Como Construir um Lago Artificial?

Uma zona húmida é normalmente um local com uma elevada biodiversidade, para além do seu inquestionável interesse paisagístico. Então, porque não aproveitar aquela zona desocupada do jardim, valorizando-a com a construção de um lago? Susana Ribeiro

Porquê construir um lago? Um lago é um óptimo habitat para muitas espécies. Construir um lago não só aumentará a beleza e diversidade do habitat na sua área, como proporcionará um interesse contínuo na observação das alterações de flora e fauna. Será também um contributo para a conservação de zonas húmidas e da sua vida selvagem, numa altura em que este tipo de ambientes está, infelizmente, a desaparecer.

A água é fascinante para as pessoas de todas as idades e se um lago for instalado correctamente poderá funcionar como uma fonte de interesse, devido às ricas comunidades de animais e plantas que nele se podem estabelecer.

Figura 1. Um lago atrai muitos animais.

Construção e manutenção • Planear A localização de um lago é importante, devendo ser cuidadosamente planeada. Apresentam-se de seguida alguns aspectos que têm de ser tidos em consideração:

3. Este é considerado o material mais caro de entre todas as hipóteses aconselhadas.escolha. nunca no topo de uma colina.delimite a área a ocupar com estacas e cordéis. .cave um buraco de acordo com o plano estabelecido. por exemplo.tem de se ter em conta a distância de um lago a uma fonte de água limpa.o lago deve ficar situado num local facilmente observável. 5. feita à base de butanol ou PVC. • Ferramentas Pás. tenha em atenção a presença de cabos e tubos subterrâneos e evite-os. Isto pode ser resolvido colocando plantas com folhas flutuantes ou plantas altas nas margens ao longo do lado soalheiro. cordéis e pregos. À profundidade desejada deve adicionar mais 3 cm para acomodar as camadas protectoras. A profundidade máxima do lago não deve ultrapassar um metro. electricidade e esgotos. caso contrário enfraquece e greta. um local onde um lago pareça natural. Para um maior riqueza e beleza.1 – é vital localizar o lago longe das instalações de gás. 6. A área mais profunda deve ser protegida das crianças. • Profundidade A profundidade do lago é mais importante que a sua forma.o lago não deve receber escoamentos directos de estradas ou parques automóveis. 2. pois tendem a encher o lençol de água com folhas e outros detritos. dentro da área disponível. As fibras de vidro ou cimento poderão ser usadas. mas o calor em excesso também pode ser um problema. isto é. As zonas menos profundas proporcionam maior diversidade de ambientes e são as mais fáceis de construir e colonizar. mas é mais fácil adquirir uma folha de borracha sintética. enxadas. • Construção 1. estacas. embora um alinhamento irregular confira um aspecto mais natural. que permita um fácil enchimento e limpeza. A terra que retirou do buraco pode ser utilizada num canteiro. de modo a reduzir as oportunidades de vandalismo. com plantas que sirvam de barreira. 2.árvores com troncos sobranceiros ou pendentes sobre o lago podem ser prejudiciais. deixando escoar progressivamente a água do lago.um lago precisa da luz do sol para encorajar o crescimento das plantas aquáticas. Para uma maior duração é condição fundamental que o material utilizado seja de boa qualidade. 7. • Escolha do revestimento Existem vários produtos que podem ser utilizados como revestimento de um lago. 4. flexível mas espessa. o lago deverá ter diferentes profundidades. não devendo as margens ser excessivamente abruptas.

inicie o enchimento do lago com água. verificando sempre a tensão a que estão sujeitos os materiais adjacentes.espalhe uma nova camada de areia ou solo peneirado (com cerca de 15 cm de espessura) sobre o revestimento. As várias profundidades do lago. Esta “sobra” será mais tarde enterrada. 4. As lajes devem ser niveladas e estáveis.coloque em seguida o material de revestimento. 9. 5.remova do fundo e das margens do buraco escavado todas as pedras e objectos cortantes ou pontiagudos que possam danificar o revestimento. de modo a que sobrem cerca de 30 cm de material em todo o redor. para garantir a fixação do material de revestimento ao terreno. 8. que são mais fáceis de plantar que os bordos em degrau e são melhores para a vida selvagem.forre o buraco completamente com uma espessa camada de jornais ou de carpete velha. Coloque lajes de pedra ou relva nas margens do revestimento. 3. para lhe conferir protecção e ainda para funcionar como substracto para várias plantas. ou mesmo com uma camada de 15 cm de areia ou solo peneirado.Figura 2. 6. . Pode deixar alguns bordos em rampa. Este processo deve ser efectuado de um modo lento.endireite e enterre completamente os bordos do forro de um modo correcto. 7. O peso da água ajudará a um completo ajustamento do revestimento e por esta razão a sua fixação definitiva junto às margens só deverá ser feita após o enchimento do lago.assegure-se que os lados estão nivelados.

com as folhas fora de água. São as indicadas para as margens menos profundas. Encontram-se de seguida alguns exemplos que auxiliarão na escolha dos espécimes adequados: • Plantas emergentes Este tipo de plantas cresce nas margens dos lagos ou pântanos. plantas flutuantes e plantas submersas. deve acrescentar-se um balde de água de um lago natural para providenciar alguma vida microscópica. Existem três tipos principais de plantas que pode plantar no lago: plantas emergentes ou marginais. ou então indirectamente. através do uso de . O lago deve repousar durante uma ou duas semanas e só depois se pode plantar nas margens. A colocação destas plantas no lago pode ser feita directamente. enterrando-as no substrato. Tipo de plantas que se podem plantar num lago Quando o lago artificial estiver devidamente instalado e cheio. tendo de ser plantadas a profundidades características de cada espécie.Figura 3. Corte transversal do lago.

mantendo a eutrofização do lago em níveis aceitáveis.recipientes próprios. Plantas Submersas Espécie Callitriche stagnalis Elodea canadensis Myriophyllum spicatum Ranunculus trichophyllus Nome vulgar Lentilha de água Espiga de água Pinheirinha de água Ranúnculo aquático . foguetes • Plantas flutuantes Este tipo de plantas pode ser dividido em duas categorias: aquelas que não têm raízes e as que se mantêm presas ao fundo do lago. Plantas Emergentes Espécie Cyperus papyrus Iris pseudacorus Mentha aquática Typha latifolia Nome vulgar Papiro Lírio aquático Hortelã de água Tábua larga. por isso. mas que têm as folhas à superfície da água. enquanto as folhas ascendem à superfície. é preciso arrastar as raízes para o local desejado e colocar pequenas pedras por cima. A melhor maneira para plantar exemplares desta segunda categoria consiste em atar o sistema radicular a um saco de serapilheira com um pouco de terra e atirar todo este conjunto para o meio do lago. Plantas Flutuantes Espécie Nymphaea alba Nuphar lutea Potamogeton crispum Sagitaria sagittifolia Nome vulgar Nenúfar Golfão amarelo Castanha aquática Erva flecha • Plantas submersas Estas plantas vivem dentro de água e constituem um elemento fundamental para o arejamento e dissolução dos nutrientes. as raízes afundam-se rapidamente. A maioria destas plantas enraízam no substrato e fundo e. A maioria das plantas incluídas neste grupo apresentam tendências invasoras e por isso devem ser controladas no Outono.

Muitos animais. Antes de pensar em introduzir alguma vida no lago deve deixá-lo estabilizar durante cerca de uma semana. nos estados iniciais. Convém colocar uma rampa para permitir o acesso à fauna (principalmente aves. Este facto é natural e temporário. podem desequilibrar o meio.As plantas a utilizar poderão ser selvagens ou adquiridas em viveiros comerciais que existam na vizinhança.). deixe a água que vai utilizar num recipiente durante 24 horas. anfíbios e répteis). Os contentores podem ser rodeados por pedras e plantas para disfarçar. Quando não é possível escavar para fazer o lago pode-se usar um pequeno contentor ou mesmo uma banheira velha para fazer um lago cujas margens serão elevadas. furo ou poço. Caso isso não seja possível. As plantas devem ser colocadas em vasos para evitar o seu rápido alastramento. principalmente insectos. o lago pareça estar “superlotado” com vida macroscópica. Poder-se-á introduzir um casal de rãs que facilmente colonizam este tipo de habitat. Alguns aspectos a ter em consideração Pode verificar-se que. . O lago deve ser cheio com água da chuva. Pode tornar-se necessário construir um pequeno trilho numa das margens para permitir o acesso e a observação deste habitat. Os peixes não são recomendados nos lagos de pequenas dimensões porque. encontram o lago pelos seus próprios meios ou são mesmo transportados através da introdução das plantas que se colocaram nesta zona húmida recém criada. sendo muito vorazes. Em lagos de maior tamanho podem introduzir-se peixes como a carpa (Cyprinus carpio). o esgana-gata (Gasterosteus aculeatus) e o peixe-dourado ou pimpão (Carassius sp. para que o cloro seja eliminado. A água clareará naturalmente desde que o lago tenha plantas arejadoras suficientes. Ainda mais simples será pedi-las a pessoas que tenham lagos nos jardins.

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