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VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL - VIOLÊNCIA E EXPLORAÇÃO SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL - VIOLÊNCIA E EXPLORAÇÃO SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

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VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL - VIOLÊNCIA E EXPLORAÇÃO SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 1

CHILDREN AND YOUTH VIOLENCE - SEXUAL EXPLOITATION AND VIOLENCE AGAINST CHILDREN AND ADOLESCENTS

Evelin Steidel 2

Resumo: O presente artigo tem o escopo de compreender as condições sob as quais a infância e juventude foi submetida durante a história, no tocante aos tratamentos dispensados, e a forma como a família, a sociedade e o Estado encaravam as ilicitudes praticadas contra crianças e adolescentes. Além da compreensão histórica social, serão abordados quais meios de enfrentamento eram e são empregados no enfrentamento da violência infanto-juvenil e principalmente da violência sexual, fazendo um comparativo com a atual situação da problemática.
Dentro do foco central abordado, que é a violência de cunho sexual, serão explanados de que forma se procede o crime, quais as sequelas físicas deixadas nas vítimas e também os traumas e aspectos psicológicos pertinentes. Finalizando ainda com a abordagem da evoluçã o legislativa no enfrentamento dos crimes praticados contra crianças e adolescentes.

Palavras-chave: Violência, Abuso, Exploração Sexual, Criança, adolescente. ABSTRACT: This article has the target to understand the conditions under which children and young people underwent during the story, concerning the treatment provided, and how the family, society and the state viewed the illegal activity committed against children and adolescents. In addition to the historical understanding of social, which will be discussed were ways of coping and employees are facing violence in the juvenile and especially sexual violence, making a comparison with the current situation of the problem.
Addressed within the central focus, which is the violence of a sexual nature, are explained how to carry out the crime, which left physical sequelae in victims and also the trauma and psychological aspects relevant. Finally even with the approach of legislative developments in dealing with crimes committed against children and adolescents

Keywords: Violence, Abuse, Exploitation, Child, Adolescent.

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Nesse artigo procuro fazer um levantamento histórico da evolução do conceito de infância, bem como quais foram os tratamentos à elas dispensados durante a história. Após essa compreensão abordo quais são as formas de tratamentos violentos em especial a violência sexual e suas consequências no desenvolvimento infanto-juvenil. 2 Evelin Steidel, Acadêmica de Direito ± Universidade do Contestado ± UNC ± Canoinhas. Orientada por Salvador de Maio Neto, Advogado inscrito na OAB/SC Nº 4.133, com Especialização em Filosofiado Direito pela Faculdade Federal de Santa Catarina convenio com UNOESC, Mestre em Educação pela Unicamp São Paulo com convenio com a UNC.

o próprio Código Penal. prostitutos ou economicamente incapazes de suprir a prole. maus tratos e abusos sexuais.INTRODUÇÃO Historicamente no Brasil. para serem cidadãos. Entretanto estas não foram às únicas legislações direcionadas à solução dos problemas enfrentados por crianças e adolescentes vítimas de violência. É de grande importância mencionar. tiveram três legislações específicas. órfãos.069. a Lei dos Crimes Hediondos. o Código de Menores de 1979 e finalmente. pais ignorados. qual seja a Constituição Federal. pais presos a mais de dois anos. deixando de ser simples objetos de controle nas políticas sociais dos governos republicanos e de intervenção jurídica. a Lei da Tortura e a mais atual Lei 12. que vão desde a mudança de comportamento até casos mais graves onde a vítima acaba contraindo algum tipo de transtorno psiquiátrico e por vezes tornando-se também um futuro agressor. pais vagabundos. sendo elas: o Código de Menores de 1927. a nossa lei basilar.015 que deu nova redação as anteriormente citadas. mendigos. . à luz da década de 90 foi promulgada a Lei Federal n. os direitos das crianças e adolescentes. que legislava especificamente sobre crianças de 0 a 18 anos em estado de abandono. Nesse diapasão. detentores de direitos e deveres. sem moradia certa. onde crianças e adolescentes passaram a ter direitos. º 8. faz-se necessária a compreensão dos fatores psicológicos que envolvem as vítimas e por consequência acabam por afetá-las com traumas e sequelas profundas. de maus costumes.

1981 8 Caldeira. Viviane Nogueira de Azevedo. desde o tratamento social e familiar até a legislação pertinente. bem como as características dos instrumentos jurídicos destinados ao controle dos menores devem ser interpretadas à luz da consciência social da época. quando foi chamado de ``conceito moderno de infância´´5. o que ocorria era o total descaso da infância. 1998 7 ARIÈS. teve início nos séculos XVI. P. Essa compreensão histórica é necessária. conceito esse que naquela época sequer existia. portanto. o protecionismo do Estado frente às atrocidades cometidas contra crianças e adolescentes seja amplamente aplicada e efetiva. Para Lloud deMause. porque. juntamente com os novos padrões de desenvolvimento que deveriam ser aplicados às crianças para que deixassem de ser ``adultos imperfeitos´´8. O reconhecimento do conceito de infância. XVIII. Violência Doméstica: quando a vítima é criança ou adolescente 4 Guerra.)7 Ocorre que. haja vista que nos séculos passados a infância não era vista como é atualmente. História social da criança e da família. Viviane Nogueira de Azevedo. Viviane Nogueira de Azevedo. Laura Bianca.) A família começou a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância que a criança saiu de seu antigo anonimato(.4 Em verdade. 1998 (Pollock) 3 .Evolução Histórica No decorrer da história a infância vem sofrendo constantes melhorias em relação à proteção que lhe é assegurada.. tendo em vista que o período que antecede o século XX. é que o Estado. Para que as medidas adotadas no enfrentamento de todo tipo de violência que essa categoria vem sofrendo desde os tempos mais remotos tenham eficácia. O Conceito De Infância No Decorrer Da História 9 Guerra. ``a evolução. Marli Marlene Moraes.. compreendes quais fatores são fundamentais para a s olução dos que na luz do século XXI.. devendo comportar-se de forma equiparada àqueles. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. para exercerem as mesmas atividades que os adultos. a história da infância saiu de um pesadelo onde as crianças sofriam as mais bárbaras formas de tratamento até a ideia contemporânea de que os pais se sacrificam pelos filhos. ainda há um longo caminho a ser percorrido pela sociedade para que as crianças e adolescentes sejam vistos e tratados com ampla assistência e dignidade. ressalte-se. Violência de Pais Contra filhos: a tragédia revisada. sendo. deixando claro que embora elas passassem a ter maior importância e também fosse dispensada uma atenção que antes não era. 1998. a sociedade e a Igreja passaram a dar a importância e atenção necessárias às crianças e adolescentes. Philippe Airès e Lloyd deMause chamaram de ``quarentena´´ . que embora essa fosse a maneira de demonstrar interesse na educação e futuro dos Veronese. vieram castigos e os mais severos métodos de educação9. deve-se primeiramente compreender os fatos históricos em torno da temática abordada. História social da criança e da família. Violência de Pais Contra filhos: a tragédia revisada.´´3 No final do século XX. ainda atormentam a sociedade. indispensável à compreensão da forma como o conceito de infância e os cuidados a ela inerentes são praticados é de extrema necessidade para que cada vez mais. Entretanto. Cortez Editora. Cortez Editora. 5 ARIÈS. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Costa. (. XVII. Violência de Pais Contra filhos: a tragédia revisada. Nesse período. porque segundo Ariès.. e a partir dos problemas já solucionados. as crianças passaram a ser retiradas do convívio social onde viviam e eram deixadas no que alguns d outrinadores 6 como Colin Heywood. mesmo com toda a evolução. P. isso ainda não significava que as formas de tratamento à elas fossem brandas e saudáveis. esses eram tidos apenas como ``pessoas pequenas´´ e assim que fossem capazes tomar conta de suas necessidades básicas ± em média aos 7 anos ± eram deixados ao convívio da coletividade. e principalmente. qual se dava em colégios onde as crianças deveriam se adequar aos padrões sociais da época. 1981 6 Guerra. Cortez Editora. isso ainda na época em que sua prole ficava enclausurada nos colégios. Josiane Rose Petry.

mutilações.. antes disto. Já DeMause entende que apesar das sevícias sofridas nos internatos. ela foi tiranizada e deixou de ter a liberdade antes concedida. Mas não eram apenas as crianças e jovens escravos que sofriam esse tipo de barbárie.estão devolvendo às crianças e adolescentes a liberdade que segundo o autor foi lhes retirada.. misturada entre toda a sociedade. tradicionalmente nossa concepção jurídica dos direitos da criança aram absolutamente antagônicos. pois eram considerados apenas animais. João Batista da Costa. isso sem distinção entre adultos e crianças.filhos. Criança sempre foi associada ao conceito de incapaz. em todo o mundo continuam a existir inúmeros casos de infanticídios. 11 DeMause por sua vez. modificando o conceito de família. crescendo solta sem que lhe fossem impostos demais limites à tornava feliz. De certa forma. tratados com muita humilhação e desprezo.10 Para Ariès. porque só então. Esse parâmetro de comparação entre as teses de ambos se dá porque atualmente vemos certa inversão pormenorizada de valores antepostos. pois na época elas era internadas m em colégios apenas para um sexo e não tinham contato com demais pessoas a não ser seus professores que costumavam ser padres. quais mencionados por Ariès. os tratamentos covardes e desumanos dispensados a classe infanto-juvenil. eram todos meros escravos. embora a humanidade tenha passado por um grande avanço na forma de melhor compreender e tratar a infância. escravos que não mereciam compaixão. a educação passou a ser indispensável em seu desenvolvimento. trabalhavam por vezes até a morte. atingindo os escravos. missionários ou freiras. Viviane Nogueira de Azevedo. além de serem torturados. nota-se que ambos estão certos. 1998 12 Saraiva. No tocante à evolução do tratamento da infância na legislação brasileira. conforme ensina João Batista da Costa Saraiva.) Estando as crianças privadas da capacidade de atuar. Violência de Pais Contra filhos: a tragédia revisada. a forma de vida levada inicialmente pela criança. entende que toda essa trajetória foi na verdade uma grande evolução no tratamento dispensado à infância com o passar do tempo. provenientes de castigos e lições para se adequarem aos padrões sociais e culturais então estabelecidos. E a partir do momento em que a condição da infância foi invertida. era muito comum. naquela época crianças abandonadas à própria sorte. haja vista que tanto a sociedade como o legislador ao buscarem ensino e educação de qualidade. 10 Guerra. efetivos e eficazes. ainda sim eles sofriam diversas sevícias. que eram transportados nos porões dos navios negreiros em condições abomináveis. inclusive pensadas ± muito mais como objetos que como sujeitos de direitos. assassinatos. Inicialmente. 1998 11 Guerra. A Doutrina Da Proteção Integral . Ressalte-se que para ele. e também com a aplicação da Doutrina da Proteção Integral ± essa inovação trazida pelo ECA. naturalmente composta por adultos de todos os níveis sociais. abandono. Cortez Editora. Viviane Nogueira de Azevedo. teve início na história de nosso país com a colonização. haja vista que dentro de ambas encontramos situações vivenciadas atualmente.O principio do Superior Interesse e a Convenção dos Direitos da Criança: conteúdo e significado. é de grande valia estabelecer um paralelo entre as teses de Ariès e deMause. sempre foram tratadas ± e. (. Cortez Editora. incestos. realidade esta que infelizmente também vivenciamos atualmente em nosso país. tudo quando ocorreu foi parte de um processo de evolução no tratamento as crianças e adolescentes. não tinham alguma condição de higiene. nada mais que isso. Violência de Pais Contra filhos: a tragédia revisada. Ariès ao entender a necessidade que as crianças possuem de terem a liberdade do convívio social. uma vez que. quanto mais cuidados médicos. Ainda sobre a evolução e modificação do enredo que norteia a infância. . Passavam fome.12 O fato é que a negligência sempre seguiu nossas crianças. trabalhando como adultos para suprir sua inócua existência. etc.

no tocante á proteção desses. E somente no Governo de Getulio Vargas com o advento da Constituição de 1934 que a situação da infância passou a ser tratada com seriedade. àquele em definir crianças e adolescentes. não eram eficazes ao punir seus agressores. não eram específicas quanto aos agressores destes. naquele contexto social. a roda dos expostos juntamente com as casas destinadas aos enjeitados. Josiane Rose Petry. como as que sofriam negligê ncia. ciência que cuida da higiene física e social da criança. 13 Em 1911 foram criados os Tribunais de menores. Marli Marlene Moraes. mas embora abolisse os recém nascidos da escravidão. eram a única esperança. haja vista que era resolver o problema dos menores. A legislação explanada por Portugal foi consolidada no Brasil em 1927 com o Código de Menores. 127 CF 1937). quanto o de 1979 com a chamada Doutrina Tutelar do menor. Na sequencia. a sociedade divergia entre a defesa da criança e a defesa da sociedade contra a criança. No tocante as normais constitucionais. quando a Coroa instituiu o aviso de 10 de janeiro. Posteriormente essa ideia de que ``a infância e juventude devem ser objetos de cuidados e garantias especiais por parte do Estado´´ (art. ainda sim. Durante o período do Brasil República. ainda de forma muito branda. O fato é que tanto o Código de Menores de 1927 com a Doutrina do Direito do Menor. devendo trabalhar para restituí los dos gastos com sua mísera criação. que estabelecia a obrigatoriedade da educação religiosa e dos bons costumes. Apenas em 1828 que começaram a aparecer medidas voltadas ao controle social infanto-juvenil. dentre outras tinham de sobreviver. Costa. em menor carente ou delinquente. mais especificamente na segunda metade do sec. em 1775. haja vista o imenso número de mortalidade infantil registrada.Essa realidade começou a mudar. que apesar de regular os crimes praticados por jovens infratores e jovens escravos. quando então foram reguladas as normas de trabalho que a protegiam. Violência Doméstica: quando a vítima é criança ou adolescente. escravos e portadores de moléstia grave não eram admitidos nas escolas. mas ainda sim. esses ainda eram tratados com a mais bruta indiferença. Embora o objetivo desses institutos fossem recolher e prover pela vida e bem estar das crianças enjeitadas. tem-se que as Constituições de 1824 e de 1881. devido ao grande índice de mortalidade infantil. abaixando a idade mínima de aptidão ao trabalho de 14 para 12 anos. em nada dispuseram sobre classe infantojuvenil brasileira. foi reforçada com a Constituição de 1937. pois foi a partir daí que o Estado passou a preocupar-se com a infância. entretanto. quando o Ministro Sebastião José de Carvalho e Mello regulamentou o recolhimento das crianças órfãs e abandonadas nas cidades brasileiras. limitava-se em atribuir ao Estado e à Igreja a responsabilidade recolher os enjeitados. XIX. e sofreu maior abrangência com a Carta Constitucional de 1946 qual concedeu proteção também à maternidade. e esse ultimo que embora buscasse proteger a criança de situações irregulares. P. com a aplicação de medidas que embora pretendessem abranger as situações que deixavam crianças e adolescentes expostos ao perigo e a criminalidade. considerado revolucionário para a época. com a consequente criação da Casa dos Expostos fundada em 1726 na Bahia e logo após com a criação da Roda dos Expostos no Rio de Janeiro. Maior proteção passou a ser dada a partir de 1850 com a criação da lei do ventre livre. Em 1930 foi instituído o Código Criminal. esses permaneciam sob domínio dos senhores de suas mães até os 21 anos. 41 13 . entretanto nesses institutos permaneceu a prevalência do combate a criminalidade infanto-juvenil frente a sua proteção contra o perigo moral. mas apesar dessa nova preocupação. mas seu objetivo central também não atendia as necessidades de proteção aos infantes. a única chance que crianças negras. que retrocedeu. surgiu à puericultura. a realidade não era exatamente essa. pecaram. na década seguinte. maus-tratos e exploração. Veronese. temos a Constituição de 1967.

atualmente. Mais precisamente. Posterior a Constituição ou o Estatuto. que. Esse instituto foi tão revolucionário pelo fato de não deter-se apenas a poucos aspectos que poderiam ser melhorados para o desenvolvimento da infância.015/09. 51. que mais adiante são explanados. µ¶Assim sendo. µ¶14 Mas o ponto crucial na defesa desses. mas abrangeu uma gama de verbos. amada. nossa Constituição Federal trouxe à criança e ao adolescente o direito fundamental de ser ouvida. com reais e eficazes expectativas de melhoria em todo o contexto que abrange a infância e juvent de u brasileira. passou a considerar todos os atos libidinosos tidos por delituosos como estupro. Dentre as leis que entraram em vigor após o Estatuto. Marli Marlene Moraes. necessitam profundamente da aplicação de medidas que busquem incumbir àqueles que violam seus direitos. ainda foram promulgadas leis esparsas na busca de diretrizes que alcançassem as dificuldades que restaram no enfrentamento às sevicias e todo tipo de tratamento inadequado dispensado aos menores. Josiane Rose Petry. . como pessoa em condição peculiar de desenvolvimento. proteção e garantia de seus direitos. saúde. Vale mencionar ainda o recente projeto de Lei apelidado de Lei das palmadas. priorizando sempre a proteção integral e a dignidade humana. além de agravar a pena dos criminosos que praticarem os crimes nela previstos. sua integridade física e também moral. Violência Doméstica: quando a vítima é criança ou adolescente 14 p. que face à sua fragilidade. sem dúvidas foi o Estatuto da Criança e do Adolescente. protegida e cuidada. Costa. a de maior relevância e que melhor atende o foco principal desse ensaio é a Lei 12. que proíbe qualquer tipo de castigo físico à crianças e adolescentes. Veronese. conforme a célebre citação abaixo. com base no princípio da prioridade absoluta. entretanto o estudo desse projeto não será aqui aprofundado face as inúmeras contradições existentes e ao fato de ainda não ter sido sancionado. vieram diversos avanços.Com a promulgação da Carta Magna de 1988. que juntamente com o Código Penal combatem essas atitudes com certa eficácia. educação. Definindo todos os elementos necessários ao bem estar.

que necessitam da participação dos filhos para complementar a renda familiar. assim como a forma que essa categoria vêem sendo protegida durante o tempo. queimaduras. mas que nem por isso. hemorragias internas etc. gerando profundos sentimentos de culpa e mágoa. emocionais e sociais. insegurança. praticar uma relação sexual genital para configurar o abuso. para satisfação de seus desejos. Manifesta-se na depreciação da criança ou do adolescente pelo adulto. não recebem os cuidados necessários às boas . se considerarmos que muitas dessas famílias obrigam suas crianças e adolescentes a trabalharem. em função da condição de desassistência de que a família é vítima. quando não atendidos em suas exigências. dominando-as pelo sentimento de menos valia. tendo também a característica de. resultando no processo de vitimação. não tendo que. de não-merecimento. abandono e exploração perpetrados contra elas. apesar de que ela acontece. que podem acompanhá-lo por toda a vida. quais estão explanados a seguir: y Abuso/Violência Física: são atos de agressão praticados pelos pais e/ou responsáveis que podem ir de uma palmada até ao espancamento ou outros atos cruéis que podem ou não deixar marcas físicas evidentes. novamente desconsiderando e violando os direitos de suas crianças e de seus adolescentes. inclusive. deixam de ser abuso grave devido às consequências emocionais para suas vítimas. y Negligências: este tipo de violência doméstica pode se manifestar pela ausência dos cuidados físicos. onde ocorrem e quem são os agressores. e. etc. y Abuso/Violência Sexual: geralmente praticada por adultos que gozam da confiança da criança ou do adolescente. y Abuso/Violência Psicológica: esta é uma forma de violência doméstica que praticamente não aparece nas estatísticas. Porém. mas as marcas psíquicas e afetivas existirão. ridicularizações. A violência infanto-juvenil abrange diversos tipos. impedimentos. carícias. provoca um grande e profundo sofrimento afetivo às suas vítimas. já mencionado. dificultando o seu processo de construção de identificação-identidade. cometem abusos. ou mesmo. fazendo com que acredite ser inferior aos demais. Mas é comum a prática de atos libidinosos diferentes da conjunção carnal como toques. podemos dizer que a exploração de que são vítimas essas crianças e esses adolescentes configura uma forma de violência doméstica/intrafamiliar tanto pela maneira como são estabelecidas as condições para que o trabalho infantil se realize como pelo fim a que se destina: usufruir algo obtido através do abuso de poder que exercem. compreendida a história e a extensão da problemática estudada. com uma incidência bastante alta. Mas também pode ser expressão de um desleixo propositadamente infligido em que a criança ou o adolescente são mal cuidados. em sua maioria. serem incestuosos. o abusador pode utilizar-se da sedução ou da ameaça para atingir seus objetivos. A violência psicológica pode se apresentar ainda como atitude de rejeição ou de abandono afetivo. esganaduras. enquanto os adultos apenas recolhem os pequenos ganhos obtidos e. ameaças. que minam a sua auto-estima. que podem não deixar marcas físicas. passamos a análise de quais são os tipos de violência. exibicionismo. necessariamente.Violências contra Crianças e Adolescentes ± Aspectos Gerais Uma vez. causando-lhe grande sofrimento mental e afetivo. hematomas. sem valor. de uma maneira ou de outra.. por sua condição de invisibilidade. qual compreende a evolução do conceito de criança e adolescente. causar até a morte. y · Trabalho Infantil: este tipo de violência contra crianças e adolescentes tem sido atribuído à condição de pobreza em que vivem suas famílias. por humilhações. além de uma representação negativa de si mesmo. Nesse tipo de violência. Tais agressões podem provocar: fraturas.

As praticas envolvendo esses crimes vão desde exposição de material erótico e ato sexual à criança/adolescente. já sofreu negligência e abuso psicológico. Essas ocorrências conforme demonstrado anteriormente. Saliente-se. conforme as autoras. um resfriado crônico. os pais ignoram. 2007). há sujeira nas casas. pode ser classificada: a) Severa . submetidas a essas práticas. A negligência física. o lixo se espalha no chão. Editora Do Ministério Da Saúde. Karine Nascimento. sujeita a riscos. moral. e o número de casos denunciados não corresponde à realidade. 4) De supervisão .nos lares das crianças.nos lares de crianças. p. até mesmo podendo ocorrer de forma genital ou através de carícias e toques. Nesses lares. Ferreira. Corrêa.condições de seu desenvolvimento físico. Negligência Contra A Criança: Um Olhar Do Profissional De Saúde. cruéis e inadmissíveis.a criança é deixada sozinha. psicológico. há algumas roupas limpas. estão cozidos. 165.os pais não providenciam o substrato necessário para a freqüência à escola. Isto porque. histórias e justificativas mais convincentes quanto aos acidentes ocorridos com suas crianças e adolescentes. 5) Física . (Ferreira 2002) Saliente-se ainda que. de quadros psiquiátricos complicados e de retardos mentais. por muitos dias. haja vista que é a mais brutal e que deixa sequelas mais graves. mas levamao hospital para emergências . b) Moderada . norm almente. não recebe alimentação suficiente. podendo vir a falecer de inanição. passamos à análise do foco central do presente artigo. por 16 exemplo. há fezes e urina pela casa. de acidentes. a forma como essa pratica é tratada varia de acordo com a classe social. geralmente os vários tipos de violência estão presentes na mesma vítima. de drogas pesadas. não existe rotina para as crianças. Editora Do Ministério Da Saúde. mas sem as características do tipo anterior. Maria Suely Medeiros. abuso psicológico e maus-tratos. da mesma forma como aquela abusada sexualmente sofreu também negligência. que os diferentes tipos de violência praticados contra crianças e adolescentes. mas com balanceamento errado. existem alimentos. Violência Doméstica/Intrafamiliar Contra Crianças E Adolescentes . o que acaba dificultando a produção de provas materiais. 2) Educacional . afetivo e educacional. 2002 15 .Nossa Realidade. 3) Higiênica . (Ferreira. como o acesso mais fácil a profissionais em caráter particular e sigiloso. 2002 16 Beserra. haja vista que a criança ou adolescente que é espancado. não há roupas limpas. são deixadas sós.as necessidades de saúde de uma criança não estão sendo preenchidas. danças ou jogos sexuais. 2002) A Violência/Abuso e a Exploração Sexual Infanto-Juvenil Vistos e relatados quais são os tipo de violência infanto-juvenil. 15 Azevedo & Guerra (1989) descrevem a negligência contra a criança através de algumas modalidades: 1) Médica (incluindo a dentária) . não precisando haver violência física ou penetração (TRINDADE. cognitivo. que é a violência sexual praticada contra crianças e adolescentes. pode haver uma presença relevante do uso de álcool. em sua grande maioria se perpetram dentro da esfera familiar. Kátia Maria Maia.não há roupa adequada ao uso. submetidas a essas práticas. as crianças são deixadas sós. pessoas socialmente mais favorecidas contam com recursos materiais e intelectuais mais sofisticados para camuflarem o problema. Guimarães.quando a criança vivencia precárias condições de higiene. Maria Aparecida. estão inseridas em toda a sociedade e classes sociais. Entretanto. portanto são tratados como violência doméstica ou intrafamiliar. por algumas horas. os alimentos nunca são providenciados.

Ainda a revista veja de março de 2009.html l 18 19 . médicos. vem sendo a internet. gera muito polêmica.htm http://www. como o pai.19 17 http://odia. em março de 2009. Atualmente um dos principais veículos usados para a propagação da pedofilia. Não raros. na verdade são mais comuns que se imagina. isso é monstruoso. professores. pois se levarmos em consideração o número de casos que ficam na obscuridade. o tio. engravidou de gêmeos. que pesquisadores acreditam que essa mistura de incesto e pedofilia teria resultado na famosa lenda ribeirinha do boto.safernet. amigos da família. o avô. enquadrando-se nos casos em que a lei especifica.A exploração e do abuso sexual de crianças vem aumentando 15% a cada ano. a porcentagem seria ainda maior. Um dos casos que causou grande polemica foi o da menina G. atendeu a 1. muitos pais tem como tradição iniciar suas filhas na vida sexual. mas infelizmente acontece. mostrou também. dos quais 52% tratam de crimes contra crianças de 9 a 13 anos. foi realizado aborto. no relatório do Disque 100 (central de denúncias de pedofilia) de 2009. inclusive ambientes religiosos. que na verdade. e nos últimos cinco anos esse crime movimentou cerca de 10 bilhões de dólares em todo o mundo.blogspot.18 Segundo fontes da Policia Federal. Sendo que o maior número de casos ainda é praticado dentro de seus lares e por familiares.8 milhão de jovens sofrem esse tipo de ataque. Ano passado o programa Sentinela. são casos como estes. que esta repleta de sites voltados a divulgar tal ilicitude. todos os anos.17 Mas esse ainda não é o número exato. que mostrou o caso da mãe que aliciava e até mesmo vendia a filha de 17 anos. serviria para encobrir os verdadeiros responsáveis pelo grande número de gravidez em crianças e adolescentes da região. Outro caso que também chocou o país foi mostrado no programa Fantástico da Rede Globo.com/2010/01/pastor-e-preso-em-mt-por-abusar-de. devido ao seu tamanho diminuto e a seu corpo estar totalmente despreparado para suportar a gravidez. houve 9. igreja e afins. de Pernambuco que após ter sofrido constantes estupros por seu padrasto. De acordo com a revista veja. e com expressa previsão legal. os índices são cada vez mais alarmantes. pelo deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT).638 registros de abuso sexual. com fotografias.org. que mesmo sendo legalizado. E o mais vergonhoso é que a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgou que cerca de mil sites com conteúdo de pedofilia são criados mensalmente no Brasil e 76% dos pedófilos do mundo estão no Brasil.br/portal/ataque/html/2010/3/numero_de_casos_de_abuso_e_alarmante_66617. e também em locais que ela frequenta. n°12 de 25 de março de 2009 estima-se que no Brasil. o vizinho. pelo grande apelo da sociedade. (9 anos). e a Organização Mundial do Trabalho por sua vez aponta que 1.59 2 menores de idade. e 12% dos sites de pedofilia expõem crimes contra bebês de zero a três meses de idade. nosso país encontra-se em primeiro lugar no ranking mundial da venda de imagens de crianças e adolescentes pela Internet. no mundo.terra. Em comunidades ribeirinhas e também no Pará em localidades como a Ilha de Carapajó. ainda essa semana ela foi presa.com. Cerca de mil novos sites de pedofilia são criados todos os meses no Brasil. e pode pegar até 14 anos por exploração sexual e por tentar vender a filha. a cada dia cerca de 165 crianças ou adolescentes sofrem abuso sexual e a maioria dentro de seus lares. o padrasto. Geralmente as vítimas sofrem o abuso por pessoas que estão muito próximas.br/site/noticias/pedofilia-perigo-est%C3%A1-mais-perto-que-se-imagina http://anjoseguerreiros. Conforme um ofício enviado a Embaixada Americana em Brasília.

Mudanças súbitas de conduta 21 As chances dos traumas gerados na vítima poderão ter reflexos simbólicos no futuro. insônia. Entretanto. 13. 14. Isso porque.Negar-se a ir à escola. face ao fato não ter uma noção real do significado das condutas contra ela praticadas. comportamentos auto-destrutivos.)a repercussão do crime de corrupção de menores atinge a vítima no âmbito emocional e físico. participação em cenas pornográficas. Terror e medo de algumas pessoas ou alguns lugares. E na vítima criança ou adolescente. essa pratica é na verdade um círculo vicioso.Ter medo de que haja algo de mal com seus genitais. Pois a fragilidade daquele é imensa.tende a adotar um comportamento anormal para sua idade20. mas porque. fluxo ou infecções genitais. tais como. quais sejam: 1. depressão. Temor irracional diante do exame físico. feridas ou hemorragias vaginais ou retais. vergonha e culpa. angústia e medo de ser ridicularizada. destarte o acompanhamento psicológico se faz necessário na superação do trauma ainda recente. desesperança. mas também promover tratamento e recuperação psiquiátrica nos agressores ou suspeitos. 7. 11. 9. ruptura do hímen e gravidez. 5.html 21 .As Sequelas Psicológicas Não bastasse o dano físico. e a 20 Gabel.org/infantil/abuso. dos abusos e da exploração sexual. uma espécie de cadeia que faz com que aquele que um dia foi vítima. 12. 3. 1997 http://www. contatos sexuais ou masturbação forçada. orais ou anais. futuras dificuldades na expressão da sexualidade.Rebeldia e Delinqüência. Summus Editorial. e a intensidade das sequelas deixadas vai depender do tipo de violência sofrida. as vítimas de sevícias sexuais.Problemas com o sono ou pesadelos. ainda as vítimas são abaladas pelo dano psicológico causado pela violência contra elas praticada e que provavelmente irá segui-las por toda a vida. a mudança de comportamento da vítima é bastante precisa e facilmente diagnosticada por um profissional que acompanhe e estude casos semelhantes em sua rotina.. acesso de pranto repentino.Depressão ou isolamento de seus amigos e da família. Retirar-se ou não querer participar de esportes. Mas quanto o assunto é a saúde mental. 4. na maioria das vezes o problema da violência. E não só por isso. a necessidade do tratamento é maior ainda. assim como nos casos de maus-tratos. e principalmente quando o ato praticado é mais severo ± entenda-se por aqueles que utilizam o corpo.virtualpsy. Como anteriormente mencionado.. deve-se abordar não apenas as sequelas ocasionadas nas vítimas. Por isso. 10.Achar que têm o corpo sujo ou contaminado. Respostas ilógicas (para-respostas) quando perguntamos sobre alguma ferida em seus genitais. Nas palavras do doutrinador Gilberto Rentz Périas: (. 2. Diante da gravidade do delito esta pena é simbólica. 8. sendo: estado de choque. a primeira mudança que deveria ser feita é no tocante à penalidade de reclusão de um a quatro anos.Interesse excessivo ou evitação de natureza sexual. sua intensidade.Comportamento suicida. 6. sexualização precoce da conduta. Crianças Vítimas de abuso sexual. não é correto afirmar que todo aquele que foi abusado se tornará abusador. isso nos casos em que o agressor realmente apresenta sintomas de algum distúrbio psicossocial.Agressividade excessiva. Marceline. pois somente através de tratamento um indivíduo desses poderá ter consciência real de seus atos. relações sexuais impostas . futuramente passe a ser um agressor.

forma como a criança/adolescente encara o acontecimento. colhe-se da doutrina: Estudos revelam que o maltrato infantil lesões que rompem a conexão que permite ao córtex controlar a amígdala. disfunções sexuais (aversão a sexo). 22 http://www. a maneira como a vítima é acolhida pelos familiares. É importante também mencionar.org/infantil/abuso. ansiedade e fobias. medo de dormir). é de extrema importância.html . poderá acarretar no aparecimento de traumas mais sérios.html 23 http://www. transtornos do sono (insônia. Em relação às sequelas. se não. 22 A falta de tratamento adequado à criança ou adolescente vítima de violência sexual. o abuso sexual infantil se relaciona com o Transtorno do Estresse Pós-traumático. pois conforme compreendido pela psicologia. amigos ou mesmo instituições. crianças ou adolescentes portadores de Transtorno de Conduta fantasiam e criam falsas informaç ões em relação ao abuso sexual. convertendo a criança maltratada em psicopata (LABERT e KINSLEY. não raros são os casos em que as sequelas produzidas na vítima evoluem para disfunções psíquicas mais sérias.virtualpsy. que existem casos. que o trauma não interfere apenas na mudança de comportamento da vítima. tais como Transtornos de Personalidade e Fobias. anorexia e bulimia. vejamos: Em relação a quadros psiquiátricos francos. com a depressão. como por exemplo. quadros dissociativos ou conversivos (histéricos). em que na verdade. além de outros fatores que serão abordados no transcorrer do trabalho. 23 Saliente-se. Em relação aos fatores que implicam na recuperação e superação do trauma.virtualpsy. dificuldade de aprendizagem.org/infantil/abuso. da alimentação. obesidade. 2006 in TRINDADE 2007).

à cultura. Pois quando quem deveria promover a segurança. orientação e acompanhamento da criança/adolescente.455.. à educação.º 10.12. ainda é valorosa e de grande importância no enfrentamento da problemática. 218. por lei ou por outros meios. art. o legislador sentiu a necessidade de proceder com maior rigidez e eficácia no enfrentamento de atos criminosos contra a infância e juventude.764 de 2003. 1o. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. 250 e 255). crueldade e opressão. embora a Lei ainda não seja capaz de erradicar as condutas nela tipificadas. que vão desde a destituição do poder familiar. . 5º. III. está sujeito às sanções legais. 238 a 243. 227. e ainda acrescendo dispositivos no Código Penal. ao respeito. 234-A. com absoluta prioridade. (arts. (arts. o Código Penal Decreto-Lei nº 2. no caso da vítima ter menos de 14 anos acrescendo pela metade. 3º.848. 216-A § 2º. à alimentação. sua estrutura. agravando ainda as penas para esses crimes e para o de ato obsceno. de 07. violência. 149. (arts. Mesmo com o disposto na Constituição Federal. 234B. 217-A. 233 e 234). podendo inclusive ser considerada a mais importante dentre as já sancionadas que tratam da matéria. discriminação. no art. visando assegurar todos os direitos e garantias fundamentais. 213 a 229. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. 231-A § 2º I. Destarte.069. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. 3º: A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. III.072. temos como lei basilar a Constituição Federal de 1988 (art. a Lei da Tortura Lei nº.Legislação Pertinente No tocante a legislação brasileira pertinente aos crimes de violência e exploração sexual infanto-juvenil. caput. direitos e deveres. inovou ao alterar a parte especial ± denominada Dos Costumes para Dos Crimes contra a Dignidade Sexual . 8. todas as oportunidades e facilidades. no Código Penal e no Eca. de 13 de julho de 1990. A referida lei tornou mais rigorosa a pena para crimes de violência sexual que afetem menores de idade. em condições de liberdade e dignidade. 218-B. face à essa necessidade editou a Lei de Crime s Hediondos na qual além de outras previsões referentes à outros crimes. ao lazer. 228 § 1º. e principalmente sobre o poder da família. a Lei dos Crimes Hediondos Lei n°. 8. o direito à vida. de 1990. 244-A §1º e § 2º) Dentre os dispositivos à cima citados o que sem dúvidas trouxe maiores inovações e abrangência na garantia de direitos das crianças e adolescentes e sua proteção. 225. até mesmo a responder criminalmente pelos atos ou negligências praticadas. 82 a 85. Lei nº 12. e 6o. a fim de lhes facilitar o desenvolvimento físico. O ECA adotou a doutrina da proteção integral. mental. (alterou a redação do artigo 241 do ECA). 227: É dever da família. sem dúvidas foi o ECA. 230 § 1º. que legisla sobre os seus interesses. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. passou a considerar como hediondo os crimes de estupro e atentado violento ao pudor. e 4o. 9. § 1º. exploração. educação e bem estar dos infantes deixa de fazê -lo. especificamente no art. assegurando-se-lhes. O benefício trazido pela Lei de Tortura foi no sentido de aumentar a pena referente aos crimes nela tipificados se a vítima for criança ou adolescente.015/2009 de 10 de julho de 2009 (acrescentou e alterou a redação e pena dos seguintes artigos do Código Penal: 213.). 1o.1940. (arts. o Estatuto da Criança e do Adolescente Lei nº. Sobre o tema dispõe a Constituição da República de 1988. Alterou também dispositivos da Lei de Crimes Hediondos e do ECA. espiritual e social. à saúde. pois os responsáveis pela formação. A Lei 12. 231 § 2º I. 218-A. à dignidade. à profissionalização. de 1997. 228). Lei n. moral.015 sancionada no dia 10 de julho de 2009. V e § 4º. IV.). tem o dever de preservar todos os direitos assegurados pela lei.

E apenas quando ocorre algum caso de grande repercussão. possuem menos meios de defesa. na maioria dos casos.. é fato que todas as pessoas estão à mercê. Houve nesta mesma alteração. pois sendo fisicamente e psicologicamente mais fracas. e que todos buscamos a erradicação deste problema que está presente persiste desde os primórdios da humanidade. sendo uma importante alteração. as medidas adotadas no enfrentamento da violência não possuem eficácia relevante. que tipificava o crime de corrupção de menores. de a qualquer momento sof rerem algum tipo de violência. a sociedade se dá conta da imensa fragilidade das nossas crianças. a revogação da Lei 2. psicológica. por se tratar de uma lei muito antiga e muitas vezes esquecida. E embora a segurança seja uma garantia constitucional que deveria ser amplamente assegurada pelo Estado. Ademais. e do dever que todos têm para com elas. pois garantem maior eficácia no combate à violência sexual praticada contra menores de idade. o crime de corrupção de menores está previsto no próprio texto do Código Penal.As alterações trazidas são de suma importância. o que quer dizer. seja ela. Agora. etc. induzir a criança ou adolescente a praticar algum tipo de crime. pois.252 de 1º de julho de 1954. . sexual. física. Mas o mais preocupante é quando a violência é praticada contra crianças e adolescentes. essa pena não era aplicada.

ainda sim. ainda sim. foi possível concluir que somente após o advento da constituição da república federativa do Brasil. Posterior ao Estatuto. Observe-se. como é o caso do código penal. Entretanto foi com a promulgação do estatuto da criança e do adolescente que houve uma melhora realmente significativa no enfrentamento da violência. abusos e principalmente da violência sexual praticada contra a população infanto-juvenil. outras legislações cuidaram da temática. Ainda sobre o tema é de suma relevância a analise da questão psíquica resultando de maus tratos. porque as sequelas e traumas gerados por tais condutas ilícitas irá afetar o comportamento da vítima e deixará resultados devastadoras em sua personalidade caso a mesma não receba tratamento adequado ao caso. E ainda tivemos em 2009 a promulgação da Lei 12. Através dessa analise. que a infância passou a ter maior segurança e proteção do estado. não foi o suficiente para erradicar tais ilicitudes. a Lei dos crimes Hediondos e a Lei da Tortura impuseram maior rigor a condutas violentas de cunho sexual. . Destarte. bem como as medidas adotadas em diferentes épocas para a solução de dos problemas entrentados por crianças e adolescentes.015 que modificou e acrescentou dispositivos das leis em epígrafe. abusos e negligências praticados contra a categoria. negligência. taxativamente compreendidas como crimes contra os costumes pelo Código Penal.CONCLUSÃO O objetivo buscado nesse trabalho foi analisar e construir parâmetros de comparação sobre a evolução do conceito de infância no contexto brasileiro. porém que embora o ECA como lei especial com o fim de regulamentar os direitos inerente às crianças e adolescentes bem como impor sanções e coibir quem desrespeitasse as normas dispostas em sua redação.

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