UNIVERSIDADE ANHANGUERA – UNIDERP CENTRO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CURSO DE PEDAGOGIA

DIDÁTICA E PRÁTICAS DE ENSINO

ALLINE HELENA PEIXOTO LIMA – 2335449340

MARLI LINDRIA DO M. LAURINDO – 2305308548
MARIA CLAUDIA VALERIA ALVES – 2305308414 CÉLIO MAURÍCIO GONZAGA – 2330424718 MAGDA PIRES ROSA – 2307356498 RODRIGO LOPES DE ARAUJO – 2352344388

Atividade Prática Supervisionada entregue como requisito para conclusão da disciplina “Didática e Práticas de Ensino”, sob orientação da professora tutora a distância Édina Domingues

ANÁPOLIS 2012 UNIVERSIDADE ANHANGUERA – UNIDERP

pois partindo da literatura levamos a criança do desencanto ao encanto. chegamos a um novo conceito de ambiente alfabetizador. The following project. considerando e desenvolvendo ao máximo suas inclinações. interests and objectives through its multiple competencies. Gave rise to an erroneous interpretations really optimized and motivating environment. realize the information in various ways and assimilate notions and concepts according to his own motivational and cognitive structures. O projeto a seguir. transcend this concept and the teaching is conducted to discover which create conditions and situations for learning. While some still think that teaching is to transmit information. Keywords: alphabetization – literature – autonomy . centered on the individual's education. has to search for a process alfabetizador a tireless motivator. because we take the child from the literature of disenchantment to charm.Resumo A partir das investigações de diversos educadores como Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. as flexibly and on the basis of this ideology we recognise that children of different ages or stages have different needs. transcendemos esse conceito e o conduzimos a descobrir que ensinar é criar condições e situações para a aprendizagem. percebem as informações de modo diverso e assimilam noções e conceitos segundo suas próprias estruturas motivacionais e cognitivas. pois de forma flexível e com base nesta ideologia reconhecemos que crianças de diferentes idades ou estágios têm necessidades diferentes. tem a incansável busca por um processo alfabetizador motivador. considering and developing to the fullest their inclinations. onde a presença e uso de diversos gêneros textuais dentro de uma função comunicativa planejada torna efetivo todo o processo. Errôneas interpretações cederam lugar a um ambiente realmente otimizado e motivador. Palavras chave: alfabetização – literatura – autonomia Abstract From the investigations of several educators as Emilia Ferreiro and Ana Teberosky. centralizado na educação do indivíduo. Enquanto alguns ainda pensam que ensinar é transmitir informações. interesses e objetivos através de suas múltiplas competências. we come to a new concept of alfabetizador environment. where the presence and use of different textual genders within a communicative function makes effective the whole process planned.

Essa cadeia de processos formativos tem foco no aprimoramento da aprendizagem do aluno. analisando as estratégias formativas que foram postas em ação e ouvindo a voz dos atores envolvidos. falar. tendo o foco na aprendizagem do aluno. pois favorecer uma aprendizagem de qualidade é o objetivo de qualquer programa de formação. Neste trabalho propomos uma experiência sobre linguagem escrita cujo enfoque é a interação entre os materiais. Nossa proposta de experiência para o ensino e a aprendizagem da linguagem escrita se caracteriza pelo desenvolvimento em sequências repetidas de atividades nas quais se alterna leitura. partimos da premissa de que o único caminho para atingir uma prática coerente é refletir sobre situações concretas. comentários sobre o texto e analise. Com isso. Porém. os diferentes níveis vão desde a leitura e o falar sobre o que foi lido. for capaz de olhar para outros dois aspectos extremamente relevantes: o processo de compreensão e a natureza do objeto de ensino. Enquanto que os materiais e as responsabilidades são modificados ao longo da Educação Infantil e das séries iniciais do Ensino Fundamental. releitura parcial e trabalho de reescrita dos alunos. constituída por uma equipe que tenha as ferramentas necessárias para estimular e fazer avançar o estudo e o intercâmbio entre os professores. a partir de uma visão construtivista. o formador só fará a diferença se. a atuação dos professores e os processos de aprendizagem. Esse jogo entre conservação e mudança se deve às necessidades do ensino e ao processo de aprendizagem dos alunos à medida que vão adquirindo maiores competências. A manutenção de práticas de planejamento. com posterior reformulação oral. avaliação.A alfabetização pela leitura A sustentabilidade de qualquer projeto de formação na área de educação depende da capacidade para qualificar quadros locais.A. Assim. abordar o ensino e a aprendizagem do escrito em Educação Infantil e nas primeiras séries do Ensino Fundamental. oralidade e escrita com diferentes níveis de profundidade e com responsabilidade distribuída entre o professor e os alunos. elaboração de estratégias de capacitação e registro entre outras. de forma a impactar positivamente as condições de aprendizagem dos alunos. inicialmente com uma responsabilidade maior do professor para conseguir que os alunos desenvolvam competências para escutar e acompanhar o que foi lido e adquiram conhecimentos sobre a linguagem escrita e os livros. organização. As mesmas giram em torno de três eixos: leitura em voz alta. Apresentamos exemplos dessa experiência de intervenção e formação para mostrar como é possível. falar sobre o texto e . que atuem como intermediários permanentes no processo de formação dos profissionais das redes de ensino. escrever e a distribuição de atividades. Depois. Garantir um ambiente de trabalho estruturado em torno da reflexão sobre a prática pedagógica de forma a viabilizar a constituição de equipes colaborativas é o grande desafio para fortalecer a qualidade do trabalho educacional. dependem de liderança pedagógica. Durante toda essa experiência permanece a alternância entre ler.

para que. .reformular o escutado serão responsabilidades das crianças. cheguem a uma reescrita do texto-fonte como método de apropriação das formas e conteúdo da linguagem escrita. finalmente.

Estimular os alunos a escrever. programar e selecionar os livros em função do conteúdo.Criar situações de reescrita para aprender o funcionamento da linguagem escrita. A experiência do projeto alfabetizando pela leitura. . . .Falar sobre o que foi lido para elaborar uma compreensão analítica do texto e compartilhar com os alunos um discurso letrado. no reconhecimento de palavras e na construção de sentido. por exemplo. pois acreditamos que o mesmo possibilite de forma lúdica. listas de palavras a partir do texto-fonte para facilitar a compreensão do funcionamento do sistema de escrita. Optamos por livros de literatura infantil por os considerarmos um grande programa de alfabetização. . e na escrita de textos novos por parte dos alunos para aumentar as competências autônomas.Ler livros em voz alta para os alunos proporcionando o contato regular e o conhecimento da cultura escrita e apresentar modelos de linguagem escrita. prazerosa e eficiente o diagnóstico.B . neste caso usamos os livros como um elemento motivador e atrativo fazendo da própria literatura o material de aprendizagem. Porém. relatada a seguir. oralidade e escrita seguirão o seguinte esquema: . Com isso. para realizar nosso objetivo foi necessário elaborar. conteúdo e procedimentos de atuação. A primeira decisão refere-se à escolha do material inicial de leitura. acompanhamento e desenvolvimento de habilidades em leitura e escrita de crianças em diferentes níveis.Favorecer que os alunos reformulem o texto escutado para facilitar a apropriação da linguagem e das formas de expressão do escrito . .Ajudar os alunos na leitura independente.Apresentação dos estudos realizados Aprender a observar e compreender os alunos para ir determinando seu ritmo ao longo do processo foi essencial para que pudéssemos decidir sobre os objetivos da aprendizagem.Fazer com que os alunos participem na releitura de textos já reformulados para ajudar na compreensão das relações entre o escrito e o oral. dos objetivos e dos procedimentos de ensino e aprendizagem. visa como público alvo alunos do 1° ano fundamental. As sequências repetidas de atividades que tipicamente alternam leitura. com o apoio do professor. .

Nesta etapa as crianças começam a ter contato com textos autênticos que as situam no universo do escrito. ao ler em voz alta é possível criar um evento letrado. a linguagem previsível e os esquemas estruturados e episódicos facilitam a memorização. O álbum é um suporte com três tipos de linguagem: a oral. Entre os textos que ensinam a ler. uma linguagem letrada. Falam sobre o texto e o conhecimento gerado a partir da leitura. Dentre tantas variedades é possível escolher entre livros que servem para nomear elementos do mundo e que ensinam vocabulário tanto no contexto simbólico como letrado dos livros. escutam uma língua rica e variada. Quanto aos procedimentos de leitura e falar sobre o que foi lido. modos e termos relacionados com a cultura escrita. apropriam-se progressivamente da linguagem e do patrimônio cultural Assim. Os professores conseguem realizar tanto um controle sobre os procedimentos de leitura e sobre o comentário do que foi lido como também sobre as condições de recebimento por parte das crianças. Se. nos sons. Como os livros de literatura infantil chamam a atenção devido ao seu formato. os livros de poesias com rimas. em contextos diversos.C – Conteúdos. durante a leitura em voz alta é possível criar uma interação entre o que se lê. a escrita e a visual por meio das ilustrações. organizados em temas específicos. As estruturas repetitivas e que podem ser memorizadas também são muito úteis para realizar o trabalho de antecipação do texto e o de relação entre a oralidade e o escrito. estamos criando um evento em que também se desenvolve uma maneira de falar a respeito do escrito. Com isso. atividades desenvolvidas e documentos 1-Leitura em voz alta e comentários sobre livros de literatura A leitura de textos em voz alta é uma das atividades iniciais. de sucessão de eventos e de repetição dos mesmos diálogos e. pois o mercado atual oferece uma grande variedade de títulos. repetições e jogos de linguagem que apresentam fórmulas que podem ser recitadas. nas onomatopéias e nos jogos de palavra. . Para a escolha do material de leitura levamos em consideração a afirmação de Meek (2004) que diz: “Há textos que ensinam a ler”. além disso. consideramos os livros tipo álbum. implicando comentários. isto é. entre a representação do texto e sua apresentação material. interpretação e análise. Pois. a leitura vem acompanhada de uma visualização do texto. temas e formatos para se escolher. apoiadas no ritmo. que é apresentada com uma diversidade de usos em diálogos. estamos possibilitando novas interações entre escutar o que foi lido e vê-lo. eles conseguem falar não só a respeito do que foi lido. relacionada a muitos temas e perspectivas culturais. uma situação de interação que gira em torno dos textos. Quando a leitura em voz alta é acompanhada de um discurso relacionado com os textos. Seu objetivo consiste em instituir condições ambientais sobre temas. eles oferecem um contexto memorável para a linguagem: os textos repetitivos. com sua ilustração e formato introduzem a criança no tema e dão significado ao mesmo enquanto que com sua linguagem ajudam na leitura. aprendem a adaptar suas expectativas aos diferentes tipos de texto. mas também do que foi escutado e compreendido. finalmente os livros com informações. Esse controle do professor implica um uso metacognitivo da linguagem: falar sobre a linguagem escrita e também sobre a compreensão dos alunos. Sem dúvida.

Releitura de algumas cenas para entre outros rever as palavras dos diálogos. 4. Análise das ilustrações: regularidades. à seleção de um formato gráfico. oferecem aos alunos instrumentos de aprendizagem por meio da contextualização da leitura não esquecendo seu aspecto material. incongruências. discutir as intenções dos personagens. descobrem ser capazes de dizer a si mesmas o que o texto diz. o que levará um ditado do texto.. 6. ao promoverem esse tipo de participação. preparamos a reescrita do texto-fonte. O livro do tipo álbum. Ao relacionar a apresentação do texto com outros. ajudando na memorização de partes dos textos e orientando a relação entre o oral e o escrito. Discussão e escrita de comentários a respeito das características gráficas e discursivas da história As crianças. Análise dos aspectos gráficos. 5. ao serem auxiliadas em sua compreensão dos textos adquirem um repertório oral de textos e. não apresenta apenas um conteúdo. Lembrar leituras anteriores com as quais o novo texto se relaciona e leitura em voz alta pela professora. Reconto oral e participação na reconstrução oral do texto pelos alunos. além disso. A sequência de ensino e aprendizagem inclui um número variado de atividades que são realizadas em diferentes sessões durante várias semanas. o ditado e a reescrita do texto-fonte As atividades anteriores levam a uma reformulação do texto-fonte de forma oral. ou mesmo para expor a linguagem poética ou para apresentar uma informação. A alternância entre escrever autonomamente e ditar. na localização no texto e na identificação de palavras. é preciso levar em conta que o ato de leitura e compreensão não é único nem solitário: os textos remetem a outros textos e a compreensão remete à memória. 7. implica também perceber como suas características materiais e linguísticas servem para apresentar personagens. Releitura e busca de vocabulário e elaboração de listas (sinônimos. que é a última da série em relação a um livro.2-Análise do texto para ajudar na compreensão A literatura compartilha aspectos com a linguagem não literária. mas ela também possui elementos que são exclusivos. A idéia é não deixar o leitor sozinho em sua atividade de compreensão. aspectos tipográficos e significado desses recursos. 2. As atividades de reformulação garantem a recuperação do conteúdo lingüístico do texto-fonte. Releitura focando na narração e em jogos de linguagem ou poemas. tipográficos e discursivos do livro. Os professores. definições etc. e a reescrita facilita a apropriação das formas da linguagem escrita. as de formato e ilustração facilitam a recuperação do conteúdo informativo. ao participarem em atos de leitura em voz alta. à organização das ilustrações para reproduzir o texto-fonte e à sua reescrita. escrever e lembrar e entre . 3-Promover a reformulação. mas também é um objeto em si mesmo: o álbum como livro une aspectos lingüísticos e estéticos em sua materialidade. é preciso criar um contexto de referência daquilo que se escuta. Por isso. Esses recursos são procedimentos para capturar a atenção do leitor. de acordo com a idade dos alunos). Entre esses últimos devemos destacar os recursos gráficos. 3. ler um livro ilustrado desse tipo não é apenas atribuir voz ao texto. situações e ações. Portanto. tipográficos e discursivos que colocam a linguagem em primeiro plano. 1. 8.

aprendem a estabelecer relações entre a oralidade e a escrita e a diferenciar entre o que se diz por escrito e o que se diz simplesmente. Pois ao promover a leitura em voz alta os professores promovem a escrita “em voz alta”. promovemos a escrita inicial .e com o adulto que faz o papel de escriba ou de leitor. na produção em duplas com distribuição de papéis – enquanto um dita. . Ao ditar para o adulto os alunos aprendem a produzir textos quando ainda não sabem escrever por si mesmos. Promove-se a interação entre os próprios alunos. principalmente na correspondência fonográfica. A fazer a leitura com o dedo e escrita aos poucos. aprendem a diferenciar o literal. o outro escreve .com letras maiúsculas para facilitar o trabalho do aluno.escrever e ler a própria escrita é uma fonte importante de aprendizagem. isto é. a conversação ou o comentário. na consciência da relação entre o componente sonoro e o aspecto gráfico da linguagem. a “leitura com o dedo” e a “escrita aos poucos” ajudam na compreensão do sistema de escrita. A oralização daquilo que se escreve. a reformulação. oralizando o que se escreve.

o material e a atuação docente exige uma compreensão dos processos de ensino e aprendizagem como complementares e distribuídos. pois assim os professores abrirão espaço para diversas situações didáticas essenciais para o sucesso da alfabetização. a escrita é apresentada como uma atividade secundária da leitura a consideração da interação entre o que os alunos aprendem. Cabe ao professor. pois só assim ele pode discorrer sobre o que pensa da escrita. Acreditamos assim. A interpretação dessas escritas permitirá ao professor conhecer melhor seu aluno. melhores intervenções e parcerias mais produtivas entre as crianças. Consideramos o trabalho de escrita pelo aluno durante a alfabetização inicial essencial.Considerações finais Embora nas dicotomias geralmente aceitas. A escrita pelo aluno precisa ser rotina na alfabetização inicial. estabelecer com antecedência uma série de ações que contemplem atividades permanentes. seja refletido sobre suas hipóteses ou confrontando-as com as dos colegas e com as informações oferecidas pelo professor. . é através da escrita dos alunos que temos acesso às suas concepções acerca do sistema alfabético. sequências de curto e de longo prazo. que essa compreensão pode ser uma resposta para a atual preocupação do baixo rendimento dos alunos em leitura e escrita. Ao escrever por conta própria os alunos tornam suas idéias observáveis. o que é vital para planejar boas situações didáticas.

TEBEROSKY . L. Passado e presente dos verbos ler e escrever MARTINE Z. SE PÚLVEDA..Referências Bibliográficas TEBEROSKY Ana. Antonio. Artmed FERREIRO Emilia. A. presente e futuro SE PÚLVEDA. A.. 2006 NAVARRO.TEBEROSKY Ana Psicogênese da Língua Escrita Ed. A. Artmed FERREIRO Emilia. M. Regina Célia Cazaux. Ed. O texto na alfabetização inicial: infância e aprendizagem HAYDT. A. Aprender a Ler e a Escrever FERREIRO Emilia. Reflexos sobre a alfabetização FERREIRO Emilia. Didatica e praticas de ensino FREIRE. Pedagogia da autonomia . Literatura infantil e instruções de leitura: passado. Elaboracão de listas a partir de textos e de textos a partir de listas. Curso de didática geral Ed.. Paulo. COLOMER Ana. TEBEROSKY . MCGEE . Alínea SP. Cultura Escrita e Educação.

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