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Caro Professor,

Em 2009 os Cadernos do Aluno foram editados e distribuídos a todos os estudantes da


rede estadual de ensino. Eles serviram de apoio ao trabalho dos professores ao longo de
todo o ano e foram usados, testados, analisados e revisados para a nova edição a partir
de 2010.

As alterações foram apontadas pelos autores, que analisaram novamente o material, por
leitores especializados nas disciplinas e, sobretudo, pelos próprios professores, que
postaram suas sugestões e contribuíram para o aperfeiçoamento dos Cadernos. Note
também que alguns dados foram atualizados em função do lançamento de publicações
mais recentes.

Quando você receber a nova edição do Caderno do Aluno, veja o que mudou e analise
as diferenças, para estar sempre bem preparado para suas aulas.

Na primeira parte deste documento, você encontra as respostas das atividades propostas
no Caderno do Aluno. Como os Cadernos do Professor não serão editados em 2010,
utilize as informações e os ajustes que estão na segunda parte deste documento.

Bom trabalho!

Equipe São Paulo faz escola.

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GABARITO

Caderno do Aluno de Geografia – 1ª série– Volume 1

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1

OS ELEMENTOS QUE CONSTITUEM OS MAPAS: OS RECURSOS,


AS ESCOLHAS E OS INTERESSES

Páginas 3 - 4
1. Professor, entregue qualquer mapa temático para os estudantes ou indique um do livro
didático.
a) O aluno precisa examinar o mapa sem orientação alguma e sem olhar a legenda
e o título. Com suas próprias palavras, ele deve relatar o que está representado no
mapa; não apenas o título, mas o fenômeno geográfico que está exposto.
b) Exprimir a situação geográfica significa mencionar a distribuição geográfica do
fenômeno: onde ele se concentra, onde se dispersa e perde densidade. Por exemplo:
onde há maior concentração de gente (cidades) ou de formações vegetais, áreas com
pouca população, altitudes mais ou menos elevadas etc.
c) Nesta questão o aluno vai se manifestar livremente. Dificilmente ele dirá que há
erros nos mapas, mas vale a pena pedir a ele para falar sobre isso. É importante
dessacralizar o material impresso: textos e mapas de jornais, revistas e livros podem
ser bons ou ruins, e podem ter erros; mais do que isso, os mapas disponíveis na
imprensa, muitas vezes, vão comunicar a informação a partir dos interesses de
alguém, por isso, podem distorcer ou até mesmo subtrair informações. Além disso,
vale dizer ao estudante que, se o mapa não tem comunicação clara e imediata, ele
pode ter problemas para ser lido e compreendido.

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2.
a) Por meio do uso de tonalidades de verde, o mapa mostra onde as populações
vivem mais. O verde mais escuro indica maior a expectativa de vida; o verde mais
claro, a expectativa de vida menor.
b) Segundo o mapa, na Europa Ocidental há uma elevada expectativa de vida,
enquanto na África a expectativa de vida é baixa – ou seja, as pessoas morrem mais
cedo. Há situações intermediárias, como na América do Sul. Trata-se da
representação de um indicador de desenvolvimento social.
c) Não, esse mapa não tem erros, e não engana nosso olhar. Nem é preciso
consultar a legenda para perceber uma distribuição geográfica do fenômeno
representado neste mapa, que tem comunicação imediata e clara.

Páginas 5 - 7
1.
a) O aluno pode se expressar do seguinte modo: fenômeno distribuído e
representado por círculos de tamanhos diferentes que expressam dimensões
diferentes de tal fenômeno (os círculos maiores, as maiores quantidades; e os
menores, as menores quantidades). Os círculos possuem tonalidades de laranja (ou
cores diferentes) que apresentam uma gradação visual do mais escuro para o mais
claro (indicando maior e menor intensidade do fenômeno), e, também, há círculos
azuis marcadamente distintos, certamente para representar algo bastante diferente. Os
alunos podem também inferir sobre o tema da representação, dizendo que o mapa
representa os locais onde existe grande concentração de pessoas ou, ainda, a
localização das grandes cidades etc.
b) Representam a população total das grandes aglomerações urbanas no mundo, em
2003. Círculos maiores, as maiores populações, e círculos menores, as menores
populações. Na Ásia, aglomera-se a maioria dos círculos maiores e, na Europa,
concentra-se grande quantidade de círculos médios e menores, da mesma forma que
na América do Norte e de certa maneira na América do Sul. A África está longe
dessa condição. Isso dá um retrato de um aspecto do fenômeno urbano no mundo.

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c) As diferentes cores (ou tonalidades) representam a evolução (e a velocidade) do
crescimento dessas aglomerações entre 1975-2003. Cores mais escuras indicam
crescimento maior e mais veloz, e cores mais claras, um crescimento menor. O azul
representa diminuição da aglomeração urbana no período, o que ocorre somente em
alguns casos raros, daí a escolha de uma cor diferente para marcar o contraste com a
informação principal do mapa.
d) Em especial, na Ásia (principalmente na Índia e em Bangladesh) e na África
(Nigéria e Costa do Marfim e cercanias e no Norte da África).
2.
a) As três maiores são: São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires. E São Paulo foi a
que mais cresceu no período representado no mapa.
b) Para responder a esta pergunta, é importante que os alunos observem o ábaco.
Tóquio é a maior e sua população chega a 35 milhões, conforme indicado no ábaco.
Depois vem Bombaim, com cerca de 18 milhões de habitantes, e Nova Délhi, com
um pouco menos de 18 milhões de habitantes, ambas na Índia.
c) Esse fenômeno é mais representativo na Ásia (notadamente no subcontinente
indiano, nos países insulares, como Indonésia e Filipinas, na China e no Japão).
Logo, esse é o segmento continental que possui as maiores aglomerações do mundo.
Por outro lado, é menos representativo na África e também, de certa forma, na
Oceania. Eis dois exemplos característicos:
• no interior das grandes massas continentais, o fenômeno é bem menos
representativo do que nas zonas litorâneas, mas há exceções.
• nos países comumente indicados como pobres (na América Latina e na Ásia – a
exceção é Tóquio) encontram-se as maiores aglomerações.
É importante que você registre qualquer outro comentário, para verificar sua pertinência.
d) Esse tipo de crescimento rápido ocorreu em Nova Délhi (Índia) e Daca
(Bangladesh), cujas populações cresceram mais de três vezes entre 1975 e 2003
(podendo ter chegado a 10 vezes mais). Lagos, capital da Nigéria, região centro-oeste
africana, é um centro urbano na África em que se deu o mesmo fenômeno.
3. Este mapa não tem erros, pois se trata de um mapa quantitativo que se utiliza de
círculos proporcionais que representam volumes populacionais com precisão, e que
também é ordenado, porque usa cores ou tonalidades diferentes para representar uma
ordem. Ele é um bom mapa, pois seu entendimento é fácil, mas é importante

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observar que não se deve acrescentar, num exemplo como este, nenhuma outra
informação visual, uma vez que há um limite que nossa percepção visual distingue e
este limite deve ser respeitado.
4. O recurso cartográfico são: círculos proporcionais, que são utilizados para
representar volumes populacionais; e cores ou tonalidades de valor diferentes, para
mostrar diversas velocidades de crescimento. Eles são recursos de composição de
linguagem, porque formam imagem com relações diretas: maiores círculos, maiores
populações; cores mais escuras, maior velocidade de crescimento (mais pigmentação,
mais intensidade do fenômeno representado), o que gera compreensão única,
impedindo que se faça outro tipo de relação. Espera-se que o aluno concorde com a
afirmação de que os recursos apresentados vão compor a linguagem do mapa e vão
comunicar a informação pretendida.

Páginas 8 - 10
1. Apesar de ser um espaço de apenas 16 cm (longitudinal) por 8 cm (latitudinal), nele
cabe o mundo. É um mapa-múndi que representa o mundo inteiro com suas terras
emersas e seus oceanos. Trata-se de uma realidade infinitamente maior, que foi
reduzida para caber nesse espaço cartográfico.
2.
a) Os números estão sobre traços (verdes) de 3 cm. Os valores mais baixos são os
próximos aos polos e, depois, eles vão crescendo à medida que se aproximam do
Equador (isso é visual): 1780; 4490; 5030; 5530; 5450; 6320; 6480; 6790; 6900;
7230. Há também variações relacionadas à direção do traço (horizontal, vertical e
diagonal), e isso também é visual.
b) Existe uma correspondência entre os traços (cada um de 3 cm) e os números sobre
eles. O traço de 1780 significa que, onde a reta de 3 cm foi traçada, existe, na realidade
do terreno, uma distância de 1780 km. No traço com a inscrição de 6900, o que se
indica é que na posição em que foi marcada a reta de 3 cm a distância é de 6900 km.
c) Neste exemplo, vamos escolher os traços de 5030 e de 7230. Sabemos que cada
uma das retas verdes tem 3 cm no mapa. Então fica assim:
• primeiro caso: 3 cm = 5030 km, logo 1 cm = X e X = 1677 km (5030 dividido por 3);

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• segundo caso: 3 cm = 7230 km, logo 1 cm = X e X = 2410 (7230 dividido por 3).
3.
a) O que há em comum entre um mapa e uma fotografia de corpo inteiro de uma
pessoa é que, nos dois casos, trata-se de representações que reduzem a “realidade”, o
que permite que uma pessoa caiba num pequeno pedaço de papel, e a superfície
terrestre com seus oceanos e terras emersas caiba numa pequena folha de papel. Uma
fotografia também tem escala de redução em relação à realidade.
b) O nome dessa redução, que é feita de forma matematicamente controlada, é
“escala cartográfica”.
4. Se um mapa-múndi tiver uma escala cartográfica assim representada: 1:23 000 000,
isto significa que ele foi reduzido 23 000 000 de centímetros na realidade, ou então
que uma reta de 23 000 000 de centímetros foi reduzida para 1 centímetro no mapa.
5. Uma cidade tem um território muitíssimo menor que a extensão total da superfície
terrestre. Isso quer dizer que, para representar uma cidade num mapa, ela não precisa
ser tão reduzida quanto o mundo. Se houver a redução em ambas as situações da
mesma maneira, as cidades vão aparecer nos mapas apenas como pontinhos quase
invisíveis.
6. No mapa em que houve uma redução de 10 mil vezes (1:10 000), haverá a
possibilidade de apresentar mais detalhes do terreno. No mapa da cidade poderão
aparecer detalhes como ruas, praças, localização de construções, como fábricas,
edifícios etc. Num mapa de 1:23 000 000, uma cidade será apenas um ponto.
Sugestão: Professor, você pode mostrar mapas de diferentes escalas para ilustrar essa
resposta. O ideal é escolher uma área e mostrar a sua representação em escalas
variadas. É possível também utilizar mapas da internet, em sites de busca de ruas ou
de mapas, como o Google Maps, por exemplo.
Além disso, embora nenhuma das atividades apresentadas no Caderno do Aluno dependa da
explicação a seguir, sobre a diversidade de escalas na extensão dos mapas-múndi, sugerimos
que ela seja discutida com os alunos em sala de aula, a título de esclarecimento.

Diversidade de escalas na extensão dos mapas-múndi


Na projeção cilíndrica equidistante-equatorial, todas as linhas verdes têm o mesmo
comprimento, porém, no terreno, as distâncias em quilômetros são diversas. Isso se deve às
deformações presentes na projeção. A escala cartográfica é uma questão da matemática
geométrica, e não tem relação direta e exata com todo o terreno representado num mapa-

6
múndi. Isso significa que a escala cartográfica não pode ser usada para estabelecer as
medidas do terreno, como normalmente se pensa e se procede. As deformações que as
projeções impõem significam um afastamento das medidas do terreno. Por exemplo: a
Projeção Mercator produz uma Groenlândia muito maior que a América do Sul, o que não é
real. Se for expresso em escala gráfica, como no exemplo da projeção cilíndrica
equidistante-equatorial apresentada no Caderno do Aluno, o que ficará evidente é que a
escala não corresponde à mesma relação por toda a extensão do mapa. Quatro escalas
gráficas são oferecidas para esta projeção. Cada escala horizontal só é útil ao longo de seu
paralelo específico, ou no paralelo oposto simétrico em relação ao Equador; a escala
vertical é válida em qualquer posição, o que é uma característica das projeções cilíndricas

Páginas 11 - 13
1. Estes mapas representam a superfície terrestre, embora sejam diferentes. Em todos
são visíveis a Eurásia (Europa + Ásia), as Américas, a África e a Oceania, mesmo
que, em cada um deles, a posição dos continentes não seja a mesma. É possível
também, nas projeções Bertin e Peters, observar linhas imaginárias que estão
representadas de maneira diferente.
2. As diferenças são várias. Eis algumas: os tamanhos da Groenlândia, da América do
Sul e da África são diferentes, ao se comparar a Projeção Mercator com as outras três
(Peters, Bertin e Buckminster Fuller). Na Mercator, a Groenlândia é maior, enquanto
que a América do Sul e a África são menores. Mas isso não acontece nas outras três.
A Projeção Buckminster Fuller tem uma distribuição bem diferenciada dos
continentes, quando comparada com as outras três. E também há diferenças
significativas na representação da América do Norte na Projeção Bertin, em relação
às outras. Muitas outras diferenças podem ser notadas em complemento.
3. Talvez a impressão de mais correta seja atribuída à Projeção Mercator, por ser a mais
familiar, a mais utilizada. A Buckminster Fuller, pela razão inversa (pouco conhecida
na Geografia brasileira), vai passar a impressão de mais errada que as outras. Vale a
pena verificar o resultado dessa enquete. Ele pode não ser o que destacamos aqui,
pois nem a Mercator nem a Peters (outra bastante usual) são conhecidas dos
estudantes. Esse resultado vai ser indicativo da condição do estudante. A Projeção
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Mercator provavelmente será considerada a mais correta pela familiaridade. E se dirá
que o tamanho dos continentes e dos oceanos é mais certo nessa projeção e que as
formas são as mais corretas etc., o que, como já foi afirmado no item anterior, pode
não se comprovar. Neste momento, você pode aproveitar a oportunidade para
mostrar outras projeções, inclusive algumas curiosas, para que os alunos percebam
que existem diferentes maneiras de representação do mundo.
4. No mapa da Projeção Mercator, a Groenlândia é bem maior que a América do Sul,
ainda que, na realidade, ela seja várias vezes menor. Isso quer dizer que, no mapa da
Projeção Mercator, existem deformações, e que ela não é correta em relação à
realidade, embora seja a mais familiar. Além disso, essa análise vai servir para
mostrar que nenhuma projeção consegue representar o mundo de maneira correta; é
preciso que o produtor de mapas escolha a melhor projeção para o tipo de
informação que ele deseja representar.

Leitura e Análise de Quadro e Texto

Páginas 14 - 15
1.
a) Observando-se a Projeção Buckminster Fuller, nota-se no centro (polo) uma
distribuição dos continentes como se estes se espalhassem sobre um globo, de cima
para baixo. Trata-se de um mapa centrado no Polo Norte, e não no Equador, como
nas outras três projeções apresentadas anteriormente. Os oceanos desaparecem (ou
têm menos espaço que noutras projeções) e os continentes parecem bem mais
próximos que costumeiramente em outros mapas.
b) As outras projeções são centradas no Equador. Ficam, assim, visíveis um
hemisfério Norte e um hemisfério Sul e, também, o lado oeste (Ocidente) e o lado leste
(Oriente). Na Projeção Buckminster Fuller, nada disso é evidente, mesmo porque ela
pode ser “virada” como um globo e mostrar na frente a América do Sul, por exemplo.
2. Não, a Projeção Buckminster Fuller também apresenta algumas distorções. De modo
geral, todas as projeções têm alguma distorção. A mais evidente das deformações
nesta projeção encontra-se nas áreas dos oceanos, que são apresentados bem menores
do que em outras projeções. No entanto, esta projeção é a que mais se aproxima na
proporção das áreas e das formas reais dos continentes.

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Páginas 16 - 17
1. O “Mapa territorial de referência” é muito mais próximo (embora possua diferenças)
dos mapas-múndi apresentados até aqui. O mapa “População absoluta, 2000”, por
sua vez, é bastante diferente, pois teve suas extensões e formas territoriais
transformadas. A referência para a construção desse mapa foi o tamanho das
populações de cada país. Em relação aos mapas territoriais convencionais, procurou-
se manter o posicionamento e as relações de vizinhança; no mais, é diferente.
2.
a) É possível saber imediatamente quais são os países mais populosos, pois eles se
destacam visualmente, já que expressam como medida o tamanho da sua população.
China, Índia, Japão e o continente europeu (com todos os países somados) se destacam.
b) Vários deles, por exemplo, o Japão, de pequena extensão territorial, mas com
muitos habitantes. Ou a Austrália, que tem uma grande extensão territorial e
população muito inferior à do Japão, e aparece menor nesse mapa. Ou ainda o
Canadá, que é enorme, mas com pequena população.
c) A anamorfose é a representação cartográfica que usa outras medidas para
representar as realidades geográficas. Ela não usa as medidas de terreno e pode usar
volumes populacionais, valores econômicos, volumes de recursos naturais etc. Com
os números escolhidos é que serão dimensionados os objetos representados. Logo, as
extensões dos países num mapa (por exemplo) serão diferentes, uma vez que as
medidas são outras. Procura-se manter as relações de vizinhança. A anamorfose, por
tudo isso, pode ser chamada de transformação cartográfica.

Página 17
1. Os elementos cartográficos identificados são escala, projeções e formas diferentes de
métricas.
2. Para chegar à escala e às projeções são utilizadas as medidas dos terrenos (distâncias,
extensão, ângulos, reduções proporcionais).

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Páginas 18 - 19
1. A variável visual tamanho, que, no caso do gráfico, são quadrados (mas podem ser
círculos, como no mapa de aglomerações apresentado anteriormente) ou, então, está
representada pela largura das setas.
2. A variável visual valor, representada por tonalidades de cinza ou de cor (no caso do
gráfico, há o exemplo do azul mais claro para o azul mais escuro).
3. São as diversas variáveis visuais de separação: granulação, cores diferentes, hachuras
de orientação, formas geométricas.
4. Volumes diferentes que circulam no espaço são bem representados por setas, que são
um símbolo universalizado, e por suas diferentes larguras, trabalhadas com a variável
visual tamanho. Os mapas que fazem uso de setas variadas segundo tamanho são
chamados de mapas quantitativos de fluxos.

Desafio!

Página 20
1. Para um mapa ser considerado quantitativo, ele deve usar na representação a variável
visual tamanho (quadrados e círculos), para expressar uma relação direta com as
quantidades do fenômeno; quando classificado como ordenado, é porque apresenta
tonalidades de cor para mostrar as intensidades dos fenômenos (mais frio, mais calor,
mais rico, mais pobre etc.); se os vários fenômenos estiverem representados por
variáveis de separação, é porque se trata de um mapa qualitativo; há também o caso
dos mapas de fluxo, em razão do uso das setas (que também são quantitativos, quando
se expressam pela largura das setas); já nos mapas do tipo anamorfose, trocam-se as
medidas de terrenos (métricas) por outras, como as de volume de população.
2. Entre os erros cartográficos mais comuns temos o que usa as variáveis de separação,
utilizadas para representar vários fenômenos diferentes, quando se trata de pôr em
ordem um único fenômeno. Por exemplo: diferentes índices de analfabetismo com
diversas cores, quando o certo seria usar tonalidades de uma única cor. Nesse caso,
só será possível entender o mapa por meio da legenda. Quer dizer, a imagem não se
explica por si só.

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3. Sim, é possível. No próprio Caderno há o mapa das grandes aglomerações do mundo
em 2003, o qual possui uma linguagem com duas variáveis visuais: de tamanho
(círculos proporcionais) e de valor (cores ou tonalidades de uma única cor). Isso faz
com que este mapa seja, ao mesmo tempo, quantitativo e ordenado.

Página 20

Esse tema de confecção de texto é uma oportunidade para refletir sobre o papel dos
mapas, das representações. A ideia é que os estudantes entendam os mapas não como
verdades absolutas, mas como instrumentos que nos ajudam a refletir sobre as
realidades geográficas. Vale destacar que os mapas, na condição de espaços
(cartográficos), podem ser espaço de simulação das realidades geográficas, que também
se estruturam e se desenvolvem em espaços (geográficos). Nesta correspondência
encontra-se a força de um mapa, que deve ser entendido também como um espaço
cartográfico que não se presta apenas a localizar o fenômeno, mas serve principalmente
para que se notem as relações existentes entre os fenômenos e as realidades geográficas.
Por exemplo, um mapa, como o proposto anteriormente para exercitar a linguagem
cartográfica (das grandes aglomerações), permite relacionar aglomerações e
localizações litorâneas, maiores aglomerações e desenvolvimento econômico etc. É
importante que os alunos sejam estimulados a redigir, a expor o que pensam, claro,
usando o que discutiram e exercitaram anteriormente.

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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2

O SENSORIAMENTO REMOTO: A DEMOCRATIZAÇÃO DAS


INFORMAÇÕES

Páginas 22 - 24
1. Sim, a imagem de satélite, como a de um mapa, está representando a superfície da
Terra, que é curva, numa folha de papel plana. E, para isso, é preciso aplicar-lhe uma
projeção e uma escala de redução (escala cartográfica). Em todas essas operações, as
técnicas utilizadas são as mesmas que aquelas empregadas na confecção de mapas.
Logo, a imagem de satélite possui as mesmas distorções de um mapa e também não é
cópia fiel da realidade.
2. Não é possível ser noite no globo inteiro ao mesmo tempo, pois, enquanto na
“extremidade” do Hemisfério Leste é dia, na “extremidade inversa”, do Oeste, é
noite. Os alunos podem observar também a ausência de nuvens; é impossível ter uma
imagem do globo sem nenhuma nuvem, principalmente nas regiões tropicais úmidas.
Logo, uma imagem que mostre o mundo inteiro à noite e sem nuvens é uma
montagem, portanto, uma abstração.
3. O fato de ser uma montagem cria possibilidades de equívocos. Por exemplo: é
possível que se tenha juntado duas imagens dos dois hemisférios (ocidental e
oriental) de datas bem diferentes. Com isso, criou-se uma imagem em que os pontos
iluminados representariam épocas diferentes – e, em uma imagem (ou mapa), espera-
se que as informações sejam da mesma data. O que garante que a montagem seja da
mesma noite é a fonte, quem a fez. No caso dessa montagem, a fonte é a Nasa, uma
agência americana de grande credibilidade.
4. A ideia é que o aluno perceba que o mapa e a imagem não são expressões exatas das
realidades geográficas, mas são intencionais. Elas são representações, formas de
reapresentar as realidades por outros meios. Embora a imagem de satélite seja um
produto de alta tecnologia, ela não deixa de ter a mesma condição de representação
como um mapa. Essas duas formas de representação são igualmente válidas, cada
uma com suas funções.
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Página 24
• Há, sim, algumas coincidências entre as zonas de maior concentração de iluminação
e as de maiores aglomerações, isso porque próximo a determinadas aglomerações as
áreas são mais urbanizadas. É o que acontece em São Paulo, por exemplo.
• Nos Estados Unidos, há uma boa extensão de vários segmentos mais iluminados e
isso não se repete, de modo algum, na China e na Índia.
• As zonas mais iluminadas encontram-se nos EUA e na Europa, áreas de grande e
intensa urbanização, mesmo que elas não sejam as maiores aglomerações.
• Observando as duas representações, é possível concluir que, apesar de as maiores
aglomerações encontrarem-se na Ásia, isso não quer dizer que ali estejam as maiores
zonas iluminadas. A relação entre urbanização e zonas iluminadas existe, mas a
coincidência não é total, pois zonas mais desenvolvidas são mais eletrificadas. E,
mesmo que a urbanização nos países desenvolvidos não tenha o mesmo porte das
aglomerações asiáticas (a exceção aqui é Tóquio), é nela que se notam as zonas mais
iluminadas captadas pela imagem.

Leitura e Análise de Texto e Quadro

Páginas 25-27
1.
• Trabalho com dicionário de entendimento das palavras destacadas e das
desconhecidas. Algumas referências sobre as palavras destacadas:
– Sensor: equipamento que capta a radiação eletromagnética transformando essa
informação em dados digitais.
– Radiação eletromagnética: é uma forma de propagação de energia que permite a
percepção, pelo sensor do satélite, das feições da superfície da Terra.
– Suborbital: termo utilizado para caracterizar os equipamentos que captam as
informações da superfície sem completar a órbita do planeta; as fotografias aéreas e
as imagens de radar são exemplos de produtos obtidos de sensores suborbitais.

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– Satélite: o significado de satélite é “corpo celeste que gravita em torno de outro”;
no caso do sensoriamento remoto, o satélite significa um objeto artificial que gravita
ao redor da Terra captando informações sobre a superfície.
– Bacias de drenagem: área de um sistema de escoamento de águas superficiais,
originadas de nascentes e/ou de chuva, ocupada por um rio e seus afluentes e
limitada por elevações no terreno que dividem topograficamente esta área de
outra(s).
– Fibra ótica: componente da espessura de um fio de cabelo formado por materiais
cristalinos e homogêneos, transparentes o bastante para guiar um feixe de luz (visível
ou infravermelho) através de um trajeto qualquer.
– Vulnerabilidade ambiental: índice que mede a fragilidade de determinadas
regiões em relação à ação humana. Em Geografia, os mapas de vulnerabilidade
ambiental são produzidos a partir da síntese de outros mapas, como declividade,
vegetação original, hidrografia etc., além de imagens de satélite e fotografias aéreas
que identificam o uso e ocupação do solo.
• Grifar (e listar) as passagens não compreendidas individualmente, o que,
obviamente, pode variar de aluno para aluno. Algumas passagens que forem
destacadas por alguns alunos devem ser explicadas para todos.
• Grifar (e listar) as passagens não compreendidas em algum grupo e tentar, com
apoio coletivo, chegar a um entendimento.
• Listar as principais definições, sendo que a de “sensoriamento remoto” é
fundamental de estar entre elas. Os tipos de sensoriamento também não podem
deixar de ser definidos.
a) Para se obter imagens de satélite é preciso, antes, que se lance na órbita terrestre
satélites devidamente programados e equipados com meios para captar as
informações da superfície da Terra à distância, remotamente. Esse meio é um sensor
que vai captar radiações em interação com o meio físico da superfície (com todos os
seus componentes).
b) Em termos gerais eles servem para monitorar a superfície terrestre sob os mais
diferentes aspectos. Quanto mais a tecnologia se desenvolve, mais elementos podem
ser monitorados, mais imagens podem ser tiradas variando os ângulos de visada, a
temporalidade das imagens etc. Já se podem utilizar imagens de satélite para:
monitorar e fazer previsões sobre os fenômenos climáticos; monitorar queimadas e
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diversos desastres naturais (e provocados pelos seres humanos); analisar e
cartografar a dinâmica geográfica da área visada; para fazer a guerra e atingir alvos
dos inimigos etc. Para o bem e para o mal, as imagens permitem outro olhar sobre a
superfície terrestre.
2.
a) Um sensor remoto é o meio de obtenção de informação à distância. Uma câmera
fotográfica, por exemplo, é um sensor remoto. Um satélite que capta as informações
da Terra também é um sensor remoto, e aqueles que ficam na órbita da Terra são os
sensores remotos orbitais. Existem ainda sensores remotos que não são orbitais, e
não estão na órbita da Terra, como um avião que faz fotos aéreas.
b) O satélite geoestacionário é o mais adequado para o acompanhamento em curto
espaço de tempo da evolução dos fenômenos num determinado terreno. Os satélites
que circulam na órbita terrestre dão uma volta na Terra e, somente após esta volta,
tornam a obter imagens dos mesmos pontos. Por isso, seu intervalo de tempo é maior
do que o de um geoestacionário.
c) Os satélites orbitais são os que podem obter imagens mais amplas da Terra, pois
têm vários ângulos de visagem, com várias qualidades de imagem, em razão das
diversas posições que eles conseguem assumir. Já os geoestacionários mantêm-se,
em geral, numa órbita equatorial com um ângulo de visada que cobre até certa
latitude e é mais restrito em termos de amplitude espacial.

Páginas 27 - 28
1. A imagem mostra a América do Sul e parte tanto do Oceano Atlântico como do
Oceano Pacífico.
2. Foi registrada a parte visível dos fenômenos meteorológicos, ou seja, os sistemas de
nuvens, por meio dos quais se interpretam tais fenômenos. O fato de registrar-se
regularmente a evolução desses fenômenos é que permite fazer a previsão do tempo.
3. Essa imagem foi captada por um satélite geoestacionário numa posição orbital
terrestre mais ou menos fixa, com uma velocidade de órbita idêntica da Terra, daí a
condição de “estacionário”. Fica a uma altura superior a 35 km na direção do
Equador. O satélite GOES é pertencente aos EUA e fornece imagens ao Brasil.

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Página 29
1. Atualmente, muitas imagens de satélite são utilizadas pela imprensa, e a ideia é que
os alunos coletem uma variedade delas. Classificar, segundo critérios, as imagens
encontradas: tema, extensão coberta, veículo, data da publicação e da imagem,
periodicidade da seção etc. Organizar uma lista deve servir para fazer uma leitura
qualificada das imagens coletadas e aumentar a compreensão sobre esse tipo de
recurso que capta realidades geográficas.
2. Espera-se que os alunos, nos relatórios, analisem os resultados e expliquem para o
que servem as imagens. Por exemplo: para fazer previsão do tempo, para
acompanhar processos, como desmatamento de florestas, para monitorar incêndios e
tornar mais eficiente seu combate, para analisar e acompanhar a produção do espaço
geográfico quanto às edificações etc. Uma sequência de imagens sobre uma mesma
localidade pode oferecer uma visão qualitativa da geografia do lugar. Às vezes, uma
única imagem já é suficiente para isso, mesmo sem uma ideia de acompanhamento.

Página 29

O que se espera é que o aluno produza um texto que contenha informações sobre os
satélites meteorológicos e sua importância na previsão do tempo. O conhecimento das
mudanças no tempo atmosférico auxilia na agricultura, pode evitar acidentes e permite o
monitoramento de áreas de risco (enchentes e escorregamentos de terra). Neste caso, os
satélites geoestacionários são ideais para o monitoramento climático, pois, por captarem
informações sempre da mesma área, possibilitam o estudo das permanências e
mudanças.

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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3

GEOPOLÍTICA: O PAPEL DOS ESTADOS UNIDOS E A NOVA


“DESORDEM” MUNDIAL

Para começo de conversa

Páginas 30 - 31
1. A palavra “geopolítica” não representa uma simples fusão dos termos “geografia” e
“política”. Mais do que isso, ela significa uma política entre Estados-nação (países)
que se utilizam de meios não políticos sempre que necessário, como as sanções
econômicas e a violência, a guerra.
2. Em 2003, os EUA invadiram o Iraque e derrubaram Saddam Hussein. Os EUA
alegavam que este país protegia grupos terroristas que os ameaçavam e que seu
governo desenvolvia um programa de produção de armas de destruição em massa.
a) A questão da invasão do Iraque foi discutida na ONU, pelos membros
permanentes do Conselho de Segurança, do qual fazem parte os EUA, a Rússia, o
Reino Unido, a França e a China.
b) A ONU não aprovou a invasão, pois nem todos os países que participaram da
deliberação estavam de acordo com as avaliações e os argumentos dos EUA. Rússia,
China e França foram contra a invasão. Os alunos podem ainda citar outros países
que não são membros permanentes do Conselho e se manifestaram contra, como o
Brasil.
c) O Afeganistão também foi invadido pelos EUA em 2002. Esse país fica na
fronteira do Paquistão e era acusado de ser usado como área de ação e de proteção de
um grupo terrorista que atacou a cidade de Nova Iorque. Logo, segundo a visão dos
governantes norte-americanos, um reduto de inimigos. De fato, trata-se de um país
com uma constituição social precária (etnias e grupos tribais em confronto),
fortemente islamizado a partir de grupos organizados que atuam na vida política
(talebans) e que tem sido palco de inúmeros conflitos geopolíticos recentes.
d) Essas invasões têm relação direta com o atentado terrorista em Nova Iorque, em
11 de setembro de 2001, quando dois aviões foram levados a colidir contra dois

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imensos prédios dessa cidade (World Trade Center), matando milhares de pessoas. O
atentado foi perpetrado por um grupo terrorista do Oriente Médio, a Al-Qaeda.
O Iraque e o Afeganistão são países que na época do ataque tinham governantes que
se mostravam como inimigos dos EUA. Mas, ao mesmo tempo, o grupo terrorista de
Osama bin Laden assumiu a autoria do atentado terrorista e, supostamente, teria
ligações fortes com esses governos, o que só se confirmou no caso dos talebans
afegãos. A proposição pede também que o estudante acrescente o que ele sabe sobre
essa região do mundo. Isso é livre, embora o professor possa orientar alguma
pesquisa se achar necessário. Mas o importante, no caso, é ele chegar a uma noção
das razões da instabilidade da área, que implicam as relações com o Ocidente (o que
inclui as reservas de petróleo do Iraque) etc.

Páginas 31- 33
1. O mapa representa algumas situações de fronteiras fechadas no período retratado
(1950-1980). A mais importante das áreas onde há esse fechamento encontra-se na
Europa, mais exatamente dividindo a Europa em duas, a do Oeste e a do Leste. Essa
fronteira fechada era chamada de Cortina de Ferro e separava o mundo capitalista do
mundo socialista. Outras fronteiras fechadas ficam na Coreia e em Cuba.
2. Esse fechamento era a expressão do período da Guerra Fria, cuja ordem mundial era
influenciada diretamente pelos EUA e pela URSS. Daí ser designado como ordem
bipolar.
3. A forma simbólica de designar as fronteiras fechadas (Cortina de Ferro) mostra como
o denominado mundo socialista procurava impedir a influência do lado ocidental
sobre seu destino, pois a capacidade geográfica de alguns países de levarem aos
outros os seus interesses e valores é muito grande. Vale dizer que, à sua maneira, no
mundo ocidental havia também quem temesse a influência do modo de vida
socialista e, de certo modo, censuravam-se informações sobre essa realidade, criando
também uma barreira.

18
Páginas 34 - 35
1.

Força O poderio bélico organizado com grandes exércitos e armamento moderno.


militar
Força O poder no comércio mundial, na capacidade produtiva de suas empresas etc.
econômica
Força A capacidade de propagação de valores culturais além da escala nacional,
cultural com a utilização, para tal, de produtos estéticos (cinema, televisão, música,
literatura etc.).

Força Trata-se da força espacial, que é a capacidade de fazer chegar influências de


geográfica diversos tipos (em especial culturais), mercadorias, exércitos etc. a áreas para
além do seu território.

2. Somente os EUA podem ser designados como superpotência, e países como França,
Inglaterra, China e Rússia incluem-se entre aqueles chamados de potências de
capacidades diferentes.
3. O Brasil tem uma baixa força geográfica, e seu poder de fazer chegar suas
influências culturais e econômicas para além da escala nacional não é grande, em
comparação às potências, embora ele exista em alguma medida.

Desafio!

Página 35
1. Alguns exemplos de respostas.

Força Força Força Força geográfica


militar econômica cultural (força espacial)

Argentina – + _ +

Itália + ++ ++ +

Portugal – + + +

Irã + + _ +

Israel +++ + + +

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2. Não podem ser chamados de potência, embora tenham peso significativo em alguns
aspectos da ordem mundial, como são os casos de Israel e do Irã. O aluno pode
apresentar outros exemplos e, neste caso, é importante que você o auxilie a localizar
sua posição em comparação ao Brasil.

Páginas 36 - 38
Alguns exemplos de passagens no texto s respeito de:
• ampliação do território dos EUA: “[...] os EUA partiram para ampliação do seu
próprio território, por meio de acordos amigáveis e da compra [...]”.
• proteção de seu território: “A prevenção contra as potências colonizadoras europeias
da época para a proteção de seu território em constituição [...]”.
• aumento da influência regional: “No século XX, por exemplo, a América Central foi
alvo de uma formidável ação geopolítica dos EUA [...]”.
1.

Ações do governo americano voltadas para o exterior com vistas a:


O século XIX foi um período importante de formação territorial
ampliar seu
território dos EUA. Nessa época o território americano cresceu muito. O
presidente James Knox Polk chegou a defender a ideia de que os
EUA estariam abertos a qualquer país que estivesse disposto a
anexar-se a ele. Isso serviu de pretexto para a anexação de antigas
áreas coloniais espanholas: Texas, Novo México, Califórnia,
Colorado, Utah e Arizona, que estavam associadas ao México. Em
meados do século XIX a ampliação do território dos EUA
continuava alternando compras, acordos e anexações.
Nos Estados Unidos, logo após sua independência, houve gestões e
proteger seu
território ações para que seu território não fosse objeto de colonização por
parte dos europeus. Isso passava pela aliança com os países
vizinhos das Américas do Norte, Central e do Sul contra essas
mesmas potencias, como também pelo apoio a esses países. Aliás,
Monroe foi o primeiro presidente a reconhecer as colônias
espanholas como independentes, como meio para proteger o
próprio EUA.
20
No século XIX já se falava no imperialismo americano. No século
aumentar sua
influência regional XX, por exemplo, a América Central foi alvo de uma grande ação
geopolítica dos EUA, caracterizada pelo expansionismo
econômico. Os investimentos na área foram significativos,
passando pela construção de uma infraestrutura de porte: o Canal
do Panamá. Na América do Sul não foi diferente, e a influência
regional ampliou-se com a expansão das empresas norte-
americanas.

2. Existe uma vaga semelhança no que diz respeito à ação do Brasil em relação aos seus
vizinhos. Mas, em geral, numa comparação com a ação dos EUA em relação aos
vizinhos e ao mundo, a ação do Brasil pode ser considerada muito mais frágil e
tímida.
3. Esta é uma definição possível e bem real da geopolítica. E é tida como legítima, pois
todos os países, antes de tudo, têm de defender os seus interesses. Os EUA são um
exemplo claro disso em todo seu passado e agora, no presente, quando fica evidente
a resistência de seus governantes em abandonar as posturas geopolíticas.
4. A invasão do Iraque teve uma motivação que em muitos sentidos soou como pretexto
para defesa de interesses geopolíticos mais amplos do que um simples combate a
grupos terroristas. Afinal, no Iraque, há enormes reservas de petróleo, fonte
energética estratégica para o futuro dos EUA. E, também, a instabilidade naquele
país e a presença de um governo hostil dificultariam as ações geopolíticas
americanas na área. Essa atitude é muito semelhante a outras que o texto menciona
sobre essa vocação geopolítica dos EUA, como a disposição de atuar a favor da
independência das outras Américas, cujo objetivo real seria a garantia e expansão de
mercados.
5. Mesmo que a comunidade internacional, de certa forma representada na ONU, tenha
repudiado, em sua maioria, a invasão do Iraque, nos EUA o entendimento foi o de
que o parâmetro a ser seguido em questões como esta é o construído internamente no
país. Isso é a geopolítica. Não se reconhecem instâncias políticas de outros Estados
nacionais, e isso pode ser atribuído à sua condição de única superpotência, o que lhe
dá maior desembaraço nas ações geopolíticas. A bem da verdade, esse fator
contribui, mas a primeira argumentação é a principal.

21
Páginas 39 - 41
• Exemplos: Geopolítica – política de Estado que visa estrategicamente a defesa dos
interesses do país sem reconhecer a legitimidade de qualquer outra postura; medidas
de exceção – posturas transitórias, fora da lei normais, para combater inimigos
diferentes em situações emergenciais, como a perseguição a terroristas; terrorismo –
ação que atinge de surpresa população civil ou alvos militares e faz uso da violência,
realizada por grupos clandestinos.
1. A palavra “geopolítica” incorpora o significado de jogo das relações estratégicas
internacionais. Também é associada à palavra “imperialismo”, que quer dizer ação de
conquista, de domínio por parte de um país sobre outros. Neste caso, a menção é
feita aos EUA.
2. Essa dimensão já aparecia nas ações históricas de constituição dos EUA, cuja
vocação geopolítica de influência sobre os vizinhos e o mundo sempre se fez
presente. Essa dimensão pode ser observada na denominada Doutrina Bush, cujo
objetivo declarado foi o de combater o terrorismo islâmico para proteger os EUA.
3. Praticamente nada mudou até agora. Os EUA agem de modo a manter e ampliar sua
influência no Oriente Médio, área de grandes reservas petrolíferas, assim como em
outras partes do mundo. Isso apenas atualiza o que os EUA sempre fizeram
historicamente. Os alunos podem argumentar que, com a eleição de Barak Obama
para a presidência dos EUA, essa situação pode mudar, mas é importante discutir que
ainda que a política externa americana apresente nuances diferenciadas em cada
governo, ela mantém os mesmos posicionamentos.
4. A denominada Doutrina Bush mantém uma linha de continuidade em relação à
Doutrina Truman, pois esta ação objetiva chegar muito além da escala nacional e
mesmo da escala regional. Trata-se de uma expressão da força geográfica americana
capaz de desalojar os governos do Afeganistão e do Iraque (no continente asiático) e
ainda manter durante anos tropas de ocupação nessas áreas.

22
Desafio!

Páginas 41 - 42

Para a produção de um mapa ordenado sobre os diferentes poderios das potências


mundiais, é preciso, nesse caso, rever o que é um mapa ordenado, com especial atenção
para o uso da variável visual valor. Atenção: se os vários níveis de força das potências
forem retratados com cores diferentes, o nosso olho entenderá que são diversos
fenômenos que estão sendo cartografados, quando na verdade se trata de apenas um.
Assim, o uso de diversas cores é um erro cartográfico que impede a visualização da
geografia do fenômeno, cuja polarização Norte em relação ao Sul é evidente.

Página 42
• Hiroshima e Nagasaki são cidades japonesas que foram atacadas com bombas
atômicas lançadas pelos EUA durante a Segunda Guerra Mundial.
• Atentado de 11 de setembro de 2001, em Nova Iorque, nos EUA: alguns aviões civis
foram sequestrados nos EUA e depois direcionados a alvos civis, matando os
passageiros e também muitas pessoas nos choques. Dois desses aviões foram
arremessados contra as torres gêmeas em Nova Iorque. Milhares de pessoas
morreram e os dois prédios desmoronaram.

23
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4

OS DESERDADOS NA NOVA ORDEM MUNDIAL: AS


PERSPECTIVAS DE ORDEM MUNDIAL SOLIDÁRIA

Para começo de conversa

Página 43

Não é possível afirmar que vivemos em paz, num mundo sem guerras, embora seja
possível dizer que, de maneira geral, os conflitos internacionais diminuíram. Alguns
deles ainda se mantêm de forma muito grave e envolvem duas regiões, principalmente:
o Oriente Médio e o continente africano. Os frequentes confrontos do Estado de Israel
com a população palestina – que busca recuperar a soberania sobre suas terras e também
ter seu Estado – têm uma presença muito forte na mídia internacional e pesa na política
mundial; isto ocorre porque, de certo modo (entre outros motivos), aparece como uma
oposição entre o mundo ocidental e seus valores e outra civilização (aliás, algo bastante
discutível). Os conflitos étnicos no continente africano mostram a instabilidade daqueles
Estados, e a constância das guerras civis tornou-se trágica, em razão das suas terríveis
consequências.

Páginas 43 - 44
1. Trata-se de um mapa de fluxos (dinâmico) e, ao mesmo tempo, quantitativo. Ele usa
as setas para mostrar que há movimento e a largura destas setas para indicar
quantidades de populações refugiadas.
2. Como foi dito, a variável visual de movimento (a seta) está indicando quantidades
proporcionalmente à sua espessura variável, isto é, as setas mais largas indicam mais
refugiados que as mais estreitas.
3. Parte dos principais fluxos de refugiados ocorre no continente africano, palco de
várias guerras civis. A direção dos fluxos é mais imediatamente para os vizinhos,

24
embora alguns se dirijam para a Europa e para os EUA. Também na área da ex-
Iugoslávia há vários fluxos importantes, assim como no Extremo Oriente.
4. Segundo o mapa, a tendência mais imediata numa guerra civil é refugiar-se nos
países vizinhos, em geral em fugas empreendidas a pé por grandes contingentes
populacionais sem recursos para qualquer outra opção.

Página 44

Sugestão de conflitos para pesquisar em grupo:

• Conflitos no centro da África: República Democrática do Congo, Ruanda e Burundi


(parte deles envolve ações de extermínio étnico como o realizado pelos hutus contra
os tutsis);
• Conflito no Sudão, na região de Darfur, praticamente esquecido pela mídia, embora
de grandes proporções;
• Desagregação da ex-Iugoslávia e as ações dos sérvios na Bósnia-Herzegovina.

Desafio!

Página 45
1. Não há o que justifique as crianças-soldado. Essa ocorrência é a expressão da
barbárie. Supõe-se que adultos engajados em guerras participem de causas, defendam
algo, pois têm responsabilidades nos acontecimentos (em tese, ao menos). Mas,
crianças não. São alheias aos acontecimentos, não tem responsabilidade alguma e sua
participação em guerra é algo, obviamente, monstruoso.
2. A proposição aqui é que se reflita sobre as eventuais responsabilidades das potências
nos conflitos africanos. De início, há responsabilidades, pois boa parte das potências
atuais colonizou várias partes da África, e os países contemporâneos desse continente
resultaram dessa colonização. Se eles são mal constituídos, atravessados por
conflitos terríveis, por genocídios, por uso de crianças nas guerras etc., certamente a
empresa colonial tem participação nisso. Isso é um dado histórico. O modo como
atualmente (pós-colonização) as potências conduzem suas políticas internacionais em

25
relação à África é marcado pela negligência, pela baixa atenção, daí a idéia de
deserdados da ordem mundial.

Páginas 46 - 47
1. São mapas diferentes, pois esse é um mapa ordenado, que representa um único
fenômeno e quer mostrar uma ordem dos países que são os mais ajudados para os
que são menos ajudados. Enquanto o mapa de refugiados e deslocados é um
quantitativo de fluxos.
2. No mapa não há indicação dos que mais ajudam, mas apenas são apresentados os que
ajudam. E entre eles temos a superpotência e as potências, embora não
necessariamente a superpotência ajude mais que as potências menores. Por exemplo,
o Japão tem mais programas de ajuda (com mais dinheiro) que os EUA.
3. Hoje é possível dizer que está em curso a criação de certa solidariedade autêntica no
mundo, embora parte dessa ajuda ainda vise também a obtenção de vantagens que
resultam dessas boas relações ou da dependência dos países pobres em relação aos
ricos nas trocas comerciais.
4. Não necessariamente. O mapa mostra que um país como o Brasil recebe ajuda
superior à do Paraguai, bem mais pobre que nós. O mesmo se dá em relação a vários
países africanos.
5. Bolívia, Nicarágua, El Salvador, República Dominicana, Paraguai. Esses países não
estão entre os que recebem mais ajuda, mas estão entre os mais pobres.
6. Boa parte dessa ajuda, como já foi dito, indica a construção de nova solidariedade no
mundo, algo que escapa à lógica geopolítica de se pensar apenas nos interesses
próprios de cada país.
7. Sem dúvida, por mais que se queira negar, há um enfraquecimento da geopolítica.
Por exemplo, a expectativa do mundo todo é que o novo presidente americano
(Obama) venha a estabelecer relações multilaterais (e não apenas unilateral, como é a
lógica da geopolítica) com os países do mundo e com outras instituições,
reconhecendo a necessidade de fazer política, acordos e considerar o interesse dos
demais. Se isso vai acontecer ou não, ninguém sabe, mas que há pressão para isso,
sem dúvida há.

26
Página 48

Discutir a invasão do Afeganistão é útil para: (1) o aprendizado sobre geopolítica e o


papel dos EUA na ordem mundial; (2) o exercício cartográfico, pois tal circunstância
pode ser observada no mapa de refugiados e serve para compará-la com várias outras
situações do mundo. Tendo isso em mente, esse trabalho para casa pode ser bem
orientado.

Outros três exemplos de presença de refugiados – sul da China, Europa do Leste (ex-
Iugoslávia), centro da África (Burundi e Ruanda) –, como exercício de pesquisa em
casa, será mais bem aproveitado se os alunos forem orientados a observar a lógica
geopolítica operando e a reestruturação da ordem mundial, assim como o papel das
potências.

AJUSTES

Caderno do Professor de Geografia – 1ª série– Volume 1

Professor, a seguir você poderá conferir alguns ajustes. Eles estão sinalizados a cada
página.

27
Figura 3 – Projeção Mercator. Fonte: Atelier de Cartogra-
phie de Sciences Po. Disponível em: <http://cartographie.
dessciences-po.fr/cartotheque/merceuro.pdf>. Acesso em:
17 out. 2008.

Projection Mercator
0 2 000 km
Echelle à l'équateur :

Seul l’usage pédagogique en classe ou centre de documentation est libre.


Pour toute autre utilisation, contacter : carto@sciences-po.fr
Atelier de cartographie de Sciences Po, 2007, Pedagogical use only. For any other use dissemination or disclosure, either
www.sciences-po.fr/cartographie whole or partial, contact : carto@sciences-po.fr

Figura 4 – Projeção Peters. Fonte: Carlos A.


Furuti. Disponível em: <http://www.
progonos.com/furuti/MapProj/Normal/
ProjCyl/ProjCEA/>.
Acesso em: 17 nov. 2008.

Oficina de cartografia da Sciences Po


Figura 5 – Projeção Bertin. Fonte: DURAND, M.-F.
et al. Atlas de la mondialisation. Édition 2008. Paris:
Presses de Sciences Po, 2008. p. 136.

Oficina de cartografia da Sciences Po


Oficina de cartografia da Sciences Po

Projeção Bertin 1953


Oficina de cartografia da Sciences Po

Figura 6 – Projeção Buckminster Fuller. Fonte: DURAND,


M.-F. et al. Atlas de la mondialisation. Édition 2008. Paris:
Presses de Sciences Po, 2008. p. 137. Projeção Buckminster Fuller

18
indicando as dúvidas e as possíveis solu- ff Nova atividade em grupo, para a reelabo-
ções. ração dos relatórios, a ser avaliada pelo
professor.
ff Socializar o trabalho desenvolvido nos
grupos de estudo, apresentando a síntese Algumas informações complementares po-
dos diversos relatórios. dem ajudar no aprofundamento sobre o sen-
soriamento remoto, especialmente no que se
Sugere-se que o professor utilize a lousa refere à imagem de satélite.
para elaborar a síntese e dar destaque às defi-
nições principais do texto. E que, em conjunto, Será que, como os mapas, as imagens de
agrupe-as pela proximidade e crie uma hie- satélite têm qualidades e finalidades diferen-
rarquia, segundo a importância de cada uma tes? Um exemplo pode ser útil para entender
das definições. Uma definição que depende de essa questão: existem satélites geoestacioná-
uma anterior para ser compreendida deve vir rios e existem satélites em movimento com
depois daquela da qual é dependente. relação à Terra. Um pequeno quadro com-
parativo (Figura 13) pode dar pistas das
ff Discussão coletiva: resolução das dúvidas possibilidades diversas das imagens de saté-
com a participação de toda a classe. lite (Figura 14).

Satélite geoestacionário Satélite orbital

Tem uma órbita equatorial e se movimenta


Percorre uma órbita em torno da Terra,
com velocidade coincidente à de rotação
circulando-a várias vezes por dia.
de Terra.

Pode captar muitas imagens de uma mesma Pode captar imagens de diversas porções
porção da superfície terrestre em um curto da superfície terrestre, registrando-as com
intervalo de tempo. detalhes.

Por fornecer dados contínuos, é apropriado


Apropriado para produzir informações mais
para acompanhar dinâmicas locais e a
detalhadas e precisas, algumas das quais,
evolução de eventos, como a incidência de
inclusive, não seriam possíveis de ser obtidas
queimadas na Amazônia, sendo também
de outra forma.
usado na área de telecomunicações.
Figura 13 – Quadro comparativo de satélite geoestacionário e satélite orbital. Fonte: Organizado por Jaime Tadeu Oliva espe-
cialmente para o São Paulo faz escola, 2008.

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Geo_1a_1bi.indd 34 16.10.09 09:07:19