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A AÇÃO SOCIAL COMO RESULTADO PRÁTICO

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A AÇÃO SOCIAL COMO RESULTADO PRÁTICO DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ RICARDO MARTINS MATIOLI Tese elaborada na Faculdade Teológica Sul

Americana

INTRODUÇÃO. I - A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ. 1 – A Firmeza da Fé. 2 - Motivação para o Serviço. 3 - Somos a Justiça de Deus II – AÇÃO SOCIAL EM UMA IGREJA JUSTIFICADA. 1 – A Igreja Primitiva. 2 – A Reforma. 3 - A América Latina. 4 - A Igreja Presbiteriana em Londrina. III – DESAFIOS DE UMA ECLESIOLOGIA SERVIÇAL. 1 – A diaconal política da Igreja. 2 – Obedecendo a Grande Comissão. 3 – Jesus o Pão da Vida. 4 – Ação Social como provedora da comunhão. IV - BIBLIOGRAFIA

INTRODUÇÃO.

A justificação é pela fé em Cristo. Não se trata de pressupostos da tradição cristã apenas. Ela é tema de todo o agir da eclesiologia que emana da praticidade da vivência cristã. Diríamos, mais ainda, que a justificação está para a exigência ética da ação social assim como a fé está para a vida cristã. A espiritualidade cristã, nesse contexto, é a junção de fé e prática. O objetivo dessa reflexão teológica é afirmar que o ministério diaconal só é possível para aqueles que foram alcançados pela justiça divina. A ekklesia manifesta esses princípios como algo visível da fé justificadora. Para tanto, fundamentarei, inicialmente, três características básicas da justificação pela fé, a saber: a) a firmeza da fé; b) a motivação para o serviço; e c) somos a justiça de Deus Depois, apresentarei historicamente a ação social dentro de uma igreja justificada. Não considerarei a questão pessoal que a justificação exerce na teologia dogmática, mas sim irei um pouco mais além, utilizando a teologia sistemática, optando por uma linha reformada de prática teológico-pastoral, ou seja, na questão sistemática enquanto justificadora das estruturas eclesiásticas para a manifestação da diaconia cristã. Pois, entendendo que a igreja é serva - veio ao mundo para servir e tendo Cristo como exemplo-mor - é pois a exemplificação da igreja justificada na prática da ação social. Para tanto, a exposição da Igreja Presbiteriana Maanaim de Londrina como articuladora da ação social no meio da comunidade é símbolo figurativo do aspecto visível da justificação pela fé em Cristo. Por fim, apresentarei a Igreja serva num contexto latino-americano que, profeticamente exerce missão diaconal.

I - A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ.

1 – A FIRMEZA DA FÉ.

A justificação pela fé provoca no cristão a segurança da salvação já alcançada pelo trabalho de Cristo. Ela possui o caráter de firmar o cristão no caminho de Jesus. Promove, ainda, a convicção frente aos desafios provocados pela missão. Essa firmeza se torna, então, no princípio básico da vida cristã. A firmeza da fé é algo para ser vivido e praticado. Não é mera discussão transcendente a respeito da experiência cristã com o Espírito, mas a vivência da realidade espiritual que move e estimula os cristãos a uma prática de fé visível. É, pois, a firmeza da fé que possibilita ao mundo o enxergar as obras. Sendo assim, a fé é somente para os que crêem, é somente em Cristo e é somente para a justificação. Berkhof nos dá uma compreensão clara sobre a segurança da fé:

"Devido à certeza que a expressão "segurança da fé" nem sempre se usa no mesmo sentido, é preciso fazer uma cuidadosa distinção. Há uma dupla segurança, ou seja: primeiro, a segurança objetiva da fé, que é "a certa e indubitável convicção de que Cristo é tudo o que declara ser e que fará tudo o que promete". Convence-nos, em geral, que esta segurança é a da essência da fé. Segundo, a segurança subjetiva da fé, ou a segurança da graça e da salvação, que consiste em um sentido de segurança e proteção, que se levanta em muitos casos à altura de uma convicção firme de cada crente como indivíduo já pode ter seus pecados perdoados e salvo sua alma."

Podemos

perceber

que

a

exposição

teológica

de

Berkhof

define

classicamente a eficácia da fé (objetiva e subjetiva), ou seja ao mesmo tempo que nos leva a crer em Cristo como cumpridor de todas as suas promessas, Ele mesmo convence-nos de que somos perdoados e salvos. Quanto a essa realidade salvífica de Cristo não há argumentos que desdizem dessa firmeza. Estar firme em Cristo é compreender o aspecto apologético da fé. Berkhof conclui sobre a firmeza da fé a partir de estudos históricos que ela proporcionou aos de tradição reformada. Gustaf F. Aulén dá outros um aspecto duplo da fé:

"De um lado, Deus subjuga a alma humana; de outro, o homem voltase para Deus e a Ele se entrega. A referência à atividade do homem não implica numa negação de que a origem e a existência da fé sejam devidas exclusivamente ao "ato" de Deus e ao "ato" do homem, ou opor um ao outro, envolve uma racionalização comprometedora."

Aulén nos faz perceber que o homem volta-se para Deus e isto o leva a se comprometer com Ele, de modo que seu crer não é simplesmente porque lhe dá vantagens, mas porque lhe dá disposição a não negar o amor divino. E a este respeito Aulén afirma ainda:

"É evidente para a fé que a atividade do amor divino não pode ser julgada ou avaliada segundo padrões humanos. Não cabe ao homem decidir, a partir do ponto de vista do seu próprio poder, o que é e o que não é obra do amor divino. A fé sabe muito bem que o amor divino pode esconder-se na ira, malgrado esta pareça diametralmente oposta àquele. Não se atreve a interpretar os modos de agir do amor divino baseado no desenvolvimento histórico. Não esquece que Deus não só é Deus revelado mas também o Deus que, nas circunstâncias da vida terrena, se esconde do homem. A firmeza da fé, apegando-se ao amor divino não obstante o testemunho dos eventos terrenos, tem sempre um tom de apesar de."

Assim Aulén mostra que a firmeza da fé apegada ao amor divino se torna em um poder que gera na vida do homem a vontade divina, fazendo com que todas as suas atividades se caracterizem pelo amor. E na medida que esse amor de Deus penetra na sua vida leva-o em direção ao seu próximo. Como disse Lutero, "O cristão deve ser um "Cristo" para o seu próximo". Para Lutero, o homem precisa ser salvo a fim de poder fazer o bem, sendo assim o ego humano descresse, e cresce nas mãos de Deus como instrumento de seu amor. Para o apóstolo Paulo, a salvação pela fé é um novo projeto de Deus (Rm 3:21-26; 5:9,11; 6:19,21,22, 7:6; 8:1-18,22; 11:5,30,31 e 16:26) uma vez que a lei se revelou ineficaz, não tornou o homem justo, não o liberta do pecado e pela fé em

Para o apóstolo. etc. neste argumento. Suas obras nada acrescentam. independentemente de qualquer mérito de sua parte. Pelo Espírito Santo e pelo efeito da redenção de Cristo ele aprende a agir nesta dependência e torna-se capaz de agir fazendo o bem. mediante a fé (Rm 3:25). Não pede a iniciativa humana. Comblin assevera que Deus ama primeiro e toma a iniciativa de perdoar antes que o homem pudesse realizar sequer algumas obras boas. o certo é que Paulo não aboliu a Lei. o que a lei não fazia.Cristo Jesus todo homem pode ser justificado. Envia seu Filho para morrer na cruz. Ele nos torna justos pelo dom do seu Espírito Santo. mas suspeita de sua verdade. por seu próprio sangue. de algo que não apenas se crê ser verdadeiro. pois tudo é graça". dos homens só pede a fé em Cristo. Assim. da ação social. a lei sempre demarca sob os limites da suspeita. não há exclusão de outros povos que não vivam sob a Lei judaica. Cristo é substituto dos sacrifícios expiatórios da Antiga Aliança. mas situa o gesto salvador de Cristo como instrumento de libertação e propiciação. Paulo se opõe entre a lei e a fé e entre as obras da lei e a fé e. pois o justificado não confia nela. porém o caminho da fé o fundamenta em uma esperança sólida.MOTIVAÇÃO PARA O SERVIÇO. sem esperar que nós nos tornemos justos. A despeito de muitas discussões sobre esta questão. Ele faz o resto. 2 . . mas que é verdadeiro. do serviço. tudo aquilo que a lei não conseguia fazer. Perrot diz que "o homem é justificado só pela fé. Assim. Vê-se com clareza que o cristão depende totalmente de Deus e não pode pensar em ser autor de sua própria salvação pelas obras. gratuitamente. significa renunciar a toda força humana para depender somente da força de Deus para entrar na prática da fé pelos desafios: da missão.

É uma ação a favor do ser humano. E além de ser exemplo ensina a humildade e serviço e diz a seus discípulos: "Porque eu vos dei o exemplo. Assim. em segundo lugar que este exemplo divino deve ser seguido por todo "cristão" que tem sua vida em Cristo. vendo Cristo como modelo e a inspiração para o seu serviço. A motivação é tão importante quanto a ação. façais vós também. uma vez que a ação está a serviço da vida. Manfred Grellet ressalta a importância dessa motivação correta dizendo que "a correta motivação conduz ao bom serviço. agindo somente pela ação do Espírito Santo. pois Deus não está apenas interessado em que fazemos. O Espírito é o confirmador (selo) desse estímulo provocado. manifestando o mesmo espírito de serviço. e a motivação errada sempre traz conseqüências funestas" É com a motivação certa que o cristão deve servir. manifestou sua preocupação com a salvação de todos os homens e do homem como um todo. mas se elas são geradas por motivações erradas nada valem. como eu vos fiz. Kjell Nordstokke nos dá a seguinte compreensão acerca da esfera da ação: pois é somente a partir de Deus que o ser humano pode adquirir . Assim o Senhor quer que a motivação para o serviço esteja Nele e todos são convidados a seguir seu exemplo.A fé em Cristo é o estímulo provocado no coração do cristão. "pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido. Jesus Cristo é o maior exemplo de servo. A resposta é a execução do serviço proposto pela Missão de Deus. Portanto. a motivação para o serviço deverá ser buscada com muito cuidado e ponderação." (Jo 13:15). mas o porquê fazemos. isto em razão de que o cristão pode estar cheio de atividades. o cristão não precisa servir a Ele somente dentro de seu ambiente eclesiástico. A motivação certa para o serviço é a humildade com o próximo. dignidade. Este exemplo divino revela em primeiro lugar. a sua importância. Estas considerações tornam clara a idéia que a motivação está na fé em Cristo. para que. mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos" (Mc 10:45). O hino que Paulo consagra a Cristo em Fl 2:6-11 nos mostra que Cristo veio como servo.

pelo contrário. mas inteiramente do Espírito de Cristo. somos chamados a ser embaixadores em nome de Cristo no Ministério (em grego: diakonia) da reconciliação". Jesus personificou o reino. ou melhor dizendo. Na Confissão de Fé de Westminister há a seguinte colaboração com respeito à ação do Espírito para a realização das boas obras: "A capacidade de fazer boas obras de algum modo não provém dos crentes. Nordstokke conclui ainda: "A partir dessa realidade de onde Deus reconcilia o mundo consigo. É através do Espírito Santo que se concretizam o contato e o compromisso com o projeto de vida de Jesus. contudo. A fim de que sejam para isso habilitados. o homem justificado se empenha pela libertação de tudo aquilo que oprime. Neste sentido." . que se resume na palavra servir." Pelo fato de a motivação estar inserido no ato da justificação. é necessário que recebam a influência efetiva do mesmo Espírito Santo para operar neles tanto o querer como o realizar segundo o seu beneplácito. estão abertos às pretensões e à ação do Espírito Santo. não devem por isso torna-se negligentes. paz e alegria no Espírito (Rm 14:17). devem esforçar-se por dinamizar a graça de Deus que está neles. se opõe contra a dignidade humana. Um outro fator motivador para o serviço está na operação do Espírito Santo na vida do cristão. pois somente por meio de Sua atuação é que podemos tornar autêntico o serviço e fazer superabundar as boas obras e a vida. além da graça que já receberam. reduz ou acaba com a vida. significa dizer também que o justificado vive as qualidades do reino: justiça. como se não fossem obrigados a cumprir qualquer dever senão quando movidos especialmente pelo Espírito."Aqueles que estão na esfera da ação de Jesus. seguindo o exemplo de Jesus.

IISm 4:11s. ou entre o rei e um dos seus oficiais. De outro lado. Davi (II Sm 8:15. e. 14 e o Livro de Oséias . O Êxodo exemplifica a justiça de Deus como sendo o cumprimento de sua vontade. E. O promotor dessa justiça é Cristo. a ênfase dada pelos sacerdotes e profetas refletia o desejo de que o rei fosse alguém digno da qualidade ideal de justiça. I Sm 24:15). o rei muitas vezes era interpretado como a manifestação da era messiânica. 6. No período monárquico já existia uma grande dificuldade com relação à justiça e à lei da vida (Torá). de modo geral.g. A justificação é o ato de justiça de Deus em nós. opressão e dominação religiosa. isto é. somos feitos justiça de Deus. Gn 38:26. entre membros da mesma família. No Antigo Testamento a situação do povo israelita no Egito reflete a injustiça e nos dá uma compreensão do significado da justiça de Deus. Com respeito ao período monárquico. a justiça do homem não é tanto assunto de relacionamento com Deus quanto de relação com o próximo. que gera vida. Is 3:10. Amós 5:7 e 6:12 referem-se a estes dois aspectos juntos. Isso aconteceu quando Israel elegeu um rei que assumiria o lugar do único Rei Iahweh. I Rs 3:32.SOMOS A JUSTIÇA DE DEUS Pela fé. Além dessa qualidade ideal. 1:4ss. O rei deveria praticar a justiça em sua administração. que surgiu quando os chefes de Israel confundiram a Torá.3 . costumes e sistemas de governo de outros povos. do outro lado. uma vez que o contexto daquele povo era de escravidão. I Rs 3:6) e Salomão (I Rs 10:9). Ez 3:20. A justiça foi encontrada nos grandes reis da história de Israel. pela lei de Deus (Sf 2:3). Amós 5:4. será tido como justo aquele que obedece a lei e pratica a justiça. que obedece a vontade de Deus (Is 11:4ss. mediante as relações humanas (e. Gn 18:23. que geram opressão e morte. e o anúncio da justiça somente poderia ser aquele que decretasse a liberdade para o povo. Nesse aspecto. Gn 6:9). sendo que seu comportamento se regula. com as tradições. de um lado. conseqüentemente. SEEBASS diz: "Antes do exílio.

Muitos verbetes hebraicos podem ser traduzidos como salvação. O substantivo δ ι κ α ι ο σ υ ν η resultou. justificação (Gl 2:21). justiça (At 24:25). Podemos diferenciar θ ε ο υ δικα ι ο σ υ ν η ε κ ν ο µ ο υ e δικα ι ο σ υ ν η (justiça da lei e justiça de Deus. Os sacerdotes são vestidos de justiça e as portas da justiça são as portas da salvação (Sl 132:9. que há de realizar os mais ardentes desejos de todos os oprimidos e miseráveis”. Ora. é libertar os fracos e oprimidos. Jó 8:6). quero desenvolver os conceitos básicos da justiça de Deus e alguns termos correlatos na tentativa de explicitar melhor essa doutrina no contexto neo-testamentário. em piedade (Mt 6:1). 118:19). Este termo justiça sofreu muitas alterações através do tempo. E esse significado baseia-se na sua fidelidade à aliança. nas traduções em português de justiça. A noção de justiça de Deus ganhou a conotação de “fidelidade”. chegando a identificá-la como atuação salvífica de Deus. Assim. até chegar-se à sua compreensão. quando há um grande desnível. Também encontramos esta evolução no Novo Testamento e em toda a doutrina social da igreja primitiva. a justiça passa a ser a grande esperança do oprimido no pacto feito por Deus em sua aliança: “A restauração messiânica será uma reflorescência da justiça divina. . É libertar os oprimidos”. Assim. libertação. Há que se reconhecer que é no Novo Testamento que é dado o sentido estritamente teológico da expressão "justiça de Deus". Nessa parte." E no profetismo que a justiça de Deus possui a compreensão salvífica. A morada do justo é a morada que Deus protege (cf. ser justo é favorecer o lado mais fraco. ser justo é pegar o que está embaixo e colocar no mesmo nível dos de cima. justificação etc.testificam. direito (I Jo 2:29). “Justiça. no Antigo Testamento. Essa justiça é a obra que Iahweh realiza em seu povo. O movimento profético conseguiu dar uma nova dimensão à justiça de Deus. O apóstolo Paulo sistematiza a doutrina da justiça de Deus e da justificação pela fé. uma preocupação pela justiça diante de Deus mediante os relacionamentos interpessoais. respectivamente). aquilo que é justo (Ef 5:9) ou ainda pode ser justificado e é justificado (Rm 10:4.10). de modo geral.

e. A justiça de Deus é. e julga e peleja com justiça”(Ap 19:11). 4) Deus é e demonstra justiça (3:25). justificado (Rm 10:4). que convencerá o mundo que a justiça será manifestada mediante a volta de Jesus a Seu pai. Esse ato justo pode ser atribuído somente a um único homem: Cristo Jesus. aquele que vive na prática do pecado. 18. 9) justiça e o Espírito Santo (3:28). a da lei. portanto. Paulo. 10:4). O terceiro refere-se a Cristo como “fiel e verdadeiro. que somente aquele que morreu de fato para o pecado é. ou seja. Deus em serviço (1:17. encontramos cerca de 10 usos diferentes da expressão justiça de Deus: 1) para toda a humanidade (Rm 1-3). O primeiro refere-se ao Parácleto como Advogado (Espírito Santo. E é em Paulo que essa compreensão é mais profunda. Seebass descreve três usos exclusivos para δ ι κ α ι ο σ υ ν η . É o entendimento claro da doutrina da salvação como um ato do Deus Justo. 5) justificação legal (8:34). forma externa de conduta ética. 6) a relação com o perdão dos pecados (4:7). se concretizou na de Deus. Em Romanos. 7) a fé como pré-requisito à justificação (1:17). 3) o centro da cruz (3:25s. 8) justiça em relação à esperança (10:4-10). 3:25). em sua carta aos Romanos. todavia sua tradução mais correta em português diz respeito ao julgamento (Ap 15:4) e a um ato justo (Ap 19:8). A Lei. um ato justo realizado em Cristo Jesus para nossa salvação. Este δικα ι ο σ υ ν η substantivo muitas vezes serve de sinônimo para . Os sentimentos de felicidade e auto-satisfação oferecem uma compreensão subjetiva dessa doutrina. Esse ato somente se concretiza para aqueles que crêem em Cristo e depositam nEle a sua fé. Enfim. A salvação é a conseqüência da justiça de Deus. destaca várias vezes a temática fé e lei.Pois. 10) justiça como o poder da nova vida (5:12-21). enquanto que a compreensão objetiva leva-nos à práxis cristã. Vale lembrar. 2) uma ação divina. pois é nascido de Deus. também. O segundo uso do termo se apresenta num duplo aspecto: como alguém justificado e que consequentemente pratica a justiça. a salvação do cristão é o resultado da justiça de Deus. 5:9s. deixava a pessoa sempre com um sentimento de culpa. portanto. É por esse motivo que o apóstolo Paulo escreve sua carta aos romanos com as seguintes palavras: "a . em João 16:10).

“não é imperialista. e 3) a experiência do novo Ser como processo (santificação). Isso também implica num conflito entre o amor cristão. isto é. O exercício da justiça é a ação de seu amor. ela também resiste e condena”. pois “justiça é aquele aspecto do amor que afirma direito independente do objeto e do sujeito na relação de amor (. Portanto. Mas a justiça de Deus é o ato através do qual ele permite que as conseqüências auto-destrutivas da alienação existencial se desencadeiem. 2) a experiência do novo Ser como paradoxo (justificação). exigido pela pregação neotestamentária. E ameaça a violação da justiça com rejeição e destruição. A experiência do novo Ser é dividida em três etapas: 1) a experiência do novo Ser como criação (regeneração). Assim.justiça de Deus se revela da fé para fé" (Rm 3:21-4:25). as ambigüidades da justiça aparecem toda vez que ela é exigida e atualizada. Para Tillich. Deus radicalmente condena essa atitude.. resistindo e quebrando a resistência daquilo que está contra o amor. dada gratuitamente por Deus na pessoa de Jesus Cristo.. encontramos várias referências da justificação pela fé sem a necessidade da Lei. A Lei transmitia uma exigência ao homem de justificar-se através do seu próprio esforço. E. contudo. A relação do Deus de Israel com sua nação baseia-se em uma aliança. e justiça. Deus se dá a conhecer ao ser humano através . TILLICH propõe mais uma vez que se pregue o amor como pressuposto da Comunidade Espiritual. Paul Tillich. define o tema da justiça de Deus como expressão básica do princípio de salvação do homem em Cristo. Esse conflito resultou numa teoria conhecida como teoria do conflito entre amor e justiça. pois é feita em nome daquele princípio que implica em ultimacidade e universalidade: o princípio da justiça. A aliança exige justiça. ao cumprir a sua tarefa missiológica.) mas nesse processo a justiça não só afirma e seduz. o cumprimento dos mandamentos. não pode haver conflito em Deus entre seu amor e sua justiça”. A justiça de Deus se manifesta nos dias de hoje através de grupos que interpretam os escritos bíblicos com uma ótica enraizada numa única esperança: eliminar a injustiça. a Igreja deve levar em conta que a “justiça de Deus não é um ato especial de punição calculado de acordo com a culpa do pecador. Essa expressão. denunciando-a. Ainda no Velho Testamento. Isso significa que Deus é independente de sua nação e de sua própria natureza individual”.

sendo o primeiro a assumir responsabilidade social quanto aos pobres. que nos obriga a agir com a gratuidade e atitude semelhante à sua para com nossos irmãos.de sua atuação na História e. 1 – A IGREJA PRIMITIVA. e introduziu a nova era”. entendo como a ação de tornar justo o perdão dos pecados. do pecado e da justiça e nos leva a toda verdade (João 14 ). pois nos coloca na posição de “perdoados em Cristo Jesus”. de quem nada podemos exigir. creio que a expressão dikaiosune theou pode ser compreendida como o perdão dos pecados num tempo futuro. . De certa forma. temos o perdão dos pecados. “É forense e escatológico. Rudolf Bultmann acredita que a ação de “tornar justo” a alguém (diakioó) é uma atividade totalmente divina. A fé é ação gratuita e justificadora de Deus. também é escatológico. porque o evento salvífico pôs término ao curso antigo do mundo. Sendo assim. pois é importante analisar as Escrituras e ver a do Ministério de Jesus na prática da ação social. Cristo é o único instrumento da justificação. da morte e ressurreição de seu Filho. uma vez justificados em Cristo. temos o Espírito que nos convence do juízo. nós também. pois assim como Cristo foi encontrado justo. sem pecado algum. A justificação é um dom de Deus. baseada na pressuposição de que ele tem fé. No presente tempo. como tal. sendo que a justiça já é imputada ao homem no presente. Considerando a fé como o primeiro passo do homem ao processo da manifestação da justiça salvífica de Deus. O termo justo quer significar “num relacionamento justo”. é a ação de Deus em Cristo e de Cristo em nós. II – AÇÃO SOCIAL EM UMA IGREJA JUSTIFICADA. mas. principalmente através da vida.

aos que choram. era muito maior do que a oferta dos ricos. era um ato de amor. Jesus fala dos pobres em Mt 11:5. e seguem-se os "ais" contra os ricos. que parecia irrisória. E os maiores sofrimentos desta classe.j (ptöchos) ocorre 34 vezes. além das privações. 32-33. aos pobres. eram economicamente sendo que 24 vezes somente nos evangelhos. sendo que muitos destes eram doentes e aleijados e não tinham outra alternativa senão mendigar. Havia também as viúvas e os órfãos. confiam somente em Deus (Cf Sl 68:28-29. Jesus pertencia a esta classe humilde e não tentou sair dela. aos odiados. O conceito básico de "pobre" nos àqueles que despossuídos. Jesus disse que a oferta da viúva pobre. Is 61:1). pelo contrário trouxe uma nova perspectiva para todos aqueles que se sentem oprimidos. Os pobres dependiam totalmente da caridade de outras pessoas. Nos evangelhos sinóticos Jesus disse ao rico que queria herdar a vida eterna: "Vai vende o que tens. Sua . Jesus se identifica com os pobres nas bem-aventuranças. Inclui. Lc 18:22). Nenhuma das duas passagens emprega pobre no sentido social geral. Sua vida em si. aos famintos.Em o Novo Testamento o termo grego evangelhos não se refere somente ptwco. e devemos incluir ainda nesta lista os operários diaristas não qualificados. Em Mc 12:41-44 e Lc 21:1-4. Mt 19:21 qualifica esta declaração ao incluir a condição: "se queres ser perfeito". Albert Nolan descreve que a palavra "pobre" abrange todos os oprimidos que dependem da misericórdia de outrem. Em Lucas. Os evangelhos sinóticos retratam sua vida. A forma expandida de Mateus ressalta o fundo histórico vétero-testamentário e judaico daqueles que. Seu modo de viver não só se identificava com os pobres mas também com o conceito vétero-testamentário da pobreza. eram a vergonha e o desprezo (Lc 16:3). nas bem-aventuranças Mt 5:3 e em Lc 6:20. os mendigos. que dependiam das esmolas de sociedades piedosas e do tesouro do Templo. dá-o aos pobres" (Mc 10:21. as bem-aventuranças se confirmam essencialmente à pobreza. e ao mesmo tempo fez a escolha de se lançar sob os cuidados do Pai. Jesus não ficou indiferente à pobreza nem mesmo à situação econômica da pessoas. em primeiro lugar. na aflição. os camponeses e os escravos.

At 4. comprometeramsedos com a evangelização." Jesus mostrou um sentimento humano. pois ganharam a admiração do povo (At 5:13). que possuía um campo: vendeu-o e deu a soma aos Apóstolos (Atos 4. portanto. uma reação das tripas. (At 11:26). 14:14). e esta compaixão é o sentido da parábola do bom samaritano (Lc 10:25-37). Mt 14:14. e a Igreja primitiva vai assumir também este sentimento e vai desenvolver uma evangelização através da ação social. em particular. o caso de Barnabé. Nolan faz o seguinte comentário a respeito da compaixão que Jesus sentia: "A palavra "compaixão" é fraca demais para exprimir a emoção que movia Jesus: O verbo grego spagchnizomai. ou coração. entranhas.compaixão o tornou diferente de todos os outros (Mt 9:36. Seu nome refletia seu caráter. ou seja.34). Mt 20:34). A igreja primitiva narrada em Atos mostra-nos que os primeiros cristãos compreenderam o significado de serem embaixadores de Cristo. um líder cristão que era notável pela sua bondade (11:24). significa movimento ou impulso que brota das próprias entranhas da pessoa. e este sentimento causou grande impacto sobre as pessoas que eram oprimidas. Este livro cita.36-37). é derivado do substantivo splagchnon. vísceras. Outro aspecto que podemos ver no livro de Atos. proclamaram (kerigma) as boas novas (evangélion) e supririam as necessidades dos irmãos (diakonia).44. cf. que significa intestinos. O verbo grego. também retra as ações econômicas de forma organizada Atos fala da ação de por em comum tudo o que os irmãos possuíam: "Vendiam suas propriedades e seus campos e partilhavam o resultado entre todos segundo as necessidades de cada qual" (At 2. sua vida justificada. que mostra a Igreja Primitiva como uma igreja justificada. usado em todos esse textos (Mt 9:36. E com esta estratégia alcançaram o mundo conhecido do primeiro século sendo chamados cristãos. Lc 7:13. sua fé. . as partes internas das quais parecem surgir as emoções fortes. Mc 6:34.

outros eram expulsos do convívio de sua família e por estes motivos passavam grandes dificuldades. mas na forma do caminho mais excelente do amor cristão. dizem a mesma coisa. Se essa medida não modificasse o comportamento do indivíduo. os crentes deveriam evitá-los (2Ts 3:15).1).A interpretação desta ação de por em comum os bens é difícil. a uma verdadeira caixa comum onde os cristãos depositavam suas ofertas . pois descobrimos que tal uso existia entre os sadocitas (saduceus). Na verdade sua . I. pois achavam que Jesus voltaria a qualquer momento. faz o seguinte comentário: "Sabemos que pelo menos um outro contemporâneo judaico à seita Qumrãn. Filo e Josefo. dá-se devido ao fato de serem elas vítimas das perseguições que os crentes judeus sofrem. Mas para Coleman o mais comum neste período era que os primeiros cristãos perdiam seu emprego ao abraçarem a fé. A recomendação é dura. pois a igreja de Jerusalém vai depender das igrejas gentílicas. adotou este modo de vida (1QS 6). Howard Marshal. nas suas descrições dos essênios (com os quais usualmente se identificaram os cunranitas). Já vimos como a narração de Lucas assume certo colorido essênio. a este respeito. mas essa dependência. Lucas parece fazer referência a algo mais. O apóstolo Paulo ensina que estes deveriam passar fome. É possível que se tenha inspirado na descrição da comunidade de Qumrân. e assim eles têm seus bens confiscados e desmanteladas as suas fontes de ganho. Podemos entendê-la como uma instituição de ação social para auxiliar os indigentes em suas necessidades. Assim a igreja de Jerusalém mostra sua generosidade e demonstra espontaneamente que o dom do Espírito não está apenas na forma de línguas e profecia." Devemos considerar que essa experiência não dura muito tempo. Existe ainda um fato que é considerado por Coleman a respeito de alguns cristãos que levianamente largavam os seus empregos e se recusavam a trabalhar. Isso nos parece hoje menos impressionante. Isso faz alusão ao serviço das viúvas (At 2:6. a maneira comum da assistência social na Sinagoga. segundo Champlin.

ele não é específico. pois os crentes de Antioquia pensavam que deveriam ajudar a irmãos necessitados. Todos os cristãos. Não se destinaram.prática mostra nada mais que a justiça de Deus se fazendo presente através do povo. porém. para darem suas vidas em ministério. Calvino fala que essa gratidão não merecia pequeno louvor. "social". os apóstolos se aproveitam desta ocasião para se munirem de colaboradores. de quem haviam recebido o Evangelho. mas para servir". 'médico" ou outro. ou melhor. Na realidade. a não ser que receba um adjetivo como "pastoral". Visto que qualquer pessoa se inclina para suas . sendo seguidores daquele que veio "não para ser servido. que se queixavam de verem suas viúvas abandonadas. Stott dá a seguinte conotação para esta passagem: "Diakonea é um termo geral para serviço. unicamente ao desempenho do serviço em favor dos pobres. as igrejas tinham muita compaixão pelas necessidades dos pobres de suas comunidades e de outras também. o que vai se assemelhar muito com o sistema da Sinagoga. da qual deriva a palavra diácono. Os Apóstolos instituíram entre eles homens que pudessem cuidar destas necessidades. John R. político". sem exceção. e que esta eleição vai criar o precedente para o que vamos encontrar como ofício na igreja mais tarde. Na ocasião que Jerusalém sofre perseguição e passa por grande crise social os crentes de Antioquia enviaram para eles suprimentos (At 11:28-29). são chamados para ministrar. Os cristãos instituíram um serviço em favor dos pobres. Mas ainda não foi neste momento que se instituiram os diáconos. Horton argumenta que os sete não são chamados diáconos nesta passagem." De um modo geral. É certo que dentro desta organização econômica da igreja primitiva haviam problemas que surgiram dos protestos dos helenistas. Porquanto nada existe de mais acertado do que aqueles que têm semeado as realidades espirituais. embora seja uma forma de diakoneo. Vamos vê-los a pregar as boas novas e a batizar (Atos 6). que seria controlado pelos apóstolos. devem colher também coisas terrenas. Stanley M. W.

Paulo esconde-se de sua cultura para se identificar com o povo. ou então como hospede na casa de uma família rica e ficaria dependente desta família. Paulo. Desta forma. Deus rejeita o poder da cultura e escolhe aqueles que são mais fracos. Este era o ponto de partida. e quando um filósofo aparece e o agrada. O apóstolo Paulo dá um passo decisivo para o avanço missionário mostrando sua concepção social na evangelização. Diante da resistência dos judeus quanto à questão da circuncisão. pois entrar através dela significava escolher a fraqueza e a carência de poder. Paulo se apresenta em sua tarefa missionária sem nenhum prestígio que possa lhe conferir superioridade. Todos seus programas vão derivar destes dois aspectos. faz dos cristãos . em primeiro lugar por nações que estão distantes. Sua condição não lhes permitia acesso à cultura grega. pois fazia o gratuitamente (1Co 9:15-18). Comblin comenta que haviam duas motivações para que um missionário pudesse entrar em uma cidade grega: como filósofo. apareceendo numa praça pública. Sua teoria e prática reflete. não o fizeram. Sua opção era pela classe dos trabalhadores. É um fato inegável sua preocupação com os pobres (Gl 2:9-10). o apóstolo deixa de lado as sinagogas para entrar na evangelização no mundo pagão não recebeu nada por este trabalho. porém. Para isso. ou seja. escolheu o caminho do trabalho pois não queria ser pesado para ninguém (1Ts 2:9). para confundir os sábios (1Co 1:27). pois os pobres o eram tanto de bens materiais como também de cultura. mas se preocuparam e os ajudaram. todos aqueles homens poderiam ter objetado. queria sempre preservar sua independência. E é neste sentido que eles imitaram a Cristo. Paulo se situa diretamente no bairro dos trabalhadores. onde ficariam os que não trabalhavam e possuíam escravos. por sua vez. pois serviram com liberalidade. A igreja Primitiva aprendeu o ensino de Jesus pelo qual todos são chamados a servir ao próximo. ensina a liberdade. e necessitam serem alcançadas.próprias necessidades. Assim. é convidado por um chefe de família que o recebe na sua casa e o sustenta. e em segundo lugar pelo tratamento que dá aos pobres. a opção que Paulo e foi justamente daquilo que ele iria ensinar. Dessa maneira. O apóstolo não queria entrar na cidade pelo bairro dos pobres e nem dos ricos. por isto não tinha outro caminho senão trabalhar.

2 – A REFORMA. e outro está no amor (que se deriva da fé). a lei de Deus é a caridade. por isso na sua prática assumiu à sua responsabilidade de fazer ação social. esta simbolizando o serviço mútuo. O cristão é o servo submisso a todos. pela fé. inspirada por boas obras.servos uns dos outros pela caridade (Gl 5:13). . E. o cristão se torna livre de todas as coisas. somos incentivados a nos identificar com ele. e a ninguém subornado. Nosso próximo sofre em sua indigência e carece dos bens que possuímos. Ao lermos alguns escritos dos grandes Reformadores vimos que a doutrina mais pregada e ensinada era a da Justificação pela Fé (sola fide). E quando vemos o pensamento de Lutero a respeito da fé. mas entendeu que para ser igreja justificada precisava ser instrumento de justificação.. o amor a Deus e ao próximo. Sobre isto Lutero diz: "A fim de poder dar-se totalmente. pois.. pois nisso consiste a verdadeira vida cristã.. o forte assistirá o mais fraco.. a não ser apenas a primeira condição para participar da graça de Deus. Só assim será possível voltarse com Deus ao próximo e consagrar-se ao seu serviço no espírito de cordialidade espontânea. a fé tem dois sentidos: um é que. tinham não apenas o desejo de levar o reino de Deus adiante. o cristão deve antes possuir-se totalmente. carecemos de sua misericórdia". assim como nós também. que se completava com a caridade. dizia ele. como filhos de Deus. o que só é possível pela fé. para o apóstolo. pois para eles a fé não oferecia qualquer garantia para a vida cristã. Todos estes argumentos nos mostram que a igreja primitiva se preocupava com as necessidades das pessoas. indigentes diante de Deus. cumpriremos a lei de Cristo.

à sua semelhança. devemos também. sustentou o sistema monástico e providenciou méritos no céu para os doadores. Sua vigéssima-primeira proposta começa. pois o crescimento da pobreza e de mendigos era problema que ninguém podia ignorar. Entretanto. E também contribuiu para que as autoridades organizassem um sistema para desviar recursos das ordens monásticas em declínio. Lindberg faz o seguinte comentário a respeito deste período: "O conselho da cidade formulou sua Beutelordnung ou Ordem do Erário. buscar a glória de Deus e nada desejar para si.Ninguém se esforçou mais que Lutero para diminuir esse vão e fazer a ligação entre a fé salvadora e a ação social. Podemos perceber que Lutero se preocupava com os pobres. mas simplesmente com o objetivo de fazer a vontade de Deus. um rascunho que foi descoberto nos arquivos públicos pelo historiador Karl Müller. sermos despertados pela imensa pobreza que nos cerca. não visando qualquer recompensa material ou espiritual. embora a administração das mudanças fossem a . "Uma das maiores necessidades é a abolição de toda mendicância na Cristandade". O desejo de agir em prol dos necessitados apareceu resumidamente nas 95 Teses (1517) onde Lutero argumentou que é melhor dar aos pobres e emprestar às necessitadas que comprar indulgências. O exemplo que Lutero deixa é simples: o cristão deve se livrar de seu eu e viver uma vida onde seu amor por Deus seja espontâneo. pois a vida cristã consiste: "em tudo querer o que Deus quer. providenciar uma verba para o sustento dos pobres e ao mesmo tempo estimular o envolvimento da população na assistência social. demonstrando que. Foi anotado pela mão de Lutero. sua reforma em prol dos pobres não foi bem sucedida e hoje caiu no esquecimento. Alguns escritores afirmam que esta medida em Wittemberg serviu para três finalidades importantes: manteve os pobres vivos. pois é no cuidado pelos mais fracos e desamparados que Deus é glorificado" Lutero. Assim como Lutero defendeu que o cristão liberto (justificado) é submetido por Deus a todos.

foi a força inovadora. porque pela fé gozo uma abundância de todas as coisas em Cristo". Isso significa . conforme Martinho Lutero: uma mudança voluntária baseada na liberdade de justificação pela fé. o dinheiro seria usado para o sustento do clero. Lutero do seu refúgio secreto em Wartburg. farei nada por meu próximo nesta vida senão o que reconheço como sendo necessário. os frades mendicantes e os estudantes estrangeiros sem meios de sustento". pois Cristo aboliu todas as divisões de classes. A ordem baniu da cidade os mendigos.responsabilidade de Carlstadt. irmandades e guildas fossem ajuntadas no erário. Caso os recursos fossem insuficientes os cidadãos seriam obrigados a contribuir com uma taxa anual de acordo com seu patrimônio. Calvino tem como princípio básico nesta área que em Cristo não há mais nem escravos nem livres. O resultado será um novo compromisso moral com a sociedade. Este. sistematizador das doutrinas reformadas. edificador e saudável. E também não podem negar a preocupação que Lutero teve com os mais fracos e desamparados. é o lado social da Reforma. Também. Seu pensamento nesta área e tão importante quanto o de Lutero. O crente justificado deve pensar como Lutero "Darei-me ao meu próximo como Cristo se ofereceu por mim. Quando se evoca a tradição reformada para falar sobre a ação social no período da Reforma. e financiar artesãos no começo da sua profissão. não se pode deixar de lado João Calvino. Mas nem todos os protestantes concordaram com essa função tão limitada. que deu muita ênfase à questão dos mais fracos e desamparados. A receita seria usada para sustentar os desempregados. uns dos mais notáveis reformadores. Todos estes argumentos mostram que Lutero lutou para que os necessitados fossem amparados e que. pagar bolsas de estudo nas escolas públicas. através da fé. A Ordem da Cidade de Wittenberg exigiu que as receitas das igrejas. fornecer dotes para as donzelas pobres quando se casarem. o cristão estivesse livre das exigências da Lei. e que o cristão justificado se torna livre para poder. dizendo que é inadequada para suas necessidades. pois. pela fé. e talvez o mais importante. viver uma vida de serviço decorrente do amor a Deus. órfãos e crianças destituídas.

de tal maneira que o pobre deixa de ser pobre e ele mesmo deixe de ser rico. mas ainda assim encontra seus irmãos numa fraternidade que exclui toda discriminação. de velhice e de invalidez.que o cristão vive a fé autêntica quando toma consciência da influência do seu meio social. Conforme Calvino. Mas sempre advertiu que todos são responsáveis uns pelos outros. O rico tem uma missão econômica de providenciar ao mais pobre parte de sua riqueza. "Com a adoção da Reforma. assim como era na igreja primitiva. "A vontade de Deus é que haja tal analogia e igualdade entre nós. bem como o seguro médico. Esta igualdade é da vontade de Deus. Esta preocupação diaconal da Reforma fica clara com o comentário de Bieler. organizada e dirigida pelo Estado ." Esta igualdade pregada pelo reformador tem como objetivo levar os membros do corpo de Cristo à restauração social do mundo. Calvino devolve ao cristianismo a comunhão espiritual que Cristo estabelece entre os membros de seu corpo. Por isso Calvino considera que na escala de valores de Deus não há nenhuma correspondência entre o valor espiritual e o valor moral de um homem e sua riqueza ou pobreza. fazendo com que estes supram as necessidades uns dos outros. a fim de que alguns não sofram necessidades enquanto outros têm em supérflua abundância". uma vez que pela fé o crente em Cristo está restaurado na sua dignidade de filho de Deus. Cada um socorra os indigentes na medida de suas possibilidades. promovesse a assistência domiciliar e incluísse um serviço de medicina social. de velhice e de invalidez foi aperfeiçoado por Calvino que trabalhou para que essa assistência. Bieler comenta o seguinte pensamento de Calvino: "Somos todos ricos em relação a alguém. A preocupação de Calvino de que a igreja tivesse esta prática fez com que ele recriasse o serviço diaconal. reconstitui sua justa relação com o próximo. Esse sistema social médico. "Que haja um .mas exercida pelo ministério eclesiástico dos diáconos não tivesse discriminação nacionais. Genebra já criara a instituição do hospital geral.

quando. na Inglaterra. dizem as ordenanças de 1541.médico e um cirurgião. Segundo John R. produziu influência até hoje. Não nos faltam dados para poder perceber que estes eventos somente ocorreram pela fé em Cristo. tendo sido também um profeta da retidão social. com amor. que lutou contra várias injustiça sociais. como também a humanização do sistema penitenciário.. provocando nos corações destes homens a execução do serviço proposto pela Missão de Deus. Um dos resultados mais expressivos do movimento wesleyano se deu em 1780. e a partir disto as coisas começaram a mudar ocasionando desde a abolição dos escravos e de seu tráfico. O evangelho que pregava inspirava as pessoas a se envolverem em causas sociais em nome de Cristo. na Inglaterra.. a educação acessível ao público e tantos outros avanços para a sociedade. No movimento de reavivamento do século XVIII. pedindo auxílio para socorrer os pobres daquela cidade". às expensas da cidade. Stott. Muitos historiadores dizem que a influência de Wesley foi tão grande que evitou que a Inglaterra entrasse em uma revolução. A paixão por justiça social e essa sensibilidade por erros humanos era tão forte que o escritor Buyers relata que "Por cinco dias Wesley andou na neve pelas ruas de Londres. Em uma avaliação daquilo que os reformadores ou os de linha reformada produziram. o exemplo mais marcante deste período. preocupado com a educação da população. fica claro que a Reforma e sua tradição proporcionaram muitos frutos sociais. e a filantropia afetou profundamente a sociedade desta época. Temos em John Wesley. . a herança da tradição reformada dentro da visão social ganhou muita força. Wesley se colocou como um pregador do evangelho que elevou a consciência social na sua época. encarregados de cuidar do hospital e de visitar os outros pobres". Este seu entusiasmo e compromisso com o evangelismo e com a ação social alcançaram muitos outros evangelistas.W. Robert Raikes instituiu a Escola Dominical como uma maneira de ministrar às crianças pobres a educação religiosa e secular. a melhoria das condições nas fábricas e nas minas. assim como Jesus Cristo deu-se por nós. como na França. Este pensamento calvinista de que o homem pode socorrer o próximo com seus bens.

a autoridade da Bíblia e a singularidade de Cristo. Esta última declara que a 'evangelização e o desenvolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão". A história da evangelização na América Latina nos mostra que. 3 . Este fato é histórico e que não se pode negar. intitulada 'A Natureza da Evangelização' e. São praticamente 400 anos de catolicismo. a partir de 1810 começa a presença missionária protestante na América Latina. em seguida. queremos mostrar os sinais presentes na igreja protestante da América Latina. trazendo a um rápido crescimento chegando em 1960 em mais de 20% da população protestante. para atingir esta porcentagem. e da colonização na América Latina. na Suíça. sem dúvida nenhuma. influenciado por este pensamento reformado. o equilíbrio. muitos caminhos tiveram que ser seguidos para se chegar neste crescimento que. trouxe grande avanço para evangelização e a justiça social. 'A Responsabilidade Social Cristã'. até por volta do ano de 1900 quase toda a população da América era considerada católica. o Congresso de Lausane. onde constaram as seguintes afirmações: "Após três seções introdutórias sobre o propósito de Deus. a fidelidade ao evangelho e ao desenvolvimento social foram aspectos visíveis na história.Por certo.A AMÉRICA LATINA. Com mais de 500 anos da chegada de Cristóvão Colombo no Caribe. . em julho de 1974. ou seja. Por isso. pois dificilmente encontraremos um lugar onde o protestantismo chegou. onde os missionários não tenham lutado para diminuir a injustiça mediante trabalhos sociais. seguiu-se a Quarta palestra. Neste congresso nasce o Pacto de Lausane. Sabemos que ainda há muito para ser feito. que assumiu seu chamado de ser igreja justificada e sua presença no meio do povo tem significado muito importante para as classes menos desfavorecidas. pois há um abismo entre os ricos e os pobres na América Latina.

Trouxeram muitos avanços e juntamente com isso tentaram reproduzir condições semelhantes de suas origens na América Latina. A história das missões evangélicas retratam numerosos exemplos entre o anúncio do evangelho e o . Portanto estas são evidências de que. a exemplo dos reformadores. ao falar da teologia protestante na América Latina conta-nos que apesar de no começo do século o protestantismo ter sido considerado como religião de estrangeiros e marginalizados e de os seus seguidores. Para tanto. A verdade desta declaração é profunda e é com este sentimento que os primeiros missionários chegaram à América Latina. João Calvino e outros auferiram através de um movimento libertador. serem acuados pela intolerância católica. apesar das dificuldades e divergências que a igreja enfrentou. Shedd: "Todo cristão deve se concientizar de que a Bíblia não nos permite acompanhar indiferentemente a miséria dos que são oprimidos por impiedosos dominadores avarentos". os primeiros protestantes tiveram seus fundamentos na Bíblia. levavam escolas para todos e promoviam a liberdade do indivíduo. Assim podemos entender que os primeiros protestantes latino-americanos herdaram um princípio reformado que Martinho Lutero. e com a proposta de reforçar a modernização e a industrialização. orfanatos. asilos. no aspecto econômico. onde a luta pela total transformação e ordenação da sociedade sob a Palavra visava a justificação pela fé. com a vinda de missionários dos países centro-europeus e do Atlântico Norte. sua presença está marcada pela fé que testemunha a ação de Deus através desta igreja justificada. "os protestantes ousaram falar de justiça social". Estes pioneiros chegaram com ideais do liberalismo. alívio da fome e numerosos trabalhos que são do conhecimento comum e até hoje não cessaram. e a isto observa Russel P. Assim. O protestantismo começou a se organizar a partir da metade século XIX. Rubens Alves.Citamos como exemplos o estabelecimento de hospitais.

serviço. pelas classes populares. as missões presbiterianas. ali havendo um desenvolvimento educacional e de saúde onde antes havia exploração e marginalização. misturando meninos e meninas numa mesma sala de aula.. Podemos citar também a cidade Titicaca.Deus está presente. no Brasil. Anos mais tarde este compromisso foi reforçado com a posição tomada em 1979 na III Conferência Episcopal Latino Americana. teve em cada época um conteúdo diferente.. que foi marcada pelas reafirmações da “. que trazem consigo uma característica da Reforma que era Igreja e a escola caminhando juntas. Dentre estas ações missionárias-sociais está o caso do Peru que. Convém olharmos para os católicos que. vivo. em Jesus Cristo libertador. lançaramse neste compromisso de justiça social.. Temos. quando o missionário presbiteriano George Chamberlain e sua esposa. onde foi criada uma granja experimental e desenvolvidos novos cultivos e serviços de saúde. atualmente". mesmo não sendo uma teologia oficial. Iniciava-se ali uma verdadeira revolução no ensino do Brasil. no século XIX. onde os missionários batistas canadenses fizeram um experimento de reforma agrária. Mary Chamberlain. que iniciou suas atividades em 1870. a educação em todo o país. para a qual Enrique Dussel dá as seguintes características: "Em cada tempo terá um conteúdo diferente: lutará em favor do índio na época da conquista. nas décadas de 60 e 70. alcançando-se pessoas de todas as raças e credos. . em 1810. no coração da América Latina”.clara e profética opção preferencial e solidária pelos pobres” e de que “. abriram as portas de sua casa para educar três crianças: uma menina e dois meninos. na Fazenda Huatajata. pela emancipação. Tais afirmações vão influenciar muito a ação da Igreja Católica na América Latina se considerarmos que nesta época já era muito comum falar da pobreza e do reino de Deus. anos depois. que iria mudar. uma vez que a Teologia da Libertação. Los Angeles. a favor das Reduções na fase dos jesuítas. entre eles o Instituto Presbiteriano Mackenzie. na região indígena de Cuzco de língua quéchua e aimará. na Bolívia. realizada em Puebla.. e instalam-se vários colégios.

pela celebração. começa renovar-se a preocupação com a justiça social. acredito eu. uma vez que não se mostram consistentes na experiência interior e que. não seu povo". agora depois de um tempo. pelo fato do não-envolvimento dos cristãos conservadores ou melhor os evangélicos. De fato. porém estes só foram mencionados na tentativa de mostrar que na América Latina a ação dos protestantes corrobora essas afirmações. terem se retirado dos campos evangelisticos. Aqui. As comunidades eclesiais de base se constituíam de quatro elementos que fazem dela uma Igreja visível: pela fé. Se este despertar revolucionário tem de ser sustentado e tem de promover o fundamento teológico sólido. que lutam pela dignidade da vida e dos meios de vida. e significava "O modo de ser Igreja no meio do povo. uma estrutura através da qual a graça é medida pelos sacramentos . Russel Shedd chama a atenção dizendo que a teologia da libertação vai ocupar um espaço nesta época. Uma comunidade de homens e mulheres. Neste sentido o Dr. É a fé em Cristo nasce de uma ação gerada pelo Espírito . o essencial para a existência da Igreja era sua hierarquia e seu sacerdócio.Percebemos que neste período as comunidades eclesiais de base foram um importante instrumento de evangelização nas classes populares. pois percebeu que a Igreja como uma instituição sacerdotal de salvação. pois a variedade destes é muito grande. Lutero e a herança luterana têm alguma contribuição para dar a todos nós. que servem como motivação para servir. Richard Shaull escreve a este respeito: "As comunidades eclesiais de base recriam a experiência pentecostal (Atos 2 e 4) da igreja como comunidade. Assim. possuídos pelo Espírito.não tinha nenhuma razão forte para valorizar a comunidade. pela comunhão e pela missão. se sente chamada a viver uma nova qualidade de vida. que o Espírito suscitou nos últimos 30 anos na América Latina". Poderíamos multiplicar o número de textos. na medida em que reparte suas possessões materiais e juntos procuram continuar a obra de Cristo no mundo. seus membros entendem que estes quatro pilares torna-os um celeiro de agentes de mudanças.

Diante desde panorama.A IGREJA PRESBITERIANA EM LONDRINA. A proclamação da justificação pela fé foi elaborada nesta região por protestantes presbiterianos. nesta exposição colocamos apenas alguns fatores para afirmar que os cristãos precisam voltar a mostrar estas características que marcaram a evangelização protestante na América Latina. em parceria com algumas igrejas evangélicas da cidade. A partir de sua chegada. 4 . Ficou claro que no passado os protestantes assumiram o compromisso de igreja justificada e que sua ação na sociedade era muito forte para diminuir as injustiças. Em 1940 é fundado o Ginásio Londrinense . em 1945 o Rev. Podemos celebrar a Deus por importantes feitos. . que deixaram suas marcas na busca por justiça. sendo de muito significado para as classes menos desfavorecidas. em Londrina esta presença também assume este chamado. A história nos mostra a Igreja Presbiteriana chegando a Londrina em 1930. sendo organizada a primeira Igreja em 19/07/1936 (Igreja Presbiteriana de Londrina). metodistas e batistas.Colossinho e com o desenvolvimento do trabalho. e Professor Zaqueu de Melo (Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil) funda o Instituto Filadélfia de Londrina. através da ação social. e que a grande maioria não têm se preocupado e demonstram desinteresse total com esta questão. desenvolveu um papel muito importante na vida social da cidade. que tem tido conseqüências até hoje. Assim como os protestantes na América Latina assumiram o chamado de ser igreja justificada. a Igreja Presbiteriana do Brasil em Londrina procurou contribuir de várias formas. Assim.Santo. É verdade também que hoje o número de igrejas envolvidas nesta missão é bem menor.

e este impacto deixou marcas que refletem ainda hoje na igreja presbiteriana. de acordo com estatísticas de 1997 do Supremo Concílio via email. Com estes trabalhos a Igreja Presbiteriana Central de Londrina tem se transformado em uma ferramenta na mão de Deus para alcançar parte destas famílias da cidade que estão se perdendo por causa do álcool. das drogas. oriundos da Igreja Presbiteriana Central. jurídica e psicológica. que atende cerca de cinqüenta crianças desamparadas através de um creche.Com a visão de poder colaborar com a cidade. Faz os seguintes trabalhos sociais: a Igreja Presbiteriana Central de Londrina. é um dos maiores e mais bem equipados do Brasil. Hoje o Hospital Evangélico de Londrina. de alguns convênios com a Prefeitura Municipal. membros. Todo este histórico nos faz perceber que o primeiros protestantes em Londrina tinham uma precaução com a vida social da cidade. ou não membros. A igreja presbiteriana cresceu e hoje temos o seguinte panorama: a Igreja Presbiteriana do Brasil em Londrina conta hoje com oito igrejas. da falta de emprego ou de condições de manutenção . tem se destacado na área social por intermédio de uma Secretaria de Assistência Social. Na área infantil a Igreja Presbiteriana Central de Londrina possui o Meprovi Pequenino. e presta assistência ambulatorial. que atende mais de quarenta famílias com cestas básicas e de uma agência de empregos que tem colaborado com as pessoas desempregadas. A Igreja Central possui também um centro de recuperação de dependentes químicos chamado Meprovi (Movimento Evangélico Pró-Vida) que teve seu início em 27 de agosto de 1987 e que já beneficiou mais de mil e quinhentas pessoas. O custo para manutenção deste centro é de oito mil reais mês. trabalho que começou em agosto deste ano. atendendo também em outras áreas. nasce também em 1947 através do amor cristão a idéia de se construir um hospital evangélico.753 membros comungantes e 534 membros não comungantes. talvez não com a mesma intensidade. que assume sua responsabilidade social. Governo do Estado e de membros e voluntários. Esta entidade assistencial possui hoje 36 pessoas internadas. e diante da necessidade de ajudar os doentes da cidade. sonho que em 1953 começou a se tornar real. mas ainda preservamos as características de uma igreja justificada. possui 1.

Os professores do Laboratório de Informática foram capacitados por meio de cursos ministrados por voluntários e estão também sendo profissionalizados. Nestes trabalhos esta Igreja tem nos mostrado o verdadeiro significado da justificação pela fé. há uma lista de espera ou outro atendimento. que doou os primeiros equipamentos e de algumas outras empresas. especialmente entre famílias de baixa renda e desenvolver com crianças e adolescentes uma escola de informática que trouxesse uma melhoria tanto no meio escolar quanto no seu próprio convívio social. Nesta escola a fé é apresentada de uma forma natural e tem servido para abençoar muitas . Hoje o MAI conta com mais de 280 alunos. A Igreja Presbiteriana Arco-Íris também tem participado do serviço social. Em junho de 1997 teve início a creche Arco-Íris através do CEDIC (Centro Evangélico de Desenvolvimento Integral da Criança). entendendo que muito mais do que discurso o homem precisa do amor prático. através da justiça social de suas obras. uma escola voltada para o campo profissional e escolar. É condição primordial para a confirmação do aluno no Projeto que ele seja visitado para constatação do nível familiar. A creche funciona nas instalações da igreja e as necessidades têm sido suprida por doações espontâneas de membros. O custo para sustento deste projeto é de dois mil reais por mês. em janeiro de 1998.Ministério Assistencial de Informática. a igreja e os sócios da associação contribuem mensalmente. por apadrinhamento. com alguns moços e pais de alunos. um projeto assistencial para propiciar educação alternativa e qualificação profissional. O MAI trabalha com crianças e adolescentes na faixa etária de 08 a 17 anos e. O Projeto contou com o apoio do Instituto Filadélfia de Londrina. O trabalho é desenvolvido por seis funcionários. às vezes com cestas básicas vidas. esporadicamente. Para se inscrever nas aulas as crianças e adolescentes devem cursar o ensino regular em escolas estaduais ou municipais e a renda familiar não pode ultrapassar três salários mínimos.da casa e dos filhos. das boas obras. Assim nasceu o MAI . Na Zona Norte de Londrina a Igreja Presbiteriana Maanaim de Londrina resolveu criar. que conta hoje com vinte e cinco crianças. da esperança. e a igreja tem se dedicado a este trabalho assistindo também as famílias destas crianças conforme suas necessidades.

0 % de suas crianças morando em lares com renda de até um salário mínimo mensal. como cesta básica. já demonstra ótimos resultados. Como resultado deste trabalho a Igreja passou a ocupar uma posição melhor na comunidade. dificuldades econômicas. como podemos observar. Assim podemos afirmar que falta ainda por parte das igrejas presbiterianas de Londrina uma consciência maior da ação social. já que este ficou conhecido pela ampla divulgação na imprensa. duas salas de aulas. das oito igrejas presbiterianas em Londrina apenas três desenvolvem um trabalho que alcança estes necessitados.com o nome de mais de cem crianças.9% destas crianças moram em favelas dentro da cidade. no lar e na sociedade. temos outras famílias em situação um pouco melhor mas que enfrentam da mesma forma. pois todos os alunos são visitados periodicamente e têm algumas de suas necessidades supridas. Considerando também a condição inadequada de água. a cidade possui 52. Aumentou também o número de participantes na igreja.7% em favelas rurais. vinte computadores e seis professores. 27. Esta difícil realidade da cidade de Londrina tem trazido conseqüências seríssimas a este povo e. esgoto. de acordo com o último Censo de 1991. pois além de trabalhar com a obra social a igreja está sendo mobilizada. que afetam diretamente a formação educacional de seus filhos. atendimento psicológico e aconselhamento. Será que podemos afirmar que todas são igrejas justificadas? . do IBGE. Londrina é uma cidade com quase quinhentos mil habitantes. Este projeto em menos de um ano. e mais 14. Sabemos que não iremos resolver os graves problemas que eles enfrentam na escola. energia elétrica. mas com certeza esta pequena contribuição será a oportunidade que muitos destes menores terão para mudarem o curso de suas vidas com uma nova perspectiva.

Agora. mas este significado se ampliou e passou a incluir os cuidados do lar e. quaisquer ajuda ou cuidados pessoais. Algo abaixo da dignidade do judeu livre (Lc 7:44-45). finalmente. diakoneo "serviço" e diakonos para servidor. Assim precisamos de uma visão clara desta política. Assim podemos ver como a igreja justificada se desenvolveu através da história e o que isto significou para nós hoje. E a este respeito Nordstokke escreveu: . e não de prestação de serviços. Neste sentido todos os cristãos devem ser diakonoi (servos) de Cristo (Jo 12:26). (Mt 22:13). diakoneo era uma palavra muito empregada na época de Jesus. pois esta passagem é precursora do ofício diaconal. anos posteriores ao da narrativa de Atos 6. O termo usado para diaconia se origina do grupo de palavras que acompanha diakoneo que significa "servir". 1 – A DIACONAL POLÍTICA DA IGREJA. nosso objetivo é mostrar como a Política Diaconal se aplica na igreja e como esta política pode ajudar de modo prático a ação social e a missão da igreja. No Antigo Testamento em grego diakonos refere-se aos servidores profissionais da corte. refere-se aos servos ou escravos e seus senhores.III – DESAFIOS DE UMA ECLESIOLOGIA SERVIÇAL. e a igreja guardou essa palavra grega para designar responsabilidades sociais. Inicialmente diakoneo se referia a um garçom que serve a mesa. Nas seções anteriores enfatizamos como a justificação pela fé é evidenciada pelos cristãos e que somos a justiça de Deus. Desta forma. Em o Novo Testamento. No judaísmo o serviço era exercido através das esmolas. A igreja primitiva vai instituir o ofício dos diáconos.

"Ora. assevera que a nomeação dos diáconos era originalmente apostólica. até que o mesmo se tornou posição eclesiástica. nossa condição só poderia ser de servos e. é serviço. que correspondem às adversidades de serviços (1Co 12:4). “Ministério é diaconia. enquanto que as demais versões traduzem diakonos como ministro. xliv. O apóstolo Paulo entendeu que. Paulo emprega a palavra . contínuo e representativo de hoje". em conseqüência. tal como sucede a tudo mais. também não podemos indicar esta passagem Bíblica como fundamentação para a instituição do ministério diaconal público. porque vemos alguns. e também da necessidade de proporcionar ajuda à comunidade cristã. os sete escolhidos para "diaconar" às mesas não são chamados de diáconos. mas a passagem do tempo. ampliou o objetivo e a natureza desse ofício. como Cristo. Portanto. conforme Atos 6. o termo grego usado era diaconus (Fp 1:1. Na Vulgata."Neste texto de Atos. Clemente de Roma. a função destes diáconos eram aliviar as mão dos apóstolos para que eles se dedicassem à oração e ao ministério da palavra (At 6:4). que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério (diakonia) da reconciliação" 2Co 5:18. dentro da igreja. na verdadeira acepção da palavra e na sua expressão mais adequada”. se destacando na diaconia da palavra. a diversidade nos serviços. Diaconia é na verdade o exemplo de Cristo. O ofício e a função dos diáconos teve começo no tempo dos apóstolos. Assim. Deduzimos então que o diaconato originou-se do cuidado das viúvas da Igreja de Jerusalém. é um Dom. Em outras palavras. podemos ver este serviço sendo introduzido na igreja primitiva de maneira natural até se aplicar em uma pessoa possuidora de determinado cargo na sociedade cristã. Por isso. na sua epístola aos Coríntios. Eram exigidas qualificações espirituais e tinham responsabilidades com o trabalho material. referindo-se a que um cargo. e como "auxiliadores do ministério". tudo provém de Deus. O cristianismo nasce com esta idéia de que o serviço tinha como importância e função edificar o Corpo. Paulo emprega didasko em Rm 12:7. 1tm 3:8). xlii. os ministros são chamados diakonoi (servos). Segundo Champlim. mais tarde. Suas atividades também não se restringiram a este trabalho específico.

e a assistência social é dever do Estado. no exemplo de Jesus Cristo. Ou seja o significado deste revestimento espiritual especial para a vida da comunidade. Também temos que ter a consciência que o Ministério da Palavra (kerigma) e Serviço (diakonia) andam juntos. tudo com o fim de modificar a situação dos necessitados. Pessoas preparadas e vocacionadas para o Kerigma e a diakonia. mas tem sido feita também por organizações não governamentais que trabalham na perspectiva social. A política diaconal na igreja é formada a partir do momento em que se organiza. Kjell Nordstokke adverte: "Onde a natureza diaconal da Igreja é percebida. solidariedade e esperança". apoiam-se em teorias e práticas. relacionadas apenas com primeiras damas. para a edificação. e se prepara para a ação. O serviço passa a ser a marca e o poder na Igreja e se expressará numa espiritualidade de humildade. pois vai se fundamentar cristológicamente e eclesiologicamente. . administrar recursos. multiplicando o amor. Existe uma diferença entre diaconia e ação social. a ação diaconal vai deixar de ser algo "periférico".grega charisma significando um revestimento pessoal com a graça de Deus para o serviço do Corpo de Cristo. já a ação social ou assistência social. E para isso é necessário avaliar as causas da necessidade. Todos os dons na igreja estão a serviço da vida e é assim que cada membro deste corpo é útil. formar pessoas. Não vai mais haver dicotomia "palavra x serviço. que deve ficar clara: a Diaconia é serviço e tem fundamento na fé. e outros que olham para fora. fazem uma comunidade equilibrada que produz frutos de justiça (ações) . têm os aspectos que olham para dentro. Ação social muitas vezes tem se transformado em ações paternalistas. Como diz Ray C Stedman: “A clara intenção de Deus é que através da igreja verdadeira o mundo possa ver Jesus Cristo em ação”. tem como ação profissional técnica com dimensões políticas. a esperança e a fé. se estrutura.

assim como Ele amou e se entregou. mas conforme o modelo bíblico vemos que a ação é muito mais que apenas fazer assistência social. mas sim transformadora. Por isso Paulo escreve a Timóteo dando as qualificações de um diácono (1Tm 3:8-13). a fim de que ela não caia no erro de ser paternalista.15). 2 – OBEDECENDO A GRANDE COMISSÃO. para que o corpo cresça bem edificado. a ação diaconal da igreja tem esta função de assistência social. . esta deve ser a missão de todo cristão: não ficar satisfeito apenas porque recebeu amor de Deus. Jesus demonstrou compaixão pelos necessitados. Este é o trabalho que Jesus confiou à igreja que ele mesmo justificou. amparo. à entrega aos outros estando disposto até a dar a vida. trazendo como sempre a idéia de paternidade. Foi para isto que Ele veio e é com este fim que ele envia. à luta pelos outros. mas ao chamar (vinde). Podemos dizer que a igreja tem que ter o cuidado de saber qual o tipo de assistência que o povo necessita. mas porque o amor tende à busca os outros. se necessário. Ela tem seu propósito em auxiliar a igreja. alimentou pessoas. Ele também preparou para que fossem por todo o mundo e pregassem o Evangelho a toda criatura (Mc 16. uma vez que para fazer o serviço social da igreja seja necessário a parte técnica e prática. operou milagres. de acolhida. Na prática. Seu convite foi vinde a mim (Mt11:28). Jesus deixa assim a grande tarefa de que. mas teve como propósito principal instalar a fé na sua pessoa como Cristo o Filho de Deus que veio para salvar os perdidos.É necessário que a igreja justificada reflita sobre estas duas ações.

como os religiosos. e que é para o mundo. . que não foge do mundo. envolvendo-se com cada um levado pelo amor de Deus. de tal forma que essas características juntas formam a "espiritualidade missionária". sendo uma de batalha espiritual e a outra em um engajamento histórico e social. Em outras palavras. que devemos ir. Assim a obra missionária da igreja está totalmente relacionada à fidelidade ao mandamento de Jesus. de boas obras (Tt 3:1. Timóteo Carriker defende a tese de que a missão da Igreja se desenvolve em duas esferas. de praticar o bem e a mútua cooperação (Hb 13:16) e de tantos outros meios. a ação social é conseqüência da evangelização. pessoais. não só individuais. mas mergulha dentro dele. que tanto inclui evangelismo quanto responsabilidade social.8.14).A igreja justificada que vive a herança reformada mantém viva esta chama de proclamar ao mundo o evangelho. uma vez que a razão de ser da igreja é sua própria missão. de viagens missionárias. planejando e orando. É todo estilo de vida cristão. históricas e sociais. sofrer e gastar-se a serviço do próximo. que invade toda dimensão da relação humana. Sua preocupação com a comunidade é tão abrangente quanto a de Jesus. John Stott completa esta idéia dizendo que o cristão que ama seu próximo não fica apenas conversando. para viver e trabalhar para ele". sob a convicção de que Cristo nos enviou. sujar as mãos. e que esta missão nestes dois planos ocorrem ao mesmo tempo e têm características coletivas. Podemos então perceber que a grande comissão surge de uma igreja justificada com o propósito claro de fazer a vontade de Deus. Vê-se então que o cristão justificado que está ativamente preocupado com a justiça social não se preocupa apenas com o "sagrado".2. Assim a igreja participa de sua tarefa missionária de espalhar as boas novas por meio de testemunho. Fazer missão é ir ao mundo solitário a fim de. mas também com o "secular". mas sai a serviço do seu próximo para promover-lhe tanto o suprimento espiritual quanto o físico. de pregação. Sobre isto John Stott faz a seguinte declaração: "Missão é a nossa resposta humana à divina comissão. portanto. com compaixão.

homem ou mulher. Suas patrióticas palavras foram: "Só lamento ter apenas uma vida para dar pelo meu país"." O crente justificado pela fé tem no seu coração este desejo de servir a Deus. Esta tarefa da grande comissão não é para qualquer um. uma vez que iniciada não pode ser abandonada. "Protestou Paulo "esforcei-me por pregar o evangelho". Podemos dizer então que uma igreja justificada é uma igreja voltada para esta missão. Há.O sentido da grande comissão é que devemos ir e fazer discípulos por todo mundo (Mt 28:19. Ninguém. morreu como espião. 3 – JESUS O PÃO DA VIDA. Mesmo que isto lhe custe caro podemos ver que uma vida justificada por Deus tem muita importância no seu reino. sempre . Natam Hale. A grande comissão nos faz refletir de como deve ser feita esta obra.. tem que assumir responsabilidades e se esforçar. famoso como guerreiro revolucionário. Mc 16:15) onde a igreja justificada rompe as barreiras e fronteiras e vai a todas as partes. tem mais de uma vida. pois fica claro nos textos que a obra tem que ser cumprida. Uma comunidade justificada é aquela que apresenta condições satisfatórias de nutrir-se da fonte inesgotável de alimentação: Jesus. Uma vida para investir!. eu também vos envio" (Jo 20:21). mas tem que haver envolvimento com as pessoas. sim. Norman Lewis faz o seguinte comentário a respeito de se esforçar. em amor. O trabalho número um de Deus merece o esforço principal do homem.. e esta missão de evangelização não pode ser apenas anunciar as boas novas . senão para aqueles que já foram justificados por Deus e separados para tão grande obra. Viva de modo que seus esforços tenham significação na evangelização mundial. No evangelho de João Jesus diz: "Assim como o Pai me enviou.

o Cristo que não está na cruz. esta se transforma em serviço. a solidariedade é levar o "pão da vida" aos ferimentos espirituais e carnais. que tendo morrido uma vez pelo pecado. 4 – AÇÃO SOCIAL COMO PROVEDORA DA COMUNHÃO.necessidade de recorrer a Cristo enquanto "pão da vida". sua preocupação social é em si uma atitude solidária com a vida. "leite materno e espiritual". Também devemos ter a consciência de que qualquer ação missionária que ignora totalmente a dimensão de servir o "Pão da vida" em todos os sentidos pode tornar-se apenas promotora de uma instituição. A justificação inspira esperança básica na vida. Uma vez que o homem é justificado para que seja a justiça de Deus. Portanto. é gastar tempo buscando a compreensão básica da outra pessoa. do amor e do trabalho para o nosso semelhante. Uma das coisas que torna relevante a justificação pela fé consiste no tipo de visão que ela nos dá do mundo. nutrir-se da comunhão. Afinal. A solidariedade faz parte da igreja que se alimenta do "pão da vida". ainda. uma vida justificada leva o "Pão da vida" ao mundo. é comprometimento de vida. pois resulta em compromisso e cumprimento da missão. Este grande sinal de ação do Espírito sobre a comunidade. Esta ação gerada nos leva ao mundo para ajudarmos as pessoas a se alimentarem do verdadeiro "Pão". Deve. Havendo esperança. deixando assim de cumprir o anúncio integral do evangelho. a . e isto só pode ser feito pelo serviço. A fome de uma comunidade justificada não deve restringir-se somente à pregação da Palavra. Em outras palavras. A igreja primitiva mostrou sinais de uma igreja justificada a partir do momento que começou a viver em comunhão. agora vive. É sem dúvida estar disposto a levar o fardo um dos outros. Ação social é evangelismo através da comunhão. Jesus é o pão que mata a fome dos famintos. "alimento espiritual". ou seja.

Koinonia fala do nosso relacionamento com outros cristãos. Em Atos. Não deve enclausurar-se de maneira a viver em guetos. É. pois ela revela uma grande oportunidade para a prática do amor ao próximo. A igreja primitiva preocupava-se com os membros da comunidade quanto a problemas financeiros. Indica a unanimidade levada a efeito pelo Espírito. "todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum" (2:44). O indivíduo era complemente apoiado na comunidade. na comunhão" (At 2:42). e pode também ser traduzida como comunhão ou fraternidade Litúrgica na adoração. e também muitos pescadores e camponeses que migraram para a Galiléia tinham dificuldades em ganhar a vida na capital.comunhão entre os cristãos. Uma comunidade que pratica a diaconia está concomitantemente oportunizando a prática da fé justificadora.. pois o ministério diaconal possibilita à comunidade a manutenção da comunhão. e levava diretamente para o evangelismo (Atos 2:47). A igreja justificada tem que viver em comunhão. como parte essencial da vida de adoração. Paulo trazia a Jerusalém coletas que eram a expressão tangível da comunhão das igrejas. vemos a comunhão se manifestando da seguinte forma. Havia também nesta época uma crise social.. e "tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração" (2:46). A ação social pertence à missão da igreja e deve encorajar seus membros à responsabilidade social e à busca da justiça social. em conseqüência da situação econômica da Palestina e devido a distúrbios contínuos. nesse contexto que Atos considera a ação social como evangelização comunicativa a partir do contexto da comunhão. caía na graça do povo. A palavra koinonia ("comunhão") no mundo grego significava a estreita união entre os homens. mas frutificar a realidade da koinonia (envolvimento e compromisso) como conseqüência da justificação pela fé. “pela liberalidade que contribuís (koinönias) para eles e para todos" 2Co 9:13. É claro que o próximo pode significar contextualmente os irmãos da própria comunidade como os de fora. Neste texto de Atos a koinonia tem um sentido absoluto. pois. É afirmar que a Igreja justificada se envolve e se compromete com a missão de servir ao próximo num . "E perseveravam.

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