PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO

Subsídios Orientadores

Brasília, DF – julho/2001

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores

Ilustração de capa: RAFAEL DA SILVA APAE: CUIBÁ – MT

“Criar é expressar o que eu tenho na minha cabeça” é o que afirma Rafael da Silva, 20 anos, aluno da APAE de Cuibá, MT. Rafael não conheceu sua família, sempre viveu em orfanatos e há cinco anos vive no Lar da Solidariedade, entidade mantida pela APAE de Cuibá. Na escola da APAE, Rafael freqüenta os programas de Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional. Nas horas vagas gosta de ouvir rasqueado, dançar, fazer ginástica e, como artilheiro do time de futebol da escola, é considerado um craque. Rafael é muito disciplinado, meigo e amigo de todos. Por seu talento e boa vontade é considerado um dos principais personagens do grupo de dança da APAE. Rafael participou com sua arte do concurso de cartazes/2000 e teve seu talento reconhecido. Parabéns, Rafael, que a vida lhe propicie novas oportunidades para criar e expressar sua arte.

Programação visual e diagramação da Coleção Educação e Ação Samuel Tabosa de Castro

P964

Projeto político-pedagógico : Subsídios Orientadores / coordenação geral Ivanilde Maria Tibola. — Brasília : Federação Nacional das APAEs, 2001. 48 p. 1. Educação especial. I. Tibola, Ivanilde Maria. II. Federação Nacional das APAEs. CDU: 376

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PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores

DEDICATÓRIA
Dedicamos este documento orientador aos apaeanos e profissionais da Educação das escolas das APAEs que, acreditando no potencial das pessoas portadoras de deficiência, rompem as barreiras estigmatizantes e de negação de direitos, para a consolidação de uma sociedade ética e justa para todos.

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....................................................................................................................................................... 22 – PRINCÍPIOS NORTEADORES .... 11 I II III IV V VI VII – (FOLHA DE ROSTO) .................. 30 5 .................... 17 – MISSÃO DA ESCOLA ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................. 13 – APRESENTAÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO ..... 21 IX X XI XII – OBJETIVOS ............................. 15 – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO ........................................ 20 VIII – DIAGNÓSTICO DA ESCOLA E REALIDADE CONTEXTUAL ....................................... 25 – RECURSOS HUMANOS ............................................ 23 – ORGANIZAÇÃO ESCOLAR ............................................................................................................. 7 ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO ................................................................ 12 – SUMÁRIO ........................................................................... 14 – INTRODUÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO ................................................................................ 19 – HISTÓRICO DA ESCOLA .........................PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores SUMÁRIO DEDICATÓRIA APRESENTAÇÃO ............................................ 27 XIII – RECURSOS MATERIAIS ........... 29 XV – PARCERIAS: FAMÍLIA E COMUNIDADE ................................................ 28 XIV – AVALIAÇÃO ..................................................

.......................................................................................................................................................................................................................... 37 BIBLIOGRAFIA ............................. 31 XVII – ANEXOS ................................................... 45 6 ....................................................................PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores XVI – BIBLIOGRAFIA ................................... 35 ELABORAÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: DA CONCEPÇÃO À CONSTRUÇÃO ................................................................................. 32 TEXTO DE APOIO .........................

recursos educativos e organização específicos para atender as suas necessidades. Lazer. decisivamente.”. pesquisadores. que é a defesa dos direitos dos portadores de deficiência. que possibilite o pleno desenvolvimento das potencialidades de nossos educandos. Somente com a integração desses serviços estaremos caminhando para o cumprimento da concepção filosófica de nosso Movimento Apaeano. tais como Saúde. o estudo também pretende facilitar a integração das demais áreas de abrangência que compreendem o atendimento global ao educando portador de deficiência. Esporte. congressos. sem esquecer o compromisso com a busca de uma educação mais igualitária e mais justa a todos os cidadãos brasileiros é o objetivo maior deste documento que. métodos. seminários.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores APRESENTAÇÃO A garantia do atendimento educacional de qualidade. técnicas. Mais do que um caminho para a prática pedagógica das escolas especializadas. para a melhoria da qualidade de atendimento educacional ao portador de deficiência em cada escola de nosso Brasil. mantidas pelas APAEs. Em cumprimento ao preceito legal. Construir o Projeto Pedagógico de cada uma de nossas escolas. irá balizar a atividade pedagógica das escolas das APAEs e contribuir.. técnicos. análises. discussões. alicerçado nos princípios normativos da legislação vigente. e que somam mais de duas mil em todo o país. trocas de experiências. ouvindo professores. Cultura. considerando a necessidade de se estabelecerem parâmetros nacionais comuns para a definição das ações educativas das APAEs. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação considera a Educação Especial como “Modalidade de Educação Escolar” e em seu artigo 59 assegura – “aos educandos com necessidades especiais currículos. tem sido o grande desafio das escolas especializadas. Flávio José Arns Presidente Gestão 1999-2001 7 . órgãos executivos da educação cujo resultado final é o documento que agora apresentamos: a APAE Educadora: A Escola que Buscamos. a Federação Nacional deu início a uma série de encontros. esperamos. Trabalho e Assistência Social.

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores 8 .

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO 9 .

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores 10 .

Organização Curricular XII – Recursos Humanos XIII – Recursos Materiais XIV – Avaliação XV – Parcerias: família e comunidade XVI – Bibliografia XVII – Anexos 11 . 3. 2. Da Escola – Missão da Escola VI VII – Histórico da Escola VIII – Diagnóstico da Escola e da Realidade Contextual IX X – Objetivos – 1. Organização Administrativa 2. Princípios Norteadores Epistemológicos Didático-pedagógicos Éticos Estéticos XI – Organização Escolar 1.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO I II III IV V – – – – Folha de Rosto do Projeto Político-Pedagógico Sumário do Projeto Político-Pedagógico Apresentação do Projeto Político-Pedagógico Introdução do Projeto Político-Pedagógico – Dados de Identificação 1. Da Mantenedora 2. 4.

...... pode escolher um título para o seu projeto..... uma espécie de pensamento que situe.. ao construir seu Projeto Político-Pedagógico... ou seja....................... a marca que pretende cunhar junto à comunidade....PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores I – (FOLHA DE ROSTO) ESCOLA...................... caracterize e evidencie a identidade daquela escola.. 12 .................. (Nome da Escola) PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO ESCOLA E QUALIDADE DE VIDA: UMA PEDAGOGIA DIFERENCIADA EM PROL DA EDUCAÇÃO UNITÁRIA* (Título do Projeto) (Local e data) * Cada escola..

............ deverá ser feito um novo sumário... na folha seguinte........ 17 1...... indicando as subdivisões do documento e as páginas correspondentes à localização das partes do projeto.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores II – SUMÁRIO O Sumário constitui-se na distribuição das partes do trabalho. A referência principal são os títulos e..... tabelas e gráficos.......... subtítulos... 13 . se houver.... Ressaltamos que o sumário é a última parte a ser feita............... Exemplo: Capítulo I Da indiferença às diferenças nas pedagogias diferenciadas: Itinerários ................................1 O atendimento diferenciado ao aluno com dificuldades de aprendizagem.23 Se houver ilustrações............ no qual serão feitas as devidas enumerações das páginas correspondentes........ uma vez que o trabalho deverá estar completo e todo paginado para a elaboração definitiva do mesmo..........

sendo o Projeto Político-Pedagógico um dos instrumentos de identidade da escola. Devemos compreendê-lo como uma posição política frente à sociedade. Que a identidade da escola. ele possibilita transformar em realidade social o compromisso de fazer acontecer de fato “o direito de todos a uma educação de qualidade”. técnicos. ao buscar a identidade para sua escola. refletindo os princípios norteadores propostos pela APAE Educadora. os educadores devem ter clareza que é a partir dele que serão construídos os Projetos Pedagógicos (currículo e outras necessidades pontuais de atividades complementares ou não). participação e conclusão coletiva de uma equipe comprometida com os resultados educacionais e que. que tem como princípio a promoção e inclusão social de pessoas portadoras de deficiência. a particulariza perante as demais. respaldado pela legislação vigente (citar a legislação) e que representa um conjunto de esforços de educadores.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores III – APRESENTAÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO A apresentação do Projeto Político-Pedagógico da escola da APAE deve expressar os resultados das reflexões. concretizando uma educação democrática de qualidade. liberdade e auto-realização. Não podemos entendê-lo como uma redundância semântica. O Projeto Político-Pedagógico1 deve expressar que a filosofia da escola ratifica a filosofia do Movimento Apaeano. Por conta disto. Deve-se destacar que o Projeto está em consonância com a proposta da APAE Educadora. é importante evidenciar as dimensões do Projeto Político-Pedagógico em sua totalidade institucional. É importante ressaltar que. no entendimento de que “o processo educacional é parte fundamental e determinante na formação do cidadão” e que seu desenvolvimento se dá pela crença nas possibilidades transformadoras da educação que propiciam independência. 14 . 1 Segundo Osório. famílias e pessoas portadoras de deficiência no sentido de romper barreiras e limitações historicamente construídas para o exercício da cidadania. reafirma nas suas práticas educativas cotidianas com alunos e familiares o compromisso com a conquista de direitos e cidadania para os educandos portadores de deficiência atendidos pelas escolas das APAEs.

que desafiam a si própria. no sentido de assegurar às pessoas portadoras de deficiência oportunidades de aprendizagem. É necessário fazer uma análise da função social da escola. o uso adequado de diferentes formas de comunicação.394/96 que asseguram a todas as pessoas o direito à educação. inovadoras. sistemas e redes de ensino. ocupem espaços sociais onde possam realizar suas competências. tornando-se. independente das condições biopsicossociais dos educandos. Devese expressar de forma clara os níveis e modalidades de educação que serão ofertados pela escola. co-responsável pela afirmação do processo de democratização da educação. a capacidade de planejamento. na atual conjuntura política e econômica do país. a organização. que visa oferecer à comunidade ações educacionais diferenciadas. habilidades e tenham assegurados seus direitos como cidadãos (pode-se também incluir outros dados do Movimento Apaeano – manuais do Projeto Águia). É necessário ressaltar a relevância do aspecto educativo para o desenvolvimento e promoção de crianças e jovens portadores de deficiência. A introdução deve explicitar que a atual conjuntura social e econômica surge em meio às mais significativas transformações de base material da sociedade. portanto. o exercício de atividades em grupo. jovens e adultos portadores de deficiência. propiciando ao leitor a compreensão de que os momentos de reflexão e discussões da equipe permitiram à escola da APAE a construção de um planejamento. A Introdução deve expressar que o Projeto Político Pedagógico da escola está integrado à proposta da APAE Educadora. audaciosas. identificadas como uma nova revolução industrial cuja base científica é dada pela microeletrônica e cuja expressão tecnológica se traduz na automação de processos 15 . na medida em que. desenvolvendo metodologias e formas de aprendizagem que estimulem a autonomia. para que a escola propicie a apropriação ativa dos conhecimentos científicos e tecnológicos construídos pela humanidade. a flexibilidade.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores IV – INTRODUÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO A introdução do Projeto Político-Pedagógico deverá explicitar de forma clara seu objetivo. adaptando suas práticas aos anseios e necessidades de seus educandos e demonstrando uma nova identidade (discorrer sobre a identidade que busca). É importante incluir os dispositivos da LDB 9. execução e avaliação em uma realidade que ainda apresenta grandes disparidades sociais e de oportunidades educacionais para com os seus cidadãos. a determinação. como instituição educativa que exerce cidadania para garantir que as pessoas portadoras de deficiência sejam respeitadas nas suas diferenças. a criatividade. a auto-defensoria. Também reafirmar a missão do Movimento Apaeano ao longo de sua história. desenvolve uma proposta educacional emancipadora e estabelece o diálogo com instituições. à luz dos seus princípios educacionais. comprometendo-se com a aprendizagem e inclusão social de crianças. a iniciativa.

42). 11): “a escola é o lugar de concepção. Daí a necessidade de a escola contar com instâncias superiores para as condições básicas necessárias ao seu funcionamento. marcando como afirma Saviani (1997. funcionalidade e significado social. estadual e. assim. Que o projeto é resultado de auto-reflexão e pensar crítico do grupo e expressa a voz e a vez de cada participante do universo escolar. uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos”. envolvendo múltiplas parcerias socioeducacionais devido à força consensual em que se constrói. deve assumir sua responsabilidade como instituição educadora que num processo constante de avaliação procura assegurar aperfeiçoamento. realização e avaliação de seu projeto educativo. Deve-se deixar claro que o Projeto Político-Pedagógico valida-se pelas ações construídas no e pelo coletivo da comunidade escolar. do município). aos conflitos que são superados e aos princípios que são elaborados e definidos como eixos estruturadores de ações. mas cuja realização pressupõe a participação democrática de outros setores e o exercício da cidadania crítica de outros atores. conforme afirma Passos (1995. Pode-se ainda ratificar que a construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico da escola é uma das condições básicas para o exercício pleno da cidadania e democratização dos processos educativos escolares”. 16 . um projeto que não é sequer pensável sem a participação ativa de professores e de alunos. “A construção da escola democrática constitui. E para finalizar pode-se ainda afirmar que é na escola que se realiza um projeto educacional maior em direção a um projeto emancipador de sociedade. p. nacional. Portela e Atta2 (1988) “explicam que a proposta pedagógica pode ser concebida como a própria escola em movimento. é neste movimento pedagógico que a escola constrói sua autonomia e afirma sua identidade junto à sociedade na qual está inserida. 232) “a vida social em seu conjunto” (aqui pode-se acrescentar dados relativos à educação e educação especial. Porém.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores produtivos. não sendo portanto obra que possa ser edificada sem ser em co-construção” (Lima 2000. principalmente. p. p. 2 Retirado da deliberação nº 14/99 do CEE-PR.

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores V – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO 1. Dados da Mantenedora 1. S – Nº: Certificado de Fins Filantrópicos – Nº: 1.: Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de (município) 1. Presidente Nome: Endereço: CPF – Nº: R. CGC 1. – Nº: 17 . Registros C.G. N.2.: Fax: E-mail: 1. Data da Fundação Data em que foi fundada a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE 1.3. Utilidade Pública Municipal – Nº: Estadual – Nº: Federal – Nº: 1.6.7. Telefone/Fax/Email Tel.1. A.8.5.4. Endereço completo Nº: Rua: Bairro: CEP: 1. Mantenedora Ex.

Delegacia ou Subdivisão de Ensino (conforme é chamado no Estado) 2.2.7.: Os níveis e modalidades elencados devem ser caracterizados e descritos de forma detalhada no interior do projeto. Nível de Ensino Ofertado 2.9.Ensino Fundamental · Escolarização inicial – 1ª fase ( ) · Escolarização de Jovens e Adultos – 1ª e 2ª fases ( ) · Programas Pedagógicos Específicos ( ) 3.5. Telefone/ 2.: Escola de Educação Infantil. Etapas. Divisão. Nome da Escola Ex. Data de Criação da Escola (se tiver) 2. Pode-se incluir um pequeno mapa de localização da escola no município. Dados da Instituição Escolar 2. Autorização de Funcionamento 2.3.8. Turno de Funcionamento 2. Nº 82/38 Data: _ _ _/ _ _ _ / _ _ _ Manhã: das 8h00 às 12h00 Tarde: das 12h30 às 16h30 ( ) outro Educação Básica 1.11.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores 2. zona urbana.1. Localização: Fax/ E-mail 2. Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional. Descrever somente os níveis e modalidades que a escola oferece ou efetivamente vai oferecer. 18 . Reconhecimento 2.6. Endereço completo 2. Nº: _ _ _ _ _ _ _ Portaria Nº _______de ___/___/____ Deliberação do Conselho Estadual de Educação – CEE (se tiver). rural e outros dados de acesso.Educação Infantil · Educação Precoce de 0 a 3 anos ( ) · Educação Pré-escolar 4 a 6 anos ( ) 2.Outros Projetos Educacionais ( ) Obs.Educação Profissional – Nível Básico · Iniciação Profissional ( ) · Qualificação Profissional ( ) · Colocação no Trabalho ( ) 4.10. (Ver orientação dos Conselhos/Secretarias Estaduais de Educação quanto ao nome da escola) Rua Bairro CEP Tel: ( ) Fax: ( ) E-mail: Indicar a localização da escola. Ensino Fundamental. Fases e Modalidades de Ensino/ Programas e Projetos Específicos da Educação Básica Propostos pela Escola. Nome: Endereço: Telefone: _ _ _/ _ _ _ / _ _ _ Deliberação do Conselho Estadual de Educação – CEE (se tiver).4. 2.

Deve-se também levar em conta a sua intenção como instituição educacional.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores VI – MISSÃO DA ESCOLA É muito importante expressar de forma clara a missão da escola. Dessa forma. modalidades de ensino e atendimentos. que permeia os níveis de ensino e interage com as modalidades de Educação e ensino de forma que responda às peculiaridades dos educandos portadores de deficiência que atende ou se propõe a atender. na seqüência. níveis. a definição da missão deve ser clara o bastante para responder à seguinte indagação: para que existe a escola? 19 . contemplando as áreas de abrangência. ressaltando a Educação Especial como modalidade de educação escolar. apresentar a missão da escola propriamente dita. que deve indicar sua finalidade e razões de sua existência. Para descrever a missão. a escola pode partir da missão da APAE (Projeto Águia) e. finalidades e funções na comunidade.

como educadores. pode-se ainda descrever como a escola historicamente visualizou seu aluno.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores VII – HISTÓRICO DA ESCOLA Este espaço possibilita à equipe resgatar a trajetória da associação mantenedora e da instituição escolar quanto à sua participação na e para a continuidade. destacando fatos históricos e experiências bem-sucedidas que construíram sua identidade e relevância no município. incluindo os elementos facilitadores e/ou dificultadores do processo. assim como as conquistas para os respectivos atendimentos e melhoria da qualidade do trabalho. incluindo prêmios ou menções honrosas recebidos pela instituição. 20 . Pode-se também resgatar nomes de pessoas que fizeram parte da caminhada. que contribuíram para o reconhecimento da APAE e. para o fortalecimento do Movimento Apaeano na defesa de direitos das pessoas portadoras de deficiência. o papel de pessoas e profissionais. É importante enfatizar os tipos de atendimento dispensados pela escola desde sua fundação/criação. Neste item. conseqüentemente. pais. abrindo-se um item específico para cada aspecto relevante do processo. voluntários e segmentos envolvidos com o desenvolvimento de ações educacionais.

É importante ainda diagnosticar as situações conflitantes e desafios. 21 . voluntários e comunidade onde está inserida a escola. nas parcerias e articulações com as famílias. capacitação de professores e outros elementos relevantes para o processo educacional. eficácia e efetividade na educação que oferece. anseios. desenvolvimento de pesquisas. assim como a buscar alternativas para o alcance da eficiência. dinâmica curricular. comunidade. na estrutura. organização e funcionamento. Constitui-se em um momento de interlocução com todos os atores envolvidos no processo educacional. As informações podem ser obtidas por meio de entrevistas. dos contextos interno e externo da escola. o diagnóstico será construído a partir de dados da realidade.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores VIII – DIAGNÓSTICO DA ESCOLA E REALIDADE CONTEXTUAL Esta fase de construção do Projeto permite à equipe fazer uma radiografia da realidade. para definição e organização de sua proposta. que inclui abordagens didáticas e pedagógicas. procedimentos propedêuticos (níveis e modalidades de ensino). definição de espaço e tempo escolar. baseando-se na história da escola. nas experiências de seus diferentes profissionais e serviços especializados. práticas avaliativas. reduzindo as possibilidades de insucesso administrativo e pedagógico. tais como as famílias. alunos. na prática pedagógica cotidiana. entre outros dados de relevância para a compreensão de escola como unidade educativa. reuniões. Enfim. conquistas e superações. os tipos de deficiências que a escola atende e/ou deve atender (conforme demanda). É necessário identificar e categorizar as demandas existentes. O diagnóstico conduz a equipe e dirigentes a otimizar recursos. instituições públicas e privadas da sociedade civil. educadores. aplicação de questionários. entre outros meios que permitam à escola caracterizar suas forças e fraquezas e traçar o perfil de sua realidade. assim como as expectativas.

Os objetivos específicos são menos abrangentes e representam uma espécie de degrau para se chegar aos gerais.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores IX – OBJETIVOS Os objetivos desempenham relevante papel na construção do Projeto PolíticoPedagógico e ações a serem desenvolvidas na escola. São considerados “gerais” porque dizem respeito a comportamentos que não se traduzem por ações específicas de assimilação imediata. a partir de informações obtidas por meio de diagnósticos contextuais. dependendo do seu nível de abrangência. conforme princípios e orientação da Educação Especial. da Proposta de Educação de Jovens e Adultos e da Educação Profissional/MEC e adequá-los às possibilidades dos educandos. 22 . os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental. São prioridades que direcionam o trabalho da escola. a seleção de objetivos educacionais pode ter como referência a LDB nº 9. ações ou valores que constituem a finalidade. os objetivos devem ser elaborados de forma coerente com a realidade identificada e caracterizada. por isso.394/96. o Referencial Curricular para a Educação Infantil. maior tempo para o seu alcance. No caso da construção do Projeto Político-Pedagógico. É oportuno acrescentar que os objetivos podem ser classificados em gerais e específicos. demandando. A forma infinitiva facilita a inserção do aluno na condição de sujeito por representar a ação pura e simples. Os objetivos gerais são amplos e contemplam um conjunto abrangente de habilidades. Recomenda-se que a redação dos objetivos seja iniciada com um verbo no infinitivo de modo que expresse a ação desejada. portanto.

Didático-Pedagógicos Os princípios didático-pedagógicos estão estreitamente relacionados aos epistemológicos. quer na escola da APAE. Epistemológicos Do grego. ou seja. pois as práticas e ações pedagógicas executadas no dia-a-dia da sala de aula refletem e consolidam os princípios epistemológicos (concepção metodológica) assumidos pela escola. Os princípios epistemológicos para a construção do Projeto Pedagógico dão sustentação à organização e dinâmica curricular. família e demais segmentos da sociedade. Segundo Becker (1996. para que a compreensão da abordagem teórica não seja esvaziada por uma abordagem empirista. Ephysteme significa conhecimento. como serão trabalhadas as questões voltadas para o ensino-aprendizagem. p.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores X – PRINCÍPIOS NORTEADORES É o conjunto de princípios que dão identidade à escola e que têm caráter permanente. Na identificação dos princípios epistemológicos norteadores de ações. 12). Neste documento. a necessidade de estudos por meio de encontros. Por isso. “o ponto alto do empirismo é o teste da experiência. a fragilidade do seu oposto: a fundamentação da experiência”. discussões. É o estudo crítico e reflexivo dos princípios. Mas a grandeza deste ponto alto revela. apresentamos quatro grupos de municípios para serem compreendidos de forma integrada. além dos pressupostos epistemológicos adotados com vistas à inclusão educacional desses alunos e sua permanência e sucesso. estrutura e evolução das ciências. orientando o processo metodológico de construção e veiculação de conhecimentos. Deve ser lembrado ainda para se considerar o conceito de educação para a vida. 2. no qual todos os espaços da escola destinam-se a propiciar o desenvolvimento de talentos e experiências de aprendizagens. métodos. As escolas deverão neste campo esclarecer a concepção adotada para consecução e resolução das questões educacionais relacionadas à pessoa portadora de deficiência. para garantia de direitos de escolha. avaliação e aperfeiçoamento da proposta pedagógica. quer no ensino regular. imediatamente. pressupostos. participação. O Projeto deve possibilitar uma ampla comunicação entre a escola. acompanhamento. a escola revelará como se dá a apropriação de conhecimentos pelo aluno. servindo como orientadores de todos os planejamentos e projetos desenvolvidos na escola. 1. inclusive com a utilização de recursos da Internet. 23 .

sujeito x sujeito e não sujeito x objeto. conforme pauta o documento da UNESCO “Educação – um Tesouro a Construir” (2000. no sentido de valorizar as práticas já existentes e as atitudes interdisciplinares necessárias à ressignificação das abordagens atuais. porém inerentes ao papel da escola e voltados para a construção de um ser humano feliz e realizado” (Manata. Esse princípio complementa os anteriores. A compreensão do papel exercido pelo professor e alunos na busca do saber deve ser salientado. 4). A relação aluno x professor na apropriação de conhecimentos deverá ser uma relação de ajuda e respeito. uma vez que serão apontados “valores mais próximos à realidade da escola. é imprescindível a criação de um ambiente favorável que estimule a vivência de valores éticos por todos que fazem parte da comunidade escolar como pais.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores Nesse sentido. 4. 16). entre outros. direção. dentro das suas possibilidades. ao longo da vida. a curiosidade. por meio de reflexão e/ou práticas culturais. envolvendo todos os segmentos que participam de forma direta ou indireta da vida da escola. Éticos Para explicitar os princípios éticos. ou fora dela. alunos. 3. Estéticos Os princípios estéticos deverão estar voltados para o desenvolvimento de ações que estimulem a criatividade. em relação àqueles considerados universais. Como sugestão. a escola poderá ainda elaborar seu código de ética (uma espécie de agenda). 24 . a escola cada vez mais deve investir no “saber” e no “saberfazer”. 2000. p. a emoção e as diversas manifestações artísticas e culturais. professores. referencial teórico pautado nas ciências que permite a criticidade nas diversas formas pelas quais os conteúdos são tratados e o respeito aos referenciais de conhecimentos adquiridos na escola. p.

também. o regime escolar. Organização Curricular A Proposta Pedagógica deverá explicitar os níveis e modalidades educativos no seu aspecto curricular. Este tópico expressa a “espinha dorsal” do Projeto Político-Pedagógico da escola da APAE. Explicitar. com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores XI – ORGANIZAÇÃO ESCOLAR A organização escolar poderá ser explicitada com apoio de organogramas em três ou mais situações. incluindo níveis e modalidades de ensino que serão trabalhados. função na escola. atribuições e regime de trabalho). Os níveis hierárquicos do Movimento Apaeano situam a APAE no município e. a caracterização dos educandos que serão atendidos. o quadro de funcionários. 1. na seqüência. a organização das equipes pedagógicas e administrativas. 25 . conforme entendimento e decisão da equipe.) 2. b) A figura 4 da APAE Educadora. as articulações da escola com outras escolas “apaeanas” e/ou outras instituições da comunidade. destacando os níveis e modalidades de atuação da APAE Educadora nesse contexto. descrever a vinculação da escola com a mantenedora. médio e longo prazos. os projetos em andamento ou que se pretende implantar a curto. demonstrando que as áreas de saúde e assistência social são atividades complementares e de apoio aos objetivos educacionais. apresentando o calendário pedagógico da escola para o ano letivo (o calendário deve ser funcional em consideração às necessidades dos alunos e à dinâmica da escola. serviços de apoio internos e externos na escola. contextualizadas de forma interdisciplinar. SENAC/SP). a) Pode ser apresentada a figura 3 da Proposta da APAE Educadora: A Escola que Buscamos (2001.394/96. Organização Administrativa Para iniciar a explicação deste item pode-se considerar a figura 1 da APAE Educadora. técnicos e professores (formação. caracteriza sua estrutura organizacional destacando níveis e modalidades de educação e ensino. portanto. c) O terceiro organograma pode ser elaborado pela equipe responsável pela construção do Projeto Político-Pedagógico e deve retratar a organização e funcionamento da escola. que mostra a estrutura da educação nacional. pode-se explicar as formas de gestão da escola para realizar os seus objetivos (sua dinâmica organizacional). faixa etária e programas educacionais propostos pela APAE Educadora para orientar a organização das escolas das APAEs.

) serão garantidos? Que metodologias serão utilizadas e criadas para desenvolver as aulas com competência e com compromissos técnicos e políticos? Quais os apoios especializados que serão colocados em prática na proposta curricular? Como garantir-se-á a continuidade curricular. ao construir sua Proposta Pedagógica. deve explicitar em cada fase os níveis e modalidades de ensino com os respectivos objetivos e conteúdos. – – – – Os objetivos gerais e específicos para cada nível e modalidade de educação e ensino. 26 . acompanhamento. Avaliação. conforme as áreas de conhecimento. Educação Profissional e Educação de Jovens e Adultos. II. Os conteúdos curriculares para cada nível e modalidade de ensino. Os documentos produzidos pelo MEC para os diferentes níveis constituemse em referenciais de relevância para o planejamento e organização curricular das escolas das APAEs. se perguntar: quais os compromissos educacionais com os seus educandos? O que esperam que eles aprendam durante os anos de escolarização? Quais as competências nas quais a escola vai investir? Que conteúdos (conhecimentos científicos e tecnológicos. as metodologias. primeiramente. Organização didática e o desenvolvimento de habilidades e competências educacionais. Ensino Fundamental. A escola. atitudes/ valores. os materiais e os resultados? Como será a certificação do aluno. habilidades. o desenvolvimento curricular em relação a espaço e tempo? Tomando como base as Diretrizes Curriculares Nacionais do Conselho Nacional de Educação para Educação Infantil. os procedimentos. Ao organizar este item a escola deve. III) para o desenvolvimento de sua ação educacional. etc. que metodologias e processos pedagógicos serão utilizados para garantir o trabalho pedagógico diferenciado com educandos portadores de deficiência? Qual a proposta para Educação Profissional e os mecanismos de inserção no mundo do trabalho? Quais os programas e projetos pedagógicos específicos/funcionais que serão desenvolvidos? Na organização curricular poderão ser apresentados os aspectos abaixo relacionados. apoio e terminalidade? Como dar-se-á a avaliação da escola e. na escola.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores A APAE Educadora propõe três fases (I.

É importante observar como são feitas as admissões dos profissionais na escola (indicação. além do diagnóstico da situação atual. análise de curriculum vitae. um plano que democratize as oportunidades de formação inicial e continuada. faz-se necessário pensar em uma política institucional para assegurar um quadro de profissionais qualificados na perspectiva da formação/educação continuada e emancipadora. O Projeto Político-Pedagógico deverá apresentar todas as diferentes situações de trabalho como formação. a competência e as responsabilidades dos profissionais que atuam na escola e como a instituição/escola contribui para o que se pretende. Um projeto pedagógico sustenta-se. compatibilização de formação com a função e níveis de atuação. cursos e aperfeiçoamento). É importante que a associação mantenedora participe efetivamente na construção das condições. Essa política requer. objetivos e plano de formação e capacitação). período de estágio para experiência). situação funcional. teste seletivo. efetiva-se e aperfeiçoa-se por meio de seus profissionais e gestores. Obs.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores XII – RECURSOS HUMANOS Os recursos humanos são os diferentes profissionais ou grupos de profissionais responsáveis pelas ações da escola. entrevistas.: Neste item deve ficar claro qual o grau de formação. Portanto. definir e sistematizar formas de garantir a participação de todos num processo de qualificação educacional. capacitação e socializações de conhecimentos adquiridos em cursos e outras experiências. 27 . os critérios para acompanhamento e avaliação (de experiências no trabalho. as estratégias internas para liberação de professores para atividades de formação. assim como a garantia de socialização das experiências e contribuições adquiridas pelos profissionais em diferentes possibilidades. (Durante a construção do Projeto Político-Pedagógico é o momento de rever os processos de formação dos profissionais até então realizados para discutir.

dentre outras que se caracterizam como instrumentos de comunicação e aprendizagem. troca. à utilização das diversas dependências da escola. em especial. quadra de esportes. de autoria de Ana Lúcia Goulart de Faria. Descrever a existência e uso da Biblioteca como núcleo cultural e ambiente facilitador das aprendizagens interativas dos alunos e locus de apoio para formação e aperfeiçoamento de profissionais. como o mobiliário. computador. doações. local de merenda. reposição etc. Descrever também a estrutura e organização da escola com relação à realização de suas finalidades pedagógicas. destacando: – – – – – – – – O quadro de ocupação é compatível com a realidade física? As salas de aulas e atividades específicas têm sua utilização garantida para os fins a que se destinam? As carteiras são adequadas? A iluminação e a ventilação das salas e ambientes são aceitáveis? O pátio de recreação atende à clientela a que se destina? Existe espaço físico para as aulas de Educação Física? As medidas de higiene e limpeza estão adequadas? Como é prevista a utilização da biblioteca. cantina. pós-LDB: Rumos e desafios). 28 . É fundamental estar atento às questões de segurança tanto no que diz respeito ao acesso. sala de vídeo. famílias e comunidade.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores XIII – RECURSOS MATERIAIS A escola deverá compatibilizar sua estrutura física. além de numerar. no livro Educação Infantil. a democratização e acesso aos materiais e serviços. como dos materiais didático-pedagógicos. vídeos. critérios de aquisição. Recomendamos. descrevendo a estrutura física e funcionamento. cadastrar os materiais e listar os serviços de apoio. acolhedor e propício à aprendizagem. laboratório e outros espaços da escola? (É importante. como televisão. Internet. conservação e manutenção destes. “O espaço físico como um dos elementos fundamentais para uma pedagogia da Educação Infantil”. Usar das novas tecnologias. mecanismos de controle. a organização do espaço físico de forma a proporcionar um ambiente agradável. registrar. a leitura do capítulo IV.

dos professores e da escola (comunicação escola-família). assumindo uma perspectiva diagnóstico-formativa e emancipatória. Carlos C. terminalidade específica. Para ampliar os referenciais sobre avaliação sugerimos alguns autores e estudiosos(as): Izabel F. é fundamental a participação de todos os envolvidos no processo de aprendizagem. Perrenoud. À luz da fundamentação sobre avaliação detalham-se os critérios de entrada na escola. fases. sistemática e emancipatória. aprendizagem e avaliação. Dado aos princípios norteadores da APAE Educadora. a natureza do alunado. Quanto à avaliação institucional do Projeto Político-Pedagógico é importante prever alguns delineamentos de avaliação institucional. Para garantir que a avaliação se efetive de forma compartilhada. A avaliação do Projeto PolíticoPedagógico deve estabelecer critérios para avaliação de resultados quantitativos e qualitativos que permitam identificar os bloqueios para as devidas reformulações. Celso Vasconcelos. O acompanhamento e avaliação do desenvolvimento do Projeto PolíticoPedagógico deve ser contínuo. Descrever as metodologias de envolvimento de profissionais e famílias no processo de avaliação dos educandos.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores XIV – AVALIAÇÃO A avaliação será desenvolvida em duas dimensões: uma destinada a avaliar o Processo Educacional de Ensino/Aprendizagem e a outra para avaliar a execução e resultados do Projeto Político-Pedagógico da escola. contínua. Sugerimos assegurar coerência entre os princípios educacionais assumidos pela escola na fundamentação teóricometodológica e a fundamentação relativa à avaliação. conclusão. capaz de realimentar o processo e voltado para o alcance dos objetivos propostos. Charles Hadji. e certificação para o aluno. Luckesi. Para contextualizar a avaliação do Processo Educacional de Ensino/ Aprendizagem. sugerimos que a equipe busque apoio em autores(as) que abordam a questão da avaliação da educação e também da Educação Especial. 29 . entre outros. demonstrando como se articulam para concretizar a prática pedagógica e os resultados de aprendizagem. as especificidades pedagógicas. Cappelletti. É importante explicar as formas de sistematização das informações avaliativas e seus respectivos modos de utilização. Mere Abramowicz. Ana Maria Saul. Paulo Freire. P. Marli André. no Projeto Político-Pedagógico é importante fundamentar as concepções de ensino. Targélia Albuquerque. etapas. de encaminhamentos.

(Neste espaço deve-se descrever a participação dos pais e/ou responsáveis na construção e execução do Projeto Político-Pedagógico. participação. artísticas. Deve-se ainda definir e articular ações destinadas à realização de atividades culturais. família e sociedade. avaliação e aperfeiçoamento. o estabelecimento de parcerias pedagógicas e as prestações de contas à sociedade dos investimentos feitos. pedagógicas.) 30 . buscando integração entre escola-famíliasociedade. esportivas de forma conjunta. acompanhamento. o Projeto Político-Pedagógico deve possibilitar uma ampla comunicação entre escola. as ações que a escola desencadeia para a aproximação das famílias e comunidade de forma sistemática e ativa no processo educacional.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores XV – PARCERIAS: FAMÍLIA E COMUNIDADE Para garantia do direito de escolha.

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores XVI – BIBLIOGRAFIA Relacionar os livros. entre outros. documentos. Lembramos a observação das normas da ABNT. publicações. que foram consultados para a elaboração do Projeto Político-Pedagógico. 31 .

para as devidas orientações quanto ao Projeto Político-Pedagógico. e outros documentos que se fizerem necessários para a organização da escola. Sugerimos que façam contato com os Conselhos/Secretarias de Educação dos Estados. Ex. para cada anexo.) Os títulos e subtítulos sugeridos constituem-se apenas um modelo orientador para definição de um roteiro para o Projeto Político-Pedagógico proposto pela APAE Educadora para as escolas das APAEs. seja feita uma apresentação de sua finalidade. Desejamos a toda a equipe um bom trabalho e que a construção de cada Projeto Político-Pedagógico se materialize em ações que consolidem a cidadania da Pessoa Portadora de Deficiência.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores XVII – ANEXOS Neste espaço acrescentar todos os documentos que compõem o Projeto Político-Pedagógico. de acordo com a ordem em que eles são citados ou compõem o texto. Recomendamos que.: – – – – – – Carta compromisso da escola com a comunidade Atas Calendário escolar Regimento escolar Documentação escolar do aluno Outros documentos e registros relevantes (Os anexos devem ter um índice. Um grande abraço Equipe de Sistematização/FENAPAEs 32 .

DF Eliane Maria Bonato – diretora – Dois Vizinhos. SC Ivanilde Maria Tibola – Coordenadora Nacional de Educação. socializaram suas experiências e conhecimentos para construção de uma proposta que estabelecesse linhas norteadoras para as escolas das APAEs elaborarem seus Projetos Político-Pedagógicos. reuniões com profissionais de Educação em que. grupos de estudos. MG Rosimeire Rodrigues – professora – Ribeirão Pires. SP Maria Nilza Porto – professora – Florianópolis. RO Gláucia Aparecida C. Boaretto – Diretora APAE Poços de Calda. DF Eliane Ferrari – técnica – Secretaria de Educação – Brasília. RN Equipe de análise e definição de roteiro Alzira Correia da Silva – Coordenadora Educacional-Pedagógica – RN Ana Paula Rodrigues Coutinho – Coordenadora Educacional-Pedagógica – RJ Ana Rosa Rodrigues de Souza – Coordenadora Educacional-Pedagógica – PI Ângela Rodrigues Colla – Coordenadora Educacional-Pedagógica – RS Caren Castelar Queiroz – Coordenadora Educacional-Pedagógica – DF Celene Câmara de Oliveira – Coordenadora Educacional-Pedagógica – AM Edivone Meire Oliveira – Coordenadora Educacional-Pedagógica – CE Ivanete Santos de Sá – Coordenadora Educacional-Pedagógica – MA Geneci Marchi – Coordenadora Educacional-Pedagógica – MS Giovani Silva Berger Tonoli – Coordenadora Educacional-Pedagógica – ES Leni Aparecida de Almeida de Meneses – Coordenadora Educacional-Pedagógica – GO Leonice Moura – Coordenadora Educacional-Pedagógica – SP 33 . Brasília. Equipe de discussão e planejamento Leonice Moura – Coordenadora Educacional – SP Aracy Maria da Silva Ledo – professora Consultora – RS Lucelia Andreola – professora – Ji-Paraná. Brasília. DF Selma Morais Pinheiro – Coordenadora Educacional – DF Maria Helena Alcântara de Oliveira – Coordenadora Nacional de Educação Profissional.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores A CONSTRUÇÃO DA PROPOSTA A presente proposta é resultado de conclusões de encontros. num esforço conjunto. PR Maria Alzira Correia da Silva – professora – Natal.

Brasília. DF Glaúcia Aparecida Costa Guaretto –Diretora APAE de Poços de Caldas.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores Liana Terezinha Steffen – Coordenadora Educacional-Pedagógica – PR Maria da Conceição Silva de Souza – Coordenadora Educacional-Pedagógica – AC Maria do Carmo Menicucci – Coordenadora Educacional-Pedagógica –MG Maria Milcleia Gonzaga Aragão – Coordenadora Educacional-Pedagógica – SE Marlene F. MG Ivanilde Maria Tibola – Federação Nacional das APAEs. DF Coordenação geral: Ivanilde Maria Tibola – Coordenadora Executiva da Federação Nacional das APAEs. DF 34 . Brasília. Magalhães – Coordenadora Educacional-Pedagógica – PA Mauricéa Lusiana Machado – Coordenadora Educacional-Pedagógica – SC Nalzira de Fátima da Silva – Coordenadora Educacional-Pedagógica – RO Rosianne Silva Walter – Coordenadora Educacional-Pedagógica – AP Silvia Regina Alves Germano – Coordenadora Educacional-Pedagógica – PB Suely de Melo Calixto Caldas – Coordenadora Educacional-Pedagógica – BA Tania Mª Maciel Guimarães – Coordenadora Educacional-Pedagógica – MT Vilma Silva Lima – Coordenadora Educacional-Pedagógica – TO Organização e sistematização: Eliane Ferrari – Técnica da Secretaria de Educação.

da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. para reflexão na construção do Projeto Político-Pedagógico.” Elaborado pelo professor Antônio Carlos Osório do Nascimento. fevereiro de 2001 35 . conforme orienta a APAE Educadora: a Escola que Buscamos.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores TEXTO DE APOIO “Elaboração do Projeto Político-Pedagógico: Da Concepção à Construção. Brasília.

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores 36 .

o início do novo século traz consigo dois elementos determinantes. as questões relacionadas às minorias sociais. até a menor unidade de organização social. desde os poderes instituídos. Nosso propósito nesses estudos tem sido mapear. trabalho e sociedade”. De um lado. dando um movimento ao tema proposto a partir de um conjunto de elementos históricos e atuais. independentemente de suas origens. particularmente. nacional. é necessário garantir algumas especificidades que o tema exige em sua totalidade e que fazem parte da realidade social brasileira. as teorias não conseguem dar respostas mínimas aos fenômenos que nos cercam. tendo como foco o portador de necessidades especiais e a Educação Especial pontualmente.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores ELABORAÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: DA CONCEPÇÃO À CONSTRUÇÃO OSÓRIO1. da melhor forma possível. ao analisarmos o nosso momento histórico. neste caso. busca-se um desenho de um Projeto Político-Pedagógico que dê conta de absorver a fundamentação e os princípios norteadores do Projeto APAE Educadora – A Escola que Buscamos. Antônio Carlos do Nascimento O presente artigo apresenta algumas reflexões oriundas de alguns resultados obtidos em pesquisas na área de “educação. podemos afirmar que sua formatação é que vivemos diferentes conflitos e que essa situação emanada de tantas contradições de cunho social é configurada sobre diferentes prismas. No cenário mundial e. do Centro de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. à construção de um Projeto Político-Pedagógico que dê conta de lidar com as especificidades e as dinâmicas internas próprias dessa construção. nos últimos anos. apoiando-se numa reflexão centrada nas diferentes análises de contextos que explicitam as políticas sociais implementadas nos últimos anos no Brasil. proposta para enfrentar os desafios da Educação Especial para os próximos anos. tendo como propósito uma leitura concreta de nossa realidade. 37 . Em síntese. Demarcada a importância da caracterização contextual. Frente a esse paradoxo. os elementos latentes na dinâmica que se anuncia como mediadora das diferentes crises. essas crises são consideradas em todas as ordens. Para dar conta dessa possibilidade. suas razões 1 Professor-Adjunto III do Departamento de Educação. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação.

vários conflitos vão surgindo e parece-me que menos respostas vamos tendo sobre os aspectos pedagógicos que envolvem esse campo do conhecimento. 97) essa atitude de recuperar algumas questões do processo histórico da humanidade nos leva: “a criar uma circulação de idéias e objetos culturais que pode ser mais bem compreendida quando analisada em termos de mundialização. Neste momento minha reflexão recai na compreensão que a maioria das pessoas trazem consigo. De início. que as políticas pensadas em torno da educação se processam dentro de um movimento próprio da sociedade e que não necessariamente. Rio de Janeiro: Record. em seu sentido amplo. Segundo Vieira2 (1997. margeiam os problemas a quem se destinam. Isso nos permite afirmar que esta e outras circunstâncias devem ser consideradas como inteiramente inacabadas. bem como as políticas públicas governamentais. pelo senso comum de seus próprios princípios. sobretudo. quais efetivamente são nossas possibilidades institucionais de exercer de fato essa tarefa em circunstâncias que sempre foram pontuadas de formas tão adversas aos interesses das pessoas portadoras de necessidades especiais? Frente à complexidade das dimensões de nossa indagação geral. enquanto uma das modalidades educacionais. ao tentarem desenvolver um trabalho pedagógico voltado para os portadores de necessidades especiais. idealizadora. a partir de princípios que facilitam “interpretar” e “enunciar” os motivos. logo de início. não resolvendo a realidade dos interessados. tendo sempre um referencial balizado por um propósito transformado. 2 Liszt VIEIRA. Isso nos facilita apontar. 1997. 38 . Cidadania e globalização. que em cada etapa da história têm se apresentado de forma cristalizada. desde que não se percam as relações da globalização com as instâncias de poder”. frente a diversidade de leituras sobre a Educação Especial e. no caso. podemos afirmar desde já que as políticas de educação no Brasil. embora tenhamos que reconhecer que nunca tivemos uma quantidade significativa de leituras da realidade. ao começar a enunciar sobre aspectos particulares da Educação Especial. são resultados de atos humanos. O sair do pensar e fazer. embora pareçam estar fixadas e preestabelecidas a partir de valores particulares. o pior. e não como difusão. São vários os questionamentos sobre a Educação Especial. aos portadores de necessidades especiais. num despropósito social. p. em torno de si e. como é na maior parte de sua história. representem atender as expectativas e os anseios daqueles a quem ela se destina. a indagação que surge volta-se para a seguinte questão: como desempenhar um trabalho pedagógico com esses atores sociais frente às políticas públicas de educação vigentes no país. Em síntese. mas que não dão conta de sinalizar algumas possibilidades de mudanças. a insistência conservadora e hegemônica de justificar os fenômenos oriundos dessa realidade. Entretanto. Por outro. nas diferentes áreas sociais.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores existenciais e verdades que representem. talvez da mesma complexidade que envolve as discussões dos diferentes níveis de escolaridades do ensino básico.

os fundamentos passam a exigir uma nova compreensão do significado e das dimensões do ato pedagógico. num movimento autônomo e próprio. Petrópolis: Editoras Vozes Ltda. da própria educação. então. que até então se apresentavam de forma latente. Nesse sentido. essa possibilidade de tornarem-se perceptíveis. sobrevivendo de diferentes formas. em níveis internos e externos. Breyvogel (1972) – tentativa de revisão da “escola de Berlim” e W. Caldera3 afirma que por tanto tempo percorremos os caminhos da história que: “A crise do homem é a crise do mundo que ele habita e o mundo muda porque o homem nele alojado transforma sua conduta histórica”. 3 Alejandro CALDERA. Heimann (1962) – Teoria da Educação Humanística. quando a educação escolar passa a ser concebida frente a um sentido amplo e restrito. tendo a vinculação ao mundo do trabalho e à prática social. de forma planejada e organizada de acordo com os recursos e procedimentos pedagógicos necessários. da Lei nº 9394/96). 39 . As respostas não se limitam aos dados quantitativos da realidade. o que só é possível a partir de um Projeto Político-Pedagógico. As contradições desse universo histórico-político sempre foram pontuadas. são aspectos que fazem parte de toda uma evolução do domínio do próprio conhecimento. permitindo ter mais clareza dos reais motivos em diferentes contextos da sociedade e. A presença dessa história “ressalta” ou subjaz. que nos permitem explicitar melhor as contradições da sociedade.. apontando que deve ocorrer predominantemente por meio do ensino. sempre privilegiam uma minoria que na maioria das vezes não está vinculada aos propósitos e aos interesses daquele segmento a quem se destinam. Shultz (1972) – “Teoria de Sistemas”. a educação brasileira começou a vivenciar através da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96) princípios incorporados por valores culturais latentes na sociedade e por dinâmicas que se fazem presentes na conjuntura mundial. estimulando uma atitude coletiva institucional. desvinculadas das diferentes dimensões e implicações educacionais. W. possibilitando uma leitura que extrapola as dimensões pedagógicas de alguns pressupostos teóricos tradicionais por alguns autores como P. Entretanto. por conseguinte. 1984. A busca de uma educação voltada às especificidades da clientela passou a ter uma explicitação concreta nos fundamentos da construção pedagógica (art. Numa história recente. deixando evidente que estas mudanças. embora apareçam com características coletivas.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores Isso se evidencia de forma mais pontuada na busca da historização que só nos permite checar algumas “questões” que se fizeram presentes durante o desenvolvimento da humanidade. Filosofia e crise. possibilitando. “parcerias” que facilitem a inclusão social do aluno enquanto cidadão. “explica” ou “implica” registrarmos algumas categorias que nos possibilitam ter clareza de que o homem sempre viveu em transição e por isso em constantes crises. Serrano. 21. que deve ser concebido numa proposta que explicite o papel institucional e seus reais propósitos.

É o sentimento de ser e estar no mundo em que se vive. 1991. é importante então termos clareza quanto a em que dimensão isso é possível e em que medida é exeqüível. Paulo. S. mas como a possibilidade e o compromisso pedagógico de que todos os educandos são capazes de aprender a partir de suas condições pessoais. A partir daí surgem as questões legais. como um dos elementos de construção social que requer três princípios norteadores. Antônio Carlos do Nascimento. Loyola. Diante desses princípios da escola. permitindo então a compreensão do paradoxo da inclusão social associada aos reais princípios democráticos. Entretanto. onde a escola passa a ser compreendida como espaço social de socialização e integração do homem ao conhecimento acumulado. que permita discussões e propicie medidas diferenciadas. O terceiro e último. se tudo isso é ainda uma busca. São novas formas de “ler e fazer” educação. permitindo a elaboração de novas hipóteses e de novas perguntas que permitirão criar outras organizações e leituras do saber educacional. flexibilizando seus critérios e os procedimentos pedagógicos. tendo como referência uma postura vivida e exercida com muita lucidez 4 OSÓRIO. Alguns escritos de Fazenda6 deixam evidente até nossos dias a convicção de que a interdisciplinaridade é uma questão de atitude. principalmente em seus procedimentos metodológicos e de avaliação. com todas as limitações e dificuldades. a inserção social dos alunos na sociedade como um todo. pelos seus limites e pelas suas possibilidades. abrindo um diálogo junto à comunidade escolar. Entretanto. Interdisciplinaridade: um projeto de parceria. São novas formas de cooperação. essa possibilidade só poderá ocorrer mediante uma mudança de valores e atitudes não só na estrutura da sociedade ou da própria instituição. independente da origem e condições sociais. Goiás. A idéia inicial da concepção e do suporte teórico da interdisciplinaridade surge no Brasil (Japiassú5. O segundo. que passarão a considerar o “indivíduo” situado em sua própria historicidade. éticas e estratégias que possam permitir. que contemplem as diferenças individuais dos alunos. na década de 70). 6 Ivani Catarina FAZENDA. num grau maior ou menor. exigindo uma nova ciência capaz de reunir conhecimentos disciplinares mais diversos. mas nas diferentes concepções de educação que o momento histórico-social exige. essa possibilidade de construção do Projeto deve ser concebida. Texto elaborado para o Encontro de Educação Especial promovido pela Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação em Pirenópolis. Interdisciplinaridade e patologia do saber. O primeiro refere-se à igualdade de direitos. numa dimensão democrática. 5 Milton JAPIASSÚ. que nos remete à preparação cultural como meio da inserção social do indivíduo como cidadão. neste caso do aluno não só como um “paradoxo de ideais”. é exigida uma reestruturação de suas dinâmicas. independentemente de suas condições humanas. a diversidade dos seus alunos. em que o individualismo cede espaço ao trabalho coletivo. Essa postura diferenciada reflete alguns elementos de ordem teóricometodológica enunciados por alguns autores quanto à interdisciplinaridade.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores Para Osório4 (1998:06). Marcos Referenciais do Projeto Político-Pedagógico. levando em conta. 40 . ambos altamente conservadores e seletistas.

não-preconceituosa. diferentes formas dialógicas com o conhecimento. como elementos nucleares. e com isto expor fragilidades e domínios. ao aluno é concedida a experiência de ser o sujeito de sua escolaridade e estabelece. É a marca teórica de cada um de nós. a partir das condições impostas pela realidade social bem como suas especificidades ao estabelecer os diferentes “caminhos” de construção do conhecimento. A autora sugere que para desenvolver tal propósito. Acima de tudo é uma questão de atitude de abertura. nesse processo de aprendizagem. Para muitos é uma ousadia. de mutualidade. pelo comprometimento pessoal e. essencialmente aquelas relacionadas à própria construção do conhecimento. privilegiando o exercício da pesquisa na prática pedagógica escolar institucionalizada. Para Osório (1996) esse movimento teórico é uma realidade confirmada somente na concretude de cada dia. em uma leitura de ler/fazer e assumir as experiências. 41 . O trabalho interdisciplinar incrementa um novo tratamento no “ato pedagógico”. a partir das necessidades e possibilidades de cada aluno. É um currículo pensado em sua totalidade. Assim. que significa transformação. pela interação e pelo diálogo. é um novo exercício de pensar. um domínio do conhecimento. essa atitude exige e instiga uma relação de reciprocidade. É revelar-se ao outro.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores e intensidade. pelo desenvolvimento de sensibilidade. A partir do princípio epistemológico explicitado. Os projetos interdisciplinares envolvem três aspectos fundamentais. a explicitação dos mecanismos de construção do conhecimento do sujeito. frutos dessas relações. num momento inicial. necessariamente. ou seja. É a forma de se confirmar à existência pessoal e coletiva. a busca de novos conceitos. passa pela intersubjetividade e supõe. condição de uma possível efetivação da interdisciplinaridade. Sinaliza a necessidade de possibilitar aos alunos a compreensão de um “ser-no-mundo”. pela co-propriedade. uma atitude diferente a ser assumida frente ao problema do conhecimento. ao mesmo tempo. novas aprendizagens e experiências. conduzindo a interação e a intersubjetividade. É necessário ter clareza do “campo significativo” e do próprio sentido em se re(descobrir) enquanto pessoa. a) compreender e respeitar o modo de ser peculiar de cada sujeito (sua identidade). principalmente. de construir. A atitude pedagógica para elaboração dessa forma de fazer educação requer uma relação de reciprocidade. Assim. que permita um diálogo com vários teóricos para enfrentamento dos problemas no dia-a-dia escolar. enquanto sujeito de suas diferentes relações sociais. É uma educação pensada pela diferença de sua clientela. se expondo e assumindo as conseqüências da ação. é a substituição de uma concepção fragmentária para a unidade do ser humano. sendo motivado pelo prazer e satisfação. de mutualidade. a interdisciplinaridade representa uma nova atitude frente ao saber. de colaboração entre especialistas de diversas disciplinas (ou áreas de atuação). assumir um “espírito epistemológico suficientemente amplo” e. uma nova relação entre “quem ensina e quem aprende”. essa nova atitude frente ao conhecimento. numa perspectiva interdisciplinar. Isso implica.

que precisava ser assumida com responsabilidade e compromisso.. Novos projetos educacionais que tentam trabalhar com essa perspectiva começam a ser marcados pela insegurança.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores b) adoção de um projeto interdisciplinar exige urna explicitação de forma detalhada. do processo educativo ofertado pelas escolas regulares.. deixando evidente seus objetivos. primeiros anos do Ensino Fundamental e Educação Profissional aos alunos com deficiência mental. Explicitada a importância das considerações contextuais da Educação Especial e definido o referencial teórico para delineamento do Projeto PolíticoPedagógico. Isso deixa evidente que o princípio norteador da interdisciplinaridade exige um projeto que dê conta de lidar com a diversidade pedagógica e que. ao mesmo tempo. 42 . 18). se constrói e se adapta no processo de desenvolvimento do próprio projeto. de ir além).. Mas a ousadia “da busca. permitindo a compreensão da inclusão social do aluno.] Exige a passagem da subjetividade para a intersubjetividade” (Idem. através de um processo pedagógico que tenha como pressuposto que todos os educandos são capazes de aprender”. oferecer Educação Infantil. coerente e clara. parece-nos ainda estarmos tratando pela primeira vez. Brasília. é muito lento. [. de imediato. c) Todo projeto interdisciplinar pressupõe projetos pessoais de vida e este exercício de desvelamento individual visando um coletivo. e as preocupações ainda são redobradas. suas intenções e seus reais significados. Essa possibilidade só poderá ocorrer. nº 21. de inovar. Revista Integração – SEESP/ MEC. quando ocorre. Entretanto. “mediante uma mudança de valores e atitudes na estrutura da sociedade e nas diferentes concepções de educação. é importante mencionar que existem outras obras e estudos arrolados sobre esse tema. p. num construir (desejo de criar. é transformação da insegurança num exercício de pensar. Pinçados alguns elementos teóricos que nos possibilitam fazer uma leitura da interdisciplinaridade. Projeto pedagógico: o pensar e o fazer. .. destinando seus atendimentos e serviços especializados aos que não se beneficiam. em face de suas condições individuais 7 Antônio Carlos do Nascimento OSÓRIO. como a interdisciplinaridade. nosso encaminhamento recai em alguns princípios norteadores da Proposta da APAE Educadora: A Escola que Buscamos que tem com referencial os preceitos legais que possibilitarão.23). suas limitações e possibilidades de aplicação. segundo Osório7 (1999. Tal situação nos permite afirmar que o pensamento interdisciplinar tem como princípio fundamental a ruptura preconceituosa culturalmente colocada entre alguns paradigmas do conhecimento ou até mesmo a discussão do que é científico ou não. em que as pessoas se sintam comprometidas em fazer parte dele e que tenham-no como elemento norteador à preparação do homem-cidadão. p. da pesquisa. 1999. sempre que tratamos de um tema tão polêmico. benefícios.

na vida de cada cidadão. tendo como princípio a inclusão social na tentativa de rompimento das barreiras construídas pela sociedade. sem sombra de dúvida. tendo como princípio a formação do cidadão.. a natureza da educação como elemento de formação. Entretanto. a ética e o direito social a qualquer aluno e a sua família. possibilitando explicitação dos reais propósitos do processo ensino-aprendizagem. a instituição escolar trabalha com uma realidade própria. cabe neste momento refletir um pouco sobre as questões que delineiam o Projeto Político-Pedagógico. de opiniões. de ideologias de práticas escolares. levando em conta a diversidade. a competência e outros critérios.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores identificadas ou de situações contextuais que dificultam sua inclusão escolar. propondo currículos flexíveis que contemplam conteúdos e ações referendados nos Parâmetros Curriculares Nacionais. essencialmente. em diferentes níveis de envolvimento da educação existentes em nosso país. em essência. ao mesmo tempo. Esse entendimento é resultante da diversidade de atos. É. é importante ficar claro que uma das características fundamentais deste instrumento é a possibilidade de integração entre os diferentes segmentos da comunidade escolar. serviços necessários para o desenvolvimento da aprendizagem. que respondem aos interesses do processo de ensino e aprendizagem dos educandos. mas. oportunizando experiências e vivências pessoais e coletivas. acobertadas ou não. tendo como referenciais de sua organização a idade.. A possibilidade inversa nos permite. independente das condições impostas a sua realidade social. sentido da escolaridade. o respeito. é o resgate da função social das instituições escolares e. Definidos os níveis de abrangência e as fases de escolarização e atendimentos. como um dos instrumentos de mediação entre as necessidades dos alunos e a realidade social. a definição da identidade 43 . Nesse sentido o Projeto Político-Pedagógico deve ser entendido como uma estratégia que busca corrigir distorções educacionais. destacando alguns pontos que aqui são enunciados como determinantes para sua elaboração. Nesse sentido. mais uma tentativa de reconstruir. Assumindo que a educação é determinante na formação e no melhor exercício da cidadania – também com relação às pessoas com necessidades especiais – o Projeto Político-Pedagógico deve garantir a intelectualidade. busca assegurar o direito constitucional do aluno à educação. Em geral. na limitação das condições de exercício de sua cidadania”. a APAE Educadora organiza-se em três fases. particular. em sua introdução: “. de modo a funcionar como elementos mediadores para a melhoria do ensino e qualidade de vida do educando com deficiência(s).entendimento histórico atual de garantir o direito de todos à educação e ao trabalho. segundo a proposta da APAE Educadora: A Escola que Buscamos. isolada de um contexto mais amplo que é a comunidade escolar em que ela se insere. Nesse sentido. bem como ao pleno cumprimento de suas metas educativas.

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores institucional.. entendida como uma modalidade da educação escolar brasileira. 44 .Pedagógico em seu campo operativo deve reunir um conjunto de ações pedagógicas. que se organiza de modo a privilegiar uma aproximação dos princípios da inclusão social – paradoxo de uma sociedade global lida na perspectiva de que todos os cidadãos têm acesso aos diferentes serviços e usufrutos dos bens materiais. as razões e os propósitos de seu compromisso na formação de seus alunos. O Projeto Político-Pedagógico deve ser entendido como um contrato social envolvendo os diferentes segmentos da comunidade escolar. a curto e a longo prazo. explicitando. 5) denomina pelas expressões “Universalização e mundialização da vida . p. O Projeto Político. tendo como princípio a Educação Especial. 1995..”. É o que Rivera (In Osório.

PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores BIBLIOGRAFIA BALDIJÃO.1994.N. ano I. Lisboa : Dom Quixote/Instituto de Inovação Educacional. 1996. “A escola em todos os seus estados: da política de sistemas às estratégias de estabelecimento”. In: Nóvoa.M. Atas do 30 seminário sobre universidade Multicampi. Lei nº 9394. COSTA. “A ética e a educação: um caminho para a interdisciplinaridade”. A. Revista Universidade e Sociedade 1. Campo Grande : Ed. Lajeado : Editora Fates.) As organizações escolares em análise. RS. In: OSÓRIO. 1992. (mimeo). (Coord. A formação dos professores leigos nas licenciaturas parceladas – uma prática em questão. Caminhando pela avaliação. 1989.V. OSÓRIO. 1995. BRASIL. M.C. 1991. In: Interdisciplinaridade no espaço escolar. P. _______.M “Saber e regime seriado”. Estabelece as Diretrizes e bases da Educação Nacional. (Org. 1992. Campo Grande : FUFMS. A. Desafios da educação especial frente à LDB. COELHO. 23/12/1996. de 20 de dezembro de 1996.N. “Espaço educacional e autoria social”. I.W. Os desafios do movimento docente nos dez anos de lutas da Andes Sindicato Nacional. HUTMACHER. 1987. _______. 1996.. 1998. Política nacional de integração da pessoa portadora de deficiência. 1997. Porto Alegre: FACED/UFRGS. III Encontro de Iniciação Científica da UFMS. Brasília : MEC/SEESP. _______. Quebéc: Université du Québec. In: Anais do IX Seminário de Ensino. Diário Oficial da União 248. C. 45 . _______. A Avaliação Institucional. FUFMS.) Regime seriado e o plano de ação da Pró-Reitoria de Ensino da UFMS. Campinas: Papirus Ed. A nova LDB : ranços e avanços.E. Pesquisa e Extensão. _______. A. Escola básica na virada do século. DEMO.C. Tese de Doutorado PUC/SP. Brasília : Ministério da Ação Social/CORDE.

UNESP. São Paulo.) Regime seriado e o plano de ação da Pró-Reitoria de Ensino da UFMS. (Org.PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores _______. 1987. 1995. Campo Grande : ed. FUFMS. 46 . O projeto pedagógico de seu curso está sendo construído por você? Anais do III Circuito do PROGRAD. Dados do autor Antônio Carlos do Nascimento Osório é professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

Luiz Zver / MG João Porfírio de Lima Cordão / PI Conselho de Administração Paulo Roberto da Silva Abreu / AM José Américo Silva Fontes / BA Maria Lindezi Lima / CE José Lemos Sobrinho / ES Dea Valéria Gaynor da Fonseca / GO Isabel de Carvalho Magalhães / MA Doracy Gomes Nonato / MT Claise Kleemann / MS Eduardo Luís Barros Barbosa / MG Laura Rosseti / PA Francisca Evelina Maroja Lima / PB José Diniewicz / PR Tereza Lúcia Baptista Andrade / PE Maristela Lina de Andrade Ribeiro / PI José Cândido Maes Borba / RJ José Aumério da Silva / RN Bernadete Maciel Seibt / RS Madalena Penha de Moura / RO Aldo Brito / SC Lair Moura Sala Malavila / SP James de Oliveira Lages / TO 47 .PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Subsídios Orientadores FEDERAÇÃO NACIONAL DAS APAEs Gestão agosto de 1999 a julho de 2001 Diretoria Executiva Presidente Vice-presidente 1ª Diretora-secretária 2ª Diretora-secretária 1º Diretor-financeiro 2º Diretora-financeiro Diretor de Assuntos Internacionais Procurador-geral Autodefensores Flávio José Arns / PR Seme Grabriel / SP Maria de Fátima Liegio / GO Maria Luíza Dadalto / ES Alexandre Guedes Seixas Maia / DF Zely Ornellas de Souza / DF Elpidio Araujo Neris / DF Elpidio Araujo Neris / DF Waldinéia Olímpia F. Ramos / DF Rodrigo Marinho Noronha / DF Conselho Fiscal TITULARES José Justino Filgueiras A. Pereira / PR Luiz Alberto Silva / SC Expedito Alves de Melo / MA SUPLENTES Antônio Lazáro de Moura / RO Pe.

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