 . A outra forma tem a ver com trabalhos em que a polÌtica È apreendida como campo do conhecimento histÛrico 3 . Neste sentido, pode-se dizer que essa linhagem comeÁa com AntÙ- nio JosÈ da Silva Travassos, um hostoriador que escreveu, em 1860, o texto inÈdito chamado Memorial da PolÌtica Sergipana 4 . Esse traba- lho de pioneiro continuou com os artigos de Bonif·cio Fortes 5 . …, entre- tanto, com a obra de IbarÍ Dantas que a historiografia polÌtica se cons-

 

2

Consultar, entre outros, WYNNE, Pires J. HistÛria de Sergipe (1875-1930).

Rio de Janeiro:Pongetti, 1973;WINNE, Pires J. HistÛria de Sergipe ( 1930- 1972). Rio de Janeiro:Pongetti, 1973; TORRES, AcrÌsio A. HistÛria de Sergipe.

2™ ed. Aracaju: J. Andrade, 1967; SOBRINHO, Sebr„o. Fragmentos da HistÛria de Sergipe. Aracaju: Livraria Regina 1972; NUNES, Maria ThÈtis. Sergipe Colonial II. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1996; e FREIRE, Felisbelo. HistÛria de Sergipe. 2™ ed. Rio de Janeiro:Vozes, 1972.

Para uma discuss„o sobre a historiografia polÌtica na FranÁa, ver REMOND, RenÈ (org.) Por uma histÛria polÌtica. Rio de Janeiro: Ed.UFRJ/Ed. FGV, 1966, p. 13 e seguintes.

3

 

4

O trabalho de Travassos ser· publicado em breve pelo historiador Itamar

Freitas. Ver do mesmo TRAVASSOS, AntÙnio J. da S. Apontamentos HistÛrico-Topogr·ficos de Sergipe, datado de 1875. Sobre Travassos, ver NUNES, Maria ThÈtis. Sergipe Provincial I. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2000, pp. 347-349.

5

Ver os trabalhos seguintes de FORTES, Bonif·cio. ContribuiÁ„o ‡ histÛria

polÌtica de Sergipe (1933-1958). In Revista Brasileira de Estudos PolÌticos.

Belo Horizonte: UFMG, n 8.960; FORTES, Bonif·cio. Sergipe. Democracia de poucos. Aracaju: Livraria Regina, 1963; FORTES, Bonif·cio. Democracia de raros. In Revista Brasileira de Estudos PolÌticos. UFMG, n 22/23, 1968.

 

22

Bonif·cio. Democracia de raros . In Revista Brasileira de Estudos PolÌticos . UFMG, n 22/23, 1968.
Bonif·cio. Democracia de raros . In Revista Brasileira de Estudos PolÌticos . UFMG, n 22/23, 1968.
  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX   titui como ·rea
  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX   titui como ·rea
 

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

 

titui como ·rea do conhecimento histÛrico em Sergipe, na segunda metade avanÁada do sÈculo XX 6 . Com efeito, tratando de uma sÈrie de objetos polÌticos como o tenentismo, a revoluÁ„o de 1930, os partidos polÌticos, o coronelismo etc., IbarÍ Dantas, historiador e politÛlogo, estabelece as bases da historiografia polÌtica sergipana e firma-se como o interlocutor incontorn·vel de qualquer reflex„o sobre a polÌtica em Sergipe. N„o obstante a dist‚ncia espetacular da obra de IbarÍ Dantas em rela- Á„o ‡quelas de quaisquer outros historiadores, dois nomes ainda merecem menÁ„o, a saber, o de Terezinha Oliva 7 e o de Ariosvaldo Figueiredo 8 . O segundo conhecimento sobre a polÌtica sergipana È aquele deri- vado das sondagens de opini„o, cujos resultados, em muitos casos, tÍm sido publicados pela imprensa sergipana. De um modo geral, as sondagens enfocam as tendÍncias do eleitorado em Èpocas prÈ-elei- torais, procuram medir a popularidade de membros dos Executivos locais, entre outros temas. Muito utilizado desde o perÌodo da ditadura militar, esse tipo de conhecimento È o resultado da modernizaÁ„o formal da polÌtica ser- gipana e do seu car·ter cada vez mais profissional. Como grandes somas de dinheiro s„o investidas na pr·tica polÌtica (em financia- mento de campanhas, notadamente), os polÌticos sergipanos ñ que

6

Ver de DANTAS, IbarÍ. O tenentismo em Sergipe ( Da revolta de 1924 ‡

RevoluÁ„o de 1930 ). PetrÛpolis: Vozes, 1974; DANTAS, IbarÍ. A revoluÁ„o de 30 em Sergipe: dos tenentes aos coronÈis. S„o Paulo: Cortez/UFS, 1983; DANTAS, IbarÍ. Coronelismo e dominaÁ„o. Aracaju: Ed. UFS, 1987; DANTAS, IbarÍ. Os partidos polÌticos em Sergipe ( 1889-1964). Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro,1989; DANTAS, IbarÍ. A tutela militar em Sergipe ( 1964-1984). Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.

Ver a dissertaÁ„o de mestrado ñ depois transformada em livro - da historiadora e geÛgrafa OLIVA, Terezinha. Impasses do federalismo brasileiro: Sergipe e a revolta de Fausto Cardoso. Rio de Janeiro: Paz e Terra/UFS, 1985, e, OLIVA, Terezinha. Estruturas de Poder.In Textos para a HistÛria de Sergipe. Aracaju, UFS/Banese, 1991.

7

8

 

 

Ver a obra em 7 volumes de FIGUEIREDO, Ariosvaldo. HistÛria PolÌtica de Sergipe. Aracaju: Sociedade Editorial de Sergipe, diversos anos.

 

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Ariosvaldo. HistÛria PolÌtica de Sergipe. Aracaju: Sociedade Editorial de Sergipe, diversos anos.   23
Ariosvaldo. HistÛria PolÌtica de Sergipe. Aracaju: Sociedade Editorial de Sergipe, diversos anos.   23
  O SM£RIO S ANTOS   podem ñ n„o querem ser surpreendidos com os resultados
  O SM£RIO S ANTOS   podem ñ n„o querem ser surpreendidos com os resultados
 

OSM£RIO SANTOS

 

podem ñ n„o querem ser surpreendidos com os resultados saÌdos das urnas ou ter problemas no planejamento de suas carreiras polÌticas. Por ˙ltimo, o jornalismo polÌtico. Ele 9 constitui sem d˙vida na mais antiga forma de conhecimento sobre a polÌtica sergipana. Na verda- de, n„o apenas conhecimento, mas tambÈm fonte de conhecimento, esse tipo de jornalismo ocupa a maior parte dos espaÁos dos jornais sergipanos e ganha a forma de reportagens, artigos e editoriais, alÈm de colunas com pequenas notas. Para suprir diariamente suas p·ginas com informaÁıes polÌticas, as redaÁıes dos jornais locais designam jornalistas para fazer a co- bertura da AssemblÈia Legislativa, das C‚maras de Vereadores da Capital e do Interior, dos Ûrg„os executivos etc. Dado esse monitora- mento quotidiano que fazem da polÌtica sergipana, os jornalistas po- lÌticos sergipanos s„o os profissionais mais qualificados para tratar da polÌtica local numa perspectiva de curtÌssima duraÁ„o histÛrica.

 
 

II. As fontes para a pesquisa da polÌtica em Sergipe s„o diversas. Elas podem ser encontradas em instituiÁıes como o Arquivo P˙blico do Estado de Sergipe, o Tribunal Regional Eleitoral, o Tribunal de Contas de Sergipe, o Arquivo da AssemblÈia Legislativa, entre ou- tras. Compreendem jornais, di·rios oficiais, livros, discursos, arti- gos, resultados eleitorais, livros, relatÛrios governamentais etc. Dentre as fontes para a investigaÁ„o polÌtica sergipana, È preciso pÙr em relevo os livros e artigos contendo memÛrias dos homens polÌ- ticos sergipanos. Para que o leitor tenha uma idÈia da import‚ncia e quantidade desse tipo de fonte, recomendo a leitura da vasta litera- tura memorialista anexada a este livro, que foi, para mim, motivo de verdadeira e agrad·vel surpresa descobrir. Essas memÛrias 10 de polÌticos s„o importantes fontes de conheci- mento da polÌtica sergipana, na medida em que trazem muitas in-

9 Ver sobre a imprensa sergipana o livro de TORRES, AcrÌsio. A Imprensa em Sergipe. BrasÌlia: s/ed, 1993, vol.1. Uma amostra de jornalismo polÌtico sergipano È o livro de SANTANA, K·tia. Ecos da PolÌtica. Aracaju: Ed. Instituto Desenvolver, 2001. 10 Para uma discuss„o completa sobre memÛrias, consultar LE GOFF, Jacques. Seg. ed. HistÛria e memÛria. Campinas: Ed. Unicamp, 1992.

 

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sobre memÛrias, consultar LE GOFF, Jacques. Seg. ed. HistÛria e memÛria. Campinas: Ed. Unicamp, 1992.  
sobre memÛrias, consultar LE GOFF, Jacques. Seg. ed. HistÛria e memÛria. Campinas: Ed. Unicamp, 1992.  
  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX     formaÁıes sobre
  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX     formaÁıes sobre
 

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

 
 

formaÁıes sobre fatos de que foram atores ou testemunhas, pessoas com quem se relacionaram, descriÁ„o de ambientes etc. Na maioria das vezes carregadas de forte tom laudat·rio, essas memÛrias de

polÌticos sergipanos correspondem a uma excelente contribuiÁ„o para desenhar a identidade do grupo que È a classe polÌtica sergipana.

 

nesse conjunto de fontes para o estudo da polÌtica que passar·

 

estar o livro de Osm·rio Santos, composto de memÛrias escritas de polÌticos sergipanos.

a

III. A construÁ„o deste primeiro livro de Osm·rio Santos tem uma histÛria. Ele re˙ne mais de cem memÛrias de pessoas que compuse-

ram a classe polÌtica sergipana no sÈculo XX. … o resultado parcial de cerca de dez anos de publicaÁ„o dominical de sua p·gina de me- mÛrias de Osm·rio Santos no Jornal da Cidade. Com este trabalho,

o

jornalista renomado entrega ‡ sociedade sergipana uma impor-

tante contribuiÁ„o para o conhecimento de sua histÛria polÌtica.

 

A

montagem do livro conheceu dois processos. J· mencionado, o pri-

 

meiro tem a ver com o trabalho de coletor de memÛrias feito por Osm·rio Santos. De acordo com ele, a idÈia de publicar memÛrias ñ n„o apenas de polÌticos ñ surgiu ao fazer a leitura do famoso livro de Armindo Guaran· 11 , nos seus tempos de estudante secundarista. Mais tarde, estabelecido

como jornalista profissional, resolveu pÙr o projeto em pr·tica.

 

O

modo de trabalhar de Osm·rio Santos consiste em fazer entre-

 

vistas ñ geralmente gravadas e, sÛ de vez em quando, por escrito ñ com pessoas que se destacaram em suas atividades profissionais. Pouco importa a profiss„o dessas pessoas. Elas podem ser empres·- rios, prostitutas, polÌticos, artistas etc. Para fazer suas entrevistas,

realiza todo um trabalho prÈvio de pesquisa sobre a pessoa escolhi- da. Nunca chega sem nada saber. A despeito de entrevistar pessoas de todas as idades, confidenciou-me que, muitas vezes, os escolhidos se recusam a dar a entrevista, pois entendem que revelar dados de sua vida significa que est„o perto de morrer.

 

 

11 Ver GUARAN£, Armindo. Dicion·rio bio-bibliogr·fico. Rio de Janeiro:

 

 

Pongetti, 1925.

 

 

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Ver GUARAN£, Armindo. Dicion·rio bio-bibliogr·fico. Rio de Janeiro:     Pongetti, 1925.     25
Ver GUARAN£, Armindo. Dicion·rio bio-bibliogr·fico. Rio de Janeiro:     Pongetti, 1925.     25
  O SM£RIO S ANTOS O segundo processo da montagem deste livro de memÛrias surgiu
  O SM£RIO S ANTOS O segundo processo da montagem deste livro de memÛrias surgiu
 

OSM£RIO SANTOS

O segundo processo da montagem deste livro de memÛrias surgiu por acaso. Em conversa informal, Osm·rio Santos me disse ter reu- nidos em arquivo dez anos de memÛrias publicadas semanalmente. Assim que tive acesso ‡ documentaÁ„o, senti a necessidade de classific·-la sob diversas categorias e me dei conta que ali estavam fontes que podiam ser transformadas em diversos livros. Na impos- sibilidade de fazÍ-los todos, resolvi propor-lhe a elaboraÁ„o de um livro contendo apenas as memÛrias de polÌticos sergipanos ñ coisa que ele aceitou.

 

IV. Em relaÁ„o ‡ seleÁ„o das memÛrias dos polÌticos, È necess·rio dizer que n„o fiz nenhuma escolha moral ou ideolÛgica. Foi-me indi- ferente saber se o polÌtico era conservador ou progressista. Adotei somente um critÈrio na sua escolha: ter tido um mandato eletivo. Assim foi selecionada a maior parte deles. Entretanto, esse critÈrio se mostrou insuficiente, uma vez que pude constatar que um bom n˙mero de polÌticos, sem terem tido mandato eletivo, exerceram postos executivos e legislativos (nodata- mente durante a ˙ltima ditadura militar) ou tiveram papel de des- taque na polÌtica sergipana. Ao primeiro, ent„o, somou-se este se- gundo critÈrio. Como pode perceber o leitor, as escolhas n„o visaram a massagear o ego dos polÌticos sergipanos. A ordem alfabÈtica na apresentaÁ„o dos nomes que compıem este livro foi adotada por uma raz„o. Ela teve a ver com o interesse em tratar a disposiÁ„o dos nomes com a maior neutralidade possÌ- vel, pouco importando o papel relevante ou n„o desempenhado na polÌtica. Como resultado daquela escolha, a forma de dicion·rio se impÙs

naturalmente como modo de organizar o livro. A despeito disso, ela

n„o pÙde ser seguida ‡ risca, posto que foi impossÌvel encontrar no-

 

mes de polÌticos com todas as letras do alfabeto portuguÍs.

V. … dupla a import‚ncia do livro de Osm·rio Santos. Ela reside,

 

de um lado, no fato de ser um livro que relata, de forma leve e agra-

d·vel, as memÛrias de polÌticos sergipanos. Enquanto tal, a sua lei-

tura pode ser feita da maneira que o leitor desejar. Ele ficar· conhe-

 

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sergipanos. Enquanto tal, a sua lei- tura pode ser feita da maneira que o leitor desejar.
sergipanos. Enquanto tal, a sua lei- tura pode ser feita da maneira que o leitor desejar.
  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX   cendo um pouco
  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX   cendo um pouco
 

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

 

cendo um pouco mais sobre polÌticos como Leandro Maciel, Marcelo DÈda, Albano Franco, Jo„o Alves Filho, Jackson Barreto etc. Por outro lado, o livro È igualmente importante por reunir fontes para a pesquisa dos polÌticos sergipanos. Publicar essas memÛrias em forma de livro n„o permitir· que as traÁas e o descaso dos guardi„es da memÛrias dos sergipanos destruam fontes t„o relevan- tes na compreens„o da histÛria do povo sergipano 12 . Essa amostra dos polÌticos sergipanos cobre, sobretudo, polÌticos aracajuanos e muitos do interior de Sergipe que tiveram uma proje- Á„o municipal, estadual e federal, em raz„o dos mandatos que exer- ceram. O perÌodo histÛrico relativo a suas vidas p˙blicas correspon- de, grosso modo, ‡ segunda metade do sÈculo XX. Assim, folheando as p·ginas deste livro, o leitor ou pesquisador encontrar· relevantes informaÁıes sobre o recrutamento, a sociali- zaÁ„o polÌtica, os mandatos exercidos, a origem social, a escolarida- de, a filiaÁ„o partid·ria, os perÌodos em que estiveram na vida p˙bli- ca, as profissıes, as decisıes importantes ou fatos polÌticos com os quais tiveram alguma relaÁ„o etc., numa palavra, todo um conjunto de dados que podem servir para construir um perfil da classe polÌtica sergipana.

VI. ¿ guisa de conclus„o, n„o me impedirei de fazer mais um coment·rio. Sergipe faz parte de um paÌs em que polÌticos pedem para ser esquecidos ou que esqueÁam o que escreveram. Quanto aos nomes dos polÌticos incluÌdos neste livro, È claro que eles n„o querem ser esquecidos, tanto È assim que concordaram em contar suas me- mÛrias ao jornalista Osm·rio Santos. Do lado deste, houve tambÈm o interesse em n„o esquecÍ-los, daÌ porque os seus nomes foram es- colhidos. Como o livro re˙ne testemunhos individuais da vida polÌtica des- ses polÌticos, È de observar que, de um modo geral, todos eles fazem

 

 

12 Sobre a falta de compromisso dos sergipanos com a memÛria, ver artigo de G”IS, Beatriz. Arquivo Judici·rio. In Cadernos UFS ñ Direito. Vol. I, FascÌculo 2. S„o CristÛv„o: Ed. UFS, 1999.

 

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Arquivo Judici·rio. In Cadernos UFS ñ Direito. Vol. I, FascÌculo 2. S„o CristÛv„o: Ed. UFS, 1999.
Arquivo Judici·rio. In Cadernos UFS ñ Direito. Vol. I, FascÌculo 2. S„o CristÛv„o: Ed. UFS, 1999.
  O SM£RIO S ANTOS de si uma representaÁ„o positiva, vendendo uma imagem de mulhe-
  O SM£RIO S ANTOS de si uma representaÁ„o positiva, vendendo uma imagem de mulhe-
 

OSM£RIO SANTOS

de si uma representaÁ„o positiva, vendendo uma imagem de mulhe- res e homens p˙blicos preocupados com o bem-estar da populaÁ„o sergipana. Entretanto, o cotejo de suas atividades polÌticas munici- pais e estaduais ao longo da histÛria de Sergipe com a realidade econÙmica, cultural e polÌtica n„o lhes È t„o positiva e favor·vel. Com efeito, se a polÌtica È esse conjunto de atividades que ditam a direÁ„o que uma sociedade deve seguir, È preciso admitir, todavia, que, vistos coletivamente, os polÌticos tÍm desempenhado, por uma parte, um papel de freio ‡ uma melhor distribuiÁ„o da renda, da riqueza e da cultura entre os sergipanos e, por outra, tÍm sido um obst·culo ao enraizamento da democracia em terras sergipanas. Ir alÈm da retÛrica e reverter o quadro mencionado s„o tarefas, n„o sÛ dos polÌticos, mas de todos os sergipanos.

Aracaju, S„o Jo„o de 2001

 

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mencionado s„o tarefas, n„o sÛ dos polÌticos, mas de todos os sergipanos. Aracaju, S„o Jo„o de
mencionado s„o tarefas, n„o sÛ dos polÌticos, mas de todos os sergipanos. Aracaju, S„o Jo„o de

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

ABRAH O CRISPIM DE SOUZA *

Abrah„o Crispim de Souza nasceu a 22 de setembro de 1947, em Itabaiana, Sergipe. Seus pais: JosÈ Crispim de Souza e Maria de Lourdes Souza. O sr. JosÈ Crispim participou da vida de Itabaiana de forma in- tensa. Primeiramente, trabalhando na roÁa no povoado em que nas- ceu, ZanguÍ. J· na sede da cidade, atuou como alfaiate, depois como comerciante de tecidos. Propriet·rio da loja A Sublime, integrou, jun- tamente com sua esposa Maria de Lourdes, uma velha classe de co- merciantes que honrava a palavra e os compromissos. Apesar de ser autodidata, escreveu v·rios contos e crÙnicas, um romance e cerca de quatrocentos poemas. Sua potencialidade liter·ria est· sendo or- ganizada em livro pelo filho, que pretende lanÁ·-lo ainda este ano. TambÈm foi m˙sico da Lira Nossa Senhora da ConceiÁ„o. De seu pai, que faleceu em 28 de marÁo de 1998, Abrah„o her- dou a honestidade, a sinceridade e a sensibilidade diante dos pro- blemas sociais, alÈm do respeito ‡s pessoas. D. Maria de Lourdes, que continua a passar exemplos de vida, È uma mulher de dedicaÁ„o total ao trabalho. M„e de onze filhos, sendo que oito est„o vivos ñ Abrah„o, £talo, £gueda, Ada, AltÈia, Amabel, AntÙnio e Aten·goras ñ, considera a coragem como exemplo mais forte. No Grupo Escolar Guilhermino Bezerra, Abrah„o manteve-se por um perÌodo do curso prim·rio. Por ser uma crianÁa muito irrequieta, passou ainda pela Escola de Dona Branquinha e pelo Educand·rio Jo„o Koepke, indo, em seguida, estudar no ColÈgio Estadual Murilo Braga, onde concluiu o curso ginasial. Veio estudar em Aracaju em 1965, matriculando-se no ColÈgio Estadual Atheneu Sergipense.

* MatÈria publicada pelo Jornal da Cidade em 28/05/2000.

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OSM£RIO SANTOS

Por conta da difÌcil situaÁ„o financeira, j· que seu pai n„o tinha condiÁıes de manter dois filhos em Aracaju morando em pens„o, precisou se contentar em morar num quarto de vila comunit·ria, onde sempre faltava ·gua. Foi tambÈm forÁado a conviver com um banheiro coletivo sempre entupido e a cozinhar a prÛpria comida em fog„o a carv„o. Morei na Vila de Arquimedes na rua Ros·rio, Santo AntÙnio, e na Vila de Dona Maria, na ˙ltima casa da rua Itaporanga ao lado da antiga Caixa dí£gua. Nos finais de semana, para visitar a famÌlia, viajava de pau-de- arara para Itabaiana. Como companheiro de quarto, tinha seu ir- m„o £talo ñ hoje, conceituado mÈdico homeopata. Quando retorna- vam dessas constantes viagens a Itabaiana, os dois carregavam ces- tas de alimentos na cabeÁa e faziam o percurso do mercado central atÈ a vila a pÈ. TambÈm usava esse transporte para ir ao Atheneu. Quando comeÁou a trabalhar no Banco do Estado de Sergipe como escritur·rio, no ano de 1968, trocou a morada de vila pela de hotel de pouquÌssimas estrelas, ou melhor, sem nenhuma estrela: Hotel Bossa Nova. TambÈm teve a experiÍncia de morar na casa de Dona Valdete e nos pensionatos de Dona Maria Matos e Dona Nicinha. No inÌcio, meu pai pagava a parte do meu irm„o que ainda estava sem trabalhar, e eu pagava minha parte. Desse perÌodo, o local que mais o marcou foi o Hotel Bossa Nova, localizado no Parque TeÛfilo Dantas, esquina com rua Arau·. SÛ ali moravam oito estudantes de Itabaiana. Era a maior bagunÁa do mundo. AlÈm dos estudantes, os jogadores de ëforaí do Clube Des- portivo Sergipe. Terminou o curso cientÌfico no ano de 1968. Tentou passar no vesti- bular para medicina, mas n„o conseguiu. Como j· trabalhava em ban- co, tinha dificuldade de estudar. Em 1972, faz, com Íxito, vestibular para o curso de licenciatura em Matem·tica da Universidade Federal de Sergipe. Fiz parte da primeira turma. ApÛs trÍs anos de estudos, resol- veu aproveitar os crÈditos e partir para o curso de Biologia, onde passou dois anos. Com mais uma transferÍncia por requerimento, matriculou- se no curso de Odontologia, concluindo em 1981. Formar-me em Odon- tologia foi uma casualidade. A oportunidade surgiu.

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

Do tempo de menino em Itabaiana, lembranÁas dos banhos em aÁudes, das constantes ìpeladasî, jogos de bola de gude e de casta- nha. Quando o pai era alfaiate, ajudava a alinhavar os ternos e a encher buchas, que eram usadas nos paletÛs da Època. A fim de ganhar um dinheirinho para o divertimento, vendia ·gua na feira com uma moringa. O copo custava quinhentos rÈis. Depois que eu comecei a vender, JosÈ Carlos Machado passou a fazer o mesmo. O primo terminou tomando a minha freguesia, ficou rico e eu fui ser banc·rio. Compr·vamos a ·gua da cisterna, mas, de vez em quando, a gente misturava ·gua da cisterna com a ·gua do tanque do povo para dar mais lucro. TambÈm diz que pegou carreguinho de madame na feira, com uma carrocinha de duas rodas e vendeu revistas na porta do cinema e nas casas das madames. Tive uma inf‚ncia muito dura. SÛ quan- do fui ser recenseador do Incra, consegui um dinheiro que deu para comprar uma bicicleta de segunda m„o. No jornal ìO Serranoî, Abr„ao teve uma histÛria de dedicaÁ„o e garra. O jornal foi fundado por mim, Vlademir Carvalho, Bosco Carvalho, Carlos Moura, meu irm„o £talo Crispim, Rivad·lvio Lima, Luiz ConceiÁ„o, entre outros, no ano de 1968. Na primeira fase, o jornal circulou em ediÁ„o rodada no mimeÛgrafo. Nesse processo, chegou ‡ 15™ ediÁ„o. A partir daÌ, passou, por muito tempo, a ser impresso na gr·fica do jornal ìA Cruzadaî. TambÈm foi impresso pelas m·quinas do ìJornal da Cidadeî no tempo de sua fundaÁ„o, quando o jornal pertencia a Naz·rio Pimentel e Ivan ValenÁa. Pas- sou pela gr·fica da Imprensa Oficial e terminou suas ˙ltimas edi- Áıes sendo impressas na gr·fica de JosÈ Carlos Teixeira em BrasÌlia, j· que as gr·ficas de Sergipe se negavam a imprimir por conta da sua linha editoral de oposiÁ„o. O jornal durou de 1968 a 1977. No Serrano, Crispim fazia de tudo. Foi o sustent·culo do jornal. Passou pela direÁ„o, redaÁ„o, editoria de polÌtica, comercial, enfim, tudo. Por um longo perÌodo, ele fez quase tudo. AtÈ coluna eu fazia, mas com o nome de Francesca. Depois Sissi e Nadja Sampaio. Du- rante a existÍncia do jornal, ninguÈm descobriu os pseudÙnimos usa- dos. TambÈm colaboraram com o jornal AntÙnio Oliveira, JosÈ Silveira Filho e Vlademir Carvalho.

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OSM£RIO SANTOS

Como o jornal fazia oposiÁ„o a Chico de Minguel, tinha problema na receita, pois ninguÈm queria utiliz·-lo para an˙ncios. Ent„o eu fazia promoÁıes sociais: Miss Piscina, a Festa das Personalidades e das Debutantes. Eu era o apresentador dessas festas que eram es- petaculares. Contrat·vamos Los Guaranis, o melhor conjunto da Època em Sergipe, e outros conjuntos de destaque. Foram grandes acontecimentos sociais em Itabaiana, que marcaram Època e que ainda hoje s„o relembrados pela sociedade local. Desde estudante, envolveu-se com polÌtica. Da passagem pela UFS, participou ativamente do movimento polÌtico estudantil, tendo sido um dos principais lÌderes da tendÍncia ìConstruÁ„oî. Foi presidente do diretÛrio do Centro de CiÍncias BiolÛgicas e da Sa˙de (CCBS), ocu- pando ainda os cargos de membro do Conselho Departamental, Con- selho de Centro, Conselho de Ensino e da Pesquisa e Conselho Uni- versit·rio da UFS. Foi tambÈm professor de Matem·tica e CiÍncias nos colÈgios Atheneu Sergipense, Salesiano e Escola TÈcnica de Ita- baiana. Registra que se integrou ao movimento estudantil a convite de Samarone, Roberto Ramalho, LuÌs Melo e Benjamin Nogueira. Participou das equipes do Projeto Rondon em situaÁıes diferen- tes. Foi para o Cear·, Mato Grosso e Paran·. Fui uma vez como professor; a segunda, como monitor, e a outra, como dentista, quando extraÌ, no Paran·, 415 dentes em 15 dias numa cadeira de dentista de madeira e num ambiente sem nenhu- ma assepsia e com iluminaÁ„o inadequada. Se ficasse mais tempo na cidade, deixaria toda a populaÁ„o banguela. Foi tambÈm supervisor de equipes na regi„o norte de Sergipe. Como ativista, sempre esteve presente nos principais movimentos dos trabalhadores no Estado, comandando pessoalmente v·rias gre- ves dos banc·rios e apoiando as lutas de outras categorias. Partici- pou ativamente da Campanha Diretas-J·, da luta pela anistia e pela derrocada da ditadura militar. Como funcion·rio do Banese, acompanhou, desde a Època em que o funcion·rio ocupava uma posiÁ„o de destaque, atÈ o momento em que o capitalismo acabou por jog·-lo ‡ condiÁ„o de simples assalaria- do, atrelado ao drama da sobrevivÍncia em constantes momentos de ang˙stias.

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

Membro de v·rias diretorias do Sindicato dos Banc·rios de Sergi- pe, Abrah„o foi eleito presidente para os perÌodos 1983/86, 1986/89 e 1989/ 92, porque nunca deixou de dar as respostas enÈrgicas da categoria, nem nunca baixou a cabeÁa ‡s ameaÁas dos banqueiros. Desde 1977, faÁo parte da diretoria do Sindicato dos Banc·rios de Sergipe, levado pelas m„os dos sindicalistas JosÈ Nivaldo e An- tÙnio GÛis. Ocupo, atualmente, a Secretaria de Imprensa e Comuni- caÁ„o, que edita o nosso jornal ìResistÍnciaî. Em 1976, foi candidato pelo MDB a prefeito de Itabaiana. Fui convidado por JosÈ Carlos Teixeira a fundar o diretÛrio do partido na cidade de Itabaiana. Eu era um rapazinho. Como candidato a prefeito, obtive apenas 105 votos. O eleito foi AntÙnio Teles, filho de Chico de Miguel, ficando Fernando MendonÁa, ARENA 2, em se- gundo lugar. Em 1978, ingressou no Partido Comunista a convite de Wellington Mangueira. Em 1980, passou a trabalhar para a fundaÁ„o do PT em Sergipe. Com orgulho, digo que fui o primeiro militante do PT em Aracaju, antes de ele ser fundado, porque era eu quem distribuÌa o jornal que plantava a semente do PT, divulgando as propostas e as teses para a fundaÁ„o do partido. Militou no PT, mas saiu do partido por divergÍncias diante de um agitado processo eleitoral no Sindicato dos Banc·rios, quando dis- putou com Goizinho a direÁ„o da entidade, tendo conquistado o seu primeiro mandato de presidente. Fiquei um pouco ressentido com a c˙pula partid·ria por ter apoiado a chapa do meu opositor, sem ter nenhuma discuss„o comigo. Em 1986, pelo PSB, presidido por JosÈ Rosa de Oliveira Neto, candidatou-se a deputado federal, conquistando mais de trÍs mil votos. Em 1988, candidatou-se a vereador, j· de volta ao PT, mas n„o se elegeu, apesar de ser o segundo mais votado. O PT n„o elegeu nin- guÈm por causa de legenda. Em 1990, saiu como candidato a depu- tado estadual pelo PT, mas sem sucesso. Em 1992, enfrentou eleiÁ„o pelo Partido dos Trabalhadores para vereador de Aracaju e se ele- geu. Fui o dÈcimo terceiro candidato mais votado. Em 1994, enfren- tou a disputa para deputado estadual, mas n„o teve sucesso. Em

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  O SM£RIO S ANTOS 1996, n„o se reelegeu para vereador como candidato do PT.
  O SM£RIO S ANTOS 1996, n„o se reelegeu para vereador como candidato do PT.
 

OSM£RIO SANTOS

1996, n„o se reelegeu para vereador como candidato do PT. Mais uma vez a c˙pula partid·ria n„o foi solid·ria comigo. Saiu do PT para ingressar no PDT em 1998. CaÌ no canto da sereia de JosÈ Almeida. Trocou o PDT pelo PMDB. TambÈm caÌ em outro canto de sereia, agora, o de Jackson Barreto. Apesar dos pe- sares, devo voltar para o PT, porque sempre foi a minha casa. Como vereador, diz que sempre foi atuante. Fiz mais de cinq¸en- ta projetos sociais; eu distribuÌa 10 mil jornais todo mÍs, prestando conta do que eu fazia; n„o faltava ‡s sessıes; estudava, ao m·ximo, os projetos do prefeito para fazer as emendas necess·rias; subia para a tribuna quase todos os dias; fui membro do Conselho do SMTT e do Conselho da EducaÁ„o durante os quatro anos do meu mandato na C‚mara Municipal. Nada que fiz serviu para a minha reeleiÁ„o. Mas isso, principalmente, sÛ aconteceu porque eu n„o entrei em ìes- quemasî. Esquema da construÁ„o civil, esquema dos empres·rios do transporte coletivo ou apadrinhado pelo prefeito. Propostas n„o me faltaram, mas recusei todas elas. Neste ano de 2000, n„o ser· candidato, mas promete se engajar na campanha de Marcelo DÈda e n„o se afastar da polÌtica. A maio- ria do pessoal do PT vem pedindo a minha volta, argumentando que nunca me considerou fora do partido. Da constrangedora foto em que foi flagrado com os olhos fecha- dos na sess„o da C‚mara de Vereadores comentou:

 

Na primeira sess„o da legislatura, foi o ent„o prefeito Jackson Barreto para l·, contar a histÛria da sua futura administraÁ„o. Fi- cou por quase duas horas falando. Cansou todo mundo. DaÌ, eu fechei os olhos. Eu n„o estava dormindo. O CÈzar, fotÛgrafo, regis- trou o flagrante. Colocaram na imprensa de uma forma muito de-

turpada. Tanto que, quando bateu o flash, eu abri os olhos imedi-

atamente! Mas a verdade È que, por causa desse fato, eu tive uma

 

atuaÁ„o mais destacada na C‚mara de Vereadores. N„o pude mais

fechar os olhos, nem de brincadeira.

Como dentista, diz que t„o logo se formou, montou, no Centro

 

MÈdico OdontolÛgico, o melhor consultÛrio de Aracaju.

Tentei fazer Odontologia. Mas o perÌodo din‚mico ‡ frente do

Sindicato dos Banc·rios, quando ressurgiu o tempo das greves, fez

 

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Mas o perÌodo din‚mico ‡ frente do Sindicato dos Banc·rios, quando ressurgiu o tempo das greves,
Mas o perÌodo din‚mico ‡ frente do Sindicato dos Banc·rios, quando ressurgiu o tempo das greves,

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

com que eu passasse a ficar mais preso com o movimento sindical, j· que as manifestaÁıes aconteciam em todas as horas. Na Època, fui tambÈm um dos coordenadores da Campanha Diretas-J·, em Sergi- pe. Foi aÌ que comecei a deixar de lado o meu consultÛrio. Resulta- do: quando eu ia, os clientes n„o iam e, quando os clientes iam, eu n„o ia. Terminei arrendando o consultÛrio e depois vendi para n„o criar um conceito de relapso na profiss„o. Por problemas na vis„o, terminei desistindo de trabalhar por completo na profiss„o de den- tista. Casou com Rossilar Diana Oliveira Crispim de Souza e È pai de Abrah„o Crispim de Souza Filho, Katiucha Oliveira Crispim de Sou- za, Katyucia Oliveira Crispim de Souza e Newton Pires de Oliveira Netto.

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  O SM£RIO S ANTOS A CIVAL G OMES *   Acilval Gomes Santos nasceu
  O SM£RIO S ANTOS A CIVAL G OMES *   Acilval Gomes Santos nasceu
 

OSM£RIO SANTOS

ACIVALGOMES *

 

Acilval Gomes Santos nasceu a 7 de janeiro de 1948, em Est‚n- cia, Sergipe. Seus pais: Manoel Dermival Santos e Acid·lia Gomes dos Santos. O sr. Santos tocou bombardino na Banda Recreio na cidade de Est‚ncia. Foi oper·rio da F·brica Santa Cruz e, por 35 anos, foi funcion·rio p˙blico municipal de Aquidab„, onde secretariou v·rios prefeitos por muitos anos. A cidade de Aquidab„, por ser a terra de seus pais, acolheu Acival quando ele tinha um ano de idade. Por isso, ele faz quest„o de dizer que, embora tenha nascido em Est‚n- cia, se considera um filho daquela cidade. Herdou do pai a forte personalidade e o car·ter. D. Acid·lia, que j· È falecida, deixou marcas de uma mulher batalhadora que muito lutou para o sucesso profissional de seus filhos. A passagem de seu pai por Est‚ncia no ano de 1948 foi para atender ao convite do maestro JosÈ do Carmo da Banda Recreio que pertencia a JosÈ de Porcino, cidad„o de posse da Est‚ncia e que ti- nha sua prÛpria banda de m˙sica para tocar na porta de sua resi- dÍncia ñ hoje, casa do bispo ñ aos domingos. Nos outros dias da se- mana, a banda ensaiava em sua sede, com todas as despesas pagas por seu JosÈ de Porcino. Num dessas noites, para n„o deixar a mu- lher sozinha em casa, sr. Dermival foi com ela para o ensaio e, ao som do dobrado 220, diante dos m˙sicos que n„o pararam de tocar, nasceu Acival Gomes. Nasci mesmo na sede da Recreio. Pelo carinho que o avÙ de Acival tinha por D. Acid·lia, conseguiu emprego na Prefeitura de Aquidab„. Ent„o, fez carta comunicando o fato com o pedido de uma an·lise da proposta para o retorno dos

 

* MatÈria publicada pelo Jornal da Cidade em 16/02/1997

 

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an·lise da proposta para o retorno dos   * MatÈria publicada pelo Jornal da Cidade em
an·lise da proposta para o retorno dos   * MatÈria publicada pelo Jornal da Cidade em

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

filhos para Aquidab„. Meu pai tomou a decis„o de voltar para casa t„o logo recebeu a carta. Com a Dona Joaninha, professora de que tem uma recordaÁ„o profunda por marcar fortemente sua vida, Acival foi alfabetizado. Depois passou pelos ensinamentos de Dona Ester, concluindo o cur- so prim·rio. Na cidade de Aquidab„ estudou atÈ o curso ginasial. Para ter uma formaÁ„o tÈcnica em agricultura, matriculou-se como aluno interno no ColÈgio AgrÌcola Benjamin Constant. Era mais f·cil, por ser um colÈgio p˙blico, onde vocÍ fica interna- do. Na Època meu pai n„o tinha condiÁıes financeiras de manter um filho estudando em Aracaju. O AgrÌcola facilitava porque era um colÈgio interno. Estudei l· por trÍs anos. Quando estudava no ColÈgio AgrÌcola, incentivado por colegas, surgiu a vocaÁ„o pela ·rea artÌstica. Levava jeito para tocar viol„o e chegava a agradar os colegas como cantor. Sentindo que podia agra- dar outras pessoas, veio para Aracaju num fim de semana para par- ticipar de um programa de calouro. A partir daÌ, passou a freq¸en- tar os programas de calouros que existiam na cidade, principalmen- te, os promovidos pela R·dio Difusora. Participei do programa do SodrÈ J˙nior, nosso querido Ribeiri- nho e do saudoso Luiz Trindade. Cantava m˙sicas rom‚nticas de Altemar Dutra e de NÈlson GonÁalves. M˙sicas da Època. Numa dessas noites, depois de atentar bem a voz de Acival, SodrÈ J˙nior fez o convite a fim de ele fazer um teste para locuÁ„o. Solici- tou do £lvaro Macedo, que, na Època, era o chefe dos locutores da emissora, para que fizesse o teste. Convite atendido justamente pela pretens„o do candidato em deixar o ColÈgio AgrÌcola (S„o CristÛ- v„o), para vir morar em Aracaju. Macedo gostou da voz, mas SodrÈ J˙nior n„o concordou e, de imediato, disse que Acival n„o daria para radialista. Foi reprovado, mas a idÈia de ser locutor ficou na mente de Acival. Logo em seguida, tratou de procurar Silva Lima para tentar a sorte em uma outra emissora. Cheguei com a cara de pau e fui logo dizendo: Silva Lima, tenho vontade de ser radialista. Ele sorriu e me chamou de mansinho e disse que daria a maior forÁa. Ele gostava muito de dar oportunida-

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  O SM£RIO S ANTOS   de aos novos valores. Tanto que os grandes radialistas
  O SM£RIO S ANTOS   de aos novos valores. Tanto que os grandes radialistas
 

OSM£RIO SANTOS

 

de aos novos valores. Tanto que os grandes radialistas de Sergipe foram oriundos da escola de Silva Lima. V·rios que ainda est„o trabalhando na r·dio, outros que j· passaram, que fizeram muito sucesso, todos passaram pela ìescolaî de Silva Lima, inclusive eu. Quando j· estava no ar, sua voz foi ouvida por Ribeirinho que procurou o £lvaro Macedo para saber quem era o rapaz da voz boni- ta da R·dio Liberdade. Logo recebeu de resposta que tinha sido jus- tamente aquele com quem ele tinha feito o teste e que ele mesmo tinha reprovado. N„o se incomodou com a mancada e mandou cha- mar Acival para uma proposta de trabalho. Como estava de aprendiz sem ter carteira assinada, a proposta da Difusora foi aceita sem muita conversa. Fui discotec·rio, fui disk-jockey, fiz de tudo na R·dio Difusora. Com o programa TermÙmetro Musical, que apresentava pela tarde, conseguiu espaÁo no r·dio e passou a sentir o sucesso, recebendo in˙meros telefonemas e centenas de cartas. Seu nome passou para a boca do povo, e isso resultou num convi- te para trabalhar na R·dio Jornal. Dr. Francisco Novais conversou comigo e eu fiquei trabalhando nas duas estaÁıes. ¿ tarde, na Difusora e, ‡ noite, na Jornal, para complementar o sal·rio. Mesmo trabalhando nas duas emissoras, conseguiu tempo e ter- minou o curso cientÌfico depois de passar pelos colÈgios Atheneu e Dom JosÈ Tomaz. Dando prosseguimento a sua atividade profissio-

 

nal, aceitou o convite de SodrÈ Ribeiro para participar da R·dio Ata- laia que estava em fase de implantaÁ„o. SodrÈ J˙nior tinha saÌdo da Difusora por aceitar o convite do Dr. Augusto Franco para assumir

a

direÁ„o e estava montando a melhor equipe de radialistas da cida-

 

de. O convite exigia exclusividade e chegava com a proposta para

 

Acival fazer r·dio-jornalismo. Pela boa remuneraÁ„o, perspectivas

de um emissora que chegava com o que tinha de melhor na Època, a

proposta tornou-se irrecus·vel.

Na R·dio Atalaia, foram cinco anos de trabalho. Diz que criou

um estilo prÛprio de fazer r·dio-jornalismo. J· na televis„o, onde

trabalhou logo depois, confessa que recebeu influÍncia de Cid Moreira

de SÈrgio Chapelin. A convite de Walfran Soares, aceitou partici-

 

e

 

par do projeto de lanÁamento da TV Sergipe em sua fase de experi-

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de Walfran Soares, aceitou partici-   e   par do projeto de lanÁamento da TV Sergipe
de Walfran Soares, aceitou partici-   e   par do projeto de lanÁamento da TV Sergipe

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

Íncia. Passou um bom tempo trabalhando na televis„o pela noite e no r·dio no turno da manh„. Foi o locutor que transmitiu a inauguraÁ„o da televis„o que con- tou com a presenÁa do ent„o ministro da ComunicaÁ„o VirgÌlio Corsetti. Isso foi em 1971 e fomos nÛs que anunciamos a inaugura- Á„o oficial. Em 1974, aceitou o convite de Jorge Santos, diretor da Chama Publicidade, para ir trabalhar em Salvador e deixou a TV Sergipe. Como Jorge tinha trabalhado com Acival no programa polÌtico da candidatura de Gilvan Rocha ao Senado, fez o convite, pois sabia da sua capacidade profissional. Juntamente com Denise Lerman, Acival trabalhou como apresentador dos programas eleitorais. Pela partici- paÁ„o de forma intensiva num programa eleitoral do MDB, o senti- mento pela causa polÌtica foi despertado e daÌ surgiu o polÌtico Acival Gomes. Antes de ingressar na polÌtica, foi trabalhar em Salvador, apre- sentando o Jornal Nacional da TV Globo local e atuando como dire- tor de jornalismo da r·dio Cruzeiro da Bahia. Revela que essa expe- riÍncia foi de grande import‚ncia por representar uma significativa valorizaÁ„o profissional. Na Època, o diretor da TV Sergipe era o Get˙lio Passos e o diretor de Jornalismo era o TeotÙnio Neto. Com quatro meses que eu estava na Bahia, eles foram l· me convidar para voltar. Para se ter uma idÈia da valorizaÁ„o, eu voltei e com o primeiro sal·rio que recebi comprei um fusquinha zero. Foi o maior sal·rio da Època da televi- s„o e do r·dio sergipano. Passou a apresentar o jornal local no turno da noite e deixou a televis„o em 1976 por ter ingressado na polÌtica. Foi candidato a vereador por indicaÁ„o de Jackson Barreto. Foi a primeira pessoa que me convidou para ser candidato, in- clusive, as primeiras aÁıes como polÌtico, eu as procedi no escritÛrio de Jackson Barreto, que ficava no EdifÌcio Mayara no quarto an- dar, onde ele tinha um escritÛrio de advocacia. Com o resultado das urnas, Acival ficou na terceira suplÍncia, n„o conseguindo se eleger. Com o falecimento do candidato eleito, Chico Leite, passou para segunda suplÍncia. O presidente da C‚ma-

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OSM£RIO SANTOS

ra de Vereadores, Costa Pinto, fez o convite e ele aceitou trabalhar como assessor de ComunicaÁ„o Social da C‚mara de Vereadores , funÁ„o que exerceu por dois anos. Pela eleiÁ„o de Reinaldo Moura e Jonas Amaral para a AssemblÈia Legislativa, surgiu a vaga e Acival passou a ser vereador. Com a prorrogaÁ„o de mandato, conseguiu passar quatro anos no legislativo municipal. Foi aÌ que eu me proje- tei politicamente, pois eu fiz um grande trabalho na C‚mara de Vereadores. Com a reeleiÁ„o, retornou, de forma gloriosa, por ter conseguido 5. 611 votos, sendo o vereador mais votado nessa elei- Á„o. AtÈ hoje, na histÛria polÌtica, sÛ quem me venceu aqui foi Jackson Barreto como candidato a vereador. Quando estava cumprindo o mandato por um entendimento polÌ- tico do seu partido atravÈs de JosÈ Carlos Teixeira com o ent„o go- vernador Jo„o Alves, foi convocado para ser secret·rio da Ind˙stria, do ComÈrcio e do Turismo. SaÌ da C‚mara de Vereadores. Passei na Secretaria nove meses. Foi aÌ que fizemos um grande trabalho. Recuperamos os distritos industriais, cuidamos da ·rea turÌstica, da infra-estrutura hotelei- ra, conduzindo Sergipe ao turismo nacional. Fizemos muitos paco- tes com a Bahia, com S„o Paulo. AÌ incrementamos um trabalho que nos deu uma certa credibilidade como administrador da coisa p˙- blica. Por causa do rompimento de JosÈ Carlos Teixeira com o governo Jo„o Alves e para que o seu partido tivesse candidato prÛprio, acom- panhou a decis„o do partido e deixou a Secretaria. Em seus planos, estava a candidatura para deputado estadual, mas, pela boa quan- tidade de votos que tinha obtido em Aracaju, seu partido resolveu lanÁ·-lo como deputado federal. Tudo deu certo como imaginou JosÈ Carlos Teixeira. Somente em Aracaju, Acival conquistou 14.800 vo- tos e 25.088 em todo o Estado, chegando a ser o segundo mais vota- do do partido. Sua presenÁa no r·dio e na televis„o tenha ajudado muito, mas nunca usou o instrumento da comunicaÁ„o como autopromoÁ„o. Nunca fiz isso. Havia polÌticos que tinham programas de r·dio e faziam favores. Eu nunca fiz isso. Acredito que houve ajuda na ima- gem, na minha credibilidade polÌtica, mas acredito tambÈm em mi-

  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX nha desenvoltura no exercÌcio
  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX nha desenvoltura no exercÌcio
 

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

nha desenvoltura no exercÌcio da atividade p˙blica, tanto como se- cret·rio de Estado como na C‚mara de Vereadores e no exercÌcio como deputado federal. Durante o processo da Constituinte, foi eleito como um dos me- lhores deputados do Estado pela crÌtica especializada. Chegado o momento de nova eleiÁ„o, Acival n„o conseguiu se eleger e diz que outros deputados eleitos, com os bons da constituinte em outros Es- tados, tambÈm n„o obtiveram sucesso. Ele tem um ponto de vista sobre o fato. O que aconteceu, na nossa vis„o, È que o poder econÙmico se acor- dou. NÛs vÌnhamos de um processo ditatorial. Todo mundo estava naquele estilo da ditadura militar, sem muita voz e veio a redemo- cratizaÁ„o do paÌs. Houve uma renovaÁ„o muito consistente para a elaboraÁ„o da Constituinte. Esses setores conservadores se acorda- ram e se prepararam para o processo eleitoral e derrotaram esses deputados mais progressistas, porque o poder econÙmico falou mais alto. Por sua performance no processo da Constituinte, foi convidado pelo senador M·rio Covas a ingressar no PSDB. Aceitou e diz que teve a ousadia de trazer essa sigla partid·ria para Sergipe. Foi fun- dador do partido em nÌvel nacional e principal respons·vel por sua fundaÁ„o em Sergipe. Continua na presidÍncia do partido em Sergi- pe e faz o destaque de ter a participaÁ„o do governador Albano Franco como comandante de sua agremiaÁ„o partid·ria. Sob sua lideranÁa, nÛs estamos dentro deste contexto polÌtico. Evi- dentemente, vai existir muita conversa, pois polÌtica È a arte de con- versar, e o meu futuro polÌtico passa necessariamente com uma con- versa que nÛs ainda teremos com o nosso comandante, que È o gover-

uma, como secret·rio da Ind˙stria do ComÈrcio e do Turismo; ou-

nador Albano Franco.

Da sua participaÁ„o na presidÍncia da Telergipe considera ser

muito gratificante. J· fui secret·rio de Estado por duas ocasiıes:

tra, no governo Valadares, na Secretaria de Obras, Transporte e

Energia. Fui presidente da Companhia de Desenvolvimento Indus-

trial e Recursos Minerais, deputado federal, vereador e dentro de

todos esses cargos que j· exerci, dois me gratificaram: um, o de de-

 

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deputado federal, vereador e dentro de todos esses cargos que j· exerci, dois me gratificaram: um,
deputado federal, vereador e dentro de todos esses cargos que j· exerci, dois me gratificaram: um,

OSM£RIO SANTOS

putado Constituinte ñ um marco histÛrico ñ e, a segunda, esta opor- tunidade que estou tendo de presidir a Telergipe, porque nÛs estamos tendo a oportunidade de fazer alguma coisa pela sociedade sergipa- na. NÛs contamos hoje com o apoio dos dois diretores, do corpo gerencial e funcional da empresa, fazendo uma nova Telergipe. Estamos fazendo em trÍs anos o que foi feito em vinte e trÍs. Recebe- mos uma empresa com oitenta e quatro mil terminais telefÙnicos e pretendemos entregar com duzentos mil terminais telefÙnicos insta- lados. SÛ o fato de termos conseguido, com o apoio de todos os com- panheiros, tirar a empresa da situaÁ„o financeira em que se encon- trava, pois trabalhava no vermelho desde 1991, acumulando o pre- juÌzo atÈ julho de 1995 de quase 2,5 milhıes de reais e terminamos 1995 liquidando esse passivo e com um super·vit de 3,5 milhıes, agora 1996 com o lucro de quase 24 milhıes de reais, È gratificante. … pai de Manoel Dermival Santos Neto, que est· terminando o curso de Direito na UNIT. Tem a filha Vanessa de Ara˙jo Santos, dezoito anos, com idÈia de fazer Direito, e Max Felipe de Carvalho Santos, treze anos, estudando o primeiro grau. Tenho dois filhos do meu casamento com Aldair Ara˙jo. Tive um relacionamento com a companheira de televis„o, de r·dio e polÌtica NazarÈ Carvalho, e com ela tive um filho, o Marcos Felipe e, agora, eu tenho um recente relacionamento com Ros‚ngela Passos. Isso È a vida. E todas, tanto a NazarÈ como a Aldair s„o minhas amigas hoje. NÛs temos um grande relacionamento pessoal de amizade.

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MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

AERTONSILVA *

Aerton de Menezes Silva a dia 2 de setembro de 1941 em Aracaju, Sergipe. Seus pais: Albino Silva da Fonseca e Josefina Menezes. Aerton Silva considera o pai o grande Ìdolo de sua vida e faz quest„o de dizer que todos os seus atos s„o inspirados em sr. Albino Silva, um homem que fez parte da histÛria polÌtica e econÙmica de Sergipe. Chegou em Aracaju para fugir da vida que levava: andar em comboio de burros pelas cidades do interior sergipano, entregando mercadorias. O contato inicial com Aracaju aconteceu numa tarde de primeiro de janeiro, na pro- ciss„o de Bom Jesus dos Navegantes, pelo estu·rio do Rio Sergipe. Parti- cipou do evento e fez de Bom Jesus seu padroeiro. A partir daÌ, assistiu a todas as procissıes de Bom Jesus sem nunca ter saÌdo da capital. Pioneiro em v·rias atividades empresariais, sr. Albino foi propri- et·rio das padarias Ceres e Pirangy; montou f·bricas de biscoito e de macarr„o; montou sistema de distribuiÁ„o de g·s e fundou a R·- dio Liberdade. Na polÌtica, foi deputado estadual pela UDN e assu- miu o Senado, por ter sido suplente de Heribaldo Dantas Vieira. Dele, o filho Aerton herdou a simplicidade, a lealdade e o preito de gratid„o. Uma simplicidade fortalecida pelo ˙ltimo exemplo que recebeu do pai em vida. Ele me chamou e disse: ìAerton, vocÍ È um filho em quem confio muito e quero lhe pedir algumas coisas. Quando eu morrer, n„o quero que meu corpo v· para AssemblÈia, n„o quero que ninguÈm pegue no meu caix„o, a n„o ser os meus filhos; n„o quero que atr·s do meu caix„o tenha aquele enfeite da funer·ria, pois quero que vocÍ colo- que a imagem do Bom Jesus dos Navegantes que tem no meu quar- to. N„o quero nome de rua, n„o quero nenhuma homenagem. Eu

* MatÈria publicada pelo Jornal da Cidade em 14/07/1996.

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OSM£RIO SANTOS

quero ser apenas o homem que amou o seu Estado, que fez tudo aquilo que meu coraÁ„o pediu por Sergipeî. Uma parte da inf‚ncia de Aerton foi vivida na Fazenda MerÈm, em Socorro, e, a outra, na rua Itabaianinha, 155. Logo cedo foi para o Jardim de Inf‚ncia Augusto Maynard, onde participou de memo- r·veis momentos de recreaÁ„o, comandados pela professora BebÈ Ti˙ba. O curso prim·rio e o ginasial foram feitos no ColÈgio Jackson Figueiredo, passando nove anos na convivÍncia dos professores Be- nedito e Judita Oliveira. Dois mestres a quem rendo a minha eterna homenagem. Do perÌodo do Jackson, disse que jamais poderia esquecer a pro- fessora Sarafina Campos Schoucair. Foi contempor‚neo de Jo„o Gilberto e colega de turma de Albano Franco, Jo„o Alves Filho, Pedro Ferreira dos Anjos e DÌlson Barreto. Fez o curso cientÌfico no ColÈgio Maristas em Salvador, tornando- se colega de Carlos Cruz, Thomaz Cruz e Marcelo Figuiredo. N„o se adaptando com o sistema de internato e sentindo saudades da terrinha, sÛ resistiu um ano em Salvador, voltando a Aracaju para continuar os estudos. Diante desse retorno, ouviu do pai que passa- ria a trabalhar pelo dia e estudar pela noite. Como aluno dos profes- sores Portugal, Caetano, Jugurta e Franklin, concluiu o cientÌfico no ColÈgio Tobias Barreto no curso noturno. Fez vestibular para a Faculdade de Direito de Sergipe e foi reprovado por meio ponto na prova de FrancÍs. N„o desanimou, graÁas ao incentivo do sogro. AcrÌsio Cruz, pessoa que considerava seu segundo pai, e partiu para fazer o vestibular em Recife, juntamente com o irm„o AÈrcio e com Her·clito Rollemberg. Passou, como os demais sergipanos, e logo con- seguiu transferÍncia para a Faculdade de Direito de Sergipe. Foram seus colegas de turma: Jouberto UchÙa de MendonÁa, AÈrcio Fonseca, Paulo Nou, Hildegards Azevedo, LuÌs Brito, Luiz Augusto Barreto, GisÈlia Torres e Nilo Jaguar. Foi contempor‚neo de Jackson Barreto, Benedito Figueiredo, Wellington Paix„o, L‚nia Duarte, Wellington Mangueira e Jacinto. A formatura aconteceu em 1972. O primeiro escritÛrio de ad- vocacia foi montado juntamente com Nilo Jaguar. Encarou seria- mente a profiss„o, chegando, tempos depois, a procurador do Es-

  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX tado no governo Augusto
  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX tado no governo Augusto
 

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

tado no governo Augusto Franco. Continua no Estado atÈ hoje, contando 15 anos de atuaÁ„o. Hoje em dia, tambÈm advoga na ·rea cÌvel. Quando ainda fazia o cientÌfico em Salvador e voltou para Aracaju, o sr. Albino o colocou no trabalho pesado. Logo aprendeu a montar fog„o e, cedo, conviveu com ferramentas, trabalhando na Sergipe G·s. Depois, foi entregar botij„o de g·s pelas ruas da cidade quando faltava motorista. Montei botij„o, consertei fog„o nas casas das pes- soas e daÌ passei para o balc„o. Em outro est·gio, aprendeu a tirar nota de venda de g·s, foi cai- xa e, em seguida, gerente, chegando ‡ vice-presidÍncia da empresa. Com a fundaÁ„o da Empresa £gua Mineral Itapero·, primeiramen- te foi vice e, depois, presidente, graÁas ‡ aposentadoria do pai. Dirigiu a R·dio Liberdade logo que perdeu o mandato de deputa- do estadual. Da Liberdade, tem muitas coisas a contar: Quando meu pai fundou a Liberdade em 1953, eu tinha 13 anos de idade e n„o perdia nenhum ensaio dos programas de auditÛrio. A emissora ti- nha orquestra. Lembro-me como hoje. O professor Alencarzinho, o ex-reitor da UFS, cantava na r·dio; Argolo, com seu regional, Carnera, Walter Ouro, que acabou na BBC de Londres, Wolney Sil- va, Santos Santana e tantas outras figuras participavam do dia-a- dia da r·dio. Por Silva Lima, Aerton foi conduzido ao microfone quando ficava preso no est˙dio nos dias de jogos, ouvindo emissoras de fora para apresentar o placar. ìEu fazia o plant„o esportivo. Eu dizia: AlÙ Silva Lima, e ele respondia: Pode falar, plant„o esportivo. Eu dizia:

no Maracan„, o primeiro gol de fulano de talî. Aerton utilizou a emissora muito mais para sua campanha para deputado estadual

do que para transmiss„o de placar de jogo.

A maior emoÁ„o vivida na R·dio Liberdade aconteceu quando ele

ainda era menino: no momento em que Get˙lio Vargas morreu, hou-

ve uma ebuliÁ„o terrÌvel no paÌs. Foi passada a opini„o de que tinha

sido a UDN que matou Get˙lio Vargas. Promoveram diversos que-

bra-quebras. Aqui, foram quebrar a R·dio Liberdade. Lembro-me

de meu pai dentro da r·dio, com os amigos, defendendo-a. Tinha

ido exatamente pegar um p„o na padaria Ceres, que tinha interli-

 

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da r·dio, com os amigos, defendendo-a. Tinha ido exatamente pegar um p„o na padaria Ceres, que
da r·dio, com os amigos, defendendo-a. Tinha ido exatamente pegar um p„o na padaria Ceres, que
  O SM£RIO S ANTOS   gaÁ„o com a r·dio, quando chegou aquela massa enfurecida.
  O SM£RIO S ANTOS   gaÁ„o com a r·dio, quando chegou aquela massa enfurecida.
 

OSM£RIO SANTOS

 

gaÁ„o com a r·dio, quando chegou aquela massa enfurecida. Meu pai me colocou na r·dio, enquanto a massa jogava pedras no prÈdio da Liberdade. Houve disparos dentro da emissora para conter a massa, e eu saÌ pelos fundos com meu amigo Santos Santana. Tendo um pai udenista de tradiÁ„o e leandrista a toda prova, por circunst‚ncia, Aerton casou-se com a filha de um concorrente polÌti- co. Resultado: saiu como candidato do partido do sogro, o PSD, dan- do chance de o irm„o sair como candidato pela UDN. Foram eleitos os dois, ficando tudo em famÌlia. Meu pai apoiou AÈrcio, e o professor AcrÌsio Cruz me apoiou. Iniciou a vida parlamentar em 1962, chegando ‡ segunda legislatura como deputado da ARENA. N„o terminou o mandato, por ter sido cassado em funÁ„o do Golpe Militar: um episÛdio de marcas profundas, mas que lhe deu condiÁıes de revelar a verdade. Fui acusado de corrupÁ„o porque eu era o primeiro secret·rio da AssemblÈia Legislativa, e GÌlton Garcia, o presidente. Como n„o puderam, na Època da RevoluÁ„o, prender Leandro Maciel, Luiz Garcia e Albino Silva da Fonseca, pegaram o filho de Luiz Garcia e

 

o

filho de Albino Silva da Fonseca. Arrombaram as nossas gavetas

na AssemblÈia Legislativa, pegaram nossas contas de ·gua, de tele- fone e disseram que pag·vamos as contas com o dinheiro da Assem-

 

blÈia. Fomos absolvidos quando, em plena ebuliÁ„o do Ato Institu-

cional n˙mero 5, houve a garantia da vitaliciedade, ou seja, o juiz e

o

promotor tinham garantia do emprego. Eu e GÌlton Garcia fomos

absolvidos a pedido do MinistÈrio P˙blico, e a RevoluÁ„o n„o recor- reu dessa sentenÁa. Quando espremeram os papÈis, fizeram audita- gem, nada contra a gente. NÛs sÛ fomos cassados politicamente.

 
 

Preso pela RevoluÁ„o, passou trinta e quatro dias no quartel do

28 BC. Um tempo em que ficou mais amargo, pela posiÁ„o de diri-

gentes do ConfianÁa, clube de paix„o de Aerton.

Pessoas ligadas ao ConfianÁa, com rarÌssimas exceÁıes, viraram

as costas para mim, como se fosse um leproso. Tinha sido cassado

pela RevoluÁ„o, e eles pensavam que eu estava marcado pelo resto da

minha vida. Quando acabou meu mandato no ConfianÁa, saÌ do

futebol, significando uma grande lacuna em minha vida. Este È um

fato que n„o esqueÁo nunca, como tambÈm n„o esqueÁo a grande

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uma grande lacuna em minha vida. Este È um fato que n„o esqueÁo nunca, como tambÈm
uma grande lacuna em minha vida. Este È um fato que n„o esqueÁo nunca, como tambÈm

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amizade de Eduardo Abreu a quem rendo grande tributo. Ele reu- niu o conselho do Sergipe e me elegeu conselheiro do clube. Veio me comunicar que tinha sido escolhido por unanimidade. Eu disse que n„o podia ser conselheiro do Sergipe, pois era ConfianÁa. Ele argu- mentou que um desportista de minha qualidade n„o podia deixar de pertencer ao esporte. Fizeram uma posse solene. Primeiramente, senti-me meio deslocado, mas prestigiado, pois me via abandonado pelos amigos do ConfianÁa. Um mÍs depois, fui eleito presidente do Conselho. Renunciou toda diretoria do Sergipe, e eu, como presi- dente do Conselho, assumi a presidÍncia do clube. No esporte, Aerton mostrou competÍncia. Inicialmente, no ano de 1964, foi vice-presidente. Em seguida, chegou ‡ presidÍncia e deu o tÌtulo de campe„o ao clube em 1965. AlÈm disso, conquistou mais ou- tros tÌtulos: campe„o da Copa S„o Francisco de 1966 e campe„o invic- to de 1968. Como presidente do Sergipe, campe„o 1973 e 1974. Foi quando fizemos a grande revoluÁ„o no futebol sergipano. Eu, C·ssio Barreto e JosÈ Queiroz tiramos os times da FederaÁ„o Sergipa- na de Desportos e obrigamos a ser fundada a FederaÁ„o Sergipana de Futebol. Fomos ‡ CBF, fizemos uma greve, paralisamos o futebol ser- gipano. Houve uma intervenÁ„o do governo, na Època, JosÈ Rollem- berg Leite. O presidente da FederaÁ„o, Fernando Matos, teve que renunciar e foi colocado um presidente tamp„o. AÌ, nÛs comeÁamos a revoluÁ„o do futebol sergipano. Na administraÁ„o p˙blica, participou da administraÁ„o Her·clito Rollemberg como chefe do Contencioso e como auxiliar do secret·rio de Assuntos JurÌdicos. Na administraÁ„o Wellington Paix„o, na Pre- feitura de Aracaju, foi o primeiro procurador geral do municÌpio de Aracaju pela criaÁ„o da Procuradoria Geral do MunicÌpio e foi secre- t·rio dos Transportes. Demos prosseguimento ‡ implantaÁ„o do Sistema Integrado de Transportes, iniciado por Jackson Barreto. ConstruÌmos o terminal do mercado e ampliamos o terminal do Distrito Industrial, que era pequeno. Renovamos a frota de Ùnibus de Aracaju. Foi um dos mai- ores trabalhos que fiz atÈ hoje. Quando fui candidato a deputado, Jackson Barreto era carteiro em Aracaju. A m„e dele, Dona Neusice, era comadre do professor

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  O SM£RIO S ANTOS   AcrÌsio Cruz. Jackson saiu de porta em porta, pedindo
  O SM£RIO S ANTOS   AcrÌsio Cruz. Jackson saiu de porta em porta, pedindo
 

OSM£RIO SANTOS

 

AcrÌsio Cruz. Jackson saiu de porta em porta, pedindo voto para mim. Deu-me uma grande votaÁ„o em Aracaju e em Santa Rosa de Lima. Ele j· tinha aquela vocaÁ„o polÌtica. Depois, nÛs nos encon- tramos na Faculdade de Direito. Fizemos aquela amizade forte. L· adiante, nos distanciamos politicamente. Mas, nÛs nos encontramos no processo da sua cassaÁ„o. Aquela coisa absurda. Dali em diante, participei da campanha polÌtica de Wellington Paix„o, juntamente com ele. Na briga de Jackson com Wellington, fiz muita forÁa para que eles n„o brigassem. Eu dizia: ëWellington, vocÍ tem que aturar as coisas que Jackson faz com vocÍ, pois amizade È uma coisa que vocÍ tem que preservarí. Mas, infelizmente, n„o fui bem sucedido. Continuei fiel a Wellington Paix„o, embora tenha gratid„o e ami- zade por Jackson. Na ˙ltima eleiÁ„o para governador, n„o votei em Jackson, votei em Albano. Digo que me arrependo deste fato polÌtico de minha vida e, na eleiÁ„o, agora, vou votar em Garibalde e Wellington Paix„o. E mais adiante, tenho certeza de que vou ficar com Jackson Barreto. Se ele for candidato a governador, vou votar nele. No segundo turno, posso estar com Jackson, porque o conside- ro, no momento, a maior lideranÁa polÌtica de Sergipe. Dentro da filosofia de que o amor È eterno enquanto existe respi- raÁ„o, transbordou de amor com resultados positivos. Sou pai de Isabela, que È advogada e fez um curso recentemente na PUC/SP. Uma moÁa que est· muito bem encaminhada na vida. Foi a primeira filha. Tenho mais duas filhas: Aretuza e Amanda. Aretuza est· estudando Fisioterapia. Tenho outra filha, a Bianca. Atualmente, sou casado com Norma Suely Costa Melo, com quem pretendo terminar minha vida. N„o tenho filhos com Norma. Ela tem uma filha do primeiro casamento, a Mirela, que considero como se fosse minha filha.

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tenho filhos com Norma. Ela tem uma filha do primeiro casamento, a Mirela, que considero como
tenho filhos com Norma. Ela tem uma filha do primeiro casamento, a Mirela, que considero como
  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX   A GNALDO DA
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AGNALDO DA ROCHA MENEZES *

Agnaldo da Rocha Menezes nasceu a 11 de agosto de 1926, em Tobias Barreto, Sergipe. Seus pais: Ot·vio da Rocha Menezes e Josefa Aurora Menezes. Filho de um agricultor que se tornou pecuarista de tradicio- nal famÌlia da cidade de Tobias Barreto, o sr. Menezes chegou a ter recursos, mas perdeu praticamente tudo com a seca de 1932. Sua salvaÁ„o ficou por conta dos seis filhos que, desde cedo, pas- saram a encarar o trabalho. Dele, Agnaldo herdou a dignidade, assumindo tudo que faz, nunca desprezando a moral. Um pai de famÌlia que agia corretamente certo. De sua m„e, o lado da cari- dade. Foi com ela que eu aprendi que tudo que tenho n„o È para mim. Por isso, hoje eu ainda sou pobre, porque penso na situaÁ„o dos ou- tros. Minha m„e era muito catÛlica e na sua cidade, Tobias Barreto, n„o se cansava de sair ‡ procura de empregos para os outros. Era muito prestativa e gostava de cativar suas amizades. Foi alfabetizado pela professora Maria numa escola particular e chegou a concluir o prim·rio numa escola p˙blica estadual em sua cidade natal, deixando, a partir daÌ, os estudos de lado para lutar pela sobrevivÍncia. Aos 13 anos, veio morar em Aracaju, trazido pela irm„ Maria de Menezes para trabalhar com ela em seu esta- belecimento comercial, Relojoaria Matos, localizada ‡ rua Laran- jeiras nas proximidades dos Correios. A iniciativa da irm„ em trazÍ-lo para a capital aconteceu por ela considerar que Agnaldo n„o levaria uma vida satisfatÛria como al- faiate, profiss„o que abraÁara desde os 11 anos de idade.

 

 

* MatÈria publicada pelo Jornal da Cidade em 24/04/2000.

 

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que abraÁara desde os 11 anos de idade.     * MatÈria publicada pelo Jornal da
que abraÁara desde os 11 anos de idade.     * MatÈria publicada pelo Jornal da

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A histÛria de alfaiate aconteceu porque minha m„e, desde cedo, j· dizia que n„o queria ver seus filhos perambulando pelas ruas de Tobias Barreto. Assim, estudava pela manh„ e, ‡ tarde, tinha que aprender uma profiss„o. Coube ao conhecido alfaiate da cidade, AusteclÌnio, a paciÍncia de me ensinar, a fazer aqueles ternos, aque- las coisas. Como naquele tempo, para trabalhar com costura, era necess·rio molhar o tecido antes de qualquer coisa, saÌa duas, trÍs vezes para lavar esses tecidos no Rio Real. Como alfaiate, passou o tempo de trÍs anos, chegando a sair da condiÁ„o de aprendiz. N„o fazia o corte, mais a costura, sim, tanto de calÁa como de paletÛ. Em Aracaju, sua irm„ o colocou para aprender a profiss„o de ourives com o seu marido, Vicente Matos, profissional na ·rea de muito conceito na cidade. N„o sÛ aprendi a arte de ourives como aprendi a consertar relÛgio. Na relojoaria passou uns 30 anos. Dada a minha dedicaÁ„o ñ eu me dedicava por completo de corpo e alma ao trabalho ñ, n„o demorou muito para minha irm„ e o meu cunhado me convidarem para participar como sÛcio da firma. Como ourives, Agnaldo diz que foi bom em fazer alianÁas, pulsei- ras e brincos. Ainda no tempo em que era sÛcio da relojoaria, surgiu a oportunidade de ter mais um outro rendimento e o aceitou imedia- tamente, mesmo sabendo que o novo negÛcio era algo n„o muito convidativo para seus futuros clientes. Sua entrada no ramo de vendedores de urnas funer·rias ficou por conta do vizinho da relojoaria, sr. Waldomiro, que, para passar adiante seu estabelecimento, usou, como ˙nico argumento, a gran- de rentabilidade desse tipo de negÛcio. Diante do forte argumento ñ Agnaldo trabalhava vizinho e acompanhava a saÌda dos caixıes da funer·ria ñ, a compra aconteceu sem muita conversa e, alÈm da funer·ria, deu continuidade ‡ atividade de sÛcio da relojoaria. Entrou no ramo funer·rio no ano de 1956 e fez uso do nome fanta- sia da firma que atÈ hoje est· sob o seu comando: Funer·ria Univer- sal. Como tinha pouca mercadoria em estoque e sÛ comprou o ponto, confessa hoje que a compra da funer·ria aconteceu por uma bagate- la. Primeiramente, tratou de fazer convÍnios com o Estado e Prefeitu- ra de Aracaju, que provocou, de imediato, o aumento do n˙mero de

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empregados da firma. Tinha um empregado, passei para cinco. Era um tempo em que, em Aracaju, n„o existia caix„o envernizado como hoje, quanto mais trabalhado em sua tampa. Era sÛ de pano e era feito na prÛpria funer·ria. Hoje j· temos em Aracaju uma grande f·brica de caixıes. Se morria uma pessoa fora do comum, pessoas gordas demais, tÌnhamos de preparar esses cai- xıes na hora. Na Època, para abastecer toda a cidade, sÛ existiam as funer·rias SatÈlite, S„o LuÌs, Salmeron e Universal. Conta que, para os mortos de famÌlias abastadas, o tipo de ata˙de era diferente. Era um caix„o todo quadrado, todo ele forrado com tecidos especiais, principalmente com veludo. Procur·vamos, no co- mÈrcio de Aracaju, o melhor tecido. Quando era preciso embalsamar o corpo, em virtude de viagem, era um coisa muito difÌcil. Bem diferen- te de hoje que a urna È toda zincada e revestida com fibra. Improvis·- vamos com pl·stico muito grosso para enrolar o prÛprio defunto. Como agente funer·rio, uma histÛria de 40 anos. Deu para educar os filhos e sÛ n„o fiquei bem de vida porque me descapita- lizei por conta do meu ingresso na polÌtica. Na rua Laranjeiras, seu estabelecimento comercial passou o tempo de 40 anos, mas j· n„o est· mais l·. De dois a trÍs meses È que estou na Avenida Maranh„o, 26. Como fato interessante dessa vida de agente funer·rio, revela que as pessoas, por muitos anos em Aracaju, ou passavam para o outro lado da rua para fugir da porta de sua funer·ria ou fechavam os olhos. Havia pessoas que iam fazer encomenda e baixavam a cabeÁa, com receio dos caixıes. J· outras mandavam um estranho fazer a compra por falta de coragem. Agora o tempo È outro. No Aracaju do passado, a sua Prefeitura bancava por completo o sepultamento de pessoas pobres. Cheguei a receber do municÌpio um carro zero sÛ para essa finalidade. Para os corpos do IML, sem- pre contou com essa fatia em seu negÛcio. Naquele tempo, o IML n„o tinha carro. Era uma carroÁa com burro que transportava os cad·veres. Todo caso de IML, eu ia com o carro que a Prefeitura me deu para ir buscar o corpo junto com os policiais. N„o existia perÌcia.

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Agnaldo tinha um carro de sua propriedade que sÛ era usado para os enterros das pessoas ricas. Forneci muitos caixıes para o Estado e mais ainda para a prefeitura. Foi na Època do prefeito Conrado de Ara˙jo que eu coloquei a necessidade de se enterrar em Aracaju o povo pobre, principalmente, na parte dos cemitÈrios. A indicaÁ„o do CemitÈrio S„o Jo„o Batista foi minha. Primeiramente, ele queria que eu tomasse conta do cemitÈrio. Eu disse que n„o, mas assumi o compromisso de colocar l· todos os corpos que pegava por conta da prefeitura. Assim, comeÁou o cemitÈrio de forma prec·ria, atÈ que fui reclamar ao prefeito Conrado que era preciso construir um cemitÈrio de verdade, j· que o povo reclamava que os cachorros estavam cavando as covas. DaÌ ele mandou fazer, de fato, sua cons- truÁ„o, que comeÁou no momento em que mandou quatro caÁambas para agradar o povo. Incentivado pelo ent„o prefeito Conrado de Ara˙jo, comeÁou a se entusiasmar pela polÌtica. Ele mandava eu soltar o povo das cadei- as, mandava que eu providenciasse construÁ„o, n„o sÛ de coisas, como de casebres para o povo carente, sempre me financiando. Fazia tudo isso, mas n„o recebia nenhuma remuneraÁ„o. A pedido de Conrado, filiou-se ao Partido Rural Trabalhista (PRT), que era o partido do prefeito, para se candidatar a vereador. Tentou eleiÁ„o por mais de uma vez, mas n„o conseguiu nada. SÛ chegou na C‚mara de Vereadores de Aracaju no ano de 1967, j· pelo MDB (Mo- vimento Democr·tico Brasileiro), partido que se filiou por insistÍncia dos amigos JosÈ Carlos Teixeira e OviÍdo Teixeira. JosÈ Carlos sem- pre foi um grande lÌder. Nunca exigiu de mim nada. Antes de ser vereador, tentou ser deputado estadual pelo partido de JosÈ Carlos Teixeira, mas sÛ conseguiu 250 votos. Mesmo assim, sÛ porque eu falava muito nos trios elÈtricos nas feiras pelo interior sergipano. Conquistou a vaga de vereador com o terceiro lugar em conquista de votos. Confessa que gastou muito com doaÁıes, n„o sÛ pelo perÌo- do de campanha, como nos oito anos de vereador j· que passou por duas legislaturas consecutivas: de 1967 a 1971. De partido de oposiÁ„o ao governo, n„o se intimidou e, sempre que possÌvel, emplacava na tribuna da C‚mara de Vereadores dis- cursos que davam o que falar.

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Todas ‡s vezes que eu ia me pronunciar na C‚mara, o presidente Deocleciano Ramos me recomendava: ìAgnaldo, a PolÌcia Federal est· aÌ gravando seu pronunciamento. VocÍ, por favor, n„o me faÁa perder o meu mandato, porque eu n„o tenho condiÁıes de sobreviver, j· que vocÍ ataca muito o governoî. Agnaldo foi detido pela PolÌcia Militar porque protegeu um ja- ponÍs, preso injustamente no mercado de Aracaju e espancado, sem nada ter feito, por um policial embriagado. Ao visitar a penitenci·- ria de Aracaju para fazer visita a um amigo polÌtico que l· estava preso, constatou in˙meras irregularidades no tratamento aos pre- sos. Isto serviu de alvo para o pronunciamento que fez na C‚mara de Vereadores de forma t„o contundente, que recebeu cobertura total da Gazeta de Sergipe, resultando a apreens„o da ediÁ„o do jornal. No mÍs de fevereiro deste ano (2000), recebeu, da C‚mara de Vereadores de Aracaju, a comenda Cavalheiro da Ordem do MÈrito Tobias Barreto por sua atuaÁ„o destemida no legislativo municipal quando ali atuou, justamente na Època da ditadura militar. Dos enterros que realizou, o que marcou de fato foi o do amigo e prefeito de Aracaju, Conrado de Ara˙jo. Ficou em minha mente, pela marca de solidariedade do povo. Fui eu que organizei. Che- guei a levar uma pequena carreta que eu tinha para transportar o caix„o. Foi o de maior movimentaÁ„o em Aracaju. A urna funer·- ria foi daquelas quadradas, que n„o era de madeira. Foi feita na nossa funer·ria. Agnaldo recebeu o diploma de Honra ao MÈrito do Hospital de Cirurgia pelo trabalho de agente funer·rio que sempre desenvolveu naquele hospital, em prol de famÌlias de pessoas carentes. Sobre a guerra por defuntos por parte dos donos de funer·rias, diz que gosta atÈ de falar no assunto e ilustra essa observaÁ„o, dizendo que foi o ˙nico agente funer·rio que recebeu delegaÁ„o de poderes da AssociaÁ„o Brasileira de Empresas Funer·rias, na qualidade de dele- gado regional do Nordeste. Isso aconteceu depois daquele caso no Rio de Janeiro em que o enfermeiro matava os pacientes. Ent„o, a AssociaÁ„o colocou, em cada capital, uma pessoa para fiscalizar e mostrar as possÌveis ir-

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regularidades que acontecem num hospital. Por isso, a gente fica sempre na expectativa e digo sempre na imprensa que n„o facilite comigo, pois diante de qualquer irregularidade, eu faÁo mesmo a den˙ncia. Estou, tambÈm, sempre nas emissoras de r·dio, n„o sÛ pedindo aos familiares de pessoas que faleceram nos hospitais de Aracaju para que venham apanhar os corpos dos entes queridos, mas tambÈm para mandar outros avisos de pessoas carentes inter- nadas nas enfermarias. Ao me deparar com uma famÌlia sem re- cursos, faÁo de tudo para providenciar o sepultamento e, quando me vejo impossibilitado, peÁo na prÛpria r·dio ajuda de ouvintes. Como polÌtico, um dos seus maiores feitos foi ter intercedido na tribuna da C‚mara de Vereadores pelo jornalista Orlando Dantas. Na AssemblÈia Legislativa, estava sendo discutido um projeto de Lei para fechar o jornal Gazeta de Sergipe. Posicionei-me na C‚ma- ra, peguei um livro de suas atividades como deputado federal. Mos- trei que Orlando Dantas era um homem que tinha contribuÌdo muito pelo Estado de Sergipe. SÛ sei que a AssemblÈia Legislativa, depois disso, desistiu desse projeto. TambÈm comentou sobre o tÌtulo de Cidad„o Aracajuano, outor- gado a Dom HÈlder C‚mara de Vereadores , que foi iniciativa sua. Aconteceu na Època em que ele estava detido pela revoluÁ„o. Mais adiante, ele veio receber o tÌtulo e, como ele era um homem prepara- do, reconheci que eu n„o podia fazer um discurso ‡ altura. Diante disso, pedi ajuda ao desembargador Rabelo Leite, que preparou duas folhas de papel pautado. Ele me respondeu de improviso em seis. Casou com Marina Alc‚ntara e, dessa uni„o, os filhos Rosa VirgÌnia, Agmar, Ac·cia, TeÛfilo, Carlos Henrique e AngÈlica.

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AGONALTOPACHECO *

Agonalto Pacheco da Silva nasceu a 28 de fevereiro de 1927, em Aquidab„, Sergipe. Filho do lavrador JosÈ Francisco da Silva, herdou do pai a seriedade em assumir seus compromissos; de sua m„e, EudÛxia Pacheco da Silva, a preocupaÁ„o com a educaÁ„o dos filhos. Deixou Aquidab„ aos dois anos de idade, passando a morar na cidade de Boquim. Num grupo escolar da rede estadual, aos seis anos, o inÌcio da vida escolar, marcado por uma recordaÁ„o: o dia que passou desfilando pelas ruas da cidade, marchando e can- tando. Era o anivers·rio de Maynard Gomes e a professora nos colocou para cantar: ìOh Maynard! Oh Maynard! descobridor de sua sorte. Militar que nas campanhas, com bravura, sempre forte. …s herÛi, batalhador e guerreiro sem igual, interventor sergipano, pelo sagra- do idealî. Vindo morar em Aracaju aos sete anos, estudou no Grupo Manoel Luiz, como aluno da professora Carlota. No Tobias Barreto, fez o gin·sio e, na Escola de ComÈrcio, o curso tÈcnico cont·bil. Depois de fazer o curso de datilografia aos catorze anos, passou a fazer trabalhos para dentistas e mÈdicos. Como o pai vendia macaxeira no mercado de Aracaju, esteve ao seu lado por pouco tem- po. Foi vigia na antiga Escola Industrial de Aracaju, seu primeiro emprego, com responsabilidade de tomar conta do port„o para en- trada e saÌda de veÌculos. Com apoio de AntÙnio Ezequiel, chefe da fundiÁ„o da escola, aproveitava o perÌodo da tarde na aprendiza- gem de fundiÁ„o, profiss„o que jamais exerceu.

* MatÈria publicada pelo Jornal da Cidade em 24/03/1996.

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OSM£RIO SANTOS

ApÛs um longo perÌodo afastado dos livros, fez curso superior de Filosofia em Cuba, chegando a fazer pÛs-graduaÁ„o e mestrado. Matriculado para fazer o doutorado na Academia de CiÍncias de Moscou, pediu cancelamento para retornar ao Brasil. Com a doaÁ„o da Escola Industrial de Aracaju para o SENAI, Agonalto foi enviado para a Diretoria de EducaÁ„o do Estado na funÁ„o de auxiliar de escritÛrio. Na primeira oportunidade, prestou concurso p˙blico e fez tentati- vas para ser funcion·rio do IBGE, do MinistÈrio da Fazenda e Exatoria do Estado. Aprovado em concurso, foi nomeado auxiliar de Exatoria da cidade de Itaporanga no ano de 1948. No mesmo enve- lope da nomeaÁ„o de Itaporanga, a transferÍncia para trabalhar na Exatoria da Ilha do Outo em Porto da Folha. No final de 1949, depois que tinha recebido promoÁ„o para ser exator, foi transferido para Gararu. De l·, passou para a cidade de Capela. Chegando em Capela, encontrei o professorado com trÍs meses de atraso no pagamento. Fui verificar nas ordens de cancelamento e, como n„o tinha nada, e tinha dinheiro, paguei os quatro meses jun- tos. Era por perseguiÁ„o polÌtica e, como n„o tinha nenhuma ordem de suspens„o, paguei. Uma outra particularidade: o secret·rio da Fazenda da Època, Pedro Diniz GonÁalves, pediu-me para que pas- sasse a escritura de uma propriedade pelo valor que ele queria. Res- pondi que sim, desde que passasse a ordem por escrito. Para que fui dizer isso? Me mostrou uma pistola, disse que iria sofrer como jenipapo maduro e me mandou para a cidade de Itabaiana, pois tinha certeza que Euclides Paes MendonÁa me daria um jeito. Iniciou o trabalho em Itabaiana na funÁ„o de exator substituto, depois de assumir o compromisso de que, em nenhuma hipÛtese, ocuparia o lugar do titular. Chegado o momento da eleiÁ„o para presidente da Rep˙blica, precisamente no dia da posse do novo pre- sidente, deparou-se com Euclides Paes MendonÁa na exatoria, re- cebendo o comunicado de que iria recolher o destacamento, j· que haveria anarquia no dia da posse. Foi a ˙nica pessoa que teve coragem de falar com Euclides, argumentando que se fosse o can- didato de seu partido a ter sido eleito, ele atÈ que promoveria uma

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festa. Da resposta que concordava com tal argumentaÁ„o, mas que j· tinha dado a ordem de recolhimento, Euclides foi embora e man- dou, no outro dia, convidar Agonalto para jantar em sua residÍn- cia. Este se desculpou por n„o poder atender o convite. Duas semanas depois, Agonalto manteve um encontro com o lÌ- der polÌtico de Itabaiana e disse que qualquer funcion·rio poderia fazer o que ele estava fazendo na exatoria, e que tinha dez filhos em Aracaju precisando de sua presenÁa. Euclides, de imediato, pergun- tou se ele desejava retornar a Aracaju naquele mesmo dia. Como era uma quinta-feira, foi sugerido a mudanÁa na sexta, o que foi aceito. Ele foi ‡ Secretaria da Fazenda, pegou a portaria e me mandou para Aracaju. Acho importante esse registro, porque da maneira como me colocaram para sofrer como jenipapo maduro e ouvir de Euclides que eu era um homem de bem. Eu sÛ poderia responder ìobrigado Euclidesî. Em Aracaju, trabalhou na seÁ„o da receita no Tesouro do Estado, atÈ que veio o Golpe Militar de 1964. No retorno ao trabalho, no ano de 1979, depois de ter sido anistiado, pediu reintegraÁ„o e, em segui- da, aposentadoria, por ter 37 anos e meio de serviÁo. Foi subsecret·rio da Secretaria de ServiÁos Urbanos na adminis- traÁ„o de JosÈ Carlos Teixeira na Prefeitura, ganhando um sal·rio mÌnimo e meio. Na administraÁ„o de Jackson Barreto, foi eleito pre- sidente do Conselho Municipal de ProteÁ„o e Defesa do Meio Ambi- ente, cargo sem remuneraÁ„o que continua a exercer atÈ hoje. S„o trÍs mandatos. Deveria entregar o cargo no dia 5 de junho de 1995, mas atÈ hoje n„o conseguimos substitutos, porque a C‚mara de Vereadores tem um ano e, atÈ agora, n„o escolheu nem o conse- lheiro nem o suplente. Assim, continuo presidente. Foi vereador em Aracaju na legenda do PTB na eleiÁ„o de 1958. Depois n„o teve condiÁıes de disputar reeleiÁ„o, pois nenhum parti- do lhe dera legenda. Participou da fundaÁ„o dos seguintes movimentos populares e en- tidades de classe: Popular de Bairro, Contra a Guerra e o Nazi-Facismo, Unificador dos Funcion·rios P˙blicos ñ ASPES e FederaÁ„o dos Ser- vidores P˙blicos de Sergipe. No ano de 1963, foi secret·rio da CGT.

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OSM£RIO SANTOS

Colaborou com o Jornal do Povo, a Folha Popular (do qual foi diretor) e o Porta Voz. Morando no Santo AntÙnio, passou a se interessar com os proble- mas dos bairros da nossa cidade. Juntamente com o irm„o Edgar Pacheco da Silva, fundou o Movimento Popular de Bairro para or- ganizar e unir o povo a fim de melhorar as condiÁıes de saneamento dos bairros. Existe uma coisa que nunca mais aconteceu: na organizaÁ„o des- sas associaÁıes, na Època, uma das primeiras providÍncias era com- prar um serviÁo de autofalantes. Realiz·vamos, aos s·bados e do- mingos, programas de calouros nas sedes das associaÁıes, que reve- laram um mundo de cantores e de m˙sicos. Quando tinha 14 anos, estudante do ColÈgio Tobias Barreto, ini- ciou a trajetÛria polÌtica como ativista do Partido Comunista junto ao movimento estudantil. J· tinha lido as obras de Marx e recebido forte influÍncia de um dos irm„os mais velhos que j· pertencia ao Partido Comunista, tendo inclusive sido secret·rio. Em agosto de 1944, ingressa no PCB e torna-se secret·rio de agitaÁ„o e propagan- da para o meio estudantil. No partido, uma longa jornada. Durou atÈ quando o nosso amigo transformou PCB em PPS. Por pichar muro com propaganda do partido, foi preso por trÍs vezes pela polÌ- cia sergipana. Quando chegava na Secretaria de SeguranÁa P˙bli- ca, era libertado. Em 1964, era o secret·rio geral do PSB em Sergipe e foi ao Rio de Janeiro participar do comÌcio das lideranÁas populares e progressis- tas e da reuni„o do seu partido em nÌvel nacional. Estavam pessoas certas de comparecerem, como Seixas DÛrea. FaÁo o registro pela primeira vez, que ele somente compareceu ao comÌcio, porque fui busc·-lo no apartamento onde estava hospe- dado. Quando cheguei l·, revelou-se preocupado e chegou a par- ticularizar que Magalh„es Pinto tinha lhe advertido que o Golpe estava gerando. Disse para ele que assim era uma beleza sua pre- senÁa no comÌcio, pois teria oportunidade de denunciar o Golpe. Ele foi, falou, mas do Golpe n„o revelou nada. Retornou a Aracaju no dia 30 de marÁo e participou de uma reu- ni„o na Casa do Trabalhador com lideranÁas sindicais. DaÌ por di-

  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX   ante, as reuniıes
  M EM”RIAS DE POLÕTICOS DE S ERGIPE NO S…CULO XX   ante, as reuniıes
 

MEM”RIAS DE POLÕTICOS DE SERGIPE NO S…CULO XX

 

ante, as reuniıes das quais participava, junto com integrantes do PCB, passaram a acontecer entre os muros da EstaÁ„o Ferrovi·ria,

 

a

altas horas da noite. Cada um chegava em hor·rios diferentes e

entrada diferentes. Ficou clandestino em Aracaju por oito meses, escondido em diver- sas casas de pessoas ligadas ao partido. No centro da cidade, sÛ este- ve em uma casa. SaÌa de casa somente pela noite, com a finalidade de participar de reuniıes polÌticas. N„o parava hora nenhuma. Dos disfarces que usava, saiu muitas vezes de mendigo e de padre.

 

Nos lugares que estive, uma pessoa conversou com o finado monsenhor Domingos Fonseca de Almeida, e ele disse que gostaria de me fazer uma visita. Como o conhecia, e se tratava de um homem de bem, permiti que me visitasse. Perguntou se precisava de dinhei- ro e de batina. Deixou ajuda em dinheiro e uma batina. SaÌa pelas ruas com muito cuidado, porÈm, sem temor. Uma certa

noite passou em frente ao quartel do ExÈrcito no Bairro 18 do Forte

e

foi abordado por um sentinela que lhe perguntou as horas. De

imediato, respondeu que ninguÈm nunca viu mendigo ter condiÁıes de comprar relÛgio. Sentindo que n„o tinha condiÁıes de continuar em Aracaju, pois o ExÈrcito estava seguindo seus passos, chegando, inclusive, a visitar algumas casas em que esteve refugiado, resolveu

 

sair de Sergipe. Numa dessas buscas, escapou por pouco, fugindo pelo quintal e se escondendo numa grota. N„o era justo continuar nessas residÍncias. Desconfiei de que alguÈm tivesse dedurado. Para fugir do Estado, colocou em aÁ„o um plano de fuga previa- mente elaborado. Mandei recado para uma companheiro me apa- nhar num lugar. Era um local prÛximo da saÌda da Cabrita. Dali peguei a BR. Quando passei no Posto Fiscal, um dos guardas, que

ainda hoje È vivo, viu-me e falou que j· tinham ido atr·s de mim.

AÌ, fui para um hotelzinho em Feira de Santana. A dona do hotel

me perguntou se eu iria ficar atÈ o outro dia e me perguntou para

onde iria. Respondi que, primeiramente, iria para Belo Horizonte,

depois, Paran·. Peguei o Ùnibus e fui a S„o Paulo. Chegando l·, fui

trabalhar em vendas. Entrei em contato com o pessoal do partido e

fui participar pela luta da reorganizaÁ„o sindical. Quando fui pre-

so, nÛs j· tÌnhamos trezentas bases do partido restabelecidas.

 

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da reorganizaÁ„o sindical. Quando fui pre- so, nÛs j· tÌnhamos trezentas bases do partido restabelecidas.  
da reorganizaÁ„o sindical. Quando fui pre- so, nÛs j· tÌnhamos trezentas bases do partido restabelecidas.  

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OSM£RIO SANTOS

Agonalto foi preso na porta principal do Mappin no dia 8 de ja- neiro de 1969. NÛs est·vamos prÛximos ‡ realizaÁ„o de uma reuni„o de car·ter nacional. Vinha representantes de todos os Estados. Es- tava com incumbÍncia de receber representantes da Bahia, Pernam- buco, Alagoas, Rio Grande do Norte e Cear·. Tinha ido a Santos e soube que um mÈdico do partido tinha sido preso. Comecei a tomar algumas medidas. Como ia receber o pessoal desses Estados, tive um contato com eles perto da Biblioteca P˙blica e pedi para que n„o me acompanhassem. Tinha deixado um recado em casa: se aparecesse alguÈm que me conhecesse, eu estaria na frente do Mappin ‡s nove hora da manh„. Poucos minutos antes das nove, dois investigado- res e um delegado me pegaram. Eu ainda pedi que eles me levassem atÈ a Rua Santa EfigÍnia para levar uns jornais que tinha recebido. Consegui deixar. Mas, depois, dentro do carro da polÌcia, um dos investigadores pegou minha pasta e descobriu que havia dois jor- nais e um revÛlver, comprado na EstaÁ„o de IcaraÌ. O investigador disse, ent„o: ìInteressante, vocÍ veio aqui para deixar jornais sub- versivos e um revÛlverî. Levado para o DOPS, comeÁou a vida de torturas com aplicaÁ„o de pau-de-arara e choque elÈtrico em todas as partes do corpo. Eles queriam saber onde estava Mariguela. Sabia onde estava, pois ti- nha a forma de fazer contato. Mas dizer, jamais! Essa frente que abracei È uma frente como outra qualquer, mas com o agravante. VocÍ pode sair ou aleijado, cego ou para o cemitÈrio. A tortura mais dolorosa foi um soco dado no estÙmago, depois de uma seÁ„o de torturas de pau-de-arara, choque elÈtrico, justamente no dia em que inaugurou a Cadeira do Drag„o. Ficava sentado com as m„os e os pÈs amarrados numa robusta cadeira, especialmente, preparada para receber o chamado telefone e violentos golpes de caratÍ. Depois desses momentos de torturas, um policial comeÁou a falar, dizendo que eu era um magro que n„o fa- lava nem na porrada. Perguntou se era porque n„o sabia da verda- de ou por ser um osso duro de roer. Quando me perguntou se sabia onde estava Marighella, se diria onde ele estava, respondi que n„o, pois n„o era da polÌcia. Depois dessa resposta, ele me aplicou um soco na boca do estÙmago que doeu tanto, que caÌ num caix„o reple-

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to de livros chamados subversivos. Doeu muito e passei uma porÁ„o de dias no ch„o do presÌdio sem poder me movimentar. SÛ conseguiu receber uma visita do seu filho mais velho dois dias antes de ser trocado pela liberdade do embaixador americano que tinha sido raptado. O diretor do DOPS mandou me chamar: Quan- do cheguei estava conversando com meu filho, dizendo que eu tinha sido muito judiado, mas que estava com vida e que isso tinha acon- tecido porque ele n„o me entregou ao ExÈrcito. Disse muito obriga- do. O Dr. Vanderico do DOPS n„o entregou um sÛ preso ao ExÈrcito, atÈ quando estive l·. O seu nome foi incluÌdo nos quinze nomes indicados de presos polÌticos pelos grupos que seq¸estraram o embaixador americano a fim de serem trocados para libert·-lo (o embaixador). Fui embarcado no dia seis de setembro. SaÌ do presÌdio para a base de Cumbica. L·, um sargento perguntou a seu superior se era para usar algemas, mas recebeu ordens de cortar uma peÁa de corda e amarrar os braÁos e as pernas de todos nÛs. Levaram-nos para o Rio de Janeiro e ficamos no Gale„o. Conduziram-nos atÈ junto do avi„o, onde fomos fotografados. SaÌmos ao meio-dia. Viajamos para Belo Horizonte onde pegamos um preso. AmeaÁaram jogar a gente no rio Amazonas; na Bahia, outro. Depois, Recife, quando pegamos GregÛrio Bezerra. O ˙ltimo foi BelÈm. AÌ, ficamos sobrevoando o Estado do Amazonas. Eles ficaram sobrevoando, ameaÁando jogar a gente no Rio Amazonas. Foi uma viagem apreensiva. Chegamos ao MÈxico no dia sete de setembro, ‡ tarde, pois eles achavam que podi- am ainda localizar o embaixador. Comunicamos nossa chegada no MÈxico, e aÌ eles soltaram o embaixador. Tem um episÛdio interes- sante desse embaixador: a imprensa perguntou se ele tinha sido bem tratado no cativeiro. Ele disse que os rapazes eram educados e que sabiam falar inglÍs. Depois, n„o foi enviado pelos Estados Unidos a paÌs nenhum do mundo. Do MÈxico, depois de um mÍs, aceitamos o convite de Fidel Castro que fez o convite para todo o grupo, mas que sÛ foram treze. Em Cuba, passou a trabalhar e estudar pela noite. Prestou ser- viÁo na Divis„o EconÙmica e na Divis„o Administrativa do Minis- tÈrio da ConstruÁ„o. Inicialmente, arranhou o espanhol, mas, em

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  pouco tempo, passou a falar e escrever corretamente. ApÛs quatro anos, concluiu o curso
  pouco tempo, passou a falar e escrever corretamente. ApÛs quatro anos, concluiu o curso
 

pouco tempo, passou a falar e escrever corretamente. ApÛs quatro anos, concluiu o curso superior de Filosofia e n„o foi para Acade- mia de CiÍncias da R˙ssia fazer doutorado por causa da assinatu- ra da anistia. Agnalto teve um grande aprendizado no perÌodo de tortura. Uma dura liÁ„o, no sentido de que a cadeia È uma frente de luta muito sÈria e que o revolucion·rio que passar por ela tem que dar tudo que puder para proteger seus companheiros e sua organizaÁ„o. Feliz- mente pude comprovar isso. J· em relaÁ„o ao exÌlio afirmou que a import‚ncia maior que considerei foi a solidariedade recebida pelos companheiros cuba- nos. Quanto ‡ sua grande frustraÁ„o confessou que certamente, uma das coisas que a gente, depois que chega a esse nÌvel de participaÁ„o, n„o aceita È que um companheiro ou companheira que passe por essa situaÁ„o entregue os companheiros. A outra È o fato de que muita gente que se diz revolucion·rio de esquerda, na verdade, parece-nos muito mais oportunistas. Quando foi pedido para citar nomes, resolveu dizer o seguinte: Se se tratasse de revolucion·rios de verdade, eles estariam trabalhan- do dia e noite para fortalecer suas organizaÁıes e uni-las em uma frente, com um programa ˙nico e baseado na unidade de aÁ„o. Quando chegou em S„o Paulo, disse a um repÛrter que sÛ consi- derava chegar ao Brasil quando estivesse em Aracaju. Como a mu- lher estava morando em S„o Paulo, apÛs uma semana, lhe veio o desejo de voltar para Aracaju. A mulher questionou se iria voltar a mesma vidinha na atividade polÌtica e sindical. Do sim como respos- ta, foi forÁado a voltar sozinho. Dois anos e meio depois que fiquei

aqui, casei com uma prima: Zenilde Xavier Matos. Da ex-mulher,

quero dizer que somos grandes amigos mesmo. N„o tem tÌtulo de

 

cidad„o de Aracaju nem nenhuma condecoraÁ„o: talvez por esque-

cimento, talvez por ser um revolucion·rio.

Casou com Maria Celina da Silva. Do casamento realizado em

 

1953, dez filhos: Maria AngÈlica, JosÈ Everaldo, JosÈ Francisco, Luiz

Alberto, Agliberto, Agonalto, T‚nia, Carlos Marx, Edson, Edimir

Oscar.

 

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Everaldo, JosÈ Francisco, Luiz Alberto, Agliberto, Agonalto, T‚nia, Carlos Marx, Edson, Edimir Oscar.   64
Everaldo, JosÈ Francisco, Luiz Alberto, Agliberto, Agonalto, T‚nia, Carlos Marx, Edson, Edimir Oscar.   64

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ALBANOFRANCO *

Albano do Prado Pimentel Franco nasceu a 22 de novembro de 1940, em Aracaju, Sergipe. Seus pais: Augusto do Prado Franco e Maria VirgÌnia Leite Franco. Albano Franco È advogado, formado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Sergipe. Ainda estudante, j· demons- trava sua tendÍncia pela vida polÌtica, tendo sido presidente do Cen- tro AcadÍmico SÌlvio Romero. Um dos mais jovens deputados da As- semblÈia Legislativa do Estado de Sergipe, tornou-se, pelo destaque de sua atuaÁ„o no setor empresarial de nosso Estado, presidente da FederaÁ„o das Ind˙strias de Sergipe, projetando-se daÌ para a pre- sidÍncia da CNI (ConfederaÁ„o Nacional das Ind˙strias). Eleito para o Senado da Rep˙blica, marcou, simultaneamente, nesses dois seg- mentos da vida p˙blica brasileira, o estilo de lideranÁa din‚mica, equilibrada e objetiva que o projetou no cen·rio nacional e interna- cional como um expoente de competÍncia e de dignidade. Como empres·rio, Albano Franco exerce ‡ administraÁ„o de v·rias empresas, a maior parte delas sediada em Sergipe. Sua atuaÁ„o ‡ frente da CNI estabelece um histÛrico de realizaÁıes que identificaram o seu espÌrito de executivo, n„o se limitando apenas a aÁıes regionais, mas estendendo o amplo espectro das finalidades daquela confederaÁ„o para os serviÁos assistenciais mantidos pelo Senai e pelo Sesi. Estes Ûrg„os se transformaram em poderosos instrumentos de valorizaÁ„o do trabalhador. Albano Franco participou de in˙meras missıes no exterior, representan- do o Brasil, recebendo condecoraÁıes, insÌgnias, medalhas, tro- fÈus e comendas, alÈm de ser homenageado como Cidad„o de di- versos Estados brasileiros.

* MatÈria publicada no Jornal da Cidade em 04/08/1998.

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O pai de Albano, o sr. Augusto do Prado Franco, mÈdico e polÌtico, inseriu seu nome na histÛria de Sergipe, tendo chegado ao pÛdio da imortalidade por uma vida vitoriosa no trabalho e mais uma outra exis- tÍncia de realizaÁıes, reconhecidas em vida pelo povo de Sergipe ao longo de suas atividades p˙blicas, quer como parlamentar que exerceu in˙meros mandatos, quer como governador de Sergipe de 1978 a 1982. Albano se considera um homem feliz e de sorte por ter um pai que sÛ lhe proporcionou tudo de bom, principalmente, exemplos de tra- balho, de seriedade, de honestidade, de respeito ao cidad„o e de res- ponsabilidade social. Sou um homem muito feliz, porque o Dr. Augusto Franco foi o meu amigo de todas as horas. Gratifica-me muito estar hoje exercendo o mesmo cargo que ele exerceu. E se vocÍ perguntar a alguÈm em Sergipe qual È o ex-governador que tem mais conceito, mais prestÌgio em Sergi- pe, eu n„o tenho d˙vida que È o Dr. Augusto Franco, pelas suas realiza- Áıes, pela marca de seriedade, honestidade e austeridade. Um outro exemplo È que ele sempre olhou para todos seus filhos. Convivemos o tempo todo no trabalho e na polÌtica. Meu pai È tudo na minha vida. De sua m„e, mulher de um coraÁ„o de infinita bondade e de com- pleta doaÁ„o aos filhos, herdou o temperamento. Meu estilo È muito mais parecido com o de minha m„e. Ela È aquela mulher bonÌssima, que sÛ pensa em fazer o bem sem perguntar a quem, sem nenhum interesse material nem interesse polÌtico, sempre com aquele sorriso nos l·bios, sempre com aquela serenidade. Minha m„e È uma mu- lher maravilhosa e companheira de meu pai em todos os momentos. NinguÈm tem mais fÈ e religiosidade do que ela. Mas, o principal de minha m„e È a solidariedade humana. Ela È uma mulher quase santa pelo que pratica, e n„o porque vai a igreja todos os dias. No ColÈgio Salvador, Albano n„o sÛ teve o primeiro contato com os li- vros, como tambÈm uma sÛlida base de conhecimentos adquiridos durante os quatro anos do curso prim·rio, realizado com a irm„s Galr„o Leite. Hoje eu ainda tenho os conhecimentos pelo tempo que passei no ColÈgio Salvador. Primeiro, a formaÁ„o cÌvico-religiosa, eu devo mui- to ‡s freiras Bernadete e Mari·. Muitos dos meus conhecimentos de PortuguÍs, de HistÛria e de Geografia foram graÁas ao ColÈgio Sal- vador. Fui muito feliz naquele colÈgio e tive a sorte de poder colocar

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meus filhos para estudarem l·, onde foram excelentes alunos, prin- cipalmente, minha filha AdÈlia. Um dos fatos interessantes de sua passagem pelo ColÈgio Sal- vador prende-se ao perÌodo em que passou, por alguns anos, como aluno interno, porque seus pais residiam na cidade de S„o Cris- tÛv„o. Eu me lembro da rigidez do colÈgio no hor·rio, na alimentaÁ„o, e tudo isso me serviu muito para minha orientaÁ„o e para a minha formaÁ„o. Tenho recordaÁıes maravilhosas, a exemplo dos muitos ìcarıesî, muitas vezes alguns puxıes de orelha de Dona Mari·. Eu tomava isso como exemplo e incentivo para a minha vida. No ColÈgio S„o Vicente de Paula, em PetrÛpolis (Rio de Janeiro), prestou, com Íxito, exame de admiss„o. Em S„o Paulo, no ColÈgio Arquidiocesano dos Irm„os Maristas, estudou a primeira e a segun- da sÈrie do curso ginasial. Retornando a Aracaju, matriculou-se no ColÈgio Jackson Figueiredo, onde concluiu o curso ginasial. Tive co- legas que hoje s„o lÌderes polÌticos, que s„o pessoas importantes. Res- salta o valor que os educadores Benedito e Judite Barreto tiveram em sua vida. Eles marcaram a minha mocidade. Como tinha dificuldades com Matem·tica e FÌsica, optou em fazer o curso cl·ssico, realizado no Rio de Janeiro. No inÌcio da dÈcada de 60, fez vestibular na cidade do Recife, ingressando na Faculdade de Direito. Um ano depois, retornou a Aracaju e passou a trabalhar na Usina Pinheiro, mas n„o deixou de dar continuidade ao curso supe- rior, como aluno da Faculdade de Direito. Ele perdeu um primeiro vestibular. Isso aconteceu porque estu- dou pouco. Teve a experiÍncia do primeiro trabalho ao lado de seu pai na F·brica Sergipe Industrial. Participei de todas as carteiras. Eu fui faturista, caixa, escriv„o, datilografando documentos em m·quinas bem antigas. J· como es- tudante de Direito, fui trabalhar no escritÛrio da usina na rua da Frente. Comecei na parte comercial e, no pen˙ltimo ano de estudan- te de Direito, cheguei a ser diretor da usina. Dos seus momentos como presidente do Centro AcadÍmico SÌlvio Romero da Faculdade de Direito, revela que sua posse aconteceu, justamente num dia que muito o marcou.

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No dia 13 de marÁo de 1964 aconteceu o cÈlebre comÌcio da Cen- tral do Brasil, com a presenÁa de Jo„o Goulart, de Seixas DÛria e outros mais. Mais tarde, no dia 31 de marÁo aconteceu a RevoluÁ„o. Ent„o, como presidente do DiretÛrio Estudantil de Direito, tive uma posiÁ„o muito digna e coerente na faculdade, n„o aceitando imposi- Áıes do Regime Militar, n„o aceitando prorrogaÁ„o do meu manda- to como presidente no diretÛrio acadÍmico e convivendo muito bem com pessoas que tinham posiÁıes ideolÛgicas antagÙnicas.