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Noções de Direito Processual Penal

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NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL
INQUÉRITO POLICIAL Notitia criminis
O Inquérito Policial comporta dois ângulos de interpretação, duas modalidades conceituais: uma de caráter formal e outra de caráter material. Assim também pensa Câmara Leal, quando diz: "Em sentido material, inquérito policial é o conjunto de atos, ordenados e disciplinados por lei, que constituem, em cada caso criminal, a seqüência de atividade policial nas diligências que lhe competem. Em sentido formal, o inquérito policial é a peça processual que contém e autentica, em forma legal, os atos e diligências policiais, relativos a determinado caso criminal". É o Inquérito policial, uma peça preliminar ou preparatória da ação penal, na medida em que colhe elementos informativos necessários para a instrução criminal judiciária. É uma escrita, porque todos seus termos e atos são datilografados. É também, uma peça investigatória, porque se destina a fazer investigações sobre o fato criminoso e sua autoria. O inquérito policial deve obedecer certa ordem, mas não tem rito predeterminado. É inquisitivo, havendo certa discricionariedade da autoridade policial não obedece ao princípio do contraditório, e não havendo acusação formal, não há prejuízo para a defesa. Nada mais é, então, o inquérito policial, do que à formalização da atividade da polícia judiciária, quando investiga o fato delituoso e a sua autoria, demonstrando os passos dados na busca da completa clareza do ocorrido. Não se sujeita ao princípio da publicidade, ao contrário, segundo o art. 20 da CPP "a autoridade assegurará no Inquérito Policial o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pela sociedade". Porém, esse sigilo é relativo, não atingindo a pessoa do advogado do indiciado, tendo em vista o disposto no art. 89, VI, b, e XV, da Lei 4.215 de 27 de abril de 1963 (Estatuto da OAB). É posição firmada na jurisprudência o fato de ser o Inquérito Policial mera peça informativa e, por isso, discute-se seu valor probatório. Não se pode negar; no entanto, o valor de peças como o Auto de Prisão em Flagrante, os exames de locais, as perícias, etc., pois, pelo princípio da imediatidade e oportunidade, exigem urgência, sob pena de desaparecerem os vestígios e não poderem ser realizados na fase judicial. Não se pode falar em "nulidade", mas em "irregularidades", quando de falhas que possam ocorrer, ensejando, apenas, o relaxamento da prisão, não prejudicando a propositura da ação penal. A autoridade policial, tomando conhecimento da notitia criminis, deverá dar inicio às investigações. Essa notícia pode chegar de várias maneiras através da atividade rotineira; notícia veiculada pela imprensa, delação, etc. (notícia de cognição imediata);

pelo conhecimento através de requerimento da vítima (cognição mediata); ou, no caso de prisão em flagrante (cognição coercitiva), pois, neste caso, juntamente com a notitio criminis é apresentado, à autoridade, o autor do fato. Tomando conhecimento a autoridade, portanto, de que um delito foi praticado, iniciará as diligências. E o fará através da instauração do Inquérito Policial. O Inquérito Policial também é chamado de procedimento apuratório; procedimento investigatório; investigação policial; procedimento inquisitorial, entre outros.

AÇÃO PENAL - Espécies
O estado é detentor do jus puniendi, (direito de punir) sempre que alguém lesa um direito individual de outro ou da sociedade. O poder dever do Estado de punir aqueles que se desviam da conduta normal, infringindo as leis, não é ilimitado, pois limita-se ao direito objetivo, a lei. Além do mais, para exercitar esse direito-dever limitado, o Estado tem que submeter-se ao devido processo legal. A ação penal e resultado das garantias individuais, em razão de que ninguém pode ser condenado a uma sanção penal a não ser por uma sentença judiciária. O pressuposto da ação penal sempre será a existência de um litígio, ou a pretensão não satisfeita resultante da prática de um delito. A natureza, jurídica da ação penal em nada. difere da ação civil, apenas muda o seu conteúdo. O direito de ação está disciplinado no Código Penal , nos arts. 100 a 106 (da ação penal), e o exercício desse direito está regulado no Código de Processo Penal, nos arts. 24 a 62 (da ação penal). O fundamento constitucional do direito de ação se acha no art. 5º, LIV, onde regra que a lei não poderá excluir da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão de direito. A ação penal é o direito de se pleitear a tutela jurisdicional, ou o "direito de se pedir ao - Estado-juiz a aplicação do direito penal objetivo" (Noronha, E. Magalhães, Curso de Processo Penal, São Paulo, Saraiva, 1979, v. 1, p. 299). A ação penal é o exercício do direito de jurisdição, que se consubstancia junto aos órgãos de Justiça Criminal, ou, ainda, "o direito de invocar-se o poder judiciário para aplicar o direito penal objetivo" (Marques, José Frederico. Elementos de direito processual penal, Rio de Janeiro, Forense, v. 1, P. 307). ESPÉCIES DE AÇÃO Várias são as classificações da ação penal: I - Quanto ao conteúdo dividem-se em: ações de conhecimento (declaratória, constitutiva e condenatória); as ações cautelares; e ações executivas. 1 - Ação penal de conhecimento é aquela que instaura um processo de conhecimento do mérito, concluído numa decisão sobre a situação jurídica definida no direito penal. As ações de conhecimento podem ser:

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1979. em certas ocasiões. 100. interdição de direitos. quando versarem sobre um direito pessoal. ou condicionada. Beanho. caput. quando necessárias (art. A representação e. 3 .Ações de execução.: execução da pena de multa. do CP) e será iniciada por meio de denúncia (art. são aquelas que visam assegurar ou resguardar. 24 do CPP). 100. será pública. tem por objetivo uma sentença de condenação.: habeas corpus. 100 do CPP). Já a ação penal privada subdivide-se em principal (art. A ação penal pública pode ser incondicionada. v. Alberto Silva. Luiz Carlos. A denúncia deve ser oferecida em cinco dias. 41 do CPP). Código Penal e sua interpretação jurisprudencial. quando visam a declaração da existência ou não de um direito violado. a cominação legal e o rol de testemunhas.: arresto. 100. 1. Revista dos Tribunais.Segundo o titular do direito de agir. seqüestro. e. extinguir ou . 100. caput.modificar um direito. § 1º do CP). do CPP). quando basta a ocorrência do ilícito penal para que a autoridade policial instaure o competente inquérito policial que servirá de base para a proposição da ação penal pelo Ministério Público. quando destinadas a criar. pois. pedido de homologação de sentença estrangeira.: Reabilitação. Ex. quando depende de representação do ofendido ou seu representante legal. § 1º do CP).Ação penal pública Na ação penal pública. o interesse do ofendido sobrepõe- 4 .NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL a) Declaratórias. Justifica-se essa condição pelo fato de que. Sebastião Oscar. Ex.: Prisão preventiva. Ex. extinção da punibilidade. fiança. estando o indiciado preso. suas circunstâncias. 2 . Ex. somente o Promotor de Justiça pode pedir a providencia jurisdicional de aplicação da lei penal. § 2º) e subsidiaria (art. "a manifestação de vontade do ofendido ou do sou representante legal no sentido de autorizar o Ministério Público a desencadear a persecução penal" -(Franco. isto é. 46. a qualificação do acusado ou esclarecimentos suficientes para sua identificação. extradição. EX. c) Condenatórias. ou da requisição do Ministro da Justiça (art. condicionada ou incondicionada. pois sem ela o Ministério Público não pode oferecer denúncia. b) Reais. Representação do ofendido A ação penal pública pode estar condicionada à representação do ofendido ou seu representante legal. o detentor do jus occusotionis (direito de acusar) é o órgão do Ministério Público. São Paulo. Ex. § 3º). A ação penal em regra. II . estando solto ou afiançado o indiciado (art. § 1º). uma situação jurídica.: Ação por prática de crime. b) Constitutivas. I . quinze dias. Podem ser: a) Pessoais. os objetivos da ação penal. 100. 48). num pedido-autorização onde está expresso o desejo de que a ação seja instaurada. A primeira divide-se em penal pública incondicionada e ação penal pública condicionada (art. Feltrin. p. Quanto à natureza jurídica a representação e tida como condição de procedibilidade da ação penal pública. em. exercendo a denominada pretensão (art. 100. são destinadas a dar cumprimento ao que foi solucionado no Processo. salvo se a lei expressamente declarar em contrario (art.Ações cautelares. segundo a doutrina. o reconhecimento de uma pretensão punitiva. que derivam de direitos reais sobre coisas. contados da data que o órgão do Ministério Público recebe os autos do inquérito policial. Tomo 2. através de medidas urgentes. as ações condenatórias são divididas em ação penal pública e ação penal privada (art. que se constitui. que deverá contar a exposição do fato criminoso.

não perde a condição de dominus litis (detentor da ação). pois. quando for o caso de ação penal pública condicionada. e condição de procedibilidade. assim. A exigência de requisição em certos delitos. sendo a vítima menor de 18 anos. A iniciativa da ação penal privada. quando a seu juízo.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL se ao interesse do Estado na repressão do fato criminoso. enquanto que a queixa é oferecida pelo procurador do ofendido. jurisdição é o poder do conhecer e decidir com autoridade dos negócios e contendas. como garantia individual. o direito à representação passa ao cônjuge. V.. § 3º. a reparação do crime causar-lhe males maiores do que os derivados do próprio crime. É possível. que possibilita o exercício facultativo da ação penal pelo seu titular. discricionário e irrevogável. quando não há indícios de quem seja o autor do fato criminoso. visto que há a faculdade de renuncia pelo ofendido e o perdão. A requisição não obedece a prazo decadencial. Aqui o jus accusationis (direito de acusar) é transferido do Estado para o particular cabendo a este o direito de agir. 5º. descendente ou irmão (art. nome e qualidade da vítima. quando ele. não a apresenta. poderá retomar a ação como parte principal. em seu art. com poderes especiais para representa-lo. 43 do CPP). jurisdição militar. casos em que pronunciar-se-á pelo arquivamento do inquérito policial ou das peças de informação. em jurisdição policial. não requer diligências. que são causas extintivas da punibilidade do réu (art. Porém.Ação penal privada A ação penal privada e promovida mediante queixa do ofendido ou de seu representante legal (art. Neste tipo de ação vige o princípio da oportunidade. LIX. no prazo de seis meses. 30 do CPP). obedece a razões de ordem política.. Como dominos litis. como detentor da ação penal. Revistas dos Tribunais. nomeado pelo juiz. 2 . Este tipo de ação esta previsto na Carta Magna. ou seja. b) A ação penal privada subsidiária da pública esta prevista no art. Somente se diferenciam pela pessoa que oferece. do CPP) JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA 5 . O Ministério Público. no prazo que lhe é concedido para oferecer denúncia. jurisdição administrativa. tutor. pela vítima. Processo Penal. geralmente com a expressão só se procede mediante queixa". regulando-se somente pelas demais causas de extinção de punibilidade. justifica-se pelo fato de que a repressão interessa muito mais ao ofendido do que ao Estado.. Há duas espécies de ação privada: a exclusiva ou principal e a subsidiária da ação pública. e irretratável. pode o ofendido ou seu representante legal renovar a representação.etc. o Ministério Público pode não oferecer a denúncia nos casos de representação. Na lei objetiva vai dizer "proceder-se mediante representação quando for requisição do Ministro da Justiça. facultando a vítima o oferecimento da peça acusatória. (Art. segundo posição dominante na doutrina. devendo conter elementos que possibilitem as circunstâncias. segundo dispõe o art. intervir em todos os termos do processo e no caso de negligência do querelante. nome e qualificação do autor etc. não obriga o órgão do Ministério Público a propositura da ação. 7º. Mesmo depois de retratar-se. não e exigida. A jurisprudência entende que. ascendente. visto que pelo fato de ser ação condicionada à representação. 41 do CPP) sob pena de rejeição (art. 1975. Esse prazo é decadencial. a retratação da retratação. a representação poderá ser feita por curador especial. que surge dos diversos círculos de relações da vida social. É permitida a representação pela vítima e por seu representante legal. pela qual se instaura a ação penal. tios. A queixa e a peça equivalente a denúncia. parágrafo único. basta o desejo do interessado em instaurar o procedimento criminal. Nela. tal qual a representação. Na lei objetiva vai dizer "proceder-se mediante representação". repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva. 102 do CP. etc. 18). exclusivamente. nem pede arquivamento. ou seja. enquanto que o jus puniendi (direito de punir) permanece sendo exclusivamente do Estado. Uma vez oferecida a denúncia. Requisição do Ministro da Justiça. Com a morte do ofendido. Ademais. 33 do CPP. cabe ao Ministério Público aditar a queixa. o direito de representação pode ser exercido pelo pai. ato administrativo. ambos do CP). falando-se. pois a denúncia e oferecida. conforme dispõe o art. 24 do CPP). devendo conter na sua formal os mesmos requisitos desta. irmãos. Não tendo o ofendido representante legal. A requisição. contados do dia que a vítima tomou conhecimento de quem era o autor do ato criminoso. curador . a representação é irretratável. p. do CP). o ofendido ou seu representante legal denomina-se querelante e o réu querelado. neste caso. A requisição. 145. 2º do CPF e só terá lugar no caso de inércia do órgão do Ministério Público. pode incluir na denúncia os co-autores e partícipes não arrolados pela vítima. mãe. Jurisdição Em sentido amplo. forma especial. A representação não exige forma especial. Admitida a ação privada subsidiária. pode. Vicente de. a) A ação de iniciativa privada exclusiva somente poderá ser proposta pelo ofendido ou por seu representante legal. A requisição do Ministro da Justiça e um. (art. pelo princípio da indivisibilidade. obedece ao princípio da disponibilidade. 2º. 107. e art. ação e jurisdição. pelo membro do Ministério Público. (Azevedo. porém pode retratar-se da representação feita se o Ministério Público ainda não ofereceu a denúncia. desde que devidamente fundamentada. (art. Arrola-se na parte especial do Código Penal quais os delitos que a admitem. jurisdição eclesiástica.

quando sua competência é restrita a certos casos. Nos territórios federais. na forma da lei (CF. "a função estatal de aplicar as normas da ordem jurídica em relação a uma pretensão" (Marques. as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado. outro órgão esta investido no poder de julgar. Elementos da jurisdição A jurisdição compõe-se de certos elementos. ou. 5) Quanto à função. é automática. 53). art. de acordo com o aspecto que esta é examinada. e graciosa ou voluntária. Jurisdição é a propriedade que tem o Poder Judiciário de prolatar concretamente a aplicação do direito objetivo. sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal. chegando alguns doutrinadores a dizer que neste caso não há propriamente jurisdição. 4) Quanto ao objeto. p. que dispõem sobre os órgãos julgadores. 110.é o poder de conhecer uma causa e decidi-la 2º) vocatio (chamamento) . Não faz sentido transferir o processo julgamento para a Capital ou comarca distante.é o poder de convocar a comparecer em juízo todo aquele cuja presença for necessária ao esclarecimento do caso sub judice. ou limitada. dictionis (ação de dizer. civil. 2) Quanto matéria a ser. eleitoral. não ultrapassa os limites impostos por lei". e princípio criador. militar ou trabalhista. e aquela o grau de jurisdição. Os juízes. diz respeito ao poder em si. quando por exceção. respeitando a organização judiciária de cada Estado. e federal. quando juiz tem competência para julgar todos os casos. Forense. se exercida por juízes estaduais. formada por comarcas. e. 4º) judicio (julgamento) . pode ser ordinária ou comum. 3º ed. o poder de dizer o direito. tem jurisdição.trata-se da possibilidade de aplicação de medidas da coação processual para que haja respeito e garantia da função jurisdicional. pode ser penal. Rio-São Paulo. com mais propriedade e rapidez. em que há litígio. pode ser estadual. Jurisdição é força. Competência e simples possibilidade. a lei poderá permitir que outras causas sejam também processadas e julgadas pela Justiça estadual" (CF. se verificada essa condição. concernente aos órgãos da Justiça comum. 1987. Isto se justifica porque muitas delas coincidem com o próprio . Curso completo de processo penal. V. 6 . a jurisdição pode ser inferior. IV). qualidade daquilo que não contradiz. de 10. 3º) coertio (coerção) . de dizer o direito em concreto. Já que não existe julgamento. 6) quanto a competência. destinada a julgar a maioria das ações. 1961. especial ou extraordinária. 180). juris (direito) e de dictio. integrada pelos tribunais. ou ações. ou seja. e superior. a palavra jurisdição vem de jurisdiction formada de jus. art. jurisdição é o poder das autoridades judiciárias.079.consiste no poder de julgar e pronunciar o direito no caso concreto. quando há consenso das partes. quando podem ser julgadas. 3) Quanto ao organismo. a jurisdição é determinada pelas leis de organização judiciária estadual. no foro do domicilio dos segurados ou beneficiários. 5º) executio (execução) funda-se no cumprimento da sentença que no direito penal. a faculdade de julgar. parágrafo único). 108. pronúncia). e de regular o andamento do processo. que corresponde a 1ª instância. e virtude. José Frederico Elementos de Direito Processual Penal.interesse do município. O mestre Hélio Tornaghi ressalta que "o conceito de jurisdição é ontológico. algo positivo. a idéia de ação de dizer o direito. a jurisdição e as atribuições cometidas aos juízes federais caberão aos juízes da justiça local.1950). § 3º). (Nogueira. Paulo Lúcio. art. 109. como ocorre nas cidades onde há diversas varas. ao poder de julgar. Também as contravenções estão excluídas da competência da Justiça Federal de 1ª instância (CF. assim. São Paulo. O conceito de competência é metodológico. "Serão processadas e julgadas na justiça estadual. a jurisdição pode ser contenciosa. quando julga as causas de interesse da União. 1.04. como o Senado nos crimes de responsabilidade dos presidentes e dos ministros (Lei nº 1.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL Em sentido estrito. Estes elementos são em número de cinco: 1º) notio (conhecimento) . Saraiva. 1) Quanto à categoria. Etimologicamente. p. Como as contravenções contra a fauna e flora. atos processuais que devem ser praticados para que se chegue à decisão ou sentença. de acordo com a natureza da causa. Surge dai a distinção de instância e entrância. sendo esta a categoria da comarca. tratada. pela Justiça local. por serem juízes. constituindo a maioria das causas.. Doutrinariamente costuma-se apresentar divisões e formas da jurisdição. regularmente investidas no cargo. podendo ser plena.

que tais princípios são imprescindíveis à regularidade processual.consumou a infração. mas serão julgados e processados no foro competente da Justiça Federal. visto que não pode haver julgamento extra ou ultra petita. Em razão disso e vedada a delegação. Deve ser mantida a correspondência entre a sentença e o pedido. de acordo com as determinações legais.. Previsto no Art. ou outras exceções legais (art. 5º XXXV). mesmo havendo concordância das partes. 70. assim. As partes estão sujeitas ao juiz que o Estado lhes deu e que não pode ser recusado. Solucionada esta 7 . do CPP). 5) Princípio da indeclinabilidade.: juiz aposentado perde a jurisdição. o juiz natural dos crimes dolosos contra a vida e o Júri Popular. podem ocorrer em outras cidades. que é fixada pela Constituição Federal e as leis. Em regra.) 8) Princípio da relatividade. é preciso fixá-la em razão da natureza da infração ("rations matériae") se é da Justiça Especial (Militar. em seu art. O Código de Processo Penal. art. caput. visto que o juiz deve colocar-se acima das demais partes. CF. conforme dispõe o art. Ex. 3) Princípio da imparcialidade do juiz. O foro competente para julgar será a Justiça Federal. 6º. Esta limitação do poder jurisdicional é chamada de competência. entre outras. dentre muitos com iguais atribuições ou da mesma categoria. LVII). garantida a mais ampla defesa. Não permite que o crime da competência de um juiz seja julgado por outro. O juiz só é competente dentro de seu território. CF). isto é. que fundamentam e garantem os direitos individuais. simplesmente. Esta regra sofre exceções. Determinada a competência pelo lugar da infração ou. de Porto Alegre. 5º. incompetência. isto é. 2) Princípio da investidura determina que a jurisdição só pode ser exercida por quem tenha sido regularmente investido no cargo e esteja em exercício. "Ninguém será considerado culpado até o transito em julgado de sentença penal condenatória" (art."Ratione materiae". 1) Lugar da infração . a lei e o Estado. a não ser em casos de suspensão. Competência Estando. constituindo-se em foro subsidiário. surgem certos princípios fundamentais à atividade jurisdicional. Somente será incidente quando não conhecido o lugar da infração. é necessário que haja uma limitação desse poder. O poder de conhecer a questão caberá unicamente a determinado ou determinados juízes. ou seja. 5º e incisos. como no caso dos crimes de competência da Justiça Federal . a usurpação de função constitui crime (CP. inclusive de organização judiciária. Por exemplo: delito. o juízo (o órgão) competente. extensão territorial e número de litígios. Não pode excusar-se de proferir decisão. a competência é determinada "pelo lugar em que foi praticado o último ato de execução" (2º parte do art. Trata da impossibilidade do juiz agir sem a provocação das partes. como garantia da ampla defesa. impedimento. Trata-se de hipótese prevista no art. ou seja. Eleitoral. Nenhuma pena pode ser imposta senão por meio de processo regular. "Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente". aplicando a norma adequada a cada caso. etc. 2) Domicilio ou residência do réu. o lugar da infração deve ser entendido o local onde o agente . Não haverá juízo ou tribunal de exceção. No caso de tentativa. pelo domicílio ou residência do réu ("rations loci"). fora ou além do pedido. sem distinção de qualquer natureza (art. 70. de competência da Justiça Federal. suas ações para conseguir o objetivo desejado. o Poder Judiciário. Verifica-se. art. 1) Princípio do juiz natural (constitucional) . consumado em Novo Hamburgo. do CPP.Em razão de postulados constitucionais vigentes.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL Princípios da jurisdição Corolário das garantias para a aplicação da lei.centralizada nas capitais e determinadas cidades do interior os delitos de sua competência. onde esgotou sua atividade criminosa. o que é uma decorrência da indeclinabilidade. 4) Princípio da iniciativa das partes ("ne precedat judex ex officio").) ou da Justiça Comum (federal ou Estadual). 7) Princípio da inevitabilidade (ou da irrecusabilidade). 6) Princípio da improrrogabilidade. assegurada a ampla defesa (art. 328). 8) Princípio da processualidade ("nulla poena sine iudicio"). mesmo o juiz federal só tem competência dentro do seu território. Impede o juiz de subtrair-se ao exercício de sua função jurisdicional. Ninguém pode ser julgado a não ser por juiz ou tribunal competente."Ratione loci". Impossível haver relação processual valida se não houver juiz imparcial. pois a jurisdição não pode ser exercida ilimitadamente por qualquer juiz. em razão da sua jurisdição em circunscrição territorial onde ele exerce as suas funções. do CPP. do CPP. Com este critério não se busca o foro competente mas. ditado pelas leis de organização judiciária. comarca ou distrito. onde há interesse Público. mesmo na esfera penal. eventualmente. 74. "A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito" (CF. 95 e 252 e 254 do CPP.: o juiz natural para os crimes praticados por juízes e promotores e o tribunal de Justiça. 3) Natureza da infração . em vista da quantidade populacional. 72. fixou vários critérios para fixação da competência. Todos são iguais perante a Constituição. sob pena de nulidade. Ex. é de suma importância. 5º LIII. a exercer seu poder jurisdicional.

CP). evitando-se discrepância e contradições entre os julgados. um deles venha antecipando-se aos outros. Exemplo: se um deputado estadual praticar um crime em con- 8 . do CPP. da Justiça Comum Estadual. do CP). a conexão e a continência tem por finalidade a reconstrução unitária das provas a fim de que haja. do CPP. há dois resultados. como o são o lugar do crime. uma divisão de processos entre juízes igualmente competentes. a unidade de julgamento. Ocorre a conexão: (art. pois. 1. diversos assistentes de um jogo de futebol. 5) Conexão e Continência Nos artigos 76 a 82. 74 CP). com a distribuição o juízo fica prevento. A competência por distribuição. a) quando há concurso formal ou ideal de crimes (art. etc . atraindo para atribuição de um juiz ou juízo o crime que seria da atribuição de outro. ou por várias pessoas em concurso. d) quando por "aberratio delicti . praticam depredações no estádio. não são causas determinantes da fixação da competência. ocasionalmente reunidos. . quando uma pessoa constrange outra à escrever uma denunciação caluniosa (art.art. deverá ser a a regra da prevenção. Como exemplo citamos: agente comete um homicídio e um estupro contra a mesma vítima. com lesões corporais. infanticídio. etc. o foro competente será a comarca de Porto Alegre (local da infração). etc. do CPP) a) quando duas ou mais infrações houverem sido praticadas. no . do local onde se consumou no fato.. praticar algum ato que o torne competente para o processar excluindo os demais. do CPP). por várias pessoas reunidas. Verifica-se que o critério de distribuição está intimamente ligado ao da prevenção . O juízo de direito da 1ª Comarca será competente para o julgamento de todos os crimes (o furto simples tem a mesma pena da receptação dolosa). visto que este tem a pena mais grave. o Código de Processo penal. que tem competência ditada pela norma constitucional. se as penas forem iguais (art. Motivando a reunião em um processo e. a cada crime deva corresponder um processar é aconselhável que. a. concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou jurisdição cumulativo. por exemplo. destruição do cadáver para ocultar o homicídio. 339. 180. Por exemplo. em princípio. predominará a de maior graduação..desvio do crime . a ação será processada e julgada em uma das varas de acidente de trânsito (natureza da infração). consequentemente.). do CPP. 78. existir em dois ou mais juízes competentes para o julgamento do caso. c) no concurso de jurisdições de diversas categorias. na hipótese de haver vários juízes. através de único quadro de provas mais amplo e completo. por distribuição. II. 3) nos outros casos. além de atingir a pessoa que visou. 83. salvo a competência privativa do Tribunal do Júri para crimes dolosos contra a vida. b) quando se tratar de co-autoria: vários agentes e o mesmo delito. deve se buscar. ambos os crimes serão julgados pelo Tribunal do Júri. do CP). Haverá a fixação de competência por distribuição na hipótese de no lugar onde o processo deva ser instaurado. prevalecerá: 1) a do lugar da infração a qual for cominada pena mais grave (art. do CPP). O artigo 78. caso não tenham todos a competência plena (para todas as infrações). tiverem sido praticadas para facilitar ou ocultar as outras ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas. lesões a objetividades jurídicas diversas. Exemplo: três agentes em conluio praticam um crime. 78. Embora. Exemplificando: ocorrido um homicídio doloso só o Tribunal do Júri. Estas. o domicilio do réu.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL questão referente à competência do juízo. A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de organização judiciária. Exemplo: prática de incêndio para ocultar a prática de um furto. 76. 5º. por economia e maior segurança e coerência. ainda. Exemplo: agressões entre componentes de duas torcidas em um estádio de futebol. será competente o que tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa. contida no art. do CPP. haja um só processo nos casos de conexão e continência. Exemplo: quando o crime é consumado em quadrilha ou bando. b) ou. aborto e instigação ao suicídio. em regra. XXXVIII. mas motivos que determinam a sua alteração. por varias pessoas. como homicídio. Sendo delito de trânsito considerado matéria especial. porém. da CF.erro de execução . 73. ao mesmo tempo. pessoa lança uma pedra-contra uma vitrina e vai alcançar também um transeunte. Há dois crimes: um de dano e outro de lesão corporal (art. 2) quando ocorrem várias infrações prevalece a competência do lugar onde tiver ocorrido maior número. hipótese em que ela é determinada pela distribuição. 77. umas contra as outras. Observe-se o exemplo dado: um sujeito prática três furtos em uma cidade e vende os objetos materiais a receptador doloso de outra. embora diverso o tempo e o lugar. prevê as regras a serem observadas na determinação da conexão e continência: a) no concurso entre a competência do Tribunal do Júri e a de outro órgão da jurisdição singular prevalecerá a competência do Júri. c) quando duas ou mais infrações. 75. é uma repartição. d) quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstancias elementares influir na prova de outra infração. consumado em Porto Alegre.dá-se quando existirem dois ou mais juízes competentes e. ou seja. b) no concurso entre jurisdição da mesma categoria. II b. com base no art. Exemplo: furto e receptação em lugares diferentes. ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa. 146 e art. 70. Numa só ação. Ocorre a continência nos casos previstos nos incisos do art. é competente para processar e julgar o feito. fere um terceiro (art. 4) Distribuição Tal matéria esta contida no art. 78.ou seja.o sujeito quer atingir um bem jurídico e ofende outro da espécie diversa. do CPP. prevê normas sobre a competência por conexão e continência.o sujeito ativo. fora dos princípios anteriores. Exemplo: a prova do furto influi na prova da receptação (art. Por exemplo: ocorrido delito de trânsito. c) quando por "aberratio ictus" . do CPP. aquele competente em razão da natureza da infração. melhor conhecimento dos fatos e maior firmeza e Justiça nas decisões.. será competente o lugar onde se praticou o furto. praticando com ação única.

" 6) Prevenção Ocorrerá competência por prevenção no caso do art. 80 do CPP: "Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugares diferentes. Diz o art. e havendo acordo entre estes. CPP) é ditada pela função da pessoa. b Procurador-Geral da Republica. 102. tendo em vista a dignidade do cargo que exerce. isto é. um militar e outro comum. da CF. não se realizando. as pessoas que exercerem as funções arroladas no art. o Superior Tribunal de Justiça. haverá cisão dos processos. O Tribunal competente para julga-lo. 152. b) concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores (hoje. do CPP. comete crime.. Por exemplo. Exemplificando: prefeito municipal de Porto Alegre comete crime comum em São Paulo. neste caso. será o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou queixa. 461. da CF. quando pelo excessivo número de acusados e para não lhes prolongar a prisão provisória. as pessoas que exercerem as funções arroladas no art. a. Por outro lado. com foro especial por prerrogativa de função. sua intimação. o processo terá andamento quanto a ele. do CPP). mesmo que o local da consumação do crime tenha sido São Paulo. 80. ou seja. O foro competente para julgar ambos será o especial. cada defensor recusará os jurados que quiser. 83.dar-se-á a separação dos julgamentos. como nos casos de crime inafiançável. c) sobrevemiência de doença mental de um dos acusados. d) no concurso entre a jurisdição comum e a especial. do Código de Processo Penal. Por ocasião da intimação pessoal . Logo. Exemplo: havendo dois ou mais réus. já que em relação a ele ficará suspenso até que se restabeleça o "status quo" (art. 105. em primeiro lugar. se as recusas não coincidirem . concurso de agentes no furto cometido por um maior e outro menor inimputável. ocorrendo à hipótese do art. o Juiz reputar conveniente a separação. I. O Supremo tribunal Federal tem competência. d) no caso de co-réu foragido que não possa ser julgado a revelia. ocorrendo dois crimes em. as recusas dos jurados ficarão a cargo de um só defensor. e) outra exceção prevista é a do art.dos réus. a separação será facultativa. tomar conhecimento dela (prisão preventiva. 7) Prerrogativa da função A competência pela prerrogativa de função (art. a cisão do processo e obrigatória. da competência do Júri. 86 e 87. fica com a sua jurisdição preventa aquele que. haverá separação dos processos. será a Justiça Eleitoral competente para os dois. nos crimes comuns. prosseguindo-se somente no do réu que houver aceito o jurado. Este tipo de competência exclui a regra do foro pelo lugar da infração. haverá disjunção de julgamento. quando não houver coincidência na recusa de jurados pelos defensores. na área penal. Exemplo: A. ainda que o crime tenha sido praticado em outro estado. Juizado da Criança e da Adolescente). para processar e julgar. 102. estão previstas na Constituição Federal. A será julgado por primeiro e. ou. etc. O Supremo Tribunal Federal tem competência. quando B for intimado pessoalmente da sentença de pronúncia. I. originariamente. B se encontra foragido. Assim. prevalecerá esta. Na hipóteses anteriores.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL curso com um particular. originariamente. se houver conexão de um crime comum com um eleitoral. do CPP. Por exemplo: O Presidente da República. As mais destacadas hipóteses de competência pela prerrogativa de função. da CF. que e recusado pelo advogado de B . em concurso com B. Não havendo acordo. Os dispositivos constitucionais sobre prerrogativa de função alteraram os arts. concessão de fiança). conexão. particular. o Vice-Presidente. 84. Logo. quando vários juízes são cumulativamente competentes para conhecer e decidir a mesma causa. Por exemplo: A e B cometem em co-autoria um crime de homicídio. para processar e julgar. sempre que houver concurso de pessoas. originariamente as pessoas detentoras das funções arroladas no art. além de acrescentar hipóteses de competência da nova Corte. Como já foi exposto. a referentes ao Supremo Tribunal Federal e ao Supremo Tribunal de Justiça. b e c. salvo nos casos de: a) concurso entre a jurisdição comum e militar. ambos seção julgados pelo Tribunal de Justiça do Estado. do CPP. I b e c. isto é. Por exemplo. Quanto ao Superior Tribunal de Justiça compete processar e julgar. 9 . com relação a competência do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais de Apelação (de Justiça e de Alçada). na área penal. portanto. a competência por prerrogativa de função abrange também as pessoas que não gozam de foro especial. A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento. o julgamento de A não poderia ficar aguardando até a data da intimação de B.o advogado de A aceita o jurado Y. mas. com defensores diversos. ou por outro motivo relevante. o Tribunal de Justiça competente é o do estado da respectiva autoridade.

em regra. dentro do processo a existência de certos fatos. Entretanto. basta a simples notícia. as alegações das partes. e ser contraditória. 156. A finalidade da prova é formar a convicção do juiz sobre os elementos necessárias para sua decisão na causa. auxiliar do juiz. Para a abertura do competente inquérito policial nos crimes de ação pública. quando proveniente de um raciocínio ou de ter ouvido. enquanto o perito faz verificações sobre fatos presentes". peritos. deve o juiz criminal. Quanto ao sujeito. levando-se em conta que contem elementos importantes que não podem ser repetidos em juízo. se resultante da afirmação de ter visto. alem de não ser pessoa especializada. No saber de Paulo Heber de Morais . quando proveniente de uma confirmação. mesmo porque nenhuma sanção Ihes poderá ser imposta pelo seu não-cumprimento. vigorante no nosso processo penal (art. Não há limitação dos meios de prova. a quem alega (art. indireta.) e até pelo juiz. ela tem valor relativo. isto é. na duvida. documental. pois. do CPP). quanto ao sujeito e quanto a forma: Quanto ao objeto. 155 e 92). A prova constitui em atividade probatória. do conjunto de atos praticados pelas partes. ainda. 157). perícias. 10 . No processo penal todas as provas tem valor relativo. A prova. deve ser produzida na instrução processual. diferentemente do processo civil. etc. quanto ao objeto. o que consagra o princípio do in dubio pro reo. supre-lhe as insuficiências e não se confunde coma testemunha. obrigação de provar. material. isto é. se verificada por meio de documentos. Deverá tão somente.ESPÉCIES Conceito e considerações Provas são elementos produzidos pelas partes ou pelo próprio juiz. para averiguar a verdade e formar a convicção deste último. porque esta. na perícia. será: pessoal. das testemunhas ou por acareações. "e a prova destinada a levar ao juiz elementos instrutórios sobre normas técnicas e sobre fatos que dependam de conhecimento especial". convencendo-o da sua existência ou inexistência.e João Batista Lopez "o perito. deve haver absolvição. consiste-se de exames. para a condenação criminal.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL PROVA . sendo produzida perante o juiz que dirige o processar que forma sua convicção pelo princípio do livre convencimento fundamentado. etc. que comporta hierarquia de provas. etc. mas não se pode deixar de reconhecer que. não poderão ser consideradas como base para a decisão. por terceiros (testemunhas. havendo restrições apenas quando estiver em jogo o estado da pessoa. vistorias. Muitos negam o valor do inquérito como fase investigatória. não há para as partes. 158 a 184. ou seja. visando estabelecer. tornar aquele fato conhecido do julgador. se produzida através da oitiva das vítimas. portanto. indícios suficientes da materialidade e autoria. um risco ou prejuízo. por ciência própria ou por ouvir dizer real. etc. se resultante de uma afirmação pessoal. perícias. do CPP) Segundo José Frederico Marques. examina-las em conjunto não isoladamente. Como exames. que podem ser escritos públicos ou particulares e. ou seja. a prova se divide por três processos. quando não provadas. Quanto a forma. subdivide-se em: testemunhal. pode ser: direta. necessita-se de prova de certeza. ou a regra do ônus probandi compete ao autor da tese levantada. A obrigatoriedade da prova. Provas em espécie PERÍCIA (arts. visto que impera a autonomia. como toda a prova no processo penal. como nas vistorias. instrumentos do crime. para o oferecimento da denúncia. Classificação da prova Segundo Malatesta. deve limitar-se a depor sobre fatos pretéritos. no processo penal. que tem força de prejudicial (arts.

no todo ou parcialmente. sob pena de nulidade. 613:364. Art. em razão do princípio do contraditório. mesmo que não sejam peritos oficiais.As mesmas causas do impedimento aplicadas ao juiz no art. sem que o fato se constitua em nulidade a ser decretada. determina urgente feitura da perícia. 155. visto que é indispensável o exame de corpo de delito. § 1º. I). havendo acordo entre as partes. discussão. 162). que permaneceram atestando a prática do crime. A classificação da lesão e fator importante para determinar a sua gravidade. da conduta correspondente a cada crime. que deve conter o nome dos peritos e o objeto da perícia. Porém no caso de ação penal privada. Assim. A sumula 361 dispõe: "No processo penal e nulo o exame realizado por um só perito. na fase policial. a análise crítica dos fatos observado. 129. do que se submete ou adequa ao tipo. feita pela lei. mas o juiz poderá. a nomeação do perito caberá ao juízo deprecado. em regra. Alguns exames periciais exigem regras especiais para serem. isto é. tratando-se de peça técnica. O exame complementar não pode ser realizado antes de ter-se passado um mês da data do fato (RT. VII) . Havendo decisão denegatória do pedido de perícia cabe o recurso de apelação. é dispensável o exame interno quando a causa mortis for obvia. visto que em caso de perito oficial e suficiente um. stricto sensu. art. finalmente. No juízo penal. policial). O juiz não pode estar vinculado e aceitar passivamente as conclusões do perito. Entretanto nada impede que seja requerida pela parte. 605:321. e CP. . corpo de delito e "o conjunto dos elementos materiais e sensíveis do fato delituoso". no curso da instrução ou 11 . a perícia determinada pela autoridade policial. Laudo e a exposição detalhada da observação dos peritos e suas conclusões. não havendo intervenção das partes. 182). isto é. mas nada impede que sejam requeridas pelas partes ou determinadas de oficio pelo juiz. deve ser realizado após esse prazo. fato que tem tipicidade.. Lato sensu. Entretanto. Como já foi afirmado antes. sempre que a infração deixar vestígios. quando resulta de depoimentos testemunhais a respeito da materialidade do fato e de suas circunstancias. somente quanto ao estado das pessoas. Porém. O exame de incapacidade para ocupações habituais. nos casos de morte violenta. devem ser nomeados peritos particulares com conhecimento técnico do assunto. § 2º. Já na fase judicial. em aceitar ou rejeitar o laudo. Noutro sentido. Porém. 168). traçando-lhe os elementos integrantes . Efetivamente. O laudo divide-se em quatro partes: preâmbulo ou introdução. e o conjunto de vestígios materiais deixados pelo crime. a contar da data do crime (CPP. é indispensável à livre convicção do julgador já que lhe fornece preciosos elementos. O mestre Magalhães de Noronha nos informa que o exame de corpo de delito tem duas acepções: "numa é sinônimo de fato típico. graves e gravíssimas. Na fase inquisitorial a autoridade policial requisita as perícias aos peritos oficiais. a autopsia (necropsia ou necroscopia) tem que ser efetuada pelo menos seis horas depois do óbito (art. . na diligencia de apreensão". podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo. O princípio da imediatidade. do Código de Processo Penal. que contem as respostas dos peritos aos quesitos do juiz e das partes (ou da autoridade. sob pena de desaparecerem os vestígios e a apuração dos fatos resultar prejudicada. a nomeação dos peritos cabe ao magistrado. quando depende de inspeção ocular sobre os elementos sensíveis. serão observadas as restrições à prova estabelecidas na lei civil. por mais de trinta dias. 620:355). considerandose impedido o que tiver funcionado anteriormente. onde o juiz tem inteira liberdade de apreciação. visto que a lei penal contempla lesões leves. E inegável o valor do laudo pericial. esta súmula só e aplicável em se tratando de peritos particulares. No tocante a vinculação do juiz a perícia. no todo ou em parte (art. uma vez que. pelo qual não pode o juiz deixar o laudo. Em caso de realização de perícia por precatória. por ter ela força definitiva (RT. 177). e a narração minuciosa do que foi observado. cabendo-lhe fundamentar sua decisão. E admitida a realização de exames de dependência ao tóxico por médicos da confiança do juiz. 611:402). não menos certo e que o corpo de delito direto pode ser suprido pelo indireto. e requisitada pelo delegado. entretanto. existem dois sistemas: o vinculatório. 613:317). No nosso processo vigora o sistema liberatório. o qual nada mais e que a descrição. art. não ficando o magistrado adstrito ao laudo. a conclusão. 168.O exame de corpo de delito pode ser direto. Geralmente o requerimento das perícias é feito pela autoridade policial. direto ou indireto.. 156. o exame de corpo de delito e prova da existência do crime (fato típico). não tendo aparte direito de apresentar quesitos. que podem ser apuradas de plano ou necessitar exame complementar (art. e. poderá ser feita no juízo deprecante (art. "O exame de corpo do delito nos crimes que deixam vestígios e essencial. seção aplicadas aos peritos. Ou indireto. em razão do princípio do livre conhecimento. sendo realizada perícia. 254. pois não pode ser suprido pela confissão do acusado. e o liberatório. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer. pois trata-se de prova técnica: neste caso o magistrado estaria subjugado as conclusões do perito. que se produz através de prova testemunhal" (RT. poderão as partos formular quesitos. Caso não haja perito oficial. 69. é a autoridade policial quem determina a perícia na fase do inquérito policial (art.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL Em geral. TRANSCREVEMOS A SEGUIR OS ARTIGOS 158 A 184 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL TÍTULO VII DA PROVA CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. exposição. realizados.

(Redação dada pela Lei nº 8. pela evidência dos sinais de morte. Art. Parágrafo único. Os peritos registrarão. o que tudo constará do auto. 167. Os exames de corpo de delito e as outras perícias serão feitos por dois peritos oficiais. de 28.1994) Parágrafo único. 168.3. Nos crimes cometidos com destruição ou rompimento de obstáculo a subtração da coisa. ou a requerimento do Ministério Público. bastará o simples exame externo do cadáver. 171. os peritos terão presente o auto de corpo de delito. Art. Art.862. por haverem desaparecido os vestígios. Não sendo possível o exame de corpo de delito. será indispensável o exame de corpo de delito. por que meios e em que época presumem ter sido o fato praticado. em casos excepcionais. 173.1994) Art. a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos. Nas perícias de laboratório. (Redação dada pela Lei nº 8. de 28. Parágrafo único. as alterações do estado das coisas e discutirão. O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer hora.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL antes de proferir sentença. § 3o A falta de exame complementar poderá ser suprida pela prova testemunhal. Sempre que conveniente. 160. proceder-se-á a exame complementar por determinação da autoridade policial ou judiciária.862. CAPÍTULO II DO EXAME DO CORPO DE DELITO. de ofício. quando possível. Os cadáveres serão sempre fotografados na posição em que forem encontrados. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova. 159. no laudo.1994) § 2o Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo. Parágrafo único. O administrador de cemitério público ou particular indicará o lugar da sepultura. contado da data do crime. que possam ser úteis para a identificação do cadáver. serão arrecadados e autenticados todos os objetos encontrados. de 28. de ofício. proceder-se-á ao reconhecimento pelo Instituto de Identificação e Estatística ou repartição congênere ou pela inquirição de testemunhas. quando não houver infração penal que apurar. os peritos. a fim de suprirlhe a deficiência ou retificá-lo. sob pena de desobediência. ou por meio de escalada. 166. de 28. da qual se lavrará auto circunstanciado. bem como. 165. juntarão ao laudo do exame provas fotográficas. (Redação dada pela Lei nº 8. desenhos ou esquemas elucidativos. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração. Art. § 1o No exame complementar. Nos casos de morte violenta. podendo este prazo ser prorrogado. § 2o Se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito no art. indicarão com que instrumentos. desenhos ou esquemas. a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta. o que declararão no auto. Em qualquer caso. 157. não podendo supri-lo a confissão do acusado.1994) Art. todas as lesões externas e vestígios deixados no local do crime. E DAS PERÍCIAS EM GERAL Art. Art. a autoridade procederá às pesquisas necessárias. no relatório. Parágrafo único. entre as que tiverem habilitação técnica relacionada à natureza do exame.3. que poderão instruir seus laudos com fotografias.1994) Art. os peritos guardarão material suficiente para a eventualidade de nova perícia. No exame para o reconhecimento de escritos. se o primeiro exame pericial tiver sido incompleto. Parágrafo único. Art. No caso de incêndio. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8. os peritos procederão à avaliação por meio dos elementos existentes nos autos e dos que resultarem de diligências. ou de seu defensor. lavrando-se auto de reconhecimento e de identidade. e responderão aos quesitos formulados. com todos os sinais e indicações. Art. Os peritos elaborarão o laudo pericial. os laudos serão ilustrados com provas fotográficas.862. de 28. O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 (dez) dias. devidamente rubricados. quando necessário. direto ou indireto.862. por comparação de letra. se realize a diligência. Art. I. de 28. onde descreverão minuciosamente o que examinarem. 158.3. as conseqüências dessas alterações na dinâmica dos fatos. Proceder-se-á. de preferência. Em caso de exumação para exame cadavérico. a extensão do dano e o seu valor e as demais circunstâncias que interessarem à elucidação do fato. os peritos. 174.3.3.1994) § 1o Não havendo peritos oficiais. diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. salvo se os peritos. 169.862. Para representar as lesões encontradas no cadáver. no qual se descreverá o cadáver. o exame será realizado por duas pessoas idôneas. esquemas ou desenhos. Art. Se impossível a avaliação direta. 161. observar-se-á o seguinte: 12 . ou de encontrar-se o cadáver em lugar não destinado a inumações. do ofendido ou do acusado. § 1 o.3. o perigo que dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio alheio. Quando a infração deixar vestígios. em dia e hora previamente marcados. 172. determinar. Art. 164. Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver exumado. os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver começado. deterioradas ou que constituam produto do crime. ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação de alguma circunstância relevante. escolhidas. 170. além de descrever os vestígios. à avaliação de coisas destruídas. No caso de recusa ou de falta de quem indique a sepultura. Art. (Redação dada pela Lei nº 8. Art. (Redação dada pela Lei nº 8. Art. a autoridade providenciará para que. do Código Penal. Em caso de lesões corporais. ou microfotográficas. deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 (trinta) dias. 162. A autópsia será feita pelo menos 6 (seis) horas depois do óbito. na medida do possível. 129. portadoras de diploma de curso superior. 163. a requerimento dos peritos. julgarem que possa ser feita antes daquele prazo. Art.862.

180. 176.862.haveria alguém tão 'constitucionalista' a ponto de preferir morrer entre chamas . onde supostamente estaria envolvido um cliente do causídico. fazendo escuta não autorizada de converses particulares. a produção de prova ilegítima é Proibida. mas vinca o absurdo de todo dogmatismo . Se estiver ausente a pessoa. No caso do § 1o do art.outra hipótese espalhafatosa. o laudo. Escuta telefônica e constituinte. a autoridade poderá mandar proceder a novo exame por outros peritos. E prossegue o eminente desembargador: "Assim. se for encontrada. mesmo constitucional. Art. o juiz ou a autoridade policial negará a perícia requerida pelas partes. ou no caso de omissões. III . mas em lugar certo. admite interpretação para adequa-la ao caso concreto". No caso do art. quando não for necessária ao esclarecimento da verdade. digamos. a fim de se Ihes verificar a natureza e a eficiência. serão consignadas no auto do exame as declarações e respostas de um e de outro. após citar o preceito constitucional da inviolabilidade da correspondência e das comunicações telefônicas que a relação concisa do parágrafo pode discutivelmente . seria lícito indeferir tal. 1987). já que o advogado seria inviolável no exercício de sua profissão e o sigilo telefônico não admite restrições. 159. essa nomeação poderá ser feita pelo juiz deprecante. Parágrafo único. o escrivão lavrará o auto respectivo. O juiz não ficará adstrito ao laudo. e a autoridade nomeará um terceiro. No exame por precatória. poderão servir quaisquer documentos que a dita pessoa reconhecer ou já tiverem sido judicialmente reconhecidos como de seu punho. que será assinado pelos peritos e. em procedimento regular.§ 9ª da Constituição Federal de 1967. 21 jun. juntando-se ao processo o laudo assinado pelos peritos. Havendo. por ter autorizado a polícia a fazer escuta telefônica no escritório de um advogado com a finalidade de descobrir um crime de seqüestro. se este divergir de ambos. II . Se houver divergência entre os peritos. Art. Art. . Serão sujeitos a exame os instrumentos empregados para a prática da infração. a autoridade mandará que a pessoa escreva o que Ihe for ditado. ou nestes realizará a diligência. 178. 182. a autoridade judiciária mandará suprir a formalidade. Nos crimes em que não couber ação pública. obscuridades ou contradições. IV . se daí não puderem ser retirados. No caso de inobservância de formalidades. Art. Desta forma. 233 do processo penal dispõe que as cartas particulares interceptadas ou obtidas por meio criminoso 13 . 19. parece-nos suficientemente enfático para demonstrar que a questão da ilicitude da prova deve ser tratada com muito cuidado. ocorrendo hipóteses extremas. que evitaria milhares de mortes. o desembargador aposentado Francisco César Pinheiro. ou sobre cuja autenticidade não houver dúvida. Vez por outra tomamos conhecimento de autoridades policiais.1994) Parágrafo único. caso não atendidas as suas exigências. acordo das partes. A autoridade e as partes poderão formular quesitos até o ato da diligência. 183. e houvesse possibilidade de se impedir isso mediante escuta telefônica. complementar ou esclarecer o laudo. aqui lembradas. requisitará. se presente ao exame. com a finalidade de diligenciar e descobrir crimes de difícil elucidação. No caso do art. 181.: o art. 159. Salvo o caso de exame de corpo de delito. (Redação dada pela Lei nº 8. podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo. os documentos que existirem em arquivos ou estabelecimentos públicos.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL I . do que transigir e permitir a escuta que localizaria os assassinos § (Francisco César Rodrigues. Os doutrinadores distinguem a prova ilegítima e a prova ilícita. esta última diligência poderá ser feita por precatória. em que se consignarão as palavras que a pessoa será intimada a escrever. Entretanto essa interpretação fanática da norma obrigaria a polícia e o Ministério Publico a uma passividade assassino. com manifestações favoráveis e contraries ao episódio.ameaçasse de queimar vivos os membros. A respeito do fato manifestou-se. Os quesitos do juiz e das partes serão transcritos na precatória. Houve um rumoroso caso em que um Juiz das Execuções Criminais da Capital paulista foi afastado do cargo por representação da Ordem dos Advogados. se julgar conveniente. Art. de 28. no todo ou em parte.embebido de gasolina quanto em princípios constitucionais .induzir o entendimento de que nem mesmo por motivos gravíssimos estaria o Judiciário autorizado. 179. que poderá ser datilografado. observar-se-á o disposto no art. a primeira e aquela proibida por uma norma instrumental ou processual. 175. a nomeação dos peritos far-se-á no juízo deprecado.para a comparação. que grampearam telefones. parágrafo único. 160. por outros peritos. Art. no caso de ação privada. também pela autoridade. Ex.3. para o exame. Art. DAS PROVAS ILEGÍTIMAS E ILÍCITAS Dada a freqüência com que Vem ocorrendo e pela homenagem feita pela imprensa nacional. Art. ou cada um redigirá separadamente o seu laudo. porém. . desta forma. o exame será requisitado pela autoridade ao diretor da repartição. do Conselho Monetário Nacional (nada de pessoal na hipótese) ou de uma corporação de juristas e realmente começasse a cumprir a promessa . apenas para ressaltar que toda norma.a permitir uma escuta telefônica. 177. 153. escuta.a autoridade.apenas com o argumento de que o parágrafo não abriu execução a proibição" "Se um bando de fanáticos . Parágrafo único. 184.abraçando a um exemplar da Constituição. Embora tal Comentário tenha sido feito a luz do art. Art. O fato desencadeou inflamados debates. torna-se necessário fazer algumas considerações sobre as provas ilegítimas ou produzidas de maneira ilícita. será subscrito e rubricado em suas folhas por todos os peritos. se uma organização terrorista ameaçasse envenenar as represas de uma cidade.quando não houver escritos para a comparação ou forem insuficientes os exibidos. A autoridade poderá também ordenar que se proceda a novo exame. O Estado de São Paulo.a pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o escrito será intimada para o ato. quando necessário. Art.

IV. Desta forma.Flagrante próprio: . sendo ele incessante nos termos legais. 5º. logo depois da infração. p. como de contravenção. etc. Revista dos Tribunais. Não é necessário. O Código de Processo Penal trata da perseguição no seu art. 1.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL não seção admitidas em juízo. p. A prisão em flagrante e um ato administrativo (art. 14 . com instrumentos. ao fazer mau uso desses direitos. objetos ou papeis que façam presumir ser ele o autor da infração (art. do CPP).4 . Esta teoria reconhece a ilicitude da prova. do CPP) equiparou duas situações diferentes em dispositivos diversos. do CPP: "E perseguido. a fotografia obtida mediante da violação da intimidade vale como prova. armas.1 . LVI) deve ser interpretado à luz da teoria da proporcionalidade. Cabe tanto em relação á prática de crime. pela autoridade. assim. Assim os violadores de uma norma material respondem pela violação. nos termos da lei. quando o agente e encontrado com objetos indicativos do crime. de natureza processual. ainda que em detrimento do direito individual. 5º. admissível. por exemplo. visto PRISÃO EM FLAGRANTE 1. admite sua produção. a colheita desta também e proibida. Mas . devem ser admitidas. que dispensa ordem escrita e é prevista diretamente na Constituição Federal (art. a gravação obtida subrepticiamente permanece. de dano ou de perigo (morte. (art. visa buscar um certo equilíbrio entre os interesses sociais e os direitos fundamentais do indivíduo. havendo até autores que pretendem fixar. encontrando-se no local do fato ou nas suas proximidades em situação indicativo de que cometeu o ilícito. 302. punindo-se o violador. objetos ou papei s que façam presumir ser ele o autor da infração". A lei (art.(ficto) Previsto no art. 3ª) Teoria da proporcionalidade: é uma teoria eclética.(Flagrante real. Nesse caso. 302. penal ou disciplinarmente. destruindo coisa alheia. logo depois. 303. mas sim que a pessoa seja encontrada. armas . Chama-se flagrante próprio quando o agente esta cometendo o ato ilícito (art. as cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. 302. dano material. T. dispõe que nas infrações permanentes. mesmo sem o consentimento do signatário. arbitrariamente. processando-se o ofensor pela violação da lei adequada. há maior margem na discricionariedade da apreciação do elemento cronológico. de Camargo Aranha. entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar permanência. Camargo Aranha. em seu art. p.o cometimento do crime. o autor da ilícito" (Ada Pellegrini Grinover. do CPP). 1. deixa a interpretação ao prudente critério do juiz. Liberdades Públicas e processo penal. o que não se coaduna com a vontade da lei que. pois o que e inadmissível a deixar de colher determinada prova importante e de interesse social. não se resumindo na oposição a lei. para defesa do seu direito. tem se admitido que há uma situação de fato que proporciona um maior elastério ao juiz na apreciação da hipótese. em situação que fará presumir ser o autor da infração") uma presunção da autoria do ilícito. Três são as teorias existentes a respeito da prova ilícita: 1ª) Teoria da admissibilidade. IV. no caso.). III.5 . a boa-fé (usar gravador disfarçado). o mandamento constitucional no sentido de que "são inadmissíveis. . 44). a moral (recompensar parceiro para conseguir a prova de adultério). Leciona Camargo Aranha que "a violação de um direito material pode ser ampla. I e II. que diz: "Encontrado. que a lei equipara a certeza advinda da prisão durante .3 .. III. com coisas que traduzam um veemente indício . lesões. 1987. e é expressão "logo após".Conceito: E um sistema da autodefesa da sociedade. e possível ofender os costumes (exteriorizar segredo obtido em confessionário). 209. 105). A de quem e surpreendido no ato de execução do crime (desfechando golpes na vítima. mas a prova colhida tem validade. Denomina-se flagrante impróprio ou quase flagrante a prisão daquele que e perseguido em situação em que se presume ser ele o autor da infração (302. que haja perseguição. 1982. mormente quando se contrapõe ao interesse publico. tem por base o princípio da moralidade dos atos praticados pelo Estado e o de que se a prova e ilícita ofende o direito. Prova ilícita e a resultante de proibição do direito material. 1. pelo ofendido ou por 'outra pessoa. logo depois de praticado o delito. do CPP). resultantes de uma norma processual. e que são vedadas e podem ser rejeitadas.Flagrante em crime permanente e crime habitual: O CPP. 302. uma medida cautelar. flagrante propriamente dito). 44). O que tem acarretado dúvidas na aplicação do dispositivo.Quase-flagrante: (Flagrante impróprio) Há. etc. Saraiva.Como já foi enfatizado quando tratamos dos documentos. do CPP) e de flagrante presumido ao caso da prisão do que é encontrado. Não importa o tempo decorrido entre o momento do crime e a prisão do seu autor.2 .) e a de quem já esgotou os atos de execução. deixa também de permanecer merecendo o amparo. causando o resultado jurídico. na verdade. LXI). T. 301. para esta somente as provas ilegítimas. estendendo-o até 24 horas. do CPP. 302. com instrumentos . O mesmo entendimento tem Camargo Aranha: "a conversa telefônica interceptada fica mantida como prova. obra cit.. Desta forma" entende Ana Pellegrini Grinover "as provas colhidas. O "logo após" deve ser entendido como iniciada a perseguição logo após o crime. punindo-se apenas.Flagrante presumido:. Embora a regra geral seja que todo cidadão merece a tutela é a proteção constitucional dos seus direitos fundamentais. não sendo. embora se reconheça a má-fé do exibidor" (Adalberto José Q.II. 2ª) Teoria da inadmissibilidade ou rejeição. logo após. etc (Adalberto José Q. 1. de uma violência arbitraria. no processar as provas obtidas por meios ilícitos" (art.da autoria ou participação no crime. Porém considerando o interesse social predominante. esse lapso de tempo. Da prova no processo penal.

extorsão mediante seqüestro (art. não se tornou impossível a consumação do crime. pode burlar o esquema montado pela polícia para efetuar a prisão. já que ações pode ser aplicada medida de segurança. que não autoriza seja o agente preso em flagrante.Autoridade competente: Em regra. a prova da reiteração de atos traduzem o comportamento criminoso. dependendo da vontade do agente. Nessas hipóteses o crime está sendo cometido durante o tempo da consumação. no exercício de uma das funções primordiais da polícia judiciária. Neste caso. 1. neste caso. inexiste razão para falar-se em incompetência "ratione loci". Apesar de tudo. mesmo nas hipóteses em que se deva invadir a casa alheia. Diz a súmula 145 do STF: 'Não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação". possibilitando a prisão. a fim de que 15 . na vítima. quer por ser inexistente ou impróprio o objeto material a que permitiria (art. comprovar-se a habitualidade. não e exigido o mandado judicial.Sujeitos do flagrante: Sujeitos ativos: Nos termos da lei. Podem ser autuados em flagrante delito apenas nos crimes inafiançáveis os membros do Congresso Nacional. respeitado o prazo de decadência (art. no entanto. logo após o delito.10 . presume-se que o prazo seja esse. no primeiro caso. Não pode ser autuada em flagrante daquele que prática o fato e delito to de trânsito. É licita a prisão dos alienados mentais. visto que o agente não dispõe de meios necessários para conseguir a consumação. compete a lavratura . ou de distribuição dos autos ao juiz competente. frustrando sua consumação. os membros do Ministério Público.7 . é pacifico na doutrina e jurisprudência que. O relaxamento da prisão não impedirá. se prolonga no tempo. não impede. haverá.Flagrante preparado: (provocado) E quando o agente e induzido a prática de um crime pela "pseudo vítima".Flagrante em crime de ação privada: Nada impede que a captura ocorra nos crimes que se apenam mediante ação penal publica dependente de representação ou ação penal privada. induzido por alguém. cabendo no caso a instauração do incidente de insanidade mental (art. subtraindo a coisa. deve ser comunicada a prisão a familiar ao advogado ou a pessoa por ele indicada. a autoridade competente e a autoridade policial. nos crimes cuja conduta e "guardar consigo". o capturado será logo apresentado a do lugar mais próximo. em qualquer das hipóteses. ainda que provocado o flagrante. no ato. 149. 301. os diplomatas estrangeiros. seja decretada a prisão preventiva do autor da infração (art. etc. sob pena de relaxamento da prisão. se apresenta espontaneamente a autoridade. 17. se a polícia retira a possibilidade de consumação (retirando a vítima do local onde se pretende mata-la.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL que a consumação. permite-se a prisão. etc. o agente. por serem inimputáveis. Segundo orientação do STF. 5º. dever da autoridade e seus agentes efetuar a prisão (flagrante compulsório). Flagrante esperado: Quando a atividade policial e apenas de alerta. desde que relacionadas com a prova do crime e da autoria. conseguindo a consumação do ilícito (desfechando tiros. Nessa hipótese há um crime impossível . diante do disposto no art.11 . Neste caso. Porém. 1. que não exclui a competência de outra autoridade administrativo.8 . de exercício regular de direito. CP). 1. embora inimputáveis. imediatamente após apresentação do preso a autoridade. também não pode ser preso em flagrante (prisão por apresentação). LXIII. do CPP). o prazo. Ademais. De acordo com o art. 304 tem-se a impressão de que isso deve ocorrer logo. quer porque exercia vigilância sobre o delinqüente. CP). Em relação aos crimes habituais não é idêntica a situação.do flagrante a autoridade da circunscrição onde foi efetuada a prisão. Não havendo autoridade no lugar em que se tiver efetuado a prisão. no segundo caso. A lei é omissa a esse respeito. os Magistrados. presentes os requisites próprios. a denúncia ou a queixa.6 .). 1. 1. Todavia. não é incabível a prisão em flagrante em crimes habituais se for possível. "ter em deposito". 38 do CPP). porém. e que procura colher a pessoa depois de executar a infração.9 . Não se negará a situação de flagrância no caso da prisão de responsável por bordel onde se encontrem inúmeros casais para fins libidinosos ou de pessoa que exerça ilegalmente a medicina. se há possibilidade de consumação. o Presidente da República. crime impossível.Auto de prisão em flagrante: Diante do disposto no art. "transportar". quem. como ocorre nos crimes de seqüestro (art. 306. do CPP). Tratando-se de crime em flagrante. portanto. qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes prender quem seja encontrado em flagrante delito (art. 149. do CPP). Assim. A impossibilidade da prisão por apresentação. Porém. no Código de Processo Penal. Contudo. 317. ato algum de jurisdição. que determina o prazo de 24 horas para que seja entregue ao preso "a nota de culpa". deve ser ouvida a vítima ou seu representante legal para que ofereça a representação ou manifeste o desejo de oferecer queixa oportunamente. ou os objetos que seriam subtraídos. quando se encontre atendendo vários pacientes. Sujeitos passivos: A regra geral de que qualquer pessoa pode ser presa e autuada em flagrante apresenta algumas exceções: Não podem ser sujeitos passivos do flagrante os menores de 18 anos. Pelo art. 2ª parte da CF. sem instigar o mecanismo causal da infração.290 do CPP. Trata-se de um caso especial de exercício da função pública transitória por um particular em caráter facultativo e. não exercendo a polícia. ou seja. Não há restrição ao fato de que os agentes policiais estejam foram de sua circunscrição territorial. . os Deputados Estatuais. caso contrario a prisão não será efetuada. capturado o autor da infração penal que se apura por essa espécie de ação. admite-se que o particular proceda a apreensão das coisas em poder do preso. 148. A denúncia ou a queixa devera ser oferecida no prazo de 5 dias da vista ao Ministério Publico. mesmo porque qualquer pessoa pode efetuar a prisão em flagrante (flagrante facultativo).. CP).). 1.Prazo para lavratura do auto: Não está explicito. Tem se entendido que. quer porque recebeu informação a respeito do provável cometimento do crime. e não a do local do crime. etc. uma vez que a prisão em flagrante exigiria a prova da habitualidade. por terceiro ou pela polícia (agente provocador). no caso.

a autoridade deve prosseguir nos autos do inquérito policial . § 1º. devem ser no mínimo duas. se determina que o preso deve passar recibo da nota de culpa. 304. a omissão deste ato essencial deve redundar no relaxamento da prisão. do CPP.: O art. que Ihe tenham ouvido a leitura. mas. a entrega da nota de culpa e formalidade essencial para proporcionar ao capturado a sua ampla defesa.14 .devem assinar pelo menos duas pessoas que hajam testemunhado a apresentação do preso a autoridade (art. 216 do CPP.312 a 327. para integrar o mínimo legal. diante o impedimento previsto no art. pode ser deferido pedido de habeas corpus. Se a testemunha ou ofendido não souber ou não quiser assinar. 513 a 518 O código de Processo Penal prevê regras especiais de procedimento Para os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos.13 . 513 a 518. no caso de estar ele embriagado ou ferido. 513. mas a decisão que o negar é irrecorrível. entregar-se-á a nota de culpa ao preso. quando recebem a comunicação do flagrante. do CPP). No caso do acusado (indiciado) se recusar. Apesar . II (testemunha) e III (diretamente interessado no feito).NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL se possibilite a estas que tomem as medidas necessários em sua defesa. quando se apresentar ilegalmente patente. 1. quer tenha sido ele a efetuar a prisão. a prisão deve ser comunicada imediatamente ao juiz competente (art. ou na sua presença. 581. seu curador ou defensor e o escrivão. assegurado na CF (art. 306.) a prisão deve ser relaxada pelo juiz (art.. Em seguida. Assinam o auto a autoridade. conforme dispõe o art. 304. devem ser ouvidas as testemunhas que acompanharam o condutor que. A importância do ato e tal que. Nulo o Auto de Prisão em Flagrante por vício real. Caso a autuação seja determinada pelo juiz não poderá ele exercer jurisdição na ação penal resultante da prática do crime. § 3º. desacato. a primeira pessoa a ser ouvida no Auto de Prisão em Flagrante é o condutor. neste caso. etc. previstas nos arts. 304. nessa hipótese. a autoridade judiciária ao anula-lo. o condutor. do CPP). Eventualmente. por lei (art. com o condutor . 5º. do CPP). A autoridade deve observar a nomeação de curador ao preso menor de 21 anos. do CPP). LXII. a autoridade "interrogara o acusado sobre a imputação que lhe e feita" (art. quer seja a pessoa a quem foi o preso entregue. do CPP). essa autoridade não pode figurar como testemunha e presidente do Auto de prisão em flagrante. CF). Do relaxamento da prisão em flagrante cabe o recurso em sentido estrito (art. 304 caput.Nota de culpa: No prazo de 24 horas da prisão. Conforme disponha a lei local. as pessoas que não são consideradas testemunhas.mas devem declarar as razoes porque se decidiram pelo relaxamento da prisão. A "Contrario sensu". o ofendido. etc. mas informantes.Custódia Encerrado o Auto de Prisão em Flagrante e "havendo fundada suspeita contra o conduzido". 252. Todavia. pois. 1ª parte. 1. 5º. 304. 301. Já se tem entendido que a sua falta não vicia o auto de prisão em flagrante. praticados no exercício a função. se para isso for competente. ofendido ou particular que conduziu o preso até a autoridade. a autoridade mandara recolhe-lo a prisão. (assinatura a rogo). o recebimento da comunicação da Prisão em Flagrante pelo juiz previne a jurisdição. parágrafo único. 1. Ouvidas as testemunhas. do CPP). Por construção pretoriana. 581. O reduzido número de testemunhas. pelos arts. do CPP. se não surgir essa fundada suspeita das declarações contidas nos autos. A prisão ilegal diminuiu o valor probatório das atos praticados no inquérito policial. desobediência. do CPP. ele alertado para o direito de ficar calado. como. de apresentação. do CPP. V. sob pena de nulidade do auto no que diz respeito a prisão. as testemunhas.de ser ato desejável. como a vítima e seu irmão. Do relaxamento de prisão em flagrante nessa hipótese. por exemplo. e condutor. -Substituem as testemunhas instrumentais. Encerrada a lavratura do flagrante. que e uma garantia constitucional assim. nada impede que. presentes os requisites. não puder ou não quiser assinar. LXIII). ou mesmo a falta absoluta não obsta a lavratura do flagrante. o condutor também pode ser considerado testemunha numeraria. muito menos a ação penal que dele redundar. da CF). na presença do acusado (art. sem prejuízo do desenvolvimento das investigações e do Inquérito policial. LXV. Nos termos do art. quando ele não souber. que será também assinada por duas testemunhas. V. como prevê o art.12 . não estio obrigados a fundamentar o recolhimento do réu e a manutenção da prisão em flagrante . Tanto a autoridade policial como o juiz. Para os efeitos penais esta previsto no art. mas não o anula. o preso. menciona que a denúncia ou a queixa devera conter os documentos ou justifica- 16 . Nessa ocasião deve se. também cabe recurso em sentido estrito (art. não souber ou não puder faze-lo o auto de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas. § 2º. a omissão do interrogatório do preso no Auto de Prisão em Flagrante não traduz necessariamente nulidade. aplica-se o art. chamadas testemunhas instrumentárias (indiretas) da apresentara-o. 327. houve excesso de prazo para a lavratura. caput e § 1º. agente da autoridade. por exemplo. 5º. do Código Penal e os crimes estão descritos do art. decrete a prisão preventivo. Não sendo competente a autoridade policial deve remeter os autos àquela que o seja (304. O conceito de funcionário publico. Havendo ilegalidade na autuação em flagrante (não havia situação de flagrante. § 1º última parte). etc. PROCESSO DOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS Arts. 304. Após o recolhimento do preso.Prisão pela autoridade: Quando o delito é praticado contra a autoridade no exercício de suas funções. a autoridade devera relaxar a prisão.

da inexistência do crime ou da improcedência da ação. Contudo. No caso previsto no artigo anterior. deste Livro. O juiz rejeitará a queixa ou denúncia. os autos devem ir ao juiz Para receber ou rejeitar a denúncia. Se convencido. estando a denúncia ou queixa em devida forma. 517. se convencido. da oficialidade. 02) A ação penal de conhecimento pode ser 17 . onde poderão ser examinados pelo acusado ou por seu defensor. Os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos. Art. será o acusado citado. os autos permanecerão em cartório. CAPÍTULO II DO PROCESSO E DO JULGAMENTO DOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS Art. em despacho fundamentado. tem rito processual próprio. ainda que se trate de ilícito penal apenado com detenção.a. TESTES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL 01) A ação penal pública esta sujeita aos princípios a) da legalidade. Se não for conhecida a residência do acusado. portanto. arts. não se estende à defesa preliminar ao co-réu que não atenda a condição de funcionário público. 514). Art. cujo processo e julgamento competirão aos juízes de direito. recebera a denúncia ou a queixa. na forma estabelecida no Capítulo I do Título X do Livro I. ainda que haja conexão com crime comum. embora a notificação só se refira ao delito funcional. e não a outros crimes que venham a ser praticados pelo funcionário.d. 516. 514. O mesmo vale Para o caso do denunciado ou querelado ter sido exonerado ou ter deixado de exercer o cargo. e da procedibilidade c) da legalidade. a quem caberá apresentar a resposta preliminar. Nos crimes afiançáveis. Art. da inexistência de crime ou da improcedência da ação. 312 a 326). durante o prazo concedido para a resposta. devem indicar o "fumus boni juris" necessário a instauração da ação penal. 518. dentro do prazo de 15 (quinze) dias. A existência da notificação previa Para a defesa previa refere-se exclusivamente aos delitos funcionais (CP. A jurisprudência é divergente no entendimento sobre a ausência de notificação preliminar alguns entendem que é causa de nulidade relativa. pela resposta do acusado ou de seu defensor. necessidade de defesa preliminar. para responder por escrito. Recebida a denúncia ou a queixa. Art. 515. Art. A resposta poderá ser instruída com documentos e justificações. ou este se achar fora da jurisdição do juiz. pela resposta do acusado ou do seu defensor. tal como o abuso do poder.898/65. o juiz devera notificar o acusado a apresentar a defesa preliminar. outros consideram-na causa de nulidade absoluta. caso contrario.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL ções que façam presumir a existência do delito. no prazo de quinze dias. mesmo inafiançável. da obrigatoriedade e da oportunidade e) n. insanável. citando o acusado e o processo tomara o rito comum Para os crimes apenados com reclusão. de competência do juiz singular. da procedibilidade e da obrigatoriedade b) da legalidade. Parágrafo único. Título I. ser-lhe-á nomeado defensor. Desta forma. Na instrução criminal e nos demais termos do processo. Parágrafo único. Apresentada a resposta ou decorrido o prazo. não havendo. da indisponibilidade e da obrigatoriedade d) da legalidade. emprego ou função. ou seja. a Lei 4. não sendo aplicado o Código de Processo Penal. 513. a queixa ou a denúncia será instruída com documentos ou justificação que façam presumir a existência do delito ou com declaração fundamentada da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas. na hipótese de crimes inanfiançáveis (art. Antes do recebimento da denúncia. devera rejeitar a peça acusatória. o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado. que trata dos crimes praticados no exercício da função. observar-se-á o disposto nos Capítulos I e III. E ela devida. sem manifestação do acusado.

do CP e) n. prevista na legislação processual a) pressupõe a condenação judicial transitada em julgado b) pressupõe a prisão legal do indiciado c) e autorizada somente nas prisões correcionais d) não exige.d. caberá: a) recurso. sendo que se o Procurador concordar com o juiz o inquérito será arquivado b) recurso ao sentido estrito.d. mesmo. mandará outro Procurador da República pedir o arquivamento. 06) A ação penal pública está sujeita aos princípios a) da legalidade. antes de oferecida a denúncia b) se retratar. a prisão do acusado e) n. 07) A prisão preventiva deve fundar-se na garantia da ordem pública. de ofício. o exame de corpo de delito complementar poderá ser feito para a) definir se a gravidade da lesão acarretou perigo de vida b) completar o primeiro exame pericial c) comprovar a existência de vestígios da lesão d) precisar a classificação do delito previsto no art. II.d. para efeito de concessão de habeas corpus a) a decretação de prisão civil b) a aplicação da pena disciplinar c) a extinção da punibilidade d) a remoção de preso para outro estabelecimento prisional e) n.a. § 1º.a. quando ela for incondicionada d) por denúncia do promotor e) todas estão corretas 15) O ministério público é o dono da ação penal.d.a. publica e privada n.a. porque não sujeitos ao controle judiciário quanto a sua legalidade c) simplesmente arbitrários.a. porque sujeitos ao controle judiciário quanto a sua legalidade b) discricionários. 09) A prisão temporária de indiciado pode ser decretada pelo a) delegado de polícia b) promotor de justiça c) promotor de justiça a requerimento do delegado de polícia d) juiz de direito. inclusive menor ou estrangeiro d) somente por advogado constituído pelo interessado e) n.a. 03) Os atos da autoridade policial. como pressuposto. 18 . da indisponibilidade e da obrigatoriedade c) oportunidade e legalidade d) obrigatoriedade e indisponibilidade e) n. 14) A ação penal será promovida por: a) promoção do Ministério Público b) queixa crime c) representação.d. em hipótese alguma d) pode se retratar a qualquer tempo. são a) discricionários. quando houver a) prova de autoria b) antijuridicidade e materialidade do crime doloso c) autoria do crime e reincidência específica d) prova de existência do crime e indícios da autoria e) n.a. constitutiva e condenatória pública principal e privada principal constitutiva. ou na conveniência da instrução criminal. que decidirá se é ou não caso de recebimento da denúncia c) recurso. depois de oferecida a denúncia c) se retratar.a.d. 08) A prisão em flagrante delito deve ser feita a) por qualquer do povo b) somente por agentes policiais c) somente pelas autoridades policiais d) pelas autoridades policiais e seus agentes e) n. ao Procurador-Geral da República. para a Procuradoria-Geral da República. feita esta o ofendido não poderá a) se retratar. 12) Para a decretação da prisão preventiva a) é necessária a decisão da autoridade policial b) bastam as exigências de crime e de autoria c) à necessário despacho fundamentado da autoridade judiciária d) é necessário que o réu seja perigoso e) n.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL a) b) c) d) e) pública e privada declaratória. mediante representação do promotor de justiça ou requerimento do delegado de polícia e) n. 13) Em caso de lesão corporal.a. assim: a) O juiz também pode iniciar o processo b) Somente o promotor pode iniciar a ação penal c) O Ministro da Justiça não pode requisitar a ação penal d) O Ministro da Justiça pode requisitar a ação penal e) Nenhuma está correta 16) Em caso de ação pública condicionada a representação. nº. 04) O habeas corpus pode ser impetrado a) somente pelo interessado ou por seu procurador b) por qualquer cidadão c) pelo interessado ou por qualquer pessoa. porque o indiciado é mero objeto de investigações e não sujeito de direitos d) imunes a qualquer controle.d. 05) A instrução criminal tem início com a) a instauração de inquérito policial b) o recebimento da denúncia ou da queixa c) o interrogatório do acusado d) a citação do acusado e) n.a. pois ele é o dono da ação e) nenhuma está correta 17) Se o Ministério Público Federal pedir o arquivamento do inquérito e o juiz rejeitar.d. 10) Considera-se coação ilegal .d. de ofício.d. da procedibilidade e da obrigatoriedade b) da legalidade.a. porque deles não decorre constrangimento à liberdade de locomoção do indiciado e) n. no inquérito. 11) A incomunicabilidade do indiciado. para o Tribunal Regional Federal.d..a. que entendendo estar o Ministério Público Federal com a razão.d. 129. ou para assegurar a aplicação da lei penal .

decidindo d) receber ou rejeitar a denúncia. de ofício. para decidir sobre a rejeição judicial e) nenhuma está correta 18) Quando o Ministério Público Federal denunciar alguém o juiz deve: a) receber a denúncia b) rejeitar a denúncia c) examinar se é o caso de recebimento ou rejeição da denúncia. como dono que é e) nenhuma está correta 20) A ação penal privada poderá ser intentada: a) somente pelo ofendido b) pelo ofendido e pelo Ministério Público c) somente pelo Ministério Público d) pelo ofendido ou por quem tenha qualidade para representá-lo e) pelo Ministério Público e pelo representante do ofendido RESPOSTAS 1)c 2)b 3)a 4)c 5)c 6)b 7)d 8)b 9)d 10)c 11)b 12)c 13)b 14)d 15)d 16)e 17)d 18)c 19)b 20)d 19 . porém não cabe recurso e) nenhuma está correta 19) Nos casos de ação pública.NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL d) recurso. será admitida ação privada quando: a) o ofendido tenha qualidade para apresentá-la b) o promotor não intentar a ação pública no prazo legal c) o ofendido desistir do inquérito e apresentar a queixa crime d) o promotor intentar a ação. ao Tribunal Superior Federal.

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