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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA PROGRAMA DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE URBANO

JOSILENE CONCEIÇÃO LEAL DA CUNHA

AÇÕES DE DESENVOLVIMENTO SOCIOAMBIENTAL: O PROGRAMA DE MELHORIA DA QUALIDADE AMBIENTAL URBANA DO AMAPÁ GEA-BID NAS ÁREAS DE RESSACAS DA CIDADE DE MACAPÁ

BELÉM - PA 2011

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JOSILENE CONCEIÇÃO LEAL DA CUNHA

AÇÕES DE DESENVOLVIMENTO SOCIOAMBIENTAL: O PROGRAMA DE MELHORIA DA QUALIDADE AMBIENTAL URBANA DO AMAPÁ GEA-BID NAS ÁREAS DE RESSACAS DA CIDADE DE MACAPÁ

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação da Universidade da Amazônia como requisito para obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano. Orientadora: Profª. Dra. Ana Maria de Albuquerque Vasconcellos.

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JOSILENE CONCEIÇÃO LEAL DA CUNHA

AÇÕES DE DESENVOLVIMENTO SOCIOAMBIENTAL: O PROGRAMA DE MELHORIA DA QUALIDADE AMBIENTAL URBANA DO AMAPÁ GEA-BID NAS ÁREAS DE RESSACAS DA CIDADE DE MACAPÁ

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação da Universidade da Amazônia como requisito para obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano. Orientadora: Profª. Dra. Ana Maria de Albuquerque Vasconcellos.

Banca Examinadora:

______________________________________________ Profª. Dra. Ana Maria de Albuquerque Vasconcellos Orientadora - UNAMA

______________________________________________ Profª. Dra. Maria José Oliveira e Silva Jackson Costa

______________________________________________ Profª. Dra. Rosália do S. da Silva Corrêa UNAMA

Apresentado em: ____ / ____ / 2011. Conceito: _____________________

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4 A meu filho Saullo Cezar que é a luz do meu viver. . a quem dedico todo o meu esforço para o sucesso dessa conquista.

sempre acreditando no meu sucesso. A meu pai José Vianna pela sua simplicidade e companheirismo. As pessoas que de uma forma ou de outra estiveram presente ao meu lado estimulando e apoiando para que eu concluísse esse objetivo. Aos amigos e colegas do mestrado pelo incentivo e apoio constantes. pela exelente orientação e por ter incentivado esse trabalho. A meu sobrinho Márcio José pela confiança e apoio. por todo o conhecimento passado.5 AGRADECIMENTOS À Deus por ter dado força e coragem de concluir mais uma etapa de meu crescimento profissional. Aos (as) demais professores(as) da UNAMA que fizeram parte dessa jornada. incentivando meus estudos. À Professora Maria José Oliveira e Silva Jackson Costa. À minha professora e orientadora Ana Maria de Albuquerque Vasconcellos. À minha mãe Marlene por sempre estar ao meu lado. . À minha família pelo apoio e carinho durante essa caminhada. com suas experiências e conhecimentos enriqueceram meu trabalho.

John Quincy Adams .6 Paciência e perseverança têm o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem.

manutenção da biodiversidade). Percepção de riscos socioambientais. com base na percepção dos três níveis sociais (Macro. Este trabalho busca identificar as ações de desenvolvimento socioambiental.7 RESUMO A pesquisa busca analisar as inter-relações do governo do Estado do Amapá com os atores sociais que direta ou indiretamente contribuíram para a implementação do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID desenvolvido pelo referido governo em conjunto com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA). alimentação dos reservatórios de água subterrânea. . direcionadas ás áreas de ressacas no sentido de fortalecimento da gestão ambiental urbana das áreas úmidas. Mais especificamente. social (uso para recreação e turismo. Cidade. controle do microclima. Palavras-chave: Gestão do desenvolvimento. de ambiente rico em funções ambientais (controle de enchentes. O Programa “Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID” foi escolhido como estudo de caso. o saneamento e a preservação ambiental. Intermediário e Local). preservação da identidade cultural) e econômico (oferta de produtos como pescados e plantas medicinais). As áreas de ressacas são denominadas pelo governo estadual como patrimônio natural. porque busca implementar novas estratégias de ação na elaboração do Plano Diretor de Recuperação e Proteção de Ressacas Urbanas (PD-Ressacas). a proposta de dissertação se propõe a identificar a trajetória de ações que o Programa alcançou por meio de uma gestão que abrange a urbanização.

and medicinal plans). City.8 ABSTRACT: The research aims to analyze the interrelationships of the Amapá State Government with the social actors that direct or indirect contribution in the development of the process of implementing the Amapá Urban Environmental Quality Improvement Program GEA-BID developed by that government along with the Secretariat of State for Environment (SEMA). The Program "Improvement of the Urban Environmental Quality of Amapá GEA-BID" has been chosen as a case study because it focuses the perception of the three different nivels (Macro. . More specifically. social(use for recreation. alimentation of underground water reservoirs. This paper aims to identify social and environmental development actions targeted to “ressacas” areas in order to strengthen urban environmental management and conservation of wetlands. Local) on the implementation of the new action strategies for the designee the Urban “Ressacas” Recovery and Protection Master Plan. and maintenance of biodiversity). tourism. microclimate control. Perception of social and environmental risks. the proposal of the program is to identify the intinerary of action that the Programmer has reached through a management that comprises sanitation and environmental protection. and economical (offering of products such as fish. Intermédiario. Keywords: Development management. The “ressacas” areas are identified by the State Governmente as natural heritage in an environment rich in functions (flood control. preservation of the cultural identity).

Bairro do Congós 2 Figura 21 .Fornecimento de energia elétrica nas áreas de ressacas Figura 31 .Abastecimento de água nas áreas de ressacas Figura 32 .Área de ressaca no bairro de Jesus de Nazaré em Macapá Figura 12 .Transporte dos moradores do bairro do Marco Zero Figura 24 .Área urbana de Macapá.Acúmulo de lixo nas áreas de ressacas Figura 28 .Área de ressaca no bairro do Marco Zero e Pedrinhas Figura 5 .Bairro do Marco Zero 1 Figura 22 .Crianças em risco nas palafitas Figura 27 .Acúmulo de lixo na área de ressaca Figura 15 .Edifício Residencial Figura 10 .Acumulo de lixo às proximidades da Bacia de decantação Figura 18 .9 LISTA DE FIGURAS Figura 1 .Áreas alagadas no bairro do Congós Figura 29 .Mapa das áreas de ressacas urbanas da cidade de Macapá Figura 3 .A área de ressaca no bairro do Congós em Macapá Figura 4 .Margem do Rio Amazonas na cidade de Macapá Figura 11 .Rua principal da área de ressaca no bairro Jesus de Nazaré Figura 14 .Fortaleza de São José Figura 9 .Bairro do Congós 1 Figura 20 . no bairro Jesus de Nazaré Figura 13 .Canalização das casas para abastecimento de água 24 25 26 26 62 62 63 64 69 71 80 80 81 81 96 99 99 103 106 106 106 107 109 109 110 110 111 112 112 113 113 114 . Figura 7 .Mapa dos bairros do Marco Zero e Pedrinhas Figura 2 .Bacia de decantação localizada nas proximidades dos bairros Marco Zero∕ Pedrinhas e do acumulo de lixo Figura 17 .Lagoa dos Índios Figura 8 .Bairro do Marco Zero 2 Figura 23 .Interior e banheiro externo das casas localizadas em áreas de ressacas Figura 25 – Banheiro externo no Bairro do Congós Figura 26 .Crianças andando nas palafitas e acúmulo de resíduos sólidos Figura 30 .Caieiras Figura 19 .Moradias do bairro do Araxá nas proximidades do rio Amazonas Figura 16 .Área de ocupação nas proximidades da lagoa dos índios Figura 6 .Área residencial ao lado da lagoa dos índios.

Comércio e Mineração Ltda Instituto de Estudos e Pesquisas Cientifica e Tecnológicas do Estado do Amapá Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Amapá Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia Licença de Instalação Licença de Operação Licença Prévia Manual Ambiental da Construção Macapá Manual de Instrução de Pleito Ministério do Meio Ambiente Órgão Estadual de Meio Ambiente do Amapá Plano Diretor de Remanejamento de População e Atividades Econômicas Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental Plano Diretor de Recuperação e Proteção de Ressacas Urbanas Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá Projetos Específicos de Reasentamento Plano de Gestão Ambiental e Social Programa Nacional de Meio Ambiente Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil Planos de Recuperação Ambiental Programa de Assentamento do Estado Relatório de Avaliação Ambiental Estratégica Relatório de Impacto Ambiental Secretaria de Estado da Infraestrutura Secretaria de Estado do Meio Ambiente Secretaria do Meio Ambiente no Governo Collor Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo .10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AAE ADAP ANA APA BID BNDS CAESA CEZEE COEMA CONFIEX EIA EIA FERMA GEA GETEC IBAMA IBGE ICOMI IEPA IMAP IMAZON LI LO LP MAC MCP MIP MMA OEMA PDDR PDDUA PD-Ressacas PDSA PER PGAS PNMA PPG7 PRAD PROA RAAE RIMA SEINF SEMA SEMAM SEMAT Avaliação Ambiental Estratégica Agência de Desenvolvimento do Amapá Agência Nacional de Água Área de Proteção Ambiental Banco Interamericano Banco Nacional de Desenvolvimento Companhia de Água e Esgoto do Amapá Comissão Estadual do Zoneamento Econômico Ecológico Conselho Nacional do Meio Ambiente Comissão de Financiamento Externo Estudo de Impacto Ambiental Estudo Prévio de Impacto Ambiental Fundo Especial de Recursos para o Meio Ambiente Governo do Estado do Amapá Gerência Técnica Instituto brasileiro do meio Ambiente e dos Recursos naturais renováveis Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Indústria.

11 SEMUR SEPLAN SIEMA SIEMA SNUC SPRN UEP ZEEU Secretaria Municipal de Urbanismo Secretaria de Estado do Planejamento Orçamento e Tesouro Sistema Estadual do Meio Ambiente Sistema Estadual do Meio Ambiente Sistema Nacional de Unidades de Conservação da natureza Subprograma de Políticas de Recursos Naturais Unidade de Execução Zoneamento Ecológico Econômico Urbano .

12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 1.GEA-BID 3.1 A FORMAÇÃO HISTÓRICA DA SOCIEDADE AMAPAENSE 4.3.2 A PROBLEMÁTICA E OS OBJETIVOS DO ESTUDO 1.1 AS FRAGILIDADES SOCIOAMBIENTAIS NAS ÁREAS DE RESSACAS DA CIDADE DE MACAPÁ 5. DEGRADAÇÃO 14 14 16 23 23 27 28 31 32 32 SOCIOAMBIENTAL E RISCO 2.3 A ABORDAGEM METODOLÓGICA DA INVESTIGAÇÃO 1.4 A ESTRUTURA DO TRABALHO 2 REVISANDO A LITERATURA 2.2 A LEGISLAÇÃO AMBIENTAL DO ESTADO DO AMAPÁ E AS ÁREAS DE RESSACAS 84 77 .3 AS CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS. A LEGISLAÇÃO AMBIENTAL E AS CONDIÇÕES DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL PARA O CUMPRIMENTO DO PROGRAMA GEA/BID 3.2 O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO 2.2 O CONTEXTO URBANO DA CIDADE DE MACAPÁ NA ATUALIDADE 4.3 A GESTÃO URBANA E AMBIENTAL DO AMAPÁ E SUAS DIFICULDADES 5 AS AREAS DE RESSACAS DA CIDADE DE MACAPÁ: UMA 64 64 69 72 77 58 47 57 38 43 47 PROBLEMÁTICA AMBIENTAL E SOCIAL 5.2.1 O CONTEXTO DA PESQUISA 1.3 A POBREZA URBANA 3 O PROGRAMA DA MELHORIA DA QUALIDADE AMBIENTAL URBANA DO AMAPÁ .3.3.3 Instrumentos de coleta de dados 1.2 A pesquisa qualitativa como método de análise 1.1 O PROGRAMA GEA-BID E SEUS OBJETIVOS 3.1 O ACELERADO PROCESSO DE URBANIZAÇÃO.1 Definição da área estudada 1. FÍSICAS E BIÓTICAS DAS ÁREAS DE INTERVENÇÃO DO PROGRAMA GEA/BID 4 O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO NA CIDADE DE MACAPÁ 4.

3 A LEGISLAÇÃO AMBIENTAL E O PLANO DIRETOR DO MUNICÍPIO DE MACAPÁ 6 ANÁLISE DOS DADOS: TRÊS NÍVEIS DE ANÁLISE 6.Roteiro de entrevista semi-estruturada para autoridades públicas de Macapá APÊNDICE B .Roteiro de entrevista semi-estruturada para a ONG APÊNDICE C .1 NÍVEL MACRO: O PROGRAMA DE MELHORIA DA QUALIDADE AMBIENTAL URBANA DO AMAPÁ SOB A ÓTICA DAS INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS 86 90 90 6.2 NÍVEL INTERMEDIÁRIO: A ORGANIZAÇÃO NÃO-GOVERNAMENTAL 101 INSTITUTO COLIBRI E O PROGRAMA DE MELHORIA DA QUALIDADE AMBIENTAL URBANA DO AMAPÁ 6.3 NÍVEL LOCAL: A PERCEPÇÃO DE RISCOS DOS MORADORES DAS ÁREAS 104 DE RESSACAS JUNTO ÀS AÇÕES DO PROGRAMA DE MELHORIA DA QUALIDADE AMBIENTAL URBANA DO AMAPÁ 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS APÊNDICE A .13 5.Formulário para os líderes comunitários 130 131 116 122 127 .

o cuidado com o ecossistema só seria concebível em lugares onde o homem estivesse ausente. Assim. empresários e da população que se interessa com os problemas ambientais que estão relacionados com seus cotidianos.14 1 INTRODUÇÃO 1. sendo. A aplicação desta avaliação começou nos Estados Unidos. chega junto aos países considerados em desenvolvimento. É o que Diegues (2000) diz quando percebe que o termo desenvolvimento sustentável viria para proteger as necessidades dos homens do presente.]). Na Conferencia Rio 92. o Brasil. mesmo. A década de 70 marcou os primeiros debates sobre a escassez de recursos naturais levando à percepção da finitude da biosfera. que a preocupação ambiental cresce mundialmente procurando associar a preservação ambiental ao desenvolvimento econômico.d. as estratégias e as iniciativas de intervenção formuladas pelos diversos setores trouxeram o enfoque do desenvolvimento sustentável a ser aplicado no âmbito do planejamento urbano. Tostes (2006. que vinha sendo discutido desde os anos 60.1 O CONTEXTO DA PESQUISA O meio ambiente vem sendo objeto de preocupação de estudiosos. acontece a I Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente e desenvolvimento em Estocolmo. devido às exigências que surgem de Avaliação de Impactos Ambientais para a concessão de empréstimos internacionais. [s.]. representantes de vários países foram discutir o assunto. p. A preocupação conservacionista presente também nos discursos dos defensores do meio ambiente. principalmente.2). governantes. depois é assimilada por outros países desenvolvidos e só mais tarde. [s. como no caso. dando inicio a noção de sustentabilidade. Canto e Pereira (2005) comenta que os problemas ambientais são vistos com maior atenção. não possibilitava as ações antrópicas nas chamadas áreas de conservação ambiental. pelos movimentos contrários à questão da energia nuclear da época (PINTO.d. . o balizador de tal planejamento.02) comenta que as políticas. ao mesmo tempo promovendo um desenvolvimento e também assegurando as necessidades das futuras gerações. Em 1972. Vê-se então. p. promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) reconhecendo mundialmente a importância das discussões a cerca da preservação ambiental e equilíbrio ecológico global (PINTO. Rocha.

resíduos sólidos. tais como as localidades analisadas neste estudo – as áreas de ressacas da cidade de Macapá no Estado do Amapá – daí a necessidade de se apreender como as instituições devem garantir a sadia qualidade de vida a esses habitantes.pois adotou uma relação entre ecologia e economia. Esta aproximação. buscando uma mudança profunda no comportamento e na mentalidade de todos os atores numa perspectiva de desenvolvimento comprometida com as gerações futuras. os visíveis problemas de degradação socioambiental presentes nas comunidades que vivem nas proximidades das áreas alagadas da cidade são oriundos da forma acelerada de urbanização que provoca intensos prejuízos ambientais devido à ocupação desordenada do local ameaçando a condição de vida populacional. além da ambiental. Castells (2000) afirma que. vindas do modo de produção capitalista (CASTELLS. o estudo da questão ambiental é indissociável do urbanístico. A problemática ambiental das grandes cidades hoje envolve questões ligadas ao saneamento básico. foi destaque em todos os temas da Agenda 21 . inserido na preocupação da ordem. Desta maneira. quando há um desenvolvimento econômico. . colocando o crescimento econômico como condição fundamental para que isso ocorra em conjunto com as necessárias condições e processos de preservação ambiental (TOSTES. trazida pela aceleração do ritmo da urbanização mundial. para a saúde da população principalmente daquelas que vivem nas localidades insalubres. Desta maneira. da concentração do crescimento urbano nas regiões ditas subdesenvolvidas. à qualidade da água e à poluição. pelas grandes metrópoles e pela relação do fenômeno urbano com novas formas de articulação social. político e social do espaço surgem mudanças de valores e novos padrões a seguir. procurando elevar as condições de vida da população. nota-se a preocupação com o equilíbrio social. Deste modo. A produção capitalista trouxe um enfraquecimento da estrutura social-agrária. Tudo isso sendo observado durante a compreensão das ações do Programa aqui analisado. 2006).aprovada na Rio 92 . 2000). Logo. com o intuito de compreender como o programa de melhoria da qualidade ambiental urbana do Amapá tem direcionado ações de desenvolvimento socioambiental para as áreas de ressacas da cidade. Observa-se que a problemática ambiental das grandes cidades está associada a uma desordem urbana. do local geográfico e dos padrões culturais anteriores. em especial urbana. vê-se o meio ambiente como assunto público. e o homem passou cada vez mais a se abstrair da natureza. de acordo com as transformações do desenvolvimento econômico nas sociedades contemporâneas amplia-se a preocupação.15 Desta maneira.

Busca compreender a percepção que os atores sociais possuem a respeito do alcance da melhor aplicabilidade das políticas sociais direcionadas as áreas de ressacas. desde o Amapá Colônia. devido a exploração do manganês do Amapá pela empresa Indústria. no sudoeste do Estado. a capital Macapá está com uma população de 387. pois 1 “Organização internacionais.se intensificou na passagem da década de 1980 para 1990. Marco Zero e Pedrinhas. analisar as inter-relações entre o governo do Estado do Amapá frente ao Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEABID e os atores sociais envolvidos. com 38. as mudanças que contribuíram efetivamente para alterar o cenário ambiental da cidade. motivado pela transformação do Amapá em Estado e pelos rumores sobre a futura implantação da área de Livre Comércio. o que chama de “virada institucional”. principalmente em seus núcleos urbanos mais avançados– Macapá e Santana. Desta maneira. Evans (2003) considera importante fazer uma analise mais complexa das instituições garantindo a eficiência do desenvolvimento e enfatizando a questão social. ou seja. formadores de políticas locais e consultores particulares que se unem para impingirem a presunção de que os países mais avançados já descobriram o melhor planejamento . que seria ir além do que considera “monocultura institucional”1. entre o período de 1950 a 1997. pois se considera que a inserção do cidadão ativo no processo social é a base para a eficiência das ações direcionadas a coletividade.2 A PROBLEMÁTICA E OS OBJETIVOS DO ESTUDO A estimativa do IBGE mostra que a população do estado do Amapá vem crescendo significativamente. De acordo com o censo de 2010. especificamente nos bairros do Congós. ocorreram em virtude do acelerado processo de desenvolvimento urbano do Estado do Amapá. Profundas transformações acarretaram na cidade de Macapá um crescimento demográfico.539. 1.170.029 e Laranjal do Jarí. em associação com a multinacional Bethlehem Steel. Procura-se neste trabalho. Esse crescimento populacional. o vizinho município de Santana com 99. criada somente em 1991. passando pelo Amapá Território até o Amapá Estado em 1988. como uma das taxas superiores às verificadas na região Norte do País como um todo. pois o desenvolvimento não é mais visto como um processo apenas de acumulo de capital. mas primordialmente como um processo de mudança organizacional. especificamente as áreas de ressacas.16 Percebe-se que no caso de Macapá. Comércio e Mineração Ltda (ICOMI).

não somente pelos políticos. a liberdade e o bem estar e a justiça social. e passam a exigir liberdade de escolher seus governantes e poderem ser escolhidos também. não haverá Estado”. sabe que a democracia ainda é gerada pelo institucional para o desenvolvimento de que sua aplicabilidade transcende culturas e circunstâncias nacionais”. Tornando-se. que surgem a partir da Segunda Guerra Mundial (PEREIRA. 2004). Pereira (2004) argumenta que a principal meta é a ordem social. Logo. querem se transformar em cidadãos portadores direitos querem ter direitos civis plenos. Bom Estado e Reforma da Gestão Pública” deixa claro que o Estado é o instrumento de ação coletiva por excelência da sociedade. p. que por meio desta busca alcançar seus objetivos políticos fundamentais que são a ordem ou estabilidade social. E será republicano e participativo quando os direitos republicanos estiverem bem protegidos. garantir seus direitos políticos. pois sem esta não alcançaria os outros objetivos do Estado (liberdade. Pereira (2004) faz sua crítica ao dizer que esta teoria do Estado transforma-se em uma “ficção absoluta”. social-democrático apresentando aqui uma preocupação maior com a garantia dos direitos sociais. Mesmo assim. Com uma visão positivista. ou seja. o melhor Estado é o Estado democrático.17 assim favoreceria a construção de instituições deliberativas mais eficientes.20). Segundo as idéias de Pereira (2004) ignora-se que os súditos. 2003. uma vez garantido o Estado de direito. não há poder estável sem legitimidade. vem assegurando a imposição legal. Os novos institucionalistas2 descobriram a importância das instituições. enfatiza que “se a propriedade e os contratos não forem respeitados. sem aceitação mínima da sociedade pelas regras impostas pelo Estado. pois viria como uma versão do contratualismo clássico. 2 . do próprio Estado. mas por todos os cidadãos ativos. Economistas neoclássicos e cientistas políticos da escolha racional. ou seja. na qual mostra não depender exclusivamente da aprovação dos súditos. Sendo assim. em seguida. E tais instituições proporcionariam o debate e o intercâmbio público atingindo assim a eficácia ao aproximar os cidadãos comuns no processo de escolha social. o qual a partir do século XX. embora demonstrarem defender o regime democrático. (EVANS. Pereira (2004) diz que o bom Estado democrático é um instrumento do desenvolvimento econômico na medida em que gera instituições e políticas públicas de melhor qualidade e legitimidade. E depois de alcançada a democracia passa a reinvidicar seus direitos sociais de cidadania a fim de atingir o mais difícil dos objetivos políticos da sociedade moderna que é a justiça social. Segundo Pereira (2004) em seu artigo “Instituições. Mesmo com todas essas transformações. bem estar e justiça social). mas sim do poder do monarca.

Observar perante o olhar sociológico as diversidades ali apresentadas. A relação com o seu meio natural e cultural favorece subsídios para futuras intervenções na paisagem urbana na busca da melhoria da qualidade de vida desses habitantes. Agência de Desenvolvimento do Amapá – ADAP. é significativo compreender como estabelecem as interações sociais nestes espaços a fim de que os indivíduos sejam capazes de interferir no meio ambiente de uma maneira positiva e não degradante. porém não se pode esquecer que os políticos e os gestores públicos devem buscar o comprometimento com o que é de interesse público. Sachs (2001) mostra a importância do desenvolvimento de uma região. a posição das instituições perante as regras direcionadas as áreas de ressacas e sobre a população que vive nestas localidades. Desta maneira. a teoria do neoinstitucionalismo de Hall e Taylor (2003) oferece a oportunidade de saber sobre a importância das influências de um conjunto de políticas variadas e associadas à cultura. principalmente no campo da biotecnologia. Instituto de Estudos e Pesquisas Cientificas e Tecnológicas do Estado do Amapá – IEPA e o Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Amapá . desprezando a visão de homogeneidade das instituições. Castro (1997) analisa a mudança do comportamento dos indivíduos. Por isso. . pois se faz necessário termos atualmente uma consciência ambiental juntamente com a preocupação com o progresso (ciência e tecnologia) e principalmente que esta preocupação ecológica não fique somente a nível teórico.IMAP na tentativa de compreender a vivência atual da população que se encontra nas áreas de ressacas da cidade de Macapá. o que os autores chamam de “institucionalismo sociológico”. Considera-se importante neste estudo. O crescimento econômico da região deve compatibilizar com a base ecológica e sócio-cultural regional. busca-se analisar a prática do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID desenvolvido pelo governo do Estado juntamente com suas instituições: Secretaria do Meio Ambiente – SEMA. quando defende o ecodesenvolvimento. Desta forma. relacionando-a com uma problemática global. Compreende-se que as práticas culturais são importantes na analise das formas e dos procedimentos institucionais utilizados pelas organizações modernas. na qual os problemas ambientais são de preocupação mundial por afetar todo o planeta e acabam sendo ligados por meio da comunicação e interação com os outros grupos externos que estão interessados com questões de ordem econômica e tecnológica.18 desenvolvimento econômico.

vier por exemplo na forma da pobreza extrema. a nova racionalidade compreende o processo de degradação ambiental como algo oriundo de um espaço socialmente construído. político e econômico de uma sociedade. A população pode contribuir significativamente aos estudos científicos com seus saberes locais para assim conquistar uma melhor apropriação sustentável dos recursos naturais. sejam elas formadas por grupos. usam e preservam por muitos anos. faz-se importante apreender como se estabelecem essas inter-relações a fim de que os indivíduos possam interferir no meio em que vivem. Por isso. ou seja. já que ele vem se utilizando de maneira degradante e ao mesmo tempo protetora. A concepção de Sen (2000) contribui significativamente para a compreensão da importância da participação populacional no processo de desenvolvimento social. a preservação científica e ambiental. Sen (2000) relaciona “desenvolvimento como liberdade”. ou seja. 2009). Bentes (2005) diz que excluindo o saber das populações locais é abandonar toda a história de utilização do homem pela natureza. Sem fragilizar a importância das outras áreas do conhecimento. O desenvolvimento viria como um processo integrado de expansão dessas liberdades substantivas interligadas. pode violar os direitos de outros tipos de liberdades do individuo. ou seja. Desta maneira. como no caso analisado pela autora nos seringas da Amazônia. de modo que expulsálas ou não utilizar a sua participação invibilizaria o manejo ecológico. agindo desta maneira. mas também manejaram-preservaram savanas e florestas nativas. onde os habitantes desflorestaram. vindo das inter-relações entre sociedade e natureza (RAMALHO. seria como um ciclo de privações. a expressão degradação socioambiental urbana vem modificando radicalmente a abordagem do ambientalismo. a partir do entendimento das interações entre sociedade e natureza. O processo de desenvolvimento deve ser analisado de acordo com o desempenho das várias instituições existentes. Bentes (2005) comenta que não enfraqueceria o que ela chama de “Tradição Ecológica da Amazônia”. pois.19 Lima e Roncaglio (2001) acredita que atualmente cientistas e técnicos buscam compreender as questões voltadas para os impactos das atividades humanas sobre a natureza e sua ligação com os aspectos econômicos e sociais por meio de um novo paradigma epistemológico que traga respostas urgentes. defende que especificamente do ponto de vista das práticas urbanas. . como a privação de liberdade social ou política e assim sucessivamente privação de liberdade econômica. pelo mercado. se a privação de liberdade econômica. respeitar-se-ia os direitos dessas populações às terras que habitam.

Não basta garantir direitos para o cidadão. na tentativa de minimizar os riscos socioambientais busca-se compreender a percepção desses riscos por esta população local. o essencial é dar capacidade. Maranhão. pautadas nas questões de sustentabilidade e desenvolvimento. econômicas e político-administrativos. de participar dos mercados e de estabelecer relações humanas que enriqueçam sua existência. transformando em corredores de águas . prerrogativas de se colocar. presentes inclusive nas áreas de ressacas de Macapá. o Amapá passou a ter novas características políticas. Em 2002. governo e etc. Desta maneira. qualificações.176) com a implantação do Estado. mão-de-obra na informalidade. Desta maneira. o qual facilita a capacitação de águas. como o Pará. Cabe ressaltar a importância da implantação do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá – PDSA. p. visto que podem oferecer condições para alternativas de atividades econômicas sustentáveis. remuneração abaixo do piso salarial estabelecido na política salarial nacional defendida pelo Ministério do Trabalho. pois possuem baixo relevo. capazes de oportunizar diálogo e debate aberto entre todos. Este estudo reconhece o papel dos valores sociais e costumes prevalecentes da população que mora nas áreas de ressacas. se ela é capaz de enxergar seus próprios problemas ou não. capaz de visualizar e questionar a falta de iniciativa da gestão pública na aplicabilidade de políticas adequadas na realidade inserida. 2000). 2004) o grande contingente habitacional nessas áreas é decorrente do crescimento demográfico formado por migrantes de outros Estados. A população tem que estar envolvida e motivada. Ou como expõem Sen (2000) a respeito da necessidade de examinar se há persistência de privações entre os segmentos da comunidade que os deixam excluídos dos benefícios da própria sociedade. Segundo o Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro do Centro de Pesquisa Aquáticas (2002 apud TAKIYAMA.20 por organizações. merecem atenção quanto à preservação. Ceará e do interior do Estado do Amapá. cujos resultados práticos foram: as discussões metodológicas sobre um programa de desenvolvimento direcionadas na preocupação e valorização com o meio ambiente local e sua relação com as atividades econômicas (internas e externas) sem prejuízo a biodiversidade. grande número de filhos. a biodiversidade que é a variedade de organismos vivos. Segundo Porto (2003. na tentativa de compreender o desempenho de sua liberdade para ter uma vida longa e saudável. As áreas de ressacas possuem papel preponderante no clima da cidade. daí a importância do papel da mídia e de outros meios de comunicação (SEN. o perfil populacional caracteriza-se por baixa instrução educacional.

tuberculose. 2006). hepatite infecciosa. para designar as áreas úmidas. identificadas como campos herbáceos periodicamente inundáveis. das águas das chuvas. Os impactos podem ser temporários e ou cíclicos de acordo com os períodos de chuvas e alagamentos. já que são consideradas invasões. obstruções de canais. de 22 de julho de 1999 promoveu o tombamento de todas as áreas de ressacas do Estado do Amapá e impôs limitações ao seu uso e do solo em seu entorno. As ressacas funcionam como bacias de acumulação e por meio dos igarapés. o ar úmido. cólera. Acomodando assim. De acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente . 2006). os impactos são diretos e ou indiretos devido atingirem drasticamente o meio ambiente e a saúde da população local e das outras localidades próximas também devido à mudança de clima que atinge a cidade. a falta de saneamento básico nesses locais. Nas áreas de ressacas. oferece condições para a disseminação de doenças como a febre tifóide. Além. realizam a drenagem das águas pluvias. podem ser permanentes por conta da poluição dos rios provocados pela ocupação desordenada. construções de casas em meio a áreas alagadas. Coelho (2006) comenta que as áreas de ressacas contribuem significativamente para a reprodução e crescimento de muitas espécies de animais aquáticos e de pássaros demonstrando sua função ecológica. O termo Ressaca é utilizado no Estado do Amapá. amebíase. lançam todo tipo de resíduos nas águas dos rios. Evitando com que ocorram alagamentos nas áreas de terra firme que circundam as ressacas. (COELHO. de proporcionar o equilíbrio térmico das cidades. A Lei Estadual n° 0455. que funcionam como bacias de acumulação e drenagem das águas das chuvas (COELHO. como: solo e água criam um ambiente saudável que contribui para o bem-estar das pessoas e demais seres vivos. E a harmonia trazida pela rica biodiversidade presente nessas áreas e pelos seus aspectos físicos. constituindo um importante instrumento legal de impedimento do modo impactante . por serem fontes de umidade. Logo. levam para o meio urbano. que em conjunto com os pequenos canais e os cursos principais.SEMA (MACAPÁ. etc. favorecendo a formação de vapor d’água na atmosfera por meio da evaporação de suas águas. amenizando o clima quente equatorial da região norte. 2006). se interligam com o rio Amazonas. disenteria. Assim. Parte da bacia hidrográfica do Estado do Amapá é firmada por áreas de ressaca. gerando alagamentos e epidemias.21 pluviais e interferindo diretamente na unidade relativa do ar. uma intensa diversidade biológica. Essas por não serem atendidas com rede de esgoto. ou seja. a ocupação desordenada dessas localidades tem ocasionado prejuízos ambientais provocados pela destruição da mata ciliar.

as mudanças que ocorreram durante a implementação do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá. favorecendo subsídios para futuras pesquisas e que tenha como objetivo a melhoria da qualidade de vida desses habitantes. Além do cuidado com a utilização desses recursos naturais considera-se importante também a garantia do principio constitucional da sadia qualidade de vida. intermediário e local). mostra-se a necessidade desta análise sociológica dos riscos que atingem a população. . entre gestores/técnicos planejadores/comunidades locais. Desta maneira. analisar a percepção dos atores sociais perante as mudanças que ocorrerem na implementação do Programa. Tendo como objetivos específicos: Identificar a partir da percepção dos atores sociais em seus diferentes níveis (macro. de um enfoque dos problemas ambientais nas áreas de ressacas que possibilite verificar as percepções de riscos da população com relação aos elementos da natureza que ali se encontram e seu processo de interação com os mesmos. questionase: qual a percepção dos atores sociais em relação as ações do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID direcionadas às áreas de ressacas? O contexto sociopolítico que influenciou a criação do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEAD-BID permite analisar como objetivo geral da pesquisa.22 como vinha se processando o uso das ressacas. verificar os principais impactos socioambientais nas áreas de ressacas do município de Macapá e descrever os problemas mais comuns segundo a percepção da comunidade local. Tendo como esse direcionamento em mente. pois a contaminação das águas ameaça à saúde da população. saneamento e preservação ambiental em áreas de ressacas. pela Lei Estadual n° 0835. O estudo socioambiental possibilitou um conhecimento acerca da vivência da população nas áreas de ressacas. Dada a sua importância compreende-se como estabelecem as interações sociais nestes espaços. da sua relação com o seu meio natural e cultural. através de uma gestão que abrange a urbanização. Sendo esta Lei revogada em 27 de maio de 2004. ou seja. que todo ser humano tem como direito de viver em um ambiente sadio e a dispor dos serviços públicos básicos. ante a situação de risco em que vive. a fim de que ações do programa sejam capazes de interferir no meio ambiente de uma maneira positiva e não aumentar as condições de riscos socioambientais das áreas de ressacas. o que parece não ser visto nas áreas de ressacas de Macapá.

23 1. 2006). com a capacidade espacial para construir cerca de cinco conjuntos habitacionais com média de 32 habitações por conjunto (PORTILHO. onde há famílias morando sob palafitas em plena área urbana da cidade além da carência de infraestrutura urbana como asfaltamento. pois os estudos feitos e analisados mostraram os graves problemas que a população sofria com os limites de ocupação do solo macapaense e que são visíveis até a atualidade. meio fio. Os dois primeiros adentraram na pesquisa devido às informações coletadas junto a ONG Colibri que posteriormente nos possibilitou o conhecimento da área. contratados pela empresa de distribuição de energia elétrica da época. Segundo o estudo de Portilho (2006) a área do bairro do Congós foi uma das prioridades no planejamento de expansão urbana da cidade de Macapá na década de 70. calçadas. Neste período. foi escolhido os bairros do Perpetuo Socorro e do Jesus de Nazaré. Portilho (2006) afirma que esses estudos não foram respeitados pelos governantes da época e nem das décadas seguintes. A área geográfica da pesquisa faz parte do município de Macapá. foram elaborados estudos sobre Macapá por um grupo de consultores da Grunfbil do Brasil. São as áreas de ressacas antropizadas que se encontram no bairro do Marco Zero/Pedrinhas e do Congós. Anteriormente neste estudo. ainda no antigo território do Amapá. A área do Congós foi considerado o bairro capaz de eliminar o déficit habitacional de Macapá no período de 70. O segundo por se encontrar em um dos bairros mais privilegiados. especificamente o Igarapé das Mulheres. altamente fragilizadas no que se refere as questões socioambientais. com a proposta de criarem projetos de planejamento urbano.1 Definição da área estudada Neste estudo foi realizado uma análise qualitativa da situação existente em áreas de ressacas.3. na qual exerce suas atividades. O que se percebe hoje é um processo desordenado de ocupação nesta localidade. além de ser um bairro que abrange duas áreas alagadas. Fundação João Pinheiro (1973) e Cole e Associados (1979). perigoso e que possui suas áreas alagadas. a Ressaca de Chico Dias e a Ressaca do Beirol. sinalização adequada e etc. atingidas pelo processo de drenagem pluvial urbana.3 A ABORDAGEM METODOLÓGICA DA INVESTIGAÇÃO 1. O primeiro por ser um dos bairros mais populoso. onde não . com a finalidade de absorver as famílias de baixa e média renda. A escolha do bairro do Congós se deu em função de que é um bairro que está sendo atingido pelo processo de drenagem da ressaca do Beirol efetivação de uma política pública atual.

Fonte: IEPA. estado brasileiro. mesmo que ambos estejam localizados na área central da cidade. Pedrinhas e do Congós. de acordo com as informações adquiridas pela Secretaria do Meio Ambiente do Amapá. No entanto. Desta maneira. . identificou-se ao longo da pesquisa que estas áreas não foram incorporados nas ações do Programa estudado. Figura 1 . Assim. a ressaca do Beirol está sendo atualmente atingida pelo processo de canalização. que fica a nordeste da região Norte do país. localizada no sudeste do estado do Amapá. os dois primeiros são atravessados pelo canal das Pedrinhas e o último bairro é atingido pela Ressaca do Chico Dias e a Ressaca do Beirol. com o avanço da pesquisa foi observado a necessidade de se trabalhar com os bairros do Congós e do Marco Zero. O lócus do estudo foi as comunidades próximas as áreas úmidas que se encontram nos bairros do Marco Zero. A pesquisa foi conduzida na cidade de Macapá.24 há um processo de drenagem na sua totalidade atingindo o curso d’água do canal do Jandiá. 2011.Mapa dos bairros do Marco Zero e Pedrinhas. A ressaca do Beirol e a do Chico Dias são áreas alagadas e ocupadas que cercam o bairro do Congós e o bairro do Marco Zero/Pedrinhas pelas informações adquiridas durante a pesquisa de campo e por serem cortadas pelo canal das Pedrinhas por isso a mudança da área analisada na pesquisa.

ainda no antigo território do Amapá. Os limites de ocupação do solo não são respeitados até hoje na localidade dos bairros. p. onde há famílias morando sob palafitas em plena área urbana da cidade. 2004. na qual a Ressaca do Beirol vem sendo atingida pela efetivação de uma política pública que envolve a questão de saneamento e de drenagem.25 Figura 2 . Fonte: TAKIYAMA.Mapa das áreas de ressacas urbanas da cidade de Macapá. e o bairro do Congós por possuir duas áreas de ressacas antropizadas. Como mostra a ilustração abaixo: . O que se percebe é um processo desordenado de ocupação nestas localidades. principalmente nas áreas consideradas de ressacas. A escolha dessas localidades se deu em função de que o bairro do Marco Zero/Pedrinhas é banhado pelo Canal das Pedrinhas e de acordo com o desenvolvimento da pesquisa foi possível receber informações importantes sobre a área que se encontra bastante fragilizada no que se refere às questões socioambientais.172. As áreas alagadas que contornam o bairro são: a Ressaca de Chico Dias e a Ressaca do Beirol. Portilho (2006) diz que a área do bairro do Congós foi uma das prioridades no planejamento de expansão urbana da cidade de Macapá na década de 70. a população sofre pela ausência de infraestrutura adequada à moradia urbana.

26 Figura 3 . Fonte: SEMA. 2009.A área de ressaca no bairro do Congós em Macapá. tanto no bairro do Congós quanto no do Marco Zero e Pedrinhas. Nas fotos apresentadas é possível observar as vias de palafitas que avançam cada vez mais para as profundidades das ressacas. possibilitando o crescimento de moradores na área e conseqüentemente prejuízos ambientais intensos. 2003.Área de ressaca no bairro do Marco Zero e Pedrinhas. . 2010 e SEMA. Fonte: Autoria própria. Figura 4 .

descreve o mecanismo de interação entre o governo estadual e as comunidades locais e aponta os fatores que têm permitido e ou facilitado ou impedido a implementação do Programa. como interagem com os diversos níveis do contexto e como suas ligações e ou contexto têm influenciado na sua conexão com a implementação de políticas e com a população local.2 A pesquisa qualitativa como método de análise A metodologia utilizada envolve três níveis de analise qualitativa. particularmente os atores que vivem no bairro do Congós. O foco na ONG é identificar como resultado de um movimento social dinâmico em assumir os papéis intermediários entre o governo federal.3.27 1. O nível intermediário trás para o foco a relação entre as políticas e ações populares. o estudo revela as contradições do ponto de vista dos atores sociais perante o Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID. . Desta forma. a saber: o nível macro (Governo Estadual). Assim considera-se importante a percepção destas famílias a fim de conseguir um conhecimento detalhado da situação atual nas áreas de ressacas. O nível Macro refere-se à identificação de posições e estratégias para a mudança política. seus modelos e suas estruturas e também sobre os fatores que influenciam na construção de um espaço político de interação que torna possível acessar as populações no nível local. O nível intermediário trás uma proximidade com uma organização não-governamental. Marco Zero e Pedrinhas na área urbana de Macapá. A análise do Nível Macro leva o debate para as concepções do Programa da Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID. A experiência de diferentes atores e representações coletivas existentes em torno da política. interagem e interferem nos objetivos políticos. estadual e a comunidade local. Partindo desta interação entre técnicos e a população local é que se busca um conhecimento competente para o sucesso dos programas que ali poderão ser implantados em benefício de toda população. A degradação socioambiental é feita pela relação entre o natural e o social. a pesquisa abrange três diferentes níveis na análise dos impactos das ações do programa nas comunidades locais – o Programa da Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID. o intermediário (ONG’s) e local (comunidades do bairro da capital de Macapá). bem como suas ações políticas. O nível micro local incorpora nas dinâmicas do relacionamento entre agências de desenvolvimento. reconstitui o contexto sociopolítico que influenciou a sua criação. O nível local centra a sua atenção nos beneficiários comunitários do Programa da Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID.

contemplasse as perspectivas para um futuro melhor a partir das potencialidades identificadas.3.3 Instrumentos de coleta de dados A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas nos bairros pesquisados. A implementação efetiva deste estudo contribui com dados importantes que possibilitem novas ações em benefícios à população do município de Macapá. O nível intermediário serve. ADAP. A distinção a respeito de todos esses níveis fornece uma explicação para o porquê das perguntas terem sido realizadas de um modelo mais complexo do que normalmente se espera. Nesta etapa. nacionais e internacionais e gestões políticas interligadas por uma rede de relações. lideres comunitário e outros atores dentro dos espaços locais.28 indivíduos. no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE. O tipo de coleta de dados na pesquisa foi de acordo com os três níveis de análises: os níveis macro. como um instrumento de comunicação entre as pessoas e as organizações regionais. No entanto. intermediário e local. elas são inerentemente correlatas. por predominar a idéia de macro que parte das ações políticas desenvolvidas pelo governo na implementação do Programa. sendo que as práticas organizacionais têm uma interação dinâmica e impacto no conhecimento das populações locais. IEPA e IMAP. será utilizada. Por isso sua analise é importante para ir além da noção de macro-micro como argumenta Arce (apud VASCONCELLOS. com a análise qualitativa da situação existente. 1. Assim sendo. identificou-se uma questão que trabalhe nesses níveis simultaneamente. foi realizado um levantamento de dados relativos às mudanças e aos impactos ambientais existentes na SEMA. para a coleta de dados. o foco da relação entre . Desta forma. 2008). que consiste em levantamentos bibliográficos e levantamentos documentais e estatísticos produzidos sobre o objeto do Programa. É discutido que este nível é onde a teoria e a prática estão relacionadas ao desenvolvimento político. foram analisadas as principais ações do Programa da Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID voltadas para a questão da ocupação humana nas áreas de ressacas. como instrumental de trabalho os levantamentos em fontes secundárias. Embora essas categorizações sejam examinadas separadamente. nos quais. O primeiro. Permitindo a possibilidade de se compreender como esses diferentes níveis enxergam as ações do Programa. considerando que se trata especificamente daquelas que vivem em áreas de alta vulnerabilidade social e ambiental.

Na pesquisa de campo foi utilizada a entrevista semiestruturada. . Como critério de exclusão do sujeito da pesquisa: a) Ser menor de dezoito (18) anos. Foi realizada uma entrevista junto ao representante da ONG Colibri no estado do Amapá que possibilitou o conhecimento a cerca de sua influência.29 o Programa e a comunidade é significante parte da interação que a pesquisa propõe. pois foram priorizados os moradores que habitam em palafitas. c) Representantes das comunidades localizadas em diferentes espaços da cidade e que apresentam equipamentos urbanos e de serviços diferenciados tais como a população do bairro Congós atingida pela Ressaca do Chico Dias como também com a população que vive próxima a Ressaca do Beirol e no Canal das Pedrinhas. Desta forma. A definição dos lideres das comunidades entrevistadas foi feita em critérios qualitativos relacionados com o que se queria saber. As entrevistas foram feitas com perguntas para representantes da sociedade civil. Nesta fase do trabalho foram selecionados de maneira não aleatória os dois líderes da comunidade. a pesquisa qualitativa proporcionou a analise a respeito das mudanças e dos impactos ambientais ocorridos no Programa da Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID e os riscos enfrentados na cidade de Macapá a partir da percepção dos indivíduos que residem nas áreas de ressacas. representa uma forma de analisar a proposta de implementação da política do Programa nas áreas úmidas de Macapá. como os lideres dos bairros da cidade de Macapá. foram considerados os seguintes critérios para a seleção das comunidades: a) Um dos líderes comunitários residente no bairro do Congós e o outro no bairro das Pedrinhas\Marco Zero. O terceiro nível abrange a população local que vive nas áreas alagadas. que foram os moradores que vivem nas proximidades da Ressaca do Chico Dias e do canal das Pedrinhas. As entrevistadas foram realizadas com a utilização da liderança dos bairros. b) Representantes das comunidades que vivem nas áreas úmidas. Por se tratar de uma pesquisa que usou o método qualitativo para a coleta e interpretação de dados. como um mecanismo importante de pressão diante das políticas ambientais locais e mediante tais exigências é importante incorporar também as vozes da população que vive nas áreas de ressacas degradadas pelo avanço do processo de urbanização. Nesse sentido. sendo assim caracterizada na pesquisa como o terceiro nível.

ADAP c) Instituto de Pesquisas Cientificas e Tecnológicas do Estado do Amapá – IEPA d) Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Amapá –IMAP Na análise dos dados priorizou-se a organização dos mesmos. suas atitudes. foram objetos os seguintes órgãos: a) Secretaria de Estado do Meio Ambiente . como os problemas ambientais são identificados segundo as percepções desses moradores. A análise dos problemas ambientais das comunidades dos bairros do Congós. A pesquisa contribui para o conteúdo científico da linha de pesquisa Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental Urbana. será possível traçar programas de desenvolvimento compatíveis com suas reais necessidades e aspirações. Buscou-se saber como está a qualidade de vida dessa população na realidade. A importância dada a essa questão pelo poder público também será discutida no que se refere ao Programa da Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID.30 b) Pessoas que apresentem problemas mentais. no próprio cotidiano familiar. ante a situação de risco em que vivem.SEMA b) Agência de Desenvolvimento do Amapá . Com este novo conhecimento busca-se favorecer . não haverá sigilo das informações obtidas. portanto. Somente a partir daí. e de outra forma. Marco Zero e Pedrinhas possibilita verificar as percepções desses moradores. como é percebida a realidade das áreas de ressacas pela população. A percepção dos riscos ambientais é uma questão bastante discutida na atualidade por estudiosos dos fenômenos urbanos. As entrevistas semi-estruturadas foram aplicadas aos órgãos estaduais e municipais responsáveis pelo Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEABID. Nesse sentido. crenças e valores no que se refere aos problemas relacionados ao meio ambiente. O critério de escolha dos titulares das secretarias foi feita por meio das afinidades de suas atividades para com os objetivos do trabalho. considerando os critérios importantes das ações políticas direcionadas as áreas de ressacas para a implantação e efetivação do Programa sob a ótica da ONG Colibri e também da comunidade local. bem como a importância da preservação do meio ambiente no que tange ao resguardo das áreas de ressacas. por isso pretende-se com este estudo. contribuir para minimizar as situações de riscos da população que reside nas áreas de ressacas e de degradação ambiental. Entender e analisar o imaginário das populações dos bairros escolhidos na pesquisa é de vital importância para se compreender o comportamento da população frente aos riscos. ou seja.

causado pelas atividades humanas que direta ou indiretamente vem afetando a saúde.4 A ESTRUTURA DO TRABALHO A presente pesquisa é formada por sete capítulos. . apêndices e anexos. a metodologia e a estrutura do mesmo. O segundo capitulo aborda o referencial teórico. como uma problemática ambiental e social. os efeitos negativos que provocam alterações sejam físicas.GEA-BID e seus objetivos. busca-se demonstrar os impactos ambientais. o contexto urbano da sociedade atual e a gestão urbana e ambiental e suas dificuldades. apresenta suas fragilidades socioambientais. no qual apresenta o olhar da ONG Colibri sobre o programa e sua participação junto a comunidade dos bairros analisados na pesquisa e o terceiro nível o Local (população local) refere-se a percepção de risco que os moradores das áreas de ressacas possuem a respeito das ações do Programa e a da realidade a qual se encontram. como ocorreu o contexto histórico de formação da sociedade amapaense. No quinto capítulo refere-se às áreas de ressacas. a legislação ambiental que aborda especificamente às áreas de ressacas e o Plano Diretor do Município de Macapá. inserindo temas que estão relacionados ao trabalho. a problemática relacionada ao tema. químicas e biológicas ao meio ambiente nessas áreas. os objetivos. O quarto capítulo apresenta o processo de urbanização na cidade de Macapá. tais como: degradação socioambiental. 1. risco. Trata da legislação ambiental e as condições de licenciamento ambiental para o cumprimento do mesmo e comenta também sobre as características ambientais. O terceiro capítulo refere-se ao Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá . a segurança e o bem estar da população. No primeiro capitulo vê-se a introdução do trabalho. compondo o contexto da pesquisa. o nível Intermediário. No sexto capitulo trata-se da analise dos dados da pesquisa. Neste momento. O último capítulo trata-se das considerações finais da pesquisa.31 melhorias nas condições de vida da população que vive em áreas de ressacas na cidade de Macapá. da cidade de Macapá. físicas e bióticas das áreas de intervenção do Programa. na qual subdividi-se em três níveis de atuação: a visão Macro (governo) sobre o papel do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá. processo de urbanização e pobreza urbana.

habitações e serviços vulneráveis aumentam ainda mais os problemas ambientais. Isto chama a atenção para criação de políticas públicas que direcionem ações para a melhoria de programas e projetos para áreas de degradação socioambiental a fim de encontrar soluções de ordem teórica e práticas para os questionamentos que envolvem estas questões. “degradação socioambiental urbana”. também implica no entendimento do meio ambiente urbano como um habitat socialmente criado.54). inundações. RONGAGLIO.1 O ACELERADO PROCESSO DE URBANIZAÇÃO. à poluição dos mares.32 2 REVISANDO A LITERATURA 2. Desta maneira. Soma-se o termo social ao termo degradação levando em conta um elemento fundamental na constituição e transformação do ambiente natural ou cultural que. Desta forma. a ação do homem em sociedade afeta diretamente a natureza. o termo degradação no contexto da questão ambiental foi reformulado pelas ciências ambientais passando a ser visto como alteração. O acelerado crescimento do processo de urbanização proporciona a proliferação de aglomerados urbanos que de maneira desordenada e precária. DEGRADAÇÃO SOCIOAMBIENTAL E RISCO A percepção dos problemas ambientais tem crescido nos últimos anos tanto em âmbito nacional como no internacional. aos desmatamentos da floresta amazônica. A partir da década de 20. tais como. Pela imprecisão do termo passa a ser utilizado no que se refere aos desgastes dos solos agrícolas pelo uso de pesticidas e mecanização intensa do plantio. à poluição do ar das grandes cidades. deslizamentos entre outros. destruição contínua e perda física. vem sendo causa e efeito de degradação. configurado enquanto um meio físico modificado pela ação humana (LIMA. Os grandes acontecimentos atualmente vivenciados pela população mundial com relação às grandes catástrofes ambientais mostram a necessidade de soluções na tentativa de impedir maiores prejuízos sucinto desses desastres. transformando-a. transformação. dos rios pelo despejo de resíduos líquidos e sólidos. 2001. com infra-estrutura física. p. às baixas . A utilização desta nova expressão. continuamente. a degradação socioambiental nas cidades tornou-se um assunto muito discutido entre os pesquisadores que se preocupam com as questões urbanas.

tais como: bairros alagados. Devido todo o processo de desenvolvimento da sociedade capitalista. Os aspectos degradantes do meio ambiente no âmbito urbano são catastróficos.56).55). As transformações que ocorreram nas sociedades modernas atuais dão origem a novos riscos que amedrontam a população. Com relação às grandes cidades brasileiras. RONGAGLIO. p. aumentam os problemas sociais. grandes congestionamentos. compreender as dimensões da problemática ambiental. 2001. social e econômica. RONCAGLIO. incansáveis tráfegos ferroviário e rodoviário. O estudo da percepção de risco trará importante contribuição para o aperfeiçoamento do planejamento urbano. pois a população brasileira – generalizando o fato – mostra-se distante de uma educação básica e ambiental. Este novo pensamento permeado pelas questões ambientais vem permitindo um novo olhar crítico com relação à observação empírica da realidade da maioria das metrópoles mundiais e.33 condições de habitação. e ao mesmo tempo. (LIMA. são agravadas mais ainda pela fragilidade das condições do exercício da cidadania. 2001. desabamentos. tais como a fragilidade do exercício da cidadania. E ainda. Sendo que a pobreza não é o único fator relacionado ao crescimento da degradação ambiental urbana. implica estudar as alterações que ocorrem nos ecossistemas naturais. como aqueles relacionados à pobreza. que pela falta de conhecimento ambiental e até mesmo da educação básica o individuo acaba se utilizando da natureza de maneira degradante. visto que há uma contradição verificada entre legislação do uso e ocupação do solo urbano e os interesses vinculados às . à falta de saneamento básico etc. independente e indiferente à ação humana. distantes da utilização do que está legalmente inserido nos códigos e legislações do país. prejuízos nas indústrias. mais há toda uma relação de outros fatores. p. populações desabrigadas. ao identificar mudanças significativas nas propriedades físicas da atmosfera das cidades e a existência de possíveis novos riscos. tornaram-se ‘modelos’ de degradação ambiental (LIMA. levando-se em conta o conhecimento da organização material e simbólica das sociedades e o modo como elas se apropriam e interagem com os ambientes naturais. pois. com maior ênfase nas grandes metrópoles dos países menos desenvolvidos que por apresentarem graves problemas de infra-estrutura e de ordem política. no comércio e nos serviços. interrupção no fornecimento de serviços públicos. vias bloqueadas. a qualidade ambiental – segundo Lima e Roncaglio (2001) evidencia que além das conseqüências da pobreza se confundirem com as conseqüências da degradação ambiental urbana. O termo socioambiental assegura que não se pode conceber ambiente e/ou natureza isoladamente.

A falta de moradia e ocupações humanas precárias são problemas que se apresentam como grandes desafios para pensar em políticas públicas destinadas as áreas urbanas expostas aos riscos ou fragilidade ambiental.pois muitas das vezes os habitantes de áreas insalubres não conseguem identificar determinados aspectos degradantes que poderiam ser evitados com a sua própria ação na utilização do espaço analisado. à população que sofre no dia-a-dia da vida em sociedade. “Embora os elementos que constituem o meio ambiente não sejam passíveis. Os problemas de qualidade de água. principalmente relacionando com a fragilidade do exercício da cidadania. como vem sendo observado no caso da moradia. tanto teoricamente como na prática. Muitas das situações de risco são produzidas por esta população. como o ar. A degradação socioambiental urbana é um tipo de degradação ambiental. como as epidemias.34 especulações imobiliárias. que degrada o meio. Os desastres e catástrofes já fazem parte do cotidiano dessas pessoas. O intenso processo de urbanização das cidades transforma o cenário urbano em verdadeiro local de riscos. não consegue associar a fragilidade do exercício da cidadania. como um país considerado em desenvolvimento. a fragilidade do exercício da cidadania vem deste privilégio exercido por um determinado grupo que privilegia os interesses de poucos. em sua maioria. na maioria das vezes é conflitante com os direitos ambientais dos indivíduos e da coletividade. em detrimento de uma coletividade” (LIMA. RONGAGLIO. pois. A análise minuciosa da percepção de risco esclarece pontos muitas vezes nem percebidos pela população carente. deixando a maioria distante da visibilidade da real situação sobre a degradação socioambiental.58). há pouco conhecimento específico e interdisciplinar. os rios etc. que por tratar do bem comum. 2001. quando os conflitos sociais resultantes da apropriação social da natureza. visto sua relação cultural e diária com uma vida de acordo com suas condições econômicas – miseráveis . refletindo as desigualdades econômicas e sociais da sociedade brasileira. ainda pouco explorada. p. cabe apreender a atuação de políticas públicas frente à questão ambiental. saneamento básico e habitação geram riscos. de apropriação privada. das instâncias políticas e dos vários setores da sociedade organizada. dentre outras. a água. podem estar sujeitos a um uso que favorece interesses privados.. assim como ações efetivas que melhorem a qualidade de vida urbana. Neste sentido. motivada por interesses privados. questiona a participação de Poderes . O Brasil. envolve a participação dos governos. O que se percebe é um confronto direto entre os interesses privados e coletivos. A maioria.

emerge das transformações ocorridas nas sociedades modernas atuais que vem como resultado do desenvolvimento e da busca incessante de um crescimento econômico. segundo Ferreira (2007). A sociedade de risco é um novo perfil de sociedade que surge de toda essa relação entre a natureza e o social. E as probabilidades de acontecimentos geram incertezas e imprevisibilidades. os riscos teriam sua origem no processo de decisão da ação do homem sobre o meio ambiente. surge uma transformação dos perigos em riscos. Os riscos também assumem novas formas. O elemento perigo não pode descartar a intervenção humana sobre o meio ambiente como um dos causadores de desequilíbrio. na qual o perigo seria o elemento externo. riscos sistematicamente produzidos possibilitando sua continuidade do processo de modernização e seus efeitos de previsão. ou seja. com o crescimento do processo produtivo. Os riscos seriam originados pela união dos elementos perigo e vulnerabilidade. se reproduzem e geram com o processo de modernização e acentuada pobreza. A partir do período industrial. em um lugar específico e um determinado período de tempo. p. as noções de perigo e risco estão intimamente relacionadas com as fases do processo de evolução social. que de acordo com seu processo evolutivo trás riscos calculáveis. pois. 2007. amedrontando de tal forma que a própria sociedade que os produziu perde a capacidade de controlá-los.318). mais os ambientes de riscos se multiplicam. porém. um não sobreviveria sem o outro (FERREIRA. situações inadequadas à sobrevivência humana. Para eliminar esses perigos. tornando-se altamente complexos. A vulnerabilidade seria concebida como elemento interno que expressaria a probabilidade de que um sujeito ou sistema seria exposto à manifestação do fenômeno. . Segundo Ferreira (2007). Ramalho (2009) chama a atenção para as manifestações sutis e ocultas dos riscos devem ser verificadas e alertadas. Neste caso. ou seja. Os dois conceitos estão interligados.35 Públicos Municipais na adoção de políticas de habitação e prestação dos serviços públicos essenciais. os riscos são permanentes e contínuos. a autora considera que é importante fazer uma distinção entre os termos para analise da teoria da sociedade de risco. o homem deveria se utilizar da técnica que passaria a agir sobre o meio e do domínio da natureza surgem novos riscos. Quanto mais acelerado o processo de urbanização. ou seja. afetado. aquele que possui a probabilidade de que um fenômeno se manifeste com intensidade.

por outro. 1997. Ela surge na continuidade dos processos de modernização autônoma. Desta maneira. em que um tipo de modernização destrói outro e o modifica. estados de emergência produzidos por grandes catástrofes como expõem Beck (1997) quando se refere ao dinamismo dos conflitos da sociedade de risco. não seriam centros de conflitos políticos e haveria ainda aqui uma predominância do autoconceito da sociedade industrial. as organizações de interesse. Num segundo momento. estes últimos produzem ameaças que questionam e finalmente destroem as bases da sociedade industrial. Segundo Beck (1997). . a sociedade toma determinadas decisões e realiza ações segundo os padrões ainda conservadores da sociedade industrial. Primeiro. que são cegos e surdos a seus próprios efeitos e ameaças.16). p. oriunda da obsolescência da sociedade industrial e assim designa este conceito como: “[.. o sistema judicial e a política são obscurecidos por debates e conflitos que surgem do dinamismo da sociedade de risco (BECK. alguns aspectos da sociedade industrial tornam-se social e politicamente problemáticos. mas. pois seria aqui o ápice da modernização que possibilitaria a destruição de uma era: aquela da sociedade industrial. as instituições tornam-se os produtores e legitimadores das ameaças que não conseguem mais controlá-las. onde o progresso pode se transformar em autodestruição. a modernização trás conseqüências opostas. p. 1997. tanto multiplicando quanto “legitimando” as ameaças feitas pelas tomadas de decisão. em que os riscos sociais.] uma fase no desenvolvimento da sociedade moderna. (BECK.16). os perigos da sociedade industrial crescem nos debates e conflitos públicos. (BECK. como a pobreza em massa.. A sociedade de risco não é uma opção que se pode escolher ou rejeitar no decorrer de disputas políticas. guerras. 1997. De maneira cumulativa e latente. p.15). tanto na esfera pública quanto privada. Por um lado. seria um momento em que os efeitos e as auto-ameaças não seriam percebidas como questões públicas. crises econômicas. Desta maneira. a sociedade de risco encontra-se inserida numa modernidade avançada. como “riscos residuais”. Beck (1997) distingue duas fases de desenvolvimento dos efeitos da sociedade de risco. crises ecológicas.36 Com a dinamização do desenvolvimento. econômicos e individuais tendem cada vez mais a escapar das instituições para o controle e a proteção da sociedade industrial”. A autoconfrontação estabelecida pela sociedade de risco marca todo um processo de transição do período industrial para o período de risco da modernidade gerado pelo desenvolvimento de seus dois estágios. Beck (1997) chama de “modernização reflexiva” o novo estágio. políticos. Assim. ou seja.

] possibilita verificar as percepções dos moradores. partindo da interação e integração entre os técnicos e a população beneficiada pelo programa. Daí a necessidade da formulação de novos instrumentos que permitam a abordagem sustentável daquilo que desconhecemos.d. suas atitudes. A proliferação da sociedade de risco trás consigo novos padrões de exigência. Para Ramalho [s. influenciadas pelo exercício das liberdades das pessoas. tais como a . por isso os riscos devem ser percebidos e analisados de maneira apropriada. A compreensão do imaginário das populações é de suma importância para o entendimento do comportamento da população frente aos riscos. Necessidade de novas formas de gerenciar os riscos.d.] a definição de medidas implantadas por agências de desenvolvimento. especialmente no que se refere às questões ambientais.. mediante a liberdade para participar da escolha social e da tomada de decisões públicas. Tais disposições institucionais proporcionam oportunidades.21).. a fim de impedir qualquer tipo de privação. crenças e valores no que se refere aos problemas relacionados ao meio ambiente. a fim de favorecer novas idéias para aplicar programas de desenvolvimento compatíveis com a realidade e necessidades da população participante. [s. pois este seria o caminho para o sucesso de qualquer programa que busca soluções para a problemática de degradação ambiental. O estado apresenta-se impotente perante a complexidade dos riscos.]. prefeituras e Estados devem estar de acordo com o desejo da população. A relação homem / natureza mostra-se cada vez mais perigosa e insustentável. e não como apenas recebedores passivos de benefícios. Sen (2000) argumenta sobre a importância do papel do Estado como uma das instituições capazes de contribuir para a expansão e a garantia das liberdades substantivas dos indivíduos. vistos como agentes ativos de mudança. A análise dos problemas ambientais das comunidades [. pautadas nas questões de sustentabilidade e desenvolvimento. se ela é capaz de enxergar seus próprios problemas ou não. na comunidade.37 Os velhos modelos de proteção e segurança desta sociedade industrial acabam sendo ineficazes. Na tentativa de minimizar esses riscos busca-se compreender a percepção da população atingida. A importância atribuída a esta questão pelo poder público. no cotidiano familiar. também é ligeiramente discutida (RAMALHO. A população tem que estar envolvida e motivada. capaz de visualizar e questionar a falta de iniciativa da gestão pública na aplicabilidade de políticas adequadas a realidade. p.

2 O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO A análise urbana. trás algumas categorias essenciais: a sua gênese com a industrialização. A partir da Revolução Industrial. assim como o presente e a evolução futura das cidades dependem das relações econômicas. o capitalista utiliza a sua capacidade produtiva e especulativa das infraestruturas financiadas por meio dos impostos com o esforço coletivo. trata-se de um processo seletivo. econômicas e históricas – se constitui no centro de convergência de processos e interesses das mais variadas ordens. isto é. o que faz o Estado um “motor de desigualdades”. ou seja. como distritos industriais ou regiões metropolitanas. o poder se desloca cada vez mais do campo para a cidade. a socialização capitalista gera uma hierarquia de poder. . com o desenvolvimento do modo de produção capitalista. visto que. impondo privilégios e interdições. Assim. a socialização capitalista é um processo de deslocamento de recursos da população como um todo para algumas poucas pessoas e firmas. criando também zonas especiais. marcando a diferenciação entre os lugares. a cada instante. Santos (2009b) expõe que cada parcela do território urbano é valorizada e ou desvalorizada de acordo com o jogo de poder exercido pela ação do próprio Estado. ou seja. cabe então aos atores do jogo político. a divisão social do trabalho e a divisão territorial do trabalho necessitam progressivamente de decisões políticas. divisão social do trabalho e a sua relação com o espaço ali construído. Para Santos (2009a). a começar pelo espaço construído e transformado. mediante a contribuição da sociedade. A cidade é um lócus que – por razões sociais. como é o caso dos moradores das áreas de ressacas da cidade de Macapá.38 oportunidade de morar em local apropriado. ou não. de acordo com os diversos níveis. tanto dentro de uma mesma formação social. estabelecendo o uso do solo. Segundo Santos (2009a). respondendo a essas determinações. assim favorece concentrações e marginalizações. reorganizado. Daí a importância do entendimento de todo processo de uma formação social. ao estimulo as diversas atividades. que atinge diferentes atores econômicos. Quando o Estado intervém nas relações de trabalho é mais claramente verificado esse tipo de enfoque. 2. e da forma como. o processo produtivo. Essa variação é observada pelas heranças do passado. de ter acesso a água tratada ou saneamento básico. o espaço urbano é.

característica de um . ainda que revistam formas econômicas. “Urbano designaria então uma forma especial de ocupação do espaço por uma população. a cerca da estrutura da população ativa e das divisões administrativas percebe-se a evolução constante das transformações dos indicadores que essas diferentes atividades geram em cada sociedade. Logo. diferenciando-as cada vez mais segundo suas estruturas produtivas e sociais que determinam sua organização do espaço. pois assim possibilita a compreensão do que significam o espaço construído e suas características. Essas relações são consideradas relações políticas. apresentando uma variação de tipos de ocupação do espaço. tendo como correlato prévio uma diferenciação funcional e social maior”. A sociedade moderna produz um sistema de valores e uma forma especifica de organização do espaço. atitudes e comportamentos denominado “cultura urbana”. O fenômeno urbano gera o que chamamos de urbanização e de acordo com o pensamento de Castells (2000) pode-se distinguir dois termos na tentativa de sua definição: Concentração espacial de uma população a partir da dimensão e de densidade e a Difusão do sistema de valores. que é a cidade. como dados indispensáveis na complexidade da caracterização do espaço urbano. 2000. assim como uma realidade em transformação. bem como a capacidade do exercício da sua cidadania e o desempenho de sua função na realidade urbana. a saber o aglomerado resultante de uma forte concentração e de uma densidade relativamente alta.40). Deve-se associar uma economia política da cidade e o conhecimento dos efeitos da divisão do trabalho sobre as condições locais do mercado. O entendimento da população presente neste espaço gera reflexões das relações com características do espaço analisado. culturais ou outras. Porém.39 Percebe-se também a importância da localização dos atores sociais. E sim se deve buscar compreender como se apresenta o problema da urbanização nas cidades contemporâneas. p. Santos (2009a) e Castells (2000) consideram a necessidade de uma reflexão sobre a evolução de uma sociedade por meio do desenvolvimento produtivo. (CASTELLS. como dados concretos da realização social e econômica. no que se refere ao processo da divisão do trabalho. Santos (2009b) considera que apenas o estudo da divisão social do trabalho e da divisão territorial do trabalho são insuficientes para as tarefas de analise e do planejamento urbano e metropolitano. Castells (2000) argumenta que as questões do espaço e da cultura não podem construir uma única definição da urbanização. De acordo com a visão funcionalista. Enfatiza-se neste trabalho a importância do desenvolvimento dessas relações advindas desta “cultura urbana” que trata de todo um sistema cultural de uma sociedade industrial capitalista.

a complexidade social trazida pelo processo de apropriação e reinvestimento do produto do trabalho. Há uma íntima ligação entre rede urbana e rede . territoriais e também ambientais. assim como analisar os elementos funcionais. econômicas. como uma rede urbana. no qual uma proporção significativa da população se concentra sobre certo espaço. Segundo Castells (2000). Para Castells (2000). culturais. aumentando as forças produtivas. a problemática atual da urbanização pode ser caracterizada pela aceleração do ritmo da urbanização no contexto mundial. onde se constituem aglomerados funcionais e socialmente interdependentes (do ponto de vista interno). A rede urbana. demonstra a diferenciação entre as formas espaciais das sociedades modernas. pela concentração deste crescimento urbano nas regiões ditas “subdesenvolvidas”. A existência de uma heterogeneidade social e funcional. que gera um sistema social (urbano e rural) ligados no âmago do processo de produção. comércio e industrialismo. A desordem urbana surge da ausência de controle social de todas atividades desenvolvidas neste sistema capitalista. sociais. a indústria e o processo de urbanização.40 pensamento marxista em suas análises. já que consiste em uma evolução e conservação das riquezas materiais e econômicas de um país. no qual possui uma cultura urbana industrial que representa a organização espacial proveniente do mercado. ou seja. éticas. Ajuda a entender as transformações ocorridas na sociedade. meios de transporte. especificamente na cidade. pelo aparecimento de novas formas urbanas. A noção de desenvolvimento abrange um nível técnico econômico. um processo de transformação qualitativa das estruturas sociais. a noção de urbanização refere-se ao processo. Seguindo a analise dos caminhos produtivos: artesanato. a localização de cada indivíduo na sociedade que demonstra a posição financeira de cada um. buscando manter um equilibrio entre todos os aspectos. a matéria-prima. O desenvolvimento econômico de cada sociedade demonstra dados fundamentais no entendimento do processo de urbanização. principalmente das grandes metrópoles. manufatura. o sistema de cidades. como as dimensões politicas. e numa relação de articulação hierarquizada. e finalmente pela relação do fenômeno urbano com as novas formas de articulação social provenientes do modo de produção capitalista que tendem a ultrapassá-lo. favorecendo as condições de bem estar e a qualidade de vida dos habitantes. possui significados diversos segundo as diferenciações de classes sociais. A análise da urbanização está ligada à problemática do desenvolvimento.

As condições existentes em cada região determinam as desigualdades no valor de cada individuo. isto é. alagados. ao mesmo tempo em que a maioria da população era excluída. visto que o que importa é a defesa de interesses ligados à propriedade. várzeas ou mesmo nas planícies. os que podem utilizar todos os recursos aí presentes. concentradas em morros. a rede urbana é uma realidade onírica. direcionada aos morros e favelas da cidade. desde o surgimento do trabalhador livre. Para estes. Para Santos (2007. para assim conseguir uma posição melhor no mercado. do lugar onde vive. funcionando segundo as contradições das classes sociais que tem sua própria demarcação territorial. constantemente regredir na escala de valores. o Brasil possui um contingente humano significativo. que em sua maioria ficou sem o acesso a direitos sociais e civis básicos. embora também seja uma realidade objetiva. tornados fluxos. os que. Tudo isso deve mudar em nome do que chamamos de cidadania. p. Na outra extremidade. porém apenas poucos podem adquirir. diz que as reformas urbanas. são os prisioneiros do lugar. O espaço é uno e global ao mesmo tempo. que desconhecem o destino que vai ter o resultado do próprio trabalho. tornando-o negativo e gerando um forte impacto social e ambiental. ampliando ainda mais as desigualdades sociais.. tais como. . 2000). saneamento e outros (MARICATO. Maricato (2000) em seu estudo sobre o processo urbano no Brasil. O que se percebe é que o crescimento urbano sempre se deu com exclusão social. realizadas nas diversas cidades brasileiras entre o período histórico entre o século XIX e princípio do XX geraram as bases de um “urbanismo moderno à moda da periferia” Eram construídas obras de saneamento básico e embelezamento paisagístico. marcadas segundo Maricato (2000) por uma “pobreza homogênea”. contribuindo para o pensamento da forte influência do externo. A partir da década de 80. Entre as décadas de 80 e 90. dos preços e das carências locais. podem sair à busca daqueles bens e serviços que desejam e podem adquirir.140): [. pertence ao domínio do sonho insatisfeito. Progredir nesta sociedade de consumo é. nas relações mercantilizadas. o trabalho dos outros se transforma. A defesa da valorização da propriedade individual. seja porque são atingidos pelos fluxos que. moradia. cada um no seu nível se defende dos outros. há os que nem podem levar ao mercado o que produzem. tornado mercadoria.. a concentração da pobreza é vista como urbana. houve um aumento nas taxas de crescimento demográfico que superaram o crescimento do PIB. com a recessão que se seguiu. num extremo.] Há. previdência social. legislação trabalhista. pobres de recursos. sobre o seu valor. seja porque eles próprios. implantaram bases legais para um mercado imobiliário seguindo os moldes capitalistas.41 de serviços.

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“A tragédia urbana brasileira não é produto das décadas perdidas, portanto. Tem suas raízes muito firmes em cinco séculos de formação da sociedade brasileira, em especial a partir da privatização da terra (1850) e de emergência do trabalho livre (1888)” (MARICATO, 2000, p.24). O padrão de urbanização brasileiro, apresenta um crescimento nas grandes metrópoles do país, principalmente aquelas que se encontram em regiões de grande fluxo migratório, como é o caso do norte e do centro-oeste, comparando com as cidades com mais de 1 milhão de habitantes, como São Paulo e Rio de Janeiro. Maricato (2000) considera que as periferias das metrópoles cresceram mais que os núcleos centrais, o que gerou um aumento nas regiões pobres do país. Durante todo o século XX, é visível a complexidade da dinâmica do processo de urbanização no Brasil. O crescimento da construção de gigantescas cidades, parte de um desenvolvimento desordenado, meio que fora da lei, sem participação dos governantes e financiamento significativo, como diz Maricato (2000). A ilegalidade na ocupação do solo cresce nas cidades por conta da ausência efetiva de um controle urbanístico adequado ao seu desenvolvimento. A Legislação Urbana parece invisível em certas localidades das cidades, nas construções e uso do solo urbano, há uma aplicação discriminatória da lei, comportamentos corruptos são visíveis nestas relações, que incentivam cada vez mais a destruição ambiental das grandes cidades brasileiras.
No Brasil, milhares de trabalhadores não conseguem pagar sequer pelas localizações piores e mais baratas e são obrigados a invadir terrenos. Com a invasão não se paga pela localização, não se paga para ocupar um ponto da crosta terrestre. É a única alternativa para quem a classe dominante não oferece possibilidade de se obter nem casa, nem emprego, nem salário digno. Não precisando pagar, é claro que preferirão invadir terrenos melhor localizados, mais “perto”. Perto dos locais de emprego, de subemprego e de biscate (VILLAÇA, 1986, p.54).

As pessoas preferem morar próximo do local de suas atividades ocupacionais sejam empregos ou subempregos, como os serviços prestados por esta classe social; do flanelinha à empregada doméstica etc. A questão do deslocamento é um dos pontos essenciais para a vida na sociedade atual. A efetiva ação de um planejamento urbano, adequado no que se refere ao transporte, principalmente entre o local de moradia e de trabalho, não pode ser descartada para a sobrevivência na cidade, em especial nos países menos desenvolvidos. Villaça (1986) diz que o homem urbano necessita fazer infinitos deslocamentos, em geral cansativos, principalmente para a população mais carente de recursos econômicos, que cada vez sofre

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com o aumento das distâncias, devido o crescimento de novos núcleos. Esse ônus que se dá ao nível de consumo do espaço urbano, acaba não sendo distribuído uniformemente entre as diferentes classes sociais, caracterizando o processo de construção do espaço urbano.

2.3 A POBREZA URBANA

A nova realidade originada das transformações oriundas da sociedade moderna industrial encontra-se inserida num espaço com intensa complexidade em suas relações - a cidade - o mais significativo dos lugares. Na grande cidade ou metrópoles circulam grandes capitais, trabalhos, técnicas e formas de organização, que se instalam, convivem e prosperam. Segundo Santos (2009b), “a cidade grande é o espaço onde os fracos podem subsistir”. De acordo com a sua configuração geográfica, a cidade aparece como diversidade socioespacial, pois, apresenta uma biodiversidade intensa, variações nas atividades de capitais e trabalhos, ela pode acolher e atrair multidões de indivíduos pobres que deixaram o campo e as médias cidades devido à modernização na agricultura e nos serviços. O meio ambiente construído na cidade difunde rapidamente os novos capitais. E a presença das pessoas de baixa renda - pobres- aumenta e enriquece a diversidade socioespacial, onde é observado o surgimento de novos bairros e sítios tão contrastantes e novas formas de vida e de trabalho. E assim a cidade caminha para o futuro (SANTOS, 2009b, p.323). O processo de urbanização intensificou as desigualdades sociais. Nas cidades dos países em desenvolvimento, houve um crescimento de favelas, fator este ligado a pobreza urbana e aos modelos de consumo. Como defende Santos (2009b), o dinheiro não é gasto em aluguéis de casa ou até mesmo na alimentação das pessoas, elas são induzidas a preferir outros tipos de consumo, que são pagos à vista ou a crédito. No orçamento da população menos abastada há, nos valores estabelecidos entre eles, uma competição para o uso do dinheiro disponível as novas necessidades estabelecidas pelo poder midiático. E este consumo é feito exclusivamente para as famílias mais abastadas. A contradição da modernização tecnológica está na produtividade em benefício daqueles que são ricos enquanto que os mais pobres pagam bem mais o custo social dos diversos planos de desenvolvimento. O sistema econômico moderno exclui cada vez mais as pessoas de baixa renda. Tradicionalmente a economia capitalista é responsável pela má distribuição de renda e o que se percebe é que o atual modelo de crescimento econômico continua sendo injusto com

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a maioria dos individuo sociais. As desigualdades serão mantidas, por uma estrutura de produção voltada para os ramos da modernização tecnológica, aqueles mais rentáveis. Confirmando que o setor capitalista não almeja transferir uma quantidade suficiente de capital para o setor doméstico, como diz Santos (2009a). Desta maneira, o modelo de crescimento econômico atual impede cada vez mais a expansão do emprego e conseqüentemente o aumento do terceiro setor da economia urbana. Santos (2008) conceitua de “circuito inferior”, as atividades e situações de emprego resultantes de uma urbanização sem industrialização, ou seja, descrição correta das cidades dos países menos desenvolvidos.
O circuito inferior é o resultado de uma situação dinâmica e engloba atividades de serviço como a doméstica e os transportes, assim como as atividades de transformação como o artesanato e as formas pré-modernas de fabricação, caracterizadas por traços comuns que vão além de suas definições específicas e que têm uma filiação comum (SANTOS, 2008, p.201).

Nas grandes cidades dos países menos desenvolvidos proliferam novas atividades com relação ao transporte, os chamados “transportes alternativos” devido a precariedade do sistema rodoviário e o constante deslocamento de casa para o trabalho da população. Surgem as vans e os moto-táxis contribuindo ainda mais para o caos urbano. Os impostos territoriais e a elevação dos bens de consumos, expulsa a população para locais mais baratos, sem qualquer infra-estrutura e condições de moradia. Morar em localidades distantes, principalmente do trabalho, atualmente deixa a população em condições mais difíceis. Esta lógica é um dos constituidores do fenômeno da segregação espacial, elemento fundamental para a compreensão do padrão centro-periferia. Desta maneira, a moradia é um dos temas centrais e sujeitos à ação tática. Se o financiamento do governo é a forma burocrática de posse das casas, apartamentos, existem outras formas de ocupação, como a simples invasão seja de terrenos ou de prédios já construídos, mas não habitados. Assim, os invasores deverão/vão ser os primeiros a receber o financiamento público. Para Sen (2000) a perspectiva da pobreza está baseada na capacidade, quanto mais inclusivo for o alcance da educação básica e dos serviços de saúde, maior será a probabilidade de que mesmo os países considerados economicamente e politicamente mais pobres, tenham uma chance maior de superar a miséria. O Estado e a sociedade tem papéis amplos no fortalecimento e na proteção das capacidades humanas. São papéis de sustentação que se firmam no alcance da liberdade

Apesar de não ser direta a relação entre pobreza e degradação. Mas. visto ser nas proximidades da área central de Macapá. o Estado aparece com um importante papel.45 humana como fim e meio do desenvolvimento. Mesmo que suas ações produzam ainda efeitos ambíguos atualmente. Em maior ou menor intensidade. como é o caso em Macapá.d. como a contaminação ambiental dentro da própria casa. Desta forma. As prioridades das ações estatais dependem em parte de um calculo político sobre a possibilidade de um local convertido minimamente em base eleitoral. Observa-se como determinadas práticas estatais alternam-se e articulam-se simultaneamente segregação e distribuição de recursos. . visto a localização privilegiada dos domicílios. A pobreza será associada à carência em relação aos aspectos de condições de vida. oportunidades sociais. (Dar e tirar. as mulheres e as crianças são as mais afetadas devido o período maior de tempo no ambiente familiar. falta de saneamento básico e proliferações de doenças. de pele e diarréia.]. liberdades políticas. Neste estudo. como facilidades econômicas. como ao que se refere ao acesso a serviços públicos básicos. a quase totalidade das ações de um governo em qualquer parte do município levará em conta o rendimento eleitoral. Busca-se observar o modo de vida da população com relação à moradia urbana da população em foco. Segundo Ramalho [s. como as respiratória. Desta forma. ele assiste (com o mínimo de serviços públicos) a população que mora nas áreas que não deveriam ser ocupadas. porém inter-relacionados. a alternância no poder pode significar ganhos ou perdas materiais consideráveis às famílias de menor poder aquisitivo. Observa-se do ponto de vista do emprego e da renda as melhorias ou não com relação às condições de habitação. aspectos esses característicos da população mais pobre. e isto é mais característico dos lugares mais pobres. Segundo Sen (2000) os papéis instrumentais da liberdade incluem componentes distintos. ao mesmo tempo em que o Estado criou a Lei 0455∕99 promovendo o tombamento de todas as áreas de ressacas do Amapá e impondo limitações ao seu uso e ocupação do solo em seu entorno. o mecanismo social para designar a pobreza urbana é a insuficiência de renda às condições de vida adversas quanto a saneamento e educação. garantias de transparência e segurança protetora. Como exemplo: as construções inadequadas que geram degenerações ambientais no contexto urbano. o de interventor das políticas públicas direcionadas à população. seus efeitos indiretos são bem visíveis. suas políticas variam de acordo com a gestão municipal) Por exemplo.

políticos e sociais que estão interligados entre si. nas causas dos problemas ambientais na atualidade. seu poder de reflexão deve buscar mudanças significativas na prática e em seus valores sociais. E o caminho se encontra também em um processo educativo. As políticas públicas devem ser pautadas na justiça social. remoção de lixo. Porém.46 Os níveis baixos de renda e aumento do desemprego exarcebam tanto a pobreza. A pobreza e a degradação ambiental devem ser combatidas simultaneamente. por não possuir outro caminho de sobrevivência ou até mesmo pelo desconhecimento degrada o meio ambiente.d. Há muito que se fazer com relação à construção de casas. Esta situação atinge de forma mais acentuada a população pobre que. de mudanças de valores e de relação com a natureza. [s. . Ser capaz de visualizar e questionar a falta de iniciativa dos governos para implementar políticas pautadas na sustentabilidade e desenvolvimento. pois. A população das grandes cidades parece ainda estar distante do conhecimento a nível ambiental. muitas das situações de degradação são criadas pela própria população. não são somente os pobres que poluem.]). linha de esgoto para a melhoria da qualidade de vida da população. há uma vulnerabilidade global. até mesmo á nível de moradia (RAMALHO. que envolve a todos os indivíduos sociais junto a fenômenos físicos. quanto a degradação ambiental. É necessário ampliar a consciência da população. O poder estatal deve subsidiar essas famílias carentes para que melhore suas condições de habitabilidade. cujo conhecimento ainda não atingiu um nível de competência necessário para enxergar determinados aspectos que poderiam ser evitados. econômico. eliminação dos dejetos.

com repercussões sobre a vida da população e a preservação das áreas de ressacas. A busca de uma análise que integre a dimensão ambiental ao processo de tomada de decisão também é uma das preocupações da ação do Programa como resposta às políticas públicas baseadas no principio de sustentabilidade. Desta maneira. Santana e Laranjal do Jarí. Na tentativa de promover a salubridade das áreas urbanas com ocupação precária nessas três cidades do Amapá. surge o Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá que contempla um conjunto de estudos de planejamento. à proteção ao meio ambiente e à melhoria da infra-estrutura básica de saneamento ambiental. Dentro destas cidades possui como foco de intervenção as áreas de ressaca ocupadas.GEA-BID 3. Seus objetivos específicos são: . priorizando o fortalecimento institucional dos órgãos público com atuação nessas áreas. O Programa vem com a intenção de abrandar os impactos socioambientais decorrentes dos problemas de planejamento do uso e ocupação do solo em áreas de fragilidade ambiental nas cidades escolhidas. Desta forma. de forma irregular. Caracteriza-se como um programa de ações relacionadas ao ordenamento territorial. localizadas fora da área de influência de unidades de conservação. e sem envolver comunidades indígenas. após a reformulação do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá. Santana e Laranjal do Jarí que respondem por 89% da população do Estado. as áreas das intervenções se caracterizam por requalificação ambiental e urbana de áreas já antropizadas.1 O PROGRAMA GEA-BID E SEUS OBJETIVOS No ano de 2003. por populações de baixa renda com precárias condições de salubridade (AMAPÁ. garantindo respostas às condições de melhoria da qualidade ambiental urbana. projetos e obras beneficiando as áreas de urbanização precária de baixa renda nas três maiores cidades do Estado: Macapá. o Programa tem como objetivo geral a melhoria da qualidade ambiental urbana do Amapá.47 3 O PROGRAMA DA MELHORIA DA QUALIDADE AMBIENTAL URBANA DO AMAPÁ .as áreas de ressaca do igarapé Fortaleza. 2006). e contribuir para a proteção e recuperação de áreas de fragilidade ambiental . com reflexos significativos sobre a qualidade de vida da população. nas cidades de Macapá.

 Promover a requalificação da área habitacional localizada na zona portuária de Santana. estudos para criação de unidade de conservação e manejo de resíduos sólidos em áreas urbanas  Desenvolvimento Institucional: apoio aos executores da política ambiental e urbana. A fase de preparação do Programa GEA/BID contou com o apoio sistemático do Banco Interamericano de Desenvolvimento -BID. em especial. mediante o planejamento e a implementação de ações e projetos para a melhoria.esgotamento sanitário. drenagem pluvial. além do componente de gerenciamento – obrigatório para qualquer programa de financiamento do BID. reabilitação e ampliação dos sistemas de abastecimento de água. a definição de instrumentos de controle.48  Melhorar as condições de saneamento ambiental das cidades beneficiadas. As cidades de Macapá. ADAP – que será responsável pelo amplo processo de articulação interinstitucional. com ênfase no fortalecimento da SEMA.e seus órgãos vinculados. mediante o planejamento e implementação de ações que venham a constituir um projeto piloto para a recuperação de áreas úmidas e de ressacas com ocupação urbana. Santana e Laranjal do Jarí são as áreas de atuação do . ADAP e SEINF . O Programa possui quatro componentes de intervenção. a baixada do Ambrósio.UEP no âmbito da Agência de Desenvolvimento do Amapá.visando à criação de mecanismos de controle da gestão territorial. O Governo do Estado criou uma Unidade de Execução . Na estrutura abaixo é possível visualizar a relação entre os componentes e os objetivos do Programa:  Melhoria do Saneamento Ambiental Urbano: contempla estudos de planejamento dos sistemas de saneamento ambiental .  Recuperação e Proteção de Áreas Úmidas e de Ressacas: contempla estudos ambientais para recuperação de áreas de ressaca e visando à preservação das áreas ainda não ocupadas e intervenções para melhoria da urbanização na área portuária de Santana em caráter emergencial. as intervenções de melhoria imediata (fase 1) e a recuperação e ampliação dos sistemas a serem executados na fase 2. envolvendo o próprio Governo do Estado e as prefeituras dos municípios escolhidos (AMAPÁ.  Contribuir para a recuperação e proteção de áreas úmidas e de ressacas ocupadas e/ou sob pressão de ocupação urbana nas cidades beneficiadas.Planos Diretores e Estudos de Concepção dos sistemas . 2006).  Gestão Urbana e Ambiental: contempla a elaboração de planos diretores urbanos. e manejo integrado de resíduos sólidos.

apenas esses três possuem mais de 20. . possuidora de grande importância ecológica (AMAPÁ. Suas condições naturais abrigam ecossistemas de grande diversidade física e biótica. A cidade de Macapá e Santana situam-se aproximadamente a 200km de distancia do encontro do rio Amazonas com o oceano Atlântico. constituindo verdadeiros bairros. seguindo o traçado do chamado Braço Norte de seu delta.tanto nas áreas consolidadas como na área de expansão. gera uma significativa variação de nível do rio nessas localidades. a ocupação desordenada do espaço urbano. Dos dezesseis municípios do Estado do Amapá. de 3. Segundo o RAAE (AMAPÁ. as águas do Amazonas penetram pelos igarapés e canais que desembocam no Braço Norte. com alto grau de complexidade das interações entre seus componentes e dotadas de mecanismos próprios de preservação. mercê do efeito da maré.49 Programa. especialmente em torno das três cidades de Macapá. Apesar disso. A densidade populacional é muito baixa e a população está concentrada nas áreas urbanas. com os intervalos da maré. as principais vulnerabilidades identificadas na gestão territorial durante a avaliação ambiental estão associadas a baixa cobertura e qualidade dos serviços de saneamento ambiental. estão fortemente antropizadas situando-se dentro do perímetro urbano atual de Macapá e Santana. agravada com a ocupação de áreas de fragilidade ambiental. com 89% da população do Estado e ocupando áreas onde predominam os cerrados e as várzeas na embocadura do rio Amazonas. por serem áreas possuidoras de fragilidades ambientais. o qual banha toda a linha de limítrofe do Estado. entre os extremos Sul e Leste. os problemas ambientais se concentram nessas áreas urbanas . Assim. associados a esse fluxo da água (e descarga sólida) entrando e saindo. De acordo com as características demográficas do Estado. como condição de contorno do escoamento fluvial. 2006). em termos de capacidade. sendo assim obrigados a terem suas políticas públicas orientadas por Planos Diretores de Ordenamento Territorial e de Desenvolvimento Urbano (AMAPÁ. com amplitude máxima mesurada em Macapá. porém.72m. Esse processo natural renova as águas de diversas lagoas da região. 2006). 2006). como é o caso da Lagoa dos Índios que se encontra na área urbana da cidade de Macapá. o efeito de maré. 2006). do distante oceano Atlântico. De acordo com Relatório de Avaliação Ambiental Estratégica – RAAE (AMAPÁ. o Amapá possui sua cobertura florestal bastante preservada com um índice de desmatamento de apenas 2% do território. como as ressacas e a fragilidade institucional dos governos estadual e municipal. As áreas de ressacas são localidades centrais do Programa. construídos em grande parte sobre palafitas. Muitas dessas áreas. invertendo o sentido do fluxo da água. Santana e Laranjal do Jarí.000 habitantes.

será desenvolvido em duas fases: a primeira terá ênfase na identificação de alternativas técnicas de saneamento. Essa estratégia visa assegurar a escolha das soluções adequadas às especificidades do Estado. 2006). drenagem e coleta e destinação de resíduos sólidos. e US$ 42. para a elaboração de um Plano de Reassentamentos. no fortalecimento da gestão ambiental e do saneamento urbano.  Intervenções físicas que possibilitem a reabilitação e ampliação dos sistemas de abastecimento de água. de caráter . na criação de instrumentos de proteção ambiental das áreas sensíveis e nas intervenções emergenciais de ordenamento e salubridade de áreas urbanas de ressacas. de modo geral. correspondendo a 60% do montante total (AMAPÁ. de planos setoriais para os diversos componentes do Saneamento Ambiental. deve propor a alocação de US$ 28. e também. como a elaboração de planos diretores de ordenamento territorial e desenvolvimento urbano e seus instrumentos. em destaque: as consultas públicas junto à comunidade do Beirol. mediante acordo de empréstimo. contemplando as remoções necessárias para as intervenções da primeira fase do Programa. Os resultados obtidos na primeira fase caracterizarão os denominados “acionadores” da segunda fase. esgotamento sanitário. foi identificada por trabalhos de mobilização e consulta às comunidades locais.0 milhões deverão provir do BID.50 O Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental GEA/BID possui um investimento total de US$ 70. o Programa prioriza:  Estudos de planejamento para uma efetiva gestão do ambiente urbano das cidades abrangidas. bem como o cumprimento de mecanismos de controle ambiental e urbano imprescindíveis ao êxito das ações objeto do empréstimo. de modo a prevenir que novas situações de risco não se instalem e que os investimentos realizados sejam duradouros. 2006). durante o processo de sua preparação ficou acordado que. para a elaboração das propostas de intervenções integradas na Zona Portuária de Santana e as consultas realizadas pela UEP/BID. Tendo em vista a complexidade e a diversidade do Programa. na segunda. em Macapá. dividido em duas fases. Segundo o Relatório de Avaliação Ambiental Estratégica. com aplicação em Macapá (bacia do canal do Beirol) e Santana (Baixada do Ambrósio). A estratégia de ação do Programa vem também para dotar o Estado de mecanismo de efetiva gestão territorial. segundo o Relatório de Avaliação Ambiental Estratégica (AMAPÁ.0 milhões. a fase inicial de preparação do Programa GEA/BID. urbana e ambiental. onde o programa promoverá a continuidade das ações da primeira fase e realizará obras de saneamento ambiental.0 milhões. Assim. no período do ano de 2006. em contrapartida. O Governo do Estado. consultas à comunidade do Ambrósio.

SEMA.ordenamento territorial e proteção ao meio ambiente. 4. Estudos Ambientais das Intervenções em Drenagem Urbana de Macapá – Relatório de Controle Ambiental. o Governo do Estado do Amapá. 8. 10. em Macapá. 9. 2006). e 3. destacando-se: a Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Estudos e Diagnóstico Simplificado dos Sistemas de Drenagem de Macapá. 2concepção dos sistemas de saneamento a serem adotados. nas seguintes áreas: 1. Estudos de Concepção dos Sistemas de Abastecimento de Água de Macapá. Projetos Básicos de Intervenções em Drenagem Urbana de Macapá (Obras préselecionadas para a Fase 1 do Programa BID. contaram com a participação direta dos órgãos estaduais e municipais. o Instituto de Estudos e Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá. Plano Estratégico da CAESA – Projeto de Desenvolvimento Empresarial. Segundo o Relatório de Avaliação Ambiental Estratégica (2006). CAESA (vinculada à SEINF). a Companhia de Água e Esgoto do Amapá. SEINF.avaliação institucional dos órgãos co-executores.51 mais abrangente. Programa de Controle e Combate às Perdas de Água na CAESA. As avaliações e estudos iniciais. 7. Santana e Laranjal do Jarí e de Esgotamento Sanitário de Macapá. 2006). Estudos Ambientais das Intervenções em Esgotos de Macapá – Relatório de Controle Ambiental. conduzidos pela ADAP. 5. Segundo o RAAE (AMAPÁ. Estudos de Concepção de Drenagem Urbana de Macapá (abrangendo as bacias dos canais do Jandiá. durante a missão de identificação e demais visitas técnicas realizadas por consultores foram identificados os estudos necessários à definição do Programa. Perpétuo Socorro e Beirol). envolvendo as comunidades direta ou indiretamente nas três cidades afetadas pelo Programa. 2. IEPA. Santana e Laranjal do Jarí. contratou a elaboração de diversos estudos de planejamento e projetos de Engenharia. . tais como: 1. 3. em articulação com o BID. Projetos Básicos de Intervenções em Água e Esgotos (obras pré-selecionadas para a Primeira Fase do Programa BID). e as Prefeituras de Macapá Santana e Laranjal do Jarí e suas respectivas Secretarias Municipais (AMAPÁ. 6. Estudos Urbanísticos para a requalificação urbana do bairro Cidade Nova. a Secretaria de Estado da Infraestrutura.

As ações estratégicas para a melhoria das condições de vida da população urbana do Estado e promoção da gestão territorial em bases sustentáveis foram agrupadas em quatro grandes linhas cujas ações e intervenções devem ser desenvolvidas de modo integrado: Melhoria do Saneamento Ambiental Urbano. Compreender e caracterizar o contexto legal e institucional em que se insere o . antes e após a tomada de decisão do empréstimo (AMAPÁ.  Identificar momentos críticos. 13. 2006). de modo a permitir que correções de rumo quanto a eventuais impactos negativos sejam apropriadamente tratadas em tempo hábil em todas as fases do Programa. a partir de uma visão das potencialidades e vulnerabilidades ambientais. Este Relatório deve apresentar as informações sobre as conseqüências socioambientais das diferentes intervenções. Gestão Urbana e Ambiental e Desenvolvimento Institucional (AMAPÁ. 2006). 12. Segundo o RAAE (AMAPÁ. Os estudos realizados embasaram a tomada de decisão sobre as linhas de atuação do Programa. benefícios e riscos ambientais de modo a poder preveni-los e ou mitigá-los. e destes com a efetiva resolução dos problemas ambientais da área do Projeto.   Projeto. Desenvolvimento do Arranjo Institucional para a Prestação de Serviços de Limpeza Urbana nos Municípios de Macapá e Santana.52 11. 14. as relações entre os diferentes componentes. Manual de Procedimentos do Programa GEA/BID. Os objetivos dessa avaliação ambiental são:  Entender. 2006). Manual de Organização do Programa GEA/BID. a avaliação ambiental dos diversos componentes Prover mecanismos de controle social e divulgação das informações sobre o Assegurar que as questões ambientais sejam avaliadas no processo de decisão.  Projeto. Recuperação e Proteção de Áreas Úmidas e de Ressacas. Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) e Sumário Executivo. Projeto de Requalificação Urbana e Ambiental na área Habitacional da Zona Portuária da Baixada do Ambrósio – Santana – Amapá. O Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID tem como exigência a produção do Relatório da Avaliação Ambiental Estratégica – RAAE que visa a assegurar que as soluções apresentadas guardem relação direta com a resolução dos reais problemas de gestão territorial do Estado do Amapá. ou seja. Estado do Amapá. 15.

as quais são comuns nas áreas de ocupação irregular das cidades contempladas no Programa. As intervenções. decorrente da implantação do conjunto de obras de infra-estrutura. O Programa tem como ação principal a melhoria das condições de vida da população urbana das áreas foco do programa por lhes conferir maior salubridade.  Redução de doenças de veiculação hídrica e dos indicadores de saúde em função da melhoria das condições sanitárias. urbana e do saneamento ambiental e da utilização de mecanismos de controle social. por meio do controle das enchentes urbanas e proteção de atributos ambientais estratégicos das áreas de igarapés e ressacas dos tributários do rio Amazonas. por meio da ampliação do abastecimento de água potável. conseqüentemente. O Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental GEA/BID tem como benefícios:  Aumento da oferta de água tratada e. Dentre estes. Os impactos indiretos definidos na avaliação das intervenções procedidas no âmbito do RAAE seguirão trâmites ajustados com a comunidade e os órgãos do governo. decorrente da implantação e melhoria dos serviços de esgotamento sanitário e de drenagem pluvial. tendo sido constatado efeitos benéficos sobre a saúde da população alvo do Programa.  Melhoria da urbanização e paisagismo da área de projeto. não deverão degradar áreas protegidas ou contribuir para o desmatamento. como no caso a Lagoa dos Índios. destinação adequada de resíduos sólidos.53 do Programa torna-se positiva. com ações de fortalecimento da gestão ambiental. ao mesmo tempo em que se criam as condições de efetivo controle da gestão territorial.  Melhoria da qualidade da água dos corpos d’água urbanos. também. redução do uso de soluções precárias para abastecimento. atendendo aos requisitos da legislação brasileira e de acordo com a proteção e garantia do BID (AMAPÁ. . paralelamente à implementação do programa de educação ambiental e sanitário junto à população. Observa-se aqui um investimento na recuperação de um passivo ambiental e social. 2006). o conjunto da população urbana das cidades envolvidas. melhoria da salubridade e habitabilidade das moradias e dos espaços coletivos urbanos. bem como em melhoria ambiental das áreas de ressaca seja pela retirada de população diminuindo a pressão sobre o ecossistema e pela criação de uma Unidade de Conservação em área ainda não antropizada. sendo relevante destacar que não existem populações indígenas envolvidas no Programa.

decorrentes principalmente das atividades inerentes à execução de obras de melhorias urbanas na área portuária de Santana (Ambrósio) e de implantação de infra-estrutura de saneamento ambiental em áreas urbanas localizadas em ecossistemas de ressacas. como o caráter original exigido para soluções de fixação de populações em áreas de ressaca garantindo qualidade de vida à população e preservação do frágil ecossistema. por meio de ações de controle e monitoramento. especialmente. estão localizadas em áreas de risco ambiental. 2006) analisou os possíveis impactos ambientais potenciais (positivos e negativos) das intervenções a serem apoiadas pelo Programa. previsão e classificação de impactos. De forma geral. e nas exigências legais (federal e estadual). A estratégia de divisão do Programa em fases apresentou-se como oportuna segundo o RAAE (AMAPÁ. De acordo com a Política Ambiental do BID OP-703. em seguida pela ausência de estudos sobre a realidade local que de forma previa pudesse fundamentar as soluções adequadas. Os impactos sociais negativos estão associados ao reassentamento de população urbana que. Levando em consideração. somados ao fortalecimento institucional concebido como Componente do Programa. e. a Política de Disponibilização de Informações do BID (OP-102) onde se incluem os processos de consulta e a Política de reassentamento involuntário do BID . reversíveis e temporários. 2006). Além do RAAE.54  Melhoria das condições de proteção e conservação de recursos naturais e de preservação da biodiversidade. e supervisão e cumprimento de medidas mitigadoras. de modo a assegurar a qualidade ambiental do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental GEA/BID. existe o Plano de Gestão Ambiental e Social – PGAS que trás Projetos Ambientais. 2006). buscam minimizar os possíveis impactos negativos identificados e maximizar os efeitos positivos das intervenções do Programa. . O PGAS prevê programas de caráter socioambiental que. Está fundamentado na avaliação ambiental consubstanciada no RAAE. e 2. atualmente. o Programa aciona as seguintes salvaguardas ambientais e sociais: 1. 2006) para enfrentar as especificidades da problemática ambiental urbana do Estado do Amapá em razão de um conjunto de características.OP 710 (AMAPÁ. finalmente pela fragilidade dos órgãos gestores envolvidos tanto no âmbito do Estado quanto dos municípios. Este Plano contempla as exigências estabelecidas nas políticas do BID.Avaliação Ambiental . os impactos negativos são localizados. O RAAE (AMAPÁ.Habitats Naturais e sítios culturais.cumprimento da legislação e das regulações nacionais. referentes ao licenciamento e ao monitoramento ambiental das obras previstas no Programa (AMAPÁ.

por meio de contratação de pessoa jurídica. O Programa Educação Sanitária e Ambiental e de Mobilização Social visa a promover ações voltadas ao apoio do reassentamento involuntário das comunidades do Ambrósio e do Beirol. visando a otimizar sua atuação por meio da inserção de temáticas de saneamento e conservação ambiental nos processos comunicativos e ampliação de sua função informativa. da qualidade dos recursos hídricos e na preservação das espécies associadas aos ambientes úmidos e aquáticos. ainda. canal de recebimento de dúvidas e eventuais reclamações a serem enviadas à gestão ambiental. O programa basicamente pretende: dotar a SEMA de recursos materiais necessários à realização de ações de educação ambiental no âmbito do programa. Para implementação das ações e intervenções de melhoria ambiental das áreas de ressaca promovendo a melhorias na qualidade de vida da população será necessário proceder . e também nas questões de relacionamento com os organismos licenciadores. Este Programa deve. interrupção temporária de redes de infra-estrutura. Programa de Monitoramento da Qualidade dos Recursos Hídricos. especialmente quando do início das obras. como fechamento de tráfego. e desenvolver as ações de educação ambiental do projeto – com foco na etapa de reassentamento involuntário das comunidades do Ambrósio (no município de Santana) e do bairro Beirol (em Macapá). que passa a dispor de um mecanismo capaz de suprir suas necessidades de gestão ambiental no que se refere aos projetos de engenharia e execução das obras. e destacando o reflexo dessas ações na melhoria da saúde pública. as ações e os resultados esperados com a implantação do Programa nas áreas do saneamento ambiental e da preservação do meio ambiente. O Sistema de Gestão Ambiental do Programa é responsável pelo gerenciamento e acompanhamento de todas as ações socioambientais previstas no Plano de Gestão Ambiental e Social a serem desenvolvidas durante a execução do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá. Programa de Educação Sanitária e Ambiental e de Mobilização Social. Programa de comunicação social. considerar os mecanismos de comunicação já estabelecidos na área diretamente afetada.55 O PGAS é composto pelos seguintes programas:       Sistema de gestão socioambiental do Programa. especialmente as áreas úmidas. Com relação ao Programa de comunicação social este busca divulgar os objetivos. Programa de Reassentamento Involuntário Manual Ambiental de Construção.

MAC surge para servir como . Por outro lado. Desta maneira. os quais atualmente encontram-se submetidos às ações antrópicas como o lançamento de esgoto bruto e de lixo. a fase de obras. as intervenções propostas potencialmente poderão desencadear alterações nas condições naturais dos corpos d’água das sub-bacias afetadas. é necessário implementar o monitoramento da qualidade do efluente da ETE de Macapá. 2006). O monitoramento do efluente da ETE e do corpo d’água receptor possibilitará verificar o atendimento aos padrões de lançamento e padrões de qualidade da água estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 357/05. e assoreamento por material carreado das vias não pavimentadas. em Santana. para criar as condições necessárias a implantação das obras na segunda fase. Em face dos potenciais impactos ambientais e pela necessidade de acompanhar os benefícios esperados na qualidade da água dos cursos d’água das bacias contempladas no Programa. principalmente em relação à qualidade das águas (AMAPÁ. Faz-se necessário. bem como para identificação de eventuais problemas operacionais. deverão ser desenvolvidos mais dois PER: um para o Canal do Perpétuo Socorro e outro para o Canal Jandiá.56 o remanejamento de população nas áreas alvo das cidades de Macapá e Santana – especificamente. e a Baixada do Ambrósio. estando previsto um prazo de execução de 12 meses. bem como aos padrões de balneabilidade estabelecidos pela Resolução CONAMA nº274/00. Segundo o Relatório da Avaliação Ambiental Estratégica (AMAPÁ 2006). atingindo parte da população do Canal do Beirol e da Baixada do Ambrósio. Na segunda fase. para o Canal do Beirol. para que estes impactos serem manejados com critérios e métodos adequados de construção. na primeira fase do Programa. 2006). que será implantado na fase inicial do Programa. A responsabilidade pela implementação deste Programa é da UEP/ADAP. com a coordenação do especialista social. considera-se justificável a proposição e implementação do Programa de Monitoramento da Qualidade da Água. a elaboração de um Plano de Diretor de Remanejamento de População e Atividades Econômicas – PDDR. O Programa de Melhoria Qualidade Ambiental do Amapá têm como uns dos principais objetivos a melhoria da qualidade da água dos recursos hídricos urbanos. segundo o RAAE (AMAPÁ. Devido os impactos promovidos pela implantação da infra-estrutura no âmbito do Programa. na primeira fase do Programa. O Manual Ambiental da Construção. ainda que sejam aplicadas todas as medidas de controle ambiental no desenvolvimento das obras. em Macapá. como forma de acompanhar a eficiência do processo de tratamento. implantar-se-ão os Projetos Específicos de Reassentamento – PER.

Sua implantação é de responsabilidade da UEP (AMAPÁ.2. Decreto nº 3009/98).57 um guia de práticas ambientais adequadas a serem obedecidas pelas empresas contratadas para a execução das obras. A LEGISLAÇÃO AMBIENTAL E AS CONDIÇÕES DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL PARA O CUMPRIMENTO DO PROGRAMA GEA/BID De acordo com o Relatório da Avaliação Ambiental Estratégica (AMAPÁ. dentre eles. Santana e Laranjal do Jarí em áreas já antropizadas sem interferências com Unidade de Conservação Federal. por meio de seus instrumentos. Estadual ou Municipal.  Licença de Instalação (LI) – autoriza o início da instalação do empreendimento ou atividades. o licenciamento ambiental. troncos coletores e emissários de . de acordo com as condições do projeto executivo. A base legal do processo de licenciamento ambiental está definida no Código de Proteção ao Meio Ambiente (Lei Complementar nº005/94. 3. por meio da Resolução nº 001/99. os critérios de caracterização dos empreendimentos potencialmente causadores de degradação ambiental. Devido a inexistência do processo de municipalização do licenciamento ambiental no Estado do Amapá e dadas as condições de não envolvimento de Unidades de Conservação Federais a avaliação ambiental indica que a liderança do licenciamento ambiental deverá ser do Gestor Ambiental Estadual com a devida participação de órgãos municipais e do IBAMA.  Licença de Operação (LO) – expedida após verificação do cumprimento do previsto nas Licenças Prévias e de Instalação. Segundo o Sistema Estadual de Meio Ambiente – SIEMA compete à SEMA a execução da política ambiental do Estado. Por conseguinte deve ser incorporado aos processos de licitação para que as empresas tenham prévio conhecimento de suas exigências e que o cumprimento do Manual deverá ser uma exigência contratual. 2006):  Licença Prévia (LP) – expedida na fase inicial do planejamento do Programa. 2006). autorizando o início do empreendimento ou atividade. as ações e intervenções previstas no Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá estão centralizadas nos municípios de Macapá. para fins de exigência de estudos ambientais. Conforme a fase de implantação. a SEMA poderá emitir para as atividades ou empreendimentos (AMAPÁ. O Conselho Estadual de Meio Ambiente definiu. contendo os requisitos básicos que devem ser atingidos para sua viabilidade. 2006). Dentre esses empreendimentos podese destacar: estradas de rodagem pavimentadas ou não.

como a Florestas Densas de Terra Firme. FÍSICAS E BIÓTICAS DAS ÁREAS DE INTERVENÇÃO DO PROGRAMA GEA/BID Existem dois padrões primordiais. garimpagem e desmatamento descontrolado proveniente da colonização espontânea e mais recentemente pelos assentamentos rurais. E com relação as Secretarias Municipais de Meio Ambiente mesmo desenvolvendo suas ações na área de fiscalização. 2006). Durante a execução dessas obras e.PRAD e Plano de Controle Ambiental – PCA. segundo o Relatório da Avaliação Ambiental Estratégica (AMAPÁ. 2006) para caracterizar a cobertura do estado do Amapá. para fins de licenciamento ambiental junto à SEMA. a SEMA também será o órgão responsável pela fiscalização e monitoramento (AMAPÁ. Porém. obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos. Esse ecossistema apresenta marcas de degradação decorrentes principalmente. O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental da cidade de Macapá avançou no sentido de estabelecer um Sistema Ambiental Municipal. as formações tipicamente florestais. Floresta de Várzea e Manguezais e formações campestres. eles podem ser mais detalhados e incluírem. posteriormente. A forma de realização das audiências públicas para apresentação de EIA e RIMA está definida pela Instrução Normativa nº001/99 As intervenções contempladas no Programa caracterizam-se basicamente como obras de saneamento e obras de urbanização.RIMA estejam definidos na Instrução Normativa nº002/99.58 esgotos sanitários. de práticas de extração seletiva de madeira. 2006). A Floresta de Terra Firme é o ecossistema de maior representatividade. 3. e deverão ser objeto de estudos ambientais. segundo RAAE (AMAPÁ. que atualmente são definidos pela SEMA. . como os Cerrados e Campos de Várzea Inundáveis ou Aluviais.EIA e Relatório de Impacto Ambiental . não dispõe de capacitação e de recursos humanos que possam incorporar novas atribuições a cerca de educação ambiental. mineração. aterros sanitários. construção de estradas. 2006).3 AS CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS. ocupando mais de 70% da superfície do estado (AMAPÁ. outros estudos ambientais como Planos de Recuperação Ambiental . Embora os critérios técnicos para elaboração e análise de estudo de Impacto Ambiental . 2006) o plano ainda não dispõe dos instrumentos necessários à sua efetiva implementação. e destino final de resíduos tóxicos (AMAPÁ. Constitui um dos principais potenciais produtivos. após a conclusão. ainda.

seringueira. inclusive pelo perfil da ocupação econômica. distantes das margens do Rio Amazonas onde estão Macapá.8 milhões de hectares localizado ao norte do estado. representando o ambiente típico da bacia amazônica. influenciados diretamente pelas marés do rio Amazonas. lagos temporários e permanentes. Segundo o Relatório da Avaliação Ambiental Estratégica (AMAPÁ. macacaúba. como o açaizeiro. 2006). apresentando alta produtividade primária e significativa riqueza e diversidade de fauna em terra firme. 2006). O Estado se destaca também por ter um baixo índice de desmatamento.2006) a paisagem apresenta espécies de alto valor produtivo e importância socioeconômica e cultural. numa faixa que se estende de norte a sul. onde se vê predominar as populações ribeirinhas. Santana e Laranjal do Jarí. 2006). ao longo do estado do Amapá pertence à Bacia Amazônica. aproximadamente. 2006). 2006) O Cerrado ocupa aproximadamente 6. andiroba. Sofre grande intervenção antrópica por cultivos florestais homogêneos. Os Manguezais formam um ecossistema bem delimitado ao longo da região costeira. Tem sua natureza de origem aluvial é submetido a regimes flúvio-pluviais ligados a um complexo sistema de drenagem que envolve cursos d’água. entre outras. Suas unidades de conservação e áreas indígenas encontram-se localizadas nas áreas onde predominam as florestas de terra firme. cerca de 55% do Estado encontra-se protegida pelo que chama de “Corredor de Biodiversidade do Amapá”. com 3. como estradas e energia (AMAPÁ. virola. considerando que o seu remanescente une as porções norte e nordeste com o sul da Bacia Atlântica. pau-mulato. O Jarí é o principal afluente do rio Amazonas e o Oiapoque ao longo da sua extensão delimita as fronteiras entre o Brasil e o Amapá. e a França e a Guiana Francesa. O Campo de Várzea Inundável é um ambiente bastante distribuído no estado. O Amapá possui a maior unidade de conservação do Brasil . Os rios mais longos pertencentes ao estado são o Jarí.5% do estado do Amapá. o Oiapoque e o Araguari sendo que os dois últimos fluem diretamente para o Oceano Atlântico. bem como por ser a área que melhor dispõe de infra-estrutura de apoio. metade das bacias hidrográficas que se estendem. um mosaico de 12 unidades de conservação (estaduais e federais) . De acordo com o Relatório da Avaliação Ambiental Estratégica (AMAPÁ. apenas 2% do território (AMAPÁ. características das áreas de ressacas (AMAPÁ. 2006). nos estuários e no mar. De acordo com RAAE (AMAPÁ.59 A Floresta de Várzea marca toda a área de influência fluvial. ocupando aproximadamente 2% do território estadual (AMAPÁ.o Parque do Tumucumaque.

tanto das fragilidades da gestão. uma Floresta Nacional. Assim. campos inundados. No . o Programa contempla tais estudos para a criação de estratégia de preservação das áreas de ressaca (AMAPÁ. Reserva Biológica do Parazinho. 2006).MMA.que congregam cerca de 4. Conta-se com dois Parques Nacionais. respectivamente.60 e terras indígenas. O “Corredor de Biodiversidade” tem como objetivo contribuir para a proteção efetiva de áreas de grande importância para a biodiversidade e para o desenvolvimento social e econômico de todo o Estado. Essas unidades serão conectadas por novas áreas protegidas formando um mosaico de usos de terra ambientalmente sustentáveis. expressa que Macapá ainda dispõe. e de grande valor ecológico. Desta maneira.500 índios. Ele protege todas as fisionomias vegetais presentes. além de quatro Terras Indígenas Juminá. no decorrer do estudo de preparação do Programa foi identificada a área da Lagoa dos Ìndios como uma área para ser criada uma unidade de conservação. O Ministério do Meio Ambiente . são elas: (AMAPÁ. mesmo que rodeada de áreas com elevada pressão antrópica (Figura 5). Mesmo com as problemáticas visíveis com relação às questões ambientais na cidade de Macapá. de áreas com características naturais relevantes. Macapá. três Reservas Biológicas. Uaça. uma Reserva Extrativista. é a única cidade que possui unidades de conservação no perímetro urbano. quanto da própria população que ocupa as áreas que não deveriam ser habitadas. Waiapi . quente e úmido. por encontrar-se ainda preservada. as características físicas e bióticas especificamente da cidade de Macapá. incluindo florestas de terra-firme. 2006). como é o caso das ressacas. florestas de várzea. campinas. florestas de igapó.janeiro a junho.417/1998). Macapá apresenta um clima tipicamente amazônico.    Área de Proteção Ambiental do Curiaú (Decreto nº 1. Área de Proteção Ambiental da Fazendinha (Lei nº 0873/2004). três Estações Ecológicas. mostra que toda a margem esquerda do rio Amazonas no Estado do Amapá é uma área de “alta prioridade para preservação da biodiversidade”. uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável. Serão expostas nesta pesquisa. com estações de chuva e de estiagem bem definidas . de grande beleza cênica. como sistemas agroflorestais ou ecoturismo. Galibi. e julho a dezembro. cerrados. florestas montanhosas. a qual faz parte de uma das áreas inseridas no Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá – GEA/BID. dentre as demais cidades escolhidas no Programa. formações rochosas e os manguezais da América do Sul (AMAPÁ. uma Área de Proteção Ambiental. 2006).

2006). e estão associados às depressões naturais da região. econômica e social. rios e canais que desembocam no Braço Norte. Segundo o RAAE (AMAPÁ. decorrente das precipitações pluviométricas e do acionamento das marés (AMAPÁ. com espécies distintas de período chuvoso e seco. que. que cortam a malha urbana. constituem um ecossistema complexo de grande importância ecológica. como condição de contorno do escoamento fluvial. o efeito de maré.com amplitude máxima mensurada. 2006). gera uma significativa variação de nível do rio nas localidades estudadas pelo Programa. embora sob pressão por ocupação. atualmente. As áreas ocupadas sem infra-estrutura básica. Esse processo natural renova as águas de diversas lagoas da região em terras deste município. vista aérea da Lagoa dos Índios (em Macapá) que. os cerrados arbustivos e em pequena escala os campos de várzeas. Observe nas fotos abaixo.61 período chuvoso as maiores precipitações ocorrem nos meses de março a maio. e espécies comuns a ambos os períodos. constituem os principais canais de drenagem urbana. A área urbana do município está inserida na bacia hidrográfica do Igarapé Fortaleza e na bacia do rio Curiaú e caracterizase pela presença de igarapés. retificações. Nas ressacas predomina a vegetação herbácea. invertendo o sentido do fluxo da água. denominadas ressacas. Com relação à vegetação de Macapá. Essa sazonalidade vegetal está relacionada com a maior ou menor disponibilidade de água do lençol freático. demonstram a ausência de políticas ambientais e de ordenamento territorial mais efetivas. predominam as florestas de várzeas densas. Com isso. dada a interligação com o rio Amazonas.72 m. A intensa ocupação urbana ocorrida ao longo dos últimos anos e a execução de obras pavimentações. as águas do Amazonas penetram pelos igarapés. A umidade relativa do ar sofre pouca variação durante todo o ano e a temperatura média é de 27°C (AMAPÁ. dentre eles destacam-se os igarapés: Jandiá. 2006). com os intervalos da maré. de controle de vetores e de prevenção da poluição do ambiente urbano tem reflexos diretos sobre a saúde e o bem-estar da população. Mendonça Júnior (ou Canal Central) e das Pedrinhas. das Mulheres. especificamente em Macapá. tais como as áreas de ressacas do centro da cidade de Macapá. apresenta ainda áreas com condições naturais preservadas. Todos esses igarapés sofrem influência da maré. A falta de saneamento ambiental. de 3. aterramentos e canalizações têm provocado uma descaracterização desses igarapés. . Essas áreas inundadas.

.Área de ocupação nas proximidades da lagoa dos índios.62 Figura 5 . 2007. 2007. Fonte: Batalhão Ambiental – SEMA. Figura 6 . Fonte: Batalhão Ambiental – SEMA.Área residencial ao lado da lagoa dos índios.

do distante oceano Atlântico. associados ao fluxo da água entrando e saindo. Em suas condições naturais. igarapés. . Alguns bairros são construídos sobre palafitas. lagoas e ressacas.Lagoa dos Índios. são áreas que abrigam ecossistemas de grande diversidade física e biótica. a mercê do efeito da maré. Como o observado nas ilustrações anteriores. cultura das populações ribeirinhas do Norte do país onde a proximidade da água é fator determinante para a escolha dos locais de moradia. No cenário urbano de Macapá tal condição se transforma em grandes áreas ocupadas junto às margens ou sobre as águas dos rios. situadas dentro do perímetro urbano de Macapá. as áreas de ressacas. com alto grau de complexidade das interações entre seus componentes e possuem mecanismos próprios de preservação. muitas dessas áreas estão antropizadas. 2007.63 Figura 7 . Fonte: Batalhão Ambiental – SEMA.

Fortaleza de São José Fonte: Plano Direto de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Macapá. Figura 8 .1 A FORMAÇÃO HISTÓRICA DA SOCIEDADE AMAPAENSE A capital Macapá tem fundamental importância no processo de ocupação da Amazônia. como exemplo a exploração do ouro em Calçoene. Tais cuidados foram necessários devido as explorações auríferas ao norte do Rio Araguari. Neste período do império para confirmar ainda mais seu . A partir de 1893. intensificou-se a extração de ouro nos vales dos rios Cassiporé e Amapá Pequeno. surge o interesse pela abertura da navegação do Amazonas e a ocupação demográfica pelos brasileiros que continuava reduzida nesta região. exigindo assim atenção constante dos poderes políticos e militares brasileiros sobre o território amapaense que ainda se encontrava sob a administração da Província do Grão-Pará. garantiu a defesa portuguesa sobre as duas entradas do Rio Amazonas. 2003). e contabilizava como se fosse um produto da Guiana Francesa (PORTO. criou-se então a Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas. Em meados deste século. Ver na ilustração 8. e a descoberta dessas grandes jazidas auríferas intensificou a disputa entre franceses e brasileiros pelo seu domínio. pois. A navegação do Rio Amazonas era feita por navios a vapor. No século XIX. pois contribuíram para atrair garimpeiros franceses. a fortaleza de São José de Macapá inaugurada em 1782. o extrativismo vegetal novamente ganhou destaque. juntamente com Belém. destinada a comercialização da borracha e pertencente ao Barão de Maúa.64 4 O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO NA CIDADE DE MACAPÁ 4. A produção do ouro de Calçoene era exportado por Caiena.

ao comércio e ao entretenimento (com cassinos e bares) para o público da companhia militar. pelo decreto 938. de 6/9/1856 (PORTO. Em 1901. denominado de Território do Aricari. Devido a exploração da borracha. No período de 1941 a 1948 a área norte amapaense cresce no que se refere ao número populacional. Comércio e Mineração ltda. No Governo Getúlio Vargas. em associação com a multinacional Bethlehem Steel. novos territórios foram sugeridos. para assegurar esta parte da fronteira sob responsabilidade brasileira (PORTO. b) a ferrovia (que transportava o minério). tal conflito foi denominado de a Questão do Amapá. Desta maneira. Segundo Porto (2003) a extração aurífera e a expansão pecuária da Guiana Francesa provocou conflitos entre brasileiros e franceses. pela Lei Provincial 281. No início do século XX. Macapá estava visivelmente abalada pela crise da borracha. quando o laudo do tribunal suíço reconheceu o direito brasileiro de soberania sobre a região. 2003). A região entre os rios Oiapoque e Araguari era a que mais se destacava economicamente. 2003). efetivada pela empresa Indústria. cria-se o Município do Amapá. os macapaenses foram trabalhar também na agricultura extensiva. 2003). 2003). A ICOMI precisou construir uma ampla infra-estrutura para tornar possível a exploração e escoamento do manganês do Amapá. na caça e na pesca. Formou-se em Santana uma rede de comércio que se alimentava . onde terminava a ferrovia e de onde o minério saía em navios para o exterior. Próximo ao porto foi construída pela ICOMI a Vila Amazonas. na coleta de produtos florestais (como sementes oleaginosas) e no comércio local. o processo de ocupação urbana do Amapá aumentou com a exploração do manganês. eleva-se Macapá à categoria de cidade. para os trabalhadores da área portuária que favoreceu a formação de uma área urbanizada. incorporando toda a área do antigo Contestado do Amapá.65 poder sobre o território do Amapá. para o transporte de material de construção e de gêneros alimentícios vindos da cidade de Belém. surge a proliferação da construção de vilas residenciais com esgoto. (ICOMI). instalações elétricas e água encanada (PORTO. Em 1900. Segundo Lima (1999). Esta infra-estrutura estava dividida em três seções: a) área de mineração (vila de Serra do Navio e área de extração). entre os fazendeiros (com a venda de gado para alimentação da tropa) e os proprietários das embarcações. foi definitivamente resolvido os problemas diplomáticos dos limites entre o Brasil e a Guiana Francesa. de 21 de janeiro. c) e o porto de Santana. que atualmente compõe o município de Santana. e dentre eles surge à primeira manifestação política local para a implantação do Território Federal do Amapá em 1920 (PORTO.

migrantes paraenses.66 principalmente dos salários dos funcionários da ICOMI. Em 1967. complexo extrativista e industrial localizado na região do Jarí. Outro grande projeto implantado no Território do Amapá foi a Jarí Industria e Comércio Ltda. denominada de Estação ecológica do Jari. novos bairros surgiram. o empresário norte-americano Daniel Ludwig comprou esta empresa e a denominou de Jarí Florestal e Agropecuária. sobretudo. segundo Lima (1999). A política desenvolvimentista do governo federal propiciou a implantação de grandes projetos econômicos nesse período de meados do século XX. A ausência de esgoto público tem ameaçado a salubridade dos inúmeros poços artesianos construídos nestes lugares a fim compensar a falta de fornecimento público de água tratada. 1999). Foi implantada uma fábrica de celulose. Em Macapá e Santana. ao mesmo tempo em que tenta mobilizar a população para novas áreas denominadas de vazios demográficos Amazônicos. Essa política teve sucesso no que se refere a questão demográfica regional e local. maranhenses e amapaenses do interior do Estado. A falta de incentivo do governo e os diversos erros cometidos por este empresário. Reserva Extrativista do Cajari e Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru e o beneficiamento e comercialização de produtos vegetais. principalmente em seus núcleos urbanos mais avançados: Macapá e Santana. estes novos bairros passaram a receber. em 1982. Além. pertencente a um grupo de empresários portugueses. O Grupo CAEMI ao comprar o projeto Jarí passou a exercer forte atuação na política e na economia amapaense até meados dos anos 90. O crescente fluxo migratório para este local não foi acompanhado por políticas públicas adequadas gerando assim graves problemas habitacionais e desemprego para a população que ali passa a residir. Sem qualquer infra-estrutura. . o Amapá sofreu um vertiginoso crescimento populacional. levaram á falência do empreendimento e conseqüentemente a venda de sua empresa a um grupo de empresários brasileiros sob o comando do Grupo CAEMI. principalmente a castanha do Pará. Esses acontecimentos foram motivados pela transformação do Amapá em Estado e pela propaganda da implantação da Área de Livre e Comércio de Macapá e Santana (criada em 1991). da criação de um cinturão ecológico próximo a área do complexo Industrial depois de 1980. Logo. frutos de invasões de áreas periféricas ociosas. uma de beneficiamento de caulim e outra de bauxita refratária. pois gerou uma progressiva ocupação de terras devolutas e formentou a criação de novos núcleos populacionais (LIMA.

765 3. Amazonas. 2002). 2003). a pobreza no Amapá é um fenômeno social predominantemente urbano. Novo Horizonte (49. Parque dos Buritis.32%). A tabela 1. 18.648 18. Estes dois bairros. onde o escoamento sanitário é inadequado. o Amapá enquanto Território Federal foi se estruturando economicamente. II. a concentração de população pobre ocorre. São Lázaro (46.93%). politicamente.24% em Macapá.67 Desta maneira.45% em Santana e 7% em Laranjal do Jarí.93 50.756 3. entre outros. Em números absolutos de pessoas pobres.850 5. apesar de serem resultado de uma urbanização menos recente. criar sua Assembléia Legislativa e fazer seus próprios planos de desenvolvimento (PORTO. desenvolvimento e política social: o caso do Estado do Amapá.375 9. São José. Que acontece em 1988 com a Constituição Federativa Brasileira. Novos bairros e loteamentos ainda continuam surgindo num ritmo acelerado: Infraero (I e II). O quadro destaca os bairros macapaenses de maior concentração de população pobre. III e IV).67 % de pobres). o Amapá passa a obter autonomia e capacidade de se auto-organizar. se auto-governar.Áreas com maior concentração de pobreza no Amapá.77%).432 2. estadual e federal. socialmente e administrativamente. pois segundo Rocha (2002) cerca de 75% dos pobres do Estado residem em áreas urbanas: 50.99%).9% a 58. de Sonia Rocha.7% 58. os bairros Buritizal e Congós se destacam. Tabela 1 .595 . sobretudo.61 48. contam com grandes áreas de ressaca densamente povoadas e não assistidas pela rede de esgoto e de água tratada (ROCHA. elaborar sua própria constituição.160 36. Marabaixo (I. nos bairros: Brasil Novo (58.63%). 90% da população vive no Beiradão.307 6. Neste último município. Araxá (56. apresenta dados numéricos acerca da incidência da pobreza nos municípios de Macapá.110 5.912 2.71 Brasil Novo Araxá Santa Inês Fazendinha Novo Horizonte Santana Macapá Macapá Macapá Macapá Macapá Santana 5. Proporção de pobres Distrito/ Bairro Município População Urbana Nº de pobres De 40. Em Macapá. extraída do estudo Pobreza. legislativo.456 73. o que contribui para sua estadualização. Santana e Laranjal do Jarí. escolher seus representantes do executivo.67 56. Atualmente. Fazendinha (50. Santa Inês (51.63 49.77 49.99 51.98%) e Perpétuo Socorro (46.

937 96.08 41.983 63. com o objetivo de otimizar a ocupação dos caros terrenos do centro urbano macapaense (dotado de melhor assistência das redes de esgoto. escola.98 46.32 44. saúde.8% 13.2% Percentual na população urbana do Amapá Fonte: ROCHA. água. Áreas periféricas.como o caso de assaltos e roubos. A formação do funcionalismo público estadual e o crescimento populacional ajudaram a ampliar o comércio local. energia elétrica. educação. etc.principalmente em Macapá.488 14. arruamento). água encanada. 2002.799 4.81 Laranjal do Jarí São Lázaro Perpétuo Socorro São Jorge Nova Esperança Total Laranjal do Jarí Macapá Macapá Macapá Macapá 28. A ocupação desordenada de áreas periféricas e insalubres do Estado tem ampliado os cinturões de miséria das cidades. energia. também é possível perceber o rápido crescimento do número de grandes condomínios no centro urbano macapaense. . saúde. O surto de construções de grandes edifícios em Macapá indica uma nova tendência de aparecimento de edificações verticalizadas. 42.421 1. no bairro Santa Rita). A exclusão do mercado de trabalho e da rede de serviços (esgoto.) tem contribuído para o aumento de práticas ilegais no dia-a-dia dos moradores pobres da área .807 6. As desigualdades sociais se tornaram nos últimos 20 anos cada vez mais visíveis no Amapá. Atualmente.566 4. A ilustração abaixo apresenta um dos grandes condomínios que estão sendo atualmente construídos em Macapá (na Avenida Almirante Barroso.328 10. p.194 25.633 198.345 52. Nos dias atuais. de ressaca e ribeiras apresentam grande contraste em relação aos centros urbanizados . a expansão da área ocupada de Macapá e Santana tem intensificado a especulação e imobiliária: a venda de imóveis no centro urbanizado (melhor assistido por uma rede de serviços e infra-estrutura) para a obtenção de saldo na compra de outro imóvel na área suburbana ou periférica.68 46.789 11.

por exemplo. Maranhão e Pará. objetivando assegurar o direito de posse e defesa do litoral. Onde a primeira tentativa de se ter o controle político. contribuindo para transformações nos hábitos da própria população. Piauí.Edifício Residencial. entre suas relações de vizinhança. Contudo. a sociedade macapaense passa por mudanças significativas em sua paisagem urbana. instituindo o Estado do Maranhão que englobava as capitanias do Ceará.se mais nítidos. Fonte: Da autora (2010). afirmamos que os mecanismos de controle condicionaram tanto a colonização como a exploração econômica da região amazônica. Sem esquecer ainda que os capitães-generais e governadores tinham a obrigação de .2 O CONTEXTO URBANO DA CIDADE DE MACAPÁ NA ATUALIDADE Baseando-se nos estudos de Moraes e Rosário (1999). foi necessário que houvesse uma valorização econômica de tal área. um novo estilo de vida mais individualizado devido todo o processo de urbanização que perpassa a capital do Estado do Amapá . subordinando-as diretamente ao poder central.69 Figura 9 . No limiar do século XXI. desta maneira. social e econômico da região se deu através de uma carta régia datada de 13 de julho de 1621.Macapá. seja nas suas condições de moradia e de convivência humana. O medo e a insegurança nas relações sociais são conseqüências do crescimento da violência na cidade. Muros e grades nas residências tornaram . Surge então. 4.

e sim. Segundo Porto (2003). estudos ressaltam que tanto o Território do Amapá como o de Roraima. o comandante Annibal Barcellos ficou encarregado de elaborar a primeira Constituição do Estado. 5). o Estado já surge devido um jogo de interesses. o Amapá limita-se ao sul pelo rio Amazonas (Figura 10) e a oeste com o Estado do Pará pelo rio Jarí. Contudo. semente oleaginosa e as raízes aromáticas que eram utilizadas tanto como tempero na culinária. pois a escolha e a nomeação dos interventores dos Territórios foram respaldadas pelas Constituições de 1934 (art. grandes lucros a região. o urucum. a canela. E assim o Estado do Amapá ficou conhecido. No entanto. pertencente à Região Norte criado em 1988 no governo de José Sarney.4). ou melhor. 17). a qual foi promulgada em 20 de dezembro de 1991. e tendo sido eleito. Ou seja. tendo como finalidade assegurar a vigilância e a proteção da economia agrícola regional.17) e mantidas pela lei de 1969 (art. proporcionando assim. a valorização econômica se baseava nas drogas do sertão que eram vegetais extraídos da floresta. Com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988. a leste com o oceano Atlântico. ao norte com a Guiana Francesa pelo rio Oiapoque e Tumucumaque. todavia agora com o poder de auto-governo o povo passou a escolher através de eleições diretas. em outubro de 1990. . de 1937 (art. vieram as mudanças mais profundas que transformou os Territórios Federais de Amapá e Roraima em Estados da Federação. em virtude da intervenção do governo central. situado na Amazônia Oriental. o primeiro governador do Amapá.70 mandar cultivar o solo. De acordo com os autores acima citados. e de 1967 (art. a Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão promoveram grandes fortificações na Amazônia. no Território do Amapá. E que a economia. o cravo. não foram transformados em estados da Federação por terem alcançado grau de desenvolvimento em nível nacional. os governadores. pagando rendimentos à coroa lusa. Medidas estas que serão ratificadas pela Lei Orgânica dos Territórios (art. porque o governo central resolveu reconhecer a completa inconstitucionalidade dos territórios na ordem vigente. a piaçaba. mesmo existindo teoricamente o “regime federativo de representação democrática” permaneceu isolado das demais unidades da federação. 31). que serviam de base para os produtos farmacêuticos da Europa e diversas especiarias como o cacau. como auxiliares na conservação de alimentos.

Desta maneira. ou seja mostra-se carente nesse processo que implica melhorias e avanços considerando vários aspectos que devem estar intimamente relacionados. que se concentram.Margem do Rio Amazonas na cidade de Macapá. Macapá por apresentar os problemas citados. econômica e institucional. sociais. Fonte: Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Macapá. relaciona-se com o conceito de Santos . na periferia das aglomerações urbanas das grandes cidades. os altos níveis de subemprego e o desemprego. O Estado do Amapá ainda não se encontra no nível de desenvolvimento das grandes Metrópoles. como as dimensões politicas. mas inexorável que organiza a passagem. particularmente. Motta (2004). a noção de desenvolvimento gera uma confusão correspondente à função ideológica que apresenta as transformações estruturais como simples movimento acumulativo dos recursos técnicos e materiais de uma sociedade. culturais. A cidade de Macapá ainda se encontra distante do que se considera desenvolvimento. quando ocorre excesso para o nível superior das sociedades modernas. territoriais e a do meio ambiente. já que este consiste em uma evolução e conservação das riquezas materiais e economicas do país. afirma que a análise da questão urbana deve estar ligada à problemática do desenvolvimento. Sendo que os problemas sociais incluem a pobreza. Todavia. Castells (2000). como as dimensões anteriormente citadas.71 Figura 10 . sofre uma fragilidade no seu desenvolvimento econômico. Nesta perspectiva. buscando manter um equilibrio entre todos os aspectos. E para ele. mesmo sendo possuidor de uma grande riqueza mineral e ambiental. existiriam vários níveis e uma evolução lenta. favorecendo as condições de bem estar e a qualidade de vida dos habitantes. economicas. afirma que os principais problemas das cidades brasileiras são de ordem social. éticas.

que buscava a articulação das políticas regionais com o novo contexto estadual. As principais melhorias na infra-estrutura foram: ampliação do fornecimento de energia elétrica. das diferenças de renda e dos modelos culturais”. o de João Alberto Capiberibe (PSB). O segundo foi o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá – PDSA. O PDSA surge como um programa de desenvolvimento embasado na preocupação com o meio ambiente. Porto (2003). o Amapá transforma-se na condição de estado federado. aconteceu vários entraves. principalmente dos protocolos da Rio. que apresentou as transformações políticas. na valorização local e na utilização da Agenda 21 (estabelecida na ECO-92).92. a análise dos avanços deste Programa nas áreas mais urbanizadas. na praticidade este Plano não alcançou grandes resultados (PORTO. mostra como suas principais diretrizes gerais: maior agregação de valor aos produtos naturais do Estado e o esforço para que a atividade econômica respeite a biodiversidade. Todavia. o Estado configura-se pela internalização. segundo a identificação e exploração racional de suas potencialidades conciliando com a necessidade de diminuição das distorções sociais e o crescimento econômico. quando se refere à cidade como sendo “um meio ambiente construído. principalmente pela difícil relação política e partidária do Governo com a Prefeitura. Após a estadualização. da consciência globalizante dos problemas ambientais e urbanos. conciliar meio ambiente e desenvolvimento é um dos grandes desafios desse Programa. 2003). na busca do desenvolvimento do Amapá. destacando as atividades desenvolvidas na região pelo turismo. que é o retrato da diversidade das classes.72 (2008). perpetuou por dois períodos de Governo. dois programas de governo foram implantados. Segundo Porto (2003) sua importância se dá pela continuidade que o Programa alcançou.3 A GESTÃO URBANA E AMBIENTAL DO AMAPÁ E SUAS DIFICULDADES Na década de 90. o primeiro foi o Plano de Ação Governamental (1992-1995). e também de energia termoelétrica de Oiapoque e Laranjal do Jarí para 24horas por dia e a ampliação do porto de Macapá. Porém. econômicas e administrativas do Estado. intensificando todo o seu processo de estruturação institucional e fortalecimento da presença do setor público nos diversos campos de atuação inerentes ao novo Estado. 4. no âmbito das decisões públicas. o que necessita de uma forte base jurídica e organizacional a respeito dos compromissos internacionais. Neste período. . evitando sua depredação.

como construções de estradas. todos esses devem ser socializados e acessíveis aos cidadãos. a Amazônia é a principal região. Desconcentrar geograficamente a economia. Segundo Ruellan (2000). Responsabilizar os cidadãos. descentralizando as prefeituras de várias ações de serviços públicos. quase sempre reduzidos a valores de contrapartida mínima e sem grandes perspectivas de mudança. dada a necessidade de desenvolvimento econômico e de urbanização do Estado. A emergência do Programa Nacional de Meio Ambiente – PNMA. onde a aplicação de recursos fruto das negociações internacionais. Promover. 2000). centralizada nas grandes cidades Macapá e Santana. cooperativas e as pequenas empresas. do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7 e do Subprograma de Políticas de Recursos Naturais – SPRN administrado pelo Governo Federal vem dos acordos bilaterais de apoio financeiro com a capacidade de descentralização da gestão ambiental no Brasil. o inicio da atuação do setor público na gestão ambiental no Amapá acompanhou todo esse processo de transformações mundiais a respeito das questões direcionadas ao meio ambiente advindas desde a Conferência Rio-92. alimentação escolar e realização de obras públicas. saúde. associações comunitária. como educação. provocando certo desequibilibrio em suas primeiras ações neste período de emancipação política e início de estruturação administrativa do Estado. sofre com os poucos recursos alocados pelo Governo Brasileiro.73 O Governo do Estado do Amapá elaborou. a parceria entre o Estado. aconteceu com certas dificuldades no que se refere ao apoio financeiro do Governo Federal e a participação da sociedade. . desenvolver uma economia durável fundamentada no uso equilibrado dos recursos renováveis e de seus recursos minerais. Após a criação do IBAMA em 1989 e da Secretaria do Meio Ambiente – SEMAM no Governo Collor. em 14 de agosto de 1995. os principais eixos do Programa são: valorizar a originalidade do Amapá em relação às outras regiões da Amazônia e do Planalto das Guianas. no interior e na cidade. surge no Amapá o Órgão Estadual de Meio Ambiente do Amapá – OEMA/AP como exigência legal de licenciamento ambiental para a obtenção da liberação de verbas federais para obras de grandes impactos ambientais. Segundo Chagas (2002). iniciativa privada. Procurar a equidade social a fim de sair da extrema miséria da maioria da população que vive nas áreas periféricas. para a interrelação do desenvolvimento sócio-econômico e cultural do Amapá com a utilização sustentável dos recursos naturais e humanos (RUELLAN. um Decreto que determina os grandes eixos e os principais projetos de realização do PDSA. Desta maneira. Porém.

principalmente no que compete a educação ambiental. a região não poderia ser vista de forma homogenia. propõem que os mesmos sejam instrumentos de ordenação do território. tais como: a condição de intocabilidade do ecossistema florestal. Desta forma. Todavia. associadas à adoção de políticas públicas específicas a cada realidade encontrada na região. a região é alvo de um intenso processo migratório. portanto. geográficas. São pontos importantes desta gestão: adoção de instrumentos de gestão ambiental inovadores direcionados para ações preventivas de conservação da floresta. 2002). a complexidade da região deve ser analisada por meio de suas as relações econômicas. . 2002). o processo de gestão ambiental no Amapá. social e ambiental e que. o mesmo possui um baixo percentual de transformações na cobertura florestal. Becker (1999) diz que com base nessas variações regionais e no portfólio de investimento dos eixos de Integração e Desenvolvimento do Programa Avança Brasil. como alguns programas de Governo tem-se utilizado com certa uniformização metodológica. 2° Pará. o ordenamento territorial. deve considerar alguns aspectos fundamentais. tendo como taxa populacional 668. os conflitos de gestão pelo (des)ordenamento territorial e a existência de uma população crescente. principalmente fundiário e a formação intensiva de capital social para a gestão ambiental (CHAGAS. 3° Mato Grosso. associando quase sempre a região com o desmatamento florestal. políticas. a implementação de instrumentos de comando e controle e. sempre associada à equidade social e não para a penalização das populações locais. o mesmo possibilita um relativo “bem-estar” ambiental (CHAGAS. pode-se pensar nas articulações para a implantação de políticas públicas voltadas para a gestão ambiental no Estado do Amapá. identificando três grandes configurações espaciais para a Amazônia. Talvez pela sua recente formação de Estado e pela sua cobertura vegetal. segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia . Desta maneira. o ônus dos passivos ambientais da mineração. Segundo Becker (1999).689 de acordo com o censo de 2010 (IBGE∕2010).74 O Estado do Amapá possui um diferencial perante a maioria dos Estados da Amazônia. são eles: 1° Rondônia. 4° Amazonas e 5° Roraima. sociais e culturais. De acordo com as idéias de Chagas (2002). de mercado. quando possível. cada vez mais urbana. que sobrevivem da exploração dos recursos naturais utilizado técnicas artesanais ou mesmo rudimentares de baixo impacto. o espaço compreendido pela Amazônia Legal deve ser observado por sua diversa econômica.IMAZON (2011) o Amapá não pertence aos estados que estão no ranking de desmatamento de fevereiro ∕ 2011.

instituição da Comissão Estadual do Zoneamento Econômico Ecológico .75 I – Amazônia Meridional e Oriental: fortalecimento das políticas de estabilidade na ocupação de terras. Mesmo que ainda venha apresentar fragilidades metodológicas do Poder Público a fim de influenciar a efetiva participação da sociedade civil na construção de políticas públicas integradas. segundo o Relatório da Avaliação Ambiental e Estratégica (AMAPÁ. 2006). Em Macapá. pois é preciso observar as ações das diversas comunidades existentes na Amazônia. II . O Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá – GEA-BID trouxe na sua fase de preparação um trabalho de mobilização e consulta às comunidades locais. entre outras (CHAGAS. em 1994. o Governo firmou com o Ministério do Meio Ambiente o Convênio de Adesão PPG7/SPRN/006. com incentivos a atividades produtivas.CEZEE. dando chances de transformação social e ambiental para maior eficiência na gestão dos interesses coletivos. No Estado do Amapá. pois o conhecimento do cotidiano dessas populações na utilização da natureza e do meio ambiente proporciona melhor aplicação de políticas públicas integradas a fim de contribuir para o desenvolvimento local. contemplando as remoções necessárias para as intervenções priorizadas na Fase 1 do Programa (AMAPÁ. aconteceu uma Consulta Pública junto à comunidade do Beirol. foi realizada no dia 26 de janeiro de 2006 com o objetivo de elaborar um Plano de Reassentamento. 1999). O foco da implementação desses programas. 2006) foram: a ausência de políticas efetivas de ordenamento territorial urbano e de ações sistematizadas para a proteção do meio ambiente nas cidades resulta em ocupações em áreas sem qualquer infra-estrutura básica. a partir de 1999.COEMA. A valorização do saber local é o melhor caminho para a reformulação da estratégia de gestão ambiental. 2002). segundo Chagas (2002). III . assumindo o compromisso de cumprir as doze metas obrigatórias como pré-requisito para acessar os recursos. vem alcançando avanços no que se refere à participação da sociedade civil e descentralização da gestão ambiental no Estado. As dificuldades da gestão ambiental e urbana do Estado. demonstração de crescimento de alocações orçamentárias. destaca-se aqui as seguintes: criação do Conselho Estadual do Meio Ambiente . .Amazônia Central: Compatibilização de medidas de produção e conservação ambiental (BECKER.Amazônia Ocidental: Adoção de medidas de preservação ambiental. O que pouco tem sido visto pelos instrumentos clássicos de gestão ambiental. publicações dos processos de licenciamento e de penalidades ambientais aplicadas.

A microdrenagem é praticamente inexistente. . segundo RAAE (AMAPÁ. Sem esquecer as exigências de prevenção e mitigação dos impactos ambientais. as condições de infra-estrutura urbana agravam a situação de ocupação das áreas de ressacas. gerado pela variação de nível do rio. sobretudo durante o prolongado período chuvoso na região. existe um documento sem qualquer condições de implementação. Desta forma. Mesmo com o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental – PDDUA (MACAPÁ. é de 3. proporciona o surgimento de áreas que periodicamente alagam. resultam da utilização direta dessas águas servidas pela população (AMAPÁ. 2006). e fortemente antropizadas. Abrigando muitas vezes populações carentes de assistência pelo Poder Publico. A cidade de Macapá recebe os efeitos da maré. 2006). As ocupações desordenadas não contam com redes de água potável. Desta maneira as águas do rio Amazonas penetram pelos igarapés. gerando transtornos para a população. de controle de vetores e de prevenção da poluição do ambiente urbano tem reflexos na saúde e no bem-estar da população local. rios e canais que desembocam no Braço Norte. No perímetro urbano de Macapá vêem-se muitas dessas áreas. Desta maneira.72 m (AMAPÁ. com a ocorrência de elevados índices pluviométrico. A falta de saneamento ambiental.76 principalmente nas áreas úmidas. de modo a alcançar melhores condições de vida às populações que ali vivem. é importante levar em conta as particularidades da região na busca de viáveis soluções aos problemas urbanísticos da cidade de Macapá. o que se constata. constituindo-se verdadeiros bairros sob palafitas. A drenagem pluvial urbana é uma preocupação contínua em Macapá. A região é plana e o vai e vêm das águas. ou seja. em Macapá. as chamadas áreas de ressacas. os processos de aterramento das áreas baixas e alagadas. Há ausência de efetividade de políticas públicas nas áreas de habitação. 2006). A amplitude máxima mensurada desta variação do rio. planejamento urbano e ordenamento territorial na cidade de Macapá. a ocupação nas áreas alagadas e a falta de sistema de esgotamento sanitário. mesmo estando aproximadamente a 200 km da jusante do encontro do rio Amazonas com o Oceano Atlântico. é a falta de instrumentos para a operacionalização do plano. 2004). Nos últimos anos.

77 5 AS AREAS DE RESSACAS DA CIDADE DE MACAPÁ: UMA PROBLEMÁTICA AMBIENTAL E SOCIAL 5. que estando confinados às áreas mais suscetíveis as transformações próprias dos processos ecológicos. para Coelho (2001).409 habitantes (IBGE. fator que vem alterando progressivamente o clima da região. os impactos ambientais promovidos pelas aglomerações urbanas são ao mesmo tempo um produto e um processo de transformações dinâmicas e recíprocas da natureza e da sociedade estruturada em classes sociais. Porém aceleradas pelas ações humanas. E Macapá de fato vem sofrendo um rápido processo de aglomeração. como parte das comemorações dos 246 anos de fundação da cidade de Macapá. foram observados neste trabalho os de caráter ambiental. Por isso para a autora. em 04 de fevereiro de 2004. tornando-se de domínio público. Não foi uma mera coincidência. Já que a grande mobilização da população no dia festivo tornou-se ideal para a prestação de contas à comunidade de um trabalho participativo.1 AS FRAGILIDADES SOCIOAMBIENTAIS NAS ÁREAS DE RESSACAS DA CIDADE DE MACAPÁ Entre os vários problemas enfrentados pela cidade de Macapá. o modelo de desenvolvimento urbano e os padrões internos de diferenciação social. são mais percebidos pelos setores menos favorecidos da população. 026/2004. sobretudo. quando o crescimento urbano não é acompanhado dos investimentos em infra-estrutura e democratização do acesso aos serviços urbanos. como sendo um processo depende. foi apresentado à sociedade a lei complementar nº. São os chamados Impactos Ambientais que segundo Coelho (2001). ante o grande interesse da comunidade em discutir a . 2010). o que prova o crescimento populacional da cidade em 2010 de 6. são decorrentes das atividades humanas. Por conta disso. Assim. a compreensão de impactos ambientais. acabam invadindo as áreas de ressacas do Estado. que institui o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental do Município de Macapá. mas que de fato. Desta forma. sendo a urbanização uma transformação da sociedade. de se compreender a historia não linear de sua produção. as desigualdades socioespaciais são geradas e acentuadas. não podem enfrentar os custos da moradia em áreas ambientalmente mais seguras ou beneficiadas por mitigadoras de impactos ambientais. Ainda assim. cuja concepção extrapolou o âmbito administrativo.

chama de sistema cultural característico da sociedade industrial capitalista. de artesanato e/ou de apicultura. sobremaneira. visando propiciar a melhoria nas condições de vida da população residente nos distritos. para implantar o que Castells (2000). 77 que a Zona Urbana de Macapá é a área destinada ao desenvolvimento de usos e atividades urbanas. que o sistema capitalista vem insistindo em destruí-la. Onde as orientações contidas em tal documento adaptam a base de um processo de planejamento permanente de gestão urbana e ambiental do município. que é ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade garantindo o bem-estar de seus habitantes. asfaltamento e coleta de resíduos sólidos. a lei ressalta que são as áreas no Município de Macapá destinadas a um aproveitamento sustentável pelo desenvolvimento de atividades agrícolas.78 realidade municipal e contribuir para a definição dos meios que passam a interferir na estruturação urbana do município. de pesca artesanal. O Plano Diretor de Macapá dispõem em seu Art. delimitada de modo a conter a expansão horizontal da cidade. 79 salienta como prioridade para a zona urbana a indução ao adensamento e à densificação das áreas mais bem dotadas de infra-estrutura e equipamentos urbanos. A importância deste Plano Diretor dar-se devido este ser o principal instrumento da política urbana e do desenvolvimento físico-espacial do município. Haja vista. os fatores que possam estar determinando a possível ocorrência desses crimes. conforme define a instituição federal e as determinações contidas no Estatuto da Cidade. extrativas. turísticas. a saber. tendo como correlato previsível uma diferenciação funcional e social maior. O descompasso existente no processo de ocupação das áreas de ressacas no contexto urbano de Macapá já constitui crime ambiental. buscando identificar a existência de crimes ambientais. Em relação às zonas de Desenvolvimento Sustentável. a ação ou omissão . Castells (2000) designa o urbano sendo uma forma especial de ocupação do espaço por uma população. água canalizada e tratada. o aglomerado resultante de uma forte concentração e de uma densidade relativamente alta. que tem na participação popular um dos principais componentes para a materialização do objetivo maior da política de desenvolvimento urbano. que a história de um povo prevalece devido a sua cultura e costumes. Percebe-se a importância de se discutir as competências dos sujeitos envolvidos. A atuação do Estado no fornecimento de melhores condições de vida para a população que reside em áreas de ressaca como o atendimento a estrutura elétrica. É neste sentido que o Art. a do poder público. respeitando a cultura das comunidades tradicionais. voltada a otimizar a utilização da infra-estrutura existente e atender às diretrizes de estruturação do Município.

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dos órgãos competentes, a aplicabilidade da legislação em caso de infração e as conseqüências da ação humana nessas áreas como a intensa produção de resíduos sólidos. No contexto de proteção ao meio ambiente encontram-se várias normas que garantem a preservação, como a própria Constituição Federal de 1988, a lei 6.938/189 que trata da Política Nacional do Meio Ambiente, a lei 9.605/1998 dos crimes ambientais e o Decreto 3.179/ 1999 das sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. A realidade social estudada demonstra que o motivo principal para a ocupação das áreas de ressacas é pela necessidade das famílias que não terem outro lugar para morar. Desta maneira, observa-se a dificuldade de se garantir qualidade de vida e o atendimento das necessidades básicas dos cidadãos, como direito à saúde, à educação e principalmente à moradia, direitos estes protegidos pela carta magna de 1988. Frente à idéia sociológica do Estado de direito para todos, “permite-se” que as famílias residam nestas áreas de preservação permanente, pois enquanto ocorre a movimentação de preservação do meio ambiente para as gerações atuais e futuras, enquanto ocorre a cobrança para que os órgãos competentes efetivem a fiscalização dessas áreas para que não ocorram novas ocupações irregulares, encontramos sim paralelo a esse movimento, a atuação do Estado como fornecedor de melhores condições de habitação para a população de espaços ocupados indevidamente. Partindo da realidade sócio-ambiental apresentada, direciona-se este estudo para seguinte problematização: A preservação ambiental pode ser considerada mais importante do que a garantia constitucional do direito a moradia? Até que ponto o descompasso entre legislação de preservação ambiental e a necessidade da população de moradia divergem em seus objetivos? O poder público do Estado do Amapá, mais especificamente, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente- SEMAM, a Secretária Municipal de Urbanismo- SEMUR e o Ministério Público Estadual, órgãos responsáveis pelo planejamento e fiscalização de políticas públicas voltadas para a preservação do meio ambiente e, conseqüentemente das áreas de ressacas enquanto áreas de preservação ambiental, não deveriam prevenir e punir ações que agridam tão fortemente o meio ambiente como, por exemplo, o acúmulo indevido de resíduos sólidos nas áreas de ressacas- um dos sérios problemas que ocorre nas ressacas localizada na zona urbana de Macapá.

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Figura 11 - Área de ressaca no bairro de Jesus de Nazaré em Macapá.

Fonte: Autoria própria, 2008.

Figura 12 - Área urbana de Macapá, no bairro Jesus de Nazaré

Fonte: Autoria própria, 2008.

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Figura 13 - Rua principal da área de ressaca no bairro Jesus de Nazaré.

Fonte: Autoria própria, 2008.

Figura 14 - Acúmulo de lixo na área de ressaca.

Fonte: Autoria própria, 2008.

As áreas de ressacas exercem funções importantes para o equilíbrio ambiental, funcionando como corredores naturais de ventilação, amenizando o clima quente da capital Macapá, Estado do Amapá. São bacias naturais de acumulação hídrica para onde se destinam as drenagens pluviais. E sua degradação compromete o escoamento da água das chuvas, ocasionando os problemas de alagamento. Segundo Porto (2003) com a implantação do Estado, o Amapá passou a ter novas características políticas, econômicas e político-administrativos. Preocupando-se assim, com a

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implantação do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá – PDSA, cujos resultados práticos foram: as discussões metodológicas sobre um programa de desenvolvimento direcionadas na preocupação e valorização com o meio ambiente local e sua relação com as atividades econômicas (internas e externas) sem prejuízo a biodiversidade. Desta maneira, a biodiversidade, que é a variedade de organismos vivos presentes inclusive nas áreas de ressacas de Macapá, merecem atenção quanto a preservação, visto que podem oferecer condições para alternativas de atividades econômicas sustentáveis. Segundo o Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro do Centro de Pesquisa Aquáticas (2002 apud TAKIYAMA, 2004), o grande contingente habitacional nessas áreas é decorrente do crescimento demográfico formado por migrantes de outros Estados, como o Pará, Maranhão, Ceará e do interior do Estado do Amapá. O perfil populacional caracteriza-se por baixa instrução educacional, grande número de filhos, mão-de-obra na informalidade, remuneração abaixo do piso salarial estabelecido na política salarial nacional defendida pelo Ministério do Trabalho. Como mostra a tabela 2 sobre a média dos rendimentos mensais dos moradores das ressacas:
Tabela 2 - Média dos rendimentos mensais dos moradores das ressacas.

Ressaca Chico Dias Beirol Tacacá Lagoa dos Índios Sá Comprido Lago da Vaca Lago do Pacoval Laguinho/Nova Esperança
Fonte: CPAQ/IEPA(2002).

Renda Média (R$) 370,50 432,00 202,00 1082,50 87,50 85,50 181,00 142,50

Renda Média (SM) 2,06 2,40 1,12 6,01 0,49 0,49 1,01 0,79

Observa-se que os moradores das áreas de ressacas caminham para essas localidades sob influência de fatores econômicos, políticos e culturais. Em busca de novos caminhos de vida vêem a proximidade com os rios e com os centros urbanos como forma apropriável para o desempenho de suas atividades. A carência de políticas habitacionais adequadas a este contingente populacional gera o crescimento de invasões nessas áreas sem nenhuma infraestrutura para absorção deste fluxo migratório.

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Outro fator importante é o cultural. A população da Região Norte pela proximidade com os rios, possuem uma vida ribeirinha, optando em residir próximo as áreas portuárias facilitando a chegada ou saída de suas embarcações. Há também uma relação comportamental de desconhecimento dos cuidados com o meio ambiente, visto a grave agressão a fauna e flora local. As áreas de ressacas, como já mencionamos, possuem papel preponderante no clima da cidade, pois possuem baixo relevo, o qual facilita a capacitação de águas, transformando em corredores de águas pluviais e interferindo diretamente na unidade relativa do ar. Acomodando assim, uma intensa diversidade biológica. Desta maneira, as bacias hidrográficas do Igarapé da Fortaleza e do Rio Curiaú, possuem uma significante influência nas transformações ambientais, econômicas, políticas e culturais que aconteceram e acontecem no Amapá: sua população ocupa aproximadamente entre 20% e 30% da população de Macapá, segundo estudo realizado pela Secretaria do Meio Ambiente – SEMA (2000). A Lei Estadual n° 0455, de 22 de julho de 1999 promoveu o tombamento de todas as áreas de ressacas do Estado do Amapá e impôs limitações ao seu uso e do solo em seu entorno, constituindo um importante instrumento legal de impedimento do modo impactante como vinha se processando o uso das ressacas. Sendo esta Lei revogada em 27 de maio de 2004, pela Lei Estadual n° 0835. As áreas de ressaca são colocadas no Plano Diretor de Macapá como Unidades de Conservação, onde deverá haver um processo progressivo de desocupação com reassentamento da população prioritariamente nas áreas próximas. Buscando assim, um ambiente ecologicamente equilibrado assegurando o princípio da sadia qualidade de vida. Desta maneira, cabe ainda como descreve o Art. 99 do referido Plano, a importância do Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA), que se aplica à construção, instalação, reforma recuperação, ampliação e operação de atividades ou obras potencialmente causadoras de significativa degradação do meio ambiente, de acordo com os termos da legislação federal, estadual e municipal, ou seja, avaliar, fazer um estudo prévio das atividades, com o intuito de averiguar se as mesmas causarão danos ao ambiente. Já que os impactos ambientais são também causados pela ação humana. Daí a importância do Art. 37 onde a Estratégia para Gestão Democrática Urbana e Ambiental trás como objetivo geral implantar um sistema municipal de gestão territorial que se constitua em um processo contínuo, democrático e dinâmico, com base nas disposições e instrumentos previstos nesta lei.

sem tantos impactos e danos ambientais. a integridade e a utilização sustentável dos recursos genéticos localizados no estado e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético. Em 10 de dezembro de 1997.inalienabilidade dos direitos sobre a diversidade biológica e sobre os recursos genéticos existentes no território do Estado do Amapá. (BRASIL.2 A LEGISLAÇÃO AMBIENTAL DO ESTADO DO AMAPÁ E AS ÁREAS DE RESSACAS A Constituição do Estado do Amapá foi promulgada pela Assembléia Legislativa a fim de instituir o ordenamento básico e reafirmar os valores estabelecidos pela Constituição Federal. III. No mesmo ano. Desta maneira. são traçadas as diretrizes da política estadual do meio ambiente. visando assegurar. no Estado. foi aprovada a Lei Ordinária 0165 que cria o Sistema Estadual do Meio Ambiente – SIEMA que dispõe sobre a organização e competência do Conselho Estadual do Meio Ambiente e cria o Fundo Especial de Recursos para o Meio Ambiente – FERMA. 1994).participação das .A Política Estadual do Meio Ambiente compreende o conjunto de diretrizes administrativas e técnicas com a finalidade de orientar as ações governamentais para a utilização racional dos recursos ambientais. melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida. o Estado do Amapá cria suas leis de acordo com as necessidades concretas da região. atendidas os seguintes princípios: I . Em 1994. a Lei Complementar nº0005 de 18 de agosto deste ano institui o Código de Proteção ao Meio Ambiente do Estado do Amapá. II .84 5. cria-se a Lei 0388 que dispõem sobre os instrumentos de acesso à biodiversidade do Estado do Amapá. Especificamente. pois mesmo sendo um estado recém-criado na época. já emergia a preocupação em proteger seu meio e os recursos naturais. Segundo Gomes (2003). a legislação Ambiental do Amapá é uma das mais avançadas. que trás no seu artigo: Art. no Cápitulo IX Arts. 310 e 328 no que se refere à proteção do meio ambiente. a lei incumbe ao Poder Executivo preservar a diversidade.participação das comunidades locais e dos povos indígenas nas decisões que tenham por objetivo o acesso aos recursos genéticos nas áreas que ocupam. 2º . bem como para a preservação. condições ao desenvolvimento sócio-econômico. aos interesses da segurança e a proteção da dignidade da vida humana. assim criam-se instrumentos de proteção a esses bens de interesse difuso.

II. rotinas. de 04 de junho de 2001. de 15 de setembro de 1998. (BRASIL. IV . quando indiscriminados. instalações e equipamentos de proteção do meio ambiente e da saúde dos trabalhadores.O exercício de atividades que ameacem extinguir as espécies bióticas regionais. Surge a Lei 455.O uso de biocidas.as medidas a serem tomadas para restaurar o meio ambiente e proteger a saúde humana. 1991). (BRASIL. com a finalidade de preservar o valor paisagístico e a proteção do meio ambiente”. surge a fim de realizar avaliações e estudos ambientais destinados a determinar: I . V . de 22 de julho de 1999. as áreas de ressacas que deverão ser protegidas. pesticidas. assim como qualquer outro empreendimento degradador do meio ambiente.A implantação e o funcionamento de indústrias potencialmente poluidoras.as condições de operação e de manutenção dos equipamentos e sistemas de controle de poluição. como dispõe: “Art. De acordo com o Parágrafo Único da referida lei. de 26 de novembro de 1991. IV . uso. visando a melhoria da qualidade de vida das comunidades tradicionais residentes no local.proteção e incentivo à diversidade cultural. A Lei nº 1898. Com relação à destinação do lixo. 1997).Utilização como depósito de lixo. IV. loteamento e abertura de canais em qualquer situação. situada no Município de Macapá. No seu primeiro artigo trás a responsabilidade do Governo perante a delimitação e utilização das áreas.A realização de obras de terraplanagem. valorizando-se os conhecimentos. no Município de Macapá.os níveis efetivos ou potenciais de poluição ou de degradação ambiental provocados por atividades de pessoas físicas ou jurídicas. (BRASIL. aterramentos. exceto em casos de prevenção e degradações ambientais provenientes de erosão ou assoreamento naturais. foi promulgada a Lei 0608. que dispõem sobre o tombamento das áreas de ressaca localizadas no estado do Amapá. com o objetivo de proteger e conservar os recursos naturais ali existentes. II . trás como proibições: I . ou em desacordo com as normas ou recomendações técnicas dentro do padrão oficial. 1999). foi criada pela Lei 0431. inovações e práticas das comunidades locais sobre a conservação. .85 comunidades locais e dos povos indígenas nos benefícios econômicos e sociais decorrentes dos trabalhos de acesso a recursos genéticos localizados no Estado do Amapá. (BRASIL.a capacitação dos responsáveis pela operação e manutenção dos sistemas. manejo e aproveitamento da diversidade biológica e genética. A Lei de Tombamento das áreas de ressacas. 1º . III. III . são especialmente as localizadas nas áreas municipais urbanas. com a delimitação iniciando-se pela Lagoa dos Índios.Fica o Governo do Amapá obrigado a delimitar e a fazer o tombamento das áreas de ressaca localizadas no Estado do Amapá. A Área de Proteção Ambiental do Rio Curiaú (APA do Rio Curiaú). 1999).

Em 28 de junho de 2002. com o concurso do Poder Público.a gestão dos recursos hídricos é descentralizada. superficial e subterrânea do ciclo hidrológico. em padrões de qualidade satisfatórios. Esta lei trás em seu primeiro artigo: Art.a gestão de recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas. Gomes (2003) comenta que surge num bom momento. que dispõe sobre a Política de Gerenciamento dos Recursos Hídricos do Estado do Amapá. realizará o Zoneamento Ecológico Econômico Urbano – ZEEU. Esta lei surge com o objetivo de proporcionar a produção sustentável de bens e serviços florestais.a água é um recurso natural essencial à vida. VII. Esse reforço legal.a bacia hidrográfica é a unidade territorial para a implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Estadual de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos e o disciplinamento do uso da água. IV. considerando sua limitada e aleatória disponibilidade temporal e espacial. 1º . nos termos do art. de 27 de maio de 2004. (BRASIL.a água é um recurso natural limitado. o ordenamento econômico e a proteção do meio ambiente. 2002).86 com a finalidade de conceder prêmios para os municípios que tratam de maneira adequada o lixo por eles produzidos. 2004).a compatibilização e adequação entre o Plano Estadual de Recursos Hídricos com o Plano Nacional de Recursos Hídricos e os planos Diretores dos municípios. VI. é promulgada a Lei 686. dotado de valor econômico. VIII. Esta lei baseia-se nos seguintes fundamentos: I . visando a promoção social. dos usuários e das comunidades. ao desenvolvimento econômico e ao bem-estar social e deve ser controlada e utilizada. o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais. em escala de detalhe adequada. 231. das áreas de ressaca e várzea localizadas nas zonas urbanas e periurbanas. surge a Lei 0702 que dispõe sobre a Política Estadual de Florestas e demais Formas de Vegetação do Estado do Amapá. participativa e integrada. reordenamento territorial.O Governo do Estado. em consonância com a Constituição Federal e na forma da legislação federal aplicável. sem dissociação dos aspectos quantitativos e qualitativos e das fases meteórica. II. Em 07 de junho de 2002. da Constituição Estadual. V.a água é um bem de domínio público. por seus usuários atuais e pelas gerações futuras. A Política de Gerenciamento dos Recursos Hídricos vem como parte integrante dos Recursos Naturais do estado. uso econômico e gestão ambiental das áreas de ressaca e várzea localizadas no Estado do Amapá. (BRASIL.em situações de escassez. surge a Lei 0835. a conservação e a melhoria da qualidade de vida da população. com a colaboração das Prefeituras Municipais. pois permite que sejam detectados e solucionados os problemas relacionados aos recursos hídricos das proximidades das áreas urbanas de Macapá e Santana. III. . Com relação à ocupação urbana e periurbana. num prazo de até 03 (três) anos.

2003). poluidoras ou potencialmente poluidoras. O mais recente diploma legal é a Lei n. Porto Grande. terão prazo de até 01 (um) ano. Mazagão. 1. para a regularização de suas atividades perante os órgãos competentes. de 12 de julho de 2006. Ferreira Gomes. a permeabilidade de solo e a harmonia paisagística com o meio natural circundante. ficando obrigadas a apresentar plano especial de recuperação das áreas por elas degradadas.028. . que trata da criação e gestão da Floresta Estadual do Amapá. Os demais artigos trazem as limitações e confrontações da área abrangida pela lei. intervenções estruturais que garantam a drenagem. E em seu Paragrafo Unico que o Poder Público deve adotar na urbanização de áreas de ressaca e várzea fortemente ocupadas. Calçoene e Oiapoque. A Lei 0702/02 dispõem em seu sexto artigo que as áreas de ressaca e várzea preservadas terão como fins de uso prioritário a criação de Unidades de Conservação à nível municipal e estadual.ZEEU. da questão de reordenamento e utilização dessas áreas.As atividades econômicas já existentes em áreas de ressaca e várzea. As proibições desta lei são quaisquer atividades em desacordo com o plano de manejo.87 Esta lei específica para as localidades de ressacas e várzea das zonas urbanas. trata da gestão ambiental e urbana. o ordenamento econômico e a proteção do meio ambiente. visando à promoção social. Pedra Branca do Amapari. cujo primeiro artigo estabelece as áreas de abrangência da floresta aos municípios de Serra do Navio. de forma socialmente justa e economicamente viável. mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos. ficando resguardado. visando o uso sustentável mediante a exploração dos recursos naturais renováveis e não renováveis de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais e dos processos ecológicos. 2004). 3º .. A obrigatoriedade do Governo do Estado junto com as Prefeituras Municipais deve realizar o Zoneamento Ecológico Econômico Urbano – ZEEU.] (GOMES. após a aprovação do Zoneamento Ecológico Econômico Urbano . Tartarugalzinho. Pracuúba. (BRASIL. defende em seu terceiro artigo: Art. quando necessário. conforme estabelecida na legislação vigente. Amapá. no qual o Conselho Consultivo será constituído por representantes de órgãos públicos. das populações tradicionais residentes.. de organizações da sociedade civil e. além de estabelecer que as áreas se sujeitem ao regime das Unidades de Uso Sustentável estabelecido pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC [. A Floresta Estadual do Amapá deve estar vinculada ao Órgão Gestor de Floresta compartilhando a gestão com o Órgão Estadual de Meio Ambiente.

Exercer o poder de polícia nos casos de infração desta Lei.Fornecer diretrizes aos demais órgãos municipais.88 contudo. nas quais características são reconhecidas como de relevante contribuição à sustentabilidade do desenvolvimento da Floresta estadual do Amapá. Controle. O Poder Executivo fica responsável em promover e estimular o fortalecimento das atividades.3 A LEGISLAÇÃO AMBIENTAL E O PLANO DIRETOR DO MUNICÍPIO DE MACAPÁ Macapá possui sua própria legislação ambiental. (BRASIL. que visa a implantação e a consolidação de um processo de planejamento que propicie o desenvolvimento sustentável. V . VI . conservação e melhoria do meio ambiente.257 de 10/07/2001.Criar mecanismo efetivo de participação da comunidade nas decisões referentes às questões ambientais no Município. Conservação e Melhoria do Meio Ambiente do Município. fornecendo as diretrizes que interpretarão as potencialidades . aplicando novos instrumentos de política urbana. o plano plurianual.SEMAT. A partir da aprovação do Estatuto da Cidade pela Lei nº. Estabelecendo as diretrizes e regras fundamentais para a ordenação territorial e para que a propriedade urbana cumpra sua função social. garantida na Lei 948/98 que dispõem sobre a Lei de Proteção. Assim.Emitir parecer a respeito dos pedidos de localização. adotando ações e medidas prioritárias no âmbito normativo. relativo a qualquer ambiental. abrindo uma perspectiva para o Poder Executivo Municipal atuar de forma indutora no desenvolvimento urbano. melhoria e conservação do meio ambiente. Este Plano é de fato um instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana do Município de Macapá. IV . 10.Atuar sentido de conscientizar o público da necessidade de proteção. regulamentos e padrões de proteção. II . VII . o direito legal sobre quaisquer formas de ocupação legitima já existente na área. e o uso e manejo dos recursos naturais. apto a: I .Formular. contidas nas Legislações Federal. de 20 de janeiro de 2004 institui o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Macapá. em assuntos que se refiram ao meio ambiente e a qualidade de vida. de ser o órgão responsável pela sua aplicação e demais normas pertinentes. A Lei Complementar 026. instalação e operação de fontes poluidoras e de atividades que causem degradação ambiental ou comprometam o patrimônio natural do Município. observados as legislações Federal e Estadual. 1998). III . no seu Capitulo II da Competência. 5. aplicar e promover a difusão de normas técnicas.Estabelecer as áreas em que a ação do Executivo Municipal deva ser prioritária. as diretrizes orçamentárias e o orçamento anual devem incorporar as diretrizes e prioridades definidas pelo Plano Diretor. institucional e de monitoramento ambiental. Esta Lei apresenta. a responsabilidade que o Governo Municipal possui por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo . Estadual e Municipal.

favorecendo o desenvolvimento social e econômico do Município.favorecer a integração regional. (BRASIL. 2004a). VII. para que o desenvolvimento sustentável aconteça e que o cidadão macapaense possa ser capaz de se beneficiar das riquezas naturais do seu Estado faz-se necessário a correta aplicabilidade dos termos normativos. VI. à justiça social e ao desenvolvimento de forma sustentável.89 econômicas e sociais dos recursos ambientais do Município de Macapá. V. d) impeçam a retenção especulativa dos imóveis urbanos. induzindo um desenvolvimento sustentável. III. preservar e recuperar o patrimônio ambiental do Município de Macapá. II. IV.construir um sistema de planejamento e gestão que promova a gestão democrática no Município de Macapá.melhorar a mobilidade urbana. .atender às necessidades de todos os habitantes quanto à qualidade de vida. indicando as prioridades de investimento e promovendo a melhoria da qualidade de vida da sua população.identificar responsabilidades a serem assumidas pelas diversas instâncias da administração pública e pelos principais atores sociais da cidade. Desta maneira. O Plano busca atender a toda população do Município de Macapá. c) evitem a ocorrência de impactos ambientais negativos e riscos para a população. O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Macapá tem como seus objetivos gerais: I. promovendo o desenvolvimento econômico e assegurando padrões de expansão urbana compatíveis com o desenvolvimento sustentável do Município e da sua área de influência.ordenar a ocupação do território municipal segundo critérios que: a) assegurem o acesso à habitação e aos serviços públicos. b) garantam o melhor aproveitamento da infra-estrutura urbana.proteger.

O nível Macro refere-se à identificação de posições e estratégias para a mudança política. conheciam sim o mesmo. no primeiro momento da entrevista semiestruturada. Com o avanço da entrevista.Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Amapá. Pedrinhas e Congós. o intermediário (ONG’s) e local (comunidades do bairro do Marco Zero. bem como suas ações políticas. seus modelos e suas estruturas e também de diferente participação da sociedade civil na política de mudanças. bairros da capital de Macapá) a fim de analisar os impactos das ações do programa nas comunidades locais – o Programa da Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID. Gerência de Fiscalização Urbana e Florestal e Gerência do Núcleo de Fiscalização de Recursos Hídricos. posteriormente o IEPA . Propõe-se aqui analisar os fatores que influenciaram a construção de um espaço político de interação que torna possível acessar as populações no nível local. onde foram entrevistados três técnicos de diferentes setores: Diretoria do Ordenamento Territorial. em seguida a ADAP .Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Amapá.90 6 ANÁLISE DOS DADOS: TRÊS NÍVEIS DE ANÁLISE 6. Constatou-se que algumas das instituições.Instituto de Pesquisa Cientifica e Tecnológica do Estado do Amapá e finaliza-se a pesquisa de campo institucional com a visita no IMAP . A análise do Nível Macro leva o debate para as concepções do Programa da Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID. A primeira instituição visitada foi a SEMA Secretaria de Meio Ambiente do Amapá. a saber: o nível macro (Governo Estadual).Agência de Desenvolvimento do Amapá. o IEPA – Instituto de Pesquisa Cientifica e Tecnológica do Estado do Amapá e o IMAP . demonstraram certa insegurança com relação ao conhecimento do Programa de Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá. a ADAP – Agência de Desenvolvimento do Amapá. As instituições visitadas na pesquisa de campo foram a SEMA – Secretaria de Meio Ambiente do Amapá. logo se constatou que a maioria dos representantes institucionais tinha de certa maneira . foi possível perceber que os entrevistados que iniciaram a pesquisa com certo receio sobre o conhecimento do programa.1 NÍVEL MACRO: O PROGRAMA DE MELHORIA DA QUALIDADE AMBIENTAL URBANA DO AMAPÁ SOB A ÓTICA DAS INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS A pesquisa abrange três diferentes níveis.

que o Programa ficou disperso. Confirmando que o motivo da escolha desses municípios foi devido serem os mais populosos da região e também por seus problemas com relação a saneamento. foi o período também que ocorreu a aprovação e implementação do referido Programa entre este ano e o seguinte 2004. mineração. esta área foi impossibilitada de entrar no Programa. Após o ano de 2003. 2010. desenvolvimento das comunidades Periurbanas e rurais. o Programa deu inicio em suas ações desde apresentação da carta consulta apresentada ao CONFIEX (Comissão de Financiamento Externo). Santana e Laranjal do Jarí e contribuíram com o conhecimento de que o Programa se estenderia até o Oiapoque. De acordo com o relato do Coordenador da ADAP. mas por questões de encarecimento de recursos financeiros. E a parte de . Como comprova as falas do Gerente do Núcleo de Educação Ambiental da SEMA: Na verdade.] Acredito que o PROGRAMA ficou fragmentado! (MACAPÁ. pois era um programa muito amplo. foi decidido que o Banco Mundial ficaria com a parte de desenvolvimento humano das comunidades rurais e Peri urbanas juntamente com o desenvolvimento econômico dessas comunidades. Segundo as informações do coordenador do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá. juntamente com o governo do Amapá e o BID (Banco Interamericano). porque dizem que não tem mais recursos. não sabemos os resultados.. a gente não é mais chamado. todas as vezes que contribuirmos para os projetos. Com relação às áreas de atuação do Programa as instituições relataram sobre a escolha dos Municípios de Macapá. Era um programa financiado pelos dois órgãos Banco Mundial e Banco Interamericano. As demais instituições não sabiam corretamente informar o período que se iniciou e ocorreu a aprovação e implantação do Programa.BID. ou até mesmo perdido das ações das demais instituições que iniciaram e contribuíram para a sua aprovação junto às negociações entre o Estado do Amapá e os Bancos (BID e BNDS) que se interessaram pelos seus projetos. Desta maneira. Percebe-se neste momento. solto. o PDSA sofreu uma reformulação porque não conseguia ir adiante. ou seja.91 conhecimento sobre o Programa de Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá. turismo. o mesmo surge devido a existência anteriormente do PDSA – que já contemplava saneamento. Mesmo que dois dos entrevistados tenham demonstrado insegurança nas informações sobre o objeto de estudo da pesquisa.. informação verbal). e a GETEC (Gerência Técnica) em 2003. questões orçamentárias. Ah! Aquele recurso é pra fazer outra coisa [.

A primeira missão é o período de identificação. pesca e o turismo. A primeira etapa foi a de Estruturação. onde neste último se concentra as ações àquelas localidades de áreas úmidas. . drenagem MACRO e MICRO. em 2004. assumindo-o. atendendo especificamente os moradores das áreas de ressacas.se a fragmentação do PDSA para o Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá delimitando mais ainda a implantação de suas ações. O Governo do Estado. de orientação. formalizando a ajuda de memória de compromisso. fez. Foi em 2003 que o PDSA foi reformulado e suas alterações foram feitas surgindo o Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá. 2010. como comenta o coordenador do Programa: “E assim íamos trabalhando. Esse período de fase de elaboração duraria cerca de quatro a cinco anos. Tudo isso levou algum tempo. faz a definição junto ao BID e a partir deste momento começa os trabalhos de constatação. Voltada para a recuperação ambiental de algumas áreas e acabou ficando sob a responsabilidade do BID e do Governo do Estado. E todo esse procedimento foi realizado junto a coordenação da Agência de Desenvolvimento do Amapá. o Estado não estava preparado tecnicamente para receber um programa de tamanha complexidade financeira e também de uma significativa abrangência geográfica. desses valores até então não tinha”. informação verbal). Percebe-se que segundo o relato do Coordenador do Programa. (ADAP. que seria as das obras de infraestrutura. “Só que por conta de nossa dificuldade. de analise. ou seja. esgotamento sanitário. 2010. são eles: água potável. aos três Municípios apenas. E por conta da analise do banco com relação a nossa capacidade de gestão. já estaria na segunda fase de sua ação. o problema é que o ESTADO não tinha experiência em operar projeto dessa maneira. CAESA e dos municípios. o Programa de Melhoria apresenta-se com cinco componentes para trabalhar. Se o Programa realmente tivesse sido efetivado. seria o momento da estruturação do fortalecimento funcional dessas instituições que caberia o trabalho de fiscalização e acompanhamento da SEMA. Macapá. O Projeto entendi que seria bem mais amplo. Santana e Laranjal do Jarí. Finalizando para fechamento. Em 2003. informação verbal). ficou decidido que esse projeto seria dividido em duas etapas” (ADAP. resíduo sólidos e a parte de reordenamento urbano. Desta maneira. acabou se limitando para a infra-estrutura urbana. consultoria para dar suporte ao acompanhamento do Banco com as missões. esta primeira fase já passou.92 infra-estrutura acabou sendo eliminado as questões que envolvem a mineração. que nós tínhamos até então. fase da elaboração de planos dos Planos Diretores para cada setor. ou seja.

pois não conseguiu desenvolver suas concretas ações de melhoria e qualidade de vida para o seu publico alvo. 2010. Desta maneira. As secretarias começaram a ter problemas e aí várias vezes tivemos que fazer correções. reuniões e negociações). Nos estudos. que segundo o coordenador do Programa sofreu várias alterações a cada três meses ao ano para poder apresentar junto ao Banco. Segundo o Coordenador da ADAP. por exemplo. o Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá não alcançou a segunda etapa de suas ações. no que foi feito sobre a pesquisa de campo. informação verbal). Desde 2006. E por conta da divida externa do governo federal então teve mais cortes no Estado ainda (ADAP. o MIP (Manual de Instrução de Pleito). logo o Programa não conseguiu avançar para a segunda fase que seria as ações direcionadas as obras. aceitos pela sede do banco. por exemplo. seus estudos estão sendo aproveitados nos Programas atuais PAC1 e PAC2. o projeto foi aprovado. a proposta também não foi adiante (IEPA. informação verbal). como por exemplo. Após a primeira fase do projeto. o Programa não conseguiu ultrapassar a sua primeira fase (estudos. de drenagem por exemplo. A SEMA e o IEPA elaboraram um termo de referência para maior participação no processo. tudo isso por motivo de problemas financeiros do Estado. pesquisas. muitos desses projetos de água e esgoto foram aperfeiçoados e estão hoje no PAC 1 e PAC 2. . que freqüentemente a sua coordenação fazia reformulações anuais. de topografia dos três municípios muito balizou os projetos do PAC. Algumas questões. (ADAP. hoje fazem suas atividades totalmente desvinculadas do mesmo. Com relação à efetivação das ações que atualmente poderiam estar sendo realizadas pelo Programa. Hoje o que se tem feito. Havia além das questões internas financeiras do Estado. O Estado por conta da crise financeira. como confirma as falas do coordenador do Programa: Essa que é a questão. pelo menos os projetos que nós temos foram aprovados.93 Infelizmente. 2010. cujo diagnóstico foi conduzido pela empresa AMAPAZ e ADAP (conforme PDDR-URBANA) as ações subseqüentes não foram efetivadas. por exemplo. o Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá não alcançou os objetivos de seu planejamento. portanto. 2010. constatou-se que todas as instituições que participaram e contribuíram para a construção do Programa. algumas coisas acabaram não saindo de forma correta. Não conseguimos sair nem da primeira. de ordem de inadimplência. visto que. mas devido a não continuidade do projeto. o problema com a documentação do Programa. tudo o que se trabalhou dos estudos levantados das pesquisas no Programa. informação verbal).

vê-se que a instituição surgiu em 1996. Canal do Jandiá e entorno do Canal do Beirol. pela SEMA se encontram nos bairros do Marabaixo. como é o caso do bairro do Perpétuo Socorro. foi possível observar o cuidado e a preocupação que um dos entrevistados teve em formular sua resposta a essa questão. IMAP e CAESA. Outro ponto significativo das ações que o Programa viria a proporcionar de positivo para a população que vive em áreas alagadas seria a concretização do Plano Diretor de Recuperação e Proteção das Áreas de Ressacas. 2010. envolvendo o BID. informação verbal). A ADAP é coordenadora e executora do programa principalmente . SEMA. mas foi somente em 2003 que assumiu a coordenação do Programa Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá que vinha sendo coordenado pela SEPLAN. IEPA e as prefeituras. Assim como os trabalhos de drenagem e esgoto que estão sendo feitos pelo Governo do Estado do Amapá próximo as áreas alagadas. Pantanal e Boné Azul. porém nenhum destes foi desenvolvido até o momento pela instituição. que uma das instituições entrevistadas. considerando-o disperso das referidas instituições. “Agente Ambiental Comunitário” e “Multiplicadores de Educação Ambiental para a Produção Sustentável” sendo estes indicados pela instituição para compor o Programa Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá. “Nem positivo. que atinge parte do bairro do Congós. SEINF. que infelizmente também não chegou a ser realizado. nem negativo fica no meio. as relações políticas são muito fortes na vida da população macapaense. Com relação aos pontos positivos e negativos observados no Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá de acordo com a atuação nas áreas de ressacas. Sob a coordenação da ADAP.94 As ações atualmente desenvolvidas em áreas de ressacas. segundo as instituições foi positivo a contribuição técnica daquelas que participaram do processo de construção e implantação do mesmo e de negativo foi que o Programa não conseguiu efetivar suas ações. CAESA. As instituições SEMA e ADAP souberam enfatizar a importância de outras instituições que trabalharam junto ao Programa na busca da melhoria da qualidade de vida da população que habita as áreas de ressacas. Apresentando como beneficiarias SEMA. visto que no Estado em si. Vejo como positivo o processo de metropolização e o consumo que cresceu na cidade” (IMAP. onde desenvolve-se o “Projeto Recicle” totalmente desvinculado as ações do Programa. Com relação ao papel da ADAP no Programa no que se refere às principais atividades. Os Projetos que foram realizados pela SEMA em função da recuperação das áreas de ressacas foram: Projeto Ambiental das áreas de ressacas. É interessante dizer.

informação verbal). Percebe-se que com vista às atividades de ordenamento urbano nas áreas de ressacas atualmente foi desenvolvido junto ao BID um programa de Loteamento e Remanejamento das famílias dos bairros do Araxá e Perpetuo Socorro. é que a população das áreas de ressacas tem mais instrução e parecem estar melhor financeiramente.por exemplo. (IMAP. alfabetização e educação ambiental”. “Muito devagar. Próximo tem posto de saúde. “Indiretamente pois os estudos do Programa serviram de base para a atuação de hoje” (ADAP. na prestação de contas e foi interlocutora do governo junto ao BID. informação verbal). “O que percebo hoje. como confirma a ilustração a seguir: . 2010. As ações que estão sendo desenvolvidas pelas instituições entrevistadas. No Araxá. informação verbal). 2010. informação verbal). visto que os relatos novamente foram muito tendenciosos na preocupação de se ter um cuidado com as informações apresentadas no momento da entrevista. 2010. trabalhou no gerenciamento dos recursos financeiros. “É evidente que não. Mas foi possível observar que as ações atuais da maioria das instituições estão fragilizadas e paradas devido a crise financeira do Estado e a não preocupação do mesmo com as questões ambientais. A população destrói. 2010. informação verbal). transporte e coleta de resíduos”. não possuem nenhum vinculo com o Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá. Constatou-se que a melhoria da qualidade ambiental não vem sendo atingida nem pelo programa e nem pelas ações atuais do Estado. 2010. pois o programa encontra-se sem andamento” (IEPA. falta conscientização. ela está ainda engatinhando” (IMAP. “Pouco tudo isso a passos muito lento. mesmo sendo consideradas por poucos como “filhas” dos estudos realizados anteriormente para a implantação do Programa. o Rio Amazonas avançou em direção as casas de palafitas impossibilitando o acesso a moradia na área novamente. Elaborou projetos e as contratações desses projetos.95 no que se trata a respeito de produzir as licitações. (IMAP.

Fonte: Da autora/ 2010. existe o loteamento Vitória Regia financiado pelo Programa “Minha Casa Minha Vida” para os Servidores do Estado do Amapá. Existe o Programa Federal “Minha Casa.Moradias do bairro do Araxá nas proximidades do rio Amazonas. Minha Vida” que atinge também a população que vive nas áreas alagadas de baixa renda e o PROA – Programa de Assentamento do Estado.300 famílias No Pantanal 500 familias No Brasil Novo 500 familias No Tucumam 1000 familias No Amazonas 500 familias No Açucena 60 familias No Chefe Cleodoaldo 240 familias . Atualmente. por exemplo. Essas ações são fundamentadas com base no plano territorial respeitando a área urbana definida pelo Plano Diretor da Cidade de Macapá. segundo relato do Diretor de Ordenamento Territorial do IMAP existe uma invasão chamada JUVENILA que compõem 900 famílias atualmente e o Estado já indenizou cerca de um milhão de famílias nesta localidade. água e energia elétrica) isso seria o básico. Essas áreas eram do território e passou para o Estado. segundo o Diretor de Ordenamento Territorial do IMAP. Com relação a outros loteamentos na cidade de Macapá.96 Figura 15 . Ao ser criado loteamentos urbanos aqui na cidade seja em Macapá ou em Santana o objetivo do IMAP é retirar das áreas alagadas a população que lá se encontra e colocar num loteamento de terra firme semi urbanizadas (com aruamento. onde vivem cerca de 220 famílias que receberam a casa pronta. aconteceram os seguintes remanejamentos:        No Renascer 2. na zona Norte.

500 famílias ou 6000 famílias.V. acaba concentrando-se nestas áreas: Fazendinha a caminho do Município de Santana e pra Rodoviária que se tornam áreas bastante valorizadas no mercado imobiliário.IV.II. tais como: combustível. diárias. do que pegar lote no Marabaixo VI (Zona de Migração). fiscalização e monitoramento ambiental também vem exercendo atividades de educação ambiental segundo as falas do Gerente do Núcleo de Fiscalização de Recursos Hídricos: Então hoje o nosso trabalho aqui. Beirol. Essas ações são direcionadas para as baixadas. devido um incêndio que aconteceu. Os beneficiários devem ter dois anos de vida no Estado.97  No Marabaixo I. foi detectado que o IMAP mesmo sendo uma instituição que trabalha com licenciamento. Mas. (IMAP. inclusive hoje a SEMA na verdade não tem mais nenhum papel desse. qual seria esse plano? Seria a questão da educação ambiental. pois o resto vendeu o lote e não se sabe onde estão agora. é fazer um Plano de Trabalho. informação verbal). que vem agora. equipamentos materiais e de recursos humanos qualificado. 2010. onde se encontra a grande maioria da população. no Amazonas. como as drenagens que estão sendo realizadas tanto pelo Governo do Estado como pela Prefeitura. o Município. sem casa própria e morar em áreas insalubres. atualmente o instituto verificou que só ficaram 15 famílias dos remanejados. (IMAP. Atividades Institucionais de Educação Ambiental é outro exemplo. serviço. O Remanejamento do Perpetuo Socorro. porém. do Jesus de Nazaré. A educação ambiental não é só orientar falando. O maior risco hoje são as áreas alagadas. o IMAP levou 220 famílias nas proximidades do bairro do Renascer. escola. As pessoas que procuram as áreas de ressacas são por dificuldade de conseguir lotes e devido à proximidade com relação ao trabalho. 2010. foi gerado lotes para eles. as mais perigosas são a do Pacoval.III. Quando se faz monitoramento. visto que foi possível verificar certas repetições de ações como é o caso de obras. Observou-se que as maiores dificuldades encontradas para a implementação de políticas urbanísticas em áreas de ressacas urbanas na cidade de Macapá é a respeito do apoio logístico com relação às condições viáveis para a realização das atividades de cada instituição. As dificuldades é a questão fundiária por motivo de a cidade estar crescendo e a sua Zona de expansão urbana. sabe que ta errado você faz esse trabalho. Outro ponto importante é ausência de integração entre o Estado. fiscalização (direta ou indiretamente) você faz este trabalho. informação verbal). por exemplo. a Comunidade e suas Associações. preferem morar em ressacas no centro da cidade. No sentido mais amplo e mais radical de que mostra que você conhecer está errado. Congós e Zerão. Ela está para . segundo a SEMA é a grande instituição responsável para exercê-la.VI aproximadamente 5. veja bem.

Que na verdade seu trabalho hoje é trabalhar política de Gestão e o IMAP a execução. (IMAP. só que foi feito as coisas às pressas e aí ficou muita coisa pendente que precisa ser melhor estruturada. foi possível detectar um problema intenso na quantidade e qualidade da água. Na verdade era para ser criado um instituto. Quer dizer foi um crescimento da noite pro dia”.98 a Educação Ambiental e Unidade de Conservação. logístico e de capacitação. visto que. mas atualmente os Municípios de Ferreira Gomes e Araguaia sofrem com a falta de água. Aí tem coisa que depende da SEMA. Percebe-se que as atividades têm sido executadas devido a convênios com outros Órgãos relacionados ao Meio Ambiente. ela cresceu em um. por meio da decantação. como Ministérios. que possuem poços profundos. informou que de acordo com um monitoramento realizado sobre a qualidade da água. Há exemplo disso. Uma das problemáticas atuais enfrentadas pelos macapaenses refere-se na qualidade e quantidade da água. correção de PH e em algumas a . Conseguindo desta forma apoio técnico. porém a cidade cresceu além das expectativas. 2010. informação verbal). seu sistema de abastecimento de água atinge um alto percentual devido todo o processo de crescimento urbano Durante a pesquisa foi possível conhecer uma das bacias de decantação localizada no bairro das Pedrinhas (Figura 16). a cidade é cercada pelo Rio Amazonas e o Estado cortado pelo Oceano Atlântico. Atualmente. 2010. A problemática atual a respeito da crise econômica que Estado se encontra reflete em todas as atividades que estão ou deveriam estar em funcionamento pelas instituições aqui analisadas. Que na verdade a SEMA ficou de braços cruzados sem fazer nada. informação verbal). É realizado o tratamento da água nestas estações de tratamento – ETA. Promotorias. para saber sobre a água superficial e subterrânea no Estado. Então todo esse trabalho o certo e na verdade é só o IMAP que faz. cloração. o instituto faz um trabalho que será apresentado junto a ANA (Agência Nacional de Água) na tentativa de aprofundar os estudos sobre a água subterrânea do Estado. A cidade de Macapá cresceu de certa maneira que o sistema de tratamento e de abastecimento de água necessita de uma reestruturação. Por questão de legislação tecnização a SEMA o próprio IMAP ainda não está regulamentado. “o que era pra crescer em 10 anos. informação verbal). segundo relato do Gerente do Núcleo de Fiscalização de Recursos Hídricos a bacia de decantação foi projetada para a cidade de Macapá. e o sistema de abastecimento não acompanhou tal desenvolvimento. O Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Amapá (2010. Agências e Secretarias. principalmente na subterrânea. (IMAP. e foi dada uma perspectiva de crescimento nas condições que teria de suportar e até ampliar.

A capacidade nominal dessas EAS é de 10. observa-se o contraste entre a melhoria de abastecimento de água tratada para a capital e o . Cuba de Asfalto e do Congós. a empresa CAESA fornece em média 1.034m³/d (AMAPÁ.5 mil litros de água tratada por segundo. Desta maneira. As ilustrações apresentadas acima são da bacia de decantação do bairro das pedrinhas. Macapá possui cerca de 80 quilômetros de rede de esgoto e apenas 5% da população tem acesso a esse serviço (AMAPÁ. Há outras ETAS na cidade de Macapá como a do Perpetuo Socorro.Bacia de decantação localizada nas proximidades dos bairros Marco Zero∕ Pedrinhas Fonte: Autoria própria. Figura 17 .99 fluoretação como é o caso da ETA do bairro Cabralzinho.Acumulo de lixo às proximidades da Bacia de decantação. Segundo as informações retiradas do Mapa do saneamento 2009/2010. 2009). 2010. onde foi possível encontrar no local a existência de seres vivos. Fonte: Autoria própria. 2009). Figura 16 . 2010. como as aves e também um significativo volume de lixo deixado pela população em suas proximidades. A água fornecida à população de Macapá é captada do Rio Amazonas e bombeada por adutoras até a estação de tratamento do tipo convencional.

A exemplo disso algumas comunidades ribeirinhas do Estado. o que se observa é um contraste entre o que está escrito na lei e as ações realizadas principalmente próximas ao período eleitoreiro. gosta de morar bem. O Estado do Amapá é conhecido pela maior cobertura vegetal do país e como o que mais mantêm preservado a floresta Amazônica. 2009). Hoje. e para não se dar mal ele faz com que essa lei não seja comprida. com relação à proteção e conservação dessas áreas. doenças de pele e estomacal. Mas. ele cria as leis proibindo. se dá uma invasão em área de ressaca. os indicadores de saneamento básico do Amapá estão entre os piores do país (AMAPÁ. devido ao péssimo serviço de tratamento de água dessas localidades. como malaria. dengue. Então. O que ocorre é que todos são a favor e todos ao mesmo tempo são contra. 2010.100 descaso da população que contribui para a ampliação dos problemas ambientais urbanos de Macapá. na área do Congós e do Beirol. por exemplo. nas quais se pode verificar obras de melhoria nas palafitas e moradias. A outra questão é de quem mora. Com relação a população que vive em áreas alagadas. sob a ótica das instituições sofrem os seguintes riscos: de acidentes como os mais freqüentes são quedas das palafitas e afogamento de crianças. no centro urbano de Macapá. Enfraquecendo as ações de fiscalização do próprio Estado. as pessoas já começam a aterrar seus terrenos. quer ficar bem. No entanto. se você não fizer. por exemplo. 2009). onde segundo a CAESA é tecnicamente inviável a implantação de um sistema de abastecimento e que desde 2003 a companhia vem distribuindo kits domiciliares com produtos de limpar. . (IMAP. Na verdade a legislação impede que se ofereça uma estrutura adequada de moradia aqueles que vivem sob palafitas nas áreas de ressacas. informação verbal). corrigir a acidez e desinfetar a água que os moradores utilizam dos rios da região (AMAPÁ. O político. para se dar bem. se você não fizer isso. de doenças. Se a gente vai lá e multa é mais quem é contra! Mas. como as de ressacas. de acordo com os dados do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento do Ministério das Cidades. se ta ocorrendo aterro é mais quem vai denunciar. como a população do Arquipélago do Bailique. a imprensa mata você! Então tem a questão política também.

Me marcou!. Os problemas mais identificados pela ONG Colibri nas comunidades são: problemas com o asfalto. os trabalhadores parecem ter conseguido uma liminar para . 2010.2 NÍVEL INTERMEDIÁRIO: A ORGANIZAÇÃO NÃO-GOVERNAMENTAL INSTITUTO COLIBRI E O PROGRAMA DE MELHORIA DA QUALIDADE AMBIENTAL URBANA DO AMAPÁ De acordo com a pesquisa a nível intermediário. a entrevista semi-estruturada foi direcionada a Organização Não-Governamental denominada Instituto Colibri foi possível verificar o desconhecimento da mesma com relação ao Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá. e fiquei com esse carimbo. a paralisação das Caieiras (produção de carvão nas proximidades da comunidade e do rio) sob suspeita de que a partir de 2011. Desta maneira.101 6. quando eu fundei a Juventude Socialista Brasileira. mas nenhum deputado se interessa em ajudar. De acordo com o relato da presidente da ONG. A População alvo são os residentes em palafitas sobre as áreas de ressacas. O que o Instituto Colibri tem realizado como ações para a comunidade local. pois várias são as tentativas por meio de encaminhamento de ofícios junto às secretarias. Porque eles partem do principio que eu sou de esquerda. informação verbal). aos deputados mas vem encontrando muita resistência. onde se encontra nas proximidades das casas de palafitas e as inundações constantes com as chuvas principalmente no período de inverno. pois o asfalto que o poder público realizou na localidade não foi até o final da via. que estou com 48 anos. quando eu tinha 17 anos. há muitas dificuldades em conseguir apoio do poder público para a efetividade das atividades. com diz: Bem que eu peço ajuda pro governo. (INSTITUTO COLIBRI. verifica-se a fragilidade da ONG como instrumento importante de intermediação entre as relações estabelecidas entre o governo federal. Observa-se a presença de relações políticas fortes quando se diz respeito às implementações de ações públicas interelacionadas com as Organizações Não- Governamentais e a própria comunidade local que busca em conjunto com essas instituições o melhoramento de sua condição de vida. foi só isso! O único crime que eu cometi! E pago até hoje. O Instituto Colibri tem suas ações direcionadas aos bairros do Marco Zero e Pedrinhas. atingido também a população do Congós. estadual e a comunidade local.

2010. sem condições de pagar o combustível do professor voluntário.00) só no Marco Zero. customização.00”. E alguns muito poucos. a gente poderia fazer criação de peixe.. levei dois anos pra isso. palestras educativas. porém a única que atende a população da área é a “Renda Pra Viver Melhor”. My Thai e jiu jitsu. 2010. as atividades relacionadas com o esporte. Tem terra firme improdutiva a mais de 15 anos e a pessoa (governo) não faz nada! Daqui pra lá (veja) é uma área imensa de terra. informação verbal). isso segundo a presidente do instituto foi um processo árduo de luta constante junto ao poder público. Tem sim como fazer. parte que não utiliza para venda do produto) às famílias carentes para fins de alimentação. consegui colocar. porque qd vem a chuva. tem uma renda federal que é de 90.102 voltarem às atividades na área. Os planos futuros de intervenções da ONG Colibri é de conseguir o remanejamento dessa população que vive em áreas alagadas de vulnerabilidade social para uma localidade próxima de terra firme. A sede da ONG é na residência da presidente. principalmente de educação ambiental. como também para a do Congós atingindo os moradores da oitava avenida até a décima sétima. dá pra remanejar. crochê. alaga tudo. E lá embaixo que é um buraco. Todas essas atividades desenvolvidas foram realizadas sem nenhuma parceria com o governo. que é hoje a principal atividade desenvolvida pelo Instituto Colibri. (INSTITUTO COLIBRI. As contribuições vêm de voluntários. local onde desde 2008 vem realizando cursos como de ovo de páscoa.] por conta de muita bronca. onde se encontra 105 famílias cadastradas. Remanejar essa população. A presidente do instituto é proprietária de um frigorifico de peixes e faz doação do descarte do peixe (cabeça. uma área na qual a presidente denominou de academia. Assim como. fazer casas pra esse pessoal todo daí. porque tds esses terrenos estão vagos. Segundo o relato da entrevistada o dinheiro só estava dando para o lanche. informação verbal). pat-colagem. Qual é a minha idéia? È tirar eles daí desse buraco. porém constatou-se que as atividades estavam paralisadas. “[. O Instituto Colibri tem parceria junto ao Conselho Tutelar do Estado. Há no local.. A instituição tem conhecimento das políticas públicas do Estado na atualidade. onde seria exercidas a capoeira. no qual pela pessoa do conselheiro visita a comunidade para compreender e agir a respeito do grande índice de prostituição entre crianças e adolescentes na localidade. briga. tanto para as famílias dos bairros Marco Zero e Pedrinhas. . Elas ganham meio salário mínimo (255. (INSTITUTO COLIBRI.

pois há um morro. informação verbal).. Já estão dando aqui mais do que chuchu na serra”. eles vêm porque na hora que a policia vem eles correm. Com relação à melhoria da qualidade ambiental e urbana da cidade de Macapá. não vem sendo atingida. pois o local é incentivo para os criminosos que se escondem com facilidade do policiamento. 2010. pois considera que um dos maiores problema na área ainda continua sendo o carvão (as caieiras). a criação de peixes e a padaria comunitária. Esta última. como a horta comunitária. Eles se alojam aqui. Aqui tem acesso pra eles (os marginais) virem pra cá é mais fácil que os outros bairros. eles já estão vendo dalí do morro. pois ficariam atrelados a um responsável .103 “[.e aí podem correr para a bacia.. (INSTITUTO COLIBRI. segundo o parecer da presidente do Instituto Colibri. se a polícia vem por aqui. para o rio que dá acesso pra bacia de decantação. informação verbal). O Conselho faz a fiscalização juntamente com a ONG. onde ficam os olheiros e avisam aos demais que acabam rapidamente desviando dos policiais.] as meninas de 10 a 12 anos já estão dando por aqui. A ONG tem algumas propostas de atividades de renda para essas famílias. porém foi discutida e não muito aceita pela população que considerou inviável a proposta. aqui tem vários caminhos (INSTITUTO COLIBRI. que atualmente consegue verificar um aumento significativo da criminalidade no bairro do Marco Zero e Pedrinhas. 2010. Figura 18 – Caieiras. pois segundo suas informações o trabalho irá voltar por meio de uma liminar. Fonte: Autoria própria. 2010 O trabalho nas caieiras é árduo e provoca muitos problemas para a saúde da população que vive desta atividade cerca de 40 famílias e àqueles que moram nas proximidades.

2010. De acordo com as palestras realizadas pelo Instituto. E outra proposta da ONG seria apresentar um projeto junto a Secretaria de Meio Ambiente Municipal e outros órgãos do Estado. que por serem atendidas pelo Instituto Colibri. como ele iria administrar uma padaria?’ Iam ter que depender de uma outra pessoa” (INSTITUTO COLIBRI. 2010. eu nem sei quem é esse tal de ozônio. “Só que como um deles falou ‘que não sabia nem andar de bicicleta.104 externo da comunidade nas questões administrativas. alto lá. eles já possuem este conhecimento e se continuam fazendo já fazem sabendo. informação verbal). (INSTITUTO COLIBRI. (INSTITUTO COLIBRI. Ai eu percebi que tinha que explicar tudo de novo. “Hoje estou indo por Brasília. Hoje aqui tudo é entorno de política. 6. o que era lençol freático?. pela ausência de conhecimento específico pela comunidade local. disse um dos participantes. “Olha Dona Edna. eu não. onde se utiliza de um trabalho que prejudica a saúde do trabalhador. além de maltratar crianças e adolescente que lá se encontram. eu sei que eu nunca fiz mal a ele”.3 NÍVEL LOCAL: A PERCEPÇÃO DE RISCOS DOS MORADORES DAS ÁREAS DE RESSACAS JUNTO ÀS AÇÕES DO PROGRAMA DE MELHORIA DA QUALIDADE AMBIENTAL URBANA DO AMAPÁ O nível local centra a sua atenção nos beneficiários comunitários do Programa da Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID. Eles ouviam e iam embora. informação verbal). atualmente já se pode afirmar que anteriormente havia um desconhecimento com relação à atividade criminosa que envolve as caieiras. 2010. visto que há um número significativo da população analfabeta. particularmente os atores que vivem no bairro do Congós que é uma área especificamente urbanizada da cidade de Macapá. Atualmente. passou a ser de interesse da pesquisa. A gente tem barreiras e agora para 2011 vamos tentar um projeto com relação à Bacia de Decantação e o Carvão”. ai depois vinham e perguntavam. Para exercer a atividade de piscicultura teria que estar em acordo com a prefeitura na condição de conseguir uma área para exercer a atividade. Com o avanço na pesquisa de campo inseriu-se as comunidades dos bairros do Marco Zero e das Pedrinhas. informação verbal). . Numa palestra eu falei vocês estão matando a camada de ozônio.

Houve também disparidades quando se refere à geografia do espaço diferenciado do Marco Zero e das Pedrinhas com relação ao bairro do Congós. “Mas. foi possível constatar a ausência de conhecimento das lideranças dos bairros à respeito do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá. indivíduos. A localidade do Congós é uma área bem mais estruturada.105 Desta maneira. 2010. (Liderança do Bairro do Congos. primeiramente aconteceu com a liderança do bairro do Marco Zero e também da comunidade que vive no entorno das áreas de ressacas do Bairro das Pedrinhas. Aqui falta tudo pra melhorar. pois nos relatos dos entrevistados há certo esquecimento de ações públicas àquela população que mora nas palafitas em áreas periodicamente alagadas. pois segundo a liderança do local afirma que não é um bairro muito violento. onde esses dois estão ligados no que se refere às ações da liderança. As ilustrações a seguir identificam tais diferenças: . sob o ponto de vista de lideranças que atuam no bairro. O que se denomina de local incorpora-se nas dinâmicas do relacionamento entre agências de desenvolvimento. Desta maneira. onde. sendo que as práticas organizacionais têm uma interação dinâmica e impactante no conhecimento das populações locais. líderes comunitário e outros atores dos espaços embricados nas comunidades. onde neste foi possível observar uma realidade bastante diferente. Percebe-se uma relação distanciada entre o nível micro local e o nível macro. 2010. É discutido que este nível é onde a teoria e a prática estão relacionadas ao desenvolvimento político. o nível micro. não falta água e a política da “Luz para Todos” com taxa única atinge aos moradores. significa a análise das comunidades e seus fatos relacionados com o programa em estudo. Foram realizadas no nível local entrevistas com as lideranças dos bairros. Só em época de campanha que aparece um pedindo voto”. informação verbal). fica próximo ao asfalto e no entorno fica uma área bem mais urbanizada do que aqueles que moram nas áreas de ressacas do bairro do Marco Zero e das Pedrinhas. “Os políticos só aparecem em campanha aqui! A nossa via aqui (palafitas) está abandonada. o mais próximo daqui é lá do outro lado” (Liderança do Marco Zero e Pedrinhas. não temos posto de saúde. informação verbal). você vai na prefeitura está lá o IPTU pra pagar. Realizou-se também a entrevista com um representante do bairro do Congós.

Bairro do Marco Zero 1. Fonte: Autoria própria. Figura 21 .106 Figura 19 . 2010. .Bairro do Congós 2. 2010. Fonte: Autoria própria. Figura 20 .Bairro do Congós 1. 2010. Fonte: Autoria própria.

(Liderança do Marco Zero e Pedrinhas. mas não chega até lá embaixo. A pavimentação vai até aqui. informação verbal). quando eles fazem o fogo queimam na caieiras. Não temos creche perto. luz. afirmam os riscos apresentados pela população local. A falta de água e de tratamento que também provocam outras doenças à população como a diarréia e doenças de pele. A última limpeza pra cá nós conseguimos máquina pra limpar. é pararaca. informação verbal). Além da criminalidade. mas temos uma escola lá no começo. lá dentro.107 Figura 22 . há cobras dentro da casa. bico de jaca se pegasse um já era. o fogo das caieiras que provocam muita fumaça e doenças de vista. surgiu um “animal” perigoso. Os riscos mais observados nos bairros do Marco Zero e Pedrinhas foram os animais que sobem para as casas como as cobras. 2010. e ai elas sobem vão para as residências e não é cobra não. eu peitei ele pra ver quem deixa o outro mais apavorado. água. coral. Passa uma linha de ônibus pra cá sim. Como eu já conheço as pessoas do bairro então eu tive que fazer o mesmo que ele faz. (Liderança do Marco Zero e Pedrinhas. acidentes de motos e quedas principalmente das crianças. que se mostra consciente desses fatos como mostra o quadro abaixo: . Aqui falta policiamento. acusando que eu teria contratado alguém para matá-lo. O aumento da criminalidade.Bairro do Marco Zero 2 Fonte: Autoria própria. Uma vez estávamos entre 20 pessoas descascando camarão. 2010. coriza e pneumonia. desce pras caieiras. falta terraplanagem. o menino pegou ai na frente uma surucucu. 2010.

doenças de vista. com estimulo para adequada coleta do lixo pelos moradores Coleta de lixo muito distante Proximidade com a via pública Forte presença política da Liderança Mais Violento (Assaltos) Não há forte organização dos moradores Sem muitas queixas sobre atos violentos .Percepção dos Riscos e as diferentes realidades encontradas no Nível Local. Marco Zero\Pedrinhas O local encontra-se distante das vias de asfalto Maior quantidade de Lixo Congós Próximo as vias de asfalto Menor quantidade de Lixo no rio Animais que sobem nas palafitas como as cobras Fogo das Caieiras (Fumaça.108 Quadro 1 . coriza e pneumonia) Precário serviço de abastecimento de água (doenças de pele e diarréia) Alagamentos em época de chuvas Clandestinidade no abastecimento de energia Palafitas quebradas dificultando o acesso às casas Canalização dentro das casas Freqüentemente alagada (Rio ↔ Chuva) Energia fornecida pela política do governo atual (“Luz para Todos”) Acidentes (de motos e quedas das palafitas) Dejetos jogados diretamente no rio Dejetos jogados diretamente no rio.

pois desde meados do ano de 2010 vem sofrendo um crescimento de vias de palafitas e casas na região. . Diferente da liderança do bairro do Congós que se mudou já sabendo que o local era úmido e por opção deixou a moradia no centro da cidade de Macapá para ficar próxima ao restante da família que lá já se encontrava. Constatou-se que os líderes dos bairros que participaram da pesquisa migraram para as áreas alagadas.Interior e banheiro externo das casas localizadas em áreas de ressacas. após terem morado anteriormente em áreas de terra firme. Segundo os relatos há a promessa da política do PAC direcionada aos moradores do Congós que vem incentivando ainda mais o processo migratório para o bairro. Essas vias são construídas pela própria população que se instala na área. Fonte: Autoria própria. a liderança deste bairro continuou morando nesta localidade. onde possui um pneu e os dejetos são jogados diretamente no rio. 2010.Transporte dos moradores do bairro do Marco Zero. Fonte: Autoria própria. Apesar da falta de conhecimento de que no Marco Zero seria uma área atingida por alagamentos. os banheiros são pequenas caixas externas a casa. Figura 24 .109 Figura 23 . as casas que ali se encontram apresentam de 2 a 3 compartimentos no máximo. 2010.

2010. Nos bairros do Marco Zero e Pedrinhas houve também um aumento de concentração de casas nas áreas de ressacas. As casas não possuem fossa e nem existe rede de esgoto. o povo faz numa sacola. As pontes aqui também são quebradas principalmente por motos. Aqui tem muito acidente sim. porque algumas palafitas são altas demais. pois as palafitas são muito mais altas na localidade. o risco com crianças é significativamente maior. Figura 26 . (Liderança do Marco Zero e Pedrinhas. 2010. “Não tem banheiro nas casas de palafitas. Tem que proibir isso!. informação verbal).Crianças em risco nas palafitas. devido o número de população que vive na área. É um Horror!” (Liderança do Marco Zero e Pedrinhas. . 2010. entorno de 2metros a 3 metros do chão. 2010. Percebe-se que a área é bem mais poluída do que a do bairro do Congós. . é criança caindo da ponte.Banheiro externo no Bairro do Congós. ainda pouco uma criança de três anos caiu e quebrou o fêmur. Fonte: Autoria própria. Fonte: Autoria própria. ou fazem coco na ponte mesmo. informação verbal).110 Figura 25 .

“Algumas pessoas ainda jogam no rio. Aqui chove mais em janeiro. porém ainda com hábitos poluentes de alguns moradores. Constantemente há alagamentos aqui com relação à chuva. (Liderança do Bairro do Congos.111 Figura 27 . com relação à percepção ambiental vêem-se uma preocupação da comunidade com essas questões. Mas na verdade chove um pouco todos os dias. limpando o mato e o lixo da área. Os problemas dos alagamentos acontecem em épocas de chuvas no período de Janeiro a Março. Fonte: Autoria própria. mas até o momento da pesquisa ainda não havia acontecido nenhuma ação. O local que tiraram terra. Belém. Segundo as informações dos líderes comunitários. . De acordo com as péssimas condições de infraestrutura nos bairros visitados. Lá dentro agora está seco. o acúmulo de lixo próximo as casas foram visivelmente observadas numa proporção maior nos bairros das Pedrinhas e Marco Zero. igual em. 2010. no bairro do Congós a liderança tenta conscientizar a comunidade local sobre os cuidados com o meio ambiente. (Liderança das Pedrinhas e Marco Zero. A própria população faz ações de limpeza. uns dois metros de água fica acumulada ali. informação verbal). a gente tem que correr atrás de bomba do governo. principalmente na questão do lixo jogado no rio. informação verbal). No Marco Zero e nas Pedrinhas. As pessoas andam em cima do muro. Aqui passa a ressaca do Chico Dias”.Acúmulo de lixo nas áreas de ressacas. Figura 28 . fevereiro e março.Áreas alagadas no bairro do Congós. a liderança busca conseguir por meio de ofício para o governo máquinas para a limpeza da área. por exemplo. 2010. Nos bairros das Pedrinhas e do Marco Zero acontecem muitos casos de afogamentos de crianças e doenças provocadas pela água poluída e no bairro do Congós a água chega a entrar nas casas dos moradores quando sobe a água do rio e se une com a da chuva. Já. mas em época de chuva tem que ter a bomba pra jogar a água pra outro lugar. No bairro Congós constatou-se bem menos poluído.

Figura 30 . Sem saneamento básico. Fonte: Autoria própria. A respeito do abastecimento de energia elétrica foi possível observar que nos bairros visitados para a pesquisa de campo havia postes de iluminação próximos da área e dentro das vias de palafitas. (Liderança do bairro do Congós. informação verbal).Fornecimento de energia elétrica nas áreas de ressacas. Já no bairro do Congós não foi verificado problemas com o consumo de energia devido os moradores serem abastecidos pela energia oferecida pela política atual do governo. não tem água. 2010. 2010. “A infra-estrutura aqui é péssima. A energia aqui é clandestina!” (Liderança das Pedrinhas e Marco Zero. .Crianças andando nas palafitas e acúmulo de resíduos sólidos. informação verbal).112 Fonte: Autoria própria. nem energia elétrica. Figura 29 . Apesar das informações coletadas que afirmam a existência de clandestinidade no consumo de energia no bairro do Marco Zero e das Pedrinhas. “O problema é a nossa via aqui (palafitas) está abandonada! Aqui tem água e energia”.

. A população do bairro do Marco Zero e das Pedrinhas sofre com a falta de abastecimento na área.Canalização das casas para abastecimento de água. Figura 32 . Com relação ao fornecimento de água. no bairro do Congós observa-se que os moradores abastecem suas casas com a canalização direcionada para dentro das casas. porém percebe-se que as moradias jogam diretamente a água utilizada na ressaca do Chico Dias. a canalização precária feita pelos próprios moradores não abastece a todas as moradias. com crianças carregando baldes de água sendo retirados da canalização embaixo de uma via de palafitas: Figura 31 . 2010. a população se utiliza de alternativas na busca de conseguir água. há poços em baixos das casas e armazenamentos inadequado de água em camburões.113 Fonte: Autoria própria. 2010.Abastecimento de água nas áreas de ressacas Fonte: Autoria própria. como mostra a foto a seguir.

A coleta de lixo é realizada no bairro das Pedrinhas e no Marco Zero por meio de um container que fica bem distante das moradias em palafitas. “A Coleta de lixo é feita lá na frente na via!” (Liderança do Congós. informação verbal). a comunicação do líder com a população local no que se refere a sua contribuição a respeito de doação de água. tornando mais difícil a coleta de lixo. Diferentemente do bairro do Congós que a via pública. A CAESA fez o processo e agora ficou parado. “A prefeitura tem condições hoje de descer. “A coleta de lixo tem um container.” (informação verbal). incentivando mais ainda atitudes degradantes da população com relação ao meio ambiente local. A fala abaixo mostra a forte influência exercida na localidade: . onde passa a coleta de lixo é bem mais próxima da comunidade que vive na área de ressaca. O Governo do Estado coloca água de qualidade aqui? Devido a bacia de decantação. deixando o ambiente mais harmonioso. toda essa área é contaminada. A presidente da CAESA não faz nada. mas todos aqui tem que utilizar a água. no decorrer da visita. isso depois de nossa solicitação por oficio. visto que. informação verbal).114 Fonte: Autoria própria. pois consideram sua opinião como importante. 2010. informação verbal). no que se refere ao acumulo de resíduos sólidos no rio. possui um poder político significativo na área. mais não desce!” (Liderança das Pedrinhas e Marco Zero. Além da capacidade de orientar a comunidade em período eleitoreiro. foi possível observar. pois o carro da prefeitura só chega até onde se encontra a pista de asfalto. 2 ou 3 vezes na semana agente se desloca de lá pra cá. Percebe-se que a liderança da comunidade do Marco Zero e das Pedrinhas. (Liderança das Pedrinhas e Marco Zero. foi a própria CAESA que cavou isso aqui. reuniões na sua residência e inclusão de crianças na escola.

porque na época de campanha eu não apoio ela. Agora ela (a deputada) só vai inaugurar o poço em época de campanha. intermediário e local. informação verbal). desde infra-estrutura da área no que se refere a obras de saneamento. para uma escola. como exemplo. 2010.115 Dou água para comunidade! Só que foi a Deputada Favacho que foi lá e comprou o terreno. pois há a esperança para a efetivação das obras do PAC. a estada na localidade seria como uma passagem para a obtenção de outra morada. A carência e queixas foram mais constatadas no bairro do Marco Zero e das Pedrinhas. porém. de acordo com a liderança da comunidade do Congós a moradia nas áreas de ressaca do Chico Dias parece ser agradável. Mas. estabelecido pela própria liderança da comunidade. Os problemas mais visíveis nesta localidade foram: o medo de que a água viesse a entrar nas casas em época de fortes alagamentos e algumas vias em palafitas que estão quebradas dificultando o acesso as casas. porém as ações do nível macro estão sendo dificultadas ao acesso aos demais níveis. há uma fragilidade na comunicação direta e indireta entre o nível local e nível macro. A categorização do nível macro é baseada em vários aspectos das ações políticas que tem afetado tanto o nível intermediário quanto o local. pavimentação. De acordo com a relação existente entre os níveis macro. a ausência de ações públicas em benefício à população dos bairros pesquisados é visível. ou seja. daqui a dois anos. fornecimento de água tratada e luz. Os relatos do nível intermediário estão intimamente ligados a realidade do nível local. Eu penso de outra maneira politicamente [. Observa-se o domínio político na área. Embora eles sejam baseados em diferentes critérios de avaliação. acesso das vias. pro 1º ano. melhorias de moradia. mas em compensação tenho que arranjar um emprego também! Acha mole isso!.. a não concretização da segunda fase das ações do Programa da Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá GEA-BID que não atingiu diretamente as comunidades locais. .]. Consegui 50 vagas. pois. a concorrer). eu mesma brigo e não deixo! Se ela (deputada) fosse uma política inteligente (eu to até pensando em me candidatar. (Liderança das Pedrinhas e Marco Zero.. ela pega “duas meia doida”na frente.

As áreas de ressacas que se encontram principalmente nas áreas urbanas das cidades passam a ser habitadas desordenadamente. com ênfase no fortalecimento institucional dos órgãos públicos atuantes nessas áreas. Santana e Laranjal do Jarí. Ao descrever a analise dos três níveis metodologicamente utilizado na pesquisa. são os focos de atuação do programa. como alagamentos e epidemias. O Programa atualmente apresenta-se disperso. Macapá.116 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS O Programa de Melhoria de Qualidade Ambiental Urbana do Amapá caracteriza-se como um programa de ações relacionadas ao ordenamento territorial. especificamente suas áreas de urbanização precária e de baixa renda (AMAPÁ. o que consagra o fortalecimento institucional dos órgãos públicos do estado no que se refere à urbanização. Isto acontece em decorrência do acúmulo indevido de resíduos sólidos encontrados nessas áreas que impedem a função de equilíbrio ambiental das ressacas. à proteção ao meio ambiente e à melhoria da infra-estrutura básica de saneamento ambiental. Este estudo abrange especificamente a cidade de Macapá e teve como objetivo analisar a percepção dos atores sociais perante as mudanças que ocorreram na implementação do Programa. as ressacas funcionam como corredores naturais de ventilação para as cidades e sua degradação compromete o escoamento da água das chuvas ocasionando problemas sérios à população. É um termo bem regional. solto . saneamento e preservação ambiental. contatou-se no nível macro. atravessam as duas grandes cidades Macapá e Santana e acabam desaguando no rio Amazonas. por meio de uma gestão que busca a preservação ambiental das áreas de ressacas. tal chegada vem alterando progressivamente o clima da região. As instituições demonstraram fragilidades em suas ações de acordo com o processo de crise financeira que o estado apresenta e por ser um período de mudança de governo influencia mais ainda a efetivação das atividades institucionais. 2006). que as instituições com relação ao conhecimento do Programa de Melhoria de Qualidade Ambiental Urbana do Amapá não estavam contribuindo para um de seus objetivos. As áreas de maior densidade populacional do estado. Conseqüentemente. As áreas de ressacas são pequenas bacias hidrográficas que se encontram com os “braços” dos rios e sofrem a influência das máres e das chuvas.

segurança e educação. econômicos. pois ajudaria a fornecer condições de governança tornando eficaz capital e tecnologia. . neste momento seria o ponto mais importante do mesmo. Além de possíveis investimentos financeiros institucionais. pois atingiria diretamente a população local. de fiscalização e acompanhamento junto às instituições colaboradoras. moradia. instituições estas que estimulam e agregam o conhecimento local. saneamento. As particularidades são importantes. tais como: adequado serviço de infra-estrutura. Já numa visão micro e particular. há diferenças de padrões culturais. políticos e sociais locais. Considera-se então. na tentativa de reduzir a violência e a corrupção no processo de governança.117 ou até mesmo desligado das ações das instituições entrevistadas devido a não permanência de suas próprias ações. principalmente no que se refere às obras de infra-estrutura local. A segunda fase. possibilitar o aumento a disposição de investimentos em bens públicos e melhoria na distribuição de bens coletivos. Assim seria um processo mais democrático e propenso ao sucesso. pois é impossível enxergar o desenvolvimento por um padrão único. pode-se afirmar que o Programa não alcançou o ritmo de mudança das ações que viriam para beneficiar a população macapaense. Mas. de elaboração de planos. que segundo Evans (2003) aumentaria o crescimento. Para assim. intensificando assim o desenvolvimento. de orientação. é importante pensar em instituições políticas participativas com o objetivo de buscar a eficiência. de identificação. o programa não conseguiu avançar. proporcionando uma melhoria na qualidade urbana e ambiental da cidade de Macapá. Este só conseguiu alcançar a sua primeira fase. aquela inicial. da preservação e conservação dessas áreas. Os moradores das áreas de ressacas de Macapá devem estar próximos do conhecimento a cerca dos problemas ambientais. de estruturação. de analise. observar o que eles definem por liberdade no que se refere ao desenvolvimento e bem estar. transporte. a eficiência. As instituições deliberativas seria então um complemento a outras políticas. Desta maneira. de uma parcela significativa que contribui para a eficiência das ações sociais. Daí a necessidade de avaliação do desenvolvimento em termos de “expansão das capacidades” termo utilizado por Sen (2000) para enfatizar a capacidade das pessoas em levar o tipo de vida que valorizam para si. dos direitos fundamentais que dispõem como cidadãos brasileiros. ou seja. que a questão não é que as instituições deliberativas sejam as únicas responsáveis para a melhoria – numa visão macro – dos países pobres.

Ceará e do interior do Estado do Amapá. a biodiversidade que é a variedade de organismos vivos. o grande contingente habitacional nessas áreas é decorrente do crescimento demográfico formado por migrantes de outros Estados. esses foram capazes de enxergar seus próprios problemas. que pela falta de conhecimento ambiental e até mesmo da educação básica o individuo acaba se utilizando da natureza de maneira degradante. A pobreza não é o único fator relacionado ao crescimento da degradação ambiental urbana.118 As instituições devem. O perfil populacional caracteriza-se por baixa instrução educacional. Desta maneira. principalmente nos países considerados mais pobres. devido seus graves problemas de infraestrutura e de ordem política. como aqueles relacionados à pobreza (LIMA 2001). social e econômica. remuneração abaixo do piso salarial estabelecido na política salarial nacional defendida pelo Ministério do Trabalho. A população pareceu envolvida e motivada. grande número de filhos. A carência de políticas habitacionais adequadas a este . Essa nova postura com relação às questões ambientais trás uma nova visão crítica perante a observação empírica da realidade da maioria das metrópoles mundiais. pautadas nas questões de sustentabilidade e desenvolvimento. políticos e culturais. Em busca de novos caminhos de vida vêem a proximidade com os rios e com os centros urbanos como forma apropriável para o desempenho de suas atividades. Os aspectos degradantes do meio ambiente no âmbito urbano são afetados. merecem atenção quanto à preservação. Segundo o Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro do Centro de Pesquisa Aquáticas (2002). como o Pará. tais como a fragilidade do exercício da cidadania. No caso dos moradores das áreas de ressacas de Macapá. mais há toda uma relação de fatores. presentes inclusive nessas áreas. portanto estar relacionadas com o desenvolvimento econômico. Na tentativa de minimizar esses riscos compreende-se a importância da percepção dos riscos sob o ponto de vista da população atingida. critério principal de promover a prosperidade. quanto mais o Estado realizar a ordem e manter o país sob o império da lei mais o desenvolvimento econômico crescerá. Observa-se que os moradores das áreas de ressacas caminham para essas localidades sob influência de fatores econômicos. Maranhão. capaz de visualizar e questionar a falta de iniciativa da gestão pública na aplicabilidade de políticas adequadas às diferentes realidades. visto que podem oferecer condições para alternativas de atividades econômicas sustentáveis. que aumentará ao garantir a propriedade e os contratos. e ao mesmo tempo. aumentam os problemas sociais. ou seja. mão-de-obra na informalidade.

Outro fator importante é o cultural. passando pelo Amapá Território até chegar ao Amapá Estado em 1988. foram observados os principais aspectos de ações do Instituto Colibri direcionadas a população dos bairros Marco Zero. As famílias continuam migrando para as áreas alagadas. O desenvolvimento das sociedades capitalistas. visto a grave agressão a fauna e flora local. contribuindo assim para o crescimento da pobreza e da exclusão social. especificamente as áreas de ressacas. Percebe-se que no caso de Macapá. O Estado do Amapá encontra-se dentro deste contexto de desenvolvimento. como as epidemias. as mudanças que contribuíram efetivamente para alterar o cenário ambiental da cidade. Pedrinhas e Congós e também o desconhecimento e participação da organização junto ao Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana do Amapá. porém é visível o acúmulo de resíduos sólidos nas ressacas. Há tímidas ações comunitárias nas áreas visitadas.119 contingente populacional gera o crescimento de invasões nessas áreas sem nenhuma infraestrutura para absorção deste fluxo migratório. A organização não governamental deveria ser um instrumento de comunicação entre o nível Macro e o nível local. A relação de parceria aparece junto ao Conselho Tutelar que investe em ações de proteção as crianças e adolescentes que ali se encontram em vulnerabilidade social. Há também uma relação comportamental de desconhecimento dos cuidados com o meio ambiente. saneamento básico e habitação (casas de palafitas) que geram riscos. desde o Amapá Colônia. mas na realidade macapaense isto parece bem distante. Com relação ao nível intermediário. à população dos bairros visitados na pesquisa. ocorreram por motivo de todo o processo de desenvolvimento urbano do Estado do Amapá. pois a preocupação maior do aumento dessas habitações em palafitas se refere muito mais a questão da sobrevivência e da proximidade com o centro urbano do que com as questões voltadas para o meio ambiente local. principalmente dos países em desenvolvimento. ao analisar o nível local foi possível observar os problemas de qualidade de água. acelerando cada vez mais as desigualdades sociais e a degradação ambiental. Com relação ao nível micro-local constatou-se a ausência de conhecimento sobre o Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana. . optando em residir próximo as áreas portuárias facilitando a chegada ou saída de suas embarcações. A população da Região Norte pela proximidade com os rios possui uma vida ribeirinha. não produziu todos os benefícios previstos como fundamentais nas condições de vida das pessoas.

foi possível observar os conflitos entre manter um ambiente saudável e o tipo de desenvolvimento local.120 Desta maneira. Manifestações sutis e ocultas dos riscos devem ser verificadas e alertadas. envolve a dinâmica populacional. agravando o grau de insalubridade. pois. em quantidade e qualidade adequadas. Que por meio desta pesquisa. no qual. pois os riscos são permanentes e contínuos. acidentes.]). situações inadequadas à sobrevivência humana (RAMALHO. as ações governamentais e comunitárias não sejam isoladas e locais. O intenso processo de urbanização das cidades transforma o cenário urbano em verdadeiro local de riscos. comparar e organizar informações qualitativas sobre os impactos ambientais encontrados nas áreas de estudo. alagamentos e doenças provocadas por vetores locais são as problemáticas mais encontradas no nível local. retidas em áreas baixas. densamente ocupadas. a intensificação do índice de coleta e tratamento dos esgotos. Os problemas que envolvem a ausência de saneamento. permitindo que se evite o uso de soluções inadequadas pela população colocando em risco a saúde das comunidades. culturais e da participação das famílias na comunidade das áreas de ressacas. [s. para o alcance da melhoria da Qualidade Ambiental e Urbana da Cidade de Macapá. Para se obter o conhecimento mais aprofundado sobre a questão socioambiental. utilizaram-se as entrevistas e observações junto às lideranças que residem em palafitas. pois. implantação de medidas para o controle adequado da coleta e disposição final dos resíduos sólidos nas áreas urbanas e adequadas condições de moradia nas áreas próximas das ressacas. melhoria das condições de escoamento das águas pluviais. Através da participação dos representantes da sociedade civil organizada sejam implementadas políticas públicas eficazes. A avaliação dos impactos ambientais concentra-se em identificar os aspectos sociais. a segurança e o bem estar da população que ali se encontra. com estratégias de desenvolvimento urbano que . prioritariamente nas áreas de ressacas faz-se necessário o aumento da oferta de água às populações.d. uso de ocupação do solo. a abrangência do impacto no meio antrópico. a estrutura produtiva e de serviços e organização social vem afetando a saúde. mas coletiva e descentralizadora. considera-se que os riscos relacionados à moradia atingem com maior facilidade esta população. sendo aqui caracterizadas como riscos socioambientais. Com este novo conhecimento espera-se ter a possibilidade de prevenir as futuras gerações de prováveis riscos futuros e de contribuir para o avanço do conhecimento cientifico e para as comunidades dos bairros analisados. se reproduzem e geram com o processo de modernização e acentuada pobreza. Na analise dos dados. foi possível identificar. resíduos sólidos.

121 diminuam os riscos encontrados nos bairros da cidade. que as inter-relações abordadas neste estudo. é importante o reconhecimento da cultura das populações locais e seus conhecimentos. entre os três níveis . Desta maneira. Por fim. pois não foi possível ainda observar na prática esses assuntos nas ações institucionais. Intermediário e Local – construam um espaço socialmente construído que garanta a sadia qualidade de vida para a coletividade e melhoramento para o meio ambiente urbano.Macro. .

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127 .

1-Quando deu inicio as ações do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá? 2-Quando ocorreu a aprovação/implantação do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá? 3-Quais as áreas de atuação do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá na cidade de Macapá? Quais os critérios de escolha das áreas de atuação do programa? 4-Atualmente. onde o Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá está efetivando suas ações? 5-Está sendo desenvolvido de acordo com o planejado ou surgiram novos fatos para mudança de rumo? 6-Quais dessas áreas estão localizadas em áreas de ressacas da cidade de Macapá? 7-Quais os pontos positivos e negativos da atuação do programa nas áreas? 8-Quais as políticas públicas para as ocupações em torno das áreas urbanas de ressacas que o Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá está agindo juntamente com a Secretaria de Meio ambiente? 9-As ações de ordenamento territorial. no que se refere as ocupações na áreas de ressacas já foram concluídas? .128 APÊNDICE A .Roteiro de entrevista semi-estruturada para autoridades públicas de Macapá a) SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE DO AMAPÁ.

A ADAP trabalha com outras instituições em sistema de parceria? Quais as instituições parcerias e ações desenvolvidas? 5-A melhoria da qualidade ambiental urbana vem sendo atingida pelo Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá ? De que maneira? . quais as institutições e tipo de ação foram implementadas? b) AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DO AMAPÁ – ADAP 1-Quais são as principais atividades da ADAP no Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá ? 2-Quais as áreas de ações da ADAP no Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá? 3-Quais os trabalhos que já foram ou estão sendo concluídos pela ADAP junto ao Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá? 4.129 10-Quais as ações estão sendo mais eficientes para melhorar a infra-estrutura básica de saneamento ambiental? 11-Quais as ações para a recuperação das áreas de ressacas? 12-Existe a possibilidade de remanejamento da população que já ocupou as áreas urbanas de ressacas? Caso positivo. quais as áreas destinadas a nova ocupação? 13-Com relação a produção do Plano Diretor de Recuperação e Proteção das áreas de ressacas urbanas (PD-Ressacas) já foi concluído? Já está sendo efetivado? 14-A secretaria planejou trabalhar com outras instituições para melhorar a qualidade de vida da população nas áreas de ressaca? Caso positivo.

IMAP 1-Quais são as principais atividades do IMAP no Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá ? 2-Quais as áreas de ações do IMAP no Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá? 3-Quais os trabalhos que já foram ou estão sendo concluídos pelo IMAP no Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá? 4-A melhoria da qualidade ambiental urbana vem sendo atingida pelo Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá ? De que maneira? .IEPA 1-Quais são as principais atividades do IEPA no Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá ? 2-Quais as áreas de ações do IEPA no Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá? 3-Quais os trabalhos que já foram ou estão sendo concluídos pelo IEPA no Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá? 4-A melhoria da qualidade ambiental urbana vem sendo atingida pelo Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá ? De que maneira? c) INSTITUTO DO MEIO AMBIENTE E DE ORDENAMENTO TERRITORIAL DO AMAPÁ .130 c) INSTITUTO DE PESQUISAS CIENTIFICAS E TECNOLÓGICAS DO ESTADO DO AMAPÁ .

Roteiro de entrevista semi-estruturada para a ONG 1-Quais as áreas de ações do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá de conhecimento da ONG? 2-Quais são as principais atividades da ONG junto ao Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá ? 3-Quais os trabalhos que já foram ou estão sendo concluídos pelo Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá nas comunidades inseridas planejamento de sua ONG ? 4-A melhoria da qualidade ambiental urbana vem sendo atingida pelo Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá ? De que maneira? .131 APÊNDICE B .

qual a sua naturalidade? ______________________________________________________________________ Onde você morava anteriormente também era próximo a áreas úmidas? ______________________________________________________________________ 4. houve um aumento de moradores nesta área? .132 APÊNDICE C .Quando você mudou para está área já sabia da situação de alagamentos? ____________________________________________________________________ Caso afirmativo.Você tem passado por situações perigosas ao morar em áreas de ressacas? Caso afirmativo.Formulário para os líderes comunitários UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA PROGRAMA DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE URBANO FORMULÁRIO PARA OS LÍDERES COMUNITÁRIOS Data de preenchimento do questionário: ____/_____/2010 1-Qual a associação de bairro que você representa? 2. quais as situações enfrentadas? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 5.Há quanto tempo você mora nesta comunidade? ______________________________________________________________________ 3. em que período do ano? ____________________________________________________________________ 6.O que você percebe a respeito das moradias. Como tem enfrentado essas situações de alagamentos? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 7.Você é macapaense? Caso negativo.Existem alagamentos nesta área? ____________________________________________________________________ Caso afirmativo.

Possui banheiro próprio? __________________________ Caso negativo. ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 15-Qual a renda média da família? .Como se apresenta a infraestrutura de sua comunidade: _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 9.Quantos compartimentos tem a sua residência? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 13. informe o que está faltando para melhorar a infraestrutura da sua casa.Como se apresenta a infraestrutura de sua moradia: _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ Se a resposta for ruim. informe o que está faltando para melhorar a infraestrutura.Quantas pessoas moram em sua residência? 11. onde se encontra? __________________________ Como se apresenta a rede de esgoto: o seu banheiro está ligado a rede geral? ______________________________________________________________________ Tem fossa? __________________________ 14.133 _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 8.Se a resposta for ruim.A residência é própria? ______________________________________________________________________ 12. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 10.

sua ocupação é? ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 17.Você conversa com a sua família sobre os problemas ambientais de sua comunidade? ____________________________________________________________________ Caso afirmativo.Você conhece o Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá ? ____________________________________________________________________ 21.Como é realizado a coleta de lixo da sua família? ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 18. Quais são os mais visíveis por você? ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 19.No momento atual.Você observa os impactos ambientais que afetam sua comunidade? ________________________________________________________________ Caso afirmativo.Quais as ações que você tem verificado que o governo estadual tem realizado na sua comunidade? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ A respeito da urbanização? ______________________________________________________________________ A respeito do saneamento? ______________________________________________________________________ A respeito do meio ambiente? ______________________________________________________________________ 22. O que vocês tem feito para a preservação ambiental do local onde moram? ______________________________________________________________________ 20.134 _____________________________________________________________________ 16.O que falta no investimento do governo municipal para melhoramento da cidade de Macapá? ______________________________________________________________________ .

quais foram: ______________________________________________________________________ 24. durante o período de implementação do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá? ____________________________________________________________________ Se houve melhorias.O que representou para sua comunidade as mudanças ocorridas após a implementação do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá ? ______________________________________________________________________ 26. quais as funções que os membros da sua comunidade ocuparam durante o período de implementação do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá.Houve algum tipo de parceria (participação) dos lideres comunitários ou da própria comunidade local nas decisões e ou ações desenvolvidas pelo Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá? ____________________________________________________________________ Caso afirmativo. quais foram para o meio ambiente urbano? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ .A implantação do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá trouxe conseqüência para o meio ambiente urbano e para o morador de Macapá? ____________________________________________________________________ Se houve.De que maneira você avalia as melhorias na infraestrutura que a cidade de Macapá recebeu. foram: ______________________________________________________________________ 25.135 ______________________________________________________________________ 23.

As reivindicações de sua comunidade foram contempladas pelo Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá ? _____________________________________________________________________ Se não foram contempladas. sua comunidade reivindica o cumprimento do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá? ______________________________________________________________________ Se a resposta for sim. sua comunidade enfrenta algum problema de habitação? ______________________________________________________________________ Caso afirmativo.Na atualidade.Quais foram às soluções que sua comunidade encontrou para resolver o problema com a habitação? ___________________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 29. aponte de que maneira.Atualmente. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 31. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 32.136 27. explique por quê? _____________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 30.Quais são as cobranças de sua comunidade para o poder público na implementação do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá. quais? ______________________________________________________________________ 28.Quais os projetos de sua comunidade para melhorias coletivas na cidade de Macapá? ______________________________________________________________________ .

137 ______________________________________________________________________ 33-Qual a proposta da sua comunidade para o melhoramento do meio ambiente de Macapá? ______________________________________________________________________ 34.Quais equipamentos urbanos que existem atualmente em sua comunidade: ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 35.Na sua opinião houve melhoria na qualidade ambiental urbana após a implantação do Programa de Melhoria da Qualidade Ambiental Urbana do Amapá ? ____________________________________________________________________ OBRIGADA PELA PARTICIPAÇÃO. .