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Sumário

Sumário AESABESP Associação dos Engenheiros da Sabesp REVISTA Ano IX - nº27 - Setembro/Outubro 2007 6

AESABESP

Associação dos Engenheiros da Sabesp

Sumário AESABESP Associação dos Engenheiros da Sabesp REVISTA Ano IX - nº27 - Setembro/Outubro 2007 6
REVISTA
REVISTA

Ano IX - nº27 - Setembro/Outubro 2007

6 |Capa

Controle e Redução de Perdas

2007 6 | Capa Controle e Redução de Perdas 28| Várzea do Ribeirão Parelheiros 33| Programa

28|

Várzea do Ribeirão Parelheiros

33|

Programa de reabilitação de redes de água

17|

ENTREVISTA

Ernani Ciríaco de Miranda: “Os níveis de perdas no Brasil ainda são elevados”

23|

PONTO DE VISTA

A situação atual das perdas no Japão por Masahiro Shimomura

26|

39|

PERDAS DE ÁGUA E SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL Reduzir perdas - o meio ambiente e a sociedade agradecem por Sônia Nogueira

ARTIGOS TÉCNICOS

BIODIVERSIDADE Mecanismos de desenvolvimento limpo e créditos de carbonos

38|

46|

48|

49|

50|

MEIO AMBIENTE

Desenvolvimento sustentável para o país

RESPONSABILIDADE

SOCIOAMBIENTAL

O TEMPO DO RIO TIETÊ Um rio de contrastes e múltiplos usos

CYBER CAFÉ

Site Domínio Público

RESENHA

Livro: Big Bang

HOMENAGEM

Um profissional realizado que nunca esqueceu a Sabesp

Editorial

A ÁGUA DO AMANHÃ

Editorial A ÁGUA DO AMANHÃ Ao contrário do que se acreditava num passado não muito distante,

Ao contrário do que se acreditava num passado não muito distante, o mundo está aos poucos tomando conhecimento de que a água é um recurso limitado. É fundamental que o homem amplie as medidas estratégicas no sentido de preservá-la, garantindo para as gerações futu- ras o acesso a esse bem tão precioso. As deci- sões devem ocorrer em caráter de urgência, para evitar que as medidas corretivas no futuro não sejam ainda mais radicais. O desperdício generalizado parte das residências, com a torneira pingando, até as cidades, independente do porte, com vazamentos em adutoras, encanamentos, empresas e fraudes na captação de água. Cada setor do governo e da sociedade têm sua parcela de responsabilidade.

Aparentes ou reais, os níveis de perda de água no Brasil ainda são altíssimos e representam um grande desafio para o setor de sanea- mento, principalmente devido a dimensão continental do País. Nos- sa reportagem especial de capa discute a necessidade da redução imediata das perdas de água, através de equipamentos e sistemas,

e mostra as medidas que já estão sendo tomadas no sentido de re-

duzir os limites atuais para padrões cada vez menores, a exemplo do que aconteceu em países como o Japão, situação também retratada nessa edição da Revista Saneas.

O assunto ganha especial importância no momento em que o Go-

verno divulgou, no dia 14 de setembro, os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2005/2006 (PNAD/IBGE), que aponta o crescimento da rede de água, de 82,3% em 2005 para 83,2% em 2006. O percentual de domicílios com rede de esgoto também aumentou, de 69,7% para 70,6%, no mesmo período. E os números devem continuar a subir, sinalizando a necessidade de au- mentar também os cuidados com a preservação da água para que ela chegue, com qualidade e em quantidade suficiente aos lares de todo Brasil.

Você vai saber mais sobre o assunto na matéria sobre Controle de Perdas, em entrevista com Ernani Ciríaco de Miranda, Coordenador do Programa de Modernização do Setor Saneamento (PMSS), além dos Pontos de Vista de Masahiro Shimomura e Sônia Nogueira. Tam- bém conhecerá temas como o Programa de Reabilitação de Redes de Água, conduzido pela Unidade de Negócio Centro da Sabesp; os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo e Créditos de Carbono; o trabalho para redução da concentração de constituintes típicos de

efluentes sanitários na várzea do Ribeirão Parelheiros; a importância

e os avanços na despoluição do Rio Tietê, entre outros assuntos de

interesse. E assim cumprimos a missão de sempre proporcionar aos nossos leitores, as principais novidades e atualizações tecnológicas

em saneamento e meio ambiente. Por isso, você já sabe: pensou em saneamento, pensou na Revista Saneas.

Boa leitura!

Walter Antonio Orsatti

Presidente

* Impresso em papel reciclado

AESABESP Associação dos Engenheiros da Sabesp REVISTA Ano IX - nº27 - Setembro/Outubro 2007 Saneas

AESABESP

Associação dos Engenheiros da Sabesp

REVISTA
REVISTA

Ano IX - nº27 - Setembro/Outubro 2007

Saneas é uma publicação técnica bimestral da Associação dos Engenheiros da Sabesp

DIRETORIA EXECUTIVA Presidente - Walter Antonio Orsatti

Vice-Presidente - Gilberto Alves Martins 1º Secretário - Ivan Norberto Borghi 2ª Secretária - Cecília Takahashi Votta

Tesoureiro - Hiroshi Letsugu

Tesoureiro - Emiliano Stanislau de Mendonça

DIRETORIA ADJUNTA Diretor de Marketing - Carlos Alberto de Carvalho Diretor Cultural - Olavo Alberto Prates Sachs Diretor de Esportes- Zito José Cardoso Diretor de Pólos - José Carlos Vilela Diretora Social - Magali Scarpelini Diretor Técnico - Reynaldo Eduardo Young Ribeiro

CONSELHO DELIBERATIVO Amauri Pollachi, Carlos Alberto de Carvalho, José Carlos Vilela, José Márcio Carioca, Júlio César Villagra, Luciomar dos Santos Werneck, Luis Américo Magri, Luiz Henrique Peres, Nélson César Menetti, Osvaldo Ribeiro Júnior, Ovanir Marchenta Filho, Renato Hochgreb Frazão, Reynaldo Eduardo Young Ribeiro, Sérgio Eduardo Nadur, Yazid Naked

CONSELHO FISCAL

Ivo Nicolielo Antunes Junior, Nelson Luiz Stábile

e Nizar Qbar

Pólos da Região Metropolitana de São Paulo Coordenador - Nélson César Menetti Costa Carvalho e Centro - Célia Maria Machado Ambrósio Leste - Luciomar dos Santos Werneck Norte - Oswaldo de Oliveira Vieira Oeste - Evandro Nunes de Oliveira Ponte Pequena - Aram Kemechian

Pólos AESABESP Regionais Baixada Santista - Ovanir Marchenta Filho Botucatu - Osvaldo Ribeiro Júnior Franca - Helieder Rosa Zanelli Itapetininga - Valter Katsume Hiraichi Lins - Marco Aurélio Saraiva Chakur Presidente Prudente - Robinson José de Oliveira Patricio Vale do Paraíba - José Galvão F. Rangel de Carvalho

CONSELHO EDITORIAL Luiz Henrique Peres (Coordenador) Viviana Marli de Aquino Borges Carlos Alberto de Carvalho José Marcio Carioca Célia Maria Machado Ambrósio

FUNDO EDITORIAL Jairo Tardelli, Antonio Pereto, José Antonio de Oliveira,

Milton Tsutiya, Sonia M. Nogueira e Silva, Eliana Kitahara

e Franscisca Adalgisa da Silva

JORNALISTA RESPONSÁVEL João B. Moura - MTB 38741

PROJETO VISUAL GRÁFICO, DIAGRAMAÇÃO E PRODUÇÃO GRÁFICA L3ppm - publicidade, propaganda e marketing Ltda

criacao@L3ppm.com.br

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IMPRESSÃO E ACABAMENTO Gráfica IPSIS www.ipsis.com.br

IMPRESSÃO E ACABAMENTO Gráfica IPSIS www.ipsis.com.br Associação dos Engenheiros da Sabesp Rua 13 de maio, 1642
IMPRESSÃO E ACABAMENTO Gráfica IPSIS www.ipsis.com.br Associação dos Engenheiros da Sabesp Rua 13 de maio, 1642

Associação dos Engenheiros da Sabesp

Rua 13 de maio, 1642 - casa 1 - Bela Vista 01327-002 - São Paulo - SP Fone (11) 3284 6420 - 3263 0484

Fax

aesabesp@aesabesp.com.br

www.aesabesp.com.br

(11) 3141 90 41

Crédito: Odair M. Faria

CAPA

A LUTA PARA COMBATER AS PERDAS DE ÁGUA

VICENTE DE AQUINO

A s perdas de água (diferença entre os volumes produzidos ou entregues aos sistemas e os volumes consumidos de forma autorizada)

ocorrem em todos os sistemas de abastecimento e refletem a eficiência operacional e as condições da infra-estrutura. Classificam-se em perdas reais (físi- cas), quando a água é perdida antes de chegar aos

consumidores, principalmente devido a vazamentos nos diversos componentes dos sistemas de abaste- cimento, e em perdas aparentes (comerciais), quan- do a água é consumida de forma “não-autorizada”, principalmente devido à submedição causada pela

imprecisão nos hidrômetros dos clientes, irregulari- dades (fraudes) e furto de água em hidrantes. As proporções entre esses dois tipos de perdas e suas causas variam de sistema para sistema, exigin-

do ensaios de campo e a adoção de várias hipóteses

para se chegar a uma partição entre os dois tipos de perdas. As avaliações mais recentes têm levado a uma porcentagem maior de perdas reais em relação

às perdas aparentes.

A IWA - International Water Association, propôs

uma Matriz de Balanço Hídrico para os sistemas de

abastecimento de água, que procura uniformizar os conceitos e os entendimentos sobre perdas de água

em todo o mundo, conforme mostrado na tabela na próxima página. Há ainda uma grande discussão acerca dos indica-

dores de perdas, especialmente no que diz respeito

à comparabilidade entre sistemas de abastecimento

de água distintos. O indicador clássico (percentual em relação ao volume produzido ou disponibiliza- do) tem sido preterido em favor de outros que pos- sam retratar melhor a situação existente, tais como

o indicador de perdas “litros por ligação de água por

dia” ou o “índice de vazamentos da infra-estrutura”, adimensional, que leva em conta fatores relativos às

condições das tubulações e às pressões reinantes no sistema (este último indicador é para perdas reais). Não existe “perda zero” em sistemas de abasteci- mento de água. Podem ser definidos dois limites referenciais para as perdas:

• Limite Técnico: aquele possível de se chegar utili-

zando todas as técnicas, tecnologias e recursos dis-

poníveis no momento (perdas inevitáveis);

• Limite Econômico: nível de perdas em que o cus- to para recuperar um determinado volume supera

o custo de produção e distribuição desse volume;

geralmente este limite é atingido antes do limite técnico.

Divulgação

CAPA

Divulgação CAPA Julian Thornton, das forças-tarefa da IWA e da AWWA (American Water Works Association) Tais

Julian Thornton, das forças-tarefa da IWA e da AWWA (American Water Works Association)

Tais limites são conceituais e de difícil determinação prática, e va- riam, especialmente o econômi-

co,

de local para local.

As

principais ações para redução

das perdas reais são o gerencia- mento de pressões (quanto me-

nores e mais estáveis, melhor),

o controle ativo de vazamentos

(localizar rapidamente os novos vazamentos não-visíveis, atra- vés do monitoramento da vazão

mínima noturna e de métodos acústicos de pesquisa), a agilida-

de e a qualidade do reparo dos

vazamentos e o gerenciamento da infra-estrutura (priorização

de trechos para renovação das

tubulações, principalmente dos

ramais de água, onde ocorre

a maioria dos vazamentos). Já

para a redução das perdas apa-

rentes, as principais ações são o gerenciamento da hidrometria (otimização das trocas e dimen- sionamento dos hidrômetros, principalmente dos maiores consumidores) e o combate a irregularidades (como fraudes e ligações clandestinas).

O desenvolvimento de medi-

das de natureza preventiva de controle de perdas nas fases de

projeto e construção do sistema envolve a necessidade de passos

iniciais de organização anterio-

res à operação. As medidas de-

vem contemplar, dentre outras:

a boa concepção do sistema de

abastecimento de água, conside- rando os dispositivos de controle operacional do processo, a qua-

lidade adequada dos materiais

e da instalação das tubulações, equipamentos e demais dispo-

sitivos utilizados, a implantação dos mecanismos de controle operacional (medidores e ou- tros), a elaboração de cadastros

e a execução de testes pré-ope-

racionais de ajuste do sistema.

A macromedição, ou seja, a me-

dição dos grandes volumes de água que entram no sistema (ou mesmo aqueles que saem), deve ser bem estudada, implantada e acompanhada, pois os números dela resultantes serão as referên- cias para todas as análises poste- riores, não só para a questão das avaliações de perdas, mas tam- bém para a definição de vários parâmetros de projeto e opera- ção dos sistemas de água.

PESQUISA INTERNACIONAL Para o consultor Julian Thornton, inglês, formado em Engenharia Mecânica e Civil, e desde 1996

residindo no Brasil, o trabalho de campo é o principal: “Eu sempre me considerei uma pessoa mais prática. Que gosta de trabalhar

e resolver os problemas cotidia-

Divulgação

nos”, afirma. Julian faz parte das

forças-tarefa da IWA e da AWWA (American Water Works Associa- tion): “Eu sou o líder da equipe do controle de pressão”. Julian fala sobre a contribuição da IWA no tocante a um enten-

dimento global uniforme sobre as questões ligadas às perdas

reais: “A IWA propôs uma padro-

nização para avaliar perdas reais

e também aparentes. Antes ha-

via vários indicadores, não eram

padronizados, eram variáveis, soltos, as pessoas queriam com- parar maçã com laranja e não ti- nha como comparar. A IWA trou- xe um indicador que padronizou

a medição em vários países. Eu

particularmente não conheço países que não tenham aceito os indicadores da IWA. Existem pa-

íses que ainda estão estudando, mas eu não sei de nenhum que

disse ‘eu não vou usar’. Posso ci- tar alguns países que utilizam

a metodologia da IWA: Estados

Unidos, Canadá, Malta, Austrá- lia, Nova Zelândia, África do Sul, Alemanha, Itália e Brasil, entre outros”, afirmou.

Sobre a questão de as perdas

Itália e Brasil, entre outros”, afirmou. Sobre a questão de as perdas 06 Saneas Setembro/Outubro de

aparentes não terem avançado tanto quanto as perdas reais na IWA, Julian diz que o assunto tem mais de uma resposta: “Primeiro precisamos dizer que a IWA tem uma equipe para tratar das per- das aparentes. Tem muita gente que pensa que IWA não se preo- cupa com isso, mas nós estamos estudando e pesquisando o as- sunto. Acontece que o processo

de desagregar as perdas aparen-

tes é bem mais complexo. Nós

podemos ter falhas de cadastro, fraudes ou mesmo submedição.

Já as análises dos componentes

das perdas reais são mais visíveis.

Podemos ter uma precisão muito

grande no sistema nesse campo. Mas as coisas estão mudando. Malta e Chipre, por exemplo, es- tão muito adiantados em relação

às

perdas aparentes”, explica.

O

consultor não tem nenhuma

dúvida em afirmar que é muito importante fazer um diagnóstico de todos os componentes e de-

sagregar o que é perda aparente do que é perda real: “Temos que achar as peças que criam proble- mas e depois atacar de forma efi- ciente. Quando se está tentando reduzir perdas, é necessária uma gestão contínua. Ela é mais im- portante do que a técnica em si.

Se você não faz uma gestão con-

tinuada, você não vai conseguir

diminuir as perdas de forma sus- tentável. A gente pode aplicar uma ferramenta nova, que dê re- sultados naquele momento, mas

se não houver gestão, as perdas

voltam a aparecer”, esclarece.

SISTEMAS COMPLEXOS E DE GRANDES DIMENSÕES Um dos maiores desafios em um sistema grande, segundo Julian,

é a compartimentação do siste-

ma: “O segredo para conseguir

medir com precisão é desagregar

a rede de distribuição de água, gerenciar um sistema grande

em partes pequenas. A Inglater-

ra conseguiu diminuir as perdas

reais em cinco anos. Mas lá são 50 milhões de pessoas, toda In- glaterra significa três cidades de

Divulgação

toda In- glaterra significa três cidades de Divulgação Eric Cerqueira Carozzi, Superinten- dente de Desenvolvimento

Eric Cerqueira Carozzi, Superinten-

dente de Desenvolvimento Opera- cional da Diretoria de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente da Sabesp

São Paulo. É importante fazer um diagnóstico financeiro para saber em quanto tempo nós conseguiremos chegar naquilo que pretendemos. Mas um sis- tema grande é complexo, pois se o dinheiro acaba no meio desse prazo, a gente acaba perdendo o que já ganhou. Então é necessá- rio saber se vai haver um investi- mento continuado para se deter- minar prazos”. “Eu gosto de citar bons exemplos da metodologia IWA. Em perdas aparentes, um grande exemplo disso é a cidade da Filadélfia, nos Estados Unidos. Eles trocaram todos os hidrômetros e fizeram uma grande campanha contra as fraudes. Como resultado, con- seguiram reduzir bastante o vo- lume das perdas aparentes. Hali- fax, no Canadá, também é outro grande exemplo. Isso é o sucesso de uma gestão de um grande sis- tema dividido em vários peque- nos. Chipre, um pequeno país, mas que tem muitos problemas

de recursos hídricos, conseguiu reduzir muito as perdas reais e aparentes”, diz Julian.

Sobre as referências mundiais no controle das perdas de água, Ju- lian diz que a Inglaterra e o Japão

são exemplos bem acabados:

“Eles controlam bem os dois tipos de perda. Se uma empresa está com controle de fluxo de caixa e

precisa fazer dinheiro, controlar a perda aparente é mais importan- te. Por outro lado, a empresa que vende água precisa ter o produ- to. Se ela está com pouca oferta, controlar a perda real é mais im- portante. Sem água ela deixa de ser uma empresa”, afirma. Ele diz que tanto os ingleses quanto os japoneses trabalham muito com o controle de pres- são: “Ao diminuir a pressão em determinados horários, você acaba diminuindo também os vazamentos”, conclui Julian.

PERDAS OCORREM EM TODOS OS SISTEMAS Para o engenheiro Eric Cerquei- ra Carozzi, Superintendente de Desenvolvimento Operacional da Diretoria de Tecnologia, Em- preendimentos e Meio Ambien- te da Sabesp, as perdas ocorrem em todos os sistemas de abas- tecimento. “Para um eficiente combate às perdas, é necessário conhecer o tipo de perda predo- minante em cada sistema e as respectivas causas. A partir desse diagnóstico é possível priorizar e investir em ações de modo a se otimizar a aplicação dos recur- sos. Nos sistemas de maior porte, que demandam maior esforço para reduzir as perdas, é funda- mental sua divisão em setores de abastecimento menores, que via- bilizem uma gestão eficaz da sua operação. Outro aspecto funda- mental do combate às perdas é a necessidade de conscientização e comprometimento de todos os envolvidos, além de estratégias de longo prazo, com continuida- de de recursos, associados a cui- dados especiais quanto à quali- dade dos materiais aplicados e ao treinamento das equipes de manutenção e de instalação da infra-estrutura”, explica. Eric ressalta que o Programa de Redução de Perdas é um progra- ma estratégico na Sabesp, com metas ambiciosas e que exigirá recursos para a sua implementa- ção: “Realmente o programa de redução de perdas é fundamen-

Reais

% Perdas

CAPA

tal para a Sabesp, pois além de possibilitar a redução de custos operacionais e de manutenção, permite adiar investimentos na ampliação da produção, que têm custos cada vez mais elevados, principalmente em municípios com pouca disponibilidade hí- drica”. Quanto ao programa de per- das da Sabesp, diz Eric que “já estamos trabalhando na ela- boração do programa corpo- rativo, através da uniformização de critérios e ações nas duas di- retorias operacionais (Diretoria Metropolitana e Diretoria de Sis- temas Regionais) e da consolida- ção dos seus planos existentes. A partir desse plano, buscaremos

Divulgação

Japão Tóquio Kobe Nagoya M Viena 1954 1 22 15,92 1955 2 20 18,96 1956
Japão
Tóquio
Kobe
Nagoya
M
Viena
1954
1
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1955
2
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3
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20,46
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4
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14,99
1958
5
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18,91
1959
6
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22
18,29
1960
7
30
22
21,66
1961
8
29,6
22
13,56
1962
9
28,3
21
14,86
1963
10
29,6
20,5
14,48
1964
11
28,9
19,5
14,18
1965
12
31,2
19
14,81
1966
13
29,4
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14,27
1967
14
27,9
18
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1968
15
27,8
17,8
14,04
1969
16
27,7
17,6
13,96
1970
17
27,1
17,4
13,93
25
1971
18
26,8
17,2
13,59
1972
19
26,5
17
12,9
1973
20
26,4
16,8
12,7
1974
21
26,4
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12,42
1975
22
24,9
15,8
12,33
23
1976
23
24,3
15,7
12,48
1977
24
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15,6
12,01
18,5
1978
25
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15,5
11,90
17,5
1979
26
20,5
15,4
11,82
16,5
1980
27
19
15,3
11,48
16
15
1981
28
17,2
15,2
11,15
15,5
1982
29
15,5
15,1
10,83
14
1983
30
13,4
14,8
10,50
13
1984
31
12,7
14,5
14,7
9,55
13,75
1985
32
14,5
14
14,7
9,27
13
17,5
1986
33
14,7
13,5
13,3
8,48
13,25
1987
34
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13
12,8
8,08
14,5
1988
35
12,9
12,5
12
7,77
14,75
1989
36
11,7
12
11,5
7,49
15
1990
37
10,9
11,5
11,1
6,88
16,5
9,9
1991
38
10,3
11
10,7
6,70
16
1992
39
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10,5
10,1
6,49
18,75
1993
40
9,9
10
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6,23
21
1994
41
8,1
9,6
15,8
5,42
22
1995
42
7,3
9,3
12,3
5,36
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9,5
1996
43
5,8
8,9
10
5,19
16,1
1997
44
6
8,4
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5,13
14,9
8
1998
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5,02
15,25
1999
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7,6
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4,80
15,55
2000
47
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8,7
4,54
15,4
2001
48
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6,4
8,3
4,50
15,4
2002
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5,4
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2003
50
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4,7
8
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2004
51
6,8
4,4
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2005
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17,4
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53
16,25
2007
54
15,8

35

30

25

20

15

10

5

0

viabilizar os recursos necessários para atingir as metas definidas. Também acompanharemos a evolução e os resultados obtidos no Contrato de Performance (no qual a contratada tem compro- misso e é remunerada em função da redução de perda obtida), em andamento num projeto-piloto na Região Metropolitana de São Paulo, para avaliar esse novo mo- delo de contratação. Mas não basta elaborar planos

e viabilizar recursos. É preciso

acompanhar a realização das ações e os resultados obtidos, e para isso desenvolveremos um sistema que integre as informa-

ções das duas diretorias, o que

é um grande desafio devido às

muitas diferenças de característi-

cas e de sistemas de informações

utilizadas em cada uma delas”,

diz.

Sobre as dificuldades de plane-

jar as ações de perdas, Eric res-

salta que “ainda não possuímos

um modelo preciso que permita

projetar as metas de perdas em

função das ações e recursos pre-

vistos nos planos. É preciso me-

lhorar a qualidade destas infor- mações e registrar os históricos

das ações e seus resultados, a fim

de aperfeiçoar continuamente esse modelo, de modo a apri-

morar os planejamentos futuros. De qualquer forma, para oti- mizar a aplicação dos recursos,

que são escassos, é fundamental ter o diagnóstico dos tipos e cau- sas das perdas em cada sistema,

a partir do qual se possam prio-

rizar as ações mais eficientes e eficazes”.

PROGRAMAS DE COOPERAÇÃO

Eric acredita que elaborar pro- gramas de cooperação é uma forma eficaz de capacitação e troca de experiências para a ges- tão das perdas: “No trato com o

problema das perdas de água,

a Sabesp segue a linha de ação

proposta pela IWA. Dessa forma, as unidades de controle de per- das da Sabesp, principalmente na Diretoria Metropolitana, têm

mantido um contato muito pró- ximo com os especialistas liga- dos à IWA. Quanto aos acordos de cooperação técnica, a Sabesp assinou, no início deste ano, um

acordo com o governo do Japão, através da sua Agência de Coo- peração Internacional (JICA), que tem como objetivo a transferên- cia de conhecimento e de tecno- logia, adquiridos pelos técnicos japoneses durante mais de 50 anos. O Japão é uma referência mundial em controle de perdas

e possui sistemas tão grandes e

complexos como os da Sabesp, com índices de perdas excepcio- nais, abaixo de 8%, principalmen- te quando considerados índices acima de 30%, como ocorre em

te quando considerados índices acima de 30%, como ocorre em 1 2 3 4 5 6

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54

Japão Tóquio Kobe Nagoya Viena Redução de perdas ao redor do mundo
Japão
Tóquio
Kobe
Nagoya
Viena
Redução de perdas ao redor do mundo

Divulgação

Divulgação Vazamento alguns sistemas operados pela Sabesp” (Leia mais no Ponto de Vista, a partir da

Vazamento

alguns sistemas operados pela Sabesp” (Leia mais no Ponto de Vista, a partir da página 23).

ATUALIZAÇÃO TECNOLÓGICA Outro assunto do qual Eric gosta

de falar diz respeito às inovações

tecnológicas disponíveis no mer- cado e que possuem aplicação imediata na redução de perdas:

“Como eu já disse, a Sabesp mantém estreita relação com os especialistas da IWA que, à parte do trabalho realizado no Japão, é a entidade de ponta, em âmbito mundial, quando se fala em con- trole de perdas. Desse modo, em termos tecnológicos, a Sabesp tem se mantido atualizada e em um bom patamar, quando com- parada às empresas de abasteci- mento de água dos países mais desenvolvidos”. Como inovações tecnológicas que teriam aplicação imediata, Eric cita o sistema de detecção de vazamentos em tubulações de grande porte (adutoras e anéis primários), conhecido como Sis- tema SAHARA. Esse sistema foi

desenvolvido na Inglaterra pelo Water Research Center (WRC) e “é o único sistema conhe- cido que se demonstrou extremamente eficaz para a detecção desse tipo de vazamento.

A Sabesp já mante-

ve contato com o representante do

sistema para as Américas, mas, no momento,

seus altos custos inviabilizam tes- tes de campo em algum de nos- sos sistemas de abastecimento, que seria o primeiro passo para adoção dessa nova tecnologia”. Um grande desafio tecnológico para a Sabesp, segundo Eric, é “a redução da submedição dos hidrômetros dos clientes, efeito potencializado pela existência, especialmente no Brasil, de cai- xas d’água nos imóveis, o que reduz as vazões nas ligações e amplia a submedição nos hidrô- metros”. Outra questão importante é a qualidade dos materiais das tu- bulações enterradas. A Sabesp já utiliza como padrão, há vários anos, tubos de polietileno para a execução dos ramais de água. Quanto à utilização do polietile- no em redes de distribuição de água, Eric diz que “observamos uma tendência de sua aplicação em diversos países europeus. No Brasil, algumas operadoras como

Adutoras podem

conter vazamentos

o DMAE - Departamento Muni-

cipal de Água e Esgoto de Porto

Alegre e a empresa Águas de Li-

meira já adotam o polietileno nas novas redes. A Sabesp aplicou o polietileno nas redes de alguns poucos sistemas, mas, por falta de certos cuidados, acabou ten- do más experiências. O polietile- no apresenta diversas vantagens em relação às tubulações em fer- ro ou PVC, tais como a redução do número de juntas (soldagem por fusão), que são potenciais pontos de vazamentos, a facili- dade na execução das redes e

a exigência de uma menor lar-

gura de escavação. Além disso,

onde há necessidade de reno- vação das redes e praticamente

é inviável a sua instalação com

abertura de vala (região central de São Paulo, por exemplo), o polietileno tem a vantagem adi- cional de possibilitar a execução através de método não-destruti- vo. Por outro lado, o polietileno

Crédito: Odair M. Faria

CAPA

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O engenheiro civil Dante Ragazzi Pauli, Superintendente da Unidade de Negócio Leste da Sabesp (UN-ML)

exige cuidados com o contro- le de qualidade dos materiais, equipamentos mais sofisticados

e estruturação da manutenção e

mão-de-obra treinada e previsão de peças de reposição. Mas es- ses cuidados também devem ser observados para os demais ma- teriais. Além disto, para se garan- tir bons resultados, pela falta de normas brasileiras, foram desen- volvidas NTS – Normas Técnicas Sabesp, que especificam desde os materiais até sua aplicação e manutenção. Assim, já estamos em condição de iniciar uma apli- cação em maior escala. Como em toda mudança, há resistência em utilizar um novo material, mas acho que o polietileno é uma boa solução para aplicação nas redes de água, desde que toma-

dos os devidos cuidados, e sua aplicação deve ser avaliada e tes- tada em maior escala na Sabesp”, finaliza.

BAIXA RENDA

O engenheiro civil Dante Ragazzi

Pauli, atual Superintendente da Unidade de Negócio Leste da Sa-

besp (UN-ML), acredita que um dos seus maiores desafios é o de combater perdas em uma região vasta, complexa e de baixa ren- da como é essa área da Região Metropolitana de São Paulo: “A

UN-ML atende oito municípios (Salesópolis,Biritiba-Mirim,Arujá, Suzano, Poá, Ferraz de Vasconce- los, Itaquaquecetuba e parte da Zona Leste do Município de São Paulo), com mais de 752 mil liga- ções de água e mais de 3 milhões de pessoas. A incansável preocu- pação com o uso sustentável da água, fator essencial para garan-

tir a disponibilidade para as futu-

ras gerações e a sustentabilidade do negócio, vêm aprimorando

o Programa de Controle de Per-

das”, diz. Ele explica que um dos pontos- chave para que esse controle atinja um grau de excelência está justamente no planejamen- to: “O ponto de partida é a rea- lização de nosso planejamento plurianual, em que avaliamos quais as principais ações e con- seqüentes recursos necessários

para curto, médio e longo pra- zo. Assim, a redução de perdas tem sido realizada de forma mais eficaz e com retornos mais efetivos. Podemos citar algumas práticas: em 2004 foram imple- mentadas as Ações Integradas de Combate às Perdas nos seto- res de abastecimento, voltadas ao combate de perdas reais e aparentes, envolvendo todos os departamentos da UN-ML. Todos focados num só objetivo. Vale ci- tar também a postura inovadora da UN-ML, que implementou o Método de Análise e Soluções de Problemas para Perdas – MASPP”, afirma. Esse novo método, segundo Dante, possibilitou a mudança de conceitos: “O de Volume Dis- ponibilizado (VD = compra de água da área de produção) e o de Volume Utilizado (VU = venda de água aos clientes). Atualmente

todos os empregados da Sabesp falam em redução das perdas e sabem o significado do VD e VU. Hoje, a cultura está tão bem dis- seminada que o problema de re- dução das perdas de água é res- ponsabilidade de todas as áreas da UN-ML, e não mais apenas da Divisão de Controle de Perdas.

A gestão de controle de perdas

enquadra-se totalmente na me- lhoria da qualidade da operação dos sistemas de abastecimento de água, na conseqüente melho- ria dos serviços prestados e na busca da excelência a cada ano. Em 2006, como parte das ações de melhoria do Programa de

Perdas, as atividades de Pesqui-

sa Acústica de Vazamento foram

descentralizadas para os Pólos de Manutenção, bem como a

leitura e acompanhamento do funcionamento das Válvulas Re- dutoras de Pressão (VRP) dentro de sua área de atuação. Em 2007 foram criadas metas de VD e VU, com responsáveis pelo setor de abastecimento, o que melhora

o acompanhamento e a análise,

tendo como foco principal os re-

sultados planejados. No mesmo ano foi expandido o trabalho em alças de controle/distritos pito- métricos, que visam diminuir as vastas extensões de rede nos setores de abastecimento, propi- ciando uma melhor atuação de nossas equipes”, explica de for- ma direta. Fazer com que uma população carente e sem acesso à cultu-

ra entenda a atual realidade do

problema das perdas de água é também um fator determinante para ele: “A população na área de nossa atuação é formada por grandes núcleos carentes, con-

domínios populares, ocupações desordenadas e irregulares, in- clusive em áreas de proteção de mananciais. A UN-ML possui

o Programa de Participação Co-

munitária - PPC, em que técnicos comunitários lotados nos nossos Escritórios Regionais asseguram maior proximidade e agilidade na identificação e atendimen- to às demandas e necessidades das comunidades. Para as áre- as de favela e caráter social, os técnicos comunitários verificam, visitam e acompanham as ne- cessidades dos clientes, realizam levantamento socioeconômico propondo uma tarifa diferencia- da ou condição de parcelamento

Crédito: Odair M. Faria

Crédito: Odair M. Faria Desperdício de água e consumo incorreto intensificam as perdas dentro de seu

Desperdício de água e consumo incorreto intensificam as perdas

dentro de seu nível econômico. Fortalecem a dis- seminação do Programa do Uso Racional da Água, mostrando para a comunidade o uso adequado, a

fim de evitar o desperdício e, conseqüentemente, pagamento pelo consumo utilizado incorretamente.

O programa“Eu vi um vazamento”, iniciado em 2004,

é um sucesso e tornou-se prática com o envolvimen- to e comprometimento de todos. Cada funcionário

é um fiscal de perdas, apontando vazamentos nos

locais onde atua, reside e trafega, abrangendo assim toda a área da UN-ML. O programa “Ligação Irregu- lar: isso não é legal” foi uma campanha de incentivo criada em 2006, cujo objetivo também é incentivar os empregados a informar sobre possíveis fraudes na região, bem como contribuir para a redução das perdas de água. A criação do Time de Desenvolvi- mento Tecnológico tem ajudado na busca de tecno- logias modernas, sempre levando em conta a apli- cabilidade pela mão-de-obra própria e contratada. Enfrentar esse desafio, junto com os funcionários de nossa unidade, tem sido muito gratificante, pois sabemos que nossa área é vasta e de baixa renda. Entretanto, a garra e a dedicação dos colaboradores têm nos levado a resultados muito animadores. O melhor exemplo é o envolvimento e participação do chamado “chão de fábrica”. Afinal de contas, são eles que vão a campo diariamente e resolvem a maioria dos problemas, além de serem o elo com nossos clientes”, diz. Dante explica as ações realizadas que resultaram na excelente redução das perdas ocorrida em Salesópolis: “O Município de Salesópolis tem po- pulação de cerca de 16.500 habitantes, e é o muni- cípio onde nasce o Rio Tietê. A redução de perdas para menos de 100 litros/ligação/dia foi o grande desafio colocado para todas as equipes envolvidas no projeto. O ponto de partida para o resultado de Salesópolis (76 litros/ligação/dia) foi a adoção de um coordenador de projeto que, juntamente com os colaboradores envolvidos, planejou, direcionou

e acompanhou as seguintes ações: substituição de todos os hidrômetros que estavam com validade

vencida; localização de vazamentos com métodos de pesquisa acústica; conserto de vazamento com equipes de mão-de-obra própria; otimização das VRPs; testes de FCI (fator de condição da infra-es- trutura); participação, em 100% do município, dos técnicos em atendimento comercial externo (TACE), que ajudaram na identificação de fraudes e na ca- racterização da área. A aplicação dos conhecimen- tos obtidos com o MASPP foi de grande importân- cia”, explica.

PEQUENOS SETORES Para Dante, a criação de microssetores em

Salesópolis possibilitou identificar as vazões notur- nas de cada área, para acompanhar qualquer desvio

e direcionar as ações de forma mais rápida e proati-

va: ”Para evitar que as perdas voltem a índices altos,

as equipes de engenharia e de manutenção acom-

panham diariamente as vazões mínimas noturnas e a produção diária para que, observado qualquer valor fora das faixas de controle estabelecidas, providên- cias sejam tomadas imediatamente. Com todas as ações realizadas, há alguns meses concluímos que a produção de água pode parar seis horas por dia sem comprometer a qualidade e o abastecimento da água do município. Aumentar o número de áreas de controle é uma forma de estender os conhecimen- tos obtidos em Salesópolis e em outros projetos que também são desenvolvidos na UN Leste. Gostaria de citar, novamente, que o envolvimento das pessoas

é fator de fundamental importância no combate às

perdas”, enfatiza. Nesse sentido, Dante fala que a aplicação da ferra-

menta MASPP na UN-ML foi o foco de conscientiza- ção para o controle de perdas. “O MASPP permitiu conhecer a fundo alguns dos principais processos

da UN-ML, ou seja, operação e manutenção do sis- tema de água e comercialização. Seu êxito só foi possível graças à formação de times multidepar- tamentais compostos por pessoas das áreas ope- racional, de manutenção, financeira, de recursos humanos, qualidade e comunicação, além da equi- pe da Divisão de Perdas.” Foram essas equipes que planejaram, desenvolveram e executaram os pa- drões: “Tais equipes tiveram direcionamento para

o planejamento, desenvolvimento e execução de

padrões de trabalho e instruções de todos os servi- ços que envolvessem as perdas de água. Durante o período de desenvolvimento da metodologia e sua aplicação, foram adotados três setores de abaste- cimento como pilotos (Itaquera, Jardim Popular e Salesópolis), antes da completa implantação na UN- ML. Nesse período foram propostas ações de melho- ria nos setores e controle dos processos, através de ferramentas da Qualidade que pudessem interferir diretamente nos indicadores da unidade. O foco do trabalho foi voltado a reduzir o Volume Distribuído – VD - e aumentar o Volume Utilizado – VU, com me-

CAPA

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Luiz Paulo de Almeida Neto, Superintendente da Unidade de Negócio Baixo Tietê e Grande (UN-RT)

tas correspondendo a cada pro- cesso. A metodologia propiciou melhorias nos controles dos processos principais do negócio, gerando benefícios diretos a to- dos os níveis da organização, do profissional que executa sua ati- vidade com o procedimento cor- reto, otimizado e padronizado, passando pelos níveis gerenciais que podem otimizar equipes de trabalho com absoluto domínio das características do seu negó- cio ou mercado, até a alta admi- nistração, para a tomada de de- cisão baseada em fatos e melhor detalhamento dos planejamen- tos empresariais”, explicou. “A continuidade se dá sempre atra- vés da utilização da ferramenta PDCA (Plan, Do, Check, Action) e de auditorias regularmente exe- cutadas. Benchmarkings e o en- volvimento de um número cada vez maior de colaboradores, fa- zem com que, freqüentemente,

novas ferramentas e tecnolo- gias sejam inseridas na execu- ção das atividades. Os sistemas SCORPION, SAMA, controle de VRPs e vazões mínimas noturnas, acompanhamento dos serviços de geofonamento, estabeleci- mento de metas e responsáveis

por setor de abastecimento são alguns exemplos. Além disso, os controles têm sido aprimorados constantemente pelas equipes operacionais e gerenciais, de for- ma a analisar as ações de causa

e efeito e os ganhos que cada

uma teve. Hoje temos metas de VD e VU, acompanhadas diaria- mente, que possibilitam direcio-

namento de recursos e decisões para evitar eventuais acrésci- mos nos volumes de perdas. Os treinamentos efetuados com a participação de nossa área de Recursos Humanos, juntamente com nossas equipes de Comuni- cação e Qualidade, empenhadas na disseminação das boas práti- cas, garantem a continuidade e aprimoramento do aprendizado

obtido na época de aplicação da ferramenta MASPP, assim como

a otimização das tarefas a serem

executadas”, fala com segurança de quem domina o assunto.

A rotina diária do trabalho é um

dos principais fatores que de- monstram a continuidade das ações e dos aprimoramentos dos trabalhos desenvolvidos para a redução contínua de perdas da unidade: ”Resumindo: a busca constante de novas tecnologias, trabalho por processos e forte

envolvimento e participação de nossos colaboradores garantirão a continuidade dos trabalhos ini- ciados quando da implementa- ção do MASPP”, finalizou Dante.

MOTIVAÇÃO, ENVOLVIMENTO E TECNOLOGIA

O Engenheiro Civil Luiz Paulo de

Almeida Neto, Superintendente da Unidade de Negócio Baixo Tietê e Grande (UN-RT), que tem sede na cidade de Lins e opera 83 municípios, acredita que a

motivação e o envolvimento das pessoas nos trabalhos operacio- nais dos sistemas de distribuição de água são fundamentais para resultar em baixos índices de perdas: “Nós aqui na UN-RT, para termos sucesso no combate a perdas, precisamos desenvolver nossa atuação em 83 municípios. Desta forma, envolver pessoas

no projeto é imprescindível, pois

o Gestor de Perdas da Unidade

não consegue fiscalizar presen- cialmente nem 10% das equipes atuantes. Assim, alcançar objeti-

vos no programa é primeiramen- te convencer todos os gerentes

operacionais e demais funcioná- rios de que o programa é indis- pensável. Hoje, 100% do nosso

volume produzido é medido com equipamentos eletromag- néticos interligados a sistemas informatizados e 70% de todo volume distribuído é medido e transmitido on-line a computa- dores que possibilitam o geren- ciamento das perdas. Por isso, trabalhar com profissionais qua-

Crédito: Odair M. Faria
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Irregularidades (fraudes) e hidrômetros modificados

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Divulgação Lina Cabral Adani, Gerente de Controle de Perdas e Sistemas na empresa de saneamento de

Lina Cabral Adani, Gerente de Controle de Perdas e Sistemas na empresa de saneamento de Campinas (SANASA)

lificados é obrigatório”, esclare- ce. Ele coloca a motivação como um dos principais fatores para os bons resultados obtidos no combate às perdas na região de Lins: “Em primeiro lugar, sempre, equipes motivadas e comprome- tidas em obter resultados; em se- gundo, muita transpiração, mais do que inspiração, pois comba- ter perdas envolve um trabalho que precisa ter rotina diária, pesquisar e retirar vazamentos, aferir vazões mínimas noturnas, trocar hidrômetros, ou seja, é um ‘arroz com feijão’ que precisa ser feito todos os dias; em terceiro, persistência, pois muitas vezes você desenvolve várias ações e não obtém resultados, mas per- sistindo você descobre a causa, parte para a ação correta e re- solve o problema. Exemplo: na cidade de Monte Alto, desenvol- vemos ações como substituição de hidrômetros, troca de ramais e redes, mas as perdas só caí- ram significativamente quando resolvemos instalar válvulas re- dutoras de pressão; em quarto, a tecnologia, que a cada dia traz soluções. Aqui, medir vazões mí- nimas noturnas na distribuição dos reservatórios e controla-las on-line nos computadores trou- xe um grande avanço na redu- ção de perdas reais”. Luiz Paulo cita esse controle on- line de perdas como o que pro- porcionou um dos melhores re- sultados registrados na sua área

de atuação: “Temos muitos siste- mas com perdas reais inferiores

a 90 litros/ramal/dia. Trabalha-

mos com mão-de-obra própria nas equipes de engenharia, pitometria, e trabalhamos com tercerizados nas pesquisas de vazamentos e instalação de ma- cromedidores”, finaliza.

EM CAMPINAS

Lina Cabral Adani, engenheira ci-

vil

e, nos últimos 13 anos, Geren-

te

de Controle de Perdas e Siste-

mas na empresa de saneamento

de Campinas (SANASA), lista uma

série de ações importantes que foram implementadas pela SA-

NASA e que deram resultados ex- pressivos na redução de perdas, tanto reais quanto aparentes:

“Foram muitas as ações para agi- lizar o controle de perdas, mas eu destaco a implantação de novos critérios para dimensionamento de hidrômetros, a realização de manutenção Preditiva e Preven- tiva de hidrômetros, a utilização de hidrômetros velocimétricos

ø ¾”, Qn 0,75 m³/h, a utilização

de hidrômetros velocimétricos classe C nas ligações com ø ≥ 1”

e as ligações de água (60%) no

padrão com caixa de proteção lacrada, instaladas nos muros dos imóveis”, afirma. Ela também destaca as Estruturas Reduto- ras de Pressão, com a instalação maciça e formação de equipes qualificadas para o monitora- mento e manutenção, monitora- mento permanente de pressões em pontos críticos, para controle efetivo dos volumes de entrada de água nos setores de abaste- cimento, através de válvulas de controle (normalmente redu- toras de pressão) e/ou bombas com inversores de freqüência. Lina ainda esclarece que a sus- tentabilidade do programa de redução de perdas requer ações implantadas paralelamente, de forma contínua e permanente:

“Micromedição, macromedição, sistemas informatizados em tempo real (telemetria e teleco- mando) e banco de dados his-

tóricos (CPD), cadastro técnico e geoprocessamento, setorização

(isolamento de áreas), controle/ redução de pressões, manuten- ção e controle do tempo para eliminar o vazamento em tubu- lações, controle de nível com recuperação de vazamento em reservatórios e unidades opera- cionais, detecção e conserto de vazamentos não-visíveis, subs- tituição de redes e ramais fadi-

gados, ensaio de estanqueidade

para recebimento de redes no- vas, teste de recebimento de re- des novas e pesquisa e detecção para eliminação de fraudes”. Além disso, Lina defende uma gestão do sistema distribuidor, que possibilite a detecção dos problemas e a execução das a- ções corretivas/preventivas/pre- ditivas no menor tempo e cus- to, bem como o treinamento constante dos funcionários en- volvidos (formação acadêmica, cursos, palestras, eventos, visitas técnicas etc.). Lina esclarece que a preocupa-

ção da empresa com o sistema de macromedição é permanen- te: “A SANASA possui uma políti-

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permanen- te: “A SANASA possui uma políti- Divulgação Macromedidor Pesquisa de vazamentos Setembro/Outubro de 2007

Macromedidor

te: “A SANASA possui uma políti- Divulgação Macromedidor Pesquisa de vazamentos Setembro/Outubro de 2007 Saneas 13

Pesquisa de vazamentos

CAPA

Divulgação

CAPA Divulgação Edevar Luvizotto Junior, professor da Faculdade de Engenharia Civil da Unicamp, no Departamento de

Edevar Luvizotto Junior, professor da Faculdade de Engenharia Civil da Unicamp, no Departamento de Recursos Hídricos

ca

de macromedição permanen-

te

de todos os volumes de água

bruta captados, tratados, aduzi-

dos, armazenados e distribuídos. Também são contemplados os setores de medição (distritos pi- tométricos), já atingindo quase sua totalidade. A macromedição

é obrigatória para todas as novas obras”.

Os equipamentos utilizados são

de última geração, dos tipos

eletromagnético e ultrassônico, selecionados adequadamente para cada finalidade, sendo tam- bém utilizados para setores de medição os do tipo Woltmann, por não necessitarem de energia elétrica e pelo custo menor.

A confiabilidade dos volumes

apurados envolve a especifica- ção técnica criteriosa na fase de

aquisição, o projeto, a instalação

e a manutenção, adequada ao

equipamento e ao grau de im- portância do ponto de medição monitorado. Mensalmente são avaliados os dados apurados e só depois divulgados; nesta fase o

macromedidor é diagnosticado

e, se necessário, conferido atra-

vés de outro medidor portátil, podendo ser substituído.“Para as medições mais importantes, que

são volumes produzidos, possu- ímos redundância nas medições

e podemos garantir a confiabili-

dade dos mesmos”, garante Lina.

GESTÃO DO PROGRAMA DE REDUÇÃO DE PERDAS

Ela faz questão de explicar como

é a gestão do Programa de Re-

dução de Perdas na SANASA: “O Programa de Redução de Per- das tem gestão centralizada na Gerência de Controle de Perdas

e Sistemas, na Diretoria Técnica,

e as ações descentralizadas que permeiam pelas demais áreas:

Comercial, Financeira, Adminis-

trativa, Recursos Humanos. Isso só foi possível com a integração das atividades e a união dos funcionários, que proporciona- ram um programa sustentável e com resultados relevantes para garantia do atendimento das de-

mandas atuais, mesmo em épo-

cas críticas de estiagem e uma população de mais de 1.000.000 de habitantes.”

A Gerência de Controle de Per-

das e Sistemas possui dotação

orçamentária aprovada anual-

mente e conta com as parcelas das demais gerências quanto às ações voltadas à redução de per- das: “Pelo Planejamento Estraté- gico, o Programa de Redução de Perdas, baseado no diagnóstico dos setores, visa o atendimento das demandas atuais e futuras,

a

redução do custo operacional

e

o equilíbrio financeiro do pro-

duto água.” Lina explica também qual o “ín- dice econômico de perdas” de Campinas: “O índice de perdas na distribuição em 2006 foi 25,8%.

Esse valor garantiu a demanda

requerida até no período de es- tiagem, permitiu o crescimento demográfico como também o crescimento econômico do mu- nicípio, sem restrição da quanti- dade e qualidade da água, além de atender à outorga DAEE: De-

partamento de Águas e Energia Elétrica. O procedimento que vem sendo adotado prevê a re- dução das perdas para no máxi- mo 25,8% nos setores em que se verificam valores maiores, desde

que o investimento financeiro se torne viável quanto à relação custo x benefício e tempo de re-

torno”

Para finalizar, Lina aponta: “A ges-

tão das perdas tem por objetivo alcançar o índice de perdas que

proporcione o equilíbrio finan- ceiro do produto água, para se tornar auto-sustentável mesmo com adoção de tarifas subsidia-

das nas categorias Ligações Cole-

tiva e Social; esse valor para 2006 seria de 21,7%, já alcançado em vários setores de medição”.

VISÃO DA UNIVERSIDADE Edevar Luvizotto Junior, enge- nheiro civil e professor da Fa- culdade de Engenharia Civil da

Unicamp, no Departamento de Recursos Hídricos, é responsável pelos Laboratórios de Hidrotrô- nica e Hidráulica Computacional da FEC-Unicamp e uma autori- dade para falar sobre as linhas

de pesquisa que estão sendo de-

senvolvidas na Unicamp com re- lação às perdas reais e aparentes

em sistemas de abastecimento de água. E fala com prazer sobre aquilo que mais gosta de fazer:

“Tenho na Unicamp uma linha de investigação chamada de Con- trole e Gestão Operacional de Sistemas de Abastecimento de Água, na qual investigo o tema

das perdas e outros relacionados

ao abastecimento de água. No

caso particular das perdas, tenho dedicado maior atenção às per- das reais, em particular, investi- gando modelos que auxiliem na detecção de vazamentos. Não penso nestes modelos como substitutos para as técnicas usu- ais de detecção por ruídos (ge- ofones, correlacionadores, etc), mas como um aliado, guiando

as campanhas de campo, dando

pistas sobre locais de vazamen-

to. Como se sabe, as técnicas

usuais são morosas, uma vez que

o sistema de distribuição tem

que ser efetivamente percorrido. Além do mais, exigem equipes

altamente qualificadas e podem produzir transtornos indesejá- veis no trânsito”, afirma. Após fazer o pós-doutorado na Escola Politécnica de Valência, Espanha, Edevar retornou ao Brasil com o esboço do modelo de detecção de fugas. “Um dos meus alunos de mestrado se in-

teressou pelo tema e fez vários testes de validação do modelo, apresentados em sua dissertação de mestrado. Um aluno de dou-

torado desenvolveu um modelo de calibração de redes baseado na técnica. Também empregou situações hipotéticas para valida- ção do modelo. Uma dissertação de mestrado foi desenvolvida por outro orientado. Ele aplicou

o modelo a um setor de abas-

tecimento de um sistema real,

obtendo resultados satisfatórios. Tenho uma aluna que concluiu

o mestrado com o desenvolvi-

mento teórico de um modelo de detecção de fugas por pulso de alta freqüência e que continua a investigação, agora prática, em seu doutorado. Além destas pro- duções específicas sobre o tema das fugas, trabalho em minha linha de investigação com mo- delos de simulação em regime

transitório, modelos de auditoria energética de estações elevató- rias e modelos de qualidade de água”, explica. Edevar fala que as dissertações

e teses defendidas na Unicamp

estão disponíveis em sua biblio- teca: “Na atualidade todas as dissertações e teses estão sen- do convertidas para o formato eletrônico e disponibilizadas via internet. Basta entrar no site da Unicamp (www.unicamp.br) e procurar pela biblioteca, onde será obtida a forma de acesso ao acervo digital”.

QUALIDADE DAS INFORMA- ÇÕES E CALIBRAÇÃO Continuando sua explicação, Edevar fala sobre os dados para a aplicação do modelo de simu- lação-otimização na gestão de perda de água em regime per- manente e transitório: “Como todo o modelo de simulação dessa natureza, parte-se de in- formações cadastrais como:

comprimento, diâmetro, exten- são, material, idade e estado das tubulações. É importante o conhecimento das interligações

e de informações topográficas

destas interligações (localização em planta e cotas de nível), além da localização e quantificação dos pontos de consumo (e es- tatística da variação temporal). São necessários dados dos com- ponentes do sistema, tais como as características operacionais de bombas, válvulas e reserva- tórios, além das regras de opera- ção, caso a modelação ocorra em

período extensivo ou em regime transitório. A partir do levanta- mento de dados passa-se à eta- pa de calibração/detecção. Esta

etapa é precedida pelo que se chama de definição da matriz de sensibilidade do sistema, basica-

mente a determinação das me- lhores localizações dos sensores de pressão e vazão e do número adequado destes sensores para

a varredura de uma determina-

da área (isto é feito através de modelação). Definido o núme- ro, a localização e instalados os

sensores, estes irão fornecer as informações de carga e vazão que o modelo deverá reprodu- zir. Isto só será atingido com a calibração do modelo e com a localização dos pontos de vaza- mento. Quanto maior a quan- tidade de informações obtidas dos sensores melhor será guiado

o modelo de busca. A idéia de se

melhor será guiado o modelo de busca. A idéia de se Fonte: SNIS, 2005 Fontes: -

Fonte: SNIS, 2005

guiado o modelo de busca. A idéia de se Fonte: SNIS, 2005 Fontes: - Waterloss, 2005;

Fontes:

- Waterloss, 2005;

- Tokyo

Waterworks Bureau;

- Saitama City

Waterworks Bureau;

- Waterworks and Sewarage

Bureau of Nagoya City

CAPA

aplicar a técnica em regime transitório, ou em perí- odo extensivo, é acompanhar a evolução temporal das medidas nos sensores, conseguindo assim um conjunto de informações com um menor conjunto de sensores. A técnica que tenho empregado nessa etapa, em que se busca que o simulador represente os resultados de campo, é baseada no Multi-Simplex (chamo de Nelder-Mead em homenagem aos seus pioneiros), algoritmos genéticos ou num híbrido destes algoritmos”, explica.

APLICAÇÃO Em tese tudo tem que estar em perfeito funciona- mento, mas a aplicação em casos reais esbarra na dificuldade de obtenção das informações corretas para a modelação e na cooperação dos serviços de saneamento para a aplicação do modelo. “O teste que fizemos com o modelo foi um suces- so. Ele foi aplicado a um setor de abastecimento da

cidade de Jundiaí, que tinha rede em tubos de PVC recentemente instalada, parque de hidrômetros no- vos, de característica predominantemente residen- cial e com índice de perdas baixíssimo. Com cadas- tro confiável e informação de medição adequada, foi feita uma campanha noturna (já que aplicamos um modelo de regime permanente) com três datalog- gers medindo pressão e um medidor de vazão para

a fuga que foi criada no setor. Essa fuga foi detecta- da com sucesso. A questão sobre se há viabilidade para a aplicação da técnica é bastante interessante

e de certa forma é um exercício de previsão de futu- ro. Quando apresentei este modelo na Espanha, em 2002, fui convidado pelo coordenador de projetos de um organismo de planejamento suíço a trabalhar no desenvolvimento de um sistema de detecção de fugas com eles (por motivos acadêmicos não pude

ir). O fato é que o projeto piloto na cidade de Mar- tigny, envolvia uma empresa que estava desenvol- vendo um sensor que media vazão, pressão e ruído num mesmo corpo (estavam com problemas com a medição de ruídos), um provedor de Internet a cabo,

a empresa de saneamento e o instituto de pesqui-

sa (com pesquisadores de toda a Europa). Eles me forneceram uma senha de acesso e, por dois meses, tive informações on-line de todo o sistema, além de mapas georreferenciados da rede, justamente como está disponível a cada cidadão daquela cidade. Isso pode parecer um sonho, mas é uma realidade. Via- bilidade há, se houver o desejo e se essa for a prio- ridade. Num pais com deficiências em saneamento básico como o nosso, tudo deve ser feito com muito planejamento”, fala.

DESENVOLVIMENTOS Edevar explica que a Unicamp tem desenvolvido no- vos trabalhos em relação ao programa de controle de perdas em sistemas de abastecimento público

de água. “Atualmente oriento um trabalho de dou- torado que pretende detectar fugas em tubulações

através de pulsos pressão de alta freqüência e baixa intensidade (que poderão ser aplicados em aduto- ras ou redes). Os resultados teóricos foram surpreen- dentes e a expectativa é de que possa substituir os correlacionadores acústicos na detecção de fugas.

A dificuldade está no desenvolvimento do disposi-

tivo para produção desses pulsos de alta freqüência,

para que possam ser instalados sem produzir inter- ferências significativas no sistema. As análises dos pulsos de alta freqüência são em regime transitório

e toda a teoria já foi desenvolvida como dissertação

de mestrado”. “Em particular não tenho trabalhado com perdas em reservatórios e em estações elevatórias. No caso de estações elevatórias, desenvolvemos um modelo para aplicação em estações com bombas de rota- ções variáveis visando a otimização operacional (ní- veis de pressão) e a redução de custos (tese de dou- toramento recentemente defendida)”, relata Edevar.

LABORATÓRIO DE HIDROTRÔNICA

Edevar explica que procura orientar seus alunos para

o foco da modelagem: ”Por vocação pessoal traba-

lho com a modelagem e oriento meus alunos den- tro desta linha. Entretanto, acredito que a formação do engenheiro que trabalha com o tema das perdas ou com os problemas relacionados com o abasteci- mento em geral deva ser melhorada. Em 2002, em conjunto com outros dois colegas, que não estão mais comigo, concluímos o que chamamos de Labo- ratório de Hidrotrônica. Neste laboratório, dispomos de 1500 m de tubulação em polietileno e cobre (por facilidade da configuração em espiral), que podem ser configurados a partir de trechos de 100 m, em diversas topologias de rede. Nos nós de conexão es- tão instalados sensores de pressão. O módulo possui dois medidores de vazão, duas bombas que permi- tem configuração em série ou paralelo, um vaso de pressão, três válvulas automáticas de controle e 15 manuais, e uma bomba dotada de inversor de fre- qüência. Tudo isso na forma semelhante a um proto- board empregado para testes de circuitos eletrôni- cos. O sistema é controlado por um sistema Scada que faz a operação dos equipamentos (bombas, vál- vulas, inversor e compressor que alimenta o vaso de pressão) e a aquisição de dados (vazão e pressão). O laboratório foi a forma que encontramos de colocar nossos alunos em contato com as tecnologias em- pregadas nas mais modernas empresas de abasteci- mento de água, além de fornecer comprovação aos nossos modelos. É importante o aluno observar na prática que determinadas manobras por eles provo- cadas levam o sistema a esforços extremos, que po-

dem ser os protagonistas de rupturas em tubulações

e juntas”, conclui.

que po- dem ser os protagonistas de rupturas em tubulações e juntas”, conclui. 16 Saneas Setembro/Outubro

ENTREVISTA

Fotos Ernani Ciríaco: Divulgação

ENTREVISTA Fotos Ernani Ciríaco: Divulgação “Os níveis de perdas no Brasil ainda são elevados” Ernani Ciríaco

“Os níveis de perdas no Brasil ainda são elevados”

Ernani Ciríaco de Miranda, Engenheiro Civil, Mestre em Tecnologia Ambiental e recursos hídricos pela Universidade de Brasília, tem 20 anos de formação e experiência profissional em saneamento básico, com atuação na área de consultoria em projetos de sistemas de abas- tecimento de água e de esgotamento sanitário por dez anos em empresas como Belba Enge- nheiros Consultores, Leme Engenharia e Enge- solo Engenharia. Diretor Técnico da Emasa - Empresa Munici- pal de Água e Saneamento de Itabuna/BA, no período de 1993 a 1996. Membro da equipe técnica do Programa de Modernização do Se- tor Saneamento (PMSS) desde 1997, atuando como Coordenador do Programa desde 2003. O PMSS é um Programa da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades.

Para se determinar o volume perdido nos siste- mas de abastecimento de água, o volume ma- cromedido é a referência principal. Como está o índice de macromedição na maioria das compa- nhias de saneamento brasileiras? Quando é me- dido, pode-se dizer que é bem medido? Ernani - São referências principais os volumes ma- cro e também os micromedidos. No Brasil há exem- plos de diversas situações: níveis de macromedição elevados, médios e baixos, com uma precisão que pode ser boa, média e baixa nos três casos. A grande heterogeneidade que existe na prestação dos ser- viços de abastecimento de água no Brasil, seja em função do porte dos prestadores e seus sistemas, seja em função do nível de evolução técnico-opera- cional e institucional, dificulta a adoção de valores médios em uma análise desta natureza. No entanto, há um senso comum, sobretudo entre profissionais de maior experiência, de que infelizmente é maior a quantidade de casos de baixa macromedição e tam- bém de baixo nível de precisão. O SNIS - Sistema Nacional de Informações sobre Sa- neamento, administrado pela Secretaria Nacional de SaneamentoAmbientaldoMinistériodasCidades,no âmbito do Programa de Modernização do Setor Sa- neamento PMSS, publica anualmente informa-

ções sobre a prestação de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, desde o ano base de 1995. Segundo a última atualização, com dados do ano base de 2005, o índice médio de macromedi- ção no Brasil é de 77% do volume de água produzi- do. Neste mesmo ano foram muitos os prestadores de serviços cujos dados informados resultaram em 100% de macromedição e muitos também resulta- ram em 0,00%. Outro fator importante a considerar é que no caso das companhias estaduais, que operam quase 4.000 municípios com água, o indicador médio de cada uma pode não refletir a realidade dos municípios operados, pois havendo bom nível de macromedi- ção nos municípios maiores, estes impactam positi- vamente o indicador médio, podendo não refletir a realidade dos municípios menores.

E o índice de hidrometração, como se encontra hoje no Brasil? Os intervalos de troca são regu- lares? Há avaliações de submedição média? Há disparidades regionais significativas no índice de hidrometração ou na gestão do parque de hi- drômetros? Ernani - No caso da hidrometração, a situação é si- milar. Cabe, no entanto, esclarecer que os conceitos para indicador de hidrometração e indicador de micromedição são diferentes. Enquanto o primeiro reflete a quantidade de ligações de água que têm hidrômetro, o segundo reflete o volume de água consumido que é medido. Um alto índice de hidro- metração pode não corresponder a um também elevado índice de micromedição, pois podem exis- tir hidrômetros que não estão com funcionamento regular. Segundo o SNIS 2005, enquanto o índice médio de hidrometração no Brasil é de 88%, o de micromeção é de 47%, em ambos também variando de 0,00 a 100% para os prestadores de serviços da amostra em todo o Brasil. O problema da submedi- ção é grave no país, sobretudo em decorrência do

ENTREVISTA

Fotos: Divulgação Sabesp

ENTREVISTA Fotos: Divulgação Sabesp uso disseminado de caixas d’água e pelo padrão de hidrômetros adotados (no

uso disseminado de caixas d’água e pelo padrão de

hidrômetros adotados (no maioria dos casos, de clas-

se B). Nos EUA e países da Europa não são utilizadas

caixas d’água. Também cabe dizer que no mercado há hidrômetros de classe superior que permitem trabalhar com baixos níveis de submedição, mas o custo destes hidrômetros é ainda elevado para os padrões brasileiros. O SNIS não possui dados que

permitam calcular o nível de submedição. Sabe-se,

no entanto, pelo conhecimento da realidade do país

que os níveis são altos, podendo chegar em muitos

casos a mais de 30% do volume consumido.

Qual a visão do Ministério das Cidades/PMSS sobre o problema de perdas nas companhias de saneamento brasileiras, tanto as estaduais quanto as municipais? Qual é o valor médio bra- sileiro, segundo os dados que vocês dispõem no SNIS - Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento? Comparando com outros países em desenvolvimento, como estamos? Há metas estabelecidas, ou sugeridas, pelo Ministério das Cidades? Ernani - O Ministério das Cidades entende que os níveis de perdas no Brasil são muito elevados e há bastante espaço para melhoria. Uma estimativa sim- plificada do que representam as perdas de águas

nos sistemas brasileiros, em termos financeiros, indi-

ca que elas correspondem a cerca de R$ 2,5 bilhões/

ano. Ora, se o país precisa de R$ 10 bilhões/ano, nos próximos 20 anos, para alcançar a universalização dos serviços de água e esgotos, então o valor das perdas é muito alto e representa um enorme pre- juízo para a economia brasileira. Infelizmente a so- ciedade brasileira sequer tem condições de avaliar a gravidade deste fato, pois a regulação praticamente inexiste, muito menos o controle social. Penso que

o problema somente será equacionado quando

adquirir dimensão nacional e estiver ao alcance da compreensão da sociedade brasileira. Segundo o SNIS 2005, a média nacional do índice de perdas de faturamento é de 39%, com médias regionais de 59% no Norte (maior valor médio) e de

30,9% no Sudeste (menor valor médio). Nos serviços municipais, em 2005, os valores médios nacionais são um pouco maiores que nas cias. estaduais, ou

seja, 39,9% para os primeiros e 38,7% para as segun- das. No estado de São Paulo a média é de 35,5%, en- quanto que a média da SABESP é de 34,2%. O menor valor médio de cia. estadual é da COPASA/MG, igual

a 22,9%. Nos serviços municipais, retirando os valo- res abaixo de 10%, que podem estar inconsistentes,

o menor índice é do município de Colorado/PR, exa-

tamente igual a 10%. Especialistas do setor costumam estabelecer como bons índices de perdas de faturamento no Brasil, valores da ordem de 20 a 25%. O Ministério não tem metas estabelecidas, mesmo porque não tem competência para tal. As metas de desempenho, em qualquer área da prestação dos serviços de sa- neamento, devem ser estabelecidas pelo titular dos serviços, definidas nos respectivos planos de saneamento e registradas nos contratos de presta- ção, sejam de concessão ou de programa. O Minis- tério das Cidades estipula, entretanto, nos Acordos de Melhoria de Desempenho (AMDs), instrumento obrigatório de acompanhamento do desempenho dos prestadores de serviços que utilizam recursos federais, metas de melhoria nos índices de perdas de água. Além disso, estabelece a seguinte classifica- ção para os índices de perdas de faturamento: nível A: <= 25%; nível B: entre 25 e 40%; nível C: >= 40%.

A questão dos indicadores de perdas foi muito discutida recentemente no mundo todo, susci- tada pela IWA (International Water Association). Como essa discussão foi absorvida pelo Ministé- rio das Cidades no acompanhamento dos núme- ros nacionais? Enfim, é possível padronizar em todo o mundo, e no Brasil, o entendimento do que são perdas em sistemas de abastecimento de água? Ernani - Acredito que se possa obter uma padroni- zação mais confiável em todo o mundo no caso de indicadores avançados, que levem em conta fatores de homogeinização tais como a escala (quantidade

de ligações e a extensão de redes e ramais) e a pres- são de operação das redes, bem como considerem

a avaliação das perdas reais separadas das perdas

aparentes. Para indicadores de nível básico (como

o índice de perdas de faturamento, em percentual,

largamente utilizado no Brasil e no mundo) ou de nível intermediário (volume perdido por ligação, por exemplo, que vem sendo mais utilizado), creio que a padronização é mais difícil, merecendo muita caute- la na comparação de desempenho, devido a fatores como: diferentes conceitos e critérios de contabili- zação e de faturamento da água, existência ou não de contabilização individual no caso de prédios com

duas ou mais moradias, posição do hidrômetro em

relação à divisa frontal do lote, uso ou não de caixas d’água do- miciliares, diferentes conceitos

do que sejam perdas reais e apa-

rentes, dentre outros fatores.

O SNIS vem promovendo uma

padronização de indicadores de

desempenho para serviços de

água e esgotos que é anterior

ao Manual da IWA, já que o Glos-

sário de Termos e Fórmulas do SNIS foi publicado pela primeira vez em 1996 e, desde então, vem

sendo publicado regularmente todo ano, sempre com alguma revisão ou atualização. Por sua vez, o PNCDA - Programa Nacio- nal de Combate ao Desperdício

de Água, também da Secretaria Nacional de Saneamento Am- biental do Ministério das Cida- des, possui um Documento Téc- nico de Apoio com proposta de padronização de indicadores de perdas. Há também publicações

e estudos acadêmicos no Brasil,

sobre o tema. Entretanto, o ní-

vel de profundidade com que

o tema das perdas de água tem

sido tratado pela IWA é hoje in-

dutor dos técnicos do setor no que diz respeito à avaliação de desempenho neste campo. As-

sim, o Ministério das Cidades apóia a idéia e pode liderar, via

PMSS, uma grande discussão no país visando a padronização dos indicadores, que tenha por refe- rência as experiências nacionais

e os estudos da IWA.

Está suficientemente clara a diferença de conceitos entre “águas não-faturadas” e “per- das”nas companhias de sanea- mento do Brasil? Os conceitos da IWA estão sendo adotados pelo Ministério das Cidades? Ernani - Creio que os conceitos citados não estão suficiente- mente claros para a maioria dos

técnicos e dirigentes do setor sa- neamento no Brasil, e nem para

a população, imprensa, meio

acadêmico, e responsáveis pelas

políticas públicas do setor sanea- mento nos níveis federal, estadu-

ais e municipais. É preciso avan-

çar muito ainda na compreensão

e consolidação de conceitos mais

atuais e modernos. O Ministério das Cidades, tanto no SNIS quan- to no AMD, supracitados, adota conceitos similares aos da IWA, com alguma adaptação para a realidade brasileira, limitados aos indicadores de nível básico, haja vista que sua atuação é nacional e deve procurar o maior alcance

possível, fato que só é possível com esses indicadores de nível básico.

Quais as maiores dificuldades enfrentadas pelo Ministério das Cidades na coleta dos da- dos e informações sobre per- das para compor o relatório do SNIS? Ernani - As maiores dificuldades referem-se à falta de informa- ções atualizadas e consistidas re- gularmente na rotina operacio-

nal dos prestadores de serviços, sobretudo separadas para cada município operado. Embora os prestadores de serviços venham adquirindo com o tempo uma expressiva melhoria na qualida-

de das informações fornecidas

Setembro/Outubro de 2007 Saneas
Setembro/Outubro de 2007
Saneas

ENTREVISTA

ao SNIS, cabendo registrar que esta melhoria é decorrência na- tural da série histórica de dados, que já possui 11 anos, cabe regis- trar também como dificuldade a existência ainda de muitos casos de inconsistência nos dados, se- jam de prestadores de serviços regionais (companhias estadu- ais), sejam microrregionais ou lo- cais. Este fator é uma conseqüên- cia natural da raiz dos problemas de desempenho dos serviços de água do país, qual seja, a quali- dade insatisfatória da gestão dos serviços.

Em que medida os números do SNIS contribuem para se ter um diagnóstico dos problemas de perdas no país? O que é possí- vel melhorar para o aperfeiço- amento desse diagnóstico? Ernani - Os dados do SNIS são o que há de melhor para se ava- liar a evolução histórica, o nível de desempenho, os principais problemas e as perspectivas de avanço dos serviços de água e esgotos no Brasil, incluindo re- lativos ao tema perdas de água. São poucos os países do mundo que têm um sistema tão robusto, com a qualidade e a estabilidade do SNIS. É possível realizar aná- lises do interesse dos diversos agentes com atuação no setor saneamento brasileiro: os pró- prios prestadores de serviços, auto-avaliando a sua performan- ce e evolução histórica e se com- parando com a amostra presente no sistema; os dirigentes do po- der executivo, donos dos pres- tadores de serviços, que podem se utilizar dos dados para avaliar resultados; a imprensa e a so- ciedade organizada que podem acessar a base de dados e verifi- car o comportamento do setor; os agentes reguladores que têm no SNIS uma boa referência para as suas atividades regulatórias e de fiscalização; os governos fe- deral, estaduais e municipais que

podem também se apropriar dos dados para a formulação de polí- ticas e programas de governo.

O aperfeiçoamento do SNIS e

seus diagnósticos, sempre gradu-

al e contínuo, é um dos princípios

do Sistema. Creio que a melhoria

mais importante, que se está bus-

cando alcançar na atualização do SNIS do ano base 2006, cuja fase

de coleta dos dados está sendo

finalizada, diz respeito à obten- ção dos dados desagregados de todos os municípios atendidos pelos prestadores de serviços presentes na amostra. Também

é fundamental a institucionaliza-

ção do sistema de informações nos termos da lei de saneamento 11.445/2007. Especificamente,

em relação à questão das perdas

de água creio que se deva pro-

mover um processo de discussão em todo o país, já citada ante- riormente, para promover um melhor entendimento, a máxima padronização e um passo a mais nos indicadores de nível inter- mediário e talvez avançado.

A expansão desordenada das cidades e a existência de gran- des áreas de favelas são pro- blemas para a gestão opera- cional dos sistemas de abaste- cimento de água nos grandes municípios brasileiros e re- giões metropolitanas. Como isso impacta nas perdas? Ernani - O problema impacta nas perdas na medida em que o prestador de serviços, por fatores sobre os quais não tem controle, deixa de aplicar as melhores téc- nicas de controle operacional nestas áreas, contribuindo para

o aumento das perdas.

A solução seria trabalhar de for-

ma integrada e articulada todas

as atividades que compõem a

gestão dos serviços, quais se- jam o planejamento, a regula- ção e fiscalização, a prestação dos serviços e o controle social. Destaco como fundamental a

importância dos planos para contribuir no equacionamento deste problema. Cabe também

chamar a atenção para o risco dos prestadores de serviços se

acomodarem ou até mesmo fa- zerem uso desta situação para justificar perdas elevadas, acima

das aceitáveis. Portanto, trata-se de uma situação real, que acon- tece em muitas cidades brasilei- ras, que deve ser considerada na avaliação das perdas, mas que deve ser tratada com técnicas

e metodologias que permitam

um controle operacional mínimo

aceitável.

A impressão que dá é que todo mundo sabe o que fazer para combater as perdas, tanto re- ais quanto aparentes. Mas todo mundo faz bem feito (como)? Persegue-se efetivamente o resultado de longo prazo, ou seja, combatem-se as causas primárias das perdas, identi- ficadas após um diagnóstico

criterioso? Em que medida há um exagerado nível de enxu- gar gelo no combate às perdas no Brasil? Ernani - Talvez esta devesse ser a primeira pergunta. Do ponto de vista técnico e tecnológico, os prestadores de serviços sabem

o que fazer. Há casos em que

são necessárias algumas atua- lizações e avanços, mas que se conseguem com facilidade neste

campo. A raiz do problema, como

já citei antes, está na gestão inte-

grada dos serviços. É preciso que

o prestador de serviços avan-

ce na gestão, em muitos casos precisa mesmo aprender a fazer

a gestão, que torne o gerencia-

mento das perdas uma atividade de rotina, sustentável, e não uma ação esporádica, que se faz de vez em quando, em campanhas ou programas específicos.

O problema não é somente de

engenharia, mas também de re- cursos humanos, de comunica-

ção, de contabilidade, de contro- les financeiros, de planejamento, de mobilização social, de educa- ção e cultura, enfim de todas as áreas e agentes. Além disso, é também um grave problema da economia nacional, que a sociedade brasileira não sabe a dimensão e por isso não consegue perceber a gravidade.

Só quando tratado desta forma é

que haverá uma solução definiti-

va e sustentável.

No Ministério das Cidades há projetos de capacitação dos técnicos da área de saneamen- to para a questão das perdas? Ernani - Em parceria com o Procel/Eletrobrás e a ABES, fize- mos uma extensiva programação de capacitação para o gerencia- mento das perdas de água nos anos de 2005 e 2006, com mais de 30 cursos realizados. Também o PNCDA possui uma linha especí- fica para capacitação nesta área, que no momento está concen- trada à capacitação em distância, realizada neste ano em parceria com o IBAM, com cerca de 500 técnicos inscritos. Este curso será feito também no próximo ano.

inscritos. Este curso será feito também no próximo ano. “O problema não é somente de engenharia,

“O problema não é somente de engenharia, mas também de recursos humanos, de comunicação, de contabilidade, de controles financeiros, de planejamento, de mobilização social, de educação e cultura, enfim, de todas as áreas e agentes”

do Projeto, a chamada capacita-

O

PMSS desenvolve atualmente

ção em processo.

o

Projeto Com+Água, em dez

Além disso, o Ministério das Ci-

municípios brasileiros, três ope- rados por cia. estadual e sete por serviços municipais, que aplica uma metodologia inovadora no gerenciamento integrado das perdas, que além de técnicas e tecnologias atuais e modernas, possui um forte componente na área de mobilização social e

dades criou e está implemen- tando em parceria com diversos ministérios e órgãos do governo federal, universidades, entidades do setor, instituições da socieda- de brasileira, prestadores de ser- viços, Sistema S, etc., a ReCESA - Rede de Capacitação e Exten- são Tecnológica em Saneamen-

comunicação. Trata-se do desen- volvimento de uma metodologia

to Ambiental, a mais inovadora experiência em capacitação do

com enorme capacidade de re- plicação em sistemas brasileiros.

setor saneamento que reúne a inteligência no setor a serviço da

A

essência do Projeto é exata-

capacitação de técnicos e profis-

mente a capacitação dos técni- cos e dirigentes, seja em cursos de sala de aula, seja no próprio desenvolvimento das atividades

sionais do setor. Diversos cursos já estão em andamento, inclusive no tema do gerenciamento das perdas de água. Nossa expecta-

tiva é que, com a consolidação da ReCESA, a mesma atue na certifi- cação de profissionais em sanea- mento. Detalhes sobre a ReCESA e a extensa grade de cursos po- dem ser vistos no site do PMSS:

www.cidades.pmss.gov.br.

Que avanços tecnológicos (ma- teriais, equipamentos, proces- sos) já disponíveis você consi- dera os mais importantes para um eficaz combate às perdas? Ernani - Creio que do ponto de vista dos materiais e equipamen- tos, o que há de mais importan- te são aqueles que facilitam e imprimem qualidade aos con- troles operacionais, por meio de telemetria, automações, pesqui- sas de vazamentos, controle de pressão com comando automá- tico, sistemas computacionais sofisticados de mais fácil acesso, dentre outros. É importante destacar, no en- tanto, que os mais importantes avanços dizem respeito aos pro- cessos, sobretudo em metodo- logias também de fácil acesso, para balanço hídrico, softwares de modelagem hidráulica, sis- temas de informações georrefe- renciadas, dentre outros. Penso também que, com os resultados que se vislumbram, o Projeto Com+Água representará um marco na gestão das perdas de água, trazendo para o setor uma metodologia de gerenciamento integrado fundamental à susten- tabilidade das ações.

Existe algum instrumento legal ou normativo do Ministério das Cidades exigindo, solicitando ou induzindo a implantação de um programa contínuo de perdas pelas empresas de sa- neamento do Brasil, especial- mente em áreas com déficits de recursos hídricos? Como

ENTREVISTA

você avalia a Lei 11.445/2007 a respeito desse tema? Ernani - Como citado anterior- mente um dos instrumentos é o AMD, obrigatório para todos os prestadores de serviços que uti- lizam recursos do Governo fede- ral para investimentos. Também, dentre os critérios para seleção de projetos do Saneamento para Todos (programa de inves- timentos com recursos do FGTS), alguns deles estabelecem que, para patamares elevados de per- das, não são aceitáveis projetos de ampliação da produção de água, ou seja, primeiro é preciso reduzir perdas para depois au- mentar o volume de água que se retira dos corpos hídricos. Os manuais dos programas de investimentos também estimu- lam a apresentação de projetos de desenvolvimento institucio- nal e operacional, havendo um componente específico no Pro- grama Saneamento para Todos para ações de redução e controle de perdas. O Ministério das Cida- des possui também o PMSS, um Programa de assistência técnica voltado para a estruturação da gestão e a revitalização de pres- tadores de serviços, com forte atuação em projetos de geren- ciamento integrado das perdas de água. A lei de saneamento 11.445/2007 estabelece a obrigatoriedade de

planos, de instrumentos e de ins- tância regulatória e de fiscaliza- ção, bem como o controle social dos serviços de saneamento. Tais instrumentos são fundamentais para a melhoria da gestão, com conseqüente impacto positivo direto nas perdas de água. A lei também estabelece que os serviços devem ter assegurada a sustentabilidade técnica e eco- nômico-financeira, situação esta somente possível com um bom nível de desempenho no geren- ciamento das perdas.

Há outras linhas de financia- mento federais para perdas, que não as tradicionais da Cai- xa Econômica Federal? Ernani - Os programas de inves- timentos do Governo Federal para o setor saneamento estão inseridos no PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, que para o setor saneamento prevê R$ 40 bilhões de investimentos nos próximos 4 anos. Os recursos são oriundos do Or- çamento Geral da União (não onerosos) e de financiamento com recursos do FGTS (via CAIXA) ou do FAT (via BNDES). Em todos os componentes do PAC/Sanea- mento os beneficiários -gover- nos de estados e de municípios ou prestadores de serviços- po- dem apresentar projetos para a melhoria do gerenciamento das perdas de água.

Você poderia citar experiên- cias bem sucedidas de municí- pios ou companhias de sanea- mento no combate às perdas no Brasil? Ernani - Duas experiências que podem ser destacadas são as do município de Campinas (da empresa municipal Sanasa) e do estado de Minas Gerais (da com- panhia estadual Copasa).

Alguma questão adicional so- bre o tema que você gostaria de trazer para essa entrevista? Ernani - Gostaria de acrescentar a importância de se integrar proje- tos de gerenciamento das perdas de água com aqueles relativos à eficientização energética em sis- temas de abastecimento de água. São ações de melhoria da gestão que se complementam, ou seja, ações de redução de perdas de água têm forte impacto no uso eficiente de energia elétrica, e ações para a melhoria do uso de energia elétrica podem impactar positivamente na redução das perdas de água. Neste sentido, o Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Saneamento Am- biental e via PMSS, desenvolve parceria com o Ministério das Minas e Energia, por meio da Ele- trobrás e via Procel, voltada para ações integradas nestas duas

áreas.

Procel, voltada para ações integradas nestas duas áreas. >>>CARTAS >>Recebemos e agradecemos

>>>CARTAS

>>Recebemos e agradecemos pelo envio da publicação “Revista Saneas “, de excelente qualidade gráfica e editorial. Ressaltamos ainda, que é de grande valia para o acervo da Biblioteca do IESAM ser receptora de tão valiosa publicação.

Clarice Silva Neta - Bibliotecária IESAM - Instituto de Estudos Superiores da Amazônia SIBIESAM - Sistema de Informação e Biblioteca www.iesam-pa.edu.br

>>Caros editores, Compartilho com vocês o entusiasmo com o lançamento da nova Revista Saneas. O que já era bom conseguiu ficar ainda melhor, fazendo um jornalismo engajado, informativo, respon- sável e em sintonia com os anseios e desafios do setor de saneamento básico em São Paulo e no Brasil. Desejo a todos sucesso nesta nova empreitada e vida longa.

Um abraço,

Arnaldo Jardim Deputado Federal (PPS-SP) Engenheiro Civil (Poli/USP)

PONTO DE VISTA

A SITUAÇÃO ATUAL DAS PERDAS NO JAPÃO

MASAHIRO SHIMOMURA 1

N o Japão, especialmente nas zonas urbanas

onde se observa a escassez de água por

dice de perdas de água (NRW –“Non Revenue Water” ou água não-rentável, ou ainda, consumo de água não ligada à receita) que na década de 1950 regis- trava cerca de 30%, hoje apresenta uma média, em nível nacional, de menos de 10%. De modo especial, as companhias de abastecimento de água das zonas urbanas, que têm demandas vultosas de água, apre- sentam cerca de 5% no índice de NRW. Por exemplo,

a Companhia Metropolitana de Abastecimento de

Água de Tóquio registrou o índice anual de 5,8% de perdas de água em relação ao volume produzido, no período entre abril de 2005 e março de 2006.

POLÍTICA BÁSICA DE CONTROLE DAS PERDAS DE ÁGUA

Assegurar a reserva de água através da redução do volume de perdas

A redução dos volumes de perdas de água é uma

medida que gera o efeito idêntico ao de explorar uma nova fonte de água, mas com maior eficiência

e em curto prazo, além de constituir a medida que

mais se preocupa com o meio ambiente, uma vez que ela não sobrecarrega o ambiente. Sendo assim, os índices em si devem refletir o volu- me, e as medidas para redução de perdas de água devem estar ligadas diretamente à redução dos des- perdícios de água, colocadas em prática de modo eficiente e com resultados concretos.

Conhecimento Exato da Situação e Adoção de Medidas Adequadas para

causa da concentração da população, a im-

portância de planejar o uso eficiente e racional dos recursos hídricos limitados vem sendo amplamente

reconhecida entre a população em geral. Em 1964, poucos meses antes da realização dos Jo-

gos Olímpicos, a cidade de Tóquio, capital do Japão, enfrentou a ocorrência de uma seca sem preceden- tes, a ponto de se temer pela realização do evento.

A chegada de um tufão de grande porte encheu os

açudes da região e resolveu o problema, quase por milagre. Foi desde então que o Japão começou a se preocupar com o aproveitamento eficiente e racio- nal da água, que é um recurso natural limitado.

Assim, sob a diretriz básica traçada em nível nacional para o aproveitamento eficiente dos recursos hídri- cos, os órgãos e companhias regionais (províncias e seus municípios) de abastecimento de água se mo- bilizaram para, sob a responsabilidade em respecti- va área de jurisdição, promover ações para reduzir desperdícios de água, causados principalmente pelo vazamento. Essas atividades continuam sendo implementadas até os dias de hoje. Por outro lado, graças a campanhas agressivas de di- vulgação e esclarecimento das entidades mantene- doras, nacionais e municipais, dos negócios ligados ao serviço de abastecimento de água, as fabricantes

e fornecedoras de instalações ou dispositivos para

abastecimento de água se empenharam em desen- volver mecanismos e produtos que economizam água. Ao mesmo tempo, o próprio povo percebeu a importância dos recursos hídricos e, sabendo que a água é um recurso limitado, passou a tomar iniciati-

vas para economizá-la. Como resultado dessas me- didas abrangentes para uso eficiente da água, o
vas para economizá-la. Como resultado dessas me-
didas abrangentes para uso eficiente da água, o ín-
cada Estágio
As medidas contra perdas
de água devem ser toma-
das depois de se obter a no-
ção exata da situação, com
Atualmente residindo no Brasil desde julho de 2007, é Engenheiro Civil do Departamento de Sistemas
de Abastecimento de Água da Cidade de Saitama e Consultor da Jica no Japão. Líder da equipe da Jica
no Projeto de Cooperação Técnica: “Desenvolvimento de Capacitação para o Controle de Perdas de Água
na Sabesp (2007-2010)”.
1

PONTO DE VISTA

os dados precisos sobre os tipos de perda, volume, causas, características etc., a fim de permitir a ado- ção de medidas adequadas para cada situação, com causas e características próprias, de modo a reduzir eficientemente o volume da perda de água. Sendo assim, é importante compreender que, mes- mo que se trate de perdas de água parecidas, as me- didas a serem tomadas, para serem eficientes, po- dem variar de acordo com a área, volume, ou então com as causas ou características de cada caso.

zido e volume de consumo):

- Ajuste dos macromedidores e realização periódica de inspeção/vistoria dos mesmos.

- Renovação planejada dos hidrômetros (no Japão,

a Lei de Pesos e Medidas obriga a renovação a cada 8 anos);

Correção e ajuste da pressão (padronização da pressão de água entre áreas e uniformização da pressão durante 24 horas):

- Redução da pressão nas áreas com alta pressão.

O Objetivo Final do Controle de Perdas de Água

é o Perfeito Conhecimento do Volume de Vaza-

mento e de sua Redução As perdas de água podem ser classificadas, de modo geral, em perdas por vazamento e perdas por outras causas que não sejam o vazamento. Destas duas ca- tegorias, do ponto de vista técni-

co, a mais difícil de lidar é a perda por vazamento. Com relação a outras perdas (consumo de água não ligado à receita) que devem ser reduzidas, ou seja, em termos práticos, aquelas causadas pela não-sensibilidade dos hidrôme- tros e por fraudes e furtos, as me- didas devem ser tomadas no âm- bito de identificação mais precisa dos volumes de perdas através do ajuste ou correção das medições (e medidores) e das obras de ade- quação e correção das redes de abastecimento de água. Por outro lado, no que tange à existência de áreas de ocupação habitacional irregular (“favelas”),

a questão também encerra seu

aspecto político, o que torna im-

portante acertar os passos com as medidas políticas.

O que se deve fazer no mínimo, entretanto, é o le-

vantamento da situação para ter a noção do volume exato dessa perda através das obras de instalação de tubulações especiais específicas, inclusive para poder monitorar (controlar) o volume de perdas de água.

Detecção eficiente dos locais de vazamento e re- paros rápidos:

- Adoção de medidas adequadas ao estágio em ter- mos de volume do vazamento. Vazamento em grandes volumes: medidas contra vazamento na superfície com a

mobilização de mão-de-obra. Vazamento em pequeno volu- me: levantamento e pesquisa planejados de vazamentos não visíveis. Tomada de providências:

comunicação do vazamento e re- paro realizado no mesmo dia.

Sendo assim, é importante compreender que, mesmo que se trate de perdas de água parecidas, as medidas a serem tomadas, para serem eficientes, podem variar de acordo com a área, volume, ou então com as causas ou características de cada caso”

Adequação das Redes e Ramais:

- Controle dos reparos de vaza-

mentos através da renovação da rede e do desligamento eficiente das redes clandestinas (de furto de água);

- Solução dos problemas de dife-

renças de pressões elevadas, den- tro de um mesmo setor, devido às condições topográficas parti- culares, através de ressetorização

e/ou troca/adequação de trechos de tubulações;

- Redução do volume de perdas de água causadas pela não-sensibilidade dos hidrôme- tros, por meio da manutenção da pressão adequada durante 24 horas;

- Troca de ramais deteriorados ou com vazamentos

freqüentes, incluindo a troca da rede secundária alimentadora desses ramais, se necessário, depen- dendo da condição da rede e da freqüência de surgi- mento de vazamentos.

DIRETRIZES PARA CONTROLAR PERDAS DE ÁGUA As diretrizes para adoção de medidas concretas para redução de perdas de água são descritas a seguir. Essas diretrizes devem ser adotadas conforme o estágio de cada tipo de perdas de água, para dar continuidade com o desdobramento adequado:

Correção do método de medição (volume produ-

MEDIDAS PARA CONTROLE DE VAZAMENTOS Para seguir eficientemente as 4 diretrizes acima des- critas, serão consideradas 3 áreas de medidas para efetivar o combate a perdas de água. De modo especial, as contramedidas imediatas na ocorrência são importantes, não somente na detec-

ção do vazamento, mas também no sentido de ter a noção do vo- lume de perdas e de tomar pro- vidências concretas para sanar o problema.

Medidas Básicas

- Obter a noção precisa dos itens

e do volume de perdas de água através da melhoria na acuidade

da análise do volume produzido;

- Elaboração do mapa de distri-

buição das redes e ramais para servir de base e referência para adoção das medidas e controle

das perdas de água.

Contramedidas Imediatas

- Realização das buscas de vaza-

mentos que estão ocorrendo: ter ao menos a noção do volume de perdas e realizar, na medida do possível, os reparos para redução das perdas de água.

- Medidas Preventivas Finalmente, através das obras de

adequação das redes, procurar otimizar o serviço de abasteci- mento e os trabalhos de controle das perdas de água.

Com base nos pontos de vista acima expostos, pretendemos

dar o apoio necessário à SABESP

na consecução do presente pro-

jeto de cooperação técnica.

O controle de perdas de água

constitui o próprio trabalho de manutenção e administração de uma companhia de abaste- cimento de água, o que signi-

fica que todos os funcionários devem unir-se para sua perfeita realização. Esperamos que cada

funcionário da SABESP, indepen- dentemente de trabalhar ou não

na Área Piloto, de ser engenheiro,

técnico-operador ou funcionário administrativo, venha a se envol- ver com corpo e alma e participar ativamente do presente Projeto,

considerando-o como se fosse o seu próprio projeto.

considerando-o como se fosse o seu próprio projeto. Software gerencia uso da água O conselho mundial
Software gerencia uso da água O conselho mundial de negócios para o desenvolvimento susten- tável
Software gerencia uso da água
O conselho mundial de negócios para o desenvolvimento susten-
tável (WBCSD), lançou em agosto, em Estocolmo, capital da Suécia,
um software que gerencia o uso da água. A interface permite que
as organizações mapeiem o uso e apontem os riscos relativos a
operações globais e a cadeia de suprimento.
Os usuários poderão responder perguntas como:
- Quantos locais estão em áreas com escassez de água?
- Como serão no futuro?
- Quantos empregados vivem em países que não têm acesso a
água e sistemas sanitários adequados?
- Quantos fornecedores estão em áreas com escassez de água?
O novo software também realiza a comparação do uso de água
com informações acerca de sua disponibilidade e de sistemas sani-
tários, tanto tratando-se do país ou lençóis freáticos; calcula consu-
mo e eficiência; estabelece riscos relacionados à água e cria indica-
dores, inventários e performance métricas. Segundo especialistas
do meio, o processo é de fácil gerenciamento.
Para os interessados, o WBCSD disponibiliza o software para
download no endereço:
http://www.wbcsd.org/web/watertool.htm

PONTO DE VISTA

PERDAS DE ÁGUA E SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

Reduzir Perdas - o Meio Ambiente e a Sociedade Agradecem

SÔNIA NOGUEIRA 1

A dificuldade de acesso à água faz com que

muitas operadoras de serviço de saneamento

deve-se considerar o valor econômico total dos “ser- viços” proporcionados pelos ecossistemas aquáticos

e os custos das perdas nos sistemas de produção e distribuição.

A gestão das águas será mais eficiente à medida

que instrumentos econômicos, como cobrança pelo uso da água e o princípio do poluidor/pa- gador, forem definitivamente implementados e praticados. Conservando a água de boa qualida- de, buscando alternativas, mantendo o abasteci-

mento, são ampliadas as perspectivas econômicas

e as alternativas para o desenvolvimento local e

regional. Águas despoluídas revitalizam as econo- mias local, regional, nacional e internacional. As empresas e os consumidores devem administrar o uso da água de modo responsável para assegurar o desenvolvimento sustentável. As concessionárias e prestadoras de serviços que atuam no saneamento

e meio ambiente devem ter como meta prioritá-

ria o “Programa de Controle e Redução de Perdas de Águas“, envolvendo ações e articulações inter e intra-institucional com vários segmentos e implan- tando medidas preventivas, corretivas, preditivas

e de conservação, bem como a adequada previsão

de recursos financeiros e logísticos, no sentido de incorporá-lo como um programa estratégico no rol dos seus serviços.

O treinamento do corpo técnico (engenheiros e

operacionais) é de suma importância, além de ou-

tros recursos para conseguir um alto nível de eficiên- cia operacional; sabemos que o combate às perdas

é custoso e deve ser feito

com muita racionalidade,

(água e esgoto) transportem água a longas

distâncias e utilizem intensamente o bombeamen- to, que geralmente implicam em altos custos ope- racionais. As empresas de saneamento que operam em grandes capitais, como é o caso do município de São Paulo, vêm enfrentando grandes desafios para manter a população abastecida com água em quan- tidade e qualidade adequadas. Problemas, como o crescimento e adensamento populacional, somado a perda da qualidade dos mananciais ou da rejeição de fontes existentes, re- sultam em problemas quase irreversíveis ao atendi- mento com água potável nos grandes centros urba-

nos, levando ao uso intenso das reservas existentes de água. Os custos de projetos e obras para captação de águas superficiais ou para a exploração de águas subterrâneas, incluindo transferências e transposi- ção de outras bacias para satisfazer as necessidades em curto, médio e longos prazos são onerosos, es- pecialmente nas metrópoles.

A gestão eficiente dos recursos hídricos é fator es-

sencial para o desenvolvimento sustentável das ci-

dades, pois a água e as economias local, regional e global estão diretamente relacionadas, uma vez que

o desenvolvimento econômico, a produção agrícola

e todas as atividades humanas dependem da dispo-

nibilidade adequada de água e do acesso. A escas- sez de água impede o desenvolvimento econômico

e social, além de limitar alternativas econômicas.

Muitos fatores contribuem para a escassez deste precioso liquido; contaminação de rios, lagos, repre-

sas, poluição difusa, enchentes, aquecimento global, desmatamento e resíduos sólidos, produzindo im- pactos
sas, poluição difusa, enchentes, aquecimento global,
desmatamento e resíduos sólidos, produzindo im-
pactos econômicos em razão da perda de atividade
promovida pelos usos dos recursos hídricos. Além
desses aspectos fundamentais na gestão das águas,
e
com bons diagnósticos
e
medição contínua dos
resultados.
O
desenvolvimento do se-
tor de recursos hídricos no
1 Engenheira Civil, formada pela Universidade Federal do Pará em 1972, Lato Sensu em Engenharia
Hidráulica - Escola Politécnica da USP – São Paulo. Trabalhou de jan/1976 a nov/1976 no IEA/USP - Insti-
tuto de Energia Atômica, como pesquisadora docente nuclear, e na Companhia de Saneamento Básico
de São Paulo - Sabesp, de 1976 a 2004. Atuou na área operacional, planejamento, projetos básicos e
executivos de sistema de distribuição de água, coleta de esgoto e de estações de tratamento. Coorde-
nadora do Uso Racional da Água – PURA, de 1996 a 2004. Atualmente Consultora.

Brasil apresenta grandes desafios, que exigem um planejamento adequado das ações, de acordo com o princípio do desenvol- vimento sustentável. Portanto,

a criação e implementação de

Agências Reguladoras no setor de saneamento vem ao encon- tro, permitindo mecanismo de fiscalização com objetivo de co- brar medidas e implementações de projetos, programas, obras e resultados das empresas. Essas medidas permitirão a con- servação dos recursos hídricos

do sempre desenvolver novos materiais e métodos de instala-

ção, como o polietileno com jun-

tas soldadas.

Quanto à medição de água, é im-

portante investir e adotar melho- rias tecnológicas, hidrômetros, que hoje apresentam um nível elevado de submedição, princi- palmente pelo fato de existirem caixas d’água – lembrando que uma medição precisa é fator de economia de água para o usuá-

rio, e uma aliada na luta contra as

fraudes. O planejamento das ati-

sentante de um condomínio, seja através de grandes ações junto aos governantes ou ao Poder Judiciário. Não é necessário im- pedir o progresso econômico do mundo para que haja a proteção

ao meio ambiente, só é preciso a conscientização do homem para

o desenvolvimento sustentável.

Acredita-se que exista atual- mente um empenho maior dos governos para o financiamen- to de recursos para projetos e obras no que tange ao setor de saneamento e meio ambiente.

disponíveis, postergando a cons-

vidades das instituições estaduais

Depois de um longo vazio insti-

trução ou ampliação de sistemas

e

municipais de saneamento tor-

tucional no setor, foi criado em

de abastecimento de água, a ex- pansão dos níveis de cobertura

na-se necessário e deve buscar a integração com os planos de ges-

2003 pelo Governo Federal, o Ministério das Cidades, e em sua

e,

eventualmente, a redução dos

tão das bacias hidrográficas cor-

estrutura a Secretaria Nacional

valores tarifários praticados.

respondentes, bem como com a

do Saneamento Ambiental, com

No que concerne à infra-estrutu-

política de proteção ambiental,

competência, entre outras ações,

ra

que as empresas concessioná-

dos sistemas, é recomendado

permitindo a evolução do con- ceito de saneamento básico para

de financiamento de projetos e obras, avaliação, implementação

rias de serviços desenvolvam

o

de saneamento ambiental.

e

estabelecimento de diretrizes

estudos no sentido de utilizar

O

valor da água como bem

para a área de saneamento. Nes-

tecnologias modernas em seus

comum, econômico e finito,

para isso, que se intensifiquem

te

bojo, foram criadas políticas de

sistemas de tratamento e distri-

ainda não foi bem entendi-

incentivo à redução das perdas,

buição de água implementando programas de redução de perdas, que contemplem a instalação de infra-estrutura de redes e ramais de boa qualidade, tendo em vista que na grande maioria dos mu- nicípios, como em algumas re-

do pela maioria da população brasileira, sendo imprescindível,

ações de educação ambiental, que sozinhas podem não ser suficientes para evitar agres- sões ao meio ambiente, mas em

com padronização capacitação, e orientação em nível nacional. As concessionárias e companhias que atuam como empresa socio- ambiental, moderna e compe- titiva no mercado consumidor, devem dar o exemplo, com o

giões, as redes encontram-se em

conjunto com ações civis públicas

comprometimento desde a alta

situação precária, valendo citar o exemplo da Região Metropolita-

na de São Paulo, que possui redes

com mais de 50 anos de idade e encanamentos de ferro fundido. Uma das maneiras para a redu- ção das causas primárias dos va- zamentos seria a reabilitação de trechos comprometidos, buscan-

ou individuais, seriam utilizadas

como um grande, senão o maior, instrumento para recuperação e preservação do meio ambiente.

Todos devemos, de forma indivi- dual ou coletiva, lutar pela preser- vação da água, seja em pequenas ações, como explicações sobre

o desperdício e perdas ao repre-

administração até a base, com relação a atitudes e medidas para conservação, controle de perdas

e economia de água, começando

pelas suas próprias edificações, cada um tendo consciência do seu papel e importância nessa luta permanente, que não tem

fim.

consciência do seu papel e importância nessa luta permanente, que não tem fim. Setembro/Outubro de 2007
consciência do seu papel e importância nessa luta permanente, que não tem fim. Setembro/Outubro de 2007

ARTIGO TÉCNICO

VÁRZEA DO RIBEIRÃO PARELHEIROS

Fotos e gráficos: Divulgação

DO RIBEIRÃO PARELHEIROS Fotos e gráficos: Divulgação Figura 1 - Várzea do Ribeirão Parelheiros verificando-se,

Figura 1 - Várzea do Ribeirão Parelheiros verificando-se, ao fundo, a represa de Guarapiranga

Desempenho na redução de concentrações de constituintes típicos de efluentes sanitários

ALMIR APARECIDO DE SOUZA ANDRADE 1

A Bacia do Guarapiranga ocupa vasta extensão com área aproximada de 630 km², situando- se em território dos municípios de São Paulo,

Itapecerica da Serra, Embu, Embu-Guaçu, Cotia, São Lourenço e Juquitiba. Originalmente construída e utilizada para a geração de energia elétrica, em 1927 passou a ser utilizada como fonte de abasteci- mento público, sendo responsável hoje pelo abas- tecimento de 18,8 % da Região Metropolitana de São Paulo. Ocupações desordenadas e irregulares da área do manancial a partir da década de 60 acarretaram problemas ambientais crescentes, notoriamente na qualidade da água. Ainda a necessidade de am- pliação da oferta d’água para atender a demanda na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), prin- cipalmente na Região Sul da cidade, levou a uma série de obras que visaram a regularização do abas- tecimento de água na RMSP. O Sistema Produtor Taquacetuba - Guarapiranga foi destacado como uma das obras prioritárias e tratou do aporte de até 4,0 m³/s de água para o Reservatório Guarapi- ranga, através da captação e transposição de água do braço do Taquacetuba na represa Billings, obje-

tivando a melhoria da capacidade de regularização do nível da represa do Guarapiranga e, conseqüen- temente, a diminuição dos riscos de abastecimen-

to nos períodos de grande estiagem, assim como

a possibilidade de incrementação da captação de

água para tratamento em 2 m³/s. Em setembro de 2000 foi iniciada a transferência de água da repre-

sa Billings (braço do Taquacetuba) para a represa

do Guarapiranga. O sistema Taquacetuba é com- posto por um par de estações de bombeamento de água, sendo a primária uma estação elevatória flutuante composta por cinco bombas submersí- veis e a secundária uma estação elevatória con- vencional instalada em terra com cinco bombas centrífugas horizontais, 13,9 km de adutora sendo 8,3 km de transferência por gravidade com 80 m de

diferença de cota entre o ponto mais alto da linha de adução e o sistema de dissipação de energia, termi- nando em um canal de afluência à várzea do Ribeirão Parelheiros.

O Ribeirão Parelheiros aflui para a represa do Guarapiranga forman- 1 Químico, Especialista em Engenharia
O
Ribeirão Parelheiros
aflui para a represa do
Guarapiranga forman-
1 Químico, Especialista em Engenharia de Saneamento Básico pela FSP – USP, Mestre em Ciências da
Engenharia Ambiental pela EESC – USP, Doutorando em Engenharia Hidráulica e Sanitária pela Escola
Politécnica - USP. Trabalha na Sabesp, atuando no Departamento de Recursos Hídricos Metropolitanos.
e-mail: almirasa@terra.com.br, almirandrade@sabesp.com.br
Figura 2 - Vista do canal de recepção de água da Billings do a várzea

Figura 2 - Vista do canal de recepção de água da Billings

do a várzea (Figura 1) que leva seu nome, ocupando aproximadamente 93 hectares e tendo ainda como contribuinte significativo o Córrego Itaim, ambos

(Ribeirão e Córrego) com considerável degradação hídrica, decorrente de grande aporte de esgotos do- mésticos.

O regime hidrodinâmico desta várzea deve ter sofri-

do severas alterações com sua utilização a partir de agosto de 2000, como área receptora da transposi- ção de águas da Represa Billings (Figura 2).

O canal de recepção da água transposta localiza-se

paralelo a afluência do Córrego Itaim e a aproxima-

damente 2000 metros a montante do reservatório. Podem ser facilmente observados pontos de grande

alteração antrópica que envolvem desde atividades

já extintas de mineração, movimentação de terra

para fins agrícolas, de lazer (futebol de várzea), inva- sões imobiliárias clandestinas.

A vegetação predominante na várzea é composta

por Panicum Rivulare (capim-santa-fé) e Typha An- gustifolia (taboa), com cobertura estimada em torno de 50% e 20%, respectivamente. Pode-se afirmar que esta não é uma várzea natural uma vez que, originalmente a várzea situava-se na afluência do ribeirão Parelheiros ao Rio Guarapiran- ga, mudando sua posição a partir do enchimento da represa. Até então esta região era um típico fundo de vale onde, apesar das cheias provocadas nos pe- ríodos de chuva, não possuía o típico ciclo biogeo- químico de áreas de várzea. Com o passar do tempo, essa várzea deslocada passou a adquirir caracterís- ticas naturais através do desenvolvimento e fixação de fauna e flora primária, típica destes sistemas eco- lógicos, porém com retrocesso a sua formação, cau- sado pela antropização intensa em sua periferia. As áreas alagadas ou várzeas, comumente trata- das usando-se o termo do idioma inglês “Wetland”,

podem ser naturais, induzidas ou construídas. As Wetlands naturais têm importantes funções dentro dos ecossistemas onde estão inseridas, en- tre as quais se destacam: a capacidade de regulari-

EMEC BRASIL comemora a conquista do Troféu AESabesp “Inovação Tecnológica”

Com 10 anos de atuação no mercado, atendendo o setor de saneamento básico e segmentos industriais, química e petroquímica, e energia, a EMEC BRASIL vive um momento muito positivo. Sua marca,

já bem sedimentada, alcançou ainda uma maior visibilidade ao ganhar, na Fenasan 2007, o troféu

AESabesp, na categoria “Inovação Tecnológica”, através dos votos dos próprios visitantes da Feira.

A empresa comemora seu desempenho nesse que é um dos mais importantes eventos do segmento de

saneamento ambiental: “Entendemos que nossa participação em 2007, como nos anos anteriores, foi

extremamente positiva. Porém, nessa edição, pudemos apresentar um novo equipamento que atua no combate da proliferação de algas por ultrassom. A apresentação do produto criou expectativa e interes-

se junto aos visitantes, que nos deram o seu voto para ganharmos esse troféu AESabesp, na categoria “Inovação Tecnológica”.

O equipamento apresentado na feira pode ser utilizado em diversas aplicações, tais como: Lagoas, Fil-

tros de Estações de Tratamento, Torres de Resfriamento, Piscinas, Lagos de Peixes, Lagos de Irrigação, Controle de Biofilme e Grandes Reservatórios; proporcionando melhora na qualidade da água, evitan- do o uso de produtos químicos agressivos ao meio ambiente e utilizando baixo consumo de energia, sendo ainda inofensivo para as outras formas de vida. “A premiação motiva-nos a continuar buscando novos desenvolvimentos através de atuação própria ou com parceiros que tenham os mesmos objetivos da EMEC BRASIL”. A relação de atendimento entre a EMEC BRASIL e o corpo técnico de profissio- nais da Sabesp está num grau de envolvimento bastante satisfatório e tem se fortalecido ao longo dos anos. Na condição de fornecedora, a Empresa procura atender às necessidades do cliente, no tocante à aplicação dos produtos, ao desenvolvimento de novas necessidades, além do oferecimento de prazos de entrega ágeis, estoque de peças de reposição e preço justo.

ágeis, estoque de peças de reposição e preço justo. Te/Fax (11) 4356-1130 e-mail: emecbrasil@emecbrasil.com.br

Te/Fax (11) 4356-1130

e-mail: emecbrasil@emecbrasil.com.br

www.emecbrasil.com.br

Setembro/Outubro de 2007

Saneas
Saneas

ARTIGO TÉCNICO

ARTIGO TÉCNICO Figura 3 - Valores acumulados mensais e média por período da variável pluviometria da

Figura 3 - Valores acumulados mensais e média por período da variável pluviometria da bacia, referentes aos períodos de junho a setembro (meses secos) e de outubro/03 a março/04 (meses chuvosos).

(meses secos) e de outubro/03 a março/04 (meses chuvosos). Figura 4 - Valores médios da variável

Figura 4 - Valores médios da variável fósforo total da entrada (GU213) e saída (GU107) da várzea, referentes aos períodos de junho a setembro/03 (meses secos) e de outubro/03 a março/04 (meses chuvosos)

(meses secos) e de outubro/03 a março/04 (meses chuvosos) Figura 5 - Valores médios da variável

Figura 5 - Valores médios da variável nitrogênio total da entrada e saída da várzea, referentes aos períodos de junho a setembro/03 (meses secos) e de outubro/03 a março/04 (meses chuvosos)

zação dos fluxos de água, amortecendo os picos de enchentes; a capacidade de modificar e controlar

a qualidade das águas; sua importância na função

de reprodução e alimentação da fauna aquática, incluindo os peixes; a proteção à biodiversidade como área de refúgio da fauna terrestre e controle da erosão, evitando o assoreamento dos rios (Salati, 2000). As principais propriedades que tornam estas áreas importantes para o controle de poluentes e contaminantes em corpos d’água são: alta produti- vidade de vegetação; grande capacidade de absor- ção dos sedimentos; altas taxas de oxidação pela mi- croflora associada à biomassa das plantas e grande capacidade de reter nutrientes, poluentes e conta- minantes (Salati, 2000). Os processos físicos, químicos e biológicos, isto é, o ciclo biogeoquímico, que ocorrem nesses ecossiste- mas e que são responsáveis pela alteração da qua- lidade das águas, variam grandemente de acordo

com o regime hidrológico, geologia, fatores climáti- cos e bióticos. As Wetlands construídas diferem das naturais por proporcionarem o controle do regime hidrológico e ainda pela possibilidade de composi- ção do substrato utilizado, uma vez que pode este ser projetado para otimização do sistema (Salati,

2000).

ANÁLISE DOS RESULTADOS Os resultados apresentados são provenientes do cálculo de valores médios, máximos e mínimos do banco de dados de qualidade de água do monitora- mento realizado pela Sabesp, no período de junho

de 2003 a marco de 2004, da várzea do Parelheiros, agrupados em período seco (junho, julho, agosto e setembro de 2003) e chuvoso (outubro, novembro

e dezembro de 2003, janeiro, fevereiro e março de

2004). Os dados pluviométricos (figura 3) definem perfeitamente o período seco e chuvoso. Os meses de outubro e novembro de 2005 podem ser ainda observados como meses de transição entre os perí- odos seco e chuvoso, porém destacam-se dos meses secos uma vez que a precipitação acumulada é em média três vezes superior as do período seco. Os aumentos das concentrações de fósforo total e nitrogênio total (figuras 4 e 5) durante os períodos estudados devem ser parcialmente originados a partir da deficiência de afastamento de efluentes sanitários oriundos de ocupações irregulares na re- gião. Porém, os incrementos destas concentrações durante o período chuvoso podem ser decorrentes da carga difusa proveniente das chuvas, que neste período lavam os campos utilizados para a agricul- tura, o que não ocorre no período seco, pois este é marcado por baixa pluviosidade. Quanto a variável coliformes totais (figura 6), o in- cremento durante o período chuvoso pode também ser atribuído a carga difusa oriunda das chuvas.

Figuras 6 e 7 - Valores médios da variável coliformes totais da entrada e saída
Figuras 6 e 7 - Valores médios da variável coliformes totais da entrada e saída

Figuras 6 e 7 - Valores médios da variável coliformes totais da entrada e saída da várzea, referentes aos períodos de junho a setembro/03 (meses secos) e de outubro/03 a março/04 (meses chuvosos)

Já em relação a variável coliformes fecais (figura 7), foram verificadas na saída da várzea concentrações superiores no período seco em relação ao chuvoso, o que reforça a tese de deficiência do sistema de co- leta e afastamento de efluentes sanitários, uma vez que os períodos de estiagem exercem menor influ- ência quanto ao potencial de diluição da concen- tração de compostos poluentes e contaminantes, ou seja, provavelmente a contribuição à várzea de coliformes fecais seja regular ao longo dos períodos seco e chuvoso, porém a ação das chuvas e as conse-

qüentes cheias dos corpos d’água exercem um pa- pel significativo como diluentes deste variável. A remoção de turbidez (figura 8), que ocorreu em todos os períodos estudados, pode ser explicada pela capacidade destes sistemas quanto ao amorte- cimento das águas de afluência que elevam as taxas de sedimentação de partículas em suspensão. Ainda há a possibilidade da retenção de partículas por ade- rência ao sistema radicular de macrófitas. Durante o período chuvoso foi verificada uma remoção supe- rior a do período seco. Possivelmente, a velocidade

foi verificada uma remoção supe- rior a do período seco. Possivelmente, a velocidade Setembro/Outubro de 2007
foi verificada uma remoção supe- rior a do período seco. Possivelmente, a velocidade Setembro/Outubro de 2007
foi verificada uma remoção supe- rior a do período seco. Possivelmente, a velocidade Setembro/Outubro de 2007
foi verificada uma remoção supe- rior a do período seco. Possivelmente, a velocidade Setembro/Outubro de 2007
foi verificada uma remoção supe- rior a do período seco. Possivelmente, a velocidade Setembro/Outubro de 2007
foi verificada uma remoção supe- rior a do período seco. Possivelmente, a velocidade Setembro/Outubro de 2007
foi verificada uma remoção supe- rior a do período seco. Possivelmente, a velocidade Setembro/Outubro de 2007

ARTIGO TÉCNICO

ARTIGO TÉCNICO Figura 8 - Valores médios da variável turbidez da entra- da e saída da

Figura 8 - Valores médios da variável turbidez da entra- da e saída da várzea, referentes aos períodos de junho a setembro/03 (meses secos) e de outubro/03 a março/04 (meses chuvosos)

(meses secos) e de outubro/03 a março/04 (meses chuvosos) Figura 9 - Valores médios da variável

Figura 9 - Valores médios da variável DQD da entrada e saída da várzea, referentes aos períodos de junho a setembro/03 (meses secos) e de outubro/03 a março/04 (meses chuvosos)

de escoamento em áreas alagadas durante o perío- do chuvoso é maior que a do período seco, o que levaria a taxas de sedimentação menores. Porém,

a dinâmica de crescimento das plantas no período

chuvoso deve atingir seu auge por corresponder às estações da primavera e verão, o que reforça a tese

de retenção de partículas por aderência ao sistema radicular das plantas da várzea.

A redução de DQO (figura 9) promovida pela várzea

deve ser decorrente da grande capacidade biótica das áreas alagadas em degradar matéria orgânica, seja pela ação de microorganismos, seja por adsor- ção radicular de macrófitas.

CONCLUSÕES Os resultados de fósforo total, nitrogênio total e coliformes, nos permitem afirmar que houve contri- buição significativa de fontes difusas na várzea, nos períodos seco e chuvoso, uma vez que as concentra-

ções dessas variáveis sofreram incrementos desde a entrada até a saída da várzea. Para que os problemas provenientes das substân- cias originárias a partir de fontes antrópicas em águas destinadas para o abastecimento possam ser solucionados ou, pelo menos minimizados, é funda- mental que os mesmos sejam estudados de modo

a permitir que as suas causas possam ser identifi-

cadas e, conseqüentemente, hajam condições de serem definidas as melhores alternativas técnicas para a sua solução. O aprofundamento dos estudos de desempenho da várzea depende da implantação de uma rede de monitoramento qualitativo e quan-

titativo de contribuições difusas, que proporcionará

a realização de balanços de massa.

A implantação de rede coletora de esgotos sanitá-

rios nas áreas não atendidas por este serviço deve

contribuir significativamente quanto ao aumento de desempenho da várzea.

A coibição do aumento de ocupações irregulares

na bacia do Ribeirão Parelheiros deve ser um fator de primeira ordem de preocupação das instituições

competentes à fiscalização de uso e ocupação do

solo.

competentes à fiscalização de uso e ocupação do solo. Referências Bibliográficas - Andrade, A.S.A. Análise

Referências Bibliográficas

- Andrade, A.S.A. Análise da eficiência da várzea

do Ribeirão Parelheiros na melhoria de qualida- de das águas que afluem à represa do Guarapi-

ranga, São Paulo. Dissertação (Mestrado) - Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2005.

- Andrade, A.S.A., Filho. S.F.S., Fernandes, A.N.,

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ARTIGO TÉCNICO

PROGRAMA DE REABILITAÇÃO DE REDES DE ÁGUA

A Experiência da Unidade de Negócio Centro da Sabesp

ANDERSON DE MELO MARTINS 1 | MARTA REGINA INOUE 2 | ROBERTO ABRANCHES 3

O “Programa de Reabilitação de Redes e Adu- toras da Unidade de Negócio Centro - MC” tem por objetivo colocar em prática ações

que buscam uma melhoria operacional do sistema de distribuição de água da Unidade de Negócio, em atendimento às metas previstas no planejamento operacional da unidade. São realizadas avaliações periódicas de indicadores por Setor de Abasteci- mento, como, por exemplo, o número de reclama- ções da qualidade da água, número de vazamentos, índice de perdas, intermitência no abastecimento,

bem como avaliação do estado estrutural das redes.

A metodologia do programa de reabilitação 1 de re-

des pode ser aplicada a outras unidades ou empre- sas de saneamento, que procuram, em seu planeja- mento operacional, incorporar planos e ações para melhor identificar, reparar e monitorar os impactos ambientais decorrentes da operação do sistema de distribuição e conseqüente envelhecimento, muitas vezes precoce, das redes do sistema de distribuição de água. As etapas previstas no programa são: planejamen- to, estudo e aplicação de técnicas de reabilitação, investigação de áreas críticas e avaliação de resul- tados pós-obra; concomitantemente às atividades, procura-se investigar as causas da origem da forma- ção dos tubérculos e incrustação das redes de ferro fundido ao longo dos anos.

HISTÓRICO

Pelo que se tem notícia, desde o início dos anos 80

a empresa vem investindo no desenvolvimento de

tecnologias para reabilitação das redes de distribui- ção e adutoras. Numa perspectiva estruturada para

este fim, a Unidade de Negócio Centro implemen- tou o Programa de Reabilitação de Redes no início de 2006, com o propósito de estabelecer uma me- todologia que procurava viabilizar tecnicamente os recursos empregados, visando aperfeiçoar a capa- cidade de suporte hidráulico das redes de distribui- ção, reduzir as perdas no sistema e, principalmente, melhorar a qualidade da água distribuída. Uma equipe de trabalho multidisciplinar foi estru- turada para identificar os setores alvos, objeto de incrustação das redes abastecimento de ferro fundi-

do, investigar suas causas e priorizar as áreas críticas para execução de obras de reabilitação. A equipe é formada por representantes da Divisão de Contro-

le Sanitário (MCEC), Divisão de Controle de Perdas

(MCEP), Divisão de Operação de Água (MCEA), Setor de Cadastro Técnico (MCED.2) e representantes das áreas de Planejamento (MCI) e de Serviços e Pólos de Manutenção (MCC).

A corrosão e a incrustação das redes de ferro fundi-

do causam:

• aumento da perda de carga e diminuição da vazão

aduzida;

• problemas sanitários decorrentes, por exemplo,

a liberação para a água de metais constituintes da

tubulação;

• problemas organolépticos, originados da altera- ção da cor e do sabor da água;

• problemas econômicos, advindos, dentre outros,

da necessidade de troca das tubulações, aumen- to do número de intervenções para manutenção

e acréscimo do consumo de energia elétrica, para

superar a perda de carga adicional causada pelas incrustações e pelo aumento da rugosidade das tu-

bulações. (HELLER, 2006).

1 Engenheiro Civil, 2 Engenheira Química, 3 Tecnólogo em Obras Hidráulicas

ARTIGO TÉCNICO

Fotos, Ilustrações e Tabelas: Divulgação
Fotos, Ilustrações e Tabelas: Divulgação

METODOLOGIA Fundamentado tecnicamente num estudo publi- cado pela Water Research Centre – WRC, “Planning the Reabilitation of Water Distribution Systems” 2 , e

the Reabilitation of Water Distribution Systems” 2 , e adaptando-o às restrições e recursos disponíveis da

adaptando-o às restrições e recursos disponíveis da empresa, foi composta uma equipe de trabalho onde foram chamados representantes das áreas de enge- nharia e operacionais, como o Controle Sanitário (MCEC), Divisão de Operação Água Centro (MCEA), Divisão de Perdas (MCEP), Cadastro (MCED.2), Plane- jamento (MCI) e Pólos de Manutenção (MCC). Juntos desde março de 2006, a equipe foi consoli- dada e, desde então, o trabalho e a estruturação do programa vêm se desenvolvendo. Inicialmente uma estrutura preliminar do programa foi apresentada ao grupo, e após algumas reuniões foram definidas as etapas do projeto que constituíram a metodolo- gia do programa, chegando-se a fluxogramas espe- cíficos para representação das etapas e desenvolvi- mento do projeto. Conforme o andamento das ações, a metodologia foi amplamente discutida até chegar-se à formata- ção de dois fluxogramas que basicamente mostram as fases do projeto proposto, um primeiro fluxo que contempla a primeira etapa do programa: planeja- mento, investigação, mapeamento e elaboração de pacotes técnicos para implantação das obras, e ou- tro fluxo detalhado que contempla a fase de avalia- ção de resultados, como apresentado no fluxograma (1a. e 2a. etapa).

Dentre as ações propostas, a fase de planejamento, investigação e diagnóstico para implementação do programa foi realizada, restando por último, a prio- rização dos Setores de Abastecimento (setores mais críticos objeto das obras). Para tanto, a equipe definiu pesos para a ponderação

e classificação dos setores, vinculando a reabilitação das redes ao tipo de problema apresentado:

• Qualidade de Água – Peso 3;

• Falta D’água e Pouca Pressão – Peso 2;

• Vazamentos – Peso 1.

Depois de multiplicar os pesos pelos pontos atribu- ídos ao setor devido ao maior número de ocorrên- cias, chegou-se ao Mapa de Setores Prioritários, (Ta- bela 1, abaixo) para destino dos recursos ao longo do ano. No período de 2006 foram destinados recursos e in- vestimentos para obras de melhoria do sistema de distribuição, onde passamos a avaliar os benefícios e resultados com base em alguns parâmetros de qua- lidade e eficiência hidráulica das redes e em função

das técnicas de reabilitação empregadas.

TÉCNICAS DE REABILITAÇÃO

A SABESP utiliza largamente o ferro fundido no sis-

tema de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo - RMSP, em adutoras, subadutoras, redes de distribuição primárias e secundárias. As linhas de

ferro fundido aplicadas no período anterior à déca- da de 70 não contavam com revestimento interno. Esses condutos apresentam, hoje, incrustações e deposições que comprometem a eficiência dessas linhas em aspectos hidráulicos e sanitários.

A degradação das condições internas das tubula-

ções provoca não só uma maior dissipação de ener- gia pela resistência ao escoamento (perda de carga), com reflexos diretos no atendimento à demanda em função das menores vazões aduzidas e ocorrência

de vazamentos, mas também são detectados au- mentos na concentração de resíduos insolúveis na água devido ao desprendimento de tubérculos. Os resíduos provocam um aspecto visual desagradável pelo aumento da cor acima dos padrões permitidos, alteração do sabor, manchas em tecidos e louça sa-

SETORES PRIORITÁRIOS PARA OBRAS DE REABILITAÇÃO POR SETOR DE ABASTECIMENTO - 2007

Fevereiro / 2007

Setor

Qualidade da Água

Falta d'água

Vazamentos

Total

Setor

Peso 3

Peso 2

Peso 1

Cambuci

5,00

15,00

5,00

10,00

Consolação

5,00

15,00

5,00

10,00

4,00

4,00

4,00

4,00

29,00

29,00

Cambuci

Consolação

4,00 4,00 4,00 29,00 29,00 Cambuci Consolação Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00
4,00 4,00 4,00 29,00 29,00 Cambuci Consolação Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00
4,00 4,00 4,00 29,00 29,00 Cambuci Consolação Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00
4,00 4,00 4,00 29,00 29,00 Cambuci Consolação Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00
4,00 4,00 4,00 29,00 29,00 Cambuci Consolação Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00
4,00 4,00 4,00 29,00 29,00 Cambuci Consolação Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00
Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00 Jabaquara MC Sumaré 5,00 15,00 4,00
Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00 Jabaquara MC Sumaré 5,00 15,00 4,00
Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00 Jabaquara MC Sumaré 5,00 15,00 4,00
Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00 Jabaquara MC Sumaré 5,00 15,00 4,00
Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00 Jabaquara MC Sumaré 5,00 15,00 4,00
Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00 Jabaquara MC Sumaré 5,00 15,00 4,00
Jabaquara MC 5,00 15,00 5,00 10,00 2,00 2,00 27,00 Jabaquara MC Sumaré 5,00 15,00 4,00
Jabaquara MC
5,00
15,00
5,00
10,00
2,00
2,00
27,00
Jabaquara MC
Sumaré
5,00
15,00
4,00
8,00
4,00
4,00
27,00
Sumaré
Perdizes
5,00
15,00
4,00
8,00
4,00
4,00
27,00
Perdizes
Vila Romana
4,00
12,00
5,00
10,00
4,00
4,00
26,00
Vila Romana
Vila Mariana
5,00
15,00
3,00
6,00
5,00
5,00
26,00
Vila Mariana
Paulista
4,00
12,00
4,00
8,00
3,00
3,00
23,00
Paulista
Jd. América
3,00
9,00
5,00
10,00
4,00
4,00
23,00
Jd. América
Lapa
5,00
15,00
2,00
4,00
3,00
3,00
22,00
Lapa
Sacomã
5,00
15,00
2,00
4,00
2,00
2,00
21,00
Sacomã
Cursino
5,00
15,00
2,00
4,00
1,00
1,00
20,00
Cursino
Sapopemba
5,00
15,00
2,00
4,00
1,00
1,00
20,00
Sapopemba
Vila Alpina
5,00
15,00
2,00
4,00
1,00
1,00
20,00
Vila Alpina
Brooklin MC
3,00
9,00
3,00
6,00
5,00
5,00
20,00
Brooklin MC
Vila Formosa
4,00
12,00
2,00
4,00
2,00
2,00
18,00
Vila Formosa
Pinheiros
4,00
12,00
1,00
2,00
4,00
4,00
18,00
Pinheiros
Deriv. Sacomã
3,00
9,00
2,00
4,00
3,00
3,00
16,00
Deriv. Sacomã
Carrão
3,00
9,00
1,00
2,00
5,00
5,00
16,00
Carrão
Deriv. Brás
1,00
3,00
4,00
8,00
3,00
3,00
14,00
Deriv. Brás
Ipiranga
1,00
3,00
2,00
4,00
4,00
4,00
11,00
Ipiranga
Mooca MC
1,00
3,00
2,00
4,00
3,00
3,00
10,00
Mooca MC
Cid. Tiradentes MC
1,00
3,00
1,00
2,00
5,00
5,00
10,00
Cid. Tiradentes MC
Deriv. 3ª Divisão
1,00
3,00
1,00
2,00
2,00
2,00
7,00
Deriv. 3ª Divisão
Jd. S. Pedro
1,00
3,00
1,00
2,00
2,00
2,00
7,00
Jd. S. Pedro
São Mateus MC
1,00
3,00
1,00
2,00
2,00
2,00
7,00
São Mateus MC
Vila do Encontro MC
1,00
3,00
1,00
2,00
2,00
2,00
7,00
Vila do Encontro MC
Casa Verde MC
1,00
3,00
1,00
2,00
1,00
1,00
6,00
Casa Verde MC
Jd. Da Conquista
1,00
3,00
1,00
2,00
1,00
1,00
6,00
Jd. Da Conquista

LEGENDA

Qualidade da Água - Peso 3 5 pontos 4 pontos 3 pontos 2 pontos 1
Qualidade da Água - Peso 3
5 pontos
4 pontos
3
pontos
2
pontos
1 ponto
Falta d'água - Peso 2 5 pontos 4 pontos 3 pontos 2 pontos 1 ponto
Falta d'água
-
Peso 2
5
pontos
4
pontos
3
pontos
2
pontos
1 ponto
Vazamentos - Peso 1 5 pontos 4 pontos 3 pontos 2 pontos 1 ponto
Vazamentos - Peso 1
5
pontos
4
pontos
3
pontos
2
pontos
1 ponto

Prioridade:

(30 a 25 pontos)pontos 4 pontos 3 pontos 2 pontos 1 ponto Prioridade: (24 a 20 pontos) (< de

(24 a 20 pontos)3 pontos 2 pontos 1 ponto Prioridade: (30 a 25 pontos) (< de 20 pontos) 1

(< de 20 pontos)1 ponto Prioridade: (30 a 25 pontos) (24 a 20 pontos) 1 2 3 Tabela 1:

1

2

3

Tabela 1: Setores Prioritários 2007

ARTIGO TÉCNICO

nitária, obrigando freqüentes limpezas de reservató- rios e filtros de hidrômetros. Este fenômeno, conhecido como “água amarela”, im- põe como forma de controle, descargas constantes nos locais atingidos até a obtenção da qualidade usual. As técnicas de reabilitação empregadas vão desde medidas convencionais (assentamento com aber- tura de valas) como as não-convencionais, que per- mitem a intervenção nas infra-estruturas enterradas sem abertura de valas, ou abertura de valas pontuais, minimizando assim os custos sociais e transtornos à população urbana (métodos não-destrutivos). As técnicas utilizadas para reabilitação das redes da Unidade de Negócio Centro são:

Substituição de Redes – Método Não-Destrutivo

O serviço de substituição de rede por método não-

destrutivo é constituído por um conjunto de equi-

pamentos e ferramentas projetadas para romper as redes existentes que apresentam problemas estru- turais ou de insuficiência hidráulica, quer seja por presença de incrustações ou comprometimento das paredes, ou pela necessidade aumento de sua capa- cidade de transporte.

Portanto, a substituição de redes é empregada quan- do as paredes dos tubos se encontram comprometidas estruturalmente e não mais se prestam à veiculação hí- drica, ocasionando muitas perdas no sistema. Geralmente são aplicadas técnicas de substituição uti- lizando processos de rom- pimento da tubulação exis-

tente, como o Pipe Bursting. A reabilitação da rede

se dá por inserção com destruição, ou seja, consiste

na técnica de arrebentar a tubulação existente pelo uso de uma força radial de dentro da tubulação. Os fragmentos são comprimidos para o exterior e uma nova tubulação é puxada atrás da cavidade

formada pelo equipamento de fragmentação con- forme, por exemplo, mostrado no esquema ao lado, Figura A.

Fonte: Curso Abratt/USP, 2005

recuperar as redes de distribuição são a limpeza e revestimento com argamassa acrílica ou limpeza e revestimento com resina epoxídica.

Novas tecnologias Durante o desenvolvimento do programa de re- abilitação também são identificados os treina- mentos necessários, em face das novas tecnolo- gias empregadas, necessidade de benchmarking 3 , identificação dos problemas e prováveis soluções das questões em função da técnica empregada, dis- seminação, ou seja, o repasse das informações para aquisição de conhecimento e aprendizado da força de trabalho. Prevê-se também a avaliação de resultados e de- poimentos dos integrantes da equipe para análise crítica do programa por parte da alta direção da em- presa.

AVALIAÇÃO DE RESULTADOS Os serviços executados pela Unidade de Negócio Centro têm se justificado pelo maior número de re- clamações da qualidade da água e baixa pressão nas redes de distribuição.

Após a estruturação do programa, a determina- ção do índice de perdas por setor e a retirada de amostras para avaliação

da condição estrutural das redes passaram sistemati- camente a fazer parte das avaliações.

A

avaliação de resultados

se

dá pela medição poste-

de resultados se dá pela medição poste- Figura A: Esquema do Método “Pipe Bursting” rior às

Figura A: Esquema do Método “Pipe Bursting”

rior às obras e constatação de permanência ou queda dos índices anteriormente observados. A seguir mostramos as obras de reabilitação de re- des realizadas e em andamento, no período de 2004 a 2006, na Unidade de Negócio Centro, Tabela 2:

Qualidade da Água Para os setores analisados, constatou-se uma queda do número de reclamações da qualidade da água, Gráfico 1, e redução do volume perdido de água em descargas para lavagem das redes, Gráfico 2.

Limpeza e Revestimento de Redes Quando não há comprometimento estrutural das paredes da tubulação, apenas se encontram in- crustadas internamente, as técnicas utilizadas para

Pressão de Abastecimento Constatou-se um aumento de pressão de abaste- cimento após a realização de serviço de limpeza e

revestimento da tubulação, grá- ficos 3 e 4.

Estado Estrutural das Redes Um item importante a ser avalia- do é o estado das redes de dis- tribuição, onde podemos avaliar em que condições estruturais as redes se encontram. As sonda- gens para retirada de amostras e avaliação são realizadas antes e depois dos serviços a serem exe- cutados.

Consumo Micromedido Utilizando a ferramenta Signos:

Sistema de Informações Geo- gráficas no Saneamento do ca- dastro técnico da Sabesp, outro item a ser avaliado é o aumento da capacidade de veiculação hí- drica ou o aumento do consumo micromedido após a realiza- ção dos serviços. Segundo de-

s e r v i ç o s . S e g u n d o

Tabela 2: Obras de Reabilitação de Redes da Unidade de Negócio Centro – (2004-2006)

Fonte dos gráficos: MCEC/2006
Fonte dos gráficos: MCEC/2006

Gráfico 1: Queda do número de reclamações da qualidade da água (até Junho/2006)

de reclamações da qualidade da água (até Junho/2006) Gráfico 3: As pressões de abastecimento (mca) antes

Gráfico 3: As pressões de abastecimento (mca) antes da execução dos serviços de limpeza e revestimento da tubulação

dos serviços de limpeza e revestimento da tubulação Gráfico 2: Redução do volume de descarga de

Gráfico 2: Redução do volume de descarga de lavagem de redes (até Junho/2006)

do volume de descarga de lavagem de redes (até Junho/2006) Gráfico 4: Aumento da pressão de

Gráfico 4: Aumento da pressão de abastecimento (mca) no mesmo endereço, após a execução dos serviços de limpeza e revestimento da tubulação, realizados em novembro de 2006

ARTIGO TÉCNICO

ARTIGO TÉCNICO Na sequência: Retirada de amostra de rede, corte da tubulação, retirada da amostra e
ARTIGO TÉCNICO Na sequência: Retirada de amostra de rede, corte da tubulação, retirada da amostra e
ARTIGO TÉCNICO Na sequência: Retirada de amostra de rede, corte da tubulação, retirada da amostra e
ARTIGO TÉCNICO Na sequência: Retirada de amostra de rede, corte da tubulação, retirada da amostra e
ARTIGO TÉCNICO Na sequência: Retirada de amostra de rede, corte da tubulação, retirada da amostra e

Na sequência: Retirada de amostra de rede, corte da tubulação, retirada da amostra e inspeção da fiscalização. No destaque, análise do antes e depois dos serviços.

monstrado no relatório da Figura 1, houve aumento de 726 m³ do consumo micromedido de 2005 para 2006 na Rua Tajá, após a conclusão dos serviços de reabi- litação da rede de abastecimen- to local.

CONCLUSÃO Quanto às reclamações dos con- sumidores, à qualidade da água, às pressões nas redes de distri- buição e ao índice de vazamen- tos, obtivemos bons resultados após os serviços de substitui- ção, limpeza e revestimento da rede. Um programa amplo de reabi- litação de redes de distribuição demanda um plano de ação específico para sua implemen- tação, o qual prevê um trabalho multidisciplinar de planejamen- to, investigação, aplicação de técnicas viáveis, medição e ava-

liação de resultados.

técnicas viáveis, medição e ava- liação de resultados. Figura 1: Relatório dos consumos micromedidos antes e
técnicas viáveis, medição e ava- liação de resultados. Figura 1: Relatório dos consumos micromedidos antes e

Figura 1: Relatório dos consumos micromedidos antes e depois da obra

Nota dos autores

1 Entende-se por “reabilitar” uma rede de abastecimento ações que promovam uma intervenção física resultando uma melhora das condições operacionais da mesma. 2 “Planning the Reabilitation of Water Distribution Systems”, Water Research Centre – WRC, obra disponível para consulta na Biblio- teca Sabesp, gentilmente traduzida e cedida pelo Engº Guaraci L. Sarzedas / Superintendência de Planejamento e Desenvolvimen- to da Metropolitana - MP - Sabesp (tradução livre e sem fins lu- crativos).

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<+> Colaboração:

- Amarildo Miguel - Tecnólogo em Edifícios

- Genival Abdias de Carvalho - Tecnólogo em Edifícios

- Hilton Alexandre de Oliveira - Tecnólogo em Obras Hidráulicas,

- Márcio Luiz Rocha de Paula Fernandes - Bacharel em Química

- Maria Silvia Polisaitis Ramos Oliveira - Engenheiro Civil

- Ricardo Chinaglia - Tecnólogo em Movimento de Terra e Pavimentação

- Sandro Waiteman Peretto - Tecnólogo em Processamento de Dados.

ARTIGO TÉCNICO

BIODIVERSIDADE

Mecanismos de Desenvolvimento Limpo e Créditos de Carbono

ILVA MARTINS NERY 1

A questão ambiental vem se agravando quoti-

dianamente e as previsões são assustadoras, como a que anuncia a falta de água no Pla-

neta para o ano de 2025 1 .

O jornalista João Paulo Charleaux 2 publicou uma

matéria sob o título: “Água na fervura – guerras pela

água já acontecem” – na qual descreve a situação da água em diversos países. São Paulo, “carro-chefe” do país, também não tem situação confortável, pois, há muito vem importan- do água do sul de Minas, mormente das bacias do

Jaguari, Piracicaba, Campinas, Jundiaí, entre outras.

A represa Billings e a Guarapiranga sofrem processo

de degradação ambiental por causa da ocupação desordenada das áreas de mananciais, e o Sistema Cantareira está caminhando no mesmo sentido. Urge que o Poder Público fique em alerta total, para impedir mais esse crescimento desordenado que, por certo, causará graves transtornos sociais. No Brasil, várias regiões metropolitanas como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, entre outras, sofrem com seus rios poluídos e áreas degradadas. Os recursos hídricos, de modo geral, estão poluídos. Nossa atmosfera exala gases produzidos pelas indús- trias químicas e pela queima de combustíveis fós- seis. Com os olhos voltados para citados problemas, procuramos focar a Biodiversidade do país, concei-

tuando-a e destacando seu papel de vanguarda no cenário nacional. Sendo o Brasil um dos maiores detentores de Bio- diversidade do mundo, procuramos lembrar que a responsabilidade da comunidade na fiscalização das áreas de restrição ambiental é primordial, pois a co- biça dessa riqueza tem levado à prática da biopirata- ria por parte dos alienígenas. No tema“Biodiversidade - Mecanismos de Desenvol-

vimento Limpo e Créditos de Carbono”– verificamos que, além das áreas de restrição de valor inestimável para o clima e para as águas, ela dá ensejo a vários projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Lim- po, estimulando o seqüestro de carbono, que visa ser mais uma commodity no Mercado da Bolsa de Valores. Durante o desenvolvimento do presente texto, pro- curamos envidar esforços para demonstrar que a exploração dos recursos naturais, como vem sen- do feita, causa prejuízos irreversíveis, pois devasta as florestas, seca mananciais, destrói a flora nativa, empeçonha a fauna, exaspera o clima, dá ensejo à erosão e à desertificação, e contribui sobremaneira para expansão dos gases

do efeito estufa. Segundo os especialistas, precisa- mos reverter essa situação com urgência. 1 Advogada,
do efeito estufa. Segundo
os especialistas, precisa-
mos reverter essa situação
com urgência.
1 Advogada, graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, especializada em Ciências Ambientais
e Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, especializada em Direito
Ambiental pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Mestranda em Direitos
Difusos e Coletivos na Universidade Metropolitana de Santos.
E-mail: inery@sabesp.com.br

ARTIGO TÉCNICO

IMPORTÂNCIA DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO

PERMANENTE E RESERVA LEGAL, PARA AS ÁGUAS E PARA O CLIMA, E SEU VALOR ECONÔMICO, EM FACE DO MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO LIMPO

O Brasil adotou o respeito à função social da pro-

priedade e ao ambiente ecologicamente equilibra- do, por tal motivo deve intervir o Poder Público nas hipóteses de desobediência, quando trata de desa- propriação, parcelamento ou edificação compulsó- rios e imposto sobre a propriedade predial e terri- torial urbana progressivo no tempo, e a proibição de condutas lesivas ao meio ambiente, sob pena de sanções penais, administrativos e civis, (arts. 182 § 3º e 4º, incisos I e II e § 3º do 225 da CF). Assim sendo, o Poder Público age de forma pre- ventiva, ou seja, planeja e cria áreas verdes, com o

objetivo de assegurar a proteção e conservação ambiental, quando cria as Áreas de Preservação Permanente (APP), que segundo o Código Florestal (Lei nº 4771/1965 art. 2º), protege as margens dos recursos hídricos, como rios, lagoas, córregos, além de topos de morros, encostas etc. O Código Flores- tal, ao longo do tempo, foi sofrendo alterações, sen- do complementado pelas Resoluções do CONAMA (entre elas as R. C. nºs 302 e 303, de 20 de março

de 2002 3 ), e outros instrumentos, para a realização de um ambiente ecologicamente equilibrado, a partir da ordenação territorial, como uma espécie de limitação administrativa. Neste contexto, o Parecer 4 apresentado pela Socie- dade Brasileira de Desenvolvimento Sustentável em Milão, e acolhido pelo Órgão Subsidiário de Assesso- ramento Científico e Tecnológico (SBSTA), em inglês,

da lavra das advogadas especialistas em Direito Am-

biental, Lucila F.de Lima e Flávia Frangetto, dentro do tema Crédito de Carbono, abordou assunto rela-

tivo aos Proprietários de terras de áreas protegidas, observando que eles podem lucrar com projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL. As autoras apresentam uma analogia das Reservas Legais, com as Áreas de Preservação Permanente 5 :

“A Reserva Florestal Legal é uma porcentagem de cada propriedade, onde está vetado o corte raso, exatamente porque é locacional e quantitativamen-

te variável, demanda averbação. Não se trata, parece

evidente, de modalidade de preservação, como é o caso da APP, mas de conservação, posto que admis- sível o uso direto, desde que com manejo.” Das APPs já tratamos alhures; assim, tendo em vista

a importância dessas áreas protegidas, veio a lume

a Lei Federal nº 9.605/1998, mais conhecida como

Lei de Crimes Ambientais. É importante lembrar que toda vez que o usuário desses espaços protegidos

infringir o Código Florestal e outras leis esparsas, po- derá ser incriminado nos âmbitos penal, civil e admi- nistrativo (art. 225, § 3º 6 ).

O estudo de Lima e Fragetto 7 aponta que a utiliza-

ção do MDL em atividades florestais apresenta po-

tencial de viabilizar a recomposição de áreas objeto de proteção obrigatória que estejam degradadas ou com sua função social prejudicada 8 , incentivando seus proprietários a adotarem esse novo instrumen-

to que pode ter um viés econômico, e, ao mesmo

tempo, ajuda a amenizar o clima.

DADOS DO RELATÓRIO DO PAINEL INTERGOVERNAMENTAL DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS Matérias sobre mudanças climáticas são publicadas

na mídia diariamente, mas o Relatório 9 do Painel In- tergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, o mais respeitado documento sobre o tema no mun- do, demonstra claramente que o aquecimento atual

é praticado por um estilo de vida iniciado na Revolu-

ção Industrial e ainda praticado pelos 6,5 bilhões de

habitantes. E por tal“estilo de vida”deve ser entendi- do o uso de combustíveis fósseis e o desmatamento em larga escala.

A concentração dos três principais gases-estufa -

dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nítrico (N2) – vem crescendo constantemente e de- gradando a qualidade ambiental do planeta. Em vir- tude disso, há previsão de que os oceanos subirão, ameaçando ilhas e cidades costeiras e que de 10 a 20% da floresta Amazônica será dizimada, virando cerrado. Diante da situação caótica do clima, diversos paí- ses vêm promovendo eventos em busca de solu- ções; entre eles, podemos citar o Seminário rea- lizado em 24 de março de 2004 pela Secretaria de Meio Ambiente 10 de São Paulo, sob tema: “Créditos de carbono contribuindo para a solução da gestão de resíduos sólidos”, do qual participaram diversos representantes dos governos federal, estadual e municipal, organizações não-governamentais e em- presários do setor de resíduos sólidos. Nesse evento foram dados como exemplos os projetos brasileiros aprovados para a redução das emissões de gás me- tano em aterros, ou seja, o aterro “Veja” em Salvador,

na Bahia, e o aterro “Nova Gerar” de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, os quais constituem a base metodo- lógica para empreendimentos similares. Em outro evento promovido pelo SENAC 11 , foram discutidas as oportunidades para que pequenos projetos pos- sam também reduzir a emissão de gás carbônico. Segundo estudiosos do assunto, o Brasil é líder em projetos para a venda de créditos de carbono, sendo esta uma atividade econômica com grande poten- cial a ser explorado 12 .

É de conhecimento geral que apesar de o Brasil ser

um país em desenvolvimento, com grandes desi- gualdades sociais, também é detentor da maior bio-

diversidade ou diversidade do mundo, que segundo Édis Milaré 13 é a variedade de indivíduos, comunida- des, populações, espécies e ecossistemas existentes em uma determinada região.

E de olho nessa riqueza, surgiu a biopirataria, 14 que

para seu controle, depende de vontade governa- mental, a ser manifestada através de políticas pú- blicas, como por exemplo, o Projeto de Lei n°306 de 1995, proposto pela então Senadora Marina Silva 15 ,

e enviado para a Câmara dos Deputados, ainda aguardando votação.

CONCLUSÃO Tendo em vista todas as colocações apresentadas no curso deste texto, notamos que razão assiste aos mestres Fiorillo e Diaféria 16 quando apontam “a ne- cessidade de uma maior conscientização do que ve-

nha a ser a dignidade da pessoa humana, qualidade de vida e sua salubridade, em face do desenvolvimento econômico crescente e de todo o regramento jurídico já existente para dar suporte à manutenção da Biodi- versidade do planeta e, principalmente, para a preser- vação humana”. Sendo as Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reservas Legais imprescindíveis para a preservação

e conservação dos recursos naturais, entre elas, a

água, fundamental para a sobrevivência do planeta, cabendo a cada cidadão a vigilância, e a fiscalização por parte do Estado. Citadas medidas são de rigor, nos termos do art. 225 17 , caput, da Lei Maior. Por outro lado, as áreas protegidas vêm dando ensejo

a grande quantidade de projetos de Mecanismo de

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ARTIGO TÉCNICO

Desenvolvimento Limpo (MDL), de imenso valor instrumental para a realização de redução dos Gases de Efeito Estufa – (GEE), tão importante para amenizar o clima. Caso não sejam priorizados instrumentos para amenizar o clima, como a redução de gases do efeito estufa, a diminuição do uso de combustí- veis fósseis e a devida importância das áreas de restrição, a tendência será cada vez mais a eleva- ção do aquecimento da Terra e mais freqüentes serão as inundações, o desmatamento, o assorea- mento dos recursos hídricos, as queimadas, a fal- ta de alimentos e de água, sendo certo que esta última será causa de futuras guerras mundiais, segundo os mais pessimistas 18 . Sobre a importância da Educação, e para arrema- tar este texto, deixamos registradas as sábias pa- lavras da Profª Maria Cecília Focesi Peliocione 19 :

“Valores éticos tais como a equidade, a solidariedade, e a justiça social devem ser usados a serviço de opções cons- cientes. Um dos principais papéis da Educação é então, incrementar a capacidade das pessoas de transformar suas idéias sobre a sociedade, em realidades funcionais imprescindíveis para que a humanidade possa então mo-

dificar sua trajetória e melhorar sua qualidade de vida.”

sua trajetória e melhorar sua qualidade de vida.” Referências Bibliografias: - CHARLEAUX, João Paulo.

Referências Bibliografias:

- CHARLEAUX, João Paulo. Água na fervura –

guerras pela água já acontecem. Revista Caros Amigos, editora Casa Amarela, janeiro de 2002. http//www.meioambientecarbono.adv/pdf/parecer_ valor.pdf, acesso em 19/3/2007.

- LIMA Lucila Fernandes, e FRANGETTO, Flávia Wit-

kowski. “Parecer jurídico apresentado pela Sociedade Brasileira de Desenvolvimento Sustentável em Milão

e acolhido pela SBSTA”, site: Jornal da Tarde. “Aque- cimento Global”, de 3/2/2007, pp. 7-A-8-A.

h t t p : / / w w w. a m b i e n t e. s p. g o v. b r / d e s t a q u e / 2004´marco/24worshop.htm acesso em 22/3/2005. Jornal da Tarde. – “JT Cidadão:Créditos de carbônico:

como obter?” , de 2/6/07, p.15-A.

- MILLIARÉ, Édis. Direito do Ambiente: doutrina,

prática, jurisprudência, glossário. São Paulo. Ed. Revista dos Tribuanis, 2000, p.662

- SILVA, Marina. Publicação do Gabinete da Senadora,

Brasília, 2002. Disponível em http://www.amazonlink. org/biopirataria/biopirataria_faq.htm

- FIORILLO, Celso Antonio Pacheco e DIAFÉRIA, Adria-

na. Biodiversidade e patrimônio genético no direito ambiental brasileiro. São Paulo, Max Limonad, 1999.

PELICIONI, Maria Cecília Focesi. “As interrelações entre

a educação, saúde e meio ambiente”. Biológico. São Paulo.v.n.2.p.75-78, jul/dez,1999

1 Caros Amigos, janeiro 2002, p.35 –“O governo do Egito, por exemplo, disse com todas as letras que, se a Etiópia retirar mais uma gota de água do rio Nilo, o ato seria interpretado como uma declaração de guerra. Leve-se em conta que 80 por cento desse rio vêm da

Etiópia e tem-se um cenário de barril de pólvora na região. (

No Oriente Médio, são nove. A situação também é desconfortável no México, Índia, China, Tailândia e Estados Unidos.”

3 2 idem

Resolução CONAMA n. 302 – dispõe sobre os parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente de reservatórios

artificiais e o regime de uso do entorno. A Resolução CONAMA n. 303, dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Pre-

servação Permanente.

4 www.meioambientecarbono.adv.br/pdf/parecer_valor.pdf

5 “Considerando as diferenças de ambas, elas apresentam-se convergentes, ante o fato de representarem a vinculação do território a uma margem regrada de padrões de uso da terra e respectivos recursos ambientais por força de qualidades ambientais próprias (por exemplo, formas de vegetação destinadas a atenuar a erosão das terras; função de fixar as dunas conforme a listagem do art. 3º do

Só na África, são onze os países que têm dificuldades com a água.

)

Código Florestal)

Nesse sentido, encontramos os conceitos a APP e de Reserva Legal, na Medida Provisória 2166-67 de 24 de agosto

de 2001(anexo IV)”.

6

Art. 225 da CF: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gera- ções.” § 3º do ar. 225: “As condutas e atividades lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções

penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.”

7 www.meioambientecarbono.adv.br/pdf/parecer_valor.pdf

8 Afirmam que o retorno financeiro proveniente da geração de créditos de carbono, na figura do Certificado de Emissão Reduzida (CER) vem como exploração econômica indireta: o objeto imediato (retorno direto) é a conformação com a redução de GEE para a mitigação

do aquecimento global e incremento do desenvolvimento sustentável.

9 Jornal da Tarde de 3/2/2007. “Aquecimento Global”, pp. 7-A-8-A

10 http://www.ambiente.sp.gov.br/destaque/2004’maco/24_worshop.htm Acesso em 22/3/2005

11 Jornal da Tarde – “JT Cidadão . 15-A: Créditos de Carbono: como obter?” , 2/6/2007

12 Idem. Atualmente, o Brasil é o país com a maior quantidade de projetos de MDL – o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo em aná- lise no Banco Mundial, visando à venda de créditos de carbono. Dados do Banco Mundial relativos aos anos de 2002 e 2003 revelam que a América Latina é responsável por 60% das vendas mundiais já negociadas. E nesse mesmo período, pelo lado dos compradores, os destaques são a Holanda, responsável por 30% das aquisições, e o Japão, que já responde por 23%.

13 MILARÉ, Édis. Direito do ambiente:doutrina, prática, jurisprudência, glossário. São Paulo. Ed. Revista dos Tribunais, 2000, p.662.

14 “Biopirataria consiste no ato de aceder a ou transferir recurso genético (animal ou vegetal) e/ou conhecimento tradicional associado à Biodiversidade, sem a expressa autorização do Estado de onde fora extraído o recurso ou da comunidade tradicional que desenvol- veu e manteve determinado conhecimento ao longo dos tempos (prática esta que infringe as disposições vinculantes da Convenção das Organizações das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica).”- disponível: http://www.amazonlink.org/biopirataria_faq.htm

15 SILVA, Marina. Publicação do Gabinete da Senadora, Brasília.2002.

16 FIORILLO, Celso Antonio Pacheco e DIAFÉRIA, Adriana. Biodiversidade e patrimônio genético no direito ambiental brasileiro. São Paulo, Editora Max Limonad, 1999.

17 Artigo já descrito.

18 CHAREAUX, João Paulo. Op. cit.

19 Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, “As interrelações entre educação, saúde e meio ambiente”. São Paulo, Biológico, V. 2.p.78, jul/dez.1999.

MEIO AMBIENTE

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PARA O PAÍS

FERNANDO ALMEIDA 1

H á dez anos, um grupo de líderes empresariais

com visão de futuro fundou o Conselho Em-

Rio-92. Foi um marco do início da mobilização dos empresários, mesmo considerando que, naquela época, as empresas eram os principais alvos de crí- ticas dos ambientalistas. Na Rio-92, que reuniu 170 chefes de Estado, o líder empresarial suíço Stephan Schmidheiny deu a parti- da para o envolvimento do setor na implementação do desenvolvimento sustentável. Fez um discurso solitário e ouvido com desconfiança por expressi- va parcela dos participantes. Mas marcou a posição que iria prevalecer nos anos seguintes, a de que as empresas são parte fundamental e imprescindível do novo modelo de desenvolvimento concebido cinco anos antes em Estocolmo. Como resultado prático da Rio-92, foram elaboradas as grandes convenções globais, como a do clima e da biodiversidade, que passariam a nortear, hoje de forma mais expressiva, as políticas de desenvol- vimento. A partir daquela conferência novos con- ceitos surgiram e foram aperfeiçoados, como eco- eficiência, responsabilidade social e tantos outros, todos convergindo para a compreensão definitiva de que a sobrevivência das futuras gerações - e do próprio mercado econômico - só será assegurada com a adoção de mecanismos capazes de conciliar produção de bens e serviços com a preservação dos recursos naturais e do bem-estar social. Até então, a preocupação com a perenidade dos recursos na- turais restringia-se às ONGs ambientalistas, a uma elite do meio acadêmico e, isoladamente, a alguns representantes do meio político, representados pelos chamados par-

presarial Brasileiro para o Desenvolvimento

Sustentável. Nascia, em março de 1997, uma institui-

ção revolucionária no Brasil, a primeira a trabalhar de forma integrada e articulada, com as três dimen- sões da sustentabilidade – a econômica, a social e

a ambiental. O CEBDS é uma coalizão de grandes

empresas instaladas em nosso país e faz parte da rede de 50 conselhos nacionais do WBCSD, o Con- selho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável. O CEBDS representa hoje 50 dos mais expressivos grupos empresariais brasileiros, com representação em todos os segmentos: de bens de consumo a construção civil, passando pelo sistema financeiro e os setores de metalurgia, siderurgia, pe- tróleo e prestação de serviços. Esses grupos geram mais de 600 mil empregos diretos e são responsá-

veis por mais de 40% do PIB nacional.

A fundação do CEBDS faz parte de um contexto his-

tórico, que tem origem no movimento ambientalista mundial no início dos anos 70 e ganha forma e conte- údo a partir da publicação do Relatório Brundtland,

documento lançado em 1987 e que apresentou para

o mundo a expressão “desenvolvimento sustentá-

vel”. O relatório recebeu este nome em homenagem

à então primeira-ministra da Noruega Gro Harlem

Brundtland, grande líder do país que hospedou os 21 membros de uma comissão nomeada pela ONU para estudar e propor uma agenda global com ob- jetivos bem definidos: capacitar a humanidade para enfrentar os principais problemas ambientais do planeta e assegurar o progresso humano sem com- prometer os recursos para as futuras gerações. Por indicação dos membros da Comissão Brundtland, foi realizada no Rio de Janeiro, cinco anos mais tar-

de, a II Conferência Internacional de Meio Ambien- te e Desenvolvimento, que ficaria conhecida como
de, a II Conferência Internacional de Meio Ambien-
te e Desenvolvimento, que ficaria conhecida como
tidos “verdes”. O dis-
curso de Schmidheiny
ganhou força e a elite
do setor empresarial
passou a se organizar.
Esse processo deu ori-
1 Engenheiro, presidente executivo do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimen-
to Sustentável), professor da UFRJ e autor do livro “Os Desafios da Sustentabilidade: Uma Ruptura
Urgente”.

MEIO AMBIENTE

gem ao WBCSD e, conseqüente- mente, aos conselhos nacionais. Hoje, é incontestável a evolução de representativa parcela das empresas no contexto da susten- tabilidade, embora ainda esteja- mos muito distante do nível de adesão satisfatório. A redefinição do modelo de gestão empresa-

rial tem sido motivada por razões éticas e pragmáticas. Os líde- res empresariais alinhados com esse contexto perceberam que

a sustentabilidade representa a

sobrevivência de sua atividade econômica, transforma desafios em novas oportunidades de ne- gócios e amplia os ativos intan- gíveis de sua empresa. Em 2002, em Johanesburgo, na África do Sul, realizou-se a Cú- pula Mundial para o Desenvol- vimento Sustentável. Além de avaliar o que aconteceu de mais significativo nos dez anos ante- riores (de positivo e de negati-

vo), este encontro registrou dois acontecimentos que merecem destaque. Um deles foi a assina- tura de um documento, no qual

as nações comprometeram-se a

cumprir metas ambientais e so- ciais, como também as propostas contidas nas convenções globais

elaboradas dez anos antes. O ou- tro destaque deve ser creditado

à presença do setor empresarial.

Ao contrário do que acontecera na Rio-92, as empresas tiveram uma participação marcante na reunião de Johanesburgo. Nes-

realizado com suporte da ONU, WBCSD, Nasa, e em parceria com outras instituições empresariais, acadêmicas e da sociedade civil de todo o mundo. Desenvolvido por 1.360 cientistas de 95 países e supervisionado por um Con- selho Executivo, do qual tive a honra de fazer parte, o relatório constatou, cientificamente, que hoje 60% dos serviços dos ecos- sistemas do planeta – tais como água doce, pesca, regulação do

solo e do clima – registram alto grau de degradação ou são usa- dos de forma insustentável. E traz uma advertência: este pro- cesso nocivo tende a agravar-se nos próximos 50 anos, colocan- do em risco a sobrevivência das futuras gerações.

“Os líderes empresariais alinhados com esse contexto perceberam que a sustentabilidade representa a sobrevivência de sua atividade econômica”

Mais recentemente, no início de 2007, o Painel Intergovernamen- tal sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou a primeira parte de seu relatório, no qual ficou

ta

conferência da África do Sul,

cientificamente comprovada a

o

CEBDS, fundado cinco anos

tese de que o aquecimento glo-

antes, já fazia parte como ativo

bal é decorrente da ação do ho-

protagonista da história. O Con- selho teve participação decisiva na mobilização do setor empre- sarial brasileiro naquele evento internacional. Outros fatos de grande relevân- cia aconteceram em seguida, como a divulgação, em março

mem e não de um fenômeno na- tural. O IPCC revelou ainda que, ao contrário da tese defendida por algumas correntes, as inova- ções tecnológicas, isoladamente, não serão capazes de reverter a curva ascendente da elevação da temperatura do planeta.

de

2005, do relatório Millennium

Uma década – dentro de uma

Ecosystem Assessment (Avalia- ção Sistêmica do Milênio), estudo

escala de tempo - nos permite refletir com mais precisão onde

chegamos e aonde vamos. Nes- ses dez anos, obtivemos provas contundentes de que o modelo de desenvolvimento tradicional (predador, excludente e insus- tentável) é inviável sob todos os aspectos. Os recentes relatórios científicos citados acima expli- cam as razões das freqüentes e intensas reações da natureza e o acirramento dos conflitos sociais. Contudo, não podemos negar que o entendimento e a aceita- ção em relação ao tema são cada vez maiores. Há dez anos, não havia sequer qualquer tipo de aproximação com a questão da responsabi- lidade social, salvo raras exce- ções e, assim mesmo, com o viés filantrópico e assistencialista. Temas como clima, água e bio- diversidade eram incipientes e desacreditados. Houve signifi- cativas mudanças positivas: os grupos empresariais do país hoje buscam conduzir seus negócios na direção da sustentabilidade; instituições que originalmente abordavam apenas a questão so- cial ou se limitavam a trabalhar na área ambiental migram para

o desenvolvimento sustentável;

os temas centrais conquistam finalmente o merecido espaço na mídia. Como representante das empresas, o CEBDS tem de- sempenhado papel fundamental nesse processo de entendimen- to, aprofundando o diálogo com

seus interlocutores e democrati- zando o conhecimento. Além do envolvimento crescente do se- tor empresarial nesse processo,

o trabalho do Conselho exerce

forte influência sobre outros se- tores chaves da sociedade, como governos, ONGs, universidades. Por intermédio de suas câmaras técnicas e pela interface com o WBCSD, o CEBDS tem cumprido com sucesso sua missão de fa- cilitador, provedor, defensor, co- municador e catalisador, abrindo

espaço para uma nova visão so-

bre o papel da empresa na sociedade e capacitando seus gestores. Atualmente, são sete as câmaras téc- nicas: Água; Biodiversidade e Biotecnologia, Educa- ção para a Sustentabilidade, Energia e Mudança do Clima, Finanças Sustentáveis, Legislação Ambiental

e Responsabilidade Corporativa. Agora, estamos em

vias de montar a Câmara Técnica de Construção Sus-

tentável. As câmaras têm coordenação de um téc- nico do CEBDS e são presididas por representantes das empresas associadas. Essa capacitação técnica vem abrindo espaço para o CEBDS ter acesso, como representante do setor empresarial, em importantes

órgãos institucionais, tais como Comissão de Políti- cas de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 (CPDS), Conselho de Gestão do Patrimônio Genéti- co (CGEN), Comitê Gestor de Produção Mais Limpa, Comissão Organizadora da II Conferência Nacional de Meio Ambiente, Fórum de Competitividade de Biotecnologia, delegações brasileiras nas reuniões da Conferência das Partes de Mudanças Climáticas

e de Biodiversidade.

Hoje, já há o reconhecimento de que a mobilização

do setor empresarial será decisiva para transformar

a potencialidade brasileira em diferentes campos –

energia, biodiversidade, recursos hídricos - em de- senvolvimento econômico, com inclusão social e uso racional e sustentável dos recursos naturais. Estamos, agora, diante de novos desafios. Ao mesmo tempo em que consolidamos a posição das empre- sas de visão em alto estágio de reputação, precisa- mos continuar olhando para o futuro. Há muito o que fazer. Não podemos perder a pers- pectiva do senso de urgência. Devemos ter clare- za, por exemplo, sobre as dicotomias com as quais ainda convivemos: a empresa que mais faturou no mundo em 2006 é considerada o ícone do capitalis- mo selvagem, financiando movimentos a favor da manutenção da emissão de gases de efeito estufa. Fatos como estes explicam em parte por que ainda não chegamos a resultados que modifiquem a ten- dência de degradação. Assim como na natureza, existem os dilemas institu- cionais. Ambos, como tudo o que acontece na vida real, estão intimamente relacionados. Os dilemas da natureza ganharam, a partir de agora, grande espa- ço na mídia. O aquecimento global tem efeito avas- salador em qualquer ecossistema e passou a fazer parte da agenda de prioridades. Paradoxalmente, as conseqüências nefastas deste fenômeno provocado pela ação do homem facilitarão o entendimento de que a atividade econômica, a perenidade dos recur- sos naturais e as políticas sociais não podem ser tra- tadas de forma fragmentada.

Institucionalmente, vejo a questão da liderança como o maior desafio: ainda não apareceu um líder, um estadista capaz de conduzir a humanidade na di-

reção da sustentabilidade, tal como aconteceu nos movimentos pacifistas e contra o racismo num pas- sado recente. A complexidade e transversalidade do tema dificultam o discurso unificado. Numa relação de causa e efeito, não temos massa crítica de líderes,

seja na sociedade civil, seja no governo, seja no setor privado. Estamos cada vez mais convencidos de que

a chave para a necessária e urgente formação de li- deranças está na democratização e aprofundamento do conhecimento e na nossa capacidade de tornar

rotina a prática de compartilhar experiências, envol- vendo sempre os principais setores da sociedade – empresas, governos e entidades civis.

A formação de líderes da sustentabilidade – seja no

âmbito das empresas, das instituições governamen- tais ou da sociedade civil – tem sido, nos últimos anos, uma das principais estratégias do CEBDS. Em 2005, realizamos o 1º Congresso Ibero-Americano sobre Desenvolvimento Sustentável, o Sustentável- 2005, reunindo mais de mil participantes na Marina Glória, no Rio de Janeiro. Foi uma experiência iné-

dita no país. No ano seguinte, realizamos o Ciclo de Debates Sustentável-2006, no qual empresários e executivos do país tiveram oportunidade de discutir sustentabilidade com os maiores especialistas brasi- leiros e internacionais. Estes dois eventos explicam

o sucesso absoluto do 2° Congresso Ibero-America-

no sobre Desenvolvimento Sustentável e a Feira de Sustentabilidade, promovido em maio de 2007 no

Parque Ibirapuera, em São Paulo. Durante três dias,

o

Sustentável-2007 atraiu 3.300 participantes para

o

Congresso e aproximadamente 20 mil visitantes

para a exposição montada na Marquise do Ibirapue- ra. A estratégia terá continuidade. Em 2008, realiza-

remos um novo ciclo de debates com participação de empresários e especialistas, em várias capitais do Brasil. E em 2009, estaremos novamente reunidos no 3º Congresso Ibero-Americano sobre Desenvolvi- mento Sustentável. Nesses dois próximos eventos, a tendência é que sejam realizados em outras capitais do país, fora do eixo Rio-São Paulo. Há uma crescen- te mobilização de empresas, ONGs, universidades e demais entidades da sociedade civil organizada em torno da sustentabilidade. Já conhecemos o caminho. Precisamos agora estar atentos para o senso de urgência e optar pela me- lhor maneira de imprimir as mudanças. Se formos capazes de estabelecer relações transparentes entre as instituições – empresas, governos e sociedade civil organizada – e pôr em prática um modelo de desenvolvimento que atenda de forma equilibrada

e sustentável as demandas econômica, social e am-

biental, estaremos comemorando, daqui a dez anos,

a estabilização da perda de biodiversidade, do aque-

cimento global e a reversão do quadro de pobreza ainda presente em nosso país e em várias regiões do

planeta.

do quadro de pobreza ainda presente em nosso país e em várias regiões do planeta. Setembro/Outubro

RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

O TEMPO DO RIO TIETÊ

Um rio de contrastes e múltiplos usos

WANDERLEY DA SILVA PAGANINI 1

O rio Tietê, parte integrante da vida dos pau-

listas, tem uma história de contrastes, de