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Escola Brasil

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Escola Estadual “Brasil”: Entre Memórias E Imagens

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ESCOLA ESTADUAL “BRASIL”: ENTRE MEMÓRIAS E IMAGENS

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Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida

Escola Estadual “Brasil”: Entre Memórias E Imagens

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WILSON RICARDO ANTONIASSI DE ALMEIDA

ESCOLA ESTADUAL “BRASIL”: ENTRE MEMÓRIAS E IMAGENS

1ª Edição Editora e Gráfica Expressão de Limeira Ltda. Limeira – SP 2007

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Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida

Diagramação: Editora e Gráfica Expressão de Limeira Ltda. Revisão: Prof. Jurandir Godoi Vitta Pesquisa iconográfica: Prof. Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida
Copyright © 2007 by Autor Revisão: Prof. Jurandir Godoi Vitta Diagramação: Editora e Gráfica Expressão de Limeira Ltda Pesquisa iconográfica: Prof. Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida Catalogação na Fonte por Ligia Consuelo Araújo CRB/8-3652
A447 Almeida, Wilson Ricardo Antoniassi de, 1977Escola Estadual “Brasil”: entre memórias e imagens / Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida. – Limeira, Editora e Gráfica Expressão: 2007. 295p.: il., 22 cm. ISBN 978-85-61138-00-4 1. Educação – Limeira (SP) – História. 2. Escola “Brasil” – Limeira (SP) – História. I. Almeida, Wilson Ricardo Antoniassi de. II. Título. CDD (22) 370.98161

Composição: Editora e Gráfica Expressão de Limeira Ltda. CNPJ 04.650.460/0001-16 Praça Adão Duarte do Páteo, 122, Centro Limeira – SP CEP: 13.484-044 Fone: (19) 3444.6720 e-mail: gráfica@graficaexpressao.com.br

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A toda sociedade limeirense: aos alunos e exalunos, aos professores e ex-professores, aos funcionários e ex-funcionários e aos demais cidadãos que, sendo protagonistas ou meros espectadores da Escola Estadual “BRASIL”, têm por ela um sentimento profundo de admiração e respeito, e suas vidas, numa relação de reciprocidade, constituem juntamente com a escola essa história maravilhosa.

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AGRADEÇO:
A Deus pela vida e pela oportunidade de fazer parte da Escola Estadual “BRASIL”, como também, poder relatar sua história. A minha família e amigos e em especial a minha mãe que, apesar das dificuldades e trabalho intenso, soube proporcionar as condições necessárias para minha educação: formação intelectual e humana. Ao amigo e professor Dr. Romualdo Dias que caminhou junto comigo neste desafio; às vezes, a pé, devido aos buracos existentes; às vezes, de carona, auxiliando-me durante o trajeto e indicando o caminho correto; e muitas vezes fornecendo combustível para chegarmos ao lugar pretendido. Sendo algumas vezes de forma lenta, outras vezes de forma rápida, entretanto, não importa, o essencial é que pudemos percorrer o trajeto previsto e chegamos juntos. Aos meus “queridos alunos e colegas” da Escola Estadual “BRASIL”, pela amizade e pelo carinho. A todos os funcionários e ex-funcionários, professores e ex-professores e alunos e ex-alunos que forneceram suas contribuições para a confecção deste livro. Ao diretor da Escola Estadual “BRASIL”, Osvaldo Assumpção Castro, pelo apoio fornecido durante esta pesquisa.

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ACRÓSTICO À GUISA DE PREÂMBULO
E scola de encanto e poesia, S obretudo de histórias diversas, Conserva no bojo das pedras Os segredos do ódio e do amor, Levando no tempo a magia... A saudade de quanto esplendor! Bem quisera, com grande mestria, Registrar fotograficamente A s imagens de todo um perfil: S onhos... Ciência... Alegria. Iconografia d’alma e da mente, Lembranças da Escola Brasil! E ntretanto se torna patente, Um instante de compreensão: Tudo quanto esteve ao alcance E stá, aqui, nesta humilde função... A manhã, ou em outra ocasião, M uitos fatos se hão de contar O que importa é viver com paixão! Jurandir Godoi Vitta Professor da Área de Linguagens e Códigos da E.E.“BRASIL”.

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SUMÁRIO
PREFÁCIO..................................................................................13 INTRODUÇÃO...........................................................................19 SEGUNDO GRUPO ESCOLAR DE LIMEIRA
Criação e construção do Segundo Grupo Escolar.............................23 Grupo Escolar “BRASIL” e demais denominações..........................35 Escola Estadual “BRASIL”..........................................................43

ENTRE MEMÓRIAS E IMAGENS
A escola e o cotidiano escolar através de memórias e imagens.........55 Festa junina.....................................................................................205 Cinqüentenário da escola...............................................................211 Educação Especial..........................................................................215 Escola Padrão, ampliação da escola e reforma de seu prédio.........230 Hino à Escola “BRASIL”.............................................................241 Brasão..............................................................................................243

CONCLUSÃO
A Escola Estadual “BRASIL” no século XXI ...............................245

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............291 APOIO CULTURAL ....................................................293

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PREFÁCIO
Este livro nos oferece um rico acervo de imagens sobre o cotidiano da Escola Estadual “BRASIL”, situada no município de Limeira, no Estado de São Paulo. Importa nesta apresentação destacar tanto o registro quanto a figura de quem o faz. Pois, a paixão do escritor determina o colorido das paisagens que se descortinam diante de nossos olhares. Com muita paixão e afeto, o Professor Wilson Ricardo nos descreve aspectos instigantes de um funcionamento escolar expondo com a maior generosidade a materialidade dos processos organizacionais e simbólicos implicados neste contexto específico. Os leitores podem desfrutar das mais belas paisagens em uma combinação de dois percursos: um transcorre pela linha do tempo e nos permite uma vivência pela diacronia. Deste modo, através do desenrolar de uma temporalidade, nós percebemos, passo a passo, modos de constituição de uma memória da Escola Estadual “BRASIL”, e mais ainda, da memória de seu vínculo com a cidade na qual se insere. O outro percurso consiste na vivência do mergulho sincrônico. A intensidade do processo educacional está exposta nas formas como a escola se organiza hoje em meio aos esforços para responder desafios propostos também por uma cidade em outra etapa de sua história. Há marcas de sabedoria na lida dos educadores que participam da história da escola neste momento. Há sinais do envolvimento dos educandos com as propostas apresentadas pela escola. Deste modo, testemunhamos diversos modos de compromisso em ação no ambiente pedagógico. Não há nada de espetacular, pois tudo sucede na mais extrema simplicidade. A riqueza do ato educacional se prova justamente nesta condição de ser simples e nesta capacidade de resistir aos apelos das iniciativas pretensamente fantásticas. A natureza dos vínculos afetivos merece maior conhecimento por parte de todos aqueles que se preocupam com a educação, principalmente

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daqueles que se angustiam com a situação vivida pela escola em nosso tempo. Neste registro da história da Escola Estadual “BRASIL” nós encontramos um material vasto a nos ensinar sobre a dinâmica dos vínculos afetivos, sustentando processos de aprendizagem, com tudo o que implica um desenvolvimento educacional. A característica de cada contexto exerce suas determinações sobre os vínculos possíveis em cada experiência. Se rastreamos atentamente a diacronia dos fatos, nós encontramos, também, elementos que nos explicam sobre a condições de rupturas, sobre modos de praticar a ousadia, sobre um jeito de teimosia que sempre compõe o ofício de educar. Ao longo de uma história da escola nos convencemos sempre mais sobre esta condição de sustentabilidade promovida pelos vínculos estabelecidos entre educador e educando, entre escola e equipe educacional, entre a escola e a cidade, entre a escola e cada aluno. Deste modo tocamos no tema do ambiente escolar e na sua sustentabilidade. Não há trabalho educacional eficaz se não estamos atentos a este trabalho de zelo pelo ambiente escolar. Assim, recebemos por meio do registro da história desta escola também a descrição dos modos de organização deste ambiente tão singular. A diacronia pode ser percorrida por nós como uma forma de exercício de nossa sensibilidade diante dos ambientes emergentes. Um olhar para o que se passa no momento atual, esta observação sobre as composições sincrônicas, nos aponta os aspectos inerentes à organização de uma equipe de educadores. A eficácia de um processo educacional também depende seriamente do quanto se consegue, ou não, constituir uma equipe de educadores, que se apresenta diante dos alunos, realmente como sendo educadores. Há escolas com belíssimos projetos educacionais elaborados, todos eles muito generosos na oferta de medidas pretensamente progressistas e inovadoras. Mas, de que adianta sermos os portadores das mais belas intenções, se na passagem para a aplicabilidade elas se fragmentam na dureza do cotidiano? Uma boa equipe educacional permite à escola resistir aos testes da dureza constituída pelas mais diversas contradições por ela enfrentada em seu dia-a-dia. A Escola Estadual “BRASIL” nos oferece variados testemunhos de como os educadores se compro-

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metem também com o zelo pela formação e pela sustentação de suas equipes de trabalho. Na apresentação do livro do Professor Wilson Ricardo quero destacar um dos desafios que mais sobressaem no registro da escola pela qual ele tanto se apaixonou. Estou me referindo ao aspecto da memória. A Escola Estadual “BRASIL”, como a escola mais antiga do município de Limeira, se afirma com uma memória forte. Talvez nesta memória encontramos o seu mais precioso tesouro. Penso em até afirmar a memória além se sua natureza de acervo de signos e sentidos. Vejo nesta memória um terreno de biodiversidade, bem ao modo como nós já mencionamos o meioambiente aqui. Neste caso se trata de uma biodiversidade do território da fantasia. Neste território nós podemos apontar o desafio em uma dupla dimensão: a primeira, consiste no modo como a escola recupera o dinamismo do processo educacional na composição de novos sentidos para os alunos e para os educadores que se encontram nela hoje. A segunda, consiste no modo como esta escola testemunha para o nosso país as condições de reinvenção do papel da escola para que esta instituição consiga acompanhar a dinâmica da sociedade. A resposta para este dois desafios depende do quanto os educadores manejam o acervo constituído pela memória desta escola. A lida com a memória nos abre outro horizonte para pensarmos na construção dos valores em uma escola pública e laica, sobretudo quando esta se situa em sociedades heterogêneas como a nossa. Aqui me refiro a uma heterogeneidade feita de um descompasso com o tempo. Isto é, a sociedade brasileira articula experiências situadas ainda em uma temporalidade que podemos designar como pré-moderna. Ou melhor, se a modernidade representou para a cultura ocidental uma experiência profunda de rupturas com esquemas de certezas, aquilo que foi compreendido como o Iluminismo, encontramos setores de nossa sociedade arraigados em modelos de ordem e autoridade muito próprios da pré-modernidade. Há também setores que se abrem para os movimentos de incerteza se reinventando tan-

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to nos aspectos referentes a uma epistemologia quanto a uma ontologia. Tanto os modos de existência quando as explicações que a acompanham estão atravessados de intensas turbulências. E há também setores da sociedade, sobretudo se focamos nosso olhar para as combinações produzidas no interior da tecnociência, vivendo experiências em disparada por um tempo pós-moderno. Diante deste quadro tão complexo que respostas a escola pode oferecer ao se apresentar também como uma instituição partícipe na construção dos valores para a sociedade? O manejo da memória cumpre neste caso uma função imprescindível. Trata-se de apropriar da tradição sem ser tradicionalista, se quisermos lançar mão de uma expressão forjada por Paul Ricoeur em 1965. Na tradição a escola pode enraizar novos valores, retirando dela a seiva da sustentabilidade. Nada de recorrer a atalhos facilitadores apelando para instrumentos transcendentais. Nós, educadores, podemos nos debruçar sobre a tradição como um esforço de beber nela a seiva de vida, esta energia capaz de alimentar a nossa potência de criação nos esforços de ultrapassagem das linhas do horizonte. O encontro da escola com a memória, por meio de um uso sábio da tradição, pode ser o mais belo e necessário encontro numa lida cotidiana de educadores. Enfim, este livro nos apresenta uma história apaixonante de uma escola escrita por um educador cheio de paixão. Vamos desfrutar desta história para alimentar nossos sonhos por uma sociedade melhor, esta onde a vida possa se expressar nas mais diversas direções. Vamos nos afetar por esta história consolidando nossos compromissos com as novas gerações, na mais intensa expressão de nossos afetos. Quero testemunhar o prazer que experimentei no trabalho de orientar o Professor Wilson Ricardo no período em que ele escrevia esta história na forma do seu trabalho de conclusão de curso para concluir a Licenciatura em Pedagogia, no Instituto de Biociências, na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, a UNESP, no campus de Rio Claro, SP. Este percurso rico de afetos me fez outro educador. A intensidade da partilha se desdobrou em modos mais generosos de estar na vida, algo bem distante das consignas de “melhoradores da humanidade”. Se podemos melhorar a nós mesmos, já

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alteramos com humildade a condição de nossos compromissos conosco, com o outro e com o mundo. Assim, terminamos o percurso pelas paisagens desta escola com a certeza de que vale a pena apostar na vida! A doçura dos olhares vasculha com mais acuidade as linhas do inédito em cada caminho por nós percorrido. E a vida ganha em charme e beleza! E também em saúde!

Professor Dr. Romualdo Dias

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INTRODUÇÃO
Este trabalho retrata a memória e a história da Escola Estadual “BRASIL”, a instituição de ensino público mais antiga em funcionamento no município de Limeira, Estado de São Paulo. Escola essa em que, em fevereiro de 1998, recém-chegado à cidade de Limeira, após ter-me formado em Matemática, iniciei minhas atividades de docente. Não conhecia a cidade, muito menos a escola, no entanto optei por ela devido a sua denominação “BRASIL”, pois sempre tive muito amor, civismo e respeito à minha pátria. O meu primeiro contato com a instituição foi justamente no meu primeiro dia de trabalho; foi amor à primeira vista. Tudo me agradou, o prédio, os alunos, os funcionários, os professores... A partir daquele momento comecei a conhecer aquilo que em uma primeira impressão me atraiu, com o intuito de ficar cada vez mais íntimo de tudo e de todos. Essa tentativa de compreender o que era a minha escola, não passou muito além de um passado recente até o presente momento, pois não havia nenhuma bibliografia referente a ela e devido à sua idade, ali não havia mais ninguém que tivesse vivenciado todo seu passado. Diante disso, durante o transcorrer do curso de Licenciatura em Pedagogia decidi trazer à tona o passado remoto e desconhecido desse educandário, satisfazendo minhas curiosidades e, ao mesmo tempo, com o propósito de registrar e apresentar a sua história aos demais colegas, alunos e a toda sociedade limeirense. A princípio, havíamos definido apenas o tema e, devido ao gosto que tenho por fotos, e, conseqüentemente, o prazer em fotografar, optamos como parte integrante da metodologia, o uso de imagens, pois elas, ao mesmo tempo em que nos remetem às questões físicas características de cada período, ainda nos revelam diversidades de situações do cotidiano es-

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colar, permitindo análises e reflexões. E, durante os momentos iniciais de investigação, em visitas aos arquivos para a identificação e seleção de imagens constatamos a escassez de fotos referentes aos períodos mais antigos, já que o acesso à fotografia era muito restrito para aquela época. Decidimos recorrer também a depoimentos de alunos e ex-alunos, professores e ex-professores e funcionários e ex-funcionários como um outro meio para a constituição da história escolar que até o momento se encontrava gravada apenas na memória e lembranças dessas pessoas. Os depoimentos não deixam de ser também um apelo às imagens que, após o teste efetuado pela distância, revelam a intensidade dos afetos constituídos nas relações com a Escola “BRASIL”. O recurso a depoimentos e a imagens deu-se através de um trabalho arqueológico em arquivos. Nossa pesquisa pode, desta forma, compor um tecido fazendo o uso de duas linhas: a linha da diacronia e a linha da sincronia. O nosso olhar sobre as imagens do presente se articulou com o olhar sobre o passado, e assim, construímos um dispositivo de interpretação das relações entre a escola e o tempo. Contamos a história desta escola movidos por uma pergunta que se forja com o foco sobre o sentido atribuído às relações entre escola e tempo. O debate sobre o sentido da escola para o momento em que vivemos ganha vigor se conseguirmos sustentar um vínculo com a materialidade de uma experiência. É a experiência de todos que se envolveram com a Escola Brasil que trazemos para este nosso estudo. O percurso realizado pelo interior do território das imagens nos dá as condições necessárias para desenhar o mapa dos sentidos da ação educacional. Somamos a este esforço o registro de cenas das situações mais diversas, formando um conjunto de flagrantes colhidos no cotidiano escolar, permitindo, aos olhos de quem vê as suas interpretações. Constatada a ausência de fotos antigas no álbum local e diante da decisão de se recorrer a depoimentos para o registro da história pertinente, iniciamos um trabalho de garimpagem no arquivo da escola. Através dos livros de movimento (antigo livro ponto), livros de matrículas de alunos,

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de agendas de telefone, e de sugestões de colegas, selecionamos vários nomes de ex-alunos, de ex-professores e ex-funcionários dos diversos períodos ao longo dessas sete décadas e começamos a contatá-las. Inicialmente a nossa prioridade era por pessoas que possuíssem fotos referentes às mais diversas situações do cotidiano escolar. A partir delas desenvolvemos um trabalho de coleta de depoimentos referentes às lembranças da relação delas com a escola, bem como das situações observadas nas fotos. Ocupando o lugar do cartógrafo atento registramos os sentimentos e emoções que emergiram durante essas recordações. Dentre aqueles que contribuíram para o registro dessa história, estão além de alunos e ex-alunos, professores e ex-professores, funcionários e ex-funcionários. Merece destaque o fato de que alguns exalunos, mais tarde, se tornaram professores e funcionários desta escola. Isto nos permitiu reportar a visões diversas do ambiente escolar, cada qual de acordo com sua situação perante a instituição. Dos depoimentos, uma parte foi gravada em áudio, principalmente daqueles mais idosos, e outra foi escrita. No primeiro capítulo reconstituímos a linha da diacronia, pois é nossa viagem pela memória de muitos, na qual recolhemos sentidos e afetos. Apresentamos a Escola Estadual “BRASIL” através do relato de muitos episódios: discussão da necessidade de criação de um novo Grupo Escolar no município, sua criação e instalação, os empecilhos políticopartidários surgidos durante a sua construção, o uso de salas emprestadas em outros prédios, para que os alunos pudessem estudar durante pouco mais de quatro anos até que as obras de construção fossem concluídas, o primeiro dia de aula no prédio do Segundo Grupo Escolar, sua inauguração oficial, as mudanças ocorridas em suas denominações ao longo desses anos. Cuidamos, também, de apresentar um breve histórico atual, retratando sua parte física e seu corpo de gestão, o corpo docente e o corpo de funcionários. O segundo capítulo aborda a nossa relação com a escola em um tempo mais imediato, com o enfoque sincrônico. Trata-se daquela segunda

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linha que escolhemos para compor o tecido dos sentidos da escola. Neste capítulo registramos o cotidiano escolar através de memórias e imagens. Dentre os pontos mais relevantes destacamos os seguintes: as mudanças ao longo do tempo no processo educacional e na instituição escolar, o uniforme, brincadeiras e festas, lanche (merenda), metodologias e currículos, condições materiais e econômicas dos alunos, as relações professor-aluno, aluno-aluno, aluno-escola, professor-escola, escola-pai e relações de trabalho, a educação infantil, a educação especial, o cinqüentenário da escola, escola-padrão, ampliação do prédio, hino à escola e seu brasão. No terceiro capítulo, após análises e reflexões das mudanças ocorridas ao longo dos anos no processo educacional e na instituição escolar, refletimos sobre a função da escola para o século XXI. Mesmo diante de todas as evidências obtidas por meio dessa pesquisa, a Escola Estadual “BRASIL” ainda traz recônditos muitos fatos e situações vivenciadas por seus sujeitos, constituindo um conjunto de sentimentos e emoções, que muitas vezes não deixam marcas nem se propagam ao longo do tempo, o que somente quem viveu cada situação pode expressar. Essa junção de relatos e imagens proporciona um conhecimento mais íntimo da escola, no entanto, há muito ainda a ser desvendado, visto que o então presente já se torna passado.

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SEGUNDO GRUPO ESCOLAR DE LIMEIRA
Criação e construção do Segundo Grupo Escolar
Antes da construção do Segundo Grupo Escolar de Limeira, situava-se à Praça da Bandeira, que mais tarde recebeu a denominação de Praça José Bonifácio, um prédio onde funcionavam, até o ano de 1911, a Cadeia, o Fórum e a Câmara Municipal. Ele possuía cárceres no andar térreo, salas para serviços municipais e um grande salão de 18m x 7m para as reuniões da Câmara Municipal e as sessões do Tribunal do Júri, no andar superior.

Cadeia, Fórum e Câmara Municipal. Fonte: Suplemento Histórico do Jornal “Gazeta de Limeira”.

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A constante evolução do município no início da década de 30, com o grande desenvolvimento do comércio, das indústrias de máquinas de café, arroz e outros produtos, bem como a expansão da produção de laranja, divulgou além das fronteiras do município a fama de um grande progresso e qualidade de vida, atraindo famílias de várias regiões do País. Esta época foi momento de orgulho para os limeirenses, porém não houve tempo para o crescimento proporcional de alguns setores como o da Instrução Primária. O então Grupo Escolar da cidade (Primeiro Grupo Escolar de Limeira), denominado posteriormente de Grupo Escolar “Coronel Flamínio Ferreira de Camargo”, não mais suportava tanta clientela, deixando de realizar várias matrículas por falta de vagas. Conhecendo o fato, centenas de pais nem tentaram matricular suas crianças. Por isso, a população, reivindicava a criação de um Segundo Grupo Escolar. A Prefeitura de Limeira, através da prefeita Maria Thereza Silveira de Barros Camargo, em entendimento com o Governo do Estado de São Paulo, acerca da fundação de um segundo grupo escolar na cidade, solicita a devida permissão para ceder ao Estado a Praça José Bonifácio, local para ser erguido esse estabelecimento de ensino. (de acordo com ofício nº. 887 da Prefeitura Municipal de Limeira, de 25 de setembro de 1934). Após várias solicitações da população juntamente com sua representante, a prefeita Maria Thereza Silveira de Barros Camargo, Limeira conquista o seu Segundo Grupo Escolar, criado pelo Interventor Federal Interino do Estado, Marcio Pereira Munhoz, por decreto nº. 6.708 de 28 de setembro de 1934, publicado no dia seguinte no Diário Oficial do Estado, para ser instalado em 1935. Transferiram-se 10 classes providas do Grupo Escolar “Cel. Flamínio Ferreira de Camargo” da mesma cidade e foi feita a anexação das escolas mistas da Vila Esteves e Vila Camargo, também em Limeira, e a criação de mais duas classes. No dia 4 de outubro de 1934, conforme ofício nº. 891 (de 3 de outubro de 1934: Prefeitura Municipal de Limeira), Limeira tem seu comércio paralisado das 12:30 horas às 16 horas, para que toda sociedade limeirense pudesse participar das festividades de lançamento da primeira pedra do

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edifício do Segundo Grupo Escolar, às 13 horas. Em 30 de outubro de 1934, o prefeito interino de Limeira, o professor José Marciliano da Costa Júnior, solicita à Secretaria de Educação e Saúde Pública do Estado providências para a construção do Segundo Grupo Escolar, de modo que este fosse iniciado com brevidade, pois um grande número de crianças estava sem aceso à instrução primária. Através de parecer do extinto Conselho Consultivo do Estado de 30 de outubro de 1934, bem como pelo ofício nº. 46.945 do Departamento da Administração Municipal de 20 de novembro de 1934, autorizou a Prefeitura Municipal a ceder ao Governo do Estado parte do terreno da Praça José Bonifácio, para que nela fosse construído o Segundo Grupo Escolar, obra há muito pleiteada pela população. Para abreviar a construção, a Prefeitura Municipal informou ao Governo do Estado que em Limeira havia pessoas interessadas na construção do prédio do Segundo Grupo Escolar, prontificando-se a iniciá-lo e a terminá-lo, financiando para pagamentos a longo prazo e, também, além de questões educacionais, a Prefeitura Municipal justificou que o início das obras iria melhorar a própria estética urbana local. Em fevereiro de 1935, durante a gestão do prefeito municipal Gumercindo Godoy, nada ainda havia sido feito, a não ser a demarcação do terreno onde seria construído o novo prédio, e durante o restante daquele ano fora a única ação feita, relativa à construção do Segundo Grupo Escolar. Mesmo havendo pessoas dispostas a financiar a construção do Grupo, a fim de aumentar o acesso de crianças ao Ensino Primário, questões políticas retardaram o início e a conclusão das obras. Trajano de Barros Camargo Filho, filho da prefeita da época, Maria Thereza Silveira de Barros Camargo, descreve com detalhes esses conflitos políticos:

“A história do Grupo “BRASIL” está intimamente ligada ao início da carreira política de minha mãe, a Dona Maria Thereza Silveira de Barros Camargo, que foi nomeada a primeira prefeita de Limeira. Nesta ocasião ela era apenas

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uma industrial da cidade e a política nacional estava numa fase em que a ditadura estava num recesso e foi aberta a oportunidade para a formação de partidos e candidatos aos cargos eletivos. Inclusive, à presidência da República foi eleito o candidato apoiado pelo Dr. Armando de Salles Oliveira, interventor do Estado na época. A organização do Partido Constitucionalista, do qual Dr. Armando de Salles Oliveira era integrante, estava tendo um sucesso muito grande em todas as cidades do Estado, todavia em Limeira não conseguia se organizar devido à força política do Major José Levy Sobrinho, que naquele tempo era um político tipo “à moda antiga”, que mandava e desmandava na cidade. O Dr. Armando de Salles Oliveira vinha passar o fim de semana na fazenda Montevidel cujo dono era seu amigo intimo e passava lá em casa. Numa dessas visitas o Dr. Armando convidou minha mãe para participar do partido, a qual disse que no momento não poderia, porém como minha mãe era neta de Prudente de Moraes e talvez estivesse no sangue a vontade de exercer a política, acabou cedendo e estabeleceu, então, as condições para entrar para a política.Algumas das condições eram: criação de um grupo escolar, uma escola profissional, a construção da ponte do funil que liga Limeira a Santa Bárbara D’Oeste e retificação da estrada Limeira-Piracicaba. Estas condições foram encaminhadas ao interventor, Dr. Armando de Salles Oliveira que, prontamente aceitou-as e prometeu que iria satisfazer todas as exigências de minha mãe para que ingressasse na política. Então ela começou a se organizar. A primeira providência tomada foi comprar o jornal “Gazeta de Limeira”. Naquele tempo não tinha rádio e televisão como se tem hoje e o veículo maior de comunicação era justamente o jornal. Foi organizado o partido, começou a

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campanha, com propagandas. Diante disso, foi criado o Segundo Grupo Escolar de Limeira. Foi feita a concorrência pública e a firma que venceu a concorrência estava aguardando o governo liberar as verbas para que o grupo escolar fosse construído. Nesse tempo, a política contrária à minha mãe, do Partido Republicano Paulista, do Major Levy, fez um artigo dizendo que “esse Grupo só seria para os nossos netos”. Minha mãe, em vista disso contatou a firma que havia vencido a concorrência estabelecendo um acordo; de que iniciasse a construção do grupo escolar, que ela se responsabilizaria pelas despesas até que viesse a verba. Então iniciou-se a construção do Grupo “BRASIL”. Assim foi a primeira fase do Grupo “BRASIL”; foi criada e iniciada a construção. Nesse período mudou o governador, saindo o Dr. Armando de Salles Oliveira e sendo nomeado, Adhemar Pereira de Barros, como Interventor do Estado, e como era muito amigo do Major Levy, atendeu a um pedido do Major e interrompeu sua construção. Mais tarde, ao fim da gestão de Adhemar Pereira de Barros e sendo nomeado outro interventor, a construção do grupo escolar foi retomada. O Grupo “BRASIL” teve essa fase inicial difícil, a divisão política era muito grande e minha mãe sempre atenta a esses problemas da cidade, conseguiu com que fosse construído e transformado nesse belo estabelecimento que é hoje. Essa é uma história muito bonita que representa o esforço de minha família para que Limeira tivesse escolas e assim também foi com a Escola “Trajano de Barros Camargo” que teve uma fase muito mais difícil, sendo fechada várias vezes pelo Major Levy, através do interventor Adhemar Pereira de Barros.

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João Batista Borrelli, ex-aluno do Grupo Escolar “BRASIL”, embora criança nesse período, confirma essa batalha política ocorrida durante a construção do Segundo Grupo Escolar:

“O Grupo “BRASIL” faz parte da história de Limeira, sofreu muita contingência política da época. No governo de Dona Maria Thereza de Barros Camargo, mulher do Dr. Trajano de Barros Camargo, que era do Partido Constitucionalista, iniciou-se o Grupo “BRASIL”, fizeram-se os alicerces e ergueram-se as paredes. Porém, devido a questões político-partidárias, o partido dela perdendo, parava-se a obra e quando o partido dela ganhou, deu-se continuidade. Depois, mudando novamente de partido, parou de novo, até chegando ao ponto em que ela mesma financiou e praticamente concluiu o Grupo “BRASIL”.”
Os primeiros professores do Segundo Grupo Escolar, removidos do Grupo Escolar “Cel. Flamínio Ferreira de Camargo”, por decreto de 30/ 04/1935, publicado a 01/05/1935 com princípio de exercício em 08/05/ 1935, foram: 1º Período: 8h às 11h. Nestor Martins Lino: 3º Ano A “Masculino” Antonio Alves de Oliveira: 3º Ano B “Masculino” Lázaro Cabral de Vasconcellos: 4º Ano A “Masculino” Júlio Ramos da Silva: 4º Ano B “Masculino” 2º Período: 11:10h às 14:10h. Maria Pinto Sampaio: 1º Ano A “Masculino” Bessie Edith Vogel: 1º Ano B “Masculino” Andréa da Silva Ramos: 2º Ano A “Masculino” Ermelinda de Arruda Pinto: 1º Ano A “Feminino” Maria Aparecida Leme Franco: 2º Ano A “Feminino” 3º Período: 14:20h às 17:20h. Clara Monzoni Lang: 2º Ano B “Feminino”

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Em 8 de maio de 1935 instalou-se o Segundo Grupo Escolar de Limeira, sendo realizadas as matrículas das primeiras turmas, porém os alunos estudariam em salas cedidas pelo Primeiro Grupo Escolar (Grupo Escolar “Cel. Flamínio Ferreira de Camargo”) em seu terceiro período de aula. O estabelecimento de ensino constituiu-se inicialmente de dez classes, com um total de 381 alunos. E, posteriormente, também funcionou em mais salas cedidas pelo Colégio Santo Antonio, pois ainda não havia iniciado a obra de construção do Grupo. Essa situação perdurou até início de 1939.

As atividades nesse novo Grupo Escolar começaram com a orientação do Sr. José Henrique de Paula e Silva, inspetor escolar e, posteriormente, conforme decreto de 06/08/1935, publicado a 07/08/1935, foi nomeado para seu primeiro diretor efetivo o Sr. José Candido Júnior, que assumiu o exercício em 10/08/1935. Por escritura de doação de 15/04/1936, das notas do 6º Tabelião de São Paulo “Virgílio Pompeu de Campos Toledo”, a Prefeitura de Limeira transferiu ao Governo do Estado de São Paulo o imóvel (Praça José Bonifácio), com área de 8.200 m2 , confrontando com as ruas Dr. Trajano de Barros Camargo, Primeiro de Março (atualmente “Presidente Roosevelt”), Sete de Setembro e Barão de Campinas, avaliado em Cr$ 2.000,00. A escritura foi registrada no livro 3D, de Transcrição de Imóveis, p.2, sob nº. 2.285. As aulas iniciaram de fato no prédio do 2º Grupo Escolar apenas em março de 1939, em meio às obras finais de conclusão, pois o Colégio Santo Antonio seria reaberto e o 2º Grupo Escolar ficaria sem as salas que lá ocupava.

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Alguns alunos que iniciaram o Ensino Primário em 1939 no Segundo Grupo Escolar, explicam onde foram seus primeiros dias de aulas:

“Em 1939 começamos a estudar no “Clube dos Pretos” (Grêmio Recreativo Limeirense), prédio localizado na esquina ) entre as ruas Barão de Cascalho e Rua Tiradentes, pois o Grupo Escolar estava sendo construído e o Colégio Santo Antonio também havia emprestado algumas salas e fomos para lá. E quando aprontaram o porão do Grupo Escolar começamos a estudar nele, mas as obras ainda continuaram.” (Jorge Aliberti, Dirceu Messias de Menezes, Horácio Tetzner, Milton Ferrari e Lázaro de Oliveira Couto, alunos de 1939 a 1942). “Antes de o Grupo Escolar ficar pronto os alunos tinham aulas no Colégio Santo Antônio, onde hoje é a Escola Estadual “Professor Ely de Almeida Campos”.” (Antonio Carlos Micheletti, aluno de 1939 a 1942).
O aluno Jorge Aliberti até hoje guarda com muito zelo e carinho todos os seus cadernos do período em que estudou no Grupo Escolar, de 1939 a 1940, e através de um deles confirma a data exata em que começaram a estudar no prédio do Segundo Grupo Escolar:

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“Os cadernos vinham de Rio Claro, os que você não podia comprar, eles davam. No meu caderno do 1º ano está a data certinha e a fichinha que a própria professora, Dona “Cotinha” (Maria Pinto Sampaio) fez quando começamos a estudar no Grupo Escolar, pois apesar de estarmos estudando antes, só recebemos os cadernos quando o Grupo Escolar começou a funcionar.”

Primeira página do caderno de “Caligrafia” de Jorge Aliberti, constando a primeira atividade realizada por ele no 1º dia de aula no prédio do 2º Grupo Escolar. No canto superior direito da página consta a data do 1º dia de aula dos alunos no Grupo Escolar: “20 de março de 1939”.

O prédio do Segundo Grupo Escolar foi inaugurado solenemente em 7 de maio de 1939, durante a 1ª Festa da Laranja, realizada em seu prédio no período de 7 a 14 de maio, promovida pelo Rotary Club.

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1ª Festa da Laranja, 1939. Ao fundo, o Segundo Grupo Escolar, inaugurado oficialmente dia 7 de maio, às 10 horas, durante a festa. À frente, o garoto Benedicto Carlos Toledo Lima. Acervo de Benedicto Carlos Toledo Lima.

“Lembro-me das comemorações da 1a Festa da Laranja, em que a Bandeira Nacional era toda feita com laranjas.” (Leny Rodrigues Coelho Baccan, aluna de 1938 a 1941). “Dos dias 07 a 14 de maio de 1939, houve a instalação da 1ª Festa da Laranja de Limeira, aproveitando o prédio do Grupo “BRASIL” que seria inaugurado. Com a presença do Interventor Federal Adhemar Pereira de Barros e outras autoridades aconteceu a esperada festa. Esta iniciativa era um sonho dos proprietários dos pomposos laranjais e da cidade que aninhava em seu seio riquezas formidáveis como as suas fábricas de chaminés fumegantes e o verde de suas plantações. Segundo consta, a organização foi encabeçada pela família Levy, pois o Major José Levy Sobrinho, era na época secretário da Agricultura do Esta-

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do, e muito se empenhou para a realização do evento. Ainda muito pequeno lembro um pouco dos meus pais, Benedicto Carlos de Lima e Irene Alves de Toledo Lima, prestigiando o evento, onde meu pai foi o fotógrafo das fotos. Muita saudade sinto de minha mãe, que no fim de sua vida, exercia o cargo de diretora do tradicional Grupo Escolar.” (Benedicto Carlos Toledo Lima, aluno do 4º ano em 1947).

1ª Festa da Laranja em 1939, local onde hoje é o Largo José Bonifácio. Vista através do Segundo Grupo Escolar e à frente, a rua Dr. Trajano de Barros Camargo e a residência da família Levy, local ocupado hoje pelo mercado“Comprebem”. Acervo de Benedicto Carlos Toledo Lima.

“A 1a Festa da Laranja, em 1939, foi feita no Grupo Escolar e aquelas árvores na frente não havia. Puseram uma fonte de suco de laranja, tomávamos suco à vontade e levávamos quanto queríamos.” (Lázaro de Oliveira Couto, Dirceu Messias de Menezes, Jorge Aliberti, Milton Ferrari e Horácio Tetzner, alunos de 1939 a 1942).

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“A festa foi a mais requintada: teve eleição com escolha da rainha da 1ª Festa e princesas. Havia em frente ao Grupo “BRASIL” uma escultura representando um trabalhador despejando uma caixa de laranja. Da casa do Dr. Martinho Levy, em frente ao Grupo Escolar, havia uma fonte que jorrava suco de laranja.”(Benedicto Carlos Toledo Lima, aluno do 4º ano de 1947). “Recordo-me da 1ª Festa da Laranja e havia estátua de dois homens, que representavam apanhadores de laranja, estando um de costas ao outro e à frente de cada um, uma caixa de laranjas. Os festejos de inauguração do Grupo Escolar “BRASIL” (Grupo Novo) ocorreram no transcurso dessa Festa da Laranja. Neste período, sim, se poderia chamar Limeira de “Capital da laranja”.” (Osvaldo Ernesto Felizi, aluno do 3º e 4º anos de 1939 e 1940).
Durante todo o ano de 1939, as crianças ficaram desabrigadas, sem o galpão de abrigo, ficando expostas aos rigores do tempo. Havia apenas o prédio do Grupo Escolar, sem qualquer cobertura ao longo de seu pátio, além de um grande espaço vazio. Apenas em 1940, as obras de construção do galpão foram concluídas. Em 1940, o Segundo Grupo Escolar possuía 18 classes, com 809 alunos e média de 45 alunos por classe e, mesmo com a boa vontade do diretor do estabelecimento em atender os candidatos mais velhos, ainda ficaram privados de matrícula cerca de 650 crianças, a maioria com idade a partir de 8 anos.

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Grupo Escolar “BRASIL” e demais denominações

Grupo Escolar “BRASIL” no ano de 1941. Acervo de Maria Eloisa Gonçalves de Oliveira Rossi.

Naquela época, o largo José Bonifácio era um terreno quase que completamente vazio, constituído por apenas uma árvore, o que permitia visualizar com perfeição a fachada do Grupo e admirá-la com sua linda arquitetura seguindo os padrões de simetria característica da época. O espaço físico interno do Grupo Escolar nesse período era menor, pois, como se pode observar no canto esquerdo da foto, o muro acompanhava a lateral do prédio. Através do relato de Jorge Aliberti, aluno de 1939 a 1942, podemos confirmar o que vimos na foto:

“Aqui onde hoje é o pátio era o nosso recreio, aqui dentro não havia nenhuma árvore, era tudo limpo. Nem na frente da escola havia árvore, não havia nada. Na festa da laranja que houve não havia árvore, depois que as árvores foram plantadas.”

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Limeira no início da década de 40. Em detalhe o Grupo Escolar “BRASIL”. Acervo de Nelson Petto.

Em 28 de fevereiro de 1941, o então prefeito municipal Ary Levy Pereira, solicita através do ofício nº. 5.078, ao secretário da Educação e Saúde Pública do Estado, Sr. Dr. Mario Guimarães de Barros Lins, que seja dado ao Segundo Grupo Escolar de Limeira o nome de “BRASIL”, cujo ofício transcrevemos:

“A prefeitura Municipal de Limeira, pede muito respeitosamente a Vossa Excelência, a devida vênia para sugerir ou solicitar, seja dado ao Segundo Grupo Escolar desta cidade, o nome de “BRASIL”. Essa denominação, Excelentíssimo Senhor Doutor Secretário, viria como um complemento natural e grandioso, coroar a ação patriótica deste poder público municipal, que já deu às suas escolas municipais os nomes de todos os Estados brasileiros, tendo recebido um grupo escolar municipal há pouco constituído, o nome de “SÃO PAULO”. Aspiração natural, espontânea e ardente do povo limeirense, o nome de “BRASIL” seria um tributo a mais de civismo, erguido em honra de nossa Pátria pelos habitantes da “Capital da Laranja”, que

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assim, teriam um outro magnífico ensejo de ver exaltado na fachada desse grandioso estabelecimento educacional, como um incentivo e um florão de glória, o nome que simboliza todo um evangelho de luminosidade e esplendor. Agradeço penhoradamente a gentileza e a generosidade da boa acolhida à sugestão ora apresentada, e valho-me do ensejo para me firmar com máxima estima, apreço e muito atenciosamente.” (Copiador de Cartas e Ofícios: Centro Municipal de Memória Histórica de Limeira).
Sem muita demora, em 27 de maio de 1941, através do decreto nº. 11.987, transcrito a seguir, o Segundo Grupo Escolar da cidade passou a denominar-se Grupo Escolar “BRASIL”.

“Dá a denominação de “BRASIL” ao 2º Grupo Escolar de Limeira. O Doutor Adhemar Pereira de Barros, Interventor Federal no Estado de São Paulo, usando de suas atribuições: Decreta: Artigo 1º - O 2º Grupo Escolar de Limeira passa a denominar-se Grupo Escolar “BRASIL”. Artigo 2º - Este decreto entrará em vigor na data de sua Publicação. Palácio do Governo do Estado de São Paulo, em 27 de maio de 1941. Adhemar de Barros Mario Guimarães de Barros Lins. Publicado na Secretaria de Estado da Educação e Saúde Pública, em 27de maio de 1941. Aluízio Lopes Oliveira Diretor Geral”

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Os números das matrículas e das classes em 1941 nos ajudam a perceber a dimensão que a escola possuía nesta ocasião.

E ao longo dos anos sua denominação sofreu algumas alterações. Em 1976, através da Resolução S.E. nº. 23/76, publicado no D.O.E. de 26/01/76, o Grupo Escolar “BRASIL” passa a ministrar o ensino de 1º grau até a 8ª série, sendo denominada de E. E. P. G. “BRASIL” (Escola Estadual de Primeiro Grau “BRASIL”).

Em 1990, por meio da Resolução S.E. 93/90, publicado no D.O.E. de 23/05/90, a escola passa a atender o ensino de 2º grau, sendo denominada de E.E.P.S.G. “BRASIL” (Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus “BRASIL”).

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Em 1999, de acordo com a Resolução S.E. 37/99, publicado no D.O.E. de 24/04/96, a escola passa a denominar-se, simplesmente, E. E. “BRASIL” (Escola Estadual “BRASIL”).

Apresentamos a seguir uma lista contendo os diretores e auxiliares de direção que atuaram na escola durante esses anos:

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Escola Estadual “BRASIL”
Atualmente, a Escola Estadual “BRASIL” é a unidade de Ensino Público mais antiga em funcionamento na cidade, constituída por uma bela fachada, tendo à sua frente o Largo José Bonifácio, com área arborizada de 1.936,58m2 . Seus pátios e dependências possuem uma área de 7.159,00m2, sendo desses, 2.423,90m2 de área construída e juntamente com o largo ocupam um quarteirão completo da cidade.

Vista da Escola Estadual “BRASIL”, pela Rua Barão de Campinas, localizando-se na região central da cidade, envolta por várias árvores, 2007.

Ao longo dos anos, além de transformações físicas, como sua ampliação com a construção de outro prédio e o crescimento das árvores que hoje praticamente escondem sua bela fachada, a clientela da escola também não é mais a mesma.

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Estando localizada no centro da cidade em uma área comercial, a clientela que antes se situava ao redor da escola em bairros próximos, apresenta-se hoje muito restrita, a maioria proveniente de diversos bairros da cidade. Devido à sua localização e ao ensino de qualidade que a escola se propõe realizar, a procura de vagas é grande. A clientela escolar é bastante diversificada, proveniente de inúmeros bairros e oriunda de famílias, em sua maioria, de baixa renda familiar, variando entre dois a três salários mínimos e de baixa escolaridade. O desempenho profissional dos pais é diversificado, embora seja minoria, e há famílias que se enquadram em outro contexto sócio-econômico, pois alguns exercem profissões mais sofisticadas provenientes de pais industriais, proprietários rurais, comerciantes, funcionários públicos e outros, enquanto os demais são operários de indústria e comércio, e vários sobrevivem do mercado informal, chegando muitos até estarem desempregados. A E.E. “BRASIL” possui atualmente 2055 alunos e funciona em três períodos, sendo o período da manhã das 7h às 12:20h; período da tarde das 13h às 18:20h; período noturno das 19h às 23h. Ela oferece o Ensino Médio Regular e Educação Especial (sala de deficientes auditivos) no período da manhã, Ensino Fundamental no período da tarde e Ensino Médio Regular e Educação de Jovens e Adultos (Telecurso e Supletivo) no período noturno. A E.E. “BRASIL” é constituída por dois prédios: “Prédio Velho” e “Prédio Novo”, cada um deles apresentando três amplos pavimentos:

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Quarteirão ocupado pela Escola Estadual “BRASIL”. Diagramação: Humberto Meale.

Prédio l (Prédio Velho, concluído em 1939) - construído de alvenaria, possui:

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Pavimento Superior: Prédio 1. Diagramação: Vinicius Matiazzi.

Pavimento Térreo: Prédio 1. Diagramação: Vinicius Matiazzi.

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Pavimento Inferior: Prédio 1. Diagramação: Vinicius Matiazzi.

Prédio 2 (Prédio Novo, concluído em 1994) - construído de vigas e placas pré-moldadas de concreto, possui:

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2º Pavimento: Prédio 2. Diagramação: Vinicius Matiazzi.

1º Pavimento: Prédio 2. Diagramação: Vinicius Matiazzi.

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Pavimento Térreo: Prédio 2. Diagramação: Vinicius Matiazzi.

A área externa possui:

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Plano da Quadra. Diagramação: Humberto Meale.

Apresentamos a seguir, o corpo de gestão, o corpo docente e o quadro de funcionários da escola, ano 2007.

Corpo de Gestão, professores e funcionários, 2007. Foto: Amarildo Silva

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Diretoria Regional de Ensino:
Profª. Lígia Maria Müller Cesar: Dirigente Regional de Ensino Prof. Rogério Fernando Giovanni: Supervisor de Ensino

Corpo de Gestão:
Prof. Osvaldo Assumpção Castro: Diretor de Escola Prof. Enéas Raimundo Barbosa da Silva: Vice-diretor de Escola Profª. Nelsi Aparecida Strasser: Vice-diretora de Escola Prof. Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida: Coordenador Pedagógico Profa. Maria Regina Drago Ferreira Camarini: Coordenadora Pedagógica

Funcionários:
Secretário de Escola
Valmir Benedito Silveira

Agente de Organização Escolar (área administrativa)
Alessandra Gomes de Sena Célia Salvagnane Correia Márcia Regina Rocha Gonçalves Milton Luiz Milaré Regina Silvia Santarosa Vinicius Matiazzi

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Agente de Organização Escolar (antigo inspetor de aluno)
Maria José dos Santos Maria José Ribeiro da Silva Guerino Marilene dos Santos Rosângela Fontanin de Souza Shirley Cardoso do Carmo

Agente de Serviço Escolar
Cleusa Aparecida Teodoro dos Santos Edna Totti de Morais Ivanir Costa Ribeiro dos Santos Maria Lúcia Teixeira Francisco Neusa Roseli Avicchio de Carvalho Romilda Aparecida Toledo Georgetti

Merendeiras
Karina Alves Maria Rosalina Felipe Pinheiro Maria Wilma Dalfré

Corpo Docente
Agnes Chinelatto Alan Pereira do Prado Alcindo Gonçalves Dias Alexandra de Fátima Reis Glória de Oliveira Antonio Francisco Correia Cecília Rosa Giusti

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Claudia Fernanda Locci de Campos Cleci Gomes da Costa Cléo Guimarães Moreira Creusa Aparecida Calixto de Oliveira Cristiane Savoia Zanchetta Denise Ferreira Arcaro Dirce Aparecida dos Anjos Santos Enéas Raimundo Barbosa da Silva Érika Monteiro Moraes Helany Morbin Helena Miranda de Sousa Menconi Humberto Meale Inês Aparecida Grego Lussier Irme Magno Brasil Israel Alves de Souza Ivanil Aparecida Garro Jenoci da Silva Figueiredo Freitas João Luiz Gonçalves de Oliveira José Joaquim de Souza José Otávio Ribeiro José Raimundo da Silva Josiane Gallo Lilian Maria Grancieri Lilian Tejeda Liliane Fior Silva Correa Lemos Luciana de Oliveira Silva Luis Antonio Pinto Magali Alves Pereira Marcelo Amorim de Munno Marcia Cristina Bosqueiro Armelin Marcia Sueli Feltrin Marcos Antonio Goeldner Caetano da Silva Margarida Maria Vaz

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Maria Cristina Zocca da Silveira Maria Denise Cazante Silva Maria do Carmo Tonielo de Alcântara Maria Luiza Luz Lussier Maria Regina Drago Ferreira Camarini Maria Terezinha Somer Ortolan Marizilda Aparecida Marabesi Ferreira Marta Aparecida da Silva Miguel Angelo Janieri Nanci de Fátima Fortes Pestana Nelsi Aparecida Strasser Nelson Baptista Gonçalves Júnior Neusa Borges Viana Trevisan Neuza de Araújo Lima Nívea Alexandra Abramo Barreto Paulo Henrique Coran Paulo Henrique Luiz Gomes Raquel Biscaro Condutta Regiane Cibele Matheus Montovani Renata Farsetti Rosangela Cristina Scatolin Bernini Rubens Antonio Condeles Junior Sandra Karina Soares de Souza Roque Silvia Maria Romero de Lima Simone Aparecida Barana de Góes Solange Isabel da Silva Ragiotto Solange Teresinha Guida Vaz da Silva Tatiane Dornolas Andreata Valeria Kühl Michelini Vera Lucia de Campos Vera Lucia Leitão Cavinato Viviane Oliveira Venâncio Welder Lancieri Marchini Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida

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ENTRE MEMÓRIAS E IMAGENS
A escola e o cotidiano escolar através de memórias e imagens
As imagens são textos, constituídos por figuras, que podem ser lidas como expressões de múltiplos sentidos. Essa leitura expressa sentimentos, fatos e emoções, enfim, somando-se aos relatos de alunos e professores registra a diversidade do cotidiano escolar. Apresentaremos, através de fotos e depoimentos, uma espécie de radiografia da escola, flagrada ao longo desses anos, utilizando-nos de aspectos que caracterizam as relações e situações do ambiente escolar e do ensino. Assim como nós ocupamos o lugar de cartógrafo na lida da investigação, o leitor também poderá nos acompanhar em um exercício de mapeamento dos sentidos emergentes nos processos educacionais registrados pelas imagens. As imagens significam articulações com os afetos por elas mobilizados.

Boletim de Balthazar da Silveira, 4º ano de 1939. Acervo de Maria Antonietta Faber.

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Todos os alunos possuíam boletim e dentre as várias informações nele contidas, destacam-se as notas de comportamento, notas de aplicação, nota de comparecimento e a quantidade de faltas. As notas variavam de 10 a 100 e a cada múltiplo de 10 as notas tinham significados: 0 = Nula; 10 = Péssima; 20 = Má; 30 = Menos que sofrível; 40 = Sofrível; 50 = Para regular; 60 = Regular; 70 = Para boa; 80 = Boa; 90 = Para ótima; 100 = Ótima. Todo mês o boletim era entregue ao aluno para que fosse assinado pelo pai ou responsável e deveria ser imediatamente devolvido. Mesmo nos casos de eliminação definitiva, o boletim deveria ser entregue ao aluno, com a declaração do motivo. Alguns ex-alunos comentam a utilização do boletim, seu rigor e a eficácia no controle de notas e faltas dos alunos em sua época:

“Relativo à freqüência, tinha um boletim, a professora fazia a chamada e quem faltava, ela punha falta. No mês se tinha o comportamento, o comparecimento, aplicação e falta, aí vinha o boletim e você tinha que levar para o pai assinar; no outro mês a mesma coisa. Se baixava ou diminuía qualquer nota o pai ia ver o que aconteceu, se aumentou a falta ou baixou o comportamento. Era bem feito e o pai tinha que assinar o boletim.O boletim ficava guardado na escola. Através do boletim, o pai e a mãe viam a aplicação, a falta e como é que estava o procedimento dele na escola. É muito interessante esse método, de levar para o pai ou a mãe assinar e não poderia levar de volta se não tivesse assinado, senão o filho não poderia entrar na escola. Era um período severo, rigoroso, porém muito bom.” (Jorge Aliberti, aluno de 1939 a 1942).

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“A freqüência dos alunos era registrada através de uma carteirinha que todo dia você entregava ao inspetor de alunos, ela voltava carimbada com a palavra “presente” e quando havia lacunas, em casos que os alunos faltavam, vinha escrito em vermelho a palavra “ausente”. O pai tinha o controle absoluto se o filho havia entrado ou não na escola, pois era somente na última aula que recebíamos a carteirinha. Não era possível burlar, falsificar.” (Margarete Piva, aluna de 1976 a 1983 e professora coordenadora pedagógica de 2001 a 2006).

Professora Lucilia Ramos da Silva Forster e seus alunos do 3º ano misto de 1940. Da esquerda para a direita, de cima para baixo; 1ª fileira, Fernando Lencioni (1º); 2ª fileira, Dorival Prado Pereira (5º), Francisco Pacola (7º); 3ª fileira, Geny Ulbricht (6ª); 4ª fileira, Helena Ferrari (2ª), Mercedes Crippa (3ª), Maria Antonietta Faber (5ª), Rafaela Teixeira (8ª). Acervo de Maria Antonietta Faber.

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Maria Antonietta Faber cursou o Ensino Primário no Grupo de 1938 a 1941 e tem apenas boas recordações, dos colegas, do ensino e de seus professores:

“Quando passo em frente à escola lembro o quanto era gostoso o tempo em que estudava lá. Os professores eram bons. Tinha aula de religião e tudo de bom aprendi lá; aprendi até a bordar. Era tão bom aquele tempo. As meninas eram prestativas umas com as outras. Havia muito respeito pelo outro. Todos os alunos tinham respeito para com a professora e tinham medo de falar com o diretor no que fosse encaminhado à diretoria. Brincávamos de bola, de paz, de correr, esconde-esconde, só brincadeiras gostosas.”

Professor Antonio Perches Lordello e seus alunos do 4º Ano de 1940, na parte interna do Grupo. Entre eles estão, da esquerda para a direita, de cima para baixo; 1ª fileira, Carlos Luchesi Pelegrini (1º), José Bento Pedroso (2º), Irineu Sousa Francisco (3º), Flavio Soares (4º), Osmar de Oliveira (6º), Álvaro Leoncini (7º), Ataliba Cesario (9º); 2ª fileira, Augusto Womer Filho (3º), Virgilio L. Albuquerque Neto (4º), Álvaro Marino (5º), Armando Tank (7º), Milton Spagnolo (8º), João Batista Borrelli (9º); na 3ª fileira, Domingos Laurito (2º), Luiz Carlos Correa Silva (4º), Wail Brigato (5º), Israel Antunes Oliveira (6º), Milton Munhoz (7º), Moacir Luporine (9º), João da Cruz Neto (10º); 4ª fileira, Vicente Metitier (1º), João Mendes Silva Junior (3º), Antonio Andrieto (4º), Edie da Cruz Maduro (5º), Francisco Assis Silveira (6º), Homero Lencione Gullo (7º), Osvaldo Ernesto Felizi (9º), Sebastião Teixeira Martins (10º); sentados, Geraldo Teixeira Martins (1º), José Antonio Machado Campos (2º). Acervo de João Batista Borrelli.

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“Fui aluno do Grupo “BRASIL”, em Limeira, que de imediato recebeu o apelido de Grupo “Novo”, visto que já existia em Limeira o Grupo Escolar “Cel. Flamínio Ferreira de Camargo”, que passou a ser denominado de Grupo Escolar “Velho”. Nosso diretor era Sr. João Baptista Soares, pessoa brava, da raça negra, era mais respeitado do que temido. Temido era o inspetor de alunos, chamado de servente. Vivia berrando com os alunos e prometendo a temida ida à diretoria. Era meu querido professor o Sr. Antônio Perches Lordello, e que tem seu nome perpetuado por ser patrono de uma escola estadual. No 2º semestre de 1940, com a doença do professor Lordello, assumiu nossa classe a recém formada senhora Maria Aparecida Maduro, que teve sua vida infernizada pelos “cavalões” do 4º ano, até que todos foram mandados à diretoria. Receberam a maior bronca e se continuassem com a bagunça seriam eliminados do Grupo Escolar. Isso amansou a turma.” (Osvaldo Ernesto Felizi, aluno do 3º e 4º anos de 1939 e 1940).
“Borelli” estudou o 4º ano no Grupo “BRASIL”, em 1940. Havia cursado até o 3º ano no Grupo Cel. Flamínio Ferreira de Camargo. Depois, com a construção do Grupo “BRASIL”, como morava próximo a ele, foi para lá cursar o último ano do Ensino Primário. Todos os moradores da circunvizinhança foram convocados e obrigados a freqüentar o Grupo “BRASIL”. Apesar de transcorrido tanto tempo, “Borelli” tem muitas recordações e faz comparações do ensino e disciplina daquela época com o que as escolas vivenciam atualmente:

“Recordo bem, a educação dava de “dez a zero” na educação de hoje. Naquela época os professores tinham mais amor e mais condições de trabalhar, os alunos, também, eram

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mais comportados, educados, respeitavam os professores e dificilmente notávamos ou encontrávamos algum colega que respondesse para o professor. Os professores, na realidade, eram um segundo pai do aluno. Hoje é uma vergonha, o aluno maltrata os professores, xinga, ofende e o professor tem que ficar quieto. Na minha época havia, inclusive, a rivalidade entre os dois professores do 4º ano, o Antonio Perches Lordello que era o meu professor e o Nestor Martins Lino que era o professor do outro 4º ano. Eu estava lá, às 8 horas da manhã, eram 4 horas. Eram duas classes e a rivalidade era de quem dava o maior número de problemas para os alunos, “não problemas”, problema da aritmética. O próprio professor dizia: “Hoje fizemos tantos problemas”. Era uma rivalidade e uma classe vinha a fazer mais problemas que a outra. Comparo o meu 4º ano de grupo com a 8ª série de hoje, com vantagens ainda, ensinava Geografia, História, Música. Até hoje eu sei as músicas que eu aprendi com as minhas professoras. O Grupo “BRASIL” era um Grupo de 1º Mundo, tanto é que se pode observar em várias partes, no piso; é de mármore italiano, “carrara”. Foi um Grupo Escolar de alto nível, mas infelizmente o tempo corrói tudo que é bom. Os professores perdem o estímulo, porque pássam a receber menos e, mesmo que eles sejam idealistas e queiram manter certa diretriz, eles não podem porque os alunos são intocáveis. Professor que coloca a mão em aluno está sujeito a responder a processo. Falo isto porque tenho uma filha professora. Eu sinto muito pela situação do ensino nos dias de hoje. Sempre considerei os professores, os mestres, figuras importantíssimas na sociedade, professor era um “pai” na educação. Um bom professor de Matemática é levar o aluno a uma Faculdade de Engenharia, Ciências Exatas, Matemática; o bom professor de Biologia pode levar o aluno a uma Fa-

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culdade de Medicina, induzir o aluno. A televisão hoje ensina o que tem de “pior”, embora algumas são educativas. Então, o aluno se espelha nessas novelas sempre no sentido pejorativo, é difícil encontrar uma novela que faz apologia ao professor, escola, que ensina a respeitar os professores. Nós levávamos flores aos professores, frutas, hoje nem casca de banana.”
Nesse seu modo de comparar a escola em seus diversos tempos o exaluno defende que precisa haver uma reviravolta no ensino:

“As coisas têm que voltar como eram antes, cada um no seu lugar. Professor como professor, sempre respeitado, não só pelos alunos como pelas autoridades, desde que ele cumpra rigorosamente suas obrigações e, seja uma pessoa idônea.”
“Borelli” faz algumas referências quanto ao uniforme, à prática cívica e de seu sentimento pelo Grupo Escolar:

“Esta é uma fotografia do Sr. Lordello com minha turma, todos com sapatos, o uniforme era uma camisa de manga curta branca, calça azul, meia branca e sapato, mas quando eu estava no outro Grupo, a minha turma ia descalça, então o governo obrigou os alunos a irem calçados. Eu tinha um irmão que estava em ano anterior a mim e nós dividíamos os mesmos sapatos. Eu ia com um pé de sapato e outro descalço. Cantávamos o Hino Nacional. No 4º ano tínhamos aula de música e até hoje eu sei as músicas que aprendi com o Sr. Lordello. O Sr. Lordello adorava música e cantava o Hino Nacional. Reprovei o 1º ano e o 2º ano, porque eu era um pouco levado e a professora não gostava de mim, reprovou pra se vingar e a partir daí fui para o 3º

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e o 4º ano e deslanchei, fiz o ginásio, o científico e nunca mais teve uma segunda época. Era uma escola de alto nível, bons professores e limpa, o diretor era uma autoridade. Minha classe era masculina. Só tenho a dizer palavras de elogios do Grupo”BRASIL” e de todos os professores. O Grupo “BRASIL” foi um orgulho. Foi o segundo Grupo Escolar de Limeira, depois foi o Grupo Escolar “Professor Leovegildo Chagas Santos”, que foi feito no meio da estrada. Era pra ter sido feito para o lado e o fizeram ali, interrompendo a rua Santa Cruz.”

Professora Jadyr Guimarães dos Santos e sua turma de alunas do 4º ano de 1940. De cima para baixo, da esquerda para a direita; 1ª fileira, Enid Esteves (1ª), Flavia Bortolassi (2ª), Ilda Ferreira (3ª), Daisy De Déa (4ª), Dirce Veroni (5ª); 2ª fileira, Teresa Virginia D’Andréa (1ª), Maria de Lourdes Francisco (2ª), Maria Das Dores Ventura (3ª), Sebastiana Ventura (4ª), Maria Franco de Moraes (5ª), Irma Capato (6ª), Dorotéa Alves (7ª), Florinda Feóla (8ª); 3ª fileira, Marina Geraldelo (1ª), Odete Assumpção (2ª), Adalice Aparecida Coelho (3ª), Mariannina Ponzo (4ª), Hilda Juliani (5ª), Alice Soares (6ª), Lourdes Bosqueiro (7ª), Alzira Jacon (8ª), Lúcia Batistella (9ª), Margarida Chinelatto (10ª); 4ª fileira, Iracema Milaré (1ª), Neide Vieira Gachet (2ª), Eunice Fenga de Moraes (3ª), Gioconda Simonelli (4ª), Mary Petreli (5ª), Maria Amélia Braga de Andrade (6ª), Ilka Pelegrini Guimarães (7ª), Maria Ester Castelar (8ª), Maria Aparecida Supersi (9ª), Laucedina Soares de Souza (10ª). Acervo de Laucedina de Souza Del Bianco.

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“Foi um período de muito aprendizado, rigor na disciplina e de situações e colegas inesquecíveis como Mariannina Ponzo, que durante a execução do Hino Nacional, insistia em cantar o Hino da Itália, pois era recém chegada desse país e falava pouco a língua portuguesa. Outra colega, Maria Ester Castelar, por ter sido aprovada em todas as disciplinas com nota “100”, obteve o 1º lugar da turma e recebeu uma bolsa de estudos do Colégio São José. Esse grupo escolar deixou muitas saudades!”( Laucedina de Souza Del Bianco, aluna do 3º e 4º anos de 1939 e 1940).

Professora Mariana Fernandes e sua turma de alunas do 4º ano de 1940. Acervo de Leila Hansen Sampaio Barros. De cima para baixo, da esquerda para a direita; 1ª fileira, Geralda Sétima Georgete (1ª), Irene Guedes (2ª), Maria José Boloneti (3ª), Nivy Roland (4ª), Cacilda Vasques (5ª); 2ª fileira, Ana Bais (1ª), Romilda Sebranch (2ª), Ermantina Brandino (3ª), Ercilia Feliciano (4ª), Célia Fisher (5ª), Leila Hansen (6ª), Zilda Sagior (7ª), Fani Fisher (8ª); 3ª fileira, Ana Aparecida Guzela (1ª), Romana Olivieri (3ª), Ercilia Arruda (4ª), Carmen Juliani (5ª), Dalva Cermaria (9ª), Irma Lindman (10ª); 4ª fileira, Eda Carolina de Campos (1ª), Maria Dolores Ribeiro (2ª), Doraci Silva (3ª), Rosalina Batistela (5ª), Aurora Furlan (6ª), Berta M. de B. Carvalho (7ª), Ester Costa Cristal (8ª), Helena M. de B. Carvalho (8ª). Acervo de Leila Hansen Sampaio Barros.

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“Sempre fui boa aluna. Queria estudar e ser professora, no entanto não foi possível, pois na época o custo era alto e na cidade só havia o Colégio São José. Dona Mariana era ótima professora e os alunos eram obedientes e respeitosos, com muita vontade em aprender. Tenho saudades!” (Leila Hansen Sampaio Barros, aluna do 3º e 4º anos de 1939 a 1940).

Turma do 1º ano de 1940. Da esquerda para a direita, de cima para baixo; 1ª fileira, Ayres de Sousa (4º), Roberto Rangel (5º), Durvalino de Sousa (10º); 2ª fileira, Manoel Eufrosino (1º), Octacílio Pinto Ribeiro (2º), Luiz Casemiro (6º); 3ª fileira, Nicolau Catalino (8º), Osmar Hebling (9º), Belmiro Zacarias (12º); 4ª fileira, João Baptista Pilegi (1º), Osmar Menconi (2º), José Rosa (4º)Aristides Franceschini (5º), Previs Rodrigues Lopes (8º). Acervo de Ayres de Sousa.

Ayres de Sousa iniciou seus estudos no Grupo em 1940, concluindo o 4º ano em 1943. Ayres, além da saudade, lembra com carinho de seus professores:

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“Eu sinto muita saudade da escola, da minha professora do 1º ano, a Dona Carolina Dias Arruda Vasconcellos, a do 2º ano, Dona Conceição Bastos, a do 3º ano, Dona Lucilia Ramos da Silva Forster e do 4º ano, o Sr. Antonio Perches Lordello. Tínhamos aula de religião todos os sábados e não havia merenda; cada um levava a sua. Os pais faziam questão de ver as notas que a gente tirava no boletim. Quando recebi o diploma, chorei porque não iria mais ver meus amiguinhos. Mesmo com 78 anos de idade, eu ainda sinto saudade do Grupo “BRASIL” e de todas as professoras.”

Certificado de conclusão do 4º ano de Jorge Aliberti, em 1942.

Jorge Aliberti cursou o Ensino Primário de 1939 a 1942, tendo sido um dos primeiros alunos a estudar no prédio do Grupo Escolar e também, muito mais que suas lembranças, possui ainda um grande tesouro. Além de seu certificado de conclusão do 4º ano, guarda consigo até hoje todos os seus cadernos, livros, provas e outras atividades realizadas neste período.

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Realizando uma viagem ao passado, Jorge Aliberti traz à tona muitos fatos que estavam registrados em sua memória:

“Comecei a estudar em 1939, cursei do 1º ao 4º ano. Minha professora do 1º ano foi a Dona Cotinha (Maria Pinto Sampaio), 2º ano era a Dona Lucilia Ramos da Silva Forster e 3º ano era a Dona Maria Antonietta Assumpção Fernandes Coimbra e no 4º ano era professor Nestor Martins Lino. Ainda não estava terminada a escola. Eu estudava de manhã, durante 4 horas sendo das 8h às 12h. A educação era boa, os professores eram bons, ensinavam muito bem, não posso reclamar, não tinha problemas com o ensino não. A disciplina era muito exigida e bastante rigorosa, o diretor e os professores eram bastante exigentes, tinha-se respeito, ordem e disciplina, eles tinham força e atualmente os professores não têm mais força para corrigir os alunos. Naquela época era mais severo. Meu pai e minha mãe, quando eu era criança, não me deixavam fazer algo errado, a educação era severa. Se fizesse, apanhava mesmo, não tinha conversa. Se mandava você ir a um lugar, você tinha que ir e não podia falar “não”. Hoje em dia as crianças são muito mimadas, brincam demais, têm crianças boas, mas algumas são peraltas. Não havia rádio e televisão, a criança não sabia nada, era na escola que aprendia. Hoje eles assistem televisão, acessam o computador (Internet) e sem ir à escola sabem tudo. Eu não faltava, só se estivesse doente. Meu diploma está com nota 53 porque um mês antes de fazer o exame fiquei com caxumba e não podia ir à escolar. Então, meu pai foi à escola e falou: “Sr. João, o que vamos fazer? Meu filho está com caxumba e ainda não sarou de tudo e agora vai ter o exame” e ele respondeu: “Não, no dia do exame ele pode vir, ele pode ir se preparando, porque se tiver nota ele passa e recebe o diploma.”

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Adiante, Jorge Aliberti especifica alguns de seus cadernos e expõe sua satisfação em ter estudado no Grupo Escolar:

Cadernos de Jorge Aliberti (1939 a 1942).

Cadernos de Jorge Aliberti (1939 a 1942).

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“Eu nunca tive represália do professor e do diretor porque eu não fazia algazarra, só, mesmo, para quem era pinta brava. A caneta tinha que mergulhar na tinta, essa era a “mosquitinha”.Caderno de Provas mensais é esse caderno aqui, por aqui, a professora, todo mês dava nota pelo que você fazia nesse caderno, dava nota de aplicação, no boletim, que você levava para casa. Uma vez por mês fazíamos prova nesse caderno.” (Jorge Aliberti, aluno de 1939 a 1942).

Caderno de provas mensais de Jorge Aliberti, 1939.

“O caderno de borrador eram as primeiras escritas, a caligrafia, para educar a letra, porque o aluno que entrava na escola tinha que educar a letra. Hoje, tendo todos os cadernos guardados eu me sinto orgulhoso, pois eu posso mostrar para que naquela época eu era caprichoso e posso provar que mesmo após todo esse tempo os cadernos existem e hoje não se acha nenhum aluno daquela época que tenha um caderno ou um livro guardado. Tive boas amizades com os profes-

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sores, nunca tive inimizade, gostei muito do Grupo Escolar e tenho amor nele até agora, como se eu ainda estudasse nele, pois foi onde me ensinaram a ler e a escrever. Se eu não tivesse freqüentado o Grupo, eu não saberia nada. Eu agradeço.”(Jorge Aliberti, aluno de 1939 a 1942).
De acordo com Jorge Aliberti algumas classes eram mistas e afirma que os meninos e as meninas não se misturavam nem mesmo no recreio. Descreve também, como era o início, a entrada e a saída dos alunos para as aulas:

“No 1º e no 2º ano minhas classes eram mistas, mas havia duas carreiras de meninas e duas para meninos, não sentávamos misturados e no 3º e 4º ano não, eram separados os meninos das meninas. Mas para nós não fazia nenhuma diferença, a gente se respeitava. Íamos à escola para estudar, não havia nada de paquera, esse agarra-agarra. Mesmo no intervalo, as meninas brincavam de um lado e os meninos do outro, não deixavam misturar, ninguém nem podia chegar perto um do outro. Ficávamos separados, meninas poderiam brincar, mas com as meninas e os meninos com os meninos, era severo, a disciplina era ótima. Para sair do recreio formava-se fila, para entrar também se formava. De manhã, formava-se fila, tudo direitinho e começava assim, o menor primeiro e ia subindo, o maior era o último. Na fila já tinha a posição certa de cada um e a professora acompanhava até a entrada da classe. Para saber o momento de início da aula havia um sino, quando batia o sino cada classe formava sua fila, cada uma no seu lugar determinado e o professor vinha e acompanhava até à classe. Pra sair não, olhava no relógio e saía na hora certa, os alunos se enfileiravam no corredor e saíam um atrás do outro, era bem organizado, não havia baderna.”

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Professora Maria das Dores Toledo Silva e seus alunos do 4º ano de 1942. Da esquerda para a direita; na fileira inferior, Lázaro de Oliveira Couto (4º), Dirceu Messias de Menezes (5º), Ivone Stahl (7ª) e Rosa Mota Peixoto Santos (12ª). Acervo de Dirceu Messias de Menezes.

Após quase 70 anos da conclusão do ensino primário no Grupo “BRASIL”, cinco ex-alunos se encontram: Lázaro de Oliveira Couto, Dirceu Messias de Menezes, Jorge Aliberti, Milton Ferrari e Horácio Tetzner. Esse encontro foi um momento de várias recordações e fluíram muitas emoções:

“Brincávamos no recreio, era gostoso. Eram brincadeiras decentes, sem se machucar. Corríamos, um pra cá, outro pra lá, só não se podia ir ao banheiro quebrar torneira e sujar.. Era meia hora de recreio, não tinha lanche, merenda e quem queria comer levava de casa. Dentro da sala de aula tínhamos respeito pelos professores, éramos educados. Brincávamos no recreio, mas na sala de aula éramos comportados. A fila para entrar na sala também era respeitada, o aluno não podia conversar nem brincar. Era uma disciplina legal e não entravamos atrasados não. Quem chega-

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va atrasado ia embora. Não éramos santinhos, mas dentro da classe não se podia estar conversando com o colega ou olhando para cá ou para lá, pois se a professora pegasse ela chamava a atenção nossa. Quando não chamava a atenção dava uma reguadinha na mão. Não éramos castigados, apenas havia disciplina. Se não há ordem e disciplina vira bagunça. O diretor, Sr. João Baptista Soares, era rígido, quando se falava em levar o aluno até o diretor, apagava o pito. No Grupo Escolar havia um porteiro, o Sr. Oswaldo de Souza Furtado, ele era duro e tinha muita autoridade. Ele não batia nas crianças, mas o pessoal o respeitava. Era muito raro ver briga de alunos. Temos muita saudade do Grupo Escolar. Quando entramos lá, parece que estamos entrando para estudar, saudades dos amigos, das festinhas, que mesmo em tempos de guerra, fazíamos as comemorações. Naquela época, o aluno quando começava com brincadeiras e por sentar nas últimas carteiras, o professor trocava o aluno de lugar com um da frente mais quietinho, separava um aluno bom com um ruim e tinha que ficar quieto, não tinha conversa. Quando entrava alguma pessoa, nós estávamos sentados e tínhamos que nos levantar e ficar de pé.”
Não são apenas de boas e felizes lembranças que perduram na memória desses colegas de turma:

“Para nós foi maravilhoso estudar no Grupo Escolar, só não foi melhor por causa da guerra. Em 1942, quando estávamos no 4º ano, a guerra começou e deixou a gente sem liberdade e triste.“

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Antonio Carlos Micheletti também estudou no Grupo Escolar de 1939 a 1942 e assim como Dirceu, Lázaro, Jorge, Milton e Horácio fez o Ensino Primário e menciona:

“Minhas professoras foram a Dona “Cotinha” (Maria Pinto Sampaio), no 1º ano, Dona Clara Monzoni Lang, no 2º ano, Dona Maria Antonietta Assumpção Fernandes Coimbra, no 3º ano e o professor Nestor Martins Lino no 4º ano. Os alunos cantavam antes de entrar na aula o Hino Nacional ou o Hino à Bandeira Nacional. Tínhamos quatro horas de aula, sendo meia hora de recreio e o servente do grupo era o Sr. Osvaldo de Souza Furtado. Depois, em 1941 o Grupo Escolar passou a denominar-se “BRASIL”. Uma das brincadeiras dos alunos na hora do recreio era jogar favas. O uniforme era composto de blusa branca e calça azul e nessa época não tínhamos fanfarra. Tínhamos muito respeito pelo professor e tínhamos aulas de religião. Eu participava de todas as festividades.”

Turma de 3º ano feminino de 1941. Na fileira inferior, da esquerda para a direita, está Leny Rodrigues Coelho (5ª). Acervo de Leny Rodrigues Coelho Baccan.

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Leny Rodrigues Coelho Baccan, nasceu em 20 de agosto de 1930 e aos sete anos de idade iniciou seus estudos no Segundo Grupo Escolar, mas teve seus estudos interrompidos por alguns anos. Eram 8 irmãos, sendo cinco mulheres e 3 homens e todos estudaram no Grupo. Mesmo após tanto tempo, ainda lembra:

“Ali estudei até a 3a série. Era muito bom. Eu sempre fui a primeira a chegar à escola. Tenho boas recordações, principalmente porque adorava teatro e lá tive, por várias vezes, oportunidade de representar. Lembro-me de minha formatura, em que cada aluno levava um prato de doce (bolo, doce de abóbora, doce de batata, leite com chocolate) para a comemoração.”
Mais tarde a escola abriria uma cantina e lá estaria “Dona Leny” para concorrer à vaga e recorda:

Dona Leny, em momento anterior ao intervalo, preparando a cantina para atender os alunos, 2005.

“Foram 30 anos de cantina, pode-se dizer uma vida, a convivência com os diretores, Dona Doracy Alves da Costa Arcaro, Sr. Wladismir Gavioli, Dona Ruth Zucolotto da Silva, a quem eu chamava de mãezona, Sr. Osvaldo Assumpção Castro, com os serventes, alunos e pais. Foi

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muito gratificante para mim. Hoje fico contente de ver o reconhecimento desses alunos, como é o caso do Dr. Danilo Gullo e Dr. Marcelo Prata (Dr. Fordeco), que sempre relembram o tempo de escola.” (Leny Rodrigues Coelho Baccan, aluna de 1938 a 1941).
Dona Leny trabalhou na cantina da escola até o final do ano letivo de 2005, quando, então, aposentou-se, e, após todos esses anos em interação com alunos e professores, argumenta:

“Foi difícil me acostumar sem aquela agitação, “barulho” do sinal, dos alunos, que durante todo este tempo estiveram presentes na minha vida. Mas sei que já dei minha contribuição para a escola, agora pretendo curtir meus netos, filhos, minha casa, meu marido e, principalmente, fazer trabalho voluntário, porque eu não sei ficar parada.”

Diretor Mário de Almeida Mello e a professora Maria das Dores Toledo Silva e sua turma de alunos do 4ª ano de 1945, no galpão da escola. Da esquerda para a direita, na fileira posterior, Neide Aparecida Fascina (1ª), Ivalda Ferrari (2ª), Léa Pelegrini (3ª), Isabel Pontes (4ª), Jadir Fonseca (5ª), Gessy Ulbricht (6ª), Antonia Linhares (7ª), Floriza Ulbricht (9ª); na fileira anterior, Neuza Aliberti (1ª), Jandira Rodrigues (2ª), Terezinha Porto (3ª), Cleide Esteves (4ª) e Ariadne Francisca Féola (5ª). Acervo de Cleide Esteves Camargo Silveira.

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Ariadne foi aluna do Grupo Escolar de 1942 a 1945. Atuou como professora e diretora em outras instituições de ensino e atualmente é museóloga, responsável pela coordenação do Museu “Major José Levy Sobrinho”, no município de Limeira. Com sete anos de idade foi matriculada no Grupo Escolar “BRASIL”. Já era órfã de pai. Desde muito pequenina, costumava levar todas as coisas a sério. Com quatro anos freqüentava o catecismo da Igreja Católica, aprendendo todas as orações. Repetia como papagaio, sem entender o significado delas. Dentre as várias recordações de Ariadne, estão:

“Naquela época não se fazia a Pré-Escola. Minha primeira professora foi Dona Rosa Martins de Lima, excelente profissional, mas muito brava. Assustava-me quando ela dava reguada nas meninas, nunca agiu assim comigo, e por isso chorava e dizia que queria voltar para casa com minha mãe. Passei para o 2º ano com nota 100. Não tenho certeza se foi no 2º ano ou 3º ano que houve várias mudanças de professores. Foram minhas mestras: Dona Esterina Vivona, que morava em Campinas e na saída era com orgulho que eu carregava sua bolsa até a estação, pois eu residia bem próximo à Companhia Paulista. Lembrome de Dona Lory Gomes da Silva, excelente mestra, perdeu um filho moço num tiro acidental. Vieram tirá-la da classe quando aconteceu o acidente. Tive um enorme sentimento quando a vi muito triste e chorando. Até hoje guardo a imagem do acontecimento. No 4º ano foi minha professora Dona Maria das Dores Toledo Silva.O ensino era de ótima qualidade e havia muito respeito para com os mestres. Quando o professor entrava na classe, levantávamo-nos em sinal de respeito. Só nos sentávamos quando ele autorizava. Num ambiente assim, o ensino se tornava produtivo.”

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Quando estava no 4º ano, com o término da 2ª Guerra Mundial, Ariadne escreveu uma poesia e apesar de ter esquecido do título que lhe havia atribuído, ainda se recorda dos versos:

“A minha Pátria querida, Orgulha-se em dizer: Soldados brasileiros Que foram combater. Naqueles tempos de guerra Tempos tristes que já vão Suas mães chorando em casa E eles com o fuzil na mão Meus irmãos queridos Meus irmãos gentis Seremos sempre unidos Para engrandecer o Brasil.”

Homenagens prestadas por Limeira e pelo Grupo Escolar “BRASIL” aos seus valorosos “Pracinhas” em 15/11/1945. Parte interna do Grupo ”BRASIL”.

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Acrescenta ainda:

“A entrega de medalhas para as mães dos soldados foi realizada no Largo José Bonifácio. Lembro-me da multidão e de mães chorando. Quando mostrei a poesia para Dona Maria das Dores, imediatamente ela levou para o diretor, Sr. Mário. Pegou-me pela mão e foi de classe em classe lendo a poesia. Senti um orgulho enorme de ser um “radinho de pilha”, comparado a “Embratel”, que me representava aquele Grupo Escolar, onde iniciei os primeiros passos do aprendizado. Digo sempre que: “O homem vai, mas o seu legado fica como uma lição de vida”. O Grupo Escolar “BRASlL” faz parte da nossa história, mas já estamos começando a fazer parte da história dele.” (Ariadne Francisca Carrera Miguel, aluna de 1942 a 1945).

Reginaldo Ferreira da Silva em visita à árvore que plantou em 1947, quando era aluno; 2004.

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Reginaldo, ex-aluno do Grupo Escolar “BRASIL”, após quase cinqüenta anos decidiu realizar uma visita à escola, em especial à árvore que plantou enquanto criança e conta detalhes sobre este fato:

“Tive várias professoras, entre as quais a Senhora Maria Antonieta Assumpção Fernandes Coimbra, no 1º ano, no 2º ano foi a Senhora Octacília Silva Bellini de Menezes, essa senhora era muito dedicada aos alunos, procurava ministrar as aulas e caso o aluno tivesse qualquer dúvida ela sempre procurava dirimir, procurava ensinar com toda calma. A minha visita, justamente ao Grupo “BRASIL”, é de vir visitar uma árvore, cujo plantio realizou-se em 1947, ocasião em que eu estava no 2º ano e foi determinado pela professora Octacília. Escolhidos entre os demais alunos, dois colegas e eu tivemos a incumbência de no Dia da Árvore, no dia 21 de setembro, plantar a primeira árvore no Grupo “BRASIL”. É a minha maior satisfação no decorrer de todo esse tempo, ou seja,há mais de 50 anos, deparar-me com essa árvore que, para mim, é um privilégio dado por Deus. Essas outras árvores não havia, depois que foi plantada essa citada, que também não sei a qualidade, depois dessa que foi a primeira, que as demais foram plantadas. Esses canteiros não eram formados, o piso todo era em cimento queimado, não havia esse galpão, ou melhor, existia um galpão só que mais baixo onde no recreio era servida sopa, era uma sopa feita com muitos nutrientes: sopa de fubá com legumes, carne e a professora da ocasião procurava nutrir os alunos. Estar retornando agora após muitos anos, ver e estar ao lado da árvore que a gente plantou com tanto carinho é uma satisfação imensa. É uma dádiva de Deus estar ali ao lado, depois de decorrido tanto tempo, algo que hoje não ocorre, exceto em certas regiões e ocasiões. Existe o desmatamento e ninguém procura pre-

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servar a natureza e hoje observamos que não só aqui na parte interna do Grupo Escolar como na frente, em sua fachada, essas árvores só vêm embelezar. É bom saber e deixar frisado que, durante um mês a professora determinava a dois alunos que regassem a planta, a árvore, no período da manhã, às 10:15 horas, para que ela tomasse corpo, ou seja, estivesse no estágio em que não dependesse mais de alguém.”
Adiante, o ex-aluno Clayton Kerpe de Oliveira faz uma breve exposição de sua vida escolar, expressando-se e ressaltando a importância do Grupo “BRASIL” para sua formação e sucesso profissional:

“Cursei do 1º ano ao 4º ano no Grupo “BRASIL”, no período de 1946 a 1949 e também o 5º ano, na mesma escola, com sua criação em 1950. Meus professores foram: Antonieta Salibe, 1º ano, Octacilia Silva Bellini Menezes, 2º ano, Otilia Hoeppner, 3º ano, Cleonice Sampaio da Silva Moraes 4º e 5º anos, com assistência da professora Yole Dutra Tedesco. Após ter concluído o 5º ano Primário, em 1950, já no início de 1951, ingressei imediatamente por exame de admissão, na época, no 1º ano do Colégio Estadual “Castello Branco” de Limeira, depois denominado Instituto de Educação “Castello Branco” de Limeira, ingresso esse, muito honrosamente, em 1º lugar. Esse colégio era o único de Limeira mantido pelo governo estadual. Prosseguindo os estudos, em 1957, concluí a minha formação como professor primário. No mês de dezembro de 1957, tendo sido aprovado em concurso público, iniciei atividades como escriturário da Caixa Econômica do Estado de São Paulo (atual Nossa Caixa), mais tarde, em 1961, fui promovido a gerente da agência e passei por várias cidades até chegar à agência central de Limeira, onde fui gerente por 21 anos.

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Tabalhei por 32 anos e meio, até minha aposentadoria, com dois anos e meio de empresa particular. Formei-me em Direito em 1973. Concomitantemente à minha atuação profissional, formei-me em Direito, em 1973, e prestei várias colaborações a diversas entidades sociais e beneficentes da cidade. No período de 1977 a 1979, fui presidente da Associação de Pais e Mestres (APM), de grande significado e honra para mim, pois na escola também estudaram meus filhos, que fizeram o curso primário. Tive notáveis e ilustres companheiros de diretoria como Benedicto Iaquinta, vice-presidente, Benedicto Carlos Toledo Lima, diretor financeiro, Gerson Fior, tesoureiro, além de outros grandes mestres: Daisy Francisco de Lima, Nerina De Carli Silveira, Odette Mendes e outros, sendo a diretora da escola a professora Doracy Alves da Costa Arcaro. Todo sucesso profissional que consegui alcançar no exercício de minhas funções públicas, bem como nas atividades sociais, ao lado de ilustres, valorosos e dignos companheiros e colegas, é devido exatamente ao embasamento que recebi, inicialmente em minha formação no Grupo Escolar “BRASIL”, através da atuação de uma plêiade de abnegados, ilustres mestres e demais componentes da aludida escola, de notáveis capacidades, impulsionando-me sempre em minha caminhada, com estímulo, incentivo, orientação firme, valiosa e segura, bem como pelo apoio que recebi desses educadores e de admiráveis companheiros com que tive oportunidade de atuar. Inclusive, todo o sucesso profissional e de vida de meus filhos diletos – Tânia Maria Kerpe de Oliveira, cirurgiã dentista, Mirian Kerpe de Oliveira, fisioterapeuta e Alexandre Kerpe de Oliveira, publicitário – são devidos a quase a totalidade desses mesmos fatores.” (Clayton Kerpe de Oliveira, aluno de 1946 a 1950).

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Grupo Escolar “BRASIL” com seu espaço interno ampliado, detalhe percebido através do muro, que acompanha a fachada do prédio. Nesta época ainda não havia árvores no Largo José Bonifácio, exceto esta situada a sua esquerda, 1954. Acervo de Felipe Asbahr.

Professora Isabel Ribeiro e sua turma de 1º ano do ano de 1954. Da direita para a esquerda: 1ª fileira, Edna Zoppi (1ª); 2ª fileira, Nilva Goes Moraes (1ª), Yolanda Juvencio (2ª); 3ª fileira, Noely Manoel (1ª); 4ª fileira, Elizabete Aparecida Moretto (2ª), America Helena Monteiro de Moraes (3ª). Acervo de Elizabete Aparecida Moretto.

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“1954 – ano famoso pelo suicídio de Getúlio Vargas. Éramos crianças, pouco sabíamos do mundo, da vida. Não tínhamos televisão, computador, telefone, carro próprio, som com “CD”, celular e outras utilidades que facilitam nossas vidas (ou dificultam). É difícil entender para a geração de hoje, como vivíamos sem nada disso, mas, posso dizer que éramos felizes. Brincávamos na rua, meninos e meninas juntos, sem malícia, os pais sentados em cadeiras trazidas de dentro de casa, conversando com os vizinhos. Se fossemos mal nos estudos, ficávamos em casa aprendendo o serviço doméstico) afinal, moças tinham que casar, cuidar da casa, do marido, dos filhos...) De repente, o tempo passa e me vejo professora de Português, Francês.Parecia um milagre. Até hoje não sei como consegui. Em 1976 sou contratada pela Escola “BRASIL”para dar aulas de Português e Francês. Que emoção entrar como professora (quem diria!, parecia impossível...) na escola “BRASIL”. Hoje sou aposentada pela mesma escola. Olho para trás e vejo não uma, mas várias vidas que passaram por mim, deixando saudades. Podemos receber pouco, ter a profissão desvalorizada, mas como é gratificante ser professor. Não apenas ensinar, também aprender com os jovens. Quanto mais passa o tempo, mais o número de cruzes aumenta, deixando na boca e no coração um travo amargo. Um dia será a minha que estará junto das outras. Espero ter contribuído na educação de tantos jovens e que eles, quando ou se lembrarem de mim, sintam as mesmas saudades que senti quando vi essa foto e lembrem-se de que os sonhos sempre fazem parte das nossas vidas e enquanto tivermos a capacidade de sonhar, seremos felizes e jovens.”(America Helena Monteiro Patricio, aluna de 1954 a 1957 e professora de 1976 a 1996).

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Orlando José Zovico, 4º ano do Primário no Grupo “BRASIL”, 1955. Acervo de Orlando José Zovico.

“Iniciei meus estudos no Grupo Escolar, no 2º semestre de 1950, quando fiz a Pré-Escola com a professora Yolanda Prada Barreto. As demais professoras foram, 1º ano com Dona Mathilde Gomes de Toledo Martins e Dona Cotinha (Maria Pinto Sampaio), o 2º ano com a Dona Octacilia Silva Bellini de Menezes, o 3º ano com Dona Otilia Hoeppner Paulino e o 4º ano com a Dona Carolina Costa Cristal e Dona Haydée Lordello. Éramos um grupo de alunos que começamos o 1º ano e fomos até o 4º ano, depois fizemos o exame de admissão para o Ginásio, indo para o Colégio “Castello Branco” juntos, que eram: Arnaldo Rosenthal, que hoje é médico na Capital, Maximiliano Tadeu Albers, que também se formou médico, Breno Machado Gomes Filho, Antonio Carlos Campos, Humberto Lencioni Gullo e outros. Recordo-me das festas que o Grupo Escolar comemorava e eram muito bem organizadas pelas professoras. Era comemorado o Dia da Árvore, com plan-

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tio de árvores, Dia da Bandeira com festa alusiva à Bandeira Nacional, Sete de Setembro, Proclamação da Independência, as festas juninas que todos os anos eram promovidas na escola. Participava de todos esses eventos.Um dos meus diretores foi Vicente Ferreira de Camargo e um fato marcante, interessante é que ele se levantava muito cedo, ele ia ao mercado e comprava um cacho de bananas, uma dúzia de bananas e vinha pela rua comendo bananas e gritava com as crianças para entrarem para à escola. Era uma pessoa muito brava, porém muito querido pelos alunos. Este período, sem dúvida deixou saudades, faríamos tudo para voltar os tempos de criança, era maravilhoso, não tínhamos muita responsabilidade, era tudo alegria, felicidade, enfim, foi um período do banco escolar, desde o começo até o fim uma fase maravilhosa da minha vida. Quando eu deveria entrar para a faculdade, entrei para o rádio e com 18 anos comecei a me dedicar ao rádio, então não prossegui os estudos. Formei-me contador e parei. Sinto uma saudade imensa. Sempre dizemos que o passado era melhor, e acredito que, realmente, o ensino era muito bom, o professor era melhor reconhecido e prestigiado pelo Governo e o próprio comportamento dos alunos era muito diferente, os alunos tinham respeito. Uma correspondência para o pai dizendo que a criança não havia se comportado bem era um “Deus nos acuda” para todos e atualmente a própria forma de criação das crianças mudou e para pior. Os professores tinham mais liberdade de ação com os alunos e se o aluno não atingisse as notas era reprovado. Havia um processo que dava um padrão de ensino melhor. O ambiente escolar era muito bom, foi uma fase em nossas vidas maravilhosa. Todos eram amigos, dificilmente ocorriam brigas. O relacionamento entre professores e alunos era maravilhoso e dificilmente os professores tinham atrito com os alunos. Havia algum aluno um pouco mais levado, que a professora colocava atrás da porta de

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castigo, mas nada mais grave que isso. As crianças durante o recreio, de trinta minutos, tinham tempo de brincar e de se divertir, às vezes enforcávamos aula e íamos para o bosque municipal, com parquinho, mas era muita responsabilidade, pois se o pai ficasse sabendo que enforcávamos aula traria sérios problemas em casa, coisa muito rara e muito difícil de se fazer. Na minha fase, meus pais se preocupavam muito e por ter amizade com os professores eles iam constantemente saber como que estava o comportamento e o aprendizado, então os mantinham numa linha bastante rígida. Quando criança, morei na rua Barão de Campinas, ao lado do Grupo “BRASIL”, vizinho da Dona Otília e da Dona Haydée Lordello, numa convivência muito próxima, com laços de amizade, conseqüentemente meus pais também, então eu estudava com a liberdade para que eles conversassem e acompanhassem muito de perto meu estudo. O tratamento dos professores para com os alunos era maravilhoso, dificilmente os professores tinham atrito com os alunos, havia algum aluno um pouco mais levado, que a professora colocava atrás da porta de castigo, mas nada mais grave que isso. Um fato muito interessante ocorreu quando eu estava no 3º ano. Havia uma aluno que todo dia ele ia antes e depois do recreio para fora, para o banheiro, então tinha uma tabuinha que ficava na lousa e não precisava pedir para sair e esse garoto ia as duas vezes e um dia a tabuinha não estava lá e ele disse: Preciso sair. Preciso sair.Preciso sair., a professora: Você vai esperar a pessoa que saiu chegar para você sair. Ela insistiu, insistiu e foi colocado pela professora atrás da porta e já havia outro aluno atrás da porta , então ele fez o xixi atrás da porta. E a professora depois de ficar brava com ele, disse o aluno: Eu não agüentei professora. Foi na época marcante, pois foi uma ousadia , na época era uma ousadia desobedecer o professor, um fato bastante curioso.”(Orlando José Zovico, aluno de 1950 a 1955).

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Sidney José Nagalli, 1º ano do Primário no Grupo “BRASIL”, 1955. Acervo de Sidney José Nagalli.

“Nasci em Limeira-SP, em 03 de março de 1948 na Vila São Paulo (atualmente centro). Filho de uma família simples e humilde, minha mãe ficou viúva cedo com seis filhos pequenos e com toda dificuldade que uma mulher tinha naquela época, ela conseguiu nos criar com dignidade e honestidade. Meu pai faleceu com 34 anos e fazia o calçamento na cidade com paralelepípedo, do qual foi feito muito aqui em Limeira e em Rio Claro. Minha mãe tinha dois empregos; lavava roupas para cinco famílias e traba-

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lhava também na extinta Casa de Saúde, hoje Hospital da Unimed. Todos em casa tinham seu serviço e éramos criados com muita severidade pela minha mãe e, sempre sozinha, sofreu muito para nos dar o que era possível. Fiz quase tudo que um menino naquela idade fazia, engraxava sapatos, vendia sabão, bolinhos, bonecas, bolachas e ajudava minha mãe em tudo que podia em casa e ainda estudava no Grupo “BRASIL”. Consegui fazer até o 4° ano Primário, com muito sacrifício e dificuldade. Não tínhamos quase nada, e comida também era difícil. Vivíamos do que as pessoas nos doavam, da ajuda de alguns vizinhos. Para ajudar eu acompanhava um amigo até a escola, atualmente um conceituado médico hematologista, o Dr. Fábio José Della Piazza e na volta do Grupo “BRASIL” sua querida mãe, Dona Odete Della Piazza, me oferecia almoço todos os dias; era onde eu fazia minha refeição. Ela residia na Rua Boa Morte, eram vizinhos do Rui Barbosa e Cláudio Varga. Foram minhas professoras Dona Brasilusa Monteiro de Moraes Fonseca e Dona Maria Isaura Francisco. O Grupo “BRASIL” era uma das mais importantes escolas de Limeira, e onde havia as melhores professoras. Éramos tratados sempre com carinho, muita dedicação e paciência por elas. Falávamos que eram nossa “segunda mãe” e todos as respeitavam como tais. Íamos para escola todos os dias: Domingos Contin, Gilberto Giacomo Negro, Sergio Senra “Major” e Antonio Roberto Nagalli “Passarinho”. Bons tempos e muita saudades”. (Sidney José Nagalli, aluno de 1954 a 1960).

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Largo José Bonifácio com suas árvores ainda pequenas, 1956. Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros.

Professora Yolanda Prada Barreto e suas alunas do Jardim de infância do ano de 1957, em frente à entrada do Grupo Escolar “BRASIL”. Este período coincide com a construção da torre da catedral, a qual podemos observar ao fundo. Da esquerda para a direita; de pé, Maria Ignês Castro Quitério (1ª), Maria Silvia Cabral De Felice (4ª), Maria Rita Fanelli (5ª), Maria Aparecida Soares de Lucca (6ª), Vera Regina Rodrigues (9); sentadas, Cecília Machado Gomes (1ª), Marina Aparecida Carossi (8ª), Maria Eloísa Gonçalves de Oliveira (9ª) e Josely Maria Coeli Fugagnoli (10ª); sentadas ao chão, Márcia Di Menco (1ª), Maria Helena Gonçalves Leoni (3ª). Acervo de Maria Eloisa Gonçalves de Oliveira Rossi.

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Antes de almoçar já estava de banho tomado, unhas rigorosamente cortadas e após o almoço vestia o uniforme novo para o início de uma longa etapa de sua vida, descreve Maria Eloísa, recordando seu primeiro dia de aula no Jardim da Infância no Grupo Escolar “BRASIL”:

“Em uma das mãos carregava com orgulho minha lancheira, era uma lancheira de couro prespontado tipo maleta, marrom, que meu pai havia comprado em São Paulo. A outra mãozinha gelada de emoção, apertava a mão de minha mãe que me guiava para tão esperado momento. Tudo novo, desde o uniforme até o material escolar que arrumei muitas vezes até o dia mais importante de minha vida.”O primeiro dia de aula!”A sensação do saber era muito importante para mim. Mesmo já conhecendo a professora, estava ali ansiosa para ouvir meu nome na lista dos matriculados. Questionava em pensamento a possibilidade de ser esquecida na hora da chamada. Dona Yolanda, chamando as alunas, estava demorando para dizer meu nome, eu não tinha consciência de ordem alfabética...Toda hora mamãe dava uma passada de mão nos meus negros cabelos, muito lisos, arrumando um pouco mais ou ciente de uma separação, mesmo que por algumas horas de sua terceira filha. Chegou o momento de entrar na sala, esta ficava no porão do prédio. Me incomodava as crianças que choravam e julgava que não queriam estudar ou não sabiam da importância dos estudos na vida de uma pessoa. Certa vez ouvi meu pai dizendo para meu irmão mais velho que eu:-”A maior herança que um pai pode deixar aos seus filhos é um diploma”. Esta oração ficou indelével em minha memória, tanto que a repito até hoje. A saia do uniforme pregueada e segura por suspensórios era composta por uma camisa de tricoline branca com emblema da escola bordado em azul marinho na cor da saia. Ali cantamos, pintamos e aprendemos a bordar em cartolina e a professora Yolanda, sem

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que sentíssemos estava sedimentando sabedoria, coordenação visual e motora em seus alunos. Este ano passou muito rápido, mas marcou muito em minha vida pois foi um alicerce muito bem construído .Diga-se de passagem que estudei em um período que o professor era respeitado e tido socialmente como uma autoridade escolar, portanto a valorização do mestre era reconhecida. Em contrapartida, ELE, o mestre, retribuía os atributos a ele designados pois não queria ser desmoralizado em sua conduta moral para não perder seu status de “Mestre”. Aquele ano passou muito depressa e ao término do Jardim da Infância passei a estudar no Grupo “Coronel Flamínio Ferreira de Camargo”, que ficava mais próximo de minha casa”.

Professora Natália de Paula Moretto e seus alunos do 3º ano misto de 1957. Da esquerda para a direita, de cima para baixo; 1ª fileira, José Luiz Sagioro (4º), Luiz Antonio Tomasin (5º), José Sanches Calpena (8º), José Olivério Ferraz (9º), Reinaldo Thereza (10º); 2ª fileira, Olinda M. Pedroso de Camargo (1ª), Luiz Antonio Godoy (2º), Alberto Vargas de Oliveira (5º), João Nivaldo Boriolo (6º), Luiz Aparecido Bilatto (7º), Wilson Bastelli (9º), Wilson Roberto Moretti (11º), Luiz Antonio Sônego (12º), José Onézio Malavazi (13º), Vicente Roberto Toledo (14º), Raimundo François (15º), Cirineu Antonio Jacon (16º); 3ª fileira, Carlos Augusto Stahl (4º), Geraldo Malavazi (5º), José Augusto Pires (7º), Wilson José Caritá (8º), José Luiz Corbini (9º), Carlos Manoel R. da Silva (10º); ao chão, Claudete Beraldo (1ª), Iracema Cruzato (2ª), Cecília Luiz (3ª), Fani Aparecida Dezotti (4ª), Alzira Ferreira dos Santos (5ª), Vera Lúcia de Almeida (6ª). Acervo de Natalia de Paula Moretto.

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“No ano de 1954, lecionei numa 3ª série, classe formada por alunos pobres, muitos negros e poucos brancos, foi um verdadeiro desafio, consegui ótima promoção e meu nome começou a ser conhecido. Trabalhei 11 anos com 3º ano masculino no 1º período. Desses anos, dois anos trabalhei com meninas no 3º período, em 1957 a 1ª classe mista a título de experiência foi a minha, com seis garotas entre os meninos, no 1º período. Passei por duas verdadeiras sabatinas por visitas feitas ao nosso Grupo Escolar: a primeira pelo inspetor de ensino, professor Lázaro Duarte do Páteo e a segunda pelo nosso diretor Vicente Ferreira de Camargo. Os dois deixaram um ótimo termo de visita, fiquei feliz porque sempre trabalhei com tanto amor, procurando sempre elevar o ser humano. Naquele tempo a maioria dos professores eram idealistas. Eu fui removida para o Grupo Escolar “Coronel Flamínio Ferreira de Camargo” em 1963 e neste ano este Grupo Escolar teve uma reforma, então em 1964, continuei no Grupo Escolar “BRASIL”, não só eu como todos os outros professores. Fui muito feliz naquela época. O Grupo Escolar recebia muitos alunos da periferia e nunca tive problemas com ninguém; colegas, diretores e serventes, foram ótimos amigos.” (Natalia de Paula Moretto, professora de 1952 a 1963).
Pedro Teodoro Kühl, foi aluno do Grupo Escolar “BRASIL” de 1955 a 1958, mais um de seus vários alunos a ter sucesso profissional, que veio a ser prefeito de Limeira de janeiro de 1997 a março de 2002:

“Passei momentos muito agradáveis no Grupo “BRASIL”, tive um enorme prazer em ter estudado lá. Depois fui para o Colégio Santo Antonio, onde terminei o 2ºgrau, mas o Grupo “BRASIL”, realmente, tem um histórico que me

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marcou muito. Na escola, chegávamos e já entrávamos em fila, cantávamos o Hino Nacional e já íamos para as aulas e se perdia pouco tempo com brincadeiras dentro da escola. A área de lazer da escola daquela época não era como hoje, que tem quadras e tudo mais. O recreio não era tão demorado. Pouco se brincava na escola, se brincava muito mais fora. As brincadeiras antigamente das crianças eram na rua, de jogar bola, pega-pega e outras brincadeiras mais simples, pois hoje evoluiu muito. A escola foi feita mesma para estudar e tenho muitas recordações de que o estudo era bastante aplicado. Tinham alguns teatrinhos e algumas apresentações, mas tudo muito simples, não como hoje que as atividades escolares são infinitamente maiores e mais sofisticadas do que antigamente. Íamos à escola mesmo para estudar. As carteiras eram boas, bastante reforçadas, salas amplas e bem confortáveis, usavam caneta pena e lápis, lápis de cor, era uma escola muito boa, de um nível excelente. Tenho muita saudade, foi um período bastante agradável em minha vida, uma infância muito boa, período legal, enfim, só tenho boas recordações do Grupo Escolar “BRASIL”; faz parte de minha vida, mesmo. Diariamente passo em frente à escola e, mesmo como prefeito, estive fazendo algumas visitas em festas e me ficaram muitas recordações, ou seja, primeiramente foi uma escola que marcou a minha vida, onde fiz os quatro anos primários que foram profundamente agradáveis. Foi uma passagem alegre, sem nenhum tipo de problema desagradável e tinha prazer em ir à escola; gostava muito. As professoras eram extraordinárias e sempre dizia que as professoras praticamente substituíam nossas mães. Mantenho contato com as professoras até hoje, a ligação de amor e carinho é longa. Ganhei prêmio de melhor aluno no 1º ano, lembro que ga-

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nhei um livro, chamado “Peixinho Voador”, livro muito simples, então naquela época não tinha os recursos como têm hoje, principalmente de mídia. Pela época era uma escola que não fica devendo nada para a de hoje. A alfabetização era muito boa, muito importante, bem avançada. No 2º ano já fazíamos composição e tenho uma bagagem muito boa desses quatro anos que estudei no Grupo “BRASIL”. Um fato marcante foi quando eu tinha que entrar numa festa que teve, não sei se era de “7 de setembro”, e teria que entrar e falar meia dúzia de palavrinhas no palco, que estava cheio de criançada. Meu Deus do céu, não dormi a noite inteira só pensando nisso. Foi a minha primeira inserção em palco, questão de segundos, mas quase morri. Foi uma coisa rápida, uma pequena declamação, mas foi um nervoso para falar em público e devido ao nervoso que passei, não dormi direito. Quem iria imaginar que mais tarde eu seria prefeito? O Grupo “BRASIL” vai ficar em minha memória, é uma escola muito boa, de altíssima qualidade, desde aquela época.”(Pedro Teodoro Kühl, aluno de 1955 a 1958).
Vera Lúcia Leitão Cavinato, foi aluna do Grupo “BRASIL” de 1958 a 1960, atualmente é professora de Inglês na própria escola desde 1989 e comenta tópicos de sua vida escolar:

“Minha relação com o Grupo Escolar “BRASIL” começou em 1958 quando vim fazer a 2ª série do antigo Primário, na classe de Dona Yole Peccinini. Havia quatro escolas primárias em Limeira: Grupo Escolar “Cel. Flamínio Ferreira de Camargo”, Grupo Escolar “BRASIL”, Grupo Escolar “Dr. Sebastião Nogueira de Lima” (atual Escola Estadual “Leovegildo Chagas Santos”) e o Grupo Escolar

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Municipal “Prada”, sendo apenas as duas primeiras localizadas na região central. Por ser mais próxima de minha casa, minha mãe optou pela segunda. Já naquela época a escola era linda. Não havia essa praça em frente, era apenas um largo, mais nada. As aulas eram de segunda a sábado. Em todas as comemorações (Dia das Mães, Tiradentes, 7 de setembro, Dia do Trabalho, Proclamação da República) havia apresentação de poesias pelos alunos que declamavam para os pais, professores e alunos. Também havia apresentação do orfeão. Os hinos eram cantados diariamente antes de entrarmos para a aula. Em 1959, 3ª série, minha professora foi Dona Edméia Huppert Barana e na 4ª série, Dona Lucilia Ramos da Silva Forster. Todo final de ano fazíamos a prova anual, na presença de um inspetor vindo da Delegacia de Ensino.Em 1960 recebi meu diploma de Primário e saí da escola para ir fazer o ginasial no Instituto Educacional “Castello Branco”, sem jamais ter sequer experimentado o lanche (pão com mortadela) que era servido aos alunos carentes da época, que pertenciam à Caixa Escolar, e que a servente vinha entregar minutos antes do recreio. Voltei aqui em 1989 como professora. As coisas já haviam mudado muito. Funcionavam classes de pré-escola até a 8ª série, classes para deficientes mentais e surdosmudos e era uma das escolas mais bem conceituadas da cidade. De lá para cá houve algumas mudanças, veio o Ensino Médio, saiu a Pré-Escola, as classes de deficientes também acabaram e finalmente de 1ª a 4ª séries mudaram de lugar. Isso trouxe uma nova clientela pra cá e deixou saudades dos pequenininhos. A nova clientela não tinha pela escola o amor e o respeito que as crianças adquiriam com o passar dos anos e o que se viu foi uma escola desrespeitada e maltratada com o passar dos anos.”

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Apresentação artística no palco do galpão do Grupo Escolar “BRASIL”. Dentre as garotas, da esquerda para a direita, Jurema Sedamar Fonseca de Oliveira (3ª), 4º ano de 1962. Acervo da professora Jurema Sedamar de Oliveira Figueiredo.

“A escola tinha um jardim interno bem grande, com horta e muitos pés de ipê. Na época de florir o pátio ficava maravilhoso, como se fossem tapetes enormes coloridos. No momento do recreio, tocava um sino no corredor, fazíamos fila e saíamos ordenadamente. As meninas, geralmente, comiam seus lanches trazidos de casa em volta das árvores. Depois, adorávamos nos enfeitar com as flores e brincar de roda em volta da árvore mais florida. Os meninos iam geralmente para a cozinha, também em fila e comiam a merenda feita pela Dona Irene Cover Pillon. Eram servidos também leite e pão à vontade. Depois que os meninos comiam, eles brincavam longe das meninas de bolinha de gude ou pega-pega. Cuidar da horta também era tarefa só para os meninos.” (Jurema Sedamar de Oliveira Figueiredo, aluna de 1958 a 1962 e professora de 1987 a 1995).

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Professora Anna Washyrlei Chinellato de Oliveira e a aluna Jurema Sedamar Fonseca de Oliveira na formatura do 4º ano em 1962. Acervo da professora Jurema Sedamar de Oliveira Figueiredo.

“As professoras eram sempre presenteadas com flores, as quais eram colocadas na mesa delas para decorar a sala de aula As carteiras eram para dois alunos e tinha um buraco para colocar tinteiro; meninas sentavam com meninas e meninos com meninos. As filas também eram separadas por sexo. Os meninos tinham a tarefa de apagar a lousa no final da aula e as meninas de verificar se a classe estava limpa. Havia muita ordem e disciplina para tudo e todos. Nunca presenciei cenas de indisciplinas ou desrespeito, tanto entre alunos, como de alunos para com funcionários da escola ou professores. As paredes eram conservadas sem rabiscos, assim como as carteiras. No pátio, ninguém se atrevia a espalhar lixo, tudo era colocado no salão apropriado. As meninas aprendiam também trabalhos manuais (pregar botão, colchetes, fazer barra e bordar). Minhas professoras foram: 1º ano (fiz em Iracemápolis) com a profes-

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sora Maria Amália Piccoli, 2º ano, professora Wilma Alves Ferraz Chinelatto, 3º ano, professora Ivete de Carvalho e 4º ano (minha 1ª vez em uma classe mista) professora Anna Washyrlei Chinellato de Oliveira, a qual me entregou o diploma. Nesta época de minha vida, jamais imaginava ser professora, gostava da área de saúde, queria ser enfermeira como minha mãe. O destino encarregou de me tornar professora de classe especial e me sinto muito feliz por essa escolha. Já me aposentei há 5 anos e como amo minha profissão continuo trabalhando. Atualmente sou funcionária da Aril (Associação de Reabilitação Infantil de Limeira) e trabalho com crianças portadoras de deficiências múltiplas.” (Jurema Sedamar de Oliveira Figueiredo, aluna de 1958 a 1962 e professora de 1987 a 1995).

Professora Paulina de Cillo Diniz e a aluna Luiza Helena Teixeira na formatura de 4ºano em 1962. Acervo de Luiza Helena Teixeira.

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Luiza Helena Teixeira estudou no Grupo “BRASIL” de 1959 a 1962. Ela descreve as mudanças na educação de hoje em relação à sua época:

“A Educação era maravilhosa. Havia respeito entre professores e alunos, não que hoje não tenha, mas os alunos de hoje são diferentes dos alunos de antigamente, pois os alunos já vinham com a disciplina básica de casa e se alguém fizesse algo errado na escola, a mãe vinha, procurava saber e corrigia o filho em casa. Às vezes, os professores até colocavam o aluno de castigo, mas hoje não se pode chamar a atenção nem colocar de castigo, são regras completamente diferentes. Tínhamos dificuldades de ir para a escola, não tínhamos material nem roupa pra ir à escola.Tínhamos um amor muito grande por esta escola, pois o Grupo “BRASIL” sempre foi um Grupo de paz e de “peso”. O Grupo “BRASIL” é um patrimônio histórico, os professores eram muito enérgicos, chamavam a atenção mas ensinavam, principalmente Dona Paulina de Cillo Diniz. Atualmente as crianças estão muito rebeldes e vão à escola porque precisam de um diploma, pois se não estudarem, mais tarde será difícil para elas e nós nem tínhamos noção de que se estudássemos iríamos receber diploma; íamos para escola com a intenção em aprender. Quando estudei, minha classe era formada apenas por meninas, todas bem comportadas, tinham aquelas que eram um pouquinho rebeldes, mas quando o professor entrava na classe mudavam totalmente. Era uma inocência diferente, o mundo e as pessoas mudaram. O muro da escola era baixo e atualmente quando passo lá me surpreendo em ver o tamanho do muro. Os pés de laranja que havia, laranja “cavalo”, não apanhávamos uma, pois era da escola.Tínhamos disciplina

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de horários, no horário determinado, fechava-se o portão e quem chegasse depois não entrava mesmo, ia embora para casa e não ficávamos na rua, não que fôssemos santos, mas era uma época totalmente diferente. Minha primeira professora, Dona Iria de Abreu Leitão, uma professora gorda, ensinava muito bem, fiquei muito satisfeita. Ela ensinava e falava tão alto que a gente gravava: “É “ba” porque tem o “a”, é “be” porque tem o “e”. Aprendemos assim, com a cartilha e ela falando e andando pela classe e com muito prazer em ensinar. Toda criança que entrava no Grupo “BRASIL” queria ser seu aluno. Havia o Sr. Durval Eugênio, que tomava conta dos alunos na escola e também uma merendeira, Dona Irene Cover Pilon, pessoa maravilhosa para nós. Brincávamos demais, no intervalo, era muita alegria, não tínhamos preocupação, a nossa meta era brincar e estudar. No intervalo, as meninas misturavam-se com os meninos, brincávamos todos juntos, não havia malícia. Tenho um amor muito grande e muita saudade pela escola, e quando retorno a ela, viajo ao passado e me vejo menina brincando naquele pátio, subindo aquelas escadas. Éramos tão felizes e nem sabíamos.”
Luiza comenta a sua formatura e as emoções vividas nesse dia:

“Foi um evento muito lindo para mim. Eu tinha um bom comportamento e era uma excelente aluna e recebi um livro que tenho até hoje e está bem surradinho. Senti uma emoção muito grande, pois era uma algo que eu queria muito, “o diploma”. No meu coração também passava o sentimento de deixar a escola, deixar os professores. Foi um momento muito forte, principalmente para minha família.”

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Grupo Escolar “BRASIL”, final da década de 60, com suas luminárias característica da época e uma viela passando entre o Largo, dando acesso à entrada do Grupo Escolar “BRASIL”. Acervo de Nelson Petto.

Formatura de 4º ano da ex-aluna e atual inspetora “Zezé” (Maria José dos Santos), com a professora Creusa Esteves Barbosa, 1965.

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“Minhas professoras foram: Jupira Franco Lordello, 1º e 2º anos, Esmeralda Salibe, 3º ano e Creusa Esteves Barbosa, 4º ano. As escolas funcionavam muito bem. Era um ambiente sossegado e limpo. Todos os alunos estavam uniformizados e não era permitido não usá-lo. Uniformes limpos e sapatos colegial preto, engraxados. Nos bolsos das blusas do uniforme era bordado o nome da escola. Aos alunos que não podiam, a “Caixa Escolar” doava o uniforme e até os materiais quando necessário. Eram de 30 a 35 alunos por sala, cada um no seu lugar. No começo, eram carteiras pregadas no chão, com dois lugares, mais tarde foram trocadas pelas carteiras de um só lugar. Havia castigos também, mas como sempre, a maioria merecidos. Embora sendo crianças, era difícil ocorrer brigas. Os pais eram praticamente obrigados a assinar o boletim bimestral e compareciam às reuniões. A professora lecionavam sossegadas, sem barulho, sem gritaria. Tínhamos mais possibilidades de aprender. Havia dentista, que tratavam os dentes dos alunos. Há 15 anos, quando comecei a trabalhar na escola, como inspetora, nos primeiros dias me via em meus tempos de aluna, lembrava de tudo, como exatamente era.”(Maria José dos Santos “Zezé”, aluna de 1962 a 1965 e funcionária desde 1992).

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Formatura do 4º ano da ex-aluna e atual inspetora “Dedé” Maria José Ribeiro da Silva, 1968.

“Foi muito bom estudar nessa escola. Fazia o possível para tirar boas notas e no 3º ano consegui ficar com média 100 em todas as matérias. Quando o aluno tirava nota 100, no final do ano recebia uma homenagem da escola. Ganhei uma medalha e a guardo comigo até hoje, com muito carinho. Os funcionários nos tratavam com o maior carinho. Gostava muito do leite com chocolate. Antes da entrada era tocado o Hino Nacional e todos ficavam em fileira e bem comportados. Também tínhamos uma vez por semana aula de música.”(Maria José Ribeiro da Silva Guerino “Dedé”, aluna de 1965 a 1968 e funcionária desde 1992).

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Valmir Benedito Silveira, o funcionário com maior tempo de serviço na Unidade Escolar, atuando desde 1976.

Valmir, além de ex-aluno do Grupo “BRASIL”, é secretário da escola e seu funcionário mais antigo:

“Sou atualmente secretário de escola. Estudei no Grupo Escolar “BRASIL”, onde fiz da Pré-Escola até a 4ª série. Iniciei a Pré-Escola em 1964. Lembro de todos os meus professores. A Pré-Escola fiz com a professora Maria Aparecida Martinelli, o 1º ano, professora Maria Dolores Ribeiro, o 2º ano, professora Wilma Edy Maganha Zaccarias, o 3º ano, professora Maria Aparecida Vasconcellos, e o 4º ano, professora Maria José Rossi Leme. O ensino naquela época era bom e “puxado” no qual você era bem alfabetizado, terminava o 4º com uma boa bagagem.. Eram dadas aulas de História em que revivíamos as datas cívicas com comemorações e toda quarta-feira havia o toque do Hino Nacional e não iríamos para a sala de aula sem ter cantado uma musiquinha no pátio da escola.

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Eu gostava muito da escola, as professoras lecionavam em três períodos, ficavam das 8h às 11h, das 11:15h às 14:15h e das 14:30h às 17:30h. Fiz a pré-escola no período da manhã, a 1ª série das 11:15h às 14:15h, a 2ª série de manhã das 8h às 11h, a 3ª série das 11:15h às 14:15h e a 4ª série de manhã também, das 8h às 11h. Eram três horas de aulas bem dadas. O aluno que não tinha condições não passava mesmo. Se não era alfabetizado e se não dominava as operações matemáticas não iria para a série seguinte, reprovava mesmo. Foi uma época de estudo muito boa para minha formação intelectual, tanto é que não tive nenhuma dificuldade em fazer o exame de admissão para entrar no Ginásio, sem precisar fazer cursinho, fui direto. Tínhamos um boletim que era levado mensalmente para os pais com as notas finais em que a professora distribuía e recolhia. Em cada ano os cadernos eram encapados de uma cor, no 1º ano eram azuis, no 2º ano vermelhos, no 3º ano verdes e no 4º ano amarelos, era norma da escola e da época e também havia um caderno de provas e a professora todo mês dava as provas nesse caderno. Não havia recreio, pois eram três horas de aulas bem dadas, só serviam um leite durante a entrada e ficávamos durante as três horas dentro da sala de aula com uma única professora. Havia reuniões de pais e quando a professora faltava havia uma substituta, e, de fato havia excelentes substitutas. Era uma época muito diferente da atual, em que se respeitava e se dava muito valor ao professor, diretor e os funcionários. Saíamos em fila com o material numa das mãos e a outra mão para trás até o portão da escola e não se podia sair correndo, pois o diretor sempre se fazia presente. Quando dava o sinal, cada professor acompanhava sua sala e cada aluno ia embora para sua casa, não havia aglomeração em praça e entravam os alunos do próximo período e assim por diante. Quem

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chegava um pouco cedo à escola brincava antes da entrada, pois entrávamos às 8 h, ou tínhamos um momento de sexta-feira ou de sábado para algumas atividades de recreação, pois tínhamos aula aos sábados. Havia um cronograma para cada classe e ficávamos com a professora, brincávamos de pega-pega, esconde-esconde, tudo no pátio da escola.”
Valmir descreve o princípio de sua carreira profissional, e faz menções relativas à escola e de seu retorno:

“Em 1976, a convite da diretora Doracy Alves da Costa Arcaro vim trabalhar na E. E. P. G. “BRASIL”, permacendo por dois anos. Durante este período prestei um concurso público de escriturário da Secretaria de Educação, tendo escolhido uma vaga na Delegacia de Ensino de Limeira, onde trabalhava no período diurno e no período noturno continuei prestando serviço na Escola “BRASIL”. Em 1979 transferi para a escola meu cargo de escriturário e em 1986 houve um concurso para secretário de escola, prestei e passei em primeiro lugar, escolhi vaga numa escola e logo depois tive a oportunidade de remover-me para a Escola “BRASIL”. São 26 anos de escola entre escriturário e secretário e dois anos afastado junto à Diretoria de Ensino. Então se foram 28 anos de Escola “BRASIL” e estou aqui até hoje, gosto do que faço e cuido perfeitamente da vida funcional de cada professor, funcionários e alunos. Como aluno já passei por diversas direções que vai desde o Primário com a Haydée Lordello e o Sr. Osvaldo Arcaro. Como funcionário, em 1976, trabalhei com a Doracy Alves da Costa Arcaro até 1979, vindo o Sr. Wladismir Gavioli. A Dona Ruth Zucolotto da Silva desde 1987 até 2000 depois ela se afastou e assumiu o Sr.

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Arthur Baccaran Junior e depois o Sr. Osvaldo Assumpção Castro, que é o nosso atual Diretor. O Grupo Escolar “BRASIL” sempre foi um “coração de mãe”, sempre sobrando sala e atendendo a várias escolas. Aqui já funcionaram, numa época, algumas salas do Grupo Escolar “Cel. Flamínio Ferreira de Camargo” quando passou por uma reforma, a Escola Estadual Professor “Ely de Almeida Campos” por quatro anos no período noturno, quando teve o seu prédio demolido e, durante um ano, a Escola Estadual “Gustavo Picinini”. A procura de vagas de uns três anos para cá aumentou bastante, pois a escola fez uma boa reestruturação. Mudou bastante a parte pedagógica, disciplinar da escola, então houve mais procura. O quadro de professores daqui é muito bom, tem professores excelentes.”
Ao longo desses anos como secretário de escola, Valmir enuncia uma das principais mudanças ocorridas em sua rotina de trabalho:

“No meu trabalho, devido à influência tecnológica, com a introdução do computador, muitas atividades que eram manuscritas e datilografadas, com a informatização tornaram-se muito mais fáceis. A folha de pagamento, por exemplo, digitamos as informações e enviamos através da Internet, antigamente não, tinha que se fazer a folha de pagamento, datilografada ou manuscrita e enviar até a Secretaria da Fazenda e a maioria dos serviços da Secretaria de Educação como dados, estatísticas são transmitidos através do computador. Ainda existe algum serviço manuscrito, mas é muito pouco.”

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Deisy Apparecida Francisco Lima, professora e auxiliar de direção substituta, iniciou suas atividades como docente no Grupo “BRASIL” em 1970 e comenta a tentativa do processo de informatização:

“Por não existir informatização, toda documentação da escola era processada manualmente; as folhas de freqüência e mapas de movimento do pessoal durante o mês, eram preenchidas detalhadamente pelo encarregado do setor, onde o nome de cada funcionário era colocado em tinta azul, acompanhado da ordem numérica em tinta vermelha. No verso, um histórico registrava as faltas, licenças, afastamentos, etc. Todo e qualquer documento solicitado por algum funcionário era baseado nas consultas a esses mapas, que eram guardados por datas em local reservado para esse fim. Outros registros eram executados na antiga máquina de escrever, usada intensamente. Anos mais tarde, tentouse introduzir a informatização no que se referia ao boletim mensal dos alunos. Através das fichas óticas, cada professor registrava os conceitos dos alunos, as quais devidamente preenchidas, eram encaminhadas à Delegacia de Ensino a qual as enviava à PRODESP. Nessa época, o Grupo “BRASIL” ficou sendo a escola referência do projeto. No entanto, as falhas advindas registradas nos boletins dos alunos quando da sua impressão, chegavam alguns com muitos dados incorretos, o que levou ao cancelamento desse sistema.”

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Professora Paulina de Cillo Diniz e sua aluna Josyane Baccan Queiroz. Formatura de 4º ano de 1969. A partir deste ano todas as classes passaram a ser mistas. Acervo da professora Josyane Baccan Queiroz.

Josyane Baccan Queiroz, cursou a Pré-Escola e o Ensino Primário no Grupo Escolar “BRASIL” e atualmente é professora em outras unidades de ensino. Ela comenta, além da tradição de sua família em estudar no Grupo Escolar, suas vivências e o ensino ministrado:

“Foi um período muito bom, vivíamos para brincar e para estudar e segui minha família, pois desde os meus tios, todos estudaram no Grupo “BRASIL”. Morava próximo à escola, na rua Presidente Roosevelt, era um retão só. Em de 1965, uma época com uma educação bem diferente de agora, fiz a Pré-Escola com a professora Maria Magdalena Arruda Vasconcellos e estudávamos mesmo, sabíamos que não estávamos lá para brincar. Ela era uma mãezona, enérgica, mas muito terna, muito carinhosa e recordo-me das

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músicas, canções e de seus exercícios de coordenação motora. Havia as festas juninas com suas quadrilhas, as datas comemorativas em que escolhíamos as poesias para declamar e quem ainda não era alfabetizado tinha que decorar a poesia; a mãe em casa falava a poesia para seu filho decorar. Sentávamos em quatro alunos por mesinha e devido a trabalharmos em grupo, aprendíamos a compartilhar tudo, desde as atividades até o lanche, pois não havia merenda. A 1ª série, que na época falava-se “1º ano do Grupo Escolar”, fiz com a professora Iria de Abreu Leitão, muito rígida, mas excelente professora. Era engraçado, pois a professora fazia questão de ir de carteira em carteira. Era o tempo que se puxava orelha. Muitas vezes ela puxava a orelha mesmo, mas o interessante é que todos gostavam dela. Naquela época a professora morava na rua São João, na Vila Jacon e os alunos iam buscá-la no meio do caminho para ajudar a carregar o material e faziam questão de levar suas coisas até a sala de aula. Os alunos a presenteavam com uma flor ou com uma maçã. Na 2ª série, com a professora Jupira Franco Lordello, um pouco mais rígida e enérgica, iniciávamos um período de composições. Punham aquelas gravuras e tínhamos que olhar para elas e fazer composições. Foi importante, porém não partia do aluno. Éramos sempre obrigados, no mesmo ano, a fazer a mesma composição, mas de certa forma estávamos desenvolvendo alguma habilidade de escrita. Cobravam muito a caligrafia, tinha que escrever na linha e não havia a noção do canhoto e destro, obrigavam a escrever com a mão direita. Lógico, isso já evoluiu, mas são algumas coisas que marcaram. Havia reprova e prova de leitura no final de ano aplicada pela “Delegacia de Ensino” junto com a diretora Dona Haydée Lordello. Já, naquela época, brincávamos de escolinha e não havia quem não imitasse o professor, então ele não era tão ruim assim e tínhamos o hábito de

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escrever no boletim o professor que queríamos no ano seguinte. Todos falavam bem de determinado professor e queriam estudar com ele. Ainda, na 2ª série, as classes eram femininas e masculinas e só a partir da 4ª série se tornaram mistas. Infelizmente, também havia classe forte, classe média e classe fraca e não havia inclusão na sala de aula, mas já havia salas para alunos especiais na escola e eles conviviam no mesmo espaço físico. Tínhamos as aulas de orfeão e aulas de religião, mas respeitando a religiosidade de cada um e fazíamos uns caderninhos para cantar o orfeão, já nos preparando para as festas. Tínhamos a disciplina de Estudos Sociais, era muito interessante, porém muito superficial até a 2ª série, não tendo muito o que se discutir e questionar. A professora Esmeralda Salibe foi a minha professora da 3ª série, depois, na 4ª série, a professora Paulina de Cillo Diniz, que se aposentou no meio do ano. Recordome que levávamos lição para casa e também para fazer durante as férias e nem brincávamos nas férias de tanta lição que tinha. Lembro de tudo das imediações da escola, das festas, pois tudo foi marcante, a escola era uma referência. Próximo à escola, por exemplo, havia a padaria “América”, onde comprávamos balinhas, e na esquina, um rapaz que vendia “quebra-queixo” e “martelinho”, a sorveteria “Espumone”, o bar do “Rizzo” onde comprávamos pizzas de quartinhos, fatiadas. À frente da escola, localizava-se a chácara da família “Levy”, onde hoje é o supermercado “Comprebem” e ficávamos sentados ali. Falavam que a casa era mal assombrada e as empregadas aproveitavam de nossa ingenuidade incentivando esses comentários. Televisão e acesso à informação não existia, eram poucos os que tinham televisão. A Dona Olga Forster, que era a orientadora de Puericultura, dividia a sala; os meninos saíam e as meninas ficavam para aprender até como se usava um absorvente. Para a época isso era algo fantástico, pois

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muitos pais ou mães não tinham liberdade para trabalhar esse tipo de assunto, a sexualidade. Essa orientação foi muito importante, pois estávamos mudando de fase, da infância para a adolescência. Meu sentimento pela escola não é apenas de gratidão, pois muito do que tenho hoje, de ser sistemática com o estudo, com a disciplina, adquiri no ambiente escolar. Evoluímos, o tempo caminha e não ficamos parado no saudosismo, mas é um saudosismo produtivo, pois depois disso tive filha que estudou na escola, numa outra época e ela teve esse referencial. Tudo o que pude passar para as minhas filhas durante a formação, uma geração bem diferente da minha, eu passei. Acredito que elas se pautaram nisso, principalmente na questão da alfabetização e elas também freqüentaram outras escolas e desde um ano de idade começaram a fazer Jardinzinho, o Prézinho e o processo de alfabetização já estava mudado, era construtivismo e acredito que pude fazer minha parte de acompanhamento, muito voltado para aquilo que tive como referência e valeu a pena. Muitos professores da atualidade, embora outros já aposentados, foram daquela geração e todos beberam na mesma fonte e espelharam naqueles professores e a educação naquela época não criou nenhuma geração traumatizada, pois o professor sabia ser enérgico e conseguia conduzir sua aula, os alunos aprendiam e gostavam de seus professore. Aquele espaço, para mim, foi muito rico, pois tínhamos somente a escola como referencial para troca de informações e na medida do possível em casa, pois minha mãe sendo professora contribuiu muito, embora nunca tendo atuado. Só tenho a agradecer, principalmente àqueles professores de linha dura, mas cumpriram o seu papel. Com um ou outro aluno, algumas rusguinhas podem ter havido, mas isso não pesou na balança. Todos conseguiram resolver os seus problemas e hoje quando nos encontramos, ninguém fala desmotivado, sempre fala bem.

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Pode ter sido um período muito rígido, mas foi bom. É importante resgatar a memória da escola, não porque sou professora de História, mas porque a maioria da cidade de Limeira passou por ela. O Grupo “BRASIL” sempre foi um referencial e muitos médicos, dentistas, advogados, bombeiros, lixeiros, policiais, pedreiros, políticos e qualquer que seja a profissão, beberam nessa fonte e aprenderam na mesma cartilha. Acredito que, embora não seja 100%, a educação mesmo vem de berço, mas a vida modifica as pessoas por várias razões e o grande berço desse Grupo Escolar funcionou. Para mim valeu muito e que à atual geração sirvam estas memórias para refletirem sobre os espaços da escola.”

Formatura da Pré-Escola de 1969, no Galpão do Grupo “BRASIL”. À frente, da esquerda para a direita, na 1ª fileira, José Joaquim Fernandes Raposo Filho (4ª). Acervo da E.E. “BRASIL”.

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Joaquim Raposo nasceu em 1963 e devido ao fato de sua mãe ser professora no Grupo Escolar, já estudava na Pré-Escola desde os três anos e meio e quando fez seis anos e meio começou a cursar o 1º ano, concluindo o Primário em 1973. Suas professoras foram Maria Apparecida Martinelli, na Pré-Escola, Marília de Almeida Greve, na 1º ano, Leny Cecília Pântano Peccin, na 2º ano, Maria José Rossi Leme, na 3ª série e Myriam Arcaro de Araújo, na 4ª série. Nesse período que conviveu no Grupo Escolar aconteceram fatos interessantes e que merecem ser mencionados, como os diversos tipos de brincadeiras inocentes e sadias de um tempo em que se usava muito a imaginação:

“Não sei por que exatamente isso se gravou em minha mente. É de uma palmeira que havia logo ali na extremidade do Grupo “BRASIL” que ficava próximo ao bar do Rizzo. E essa palmeira, servia como um gesto, uma demonstração de bravura entre os meninos, porque os meninos que conseguissem segurar naquilo como se fora um cipó e deslizar pelo ar é como se tivessem passado por cerimônias de batismo e eram considerados mais corajosos. Eu me lembro que um dos meninos, num afã de fazer uma boa trajetória pendurado no galho, teve uma queda importante, pois o galho se rompeu e desde então a direção da escola se apercebeu do fato e não permitiu mais que nós usássemos os galhos da palmeira como cipós, como se fossemos o Tarzan. Outro fato, olhando de cima dessa palmeira para baixo eu me lembro que nós brincávamos muito com bolinhas de gude na frente da escola e ali embaixo da tal palmeira era muito fácil de fazer os campos para jogar as bolinhas de gude e era uma brincadeira que trazia um divertimento com um custo financeiro muito baixo e era uma característica da época. Às vezes, renovávamos toda a coleção de bolinhas, pois sendo de vidro e chocando uma

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com as outras elas se gastavam. Como era uma característica daquela época, diferente da de hoje, era um divertimento feito mais com a imaginação do que propriamente com aparelhos eletrônicos ou de informática. Além dessas bolinhas de gude e das folhas das palmeiras, brincávamos de pega-pega, de esconde-esconde e de bandido e mocinho, que era feito com uma primitiva peça de madeira cortada na forma de triângulo, pois a madeira era mais barata do que é hoje; usava-se muito nas construções. Então, as madeirinhas, os pedaços de madeira na forma de triângulo eram disputadíssimos, para podermos jogar o bandido e o mocinho que, como em qualquer época é uma definição da história do bem e do mal lutando para se sobrepor um ao outro.” (José Joaquim Fernandes Raposo Filho, aluno de 1969 a 1973).
O Grupo “BRASIL” foi um grande influenciador de comportamentos e atitudes. Raposo menciona algumas lembranças que foram muito significativas em sua vida:

“Hoje, eu sendo vereador, devo àquela época o fato de conhecer tão bem a letra do Hino Nacional e acho que hoje por mais que as crianças estejam à vontade nas escolas, aquilo era uma pequena semente de cidadania que foi colocada no nosso coração. Cantávamos o Hino Nacional com a mão direita sobre o coração e a repetição daquele ritual foi uma primeira semente de cidadania. Ali, pela primeira vez eu achei que as coisas do Brasil eram bonitas.”

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Outro fato de que se recorda com bastante freqüência é de alguns professores como Marília de Almeida Greve, a qual para ele, além de ter sido uma professora brilhante, sendo sua professora em 1970, em plena Copa do Mundo de Futebol, foi com ela que desenvolveu o gosto pela Copa:

“Pela primeira vez eu também me interessei por uma Copa e fazia o que é próprio das crianças fazerem, tratos com pensamentos mágicos: “Olha, se o Brasil fizer esse gol eu prometo ir à missa todos os domingos, por seis meses.”, coisas desse tipo. Sei que vencendo com a televisão preta e branca ou no rádio, que também era muito freqüente naquela época, nós ganhamos aquela Copa e também, aquilo foi um rasgo de cidadania interessante que, infelizmente, depois seria bastante sufocado pela ditadura.” (José Joaquim Fernandes Raposo Filho, aluno de 1969 a 1973).
Raposo faz observações relativas a outros fatos interessantes, que inclusive considera muito engraçados:

“Em horários, nos anos que eu estudei de manhã, havia um relógio na parte da frente da classe, bem acima da professora e também, um quadro, à esquerda, de um ovo frito. Então, quando chegavam 11:30h, estava quase para terminar a aula, que terminava às 11:45h e aquele ovo frito passava a ter, assim, os ares do melhor prato, do melhor cozinheiro do mundo. Lembro das 11:30h, como um horário de muita fome, uma fome agradável, de criança. Com relação à fome, quando estudava à tarde, íamos ao bar do Rizzo, que a partir das 17:30h servia pedaços de pizza deliciosos. Eu não sei, várias vezes perguntei aos senhores proprietários do bar do Rizzo, que agora estão na avenida Piracicaba, se a pizza não mudou, porque aquela da mi-

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nha infância parecia mais gostosa, parecia mais suculenta. Em toda a minha vida, depois de ter saído da escola, ouvi referências elogiosas ao Grupo “BRASIL”, de ser uma escola-modelo, uma escola de ponta e foi um orgulho da minha parte ter pertencido e em pertencer a essa comunidade de alunos do Grupo “BRASIL”. E tudo desembocou, em minha opinião, depois já médico, feito residência, morado no Canadá, em eu ser candidato a vereador e popular em importantes centros de votação, fui fazer campanha lá na frente do Grupo “BRASIL”, que hoje já não tem mais aquela palmeira. É bastante diferente do que era, mas tem aquelas raízes das árvores maravilhosas que ainda persistem ali e naquela angústia de encontrar mais gente conhecida possível para pedir o voto, pois se podia fazer boca de urna, prestei muita atenção nessas raízes que agora estão muito crescidas e às vezes, quase, assim, num devaneio, quase que num pensamento fugidio me dá vontade de me agarrar naquelas raízes e voltar àquele passado gostoso, tranqüilo, quando a vida era de preocupações muito mais tênues, preocupações que se resolviam facilmente. Não é como hoje que vemos um mundo a cada dia mais devastado na sua ecologia. Nós vemos o País quase que refém de comandos de penitenciária. Naquela época a vida era muito mais tranqüila. Limeira era muito menor, praticamente todos se conheciam e foi um tempo maravilhoso de minha vida e eu confesso que, realmente me emocionou muito falar tão com detalhes, tão amiúde daqueles tempos.”

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Palco do Grupo “BRASIL” (1970). Da esquerda para a direita, Marcos Lemos Mendes da Silva (1º), Josiane Nascimento (2ª), Márcia Pazzelli Caraccio (3º), Roberto Lucato (4º), Claudia Ferrari (5ª) e José Joaquim Fernandes Raposo Filho (6º). Acervo de Claudia Ferrari Iaquinta.

Através de um compêndio de lembranças, o ex-aluno Roberto Lucato retrata sua trajetória escolar pelo Grupo “BRASIL”, comparando o ensino e situações de disciplina de seu período com a atualidade, menciona algumas de suas vivências e relações de interação com o Grupo Escolar, como as atividades de entretenimento que eram desenvolvidas junto com os demais colegas e expõe seu sentimento de saudade:

“Como qualquer estudante vivi fases distintas em minha trajetória escolar. A primeira delas foi no Grupo “BRASIL”, como carinhosamente me refiro, até hoje, à Escola Estadual. É interessante lembrar que, há quase quatro décadas, as pré-escolas eram bem diferentes. Hoje, mesmo diante da transformação do chamado Ensino Fundamen-

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tal em um curso de 9 anos, a pré-escola evoluiu, não é apenas sinônimo de convivência, lugar de fazer amiguinhos, brincar; sequer se pensava, naquele tempo, em início da alfabetização. Portanto, meu primeiro ano no Grupo “BRASIL” significava como ingressar na faculdade. Era tudo diferente, passei a receber aulas de Português e Matemática, esforçando-me para desenhar as primeiras letras nas cartilhas convencionais. Tal foi o meu envolvimento com a escola e minhas professoras que adotara, desde os primeiros dias de aula, o lema de não faltar, medida que valeria, durante os quatro anos de Grupo “BRASIL”, sucessivas distinções por assiduidade, até hoje guardadas. A primeira, inesquecível, fora conferida pela professora Marília de Almeida Greve. Por falar em professoras, quantas recordações... O respeito dos alunos era quase absoluto e levar uma bronca, diferentemente de hoje, não era motivo de orgulho, e sim de vergonha. Ser chamado à diretoria, então, era o caos. Só o fato de imaginar, simplesmente, ter de explicar alguma molecagem aos diretores, fosse ao professor Oswaldo Arcaro, fosse às professoras Creusa Esteves Barbosa ou Doracy Alves da Costa Arcaro, dava frio na espinha. O respeito, portanto, era absoluto. Durante as aulas não havia sussurros, que às vezes eram tolerados pelo coração bondoso na professora Myriam Arcaro de Araújo ou mesmo de Dona Maria José Rossi Leme, a professora Zezé. Entre 1969 e 1973, assim, convivia, estudava e aprendia. A fachada do prédio, imponente, era a mesma de hoje, porém, na parte baixa do colégio, fazendo fundo com a Rua Barão de Campinas, havia um enorme barracão, em cujo palco improvisado, e isto não me recordo em que série, participei de uma pequena encenação teatral, com direito a fantasia dos personagens. Vesti-me de sapo, ora vejam! Por ali, também, as crianças dançavam quadrilhas nas fes-

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tas juninas, junto à cantina, e um pouco mais abaixo, quase no encontro dos muros, havia uma área onde plantávamos árvores em setembro. Tanto as comemorativas, como as datas cívicas, eram profundamente celebradas, e aprendíamos muito com isso. Como aprendemos, também, a jogar bolinhas de gude! Era uma festa depois das aulas! Entre as palmeiras do pátio, nas quais vivíamos brincando de Tarzan, pendurados nas folhas, os buracos marcados eram permanentes. Rui Barbosa de Oliveira Neto e eu éramos os mais assíduos, mas quase sempre apareciam outros bons amigos como o Cyro Leister de Almeida Barros, Vitor Meirelles, Julio César Coletta, José Joaquim Fernandes Raposo Filho, Aderbal Pedro Mansur, quantas recordações desta época. Devia dar algum trabalho ao papai, nestas horas, quando ele aparecia para me levar para casa: por mim, ficaria jogando aquelas bolinhas o dia inteiro... Foram quatro anos inesquecíveis, como seriam mais tarde outros quatro no Instituto Educacional “Castello Branco”. O Grupo “BRASIL” não possuía o curso de “ginásio” – hoje de quinta a oitava série – e assim, ao me despedir, vivi um momento de profunda tristeza. Dois grandes consolos permaneceram: a lembrança de meus amigos e dos professores e, até hoje, passar pela majestosa frente da escola sabendo que um dia, naquelas salas de aula, comecei a dar meus primeiros passos rumo à escalada profissional de minha vida.”

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Rosangela Fontanin de Souza, ex-aluna e agente de organização escolar (atuando na área discente, como inspetora de aluno) da Escola “BRASIL”, tem o privilégio de trabalhar onde estudou. De acordo com Rosangela, além da passagem de aluna para inspetora, muitas outras coisas também mudaram:

“Estudei na Escola “BRASIL” de 1970 a 1974, reprovei a 2ª série. Minha professora da 1ª série foi Dona Brasilusa Monteiro de Moraes Fonseca e o ensino não tinha nada a ver com o de agora. Os alunos tinham respeito, algo que não têm hoje, não respeitam ninguém, não estão nem aí, e não querem saber de nada. Era totalmente diferente, os alunos eram educados, a escola era limpa, ninguém sujava, nem quebrava nada. Os professores eram excelentes. A professora Stella dos Santos Vita Pagotti, minha professora na 2ª série, não admitia aluna de cabelo solto na aula e quem estivesse iria embora para casa, exigia uniforme e sapato. O uniforme era saia xadrez, camisa branca, meia três quartos e sapato colegial preto. Na 3ª série, minha professora foi a Dona Shirley Singh de Souza. Havia muita cobrança da escola, os professores cobravam e a Dona Stela, por exemplo, a cada quinze dias chamava minha mãe para ir à escola para questionar “por que o meu cabelo estava solto naquele dia”, pois eu tinha oito anos e nem sempre minha mãe estava em casa para prender meu cabelo. Minha mãe participava e sempre deu razão à escola e aos professores, nunca me defendia, mas também, eu nunca estava certa. Gostava muito da escola, mas tinha muito medo da Dona Shirley, ao alunos nem respiravam na aula dela. Ela não deixava usar borracha, não poderia errar e se não errasse não precisaria usar borracha. Gostava muito da escola, aprendi muito, afinal foi onde aprendi a ler e a escrever. Havia aula de reforço e fui uma dessas alunas do

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reforço e isso me marcou muito, pois achava que fosse burra. Sempre estudei à tarde, das 12:30 horas às 17:30 horas e tenho o certificado da 4ªsérie, pois naquela época havia apenas até a 4ª série e depois tínhamos que procurar uma escola de 5ª a 8ª série. Minhas disciplinas eram Matemática, Língua Portuguesa, Ciências, História, Geografia. O diretor era o Sr. Oswaldo Arcaro e a Dona Doracy Alves da Costa Arcaro, a vice-diretora, e eram muito rígidos, a escola era impecável. Depois de 30 anos retornei à escola, mas como funcionária. Prestei um concurso em 1991 para oficial de escola e inspetor de alunos, mas fui chamada primeiro para o cargo de inspetor de alunos e comecei em 1993 na Escola “Professor Deovaldo Teixeira de Carvalho”, no Jardim Nova Limeira, fiquei na unidade de ensino por um mês e depois fui transferida, pois eu estava excedente. Fui para a Escola “CAIC” (Centro de Atendimento Integrado à Criança), no Parque Nossa Senhora das Dores, quando foi inaugurada, permanecendo por cinco anos até que a escola foi municipalizada e como não poderia ter funcionário do Estado, fui para Escola “Irmã Maria Gertrudes” no Parque Nossa Senhora das Dores, e depois de dois meses removi para a Escola “BRASIL”, estando lá desde 1998. Gosto muito do que faço. Aprendi a lidar com os alunos e a conviver com eles, apesar de não ser fácil, mas a maioria é gente boa. Quando estudei os alunos respeitavam pai e mãe e, automaticamente, respeitavam os professores na escola, o que atualmente não ocorre. A disciplina exigida pela escola é boa, tudo que está no regulamento é excelente, porém é difícil fazer os alunos cumprirem, pois eles acham que só têm direitos e nenhum dever e quando são chamados à atenção por algo errado já reclamam dizendo: “Não grite comigo!”. Muitos alunos são de famílias desestruturadas, filhos de pais separados e têm uma

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situação financeira ruim em casa, mas isto não é justificativa, pois há muitos alunos bons, assim como alguns ruins. A escola é muito boa, tem professores, funcionários e direção excelentes. A indisciplina mais comum é enfrentada pelos professores, pois alguns alunos não querem fazer nada e falam que não vão fazer e acabou, e alguns alunos, principalmente do Ensino Fundamental, correm muito durante o intervalo e acabam se machucando, outros brigam entre eles por causa de namorada, de lanche,...” (Rosangela Fontanin de Souza, aluna de 1970 a 1974 e funcionária desde 1998).

Professora Maria Magdalena Arruda Vasconcellos e seus alunos do Pré-Primário de 1972. Dentre os alunos estão, de cima para baixo, da esquerda para a direita; na 1a fileira, Silmara Aparecida Lopes (1a), Luciana Maria Arcaro de Araújo (5 a), Paulo Roberto Feola (7o ); na 2a fileira, Simone Aparecida Barana de Góes (4ª), Edvânia Chinellato (5a), Eloize Rodrigues (6a); na 3a fileira, Elaine Rodrigues (5a ); na 4a fileira, Solange Silva Santos (2a ), Eduardo Lucato Neto (6o). Acervo da professora Simone Aparecida Barana de Góes.

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“Observando a foto do meu Pré-Primário, várias lembranças vêm à memória. Minha mãe me levava ao “Mercado Municipal” para comprar o meu bamba vermelho (tênis). Durante a compra material escolar, minha mãe pegava minha lista e de minhas irmãs e íamos à papelaria ”Líder” comprar com o Sr. Ari Osvaldo Favetta, que educadamente nos atendia. E a preparação da lancheira, para mim era sempre uma surpresa ver na hora do recreio o que minha mãe havia preparado para o lanche. A professora era muito atenciosa e paciente. Havia uma casinha de brinquedo que tinha de tudo: boneca, casinha de boneca e outras coisas e que sempre que a classe se comportava a professora nos deixava brincar. Recordo-me de várias colegas: Silmara Aparecida Lopes, Eloize Rodrigues, Elaine Rodrigues, Edvânia Chinellato, Solange Silva Santos, Luciana Maria Arcaro de Araújo e, a partir dessas colegas lembrei de um famoso texto: “Cometas e Estrelas”, que diz em um de seus trechos: “Muitas pessoas passam pela nossa vida, muitas vezes pensamos que vão permanecer. Muitas vezes ouvimos promessas de que a amizade nunca vai acabar, mas com o passar do tempo, a vida muda, as pessoas mudam e promessa de amizade eterna também muda... A vida é assim, um vem e outros vão e poucos permanecem por toda a vida como verdadeiros e fiéis amigos, ou seja, “nossas estrelas”.” Para mim as estrelas que ficaram até hoje e brilham na minha vida, daquela época são: minha família, que permitiu e me deu condições para que eu me tornasse professora, aos professores que me ensinaram as primeiras sílabas e acima de tudo respeito com o próximo e com a própria escola, que sempre esteve presente em minhas lembranças e na qual hoje trabalho. Espero também ser para meus alunos uma estrela e não apenas um cometa.”(Simone Aparecida Barana de Góes, aluna de 1972 a 1976 e professora desde 1998).

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A professora Deisy Apparecida Francisco Lima, que além de escriturária também foi auxiliar de direção, substituta, faz algumas citações de sua passagem pela escola:

“Foi na década de 1970, que passei a fazer parte do corpo docente do Grupo Escolar “BRASIL”, escola tradicional na cidade Era muito concorrida, tanto para receber novos professores, como para matriculas de alunos, assim comprovava a lista de espera de alunos para o ingresso no primeiro ano Ensino Primário, como era denominado. Foi nesse período que a escola, por ter número de classes reduzido, passou a funcionar em três períodos: manhã, intermediário e vespertino. Assim funcionou por um bom tempo, até que novas salas de aulas foram criadas, passando então a dois períodos: manhã e tarde. Os períodos de férias eram no mês de julho e no final de ano, como era chamado; de 15 de dezembro a 15 de fevereiro. Não se computavam 180 ou 200 dias letivos. Pelo fato da escola ficar totalmente ociosa, foi introduzido o período noturno, com classes de quinta a oitavas séries e Curso Supletivo. O setor destinado à Saúde passou a fazer parte da rotina da escola, tendo um professor designado para prestar serviços onde esse profissional providenciava um cadastro individual dos alunos, cuidava dos problemas surgidos, encaminhando cada caso ao setor responsável, muitas vezes através do Centro de Saúde, psicólogos, médicos em sua devida especialidade, terapeutas, oftalmologistas, etc. Os exames de visão eram realizados anualmente, tendo o orientador de saúde que verificar o resultado de cada aluno, bem como proceder a seu encaminhamento, marcando consulta, comunicando aos pais e mesmo até acompanhando-o, quando necessário. Orientação sobre as campanhas de vacinação também fazia parte desse trabalho.”

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Festa de comemoração do 20º aniversário de formatura da turma formandos de 1952 do Instituto de Educação “Castello Branco”, realizada no Grupo “BRASIL”. Da esquerda para a direita, estão professora Doracy Alves Costa Arcaro, auxiliar de direção (7º), professor Oswaldo Arcaro, diretor (8º), João de Sousa Ferraz, professor paraninfo da turma (10º), professor Otávio Pimenta Reis (professor de Prática de Ensino, trazia seus alunos para estagiarem no Grupo “BRASIL” (13º), a professora Priscilla Kühl Del Grande (14ª), Olga Forster, Educadora Sanitária (15ª), professora Cecília Quadros (16º), professora Senir Léa Feris Lucato (17ª), professora Terezinha Machado Campos Araújo (21ª) e a professora De Carli Silveira (24ª), 1972. Acervo de Nelson Petto.

Doracy Alves Costa Arcaro, conhecida carinhosamente por “Dora”, foi aluna do Grupo Escolar “BRASIL” de 1941 a 1945 e faz referências a suas professoras e conta algumas de suas aventuras:

“Tenho comigo uma satisfação muito grande de ter sido aluna da Escola “BRASIL” por vários motivos. Recordo-me muito bem de minhas professoras, do 1º ano, a Dona Lazara Toledo Castro, mas desta eu não tenho muita saudade não, pois ela me batia muito, chegou uma vez a quase descolar minha orelha de tanto que ela puxava. Talvez ela tivesse razão, pois eu devo ter sido endiabrada. Depois, no 2º ano, a Dona Nair

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Steinmeyer, boa professora, mas faltava muito, vivíamos na mão de substitutas. No 3º ano, uma professora negra, Dona Maria Aparecida Castro, excelente, estimulava seus alunos e deixou saudades. No 4º ano, Dona Maria das Dores Toledo Silva, uma professora mais enérgica, mas muito boa. Quando eu estava no 4º ano, minha classe era no salão, andar superior da escola, muito gostoso, uma sala ampla e não sei o que minha professora mandou buscar e eu ao invés de descer normalmente pela escada como todos os alunos, como qualquer pessoa normal desceria, montava cavalinho naquele corrimão e chegando lá embaixo estava o Sr. Mário de Almeida Mello, o diretor, que me deu um tabefe na minha poupança. Mas fui corrigida, repreendida, pois eu estava fazendo algo errado, e isso permaneceu em minha memória como algo gostoso de se lembrar e mesmo quando retornei à escola, já na direção, por diversas vezes fui tentada a me sentar e descer por ele. Quando eu fazia o 1º ano, minha sala de aula era naquela parte baixa que nós chamávamos de porão e essa professora Lázara, muito brava, além de nos bater muito, ela nos ameaçava. Se fôssemos indisciplinados e diante de qualquer algo errado que fizéssemos, iria nos prender no porão, onde hoje é o arquivo morto da escola e nós crianças tínhamos muito medo daquele local, pois sempre na época de escola ouviam-se histórias de fantasma.”
Dora, mesmo retornando ao Grupo Escolar, já como professora e auxiliar de direção, nunca se atreveu a entrar sozinha no porão e comenta as conseqüências que alguns atos impensados de professores podem causar:

“Tínhamos muito medo daquilo, tanto que isso ficou gravado em mim e quando voltei, anos depois a trabalhar na escola, primeiro como assistente de diretor no ano de 1969 e depois na direção da escola por vários anos, nunca fui ao porão sozinha, eu tinha medo e acho que até hoje não entro lá sozinha. Então, gostaria que os professores entendessem que essa forma de castigo, ameaçando uma

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criança de 7 ou 8 anos, marca muito, e às vezes somos responsáveis por coisas mais graves. Essas pessoas foram responsáveis pelo meu medo de entrar no porão da escola, local onde nunca entrei. Está lá até hoje, o funcionário Valmir Benedito Silveira que é testemunha. Se eu precisasse de qualquer coisa, ele ia junto.”
Ainda como diretora do Grupo, Dora relata:

“Enquanto diretora da escola, foi um período muito bom, foi a época em que nossa escola passou de 5ª a 8ª série, trabalhávamos anteriormente só com professor de 1ª a 4ª série, era uma realidade. Vivenciei esta mudança que foi a princípio, terrível, pois tinha que montar horário do professor III, que para mim foi muito difícil. Quem muito me auxiliou foi o professor de Matemática, já aposentado, o professor Vagner Lautenschlaeger, o professor José Luiz Rodrigues, de Educação Física e até mesmo o Valmir Benedito Silveira, funcionário que entrou na escola, trabalhou comigo durante seis meses graciosamente. Eles me auxiliavam e ficávamos trabalhando até que aprendi a fazer o horário dos professores. Foi uma mudança muito intempestiva, os professores I, professores de 1ª a 4ª série ficaram todos ouriçados com a chegada dos professores III e os que chegavam tinham aquele ar de superioridade, não só dos colegas como também de mim, diretora, pois eu era uma simples professorinha I e teria que coordená-los, mas foi uma etapa que nós vencemos. Tínhamos meia hora de intervalo e nosso recreio era algo gostoso, saudável. Desde aquela época já existia a sopa escolar que era fornecida às crianças mais necessitadas, as crianças da Caixa Escolar e os outros alunos que não eram registradas na Caixa, mas que queriam e tinham vontade de tomar aquela sopa contribuíam diariamente, coisinha irrisória que era cobrada das crianças, funcionava muito bem. E, mesmo no período em que estive na direção da escola, continuava com esta tática de dar a

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merenda aos que necessitavam, os demais pagavam. Com o dinheiro que eles pagavam, enriquecíamos a nossa sopa. Era um recreio saudável onde todos brincavam, todos se divertiam, mas tinha aquela formação de fila. Uma pessoa que era muito respeitada, a quem tanto os alunos como os professores respeitavam e ele era cumpridor de seu dever, rígido, era o Sr. Durval Eugêneo, nosso porteiro. Ele ficava postado em frente às filas e enquanto não houvesse silêncio absoluto ele não dava o sinal para as filas entrarem para a classe. Era uma disciplina rígida, mas sem maltratar, sem ofender, sem obrigar e que os alunos obedeciam. Havia respeito e cordialidade entre alunos e professores. A cantina era próxima ao palco e a primeira cantineira foi a Dona Leny Rodrigues Coelho Baccan, que entrou na minha época. Houve muitas mudanças na parte física da escola. Fui muito corajosa, sendo uma das poucas diretoras ameaçada de ser repreendida pelo Diário Oficial do Estado, pois não obedecia ao delegado de ensino, quando ele estava errado, não obedecia mesmo. Depois que saí da Escola “BRASIL”, tive a chance de trabalhar na Diretoria Regional de Ensino, não quis e também tive a oportunidade de trabalhar na Secretaria Estadual de Educação. O Oswaldo Arcaro, meu marido, foi trabalhar lá, mas eu não fui, pois sempre gostei mais desse contato com o aluno. Graças a essa nossa audácia e coragem de separar as crianças, as séries por área, o delegado de ensino queria me repreender, pois eu não tinha coordenador pedagógico, então não poderia fazer isso, mas fiz e sempre questionei o que fazia. Quando saiu a primeira turma da 8ª série, crianças que fizeram desde o jardim de infância, que era a Educação Infantil, e foram até a 8ª série, saíram pessoas vencedoras e essa coragem não foi somente minha como também, dos professores da época, pois assumiram esse compromisso comigo. Volto a dizer: “O que falta nos professores de hoje é a coragem para fazer o que precisa ser feito”.”

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Turma de 4º série de 1975. Dentre os alunos, da esquerda para a direita; 1ª fileira, Claudia Maria Negro Forte (1ª), Aparecido Roberto Martins (2º), Leonor Chaves Zaros (3ª), Alexandre José Bezutti (4º); 2ª fileira, Leandro Cesar Licione (1º), Osvaldo Furlan Filho (3º), Rosangela de Fátima Cabrini (4ª), Rosangela Aparecida Pinto (5ª); 3ª fileira, Silmara Maria Barana (1ª); Irineu Aparecido Testa (3º), Geselda Campos Vieira (4ª), Romildo Cardozo Santos (7º); 4ª fileira, Dalva Aparecida Mercuri (1ª), Marco César Tinico (2º), Alzira da Silva Figueiredo (3ª); 5ª fileira, Antonio Clery Gomes Filho (2º), Rosana Bortolan (4ª). Acervo de Silmara Maria Barana.

Silmara Maria Barana, professora e hoje diretora de escola, estudou no Grupo Escolar desde a Pré-Escola, de 1971 até 1975, quando concluiu o 4º ano do Ensino Primário. Num pequeno relato expressa seus sentimentos pelo Grupo “BRASIL” e expõe algumas lembranças ao recordar esta foto:

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“Minhas lembranças desta turma são as melhores possíveis. Sinto uma paz interior ao olhar esta foto, pois o ambiente que tínhamos na escola era repleto de bons pensamentos e ações. Cada um seguiu seu caminho, espero um dia compartilhar com todos, nossos momentos tão felizes... Jamais esquecerei da professora Maria Madalena Arruda Vasconcelos, tão importante em minha vida. Ela será inesquecível para mim e toda minha família que sempre a respeitou como profissional exemplar e ser humano iluminado. Recordo-me também de algumas atividades feitas com dedicação e alegria, e dos ensaios de nossa “bandinha” que apresentamos em nossa formatura.”

Ao fundo, em pé, da esquerda para a direita, as professoras Priscilla Kühl Del Grande (1ª) e Myriam Arcaro de Araújo (2ª), numa turma de alunos de 4ª série de 1975. Dentre os alunos, da esquerda para a direita; 1ª fileira, Nádia Cristina Ribeiro Brugnaro (1ª), Cristiane Aparecida Delmondi (2ª), Rosana Darossi (3ª), Rosangela de Fátima Girardelli (4ª), Suzana Aparecida Chinellato (5ª), Adriana dos Santos Perino (6ª); 2ª fileira, Tânia Maria Kerpe de Oliveira (1ª), Helena Antonieta Rizzo (2ª), Cássia Regina Ionda Zolezi (3ª), Rogéria Russo Fernandes (4ª), Lia do Carmo Barbosa (5ª), Regiane Aparecida Citelli (6ª); 3ª fileira, Solange Albertina Silva dos Santos (1ª), Ronaldo Bellodi (2º), Daniel Roberto Gortan (3º), Manoel Pedro dos Santos Júnior (4º), Isabel Cristina de Camargo Silva (5ª); 4ª fileira, José Fernando Brugnaro (2º), Carlos César Scandolara (3º); 5ª fileira, Cláudio José de Júlio (1º), Antonio César Miranda (2º), Mara Lúcia Cristan (3ª), Paulo César dos Santos (4º), Fábio D’Andréa (5º), Sueli Aparecida Longo (6ª). Acervo da Professora Priscilla Kühl Del Grande.

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Dra. Tânia Maria Kerpe de Oliveira oferece também seu depoimento:

“Tenho muita honra e elevado bom orgulho de ter tido minhas raízes nos bancos escolares dessa respeitável e muito conceituada catedral de ensino, onde com tanto carinho e amor souberam plasmar em meu caráter e minha formação, aprofundados e sábios ensinamentos, norteando meu rumo de vida seguro, impusionando-me e me estimulando para a ascensão em minha carreira profissional que abracei, de cirurgiã-dentista, e possibilitando-me a conquista de alegrias, progresso, evolução e sucesso. Minha eterna gratidão a todos, abnegados diretores, mestres especiais, funcionários e colegas com quem ive a felicidade de conviver nessa escola que faz a grandeza de Limeira.” (Tânia Maria Kerpe de Oliveira, aluna de 1971 a 1979).

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Ao fundo, em pé, da esquerda para a direita, as professoras Myriam Arcaro de Araújo (1ª) e Priscilla Kühl Del Grande (2ª), numa turma de alunos de 4ª série de 1975. Dentre os alunos, da esquerda para direita; 1ª fileira, Marisa Helena Brugnaro Baron (1ª), Rosana Aparecida Blumer (2ª); 2ª fileira, Maricilda de Oliveira Góes (1ª), Josiane Aparecida Rizzo (2ª), Vanderlei Albigesi (5º); 3ª fileira, Maria Cristina Bastelli (1ª), Cintia Regina Guzella (2ª), Geraldo José Gardinalli (3º), Adriana Maria Palermo (5ª); 4ª fileira, Priscila Elaine Fior (1ª), Rinalva Maria Bertagna (2ª), Ubiratã Silveira Bueno (3º), Rosangela Ferraz Cereda (4ª), Ana Maria Provinciatto (5ª), Carlos Alberto Moller (6º); Em pé à direita, Camilo Aparecido Gomes; 5ª fileira, Angelo Missan Neto (1º), Valter Rufino dos Santos (2º), Antonio Carlos de Oliveira (3º), Marcelo Benedito Rodrigues (4º), Antonio Carlos Lima (5º) e Marcelo Benedito Suppersi (6º). Acervo da Professora Priscilla Kühl Del Grande.

Antonio Carlos de Oliveira, o“Toni”, como é conhecido, estudou na Escola “BRASIL” desde 1972, quando iniciou o Ensino Primário, até o final da 8ª série, concluído em 1979 e dentre os vários fatos que marcaram a sua vida na escola, recorda de alguns que considera muito importantes:

“Foi um período fantástico. A nossa diretora na época era a Dona “Dora” (Doracy Alves da Costa Arcaro), uma diretora que aparentava ser muito brava, mas era uma pessoa de coração enorme, mas sempre que eu e outros alunos íamos

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até a diretoria, tínhamos o maior medo. Um fato pitoresco é que não havia quadra como se tem hoje. Tinha um pátio e nós não tínhamos uma bola para jogar futebol, então utilizávamos laranja cidra, cujo pé havia na escola, eram aquelas laranjas grandes. Recordo-me do Sr. Durval Eugênio, que era um inspetor de alunos, um senhor magro, alto, careca e ele sempre vinha dar bronca, mas não resolvia, pois assim que começava o intervalo já tínhamos time contra time e era um alvoroço, até o dia em que a Dona Dora falou: “Agora vocês não jogam mais aqui. Está dando encrenca e os outros alunos vão querer jogar também.”
Outro fato bastante inesquecível para Toni, na verdade, foi uma viagem que fizeram para São Paulo e foi a primeira viagem de muitas crianças daquela época para fora de Limeira:

“Fui para o Museu do Ipiranga, para o aeroporto de Congonhas e para o Zoológico Municipal. Foi um sacrifício muito grande, e recordo a euforia dos amigos mais próximos, dois dias antes e não parávamos de comentar a viagem, mas acabamos esquecendo um aluno na saída. Estávamos para sair da cidade e um aluno que havia pago, por algum motivo, se atrasou muito. O ônibus teve que voltar para buscar esse garoto, mas depois deu tudo certo, chegamos em São Paulo e ficou tudo bem.”
Toni não esquece do tumulto que era comprar lanche na cantina:

“Era um alvoroço enorme e às vezes tocava o sinal para voltar para a sala de aula e tinha fila ainda para comprar. A cantina era pequena, evidentemente e os alunos amontoavam para comprar o lanche.”

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Quanto ao ensino ministrado na escola e seus professores, Toni nunca esquecera, pois seus ensinamentos estão presentes até hoje, pois uma dessas aulas acabou influenciando-o para escolha de sua carreira:

“Um de meus professores foi Vagner Lautenschlaeger, professor de Matemática, muito enérgico, inclusive devo muito a ele. Não havia moleza com ele. Aula de Matemática com ele era, realmente, muito puxada, muito forte e eu agradeço, pois se hoje eu tenho facilidade em Matemática, devo a essa passagem pela Escola “BRASIL”. Hoje sou ator e diretor de teatro e isso graças à Escola “BRASIL”, pois na aula de Educação Artística, em 1976, quando estava na 5ª série, a professora me colocou para fazer uma peça de teatro na sala de aula. Fiz mais por brincadeira, pois fazia parte da aula e a partir disso comecei a fazer teatro. Faço teatro até hoje e devo isso a essa passagem pela escola, a essa matéria de Educação Artística que propôs a dramatização em sala de aula da peça “Chapeuzinho Vermelho”, tanto em drama como depois em pintura e fiquei com a parte do drama, de fazer teatro.”
Toni só tem boas recordações da Escola “BRASIL” e por ser ela um dos centros de votação em épocas de eleições, tem um grande prazer em votar, pois é uma das oportunidades de retornar à escola e acrescenta:

“Não mudei minha seção eleitoral porque, pelo menos durante as eleições eu volto àquela escola onde vivi os melhores momentos escolares da minha vida. As primeiras namoradas foram lá também. Não vou falar, mas pode ter certeza que houve aquelas paixões da fase de estudante e é um prazer estar falando. É uma escola que continua saudável, continua histórica com seu prédio. Sei que ela teve muitas modificações arquitetônicas, mas continua sendo para mim a velha Escola “BRASIL” na qual há trinta e tantos anos

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atrás eu tive o prazer de ser aluno e convivi com algumas pessoas, inclusive, tem um que está lá até hoje, o Valmir Benedito Silveira, ele era da minha época e quero aproveitar e mandar um abraço a ele. Quando eu estava saindo, o Valmir, atual secretário da escola, estava chegando.”
Entre suas aventuras e momentos de lazer, Toni faz questão de comentar a respeito de um clube formado por colegas de escola, que se reuniam para ouvir músicas:

“Às sextas-feiras era fundamental, terminavam as aulas, eu e mais um grupo de oito amigos, inclusive o Carlos Antonio Romano, éramos fãs incondicionais de “Bee Gees”. Tínhamos uma trupe, “trupe do bem”, “trupe do Bee Gees”. Terminava a aula às 22:30h e ficávamos mais meia hora toda sexta-feira. O único que tinha carro na época e ia para à escola com ele, era um amigo do Carlos, e a gente colocava a fita do “Bee Gees” e era um show, bem em frente à escola. Começamos com cinco, seis e no final estava quase a metade da sala de aula querendo todas as sextasfeiras se reunir para ouvir músicas do “Bee Gees”.”
Dentre todos os acontecimentos, Toni nunca se esqueceu de sua formatura, pois representava o final de sua vida escolar na escola:

“A nossa formatura de 8ª série foi numa boate, na época era “Boate Quintal” que não existe mais, ficava na avenida Maria Buzolin. Foi também um período muito marcante e recordo-me até das roupas que estávamos vestindo, pois para nós, era uma sensação de despedida da escola, porque não havia Colegial (Ensino Médio) na Escola “BRASIL”, então não tínhamos alternativas, fomos para outras escolas.”

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A professora Priscilla Kühl Del Grande se formou professora primária em dezembro de 1945 e começou a lecionar em 1946 em várias escolas do município como substituta. A partir de junho de 1949, escolheu sua vaga numa fazenda em Oriente, Estado de São Paulo, na Delegacia de Ensino de Marília. De manhã ela lecionava para três classes, ou seja, 1º, 2º e 3º ano e à noite criou o curso de alfabetização para adultos, sendo um trabalho voluntário. Em meados do ano de 1951, por concurso de remoção foi transferida para a cidade de Brotas, na Escola Primária São Sebastião. Lá também lecionava à noite alfabetização de adultos e foi autora de vários outros projetos, como a merenda:

“Criei a sopa escolar, pois os alunos vinham de longe. Consegui com os pais tudo que precisava para fazer uma sopa que era feita gratuitamente por uma senhora que morava no Patrimônio.”
No ano de 1953, foi trabalhar na Usina de Saira, onde permaneceu por mais uns dois anos e no ano de 1955 foi transferida para o Grupo Escolar “Prada”, que antes era municipal e nesse ano passou a ser do Estado. Somente no ano de 1962 foi transferida para o Grupo Escolar “BRASIL”, aposentando-se em 25 de março de 1976, dia da anunciação de Nossa Senhora. Durante esse período foi auxiliar de diretor por vários anos e também substituiu o diretor. A professora Priscilla enquanto relata alguns de seus momentos pelo Grupo “BRASIL” deixa transparecer com evidência o prazer pela profissão, o companheirismo entre as colegas, o apoio dos pais e a satisfação de ter trabalhado nele:

“Na minha vida profissional, tive muitas passagens interessantes, mas as que ficaram gravadas foram as grandes amizades que fiz com colegas com os quais nos períodos de

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intervalos e horários de lazer, reuníamos para nossos desabafos; às vezes para contar alegrias, outras vezes, tristezas e isso nos tornou uma verdadeira família. As saudades são muitas em razão da grande afetividade que consegui dos colegas, diretores, funcionários e principalmente dos alunos que adotamos como verdadeiros filhos. Não preciso salientar evidências ou enaltecer o período mais importante de minha vida como professora, pois a nossa existência tinha como principal objetivo a escola. Sem esse profundo amor, não conseguiríamos encontrar hoje tantos ex-alunos e tantas famílias que ainda nos reverenciam e reconhecem a nossa dedicação e carinho. Gostava de cantar e, ao menos uma vez por semana, reunia as duas classes de 4º anos que funcionavam nesse período para ensinar cantos para as nossas festinhas; um pequeno coral. Também cantávamos todos os dias na entrada para as aulas. É importante salientar que nessa época tínhamos muita ajuda dos pais que estavam sempre em nossas reuniões e com isso os resultados com nossos alunos, sejam na disciplina, sejam no aprendizado, eram sempre positivos. Digo de coração e com muita saudade que, se fosse possível, faria tudo de novo, pois foi no Grupo Escolar “BRASIL” que eu me realizei.”
A professora Esmeralda Salibe dedicou quase 20 anos de sua vida à Escola “BRASIL”, permanecendo até aposentar-se. De acordo com ela:

“O Grupo Escolar “BRASIL” sempre foi muito bem freqüentado. Sempre teve ótimo corpo docente que muito engrandeceu a nossa querida Limeira. Todos os anos houve mais de quarenta alunos, classes superlotadas, mas isso não impedia os professores de terem ótimos resultados. Tenho ex-alunos que hoje são médicos, advogados, den-

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tistas, professores, ferramenteiros e são todos pessoas de bem. A direção do Grupo Escolar “BRASIL” sempre teve ótimos diretores. O bom diretor ajuda os professores na disciplina e na freqüência. Trabalhei no Grupo Escolar “BRASIL” de 1955 até 1973, quando me aposentei. Em nossa vida passamos dias frios, passamos muito calor, vimos cair as folhas do outono, mas logo chegava a primavera com suas lindas árvores floridas. Esse tempo que trabalhei no Grupo Escolar sempre pensei nele com satisfação e com amor. Um dia conversei com os alunos sobre cartas anônimas. Disse-lhes que “cartas anônimas” eram uma baixeza, pois o que não pudéssemos assinar, não devíamos dizer ou escrever. Um aluno me disse que o pai mandava cartas anônimas para o administrador da fazenda, para vizinhos e outras pessoas. Achava natural mandar cartas anônimas e como o pai fazia isso não consegui convencê-lo do contrário. Achava muito bom, pois o pai fazia isso. Sempre tive ótimos resultados, pois acreditava que precisávamos graduar o ensino e repetir as lições. O Grupo Escolar ”BRASIL” deixou ótimas recordações do tempo em que nele lecionei. Sempre fui respeitada pelos alunos e ainda hoje encontro ex-alunos que falam muito bem do Grupo “BRASIL”. Sempre trabalhei com meninos das 8 horas às 12 horas. Às 11:30h eu notava que os alunos já estavam cansados, então contava histórias e as crianças gostavam muito. Eu contava sempre a história “Ali Bábá e os quarenta ladrões”. Outras brincadeiras feitas em classe eram tirar par ou ímpar e também brincar de mudo. Eu escrevia as ordens no quadro negro e os alunos liam e faziam o que lhes era ordenado. Fazíamos festas no Dia do Trabalho, de Tiradentes, da Independência, da Criança, com distribuição de sucos, salgados e doces. As carteiras eram duplas e os alunos

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mais fracos eu colocava na frente para poder corrigir o que eles faziam de errado. Salve o Grupo Escolar “BRASIL”, orgulho de Limeira, São Paulo e do Brasil.”

Margarete Piva, professora coordenadora pedagógica, ao lado esquerdo da mesa, durante HTPC (Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo), juntamente com alguns professores, 2005.

“Fui aluna na Escola “BRASIL”, iniciei em 1976, na 1a série e minha professora era Dona Lourdes Ribeiro Momesso. Fiz todo o Ensino Fundamental na Escola “BRASIL”. A Dona Doracy Alves da Costa Arcaro era a diretora da escola, logo após Sr. Wladismir Gavioli. Alguns professores deixaram as suas marcas. Havia a Dona Maria José Negro Lencioni, professora de Língua Portuguesa, nas aulas dela tínhamos que ficar em pé na entrada, ao lado da carteira, com as duas mãos para trás, esperá-la entrar, até que colocasse seu material sobre a mesa, somente, então falava “boa tarde!”, pois era no período da tarde que eu estudava, na 5ª série. A classe

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toda rezava um Pai Nosso, que era a oração de início do dia, então ela dava permissão para nos sentarmos na cadeira. Era uma mulher que fez campanhas para arrecadarmos alimentos, roupas, agasalhos,... sempre participou de todas campanhas da escola, inclusive há os álbuns de fotos em que há muitas fotos dos alunos pequenos juntando alimentos e materiais para entregar às instituições.” (Margarete Piva, aluna de 1976 a 1983 e professora coordenadora pedagógica de 2001 a 2006).

Após campanha realizada na escola, turma de alunos da 7ª série do Ensino Fundamental leva os materiais e alimentos arrecadados até as instituições assistenciais, 1999.

Ainda a Margarete:

“Com a professora de Educação Física, Dona Vera Lúcia De Felice, participávamos de gincanas e de campeonatos e durante um campeonato interclasses eu era a

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pivô de basquete e naquela época, apesar da gordura toda, eu jogava bem. Ainda no Ensino Fundamental, a professora Cleonice Valamede, professora de História que me inspirou muito e por isso fiz História e hoje sou professora nesta área. Havia a Dona Leslie Maria Pincelli Crivelin Bigotto, professora de Ciências que, inclusive se aposentou aqui na Escola “BRASIL” e a Dona “Rosinha” (Rosa Maria Bombini), professora de História. Até hoje lembro de um fato que aconteceu com a Dona Marta Guimarães Dias Cunha, minha professora da 4ª série, ela mora na rua Dr.Trajano de Barros Camargo e a minha classe ficava onde é a sala 6, que era a 4ª série A, classe de elite naquela época. Da escola, pela janela, ela viu sua casa ser incendiada e olhando ela falou: “Está pegando fogo na minha casa.”. A classe toda assustou e, realmente, o fogo era mesmo na casa dela, tanto que o marido dela se queimou ao salvar os dois cachorros; são coisas da infância que marcam.A escola era muito festiva, talvez por ser um período em que cumpríamos todas as festividades do calendário e havia muitas comemorações cívicas e festas juninas. Íamos todas as quartas-feiras à Praça Luciano Esteves cantar o Hino Nacional e hastear a Bandeira; era sempre uma classe que ia representar a escola. Em 2000 eu estava numa escola estadual, como professora coordenadora e devido a problemas de aulas, saí da coordenação e depois na atribuição de aulas em fevereiro eu consegui aulas na Escola “BRASIL”, na Escola Professor Ely de Almeida Campos e numa escola em Rio Claro. Na Escola “BRASIL” só à noite, Escola “Ely” de manhã e Rio Claro à tarde. Como estava vaga a função de professor coordenador diurno e a diretora, Dona Ruth Zucolotto da Silva com a então coordenadora pedagó-

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gica, Irme Magno Brasil, em conversa, questionaram: “Você já tem experiência, não quer se inscrever?” Havia jurado que não voltaria mais para a coordenação, pois eu queria dar aulas, mas após muita conversa, fui convencida a voltar para a coordenação, concorri à vaga e fui eleita pelo Conselho de Escola. Trabalhar na Escola “BRASIL”, realmente, requer uma visão muito ampla, é uma diferença de cultura enorme, tanto de alunos, quanto funcionários e professores; temos que saber lidar com todos e é um encanto, gosto do que faço. É uma escola encantadora e sempre fui privilegiada em ter estudado e trabalhado nela. Quanto à educação, não tínhamos uma liberdade de conversar com o diretor, às vezes até falar de atitudes de professor e questionar a metodologia deles (não tinha com quem desabafar). Hoje os alunos têm essa liberdade, têm esse meio, esse caminho aberto para procurarem os coordenadores, os diretores para se comunicarem, só que está falha a educação dos alunos de hoje. Os profissionais, talvez estejam só desmotivados financeiramente, o que é um grande fator, os estudantes estão vivendo um momento único, que é o momento de hoje, o amanhã para eles, se estiver bem, tudo bem, se não estiver, também. Antes o professor conseguia trabalhar, trabalhar no sentido do professor preparar sua aula, aplicar e ter oportunidade de diagnosticar eventuais defasagens e poder supri-las em aulas posteriores. Hoje em dia, você dá sua aula e já tem que rever na hora o que não deu certo, reavaliar e tentar aplicar novamente e, mesmo assim, muitas vezes sem sucesso, devido a esse fator que citei anteriormente. Não tínhamos o prédio novo, só existia o prédio da frente, as salas de aula era um assoalho, um piso sinteco, só que, como era bem velho, fazíamos campanha de lim-

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peza e cada classe limpava a sua sala, tínhamos espátulas com que raspávamos todo o piso da sala para tirar a cera velha, pois naquela época usava-se cera, limpávamos, encerávamos, limpávamos de novo e passávamos a enceradeira da escola, as serventes ficavam juntas para auxiliar. As salas eram pintadas de branco e cinza, parecia cor de hospital, a secretaria era no mesmo lugar, primeiro na sala menor, depois se estendeu para a sala lateral, os banheiros eram completamente diferentes, a cozinha era onde hoje temos a sala de Educação Física, era ali em baixo, você entrava, era uma sala comprida, com mesas compridas, você entrava e havia a Dona Benedicta Juvêncio Mesquita que era merendeira, então você entrava, pegava seu prato de alimento, sentava-se à mesa, comia e saía, a fila era enorme. Quadra, só existia a debaixo na 5ª série, essa quadra maior que chamamos de quadra oficial, mas a estrutura dela não era cercada, não tinha alambrado, só um muro que protegia a quadra. A sala dos professores era onde atualmente é a “copa”, o palco no mesmo lugar e a cantina da Dona Leny Rodrigues Coelho Baccan; desde quando estudei aqui essa senhora sempre esteve na cantina, era do lado direito. Ao fundo do palco havia uma construção, um cômodo, que era a cantina onde ela vendia suas guloseimas. Existia o ensino fundamental à noite e o pessoal estudava e podia entrar na 2ª aula devido ao horário de trabalho, pois com 14 anos de idade já poderiam trabalhar. Hoje é mais controlado, para não ter problema em usar esse motivo sem necessidade, mas todos uniformizados, independente de estudarem de manhã, à tarde ou à noite.” (Margarete Piva, aluna de 1976 a 1983 e profes. sora coordenadora pedagógica de 2001 a 2006).

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O ex-funcionário Paulo Sergio Kühl relata os pontos mais significativos durante seu convívio na Escola “BRASIL”:

“Fui funcionário na Escola “BRASIL”, tomei posse em 21 de setembro de 1965 e ficando até 1982, quando fui para a Escola Professor Ely de Almeida Campos, carinhosamente chamada de Colégio Ely. Foi um tempo muito feliz, eu era servente, fazia faxina e estava estudando no Colégio Santo Antonio, onde terminei a 8ª série. Passei por vários diretores, todos muito bons para mim, me orientavam muito e tive bastante apoio quando estudava. Depois fiz o 2º grau, estudando em outras escolas e enquanto trabalhei no Grupo “BRASIL” consegui me formar, concluindo o Magistério, e me formei professor embora não exerça. Conheci várias professoras, inclusive uma que lecionava no Curso Primário, hoje é minha diretora na Escola Professor “Ely de Almeida Campos”: Sonia Stella Basso. Convivi com muitos alunos que hoje são pessoas de destaque por aí, com altos cargos e que param na rua para conversar. Um deles ainda fala: “Paulinho, quanto está seu salário?” Quando conto ele cai duro.“O Estado paga muito mal. Você era para estar recebendo muito bem como funcionário do Estado.” Conheci muitos professores, amigos e amigas que também já se foram, outros que foram funcionários nessa época, muitos alunos que hoje não vemos mais. Recebia muita atenção de todos. Retornei para o Grupo Escolar em 1986, permanecendo até 1992.”

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Centro Cívico e seus membros no ano de 1976. Da esquerda para a direita estão, professor Osvaldo Assumpção Castro (1º), professora Deisy Apparecida Francisco Lima (2º), Doracy Alves da Costa Arcaro, diretora da E.E.P.G. “BRASIL” (3ª), Arlete Estrela (4ª), Edson Aleoni (6º), Israel Gaiser (8º), Celso Corte Siqueira (9º), Jair Formigari (12º), Cláudio Orsi (16º), Ismael Nantes (17º). Acervo da E.E. “BRASIL”.

O Centro Cívico foi criado em 1976 com o objetivo de estimular o desenvolvimento do espírito cívico e engrandecer os construtores da história do Brasil. Era composto por alunos e por um professor, eleitos a cada ano, através de voto secreto entre seus pares e com a supervisão de um Orientador de Educação Moral e Cívica. O primeiro orientador de Moral e Cívica foi o professor Osvaldo, responsável pela formação da primeira diretoria do Centro Cívico. O professor Osvaldo, além de ter sido professor e orientador de Moral e Cívica, foi aluno do Grupo Escolar “BRASIL”, onde fez o Ensino Primário de 1957 a 1960, atuou como supervisor de ensino da Escola e substituiu o delegado de ensino (atual, dirigente de ensino) de Limeira por vários anos, e atualmente é o diretor da Escola Estadual “BRASIL”.

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Quanto às atividades desenvolvidas pelo Centro Cívico, o professor Osvaldo cita:

“Desenvolvíamos toda atividade relacionada às comemorações cívicas das datas nacionais, promovíamos campanhas de solidariedade, estimulávamos a realização de atividades esportivas e realizávamos um período com sessões de debates entre os alunos a respeito de fatos significativos para a construção da cidadania.”
Doracy Alves da Costa Arcaro, enquanto diretora, acolheu o Sr. Osvaldo com muita satisfação e faz-lhe algumas menções elogiosas:

“O atual diretor da escola, Osvaldo Assumpção Castro, foi meu orientador de educação moral e cívica. Quando ninguém o queria aceitar, ele percorreu várias escolas tentando trabalhar. Os diretores mais antigos eram contra, por causa do “gênio” do Osvaldo que sempre foi muito franco, mas muito bom, nunca deixou as coisas passarem batidas. Quando ele me procurou, nós o aceitamos imediatamente, pois nossos gênios são muito parecidos. Nós, o que pensamos falamos, na hora que precisa falar, não importa quem está ouvindo, o que precisa ser dito sai na hora, pode sair com palavras amenas, como também, pode sair com palavras na linguagem popular, que a criança mais entende. E pode ser devido a esse “gênio” que chegou aonde chegou, foi trabalhando e estudando. Hoje, como já ouvi de alunos, ele é um diretor querido e respeitado. Me ajudou muito nas brigas de quando queriam colocar bancos na escola. Me ajudou muito na disciplina, nas fanfarras que organizamos, nos desfiles. Ele era corajoso e autêntico e essas são duas características que estão faltando aos nossos professores e que me perdoem se eu estiver falando errado. Não podemos ficar em cima do muro, tendo caras, uma para o aluno e uma para o professor e outra para o delegado de ensino, a gente tem que ter convicção daquilo que se faz.”

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Largo José Bonifácio, em 1977, com seus lustres característicos da época e bancos distribuídos em torno dos canteiros. Fonte: Arquivo do Museu Municipal de Limeira “Major José Levy Sobrinho”.

Largo José Bonifácio em 1978, durante as obras de remodelação de seus canteiros e jardins, na gestão do prefeito Waldemar Mattos Silveira. Fonte: Centro Municipal de Memória Histórica de Limeira.

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Sebastião Venâncio da Silva, em visita ao Largo José Bonifácio, 2006.

Sebastião Venâncio da Silva, ex-funcionário da Prefeitura de Limeira, foi jardineiro do Largo José Bonifácio desde 19 de julho de 1978 a 14 de março de 2005, até pouco tempo depois de completar 80 anos, em 25 de fevereiro de 2005. Desse longo período de trabalho no Largo, ressalta:

“Comecei a trabalhar quando o prefeito era o Waldemar Mattos Silveira, o “Memau”. Nunca fui demitido, e também nunca troquei de serviço. O prefeito Jurandyr da Paixão de Campos Freire trocou muitos praceiros, mas permaneci. Recordo-me do dia em que a praça foi concluída, pois foi quando comecei a trabalhar e quando foram plantados aqueles coqueiros grandes; havia três coqueiros (coco doce) de cada lado da escadaria de entrada para a escola. Na frente, havia pés de azaléia. Gostava de trabalhar, era como se fosse a minha casa, me sentia bem, ficava mais lá do que

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em casa, pois ia para casa só para dormir e no outro dia às 5 : 30 horas, retornava e permanecia até às 16:30 horas. Não havia alunos ruins para mim, tanto que os surdosmudos me respeitavam e me respeitam até o dia de hoje e até o ano passado foram me ver na praça. A praça era bonita e ganhei os parabéns por estar zelando dela. Aposentei em 1978 e continuei trabalhando e nunca fui transferido de setor e em 2005 fui dispensado. O prédio novo está no lugar do galpão velho, que era de madeira com uma mureta de tijolo e a cozinha era lá embaixo onde atualmente é a quadra. O muro era baixo e depois que entrou a dona Ruth Zucolotto da Silva, diretora, é que suspenderam esse muro. Eu morava mais aqui do que em casa, então eu morava mais aqui.”

Portão de entrada dos alunos, no Largo José Bonifácio. Observa-se neste período o muro ainda baixo, 1979. Fonte: Jornal “Gazeta de Limeira”.

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Frente da E.E. P.G. “BRASIL” em 1979. O uniforme utilizado nesse período era uma capa branca, com mangas curtas e comprimento um pouco acima do joelho. Fonte: Jornal “Gazeta de Limeira”.

Wladismir Gavioli foi diretor efetivo da Escola de 1979 a 1987, exercendo a função até 1983, quando foi designado para as funções de supervisor de ensino na Delegacia de Ensino de Limeira e em 1986 pediu remoção da E.E.P.G. “BRASIL” para a E.E.P.G. Mario de Souza Queiroz, onde se aposentou em 18 de julho de 1987. Nesse período na direção da escola, empenhou-se muito e dentre as várias atividades desenvolvidas, ele nos informa:

“Assim que cheguei em 1979, reorganizei a Secretaria da Escola e também o Setor de Pessoal da Escola “BRASIL”, tornando-a mais racional e prática. Sempre procurei trazer prontuários de professores e funcionários em dia, para facilitar nos pedidos de adicionais, licença-prêmio, sexta-parte e aposentadoria. Distribui as tarefas de modo que nenhum

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funcionário ficasse mais sobrecarregado que outro. Havia rodízios entre serventes. Atas e livros sempre em dia, como também a prestação de contas da A.P.M. (Associação de Pais e Mestres), entregando os relatórios (que não eram poucos) para a Delegacia de Ensino e outros Órgãos Superiores. Sendo a E.E.P.G. “BRASIL” uma Escola com um prédio bem antigo, não tinha espaço sobrando para a instalação de uma pequena biblioteca, que fazia falta à escola. A partir disso, analisando o “porão”, notamos que estava com bastantes materiais inservíveis. Tratamos de limpálo para nele instalar a biblioteca e talvez ainda outros setores para a Organização Administrativa da Escola. Com o espaço que conseguimos, enviando os materiais velhos embora, pudemos realizar o nosso sonho “Biblioteca da Escola”. Havendo uma professora adida pudemos colocar a Biblioteca para funcionar e, como sobrou espaço físico, aproveitamos para transformar esses espaços em almoxarifado de Educação Física, para professores guardarem materiais: bolas, redes, etc, almoxarifado de produtos de limpeza: papel higiênico, palha de aço, cera, lâmpadas, etc, tudo guardado e entregue com requisição, almoxarifado da fanfarra, com prateleiras, uma para instrumentos de sopro, outra para instrumentos de couro, etc. Procuramos sempre dar cobertura aos professores, principalmente no que dizia respeito ao material pedagógico e retaguarda nos problemas disciplinares com alunos. Sempre acompanhamos de perto a evolução das aulas dos professores, comparando o plano de aula anual com o Diário de Classe e com o caderno de alunos. Passava visto. Fomos muito felizes com o corpo docente, no Pré-primário, nas Classes Especiais, no Primário e no curso Ginasial; professores e professoras excelentes. Quanto ao grupo de apoio

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não tive queixas, eram todos ótimos: assistente de diretor, orientadora de Moral e Cívica, secretário, escriturária, serventes e inspetores de alunos. Tivemos muita sorte com presidentes da APM, pois quando a escola precisava de alguma coisa material, lá estavam eles, prontos para ajudar e trabalhar por um objetivo. Assim foi com inúmeras necessidades, por exemplo: o calor era terrível, as crianças e os professores passavam até mal, então fizemos uma campanha com a APM e os professores sempre apoiando. Colocamos ventiladores, um para cada classe.” Em meio a tanto trabalho um fato engraçado: “Havia muitos morcegos, devido à chácara dos “Levy”, onde hoje é o “Compre Bem”, e que ocupava a quadra toda com muitas árvores frutíferas, daí a grande quantidade desses morcegos. Para diminuir os morcegos, falaram para comprarmos cápsulas com um produto e colocálas no madeiramento do forro que iria afugentá-los. Que nada, resolveu apenas por alguns dias e retornaram depois de assustar toda a vizinhança. Então, um dos homens que contratamos para fazer esse serviço, sugeriume que comprasse bastantes sacos plásticos pretos, que no sábado ele subiria até o forro com alguns amigos para resolver o problema. Cada um subiu no forro com um pedaço de pau e mataram os morcegos a pauladas. Eles riam e faziam um barulho infernal lá em cima. Depois de duas horas, desceram do forro com uns quatros sacos cheios de morcegos mortos. Percebi que desceram com uma garrafa, fui olhar e era uma garrafa de “51”. Saíram rindo, dizendo que iriam fazer um belo churrasco.” (Wladismir Gavioli, diretor de 1979 a 1987).

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Finaliza:

“Fizemos nosso trabalho no dia-a-dia, junto é claro com o corpo docente e discente, com os funcionários e demais amigos da Escola (APM: Associação de Pais e Mestres). Nunca tivemos o propósito de sermos os melhores, mas fazer o que de melhor podíamos.”

Professora Brasilusa Monteiro de Moraes Fonseca, à frente ao centro, junto com seus alunos na Praça Luciano Esteves em evento de comemoração cívica ao “Dia da Bandeira”, 1983.

Brasilusa Monteiro de Moraes Fonseca iniciou suas atividades como professora no Grupo Escolar “BRASIL” em 1953, permanecendo até 1987, quando se aposentou:

“Antes de ir para o Grupo “BRASIL” estava em uma escola isolada. Lecionei 18 anos em 2ª série, onde se ensinava divisão com dois algarismos. Havia inspetor de ensino e ele cobrava muito de nós, verificava se todas as crianças estavam sabendo divisão com dois algarismos, via o diário de classe, o semanário, os livros de chamada e colocava para o

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professor a apreciação; era vistoriado tudo. Ele verificava os cadernos dos alunos e a direção cobrava até se a aula estava de acordo com o horário pendurado na sala de aula; tinha que seguir rigorosamente o horário. Havia recreio de 30 minutos e era o diretor que tomava conta dos alunos; às vezes ficávamos no recreio. Tínhamos os alunos especiais além dos alunos de Q.I. normal e exigiam muito de nós, pois tinham uma conduta bastante diferente e, para citar um caso, eu tinha um aluno que o dia que achava que era carnaval, era uma benção, uma maravilha, pois ele só picava papéis, fazia confetes e jogava no chão, mas o dia em que achava que era motor de dente, pegava a caneta com pena, punha no dente e imitava um motor, era difícil dar aula numa sala com um aluno assim. Num certo recreio, o diretor trouxe este aluno para mim porque estava enforcando o outro colega, para eu resolver o que faria com ele, pois para o diretor ele seria expulso e eu disse “não”, então ele passou a fazer o recreio comigo e me olhava com um olhar de misericórdia. Havia cerca 45 alunos por sala de aula, mas conseguíamos manter a disciplina, éramos muito rigorosos. Quando algum aluno tinha defasagem em conteúdos, permanecia na mesma série, reprovava e muitas vezes o diretor dizia para gente: “Você perdeu muito”. Quer dizer que éramos cobrados. Pedia para os pais apenas olharem os cadernos e elogiarem, deixando que os alunos fizessem sozinhos, pois eu ensinava de um jeito e o pai de outro, então a criança ficava confusa. As disciplinas que ministrávamos eram Matemática, Português, História, Geografia, Ciências e Educação Moral e Cívica. Naquele tempo havia aulas aos sábados. É difícil passar por um exaluno e ele não nos cumprimentar: “A senhora lembra de mim?” Muitos deles mudaram a fisionomia, cumprimento e pergunto a eles o que eles são agora, o que eles fazem, se estão casados, principalmente os meninos, pois as meninas são mais reservadas, mas mesmo assim elas vêm cumprimentar, falam “Eu fui aluna da senhora.” e algumas mães “A senhora foi professora do meu filho”. Dos diretores, re-

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cordo do Benedicto Papa que ficou um ano apenas, que por sinal era um grande diretor, Oswaldo Arcaro, que nos dizia assim: “Se o aluno não aprende é porque a professora não ensina.”, ele martelava isso em nossas cabeças, então nos virávamos de todo jeito para fazer com que o aluno aprendesse. Fui professora do atual diretor da escola, o Sr. Osvaldo Assumpção Castro.”” (Brasilusa Monteiro de Moraes Fonseca, professora desde 1953 e aposentada em 1987).
O Grupo Escolar “BRASIL”, que honrosamente ostenta o nome de nossa pátria, sempre desenvolveu atividades de civismo e, também, por situar-se na região central, é muito visado pelas autoridades para a participação em datas cívicas:

“Em pé, enfileirados duplamente e acompanhando as articulações labiais da professora Daicy Tetzner Christovam, que iam por vezes repetidas, comecei a balbuciar as primeiras sílabas do Hino Nacional. Eu começava dessa forma a denotar o respeito e o amor à pátria onde nasci, a nossa Bandeira Nacional, à escola da minha infância e seus professores cujo passado memorável guardamos na lembrança.” (Paulo Roberto Guimarães dos Santos, aluno de 1957 a 1959 e aluno do Telecurso 2007). “Durante a “Semana da Pátria” havia o hasteamento da Bandeira Nacional em que revezavam dois alunos por dia para ficarem postados em frente à Bandeira, fazendo sua guarda.” (Vanderlei Albigesi, aluno de 1972 a 1975). “Os alunos sempre iam à praça apresentar cantos a respeito daquela data e tínhamos facilidade para cantar, minha voz não era bonita, mas eu punha, por exemplo, uma melodia do Roberto Carlos em uma letra cívica e ensinava as crian-

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ças; era fartura de músicas, cânticos cívicos e outros cânticos especiais. Devido a essa nossa participação em datas cívicas, desde o primeiro dia de aula começávamos a ensinar o Hino Nacional, sem dar a letra, apenas cantando. Trabalhávamos com os quatro hinos cívicos, o Hino Nacional, o Hino à Bandeira, o Hino da Independência e o Hino da República, são os quatro hinos oficiais. No dia da Bandeira, em 1983, fomos à praça, ao meio dia, hastear a Bandeira, estava com os alunos de 4ª série, Tiro de Guerra e alunos de outras escolas. Sempre cantávamos o Hino Nacional, as classes cantavam de segunda-feira a sexta-feira, na segunda-feira eram as 1ª séries, na terça-feira, 2ª séries, quarta-feira era o Grupo Escolar todo, quinta-feira eram as 3ª séries e na sexta-feira as 4ª séries.” (Brasilusa Monteiro de Moraes Fonseca, professora desde 1953 e aposentada em 1987).

Alunos de 1984 da E.E. P.G. “BRASIL”, no galpão, local onde atualmente se situa o prédio novo, mostrando a vista para parte do pátio da escola, com plantio de vários pés de laranjas. Acervo da E.E.“BRASIL”

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Visita à Prefeitura Municipal de Limeira, no ano 1985. Ao fundo, o Prefeito Jurandyr da Paixão de Campos Freire. Acervo da E.E. “BRASIL”.

Pré-escola no ano de 1987. Festa de aniversário de Mirela de Oliveira Figueiredo, garota em pé. Acervo de Mirela de Oliveira Figueiredo.

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A Escola ”BRASIL” começou a oferecer a Educação Infantil (PréEscola) em 1950 até o ano de 1995, pois em 1996 houve a municipalização da Educação Infantil e Ensino Fundamental de 1ª a 4ª séries.

“Foi uma época boa, pois para mim me vem à memória que a única preocupação e responsabilidade que eu tinha era ir para escola, assistir às aulas, o que inevitavelmente acontecia e encontrar os amigos. Fase de transição entre infância e adolescência. Não sinto saudade da escola em si, mas sim da sensação que esse momento me trás quando penso nele, que era o de não ter preocupações e deveres que tenho vivenciado com as exigências da fase adulta, como trabalhar, ter um chefe, ter horários rígidos, atender os pacientes sob qualquer circunstância, receber um salário no fim do mês e com ele pagar as contas. Representava encerrar a infância e entrar para o Colegial. Com isso, esperava ter mais liberdade, mais espaço para poder falar e fazer as coisas tanto dentro da nova escola quanto nas atividades do cotidiano. Considero a formatura um rito de passagem necessário para encerrar uma fase e iniciar outra, através de um momento de comemoração e despedida em que reuni todos os alunos, professores, pais, diretor e vice-diretor. Na Pré-Escola tínhamos um local para tomar lanche e brincar. O nosso refeitório tinha mesinhas pequenas de madeira com lugares para quatro crianças. Nosso parquinho era um quadrado de cimento, cheio de areia, o qual tinha balanço e escorregador, mas as crianças podiam trazer os brinquedos de casa. Da 1ª série até a 4ª série as crianças tinham horário do intervalo separado da turma do Ginásio. No Ginásio, o intervalo era o momento dos alunos se encontrarem, conversarem, paquerar e também brigar.” (Mirela de Oliveira Figueiredo, aluna de 1987 a 1995).

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Professora Rosana Aparecida Andrade Viotti e classe de Pré-Escola de 1990. De cima para baixo, da esquerda para a direita; 1ª fileira, Tegner Pedro Lourenço (1º), Leandro Bortolozzo Padilia (2º), Henrique Rocha Ferreira (3º), Fábio Sogumo (4º), Deivid Costa Campos (5º), Celso Nuterle Júnior (6º), Guilherme Pasquoto dos Santos (7º), Roqrigo Freire Alves (8º), Dorival Abrahão Geremias (9º); 2ª fileira, Cleverton Granço (1º), Bruno Cesario Basetto (2º), Cleverson Marcelo Botechia (3º), Ederson Franco Furlan (4º), Murilo Jeronymo da Rosa (5º), João Luiz Poletti Júnior (6º), César Ricardo Rodrigues Júnior (7º); 3ª fileira, Marcela Aparecida Manfrei D’Andrea (1ª), Tatiane de Almeida Viana (2ª), Adriano Deperon Garro (3ª), Fúlvia Maria Pelegrini Tofoli (4ª), Jaqueline Paes de Souza (5ª), Linda Kátia de Suza Batista (6ª); 4ª fileira, Mariana Monteiro (1ª), Moniky Caires da Cruz (2ª), Juliana Porto Daló (3ª), Mariana Morales Granso (4ª), Flávia de Souza Cotrin (5ª), Juliana Botteão (6ª) e Daiane Bertanha (7ª). Acervo de Moniky Caires da Cruz.

João Luiz é recém-formado em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) e já trabalha na área como Arte Finalista. Estudou durante 8 anos na Escola “BRASIL”, tendo iniciado sua vida escolar em 1990, cursando desde o Pré-Primário à 8ª série do Ensino Fundamental. É com satisfação e muitas saudades que relata fatos e expõe sentimentos e emoções vivenciados durante sua passagem pela escola:

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“Recordo-me do espaço reservado que havia onde hoje se encontra a área da merenda escolar. Uma área grande com areia dentro para brincarmos e éramos separados dos alunos mais velhos por um alambrado. Brincávamos de polícia e ladrão, de pega-pega e tenho saudades das aulas com a professora Rosana Aparecida Andrade Viotti e, principalmente, dos amigos que permaneceram por muito tempo na escola, também devido ao seu prestígio na época. Em 1991, quando iniciei meu primeiro ano escolar com a professora Maria de Lourdes Figueiredo Francisco, muitas coisas mudaram. Como todo primeiro ano, nossa expectativa era muito grande. Aprender a ler, escrever, tudo era muito excitante e a escola não me decepcionou nesse ponto. Formávamos uma fila no pátio da escola e esperávamos pela professora para sermos levados (em fila indiana) para a classe. Nesse primeiro ano também tínhamos como educação complementar a “higienização bucal”, com a qual aprendíamos a cuidar dos dentes e preservá-los livre das cáries. Meu segundo ano de Ensino Fundamental deu-se em 1992 com a professora Silvia Regina de Almeida Quintal. Com poucas mudanças na sala, nesse ano a escola já era mais conhecida (por tê-la explorado melhor durante meu primeiro ano), havia também a tradicional festa junina, na qual tive a oportunidade de dançar. Mil novecentos e noventa e três foi o ano em que fui aprimorando meus estudos e me dedicando mais às disciplinas. Ano que tive como professora Rita de Cássia Mantovani Sassi Jerônimo, uma professora conhecida pelo seu jeito autoritário em sala de aula, porém me mostrou um outro lado completamente compreensivo durante o ano em que lecionou para mim, me fazendo cada vez mais crescer não só como aluno, mas também como um cidadão educado e compreensivo. Em 1994 com a professora Maria Cristina Sampaio Barros Macedo, tive oportunidade de aprimorar meus conhecimentos. Em 1995 as coisas começaram a mudar um pouco, ano em que os professores eram divididos por matérias, sempre foi um motivo de inovação para nós, alunos. Nesse

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ano pude conhecer especificamente matérias como Ciências Sociais, História, Geografia entre outras. Nesse ano posso ressaltar como professora de destaque, principalmente pelo seu jeito conhecido na cidade, a professora de História, Rosa Maria Bombini (a professora Rosinha) que nos causava certo espanto no começo, visto que ela já tinha dado aula para muitos pais e que também era conhecida pelo seu jeito grosseiro de tratar as coisas. Mas, felizmente para mim, ela não demonstrou esse seu lado grosseiro e foi uma excelente profissional, me ensinando muitas coisas que guardo comigo até hoje. No ano de 1996, a mudança entre professores tinha continuidade, e nesse ano também foi implantado pelo governo o programa em que cada escola designada seria dividida em 1ª e 4ª séries em uma escola e de 5ª a 8ª série em outra. Para mim essa foi uma das mudanças mais grotescas adotadas pelo governo na melhoria do ensino e trouxe inúmeros malefícios para a escola, muita gente sem vontade de estudar e também o “caos” para inspetores, professores que eram acostumados com outros alunos. Com isso o “nível” da escola perdeu muito em seu gênero e algumas dúvidas sobre a eficácia da escola começaram a ser colocados à prova. Em 1997, ano em que completava minha 7ª série, a escola começou a ficar agitada durante certo período com os jogos interclasses, organizados pelos professores de Educação Física e que tinham como princípio a integração entre os alunos de uma mesma série. Nesse ano também posso destacar como principal professora (aquela que me dava o maior apoio e sempre incentivava não só o meu trabalho, mas de todos os alunos “bons”) a professora Maria Regina Drago Ferreira Camarini, mas ela era conhecida como “Regininha”. Uma das poucas professoras de Matemática que tinha verdadeira paixão em dar aula e não apenas ensinar Matemática. Meu último ano na escola foi em 1998, ano em que eu recebi o convite para participar da premiação do Troféu Fumagalli. Nesse ano, posso dizer que muitos sentimentos passaram por mim, como por exemplo, o ano em que eu estava me formando e partindo

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para o início de uma nova etapa em minha vida, a própria concorrência pelo troféu, para o qual todos os alunos de escolas públicas e particulares também estavam concorrendo, o que já era um enorme desafio. O professor Altamir Paraíso Figueira (Educação Física) na época torcia muito para que eu ganhasse o troféu pela escola e sempre me perguntava das avaliações. Nesse último ano, muitas etapas foram superadas, muitas barreiras foram vencidas, muito estudo, muita dedicação e finalmente teve seu reconhecimento. As amizades ficaram mais fortes, os verdadeiros amigos guardados até hoje e as lembranças de toda a revolução pela qual a escola passou, estarão para sempre guardados no meu coração.”
A ex-aluna Moniky Caires da Cruz, estudou na escola desde PréEscola, no ano de 1990 e concluiu o Ensino Médio em 2001. Hoje, sendo bacharel em Turismo e atuando na área de Planejamento e Gestão, afirma que a escola foi muito importante para sua vida, sendo o local onde aprendeu a ser tudo que é hoje. Dentre os vários fatos e recordações da escola, destaca:

“Lembro-me que a escola era um lugar muito legal, a escola pública mais tradicional da cidade, por algum tempo escola-padrão, onde alunas usavam saias pregueadas e os meninos shorts azul marinho. Foi onde fiz amigos verdadeiros e descobri as primeiras lições da vida. Onde professores me ensinaram a ler e a escrever e, principalmente a entender o mundo. Um lugar em que aprendi alguns esportes e com eles o gosto bom das vitórias e o amargo das derrotas e onde também desenvolvi o gosto pela leitura. Gostos esses que me acompanham até hoje, em quase tudo o que faço. Aprendi a respeitar os outros seres humanos, independentemente de quem seja ou faça. Vários fatos marcantes ocorreram, um de-

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les foi a ampliação da escola, quando entrei, a estrutura da escola, era basicamente, um único prédio e algumas salas externas (no local onde hoje é a merenda), as salas nesta época eram mais amplas, inclusive com banheiro dentro, havia também Classes Especiais. Uma turma que me marcou muito foi a sala de surdos-mudos, eles se interagiam com todos os alunos e nós entendíamos exatamente o que eles expressavam. A municipalização também foi muito marcante, pois houve grandes modificações. Até então a equipe escolar era muito unida, cada funcionário ou professor sabia das particularidades de cada aluno e neste momento, houve uma grande aglomeração de alunos em sala de aula e parte desta ligação afetiva foi perdida.”

Semana de Educação Para o Trânsito (28-09-98 a 02-10-98). Ao lado esquerdo está a professora Maria Regina Drago Ferreira Camarini, de Matemática, uma das professoras envolvidas com o projeto.

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“Recordo-me de muitos eventos, como os campeonatos interclasses, as apresentações de poesia, o megaprojeto de trânsito, onde os alunos tinham de obedecer à sinalização para andar dentro da escola, o método de salas ambiente e a própria Rádio “BRASIL’ que para os alunos foi motivo de orgulho e vitória.” (Moniky Caires da Cruz, aluna de 1990 a 2001).

Seleção da Escola “BRASIL”. Da esquerda para a direita; em pé, aluno Tiago Fernando Valentim (1º), professor Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida (2º), professor Nelson Baptista Gonçalves Júnior (3º), professor Geraldo Assis de Souza (4º); sentados, professor Célio Alves Pacheco (1º), professor José Joaquim de Souza (2º) e professor Marcelo Amorim de Munno (3º), 2002.

“Este cenário proporcionou algumas belas alegrias em minha vida e não posso deixar de citar os jogos entre professores e alunos na semana das crianças, o que era esperado o ano inteiro e era muito legal ver a quadra cheia e a divisão da torcida entre os colegas alunos e os queridos professores.” (Nelson Baptista Gonçalves Júnior, professor desde 1990).

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Jogos interclasses, (5ª 2 x 5ª 3), 2001.

Feira Científica, 1997. Acervo da E.E. “BRASIL”

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“Foi lá também onde comecei a traçar meu futuro profissional, atuando nos eventos acadêmicos, como as famosas feiras de ciências ou as festas de “Halloween”, que agitavam os alunos.” (Moniky Caires da Cruz, aluna de 1990 a 2001).

“Halloween”, 6ª série 1 do Ensino Fundamental, 2001.

Professor Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida e alunos do Ensino Fundamental em momento de lazer no Horto Florestal Municipal de Limeira, 2004. Acervo da E.E. “BRASIL”.

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A escola, além de muito estudo e obediência, também era um lugar de lazer e diversão. Não importava se o tempo para o recreio fosse pequeno, havia também os momentos de diversão antes e depois das aulas. Odécio Cavinatto, aluno de 1940 a 1943, relata: “Brincávamos de pega-pega, pega-ladrão, jogar bola no galpão”, enquanto Ayres de Sousa, aluno de 1940 a 1943: “Brincávamos de barra-bandeira, pega-pega, cruzada, jogo de bolinha, e de virar pião.” Dentre os vários tipos de brincadeiras outros alunos citam:

“No fundo havia um terreno baldio, onde existe aquela área nova, onde é o prédio novo, ali era um campinho onde no intervalo aproveitávamos e fazíamos bola de meia e jogávamos futebol. Não tínhamos bola de borracha.” (João Batista Borrelli, aluno do 4º ano de 1940). “O intervalo era de 20 minutos e nesse lapso de tempo tomávamos sopa, depois brincávamos com fava, aquelas favinhas, com figurinhas e jogo de bolinha de gude, inclusive havia um espaço abaixo do galpão que além de ser um campo de futebol, tinha terra, era onde brincávamos com bolinha de gude. Passava o lazer jogando bolinha de gude e figurinhas (chamava-se de bafo). O diretor e o professores não deixavam era soltar pipa, pois dava muita briga, pois o aluno entrava na classe com aquela pipa e um queria pegar a pipa do outro e criava uma grande confusão, então foi terminantemente proibido que trouxessem pipa na hora do lazer.” (Reginaldo Ferreira da Silva, aluno de 1946 a 1950). “Durante o recreio, sempre que possível, saboreávamos um pão com mortadela trazidos de casa, quando não, brincávamos o tempo todo em meio ao gramado, correndo, ora no futebol ou de soldado-ladrão.” (Paulo Roberto Guimarães dos Santos, aluno de 1957 a 1959 e aluno do Telecurso 2007).

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Pátio da escola, 2005.

“No pátio já havia aquelas árvores e era uma delícia sentar embaixo delas na hora do recreio. Várias meninas em círculo, uma toalhinha no chão e os lanches dispostos lado a lado. Depois vinham as brincadeiras: pega-pega entre os meninos e amarelinha, roda ou saquinhos de arroz entre as meninas.” (Vera Lucia Leitão Cavinato, aluna de 1958 a 1960 e professora desde 1989).
“Minha vida foi muito ligada a essa tradicional escola onde fui aluno da quarta série primária: época em que em sua frente de chão batido, transformava-se no palco das nossas brincadeiras de pião, bolinhas de gude e ferrinho, junto com moradores da região pertencentes às famílias, Montezuma, Bertolini, Da Vinha, Locci, Bortolan, Heflinger, Cavinatto, Lucato, dentre tantas outras.”(Benedicto Carlos Toledo Lima, aluno do 4º ano de 1947).

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Da esquerda para direita, as cozinheiras Janaína Lázaro (1ª) e Edna Totti de Morais (2ª). Cozinha, 2006.

A escola proporciona alimentação a centenas de alunos e estando situada numa região comercial, a merenda torna-se a refeição diária de vários alunos, pois muitos deles vão direto da escola ao trabalho ou do trabalho à escola. Esta fornece merenda tanto para o Ensino Fundamental como também para o Ensino Médio, diurno e noturno. No início do Grupo Escolar não havia merenda, alguns alunos traziam-na de casa; quem não podia ficava sem ela e outros até improvisavam:

“Não havia merenda nem café, aqui no Grupo Escolar só se tomava água e minha mãe, quando podia, me dava 200 réis e eu comprava um sorvete lá na esquina ou então ela me dava um pãozinho e como não tinha manteiga e o fogão era de lenha, ela cortava e esquentava o pão e punha banha de porco e embrulhava num saquinho e ia para a escola” (Jorge Aliberti, aluno de 1939 a 1940).

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“A gente levava lanche com suco, com fruta e dava-se um leite, às vezes mandava-se um docinho, mas não era como hoje que o aluno vai e tem almoço. Íamos não com a finalidade de nos alimentarmos como é hoje.” (Josyane Baccan Queiroz, aluna de 1965 a 1969). “Quando fui servente, a merenda era no fogão à lenha e ajudei a rachar lenha e acendia aquele fogão de lenha que havia antigamente, isso foi nos anos de 1965, 1966, 1967, bons tempos aqueles. As crianças não tinham merenda, somente leite na entrada.” (Paulo Sergio Kühl, funcionário de 1965 a 1982 e de 1986 a 1992). “A merenda escolar atendia todos os períodos. Havia uma encarregada de acompanhar o desenvolvimento na escola, a qual prestava conta ao Setor da Merenda Escolar. O próprio setor enviava o cardápio mensal, e as merendeiras participavam de treinamentos específicos a cada início de ano. O controle dos mantimentos, entrada, saída e saldo restante para o mês seguinte, era rigorosamente contabilizado, por meio dos mapas mensais enviados ao setor.” (Deisy Apparecida Francisco de Lima, professora desde 1970 e , aposentada em 1983). “À noite, independente de ser do Ensino Fundamental ou Médio havia merenda para todos.” (Margarete Piva, aluna, de 1976 a 1983 e professora coordenadora pedagógica de 2001 a 2006).
Também havia aqueles que compartilhavam seu lanche:

“Na hora do recreio tomava-se o lanche. Cada um levava o seu e quando alguém trazia alguma coisa diferente, sempre

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oferecia e dava um pedaço para o outro. Éramos bem unidos. Era um ambiente agradável que deixou saudades.” (Maria Antonietta Faber, aluna de 1938 a 1941). “Nas filas feitas no pátio, antes da entrada para a sala, era dado leite para os alunos. Durante o recreio os alunos comiam os lanches trazidos de casa. Cada um com o seu. Quando havia algum aluno necessitado e sem lanche, sempre repartíamos nossa merenda com ele.” (Maria José dos Santos “Zezé”, aluna de 1962 a 1965 e funcionária desde 1992).
Para complementar a merenda, professores e funcionários, juntamente com alunos, tiveram a iniciativa de criar uma horta:

“Onde atualmente é a quadra, nós, serventes, numa reunião, demos a idéia aos professores de fazerem uma horta para enriquecimento da merenda escolar e a diretora, Doracy Alves da Costa Arcaro, nos apoiou. A horta perdurou por muitos anos, até 1976 quando a escola transformou-se numa escola de Ensino Fundamental (incluindo o ensino de 5ª série a 8ª série) e a horta desapareceu para dar lugar a uma quadra esportiva, que existe até hoje. Havia um pé de laranja, laranja de fazer doce que a servente Dona Irene Cover Pilon plantou, uma servente que já se foi.” (Paulo Sergio Kühl, funcionário de 1965 a 1982 e de 1986 a 1992). “Houve duas professoras que eram da área de Ciências, uma era a Dona Wilma Edy Maganha Zaccarias, a qual, juntamente com os alunos, formou uma horta muito grande e muito bonita no terreno próximo à cozinha da escola.” (Doracy Alves da Costa Arcaro, aluna de 1941 a 1945 e auxiliar de direção e diretora de 1968 a 1978).

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Uma ex-aluna faz referência ao ensino de sua época e defende a metodologia utilizada que, mesmo sendo arcaica, funcionava:

“Hoje nos encontramos com muitas pessoas, principalmente na área da Educação, que estudaram no Grupo “BRASIL”, e muitos são colegas de trabalho e eu não ouvi ninguém da minha geração, nesta fase em que estudamos, reclamar do ensino. A disciplina, o zelo que tinham para com a gente e a metodologia que usavam, podia ser arcaica, tradicional, mas funcionava, pois todas as pessoas daquele período, realmente, se tornaram gente, independentemente da classe social que ocupa hoje. Portanto, a escola valeu, sim, e havia muito mais independência, pois não se passava a mão em cabeça de aluno. Tínhamos que adquirir responsabilidade e a escola foi muito importante nisso. Concluindo o 4º ano, fui para o Instituto Educacional “Castello Branco” e se eu não tivesse tido uma boa estrutura, a adaptação seria mais difícil, pois estávamos num contexto político, social e econômico da época do regime militar e não se questionavam muito as coisas. O interessante é que falamos tanto hoje em atividades diferenciadas em sala de aula, enquanto que quando fiz o 1º ano com a professora Dona Iria de Abreu Leitão, estudávamos tudo passo a passo, com a cartilha “Caminho Suave”, depois tínhamos um livro no meio do ano quando aprendíamos a ler e é interessante porque as operações matemáticas, por exemplo, que gravei muito bem, a professora levava favas para aprendermos a contar, favas e palitinhos de sorvete e um relógio que ela fazia. Sou do tempo da tabuada, cobrada, decorada e daquela varinha de marmelo batendo na lousa. Numa etapa aprendíamos até a tabuada do 5, era decorar mesmo e depois, numa outra etapa aprendíamos as mais difíceis, que era a tabuada do 6 ao 10.” (Josyane Baccan Queiroz, aluna de 1965 a 1969).

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Outro ex-aluno faz analogias e menções do ensino e de seus professores:

“Tive o imenso prazer e sentia-me muito orgulhoso por estudar na escola mais antiga em funcionamento de Limeira. Muito se fala do ensino público em nosso país, que a qualidade deixa a desejar, mas na Escola “BRASIL” é diferente, posso afirmar que a qualidade do ensino é semelhante ao ensino particular, formando ano a ano excelentes profissionais. Tive na Escola “BRASIL” além de professores, amigos, e que ensinam com amor e determinação, tratando seus alunos como se fossem seus próprios filhos.” (Maxsuel da Silva de Oliveira, aluno de 2005 a 2006).
A professora Júlia de Cillo Diniz, aposentada em 1972, enfatiza que os alunos tinham uma boa bagagem para prestar o exame de admissão:

“Havia naquele tempo exame de admissão para entrar no ginásio. Os alunos eram tão bem preparados que mesmo sem fazer o preparatório, eram aprovados. Iam de peito aberto, conscientes de seu valor.”
Ainda, em relação ao exame de admissão, ex-aluno expõe:

“Uma vez alfabetizado, com o diploma na mão, encontrava-se devidamente em condições de iniciar o curso de admissão ao Ginásio, para, uma vez aprovado, seguir seus estudos no antigo curso ginasial de duração de quatro anos (atual Ensino Fundamental de 5ª a 8ª séries). Como podemos observar, o Ensino Fundamental era realizado em três fases, com nove anos de duração: Primário (1ª fase, Ensino Fundamental de 1ª a 4ª séries); Admissão (2ª fase) e o curso ginasial (3ª fase), pois só poderia ingressar no Ginásio aque-

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les que estivessem devidamente habilitados, após a aprovação nos exames de admissão.” (Paulo Roberto Guimarães dos Santos, aluno de 1957 a 1959 e aluno do Telecurso 2007).
Vários outros professores passaram pela Escola “BRASIL”. Muitos deles dedicaram grande parte de suas vidas ao ensino e á escola:

“A Escola “BRASIL” faz parte de minha vida, pois ali trabalhei por quase 25 anos, dedicando-me totalmente à Educação, até aposentar-me. Vivi nesse educandário os melhores momentos de minha vida. Fui alfabetizadora por 20 anos, o que me fazia muito feliz, pois via de perto aquilo que fazia: uma criança aprender ler e escrever. Alfabetizei cerca de 800 crianças. Hoje sou muito feliz porque aquelas sementes que plantei cresceram, germinaram e deram frutos. Essa era a escola mais procurada por aqueles pais que buscavam a qualidade de ensino para seus filhos. Sabiam diferenciá-la, reconheciam a sua eficiência e para nós, professores, era um “status” trabalhar na Escola “BRASIL”. Trabalhávamos em perfeita harmonia, todas em conjunto. Fazíamos vários cursos de aperfeiçoamento sempre pensando em oferecer o melhor às crianças. A escola “BRASIL” era completa. Sempre foi uma escola muito bem arrumada, pois as serventes que eram espertas e muito caprichosas e também excelentes merendeiras. O ensino era excelente, havia professoras de grande projeção, tais como Terezinha Machado de Campos Araújo, Nerina De Carli Silveira, Lourdes Ribeiro Momesso, Maria Dolores Ribeiro, Myrian Arcaro de Araújo, Brasilusa Monteiro de Moraes Fonseca, Maria José Rossi Leme, Creusa Esteves Barbosa, Eunice Fenga, Deisy Bassinello Ponzo, Deisy Apparecida Francisco de Lima, Martha Guimarães Dias Cunha, Elisa Apparecida Ciarrocchi Silveira, Leny Cecília Pântano

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Piccin, Maria José Pântano, Silvina Soares, Nelly Coimbra Coeli Fugagnoli, Gessy Coeli de Azevedo e Marly Coeli Cortez e outras... E ao nosso comando sempre pessoas competentes: Wladismir Gavioli, Oswaldo Arcaro, Doracy Alves da Costa Arcaro. Como professora, lecionei em várias escolas, entretanto minha satisfação e realização profissional se deu na Escola “BRASIL”. (Marilia de Almeida Greve, professora desde 1966 e aposentada em 1988).
De acordo com a professora Brasilusa, era comum a troca de experiências entre os professores, em que cada um passava para o outro colega as metodologias cujos resultados estavam sendo significativos:

“Naquela época, uma professora passava para a outra o que tinha de melhor no Ensino. Depois de 18 anos na 2ª série, passei para 3ª série e 4ª série permanecendo durante anos até que me atribuíram 2ª série novamente, mas eu não sabia mais ensinar em 2ª série. Entretanto, o secretário da escola disse que a classe não poderia ir para outra professora, então a professora Leny Cecília Pântano Piccin, grande mestra, me passou alguns métodos de Matemática e de Português que quando ela começou a passar para mim eu disse: “Você está brincando que começa assim?”. Ela disse: “Não, é assim mesmo”. Quando chegavam junho, julho, a classe já estava prontinha para dar prosseguimento a série seguinte. Era prazeroso quando uma criança gritava durante à aula: “Agora eu gosto de Matemática”. As crianças iam à escola para aprender e o método de Língua Portuguesa, começávamos no “ba, be, bi, bo, bu”, dando textos e usando palavras, formando histórias e quando chegava junho, púnhamos qualquer texto no quadro e eles eram capazes de desenvolver redação, o método era espetacular.”

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Mesmo diante da desintegração do ensino público através de políticas públicas com fins político-partidários, alguns professores ainda acreditam em seu trabalho, procurando aperfeiçoar cada vez mais:

“Atualmente percebo que nada sei diante de tanto que ainda tenho que aprender, procuro sempre me atualizar, participar dos cursos de capacitação – não só os oferecidos pela Secretaria de Educação – e vejo o quanto é bom trabalhar com uma equipe que acredita no seu trabalho, no seu aluno e valoriza constantemente o ensino público tão prejudicado por políticas estritamente político-partidárias.” (Nelsi Aparecida Strasser, professora desde 1994 e vice-diretora).
Muitos pais, apesar da longa jornada de trabalho, sempre encontravam tempo para zelar pela educação de seus filhos, cobravam e incentivavam nos estudos, apoiando os professores e repreendendo seus filhos quando necessário:

“Minha mãe sempre me incentivou a continuar os estudos, principalmente pelo fato de morarmos em frente ao Colégio São José, e as freiras sempre me ofereceram a oportunidade de estudar lá.” (Leny Rodrigues Coelho Baccan, aluna de 1938 a 1941). “Antigamente, quem trabalhava fora era só o pai, a mãe ficava em casa cuidando do lar, da comida, da vestimenta e ensinava e nos auxiliava nas tarefas da escola. O pai trabalhava, mas à tarde ou à noite a família toda estava reunida e cobravam as nossas lições. Quando fazíamos algo errado ou não acompanhava a turma, o professor enviava um bilhete aos pais, chamando para ir ao Grupo Escolar. Os pais nunca iam contra o professor e nos repreendiam em casa.” (Dir-

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ceu Messias de Menezes, Horácio Tetzner, Jorge Aliberti, Milton Ferrari e Lázaro de Oliveira Couto, alunos de 1939 a 1942). “Os pais cobravam de seus filhos e dos próprios professores. Eu recebia bastante estímulo e apoio dos pais, no sentido de que estava caminhando certo. Havia reunião de pais e a maioria freqüentava as reuniões, eram interessados e apoiavam o professor.” (Brasilusa Monteiro de Moraes Fonseca, professora desde 1953 e aposentada em 1987). “Na minha época as mães não tinham estudo, mas mesmo assim, acompanhavam e cobravam se havíamos feito a lição.” (Luiza Helena Teixeira, aluna de 1959 a 1962).

Reunião de Pais e Mestres, 2ª série 2 do Ensino Médio, 2007.

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De acordo com a professora Margarete Piva, a relação entre a família com o processo de ensino e aprendizagem de seus filhos foi corrompida ao longo dos anos:

“A família está distante da educação e da vida escolar de seus filhos, pois o fato de vivermos num contexto em que tanto o pai como a mãe trabalha fora de casa, limitou a devida atenção, o acompanhamento e a educação de seus filhos, transferindo toda a responsabilidade para a criança e à escola. Lógico que tem que ser passadas as obrigações, mas até a conclusão do Ensino Fundamental é necessário a participação ativa dos pais. No Ensino Médio, pode-se soltar um pouco as rédeas, porém não se deve deixar de acompanhá-los, e não é o que está acontecendo. São minoria os pais que comparecem à escola espontaneamente, para se inteirar da vida escolar de seus filhos. Existe pai que nem sabe que o filho tem um caderno; assim torna-se muito difícil”
No currículo, além das disciplinas comuns, também havia aulas práticas, com trabalhos manuais, como destacam alguns alunos:

“As matérias eram Português, Aritmética, Geografia, e Ciências Naturais. No 1º ano tínhamos Caligrafia, escrevíamos no meio das duas linhas, um caderno de Linguagens que utilizávamos para escrever alguma literatura, algum conto ou determinado texto que o professor ditava. Os cadernos eram todos encapados e ficavam na escola, dentro de um armário e o melhor aluno era o responsável em recolhê-los e distribuí-los. Toda classe tinha um armário e os cadernos eram guardados ali, e o aluno responsável pegava os cadernos. Quando começava a aula de Matemática, eu pegava os cadernos e distribuía aos colegas; na aula

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de Linguagens, o mesmo. Levávamos o livro, lápis de cor, borracha e a caneta era de pena com um tinteiro. Embaixo, no porão, havia uma oficina com trabalhos manuais e o professor nos ensinava. Recordo-me que fiz uma cadeirinha para criança e um cabo de vassoura,.” (João Batista Borreli, aluno do 4º ano de 1940). “Os alunos tinham aulas de trabalhos manuais. Cada professor era responsável por um determinado trabalho; o Sr. Nestor Martins Lino gostava muito de trabalhar com a madeira e a Dona Cotinha (Maria Pinto Sampaio) ensinava a trabalhar com a palha, fazendo cestas. No final do ano tínhamos a exposição dos trabalhos feitos pelos alunos, que era visitada pelos pais.” (Antonio Carlos Micheletti, aluno de 1939 a 1942). “Fazíamos trabalhos manuais, trabalhos de palha e de barba de bode, bolsas, cestas e sacolas de barbante e no final do ano era feita a exposição. Na classe, cada aluno queria fazer os trabalhos melhor que o outro. Íamos um à casa do outro para fazer os trabalhos e estudar. O professor Antonio Perches Lordello também ensinava a trabalhar com a madeira e fazíamos uns bancos como os de jardim; serrávamos a madeira e pregávamos as tabuinhas.” (Jorge Aliberti, Dirceu Messias de Menezes, Horácio Tetzner, Milton Ferrari e Lázaro de Oliveira Couto, alunos de 1939 a 1942). “Há 50 anos atrás, além das aulas normais, fazíamos alguns teatrinhos e tínhamos os trabalhos manuais e aprendemos a fazer sacolas.” (Pedro Teodoro Kühl, aluno de 1955 a 1958).

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“Aos sábados havia aulas de orfeão e de artes manuais (bordado), sempre depois do recreio. No final do ano havia uma exposição dos trabalhos manuais feitos pelos alunos.” (Vera Lúcia Leitão Cavinato, aluna de 1958 a 1960 e professora desde 1989).
Os alunos se recordam muito bem de seus professores, os quais, apesar de alguns terem sido muito severos, eram admirados e elogiados. Tais alunos são gratos por todos os ensinamentos:

“No 1º ano minha professora foi a Dona Yvete de Carvalho, no 2º ano foi a Dona Marly Coeli, no 3º ano a Dona Esmeralda Salibe e no 4º ano a Dona Carmem Ligya Marques Paes, quatro excelentes professoras, responsáveis pelos ensinamentos que nos acompanham até hoje.” (Pedro Teodoro Kühl, aluno de 1955 a 1958). “Sentimos saudades dos nossos mestres e lembramos deles constantemente. O que aprendemos com eles carregamos conosco até hoje. Temos orgulho em dizer que tivemos professores, na acepção da palavra, que ensinavam e eram como um pai ou uma mãe. Exigiam, eram duros, mas aprendíamos.” (Jorge Aliberti, Dirceu Messias de Menezes, Horácio Tetzner, Milton Ferrari e Lázaro de Oliveira Couto, alunos de 1939 a 1942).
A admiração pela professora fez com que Rosa Maria Tetzner Giordano, aluna de 1954 a 1957, seguisse o mesmo ofício, numa relação aluno-professor que ultrapassava as barreiras da escola:

“Minhas professoras foram Dona Iria de Abreu Leitão, no 1º ano, Dona Yole Piccinini, no 2º ano, Dona Yvete de Carvalho, no 3º ano, Dona Maria Aparecida Maduro

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Bocayúva, no 4º ano. Foram quatro anos maravilhosos, onde tornei-me uma menina descontraída, feliz e participando de todas as festas que ali realizavam, às vezes declamando e outras cantando, pois fazia parte do Orfeão. Quem me marcou demais foi a professora da terceira série, Dona Yvete de Carvalho, que havia acabado de ser removida de Vera Cruz Paulista para Limeira. Quando a vi, esperando as classes serem formadas, foi amor à primeira vista e fiquei torcendo muito para ser sua aluna, o que pela graça de Deus aconteceu. Desde então nunca mais nos separamos e hoje com 60 anos ainda converso com ela todos os dias. Dona Yvete tem hoje 91 anos completados no início de março de 2007. Ainda naquela época, graças a Dona Yvete decidi que queria ser professora, mas uma professora como ela, muito carinhosa e dedicada, uma mãezona. Todos os dias ela passava pela minha casa, me pegava pela mão e íamos juntas para a escola. Na volta acontecia o mesmo, o que deixava minha mãe despreocupada, pois eu tinha companhia. As duas, minha mãe e Dona Yvete tornaram-se grandes amigas e se chamavam de irmãs. Esta amizade entre elas continuou até setembro de 2004, quando minha mãe veio a falecer de uma longa enfermidade. Dona Yvete continuou fazendo parte de minha vida e quando minhas duas filhas nasceram, ela as levava todas as manhãs para ver as pombinhas da praça Toledo Barros e tomar sol, pois a partir de então eu já lecionava. Fui uma substituta dinâmica, regendo orfeão, dando aulas de reforço (acompanhamento escolar) para alunos que apresentavam dificuldades e atuava na Biblioteca, realizando tombamento de livros, encapando, consertando e organizandoos. Quando faltava alguma professora eu lecionava e às vezes surgia uma licença por um tempo maior. Aprendi muito no Grupo Escolar “BRASIL”, sendo fundamental para minha carreira, assim como a professora Dona Yvete,

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na qual eu me espelhava para ser uma boa educadora. Alcancei meu objetivo e fui muito amada e respeitada pelos meus alunos e seus pais, durante os trinta e seis anos em que lecionei em diversos estabelecimentos de ensino de Limeira.” (Rosa Maria Tetzner Giordano, aluna de 1954 a 1957 e professora de 1965 a 1970).
Outros alunos colocam em evidência o respeito que tinham pelo professor e citam alguns atos (rituais) de respeito não existentes atualmente:

“As filas na entrada eram todas organizadas, cada um já sabia qual era sua fila e seu lugar. Em seguida, vinham as professoras, cada uma à frente de sua classe, ficávamos em silêncio e com as mãos no peito (coração) e cantávamos o Hino Nacional, com muita vontade, respeito e alegria. Os alunos quando queriam falar tinha que levantar as mãos e pedir licença à professora. Usava-se bastante “muito obrigado”, “por favor”, “com licença”. Adentrando à classe e logo no início da aula todos os alunos rezavam (oravam) o “Pai Nosso”.Os professores e a direção escolar eram mais enérgicos, eram mais respeitáveis e respeitados. Todos os funcionários eram valorizados, cada qual em suas funções.”(Maria José dos Santos (Zezé), aluna de 1962 a 1965 e funcionária desde1992). “A disciplina era muito diferente da atual. O diretor e os professores eram figuras respeitadas na escola, tinham posições importantes, como se fossem autoridades na cidade. Eram anos em que era dado o devido valor ao Magistério. Minha diretora da Pré-Escola à 3ª série era a Senhora Haydée Lordello e na 4ª série foi o Sr. Oswaldo Arcaro.” (Valmir Benedito Silveira, aluno de 1964 a 1968 e funcionário desde 1976).

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“Hoje as coisas mudaram, pois as crianças não têm respeito para com seus professores. Quando estudei, entrávamos na classe cantando o Hino Nacional e saíamos cantando o Hino à Bandeira. Diante da visita de qualquer pessoa, nós nos levantávamos até que a professora nos autorizasse sentar. Ninguém chamava a professora de “tia” ou de “você”, todos a chamavam de “senhora”. Havia muita disciplina e respeito. Se o pai soubesse de alguma malcriação com o professor, levávamos uma surra de cinta.” (Ayres de Sousa, aluno de 1940 a 1943).
Jorge Aliberti fala sobre os castigos e afirma que sempre se comportou muito bem e que gostava da escola:

“Havia uma professora muito severa e ela colocava alunos de castigo no corredor e uma outra pegava uma bolinha e dava uma pancadinha na cabeça. Não era palmatória nem ajoelhar em cima de milho, isso não existia. Elas tratavam bem, gostava da escola e não tenho do que reclamar, pois minha disciplina sempre foi boa.”
Alguns alunos fazem referências quanto às carteiras, canetas e outros materiais utilizados:

“As carteiras eram individuais e também em duplas. Tinham algumas redinhas e um tinteiro no meio, eram retangulares e um pouco inclinada e em cima havia um risco em que colocávamos o lápis. A carteira era bem bonita e a tábua grossa. Escrevíamos com lápis e caneta-pena em que colocávamos tinta. A servente todo dia cedo enchia o tinteiro carteira por carteira. O lápis não mudou nada, somente a caneta, que era de pena e tinha uma que era bicudinha e outra que chamava mosquitinha, que possuía

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uma tampinha virada que escrevia de forma macia e mais bonita” (Jorge Aliberti, Dirceu Messias de Menezes, Horácio Tetzner, Milton Ferrari e Lázaro de Oliveira Couto, alunos de 1939 a 1942). “As carteiras eram duplas e havia um tinteiro bem no centro. Na 2ª série começavámos a escrever à tinta. Eram canetas-tinteiro. Como não era muito seguro trazer o vidro de tinta dentro da bolsa, a servente vinha todo início de aula e enchia o tinteiro das carteiras onde a gente reabastecia as canetas. Usávamos também mata-borrão. Os cadernos eram encapados em cores diferentes, dependendo da série. Havia preocupação com a conservação do patrimônio, pois aos sábados trazíamos “bombril” para ilustrar os tinteiros que eram de latão dourado e também lavávamos os vidrinhos onde ficava a tinta.” (Vera Lucia Leitão Cavinato, aluna de 1958 a 1960 e professora desde 1989). “Na época havia a caneta tinteiro e a tinta ficava na própria carteira. Era aquela caneta com peninha e era difícil escrever, pois às vezes a pena ficava torta e tínhamos que ter muito cuidado, senão caía tinta na carteira e manchava nossa roupa.” (Luiza Helena Teixeira, aluna de 1959 a 1962).

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Um dos modelos de carteira e cadeira que foram utilizados no Grupo “BRASIL”.

“Quando estudei, as carteiras eram de madeira uma emendada na outra e fixas ao chão, com a mesa anexa às costas da cadeira e na parte debaixo do tampão da mesa guardávamos a nossa bolsa. Usávamos a caneta-pena, mas quando estive como assistente de diretor de escola usávamos a caneta esferográfica e as carteiras também foram mudadas. Conseguimos através do professor José Ângelo Ribeiro, que trabalhava em São Paulo junto com o governador Laudo Natel, a primeira reforma da nossa escola, pois o forro e todo o madeiramento estavam infestados por cupim e conseguimos a reforma total do prédio e um mobiliário novo; eram carteirinhas verdes e individuais. Havia tanto a carteirinha individual como aquela dupla, em que sentavamse duas crianças. Nessa época, um aluno implicava com o outro que estava sentado ao seu lado, então a carteira individual foi algo muito bom que aconteceu. Após essa reforma, a escola recebeu carteiras móveis, proporcionando a mudança em suas disposições, formando roda, círculo, fileira, enfim, de várias maneiras.” (Doracy Alves da Costa Arcaro, aluna de 1941 a 1945 e auxiliar de direção e diretora de 1968 a 1978).

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Estas carteiras e cadeiras eram fixas ao chão.

“As crianças do 2º ano do Primário já começavam a escrever com caneta. Novos problemas. Não conseguia usar a caneta tinteiro. As primeiras canetas esferográficas já estavam no mercado, mas não era comum usá-las, tendo sido eu uma das primeiras alunas a escrever com a nova caneta. Tivemos que pedir autorização e depois de muita burocracia permitiram. Era a única aluna a usar essa novidade no Grupo Escolar “BRASIL”. Mais uma etapa vencida...As carteiras eram de duas, isto é, em cada carteira sentavam-se duas alunas. No meio da carteira ficava um tinteiro e as alunas molhavam as canetas de penas e escreviam. Depois passaram a usar a caneta tinteiro. Usavam mata-borrões para limpar os resíduos de tintas. Eu não consegui usar as canetas. Usava a caneta “BIC”.” (Sandra Helena Barbosa Godoy, aluna de 1961 a 1964).

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Pasta de trabalhos cívicos de Jorge Aliberti. À esquerda trabalho manuscrito a lápis e à direita trabalho manuscrito à tinta (caneta tinteiro).

“Como não havia caneta esferográfica, ensinávamos a noção de como utilizar a caneta-tinteiro. Eram várias fases, primeiro usávamos o lápis e íamos amadurecendo mais lentamente, mas com os pés no chão.” (Josyane Baccan Queiroz, aluna de 1965 a 1969). “As carteiras eram de madeira maciça, em que se sentava em dupla. Não era individual como temos atualmente.” (Margarete Piva, aluna de 1976 a 1983 e professora coordenadora pedagógica de 2001 a 2006) .
Os alunos com uma situação financeira menos favorecida eram custeados pela “Caixa da Escola”, que fornecia materiais para que os alunos carentes pudessem usufruir as mesmas condições que os demais:

“Alguns alunos eram da “Caixa”, isto significava que eram pobres e não tinham dinheiro para comprar os materiais e o

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uniforme. Esses alunos eram mantidos pelos outros alunos que tinham melhores condições. Ninguém queria ser da “Caixa” e, por conseqüência, poucos alunos recebiam os materiais. Eram respeitados pelos demais alunos, mas olhados com muita piedade.“ (Sandra Helena Barbosa Godoy, aluna de 1961 a 1964). “Algo muito significante, e acredito que ninguém ficou traumatizado, foi o fato de ter havido as classes A, B e C, ou seja, de rico, médio e pobre. Fala-se tanto que a escola daquela época era elitista, mas conviviam-se todas as classes sociais e vivia-se de certa forma harmonicamente, pois para a “Caixa Escolar” se fazia uma doação espontânea e mesmo as pessoas mais humildes queriam dar suas colaborações. Então, todos sentiam-se participativos.” (Josyane Baccan Queiroz, aluna de 1965 a 1969). “Para os alunos que não podiam comprar, a escola através da “Caixa Escolar” fornecia todos os materiais escolares, mas o pai já solicitava no ato da matrícula, declarando que o aluno era carente,” (Margarete Piva, aluna de 1976 a 1983 e professora coordenadora pedagógica de 2001 a 2006).
O uniforme utilizado em diferentes épocas é descrito por alunos, que fazem menções quanto às suas características e à obrigatoriedade ou não de seu uso:

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Primeiro dia de aula de Vanderley Luiz de Paula Moretto, 1º ano de 1952, à esquerda e 1º dia de aula de Elizabete Aparecida Moretto, 1º ano de 1954. Cada um com o uniforme característico para seu sexo naquela época. Acervo da professora Natalia de Paula Moretto.

“Quem podia ir de uniforme ia e quem não podia ia com uma camisa branca, uma calça azul e quem não tivesse também não se fazia questão, a escola não exigia, pois já era dicífil comprar os cadernos. A roupa tinha que ser limpa. Eu ia pra escola descalço, não ia de sapato, a gente saía cedo de casa, às vezes aquela geada e pisávamos com o pé em cima. Não tínhamos sapato, andávamos descalços. As meninas usavam saia azul e camisa branca com bolso escrito Grupo Escolar “BRASIL”. Tinham que mandar fazer. Não era como hoje que compramos a roupa feita, tinham que mandar fazer.” (Jorge Aliberti, aluno de 1939 a 1942).

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Luiz Carlos Martinitti, 1961. Além de “short” azul-marinho, que não está à mostra, mas fazia parte da composição do uniforme da época, estava utilizando camisa branca, em cujo bolso eram bordadas as letras iniciais do Grupo Escolar “BRASIL”. Acervo de Alessandra de Cássia Camargo.

“Quando estudei aqui, tinha dificuldade até de comprar o uniforme. O uniforme era uma saia cinza pregadinha, blusa branca, dos meninos era calça curta azul marinho e camisa branca. Minha mãe procurava lavar, passar, era um uniforme meio surradinho, pra estar sempre em ordem pra ir pra escola. Eu lembro que na época que estudamos, meus irmãos, os dois, eles não tinham meia pra ir à escola, então um colocava um pé e o outro colocava o outro e quando a gente chegava à escola tinha que mostrar o pé de meia e eles mostravam o pé que estava com meia. Eu lembro uma vez que um de meus irmãos mostrou o pé errado, ele mostrou o pé que estava sem meia e ele voltou pra casa. Então tinha disciplina mesmo, sabe.” (Luiza Helena Teixeira, aluna de 1959 a 1962).

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“O uniforme era um “short” azul e uma camisa branca com o emblema do Grupo Escolar “BRASIL”; era bordado. A gente comprava o bolso, este era carimbado e a gente o levava na bordadeira para ser bordado Grupo Escolar “BRASIL”. Das meninas eram uma saia xadrez e uma blusa branca, também com o nome da escola bordado. Eram todos uniformizados desde o pobre até o rico.” (Valmir Benedito Silveira, aluno de 1964 a 1968 e funcionário desde 1976). “Sem uniforme, independente de uma situação financeira boa ou não, não entrávamos na escola. Os pais estavam cientes disso. O uniforme, para as meninas, era uma saia pregueada cinza com a camisa branca de manga curta, meia três quartos branca e sapato preto, para os meninos, bermuda. Depois as meninas passaram a usar calça comprida com uma camisa. O último uniforme que usei no final do Ensino Fundamental, em 1983, foi uma capa branca com dois bolsos laterais cujo nome da escola estava bordado em seu bolso superior.” (Margarete Piva, aluna de 1976 a 1983 e professora coordenadora pedagógica de 2001 a 2006).
Ao longo de vários anos de trabalho na escola, a professora de Inglês, Vera Lucia Leitão Cavinato, faz uma breve retrospectiva e expõe seus sentimentos pela escola e pelo trabalho que desenvolve:

“Muitas mudanças ocorreram ao longo dos anos: ampliação do prédio, Escola Padrão, aumento do número de alunos, mudança na grade curricular, diminuição do número de alunos, mudança de direção. Mas continuo respeitando e gostando muito da escola. Gosto do local onde está situada e de sua aparência e apesar das dificuldades, me sinto bem, fiz muitos amigos e nela pretendo me aposentar. Dedico-me por inteiro às minhas aulas e aos meus alunos. Sei

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que muitos não estão nem aí com os estudos, mas também, tudo de bom que ensinarmos, mesmo que alguns não utilizem, ficará marcado em suas vidas. Esse é o nosso papel fazer uma pequena diferença.”
Professor efetivo de Língua Portuguesa da E.E. “BRASIL”, desde 1993 e aposentado pela mesma escola em 2003, Jurandir Godoi Vitta não resistiu deixar de exercer seu ofício. Mês e meio depois prestou concurso e fez opção pela Língua Inglesa, efetivando-se pela segunda vez no Estado, já em uma outra instituição. Expressa ainda:

“Sempre tive um sentimento de nobre orgulho em ministrar a disciplina Língua Portuguesa, sem purismo exagerado, visto que esta, além de ser um componente indispensável à estrutura cognitiva do aluno e do cidadão culturalmente privilegiado, faz parte de nosso civismo em semelhante investidura. Daí os percalços e desencantos ante a falta de sensibilidade e consciência da maior parte da clientela em qualquer lugar em que se atue. Para mim é um fato, mesmo que seja polêmico. Entretanto, na Escola “BRASIL”, os apoios diacrônicos da direção, desde a época da professora Ruth Zucolotto da Silva até a atual gestão do professor Osvaldo Assumpção Castro, ajudaram-me sobremaneira a superar os desafios da profissão cujo propósito norteador é o idealismo e o desempenho do educador. Nesse educandário convivi com pessoas admiráveis: colegas e funcionários de cuja amizade e profissionalismo sempre desfrutei e me locupletei, na troca de experiências, impressões e reflexões, nas convergências e divergências democráticas a respeito de muitos temas. Citar nomes, por serem inúmeros, não registrar outros poderiam suscitar melindres. Confesso, porém, meu inconformismo e minha saudade pela morte prematura, por acidente, da professora

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e coordenadora Miriam de Fátima Schenk Chinelatto, exemplo de competência, dedicação e amizade, saudade que se estende à ausência dos professores Arthur Baccaran Júnior (in memoriam) e Rosa Maria Bombini (in memoriam) a cujo lado trabalhei na mesma escola.”
A professora Lélia Silva Mesquita, que também foi vice-diretora da escola em 1987, juntamente com a diretora Ruth Zucolotto da Silva, recém-chegada a Limeira, exemplifica como eram as relações interpessoais entre os sujeitos da escola:

“Lecionar na E.E.”BRASIL” sempre foi sonho dos professores limeirenses, pelo ambiente de trabalho amistoso e dedicação de seu corpo docente e discente. Havia um bom entrosamento entre alunos, pais, professores e funcionários, que participavam espontaneamente das atividades da escola, na área social e pedagógica. As vagas eram disputadas pelos pais, especialmente no “Ensino Fundamental”, quando a escola era considerada modelo pedagógico na cidade. Conquistei ótimas amizades nessa escola e somente a deixei para ocupar outro cargo na Universidade Estadual de Campinas.Ficou a saudade de uma escola, cujo ambiente acolhedor e humano mais parecia uma família.”
A relação e o vínculo dos professores com a escola têm crescido nos últimos anos, conforme é expresso no relato da professora Ivanil Aparecida Garro:

“Atualmente, um dos fatores de grande importância que a escola apresenta é uma equipe mais permanente, pois há algum tempo atrás, não havia entre os professores uma identidade com a escola. Alguns a tinham apenas como uma passagem, talvez por não serem efetivos. Hoje existe uma

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equipe de profissionais que se identificam com a escola. O professor tem vínculo com a comunidade escolar, com o aluno e com a direção da escola, sendo fundamental para qualquer projeto pedagógico e, principalmente, responsável pelo respeito da comunidade para com a equipe escolar.”
A seguir, aluna expõe as relações aluno-escola e professor-aluno. E nessas evidências estão as amizades criadas e a contribuição da escola e de seus professores para a sua vida:

“Na estrada da vida encontramos desejos, promessas, tristezas, felicidades, amores, amigos, sonhos e perspectivas de um futuro brilhante. Pessoas que simplesmente se tornam especiais com a convivência do dia-a-dia. Escola “BRASIL”: quantos momentos inesquecíveis há em ti. O marco iniciante de uma menina que começa sua trajetória no pequenino e delicado caminho. Inicialmente tudo não passava de uma simples escola, onde todos eram iguais. Mas pouco a pouco a interação constante foi tomando conta do meu cotidiano. Conheci pessoas maravilhosas, que hoje posso dizer sem sombra de dúvida, são meus amigos. Aprendi que nem todas as pessoas são iguais e que ser complicado não é uma virtude irreal, e sim real. Professores ensinaram-me que mostrar o lado sentimental é completamente normal. Que todos nós temos capacidade, alegria e coragem para dizer: eu consigo. Professora Sandra Karina Soares de Souza Roque; as cores inclusas na sua vida. Aprendi com ela que dentro de cada ser há um artista. Que as cores não são somente misturas, mas sim a alma de um pintor. Seja o amarelo, verde, azul, preto, vermelho, não importam os tons, mas sim a emoção. Que cada pessoa que possui o dom da vida colorida é capaz de realizar os desejos simples e singelos. Aprendi a ver obras de vários tipos, ver

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a emoção de cada tom. Suas broncas e conselhos ajudaramme a crescer na pintura. Professor Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida; os números estão em sua mente. Ensinou-me que jamais devemos desistir do que desejamos, que os problemas são menores que os sonhos. Que lutar significa ter fé e vontade de alcançar. Sua força de vontade e esforço revelou-se para meu pensamento positivo. Rosângela Fontanin de Souza, Marilene dos Santos, Cleusa Aparecida Teodoro dos Santos , “Zezé” (Maria José dos Santos) e “Dedé” (Maria José Ribeiro da Silva Guerino), estas são lutadoras e guerreiras. Quantas broncas por ficar no corredor em horário de aula, quantos risos e conversas. Não só elas, como também, as meninas da secretaria. Quantas amizades importantes conquistei, pessoas que todos querem como amigas. Amigos que podemos contar em todos os momentos, professor Ricardo, professora Sílvia, “Taty” (Tatiane da Silva Oliveira), “Sa” (Salete Rocha), “Mi” (Michelle Cristina da Costa) e Rocheli Carlet da Costa. Professora Sílvia Maria Romero de Lima, sua vida cheia de emoções. Ensinou-me que por mais que o caminho esteja repleto de espinhos, sempre há um botão de rosas. Suas palavras refletiram em minha vida, sendo fortificada com sua amizade. Seu apoio foi o principal alicerce quando mais precisei. Professora Tatiane Dornela Andreata, cheia de risos e alegrias. Sua capacidade e vontade de ensinar fez-me crescer e saber respeitar o próximo. Corpo docente e discente, não importa a função de cada um. Escola “BRASIL” é coração. Muitas histórias e momentos registrados na memória. Brigas, tristezas, alegrias, risos e emoções. Representante de sala, presidente do grêmio estudantil, trabalho voluntário, assim tornou-se minha trajetória nessa escola. Tempos bons que ficarão guardados. Sentirei saudades do grito da Regininha (Maria Regina Drago Ferreira

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Camarini), da Regiane Cibele Matheus Montovani, das conversas com a “Tati” (Tatiane Dornela Andreata) e Sílvia Maria Romero de Lima, do Ricardo (Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida), da Karina (Sandra Karina Soares Souza Roque), da Regina Silvia Santarosa, da secretaria, da Rosangela Fontanin de Sousa, do João Luiz Gonçalves de Oliveira, Sr. Osvaldo Assumpção Castro, “Raí” (Enéas Raimundo Barbosa da Silva), Margarete Piva, enfim de todos. Saudades dos tempos de risos com as amigas. Só quem realmente conheceu as pessoas que trabalham nessa escola, sabe o que é o caminho da vitória. Nesta, entretanto, a estrada da vida encontrou felicidade e esperança do futuro com luz própria e irradiante, de quem um dia já estudou nesta tão amada e querida Escola “BRASIL”.” (Vitória Regina Pertille, aluna de 2001 a 2007).
Mais que um lugar de trabalho e obrigações, a Escola “BRASIL” representa um espaço de consolidação de aprendizados e amizades:

“Foram muito alegres os anos que passei no Grupo “BRASIL”. Foi o início da minha carreira profissional. Prédio muito bonito, com as salas assoalhadas, pátio com muitas árvores. O que chamava mesmo nossa atenção eram as escadas de mármore branco que as funcionárias da limpeza conservavam impecavelmente brancas, limpas. A diretora era Dona Haydée Lordello. Comecei como substituta efetiva. Íamos diariamente à escola e só recebíamos quando dávamos alguma aula. Quando fui chamada para ser substituta efetiva nessa escola, iniciei no período das 14:30 horas. Combinamos e fizemos um uniforme para nós: saia justa lilá com cinto largo e blusa branca. Ficou ótimo! Permaneci algum tempo nesse horário e depois me transferi para o

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período da manhã. Houve mudança também de diretor, vindo o Sr. Oswaldo Arcaro. O corpo docente era maravilhoso, bem como os funcionários. Fiz amizades duradoras que conservo até hoje. Eram professoras Martha Guimarães Dias Cunha, Esmeralda Salibe (com quem aprendi a fazer pão de minuto), Elisa Apparecida Ciarrocchi Silveira, Maria José Rossi Leme, Wilma Chinellato Zaccarias, Myrian Arcaro de Araújo, Marília de Almeida Greve, Gessy Coeli de Azevedo, Paulina de Cillo Diniz, Júlia de Cillo Diniz, Creusa Esteves Barbosa, Maria Aparecida Martinelli, Maria Madalena Arruda Vasconcellos, Marilisa Xixirry. Muito lembrado era o Sr. Durval Eugênio, que dava o sinal e verificava a nossa chegada. Pessoas maravilhosas cuidavam da limpeza do prédio: Benedicta Juvêncio Mesquita, Madalena Maria Soares Calderaro, Irene Cover Pilon, Teresa, Denice de Souza Francisco (minha querida amiga) e Paulo Sergio Kuhl (que além de amigo é funcionário do Ely, onde sou diretora). No período em que permaneci no Grupo “BRASIL” tive a oportunidade de substituir quatro professoras em suas licenças: Elisa Aparecida Ciarrocchi Silveira (classe especial), Maria Aparecida Martinelli (Pré-Escola), Paulina de Cillo Diniz (4º ano) e Creusa Esteves Barbosa (4º ano). Deixei a escola para lecionar em escolas rurais. Aprendi muito. Hoje, continuo com o mesmo carinho, amizade com as pessoas que trabalham nessa escola, nosso eterno Grupo “BRASIL”.” (Sonia Stella Basso, professora de 1968 a 1974 e diretora da Escola Estadual “Professor Ely de Almeida Campos”).

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A professora Nelsi Aparecida Strasser, da área de Linguagens e Códigos e atual vice-diretora, expõe que, apesar de alguns professores apenas passarem pela escola, muitos outros permanecem e trabalham para que juntos possam engrandecê-la:

“Há 13 anos ingressei na E.E. “BRASIL”, sou de Artur Nogueira e escolhi esta escola em virtude de sua localização, beleza e também por Limeira ser uma cidade que oferece mais oportunidades, além de ser hospitaleira e agradável, razão que me fez comprar um imóvel próximo à escola para me locomover com mais facilidade. Nestes anos de trabalho muito aprendi, quando ingressei, a escola contava com aproximadamente três mil alunos e hoje com mais ou menos dois mil, muita gente chegou e partiu em busca de seus objetivos, como voltar para seus familiares, bem como melhores ofertas de trabalho, porém alguns ainda aqui estão e lutam para que este estabelecimento seja reconhecido pela dedicação de sua equipe; como exemplos dessa empreitada posso citar vários nomes sem menosprezar outros, mas Márcia Sueli Feltrin , minha primeira coordenadora pedagógica, ser humano íntegro e competente, que me ensinou a difícil tarefa de lidar com a escola pública, é um exemplo, assim como Nelson Baptista Gonçalves Júnior, pessoa que me orientou no que tange à luta política da nossa categoria, sempre com ânimo e garra, Arthur Baccaran Júnior, educador capaz de passar horas te ensinando que a vida é repleta de altos e baixos e que nós cristãos precisamos acreditar na nossa força e crer que dias melhores virão a partir de nossos esforços e Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida, praticamente um garoto que em pouco tempo mostrou sua competência e profissionalismo. Poderia citar muitos outros, entretanto acredito que escreveria um livro e não um depoimento.”

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A paixão pela escola, a satisfação pelos ensinamentos proporcionados e o vínculo criado na relação aluno-escola ainda perduram para muitos ex-alunos. É o que acontece com Tiago Fernando Valentim, que, mesmo tendo concluindo o Ensino Médio em 2002, continua participando de atividades e eventos promovidos pela escola. Segundo ele:

“Fiquei 11 anos na escola, todo Ensino Fundamental e Médio, e praticamente todo o alicerce foi na Escola “BRASIL”. Gostava muito da escola e durante esses anos tive um crescimento pessoal muito grande, principalmente nos últimos anos em que a acabei me envolvendo demais com a escola que passou a fazer parte de minha vida. Era algo integral, chegava às 6: 30 horas e saía às 19 horas, fazia tudo com carinho, dedicação e não via a hora de chegar logo o outro dia para retornar à escola, pois acabou-se criando um vínculo de amizade tão grande com a direção, os professores e demais alunos, e aquilo extrapolou a sala de aula, era algo extra-sala também. O sentimento pela escola é um dos melhores, infelizmente a vida acaba nos afastando do que gostamos, mas se pudesse voltaria e faria tudo de novo, sem mudar nada, pois, para mim, a Escola “BRASIL” é uma referência que vou levar para sempre e onde eu estiver e me for perguntado da Escola “BRASIL”, só terei boas recordações, das pessoas que nela passaram e das que ficaram. Era uma segunda casa e muitas vezes foi até a primeira, pois ficava mais tempo na escola na convivência de professores que acabaram se tornando pais, mães, irmãos e amigos, enfim, era uma relação além da sala de aula, do sinal que batia para irmos embora; ficava e participava ativamente da escola. Não me arrependo, mas infelizmente acabou e foi bom enquanto durou, enquanto estive na escola. Esse vínculo não se desfez totalmente e ainda há na escola pessoas que marcaram muito minha

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vida, professores que realmente fizeram diferença. Enquanto estive na escola e mesmo anos depois participei do aniversário da escola.Fui mestre de cerimônia do aniversário da escola durante cinco anos e também até o ano passado participei da formatura, estou sempre à disposição. No ano em que me formei, 2002, não tivemos festa de colação de grau, mas no ano seguinte, em 2003 até 2006, sempre participei sendo mestre de cerimônia em todos os jantares e cerimônias que tiveram e fico contente, pois é um vínculo que mantenho com a escola.”
Milton Luiz Milaré durante sua vivência na escola pode experimentar três fases, pois foi aluno, voluntário e atualmente é funcionário da escola e numa breve retrospectiva expõe toda essa trajetória, acompanhada de muito carinho, respeito e expectativas:

“Estudei todo o Ensino Fundamental na Escola Estadual “Professor Leovegildo Chagas Santos”, porém quando estava concluindo a 8ª série, inevitavelmente surgiu a dúvida sobre minha ida para outra escola, pois a Escola “Leovegildo” não possuía o curso Ensino Médio. Não pensava em estudar na Escola “BRASIL”, mesmo sabendo que era uma boa escola, pois minha irmã estudou nessa escola desde a 5ª série. Queria na verdade estudar na Escola Estadual “Professor Ely de Almeida Campos”, à qual a maioria dos meus amigos iriam. Conversamos em casa e entramos em acordo para que eu fosse estudar na Escola “BRASIL”, então no ano de 2004 fui matriculado no 1ª série do Ensino Médio, e fiz varias amizades, em 2005 fui para a 2ª série 1, e não conhecia quase ninguém, pois a maioria dos meus amigos foram para outras salas, mas com o decorrer do ano fiz outras novas amizades, tive vários professores competentes e em 2006 fui para o 3ª série 1, com todos meus

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amigos e também com outros professores capacitados, que além de professores também foram muito amigos, pois o que estava ao alcance deles em fazer por nós, fizeram. O ano de 2006 foi inesquecível, fui representante de classe, fazendo com que eu perdesse o medo de me apresentar na frente da sala, apresentar trabalho entre outras coisas. Isso foi muito bom, pois sempre tive o sonho de me tornar professor, então precisaria perder o medo, foi assim que consegui.. No início deste ano, em 2007, trabalhei voluntariamente no projeto “Amo minha escola, reciclo em casa” com vários alunos que se tornaram meus amigos e com o decorrer dos meses fui conhecendo melhor os outros funcionários, ajudando as inspetoras, os professores, a secretaria e todos que precisassem durante 4 meses. Foi uma grande experiência que eu levarei pelo resto da minha vida. No dia 01 de junho fui contratado e hoje trabalho remunerado na secretaria e junto com as inspetoras de alunos. Tenho só que agradecer, pois a Escola Estadual “BRASIL” abriu e continua abrindo várias portas para minha vida. Pretendo me formar professor de Língua Portuguesa e se for possível lecionar nessa escola, onde passei três anos da minha vida e pretendo passar mais e mais. O corpo docente, os funcionários a direção e todos os alunos me receberam muito bem e só tenho que agradecer. Adoro saber que vou me levantar cedo e ir trabalhar em um local onde todos me respeitam e pode ter certeza que quem entrar na nossa escola vai ser muito bem recebido, assim como eu fui. A Escola “BRASIL”, para mim, é sinônimo de muita alegria, assim como deve ser para várias outras pessoas.”

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Muitos professores e funcionários expõe suas razões e sentimentos de poder fazer parte desse educandário:

“A Escola Estadual “BRASIL” sempre foi um referencial para mim, pois tias, primos foram professores e diretores desta unidade escolar ao longo de vários anos. Quando me efetivei aqui, senti muito orgulho de ter conseguido ingressar em uma escola com um nome de tamanha importância e destaque sócio-cultural. Confesso que ao longo dos quase quinze anos de Escola “BRASIL”, o orgulho só fez aumentar, tanto pela qualidade de educação, quanto pela qualidade de amigos que juntos caminham na longa marcha daqueles que confiam que a Educação é o ponto inicial da jornada que dignifica o ser humano.” (Denise Ferreira Arcaro, professora desde 1994). “Com 16 anos nesta escola, vi passar por aqui muitos professores, alunos e funcionários. Muitos deixaram saudades, pela bondade, educação e pelo bom dia que não deixavam de desejar. Alguns alunos ainda voltam só para dizer um “olá”, pois já estão casados e com filhos. De 1991 quando cheguei aqui até 1996, os alunos vinham para a 1ª série do Ensino Fundamental e ficavam até a 3ª série do Ensino Médio, aprendiam, seguiam e respeitavam as regras da escola sem problemas, hoje eles vêm para a 5ª série com a cabeça feita e fica muito mais difícil controlá-los.Temos ótimos professores e os funcionários que saem, logo querem voltar. Apesar dos problema que toda escola tem, aqui ainda existe espaço para o sorriso e o companheirismo.” (Regina Silvia Santarosa, funcionária desde 1991).

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“A Escola Estadual “BRASIL” representa um marco na história de Limeira, como também para a vida de muitas pessoas, não só na condição de aluno, mas também na condição de professor e funcionário, histórias que o tempo não apaga, lembranças jamais esquecidas e que estarão guardadas com muito carinho. Para mim esta história começou em 1992, quando me tornei funcionário efetivo, fui muito bem recebido pela então diretora Sr.ª Ruth Zucolotto da Silva que em pouco tempo depositou confiança em mim e me colocou para que eu trabalhasse no computador que a escola possuía. Já gostava da área de informática e a partir deste momento aumentou mais a vontade de saber mais detalhes sobre o assunto e até hoje não parei. Gosto muito das coisas que faço, do que é de minha responsabilidade, todo dia é um novo conhecimento, um novo aprendizado. Assim como na vida de todos que passaram por ela, eu também sempre a lembrarei com muito carinho esteja onde estiver.”(Vinicius Matiazzi, funcionário desde 1992). “Sinto-me orgulhosa e feliz por fazer parte do corpo docente da Escola “BRASIL”. É extremamente gratificante observar o carinho e o respeito que os alunos e os ex-alunos têm por ela e por todos nós, professores. Há pessoas que aqui estudaram e só de passar em frente à escola se emocionam; adoram visitá-la e relembrar os “velhos” tempos vividos. (Maria Luiza Luz Lussier, professora desde 1987 e aposentada em 1998 e novamente na docência, como efetiva, desde 2000). “Ao longo de minha carreira ouvi muitos professores dizerem que depois de se aposentarem não passariam nem na porta de uma escola. Cheguei a achar muito natural, pois essa profissão muitas vezes é árdua e pouco valorizada.

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Aposentei-me aos 28 anos de profissão na escola pública e fui convidada para trabalhar em duas escolas particulares. Estava contente, pois via perspectiva da Educação melhorar. Porém, meu coração bateu mais forte quando pela 2ª vez fui aprovada no concurso público para PEB II e tive a oportunidade de escolher um cargo na Escola “BRASIL”. Estava retornando à mesma escola onde me aposentei e voltei por amor.” (Maria Regina Drago Ferreira Camarini, professora desde 1994, aposentada em 2003 e novamente efetiva desde 2004). “Quando entrei nessa escola em 1996 fiquei muito assustada com o tamanho do estabelecimento e com o número de alunos que aqui estudavam. Fui muito bem recebida pelos professores e pelos alunos. Somos uma família e nos relacionamos muito bem, tanto na área educacional como pessoal. Meu trabalho tem sido muito proveitoso e criativo, já que sou professora de Artes. Fiz várias apresentações de dança, teatros diversos, participamos de músicas, em que tiramos o 1º lugar de banda no concurso “Fora do Eixo”, promovido pela Secretaria de Cultura. Desfilamos todos os anos no “7 de setembro”, e sempre sou um dos professores responsáveis. A exaustão toma conta de mim nesse período, pois a responsabilidade é muito grande em colocar na rua alunos, faixas, fanfarra, balisas, entre outros. Gosto demais dessa escola e pretendo me aposentar aqui. Cultivei grandes amizades com professores e alunos e assim ficarão gravados em minha memória e em meu coração, sempre a querida Escola “BRASIL”.” (Sandra Karina Soares de Souza Roque, professora desde 1996).

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Festa Junina
A festa junina é tradição na escola. É mais um momento de interação entre alunos e professores e comunidade escolar. Todas as festas são realizadas com animadas danças juninas e várias barracas: de doces, palhaço, pescaria, cadeia, caixa-surpresa, correio elegante entre outras.

Festa junina; 1953. Da esquerda para a direita; em pé, Ari Piva (1º), Francisco Matias (2º), Sebastião Ventura (3º), Orlando José Zovico (7º); sentados, Maximiliano Tadeu Albers (1º), Agenor Américo (2º), Agostinho Piscelli (3º), Nelson Cabrini (4º), Antonio Adriano Forte (5º). Acervo de Orlando José Zovico.

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Festa Junina no Jardim de Infância. Da esquerda para a direita, “As primas”, Maria Eloísa Gonçalves de Oliveira (1ª), Marina Carossi (2ª), e Josely Maria Coeli Fugagnoli (3ª)”, 1957. Acervo de Maria Eloísa Gonçalves de Oliveira Rossi.

“A Escola “BRASIL”, foi uma das pioneiras na realização desse evento. Com a coordenação da direção da escola, diretoria da A .P . M. (Associação de pais e Mestres), e com a dedicação dos professores e funcionários da escola, as festas eram muito prestigiadas pelos pais, familiares e pessoas da comunidade. O resultado financeiro era revertido em benfeitorias na própria escola, pois nessa época não havia verbas destinadas pelo governo.” (Deisy Apparecida Francisco Lima, professora desde 1970 e aposentada em 1983).

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Festa Caipira em junho de 1965. Josyane Baccan Queiroz e seu colega Mauro Eduardo Chinelatto de Oliveira, à frente do palco no Galpão do Grupo Escolar. Acervo da professora Josyane Baccan Queiroz.

“As festas também provocam o sentimento de saudade, eram sempre cheias de pessoas e muito disputadas, com o envolvimento de toda a comunidade escolar, a principal era a junina, na época não existiam muitas na cidade e assim a de nossa escola fazia muito sucesso.” (Nelson Baptista Gonçalves Júnior, professor desde 1990).

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Festa junina, 2001.

Os próprios professores eram responsáveis em arrecadar as prendas para as festas:

“Recordo-me muito bem das quermesses feitas no próprio Grupo Escolar para angariar donativos e essa missão era dada à professora Myriam Arcaro de Araújo que, entusiasmada, dava conta de tudo, até indo à Fazenda Ometto e vitoriosa voltava da missão toda feliz.” (Júlia de Cillo Diniz, professora desde 1961 e aposentada em 1972).

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Mirela de Oliveira Figueiredo durante festa junina na quadra da escola, 1ª série, 1988. Acervo de Mirela de Oliveira Figueiredo

“Era a festa mais esperada do ano, pois era o momento em que os alunos podiam se encontrar num contexto diferente do dia-a-dia da rotina escolar. Os professores geralmente trabalhavam nas barracas e a turma de formandos do ano fazia e vendia os correios-elegantes. Dancei quadrilha quando estava na 1º série.” (Mirela de Oliveira Figueiredo, aluna de 1987 a 1995).

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Barraca da pescaria. Festa junina 2006.

“As festas eram muito boas. Os pais participavam bastante, tanto nos preparativos como no próprio evento. As festas juninas eram animadas e havia quadrilhas para as diversas idades dos alunos.” (Márcia Sueli Feltrin, professora desde 1990).

Barraca do palhaço. Festa Junina, 2006.

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Cinqüentenário da escola

Solenidade do Cinqüentenário da escola, realizado no Galpão, onde atualmente está situado o prédio novo. Acervo da E.E. “BRASIL”

A fim de comemorar os 50 anos de instalação da escola e de participação importante na formação de várias gerações de limeirenses, a professora Marisa Pinheiro Braga, a então diretora da escola, a equipe de professores e funcionários prepararam para o dia 8 de maio de 1985 uma grande festa. Uma missa celebrada na Matriz de São Benedito às 19 horas pelo ex-aluno Cônego Valdemiro Caram e um coquetel oferecido no recinto do estabelecimento aos convidados, entre eles ex-alunos, ex-professores e autoridades iniciaram as festividades.

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Coquetel no local onde se situa atualmente a Sala de Vídeo; 1985. Acervo da E. E. “BRASIL”

Placa comemorativa do cinqüentenário. Acervo da E.E. “BRASIL”.

Logo depois, às 19 horas, no Largo José Bonifácio, houve o descerramento da placa comemorativa do cinqüentenário. As cerimônias foram encerradas com a sessão solene na própria escola, com a participação da Corporação Musical “Henrique Marques” do Coral Vargas, jograis e números musicais pelo coral de alunos da escola regidos pela professora Brasilusa Monteiro de Moraes Fonseca.

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Cinqüentenário da Escola, 1985. Acervo da E. E. “BRASIL”

Cinqüentenário da Escola, 1985. Acervo da E. E. “BRASIL”

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Corporação Musical “Henrique Marques” no Cinqüentenário da Escola, 1985. Acervo da E. E. “BRASIL”.

Visão aérea da escola na década de 80. Nesta imagem vemos a Escola “BRASIL” envolta por árvores, o galpão (à esquerda da escola) que havia onde atualmente é o prédio novo e a quadra construída no final da década de 70. Acervo da E.E. “BRASIL”.

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Educação Especial
A Educação Especial, de acordo com a lei de diretrizes e bases da educação nacional, no. 9.394/96, refere-se à modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades dessa clientela. Seu atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. A Escola “BRASIL”, a partir de 1959, inicia um trabalho com alunos com níveis elevados de dificuldades, denominada “classe de emergência”. Esses alunos eram reunidos e eram desenvolvidas atividades complementares e diferenciadas para torná-los aptos a prosseguirem seus estudos. Já, em 1961, a escola começa a atender alunos com necessidades especiais. As primeiras classes foram de alunos D.A.(deficientes auditivos), e em 1963 a escola oferece atendimento também a D.M.(deficientes mentais) e deficientes em fala e audição.

“A Escola “BRASIL” já teve classes especiais de deficientes auditivos e deficientes mentais. A primeira classe foi criada em 1961 permanecendo até 1995, quando houve a nova reestruturação que separou a escola primária (de 1ª a 4ª) da ginasial (de 5ª a 8ª). Nessa reestruturação, nossa escola ficou sendo de Ensino Fundamental de 5ª a 8ª e Ensino Médio e os alunos foram todos remanejados para outra escola mais próxima que seria a Escola Estadual “Leovegildo Chagas Santos” e a Escola Estadual “Professor Ely de Almeida Campos”. As classes possuíam de 10 a 15 aluninhos e tinham um trabalho especial dos professores. As professoras dessas classes eram Elisa Apparecida

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Ciarrocchi Silveira, a Deisy Bassinello Ponzo, Marita Caraccio Armbruster e a Dercy Ferraz Silveira Dibbern.” (Valmir Benedito Silveira, aluno de 1964 a 1968 e funcionário desde 1976).

Professora Marita Caraccio Armbruster (1ª) à esquerda e seus alunos da classe de D.A. (deficientes auditivos) do ano de 1984. Sala onde atualmente é a cantina. Acervo da professora Marita Caraccio Armbruster.

A professora Marita tomou posse em seu cargo no Grupo “BRASIL” em 27 de setembro de 1971. A classe especial era formada por 10 alunos com idades entre 5 e 15 anos:

“Eu ensinava-os a falar, leitura labial e os alfabetizava. Eles freqüentavam a classe especial no mesmo horário das outras classes e o recreio era junto com os outros. As outras crianças gostavam muito de brincar com eles. A partir de 1982 comecei a trabalhar em dois períodos, pois foi criada outra classe devido ao número elevado de crianças. Vinham alunos de outras cidades, como: Iracemápolis,

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Cosmópolis, Cordeirópolis e havia famílias que se mudavam para Limeira, para que os filhos deficientes auditivos pudessem freqüentar uma escola, pois a maioria das cidades não possuía classe especial. Algumas crianças, depois de alfabetizadas, eram encaminhadas para a classe comum. Quando entravam para a escola, eram crianças muito revoltadas e só queriam brigar, mas depois que se entrosavam com as outras crianças se tornavam muito meigas e amorosas. Foi um período muito bom da minha vida, pois me sentia realizada ao ver o progresso das crianças. Foi um trabalho que fiz com muito amor. Aposentei-me em 1991, mas ainda trabalhei mais três anos com essas crianças. Observação: A classe possuía aparelhos auditivos fixos às carteiras, sendo um para cada criança.” (Marita Caraccio Armbruster, professora desde 1971 e aposentada em 1991). .

Sandra Helena Barbosa Godoy

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Sandra Helena Barbosa Godoy, nasceu em Limeira no ano de 1953. Mesmo sendo uma aluna portadora de necessidades especiais, não se acomodou diante das dificuldades surgidas e faz uma exposição de toda a luta pelo seu direito à alfabetização:

“Um susto, um traumatismo de parto, conclusão... lesão cerebral, uma deficiência neurológica. Um quilo e meio, muitos problemas. Lá fui eu para uma caixinha de sapato, com uma lâmpada em cima. Fui uma criança muito manhosa, custei muito a sentar, andar, falar, mas, apesar de tudo isso atrasar meu desenvolvimento, eu ia vivendo. Como toda mãe de uma criança deficiente, eu tive a minha. Não poderia ser diferente, tendo em vista que nasci no ano de mil novecentos e cinqüenta e três. As coisas eram diferentes, mas... tão iguais. As coisas não se passaram conforme havia planejado. Eu não era aquela criança, cartão de visita, que ela sonhara, mas sentia minha mãe ao meu lado, colada em mim, com vergonha de mim, me amando, ora me odiando, ou se culpando, ou me culpando, mas sempre ao meu lado. A lesão que veio com meu nascimento afetou apenas a parte física. Meus movimentos eram bruscos, precisava de ajuda para me alimentar e me vestir. A princípio tudo ia bem. O amor e a dedicação que a mim dispensavam eram suficientes. Eu era uma criança, dentro de casa, sendo cuidada. Fui vivendo... Não consegui matricular com sete anos nessa escola, pois minha mãe impediu. Sete anos. A escola, o mundo fora de casa. A mãe negando, o diretor da escola negando, e eu chorando... Estávamos em mil novecentos e sessenta. Tempos difíceis. Deficientes eram trancados em casa. A escola não estava preparada para me receber. Minha mãe não estava preparada para me repartir com o mundo, não queria me atirar para fora do ninho. A escola era linda, cheia de árvores enormes. Logo na entra-

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da compramos biju de um senhor que passava fazendo um barulho danado. Comprávamos também cinco balas por um cruzeiro, só quando sobrava algum dinheiro e a mãe dava. O pátio era enorme com enormes bancos. Nossos pezinhos ficavam balançando nos bancos. Na hora do recreio saímos e Dona Irene Cover Pilon, nossa servente tão querida, vinha com um bule enorme cheio de leite. Ficamos em fila e ela ia servindo. Como não conseguia segurar o copo, Dona Irene pedia para as outras alunas segurá-lo para mim. Era uma briga para ver quem iria segurar o copo para mim. Quase todos os copos eram de canudinhos, última moda na época. Depois do leite íamos para debaixo das árvores, fazíamos piquenique, cada uma trazia um petisco de casa, colocávamos tudo debaixo das árvores e era uma festa. Depois era procurar as coleguinhas e brincar de roda, cantando canções folclóricas, dançando o miudinho, coisas que só quem foi da época sabe do que estou falando. Sempre tinha festa nas datas importantes e as alunas recitavam poesias no palco que ficava lá no pátio. Brincávamos neste palco sempre quando não havia festa. A aluna, Maria Luiza Garcia, recitava sempre a mesma poesia “Quem será”. Era uma poesia que falava da mãe. Acho que era a única que ela sabia e todos pareciam gostar e não esquecemos, apesar de tanto tempo. Antes de entrar na aula, fazíamos filas e cada professora ficava na frente de seus alunos para cantar o Hino Nacional. Era sagrado, todos os dias era cantado. Só que para viver tudo isso lá no pátio da escola eu tive que lutar muito. Não havia nada aqui na cidade, era tudo em São Paulo, meu pai teve que ir à Secretaria da Educação, conversar sobre o meu caso e um Supervisor veio até Limeira ver o que estava acontecendo. Oito anos. Consegui afinal convencer minha mãe... As condições, para isso, foram péssimas. Ela exigiu que aprendesse a ler, antes

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de ir à escola. Hoje, para mim e para todos, tal fato pode parecer estranho, mas para ela, que não acreditava em meu potencial, era natural. Passei por isso. Era persistente. Fazia qualquer coisa para provar, principalmente para ela e para mim, que eu era capaz. Meu pai foi incumbido dessa tarefa. Esperava-o, todos os dias, com papel de pão e pedaço de lápis nas mãos e ele ia me ensinando as primeiras letras. Entrei para a escola sabendo ler. Tudo isso, depois de uma batalha, na escola, que não aceitava o deficiente. Eles confundiam a deficiência neurológica com deficiência mental. Porém, a escola me encaminhou para a classe de deficientes mentais. Devo à Senhora Elisa Apparecida Ciarrocchi Silveira, professora da época, a colocação numa sala convencional, decisão sensata tomada por ela, após a aplicação de um teste para medir a inteligência (teste de Q.I. – quociente de inteligência – conhecido e aplicado nos anos 60); e o teste acabou revelando uma inteligência acima do normal. O corpo docente era muito bom. Os professores não eram só mestres em ensinar a ler e escrever. Eles faziam a parte social. Orientavam as mães quanto aos cuidados com a limpeza, olhavam os cabelos, as roupas das alunas e algumas olhavam até as calcinhas das meninas. O dia em que a professora ia olhar as roupas, era surpresa, todos mantinham-se sempre limpos, pois nunca sabíamos quando seria a revista. Na classe era também mantida a limpeza, nenhum papelzinho no chão. Era muito importante a correção de postura ao sentar-se à carteira. As professoras não descuidavam nunca deste item. A escola mantinha o curso de 1ª a 4ª série, o Jardim de Infância e uma classe para portadores de deficiência mental, cuja professora era a Elisa Apparecida Ciarrocchi Silveira. Martha Guimarães Dias Cunha aceitou me alfabetizar. Nessa época escrevia com o pé. Quando entrei para a escola, meus braços

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não alcançavam a carteira escolar. De um dia para o outro tive que usar as mãos. Nada de Pré-escola, adaptações. Isso são coisas modernas. Naquela época, uma tábua na carteira, colocada pela sábia professora, resolveu a situação. Consegui! Apesar dos garranchos, consegui. Estava, afinal, escrevendo com as mãos. Foram pesados os preconceitos e ninguém escapou deles – professores, colegas, direção da escola. Todos mostraram suas intransigências, sua ótica restritiva. O diretor da escola pulava minha carteira, quando andava pela classe, nunca me dirigiu a palavra. Eu continuava... Dona Martha foi minha professora de 1º ano. Foi a única que aceitou alfabetizar uma criança deficiente. No final do ano de 1961, houve uma mudança nas classes. O diretor resolver colocar os melhores alunos em uma só classe e os considerados fracos ficaram em outra classe. Martha ficou com os alunos mais fracos e eu fui ter aula na classe da professora Gessy Coeli de Azevedo, que ficou com a classe mais forte. Logo depois fui para o segundo ano, com a professora Wilma Alves Ferraz Chinelatto. Sempre que eu mudava de professora elas se preparavam uma às outras, para saberem como lidar comigo. Minha letra era horrível e eu fazia quase todas as provas orais. Só Português e Matemática eu fazia escritas. No 3º ano fui para a classe de Dona Ivete de Carvalho. Excelente professora. Ensinava redações com os belos cartazes, material didático da escola. Depois veio a Dona Paulina de Cillo Diniz, professora enérgica, dava lições que não acabavam mais. Nas férias passava folhas e folhas de lições. Assim foi minha passagem por essa maravilhosa escola.”

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Entre as décadas de 70 e 80, havia quatro classes especiais, sendo três para deficientes mentais e uma para deficiente auditivo. As professoras responsáveis pelas classes eram Dercy Ferraz Silveira Dibbern, Elisa Apparecida Ciarrocchi Silveira, Deisy Bassinello Ponzo e Jurema Sedamar Oliveira Figueiredo. As crianças eram triadas pelas professoras das classes especiais para verificar o nível de aprendizagem em que melhor se enquadravam:

Nível I – Adaptação (Pré-Escola) Nível II – Início Alfabetização (1ºano), raramente tabuadas do 2 e 3, operações simples e números até 100. Nível III – Final Alfabetização (2ºano), ou seja, as dificuldades rr, ss, x, ch, mp, mb, n intercalado, trabalhava-se muito com cópias e treino ortográfico, tabuadas do 5 ao 9 e as operações básicas. A clientela não era basicamente constituída por deficientes mentais e sim crianças imaturas com deficiência e distúrbios de aprendizagem. Diante do que a Educação esperava da clientela elite (que fez Maternal, PréEscola e estava estimulada para o início da alfabetização). As professoras não eram de nível universitário e sim normalistas com um curso de especialização na Caetano de Campos. A seguir, a professora Jurema cita mais detalhes das classes especiais e de sua atuação como docente: “Na época eu era substituta efetiva e estagiária destas classes, pois estava concluindo a 1ª turma da PUC de Pedagogia, especialista em deficiente mental. A diretora era a senhora Doracy Alves da Costa Arcaro e seu esposo Oswaldo Arcaro (apelido: Tatu). A classe de D.A. era regida pela professora Marita Caraccio Armbruster e o sistema de ensino era baseado em centro de interesses. Tínhamos D.M. (deficientes mentais). e D.A. (deficientes auditivos), muitos materiais pedagógicos até para educação artística, toda maneira de estimular para a alfabetização. Isto é, desen-

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volver o período preparatório, crianças com síndrome de Down ou verdadeiramente com deficiência mental e outras complicações eram encaminhadas para a APAE - Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais ou ARIL Associação de Reabilitação Infantil Limeirense. Após reformas na Educação, não se podia mais fazer somente a triagem pedagógica e sim obrigatoriamente a triagem psicológica, ou seja, um psicólogo deveria atestar que o aluno tinha um Q.I. abaixo da normalidade e que necessitava freqüentar ensino especial para desenvolver sua defasagem e ser depois enquadrado no ensino regular. Observe que na realidade não era uma clientela D.M. e sim uma bimítrofe com muitos problemas de comportamento. Os alunos tanto D.M. quanto D.A. tinham rotina e acesso normal, igual a todos os alunos da Unidade Escolar. Horários de entrada e saída, tudo junto. O período era das 7:20 horas às 11:20 horas (4 horas por dia) e depois o período da tarde das 12:30 horas às 16:30 horas.Com a mudança para Escola-Padrão, aumentou-se a carga horária e as aulas de Educação Artística e de Educação Física que poderiam ser ministradas por outras professoras. Eram duas aulas semanais. Mais mudanças ocorreram e a professora regente da sala especial passou a trabalhar cinco horas diárias e a ministrar todas as aulas da composição do currículo. Como as professoras já eram pedagogas especializadas, faziam os encaminhamentos para os terapeutas (ex-fonoaudiólogos), psicólogos, terapeutas ocupacionais e os casos mais sérios eram encaminhados para tratamentos neurológicos e psiquiátricos em entidades como ARIL (Associação de Reabilitação Infantil Limeirense) e APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Com a abertura do Centro de Especialidades, os alunos que necessitavam desses atendimentos eram encaminhados, pois contavam com uma equipe capacita-

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da para atendê-los. As salas de aula funcionavam no porão da Unidade Escolar. A área era escura, sem arejamento (sol e ar). Passamos na época da Dona Ruth Zucolotto da Silva, diretora, a funcionar no porãozinho (sala baixa com depósito escuro no fundo e cheio de ratos, morcegos, etc, tipo depósito de materiais amarelados e corroídos pelo tempo ou animais peçonhentos que dividiam o espaço conosco, alunos ditos pessoas com deficiência, necessitando do melhor lugar da Unidade Escolar, ou seja, com luz adequada, ar, etc). Depois passamos a usar uma sala improvisada também no meio do pátio e uma instalação nos fundos da escola em frente à classe da Pré-Escola (prédio mais ou menos novo). Quando os ipês floriam, com suas flores amarelas e roxas, aproveitávamos para curtir a beleza que a natureza nos presenteava, tirando-nos do preto e branco e colorindo nossas vidas. Aproveitávamos para fazer nosso lanche em seus tapetes amarelos e lilás inigualável, fazíamos aula de Leitura, Educação Artística e Educação Física, aproveitando essa natureza que nos premiava com sua beleza. Geralmente era setembro, então trabalhávamos os símbolos pátrios, incentivando a poesia e o patriotismo, pois um dos símbolos era o ipê amarelo que nessa época tão bela enfeitava a escola que se tornava cada vez mais fria, cinzenta e desejando que desocupássemos a área para se tornar apenas escola de 2º grau. No início eram duas salas de D.A., todas equipadas com aparelhos de DOSVOX e todo material necessário para estimular e Libras (antiga linguagem de sinais), quase não era utilizada. Os microfones eram adaptados às carteiras com o nome de cada aluno e adaptados aos decibéis necessários para cada um. Era uma aparência de velho, com cores muito desbotadas. Quando substituí naquela sala, encapei os microfones com cores suaves, colori a sala e os alunos começaram a se sen-

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tir mais empolgados, “felizes” com a “nova velha” sala. Na época o diretor era o Senhor Wladismir Gavioli. Comecei a introduzir LIBRAS e muitos alunos adoraram. Foi uma época feliz. Depois transferiram essas salas para a Escola Estadual “Leovegildo Chagas Santos” e as de D.M. (deficientes mentais) para a Escola Estadual “Professor Ely de Almeida Campos“, pois a mesma ia se extinguir e interessava ganhar três salas de D.M., para que isso não ocorresse. Nesta época, a Escola Estadual “Professor Ely de Almeida Campos” funcionava em frente ao CEPROSOM (Centro de Promoção Social Municipal) em Galpão e salas contêineres. Após o prédio novo ter sido concluído no centro da cidade, nós, professores das classes especiais, fomos chamados dia 24/12 às 8 horas à Diretoria de Ensino para sermos comunicadas de que a Escola Estadual “Professor Ely de Almeida Campos” seria de 2º grau e nós sendo de 1ºgrau, isto é, deixaríamos de existir, pois não teríamos mais Unidade Escolar. Foi criado, para acerto de todos, da municipalização, a E.M.E.I.E.F. “Limeira”, a qual nos acolheu juntamente com a diretora Maria Antonieta Passoni e continuamos nosso trabalho de formiguinha na rede municipal.” (Jurema Sedamar de Oliveira Figueiredo, aluna de 1958 a 1962 e professora de 1987 a 1995).

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Classe de deficientes auditivos, 1995. Acervo de Marita Caraccio Armbruster.

A professora Elisa Apparecida Ciarrocchi Silveira, ingressou como professora substituta efetiva no Grupo “BRASIL” em 07 de março de 1961 regendo classes de emergência (deficientes mentais) e em 20 de agosto de 1962 tomou posse no cargo de professora efetiva de classe especial, permanecendo no Grupo “BRASIL” até 1994. Com relação às classes de deficientes mentais, a professora Elisa relata:

“No começo era uma classe especial com 15 alunos de idades mentais variando de 8 a 12 anos de idade cronológica. As crianças eram indicadas pelas professoras de classes comuns que observavam, durante 1 ano, as deficiências do aluno. Antes de iniciado o ano letivo o Serviço de Saúde Mental da Secretaria de Educação de São Paulo mandava uma psicóloga que aplicava testes nas crianças pré-selecionadas. Pré-requisitos: de 9 a 12 anos de idade cronológica; 1 ano ou mais de repetência na classe comum; teste de avaliação psicológica, atestando

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que a criança era “deficiente mental educável” (passível de ser reabsorvida pelo ensino comum). Crianças abaixo da faixa era encaminhada para a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) ou ARIL (Associação de Reabilitação Infantil Limeirense). Diante do grande número da clientela, foram criadas mais classes, centralizadas no Grupo “BRASIL”. Geralmente, a criança começava na classe de adaptação (seria uma Pré-Escola especial) com a professora Elisa Apparecida Ciarrocchi Silveira, se aprovado o aluno ia para o 1º ano especial com a professora Odyl Gutierres de Almeida, que sendo aprovado o aluno ia para o 2º ano especial com a professora Dercy Ferraz Silveira Dibberrn. Se a criança vencesse com sucesso os três anos especiais, voltaria para o 3º ano da classe comum. De outro modo, sairia, com certeza, com todo o seu potencial à tona, sabendo ler, escrever e contar e tendo incorporado ao seu dia-a-dia hábitos sociais, os mais normais possíveis. Não raramente, tivemos ex-alunos cursando o ginásio. O material usado nessas classes era diferenciado. Recebíamos, no início de cada ano, tudo o que iríamos usar durante o período, inclusive jogos educativos, discos, material de educação física. Como cada classe só podia funcionar com 15 alunos, fazíamos cada cartilha à mão e ensinávamos cada criança separadamente, de acordo com sua dificuldade. Particularmente, fiz uma oficina de arte no porão, reciclando latas, pintando tecidos, recortando papel, fazendo tricô, etc... Juntamente com as professoras Odyl e Dercy, percorremos algumas indústrias, pedindo e ganhamos armários de parede a parede com portas de correr: um luxo!!! Tínhamos tocadiscos, fazíamos festas no palco da escola. No recreio as crianças se confundiam com as outras que foram se acos-

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tumando com as deficiências dos colegas, respeitandoos e protegendo-os. Tínhamos também a classe dos surdos-mudos. Fala-se, hoje, em integração: deficientes inseridos nas classes comuns.”
Dora, enquanto diretora do Grupo comenta a respeito da Educação Especial, no período em que foi diretora:

“Onde atualmente é a cantina tínhamos uma sala para deficientes auditivos. Era a única escola que trabalhava com deficientes. Havia os deficientes irrecuperáveis, e também, quem trabalhava com eles: era a professora Elisa Apparecida Ciarrocchi Silveira, e havia os deficientes que iam para a classe da professora Dercy Ferraz Silveira Dibbern que era o 1º ano e os que iam para a professora Deisy Bassinello Ponzo que seria 2º ano, mais tarde essas crianças faziam uma prova e uma classificação pela professora Deisy e eram encaminhados para as classes normais. Então, quando os alunos entravam para a classe normal já tinham pré-requisitos para continuar seus estudos. Infelizmente a legislação acabou com tudo. Nem aprendem os deficientes, nem aprendem os alunos normais, infelizmente.”
A partir da vigoração da lei no. 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, vários educandos com necessidades educacionais especiais, ao longo desses últimos anos, foram inclusos em classes regulares de ensino da Escola “BRASIL”. Atualmente, além da inserção desses alunos em classes regulares, a escola teve a implantação de uma sala de SAPE (serviço de apoio pedagógico especializado), oferecendo novamente atendimento a alunos especiais com D.A. (deficiência auditiva), de 5ª a 8ª séries de diversas escolas do município.

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O SAPE constitui em agrupamento sistemático de alunos da mesma área de deficiência, requerendo alteração significativa de curriculum, além de material pedagógico específico e estratégias pedagógicas diferenciadas, é ministrado por um professor habilitado na área específica de deficiência. Para a organização dessas classes é observada a faixa etária dos educandos, a fim de que não haja uma acentuada discrepância.

“Os alunos recebem atendimento individual duas vezes por semana em horário contrário ao de suas aulas. Como professora de Língua Portuguesa e intérprete da Língua Brasileira de Sinais pela FENEIS (Federação nacional de Educação e Integração dos Surdos), desenvolvo um trabalho de auxílio interdisciplinar, os alunos recebem um reforço escolar em sua própria língua, já que para os surdos o entendimento da Língua Portuguesa é muito comprometido. Assim, estamos certos de que a Escola “BRASIL” presta um trabalho necessário à inclusão escolar e social dessas crianças. (Marta Aparecida da Silva, aluna de 1979 a 1983 e professora desde 2007).

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Escola-Padrão, ampliação da escola e reforma de seu prédio.

Intercâmbio cultural com o Japão, realizado nas dependências da escola. 1990. Entre as pessoas está, da esquerda para a direita, de frente para mesa, Ruth Zucolotto da Silva, diretora da escola (4ª). Acervo da E.E. “BRASIL”.

Em 1990, Limeira dá seqüência ao intercâmbio Limeira-Morodomi firmado pelo então prefeito Waldemar de Mattos Silveira em 1980, com o objetivo de um entrelaçamento entre as escolas de nível primário de Morodomi e Limeira. Estavam presentes o prefeito municipal Palmyro Paulo Veronesi D’Andréa, a delegada de ensino, Abigail Rovai Cardoso e a diretora Ruth Zucolotto da Silva e representando o Japão e a escola Mo Kita estavam o diretor superintendente e fundador da Ajinomoto de Limeira, Kazumoto Kinoshita. Dentre muitas apresentações realizadas por alunos do Ensino Primário, houve uma apresentação de judô com golpes, quedas e lutas com alunos da academia Bosco e após solenidade foram entregues oficialmente trabalhos da crianças da escola Mo Kita para intercâmbio escolar: cartões postais, fotografias. Leques, brinquedos, esculturas em barro, alguns bonecos de pedra e outros.

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Intercâmbio cultural com o Japão, realizado no palco do galpão da escola. 1990. Acervo da E.E. “BRASIL”.

“Em 1990, o pátio parecia um quintal, havia árvores frutíferas, o galpão com madeira aparente no telhado. Havia um playground para as crianças do Pré-Primário, cujas salas eram fora do prédio principal. No porão do prédio principal funcionavam salas para crianças portadoras de deficiências (surdas-mudas e deficientes mentais) e também a Biblioteca. A escola atendia crianças da Pré-Escola, do Primário e do Ginasial que era como se chamava, respectivamente, a Educação Infantil, Ensino Fundamental Ciclo I e Ensino Fundamental Ciclo II. Foi nesse ano que teve início o colegial: 2º grau à noite e também o supletivo.” (Márcia Sueli Feltrin, professora desde 1990). “Quando entrei na escola, em 1992, ainda não havia o prédio novo, só aquele galpão e uma escadaria que descia até um gramado lá embaixo. A cantina era lá embaixo, perto

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de onde tem um vestiário hoje, só existiam uma quadra, o galpão e o prédio velho. No ano em que eu estava no Ciclo Básico I “1º ano”, estudávamos numa sala que era mais separada e havia até um areião para brincarmos, onde até funcionava na época um parquinho e tínhamos medo de subir no prédio velho, pois os alunos eram maiores; e temíamos encontrar o pessoal.” (Tiago Fernando Valentim, aluno de 1992 a 2002).
Em 1992, durante a gestão do governo estadual Luis Antonio Fleury Filho, a escola transformou-se em Escola Padrão. Este projeto teve a Escola “BRASIL” como uma das escolas “piloto” que, de acordo com professores, fora muito eficiente, proporcionando melhorias na qualidade do ensino. Dentre as várias mudanças ocorridas, alguns professores citam: “(...) carga horária maior para os alunos, aulas aos sábados, seis HTPC (Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo) para carga integral e para os demais professores era proporcional, professor com dedicação exclusiva recebia 30% a mais de gratificação no salário, reforma e ampliação do prédio: construção do prédio novo.” (Márcia Sueli Feltrin, professora desde 1990).

“A Escola “BRASIL” passou por vários momentos. O momento mais marcante para mim foi da época de Escola Padrão. Este Projeto foi muito significativo para o processo de ensino e aprendizagem, tanto para os educadores quanto para os alunos. Os professores tinham na época momentos para refletirem e discutirem sobre suas práticas pedagógicas no cotidiano, pois havia a função de professores coordenadores de área, necessário para que o processo de discussão ocorra na escola entre os educadores. Na época eram escolas padrão: E.E. “BRASIL”, E.E. “Professor

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Gabriel Pozzi” e E.E. “Castello Branco” .” (Ivanil Aparecida Garro, professora da Escola “BRASIL” desde 1985 e afastada junto à Diretoria de Ensino Região de Limeira para a função de A.T.P.(Assistente Técnico Pedagógico) na Área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias). “Os anos 90 foram muito gratificantes para todos da E.E. “BRASIL”, período que nossa escola deu um grande salto para a modernização, tanto na parte pedagógica como para a secretaria, iniciando a era da informatização, tão esperada e na época era privilégio apenas das melhores escolas de cada cidade, as chamadas Escolas-Padrão. A Escola-Padrão foi um marco para o ensino e uma honra para nós, pois conquistamos em primeiro lugar esse título na cidade de Limeira. Seu Plano Diretor permitia a execução de projetos com verbas específicas e assim tivemos a modernização de nossa biblioteca, o início de nosso laboratório, sala de vídeo e permitia que o professor tivesse mais horas de HTPC, com três professores coordenadores, um para cada área: exatas, humanas e comunicação e expressão. Havia aula de Educação Física dentro do período noturno e também aulas aos sábados à tarde. Foi durante esse período que houve a construção de um novo prédio para melhor acomodação dos alunos. Foi um período de muitas lutas, sacrifícios, mas também de grandes conquistas que com certeza deixaram saudades em todos nós.” (Ruth Zucolotto da Silva, diretora de 1987 a 2002). “Não esqueço do grupo de professores que faziam parte deste período, todos passavam muito tempo na escola e assim nossos laços ficaram mais fortes. A comunidade era muito próxima da escola e assim os alunos garantiam estu-

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do e muito empenho em cuidar da querida Escola “BRASIL”.” (Nelson Baptista Gonçalves Júnior, professor desde 1990). “A Escola “BRASIL” sempre representou tradição, qualidade, honestidade, oportunidade e produções pedagógicas e didáticas relevantes e eficientes. Como Supervisora de Ensino, aprendi sobre a verdadeira educação, as interações com diretores, professores e funcionários e alunos e em conjunto realizar um trabalho profícuo e enriquecedor. Sempre observei o trabalho de todos, principalmente dos professores, que tratavam seus alunos como seres humanos e eram conhecedores de seu próprio conhecimento o que para a educação é um principio e uma necessidade permanente. A dedicação dos professores, o trabalho conjunto da escola envolvendo todos que participam do processo educativo, davam-lhes sempre o conforto e a certeza do dever cumprido. O final do ano é o coroamento de seus trabalhos, quando os alunos superam mais uma etapa de suas vidas. Acompanhei a Escola Estadual “BRASIL” quando tornou-se Escola-Padrão, o envolvimento da equipe escolar, as salas ambientes, as reuniões dos coordenadores de área, coordenadores do Ensino diurno e noturno. Os festivais de poesias onde por várias vezes os alunos desta unidade escolar sagraram-se campeões. Além de ser a primeira Escola-Padrão a ser escolhida pela Secretaria de Estado da Educação, seu Plano Diretor foi premiado como um dos melhores do estado. Foi também pioneira na implantação de todos os projetos lançados pela Secretaria, saindo-se sempre muito bem e enriquecida culturalmente, junto aos órgãos superiores. Cada dia que passa, seu nome torna-se cada vez mais conceituado entre sua equipe escolar, a sociedade limeirense e os órgãos que fazem parte da Secretaria de

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Estado da Educação. É uma escola alegre. Por este motivo foi a escola escolhida pelos meus netos para estudarem. Hoje já freqüentam o Curso Universitário. A união da equipe escolar elevou o seu padrão educativo.” (Neuza Maria Bortolan, supervisora de ensino aposentada).

À esquerda, Cozinha e Refeitório na parte superior e Zeladoria na parte inferior e à direita, Prédio Novo, 2006.

Em 1992 iniciaram as obras de construção do novo prédio, fato que mudou a rotina de todos na escola:

“No Ciclo Básico II “2º ano” derrubaram o velho galpão, cercaram todo o pátio e começaram a construir o prédio novo e ficávamos todos na janela vendo a construção do prédio, fazia barulho o dia todo, mas ficávamos maravilhados com as máquinas que colocavam os blocos pré-moldados e a gente ficava acompanhando a construção. Mas, o que me chamou a atenção na época foi a redução do

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recreio, o barulho o dia todo e os homens e máquinas trabalhando. Foram dois anos até o prédio ficar pronto, quando foi inaugurado em 1994.” (Tiago Fernando Valentim, exaluno de 1992 a 2002). “Durante os anos de 1992 e 1993, convivemos com máquinas, equipamentos, engenheiros, pedreiros, serventes, muito barulho. Em 1994, novas instalações, tudo novo e lindo. Mas em 1996, houve a troca do governo estadual e o projeto Escola-Padrão foi cancelado e houve a volta do modelo anterior, que é o mesmo de hoje, ainda com algumas alterações.” (Márcia Sueli Feltrin, professora desde 1990).

Fachada da Escola, 2004.

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Durante o 2º semestre de 2003 e o 1º semestre de 2004, a escola foi objeto de uma ampla reforma em toda a sua parte física. Foram substituídos todo o piso, forro, telhado e parte do madeiramento, além de receber uma nova pintura, prevalecendo a cor azul. Em meio a esse período de obras, as aulas foram ministradas em salas cedidas por outras duas escolas da cidade. O período da manhã foi dividido em dois turnos, em classes disponíveis na própria escola, e os períodos da tarde e da noite, enquanto algumas classes freqüentavam algumas salas disponíveis na própria escola, as demais ocupavam salas no Colégio Procotil (tarde) e na Escola Estadual “Professor Nestor Martins Lino” (noite).

Reforma no piso e nas paredes, 2003.

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Reformas nas paredes, forro, madeiramento e telhado; 2003.

Nesse período de reformas, além de mudança no horário, de prédio, houve também o remanejamento de professores de uma classe para outra, para que o professor concentrasse suas aulas num mesmo prédio.

“Durante pouco mais de um ano ocupei a função de vicediretora também nessa escola, este período foi realmente o maior aprendizado, pois a escola passou pela maior reforma de sua história, trabalhamos em quatro turnos diários e em três prédios diferentes, porém nunca deixamos de acreditar que tudo aquilo era para melhorar ainda mais nossa escola.” (Nelsi Aparecida Strasser, professora desde 1994 e vice-diretora).

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As transformações ocorridas na Escola “BRASIL” não são apenas físicas, pois desde período antecedente à reforma, havia iniciado um constante processo de transformação pedagógica, administrativa e disciplinar:

“À vontade e o anseio do grupo que estava desejoso em mudanças, foi de suma importância, pois era desejo de todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem (comunidade escolar/sociedade), sem exceções, e isso só ocorreu também porque todos entenderam a real dimensão do significado da gestão escolar compartilhada em todos os seus âmbitos, que tomou como base o principio de comprometimento como valores éticos, morais, sociais, pedagógicos e humanos, a fim de modificar concepções que nos remetessem para uma nova postura dinâmica, capaz de lidar com os desafios da educação dos dias de hoje. Muitas vezes adotei postura mais mediadora no processo de construção do saber, promovendo o esclarecimento de eventuais dúvidas e orientando na construção de uma gestão participativa e amistosa, através da promoção de ações que visavam à melhoria do trabalho como um todo, facilitando, assim, a convivência entre professor e aluno em sala de aula, acompanhando ações e conteúdos planejados, de forma a auxiliar no aperfeiçoamento do aluno, por meio de critérios que buscavam a melhoria do ensino, de forma coletiva e eficiente, através de fatores de cooperação para a construção de um individuo capaz e crítico dentro da sociedade. Foi imprescindível a participação das famílias que passaram de coadjuvantes a mediadores das nossas propostas, ou seja, os filhos que ficavam sem um guia, um ponto de referência para o seu crescimento moral, passaram a contar com uma supervisão firme emplacada pelos pais em conjunto com os professores da Escola “BRASIL”, pois quando não havia adultos preocupados ao lado desses alunos interagindo, entendendo e até mesmo interpretando, esses se portavam com total irresponsabilidade com a sociedade

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(escola/comunidade). Afirmo com absoluta certeza de que se em uma escola, o intimidador fizer o que quiser, a vítima não tem a possibilidade de agir e se os espectadores não fizerem nada, ou pior, ficarem do lado do intimidador por medo de serem os próximos alvos, a violência será imperativa. O apoio recebido do Sr. Artur Baccaran Junior, foi de suma importância para que eu construísse esse amadurecimento profissional. Sempre tive a convicção e o apoio desse esmerado professor, portador de uma competência técnica invejável. Ele era capaz de identificar e de valorizar as competências de todos ao seu redor, dentro de sua profissão e dentro de suas práticas. Era um professor que vivia a ajudar, fazendo não só a mim, mas aos alunos refletirem sobre os valores que aparecem na solução de um problema e analisando situações concretas, que aconteciam no dia-a-dia da escola ou que aparecem fora dela. Foi um verdadeiro conselheiro para mim. Esse sucesso alcançado é devido também aos alunos que passaram pela escola, pois sozinha ela não iria conseguir mudar nada.” (Nelson Leme da Silva Júnior, professor e vice-diretor de 2001 a 2005).
Os transtornos criados para alunos, funcionários e professores foram muitos, mas agora vemos os efeitos de todo sacrifício. Hoje, mais do que nunca, a Escola “BRASIL” continua sendo uma das mais belas da cidade.

“Estar na E.E. “BRASIL” é muito gratificante, espaço físico bom e privilegiada localização na região central; mesmo antes da reforma, já possuía grande admiração pela sua arquitetura. Tantas dificuldades e quanto aprendizado durante a árdua reforma, que por fim, valeu a pena.”(Neuza de Araújo Lima, professora desde 2003).

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Hino à Escola “BRASIL”
Qual mãe dedicada Que cuida dos seus, Qual lenda sagrada De mil apogeus, Tu trazes no tempo e no espaço, Em teu meigo abraço As bênçãos eternas que os teus Descendentes ilustres De hoje e de outrora Desfrutam, buscando o saber E o preparo eficiente Que fazem do corpo e da mente O farol da ciência e a razão de viver! O nome da Pátria que ostentas, Com grande nobreza, Traduz com certeza A cultura e o caráter da gente Da bela Limeira, Que tão altaneira Forjou seu perfil Nos bancos de ensino Da Escola Brasil. Tu és uma Escola de encanto, De idéias, de tanto valor, De lutas sadias, De nobres porfias, de luzes, fervor, Pois fazes da graça infantil, Da aventura do jovem, Um hino de sonhos, de crença, de amor!

Letra: Jurandir Godoi Vitta Professor da Área de Linguagens e Códigos da E.E. “BRASIL”

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A Escola “BRASIL” não era representada por esses versos até o ano de 2003, quando o professor Jurandir, professor da Área de Linguagens e Códigos, em momento anterior a aposentar-se, foi motivado a presentear a escola, expressando-a através da composição desses versos.

“Há muito tempo, bem antes da feitura dos versos, já existia uma inspiração latente dentro em mim, a permear a consciência da necessidade de um hino para a Escola “BRASIL”. Apenas me auto-reservava. Tempos mais tarde, já na gestão do diretor, professor Osvaldo Assumpção Castro, articulou-se um projeto para a consecução do Hino Escolar. Um grande amigo e colega, professor de Filosofia, Oséias Constantino de Souza e músico erudito, sugeriu à Direção que: “Jurandir deveria e poderia assumir a responsabilidade de concretizar o referido projeto”. Veio falar comigo. Declinei do convite, alegando que outros poderiam disponibilizar-se nesse sentido. Oséias instou comigo. Nelson Leme da Silva Júnior, o vice-diretor, também. Osvaldo, o diretor, idem. Afinal acedi e pus mãos à obra, a qual fluiu durante um dia e uma noite na ponta do lápis, corrigindo e burilando aqui e ali até que a Providência permitiu saísse de minha lavra o poema intitulado “Hino à Escola Brasil”, em versos irregulares quanto à métrica, porém cadenciados, com as rimas caracterizadas em sua maioria pelo emprego de classes diferentes de palavras; enfim, com as mãos no cinzel, o coração e as idéias no tempo histórico e nas personagens envolvidas com a Instituição de Ensino, foi concluído o modesto opúsculo lírico. Sinto-me gratificado e confesso que não há como me omitir de ficar lisonjeado com o carinho das pessoas sinceras que me deram e dão a honra de sua cortesia.” (Jurandir Godoi Vitta, professor desde 1993 e aposentado em 2003).

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BRASÃO

Diagramação: Professor Luís Antonio Pinto. Este brasão foi idealizado pelo aluno Eli Raphael Alves no ano de 2005, por meio de um concurso promovido pela escola através da disciplina de Educação Artística. Os alunos com grande capacidade de criatividade e gosto pela arte do desenho foram especialmente convidados pela professora Sandra Karina Soares de Souza Roque, que ministra a referida disciplina, a participarem desse desafio. Dentre os projetos apresentados, este foi o escolhido, por melhor retratar a escola, utilizando-se de uma simbologia que privilegia a imagem de seu prédio antigo, com sua arquitetura clássica e de um livro que a caracteriza como um dos maiores e mais importantes centros de educação, ensino e de formação de várias gerações de limeirenses.

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O aluno Eli estudou na escola do ano 2000, quando iniciou a 5ª série, até 2006, ano de conclusão do Ensino Médio e sempre participou de projetos realizados pela escola, como a confecção de várias maquetes para o desfile “7 de Setembro”, pois sempre teve habilidades para trabalhos manuais e desenho. Ainda ressalta:

“Sempre gostei de estudar nessa escola, da direção, dos alunos e dos professores, que sempre foram bons para mim. Fiz amizade com muitos alunos e funcionários da escola. Foi uma honra fazer o brasão para a escola. Achei que seria difícil, mas consegui fazê-lo.”

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CONCLUSÃO
A ESCOLA ESTADUAL “BRASIL” NO SÉCULO XXI
A Escola Estadual “BRASIL” não é seletiva, pois nela encontramos uma clientela extremamente heterogênea. Por ela passam alunos deficientes físicos, com necessidades especiais, com defasagem de aprendizado. Passam também adolescentes cumprindo a penalidade denominada de “liberdade assistida”. Há alunos provenientes de orfanatos, sem uma história que pertença a famílias solidamente constituídas. Enfim, todos participam democraticamente das atividades propostas pela escola.

“Democrática e imparcial, a Escola “BRASIL” recebe todos que por ela procuram, sem discriminação, pois sua prioridade é ensinar o aluno a viver socialmente, e ensiná-lo a conviver com as diferenças.”(Maria Luiza Luz Lussier, professora desde 1987 e aposentada em 1998 e professora desde 2000).
A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, juntamente com a Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP), desenvolveram sistemas de ensino gratuitos aos Jovens e aos Adultos (EJA), que por vários fatores não puderam concluir os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, considerando particularidades do alunado, seus interesses, condições de vida e trabalho. O Poder Público viabiliza e estimula o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares entre si. Cada vez mais procurada nas escolas por pessoas que há alguns anos deixaram de concluir seus estudos, elas, agora com este sistema, estão voltando para as salas de aula. A EJA (Educação de Jovens e Adultos) tem por finalidade melhorar a qualidade de vida e da educação dos alunos da referida unidade

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escolar, estimulando o interesse dos alunos, contribuindo para formar, assim, cidadãos conscientes, participativos e multiplicadores destes valores. Dentre as modalidades da Educação de Jovens e Adultos, a Escola “BRASIL” possui o Ensino Supletivo, curso presencial que já havia sido oferecido de 1990 a 1997, retornando suas atividades em 2006. E, a partir de 2000 a escola passa a oferecer, também, o Telecurso, sendo uma outra modalidade de educação de jovens e adultos, apresentando presença flexível e sendo desenvolvido em telessalas da rede pública estadual de ensino. Atualmente o Ensino Supletivo, juntamente com o Telecurso, atende inúmeros jovens e adultos.

Professora Vera Lúcia Leitão Cavinato, ao fundo, e sua turma de alunos do Ensino Supletivo (EJA), 2007. Da esquerda para a direita; 1ª fileira, Maria Ines Mazutti (1ª), Nadia Vaz Fracarolli de Souza (2ª), Anderson Fernando Pinheiro (3º), Fernanda Deluca Prado (4ª), Silvana Vieira (5ª); 2ª fileira, Neusa Ferreira de Almeida (1ª), Darcio Antonio dos Santos (2º), Fabiana Sciuniti de Aguiar (3ª), Elisangela da Silva (4ª), Valdinéia Pires Vieira (5ª), Reinaldo Caetano da Silva (6º), Miguel Cazassa Pio (7º); 3ª fileira, Fatima Almeida da Silva (1ª), Elisabete de Lourdes Gomes da Silva Cruz (2ª), Ezael Nobrega (3º), Dorival Donadelli (4º), Celio Alberto da Silva (5º) Fabiana Cristina Gonçalves (6ª); 4ª fileira, Clarice de Souza Alves (1ª), Sergio Luiz dos Santos (2º), André Moreira (3º), Marinalva dos Santos Cruz (4ª); 5ª fileira, Isabel Cristina da Silva (1ª), Valdirene Rosa dos Santos (2ª).

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“A escola, preocupada em atender às necessidades dos alunos, proporciona um ensino de qualidade, formado por professores concursados, capacitados para ensinar em apenas 1 ano e 6 meses o que se aprenderia em 3 anos no Ensino Médio. Os professores são excelentes, além de serem nossos amigos. A professora Solange Isabel da Silva Ragiotto, de Matemática, explica muito bem, aplica os exercícios, corrige e dá ponto positivo, olha o caderno no final do mês, é super-rápida, diz que nasceu ligada na tomada 220w. Esse método é gratificante para os alunos, além de estimulá-los, o aprendizado flui melhor. A professora Vera Lúcia Leitão Cavinato sempre traz textos de Língua Portuguesa e músicas em Inglês, ouvimos a música e cantamos juntos. Tudo que fazem é com muito carinho. Esse ato de bem querer só poderia ser retribuído com gratidão pelos alunos do EJA. Enfim a consideração, a atenção, o respeito e a amizade entre todos os alunos da EJA, e a direção, professores, coordenador, inspetoras e serventes, fazem da escola um ambiente agradável e o aprendizado torna-se melhor, os alunos mais conscientes e conservadores do patrimônio escolar. Quando concluirmos o ensino, muitos alunos farão a prova do ENEM, PROUNI, tentarão passar em concursos públicos, toda essa vontade de lutar pelos seus ideais será graças ao EJA e aos professores que fazem parte dessa conquista. Onde há união, há harmonia e cidadania.” (Fátima Almeida da Silva, aluna da EJA -Ensino Supletivo, 2007).

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Professora Neuza de Araújo Lima (em pé) e sua turma de alunos do Telecurso (EJA), 2007. Da esquerda para a direita; 1ª fileira, Aparecida de Lourdes Martins Silveira Cintra (1ª), Rosangela Aparecida Amorim do Prado (2ª), Roselaine Kof Moreira (3ª), Diego Alves Carneiro (4º), Adenilson Ferreira da Silva (5º), José Henrique dos Reis (6º), Aidê de Souza Silva (8); 2ª fileira, Adriana Coutinho (1ª), Ana Rita Bueno de Campos Fabres (2ª), Paulo Roberto Guimarães dos Santos (3º), Ivone Freire dos Santos (4ª), Adjane Maria dos Santos Ferraz (6ª), Sirlene Teodoro Gonçalves (9ª); 3ª fileira, José Vitali Júnior (1º), Kátia do prado (2ª), Andréia de Cassia Martins Ferreira (3ª), José Nunes dos Santos (8º); 4ª fileira, Eraides Forti Pacheco (1ª), Simone Alves dos Santos (2ª).

“Atualmente sou professora do Telecurso do projeto EJA (Educação de Jovens e Adultos) na Escola “BRASIL”. Projeto prazeroso, quando encontramos grupos de jovens e adultos um busca de conhecimento e valorizando a nossa tão batalhadora profissão é extremamente gratificante! Considero-me abençoada por Deus, pois os projetos com os quais trabalho nessa escola, no geral, possuem relacionamento de respeito e de retorno mútuo. Obrigada E.E. “BRASIL” por permitir-me fazer parte de sua história!” (Neuza de Araújo Lima, professora desde 2003).

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“Postado em frente à entrada principal da Escola Estadual “BRASIL”, ansioso, junto-me a outros iguais a mim e esperamos o sinal para adentrarmos o recinto escolar. Daí, respiro fundo e dizendo de mim para comigo mesmo: “Voltei aos estudos e desta vez, determinado irei até o fim, ao encontro de meus objetivos”. À medida que o tempo passa, a ansiedade aumenta, o peito parece agitar e sob um forte impacto emocional, um filme passa pela minha cabeça. Arremetido ao passado, vejo-me, ainda criança ante semelhante expectação interior. Pois, há exatos 40 anos, ou seja, em fevereiro de 1957 encontrava-me nesta mesma escola junto a outros meninos da mesma faixa etária e tutelados por nossa querida mestra, a professora Daicy Tetzner Christovam, aguardávamos em fila dupla o instante que sob seu comando fôssemos conduzidos até nossa sala de aula. Hoje, junto de outros colegas, chegamos ao final de mais uma etapa em nossas vidas. Sem dúvida, no futuro, sentiremos uma pontinha de orgulho ao lembrarmos-nos da oportunidade de um dia haver nos encontrados, na condição de alunos da Telessala do Ensino Médio na Escola Estadual “BRASIL”, nossa referência maior, cuja experiência de todos, fortaleceu nossos laços de amizade, como cursandos. A saudade fará descortinar em nossa mente, situações das mais diversas, marcadas indelevelmente pela convivência em classe entre colegas e professores. Nossos queridos docentes, aos quais aprendemos a admirar e a lhes querer bem. Juntos, professores e alunos, tivemos que enfrentar um desafio de gigante: “a inexorabilidade do tempo”. Superado apenas pela habilidade didática de nossos mestres, que souberam aplicar em classe através de sua acurada inteligência, o que possibilitou-nos, aos poucos, fosse brotando em nossas consciências um forte desejo no aprendizado geral, revitalizando o sentimento de cidada-

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nia existente entre nós ao retermos as informações imanentes dos seus ensinos. Ao encerrarmos este ciclo e, com certeza do dever cumprido, deixamos aqui registrada nossa eterna gratidão aos professores pertencentes ao corpo docente da Escola Estadual “BRASIL” e em especial aos nossos mestres queridos; Neuza de Araújo Lima, de Matemática e Marcia Cristina Bosqueiro Armelin, de História e Geografia.” (Paulo Roberto Guimarães dos Santos, aluno de 1957 a 1959 e aluno do Telecurso 2007). A Escola Estadual “BRASIL” propõe um ensino de qualidade baseado na formação integral dos educandos, através das mais variadas formas de linguagens, abordando valores éticos, morais e familiares calcados nos princípios norteadores propostos pela lei nº. 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e preparando-os para serem cidadãos responsáveis, críticos e conscientes, desenvolvendo a autonomia intelectual e tornando-os capazes de compreender os fundamentos científicotecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina e aptos a prosseguirem seus estudos em nível superior, adequando-os e qualificando-os ao mercado de trabalho.

“Hoje considerada uma das Unidades Escolares mais antigas da nossa querida Limeira, manteve seus objetivos de antigamente, cujo foco é formar cidadãos para que lá fora eles possam dar continuidade aos seus estudos, desenvolver uma profissão e praticar cidadania com dignidade.” (Neuza de Araújo Lima, professora desde 2003).
A Escola “BRASIL” condece aos seus alunos muitas atividades extracurriculares, com fins educativos, proporcionando além do caráter ético, intelectual, cultural e humanitário, o lazer e o entretenimento. É prática da escola, além de incentivar, levar os alunos a exposições, feiras, palestras, teatro, cinema, museus, parques (florestal, zoológico, diversões), faculdades,

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empresas, indústrias, entidades assistenciais (asilos, orfanatos). A partir do 2º semestre de 2003 até a conclusão de 2006, a escola foi aberta durante todos os finais de semana através do projeto “Escola da Família” da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, em que eram desenvolvidas atividades lúdicas, recreativas, culturais, educacionais e de saúde para toda a comunidade. Eram proporcionados cursos de inglês, espanhol, teatro, judô, capoeira, dança, além da integração entre alunos e ex-alunos e demais membros da comunidade, socializando o espaço e os bens disponíveis. Essas atividades eram desenvolvidas por estagiários (estudantes universitários) e outros voluntários da comunidade escolar, sob a orientação de um educador profissional. Embora a escola não esteja mais sendo aberta aos fins de semana, muitos destes e outros novos projetos compõem o currículo da escola.

Curso de Informática. À Esquerda, ao fundo, professor voluntário Luis Antonio Pinto, 2005.

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Curso de Capoeira, 2005.

A professora Neuza de Araújo Lima, durante a existência do projeto na escola ocupou a função de educadora profissional e mediante sua participação, fala de sua chegada à escola e de todo o apoio recebido:

“No ano de 2003, quando ao acaso, me foram atribuídas aulas na E. E.“BRASIL”... Cheguei nessa nova escola com certa timidez, principalmente pelo fato de ainda ser professora ACT (admitida por caráter temporário), e sendo a maioria dos professores efetivos na mesma. Contudo, logo me ambientei... Senti-me em casa! Procurei ser profissional e acredito ter cumprido minhas funções, e mediante abertura das inscrições para o cargo de Educador Profissional do programa “Escola da Família” (Projeto da Secretaria de Estado da Educação junto a UNESCO e Fundação Airton Senna), ao timidamente me candidatar, surpreendi-me com a aceitação, e fui selecionada. Fui contratada pelo vice-diretor da época, professor Nelson Leme da Silva Júnior, de quem eu recebi grande apoio e apesar das difi-

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culdades de um projeto recém implantado, cheio de novidades, muita experiência foi me acrescentada ao decorrer do tempo. Um período de metamorfose em minha vida profissional, valeu a pena! Quando fui apresentada ao professor Osvaldo Assumpção Castro, que assumiu a direção de nossa Unidade Escolar, gostei de suas propostas de trabalho. Ao meu olhar, uma pessoa maravilhosa, com quem podia se contar, qualquer que fosse o problema; sempre disposto a colaborar na resolução de problemas e auxiliar com seu conhecimento e sabedoria: um ser humano iluminado no cargo que ocupa. Passado o tempo, resolvi me desligar do projeto, assim quando o Sr. Osvaldo tomou conhecimento, pediu que eu reconsiderasse, repensasse sobre minha decisão. Por motivos particulares, respondi que seria impossível minha permanência no cargo de Educadora Profissional, iria somente exercer o cargo de professora. Atualmente sou muito grata pelas suas sinceras palavras que na ocasião me surpreenderam: - “Dona Neuza, quando cheguei aqui e descobri a senhora como Educadora Profissional, perguntei ao professor Nelson, vice-diretor:...Por que ela? Ele me respondeu que a senhora era competente! Hoje Dona Neuza, quero deixar bem claro... A senhora entrou aqui competente e saiu excelente!”Como profissional e pessoa, essas palavras valeram e valerão para sempre como um grande prêmio que conquistei e jamais esquecerei. No geral, na E.E. “BRASIL”, com relação ao corpo discente, funcionários e o corpo gestor, tem havido um relacionamento agradável, ainda, com algumas pessoas com quem a afinidade se destaca, tal como o atual professor e coordenador pedagógico, professor Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida, que esteve ao meu lado, apoiando e dando sua contribuição de forma inigualável, valiosa na função de Educador Voluntário. Lembra-se das dificulda-

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des e vitórias dos nossos projetos? Da peça teatral, você autor, diretor e ator, premiada pelo Projeto “Conhecer” da Unesp em Rio Claro? Foi inesquecível!, o que me deixa extremamente agradecida.”

Grupo de Teatro “BRASIL EM CENA” em premiação do Projeto “Conhecer” da Unesp de Rio Claro. Da esquerda para a direita, Carla Rafaela Garcia Santicioli (2ª), Evelyn Dayane São Pedro (3ª), David Yuri Ribeiro Amaro (4º), Milena Nathalie Feola (5ª), Éderson Rogério Dorigão (6º), Sabrina Rafaela Damião dos Santos (7ª), Nathicia Cristiny Cardoso (8ª), Rocheli Carlet da Costa (9ª), Fernanda Cristina Garcia Santicioli (10ª), Neuza de Araújo Lima (11ª), Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida (12º), 2003.

Com o objetivo de ampliar e desafiar a expressão e comunicação de imagens, idéias, pensamentos e sentimentos pela forma singular da expressão corporal e escrita, surgiu em 2002 o Grupo de Teatro “BRASIL EM CENA”. Uma das integrantes do grupo, Rochelli Carlet da Costa, aluna de 2000 a 2006, comenta como eram os encontros, a atuação e a interação , entre os integrantes:

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“As aulas eram aos sábados, monitorados pelo professor Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida e recebíamos várias visitas de profissionais de Teatro, que ministravam Workshops. Normalmente começávamos com algumas atividades de alongamento, depois exercícios de voz, de corpo e improvisação. Participamos em 2003 do Projeto “Conhecer”, desenvolvido pela UNESP em parceria com as escolas, com o tema “Uso do álcool e suas conseqüências” e fomos classificados para a fase final em Rio Claro, conquistando o segundo lugar na categoria “esquete”. Todo figurino e cenário era feito pela própria turma, na própria escola. Foi um tempo que deixou saudades, pois não eram momentos em que vínhamos obrigados, eram realmente momentos de aprendizagem, satisfação, amizade e de solidariedade entre o grupo.”

Judô. Professor Nelson Leme da Silva Júnior, ao centro ajoelhado, e sua turma de alunos, 2002.

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A fim de despertar o aluno para a importância da disciplina e o interesse pelo esporte, surge em 04 de março de 2002, através de uma iniciativa voluntária o projeto ”Judô é vida, vida é disciplina”, orientado pelo professor de Educação Física e vice-diretor na época, Nelson Leme da Silva Júnior.

Fanfarra da Escola “BRASIL” durante desfile “7 de Setembro”, 2005.

A fanfarra do Grupo Escolar “BRASIL” teve suas atividades iniciadas no ano de 1977, e atualmente é um dos orgulhos da escola. Há muitos anos vem representando este educandário no desfile de “7 de Setembro”. Além da tradicional apresentação no desfile de “7 de setembro” a fanfarra também participa de campeonatos de bandas e fanfarras. Atualmente, sob o comando de Carlos Luiz Costa Barbosa, Danilo Pereira Borges, Henrique Augusto Basílio, Marcela da Cruz Oliveira e Paulo Henrique Francisco, a fanfarra conquistou este ano, 2007, o terceiro lugar na categoria “percussão”, mesmo apesar do pouco tempo de en-

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saio. É uma competição difícil, pois são muitos os jurados e seus critérios de julgamento. Os instrutores fazem de cada ensaio uma apresentação, mas também descontraindo um pouco. Este ano a fanfarra tem um grupo mais jovem com a sua maioria de alunos entre 11 e 15 anos, contando também com alunos entre 17 e 18 anos. O grupo é pequeno, unido e harmônico. Em momento futuro seu instrutor planeja abrir uma oficina musical para continuar as participações em competições buscando um nível maior de seus alunos.

“Eventos de que participei e outros a que assisti foram não poucos, dentre os quais as exposições artísticas e científicoculturais, apresentações de canto, dança e teatro, saraus de poesia, em cuja iniciativa, organização e produção estava lá a personalidade admirável do professor de Português, Jorge Luís de Almeida, ainda moço, o qual não pode ser esquecido. Havia também os jogos de interclasses e interescolares, belas fanfarras. Cabe aqui uma homenagem ao professor Oséias Constantino de Souza, de Filosofia, e músico erudito, especialista em trompete, o qual, quando de sua atuação como instrutor, imprimiu aos toques de sua fanfarra, ou melhor, banda-fanfarra, um estilo rítmico diferente, adaptando trechos eruditos. Merece elogios o competente trompetista e instrutor Eliel Lúcio de Godoi, hoje em Tangará da Serra, Mato Grosso, de muita sensibilidade e versatilidade no comando da fanfarra da Escola “BRASIL” por vários anos. Os professores Geraldo Assis de Souza e Jaime Honorato, da Educação Física, figuras alegres e competentes, são outras excelentes lembranças nessa área. Falar em detalhes dos mestres e alunos seria matéria para construir um grande livro que carrego em meu interior.”(Jurandir Godoi Vitta, professor desde 1993 e aposentado em 2003).

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Alunos da 6ª série do Ensino Fundamental em visita ao Museu Marinho de Santa Bárbara D’Oeste, 1999.

Alunos da 8ª série do Ensino Fundamental no termas de “Águas de São Pedro”, durante “Semana da Água”. À frente, da esquerda para a direita, em pé, Priscila França (1ª), Greyce Prata Vieira (2ª); deitada, Jamile Jullie Severino, 2002.

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Tiago Fernando Valentim faz referências a algumas viagens e excursões de que participou enquanto foi aluno:

“Participei de várias excursões, fui duas vezes para o HopiHari e fui para São Paulo, no Ibirapuera participar de um concerto da família junto com a escola. A escola, quando premiada pelo bom desempenho no SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) teve como um dos prêmios, uma viagem de quatro dias em Campos do Jordão, e eu juntamente com outros alunos e professores fomos indicados a participar desta viagem. Fui várias vezes para o Ibirapuera em São Paulo participar de eventos com a escola, que a própria Secretaria de Educação e a Diretoria de Ensino da cidade indicava. A Escola “BRASIL” era figurinha marcada e sempre participávamos, representando-a em excursões e outros projetos.”

Viagem a São Paulo, para cerimônia de premiação das escolas da rede estadual de ensino de melhores desempenhos no SARESP, realizada no Ginásio do Ibirapuera (Ginásio Geraldo José de Almeida), 2001. Da esquerda para a direita; fileira posterior, Margarete Piva (1ª), Irme Magno Brasil (2ª), Lucimara Bekman Pompeo (3ª), Tiago Fernando Valentim (4º); na fileira anterior, Marcia Sueli Feltrin (1ª), Inês Aparecida Grego Lussier (2ª), Arthur Baccaran Júnior (3º), Marilene dos Santos (4ª) e Selma Suely dos Santos Pintarelli (5ª).

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Excursão ao parque Hopi-Hari; 2002.

Em época de Copa do Mundo, os alunos da 7ª série do Ensino Fundamental visitam o Estádio Municipal “Major José Levy Sobrinho” o “Limeirão”, 2002.

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Excursão ao Parque “Hopi-Hari”. Momento pedagógico relativo à questão ambiental; reciclagem, 2002.

Excursão ao Parque “Hopi-Hari”. Momento de diversão e entretenimento; alunos e pais de alunos, curtindo grandes emoções. Da esquerda para a direita, Robson Martins de Oliveira (1º), Aparecida Ferreira da Silva Carozini (2ª), Luciano Antonio da Silva (3º), Douglas Fernando de Oliveira (4º), 2003.

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Representantes da escola composto por alunos, professores, entre os quais o diretor Osvaldo Assumpção Castro e pais que participaram do Programa “Viver Escola”, na TV Cultura, um programa da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo em parceria com a Fundação Padre Anchieta, gravado em 24 de outubro de 2003 e exibido em 02 de novembro de 2003. O programa tem a finalidade de interagir as escolas, através de atividades envolvendo habilidades físicas, cognitivas, artísticas e culturais. A Escola “BRASIL” provou saber trabalhar em equipe, consagrando-se campeã, 2003. Acervo da Escola “BRASIL”.

O corpo de gestão tende a administrar de forma democrática, articula objetivos, metas, conteúdos, práticas pedagógicas, análise de resultados, discussões sobre propostas de melhorias, não se esquecendo de que alunos e profissionais são portadores de opinião própria e questionadores. E, durante as primeiras reuniões de planejamento, além de ser discutido e elaborado o projeto pedagógico, são definidos os professores membros de cada comissão (pedagógica, de eventos, disciplinar, patrimônio e integração) que juntamente com os demais integrantes que são alunos, possam discutir e participar democraticamente das decisões.

“A essa equipe administrativa só tenho elogios e agradecimentos. Uma equipe comprometida e competente que conseguiu transformar a imagem de nossa escola. Antes, uma escola sombria e atualmente, luminosa e transpa-

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rente. Rogo a Deus, em minhas orações, que cada um deles continue iluminado, com saúde e perseverante nos seus objetivos. Assim tornando possível a todos os interessados a realização de um trabalho prazeroso rumo ao sucesso da escola.” (Maria Regina Drago Ferreira Camarini, professora desde 1994 e aposentada em 2003 e novamente efetiva desde 2004).
Para a boa convivência entre alunos e escola, profissionais e escola, são estabelecidas regras de conduta para os alunos e regras de convivência para os profissionais, como também, a realização de uma política de boa vizinhança em relação aos moradores e estabelecimentos comerciais ao redor da instituição. Os professores, coordenadores pedagógicos, trabalham juntamente com a administração da escola com o objetivo de melhorar a qualidade do trabalho docente, proporcionando um processo de ensino e aprendizagem bem sucedido. A Escola Estadual “Brasil” desenvolve um trabalho pedagógico coletivo, de tal modo que consegue articular as avaliações internas e externas. Os cuidados com a avaliação permanente dos processos educacionais permitem ao professor redirecionar a sua prática e propiciar outros meios para que o aluno compreenda, produzindo conhecimento. O processo de ensino e aprendizagem contempla conteúdos significativos para o aluno, para a sociedade e para a época, valorizando e estimulando a criatividade por meio da integração das diversas disciplinas e os seus campos de atuação. Os órgãos colegiados como o Conselho de Classe e Série, Conselho de Escola, Associação de Pais e Mestres e Grêmio Estudantil, com apoio de outros seguimentos da escola como a “Rádio Brasil” e seu vereador júnior, participam da gestão escolar, colaborando com a escola para atingir os objetivos educacionais, representando os interesses da comunidade e mobilizando recursos para melhoria do ensino e assistência ao aluno e promovendo festas e demais eventos como exposições, desfile cívico, campanhas e outros.

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Grêmio Estudantil “Professora Irene Alves de Toledo Lima”, 2006. Da esquerda para a direita, Maxsuel da Silva de Oliveira, Rocheli Carlet da Costa, Vitória Regina Pertille, Gisele Cristina de Carvalho Souza e Jonatas Totti de Morais.

A gestão do Grêmio Estudantil é de um ano. Portanto, a cada ano um novo grupo, integrado por alunos, é eleito para trabalhar em prol dos estudantes e da escola. O grêmio, geralmente é composto por alunos líderes, empreendedores e com vontade de trabalhar. Muitas atividades desenvolvidas pela escola são realizadas por iniciativa do próprio Grêmio Estudantil e fornece suporte a outras atividades desenvolvidas em conjunto com a escola. Menções a respeito das campanhas, eleições e atuação do grêmio são feitas por um ex-integrante:

“A primeira vez que participei do Grêmio Estudantil foi em 1998. Tentamos entrar com uma chapa, mas como não havia muita expressão e não estava familiarizado com essa questão política, participamos, mas perdemos. Já no ano 2000 voltamos com tudo, junto com a rádio “Brasil” for-

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mamos um Grêmio e foi uma revolução na escola, pois conseguimos juntar todo mundo que estava a fim de trabalhar numa chapa só, que na época se chamava Megafusão. Havia mais ou menos de 10 a 15 chapas e conseguimos sentar e conversar com o pessoal e unimos as forças, formando um único grêmio. Lógico que havia outros concorrentes, mas conseguimos diminuir de 10 a 15 para 3 a 4 concorrentes e conseguimos concentrar nossa força numa chapa só e ganhamos a eleição numa vantagem de mais de 1000 votos que dava até para eleger um vereador aqui na cidade. Fomos eleitos e na primeira chapa Mega-fusão fui o presidente e a já tínhamos uma considerável aceitação pelos alunos, pois fui vereador Junior, fazia parte do Conselho de Escola e era locutor da rádio, então eu era mais conhecido que “nota de R$ 1,00” na escola. Mas o pessoal realmente gostava da gente, pois estávamos dispostos a trabalhar. Falamos com a Dona Solange Isabel da Silva Ragiotto, que era vice-diretora, e ela confiava em nosso trabalho e dava carta branca para as decisões do Grêmio e por ela gostar de nosso trabalho nunca a decepcionamos.” (Tiago Fernando Valentim, aluno de 1992 a 2002).

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Jogos interclasses, 2001.

“Fizemos aqui na escola vários projetos, desde campanha de latinhas, campanha do agasalho, que era de praxe da escola e campanhas em que passávamos nas salas arrecadando dinheiro para entidades e organizávamos os eventos internos da escola; fizemos o Halloween, o interclasses, que, foi um dos mais organizados interclasses da escola, pois fiquei 11 anos aqui e, realmente, o Grêmio assumiu e pelo fato de sermos alunos, o interesse foi muito grande. Conseguimos fazer um campeonato diferenciado, pois, geralmente, o campeonato interclasses era feito mata-mata, quem perdia estava fora. Todos jogavam contra todos e tínhamos uma freqüência da escola maior e todos vinham para a escola, não era só quem iria jogar. Todos tinham jogo todos os dias. Jogavam futebol, voleibol, jogo misto (meninas e meninos), futebol feminino, xadrez, dama, pingue-pongue. Era um interclasses em que conseguíamos trazer todos os alunos para a escola. Limpamos e ativamos os vestiários

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que, antigamente, eram depósitos de carteiras e os alunos ficavam nas quadras durante tempo integral. Improvisamos um lugar que tinha água, sombra, banheiro, tudo lá embaixo, sem a necessidade de subir. O interessante é que foi um interclasses muito participativo, sem confusão e não havia envolvimento direto de professores. Os professores nos ajudavam, professores até de outras disciplinas, não só de Educação Física, e os que nos ajudavam eram professores que faziam parte da turma e que gostava do grêmio e realmente fizemos um bom trabalho naquele ano. Além disso, o grêmio participava de gincanas, semana da Pátria e até trabalhos voltados à parte física da escola. Chegamos a trocar privada do banheiro, pintar portas, pintar lousa, arrumar carteiras, limpávamos a frente da escola, organizamos os aniversários da escola e outros eventos. O Grêmio era muito ativo. Depois saí da presidência do grêmio no 2ºcolegial e como não poderia me candidatar novamente porque estava na série final, no 3ºcolegial, indicamos um outro aluno, o Rafael Diego Martins dos Santos e fiquei como orador e conseguimos eleger novamente a chapa, com novos integrantes e o Rafael desempenhou um bom trabalho. Nas gestões que atuamos no grêmio, éramos muito ativos, gostávamos de participar das decisões da escola e acabamos misturando o útil ao agradável. Tínhamos a rádio, que era a sensação da escola, a aceitação pelos alunos e o apoio dos professores que nos auxiliavam. Até as campanhas eram muito interessantes, fazíamos cartazes e esparramávamos pelos corredores e na época das eleições ficávamos o dia todo na escola acompanhando, fazendo boca de urna e era algo com que os alunos se envolviam.” (Tiago Fernando Valentim, aluno de 1992 a 2002).

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“O Grêmio Escolar foi alvo de um envolvimento de professores e alunos, na busca de sua representatividade, onde as instâncias da escola, como seu Conselho, eram meios para solucionar emblemáticos problemas com os alunos; como exemplo tivemos a discussão sobre o uso de bermudas pelos alunos, conquista desta época.” (Nelson Baptista Gonçalves Júnior, professor desde 1990).

Rádio “BRASIL”. Da direita para a esquerda, Mikaella Pintarelli (1ª), Lucimara Bekman Pompeo (2ª), Tiago Fernando Valentim (3º), 2002.

A rádio “BRASIL” foi um projeto inovador que surgiu a partir da iniciativa dos próprios alunos. Além do caráter informativo, de entretenimento e cultura desenvolvido pela emissora, ela proporciona apoio e suporte para outras atividades desenvolvidas pela escola. Tiago Fernando Valentim, ex-aluno e um dos fundadores da rádio na escola, comenta toda a história dela, desde a sua criação, como também as atividades por ela desenvolvidas e a influência deste projeto para sua vida profissional:

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“A idéia de criar a rádio surgiu em 2000, quando eu estava no grêmio da escola. Inicialmente esta não tinha nada de material, equipamentos de som, somente um amplificador e um equalizador. Usávamos no intervalo, gostamos e levamos a idéia para a direção, na época eram a Dona Ruth Zucolotto da Silva, a Dona Solange Isabel da Silva Ragiotto e o Sr. Arthur Baccaram Junior os vice-diretores, que aprovaram. Gostaram e acreditaram na idéia, começamos com som no intervalo, som no palco, algo simples, em seguida pensamos numa maneira junto com a professora coordenadora da época, Dona Márcia Sueli Feltrin e surgiu a idéia de criar a rádio e iniciamos com o livro-ouro, passando-o nas lojas, pedindo colaboração para a escola e quem dava, assinava e deixava um cartãozinho e tínhamos o compromisso em divulgar através da própria rádio aos mais de 2000 alunos, era um público grande e uma escola central. Começamos a juntar dinheiro nesse livroouro, porém não o suficiente para começar com o sistema interno de som, que denominamos de rádio.. Após fechar esse livro-ouro, pois não havia mais lojas para pedirmos, surgiu a idéia de montar uma barraca de pastéis. Alguns pais e outros alunos ajudaram e começamos a vender pastéis. A primeira vez foi na praça do Museu, no centro e tivemos problema com a fiscalização e depois trouxemos a barraca para a frente da escola, próximo ao portão de saída e conseguimos juntar R$ 500,00, já tinha R$ 200,00 de livro-ouro mais R$ 300,00 de pastéis. Tudo depositado na conta da escola, tudo certinho, o dinheiro entrou e saiu para reverter em equipamentos. Passamos, praticamente, todas as férias de julho e finais de semana montando equipamentos com pais de alunos que nos ajudavam e os próprios alunos, para não ter custo de mão de obra, pois tínhamos o dinheiro contado. Começamos a rádio ”BRASIL”

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dia 1º de agosto de 2000, sendo o dia de retorno após as férias e deu aquele impacto nos alunos que nunca haviam visto um sistema interno de som dentro da escola e começamos com seis caixinhas e um equalizador. Era algo simples, pouco equipamento, microfone, rádio e som ruins. Com o passar do tempo fomos progredindo. A rádio tinha a participação direta dos alunos e a partir desse ano criamos uma programação. Fiquei na rádio por dois anos e meio, foi o tempo que estava no 1º colegial, na metade do 1º colegial, todo 2º e 3º colegial na rádio. Funcionávamos em dois períodos, da manhã e da tarde, sendo que de manhã, na abertura do período falávamos noticias do jornal da cidade “Gazeta de Limeira”, e na hora do intervalo músicas e abríamos espaço para recados aos alunos. Ao longo desses dois anos e meio, houve outros programas com professores, que faziam programas no intervalo: o professor Nelson Baptista Gonçalves Junior, de Geografia, tinha programa à tarde, a professora Elaine de Assis Asbahl Toledo, de Biologia, tinha programa de manhã. Não tínhamos como medir audiência, mas os alunos gostavam do sistema interno, pois depois eu ia para a sala de aula e ouvia os comentários dos colegas. Atingimos um público de muitos alunos, muito mais do que uma rádio comunitária atinge hoje e na parte da tarde promovíamos gincanas com o pessoal, desde “passa ou repassa”, “qual é a música?”, era uma coisa que realmente agitava o intervalo. Entramos aqui com meia dúzia de caixinhas, equipamento muito simples e, quando saímos daqui, a rádio já havia crescido muito, contando com quase 30 caixinhas de som, triplicou o tamanho da rádio. O equipamento era bom, com microfones sem fio, microfone auricular e microfone de lapela, caixas de som espalhadas por quase todo o pátio, até tivemos problemas com vizinhos da escola, pois o som era realmente muito bom, atin-

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gia toda a vizinhança da escola. Então, investimos muito nessa rádio, tivemos o apoio muito grande da direção da escola, houve uma receptividade muito boa pelos alunos. Junto com a rádio tivemos o “Bazar Brasil”, que foi uma idéia da professora Solange Isabel da Silva Ragiotto, de Matemática, em que no intervalo revendíamos doces, balas e com esse dinheiro fazíamos a manutenção. Quando chegou uma boa verba do Estado, o Sr. Nelson Leme da Silva Junior, vice-diretor, investiu no projeto e a rádio se desenvolveu. O sistema interno de som funcionava diariamente e tinha capacidade de cobrir jogos e fazer entrevistas em qualquer ponto da escola, conseguíamos fazer música e som de qualidade e tinha uma participação direta dos alunos. Somente os alunos participavam, tanto na questão de organização, locução, administração. Muita gente marcou a rádio “BRASIL” nessa época. Depois que saí de lá, continuei, mas devido à reforma que houve em 2004, infelizmente, perdemos uma boa parte dos equipamentos, muitos equipamentos acabaram se perdendo. Não sei como ela funciona hoje, mas, realmente em 2002, quando saímos de lá, tínhamos uma das melhores rádios escolares da cidade, uma das únicas, uma das primeiras e foi modelo para outras escolas. Muitas Escolas Estaduais: “Professor Gabriel Pozzi”, “Professor Antonio Perches Lordello” e “Professor Ely de Almeida Campos” vieram aqui para conhecer a rádio “BRASIL” e sediamos alguns festivais de música aqui na escola. A nossa rádio comportava bandas no palco, enfim, todo equipamento. Semana da Pátria, tudo era feito pela rádio “BRASIL”. Cuidávamos da rádio com muito carinho, vínhamos sempre mantendo tudo em ordem, bem conservado e funcionando. Cobrimos interclasses em 2000, 2001 e 2002. A rádio tinha a capacidade de levar todo o equipamento para a lateral da quadra, fazíamos uma cabi-

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ne onde falávamos os resultados dos jogos e tocávamos música o dia todo. O interclasses era organizado pelo Grêmio Estudantil, fazíamos brincadeiras interativas e tínhamos um contato direto com todos os alunos e até narramos uma final de jogo. A rádio, no período de jogos, era praticamente integral. Chegávamos às 6:30 horas e saíamos às 19 horas, mas com uma satisfação enorme em estar fazendo esse trabalho. Adorávamos ir à escola, fazíamos a rádio e trabalhávamos em prol da própria rádio, era outro mundo. Esse nosso projeto, quando começamos em 2000 até 2002, levou a um crescimento absurdo e em momento algum abandonamos a rádio, muito pelo contrário, a qualidade dela só cresceu. Encontrei muitos colegas que estão nesta área que estou trabalhando, o jornalismo, que passaram pela rádio “BRASIL”. Isso foi uma escola, tanto no sentido escola mesmo, quanto no preparo para a vida. Estou nessa área e devo muito à rádio “BRASIL”, tanto em questão de locução que fazíamos, quanto de aprender a nos comunicarmos com o público; com e muitos quebraram a timidez participando dos programas da rádio “BRASIL”.”

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Sessão da Câmara Júnior, 2002. Da esquerda para a direita, Rafael Diego Martins dos Santos, vereador júnior da Escola “BRASIL”. Acervo da E. E. “BRASIL”

Desde a implantação do projeto Vereador Júnior na cidade, a Escola “BRASIL” teve como vereadores juniores: Tiago Fernando Valentim (2000), Rafael Diego Martins dos Santos (2002), Fernanda Cristina Garcia Santicioli (2003), Carla Rafaela Garcia Santicioli (2004), Damiane Cristina Marques Ramos (2005), Mayara Christini da Silva Costa (2006) e Ayla Mikaelly de Lima (2007). “A primeira vez que houve esse projeto na cidade foi em 1998 e participaram vários candidatos, inclusive eu. Estava na 7ª série e entrei para disputar, pois era algo novo e quem organizava na época era o professor Luís Antonio Pinto, de Matemática e a professora Rosa Maria Bombini, de História. Fui para o 2º turno, mas perdi por 2 votos no 1 º turno para o 1º colocado. Fomos eu e o Vinicius Penteado para o 2º turno e consegui dar uma virada. Ganhei no 2º turno, mas o número de votos não foi suficiente para

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entrar no 1º ano, pois participavam todas as escolas da cidade e seria necessário uma grande porcentagem de votos para assumir o vereador júnior e nós não conseguimos essa porcentagem, pois ficamos com mais de 60% dos votos e chegaram a ser baixos diante de outras escolas. No ano de 1999 me candidatei novamente a vereador júnior e já na 8ª série, conhecendo um pouco mais o projeto e um pouco mais experiente, trabalhei bastante. Formamos uma equipe forte para tentar ganhar e a escola toda estava envolvida nessa questão. Este período marcou muito, pois lembro até o número de votos que tive, vencendo o 1º turno com 838 votos e a 2ª colocada ficou com 37 votos. Fiquei com 801 votos na frente da 2ª colocada, chegando a quase 90% dos votos da escola, eram quase 900 votos, pois era apenas o Ensino Fundamental que participava. Fui o vereador mais votado da cidade, pois eram duas meninas na minha frente e o próximo era eu, o 3º e das escolas estaduais fui o mais votado, entrando com uma margem boa e assumi o 1º vereador júnior da escola. O professor Luís nos orientava sempre, desenvolveu um grupo vinculado ao projeto vereador júnior e esse grupo visitava as escolas e a Escola “BRASIL” era sempre sede e referência para reuniões extraordinárias da Câmara Júnior. Na Câmara Júnior, atuando, tive o vereador César Cortez como padrinho. Apresentei vários projetos: alambrados para a escola, o aumento do efetivo da guarda municipal na praça em frente à Escola “BRASIL” e outros projetos com um senso comunitário, pois o vereador júnior tinha essa função, de atender às necessidades básicas. O projeto funcionava da seguinte maneira: mandávamos o projeto para votação na Câmara Júnior, que era aprovado ou reprovado e passava para a Câmara dos Vereadores e eles votavam novamente o projeto, assim este poderia ser oficializado se fosse sancionado

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pelo prefeito. Fiquei um ano como vereador júnior e tivemos a posse no Teatro “Vitória”. Foi um momento muito legal e sempre, uma vez por mês, havia sessão e cheguei a ser presidente da Câmara Junior no 2º semestre do mandato. Dirigi algumas sessões dentro da Câmara Júnior como presidente da mesa e representando a Escola “BRASIL”. Tive projetos muito bons que acabaram não tendo prosseguimento, pois ficavam barrados na gaveta do meu padrinho César Cortez. Enfim, tive boa uma gestão e no 1º colegial não pude mais participar e posteriormente investimos no Rafael Diego Martins dos Santos, que já era participante do grêmio. O Rafael também venceu, conseguiu entrar e fez um bom trabalho e no ano seguinte investimos na candidata Fernanda Cristina Garcia Santicioli, que também entrou. Era bom, porque trabalhávamos sempre em torno de pessoas boas, que gostavam de trabalhar e não havia desunião, nos uníamos e conseguíamos. Ser vereador júnior foi uma experiência muito boa, por ter sido o primeiro presidente da Câmara Júnior que era de escola estadual, da Escola “BRASIL”, pela consecução de vários projetos de crescimento pessoal e da divulgação do nome de nossa escola entre todas as escolas que participavam do projeto.” (Tiago Fernando Valentim, aluno de 1992 a 2002).
A Biblioteca e a Sala Ambiente de Informática são utilizados para estimular a leitura e a pesquisa, apoiando a promoção cultural e facilitando a aprendizagem do aluno, bem como incluí-lo na era digital, proporcionando-lhe significativa evolução nas condições de aquisição dos conhecimentos.

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Biblioteca “José Bento Monteiro Lobato” e turma de alunos da 2ª série 3, em momento de leitura, 2005.

A Biblioteca da Escola “BRASIL” foi inaugurada em 1984 e inicialmente funcionava em uma das salas do porão. Atualmente ela ocupa uma sala ampla situada no prédio novo e possui mais de 15 mil livros, sendo um dos maiores acervos da cidade. A biblioteca possui duas bibliotecárias (professoras readaptadas executando essa função) que se revesam, proporcionando atendimento aos alunos nos três períodos de funcionamento da escola. A sala possui várias mesas com cadeiras disponíveis para momentos de leitura e pesquisa.

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Sala Ambiente de Informática, 2006. Murilo Bragotto Barros, 1oaluno à esquerda.

A Sala Ambiente de Informática foi implantada em 1998, durante a gestão do então governador Mário Covas.

“Em 1998 tivemos o início da SAI (Sala Ambiente de Informática) com a chegada de dez computadores. Nesse ano foi tentada a implementação de salas ambientes, entretanto, a idéia não seguiu adiante devido ao grande número de classes que a escola abrigava.” (Ruth Zucolotto da Silva, diretora de 1987 a 2002).
Este projeto proporcionou a inclusão digital para milhares de alunos no decorrer desses anos. A Sala pode ser usada pelo professor, juntamente com seus alunos ou apenas pelos alunos. O uso da “SAI” (Sala Ambiente de Informática) requer agendamento, para que o número de usu-

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ários esteja sempre compatível com o número de máquinas e, também, para que os monitores possam se programar. Murilo Bragotto Barros, aluno da 3ª série do Ensino Médio em 2007, já atuou como monitor na sala de informática e descreve como foi o trabalho que desenvolveu:

“(...) fiz um trabalho voluntário. Eu e mais quatro alunos voluntários fomos monitores da SAI (Sala Ambiente de Informática) em 2006; nós nos revezávamos em três turnos: manhã, tarde e noite, de segunda-feira a sextafeira. Dessa forma esse trabalho possibilitou que os demais alunos da E.E. “BRASIL” pudessem fazer suas pesquisas escolares e individuais, terem uma noção maior na área de informática, manuseando o computador com mais segurança. A meu ver, esse projeto de “Aluno Voluntário”, além de auxiliar a escola no desenvolvimento desse trabalho, o voluntário também é valorizado, tendo horas de serviço que valem como experiência na hora de procurar emprego, assim desempenhei meu trabalho da melhor forma possível, pois ele me engrandeceu tanto como profissional como pessoa.”
Freqüentemente a escola realiza campanhas de cunho social. Ela promove palestras abordando os assuntos indicados pela atualidade. Organiza programas de conscientização dos alunos quanto a doenças sexualmente transmissíveis, quanto ao prejuízo do alcoolismo, quanto ao cuidado com a saúde e a higiene.

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Projeto “Amo minha escola, Reciclo em casa”. Venda de materiais recicláveis coletados mediante o projeto, 2006.

O projeto “Amo minha escola, Reciclo em casa”, foi idealizado em 2005 pelo aluno Maxsuel da Silva de Oliveira e compondo a equipe inicial de voluntários os alunos Joyce Luana da Silva Santos, David Henrique de Oliveira, Marisa Rodrigues da Rocha, William Ferreira Jacinto, Jonatas Totti de Morais e Aline Rotcheli de Morais. O projeto é de caráter ambiental e social, pois além da coleta de materiais e conscientização quanto à importância da reciclagem, são arrecadados alimentos e materiais de higiene em eventos promovidos como o “Desfile de moda reciclável” e “Feira de materiais customizados”, que, posteriormente, são doados a instituições assistenciais.

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Desfile de moda reciclável, 2006.

A seguir, Maxsuel da Silva de Oliveira, ex-aluno e voluntário do projeto, relata sua chegada à Escola “BRASIL” e todo o trabalho desenvolvido nesse curto período de tempo:

“No final de 2004 minha família mudou-se para Limeira e em 2005, iniciei o 2º ano do Ensino Médio na Escola Estadual “BRASIL”, no início foi difícil, e, por não conhecer ninguém, tive medo e me sentia preso, mas com o decorrer do tempo conquistei novas amizades e conheci melhor os professores. Particularmente, me realizei demais na Escola “BRASIL”, aluno novo, escola nova, entretanto isso não foi empecilho para desenvolver meus objetivos. Em 2006, na 3ª série do Ensino Médio, fui eleito representante de sala, e no mês de março nasceu o projeto “Amo Minha

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Escola, Reciclo em Casa”, sendo um dos projetos em desenvolvimento de maior repercussão em Limeira e região, conhecido pela sua seriedade e competência em tratar da questão ambiental que vivemos. Como protagonista juvenil, fomentei o espaço para outros projetos e despertei o interesse dos alunos em se expressarem mais na escola, colocando à tona seus projetos, ou seja, suas idéias. Fizemos o 1º Concurso cultural de confecções de cestos de lixo, 1º Concurso de frases de conscientização ambiental, desenvolvendo a conscientização e a importância da higienização das salas de aulas para um ensino de melhor qualidade. No mês de junho recebi o convite para ser diretor social do Grêmio Estudantil; lisonjeado, aceitei, com o objetivo de realizar campanhas sociais que interagissem os alunos e a comunidade, como a campanha de arrecadação de alimentos não perecíveis e produtos de higiene pessoal em prol do Asilo João Kühl Filho. Pela Escola “BRASIL” pude receber o prêmio Talento Jovem 2006 por meus trabalhos exercidos na Escola “BRASIL” e ser indicado ao Troféu Fumagalli 2007. Ser voluntário é se realizar a cada dia, é renovar a vontade de viver intensamente, e o mais importante é se doar ao próximo, sem qualquer vinculo financeiro, o maior pagamento é ver o produto final, ou seja, a natureza feliz, o idoso com comida na mesa, com saúde e os jovens felizes. A Escola “BRASIL” foi parte do meu passado, é realidade do meu presente, e estará sempre no meu coração, sendo levada para sempre, e sempre estarei levando meus projetos para o futuro, como a semente que plantei e que estou colhendo agora.”

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Este projeto está em constante crescimento e consegue a cada dia atrair mais voluntários.

“No ano de 2006, iniciou-se na escola um projeto denominado “Amo minha Escola, Reciclo em Casa”, elaborado por Maxsuel da Silva Oliveira, que o considerava muito importante, mas nunca tive vontade de participar. Atualmente, em 2007, disse à minha amiga, Joyce Luana da Silva Santos, que estudou comigo e participava do projeto, que eu também gostaria de fazer parte da equipe. Fui aceito e comecei a freqüentar todos os dias a escola para trabalhar voluntariamente.” (Milton Luiz Milaré, aluno de 2004 a 2006 e funcionário desde 2007).
Há atividades voltadas para a formação do espírito cívico nas ocasiões propícias para o fortalecimento do patriotismo. Através de eventos como “desfile de 7 de setembro” ou às comemorações sobre as mais diversas datas de nossa história vinculamos o projeto pedagógico com a construção do compromisso pelo nosso país.

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Desfile cívico “7 de Setembro”. Escola “BRASIL” em desfile pela rua Dr. Trajano de Barros Camargo, 2006.

Na cidade de Limeira é tradição a realização de desfile cívico em 7 de setembro. A Escola “BRASIL”, além de ser a Unidade Escolar de Ensino Público mais antiga em funcionamento na cidade é uma das escolas com tradição em participação no desfile cívico. Alguns alunos comentam suas participações no desfile:

“No primeiro desfile cívico de que participamos, usamos uma blusa verde e uma calça branca. Lembro que ninguém queria desfilar com aquela roupa. Foi uma briga com a direção da escola. Acredito que naquela época foi a Escola “BRASIL” que iniciou com esse processo de desfile, um uniforme com roupas de cetim e todos muito cismados, mas no fim acabou dando certo.” (Antonio Carlos de Oliveira, aluno, de 1972 a 1979).

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“Fiquei mais de 10 anos desfilando no dia “7 de setembro” pela escola e um ano o grêmio até comandou os ensaios na rua; saíamos com o pessoal, com apoio da guarda municipal e fazíamos a volta nos quarteirões próximos à escola, foi um ano muito legal. Mesmo depois que saí da escola, em 2003, vim participar do desfile.” (Tiago Fernando Valentim, aluno de 1992 a 2002).
A interação de seus alunos e de toda a comunidade escolar vem ocorrendo através da realização de muitas festas, como acontece no momento de comemorar o “aniversário da escola”, nos atos solenes de “formatura”, na “festa junina” e em tantas outras modalidades de confraternização.

Aniversário de 70 anos da Escola “BRASlL”, 2005.

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A Escola “BRASIL” realizou uma grande festa em comemoração aos seus 70 anos de instalação. Foram convidados para a solenidade e coquetel além de vários representantes e autoridades do poder público municipal, ex-professores e ex-alunos, entre eles uma ex-aluna e ex-professora comenta:

“(...) fui convidada a comparecer a uma solenidade para comemorar os setenta anos do Grupo “BRASIL”. Compareci com muito orgulho e assisti às festividades, participando também do coquetel. Foi tudo muito lindo e me senti parte daquele estabelecimento.” (Rosa Maria Tetzner Giordano, aluna de 1954 a 1957 e professora de 1965 a 1970).

Professores e funcionários em momento de confraternização, 2002.

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Formandos e família na Festa de Formatura no Ítalo Clube, 2006.

“Mais um ano começava, para muitos apenas um, para nós o último. Estávamos na 3ª série do Ensino Médio, sentindo um misto de alegria por estarmos concluindo e tristeza por deixar para trás toda uma história. Ainda no início do ano letivo, a professora responsável pela formatura organizou uma comissão, escolhida pelos alunos. Cada classe tinha seus representantes. A partir daí entramos em ação. Dividimos-nos para arrecadar fundos para os gastos da festa e cada comissão era responsável por uma semana. Isso transcorreu durante todo o ano. Aproveitávamos os intervalos para vender bolos, bombons, trufas, rifas, etc. Usávamos a criatividade. O ano passou rápido. Alguns desistiram, muitos outros se interessaram. Dias antes da formatura, tivemos um ensaio no local. Tudo já estava preparado, aguardávamos ansiosos. Che-

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gara, portanto, a tão esperada festa de formatura. Lá estavam presentes nossos pais e amigos, todos nos olhando com orgulho. Era a nossa noite! Tudo ocorreu bem; na cerimônia e no jantar. Com tanta dedicação e carinho que nossos professores tiveram, cada detalhe estava na mais perfeita ordem. Ao fim, fomos embora. Cada um sabia que naquele momento terminava uma fase de um importante ciclo. Daquele dia em diante, não os vi mais, mas sei que todo esse processo foi tão especial para eles quanto para mim. Aconselho que todos vivam com intensidade cada momento, para que momentos como estes não se percam com o passar do tempo.” (Louise Fernanda de Oliveira, aluna de 2000 a 2001). De todo o registro dessa história, empenhamo-nos primeiramente em demonstrar a origem da escola e, posteriormente, o “porquê” de sua denominação “BRASIL”. Certificando-nos de sua origem e das razões de seu nome, concentramos nossos esforços em interrogá-la ao longo de todos esses anos, a fim de apresentá-la a nós mesmos e aos demais colegas, alunos e a toda sociedade limeirense. Tínhamos como propósito principal compreender e conhecer a Escola Estadual “BRASIL” de uma forma mais profunda. Agora temos todo o histórico dessa instituição registrado em imagens ou na fala de seus sujeitos que vivenciaram cada momento e cada situação, desde seu nascimento, como também ao longo de sua existência até os dias atuais. Se anteriormente não a conhecíamos suficientemente, hoje podemos afirmar que, além de todas essas informações adquiridas, tornando-nos mais íntimos da escola, aprendemos a admirá-la e a respeitá-la muito mais. O que antes era um amor à primeira vista evoluiu para os vínculos mais duradouros e profundos. Este vínculo tem componentes tão sólidos que desejamos nunca terminar, pois constituímos, juntamente com a Escola “BRASIL”, uma aprendizagem de partilha na mais intensa reciprocidade, esta que se faz no inter-

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câmbio de duas histórias, a minha de educador somada com a da escola. Através da análise dos relatos e da interpretação das imagens, concluímos que muitas foram as transformações ao longo desses anos, algumas para melhor, outras para pior. A vida da escola se fez no movimento de sua história. A intensidade para a abertura ao inédito do instante fortaleceu as linhas de sua eficácia, enquanto que os gestos de resistências ao incerto apontaram para a precariedade da experiência. Na soma total, a escola veio se fazendo em meio a uma generosidade de entrega ao seu meio e ao seu tempo. Entretanto, diante de todas essas evidências, não podemos afirmar quais foram o melhor e o pior períodos durante a existência do educandário, apenas que são épocas diferentes, pois sua função, transcorridos os seus setenta anos, não tem sido a mesma da atual. Como pudemos observar através dos relatos apresentados, a escola foi deixando de ser um local único e exclusivo de ensino e aprendizagem, transformando-se em centro social. Muitas vezes deixava transparecer uma vocação mais assistencialista. Outras vezes rompia limites e instigava experiências de emancipação. Anteriormente, muitas crianças queriam estudar e não podiam, por falta de vagas ou pela necessidade de trabalhar, auxiliando o pai e a mãe. Atualmente existem muitas vagas, porém nem todos vão para a escola estudar. Alguns nela estão porque a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº. 9394/96 e o Estatuto da Criança e do Adolescente garantem o direito e instituíram a oferta do ensino como dever do poder público. Há casos de pais que obrigam os filhos a irem para a escola sem a compreensão do sentido da instituição para a vida deles. Quando é assim, eles mostram que não têm mais alguma forma de controle sobre os seus filhos, e preferem enviá-los para que a instituição de ensino tome conta. Muitos alunos estão ali apenas para comer merenda, passear, brincar,... Há uma diversidade de interesses entre os alunos e muitos deles não têm perspectiva de buscar uma qualidade de vida melhor.

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Constituir o registro dos fatos dessa escola foi uma tarefa prazerosa, porém nada simples. Devido à ausência de fontes bibliográficas, tivemos que juntar a sua história que estava fragmentada como um quebra-cabeça em que cada peça estava representada por fotos e relatos de cada um dos integrantes desse jogo, e embora tenhamos juntado um grande número de peças, o jogo continuará, pois esse jogo foi criado com uma peça a menos e sempre ficará uma lacuna que representa os eventos que ainda estão por virem. Certamente os leitores mobilizaram em suas memórias muitas cenas dos acontecimentos desta escola que não apareceram neste nosso registro. Assim, compreendemos o aspecto dinâmico do mosaico implicado no modo de contar os sucessos de nossa escola. A mobilização das lembranças só confirmam a vitalidade das experiências, a intensidade dos acontecimentos, a nobreza da instituição. A nobreza de nossa querida escola foi registrada com a sensibilidade de um poeta na letra de seu hino: “O nome da Pátria que ostentas, Com grande nobreza, Traduz com certeza A cultura e o caráter da gente Da bela Limeira, Que tão altaneira Forjou seu perfil Nos bancos de ensino Da Escola Brasil.” E a alegria experimentada neste oficio de registrar uma historiografia tão intensa só pode nos impulsionar para a declaração dos nossos mais calorosos afetos e de nosso respeito por todos que com ela se comprometeram. O próprio hino nos oferece as palavras propícias para uma declaração de amor deste feitio:

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Wilson Ricardo Antoniassi de Almeida

“Tu és uma Escola de encanto, De idéias, de tanto valor, De lutas sadias, De nobres porfias, de luzes, fervor, Pois fazes da graça infantil, Da aventura do jovem, Um hino de sonhos, de crença, de amor!” Enfim, da Escola Estadual “BRASIL”, este nosso recanto singelo, lançamos nossas vozes de aposta na entrega generosa de educadores, espalhados por todo o Brasil, como que tecendo vínculos subterrâneos de cumplicidade e ousadia. E confirmamos esta nossa mais bela teimosia: a condição de educarmos num tempo rico em desafios!

Escola Estadual “Brasil”: Entre Memórias E Imagens

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Arquivo da Escola Estadual “BRASIL”, Limeira. Arquivo da Prefeitura Municipal, Limeira. Arquivo do Diário Oficial do Estado de São Paulo. IMESP: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Arquivo do jornal “A Gazeta de Limeira”, Limeira. Arquivo do jornal “O Limeirense”, Limeira. Biblioteca Municipal “Professor João de Sousa Ferraz” , Limeira. BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº. 8.069/90. Brasília, DF: Senado, 1990. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº. 9.394/96. Brasília, DF: Senado, 1996. BUSCH, Reinaldo Kuntz. História de Limeira. Limeira: Prefeitura . Municipal, 1967. Centro Municipal de Memória Histórica, Limeira. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, volume XXIX. Rio deJaneiro: IBGE, 1957.

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Gazeta de Limeira. Suplemento histórico. Limeira Artes Gráficas: 1826-1980. Guia de Limeira, nº. 05, ano III. Editorial Fiel Ltda: maio de 1976. HEFLINGER JÚNIOR, José Eduardo (org). História da Justiça em Limeira. Sociedade Pró-Memória de Limeira. Unigráfica, Limeira: 2000. Limeira Ontem e Hoje. Documento histórico e estatístico de Limeira. Editora Certa:1991. Museu Histórico e Pedagógico “Major José Levy Sobrinho”, Limeira. ORLANDI, Eni Puccinelli. “Efeitos do verbal sobre o não-verbal.” In Rua – Revista do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade, Março 1995 – nº.1, p.35-47. Campinas: UNICAMP, 1995. Revista do Povo. Limeira: Papirus, julho e agosto, 1989. Revista do povo. Limeira: CR Gráfica e Editora Ltda, junho 1997. SOUZA, Tânia Conceição Clemente de. “A análise do não-verbal e os usos da imagem nos meios de comunicação”. In Rua – Revista do Núcleo de Desenvolvimento e Criatividade. Março 2001 – nº. 7, p. 65-94. Campinas: UNICAMP, 2001.

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APOIO CULTURAL

MILTON FERRARI

ROBERTO LUCATO

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Contato com o Autor ricantoniassi@ig.com.br ricantoniassi@hotmail.com

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