Você está na página 1de 6

DIREITO

INTERNACIONAL

Revolução Francesa (1789) ou o Congresso de 6.1. Conceito: é o direito de um Estado


Direito Internacional Pú- Viena (1815); 6.3. do Congresso de Viena até a independente à não submissão às leis de
blico Primeira Guerra Mundial (1914-1918); 6.4. de outro Estado.
1918 até a Segunda Guerra Mundial (1939-1945); 6.2. Decorrência: 2.1. independência; 2.2.
1. Expressões equivalentes: Direito das 6.5. de 1945 até os dias de hoje. igualdade jurídica internacional.
Gentes (época de Roma), Direito dos Trata-
dos, Direito Interes­tadual, Direito Plurinacio- 7. Eventos ocorridos no século XIX que 7. Neutralidade Permanente.
nal ou Multinacional, Direito Superestatal. contribuí­ram para a consolidação do Direito 7.1. Conceito: é a restrição à soberania do
Internacional Público: 7.1. 1ª Convenção Estado, que o sujeita aos deveres de não fa-
2. Conceito: sistema jurídico autônomo, da Cruz Vermelha Inter­nacional (1864); 7.2. zer guerra (tem direito a legítima defesa), de
onde se ordenam as relações entre Estados declaração, em 1868, contra a fabricação e o não concluir tratados que o levem à guerra, e
soberanos. emprego de projéteis explosivos ou inflamáveis; de manter-se imparcial na condução de suas
7.3. Conferência Africana de Berlim (1884- relações exteriores.
3. Sujeitos: 3.1. Estado (mais importante); 1885), que redefiniu fronteiras na África; 7.4. 7.2. Exemplos de países que atualmente
3.2. organi­zações intergovernamentais (ex.: Conferência de Bruxelas (1889-1890), contra o têm o Estatuto de Neutralidade Permanen-
ONU); 3.3. organiza­ções não-governamen- tráfico de escravos; 7.5. Conferência de Paz em te: Suíça, Vaticano e Áustria.
tais (ex.: Greenpeace); 3.4. indi­víduo (espe- Haia (1899). 7.3. Características: 7.3.1 “somente os
cialmente no plano dos direitos humanos); Link Acadêmico 1 Estados podem ter esse status”; 7.3.2 tem
3.5. empresas multinacionais. origem numa convenção. 7.3.3 tem duração
Estado como Sujeito de perpétua.
4. Classificação do Direito Internacional
Público: 4.1. Natural: funda-se na razão Direito Internacional Responsabilidade Inter-
humana e nos princípios de Justiça que 1. Conceito: “O Estado é um agrupamento nacional do Estado
devem reger as relações entre os povos; 4.2. humano, estabelecido em determinado território
Positivo: resulta dos acordos firmados entre e submetido a um poder soberano que lhe dá 1. Conceito: é o dever de reparação do
os Estados ou de fatos jurídicos consagrados unidade orgânica” (Clóvis Beviláqua, citado por Estado que pratica ato contrário ao Direito
por uma prática habitual durante um longo Sahid Maluf). Internacional (ilícito internacional), que con-
período de tempo. siste em indenizar o Estado contra o qual foi
2. Elementos indispensáveis à formação do o ato praticado.
5. Fontes do Direito Internacional Público: Esta­do: 2.1. território (base territorial) – espaço
5.1. Fontes formais: são os procedimentos terrestre, marítimo e aéreo; 2.2. população; 2.3. 2. Características: 2.1. destina-se à repa-
de elaboração do direito, ou seja, as diversas governo; 2.4. so­berania (governo soberano). ração do dano; 2.2. é de Estado a Estado;
técnicas que autorizam a considerar que 2.3. é consuetudinário; 2.4. forte componente
uma norma pertence ao direito positivo; 3. Principais direitos fundamentais do Esta- político.
5.2. Fontes materiais: são os fundamentos do: 3.1. à independência; 3.2. ao exercício da
sociológi­cos de normas internacionais, isto é, sua jurisdição no território internacional; 3.3. à 3. Espécies: 3.1. responsabilidade direta:
sua base política, moral ou econômica. igualdade jurídica com os demais Estados; 3.4. quando o ato ilícito internacional é praticado
Segundo o art. 38 do Estatuto da Corte à legítima defesa. pelo Governo, por um órgão de Estado,
Internacio­n al de Justiça, são fontes ou por um de seus funcioná­rios; 3.2. res-
formais: a) tratados inter­nacionais (gerais 4. Principais deveres do Estado perante a ponsabilidade indireta: quando o ato ilícito
e especiais); b) costume internacional; c) comuni­dade internacional: 4.1. respeitar os internacional é cometido por uma coletividade
os princípios gerais do direito reconhecidos demais Estados; 4.2. cumprir os tratados; 4.3. sob tutela, ou por um Estado protegido; 3.3.
pelos Estados. não-intervenção; 4.4. não-utilização da força, responsa­bilidade comissiva: quando o
Fontes materiais segundo o citado exceto em legítima defesa; 4.5. não permitir que ato ilícito internacional resulta de uma ação;
artigo são: a) atos unilaterais praticados em seu território se prepare revolta ou guerra 3.4. responsabilidade omissi­va: quando
pelos Estados; b) resoluções e decisões de contra outro Estado; 4.6. respeitar os direitos do o ato ilícito internacional resulta da falta de
organizações internacionais; c) doutrina e homem; 4.7. evitar que em seu território sejam prática de ato obrigatório perante o Direito
jurisprudência internacionais. praticados atos contrários à paz ou à ordem Internacional.
5.3. Classificação hierárquica das fontes inter­nacional; 4.8. resolver os litígios de forma
do Direito Internacional Público: a) fontes pacífica; 4.9. não utilizar a força como ameaça à 4. Conceito ilícito internacional: é a viola-
principais: tratados internacionais, costu- integridade de outro Estado; 4.10. não reconhe- ção de uma norma de Direito Internacional
mes internacionais e princípios gerais do di- cer aquisição de território havida pelo emprego que regulamenta interesses fundamentais da
reito; b) fontes secundárias: jurisprudência de ameaça à integridade de outro Estado; 4.11. comunidade internacional (ex.: escravidão,
internacional (incluindo sentenças judiciais e não utilizar a guerra como instrumento de política racismo, genocídio, crimes de guerra).
arbitrais), doutrina (elaborada pelos juristas nacional; 4.12. não auxiliar Estado que tenha
dos mais diversos Estados), atos unilaterais utilizado a guerra como instrumento de política Sanção no Direito Inter-
dos Estados e decisões e resoluções das nacional; 4.13. relacionar-se com a comuni­dade nacional Público
organizações governamentais; c) fontes internacional.
complementares: eqüidade (aplicação pela 1. Conceito: é medida repressiva, de caráter
Corte Internacional de Justiça das fontes prin- 5. Conceito de Estado soberano: é aquele cujo compul­sório e coativo, imposta a alguém por
cipais e secun­dárias se as partes estiverem gover­no não se subordina a qualquer autoridade violação da lei ou do contrato.
de acordo). que lhe seja superior; não reconhece, em última
análise, nenhum poder maior de que dependam a 2. Finalidades: 2.1. punição do culpado; 2.2.
6. Períodos de evolução do Direito Interna- definição e o exercício de suas competências. reparação do dano em favor do ofendido.
cional: 6.1. da antigüidade até os Tratados 3. Espécies:
de Westfália (1648); 6.2. de 1648 até a 6. Imunidade de Jurisdição.

WWW.MEMESJURIDICO.COM.BR
1
3.1. Embargo: é o seqüestro, por um Estado, O território de um Estado é uno, embora por Estado exercer a jurisdição civil e penal sobre
em tempo de paz, de navios estrangeiros ou razões de cunho didático seja costume dividi-lo navios e pessoas que se encontrem em seu
de cargas, que se encontram em seus portos em aéreo, marítimo e terrestre. mar territorial.
ou águas territoriais, e que tem por finalidade 9.3. Zona Econômica Exclusiva: é definida
pressionar o Estado cujos navios ou cargas 2. Elementos que constituem o território a no artigo 55 da Convenção de Montego Bay
foram seqüestrados. partir do século XX: 2.1. domínio terrestre; como: “uma zona situada além do mar ter-
3.2. Boicote: é a interrupção de relações 2.2. domínio ma­rítimo; 2.3. domínio aéreo; 2.4. ritorial e a este adjacente, sujeita ao regime
econômicas e financeiras com determinado plataforma submarina; 2.5. subsolo do mar. jurídico estabelecido na presente Parte,
Estado. segundo o qual os direitos e a jurisdição do
3.3. Rompimento de relações diplomá- 3. Modo de separação dos territórios: os Estado cos­teiro e os direitos e as liberdades
ticas: é a me­dida adotada pelo Estado territórios são separados por limites, isto é, por dos demais Estados são regidos pelas dispo-
que considera infrutíferas e inúteis as ne- linhas traçadas em cartas geográficas. sições pertinentes da presente Convenção”;
gociações diplomáticas com outro Estado, a largura da ZEE “não se estenderá além
sendo manifestada pela retirada de todos os 4. Importância da delimitação dos territó- de 200 milhas marítimas” (art. 57), mas a
agentes diplomáticos acreditados no Estado rios: 4.1. constitui fator de paz e estabilidade nas própria Convenção prevê o direito do Estado
estran­geiro. relações internacionais; 4.2. denota autonomia costeiro de ampliar tal limite na hipótese de a
Obs: é a sanção mais empregada no Direito e independência dos Estados limítrofes; 4.3. respectiva plataforma continental se estender
Internacional e tem natureza jurídica de ato confere segurança às populações que neles além das 200 milhas, mas nunca além de
unilateral e discricionário, exceto quando habitam. 350 milhas.
for ocasionada por previsão a respeito, em 9.4. Plataforma continental: é o leito do mar
tratado internacional, caso em que será 5. Critérios utilizados para delimitar territó- e o subsolo das regiões submarinas adjacen-
obrigatória. Pode ser empregada quando há rios: 5.1. artificial: baseado em longitudes e tes de 200 metros, ou, além deste limite, até
violação dos direitos de um Estado por outro, latitudes; 5.2. natural: leva em consideração o ponto em que a pro­fundidade das águas
e também para forçar o governo a adotar de- os acidentes geográ­ficos, como montanhas, sobrejacentes permita o apro­veitamento dos
terminada atitude que favoreça o Estado que lagos e rios. recursos naturais das referidas regiões. É o
tomou a iniciativa de romper relações. fundo do mar propriamente dito.
3.4. Retorsão: é a aplicação, por um Esta- 6. Domínio terrestre: o domínio terrestre do Es- 9.5. Alto-mar: tem início no ponto em que ter-
do, de medida ou processo a outro Estado, tado compreende o solo e o subsolo da parte da mina a zona econômica exclusiva. O trânsito
equivalente à sanção aplicada pelo segundo superfície do globo circunscrita pelas suas fron- e a exploração comercial de seus recursos é
ao primeiro. É medida de retalia­ção, como, teiras e, também, as ilhas que lhe pertencem. livre. É considerado de uso comum, sendo
por exemplo, aumento de impostos de que o seu uso obedece à regulamen­tação es-
importação sobre produtos provenientes de 7. Domínio fluvial: o domínio fluvial do Estado pecífica sobre a exploração da fauna marinha
outro país, em resposta à mesma medida, é cons­tituído pelos rios e demais cursos de e dos recursos naturais não renováveis.
anteriormente adotada por aquele. água que, dentro de seus limites, cortam o seu
3.5. Represália: é a aplicação de sanção a território. 10. Domínio aéreo: é determinado pela
um Estado, como retaliação a determinada superfície terrestre e marítima do Estado,
medida adotada por este. 8. Lagos e rios internacionais. projetando-se até o limite da atmosfera. O
Obs: diferença entre retorsão e repre- 8.1. Conceito: são aqueles que, da nascente até Estado exerce plena soberania sobre os
sália: na retorsão a sanção é aplicada em a foz, cortam mais de um território, ou seja, parte ares situados acima de seu território e de
conformidade com a norma internacional, de seu curso se dá dentro de um Estado e parte seu mar territorial.
motivada por ato que o Direito não proíbe em outro, ou por vezes em um terceiro.
ao Estado estrangeiro, mas que prejudica o 8.2. Espécies: 8.2.1. rio internacional contí- Relações entre o
outro Estado. Consiste geralmente em sim- guo: é aquele que empresta o leito para dividir o Direito Internacional e
ples medidas legislativas ou administrativas território de dois ou mais Estados. Ex.: Rio Para- o Direito dos Estados
adotadas sempre em tempo de paz. Já a ná (Brasil/Paraguai) e Rio Grande (EUA/México);
represália é medida aplicada em violação à 8.2.2. rio internacional sucessivo: é aquele 1. Principais diferenças entre as ordens
norma internacional, em tempo de paz ou de que simples­mente cruza o território de dois ou jurídicas internacional e nacional: 1.1. na
guerra, baseada na prática de ato injusto ou mais Estados, sem lhes servir como fronteira ordem internacional, o principal sujeito de
em violação à norma jurídica. A represália é natural. Ex.: Rio Tejo (nasce na Espanha e a foz direito internacional é o Estado; na ordem in-
efetivada com recurso à força, por meio de é em Portugal), Rio Ama­zonas e Rio Nilo (nasce terna, é o homem; 1.2. o Direito Internacional
atos violentos. no Lago Vitória e atra­vessa Uganda, Sudão e o Público tem por fonte a vontade coletiva dos
3.6. Bloqueio pacífico ou comercial: é Egito, e acaba no Mar Mediterrâneo). Estados, que se manifesta de forma expressa
espécie de represália que consiste em inter- nos tratados, e de forma tácita no costume
rupção, com o emprego das forças armadas, 9. Domínio marítimo: o domínio marítimo do internacional; o Direito interno resulta da
das comunicações com portos ou com a Estado abrange hoje em dia diversas áreas, vontade de um único Estado; 1.3. a ordem
costa de um país com o qual não se está em ou seja, as águas interiores, o mar territorial, a internacional baseia-se numa relação de
guerra, com o objetivo de forçá-lo a praticar zona contígua, a zona econômica exclusiva e a coordenação; a ordem interna, numa relação
ou a deixar de praticar determinado ato. plataforma continental. de subordinação.
3.7. Exclusão de entidade internacional: 9.1. Águas interiores: são as localizadas en-
medida aplicada por qualquer organização tre a costa e o limite interior do mar territorial, 2. Teoria da Incorporação: estabelece
internacional, que costuma ser efetivada entendendo-se por limite interior a linha de base que, para que uma norma internacional seja
quando um Estado-membro viola gravemente que serve de referência para a determinação da aplicável no plano interno de um Estado,
as suas regras. Há casos em que a exclu­são largura do mar territorial, em direção ao alto-mar. deve ser transformada em norma de direito
é mera conseqüência de interesses políticos, A linha de base normal é demarcada ao longo da interno desse Estado.
como ocorreu com a China Nacionalista costa, no baixo-mar.
(Taiwan), excluída da ONU, quando da ad- 9.2. Mar territorial: faixa de mar que se estende 3. Correntes doutrinárias que explicam a
missão da República Popular da China. desde a linha de base até uma distância que não incorpo­ração da norma internacional ao
3.8. Intervenção: é ato pelo qual um Estado deve exceder 12 milhas marítimas da costa e direito interno: 3.1. Dualista: considera a
inter­vém, por meio da força, nos negócios sobre a qual o Estado exerce a sua soberania, norma internacional e a interna como autôno-
internos de outro Estado. Só é considerada com algumas limitações deter­minadas pelo mas, sendo necessário que um procedimen­to
legal, conforme o Direito Internacional, quan- Direito Internacional. legislativo complexo autorize a norma inter-
do realizada por organis­mo internacional, nos Direitos que tem o Estado em decorrência nacional a vigorar no ordenamento jurídico
casos expressamente pre­vistos. de sua soberania sobre o mar territorial: o interno; 3.2. Monista: sustenta a unidade
Link Acadêmico 2 mais importante é o direito de exclusividade da ordem jurídica, razão pela qual a norma
sobre a pesca, além dos direitos sobre o solo e internacional é imediatamente aplicável no
o subsolo do mar territorial, bem como sobre o ordenamento interno.
Território espaço aéreo sobre ele. O Estado também pode,
na zona do mar territorial, estabelecer controles 4. Posição dos tribunais brasileiros
1. Conceito: é a área sobre a qual o Estado sanitários, adotar medidas de segurança e de quanto à ma­téria: Desde 1 de junho de
exerce soberania, ou seja, é o domínio de defesa, além de ditar a regulamentação sobre 1977, o Supremo Tribunal Federal, em uma
validade da ordem jurídica de cada Estado. navegação nessa região. Compete ainda ao decisão em sede de recurso extraordinário

WWW.MEMESJURIDICO.COM.BR
2
(RE 80.004/SE), passou a considerar que sani­tário, social ou outros de interesse da comu- 6. Extensão dos efeitos de um tratado: em
uma lei interna revoga o tratado anterior.” nidade in­ter­nacional. princípio, como todo acordo de vontades, um
tratado somente produz efeitos entres as
Link Acadêmico 3 2. Modos de manifestação da autonomia: partes contratantes, obrigando-as ao cum-
2.1. elas têm sede diversa da ONU; 2.2. seus primento do estipulado após a entrada em
Organizações Internacio- membros podem ou não pertencer à ONU; 2.3. vigor do documento. Para terceiros, somente
desenvolvem atividades próprias; 2.4. estrutura criará obrigações mediante consentimento
nais administrativa independe da ONU; 2.5. pos- expresso.
suem orçamento próprio; 2.6. são dotadas de
1. Conceito: “associação de sujeitos de personalidade internacional própria; 2.7. elas 7. Formas de manifestação do consenti-
Direito Internacional, constituída por meio de têm o direito de solicitar pareceres à CIJ (Corte mento de um Estado em obrigar-se por
tratado, criada para atingir objetivos especí- Internacional de Justiça), sempre que autorizadas meio de um tratado:
ficos no campo internacional, e que goza de pela Assembléia Geral. 7.1. Adesão ou aceitação: é o ato por meio
privilégios e imunidades, extensíveis a seus do qual um Estado torna-se parte de um
funcionários (ex.: OIT, OACI e OCDE).” 3. Estrutura: 3.1. conselho; 3.2. assembléia; tratado de cuja nego­ciação ele não parti-
3.3. se­cretariado. cipou, submetendo-se às obrigações nele
2. Funções: 2.1. desenvolvimento de meios Link Acadêmico 4 estipuladas.
para dissua­dir Estados a entrar em conflito 7.2. Ratificação: é o ato jurídico-administra-
armado; 2.2. aumento da importância das Tratado ou Convenção In- tivo mediante o qual o chefe do Estado que
posições adotadas pelos países subdesen- ternacional foi parte na celebração de um tratado declara
volvidos, pois atuam como grupo de pressão; submeter-se às obrigações nele estipuladas.
2.3. proteção aos direitos do homem; 2.4. 1. Conceito: segundo o artigo 2º da Convenção A ratificação é a confirmação da assinatura.
internacio­nalização dos problemas; 2.5. de Viena sobre Direito dos Tratados (23/05/1969), Trata-se de um ato externo, ou seja, que
contribuição para a criação de Estados que entrou em vigor internacionalmente em produz efeitos externamente.
novos; 2.6. contribuição para criar normas 27/01/1980, é “um acordo internacional celebrado Características da ratificação: a) validade:
internacionais. por escrito entre Estados e regido pelo Direito a ratifica­ção gera efeitos “ex nunc”, ou seja,
Internacional, quer cons­te de um instrumento úni- os tratados passam a valer a partir da ratifi-
3. Forma de criação: são criadas por meio co, quer de dois ou mais ins­trumentos conexos, cação e não a partir da assinatura; b) irretro-
de conven­ções ou tratados internacionais qualquer que seja sua denomi­nação particular”. atividade: da mesma forma, os tratados não
que passam a ter um caráter de norma retroagem à data de sua assinatura. Valem
constitucional de organização. 2. Partes: necessariamente pessoas jurídicas da ratificação em diante; c) irretratável: quer
de Direito Internacional Público, ou seja, Esta- dizer que após a ratifica­ção não há possibi-
4. Classificação: 4.1. quanto à finalidade: dos soberanos, Orga­nizações Internacionais, lidade de retratação; entretanto, um Estado
4.1.1. fi­nalidades gerais, predominantemente Santa-Sé. poderá deixar de ser parte de um tratado por
de natureza política (ex.: ONU); 4.1.2. finali- meio da denúncia (ato unilateral por meio do
dades específicas (ex.: OTAN, que tem fins 3. Condições necessárias para a celebração qual o Estado deixa de ser parte de determi-
militares); 4.2. quanto à atuação territorial: de um tratado: 3.1. capacidade dos contratantes nado compromisso internacional).
4.2.1. regionais (ex.: OEA); 4.2.2. quase- para celebrar tratados internacionais; 3.2. habili- Casos em que se dispensa: a) se o tratado
regionais (ex.: OTAN); 4.2.3. parauniversais tação dos agentes signatários que pode ser: 3.2.1 dispuser nesse sentido; b) versar somente
(ex.: ONU); 4.3. quanto à natureza dos originária: pertence ao chefe do executivo; no sobre matéria execu­tiva; c) versar sobre
poderes exercidos: 4.3.1. organiza­ções caso brasileiro, do Presidente da República, nos assuntos meramente administra­tivos; d)
intergovernamentais; 4.3.2. organizações moldes do art. 84, VIII, da Convenção de Viena, somente estabelecer bases para futuras
supra­nacionais; 4.4. quanto aos poderes de 1969, bem como aos chefes das organiza­ções nego­ciações.
recebidos: 4.4.1. organizações de coope- internacionais; 3.2.2 derivada: são aqueles que
ração; 4.4.2. organizações de integração; recebem poderes do chefe do Estado, para, 8. Momento da obrigatoriedade de cum-
4.5. quanto à fiscalização a que estão em seu nome, assinar tratados. Normalmente, primento do tratado: o cumprimento de um
submetidas: 4.5.1. organizações indepen- são os ministros das relações exteriores e os tratado será obrigatório após o registro no
dentes; 4.5.2. organizações dependentes chefes de missão diplomá­tica. São os chamados secretariado do organismo internacional que
(ex.: União Postal Universal, fiscalizada pelo plenipotenciários, isso porque gozam de plenos o patrocinou (ex.:ONU) ou do depósito em um
Governo Suíço). poderes conferidos pelo chefe do exe­cutivo por organismo denominado depositário, que tem
meio da carta de plenos poderes; 3.3. mútuo autorização para proceder ao registro.
5. Características dos tratados que ins- consentimento dos Estados; 3.4. objeto lícito e
tituem as organizações internacionais: possível: a matéria não pode ser proibida por 9. Casos de nulidade de um tratado: 9.1.
5.1. não têm prazo de duração; 5.2. a norma anterior ou pelos costumes internacionais dolo; 9.2. erro; 9.3. coerção ou corrupção do
interpretação do tratado é feita pela própria e deve ser juridicamente possível. signatário; 9.4. violação do direito vigente.
organização; 5.3. não podem os Estados
denunciar os tratados se inexistir previsão 4. Espécies de Tratados ou Convenções 10. Principais modos de extinção de um
para tal; 5.4. o tratado que institui prevalece Internacio­n ais: 4.1. bilaterais: realizados tratado: 10.1 pela sua execução integral;
sobre outros tratados. somente por dois Estados; 4.2. multilaterais: 10.2. pela impossi­bilidade de execução; 10.3.
pressupõe várias partes e a negociação realiza- pelo acordo entre as partes nesse sentido;
6. Principais órgãos das organizações se, normalmente, na sede de uma grande 10.4. pela renúncia unilateral por parte do
interna­cionais: 6.1. um conselho – consti- organização internacional – ex.: ONU; 4.3. Estado exclusivamente beneficiado; 10.5.
tuído por alguns Estados e que possui função tratados-contratos (tratados especiais): são pela ocorrência de condição resolutória ex-
executiva; 6.2. uma assembléia – constitu- aqueles que regulam matérias específicas de in- pressamente prevista; 10.6. pela inexecução
ída por todos os membros da organização; teresse exclusivo dos Estados signatários, cujos do tratado por um dos Estados contratantes;
6.3. um secretariado – encarregado dos interesses eram primitivamente divergentes; 4.4. 10.7. pela prescrição liberatória; 10.8. pela
trabalhos burocráticos e administrativos. tratados-lei (tratados gerais): são aqueles que denúncia unilateral; 10.9 pela guerra super-
exprimem vontades coincidentes entre Estados, veniente entre os Estados contratantes.
Organizações Internacio- sendo aberto à adesão de novos Estados. Link Acadêmico 5
nais Especializadas
5. Estrutura do tratado: 5.1. preâmbulo: rol das Relações e Imunidades
OIT - Organização Internacional do Tra- partes, motivos, circunstâncias e pressupostos Diplomáticas
balho, OACI – Organização da Aviação do ato; 5.2. parte dispositiva: linguagem jurí-
Civil Internacional, OCDE – Organização dica, pode conter anexos; 5.3. assinatura: a 1. Para o Direito Internacional Público, o
para a Cooperação e Desenvolvimento assinatura é o aceite precário e formal que põe chefe de Estado, quer se intitule imperador,
Econômico, etc fim às negociações do instrumento convencional rei, presidente da República ou chefe de
1. Conceito: são aquelas instituídas por (tratado). A assinatura não gera efeitos jurídicos. Governo, é, salvo declaração formal em
acordos inter­governamentais, vinculadas às Trata-se de um aceite, tão-somente, de modo contrário, o órgão encarregado das relações
Nações Unidas, porém autônomas, e dotadas que atesta que o conteúdo do tratado redigido interna­cionais dos Estados.
de responsabilidade interna­cional delimitada não contém vícios.
por seus instrumentos básicos, atuan­te nos 2. Aspectos do órgão encarregado das
campos cultural, educacional, econômico, relações internacionais: 2.1. não cabe aos

WWW.MEMESJURIDICO.COM.BR
3
outros Estados opinarem sobre a legitimidade membros das respectivas famílias que vivam 7. Privilégios e imunidades
dele; 2.2. cabe ao res­pectivo Estado comuni- sob sua dependência e tenham, por isso, sido 7.1. Repartição Consular: inviolabilidade da
car oficialmente; 2.3. no Brasil, a Constituição incluídos na lista diplomática. repartição, dos arquivos e da correspondên-
é clara ao dispor que compete privati­vamente Também são fisicamente invioláveis os locais cia; isenção fiscal e aduaneira; e imunidade
ao presidente da República manter relações da missão diplomática com todos os bens ali trabalhista.
com os Estados estrangeiros e acreditar seus situados, assim como os locais residenciais 7.2. Cônsules: inviolabilidade pessoal (só
represen­tantes diplomáticos, bem como cele- utilizados pelo quadro diplomático ou pelo alcança seus atos de ofício).
brar tratados inter­nacionais com eles, sujeitos quadro administrativo e técnico. Tais imóveis Gozam de imunidade de jurisdição civil em
a referendo do Con­gresso Nacional; 2.4. no e os valores mobiliários nele encontráveis não relação a atos praticados no exercício de
regime presidencial repu­blicano, os poderes podem ser objeto de busca, requisição, penhora suas funções. Não se estende aos membros
do chefe de Estado costumam ser maiores ou medida qualquer de execução. Os arquivos e de sua família, nem à residência. O cônsul
do que os dos monarcas, pois são respon- documentos da missão são invioláveis onde quer poderá ser chamado a depor como testemu-
sáveis pela política exterior; 2.5. em território que se encontrem. nha no decorrer de processo judiciário ou
estrangeiro, os chefes de Estado gozam de 1.1. Exceções: a) processo sucessório em que administrativo (é obrigatório). No entanto,
certas prerrogativas e imunidades; 2.6. ao o agente esteja a título estritamente privado; b) não são obrigados a depor sobre fatos re-
chefe de Estado é reconhecido o privilégio ação real relativa ao imóvel particular. lacionados com o exercício de sua função,
de imunidade. Entre tais privilégios, figuram: Ver a Convenção de Viena sobre relações nem a exibir documentos oficiais.
2.6.1. a prer­rogativa de inviolabilidade, que Diplomáticas. Existe isenção fiscal, mas há tantas exceções
abrange a pessoa do chefe de Estado, os 2. Deveres das missões diplomáticas: 2.1. que ela fica enfraquecida.
seus documentos, a sua carruagem, a casa deveres em relação ao Estado ao qual se
de residência; 2.6.2. isenção de direitos acham acreditadas: a) tratar com respeito e 8. Termo da função consular: 8.1. remo-
adua­neiros e impostos diretos; 2.6.3. isenção consideração o governo e as autoridades locais; ção ao novo posto ou volta ao respectivo
de jurisdição terri­torial, tanto em matéria pe- b) não intervir em sua política interna; c) não par- país; 8.2. demissão ou aposentadoria; 8.3
nal, quanto em matéria civil. A inviolabilidade ticipar de intrigas partidárias; d) respeitar as leis falecimento.
pessoal, no entanto, não exclui o direito de e regulamentos locais; 2.2. deveres em relação Link Acadêmico 6
legítima defesa. ao Estado patrial: direito de representação: o
A imunidade é extensiva aos membros da agente diplomático fala em nome do seu Governo Nacionalidade
família e da comitiva do chefe de Estado. no Estado em que está acreditado; promover
relações amistosas, bem como o intercâmbio 1. Conceito: é o conjunto de vínculos políti-
3. Ministro das Relações Exeriores (Minis- econômico, cultural e científico. cos e jurí­dicos entre alguém e determinado
tro dos Ne­gócios Estrangeiros ou Chanceler, Estado, integrando o indíviduo ao povo de
esta última deno­minação mais comum na 3. Termo da missão diplomática: 3.1. ato um país, ou seja, é o “status” do indivíduo
América Latina): administra­tivo do Estado patrial; 3.2. remoção perante o Estado, sendo um de seus elemen­
3.1. Função: auxiliar o chefe de Estado na para outro posto; 3.3. volta à Secretaria de Es- tos constitutivos.
formulação e na execução da política exterior tado; 3.4. demissão ou aposentadoria; 3.5. se o
do país. É o chefe dos funcionários diplomá- chefe da missão ou qualquer agente é considera- 2. Tipos de “status” do indivíduo perante
ticos e consulares do país. do “persona non grata” pelo Estado de residência; determi­nado Estado: 2.1. nacional; 2.2.
3.2. Atribuições: 3.2.1. no âmbito inter- 3.6. ruptura das relações diplomáticas; 3.7. estrangeiro.
nacional, cabe-lhe manter contatos com extinção do Estado acreditado; 3.8. fechamento
governos estrangeiros (por meio do governo da Missão; 3.9. falecimento. 3. Espécies de nacionalidade: 3.1. originá-
diretamente ou por intermédio de missões ria ou primária: resulta de ato involuntário
diplomáticas que lhes são subordinadas ou Os Agentes do indivíduo (ex.: nascimento ou ocorrência
com as embaixadas e legações existentes Consulares de condição considerada pelo Estado como
no país); 3.2.2. proceder a negociações e suficiente para atribuir-lhe tal “status” político
assinatura de tratados internacionais. 1. Consulados: “De acordo com a Convenção e jurídico); 3.2. secundária ou adquirida:
de Viena sobre Relações Consulares, são re- aquela que se obtém mediante ato voluntário,
4. Agentes Diplomáticos. “Agente Diplo- partições públicas estabelecidas pelos Estados preenchidas determi­nadas condições exi-
mático” era um termo aplicado apenas ao em portos ou cidades de outros Estados com a gidas pelo Estado para que seja concedida.
chefe da missão. Hoje, tal título é aplicado missão de velar pelos seus interesses comer-
a todos os demais funcionários da carreira ciais, prestar assistência e proteção aos seus 4. Formas de aquisição da nacionalidade
diplomática. nacionais, legalizar documentos, exercer polícia primária: 4.1. origem territorial (ius solis):
4.1. Função das missões diplomáticas: de navegação e fornecer informes de natureza geralmente adotado pelos Estados de imi-
destinam-se a assegurar a manutenção das econômica e comercial sobre o país ou distrito gração, como os da América; 4.2. origem
boas relações entre o Estado representado onde se acham instalados.” sangüínea (ius sanguinis): geralmente
e os Estados em que se acham sediadas, Ver a Convenção de Viena sobre relações adotado pelos Estados de emigração, como
bem como proteger os direitos e interesses Consulares. os da Eu­ropa.
dos seus nacionais. A missão diplomática 2. Tipos de repartições consulares: 2.1. con- Obs: o Brasil adota um sistema misto de
é integrada não só pelo chefe da missão e sulado geral; 2.2. consulado. 2.3. vice-consulado; definição da nacionalidade, uma vez que os
pelos demais funcionários diplomáticos, mas 2.4. agência consular. dois princípios encon­tram-se inseridos no
também pelo pessoal administrativo e técnico corpo da CF/1988 (art. 12).
e pelo pessoal de serviço. Os funcionários 3. Classes de cônsules: 3.1. cônsules-gerais;
diplomáticos podem ser permanentes ou 3.2. côn­sules; 3.3. vice-cônsules; 3.4. agentes 5. Forma de aquisição da nacionalidade
temporários. consulares. secundária: segundo critérios da vontade
do Estado e do indivíduo.
Prerrogativas e Imunida- 4. Nomeação e admissão: depende da acei-
des Diplomáticas tação prévia do nome indicado. Nem todos são 6. Posição da Constituição Federal no to-
funcionários de carreira; ao contrário, a maioria cante à nacionalidade: considera nacional a
“De acordo com a Convenção de Viena sobre é composta de cônsules honorários. pessoa humana que se vincula ao Brasil pelo
Relações Diplomáticas, no âmbito da missão nascimento ou naturalização.
diplomática, tanto os membros do quadro 5. Casos de cassação pelo Estado-patrial:
diplomático de carreira (do embaixador ao 5.1. culpa do cônsul (má conduta); 5.2. casos 7. Quem é considerado brasileiro nato (CF,
terceiro-secretário), quanto os membros do de ruptura de relações diplomáticas e consulares art. 12, I, a, b e c): 7.1. os nascidos no Brasil,
quadro administrativo e técnico (tradutores, entre os Estados. ainda que de pais estrangeiros, desde que
contabilistas etc.), estes últimos, desde que não estejam a serviço de seu país; 7.2. os
oriundos do Estado acreditante, e não recru- 6. Funções consulares: constam da legislação nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou
tados “in loco”, gozam de ampla imunidade interna dos respectivos Estados. No entanto, o de mãe brasileira, desde que qualquer deles
de jurisdição penal e civil.” Estado receptor tem o direito, ao admitir um fun- esteja a serviço do governo brasileiro; 7.3. os
cionário consular, de comunicar que o exercício nascidos no es­trangeiro, de pai brasileiro ou
São fisicamente invioláveis e em caso algum de determinada função consu­lar não é permitido. mãe brasileira, desde que venham a residir
podem ser obrigados a depor como testemu- Exemplo: casamento consular. no Brasil e optem, a qualquer tempo, pela
nha. Reveste-os, além disso, a imunidade nacionalidade brasileira.
tributária. Possuem também imunidade os

WWW.MEMESJURIDICO.COM.BR
4
8. Naturalização: é a aquisição da nacionali- Asilo que analisa apenas se os fatos justificam a
dade de determinado Estado por estrangeiro, medida, nunca adentrando o mérito do juízo
mediante declara­ção expressa de vontade, Político governamental de pericu­losidade do estran-
preenchidas as condições estipuladas na 1. Conceito: é o instituto de Direito Internacio- geiro sujeito à medida.
regra jurídica constitucional. nal, fundado nos direitos humanos e erigido à
8.1. Natureza jurídica: é ato administrativo condição de princípio basilar das relações inter- 3. Pressupostos: 3.1. é passível de expulsão
discricio­nário e unilateral do Estado que a nacionais do Brasil (CF, art. 4º, X), que consiste o estran­geiro que sofra condenação criminal
concede. em permitir a entrada do estrangeiro, em território de variada ordem, ou cujo procedimento o
8.2. Espécies: 8.2.1. tácita: quando os nacional, sem a necessidade da observância dos torne nocivo à conveniência e aos interes-
estrangeiros residentes em determinado requisitos de ingresso, em razão de perseguição, ses nacionais; 3.2. deve haver um inquérito
país não manifestarem o ânimo de manter a em seu país de origem, por motivos políticos, que tem curso no âmbito do Ministério da
nacionalidade do seu país de origem, dentro ideológicos ou religiosos. Justiça, e ao longo do qual se assegura ao
do prazo legal; 8.2.2. expressa: quando estrangeiro o direito de defesa.
depender da manifestação do estrangeiro no 2. Características: 2.1. instituição humanitária;
sentido de adquirir a naturalização. 2.2. não exige reciprocidade. 4. Casos em que não poderá ser expulso o
Obs.: a Constituição Federal Brasileira so- estrangeiro que praticou atos que tornam
mente prevê a naturalização expressa. Expulsão sua presença no Brasil inconveniente:
8.3. Quem são considerados brasileiros 4.1. quando a expulsão implicar extradição
naturali­zados (CF, art. 12, II, a e b): 8.3.1. 1. Conceito: “é o ato administrativo que consiste não admitida pelo direito brasileiro; 4.2. se
os que, na forma da lei, adquiram a nacio- na retirada forçada de estrangeiro do território o estrangeiro for casado há mais de cinco
nalidade brasileira, exigidas aos originários nacional,motivada pela prática de atos que anos com cônjuge brasileiro, do qual não
de países de língua portuguesa apenas resi- atentem contra a ordem interna ou as relações esteja divorciado ou separado, de fato ou de
dência por um ano ininterrupto e idoneidade internacionais do Estado que a promove. O direito; 4.3. se o estrangeiro tiver filho brasi-
moral; 8.3.2. os estrangeiros de qualquer diploma legal que disciplina a extradição no leiro sob sua guarda ou que dele dependa
nacionalidade, resi­d entes na República Brasil é o Estatuto do Estrangeiro (Lei n? 6.815, economicamente.
Federativa do Brasil há mais de quinze anos de 19/08/1980, alterada pela Lei n? 6.964, de
ininterruptos e sem condenação penal, des­ 09/01/1981.” Deportação, Repatrição
de que requeiram a nacionalidade brasileira. e Banimento
(redação da-da pela Emenda Constitucional 2. Instância judicial competente para proces-
de Revisão nº 3, de 1994). sar e julgar o pedido de extradição formulado 1. Conceito de deportação: é a retirada
Obs.: o artigo 5º da CF consagra o principio por Esta­do estrangeiro: nos termos do art. 102, forçada de estrangeiro do território nacional,
da igual­dade, não podendo a lei fazer dis- I, g, da CF, o STF (Supremo Tribunal Federal) é por parte da autori­dade de polícia marítima,
tinção entre brasileiro nato e naturalizado. competente para processar e julgar o pedido. aérea e de fronteiras, mo­tivada por sua
Somente se houver dispositivo constitucional entrada ou permanência de forma irre­gular
expresso é que pode ocorrer a distinção. 3. Princípios que regem a extradição: 3.1. no país.
especiali­dade: o indiciado não pode ser julgado 2. Casos de deportação: 2.1. o natural
9. Perda da Nacionalidade: é a perda da por crime não contido no pedido de extradição, de país limítrofe, domiciliado em cidade
condição de nacional, quer seja nato ou exceto se estiver de acordo, ou quando for contígua ao território nacional, se esse se
naturalizado. absolvido pelo primeiro crime, ou, ainda, se já afastar dos limites territoriais do município:
9.1. Casos previstos na Constituição em tiver cumprido a pena imposta; 3.2. iden­tidade: o 2.2. estrangeiro procedente do exterior que
que o brasileiro pode perder a naciona- crime descrito no pedido de extradição deve estar se afasta do local de entrada e inspeção, sem
lidade (art. 12, § 4º, I e II, da CF): 9.1.1. tipificado na legislação do Estado de refúgio. que o seu documento de viagem e o cartão
se tiver cancelada sua natu­ralização, por de entrada e saída hajam sido visados pelo
sentença judicial, em virtude de atividade 4. Tipos de pedido: 4.1. executório: é aquele órgão competente do Ministério da Justiça.
nociva ao interesse nacional; 9.1.2. adquirir fundado em processo penal findo; 4.2. instru- (redação dada pela Lei 6.964, de 09/12/81);
outra nacio­n alidade, salvo no casos de tório: caso em que a lei exige estar a prisão 2.3. estran­geiro com visto vencido, se não
reconhecimento de naciona­lidade originária do extraditando autorizada por juiz, tribunal ou requereu sua renovação ou conversão em
pela lei estrangeira (incluído pela Emenda autoridade competente do Estado requerente. outro tipo de visto; 2.4. as demais hipóteses
Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) 5. Pressupostos: 5.1. o fato narrado, em todas as previstas no Estatuto do Estrangeiro.
ou de impo­s ição de naturalização, pela suas circunstâncias, deve ser considerado crime 3. Local para onde deve ser deportado o
norma estrangeira, ao brasileiro residente por ambas as leis em confronto; 5.2. a extradição estrangei­ro: para o país de origem, ou para
em Estado estrangeiro, como condi­ção para pressupõe crime comum, não se admitindo crime o país da última procedência, ou, ainda, para
permanência em seu território ou para o exer­ político; 5.3. um mínimo de gravidade deve reves- qualquer país que se disponha a acolhê-lo.
cício de direitos civis (incluído pela Emenda tir o fato imputado, ou seja, frustra-se a extradição 4. Conceito de repatriação: é a retirada for-
Constitu­cional de Revisão nº 3, de 1994). quando nossa lei penal não lhe imponha pena çada do estrangeiro clandestino ou impedido
privativa de liberdade, ou quando esta comporte de entrar no país, identificado no momento
10. Reaquisição da Nacionalidade Per- um máximo abstrato igual ou inferior a um ano; da entrada no território nacional, à custa do
dida. 5.4. o fato delituoso determinante do pedido há transportador.
10.1. Casos de reaquisição da nacionalida- de estar sujeito à jurisdição penal do Estado 5. Conceito de banimento: também co-
de brasileira: a) por meio de ação rescisória requerente, que pode, eventualmente, sofrer a nhecido como degredo, é a retirada forçada
que anule a decisão judicial que a tenha concorrência de outra jurisdição, desde que não a do nacional do território de seu país de
cancelado; b) por decreto do presidente da brasileira; 5.5. a punibilidade do extraditando não origem.
República, no caso de a perda ter ocorrido pode estar extinta pelo decurso de tempo. Obs.: o banimento é pena expressamente
por naturalização voluntária ou a perda ter vedada pela Constituição Federal (art. 5º,
sido decretada no regime das constituições Extradição XLVII, d).
anteriores e do art. 22 do Estatuto do Es- Link Acadêmico 7
trangeiro. 1. Conceito: “é a entrega, por um Estado a
outro, de indivíduo acusado de prática de delito Segurança Coletiva,
11. Reciprocidade: é o instituto de Direito ou já condenado perante a Justiça do Estado Guerra e “Ius ad Bellum”
Internacional mediante o qual dois Estados estrangeiro competente para julgá-lo e puni-lo, e “Ius in Bello
soberanos celebram acordo sobre deter- mediante solicitação do segundo ao primeiro. 1. Conceito: é o sistema que visa à paz,
minados pontos, estabelecendo mútuos O diploma legal que disciplina a expulsão no mediante a garantia de proteção dos sujei-
benefícios a respeito do tratamento que deve Brasil é o Estatuto do Estrangeiro (Lei n? 6.815, tos do Direito Internacional da guerra ou da
ser dispensado aos nacionais dos países de 19/08/1980, alterada pela Lei n?6.964, de utilização da força.
contratantes. 09/01/1981.”
2. Casos em que o emprego da força é
12. Estrangeiro: (segundo a lei brasileira): 2. Decisão sobre a expulsão: compete ao autorizado em Direito Internacional: 2.1.
é aquele que tenha nascido fora do território presidente da República decretar a expulsão legítima defesa individual ou coletiva; 2.2.
do Brasil, e que não tenha adquirido nacio- de estrangeiro (ou revogá-la) do território autorização expressa da ONU.
nalidade brasileira por qualquer das formas brasileiro, estando o decreto sujeito ao exame
previstas na Constituição Federal. de seus pressupostos legais e ao controle de 3. Conceito de guerra: é o termo político-
constitucionalidade por parte do Poder Judiciário, jurídico que designa o conflito, durante

WWW.MEMESJURIDICO.COM.BR
5
determinado espaço de tempo, entre as território; 3.3. inviolabilidade do território; 3.4. 2. Espécies: 2.1. pessoais: nacionalidade,
forças armadas de dois ou mais Esta­dos, impedir que aeronaves militares dos beligerantes domicílio e residência; 2.2. reais: local onde
sob a direção dos respectivos governos, que sobrevoem seu espaço aéreo. está situado o bem imóvel; 2.3. conducistas:
tem por finalidade impor os interesses do autonomia das partes, cele­bração do contra-
Estado vencedor, por meio da subjugação 4. Formas de se pôr fim a uma guerra entre to, execução do contrato e o local onde foi
do adversário. Esta­dos: 4.1. pela conclusão de um tratado cometido o ato ilícito.
de paz; 4.2. pela debellatio, ou seja, completa
4.“Ius ad bellum”: é o direito à guerra, isto aniquilação de um dos beligerantes; 4.3. pela de- 3. Modo de utilização: são empregados
é, a legiti­mação para promovê-la. sistência, que consiste em simples cessação das como critério determinante de escolha do
hostilidades; 4.4. por meio de ato unilateral. direito a ser aplicado a uma situação de
5.“Ius in bello”: é a regulamentação da disputa jurídica, sujeita, teoricamente, a mais
guerra, ou seja, o conjunto de normas 5. Efeitos do fim de guerra entre Estados: de um ordenamento jurídico.
aplicáveis à situação de guerra (direito de 5.1. cessa­ção absoluta das hostilidades; 5.2.
guerra). cessação dos direitos e deveres de beligerância 4. Seqüência de aplicação do método do
5.1. Fontes do direito de guerra: a) tratados e neutralidade; 5.3. restabeleci­mento das rela- DIP para determinar a lei aplicável: 4.1.
interna­cionais; b) regulamentos militares ções diplomáticas; 5.4. solução do conflito que caracterização da situação ou da relação
internos dos Estados, especialmente os das levou à guerra; 5.5. anistia aos atos políticos ou jurídica, classificando-a (quanto ao estado
grandes potências; c) o direito consuetudiná- mi­litares cometidos pelos beligerantes durante da pessoa, sua capacidade, situação de
rio, baseado freqüentemente em interpreta­ o Estado de guerra, exceto os crimes graves um bem); 4.2. localização da sede jurí­dica da
ções do manual das leis de guerra terrestre como tortura, geno­cídio etc; 5.6. manutenção do questão (o estado da pessoa tem localização
das Con­venções de Haia, de 1907. estado das coisas quando do término das hosti- no país de sua nacionalidade ou de seu domi-
5.2. Formas de se iniciar uma guerra: a) lidades, exceto se o tratado de paz dispuser de cilio), que leva ao elemento de conexão; 4.3.
pela prática de atos hostis de um Estado outro modo; 5.7. restabelecimento dos tratados aplicação da regra de conexão que permite
contra outro; b) com o não-atendimento a rompidos, quando esta disposição constar do indicar a norma aplicável.
um “ultimatum”, dado por um Estado, de tratado de paz.
que, se determinadas condições não forem 5. Elementos de conexão mais utilizados:
atendidas, será empregada a violência ar- 6. Tratado de paz: geralmente segue as regras 5.1. na­cionalidade; 5.2. domicílio.
mada; c) quando um Es­tado considera que dos tratados em geral. O Direito Internacional
outro praticou ato hostil, indepen­dentemente não admite cláusulas leoninas. Em regra, são 6. Posição do Brasil: antigamente era
da intenção; d) com uma declaração formal incluídas as cláusulas referentes à reparação adotada a nacionalidade, sendo que, com a
de guerra. dos danos. A entrega do território ocupado ao entrada em vigor, em 1942, da denominada
Estado vencido só ocorre quando expressa­mente Lei de Introdução ao Código Civil, passou-se
Declaração prevista no tratado de paz. a adotar o domicílio.
de Guerra Link Acadêmico 8
Direito Internacional
1. Conceito: é o ato estatal, formal, mediante Privado
o qual um Estado comunica a outro, ou a
outros, sua iniciativa de instaurar o estado 1. Conceito: é o ramo da ciência jurídica que
de guerra. consiste em um complexo de normas e princí-
pios que, atuando nos diversos ordenamentos A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida
2. Competência para declarar guerra: o jurídicos, estabelece qual o direito aplicável a dos estudos das disciplinas dos cursos de
Direito Inter­nacional remete ao direito interno determinadas relações jurídicas, públicas ou pri- graduação, devendo ser complementada com o
de cada país a deter­minação da competência vadas, envolvendo particulares, estando presente material disponível nos Links e com a leitura de
para a declaração de guerra. Nos EUA e no o elemento estrangeiro. livros didáticos.
Brasil (entre nós, por força da CF, art. 84,
XIX), compete privativamente ao presidente 2. Fundamentos nos quais repousam a
da República declarar a guerra, mediante existência do Direito Internacional Privado: Direito Internacional – 3ª edição - 2009
autorização do Congresso Nacional. 2.1. a existência de conflitos de leis no espaço,
Coordenador:
isto é, o fato de existirem leis de diferentes Carlos Eduardo Brocanella Witter, Professor uni-
Guerra Interna e países regulando uma mesma matéria; 2.2. a versitário e de cursos preparatórios há mais de 10
Golpe de Estado extraterritorialidade das leis, isto é, a autorização anos, Especialista em Direito Educacional; Mestre
que todos os países devem conceder para que em Educação e Semiótica Jurídica; Membro da
1. Conceito de guerra interna: é a guerra leis estrangeiras sejam aplicadas dentro de seu Associação Brasileira para o Progresso da Ciência;
civil, isto é, aquela travada no interior do próprio território; 2.3. a existência do intercâmbio Palestrante; Advogado e Autor de obras jurídicas.
território de um único Estado. A denominação universal, melhor representado pelo comércio
interna é utilizada para diferenciá-la da guerra internacional. Autor:
internacional.
Renato Duarte, Advogado e Professor de Direito
3. Objeto do Direito Internacional Privado: 3.1.
2. Conceito de golpe de estado: é uma rea- uni­formização das leis, mediante a criação de um Internacional.
ção contra tentativas de mudanças reformis- direito uniforme; 3.2. nacionalidade; 3.3. condição
tas nas instituições políticas estabelecidas, jurídica do estrangeiro; 3.4. reconhecimento dos A coleção Guia Acadêmico é uma publicação
com o objetivo de preservar a estrutura de direitos adquiridos no plano internacional; 3.5. da Memes Tecnologia Educacional Ltda. São
dominação existente. Em geral é promovido conflitos de leis. Paulo-SP.
por militares com o apoio do grupo de poder Endereço eletrônico: www.memesjuridico.com.br
dominante, e tem como conseqüência a ado- 4. Principais fontes do Direito Internacional
ção de um sistema de governo autoritário. Priva­do em geral: 4.1. as leis internas de cada Todos os direitos reservados. É terminantemente
país; 4.2. os tratados e as convenções interna- proibida a reprodução total ou parcial desta
Neutralidade cionais; 4.3. o costume interno; 4.4. o costume publicação, por qualquer meio ou processo, sem
internacional; 4.5. a jurisprudência; 4.6. a doutri- a expressa autorização do autor e da editora. A
1. Conceito: é ato discricionário do Estado na; 4.7. a boa razão. violação dos direitos autorais caracteriza crime,
que não deseja envolver-se em conflito entre
Elementos sem prejuízo das sanções civis cabíveis.
outros Estados.
de Conexão
2. Deveres dos neutros: 2.1. de ação: proi-
bir a utili­zação de seu território, por qualquer 1. Conceito: constituem parte da norma indicativa
dos beligerantes, como base de operação ou indireta do Direito Internacional Privado, com
de guerra; 2.2. de abstenção: não praticar o auxilio da qual se procede à determinação do
qualquer ato hostil aos beligerantes nem direito aplicável ao caso concreto. São as parti-
prestar-lhes auxílio. cularidades do fato que o põem em relação com
dois ou mais meios sociais e jurídicos distintos.
3. Direitos dos neutros: 3.1. fazer respeitar
sua neutra­lidade; 3.2. integridade do seu

WWW.MEMESJURIDICO.COM.BR
6