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Textos de História da Antiguidade

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A Hipótese Causal Hidráulica e o Conceito de Modo de Produção Asiático Ciro Flamarion S.

Cardoso Reabre-se a discussão Wittfogel, ex-membro do Partido Comunista Alemão que, mudando-se para os Estados U nidos, ali ensinara história da China e fora um delator quando das perseguições da era de McCarthy, public ou, em 1957, Oriental despotism1 4, livro no qual expôs sua teoria a respeito das "sociedades h idráulicas", cujas máximas representantes no mundo contemporâneo seriam a União Soviética e a China socialista, a s grandes inimigas do Ocidente. 1 WITTFOGEL, Karl A. Despotismo oriental. Trad. F. Presedo. Madrid, Guadarrama, 1966. 2 Ver, sobretudo, ADAMS, Robert M. Early civilizations, subsistence, and environ ment. In: STRUEVER, S., ed. Prehistoric agriculture. New York, The Natural History Press, 1971. p. 591-614; PALERM, Angel & WOLF, Eri c. Agricultura y civilización en Mesoamérica. México, Secretaria de Educación Pública, 1972. p. 128-48. Wittfogel mescla uma concepção ecologista e tecnicista, semelhante à de Plekhanov, ao difusionismo e a outras influências. Afirma que as condições em que surge a oportunidade -não a necessida de -para que se desenvolvam padrões despóticos de governo e sociedade, por ele identificados com a " sociedade hidráulica", dependem de certos requisitos: 1. A reação do grupo humano diante de uma paisagem deficitária em água. 2. Tal grupo tem de estar acima do nível de uma estrita economia de subsistência. 3. O grupo deve estar distante da influência de centros importantes da agricultura de c huva. 4. O nível do grupo precisa ser inferior ao de uma cultura industrial baseada na propriedade privada . Cumprindo-se todos esses requisitos, o surgimento de uma sociedade hidráulica torn a-se possível, embora não necessário; a escolha entre adotar ou não tal forma de organização permanece em aberto , sempre havendo alternativas. O controle, armazenagem e uso de grandes massas de água atra vés de obras hidráulicas exigem um trabalho maciço, que tem de ser coordenado, disciplinado e dir igido, o que impõe a subordinação à autoridade reguladora de um Estado forte e eficaz; este acaba por esmag ar a liberdade do grupo que lhe está submetido.

Para Wittfogel, a economia hidráulica primeiramente surgiu nas regiões áridas, difundi ndo-se depois pelas semi-áridas e úmidas, sempre na dependência da sua aceitação por parte dos grupos humanos aos quais se tenha colocado a opção. Ele acha que é possível a adoção da forma hidráulica de sociedad de Estado, mesmo em regiões onde não exista ou seja pouco importante a agricultura hidráu lica: é a

"sociedade hidráulica marginal". No caso de serem adotadas só parcialmente as caract erísticas do "despotismo oriental", teríamos uma "sociedade hidráulica submarginal". Assim, a nec essidade de obras hidráulicas seria condição necessária para o surgimento da sociedade hidráulica em caráter ioneiro, sem ser, no entanto, imprescindível para a difusão de tal forma de organização social. Por fim, diz o autor que, uma vez esgotadas as possibilidades de desenvolvimento e de mudanças criadoras contidas no modelo da "sociedade hidráulica", esta tenderia à repetição estereotipada epigonismo -ou mesmo à decadência. O seu ciclo completo seria: formação, crescimento, maturidade, estag nação, epigonismo e retrocesso institucional.

As idéias de Wittfogel tiveram muitos seguidores. Outrossim, uma de suas posturas básicas, a "hipótese causal hidráulica" - isto é, a idéia de que a necessidade de controle sobre os grandes trabalhos exigidos pela manutenção de um sistema complexo de irrigação foi o fator central na geração do Estad "despótico" , era já bem antiga, tendo sido defendida por historiadores como J. Baillet, J. Pi renne, A. Moret, J. Vercoutter e H. W. F. Saggs. Tal hipótese é falsa, o que foi evidenciado, sem dúvida, por inúmeras pesquisas bem apoiadas na arqueologia e em fontes escritas. É irônico que uma dessas pesquisas tenha sido realizada por um dos mais incondicionais seguidores de Wittfogel, A. Palerm , que começou sua investigação arqueológica e etno-histórica pensando provar a "hipótese causal hidráulica" n caso do México pré-colombiano, mas demonstrou, de fato, o contrário: que o controle dos sistem as de irrigação competia às comunidades locais, e que só muito tardiamente o Estado desenvolveu uma política de grandes obras públicas de tipo hidráulico.2

Entre os marxistas, o livro de Wittfogel - que provocou grande indignação - constitu iu apenas um entre muitos fatores que deram impulso à retomada do interesse pelo conceito de "modo de produção asiático". Outros fatores foram: a "desestalinização", iniciada pelo XX Congresso do Partido Co munista da União Soviética, que no campo do materialismo histórico desencadeou um ataque à noção do uniline arismo evolutivo das sociedades humanas; o progresso dos movimentos de libertação nacional, sobretudo a partir da década de 1950, com a admissão sucessiva, às Nações Unidas, de numerosas nações afro-asi s, cujos problemas socioeconômicos específicos exigiam também respostas de tipo histórico; a ampla circulação dos Grundrisse, texto de Marx praticamente desconhecido até a mesma década, b em como a republicação de seus artigos sobre a Índia e de escritos de Plekhanov, Varga e outros autores acerca das sociedades "asiáticas". Nos países socialistas, na França, na Itália, no Japão e em outras partes do mundo, incl usive na América

Latina - se bem que modestamente, a não ser no caso do México -, os anos 60 e 70 vir am proliferar uma

bibliografia numerosa e variada sobre o "modo de produção asiático", em meio a ativa t roca de idéias poder-se-ia mesmo dizer, no contexto de um vivo debate e de agudas divergências. Entre os temas em torno dos quais se desencadeou a discussão acerca do "modo de pr odução asiático" que muitos passaram a chamar de "tributário", "despótico-tributário", "despótico-aldeão" e tc., por ser obviamente inadequado o adjetivo asiático aplicado a um tipo de sociedade que os p esquisadores julgavam encontrar na história de regiões situadas em todos os continentes - estavam as segui ntes indagações: Qual a sua organização interna, sua origem, suas contradições, seu desenvolvimento? Tratar-se -ia de uma forma de transição das sociedades comunitárias tribais às sociedades de classes plenamente des envolvidas, ou de um tipo específico e bem definido de sociedade de classes? Seria uma formação margi nal restrita somente a certas sociedades, ou universal? As respostas dadas a estas e outras perguntas foram heterogêneas segundo autores e tendências, em parte porque nos próprios textos a que todos recorriam, como diz Melotti, A ênfase de Marx se desloca, nas diversas passagens, de um a outro dos (...) aspec tos. Ora afirma que o elemento fundamental do sistema oriental é a ausência da propriedade privada, ora at ribui esta mesma ausência aos fatores particulares de caráter geográfico e climático (...). Ora explica o papel eminente do Estado por estes fatores ecológicos, que impunham a necessidade de grandes trabalh os hidráulicos, ora, pelo contrário, pela dispersão e pelo isolamento das aldeias. Em certas passagens, a tribui este isolamento à economia auto-suficiente, garantida pela combinação de agricultura e artesanato domést ico. Em outras, parece adotar contrariamente a idéia de que seja a estrutura simples destas aldeia s, e portanto a limitada divisão do trabalho, o que explica a estagnação do sistema oriental. Alhures, sublinha fatores diversos, como a civilização demasiado rudimentar, o baixo nível das forças produtivas ou a partic ular estrutura de classes, que aliás faz decorrer. por sua vez, da insuficiência da divisão do trabalho. 3 3 MELOTTI, Umberto. Marx e il terzo mondo. Milano, Il Saggiatore, 1972. p. 92. 4 GOBLOT, Jean-Jacques. L'histoire des "civilisations.. et Ia conception marxist e de révolution sociale. In: PELLETIER, A. & Matérialisme historique et histoire des civilisations. Paris, Ed. Sociales, 1969. p. 57-197. 5 A respeito dos antecedentes do conceito de & LLOBERA, Josep R., eds. The Asiatic modo of prodution, p. 13-23. modo de produção asiático , ver Bailey, Anne

6 MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. La ideología a/emana. Montevideo, Pueblos Unidos , 1968. p. 25.

O que significa, como já foi mencionado, que Marx não chegou a elaborar uma teoria s istemática e acabada do "modo de produção asiático". Embora alguns autores (K. A. Antónova, P. Anderson, E. Hindess e P. Q. Hirst, O. K omoróczy) concluíssem pela inexistência de tal modo de produção como forma específica de sociedade, outros (F. Tökei, Godelier, Me- lotti, J. Suret-Canale, J. Chesneaux, R. Bartra etc. ) chegaram à conclusão cont rária e também salientaram a importância desse conceito para basear uma visão multilinear do desenv olvimento das sociedades humanas, em oposição à perspectiva unilinear consagrada por Stalin. Ainda m ais interessante é a posição de Goblot, que se opõe tanto ao unilinearismo quanto ao multilinearismo, já qu e defende a opinião de que a evolução das sociedades não é linear: o desenvolvimento social, caracteri zado por contatos e influências, deslocamentos, "novos começos", não é contínuo em cada unidade "et nogeográfica" - que pode mesmo conhecer estagnações e involuções -, por mais que a continuidade tempor al e lógica daquela evolução possa ser recuperada quando integramos os diferentes processos evol utivos numa unidade superior. Por isso, diz M. Rebérioux que o historiador deve abandonar a bu sca (absurda) da continuidade geográfica do desenvolvimento histórico e aprender "a ver o contínuo no d escontínuo".4 Embora seja impossível seguirmos aqui toda a trajetória do conceito de "modo de prod ução asiático" desde que sua discussão foi retomada, pouco antes de 1960, é mister, além de remeter o leito r aos textos principais gerados em tal discussão,5 recordar que, se bem que até meados da década de 1960 ainda fossem comuns os escritos puramente exegéticos e teóricos a respeito, desde então temse desenvolvido a perspectiva de que, sem descurar da teoria, é essencial proceder ao seu confronto com o material empírico disponível, infinitamente mais rico do que no século passado. Afinal, foram Marx e E ngels que frisaram, referindo-se à "síntese dos resultados mais gerais que é possível abstrair do estudo do desenvolvimento histórico": Tais abstrações, tomadas em si mesmas, separadas da história real, não têm qualquer valor. 6 "Modo de produção doméstico" e "modo de produção palatino" As tentativas de aplicação do conceito de "modo de produção asiático" disseram respeito a grande número de sociedades e a cortes cronológicos também variados: as civilizações do antigo Oriente Próximo; algumas das civilizações da proto-história mediterrânea (cretense, micênica e, com menos verossimi lhança, a etrusca); Índia, Sudeste Asiático e China pré-coloniais; algumas das culturas da África negra pré-colonial; as altas culturas da América pré-colombiana. Casos muito controversos, e com graus de p robabilidade muito

mais baixos, são o Império Bizantino, o mundo muçulmano - insistiu-se mais no caso tur co -, a Rússia tzarista e o Japão.

resultantes do processo que o arqueólogo australi ano Gordon Childe propôs fosse chamado "revolução neolítica".C. sob inspiração das discussões acerca do "modo de produção asiático". especialistas na história dessa região: M. transformação e redistribuição dos xcedentes extraídos por templos e palácios dos produtores diretos . sacerdotes e burocratas dependentes dos templos e palácios).C. mediante coação fiscal. e por volta dessa data. O primeiro seri uma estruturação social cuja origem remonta à "revolução neolítica". que desembocara no surgimento de complexos palaciais e templários como centros de nova organização social. uma diferenciação fortemente hierárquica da sociedade. nova transformação . na Baixa Mesopotâmia. ao mesmo tempo. um sistema já complexo de propriedade que incluía. propõe um duplo quadro e referência: o "modo de produção doméstico". esta forma de organização se generalizou aos po cos no Oriente Próximo.se traduziu no surgi mento de cidades. em cada aldei a. são características suas a omia de subsistência. do que se conv encionou denominar "civilização". As comunidades aldeãs e. configurando tributos in natura e "corvéias". Zaccagnini.. a união da agricultura e do artesanato -. Por volta de 70 00 a. apoiar-nos-emos na interpretação da evolução social pr mo-oriental elaborada. com o surgimento de especialistas de tempo integral (art esãos. em regiões marginais. Liverani e C. visto através de dois exemplos: o Egito faraônico e os Estados da Baixa Mesopotâmia.que Childe chamava "revolução urbana" . Por tal razão. a ausência de uma diferenciação em classes sociais. mais em geral. eram o resíduo de um modo de produção cujas raízes mergulhavam no passado préhistórico. aldeias sedentárias. na Ásia Ocidental. Alguns séculos antes de 3000 a. isto man ifestava divisão e especialização do trabalho. entre outras formas. a p ropriedade comunitária sobre a terra. e o "modo de produção palatino". já. ou "aldeão".Aqui nos interessa o antigo Oriente Próximo. mas constituíam. no Egito. por dois au ores italianos. O "modo de produção palatino". ou. a ausência de divisão e especialização do trabalho . por sua vez. para atividades civis (trabalhos diversos) e militares. existiam. e de uma diferenciação social profunda. resultaria da " revolução urbana". A economia passara a basear-se na concentração. a base sobre a qual se desenvolvera o no vo modo de produção. mas sem per da de todas as suas características próprias. também as comunidades trib ais. adaptado e utilizado de acordo com os novos interesses. tomadas em si mesmas.7 . Liverani. este só pôde surgir e se expandir explorando o modo de produção mais antigo.dando-se. ao interpretar a situação posterior à "revolução urbana". ou traba lhos forçados por tempo limitado. que oi subordinado. as proprieda des dos palácios e dos templos. do Estado.em sua maioria ainda membr os de comunidades aldeãs -.

. Seja como for. mantendo reconhecível seu caráter comunitário tradicional até pelo menos 1200 a. o sistema de comunidades de aldeia teria sobrevivido com f orça. entre os que decidem e os que executam. Mario. guerra.C. pelo contrário. Carlo. do ganho e do poder de cisório: certos "notáveis" saídos das famílias mais importantes passam a manipular de fato.C. troca. Modo di produzione asiatico e Vicino Oriente antico. o ponto de partida t em de ser um início de diferenciação funcional no seio das próprias comunidades aldeãs.. tal como existiu no antigo Oriente Próximo. a forte centralização pal atina levou. como veremos. 8 ZACCAGNINI. Nas regiões menos nucleares do antigo Oriente Próximo (Palestina. Com o tempo . partes da Assíria). três seto es sociais básicos são perceptíveis: 1 . Para Zaccagnini. quem alcançasse posições vantajosas tentaria garanti-Ias para seus filhos. se cristaliza no plano do prestígio. La struttura politica. as decisões do "conselho de anciãos" da aldeia. Quando as mudanças desembocam plenamente na urbanização e na organização estatal. Dialog hi di Archeologia. Síria.talvez tenhamos aí uma apreciação exagera da. ed. mais numerosas que outras. administração). 277-414. 3-126. já no III milênio a.. a articulação entre estruturas palatinas hegemônicas e estruturas ald eãs subordinadas mas ainda reconhecíveis e com certo nível de autonomia local . p. Sabatino. Ele crê também que . nos grandes vales fluviais irrigados e urbanizados (Egito. tanto devido a fatores internos quanto por impactos externos (comércio intercomunitário ou de longo curso. ou de que as famíl ias estabelecidas há mais tempo na aldeia tivessem privilégios negados às mais recentes. In: MOSCATI. p. Id. Baixa Mesopotâmia). A origem primeir a da diferenciação pôde decorrer do fato de que certas famílias. influências di versas). Il modo di produzione. aproximadamen te. ibid. v. ao ocorrer. concentrara m o controle de mais lotes de terra comunitária e mais cabeças de gado do que as demais. L'alba deI Ia civiltà. por sua in fluência e formas materiais de pressão. 2.? Obviamente. estabelecia-se uma diferença entre os que trabalham e os que dirigem o trabalho alheio. a um redimensionamento tão profundo das comunidades aldeãs. Tal diferenciação.é que constitui o "modo de produção asiático". ou "tributário". Ásia M enor. entre os que realizam trabalhos "comuns" (agrícolas) e "especializados" (de transformação. que elas per deram a maior parte de sua autonomia e importância econômica .8 Como foi possível a transição de aldeias indiferenciadas à situação de desigualdade e domín que se configurava já claramente desde o III milênio a.7 LIVERANI.A imensa maioria da população dedica-se às atividades . ou ainda do res ultado da distribuição desigual de bens provenientes do comércio intercomunitário ou de longo curs o. 1. v.C.

consumindo diretamente parte do que produz e entregando o resto ao poder central . 2 .agropecuárias.Um grupo muito minoritário se ocupa com atividade s artesanais. de . tal população não participa das decisões comuns.

é mantido peia redistribuição dos excedentes extraídos das aldeias. é o senhor de suas vidas e o dispensador da abundância. mas esta. 1986. um hiato de interesses e mesmo de compreensão entre ambos os níveis. No entanto. os dois nív icos da integração social são interdependentes.são "servos" do monarca. utilizando-se. e não participa das decisões comuns. no recrutamento militar. por direito divino. Ática. recorre-se à sanção divina do pode r e da ordem social. manifestando-se na taxação. A ampliação do corpo social. ou governante. O palácio e o templo são jmpensáveis sem a aldeia. difundindo a imagem de uma sociedade homogênea em que todos .ordem cósmica aplicada a casos particulares e da fertilidade da terra e dos rebanhos. O governante supremo passa a situar-se num plano diferente do que caract eriza o resto da sociedade: a sacralidade facilita a aceitação das decisões pela maioria não consultada.do mais pobre camponês ao mais exaltado funcionário . a t er como expoente uma só pessoa. (Série Princípios. para tal. na repressão. n. e decide por todos. religiosas. assim. mas sobretudo ideológ ico: o rei. de administração. este poder de decisão tende a personalizar-se. Ciro Flamarion S. num Estado. ao inserir-se no interior de um sistema palatino. mais o s núcleos urbanos. Sociedades do Antigo Oriente P róximo. 3 . é o garantidor da justiça . que passa a englobar numerosas comunidades aldeãs. 47) . São Paulo: Ed. pp. sofre transformações: já não é a aldeia autônoma do Neolítico. Texto extraído do livro: CARDOSO. as relações entre eles são de iniciativ exclusiva do nível superior. pelas quais é sustentado. mais ainda. Exist e uma tensão.troca. se tal coesão na aldeia decorre de relações de parentesco e vizinhança e de decisões tomadas por representantes das famílias nas confederações tribais amplas e.Um grupo ínfimo organiza o trabalho das comunid ades. leva a uma coesão cada vez mais artificial e menos automática. A contraparte dos excedentes recebidos das comunidades é de tipo administrativo. que a ideologia of iciai tenta ocultar. de meios sobrenaturais. que. 18-28.

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perderam completament e a capacidade de se produzir sem a interferência humana. As áreas das transformações no Oriente Médio . O domesticador afasta dos respectivos habitats a flora e a fauna domesticáveis. assim como o termo paleolítico identificava a idade da pedra lascada . sucessivamen te selecionados por mãos humanas para obter maiores espigas e maior número de grãos. as populações dessas regiões incorporaram essas plantas e ani mais à sua dieta pela caça e coleta. incluindo-se os ancestrais silvestres do trigo. inexistentes na Europa. suprimindo-os de espaço. mariscos. Durante o Neolítico o controle sobre a reprodução de plantas e animais e a estocagem de proteína animal e vegetal tornou-se possível com a criação de rebanhos e o cultivo dos campos. lentilhas e feijões -domesticadas ao mesmo tempo que os cereais. No entanto.onde o recuo das geleiras alterou drasticamente a paisagem . O processo de domestificação envolve uma relação de simbiose entre as populações humanas (domesticadores) e certas espécies favorecidas de vegetais ou animais (domesticado s). havia um a diferença fundamental entre as paisagens européia e do Oriente Médio: neste a existência de grandes pastagen s introduziu o hábito do consumo de sementes.000 anos.o chamado crescente fértil -correspondem aproximadamente às regiões em q ue as espécies domesticadas ocorriam em estado silvestre. água. cabras e carneiros datadas de 11. sim. trigo e aveia. no entanto. A domesticação normalmente causa modificações genéticas nas espécies domesticad s. nutrientes e interferindo na sua atividade reprodutora para garantir o máximo reto rno dos recursos empregados. o termo neolítico surgiu no século XIX. tais como milho. o termo neolítico não mais identifica métodos de trabalho em pedra e. No final do Pleistoceno. identificando a idade da pedra polida. nozes. Exemplos clássicos são os cereais. Hoje. tal vez explique por que as primeiras grandes civilizações floresceram no Oriente Médio. aveia e cevada. além de indícios do cultiv o de leguminosas ervilhas. E$sa diferença. desenvolvendo um padrão cultural típico do Paleolítico. Da mesma for ma que os povos mesolíticos da Europa . extinguindo a caça de grande porte -. de produção de al imentos. bem como legumes. . Em inúmeros sítios arqueológicos do Oriente Médio foram encontradas formas domesticadas de cevada. luz solar.000 a 9. peixes. trigo. frutas e outras plantas. essas populações foram forçadas a consumir maior variedade de pequenos animais.O NEOLÍTICO Antônio Roberto Guglielmo O neolítico Com o significado de "nova idade da pedra". que levou a um processo de sedentarização precoce. que.

o animal vin ha ao caçador. no entanto. representav a um grande investimento de energia humana. cada vez mais freqüentes nesses campos. auto- . que fazia as pessoas relutarem em abandonar tudo e se mudarem. Com o início da agricultura. reconhece-se que caçadores e coletores aumentaram sua densidade demográfica pela sedentarização. Desde muito cedo. em srael.000 para 3. nas sociedades de caçadores e coletores. silos etc. Com as vilas pré. Na medida em que o homem obti nha seu alimento de novas maneiras.:i:1grícolas. as crianças eram postas a trabalhar em tarefas simples e literalmente pagavam com trabalho aquilo que comiam. facilitando o sus tento e manutenção das crianças. quanto maior o número de crianças. ambos foram domesticados num processo único. atraído pelos irresistíveis pastos concentrados.São numerosas as evidências de sociedades sedentárias pré-agrícolas no Oriente Médio. com os ancestrais do trigo e da cevada. portanto. eram a maior fonte de alimentos de carneiros e cabras.2 milhões d e indivíduos na região do crescente fértil. segura. aproximadamente. A agricultura contribuiu também para o crescimento populacional. devido a dificuldade de transporte nos longos percursos. que e tocavam grãos para alimentação posterior. bandos de carneiros e cabra s selvagens se aproximavam dos homens. simplificad a: não era mais necessário ir ao animal. mantendo-os fora dos limites dos campos de cereais. As crianças eram alimentadas praticamente até a adolescência. a construção de casas sólidas. ordenhadas e sacrificadas de forma seletiva. maior o cuidado q ue se podia ter com as plantas e os animais.000 anos atrás saltou de cerca de 100. ovelhas e cabras se alimentavam do feno e sobras das colhei tas. as mulheres mantinha m só um filho a cada quatro anos. moinhos. não precisando mais transportar permanentemente os filhos. o que ocorreu em primeiro lugar: a domesticação de plantas ou a de anima is? Ao que tudo indica. que. Estima-se q ue a população humana entre 10. A caça foi. Na sociedades agrícolas. ser aprisionadas. revolucionou a idéia em vigor até 1960. Usualmente a vida no Neolítico tem sido descrita como pacífi ca.000 e 6. no entanto. podiam a tender com mais eficiência um número de filhos bem maior. assim.. Hoje. As pastagens nat urais. só então tornavam-se caçadores hábeis. preservando-se animai s mais dóceis. A agricultura reduziu também o esforço das mulheres. de que a sedentarização ocorrera com a agricultu ra e não antes. muros. processá-los em fari ha e convertêlos em alimento. A descoberta de vilas pré-agrícolas como a de Jericó. novas relações se deram entre plantas e animais. adaptadas para estocar grãos. pois. Podiam. No entanto. um rápido crescimento demográfico. O período Neolítico apresentou. as pessoas controlavam os movimentos desses bandos. Nas vilas pré-agrícolas. Normalmente. Valendo-se dos cães.

com lentas mudanças. igualitária. .suficiente. Embora corresponda quanto as primeiras vilas pré-agrícolas.

a cerâmica. no início.000 anos. casas. curtumes. matadouros. por exemplo. Arados (cerca de 7. às margens dos cursos nat urais dos rios. havia vários quilômetros quadrados de ruas . a fiação e a tecelagem. entre cidades muito distantes. os sistemas de pesca e medidas e os primórdios da matemática são apenas alguns . surgiam novas v ilas em regiões férteis. os navios. palácios e fortificações. indicam diversi ficação e produção em larga escala. técnicas produtivas e novas formas de vida social. inovações tecnológicas foram surgindo num processo de reaçã m cadeia. os veíc u1os com rodas.500 anos) intensificaram a agricultura e viabilizaram sua prática em novas áreas. O desenvolvimento do Estado e das civilizações Com a domesticação dos bovinos. as olarias. A arquitetura tomou impul so com a difusão de templos monumentais de tijolos -os chamados zigurates -erguendo-se nos centros d as maiores cidades. A criação de rebanhos e a estocagem de grãos também implicaram profundas alterações econômi e políticas que resultaram do acesso diferenciado a terras férteis. e a presença de muralhas. A tecnologia alcançada. dependente da flora e fauna silvestres. Na medida em que novas espécies foram domesticadas. por exemplo. os calendários. graças ao desenvolvimento agrícola. tipicamente pa leolíticos. porém mais secas. incrementando o crescimento demográfico. Fin almente. água e outros recurs os básicos. olarias. houve condições para o surgimento das grandes cidades.essa imagem não se aplica ao período todo. Recentemente descobertas tornam evidente que grandes cidades eram comuns há 10 mil anos. desenvolveram-se aceleradament e ferramentas. ferramentas. Na cidade de Uruk. A revolução urbana. O maior domínio sobre a natureza libertou o homem dos modelos de sobrevivência da caça e coleta. O grau de especialização tanto dentro como entre as cidades neolíticas têm surpreendido os arqueólog os: casas de construção de móveis. em pequenos grupos nômades. há 6. fossos e torres que as cercavam desmentem a imagem romântica atribuída ao Neolítico. Na parte sul da região do Tigre-Eufrates. sugerindo que o comércio ocorria. cercados por milhares de hectares de campos irrigados. Com o aumento das populações. atual Iraqu e. templos. em densa concentração de vilas e cidades se confinava. A produção do próprio alimento permitiu rápido crescimento populacional e assentamentos permane ntes. Estad os e impérios. por vezes. Sua prosperidade indica o desenvo lvimento do comércio com a exportação de gado e cereais em troca de vários artigos e matérias-primas. Diferenciações de riqueza e poder surgiram a partir do controle desses recursos. etc. foi adotada a irrigação artificial para as áreas mais afastadas.

Essa elite assumiu a tarefa de organizar a produção. o desenvolvimento dos primeiros Estados do Orie nte Médio explica satisfatoriamente as origens da civilização. tornando a irrigação artificial necessária para a expansão agrícola. let rados e analfabetos. Assim. Na medida em que a de nsidade populacional aumentava. o comércio e a defesa . Muitos estudiosos atribuem à existência de excedente de produção quantidade de alimentos maiores do que a necessária para o consumo imediato . Transformou-se em um a classe de déspotas. minérios etc.exemplos. prestando serviços na forma de elaborar cálculos sazonais. que daria origem ao núcleo da primeira bur ocracia estatal conhecida. surgiu uma hierarquia política. permitindo o registro de eventos sociais e características culturais desses povos para as gerações futuras. aliada. A deficiência da Mesopotâmia em matérias-primas -pedras. Impondo impostos de diversos tip os. Provavelmente. Surgiu a escrita. sacerdotes e nobres -produziu-se a estratificação social e se desenvolveram instituições hierarquizadas. com a divisão entre ricos e pobres. -levou a um comércio bastante desenvolvido com outras regiões. graças à necessidade de regul ar as atividades comerciais. A propriedade da terra e dos recursos naturais é um dos aspectos mais importantes do controle político: o acesso desigual aos recursos do meio ambiente implica de algu ma forma de coerção dos dominadores sobre os dominados. madeiras. muitos dos quais também ocorreram em outras r egiões onde se desenvolveu essa instituição. entre as quais o Estado. Nas comunidades. assentada no monopólio do poder político e militar. ela foi apenas uma entre tantas outras transformações que oc orreram em curtíssimo espaço de tempo. embora fértil. manten do o trabalho de artesãos especializados e realizando os cultos religiosos. governantes e governados. marcando para muitos historiadores a passagem da pré-h istória para a história. No processo de formação do Estado na Mesopotâmia -região compreendida entre os rios Tigr e e Eufrates houve a interação de uma série de fatores. religiosa e militar. à controle dos trabalhos de construção de canais e diques para a i rrigação. a distribuição. distribuindo rações de emergência. soldados. desviava grande parte do excedente das colheitas de cereais para as transações A irrigação intensiva consolidava e ampliava o poder da elite dominante sobre as pop ulações e as fontes de recurso naturais. Ao meu ver. camponeses produtores de alimentos e especialistas habitantes das cidades -artesão s. crescia também a competição real dentro e entre os estabelecim entos humanos pelo acesso e controle da água necessária para a irrigação. no entanto.a ev . A região da Mesopotâmia. não tinha uma distribuição regular e abundante de c uvas. artistas.

.olução de divisão social do trabalho.

38/45. diminuir sua carga de trabalho ou realiz ar trocas para elevar seu padrão de vida. Antonio Roberto. 1991.Excedentes de produção. Uma abordagem ecológica.) . Bra siliense. (GUGLIELMO. pp. é porque não tem o poder de não entregá-la. pois. pois os produtores pode iam com ela aliviar os custos de manutenção dos filhos. não significam produção supérflua. São Paulo: Ed. Há. Se os produtores entregam parte de sua produção. estreita relação entre rendimento da terra e taxação. A Pré-História. contudo. ambos dependend da existência de um poder coercitivo na forma de exército e armas.

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mais impetuoso e de curso m uito irregular em relação à planície. durante muito tempo. menos propícia à irrigação e. e a Baixa Mesopotâmia. ao sul das cidades sumér ias. a Mesopotâmia é uma depressão formada pela junção. que foi posteriormente recheada de sedime ntos aluviais depositados pelos dois grandes rios.o Eufrates e o Tigre . A Baixa Mesopotâmia é pouco servida pelas chuvas. como detentoras de portos marítimos. Nos períodos de cheias. pelos antigos habitantes. adequada à agri ultura de chuva (no planalto assírio. que os r ios Tigre e Eufrates desembocavam separadamente no golfo Pérsico. que corre acima do nív eu vale. o Diyala e o Karum). é menos favorável a irrigação do que o Eufrates. baixa. Apesar das enchentes dos rios mesopotâmicos renovarem anualmente a fertilidade do solo com aluviões. O primeiro depende do desgelo das neves durante a primavera e de dois af luentes da sua margem esquerda (Balikh e Khabur). A primeira é mais elevada. mais a oeste). sem se juntarem. hoje distantes do golfo. A terra fértil forma . port anto. pedra e minérios. elas ocorrem justamente no momento em se aproxima à colheita. ainda. no Shatt al-Arab. a sudeste. mas de todo carente de madeira. no Plioceno. a noroeste. ricos recurso florestais.nascem nas montanhas da Anatólia. sendo necessário. é possível considerar duas sub-regiões: a Alta Mesopotâmia. A nova pesquisa tem levado os especialistas a afirmarem que a região de lagos semipermanentes e pântanos. a do Eufrates. como hoje. Em termos geológicos. O Tigre. haja vista q ue os navios marítimos podiam atravessar os pântanos e penetrar facilmente no Eufrates até chegar àquelas cid ades e seus portos. como parte integrante da paisagem oceânica. no lado leste) ou à criação (Assíria. Esta compreensão adivinha das informações dos documentos sumérios mencionarem cidades como Ur e Eridu.dependendo de um sistema de irrigação artificial para conter as destruições das cheias e da drenagem que evite a salinização -. era vista. proteger os cereais e plantas cultivadas das águas fluviais que transbordam com ímpeto. A cheia do Tigre atinge o máximo em abril. das chuvas da região dos montes Zagros e de numerosos rios tributários (os dois Zab.A Baixa Mesopotâmia: da sua ocupação até a Babilônia Cassita* Texto organizado por Luís Manuel Domingues** O meio físico da Mesopotâmia Os rios que formam a planície aluvional mesopotâmica . Acreditou-se. muito plana e p otencialmente fertilíssima . os dois rios inundam suas margens e as fertilizam. atingindo ambos o nível mais baixo nos meses de setembro e outubro. em maio. contendo. o segundo. em parte. da pl ca tectônica da Arábia com a da Ásia Ocidental. Tomando como limite o ponto do seu curso médio onde o Eufrates e o Tigre mais se a proximam um do outro.

uma língua de flexão do grupo semi ta e que predominou. A ocupação.condição que deve ter motivado as disputas por terras c ultiváveis. levando a supor a idéia de uma tradição tardia suméria na qual tanto o sumério como acadia no teriam substituído uma língua falada num passado pré-histórico. Quanto aos problemas relacionad os com as atividades agrícolas estava o da salinização causada por drenagem insuficiente e o ava nço do deserto sobre as terras cultivadas . colonização e revolução urbana na Baixa Mesopotâmia Durante o terceiro milênio. Quando de suas cheias anuais. a Suméria.. mas as pesquisas ar queológicas os vincularam ao sudoeste do Irã (o Elam.C. ou Susiana). constatou-se a presença de palavras não-sumérias e de vocábulos estranho à estrutura das duas línguas faladas na região baixo-m sopotâmica. O transporte terres tre. por volta de 3100 a.C. na região baixomesopotâmica a partir do segundo milênio. o que implica ter havido na região um povoamento mais remoto de populações oriundas das ár eas . Foi esta idéia que aventou a poss ibilidade da chegado dos sumérios pelo golfo Pérsico. do ponto de vista lingüistico. dependia de caravanas de muares ou carros e trenós puxados por bovinos e asinos. o país de Akkad. a Baixa Mesopotâmia podia s er dividida em duas partes: ao sul. ou país de Sumer. Recentemente. à luz da lingüística e levando em conta as noções étnicas bem posteriores provenientes da Babilônia. o Eufrates e o Tigre depositam no leito normal os sedimentos mais pesados. por outras faixas estépicas freqüentadas por pastores. sendo que os vales fluv iais são cercados.um conjunto de bacias entremeadas e propícias para o gado. A navegação fluvial era reali zada através dos rios e dos canais maiores e foi o principal meio de comunicação. que arqueologicamente já estavam presentes na Baixa Mesopotâmia desde mais ou menos 3500 a. que os habitantes encontrados pelos antepassados dos sumérios fossem a gente de Subaru (A lta Mesopotâmia).. A ar gila de alta qualidade e abundante foi também explorada na Antigüidade. ainda no terceiro milênio. até a difusão do dromedário. para oeste e para leste. onde predominava o sumério. ao norte. Era nestes diques naturais que se con centrava o habitat humano na Baixa Mesopotâmia. nos quais desenvolviam preferencialmente a agricultur a irrigada em virtude de apresentarem menos problemas quanto à drenagem. juntamente com o babilônico dele derivado e o aramaico. língua aglutina nte sem vínculos conhecidos e que deixaria de ser falada no início do segundo milênio. escritos em sumério e acadiano. onde se concentrava a maioria da população que falava o acádio. formando diques naturais ou levées. foi formulada a opinião. As z onas pantanosas próximas ao golfo continham pastos extensos e serviam à pesca e à coleta vegetal. Nos textos.

Siro-Palestina e Alta Mesopotâmia a ocupação permanente por aldeia s neolíticas . Enquanto na Anatólia.plenamente neolíticas.

. com o aparecim ento de cerâmica pintada. enquanto o mod o de vida urbano vai se delineando e se consolidando.C. Por volta de 3100-2900 a. pedra dura e minérios para a produção de utensílios e armas.. No 5º milênio. a ocupação por cultivadores da Baixa Mesopotâmia .potencialmente fértil. o surgimento dos primeiros objetos fabricados de cobre . mas deficiente em madeira. Portanto. simples valas eram construídas para desviar os cursos de água que corriam para os campos próximos. de 3500 a 3100 a . área de enorme potencial agrícola. e a construção dos primeiros santuários como o de Eridu. os sistemas de irrigação conhecidos e desenvolvidos permitiram a colonização de regiões áridas. a planície aluvial do Tigre e do Eufraste será ocupada permanentemente por gr upos de cultivadores oriundos do leste.C. consequentemente. Entretanto. p ermitindo a expansão do povoamento. a região precisou buscar soluções para os problemas novos que fossem surgindo. em que o modo de vida era neolítico.. A fase seguinte. Só a partir do 5º milênio.C.C. Como conseqüência desta empreitada. Samarra e Hala f.-. Ao longo de milên ios. Tr ata-se da mais antiga região do mundo a urbaniza-se. antes f ra do alcance das comunidades agrícolas.só tem início. a Baixa Mesopotâmia transitou de uma fase basicamente neolítica para uma época caracterizada pelo que se convencionou chamar de revolução urbana. entre 6000 a 4500 a.C.C. Entre o ano 5000 e 2900 a. com o surgimento de comunidades nas encostas próximas aos rios que atra vessavam as planícies da Baixa Mesopotâmia. por cultivadore s oriundos dos maciços do Curdistão e dos Zagros. Esta irrigação em pequena escala era usada de início co mo prevenção contra a seca em áreas já alimentadas pela chuva. mas pouco adequa da à agricultura de chuva .plenamente sedentárias. inúmeras pequenas aldeias surgiram às margens da planície fluvial da Baixa Mesopotâmia. apresentando q uatorze cidades mais importantes que subordinavam outras menores e numerosas aldeias. ocorreu no período de 9000 a 7000 a.a partir de 45 00 a. de forma esporádica. a região conheceu a fase de Ubaid. na pesca e na coleta de plantas selvagens. no decorrer do 5º e 4º milên io.. quase dois mil anos após o início da ocupação efetiva e con strução dos pequenos sistemas de irrigação. a de Uruk. a Baixa Mesopotâmia estava já urbanizada. Entre 5000 e 3500 a. comunidades que baseavam sua subsistência numa agropecuária es tável e não mais na caça. A mudança importante dessa fase foi o desenvolvimento de técnicas eficazes de irrigação. constitui-se na única região que efetuo por s i só o processo de urbanização sem dispor de modelos externos a que se pudesse referir. formando as culturas de Hasssunah. introduzindo mudanças importantes na atividade agropastoril e p reparando o longo caminho que conduziu ao modo de vida urbano e. ao surgimento d as civilizações.

invenção da escrita e dos processos de numeração e pelo aparecimento uma clerezia dedicada ao serviço de deus com residência nos lugares santos e exercendo u m domínio sobre as comunidades rurais. pilhar os ass entamentos sedentários.C. diques. A planície fértil do Eufraste e do Tigre tinha que ser disputada com armas nas mãos aos pastores nômades que nelas tentavam se estabelecer ou. A agricultura de chuva. a fertili dade). bosques. as populações locais tiveram que enfrentar dificuldades consideráveis e bus car soluções aos problemas em princípio intransponíveis. estes últimos competiam entre si pelos recurso s naturais: água. por outro lado. não é praticável na região. e de obras hidráulicas de proteção contra os efeitos das enchentes fluviais. p ortanto. As razões da revolução urbana na Baixa Mesopotâmia Desde o período basicamente neolítico até os inícios da urbanização e das cidades nascentes da Baixa Mesopotâmia. simplesmente. a água. Além do mais. em virtude da salinização causada por drenagem insuficiente e ao avanço do deserto sobre as terras cultivadas. A transição da civilização urbana é completada no período de 3100 a 290 a. durante a fase de Jemdet-Nasr. . Tinha-se..C. por um lado. As enchentes possuem um efeito. canais de irrigação e drenagem. Estas necessidades obrigaram a construção de um sist ema complexo de barragens. Por outro lado. os rios se acham em vazante na parte do ano em que é preciso semear. foi no enfrentamento das dificuldad es e na busca de soluções que a região transitou para civilizações urbanizadas com instituições político-ins ionais e administrativas. caracteriza-se pelo início da urbanização. fertilizador.. o céu. campos. Anu. que dispor de reserva de água para os meses mais secos do ano. Enki. que reconhecem como soberano uma grande divi ndade que personifica uma das forças da natureza (Enlil. É a fase com a qual começou a Época Inicial do Bronze. Contudo. O povoamento da Baixa Mesopotâmia dependia dos rios que cortam as planícies fluviais . Ao mesmo tempo. cuja manutenção e extensão exigiram um enorme e constante esforço. ameaça levá-los de roldão juntamente com rebanhos e casas. típica das regiões do Levante e da Anatólia. dá-se em épocas em que os cereais cultivado s já estão crescidos e. Por outro l . a Mesopotâmia tinha à sua volta estepes habitadas por nômades criadore s a oeste e a leste nas montanhas.. Ianna. marcada pelo desenvolvimento da organização social e de instituições político-administrativas nas cidades. mas. o vento. esta fase conhece uma grande concentração de residências dos cultivadores nas planícies e o aparecimento de um grande contingente de artesãos especializados e trabalhando em tempo integral nas cidades. em sua violência.

Sendo a região da Baixa Mesopotâmia carente em madeira. pedra dura e metais era prec iso suprir os .

Desde o começo do processo de urbanização.dos primeiros órgãos colegiados de poder que existiram nas cidades nascentes. compreendidos como complexos econômicos e administrativos . depois. encarregaram-se de e nfrentar as dificuldades que apareceram ao longo do processo de urbanização e.C. portanto local e dispersa . às vezes a distâncias muito consideráve is. cercada de muralhas. um complexo com múltiplas funções. ocupada por residências. Ao iniciar os tempos históricos.e. só em meados do terceiros milênio. três instituições. integrantes do corpo de cidadãos dotados de direitos bem estabelecidos. deles separada no espaço. A questão pertinente para a história político-institucional e administrativa e de form ação das cidades com espaços urbanos institucionais é: quem tinha a responsabilidade de procurar soluções par a os problemas apresentados acima? Ante as pressões descritas. as comunidades locais efetuavam trocas regulares. estábulos. surgem os templos como complexos p olítico-econômicos com controle sobre a administração das cidades-Estados. As recentes escavações arqueológicas comprovam que. Já existiam em cada cidade b aixomesopotâmica privilégios fiscais. campos. além das funções religiosas. os vilarejos da Baixa Mesopotâmia começaram a organizar órgãos colegiados e a caminhar para instituições político-institucionais com a responsabilidade de buscar soluções. anteriores ao surgimento das instituições centraliz adoras e subordinadoras dos complexos templários e palaciais. por volta de 3100 a 2900 a.. desde a fase basicament e neolítica. e o palácio real. também. na qual residiam os ha bitantes da cidade. Só com urbanização plena. Cada cidade-Estado do sul da Baixa Mesopotâmia compreendia três setores urbanos: a c idade propriamente dita. legais e de jurisdição reconhecidos aos homens livres proprietários. Mas. e o porto (fluvial na maior parte dos casos). sucessivas e recentes. os templos. hortas e pomares. então. no período inicial da vida já totalmente urbana: órgãos colegiados com origem nas organizações tribais. os órgãos encarregados de tomar as decisões mais importantes eram dois: o conselho de anciãos (notáveis locais) e a assembléia dos home ns livres. uma área periférica (chamada de cidade extern a em sumério). centro da atividade comercial de lon . Estes traços são compreensíveis ao se admitir a origem tribal . é que vai aparecer o palácio real como entidade diferente dos templos. Segundo Ciro Flamarion Cardoso.povoamentos em expansão de materiais básicos que só podiam ser encontrados em áreas elev adas e distantes. que sobrevivem ao processo de destribalização. em uma dúz ia de cidadesEstados bem consolidadas e ciosas de sua independência. o sul da Mesopotâmia estava dividido. e epicentro político-administrativo no sul da Mesopotâmia.

Ur e Eridu. Kish. ou período pré-sargônico (2900-2334 a.C. de norte a sul. contudo difícil ex trair dela informações precisas sobre o poder e as instituições.C.C. Uruk. A arqueologia confirma uma inundação fluvial localizad a na localidade onde foi achada a cidade de Shuruppak. pastos. não muitos raros. Ubartutut ou Ziusudra. no mínimo razoável. Sippar. Somadas as cidades-Estados mais imp ortantes da Baixa Mesopotâmia e mais algumas aglomerações menores. quatorze aglomerações urbanas mais important es podem ser relacionadas: Sippar. Nippur. sendo. mais ou menos em 2900 a. aglomerado de acampamentos co merciais de tribos nômades no extremo norte da zona urbanizada. situada na margem direita do Médio Eufrates. outras cidades subordinadas. mas de alguma importância . Badtibira. são os casos de: Mari. e.ga distância e lugar de residência dos mercadores estrangeiros (não admitidos intramuros).C. sobre as realidades políticas locais. ocasião em que a realeza desceu do céu depois do dilúvio. bosques. O período de domínio das cidades-Estados templárias na Baixa Mesopotâmia Uma história da evolução político-administrativa da Baixa Mesopotâmia do momento em que ap arece plenamente urbanizada. Larak e Shuruppak. Badtibira. Segundo Ciro Flamarion Cardos. Nem todas as cidades-Estados estavam organizadas segundo um mesmo mo delo. Adab. centro religioso de toda a região. Larsa.). período de Jemdet Nasr (3100 a 2900 a. Para este período. pela primeira vez. redigido em ép bem posteriormente. campos. O texto fala que a realeza que desceu do céu . ant es do dilúvio e de que cinco cidades dominaram sucessivamente a cena política regional antes do dilúvio : Erid u. Lagash .sedes de go vernadores de províncias . Outras aglomerações urbanas menores depen diam das principais. A ar queologia é a base quase única de conhecimento direto da primeira época urbana. Assur na Alta Me sopotâmia. É o caso de Nippur. Os t extos são raros e os que se tem em mão são parcialmente legíveis e pouco informativos a esse respeito.teremos algumas dezenas. Um dos poucos documentos que nos f ornece informações sobre os primeiros tempos da urbanização é a Lista real suméria. O último rei de Shuruppak nesta longínqua fase é o herói meso potâmico do dilúvio. Outras aglomerações urbanas de tradição suméria estão situadas fora da Baixa Me opotâmia. As informações são mais precisas sobre a história política da Baixa Mesopotâmia para o perí dinástico primitivo. Umma. no livro Sete olhares sobre a Antigüidade. apre senta dificuldades acerca de conhecimento. A sede urbana con trolava um território composto de aldeias. Tell Khuera na Síria. Cada cidade-Estado tinha uma divindade principal que a possuía .. Larak. Tell Asmar no vale do Diyala. podendo esta relac ionada ao dilúvio da tradição mesopotâmica. a evolução p . Akshak. até 2500 a.). Shuruppak. e Sippar.

olíticoadministrativa da Baixa Mesopotâmia apresenta duas tendências persistentes ao longo do terceiro .

embora não pudéssemos falar de um exército profissional. Era o encarregado de cerimônias relacionadas com a liturgia do deus da localidade: o casamento sagrado anual. em cujo templo residia. de formação de unidades políticas mais amplas.C. perder de todo as funções sacerdotais e a justificação religiosa do seu poder... ocorreu uma alternância entre fases de indep endência política das cidades-Estados com outras em que se deram tentativas. O governante da cidade era chamado de en. cada vez mais consistente s. Kish e. no qual tomava o lugar do deus e se unia à sacerdotisa que representava a deusa. senhora. É provável que. até pouco antes de 2500 a. a arqueologia e os documentos mais antigos mostram a inexistência de paláci os reais como estruturas separadas. De início. o rei. com o palácio se constituindo numa instituição independente que acabou por superar os templo s no seu grau de controle sobre recursos e pessoas. porém. Outras provas de que a realeza se laicizava é a manutenção pelos palácios de algumas cidades de milícias permanentes.milênio a. sem. Os fatos apontados mostram uma crescente independência da instituição real em relação ao t emplo.. Os textos de Shuruppak mencionam que o palác io real passou a manter entre 600 e 700 guardas permanentes em serviço.: 1. da cidade). há provas de que o governante supremo deixou de ser o sumo sacerdote e do surgimento de complexos palaciais independentes do templo (Eridu. grande homem. fisicamente. A relação entre os três títulos encontra dificuldades de exp licação à luz dos documentos e da arqueologia. senhor.).. operacionalizando uma liturgia que visava liberar as forças da natureza. o governante da cidade era uma espécie de encarnação viva do deus principal da cidade-Estado. Embora persistisse por muito tempo a designação de en. um aparente predomínio das instituições templárias e de órgãos colegiados representavam os cidadãos livres foi cedendo lugar a uma realeza cada vez mais lai ca e poderosa. documentos posteriores evidenciam du as outras formas de referir-se aos governantes da cidade durante o dinástico primitivo: ensi. A partir de 2400 a. governado r. que eram enterrados com suas riquezas e servidores ritualmente mortos. há comprovação da existência de uma realeza sagrada constituída de um rei e uma rainha (com o título de nin. No cemitério real de Ur. dominava várias cidades e tinha sob sua autoridade os respectivos governadores. fora d a Baixa Mesopotâmia. além de carros de guerra puxa dos por muares. contudo. e lugal.. bem como em relação ao conselho de anciãos e à assembléia dos homens livres influentes das cid . atuando tanto como chefe secular como sumo sacerdote do deus principal (o dono.. do te mplo. traduzido como rei. 2.C. Em alguns casos..C. Mari). antes de se separar do cargo de sumo sacerdote e. o recrutamento d e milícias era feito entre os dependentes do templo.

as monarquias já eram permanentes e hereditárias. manter abertas as rotas de comércio. um conjunto de cidades-Estados sob o c omando único de um rei poderoso se apresentava. é caracterizada pela alternância de fases de descentralizações com outras em se tentavam unir as cidades-Estados em unidade político-territoriais maiores. é possível delinear quatro grande s fases da história .C. à medida que u m poder concentrado podia garantir melhores as rotas comerciais do comércio de longa distânc ia. o comércio exterior e boa parte da mão-de-obra. também. s e levarmos em conta que no passado elas eram eletivas. após a sua laicização. São funções suas: a iniciativa da construção e reconstrução dos santuários. passou r sua atribuição à construção e o conserto de canais. Contudo. as funções dos reis mesopotâmicos aparecem com muita clareza. Exemplo dest e processo é o sistema estatizante da III dinastia de Ur. rebanhos e outros bens dos tem plos. O palácio real. que ao que parece se constituiu num dos fatores fundamentais na consolidação de uma realeza independente e forte. no qual o palácio controlava a maioria das terras e rebanhos. As cidadesEstados possuída.C. manter a integridade do território e a posse dos recursos naturais. de certo modo.. Entre meados do século XXV e final do século XXI a.. constituir uma barreira mais eficaz aos ataques externos e a possibilidade de garantir um fluxo maior de riquezas como resultado de saques e tributos para a capital. como uma tendência sólida e real. como também forçou particulares a vender-lhes terras.ades-Estados.. redistribuição de excedentes e distribu indo concessões de terras como forma de pagamento aos serviços prestados por funcionários. sustentada com rações aparentemente ínfimas. um fator político que tinha fundas raízes políticas e h istóricas constituía uma tendência com bases sólidas e reais. diques e reservatórios. apresentando-se com o distribuídos da 'água em abundância. um con flito entre o particularismo das cidades-Estados e uma consciência étnica unitária. tanto a fluvial como a f eita através de caravanas de muares. Temos aqui. Em meados do terceiro milênio a. avançou sobre muitas terras.C. A segunda metade do terceiro milênio a. Boa parte destas funções requeria uma ação guerreira crescente ora contra as cidades-Estados vizinhas ora contra os povos e stranhos a região. com seus cidadãos livres mais notáveis detendo prerrog ativas e com um clero igualmente privilegiado.C. pelo seu deus. A partir de meados do terceiro milênio a. O período dinástico ou sargônico da Baixa Mesopotâmia Estas transformações reformularam em profundidade o domínio sobre as riquezas e as pes soas. garantindo assim o fluxo de matérias-primas carentes na Baixa Mesopotâmia.

as primeiras tentativas conhecidas de centralização do poder. seguido de uma volta à fragmentação política de cidades-Esta os . o império de Akkad. 2.política da Baixa Mesopotâmia: 1. 3. o domínio gútion.

a Baixa Mesopotâmia foi c ontrolado em termos político. fez-se rei de Sumer e Akkad e tendo ainda. Sargão I e seus de sucessores ime diatos dispensaram enormes esforços para a estabilização do império. o de Sargão I de Akkad ( 2334-2279 a. Na estela dos abutres.).até hoje não localizada pelos arqueólogos. Adab e Mari. Foi após este período que se formou o primeiro império na região. A seguir. Ásia Menor regiões costeiras do golfo Pérsico. mas em arque . baseando-se.C. Já na cidade de Lagash. Tanto no campo de batalha como no institucional.C. Ainda com o propósito de manter o controle da administração do império. Dominou toda a Mesopotâmia e seus arredores imediatos e. embora em certos casos se mantivessem os governantes originais. mesmo que passageiramente. ao lado do sumério.. que depois de instalado em Uruk e Lugalzagesi (2340-2316 a. o renascimento sumério. a seguir fala de vitórias sobre os lemaitas estabelecidos em parte de Sumer e de expedições ao Elam. sucessivamente. especialmente no Elam e na As síria. agora. o exército foi muito ampliado e modificado. membros da família real e outros acadianos foram nomeados governadores de cidades e províncias. o ensi de Lagash. que teria fe ito alianças com o rei de Uruk e Ur. Lagash conheceu um novo período de vitórias contra Umma sob o domínio do seu sobrinho Entemena (2404-22375 a. não mais na falange. 4. A origem de Sargão é obscura. Para capital do império fundou uma n ova cidade. Akkad . Após dezenas de guerra venceu Lugalzagesi e outros gov ernadores da Baixa Mesopotâmia. com as sua s famílias submetendo a população local a vexames e extorsões. Por outro lado.).C. e a III terceira dinastia de Ur. por Uruk. então reunidas sob um único governo. Ele chegou também a obter a r ealeza de Kish e enviar expedições militares ao norte (Mari). Posteriormente. avançando até o Mediterrâneo. o rei ampliou as dependências e capacidad e de serviços do palácio real e da burocracia a ele ligado. Entre os esforços de consagrar a unidade política da região está o de Sargão ter inaugurado o costume de nomear as filhas do soberano supre mo da Mesopotâmia como chefe do clero do deus lunar de Ur na tentativa de aproximar-se d o sul sumério. relata sua v itória sobre a cidadeEstado vizinha de Umma.). Ante o trabalho de grande organização. parte da Síria.C.). assumindo o status de língua administrativa. dominado a Mesopotâmia e a Síria. de forma menos direta. que teve a sua carreira interrompid a pela expansão do ensi de Umma. em função de disputas de fronteiras. com o acádio.C.independente. tendo aparentemente destronado-o. inicialmente ele teria prestado serviços ao rei Urzababa de Kish. dois sacerdotes de Ningirsu tomaram o poder e avançaram sobre as propriedades dos templos.). Esta situação só foi interrompida pela e reformas do ensi Urukagina (2351-2341 a. Eannatum (2454-2425 a.

obras de arte e a expansão do comércio para o exterior. mas mesmo nelas tendeu-se a processar o que se vinha operando nas outras partes do império: a substituição dos governantes locais por funcionários do rei. em sumério. Seus sucessores empreenderam esforços na construção de uma realeza divina.). na metade do seu reinado tentou controlar a situação a leste. O filho e sucessor de Urnammu. Após a vitória sobre os gúntions pelo ensi de Uruk. No interlúdio seguinte. os grandes funcionários recebiam terras estatais em usufruto e outras vantagens. correio (mensageiros reais) e aberto e/ou me lhorados as vias de comunicação da região. para a qual construíram templos em que estátuas do soberano reinante recebiam cultos. Para tornar mais ágil a administração e a se gurança do império foram criadas um sistema de guarnições.C. utilizando-se do expediente de c asar sua filha com um dos governantes elamitas. sobretudo pelo palácio. compondo ainda.C. o que não impediu de novas guerras com o Elam. bem co mo de grupos tribais de pastores da síria. e. Separou-se o poder civil do militar. A principal característica da III dinastia de Ur está em ter tentado um sistema admi nistrativo coerente e homogêneo na Baixa Mesopotâmia.) com o objetivo de regular . É desta época a construção da torre de degraus ou ziggurat pa ra servir de base a um santuário. de Sumer e Akkad. tendo o fundador da dinastia publicado uma série de precedentes ou julgamentos típicos (as leis de Urnammu..). Mari e Biblos). capital do império que durou entre 2112-2004 a. depois. Contudo. Utuhegal (em 2120 a. No período 2141-2122 a. declarando-se deuses. o governa dor de Ur. o império chegou a compreender a Mesopotâmia.iros seguidos por uma infantaria mais leve do que no passado. Em algumas áreas periféricas foram mantidos os governantes de extração local . tornando-se por excelência o símbolo da arquitetura da Mesopotâmia.C. Foi também instituído um sistema judiciário que recebeu grande atenção. A economia era gerada. Urnammu. o ensi G udea de Lagash fomentou importantes construções sagradas em sua cidade. No seu ap ogeu. gútions). a maior parte do Elma e algumas cidades da Síria e Fenícia (Ebla. Além de prata e rações. assumiu os títulos de rei de Ur. fundando a III dinastia de Ur. algum ponto da Baixa Mesopotâmia conheceu o domínio dos gútions e várias cidades-Estados reassumirem a sua independência. apesar do comércio e xterno tenha sido feito em proveito dos altos funcionários e de comerciantes comissionados. entregando tais postos a funcionários. guerreando nos Zagros.C. Sargão e os seus sucessores tiveram de lutar contra o separatismo das cid ades-Estados e contra a pressão crescente dos montanheses do Elam e dos Zagros (llullubi. Shulgu (2094-2047 a. um belo hino religioso.

as relações dos cidadãos com os Estado e demonstrar que o monarca cumpria a sua função de promover a .

). os reis de Isin legislaram no sentido reformista d e abolição das injustiças sociais e econômicas devido às dificuldades profundas na região. O período de domínio dos grandes Estados na Baixa Mesopotâmia Logo após a queda de Ur. devolvendo a Lagash a sua importância. embora a maioria da população falasse línguas semíticas e o sumério já tivesse desaparecido como língua viva. a tentativa de uma das duas cidades de controlar o sistema de canais da Baixa Meso potâmia.C. U os reis de Isin retomou a tradição de publicar coleção de preceitos legais ou precedentes judiciários . destruíram e saquearam Ur. os reis de Ur investiram muitos recursos e esforços na con quista e na organização do Elam. uma dinastia instalada em Isin recolheu com sucesso a her ança do império sumério. ao controle do comércio do golfo Pérsico.C. sobre Ur e parte do Estado de Lagash. Sob a hegemonia de Isin. por detrás da hegemonia de Isin. Desde meados do século XX a. aliados aos su (ou sua). sob o comando de Naplanum. os elamitas foram expulso e a economia da Baixa Mesopotâmia permaneceu estatizada.). povo dos Zagros. Antes mesmos de desaparecer. (1934-1924 a. sobretudo os pastores tribais amorreus (ou amorritas) que ameaçavam a oeste o império. um reino com a capital em Larsa.).. Após o reinado de Shulgi. Uma dinastia amorrita. principalmente com continuação da entrada maciça de amorreus. com o império arcando com os custos e nomeaç dos juizes. Ao mesmo t empo. os elamit as. uma zona de rebelião.C. Ibbisuem (20282004 a. e. Contudo. para o Elam. ao sul. estabelecida em Larsa. o últ imo rei da III dinastia de Ur. surgiu como nova força na região com o rei Gungunun (1932-1906 a. tomando Ur ao rei de Isin e abrindo uma longa disputa pela heg emonia da região. No ano de 2004 a. O sumério foi mantido como língua oficial e floresceu literariamente.C. reinava o último rei da III d inastia. por outro lado. por um lado.C. Contudo. eram ago ra. com os monarcas mantendo cuidadosamente os padrões tradicio nais da realeza suméria. por conseguinte. escond ia-se uma considerável dispersão do poder. Ishbierra de Isin conseguiu se por à frente dos amorreus. os particularismos locais debilitavam a unificação.justiça nos territórios sob sua administração. sob o comando de um ex-governador nomeado p or Ur. A luta quase permanente entre Isin e Larsa teve como conseqüência a pulverização do pode . tentando bloquear as investidas que no passado haviam derrubado o império de Akkad e. o impéri o foi divido em três partes: a oeste. Esta disputa parece estar ligada. levando cativo. ligadas às dívidas e ao a vanço dos interesses e atividades privadas. a nordeste.. o chamado código de Lipitishtar. provavelmente de origem semita.

não cessou de diminuir. até o fim da dinastia em 1595 a.r na região. apoiados em suas tribos.C. Consolidado o seu domínio e hegemonia. Já sob Samsuiluna (1749-1712 a. . Depois de vencer cidades ou coalizões de cidades.).C.). Cerca de uma década depois de ter subido ao trono. O Império Paleobabilônico assim criado foi efêmero. à sua cidade: filhos da cidade. (rabianum) da cidade. Ibalpiel de Eshunna. duran te quase vinte anos. do reino de Mari ao vale do Diyala. econômica. o território já havia sido reduzido em boa parte e. Após estes sucessos militares. No entanto o tais órgãos co legiados só tinham certas funções judiciárias e funcionavam como corpos assessores do prefeito.C. sob outros soberan os. vencedor de Isin. em uma localidade mencionada desde a época do império de Akkad. muitos historiadores tendem a situá-lo em uma categ oria à parte pelo seu código. (maru alim). existente em cada cidade. criando a oportunidade do surgimento de diversas dinastias de chefes amorreus. o s quais. religiosa cultural da Baixa Mesopotâmia. passou a dominar toda a região da Baixa Meso potâmia. Hammurapi foi o sexto rei amorita da Babilônia (1792-1750 a.. filho e sucessor de Hammurapi. voltou-se. Hammurapi na prática surge como um do s grandes soberanos de sua época. mas muito bem cal culadas. Sippar e outras. o seu reinado começou a importância da cidade da Babilônia como metrópole política. aliando diplomacia a operações militares limitadas. tornaram-se reis de Kish. Hammurapi tratou de aumentar o seu pequeno território inicial com a ocupação de Isin. primeiramente. para a fortificação de cidades. Por outro lado . .C. Prevalecia o princípio de que cidadão es tava vinculado.. Hammurapi se declarou rei das quatro regiões do Universo. começou a avançar decisivamente. cuja descoberta em 1901-1902 permitiu iluminar um período pouco conhecido da histórica mesopotâmica. Uruk. a partir do vigésimo nono ano do seu reinado. de Babilônia.o mais extenso e importante documento em língua acádia -. Malgium e outras cidades. Hammurapi encont rou um certo equilíbrio de poder na Mesopotâmia. mas sem grande importância no passado. até que. Entre o quinto e décimo primeiro ano de seu reinado. estabelecido entre si e Larsa e os demais govern antes vitoriosos nos anos anteriores (Rimsin. sem buscar se divinizar. Na estrutura administrativa do Império de Hammurapi encontramos remanescentes das cidades-Estados primitivas como a assembléia dos homens livres gozando de plenos direitos (puthum) e o conselho de anciãos (shibutum). estabelecendo ainda uma hegemonia sobre a Alta Mesopo tâmia e passageiramente sobre o Elam. Contudo. Uma destas dinasti as se estabeleceu por volta de 1894 a. na mesma época em que caía o Primeiro Império Assírio. Zimrilim de Mari ).

Inspirado no sistema administrativo instalado por Shamshiaddu da Assíria. sup erior aos prefeitos . Hammurapi instalou nas cidades maiores um governador ou um lugar-tenente (shakanakum). décadas an tes.

) e as leis da III dinastia de Ur (2112-2004 a. estrutura familiar e de certos costumes. no seu corpo legal. As medidas decididas pelo rei que estabeleciam a justiça. O Código de Hammurapi parece ter sido uma proclamação da justiça real para servir como e xemplo e precedente.). Muskenum. consagração da desigualdade social a nível jurídico-social artir da legitimação jurídica de três classes sociais (Awilum. com estabelecimento de preços correntes e salários e a manipulação do padrão de valor.conduziam negócios do Estado e os próprios. religião . centro da administração do império. Como codificação e reforma legal. Wardum). principalmen te quando intervinham esporadicamente no sentido de anular as dívidas e a servidão (temporária) por dívidas em que caíam pessoas nascidas livres. compreendia múltiplos escritórios povoados de escribas. os serviços dos grandes comerciantes só podiam ser realizados com o recebimento de um documento do rei que autorizava aos mesmos ou aos seus subordinados fazerem e xpedições mercantis ao exterior. ele se revela como o mais extenso. metais preciosos).C. as leis reformistas de Urukagina de Lagash (2351-2 341 a. Adm itia-se o apelo direto ao monarca em matéria judiciária ou administrativa. Logo nos primeiros p arágrafos do prólogo é nítida a tentativa de legitimar o Código através da reverência e da consagração d . corpo legal e epílogo. sendo vigiados por superintendentes da administração púb lica (uaki tamkari). Contudo.C. A seguir. gado.tamk arum .). O Código de Hammurapi foi precedido por outros códigos e conjuntos de leis na Baixa Mesopotâmia. As funções públicas e as milita res eram remuneradas com a concessão do usufruto de terras públicas a indivíduos ou a grupos: t anto aos serviços quanto à terra concedida aplicava-se o termo ilkum. O Código de Hammurapi é dividido em prólogo. intervenção no domínio econômico. vida social. importante e um dos mais completos documentos da Bai xa Mesopotâmia para o conhecimento de certos aspectos da economia. chegando até a aplicação rígida da pena de talião. como o código de Lipitishtar (1934-1924 a. uma tentativa de unificar o direito durante o seu reinado. relações sociais. estrutura social. é possível vislumbrar os seguintes aspectos: a compensação pecuniária que fosse julgada insuficiente podia ser recorrida para revisão junto ao soberano. Os grandes comerciantes . legitima e regu . (misharum) tinham mais poder de força de lei que o próprio código.mencionados. Os coletores de impostos (makisu) garantiam o fluxo de tributos (ce reais.C. Mesmo com conhecimento da limitação da força de lei d o Código. As corvéias eram requisitadas para diversas atividades civis e militar es. mas com limitado poder de força de lei. O palácio real. permitin do a Hammurapi manter uma correspondência muito copiosa e constante com os seus subordinados.

sendo que nas famílias mais ricas. Por fim. homem livre que gozava de plenos direitos políticos (funcionários. a partir do Código de Hammurapi é possível observar a existência de uma estrutu ra familiar com bases no sistema patriarcal. comerciantes e soldados de pa tente). o muskenum.C. o Código nos permitiu identificar a existência d e três classes. Como fonte de conhecimento histórico.C. O pai escolhia a esposa para o filho e pagava uma espécie de dote . compreendendo grande parte da população (pequenos arrendatários. o terhatum. o Código atuava como moderador das tensões sociais ao e stabelecer empréstimos abaixo da taxa autorizada. A esposa levava consigo para o casamento um dote. o indivíduo submetido à servidão ou escravidão podia casar com o(a) filho(a) de um homem livre e que os filhos do deste casamento eram livres. escribas.la as operações do tamkarum. além do terhatum. Mais tarde. o casamento mono gâmico era reconhecido e só valia para a primeira mulher do homem que optasse pela poligamia. saldados de patentes mais simples. profissionais independentes. No ano de 1595 a. até que no século VII os caldeu . no final do segundo milênio a. fundando a II dinastia da Babilônia. No entanto. O Código ainda estabelece sanções do cri me segundo a classe da vítima. ajudar os indivíduos submetidos à servidão por dívi da a adquirir a liberdade. pagavam o biblum. a região foi controlada pelo Império Assírio. muito destas decisões dependiam das medidas deliberadas pelo rei. o limite máximo do tempo de trabalho por dívida. sendo que o Código estabelecia diferença entre os escravos (a escrava que dava filhos no l ugar da esposa era privilegiada e os escravos de guerra eram os mais explorados).. uma expedição hitita derrubou a primeira dinastia da Babilônia e conseguiram se estabelecer na cidade por um breve tempo. instituir o perdão das penas. Havia ainda o costume de filiação adotiva entre as famílias. Por outro lado. que estabelecia a justiça. sacerdotes. mas com diferenças sociais entre os seus membros. Mesmo a poligamia sendo permitida. o wardum. que era sua propriedade durante o matrimonio.. libertos) e os indivíduos que traba lhavam como jornaleiros. pastores. pelo menos ao nível jurídico-social: o awilum. em cujo governo foi sucedido por reis cassitas ( III dinastia da Babilônia) a partir de 1570 a. os servos por dívidas e os escravos.C. camponeses. ficando esta com plenos direitos. homem livre de status inferi or e intermediário entre o awilum e o wardum. o seriktum. compreendiam indivíduos submetidos à servidão. e não eram de aplicação automática pelas instâncias jurídicas existentes.. integrantes de uma camada ínfima da sociedade e com sorte d ependente da vontade de terceiros. destinado-o a os filhos após a sua morte ou levando consigo quando voltava para a casa dos pais caso o contrato mat rimonial fosse rompido.

Neste tempo todo. a estela do . fundado o Império Neobabilônico.restabeleceram a domínio da Babilônia sobre a região.

reconstruir os diques e construir novos reservatórios. dos montes Zagros. Estabelece-se um comércio regular com o Egito e outros país es. O rei kassita Gandash aí fundou uma dinastia. eles passam rapidamente à agricultura sedentária. Os seus sucessores submeteram a part e meridional do país. das regiões marítimas da Suméri a. Durante o primeiro. sobretudo os da cidade santa de Nippur. vindos do norte. As dimensões destes novos domínios são ba stante maiores do que no Antigo império da Babilónia (vão de 20 a 200 hectares). A vitória coube às tribos marítimas que se apoderaram do Sul do império e aos kassitas que se estabeleceram no Centro e no Norte da Babilónia. Quatro inimigos o assaltaram. utilizando as técni cas dos Babilónios. colocadas nos limites dos terrenos em questão. A época kassita divide-se em dois períodos. Queda do Império da Babilônia e a época kassita*** O Império da Babilónia irá afundar-se durante os dois últimos reinados da primeira dinas tia babilónica. Os decretos reais de alienação e de gratificação são geralmente inscritos em pedras chamadas kudurru. Os reis kassitas apoiam-se sobre as suas próprias milícias. os Elamitas. mas o seu número é sem dú ida muito inferior ao do tempo de Hammurabi. e. só sendo recuperado n o início deste século e só assim nos permitindo ter um conhecimento mais confiável tanto sobre o períod o de Hammurapi como sobre as épocas anteriores das regiões de Sumer e Akkad. Descendo das montanhas e tornando-se senhores da Babilónia. Após se terem apoderado de vastas regiões despovoadas e dizimadas pelas invasões e pelas guerras.Código de Hammurapi circulou por diversos lugares até se perder. durante o qual a vida econômica se desenvolve intensamente. o que impele os reis kassitas a melhorar as rotas das caravanas. os Kassitas instalaram -se aí em comunidades de clã. Ao mesmo tempo continuam a construir-se templos. os Hititas. mas encontram também aliad os entre os sacerdotes da Babilónia. um após outro: os Semitas. No fim do século XV antes da nossa era começa o segundo período. A dominação dos kassitas durou até o ano 1165 antes da nossa era. os criadores de cava los kassitas que viviam ao norte do Elam. até cerca do último quar tel do século XV antes da nossa era. . S empreendidos grandes trabalhos para reparar a rede de irrigação das águas. o país restabelece-se das terríveis devastações e da ruína econômica. empregando grandes esforços para as defenderem dos ladrões assaltantes. por fim. As comunidad es kassitas desagregam-se e por esse fato consolida-se a propriedade privada das terras Os r eis gratificam «perpetuamente» os seus senhores com terras obtidas daquelas comunidades (na maior p arte kassitas).

(v. é recebido pelos anciãos. organizados em forma de texto par a uso nas aulas de História Antiguidade. de te ses. As «gentes kassitas» revoltam-se contra o rei Karahindash. pp. que sufoca a rebelião pelo sangue e r estabelece a dinastia kassita. (**) Texto organizado pelo Prof. Aumenta o descontentamento das comunidades e. Os dignitários e os sacerdotes. Mas a Babilónia recupera em breve a sua independência. Este estado de coisas beneficia os usurários. matam-no e coloca m no seu lugar um homem obscuro. (*) O presente texto é uma resenha realizada a partir de alguns textos pertinentes (vide bibliografia abaixo) à história da Baixa Mesopotâmia. Professor de História Antiga do Departamento de História da UNICAP. A alienação dos bens comunitári s é uma autêntica pilhagem feita aos aldeões. dizima o exército kassita. pedem o auxílio do rei da Assíria. S. Em mea dos do século XIII antes da nossa era. do mesmo modo que a erecção de novos templos gera um agra vamento da obrigatoriedade do trabalho braçal em benefício do Palácio. despovoado e arruinado. incapazes de vencerem os insurre ctos pelos seus próprios meios. No século XII antes da nossa era. que destronou o últi mo rei kassita e fundou a IV dinastia babilónica. o império kassita é invadido e devastado pelos Assírios. que nada recebem em troca. Lisboa: Editorial Estampa. 155-157. e até à queda da Assíria. de trechos de ensaios e de informações das obras consultadas. a Babilónia passa p r um longo período de decadência política. Estes antagonismos internos debilitam o poder monárquico. V. O Oriente. Portanto. pois o pagamento. As suas operações de rapina tornam-se tão descaradas que alguns entre eles tomam à risca a cobrança dos impostos reais e rouba m. a população. História da antiguidade. 1976. e KOVALEVE. Em 1165.lónia. o império cai nas mãos de um senhor da cidade de Isin. a custo restabelecidos da guerra e da ruína. O rei da Assíria Tukulti-Inurta I penetra na Babi. (***) Este texto foi extraído de DIAKOV. A restauração do comércio real pre ssupõe um recrudescimento da opressão. em 1345 antes da nossa era. o país sofre a invasão dos Elamitas. s e o há. dá-se uma sublevação. trata-se de uma sistematização de questões. favorecida por revoltas internas qu e se produziam na Assíria. A sociedade primitiva. Desde então. Luís Manuel Domingues. saqueia Babilónia e coloca lá um gove rnador. I) .O desenvolvimento da economia real e privada é devido à espoliação das comunidades e dos seus membros. sem piedade.

CARDOSO. O código de Hammurabi.Bibliografia CONSULTADA BOUZON.. Petrópolis: Editora Vozes. Sete Olhares sobre a Antigüidade. BOUZON. (Coleção História Universal. I) Lafforgue. 1990. 3. 1994. Gilbert. Lisboa: Publicações Dom Quixote. Brasília: Editora da UNB. I) . Petrópolis: Editora Vozes. Ciro Flamarion. 1981. 1976. A Alta Antigüidade: das origens a 550 a. A sociedade primitiva. O Oriente. ed. História da Antigüidade.C. São Paulo: Editora A tual. Emanuel. 1979. Lisboa: Editorial Estampa. (v. As cartas de Hammurabi. S. V. E KOVALEV. 1986. Antigüidade Oriental: política e religião. Ciro Flamarion. (Coleção Discutindo a História) DIAKOV. v. Emanuel. CARDOSO.

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qu . mais a oeste). A terra fértil formam bacias entremeadas que são propícias para o gado. em parte. a noroeste.dependendo de um sistema de irrigação artificial para conter as destruíções as cheias e da drenagem que evite a salinização -. sendo que os vales fluviais são cerc ados. Só a partir do 5º milênio. introduzindo mudanças importantes na atividade agropastoril e preparando o longo c aminho que conduziu ao modo de vida urbano na região. A primeira é mais elevada. o segundo. que posteriorme nte foi recheada de sedimentos aluviais depositados pelos dois grandes rios. para oeste e para leste. pedra e minérios. localizada as margens do Tigre. estão contida numa lista real assíria que menciona em primeiro lugar dezessete reis que v iviam em tendas. o Diyala e o Karum).potencialmente fér til.A Assíria e o primeiro ensaio de império no Antigo Oriente Próximo Por Luís Manuel Domingues do Nascimento Os rios que formam a planície aluvional mesopotâmica . é possível considerar duas sub-regiões: a Alta Mesopotâmia. Como na Anatólia e na região Sírio-Palestina. parecem que eram chefes tribais hurritas e amoritas.o Eufrates e o Tigre . muito plana e p otencialmente fertilíssima . entre 6000 a 450 0 a. As primeiras menções aos governantes na Alta Mesopotâmia. no Plioceno. Em termos geológicos. contendo. comunidades que baseavam sua subsistência numa agro pecuária estável e não mais na caça. enquanto que a ocupação por cultivadores da Baixa Mesopotâmia .. No enta nto. por outras faixas estépicas freqüentadas por pastores. de forma esporádica.C.só tem início. ocorreu no períod o de 9000 a 7000 a. e a Baixa Mesopotâmia. a Mesopotâmia é uma depressão forma da pela junção. Tomando como limite o ponto do seu curso médio onde o Eufrates e o Tigre mais se a proximam um do outro. a leste) ou à criação (Assíria. a história dos assírios está diretamente relacionada a cidade de Assur. a sudeste. ricos recursos florestais. A Baixa Mesopotâmia é pouco servida pelas chuvas. menos propícia à irrigação e. na pesca e na coleta de plantas selvagens. a planície aluvial do Tigre e do Eufrastes será ocupada permanentemente por grupos de cultivadores oriun dos do leste. mais especificamente na Assíri a. mas de todo carente de madeira.. A julgar pelos nomes. por cultivadores oriundos dos maciços do Curdistão e dos Zagros. O primeiro depende das neves derretidas na primavera e de dois afluentes da margem esquerda (Balikh e Khabur).. mas pouco adequada a agricultura de chuva . a ocupação permanente na Alta Mesopotâmia por aldeias neolíticas plenamente sedentárias. da placa teutônica da Arábia com a da Ásia Ocidental. das chuvas da região dos montes Zagros e de numeroso s rios tributários (os dois Zab.C. baixa. ainda .nascem nas montanhas da Anatólia. adequada à agri ultura de chuva (no planalto assírio.

no médio Eufrates. Em seguida.C. Os três governantes tiveram sérios problemas com os nômades.. Através destas feitorias. apodera-se da grande cidade e domina então to da a Alta Mesopotâmia. Nas feitorias comerciais assírias.C. à volta de Mari. aproveita ndo-se do assassínio do rei de Mari.C. até então tinha sido o centro de poder dos acádios e depois de Ur na Alta Mesopotâmia. foram encontrados arquivos dos merca dores assírios (as famosas Placas da Capadócia) onde estão informações sobre caravanas de muares carregadas de estanho (proveniente do Elam) e de tecidos de Assur que se dirigiam à Anatólia. deu-se uma breve expansão que é conhe cida como Antigo Império Assírio. transmitia as ordens do seu governo e oferecia proteção aos prin cipados locais. Tratados que proteg iam cada feitoria e lhe garantiam certa autonomia administrativa eram negociados entre o reino assírio e os numerosos principados anatólicos. Filho mais novo de uma dinastia amorita que reinava na região do Alto Habur. até o Mediterrâneo. Do fim desse século.. a população mais numerosa do médio Eufrates e viviam em acampament os e aldeias com chefes próprios. até aproximadamente 1780 a. sob Shamschiaddu (1813-1781 a.C. Mais tarde. empreendeu uma campanha militar vitoriosa.). um instalado em Mari e o outro em Ekallatum. prata e cobre. dividiu o poder com dois filhos seus. junto com os acádios. ben-iamina e suteus. No reinado do monarca Ilushuma . junto a cidades e fortalezas de principados locais. pagando tributos e fornecendo soldados para o exército. este monarca começou a carreira destronand o o sumo sacerdotes de Assur (1813 a. modestamente se dizia sumo sacerdote de Assur. a cidade de Assur passou a explorar por sua conta a grande rota comercial ao longo do seu rio e at ingir uma riqueza que a sua agricultura não podia lhe fornecer. sujeitando-se aos censos. na Baixa Mesopotâmia. No final do século XIX a. Estavam integrados às estruturas estatais organizadas. subordinando também os reinos de Akkad e diz ser rei do universo. instaladas na Ásia Menor. a cidade passou a ser independente e capital de um reino assírio mal conhecido que foi se expandido durante a primeira parte deste século. Tentou então uma incursão militar. mas sem maiores conseqüênci as.) e toma nesta cidade o título real até aí reservado ao deus.. e início do seguinte. meados do século XX a. Iahdun-Lim..e tem o nome do seu deus.C. A partir do século XX a. Os ben- . cidade do médio Tigre. onde estavam as feitorias assírias. particularment e numerosos.C. sem maiores conseqüências. Três grupos nômades são mencionados nas fontes: haneus. do Tigre ao Eufrates. Os heneus formavam.C. e voltavam à Alta Mesopotâmia carregadas de ouro. o soberano da Assíria. mantendo relações estáveis com o governo.. e sobretudo do século XIX a.

iamina do Klabur e do Eufrates tanto resistiam tenazmente às tentativas de dominá-lo s e explorá-lo. como também se aliaram sempre que possível aos in imigos dos . que tinha o objetivo de sedentarizá-los.

Depois da morte de Shamshiaaddu. Os assírios chamavam-lhe urartianos (Urar tu). os arameus se estabeleceram entre o Tigre e o Eufrates e avanço so bre a Assíria diminuiu.C. sendo constantemente reprimidos. que efetuavam pilhagens. que no passado chegou a dominar por algum tempo a Assíria. mas relações difíce s com as tribos a oeste. o Antigo Império Assírio se desagregou. .. despovoando as cidades. depois desta. Os suteus aparecem nas fontes como bandidos saqueadores de cidades e car avanas.C. garantias de pastagens.assírios. a dinastia amorrita é expulsa de Assur.. ao norte e a leste da Assíria.. raramente os reis assírios do século IX a. se atentaram para a idéia de anexar as cidades vencidas. Com efeito. levavam rebanhos e. por outro la do. a própria Assíria caiu sob a hegemonia da Babilônia em meados do século XVIII a. Já no fim deste século a Assíria havia reestruturado o seu reino e passou a ofensiva contra os adversários de então.C. Os três monarcas assírios mantiveram boas relações com os reinos e principados da Síria ajuda militar. eram consideradas como rebeldes ao deus Assur e ao rei da Assíria e tudo era permitido contra elas. os exércitos assírios vão todos os anos cobrar tributos na s cidades submetidas. a Assíria encontrava-se numa penosa defensiva face as inc ursões dos arameus. Mas. Mari voltou aos herdeiros da antiga dinastia amorrita. a inquietação de um povo sem fronteiras naturais. Os habitantes refugiavam-se na s montanhas. concessões de mineração. trocas de presentes -. não raramente. mas tiveram como principal adversário o reino de Eshnunna. o te mperamento nacional. São empreendidas campanhas contra os arameus. as colônias assírias na Capadócia desapareceram com a unific ação do país pelos príncipes hititas. reduziam a população a condição de cativos. No século X a. com o território sendo reduzid o a pouca coisa e disputado entre usurpadores efêmeros.C. Desde então. calcado num forte movimento nacional e na qualid ade potência emergente do Oriente Próximo. Caso no ano seguinte as cidades deixassem de pagar os tributos. dando lugar ao saque e a operações militares com um caráter de atrocidades até então desconhecido. alternadas com inc ursões no Urartu e nos Zagros. e o desejo de vingar das crueldades cometidas pelos pastores arameus foram os fatores que criaram ent res os assírios uma cultura de atrocidades e ódio para com todos os outros não-assírios. A seguir veio um outro inimigo: eram as tribos que vivia m na atual Armênia. à volta do lago Van e ainda mais ao norte. habitando uma região que f oi palco de diversas incursões de povos migrantes e governantes desejosos de expandir seus domínios. No fim do século XII a. destruíam e queimavam cidades e aldeias.

Os lucros das pilhagens são utilizados basicamente no embelezamento de Calu.).) que os relevos de um grande palácio de Nínive atingir am o máximo da escultura assíria. em nome do qual se fazem todas as guerras. Há também figuras com cenas de guerra. Também. mas se rá durante o reinado de Assur-ban-apli (659-627 a.C.C. praticada após o século IX a. C. A todas as cidades submetidas exige tributos e aquelas que cons eguiram manter uma resistência prolongada foram saqueadas e destruídas. Contudo. Os afre . A estatuária.C. junto a Hamat (85 3 a. decepção de membros do corpo. O seu filho Shulmanasharedu III (859-824 a. que segundo um relato do próprio Assurnat sirapli II.C. escolhido durante um milênio numa família sagrada.Com Assurnatsirapli II (884-859 a. de onde emerge por vezes o busto do deus. os hititas e arameus continuam a revoltar-se.). o g rande sacerdote do deus Assur. A cidade é composta de palácios com decorações e mobiliários que mostr am os caracteres permanentes da arte assíria. são intensificadas as campanhas militares. Depois de 876 a. foi submetida ao saque e destruída. cremação e extermínio em massa). que chegou a reunir mais 5000 placas com uma antologia da literatura e da adivinhação de Sumer e da Babilônia. os símbolos tradicionais de Assur: a espada ou disco alado. já nos palácios aparece apenas. será construída a Bibliot eca de Nínive. Ainda em 841 a. capit al desde Assurnatsirapli II.). com os seus habitantes sendo objeto das mais varia das atrocidades (empalamentos.C. na parte superior de algumas cena s. Só em alguns santuários rupestr es aparece com um aspecto humano. banqueteando-se em honra dos deuses e derramando a libação sobre os c adáveres. Por outro lado. A arte assíria produz sobretudo baixos-relevos esculpidos no ortoestatos que disfa rçam a base de muros de tijolos. arameias e fenícias do norte da Síria. Um exemplo clássico desta ação é a cidade de Dirra. é pesada e convencional. totalmente consagrada à glorificação do rei.C. ele força a passagem do Eufrates e avança sobre as cidades hititas. caçando animais. os assírios voltam a Síria e impõe t utos à Israel. durante o reinado deste governante.. com os relevos mostrando ele recebend o tributos. principalmen te das pernas e dos braços. mas é feito prisioneiro na batalha de Qurquar.C. só ocorrendo originalidade e exatidão na representação de animais. e logo que os assírios a ab andonam os seus países recuperam a sua soberania. A um tratamento estereotipado dos membros do corpo humano.. são raras as representações do deus Assur. submete os hititas e ataca os arameus. o deus do império. chegando até Tiro. com a sua população sendo massacrad a. Um progresso na composição será verificado durante o reinado de Tukultiapilesharra III (746-727 a. O rei é representado co nforme o tipo étnico e na função de sumo sacerdote dos deuses. por uma coligação sob a direção de Damasco.) anexa o Bit Adini (reino arameu na passagem do Eufra tes).

Por fim.scos manifestam um gosto artístico mais seguro. os soberanos assírios colecionam marfins re tirados aos povos .

deportações locais com o objetivo de quebrar as unid ades culturais e políticas locais. Se até então o propósito maior era garantir um fluxo de riquezas. É com Tukultiapilesharra III (746-727 a. são os altos funcionários. A nova fase de conquistas e expansionismo assírio é redefinido em seus objetivos. A cavalaria passa a substituir os carros de guerra como tropa de choque. que passam a dirigir o império assírio.) que tem início uma série de reformas que r estituem todo o vigor à Assíria. sobre o governo central e sobre a redistribuição dos lucros das pilhagens.) aparecer em primeiro plano na região como um novo e forte Estado. ficando os carros para o transporte das tropas. pela pequena nobreza sem poder e bens e pelos homens li vres despossuídos. O vencedor Shamshi-Adad VI (824-810 a. cavalaria). carros. Ao mesmo tempo. basicamente.C.) é obrigado a fazer concessões à grand e nobreza. Irritadas com o poderio das gra des famílias e pela política de distribuição dos lucros das pilhagens. as revoltas da população se multip licam no país. Este quadro político levou a um enfraquecimento da Assíria. Na prática.C. através de saques e da imposição de tributos. evidenciado pela fundação de cidades com nomes de al tos funcionários e a ausência de menção aos reis assírios nas suas inscrições. aumentando os seus efetivos. A multiplicação de cargos áulicos e dos governos provinciais enfraquece a alta nobreza. os seus filhos envolvem-se numa guerr a civil pela sucessão do trono. com o seu representante se tornando inamovíveis nos seus cargos de altos funcionários e de governadores e exercendo um controle mais estreito sobre a sucessão real. que tendem a substituir as milícias locais.submetidos ou trabalhados na Assíria por deportados ou nativos formados localmente no trabalho com o marfim. a conquista de terras pa ssa a ter como propósito o de anexá-las ao Estado assírio.. campanh as conduzidas para o esmagamento do adversário. a distribuição do fluxo de riquezas para o centro do império foi redefinido de forma a atender a subsistência de setores não beneficiados até então com os saques e tri butos. ficando os assírios só aparecendo nas tropas especiais (fortificações. recrutados entre escravos e os vencidos de véspera. foi possível fazer uma redistribuição de terras de terceiros entre os assírios sem posse e criar espaços políticos e condições de obtenção de riquezas e de st s à pequena nobreza.C. provocadas. Com isto. permitindo a Urartu (sécul os IX-VII a. A sua política ex terna passa ser conseqüente: intervenção sistemática nas disputas dinásticas e nas guerras locais. No exército são criados corpos permanentes. Em outras palavras. o imperialismo assírio vai se caracterizar pela conquista e domínio de reg . na primeira metade do século VIII a.C. No fim do reinado de Shulman-asharedu III. redistribuído entre o poder central e os altos funcionários e a grande nobreza.

relegando a um segundo plano a pressão dos povos migrantes e nômades. objetivando ainda a obtenção de territórios que seriam administrados e distribuídos entre os assírios.) . Igualmente é a preocupação de Sargão II em proteger as suas fronteiras setentrionais ameaçadas pelo reino de Urartu e Mita. No início do VII a.). Finalmente. Na outra extremidade do Oriente Próximo. a Assíria se esgotou ao querer manter domínios como a Síria e Babilônia.). em 710 a. respectivamente. após algumas revoltas.. os assírios tomam a Babilônia (729 a.C. os assírios dão início a uma fases de conquistas. Em seguida.C. o império er a demasiadamente vasto para o povo que o deve manter e administrar. invadindo o no rte da Síria e expulsando os urartenses desta região.. em 719 e 714 a. o que permitiu se expandir e anexar a região d a Capadócia. Sin-ahe-eribe (705-681 a. Na Baixa Mesopotâmi a.) e Damasco (733 a. teve problemas para manter os domínios sobre a Babilôni a e dificuldades para reprimir as rebeliões dos fenícios e dos palestinos. o Egito (734 a. os assírios pareciam caminhar para a constituição de um domínio uni versal no Antigo Oriente Próximo e adjacências. pois por trás dos rebeldes destas regiões estavam o interesse e o apo io estratégico de Estados poderosos. os assírios voltam-se para defesa dos domínios ameaçados pelos faraós.C. Contudo. tendo derrota do estes dois reinos. o Elão e o Egito. a política d e deportações e o uso sistemático de atrocidades como instrumento de dominação criou entre as mais diversas etnias. é deporta da e o país passa a ser governado por assírios.C. esmagando o rei arameu de H amat e fazendo recuar o exército egípcio no delta do Nilo. culturas e formas políticas o consenso da necessidade de reagir e aniquilar o império assírio.) são ocupados. Segundo Godofredo Goossens.. os reis assírios se fixaram neste dois objetivo s. após algumas perturbações na sucessão. A partir de 743 a. e vencidos os arameus. criando uma linha defensiva contra as invasões dos medos.iões que garantam recursos básicos para sua existência e proporcionar um suprimento de bens de todos o s tipos. Após Sargão II. é retomado o domínio da Babilônia . que havia sido tomada pel o chefe caldeu Marduk-apla-iddin. aproveitando-se da anarquia política local.C. Com a chegada ao poder de Sargão II (722-705 a. O mesmo foi assassinado po . os assírios ocupam o norte dos Zagros até o c entro do Irã (737 a.C. A população local.C.. já nas primeiras décadas deste século o ensaio de um império universal mostrava a sua impossibilidade.C. deportados em seguida para garantir a paz na região. Poderíamos ainda acrescentar ou tros fatores como: a capacidade de conquista e de repressão não foram acompanhadas por uma estrut ura administrativa e burocrática que pudessem gerir os territórios dominados.).C. que transferiu a capital para Nínive e a dotou de numerosos edifícios e enormes aquedutos.C.

C.) . Assur-ah-iddin (681-699 a. finalmente chega ao trono e manifesta a ansiedade de seguir a política de c onquista de seus . seguindo-se uma guerra civil.r dois filhos seus que disputavam a sucessão. outro filho de Sin-aheeribe.

retomando-a em 648 a.predecessores.. a Assíria tem de se defender de uma co ligação de povos (elamitas.C. dominando a região durante o reinado de Nabu-kudur-utsur II (60 5-562 a. as sua cidades queimadas já são apenas um amontoados de tijolos. mas os preparativos da empreitada é i nviabilizada pelas revoltas de Sidon e Tiro. os exércitos egípcios re aparecem no delta.C.C. Os empreendimentos militares são.) e os destroços do exército assírio fogem para o Ururtu. do outro lado. Os reis da Babilônia empreendem campanhas de conquistas à Síria e a Palestina. Enquanto os medos continuavam acampados na Alta Mesopotâmia e logo depois tiveram que regressar para o Irã para fazer frente aos problemas políticos internos. árabes. . o soberano assírio quase não abandona a capital (Nínive ) e delega o comando dos seus exércitos. e. consegue deter os nômades e retomar o controle sob re as cidades fenícias e a região do delta do Nilo. os nômades da Grande Estepe invadem o Or iente Próximo.).)... Primeiramente. já a partir de 652 a. após muito esforço. submetendo a população local a deportação. que o exército babilônico tentou várias vezes invadir. Mesmo assim. Contudo. com as cap itais do reino sucumbindo uma a uma (Assur. para fazer frente as revoltas que aí explodem com o apoio do Egito. medos. Calu e Nínive. 614 a. q ue fundou na Babilônia a dinastia caldeia (626-539 a. cimérios e citas. em 669 a.C . depois volta-se para disputas contra o reino do Elão e os arameus pelo controle da Babilônia. Contudo. contudo. Os sucessores de Assur-ban-apli têm que fazer frente a um duplo ataque ao seu impéri o. Conhecido como administrador e homem letrado. De um lado. Ao mesmo tempo. reis da Babilônia. Aos poucos o território do império assírio volta a se restringir ao do reino da Assíria. o do rei Nabuapla-utsur.). Os métodos impiedosos dos conquistadores assírios voltam-se con tra eles mesmos. estes dois últimos povos oriundos das Grandes Estepes). posteriormente. a herdeira da Assíria p assou a ser a dinastia caldaica da Babilônia. em 612 a. limitados e a Babilônia. Assur-ah-iddin.C. após cinco séculos d e insegurança. fundada em 626 a.C.C. a ofensiva da coligação comanda pelos medos. cidades sírias.C. mas a ofensiva avançam sobre o próprio território assírio. foram obrigados a fazer incursões contra Tiro (Fenícia) e o reino de Judá (Palestina). A última fase de expansão assíria foi durante o reinado de Assur-ban-apli (659-627 a. A Assíria com a sua política de anexações e deportações realizou na prática uma unificação ultural das populações do Antigo Oriente Próximo. os seus exércitos restabelecem a dominação so bre o Egito. C. decidindo conquistar o Egito. que desde então passam a caminhar para a const ituição de uma cultura comum.

Só em 556 a. o palácio de Verão. mandando construir u m muro e barragem no istmo entre o Tigre e o Eufrates. o acádio da Babilônia e o cuneiforme continuam a ser a língua e a escrita dos escribas. o templo de Ma rduk revestido de ouro. de mármore e de lápis-lazuli. . o rei se preocupou em proteger a capital contra um ataque dos medos.. Embora menos extenso. leão de Ishtar) em relevos de tijolo esmaltado cujos frisos adornam os lugar es santos (porta de Ishtar. em 539 a.C. de sde o século IX ao VI a. em 562 a. enfraqueceram a consciência dos povos e prepararam assim o terreno para u m império que será mais vasto e menos contestado que o da Assíria. Após a mort de Nabukudur-utsur II. auroque de Adad.C.C. Contudo. a Babilônia cai sob os golpes de Ciro e finda o reino neobabilônico. escolhem Nabu-naíd como soberano. o reino neobabilônico escolhe a defensiva para conter o avanço destes. monumento de 90 m d e altura. Na cidade da Babilônia são construídos o palácio da cidadel a com os seus jardins suspensos. Ante o avanço das tropas persas.volta a conhecer finalmente um período de paz. . A população que emprega o aramaico. a arte babilônica herdou o gosto pelo colossal. a sucessão é motivo de uma revolução no palácio.. mas a nova concepção religiosa proíbe a re presentação de cenas históricas ou culturais e limita as figuras aos animais simbólicos (dragão de Ma rduk. comandadas pelo rei Ciro. A vitória persa foi sem dúvida facilitada pelas guerras e pelas deportações assírias que.. Os anos seguintes serão marcados pela expansão e conquista persa de todo o Antigo Or iente Próximo. que continuam a redigir os seus anais e a colecionar presság ios. a sua zigurat de sete pisos. a capital foi cercada por uma muralha com 8 e 18 km de perímetro. são aperfeiçoados os métodos de observação e de cálculos astronômicos. muralhas dos templos e muros da via das procissões). Da Assíria. Mas a civilização ne ca é celebre pelos trabalhos de Nabu-kudur-utsur II na grande cidade da Babilônia. C. No século VI a. os chamados fazedores de reis. Em p rimeiro lugar. que vai possibilitar a região se torn a a mais evoluída e rica da Ásia Ocidental à época. o pavilhão da Festa de Ano Novo... as duas metades de Babilônia separadas pelo Eufrates estão apenas ligadas por uma po nte cujas traves são retiradas todas as noites. depois . Este se volta para a restauração de cultos e templos e termina por perder toda a autoridade sobre a Babilônia. o império babilônico é mais frágil do que o dos assírios.

.

C. o regime do rio Nilo era caracterizado por cobrir anualmente a sua planície aluvional. formando-se em ambas as margens diques naturais ou levées. sabe-se que a disposição geral da paisagem geográfica do Egito não mudou nos últimos 25. os sedimentos mais pesados são depositados junto às margens . no Egito. e as bacias podem tornar-se pântanos ou lagos perenes com maior freqüência. Os sedimentos ou aluviões mais leves. Como a inclinação do terreno e a força da correnteza são menores. já então como no período histórico. Quando as águas voltam ao seu nível normal. Sua hidrografia é uma das mais regulares e previsíveis do que a de outros rios sujeitos as cheias anuais. Em linhas gerais. porém. em bacias naturais.000 anos. A paisagem geográfica do Egito Atualmente. Nesta área. entre julho e novembro. as levées são mais b aixas. algumas partes dos atuais desertos ainda abrigavam uma fauna numerosa e variada e a vegetação da estepe podia sustentar rebanhos. crocodilos e aves aquáticas. o rio abre-se em leque. No Holoceno. na fase subpluvia l neolítica (mais ou menos 5500-2350 a. sem nunca secar totalmente. os sed imentos mais pesados não podem ser depositados em grande quantidade. que eram perseguidos pelos caçadores e pescadores. atraindo caçadores.). os pântanos de papiros e os lagos coberto s de lótus e caniços. sendo naturalmente inundável e drenável. Com os transbordamentos. as águas acumuladas nas bacias v oltam ao leito normal do rio através de uma série de correntezas naturais.O Egito Faraônico* Texto organizado por Luís Manuel Domingues do Nascimento** 1. e das chuvas equacionais e bianuais no que são hoje Uganda e Tanzânia. Em termos climáticos. que ficam acima do nível da planície al uvional. através de pequenos canais naturais ou por pontos mais baixos das levées. A planície nilótica do Egito é do tipo convexo. Suas cheias dependem das monções climáticas e do derretimento das neves na atual Etiópia dura nte o verão. são carregados e deposit ados nas margens a medida que as águas se espraiam e diminuem a sua velocidade. as mudanças foram maiores. cobriam uma pequen a parte do país. A própria planície inundável do rio Nilo atraia animais aquáticos dos bosques marginais e das estepes p ara beber. A cheia ocorre. A ocupação h umana compreendia uma faixa de cinco a seis quilômetros de distância. de cada lado do rio. correndo por numerosos braços. No delta. altamente fertilizantes. . para em seguida as águas recuarem e o rio diminuir o seu nível pau latinamente. A s águas das enchentes penetram. com sua fauna de hipopótamos.

sejam muito altas ou às vezes catast róficas (entre 1840 e 1770 a. Não se sabe ao certo quando tiveram início as expedições marítimas realizadas pelos egípcio .C. De 3300 a.C. Já para a comunicação terrestre. o cobre de Chipre. constatou-se que o rio Nilo mudou muitas vezes de leito. seja de nível decrescente (durante todo o terceiro milênio a. m as provia um complemento alimentar e animais para a domesticação. Durante o Neolítico. as bacia s serviam para plantar cereal. o arsênico vinha da Ásia. posteriormente.C.. A coleta objetivava plantas como o pa piro. mas sabese que não muito tardiamente elas eram feitas no Mediterrâneo e no Mar Vermelho. dentro e fora do país.C. além das flutuações curtas. Ainda neste período. utilizando-se dos diques naturais ou levées para residência. ametist as e pedra dura para construção.). A caça era prática nos pântanos marginais do vale. A n avegação no rio Nilo dava-se em condições muito favoráveis: a correnteza fluvial no sentido sul-norte e as velas para aproveitar o vento constante no sentido norte-sul proporcionavam um excelente meio de comunic ação durante o ano inteiro. as chuvas não eram suficientes para a agricultur a.). após o escoamento das águas. tamarindos e salgueiros. acácias. A importação de minério adicional aos trabalhos de metalurgia e outras atividades eram trazidos de diversas fontes fornecedoras: o lápis-lazuli vinha do atual Afeganistão através do Oriente Próxim o. A pedra para construção. especialmente o cedro. As levées eram cobertas de bosques de sicômoros . uma redução drástica da flora e da fauna nas ex-estepes.C. nos tremedais do delta e no deserto. tornou-se menos essencial economicamente. a oc upação humana mais densa se deu junto ao Nilo. os caminhos eram raros . e entre os séculos IX e VII a. dispensando o trabalho de regá-los. O sílex era extraído em todo o vale. até mais ou menos 2200 a. transformada finalmente em deserto.Desde o Paleolítico. Já nestes. secaram-se os pequenos rios tributários do Nilo. O ouro vinha do desert o da Arábia. a madeira era importada do Líbano. houve uma queda radical da pluviosidade e. Recentemente. as pedras semipreciosas. houve fases mais longas com tendências a cheias. nos tempos históricos. A pesca e a caça eram atividades essenciais. o estanho da Ásia. Já o cobre era extraído no mesmo deserto e no Sinai. pela parte orie ntal do deserto da Arábia e áreas da península do Sinai. a osidiana da costa da Etiópia e da Somália. como conseqüência direta.C. e que. as pedras duras para ferramentas e os minérios eram fornecidos pelas colinas que delimitam o vale a oeste e a leste. e no período entre 1200 e 900 a. O gado pastava nas pradarias v erdejantes que se formavam naturalmente ou nos pântanos. Da região da Núbia vinha ouro. os juncos e os caniços.

e o transporte era .

Poi s hoje está cada vez mais evidente o quanto é estéril e que não existem meios unívocos e comprováveis de correl acionar determinados tipos anatômicos a idéia de raças humanas.C. permanecendo estável em suas características e sem mudar muito. Questões acerca do povoamento do Egito e a sua ocupação e colonização Dentre os grandes problemas acerca da história do Egito. 2. algo mais do que um grupo lingüístico. a descrença de serem os ha mitas. pertence totalmente. as diversas migrações posteriores nos tempos históricos.e se defrontaram a partir de meados deste século. três teorias quanto ao povoa mento egípcio partiram de noções raciais . Diametralmente oposta é a teoria proposta por Chikh Anta Diop e Théophile Obenga. ou camitas. mediterrâneos e mestiços ou pessoas similares ao homem de Cro-magnon. O problema desta te oria é o de ainda insistir em correlacionar os supostos grupos étnicos da mescla as raças humanas. já no primeiro milênio a. na população egípcia. mu ito escassas e mal distribuídas . Falkenburger. sem levar em conta os estudos de F. mas sem se recair na discussão inútil sobre peles mais claras ou mais escuras. Por fim. a agropecuária superou as atividades extrativas no v .ou similares . que a partir da análise de crânios afirmou e xistirem. dos balbuceios neolíticos ao fim das di nastias arqueológicas.) As duas posições polares se apegam de forma inaceitável a noção de raça. No calor do panafricanismo dos anos 50. A primeira. Baseado no estudo de ossadas. da Ásia Ocidental e talvez restos de populações pré-histórica da bacia do Mediterrâneo. desenvolvida por Francois Duma.basicamente localizadas no Alto Egito -.C. talvez o que mais tenha s uscitado polêmica a partir da década de 50 foi a questão do povoamento. Só no fim do quarto milênio a.. e que população egípcia absorveu. Sabe-se hoje que o caráter fundamental africano do povoamento e da cultura do anti go Egito é essencial. ou a cor da pele.. estes autores afirmaram que: O Egito faraônica. em proporções parecidas.feito de burro até a difusão do dromedário.. ou camitas. já no quarto milênio a. retomou uma te se do século passado que afirmava que a população egípcia antiga era fundamentalmente caucasóide ou b ranca: os hamitas.C.. pela língua dos mesmos. ao passado humano dos negros da África (. Tem-s e também a convicção de que o Neolítico foi o período de mais fortes migrações povoadoras em direção a e do Nilo. Uma terceira teori . afirmou serem os egípcios antigos o resultado de u ma mescla de pessoas de pele escura oriundas do sul do vale do Nilo com outras de pele mais clara que vieram do Saara.. sem que ha ja condições de precisar que camadas étnicas representam esses tipos anatômicos. três grupos de habitantes: neg des.. negando-lhes qualquer conotação racial. pela etnia de seus habitantes.

Koptos . Nagada. entre 4000-3600 a. Reforçando esta situação. transporte e armazenamento de minérios. Os primeiros sinais de agricultura a parecem em sítios arqueológicos do extremo ocidental do Delta. Nesta fase foram encontrados importantes sítios arqueológicos qu e atestam a crescente importância da agricultura: no primeiro. na região de Deir Tasa.. Contudo. que requereu uma tecnologia de apoio . A economia agrícola já existia desde o sexto milênio a. chamada de cultura tasiana. em concorrên cia com o extrativismo.C. compre endendo o período de 4500 até 4000 a. e mostram o desenvolvimento de grupos sedentários plantando cereais e linho.C.ale. e posteriormente. no curso médio do Nilo. o empobreciment o dos oásis e a secura das torrentes de água forçaram as populações sedentárias a manter um cultivo anual nas ter ras regadas pelo Nilo. tecidos.C. 3. cerâmica g rosseira. Abydos.C. incluindo a de Deir Tasa. os cemitérios de Nagada II indicam a existência de um sociedade estratificada e não igualitária nos núcleos populosos de Hieracômpolis. Nos últimos séculos do quarto milênio a. que pode ter retardado o desenvolvimento da agricultura. Já usavam uma versão primitiva da foice de m adeira com incrustações de sílex. fase gerzeense ou de Nagada II. a riqueza dos recursos naturais aproveitadas em forma de caça.minas. o refinamento e o molde. conhecida como Nagada I. ao norte do Egito. Esta fase é conhecida el-Badari. o Egito. variados instrumentos de sílex e de outras pedras. além das técnicas para a fusão. por volta de 4200 a. O Egito pré-dinástico Ao contrário da fragmentação política das cidades-Estados baixo-mesopotâmica. Na fase seguinte. Há também indícios de contatos comerciais e culturais com Ásia: importação de lápis-lazuli nfluência da Baixa Mesopotâmia. nas regiões de Hétuan e de Merindé. Isto signifi cou a necessidade de transformações políticas e sociais de peso para organizar a contento um complexo integ rado por numerosas atividades interligadas.C. a forja. A partir desta fase já surgem os primeiros utensílios de cobre martelado e o corte do sílex e a fabricação da cerâmica é aperfeiçoada. com a face virada para o Nilo e provisões de alimentos. depois da fusão.. na região do delta. no .. do Fayum e do Médio Egito. seja em moldes. pesca e coleta vegetal era tanta.C. Os indícios das m udanças começam quando detectamos o aparecimento de peças de cobre preparadas seja em bigorn as. fabricando cestas. foram encontrados cemitérios especiais nos quais os mortos estão amortalhados e acompanhad os de vasos de comida.. no segundo. as tribos locais enterravam os mortos sob a terra das ca banas e os deitavam de lado. na planície fluvial do Nilo e nas estepes depois substituídas pel o deserto. entre 3600 -3100 a.. mudanças sociais maiores passam a ser perceptíveis pela arqueologia.

início do 3º .

portanto. sinais de conflito com a Núbia. evidenciando uma população socialmente estratificada e não mais igualitária. A presença de um sistema local de poder não foi um privilégio só de Hieracômpolis. No último século. o sí ueológico de Hieracômpolis. um chefe e uma confederação tribal estabelecida em território fixo. entre 5000 e 3300 a. um s istema de distribuição de ração aos trabalhadores e algum sistema de concentração tributária que permitisse armaz enar excedentes de cereais. as tumbas maiores e mais ricas apareciam dispersas nas necrópoles. é no período Pré-Dinástico (3300 a 3000 a. Como provas indiretas do es tabelecimento de poderes locais. Em me ados do quarto milênio a.C. Após um período neolítico. Os cemitérios passaram a perpetuar a segregação dos membros mais privilegiados em relação ao resto da população.) que no Egito as mudanças sociais maiores passam a ser perceptíveis pela arqueologia e que nos permitem identificar o final deste período como a fase decisiva na passagem de formas dispe rsa de poder nas aldeias para formas de poder concentrado mãos de grupos locais com numerosos dependentes. No Alto Egito ou vale. tinha uma população importante que se encont rava concentrando em aglomerações fortificadas. anos antes da unificação do país e da constituição Estado faraônico. Isto no vale. ta mbém. presença de celeiros de grande capacidade. metalurgia do cobre. Existem..C . Por out ro lado. tenderam a se aglomerar. com o aumento das riquezas. mas depois. ao sul do Vale do Nilo.. já que no delta a introdução do sistema de nomos parece ter ocorrido tardiamente. Existem provas arqueológicas da existência de uma diversificação social mais intensa e da presença de sis tema locais de poder em outras partes do Nilo.milênio. a região mostra uma diversidade nos graus de riqueza das tumbas já a partir da segunda meta de do quarto milênio. o nomo tinha um de us local próprio. atraindo a população imigrante das estepes saarianas que atravessavam uma radical desertificação. encontraram-se em diversas localidades indícios da existência de artesãos de alta qualificação. construções de grande porte que exigiam um contingente numeroso de trabalhadores disponíveis e. que podem ter favorecido localmente na formação grupos militares bem definidos. já emergia como reino unificado. contando ainda a região com um templo prestigioso e um s istema de irrigação baseado em tanques ou bacias formadas e fertilizadas naturalmente pelo rio . spat ou nomos. centenas de anos antes da unificação do Egito. configurando-se como unidad e em que se deram primeiro as relações urbano-rurais nascentes e o aparecimento de um poder separado d as relações de . A arqueologia tem comprovado que a irrigação foi em boa parte controlada regionalmen te com a formação de entidades territoriais regionais.C. em que permaneceu quase inalterado o modo de vida nas aldeias.

Situação que foi fazendo desaparecer as organizações em linhagens de tribos. que mais tarde funcionariam como províncias do reino unificado. têm comprova do o quanto era incipiente as construções de obras de irrigação no período anterior e posterior ao surgime nto do reino unificado no Egito. em virtude da cultura do norte ter se estendido ao Egito inteiro falariam a favor de uma unificação. principalmente a partir dos anos 60. As pesquisas arqueológicas. Posteriormente. as pesquisas têm demonstrado que a construção. Neste contexto. leva-nos de imedia to a questionar uma velha hipótese de que colocava a construção de obras de irrigação como causa direta da formação do mesmo. no reino do Egito. manutenção e controle dos sistemas de irrigação existentes eram da alçada local e regional. É a partir destas interpretações que se tentou elaborarem um esquema de consenso sobre . podemos falar de cerca de quatro dezenas de entidades territoriais reg ionais (os spat ou nomos) como sistema locais de poder. primeiro nos nomos. No total. O aparecimento. mas unido sob um único monarca ( o faraó). Segundo os adeptos deste sistema interpretativo. mas que não pe rdurou. Mas ainda. e sua coroa era dupla) como elemento d a existência de dois Estados e padrões culturais existente no Pré-dinástico que foram unificados a força e não em uma forma de raciocínio que se baseia em pares de oposição complementar.parentesco. duplo (Baixo Egito e Alto Egito). os sistemas locais de clientelas e de centralização tributária. Outro sistema interpretativo do surgimento do Estado centralizado no Egito se apói a decisivamente na idéia de que os conflitos teriam proporcionado a unificação de dois Estados já pré-existente n o período Prédinástico. por fim. terminado por não haver mais sinais das mesmas no período do Egito histórico. um novo processo de unificação teria dado origem à monarquia histórica. não é de estranhar a existência de conflitos armados entre as entidade s territoriais regionais que terminaram por gerar blocos políticos crescente. de relações urbano-rurais nascentes e o surgimento em caráter pioneiro de núcleos político-territoriais definidos devem ter levado os conflitos a desemboca r em confederações crescentes e. tais embates surgiram das tentativas de monopolizar bens armazenados. ao tentar ex plicar as razões destes conflitos. Por outro lado. de controle do comércio de longa distância e de deter símbolos de poder pelos quais eram definidos o próprio status dos chefes e de seus seguidores. A formação de um Estado centralizado no Egito nas condições descrita. em favor do delta. Segundo Hoffman. desta vez partindo do sul. A questão colocada é se um processo de fusão cultural necessita mesmo de um p rocesso político para que ocorra. a idéia se baseia em achar a oposição entre as duas p artes da monarquia dual (o faraó era rei do Alto e Baixo Egito.

a evolução política que resultou na unificação do Egito. teria reunido todo o vale até Tura. o esquema nos explica que um certo rei Éscorpião. Em breves linhas. mas como o seu tacape de pedra cerimonia l só o mostra .

mostrou-se que a leitura estava incorreta e que o nome indicava mas um título do que um nome próprio. A partir deste fato. Seja qual for a resposta.. 4. Meni e Aha eram as mesmas pes soas.. A tarefa teria sido completada pelo seu sucessor.. 3ª) o fim do Reino Antigo e o P rimeiro Período Intermediário . Ciro Flamarion Cardoso propõe uma periodização. Já nas dinastias iniciais. depois da unificação realizada contr a os revoltosos do delta. O Reino Antigo e o primeiro período intermediário do Egito Para a história posterior ao protodinástico ou da unificação do Egito. facilitou o desenvolvimento das cidades-Estados. ainda.C. divididas em três etapas: 1ª) as três primeiras dinastias.C. um outro tacape cerimonial de pedra foi achado com uma representação de Escorpião. mais densamente povoado. partindo do ponto de vista político-administr ativo. que foi coerente e se impôs por milênios. Posteriormente. com o Egito se tornando o primeiro reino unificado da história. em direção ao norte. o importante é constatar que um processo partiu do sul. Tendo a unificação ocorrida num momento imaturo do processo de urbanização. Em 1963.usando a coroa branca do Alto Egito. é possível que enha eliminado o elemento de conflito . Outras listas reais co mpiladas sob a V dinastia dão como primeiro monarca o rei Aha. não desaparecendo nem mesmo nas ép . Lista real de Abidos) ou Menes de que fala o sacerdote da época helenística. quase todo o terc eiro milênio a. arqueologicamente comprovado como mo narca da I dinastia. Manethon. por volta de 3000 a. A partir daí outras questões foram levantadas. Esta exp licação é dada a partir de uma paleta votiva que mostra Narmer como vitorioso sobre os habitantes do del ta.a luta entre comunidades vizinhas . chegou-se a supor que Narmer. 2575-2150 a. no qual se acreditava ler o nome de Esco rpião.C. e não a vermelha do Baixo Egito.C. A ausência de ameaças externas durante muitos séculos eliminou outro desses elementos.que na. que Meni ou Menes não passavam de fig uras lendárias ou evocadoras de chefes que lutaram pela unificação do Egito. fase de formação das instituições monárquicas apogeu do Reino Antigo . B aixa Mesopotâmia. anos de desagregação política segu ida da reconstrução da unidade. 2150-2040 a. forjou-se a tradição cultural da co rte. Outros viam Narmer e Aha como reis sucessivos ou. O mesmo Narmer é identificado como o Men ou Meni de listas dináticas posteriores (Papiro de Turim. ele não teria completado a unificação. o rei Narmer.dinastias IV a VII. com a c oroa do Baixo Egito. os arqueólo gos descobriram um vaso no cemitério protodinástico de Tura.dinastias VIII a VII. como: teria havido mais de uma unificação? Namer teria simplesmente dirigido uma expedição punitiva. centrada na figura do rei divino..

Havia um duplo tesouro o da Casa Branca do Sul e da Casa Vermelha do Nort e . durante o reinado de Djéser (2630-2611 a. e certos aspectos bizarros do ritual de entronização e da rel igião funerária destinada à glorificação do rei morto. Os ofícios principais do Estado..C. abaixo do rei. artesãos especializados e para uso nas trocas com o exterior.). A partir da IV dinastia. surge os templos como complexos administrativos e ec onômicos dotados de terras. obtendo condições de arcar com o seu susten to que até então era proporcionado pelo palácio real. foi dado início ao co stume de grandes construções de pedra: a construção de um complexo funerário do rei que cobria uma superfíci de seiscentos por trezentos metros e com uma pirâmide escalonada de 63 metros de altu ra.monarcas ou governador provincial . reais. assessorados pelos superintendentes do teso uro. Na V dinastia ocorreu uma sistematização hierárquica da titularia dos funcionários e cortesãos e com a família real s ndo afastada dos cargos mais importantes. Os reis dessa fase inicial enviaram expedições à Núbia. surgindo então um serviço público propriamente dito. Muitos monarcas. por exemplo.). Não havia barreiras entre os cargos administrativos. Ainda durante a V dinastia. Estes cargos e outros . e de superintendente dos trabalhos. Contudo. já durante o Reino Antigo (2575-2150 a. o festival de sed em que os poder es reais eram magicamente renovados.para armazenar tributos in natura. inclusive os governos provinciais. chefe maior da administração central. Na III dinastia. ao Sinai e aos desertos que cerc am o Egito. Os cargos mais importantes eram o da administração dos templos funerários dos reis mortos e das pessoas cujo cult . rebanhos e trabalhadores próprios. membros d a corte.ocas de fragmentação política. Um censo era realizado a cada dois anos com o objetivo de fixar tributos e corvéas.eram ocupados por membros da família real: o vizir. eram o do tja ty ou vizir. Tanto para o comércio exterior como para a busca de minérios. com os f uncionários constituindo importantes famílias nas qual o poder passava de geração a geração. pedras semipreciosas e pedra s duras para construções se organizavam expedições ordenadas pelo rei e implicavam em lutas com povos tribais. era ocupado por um dos filhos do faraó. religiosos e milit ares. O rei designava parentes seus para as gr andes funções. Alguns costumes do período Prédinástico sobrevivem: a supervisão pelo monarca da cobrança de tributos. permaneceram sob o poder do faraó e no interior do aparelho de Estado. servindo para o pagamento de funcionários. nota-se uma c onsolidação das instituições do governo. A administração era centrada no palácio real.C. eram também sacerdotes em cultos nos nomos que governavam.

O caráter absoluto ficou s imbolizado pela . foram isentos de certos impostos e corvéias. Alguns templos funerários e santuários.o funerário recebia o privilégio da participação do rei. com os domínio rurais deles dependentes.

filho do deus solar Ra. também expedições comerciais marítimas no Mediterrâneo e. com os monarcas agindo como pequeno s reis em seus nomos. pela primeira vez. sob controle estatal Os rumos da política externa ficaram condicionados ao surgimento de um Estado cada vez mais complexo que necessitava de um maior número de mão-de-obra. Quéfrem e Miquerinos) durante a V dinastia. ao p . chefiava os s eis tribunais da justiça central. diversos pesquisadores arrolam os seguintes fatores: excesso de independência dos sacerdote s. através do mar Vermelho. Já no final da V di nastia. trazendo de uma vez 7. a administração central.construção de grandes pirâmides (Queóps. p ra o Alto Egito. O escalão mais baixo da administração era ocupado por uma multidão de escribas e o da admi nistração local estava entregue aos conselhos de anciãos das localidades. Naguib Kanawait propõe uma outra explicação para o colapso do Reino Antigo. Ao fim da VIII dinastia. da VerdadeJustiça) e enfeixava a suprema autoridade em todos os domínios. o tjaty ou vizir. chamado de faraó (per-aa: a grande casa. a partir da V dinastia.). podendo um funcionário receber mais de um nomo para governar. era o mais absoluto dos monarcas.100 líbios. primeiro rei da IV dinast ia. o Egito se dividiu. o rei-deus. e as já m encionadas no parágrafo acima. O governo provincial era baseado nos spat ou nomos. encarnação do d us Hórus e..000 núbios e de outra 1. O rei-deus representava na terra o reinado de Maat (filha de Ra. os nômades asiáticos ocupando em parte o delta e a possibilidade de que tenha ocorrido uma grande rebelião social. Os fatores relacionados acima são mais conseqüências de um colapso do poder central do que as suas causas. realizou campanhas militares. O mais importante. quando na realidade era parte dele. no quais havia um gr ande número de funcionários por ele dominados. encarnação da ordem cósmica tanto quanto terrest re.. os celeiros reais e a burocracia em ger al. Snefru. as finanças. Com toda certeza houve um colapso do poder faraônico. ou palácio. Além de incursões co ntra nômades dos desertos do Sinais com o objetivo de garantir o acesso às minas e pedreiras e as r otas terrestre. que receberam isenções fiscais e doações que enfraqueceram o patrimônio estatal (supondo que o templo fo sse algo diferente do Estado. Ocorreram. No Reino antigo havia 22 nomos no Alto Egito e 25 no Baixo Egito.. deu-se uma duplicação do cargo de vizir. Para explicar este c olapso. participando o faraó de s ua renda). com o e Punt. avanço do poder e da hereditariedade de funções de monarcas. ocorreu um crescimento da administração provincial como forma de contrabalançar o poder dos buroc ratas da capital e. fraqueza pessoal dos reis. O rei. com a criação de um vizir. A VI dinastia empreendeu tentativas consistentes de controle egípcio sobre o norte da Núbia.

a diminuição drástica do nível médio das cheias anuais do Nilo causou a multi licação dos anos de fome e a diminuição da população. pesca e coleta vegetal. Fatores como a diminuição drástica do nível das cheias concorreu para uma queda vertigin osa na produção de alimentos e da área cultivada. fazendo diminuir ainda mais a capacidade de produção agrícola.detectar que ao longo da V e VI dinastia. ocupada por nômades asiáticos. levando a uma queda da qualidade da administração. o poder central manteve o completo controle do regime vigente. . provocando uma incidência crescente da fome sob a população. A crise e o colapso do poder central eram evidenciados com os monarcas agindo como pequenos reis em seus nomos e a perda do controle de parte do delta. à insatisfação dos responsáveis. Por ou tro lado. A situação de incidência de fome parece ter perdurado até o final da XI dinastia no Alto Egito. através da caça. a uma incapacidade de fazer frente aos problemas intern os e externos que se multiplicaram e agiram em conjunto depois da VI dinastia. aumentando gradualmente o número de funcionários.. houve um ref orço progressivo do aparelho de Estado. refletindo diretamente numa queda na arrecadação os tributos e nos recursos disponíveis para a manutenção do aparelho burocrático do Estado. Contudo. Hekanakte. O aban dono de boa parte dos campos agrícolas resultou também num abandono dos trabalhos de manutenção e limpeza dos sistemas de irrigação. fazendo com que os rendiment os per capita de cada funcionário graduado. lutas sociais nas cidades acompanhadas de violentas repressões pelos monarcas parecem ter sido u ma constante no período. os monarcas dos nomos passaram a disputar o controle dos recursos naturais disponívei s e o controle dos sistemas de irrigação ainda não afetados pela insuficiência do nível das cheias. O Primeiro Período Intermediário (2134-2040 a. do crescimento dos índice s de mortalidade e até de atos de canibalismo como ação desesperada na luta contra a fome. configurando a possibilidade de que tenha ocorrido uma grande rebelião soci al à época. no fi nal do terceiro milênio a. tanto no governo central como no provincial.) é marcado por grandes dificuldades e conômicas. a um re ime de desequilíbrio e. Os embate s entre os monarcas vizinhos afugentaram boa parte dos habitantes das comunidades rurais pa ra os pântanos. não havendo aumento do poder pessoa l e da independência dos altos funcionários e monarcas. com o colapso do poder central e o aumento do poder pessoal dos gov ernos provinciais. São s guras as informações desta época que fala de um aumento contínuo da fome. Ao mesmo tempo.C. a partir da análise das reformas do Estado. se gundo os relatos contidos nas cartas de um sacerdote funerário e proprietário rural da região.C. declina ssem drasticamente. portanto. até que o Estado viesse a ruir. A multip licação dos burocratas não foi acompanhada de um aumento da produção. alimentos. Até o final do Reino Ant igo. nos quais buscavam segurança e.

5. O Reino Médio e o domínio hicso .

Amenemhat. Tebas passou a ser a nova capital do Egito e o deus dinástico pass ou a ser Mantu. justiça. conservando a sua admi nistração. foram vencidos pelos reis de Tebas (X I dinastia). Tal fato foi contrabalanç do pela nomeação sistemática de notáveis tebanos para todos os cargos do governo central de maio r importância.C. os líbios do deserto ocidental e as tribos do deserto do Sinai. inaugurando assim o Reino Médio. Embora tenham sido reprimidas as tendências separatistas e subjugados os monarcas dos nomos.C. no qual foram explorad as as pedreiras. Sob o governo de Mentuhotep III. passando antes pelo deserto Wadi Hammamat. Estes últimos supervisionavam a coleta dos tributos em espécies e o envio de trabalhadores para a corvéia real. que se apresentava como supervisor de tudo em todo país.) não só reunificou o Egito.. O poder central ficou também responsável pelos trabalhos de recuperação das obras de irr igação. na qual é descrito o envio de uma expedição de dez mil homens que foram enviados a região para cortar pedras para o sarcófago do rei.. os reis do reino setentrional de Heracleópolis (IX e X dinastias) realiz aram a importante tarefa de ajudar os monarcas do delta . pedreiras e rotas comerciais através de expedições militares contra o norte da Núbia. de um imponente e original complexo funerário. . Os territórios dos nomos eram divididos em duas zonas de tributação: a do faraó e a dos monarcas. como o vizir. Primeiro. A exploração das pedreiras deve ter continuado por um longo tempo como atesta uma insc rição à época de Mentuhotep IV (1998-1991 a. os líderes de expedições enviadas ao Sinai e a Núbia. Anos depois.na expulsão dos asiáticos que se haviam infiltrado na região.C. foi restabelecida a navegação no mar Vermelho em direção ao país de Punt. chegando a manter um domínio sobre a Núbia que resultou na cobrança de tributos e no r estabelecimento da mineração de ouro. Restabeleceu ainda o contato por mar com a Fenícia. fisco (tinham o direito de cobrar tributos e recrutar corvéia para o faraó e para eles mes mos) e milíciais nos nomos (colocadas a disposição do faraó nas expedições militares). que terminaram por impor uma unificação do país. Com a reunificação. divindade da região tebana. a hereditariedade dos governadores provinciais foi mantida. Posteriormente. na região de Deir el-Bahari. Mentuhotep II (2061-2010 a.). o líder da mesma e ra o vizir. o mesmo vizir. a oeste de Tebas.na época independente em boa medida . os supervisores nome ados para os nomos. em 2002 a.O processo de reunificação do Egito se dá a partir da restruturação do poder político em do s reinos. como retomou a política externa típica do Reino Antigo: proteção às minas. Esta importância adquirida pela primeira vez pela cidade foi acompanhada pela construção.

Além disso. fazendo caso omisso da XI dinastia. durante o governo de Senuosret (1878-1841 a. Quanto à política externa da XII dinastia.mais de mil anos depois da prim eira monarquia unificada no Egito. um para o Médio e out ro para o Alto Egito -.C. a partir da XII dinastia. a sucessão dinástica passou a associar ao trono o príncipe her deiro como co-regente. sendo os governos provinciais confiados a t rês departamentos administrativos (uáret). com a construção de oito fortes d e tijolos para . A usurpação do trono por Amenemhat I só foi possível devido ao apoio dos monarcas dos n omos. contingentes permanentes com funções policiais. C. Por fim. havendo. O conjunto funerário dos reis da XII dinastia foi reunido nos arredores da nova capital. Este fato evidência a inexistência de um exército profissional. contudo. ao sul de Mênfis. no fu turo. Os reis desta dinastia suscitaram uma literatura de propaganda na qual apresentavam Amenemhat I como o rei que pós fim a ocupação do delta pelos asiáticos e unificou o país. Ao mesmo faraó é creditado o auge dos grandes trabalhos de drenagem realizado s pela dinastia no Fayum com o objetivo de obter novas terras cultiváveis. Entretanto. Exemplo disto é um grande edifício construído no Fayum.C.) . estando todos subordinado s ao vizir. Numerosas construções de templos e obras diversas ficaram associadas aos nomes dos r eis do Reino Médio. tendo sido atribuído a Amene mhat III (1844-1797 a. figura compósita que parece ser uma síntese dos grandes faraós da XII dinastia . o rei se encarregou de fixar os limites contestados do s nomos e da distribuição da água irrigada entre os mesmos. um centro administrativo e um templo funerário combinados. fundando a XII dinastia (1991-1783 a. inte grados por núbios. foram acrescentados os feitos de Ramsés II. no ponto de encontro do Alto e do Baixo Egito. que tiveram alguns dos seus títulos e privilégios que haviam perdidos com a reunificação res taurados em troca do apoio. Posteriormente.um para o Baixo. Itj-tauí. ela seguiu linhas muito similares às do pas sado. os monarcas deviam recrutar os trabalh adores para a corvéia real e para as tropas nos casos de guerra. a importância e a própria função dos monarcas foi suprimida. Ao mesmo tempo. na e ntrada da região de Fayum ou perto de Mênfis.).a que.usurpou o poder como Amenemhat I (1991-1962).). a penetração na Núbia foi maior do que sob o Reino Antigo. Esta tradição foi a responsável pela criação do mito do rei Sesósto . sediados em Itj-tauí . Com a nova dinastia o deus dinástico passou a ser Amom de Tebas e a residência real foi transferida para uma nova cidade. É importante notar que estas são as primeiras grandes obras faraônicas no setor da agricultura . paralelos aos outros departamentos do governo central. que provavelmente era um palácio. líbios e asiáticos.

bem como o controle da navegação do Nilo entr a segunda catarata do rio. a tributação na região.garantir a ocupação e fronteira meridional do Egito e abelecido um comércio permitiu a importação is. Com a Palestina e a Síria foi est que de cativos e trocas de presentes com os numerosos príncipes loca .

O movimento. do arco composto..C. Os reis hicsos formaram as XV e XVI dinastias e seus reinados caracterizaram o S egundo Período Intermediário (1640-1550 a.C.C. Por fim. se apossaram de uma parte do Egito e submeteram o rest ante do país ao pagamento de tributos.. a estas dinastias. O deus dinástico era Seth. a partir da segunda metade do século XVII a. é possível que tenha havido uma influência política mais direta. mas que se estendeu.) o controle monárquico sobre o terr itório egípcio foi mantido. so b a direção dos reis de Tebas. do tear vertical mais eficaz. sob o seu domínio o Egito se abriu a um contato mais íntimo e constante com a Ásia Oci dental. os asiáticos ou hicsos começaram a invadir a região do delta e.Quanto a Biblos. nos limites do delta oriental. provavelmente uma família de monarcas que se tornaram independentes no delta ocidental entre 1786 e 1603 a..) foi o resultado de um movimento de li bertação que teve início no sul do Egito. posteriormen te.C. ocorreu uma longa e len ta fase de infiltração de asiáticos no delta. adquiriu logo no início um caráter de libertação em virtude ao apoio recebido . passou a ter o controle de todo o Eg ito setentrional.).C. Por outro lado.C. Depois de 1720 a. sob o comando das mesmas. tributária dos governantes hicsos. e é possível que a sua vinda para o Egito esteja relaciona da às conseqüências das migrações amorritas. nos limit es orientais do delta foi erguido um conjunto de fortins para vigiar e barrar as tribos nômades do Sinai e da Palestina. aos asiáticos que. à qual se equiparou no plano tecnológico: adoção de carro de guerra puxados por cavalos. Sua esta tuária. do torno par a fabricar cerâmica com mais eficiência e rapidez.a XVII dinastia ( 1640-1550 a. Os hicsos ou asiáticos eram majoritariamente semitas.) foi termo que se aplicou.C. Hiscsos. de uma tecnologia de bronze mais aperfeiçoada. região na qual o domínio dos hicsos era menos sólido.. Até quase o fim da XIII dinastia (1783-1633 a. completado sob o primeiro rei da dinastia seguinte A expulsão definitiva dos hicsos (1564 a. Estes fatos indicam que os hicsos se egipcianiza ram. escaravelhos e construções de templos seguiam a risca o modelo egípcio. Sua capital foi à cidade fortificada de Hutuaret (Avaris). mas também cultuaram o deus solar Ra. inicialmente.). já que a s dinastias locais se denominavam (em língua egípcia) monarcas ou servidores do faraó. liderou o Egito no processo de ex pulsão dos estrangeiros.C. em princípio. Entre 1650 e 1640 a. Já durante a XV dinastia de Manethon. Não restam dúvidas de que os soberanos hicsos adotaram a titularia faraônica. (de hekau-khasut: governates de terras estr angeiras. uma nova dinastia formou-se em Tebas . e seu governos pode ter-se estendido também a uma parte da Palestina.

principalmente os que permitiam controlar as rotas comerciais para g arantir o abastecimento de produtos de luxo e de matérias-primas. que sofreu um profundo processo de egipcianização. Mas. com o objetivo de obter o pagamento de tributos. recrutados entre a população urbana e rural. reformas religiosas e auge do Egito Antigo É Amósis. o mundo asiático reteve s eu particularismo cultural e político. ou segundo outros a utores. e. As campanhas exército. continuam as expedições à Palestina e as expandem para Síria e Estados fenícios. além do soldo. em seguida. concessões de terra para usufruto e participação na distribuição dos despojos das campanhas exército. 1504-1450 a. o apoio dos monarcas dos nomos do sul foi quase inexistente no início do movimento. Por outro lado. aproveitando as milícias populare s formadas para as expedições contra os hicsos. os reis de Tebas passam a utilizar o movimento tanto para submeter os chefes rebeldes do sul como para marchar em direção ao norte e expulsar os hicsos. que foi consolidado. No exército havia ainda um grupo privilegiado: os condutores de carros. na Palestina.C. manti nham o pagamento . principalmente Thutmés I . Amósis conseguiu estabel o domínio egípcio na localidade de Sharuem. que vieram a compor o grosso das milícias nos combates aos hicsos. reprimindo sublevações. C. após unificação. além de proporcionar a cobrança de tributos. Utilizando-se do movim ento popular. As armas eram fornecidas pelos armazén s reais. criado o império egípcio na Ásia. retirando dos antigos governantes seus direitos hereditários de mandatários locais e nomeando para os governos provinciais familiares. com guarnições egípcias guardando l ugares estratégicos. fundador da XVIII dinastia e primeiro rei do Reino Novo (1570-1085 a. Logo após a expulsão e em expedições de perseguição aos hicsos na Ásia. foi com Thutmés II I. Os soldados. C. Em contrapartida. imperialismo. Na prática o que o Egito manteve sobre os pequenos reis da Síria e da P alestina foi um protetorado. Situação oposta era a da Núbia.pela população. Seus sucessores. A partir de 1567 a. restabeleceu o antigo domínio do Egito sobre as possessões faraônicas na Núbia.. visaram à conquista de territórios estratégicos e à na. quem vai protagonizar o fato capital da expulsão dos hicsos do Egito. o rei investiu sobre os monarcas separatistas do sul e reduzindo os nomos a simples pr ovíncias do Estado. O sistema de domínio era bastante frágil. 6. Só com repetidas campanhas militares.. Mas vai ser no bojo desta empreita da que Amósis começara a dar os primeiros contornos daquilo que será o Reino Novo. chegando a levar suas tropas até o rio Eufrates. passam a receber soldo do faraó e os oficiais. ao longo de dezessete campanhas militares. Amósis organiza o primeiro exército profissional e permanen te da história do Egito e o distribui por todo país. O Reino Novo: militarismo.).

o Eufrates a nordeste e o deserto sírio a leste . Mesmo assim. .de tributos e a obediência pelo menos relativa à hegemonia faraônica. O império teve que recuar até as fronteira s estabelecidas por Thutmés III: o rio Orontes ao norte. o E gito teve que enfrentar os reis Hititas e da Mesopotâmia.

a afirmação de que o deus teria pessoalmente ger ado o soberano em sua mãe terrestre (teogamia). Ao falharem os expedientes normais. Hapuseneb. Elemento por si só de promoção de atritos e desconfianças entre a oficialidade e os sace rdotes. A ascensão progressiva. identificado com o sol como Amom-Ra. em especial. escravos) era destinada em primeiro lugar para os templos. devia casar-se com uma princesa de sangue. pois seu apoio e ra comprado com doações e favores. igualmente política e econômica. sobre o quais muitos asp ectos da política interna decorreram. Este artifício foi muitas vezes utilizado durante o Reino Novo. apogeu e progressiva perda de um império egípcio. e em especial do clero de Tebas. cujo deus . principalmente. Os oficiais superiores oc upavam tanto postos militares como postos na administração e no palácio. O caso mais conhecido é o da rainha Hatshepsut para legitimar sua usurpação. Em geral. para o de Amom. que agora domina o panteão oficial e a hierarquia sacerdotal de todo Egito. podia recorrer a leg itimação por ficção religiosa ao oráculo de Amom. não só politicamente como também no plano da propriedade. e assim o poder e a riqueza dos sacerdotes aumentava. e ocasionalmente com suas próprias fil has. em particular a importância crescente do militarismo e dos mil itares na história do país. A política externa agressiva t inha como propósito bem claro o de garantir um fluxo de riquezas. agindo ainda na política interna. d aí os freqüentes casamentos de faraós com suas irmãs e meia-irmãs. gado. era preciso que o herdeiro fosse filho não só do rei. em Tebas.Estes fatos históricos ressaltam uma das principais características do Reino Novo: a s peripécias de constituição. prisioneiros e tributos. mas também de uma princesa de sangue real. do sacerdócio. É j ustamente a partir da repartição destes despojos que foi possível se formarem uma nobreza da corte baseada e m militares de origem recente.Amon. N este caso. A ascensão dos sacerdotes de Amon está relacionada ao caráter divino dos reis serem transmitido pelas mulheres. apoiada pelo sumo-sac erdote de Amom. Era talvez na repartição dos despojos das campanhas militares que residia o elemento que descortinava o conflito entre a oficialidade e outros segmentos da classe dirigente no Egito. . ou de fato um estranho à linhagem real. formada de oficiais médios e superiores. constitui uma outra constante do Reino Novo. O s oficiais médios e subalternos recebiam terras pela prestação de serviços. em relação aos sacerdotes de Amom. O faraó destinava uma parte dos despojos ao exército. mas a maior parte era repartida conforme o critério por el e adotado. uma grande parte dos despojos (troféus. Tais expedientes fizeram do alto clero de Amom o árbitro da legitimidad e faraônica em casos extremos. a outra grande parte ia para o tesouro e armazéns reais. ou então. reforçando e aumentando também a sua influência na política interna. Quando o novo rei era filho de uma esposa secundária.

sem que cessassem por isto. para a qual se mudou com toda a sua corte. encerrando de vez o episódio da reforma religiosa . deu-lhe diversas filhas. restaurou Amom em sua totalidade de seu poder e riquezas anteriores. inicia-se o processo de decadência do poderio egípcio. Os reis desta dinastia vão se destacar. uma nova modalidade de culto solar . chegou ao trono o general Horemheb. tendo já consagrado a Aton um grande templo em Tebas.começou a ser favorecida na corte. o rei casou-se também com algumas de suas próprias filhas tentando em vão garantir a sucessão. era como este um soldado. O sucessor de Akhenaton. eminência par da dos dois reinados precedentes. d e exaltação e deificação do rei: o faraó foi inclusive representado adorando a si mesmo. decidiu depois fundar uma nova capital no Médio Egito. também o resto da religião tradicional sofreu perseguição. Ay. associan do ao poder como co-regente o seu filho Sethi I. ou horizonte do disco solar. pela recuperação da preeminência egípcia na Síria-Palestina.Com o reinado de Amenófis. retomando a Palestina e porção da Síria. Tutankhaton. também. As necessidades da po lítica e do comércio asiático levaram que se fixasse a residência real no delta (Pi-Ramsés). Seja como f or. como capital religiosa e administrativa. que logo reinou só. seus bens confiscados. Seu reinado foi breve. Após a morte de Horemheb. mas não um herdeiro. Este mudou o seu n ome. escolhido sucessor de Horemheb. Sethi I associou.C. O culto de Amon f oi proscrito. ao trono seu filho. como também o do seguinte. A nova religião tinha intenções políticas claras. O au mento constante da riqueza e da ingerência política dos sacerdotes de Amom terminou sendo visto como uma ameaça pelos monarcas. Desde o reinado de Thutmés IV. Ramsés I. Tebas se manteve.. Sua esposa principal. Durante o seu reinado se dedic ou a recuperar parcialmente o império egípcio na Ásia. Akhetaton. reduzida a zero pelo descaso de Akhenaton quando da sua reforma religiosa. foi efêmera. para Akhenaton. em homenagem ao novo culto. . que recordava Amon. em primeiro lugar.). a reforma religiosa. carente de bases sociais sólidas. de onde aliás er a originária a nova família reinante. os favores dos reis a Amom-Ra e seus sacerdotes. depois mudou seu nome para Tutankhamon e v oltou para Tebas. porém. aliás. que realizou uma reforma administrativa e ampliou o templo de Amon. Chegou ao trono já idoso.cuja s raízes podem ser procuradas tanto na velha teologia de Heliópolis quanto em influência asiática . Esta tentativa ainda tímida de reforma religiosa com conotações políticas se transformou em crise radical sob Amenófis IV. tem início a XIX dinastia (1307-1196 a. O culto a ton foi proscrito totalmente. mais moderadamente. pois o rei tentava impor um quase monoteísmo. Tratava-se do culto ao próprio disco visível do Sol: Aton. Por fim. Nerfertiti.

Ramsés II teve que enfrentar os hititas na batalha de Kadesh para manter os sucessos militares de . Lo go no início do seu reinado.cujo longo reinado é um dos mais celebres da História egípcia: trata-se de Ramsés II.

Ramsés II cobriu de templos e estátuas a Núbia e o Egito. entre outros mo numentos. levantaram a impressionante sala hipostila de templo de Amon em Karnak (Tebas). Como reinado de peso posterior ao de Ramsés II. a ascensão de novos impérios no Oriente Médio. Hridor. fundador da X XI dinastia. Foi durante o seu reinado que cada vez mais estrangeiros começaram a int egrar as tropas do exército como mercenários. enfrentou três at aques dos chamados povos do mar. controlados em alguns casos por povos de origem estrangeira (líbios e núbios) . Ramsés II a inda combateu na Núbia e teve de enfrentar o ataque dos piratas. Contudo. no qual estabeleciam mutuamente as fr onteiras dos seus impérios e a ajuda mútua em caso de ataque ou sublevação. o Egito e o Hati fizer am.. em T ebas.. chamados de povos do mar. Efetuou ainda uma reforma social e administrativa m al conhecida.C. e. Assim. com a rápi da ascensão do reino assírio. através de seus monarcas o primeiro tratado internacional. feita por um rei núbio que uniu o Egito e a Núbia num governo só. estabelecida na cidade de Saís. A reunificação só veio em 712 a. no Delta. Este período. são especialmente famosos os seus templos rupestres (escavados em roch a) da localidade hoje chamada Abu Simbel (Núbia). O desfecho da batalha parece ter sido indeciso. no delta. hititas e egípcios se viram ameaçados. com vários centros de poder. colocav . contra o delta. o poder real passou a estar.líbios em particular .também chegaram a ter muita riqueza e poder. foi selada pelo casamento do primeiro com a filha do segundo. foi marcado pela fragmentação do poder político.. C ontudo.seu pai na Ásia. babilônico e persa. em 1278. com colunas d e 13 e de 22 metros de altura. O país conheceu más colheitas e anos de fome e miséria. Os mercenários estrangeiros . de Hati. sendo expulsos por uma dinastia do Delta ocidental. As tumbas reais foram pilhadas. podemos citar o de Ramsés III. nas mãos do sumosacerdote de Amon. da XX dinastia (19961070 a. Este rei construiu o templo de Medinet Habu (Tebas). Ao final da XX dinastia. Afora este rei o período pós-Ramsés III é caracterizado como francamente decadente. Os sacerdotes de Amon concentravam en ormes extensões de terras e se tornaram independentes em Tebas. A aliança entre os reis Ramsés II e Hatusil III. C. pertencia a Nesubanebdjed. C.). cuja capital foi Tânia. Contudo. Estes chegaram a dominar o Egito entre 663 e 657 a . Era o fim inglório do Reino Novo. de 1070 a 712 a. como os assírios. Os três primeiros reis da XIX dinastia foram grandes construtores. os potentados locais conservaram muito poder e muitas vezes se relacionavam diretam ente com povos estrangeiros. C. em uma estela encontrada em Tânis. além de usurpar monume ntos de reis anteriores. durante a qual o Egito perdeu o controle da Palestina e mais tarde da Núbia. iniciando o c hamado renascimento saíta .

. 1976. Antigüidade Oriental: política e religião. por Dário I. em 525 a. de trechos de ensaios. de teses . Brasília: Editora da UNB. in iciando um longo domínio estrangeiro que só seria findado pela Revolução dos Coronéis. filho de Ciro II. V. O Oriente. Cambises. C. I) Lafforgue. em 1952. e de informações das obras consultadas. S. Lisboa: Publicações Dom Quixote. (Coleção Discutindo a História) DIAKOV. 3. (*) O presente texto é uma resenha realizada a partir de alguns textos pertinentes (vide bibliografia abaixo) à história do Egito Antigo. Portanto. ed. 1979. trata-se de uma sistematização de questões. A sociedade primitiva. São Paulo: Editora A tual. Bibliografia CONSULTADA CARDOSO. História da Antigüidade. 1990. A Alta Antigüidade: das origens a 550 a. organizados em forma de texto para uso nas aulas de História Antiguidade. CARDOSO. v. E KOVALEV. con quistou o Egito. I) . Gilbert.a autonomia do Egito em risco.. Ciro Flamarion. Sete Olhares sobre a Antigüidade. (Coleção História Universal.C. (**) Texto organizado pelo Prof. Luís Manuel Domingues. Ciro Flamarion. Lisboa: Editorial Estampa. da Pérsia. em uma das satrapias do Império Persa. até que. (v. 1994. transformado. posteriormente.

Os fenícios atuaram. situadas em Tiro.O Levante e a Ásia Menor no II e I milênio (Fenícios. o cedro. e. o filho do mar. em Ugarit. Cada cidade-Estado possuía uma parte da rica planície lit oral e da floresta do Líbano. também. Cada cidade elegeu no panteão cananeu uma divindade protetora: em Tiro é Melqart (rei da cidade). Astarte (deusa da Fecundidade). em Sídon. em Bíblios.C. na produção têxtil. deus da vegetação. Os cultos consagrados aos d euses generosos que proviam a fertilidade.). principalmente. na ourivesaria. Sídon. Eshmun. no trabalho com o marfim de grande. utilizados para decorar móveis e salas. era Anet e Al eyin. na const rução dos primeiros monumentos israelitas. . na produção têxtil e no uso ampliado da técnica de tinturaria. chama do de Adónis (Meu Senhor). A denominação fenícios só se aplica aos habitantes des ta cidadesEstados a partir do final do segundo milênio a.. l imitada a leste pelas montanhas. e e ra extraído madeiras. assírios. mostram que a religião não mudou desde então. ao lado da importante intermediação de produtos artesanais. Quanto a produção artesanal. evidencia va uma religião caracterizada pelo culto as divindades com a função de assegurar a vegetação e a fecundi dade. Hebreus e Hititas) Por Luís Manuel Domingues As cidades-Estados da Fenícia As cidades-Estados fenícias ocupavam uma estreita faixa da costa central da Síria.C. Biblos. sobretudo. além de proteger as cidades. aceitação no Oriente. não podendo ser estendida aos hab itantes da região do segundo milênio. com suas balaustradas de colunatas e os capitéis proto-eólicos . gregos). e distribuidor das chuvas. para produção de azeite e vinho. é possível c onhecer alguns aspectos da civilização fenícia. também. Mas os feníc ios foram. indo de Tiro até Ugarit. na tinturaria de tinta purpura (cor obtida a partir do uso de molusco: o murex). onde se cultivam oliveiras e videiras. principalmente. quando confrontada com as contidas nos textos de Ugarit (século XIV a. As informações oriundas das escavações das necrópoles da primeira metade do primeiro milêni a. especialistas na construção naval. representando a morte e ressurreição anuais da natureza.. Estes produtos eram basicamente comercializados com os países e povos estrangeiros. A partir do testemunho de povos contemporâneos (hebreus. existem indícios de uma evolução de dimensões domésticas para uma produção em um scala maior através da constituição de oficinas artesanais e espalhadas por aldeias especifi camente artesanais. As funções dos deuses.. a chuva e as boas colheitas eram praticados tanto pel o Estado como pelos integrantes das comunidades aldeãs.C.

ante uma agropecuária com produtividade limitada por razões ecológ icas. eram em termos absolutos complexos palaciais muito menores aos destas civilizações. que eram emprega dos em menor escala em serviços domésticos e em maior escala nos serviços do palácio real. sementes.C. Só com o aparecimento da escrita fenícia. comerciantes. Os complexos palaciais fenícios tribut avam a produção agropastoril das comunidades aldeãs e requisitavam anualmente de treze dias a dois meses de trabalhos braçais em obras dos seus integrantes. A sociedade era composta de artesãos. arquivos e repartições governamentais. os fenícios começam a realizar expedições marítimas comerciais a ilha de Chipre. organizando e presidindo os cultos. Mas entre os segmentos sociais das c idades-Estados fenícias. no século VII. juntamente com indivíduos submetidos a algum tipo de servidão por dívida. provavelmente.eram exercidos por estes mercadores e pelos organismos pal aciais. depósitos de bens. Contudo. Por fim. por membros das cortes reais e mercadores. escravos e artigos de luxo. os recursos disponíveis não podiam comportar complexos palaciais nos termos encontrados no Egito e na Baixa Mesopotâmia. Já na segunda metade do segundo milênio a. e se dispersando entre os habitan tes locais e os refugiados micénicos. os fe nícios tinham relações comerciais bem-estabelecias com os reis egípcios.O perfil político das cidades-Estados fenícias era caracterizado por monarquias teoc ráticas. uma cidade em Kition.. ouro) e lhes forneciam cedro. Mas é. Dentro do palácio ou em suas imediações encontravam-se oficinas artesanais. aos quais compravam matériasprimas (papiro. dignitários e de mem bros da realeza. é possível d stinguir os fenícios dos demais habitantes da ilha. Nos últimos sécu los deste milênio. de aldeias e da tributação sobre elas. O crédito . Havia também a presença de trabalhadores escravos. além da população composta pelos camponeses e pescadores das comunidades. é possível identificar a presença de patrimônios agrários familiares ou individuais import antes e a apropriação privada. Os fenícios desempenharam um importante papel no desenvolvimento da economia merca ntil e na difusão cultural na bacia do Mediterrâneo. por intermédio de Chipre. lavradores dependentes sem propriedades. sacerdotes. nas comunidades de pescadores. além de terem os mesmos de equipar arqueiros para os exércitos. praticando um comércio privado e atuando como agentes mercantis do palácio. os seus integrantes eram recrutados p ara a equipagem da frota da cidade. No litoral. fundando. não se sabe ao certo a data.e por conseguinte a usura . os mercadores constituíam uma classe numerosa e de peso político bastante si gnificativo. na qual o soberano atribuía a si uma natureza divina e atuava como sumo-sacerdote da divinda de protetora da cidade. que os fenícios encetam as suas .

C.C. artigos de lux o orientais.trocas com os gregos.. A partir do século VIII a.. trazen do consigo o . entre 1100 e 800 a. levando para a Grécia. são os gregos que vão a Fenícia buscar os bronzes e os marfins.

Após a p assagem dos chamados povos do mar. que através da Antigüidade e da Idade Média. É. Na continuidade das suas expedições. se vê cercada e saqueada por conquistadores. a cidades fe nícias se beneficiaram de uma trégua de dois séculos e meio. Útica.. A riqueza das cidades-Estados fenícias não parou de atrair os conquistadores.) e a necessidade de enfrentar e fazer concorrência aos gregos. . que a partir do século VII a. entre outras. Em seguida vêm as campanhas anuais dos assírios. Na fase seguinte. além dos imperativos comuns ao desenvolvimento comercial. atravé estabelecimento de feitorias e colônias no Mediterrâneo. pois se recusavam a deixar de manter r elações estreitas com o Egito. inspira a elaboração de nov as escritas na maior parte da Ásia. a partir do século IX a. contornou as costas ocidentais da África até o atual Camarões. atingem.alfabeto fenício que contribuíram para o enriquecimento da civilização helênica. não c essando contudo de se revoltar nos séculos VIII e VII a. No fim do século VII. a grega. chegan do ao Estreito de Gibraltar. Cartago. e das investidas dos assírios no século XII a. A cidade-Estado de Tiro é a principal organizadora do gênero de empresas caracteriza do pela instalação de feitorias como entrepostos comerciais e as colônias voltadas a ocupação e a colonização de áreas com potencial agrícola e próxima a centros e localidades fornecedoras de matérias-primas e artigos os mais diversos. de nome Ha nnon.. É através de Biblos que os gregos conhecem o papiro do Egito. os fenícios estendem suas expedições comer ciais na via do Ocidente. São estas empresas que vão dá ao porto de Tiro uma importância que atrairá no fu turo conquistadores. na orga nização do tráfico marítimo e na fundação de estabelecimentos no Ocidente.: a aramaica. pode estar relacionada.C. Entre as colônias fundadas. tam bém. a pressão crescente dos assírios so bre as suas cidades (depois de 746 a. um navegador da colônia fenícia de Cartago. também. a oeste. Esta dispersão e migração fenícia. o domínio assírio é substituído pelo dos soberanos babilônicos A contribuição dos fenícios para as civilizações da Antigüidade está no fato de ter proporc ado a vulgarização das artes do Oriente Próximo e da escrita. principalmente na zona do estreito da Sicília (Malta. entre os séculos IX e VIII. as grandes cidades (Tiro e Sídon) são rapidamente submetidas (preferem pagar tributos a ter que agüentar um cerco que suspenderia as suas relações comerciais).C. a Si cília Ocidental).. o alfabeto fenício que serve de modelo às escritas criadas a partir do século VIII a.C.C. Est a logo substituirá Tiro. que será imitada no Ocidente e dará origem assim à nossa e scrita latina. Posteriormente. a Numídia e Ibéria (Espanha).C.C. a de Cartago será a mais importante.

Eglon. em seu quinto ano de reinado (aproximadamente 1219 a.C. dando origem a festa judaica da Páscoa (em hebreu. como aquelas em cuja construção prest aram serviços forçados os israelitas. a terra prometida pela divindade que os escolhera e se aliara a eles. sendo a cultura urbana anterior substituída por outra mais rude. teriam migrado para Egito. tribos diversas que posteriormente os israelitas reconheceram como seus antepassados. Láquis. Por fim. ocorreu no momento de mudanças na História do Oriente Próximo . líder carismático que havia recebido a ordem de I ahawed para sair do Egito com o seu povo. uma estela de pedra do faraó Mer neptah. a quem a divindade Iahaweh ( ele é. saíram daquele país (episódio que ficou conhecido por Êxo do) e vagaram pelo deserto do Sinai por algumas décadas.. A tendência hoje é datar de Ramsés II a opressão de Israel no Egito e estabelecer que a permanência no território egípcio se deu entre os séculos XIV e XIII. E sta tradição posterior aceitava os semitas amorritas e arrameus como parentes remotos. descendentes do pa triarca Abraão. Na fase de sua conquista parcial da Palestina. quando ainda não existia na Palestina um povo de Israel. Uma das cidades citadas na Bíblia. construída por Ramsés II ( 1290-1224 a. resultariam nos israelitas históricos. pode ser identificada com Per-Ramsés. passagem de deus).. Hazor etc. conforme mencionamos acima. Iahweh. entre fins do século XIII e fins do . A arqueologia comprova que centros urbanos foram destruídos na Palestina no final do século XIII ( Betel.C. provavelmente. e sim. onde foram escravizados e obrigado s a realizar trabalhos forçados. Moisés. outros líderes.). Uma outra indicação. na qual a última (a morte do primogênito de cada família egípcia) fés o monarca ceder. Trechos bíblicos sobre a cronologia do cativeiro do Egito.). menciona Israel já instalado na Palestina e vencido pelo monarca. construindo cidades. menciona a saída do Egito 480 anos antes da construção do templo de Jerusalém por Salomão. o que colo caria o Êxodo em plena XVIIIª dinastia egípcia. e da saída de lá são contraditó ios. o que parece ter sido bastante curta. Alguns falam de 450 anos de permanência no Egito. Por outro lado. Após embates com o fa raó que se recusava a liberar os israelitas. o qu e parece marcar o início da conquista da palestina pelas tribos de Israel. que teriam atingido o va le do Nilo.Das tribos de Iahweh ao Reino de Israel Em uma época mais remota. e do qual resultou as dez pragas. em hebraico) havia escolhido para formar o seu povo e lhe havia prometido as terras além do Jordão. tenta libertar os filhos de Israel. A chegada à Palestina de povos vindo do Egito e que. outros falam de quatro gerações. conquistaram a P alestina.). Uma outra tradição se referia ao fato de que os filhos de Israel. em mistura com outros.

século XI a.C. Suas tribos.. os israelitas eram um povo em formação e ainda não constituía um Estado. tradicionalmente eram .

formavam. o poder de Davi tinha muito de caráter pessoal e de líder carismático aclamado pelo povo. Askh rlon. Cada tribo parece ter se formada a partir de grupos seminômades. apoiado em tropas própri as.C. concorrente ao trono. As guerras de conquista e outros conflitos contribuíram para a formação da mencionada lig a ou confederação tribal. Com Dav i. Contudo.. O segundo rei. para consultar Iahweh . a Arca. o símbolo máximo destas tribos. chamados de juizes. as vezes chamavam as tribos para combater. Os filisteus. entre 1020 e 1000 a. Os Juizes.doze. que não tinha capital. destruíram o santuário de Silo (sede da Arca da Aliança) e. sucessor dos juizes de Israel e vidente de prestígio. Nas tribos a justiça era administrada pelos anciãos. . primeiramente. constituíam-se na mais séria ameaça as tribos israelitas. Davi (a proximadamente 1000-961 a. o que demonstrava uma ruptura relati va da monarquia com as instituições anteriores. desde o século XII a. Após se desentender com Samuel e com os sacerdotes.. insta ram-se na Palestina . Nos momentos de grande perigo. vindos do Egito e de outros já anteriormente assentad os na região. por um lado. as instituições anteriores foram subordinadas ao poder monárquico. tendo sido também ungido por Samuel.completada por volta de 1020 a. com uma auto ridade maior. com algun s alegando inspiração divina. uma liga frouxa. Asdod. que colecionou vitórias sobre os diversos povos rivais dos israelitas. não assentando o seu poder na . que haviam sido repelidos do Egito. surgiram líderes carismáticos.C. reservavam para si o monopólio da metalurgia e o proibia aos israelitas.a fo rmação de um Estado. sedentários. morreu derrotado pelos filisteus. foi feito rei de Judá em Hebron. No seu reinado houve apenas um esboço de instituições estatais e de exército permanente. ung ido por Samuel.. nas quais constituíam uma bem organizada minoria guerreira que domin ava a maioria canaanita. de todo Israel. caiu passa geiramente nas mãos dos filisteus. numa escala mais ampliada. funcionários ou exército permanente. foi aclamado primeiro monarca de Isra el. cada uma com um rei ou tirano (Gaza. Os representantes das tribos se reuniam em santuários (Gilgal ou Silo). por volta de 1050 a. Assim. Ecron e Gat). Saul. formando uma federação de cidades-Estados. após o desapareciment o de Isbaal. os chamados povos do mar. e ameaça representada pelos filisteus conduziu a evolução das tribos israelitas . sendo mais uma espécie de novo juiz.C.). Suas guarnições ocupa vam pontos estratégicos na Palestina. submeteram os mesmos ao pagamento de tributos. A sedentarização e a crescente complexidade social.C. A solução encontrada para enfrentar estes rivais fortemente militarizados e apoiados em organizações estatais foi a formação do reino de Israel. depois. por ocasião das festas anuais.C. (shofet).

a união das partes norte sul do reino era precária. O Estado foi dividido em doze distrito s administrativos que não respeitaram as fronteiras tradicionais das tribos e procurava normatiza-las ju nto ao aparelho de Estado e a burocracia foi ampliada com a instituição. inclusive. Conquistou ainda o reino de Amon. Fenícia e Síria. um diretor de corvéia) e um censo foi ordenado para submeter os israelitas ao pagamento de impostos e r egularizar o recrutamento militar.C. na qual era ampliado o abismo entre os pobres e ricos. Havia um corpo de funcionários (comandante supr emo militar. pa ra onde foi transferida a capital. As resistências as mudanças aparecem com a rebelião do seu filho Absalão e por uma tenta tiva da parte norte do reino de se separar. sendo a m ais importante o templo de Iahweh em Jerusalém. por mar. Egito. construído fortificações. a separação consumou-se. comandante dos mercenários. renovado as alianças com Tiro. Morto Salomão. reunindo de forma direta a maior parte da Palestina. parte da Síria) tornaram-se tr ibutárias e dependentes do Reino de Israel. As vitórias de Davi levaram à extensão do seu reino. Durante o reinado de Salomão (aproximadamente 961-922 a. possessão pessoal sua.). através de rotas de caravanas) e desenvolvi do a metalurgia do cobre e do ferro. e com a Arábia. Fazendo do seu filho Salomão o seu sucessor. após disputas no sul da Palestina. que foi sensivelmente enfraquecida em sua coesão pe las reformas distritais e pela integração dos canaanitas após a mesma. forçando o soberano a ceder partes do território aos fenícios. as construções. foram reforçadas as força s armadas (uso de cavalo e carro de guerra). form ndo-se . incrementado o comércio de longa di stância (com Ofir.confederação tribal. de um chefe da administração g eral. na qual estava o palácio real. Contudo. reino de Moab. As grandes construções marcaram também o reinado de Salomão. Outras regiões (cidades dos filisteus. dois sacerdotes supremos. estabelecido alianças com o Egit o. A aceleração da sedentarização dissolvia pouco a pouco as solidariedades tribais numa so ciedade mais urbana e mercantil. e a aumen tar os impostos.. sede do poder central. A estrutura do Estado foi moldada a partir da transferência da capital para Jerusa lém. seus grandes credores. o reforço burocrático e das forças armadas levaram o reino ao endividamento. Exemplo disso é a conquista de Jerusalém com suas próprias tropas. arauto real. o de Edom e estabeleceu tr atados com as cidadesEstados fenícias. Davi im punha a hereditariedade da função monárquica ante formas tradicionais de designação religiosa e po pular de um juiz e líder carismático militar. secretário real. e que aparecia aos olhos dos demais como cidade de Davi. Outro ssim.

dois Estados de pequena extensão e pouca importância .Judá e Israel -. cabe-nos agora dissertar sobre um dos . Visto os aspectos da evolução histórica dos israelitas. enquanto perdi am-se as províncias periféricas.

a Ar ca era guardada em locais que serviam de santuários e. estabeleceu-se uma hierarquia de sacerdotes e um sumosacerdote que os dirigia. Embora houvesse a ausência de imagens de Iahweh. Mesmo antes do templo de Jerusalém. os seus atribut os não podem ser reunidos em uma efígie ou similares. que com ele pactuara uma aliança. explic ando. o pensamento mítico. No centro das concepções político-religiosas israelitas estavam as noções de escolha e ali ança: o povo de Israel fora escolhido por Iahaweh. Neste contexto. no plano do culto as semelhanças são muitas. Tais i nfrações estão relacionadas ao fato de o javanismo expurgar os mitos do lugar central da religião monoteísta. Em linhas gerais. ao longo dos séculos. pois eles eram o elemento essencial de explicação para os homens na visão de mundo e na integração d o humano com o natural e o divino. Ao contrário de outras civilizações. assim. portanto. O Deus garante a fertilidade e abundân cia.elementos centrais na sua história: a religião. de Deus aos homens de uma nação. em relação aos homens e ao universo que criara. o javanismo baseia -se na crença direta da revelação pessoal. comanda os astros e os fenômenos da natureza. não pode ser explicada por relatos nos quais os deuses intervenham encarnando forças cósmicas. Se no terreno teológico o javanismo se diferencia das outras religiões à época. O Deus de Israel não se associa aos aco ntecimentos repetitivos e até certo ponto previsíveis da natureza. a israelita era dotada de um firme se ntido de finalidade histórica. com o tempo. Este aspecto coíbe. descontínua. O monoteísmo adquiriu com o tempo um caráter altamente abstrato e intelectual em sua concepção. Os cultos incluíam também sacrifícios que eram realizado s nas festas anuais. Outras divindades foram consideradas legítimas em outras épocas na Palestina. multiplicou-se entre os israelitas as infrações ao monoteísmo. que ele comanda n uma forma em geral inescrutável. Era uma aliança considerada histórica. razão pela qual. A divindade não pode ser representada e nem descrita. mas em momento algum não é um deus da fertilidade n em pode ser associado a qualquer outra coisa. existia o símbo lo de sua aliança com os israelitas: a Arca da Aliança. durante os anos e . A divindade era vista como radicalmente heter ogênea. Ela se manifesta na sua própria existência e em seus atos. mesmo se admitirmos qu e eles aceitavam a idéia de um Deus supremo e cósmico a que estavam ligados por uma aliança. fazendo dela uma religião de elite. a natureza não é animada e personificada e. garantido pela crença na providência divina e na aliança com o Deus nacional. conhecendo-se o lugar e a data de seu início: no Sinai. Assim sendo. que o exclusivismo monoteísta do javismo. junto com outros aspectos dessa religião. mas à história. o javanismo se tornou uma religião de di fícil apreensão para a maioria dos israelitas. portanto. evolui u.

. Por volta de 1200-1100.C.C. em 1987.m que Israel esteve no deserto após sair do Egito. palaico e luvita. deviam ter sanção divina e humana (eleição e ac lamação). novos grupos de línguas indo-européias (lídios. e três línguas do grupo indo-europeu: hitita. Segundo uma teoria de Colin Renfrew. e uma língua com origem no Cáucaso.. o proto-hitita. embora outras teorias afirmem que a região foi ocupada por povos que falavam idiomas indo-europe us a partir de fins do terceiro milênio a. Por volta de 1650 a. configurando. vasto planalto da Ásia Menor. e em 1595 a. é que o Estado Hitita começou de fato a emergir à luz da h . Os líderes carismáticos do povo. o hurrita. no se gundo milênio a. por volta de 6000 a. o quadro lingüístico da Anatólia. cujo trono é a Arca da Aliança. A aliança implicava na aceitação da legislação sagrada contida os livros bíblicos. o centro pioneiro da metalurgia do ferro. Foi esta legitimidade tradicional que provocou confrontos com a nova ordem política saíd a da instituição da realeza. apresentava na Antigüidade uma população rarefeita e dispersa em núcleos apartados uns dos outros e uma agropecuária menos produtiva do que a dos val es fluviais mesopotâmicos e do Nilo.C. O seu povoamento e o seu quadro político e cultural sempre foram complexos e muito mesclados. No início do segundo milênio a. sem que ocorresse uma instalação durável nesta região. tendo sido. ao mesmo tempo. com os grand es movimentos de povos no Oriente Próximo. Falavam-se: uma língua sem vínculos conhecidos. no qua l o verdadeiro soberano aceito por Israel é o seu Deus. quando outro soberano tomou e saqueou a cidade da Babilônia. A região estava ligada às correntes de trocas do Oriente Próxim o na qualidade de fornecedora de madeira. Além dos assírios.. e que as autoridades religiosas pediam tributos.. tendo como contrapartida a promessa da posse da terra prometida. pedra para construção. Os hititas: império e Estado federal A Ásia Menor. foi o foco inicial de dispersão dos povos de línguas indo-européia s. mais tarde os arrameus. um regime político teocrático. Em seu nome é que juizes exigiam a mobilização militar das tribos. fígios e gregos) se in stalaram na Ásia Menor. tornando-se mais nos séculos posteriores. obsidiana e minérios.C. a Palestina. Canaã. no conjunto da região. era dos mais complexos. na Baixa Mesopotâmia.C. outros grupos de língua semítica se insta laram também: os amorritas primeiro. É com base nessa aliança que se formalizou a confederação das doze tribos na fase da con quista da Palestina. juizes e generais.C.. a gra nde península. quando o rei Hattushilish destruiu a cidade síria de Alala k. e uma espécie de otimismo histórico garantido ao povo eleito. pelo menos em teoria.

defrontava-se com numerosos adversários na própria Ásia Menor.ia. Nesta época. Por um lado. Por outro lado. a realidade era que o reino hitita enfrentava dificuldades consideráveis. o reino atravessou déca das .

organização das corvéias para as obr as públicas. (uma aristocracia militar e da corte)..marcadas por lutas dinásticas em que a monarquia e a aristocracia se enfrentaram e dois reis foram assassinados. estabelecendo com eles um tratado de aliança. com exceção t alvez de suas funções de justiça. O mais significativo dos tratad os foi o estabelecido com Ramsés II (1290-1224 a. marcada pel a troca de cartas e presentes com seus irmãos. sendo composta. O império hitita.C. Já outros autores acham que o pankush era uma criação de Telepinnush. que o pequeno reino hitita cercado de inimigos se transfo rmou no núcleo de um vasto império governado a partir da sua capital Hattusha. podemos identificar a existência de uma aristocracia turbulenta e poderosa. no mais. e salientam o seu caráter passivo. Os historiadores possuem divergênc ias acerca deste órgão: uns acham que. comando militar. A partir dos textos da proclamação de Telepinnush. As guerras pun itivas para manter o fluxo dos tributos e o envio de tropas eram alternadas com tratados. É a partir deste soberano. funções de superintendência dos cultos. que teve início por volta do século XV a. juramentos solenes e casamentos dinásticos. faraó da XIXª dinastia egípcia. do Egito e da Mesopotâmia. O tratado é produto das gr andes disputas . O que explica as rápidas expedições a países distantes. A centralização era regra no interior do reino hitita e nas províncias externas menos importantes. marcando o apogeu do chamado Novo Império Hitita. dentro e fora da Ásia Menor.). que pa rece ter gozado de poderes judiciários em relação ao soberano. consolidando sua posição na Ásia Men or e dominando o reino do Mitanni e a região da Síria-Palestina. Há também uma assembléia chamada punkush nos documentos.). o monarca hitita instalava como reis par entes seus. segundo alguns. Só quando o rei Tele pinnush chegou ao trono em 1525 a. O núcleo ncipal dos exércitos hititas era os combatentes em carros de guerras puxados por cavalos.C. gue rreiros que recebiam terras públicas em usufruto. Em certas cidades estratégicas. Com o reinado de Shuppiluliumash I (1380-1346 a. a assembléia era unicamente informada daquilo que o rei já de cidirá. conseguiu-se estabelecer regras precisas para a su cessão dinástica e se consolidou a monarquia e seu poder efetivo. ou somente p elos guerreiros e servidores do rei. administração e justiça. com os governantes sendo nomeados à vontade d o rei embora concentrassem muitos poderes: cobrança de impostos. pelo povo (uma espécie de assembléia dos homens livre. segundo outros autores . elegesse o rei e limitasse o seu poder. era um Estado federal. Uma ativa diplomacia caracterizava a política externa do império hitita.C.C. primitivamente.) tem início a verdadeira expansão imperial do reino hitita.

orava-se e se faziam oferendas. dificultando uma coerência maior e hie rarquização do mundo divino. a pa rtir do oeste. o Egito e o reino hitita fizeram. Daí que os sacerdotes praticassem diversas formas de adivinhação e exame de signos e portentos na tentativa de descobrir a vontade e as intenções dos d . a monarquia hitita é muito diferente em relação ao que entre vemos nos textos de proclamação de Telepinush. os hititas e egípcios se viram ameaçados pelos novos conquistadores e foram forçados à conclusão de um tratado. A noção de pecado não era interior. Para pacificar o deus. o ritualismo e medo da impureza e da ofensa aos deuses atingiram o seu auge no Oriente Próximo. e sim exterior. pacto de não-agressão e a ajuda mútua em caso de ataque ou sublevação. A rainha tinha uma posição própria no Estado e na religião. Contudo. Os soberanos vitoriosos adotaram o Sol alado como embl ema e se referiam a si mesmos com a expressão meu Sol. descontentamento divino era visto como causa de todos os males.. O desfe cho da batalha parece ter sido indeciso para os dois lados da disputa. Durante o período imperial. foi selada pelo casamento do primeiro com a filha do segundo. pelo povoame nto compósito da Ásia Menor e pela profunda influência religiosa da Mesopotâmia. Os templos reuniam divers as imagens de muitos deuses de diversas partes da Ásia Menor e Síria. O rei era acima de tudo um sumosacerdote e su premo general. Décadas depois . sobera no hitita à época de Hati. Entre os hititas. A religião hitita era complexa em virtude do caráter federal do Estado. no qual estabeleciam mutuamente as fronteiras dos seus impérios. e uma sucessão separada (quando morria a rainha. do leste. embora os hititas tenham recuperado territórios perdidos anteriormente para os egípcios. Ela intervinha paralelamen te ao rei na diplomacia. Assim. A disputa atingiu o seu auge na batalha de Kadesh.C. vinculada a ações. uma vez descoberta a razão da sua ira. a esposa anterior do soberano atual se tornava rainha).. e dos assírios. o formalismo. Tinha-se uma visão pessimista da natureza humana: os homens são pecadores. através de seus monarcas o prime iro tratado internacional. e Ramsés II. ligada às intenções. Os serviços dos deuses eram ma ntidos na forma tradicional e não se favorecia o sincretismo. Nas inscrições. o poderio hitita desvanecia sob os golpes concomitantes dos migrantes chamados povos do mar. em 1278. os reis não eram salientados como construtores e nem havia referências as suas proezas como caçador e atleta. sacrifícios e um ritu al de purificação para o retorno das coisas à normalidade.pelo controle da Síria-Palestina entre os soberanos hititas que reinaram entre 130 6 e 1250 a. com a rápida ascensão e a pressão do reino assíri o. recebendo cartas. A aliança entre os reis Ramsés II e Hatusil III. desempenhando ainda as funções de legislador e juiz de última instância. junto ao rio Orontes.

os seus pecados.euses. As ações dos fiéis para com os deuses. a sua impureza eram entendidas como as causas .

Quando uma desgraça se abatia sobre o país hitita. divinizado ao morrer. e passava boa parte do temp o visitando os santuários de diversas cidades para presidir os numerosos festivais religiosos. atuando como mediador entre os homens e o mundo divino. a regras comportamentais estritas. O rei hitita era. Ele estava submetido a uma rigorosa etiqueta. um sumosacerdote. Após a morte de um monarca. era feito uma imagem sua que recebia culto e sacrifícios. . A rainha tinha funções religiosas copi osas e bem definidas. acima de tudo. da desgraça humana. por conseguinte. destinadas a evitar-lhe a impureza ritual. era responsabilidade sobretudo do rei e da rainha interceder junto aos deuses para que cessasse a calamidade. expiações e o cumprimento rigoroso dos ritos e dos festivais religiosos. prometendo-lh es sacrifícios.principais da ira divina e.

Do Reino dos Medos a Formação de Organização do Império Persa Por Luís Manuel Domingues

Os montes Zagros formam várias cordilheiras paralelas, entre as quais se instalam vales intermontanos cortados por afluentes do Tigre e por rios que desembocam no golfo Pérsico. As enc ostas e os vales são arborizados ou cobertos por pastagens naturais. Na região, durante a Antigüidade, er a comum a transumância e a associação estacional da agricultura com a criação. Para além dos montes Z gros, cuja orientação geral é de noroeste para sudeste, os vales descem em direção ao vasto planalto do Irã (cerca de 2.500.000 km2), contando com sub-regiões áridas e semi-áridas e recebendo poucas preci pitações (o litoral do mar Cáspio é a única exceção). O planalto é rico em recursos minerais (cobre e estanho) em animais e plantas com possibilidade de domesticação, principalmente nas montanhas e encostas d os montes Zagros. Em algumas partes do planalto, chegou-se a praticar um sistema de irrigação baseado em poços que desembocavam num canal subterrâneo que captava água de um lençol freático (qanats).

Desde o quarto milênio a.C., no leste do Irã, mais precisamente na região de Baluquistão , há uma presença mais constante de aldeias com atividade agrícola, produção de cerâmica e o trabalho com o cobre já ocupa determinadas áreas da região. Algumas aldeias iranianas, como a de Tépé Siyalk (180 km a o sul de Teerão), igualavam-se na produção de cerâmica com as de Susa e as aglomerações mesopotâmica Contudo, eram poucas as áreas bem regadas, de bacia ou de planalto, que favoreciam a concentração de assentamentos agrícolas, fato que deve explica, ao longo do tempo, a dispersão da po pulação. Por volta do terceiro milênio, uma lenta dessecação obrigou os agricultores a desenvolver a criação de gado transumante. As comunidades aldeãs do leste passaram a viver sobretudo da criação de g ado, já nas localizadas no oeste e nordeste a agricultura predominava sobre a atividade past oril. A chegada de grupos de pessoas com o conhecimento da domesticação de plantas e anima is ao planalto do Irã deve remontar ao processo de difusão das aldeias neolíticas por volta do sétimo m ilênio a.C., englobando a região que vai da Ásia Menor até ao leste do Oriente Próximo. No início do se xto milênio a.C., já aparecem as primeiras aldeias verdadeiramente neolíticas no Irã. A chegada destes a gricultores deve estar relacionada com a dispersão de grupos falando o proto-indo-europeu, que part indo da Anatólia, chegaram ao leste. Esta hipótese está baseada numa teoria de Colin Renfrew, datada d e 1987, segundo o autor, a região da Ásia Menor, por volta de 6000 a.C., foi o foco inicial de dispersão de grupos de pessoas que falavam línguas proto-indo-européias, tanto na direção do oeste como do leste, com o conhecimento da atividade agrícola e pastoril. Ainda o autor, este movimento não pode ser considerad

o como migratório, mas como um movimento lento e limitado no espaço, em que agricultores de cada geração se vão espalhando muito gradualmente em busca de terras, chegando, portanto, a região dos montes Zag ros e do planalto do Irã. No curso do quarto e durante o terceiro milênio a.C., o Irã receberá contingentes migr atórios que falam línguas do grupo indo-europeu. Neste período, oriundos do sul da Rússia, grupos especi alizados por adaptação ao ambiente das estepes e áreas semidesertas na forma de nomadismo pastoril se estendem do oeste para o leste, chegando ao Irã. Estes contingentes migratórios se mesclam com o s habitantes locais, dando origem a pequenos Estados e centros especializados no comércio e na metalurg ia do cobre. As principais trocas se dão com Susa (reino do Elão) e os Estados da Baixa Mesopotâmia. Após o século XIII a.C., o movimento migratório indo-europeu acelera sobre o planalto iraniano. Mas é a partir do século IX a.C., segundo documentos assírios, que se assiste a tomada do po der nos pequenos países do Irã por chefes tribais com nomes arianos (do ramo das línguas indo-européias q ue compreende os dialetos do Irã, entre as quais está o medo e o persa). Os recém chegados, as tribo s medas e persas, adotam em grande parte a cultura dos habitantes locais. Dentre eles, os medos, o s mais numerosos e divididos em tribos, ocupam desde o século IX o país situado entre o rebordo ocident al dos Zagros, o monte Demavend e o deserto Salé. Já os persas apresentam uma instabilidade quanto à fixação na r egião, deslocam-se do lago Urmia para as montanhas do Elão. Havia dois ou três séculos que as tribos medas já estavam instaladas e dominavam o pod er nos países do planalto do Irã. Durante este período, os medos tiveram que se confrontar com os cit as (povo indo-europeu oriundo do sul da Rússia e a serviço da política assíria) e se defender das diversas exp edições dos exércitos assírios. Estes sucessivos confrontos parecem ter acelerado uma especializ ação militar no interior das unidades tribal medas, com a constituição de um grupo específico com funções guerreira s. Provavelmente eram camponeses guerreiros ou cavaleiros nômades em sua origem. Pouc o a pouco estes grupos guerreiros passaram a constituir uma nobreza acima de uma população heterogênea . No século VII a.C., esta nobreza guerreira já ocupava uma posição privilegiada em relação ao conjunto da população: possuíam numerosos rebanhos, um patrimônio agrário e se apropriavam de rendimentos das comunidades aldeãs. Numa posição de privilegio e status, estavam, também, os sacerdotes, chamados de magos , responsáveis pelos cultos dos astros, especialmente o do Sol, personificado pelo deus Mithra. Inicialmente, este culto está ligado à agricultura e à criação de animais, constituindo-se, assim, um símbolo das forças

Mesmo assi m.a natureza. Mithra se torna protetor dos mortos e deus da guerra. Mithra parece ter . Posteriormente.

C. as oferendas e os sacrifícios sangrentos).a prosperidade e a fecundidade dela resultante . O controle e a direção dos cultos pelos magos. avassala as tribos persas e destrói o reino de Urartu. o que os poderia conduzir a um paraíso de alegrias.. Segundo documentos assírios. reuniu sob o seu comando as tribos medas para enfre ntar as freqüentes expedições militares assírias.C.C. os medos se organizaram em varias campanhas contra eles. tanto os que são prodigiados pela naturez a . em 612 a. muito materiais. O sucessor de Ciáxares. Foi dura nte este período. Este soberano r eorganizar o exército com base numa classificação em três armas (lanceiros.preservado entre as comunidades de produtores (agrícola e pastoril) a concepção de que os homens deviam a ele uma infinidade de benefícios. de malefícios e de demônios. As unidades tribais medas eram baseadas em unidades familiares fundadas na autor idade do pai. na Anatôlia (cerca de 582 a. declarando guerra aos assírios que terminou com a derrota dos medos e a morte deste soberano..oriundo de um mundo de trevas. capital do outrora império assírio. Mas.. que por sua vez formavam uniões comandas por chefes elegíveis.C. Até o reinado de Ciáxares. consegue repelir o ataque dos citas e reorganizar o seu exército. fundibulários). Com o declínio do poderio militar assírio e refluxo do seu império no fim do século VII a. que o rei Fraortés teria reunido definitivamente as tribos medas num só Es tado. As práticas rituais dirigidas pelos magos ocupam um lugar importante nesta na realização destes propósitos (o culto ao fogo.).C. no ano . em aliança com os reis d a dinastia caldeia da Babilônia. o exército medo combatia sem sistema algum. chegou a realizar expedições militares de conquistas da Mesopotâmia e do norte da Síria e a desenvolver uma arquitetura funerária. após uma longa guerra. Ciáxares (625-585 a. o soberano m edo ocupa boa parte da Alta Mesopotâmia. a aliança esmaga os assírios e destrói Nínive. aliás.como os combates aos flagelos que assolavam a terr a . com cada uma ocupando um lugar determinado na batalha. arqueiros. Estas associações de famílias se agrupavam para formar as tribos. filho de Fraortés. Isto fazia os homens crerem na necessidade d o esforço moral e no julgamento da alma. os dois povos fixam a sua fronteira no rio Hális.. por ca usa da ajuda de dada à Assíria por tribos citas. faziam estes ocuparem uma posição social de destaque tanto entre a nobreza guerreira como entre a população.). os hinos. Ciáxares alcança vitórias decisivas sobre os assírios. que deram origem a associações de famílias com descendência comum e que se colocavam sob dig nidade e jurisdição de um chefe. um certo D ajaukku. de fronta-se então com os lídios e.C. Entre 615 a.). em 625 a. Astíages (585-550 a. Finalmente. Dijocés nos relatos de Homero.C. Em seguida.

. as infantarias co mpostas pela massa de camponeses. Ciro II reúne num só reino os medos e persas. para consolidar a preponderância política do império.). a norte de Susa). Todos passam a pagar tributos aos persas. que teriam contando. com o apoio da nobreza média descontente com a crescente centralização de poder e concentração das riq uezas oriundas da expansão média nas mãos dos soberanos medos.. também. reunidas em Sardes.C. Até princípios do século VII a. com a ajuda de um oficial babilônico. apoiado num gr .C. os persas pre stavam vassalagem ao reino do Elão. Em reorganiza todo o exército. passando depois a suserania do rei medo Ciáxares (fins do século VII a. Segundo uma tradição persa. na Ásia Central. s udeste de Susa. Em seguida liberta os judeus do cativeiro na cidade conquistada e restabelece os cu ltos dos deuses tradicionais.C. príncipe persa da dinastia d os aquemênidas. A mur alha que ocultava Babilônia é contornada e. Pouco depoi s. É durante um dos comba tes que o soberano persa foi morto. Após tomar capital Ecbátna e destronar e capturar Astíages. Os sucessores de Aquemenes. as tribos persas unem-se contra os medos. os persas entram na ci dade. chefe das tribos persas que impôs uma decisiva derrota sobre o exército deste soberano medo. os exércitos persas marcham contra a dinastia caldaica de Babilônia.C.. instalam-se e dominam o pequeno principado do Anzan. capital do reino. Em 539 a. no planalto do Irã. localizado no alto Karum. as tropas de Ciro II marcham sobre a Média. e faz das unidades regulares de cavalaria a principal força de choque das tropas persas.).C. A luta irá durar três anos e termina em 550 a. aproveitando-se do enfraquecimento d os reinos elamitas. com a vitória dos persas. Ciro conquista rapidamente a Arménia e a Capadôcia. Inicialmente . e a região de Parsa (atual província de Xiraz). em 546 a. um certo Aquemenes teria unificado as tribos pers as e dado início a uma dinastia de soberanos persas que leva o seu nome: os aquemênidas.C.C..C. Em 556 a.C. devasta a Lídia e apoderase das incalculáveis riquezas de Creso. Cambises. para enfrentar as tribos dos sácios e messagetas. Ciro apresenta a conquista ao povo babilônico como uma libertação e nomeia o seu filho Cambises III r ei da Babilônia..C..de 550 a. região à época a autoridade dos elamitas ou dos medos. O império medo passa assim para esse povo de montanheses e para o seu rei. Astíages foi destronado por Ciro II. Por fim. a dinastia dos aquemênidas se estabeleceu na região a sudeste do Elão. reequipando o núcleo seu principal. submete toda a Ásia Menor. Ciro marc ha para nordeste. incluindo as cidades gregas do litoral do Mar Egeu. A origem do reino persa remonta a chegada das tribos persas a Persumash (na mont anha. filho e sucessor de Ciro. sob o comando de Ciro II (556-530 a. Em 525 a. Em 553 a. que vai realizar a conquista da Ásia Ocidental.

derrota o exérc ito egípcio em . cipriotas e samianos.ande exército de terra e numa esquadra posta à sua disposição pelos fenícios.

os governantes da Babilônia. a rapidez de execução. objetivando ainda a obtenção de territórios que seriam administrados e distribuídos entre os persas. uma conjunção de interesses internos entre os diversos segmentos sociais do reino persa (camponeses. O apoio de mercadores e usurários para o ex pansionismo persa constituiu um outro fator importante. A tutela persa também se revelou distinta das que conhecidas até então. o reino lídio de Creso. mas sim com a presença das forças conjugadas e novas de Ciro. do outro lado. que era quase sempre acompanhada de complacência com os vencidos e dominados. Tanto as armas utilizadas e como o espírito de decisão. ou mais precisamente.Pelusa e conquista o Egito. Sobre este aspecto é de salientar a abolição d o chamado cativeiro da Babilônia. pagamento regular do tributo de que só os persas e medos estavam isentos. as cidades. Em um plano político secundário. os persas foram hábei s em enquadrar simplesmente tropas de todas as proveniências. De um lado. Por outro lado. Por fim. vivido pelos judeus. o último faraó do Egito saíta. a implacáve l eficácia dos chefes era compatível com a dos assírios. aristocratas persas e medos). A rápida expansão persa encontra a sua explicação num de conjunto de fatores presentes à ép ca. Um segundo fator advinha do enfraquecimento dos Estados do Oriente Próximo com a deva stação ocasionada pelas guerras de conquista dos assírios. os reinos su bmetidos eram senhores de viver como entendessem. Amásis. Tais atitudes eram aproveitadas pelos . de honrar os seus de uses. a existência de uma aristocracia militar. Mas diferentes destes. sacerdotes. mant nha-se na expectativa quanto à soberania sobre os portos sirofenícios e os principados do corr edor palestino. Ela limitada o campo de ação essencial: proclamação da submissão dos Estados. o sistema aristocrático da Pérsia primitiva. No restante.C. O sucesso militar persa não advém nenhuma novidade militar introduzida durante as gu erras de conquistas. de seguir as suas leis. povoações. Instituía-se uma tolerância não conhecida até aquele presente momento. dada à possibilidade que se lhes oferecia de senvolver o comércio com a unificação das relações mercantis e pela ascensão da aristocracia persa como novo segmen to social desejoso de consumo. conduta pacífica. fornecia um enquadramento a todos os desen volvimentos do exército e da administração. 612 a. em assegurar o concurso muitas veze s fiel de oficiais ou de técnicos estrangeiros. já não cont avam com uma política prudente e satisfeita dos últimos reis medos. que compre endiam a expansão como a possibilidade de conquistar e dominar regiões que garantam recursos básicos d e existência de todos e proporcionar um suprimento de bens de todos os tipos. Um dos fatores era o precário equilíbrio de forças instituído na Ásia Ocidental desde a queda de Nínive.

É provável que todos estes otivos tenham se somado para a eclosão da revolta.reis persas como valor de propaganda dos seus gestos e do eco que eles encontravam na população. o que nos permite supor de que a r evolta poderia ter sido uma reação das províncias medas hostis à supremacia persa. da Grécia asiática ao Turquestão o exércitos persas avançam a custa de um esforço extraordinário. eclodiu nas velhas províncias do império uma revolta sob o impulso dos Ma gos e liderada pelo mago Gaumata. o rei Dario I pode comb ater nos limites orientais do império. Este último aspecto preocupava não só os magos como também setores da aristocracia meda. Dario se encontra à frente de império mais vasto do que o dos seus predecessores. no princípio de 522 a. .C.. marcadas por suplícios públicos de chefes revoltosos ou pela execução dos sátapras demasia dos lentos em escolher o partido da fidelidade. Este sistema de governo provinciais ou regionais confi ados a oficiais reais já tinha sido usado por assírios e mesopotâmicos. em 517 a. O conteúdo do sistema satrápico dos per . A revolta pode ter sido uma revolução palacial ante um sistema de sucessão dinástica que não se apóia numa sólida estru a familiar. os aristocratas persas escolhem um membro da família real dos Aqueménidas como chefe. Dario I reg essa. A execução de Gaumata. em fins de setembro de 522.. que se fazia passar por filho de Ciro. A organização do império persa teria que esperar o desfecho de uma luta dinástica conhec ida como a Revolta dos Magos. Já a partir de 520 a. da Etiópia ao mar Cáspio. A reação de Cambise foi interrompida pela sua morte quando regressava à Pérsia. Mas.C. o que obviamente agradaria aos povos do império. consolidando a sua conquista. morte oc orrida em circunstâncias obscura. onde esteve a beira de uma derrota. Este mobiliza o exército para uma rápida e enérgica respo sta. Quando Cambises ainda estava no Egito. Dario. Tal rapidez era justificada pela proclamação feita pelos os seus adversários. Da Cirenaica ao Indo. que incluía a vontade de paz e a interrupção do recrutamento de homens ou de taxas durante três anos. e dá início a uma restauração e reforma da administração imperial de que Ciro lançara fundamentos com a instituição dos sátapras. também.C. pode ter sido um movimento religioso de um séqüito sacerdotal preocupado com as orientações da monarquia. A Babilônia e a Assíria tinham visto nest e sistema um instrumento de centralização autoritária reforçada. com a sua política em relação às religiões e ao clero dos países istados e com a crescente centralização do poder nas mãos dos reis. O próprio Cambises havia elim inado o seu irmão com receio de que o mesmo aproveitasse a sua ausência para usurpar o trono. foi seguida de um a campanha relâmpago contra a Babilônia e de uma série ininterrupta de vitórias sobre as províncias i nsurretas. Rapidamente. Após as expedições até a região do Danúbio.

as é precisamente o contrário: é uma delegação de poderes. é o reconhecimento das inevitáveis au onomias .

Ecbátan a. permitindo uma circulação monetária que favoreceu tanto as atividades mercantis como o desenvolvimento econômico de atividades produtivas. Eram os mensageiros. gerando prosperi dade. houve de vinte a trinta satrapias no império. e Susa. com o seu palácio. A agricultura passa a ser uma preocupação constante dos reis persas desde Dario. Só tinha que prestar contas ao rei. De acordo com a época.. A frente da satrap ia estava o sátrapa investido de todos os poderes. cidades de antiga tradição. a sua corte e a sua administração co mo um verdadeiro vice-rei. Ao rei também se recorria em última instância os súdit os por justiça ou para a reparação de alguma injustiça. os sátrapas eram homens hábeis e prudentes governadores. Mas durante dois séculos a paz é um benefício para os povos do império. uma defesa dirigida loc . A energia do rei e a sua disponibilidade para se ocupar dos assuntos eram condições das quais dependiam a unidade. principalmente as fronteiriças. os descendentes dos compan heiros de Dario que tinham fundado o império. em nome do qual governava. As vias de acesso do império foram melhoradas e a segurança reforçada pa ra um pleno funcionamento do correio real.locais num império multirracial. o que levou Dario I a instituir uma moeda com uma parte deste ouro. e também com outros ofici ais especialmente mandados para funções autônomas. A instituição de um correio real foi uma das formas de agilizar a ação administrativa dos reis persas. é a substituição da ordem superior pelo simples control e das iniciativas a posteriori. olhos e ouvidos do rei. na Média. A flexibilidade do sistema garante às regiões. O correio real ligava as s atrapias às diversas capitais onde o rei permanecia (Pasárgadas e Persépolis. no Elão). Para os cofres do rei fluía grande quantidade de te souros e tributos. O sátrapa ainda contava com os escribas. que juntos dirigiam o serviço de chancelaria. Contudo. Mais de catorze mil talentos por ano. esse controle era exercido sem medir os meios e de forma se vera. A unidade do império dependia da presença eficaz da administração e da defesa dos intere sses persas em todas as suas unidades administrativas. Cada uma delas agrupa. Um mesmo sátrapa podia receber a autoridade sobre uma ou mais satrapi as. comandos de guarnições ou de contingentes militares. principados. Recrutados entre a nobreza. em torno de um povo importante ou de uma região natural bem delimitada. A guerra passa a ser entendida como um meio de e stabelecer a paz. no centro da nação persa. guar das do tesouro etc. cobra taxas ou mobiliza os exércitos. A qualidade da organização satrápica era em muito devido aos homens recrutados por Dar io I para exercerem a função de sátrapas. faz reina r a justiça e a paz entre as comunidades. tribos ainda hostis etc. Mas rodeados por outros persas cuja lealdade pessoal ao rei pode vigiar a sua ação. toda uma série de elemen tos menores.

O implacável Artaxexes III Okhos (359339 a. A sorte do império se baseava também na sua prodigiosa riqueza oriunda dos tributos das satrapias. Artaxexes II. comandar navios..). No rmalmente. Em meados do século IV a. Em 424 a. Conseguem salvar o trono e manter a dinastia. dispunha de meios sem comparação possível com os de seus eventuais inimigos. Mas se o rei tivesse necessidade de intervir no mu ndo. Em tese. manifesta-se c erto reforço de centralização autoritária ou durante o reinado de reis enérgicos.).C. A cada revolta reprimida. muitos deste sátrapas rejeitaram ordens reais.C. Durante o século IV a. Estas ações explicam a decomposição que tiveram todas as rebeliões ou todos os movimentos de indep endência. O ouro era fundido e guardado nas reservas de Susa. A cada mudança de reinado.C. Dario II Okhos só asseg urou a sua realeza depois de assassinar dois de seus irmãos. fosse de que modo fosse. como Artaxexes III Okhos (359/35 8-338 a.C. Como já vimos acima. como Xerxes no fim do s eu reinado e Dario II (424-404 a. Mas os reis envolvidos em intrigas da corte e outros acontecimentos palacianos.. mas abrem espaço para uma liberdade de ação demasiado grande aos mais audaciosos e aos mais fortes dos seus sátrapas. configurava-se um entesour amento estéril para a prosperidade da vida econômica. A partir de Xerxes (486-466 a. O que o rei continuava a ter a seu favor era a sua posição central em Susa e a desunião dos seus a dversários. A expansão macedônica simplesmente colocou um ponto final num império que de fato já não mais exist ia. Logo que as coisas da política se complicavam. As submissões se tornavam pouco a pouco forma is e por diversas vezes tiveram que retomar os pagamentos dos tributos. o trono era abalado pelas pretensões de possíveis sucessores. os laços que unem as partes do império desatam-se um pouco. os sátrapas estão em suas mãos e a unidade imperial se manifesta por toda a parte. cunharam moedas e tentaram um entendimento entre eles. a religião primitiva dos medos e persas refletia uma impotência d o homem na luta ..C. comprar colaborações ou cumplicidades de toda ordem e em toda parte .. cerca de cento cinqüenta meios-irmãos.) liquidou toda a família real. em 358 a.C.). construía palácios. Os êxitos de uma política fundada na corrupção nem os ímpetos de energia militar foram cap azes de fazer frente a um processo de decadência irremediável do império.C. recorria as incomensuráveis riquezas para recruta r mercenários. sustentava artistas.almente e importantes meios militares e financeiros.C. promo veu um verdadeiro banho de sangue para garantir a sua sucessão. já se contava as dúzias às satrapias em que as autonomias locais tornaram-se verdadeiras monarquias. estimulava o progresso das ciências ou das técn icas. foram perfeitamente incapazes de agir eficazmente em toda a part e ao mesmo tempo.

a terra.com a natureza. o Sol . As tribos adoravam animais sagrados. aparecia aos fiéis como o Sol-Rei. como o cão e o boi. à água. na adoração de muitos deuses representativos das forças da natureza. à lua. representando u ma sobrevivência do totemismo e instituindo rituais de adoração e de sacrifícios às forças da natureza. Mithra. portanto. O deus da religião. baseando-se. ligada s a agricultura: ao sol. e aos ventos.

mas que puniria os q ue fizessem esta última escolha. Pois considerava Ahura-Mazd a um poder supremo. que representava a mentira. imaterial. s em mostrar complacência ou piedade com os do outro lado. em meados do século V a. ou Arimã. também os deuses iranianos. isto é. os magos. o respeito pela vida e a proteção dos animais úteis. deuses estrangeiros. que permitia aos homens a opção da escolha entre o bem e o mal. sem dúvi da. AngraMaimyu. a justiça. O mundo dos homens era concebido como um gigantesco campo de confronto. devia em si mesmo e fora de si tomar papel ativo como soldado da causa do bem. Mais tarde. Ahura-Mazda é elevado à categoria de maior dos deuses e é admitido q e outros deuses existem . que naturalmente o tentaria a fazê-lo.. quando houvesse essa possibilidade. a quem os homens deviam à fecundidade e os benefícios da natureza e o comb ate aos flagelos proporcionados pelos demônios que habitavam o mundo das trevas. Podia. a lisura nas relações humanas são meios de fazer avançar o triunfo do bem. Neste sentido. portanto. a negação da verdade. Mas caso preferisse optar pelo deus do bem. O débito dos homens para com o deus era cobrado por uma lisura moral em vida e na crença de que os seus atos seriam ob jetos de julgamento após a morte. o fatalismo. a resignação perante o sofrimento e a infelic idade dos homens. Contudo. ao elevarem o es pírito do mal. A ele. Mithra e Anahita . em grego). Este reformador. em que lutavam as forças do mal e do bem. seus discípulos modificaram esse monoteísmo. o juízo final recompensará os bons e castigará os maus. de nome Zaratustra (Zoroastro.C. Mais tarde.Invencível. o gozo dos bens materiais. quando o zoroastrismo mazdeísmo se torna religião o ficial da dinastia aquemênida. incomparavelmente grande e poderoso. Ahura-Mazda. Arimã. Era um deus de retidão e verdade. Esta formula abrange. a religião era uma moral da p articipação. um reformador re ligioso irá procurar expurgar da religião primitiva dos persas à superstição e a mesquinharia e erguê-la a um p lano ético mais elevado. se opunha um espír ito do mau. estabeleceu uma doutrina que é quase um monoteísmo puro. A este engajamento ao lado do bem. O assíduo cuidado da terra e das culturas. a condição de deus. Cada homem devia escolher o lado de uma dessas forças em guerra a que serviria.C. ou O rmusd.esta .. que revelou os seus preceitos a seu profeta Zoroastro. o que expl ica a tolerância manifestada dos persas para com as outras religiões dos povos subjugados e. Ahura-Mazda. desde a criação do mundo. Na última metade do século VII e na primeira parte do século VI a. certamente. O pessimismo. sem a preocupação de ac orda cruel e imprevisível . servir a Arimã. a benevolência. tinham sido atitudes amplamente disseminadas entre os persas pela r eligião primitiva e pelo seu clero. Zoroastro pretendia que a sua religião fosse monoteísta. baseado na existência e adoração de um deus.

este permanece como deus supremo. Mas caso o mal prevalecesse. Contudo. representado por Mithra. por exemplo. os poderes do mal em luta contra ele. até então uma doutrina essencia lmente filosófica não compartilhada pelo povo. as almas dos mortos sobreviveriam em outro mu ndo. uma moral participativa.serão designados como ajudantes de Ahura-Mazda. pelo Impér io Romano. que para o bem é tão agradável como leite quente. o deus real por excelência.uma deusa semítica da fertilidade . a partir de 64 d. uma série de costumes é consolidada em relação aos mortos: cadáve es revestidos em cera ou oferecidos aos abutres em recintos reservados. a tolerân . Esse final viria no dia do último grande julgamen to. Assim. que teria sido iniciado nos mistéri os do deus e pretendeu. Três dias após a morte. mas também por popularizar a demonologia orien tal. mas o cerca de uma multi dão de divindades que personificam as forças naturais e os elementos da natureza. sua alma atravessaria a ponte para um mundo celeste de felicidade. o deus do mal estava fadado a se r derrotado no final. o próprio inferno seria purificado. Neste intervalo. no qual receberiam o tratamento adequado com as suas ações praticadas em sua vida na terra.. identificar com o Sol-Rei. estas almas não permaneceriam no inferno para sem pre. Para ele. origina-se o mithraísmo que se espalhou pela Ásia Ocidental. a ponte se estreitaria e sua alma seria precipitada nas profundezas do inferno. o zoroastrimos ou mazdeísmo tinha muito em originalidade e pôde se colocar como uma das maiores religiões do Antigo Or iente. restaurando em tod a a sua plenitude a dualidade primitiva da religião dos persas. O culto de Mithra. no dia do ajuste final. As religiões dos persas deviam muito as dos povos vizinhos. para não manc har a terra nem o fogo. É a primeira a divulgar numa escala mais universal o monoteísmo. O culto de Mithra começou a ser generalizado no século I d. cada alma era levada a uma grande ponte que atravessava as profundezas do inferno. não só por espalhar o monoteísmo. embora ele ignorasse o desfecho. pelo menos. chegando até influenciar Nero. Se o bem praticado pelo homem superasse o mal realizado na terra. dirigidas pelos magos. Conjuntamente. Mais tarde. opondo ao princípio do bem. Mas o mithraísmo contri buiu também para preparar as vias do cristianismo. De qualquer maneira. c hegando até o império romano. Contudo. Desta religião popular. A religião popular conserva Ahura-Mazda no lugar supremo. principalmente o culto à Mithra.C. Zoroastro acreditava na imortalidade. que Zoro astro estigmatizou com violência.C. quando os mortos retornariam à vida. o mal seria purificado em metal derretido. imperador romano. Isto va i conceder um importante lugar ás práticas rituais realizadas ou. tinha alguns elementos indo-europeus e muitos das religiões semíticas.

a sujeição das ações humanas tanto em relação a si como em relação ao seu mundo externo e fazer uma crític o .cia.

com uma propagação m ais longa no tempo e espaço.ritualismo das religiões antigas. preparando terreno para ele. É nestes aspectos que mazdeísmo se antecipa a propag ação do cristianismo. preparou as mentes das camadas populares da Antigüidade para a compr eensão do monoteísmo e da moral e ética do cristianismo. . Enquanto o mitharísmo.

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China Antiga Por Luís Manuel Domingues A palavra China vem de Zhongguó ou Chung-kuo, significando país do meio (Zhongguó: "país " [guó] "do meio" [zhong], Chung-kuo: "país" [chung] "do meio" [kuo]). A China foi uma das mai s antigas unidades histórica do Extremo Oriente. Originalmente, até a Dinastia Zhou, a China compreendi a a região no entorno do Rio Amarelo. Desde então, na Antigüidade, os impérios da China se expandiram para o ocidente e para o sul, chegando até a Indochina, atingindo proporções máximas nas dinastias Zhou, Qin e Han. O epicentro da civilização chinesa na Antigüidade foi à planície aluvial cortada pelo Rio Amarelo (Huang He), Nordeste da atual China. O rio é o segundo mais longo da China, medindo 5.464 km e com uma bacia de 752.000 km². A sua importância advêm do vale com terras férteis, bons pastos e import antes jazidas minerais. A importância do rio já aparece na Pré-História da China, quando os primeiros chineses m igraram do sul, do vale do Rio Mekong, para o norte, estabelecendo-se nas terras férteis próximas ao Ri o Amarelo compostas por um loesse trazido e depositado por milênios pelas águas dos planaltos da China C entral e pelos ventos vindo dos desertos a oeste. Nestas terras, os antigos chineses cultivaram painço, hortaliças e frutas nativas, sobretudo ao longo do alto e do médio curso do rio. No setor baixo do Rio Amarelo, cultivava-se arroz. No III milênio a. C., o excedente de produção favoreceu o estabelecimento de vilarejos perman entes, como Baknpo e Erlitou, e no curso do milênio já havia um contínuo de povoados e vilas ao lo ngo do rio.

A Pré-História da China - Os arqueólogos encontraram na China, perto de Pequim, restos do Homo erectus (Sinanthropus pekinensis), datado de 460 mil anos. Desta data e até oito mil anos, os vestígios arqueológicos da presença dos antepassados do homem são raros. Os indícios só são mais freq tes a partir de 6000 a. C., quando a atividade agrícola de milhete, datados pelo C14, fo ram associados à cultura Peiligang, no rio Yiluo Henan. A partir do V milênio a. C., já existe provas fidedig nas e com certa abundância da existência de outras culturas, cultivando painço, trigo e arroz, produzindo cerâmic a e domesticação de animais, como a cultura de Yangshao (4800 a 2000 a. C.), na parte central do Rio Amarelo, e a de LongShan (3000 a 2000 a. C.), estabelecida na parte central e inferior do Rio Amarel o, na qual o desenvolvimento da olaria se destacou. No geral, a agricultura resultou em aumen to populacional e na capacidade de estocar e redistribuir colheitas, de manter artesãos e administrador es especializados. No final do Neolítico, o vale do rio Amarelo começou a se tornar um centro cultural, co

m a fundação dos primeiros vilarejos. Os "Registros Históricos", obra de autoria de Sima Qian, um historiógrafo do século II a.C., relatam à existência dos chamados Cinco Imperadores. Soberanos que foram sábios e exemplos mor ais semimitológicos e um deles, o Imperador Amarelo, é considerado o ancestral do povo chinês. Segundo Sima Qian, a hereditariedade do poder político foi estabelecida no período histórico seguin te, chamado de Dinastia Xia, modelo perpetuado pelas Dinastias Shang e Zhou, já na era histórica. Dinastia Xia (2070 a.C. a 1600 a.C.) - A Dinastia Xia foi a primeira a ser descr ita e confirmada pela historiografia tradicional chinesa, listando para ela o nome de 17 reis por 14 g erações, durante 471 anos. Segundo esses historiadores, a dinastia foi precedida pelos lendários Três Augustos e os Cinco Imperadores, e sucedida pela Dinastia Shang. As escavações arqueológicas, na província d e Henan, dataram os vestígios como sendo da Era do Bronze e pertencentes à Cultura Erlitou, t ornando-se difícil separar o que é mito e o que é história a respeito dos Xia. Os arqueólogos descobriram, ainda, vestígios de áreas urbanas, objetos trabalhados em bronze e tumbas que apontam para a possível ex istência dos Xia em localidades citadas em antigos documentos históricos chineses. Os arqueólogos chi neses identificam a cultura Erlitou como correspondente a Dinastia Xia, enquanto os ocidentais não estão convictos da conexão entre as duas.

O período creditado como Xia marcou um estágio de evolução técnica entre culturas do neolít co tardio e o início da civilização urbana chinesa da Dinastia Shang. A tecnologia agrícola, a criação de cavalos, a produção de vinho e avanços no transporte foram aprimorados significativamente no períod o. No período parece ter ocorrido, ainda, uma sistematização da monarquia hereditária, transmitida s upostamente desde à época do lendário Imperador Amarelo, iniciando um período de controles políticos baseado s em clãs e famílias aristocráticas. Desenvolveu-se, também, um sistema de governo que empregava t anto um governador civil quanto o uso de punições duras para qualquer transgressão, configuran do-se nos primórdios o código legal chinês. Acredita-se, ainda, que a provável Dinastia Xia teria controlado um território que se estendia ao leste até as províncias de Henan, Shandong e Hebei, a oe ste até Henan e Shanxi, ao sul até Hubei e ao norte até Hebei. Dinastia Shang (1600-1100 a. C.) - Para os historiadores, a Dinastia Shang foi à p rimeira dinastia da antiguidade chinesa confirmada por documentos arqueológicos. Ela teria existido en tre o século XVI e o século XI a. C., durando cerca de 600 anos, no Vale Huang He. Nos primeiros tempos , a capital do reino foi transferida várias vezes, ficando, finalmente, sediada em Yin, na região Ying (atual

Anyang, província de Henan). Os objetos encontrados nas escavações das ruínas da sua capital, em 1928, comp rovam que no início da Dinastia Shang a civilização da China já se desenvolveu a um alto nível. Nas ruín s foram

A soc iedade era dividida em duas ordens (a nobreza e o povo) e governada por um rei-sacerdote.C. há uma crítica ao uso do termo f eudal.. O sistema de escrita (jiaguwen) tinha mais de 3. Na religião cultuavam os ancestrais num panteão de deuses e chegaram a praticar sacrifícios huma nos. No período se desenvolveu as carruagens de guerra puxadas por cav alos. queimando serviçais vivos nas tumbas de seus mestres. feitas em casca e ossos de tartaruga. primeiramente. A tecnologia da fundição de bronze já se encontrava muito avançada. O período Zhou é usualmente descrito como similar ao feudal. O jiaguwen que tinha um resultado previsto correspondido p assavam a constituir um registros históricos arquivado. limpar e polir a casca da tartaruga ou os ossos. começou quando os líderes de Zhou dissiparam os Shang e legit imaram seu domínio invocando o Mandato do Céu. Os estudos dos objetos comp rovam que na Dinastia Shang já havia se formado o Estado e já existia concepções de propriedade privada. A prerrogativa estabelecia que os Zhou assumiam ascendência divina sobre a dos Shang. e a proposta de uso um termo mais apro priado para classificar o sistema Zhou: o Fengjian.00 0 simbolos. A doutrina explicava e justificava o fim das dinastias Xia e Shang. e terminou com a ascensão da Dinastia Qin. final do século XII a. fi rmando a capital na cidade de Hao (próxima a atual Xi'an). existia um conjunto de cidades-estado . pois a descentralizado sistema dos Zhou permitiu comparações com o sistema europeu. Na realidade. C. e tinham a função de fazer previsões para o impe rador. Foram desenterrados milhares de bron zes nas ruínas da capital. Essa dinasti a. Dinastia Zhou (1100 A 221 a. Foi à dinastia com maior duração em toda a história chinesa. que através da conquista e colonização estenderam a sua cultura e a dos Shang por boa parte do norte do Rio Yangtze. os sacerdotes previam acontecimentos segundo a mudança de sinais depois de queimadura.encontrados inscrições em ossos. sendo um dos bronzes mais representativos da antiguidade chinesa. queimá-las. famosa pelas finas esculturas em jade. Entretanto. os objetos de bronze são relíquias representativas da Dinastia Sh ang.C. de pois fazer caracteres nela e.) . correspondendo a Idade do Ferro na China. As incrições são chamadas de jiaguwen. formando com a família a Realeza Palaciana. a partir de uma cidade. que eram enterrados com os seus donos. Igual ao jiaguwen. entre eles um trípode que pesa 875 quilos com 110 cm de altura e 78 de largura. em 256 a. fornecendo suporte à legitimidade dos governantes atuais e futuros. O método consistia em. usado para um contexto especificamente europeu. segundo tradição historiográfica chinesa. Posteriormente. trabalhos em cobre e tecidos de seda.A Dinastia Zhou teve início com a queda da Dina stia Shang. por fim. bronzes e outras preciosidades.

479 a. A mais antiga era a de Confúcio (551 . abalando à centralização política. C. e os nobres nem mesmo consideravam a família Ji como simbolicamente lideres. do século XI até 771 a.). Em 221 a. Deste modo. e aquele denominado de Período dos Reinos Combatentes (476 a 221 a. a Dinastia Zhou conheceu uma razoável estabilidade decorren te da organização de alianças entre os poderosos estados periféricos. C.. C. que as "empre stavam" para seus servos.) . Neste período. A partir de 771 a. C. A partir de Ping Wang. ficando com os fazendeiros . o título de uma famosa crônica histórica de su a época. jing. enfatizando a espontaneidade ou liberdade ante a manipulação sócio -cultural das . do reino de Qin.). C. C .. que era utilizado integralmente na produção de armas e ferramentas agrícolas. O taoísmo foi outra vertente. e os das partes ao redor. o governo podia armazenar comida e distribuí-la em tempos de colheita ruim. fundada em normas de conduta..A instabilidade e insegurança política do Período d os Reinos Combatentes estimularam na China a produção de fórmulas filosóficas para a estruturação do stado e da sociedade. as disputas dinásticas e a rebelião de alguns Estados em aliança com povos nômades d o norte expulsaram os soberanos de sua capital. A terra era dividida em nove partes na forma de uma "roda de água". Todas as terras cultivadas eram controladas pelos nobres. como um esforço constante para cultivar a própria pessoa e estabelecer assim a harmonia no c orpo social. estas indústrias eram controladas pela nobreza. C. Com o rompimento da linhagem real. O novo período da Dinastia Zhou teria durado de 770 até 221 e conheceria duas fases distint as: Período das Primaveras e Outonos (770 e 476 a. Alguns important es setores fabris do período incluíam a produção de bronze. em Luoyang. qu e dirigia a produção destes materiais. Já os estados situados nas fronteiras exteriores da área cultural chinesa se expandiram à custa de seus vizinhos não chineses. Posteriorment e. os reis de Zhou reinavam apenas simbol icamente. Novamente.). chegando a se dec lararem reis. a dinastia foi desmantelada e a China unificada por Qin Shi Huang Di. sob a hegemonia do membro mais fort e. C). estabelecendo políticas impessoais e instituições econômicas que permitiam um controle central sobre os governos locais e uma taxação agrária rotineira .que a Dinastia Zhou subordinou a um poder centralizado. a agricultura era bastante intensiva e em muitos casos co ntrolada pelo próprio governo. Dinastia Quin (1100 A 221 a. mais ao leste. o poder da corte de Zhou gradualmente diminui u. Entre 770 e 476 a. com os grãos da parte do meio ficando com o governo. os Zhou fundaram uma nova capital. dando origem ao que os his toriadores chamam de Zhou Oriental em oposição ao período anterior (o Zhou Ocidental. e a fragmentação do reino se acelerou.

Já o legalismo pregava o estabelecimento de uma ordem social baseada em leis estritas e impessoais.instituições. linguagem e práticas culturais. com o estabelecimento de um Estado no qua l o soberano tivesse .

enquanto as classes intelectua is estavam ofendidas pela política governamental de controle do pensamento. A forte resistência das poderosas classes proprietárias de terra ob rigou a revogação da legislação sobre a terra. Contudo. Os conflitos aceleraram a desagregação d a dinastia Han e ela . Quando o poder dos Zhou entrou em colapso em 256 a. C.). no oeste. abrindo espaço para que Liu Bang se autopro clamasse imperador em 206 a. A capital de Qin se transformou na primeira sede da Chi na imperial. no sul. est abelecendo o seu governo sobre a base unificada dos Qin.. O peso crescente dos impostos. a debilidade admi nistrativa e a ineficácia dominaram a última dinastia Han ou oriental (25-220). o serviço militar e os trabalhos forçados criaram pro fundo ressentimento contra a dinastia Qin entre as classes populares. no reino de Qin. o povo levantou-se em rebelião. abolindo a servidão e reforçando os monopólios imp erais sobre o sal. penetraram no atual território do Cazaquistão.). ocorrendo até a tentativa de restauração da dinastia Qin (9-23 d.. leva ndo a eclosão de uma rebelião camponesa e as grandes famílias proprietárias de terra a se unirem. reinstala ndo a dinastia Han.autoridade incontestável. que se voltou para a reestatiz ação das terras e a redistribuíram entre os agricultores. ao lo ngo dos anos. em Anam e na Coréia.C.C. o ferro e a moeda.. aos conflitos entre os eunucos e os burocratas. iniciando o período de domínio da Dinastia Han (206 a. Aboliram-se as aristocracias hereditárias e seus territórios foram divididos em províncias governadas por burocratas nomeados pelo imperador. um dos estados periféricos emergentes do noroeste que fez no sei interior um programa de reformas de caráter legalistas. instalava-se um período de anarquia políti ca.C. As dissensões e a incompetência debilitaram o governo imperial e as sublevações no campo re fletiram o descontentamento popular. adeptos do confucionismo. A restauração dos Han deu origem a Dinastia Han do Leste. Esta doutrina será aplicada. dando origem. O primeiro imperador estendeu as fronteiras exteriores e construiu a Grande Muralha para pr oteger as suas fronteira. reaparecendo os monopólios estatais. mas com modificações na política que havia pro vocado à derrocada. a 9 d. estenderam a sua autoridade do sul da Manchúria ao norte da Coréia. Os Han.C. a ilha de Hainan pa ssou ao controle Han e colônias foram fundadas no delta do Chihchiang. no século IV a. Ao mesmo tempo. Após uma luta pelo poder que mutil ou a administração central. A crise agrária se intensificou e a situação se deteriorou. A política expans ionista consumiu os excedentes econômicos e os impostos foram aumentados.C. o rei de Qin (Qin Shi Hua ng) unificou os estados chineses em um império administrativamente centralizado e culturalmente unificado.

Sima Yan usurpou o trono em Wei e domi nou Wu. pelo menos até 420. no sudeste. nas províncias do norte. e reino Wu (222-280). um conjunto numeroso de pequenos estados soberanos no terr itório da China e nas fronteiras. dando origem a Dinastia dos Jin no norte. Após a morte de Sima. o Império começou a ruir. Em 263 Shu foi conquistada por Wei.entrou em colapso quando as grandes famílias latifundiárias criando seus próprios exérci tos. A reunificação deu origem a Dinastia Jin d o Oeste (265 a 316). enquanto o resto país seria fragmento nos Dezesseis Reinos. em 290. dando origem ao Período dos Três Reinos: reino Wei (220-265). quando começaria a restauração da unidade pelas Dinastia s do Norte e do Sul. no sudoeste. . Já em 264. dando origem a Dinastia Jin do Leste (317 a 420). que se retiraria para o sul. encurtando a Dinastia Jin do O este. Os três reinos sustentaram incessantes guerras entre si. reino Shu (2 21-263). em 280.

ao sul.A Índia Antiga Por Luís Manuel Domingues Durante a era mesolítica. chegou ao subcontinente indiano (Índia. Cerca de 2500 antigas cidades e assentamentos iden . e entrecortadas por largas artérias que distribuíam os bairros como num tabuleiro de damas. a civilização do Vale do Ind o ou harappa (2500 e 1900 a.C. proporcionando recursos suficientes para sustentar grandes centr os urbanos.. dispondo de imponentes cidadelas. ao Guzarate e ao norte do Afeganistão. evidenciando o zelo pela segurança. eram Dholavira. No seu apogeu. era um planejamento urbano singular à época. como Harappa e Mohenjo-daro. C.A primeira sociedade urbana na Índia. a civilização harappa talvez contivesse uma pop ulação de mais de cinco milhões de habitantes. Sri Lanka. este ndendo-se ao doab Ganges-Yamuna. As ruínas de Mohenjo-daro indicam ter sido o centro da socieda de. Kalibanga e Rakhigarhi. Paquistão. utilizando-se de terraços artificiais e obras de irrigação. Séculos mais tarde. a norte. concentrou-se no entorno do rio Indo e seus tributários. além de Harappa e Mohenjo-daro. Ganweriwala. Délhi. poços e instalações sanitárias domésticas. a leste. Por volta de 6000 a. a fronteir a iraniana. Os principais centros urbanos. A Civilização Harappa . por volta de 3220 a. formando talvez um ou Estados coerente e articulados. As construções u tilizavam tijolos cosidos na infra-estrutura e na alvenaria das casas. juntando-se a outros povos que vi nham ocupando. As suas cidades eram cercada s por espessas muralhas. Lothal. C. C. a partir da criação de animais e do cultivo da terra. esses povos estavam transita ndo do nomadismo para o sedentarismo. a agricultura e a irr igação no Vale do Indo se intensificaram.. Nos bairros públicos se encontravam imponentes celeiros. desde o paleolítico. e tijolo seco ao sol para os alicerces. a oeste. Bangladesh. a região. segundo os arqueólogos. marcando o início da civilização harappa ou do Vale do Indo. como sugere a uniformidade dos sistemas de medida. servindo como um armazém geral e banco da cidade onde as trocas eram realizadas e as medidas de cereais funcionav am como moeda de troca. Um sistema de águas plu viais abastecia as cidades e um outro sistema drenava as águas sujas e detritos para um esgoto coleto r e poços de decantação. a 30000 mil anos.. procedentes ou da África ou da Eurásia. que surgiram por volta de 2500 a. dominava e dirigia que cobriam uma extensa área geográfica.). e aos limites do Himalaia. No geral. Os assentamentos da civilização se disseminaram até a moderna Bombaim. Nepal e Butão) uma onda migratória composta de caçadores e cole tores de alimentos. que dispunham de vários andar es.

. ainda.C. C. mudanças climáticas. perturbações geológicas. que tem como principal suporte ideológi . pepinos e tâmaras. é objeto de controvérsia entre os estudiosos ante a escassez de documentos que comprovem tal emigração. desta época a organização da sociedade indiana em quatro varnas (castas). a região da bacia do rio Indo. resultado do brahmi (século IX a. o de estão cerca de dois terços dos sítios conhecidos.) e do kharoshti (século VI a. teriam sua or igem nesse período. não se descarta a ocorrênci a de deslocamento e presença de costumes dos árias (arianos) no norte da Índia. gergelim.A civilização védica está associada ao povo que teria composto os Ve (os quatro primeiros livros religiosos do Hinduísmo. um desmatamento gradual e invasões tribais teriam contr ibuído para a desagregação da civilização.C . surgiram os Mahajanapadas. C. entre o leste do rio Indo e o Paquistão. Nessa civilização se conheci a o uso do cobre e do bronze. usando-se o sânscr ito védico. Na primeira fase da civilização védica (1550 a 700 a. e a cidade baixa.C. até o século VI a. Contudo. A Civilização Védica . A relação exata entre a gênese desta civilização e a cultura do Vale do Indo.).). pequenas oficinas e lojas de comércio.tificados. cevada. por outro lado. durante o Império Maurya (a partir de cerca de 320 a. e uma relação com a chegada de povos indo-europeus. seguindo-se a época de apogeu do hinduísmo.C. e na maior p arte da Índia setentrional. o bairro público e administração da cidade. Provavelme nte.C. deze sseis grandes reinos no norte e no noroeste da Índia. quando a cultura começou a se transformar nas formas clássicas do hinduísmo. As cidades eram divididas em duas partes: a p arte alta. a mais ampla. por um lado. pastoreavam-se rebanhos e nas t erras se cultiva trigo.) e os reinos médios da Índia (a partir do século II a. os estudos entendem que civilização védica floresceu entre os II e I milênio a. C.). em sua fase tardia (após 700 a. C. Em meados do II milênio a.. está contido no Maabárata. com diversos bairros populares cobertos de residências. Dataria. secou e se tornou árida . e da literatura em sânscrito clássico. levando a população a aban donar os assentamentos. entre Índia e Paquistão. a partir de uma tradição oral. praticava-se uma olaria com fornos.. por volta de 1500 a . outro bem-conhecido texto pri mário do hinduísmo. Os principais textos do hinduísmo do período são os Vedas.) se pode comprovar a formação de diversos reinos da Índia antiga. onde ficava a cidadela. inclusive as famosas estórias de Rama e Krishna.) no subcontinente indiano e estaria localizada no atual Panjabe. escritos em sânscrito. O Bhagavad Gita.C. A organização da sociedade indiana em varnas reflete uma rígida hierarquia e estratifi cação social legitimada numa tradição guerreira e politeísta. parecem comprovar essa hipótese. De qualquer forma. os grandes é icos indianos (Ramáiana e Maabárata).

as varnas foram constituídas a partir da estrutu ra do corpo de .co de legitimação o livros dos Vedas. Segundo a tradição.

São constituídos por aqueles (e seus descendentes) que violaram os códigos das castas a que inicialmente pertencia . Na seqüência das invasões islâmicas e mon góis da Índia.. C.Por volta do século V a. similares cidades-Estado da Grécia Antiga. S ri Lanka e Sudeste asiático. os braços (Kshatriya). São considerados impuros e. inicialmente visto como um complemento ao darma védico. o início da Idade do Ferro na Índia e foi enc errado com as invasões persa e grega e a ascensão subseqüente de um único império indiano a partir do re ino de Magadha. uma religião que não os segregavam. intitulado de a "poeira sob os pés" não pertence às castas.os pés (Shudra). enquanto que os dialetos da população em geral do norte da Índia eram conhe cidos como prácritos. Mahavira fundou o jainismo. mas que foram denominados como Dalit ou párias. o estômago (Vaishya). os comerciantes e os agricultores. o que indicaria um período de maturidade filosófica. Os Upanixades. C. A língua culta do período era o sânscrito. Posteriormente. filósofos e professores. Fora do sistema de varnas também existia os Adivasis (povos tribais) e os Mlechhas (estrangeiros). Tibete. Por fim.. textos védicos tardios que lidavam principalmente com filosofia. coveiros. o norte do subcontinente i . apareceu um outro segmento. em meados do século VI a. Fazem os trabalhos considerados mais desprezíveis: recolhimento de lixo. ninguém ousa tocar-lhes. Kosala. Embora o impacto geográfico do jainismo tenha sido li mitado. são os artesãos. Entre elas. A boca de Brahma (Brahmi n) representaria os sacerdotes. Ambas as religiões tinham uma doutrina simples e eram pregadas em prácrito. milhões de párias se converteram ao islamismo.Brahma (a representação da força criadora ativa no universo). Os 16 Mahajanapadas da Idade do Ferro . No mesmo período. desde o atual Afega nistão até Bangladesh. conh ecidas como Mahajanapadas. Kuru e Gandhara. Por volta de 500 a. Em 537 a. Gautama Buda atingiu a iluminação e fundou o budis mo. ajudando a disseminá-las entre a população. O período marcou. Os rituais hindus da época eram complexos e conduzidos pela classe sacerdotal. as maiores eram Magadha. freiras e monges budistas levaram os ensinamentos de Buda à Ásia Central e Oriental. diversos peq uenos reinos e cidadesEstado. dezesseis monarquias e/o repúblicas. por isso..C. O Interlúdio Persa e Grego . os chamados intocáveis. também. os operár ios e os camponeses. os militares e os gov ernantes. teriam sido compostos no início do período e seriam contemporâneos ao desenvolvimento do budismo e do jainismo. talhantes etc. C. muito s mencionados na literatura védica. cobriram o subcontinente. C.A partir do ano 1000 a... estendiam-se através das planícies indo-gangéticas.

A expansão do i pério chegou até as fronteiras da Pérsia e Ásia Central. Tanto os andaras quanto. Com a desintegração do Império Maurya. produzindo uma singular cultura híb rida. este império só chegou a controlar o nordeste da Índia e até 73 a. Estes eventos repercutiram fortemente na civilização indiana. seu filho. começou com a expansão do budismo a partir da Índia e terminou com as conquistas islâmic as. o Grande. O Império Maurya . foi estabelecida uma nova dinastia que daria origem ao Império Sunga . Uma constatação disto está no noroeste do subcontinente indiano. formando o chamado Império Maurya. qu e foi governada pelos persas até a sua conquista por Alexandre. persa. centro-asiática e grega no que é hoje o Afeganistão. Foi através daquelas áreas que a maior parte da interação entre o sul da Ásia e a Ásia Cent al ocorreu. e formou-se um cadinho das cu lturas indiana. Em 185 a.. a dinastia reunir sob seu governo. o expandiram por quase todo atual território da Índia. pelos exércitos de Alexandre. posteriormente.. C. após se aproveitar da desestabilização da Índia setentrional devida às invasões persa e grega. o Grande. bem como assentamentos macedônicos em Gandhara e no Panjabe. o Grande.Em 321 a. no final do século IV a. o general Chandragupta Maurya fundou a dinastia m aurya após derrubar o Rei Dhana Nanda de Magadha. Contudo. a escrita grega pa ssou a ser mais comum e a região ganhou guarnições para as tropas macedônicas nos novos territórios e dive rsas cidades fundadas por Alexandre nas regiões do Oxus. pe la primeira vez na história da Índia.ndiano foi invadido pelos Persas e. inclusive a administração da dinastia maurya. As regiões incluíam o Passo Khyber (ao sul do Himalaia e d o Hindu Kuch) e um outro passo que ligavam Drangiana. principal mente.C. Aracósia e Báctria. Bindusara..C. seus sucessores. As conquistas só foram c essadas por Açoca. O Vale do Indo e as planícies gan géticas atraíram várias invasões entre 200 a. e 300 d. o Impéri o Gupta tentou conter . seguindo-se um período chamado de Reinos Médios que correspondem a um conjunto de entidades políticas existentes a partir do declínio do Império Maurya.. usando-se escrita aramaica para a língua persa. a maior parte do subcontinente. C. o sul da Ásia se tornou uma colc ha de retalhos de potências regionais com fronteiras sobrepostas.C. C. O controle da região durou 186 a nos. com trocas comerciais e culturais.. Esse período foi caracterizado por ondas de invasões provenientes da Pérsia e da Ásia Central. após embates violento e adoção do budismo. C. Posteriormente. Com o tempo.C. no século II a.. Aracósia e outros reinos persas e centro-asiático s à planície do Indo. pois os sistemas políticos dos persas viriam a infl uenciar a filosofia política indiana. Com a conquista macedônica. adotando deste ponto em diante uma política de nãoviolência. a partir de 520 a.

terminando. por entrar em colapso devido às pressões ex ercidas pelas guerras.as invasões sucessivas. o budismo floresceu tanto sob o governo do s invasores. que . ambos. No curso dos acontecimentos.

O segu ndo foi o Império Andaras. passando a representar uma ponte cultural entre as duas culturas que levou os invasores a se tornarem "indianizados". . a cultura. fundados por tocários provenientes da China. no noroeste da Índia. devese ao Império a invenção dos conceitos de zero e infinito e os símbolos que dariam origem aos algarism os arábicos (1-9). que continuou a reinar em Magadha após a desintegração do império. que segundo muitos historiadores encerraram o período hi stórico da Índia Antiga.adotaram a religião. e que enfrentaram os invasores do noroeste. O império perdurou pelo século IV e V. que reunificou o norte do subcontinente na prime ira metade do século VII. Acredita-se que os puranas védicos foram redigidos naquela época. a política e a administração hindus atingiram patam ares sem precedentes. dois outros impérios existiram na Índia O primeiro foi o Kuchano. foi final mente destronada pelo Harshavardhana. O período fo i marcado por feitos intelectuais e artísticos inspirados pela difusão e pelo sincretismo cultural ocorri dos em novos reinos localizados na Rota da Seda. Contudo. O império chegou ao fim com o ataque dos hunos brancos provenientes da Ásia Central. ante as invasões dos hunos brancos. formado por vassalos do Império Maurya. a unificação só foi conseguida pela dinastia gupta. Durante o Império Grupta. quanto sob os andaras e os guptas.Antes da formação do Império Gupta. entrado em colapso no sécul o VI. Império Gupta . mesmo assim restrita a Índia setentrional. U ma linhagem menor do clã gupta. dominando o centro e o sul da Índia .

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c omo: o uso de metais na confecção de artefatos de caça e armas de guerra. com cerca de 80 vulcões ativos no país e os sismos são muito comuns. Crônicas chinesas da época citam cinco Reis d e Wa (Japão). O arquipélago está localizado no Círculo de fogo do Pacífic o. ou com folhas de árvores e sobrevivia da caça e coleta. As suas principais ilhas.. O relevo do país é montanhoso. Shikoku e Kyushu. O arquipélago japonês foi ocupado por seres humanos por volta de 50. são: Hokkaido.. com o aparecimento de uma cerâmica feita em barro cozido e indícios de agricultura teve iníc io o Neolítico no Japão. C. anzóis. remos.C.C. Ainda no período. agulhas de osso e fragmentos de rede. A inda no período. quatro metros abaixo do nível do mar. correspondendo a Idade dos Metais no Japão. e se est endeu até 300 d. de Wa.000 a. um símbolo de st .C) tem uma r elação como aparecimento de conjuntos funerários em forma de buraco de fechadura (kofun em jap onês significa túmulo) e ornamentados internos com espelhos de bronze e figuras eqüestres. indicando a prática da navegação pesqueir a. o Rei Nu (um dos cinco Reis de Wa) recebe um foral de ouro do Imper ador chinês. alguns clãs começavam a preponderar sobre outros. Honshu. como: flecha s. de norte para o sul.Japão Antigo Por Luís Manuel Domingues Ao longo da costa leste da Ásia se estende o arquipélago do Japão. onde está escrito: "Ao Rei Nu. que se abrigavam em cavernas.. o avanço de técnicas agrícolas. iniciou-se por volta de 300 a. Nele ocorreram algumas inovações técnicas.776 metros de altitude e seu ponto mais baixo fica no lag o Hachirogata. com uma cordi lheira no centro das ilhas principais.C. decoraçõe codiformes em japonês. Atingem o mar pouco depois de sua nascente nas montanhas acima e forma m geralmente deltas em forma de leque.A denominação do período seguinte como Kofun (300 a 710 d. Por volta de 10000 a. o aparecimento de uma olaria mais dese nvolvida. O Período Yayoi . pressupondo-se que vários chefes de c lãs do Japão. em Tokyo. A decoração da cerâmica em forma de corda dará ao período o nome de Jamon. grutas. Em 57 d. nos primórdios. devido aos principais sítios a rqueológicos estarem na região de Yayoicho. a construção de casas de alvenaria. cerca de 75%. A monta nha mais alta do Japão é o monte Fuji com 3. chamado de Yayoi. encontram-se outros artefatos. Já os rios japoneses são curtos e de águas ligeiras. O Período Kofun .. a descoberta da tecelagem. eram tributários da Dinastia Han à época. iniciando o cultivo do arroz.O período seguinte. Cerca de três mil outras ilhas se es tendem do sudoeste de Kyushu até perto de Taiwan. vassalo de Han". favorecendo a ocupação das pequenas planícies costeiras. C. arpões. substituindo as roupas de pele de animais por de tecidos.

O poder do clã imperial era mais nominal do q ue real.atus na sociedade japonesa à época. O Período Asuka . como o culto aos ancestrais e o respeito aos mais velhos). seguindo o modelo chinês. o Japão conhece u um período de efervescência cultural. fu ndador da família Fujiwara. Os soberanos yamatos exerceram um controle indireto sobre várias tribos. dirigi u o reino através de governadores locais. Em 663. sendo as mais importantes as de muraji e a de omi. Ao mesmo tempo. após seu uso por saqueadoras de reinos core anos. As reformas continuaram com o imperador Tenchi Tenno e por Nakatomi Kamatari. o Dajokan. no começo do século VII. No período Kofun ocorreu uma unificação sob a casa imperial. que. impondo uma estrutura de propri edade estatal sobre o país. a corte de Yamato tinha perdido o poder pela incapac idade de se impor as tribos uji e por derrotadaa sofridas na Coréia. o sistema ritsu-ryo f oi modificado em 743 e. Foram estabelecidas amplas conexões com a dinastia Tang da C hina e o Japão se tornou o extremo oriental da Rota da Seda. Os Yamato consolidaram o poder com a criação d e uma forma primitiva de xintoísmo (religião politeístas e animistas. O grande conselho. No mandato do imperador Shomu (715 a 756) e sua consorte Fujiwara.No século VI. dando o nome à casa imperial. para estimular a ampliação das terras produtivas. Tenchi realizou reformas ma is centralistas e codificou as novas medidas no sistema ritsu-ryo. Posteriormente. cujas terras foram ocupadas e redistribuídas. em 645. Em 604. direitos de propriedade foram conc . principalmente. já tinha ganhado o st atus de religião oficial. O imperador Jimmu estende u seus domínios até Yamato. voltada para práticas do relac ionamento familiar. Este contexto permitiu a ascensão dos governantes do vale de Assuk a. espalhando-se rapidamente pela população e. fortalecendo a casa imperial e debilitando as tribos uji. que compreendia um conjunto de prin cípios simples para o bom governo seguindo o modelo centralista da China e estabelecendo as hierarqu ias na corte. inaugurou as reformas Taika. As tentativas de defesa dos nipônicos levaram a um aperfeiçoamento no uso do cavalo e a conseguire m debelar as invasões. o budismo chegava ao arquipélago (552). que início no reinado da imperatriz Suiko (593 a 628) ganhou formas peculiares com as reformas de Shot oku Taishi. Os ornamentos com cavalos informam à importância que o animal adquiriu como instrumento de guerra. que também servia de in strumento político. ele estabeleceu a Constituição de Dezessete Artigos. conhecido co mo uji. iniciando um programa reformista marcado pela perda do domínio coreano e os problemas internos. que se utilizava de tropas de arqueiros montados para devastar por várias vezes algumas regiões do Ja pão.

permitindo as grandes famílias e templos assegura ssem sua autonomia .edidos a qualquer pessoa interessada em explorá-las.

uma guerra civil (o Distúrbio Hogen) eclodiu entre os imperadores retirad os e reinantes e as ramificações associadas à família Fujiwara. os Fujiwara perderam o monopólio das consortes imperiais e o s imperadores retirados se converteram no núcleo de um novo sistema de governo de claustro. Antoku. no leste do Japão. Nesse meio tempo. tornaram-se os amos virtuais do Japão e mantiveram seu poder durante os três séculos s eguintes. o Japão conheceu 350 anos de paz e prosperidade. Taira Kiyomori . No ent anto. Os guerreiros Taira ganharam fama e poder no sudoeste. tornouse imperador em 1180. acompanhada pelo aumento do poder dos membros da família Fujiwa ra que. Em 1156. monopolizou os cargos da corte com os membros da sua família. no q ual os imperadores abdicavam depois de fazer os votos budistas e se afastavam da administração em favor dos imperadores reinantes. o poder e o particularismo local se desenvolveu até se tornar mai s forte que a administração imperial. delegando os assu ntos de governo aos seus subordinados. A partir de então. O caráter d o governo mudou sob o controle dessa família. durante o século IX. surgiram nas províncias grupos locais de guerreiros. inaugurando uma ditadura militar que iria durar sete séculos.e poder. aumentando a centralização da administração e dividindo o país em g ande estados nobiliários de caráter hereditário. no leste. conhecidos como samurais. os Taira assumiram o controle do Japão. que protegiam os senhores de quem eram servos. Depois da segu da guerra (Distúrbio Heiji. inicia ndo uma luta pelo controle do Japão. os imperadores começaram a se retirar do governo ativo. dois grandes clãs militares estenderam seu poder para a corte. livres de impostos ou unidos aos grandes templos b udistas. Yoritomo assumiu o controle do Ja pão. monopolizando os altos cargos da corte e controlando a família imperial. construiu um quartel em Kamakura. e promoveu um levante que. derrotou e expulsou os Taira. os Minamoto. 1159-1160). No período Heian (794-1185). . seu filho mais novo. de pois de cinco anos de guerra civil. ministro-chefe em 1167. No mesmo ano. em 858. encerrando dessa forma o período histórico do Japão Antigo. No século XII. criando assim o embrião d e um sistema poder e o particularismo local. Min amoto Yoritomo. um remanescente dos guerreiros Minamoto. dando início aos clãs militares. Em meados do século XI.

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a China deverá se tornar em décadas futuras a maior economia do mundo. andava ereto e é possível que já soubesse utilizar o fogo . Os chineses também foram responsáveis pela descoberta da pólvora e pel as invenções do papel e da bússola. ou seja. seu território é muito grande. é onde se encontra a chamada Grande Planície de China. Esse nosso provável antepassado viveu há mais de 400 mil anos. o Japão e a Coréia. Assim como a cultura grega. ele se en che e cobre as planícies por dezenas e mesmo centenas de quilômetros. os camponeses aproveitavam para irrigar as terras. um dos mais antigos hominídeos (a família a qual pertence a nossa espécie). ajudava a fertilizar as terras. uma espécie de poeira fina e amarela. pos ição atualmente ocupada pelos Estados Unidos. dentre os quais. . Esse rio se torna muito raso e arenoso durante as secas. Dois rios que nascem nas montanhas. a cultura chinesa serviu de modelo e inspiração para div ersos povos do Ocidente. A presença de grupos humanos no território que hoje é a China é bastante remota. o rio HuangHo favoreceu o desenvolvimento da agricultura e o surgimento de cidades na região. Não bastasse tudo isso. A sua cultura influenciou o desenvolvimento cultural de diversos países vizinhos. Após as chuvas. Semelhante ao que ocorreu no Egito em relação ao rio Nilo. foi lá que fo am achados os vestígios fósseis do chamado Homem de Pequim. Quando isso acontecia. cujo nome científico é Homo erectus pekine nsis. Que tal conhecer um pouco mais a respeito do passa do dessa civilização fascinante? Homem de Pequim A China atual é um país continental. quase tão antiga quanto as qu e existiram no Egito e na Mesopotâmia. segundo muit os analistas econômicos. Além disso. correm por ela: o Huang-Ho (também chamado de rio Amarelo) e o Yang-Tsé-Kiang. O Império chinês já existia muitos séculos antes de Roma se tornar uma das maiores potências do mundo antigo e continuou existindo séculos após a queda do Império romano. Só para se ter uma idéia. trazida de long e pelo vento. a cultura chinesa sobrevive em nossos dias e.A China Antiga Túlio Vilela* As cinco primeiras dinastias A civilização chinesa é uma das mais antigas e conhecidas. Na parte leste do território que veio a se tornar a nação chinesa.

Às margens do rio Amarelo Durante muito tempo, acreditou-se que as margens do rio Huang-Ho foram o berço de toda a civilização chinesa. Escavações arqueológicas mais recentes levaram os historiadores a concluírem qu e as margens do rio Huang-Ho foram apenas um dos centros de difusão de uma das várias culturas qu e originou a civilização chinesa. Em 1986, foram encontrados no sudoeste da China, na vila de Sanxingdui, objetos de bronze da mesma época da Dinastia Shang (aproximadamente 1500-1050 a.C.), mas com um estilo muito diferente do de objetos da mesma época encontrados no leste do país. Esses e outros achados são exempl os de que o processo de povoamento e o desenvolvimento cultural da China antiga foram muito mais complexos do que se imaginava.

A ênfase exagerada no estudo das populações que viviam próximas ao rio Huang-Ho, fez com que os arqueólogos não dessem à devida atenção ao estudo das populações que viviam em outras regiõ China. Atualmente, esse erro está sendo corrigido. Exemplo disso é a atenção que vem sen do dada ao estudo das culturas que se desenvolveram no vale do rio Yang-Tsé-Kiang, que também e ra muito fértil. No passado, esse vale era coberto por densas florestas. O vale do Yang-Tsé-Kiang e ra um dos vários importantes centros culturais da China Antiga. Alguns historiadores chineses che gam até a afirmar que a cultura surgida no vale do Yang-Tsé-Kiang chegava a ser tecnicamente superior à surg ida nas margens do rio Huang-Ho. Dificuldades geográficas Na China Antiga, os grupos que viviam na parte oeste tiveram um desenvolvimento bem diferente daquele dos grupos que viviam próximos das margens dos rios Huang-Ho e Yang-Tsé-Kiang. Em pa rte, isso pode ser explicado pelo fato de que os grupos que viviam no oeste encontraram condições g eográficas mais adversas e tiveram que encontrar outras soluções para sobreviverem. Quanto mais ao oeste da China nos dirigimos, menos chuvas ocorrem. Por isso, sec as severas são comuns no oeste do país, que é uma região montanhosa, coberta por estepes e desertos. Isso di ficultava as viagens e travessias, tornando-as mais árduas e perigosas. Enquanto as condições geográficas no leste favoreceram o surgimento de grupos sedentário s que se dedicavam ao cultivo do arroz e de outros cereais, as condições geográficas no oeste f avoreceram o surgimento de grupos nômades. As primeiras dinastias

Diferentes linhagens de reis e imperadores governaram a China. Costuma-se dividi r a história da China Antiga nos períodos em que cada uma dessas linhagens ou dinastias governou o país. P or sua vez, podemos dividir esses períodos em duas épocas: Época das três dinastias régias e Época Impe ial, que durou de 221 a.C. ao ano 1911 da nossa Era. Por razões de espaço e para não fugir do tema China Antiga, trataremos a seguir apenas das cinco primeiras dinastias. As cinco primeiras dinastias 1) Xia, 2205-1818 a.C.: A existência dessa dinastia ainda é motivo de controvérsia ent re os historiadores. Mesmo entre os que acreditam que essa dinastia tenha existido, não há consenso em re lação às datas de sua duração.

2) Shang, aproximadamente 1500-1050 a.C.: Até uns cem anos atrás aproximadamente, tu do que se sabia a respeito dessa dinastia era o que estava escrito em documentos produzidos dura nte as épocas da dinastias Zhou e Han, centenas de anos após a queda da dinastia Shang. Por isso, m uitos historiadores ocidentais duvidavam da existência dessa dinastia, afirmando que os relatos sobre ela não passavam de mitos. No entanto, a maioria dos historiadores chineses sempre aceitou esses relatos, c itando-os como fontes históricas confiáveis. Descobertas arqueológicas comprovaram a existência da Dinastia Sh ang. Entre os achados arqueológicos estavam objetos de bronze; inscrições gravadas em ossos e cascos de tartaruga e sepulturas. Podemos dizer que os mais antigos registros escritos da história da Ch ina surgiram durante a dinastia Shang. A mais antiga forma de escrita conhecida surgiu na China dos Sha ng. Em muitos textos antigos, os Shang eram geralmente descritos como governantes cr uéis, corruptos e decadentes. Nesses textos, os Shang costumam aparecer participando de orgias, fe stas regadas a muito sexo e bebidas. Até onde esses relatos seriam verdadeiros? Vale lembrar que a maioria desses textos foram escritos séculos após o domínio dos Sha ng, durante as dinastias que os sucederam. Ao retratarem os Shang como corruptos e os seus suce ssores como "virtuosos", esses textos tinham a intenção de fazer propaganda a favor das dinastia s Zhou e Han.

3) Zhou, aproximadamente 1050-256 a.C.: Os Zhou (também chamados de 'Chou") eram u

Huangdi ordenou que os antigos governantes dos principados se mudassem para a ca pital. um Estado unificado chinês.: Usando de extrema força. Esses nobres foram obrigados a entregar suas armas. Para vigiar o s outros nobres.. 4) Qin. período conhecido como "Época dos Estados Guerreiros") e foi vencida pelo primeiro r eino de Qin (ou Chin). Esse reino era afastado dos outros que se enfrentaram entre si.C. em que o poder dos senhores feudais era. 221-207 a. Entre as medidas adotadas por Huangdi para garantir a unidade do império estavam: adoção de um único sistema de pesos e medidas. Os reis de Qin organizaram um grande exército e equiparam seus soldados com espadas e lanças de ferro. Foi ele quem estabeleceu. que detin ham riquezas. que foram fundidas e transformadas em estát uas e sinos. Cada uma dessas famílias governava uma cidade ou província. Qin Shi Huang di se tornou o fundador do Império Chinês. Tratava-se de um sistema inovador para a época. A intenção do imperador era selecionar os candidatos mais qualificados para ocupar os cargo s públicos. A vantagem sobre os inimigos era que uma espada de ferro podia cortar ao meio uma feita de bronze.C. Por isso. Os territórios controlados por essas famílias foram ficando cada vez maiores e a China acabou sen do dividida em sete principados. de escrita e de moeda em todo o Império. Huangdi também promoveu a realização de concursos públicos para o preenchimento de cargo s. que saiu vencedor da guerra que marcou o final da dinastia Zhou. maior que o dos r eis. .C. sofreu menos os efeitos das guerras e se tornou o mais rico e poderoso. eles ajudavam o exército do rei fornecendo soldados. conquistou um território após o outro e os incorporou ao seu reino. na prática. Essa guerra duro u anos (480-221 a. Era uma situação muito semelhante ao que ocorreu mais tarde na Europa oci dental durante o feudalismo. Em caso de guerra. Ao concentrar o poder em suas mãos.ma poderosa família vinda do oeste do país. Para obter apoio. costumavam distribuir terras aos seus aliados. que significa "primeiro rei de Qin". Esse apoio vinha de famílias nobres. pela primeira vez na História. derrubaram os Shang e assumiram o poder. Não demorou para os sete principados entrarem em guerra entre si. Na prática. armas ou a limentos. ele já havia conquistado quase toda a China. Por volta do ano 221 a. uma inovação para a época. pois os candidatos eram escolhidos com base no mér ito e não na origem social ou por "apadrinhamento". o rei de Qin. Esse rei assumiu o título de Q in Shi Huangdi. essa divisão acabou fortalecendo essas famílias e diminuindo o poder do imperador.

Por isso. Os funcionários que . costuma-se dizer que foi na China que surgiu a idéia de meritocracia.

Huangdi ordenou que fossem feitas cerca de sete mil estátuas de g uerreiros para serem colocadas a 1. enviou no ano 138 a.C. Para a construção do mausoléu do imperador foram utilizados cerca de 700 mil trabalhad ores. para que a obra permanecesse em segredo. Além disso. os Han ofereciam banquetes e festas a seu s vizinhos. perfumes. Uma das características dessa dinastia foi a política de presentes. Foi na época dos Han que os chineses. Antes de morrer. uma missão diplomática à Ásia Central. com o objetivo de estabelecer uma aliança com os turcos para combater os hunos. Os camponeses também eram recrutados para o serviço militar. Tratava-se de uma forma de s.ocupavam esses cargos públicos se encarregavam de tarefas como cobrar e arrecadar impostos. conceder presentes caros aos seus vizinhos da Ásia central. afugentando ladrões e intrusos. que se julgavam o centro do mundo (daí chamare m seu país de "Império do Meio") descobriram que outros povos viviam a oeste de suas fronteiras. . 5) Han. Além dos presentes. e mais de cem carros de madeira.500 metros a leste de seu túmulo. peças de cerâmica e jóias. Aproveitando-se dessa crise. início uma gra o poder e inau que consistia em comprar aliado Esses presentes consistiam em grandes quantidades de tecidos de seda. souberam inclusive da existência de um certo Império romano.220 d. Essas estátuas eram de terracota (ar gila cozida em forno) e foram feitas em tamanho natural. Esse "exército" guardaria o túmulo do impe rador. espelhos d e bronze. Exército de esculturas Outra medida adotada por Huangdi foi o recrutamento de camponeses para trabalhar em na construção de obras públicas. Isso ocorreu quando Wu Ti. foram feitas algumas estátuas de cava los em tamanho natural.C. um imperador Han. teve nde crise política na china. Após alguns anos de serviço. 206 a. cujo prime iro trecho começou a ser construído durante o reinado desse imperador.C. um líder chamado Liu Bang tomou gurou a dinastia Han. administrar os recursos etc. Uma dessas obras foi a construção da famosa Grande Muralha.: Com a morte do imperador Huangdi. . esses trabalhadores teriam sido enterrados vivos por ordem do imp erador.

Dinastias Sui e Tang: reunificação e esplendor do império chinês . Por isso. Em todo caso. tornou inviável um contato mais estreit o entre eles. a Turquia. As revoltas camponesas contribuíram para o enfraquecimento do Império. ocorreram violentas revoltas camponesas que foram duramente r eprimidas. continuavam enfrentando condições ainda muito precárias de vida. Revoltas camponesas Apesar do desenvolvimento técnico. sabiam um da existência do outro. Wu ( no oeste) e Shu (no leste e no sul). mas sim uma fo rma de servidão. mas a eno rme distância. a Índia e até o Império romano. o que trouxe o fim do domínio dos Han. o aperfeiçoamento da produção de fe rro (com o qual faziam objetos como espadas e estribos) e a invenção do moinho movido a água. aliada a dificuldade de transporte da época. durante os dois primeiros séculos da Era Cristã. O caminho ficou conhecido como "A Rota da seda". Ao ser ampliada. escravos ou servos. a certeza é uma só: os camponeses viviam em condições mis eráveis e eram extremamente explorados pelos poderosos.Rota da seda A construção de outros trechos da Grande Muralha nessa mesma época ajudou a abrir um c aminho da china para o Ocidente. os camponeses. Entre esses avanços estavam a invenção do carrinho de mão (bastante útil para tra sportar cargas pesadas em caminhos estreitos e tortuosos). afirmando que não existia escravidão. Os dois impérios. O Império da China acabou se dividindo em três reinos: Wei (no norte). a escravidão por dívidas era comum na China durante a Dinastia Han. Segundo historiadores da corrente marxista. a Muralha acabou atravessando regiões mont anhosas e desertos (inclusive o famoso deserto de Gobi). a China conheceu um considerável aumento da população e uma séri e de avanços técnicos. Outros historiadores discordam. Poços profundos foram cavados para fornecer ág ua para as caravanas. Essa divisão em três reinos durou do ano 220 ao ano 265 da Era Cris tã. romano e chinês. que constituíam a imensa maioria d a população. Durante a Dinastia Han. usado pa ra moer cereais e na fundição de ferro e cobre. especialmente nos países que adotaram o regime socialista. A demanda por seda chinesa estava alta em mercados como a Pérsia.

por exemplo.C. podemos perceber que tal unidade foi criada e mantida muitas vezes c om o uso da força bruta. Por outro lado. Este conflito entre os turcos foi encorajado pelos chineses pois afastava deles a possibilidade de uma . na verdade. Por sua vez. recentemente reintegrada à República Popular da China. por exemplo. Por tudo isso. mas isto não aconteceu. tal unidade já foi destruída e reconstruída algumas v ezes. étnica e lingüístic a. é o mandarim. com a dinastia Qin. essa China dividida estava prestes a ser invadida pelos turcos. que é incompreensível para chineses de outras regiões. Shu (no Oeste) e Wu (no Leste). o grupo cazaque. ao ano 220 da nossa era. mais tarde. pois uma divisão política também ocorreu entre eles dando início. A minoria hui. a língua falada pelos habitantes é o cantonês. surgia. Mongólia. Uzbequistão e Cazaquistão (onde é maioria). ex-possessão britânica. a u ma guerra que opôs o Turquestão do oeste e o Turquestão do leste. no ano 581. um Estado unificado chinês. na história chinesa. Nem hoje nem no passado mais distante. que governou a China de 206 a. é de religião muçulmana. E como veremos. Unidade política ameaçada Em 221 a. consolidou ess a unificação. pela primeira vez. o governo chinês reconhece a existência de pouco mais de cinqüenta grupos. comparti lha mais laços culturais com os turcos do que com os han.A China atual é um país continental marcado pela diversidade cultural. um dos vários diale tos falados no país e cujo ensino é obrigatório em todas as suas províncias. que proíbe o consumo da carne de po rco. Tal unidade política não resistiu e o país se dividiu em três reinos independentes: Wei (no Norte). Ela jamais conseguiu se integrar inteiramente ao res to da população e costuma estar envolvida em revoltas separatistas. Entre eles. Um exemplo disso é chamarmos de língua chinesa o que. A dinastia seguinte. a principal iguaria da cozinha chinesa. podemos concluir que não é fácil para um governo (não importa qual seja o regime) manter a unidade política em um território tão vasto quanto o da China. a etnia dominante no país. É encontrado em partes d a China e também na Rússia. p odemos destacar as etnias hui e cazaque. O turista estrangeiro que visitar os rincões da China encontrará diversas minorias étn icas. os Han..C. Em Hong-kong. Atualmente. No ano 552.

Assim. que ligava os dois principais rios da China. encontrando um país arrasado pela guerra ordenou o corte de gastos com "mordomias". Esse arroz era estocado em armazéns públicos. e tentou melhorar as condições de vida dos camponeses. que eram paupérrimos. cujo objetivo era garantir uma reserva em períodos de escassez e também para evitar o aumento exagerado dos preços. cujo nome era Wendi. o que sign ificava menos comida no país. no ano 589. Após muitas batalhas. semelhante aos senhores feudais da Europa medieval. Tais medidas não agradaram certos nobres que logo tramaram e assassinaram o primei ro imperador Sui. finalmente. Yangdi. foram os camponeses que passaram a ser ainda mais explorados. o segundo imperador Sui aumentou os gastos com "mordomias" e obras "faraôni cas" beneficiando a nobreza que o havia colocado no trono. Dinastia Sui Wendi. Cada um era controlado por uma elite guerreira e proprietária de terras. substituíram-no por seu filho. a sua construção significou grandes sac rifícios para o povo chinês: milhares de camponeses foram convocados para trabalhar na obra e vários deles morreram enquanto realizavam a tarefa. cada homem convocado representou braços a menos para trabalhar nos campos. na bacia do rio Amarelo: Chang'an. preferia gastar a economizar. o primeiro imperador Sui. Não bastasse isso. que beneficiavam apenas os membros da nobreza. dando início à dinastia Sui (589-618). a leste. a oeste. Ela facilitou o transporte do imposto p ago em arroz até as duas capitais do país na época. Em seguida. desse aumento nos g astos. e Luoyang. os três reinos chineses começaram a lutar entre si. que diferente do pai. a famosa inflação. O Grande Canal A obra mais importante construída durante o governo do segundo imperador Sui foi o Grande Canal.invasão. Conseqüentemente houve queda na produção agrícola. Livres deste perigo. Apesar da importância econômica do Grande Canal. um desses nobres. conheci da até os dias de hoje. E quem pagou a conta. . saiu vitorioso e reunificou a China.

Li Shimin (também se escreve Li Shih-Min). dando início à dinastia Tang (618-907). foi quem encorajou o pai a reb elar-se. numa das capitais do império. que se localizava no oeste. . O início da Dinastia Tang Pouco antes do assassinato de Yangdi. Os coreanos ofereceram forte resistência enquanto defendiam as muradas de sua s cidades. O exército chinês foi arrasado na série de guerras travadas contra o reino coreano. uma novidade na época. Na primeira vez. As outras três tentativas de conquistar o reino coreano também fracassaram. Es tima-se que as baixas chinesas superaram a marca de dois milhões. tanto em dinheiro quanto em vidas humanas. um general rebelde chamado Li Yuan. ela estava dividida em três rei nos independentes e o imperador chinês tentou quatro vezes conquistar um deles. contribuiu para o fim da dinastia Sui. no ano de 618.Invasões à Coréia O imperador também pretendia que o Grande Canal fosse um instrumento para sua políti ca expansionista e a vizinha Coréia foi um dos primeiros alvos. o segundo. chamado Goguryeo. E fora das muradas.à custa dos impostos pagos pelos mais pobres. ele reuniu os membros da nobreza guerreira e os enviou à Coréia num a tentativa malsucedida de invadir e dominar o reino de Goguryeo. apenas duas mil e setecentas retornaram. Li Yuan governava uma província e era leal ao imperador. O alto custo dessas derrotas militares. O imperador se tornou cada vez mais impopular e. Na época. Antes de se rebelar. Outros fatores que contribuíram para a sua queda foram as invasões de nômades turcos no território chinês e os excessivos gastos com luxos no palácio . os soldados chineses também eram derrotados por dois inimigos: a fome e o frio. As forças chinesas sofreram derrotas em terra e no mar. Esse general também "homenageou" Yangdi concedendo-lhe o título de "imperador aposentado". acabou sendo ass assinado por seus próprios ministros. Daxing. Quando as notícias sobre a morte de Yangdi chegaram Li Yuan depôs o neto do imperador e coloco u a si mesmo no trono. Tais m edidas só foram reconhecidas nos territórios controlados por ele. Um d e seus filhos. e conseguiram repelir a marinha chines a. Das 305 mil tropas enviadas para lutar na Coréia. Uma das razões para a vitória coreana foi a sua superioridade na engenharia naval: o s seus navios eram encouraçados de metal. proclamou imperador um dos netos do monarca.

considerava-se o herdeiro do trono por direito). O critério de seleção baseava-se apenas no desempenho do candidato na pr ova. Um imperador mestiço O segundo imperador Tang era de origem chinesa. ao assumi-lo. entre outras. rompendo com algumas das antigas tradições chinesas. Por isso. se diz que a China do período era uma meritocracia. o governo tomou medidas que contribuíram bastante pa ra o desenvolvimento da China. adotou um novo nome: Taizong (também se escreve Tai-Zung). . para conspirar contra o irmão. por p arte da mãe. também abrigava comunidades de origens indiana. Tang Taizong significa nada menos que "segundo imperador da dinastia T ang". ou seja. e turca. nomeando oficiais turcos e utilizou esse exército contra os próprios reinos turcos. Portanto. Então ele instituiu concursos públicos. A conspiração fracassou e ambos acabaram mo rtos numa emboscada preparada pelo irmão que pretendiam eliminar. uniu-se a outro irmão. sentindo-se p reterido (que por ser o primogênito. nos quais os candidatos que apresentassem melhor desempenho na s provas eram selecionados. Taizong incorporou várias tropas turcas ao exército chinês. apoio popular). o imperador precisava de funcionários públicos qualificados. Li Shimin era o mais ambicios o e o que mais demonstrava talento para a política. que significa "segundo imperad or de uma dinastia". assim.Dentre todos os filhos do primeiro imperador Tang. o primeiro imperador Tang abdicou do trono em favor de Li Shimin que .O império dos Tang era multicultural: além de turcos e chineses. persa e árabe. O irmão mais velho. No ano 626. independente de sua origem social. Para administrar o país. Li Jiancheng. um regime em que as pessoas conquistam cargos com base no mérito e não por "apadrinh amento". Li Shimin tomou como espos a a viúva do irmão mais novo. Esse fator contribuiu para que a dinastia Tang fosse caracterizada pela mescla de elementos das duas culturas e fosse mais aberta para inovações. Li Yuanji. Reforma agrária e concursos públicos Durante o reinado de Taizong. o quarto filho de Li Yuan. por parte do pai. Uma delas foi a reforma agrária: o imperador desapropriou as terras que pertenciam aos seus inimigos (era uma forma de evitar que os nobres se rebelassem contra o imperador )e as dividiu entre os camponeses que nela trabalhavam (conquistando.

a China teve suas fronteiras ampliada s e o comércio se expandiu. O final da dinastia Tang foi conturbado. um número excepcional para a época. Wu Hou escapou desse destino porque seus atributos teriam impressionado o filho de Taizong. de 690 a 705.A imperatriz A política de Taizong foi continuada por seus sucessores. Uma das conseqüências do desenvolvimento econômico foi o extraordinário aumento da popul ação. marcado por uma série de crises. a população da China já havia ultrapassado a faixa dos 50 milhões. as mulheres. os camponeses pagavam impos . Durante o reinado de Taizong. quando morreu. não ape as na capital. a única mulher a ser reconhecida oficialmente como imperatriz da China. inventado por um monge budista chinês. Muitas delas eram enviadas para algum convento budista. no ano 732. Ela governou ao lado de Gaozong de 670 a 683 e. Segundo o primeiro censo. Chang'an. os chamados monges copistas tinham que transcreve r manualmente livros antigos para se obter novas cópias. realizado em 754. Outras invenções que marcaram o período foram a bússola e a técnica de imprimir livros. Quando um imperador chinês morria. geralmente próxi mo ao túmulo do imperador. O seu sucessor foi o seu filho. a China conheceu uma fase de grande prosperidade e prog resso técnico e material. que faziam parte do harém. No entanto. na China já era possível imprimir vários exemplares de um mesmo livro. onde tinham as suas cabeças raspadas e passavam o tempo rezando pela al ma do morto para que ele fosse feliz em sua próxima reencarnação. que havia sido uma das concub inas de Li Shimin. Fase de prosperidade Durante a dinastia Tang. eram obri gadas a viver reclusas. o imperador Gaozong. Essa mesma técnica de impressão permitiu que as provas para os concursos públicos chin eses da época fossem impressas. Entre as inovações que marcaram o período está o aparecimento do primeiro relógi o mecânico. Durante a dinastia Tang. En quanto na Europa. Wu Hou. O período também foi marcado pela fundação de várias escolas de medicina. dentre os quais. favorecido pela melhoria nas condições de vida da maioria dos habitantes. mas também nas províncias. essa prosperidade não durou para sempre. Zhongzong. nos mosteiros católicos. sozinha.

ele começou a confiscar todos os objetos de metal dos templos budistas para derretê-los e cunhar novas moedas. essa rebelião enfraqueceu o exército chinês e contribuiu para o declínio da dinastia Tang. e ssas medidas antibudistas só conseguiram ser cumpridas em algumas regiões. O governo colocou a culpa nos templos budistas que usavam bronze e outros metais para construir seus sinos e estátuas. O governo se apropriou das terras onde estavam vários mosteiros budistas. teve início uma longa guerra civil que levou ao esfacelamento do país em vários reinos menores. Tal exigência era impossível de s er cumprida pela maioria dos camponeses e. Apesar de de rrotada. 907-960.a dos Song (960-1279). Devido à extensão da China. Os Song conse guiram reunificar a maior parte da China. exceto a parte norte que estava sendo governada por um pov o mongol. Mas ess a já é uma outra . Naquela época. Alguns f oram destruídos enquanto outros foram transformados em edifícios públicos. Durante esta dinastia. que estava enfraquecendo o país. A partir do ano 902. O responsável por is to foi o general Zhao Kuangyin que deu início a uma nova dinastia . A China voltou a ser reunificada somente a partir do ano 960. A decadência da dinastia Tang Outros problemas assolaram o país: uma grande seca e uma praga de gafanhotos troux eram a fome e provocaram uma série de revoltas camponesas. também conhecido como período dos dez reinos. quando vár ios camponeses famintos saquearam as duas capitais. Em 906. eles conti nuaram praticando sua religião nos templos e mosteiros. Falta de metal era igual a falta de dinheir o. o dinheiro era todo na forma de metal. o governo passou a exigir que os impostos fossem pagos em dinheiro. o general Zhu Wen depôs o último imperador Tang e deu início ao período das cinco dinastias.tos em espécie (entregando parte do arroz que plantavam) ou na forma de trabalho. Em meados do século 9. por isso. Nas outras. a partir de 780. Uma delas ocorreu no século 9. Chang'an e Luoyang. Outra medida foi baixar um decreto que acusava o budismo de ser uma religião estrangeira (surgiu onde hoje é o Nepal). a China se tornará pioneira no uso do papel-moeda e no da pólvora. muitos deles perderam suas terras. Perseguição aos budistas Outro problema que surgiu foi a escassez de cobre e outros metais para cunhar mo edas. mas.

*Túlio Vilela. é professor da rede pública do Estado de São Paulo e um dos autores de "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula" (Editora Context o). formado em história pela USP.história. .

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