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Introdução: Cisto

Os cistos são lesões comumente assintomáticas crônicas, que podem acometer indivíduos de todas as raças ou gênero ocorrendo em qualquer idade. Apresentam crescimentos lentos e expansivos, mantendo geralmente a integridade da mucosa, sendo detectados na sua maioria em exames radiológicos de rotina. Os cistos da maxila, mandíbula e regiões periorais variam notadamente em histogênese, frequência, comportamento e tratamento.

Conceito
Cisto é definido como uma cavidade patológica com conteúdo fluído pastoso, não originado por acumulação de exsudado purulento, que pode estar, embora não obrigatoriamente, revestida ou encapsulada por epitélio. Esta classificação engloba todas as lesões císticas do maxilar e mandíbula, sejam epiteliais ou não e também dos tecidos moles, excluindo simultaneamente abcessos por acumulação de exsudado purulento.

Estrutura Geral Dos Cistos
De uma forma geral, os cistos odontogênicos são formados por uma parede fibro-conjuntiva de espessura variável, por um revestimento intra-cavitário epitelial, que pode assumir várias configurações e por um lúmen. O revestimento epitelial é característico em cada tipo de cisto e representa um dos parâmetros de diferenciação histológica entre lesões.

Este pode ser simples ou estratificado, e quanto à forma cúbico, pavimentoso ou escamoso, cilíndrico ou colunar. Especializações epiteliais podem estar presentes e o estudo histológico pode revelar células metaplásicas caliciformes mucosas, ou, ciliadas semelhantes a epitélio respiratório. Segundo Takeda et al. metaplasia mucosa está presente num maior número de cistos do que as células ciliadas, e estas, sempre que estão presentes, são acompanhadas de células mucosas. Surgem em todos os tipos de cistos e a sua causa biológica é desconhecida. No lúmen do cisto podem acumular-se fluidos de viscosidade e coloração variada, que contém cristais de colesterol, queratina, secreções mucosas, detritos celulares, entre outros. Estas características podem ser úteis no diagnóstico histológico para determinar a origem da patologia.

Diagnóstico de Cistos na Cavidade Oral
Um diagnóstico diferencial correto permite evitar terapêuticas ineficazes e inicia-se com a história do principal problema e também com a história médica e social do doente. Segue-se a pesquisa de sinais e sintomas, alterações progressivas perceptíveis ao longo do tempo e, habitualmente, são necessários estudos adicionais tais como exames imagiológicos (Radiografia panorâmica, periapical, oclusal e telerradiografia; tomografia computorizada; ressonância magnética), biópsias (aspirativa, incisional e excisional) e análises hematológicas. A importância do correto diagnóstico dos cistos odontogênicos deve-se ao facto de ser necessário distinguir lesões agressivas clinicamente, radiograficamente e histologicamente de modo a ser possível instituir um tratamento cirúrgico correto e um adequado controlo pós-operatório. Num estudo Varinauskas et al. concluíram que os sintomas mais comuns associados aos cistos odontogênicos são a tumefacção, dor, descarga purulenta através de fístula ou alvéolo pós-extracional, mobilidade dentária aumentada, parestesia, assimetria facial e sensação de “casca de ovo” à palpação.

Embriologia e Desenvolvimento Dentário
O desenvolvimento dentário, odontogênese, é um processo complexo que envolve tanto tecidos conjuntivos como epiteliais. Torna-se importante a sua compreensão, pois segundo a literatura científica atual, a etiopatogenia cística está profundamente relacionada com o desenvolvimento dentário. Assim, o conhecimento da histologia dos tecidos dentários ao longo da sua formação e maturação permite identificar de forma adequada às patologias que a partir destes são formadas, compreender a classificação dos cistos e a diferenciação histológica entre estes. O epitélio e mesênquima do primeiro arco braquial (maxilar) recombinam-se com o epitélio e mesênquima do segundo arco braquial (hióide) para dar origem ao desenvolvimento dentário. O desenvolvimento dentário surge, sucessivamente, em duas classes de dentes, os decíduos e os permanentes. Ambos surgem da mesma forma e com estrutura histológica similar. Divide-se em duas fases: a morfogénese ou morfodiferenciação (desenvolvimento e formação dos padrões estruturais coronários e radiculares) e histogénese ou citodiferenciação (formação dos tipos distintos de tecidos dentários: esmalte, dentina, e polpa nos padrões previamente formados). Os dentes formam-se então a partir de componentes ectodérmicos (esmalte) e ectomesênquima (complexo dentino-pulpar, cemento, ligamento periodontal e osso alveolar), através de fenômenos indutores desencadeados por este último, e que envolvem fatores de crescimento, fatores de transcrição e receptores de sinal. Isto explica-se porque o ectomesênquima é parcialmente derivado de células que migraram da crista neural no inicio da embriogênese, e não apenas mesoderme. Este fato resulta na presença de lesões que não são encontradas noutros ossos, uma ampla variedade de cistos odontogênicos e tumores. A odontogênese compreende diversos estádios: gomo, capuz, sino ou campânula. Inicia-se com a formação da lâmina dentária por volta da 6ª semana de vida intra-uterina ao longo da extensão do maxilar e mandíbula. Esta lâmina origina um determinado número de gomos dentários (estadio de gomo dentário) que se formam no sentido antero-posterior e dão origem aos primórdios dos componentes ectodérmicos dos dentes. O estadio do capuz é alcançado quando esses gomos invaginam, aproximadamente às 10 semanas de v.i.u. Capuz este constituído por três estruturas a que se chama o órgão de esmalte: uma camada externa, o epitélio dentário externo, uma interna, o epitélio dentário interno e uma zona central de tecido frouxo chamado retículo estrelado. A zona de mesênquima que se origina da crista neural e está envolvida pelo capuz e em contato com o seu epitélio dentário interno, é a papila dentária. Esta estrutura é responsável pelo futuro complexo dentino-pulpar. É nesta fase que os vasos sanguíneos penetram na papila organizando-se preferencialmente na zona onde se formarão as raízes. O mesênquima, que se encontra condensado e em diferenciação na periferia do órgão de esmalte e papila dentária, constitui o saco dentário (ou folículo dentário). O conjunto destas três estruturas é o gérmen dentário. Imagem abaixo.

Com o crescimento do capuz dentário, a morfologia deste assemelha-se a um sino, é o estadio do sino (ou campânula), que acontece entre a 14ª e a 18ª semana de v.i.u.. Nesta altura, as células do ectomesênquima da papila dentária, junto ao epitélio dentário interno, diferenciamse em pré-odontoblastos, odontoblastos jovens e por fim odontoblastos maduros ou secretores, que irão produzir a dentina. O espessamento desta camada de dentina provoca a retração dos odontoblastos para a papila dentária, onde continuamente irão produzir pré-dentina durante toda a vida do dente, que se irá transformar em dentina. As restantes células da papila dentária irão formar a polpa do dente.

Segundo alguns autores. inicialmente. Estas cavidades possuindo conteúdo líquido ou semi-sólido. Os restos epiteliais de Malassez. propiciam a entrada de líquidos tissulares vizinhos. fragmenta-se e forma os restos epiteliais de Malassez. A bainha induz na superfície do mesênquima papilar os odontoblastos radiculares. a bainha de Hertwig perde a sua continuidade. liberando enzimas que se encarregam de digerir o próprio protoplasma celular. As células do mesênquima exteriores à dentina radicular formam o cemento e.u. embora não se acredite que possam estar na origem de neoplasias. as células centrais ficaram distanciadas do tecido conjuntivo vizinho. sinal notado pela palpação sob pressão. a partir deste momento. Quando atingem certos volumes podem abaular a cortical óssea. Assim a ultima fase de desenvolvimento dentário é o estádio terminal ou de folículo dentário. Esta estrutura marca o limite da raiz e envolve o forame apical por onde entram e saem os vasos e nervos.u. feita no ápice do dente. Quando se completa a formação radicular. e. após a formação da coroa. em direção ao colo. na superfície radicular. mais externamente. Estes persistem no adulto. Hipótese de Formação A hipótese mais aceita que explica o mecanismo de formação dos cistos é aquela que advoga seu início a partir da proliferação de restos epiteliais. e permanecem latentes até ao sexto ano de vida pós-natal. A deposição de esmalte é.i. A dentina vai sendo depositada contiguamente à da coroa e a câmara pulpar e vai estreitando até formar um canal que contém os nervos e vasos sanguíneos do dente. Esta bainha tem um papel indutor e modulador e cresce com o saco dentário na face externa e a papila dentária na face interna.. mas são a origem do revestimento epitelial dos cistos odontogênicos. Quando é depositada a primeira camada de dentina radicular. o ligamento periodontal. Os dentes permanentes (ou definitivos) situam-se lingualmente em relação aos temporários (ou decíduos) e formam-se durante o 3º mês de v. e ao nascimento todos os dentes decíduos e os primeiros molares permanentes possuem tecidos dentários calcificados. Os cistos na sua expansão costumam respeitar corticais ósseas e raízes de dentes vizinhos. anteriormente referidos. sugerindo o contato com uma “bola de pingue-pongue” (crepitação papirácea). Estes remanescentes epiteliais vão formando ilhotas. que descama após a erupção dentária. Em razão desta falta de suprimento.i. A mineralização dos dentes decíduos inicia-se entre o 5º e o 6º mês de v.Na mesma altura. gerando um crescimento contínuo por expansão. à exceção dos carcinomas odontogênicos. por ser este tecido avascular. através do depósito de camadas sucessivas de uma matriz extra-celular de forma regular e rítmica. não possuem nenhuma função na odontogênese. dentro do ligamento periodontal. a bainha epitelial curva-se para dentro (de cada lado) para formar o diafragma. O espessamento do esmalte provoca a retração dos ameloblastos para o reticulo estrelado. A esfoliação dos dentes temporários está diretamente relacionada com o desenvolvimento dos dentes definitivos. A formação radicular inicia-se. se degeneram e necrosam. a papila dentária transforma-se em polpa dentária. A interface entre as camadas de esmalte e dentina é a junção esmalte-dentina. Os restos epiteliais na gengiva são chamados restos de Serres. Inicia-se quando se identifica a localização das futuras cúspides e é onde a diferenciação anatómica entre dentes se estabelece através da distinta morfologia coronária. quando a camada dentária epitelial interna e externa penetram no mesênquima subjacente e formam a bainha epitelial da raiz (bainha epitelial de Hertwig). Acredita-se que os fragmentos da lâmina dentária que permanecem após a formação dentária são responsáveis pelo desenvolvimento de diversos cistos e tumores odontogênicos. por osmose. . onde a sua regressão origina uma membrana. que são afastadas. as células do epitélio externo de esmalte diferenciam-se em ameloblastos e estes irão produzir prismas de esmalte que se depositam sobre a dentina. tendo sua nutrição dificultada. liquefazendo as células mortas e propiciando a formação de cavidades centrais. a cutícula dentária. com maior pressão interna.

mais utilizada quando existe invasão dos tecidos moles. contudo em longo prazo podem apresentar calcificação distrófica que confere um aspecto imagiológico particulado e difuso ao cisto. por vezes. pois permite uma melhor distinção entre os cistos odontogênicos e tumores odontogênicos ou outras lesões do maxilar e da mandíbula. mantendo a fina camada de osso que separa o cisto do seio Radiograficamente É caracterizado por uma área radiolúcida (interior). por exemplo. geralmente de forma arredondada ou ovalada. de lesões benignas e malignas. a mais recente tomografia computorizada cone beam e a ressonância magnética (RM). Com a ampla divulgação o software DentaScan® (Imagem 6). nomeadamente os imagiológicos são de extrema importância no correto diagnóstico das patologias que nos propomos a estudar. A expansão dos cistos na mandíbula (Imagem 7) pode transformar a cortical lingual ou vestibular numa fronteira fina. . causa deslocamento e reabsorção dentária. Alguns apresentam septos. São habitualmente mais encontrados em regiões onde existem ou existiram dentes. sagital e transversal do maxilar e da mandíbula. pós-radioterapia. embora haja limitações na distorção geométrica quando comparada. em que esta ultima surge com uma forma curva e definida. produzindo uma aparência multilocular em que há separação por estas paredes ósseas. este pode ser um importante meio auxiliar de avaliação pré e pós-operatório. nem sempre visualizada em toda sua superfície. Podem também deslocar o canal do nervo dentário inferior ou invaginar para o seio maxilar. que permite visualizar o plano axial. é lento e. Além dos exames convencionais encontram-se ao dispor do profissional de saúde oral. Esta última. Os cistos ocorrem mais frequentemente no maxilar e mandíbula do que em qualquer outro osso. O crescimento cístico. lesões odontogênicas e não odontogênicas do maxilar superior e da mandíbula.IMAGIOLOGIA DOS CISTOS Os meios auxiliares de diagnóstico. de densidade homogênea. Geralmente são totalmente radiolúcidos. Permite observar a patologia em geral como periodontites. meios como: a tomografia computorizada convencional (TC) (Imagem 5). com as radiografias periapicais ou oclusais. excelente para uma apreciação global do estado da dentição de uma forma geral (Imagem 4). São lesões radiolúcidas e podem ocorrer em qualquer local embora sejam raros nos processos condilar e coronóide. A proximidade de estruturas com a lesão pode induzir erro de interpretação devido à sobreposição de imagens. A radiografia panorâmica é uma técnica especializada de tomografia. representativa de esclerose óssea. envolta por uma linha radiopaca (externo). bem como da anatomia óssea.

localização. Neoplasias e Tumores Relacionados com o Osso.Biópsia e Estudo Histológico As características clínicas e radiográficas de uma determinada lesão maxilar ou mandibular podem reduzir as hipóteses para um diagnóstico diferencial. o diagnóstico de um cisto radicular depende da associação do cisto com a raiz de um dente enfermo. Este continua a ser o método mais utilizado para diagnosticar estas lesões. também por ser a seguida pelo Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) que fornece os diagnósticos de anatomia patológica que servem de base para pesquisas. segundo os autores reflete o progresso em diagnóstico. tem indicação. e não apenas das características histológicas. em particular quando existem extensas alterações inflamatórias na parede cística. Foi em 1992 que surgiu a segunda edição e que. embora o diagnóstico final dependa da histopatologia. por exemplo. e Cistos Epiteliais. Assim. características físicas do tecido patológico. pois são bons indicadores da natureza da lesão. Compreende-se assim que o diagnóstico e classificação exata dos cistos requerem um trabalho de cooperação entre o clínico e o patologista. geralmente considerado com “benigno” ou “maligno” e está agrupada em três categorias:    Neoplasias e Outros Tumores Relacionados com Aparelho Odontogénico. localização ou quando há suspeitas de malignidade. Os cistos odontogênicos subdividem-se em cistos inflamatórios e cistos de desenvolvimento. pois tanto a imunohistoquímica como as técnicas moleculares têm tido pouco impacto nesta área. É. tendo como objetivo reunir o consenso internacional em torno da classificação definiu uma classificação de acordo com o local anatómico. como também da transmissão de informação clínica adequada entre o médico e o patologista. a classificação adoptada pela maioria dos autores. BIÓPSIA INCISIONAL E EXCISIONAL A biópsia incisional é quando a amostra representa apenas uma parte da lesão e. respectivamente. como características histológicas idênticas podem ser exibidas por diferentes tipos de cistos. A biópsia excisional (Imagem 8) implica a remoção da totalidade da lesão na ocasião em que é realizado o procedimento cirúrgico e é indicada em lesões de dimensões de pequeno tamanho que se supõe benignas. quando a patologia aparenta ser de difícil excisão devido ao tamanho. e. Classificação Organização Mundial de Saúde (OMS). quando aplicável. Esta partilha de informação é importante. Esta classificação é baseada primariamente no comportamento do tumor. características histológicas da patologia e grau de malignidade. conforme tenham origem em epitélio odontogénico ou em epitélio não odontogénico. As entidades reconhecidas pela OMS estão enumeradas na tabela abaixo. as características imagiológicas. . pois não só a classificação do cisto depende por vezes da sua localização. O diagnóstico clínico deve acompanhar a peça cirúrgica. O envio de uma biópsia adequada para estudo anatomo-patológico é resultado não só de uma técnica cirúrgica adequada. os cistos epiteliais são divididos em cistos odontogênicos e cistos não odontogênicos. A classificação dos cistos odontogênicos da OMS de 1992 é a adoptado devido à sua aceitação e utilização pela comunidade científica internacional. atualmente. De acordo com a sua origem. o estado atual do conhecimento científico e a relevância da caracterização das patologias para fins epidemiológicos e clínicos. O relatório deve conter a história clínica.

G →____________________________________________________________________ E→_____________________________________________________________________ L→ _____________________________________________________________________ R→_____________________________________________________________________ P→_____________________________________________________________________ D→_____________________________________________________________________ OKC→__________________________________________________________________ .

Cisto Glandular 1. REGEZI & SCIUBBA.. Histologicamente são caracterizados por um fino revestimento de epitélio escamoso estratificado com células basais achatadas e uma superfície paraqueratinizada. CISTO DA LÂMINA DENTÁRIA (Cisto gengival do recém-nascido) São pequenos cistos de desenvolvimento que surgem a partir de restos celulares da mucosa em crianças. CISTOS ODONTOGÊNICOS INFLAMATÓRIOS 2. Cisto Odontogênico Ortoqueratinizado 4. surgem depois dos 3 anos de idade. Cisto Gengival do adulto 9.2 Cistos Não Odontogênicos (Antigos Fissurais) 1.. Cisto Periodontal Lateral 8. raramente.destrutivas mais comuns do esqueleto humano (TERONEN et al. os cistos podem ser classificados em cistos odontogênicos e não odontogênicos e.1996). Cisto Dentígero 6..sólido em seu interior (SAPP et al.2009). Aparentemente estes cistos têm origem em remanescentes da lâmina dentária. os cistos odontogênicos podem ser sub .1997). .se de cavidades patológicas revestidas por epitélio. o epitélio reduzido do órgão do esmalte (epitélio residual que circunda a coroa dentária após a completa formação do esmalte) e os remanescentes da lâmina dental ou restos epiteliais de Serres (ilhas e feixes de epitélio que se originam do epitélio oral e permanecem no tecido após a indução do desenvolvimento dentário) (SAPP et al. Cisto de Erupção 7. de nódulos de Bohn é errónea.. de acordo com sua origem. que pode ser variável de acordo com o tipo de cisto e uma camada externa denominada parede ou cápsula (SAPP et al. O epitélio presente em cada um dos cistos odontogênicos é derivado de uma das seguintes fontes: lâmina dentária. Por definição. muitas vezes utilizada.2 Paradental 1.classificados em cistos de desenvolvimento (não inflamatórios) e cistos inflamatórios (NEVILLE et al. logo. sendo elas os restos epiteliais de Malassez (remanescentes da bainha epitelial de Hertwig que persistem no ligamento periodontal após a completa formação da raiz dentária). Os cistos odontogênicos podem ser derivados de três estruturas epiteliais. ou num intervalo de três meses. Habitualmente são múltiplos e não aumentam de tamanho. Síndrome de Gorlin-Goltz 5. órgão do esmalte e de bainha de Hertwig. Cisto da Lâmina Dentária 2. Surgem como nódulos amarelos ou brancos translúcidos. Assemelham-se a cistos dermóides e não contêm as placas epiteliais que estão presentes no cisto gengival dos adultos. Nos ossos gnáticos. Classificação: 1. Um cisto é composto por três estruturas básicas: uma cavidade central (lúmen).1 Cisto Odontogênicos 1. raramente são submetidos a estudo histológico.) são doenças de grande interesse dentro da patologia oral e maxilofacial. localizam-se nas regiões da mucosa alveolar que futuramente vão alojar os dentes e são mais comuns no maxilar superior. Já estão presentes no nascimento e.1 Cistos Odontogênicos São cistos resultantes da proliferação de remanescentes epiteliais associados à formação dos dentes. 1. 2000).1 Radicular (Radicular Apical ou Lateral / Residual) 2. sendo provavelmente as lesões benignas ósseas . CISTO ODONTOGÊNICO DE DESENVOLVIMENTO 1. Os remanescentes epiteliais presentes na maxila e mandíbula são originais do ectoderma que reveste os processos embrionários que irão formar a face e boca ou de tecido epitelial que participa na odontogênese. contendo fluido ou material semi .1997). A designação.. A cavidade cística é preenchida por queratina.Cisto Os cistos dos ossos gnáticos (ossos maxilares e dentes. Cisto Primordial (Queratocisto) 3. os cistos constituem . ou então quando os dentes decíduos erupcionam. um revestimento epitelial. Quando são visíveis no recém-nascido geralmente regridem.3 Pseudocistos 2. 1997. Cisto de Desenvolvimento 1. mais especificamente nos restos epiteliais de Serres. uma vez que Bohn descreveu remanescentes de glândulas mucosas. Estes podem proliferar e produzir queratina dando origem a cistos.

a parede é fina conforme foi referido. As Pérolas de Epstein são nódulos císticos que ocorrem ao longo da rafe palatina mediana. sem cristas interpapilares (Imagem 19). embora cistos múltiplos também ocorram particularmente na síndrome de carcinomas nevóides de células basais (Síndrome de Gorlin).a) Características clínicas e patogenia: São assim denominados os cistos encontrados na grande maioria dos recém-nascidos (80%). 2. Supõe-se que tem origem na lâmina dentária ou seus remanescentes. mas sabe-se que não é a inflamação. Durante algum tempo. ou em ramificações da camada basal do epitélio oral. nestes casos. têm como origem remanescentes de epitélio glândulas (glândulas mucosas). denominados restos de Serres. provenientes do processo involutivo (degeneração e lise) da lâmina dentária. enquanto que os Nódulos de Bohn. Toller havia sugerido que o queratocisto odontogénico deveria ter esta classificação baseada no seu comportamento clínico. habitualmente com uma espessura de cinco a oito células e. uma patologia muito importante. na mais recente classificação da Organização Mundial de Saúde em 2005.  CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS É caracterizado por uma fina cápsula fibrosa e revestimento de epitélio escamoso estratificado queratinizado. a lesão não surge associada a um dente. também a genética. freqüentemente. Neste contexto os queratocistos são habitualmente múltiplos. A maioria dos queratocistos são lesões isoladas. O queratocisto odontogénico é. embora o epitélio não esteja aderido à junção amelo-cementária.3-q31 está envolvido na patogênese tanto das lesões isoladas como das que são associadas ao síndrome de Gorlin Goltz. pretende sublinhar a natureza agressiva desta patologia e tem como objetivo motivar os clínicos para atuarem de forma direcionada e eficaz. não são de origem odontogênica (procedem dos remanescentes epiteliais aprisionados na rafe palatina mediana). na ausência de inflamação. Não há indicação de nenhuma terapêutica específica para o tratamento dos cistosgengivais. por isso. encontrados na fase vestibular e lingual do rebordo alveolar e no palato. A maioria dos autores atualmente acredita que se trata da mesma patologia. muitas vezes passa despercebido. CISTO PRIMORDIAL (QUERATOCISTO)  ETIOPATOGENIA Os cistos primordiais foram incluídos na classificação dos cistos odontogênicos desde o início. contém células inflamatórias. A camada basal de epitélio é distintiva e bem definida. o folículo dentário se forma. Histologicamente. c) Tratamento. composta ou por células colunares ou cubóides em paliçada. O cisto da lâmina dentária tem sua origem a partir da proliferação de remanescentes da lâmina dentária. a histopatologia desta lesão em que a camada basal se insinua no tecido conjuntivo sob a forma de gomos e. embora possuíssem a mesma aparência histológica. Os cistos podem apresentar formas redondas ou ovais. embora ainda exista alguma controvérsia. assemelhando-se ao epitélio interno de esmalte. Eram definidos como aqueles que se formam a partir do epitélio odontogénico primordial em vez de um dente da dentição normal. b) Aspectos histológicos. mas subsequentemente sofre degeneração cística antes do final da odontogênese e. do ponto de vista clínico. Acredita-se que. Os fatores que recentemente contribuíram para influenciar a decisão da OMS foram: o referido comportamento localmente destrutivo e altamente recidivante. sendo este apontado como um critério muito restritivo. O queratocisto odontogênico pode envolver um dente adjacente não erupcionado (queratocisto envolvente) e por vezes um dente pode erupcionar para a cavidade de um queratocisto (queratocisto folicular). possui um grande potencial destrutivo e recidivante. classificando-se agora como uma neoplasia benigna de origem odontogênica . pois. NÓDULOS DE BOHN E PÉROLAS DE EPSTEIN Existe certa confusão entre os Nódulos de Bohn e Pérolas de Epstein em relação ao Cisto da Lâmina Dentária. existiu confusão sobre se estas seriam entidades patológicas distintas. ser proposta a designação diagnóstica de tumor odontogénico queratocisto para esta lesão. Phillipsen introduziu pela primeira vez o termo queratocisto odontogénico em 1956. geralmente. é assintomático e tem o seu rompimento espontâneo pouco tempo depois de surgir. Alguns remanescentes epiteliais têm a capacidade de proliferar. pois o gene supressor tumoral PCTH que ocorre no cromossoma 9q22. O estímulo para a formação cística é desconhecido. Neste ultimo caso por ser erradamente diagnosticado como um cisto dentígero com revestimento queratinizado. pois não é universalmente aceita. e nos cortes histológicos encontramos um delgado revestimento de epitélio estratificado pavimentoso com superfície paraqueratótica. e.  EVOLUÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO DO QUERATOCISTO O comportamento neoplástico é a causa de. Como este cisto aparece em indivíduos muito jovens. Isto porque a origem deste epitélio é a lâmina dentária ou . por parte da OMS. Já em 1966. A cavidade cística usualmente é preenchida por queratina descamada e. apresentando-se como pequenos nódulos esbranquiçados. localizados nos rebordos alveolares dos maxilares. A reclassificação. queratinizar e formar pequenos cistos. e esteja separado da coroa por uma camada de tecido conjuntivo folicular.

logo podem atingir grandes dimensões (Imagem 20). habitualmente. sendo os mais comuns a tumefacção. quando comparadas com outros tipos de cistos odontogênicos. certamente contribui para a elevada taxa de recidiva destas lesões. dor muitas vezes associada à infecção. com a referida separação entre cápsula e epitélio. Tal fato sucede devido à predileção destes cistos pela mandíbula posterior. região onde podem emergir a partir de extensões posteriores da lâmina dentária e ocupar uma grande parte do ramo ascendente sem serem diagnosticados. drenagem intra-oral. juntamente. o cirurgião oral suspeita de um queratocisto odontogénico. Frequentemente. o epitélio apresenta hiperplasia e cristas interpapilares e a queratinização pode desaparecer. quando pelo tamanho e aparência radiográfica da lesão. mas são observados casos com ortoqueratose. causando mínima expansão (à exceção do ramo montante e processo coronóide. que são mais comuns no contexto da síndrome de carcinomas de células basais nevóides (Gorlin-Goltz). esta torna-se mais espessa. celulite e trismus. A transformação maligna destas lesões é rara. Quando se envia para o patologista material proveniente de uma biópsia aspirativa. O fato de estes se formarem no exterior da lesão original resulta na mais elevada taxa de recidiva de todos os cistos odontogênicos. Os queratocistos crescem. A espessura total da parede do queratocisto odontogénico é bastante fina e este fato. abcesso. quando este excede a capacidade do periósteo para formar novo osso. Ao contrário dos cistos foliculares (dentígeros). onde a expansão pode ocorrer). No maxilar superior pode ocupar todo o seio. ao longo do interior da maxilar e da mandíbula. Os queratocistos odontogênicos podem provocar reabsorção da cortical óssea e também deslocamento dentário e reabsorção radicular. pode haver contato da parede cística com os tecidos moles. de uma lesão suspeita de ser um queratocisto odontogénico. nem estabelecer uma distinção com outros tipos de cistos maxilares e mandibulares em que a histologia específica pode estar camuflada por alterações secundárias similares. . embora não tanto como os cistos dentígeros. embora o patologista não consiga confirmar o diagnóstico clínico.  SINAIS E SINTOMAS Os pacientes com queratocistos podem apresentar-se assintomáticos ou com sintomas. Desta forma podem ser necessárias amostras histológicas adicionais. existe a possibilidade de se observarem escamas de queratina. As alterações inflamatórias podem ser de tal modo extensas que não possibilitem nem o diagnóstico de queratocisto odontogénico.porções diferenciadas do órgão de esmalte. O epitélio pode apresentar variações e por vezes possui características de displasia. parestesia. Na presença de inflamação na cápsula fibrosa. A queratinização do epitélio é predominantemente paraqueratótica. É frequente o tecido conjuntivo possuir restos epiteliais e microcistos satélite separados. Apenas posteriormente ocorre apreciável alargamento da cortical óssea lingual e vestibular. que varia entre aproximadamente 20-62%. o revestimento cístico tem uma superfície ondulada e o revestimento epitelial numa parte da parede fica destacado da cápsula fibrosa (Imagem 18). Estendem-se através da cortical óssea e atingem os tecidos moles podendo ser difíceis de erradicar. os queratocistos odontogénicos conseguem expandir o osso cortical e erodir o córtex.

mas geralmente bem definidos (Imagem 20).  PREVALÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO Na literatura encontram-se frequências relativas para os queratocistos entre 1. existe acordo quanto à elevada recorrência destas lesões. Outros descrevem apenas um pico de incidência na terceira e quarta década de vida. a marsupialização (descompressão). Maior assentimento existe quanto à distribuição anatómica do queratocisto. Não existe consenso sobre qual o tratamento mais eficaz para o queratocisto e. por sua vez. Existem mais pacientes do sexo masculino afetados por esta patologia segundo a maioria dos autores. Frequentemente assemelham-se radiograficamente a ameloblastomas. naturalmente. Relativamente à idade em que mais diagnósticos são efetuados.3% e 21. Apesar de os valores não serem consensuais. a recessão óssea e também terapêuticas adjuvantes como crioterapia com nitrogénio líquido. Entre 25 a 40% dos queratocistos odontogénicos surgem numa relação com dentes não erupcionados sugestiva de cisto dentígero e. ou no caso de existirem dentes extraídos. na segunda e terceira década de vida e na sexta década de vida. radiograficamente o deslocamento de dentes inclusos ou erupcionados. São descritas diversas atuações cirúrgicas tais como a simples enucleação. electrocautério. a enucleação com curetagem. A aparência multilocular e irregular pode assemelhar-se a um ameloblastoma. com o terceiro molar mandibular. como os cistos residuais. são largamente apresentadas como as localizações em que se observam mais lesões . Apesar de poder surgir em qualquer região maxilar ou mandibular. geralmente. O epicentro é geralmente localizado superiormente ao canal do nervo alveolar inferior numa posição pericoronária. É recomendado um longo período de acompanhamento pós-operatório. o diagnóstico deve ser sempre dependente das características histológicas. As diferenças existentes nas taxas . O conteúdo espesso devido às células escamosas de queratina descamadas para o lúmen pode atenuar radiograficamente a lesão na tomografia computorizada. O cisto ósseo simples tem algumas semelhanças radiográficas com o queratocisto. mas é sim deslocada por este. embora não seja apreciável na radiografia panorâmica. Podem existir algumas semelhanças com um mixoma odontogénico. O padrão mais comum é o unilocular. relata uma taxa de recorrência entre 25% e 60%. os cistos radiculares ou periodontais laterais. ou mais agressivas. Consequentemente. ou quando não ocorre expansão significativa das corticais ósseas. Pode existir uma semelhança radiográfica entre queratocistos odontogénicos e outras entidades distintas como o ameloblastoma. Pode observar-se. pode ocorrer calcificação distrófica atribuindo características de rádiopacidade ao cisto. os estudos não são consensuais. Segundo Regezi. Alguns autores afirmam que existem dois picos de prevalência. desbridamento ultra-sónico e solução de Carnoy para diminui as recidivas.15%. pois existem relatos de recidivas até 10 anos decorridos após a cirurgia. Pode ser considerada a hipótese de um queratocisto odontogénico quando a ligação ao dente é apical à junção amelo-cementária. nomeadamente. reabsorção radicular ou extrusão de dentes erupcionados. nomeadamente as margens irregulares e a moderada expansão óssea provocada. o multilocular (uma série de arcos contíguos) observa-se mais frequentemente na maxila. e são considerados o terceiro ou o quarto cisto odontogénicos mais prevalente. os queratocistos odontogénicos apresentam uma taxa de recidiva entre 10 e 30%. os queratocistos podem exibir limites radiográficos menos bem definidos. Sapp.  DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E TRATAMENTO O diagnóstico diferencial deve ser efetuado com o cisto dentígero quando em posição pericoronária. há inúmeras publicações a propor linhas de orientação e a discutir abordagens terapêuticas mais conservadoras. Embora uma cuidadosa observação radiográfica e histológica mostre que a coroa do dente não se projeta para o lúmen do cisto. mas este tem uma capacidade de expansão da cortical óssea mais exuberante. Embora à semelhança do que acontece com os outros cistos quando secundariamente infectados. a mandíbula em geral e a região molar em particular. CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS Radiograficamente o queratocisto odontogénico pode ter diversas apresentações tais como um padrão unilocular ou multilocular radiolúcido e o espaço cístico pode apresentar os bordos regulares ou irregulares. Embora não seja comum.

o paciente deve ter o acompanhamento pós-cirúrgico realizado regularmente. reabsorção de cortical.de recidiva publicadas ao longo dos anos são atribuídas às variações nos tempos de follow-up utilizados pelos examinadores. a enucleação deve ser cuidadosa e realizada de forma a remover todos os fragmentos do revestimento cístico. Também pode ser observado expansão de cortical óssea. Hipertelorismo). A presença de margem recortada sugere uma atividade desigual de crescimento em diferentes partes do revestimento cístico. Regezi. têm cistos múltiplos e não estão relacionados com a Síndrome de Gorlin. atribuindo o seu desenvolvimento a degeneração do retículo estrelado do órgão do esmalte. voltada tanto para o lado lingual como vestibular. ocorrendo a maior frequência na região de 3º molar inferior (76%). Outro dado importante que deve ser observado. pode ocorrer o deslocamento do canal alveolar inferior. assintomático a menos que se torne secundariamente infectado e. Certamente.). O desenvolvimento deste cisto parece estar ligado a um distúrbio do desenvolvimento. mas às vezes de ortoqueratina.). Por exemplo. e um planejamento cuidadoso do caso deve ser feito. originário do epitélio odontogênico. 5) alterações neurológicas (retardamento mental. podendo. cada cisto e cada paciente deve ser considerado individualmente. Isto porque o êxito no tratamento não depende exclusivamente do procedimento terapêutico escolhido. Cistos primordiais múltiplos fazem parte da síndrome de Gorlin-Goltz (síndrome dos carcinomas basocelulares nevóides). e é diagnosticada usualmente entre a 2ª e 3ª décadas. 4) alterações endócrinas (hipogonodismo no homem. CISTO ODONTOGÉNICO ORTOQUERATINIZADO Atualmente. A lesão é mais comum em homens do que em mulheres. costela bífida. tanto nos cistos multilobulares como uniloculares. é a presença de margens recortadas. afirma também que. 2) alterações esqueléticas (prognatismo mandibular. disceratose palmo-plantar e calcinose de derme). regularidade de camada basal e ausência de projeções. podendo determinar futura recidiva do cisto. hidrocefalia congênita etc. normalmente discreta. b) Características radiográficas A imagem radiográfica apresenta áreas de lise óssea radiolúcidas arredondadas ou ovóides. podendo. A mandíbula é mais envolvida em relação à maxila. É importante sublinhar.) e. d) Tratamento O sucesso no tratamento deste cisto tem suscitado muita discussão entre os cirurgiões bucomaxilofaciais. técnicas cirúrgicas utilizadas e quantidade de casos incorporados nos estudos. Ele vem exatamente onde deveríamos ter um dente da série. mas também de outros fatores que são fundamentais para o sucesso do tratamento. Nos cistos que envolvem extensas áreas de mandíbula. que esta separação em duas entidades distintas surgiu devido a diferenças na histologia e comportamento. que além dos cistos apresenta as seguintes características clínicas: 1) alterações cutâneas (nevo basocelular. 3. e as evidências apontam para duas origens principais: da lâmina dentária ou seus remanescentes e de extensões das células basais do epitélio bucal sobrejacente. uni ou multiloculares. entretanto. aproximadamente. fibromas e cistos calcificados em ovário e útero nas mulheres. as variantes paraqueratinizada e ortoqueratinizada do queratocisto foram reclassificadas em tumor odontogénico queratocístico e cisto odontogénico queratinizado respectivamente. em determinadas partes. Independente da forma cirúrgica escolhida. caso contrário. Este cisto apresenta uma tendência em particular a recidiva após o tratamento cirúrgico. propicia maior dificuldade ao cirurgião na sua remoção. raramente apresenta manifestações clínicas evidentes. Parece não haver nenhuma correlação entre o tamanho ou localização e a sua recorrência. Assim. Têm sido relatados sucessos e fracassos com procedimentos de enucleação e de marsupialização. tendo na superfície interna uma camada de poucas células (de 5 a 8 camadas celulares) de epitélio pavimentoso estratificado. * este cisto a maior parte acontece no sexo masculino. com presença de paraqueratina (80% dos casos). . com contornos nítidos (margem esclerosada radiopaca). a possibilidade de recidivarem após o tratamento é grande. c) Aspectos Histológicos Este cisto. da ordem natural. desenvolver em qualquer parte dos maxilares. Parede com limites difusos. geralmente apresenta parede fina. Quando alcança um grande tamanho. a) Características clínicas e patogenia O cisto primordial é pouco freqüente. bem como a perfuração óssea. não haveria a formação nem do esmalte nem da dentina. etc. como já foi referido. 3) alterações oftalmológicas (cegueira congênita e estrabismo. Alguns autores determinam mais especificamente a origem do cisto. pode apresentar tumefação e relato de dor. nos cistos grandes ou naqueles de difícil acesso. Continua a subsistir alguma falta de consenso académico quanto à classificação desta lesão. nestes a taxa de recidiva é superior à das lesões isoladas. inclusive na linha média da mandíbula e maxila. crânio volumoso etc. 5% dos pacientes com queratocistos. observada na radiografia. apresentar limites não precisos (difusos). geralmente envolvendo o ramo ascendente da mandíbula. pela sua relevância clínica. e o cisto resultaria da falha do desenvolvimento de um dente normal do arco dentário ou de um supranumerário.

impactação e agenesia dentária. hiperqueratose nas palmas das mãos e pés. Existem algumas diferenças histológicas entre os queratocistos associados à síndrome e os não associados. características radiográficas e localização . fibrosarcoma maxilar. bem como anomalias oculares. nomeadamente. É essencial um exame histopatológico à lesão. que pode ser efetuada antes do nascimento. prognatismo. da falx cerebri. O revestimento epitelial é mais fino (cerca de 4 a 8 células) e raramente se observa a camada de células espinhosas hipocelulares que é habitual na variante paraqueratinizada. Ocorre habitualmente com a mesma frequência em mulheres e homens. . mais baixa do que a da variante paraqueratinizada. nomeadamente cápsula mais espessa e maior número de microcistos satélite. segunda ou terceira década de vida e estão presentes em cerca de 90% dos pacientes. radiolúcidas e assintomáticas. 4. e uma camada basal mal organizada. com exceção de possuírem uma camada granular com ortoqueratose.2%. descrito por estes autores em 1960. fenda labial e palatina. ou seja. é também designado por síndrome dos carcinomas de células basais múltiplos ou síndrome dos carcinomas de células basais nevóides entre outras designações. ectopia. pois o cisto ortoqueratinizado está associado a uma menor incidência de recidivas. Wright publicou um estudo pioneiro sobre os queratocistos com revestimento epitelial parcial ou totalmente ortoqueratinizado e descreveu que a maioria (72%) se encontra numa relação dentígera (associados à coroa de um dente incluso). contudo consensual que é clinicamente relevante saber qual o tipo de queratinização. Estudos mais recentes suportam esta tendência para uma menor taxa de recorrência dos cistos ortoqueratinizados. É também incomum em cistos ortoqueratinizados observarem-se microcistos satélite.000.000 e na Austrália de 1/164. base do nariz acentuada. A etiologia da doença é hereditária e a síndrome tem sido relacionada em diversos estudos com mutações no gene supressor tumoral PCTH. São lesões habitualmente solitárias. É uma condição rara com uma prevalência estimada entre 1/56.3 e codifica uma proteína receptora. SÍNDROME DE GORLIN-GOLTZ A síndrome de Gorlin-Goltz. segundo Regezi. Há relatos de inúmeras desordens no sistema estomatognático associadas a esta síndrome como os ameloblastomas. A idade média com que são inicialmente diagnosticados é mais precoce do que nos pacientes que não têm a síndrome. Os queratocistos odontogénicos associados a este síndrome têm a mais alta taxa de recidiva e representam. atraso mental (em cerca de 5% dos casos). O tratamento requer uma abordagem multidisciplinar e os queratocistos são tratados cirurgicamente. Deverá ser efetuada uma consulta anualmente nos primeiros 5 anos e a partir desse período de dois em dois anos. aproximadamente 5% de todos os pacientes com esta lesão. meningiomas e fibromas cardíacos e ováricos também têm sido associadas à síndrome. por isso os controlos pelos médicos dentistas e restantes membros da equipa devem ser regulares. Os queratocistos odontogénicos associados a esta síndrome normalmente surgem na primeira. Gorlin descreve uma taxa de recidiva de 60% e Sapp de aproximadamente 82%. polidactilia. entre outros. que a sua taxa de recidiva é de 4. sendo confirmado pela análise de mutações de genes. Neoplasias como meduloblastomas.000 nascimentos. a hipoplasia do andar médio da face. Esta síndrome deve ser considerada sempre que existam múltiplos queratocistos odontogénicos em pacientes de idade jovem e o seu diagnóstico baseia-se em critérios específicos. Habitualmente ocorre na região mandibular posterior e em pacientes entre a quarta e a quinta década de idade. Esta síndrome está associada ao aparecimento de múltiplos queratocistos odontogénicos e múltiplos carcinomas de células basais da pele (estes últimos desenvolvem-se em idades precoces e podem variar entre as dezenas e as centenas). bossas frontais. O aconselhamento genético é recomendado. Raramente um cisto pode exibir focos de ortoqueratinização num revestimento paraqueratinizado. A esperança de vida não é particularmente afetada. Mutações deste gene têm sido encontradas nos queratocistos odontogénicos e carcinomas de células basais associados a esta síndrome. Este gene é mapeado na região do cromossoma humano 9q22. bem como a anomalias esqueléticas do tórax (nomeadamente costelas bífidas. Estes cistos têm um comportamento clinicamente menos agressivo e tendência para não estarem associados à síndrome de Gorlin-Goltz. fusionadas ou ausentes) e calcificações do crânio.É. mixoma odontogénico. Exibem características microscópicas semelhantes às da lesão paraqueratinizada. uniloculares. embora o seu comportamento clínico. embora existam estudos em Itália com uma taxa de 1/256. sejam semelhantes às de lesões não associadas à síndrome. cristas supra-orbitárias. pequenas e pouco expansivas. embora a morbilidade associada às complicações seja substancial. que é um componente da via de sinalização hedgehog. É caracterizado por malformações congénitas e predisposição para a malignidade.000 e 1/60. É uma desordem hereditária com um padrão autossômico dominante com elevada penetrância e uma expressividade variável. Em 1981.

mal posição ou mau alinhamento dentário.5. mobilidade ou sensibilidade dentária . muitas vezes efetuadas para investigar a ausência de um dente. o potencial para deslocar ou reabsorver dentes adjacentes e também osso. em cistos dentígeros não tratados. por ser derivada do folículo dentário. CISTO DENTÍGERO (Folicular) ETIOPATOGENIA O cisto dentígero. que são cuboides. possivelmente. a presença de grânulos de melanina nas células basais do revestimento epitelial destes cistos já foi descrita. um exame clínico habitualmente revela a falta de um dente e. Quando há inflamação. Podem ocorrer complicações como a fratura óssea patológica. carcinoma mucoepidermóide ou ameloblastoma. composta por uma fina camada de tecido conjuntivo que. regulares ou achatadas. é um cisto odontogênico de desenvolvimento que envolve a coroa de um dente não erupcionado e está inserido no seu colo. SINAIS E SINTOMAS Na presença de um cisto dentígero. As características mais importantes desta lesão são a capacidade de expansão assintomática. Há semelhança do que já aconteceu com outros tipos de cistos. Em alguns casos. embora apenas em algumas áreas limitadas e nenhuma outra característica comum aos queratocistos odontogênico é observada . a perda de dentes permanentes. A patogênese exata deste cisto permanece desconhecida. O revestimento epitelial pode incluir um número variável de células produtoras de muco e por vezes células ciliadas. Embora a dor e o desconforto não sejam sintomas comuns. CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS A parede destes cistos é fibrosa. No tecido conjuntivo adjacente. apresenta fibroblastos separados por um estroma de tecido conjuntivo laxo com aparência mucinosa. o revestimento é queratinizado. o diagnóstico é efetuado após a observação de radiografias. Pode causar um atraso na erupção dentária. . também denominado cisto folicular. o epitélio torna-se mais espesso e mais escamoso. aglomerados de epitélio odontogênico são frequentemente observados com aparência inativa. derivado do epitélio reduzido de esmalte (Imagem 16). Desenvolve-se pela acumulação de fluído entre o epitélio reduzido de esmalte e a coroa. Caso exista inflamação. É revestida por um epitélio e pode ter a espessura de apenas duas ou três células. a deformação óssea e o desenvolvimento de um carcinoma espinocelular. próximo da junção amelocementária (Imagem 15). nesta situação a contextualização radiográfica é fundamental para um diagnóstico preciso. exceto quando existe exacerbação inflamatória aguda. embora autores preconizem uma origem no desenvolvimento do folículo dentário. Geralmente. o epitélio torna-se hiperplásico e assemelha-se ao revestimento epitelial de um cisto radicular. um edema que pode causar dor. ou entre as camadas do epitélio reduzido de esmalte. A metaplasia mucosa é mais frequente do que em qualquer outro cisto.

Para o diagnóstico é fundamental observar as características radiográficas destas patologias. de ser um cisto dentígero. habitualmente não provoca reabsorção dentária e pode estar aderido . O queratocisto não expande tanto as corticais ósseas. Controlos periódicos podem ser efetuados para controlar aumentos no tamanho da região. frequentemente. nomeadamente a relação com um dente incluso. corticalizada e associada à coroa de um dente não erupcionado . o pavimento do seio e na mandíbula. Frequentemente. não é possível observar todas as características que fazem de uma lesão um cisto. induzindo o patologista em erro. desenvolvem limites irregulares devido a taxas de expansão desiguais através de diferentes densidades ósseas. e a expansão cística pode exceder os limites das corticais ósseas externas do maxilar e mandíbula. o odontoma. uma vez que existem outras patologias. Estes cistos dentígeros de grandes dimensões. segundo alguns autores. histologicamente. o revestimento epitelial pode assemelhar-se ao de um cisto radicular. pois. embora por vezes se encontre na sua maioria ou na sua totalidade de um dos lados. A mais difícil diferenciação a efetuar é entre um pequeno cisto dentígero e um folículo hiperplásico. Esta patologia tem tendência para deslocar consideravelmente e reabsorver as raízes dos dentes adjacentes. origem. O tamanho de um folículo normal é de 2 a 3 mm. os cistos relacionados com a coroa dos terceiros molares mandibulares podem estender-se extensamente ao longo do ramo. como por exemplo. o cementoma.CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS Radiograficamente. que podem assumir a mesma aparência. o granuloma central de células gigantes e o ameloblastoma . caso exceda os 5 mm existe uma maior probabilidade. A presença de infecção pode alterar o contorno dos limites da lesão. formando um colar entre esta e a raiz. No maxilar. conteúdo e relações ósseas. Assim as características radiográficas só por si não são o suficiente para formular um diagnóstico. Radiograficamente o cisto periapical está situado no ápice radicular de um dente com cáries ou já tratado. pois mesmo as características histológicas podem ser semelhantes. É um assunto controverso. Os cistos relacionados com os terceiros molares maxilares frequentemente crescem para o seio maxilar e podem tornar-se muito extensos até serem diagnosticados. bem como deslocar apicalmente o dente envolvido. denominandose segundo alguns autores cisto dentígero lateral (Imagem 17). o cisto caracteriza-se por uma área radiolúcida unilocular bem definida. O diagnóstico diferencial deve incluir ainda o queratocisto odontogênico. Embora alguns autores preconizem que o critério é histológico e que é apenas necessário observar-se a presença contínua do epitélio de revestimento. esta área radiolúcida encontra-se a envolver a coroa. o cisto dentígero apresenta-se como uma imagem radiolúcida que rodeia a coroa de um dente não erupcionado. pois fornece informação sobre o seu tamanho. os queratocistos odontogênico ou os ameloblastomas uniloculares. o folículo hiperplásico não provoca deslocamento dentário nem expansão da cortical óssea. ou em direção à cortical inferior da mandíbula. Os terceiros molares maxilares podem ser deslocados em direção a orbita e os mandibulares em direção às apófises condilar e coronóide. cápsula fibrosa revestida por epitélio escamoso estratificado não queratinizado e verificação cirúrgica do espaço existente entre esmalte e os tecidos sobrejacentes. por sua vez. redonda ou ovóide. o fibroma ameloblástico. Daley et al. A hipótese de cisto deve ser considerada quando existe evidência de expansão óssea ou deslocamento dentário. o canal do nervo alveolar inferior. habitualmente um terceiro molar ou um canino. uma vez que as características histopatológicas do revestimento epitelial não são específicas. podem ser deslocados pelo crescimento destes cistos. e. como foi referido a propósito das características histológicas. O epitélio escamoso estratificado não queratinizado também ocorre em folículos normais.consideram que as guidelines para a descrição de um cisto dentígero são: imagem radiolúcida superior com mais de 4 mm de largura. Em cistos dentígeros com extenso envolvimento ósseo torna-se necessária a observação de uma tomografia computorizada. pois na presença de inflamação. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E TRATAMENTO O diagnóstico diferencial deve integrar a observação radiográfica e cirúrgica da ligação do cisto à junção amelo-cementária. Perante esta dificuldade diagnóstica.

pré-molares inferiores e os 3º molares superiores. epitélio reduzido do esmalte) em projeções. Habitualmente é a segunda patologia mais prevalente nos estudos de prevalência em cistos odontogênico.7% e 45%. de modo que o dente possa irromper. com a enucleação cuidadosa de lesão juntamente com o dente envolvido. podendo destruir todo o ramo mandibular. algumas vezes. com percentagens entre 11. haja uma elevada prevalência destes cistos (20. a técnica recomendada é a da marsupialização.4% e 35. canino e terceiro molar maxilares. nesta situação.ao dente envolvido numa região que não a coroa. frequentemente associados à mucopolissacaridose. também numa população pediátrica. 6. b) Características Radiográficas A imagem radiográfica da lesão. a) Características clínicas e patogenia: É um tipo de cisto odontogênico com um índice de incidência maior que o primordial. processo coronóide e côndilo. A avaliação microscópica é necessária para definir o tipo de lesão . mostra uma área radiolúcida bem delimitada. geralmente incluso e ele pode ser circunferencial ou lateral. O cisto dentígero tem um crescimento lento. simular um cisto dentígero num gérmen de um dente permanente. O exame histopatológico desse cisto. Patologias raras como o tumor odontogênico adenomatoso e o cisto odontogênico calcificante são descartadas pela presença de radioopacidade na sua estrutura interna. apresentar dentes adjacentes com reabsorção. quando localizado na região dos 3º molares. Algumas teorias foram lançadas na tentativa de explicar o surgimento desse cisto. podendo ocasionar. Na maioria das publicações. O cisto tem margens esclerosadas bem definidas. Isto está diretamente com a frequência de inclusão dos dentes. embora possam ser múltiplos e. à síndrome névico de células basais ou displasia cleidocraniana. O cisto dentígero é capaz de resultar grandes perdas ósseas. De acordo com alguns autores. podendo. (o que denota crescimento lento). Embora Jones et al. c) Aspectos Histológicos O cisto dentígero não apresenta característica histológica alguma própria . mostra uma delgada parede fibrosa. Envolve a coroa de um dente que esta erupcionado ou não. caninos superiores. CISTO DE ERUPÇÃO É um cisto que se desenvolve coronalmente a um dente decíduo ou permanente que se encontra a erupcionar e já parcialmente fora do osso. após a completa calcificação da coroa do dente. sendo mais freqüente em adolescentes e adultos jovens. o acompanhamento ortodôntico pós-operatório é essencial para garantir ao dente um espaço na arcada. Raramente está associado a um dente decíduo. expansão da cortical e deslocamento de dentes vizinhos. A lesão envolve a coroa de um dente não irrompido (dente normal ou supra numerário). É revestido por epitélio escamoso estratificado não . constituída por fibroblastos jovens. que possa ser diferenciado de outros cistos odontogênicos. pela sua localização.7%) tenha descrito. d) Tratamento O tratamento do cisto dentígero é eminentemente o cirúrgico. vindo em uma ordem decrescente. distribuídos em um estroma rico em ácido mucopolissacarídeo. A possibilidade do cisto dentígero originar ameloblastoma (tumor odontogênico). Nesses casos. O revestimento interno é constituído por uma fina camada de células (2-3) de tecido epitelial pavimentoso estratificado (na realidade. os cistos dentígeros são mais diagnosticados em homens e também na segunda década de vida. com o seu aumento progressivo. grandes perdas ósseas. é o cisto odontogênico mais comum em populações pediátricas com frequências entre 20. e segundo pré-molar mandibular. em pacientes com idades compreendidas entre os 11 e os 20 anos. e a causa mais comum de uma área radiolúcida pericoronária associada a um dente não erupcionado. assintomático. Habitualmente ocorrem isolados. seguida da região maxilar anterior. atribui a provável origem do cisto no resultado de uma alteração no epitélio reduzido do órgão de esmalte.5%. maior número de cistos radiculares. A localização mais frequente é a região molar mandibular. A mais aceita delas. Nos casos em que existe a possibilidade do dente envolvido ocupar sua posição no arco dental. Um cisto residual em apical de um dente decíduo pode. prendendo-se em seu colo e estando associada em maior porcentagem aos 3º molares inferiores. É comum a descontinuidade do revestimento epitelial e a presença de infiltrado na cápsula subjacente. parece não possuir evidência para fundamentar tal hipótese. Cistos grandes apresentam expansão de cortical óssea e consequente deformidade local pode aparecer em alguns casos. associada a coroa de um dente não erupcionado. usualmente unilocular. com exposição de cavidade. PREVALÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO Este é o tipo mais frequente de cisto odontogênico não inflamatório. Em todos eles existe um predomínio de pacientes do sexo masculino. É uma patologia que se desenvolve mais frequentemente em relação com o terceiro molar mandibular. Observações histológicas não fornecem bases para esse tipo de afirmação.

preferencialmente. é por volta da quarta década. relataram uma frequência de 0. É considerado raro nos adultos. unilateral ou bilateral e no maxilar ou mandíbula. o que confere à gengiva a cor azulada (esta é a razão pela qual este cisto recebe o nome de "hematoma de erupção"). o dente erupciona e a lesão desaparece.1% e Dhanuthai et al. o aumento do volume gengival pode provocar dor. Geralmente ocorrem na primeira década de vida. Já foi considerado uma forma de cisto dentígero presente nos tecidos moles e.6%. Embora possa ocorrer retenção do dente pelo cisto e nesta situação a remoção dos tecidos sobrejacentes pode facilitar a erupção.). =obtém 10. a) Características clínicas e patogenia O cisto de erupção é uma variedade de cisto dentígero associado a um dente decíduo ou permanente em processo de erupção.queratinizado. Histologicamente é semelhante ao descrito para o cisto dentígero. Wysocki et al. sendo considerada a segunda patologia mais frequente entre os cistos odontogênicos na população estudada. de forma isolada ou múltipla. b) Aspectos histológicos O revestimento epitelial do cisto. Quando isto não acontece. com a erupção do dente associado. que o cisto gengival do adulto e o cisto periodontal lateral têm a mesma histogênese e que representam as manifestações intra-ósseas (Cisto Periodontal Lateral) e extra-ósseas (Cisto Gengival do Adulto) da mesma lesão. Bodner et al. Oschenius et al. seguido pela região anterior da maxila. É uma lesão extra-óssea localizada entre o epitélio reduzido do órgão de esmalte e a coroa do dente. com frequência hemorrágica. embora haja autores que sugerem que o cisto se desenvolve a partir dos remanescentes da lâmina dentária presentes sobre o dente que erupciona. é constituído por 2 a 3 camadas celulares de epitélio estratificado e. devido ao traumatismo mastigatório. e. nas áreas de pré-molares e caninos inferiores. (1980) postulam. A ocorrência mais freqüente dos cistos gengival do adulto e cisto periodontal lateral. clinicamente. a forma de desenvolvimento e a relação que elas guardam entre si e com outros tipos de cistos. descreveram 22% de cistos de erupção. A etiopatogenia é controversa. Habitualmente desaparecem espontaneamente sem tratamento cirúrgico . melanoma e ameloblastoma unicístico através de exame anatomo-patológico. embora seja mais frequente a existência de um infiltrado inflamatório crónico adjacente ao epitélio como resultado de trauma oclusal e consequentemente originar a proliferação e espessamento do revestimento epitelial. Os mesmos autores sugerem que pelo fato de estas lesões habitualmente regredirem. sendo necessária a ulotomia (procedimento cirúrgico mais simples a ser realizado na criança. mas supõe-se que tenha origem em alterações degenerativas no epitélio reduzido de esmalte.4% de cistos de erupção. c) Tratamento Normalmente o cisto se rompe. O diagnóstico diferencial deve ser efetuado com o hemangioma. Geralmente a marsupialização é um tratamento eficiente e permite ao dente associado completar a sua erupção. Nxumalo & Shear (1992) e Altini & Shear (1992) concordam que as duas lesões provavelmente são da mesma família e Buchner & Hansen (1979) consideram que elas têm a mesma origem epitelial.2. causada pelo acúmulo de exsudato. pela presença constante de células inflamatórias agudas. com base nas similaridades clínicas e morfológicas.2% num universo de 7121 cistos odontogênicos. 7. originário do epitélio reduzido do esmalte. Publicações em populações pediátricas demonstram uma prevalência muito superior desta lesão. Também em populações pediátricas Iatrou et al. Estes cistos são raros. abaixo de 1%. Radiograficamente é difícil distinguir o espaço cístico. CISTO PERIODONTAL LATERAL E 8. Jones et al. encontraram uma frequência relativa de 0. . localizados. apresenta-se como uma tumefacção de cor azulada translúcida e compressível na área onde o dente irá erupcionar. Jones et al. CISTO GENGIVAL DO ADULTO a) Características clínicas e Patogenia: Estas lesões continuam provocando o interesse dos pesquisadores quanto à origem. pois é localizado nos tecidos moles sobre a crista alveolar. a prevalência será superior ao relatado. Geralmente a dor à palpação só ocorre se o cisto estiver infectado.

embora não exista um consenso sobre a etiologia da lesão. ricas em glicogênio. grandes e claras.Embora haja pouca dúvida de que os cistos periodontais laterais sejam de origem odontogênica. Com relação a segunda hipótese. o cisto periodontal lateral e o cisto gengival do adulto teriam a mesma descendência: seriam originários do epitélio reduzido do esmalte. Quando está localizada no interior ósseo é tratado por enucleação cirúrgica. afirma uma frequência de 7.5%%. enquanto que no cisto gengival do adulto. é que levam alguns autores a concluírem que os dois cistos se originam do mesmo epitélio. além de apresentarem o núcleo pequeno e picnótico. que o cisto periodontal lateral foi considerada uma patologia independente. O Cisto Periodontal Lateral apresenta imagem radiográfica semelhante à variedade colateral do Cisto Primordial. Três são as mais prováveis possibilidades da origem dos cistos: 1) epitélio reduzido do esmalte. ou existir apenas uma leve sombra arredondada indicativa de erosão óssea superficial . O diagnóstico diferencial desta patologia efetua-se com o cisto dentígero. com alguma predominância do sexo masculino. com menos de 1 cm. Esta além da referida lâmina dentária pode originar-se no epitélio reduzido de esmalte ou nos restos epiteliais de Malassez. 2) remanescentes da lâmina dental e 3) restos de Malassez. as radiografias mostram uma área radiolúcida arredondada ou ovóide. O tratamento de eleição é a enucleação cirúrgica. Têm uma tendência mais elevada para a recidiva. . São cistos de desenvolvimento não queratinizados. podendo somente diferenciá-los após o exame histológico. revelam uma imagem radiolúcida redonda ou em forma de gota. com os cistos radicular e residual. após a erupção do dente. no cisto periodontal lateral. somente que. De uma forma geral. cisto gengival do adulto e queratocisto. compostas por células fusiformes claras (ricas em glicogénio). na maioria dos casos.8% em divergência com os restantes autores. procurando evitar. As células da placa às vezes são fusiformes. Segundo a maioria dos estudos este cisto localiza-se mais frequentemente na região pré-molar e ocorre entre a quinta e a sétima década de vida. Os estudos de prevalência descrevem o cisto periodontal lateral com uma frequência entre 0. Geralmente não ultrapassam 1cm de diâmetro. d) Tratamento: Na forma extra-óssea a remoção é realizada através de excisão cirúrgica. Quando a lesão está localizada no interior do osso (Cisto Periodontal Lateral). elas apresentam um revestimento epitelial com poucas camadas de células. localizados adjacente ou lateralmente à raiz de um dente vital. Este espessamento ou placa epitelial presente nas duas lesões (Cisto Gengival do Adulto e Cisto Periodontal Lateral).03% e os 1. focos de calcificação e restos de lâmina dentária . A cápsula do cisto pode exibir uma zona de hialinização. c) Aspectos Histológicos As duas lesões apresentam características histológicas muito semelhantes. sem projeções e com focos de espessamento (placas) para o interior do lúmen. O estudo de Bataineh et al. pode não ocorrer alteração radiográfica alguma. Os cistos de Botryoid representam uma variação multicística descrita pela primeira vez em 1973 por Weathers e Waldron e são caracterizados pela presença de uma imagem multilocular. danos ao dente próximo a lesão. b) Características Radiográficas: No caso da lesão extra-óssea (Cisto Gengival do Adulto). sempre que possível. e estão localizados entre o ápice e margem cervical do dente. com um aspecto de edema intracelular. São delimitados por um epitélio escamoso queratinizado composto por uma a cinco camadas de células dispostas em paliçada. Histologicamente estes cistos caracterizam-se pela presença de restos epiteliais que tem origem na lamina dentária. conhecidos como restos de Serres e por placas epiteliais. As manifestações clínicas tendem a ser ligeiras e o diagnóstico habitualmente estabelecido através de radiografias de rotina que. isto ocorreria antes da erupção do dente.  CISTO PERIODONTAL LATERAL Desde a ultima classificação de cistos maxilares da OMS em 1992. bem definida por uma margem esclerosada . existem controvérsias sobre o epitélio odontogênico do qual eles surgem.

semelhantes às encontradas no cisto periodontal lateral. descrevaram 0. com bordos bem definidos. Existe também a possibilidade de serem confundidos com mucocelos. descrita por Gardner et al. O cisto odontogénico glandular. CISTO GENGIVAL DOS ADULTOS Estes cistos são raros e tem origem em remanescentes do epitélio odontogénico que envolvem a gengiva de adultos. também é conhecida como cisto sialo-odontogénico. O revestimento epitelial varia entre fino. podem não apresentar nenhuma imagem ou apenas uma ligeira radiolúcidez.4% respectivamente. .2% e 0. A sua etiologia é controversa. mas especula-se que terão origem em remanescentes da lâmina dentária e epitélio juncional de dentes adjacentes. o que podem induzir o clínico a diagnosticar a lesão como um cisto periodontal lateral. que ocorrem na gengiva aderida ou papila inter-dentária e quase sempre em vestibular. por vezes irregulares ou difusos. A sua prevalência é baixa quando considerado o universo de todos os cistos odontogênicos. Supõe-se que este e o cisto gengival tenham a origem em comum. pois são similares. com apenas uma ou duas camadas de células achatadas ou cubóides. com variações de espessura ao longo da sua extensão (Imagem 13). Histologicamente. embora este último se localize nos tecidos moles. existem relatos de uma elevada taxa de recidivas. indicativa de erosão superficial do osso. bem definida. Este termo foi inicialmente proposto por Padayachee e Van Wyk em 1987. e espesso. Radiograficamente. Em alguns cistos podem ser encontradas placas epiteliais de células fusiformes. embora exista atualmente evidência que a origem será mais odontogênica do que sialogénica. à tendência do epitélio para se separar do tecido conjuntivo ou ao seu crescimento através do osso. unilocular ou multilocular. Por vezes pode ocorrer reabsorção radicular ou deslocamento dentário. Acredita-se que a causa desta elevada taxa de recidivas não está associada ao comportamento biológico da patologia. e Oschenius et al. cisto radicular e cisto dentígero com metaplasia mucosa e. e entre a quinta e a sexta década de vida. O revestimento epitelial é composto por epitélio escamoso estratificado não queratinizado . Esta característica radiográfica ocorre preferencialmente na mandíbula em vestibular. A frequente perfuração ou diminuição da espessura da cortical óssea indica agressividade. com epitélio escamoso estratificado com cristas interpapilares. apesar de raro. embora estes nunca ocorram na gengiva aderida. CISTO GLANDULAR Este cisto é uma lesão óssea rara e agressiva. São diagnosticados. A aparência histológica pode ser a de um queratocisto odontogénico. mas sim à incompleta remoção do cisto devido à sua morfologia multilocular. pois podem não ocorrer à presença de todas as características diagnósticas necessárias. a caracterização é complexa e a variabilidade individual grande. deve ser considerado no diagnóstico diferencial de lesões radiolúcidas uniloculares ou multiloculares do maxilar e da mandíbula. É uma lesão tipicamente radiolúcida. e a ocorrência mandibular superior à maxilar. na região de canino a pré-molar mandibular. com o carcinoma mucoepidermóide podem dificultar o diagnóstico definitivo. A interface entre o tecido conjuntivo da cápsula fibrosa e o epitélio é achatada e não apresenta células basais em paliçada. de todos os cistos odontogênicos da sua amostra. Ocorre presença de inflamação moderada ou na sua ausência. sobretudo. Possui células mucosas e estruturas glandulares intra-epiteliais revestidas por células eosinófilas cubóides ou colunares.[109] em 1988. Estas células podem adquirir a forma de projeções papilares ou invaginações. Apresentam-se como tumefacções bem circunscritas e geralmente com menos de 1 cm de diâmetro. 9. Jones et al. de crescimento lento e assintomática (Imagem 14). geralmente. A semelhança microscópica com lesões como o cisto de Botryoid. Em ambos os estudos o sexo feminino foi dominante. Este pode não ser possível se for baseado numa biópsia incisional pequena.

devido aos poucos casos relatados. próximo à papila palatina. É originário da proliferação de restos epiteliais encontrados no canal nasopalatino. ligando a cavidade oral a nasal. Existe uma ligeira predileção para o sexo masculino e são predominantemente diagnosticados na quinta década de vida. formando duas passagens. uma de cada lado do septo nasal. Embora este cisto tenha o seu desenvolvimento . As lesões extensas e multiloculares são aquelas que devem ser tratadas de forma mais agressiva.As lesões variam consideravelmente em tamanho e agressividade e o tratamento. pois acarretam maior risco de recidiva. Este canal é uma estrutura embrionária. CISTO DO CANAL INCISIVO (conduto incisivo. permanece controverso. conduto nasopalatino). pode provocar a divergência das raízes destes dentes. Na literatura encontram-se frequências relativas desta lesão entre 0. revestida por tecido epitelial. Ocorrem sobre tudo na região mandibular anterior. Ocasionalmente.2 Cisto Não Odontogênico São verdadeiros cistos que desenvolvem na linha de fusão dos ossos da face decorrente do aprisionamento de remanescentes epiteliais provenientes do ectoderma durante os processes embrionários da boca e face. próxima às raízes dos incisivos centrais. Na maioria dos casos é assintomático podendo apresentar tumefação no palato.6% de todos os cistos odontogênicos. A imagem radiográfica mostra uma destruição óssea na linha média do palato acima das raízes dos CISTO NASOLABIAL (Nasoalveolar) Ao contrário dos cistos fissurais descritos anteriormente.1% e 1. no cisto nasolabial muito raramente vamos encontrar algum comprometimento ósseo. são descritas desde simples enucleações e curetagens até recessão óssea marginal. mesmo em pessoas muito jovens. O desenvolvimento de um cisto nesta região mediana do palato. O diagnóstico é eminentemente clínico caracterizando-se pelo edema localizado na região da prega mucolabial podendo estender-se para o assoalho do nariz. Dentre os cistos é o mais freqüente estando localizado no interior do canal nasopalatino ou nas suas proximidades. Este cisto pode aparecer em qualquer idade. em que a imagem radiográfica é primordial para o seu diagnóstico. estes cistos podem ser descobertos quando do exame radiográfico de rotina. 1.

fatores hormonais e imunosupressão. . a polpa está desvitalizada.  Cisto de Stafne: O defeito de Stafne clássico apresenta-se como uma área radiolúcida abaixo do canal mandibular. induzindo respostas de reação imediata e tardia. Os canais eram mal preparados e consequentemente mal obturados. na inflamação periapical predominam os fenômenos imunológicos. Têm sido encontrados em diversos cistos e tumores odontogênicos e sugere-se que seus produtos de desgranulação.  Folicular inflamatório Só em dentes que estão erupcionando. uma vez removida à causa através da obturação do canal radicular.  Cisto Hemorrágico Em uma cavidade que tem sangue. Fatores locais são os que determinam a evolução das inflamações periapicais. Como ocorre com inflamação de outros tecidos. Mesmo que a coroa esteja integra. O ápice dentário é formado principalmente por cemento. sua provável origem é atribuído a remanescentes epiteliais alojados na junção dos processos globular. facilitando o crescimento destas lesões. Às vezes a reação inflamatória se desenvolve na porção lateral da raiz. entre o molar e o ângulo da mandíbula. mas é sempre visível nas panorâmicas. Patologia Periapical As lesões periapicais na maioria das vezes correspondem a reações inflamatórias decorrentes da necrose pulpar e contaminação bacteriana do canal radicular. 2. Os diferentes tipos de lesões periapicais representam diferentes estágios da reação inflamatória. como diabetes. Até 1950 prevalecia o conceito do tratamento de canal baseado na medicação antibacteriana. No exame radiográfico aparecem como áreas radiolúcida. Como os agentes etiológicos principais são as bactérias e seus produtos. nos dentes com canal amplo. e o ligamento periodontal e osso alveolar correspondente. na presença de imagem radiolúcida associada ao ápice dentário deve-se considerar como primeira hipótese de diagnóstico uma inflamação periapical. Estrutura do Periápice O periápice é formado pela porção terminal da raiz. em diferentes fases de desenvolvimento. em canais acessórios ou laterais. As inflamações periapicais freqüentemente são crônicas e assintomáticas. havendo pouca influência de fatores sistêmicos. raramente é descoberta nas radiografias intrabucais. e associada a dente sem vitalidade. e maxilar. nasal lateral.3 Pseudocistos Ele recebe esse nome porque é um falso cisto. na região posterior da mandíbula. sendo que o conjuntivo intracementário está em continuidade com a polpa. a normalidade do periápice é restabelecida. 1. incluindo enzimas e citocinas. ao invés da limpeza químicomecânica. ou em adultos devido aumento da carga bacteriana no ápice. idade. Nestes casos. O cisto deve ser removido através de uma enucleação cirúrgica. circunscritas. Cisto Odontogênico Inflamatório Mastócitos são células localizadas no tecido conjuntivo que participam de diversas respostas inflamatórias agudas e crônicas.  Cisto periodontal lateral Lateralmente a raiz do dente lateral e canino. Processos agudos ocorrem em crianças. ou seja. possam estar relacionados à degradação da matriz conjuntiva na parede cística ou tumoral e ser importantes no processo de reabsorção óssea. Aceita-se que na ausência de bactérias a inflamação apical é de pouca intensidade. y de Enis.processado externamente ao tecido ósseo. O processo é semelhante ao que ocorre no ápice.

com formação de material cementóide e/ou osteóide.2007. Caso seja adequadamente eliminado o estímulo inflamatório. SHEAR & SPEIGHT. por meio das formas de tratamento anteriormente descritas. ou seja.2008. às vezes com calcificação. 2010). pode envolver apenas o tratamento endodôntico e o acompanhamento clínico . com escasso citoplasma e núcleo grande.2009). RICUCCI & SIQUEIRA. 2010). Em jovens são mais numerosos do que em adultos. LOVE & FIRTH.se a partir dos remanescentes epiteliais perirradiculares. em virtude da maior facilidade de comprometimento endodôntico (DE SOUZA et al. Estes cistos podem ser encontrados em todas as faixas etárias. NEVILLE et al. Os dentes associados ao desenvolvimento destes cistos não respondem aos testes de sensibilidade pulpar.M. especialmente aqueles localizados na região anterior. usualmente sendo esta determinada pela participação de biofilme bacteriano colonizando o sistema de canais radiculares (LIN et al. mastócitos e eosinófilos. Estas lesões são caracterizadas por conterem uma parede de tecido conjuntivo fibroso.2007. Após a obturação do canal 1 a 2 mm aquém do ápice. No adulto predominam nos terços cervical e médio. Geralmente aparecem como grupos de 10 células poliédricas e uniformes.E. Ficam a 20-40μm do cemento. Em dentes de pessoas jovens.Radiograficamente os cistos periapicais apresentam-se como áreas radiolúcidas uniloculares bem delimitadas por uma borda radiopaca de esclerose óssea. 2009. este cisto é revestido internamente por epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado de espessura variável e apresenta um lúmen que pode conter restos celulares. eliminação do estímulo inflamatório derivado da infecção e necrose pulpar (LIN et al.2009. em resposta à inflamação derivada da necrose pulpar de um elemento dentário. nos casos onde há indicação de manutenção do elemento dentário. considera-se que a obturação deve ser feita 1-2 mm do ápice radiográfico. com um lúmen contendo líquido e restos celulares (NEVILLEet al. CISTO PERIAPICAL Os cistos periapicais (cistos radiculares inflamatórios. Além do forame principal devem-se considerar os canais laterais. 2010). 2010). a imagem radiográfica mostra área radiolúcida associada ao espaço correspondente ao ligamento periodontal... Os pacientes acometidos por cistos periapicais normalmente não apresentam sintomas..2007. pode ocorrer o selamento do canal com cemento. dor e. NEVILLE et al.. além de hemorragia e reação de corpo estranho aos cristais de colesterol (LIN et al.E.1 . 2010). A parede é composta por tecido conjuntivo fibroso denso com infiltrado inflamatório predominantemente crônico. mas a região acometida pode mostrar aumento de volume. predominantemente. Restos Epiteliais de Mallassez Os R. podendo causar reabsorção radicular nos dentes associados (SHEAR & SPEIGHT. 2009. LOVE & FIRTH. . Entretanto como na prática este limite não pode ser definido. plasmócitos. Através do ligamento periodontal do periápice penetra o feixe vásculo-nervoso para o interior do dente. Como estas lesões desenvolvem . são envolvidos mais comumente... Assim. Seu tratamento deve ser direcionado à remoção da causa. LOPES & SIQUEIRA. de linfócitos. histiócitos e. raramente. SCHULZ et al. terminando a formação da raiz. com perda do contorno normal da lâmina dura do osso alveolar ao longo da raiz adjacente.2007. podendo apresentar tamanho variável.22 mm de diâmetro. De 280 dentes permanentes examinados por Reeve e Wentz. células gigantes multinucleadas do tipo corpo estranho. a intensidade do infiltrado inflamatório e a exocitose decorrente de sua presença podem fazer com que o epitélio torne -se alternadamente atrófico e hiperplásico. Tem 0.5 . NEVILLE et al. até a remoção cirúrgica do dente e do cisto por meio de enucleação ou curetagem nos casos onde não há intenção de manter o dente associado. grupos de células epiteliais podem estar em degeneração.0. mas pode tornar-se misto ou mostrar predomínio de polimorfonucleares em lesões secundariamente traumatizadas e/ou associadas a episódios recorrentes de infecção aguda (LOVE & FIRTH. LOPES & SIQUEIRA. hemácias e áreas de hemossiderina. corresponde ao ponto onde termina o canal formado por dentina e começa o formado por cemento. drenagem de secreção purulenta.. cistos perirradiculares) estão associados à proliferação dos restos epiteliais de Malassez localizados no ligamento periodontal. foram descritos em 1885 por Mallassez e são remanescentes da bainha de Hertwig encontrados no ligamento periodontal. Malassez. CARRILLO et al..radiográfico ou o tratamento endodôntico associado à cirurgia perirradicular. com frequência maior no periápice. 2007. eventualmente.Em algumas áreas. 2007. revestida internamente por epitélio. LOVE & FIRTH. Os dentes superiores. 2009.. cistos periodontais apicais.2009). 2010). canais na furca e presença de um 4º canal na raiz M-V em molares superiores.. embora sejam mais frequentes em adultos jovens e parecem mostrar ligeira predileção pelo gênero feminino (DE SOUZA et al..0 mm de comprimento e 0. com vacuolização e núcleo escuro e picnótico.2009.2. LOPES & SIQUEIRA. Histopatologicamente. o potencial de recidiva destas lesões é mínimo e o prognóstico é excelente (LIN et al. São envolvidos externamente por membrana basal. podendo conter corpos hialinos dispersos.O limite CDC (cemento-dentina-canal) é considerado o ponto de referência para a obturação do canal.2009).O infiltrado inflamatório na parede do cisto periapical consiste. mas estando sempre associadas à raiz de um elemento dentário. Por outro lado sabe-se que se o canal estiver amplo ou alargado há penetração de tecido conjuntivo no canal. fendas de cristais de colesterol.. 2009. todos tinham R.

possam apresentar manifestações clínicas. Contudo. mesmo em cistos mandibulares. Também é utilizado o termo cisto periodontal apical. a aparência pode ser semelhante à do queratocisto odontogénico.CISTO RADICULAR PERIAPICAL OU LATERAL ETIOPATOGENIA O cisto radicular é uma patologia que tem origem em resíduos epiteliais. Nestas eventualidades pode surgir dor e podem provocar deformação óssea. os restos epiteliais de Malassez. A morfologia do epitélio é dependente do grau de inflamação e. embora a designação cisto radicular evite alguma confusão com o cisto de desenvolvimento lateral periodontal. deslocamento dos dentes adjacentes e moderada reabsorção radicular. Células espumosas podem ser observadas na cavidade cística. No interior do granuloma. frequentemente. CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS A maioria dos cistos radiculares é revestida por epitélio escamoso estratificado habitualmente não queratinizado. Quando esta é extensa. não existe camada de células basais diferenciada. nomeadamente nos restos epiteliais de Malassez que se encontram no ligamento periodontal. e pode existir hialinização justa epitelial mais ou menos extensa. Desenvolvem-se após uma inflamação da polpa atingir a região radicular periapical ou lateral (neste último devido a um forâmen pulpar extra ou ectópico) e dar origem à formação de um granuloma apical ou lateral. Corpos hialinos de vários tamanhos e formas (descritos por Rushton em 1955) de aparência característica são por vezes observados e podem estar calcificados. o epitélio cístico pode conter células mucosas ou ciliadas. particularmente nas áreas de hiperemia (Imagem 10). depósitos de pesados cristais de colesterol associados a uma reacção de corpo estranho de células gigantes. está presente de forma acentuada na parede cística entre o revestimento epitelial e a região fibrosa externa que tem menos células inflamatórias. Se o crescimento for acentuado poderá observar-se assimetria facial por . a necrose central por liquefacção destes restos. nem evidência de ortoqueratinização ou paraqueratinização. estimulados pela inflamação podem proliferar e. onde há menor proximidade a fontes de epitélio respiratório. principalmente em cistos jovens. Na parede fibrosa. Quando há ausência de inflamação o epitélio tem tendência para ser fino e não apresentar cristas interpapilares. dar origem à formação de uma cavidade cística revestida por epitélio (Imagem 9). Há intenso edema intercelular nos cistos jovens e a maioria do infiltrado inflamatório é composto por polimorfonucleares. Em cistos maduros. Este. O revestimento epitelial é incompleto em algumas secções e o epitélio apresenta hiperplasia reactiva e alguma degeneração. como consequência de inflamação crónica e geralmente após necrose da polpa dentária. retenção dentária. onde a componente inflamatória está resolvida e o epitélio é regular. na presença desta. vão ser exibidas cristas interpapilares proliferativas. mas não nos cistos não odontogénicos. O infiltrado inflamatório celular. habitualmente. pode conter células espumosas e células de plasma com corpos de Russel proeminentes. SINAIS E SINTOMAS Inicialmente são assintomáticos. embora quando atingem uma dimensão considerável ou ficam secundariamente infectados. Podem ocorrer em todos os cistos odontogénicos. Ocasionalmente. o epitélio torna-se ténue e degenera.

excepto quando se instala uma infecção secundária no cisto. unilocular com uma forma redonda ou elíptica na região periapical e com uma fina margem de osso cortical bem definida (Imagem 11). Tumores odontogénicos benignos ou um ameloblastoma podem por vezes assemelhar-se a um cisto radiograficamente. os cistos originados nestes dentes podem invaginar para a região antral. O tratamento destas lesões. devido à inflamação. na região anterior e. Radiograficamente nem sempre é possível diferenciar um granuloma apical de um cisto radicular. devido à falta de formação de dentina secundária que. normalmente. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E TRATAMENTO O diagnóstico diferencial deve contemplar o granuloma apical.tumefacção. CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS A maioria dos cistos radiculares surge como uma lesão radiolúcida. pode apresentar calcificação distrófica com um aspecto de pequenas partículas rádio-opacas. Ocasionalmente. com o diagnostico definitivo e alguns autores concluíram que nem o tamanho. normalmente. defeito cirúrgico periapical. abcesso. Embora os cistos tenham tendência a possuírem maiores dimensões e margens bem definidas. nem a presença de limites radio-opacos são o suficiente para estabelecer uma relação e que uma análise histológica é necessária . o deslocamento dentário e a reabsorção radicular podem ocorrer. Clinicamente há características que podem auxiliar o diagnóstico diferencial. cicatriz periapical radiolúcida. com um padrão externo curvilíneo e também o trajecto do nervo dentário pode ser deslocado inferiormente. um cisto radicular que invagina para o seio maxilar e colapsa pode começar a ser preenchido internamente por osso assemelhando-se a um fibroma ossificante ou um lesão fibro-óssea benigna. pode resultar na perda de definição dos limites da lesão e. Mais. Alterações nos tecidos orais não são comuns. pode surgir um crepitar e cedência da cortical óssea à palpação denominada “sinal de casca de ovo”. mas raramente uma metástase no maxilar ou mandíbula pode causar uma área radiograficamente bem definida. Em cistos extensos. Os cistos radiculares que se originam a partir do incisivo lateral superior podem ser difíceis de diferenciar do cisto periodontal lateral ou do queratocisto odontogénico. Geralmente estão associados a um dente com uma restauração profunda ou grande lesão de cárie. sendo a observação clínica fundamental neste processo. surgem na região mesial ou distal na emergência de um canal acessório. O padrão diferencial é a formação de osso iniciar-se pelas paredes do cisto e não no centro. devido à inclinação distal da raiz dos incisivos laterais superiores. PREVALÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO . estadio precoce de displasia periapical do cemento. pode ter uma câmara pulpar mais larga. envolve extracção ou tratamento endodôntico radical para o dente e marsupialização ou enucleação do cisto. podendo neste caso ocorrer também supuração . ou até flutuação. Também podem surgir nos molares decíduos não vitais e posicionarem-se vestibularmente ao pré-molar definitivo em desenvolvimento. a estrutura interna em cistos com muito tempo de evolução. A infecção secundária do cisto. A vitalidade dos dentes envolvidos deve ser testada e um dente não vital que se suspeita ser a origem de um cisto. A maioria são encontrados no maxilar. cisto ósseo traumático e granuloma central de células gigantes. Em algumas circunstâncias pode também ponderar-se uma obturação radicular retrógrada. surge com o passar do tempo. Foram efectuados estudos que procuram estabelecer uma relação do tamanho das lesões periapicais e limites da imagem radiográfica.

como tal. este facto provavelmente estará relacionado com a incidência de cáries. A estrutura interna é tipicamente radiolúcida. que pode inclusive estar ausente. estes cistos estão intactos quando chegam aos patologistas para serem examinados. Isto foi pesquisado num estudo por Binnie et al. a etiopatogenia é comum entre as duas entidades. Normalmente. Radiograficamente as margens são corticalizadas. O epitélio tende a ser mais regular e completo e não existe distorção pela inflamação. habitualmente. A maioria das publicações relata uma maior percentagem de homens afectados pela patologia. O cisto pode invaginar para o antro maxilar ou deslocar inferiormente o canal do nervo dentário. O aspecto radiolúcido do defeito ósseo onde. ocorrem em ambos os maxilares. Ocorre numa região onde previamente existiu um dente que foi extraído e o epicentro é posicionado numa localização periapical. habitualmente. Geralmente são assintomáticos e diagnosticados através de um exame radiográfico em áreas edêntulas. A cápsula tende a ser mais espessa e densa. com uma frequência relativa entre 38. logo é menos frequente em populações pediátricas. se situa a glândula salivar submandibular pode assemelhar-se radiograficamente a esta lesão. a enucleação cirúrgica por diferentes técnicas segundo o tamanho e localização da lesão. Não é incomum diagnosticar mais do que um cisto periapical no mesmo paciente. ou que surge após remoção incompleta de um cisto original. Pode ocorrer mineralização dentro do tecido conjuntivo. Pode ocorrer em caso de infecção secundária expansão maxilar e dor. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E TRATAMENTO Para efectuar o diagnóstico diferencial de um cisto residual é particularmente relevante conhecer a história clínica e observar anteriores radiografias. o formato é redondo ou oval (Imagem 12). da persistência de um cisto radicular. A maior prevalência é na região anterior do maxilar. excepto se houver infecção secundária. sendo estas distinguidas apenas pela associação ou não à raiz de um dente.8% e 84. Podem causar deslocamento dentário e reabsorção radicular e as corticais externas do maxilar e mandíbula podem sofrer expansão. PREVALÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO .5% de todos os cistos odontogénicos. em cães. E. Trata-se. embora sejam ligeiramente mais comuns na mandíbula. embora não seja comum encontrar-se relacionada com dentes decíduos. inquestionavelmente. CISTO RESIDUAL ETIOPATOGENIA É um cisto odontogénico retido no maxilar ou na mandíbula após a remoção do dente associado. Uma cavidade de Stafne pode ser interpretada clinicamente como um cisto residual. Há autores que afirmam que os cistos residuais podem diminuir de tamanho com a idade e outros que referem a sua resolução completa. CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS Habitualmente. O seu tratamento é. Este na mandíbula é sempre superior ao canal do nervo alveolar inferior. embora uma predisposição para a hiperplasia epitelial e a formação de cistos possa desempenhar um papel. SINAIS E SINTOMAS Os sinais e sintomas são semelhantes aos descritos no capítulo anterior no âmbito do cisto radicular periapical. numa configuração morfologicamente mais envelhecida. A nível celular são similares aos cistos radiculares embora. geralmente. CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS Os critérios histológicos de diagnóstico são idênticos aos que são utilizados para o cisto periapical. A terceira década de vida é apresentada em vários estudos como o período em que mais diagnósticos de cistos periapicais são efectuados. sem os quais é difícil a diferenciação entre um cisto solitário ou um queratocisto odontogénico. Esta patologia pode ocorrer em relação a qualquer dente. onde foi demonstrada uma variação individual na quantidade de restos epiteliais de Malassez (a fonte epitelial para a formação do cisto). sugerindo essa propensão.Na maioria dos estudos encontrados na literatura estes são os cistos mais comuns encontrados no maxilar e na mandíbula. embora a anteriormente referida calcificação distrófica em cistos com muito tempo de evolução possa ocorrer.

em pacientes do sexo masculino. contudo será muitas vezes diagnosticado como um cisto dentígero ou nem é reconhecido. Quando ocorre na região do primeiro ou segundo molar mandibular totalmente erupcionados. A localização mais frequente não é consensual em diversos estudos encontrados na literatura. tumor de células gigantes e histiocitose X. quando associado ao terceiro molar a extracção deste é indicada. na mandíbula e Meningaud et al. embora seja difícil ser encontrado em crianças. É diagnosticado sobretudo em idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos. Usualmente são unilaterais.6% dos cistos odontogénicos. elipsóide ou crescente. Embora segundo Philipsen et al. Acredita-se que a pericoronarite pode ser o factor indutor da bolsa periodontal. Segundo Jones et al. equitativamente distribuída em ambas as arcadas. é um factor importante na remissão completa das lesões. com o cisto periodontal lateral que frequentemente se encontra na região canina e prémolar mandibular. consideram que a manutenção da higiene periodontal.. Esta imagem depende do tamanho da lesão. É raro ocorrer uma recidiva quando a lesão é completamente removida. e associados a um dente não vital. presença ou não de infecção. .2% e 21. o tratamento recomendado para esta patologia é a enucleação do cisto e preservação do primeiro e segundo molar quando associada a estes. Comummente têm entre 1 cm e 2 cm de diâmetro com um formato semi-lunar. que possuem características histológicas distintas. que origina consequente hiperplasia e formação cística. Em alguns casos ocorre regressão espontânea. embora se desconheçam factores que possam prever quais destes cistos se vão resolver espontaneamente. A parede é composta por tecido conjuntivo fibrovascular. Este é um cisto que ocorre em qualquer idade. o revestimento é epitélio escamoso estratificado não queratinizado hiperplásico. CISTO PARADENTÁRIO INFLAMATÓRIO Este cisto inflamatório foi descrito por Craig em 1976. Em raros casos pode ocorrer deslocamento dentário ou divergência radicular. Radiograficamente apresentam uma radiolúcidez bem definida e corticalizada. Ochsenius et al. Geralmente está aderido à junção amelo-cementária e estende-se ao longo da superfície radicular. com o queratocisto odontogénico secundariamente infectado e ameloblastoma unicístico. maduro e denso com intenso infiltrado inflamatório crónico ou misto. possa ser mais comum. Este processo inflamatório estimula a proliferação do epitélio presente na região. Histologicamente. esta patologia é mais frequentemente diagnosticada em homens do que em mulheres e na terceira década de vida Na literatura. De acordo com David et al. localizada distalmente a um terceiro molar mandibular parcialmente erupcionado. sobretudo. os restos epiteliais de Malassez e o epitélio reduzido de esmalte. em pacientes com uma idade média bastante mais elevada do que aquela associada ao paradentário. São também referidos a periodontite localizada severa. São também encontrados focos de pigmento de hemossiderina e colesterol. O cisto paradentário inflamatório inclui o cisto mandibular infectado. algumas das lesões são auto-limitativas. Lacaita et al. Os estudos apresentam uma frequência relativa entre 0. Bataineh et al. onde se encontram em vestibular ou distal da raiz de um dente vital parcialmente erupcionado ou incluso.Na literatura encontramos uma frequência relativa desta lesão entre 2. habitualmente terceiro molar.6% de todos os cistos odontogénicos. é frequente existir uma bolsa periodontal profunda em vestibular ou distal do dente. Pode haver dor aguda. região em que ocorre e. A região anterior do maxilar e da mandíbula é apontada como a região anatómica frequente para diagnosticar esta patologia .encontraram maior número de cistos residuais no maxilar. São três as possíveis origens: o epitélio crevicular. O diagnóstico diferencial desta lesão deve ser efectuado com o cisto dentígero e folículo dentário (estes geralmente apresentam alterações no tecido conjuntivo e também remanescentes de epitélio odontogénico). num extenso estudo de prevalência. halitose. Segundo a maioria dos autores os cistos residuais ocorrem. A localização mais comum destes cistos é a região molar mandibular. no pós-operatório imediato e tardio. Ocorre próximo da margem cervical da face lateral de uma raiz como consequência de um processo crónico inflamatório numa bolsa periodontal.9% e 5. e geralmente com história de pericoronarite. tumefacção e trismus.