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CÂMARA DOS DEPUTADOS

LIDERANÇA DO PARTIDO POPULAR SOCIALISTA – PPS

MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449/08


(DO PODER EXECUTIVO)

Assessor: Marco Lemgruber

Resumo: Altera a legislação tributária federal relativa ao parcelamento


ordinário de débitos tributários, concede remissão nos casos em que
especifica, institui regime tributário de transição, e dá outras
providências

HISTÓRICO
Ao longo dos últimos meses o governo têm apresentado um elenco
de medidas, muitas delas através da edição de Medidas Provisórias,
objetivando combater os efeitos da crise internacional que bate à porta da
economia brasileira, cada vez com maior intensidade. A presente MP tem
uma característica um pouco diferente pois ela visa, em primeiro lugar,
dotar a Receita Federal do Brasil de melhores instrumentos para
desempenhar suas atividades tendo em vista as mudanças em sua estrutura
com a incorporação da administração dos tributos previdenciários. Além
disso, objetiva harmonizar as normas contábeis adotadas no Brasil às
normas contábeis internacionais, após as alterações introduzidas pela Lei nº
11.638, de 28 de dezembro de 2007. No entanto, a MP não fica limitada a
isso, ela também propõe as seguintes medidas:

Principais Pontos

1) Parcela (Art. 1) , com descontos, dívidas tributárias (pessoas físicas e


jurídicas) menores que R$ 10.000,00 mil e vencidas até 31 de
dezembro de 2003. A Os parcelamentos devem ser efetivados até 31
de março de 2009;
2) Parcelamento (Art. 2) para as empresas que estão em débito com o
fisco pela compensação indevida dos créditos de IPI alíquota zero e
dos insumos não tributados relativos a fatos geradores até 31 de maio
de 2008. Somente créditos oriundos da aquisição de matérias primas,
material de embalagem e alguns produtos intermediários
relacionados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) com incidência de
alíquota zero ou como não-tributados estão abrangidos pelo
incentivo, que consiste no oferecimento de condições especiais de
pagamento de débitos questionados. Objetiva solucionar litígios
judiciais e administrativos criado por contribuintes que fizeram as
compensações com base em decisões judiciais favoráveis;
3) Concede remissão (Art. 14) de dívidas tributárias que, em 31 de
dezembro de 2007, estejam vencidas há 5 anos ou mais e cujo valor
não ultrapasse R$ 10.000,00;
4) Institui o Regime Tributário de Transição – RTT (Art. 15), o qual
visa neutralizar os impactos dos novos métodos e critérios contábeis
introduzidos pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007 (Lei de
Sociedades por Ações), harmonizando as normas contábeis adotadas
no Brasil às normas contábeis internacionais;
5) Institui a Súmula Vinculante (art. 26): dependem da aprovação de
dois terços dos membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais e
também do Ministro da Fazenda;
6) Promove alterações no Processo Administrativo (Art. 27) fiscal
permitindo, inclusive, a intimação por meio eletrônico a fim de dar
maior celeridade processual;
7) No art. 27 inclui as despesas com benefícios e vantagens concedidas
pela empresa no conceito de remuneração de empregados e de
trabalhadores autônomos e excetua do conceito de remuneração os
pagamentos decorrentes do Programa de Alimentação do
Trabalhador (PAT);
8) Suprime (Art. 30) a competência dos dirigentes máximos das
autarquias e fundações públicas federais para autorizar a realização
de acordos ou transações, em juízo, nas causas de valor até R$
50.000,00. Para valores superiores a celebração de acordos
dependerá de autorização expressa do AGU e do Ministro de Estado
ao qual estiver vinculado o assunto, inclusive no caso de empresa
pública ou do Banco Central do Brasil;
9) Unifica (art. 34) a legislação do parcelamento ordinário dos tributos,
inclusive das contribuições previdenciárias;
10)Optantes do REFIS e PAES podem aderir a nova modalidade de
parcelamento;
11)Unifica os Conselhos de Contribuintes (Três) e a Câmara Superior de
Recursos Fiscais (Art. 43), criando o Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais que julgará os recursos de ofício e voluntários de
decisão de primeira instância, bem como recursos especiais.
12)Contratos de leasing podem começar a ser taxados pelo IOF (Artigos
40, 41 e 42): incidirá sobre as operações de leasing feitas por pessoas
físicas na compra de qualquer produto cujo somatório das prestações
represente mais de 75% do preço do bem;
13)Subvenção aos produtores independentes de cana-de-açucar do
Nordeste (art. 63) – garantia de preço mínimo e aquisição de açúcar
das usinas do nordeste, da safra 2008/2009, por preço não superior
ao preço médio praticado na região (capital de giro);
14)Harmoniza as normas relacionadas às contribuições previdenciárias
com legislação relativa aos demais tributos administrados pela
Receita Federal do Brasil;
15)Adequa a legislação à nova estrutura da Procuradoria-Geral Federal,
necessária a centralização da cobrança da dívida ativa de autarquias e
fundações públicas.

É o relatório.

PARECER

Algumas considerações devem ser feitas pois entendemos que estas


questões merecem ser observadas com mais cuidado, são elas:
a) IOF em contratos de leasing: A Emenda nº 237, do Deputado Fernando
Coruja, suprime os artigos 40, 41 e 42 que possibilitam a cobrança do
IOF em contratos de leasing cujos bens tenham mais de 75% de seu
preço financiado, o que eleva a carga tributária e desistimula o consumo
indo totalmente de encontro às medidas adotadas pelo governo para o
enfrentamento da crise econômica. Além disso, o artigo nº 66 define que
a entrada em vigência destes artigos dependerá de ato do Poder
Executivo. Ou seja, fica revelada, além de sua total inadequação ao
momento econômico, a falta de urgência que justifique sua inclusão
nesta Medida Provisória;
b) Impedimento de abatimento de créditos de PIS, Cofins e IPI (arts 15 e
20): A MP determinou, em seu Regime Tributário de Transição, que os
créditos do PIS, Cofins e IPI gerados durante o ano de 2009 sejam
compensados em março de 2010. Ou seja, as empresas que antes
podiam recolher mensalmente os créditos oriundos desses tributos, com
a MP 449 só poderão fazê-lo em março de 2010. Ótimo para a receita
que antecipa recursos receita que só viria em 2010 e péssimo para as
empresas, especialmente as exportadoras que são as que mais utilizam
esse mecanismo, que poderão enfrentar problemas de fluxo de caixa
neste momento de crise.
c) Súmula vinculante: Não nos parece adequado, como especificado no
caput do artigo 26, que haja a necessidade de aprovação do Ministro de
Estado da Fazenda para a edição de súmula vinculante. A possibilidade
de criar súmula vinculante é uma novidade que poderá agilizar o
processo de julgamento das questões implicando uma importante
economia processual e impactando positivamente tanto para o
consumidor quanto à administração pública e a necessidade de
aprovação do Ministro vai de encontro dos objetivos que a idéia
persegue;
d) Anistia ou remissão: a crítica que se faz é que grande parte da dívida
que a MP propõe perdoar já estariam “perdoadas” pois estão vencidas
há mais de cinco anos e seriam incobráveis;
e) Prazos exíguos: Diante da dimensão da crise econômica a ampliação
dos prazos (emenda nº 32 do Deputado Arnaldo Jardim) seria
interessante;
f) Proibição de compensação do IRPJ e CSLL: O art. 29 proibiu a
compensação do IRPJ e CSLL decorrentes da apuração por estimativa.
Ou seja, as empresas optantes pelo regime de apuração com base no
lucro real sujeitas a apuração mensal do IRPJ e CSLL não poderão mais
compensá-los por estimativa e recolhê-los antecipadamente. Pune-se os
bons contribuintes suprimindo-lhes um direito, é o que a Emenda nº 183
do Deputado Arnaldo Jardim tenta corrigir.
g) Reestruturação dos Conselhos de Contribuintes (Três) e a Câmara
Superior de Recursos Fiscais (Art. 43): A criação do Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais que julgará os recursos de ofício e
voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos
especiais, a nosso ver amplia a ingerência do governo diminuindo a
participação dos contribuintes em todo o processo recursal;
h) Subvenção aos produtores independentes de cana-de-açúcar da Região
Nordeste: pretende dotá-los de capital de giro para o enfrentamento dos
efeitos da crise econômica que atinge com intensidade considerável este
setor da economia.

Apesar da amplitude dos benefícios desta Medida Provisória ser bem


menor do que o governo propaga, e de que a grande maioria dos assuntos
não devessem ser tratadas por MP, já que não são urgentes e relevantes, ela
deve ser aprovada, com as ressalvas elencadas acima e com as emendas
elaboradas pela bancada do PPS, porque permitirá às empresas
beneficiadas a enfrentar o atual momento de crise com mais recursos
disponíveis em caixa.
.

Emendas Apresentadas PPS

a) Emenda nº 345, Dep. Fernando Coruja (DESTAQUE do PPS):


Condiciona a concessão de crédito por instituição financeira oficial a
compromisso de não demitir seus empregados durante o período de
amortização do respectivo crédito. Com isso espera-se que as
medidas não visem, somente, a viabilização das empresas, mas,
sobretudo, a manutenção do nível de emprego, condição
imprescindível para que os efeitos da crise sobre o ritmo da atividade
econômica do País sejam minimizados;
b) Emenda nº 237, Dep. Fernando Coruja: Supressão dos art. 40, 41
e 42 que possibilita a cobrança de IOF em contratos de leasing cujos
bens tenham mais de 75% de seu preço financiado, o que eleva a
carga tributária e desistimula o consumo;
c) Emenda nº 45, Dep. Arnaldo Jardim: Permite que seja suprimida a
multa isolada aplicada em razão da utilização de crédito do IPI
oriundos da aquisição de matérias primas, material de embalagem e
produtos intermediários não-tributados INT) ou tributados à alíquota
0%;
d) Emenda nº 32, Dep. Arnaldo Jardim: Amplia os prazos de
parcelamento das dívidas;
e) Emenda nº 62, Dep. Arnaldo Jardim: Inclui a expressão
“atualizadas pelos critérios aplicados aos débitos” no § 2º do art. 3º,
para que tornar claro quanto a atualização das parcelas pagas da
mesma forma como o débito será atualizado;
f) Emenda nº 63, Dep. Arnaldo Jardim: os débitos parcelados do
REFIS e do PAES serão corrigidos pela TJLP;
g) Emenda nº 84, Dep. Arnaldo Jardim: Desobriga o pagamento de
honorários em razão de extinção de ação e parcelamento do saldo
devedor e define melhor a apuração do saldo a ser liquidado;
h) Emenda nº 183, Dep. Arnaldo Jardim: Suprime o inciso IX do
art. 29 que proíbe a compensação do IRPJ e CSLL decorrentes da
apuração por estimativa permitindo que as empresas optantes pelo
regime de apuração com base no lucro real sujeitas a apuração
mensal do IRPJ e CSLL possam compensá-los por estimativa e
recolhê-los antecipadamente.